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Numero do processo: 13808.000781/87-03
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 1989
Ementa: PIS-DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA - A decisão do Colegiado que declarou a nulidade da decisão singular no processo matriz, repercute
no processo decorrente. Declarada a nulidade da decisão de primeiro
grau.
Numero da decisão: 101-78.811
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à D.R.F. em São Paulo (SP), a fim de que seja prolatada nova decisão de primeiro grau, à vista do que for decidido no processo matriz, por força do Acórdão n° 101-78.766, de 19-06-89, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Candido Rodrigues Neuber
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DE 1985 e 1986 Recorrente JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉRCIO LTDA. Recorrid DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO — SP PIS-DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA - A decisão do Colegiado que declarou a nulidade da deci- são singular no processo matriz, repercute no processo decorrente. Declarada a nulidade da decisão de primei- ro grau. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÃRIOS E COMÉRCIO LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remes- sa dos autos à D.R.F. em São Paulo (SP), a fim de que seja prolatada' nova decisão de primeiro grau, à vista do que for decidido no proces- so matriz, por força do AcOrdão n9 101-78.766, de 19-06-89, nos ter-- 1 mos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 21 de junho de 1989. a 1URGE ,REIA LO D S - PRESIDENTE é401~..":".~ 1,0 RODRIGUES'N - RELATOR AFONS (:).°-FERREIRA DE AMPOS - PROCURADOR DA FAZEN VISTO EM DA NACIONAL - SESSÃO DE: 2 JUN 1989 V.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, RAUL PIMENTEL e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. Ausente o Sr. Conse lheiro CELSO ALVES FEITOSA. // 2 '. -''X.* , r .A‘,:;k , ''.,•.,4w4-' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N'? 13808/000.781/87-03 RECURSO N9: 52.500 , AcORDA01" 101-78.811 RECORRENTE : JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Recorre JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉR CIO LTDA., da decisão de primeira instância que indeferiva„impug nação ao auto de infração de fls. 06. A exigência é de PIS-DEDUÇÃO do imposto de renda I , pessoa jurídica, relativa aos exercícios de 1985 e 1986,períódo- base de 01.02.83 a 31.01.84 e de 01.02.84 a 31.01.85,respectiva- i mente, no valor equivalente a 3.051,95 OTN's, que mais os acrés- cimos legais eleva-se a 5.156,72 OTN's, em decorrência de omissão de receita em ação fiscal externa desenvolvida na empresa,proces i so n9 13.308.000.782/87-68, conforme descrito no verso do referi do auto. ' Ciência no próprio auto de infração em 18.05.87. Às fls. 01 a 03, cópias das peças básicas do proces so principal ou matriz. A exigência foi impugnada em 04.06.87, com a junta- da de impugnação de igual teor da apresentada no processo ma- triz, fls. 08 a 12. Às fls. 14, o autuante juntou cópia da informação I fiscal do processo matriz, opinando pela manutenção da_exigência. Cópia da decisão singular prolatada no processo ma- AA)\i-(-4) , DMF - DF /19 C-C - Secgi af - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.781/87-03 3 Acórdão n9 101-78.811 triz que julgou procedente a ação fiscal, às fls. 15 a 17. Decisão de primeiro grau, às fls. 18 a 19, mantendo' a exigência, sob a seguinte ementa, verbis: "PIS-Decorrente. Ex. 1985 e 1986. O decidido no processo matriz da pessoa jurídica faz coisa julgada no processo reflexo PIS." A decisão de primeiro grau foi assim fundamentada verbis: "CONSIDERANDO que a exigência do tributoqUe decorreu de ação fiscal levada a termo na firma; CONSIDERANDO que o lançamento reflexo deve ter o mes mo destino do processo matriz; CONSIDERANDO que o lançamento efetuado contra a impug nante foi integralmente mantido conforme decisão ane - xa (fls. ); CONSIDERANDO que o lançamento está devidamente funda mentado no art. 39, a, e § 19 da Lei Complementar nV 7/70 e a multa amparada pelo disposto no art. 49 da DL n9 2052/84 combinado coma portaria MF n9 01/74 , II; CONSIDERANDO tudo o mais que de processo consta deci do conhecer da impugnação interposta por tempestiv-á- para no mérito, indeferila por improcedente,manten- do o lançamento pelos seus legais fundamentos." Ciência da decisão em 14.12.88, conforme "A.R" de fls. 23. Inconformada, interpôs o apelo de fls. 24 a 26,atra- vês de procuradores habilitados, conforme instrumento de fls.27 . Anexou cópia do apelo interposto no processo matriz, fls. 28a44. Alega, em substância, que "... não auferiu lucro ou não auferiu lucro diverso do já oferecido à tributação - conforme ficou de- monstrado no recurso interposto à decisão proferida no processo - n9 13808-000.782/87-68 (doc. anexo), cujas razões requer sejam consideradas parte integrante deste."; "A ausência de lucro e,con sequente de imposto de renda devido, inviabiliza, juridicamente /1-2 SERVIÇO PÚBLiC0 FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.781/87-03 4 Acórdão n9 101-78,811 a exigência da contribuição para o PIS, ..." ; "..., não é apli- cável a multa a que se refere o art. 728,11, do RIR, que também' pressupõe a existência de imposto devido ..." e que por se tra- tar de exigência reflexa, a improcedência da autuação principal' implicará, necessariamente, a insubsistência desta. É o relatório. j /1/1 4/7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.781/87-03 5 AcOrdãon9 101-78.811 VOTO_ Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator: O recurso e tempestivo. Conforme relatado, a exigência objeto dos autos e decorrente da exigância tributária constituída no processo número 13808-000.782/87-68, cujo recurso foi protocolizado neste Conse-4 lho sob o n9 93.626. A recorrente alega as mesmas razões expendidas no f recurso interposto no processo matriz, consistentes em não reco- nhecer a omissão de receita de alugtieis. Ponderou que o julgador' em primeira instância apreciou tão somente a espontaneidade ou não do pedido de retificação de deciaraçOes. Apreciando o recurso interposto no processo ma- f triz, esta Câmara decidiu declarar a nulidade da decisão de ;pri- meiro grau e determinar a remessa dos autos ã autoridade "a -cluc5" para cfue outra decisão fosse prolatada, por ter entendido caracte rizado cerceamento do direito de defesa, conforme Acórdão número 101-78.766, de 19-06-89. Sendo o presente procedimento "ex-Officio" decor- rância do lançamento efetuado contra a empresa no supracitado pro cesso, a decisão lá adotada repercute no processo decorrente dada a íntima vínculação de causa e efeito. Pelas razões expostas, voto no sentido de decla- rara nulidade da decisão singular e determinar a remessa dos au- tos ã repartição de origem, para que outra seja prolatada consen- tânea com a decisão que vier a ser exarada no processo matriz. A)C eir0 RO:- -4 k.".BER - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.002639/2007-00
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/04/2007
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO EM LEI. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MULTA EXCESSIVA E CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. MULTA. VALOR FIXADO EM LEI. RELEVAÇÃO. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/04/2007 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO EM LEI. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MULTA EXCESSIVA E CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. MULTA. VALOR FIXADO EM LEI. RELEVAÇÃO. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/04/2007 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO EM LEI. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MULTA EXCESSIVA E CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. MULTA. VALOR FIXADO EM LEI. RELEVAÇÃO. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 26 39 /2 00 7- 00 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 137 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.055.2091, CFL.34, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 25/04/2007, conforme AR, de fls. 15. O autuado impugnou o lançamento em, 10/05/2007, fls. 18 a 27, acompanhado dos documentos, de fls. 28 a 42. Consta, as fls. 43 a 46, uma petição apresentada pelo Sr. Wanderley Borges de Melo. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 47; 74 e 75. O órgão julgador de primeiro grau baixou os autos em diligência, fls. 49 e 50, pois não havia no REFISC menção a grupo econômico para justificar a responsabilidade solidária. O agente lançador elaborou o Relatório Fiscal Complementar, de fls. 51 a 55, remetendoo as empresas solidárias, AR, de fls. 56 a 62, ORBX INCORPORADORA S/A; EBM INCORPORAÇÕES S/A e a própria impugnante SOCIEDADE RESIDENCIAL GOIÁS DOIS S/A. A empresa impugnante manifestouse sobre o relatório complementar, as fls. 65 a 70, que esta acompanhado dos documentos, de fls. 71 e 72. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0327.749 5ª Turma da DRJ/BSA, em 04/11/2008, fls. 76 a 88, no qual o lançamento foi considerado procedente. Os contribuintes, citados abaixo, tomaram conhecimento desse decisório. ORBX Incorporadora S/A, em 13/03/2009, pelo AR, de fls. 92; EBM Incorporações S/A, em 13/03/2009, pelo AR, de fls. 93; Sociedade Residencial Goiás Dois S/A, em 13/03/2009, pelo AR, de fls. 94. Irresignada a autuada Sociedade Residencial Goiás Dois S/A, as fls. 96 e 97, apresentou petição recursal, recebida em 14/04/2009, com razões recursais, as fls. 98 a 110. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 138 3 As responsáveis solidárias ORBX Incorporadora S/A, as fls. 111 e 112, e a EBM Incorporadora S/A, as fls. 121 e 122 apresentaram recurso voluntário, com razões recursais, respectivamente, as fls. 113 a 120 e 123 a 131, desacompanhados de quaisquer documentos. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Recurso da Sociedade Residencial Goiás Dois S/A. · que não existe o grupo econômico caracterizado pelo fisco, pois não corresponde a realidade dos fatos, bem como a solidariedade deve estar expressa em lei artigo 124, II, do CTN, sendo que o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 regula a matéria na seara previdenciária, mas não oferece maiores detalhes, ficando tal caracterização para o artigo 748, da IN 03/2005, porém no caso em questão não ficou caracterizado direção, controle ou administração entre as pessoas físicas e jurídicas; · que com apoio na CF/88 princípio da legalidade e legalidade estrita, bem como no artigo 97, do CTN, que dizem que o fato gerador e a sujeição passiva, só podem ser definido por lei, não pode a solidariedade ser estabelecida por portaria, resolução, instrução normativa, ordem de serviço e outro ato administrativo, uma vez que vige a estrita legalidade, artigo 150, I, da CF/88 no campo tributário, sendo usurpação da funções do poder legislativo; · que o fisco entendeu que a recorrente não contabiliza suas despesas em contas próprias, a exemplo citou as notas fiscais de serviços de vigilância lançadas em contas de publicidade e propaganda, porém tal entendimento não pode prosperar, pois tal despesa foi feita com o stand de vendas e sua manutenção, o que implica em divulgação do empreendimento, sendo propaganda e publicidade, como afirma o parecer dos contadores, junto à impugnação, cita doutrina, estando tal conduta de acordo com as técnicas contábeis, estando regulares os lançamentos de ativo, passivo, receita e despesa; · que a sociedade foi organizada para propósito específico, sob o CEI 50.012.79725/75, vedando a sua participação em negócios estranhos a obra, adotando padrões de governança e contabilidade padronizada, sendo possível verificar a consistência dos lançamentos contábeis, que nem eventual diferença entre o DISO e os lançamentos abalam tal constatação, sendo tal declaração meramente informativa sem valor administrativo ou judicial; · que a supostas irregularidades apontadas não impediram ou dificultaram a atuação do fisco, o que por si só descaracteriza o auto por falta de motivação; · que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido está dispensada de apresentar escrituração contábil, conforme artigo 516, do RIR, combinado com o artigo 60, § 6º, III, da IN SRP/03/2005 e este é o caso da recorrente, não podendo o fisco utilizar estes apontamentos, apesar de a sua escrituração atenderem as normas de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 139 4 contabilidade, devendo as autoridades fiscais terem solicitado o livro caixa e não as demonstrações contábeis, não o fazendo suas considerações são invalidas; · que a pena aplicada deve ser estribada na gravidade da conduta, pois a aplicação de sanções cumulativas traz prejuízos a recorrente, cita a Súmula 171 do STJ, sendo sanável a irregularidade apontada pelo fisco, o que é reconhecido pelo artigo 291, do RPS, podendo tal multa ser abrandada, caracterizando anistia, desde que preenchidos certos requisitos, como é nosso caso, primariedade, correção da falta até a decisão administrativa de primeiro grau, inexistência de agravantes e pedido de relevação no prazo de defesa, não havendo prejuízo ao erário deve ser aplicado o artigo 291, porém caso não atendido os requisitos deve a multa ser relevada pela inexistência de prejuízo ao erário, conforme vem decidindo o TITSP, transcreve decisão, que apesar da decisão ser relativa a descumprimento de obrigação acessória junto ao fisco estadual, pode ser aplicada analogicamente; · que a aplicação de multa no valor de R$ 11.951,21, não é razoável ante a ausência de lesão ao erário, sendo excessivo e confiscatório, não podendo a multa ter caráter arrecadatório, não havendo prejuízo ao fisco e nem máfé por parte da recorrente; · Pede e requer a recorrente: a) conhecimento e provimento do recurso, reconhecendose os vícios formais e decretando a nulidade da autuação; b) decretação da improcedência e insubsistência no mérito; c) acolhimento dos fundamentos do recurso e reconhecimento da insubsistência do AI; · Requer, ainda, que: a) as intimações sejam remetidas ao endereço que declina, bem como sejam simultânea e concomitantemente remetidas ao causídico informado, no outro endereço apontado; b) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral. Recurso da solidária ORBX Incorporadora S/A e da EBM Incorporadora S/A. · que não existe o grupo econômico caracterizado pelo fisco, pois não corresponde a realidade dos fatos, bem como a solidariedade deve estar expressa em lei artigo 124, II, do CTN, sendo que o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 regula a matéria na seara previdenciária, mas não oferece maiores detalhes, ficando tal caracterização para o artigo 748, da IN 03/2005, porém no caso em questão não ficou caracterizado direção, controle ou administração entre as pessoas físicas e jurídicas; · que com apoio na CF/88 princípio da legalidade e legalidade estrita, bem como no artigo 97, do CTN, que dizem que o fato gerador e a sujeição passiva, só podem ser definido por lei, não pode a solidariedade ser estabelecida por portaria, resolução, instrução normativa, ordem de serviço e outro ato administrativo, uma vez que Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 140 5 vige a estrita legalidade , artigo 150, I, da CF/88 no campo tributário; por usurpação da funções do poder legislativo; · que a responsabilidade solidária atribuída não pode prevalecer, pois apenas alicerçada na qualidade de sócia da empresa autuada, pois nos termos do artigo 135, do CTN, quando ocorrido excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis, revelandose claro que a responsabilidade dos sócios é a atribuídas as pessoas em função dos atos de gestão, sendo isso responsabilidade tributária por substituição, não sendo a responsabilidade do artigo 135, do CTN solidária, mas por substituição, decorrendo esta da qualidade de gestor e não sócio, cita decisões judiciais, que quando muito poderiase falar em responsabilidade subsidiária, caso o devedor principal não pague o débito, não podendo prevalecer a responsabilização solidária; · Pede e requer: a) provimento do recurso com a exclusão da solidariedade; b) informações sobre local, data e hora de julgamento para sustentação oral; c) que a intimações/notificações e outros comunicados sejam remetidas ao causídico informado, endereço apontado. O órgão preparador reconheceu a tempestividade dos recursos, fls. 132 e 134. Os autos subiram ao CARF, fls. 134. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 141 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado Ressalto que os três recursos apresentados, a saber: a) sujeito passivo principal; b) duas empresas solidárias, serão julgados em conjunto, pois de uma forma geral contestam a formação do grupo econômico com teses iguais ou assemelhadas. A instituição de solidariedade não exige lei complementar e mesmo que exigisse o artigo 124, I e II, da Lei 5.172/66 cuidaram do assunto, assim o interesse comum esta contemplado no inciso I, do artigo 124, citado acima, e o inciso IX, do artigo 30, da Lei 8.212/91 atende, o que exigido pelo inciso II, do artigo 124, citado acima, ou seja, pelo dois prismas a situação está conforme a lei. Como demonstrado não há violação ao princípio da legalidade, pois a solidariedade não está suportada por IN esta foi suscitada apenas a título de esclarecimento e não fundamentação. A caracterização do grupo não foi baseada em instrução normativa esta apenas foi citada para demonstrar o pensamento do órgão previdenciário sobre a matéria, mas tal caracterização está suportada na lei artigo 30, IX, da Lei 8.212/91; artigo 124, da Lei 5.172/66 e outros citados nos autos. Mas, ainda, que assim não fosse o artigo 100, I, da Lei 5.172/66 admite que atos normativos complementem ou esclareçam o que a lei já diz. Aliás, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, nos termos da ementa abaixo transcrita admite a solidariedade em grupo econômico de fato com alicerce nas normas suscitadas pela fiscalização, observe. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 142 7 POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 143 8 advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. ..EMEN: (RESP 200901142420, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:03/02/2011 ..DTPB:.) (o destaque é meu). Assim, não há violação ao princípio da legalidade, pois a caracterização do grupo econômico encontra suporte na lei, basta ver o Relatório Fiscal Complementar. A caracterização de solidariedade pelo artigo 124, I e II e artigo 135, da Lei 5.172/66 contemplam situações distintas e no presente caso o lastro legal é o artigo 124, não sendo pertinente as alegações com base no artigo 135. No curso da ação fiscal ficou cristalino para o agente lançador e este consignou em seu relatório fiscal de forma clara e objetiva as falhas encontradas na contabilização dos custos da empresa, conforme a seguir transcrito. 3. A contabilidade não atende o que determina a Lei 8.212/91 em seu artigo 32 inciso II e o Regulamento Previdência Social RPS em seu art. 225, parágrafo 13 inciso II que dispõe: cabe ao responsável pela obra de construção civil, pessoa jurídica, a obrigação do registro mensal em contas individualizadas de sua contabilidade, de todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as não integrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Estando ainda a empresa obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 4. A escrituração não atende, ainda, o que dispõe o art. 419, parágrafo Calico da IN/SRP n. 03/2005: "0 responsável pela obra de construção civil, pessoa jurídica, esta obrigado a efetuar escrituração contábil relativa à obra, conforme previsto no inciso IV do art. 60, observado o disposto nos §§ 40, 50 e 70 do mesmo artigo. Parágrafo único. "A empresa construtora deverá escriturar os lançamentos contábeis em centros de custo distintos para cada obra própria ou obra que executar mediante contrato de empreitada total". 5. Foi verificado que constam vários documentos lançados em contas diversa de sua natureza. 6. A titulo de amostragem de lançamentos efetuados em contas indevidas, abaixo relacionamos as Notas Fiscais de Serviço referente à vigilância (em anexo cópias das Notas Fiscais): Empresa Nº NF data Serviço Conta Lançada Arlindo Acabamentos Ltda 586 18/11/03 Vigia Noturno Prop. e Publicidade (3.2.1.4.00.001) Arlindo Acabamentos Ltda 599 05/12/03 Vigia Noturno Prop. e Publicidade (3.2.1.4.00.001) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 144 9 Arlindo Acabamentos Ltda 640 16/03/04 Vigia Noturno Prop. e Publicidade (3.2.1.4.00.001) A situação das notas fiscais não são únicas em si, sendo apenas um exemplo da amostra de irregularidades. Mas o fato de serem os vigias usados para a vigilância e segurança do stand de vendas, não transforma esta despesa e propaganda e publicidade, como que fazer crer a recorrente. O fato de a empresa notificada ser sociedade de fins específicos e que se encerra com o recebimento de todas as parcelas não altera em nada a situação do lançamento e do crédito, pois o lançamento se rege pela legislação em vigor na ocorrência do fato gerador e a situação fática se subordina a legislação, isto é, o procedimento fiscal busca e materializa o que de fato e de direito foi comprovado, dando efetividade ao princípio da verdade material. O fato de o fisco independentemente das irregularidades praticadas pela recorrente ter sido capaz de levar a cabo a sua missão, não elimina a infração a lei tributária praticada pela empresa, pois a caracterização da infração não depende do alcance da autuação do fisco, não é para menos que o fisco se aparelha com corpo técnico adequado para as suas finalidades. No que tange a necessidade de escrituração fiscal a questão foi resolvida em primeiro grau, conforme explanou a I. Relatora no acórdão e que aqui adoto como razão de decidir, que transcrevo abaixo. Quanto a alegação da interessada, de que, por ser empresa optante do regime de tributação pelo Lucro Presumido, estaria dispensada da apresentação da escrituração contábil, e que, portanto, não poderia ser autuada por impropriedades cometidas nos Livros Diário e Razão, temse que: A legislação previdenciária é clara quanto ao modo como se dá a dispensa da apresentação da escrituração contábil, qual seja, mediante a apresentação do Livro Caixa e do Livro dc Registro dc Inventário. Caberia, então, A interessada, se não quisesse exibir seus Livros Diários, quando da solicitação da escrituração contábil, a apresentação desses documentos de escrituração simplificada com a prova do cumprimento legal da dispensa de escrituração contábil. Todavia, a dispensa da apresentação dos Livros Diário e Razão prevista na legislação não se traduz cm proibição, pelo que, ao decidir exibilos à fiscalização, a empresa se submete ao exame da regularidade da escrituração apresentada. Conforme verificado no presente Al, a empresa não contabilizava as despesas da obra do Edifício RES. SPAZIO D1TALIA (CEI 50.012.19725/75) em centros de custos distintos, como determina a legislação previdenciária. Assim, a detecção de incorreções na escrituração contábil exibida, tal qual a relatada, enseja a lavratura de auto de infração, nos 101 termos do art. 293, do Regulamento da Previdência Social, bem como ampara a apuração do débito por aferição indireta (art. 33, § 60, da Lei 8.212/1991), não sendo válido ao contribuinte argüir que estava desobrigado de sua apresentação. Salientese, por fim, que a empresa não foi autuada pela não entrega do Livro Caixa, que, de fato, não foi solicitado no TIAD, mas por irregularidades em sua escrita contábil, que, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 145 10 conforme visto, independentemente de ser o sujeito passivo optante ou não pela tributação com base no Lucro Presumido, deve obedecer a legislação em vigor no que tange a sua elaboração. Além do que dito acima e que por si só é suficiente para afastar a alegação feita pela recorrente, também, devese ter em mente, que não há nos autos provas de que a empresa está vinculada ao regime de tributação do lucro presumido, artigo 333, II, da Lei 5.869/73. No que tange a aplicação da multa a empresa recorrente não tem razão em suas alegações e equivocase quanto a elas. Inicialmente, não há a aplicação de multas cumuladas, nos presentes autos foi aplicada apenas uma multa por descumprimento de dever instrumental determinado por lei, estando a multa igualmente fixada em lei. O contribuinte não tem a capacidade e nem o conhecimento necessário das atividades do fisco para determinar e decidir se a multa causou ou não prejuízos ao erário, além do que tais prejuízos não precisam ser necessariamente de cunho patrimonial, bastando causar dificuldades à fiscalização entre outros. O contribuinte não preenche os requisitos do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, haja vista que não comprovou a regularização da falta, pois esta consistiria em promover a correção dos livros fiscais, mas não há nos autos tal prova, o que é obrigação do contribuinte, artigo 333, II, da Lei 5.869/73. No caso da infração a legislação aplicase o artigo 136, da Lei 5.172/66. A decisão do TIT paulista não pode ser aplicada ao caso, pois não cuida da inexistência de lesão ao erário, mas sim a inexistência de dolo, fraude e máfé e de situações peculiares ao caso lá julgado. Nenhuma dessas situações estão presentes nos autos em vergasta, ou seja, não há identidade de caso para a aplicação de analogia. O valor do AI por certo não tem o atributo de ser absurdo como alega a recorrente, pois seu valor é de módicos R$ 11.951,21, o que por certo para uma empresa que constrói prédios orçados em milhões de reais não deve representar muita coisa. De qualquer forma este é o valor que o legislador em seu prudente arbítrio entendeu mensurável para a infração tributária cometida pelos contribuintes em razão da falta que origina a aplicação da multa sanção. Os alegados critérios anacrônicos de fixação, que não foram demonstrados e que em verdade não existem, pois a multa é corrigida anualmente nos termos do artigo 102, da Lei 8.212/91. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.002639/200700 Acórdão n.º 2803002.660 S2TE03 Fl. 146 11 Indefiro o pedido de intimação para realização de sustentação oral, ante as disposições do RICARF. Indefiro o pedido de intimação em nome dos causídicos e nos endereços destes, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas de comunicações ao sujeito passivo. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005328/2008-20
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRFONTE - Comprovação de Recolhimento ou Compensação
Comprovada por documentação hábil que houve a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificada a fontes pagadora, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento.
No caso dos autos a fonte pagadora efetuou a compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior com parte do IRFonte do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar um IRRF de R$ 2.278,94.
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt).
.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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No caso dos autos a fonte pagadora efetuou a compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior com parte do IRFonte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar um IRRF de R$ 2.278,94. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 53 28 /2 00 8- 20 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 . Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.005328/200820 Acórdão n.º 2202002.488 S2C2T2 Fl. 101 3 Relatório Contra o contribuinte Cleber Sergio dos Santos, CPF 009.816.13691, foi lavrada a Notificação de Lançamento, fh. 06/09, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, formalizando a exigência de crédito tributário, no valor de R$ 8.096,85, calculado até março de 2008. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 09 que o contribuinte compensou indevidamente Imposto de Renda na Fonte. Consta, ainda, que regularmente intimado a comprovar os valores compensados a titulo de imposto de renda retido na fonte, o contribuinte não atendeu à intimação. Que, em decorrência do não atendimento da intimação, e conseqüente não comprovação foi glosado o valor de R$ 5.617,72, indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda na Fonte (IRRF). O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 01 a 04, alegando, em síntese, que: • A fonte pagadora TMil Tecnologia de Montagens e Indústria Ltda, entregou sua DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte 2004, no dia 26/02/2004, conforme cópia anexada à impugnação (fls.15/16); • Na DIRF 2004 da fonte pagadora, foram informados corretamente os valores dos rendimentos, as deduções e, sobretudo, o valor do Imposto Retido, no montante anual de R$5.617,72, conforme se pode comprovar pela copia acostada aos autos; • A Notificação de Lançamento ora debatida vem eivada de irregularidades, uma vez que informa que fora glosado da Declaração de Ajuste Anual 2004 todo o valor declarado como Imposto de Renda retido na fonte, ou seja, o mesmo valor retido pela fonte pagadora e devidamente declarado na DIRF 2004. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte– DRJ/BHE, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos pela procedência do lançamento, através do acórdão DRJ/BHE n° 0219.255, de 26 de setembro de 2008 (fls. 31/54) consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Deve ser mantida a glosa do Imposto de Renda retido na fonte, quando não ficar comprovado que o valor foi recolhido e que o contribuinte é sócioadministrador da fonte pagadora dos rendimentos. Lançamento Procedente Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Devidamente cientificado dessa decisão em 07 de novembro de 2008, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 09 de dezembro de 2008, às fls 38/53, onde reitera os argumentos da impugnação, e alega que o valor retido foi compensado pela fonte pagadora, conforme documentos de fls. 55 a 106. Em sessão de julgamento realizada em 30 de novembro de 2010, o autos foram convertidos em diligência, através da Resolução 220200.098, onde foi determinado: A autoridade lançadora glosou o IRFonte compensado pelo Recorrente por se tratar o mesmo sócio e administrador da fonte pagadora. Podemos verificar nos documentos de fls. 55 e 106, que a fonte pagadora no caso a empresa TMIL Tecnologia de Montagens e Indústria Ltda. CNPJ 25.272.949/000171 informou através do PER/DCOMP que efetuou compensações de IPI como o IRRF que era responsável. Não há informações nos autos se essas compensações foram homologadas ou indeferidas. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora verifique se as compensações informadas nas fls. 55 a 106 foram homologadas ou indeferidas, e se o valor compensado é suficiente para liquidar o valor glosado. A diligência foi devidamente cumprida, e os autos retornaram para serem julgados novamente. É o relatório Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.005328/200820 Acórdão n.º 2202002.488 S2C2T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior A autoridade lançadora glosou o IRFonte compensado pelo Recorrente por se tratar o mesmo sócio e administrador da fonte pagadora. Tendo em vista que nos documentos de fls. 55 e 106, foi verificado que a fonte pagadora no caso a empresa TMIL Tecnologia de Montagens e Indústria Ltda. CNPJ 25.272.949/000171 informou através do PER/DCOMP que efetuou compensações de IPI como o IRRF que era responsável. Não há informações nos autos se essas compensações foram homologadas ou indeferidas. Houve a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora verifique se as compensações informadas nas fls. 55 a 106 foram homologadas ou indeferidas, e se o valor compensado é suficiente para liquidar o valor glosado. A diligência foi devidamente realizada onde a autoridade preparadora chegou a seguinte conclusão: “A Segunda Seção de Julgamento do CARF, solicita diligência para averiguação da extinção do IRRF informado em DIRPF do contribuinte acima especificado. A fonte pagadora seria o CNPJ de n°25.272.949/000171 e a retenção seria o código 0561, no valor de R$ 5.617,72 (ano calendário 2003). Consultando a DIRF do período, temos declarado um valor total de R$ 4.633,54 relativo aos meses de fevereiro e março de 2003, distribuído por 7 empregados, no código 0561 (conforme quadro abaixo). Desse valor declarado R$ 5.485,45 foram extintos através de Declarações de Compensação (totalmente homologadas), o que significa uma extinção dos R$ 2.278,94, para o contribuinte em questão ...” Diante do que foi verificado na diligência, foi comprovado que o Recorrente teve o valor descontado pela fonte pagadora, e que o valor foi compensado e homologado no valor de R$ 2.278,94. Nesse sentido o valor parcialmente deduzido pelo contribuinte deve ser mantido, tendo em vista a compensação efetuada pela pessoa jurídica. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou parcial provimento para reconhecer a dedução no valor de R$ 2.278,94.. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 18471.003015/2003-08
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA - IRRF - ALÍQUOTA MAJORADA DE 35%
Para remuneração indireta de administradores, há a norma de base para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35% (art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99), é norma sobrejacente (à de base), estruturada para o lançamento de ofício. Aplicável o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, com o que não se consumou a decadência.
REMUNERAÇÃO INDIRETA
Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis em outro feito, e que as são por serem remunerações indiretas, conforme o art. 358 do RIR/99, pela implicação de causa e efeito, impõe-se reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por não se ter retido o IRF segundo a tabela progressiva.
Numero da decisão: 1103-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA - IRRF - ALÍQUOTA MAJORADA DE 35% Para remuneração indireta de administradores, há a norma de base para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35% (art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99), é norma sobrejacente (à de base), estruturada para o lançamento de ofício. Aplicável o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, com o que não se consumou a decadência. REMUNERAÇÃO INDIRETA Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis em outro feito, e que as são por serem remunerações indiretas, conforme o art. 358 do RIR/99, pela implicação de causa e efeito, impõe-se reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por não se ter retido o IRF segundo a tabela progressiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 301 1 300 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.003015/200308 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.933 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 8 de outubro de 2013 Matéria IRRF Recorrente ACOC ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA IRRF ALÍQUOTA MAJORADA DE 35% Para remuneração indireta de administradores, há a norma de “base” para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35% (art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99), é norma sobrejacente (à de “base”), estruturada para o lançamento de ofício. Aplicável o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, com o que não se consumou a decadência. REMUNERAÇÃO INDIRETA Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis em outro feito, e que as são por serem remunerações indiretas, conforme o art. 358 do RIR/99, pela implicação de causa e efeito, impõese reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por não se ter retido o IRF segundo a tabela progressiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 30 15 /2 00 3- 08 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 302 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 303 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de IRRF compreendendo fatos geradores de 2/1/1998 a 31/12/1998, cujo relatório transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 160/175 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/35 e as planilhas de fls. 54/58), lavrado pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 23/12/2003 (fls. 35 e 160), para a exigência de crédito tributário de IRRF, no valor de R$22.974,20, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$64.438,37. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter sido apurada a infração abaixo: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO). O interessado não efetuou o recolhimento do IRRF incidente sobre remuneração indireta pagas referentes as despesas com benefícios aos sócios, não tendo identificado o beneficiário dessas despesas, nem incorporado esse valor As suas retiradas, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/35 e as planilhas de fls. 54/58. Conforme explicitado no Termo de Verificação de fls. 34/35, a fiscalização verificou a apropriação indevida de despesas escrituradas nas contas: Serviços de Terceiros; Depreciações; Seguros; Combustíveis e Lubrificantes; Veículos; Viagens e Estadias; Outras Despesas; IPVA; Outras Despesas Tributárias. A fiscalização aponta que os pagamentos não foram destinados a benefícios para a empresa e sim referentes a benefícios para os sócios e não integraram a remuneração dos beneficiários. Os valores que relaciona nas planilhas de fls. 54/58 foram, então, tributados exclusivamente na fonte. O enquadramento legal consta do Auto de Infração. O interessado apresentou, em 21/01/2004, a impugnação de fls. 184/186. Em sua peça de defesa, alega, em síntese, que: " se o pagamento constitui uma remuneração indireta de administradores, é necessariamente dedutível para a apuração do resultado", sendo improcedente o lançamento com relação à sociedade; os gastos referentes a anúncios e viagens são relativos à prospecção de negócios entre as empresas Acoc, ISL e Sony, com a finalidade de autorizar a utilização das logomarcas da Copa do Mundo de 1998; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 304 4 " no caso concreto o tributo na fonte é incabível como se comprova do documento anexo 1, o beneficiado pelos pagamentos Dr. Antonio Carlos de Oliveira Coelho era credor em conta corrente da sociedade", "tratandose assim, de uma simples transferência financeira e não de rendimento". Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 183 a 185, requerendo, em síntese, o que segue. Em linhas gerais, entende que o lançamento é improcedente, pois, se o pagamento constitui uma remuneração indireta de administradores, é, então, dedutível para apuração do resultado. Assim, a diferença seria apenas a incidência ou não do IRRF que gravaria o crédito. Com a revogação da legislação que estabelecia limites à dedutibilidade de pagamentos referentes a honorários de diretores, gerentes, esclarece a recorrente, automaticamente tornou obrigatória a validação da despesa paga em bens ou em moeda. Informa a recorrente que as despesas lançadas foram dedutíveis e os gastos referentes a anúncios e viagens são relativos a prospecção de negócios entre a recorrente, ISL e Sony Entertainment, as quais são detentoras das logomarcas da Copa do Mundo de 1998, para utilização de referidas logomarcas. A recorrente, descontente, não prosseguiu com o negócio mas havia arcado com o investimento feito relativo a viagens e anúncio e explicita que a informações, então, declaradas correspondem ao anúncio “Copa do mundo – 98”. Portanto, expõe a recorrente, o lançamento não poderia prevalecer vez que a verba tem natureza dedutível ainda que considerada como remuneração indireta de administradores. Entende, ainda, que o valor em questão foi apenas uma mera transferência financeira e não um rendimento e, portanto, não culminaria na incidência de IR na fonte ou por declaração. Por fim, requer o conhecimento e provimento da impugnação para o cancelamento do auto lavrado. DA DECISÃO DA DRJ A 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou procedente o lançamento. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 305 5 Expõe a Turma julgadora que não houve de recolhimento de IRRF sobre remuneração indireta paga relativa à despesa com benefícios aos sócios, cujos beneficiários não foram identificados, nem incorporado esse valor às suas retiradas. Assim, esclarece a Turma da DRJ que o artigo 74 da Lei 8.383/91 estabelece que os benefícios indiretos integram os rendimentos tributáveis dos beneficiários e se sujeitam à incidência de imposto de renda na fonte. Caso os valores correspondentes aos benefícios indiretos não tenham integrado a remuneração dos beneficiários, o imposto será pago pela pessoa jurídica e será exclusivo na fonte, conforme § 2º do mesmo artigo. Ainda, nos termos do § 3° do art. 358 do RIR/1999, os gastos com benefícios indiretos são dedutíveis na apuração do lucro real quando pagos a beneficiários identificados e individualizados. Se, por outro lado, não são identificados ou não individualizados, são indedutíveis na apuração do lucro real, inclusive o imposto incidente na fonte como exclusivo. Ainda, ressalta 3ª Turma da DRJRJ, a mera apresentação de Razão demonstrando ser Antonio Carlos de Oliveira Coelho credor em conta corrente da sociedade não tem força para elidir o lançamento. Então, além do lançamento de IRRF, é cabível a glosa das despesas e, por conseguinte, entendeu a 3ª Turma da DRJRJ que a alegação da recorrente não podia prevalecer. Entende, pois, que o lançamento de IRRF deve ser integralmente mantido, por não ter o interessado apresentado nenhum elemento de prova capaz de elidilo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a r. decisão, a recorrente, em 1/2/2007, interpôs recurso voluntário de fls. 236 a 239, reiterando o alegado em sede de Impugnação. Acrescentou, ainda, o que segue abaixo transcrito: 13. Os gastos tidos por não dedutíveis foram realizados de janeiro a dezembro de 1998 e o auto de infração foi lavrado em 23/12/03. 14. Apenas um gasto no valor de R$833,33, realizado em 31/12/98 escapa da decadência que impede a análise do mérito da causa. (...) 16. Em outras palavras, como o fato gerador foi considerado a partir de cada pagamento sobre o qual se pretende fazer incidir o imposto de renda na fonte, há de se concluir que todos os valores anteriores a 23/12/98 não podem ser mais tributados por decadência. Em 13/4/2012, a recorrente peticionou junto ao CARF, apresentando o Acórdão nº 10196.950, de 19/9/08, na qual se reconheceu a decadência do lançamento de IRRF. Acentua que a materialidade alcançada no presente lançamento é a mesma de que tratou o lançamento enfrentado naquele acórdão. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 306 6 Em 17/5/2012, os julgadores da 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, mediante o Acórdão nº 220102.469, decidiram não conhecer do recurso e declinar competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 307 7 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 233 e 236, numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, o presente feito é conexo ao processo administrativo nº 18471.003014/200355, que é o principal, ao qual este secunda. Naquele processo é discutido tanto a glosa das despesas quanto o IRRF vinculado a elas, por configurar remuneração indireta de administradores sócios. Neste feito a discussão se limita ao IRRF por remuneração indireta aos sócios, que se supõem, igualmente administradores, por se referirem à materialidade compreendida naquele processo. Tanto naquele como nesse a materialidade da glosa e da exigência de IRRF compreendem o anocalendário de 1998. Neste, aliás, limitase ao referido anocalendário. Na peça recursiva, a recorrente argui que: a) ela incorreu em despesas; b) tais despesas foram custeadas pelo sócio controlador, que se tornou credor em conta corrrente; c) essas despesas foram deduzidas e glosadas (aliás, no auto de infração objeto do outro processo mencionado); d) como consequência dessa glosa, é de se reconhecer que os gastos são efetivamente imputáveis ao sócio controlador; e) assim, reduzse o saldo em conta corrente, deixando de ser a recorrente devedora do valor que havia recebido, já que se entendeu que agira somente como mandatária do controlador, atuando por sua conta. Ora, a alegação em “b” constitui contradição de termos com a exposta em “d” e com a da segunda parte descrita em “e”. Se as despesas foram custeadas pelo controlador, que se tornara credor em conta corrente mantida junto à recorrente (= passivo da recorrente), então, como se dizer que a recorrente deixara de ser devedora do controlador, ou que o saldo de conta corrente a receber (pelo controlador contra a recorrente) ficara reduzido? A contradição é imanente às afirmações. Dizse que os gastos foram custeados pelo sócio controlador, e que assim passsou a ser credor da recorrente (ou seja, os gastos foram suportados economicamente pela Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 308 8 recorrente), e, ao mesmo tempo, o contrário, que os gastos custeados pelo sócio controlador não serão ressarcidos pela recorrente, pois esta autuara como mandatária do sócio controlador, sendo gastos imputáveis (suportados efetivamente) por esse, e não pela recorrente. A prevalecer a afirmação em “d” ou na última parte em “e”, a bem ver, a recorrente não teria incorrido em despesa alguma. Ou teria de comprovar que, em contraposição ao reconhecimento das despesas, reconhecera uma conta de resultado credora, de igual valor (a neutralizar o reconhecimento das despesas), pois a hipótese seria de gastos custeados e suportados efetivamente pelo sócio controlador, e não pela recorrente. Por outro lado, o fato de eventualmente serem indedutíveis as despesas da recorrente não tem o condão de, per se, transformar os gastos em valores efetivamente suportados pelo sócio controlador (= não serem despesas incorridas da recorrente), para se pretender afastar a concreção do tipo da remuneração indireta a sócio, ensejador do IRRF em causa, por não se reter o IRF segundo a tabela progressiva (= não imputar na remuneração do sócio). No feito conexo (processo principal), a recorrente defende não só a incorrência das despesas em comentário, como sua dedutibilidade. Diante da conexão dos processos, restam derruídas as afirmações em “d” e na segunda parte em “e”, ou seja, as de que os gastos são imputáveis ao sócio controlador da recorrente, que não só custeara, como efetivamente suportara tais despesas (gastos). A prevalecerem as afirmações em “a” e em “b” (a em “c” é fato incontroverso), i.e., que os gastos foram feitos pelo controlador da recorrente, mas suportados economicamente por essa (= despesas incorridas pela recorrente), os lançamentos contábeis poderiam ser sintetizados da seguinte forma: Débito – Despesas Débito – Despesas de depreciação a Crédito – Contas diversas a Crédito – Depreciação acumulada e Débito – Contas diversas Débito – Caixa (pelo valor da depreciação) a Crédito – Conta corrente (a pagar ao controlador ou redução de a receber de controlador) Aí se teriam despesas incorridas pela recorrente, em que os gastos teriam sido desembolsados pelo sócio controlador, mas suportados efetivamente pela recorrente. Mas as despesas deduzidas e glosadas foram restabelecidas pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 10196.950, da sessão de 19/9/08, ao se julgar o processo principal. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 309 9 Dito melhor, as despesas que configurariam supostamente remunerações indireta dos sócios, objeto deste feito para exigência de IRRF, foram reconhecidas como dedutíveis, no outro feito, exatamente por nele se reconhecer que se trata de despesas de remuneração indireta dos sócios administradores. Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis, e isso por serem remunerações indiretas dos sócios, conforme o art. 358 do RIR/99, pela mesma implicação da conexão, acima referida, aliás, implicação de causa e efeito, impõese reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por serem remunerações indireta dos sócios, às quais não se reteve o IRF segundo a tabela progressiva, i.e., não foram imputadas às remunerações dos sócios administradores. Ou seja, por implicação de causa e efeito, impõese reconhecer a aplicação do art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99: Art. 358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74): I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. § 1º. A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no art. 622 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 1º). § 2º. A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, observado o disposto no art. 675 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). [...] Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 310 10 na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 1º. O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). [...] Reiterese que as despesas que foram consideradas dedutíveis no processo principal, conforme o Acórdão nº 10196.950, são continente dos valores objeto do lançamento de IRRF discutido neste feito, como aliás, fez questão de ressaltar a própria recorrente em petição de 13/4/12 (com novo protocolo por correção do número do processo indicado, em 22/5/12). Posto isso tudo, no mérito em senso estrito, nego provimento ao recurso. Aduz a recorrente, ainda, a decadência do lançamento em dissídio, pautando se, inclusive, no referido acórdão em que se julgou o processo principal, no qual estava em jogo também o IRRF sob mesmo tipo legal. A decadência fora reconhecida com aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, porquanto o lançamento discutido naquele processo se dera em 23/12/03, e os pagamentos em 1998, antes de 23 de dezembro. Com a devida vênia, aqui, não vejo lugar para aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Não me refiro à hipótese do art. 674 do RIR/99 – IRRF por pagamento sem causa (vinculado ao art. 304 do RIR/99). Estou a dizer que, para fins do art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99, não consigo divisar a incidência do art. 150, § 4º, do CTN. Como se vê do § 1º do art. 358 do RIR/99, compete à fonte pagadora identificar os beneficiários e adicionar os valores das despesas a eles correspondentes. Vale dizer, aplicar a tabela progressiva (IRRF). O § 2º do mesmo art. 358 prevê que, na inobservância do § 1º, caberá a aplicação da alíquota de 35% de IRRF exclusivo na fonte. A estrutura do tipo do § 2º do art. 358 do RIR/99 é do lançamento de ofício conforme o art. 149 do CTN. Por conseguinte, aplicável ao caso o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Eventual ausência de retenção de IRF sob a tabela progressiva pode ensejar o pagamento pela fonte pagadora, sponte sua, de encargos moratórios, e tão só, após o prazo previsto para entrega da DIRPF, desde que evidentemente haja identificação dos e quantificação aos beneficiários. É porque, aí, ainda resta possibilidade de a hipótese de IRRF não se convolar em IRRF exclusivo na fonte (§ 2º do art. 358 do RIR/99). Dito em outras palavras, já há a norma de “base” para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35%, no caso, é norma sobrejacente (à de “base”), estruturada para o lançamento de ofício. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 311 11 Por tais razões, reputo aplicável para a hipótese de IRRF à alíquota de 35% sobre remunerações indiretas, o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Dessa forma, não se tem por consumada a decadência do lançamento, pois este se aperfeiçoara em 23/12/03 (fl. 159, numeração do eprocesso), e os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 1998. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000138/2004-61
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002
Produtos denominados "LED 5mm" e "Display de matriz", formados de diodos emissores de luz devem ser classificados no subitem 8541.40.22 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Aplicação das RGI 1 e 3, juntamente com a RGC e com as Notas Explicativas do Sistema Haimonizado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002
Multa de 1% do Valor Aduaneiro O art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35 não demanda ato regulamentar para sua aplicação;
Assim, a partir do início da vigência dessa MP, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação.
Multa de Oficio de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Taxa Selic.
A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária, inclusive as multas, é legal. Aplicação da Súmula 3° CC n° 4.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 Produtos denominados "LED 5mm" e "Display de matriz", formados de diodos emissores de luz devem ser classificados no subitem 8541.40.22 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Aplicação das RGI 1 e 3, juntamente com a RGC e com as Notas Explicativas do Sistema Haimonizado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 Multa de 1% do Valor Aduaneiro O art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35 não demanda ato regulamentar para sua aplicação; Assim, a partir do início da vigência dessa MP, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação. Multa de Oficio de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Taxa Selic. A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária, inclusive as multas, é legal. Aplicação da Súmula 3° CC n° 4. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:23:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:23:23Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:23:25Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:23:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1e250637-8128-4606-b432-7873697ad3f1; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:23:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:23:25Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:23:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:23:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:23:23Z; created: 2010-07-13T13:23:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-07-13T13:23:23Z; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:23:23Z | Conteúdo => S3-C1 T2 Fl. 106 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,°"00‘1 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.000138/2004-61 Recurso n° 342.883 Voluntário Acórdão n° 3102-00.579 — 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria IFIPI Classificação Fiscal Recorrente ECS COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 Produtos denominados "LED 5mm" e "Display de matriz", formados de diodos emissores de luz devem ser classificados no subitem 8541.40.22 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Aplicação das RGI 1 e 3, juntamente com a RGC e com as Notas Explicativas do Sistema Haimonizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 Multa de 1% do Valor Aduaneiro O art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35 não demanda ato regulamentar para sua aplicação; Assim, a partir do início da vigência dessa MP, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação. Multa de Oficio de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Taxa Selic. A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária, inclusive as multas, é legal. Aplicação da Súmula 3° CC n° 4. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. • Luis Ma o uefra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 01/03/2010 • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A empresa acima qualificada promoveu a importação do que declarou serem "Diodos emissores de luz — leds" e "Mostradores com diodos emissores de luz-displays de leds", mediante as DI's listadas as folhas 02 e 03, classificando-os na posição 8541.40.29 relativo aos "Outros dispositivos fotossensiveis semicondutores, montados, inclusive as . células voltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis". A fiscalização detectou que mediante os processos administrativos 10805.002431/2001-98, 10805.002429/2001-19 e 10805.002430/2001-43, a interessada protocolou consulta a SRRF/8(1RF a fim de determinar a classificação das mercadorias em questão. A interessada foi cientificada das Soluções de Consulta n's 01, 03 e 04 de 2003, onde a autoridade competente concluiu que os produtos em questão deveriam ser classificados na posição 8541.40.22 referente aos "Outros diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser". Desta forma, a fiscalização entendeu que o correto enquadramento tarifário se daria na posição 8541.40.22 e lavrou o auto de infração às folhas 01 a 31, cobrando o II, IPI, seus juros de mora e as multas dos artigos 44, I e 45 da lei 9.430/96 e 84, I, da MP 2.158/2001. Em sua impugnação às folhas 52 a 60, a interessada alega, em suma, que: I — a solução das consultas conclui por uma classificação inadequada, demonstrando que tal solução é eminentemente fiscalista; Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 107 2— conforme parecer técnico anexado e parecer técnico do IPEI, a classificação dos produtos em questão deve ser na posição 8541.40.11 e 8541.40.29; 3 — isto porque os displays Matriz de Pontos e de Sete Segmentos não são elaborados a partir de leds; 4 — os produtos importados não podem ser considerados montados. Os Leds de 5 mm são componentes constituídos de - - uma pastilha (chip), resina epóxi e suportes conectores, sendo esses três elementos que compõem esse Led, matérias primas; 5 — é crucial considerar que o Display de Matriz é formado a partir de um conjunto de Leds, portanto, é imperioso concluir que se um produto (o primeiro) é formado de uma série de outros (o segundo), ambos não podem ter a mesma classificação fiscal como pretende a Autoridade Fiscal; 6 — a multa prevista no artigo 636 do Decreto 4.543/2002 é totalmente descabida vez que foi publicada posteriormente à importação dos produtos ora analisados; 7 — o valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal; 8 — é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. A solução de consulta devidamente protocolada vincula tanto a Administração quanto a Consulente, devendo no prazo previsto, serem atendidas suas determinações. Lançamento Procedente Após tomar ciência da exigência em 16/06/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 16/07/2008, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Como é possível perceber, o presente litígio restringe-se à definição dos itens e subitens da Tarifa Externa Comum nos quais as mercadorias alvo de litígio seriam corretamente enquadradas, na medida em que, tanto para o Fisco quanto para o sujeito passivo, a subposição correta seria é a 8541.40. Segundo as autoridades fiscais, subitem correto seria o 8541.40.22. Já segundo a recorrente, 8541.40.11 e 8541.40.29, conforme se trate, respectivamente, do produto descrito como "LED" ou como "display". O erro da decisão recorrida, que, por sua vez, se baseia nas soluções de consulta DIANA/SRRF/8 a RF n° 01, 03 e 04, todas de janeiro de 2003, estaria essencialmente calcado em dois pontos: os produtos descritos para os quais é almejado o enquadramento no subitem 8541.40.29 são "displays de matriz", montados com cristais de LED e não LEDs propriamente ditos, bem assim que os produtos denominados LED, para os quais é almejado o enquadramento no subitem 8541.40.11, não se encontram montados. A coerência desse enquadramento restaria demonstrada na solução de consulta n° SRRF/7a RF n° 218, de agosto de 2001 e no parecer técnico de autoria do Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais, da Fundação Educacional Inaciana PE Sabóia de Medeiros, juntado às fls. 65 a 70 dos autos. Com a devida vênia, os elementos arrolados, por si só, não são capazes de founar convicção acerca da exatidão da classificação pleiteada. Em primeiro lugar, consoante a regra insculpida no § 1° do art. 50 1 da Lei n° 9.430, de 1996, não haveria restrição a alteração de entendimento acerca de matéria alvo de solução de consulta. Há, sem dúvida, restrição aos efeitos dessa refonna, que, sabidamente, só atingirá fatos geradores futuros, ex vi do § 3 0 do mesmo art. 50 da Lei n° 9.430, de 19962. Entretanto, como se pode extrair do texto desse mesmo dispositivo, esses efeitos se restringem exclusivamente ao consulente Nesse ponto, convém esclarecer que a solução de consulta 218, de 2001, diz respeito a contribuinte diverso, sediado em Região Fiscal diversa e a mercadoria produzida por fabricante diverso. Em segundo, não vejo como atribuir o efeito pretendido ao parecer acostado • ao processo. De fato. § 1° O órgão de que trata o inciso I do § 1° do art. 48 poderá alterar ou reformar, de oficio, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. 2 § 3 0 Em relação aos atos praticados ate a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1 0 deste artigo, aplicam-se as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal /47- Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 108 A valoraçã.o da prova, na hipótese de litígio administrativo tributário que envolva a classificação fiscal da mercadoria, como é cediço, encontra-se balizada no art. 30, capta e §§, do Decreto n° 70.235, de 1972.3 Dentre tais comandos, interessa especialmente à solução do presente litígio a regra insculpida no § 1°, que exclui a classificação fiscal dos universo dos aspectos técnicos, próprios de serem solucionados por peritos ou institutos de pesquisa. Àqueles, compete exclusivamente fornecer os parâmetros que permitirão o exercício desse desiderato pelo órgão judicante. • Pouco acresce à solução do litígio, portanto, a indicação de classificação consignada no laudo técnico trazido aos autos, que será tomado em consideração exclusivamente no que se refere à descrição das mercadorias alvo do presente litígio. Restrito a esse universo, vejamos o que restou consignado no referido parecer. Os produtos denominados Diodo Emissor de Luz, que recebem as referências citadas na peça recursal, foram assim descritos pelo perito contratado pelo sujeito passivo4: "Conforme foi verificado durante a inspeção, os DIODOS LED são encapsulados em um invólucro de acrílico transparente ou translúcido podendo posteriormente ser montados em placas de circuito impresso, ponte de terminais, suportes ou placas experimentais, portanto enquadrando-se no Código:" Sustenta, com base, em seus conhecimentos, que o produto em questão deve ser considerado não-montado. Diz o perito, literalmentes: "O led 5mm deve ser considerado não montado. Isso devido ao fato de que o dispositivo passa a se chamar LED somente depois que se unem, no processo de fabricação, a pastilha ("chip'), a resina de epóxi e os suportes- conectores ("lead frame'). Então o dispositivo, na sua maneira mais simples: não-montado, já possui seus terminais e seu encapsulamento, ficando com a aparência que se segue" 3 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2° A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3° Atribuir-se-á eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) 4 Trecho à fl. 67 5 Trecho à fl. 72 Para que, segundo seus conhecimentos técnicos, atingisse tal condição, deveria atingir um grau de industrialização superior ao apresentado. Já os denominados DISPLAYS, receberam a seguinte descrição6: "Conforme foi verificado durante a inspeção, os DISPLAYS são encapsulados em um invólucro de acrílico transparente ou translúcido com uma base opaca podendo posteriormente ser montados em placas de circuito impresso, ponte de terminais, suportes ou placas experimentais, portanto enquadrando-se no Código: Sustenta, o perito, com base, em seus conhecimentos, que o produto em questão não pode ser considerado como LED. Diz o perito, literalmente7: "Os displays não são constituídos a partir de leds. Os displays de Led e as matrizes de Led são constituídos de algumas pastilhas ("chips") associados de maneira a viabilizar a alimentação e o acendimento de grupos de pastilhas de maneira conveniente." Visto que não usam LEDs para construção de displays de LEDs não podemos considerá-los corno LEDs montados. ... Nota: um diodo emissor de luz montado seria, então, um cluster de leds ou uma tira de leds. Ao que parece, a recorrente parte do princípio de que displays não reúnem as condições para que sejam considerados como LEDs, montado, na medida em que os "chips" que o formam não reuniria as característica do pré-falado diodo. Somente alcançaria tal condição se representasse uma tira ou um conjunto de LEDs. À esta altura, é importante deixar claro que é perfeitamente possível que, de acordo com determinado ramo do conhecimento, o produto só possa ser denominado LED ou Display de LED se reunir determinadas características e, para efeito de enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), não. Como é cediço, a classificação de um produto na NCM, que se baseia no Sistema Hatilionizado (SH) é, essencialmente, levada a efeito segundo as regas de interpretação fixadas no texto desse Sistema. Relembre-se o que diz a Regra Geral I (os grifos não constam do original): Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: O ponto fulcral para a solução do litígio é, portanto, definir o que se entende por LED (ou diodo) completo e, em seguida, por displays de LEDs e tal definição deve partir do texto do SH. 6 Trecho à fl. 70 7 Trecho à fl. 73 6 Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n°3102-00.579 Fl. 109 Sendo certo que, como se viu, o dissenso restringe-se à definição do item e subitem adequados, há que se ter em mente o que define a RGC 1: As regras gerais para interpretação do sistema harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitern correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. A primeira questão a ser solucionada diz respeito à definição da verdadeira condição do produto denominado LED. Para a recorrente, tal produto não se encontraria montado, para o Fisco, sim. Tal distinção é essencial em razão de que, se não se encontrarem montados, a classificação correta seria a indicada pelo contribuinte: 8541.40.11. Compulsando o texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto n° 435, de 1992, mais especificamente no parágrafo único 8 do seu art. 1°, verifica-se, na nota A da Posição 8541 (os grifos não constam do original)- Entre estes dispositivos, podem citar-se: 1. Os diodos. São dispositivos com dois bornes, que possuem apenas uma junção PN e que permitem a passagem da corrente em um sentido (sentido direto) e oferecem, pelo contrário, uma grande resistência à passagem da corrente no outro sentido (sentido bloqueado). São utilizados para detecção, retificação, comutação, etc. (.--) Os dispositivos acima descritos são classificados nesta posição quer se apresentem montados, isto é, providos das suas conexões ou capsulados (componentes), quer se apresentem não montados (elementos), quer ainda em forma de discos (wafers) ainda não cortados. Todavia, as matérias semicondutoras naturais (galena, por exemplo) só se classificam aqui se se apresentarem montadas. Embora não haja dissenso com relação ao fato dos produtos em litígio serem considerados LEDs (Diodos Emissores de Luz), eis que Fisco e recorrente estão de acordo com relação à exatidão da posição 8541, o texto acima é extremamente útil para a solução do litígio à medida que define o que o SH entende por diodo montado. Como é possível verificar no texto destacado, se o diodo se encontrar capsulado ou (não confundir com "e") provido das suas conexões, deve ser considerado montado. 8 Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capitulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. 7 Vejam-se as alternativas para o enquadramento dos diodos emissores de luz, textualmente citados na posição 8541.40: 8541.40 Dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluídas as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz 8541.40.1 Não montados 8541.40.2 Montados, exceto as células fotovoltaicas em módulos ou painéis 8541.40.3 Células fotovoltaicas em módulos ou painéis Nesse ponto, com a devida licença, à luz do SH, o laudo técnico acostado incorre em equívoco, pois ali se defende que o produto só alcance a condição de montado após a sua agregação "em placas de circuito impresso, ponte de teiiiiinais, suportes ou placas experimentais". Por essa razão, razão assiste ao Fisco quando enquadra o produto no item 8541.40.2, que assim se desdobra: 8541.40.21 Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos "laser", próprios para montagem em superfície (SMD - "Sufrface Mounted Device") 8541.40.22 Outros diodos emissores de luz (LED), exceto diodos "laser" 8541.40.23 Diodos "laser" com comprimento de onda de 1300nm ou 1500nm 8541.40.24 Outros diodos "laser" 8541.40.25 Fotodiodos, fototransistores e fototiristores 8541.40.26 Fotorresistores 8541.40.27 Acopladores óticos, próprios para montagem em superfície (SMD - "Surface Mounted Device") 8541.40.29 Outros Dentre os desdobramentos do item 8541.40.2, como é possível perceber, somente os 8541.40.21 e 8541.40.22 fazem menção aos diodos de natureza semelhante à tratada no presente recurso (LED), sendo que a primeira, aplica-se exclusivamente aos "próprios para montagem em superficie, característica que nunca foi alegada. Os demais subitens, ou se destinam a diodos com características que em nada se assemelham ao presente ou tratam genericamente de diodos montados. À esta altura, há que se recorrer à Regra Geral n° 3 "a", aplicada em razão do reenvio expresso na RGC n° 1 (destaquei): a)a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um 8 Processo n0 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 110 dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Por tal razão, o subitem 8541.40.29, que o sujeito passivo alega correto para os produtos denominados "display" não se presta à classificação em razão de que o subitem 8541.40.21 é mais específico, eis que trata de outros LEDs e não simplesmente de outros diodos (que não LEDs) montados. Com efeito, assim como ocorre com os produtos denominados "LED 5mm", os displays de matriz são formados de diodos emissores de luz, que o sujeito passivo denomina "chips", mas que, segundo as regras do SH, se classificam como LEDS e encontram-se igualmente encapsulados, fatores que, somados, segundo aquelas mesmas regras, são suficientes para atribuir-lhe a mesma classificação daqueles "chips" individualmente considerados, principalmente em razão de que não foi ventilada função específica capaz de excluí-lo do contexto daquilo que o SH classifica "outros LEDs". Multa de 1% - Não vejo como afastar a multa instituída pelo art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35, 24 de agosto de 2001, posteriormente regulamentada pelo art. 636, I do Regulamento Aduaneiro sob o argumento de que este último ato regulamentar passou a viger em data posterior aos fatos geradores. Sabidamente, o respaldo legal para a imposição da multa em questão não vem do regulamento que a consolidou, mas da lei (no caso, ato com força de lei).que a instituiu, que não cobrava tal ato regulamentar para entrar em vigor. Assim, dúvida não há que, a partir do início da vigência da MP 2.158-35, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação. Multa de Ofício de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, desde a sua redação origina19. Trata-se de disposição expressa em lei, que não pode ser afastada pelo julgador administrativo, máxime após a edição da Súmula Vinculante n° 10 1 °, de autoria do e. Supremo Tribunal Federal, onde restou claramente identificado o limite deste órgão judicante. 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 1 ° DJe n° 117/2008, p. 1, em 27/6/2008. DO de 27/6/2008, p. 1. Diz o dispositivo: VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE. Igualmente esclarecedora é a manifestação da mesma corte nos autos do RE 432.597-AgR 11 : "Controle de constitucionalidade de normas: reserva de plenário (CF, art. 97): reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição." (destaquei) Por óbvio, mais relevante do que fixar a as hipóteses em que o art. 97 da Constituição Federal deve ser observado, a manifestação do Pretório Excelso delimita o que se entende por controle da constitucionalidade de lei ou ato normativo, fixando, por via indireta, os limites de atuação deste Colegiado, impedido de exercer tal controle em razão do art. 26-A do Decreto n° 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 200812. Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal nomia se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. Ineficazes, portanto, as alegações de violação a princípios constitucionais no intuito de afastar a incidência de norma vigente e formalmente apta a instituir penalidade. Taxa Selic Apesar da longa dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC aos débitos tributários, não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário, nem muito menos como pretender dar as multas tributárias tratamento diverso. Com efeito, a matéria foi alvo do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. ,§ I°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) 11 Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14-12-04, DI de 18-2-05. 12 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inc onstituc ionalidade. 10 Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 111 Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3° da Lei n° 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 0 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim sendo, penso que a pesquisa da natureza dessa cobrança pouca relevância assume para a solução do litígio. Trata-se de exigência prevista em lei cuja constitucionalidade vem sendo pacificamente reconhecida por nossas cortes superiores. Apenas à guisa de exemplo, cite-se: 1- REsp 929.995 - PE (Min. Teori Albino Zavascki, DJ. 23/04/2007) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA DE JUROS. SELIC. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A taxa à qual se refere o art. 406 do CC é a SELIC, tendo em vista o disposto nos arts. 13 da Lei 9.065/95, 84 da Lei 8.981/95, 39, § 4°, da Lei 9.250/95, 61, § 3°, da Lei 9.430/96 e 30 da Lei .10.522/02. 2. Recurso especial não provido. 2- REsp 803707 / PR (Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1°, DO CTN. I. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da divida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1 0.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, 3Ç 4 0, da Lei n. 9.250/95, restou • derrogado. 4. Recurso especial improvido. Importante frisar, ademais, que a presente discussão já encontra-se pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula 3°CC n° 4, que diz: A partir de 1° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. L . •- r Guena deCastro 12
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Numero do processo: 15165.003328/2010-52
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
II. IPI. PIS. COFINS. IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. REGISTRO ESPECIAL PARA OPERAÇÃO.
A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condiciona-se ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso de ofício provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.167
Decisão: Recurso de ofício provido em parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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IPI. PIS.COFINS. PAPEL IMUNE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida REVEPAPER DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 II. IPI. PIS. COFINS. IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. REGISTRO ESPECIAL PARA OPERAÇÃO. A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condicionase ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso de ofício provido em parte. Recurso de ofício provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 33 28 /2 01 0- 52 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.275 2 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC (DRJ/FNS), como constante nas fls. 983 a 990, que considerou parcialmente procedente a impugnação constante do presente processo, in verbis: “Relatório Trata o presente processo de autos de infrações lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 10.126.051,36 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasep importação, Cofins importação, multas de oficio, multa por não atendimento à intimação fiscal, multas por erro ou omissão de informações em declarações relativas ao controle de papel imune e juros de mora. Depreendese do relatório de auditoria fiscal integrante do auto de infração que a interessada foi intimada a apresentar documentos fiscais e livros contábeis referentes à importação de papéis importados com imunidade no período de janeiro de 2006 a março de 2010. Decorridos os prazos concedidos, mesmo depois de diversas prorrogações, sem que a interessada procedesse à entrega dos documentos solicitados, em especial os Livros Diários e as Notas Fiscais de Entrada e Saída, a fiscalização foi realizada com base nas DIF — Papel imune— Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune. Procedeuse á auditoria de estoques, entradas e saídas de papel imune, individualmente por tipo de papel comercializado. A verificação geral dos estoques tomou por base o estoque inicial e informado pela empresa nas DIF, as entradas, as saídas e os estoques finais no período. O procedimento fiscal para o levantamento de entradas, saídas e estoques iniciais e finais, objetivando o lançamento de tributos eventualmente devidos foi realizado da seguinte forma: Utilizando o sistema GPI — Sistema Gerencial de Papel Imune da Receita Federal do Brasil, foram extraídos os estoques iniciais e finais de cada tipo de papel imune da empresa. Os períodos verificados foram apenas aqueles em que houve importação de papel. O lançamento de tributos referentes a eventual falta de estoque foi feito proporcionalmente as entradas referentes a importações. Uma vez de posse das quantidades de papel a terem seus tributos cobrados, procedeuse ao cálculo dos mesmos. Os tributos foram lançados tomandose as DIs na seqüência das mais recentes para as mais antigas até completar as quantidades apuradas. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.276 3 No caso de lançamento de quantidades apuradas menores que as importadas em determinada DI, o valor CIF da adição foi tomado proporcionalmente quantidade a ser lançada. Constatouse que algumas empresas para as quais foram destinados papéis importados com imunidade não eram habilitadas para trabalharem com papel imune, pois não eram detentoras de Registro Especial. O imposto sobre essas mercadorias é de responsabilidade da empresa que deu a destinação, no caso a Revepaper O procedimento fiscal foi o de glosar as notas fiscais de saída de papel imune para essas empresas, do que resulta um aumento de estoque que deveria estar em poder da empresa, sendo as diferenças para o estoque real apuradas e os tributos correspondentes à parte importada lançados em auto de infração. Foram identificadas 10 (dez) Declarações de Importação que ampararam a importação de papel imune e que não foram informadas nas DIF' s. Os tributos referentes foram lançados separadamente dos lançamentos efetuados por auditoria de estoques. Procedeuse ao lançamento de crédito tributário relativo ao PIS/Pasep importação e Cofins importação calculados com base nas alíquotas integrais nos casos em que não houve destinação do papel para detentoras de Registro Especial, nos caos de declarações de importação que não entraram no estoque da empresa ou não foram declaradas nas DIFs, e nos casos de importação de papeis com redução de alíquota, quando não havia este direito. A importação de papeis durante a vigência do Decreto n° 5.171/2004, com redução de alíquotas como procedeu a interessada, dependia do cumprimento de duas condições (incisos do artigo 1° do Decreto n° 5.171/2004): I pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas; II empresa estabelecida no Pais como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente As pessoas referidas no inciso I. A empresa Revepaper não explora a atividade da indústria de publicações periódicas. Explora o ramo de importação e distribuição de papel imune, e para tanto possui os Registros Especiais outorgados pela Receita Federal. A outra hipótese que permitiria a utilização das alíquotas reduzidas seria se a empresa fosse estabelecida no Pais como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente As pessoas referidas no inciso I. Como resposta a empresa informou que nunca foi representante de fábricas estrangeiras de papel. Dessa maneira, não faz jus à utilização das reduções previstas no Decreto n° 5.171/2004, pelo que foram lançadas as contribuições para o PIS e COFINS às suas alíquotas normais. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.277 4 Foram constatados 51 erros de preenchimento nas DI's, sendo 40 omissões de informação de número da declaração de importação em operações com código CFOP 3.101 (importação), um erro decorrente de informação errada de número de nota fiscal e omissão de declaração de dez declarações de importação cujos dados das mercadorias, notas fiscais, etc, sequer foram informados na DIF. Assim, foi lançada a multa prevista na alínea "d" do inciso VIII do artigo 107 do Decretolei n° 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003. Pelo não atendimento das intimações, incorre a empresa na multa do artigo 107 do Decretolei n° 37/1966, inciso IV, alínea "c". Uma vez não comprovada a utilização do papel importado com imunidade de impostos nos fins previstos, a empresa fica obrigada ao pagamento dos impostos incidentes sobre a importação (II, IPI, PIS e COFINS) por ocasião do registro das declarações de importação. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 143, 179, 213, 272, 330 e 350) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 881 a 889, com os documentos de folhas 890 a 971 anexados. A impugnante alega, em síntese, que: Atendeu as intimações, conforme protocolos anexados à impugnação. "A fiscalização teve acesso a inúmeras informações da Empresa, mas optou para fazer o trabalho baseado nas DIF 's." (sic) Preenche as DIF's desde 2002, sendo que a partir de 2006 migrou para sistema mais avançado de informática. Causa estranheza a conclusão da fiscalização nas avaliações que fez de cada exercício fiscal analisado, ao encontrar diferenças no resultado de uma equação tão simples, pois o próprio sistema de controle da Receita Federal deveria alertar para o fato. Pode ser que o próprio sistema de informática da empresa não esteja alimentando corretamente a base de dados para o preenchimento da DIF. Não se admite que cheguese à conclusão de que da totalidade das importações da empresa, 1/3 teve seus produtos utilizados em outro fim diverso das hipóteses de imunidade tributária. Houve um arbitramento de valores sem a avaliação dos documentos que suportam os lançamentos nas DIF' s. Estáse fazendo uma auditoria completa e as DIF' s serão refeitas manualmente para se identificar possíveis falhas do sistema informatizado. Todavia o tempo concedido para recursos não permitiu levar a cabo esta análise. "Por outro lado, As folhas 336 e 337 do processo, a auditoria, falando sobre a DIE de 2008, afirma que as saídas de papel imune foram 3.022,15 Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.278 5 toneladas no terceiro trimestre de 2008 e de 189,77 toneladas no quarto trimestre de 2008. Entretanto, no Demonstrativo de Estoques, Entrada e Saídas e Diferenças constatadas nos estoques levantados pelas DIF's para o ano de 2008, as folhas 59 e 60 do processo não constam saídas para o ano de 2008. Perguntas: . Qual foi a tonelagem de papel oferecido à tributação em 2008? Foi o resultado apresentado na referida planilha onde não há saída de mercadoria? A seguir estão os documentos citados. (anexo II)." (sic) Os erros identificados no preenchimento das DIF's que levaram ao lançamento de multa em relação a 51 erros, foram devido a erro do sistema de informática adotado pela empresa. Em relação à acusação de que empresas sem registro especial receberam papel imune da Revepaper, registrase que a empresa sempre teve por norma consultar sobre a situação de sua clientela em relação à legalidade da compra de papel imune. Em razão da coincidência entre o fato de a maioria das empresas estarem em ferais coletivas e a exiguidade do tempo para apresentar defesa, concentrou sua análise em uma das empresas citadas, qual seja, a "Pampasul Comércio de Papéis Ltda.". Conforme documentação que anexa, a empresa Pampasul possui dois Atos Declaratórios Executivos, sendo um como distribuidora de papel imune e outro como importadora de papel imune." Conforme extrato apresentado no Auto de Infração, a empresa em questão teve dois registros especiais cancelados, o que a tornou, aos olhos da fiscalização, não habilitada para comercializar papel imune. Ocorre que o cancelamento ocorreu concomitantemente com a expedição de novos Atos Declaratórios, sendo que a empresa não ficou um único dia em desacordo com as norma vigentes. Acreditase ser de conhecimento dos auditores que houve a obrigação, no inicio de 2010, pra todas as empresas que operavam com papel imune de se recadastrarem junto à Receita Federal, para renovação de seu Registro Especial. Perguntas: Não ocorreu o mesmo com as demais empresas listadas pelos auditores? Como saber as datas que as RE's foram canceladas? A Receita Federal não tem condições, como sempre preconizou, de cruzar as DIF 's apresentadas por essas empresas com as DIF' apresentadas pela Revepaper? Quais são as Notas Fiscais de saída que, segundo o relatório, foram glosadas durante a auditoria e os produtos vendidos anexados ao estoque de papel imune da Revepapaer para serem tributados e lançados em auto de infração? Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.279 6 Há algum site da Receita Federal não disponível para o contribuinte em geral onde se possa encontrar o histórico das empresas que trabalham ou já trabalharam com papel imune?" (sic) O lançamento de PIS e Cofins às alíquotas normais para todas as declarações de importação feitas pela Revepaper, sob a alegação de que não era representante de fábrica estrangeira, na importação de papéis imunes a impostos, para venda exclusivamente à pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria da publicação periódica, está equivocada. A fiscalização se baseou na resposta equivocada da empresa de que não era representante, para fins de lançamento. Na realidade, a exigência dessa comprovação perdurou até a publicação do Decreto n° 5171/2004, pois depois dessa data não mais foi exigida a comprovação para fins de registro perante a Receita Federal. Para as empresas estrangeiras não há como se identificar ser representante ou agente para papel imune, pois para eles todos os papéis são iguais, tendo tributação única em seu país de origem. Assim, apresenta os documentos já apresentados à Receita Federal em 2002/2003, último período em que tais comprovantes foram pedidos, visto que eram solicitados quando da renovação da licença para operar com papel imune. Considerando que os fornecedores são basicamente os mesmos entende estar enquadrada no disposto no Decreto 5171/2004, no artigo 1 0, parágrafo 1°, item II, pois o próprio decreto não exige a renovação temporal das representações. Todas as Declarações de Importação foram desembaraçadas depois de verificadas sua regularidade, muitas no canal amarelo ou vermelho. “(...) perguntase: Tendo em vista a alteração introduzida pelo Decreto 6842, o motivo do mesmo ter sido editado lido foi pela norma vigente ser inconstitucional? Assim sendo, a cobrança retroativa se devida fosse não seria também inconstitucional? Anexase processo sobre o assunto, que tramitou em Pernambuco, com a ação movida por um distribuidor de papel, em 2009, anterior à promulgação de Decreto 6842 de 07/05/2009." (sic) Requer o provimento da impugnação pelas razões expostas. É o relatório.” Referida decisão (fls. 983 a 990), proferida pela DRJ/FNS, foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. NULIDADE. A exigência tributária formulada deve ser devidamente fundamentada com a descrição clara e precisa dos fatos e demonstração da forma de apuração da Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.280 7 base tributável. Em caso contrário, caracterizase o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser declarada nula a exigência lançada. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos a norma legal, sem a qual fica impossibilitada a aplicação da penalidade prevista. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. A aplicação de alíquotas reduzidas de PIS/Pasep importação e Cofins importação na importação de papel imune obriga ao cumprimento dos requisitos estabelecidos. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” Do acórdão acima ementado, recorreu a DRJ Florianópolis de ofício, conforme o artigo 34 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e artigo 1º da Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008. Em sede de recurso de ofício, esta Turma, diante da dúvida de que a Pampaspel Comércio de Papéis Ltda. possuía ou não o “Registro Especial” perante a Receita Federal do Brasil, converteu o julgamento em diligência para que a unidade da RFB competente confirmasse se as empresas constantes na relação de fls. 339 a 341 possuíam ou não o “Registro Especial” perante a Receita Federal do Brasil no trimestre consultado. Em cumprimento à diligência determinada, o a autoridade fiscal informou que as seguintes empresas possuíam registro especial válido para operar com papel imune no período fiscalizado: Pampaspel Comércio de Papéis Ltda. Empresa Jornalística Gazeta de Riomafra Ltda., CNPJ nº 73.778.334/0001 64; Gráfica Boaventura Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; e, Imperial Artes Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/000102. Logo, as demais empresas arroladas no relatório fiscal às fls. 339/341, Gráfica e Editora Hinos Ltda ME, Aldir Balbinot e Cia Ltda, Propress Editora e Gráfica Ltda – EPP, Piazzetta Comércio de Aparas de Papel Ltda, Editora Antares Ltda Me, Gohara – Editora Gráfica e Cartonagem Ltda, Fernandes e Silvestre Importação e Exportação de Papéis Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.281 8 Ltda, Gráfica Bertoncelli Ltda, Adesi Industria e Comercio de Adesivos Ltda, Kgepel Papeis Ltda, com efeito, não detinham registro especial válido para o período da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior A questão central da lide trazida pelo recurso de ofício envolve a aplicação de alíquotas reduzidas de PIS/Importação e COFINS/Importação na importação de papel imune submetida ao cumprimento de requisitos estabelecidos na legislação. Conforme informado pela autoridade fiscal (fls. 1.261 e 1.262), as seguintes empresas possuíam registro especial válido para operar com papel imune no período fiscalizado: Pampaspel Comércio de Papéis Ltda. Empresa Jornalística Gazeta de Riomafra Ltda., CNPJ nº 73.778.334/0001 64; Gráfica Boaventura Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; e, Imperial Artes Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/000102. Por outro lado, as empresas Gráfica e Editora Hinos Ltda ME, Aldir Balbinot e Cia Ltda, Propress Editora e Gráfica Ltda – EPP, Piazzetta Comércio de Aparas de Papel Ltda, Editora Antares Ltda Me, Gohara – Editora Gráfica e Cartonagem Ltda, Fernandes e Silvestre Importação e Exportação de Papéis Ltda, Gráfica Bertoncelli Ltda, Adesi Industria e Comercio de Adesivos Ltda, Kgepel Papeis Ltda, com efeito, não detinham registro especial válido para o período da autuação, motivo pelo qual deve ser mantida a glosa das notas fiscais de saída do papel imune Assim, diante de todo o exposto dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, excluindose apenas a glosa em relação às empresas que possuíam registro especial válido para operar com papel imune (Pampaspel Comércio de Papéis Ltda., Empresa Jornalística Gazeta de Riomafra Ltda., CNPJ nº 73.778.334/000164; Gráfica Boaventura Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; e Imperial Artes Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/000102). É como voto. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.282 9 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10980.007397/2005-41
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida DRJ - CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. f 90° DAM. ORIM - Pres' 4 ente LUCIANO LOPES DE • IA MORAES — Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Processo n° 10980.007397/2005-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.133 Fl. 24 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Versa o presente processo sobre auto de infração, mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$2.000,00 (dois mil reais) , referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre de 2002. Referido lançamento foi efetuado com fundamento nos seguintes dispositivos legais: art. 113, § 3" e 160 da Lei n." 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CT'N); art. 4", combinado com art. 2" da Instrução Normativa SRF n° 73/96; art. 6" da Instrução Normativa SRF n" 126 de 30/10/98 combinado com o item Ida Portaria MF n°118/84, art. 5 0 do DL 2.124/84 e art. 7" da MP n" 16/01 convertida na Lei n°10.426, de 24/04/2002. A interessada ingressou com uma correspondência (lis. 01) afirmando, em síntese, que sabe da exigibilidade da entrega da DCTF, mas que o seu movimento é tão pequeno e o valor da multa acaba sendo superior ao resultado financeiro da empresa. Diz ainda que é uma empresa idônea, cumpridora das obrigações e que está lutando para dar continuidade às suas atividades. Pede para que sejam revistos os valores da multa. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.259, de 20/03/2008, fls. 07/09: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 MULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A DESTEMPO. Mantém-se o lançamento quando não comprovado pelo interessado que a obrigação acessória foi satisfeita dentro do prazo legal, bem como que estava dispensado de cumpri-la. Lançamento Procedente. Às fls. 12 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 13/20, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 2 Processo n° 10980.007397/2005-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.133 Fl. 25 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. De acordo com os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. Sobre o pedido de afastamento dos juros, este não pode ser analisado, já que não são cobrados juros no presente lançamento. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui . stivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argú entos. LUCIANO LOP gD L ' LMEIDA MORAES 3
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Numero do processo: 10480.003318/2002-11
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS.
Constatada, pelo exame dos autos, a lavratura de seis intimações para apresentação de livros e documentos, no período de oito meses, sem atendimento por parte do sujeito passivo, o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se mostra correto e dentro dos parâmetros legais como forma de apuração do lucro, não se caracterizando como punição ou exagero.
ARBITRAMENTO. VALOR MUITO ELEVADO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.
A Autoridade Administrativa deve cumprir o que determina a lei, sendo sua atividade plenamente vinculada. O valor do lançamento, no caso concreto, não se revela elevado nem reduzido, mas determinado em conformidade com os ditames legais pertinentes. Os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva se dirigem ao legislador, não assistindo à esfera administrativa qualquer discricionariedade para efetuar pretendidos "ajustes" no lançamento, em atenção aos referidos princípios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constatada, pelo exame dos autos, a lavratura de seis intimações para apresentação de livros e documentos, no período de oito meses, sem atendimento por parte do sujeito passivo, o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se mostra correto e dentro dos parâmetros legais como forma de apuração do lucro, não se caracterizando como punição ou exagero. ARBITRAMENTO. VALOR MUITO ELEVADO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. A Autoridade Administrativa deve cumprir o que determina a lei, sendo sua atividade plenamente vinculada. O valor do lançamento, no caso concreto, não se revela elevado nem reduzido, mas determinado em conformidade com os ditames legais pertinentes. Os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva se dirigem ao legislador, não assistindo à esfera administrativa qualquer discricionariedade para efetuar pretendidos "ajustes" no lançamento, em atenção aos referidos princípios. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida 3' TURMA / DRJ RECIFE / PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constatada, pelo exame dos autos, a lavratura de seis intimações para apresentação de livros e documentos, no período de oito meses, sem atendimento por parte do sujeito passivo, o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se mostra correto e dentro dos parâmetros legais como forma de apuração do lucro, não se caracterizando como punição ou exagero. ARBITRAMENTO. VALOR MUITO ELEVADO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. A Autoridade Administrativa deve cumprir o que determina a lei, sendo sua atividade plenamente vinculada. O valor do lançamento, no caso concreto, não se revela elevado nem reduzido, mas determinado em conformidade com os ditames legais pertinentes. Os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva se dirigem ao legislador, não assistindo à esfera administrativa qualquer discricionariedade para efetuar pretendidos "ajustes" no lançamento, em atenção aos referidos princípios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LLJ LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR ' A ROCHA - Relator EDITADO EM: 26 A BR n110 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Thiago D'Ávila Melo Fernandes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 10480.003318/2002-11 SI-C311 Acórdão o.° 1301-00.274 EL 2 Relatório SN DISTRIBUIDORA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 13.393, de 23/09/2005, da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ — fl. 07) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL — fl. 21), com multa de 75%, além de juros de mora, por fatos geradores ocorridos nos anos- calendário 1999 e 2000. O crédito total lançado monta a RS 296.564,10 conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do ProcesSo (fl. 06). A ciência do contribuinte se deu em 26/03/2002. Por bem descrever, de forma sintética, o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro José Clóvis Alves, no acórdão 105-15.746, às fls. 456/460: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do Mn E CSLL. A empresa, tributada com base no lucro real, segundo suas Diffs, devidamente intimada, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, ensejando então o ARBITRAMENTO DO LUCRO, nos termos do artigo 47 da Lei 8.981/95 e art. 530 do RIR/99, sendo utilizado corno base a receita operacional de revenda de mercadorias. Inconformada a empresa apresentou a impugnação de folha 73, argumentando, em epítome, o seguinte: Que o arbitramento do lucro tem caráter essencialmente sancionatório, o que é vedado pelo artigo 3° do CTN que veda a utilização de tributo com efeito de sanção. Diz que o arbitramento poderá reduzir a pó qualquer negócio empresarial e que tem o Poder Judiciário bem como os Órgãos Administrativos de julgamento afastado o referido método de tributação que deve ser o último recurso quando não há como mensurar o lucro e que deve ser utilizado com parcimónia. Cita decisões administrativas e doutrina. Que a autuação se deu de forma açodada, não tendo a fiscalização realizado nenhum trabalho investigatorio, como seria de sua obrigação, sendo o trabalho realizado insuficiente para evidenciar qualquer irregularidade fiscal, inquinando o lançamento de incerteza. Todas as notificações para apresentação dos livros e documentos foram enviadas para o contador para atendimento e que não sabe porque isso não ocorreu. Não tendo portanto o fisco Federal a capacidade de presumir a dita recusa por parte da pessoa jurídica. 3 O arbitramento afronta a capacidade contributiva do contribuinte, e que a exigência feita agravaria a situação financeira da empresa. Diz que a escrituração existe e pede perícia. A 33 Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 13.393, de 23/09/2005 (fls. 424/442), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA. A falta de apresentação, por parte da pessoa jurídica, à autoridade tributária, dos livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal a que estava obrigada, ou do livro Caixa, enseja o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: Tributação Reflexa - CSLL. O entendimento adotado relativamente ao auto reflexo acompanha o do principal, em vista da íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: IMPUGNAÇÃO. ÓNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelojulgador administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAçÃo. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Ciente da decisão de primeira instância em 26/01/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 445, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/03/2006 conforme carimbo de recepção à folha 447. No recurso interposto (fls. 448/450), a recorrente aduz os seguintes argumentos: 4 Processo n°14800331/202-1! SI-C3TI Acórdão ri! 1301-00.274 Fl. 3 O arbitramento é muito elevado, chegando a carga tributária a mais de 30% da receita bruta arbitrada o que seria impossível atender como base de cálculo tributária. Essa seria uma forma de encenar a empresa, ferindo os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. Diz que o Conselho de Contribuintes vem decidindo que o arbitramento não pode ser uma forma de sanção, mas como última forma, ponderada sem exageros de apuração de seu resultado, cita AC CSRF/01-0123/81. Requer, então, a revisão do arbitramento "no sentido de buscar uma base de cálculo para o Lucro Real que seja compatível com o que foi declarado através das IRPJ e DIPJ, anexa aos autos, relativas aos exercícios 1998/1999, configurando-se em uma base de cálculo arbitrada dentro do que seria o razoável para a Recorrente". Em 25 de maio de 2006 o processo foi levado a julgamento perante a 5' Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo sido então prolatado o acórdão n° 105-15.746 (fls. 456/460). Por unanimidade de votos, o colegiado deixou de conhecer do recurso, por considera-lo perempto, à luz do prazo estabelecido pelo art. 33 do Decreto n° 70.235/1972. O contribuinte ingressou com Pedido de Reconsideração cumulado com Pedida de Correção por Lapso Manifesto (fls. 465/466), em que buscou demonstrar a tempestividade de seu recurso voluntário. Tal pedido não foi conhecido pelo Sr. Presidente da 5' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, por falta de previsão regimental (Despacho Pres n° 105-338/2006, fls. 475/476). O contribuinte apresentou Embargos (fls. 481/483) ao Despacho Pres n° 105- 338/2006. Esses embargos foram indeferidos pelo Sr. Presidente da 5' Câmara do I° Conselho de Contribuintes (vide Despacho à fl. 487v). Inesignada, a interessada ingressou com Mandado de Segurança em defesa de seus direitos (petição inicial acostada, por cópia, às fls. 533/538), obtendo, afinal, a decisão do Tribunal Regional Federal da 5' Região na Apelação em Mandado de Segurança n° 99599 PE (2007.83.00.005246-8), às fls. 539/543. Referida decisão foi assim ementada, na parte que interessa ao presente processo: EMENTA: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. F.1 RECURSO ADMINISTRATIVO. PONTO FACULTATIVO, INTEMPESTIPMADE. INEXISTÊNCIA. F-1 3. A decisão do Conselho de Contribuintes que apreciou o pedido de reconsideração, considerando ainda perempto o recurso da impetrante, por entender que a segunda-feira de carnaval houve expediente normal, incorreu em manifesto equivoco, dado que tal dia representou ponto facultativo na repartição pública em que corria o processo, conforme Portaria n e) 971 do Ministério do Planejamento, de 8 de novembro de 2005, acostada aos autos pela impetrante, Nesse caso, a prorrogação do prazo recursal até o primeiro dia útil imediato (I° de março de 2006) é medida que se impõe, sob pena de cercear o direito de defesa da impetrante. Ao final (fl 543), assim se manifestou o MM Juiz Relator, acompanhado à unanimidade pelos membros da P Turma do TRF da 5' Região: Com essas considerações, dou provimento à apelação para, reformando a sentença, conceder a segurança pleiteada, determinando: a) ao presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que receba e conheça como tempestivo o recurso administrativo voluntário interposto pela impetrante às fls. 39/42, protocolado no dia 01 de março de 2006, fls. 445/448, dos autos do processo administrativo no 10480.003318/2002-11; b) ao Delegado da Receita Federal em Recife que suspenda os efeitos da Intimação no 217/2007/SECAT, datada de 06 de março de 2007, fls. 57, até o deslinde do referido processo administrativo. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA A tunpestividade do recurso voluntário interposto é matéria que não mais admite discussão, em face do Acórdão da P Turma do TRF da 5' Região, mencionado no relatório que antecede este voto. Desta forma, em cumprimento da decisão judicial na parte que compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tenho o recurso por tempestivo e dele conheço. No mérito, os argumentos da recorrente se resumem à inconformidade com o valor do lançamento, o qual reputa "muito elevado", a ponto de ferir os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. Segundo a jurisprudência administrativa que menciona, o arbitramento não poderia ser aplicado como sanção, mas tão somente como última alternativa, sem exageros. No caso sob discussão, compulsando os autos, especialmente a fl. 08, constato que o arbitramento foi feito com fulcro no inciso III do art. 530 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199), cuja base legal é o art. 47 da Lei n° 8.981/1995. Eis o mencionado artigo do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n 2 9.430, de 1996, art. 1): f.„7 III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. .527; E a previsão legal se amolda perfeitamente aos fatos que se verificaram no decorrer do procedimento fiscal, quando foram lavrados numerosos termos de intimação para a apresentação dos livros e documentos a que estaria obrigada a então fiscalizada, sem atendimento. Tais termos se encontram, por cópia, às fls. 32/33, 37, 39, 40, 41 e 42, no período entre 09/07/2001 e 22/03/2002. Ou seja, seis termos de intimação ao longo de oito meses, sem Processo n° 10480.003318/2002-11 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.274 Fl. 4 que os livros indispensáveis ao trabalho fiscal houvessem sido apresentados, e sem qualquer justificativa para tanto. Finalmente, os autos de infração foram lavrados e cientificados ao sujeito passivo em 26/0312001 Constato, assim, que o arbitramento foi utilizado pelo Fisco como última alternativa, em face da não apresentação de livros que permitissem a apuração do resultado tributável por outra forma, e livre de quaisquer exageros. Não se tratou de punição, como pretende a recorrente, mas de forma de apuração do lucro, adotada somente após esgotadas as alternativas disponíveis. E as reclamações quanto ao "elevado valor" do lançamento não podem ser aceitas, visto que a receita bruta foi apurada com base em demonstrativos preenchidos pela própria pessoa jurídica e entregues ao Fisco, os quais, diga-se de passagem, não são objeto de questionamento. Além disto, o percentual utilizado para o cálculo (9,6%) é aquele previsto em lei para a atividade comercial da interessada. Também a aliquota do imposto é a de lei, bem assim os acréscimos legais. Desta forma, os reclamos da recorrente se mostram insubsistentes e não devem ser acolhidos. Quanto à alegada ofensa aos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, tais princípios devem nortear o legislador, não cabendo à autoridade fiscal qualquer discricionariedade nesse sentido, devendo ater-se de forma vinculada ao que dispõe a lei, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 do Código Tributário Nacional. Finalmente, quanto ao pedido de que o lançamento seja revisto no sentido de compatibilizá-lo com as DIPJ, anexas aos autos, relativas aos exercícios 1998/1999, tal pedido se mostra descabido por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o lançamento foi feito em cumprimento das disposições legais pertinentes, conforme anteriormente demonstrado, e qualquer "revisão" ou "compaabilização", no sentido pretendido pela recorrente, seria manifestamente ilegal. Em segundo lugar, porque o presente lançamento se reporta aos exercícios de 2000 e 2001, respectivamente anos-calendário 1999 e 2000, e as DIPJ mencionadas pela recorrente, acostadas aos autos às fls. 64/95 e 96/150, se referem aos exercícios de 1998 e 1999, respectivamente anos-calendário 1997 e 1998; como se vê, nenhuma relação guardam com o presente lançamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. WAIl.--L- 2-2A ()CNA - Relator 7
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Numero do processo: 10715.007003/2009-18
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo-se o instituto da denuncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recuso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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AVIANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendose o instituto da denuncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recuso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 70 03 /2 00 9- 18 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 14 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 15 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em sessão julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: O presente processo trata da exigência do valor consubstanciada no auto de infração referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em I994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados no Aeroporto Intemacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concementes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO , descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação acompanhada dos documentos para alegar, em síntese, que: a autoridade lançadora utilizou norma posterior à ocorrência dos fatos geradores para aplicar a multa ora impugnada; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; os voos foram devidamente informado no sistema Mantra antes da efetiva chegada da aeronave, logo as respectivas cargas e desconsolidações foram registradas dentro do prazo estabelecido na legislação de regência, mediante a confecção do Termo de Entrada; não obstante tenha efetuado tempestivamente todos os respectivos registros, sua averbação ocorreu efetivamente depois Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 16 4 do prazo legal de dois dias, tendo em vista a ocorrência de problemas práticos quando da inserção dos dados no Siscomex, seja porque não obteve acesso imediato ao referido sistema, por se encontrar “fora do ar” no momento da inserção dos referidos dados, obrigandoa a diversas tentativas; ou porque houve a necessidade de respectivos dados serem retificados, ocasionando 0 atraso nas suas respectivas averbações; em diversos embarques de mercadorias, as informações (dados) foram inseridas tempestivamente no Siscomex no primeiro ou segundo dia útil subsequente ao fim de semana, conforme referidos embarques tenham sido efetuados na quintafeira, sextafeira, sábado ou domingo da semana imediatamente anterior ou em curso; conforme acima verificado, o sistema constantemente apresenta irregularidades, razão pela qual se toma imperioso o cancelamento dos lançamentos constantes do Auto de Infração, porquanto, a impugnante não pode se responsabilizar por problemas e/ou falhas alheias a sua vontade, ainda mais que procedeu com todos os registros referentes aos embarques, dentro do prazo legal, sob pena de violar o ordenamento jurídico, notadamente, o princípio da razoabilidade, bem assim, aos demais princípios que norteiam os atos administrativos em geral, dandolhes legitimidade e validade; a manutenção dos presentes lançamentos também importará na violação ao princípio da isonomia, uma vez que estará a impugnante em situação de desvantagem em relação a demais empresas que efetuaram os registros e não enfrentaram os mesmos problemas existentes no sistema de registro de informações (Siscomex); pelo fato de nunca ter deixado de cumprir com suas obrigações principais e acessórias, notadamente as relacionadas à obrigatoriedade da realização dos referidos registros, a manutenção da penalidade, igualmente, viola o princípio da boa fé; ainda que os registros dos embarques constem no sistema com data posterior ao prazo de dois dias do embarque, tal circunstância não invalida o fato de que a impugnante efetivamente os efetuou, razão pela qual não há falar em infrações cometidas, e tampouco, aplicar a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, seja reconhecida a insubsistência das infrações lavradas, declarandose o cancelamento do Auto de Infração e, por conseguinte, desconstituído o crédito tributário apurado. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 17 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DI: DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. PROVA. ÔNUS. Alegação prestada pelo autuado, na fase impugnatória, constitui simples enunciação de fato dependente de prova, feita por meio regular, cujo ônus em produzila compete ao interessado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 ARGU1ÇÓES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCO1VRI>ETENCIA DAS 1NSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇAO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTANEA. OERIGAÇÃO ACESSORIA AUTONOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 18 6 PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEICULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O ordenamento jurídico veda ao Poder Público o poder de tributar patrimônio, de modo a impossibilitar a sua manutenção pelo particular ao inviabilizar o uso econômico a que se destine, ressalvadas as exceções previstas constitucionalmente; 2 Se os lançamentos efetuados, pela Recorrida, forem considerados válido, ocorrerá também a violação ao princípio da isonomia; 3 Ocorrerá a violação do princípio da boa fé que deve sempre ser preservado, ainda mais considerando que a recorrente, nunca deixou de cumprir com as suas obrigações principais e acessórias; 4 Mesmo que os registros referentes as informações dos embarques pareçam no Sistema, com data posterior ao prazo de dois dias da realização daqueles, isso não invalida o fato de que a Recorrente realmente realizou todos os registros ; 5 Não há que se falar em infrações cometidas e tampouco na aplicação de multa, imposta pela recorrida, conforme disposto no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto –Lei nº 37/66 ; 6 A lei aplicável deve sempre ter sido publicada anteriormente a ocorrência do Fato Gerador para que possa surtir efeitos no ordenamento jurídico, razão pela qual não poderá ser aplicada a IN/SRF nº 510/2005; 7 A Receita Federal se manifestou no sentido de que “a alteração dos dados de registro de embarque no Siscomex não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira”. É o sucinto relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 19 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 20 8 “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 21 9 excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 22 10 Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 23 11 Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. (assinatura digital) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 24 12 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.001081/2010-73
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE.
Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão.
INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÕES DO CARF SEM EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
As decisões do CARF não caracterizam prática reiterada da administração tributária, nos termos tratados no inciso III do art. 100 do CTN, uma vez que, no inciso II do mesmo dispositivo legal resta evidente que somente as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa podem ser considerados normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos.
Embargos Rejeitados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por acolher os embargos de declaração para, no mérito, por maioria de votos, rejeitá-lo e ratificar a decisão para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÕES DO CARF SEM EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. As decisões do CARF não caracterizam prática reiterada da administração tributária, nos termos tratados no inciso III do art. 100 do CTN, uma vez que, no inciso II do mesmo dispositivo legal resta evidente que somente as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa podem ser considerados normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. Embargos Rejeitados. Recurso Voluntário Negado.
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