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Numero do processo: 10715.001485/2010-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 14 85 /2 01 0- 36 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.001485/201036, contra o acórdão nº 0728.213, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 35.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 35.000,00 para R$ 20.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 78/95, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 4/08/2006, 09/08/2006 e 24/08/2006, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$20.000,00, para R$15.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 3801004.885 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10865.908901/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 89 01 /2 00 9- 71 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.156, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908901/200971 Acórdão n.º 3802003.920 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908901/200971 Acórdão n.º 3802003.920 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10783.004076/86-23
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 1987
Ementa: IRPJ AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL - A não com provação da origem e efetiva,entrega dos recursos aplicados na integralização de capital autoriza presumir que eles sejam original rios de receitas omitidas pela pessoa jurídica Tratando-se de início de atividade uma vez que a tributação se efetua, no caso,
por presunção relativa (JURIS TANTUM), não justifica exigir-se prova da origem de tais recursos ante a impossibilidade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis. Despesa/custo operacional Impõe-se o restabelecimento da despesa/custo
glosado por falta de hábil comprovação de serviço, quando a efetiva prestação do mesmo é evidenciada de modo inconteste.
Não retira idoneidade da nota fiscal emitida por pessoa jurídica o fato de a emitente vir a ter, posteriormente, suspensa sua inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. Não são documentos hábeis á comprovação de despesas/custos as notas fiscais emitidas por empresas comprovadamente inexistentes ou não
inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes.
Notas fiscais simplificadas e cupons de maquina registradora não são documentos hábeis á comprovação de despesas operacionais.
Despesas com viagens de sócios diretores,quando não se demonstre vinculação da necessidade delas com os objetives sociais não configuram despesas operacionais da empresa.
Despesa com jantar na residência do sócio, comprovada com documento emitido em nome da pessoa física não e despesa operacional da empresa.
Presentes de bens com significativo valor comercial não constituem "brindes" cujo valor seja dedutível como despesa operacional. São despesas operacionais dedutiveis aquelas
referentes a bens que, sendo necessários á empresa, tenham tempo de vita útil inferior a um ano conforme atestado em "laudo técnico.
Mantém-se a tributação sobre valores expressamente
excluidos do contraditório pela recorrente.
- Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 101-77.273
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria , de votos, dar provimento, em parte, ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Cz$ 25.622,10, Cz$ 13.794,76, Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,64 nos exercícios de 1982, 1983, 1984 e 1-.985, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Cristóvão Anchieta de Paiva (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Urgel Pereira Lopes que, no exercicio de 1982, proviam menos Cz$ 14.100,00. Designado para redigir o veto vencedor o Conselheiro Raul Pimentel
Nome do relator: Raul Pimentel
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ACORDÃO . =7:7_,.273 Recurso n.° 91.369 - IRPJ - Exercícios de 1982 a 1986. Recorrente BLOKOS ENGENHARIA LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM VITÓRIA (ES) IRPJ AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL - A nãO com provação da origem e efetiva,entrega dós re- cursos aplicados na integralização de capi- tal autoriza presumir que eles sejam originã • rios de receitas omitidas pela pessoa jurí- dica Tratando-se de início de atividade uma vez que a tributação se efetua, no caso, por presunção relativa (jURIS TANTUM), não justifica exigir-se prova da_ origem de tais recursos ante a impossibilidade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis. . - Despesa/custo operacional Impõe-se o restabelecimento da despesa/custo glosado por falta de hábil comprovação de serviço, quando a efetiva prestação do mesmo é evidenciada de modo inconteste. Não retira idoneidade da nota fiscal emitida por pessoa jurídica o fato de a emitente vir a ter, posteriormente, suspensa sua inscri- ção no Cadastro Geral de Contribuintes. Não são documentos hábeis ã comprovação de despesas/custos as notas fiscais emitidas por empresas comprovadamente inexistentes ou não inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes. Notas fiscais simplificadas e cupons de ma.-+- quina registradora não são documentos hábeis ã comprovação de despesas operacionais. Despesas com viagens de sócios diretores,quan do não se demonstre vinculação da necessida- de delas com os objetives sociais não confi- guram despesas operacionais da empresa. ;22 4"--) V.v. Despesa com jantar na residência do sócio, comprovada com documento emitido em nome da pessoa física não e despesa operacional da empresa. Presentes de bens com significativo valor comercial não constituem "brindes" cujo va lar seja dedutivel como despesa operaciol nal. São despesas operacionais dedutiveis aque- las referentes a bens que, sendo necessã-- rios ã empresa, tenham tempo de vita útil' inferior a um ano conforme atestado em "laudo t6cnic6". Mantém-se a tributação sobre valores ex- pressamente excluidoS do contraditório pe- la recorrente. - Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BLOKOS ENGENHARIA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maiOra , cle votos, dar provi-- mento, em parte, ao recurso, para excluir da tributação as impor tãncias de Cz$ 25.622,10, Cz$ 13.794,76, Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,64 nos exercícios de 1982, 1983, 1984 e 1-.985, respectivamente. Ven- cidos os Conselheiros Cristóvão Anchieta de Paiva (Relator), Car los Alberto Gonçalves Nunes e Urgel Pereira Lopes que, no exerci cio de 1982, proviam menos Cz$ 14.100,00. Designado para redigir o veto vencedor o Conselheiro Raul Pimentel. Sala das (DF), em 17 de agosto de 1987. URGEL - - PRESIDENTE IM - RELATOR DESIGNADO # - - AGOSTINHO •RES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO- VISTO EM NAL ui- 1SESSÃO DE: 1 , ' Q, RECURSO DA FAZENDASACIONAL N9 RP/101-0.069 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Canse-- lheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CELSO ALVES FEITOSA, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO e JOSÊ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. 2 . . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N c? 10783-004.076/86-23 RECURSO N9: 91.369 ACÓRDÃO N9: 101-77.273 RECORRENTEN9: BLOKOS ENGENHARIA LTDA. RELATõRIO BLOKOS ENGENHARIA LTDA., contribuinte jurisdicio nada à". DRF de Vit6ria (ES)', recorre a este Conselho inconformada k com a decisão de primeiro grau. Segundo o Auto (fls. 2), lavrado em 27.06.86 e notificado à contribuinte na mesma data, a fiscalização levantou as infrações seguintes, em resumo: 1. Omissões de receita: 1.1 - apurada através de integralização de capital sem a ne cessaria prova da origem e efetiva entrega dos recursos Ex 1982, base 1981: Cr$14.100.000 (fls.56/57-Intimação fls. 173) Ex 1983, base 1982: Cr$22.390.000 (fls.56/61-Intimação fls. 173) Ex 1984, base 1983: Cr$15.600.000 (fls.165/167 - Intimação fls. 49) 1.2 - Apurada através de passivo não comprovado (Quadro De monstrativo-QD n9 4-fls.21) no balanço de 31.12.83: - Ex 1984, base 1983: Cr$ 21.869.899. 2. Glosa de despesa/custo por não comprovação com documento hábil (' k .,"") (1.74/V DMF•DF/1 0 C C Secgraf 1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 Accirdão n9 101-77.273 da efetiva prestação dos serviços de terraplenagem por Penta-Ter raplenagem Engenharia Ltda. (Docts.fls.55-62/69-89/109 - Intima ção: 174) Ex 1982, base 1981: Cr$ 6.550.000 Ex 1983, base 1982: Cr$ 13.794.764 3. Glosa de despesas/custos corroborados por notas fiscais emitidos por EMCATEL, Empresa Capixaba de Terraplenagem e Escavações Ltda. em situação irregular (fls.70) no Cadastro da Receita Federal des de o exercício de 1982, base 1981 (fls.55-70/88) Ex 1982, base 1981: Cr$ 4.972.103 4. Glosa de despesas/custos corroborados por documentação inidõnea, já que as empresas tidas como emitentes (Vila Capixaba Auto Pe ças Ltda. e Mecânica Texas Ltda.) negam terem emitido as notas fiscais relacionadas no Termo de Retenção de fls.171, conforme consta dos termos de intimação de fls.172 e 173. Ex 1984, base 1983: Cr$ 62.998.238 Ex 1985, base 1984: Cr$ 236.991.705 5. Glosa de despesas/custos corroborados por documentação inidõnea, já que as empresas tidas como emitentes (DISMAC Ltda. e Minas Box Ltda. - Termo fls. 225) são inexistentes, conforme diligência pro cedida pela DRF de Belo Horizonte (fls.210/224) Ex 1984, base 1983: Cr$ 105.638.600 Ex 1986, base 1985: Cr$ 33.552.000 (fls.391) 6. Glosa de despesas/custos acobertados por documentação inidõnea já que as empresas tidas como emitentes (Cerâmica Barro Vermelho Ltda. Casa Santa Luzia Ltda. e Empresa Madeiras do Vale Ltda)não constam do Cadastro da Secretaria da Receita Federal (Doc.fls.55- 225-236A/242-247/248 e 379/383) Ex 1984, base 1983: Cr$ 53.043.500 Ex 1986, base 1985: Cr$ 258.000.000 7. Glosa de despesas/custo acobertados por documentação inidOnea, , 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 AcOrdão n9 101-77.273 já que as empresas tidas como emitentes (Monte Paschoal Indústria e Comercio de Madeiras Ltda., Madeiras São Gonçalo Ltda. e Serra ria e Indústria Ouro Verde) não existem, segundo diligencia proce dida nas supostas sedes das referidas empresas (fls.55-224-249 / 254-374-392/394) Ex 1985, base 1984: Cr$ 276.385.128 Ex 1986, base 1985: Cr$ 6.576.000. 8. Glosa de despesas/custos acobertados por Notas Fiscais inidõneas, já que o CGC nelas apresentado (fls.384/390) como sendo da emiten te Dismacel Ltda., pertence em verdade a outra empresa (fls.383 - A-ficha on une) Ex 1986, base 1985: Cr$ 317.970.890 9. Exclusão do lucro líquido do exercício feita indevidamente na de claração, uma vez que a autuada não procedeu a necessária discri- minação no LALUR, por não o possuir. Ex 1983, base 1982: Cr$ 4.354.786. 10. Despesas indevidamente deduzidas e não adicionadas na apuração do lucro real: 10.1 - despesas estranhas e desnecessárias à empresa referentes a refeições e lanches comprovadas com notas fiscais simplifi cadas e cupons de máquina registradora. (Q.D.1 - item 1 - fls.15). Ex 1984, base 1983: Cr$ 51.270 10.2 - despesas particulares de só-cios (telefone, energia eletri ca, alugueis, impostos, cartões de credito, consertos, via gens de familiares e outras) Ex 1984, base 1983: Cr$ 9.944.584(QD1,item2, fls. 15/18- 110/124) Ex 1985, base 1984: Cr$ 10.845.867 , Qp5„.11,f1s22 e 132/139) 10.3 - Brindes e Presentes (RelOgio, Conjunto de Som, calculadora, televisor, gargantilhas) ! 5 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 Ac6rdão n9 101-77.273 Ex 1985, base 1984: Cr$ 2.056.000 (fls.23 e 140/143A) 10.4 - Multas do DETRAN (fls.23) Ex 1985, base 1984: Cr$ 241.399. 10.5 - Imobilizações escrituradas como despesas - Ex 1984, base 1983: Cr$ 509.735 (QD 2-fls.19) Ex 1985, base 1984: Cr$ 13.810.000 (Qp 6-fls.24,144/154) 11. Falta de Correção ~etária das imobilizações não registradas, constantes do subitem anterior (10.5) - Ex 1984, base 1983: Cr$ 468.195 (QD 3-fls.20) Ex 1985, base 1984: Cr$ 4.383.606 (QD 7-fls.25) 12. Postergação de imposto de renda do exercício de 1984, base 1983, para o exercício seguinte, em decorrência da apropriação em 1983 da despesa de Cr$ 1.273.218 relativa a publicidade e pro paganda paga no ano seguinte a Eldorado Publicidade Ltda. - Ex 1984, base 1983: 77,43 ORTN's (imposto, multa e juros) A ação fiscal encerrou-se em 27.06.86 (Termo-fls.395) Às fls. 398, consta um pedido de prorrogação por 15 dias do prazo de defesa, o qual ' foi deferido por despacho de fls. 401. Tempestivamente, o contribuinte ofereceu a impugnação de fls.404, onde, em síntese, alega (obedecendo a mesma numeração an — tenor): 1. Omissões de Receita: Confessa expressamente a ocor rencia de receita omitida "caracterizada por passivo fictício", mas impugna aquelas autuadas em decorrência das integralizações de capi tal. Afirma, para tanto, que os recursos utilizados se originaram das disponibilidades pessoais do sOcio, conforme se pode ver de suas declarações de rendimentos e que a efetiva entrega, no que diz - respeito ã integralização de 1982, se evidencia através do extrato bancário de fls.500. Ademais, salienta com base no accirdão número 101-73.861/82 deste Conselho que há impossibilidade factual de des vio de receitas no início do negOcio. Diz, ainda que o prOprio flu xo de caixa evidencia o ingresso, yá que sem eles não haveria como efetuar ('/Vi 6 serviço palico federal PROCESSÓ N9 10783-004.076/86-23 Ac6rdão n9 101-77.273 os pagamentos feitos. 2: Efetividade dos serviços de terraplenagem prestados por Penta Terraplenagem Engenharia Ltda. — Afirma não poder negar— se a efetividade de tais serviços, cuja materialidade pode ser vis ta a olho nu. Com efeito, a impugnante contratou com a COHAB-ES a construção do conjunto habitacional Linhares V e. naexecução de suas obrigações fez o preparo do terreno mediante os serviços de Penta Terraplenagem e Engenharia Ltda. Para fins de prova anexa: a) Con- trato de repasse firmado com a COHAB-ES (fls.454) b) Estudo do Tra balho e Realização de Aterro para Edificações em Linhares (ES) de Sologeo (fls.466 a 492; c) cá-pias datilográficas de cheques nomi nais a Penta e a Bancos com os respectivos canhotos (fls.493 a 520); d) atestado da COHAB-ES de que a impugnante realizou, de agosto de 1981 a março de 1983, infra estrutura e urbanização do Conjunto Li nhares V (fls.521). 3. Glosa das Notas Fiscais de EMCATEL, por estar a re ferida empresa em situação cadastral irregular desde o exercício de 1982, baste 1981. Sustent.a . a. improcedência da glosa, a um, porque não tem acesso aos cadastros da receita e, a dois, porque, em 1981, epoca da contratação e prestação dos serviços, a empresa EMCATEL estava em situação regular, posto que a irregularidade surgiu em 1982 (fls. 70). Ademais, protesta contra a responsabilidade que lhe é transfe- rida, sem amparo legal, jâ que a documentação se reveste de todas as formalidades legais. 4. Glosa das despesas embasadas em documentos cuja e missão e negada por Vila Capixaba Auto Peças Ltda. e Mecânica Texas Ltda., apresentadas como emitentes. A glosa não pode prosperar, uma vez que os documentos apreendidos apresentam todos os requisitos legais e que, por isso, não é. dado ã impugnante advinhar a falsidade dos documentos que a cobertam operações efetivamente realizadas. O que a reclamante ga rante que os materiais constantes dos documentos foram efetivamen ,JAAP 7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 AcOrdão n? 101-77.273 te utilizados em reparações de seus bens, o que justifica a pertinen cia das despesas nos anos base de 1983 e 1984. 5. a 8. Glosas de despesas porque embasadas em documen tação inidõnea, seja porque inexistam as empresas emitentes, ou es tas não constem do cadastro da Receita Federal, ou dele se divorciam A impugnante não concorda com as glosas e as refuta em' bloco de fls. 435 a 440. Aduz, em primeiro lugar, que os materiais constantes dos documentos foram efetivamente aplicados nas obras exe cutadas. Estas, por si scis, evidenciam a necessidade daqueles mate riais. E, para comprovar, junta de fls. 532/545 um laudo técnico de aplicação de materiais em obras, firmado por gerente e engenheiro da prOpria impugnante. Ora, continua a defesa, adquiridos, recebidos e pagos os materiais devidamente conferidos e acobertados por documentos que con tenham todos os requisitos legais, como que poderia ela, impugnan te, supor que as empresas emitentes estariam irregular perante a S,R,F.? Isso lhe era impossível, uma vez que as notas fiscais esta vam "vistadas" pelas fiscalizações estaduais e os preços eram os nor malmente praticados no mercado de então. Assim, ã impugnante era im possível visualizar Irregularidades documentais. De outra parte, a simples pesquisa do sistema "on-line" não constitui prova da inexis tência de empresa, mas simples indicio, não suficiente para fundamen tar a ocorrência de infração. Desta forma, a contabilidade da impug- nante deve prevalecer, deixando de ter procedência o procedimento fiscal sobre os presentes fatos. 9. Exclusão indevida do lucro liquido na declaração,por falta de discriminação no LALUR. Entende a impugnante que a autuação indevida, jã que seu procedimento, relativo a execução de obra por prazo superior a 12 meses, está em perfeita sintonia com as disposições da Instrução 7 14)Pi SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 8 Aceirdão n9 101-77.273 Normativa 21/79. Aplicadas estas regras aos dados constantes dos re- gistros contábeis, chega-se à exclusão constante da Declaração. Quan to ao LALUR, achava-se ele em transcrição rascunhada e será apresen- tado, na forma em que se encontra, como elemento de prova. 10.1 - Despesas desnecessárias (refeições e lanches) (fo lhas 15). Afirma a impugnante que despesas com "refeições e lan- ches" não podem ser tidas como "estranhas e desnecessárias" à ativida de da empresa. Ora, tais gastos são "representação" e trazem grandes dividendos à empresa, embora tenham sido de muito pequeno valor (Cr$' 51.270,00). E exatamente por ser de pequeno valor é de ser admitida a comprovação por meio de notas fiscais simplificadas e com ticktes de caixa. Assim, e a vista do Parecer Normativo CST 10/76, é de se ter por razoável a despesa de Cr$ 51.270,00 em face da receita do e- xercício (Cr$ 2.211.376.525,00) 10.2 - Despesas particulares de sécios. A impugnante reconhece a procedência do feito no que diz respeito ao exercício de 1984, base 1983, no valor constante do auto (Cr$ 9.944.584). Quanto ao exercício de 1985, base 1984, reconhe ce como válidas as glosas que menciona no item 4.1 (fls. 406) da defe- sa, mas contesta as demais relacionadas no Q.D. n9 5 de fls. 22/23. (Pagamento de viagens de familiares).Com efeito, os gastos de passa- gens aéreas (Notas 07724, 09700 e 07893) devem ser aceitos como dedu- tíveis no que dizem respeito aos sécios Pedro Alcântara Costa e Maria Luiza Studart Alcântara Costa, posto que têm relação com a ativida- de da empresa. Ambos exercem gerência na empresa e devem constantemen te locomoverem-se em atenção ao objetivo social. Igualmente dedutivel deve ser a despesa carroborada pe- lo documento de fls. 138 (NF de José Neffa Hoteis e Turismo S.A). A despesa em questão (jantar na residência) foi realizada em 31.12.1983, dia de confraternização. No caso,- usou-se a residência do sécio para /7 i/( ? , 4M SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 9 AcOrdão n9 101-77.273 integração de funcionários e patrões, com minimização de custos. A despesa é irrisOria em face da receita da empresa. A glosa não pode ser mantida. 10.3 Brindes e Presentes (QD 5 - fls. 23). Os brindes e presentes visaram promover a empresa e seus objetivos, premiando clientes e pessoas de projeção social com a divulgação dos empreendimentos empresariais. Os brindes e presentes foram comprovados e em montante compatível com o resultado da empre- sa. Diante disso e do acOrdão 101-66.464/74 e do PN 15/76, é de se de clarar a improcedência da glosa. 10.4 Multas do DETRAN A impugnante reconhece a procedência da autuação. 10.5 Imobilizações escrituradas como despesas (QD 6 -fo lhas 24). Também aqui a autuada reconhece a procedência do feito com relação ao exercício de 1984, base 1983, na totalidade, e, em par te, quanto ao exercício de 1985, base 1984. Deste, entende correta a exigência relativa aos documentos de fls. 144, 150 e 151. Os demais i tens (fls. 24) reportam-se a bens com vida útil inferior a um ano e como tal, eles têm dedutibilidade assegurada pelo artigo 193 do RIR/ /80. Para fins de prova, juntou-se à pãg. 531 um laudo técnico da en- genheira chefe do Departamento Técnico da prOpria impugnante, que re- laciona como de vida útil inferior a um ano ,os bens arrolados no Q.D. de fls. 24 e objeto da contestação deste subitem (vibradores, guin- chos, máquinas de corte rápido, carretas). 11. Correção Monetária das Imobilizações do subitem ante- rior. Da parte reconhecida pela impugnante há procedência da v` SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 10 Acérdão n9101-77.273 exigência. Os demais itens, não reconhecidos, não hã o efeito decor- rente da correção monetãria, por não subsistir a infração principal. 12. Postergação no Exercício de 1984, base 1983. A infração expressamente reconhecida pela impugnante' ãs fls. 405 da peça impugnatOria. Impõe-se, por fim, relatar que a autuada promete efe- tuar o pagamento referente aos itens não contestados nos 30 dias se guintes ã decisão de 19- instância. A informação fiscal (fls. 147) opina pela dispensa da exigência relativa à glosa de exclusão do lucro liquido (infração 9) requerida na declaração,., em face do documento de fls. 524 e pede a ma nutenção da cobrança que resulta dos demais itens autuados. Para tanto, diz em relação aos itens contestados na im- pugnação: 1. Omissões de receita. Os argumentos da defesa não podem prosperar. Eis que o acOrdão invocado refere-se a integralização de capital na constitui-- ção de empresa. Quanto às integralizações subseqüentes, a empresa su jeita-se ao dever de provar a origem e efetiva entrega dos recursos sob pena de tê-los tributados como receita omitida. r o que ocorre neste feito: a primeira integralização autuada ocorreu 5 meses apcis o início do empreendimento, havendo pois tempo para desvio de receita. Ademais, o doc. de fls. 500, em que a impugnante se estriba para jus- tificar a efetiva entrega, não é documento hãbil, jã que se trata de mero extrato bancário, em que, sobre não haver indicação do depositan te, não ocorre coincidência de data com a alteração contratual. 2. Efetividade dos serviços de Penta Terraplenagem. A impugnante,intimada a apresentar as notas fiscais (fo /V) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 11 Acérdão n9 101-77,273 lhas 174) que corroborassem a prestação dos serviços, não o fez, nem no curso da ação fiscal, nem agora na reclamação. Limitou-se a apre- sentar faturas, que, atendendo ã lei comercial, não obedece ã lei fiscal. Além disso há de se considerar que os documentos de folhas 452/524 são emitidos por empresa que não Penta Terraplenagem e En genharia Ltda. 3. Glosa relativa EMCATEL. A empresa EMCATEL teve seu CGC suspenso e, assim, não está regularmente inscrita. Ora, para que custos/despesas sejam dedu tiveis ante a legislação do imposto de renda, "é indispensável que o pagamento seja feito a beneficiário identificado e regularmente ins- crito no cadastro da S.R.F. A glosa, pois, deve ser mantida. 4. Glosa relativa as notas fiscais ditas como de emissão de Vila Capixaba Auto Peças Ltda. e Mecânica Texas Ltda. A inidoneidade das notas fiscais foi comprovada pela dilig8ncia efetuada pelos autuantes. Por ela, as empresas Vila Ca pixaba e Mecânica Texas (fls. 172/173) negam que os ditos efeitos fiscais sejam de sua emissão. Por seu turno, a impugnante contentou- se em dizer que os materiais deles constantes foram efetivamente ad- quiridos. Porém, nada se provou. Não disse de quem os comprou,, pos to que de Vila Capixaba e Mecânica Texas não foi. Assim, os documen- tos referentes as despesas glosadas não indicam, como legalmente im posto, o nome, endereço e o número da inscrição cadastral do emiten- te. A glosa deve ser mantida. 5/8. Glosas relativas a DISMAC, MINAS BOX; MONTE PASCHOAL SÃO GONÇALO, OURO VERDE, MADEIRAS DO VALE, BARRO VERME LHO, SANTA LUZIA E DISMACEL. A áadorld.dâde, das notas não foi destruida. As empre- sas não existem, conforme se pode verificar através das diligências' fiscais efetuadas em relação as 5 primeiras e através do sistema OR- CA (ON UNE de recuperação de cadastro) em relação as restantes. Ade SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 12 Ac6rdão n9 10.1-77.273 mais, os documentos, que apresentam DISMACEL como emitente, trazem o CG C que, em verdade, e de outra empresa: Companhia Industrial Paolet ti. Para infirmar o recebimento das mercadorias, invocado' pela defendente, leio para o plenário a parte da informação fiscal n9 1 a 5 que consta de fls. 551/553. - Lida em plenário - 9. Exclusão indevida Como dito antes o informante pediu a procedência da de fesa quanto a este item. 10.1 - Despesas desnecessárias (refeições e lanches). No caso, não se trata de despesas ocasionais, como quer a impugnante, mas de despesas incorridas, e que poderiam ser compro- vadas, não, porem, com notas fiscais simplificadas ou cupons de má- quina registradora, como afirma o P.N. CST n9 83/76. 10.2 - Despesas particulares dos secios. Este item deve ser integralmente considerado proceden- te e não apenas as parcelas confessadas. A autuada contesta a glo- sa das despesas com viagens dos sõcios diretores Pedro A. Costa e sua mulher, alegando, sem provar, que elas se realizaram em benefi- cio da empresa. A falta de prova justifica a glosa. Com referência ao jantar na residência do secio Pedro A. Costa, o documento de fls. 138 não corrobora o alegado na defesa: jantar de confraternização entre funcionários e patrões. O jantar foi oferecido pelo secio em sua residência, como atesta aquele docu- mento. Do Sr. Pedro A. Costa e pois a despesa, não da empresa. 10.3 - Brindes e Presentes - Não se trata de "brindes" segundo conceituação do P.N. (21 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 13 Acérdão n9 101-77.273 CST n9 15/76, isto e, de ofertas promocionais da empresa de diminuto ou nenhum valor comercial, mas de "presentes", como relégio, apare- lho de som, televisores, jOias (doc. fls. 140/143 A) e, como tais , indedutíveis. 10.4 - A impugnante concorda com a glosa referente às multas do DETRAN. 10.5 - Imbolizações escrituradas como despesas. A autuação deve ser mantida tanto em relação â. parce- la confessada, quanto em relação à contestada. Para justificar sua defesa parcial, a impugnante junta um laudo tecnico, atestando que os bens mencionados são de vida útil inferior a um ano. Como, porém, o laudo firmado por engenheira da prOpria impugnante, não possui ele valor probante. 11. Correção Monetária. Trata-se de mera decorrência do item 10.5 anterior. 12. Postergação. A infração e confessada na defesa. Apés a informação, a autuada fez juntar ceipias xerogrã ficas de cheques emitidos por ela a favor de Bancos, de Penta Terra- - plenagem e Engenharia Ltda., Carlos Alberto Ramos Alves e Wilson Ra- mos (fls. 555/573). A autoridade de 19- instância, pela decisão de folhas 574/598, julgou procedente em parte a ação fiscal, para, à luz dos argumentos da informação, excluir de tributação no exercício de 1983, base 1982, a importância de Cr$ 4.354.786 relativa à exclusão do lu cro líquido não discriminada no LALUR (infração n9 9), mantido todo o restante autuado. A SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 14 Acôrdão n9 101-77.273 Para maior esclarecimento do plenário, leio os "consi- deranda" de fls. 592/597 que fundamentaram o decidido. - Lidos - A decisão foi intimada ao sujeito passivo em 28.04.87, (fls. 600). Em 25.05.87 (fls. 692) foram anexados ao processo o re curso e elementos de instrução de fls. 601/692. A recorrente reitera de inicio-)todas as razões expendi das através da impugnação, como se integrantes fossem da peça recur sal. Em seguida passa a desenvolver os argumentos de seu apelo, os quais assim sintetizo: 1. Omissões de receita. a) Ex. 1982, base 1981: Cr$ 14.100.000,00. Em 10.04.81 elevou seu capital social com aumento su- portado pelos s6cios Pedro A. Costa (Cr$ 13.570.000) e sua mulher Maria Luiza S.A. Costa (Cr$ 530.000,00) perfazendo o total de Cr$ 14.100.000,00. A integralização não pode indiciar omissão de receita, seja porque os cinco meses que medeiam entre o arquivamento dos atos constitutivos da sociedade (09.12.80) e a data da alteração contra tual (10.04.81) são meses insuficientes para ensejar omissão de re- ceita de tão grande valor, mormente se se levar em conta que sua ati vidade é a construção civil. de se destacar a propOsito desta infração, que sua autuação deveu-se a falta de prova da origem e efetiva entrega dos recursos,J-ã a decisão 'ampliou_ o fato autuado para exigir documenta- ção hábil e idônea coincidente em datas e valores. Em defesa a re- corrente diz que a prova se faz mediante o lançamento contãbil da integralização, frisando haver coincidência de datas entre a eleva- ção do capital e seu registro contãbil. No que diz respeito a docu- mentos hábeis e idôneos, a recorrente se louva em acôrdão da n- Cãma :7)3 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 15 AcOrdão n9 101-77.273 ra deste Conselho, segundo o qual o acréscimo patrimonial de um exer cicio é justificado pelos recursos constantes da declaração da pes- soa física do ano anterior. "Mutatis Mutandis", a situação é a mes- ma: Se os sócios t8m disponibilidades em sua declaração, estas justi ficam o investimento de capital que se fez na jurídica. Ademais, a tributação é feita com base no artigo 181 do RIR/80. Tal dispositivo, porém, não acoberta o fato presente, se- ja porque sua disposição requer indícios de omissão de receita (coi- sa que o fisco não demonstrou), seja porque ele se refere a suprimen tos de caixa, enquanto o fato é de integralização de capital. Outro aspecto a considerar é que houve erro na identi- ficação do sujeito passivo. A pesquisa deveria alcançar o sócio, não a empresa. E se se pesquisar a declaração do sócio ver-se-á que ali se lançou o investimento e que este não gerou aumento patrimonial.As sim, o sócio tinha suporte para integralizar. Quanto ã origem, o recorrente indica como tal, a alie- nação: 1) em 12.02.81 de cotas de participação societária; 2) em 19.03.81 de um lote em Brasília; e ainda 3) o recebimento de uma doa ção do sogro (2.000.000) e 4) outros recursos prOprios (Cr$ 900.000). Todos estes fatos constam da declaração da pessoa física. Assim, en- tende provada a origem extra-empresarial dos recursos aplicados. b) Ex. 1983, base 1982: Cr$ 22.390.000,00 O lançamento contábil foi feito em 31.10.82. A propOsi to desta integralização, a recorrente aduz os mesmos argumentos an- tes mencionados e afirma que a origem está comprovada através da dis ponibilidade de recursos evidenciada na declaração da pessoa física' do sécio referente ao mesmo período-base e que a efetiva entrega es tã esclarecida através do extrato bancário (fls. 675) e os lançamen- tos no Diário. O cheque de n9 206626, constante do referido extrato, como depósito em1,9.10.82,no valor da integralização (Cr$ 22.390.000,00) não foi apresentado. 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 16 Aceirdão n9 101-77,273 c) Ex. 1984, base 1983: Cr$ 15.600.000,00. Renovando argumentos anteriores, afirma que os recur- sosda integralização de 15.06.83 originaram-se de desimobilizações do só- cio, constantes da declaração pessoa fisica;, para o fim de go- zar dos favores do Decreto-lei n9 1950. A efetiva entrega se demons- tra pelos lançamentos no Diário (fls. 689/690). Ademais, cumpre observar que a exigência deste item re presenta uma dupla incidência, já que o valor autuado estaria inclu- so nos Cr$ 21.869.899 de receita omitida resultante do passivo ficti cio autuado e confessado como procedente pela recorrente. 2. Efetiva prestação de serviços por Penta Terraplenagem e Engenharia Ltda. Ex. 1982, base 1981: Cr$ 6.550.000,00 Ex. 1983, base 1982: Cr$13.794.764,00 Segundo o auto, as faltas ensejadoras das glosas foram a não comprovação da efetiva prestação dos serviços, através de do cumentação hábil. Inobstante isso, a decisão de 19 grau pretendeuman ter a glosa sobre pretexto de que dedutiveis são apenas as despesas' que guardam relação com a atividade explorada. Ocorre, porem, que tu do gira em torno da efetiva prestação dos serviços, como se pode ler do último considerandum da decisão: "considerando que parte dos documentos acostados às fo lhas 554/559 comprovam o pagamento a Penta Terraplera gem e Engenharia Ltda. e o auto em questão questiona a efetiva prestação dos serviços, assim os mesmos são insuficientes como prova a favor do contribuinte." Entretanto, os serviços foram prestados no Conjunto Ha bitacional Linhares V, conforme faturas (fls. 62/69 e 90) e o relat6 rio de fls. 52 firmado pela profissional encarregada, este indevida- mente desconsiderado pela decisão de 19 grau. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 17 AcOrdão n9 101-77.273 Resta evidenciar que os pagamentos foram feitos. E o faz fazendo referências às cOpias xerogrãficas dos cheques nominais a Penta, emitidos pela recorrente e que afirma estarem acostados ao processo (Diga-se, parenteticamente, que de fato existem CrS6.000.000' emitidos em 1981 -fls. 562, 570, 564, 561- e Cr$ 9.394.764 emitidos em 1982 fls. 556, 563, 565/568 alem de outros que tem Bancos por be neficiãrios). Para maior comprovação dos serviços, acosta às fls.653 Declaração firmada pela COHAB-ES de que Penta Terraplenagem Engenha- ria Ltda. foi empreiteira da recorrente na construção do Empreendi-- mento Habitacional Linhares V. Assim, diz a recorrente, faturas, che ques nominais, declaração da engenheira lançamentos contãbeis e de claração da COHAB-ES evidenciam a efetiva prestação dos serviços. E mais: de fls. 654/659 juntam-se os documentos de contratação dos ser viços de Penta. 3. Glosa correspondente à EMCATEL - Ex. 1982: Cr$ 4.972.103,00 Diz a recorrente que a defesa não foi acolhida porvea au toridade de 19 grau entendeu: a) que a empresa emitente das notas fiscais estava irregular perante o imposto de renda e b) que a empre sa emitente não teria oferecido à tributação os valores corresponden tes. Quanto ao primeiro fundamento a recorrente alega que não tem o "munus" fiscalizador para aprofundar indagações. Contenta-se com os documentos que exteriorizem os elementos legais exigidos. Quanto ao segundo, cumpria a fiscalização exigir o tributo de quem auferiu a renda e não de quem suportou a despesa. A propOsito, cabe ressaltar o acOrdão 103-05.851/83 do 19 C.C. que fez observar que o comporta-- mento condenãvel de uma empresa, não se transmite às demais que com ela mantiveram relações comerciais,mormente se o fato condenãvel era desconhecido das outras. Ora, no presente caso, a recorrente s6 sou- be da irregularidade da EMCATEL em 1986, enquanto o fato autuado e de 1981. Espera a revisão do julgado. 4 a 8. Glosas relativas a notas fiscais inidõneas e/ou empre- 7K7 eo: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 18 Ac6rdão n9 101-77,273 sas inexistentes e/ou não constarem do cadastro da SRF. Exercícios de 1982 a 1986. A recorrente volta a invocar o ac6rdão 103-05.851 para sustentar que a inidoneidade das empresas não podem afetar aquelasou tras que com elas transacionem. Não cabe ao comprador examinar a si- tuação fiscal do fornecedor, desde que o documentário fiscal apre- sente os elementos legalmente exigidos. 9. Não mais e objeto de litígio. 10.1. Despesas com lanches e refeições Ex. 1984, base 1983. A recorrente alega ter sido autuada por impertinência da despesa. Mas, obviamente não podem ser tidas como tais gastos com lanchonete, mormente quando em percentual mínimo (Cr$ 51.270,00) e destinados a compensar funcionários que ultrapassassem o expediente normal. Quanto a menção feita no QD. 1 a notas fiscais simpli- ficadas e de se ter em mente que o P.N. 83/76, item 3, convalida tais documentos perante o fisco federal. 10.2. Despesas Particulares de só-cios (viagens e jantar de confraternização) Exercício de 1985, base 1984. O recurso invoca todo o alegado na defesa, para dizer que as viagens do sOcio Pedro A. Costa e sua mulher são de interes- se da empresa, posto que ambos são empresários. Tambem pertinente e o jantar de confraternização de pa trões e empregados. O dispêndio deve ser tido por dedutível, de vez que em valor mínimo. O fato de a nota fiscal ter sido emitida em no_ me do sOcio deveu-se ao "estreito relacionamento" deste com o dono do "buffet". " 7 PP/r 1 SERVIDO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 19 AcOrdão n9 101-77.273 10.3. Brindes e Presentes - Ex. 1985, base 1984 Cr$ 2.056.000,00. Com base no montante da despesa relacionada com a re- ceita bruta da empresa, pretende a recorrente ver restabelecida a despesa, jã que aquela relação evidencia o diminuto valor da despesa, em sintonia com o acOrdão -101-66.464/74 do 19 C.C. e Parecer Norma- tivo 15/76. 10.4. Não foi objeto do recurso. 10.5. Imobilizações como despesa Ex. 1985, base 1984. A parcela contestada na defesa teve a impugnação funda da no atestado da engenheira da empresa e acostado ãs fls. 531. Por ser funcionário da recorrente, a autoridade de 19 grau negou valor probante ao documento. Com certeza, diz a recorrente, o mesmo argu- mento não pode recair na declaração de empresa especializada no ramo e conceituada na praça, coonestando o antes afirmado no documento de Lis. 531. Tal declaração consta do anexo 23 do recurso (fls. 691) e certifica que os bens que menciona tem vida útil inferior a um ano. 11. Correção Monetária das Imobilizações Ex. 1985. Dada a relação de causa e efeito, a sorte deste item dependerá daquela do subitem anterior. Pede sejam acolhidas as razões do recurso com reforma da decisão de ]A- instância. o relatOrio. 41,4v ( SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 20 Acórdão n9 101-77.273 VOTO VENCEDOR_ . Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator Designado para o Acórdão Estamos de acordo com o nobre Relator sorteado, sal vo no que se refere ã parcela de omissão de receita no valor de Cr$ 14.100.000, caracterizada pelo aumento de capital social ocorridoem 07.04.81, cujo ingresso e a origem do numerário utilizado na sua in tegralização deixaram de ser satisfatoriamente comprovados. Na realidade, os suprimentos de caixa, considerados assim também aqueles destinados às integralização do capital social da pessoa jurídica, representam forte indício de que receitas do gi ro normal da empresa foram desviadas da tributação. As provas indiciãrias, embora não reunindo caracte- rística da melhor qualidade, vem sendo aceitas no direito com a fi- nalidade de provar fatos de difícil comprovação, como o desvio de receitas do crivo da tributação. É preciso levar em consideração, todavia, que a acu sação de omissão de receita, nesses casos, se faz por mera presun- ção fiscal, admitindo-se, por se tratar de presunção relativa iuris tantum, a prova de sua improcedência. Pode ser que a origem e o efetivo ingresso do nume- rário não estejam suficientemente comprovados, na apreciação feitape lo nobre relator, porém labora em favor da recorrente o fato de que o aumento do capital social da empresa e sua integralização ocorre ram no início de suas atividades: fundada em dezembro de 1980 com o capital inicial de Cr$ 4.400.000, seu aumento ocorreu em 07.04.1981. Acrescente-se, ainda, o fato de tratar-se de atividade cujo retorno de investimento não é imediato e o capital inicial e o prazo decor- ridõ até o ingresso do numerário não permitem retorno financeiro no montante questionado. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 21 Acórdão n9 101-77.273 De forma que, tendo ocorrido essa circunstância, a base da imputação fiscal, no que diz respeito ao suprimento para au mento de capital no ano-base de 1981, exercício financeiro de 1982, ficou irremediavelmente comprometida, com o surgimento de uma outra presunção, essa agora em favor do contribuinte, que é a impossibili dade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis no perío- do de janeiro a abril de 1981. A respeito do enfraquecimento da presunção fiscal de omissão de receita com base em suprimentos de caixa realizados no início de atividade, assevera o Conselheiro SYLVIO RODRIGUES no Vo- to que embasou o Acórdão n9 101-74.799: "I- ão se deve olvidar que a eficácia do direi- to depende sempre da prova dos fatos que ser vem de base às causas jurídicas. As vezes, co mo são fatos de difícil demonstração, a lei, em certas hipóteses, facilita a prova, estabe- lecendo presunções, que não são arbitrárias mas correspondem ao que Ordinariamente aconte- ce, ou deixa a cargo da parte a demonstração de prova precisa a respeito do fato alegado. Em qualquer dessas hipóteses, a fonte da prova es -Lá na indução que parte de um fato conhecido 7. na espécie, os indícios estabelecidos com base no valor dos recursos dados por fornecido caixa da empresa, em busca de outro desconheci do. Os efeitos do fato conhecido, em seus as--- pectos e circunstâncias, oferecem indícios de outro fato; deixando,-os, porém, sob penumbra sem expô-los claramente. A razão toma, então, tais indícios e, para esclarece-los, em torno deles elabora conjeturas, faz perquirições, es tabelece opiniões, tira conclusões e assim se formam as presunções. Estas, todavia, não po dem ser fugazes à certeza do fato, a qual um estado subjetivo de convicção,- para não ver, aquele que delas se serve, desmoronar-se todo o arcabouço da causa perseguida. Os indícios e as presunções têm, pois, de ser veementíssi- mos para afastar em definitivo as possibilida- des contrárias. Para esse efeito, sobreleva-se o princípio ontológico da prova, em que o ordi nário se presume (presunção "hominis", fundada naquilo que ordinariamente acontece) e o ex- traordinário se demonstra. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 22 Acórdão n9 101-77.273 É partindo desse princípio que os precedentes jurisprudenciais inadmitem a omissão de recei- ta no início de negócio, por inexistência ma terial, concreta de receita. Aí, na ocasião d-6 início do negócio, presume-se não haver o que omitir como receita operacional, mesmo que ha ja recursos fornecidos à empresa para simple-s- reforço de numerário de caixa. A esse propósi- to atua a presunção "hominis", pois ordinaria- mente acontece não existir mesmo receita ope- racional, quando a exploração do negócio tem i nício. São essas as razões pelas quais deixo de acompanhar o nobre relator sorteado, concordando, todavia, com o seu Voto no que pertine às outras matérias trazidas a julgamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar-se provimen- to parcial ao Recurso para excluir da tributação as parcelas de Cz$ 25.622.10, Cz$ 13.794,76; Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,60, nos exercí- cios de 1982, 1983, 1984 e 1985,_x.esp-ctivamente. ,•n IMEN - RELATOR — , _„ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 23 Acórdão n9 101-77.273 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA O recurso é tempestivo. Conheço dele. No que diz respeito as autuadas omissões de recei- tas é de se salientar, de início, que a recorrente em momento ai gum, seja na reclamação, seja no recurso, desenvolveu argumentos ten dentes a ilidir à cobrança correspondente à receita detectada atra- vés de passivo fictício no valor de Cr$ 21.869.899 no exercício de 1984, base 1983. Ao contrário, ela com a autuação se conformou tan-, to na primeira, quanto nesta instância. Diante disso, a exigência deve ser mantida. Também procedentes são a meu ver as caracterizações de omissões de receitas apuradas por meio das integralizações de ca pital efetuadas nos períodos-base de 1981, 1982 e 1983, nos valores de Cr$ 14.100.000,00; Cr$ 22.390.000,00 e Cr$ 15.600.000,00, respec tivamente. Com efeito, prescreve o artigo 181 do RIR/80. "Provada, por indícios na escrituração do contri buinte ou qualquer outro elemento de prova, a omi-s- são de receita, a autoridade tributária poderá ar--- bitrá-la com base no valor dos recursos de cai xa fornecidos à empresa por administradores, s3 cios da sociedade não anónima, titular da empre- sa individual ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstra- das". Essa é a base legal da imposição. Seu fim é propi ciar meios à Administração Tributária de surpreender, e consequente mente tributar, receitas que não transitem pelos registros contá- beis da empresa. Para tanto, a lei erigiu, nesse dispositivo, a pre sunção de que os recursos de caixa fornecidos à empresa pelas pes- soas que menciona são originários da própria empresa, salvo se a SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 24 Acórdão n9 101-77.273 procedência extra-empresarial desses recursos for comprovadamente de monstrada. Essa comprovação é o único meio de que dispõe o con- tribuinte para, derrubando a presunção, contestar com eficiência a infração que lhe é imputada. Não lhe socorre o argumento de que a disposição com templa unicamente os chamados suprimentos de caixa. O objetivo da disposição não seria alcançado. Os "recursos de caixa fornecidos ã empresa" de que fala o texto são quaisquer disponibilidades a ela entregues, seja diretamente sob a forma de suprimentos, seja indire- tamente mediante aumento de capital com integralização em dinheiro. Tudo constitui "recurso de caixa fornecido ã empresa". Não lhe socorre, também, conforme copiosa jurispru- dênciadeste Conselho, a alegação de que o fisco para autuar deve, aprioristicamente, indiciar a omissão e, em seguida, arbitrá-la se gundo os recursos fornecidos. Não, a própria int:egralização, quan- do não comprovadamente demonstradas a origem extra-empresarial dos recursos e a efetividade da entrega deles ã empresa, constitui por si só caracterização de receita omitida. Ê por issó que a empresa deve, ao proceder a integra lização de capital, não só municiar-se com os elementos comprobató-- rios da origem externa dos recursos, como também recebê-los por meios capazes de evidenciar aquela origem extra-empresarial. A falta ,de comprovação traduz omissão de receita da pessoa jurídica. E é por is so que não acolho o argumento de que houve erro na identificação do sujeito passivo. No caso do presente feito, nem a origem, nem a efeti vidade da entrega dos recursos utilizados nas três integralizaçõesfo ram comprovadamente demonstradas. Para a integralização de abril de 1981, a recorrente indicou os recursos como sendo originários de venda, em fevereiro, (51 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 25 Acórdão n9 101-77.273 de participação societária; em março, de um lote em Brasília; e ain- da, de uma doação e outros recursos. Mas a efetiva entrega não foi demonstrada. Assim, não há elo entre aqueles recursos e o ativo da empresa. Aqueles recursos representam, pois, mera capacidade finan- ceira do sócio, não origem dos valores integralizados. E está assen- te na jurisprudência deste Conselho que disponibilidade econômica e financeira não é 6bastante para demonstrar origem de recurso. A propósito dessa integralização de abril de 1981 não aceito como válido o argumento de que 5 meses -- a quanto monta a distância no tempo entre a integralização e o arquivamento dos a- tos constitutivos da empresa -- seriam insuficientes para se perpe trar omissões de receitas. O tempo, inobstante curto, ensejava reali zação de operações e ;pois, de omissões. A empresa, então, já esta- va obrigada a comprovar a origem e a efetividade da entrega. Quanto à integralização de outubro de 1982, a empre- sa invocou como origem a disponibilidade evidenciada na declaração da pessoa física do sócio. Ora, como já visto, isso não é bastan- te para esclarecer a origem e, pois, para afastar a responsabilidade da empresa. A propósito da efetividade da entrega é de se esclarecer que mero "extrato bancário" não é documento hábil para vincular o re curso depositado com origens externas. O alegado cheque n9 206626 não foi juntado aos autos. No que diz respeito à integralização de junho de 1983, também ficaram indemonstradas a origem e a efetividade da en trega, já que para tanto a recorrente se louvou apenas nos lançamen- tos de seu Diário e na disponibilidade financeira da pessoa física do sócio, entrevista na declaração dele. Uns e outra por si sós na da demonstram. "A prova deve ser idônea, objetiva, precisa em dados ou elementos coincidentes em datas e valores, de forma a ficar ple- namente atendida a indagação fiscal sobre a proveniência das impor táncias supridas e conferidas no aumento de capital", conforme acen- tuou o (acórdão 19 CC 101-73.601/82). Também não logra acolhimento a ponderação do recur- 7 / (,í,;1 nÇ 26 sERvico PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 Acórdão n9 101-77.273 so de que a exigência, ora objeto de pesquisa, constituiria dupla in cidência, já que o valor autuado estaria compreendido nos Cr$ 21.869.899,00 de receita omitida resultante do passivo fictício au tuado e confessado como procedente pela recorrente. Ora, não há co mo misturar o conteúdo das duas infrações. A receita omitida é a so ma das parcelas encontradas em cada uma dessas rubricas. Essa foi a lição do acórdão CSRF/01-0.292/83. Diante de tudo isso, considero procedente a cobran- ça relativa às omissões de receitas autuadas. 2. Já com referência à infração relativa aos serviços que teriam sido prestados à recorrente por Penta Terraplenagem e En- genharia Ltda., entendo que o auto não pode prosperar. A não com- provação da efetividade de prestação desses serviços foi o fato de terminante da autuação. Penso, todavia, que os documentos acostados não ad- mitem semelhante conclusão. Os serviços foram efetivamente presta dos. Aí estão de fls. 654/659 os documentos relativos à contratação dos referidos serviços,A COHAB-ES atesta (fls. 653) que Penta Terra- plenagem Engenharia Ltda. foi empreiteira da recorrente na execução do Empreendimento Habitacional Linhares V, em Linhares, E. Santo. De fls. 62/69 encontram-se as faturas comerciais em sintonia com esses elementos. E mais: de fls. 556/570 foram juntados cópias xerográfi-- cas de cheques nominativos emitidos pela recorrente em favor de Pen- ta Terraplenagem Engenharia Ltda., que totalizam parcela substancial do valor autuado. Para a diferença a empresa tem outras explicações. Mas isso não importa. Se foi autuada por falta de comprovação dos serviços, ante as provas anexadas não se pode deixar de reconhecer a efetividade dos serviços. Dou provimento, neste tópico. 3. A glosa dos valores correspondentes às notas fiscais emitidas por EMCATEL - Empresa Capixaba de Terraplenagem e Escava_ ções Ltda. também não procede. A autuação, que é relativa ao exerci cio de 1982, base 1981, fundamentou a glosa na irregularidade da si (?./x(4:2 , Processo n9 10783-004.076/86-23 27 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 101-77.273 tuação da empresa emitente perante o cadastro da Receita Federal,con forme se vê da ficha do Sistema on une de recuperação de cadastro (fls. 70). Ora, por esta mesma ficha, contudo, se constata que a suspensão cadastral da empresa ocorreu em 31.12.82 por ter sido ela omissa "no exercício de 1982 Ora, a suspensão não retroage para ma- cular a legitimidade dos efeitos fiscais anteriormente emitidos. Ne nhuma empresa, que com ela transacionasse em 1981, estaria obriga- da a prever que em 1982 seu CGC ficaria suspenso. Este e o caso da recorrente, que não pode ter glosados os documentos de 1981, porque a emitente teve em 31.12.82 seu CGC suspenso. Dou provimento, tam bém neste tópico. 4/8. Diverso, porém, é o meu entender com relação às de mais glosas efetuadas pela fiscalização em face da inidoneidade dos ddcumehtos. corroboradores dos respectivos assentamentos contábeis (in frações de n9 4 a 8 no relatório). Entendo, em conformidade com a recorrente, que o comportamento condenável de uma empresa não se transmite àquelas ou tras que, com ela mantendo transações comerciais, desconheçam o fato condenável. De tal verdade, porém, não se pode extrair a cômoda con clusão, como faz a recorrente, de que perante uma "nota fiscal iirTs sa com todos os elementos legalmente exigidos", o documento é idô- neo e hábil a corroborar assentamentos. Com tamanha inocência não se compadece o direito. Tanto quanto mais estranha seja a outra parte contratante, mais se impõem os devidos cuidados para que a empresa não se apanhe negociando com entidades fantasmas. É o que vemos nes — te feito em relação a esta série de irregularidades autuadas: a) na infração de n9 4, deparamos com Vila Capixaba Auto Peças Ltda. e Me- cânica Texas Ltda negando categoricamente às fls. 172/173 haverem emitido as notas fiscais constantes do termo de retenção de fls.171; b) nas infrações 5 e 7, defrontamo-nos com diligências fiscais a a- testar a falsidade de endereçosdas notas autuadas e, pois, a inexis- tência das empresas tidas como delas emitentes; c) nas infrações 6 e 8, constatamos que as empresas ditas emitentes não se encontram' inscritas no cadastro devido e, portanto, elas não existem. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 28 Acórdão n9 101-77.273 De tal sorte, concluo que os documentos referidos no auto são em verdade inidOneos para corroborarem assentamentos contá- beis. As despesas/custos neles embasadas devem ser objeto de glosa . E não se diga, como faz a recorrente, de que ela não tem o "munus fiscalizador" para verificar a autenticidade de documentos. Inscrita que é no CGC, a recorrente:~muito bem que tipo de documento exis- te para comprovar tal inscrição. Diante de tudo isso e da falta de demonstração, por parte da recorrente, de que as empresas emitentes dos documentos existem e de que os documentos retidos pela fiscaliza ção possuem regularidade intrínsicae nego provimento neste tópico. 9. Exclusão do lucro líquido: a infração foi desqualifi cada pela decisão de 19 grau, não sendo, póis, objeto do recurso. 10.1. Despesas referentes a refeições e lanches. A glosa é procedente, apesar de o auto descrever a infração como despesa "estranha e desnecessária". É que a imprecisão terminológica, aí constante, se esclarece no QD 1 de fls. 15 (ane- xo ao auto), ao fazer menção aos documentos comprobatórios das despe sas: notas fiscais simplificadas e cupons de máquinas registradoras. Por isso a infração autuada é de ser entendida como glosa de despe- sa não habilmente comprovada e portanto estranha ã empresa. E foi exatamente isso o que a recorrente entendeu, pois tanto na reclama- ção, quanto no recurso, procurou justificar a nota fiscal simplifica da e o cupon como documentos hábeis ã comprovação de despesas. Entretanto, não o são. O Parecer Normativo CST 83/76, citado pela recorren- te, diz expressamente em seu item 5: "Em face do exposto, é de se concluir que a nota fiscal simplificada e o cupon de máquina regis tradora não são documentos hábeis para comprovar despesas operacio - nais, de vez que não possuem elementos materiais capazes de ajuizar- se se os gastos atendem as condições de dedutibilidade." Nego provimento, neste item, ao recurso. (?). 29 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 Acórdão n9 101-77.273 10.2. Despesas particulares dos sócios: O auto é proceden- te tanto na parte em que expressamente não se estabeleceu o lití- gio, quanto naquela contestada e recorrida, relativa a viagens dos sócios e jantar em 31 de dezembro. Quanto às viagens, a recorrente li mitou-se a dizer que elas foram efetivadas pelos sócios gerentes Pe dro A. Costa e sua mulher, sem contudo demonstrar qualquer vinculo entre os deslocamentos e a atividade da empresa. O que era imprescin divel, posto que nem toda viagem de pessoa física e feita em benefl cio de empresa de que seja gerente, como acontece com as viagens de passeio e turismo. Quanto ao jantar de confraternização ocorrido em 31.12.83, o documento de fls. 138 é por demais explícito: foi emiti- do em nome da pessoa física do sócio e refere-se a um jantar na resi dencia dele. Dele, portanto, é a despesa, não da empresa. Nego, pois, provimento neste tópico. 10.3. Brindes e Presentes. Não merece censura, neste item, a decisão recorrida A natureza das mercadorias a que se referem os documentos de fls. 140/143-A (relógio, aparelho de som, televisores, jóias) não constituem ofertas de diminuto ou nenhum valor comercial destinadas a promover a empresa. Trata-se de presentes valiosos e não "brindes", na conceituação do Parecer Normativo n9 15/76. Nego provimento, aqui. 10.4. Multas cic) DETRAN. Expressamente a contribuinte con- cordou com a glosa, não estabelecendo o litígio. 10.5. Imobilizações escrituradas como despesas. A impugnan te e recorrente concorda com a glosa referente ao exercício de 1984 e, em parte, com aquela do exercício de 1985. Neste não refuta, as glosas relativas ao 19, 59 e 69 item do QD n9 6 de fls. 24. Contesta os demais itens, no valor de Cr$ 11.460.000, por se referirem a bens com vida útil inferior a um ano. Entendo que a recorrente está com a razão, quanto aos itens que contesta. A fiscalização não fez juntar nenhum "laudo SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 30 Acórdão n9 101-77.273 técnico" corroborador da assertiva de que os bens têm vida útil sti- perior a um ano. Em sentido contrário, a empresa anexou, com a recla mação, o documento de fls. 531 firmado pela engenheira chefe de seu departamento técnico e, com o recurso o documento de fls. 691 firma do por profissional inscrito no CREA. Ante tais fatos, fico com es- tes documentos para excluir de tributação no exercício de 1985, ba- se 1984, o valor de Cr$ 11.460.000,00 referente aos elementos de n9 2, 3, 4, 7, 8 e 9 do QD n9 6 de fls. 24; mantida a tributação sobre as demais imobilizações contabilizadas como despesa e que não foram objeto de litígio. 11. Correção monetária das Imobilizações (Ex. 1984: Cr$ 468.195 e Ex. 1985: Cr$ 4.383.606). Entendo que a imposição aqui é, em sua totalidade,im procedente. Com efeito, em virtude do nexo causal existente entre es te e o item precedente, impõe-se excluir de tributação as correções monetárias dos valores ali considerados verdadeiras despesas. Mas não é só. Também improcede a tributação das correções relativas às imobilizações não efetuadas, porque as referidas correções do ativo se anulariam em face da correção do passivo criado com a efetivação' da glosa. Não é justo que, efetuada a glosa da despesa, se faça uni- camente a correção do ativo. Por isso excluo da incidência do tribu- to a totalidade dos valores de que trata este item. 12. Postergação. Esta infração também não foi objeto do litígio. Com ela expressamente se conformou a recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de se dar provi mento parcial ao recurso a fim de, reformando a decisão de 19 grau, excluir da tributação os seguintes valores, em cruzeiros: Exercício Infração 1982 1983 1984 ' 1985 1986 - n9 2 - PENTA Cr$6.550.000 13.794.7.64 - n9 3 —Etuuml, 4.972.103 - n910.5-Imobil. 11.460.000 - n9 11-Corr. 468.195 4.383.606 - TOTAL 11.522.103 13.794.764 468.195 15.843.606 V:V e,or Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13603.900485/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. BALANCETE SUSPENSÃO/REDUÇÃO.
Devidamente comprovado que o recolhimento realizado a título de estimativa (código 2484) mostrou-se indevido em razão do levantamento de balancete suspensão/redução, é cabível empregá-lo na compensação de estimativas apuradas em meses subsequentes no mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 1401-000.646
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 8.407,53, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 51 1 50 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.900485/200690 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140100.646 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente EME EMPRESA DE MANUTENÇÃO E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. BALANCETE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. Devidamente comprovado que o recolhimento realizado a título de estimativa (código 2484) mostrouse indevido em razão do levantamento de balancete suspensão/redução, é cabível empregálo na compensação de estimativas apuradas em meses subsequentes no mesmo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 8.407,53, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 52 2 Relatório Tratase de análise de PER/DCOMP transmitido em 15/08/03 (fls.01/05). O crédito originase de suposto recolhimento de CSLL (código 2484), realizado em 30/05/03, tendo sido apontados, para fins de compensação, débitos de estimativas de maio e junho do mesmo ano. Por meio do Despacho Decisório de fls.13/15 a compensação foi indeferida sob o fundamento de que “...o valor pago a título de CSLL apurado por estimativa não configura pagamento a maior que o devido”. De acordo com o raciocínio na oportunidade desenvolvido, deveria ter sido levado à apuração ao final do respectivo anocalendário, quando o contribuinte poderia requerer a restituição/compensação a partir do saldo negativo. Em primeira instância tal decisão foi mantida, tendo o acórdão nº 0214.089 recebido a seguinte ementa (fls.38/39): DIREITO CREDITÓRIO. O montante da contribuição paga por estimativa a maior, apurado em 31 de dezembro, só poderá ser restituído contribuinte após a entrega da declaração de rendimentos. No Recurso Voluntário (fls.42/47) alegase em síntese: a própria unidade de origem reconhecera que de acordo com a DIPJ não houve, com relação ao mês de abril de 2003, estimativa devida; tratarseia de restituição/compensação de pagamento indevido por erro do contribuinte; tal pagamento não teria integrado o “saldo negativo” de CSLL apurado ao final do ano calendário 2003; o art.890 do RIR/99 trataria de pagamento indevido, “...sem excepcionar as hipóteses decorrentes de pagamentos de estimativas”; “somente após a edição da IN SRF nº 460, de 18.10.2004 (revogada e substituída pela IN – SRF nº 600, de 30.12.2005), é que houve expressa determinação no sentido de que o pagamento indevido ou a maior, a título de estimativa mensal, pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, passe a compor o saldo negativo do períodobase, conforme disposto no art.10, do referido ato normativo (atualmente art.10, da cit. IN SRF nº 600/2005)”; de acordo com o Ato Declaratório SRF nº 3, de 07/01/00, “...o r. despacho decisório equivocouse ainda ao esposar, com base no superado disposto no art.1º, II, do art.858, do RIR/99, o entendimento de que o eventual saldo negativo de CSLL apurado no encerramento do períodobase, só poderia ser compensado com o valor da contribuição a ser paga a partir do mês de abril do ano subseqüente”. É o que importa relatar. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 53 3 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele se toma conhecimento. De acordo com a DIPJ as estimativas foram apuradas no anocalendário 2003 com base em balancete redução/suspensão (fls.07/09), tendo sido as relativas aos meses de maio e junho parcialmente objeto de compensação, indicada na PER/DCOMP que ora se analisa e também informada em DCTF (fls.29/30). O valor declarado a título de “CSLL Mensal Paga por Estimativa” R$21.006,11 na Ficha 17 da DIPJ (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”) (fl.10), utilizado como dedução no mês de dezembro, coincide com a totalidade das estimativas apuradas até o mês de novembro (Ficha 16, Linha 10 da DIPJ – “CSLL a Pagar”). Cabe frisar que em momento algum a Receita Federal do Brasil pôs em cheque as apurações do contribuinte, razão pela qual não se pode agora, sem elementos outros, questionálas a ponto de não se aceitar, por exemplo, com relação ao mês de abril, que tenha havido algum vício no respectivo balancete com base no qual o recolhimento mostrouse indevido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem (MG) atestou que “No mês de abril do anocalendário de 2003, o contribuinte não apurou contribuição a pagar a título de estimativa mensal, conforme declaração de rendimentos registrada sob o nº 0912206”. Com a devida vênia os artigos 222 e 858 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, mencionados na decisão recorrida e aplicados à CSLL por força do art.28 da Lei nº 9.430/96, não representam óbice à restituição/compensação em situações como a dos autos. O recolhimento, mesmo com o código de estimativa, partindose da premissa que não houve apuração de CSLL a pagar conforme balancete redução/suspensão, pode ser caracterizado como pagamento indevido. Na realidade, tais dispositivos, que inclusive remetem ao cálculo das antecipações a partir de uma base de cálculo estimada, não na hipótese de apuração com base em balancete, apenas asseguram a restituição do saldo negativo apurado ao final do ano. Vejamos: Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.° 9.430, de 1996, art. 2°). ..... Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o ultimo dia útil do mês subsequente àquele a que se referir (Lei n.° 9.430, de 1996, art. 6°). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 54 4 § 1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será (Lei n.° 9.430, de 1996, art. 6°, §1º): ..... II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por sua vez, o art.230 daquele mesmo Regulamento, ao tratar da “Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal”, e o art.231, voltado às “Deduções do Imposto Anual”, não impedem a restituição/compensação em debate. O pagamento que seria relativo à estimativa do mês de abril mostrouse indevido em razão da demonstração de não ter sido apurado qualquer valor de CSLL a pagar naquele mês, conforme atestou a própria Receita Federal do Brasil, daí advindo a certeza do crédito. A liquidez, por sua vez, decorre do valor recolhido e confirmado à fl.12. Dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; É importante verificar que até a edição da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, havia dispositivo que permitia a utilização de valores pagos indevidamente a título de estimativa apenas na composição do saldo negativo do IRPJ ou da CSLL apurada ao final do anocalendário: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaquei) Com a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, tal restrição deixou de ser prevista. Vejamos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 55 5 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse contexto, vale mencionar o recente voto proferido pelo Cons. José Sérgio Gomes, Relator do acórdão nº 110200.335, de 11 de novembro de 2010, que, ao abordar a questão sob ótica distinta, até mesmo em razão de o contexto ser um pouco diferente do caso ora analisado, assim se posicionou: “(...) Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade e que, a propósito, é de caráter irretratável (RIR/99, art.232), a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230). Apurado o imposto devido no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, dele deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser restituído ou compensado (RIR, art.231), também chamado de saldo negativo de IRPJ; inversamente, afigurase o saldo de imposto a pagar. Aflorada, então, a figura do saldo negativo do IRPJ, este sim é passível de restituição ou compensação com o próprio IRPJ de períodos subseqüentes ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês de janeiro subseqüente até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que estiver sendo efetuada a compensação. No caso dos autos, porém, não há busca de compensação de saldo negativo do anocalendário de 2005, mas sim do "excesso” do mês de janeiro daquele ano. Para tanto a contribuinte laborou, via retificações das declarações DCTF e DIPJ, em alterar o valor originariamente declarado e efetivamente recolhido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 56 6 O artigo 230 do RIR199, ao abrir a possibilidade da interrupção das antecipações mensais através de balanço ou balancete que demonstrem que o valor até então pago já supera o valor do imposto no período não desnaturou o caráter de antecipação do eventual excesso até ali realizado, tanto que não abre a possibilidade de restituição. Assim, antecipação que o é, não recepciona as figuras do pagamento indevido ou pagamento a maior que o devido, estes sim passíveis de repetição tributária. Com efeito, o fato gerador do IRPJ, para quem opta pelo regime de apuração anual, se aperfeiçoa em 31 de dezembro. Até essa data não há pagamento, modalidade extintiva de obrigação tributária, e sim recolhimentos, meras antecipações do tributo que venha a ser apurado, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Dessa forma, repetir antecipação caracteriza flagrante impropriedade, eis que ela só se torna pagamento na data do fato gerador do tributo, pois não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não nasceu, Em decorrência, só a partir do pagamento a maior que o devido surge o direito de restituição e seus consectários. Ainda, seria deslocar a base de cálculo para a periodicidade mensal, patente extravagância na medida em que a norma de regência estipula em sentido diametralmente oposto, é dizer, fixa a base de cálculo como sendo o lucro anual e determina o marco temporal de apuração, qual seja, em 31 de dezembro. Contudo, afigurame perfeitamente exeqüível uma segunda modalidade de compensação, se é que assim possa ser chamada, de eventuais excessos recolhidos em meses que compões esse específico regime de apuração do lucro real com estimativas afetas aos períodos de apuração mensais subseqüentes, desde que limitada ao mês de dezembro do ano calendário em curso, e isso porque envolvidas parcelas de antecipação, mesmo gênero. No caso dos autos, a pretensão trazida encontrase no sentido de compensar "excesso” de estimativa de janeiro de 2005 com parcelas, igualmente de cunho de estimativa, devidas nos meses de agosto e outubro do próprio anocalendário de 2005. Tenho, então, que a pretensão revelase mero ajuste, sem qualquer conotação repetitória, pois intrínseca à metodologia de apuração do imposto pelo lucro real anual, cuja opção deuse com o recolhimento da parcela de janeiro de 2005, sob código de receita especifico. Noutras palavras: eventual restituição tributária só se materializará no final do anocalendário e na hipótese de aflorar a circunstância de saldo negativo de IRPJ, consoante exaustivamente alinhavado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 57 7 Em suma, considerese o alegado "excesso” recolhido em janeiro como integrante desse mês ou migrese o mesmo para os meses de agosto e outubro é fato inafastável que, em ambas hipóteses, servirá aquele como dedução do tributo apurado no dia 31 de dezembro, a gerar mitigação do quantum a ser adimplido ou então saldo negativo de IRPJ.” (destaquei) Mencionese, ainda, o acórdão nº 140100.420, de 26 de janeiro de 2011, desta Turma, de relatoria do Cons. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, que reafirma a possibilidade de restituição de valores pagos a título de estimativas, que se mostraram indevidos à vista de balancete mensal. In verbis: “(...) A controvérsia posta em debate é saber se, antes da vigência da IN nº 900/08, poderia a contribuinte que recolheu indevidamente valores a título de estimativa mensal, não aproveitáveis na composição do saldo de tributo devido no ajuste anual por ter optado pela apuração das estimativas mediante balanço suspensão/redução, pode utilizarse de referidos créditos para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Segundo se extrai da sistemática instituída pela lei n° 9.430/96, a pessoa jurídica poderá optar por apurar o imposto de renda e a CSLL pelo período anual, devendo, no entanto, efetuar recolhimentos mensais sobre bases estimadas de apuração. Nessa sistemática, o contribuinte promove recolhimentos mensais mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos na lei n° 9.249/95, conjugando, a estes percentuais, a alíquota do tributo, variável de acordo com o montante alcançado (15% ou 25%). No entanto, o art. 230 do RIR/99, respaldado no art. 2° da lei n° 9.430/96, permite que o contribuinte apure as estimativas mediante a composição de balancetes de suspensão/redução, nos seguintes termos: Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 22). §1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §1º): I deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do anocalendário. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 58 8 §2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário (Lei nº 8.981, de 1995, art.35, §2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art.1º). §3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art.1º). §4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art.1º). Dentro dessa sistemática, a apuração do montante a ser pago a cada mês a titulo de estimativa não se faz pela mera composição do percentual de estimativa com a receita bruta; mas sim pela composição do percentual de estimativa com a receita bruta, deduzido o montante pago no mês anterior apurado segundo o balancete de suspensão/redução. Dessa feita, caso o contribuinte recolha, à titulo de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, tratandose, pois, de tributo pago indevidamente, podendo o mesmo ser restituído. Segundo se depreende da IN SRF nº 460/04, assim como da IN no 600/05, a restituição de valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não eram passíveis de restituição. No entanto, não havia nenhuma outra previsão legal que dispunha sobre como deveriam ser tratados referidos pagamentos a maior. Do que se extrai da decisão recorrida, por não existir previsão em instrução normativa da Receita Federal, permissa venia, referidos valores simplesmente não seriam passíveis de devolução, passando a integrar os cofres públicos de forma definitiva, ainda que injustificada. Referido entendimento, salvo melhor juízo, implicaria em enriquecimento injustificado do Estado. Segundo o disposto no art. 165, inciso I, do CTN, o contribuinte que promove pagamento espontâneo de tributo indevido tem direito à restituição do mesmo. Da mesma forma o art. 74 da lei n° 9.430/96 garante a devolução de valores pagos a titulo de tributo que se mostraram indevidos. Em verdade, a vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente a titulo de estimativa e que, repisese, não integraram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução, torna referidas instruções normativas ilegais. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 59 9 E essa ilegalidade veio a ser corrigida, como bem observou o voto vencido proferido no âmbito da DRJ, com a edição da IN n° 900/08. Nesse sentido, segue precedente deste Conselho, in verbis: Número do Recurso:152056 Câmara:QUINTA CÂMARA Número do Processo: 14033.000213/200581 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CONTRIBUIÇA0 SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO Recorrente: CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A. Data da Sessão:17/08/2006 00:00:00 Relator: José Clovis Alves Decisão: Acórdão 10515942 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Spencer Daltro de Miranda Filho OAB DF 17.615. Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passive l de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. E a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em julgamento realizado em 25 de agosto de 2009, in verbis: Exercício: 2005 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regas previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (acórdão CSRF 910100.338). Observo que, para que a Recorrente tenha direito ao crédito, o pagamento a maior não poderá ter sido carregado para a composição do ajuste anual ao final do exercício. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso, para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a título de antecipação em balancete suspensão/redução e, por conseguinte, determinar que retornem Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 60 10 os autos à DRF para que sejam verificadas a existência, suficiência, e disponibilidade do crédito pretendido na compensação.” Reconhecida, então, a possibilidade de se realizar a compensação. Antes de efetivála, porém, caberá à Receita Federal do Brasil, na execução do acórdão, verificar se o recolhimento de fl.12 encontrase disponível em seus sistemas informatizados. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 8.407,53, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos acima. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001018/2007-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO
Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado.
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para excluir as parcelas referentes a alimentação.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para excluir as parcelas referentes a alimentação. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para excluir as parcelas referentes a alimentação. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 18 /2 00 7- 49 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas referentes a adicional de risco e distribuição de alimentos sem a inscrição no PAT. O r. acórdão – fls 385 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, a devedora principal e dois solidários apresentaram recurso, vejamos. Recorrente Empresa Frigorífico Campos de São José Ltda – André Luiz Nogueira. · Que o recurso é tempestivo e o depósito recursal desnecessário, MP 413 e AD 16/07 SRF; · Que as empresas nunca atuaram concomitantemente, sendo as constituições sucessivas, havendo latente ilegalidade na decisão guerreada, pois deturpa os elementos de sucessão e formação de grupo econômico; · Que o relatório reconhece que a Frigosef em 2003 e 2004 entregou declarações de IR como inativa, desta forma não poderia fazer parte de grupo e o Mantiqueira fica em outra cidade sob a administração de outra pessoa, não exercendo atividades concomitantes as empresas Frigosef; Mantiqueira e Frigovalpa, não havendo sucessão, pois nunca houve transferência do fundo de comércio, sendo os equipamento e as instalações arrendadas; · Que a sucessão e a formação de grupo econômico são incompatíveis entre si, havendo um, não cabe o outro, pois não há existência concomitante, não implicando a falta de baixa na receita em exercício de atividade, uma vez que a declarações eram entregues sem atividade; · Que não há confusão patrimonial, que cada qual tem sua personalidade e suas obrigações, que houve cessão de uso do nome fantasia “Mantiqueira” e que tal de seu de modo informal, pois na lei civil os contratos podem ser formais ou tácitos, não podendo o só uso do nome gerar grupo econômico, que o fato de um pessoa sem empregado de uma empresa e dona de outra não as tornam parte de um grupo; · Que houve equivoco por parte do fisco ao fundamentar o ato fiscal no artigo 179 da INSRP 03, pois posterior a fiscalização e ao início do contencioso, não podendo retroagir, não havendo no artigo 124 do Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 5 4 CTN referência a grupo ou confusão patrimonial, sendo imprestável fundamentação por IN, uma vez que estas são fazem o papel da lei; · Que o artigo 30, IX, da Lei 8.112/91 não se refere a solidariedade, mas apenas em arrecadação e recolhimento, devendo a caracterização de grupo fundarse na lei de regência em não em IN, estando equivocada a citação do artigo 2º, § 2º da CLT, pois aqui não se cuida de crédito trabalhista, mas de relação tributária, verificase no relato fiscal a referência a sucessão e não a grupo; · Requer: a) recebimento do recurso; b) reforma da decisão a quo; c) declaração de nulidade da caracterização, participação e formação de grupo de fato; d) exclusão da recorrente do polo passivo de eventuais débitos. Recorrente Empresa Frigosef – Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. · Que o arrolamento de bens e o depósito recursal são desnecessários, MP 413 e AD 16/07 SRF; · Que o fisco aplicou INRP 03 de forma retroativa e não respeitou a hierarquia das leis, pois só a Lei 6.404/76 serve para fundamentar a formação de grupo, não possuindo norma trabalhista o condão de fundamentar grupo; · Que a decisão se equivoca quanto a interpretação do artigo 30, IX, da Lei 8.112/91 c/c o artigo 124 do CTN c/c o artigo 50 CC, pois o artigo do CTN tara de solidariedade e não de grupo econômico, sendo que o embasamento da solidariedade em IN mácula a lei, o que afasta o artigo 30 não caracterizando grupo ou solidariedade; · Que a recorrente não participou de grupo, pois como reconhece a decisão em 2003 e 2004 esta inativa, não podendo participar de grupo com empresas formadas no anos de sua inatividade, não mantendo relação comercial com as demais empresas, não podendo ser responsabilizada por débitos dois quais não participou da formação, não havendo transferência de fundo de comércio, pois os bens, maquinário e estabelecimento eram arrendados; · Que tanto o cadastro da RFB como da SEFAZ – SP apontam para a inatividade da empresa, sendo que nunca houve transação comercial entre as empresas, dizendo o julgado que se trata de sucessão, não podendo, assim, ser grupo, pois não houve funcionamento concomitante; · Requer ao fim: a) provimento do recurso, com a reforma da decisão; b) declaração de inexistência da formação e participação da recorrente no grupo econômico c) julgar inexistente o lançamento do débito quanto a cobrança de contribuição ao INCRA. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 6 5 Recorrente – André Luiz Nogueira Júnior– ME. Mérito. · Que a decisão de primeiro grau não apresentou fundamentação para a manutenção da recorrente no polo passivo, o que acarreta cerceamento de defesa, devendo tal decisão ser fundamentada, não se referindo a decisão a ora recorrente, sendo que o relatório fiscal e decisão a quo não trazem evidência da participação da recorrente no grupo econômico; · Que a administração sempre foi exercida por uma só pessoa o proprietário André Luiz Nogueira Júnior; · Que a não aplicação da lei 6404/74 fere o princípio da legalidade, pois grupo econômico só está caracterizado nesta lei e assim não se aplica as demais sociedades, mormente a uma ME, sendo que no presente caso todas são limitadas e individual, não tendo nenhuma delas uma S/A como sócia, mostrandose a participação acionária como fator determinante da formação do grupo, não havendo direção econômica única, sendo a recorrente independente; · Que, também, não se aplica a recorrente o inciso IX, artigo 30 da Lei 8.212/91 c/c o artigo 124 do CTN, pois esta não tem qualquer interesse comum com as demais empresas, estando a empresa devidamente constituída sob a leis civis, não sendo negócio simulado e estando em atividade a algum tempo, não podendo esta ser responsabilizada por solidariedade em débitos de terceiros, sendo parte ilegítima da relação jurídica; · Requer ao final: a) recebimento do recurso e seu processamento; b) provimento com a reforma da decisão, excluindo a recorrente do grupo e a sua responsabilidade; É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. 1. DO GRUPO ECONÔMICO Acerca do tema, adoto as razões da decisão atacada, que esclarecem a situação configuradora do grupo econômico de fato apresentado, senão vejamos. O lançamento fiscal em análise tem como um de seus pressupostos essenciais a constatação da suposta existência de um "grupo econômico de fato", do que resultou a responsabilização tributária por solidariedade das entidades integrantes de tal grupo. Assim, além dos demais aspectos, a serem adiante e oportunamente considerados, é necessário analisar previamente a própria viabilidade legal da hipótese de responsabilização tributária, em face da constatação da existência de um "grupo econômico de fato". Para tanto, serão abordados os seguintes aspectos da questão: • A legislação previdenciária relativa a "grupo econômico". • A compatibilidade da legislação previdenciária e o Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66), em matéria de "grupo econômico". • As características do "grupo econômico de fato" e demais leis pertinentes. "Grupo Econômico" Legislação Previdenciária A Auditorafiscal usou como fundamento da caracterização do "grupo econômico de fato" as disposições constantes do inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, que estabelece: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem ás seguintes normas: () IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 8 7 Tal dispositivo é repetido pelo art. 222 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n°. 3.048, de 06/05/1999): Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento (redação dada pelo Decreto n° 4.032, de 2001). E também pela Instrução Normativa SRP no 3, de 14/07/2005, que estabelece: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991 (nova redação dada pela IN no 20, de 11.01.07); (.) Em face deste arcabouço legal, identificada a existência de "grupo econômico de qualquer natureza" (portanto, inclusive os "de fato"), é exigível a contribuição previdenciária de qualquer de seus integrantes, por força da responsabilidade solidária. Código Tributário Nacional — "Grupo Econômico" e demais leis pertinentes Estabelecida a possibilidade jurídica da vinculação dos entes integrantes de um "grupo econômico" em relação à obrigação tributária previdenciária, é necessário analisar a consonância entre as respectivas disposições legais e o CTN. De inicio, vale ressaltar que a responsabilidade tributária por solidariedade encontrase expressamente fundamentada no próprio CTN. Com efeito: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Tal dispositivo estabelece, portanto, a responsabilidade solidária em duas hipóteses: • Das pessoas com interesse comum na situação que constitua fato gerador. • Das pessoas designadas por lei. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 9 8 A sujeição passiva tributária por solidariedade, em razão do "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal", deve, portanto, ser necessariamente demonstrada no caso concreto, em face da ausência de pressupostos legais precisos ou préestabelecidos. Disso se tratará adiante. Vejamos primeiro a hipótese de responsabilização tributária por solidariedade relativa às "pessoas designadas por lei". Ora, como já se destacou, a Lei n°. 8.212/1991, seu regulamento (o Decreto n°. 3.048/1999) e a Instrução Normativa SRP no 3/2005 fazem exatamente isso: estabelecem, nos exatos termos da autorização do inciso II do art. 124 do CTN, que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei". Não resta, portanto, dúvidas de que, caracterizada a existência de "grupo econômico", seus integrantes são solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias apuradas, nos termos da aludida (e transcrita) legislação previdenciária, com a devida e expressa autorização do CTN. Devese agora, portanto, investigar se as empresas consideradas como integrantes do "grupo econômico" podem, efetivamente, ser consideradas como tal. Para isso é necessário tentar estabelecer e, se possível, precisar o que sejam "grupos econômicos". Grupos Econômicos "de direito" e "de fato" características A legislação brasileira e, especificamente, a Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) trata, nos seus arts. 116 e 265 a 277, dos "grupos econômicos" que poderiam ser considerados "de direito", uma vez que constituídos segundo os requisitos legais e por deliberada e expressa vontade de seus controladores. Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6.404/76. Estes são os que se podem denominar "grupos econômicos de fato". A Instrução Normativa SRP no 3/2005, assim define "grupo econômico": Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404/76, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa SRP no 3/2005 não se Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 10 9 refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas a hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). Constatada, assim, a possibilidade jurídica dos "grupos econômicos de fato", passemos A sua análise. Em que pese a existência de "grupos econômicos", constituídos informalmente e criados até mesmo por razões legitimas (planejamento tributário, por exemplo), muitas vezes, tais grupos vão se consolidando paulatinamente, e o que, em principio poderia ser "planejamento tributário" vai se desvirtuando, tornandose uma tentativa de ocultação ou dissimulação dessa condição de pertencerem ao(s) mesmo(s) proprietário(s)/controlador(es). E ocultam ou dissimulam a identificação da caracterização de grupo por vários motivos, dentre os quais (que podem ocorrer, e na maioria das vezes, ocorrem simultaneamente): • Razões tributárias: visam A prática sistemática de inadimplencia ou evasão/sonegação fiscal, com os inevitáveis e conseqüentes prejuízos à: 1. Livre concorrência: podem oferecer "melhores preços" e "condições de pagamento" a seus clientes, na medida deixam de pagar tributos; e 2. Isonomia tributária: a inadimplência acaba por se refletir em maior carga tributária, que é suportada apenas por aqueles que realmente pagam os tributos. • Razões comerciais: vão se constituindo com o objetivo de frustrar cobrança de dividas assumidas por um de seus entes integrantes. Neste caso, é usualmente constatável, inclusive, a situação em que as empresas, encontrandose com dividas vultuosas, sucessivamente transferem (ou tentam transferir) seus patrimônios para "terceiros" (familiares, exempregados, pessoas próximas, "laranjas" etc). Nestas circunstâncias, as empresas integrantes de "grupo econômico de fato" invariavelmente apresentam, além de algumas características inerentes aos "grupos econômicos formais", algumas peculiaridades próprias: • São controladas — como as empresas de "grupos econômicos formais" — por uma mesma pessoa ou grupo de pessoas. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 11 10 • Adotam o procedimento de criar novas empresas, que vão se sucedendo no mesmo local, mantendo a mesma atividade, utilizando os mesmos equipamentos e pessoal. • Realizam operações financeiras que visam transferir recursos de uma para a outra, nem sempre de forma regular (na maioria das vezes drenando recursos — equipamentos e matériasprimas — da empresa em dificuldades — já altamente endividada e inadimplente — para as demais, em melhor situação financeira), sem que se dê a regular formalização destas transferências, seja pela prática de pagamento puro e simples das despesas de uma por outra empresa, sej a pela formalização de contratos ("de mútuo", por exemplo), que permanecem indefinidamente em aberto. t justamente nestas circunstâncias que se constata o que pode chamar de "confusão patrimonial", situação em que empresas e pessoas físicas pagam contas, umas das outras, sem que tais operações sejam realizadas (e contabilizadas) com os rigores legais e técnicos (jurídicos e contábeis) pertinentes. E neste contexto — o da ocorrência e constatação da "confusão patrimonial" entre empresas, e destas com seus proprietários — é que se pode, inclusive, admitir que a responsabilidade tributária por solidariedade possa também se dar com fundamento no inciso I do art. 124 do CTN ("interesse comum no fato gerador"), já que se estaria verdadeiramente diante da circunstância em que o patrimônio poderia ser considerado como se fosse "único" ("caixa único") e, por conseqüência, as obrigações (inclusive tributárias), podem ser atribuídas a todos os integrantes, diretos ou indiretos, do "grupo". Ora, a questão da "confusão patrimonial" entre pessoas físicas (sócios e administradores) e suas empresas, tem assumido tamanha importância, que o Código Civil (Lei 10.406, de 10/01/2002), adotando formulação do direito americana (ou quiçá inglês), estabelece: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. A autonomia patrimonial é legalmente assegurada ao empresário, em relação a empresa da qual seja sóciodirigente, para garantir que, quando administra regularmente seu negócio, não seja penalizado com seu patrimônio pessoal pelas incertezas do mercado, constituindose, assim, importante instrumento de estimulo para a realização de empreendimentos (tão essenciais â economia nacional). Entretanto, na medida em que o empresário pratique irregularidades, seja nas relações comerciais, societárias ou mesmo no âmbito tributário, a legislação reiteradamente afasta tal autonomia. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 12 11 Assim, na medida em que o administrador realize práticas que constituam "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial", existe, no âmbito civil, o remédio correspondente à possibilidade da "desconsideração da personalidade jurídica", na medida em que "os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica" (neste caso, por decisão judicial). Os fundamentos éticos e jurídicos que justificam tais disposições do Direito Privado são igualmente válidos para o Direito Público. Para corroborar tal proposição vale lembrar, por exemplo, o art. 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A confusão patrimonial, que legitima a desconsideração da personalidade jurídica e atribui responsabilidade a terceiros (que, em principio ou em condições normais estariam isentos) demonstra e até mesmo reforça a razoabilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um "grupo econômico" (mesmo "de fato"). Ora, a constatação da prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), o que justifica plenamente o procedimento de considerálas como pertencentes à(s) mesma(s) pessoa(s) — seu(s) controlador(es) — e, portanto, passíveis de responsabilização, independentemente dos seus quadros societários formais. Assim, a possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um "grupo econômico", seja ela "de direito" ou "de fato" tem fundamento: • No inciso II do art. 124 do CTN (por expressa determinação legal), que nos leva ao inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/1991. • No inciso I do art. 124 do CTN, nos casos em que se constata a "confusão patrimonial" (interesse comum no fato gerador). Mas o "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 13 12 Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), assim como a prática de simulação, levanos diretamente ao dirigentes/administradores da empresas. Quanto à simulação, esta por si só, já está sujeita A repressão legal, e, A falta de um conceito especifico no CTN, devese recorrer novamente, nos termos do seu art. 110, ao Código Civil: Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto licito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. (.). Art 166. t nulo o negócio jurídico quando: (); VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; (.). Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirei o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas its quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; (..).(meus negritos) Ora, a prática de atos viciados merece do CTN algumas e importantes disposições: Art. 116. (.) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderei desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (meus negritos, parágrafo incluído pela Lei Complementar 104, de 10/01/01) (.) Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 14 13 (..); IV. quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (..).(meus negritos) Evidenciase, ainda, portanto, que não apenas as pessoas jurídicas, integrantes do "grupo econômico de fato" são passíveis de responsabilização tributária. Tal responsabilidade, por vários outros dispositivos legais vigentes, é também atribuída aos sócios e dirigentes, exatamente nos termos e condições do art. 135 do CTN. Ora, por tais razões, em se tratando de "grupo econômico de fato", é sempre recomendável que se investigue a eventual prática de "excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto" e, se presentes os pressupostos legais, caberá, também, a responsabilização solidária dos mandatários, administradores e dirigentes (especialmente os "informais") das empresas integrantes do grupo. Refletindo as disposições do art. 135 do CTN, a Lei 8.884, de 11/06/1994, que dispõe sobre a prevenção e repressão is infrações contra a ordem econômica, estabelece: Art. 16. As diversas formas de infração da ordem econômica implicam a responsabilidade da empresa e a responsabilidade individual de seus dirigentes ou administradores, solidariamente. Art. 17. Serão solidariamente responsáveis as empresas ou entidades integrantes de grupo econômico, de fato ou de direito, que praticarem infração da ordem econômica. Art. 18. A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato, ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.(meus grifos e negritos). Ora, tais disposições legais, não obstante voltadas às infrações contra a ordem econômica, corroboram todas as ilações anteriormente extraídas da legislação mencionada e transcrita, especialmente em se levando em conta que ora se cuida de lançamento fiscal relativo às contribuições previdenciárias, que gozam claramente de idêntica relevância social. Vejamos: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 15 14 • Art. 16 — atribui expressamente a responsabilidade solidária dos dirigentes e administradores em relação a empresa; • Art. 17 — não apenas estabelecem a responsabilidade solidária entre "integrantes de grupo econômico", como admitem expressamente, a possibilidade da existência de "grupos econômicos de fato ou de direito"; • Art. 18 — permitem a "desconsideração de personalidade jurídica do responsável por infração", destacandose que tal possibilidade pode ocorrer se houver "abuso de direito, excesso de poder, infração a lei, fato ou ato ilícito" ou em caso de "estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica". Aliás, especificamente quanto A responsabilização dos administradores em relação As contribuições previdencidrias, é oportuno destacar o que a respeito determina a Lei 8.620, de 05/01/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto a Seguridade Social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obriga cães para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa. A prática de atos administrativos contrários ao estatuto ou contrato social ou, ainda, contrários A lei, são, As vezes, de tal ordem e gravidade que acabam caracterizando até mesmo ilícitos penais. Com efeito, sob este aspecto, convém destacar as disposições da Lei 8.137, de 27/12/1990, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa as autoridades fazendcirias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 16 15 V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutivel ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir i nformação contábil diversa daquela que é , por lei, fornecida el Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Mas não se trata apenas disso. As ilicitudes comumente praticadas, nestas circunstâncias, pelos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado podem eventualmente caracterizar práticas previstas no próprio Código Penal: Apropriação indébita previdenciária (AC) Art. 168A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: (AC) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (AC) §1º Nas mesmas penas incorre quem deixar de: (AC) Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 17 16 I recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; (AC) II recolher contribuições devidas a previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos a venda de produtos ou à prestação de serviços; (AC) III pagar beneficio devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social. (AC) § 22 É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do inicio da ação fiscal. (AC) § 3Q É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (AC) I tenha promovido, após o inicio da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciciria, inclusive acessórios; ou (AC) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (AC) Inserção de dados falsos em sistema de informações (AC) Estelionato Art. 171 Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artificio, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 3 0 A pena aumentase de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. Art. 297. (.) § 32 Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (AC) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (AC) Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 18 17 na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (AC) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (AC) § 42 Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 32, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (AC) (.). Sonegação de contribuição previdencidria (AC) Art. 337A Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (AC) I — omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdencidria segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (AC) II — deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (AC) III — omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdencicirias: (AC) Pena — reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (AC) § I° E extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas a previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do inicio da ação fiscal. (AC) § 2° E facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que.(AC) I— (VETADO) II— o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (AC) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 19 18 § 3° Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa.(AC) § 4° 0 valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos indices do reajuste dos beneficios da previdência social. (AC) (.) Finalmente, vale destacar que a responsabilidade solidária de integrantes de "grupo econômico" não representa inovação, pois a própria CLT — Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto Lei 5.452/1943) a prevê, sem fazer qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito". Com efeito: Art. 2°(.). § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (meus negritos). Portanto, está claro que mesmo a CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados (certamente unânimes) julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, A reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem, respectivamente: • Satisfação dos direitos do trabalhador (o que se constata pela existência de um sistema legal claramente protetivo). • Viabilização legal da cobrança das contribuições sociais relativas â Previdência Social, que também tem finalidades institucionais com óbvia conotação de proteção social. Feitas essas considerações para contextualizar o "grupo econômico de fato", passemos â análise do caso concreto. A auditoriafiscal, da qual resultou o lançamento em análise, foi realizada entre fevereiro e dezembro de 2006, sendo inicialmente dirigida ao Frigorifico Mantiqueira Ltda. Mas, em razão dos Fl. 502DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 20 19 fatos e circunstâncias, adiante considerados, foi estendida As demais empresas, que, ao final, foram consideradas integrantes de um "grupo econômico de fato". Analisandose o Relatório Fiscal, os seus anexos e também os demais documentos coligidos na auditoriafiscal, depreendese o que segue. A existência de um "grupo econômico de fato" o caso concreto. Consta que no mesmo endereço, Rodovia São José dos Campos — Campos do Jordão, s/n°, km 100, Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP, foram constituídas, sucessivamente, as seguintes empresas: • Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda: constituída em 1972. Consta que, presentemente, tem sede na Avenida Perseu, n° 108, sala 1, Jd. Satélite, S. J. dos Campos/SP, • Frigosef Frigorífico Sef de São José dos Campos Ltda: constituída em 1994. Consta que estaria "inapta" (deixou de entregar declarações de imposto de renda para os anos calendário de 1998 a 2002); • Frigorífico Mantiqueira Ltda: constituída em 1998. Consta que, presentemente, tem sede na Estrada dos Vasconcelos, s/n°, km 12, Bairro Vasconcelos, em S. J. dos Campos/SP. • Frigorífico Campos de Sao José Ltda: constituída em 2003. Consta que está instalada na Rodovia Sao José dos Campos — Campos do Jordão, s/n°, km 100, Bairro Buquirinha, em S. J. dos Campos/SP. Assim, ao se iniciar auditoria fiscal, foi encontrada no local a empresa Frigorífico Campos de São José Ltda. Releva, de inicio, considerar que a auditoriafiscal enfrentou consideráveis dificuldades, decorrentes não apenas das graves irregularidades constatadas (tanto no âmbito tributário, quanto trabalhista, adiante destacadas), mas também especialmente relativas A falta de cumprimento de diversas obrigações tributárias previdenciárias acessórias, que ensejaram farta lavratura de Autos de Infrações. Para melhor aquilatar as infrações apuradas na auditoria fiscal, é necessário fazer uma consolidação das autuações realizados, em face dos contribuintes considerados integrantes do grupo: FRIGOVALPA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CARNE LTDA AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.044.6780 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem ! como esclarecimentos necessários A fiscalização 37.044.6771 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as Fl. 503DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 21 20 contribuições previdenciárias. 37.044.6801 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e i fatos geradores das contribuições previdenciárias nas competências 01/1999 a 08/2000; 09/2002 :a 03/2003 e 02 e 03/2006. 37.044.6798 Apresentou GFIP corn dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 06/1999 a 08/2006. FRIGOSEF FRIGORÍFICO SEF DE SAO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 35.941.8910 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. 37.941.8945 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias nas competências 06 a 10/2005, 01 e 02/2006. 35.895.8750 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, nas seguintes competências: 01/1999 a 12/2005. 35.895.8768 Apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não ' relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 10 a 12/1999 e 01/2003. FRIGORÍFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.036.2080 Deixou de incluir em diversas folhas de pagamento: • Segurados obrigatórios da Previdência Social; • Parte da remuneração de segurados obrigatórios da Previdência Social. 37.036.2098 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem como esclarecimentos necessários a fiscalização. 37.036.2101 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. 37.044.2636 Deixou de inscrever (registrar), em época própria, empregados: • Ana Rosa Pedro Guedes • Rosana de Fátima Costa • Rosemara Goretti da Costa • Nelson Luiz Lúcio • Carlos Severo Lopes da Fonseca 37.036.2110 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias nas competências 05/2005 a 02/2006. 37.036.2128 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas Fl. 504DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 22 21 as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 01/1999 a 02/2006. 37.044.2628 Apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 04/1999 a 08/2005. 7.044.2644 Deixou de elaborar e manter atualizado o Perfil Profissiográfico Profissional — PPP para funcionários expostos a riscos ambientais. ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.036.1679 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem como esclarecimentos necessários A fiscalização. 37.036.1733 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdencidrias. 37.036.1768 Deixou de inscrever (registrar) empregado: Nelson Alves dos Santos. 37.036.1750 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias, nas competências 04/2003 e 07/2006. 37.036.1741 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 08/2004 a 05/2005. TÂNIA PEREIRA LOPES AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.036.1687 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem como esclarecimentos necessários A fiscalização. 37.036.1636 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. 37.036.1660 Deixou de inscrever (registrar) empregados: • Antonio Denilson Mendes • Josiane Fátima dos Santos • José Celso dos Santos • Shirley Aparecida dos Santos 37.036.1652 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdencidrias nas competências 01/2004 a 10/2004 e 11/2005 a 07/2006. 37.036.1644 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 11/2004 a 12/2005. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 23 22 Vêse, assim, que foram lavrados, no conjunto, a expressiva quantidade de 31 (trinta e um) Autos de Infrações, sendo que as faltas cometidas apresentam praticamente um padrão de procedimento: • Falta de apresentação de documentos à auditoriafiscal (especialmente os livros contábeis ou, se fosse o caso, livros caixa, além da maioria dos respectivos documentos fiscais). • Falta de prestação de informações formalmente solicitadas pela Auditorafiscal. • Falta de entrega, em algumas competências, de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP ou sua entrega, em outras competências, com erros, falhas e omissões. • Contratação de empregados: 1. Sem a formalização dos contratos de trabalho, ou seja, sem as devidas anotações nas carteiras de trabalho e Livros de Registro de Empregados 2. Formalização dos contratos de trabalho em data posterior ao do inicio da efetiva prestação de serviços. Os casos consolidados, a seguir, foram extraídos dos lançamentos realizados na mesma auditoriafiscal, da qual resultou o lançamento em análise, e confirmam a prática de irregularidades nos contratos de trabalho: André Luiz Nogueira Jr. ME • Nelson Alves dos Santos: admitido em 15/04/2003 e registrado em 01/04/2004. Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME • Neide Lopes Arantes: admitida em 29/03/2006, sem registro. • Bendito Dimas Alves: admitido em 01/10/2005 e registrado em 01/12/2005. • Décio Sidney do Carmo: admitido em 01/05/2006, sem registro. • Robson C. Oliveira: admitido em 05/05/2006, sem registro. • Luiz Carlos M. Rodrigues: admitido em 07/09/2005 e registrado em 28/11/2005. Tânia Pereira Loves ME • José Celso dos Santos: admitido em 05/05/2004 e registrado em 19/11/2004. • Shirley Ap. dos S. Uyete: sem registro. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 24 23 • Márcio Teixeira dos Santos: admitido em 17/01/2005 e registrado em 28/03/2006 na empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME. • Josiane Fátima dos Santos: admitida em 05/05/2004 e registrada em 19/11/2004. • Antonio Denilson Mendes: admitido em 01/2004 e registrado em 19/11/2004. O conjunto de práticas e omissões, especialmente as relativas A negativa de exibição dos livros contábeis, formalmente constituídos e acompanhados dos devidos e competentes documentos fiscais, certamente representaram dificuldades adicionais A Auditora fiscal, que, assim, viuse compelida a realizar verdadeira atividade investigatória e, eventualmente, dedutiva, na medida em que não se admite que o contribuinte possa se beneficiar das suas próprias omissões. Neste sentido vale destacar o brocardo jurídico, segundo o qual, "nemo auditur propriam turpitudinem allegans", ou seja: "a ninguém é dado alegar a própria torpeza em seu proveito". Ou, para refletir o caso especifico: "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza (omisslio)", na medida em que não se pode admitir que o contribuinte inadimplente se valha justamente de suas omissões para impedir a apuração de todos os fatos e circunstâncias relevantes na auditoriafiscal, seja para investigar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdencidrias, seja para identificar as reais circunstâncias em que o contribuinte realizou seus negócios jurídicos e se relacionou com as demais empresas integrantes do "grupo econômico" considerado. Assim, à falta de outras informações e respectivos elementos documentais, constitui procedimento legal previsto — art. 33 e §§ da Lei n°. 8.212/1991 o estabelecimento de presunções legais, com base nos razoáveis elementos de prova coligidos, especialmente documentais, como se viu. Presunções estas suscetíveis de eventual retificação, se (e quando) apresentados oportunamente os elementos idôneos necessários e suficientes para afastar as conclusões, que, em face das omissões cometidas pelo contribuinte, foram levantadas pela auditoriafiscal. Não bastassem as práticas de infrações administrativas, é oportuno destacar que, segundo reiterados relatos feitos pela Auditorafiscal no conjunto dos lançamentos fiscais, foram encontradas indícios da prática, em tese, dos seguintes tipos penais (todos previstos no Código Penal — DecretoLei 2.848/1940, com suas posteriores alterações): • Art. 168A — apropriação indébita previdenciária. • Art. 297, § 40. •Art. 337A, inciso I sonegação de contribuições previdenciárias. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 25 24 Apesar das infrações administrativas (especialmente a falta de exibição dos livros contábeis), que, sem inviabilizar, prejudicaram sobremaneira a auditoriafiscal na coleta de dados e informações, é possível, com base nas informações e documentos levantados na ação fiscal, constatar claras evidencias da existência de um "grupo econômico de fato". Passase, assim, ã analise sistemática de tais evidências, constituídas por informações e documentos (ainda que esparsos), integrantes dos lançamentos fiscais realizados. A existência concomitante das empresas integrantes do "grupo econômico Nas impugnações apresentadas é recorrentemente defendida a tese de que as empresas não poderiam ser consideradas como integrantes de um "grupo econômico", na medida em que não tiveram funcionamento concomitante. Contudo, tal afirmação é derrubada pela comparação dos dados cadastrais constantes dos registros informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo como base as próprias declarações de imposto de renda entregues pelos próprios contribuintes. Vejamos: • Frigovalpa: consta funcionamento ininterrupto até hoje e, pelo menos, desde 1995. • Frigosef: entregou declarações para os anos de 1994 a 1997. Deixou de entregar as declarações relativas ao período de 1998 a 2002 (não consta que estivesse "inativa"). Entregou declarações como "inativa" 2003 e 2004 e de "lucro real" em 2005. Não consta a entrega da declaração de 2006. • Frigorífico Mantiqueira: desde 1998 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Frigorífico Campos de São José: desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • André Luis Nogueira Junior — ME: desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Tânia Pereira Lopes — ME: desde 2004 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME: desde 2004 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). Fl. 508DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 26 25 • Rosa Maria Maciel Rodrigues — ME: pelo menos desde 1995 vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006), sendo inativas as relativas aos anos de 2000, 2001, 2005 e 2006. Local de funcionamento das empresas Atividades dos integrantes do "Grupo Econômico" Máquinas e equipamentos utilizados — O pessoal empregado Composição dos quadros societários — a existência do "controlador" —A utilização do mesmo "nome fantasia" Como já se destacou, todos os frigoríficos integrantes do "grupo econômico", assim considerado na auditoriafiscal, funcionam ou funcionaram originariamente no mesmo imóvel, de propriedade de Frigovalpa: Rodovia Selo José dos Campos/Monteiro Lobato (ou Sao José dos Campos/Campos do Jordão), s/n°, km 100, no Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP. Com efeito, consta que no local inicialmente funcionou a Frigovalpa, que, em 01/02/1995, locou o imóvel, através de "contrato de arrendamento de imóvel com instalações industriais", para a Frigosef. Posteriormente, em 20/04/2006, consta que o mesmo imóvel foi locado para o Frigorífico Campos de São José Ltda. Consta, entretanto, que antes da assinatura deste contrato, funcionou no mesmo local o Frigorífico Mantiqueira (constituído em 1998 e para o qual não consta nem mesmo a formalização de contrato de locação), depois, finalmente, o Frigorífico Campos de Sio José (desde 2003, quando foi constituído), que funcionava no local, quando da realização da auditoriafiscal. Portanto, foram instaladas sucessivas empresas (respectivamente, Frigovalpa, Frigosef, Frigorífico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José), no mesmo local, para realização exatamente das mesmas atividades e utilização dos mesmos equipamentos, empresas essas que, com exceção da Frigovalpa, são pertencentes, controladas ou têm a participação societária de André Luiz Nogueira e de: • Joao Raymundo Costa (Frigosef e no Frigorífico Mantiqueira). •Benedito Carlos Americano (Frigorífico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José). • Ivan Rodrigues de Araújo (Frigorífico Mantiqueira). Outra circunstância bastante significativa — além das similaridades entre o local de funcionamento, da atividade realizada, dos equipamentos utilizados e dos sócios — é quanto ao pessoal empregado no local, podendose extrair do Relatório Fiscal as seguintes informações: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 27 26 • Consulta ao sistema CNISA (Cadastro Nacional de Informações Sociais) revela que os empregados do Frigorífico Mantiqueira foram (ou eram) empregados do Frigosef. • O Frigosef informou em GFIP, até julho de 2000, a quantidade média de vínculos e a maioria desses empregados foi transferida para o Frigorífico Mantiqueira em agosto de 2000. • 0 Frigorífico Mantiqueira declarou empregados na RAIS até 2004, a partir de quando a declaração passou a ser feita pelo Frigorífico Campos de São José (considerado na ação fiscal sucessor daquele). • Nas competências de maio a julho de 2000 os mesmos empregados foram informados em RAIS pelo Frigorífico Mantiqueira e em GFIP pelo Frigosef. • Em maio de 2005, conforme operações constatadas no Livro de Registro de Empregados — LRE, os empregados, até então registrados no Frigorífico Mantiqueira, foram transferidos para o Frigorífico Campos de São José. • Constatouse que, em ação desenvolvida pela fiscalização do Ministério do Trabalho, os valores das remunerações dos empregados das empresas Frigosef, Frigorífico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José foram somados para efeito de determinação da base de cálculo do FGTS. Portanto, não apenas as empresas se instalaram sucessivamente no mesmo local, mas os empregados (ou pelo menos parte deles) foram sendo sucessivamente transferidos de uma para outra, do que, analisado o conjunto dos lançamentos fiscais realizados na auditoriafiscal, resulta a constatação de que os empregados foram sendo utilizados por uma empresa, enquanto Id funcionava outra; assim como foram sendo transferidos de uma para outra, numa situação de inadimplência quanto ao cumprimento das obrigações legais (recolhimento das contribuições previdenciárias e de FGTS; sem a devida formalização dos contratos de trabalho e nem a regular prestação das informações legais — GFIP e RATS, tudo isso no contexto da suposta falta de escrituração contábil). Tais circunstancias evidenciam a ocorrência de verdadeira "confusão patrimonial" entre os Frigoríficos, na medida em que não é possível estabelecer uma clara relação entre os vínculos empregatícios e as correspondentes despesas de pessoal ou passivos trabalhistas e tributários e as respectivas responsabilidades individualizadas, por Frigorífico, em cada período de funcionamento, ressalvandose que as empresas não afastaram a confusão patrimonial com a devida e regular apresentação dos livros contábeis (e respectivos documentos fiscais), observadas as demais formalidades legais pertinentes. A "confusão patrimonial" Fl. 510DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 28 27 Em que pese, reiterando, todas as dificuldades enfrentadas na auditoria fiscal, em face da falta de apresentação dos já aludidos elementos, a Auditorafiscal teve acesso a alguns documentos que merecem análise pelas evidencias que deles se pode extrair: • Foram constatadas as emissões de cheques, por André Luiz Nogueira (como pessoa física), em favor de Antonio Denilson Mendes (exempregado de Tânia Pereira Lopes — ME — fl. 116) e Raul Reno Vergueiro (fl. 117). A prática de pagamentos de despesas de pessoas jurídicas por pessoas físicas, especificamente os sócios e, neste caso, pelo controlador do "grupo econômico" denotam a ocorrência de "confusão patrimonial", especialmente em se considerando que não foram apresentados os livros contábeis (ou, eventual e alternativamente, os livroscaixa, quando substituíveis) e respectivos documentos fiscais que pudessem demonstrar a regularidade dos atos praticados. • Consta, também, a assinatura, por André Luiz Nogueira (considerado na auditoriafiscal o controlador do "grupo econômico") em documentos de outras empresas (integrantes do "grupo econômico"), que, supostamente, segundo alegam as impugnações, seriam dotadas de "administração própria": aviso prévio e termo de rescisão de contrato de trabalho do empregado Genésio dos Santos (fl. 118)e termo de rescisão de contrato de trabalho da empregada Fernanda Enedina Reis Prado (exempregados de Tânia Pereira Lopes — ME — fl. 119). Não foram apresentados os documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que suposta e eventualmente teria ocorrido. • André Luiz Nogueira que, reiterando, foi considerado o real controlador do "grupo econômico", assina também os termos de abertura do Livro de Inspeção do Trabalho (fl. 120) e do Livro de Registro de Empregados (fl. 121), ambos também da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME, novamente desacompanhados dos documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que suposta e eventualmente teria ocorrido. • A ficha do SIF — Serviço de Inspeção Federal de no 222 (fl. 122) informa que aquele órgão público limitouse a cadastrar sucessivamente, no mesmo endereço (e na mesma ficha), o Frigovalpa, o Frigosef, o Frigorífico Mantiqueira e o Frigorífico Campos de S. José, no ramo "matadouro Frigorífico". • André Luiz Nogueira promove o pagamento, mediante emissão de cheque pessoal, para o mesmo Valtencir Carneiro Mendes, então empregado de André Luiz Nogueira Junior — ME (fls. 123). Tratase novamente da prática de pagamentos de despesas de pessoas jurídicas por pessoas físicas, especificamente os sócios e, neste novamente caso, pelo controlador do "grupo econômico", denotando a ocorrência de "confusão patrimonial", especialmente, reiterando, em se considerando que não foram apresentados os livros contábeis (ou, eventual e Fl. 511DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 29 28 alternativamente, os livroscaixa) e respectivos documentos fiscais que pudessem eventualmente demonstrar a regularidade dos atos praticados. • André Luiz Nogueira assina, também, a folha de rosto de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações h Previdência Social GFIP (fl. 124) da empresa individual Tânia Pereira Lopes — ME. • André Luiz Nogueira assina, também, os termos de rescisões de contratos de trabalhos de Luiz Carlos dos Santos (fl. 125), Maria Cristiane Teixeira (fl. 126)e José Maria Rodrigues Galvdo (fl. 127), que constam ser exempregados da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, igualmente desacompanhados dos documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que supostamente pudesse ter ocorrido. • André Luiz Nogueira firmou, em nome pessoal, contrato de locação de imóvel, tendo como locadora, Rosa Maria Maciel Rodrigues (fls. 128/134). 0 contrato é relativo ao imóvel no qual seria instalado um estabelecimento filial da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME e em cujo estabelecimento consta estar também instalada a empresa Rosa Maria Maciel Rodrigues (estabelecimento matriz) e, na mesma data, o mesmo André Luiz Nogueira firma, com Rosa Maria Maciel Rodrigues, contrato de "compromisso de compra e venda de maquinário, equipamento e outras avenças (fls. 135/140). Ambos os negócios indicam novamente que André Luiz Nogueira assumiu pessoalmente a responsabilidade pela locação de imóvel destinado à empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, como também assumiu pessoalmente a responsabilidade pelos pagamentos das respectivas máquinas e equipamentos existentes no local. Convém destacar as estipulações do parágrafo único da cláusula terceira, do contrato de "compromisso de compra e venda de maquinário, equipamento e outras avenças, no qual André Luiz Nogueira assume a obrigação de pagar o total devido com a emissão de cheques de sua conta corrente pessoal, junto ao Banco Bradesco (conta 34819 da agência 31330). Tratase novamente de práticas que denotam a ocorrência de "confusão patrimonial" (assunção de obrigações financeiras por pessoa considerada controladora do "grupo econômico"), sem que se possa apurar nem mesmo a regularidade contábil das operações. Além dessas, outras evidências reais da existência de um "grupo econômico de fato" foram apontadas no Relatório Fiscal: • Consta que foi detectada a existência do documento fiscal n° 7.296, emitido em 08/07/2003, valor de R$ 5.550,00, por Geraldo Salaroli, relativo à venda de animais, em favor de Frigorífico Mantiqueira Ltda e registrado no livro de registro de entradas do Frigorífico Campos de Sio José Ltda (em 08/2003). • Tanto o Frigorífico Mantiqueira Ltda, quanto o Frigorífico Campos de Sic) José Ltda adoram o "nome fantasia" de "Frigorífico Mantiqueira", sem que haja prova da alegada e suposta "cessão de direitos". Fl. 512DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 30 29 • Os titulares das respectivas firmas individuais, André Luiz Nogueira Junior — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME são empregados do Frigorífico Campos de São José Ltda, sendo que: 1. André Luiz Nogueira Junior é filho de André Luiz Nogueira (que consta ser o real controlador de todo o empreendimento); 2. Tânia Pereira Lopes é esposa do mesmo André Luiz Nogueira; e 3. Monalisa Pereira Lopes Nogueira é filha de André Luiz Nogueira e de Tânia Pereira Lopes. • Os açougues (correspondentes às aludidas firmas individuais) adquirem carne exclusivamente do mesmo Frigorífico (atualmente Frigorífico Campos de São José Ltda, que adota exatamente, como já se destacou, o nome fantasia de "Frigorífico Mantiqueira") e utilizam o nome fantasia "Distribuidora de Carnes Mantiqueira", que é colocado com destaque nas fachadas dos estabelecimentos, sendo (segundo registra os dados cadastrais extraídos do sistema informatizado da Previdência Social — "CONEST — CONSULTA DADOS DO ESTABELECIMENTO"): 1. Distribuidora de Carnes Mantiqueira I: André Luiz Nogueira Junior — ME (matriz). 2. Distribuidora de Carnes Mantiqueira II: Tânia Pereira Lopes — ME. 3. Distribuidora de Carnes Mantiqueira III: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (matriz). 4. Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: André Luiz Nogueira Junior — ME (filial 2). 5. Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (filial 2). As supostas cessões do direito de uso dos nomes fantasias "Frigorífico Mantiqueira" e "Casa de Carnes Mantiqueira", ainda que a titulo gratuito, não foram apresentadas, mas, de qualquer forma, oferecem nova evidência da intima relação (ainda que "informal") entre as empresas. Arrematando, passase à análise das alegações formuladas nas respectivas impugnações, pelo contribuinte e demais integrantes do assim considerado "grupo econômico": De inicio, releva destacar que os argumentos apresentados por Frigorifico Campos de São José Ltda, Frigosef Frigorifico Sef de São José dos Campos Ltda, André Luiz Nogueira Junior — ME, Tânia Pereira Lopes — ME e Monalisa Pereira Lopes — ME (excetuado, portanto, apenas o Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda) são basicamente os mesmos, incluindo, aliás, trechos literalmente idênticos, o que constitui mais um indicio da Fl. 513DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 31 30 intima relação que há entre as correspondentes empresas. Por isso, quando possivel,os respectivos argumentos serão analisados conjuntamente. Realização de atividades concomitantes Os contribuintes, considerados integrantes do "grupo econômico", segundo se comprova pelos registros relativos As declarações de imposto de renda, permanecem, todos eles, legalmente em funcionamento. Aliás, quanto ao ritiona uto—dos—Frigorificos_Frigosef Mantiqueira e Campos de Sao José, as observações relativas As irregularidades cometidas quanto a apresentação de RAIS; as omissões, erros e falhas nas GFIP; a reiterada prática de contratação de empregados sem a formalização dos contratos de trabalho e as transferencias de empregados entre empresas demonstram que, além de coexistirem, realizaram operações que verdadeiramente impossibilitam a precisa identificação da data em que um Frigorifico deixou de funcionar no local, para que outro, formalmente, passasse a fazêlo. 0 fato de ter havido baixa (ou transferência) de inscrição no "Serviço de Inspeção Federal — SIF" não afasta absolutamente a possibilidade da coexistência das empresas, pois representa tão somente um procedimento administrativo do qual nem mesmo são apresentados (e comprovados) quais requisitos ou formalidades foram atendidas para que a transferência se formalizasse. Não bastassem tais circunstâncias, a falta de apresentação dos livros contábeis e dos respectivos documentos fiscais afastam total e definitivamente a possibilidade de constatação de que tais empresas (que, reiterando, constam ainda estarem em funcionamento) teriam promovido a formal transferência do negócio, em datas especificas. Não obstante o argumento de que poderia ter havido "confusão da razão social", quando da emissão "equivocada" de GTA — Guia de Transporte de Animais, podese, por outro lado, entenderse que justamente dada a confusão entre as empresas que funcionam (ou funcionaram) no local, os fornecedores nem mesmo "sabiam" ou era indiferente o nome da empresa, para o qual deveria ser emitido o documento. É irrelevante, para a caracterização de "grupo econômico" se houve ou não transferência do"fundo de comércio". Alias, há, neste sentido, mera assertiva do impugnante,_ não comprovada pelos registros contábeis. Participação da Frigovalpa no "grupo econômico" Sob o argumento da existência de contrato de locação com o Frigorífico Comércio e Indústria de Carnes Ltda nega também que, com esta empresa, se pretendesse constituir "grupo econômico". Fl. 514DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 32 31 A eventual participação do Frigovalpa no "grupo econômico" sell objeto de avaliação oportunamente (ainda neste acórdão, quando da análise da respectiva impugnação). Grupos econômicos e a Lei 6.404/76 O tema já foi abordado no presente, restando firmado o entendimento de que é juridicamente possível a caracterização de "grupos econômicos", mesmo quando não formalmente constituídos, ou seja, quando não constituídos segundo as exigências da Lei 6.404/76, em cuja hipótese teríamos os "grupos econômicos de fato". As administrações "autônomas" Anteriormente foram relatados, demonstrados e documentados casos em que André Luiz Nogueira figurou como representante legal, assinando documentos e assumindo obrigações contratuais (a titulo oneroso) em nome das firmas individuais (André Luiz Nogueira Junior — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME). Além do mais, consta que o mesmo André Luiz Nogueira usou recursos pessoais para promover pagamentos de várias despesas de responsabilidades daquelas. Novamente, a falta de apresentação de documentos idôneos, corroborados pelos regulares registros contábeis, impede que se possa constatar a alegação da defesa de que tais práticas e operações tenham se dado de forma regular. Ainda, não obstante a constituição das firmas individuais, consta que pelo menos André Luiz Nogueira Junior e Monalisa Pereira Lopes Nogueira são (ou teriam sido) empregados do Frigorífico Campos de SA() José Ltda, encontrandose assim na sugestiva posição de serem "empregados" da empresa que se constitui no seu maior fornecedor (exclusivo em se tratando de carnes e derivados de bovinos e suínos), enquanto firmas individuais. A exclusividade no fornecimento de carnes e derivados de bovinos e suínos, analisada isoladamente, não poderia efetivamente ser determinante (e não 6) na caracterização do "grupo econômico". No entanto, dado o vasto, veemente e plenamente convincente conjunto de evidências da existência do "grupo econômico de fato", tal circunstância deve ser avaliada como apenas mais um indicio, assim como o 6, também, a contratação, por todas as empresas, do mesmo profissional de contabilidade para realizar os respectivos serviços ou apresentação de impugnações quase que literalmente idênticas ou a utilização, ainda que "autorizada" (mas não demonstrada) de nome fantasia. A circunstância de os proprietários das firmas individuais não serem sócios doFrigorífico Campos de São José Ltda não afasta a possibilidade da existência do "grupo econômico", que não Fl. 515DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 33 32 exige a absoluta coincidência dos quadros societários entre seus componentes, Feitas essas considerações relativas aos argumentos comuns dos impugnantes, passase, agora, à análise de alguns argumentos específicos ou particulares da contribuinte, em face da qual foi realizado o lançamento em análise e dos demais impugnantes (considerados, na auditoriafiscal, integrantes do "grupo"). Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME Não pode ser considerada a alegação de que realizaria o resgate dos pagamentos realizados por André Luiz Nogueira com "o lucro obtido por sua empresa", pois a aceitação de tal assertiva pressupõe necessariamente a comprovação contábil e documental, não realizada pelo contribuinte. É razoável afirmar que os pais devem prestar (ou prestam) "ajuda" aos filhos no inicio de suas atividades empresariais (argumento também utilizado no caso da firma individual de André Luiz Nogueira Junior — ME). Mas, no âmbito jurídico, das obrigações e das formalidades legais, é necessário que esta "ajuda" esteja devidamente retratada, formalizada e comprovada nos registros contábeis a que estão obrigados os contribuintes, em geral, o que não se verificou em relação a nenhuma das empresas tidas como integrantes do "grupo econômico". Na auditoriafiscal a firma individual Rosa Maria Maciel Rodrigues — ME (CNPJ 45.810.702/000179) foi considerada como tendo sido sucedida por Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, contra o que esta se insurge na impugnação apresentada. Entretanto, como o lançamento em análise não versa sobre débitos previdenciários impotáveis a firma individual Rosa Maria Maciel Rodrigues, de tal questão — a sucessão — tratar seá na análise dos lançamentos pertinentes. Tânia Pereira Lopes — ME É de pasmar a justificativa apresentada pela impugnante, em relação aos pagamentos feitos em favor da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME com recursos próprios por André Luiz Nogueira. São tão desconcertantes, que merecem nova reprodução: "ocorre que, por algumas vezes com a devolução de mercadorias não aceitas pela impugnante, esta fica com certo crédito junto ao aludido Frigorífico Campos de Silo Jose, que é seu fornecedor dentre outros; assim este devolve valores, sendo que algumas datas coincidem com o pagamento de algumas verbas rescisórias, e, como forma de economia e facilitação para a impugnante que é ME, foram solicitados cheques no valor da rescisões sendo que eventuais diferenças eram pagas por outros cheques ou mesmo em dinheiro; esclarecendo que essa pratica de devolução de mercadorias não conforme e comum, eis que alguns produtos não Fl. 516DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 34 33 atendem as especificações exigidas pela Impugnante, que então procede a devolução da mercadoria e recebe o estorno do pagamento". Tratase claramente de verdadeira confissão da confusão patrimonial que impera nos negócios dos integrantes do "grupo econômico" (agora também com a confissão do expresso envolvimento do Frigorífico Campos de Sio José Ltda). Aliás, essa no mínimo curiosa versão pressupõe, inclusive, pagamentos adiantados ou à vista, pois não seria assim que resultariam os créditos na forma de devoluções e compensações mediante a emissão de cheques para pagamentos a terceiros? Mas pressupõe, também, que o controlador do "grupo econômico" — André Luiz Nogueira — ao realizar pagamentos (ou emitir cheques) com recursos pessoais, estaria também resgatando débitos do Frigorífico Campos de Sic, José Ltda? Então, estamos diante da confissão de que André Luiz Nogueira, além de controlar o Frigorífico Campos de São José Ltda, estaria, também com recursos pessoais, promovendo pagamentos de suas obrigações? Descontado o inusitado de tais alegações, estas poderiam ter sido devidamente comprovadas pelos registros contábeis não apresentados. A relação matrimonial entre André Luiz Nogueira e a titular da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME não é considerada no presente, nem mesmo de forma indireta, como fator determinante (mas eventualmente circunstancial) da possibilidade de identificação da existência de um "grupo econômico". Reiterese: marido e mulher (assim como pais, filhos e irmãos) podem, evidentemente, realizar atividades empresariais (e o fazem amiúde), em conjunto ou separados. O que pode ser objeto de ressalvas é a forma (regular ou não, licita ou não) como eventualmente desenvolvem seus negócios e as correspondentes relações societárias. Assim, somente a partir da criteriosa análise das especificas circunstâncias em que se dão os negócios é que se pode, eventualmente, considerar a possibilidade do surgimento, por exemplo, de um "grupo econômico de fato", entre os cônjuges. Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Lida Em que pese os louváveis esforços da Auditorafiscal e, ao contrário dos casos dos demais contribuintes, considerados como componentes de um "grupo econômico de fato", não é possível identificar, a partir dos fatos e elementos apurados na auditoriafiscal (mesmo considerada em seu conjunto) as evidencias de que possa integrar o tal "grupo", em relação ao Frigorífico Frigovalpa. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 35 34 Com efeito, não consta que tenham sido apuradas relações, diretas ou indiretas, entre os integrantes do quadro societário do Frigorífico Frigovalpa e o controlador (André Luiz Nogueira) ou com os outros sócios das demais empresas. Não obstante algumas peculiaridades apontadas pela Auditora fiscal nos contratos de "arrendamento" firmados entre os frigoríficos Frigovalpa e Frigosef/Frigorífico Campos de São José (que tern como objeto a locação do imóvel onde anteriormente se encontrava instalado o Frigorífico locador e a simultânea locação de máquinas e equipamentos), tratase de um negócio jurídico aparentemente revestido das formalidades e licitudes cabíveis, em que pese, inclusive, a circunstância de que o prazo da locação tem sido sucessivamente prorrogado. Outrossim, não se logrou identificar quaisquer outros negócios e operações que pudessem apontar a existência de relações societárias entre o Frigorífico Frigovalpa e os demais (como operações financeiras — empréstimos, mútuos, pagamentos a qualquer titulo, por exemplo). Enfim, e ratificando, não se vislumbra nos autos em análise e tampouco nos demais autos que resultaram da mesma auditoria fiscal, a efetiva ou razoável constatação de qualquer dos indicativos caracterizadores da constituição de "grupo econômico de fato" entre o Frigorífico Frigovalpa e as demais empresas. Ainda quanto à defesa apresentada por Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda, releva ressaltar: • Como a sua notificação se deu nos termos do art. 749 da Instrução Normativa SRP no 3, de 14/07/2005, não se vislumbra a ocorrência do cerceamento de defesa. • Por serem genéricas as assertivas relativas ao pleito de que "seja deferida esta defesa e impugnação para declarar e julgar indevidos os lançamentos fiscais, correção monetária, juros e multa em questão" não há o que considerar, sendo certo que os acréscimos legais (correção monetária, juros e multa), foram aplicados regularmente, nos termos da legislação aplicável. A sucessão do Frigorífico Mantiqueira Ltda pelo Frigorífico Campos de Silo José Lida A sucessão do Frigorifico Mantiqueira Ltda, pelo contribuinte, Frigorifico Campos de Sao José Ltda (em relação ao qual foi lavrado o lançamento em análise) tem fundamento nos arts. 129 e 133 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/66 recepcionada como lei complementar pelo sistema legislativo brasileiro vigente) e arts. 750 e 751 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14/07/2005, considerando os seguintes fatos, já abordados no presente e constantes do Relatório Fiscal do lançamento: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 36 35 · O Frigorifico Campos de Sao José Ltda, sem solução de continuidade, passou a funcionar no mesmo local, em que, até então funcionava o Frigorifico Mantiqueira Ltda. · O Frigorífico Campos de São José Ltda, ao se instalar passou a se utilizar exatamente das mesmas máquinas e equipamentos, até então utilizados pelo Frigorifico Mantiqueira Ltda. · Os empregados que mantinham contrato de trabalho com o Frigorifico Mantiqueira Ltda foram "transferidos" para o Frigorifico Campos de São José Ltda. · O Frigorífico Campos de São José Ltda "sucedeu", para efeitos cadastrais, o Frigorifico Mantiqueira Ltda junto ao Serviço de Inspeção Federal — SIF do Ministério da Agricultura. · O Frigorífico Campos de São José Ltda continuou a usar o "nome fantasia" de "Frigorífico Mantiqueira", assim como as firmas individuais, consideradas integrantes do "grupo econômico" utilizam o "nome fantasia" de "Distribuidora de Carnes Mantiqueira". · Documentos emitidos em nome do Frigorifico Mantiqueira Ltda foram registrados em livro do Frigorifico Campos de São José Ltda (como, por exemplo, o documento fiscal n° 7.296, emitido em 08/07/2003, valor de R$ 5.550,00, por Geraldo Salaroli, relativo à venda de animais). Finalmente, quanto ao objeto do lançamento, registro que: · Os valores lançados; as respectivas fontes de informação, com base nas quais foram apurados e respectivos levantamentos realizados encontramse devidamente identificados no lançamento fiscal e estão compatíveis com a legislação enunciada no aludido FLD. · Os anexos constantes dos autos (devidamente enumerados no Relatório Fiscal), demonstram adequadamente a composição do débito e de seus acréscimos legais. Assim sendo, devidamente formalizado o lançamento fiscal, e em face das razões e circunstâncias, ora aduzidas, e tudo o mais que dos autos consta, voto: • Pelo reconhecimento da existência de um "grupo econômico" de fato, composto por Frigosef Frigorifico SEF de São José dos Campos Ltda, Frigorifico Campos de São José Ltda, André Luiz Nogueira Junior — ME, Tânia Pereira Lopes — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME • Pela exclusão, portanto, de Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda do "grupo econômico", assim considerado no lançamento fiscal. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 37 36 · Pela procedência do lançamento (com a ressalva da exclusão do item anterior). Continuando este Relator, quanto às alegações de inatividade das empresas Frigorífico Campos e Frigosef, não foram juntados aos autos os elementos configuradores de tal inatividade, tendo a decisão atacada inclusive apontando que o Frigorífico Campos desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vinha entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006) e Frigosev entregou declarações como "inativa" nos anos de 2003 e 2004, e de "lucro real" em 2005. Não consta a entrega da declaração de 2006. Do que exposto, não há elementos que justifiquem a retirada dos recorrentes do pólo passivo, como requerido. Finalmente, a questão do grupo econômico, envolvendo as empresas retrocitadas, já foi exaustivamente analisada por este Colegiado, tanto nas 1ª e 4ª Turmas Ordinárias da Quarta Câmara, processos 17546.000917/200724 e 17546.000740/200766, respectivamente, quanto na 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara, processo 17546.000903/200719, sempre no sentido de reconhecer o grupo econômico de fato. Também acórdão 280301.445, desta Turma Julgadora, de lavra do Cons. Eduardo de Oliveira, envolvendo as mesmas empresas. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. EXISTENTE. RECURSO RECEBIDO.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECONHECIDA. Processo 17546.000915/200735 DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. A legislação corrente, em especial o art. 94, da Lei n° 8212/91, o DecretoLei n° 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e a Lei Complementar n°11/71, (art. 15, II), disciplinam a matéria. O DecretoLei n° 1.146, dê 31 de dezembro de 1970, que consolidou as disposições legais criadas pela Lei n°2.613/55, incluindose o INCRA, manteve o adicional de 0,4% sobre a contribuição das empresas, "verbis": Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 38 37 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: ... Art.3". É mantido o adicional de 0.4% (quatro décimos por cento) à contribuição prvidenciária das empresas instituido no §4º, do artigo 6" da lei n. 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, §2°, item VIII, da Lei n. 4.683, de 29 de novembro de 1965. Art.4°. Cabe ao Instituto Nacional de Previdência Social 1NSS arrecadar as contribuições de que tratam os artigos 2° e 3º deste DecretoLei(...). A Lei Complementar n° 11/71, (art. 15, II), elevou o adicional ao FUNRURAL para 2,4% (dois e quatro décimos por cento), determinando a contribuição ao INCRA em 0,2% (dois décimos por cento): Art. 15. Os recursos para o Custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: I da contribuição de 2% (dois por cento) devida pelo produtor sabre o valor comercial dos produtos /trais, e recolhida: a) pelo adquirente, Consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, Para êsse fim, em tôdas as obrigações do produtor; b) pelo produtor, quando ele próprio industrializar seus produtos vendêlos, no varejo, diretamente ao consumidor. II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei n" 1.146, de 31 de dezembro de 1970 a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL". Com o advento da Lei n° 7.787/89 (art. 3°, §1°), foram suprimidas as alíquotas pertinentes ao PRORURAL/FUNRURAL, sendo mantida a destinada ao INCRA, no valor de 0,2% sendo irrelevante o fato do Impetrante não estar vinculado ao meio rural para ser contribuinte da Exação em evidência, ante aos princípios da universalidade do custeio da Seguridade Social (arts.194, I, e 195 da CF/88) e da igualdade tributária. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 39 38 Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ainda o STJ: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. EXIGIBILIDADE. NATUREZA JURÍDICA. CIDE. NÃOREVOGAÇÃO PELAS LEIS N. 8.212/91 E 8.213/91. 1. É pacífico o entendimento desta Corte Superior acerca da exigibilidade da contribuição devida ao Incra, mesmo em relação às empresas urbanas, a qual não foi revogada pelas Leis n. 8.212/91 e 8.213/91, tendo em conta a natureza dessa exação (de intervenção no domínio econômico). Precedentes. 2. Recurso especial nãoprovido.” (REsp 733.747/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 29/10/2008) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 40 39 Assim sendo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, NÃO ADESÃO AO PAT Acerca da matéria – pagamento de alimentação in natura sem a regular adesão ao PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, reproduzo ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, de seguimento obrigatório por parte dos membros do CARF, consoante art. 62,II, ”a” do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Dessarte, não se considerando o auxílio alimentação in natura como salário de contribuição, tenho como improcedente a presente autuação, nesse ponto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir as parcelas referentes a alimentação. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 41 40 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000111/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
RECIBO MÉDICO. IRREGULARIDADE FORMAL. Tendo o contribuinte corrigido a irregularidade formal do recibo, apontada como o único motivo para a não dedutibilidade, exonera-se o crédito tributário dele decorrente. Caso dos autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
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IRREGULARIDADE FORMAL. Tendo o contribuinte corrigido a irregularidade formal do recibo, apontada como o único motivo para a não dedutibilidade, exonerase o crédito tributário dele decorrente. Caso dos autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 01 11 /2 00 7- 44 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que visa reverter a decisão do Acórdão 18 11.000 da 2a. Turma da DRJ/STM que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, mantendo o tributo no valor de R$ 687,40, de um total exigido de R$ 2.458,10, sendo que R$ 396,10 não foi considerado litigioso pois o contribuinte assentiu com o lançamento. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 18/08/2009 e o Recurso Voluntário foi interposto em 04/09/2009. O lançamento de ofício decorreu de revisão de malha fiscal aonde o motivo para a glosa dos recibos, conforme o auto de infração seria: Glosa do valor de R$ 8.940,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Pagamentos declarados à UNIMED Erechim : sem comprovação R$ 7.500,00 recibos não apresentam identificação do tomador e/ou do prestador dos serviços. (glosa) O julgador a quo não considerou o recibo no valor de R$ 2.500,00, de 06/06/2004 devido à falta de identificação de quem efetuou o pagamento. O recorrente juntou aos autos o recibo não aceito, mas emendado com as informações faltantes e com uma declaração do profissional que prestou os serviços atestando a execução dos mesmos. Assim, entende que está sanada a irregularidade apontada no lançamento e também reconhecida pelo julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Considerando que o único argumento apontado no lançamento para a não dedução do recibo médico referese a aspectos formais do recibo, isto é, o recibo não apresentava identificação do tomador e/ou prestador dos serviços, entendo que tal irregularidade está suprida tanto pela compleição do recibo pelo prestador dos serviços, quanto pela declaração do mesmo à fl. 37. Voto pelo provimento do recurso. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13027.000111/200744 Acórdão n.º 2101002.672 S2C1T1 Fl. 3 3 MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722298/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 22 29 8/ 20 12 -4 2 Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722298/201242 Resolução nº 2401000.435 S2C4T1 Fl. 1.892 2 Relatório Tratase de retorno da diligência comandada pela Resolução n.º 2401000.367, de 14/05/2014, fls. 1.863/1.872, na qual o colegiado determinou o retorno dos autos à autoridade lançadora para que esta se manifestasse sobre Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP colacionadas pela recorrente. Em resposta a determinação do CARF foi exarada a Informação Fiscal de fls. 1.874/1.890, na qual o fisco concluiu que os documentos acostados não eram hábeis a modificar o lançamento. Deste manifestação o sujeito passivo não foi cientificado e os autos retornaram para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722298/201242 Resolução nº 2401000.435 S2C4T1 Fl. 1.893 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Conversão em Diligência No curso da instrução do processo, após a apresentação do recurso do contribuinte, o feito foi baixado em diligência para que para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca da documentação que acompanhou o recurso. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldado nos seguintes termos: "CONCLUSÃO: Pelos motivos expostos, as GFIP's juntadas no recurso pelo contribuinte são inválidas para efeito da constituição do crédito tributário. Assim sendo, entendemos ter suprido todas os questionamentos acima suscitados pelo CARF, consequentemente, encaminhamos a presente manifestação à apreciação e julgamento daquela Corte Administrativa.” Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse ter sido o sujeito passivo em tela devidamente cientificado da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verificase que a lide prosseguiu sem que tenha sido oportunizada ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela fiscalização, as quais se serão fundamentais no julgamento do recurso, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento do direito de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório. Nesse contexto, encaminho pela conversão do julgamento em diligência, para que o órgão de origem dê ciência à recorrente do teor da Informação Fiscal acima mencionada, devendolhe ser facultado o prazo normativo para se manifestar nos autos. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000232/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 23 2/ 20 07 -4 4 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 337 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal previdenciário em desfavor da Recorrente, relativo as contribuições patronais devidas à Seguridade Social, bem como as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a contribuição adicional para a aposentadoria especial e as contribuições por lei devidas a terceiros, provenientes de empresa ou equiparados, previstas no art. 94, ambos da Lei n.° 8.212 de 24/0711991, que deixaram de ser recolhidas integralmente. Constituem fatos geradores: i) remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento; ii) remunerações pagas ou creditadas aos administradores a título de honorários da diretoria; iii) pagamentos efetuados a autônomos/contribuintes individuais; e, iv) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, apurado nas notas fiscais. Noticiada do lançamento apressouse em impugnálo, com suas razões, juntando cópia de ações judiciais, que segundo a Recorrente haveria concomitância, razão pela qual deveria ser anulado o lançamento. A autoridade julgadora de piso verificou que no Relatório Fiscal não havia sido mencionado se as diferenças apuradas com base nas Folhas de Pagamento foram objeto de compensação em ambos, ou algum dos três processos. Diz ainda que ‘...a existência de autorização judicial para realizar a compensação não é impeditivo do lançamento do débito, mas é imprescindível citar a existência de tais ações judiciais, bem como a sua situação processual, a fim de se verificar se de fato as sentenças de primeira instância, ambas favoráveis ao contribuinte, estão eficazes, ou se o débito está sendo lançado como glosa de compensação. Imprescindível também verificar se as compensações realizadas estão de acordo com os parâmetros estabelecidos nas decisões judiciais. Notese ainda que estando o contribuinte amparado pelo direito de compensarse, o lançamento pode ser feito apenas para apurar valores devidos, sem poder ser executado até que se obtenha o trânsito em julgado dos processos’. Por esta razão determinou diligência, retornando ao Auditor notificante para que ele esclarecesse se a Recorrente realizou alguma compensação judicial nas competências do crédito, e, caso afirmativo, que indiquem quais valores do lançamento são correspondentes a esta compensação, e em que parâmetros, bem como informando a situação processual das ações judiciais que amparam as eventuais compensações, a fim de que se defina se o crédito pode ser executado ou não. Ao diligenciar a Fiscalização assim informou: a) Quando da realização do procedimento fiscal a empresa alegou que estava efetuando compensação em decorrência de ações judiciais, porém não apresentou os documentos necessários para que justificasse tais compensações, por esse motivo que não se considerou glosa de compensação e simplesmente falta de recolhimento, mesmo porque não havia lançamento de compensação no campo próprio das GFIP's; Fl. 656DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 338 3 b) Foi solicitado da empresa as Certidões de Objeto e pé relativas aos processos judiciais em que a mesma apresentou defesa, alegando possuir decisão em primeira instancia com julgamento procedente e com direito a efetuar compensações; c) Apresentou as seguintes certidões (as quais foram anexadas), relativas aos seguintes processos e que em nenhuma dessas certidões possui a indicação de que a empresa teve decisão em primeira instancia e muito menos possui Liminar para efetuar o procedimento de compensação: Processo 2000.61.00.0136520 – 20ª Vara Federal Estado de São Paulo Processo 2000.61.00.0136488 – 6ª Vara Federal Estado de São Paulo Processo 2000.51010098687 – 2ª Vara federal do Estado do Rio de Janeiro Processo 2000.5101.0098833 22 a Vara federal do Estado do Rio de Janeiro Processo 2000.5101.0098742 – 3ª Vara federal do Estado do Rio de Janeiro Processo 2000.71.00.018733 da 2ª Vara Federal Tributária de Porto Alegre; Processo 2000.5101.0098833 da 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro; A Unidade Preparadora entendeu a necessidade de novo retorno à diligência para que o auditor Fiscal esclarecesse a situação do processo 2000.51.01.0098810, pronunciandose sobre a existência de eventual compensação realizada com base na sentença de procedência, a fim de que se defina se o crédito pode ser executado ou não, naquele momento, ou se devesse ser desmembrado. Respondeu a Fiscalização: a) Quanto a verificação do andamento do processo, da ação judicial 2000.51.01.0098810 em curso na 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro: que o mesmo foi remetido em 27/09/2001 para TRF — 2ª Região por motivo de processar e julgar recurso (anexada certidão extraída dos autos em 24/07/2006 ) ; b) Quanto a realização de compensações em virtude de sentença favorável ao contribuinte para realização de compensação, no processo 2000.51.01.0098810 em curso na 8ª" Vara Federal do Rio de Janeiro: Informo que no procedimento de auditoria realizada na empresa com base na análise dos documentos contábeis foi verificado que a mesma não efetuou compensação mesmo tendo decisão favorável, nesse processo, para se compensar. Após os procedimentos acima a Recorrente foi notificada para se pronunciar das diligências e dos documentos juntados. Foi noticiada em 21 de dezembro de 2007 e mantevese inerte, conforme certidão de fls. 265, comprovado pelo AR n°. RA 90831275 0 BR, de Fls. 264. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 339 4 Através do Acórdão sob nº 1220.142 a 15ª Turma da DRJ/RJ01 considerou o lançamento procedente mantendo o crédito tributário. Em 10 de novembro de 2008 foi intimada da decisão de piso. Às fls. 633 consta certidão da Unidade Preparadora informando que o Recorrente apresentou Recurso Especial dentro do prazo legal com protocolo postal datado de 17/09/2008, anexado aos autos das fls.280 as fls. 313 O Recurso foi aviado com suas razões. É a síntese do necessário. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 340 5 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Antes de adentrar aos quesitos de defesa, não posso afirmar à Turma que o recurso acode as exigências processuais, mormente a tempestividade. A Recorrente tomou ciência do Acórdão sob nº 1220.142 a 15ª Turma da DRJ/RJ01 em 10 de novembro de 2008, conforme AR acostado às fls. 154 (PDF) do 2º v. E às fls. 160 (PDF) do mesmo volume há um envelope postado na ECT sem comprovação de data, o que impede de dizer da tempestividade. Para este Julgador, fica mais nebulosa ainda a tempestividade, quando a Unidade Preparadora informa que o Recorrente aviou Recurso Especial em 17/09/2008, ou seja, antes mesmo da decisão de piso ser exarada. Assim, imperioso é que o presente PAF seja encaminhado à Unidade Preparadora para que ela informe como chegou à conclusão de que o Recurso aviado foi na data de 17/09/2008, antes da intimação de 10 de novembro de 2008. E se for o caso, que oficie a Empresa de Correios e Telégrafos para que ela informe qual foi a data da postagem que tomou como registro o nº FC0928J38 752403763. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, converto em diligência para que a Autoridade Preparadora informe onde se encontra nos autos que a data da postagem do presente Recurso foi no dia 17 de setembro de 2008. devendo ainda oficiar a Empresa de Correios e Telégrafos para que ela informe qual foi a data da postagem que tomou como registro o nº FC0928J38 752403763. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA – Relator (assinado digitalmente) Fl. 659DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001012/96-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1991
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 10 12 /9 6- 56 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização de Manaus (fl. 03), em que o Sr. Fiscal entendeu, no ato do desembaraço aduaneiro das mercadorias constantes da DI 004844 de 05/04/91, ter ocorrido a falta e o excesso de capacitores fixos eletrolíticos alumínio. O enquadramento legal mencionado pela Fiscalização, com referência ao Imposto de Importação, esta nos artigos 83, 86 e 87, inciso 1, 467, incisos II e III e 473, parágrafos 1° e 2° do Decreto nº 91.030/85; art. 19 da Lei nº 5.172/76; e 501, inciso III, do Decreto nº 91.030/85 (a ordem dos dispositivos é da própria Fiscalização). No que diz respeito ao Imposto sobre Produtos Industrializados, o enquadramento foi baseado no art. 29, inciso I, do Decreto nº 87.981/82 c/c art. 467, inciso III, do mesmo Decreto. Por meio do Acórdão nº 30329.506, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa administrativa. A decisão guerreada possui a seguinte redação: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – ALEGADA FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO – I – A divergência nas características intrínsecas das mercadorias importadas, não configura importação sem Guia de Importação, se a descrição e classificação tarifária dessas correspondem às submetidas ao despacho aduaneiro. II A Multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030/85, é incabível quando o fato não está devidamente tipificado, por ausência dos elementos necessários (comportamento humano, resultado e nexo causal) para que seja caracterizada a conduta como passível de penalidade. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, alegando, em suma, que a multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, é cabível. Traz como paradigma divergente fundamentos do Acórdão nº 30233.428. A ementa dessa decisão está assim redigida: “Infração Administrativa ao Controle das Importações. Não ficando provada a discriminação da mercadoria na GI apresentada pela importadora e havendo divergência entre a mercadoria importada (descrição e número de referência), tal como descrita na Declaração de Importação, e a mercadoria constante da GI, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, sujeitandose o importador ao recolhimento dos tributos devidos e acréscimos legais cabíveis, juros e multa de mora, bem como das multas capituladas nos arts. nº. 526, II, do RA, e nº. 364, II, do RIPI”. (Acórdão 30233.428) Alega a recorrente que: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 238 3 A divergência jurisprudencial encontrase configurada, no caso em tela, porquanto o v. Acórdão paradigma entendeu que para efeitos de aplicação da multa prevista no art. 526, II, do RA, configurase como “fato típico” a divergência entre a mercadoria importada e a descrição quanto ao número da referência constante da Gl. (...) Dessa forma, se a descrição da mercadoria nos documentos de importação for omissa, incorreta ou imprecisa quanto aos elementos de identificação do produto importado, deve ser aplicada a multa pela falta de GI, prevista no art. 526, II, do RA. Por meio do Despacho de fls 195D, e sob o entendimento de estarem presentes os requisitos de admissibilidade deuse seguimento ao recurso interposto. Contrarrazões apresentadas pela contribuinte às fls. 205 a 210 D. Pede para que o recurso não seja conhecido por ausência de divergência. Aduz que: (SIC) “O Acórdão 30233.428 tratou de uma situação que evidentemente configura falta de guia ou documento de importação equivalente, posto que não havia na GI ou DI a descrição da mercadoria questionada, ou seja, o produto era realmente diverso da descrição apontada pelo contribuinte como a correspondente.” E mais: “8. A situação atual da RECORRENTE é infinitamente mais simples! 9. É consabido que a autuação inicial tinha como motivação a falta e o excesso de 520 mil capacitores fixos eletrolíticos alumínio. 10. A falta de mercadorias na importação foi afastada no julgamento de primeira instância, permanecendo assim apenas o excesso com a cobrança do II e do IPI e da multa do art. 526, II do RA. 11. Referida multa é aplicada no caso de ocorrer para a importação sem guia ou documento equivalente.” 12. Com o julgamento de primeira instância ficou claro que a importação foi realizada ao amparo da GI n° 900187502 e DI n° 004844 de 05104/91 e que apenas ocorreu uma declaração inadequada das mercadorias, um erro na voltagem de cada um dos capacitores. 13. Ora, já ficou assentado no Conselho de Contribuintes, bem como nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, que pequenas divergências ou erros que não interfiram em preço, classificação fiscal, alíquota, função da mercadoria não podem ser enquadrados no art. 526, II do RA. (...) 16. Verificase, portanto, que ainda que exista erro na voltagem (NÃO HOUVE ERRO NA REFERÊNCIA, MAS APENAS NA VOLTAGEM DOS CAPACITORES) ou inexatidão da descrição Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 não há como se considerar importação ao desamparo de licenciamento e, muito menos, implicar tal fato na perda do beneficio fiscal. (...) 19. Assim sendo, considerando que o acórdão mencionado como paradigma pela RECORRENTE não se aplica ao caso e que já existe posição firmada que pequenos erros na descrição não devem ter aplicação da multa do art. 526, II do RA, deve ser julgado improvido o Recurso Especial interposto. O processo foi redistribuído por 4 vezes, em face dos precedentes não mais integrarem mais o órgão administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Passo à apreciação da preliminar dos pressupostos processuais. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Dispõe o Regimento Interno dos então Conselhos de Contribuintes, à época vigente, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. Traz a recorrente (Fazenda Nacional) como paradigma, o Acórdão nº 302 33.428 (integra), cuja ementa está assim redigida: “Infração Administrativa ao Controle das Importações. Não ficando provada a discriminação da mercadoria na GI apresentada pela importadora e havendo divergência entre a mercadoria importada (descrição e número de referência), tal como descrita na Declaração de Importação, e a mercadoria constante da GI, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, sujeitandose o importador ao recolhimento dos tributos devidos e acréscimos legais cabíveis, juros e multa de mora, bem como das multas capituladas nos arts. nº. 526, II, do RA, e nº. 364, II, do RIPI”. (Acórdão 30233.428)”. De fato, cada processo deve ser analisado independentemente, em virtude de suas características próprias. O paradigma apresentado no processo diverge do caso sob análise. O Acórdão 30233.428 tratou de uma situação que evidentemente configura falta de guia ou documento de importação equivalente, posto que não havia na GI ou DI a descrição da Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 239 5 mercadoria questionada, ou seja, o produto era realmente diverso da descrição apontada pelo contribuinte como a correspondente. Confirase excertos do relatório do acórdão citado como paradigma: Constatamos que, o item Matriz de Cortar Peça em Bruto para coluna interna dianteira, lados esquerdo / direito , 52285077/78 , não encontravase relacionado na Guia de Importação n. 001 87/0258972 (aditivo 001871150551), estando portanto, descoberto de guia. Assim sendo, o importador identificado no verso , constituiu uma infração administrativa ao controle das importações, ficando sujeito à multa prevista no art. 169 do Decretolei nº. 37/66., alterado pelo art 2o. da Lei nº.6562/78 , regulamentado pelo art. 526 , inc. II , do Decreto nº 91030/85. Já, consta do Voto, do suposto paradigma apresentado: É inquestionável que existem vários tipos de “Matrizes” , cada uma tendo sua finalidade especifica variando as mesmas em tamanho, peso, forma , características técnicas de formatação e acabamento dos produtos , entre outras especificações. Estas mercadorias evidentemente apresentam pregos diferenciados , por suas próprias características e destinações. Desta maneira, uma “Matriz de Cortar Peças em Bruto “ de um conjunto de ferramentas “para coluna interna dianteira lados esquerdo/direito”, não pode ser igualada a uma “Matriz de Cortar” de um conjunto de ferramentas “para reforço do painel de pedais superior'. Estas “Matrizes” não são a mesma mercadoria. Salientese , ademais , que as referencias das mesmas também divergem. Ocorreu, assim, na hipótese vertente , não apenas divergência do número de referência do produto, mas divergência do próprio produto em si . Já, no presente processo sob análise, claro que a importação foi realizada ao amparo da GI n° 900187502 e DI n° 004844 de 05104/91 e que apenas ocorreu uma declaração inadequada das mercadorias, um erro na voltagem de cada um dos capacitores. Nesse sentido, extraise do voto guerreado: “Houve, sem dúvida, uma declaração inadequada das mercadorias importadas, mas que não pode ser classificada como uma importação sem Guia de Importação. As mercadorias importadas são efetivamente, capacitores, tal como descrito na Declaração de Importação, com a mesma classificação fiscal e incidência tributária, divergindo, tãosomente, em relação à referência. Para uma melhor compreensão reproduzo parte das razões de decidir do Conselheiro: Quanto à importação dos produtos que não se enquadram na descrição da Declaração de Importação, não há argumentos que Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 possam sustentar a tese da Recorrente, uma vez que não ha dúvidas que os capacitores qualificados pela fiscalização como importados em excesso, não conferem com as referências dos referidos na Declaração de Importação. Houve, sem dúvida, uma declaração inadequada das mercadorias importadas, mas que não pode ser classificada como uma importação sem Guia de Importação. As mercadorias importadas são efetivamente, capacitores, tal como descrito na Declaração de Importação, com a mesma classificação fiscal e incidência tributária, divergindo, tãosomente, em relação à referência. Inquestionável que a Recorrente importou 520.000 capacitores, amparados pela Guia de Importação n° 900187502, sendo que, houve uma inadequada descrição desses capacitores no que tange à referência. A alegada falta de Guia de Importação perde substância ao confrontar as DI e GI à mercadoria importada, pois em quantidade se equiparam. Portanto, no caso da penalidade aplicada com base no art. 526, inciso II, entendo incabível, uma vez que o fato típico hipoteticamente previsto na norma penal não foi verificado no mundo dos fatos, tanto que a Guia de Importação foi emitida para importação dos 520.000 capacitores em apreço. Não se tratou, portanto, de “importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer (ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento)) do valor da mercadoria”, uma vez que do ponto de vista da operação de importação a guia de importação foi apresentada, regularmente. O Direito Penal (artigol° do C.P.) e o direito tributário penal (artigo 970, II, do C.T.N.) estão subordinados ao principio que decorre do inciso XXXIX do artigo 5° da Constituição da tipicidade da norma, i.e., o tipo de conduta ilegal deve estar perfeitamente identificado na norma jurídica. Nullum crimen nulla poena sine lege é o brocardo que, na sua simplicidade, se insere na busca de justiça para o caso em julgamento. Assim, para aplicação da norma penal, deve o fato presumível encaixar se rigorosamente dentro do tipo descrito na lei. Em suma, o tipo infracional a ser punível seria o art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o seguinte: “Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (DL n° 37/66, art. 169. alterado pela Lei n°6.562/78, art. 2°): II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; Salta aos olhos que o dispositivo, supra transcrito, não se adequa ao fato tido como delituoso, i.e., a distinção entre a Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 240 7 conduta dita como delituosa e a descrição normativa do fato punível é manifesta, o que afasta de imediato a exigência desta multa. A lei penal não admite interpretações que não sejam aquelas objetivas e restritivas decorrente do texto punitivo. 0 dispositivo penal tributário não pode ser aplicada sobre uma presunção de fato que, na realidade não se verificou, como no caso, que para incidência do art. 526, II, do RA, seria necessário a inexistência da Guia de Importação, efetivamente. De acordo com Damásio E. de Jesus, in “Comentários ao Código Penal”, fato delituoso é aquele que se encaixa, se amolda à conduta criminosa descrita pelo legislador. Tipo é o conjunto de elementos descritivos do crime contido na lei penal. Concluise, após análise da norma legal transcrita supra, ser incabível a aplicação da penalidade sobre o Imposto de Importação, que deixou de ser pago, pelo fato de que a mesma é aplicável na falta de Guia de Importação. Assevera Victor Villegas, com propriedade, que “A punibilidade de uma conduta exige sua exata adequação a uma figura legal. Contudo, tal adequação claudicará se a descrição do procedimento punível for incompleta ou confusa, não revelando conteúdo especifico e expressão determinada”. Gerd W. Rothmann, por sua vez, (in “A Extinção da Punibilidade nos Crimes contra a Ordem Tributária” RT 718/95, pg. 536/549) destaca que: “Tanto o crime fiscal como a mera infração administrativa se caracterizam pela antijuridicidade da conduta, pela tipicidade das respectivas figuras penais ou administrativas e pela culpabilidade (dolo ou culpa). A antijuridicidade envolve a indagação pelo interesse ou bem jurídico protegido pelas normas penais e tributárias relativas ao ilícito fiscal. A tipicidade é outro requisito do ilícito tributário penal e administrativo. 0 comportamento antijuridico deve ser definido por lei, penal ou tributária. Segundo RICARDO LOBO TORRES (Curso de Direito Financeiro e Tributário, 1993, pg. 268), a tipicidade é a possibilidade de subsunção de uma conduta no tipo de ilícito definido na lei penal ou tributária. (...)Nisto reside a grande problemática do direito penal tributário: leis penais, freqüentemente mal redigidas, estabelecem tipos penais que precisam ser complementados por leis tributárias igualmente defeituosas, de dificil compreensão e sujeitas a constantes alterações.” E, na mesma esteira doutrinada pelo festejado penalista Basileu Garcia (Instituições de Direito Penal, vol. I, Tomo I, Ed. Max Limonad, 4a edição, pg. 195): Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 “No estado atual da elaboração jurídica e doutrinária, há pronunciada tendência a identificar, embora com algumas variantes, o delito como sendo a ação humana, antijuridica, típica, culpável e punível. 0 comportamento delituoso do homem pode revelarse por atividade positiva ou omissão. Para constituir delito, deverá ser ilícito, contrário ao direito, revestirse de antijuricidade. Decorre a tipicidade da perfeita conformidade da conduta com a figura que a lei penal traça, sob a injunção do principio nullum crimen, nula poena sine lege. Só os fatos típicos, isto é, meticulosamente ajustados ao modelo legal, se incriminam.” Já tivemos oportunidade de apreciar tese paralela em outro feito perante este mesmo E. Conselho, consignando no nosso voto que tais elementos fáticos estavam ausentes naqueles processos, como também estão ausentes no caso presente. Dai não ser punível a conduta do agente. Não será demais reproduzir mais uma vez a lição do já citado mestre de Direito Penal Damásio de Jesus, que ao estudar o FATO TÍPICO (obra citada 1° volume Parte Geral (Ed. Saraiva 15a Ed. pág. 197) ensina: “Por último, para que um fato seja típico, é necessário que os elementos acima expostos (comportamento humano, resultado e nexo causal) sejam descritos como crime” e complementa: “Faltando um dos elementos do fato típico, a conduta passa a constituir em indiferente penal. E um fato atípico.” Nesta mesma linha de raciocínio, nos ensina CLEIDE PREVITALLI CAIS, in 0 Processo Tributário, assim preleciona o principio constitucional da tipicidade: “Segundo Alberto Xavier, “tributo, imposto, é pois o conceito que se encontra na base do processo de tipificação no Direito Tributário, de tal modo que o tipo, como é de regra, representa necessariamente algo de mais concreto que o conceito, embora necessariamente mais abstrato do que o fato da vida.” Vale dizer que cada tipo de exigência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência. “No Direito Tributário a técnica da tipicidade atua não só sobre a hipótese da norma tributária material, como também sobre o seu mandamento. Objeto da tipificação são, portanto, os fatos e os efeitos, as situações jurídicas iniciais e as situações jurídicas finais. O principio da tipicidade consagrado pelo art. 97, do CTN e decorrente da Constituição Federal, já que tributos somente podem ser instituídos, majorados e cobrados por meio da lei, aponta com clareza meridiana os limites da Administração neste campo, já que lhe é vedada toda e qualquer margem de discricionariedade.” (Grifo nosso) Como nos ensinou Cleide Previtalli Cais: “... cada tipo de abrangência tributária deve apresentar todos os elementos que Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 241 9 caracterizam sua abrangência...”, já que “... lhe é vedada (A Administração) toda e qualquer espécie de discricionariedade.” Não pode a administração tributária desqualificar o documento fiscal, válido e regularmente emitido, sob a alegação de que as mercadorias importadas não atendem A. referência das descrições, se a materialidade da importação corresponde h. descrição das mercadorias. 0 fato típico deve encaixarse por completo na hipótese da norma penal, sob o risco de a aplicação pairar no instável plano da presunção. Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, não há como se conhecer do recurso especial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, de forma a manter a exclusão da multa prevista no art. 526, inciso II do RA, em face da inexistência de tipicidade da penalidade. Maria Teresa Martínez López Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720116/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2).
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE SEM EXERCÍCIO EFETIVO DE ADMINISTRAÇÃO.
Constatado que o sócio-gerente formal não desempenhava qualquer atividade na empresa, identificando-se, inclusive, o real administrador da pessoa jurídica, somente sobre este deve recair eventual responsabilidade tributária, devendo aquele ser excluído do polo passivo da lide.
SUJEIÇÃO PASSIVA. EXTINÇÃO IRREGULAR DO CONTRIBUINTE. CONTINUIDADE DA ATIVIDADE DESEMPENHADA. IDENTIDADE DE SÓCIOS E ENDEREÇO. CORRESPONSABILIDADE.
Identificada a extinção irregular do contribuinte e constatando-se que nova pessoa jurídica, com identidade de sócios, passou a desempenhar as atividades no mesmo endereço da empresa extinta, e ainda no mesmo endereço, a nova pessoa jurídica deve responder pelo crédito tributário da empresa extinta, nos termos do art. 132, parágrafo único do CTN.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
^A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de perícia. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LrVROS E DOCUMENTOS.
A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como da documentação correspondente, implica o arbitramento de lucros.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE.
Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n° 14).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas, indeferir o pedido de perícia, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício a 75%; e: (ii) determinar a extinção da sujeição passiva solidária de Lucas de Souza Ferreira. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa que dava provimento em maior extensão para cancelar a sujeição passiva solidária da empresa Carangola Distribuidora de Alimentos. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE SEM EXERCÍCIO EFETIVO DE ADMINISTRAÇÃO. Constatado que o sócio-gerente formal não desempenhava qualquer atividade na empresa, identificando-se, inclusive, o real administrador da pessoa jurídica, somente sobre este deve recair eventual responsabilidade tributária, devendo aquele ser excluído do polo passivo da lide. SUJEIÇÃO PASSIVA. EXTINÇÃO IRREGULAR DO CONTRIBUINTE. CONTINUIDADE DA ATIVIDADE DESEMPENHADA. IDENTIDADE DE SÓCIOS E ENDEREÇO. CORRESPONSABILIDADE. Identificada a extinção irregular do contribuinte e constatando-se que nova pessoa jurídica, com identidade de sócios, passou a desempenhar as atividades no mesmo endereço da empresa extinta, e ainda no mesmo endereço, a nova pessoa jurídica deve responder pelo crédito tributário da empresa extinta, nos termos do art. 132, parágrafo único do CTN. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. ^A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de perícia. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LrVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como da documentação correspondente, implica o arbitramento de lucros. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n° 14). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Fl. 535DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Fl. 536DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Fl. 537DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - 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