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Numero do processo: 16004.000021/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2009
PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitam-se ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Deve ser afastada a decadência arguida, pois, a competência mais antiga do presente AI - 09/2005 - teve como data de início da contagem do prazo decadencial 01/01/2006, com término em 31/12/2010, data posterior a qual se efetuou o lançamento.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Foi produzida a prova necessária à atribuição da sujeição passiva que realizou. A simples negativa dos fatos apurados sem elementos de prova aos fatos apontados e demonstrados pelo fisco, não é suficiente para descaracterizar o Auto de Infração.
INTIMAÇÃO. PROCURADOR. O sujeito passivo deve receber as notificações e intimações no domicílio fiscal por ele eleito e não no endereço indicado pelo procurador.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. Não existe previsão legal que permita a dilação provisória, ficando a critério do julgado sua necessidade, para formação da sua convicção.
PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão.
DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Da leitura do Auto de Infração não se verificou qualquer irregularidade na apreensão de documentos, bem como, nos demais procedimentos realizados pela autoridade fiscal, os quais quando necessário, estiveram respaldados pela devida autorização judicial.
DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. NULIDADE.
A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. Em análise atenta ao Auto de Infração em questão, nota-se claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com a legislação vigente.
MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente,visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, Votou pela conclusões o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Deve ser afastada a decadência arguida, pois, a competência mais antiga do presente AI 09/2005 teve como data de início da contagem do prazo decadencial 01/01/2006, com término em 31/12/2010, data posterior a qual se efetuou o lançamento. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Foi produzida a prova necessária à atribuição da sujeição passiva que realizou. A simples negativa dos fatos apurados sem elementos de prova aos fatos apontados e demonstrados pelo fisco, não é suficiente para descaracterizar o Auto de Infração. INTIMAÇÃO. PROCURADOR. O sujeito passivo deve receber as notificações e intimações no domicílio fiscal por ele eleito e não no endereço indicado pelo procurador. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Não existe previsão legal que permita a dilação provisória, ficando a critério do julgado sua necessidade, para formação da sua convicção. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 21 /2 01 0- 13 Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Da leitura do Auto de Infração não se verificou qualquer irregularidade na apreensão de documentos, bem como, nos demais procedimentos realizados pela autoridade fiscal, os quais quando necessário, estiveram respaldados pela devida autorização judicial. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. NULIDADE. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. Em análise atenta ao Auto de Infração em questão, notase claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com a legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente,visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, Votou pela conclusões o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2006 Data de lavratura do Auto de Infração: 19/01/2010. Data de ciência do Auto de Infração: 19/10/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 9ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedentes as impugnações oferecidas pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluído no seguinte Auto de Infração: AI DEBECAD n° 37.300.1371 – Obrigação Principal contribuição dos segurados empregados não arrecadadas pela empresa, mediante desconto das respectivas remunerações. O objeto social da empresa é o transporte rodoviário de cargas em geral. Não existem empregados formalmente contratados para o período de 02/2005 a 03/2006. Em operação realizada pela fiscalização estadual restou apreendidos vários CTRC – Conhecimentos de Transporte Rodoviários de Cargas que demonstram o grande volume mensal de prestação de serviços de frete; à partir dessas constatações, a autoridade fiscal solicitou a apresentação de outros elementos para efetuar as análises cabíveis, os quais não foram apresentados pela empresa (livros contábeis, folhas e/ou recibos de pagamento de todos os contribuintes individuais que prestaram o serviço de frete, tendo sido aferida indiretamente a base de cálculo das contribuições lançadas, com fundamento no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei n° 8.212/91, a partir dos CTRC apreendidos. Nesse sentido, com fundamento no artigo 603 da Instrução Normativa SRP 03/2005, a fiscalização considerouse que 20% do valor dos fretes corresponderia ao valor da mãodeobra. Nos termos do artigo 599 da citada IN/SRP 03/2005, a contribuição do segurado foi apurada pela alíquota mínima. Foi deduzido do valor aferido a remuneração dos meses 05/2006 a 11/2006 dos motoristas, ajudantes e lombadores, conforme folhas de pagamento. Discorre ainda, o Relatório Fiscal, sobre a “Operação Grandes Lagos” e da participação da empresa na organização criminosa que tinha o objetivo de fraudar a administração tributária utilizandose das mais variadas formas e que foi alvo dessa operação deflagrada pela Polícia Federal. Por intermédio do processo 16004.000020/201061 (processo principal) é possível vislumbrar maiores detalhes acerca das relações mantidas pelas diversas empresas integrantes do Grupo Econômico de Fato “Grupo Itarumã”, muitas delas “paralelas1”, do qual a autuada fazia parte e da titularidade de fato destas empresas que divergia da titularidade de direito, estando as empresas em nome de “laranjas”. Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 Assim, foram incluídos no polo passivo da presente autuação, na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado e com fulcro no artigo 30, IX da Lei 8.212/91 e artigo 124, I do Código Tributário Nacional CTN, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: · Ari Félix Altomari – CPF 018.938.04895; · João do Carmo Lisboa Filho – CPF 057.113.47853; · João Carlos Altomari – CPF 974.880.38800; · Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda – CNPJ 03.187.490/000175; · Itarumã S/A – CNPJ 62.138.268/000141; · Agro Carnes Alimentos ATC Ltda – CNPJ 05.587.759/000136; · Unidos Agro Industrial S/A – CNPJ 07.002.627/000120; · J & T Adm e Participação Ltda – CNPJ 06.035.429/000109; · JL Adm e Participação Ltda – CNPJ 06.002.296/000166; · AFA Adm e Participação Ltda – CNPJ 06.002.355/000104; Por outro giro, após devidamente cientificadas da autuação, apresentaram impugnações tempestivas: Transportadora Agro Ltda., requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III do CTN, que as intimações sejam endereçadas ao procurador que subscreve a peça impugnatória e alegando que: Decadência os lançamentos ocorridos há mais de 05 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores. Nulidade do Auto de Infração em razão da falta de comprovação dos valores apontados como devidos. Não há prova documental da ocorrência do fato gerador, mas apenas planilhas elaboradas a partir de informações prestadas pela Polícia Federal. Não foram examinadas todas as folhas de pagamento e a fiscalização confessa que apenas cruzou dados de outras fiscalizações. O AI não indica os valores que compuseram a base de cálculo das contribuições, mas já se sabe de antemão que a SRF inclui quantias que não integra o salário de contribuição. Assim, não deve prevalecer a pretensão do fisco de fazer incidir contribuições sobre o total recebido pelos empregados da impugnante. A cobrança de juros e multa moratória em valores que superam o montante original da dívida caracteriza confisco e ofensa à capacidade contributiva, cabendo em atendimento à isonomia, a restrição ao limite máximo de 20% previsto na Lei 9.430/96, que se aplica a outros tributos federais. É indevida a utilização da Taxa Selic. Alternativamente, deve este índice ser substituído por juros moratórios de 1% previstos no artigo 161, § 1o do CTN. O Sr. Ari Felix Altomari: As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 4 5 dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. JL Adm e Participação Ltda, AFA Administração e Participação Ltda, J & T Administração e Participação Ltda., Unidos Agro Industrial S/A., Itarumã Indústria de Alimentos Ltda (Itarumã S/A), João do Carmo Lisboa Filho, e João Carlos Altomari apresentaram impugnações distintas, todas elas reprisando os argumentos trazidos por Ari Félix Altomari. Houve diligência em 16/05/2011 determinando a cientificação das empresas Agro Carnes e Ind Com de Carnes Grandes Lagos, concedendolhes prazo para apresentação de impugnação. Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 Agro Carnes, apresentou impugnação na qual alega que: Deve ser excluída da condição de responsável solidária pelo crédito tributário lançado. A solidariedade ocorre apenas caso se verifique vínculo do responsável com o fato gerador do tributo, vinculação que se justifica quando se tem controle sobre o mesmo fato. Discorre longamente acerca da solidariedade e conclui pela impossibilidade de imputar automática e imediatamente, a condição de coobrigado ao sócio da pessoa jurídica em funcionamento normal. A fiscalização pretende imputar a responsabilidade solidária à impugnante sem qualquer fundamento legal. O caso sob análise não se enquadra na hipótese prevista no artigo 124, I do CTN, que exige interesse comum. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1438.543 9ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 1.761/1.773, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Os Recorrentes foram cientificados da decisão de 1ª Instância entre os dias 28/09/2012 à 02/10/2012, conforme Aviso de Recebimento às Fls. 1810/1850. Continuamente, a Transportadora Agro Ltda, Agro Carnes Alimentos ATC Ltda, Industria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda, foram cientificadas por intermédios dos Editais de fls. 1857 a 1859. Inconformados com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, os Recorrentes interpuseram Recurso Voluntário todos no mesmo sentido às fls. 1810/2079, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 1438.543, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: O Sr. Ari Felix Altomari (fls. 1860 a 1885): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 5 7 Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. O Sr. João do Carmo Lisboa Filho (fls. 1882 a 1907): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. O Sr. João Carlos Altomari (fls. 1914 a 1939): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 6 9 A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. Itarumã S/A (fls. 1941 a 1967): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 10 não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. Unidos Agro Industrial S/A (fls. 1960 a 1995) As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 7 11 não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. J&T Administração e Participação Ltda (fls. 1997 a 2051): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 12 dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. JL Administração e Participação Ltda (fls. 2025 a 2051): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 8 13 dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 14 AFA Administração e Participação Ltda (fls. 2053 a 2079): As autoridades fiscais pretenderam “contaminar” o AI com uma enormidade de informações, fatos, conclusões, que nada dizem respeito à suposta ligação entre o impugnante e a Transportadora Agro. O impugnante nunca foi sócio da autuada, não restando comprovado que tivesse interesse comum, que deve ser jurídico e não simplesmente de fato, e que importa em uma situação em que teria dado causa, em conjunto, para a ocorrência do fato gerador. Não restou comprovada a participação do impugnante nos atos que teriam levado ao cometimento de infrações. A fiscalização agiu de forma preconcebida, considerando parte do “esquema” determinadas empresas pelo simples fato de contratarem com outras. Exemplificativamente, a fiscalização entendeu que o Sr. Anilson Aparecido Claudino, integrava a “quadrilha” apenas por ter mantido vínculo empregatício com uma das empresas do Grupo Itarumã e por possuir ligação com a família de uma das pessoas físicas incluídas no polo passivo da autuação. O ônus de demonstrar a participação do impugnante pertence ao fisco e não restou atendido. Não ficou comprovada a ligação entre o ora recorrente e a empresa autuada, nem o suposto interesse comum com que teriam agido no caso em tela, não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I do CTN. O lançamento ora combatido imputou ao ora recorrente a totalidade das supostas infrações à legislação tributaria, não fazendo a distinção entre a alegada parcela da recorrente e dos demais devedores solidários, o que revela a nulidade da solidariedade passiva da ora recorrente. O prazo decadencial de 05 anos, contado nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, alcançou parte do débito lançado. Assim, verificase nulidade pois nos termos do artigo 142 do CTN, no lançamento é determinado o montante do tributo devido, e o valor lançado está incorreto, pois parte dele foi alcançado pela decadência e portanto seria nulo. A autoridade administrativa oferece desconto de 50% caso o pagamento se dê em até 30 (trinta) dias. Esse benefício não pode ser retirado do impugnante pelo fato deste exercer seu direito constitucionalmente assegurado de discutir o débito. Assim, a redução da multa deve ser mantida ainda que tenha sido apresentada impugnação. Requer a nulidade do AI em relação ao impugnante, decretando sua exclusão da sujeição passiva solidária. Caso não acolhido o pleito, o reconhecimento da decadência parcial ou, ainda, a redução de 50% da multa. Ao final, protesta pela produção de todos os meios de prova, inclusive posterior juntada de documentos e requer que as intimações sejam endereçadas aos procuradores do impugnante, indicando seu endereço. Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 9 15 Da leitura dos recursos, possível vislumbrar que se trata de peças idênticas, sem qualquer distinção nos argumentos apresentados. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 16 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os Recorrentes foram cientificados da r. decisão em debate entre os dias 28/09/2012 a 01/010/2012 conforme ARs juntados às fls. 1810/1859, e os presentes Recursos Voluntários foram apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 29/10/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. PRELIMINAR 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em entendimento exarado por intermédio da Súmula Vinculante nº 8, no julgamento realizado na data de 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nesse diapasão, em obediência ao estatuído no artigo 103A da CF/88 (incluído pela Emenda Constitucional nº 45 de 2004), a observância da Súmula Vinculante nº 8 é obrigatória, tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, devendo este colegiado aplicála de imediato, a saber: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo, inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O Instituto da decadência no Direito Tributário, encontrase regulamentado nos artigos 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional CTN. No caso sub examine, operase a incidência das disposições constantes do inciso I do mencionado artigo 173 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 10 17 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Integram o presente Auto de Infração lançamentos referentes à contribuições não recolhidas a partir do expediente de constituir empresas em nome de interpostas pessoas ou “laranjas” e sem a devida formalização da contratação de empregados, caracterizandose nessas hipóteses a ocorrência de dolo, fraude, simulação , dando ensejo, assim, à aplicação da regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Considerandose como termo final na contagem do tempo transcorrido a data de 15/10/2010 (data da cientificação do sujeito passivo), deve ser afastada a decadência arguida, pois, a competência mais antiga do presente AI – 09/2005 teve como data de início da contagem do prazo decadencial 01/01/2006, com término em 31/12/2010, data posterior a qual se efetuou o lançamento. 3. DO MÉRITO 3.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PASSIVA O interesse comum das pessoas jurídicas e físicas deuse ante a constatação de que a Transportadora Agro integra um grupo econômico de fato (“Grupo Itarumã”) formado pelas primeiras e encabeçado pelas últimas. O Código Tributário Nacional em seu artigo 124, inciso I, determina: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Nesse sentido, apesar dos argumentos dos recursos, deve ser mantido no polo passivo da autuação todas as pessoas físicas e jurídicas incluídas pela fiscalização. O Relatório Fiscal do processo principal expõe uma série de elementos que foram levados em conta para firmar o convencimento da existência do “Grupo Itarumã”, de pessoas físicas na condição de sócios “laranjas”. Nesse sentido, citese: “(a) relatórios e documentos de empresas do grupo encontrados na sede de outras empresas ou seus titulares, demonstrando os vínculos existentes entre as diversas pessoas físicas e jurídicas; Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 18 (b) pessoas formalmente contratadas por determinadas empresas estavam a serviço de outras empresas do grupo, assim declarando quando se hospedavam a serviço destas; (c) declarações prestadas pelos titulares de empresas que evidenciam sua condição de “laranjas”, afirmando que assinavam cheques em branco e recebiam ordens dos verdadeiros titulares do negócio, as pessoas físicas relacionadas como corresponsáveis na presente autuação; (d) a identificação de inúmeras operações bancárias de transferência de numerários entre as empresas integrantes do grupo, com a tentativa de ocultação dessas transações por meio de artifícios como o saque dos valores na boca do caixa para depósito em seguida do dinheiro na conta corrente de outra pessoa, situações identificadas devido à coincidência de valores em operações seqüenciais; (e) inúmeras operações de transferência de bens entre as empresas integrantes do grupo econômico, com a simulação de contratos, como de arrendamento de bens, principalmente com o intuito de transferir às empresas lícitas do grupo e às pessoas físicas que estavam à frente do negócio, o patrimônio amealhado pelas empresas em nome de “laranjas”; (f) os titulares de fato do grupo econômico utilizavam bens que pertenciam às empresas do grupo e tinham despesas pessoais como o IPVA e parcelas de financiamento de veículos particulares, despesas com cartão de crédito e IRPF pagas com recursos dessas empresas; (g) informações cadastrais junto a instituições bancárias nas quais os sócios “laranjas” das empresas não figuram como seus titulares, mas como meros funcionários; (h) os serviços administrativos da autuada eram prestados por empregados da Agro Carnes, como por exemplo o Sr. Tony Cleber Rodrigues (responsável pelas informações prestadas pela autuada na GFIP), Paulo Sérgio Zargolin (responsável pelas admissões e demissões da autuada) Adilson de Jesus Scarpante (responsável pelas informações da DIPJ da autuada; (i) documentos da autuada apreendidos pela fiscalização estadual no endereço da Agro Carnes; (j) a incompatibilidade entre o grande faturamento das empresas paralelas e o módico patrimônio de seus sócios “laranjas”.” Nesse interregno foi produzida a prova necessária à atribuição da sujeição passiva que realizou. A simples negativa dos fatos apurados sem elementos de prova aos fatos apontados e demonstrados pelo fisco, não é suficiente para descaracterizar o Auto de Infração. Assim, é necessário consignar que a autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 11 19 O artigo 33, caput, da Lei n° 8.212/91, atribui ao órgão fiscalizador competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições ali previstas. Por todo o exposto, correta a atribuição da responsabilidade solidária aos impugnantes com fulcro nos artigos 121 e 124, II do Código Tributário Nacional, e da lavratura dos respectivos “Termos de Sujeição Passiva Solidária”, pois, ao contrário do que alegam os impugnantes, restou comprovado o interesse comum de tais pessoas, físicas e jurídicas, nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias objetos da autuação, entendendose tal, com respaldo na jurisprudência administrativa e judicial acerca do tema, como o interesse caracterizado pela atuação comum. No tocante às pessoas físicas, esta atuação revelase pelo fato de que os impugnantes, além de auferirem proveito econômico das operações realizadas, efetivamente eram os verdadeiros donos das pessoas jurídicas constituídas em nome de interpostas pessoas ou “laranjas”, atuando na condução dos negócios realizados e que ensejaram o lançamento do crédito tributário mediante a autuação sob análise. Já as pessoas jurídicas, sejam elas lícitas ou paralelas, eram todas de propriedade das citadas pessoas físicas e administradas pelas mesmas, também se beneficiando do esquema arquitetado. Em conclusão, a prerrogativa da fiscalização albergada no sistema jurídico vigente de desconsiderar atos ou negócios jurídicos formalmente constituídos em desacordo com a realidade, somada ao farto conjunto fático e probatório amealhado pelos trabalhos fiscais com a demonstração robusta da ocorrência da situação descrita no Relatório Fiscal em que se verifica a relação dos impugnantes com as atividades desenvolvidas pela empresa Transportadora Agro – o qual não foi elidido, legitimam os procedimentos fiscais e o consequente lançamento do crédito tributário na forma como verificado. 3.2. DO REQUERIMENTO PARA INTIMAÇÃO DOS PROCURADORES SUBSCRITORES DAS IMPUGNAÇÕES: Determina o artigo 127 do Código Tributário Nacional sobre o domicílio tributário, enquanto o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 disciplina o modo como a intimação será efetuada no processo administrativo fiscal. Confirase: “Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 20 § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior.” (Código Tributário Nacional) “Art. 23. Farseá a intimação: pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.” (Decreto nº 70.235/72) Assim, da leitura dos artigos supracitados, não se vislumbra a possibilidade de a intimação darse também no endereço do procurador dos impugnantes, pois, uma vez feita a eleição pelo sujeito passivo, não é admitido domicílio especial para o processo administrativo fiscal, dever ser improvido o pedido. 3.3. DO REQUERIMENTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS: Da leitura dos artigos 7º, § 1º da Portaria RFB 10.875/2007 e artigo 16, § 4º do Decreto 70.235/72, depreendese que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito dos impugnantes de fazêlo em outro momento processual, a menos que se demonstrasse a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; fosse referente a fato ou a direito superveniente ou destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo que nenhuma dessas situações restou demonstrada. Assim, deve ser indeferida a dilação probatória pleiteada, pois intempestiva. 3.4. DAS ALEGAÇÕES DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: Da leitura do Auto de Infração não se verificou qualquer irregularidade na apreensão de documentos, bem como, nos demais procedimentos realizados pela autoridade fiscal, os quais quando necessário, estiveram respaldados pela devida autorização judicial. Não deve ser acatada a alegação de que a autuada não apresentou livros requeridos pela fiscalização por estarem na posse do fisco estadual. Conforme fls. 47/48, em 29/01/2010 a empresa assim justifica a não apresentação dos livros constantes no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD. Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 12 21 Novamente intimada a apresentar elementos, em 14/01/2010, a autuada informou que até aquela data não havia os localizado, acreditando que estavam em poder da fiscalização estadual (fls. 41). Assim, solicitou mais prazo para atender à fiscalização. Em 21/01/2010, novamente argumentou não ter localizado os documentos, acreditando que os mesmos estavam em poder da fiscalização estadual (fls. 46/47). Com o mesmo teor, a resposta da empresa datada de 29/01/2010 (fls. 50/51). Por outro lado, encontrase às fls. 24 a relação de documentos e livros entregues pela autuada à fiscalização estadual e às fls. 172 do processo principal a relação de documentos apreendidos pela fiscalização estadual, nas quais não constam os elementos não apresentados à RFB e que ensejaram a aferição indireta da base de cálculo. Desse modo, não procede a justificativa de não apresentálos ao fisco federal sob a alegação de estarem em poder do fisco estadual. Assim, a não apresentação de livros diários, razão e folhas de pagamento pela autuada justificou a aferição indireta da base de cálculo, nos termos do artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei n° 8.212/91. Isto posto, não se verifica qualquer vício caracterizador dos alegados cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao contraditório, capaz de ensejar a nulidade da autuação. 3.5 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A fundamentação legal para o procedimento adotado Aferição Indireta encontrase na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confirase: “art. 33: "Parágrafo 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário." (..) "§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Em análise atenta ao Auto de Infração em questão, notase claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com a legislação vigente. A fiscalização constituiu o crédito previdenciário correspondente, conforme determina o artigo 37, da Lei n° 8.212/91 e artigo 229 do Decreto n° 3.048/99, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 22 que se referem, em total consonância com as normas legais, inclusive, em atendimento ao disposto no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Confirase: “Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.” (LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991) “ Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: I arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; II constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; III aplicar sanções; e IV normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso I.” (artigo 229 do Decreto n° 3.048/99) “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Código Tributário Nacional) Considerando que o Recorrente não apresentou documentos comprobatórios de suas alegações, dentro do prazo de defesa, precluindo tal direito se o fizer em outro momento processual, nos termos do art. 16 § 4 o do Decreto n° 70.235/72, o qual regula o processo administrativo federal. Ocorre que o contribuinte nada apresentou, limitandose a alegar que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o a Notificação foi utilizada ao arrepio das disposições legais. 3.6. DA MULTA Relativamente à multa, a inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente,visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. A argüição de que a perca do direito a redução da multa em 50% por discutir o débito na via administrativa seria infração ao artigo 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal, envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge a alçada deste Colegiado, nos Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 16004.000021/201013 Acórdão n.º 2401004.475 S2C4T1 Fl. 13 23 termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por todo o exposto, depreendese que o presente Auto de Infração encontra se revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos elencados, não havendo que se falar em cancelamento da Notificação. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntários da recorrente para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, mantendo o crédito previdenciário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 20/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 5/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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Numero do processo: 11080.910485/2012-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.910485/201267 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.260 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Contribuições. Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.798, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 04 85 /2 01 2- 67 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.910485/201267 Acórdão n.º 9303004.260 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.910485/201267 Acórdão n.º 9303004.260 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 216DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005019/2006-59
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2005
LEI Nº 9.317, DE 1996. LEI Nº 9.841, DE 1999. TRATAMENTO
TRIBUTÁRIO.
O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999.
LIMITE EXCEDIDO. EXCLUSÃO. ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE.
Correta a exclusão do Simples a partir do ano-calendário
subsequente àquele em que ultrapassado o limite legalmente estabelecido.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA.
Correta a tributação com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO
DA ORIGEM.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, ou de parte deles, é inviável o emprego de presunção legal de omissão de receitas, devendo o lançamento quando for o caso de aqueles valores não terem sido submetidos à tributação DF ser procedido por prova direta, na forma do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de
1996.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-000.891
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos excluir da tributação o valor total de R$ 962.725,62, nos termos do voto do relator; b) por maioria de votos excluir da tributação os valores de R$ 3.710,000, no mês de janeiro de 2005, e R$ 1.040,00 no mês de setembro do mesmo ano, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Designado o Conselheiro Walter Adolfo Maresch para redigir o voto vencedor em relação aos valores excluídos por maioria.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 LEI Nº 9.317, DE 1996. LEI Nº 9.841, DE 1999. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. LIMITE EXCEDIDO. EXCLUSÃO. ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE. Correta a exclusão do Simples a partir do ano-calendário subsequente àquele em que ultrapassado o limite legalmente estabelecido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Correta a tributação com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem dos depósitos bancários, ou de parte deles, é inviável o emprego de presunção legal de omissão de receitas, devendo o lançamento quando for o caso de aqueles valores não terem sido submetidos à tributação DF ser procedido por prova direta, na forma do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 LEI Nº 9.317, DE 1996. LEI Nº 9.841, DE 1999. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. LIMITE EXCEDIDO. EXCLUSÃO. ANOCALENDÁRIO SUBSEQUENTE. Correta a exclusão do Simples a partir do anocalendário subsequente àquele em que ultrapassado o limite legalmente estabelecido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Correta a tributação com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem dos depósitos bancários, ou de parte deles, é inviável o emprego de presunção legal de omissão de receitas, devendo o lançamento quando for o caso de aqueles valores não terem sido submetidos à tributação Fl. 1716DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 10.52 2 ser procedido por prova direta, na forma do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos excluir da tributação o valor total de R$ 962.725,62, nos termos do voto do relator; b) por maioria de votos excluir da tributação os valores de R$ 3.710,000, no mês de janeiro de 2005, e R$ 1.040,00 no mês de setembro do mesmo ano, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Designado o Conselheiro Walter Adolfo Maresch para redigir o voto vencedor em relação aos valores excluídos por maioria. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 1717DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 11.52 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 761 a 764): Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.03.002006002445 (fl. 01), foram lavrados, em 20/11/2006, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 392/399) exige o recolhimento de R$ 39.309,64 a título de imposto e R$ 29.482,22 a título de multa de lançamento de oficio, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro arbitrado, conforme previsto no art. 530, II e III, do RIR de 1999, decorreu das seguintes infrações: 3.1. omissão de receitas caracterizada por saldos credores de caixa evidenciados mediante apuração dos saldos diários dos lançamentos efetuados no Livro Caixa, com totalização e apuração mensal do saldo, conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/428), com infração ao disposto nos arts. 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999): • anocalendário de 2005 — 1º trimestre R$ 29.195,61 • anocalendário de 2005 —2º trimestre R$ 58.058,28 • anocalendário de 2005 — 3º trimestre R$ 34.330,33 • anocalendário de 2005 — 4º trimestre R$ 52.381,10 3.2. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados com origem não comprovada, conforme descrito no item 3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/428), com infração ao disposto nos arts. 27, I, e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e arts. 532 e 537 do RIR de 1999: • anocalendário de 2005 1º trimestre R$ 358.092,47 • anocalendário de 2005 2º trimestre R$ 382.252,66 • anocalendário de 2005 3º trimestre R$ 329.011,80 • anocalendário de 2005 4º trimestre R$ 242.921,43 3.3. arbitramento do lucro sobre as receitas anteriormente declaradas na PJ 2006 Simples, conforme descrito no item 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/428), com infração ao disposto nos arts. 532 do RIR de 1999: Fl. 1718DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 12.52 4 • anocalendário de 2005 1º trimestre R$ 268.946,00 • anocalendário de 2005 2º trimestre R$ 289.390,00 • anocalendário de 2005 3º trimestre R$ 275.743,00 • anocalendário de 2005 4º trimestre R$ 309.505,40 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL 4. O auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 399/405) exige o recolhimento de R$ 9.660,53 a título de contribuição e R$ 7.245,34 a título de multa de lançamento de oficio, prevista no art. 86, § 1º, da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 2º da Lei nº 7.683, de 2 de dezembro de 1988, e art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 5. O lançamento referese à omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa e depósitos bancários com origem não comprovada, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/428). Tem como fundamento legal os arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 6. O auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 406/412) exige o recolhimento de R$ 44.587,24 a título de contribuição e R$ 33.440,38 a título de multa de lançamento de oficio, prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 7. O lançamento, com fundamento nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002, referese à omissão de receitas caracterizada saldo credor de caixa e depósitos bancários não comprovados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/428). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 8. O auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 413/419) exige o recolhimento de R$ 28.402,12 a título de contribuição e R$ 21.301,58 a título de multa de lançamento de oficio, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 9. O lançamento referese às mesmas infrações que deram causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/428), com infração ao disposto no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 10. Regularmente intimada em 22/11/2006, a interessada apresentou, em 18/12/2006, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 447), a tempestiva impugnação de fls. 429/446, cujo teor é sintetizado a seguir. 10.1 Relata que, em atendimento ao termo de início de fiscalização (fl. 03), cientificado em 04/09/2006, entregou, em 12/09/2006 (fl. 453), os seguintes documentos: cópia do Contrato Social e alterações, Livros Caixa, Diário, Razão, de Entrada e Saída e de Apuração do ICMS, todos relativos aos anoscalendário de Fl. 1719DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 13.52 5 2004 e 2005; que solicitou e obteve dilação de prazo em 10 dias para entrega dos extratos bancários; que, em 26/09/2006, entregou as notas fiscais de saída dos anos de 2004 e 2005; que sempre colaborou com a fiscalização, pois não omitiu nenhuma informação e apresentou tempestivamente toda a farta documentação solicitada. 10.2 Alega que a exclusão do Simples, por meio do Ato Declaratório nº 53/2006, retroativa a 01/01/2005, é indevida, pois entende estar amparada pelo Decreto nº 5.028, de 2004, que alterou os limites fixados pela Lei nº 9.841, de 1999, art. 2º, incisos I e II (Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte). 10.3 Aduz que o argumento utilizado pelo Fiscal para justificar a exclusão do Simples é uma falácia e de nenhuma obrigatoriedade; que o arbitramento do lucro foi justificado pela autoridade fiscal com a alegação de que, mesmo intimada, teria deixado de entregar os Livros Diário e Razão, somente o fazendo em relação ao Livro Caixa. Requer, de antemão, a anulação do presente auto de infração por suposta exclusão retroativa do Simples e por ter sido indevidamente submetida à tributação com base no lucro arbitrado, haja vista a total ausência de correlação do fato descrito com os meios de prova empregados. Cita, nesse sentido, julgado da DRJ Campinas (Acórdão nº 9.537). 10.4 Aduz que, no Termo de Encerramento (fl. 420), consta que a autoridade fiscal lhe devolveu todos os documentos utilizados na ação fiscal, no estado em que foram recebidos, mas não mencionou que, dentre eles, estavam os Livros Diário e Razão; que, portanto, o fisco poderia perfeitamente ter efetuado o lançamento com base no lucro real, acrescentando que, no anocalendário de 2005, amargou um prejuízo fiscal de R$ 285.980,11; que o lançamento fiscal deve ser anulado por estar fundado em inverdades e não merecer consideração; cita julgados do Conselho de Contribuintes. 10.5 Quanto aos depósitos bancários, requer que sejam excluídos: • os valores relativos aos créditos de cobranças dos meses de janeiro (R$ 95.982,56), fevereiro (R$ 71.290,61), março (R$ 120.726,65), abril (R$ 64.338,25), maio (R$ 68.725,67), junho (R$ 74.928,80), julho (R$ 72.117,34), agosto (R$ 108.197,85), setembro (R$ 89.448,18), outubro (R$ 102.964,04), novembro (R$ 77.231,68) e dezembro/2005 (R$ 79.891,12), conforme demonstrativo que junta aos autos; • os depósitos lançados em duplicidade, de R$ 4.770,00 em março e de R$ 4.433,00 em novembro/2005, por terem sido estornados; • o resultado do somatório do mês de setembro/2005, incluído na relação dos cheques dos meses de abril, maio, junho, julho, agosto e setembro/2005; • os cheques devolvidos no valor de R$ 2.148,13 e R$ 6.840,00 do mês de abril, R$ 5.500,00 de maio, R$ 2.230,00 de junho e R$ 2.100,00 de agosto/2005; • os créditos identificados (TED), no montante de R$ 3.710,00, do mês de janeiro, e de R$ 1.040,00, em setembro/2005. 10.6 Argui que os produtos que fabrica são vendidos em até dez pagamentos, sendo muitos com cheques prédatados, cujas operações não consegue agora provar em face da impossibilidade de reunir os dez depósitos; que as cobranças são totalmente identificáveis, tanto que a própria lista dos títulos liquidados informa a nota fiscal, o nome do sacado e o vencimento; que, sendo os valores cobrados já pertencentes ao ativo da empresa, não podem caracterizar omissão de receitas, nem Fl. 1720DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 14.52 6 ser confundidos com depósitos bancários. Cita julgados das DRJ e do Conselho de Contribuintes. 10.7 Ao final, requer seja julgado improcedente o total do crédito tributário exigido. 11. Tendo o art. 1º, II, da Portaria SRF nº 6.129, de 2 de dezembro de 2005, determinado que a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente serão objeto de um único processo administrativo, ou seja, que a apreciação da manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples nº 53/2006, da Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR (fl. 388), deve ser efetuada no processo relativo ao lançamento do IRPJ e reflexos do período posterior à exclusão do regime unificado e simplificado, faço a juntada de cópia da impugnação apresentada nos autos do processo nº 10935.005017/200660 (fls. 696/710), relativo ao lançamento de Simples, do qual extraemse as alegações de defesa contra a exclusão do Simples a seguir sintetizadas. 11.1 A contribuinte contesta a exclusão do Simples (Ato Declaratório nº 53/2006), ao argumento de que a receita bruta declarada (R$ 1.196.805,50) somada à receita omitida por ela admitida (R$ 385.656,87) é inferior ao limite de R$ 2.133.222,00 fixado pelo Decreto nº 5.028, de 2004, para enquadrarse como empresa de pequeno porte no Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Lei nº 9.841, de 1999). 11.2 Aduz que, acerca da exclusão do Simples com efeito retroativo, sem conclusão definitiva, podese concluir que o Ato Declaratório extrapola o balizamento da legislação, sendo decisão arbitrária, sem respaldo legal, prejudicandoa no cumprimento de suas obrigações tributárias dos anoscalendário de 2005 e 2006; que não pode existir uma lei interpretativa que, expressa ou implicitamente, crie, retroativamente, obrigações onerosas. 12. Tendo em vista que a planilha anexa à Intimação Fiscal cientificada em 02/10/2006 (fls. 241/242) encontrase incompleta, posto que constam dos autos apenas as páginas nºs 1 a 19 (doc. fls. 243/261) e 27 a 30 (doc. fls. 262/265), também faço a juntada da cópia integral da planilha constante do processo nº 10935.005017/200660 (relativo ao lançamento de Simples), com todos os créditos na conta corrente nº 8.2880, agência 8303, do Banco do Brasil S/A., cuja origem dos recursos utilizados a interessada foi intimada a justificar (fls. 711/742). 13. A Representação Fiscal para Fins Penais encontrase no processo nº 10935.005018/200612. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 759 e 760): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. Ratificase o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar comprovada a causa da exclusão no regime unificado e simplificado, qual seja, o Fl. 1721DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 15.52 7 auferimento de receita bruta em montante superior ao limite previsto para as empresas de pequeno porte. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Ementa: NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: LUCRO ARBITRADO. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Uma vez demonstrada a falta de contabilização da movimentação bancária, procedente é a desclassificação da escrita comercial mantida pela pessoa jurídica, com o consequente arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Se a contribuinte não logra afastar o saldo credor de caixa apontado pela sua própria escrituração, subsiste incólume a presunção de receitas omitidas em montante equivalente. [...]. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 Ementa: DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao Pis, à Cofins e à CSLL. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 19/03/2007 (fls. 784), a tempo, em 05/04/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 787 a 802, instruído com os documentos de fls. 803 a 809, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: Fl. 1722DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 16.52 8 a) que requer, de antemão, a anulação dos lançamentos baseados em tributos calculados em lucro arbitrado, por erro formal de tributação e, também, pela total ausência de correlação com o fato descrito e os meios de prova empregados; b) que, como é cediço nos procedimentos fiscais, não pode haver correção de erro formal no mesmo auto, depois de intimado o contribuinte a respondêlo; c) que teria de haver nova autuação, baseada em parâmetros reais e condizentes, o que, definitivamente, não ocorreu neste caso; d) que, no que se refere à omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados, o AuditorFiscal praticamente fez cópia fiel dos extratos bancários fornecidos pelo banco e intimou a Recorrente a justificar os lançamentos; e) que, nessa relação, estão englobados todos os tipos de depósitos e créditos de duplicata e outros créditos, verificandose que não foram separados os depósitos bancários de outros créditos; f) que devem ser excluídos, daquele levantamento, os créditos de cobranças; g) que não constam (ou constam parcialmente), no processo, os demonstrativos dos créditos em contacorrente dos meses de abril a setembro, devendo ser, esses meses, excluídos de tributação; e h) que os documentos juntados pela Recorrente são títulos de cobranças bancárias, documentação hábil e idônea, que identifica a origem dos créditos bancários. 4. Constam, entre diversas outras peças processuais, de fls. 811 a 816 e de fls. 845 a 852, respectivamente, Acórdão nº 10709.335, de 16 de abril de 2008, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e Acórdão nº 910100.670, de 31 de agosto de 2010, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que serão objeto de referência no Voto. Em mesa para julgamento. Fl. 1723DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 17.52 9 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do lançamento 5. Requer a Recorrente, preliminarmente, a anulação dos lançamentos baseados em tributos calculados em lucro arbitrado, por erro formal de tributação e, também, pela total ausência de correlação com o fato descrito e os meios de prova empregados. 6. Quanto a esta matéria, está ela devidamente decidida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) por meio do Acórdão nº 910100.670, de 31 de agosto de 2010, que, ao dar provimento, por unanimidade, a Recurso Especial da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 10709.335, de 16 de abril de 2008, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim se manifestou a respeito (fls. 852, destaques do original): Com efeito, tendo por base os elementos constantes dos autos, não há como não reconhecer que a decisão recorrida se afastou das provas colacionadas e contrariou o disposto no inciso II do art. 47 da Lei nº 8.981/1995, base legal do art. 530 do RIR/99. Ao considerar nulo o lançamento efetuado com base no arbitramento do lucro, a Câmara a quo não considerou a segunda razão para o arbitramento, devidamente apontada pela fiscalização, qual seja, a não contabilização de valores vultosos de sua movimentação bancária. Tal fato ensejou, inclusive, sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Assim, forçoso admitir que, a partir dos elementos constantes dos autos, está juridicamente embasado o arbitramento efetuado pela fiscalização. Diante dessas considerações, manifestome por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão que declarou nulo o lançamento de ofício e determinar o retorno dos autos à câmara ordinária para nova decisão. 7. Tratase, pois, de matéria superada administrativamente, competindo a este Colegiado apenas decidir sobre o mérito da exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e da consequente autuação. Exclusão do Simples Fl. 1724DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 18.52 10 8. O lançamento relativo ao anocalendário de 2004 foi objeto do processo de nº 10935.005017/200660, sendo que, em sede de recurso voluntário, foi este negado, conforme tela a seguir, extraída do site do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): Nº Recurso 157773 Número do Processo 10935.005017/200660 Órgão Julgador Sétima Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte L F PASINI & CIA LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 14/08/2008 Relator(a) Hugo Correia Sotero Nº Acórdão 10709466 Tributo / Matéria Simples ação fiscal insuf. na apuração e recolhimento Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso 9. Por conseguinte, consolidado administrativamente está o motivo fundamental para a exclusão da Recorrente do Simples (excesso de receita bruta no ano calendário de 2004). Limite de exclusão do Simples 10. Alega a Recorrente que a exclusão do Simples, por meio do Ato Declaratório nº 53/2006, retroativa a 01/01/2005, é indevida, pois entende estar amparada pelo Decreto nº 5.028, de 2004, que alterou os limites fixados pela Lei nº 9.841, de 1999, art. 2º, incisos I e II (Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte). 11. Temse que a legislação que rege o Simples é a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e não a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. 12. Embora tratem ambas da microempresa e da empresa de pequeno porte, a primeira regula o tratamento tributário e a última, outras questões. Isso é patente nos textos legais e nas ementas das respectivas leis. 13. Em reforço ao que se disse, a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, em seu art. 10, dispôs o seguinte: Art. 10. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. 14. Portanto, as alterações de limite veiculadas pelo Decreto nº 5.028, de 31 de março de 2004, valem apenas para a Lei nº 9.481, de 1999, inclusive como é expresso no próprio Decreto, no caput de seu art. 1º (grifouse): Art. 1º Os valores dos limites fixados nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, passam a ser os seguintes: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ Fl. 1725DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 19.52 11 433.755,14 (quatrocentos e trinta e três mil, setecentos e cinquenta e cinco reais e quatorze centavos); II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 433.755,14 (quatrocentos e trinta e três mil, setecentos e cinquenta e cinco reais e quatorze centavos) e igual ou inferior a R$ 2.133.222,00 (dois milhões, cento e trinta e três mil, duzentos e vinte e dois reais). Efeitos da exclusão do Simples 15. Aduz a Recorrente, acerca da exclusão do Simples com efeito retroativo, sem conclusão definitiva, que o Ato Declaratório extrapola o balizamento da legislação, sendo decisão arbitrária, sem respaldo legal, prejudicandoa no cumprimento de suas obrigações tributárias dos anoscalendário de 2005 e 2006, não podendo existir uma lei interpretativa que, expressa ou implicitamente, crie, retroativamente, obrigações onerosas. 16. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 17. Relativamente à questão dos efeitos da exclusão do Simples, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema Fl. 1726DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 20.52 12 SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) 18. No presente caso, correta a exclusão da Recorrente do Simples a partir do anocalendário subsequente àquele em que ultrapassado o limite estabelecido (01/01/2005 fls. 389). Arbitramento do lucro 19. A questão relativa ao cabimento do arbitramento do lucro da Recorrente já se encontra definida, em face do decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no Acórdão nº 910100.670, de 31 de agosto de 2010, mencionado no item 6 deste Acórdão, cuja ementa é no seguinte sentido (fls. 845): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005, 2006 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Correta a tributação com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Fl. 1727DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 21.52 13 Depósitos bancários de origem não comprovada 20. Com relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, entendese ser necessário distinguir duas situações: a) a hipótese de empresa que não comprova a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária; e b) a hipótese de empresa que demonstra, sem qualquer margem a dúvidas, que aqueles recursos, embora não submetidos à tributação, são, no todo ou em parte, oriundos de sua atividade. 21. No primeiro caso, devese aplicar o comando contido no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tributandose a totalidade dos créditos sem origem comprovada, presumidamente como omissão de receitas (grifouse): Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 22. Já naquela segunda situação, prevalece a exceção contida no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de seguinte teor (destacouse): § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 23. Nessa hipótese, é plenamente válida a utilização de outros métodos de determinação da receita, como sejam, a aplicação de índices ou estimativas sobre os valores dos créditos bancários de origem comprovada, segundo a atividade a que se refiram, com fulcro, não mais no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas em seu § 2º. 24. Tratase, nessa última situação, de tributação direta, sem apelo a presunções. 25. Dessa forma, comprovada a origem dos depósitos bancários, ou de parte deles, é inviável o emprego de presunção legal de omissão de receitas, devendo o lançamento quando for o caso de aqueles valores não terem sido submetidos à tributação ser procedido por prova direta. 26. Constou do acórdão recorrido o seguinte (fls. 773): Créditos decorrentes de títulos em cobrança bancária 62. No que se refere aos créditos oriundos de cobrança bancária nos meses de janeiro (R$ 95.982,56), fevereiro (R$ 71.290,61), março (R$ 120.726,65), abril (R$ 64.338,25), maio (R$ 68.725,67), junho (R$ 74.928,80), julho (R$ 72.117,34), agosto Fl. 1728DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 22.52 14 (R$ 108.197,85), setembro (R$ 89.448,18), outubro (R$ 102.964,04), novembro (R$ 77.231,68) e dezembro/2005 (R$ 79.891,12), verificase que, inobstante tenha juntado aos autos cópia de listagem dos títulos liquidados por cobrança bancária (fls. 464/691), não há comprovação alguma de que o valor de tais títulos tenha sido reconhecido como receita de venda a prazo, sendo que, no balanço patrimonial levantado em 31/12/2005, não figura valor algum na conta Clientes do ativo circulante (fl. 458). 27. Contudo, como observado anteriormente, o oferecimento à tributação dos depósitos de origem comprovada é irrelevante para o fim de se pretender tributálos como se de origem não comprovada fossem, conforme a própria dicção da lei (“que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos”). A tributação a ser procedida, na hipótese, é sob outro título. 28. É que, no caso, se os créditos em contacorrente têm origem na liquidação de títulos colocados em cobrança bancária (“624 Cobrança”), conforme provam os próprios extratos anexados pela fiscalização (fls. 76 a 239), tal fato afasta, de imediato, a caracterização da infração sob a rubrica “depósitos bancários de origem não comprovada” (fls. 396). 29. Naturalmente, cabe a investigação a respeito da real natureza dos valores recebidos e a tributação, se for o caso. Entretanto, a infração a ser capitulada será outra, como exemplos: omissão de vendas de mercadorias, omissão de receitas de prestação de serviços, etc. 30. Dito isso, devem ser excluídos da matéria tributável relativa aos “depósitos bancários de origem não comprovada” os valores relativos aos créditos de cobranças dos meses de janeiro (R$ 95.982,56), fevereiro (R$ 71.290,61), março (R$ 120.726,65), abril (R$ 64.338,25), maio (R$ 68.725,67), junho (R$ 74.928,80), julho (R$ 72.117,34), agosto (R$ 108.197,85), setembro (R$ 89.448,18), outubro (R$ 102.964,04), novembro (R$ 77.231,68) e dezembro/2005 (R$ 79.891,12), devidamente identificados (fls. 464 a 691). 31. Já na parte relativa a devolução de cheques depositados, o acórdão recorrido intenta defender, em quase três páginas (fls. 773 a 775, itens 64 a 74), o ponto de vista da impossibilidade de sua exclusão, salvo se reapresentado, sem atentar para o fato de que o próprio fiscal autuante já assim procedera sem aquela condicionante, conforme se verifica das listagens de fls. 243 a 265 e 713 a 742 e do exemplo a seguir (fls. 734 e 735 e 149 e 151): Levantamento fiscal: Fl. 1729DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 23.52 15 Extratos bancários: 32. Apenas em alguns poucos casos, e por absoluto descuido, deixou a fiscalização de fazer essa exclusão, o que se procede agora, relativamente a valores ora apontados pela Recorrente: a) o valor de R$ 4.770,00, no mês de abril de 2005 (fls. 731 e 114): Levantamento fiscal: Extrato bancário: b) o valor de R$ 5.500,00, no mês de maio de 2005 (fls. 733 e 138): Levantamento fiscal: Fl. 1730DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 24.52 16 Extrato bancário: 33. Em outros casos, sucedeu que a fiscalização não atentou para o fato de que o mesmo crédito bancário fora lançado em duplicidade, tendo havido, pois, dois estornos em vez de um (a saber: um estorno de depósito e uma devolução de cheque depositado), como a seguir se demonstra: a) o valor de R$ 4.770,00, no mês de março de 2005 (fls. 111): b) o valor de R$ 2.148,13, no mês de abril de 2005 (fls. 117): c) o valor de R$ 6.840,00, no mês de abril de 2005 (fls. 122 e 123): Fl. 1731DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 25.52 17 d) o valor de R$ 2.230,00, no mês de junho de 2005 (fls. 147): e) o valor de R$ 2.210,00, no mês de agosto de 2005 (fls. 177): f) o valor de R$ 4.433,00, no mês de novembro de 2005 (fls. 226): 34. Especificamente quanto às alíneas “a” e “f” do item anterior, assim discorreu o acórdão recorrido (fls. 773): 63. Quanto aos valores que alegou terem sido lançados em duplicidade (R$ 4.770,00 em março e R$ 4.433,00 em novembro/2005), verificase que o segundo lançamento desses cheques (reapresentação de cheque devolvido) já foi estornado do levantamento fiscal (fls. 261 e 264). 35. Acontece que o segundo lançamento não se refere a “reapresentação de cheque devolvido”, mas a duplicidade de lançamento (“Desbloqueio de Depósito”), tanto que foi objeto de lançamento de estorno, e não de devolução. 36. No levantamento da Recorrente deixou de ser apontada, ainda, a seguinte devolução de cheque, não excluída pela fiscalização (fls. 735 e 153): Levantamento fiscal: Fl. 1732DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 26.52 18 Extrato bancário: 37. Por outro lado, poderiam ser considerados como de origem identificada e, pois, insuscetíveis de tributação a título de “depósitos bancários de origem não comprovada”, os créditos identificados (TED), nos montantes de R$ 3.710,00, do mês de janeiro, e R$ 1.040,00, do mês de setembro, ambos de 2005 (fls. 466, 467 e 620): Fl. 1733DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 27.52 19 38. Contudo, observase que essa comprovação da origem dos depósitos bancários somente se deu na etapa de impugnação do lançamento, e não no decorrer do procedimento fiscal. Nos extratos bancários, tais créditos são identificados apenas como “Depósito COMPE” (fls. 77, 83 e 192). 39. Assim, inexistindo lançamento condicional, quando de sua feitura tratavam se aqueles valores, de fato, de depósitos bancários de origem não comprovada, sendo, pois, procedente o lançamento nesta parte. 40. No que se refere à assertiva da Recorrente de que deveria ser excluído do lançamento o resultado do somatório do mês de setembro/2005, supostamente incluído na relação dos cheques dos meses de abril, maio, junho, julho, agosto e setembro/2005, o que sucedeu foi que a planilha anexada pela fiscalização ao presente processo (fls. 243 a 265) encontravase incompleta, com a ausência das páginas 20 a 26, o que foi corrigido pela DRJ recorrida com a juntada de cópia integral da planilha constante do processo nº 10935.005017/200660 (relativo ao lançamento de Simples e à exclusão desse Sistema) (fls. 711 a 742): Fl. 1734DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 28.52 20 . 41. Como decorrência de tudo o que se expôs neste tópico, a matéria tributável passa a ser a seguinte (limitadas as exclusões relativas a cobranças e a cheques devolvidos ao montante apurado pelo fisco, nos meses de fevereiro, abril e outubro): MÊS DEP. BANC. COBRANÇAS CH. DEVOLV. DIFERENÇA Janeiro 121.331,14 95.982,56 25.348,58 Fevereiro 44.088,69 44.088,69 Março 192.672,64 120.726,65 4.770,00 67.175,99 Abril 35.987,97 35.987,97 Maio 164.963,17 68.725,67 5.500,00 90.737,50 Junho 181.301,52 74.928,80 3.658,57 102.714,15 Julho 85.400,24 72.117,34 13.282,90 Agosto 139.266,55 108.197,85 2.210,00 28.858,70 Setembro 104.345,01 89.448,18 14.896,83 Outubro 74.827,54 74.827,54 Novembro 83.508,68 77.231,68 4.433,00 1.844,00 Dezembro 84.585,21 79.891,12 4.694,09 TOTAL 1.312.278,36 942.154,05 20.571,57 349.552,74 Demais exigências 42. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Fl. 1735DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 29.52 21 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para REDUZIR a matéria tributável relativa à rubrica “depósitos bancários de origem não comprovada”, na forma do item 41 deste Acórdão (R$ 962.725,62). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1736DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 30.52 22 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado O voto do ilustre conselheiro relator não foi integralmente acompanhado pelos demais integrantes desta turma julgadora apenas na extensão da matéria comprovada pela recorrente e que deveria ser submetida à tributação específica no lançamento de ofício. Com efeito, o ilustre conselheiro relator não acolheu a matéria comprovada com relação aos créditos de R$ 2.210,00 em 06/01/2005 (fl. 466), R$ 1.500,00 em 25/01/2005 (fl. 467) e R$ 1.040,00 em 20/09/2005 (fl. 620), sustentando ter sido realizada somente por ocasião da impugnação e considerando inexistir lançamento de ofício condicional. Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre conselheiro relator, pois considerando a especificidade da matéria relacionada com a utilização de depósitos bancários como presunção legal de omissão de receitas, o procedimento fiscal e o conseqüente julgamento dos litígios deve observar as peculiaridades deste tipo de lançamento de tributos. A normal dificuldade de obtenção de documentos bancários mais detalhados nem sempre é possível ao longo do desenrolar do procedimento fiscal, não sendo óbice, no entanto para sua aceitação por ocasião da impugnação. Neste sentido a transcrição dos dispositivos do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal federal: (verbis) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1737DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 31.52 23 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) grifamos Ou seja, a leitura dos dispositivos acima transcritos não admite concluir no sentido apontado pelo ilustre conselheiro relator sendo a melhor exegese de que é no momento da impugnação que deve preferencialmente o contribuinte fazer prova de suas alegações, caso não tenha sido possível apresentar os elementos durante o procedimento fiscal. Por outro lado, não tenho que o lançamento de depósitos bancários se insere no conceito de irretratabilidade do lançamento de ofício, pois sendo lastreado em presunção embora legal, permite ao contribuinte fazer a prova em contrário ainda no momento da impugnação. Não se insere, portanto no conceito genérico do lançamento incondicional como é caso do arbitramento de lucro em que no momento da lavratura do auto de infração, não reúne o contribuinte as condições para optar pelo regime de tributação do lucro real ou presumido, sendolhe defeso apresentar a escrituração após a ciência do lançamento e encerramento do procedimento de ofício. Neste sentido, a comprovação trazida aos autos no momento da impugnação às fls. 466, 467 e 620 deve ser acolhida, considerando comprovados também os créditos de R$ 2.210,00 em 06/01/2005, R$ 1.500,00 em 25/01/2005, e R$ 1.040,00 em 20/09/2005, que deveriam se sujeitar à tributação específica como receita da atividade e não como depósitos bancários não comprovados, devendo ser excluídos da matéria tributável. Fl. 1738DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10935.005019/200659 Acórdão n.º 180300.891 S1TE03 Fl. 32.52 24 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e excluir adicionalmente, da matéria tributável os valores de R$ 3.710,00 em janeiro de 2005 e R$ 1.040,00 em setembro de 2005. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado. Fl. 1739DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 06/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10240.720887/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Nos termos do §1º do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nocaputdo referido dispositivo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital, podendo este ser publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação (art. 23, § 1º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72). Nesse caso, considera-se feita a intimação, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (art. 23, § 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72).
Numero da decisão: 2202-003.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Nos termos do §1º do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nocaputdo referido dispositivo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital, podendo este ser publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação (art. 23, § 1º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72). Nesse caso, considerase feita a intimação, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (art. 23, § 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 08 87 /2 01 3- 18 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10240.720887/201318 Acórdão n.º 2202003.586 S2C2T2 Fl. 567 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11516.723680/201372, em face do acórdão nº 1272.173, julgado pela 11ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: O contribuinte acima qualificado insurgese contra o Auto de Infração de fls. 397/402, relativo ao imposto de pessoa física do anocalendário 2010, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 2.882.885,85, sendo R$ 1.476.812,59, correspondente ao imposto; R$ 298.463,82, referente a juros de mora (calculados até 07/2013); e R$ 1.107.609,44, atinente à multa proporcional (fl. 397). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 398 e 399), o procedimento fiscal apurou “Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada”, que resultou na constituição do crédito tributário acima discriminado, conforme consta do teor do Relatório Fiscal (fls. 373/395). Cientificado do lançamento em 25/07/2013 (fl. 408), o contribuinte apresentou sua impugnação, em 26/08/2010 (fls. 413418), conforme conta da data de postagem (fl. 523), por meio da qual alega, em síntese, na ordem em entendemos ser a mais adequada, o que se relata a seguir: 1. em sede de preliminar suscita que o auto de infração é nulo, por entender que não se trata de omissão de rendimentos e sim de diversos recebimentos de pagamentos em conseqüência do contrato firmado entre a empresa Sebastiana Carreiro Damaceno e o Banco Bradesco S/A, daí porque todos os valores depositados em suas contas dizem respeito à movimentação financeira em conseqüência do contrato de prestação de serviços firmado com o Banco Bradesco S/A; 2. afirma ser funcionário e o administrador da empresa de sua mãe, Sebastiana Carreiro Damaceno, com inscrição no CNPJ sob o nº03.214.454/000153, conforme consta da procuração, da Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10240.720887/201318 Acórdão n.º 2202003.586 S2C2T2 Fl. 568 3 carteira de trabalho e do contrato de prestação de serviço firmado com o Banco Bradesco e da procuração, a qual lhe concedia poderes totais para gerir os negócios da empresa; 3. argumenta que os recebimentos das contas eram efetuadas em cheques, os quais eram separados por instituição financeira e depositados em contas bancárias de sua titularidade, com isso o procedimento de compensação era agilizado e gerava mais rapidamente o dinheiro em espécie, que era depositado na conta do Bradesco Express, agência 0806, conta corrente nº 639; 4. relata que a movimentação na conta nº 639, junto ao Bradesco Express, girava diariamente em média de R$ 110.000,00, existindo a possibilidade de transferência da sua conta pessoal para a conta da empresa junto ao Banco Bradesco; 5. concorda com o próprio Relatório Fiscal, que apontou não existir nenhuma compatibilidade entre datas e valores envolvidos, já que a movimentação na conta nº 639 era superior e os recebimentos em dinheiro eram diretamente depositados nela e os cheques eram todos depositados em suas contas pessoais; 6. diz ter atuado de boafé e durante todo o procedimento fiscal procurou atender todas as solicitações feitas pela Administração Federal dentro de suas possibilidades, tanto que o procedimento fiscal se desenvolveu baseado em elementos e documentos por ele apresentados; 7. reconhece ter ocorrido má gestão na empresa de sua mãe, Sebastiana Carreiro Damaceno, pois conforme consta do próprio relatório fiscal, o impugnante apresentou todos os documentos que detinha em seu poder, mas não se atentou em separar a pessoa física da pessoa jurídica, dando ensejo às irregularidades apuradas pela fiscalização; 8. por fim, requer seja o Auto de Infração julgado totalmente nulo e improcedente, tendo em vista que não se trata de omissão de rendimentos nem de enriquecimento ilícito. É o relatório. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 556/561, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário de fls. 556/561 foi apresentado em 15/07/2014, conforme se verifica pelo carimbo de protocolo que nele consta. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10240.720887/201318 Acórdão n.º 2202003.586 S2C2T2 Fl. 569 4 O contribuinte sustenta em suas razões que foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 13/06/2014. Salientase que não há, nas razões do recurso, alegação preliminar de tempestividade. Ocorre que, se tivesse realmente o contribuinte sido cientificado do acórdão da DRJ quando ao resultado do julgamento de sua impugnação em 13/06/2014, o trintídio legal se encerraria em 15/07/2014, data na qual fez este o protocolo do recurso voluntário ora em análise. No entanto, no presente caso, a ciência se deu por edital, conforme fl. 543 dos autos, após tentativa inexitosa de intimação do contribuinte pela vista postal, por Aviso de Recebimento. A intimação nº 57/2014 EQPROF, dando ciência ao contribuinte do acórdão nº 1654.698, foi encaminhada por via postal para o endereço do contribuinte "Rua Juscelino Kubitschek, 1197, Caladinho, Porto Velho RO". Todavia, o A.R. foi devolvido pelo seguinte motivo "Não existe o número" (fl. 541). Salientase que este é o mesmo endereço em que o contribuinte foi intimado do Auto de infração, conforme fls. 371/372. E também sendo este o endereço que consta na DIRPF/2014 do contribuinte, conforme informação de fl. 544 dos autos. Portanto, sendo inexitosa a intimação postal, foi publicado Edital, de nº 12/2014, à fl. 543, onde verificase que o contribuinte foi intimado a pagar o débito referente a este processou, ou a apresentar recursos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados do 16º (décimo sexto) dia da data da publicação deste. E que, decorrido o referido prazo, sem que tenha havido o pagamento do débito ou apresentação de recurso, darseia início ao prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável, que findo estes, sem que ocorra a extinção dos débitos, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Conforme consta à fl. 543, o Edital de ciência foi afixado em 24/04/2014 e desafixado em 08/04/2014, ou seja, no décimo sexta dia após a publicação. Portanto, findouse o prazo para interposição de recurso voluntário m 08/05/2014. Em 20/05/2014 foi lavrado Termo de Perempção, conforme fl. 547. Foi encaminhado em 23/05/2014 ao contribuinte a Carta Cobrança nº 136/04 (fls. 548/549), sendo o A.R. devolvido em 28/05/2014, com motivo "Não existe o número" (fl. 550). Entretanto, em 13/06/2014, o contribuinte foi um posto da Receita Federal, onde recebeu 2a. via do acórdão nº 1654.698, conforme fl. 552. Tendo, inclusive, o contribuinte assinado o documento no qual refere que a ciência do acórdão foi em 08/04/2014, através do Edital nº 12/2014, afixado em 24/03/2014. Também, na mesma data, teve ciência da Carta Cobrança nº 136/04 (fl. 553). Portanto temse que o recurso voluntário apresentado em 15/07/2014 é intempestivo, pois o prazo para a sua apresentação seria até 08/05/2014. Deste modo, não deve este ser o presente recurso conhecido, por intempestividade. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10240.720887/201318 Acórdão n.º 2202003.586 S2C2T2 Fl. 570 5 Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ainda, quanto a intimação por edital, estabelece o Decreto nº 70.235/72 que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10240.720887/201318 Acórdão n.º 2202003.586 S2C2T2 Fl. 571 6 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Portanto, nos termos do § 1º do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput do referido dispositivo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital, podendo este ser publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação (art. 23, § 1º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72). Nesse caso, considerase feita a intimação, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (art. 23, § 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72). Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 571DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904939/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.356
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 39 /2 01 2- 71 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.267. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904939/201271 Acórdão n.º 3201002.356 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002653/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindo-se, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos.
Recurso Especial do Contribuinte Não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindo-se, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos. Recurso Especial do Contribuinte Não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos - Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindose, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos. Recurso Especial do Contribuinte Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Relator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 26 53 /2 00 8- 09 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão n.º 3202001.438, de 11/12/2014, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fato Gerador: 28/08/2007 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA. Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. (grifos nossos) Cuida o presente processo de lançamento de ofício para cobrança do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 4 3 classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n.° 215835/2001 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n.º 10.833/2003), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, de “cartuchos de toner de diversos modelos", os quais foram classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. A fiscalização entendeu que os cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. A contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria, requerendo a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O Colegiado negou provimento ao Recurso voluntário, com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C (a utilização do item situado em último lugar na ordem numérica), não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, evidenciando a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Ou seja, entendeuse (paradigma), que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner (mercadoria importada), o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. Então, no caso presente do recurso especial, concentrase no mérito da questão quanto a diferença de classificação. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida. Contrarrazões foram apresentadas. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Da admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido, conforme razões expostas abaixo Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 5 4 O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”, os quais foram classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. A fiscalização entendeu que os cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. E o acórdão recorrido, com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, entendeu que os "cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C (a utilização do item situado em último lugar na ordem numérica), não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. ] A contribuinte então interpôs Recurso Especial, evidenciando a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. O paradigma entendeu que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner , o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. E visando comprovar a divergência foram apontados diversos paradigmas, no entanto cito os seguintes Acórdãos 3802001.002, 3803002.648, e 310100.253: Acórdão 3802001.002, de 22/05/2012: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto n° 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatórioe votos que integram o presente julgado. Acórdão 3803002.648, de 21/03/2012: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 24/02/2006 a 14/03/2006 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 6 5 EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL. Os produtos constituídos pela reunião de aparelhos diferentes classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação, segundo Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/02/2006 a 14/03/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSUBSISTÊNCIA DO MOTIVO. CANCELAMENTO Deve ser cancelado o lançamento fundado em motivo que se revela insubsistente, consubstanciado na atribuição de erro na classificação fiscal procedida pela Contribuinte, que se verifica correta. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade. O Conselheiro Belchior Melo de Sousa, neste aspecto acompanhou o relator por suas conclusões. No mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso.Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Acórdão 310100.253, de 19 de outubro de 2009 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. Para melhor ilustrar a divergência ora sob análise, cabe transcrever fragmentos dos votos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: Acórdão 3802001.002 "Tenho que, a princípio, em termos objetivas, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria Fl. 329DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 7 6 desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. " Acórdão 3803002.648 Os produtos constituídos pela reunião de aparelhos diferentes classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação, segundo Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado. Portanto é forçoso concluir como correta a classificação procedida àquele tempo pela contribuinte. " Já o acórdão recorrido indica que não se pode aplicar as Regras 3a e 3b, porque os cartuchos de toner importados pela Recorrente tanto poderiam ser utilizados para impressão quanto para cópia, conforme trecho do voto abaixo: "A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada." Vale ressalta que de acordo com a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:”. Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições, a classificação deverá efetuar se na forma da Regra Geral nº 3: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 8 7 venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Desta maneira, o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Ou seja, entendeuse (paradigma), que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner (mercadoria importada), o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo contribuinte. Vencida no conhecimento, deixo de analisar o mérito. É como voto. ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator para o acórdão Fui designado pela Presidência para a redação das razões pelas quais a maioria do colegiado, divergindo da relatora, não conheceu do recurso apresentado. Elas se resumiram à constatação de que todos os acórdãos trazidos como paradigma referemse a impressoras e não a cartuchos de impressora. O colegiado, mantendo longa jurisprudência, não entendeu oponíveis decisões relativas a classificação fiscal quando diferentes os produtos por classificar. Nessa linha, quando muito, podem ser opostos itens distintos, mas que pertençam ao mesmo código Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 9 8 NCM. E, ainda assim, a semelhança entre eles tem de ser tal que a discussão travada em ambos possa ser tomada como suficiente à definição da classificação correta. No caso em discussão, pretende a recorrente que a divergência se deu quanto à aplicação da regra 3A do sistema harmonizado. Para ela, as decisões paradigmas a aplicaram e a recorrida não. Ora, isso não pode bastar à caracterização de divergência, a menos que se pretenda aceitála sempre que a regra que o recorrente pretendia ver aplicada não o for. Muito mais do que isso, o que importa para configurar a divergência, quando a matéria envolve a classificação fiscal de produtos, é que colegiados distintos tenham proposto classificações diferentes para o mesmo produto, pouco importando se o fizeram aplicando a mesma regra de classificação ou diferente. Em qualquer caso, caberá à CSRF dizer qual das duas propostas é a correta, ratificando, por consequencia, a aplicação da regra correspondente, quando divergentes. De outra banda, não basta meramente apontar a regra que deve ser aplicada sem daí deduzir a consequência para o específico produto em consideração. Isso só tem valor se for ratificada a decisão recorrida, pois, para o produto que interessa classificar, somente ela disse que a regra é tal e a consequência, qual. No "paradigma" estáse a dizer que, para produto distinto, a regra é outra. Ainda assim, para o produto que queremos classificar, resta a pergunta: e daí? Com efeito, os "paradigmas" entenderam que para as impressoras multifuncionais, dadas as características delas, impressoras, a regra a ser adotada é a 3A. Mas o que nos autoriza a concluir que as características do toner são as mesmas, como faz a dra. Érika, ao dizer " entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner". Por quê? Toner é uma coisa e impressora é outra. Por isso, nada, para ele, se extrai da conclusão de que " a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH". Isso pode perfeitamente ser verdade para a impressora e não o ser para o toner. Do mesmo jeito que " haver uma NCM mais específica" para impressoras não impõe que haja uma para o toner. O que essas próprias expressões demonstram é quais os critérios que devem ser seguidos na aplicação das subdivisões da regra 3. Sobre isso não há divergência alguma. O que há é que um outro produto (segundo os paradigmas) tem uma função principal identificável e posição específica. Como a decisão recorrida disse que o toner não os tem, precisaríamos de acórdão que dissesse, contrariando a recorrida, que ele também o tem. E isto não pode ser dito originariamente pelo colegiado superior, como o fazia a relatora. Essas as razões que levaram o colegiado a não admitir o recurso. Esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 9303004.238 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000325/2009-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 25 /2 00 9- 87 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 602DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 604DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 14120.000325/200987 Acórdão n.º 9202004.724 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 606DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.725432/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Antonio CARLOS ATULIM - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio CARLOS ATULIM Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como o relatório desenvolvido pela DRJ de Salvador quando da lavratura do acórdão n. 1527.583 (fls. 191/197), o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de lançamento de oficio, fls. 03 a 07, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 2.861.876,39, incluídos multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/08/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 43 2/ 20 09 -4 3 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402000.843 S3C4T2 Fl. 247 2 Na Descrição dos Fatos, fls. 05/06, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias foram apuradas as seguintes infrações: 001 – CRÉDITOS INDEVIDOS. DEMAIS CASOS; e 002 – CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA DE CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NT, ALIQ. ZERO E ISENTOS. O estabelecimento industrial não recolheu ou recolheu a menor o IPI por ter se utilizado de créditos, escriturados em seus livros fiscais, considerados indevidos pela fiscalização, por falta de previsão legal. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 21 a 25, que no curso da ação fiscal, em atendimento ao MPF nº 008140, emitido em função de trabalho de verificação da regularidade do recolhimento do IPI, pertinente ao período compreendido entre 01/2005 a 08/2009, operação "IPI análise das notas fiscais de entradas e créditos", constatou os seguintes fatos: · o estabelecimento fabrica brinquedos diversos, classificados na posição do capítulo 95 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) vigente, Decreto n° 6.006, de 28/12/2006, com a alíquota fixada, em sua maioria, no percentual de 10%; · no intuito de obter autorização judicial para se creditar do IPI relativo às aquisições de insumos imunes, isentos, tributados com alíquota zero (0%) ou nãotributados (NT), pela mesma alíquota do produto em que tais insumos fossem aplicados, a empresa ajuizou, no dia 20/03/2003, Mandado de Segurança n° 2003.33.00.0080984, na 12a Vara Federal de Salvador; · em 20 de junho de 2005, conforme Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social por Incorporação, documento anexo, a Plásticos Acalanto Ind. Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 03.132.973/000172, procedeu à incorporação da sociedade Baby Brink Indústria e Comércio Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 58.603.788/000100, assumindo o seu ativo e passivo e todas as demais obrigações e encargos advindos da referida operação de reorganização societária; · além da ação ajuizada nos autos dos processos n° 2003.33.00.0080984, citada anteriormente, a contribuinte se beneficiou da ação judicial, também no âmbito do IPI, movida pela sua incorporada Baby Brink Ltda., CNPJ n° 58.603.788/000100, nos autos do processo de n° 1999.61.00.0523169; · restou demonstrado, entretanto, em consultas realizadas no sítio da Justiça Federal, conforme indicam extratos anexos, que ultrapassadas todas as fases processuais, ambas as ações judiciais encontramse extintas com baixa definitiva; · nos dois casos, após o trânsito em julgado, matriz e incorporada tiveram seus pleitos denegados, conforme inteiro teor dos acórdãos e sentenças proferidas pela Justiça Federal; · não houve, portanto, o reconhecimento judicial dos pedidos da contribuinte e de sua incorporada de se creditarem do IPI relativo às aquisições de insumos imunes, isentos, tributados com alíquota zero Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402000.843 S3C4T2 Fl. 248 3 (0%) ou nãotributados (NT), pela mesma alíquota do produto em que tais insumos fossem aplicados; · dessa maneira, todos os valores do IPI compensados pela contribuinte com base nas referidas ações judiciais, em sua escrita fiscal (RAIPI), no período auditado, conforme demonstrativo anexo, resultante do IPI calculado sobre as aquisições de insumos, PI e MP sob os regimes da isenção, NT e alíquota 0%, foram considerados créditos indevidos, por falta de amparo legal, e, por conseqüência, foram devidamente glosados pela autoridade lançadora; · por falta de previsão regulamentar, também não foram aceitos pela Fiscalização os créditos utilizados no campo do RAIPI como "Outros Créditos", a partir do anocalendário 2008, decorrentes dos pagamentos efetuados do IPI nas notas fiscais de vendas com natureza de operação "bonificação em mercadorias", concedidas graciosamente aos clientes, e consideradas como descontos incondicionais. · assim, a despeito de todos argumentos apresentados pela contribuinte no decorrer dos trabalhos, citando inclusive jurisprudência e doutrina, constatase que inexiste previsão legal que ampare o procedimento por ela adotado; · diante dos fatos, os citados créditos de IPI foram considerados indevidos pela Fiscalização, por falta de amparo legal, e, em decorrência, foram devidamente glosados pela autoridade lançadora; · e por fim, pelo fato da contribuinte possuir saldos credores no período fiscalizado, foi necessário recompor a escrita do Registro de Apuração do IPI, conforme planilhas anexas, considerandose os valores levantados pela Fiscalização; Cientificada da exigência fiscal em 29/09/2009, fl. 04, a autuada apresentou, em 28/10/2009, a impugnação de folhas 111 a 131, alegando em síntese que: · o relato de dois fatos distintos em um mesmo momento, bem como a descrição de todos esses valores conjuntamente, inviabiliza o exercício de defesa pela contribuinte, devendo ser declarada a nulidade do auto e constituindose dois autos separados para que a contribuinte possa materializar sua defesa. Cita e transcreve o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal de 1988, e os art. 2º e 53 da Lei nº 9.784, de 1999; · a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, gera para o auto denunciante o beneficio da exclusão da responsabilidade pela prática de determinado ilícito tributário, com a exclusão da multa, punitiva ou moratória. O primeiro dos pressupostos a ser analisado diz respeito à tempestividade da denúncia; · considerase denúncia espontânea aquela apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, como é o caso da Impugnante, conforme demonstram os documentos anexados, Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402000.843 S3C4T2 Fl. 249 4 especialmente os comprovantes de adesão ao Plano de Parcelamento decorrente da Lei nº 11.941, de 2009; · assim, é evidente que descabe qualquer imposição de multa se feita a denúncia antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização específica, justamente como ocorreu in casu; e verificando o AIIM relativo ao MPF 0510100/00814/09, observamos constar do Termo de Verificação Fiscal, que a fiscalização teria sido iniciada em 20/08/2009, contudo, isso não é verdade. · ao contrário do sustentado no AIIM, vemos do Termo de Intimação n° 01 (Termo de Solicitação de Esclarecimentos), que este foi emitido 03/09/2009, e a ciência da empresa somente deuse em 09/09/2009. Em razão disso, fica apontado o equívoco do consignado pela Autoridade Fiscal, e assim, concessa venia, não se pode ter por base a data 20/08/09, mas sim, 09/09/09, e dessa forma, há de ser acolhida a denúncia espontânea formulada pelo Contribuinte em 25/08/2009. · indevidamente a contribuinte foi autuada por não realizar a subsunção da norma do IPI sobre o fato operação que resulta mercadorias destinadas à bonificação. Não subsiste argumento algum ao Fisco para tributar tal operação. Não existe base legal. Pelo contrário, a tributação de mercadorias dadas como bonificação viola preceitos da Constituição Federal; · bonificação tratase de "concessão feita pelo vendedor ao comprador, diminuindo o preço da coisa ou entregando quantidade maior do que a estipulada". Equiparase a bonificação a um desconto, que no caso, não é exigida qualquer contraprestação, denominada de desconto incondicional; · a mercadoria produzida e dada pela contribuinte como brinde, trata se de produto que não representa fato que preenche os critérios da hipótese normativa do IPI, uma vez que não possui base de cálculo por não haver valor a ser Agravo de Instrumento n° 2007.01.00.0541381/MA, em que a Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso; · a utilização dos créditos decorre dos pagamentos efetuados do IPI nas notas fiscais de vendas com natureza de operação "bonificação em mercadorias" concedidas graciosamente aos clientes e consideradas descontos incondicionais. Caso houvesse a tributação, estaríamos diante de uma base de cálculo não autorizada pela Constituição Federal, violando, ainda o princípio da capacidade contributiva. · a tributação de fato não autorizado na Carta Magna significa também que está o ente político extrapolando sua competência tributária, o que não é admitido no ordenamento jurídico pátrio; · por não se tratar de situação que se encaixa na hipótese normativa do IPI, inválida a tributação de IPI sobre operações que envolvam saídas de produtos com descontos incondicionais, uma vez que tais saídas se realizam a título gratuito. Se não há valor a ser cobrado não há fato jurídico tributário; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402000.843 S3C4T2 Fl. 250 5 · por fim, requer a nulidade do auto de infração, ou, ao menos a exclusão da multa imposta, em razão da tempestiva denúncia espontânea decorrente da adesão ao parcelamento pelo contribuinte e seja reconhecida a validade do aproveitamento dos créditos decorrentes das operações envolvendo bonificações em mercadorias. (grifos nosso). 2. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ Salvador (acórdão n. 1527.583 fls. 191/197), consoante se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 31/07/2009 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA A motivação clara do lançamento fiscal, com a indicação explícita dos fatos e de seus fundamentos jurídicos, e a possibilidade de a interessada, após tomar ciência do seu teor, apresentar livremente impugnação no prazo legal revelam a observância no processo dos princípios do contraditório e da ampla defesa. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Não tendo o débito sido confessado antes do início do procedimento fiscal, cabe o lançamento do tributo com imposição das penalidades pertinentes. CRÉDITO DE IPI. RECUPERAÇÃO DO IMPOSTO. SAÍDAS A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO. Glosamse os valores escriturados como créditos de IPI relativos ao imposto que supostamente fora recolhido a maior em razão de bonificações, descontos incondicionais, concedidas aos clientes. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 211/237, oportunidade em que repisou os fundamentos aduzidos em impugnação. 4. É o relatório. Resolução 5. Como mencionado alhures, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação e repisado em recurso voluntário é a existência de denúncia espontânea, a qual decorreria da adesão dos débitos aqui discutidos ao REFIS IV antes de iniciado o procedimento fiscalizatório que implicou a presente autuação. É o que se observa do seguinte trecho do recurso interposto pelo contribuinte: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402000.843 S3C4T2 Fl. 251 6 6. Tal fato adesão ao REFIS também é referido pelo acórdão combatido, conforme se observa do trecho abaixo transcrito: (...). Quanto a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, em função da adesão ao parcelamento decorrente da Lei nº 11.941, de 2009, a impugnante alega que a ciência do termo de intimação nº 01, emitido em 03/09/2009, somente ocorreu em 09/09/2009 e a denúncia espontânea foi formulada pela contribuinte em 25/08/2009. Notese que a contribuinte equivocase quando afirma que o início do procedimento fiscal ocorreu com a ciência do termo de solicitação de esclarecimentos nº 01, fl. 39, em 09/09/2009, pois, observase dos autos que o procedimento fiscal teve início com a ciência do termo de início de fiscalização, fls. 36/37, que ocorreu em 20/08/2009, conforme aviso de recebimento (“AR”) à fl. 38. Assim, tendo a contribuinte formulado termo de adesão ao parcelamento depois de iniciado o procedimento fiscal, fica excluído o benefício da espontaneidade de que trata o art. 138 do CTN, sendo correto, portanto, o lançamento dos débitos de IPI apurados pela fiscalização, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. (...) (g.n.). 7. Apesar da constante referência a uma suposta adesão ao citado parcelamento, não foi possível localizar nos autos qualquer documento que atestasse tal fato. Acontece que, a eventual existência de efetiva adesão ao REFIS IV tem consequência direta no deslinde da presente demanda, já que uma das consequências daquela adesão é a possível prejudicialidade do presente recurso. 8. Assim, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402000.843 S3C4T2 Fl. 252 7 (i) cópias dos documentos que atestam a suposta adesão do contribuinte ao REFIS IV, indicando, inclusive, (i.i.) a data em que tal fato teria ocorrido e (i.ii) se o débito aqui discutido está abrangido por este eventual parcelamento. 9. Uma vez realizada a diligência acima, (ii) deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 10. É a resolução. Relator Diego Diniz Ribeiro. Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000263/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 10140.720759/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/05/2011
AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA
É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
DA SOLIDARIEDADE JURÍDICA RELATIVAMENTE AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Em relação às contribuições destinadas à Seguridade Social não estamos falando de solidariedade de fato prevista no art. 124, I do CTN, mas da solidariedade jurídica prevista no inciso II do referido artigo. A solidariedade do grupo econômico está prevista no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91
MULTA QUALIFICADA
A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI ART 25 DA LEI 8.212/91
O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento dos embargos de declaração opostos no Recurso Extraordinário nº 596.177 afirmou, expressamente, que a tributação efetuada com fundamento na Lei nº 10.256/2001 não estava abrangida na decisão declaração de inconstitucionalidade relativa ao art. 25 da Lei nº 8.212/91.
A inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, encontra-se afetada ao crivo do Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário nº 718.874, com repercussão geral reconhecida
Numero da decisão: 2202-003.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários dos sujeitos passivos Comércio de Cereais Vacaria Ltda., Copramil Comércio e Transp. de Produtos Agrícolas Ltda., São Lourenço Armazéns Gerais Ltda., Reginatto & Reginatto Ltda. - EPP, André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues da Silva Machado e Alcídio Mário Angst, nos termos do voto do Relator. Quanto aos demais recursos voluntários, por maioria de votos, negar provimento aos recursos, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral aos recursos. Fez sustentação oral, pelo responsável solidário Teixeira Comércio de Cereais Ltda., o advogado Aires Gonçalves, OAB/MS nº 1.342.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
EDITADO EM: 09/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/05/2011 AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. DA SOLIDARIEDADE JURÍDICA RELATIVAMENTE AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Em relação às contribuições destinadas à Seguridade Social não estamos falando de solidariedade de fato prevista no art. 124, I do CTN, mas da solidariedade jurídica prevista no inciso II do referido artigo. A solidariedade do grupo econômico está prevista no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI ART 25 DA LEI 8.212/91 O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento dos embargos de declaração opostos no Recurso Extraordinário nº 596.177 afirmou, expressamente, que a tributação efetuada com fundamento na Lei nº 10.256/2001 não estava abrangida na decisão declaração de inconstitucionalidade relativa ao art. 25 da Lei nº 8.212/91. A inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, encontra-se afetada ao crivo do Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário nº 718.874, com repercussão geral reconhecida
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários dos sujeitos passivos Comércio de Cereais Vacaria Ltda., Copramil Comércio e Transp. de Produtos Agrícolas Ltda., São Lourenço Armazéns Gerais Ltda., Reginatto & Reginatto Ltda. - EPP, André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues da Silva Machado e Alcídio Mário Angst, nos termos do voto do Relator. Quanto aos demais recursos voluntários, por maioria de votos, negar provimento aos recursos, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral aos recursos. Fez sustentação oral, pelo responsável solidário Teixeira Comércio de Cereais Ltda., o advogado Aires Gonçalves, OAB/MS nº 1.342. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora. EDITADO EM: 09/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada
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RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. DA SOLIDARIEDADE JURÍDICA RELATIVAMENTE AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Em relação às contribuições destinadas à Seguridade Social não estamos falando de solidariedade de fato prevista no art. 124, I do CTN, mas da solidariedade jurídica prevista no inciso II do referido artigo. A solidariedade do grupo econômico está prevista no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI ART 25 DA LEI 8.212/91 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 07 59 /2 01 4- 75 Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento dos embargos de declaração opostos no Recurso Extraordinário nº 596.177 afirmou, expressamente, que a tributação efetuada com fundamento na Lei nº 10.256/2001 não estava abrangida na decisão declaração de inconstitucionalidade relativa ao art. 25 da Lei nº 8.212/91. A inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, encontrase afetada ao crivo do Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário nº 718.874, com repercussão geral reconhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários dos sujeitos passivos Comércio de Cereais Vacaria Ltda., Copramil Comércio e Transp. de Produtos Agrícolas Ltda., São Lourenço Armazéns Gerais Ltda., Reginatto & Reginatto Ltda. EPP, André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues da Silva Machado e Alcídio Mário Angst, nos termos do voto do Relator. Quanto aos demais recursos voluntários, por maioria de votos, negar provimento aos recursos, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral aos recursos. Fez sustentação oral, pelo responsável solidário Teixeira Comércio de Cereais Ltda., o advogado Aires Gonçalves, OAB/MS nº 1.342. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 09/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada Relatório O presente processo trata de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), DEBCAD Nº 51.048.2350, lavrado em desfavor da empresa acima qualificada, consolidado em 14/05/2014, no valor de R$ 1.242.297,17, relativo ao levantamento L2, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes às rubricas Rural e SAT/RAT, incidentes sobre os valores da comercialização de produção rural referentes às operações de aquisições de cereais de produtores rurais pessoas físicas. Além autuada, foram responsabilizadas, solidariamente, as seguintes empresas e pessoas físicas: Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720759/201475 Acórdão n.º 2202003.492 S2C2T2 Fl. 1.152 3 00.627.983/000190 ABASTECEDORA NOVA ALVORADA LTDA 01.010.309/000125 COPRAMIL COMÉRCIO E TRANSP. DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA 01.049.145/000140 COMÉRCIO DE CEREAIS VACARIA LTDA ME 05.015.427/000187 SÃO LOURENÇO ARMAZÉNS GERAIS LTDA ME 06.982.507/000174 REGINATTO & REGINATTO LTDA EPP 079.583.82049 ALCÍDIO MÁRIO ANGST 082.730.81087 NEDILE REGINATTO 010.536.426/000136 TEIXEIRA COMÉRCIO DE CEREAIS 10.622.377/000136 COMTRAL COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA ME 124.331.60049 EDEGAR RODRIGUES DA SILVA MACHADO 636.490.04100 LAÉRCIO REGINATTO 797.124.36187 ANDRÉ REGINATTO O fundamento para a imputação da responsabilidade solidária foi a apuração da existência de grupo econômico de fato para o qual a solidariedade está expressamente prevista no art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Foi ainda imputada multa agravada de 150% em razão da simulação e fraude apurada no trabalho fiscal. Para identificar a simulação da existência da empresa autuada a fiscalização apontou os seguintes fatos: a) Foi constituída em 13/05/2005, com capital social de R$ 15.000,00 incompatível com o volume de operações de compras observadas no decorrer de seu funcionamento. b) Tinha como sócios João Santana Rodrigues de Lima e Carlos Roberto Wassolowski. Todavia, os mencionados sócios eram empregados, respectivamente, das empresas Fabiani Armazéns Gerais Ltda e Locatelli Cereais, das quais recebiam remuneração de R$ 775,19 e 719,82; c) Em diligência realizada na cidade de Chapadão do Sul, não foi localizada a empresa SW Atacadista, mas apenas o sócio administrador João Santana, o qual foi localizado em sua residência, uma casa simples, localizada nas dependências da empresa Fabiani Armazéns; d) Apesar de apresentar expressivo faturamento e intensa movimentação bancária a autuada deixou de recolher todos os tributos devidos. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Diante dos fatos acima apontados, concluiu a fiscalização que tratase de empresa sem patrimônio, estrutura organizacional e operacional, com ínfimo capital social e sócios desprovidos de capacidade econômica e gerencial. Tais fatos demonstram a utilização de procedimentos que visam mascarar os negócios de terceiros, modificando dolosamente as características dos fatos geradores de tributos. Em relação a prova da formação de grupo econômico de fato foram apontados os seguintes elementos: a) A análise das notas fiscais de saídas demonstra evidente e continua concentração de vendas para as empresas COPRAMIL COMÉRCIO E TRANSPORTE DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA e TEIXEIRA COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA; b) 90% das compras para comercialização realizada pela COPRAMIL são originárias das empresas SW Atacadista e Compral; c) as empresas SW Atacadistas e, posteriormente, a empresa Compral nomearam como procuradores Edegar Rodrigues da Silva e Alcídio Mário Angst, residentes em Rio Brilhante MS a quem foi conferidos poderes de administração das empresas sem qualquer reserva. f) os procuradores também foram utilizados para ocultar a identificação dos reais beneficiários, uma vez que o Sr. Edegar recolheu a contribuição ao INSS declarando como ocupação "motorista de caminhão" e o Sr. Alcídio manteve vínculo com frigoríficos dos quais recebia baixa remuneração; g) no termo de esclarecimento prestado pelo Sr. Edegar este afirma que: g.1) as empresa citadas pertencem ao mesmo grupo econômico e financeiro Copramil e que o Sr. Laércio Reginatto é o acionista majoritário de todas as empresas do Grupo Copramil. g.2) havendo necessidade o Sr. Laércio Reginatto efetua "transferência de dinheiro para todas as empresas , até para sua conta particular quando paga algo com seu cheque nas contas das firmas" g.3) que André Reginatto é sócio das empresas mencionadas e normalmente a Comtral é autorizada a efetuar tais transferências para as contas dos sócios que compõe a empresa. g.4) que o Sr. Nedile Reginatto é participante do grupo financeiro Copramil e algumas transferências financeiras eram solicitadas pelo grupo no nome dele. h) em toda a movimentação financeira analisada, verificouse que os valores creditados na conta bancária do sujeito passivo eram imediatamente transferidos para terceiros, entre os quais as empresas do grupo econômico e os Srs. Nedile Reginatto, Laércio Reginatto e André Reginatto, que utilizavam a conta bancária da empresa fiscalizada para remeter valores oriundos da Copramil para si próprios e para empresas do grupo econômico, estratégia que, segundo entendimento da fiscalização, visa ocultar fraudulentamente a verdadeira origem de suas rendas; Em relação ao devedor solidário Teixeira Comércio de Cereais Ltda alega a fiscalização os seguintes fatos: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720759/201475 Acórdão n.º 2202003.492 S2C2T2 Fl. 1.153 5 a) A empresa Teixeira Comércio de Cereais realizava aquisições de produção rural de produtores rurais pessoa físicas com a interposição do sujeito passivo SW Atacadista, ocultando sua relação direta com os fatos geradores de contribuições previdenciárias. b) Para comprovar essa alegação a fiscalização intimou os produtores rurais Valdir José Zorzo, CPF 074.487.67968, Paulo Roberto Zorzo, CPF 545.725.09972, Dorcy Eliane Zorzo Casarin, CPF 370.668.20959, e Araci Zorzo, CPF 707.093.86915, e a empresa Granos Comércio e Representações Ltda., CNPJ 02.339.285/000115, para prestarem esclarecimentos e apresentarem documentos relativos à operação de venda de 457.256,80 sacas de soja. c) Os produtores rurais apresentaram os contratos de “Confirmação” nº´s 20.582/2009, 20.583/2009, 20.584/2009 e 20.585/2009. Estes contratos, todos de 21/10/2009, foram elaborados pela empresa Granos Corretora e são relativos à venda de 27.435,41 toneladas de soja, ao valor de R$ 46,00 por saca, para o sujeito passivo SW Atacadista. Ressalta, todavia, que, no item da cláusula “Forma de Pagamento” a empresa Teixeira Comércio de Cereais participava como deverora solidária na compra e pagamento dos referidos contratos. d) Em 28/09/2009 o Sr. Edegar Rodrigues, procurador do sujeito passivo, procedeu à abertura de conta corrente bancária no Sicredi Centro Sul MS, na cidade Dourados MS, conta esta de titularidade da SW Atacadista, cadastrada sob o número 61788. O depósito inaugural desta conta foi realizado pela Teixeira Comércio de Cereais no valor de R$ 482.000,00, em 30/09/2009. Nesta mesma data os valores foram remetidos via TED´s para as pessoas Irineu Cassol Júnior e Renato Eugênio de Rezende Barbosa, produtores rurais da região de DouradosMS. e) A análise da movimentação financeira, mostra que esta conta bancária era abastecida exclusivamente pela empresa Teixeira Comércio de Cereais. Os depósitos efetuados por esta empresa eram sempre e instantaneamente seguidos das saídas dos recursos por meio de TED´s, que se destinavam unicamente ao pagamento de produtores rurais. Embora tenha circulado por esta conta bancária o montante de R$ 36.740.710,00, em 2009, e R$ 8.317.158,70, em 2010, o seu saldo ao final de cada mês era próximo de ZERO, uma vez que os valores eram depositados e imediatamente remetidos para pagamento de produtores rurais. f) Acrescentese que o Sr. Edegar Rodrigues, procurador do sujeito passivo SW Atacadista, afirmou à fiscalização que esta conta bancária era de fato mantida e gerenciada pela Teixeira Comércio de Cereais. A autuada SW ATACADISTA DE CEREAIS LTDA ME e as empresas (com exceção da empresa Teixeira Comércio) e pessoas físicas que, no entendimento da fiscalização, são responsáveis solidários pelo débito, apresentaram impugnações com semelhante teor, nas quais alegam, resumidamente o seguinte: a) que a impugnante não fez retenção da contribuição, pois essa foi julgada inconstitucional pelo STF b) que a fiscalização arbitrou indevidamente a base de cálculo do tributo uma vez que tinha os valores das notas fiscais emitidas pelo Sujeito passivo. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 c) que a contribuição ao FUNRURAL teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo STF no julgamento dos RE 363852 e RE 596.177, este último submetido à sistemática da repercurssão geral prevista no §1º do art. 543C do Código de Processo Civil. d) que não faz parte de nenhum grupo econômico e) que, de acordo com o art. 124 do CTN, a comprovação do interesse comum no fato imponível tornase ponto crucial nas constatação da solidariedade das empresas formadoras do grupo econômico e que não é possível à autoridade administrativa aplicar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. g) que as empresas possuem mero interesse econômico no fato gerador, o que, por si só, não configura "interesse comum" previsto no artigo 124, I do CTN. A empresa Teixeira Comércio de Cereais apresentou as seguintes alegações em sua impugnação: a) é incontroverso que adquiriu e pagou, produtos da SW Atacadista, que, por sua vez, repassou imediatamente as referidas quantias aos produtores rurais; b) aquilo que a Autoridade Fiscal tomou revelador da solidariedade, na realidade não passa de mera praxe de mercado de commodities, que possui regime próprio, operando muitas vezes, em velocidade, múltiplas comercializações, em razão de que esse mercado tem seus preços ditados pela Bolsa de Chicago, o que implica dizer que qualquer retardamento na comercialização pode produzir prejuízos irreparáveis. c) a afirmação de que a impugnante seria a gestora e administradora da conta corrente bancária de titularidade da SW padece de um mínimo de razoabilidade, já que, em razão da garantia do sigilo bancário, a administração e o gerenciamento de conta bancária só pode ser feita pelo seu titular ou por procurador legalmente constituído. d) outros contratos listados são exemplo de que o item "Forma de Pagamento", considerado pela autoridade fiscal como desvelador da presumida solidariedade, não passa de praxe de mercado. Da mesma forma, ocorrem com normalidade as denominadas cessões de créditos e respectivas subrogações, legalmente previstas nos artigos 286 e 346 do Código Civil Brasileiro, não havendo nenhuma ilicitude no repasse pelo primeiro adquirente aos produtores rurais, de cheques emitidos pelo segundo adquirente e assim sucessivamente, até quando as regras de mercado permitirem múltiplas operações. f) a solidariedade não se presume, mas deverá ser provada, jamais presumida, como dispõe o art. 265 do Código Civil Brasileiro, e a solidariedade de que trata o art. 124, inciso I, do CTN, somente será caracterizada na exata medida da configuração dos pressupostos específicos ali delineados g) A legitimação do adquirente, por subrogação, nas obrigações do produtor rural pessoa física, padece, na atualidade, de absoluta ausência de base legal, uma vez que o STF, quando do julgamento do RE 363.852/MG, declarou expressamente a inconstitucionalidade do art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, o mesmo ocorrendo quando do julgamento do RE 596.177/RS, com eficácia de repercussão geral e com determinação para aplicação desse entendimento a todos os demais casos pendentes, nos termos do art. 543B. Do CPC. h) Enfatizese ainda que nem a Lei n° 10.256/2001, que tem sido considerada a tal "legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98", nem qualquer outra Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720759/201475 Acórdão n.º 2202003.492 S2C2T2 Fl. 1.154 7 norma jurídica de índole legal no ordenamento jurídico, traz em sua estrutura, disposição semelhante à do art. 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, declarado inconstitucional pelo Colendo STF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília DF julgou improcedente as impugnações apresentadas em decisão (fls. 764790) que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/05/2011 AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo É importante registrar que as impugnações apresentadas pelas empresas Comércio de Cereais Vacaria, Copramil e São Lourenço, Reginatto & Reginatto, bem como pelas pessoas físicas André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues e Alcídio Mário, não foram conhecidas por serem intempestivas. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 Cientificada da decisão em 29/07/2015 (AR fls. 796 a 817) a Impugnante não apresentou Recurso Voluntário, conforme atesta o termo de perempção de fls. 1086. Todavia, os devedores solidários Laércio Reginatto (fls. 819/843), Abastecedora Nova Alvorada (fls. 852/876), Alcídio Mario (fls. 885 a 909), André Reginatto (fls. 910/934) Comercio de Cereais Vacaria (fls. 935 a 959), Copramil (fls. 960/984), Edgar Rodrigues (fls. 985/1007), Nedile Reginatto (fls. 1010/1034), Reginatto e Reginatto (fls 1035 /1039) e São Lourenço (fls. 1060/1084) apresentaram recursos voluntários, nos quais reiteram as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Os recursos são tempestivos, motivo pelo qual, deles conheço. Em relação aos recursos apresentados por Comércio de Cereais Vacaria, Copramil e São Lourenço, Reginatto & Reginatto, bem como pelas pessoas físicas André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues e Alcídio Mário, verificase que estes não devem ser conhecido. Isso porque, embora declarada a intempestividade da impugnação pela DRJ, não foi trazida qualquer razão no sentido de impugnar a referida declaração. Com efeito, conforme manifestado pela DRJ: Da análise das impugnações apresentadas, registro o que se segue. As empresas Comércio de Cereais Vacaria, Copramil e São Lourenço, bem como as pessoas físicas André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues e Alcídio Mário, todas consideradas responsáveis solidárias pelo débito, foram cientificados do lançamento em 22/05/2014, quintafeira, conforme ARs de fls 51 a 56, e apresentaram impugnações em 09/07/2014, 04/07/2014, 04/07/2014, 04/07/2014, 03/07/2014, 03/07/2014 e 03/07/2014, respectivamente. Conforme art. 15, do Decreto 70.235/72, o prazo para apresentação da defesa é de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O art. 5o, do referido normativo legal, estabelece que: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Nos termos do dispositivo legal transcrito acima, o prazo começou a ser contado na sextafeira, dia 23/05/2014, primeiro dia útil após a intimação, e terminou 30 (dias) após, ou seja, no dia 21/06/2015, que por ser um sábado, foi prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, ou seja, segundafeira, dia 23/06/2014. No entanto, as impugnações somente foram apresentadas nos dias 03, 04 e 09/07/2014. Da mesma forma, a empresa Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720759/201475 Acórdão n.º 2202003.492 S2C2T2 Fl. 1.155 9 REGINATTO & REGINATTO LTDA foi cientificada do lançamento em 04/06/2014, mas apresentou sua impugnação somente em 09/07/2014 O artigo 23 do citado Decreto 70.235/72 dispõe que: Art. 23 § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Portanto, a norma é clara ao determinar que a intimação se dá na data da ciência do intimado que, no caso dos impugnantes acima citados, foi no dia 22/05 e 04/06/2014. (...) Vêse que, no caso de pluralidade de sujeito passivo, o prazo é contado a partir da cientificação de cada um deles, e não do último a receber a intimação. Portanto, intempestivas são as impugnações dos contribuintes acima citados, constituindo razão para o seu não conhecimento. E como os impugnantes não suscitaram a tempestividade em suas peças de defesa, entendo que não instaurou o litigioso administrativo para os contribuintes listados acima. Correta a decisão da DRJ. Sendo assim, não tendo sido apresentado recurso quanto a intempestividade reconhecida pela primeira instância, nego provimento por Comércio de Cereais Vacaria, Copramil e São Lourenço, Reginatto & Reginatto, bem como pelas pessoas físicas André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues e Alcídio Mário Analisarei, a seguir, as alegações suscitadas nos recursos apresentados pelos devedores solidários Laércio Reginatto (fls. 819 a 843) e Abastecedora Nova Alvorada (f.s 852 a 876). Embora o auto de infração tenha se fundamentado em questões eminentemente fáticas (existência de simulação e formação de grupo econômico de fato), os recorrentes centraram os seus recursos em dois argumentos jurídicos: a) inexistência do "interesse comum" previsto no art. 124, I, do CTN, que justificasse atribuir responsabilidade solidária ao grupo econômico; b) inconstitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL; 1) DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO E DA SOLIDARIEDADE JURÍDICA RELATIVAMENTE AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Em relação ao grupo econômico, os recorrentes alegam que as empresas e pessoas físicas incluídas no pólo passivo não tinham qualquer relação formal com a autuada e que a formação do grupo econômico só seria possível se comprovados os requisitos para desconsideração da personalidade jurídica previstos no art. 50 do Código Civil. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 Alega, também, a inexistência do "interesse comum" previsto na norma do artigo 124, I do CTN, uma vez que, de acordo com a jurisprudência do STJ esse não poderia ser considerado interesse econômico. A responsabilidade do grupo econômico em relação às contribuições devidas à Seguridade Social vem prevista no artigo, 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, nestes termos: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" O Decreto nº 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social RPS, em seu art. 222, regulamentou a matéria nos seguintes termos: "Art. 222 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes de consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto nesse regulamento" Pela leitura dos mencionados artigos, verificase que o legislador não delimitou a definição do que venha a ser "grupo econômico" para fins de incidência da responsabilidade solidária. Todavia, a definição de grupo econômico ultrapassou a questão da mera participação de uma pessoa (física ou jurídica) em várias empresas. Como esclarece ARNOLDO WALD: É possível identificar duas principais fases no movimento concentracionista. A primeira, classificada por Champaud, como de tipo primário, consiste num crescimento de dimensão da empresa, pela absorção das unidades, reduzindose seu número. A partir do momento em que o gigantismo ameaçou suplantar os benefícios dessa expansão, desenvolveuse um outro tipo de concentração, através de coligações, aquisições de controle de outras sociedades e acordos entre concorrentes. Esta segunda fase caracterizase pela integração das sociedades num agrupamento, subordinado a mesma direção econômica. Nesta última configuração podese observar uma maior dificuldade de individualização de empresas, tendo em vista que se estabelece uma verdadeira comunhão de bens e interesses, com a definição, de fato e de direito, da centralização do poder de diversas sociedades. (...) Baseandonos em tal estrutura, se as empresas , mesmo que independentes, concorrem, todas em conjunto, para consecução de um único fim, podese afirmar que elas foram, de fato, uma mesma unidade econômica. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720759/201475 Acórdão n.º 2202003.492 S2C2T2 Fl. 1.156 11 Dentro desse enfoque, observase que, em geral, as sociedades se harmonizam através de uma coordenação de gestão, sem prejuízo de que cada uma delas persiga seus objetivos próprios. (WALD, Arnoldo Revista de Direito Bancário e Mercado de Capitais. Ano 07, nº 25, julhosetembro de 2004. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 147) (grifamos) Verificase, assim, que a definição atual de grupo econômico transcende a situação de participação de uma empresa em outra ou de um mesmo sócio em várias empresas, tal como alegado pelos Recorrentes. Atualmente, admitese também a existência de grupo econômico, quando se identifica poder geral de administração dos negócios relacionados à todas as empresas e originados de uma mesma fonte. Tratase do denominado "grupo econômico de fato". Essa é exatamente a situação dos autos. Embora não exista uma relação jurídica formal entre as empresas e pessoas físicas colocadas na condição de sujeito passivos solidários, o trabalho fiscal deixou clara a existência de concentração de poder de direção e econômico nas mãos dos sócios da família Reginatto. Por outro lado, alegam os recorrentes que a expressão "interesse comum" constante do artigo 124, I do CTN, não pode ser entendida como mero interesse econômico na situação que constitua o fato gerador e sim interesse jurídico. Em outras palavras, não basta a existência de um interesse econômico. É fundamental que se comprove que os devedores solidários praticaram o fato gerador. Tal raciocínio é correto, em sua essência, nas situações relativas à chamada responsabilidade de fato, prevista no inciso I do artigo 124. Todavia, em relação às contribuições destinadas à Seguridade Social não estamos falando de solidariedade de fato, mas da solidariedade jurídica prevista no inciso II do referido artigo. Vejamos: Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoa que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifamos) Como visto acima, a responsabilidade solidária das pessoas que constituam grupo econômico no caso das contribuições previdenciárias decorre de lei. Assim, não se aplica ao caso em questão o inciso I do artigo 124, motivo pelo qual não faz sentido as digressões sobre a natureza da expressão "interesse comum" ali prevista. Ademais, entendo que a simulação e a fraude foram suficientemente caracterizadas no trabalho fiscal, motivo pelo qual entendo improcedentes as alegações quanto a impossibilidade de autuação do grupo econômico. 2) DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART.25 DA LEI Nº 8.212/91 Por fim, alegam os Recorrentes que o fundamento legal da auto de infração foi julgado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal por ocasião dos julgamentos do Recurso Extraordinário nº 363.852, ocorrido em 03/02/2010 e do Recurso Extraordinário nº 596.177, ocorrido em 17/10/2013, sendo este último submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543, "b" do Código de Processo Civil de 1973. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 Todavia, como observado pela DRJ: Contudo, cumpre observar que no recurso especial 363856, citado pelas impugnantes, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualização até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Ocorre que, conforme verificase do relatório FLD, o presente débito está fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não apenas nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário. De fato, tal raciocínio encontra respaldo nas ementas dos mencionados Recursos Extraordinários abaixo transcritas. Recurso Extraordinário nº 363.852 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Recurso Extraordinário 596.177 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Além disso, é importante destacar que próprio Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento dos embargos de declaração opostos no Recurso Extraordinário nº 596.177 afirmou, categoricamente, que a tributação efetuada com fundamento na Lei nº 10.256/2001 não estava abrangida na decisão, nestes termos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10140.720759/201475 Acórdão n.º 2202003.492 S2C2T2 Fl. 1.157 13 DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (grifamos) Finalmente, cumpre ressaltar que a constitucionalidade da tributação efetuada com base no artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, encontrase afetada ao crivo do Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário nº 718.874, com repercussão geral reconhecida. Diante desses fatos, entendo que não compete ao CARF afastar a tributação fundamentada na Lei nº 10.256/2001 até que o poder judiciário se pronuncie a respeito. 3) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA EMPRESA TEIXEIRA COMÉRCIO DE CEREAIS Alega a Recorrente, em resumo, que a operação de cessão de créditos realizada entre ela e a autuada é praxe no setor e que encontrase prevista no Código Civil. Além disso, alega que a responsabilidade solidária foi imputada por presunção, sem qualquer comprovação. Conforme já demonstrado no Relatório, a simulação da empresa autuada restou claramente demonstrada pela fiscalização e nenhum dos fatos mencionados no trabalho fiscal foi contestado pela Recorrente. O Código Civil, ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados, assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados (grifamos) Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 14 Assim, uma vez demonstrada a simulação da existência da pessoa SW Participações, devese considerar o negócio efetivamente realizado, qual seja, a compra efetuada pela Recorrente dos produtores rurais pessoa física. Sendo assim, correta a aplicação da norma do art. 124, I, do CTN, uma vez ao comprovar e inexistência da empresa adquirente (negócio nulo) subsiste o negócio jurídico que se dissimulou (aquisição por parte da Recorrente). 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, não conheço dos Recursos Voluntários dos sujeitos passivos por Comércio de Cereais Vacaria Ltda., Copramil Comércio e Transp. de Produtos Agrícolas Ltda., São Lourenço Armazéns Gerais Ltda., Reginatto & Reginatto Ltda. EPP, André Reginatto, Nedile Reginatto, Edegar Rodrigues da Silva Machado e Alcídio Mário Angst e, em relação aos demais Recursos Voluntários, nego provimento (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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