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Numero do processo: 10950.001014/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
Ementa:
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E OMISSÃO – INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios alegados, não prospera a alegação de nulidade da
decisão.
ATO – DECLARATÓRIO – VALIDADE. O ato administrativo que declara
a exclusão da opção pelo SIMPLES, emitido por autoridade competente e devidamente motivado, com indicação expressa do mandamento legal que a determinou, não padece de nulidade. A confirmação do motivo da exclusão, discutida em procedimento administrativo contraditório, é condição resolutória de sua validade, e não suspensiva.
EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege a matéria. O ato da exclusão, sendo declaratório, produz efeitos ex tunc.
Numero da decisão: 1301-000.815
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003 Ementa: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E OMISSÃO – INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios alegados, não prospera a alegação de nulidade da decisão. ATO – DECLARATÓRIO – VALIDADE. O ato administrativo que declara a exclusão da opção pelo SIMPLES, emitido por autoridade competente e devidamente motivado, com indicação expressa do mandamento legal que a determinou, não padece de nulidade. A confirmação do motivo da exclusão, discutida em procedimento administrativo contraditório, é condição resolutória de sua validade, e não suspensiva. EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege a matéria. O ato da exclusão, sendo declaratório, produz efeitos ex tunc.
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EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 Ementa: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E OMISSÃO – INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios alegados, não prospera a alegação de nulidade da decisão. ATO – DECLARATÓRIO – VALIDADE. O ato administrativo que declara a exclusão da opção pelo SIMPLES, emitido por autoridade competente e devidamente motivado, com indicação expressa do mandamento legal que a determinou, não padece de nulidade. A confirmação do motivo da exclusão, discutida em procedimento administrativo contraditório, é condição resolutória de sua validade, e não suspensiva. EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege a matéria. O ato da exclusão, sendo declaratório, produz efeitos ex tunc. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Presidente Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Rádio Jornal FM Ltda. – EPP, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), pelo Ato Declaratório Executivo 528.357, de 02 de agosto de 2004, do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, com efeitos a partir de 01/01/2003. A causa do evento informada foi o fato de um dos sócios ou o titular participar de outra pessoa jurídica com mais de 10% e a receita global do anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite estabelecido pela legislação que rege o Simples, conforme previsto no artigo 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317, de 1996. O contribuinte manifestou seu inconformismo com a exclusão alegando, em síntese: (a) que o ato atacado deve ser reformado por ferir os princípios constitucionais tributários da publicidade e irretroatividade; (b) que o ato declaratório apenas surtirá seus efeitos após a publicação e a partir do mês subseqüente ao seu recebimento, uma vez que a reclamante não pode perder benefício que lhe foi assegurado pela legislação antes da existência efetiva do ato determinante; (c) que o STJ já decidiu quanto à necessidade de publicação para que o ato administrativo produza efeitos; (d) que está havendo ofensa ao princípio da irretroatividade da norma; (e) que a irretroatividade é inadmissível na legislação brasileira; (f) que a decisão não pode retroagir a fatos ocorridos antes de sua publicação, já que caracterizaria desrespeito ao seu direito adquirido e, (g) que a SRS deve ser reapreciada pela delegacia de origem, pedindo ao final, a nulidade do ADE. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba indeferiu sua manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2003 INCONSTITUCIONALIDADE É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade de lei em vigor. EFEITOS DA EXCLUSÃO. O momento em que a exclusão gera seus efeitos é determinado pela legislação que rege amatéria. BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Para usufruir o beneficio do Simples, impõese observar o regramento constante de legislação especifica, nos termo do artigo 111 do Código Tributário Nacional, onde está previsto que se interpreta literalmente a legislação que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário.: Ciente da decisão em 26 de agosto de 2008, a interessada apresentou recurso em 23 setembro seguinte. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 4 4 Inicialmente, suscita nulidade da decisão por omissão. Concretamente, diz que a fundamentação foi omissa no que pertine à ofensa aos princípios da publicidade e da irretroatividade, que o ato (decisão) é nulo por inequívoca falta de motivação, que ocorreu flagrante cerceamento de defesa, já que a Recorrente sequer dispõe dos motivos (fatos e fundamentos) pelos quais a DRJ entendeu não restarem violados os princípios da publicidade e da irretroatividade. No mérito, e com o escopo de defender a irretroatividade dos efeitos do ADE, alega sua total inadequação para pretender a exclusão da opção que se operou legalmente através de ato administrativo perfeito e acabado e que produziu seus regulares efeitos. Afirma que o ato infringiu os princípios da publicidade, irretroatividade e da segurança jurídica. Alega que a decisão interpretou erroneamente a legislação que trata dos efeitos da exclusão. Defende que o ADE se caracteriza como ato complementar de legislação tributária, conforme inciso II do art. 100 do CTN, não podendo retroagir. Invoca, também, o art. 146 do mesmo Código. Ressalta ter sido induzida a erro, vez que se o órgão tributante houvesse sido diligente e indeferido a opção oportunamente, ela teria continuado o recolhimento conforme vinha fazendo e, portanto, deve o órgão tributante se responsabilizar por seu erro ou ineficiência, arcando com as conseqüências do seu ato. Postula, afinal, o reconhecimento da irretroatividade dos efeitos da exclusão e a vedação na sua aplicação ao caso em questão. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, todo o inconformismo da Recorrente se situa no fato de a exclusão do Simples produzir efeitos a partir de 01/01/2003, período anterior à edição do Ato Declaratório. O motivo da exclusão, foi o fato de sua sócia possuir 50% do capital de outra empresa no período de 19/02/2001 a 23/12/2004, quando se retirou da sociedade, e com receita global superior ao limite legal, fato esse não refutado. A Recorrente inicia por requerer a nulidade da decisão alegando ausência de motivação e omissão quanto às alegações de ofensa aos princípios da publicidade e da irretroatividade. Na lição de Welington Cabral Saraiva, os princípios, no direito, densificam os valores mais relevantes do ordenamento jurídico, e têm por função essencial orientar e influenciar a interpretação e a aplicação das demais normas jurídicas1. A decisão recorrida, no “relatório” que a integra, contém referência expressa à razão de defesa suscitada relativa à ofensa aos princípios acima mencionados. O ato decisório encontrase devidamente motivado, quando assenta que: (a) a lei determina a data a partir de quando os efeitos da exclusão se operam; (b) esta matriz foi editada em 1996; (c) portanto, quando optou por aderir ao Simples a reclamante estava ciente das hipóteses de vedação existentes e que, se não observadas, poderiam acarretar sua exclusão; (d) nada foi criado no apagar das luzes e, nada foi modificado a posteriori; (e) as regras são claras e vigem desde a publicação da norma; (h) na atividade funcional vinculada, os servidores têm o poderdever de agir conforme as determinações positivadas no ordenamento jurídico. Ao decidir com base na lei e mencionar o dever de observar as determinações positivadas, a decisão indicou que os princípios, na esfera administrativa, não têm força para afastar a aplicação da lei. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Quanto ao ato declaratório executivo, vê se que o mesmo foi praticado por autoridade competente, atendendo rigorosamente os demais requisitos de validade (objeto, motivo, finalidade e forma). Vejase: A interessada exerceu sua opção pelo Simples a partir de 01/01/92, quando a legislação em vigor (Lei nº 9.317/96) estabelecia: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 1 Welington Cabral Saraiva, O Caráter Principiológico das Normas Constitucionais Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 6 6 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias (...) (...) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Ina condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a (...); IIna condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a (...) (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° (...) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 7 7 I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; A pretexto de justificar a ausência de requisitos do ato administrativo, a Recorrente desenvolve extenso arrazoado defendendo que foi incluída legitimamente no Simples, que esse ato tem presunção de legitimidade e assim, os seus efeitos se produzem durante o período entre a inclusão e a exclusão, que não se exclui o que não está incluído, que o indeferimento da opção deveria se submeter ao rito do Decreto nº 70.235/72, que para imprimir efeito retroativo à exclusão a administração deveria revogar o ato de inclusão por ilegalidade, etc. Contudo, a argumentação da Recorrente é equivocada, vejamos. Como se verifica dos dispositivos legais acima reproduzidos, não existe um ato praticado pela administração para inclusão do contribuinte no Sistema Simplificado. A inclusão no sistema não depende de anuência prévia da administração tributária, sendo ato unilateral da pessoa jurídica que, desde que preencha os requisitos legais, faz a opção, por simples alteração cadastral (art. 3º). Todavia, a inclusão e permanência no sistema estão condicionadas ao cumprimento dos requisitos previstos na lei, e se, a qualquer tempo, a Receita Federal constatar o não atendimento das condições, a inclusão praticada pelo contribuinte é desfeita (resolvida) por ato declaratório, com efeitos ex tunc. O ato declaratório da exclusão pode ser impugnado (como aconteceu, no caso), assegurada a ampla defesa e o contraditório, dentro do rito do Decreto nº 70.235/72. Assim, débeis seus argumentos: O ato de enquadramento no Simples (opção) praticado pela empresa não foi legal, pois ela promoveu a alteração cadastral para se incluir no sistema estando incursa numa condição legal impeditiva. Não há que se falar em “presunção de legitimidade e produção de efeitos durante o período de tempo compreendido entre a inclusão e a exclusão”, porque não houve um ato administrativo de inclusão. E o ato administrado não gera presunção de legitimidade. O ADE de exclusão cumpre, exatamente, a função prevista no § 6º do art. 8º da Lei 6.718/96, de indeferimento da opção (e se sujeita ao rito do Decreto n. 70.235/72). Improcedente a alegação de que o ato declaratório de exclusão se caracteriza como norma complementar de legislação tributária, nos termos do inciso II do art. 100 do CTN. Primeiro, porque sequer presente o requisito previsto no referido inciso II, de existência de lei atribuindo ao ato eficácia normativa. Mas principalmente, porque atos normativos são aqueles que contêm um comando geral do Poder Executivo visando à correta aplicação da lei (situação que exigiria sua publicação na imprensa oficial), o que não é o caso, em que o comando do ato se dirige exclusivamente ao administrado, exigindo apenas a ciência deste. O ADE não é ato normativo de legislação tributária, mas de execução. Não tem aplicação, também, o art. 146 do CTN, pois não ocorreu qualquer alteração de critério jurídico aplicado em lançamento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.001014/200588 Acórdão n.º 1301000.815 S1C3T1 Fl. 8 8 Portanto, o ato de exclusão, repitase, não desfaz uma situação jurídica preexistente, ou seja, não tem o caráter desconstitutivo. Na realidade, ele declara a inexistência da situação jurídica a que se atribuiu o administrado. Como ato declaratório, produz efeitos ex tunc. Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, para no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000093/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU).
ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de
2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de
produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo
caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no
código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar,
beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor
(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos
determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº
11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e
Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor
o Conselheiro Maurício Taveira e Silva.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Taveira e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Redator designado. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 95/96), que não reconheceu o direito de crédito relativo à contribuição ao PIS nãocumulativa do período de apuração de 01/04/2003 a 30/06/2003 (2º trimestre de 2003), decorrente da aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/1'AsEp Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' (CAFÉ CRU) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 10.637, de 2002, § 10 do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria);sendo caracterizada como 'produção'. em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei n" 11.051, de 2004, com vigência a partir de 01/08/2004. 1NCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando incabível qualquer discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Ressalta a decisão recorrida, que consta do Contrato Social da empresa e Alterações, a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebeneficio de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros. Constando ainda a informação no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000093/200775 Acórdão n.º 330100.940 S3C3T1 Fl. 120 3 Dacon que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios" A Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), trazia em seu art. 3º, in verbis: "Art.3º. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta. adquiridos. no mesmo período. de pessoas físicas residentes no País." Contudo, referido dispositivo foi vetado quando da conversão da MP nº 66 na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Logo, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época dos fatos. Ressalta ainda que o dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Logo, para os períodos de ABRIL a JUNHO de 2003, igualmente não havia previsão legal que pudesse fundamentar o aproveitamento de créditos decorrentes das aquisições de produtos rurais, pessoas físicas. Consta ainda da decisão recorrida que, no caso da interessada, a aquisição de café cru de produtores rurais — pessoas físicas, sua seleção, beneficiamento e posterior comercialização, não se caracteriza como "produção de mercadoria de origem animal ou vegetal", um dos requisitos cumulativos exigidos pelo § 10 do art. 3" da Lei n° 10.637, de 2002, para se beneficiar do crédito presumido, já que o dispositivo legal não abrange as aquisições efetuadas por empresas comerciais. Ademais, apenas com a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6º ao art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (regulamentada posteriormente pela IN SRF 660, de 17 de julho de 2006), com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, ao definir o conceito de produção, acolheu a atividade exercida pela interessada como passível de aproveitamento do crédito presumido, quando da aquisição de pessoas físicas, in verbis: "Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a seguinte redação: 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). Cientificada em 31/05/2010 (AR, fl. 99), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 100/117, em 08/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ressalta que mesmo antes da edição da Lei no. 10.637/02 já havia a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas, diante do disposto no § 5°. do art. 3°. da Medida Provisória nº 66, de 29/08/02, que instituiu a cobrança da contribuição para o PIS não cumulativo. Entretanto, em que pese a Lei 10.637/02 não ter trazido em seu bojo as disposições constantes do art. 3°. § 5°. Da MP 66/02, a Lei no. 10.684, de 30/05/03, assim o fez, da seguinte forma: "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°A e com as seguintes alterações dos arts. 1°, 3°, 8°, 11 e 29: "Art. 3°. .... Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000093/200775 Acórdão n.º 330100.940 S3C3T1 Fl. 121 5 § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, restabelecido o direito, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da Contribuição para o PIS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas, porquanto as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, ou seja, se beneficiar do crédito presumido. Ademais disto, a Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.633/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O cerne da questão diz respeito em saber se a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), que trazia em seu art. 3º, a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, justificam os créditos de PIS nãocumulativo, dos períodos de ABRIL a JUNHO de 2003, in verbis: "Art.32. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal. poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput adquiridos no mesmo período de pessoas físicas residentes no País."(grifado) Os créditos solicitados dizem respeito aos períodos de ABRIL a JUNHO de 2003, quando parte do pleito a previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes das aquisições de produtos rurais de pessoas físicas, o que retornou a ser assegurado apenas posteriormente (já que o § 5º do art. 3º, da MP 66, não foi recepcionado pela Lei nº 10.637, de 2002). O dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, autorizou o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Apesar de estar convencido de que a Lei 11.051/04 (§ 6° do art. 8°), com vigor retroativo, a partir de 01/08/2004, de fato já havia previsão legal, para o aproveitamento de crédito de parte do período de apuração em questão, em razão das alterações introduzidas pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003, com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, ao definir o conceito de produção, acolheu a atividade exercida pela interessada como passível de aproveitamento do crédito presumido, quando da aquisição de pessoas físicas, in verbis: "Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000093/200775 Acórdão n.º 330100.940 S3C3T1 Fl. 122 7 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). Segundo consta do Contrato Social da empresa e Alterações (fls. 07/12 e 18/29), a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros, constando ainda, do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon (fl. 30) que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios". A alteração introduzida através do art. 25, entrou em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2003, nos termos do art. 29, II, da citada Lei, abrangendo todos os créditos discutidos no presente processo. Logo, faz jus ao pleito solicitado, a partir de 1º de fevereiro de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 145DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada. O art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 alterou a redação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: LEI No 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. [...] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei; Portanto, há determinação expressa na lei prevendo que o disposto no art. 8º produza efeitos somente a partir de 01/08/2004. Tendo em vista que o pleito da recorrente Fl. 146DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000093/200775 Acórdão n.º 330100.940 S3C3T1 Fl. 123 9 referese ao período anterior ao precitado, não há reparos a fazer à decisão recorrida, negando se provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Fl. 147DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16682.720022/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.
Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária.
MULTA MORATÓRIA
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente
o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.800
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 17/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16682.720022/201088 Acórdão n.º 230201.800 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O auto de infração de obrigação principal cientificado ao sujeito passivo em 29/06/2010, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos contribuintes individuais – diretores, a título de participação nos lucros e resultados, no período compreendido entre 10/2005 a 10/2008. O relatório fiscal informa que de acordo com os esclarecimentos prestados pela autuada, os valores foram pagos a quatro segurados contribuintes individuais na qualidade de diretores não empregados. Após a impugnação, Acórdão de fls. 302/311, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, argüindo em síntese: a) que efetivou o recolhimento do débito durante todo o período autuado relativo aos segurados Arnaldo José Vollet e Nelson Rocha Augusto, diretores não empregados, embora no CNPJ de seu controlador Banco do Brasil S/A; b) que as GPS foram anexadas, não havendo qualquer irregularidade; c) que a PRL é direito constitucional do trabalhador desvinculada da remuneração; d) que o pagamento de PLR para os membros da diretoria está fundamentado no artigo 152,§§1º e 2º da Lei n.º 6.404/76; que não se confunde com a PLR dos funcionários; e) que seus funcionários são cedidos do Banco do Brasil, ficando o contrato de trabalho suspenso e por isso aplicada a Lei das S/A, tendo os diretores direito à PLR da LSA, decidida em assembléia; f) que esta PL por ser eventual não se constitui em remuneração; g) que a participação nos lucros pagas aos diretores empregados e não empregados traduzse numa compensação premial, sem caráter remuneratório; h) a verba não é paga para retribuir o trabalho; i) que a cobrança dos acréscimos legais é inexigível; j) que é indevido o critério para a apuração da multa de ofício. Requer a reforma da decisão e o cancelamento do auto de infração. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16682.720022/201088 Acórdão n.º 230201.800 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O crédito referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados que exerciam cargos de direção, conforme previsto no estatuto da autuada, tratandose, portanto de diretores estatutários. O relatório fiscal informa e a recorrente confirma que a situação encontrada referiuse a quatro segurados, sendo que dois eram empregados de outra empresa e foram cedidos à autuada para exercerem o cargo de Diretor Estatutário, assim como os outros dois segurados. Nesta condição receberam valores tidos pela recorrente como se Participação nos Lucros e Resultados, rendimentos que foram informados nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte como provenientes de trabalho não assalariado e não foram informados em GFIP. As argüições da recorrente dão conta de que em relação aos segurados cedidos o recolhimento já foi efetuado e quanto aos demais, as quantias recebidas não se enquadram como remuneração, tampouco como PLR sob o abrigo do dispositivo constitucional transcrito no artigo 7º da Carta Magna, mas sim como participação nos lucros de acordo com a Lei das Sociedades Anônimas. Pelo exposto, primeiramente é de se notar que não assiste razão à recorrente quanto ao aproveitamento dos recolhimentos efetuados porque as pessoas jurídicas primam pela sua autonomia e, se no caso, houve a cedência de funcionários de uma empresa para outra, as relações havidas entre tais pessoas físicas e a pessoa jurídica, ora autuada, são independentes daquelas havidas entre as pessoas físicas e a cedente. Na prestação de serviço aqui examinada se vislumbrou que os segurados atuavam como diretores estatutários, portanto contribuintes individuais e nesta condição tiveram seus rendimentos informados nas declarações de imposto de renda, como provenientes de trabalho não assalariado. E, os recolhimentos apresentados pela recorrente às fls. 233, 236, 240, 244, 251, 255 e 258 não podem ser aproveitados porque efetuados na titularidade de outra pessoa jurídica que não a recorrente, sob CNPJ diverso do seu. No que se refere à participação nos lucros a própria recorrente admite que os diretores estatutários por não se enquadrarem como empregados não fazem jus ao pagamento da verba nos moldes explicitados pela Constituição Federal e Lei n.º 10.101/2000. Todavia, não lhe assiste razão quando diz que o valor de participação nos lucros foi pago sob a égide da Lei n.º 6404/76 das Sociedades Anônimas e por isso estaria dispensada do recolhimento da contribuição patronal. A Constituição Federal abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. Assim, a PLR é um direito constitucional do trabalhador: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16682.720022/201088 Acórdão n.º 230201.800 S2C3T2 Fl. 4 7 A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Pela análise da legislação exposta concluiuse que a PLR está afeta ao segurado empregado e a Lei n.º 6404/76 não é a legislação própria para tratar da Participação nos Lucros e Resultados a fim de isentar o pagamento das contribuições previdenciárias O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91, que vem a ser a lei n.º 10.101/2000. Ainda, a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Assim, não sendo os valores pagos sob a égide da legislação específica, Lei n.º 10.101/2000, e por não se tratarem os beneficiários de empregados, temse como descumpridas as exigências legais e as quantias pagas pela empresa aos contribuintes individuais ostentam a natureza de remuneração, passíveis de serem tributadas. No que se refere a aplicação da multa, entendo que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16682.720022/201088 Acórdão n.º 230201.800 S2C3T2 Fl. 5 9 Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para que a multa seja aplicada de acordo com o artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 350DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000073/2010-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Incomprovados os depósitos bancários como sendo meros valores repassados
a terceiros, incide a presunção legal de omissão de receita na forma
preconizada no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA.
A prática reiterada e relevante de omissão de receitas mediante expedientes
que permitem ocultar a ocorrência do fato gerador do conhecimento da
autoridade fazendária, não se confunde com simples equívocos na emissão de
documentos e registro nos livros, assentamentos contábeis e declarações e
impõe a aplicação da multa qualificada de 150%.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL.
Incabível a adoção retroativa do regime de tributação do lucro presumido, no
caso de períodos tributados pela sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº
9.317/96) ou NACIONAL (Lei Complementar 123/2006) na ausência de
previsão legal ou não preenchimento dos requisitos previstos nas suas
respectivas normas de regência.
SIMPLES. TRIBUTOS RECOLHIDOS.
Devem ser computados na apuração do crédito tributário objeto do
lançamento de ofício, adotandose
regime de tributação diverso, os
recolhimentos realizados espontaneamente nas sistemáticas do SIMPLES
FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e NACIONAL (LC nº 123/2006).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2006, 2007
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA FISCAL.
Preclusa a fase de instrução do processo administrativo fiscal e inexistentes
dúvidas a serem elucidadas para firmar a livre convicção do julgador devem
ser rejeitados os pedidos de perícia ou diligência fiscal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Anocalendário:
2006, 2007
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase
o decidido ao lançamento
principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de
CSLL.
Numero da decisão: 1803-001.265
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)
o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Incomprovados os depósitos bancários como sendo meros valores repassados a terceiros, incide a presunção legal de omissão de receita na forma preconizada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada e relevante de omissão de receitas mediante expedientes que permitem ocultar a ocorrência do fato gerador do conhecimento da autoridade fazendária, não se confunde com simples equívocos na emissão de documentos e registro nos livros, assentamentos contábeis e declarações e impõe a aplicação da multa qualificada de 150%. ARBITRAMENTO DO LUCRO. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. Incabível a adoção retroativa do regime de tributação do lucro presumido, no caso de períodos tributados pela sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) ou NACIONAL (Lei Complementar 123/2006) na ausência de previsão legal ou não preenchimento dos requisitos previstos nas suas respectivas normas de regência. SIMPLES. TRIBUTOS RECOLHIDOS. Devem ser computados na apuração do crédito tributário objeto do lançamento de ofício, adotandose regime de tributação diverso, os recolhimentos realizados espontaneamente nas sistemáticas do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e NACIONAL (LC nº 123/2006). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA FISCAL. Preclusa a fase de instrução do processo administrativo fiscal e inexistentes dúvidas a serem elucidadas para firmar a livre convicção do julgador devem ser rejeitados os pedidos de perícia ou diligência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Incomprovados os depósitos bancários como sendo meros valores repassados a terceiros, incide a presunção legal de omissão de receita na forma preconizada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada e relevante de omissão de receitas mediante expedientes que permitem ocultar a ocorrência do fato gerador do conhecimento da autoridade fazendária, não se confunde com simples equívocos na emissão de documentos e registro nos livros, assentamentos contábeis e declarações e impõe a aplicação da multa qualificada de 150%. ARBITRAMENTO DO LUCRO. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. Incabível a adoção retroativa do regime de tributação do lucro presumido, no caso de períodos tributados pela sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) ou NACIONAL (Lei Complementar 123/2006) na ausência de previsão legal ou não preenchimento dos requisitos previstos nas suas respectivas normas de regência. SIMPLES. TRIBUTOS RECOLHIDOS. Devem ser computados na apuração do crédito tributário objeto do lançamento de ofício, adotandose regime de tributação diverso, os recolhimentos realizados espontaneamente nas sistemáticas do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e NACIONAL (LC nº 123/2006). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA FISCAL. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.032 2 Preclusa a fase de instrução do processo administrativo fiscal e inexistentes dúvidas a serem elucidadas para firmar a livre convicção do julgador devem ser rejeitados os pedidos de perícia ou diligência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório ZAQUEU FARIAS DE SOUZA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ JUIZ DE FORA (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra o interessado acima identificado foram lavrados os autos de infração de fls. 02/33, que lhe exigem um crédito tributário assim discriminado, com juros de mora calculados até 30/12/2009: Auto de Infração Valor (R$) IRPJ 473.606,47 CSLL 270.937,28 TOTAL 744.543,75 Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.033 3 Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is)" constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante relatou o seguinte: "Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração (oes) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2006 06/2006 09/2006 12/2006 03/2007 06/2007 09/2007 12/2007 Arbitramento do lucro que se pelas razões expostas no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL", que integra este auto de infração. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Falta de pagamento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidente sobre receitas omitidas, relativas aos anos calendário 2006 e 2007, caracterizadas por créditos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada, nos termos do art. 42 da lei n°9.430/96. A apuração dos valores devidos e não recolhidos foi realizada considerando que foi arbitrado o lucro. A descrição dos fatos apurados, dos procedimentos adotados, bem como das razões do arbitramento, estão descritos no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL", que integra este auto de infração. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96. Arts. 532 e 537 do Regulamento do imposto de renda, aprovado pelo decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. 002 — RECEITA OPERACIONAL (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Falta de pagamento de IRPJ e CSLL, apurados considerando o arbitramento do lucro, relativos aos anoscalendário 2006 e 2007, devidos sobre as receitas de revenda de mercadorias escrituradas/declaradas. A descrição dos fatos apurados, dos procedimentos adotados, bem como das razões do arbitramento, estão descritos no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL", que integra este auto de infração. 11 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 532 do Regulamento do imposto de renda, RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. 0 lançamento de oficio da CSLL decorreu das mesmas infrações acima apontadas para o IRPJ, tendo essa contribuição também Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.034 4 sido apurada pelo lucro arbitrado, conforme consignado no respectivo auto de infração. Foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150% sobre o IRPJ e a CSLL lançados em face de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. No item VI do Termo de Verificação Fiscal foi assim justificada a qualificação da penalidade sobre as receitas consideradas omitidas (fl. 67): Conforme já relatado neste termo, principalmente no item 113 (INFRAÇÕES LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA APURADAS), o fiscalizado incidiu nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, conforme sintetizado a seguir: O fiscalizado emitiu e escriturou notas fiscais referentes a uma pequena parcela do seu faturamento efetivo. Na grande maioria das operações o fiscalizado simulou que atuou como prestador de serviços de intermediação entre produtores rurais e atacadistas de bananas. Assim sendo, teria auferido supostas receitas de serviços. Mas o empresário atuou de fato como revendedor de bananas. 0 empresário deveria ter emitido notas fiscais de entradas das bananas adquiridas e notas fiscais de saídas relativas as suas vendas. Esse procedimento foi adotado em uma pequena parcela das operações. Na grande maioria das operações houve simulação de que as vendas foram realizadas diretamente dos produtores rurais para os atacadistas, clientes do fiscalizado. Desta forma, o fiscalizado tentou ocultar sua efetiva participação nos egos de comércio efetivamente realizados. Para que o esquema fraudulento de comércio de bananas funcionasse, foi imprescindível a participação dos produtores rurais e dos atacadistas de banana. A emissão de notas fiscais diretamente dos produtores rurais para os atacadistas, com ocultação da participação e consequentemente das receitas do fiscalizado, não teria ocorrido sem o conluio entre o fiscalizado e os seus clientes e fornecedores. Com fundamento nos arts. 121, inciso II, 124, inciso I, e 135, inciso III, todos do CITI, a autoridade fiscal ainda procedeu A responsabilização tributária do Sr. Zaqueu Farias de Souza, CPF 802.936.54620, como sujeito passivo solidário pelo crédito tributário lançado de oficio. 0 Termo de Sujeição Passiva Solidária consta das fls. 2.325/2.334. Contra o lançamento, o interessado apresentou impugnação As fls. 419/422, na qual, após descrever os fatos ocorridos, em resumo, assim se manifestou: Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.035 5 Inexistência de sonegação, fraude e conluio a) Inexistiu o intuito de sonegação, pois toda a operação foi realizada de forma clara e objetiva, não existiu nenhum ato que possa induzir o desconhecimento das operações pelo fisco, tanto é que estas operações passaram pelo sistema bancário brasileiro, com o pagamento da CPMF, inclusive foi este o indicio que levou o fisco ao procedimento fiscal; Não há que se falar em Fraude, haja vista que os documentos fiscais da operação foram emitidos: NF dos produtores das vendas de seus produtos diretamente para o adquirente. Os compradores atacadistas, também emitiram NFs de entradas e registros contábeis, além de outros controles nos órgãos públicos estaduais fitossanitários e do trânsito. Há que se ressaltar que para o trânsito e venda do produto 'banana' dentro do Estado de Minas Gerais é dispensada a emissão de notas fiscais; b) Inexistiu conluio, vez que a emissão de notas fiscais dos Produtores para os Compradores é normal e usual, sendo que esta prática inclusive foi apurado e relatado pelo próprio fisco. Devese ressaltar que é da natureza do negócio a realização de operações tais como declinadas à Autoridade Fiscal; c) A Boafé foi totalmente comprovada na apresentação dos documentos e respectivos esclarecimentos, sendo que os valores representam a integralidade das operações. Ademais, durante todo o processo investigatório a empresa contribuiu de todas as formas possíveis, sempre com vistas a elucidação da realidade dos fatos e operações; d) Da Tributação A tributação operou da seguinte forma: • Nas intermediações por conta e risco próprio foi oferecida a tributação no sistema SIMPLES pelo empresário. • Nas operações de representações por conta de terceiros, os compradores e vendedores do produto, com a emissão dos documentos e recolhimentos dos impostos pelos valores constantes nos respectivos documentos. Deve restar caracterizado que considerase pendente ao final, apenas, o "resultado" destas operações de representação em virtude da simplicidade e da própria dificuldade em atendimento as exigências fiscais, principalmente quanto a quais documentos deveriam ser enviados para o escritório contábil, caracterizando, portanto, um mero erro oriundo da inexistência de orientação adequada ao empresário. e) Da natureza do negócio: Quanto as operações de intermediação, a despeito da previsão constante do art. 123 do CTN, a Autoridade Fiscal devese ater à natureza das operações econômicas desempenhadas pelo contribuinte. A realidade regional aponta para a existência de um antiga estrutura negociai já existente tia regido e relativa ao comércio de Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.036 6 produtos agrícolas. Em função até da estruturação rudimentar do negócio, não é lógico que um pequeno empreendimento como o do contribuinte em questão pudesse movimentar valores tilo vultosos de receitas. Tais operações, sim, são operações de intermediação de venda, ainda que a gestão financeira do empreendimento aponte para negócio de distinta natureza. [...1 Diante da inexistência dos institutos de fraude e simulação elencados pelo fisco, conforme provado acima, também não pode prosperar a presunção lastreada somente na omissão de receitas em depósitos bancários, conforme enunciado a seguir: [...] Portanto, estando descaracterizada a fraude e sonegação, não pode prosperar a imputação do fisco, a `injusta' penalidade abusiva em 150% baseada em simples presunções. Assim é a jurisprudência: [...] Das operações de representação [...] Conforme narrado acima, é de simples compreensão a real existência do negócio da representação, não demandando muito esforço tal conclusão lógica, sendo vejamos: a) O contrato de representação é verbal, plenamente admitido no direito civil. Se assim o é, resta a Autoridade Fiscal, em função do principio da motivação estampado na Lei 9.784/99 e no próprio texto da Constituição Federal de 1988 o dever de indicar os fundamentos da desconsideração do negócio de intermediação de frutas. Percebase, outrossim, que o art. 110 do CTN é norma cogente acerca da forma de interpretação da legislação tributária. E dispositivo condicionante das prerrogativas de criação e aplicação do Direito Tributário e apontam para um interessante ponto de vista: 0 legislador tributário e a administração "estão proibidos de alterar a definição, o conteúdo ou o alcance dos institutos conceitos e formas de Direito Privado, mas poderão, apenas darlhes efeitos tributários." Logo, se não foi declarada a ilicitude dos negócios de intermediação de banana, visto ser atividade permitida pelo Direito, presumese falaciosa a argumentação da Autoridade Fiscal, visto que interpreta a realidade fática do negócio modificando a própria estrutura negocial subjacente, fazendo crer que tratase a questão de operação de compra e venda de bananas e não intermediação. Vejase, ainda, que a atividade de corretagem de frutas não é daquelas que se exija qualificação ou regulamentação legal. E atividade que remonta desde os idos do Brasil Colônia e sempre desempenhada de forma corriqueira pelos rincões do país. A Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.037 7 aparente desregulamentação da atividade é corroborada pelo reconhecimento da existência verbal dos negócios. b) Vejamos como procedem as negociações em questão: o empresário Zaqueu, atende as solicitações de seu "cliente comprador", advindos de uma estreita relação de amizade e confiança. O preço do produto "banana" é determinado por uma tabela de preços da ABANORTE, via acesso ao sitio http://www.abanorte.com.br/. em que consta a cotação diária do produto, sendo este o referencial dos produtores e comprados neste mercado via acesso por senhas especificas. Desta forma, não existe qualquer possibilidade de interferência no preço por parte do representante empresário, o mesmo não fixa preços dos produtos que intermedia. c) Depois de autorizado pelo "cliente comprador" via telefone, fax ou internet, providencia a coleta do produto, acondicionamento, e transporte, emitindo o relatório, de. forma especifica consignando os valores a serem pagos aos "produtores vendedores" e demais despesas de expedição. — (Documentos diários da carga fornecida ao fisco). d) "Produtor— vendedor" emite a NF Avulsa na Administração Fazendária AF Janaúba MG, do produto ao "cliente comprador". e) Após o recebimento da carga, o "cliente comprador", faz o depósito da operação na conta indicada pelo Empresário, pelo total da operação, ou envia cheques/dinheiro via transportador. d) De posse dos depósitos e/ou cheques, faz o repasse aos "Produtores — vendedores", aos demais integrantes dos serviços, fornecedores de material de embalagem, transportador etc.., através de emissão de cheques da empresa ou transferências dos cheques recebidos. f) A comissão representa o resultado final apurado, para fazer face a despesas administrativas do escritório, de funcionamento e remuneração dos empreendedores, referente aos valores agregados das atividades póscolheita. g) Toda a operação com a banana, de carga e descarga é realizada dentro dos estabelecimentos do "Produtor vendedor" e do "Cliente Comprador", o empresário faz somente a intermediação. Devese ressaltar que o intermediador não possui câmaras frigoríficas para estocagem da mercadoria, material de tratamento e amadurecimento das frutas, borrifadores de defensivos, duchas de lavagem do produto. Logo, não há como se considerar que existe a compra para posterior revenda, em função até da sua impossibilidade física. h) "Todos os controles internos fornecidos ao fisco, das operações diárias faz a vinculação das cargas identificando o "cliente comprador" e o destino "produtor vendedor", inclusive os valores repassados aos produtores correspondem ao mesmo Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.038 8 valor do custo repassado pelo "cliente comprador", via cotação item b acima. [...] A OPERAÇÃO É ÚNICA, a banana saiu diretamente do Produtor para o Distribuidor com intermediação do Zaqueu, pois este não possuía a época, depósitos, câmaras frias, veículos para coleta e entrega etc. que justificasse tratar de outra operação. Os valores agregados a banana, como embalagens, cargas etc., faz parte integrante para entrega do produto diretamente ao Distribuidor comprador pelo Produtos Rural, o qual saiu diretamente de sua propriedade rural. Do arbitramento dos resultados das intermediações O arbitramento do lucro, somente é admissível nos casos expressos na legislação tributária, não se admitindo interpretações extensivas, visto ser medida e caráter de exceção: Diante do comando legal [art. 530 do RIR/99 – acrescentei], passamos a analisar as hipóteses possíveis de arbitramento: • Inciso I – Empresa não era optante ao lucro real, sendo tributada a época pelo SIMPLES federal. • Inciso II e III — Foram apresentados ao fisco o livro caixa e planilhas demonstrativas de valores, estando inseridas as operações bancárias. • Inciso IV — Inexistem impedimentos a tributação do lucro presumido, pois atende perfeitamente as requisitos legais de opção, e principalmente a determinação do Parágrafo único do artigo 45 da Lei 8.981/95, pela escrituração do livro caixa. • Incisos V e VI — Não se aplica ao caso, por não se tratar de residente e domiciliado no exterior, e da dispensa da escrituração contábil completa. 0 fato de não ter havido o pagamento do imposto no primeiro trimestre não é motivo impeditivo conforme alude o fiscal, pois poderia ser recolhido em atraso, tendo em vista que também não foi efetuado nenhum pagamento com opção ao lucro real. Desta forma, há que se desconsiderar o arbitramento do lucro tributável no levantamento fiscal. Arbitramento operações próprias: Ora, as operações próprias por conta e risco do empresário, foram emitidas notas fiscais de todas as operações, escrituradas nos livros fiscais de saídas, entradas e livro caixa, atendendo a legislação tributária do SIMPLES, sinalizando a sua total regularidade. Desta forma, mesmo que impere o posicionamento do fisco, sobre a irregularidade das operações com intermediação de Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.039 9 terceiros, não pode esta contaminar as outras por simples presunção. Da compensação do PIS e Cofins no SIMPLES NACIONAL O fisco, em sua planilha, evidenciou os pagamentos inclusos nos recolhimentos na modalidade SIMPLES, a Contribuição Social e a COFINS, fazendo a compensação em seus cálculos os valores atribuídos a Contribuição Por evidente erro, foi pago o COF1NS conforme acima, sob as operações próprias de forma equivocada, pois as vendas de bananas, pois está sob o crivo do beneficio fiscal da alíquota zero, conforme a seguir: Desta forma, conforme planilha em anexo, que seja recomposto os cálculos, compensando os pagamentos indevidos ao COF1NS no valor atual de R$ 3.924,67 [...] Da inexistência de riqueza ou acúmulo de patrimônio Outro fator inconteste, e que faz prova em nome da verdade real, contrapondo a realidade factual apresentada pelo Fisco, é que os supostos beneficiários das transações, na realidade são vitimas da imposição mercadolóqica, que mesmo movimentando valores vultosos, não auferiram renda ou tiveram acréscimo de patrimônio, o que foi constatado pelo próprio fisco, quando da informação pelo contribuinte dos bens em intimação para arrolamento, estando todos" eles onerados de dividas e ônus reais conforme a seguir: [...] Da exclusão do SIMPLES Federal e Nacional A exclusão efetuada pelo Fisco está eivada de vícios, considerando que o motivo alegado de excesso de receita bruta com relação a estes limites e prática de infração reiterada de infrações a legislação tributária, foi alvo de manifestação de inconformidade a esta conceituada DRJ, pendente de análise. Da unicidade das operações e bi tributação pelo fisco [...] O fisco atribuiu o total dos depósitos como omissão de receitas do autuado ZAQUEU FARIAS DE SOUZA, o que não é verdade, ou seja, naqueles valores atribuídos como omissão de receitas, estão inclusos estes valores pagos aos produtores e já oferecidos a tributação, tornando desta forma em duplicidade. Desta forma, diante da comprovação incontroversa de referir a única operação e tendo parte já pagos pelos respectivos produtores, não há de prevalecer a tributação total na PJ como foi realizado pelo fisco. Além do mais, não tem como o fisco, em detrimento de um contribuinte beneficiar outro que foi o Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.040 10 verdadeiro beneficiário e que de fato produziu a obtenção de riquezas e patrimônio. Do Pedido • Perícia técnica [...] • Exclusão da multa de 150%, visto que irrazoável e desproporcional. [...] • Reformulação do crédito tributário A vista do exposto, ficou demonstrada a insubsistência e improcedência nos moldes apurados pelo fisco, requerendose seja reformulado ao AI compensado os valores pagos a titulo de COFINS, bem como tributação das atividades de representação sobre os valores líquidos e já informados ao fisco na seguinte forma: [...]. A DRJ JUIZ DE FORA (MG) , através do acórdão nº 0929.907, de 10 de Junho de 2010 (fls. 2997/3004), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitase As normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas, sendo cabível o arbitramento do lucro na ausência de escrituração que permita a apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto A instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.041 11 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase no que couber aos litígios decorrentes, no caso relativo à CSLL, quanto A mesma matéria fática. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dever ser indeferido o pedido de perícia quando esse procedimento mostrarse prescindível para a solução da lide. Ciente da decisão em 09/07/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 3007), apresentou o recurso voluntário em 10/08/2010 fls. 3011/3024, onde reitera parcialmente os argumentos da inicial de que os depósitos bancários não representam receitas mas decorrem da intermediação por conta de terceiros. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício contendo autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados em virtude da constatação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos 2006 e 2007, com arbitramento do lucro. Alega a recorrente em síntese: a) Que os depósitos bancários tem origem no recebimento e repasse de valores aos produtores rurais pela intermediação de bananas “in natura”; b) Que os valores depositados não podem ser imputados como receita da recorrente pois sobre os valores depositados haveria apenas a percepção de comissões de intermediação, não sendo portanto receitas da pessoa jurídica; c) Que a recorrente atuava apenas como intermediária entre os produtores rurais de bananas e as empresas atacadistas, sendo emitidas as competentes notas fiscais de produtor fornecidas pelo fisco estadual; d) Que a recorrente não possui estrutura física de câmaras frigoríficas ou depósitos sendo que a embalagem e classificação das bananas era feita no estabelecimento dos produtores, sendo que a embalagem e etiquetagem era feita pela recorrente com o fito de transportar a mercadoria até os estabelecimentos atacadistas; e) Que devem ser tributados apenas os ganhos da intermediação e não os valores repassados a exemplo do que ocorre com agências de turismo, equiparandose a sua atividade a simples representação comercial; Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.042 12 f) Que não deve ser adotado o regime de tributação do lucro arbitrado sobre as receitas efetivamente apuradas mas o lucro presumido; g) Que não deve ser aplicada a multa qualificada de 150% pois não houve comprovação de fraude ou sonegação, tendo ocorrido apenas equívocos na escrituração e emissão de documentos fiscais; h) Que deve ser deferida perícia com base nos quesitos já apresentados na impugnação acrescidos dos quesitos apresentados no recurso voluntário; i) Que devem ser compensados os valores recolhidos à título de COFINS no regime de tributação simplificado (SIMPLES FEDERAL E NACIONAL), pois as vendas de bananas tem alíquota zero, conforme estipula o art. 28, inciso III da Lei nº 10.865/2004. Não assiste razão quanto ao mérito. Com efeito, conforme o extenso “Termo de Verificação Fiscal” – fls. 34/69, relata a autoridade fiscal o “modus operandi” da atividade exercida pela recorrente que consiste na compra, coleta e embalagem de bananas “in natura” junto aos produtores rurais e a posterior revenda aos atacadistas nacionais da fruta. Afirma a recorrente em seu arrazoado de que exerce efetivamente a atividade de compra e venda de bananas mas que esta atividade está regularmente documentada e registrada em seus livros fiscais (não possui escrituração contábil), tendo sido recolhidos todos os tributos incidentes no âmbito do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar nº 123/2006). No tocante aos depósitos bancários que foram imputados como omissão de receitas teriam como origem a simples intermediação (representação comercial) entre os produtores rurais e comerciantes atacadistas, auferindo em conseqüência apenas uma comissão sendo que esta efetivamente não foi oferecida à tributação. Afirma a recorrente que embora tivesse a incumbência de entregar o produto embalado e receber os valores decorrentes da venda, repassava os valores aos produtores rurais, descontando apenas as despesas e a comissão que lhe cabia. Os fatos narrados e as evidências coligidas pela autoridade fiscal não corroboram as afirmações da recorrente. Não se verifica qualquer similitude fática com o exercício de representação comercial preconizado na Lei nº 4.886/65 ou mesmo tratarse de simples mandato previsto no art. 653 e ss do Código Civil Brasileiro. Constatase sim, que a recorrente exercia em grande escala a compra e venda de bananas “in natura”, atuando como atravessador entre os produtores rurais e os comerciantes atacadistas do produto. Não é crível que a recorrente exerça a atividade de compra e venda de bananas com uma parcela ínfima das operações enquanto a maior parte das operações seria apenas uma ‘intermediação’ sujeita apenas ao recebimento de uma comissão pelo serviço Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.043 13 prestado, remuneração não estipulada ou fixada seja com os produtores rurais, seja com as empresas compradoras das frutas. Devese lembrar que a recorrente além de contatar os produtores rurais, recolhia, selecionava e embalava as frutas utilizando seu nome de fantasia “Tropical Frutas” e “Banana Real”, ficando responsável pela entrega e cobrança dos valores, repassando aos produtores os valores combinados com estes, não guardando qualquer relação com os valores efetivamente cobrados dos comerciantes atacadistas. Os valores consignados nas notas fiscais de produtor eram apenas de simples referência já que emitidos com base em pautas do Fisco Estadual, havendo registro de grandes divergências entre os valores efetivamente cobrados dos compradores atacadistas. Destarte, resta extreme de dúvidas que a atividade exercida pela recorrente utilizandose para tanto do expediente de emitir apenas notas fiscais de produtor rural e das contas bancárias da pessoa física do titular era de compra e venda de bananas “in natura”, não se confundindo com a mera representação comercial ou mesmo exercício de mandato em nome dos produtores rurais ou das empresas atacadistas. Não há qualquer liame entre o fato de que os produtores rurais tenham incluído qualquer rendimento em suas declarações do imposto de renda, pois tratandose de contribuintes distintos a tributação incide de forma individual e distinta em cada contribuinte. Tivesse a recorrente efetuado as operações de forma clara e transparente em seu nome, poderia se beneficiar da tributação com base no lucro real abatendo os valores pagos aos produtores, o que não implica reconhecer qualquer bitributação como afirma. De qualquer forma, mesmo adotandose o regime de tributação do lucro arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi de apenas 9,6% o que equivale atribuir um custo arbitrado de quase 90% às operações realizadas. Destarte, restaram incomprovados os depósitos bancários na forma propalada pela recorrente, imputandose aos mesmos a eiva de omissão de receitas na forma da legislação vigente. Sem razão outrossim, a recorrente ao postular a tributação pelo regime do lucro presumido. Conforme já adiantou a autoridade fiscal em seu “Termo de Verificação Fiscal” a recorrente não possui escrituração comercial e fiscal nos períodos fiscalizados. Assim, além de não poder optar pela tributação com base no lucro real, não atende aos requisitos para tributação pelo lucro presumido pois o livro caixa apresentado, não contém o correto registro das operações e tampouco a adequada identificação da movimentação financeira da empresa. Por outro lado, não existe previsão legal para opção retroativa em relação aos períodos de tributação com vigência do SIMPLES FEDERAL (Lei 9.317/96) – 01/01/2006 a 30/06/2007. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.044 14 Sendo assim, não é possível a tributação pelo lucro presumido no período do SIMPLES FEDERAL por vedação legal e tampouco no período do SIMPLES NACIONAL (Julho a Dezembro/2007) pois o livro caixa apresentado não preenche os requisitos legais. Não merece reparos tampouco a decisão de primeira instância no que se refere a manutenção da multa qualificada de 150%. Conforme estampado às escâncaras nos autos, a recorrente utilizouse de notas fiscais de produtor e de contas bancárias em nome da pessoa física do titular – ZAQUEU FARIAS DE SOUZA – para ocultar a vultosa movimentação financeira que decorreu de suas operações de compra e venda de bananas “in natura”. Conforme se depreende do relatório “Movimentação Bancária x Receita Escriturada/Declarada” – fls. 140/141, a receita bruta declarada equivale a apenas 2,30%, 3,90% e 3,85% da receita omitida no ano calendário de 2006 e nos 1º e 2º semestres de 2007, respectivamente. Não deixa de ser relevante o fato de que conforme planilha elaborada pela autoridade fiscal – fl. 144, somente o recolhimento de CPMF sobre a movimentação financeira não registrada equivaleu a 13,22% da receita bruta escriturada e declarada pela contribuinte o que revela que tais valores além de assumidos pela contribuinte tiveram um impacto capital em suas operações. Não se pode portanto, atribuir a simples equívocos na apuração da receita, da forma de escrituração ou emissão de documentos fiscais, a prática reiterada e relevante de omissão de receitas utilizandose do expediente de mascarar as operações com notas fiscais de produtores e tentativa de ocultar a movimentação em contas particulares do sócio titular. O expediente adotado pela recorrente de utilizar notas fiscais emitidas por terceiros (produtores) e a utilização das contas particulares do titular para movimentação financeira revelam o firme propósito de ocultar o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária. No que se refere ao pedido de perícia deve ser rejeitada pois consoante a decisão de primeira instância já deixou patente, tendo havido convicção sobre os elementos da acusação fiscal e dos fatos narrados, nada há para ser elucidado nos autos. A perícia seria evidentemente inócua por inexistir quaisquer dúvidas adicionais para serem elucidadas e tendo os quesitos apresentados sido refutados pelos próprios elementos contidos nos autos revelase prescindível para o deslinde do litígio. Outrossim, conforme a própria recorrente enfatizou no decorrer da impugnação e recurso voluntário, as supostas negociações e contratos de intermediação teriam sido exclusivamente verbais sendo que a apresentação de novos elementos encontrase preclusa nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Por derradeiro, entendo assistir razão à recorrente no que tange à compensação dos valores de COFINS recolhidos e destacados na planilha “Partilha do SIMPLES” – fls. 145/146. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10670.000073/201042 Acórdão n.º 180301.265 S1TE03 Fl. 3.045 15 Com efeito, a Administração Tributária já reconheceu que os valores recolhidos na sistemática do SIMPLES devem ser compensados em casos de exclusão e lançamento de ofício, não devendo esta compensação no entanto, limitarse aos tributos da mesma espécie ou denominação. Destarte, independentemente do fato de que a empresa não estava sujeita às exações do PIS/COFINS tendo em vista as disposições da Lei nº 10.865/2004, os valores recolhidos e apurados pela autoridade fiscal devem ser compensados com os valores do lançamento de ofício, preferencialmente com relação aos valores apurados sobre a receita bruta anteriormente declarada e tributada. Conforme planilha das fls. 145/146, foi apurado o total de R$ 2.967,30, que deve ser imputado ao crédito tributário, com as repercussões de redução da multa de ofício prevista para os pagamentos efetuados até 30 (trinta) dias da ciência do lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação do valor original de R$ 2.967,30 no crédito tributário apurado, com a repercussão da multa de ofício prevista para os pagamentos realizados até 30 (trinta) dias da ciência do lançamento. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido em relação ao IRPJ também ao lançamento de CSLL. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13151.100003/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Anocalendário:
2002
Ementa: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À
RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. RECURSO
REPETITIVO STJ.
Com a edição do art. 62A
do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ
submetidas ao rito do art. 543C
do CPC devem ser seguidas pelo CARF.
Assim, conforme acórdão do STJ, proferido no REsp no 1.149.022, o
pagamento de diferença de contribuição devida anterior ou
concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea,
hipótese que afasta a incidência da multa moratória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-000.904
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do
voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 Ementa: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO STJ. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, conforme acórdão do STJ, proferido no REsp no 1.149.022, o pagamento de diferença de contribuição devida anterior ou concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea, hipótese que afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 Ementa: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO STJ. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, conforme acórdão do STJ, proferido no REsp no 1.149.022, o pagamento de diferença de contribuição devida anterior ou concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea, hipótese que afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Fl. 205DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100003/200745 Acórdão n.º 3301000.904 S3C3T1 Fl. 194 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Sustentou pela parte a Advogada Anete Mariel Maciel Medeiro OAB/DF nº. 15.787. Relatório PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL MATO GROSSO LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 135/145, contra o acórdão nº 0418.973, de 06/11/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS, fls. 123/128, que julgou procedente o auto de infração de Cofins de fls. 38/39, relativo a pagamento de contribuição após o vencimento, com insuficiência de acréscimos legais, referente a períodos compreendidos entre 01/01/2002 a 31/12/2002, cuja ciência ocorreu em 17/04/2007 (fls. 01 e 118), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra auto de infração que, apurando pagamento em atraso desacompanhado dos respectivos acréscimos moratórios, formalizou a exigência de multa de mora relativamente a débitos de PIS, tendo por fundamento legal o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e demais dispositivos citados no auto de infração de fls. 37 a 55. Preliminarmente alegou ilegitimidade passiva, dado que na qualidade de sucessora não responde por infrações praticadas pela sucedida, quando a multa é lançada após a sucessão. No mérito, a contribuinte apresentou impugnação na qual, em síntese, alegou que, antes de qualquer procedimento fiscal, procedera aos pagamentos dos débitos não inseridos previamente nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. O tributo, embora pago em atraso, foi acrescido apenas de juros de mora, porquanto entende a impugnante estar amparada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, o qual, consagrando o instituto da denúncia espontânea, afasta a imposição de qualquer tipo de multa, inclusive a de natureza moratória. Contestou ainda a cobrança de juros de mora do mês de novembro de 2002, ao argumento de que adimpliu a obrigação nos moldes legais. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência do auto de infração. A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 Fl. 206DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100003/200745 Acórdão n.º 3301000.904 S3C3T1 Fl. 195 3 ALTERAÇÃO DE QUADRO SOCIETÁRIO E DE DENOMINAÇÃO SOCIAL. SUCESSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SUCESSOR. CRÉDITOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DA SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. A alteração do quadro societário e da denominação social não caracterizam sucessão, porquanto se trata da mesma pessoa jurídica. Entretanto, mesmo na hipótese de sucessão, o sucessor responde pelos créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes desse evento, mesmo que o lançamento seja efetuado posteriormente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. ALCANCE. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa de mora pelo cumprimento tardio da obrigação tributária, seja acessória ou principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, em 01/09/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 135/145, no sentido de que a denúncia espontânea tem o condão de afastar a aplicabilidade de multa (moratória ou punitiva), no caso de recolhimentos em atraso, nos termos do art. 138 do CTN e jurisprudência do STJ, cujos requisitos são: (i) o pagamento da totalidade do tributo devido, incluídos os juros de mora porventura existentes; (ii) a inexistência de processo de fiscalização iniciado relacionado com a infração; e (iii) no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a inexistência de débito tributário declarado em DCTF e não pago. De se ressaltar que os pagamentos da contribuição e juros moratórios ocorreram antes da apresentação das DCTF retificadas em 17/11/2005 e 09/05/2006. Por fim, requer o afastamento da multa de mora imposta pelo auto de infração É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. No auto de infração à fl. 38, verificase que, em relação aos dados das DCTF referentes ao ano calendário de 2002, a contribuinte apresentou as DCTF retificadoras em 17/11/2005, referente aos quatro trimestres de 2002. Por sua vez, os pagamentos correram nas seguintes datas: Fls. P. Apuração Vencimento Pagamento Vl. Principal 43 jan/02 15/2/2002 25/7/2005 27.339,55 Fl. 207DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100003/200745 Acórdão n.º 3301000.904 S3C3T1 Fl. 196 4 44 fev/02 15/3/2002 25/7/2005 26.352,93 45 mar/02 15/4/2002 25/7/2005 23.227,84 40 abr/02 15/5/2002 25/7/2005 28.230,55 41 mai/02 14/6/2002 25/7/2005 30.301,95 42 jun/02 15/7/2002 25/7/2005 27.050,42 46 jul/02 15/8/2002 25/7/2005 33.029,72 47 ago/02 13/9/2002 30/9/2002 3.069,93 47 ago/02 13/9/2002 25/7/2005 41.617,40 48 set/02 15/10/2002 25/7/2005 56.625,89 49 out/02 14/11/2002 25/7/2005 73.487,87 50 nov/02 13/12/2002 2/1/2003 4.760,69 50 nov/02 13/12/2002 25/7/2005 82.891,48 51 dez/02 15/1/2003 25/7/2005 90.291,00 Por meio da fl. 53 e das precitadas, verificase que os juros de mora, quando devidos foram corretamente pagos, exceto em relação ao valor de R$47,59, pagos por meio do DARF à fl. 117. Assim, somente a multa de mora deixou de ser paga, fato que motivou o presente lançamento. Por outro lado, a contribuinte entende ter se valido do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e assim sendo, tornase incompatível a exigência de multa de mora. Sobre o tema cabem algumas considerações. É certo que no nosso diaadia, caso não se pague o compromisso na data de seu vencimento, devese fazêlo com os devidos acréscimos, apesar de não sermos notificados do atraso. Sendo a multa moratória uma realidade inconteste nas relações obrigacionais privadas, não há razoabilidade para tratamento diverso no caso de dívidas tributárias. A vigorar a tese da denúncia espontânea para pagamentos a destempo, sem os acréscimos devidos, seus vencimentos passarão a ser meras referências. Todos os tributos com vencimento no mês poderiam ser pagos no último dia do próprio mês, sem qualquer acréscimo. A certeza de imposição de penalidade estipulada em lei (multa e juros) àqueles que ignoram o vencimento é que faz os contribuintes recolherem os tributos com a multa de mora, para os vencimentos dentro do mês. Não há como ignorar a multa instituída pela Lei n° 9.430/96, destinada ao pagamento espontâneo e extemporâneo, sendo de 0,33% ao dia, limitada a 20%, consignada no art. 61 e §§. A não observância deste preceito ensejaria a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I. Conforme se observa, o legislador elaborou uma sistemática visando motivar a contribuinte ao recolhimento dos tributos nos respectivos vencimentos. A multa de mora, portanto se constitui em um encargo menos oneroso que a multa aplicada em procedimento de ofício, a qual, por se tratar de penalidade, está sujeita ao contraditório e a ampla defesa. A iniciativa da contribuinte em efetuar o pagamento de seus débitos em atraso, com observância dos juros e multa de mora, portanto de natureza indenizatória, tem a função de afastar a aplicação de multa punitiva. A multa moratória sempre funcionou como encargo decorrente do recolhimento do tributo a destempo, de modo espontâneo efetuado pelo contribuinte, sem o concurso do fisco. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100003/200745 Acórdão n.º 3301000.904 S3C3T1 Fl. 197 5 A vigorar a tese da recorrente, a multa de mora seria inaplicável, pois, sendo efetuado o recolhimento antes de qualquer procedimento de ofício, com base nesse entendimento ela se torna indevida e, por outro lado, se o recolhimento fosse efetivado após o inicio de procedimento fiscal, somente a multa de ofício, mais gravosa deveria ser exigida. Portanto, não haveria aplicabilidade à multa de mora, a despeito de sua previsão pelo legislador. Conforme demonstrado, contrariar o instituto da denúncia espontânea contido no art. 138 do CTN, com suas previsões sancionatórias elaboradas de modo sistêmico como fixou o legislador pátrio, além de retirar a eficácia das normas que determinam os prazos de vencimentos dos tributos, desorganizando a arrecadação tributária do Estado, ainda extirparia a multa de mora do ordenamento jurídico, pela sua total inaplicabilidade. Contudo, por meio do Resp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, o STJ pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir postas nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 209DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100003/200745 Acórdão n.º 3301000.904 S3C3T1 Fl. 198 6 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos constam do original) Por outro lado, a Portaria MF nº 256/09, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nos 446/09 e 586/10, que aprova o Regimento Interno do CARF, passou a dispor do seguinte modo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, vez que a decisão citada fora proferida em conformidade com o rito previsto no art. 543C, deverá ser seguida por este colegiado. Assim, conforme bem concluiu o Conselheiro José Antonio Francisco, relator do voto condutor do acórdão nº 330200.832, de 04/02/2011; “havendo pagamento da diferença antes ou concomitantemente à retificação da declaração, sem que o Fisco tenha Fl. 210DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100003/200745 Acórdão n.º 3301000.904 S3C3T1 Fl. 199 7 tomado providências em relação à matéria, configurase a denúncia espontânea”. Vez que este fato se verificou no presente caso, não deverá incidir a multa de mora. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa de mora. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 211DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 14041.000837/2005-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em
matéria civil, penal e tributária, (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CALCULO.
A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não legitima quando incide sobre urna mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 01-04.987 de 15/06/2004).
Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte
negado.
Numero da decisão: 9202-000.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por maioria de votos, conhecer do recurso do Contribuinte. Vencidos
os Conselheiros Gustavo Lim Haddad, Susy Gomes Hoffrnann e Carlos Alberto Freitas Barreto, que dele não conheciam. No mérito, por unanin idade de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária, (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CALCULO. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não legitima quando incide sobre urna mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 01-04.987 de 15/06/2004). Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-14T13:03:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-14T13:03:00Z; Last-Modified: 2011-09-14T13:03:01Z; dcterms:modified: 2011-09-14T13:03:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:de823884-e53b-4560-8a64-0f5d28e209b9; Last-Save-Date: 2011-09-14T13:03:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-14T13:03:01Z; meta:save-date: 2011-09-14T13:03:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-14T13:03:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-14T13:03:00Z; created: 2011-09-14T13:03:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2011-09-14T13:03:00Z; pdf:charsPerPage: 1232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-14T13:03:00Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 14041,000837/2005-08 Recurso n" 15.3.596 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão n" 9202-00.995 — 2' Turma Sessão de 17 de agosto de 2010 Matéria IRPF Recorrentes FAZENDA NACIONAL e JUREMA MALCHER FONSECA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO. Sao tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária, (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CALCULO. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não legitima quando incide sobre urna mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n" 01-04.987 de 15/06/2004). Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por maioria de votos, conhecer do recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lim Haddad, Susy Gomes Hoffrnann e Carlos Alberto Freitas Barreto, que dele não conheciam. No mérito, por unanin idade de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte, Carlos Alberto Fre t s Barreto - .411111° anoe oelho A ente 0 7 0E7. 2010 / Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barre (Prr sidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Goqalo B iet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 30 de março de 2007, a então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 102-48.418 [fls.416 – 435] que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada aplicada por falta de recolhimento mensal obrigatório [Carne-leão]. Ementa Assunto. - Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1 RPF Ano-calendário • 2002 Ementa , 1RPF PRESTAÇÃO DE SERV1ÇO POR NACIONAIS :UNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — Sao tributáveis os rendimentos decorrentes c/a prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, panda recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-/Ires a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matc;.1 ia civil, penal e tributária, (Acórdão CSRF 04-00 024 de 21/04/2005) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÁNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da mini/Ia isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n°01-04987 de 15/06/2004) 2 EDI'TADO Nocesso n^ 14041 000837/2005-08 Acintifiu n 9202-00.995 CSI2F-T2 Fl 2 Recurso parcialmente provido, Irresignada corn o acórdão, a i . Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial [fls.439 — 446], corn fulcro no art. 5 0 , II, do Regimento Interno a epoca . A r. PGFN apresenta como paradigma de divergência, o acórdão n° 101-94.858 proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. [Ementa do acórdão n° 101.94.858] CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — AC_ 1998 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE — descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de dispositivos legais, matéria sob a qual leni competência exclusiva o Poder Judiciário, NORMAS PROCESSUAIS - CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL — A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa, LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO — CABIMENTO - SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CREDITO TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFICIO PROCESSO JUDICIAL EM CURSO — E cabível a manutenção de multa de oficio lançada na ausência de condição stispensiva da exigibilidade do crédito tributário. Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois da ciência do lançamento, na data deste não havia suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial a exclusão da multa de oficio, por isso, esta deve ser mantida até a decisão judicial do m6110, que se for favorável ir tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFICIO - VALOR DECLARADO OM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — INEXISTÊNCIA DE 'CONDIÇÃO SUSPENSIVA — DECLARAÇÃO INEXA TA - CABIMENTO — Cabível o lançamento de oficio de parcela equivocadamente informada na DIPJ coma estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a "declaração inexata" constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei 11" 9.430/1996 MULTA DE OFICIO ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — cabível a aplicação de multa de oficio, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento tia CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFICIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações á lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de rheas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Requer a Procuradoria da Fazenda Nacional, o provimento do seu recurso, fim de que seja reformada em parte à decisão recorrida -no ponto em que determinou a exclusão da multa, Em 30 de março de 2007, a então Presidente da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° 2- 0.009/2007 [fls.466 — 468], dando seguimento ao recurso da Fazenda Naciona l . por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte protocolizou, tempestivatnente, contra-razões [fls.513 — 520] que, pugna pelo não provimento do recurso da PEGN, sendo mantida a decisão da Segunda Camara no ponto em que excluiu a multa isolada. Inconformado com o teor do acórdão em tela, o Contribuinte protocolizou Recurso Especial [fls,471 — 489], com fulcro no art. 7', II, do Regimento Interno h época. Recorrente apresenta como paradigma de divergência, o acórdão n° 104-17,595 proferido pela então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. [Acórdão n" 104-17.595] IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA 0 DESENVOLVIMENTO NO BRASIL - ISENÇÃO - Por força das Aposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo di; eito pátrio através do Decreto (27.784, de 16.02.50, os valores artferidos a titulo de rendimentos do trabalho pelo desempenho de (unções especificas Junto co Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, ISCII WS do imposto de renda brasileiro. Recto so provido. Requer o Contribuinte, o provimento do seu recurso para reformar a decisão ora recorrida, urna vez que, segundo o mesmo, os valores recebidos de Organismos Internacionais, com base nas Convenções Internacionais e na Legislação brasileira, estão isentos de Imposto de Renda, A então Presidente da Segunda Câmara, em exame de admissibilidade do recurso especial do Contribuinte, proferiu Despacho IV 659/2008 [fls,523 — 524], dando seguimento ao recurso por entender preenchido os pressupostos de admissibilidade. Instada a se manifestar do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional protocolizou, tempestivamente, contra-razões [fls.527 — 532] que pugna pelo não provimento do recurso, mantendo-se nessa parte [isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU], o acórdão exarado pela Sexta Câmara, 4 Derisdo morrida, A Oifidó" P.RESTAÇA0 DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD — TIUBUTAgiO So rributiveis os r.exidimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Naçrzies Unidas para o Desenvolviinento,- quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condigão de funcionário de organismos mos internacionais" , este detentor de privilégios e imunidades em, matéria , civil, penal le tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). - , • MUI,ITA:ISOLADAE''‘MULTA DE OFÍCIO: - obNcokiliNc[A: , -1= IVTESMA,BASE DE CALCULO'=: -A da,,;:, .111144 isolada e da ..?Multa 'dei;• Oficio não'r':e• légíiitha. quando. incide sbbre :tiMa fife-siiia base de Fal.cuiP , , nO1-04 987 de 15/06/2004) &CUrso7Parcialmente ,srovi MULTA'DE OFIgOeSOLADA ' -'1. -FAL-TA: DE -RE .6C)LIJIME,Rib l*re- AV. DE ktESTIMATIV.Kir— --•-iÇabivett a . - ' aplicaçacy 'de '41.N. multaaldelT;,roficio apircaola isotaaamenteo,na ta.,;cte reco Centoda(511 49i ..? ase na es tiva dos yalores deyldosApor expressa previsãoIe • - MULTA DE' °Fla° ,:d 4 BASE ,-2cAt.cuL APLICAÇA DUPLICIDADE.— anga.mentó muliaS1:ael .'o* ficidA;I: sot:ire:a mesma base,..decalcuro,t,eopossivelt, visto d.e'ai.iirifraeiesl lei ="0.fttiRrAr'4,A5 - :*frr trib*utána;ten o ;porlconseqii6ncla a apliaço dc -uaskipenanotacies untas. urso untano4lad= , - O artigo 44, II, da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11A88, de 15/06/2007 dispõe in verbis: Lei n° 9.430, de 1996, Processo n" 14041.000837/2005-08 CSRF-T2 Acórdzio n .9202-00.995 Fl 3 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator I — Do Recurso da Fazenda Nacional: 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Quanto A divergencia necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Art. 44, Nos casos de langamento de o ficio, sei ão aplicadas as seguintes multas, (Redação dada pela Lei n" 11 488, de 15.062007, DOU 15.06 2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n" 351, de 22 01 2007, DOU 22.01.2007 - Ed Extra) de 50% (cinqüenta pot cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8" da Lei n" 7 713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de set- efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; h) na forma do art 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o litcro liquido, no ano-calendário CotIvspondente, no caso de pessoa juridica. (Redação dada ao inciso pela Lei n" 11.488, de 15 06,2007, DOU 15 06,2007 - Ed Extra, convetsão da Medida Provisória n°3.51, de 22,01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed Extra). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência precipua apreciar divergência jurisprudencial quanta à aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que a matéria fática em urn dos acórdãos verse sobre UNESCO/ONU e no outro sobre a CSLL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio . Por tais razões, entendo que 'estamo' diante de situação em que o recurso merecesse ter seu seguimento admitido. Em que pese meu ponto de vista pessoal, ao apreciar esta matéria, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, ao examinar os recursos de if 106-149655; 106-149656; 106-149857; 106-149859; 106-149860 e 106-150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de forma concomitante corn a multa de oficio, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante corn a multa de oficio, cuja matéria Mica, são os rendimentos decorrentes de prestação de serviço à organismo internacional (UNESCO/ONU).. Além das decisões administrativas acima referidas, a questão referente admissibilidade de recurso especial que tern como matéria prestação de serviços a organismos intemacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que ao apreciar o Recurso Especial n° 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. Corn tais considerações, não conheço do recurso. II — Do Recurso do Contribuinte: O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Camara Superior. de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 do 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda . Foi interposto por parte legitima e está de v id a m en te fundamentado. 6 Processo if 14041.000837/2005-03 CS1217-1- 2 Aecitchlo n." 9202-0(L995 H 4 Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD – TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por ,faltar-lhes a condição de ,funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. MULTA ISOLADA - NÃO CUMULA TIVIDADE COM A MULTA DE OFICIO - Se aplicada a multa de oficio ao tributo apurado em i langamento de oficio, a ausência de anterior recolhimento mensal (via carné-leão) do referido imposto não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente 6 aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penaliza ção sobre a niesina base de incidência. Recurso parcialmente provido. Em relação ao ac6rdio paradigma apontado como caracterizador divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF RENDIMENTOS PERCEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE EXERCÍCIO DE FUNÇÃO EST/11 7EL JUNTO AO PNUD — IMUNIDADE Pot .força das disposições contidas no Acordo Técnico Regulador das atividades do PNUD e da Convenção sobre Imunidades Privilégios, não pode ser exigido imposto de renda do contribuinte, nina vez que beneficiário da imunidade conferida por estas normas. Recurso negado. Do confronto das ementas acima referidas, tem-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de renda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta forma, fica caracterizada a divergência, razão pela qual admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Turma da Camara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão l04-2045l de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": "(..) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivo.s legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a unia conclusão precipitada, divorciada da ' ultima ratio' que notteia a concessão da isenção em tela. O artigo 5" da Lei n" 4 506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece 'Art. 5" Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho aufer idos por: I - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros,' II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil fava parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor' não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de out, os países no Brasil, desde que no pais de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e Ill deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros r endimentos produzidos no pals ' Quanto aos incisos I e III, não ha dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicilio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil, Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Bi ash, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no Pals, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que or inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que .o art 5" da Lei n" 4.506/64, acima transcrito, não contempla a si‘tuação do Recorrente — brasileiro residente no Brasil Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no Pais o que se admite apenas paia argumentar —, o dispositivo legal em . foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estarprevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo PNUD Pi ograma das Nações Unidas para o Desenvolvimento, ye, ifica- se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica corn a Organização das Nações tinidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n" 59.308, de 23/09/1966, que assim preve: ARTIGO Facilidades, Privilégios e Imunidades 8 Process() n" 14041 00083712005-08 Acórdiin n ° 9202-0M95 1. 0 Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicara aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem coma a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à aganização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações (Iniclas',• b) com respeito ás Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas',. c) com respeito á Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sabre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações (grifei) Ressalte-se que o PNUD é man programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas ', são: Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Comparação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e DesenVolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, Unido Internacional de Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Maritima Consultiva Intergovernamemat Sendo o PNUD um programa específico da Organização das Nações Unidas, as respectivas .facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e hnunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e -promulgada pelo Decreto n" 27.784, de 16/02/1950.. Dita Convenção assim pre y& 'ARTIGO Funcionários Seção 17. 0 Secretario Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos. Membros. Seção 18. Os fiurciontirios da Organização das Nações Unidas: • gozarão de imunidades de jurisdição para os (nos praticados no exercício de suns funções oficiais (inclusive seas pronunciamentos verbais e escm CS17F-T2 H 5 b) set& isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações- Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não sei-ão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, as restrições imigratár ias e às Ibrmalidades de i egistro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, per tencentes- às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim coma suas esposas e demais pessoas da faint/ia que deles dependam, das inesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional, g) gozarão cio direito de impo, tar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no pais interessado Seção 19, Além dos privilégios e imunidades' previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários get ais, tanto no que Hies diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticosYgrifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sabre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratárias e de regis-tro de estrangeiros, inclusive para sua privilégios cambiais equivalentes aos funcionár ios de missões diplomáticas; facilidades de r epatriamento itienticas às dos . funcionários diplomáticos, em tempo de case internacional, liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no pais interessado. Embora a Convenção ora enfocada utilize a expressão genérica . funcionários, a simples leitura cio conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o teimo abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no Pais, benefícios tais- como facilidades imigrará rias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, .facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Pais Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sabre salários e emolumentos relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas lido são dirigidas aos br asileiros residentes- no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de frincionários seriam beneficiárias de tais facilidades, 10 Processo O 14041.000837/2005-0S Acártliio n.° 9202-00,995 A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: ARTIGO V Funcionários Seção 17. 0 Secretário Geral determinará as categorias dos . funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de tortos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficias de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU e que no inciso II do art, 5" da Lei n" 4.506/64 é chamado de servidor — 6 o .funcionário internacional, integrante dos quadros da ONU com vincula estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não „fazein jus facilidades, privilégios e imunidades- relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. .5", da Lei n" 4.506/64 (transcrito no inicio deste vow), fá que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui- se que os servidoreslfinicionárias neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais perfeitamente cabível a tributação de 011nos rendimentos produzidos no Pais como de residentes no estrangeiro, bem conic) a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no Pais, dot a justificativa para esse tratamento diferenciado Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer film-lament° legal ou mesmo lógico para que usufruam day merinos vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pingado, dentre os diversos beneficias, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legisla cão — de unia categoria de funcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de menda o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendiniento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégio:; e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe.. CSRF-T2 Fl. ARTIGO VI l'écliicos a ser viço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicas (indeperidertte.s dos jimcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, das ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes. a) inumidade de prisão pessoal ou de cletençao e apreensão de suas bagagens pessoais,. b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os. pronunciamentos verbais e esci itas). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto ti Organização das Nações (Midas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usai códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas conunzicações com a Organização das Nações Unidas, e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos es trangeiros em missão oficial tempoi ária. f) no que diz respeito a sues bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos Seção 23 Os privilégios. e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não par a que atzlirant vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juizo impeçam a justiça de seguir seus trámites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização,' Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar da i elação de beneficios concedidos aos técnicos a sei -viço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de beneficias, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vinculo contratual permanente, não é albergada por esses beneficias. Tal constatação é. col Tabor ada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Páblico' (1 la edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729). 'Os finzcionárias inter nacionais são inn produto da administração internacional, que só se desenvolveu con; as organizações internacionais Estas, conic já vimos, possuem um 12 Pmcesso no 14041 000837/2005-08 AcOrtlEio n " 9202 -00.995 estatuto interno que rege os seus órgãos' e as relações entre elas e os seus Jinicionários Tal ,fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem canto uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente Os funcionários internacionais constituent unta categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exchtsivantente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem fimções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. 0 verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto 6, ela visa a atender its necessidades internacionais e fbi estabelecida internacionalmente. ) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sent interferência dos Estados Membros. (.,) O fitnciondrio é admitido na ONU para uni estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, 116 a nomeação a titulo pelmanente, que é revista após' 5 anos, (..) A situação juridica dos funcionárias internacionais é estatutária e não contratual (. ) ..16 na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala ern nomeação, reconhecendo, portanto, ct situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, may que o amenizou, considerando que os ,funcionários tin/tam certos direitos adquiridos (ex,: a vencimentos). (..) Os ,funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas fiingões, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes Lis dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários c/a ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os CSRF-T2 Fl 7 nomes dos finicionários compreendidos nas referidas categorias sem ão comunicados periodicamente aos governos membro.s' Os privilégios e imunidades são os seguintes, a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções b) isenção de impostos sobre salários; c.) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórios e egistr-o de estrangeh os, d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; . 1) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas a esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no pais interessado', Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subs-ecretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito inter nacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozanz dos seguintes privilégios e imunidades:- a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais'; b) 'imunidade de toda ação legal no que concer ne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções'; e) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas inviolciveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; fi quanto às `bagagens pessoais, as mesmas i»urnidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (g, ifei) Como se pode constatar, a dotal iria mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos — . firacionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficios com que coda um dos grupos é contemplado, deixando patente Tie a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam .fimcionários internacionais Diante do exposto, constatando-se que o interessado não fimcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo sett Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada ( _,) " Aos fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência uniforme da CSRF, compaitilho do entendimento de que não ha fundamentos legais que justifiquem a no incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, cm decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Desta forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. 14 Manoe rudaCkniirorr Processo n 0 14041.000837/2005-08 CS1217-1f 2 Acárdlio n O 9202-00.995 11 8 Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso da Fazenda Nacional e NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contjibíinte, para manter a exigência tributária. IS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.001172/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: IPI
Período de Apuração: 3º trimestre de 2002 ao 2º trimestre de 2004
Ementa: a multa pela falta da entrega da DIF-Papel imune incide uma única vez, sendo a atuação de R$ 5.000,00 por DIF não entregue.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3401-00.674
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Numero do processo: 11080.011705/2007-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
Ementa:
COFINS. RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO PARCIAL FUNDADO NA ACUSAÇÃO DE NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE PARTE DAS RECEITAS DA PESSOA JURÍDICA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não incorre em vício de nulidade o despacho decisório que, a propósito do exame de pedido de ressarcimento, defere apenas parcialmente a pretensão amparando-se no argumento de que o requerente não teria oferecido à tributação, em toda extensão, os fatos geradores supostamente praticados no período de apuração.
COFINS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. HIPÓTESE DE
INCIDÊNCIA. NÃO-CARACTERIZAÇÃO.
Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE “INSUMO”.
Os “insumos” geradores de direitos de crédito no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos não são somente aqueles a que alude a legislação do IPI, designadamente, as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A amplitude, aqui, é maior e abriga, sem prejuízo de outros itens, ao menos os valores computáveis, pelo método de absorção, no “custo de produção”, conforme artigo 290, do RIR/99.
Numero da decisão: 3403-000.914
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer o direito de crédito do contribuinte em relação as recuperações de despesas e aos valores lançados na conta “manutenção de prédios”, nos
termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl quanto à “manutenção de prédios”. Os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Antonio Carlos Atulim votaram pelas conclusões.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: COFINS. RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO PARCIAL FUNDADO NA ACUSAÇÃO DE NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE PARTE DAS RECEITAS DA PESSOA JURÍDICA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não incorre em vício de nulidade o despacho decisório que, a propósito do exame de pedido de ressarcimento, defere apenas parcialmente a pretensão amparandose no argumento de que o requerente não teria oferecido à tributação, em toda extensão, os fatos geradores supostamente praticados no período de apuração. COFINS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. NÃOCARACTERIZAÇÃO. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE “INSUMO”. Os “insumos” geradores de direitos de crédito no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos não são somente aqueles a que alude a legislação do IPI, designadamente, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A amplitude, aqui, é maior e abriga, sem prejuízo de outros itens, ao menos os valores computáveis, pelo método de absorção, no “custo de produção”, conforme artigo 290, do RIR/99. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o direito de crédito do contribuinte em relação as recuperações de despesas e aos valores lançados na conta “manutenção de prédios”, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl quanto à “manutenção de prédios”. Os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Antonio Carlos Atulim votaram pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório A ora recorrente formulou pedido de ressarcimento de créditos de COFINS acumulados, sob o regime da nãocumulatividade da Lei no. 10.833/03, ao término do terceiro trimestre de 2006 como decorrência do desempenho de atividade exportadora. Esta sua iniciativa mobilizou a auditoria fiscal da DRFPorto Alegre/RS a, via procedimento fiscalizatório, averiguar a existência e a extensão dos direitos afirmados pela interessada. Fato é que, no relatório preparado ao cabo da investigação, a auditoria tributária descreve uma série de supostas irregularidades cometidas pela requerente na determinação seja dos próprios custos e despesas que ensejam o direito de crédito, seja da base de cálculo da exação, nos períodos de apuração considerados. Daí porque, reconheceu apenas parcialmente o crédito pretendido em pecúnia (fls. 77/83). A contribuinte, insatisfeita, opôs manifestação de inconformidade ao despacho decisório para, em síntese, sustentar (fls. 108/143): (a) preliminarmente, a nulidade do decisum em virtude da alegada indispensabilidade de lançamento para a constituição do crédito tributário sobre valores não oferecidos à tributação espontaneamente; (b) relativamente às glosas, o direito à apropriação de créditos sobre as seguintes rubricas: dispêndios escriturados nas contas “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025) e “materiais para consumo próprio” (35120099 e 35520099); lançamentos à conta “compras para recebimento futuro” (CFOP 1.116 e 2.116); despesas incorridas com locação de veículos; e, ainda, com o custeio de frete contratado para entrega de peças em garantia; Fl. 247DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011705/200719 Acórdão n.º 340300.914 S3C4T3 Fl. 2 3 (c) relativamente à base de cálculo do tributo, a insujeição à incidência de valores resultantes da “recuperação de despesas” e da contraprestação pela transferência onerosa de saldo acumulado do ICMS a terceiros. Desprovida a irresignação pela DRJPorto Alegre/RS (fls. 147/151), a requerente interpôs recurso voluntário a fim de acionar a revisão da matéria por este Colegiado (fls. 154/172). A então Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF, todavia, preferiu converter o julgamento em diligência por meio da Resolução no. 220200.024, objetivando, com a providência, melhor esclarecer a natureza de valores sobre os quais a interessada calculara seus créditos e, também, de rubricas não voluntariamente expostas à tributação. Cumprida a diligência e colhida a manifestação da parte, retornam os autos para conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso cumpre com os pressupostos de admissibilidade, inclusive com aquele tocante ao prazo de interposição. Sustenta a interessada, em preliminar, a ocorrência de nulidade no despacho decisório. O vício estaria no deferimento apenas parcial do crédito almejado sem o correspondente lançamento tributário, ato que, segundo alega, seria indispensável à inclusão, na base de cálculo do tributo, de rubricas não espontaneamente oferecidas à incidência. Daí resultaria, no entender da recorrente, comprometimento do contraditório e da ampla defesa. Realmente, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte não apenas em razão de supostos excessos na apropriação dos direitos de crédito, mas também como decorrência da nãosujeição à exação de determinados ingressos auferidos pela pessoa jurídica. Não observo qualquer nulidade, todavia, neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado. E, para chegar à conclusão, fiome, entre outros, aos seguintes motivos: (a) o despacho decisório que, sob tal fundamentação, indefere o pedido de ressarcimento tanto obedecerá a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício, como revestirá conteúdo material próprio deste ato: verificará a ocorrência do fato gerador, determinará a matéria tributável, calculará o montante devido e, enfim, identificará o sujeito passivo; Fl. 248DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 (b) o contencioso posto à disposição do sujeito passivo tributário após a prolação do despacho decisório observa o rito do Decreto no. 70.235/72, isto é, deflagrase sob procedimento idêntico àquele a que o obrigado teria direito caso a constituição do débito tributário se desse através de ato autônomo, o que esvazia o argumento de prejuízo à ampla defesa; (c) a omissão da recorrente no oferecimento à tributação das verbas apontadas pela fiscalização não lhe rendeu, in casu, a imposição seja de multa de ofício, seja de juros moratórios, vantagem esta que, à toda evidência, não lhe acudiria caso a formalização do crédito ocorresse em separado (Lei no. 9.430/96, arts. 44, I e 61, §3o); e (d) não é razoável supor que, mesmo constatando a irregular supressão do tributo devido, esteja o Fisco compelido a restituir em pecúnia o valor pretendido pelo contribuinte para, em separado e apenas ao término do procedimento administrativo, obter autorização para perseguir o crédito tributário. Rejeitada, nestes termos, a preliminar, avanço ao mérito da controvérsia iniciando pelo debate do débito tributário atribuído ao sujeito passivo pela fiscalização. Neste particular, são as seguintes as matérias debatidas no recurso voluntário: a intributabilidade das contraprestações recebidas de terceiros pela transferência de saldo credor do ICMS; a insujeição, ao tributo, de valores percebidos a título de recuperação de despesas; e, por fim, a exclusão em duplicidade, da base imponível, dos valores auferidos com a alienação de bens do ativo permanente. Limitome a constatar, quanto ao primeiro tema, que no terceiro trimestre de 2006, período ao qual se reporta o pedido de ressarcimento objeto de exame nestes autos, a ora recorrente não chegou a realizar transações envolvendo créditos de ICMS. É o que se pode inferir tanto da relação de operações contida às fls. 64, como, depois, da planilhasíntese das diferenças de cálculo do tributo construída às fls. 73. Isso se explica pelo fato de que o relatório de informação fiscal constante de fls. 77/83 resulta de auditoria que não se restringiu à aferição do direito creditório reivindicado nestes autos, mas, com maior abrangência, serviu a uma série de pedidos de ressarcimento sucessivamente formulados pela parte. Nem todos os vícios relatados pela fiscalização, portanto, se manifestam em todos os períodos de apuração e, por conseguinte, em todos os trimestres envolvidos nos diferentes processos. É o caso da cessão de créditos de ICMS que, como observado, não chegou a ser praticada nos meses em consideração nos autos em questão. Em situação idêntica se coloca o problema da dupla exclusão, da base de cálculo, do preço pela alienação de itens do ativo permanente. Também aqui o fenômeno está circunscrito a períodos de apuração – julho e outubro de 2004 e abril de 2005 – não associados ao ressarcimento discutido nestes autos (fls. 73). Já no que respeita à recuperação de despesas e à sujeição de seus valores ao tributo, verifico que a fiscalização não se ocupou da pesquisa e da identificação da natureza das quantias lançadas sob tal rubrica, na escrituração comercial da empresa. Antes, bastouse com a constatação de valores contabilizados a este título, forte no argumento de que, de acordo com as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, somente as receitas nelas expressamente referidas estão excluídas da respectiva base de cálculo. Por proposta deste relator, a Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF procurou elucidar o vazio, convertendo o julgamento do recurso em diligência. Na ocasião, determinouse ao órgão de origem que, “via exame da escrituração contábil do período e, se necessário, pelo suporte documental que lhe serve”, identificasse “(a) a origem e (b) a Fl. 249DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011705/200719 Acórdão n.º 340300.914 S3C4T3 Fl. 3 5 natureza dos valores lançados na conta”. Consignouse, ainda, que o propósito da diligência, neste particular, consistia em “conhecer a espécie de custo supostamente reembolsado à recorrente e/ou o negócio jurídico que lhe é subjacente, sem o que não é possível qualificar o ingresso como receita.” O relatório da diligência, porém, pouco contribuiu para estas finalidades. Sem se debruçar sobre o contexto negocial em que a recorrente aufere os valores lançados nesta conta, a autoridade preparadora, telegráfica, se limita a narrar que a quantia se refere a “reembolso com gastos com hospedagem, gastos com translado (sic) (passagens aéreas e táxi), a despesas de serviço de atendimento técnico, entre outros”. Sob tais circunstâncias, ganha em importância a regra de atribuição do ônus da prova. Embora produzido ao ensejo do pedido de ressarcimento, o despacho decisório opera, aqui, no sentido de constituir o crédito tributário, tal qual se fora o próprio ato de lançamento suplementar do artigo 149, V, do CTN. E se é assim, para manter a coerência, tenho que a regra aplicável quanto à distribuição do ônus da prova é aquela regente da atividade de lançamento propriamente dita. Se o contribuinte escritura determinados valores em conta intitulada “recuperação de despesas”, é de se presumir – até demonstração em contrário – que esta é, de fato, a natureza destas importâncias. Para que aqui estivéssemos cogitando de coisa diversa seria, portanto, indispensável que a acusação fiscal fosse nesse sentido: a de que, ao abrigo da conta destinada ao lançamento de reembolso de despesas, a contribuinte escriturasse valores de outras origens. Não foi o que fez a autoridade encarregada, contudo. Seu argumento não é o de que a conta de recuperação de despesas contém escriturados valores de natureza diversa, mas sim o de que, em si, despesas recuperadas constituem percepção de verdadeiras receitas e, portanto, de ingressos integrantes da base de cálculo da exação. É este o ponto em que divergimos. Nota fundamental à caracterização de receita é a de se tratar de riqueza nova, consistente seja no acréscimo de novos direitos ao patrimônio do sujeito, seja na valorização de direitos nele já previamente existentes. Este aspecto do conceito, todavia, não está presente nas situações em que a pessoa jurídica se limita a obter o reembolso de custos ou despesas previamente incorridos. Por todos, leiase em José Antonio Minatel: “(...) tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. (...) parece evidente que o valor recebido a título de reembolso equivale a um estorno de despesa anteriormente registrado, por se caracterizar em simples recomposição de valor patrimonial, não reunido qualquer dos atributos que permita aproximar o reembolso de despesa ao conceito de receita.” (Conteúdo do Fl. 250DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 218/219) A redução do crédito pretendido em ressarcimento não deve prevalecer, portanto, no que decorra da inclusão, na base de cálculo do tributo, de valores pertinentes à recuperação de custos ou despesas. Estas considerações encerram o capítulo dedicado ao debate das obrigações tributárias constituídas pela fiscalização, por ocasião do exame do pedido de ressarcimento. O capítulo seguinte, a sua vez, está voltado à discussão das glosas propriamente ditas ao direito de crédito afirmado pelo sujeito passivo. Estão em pauta, portanto, a dinâmica da “nãocumulatividade” instituída pelas Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 e, em especial, as categorias de valores sobre os quais o sujeito passivo do tributo tem permissão para apurar direitos de crédito. Nesta análise, interessa particularmente o inciso II, do artigo 3o destes dois diplomas, de acordo com o qual cabe o creditamento sobre o montante de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Toda divergência que o dispositivo provoca decorre da extensão do direito de crédito nele assegurado, o que passa pela demarcação do que seja, enfim, “insumo” para fins da “nãocumulatividade” nestas duas exações. Sua compreensão a respeito o Fisco não tardou em divulgar por meio da IN no. 404/04, adaptando, para o âmbito da COFINS, conceito que construiu e consagrou na sistemática de apuração do IPI. Vejase: “Art. 8o. (...) §4o Para os efeitos da alínea ‘b’ do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” Desta compreensão quanto a abrangência do instituto é que a autoridade de origem e a DRJ recorrida retiram inspiração para, no caso concreto, recusar, por exemplo, o direito de crédito sobre verbas empregadas na manutenção das instalações onde funciona a unidade produtiva da ora recorrente. Embora respeite o entendimento, partilho de orientação diversa a respeito. Observo, em primeiro lugar, que quando da promulgação das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, a Constituição Federal não impunha – como, de resto, até hoje não impõe – a não cumulatividade em se tratando das contribuições arrecadadas para a Seguridade Social. Daí não defluia, todavia, estivesse o legislador infraconstitucional impedido de disciplinála no âmbito destas espécies tributárias. Significava, tãosomente, que a adoção e o regramento da técnica permanecia na inteira discrição do legislador ordinário. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011705/200719 Acórdão n.º 340300.914 S3C4T3 Fl. 4 7 Foi o que possibilitou a implementação, primeiramente na contribuição ao PIS e, depois, na COFINS, de uma “nãocumulatividade”, digamos, “imprópria”. Imprópria por cotejar, de um lado, base de cálculo composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica e, de outro, não admitir senão determinadas deduções, definidas em lista taxativa. Imprópria, também, porque o direito de crédito garantido não corresponde, sempre e necessariamente, aos valores de PIS e de COFINS efetivamente devidos na incidência anterior. Aliás, dada a especificidade da hipótese de incidência das duas contribuições, é até mesmo inadequado falar, aqui, num sentido convencional de nãocumulatividade. É que, enquanto o ICMS e o IPI – impostos em que a técnica encontra máxima aplicação – têm por hipótese de incidência operações sucessivas de uma mesma cadeia produtiva ou mercantil, o PIS e a COFINS gravam fato jurídico, a receita, cuja ocorrência é independente de acontecimentos anteriores ou posteriores. A diferença não passou despercebida por Ricardo Mariz de Oliveira, para quem: “Realmente, a COFINS e a contribuição ao PIS, que são tributos cujas hipótese de incidência são a receita ou o faturamento, a rigor sequer têm incidência multifásica, pois são devidos sempre que houver receita (de faturamento ou não), a qual se constitui em um substrato específico e isolado de qualquer outro fenômeno jurídico ou econômico.” Por isso, dirá, “diferentemente de outros tributos, as duas contribuições podem incidir sobre as receitas de sucessivos faturamentos de uma mesma mercadoria, ou sobre as receitas de sucessivas alienações de um mesmo bem imóvel, ou sobre as receitas de sucessivas prestações de serviços para obtenção de um bem imaterial mais completo, ou sobre sucessivas receitas de alugueres mensais de um mesmo bem, e em muitas outras situações. Mesmo neste caso – adverte – as duas contribuições não são jurídicamente plurifásicas, eis que tomam por substrato cada fato isolado e de per si, isto é, cada fato de ser auferida uma receita” (Aspectos relacionados à ‘nãocumulatividade’ da COFINS e da Contribuição ao PIS. PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 27). Já nos casos de IPI e de ICMS, como suas hipóteses de incidência estão associadas à circulação econômica da coisa, o direito de crédito que realiza a não cumulatividade resulta do ingresso desta e, eventualmente, de outras que interagem fisicamente entre si para, transformadas, se submeterem a uma nova incidência na etapa subseqüente da cadeia. É por isso mesmo que, no contexto destes dois impostos, apenas os insumos agregados ao produto em fabricação ou que se desgastam em contato direto com ele – designadamente, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem – proporcionam direito de crédito ao contribuinte. E o importante: em ambas as exações, a limitação resulta não apenas da coerência intrínseca da espécie, mas, com maior relevo, de prescrição normativa expressa. No caso do IPI, refirome ao artigo 226, inciso I do atual Decreto no. 7.212/10. Na disciplina das Leis no. 10.637/02 e 10.833/03 não se encontra, todavia, restrição semelhante, assim como não há comando no sentido da aplicação subsidiária, na matéria, de conceitos ditados pela legislação do IPI. Esta a razão pela qual, a meu sentir, Fl. 252DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 inexiste fundamentação de hierarquia legal a amparar as limitações prescritas pelas INs nos. 247/02 e 404/04. Neste sentido, voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, ao ensejo do julgamento do processo no. 13974.000199/200361: “Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” Não fosse por isso, conclusão semelhante se imporia pela própria literalidade do vocábulo “insumo”, a identificar “cada um dos elementos (matériaprima, equipamentos, capital, horas de trabalho etc.) necessários para produzir mercadorias ou serviços; input” (Dicionário Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva). Daí a conclusão de Mariz de Oliveira, para quem, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, “constituemse em insumos para a produção de bens ou serviços não apenas as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros bens quando sofram alteração, mas todos os custos diretos e indiretos de produção, e até mesmo despesas que não sejam registradas contabilmente a débito do custo, mas que contribuam para a produção” (ob. cit.,p. 47). Este entendimento encontra justificação normativa no conceito de “custo por absorção”, com base no qual a legislação do imposto de renda determina a apuração dos custos da atividade produtiva, para fins de apuração do resultado tributável. De acordo com o princípio, enunciado pelo artigo 13, do Decretolei no. 1.598/77 e reproduzido no artigo 290 do atual RIR (Decreto no. 3.000/99), o custo do estoque de produtos acabados e em processo de industrialização deve corresponder a “todos os custos diretos (material, mão de obra e outros) e indiretos (gastos gerais de fabricação) necessários para colocar o item em condições de venda. (Manual de contabilidade societária. FIPECAFI/Atlas, 2010, p. 83). Leiase o dispositivo: “Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I – o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II – o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; Fl. 253DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011705/200719 Acórdão n.º 340300.914 S3C4T3 Fl. 5 9 III – os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV – os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V – os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção.” No conceito, portanto, estão incluídos, sem prejuízo de outros itens, (i) o custo de aquisição dos materiais envolvidos na produção, (ii) o custo de mãodeobra direta, compreendendo a remuneração do pessoal vinculado à produção e os respectivos encargos sociais e previdenciários, e (iii) os gastos gerais de fabricação, também chamados de custos indiretos, entre os quais inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, depreciação, energia, seguros etc. Incorrendo em tais dispêndios perante pessoas jurídicas domiciliadas no País, o contribuinte tem, pois, em princípio, assegurado o direito ao creditamento. Não vejo como prosperar, desta maneira, a glosa dos valores escriturados pela ora recorrente na conta por ela intitulada “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025), sobretudo depois de, ao ensejo da diligência, a autoridade de origem ter constatado que, ali, estão compreendidos os valores despendidos pela pessoa jurídica na manutenção e conservação da unidade fabril, designadamente, com a contratação de serviços de reforma de portões de acesso, pintura, instalação de meiofio e eliminação de pragas, insetos e roedores (fls. 202). Destino diverso, a meu ver, merece o creditamento sobre o escriturado na conta chamada “materiais para consumo próprio”. Sustentando que os dispêndios ali contabilizados não se vinculariam diretamente à produção, a fiscalização glosou a apropriação de créditos sobre os valores correspondentes, ao que, irresignada, a recorrente respondeu sustentando se tratar, em verdade, de materiais de manutenção e reposição de máquinas. Mais uma vez, ante a superficialidade da prova colacionada aos autos e do resultado inconclusivo da diligência, socorrome da regra de distribuição do ônus da prova. Aqui, porém, estamos no campo do direito de crédito propriamente reivindicado, em relação ao qual o sujeito passivo tributário ocupa a posição de postulante. É em seu desfavor, portanto, que entendo deva ser solucionada a disputa, ante a insuficiência de elementos probatórios seguros num ou noutro sentido. Quanto ao mais, mantenho inalteradas as conclusões do julgamento em Primeiro Grau, pela DRJPorto Alegre. No que se refere ao fretegarantia, quer dizer, às despesas incorridas pela recorrente na contratação de serviço de transporte de peças de reposição de produtos protegidos pela garantia contratual, pareceme acertada a exegese segundo a qual não se trataria de “frete na operação de venda” a que alude o inciso IX do artigo 3o, das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. No que pertine às locações de veículos, rejeito o argumento da recorrente para quem o direito de crédito decorreria do só fato da sujeição à tributação da receita correspectiva auferida pelo locador. Como já expus mais acima, na sistemática de apuração “nãocumulativa” do PIS e da COFINS, não basta, para a titulação do direito de crédito, que a operação anterior haja sido tributada. Por outro lado, não evidenciando se tratar da locação de Fl. 254DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 máquinas ou equipamentos ou de qualquer outro insumo da atividade produtiva, a glosa procede. Por fim, igualmente procede a recusa do crédito apropriado sobre valores lançados em conta intitulada “compras para recebimento futuro”, eis que, como bem observado no aresto recorrido, a interessada não documentou suficientemente se tratar de aquisições destinadas a revenda ou à aplicação no processo produtivo. Em conclusão, meu voto é no sentido do provimento parcial do recurso voluntário, a fim de se reformar o acórdão recorrido e o despacho decisório tãosomente para restabelecer o direito creditório indevidamente reduzido em relação à recuperação de despesas e aos valores lançados na conta “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025). Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 255DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 14474.000256/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2003
RECUSA OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO DE OFÍCIO DE TRIBUTO. INVERSÃO DO ONUS PROBANTE.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância reputada como devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se
como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS.
Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que sejam, cumulativamente, discriminados na nota fiscal, na fatura ou
no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento
LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.622
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu
aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2003 RECUSA OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO DE OFÍCIO DE TRIBUTO. INVERSÃO DO ONUS PROBANTE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância reputada como devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que sejam, cumulativamente, discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INSCRIÇÃO DE OFÍCIO DE TRIBUTO. INVERSÃO DO ONUS PROBANTE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância reputada como devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que sejam, cumulativamente, discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.504 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2003 Data da lavratura da NFLD: 05/09/2007 Data da Ciência do NFLD: 05/09/2007 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, decorrentes de substituição tributária, incidentes à alíquota de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços que lhe foram prestados mediante cessão de mão de obra, conforme minudente narrativa no Relatório Fiscal a fls. 38/45. Informa a Autoridade Lançadora que o crédito constituído originouse da mãodeobra contida nas notas fiscais ou faturas, emitidas sem o destaque e sem o recolhimento do percentual de 11% (onze por cento) previsto no artigo 31, §3º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Foram tomados como base de cálculo do lançamento os valores brutos das notas fiscais/faturas de cessão de mãodeobra e empreitada, de acordo com o preceituado no artigo 151 da IN SRP nº 3/2005 , tendo em vista a não apresentação dos documentos ou esclarecimentos necessários à análise dos serviços prestados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 212/235 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa a fls. 859/876, julgando procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/03/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 878. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 880/903 respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Decadência quinquenal; • Que foram lançados valores da multa e impostos levando em conta a metragem da obra e o CUB, sem analisar que a obra foi construída com baixo custo, situação em que a base de cálculo das contribuições não Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 poderia ser obtida através de fórmula padrão, sem analisar documentos apresentados; • Que o Agente do Fisco, ao encontrar qualquer suposta irregularidade, antes de autuar, deve, necessariamente, intimar o contribuinte, por escrito, na pessoa de seu representante legal, para que preste, no prazo razoável, todos os esclarecimentos necessários, sob pena de nulidade do ato, em respeito ao princípio do contraditório; • Que a responsabilidade do Recorrente pelo tributo que outra empresa deixou de pagar só pode ocorrer se ficar demonstrada a existência de conluio ou má fé, o que não ficou em nenhum momento comprovado, diante da completa ausência de provas. Aduz que o Fisco não pode, a pretexto de suposta irregularidade praticada por uma empresa fornecedora de serviços, transferir para o Recorrente a responsabilidade tributária; • Que o Agente Fiscal autuou a empresa baseado em uma "suposição" de ausência de documentos e conluio que culminou com a escrituração de créditos ditos inexistentes, simplesmente porque o prestador de serviços se contradisse quando das obrigações contratuais, não seguiu os preços do CUB ou ainda não especificou a qualidade dos produtos utilizados; • Que não há como prevalecer a aplicação do art. 31 de Lei nº 8212/91 aos contratos de obras e serviços de engenharia, que continuam disciplinados, no que se refere à contribuição social incidente sobre a folha de salários, exclusivamente pelo art. 30 da Lei nº 8212/91; • Que a multa de mora tem caráter confiscatório; • Que a fiscalização, na edificação da base de cálculo, deixou de considerar documentos conforme determina a legislação, bem como deixou de considerar os percentuais de aplicação conforme determina a nossa jurisprudência e determinações judiciais. Ao fim, requer seja determinado o cancelamento da exigência fiscal, bem como a concessão de prazo para a juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazê lo neste ato. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.505 5 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/03/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 23/04/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.506 7 No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 05 de setembro de 2007, este alcançaria todos os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2001, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. No caso vertente, o prazo decadencial relativo à competência dezembro de 2001 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2003, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2007, inclusive. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2001, exclusive, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.507 9 Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. De outro canto, a própria Constituição Federal, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, a teor do art. 146, III da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A coreografia assim pontilhada, quando executada no papel passivo pelo responsável tributário, é conhecida nos palcos jurídicos como substituição tributária e, nessas apresentações, todos os movimentos que nas formas originárias seriam praticados pelo Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 contribuinte, passam então a ser desempenhados pelo novo personagem, que assume toda a responsabilidade pelo recolhimento do tributo associado. É o que ocorre na hipótese vertida no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.711/98, que atribui ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a responsabilidade pela retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados naquela condição, e ao subsequente recolhimento do valor assim retido em nome do prestador correspondente. Anotese que o papel do contribuinte continua a ser representado pelo personagem que ostenta relação pessoal e direta com o fato gerador, digase, a pessoa jurídica prestadora dos serviços. Ao responsável tributário, in casu, o contratante, são designadas apenas as atuações pautadas na retenção e no respectivo recolhimento, nada mais. Dessarte, concluída a contento a execução do seu papel, o responsável tributário sai de cena, restando lhe, todavia, a incumbência de manter resguardados, em seu camarim, os documentos comprobatórios da higidez dos passos a seu encargo, enquanto não se operar a decadência das obrigações correspondentes. 3.2. DA RETENÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL O art. 31 da Lei nº 8.212/91, após a alteração trazida pela Lei nº 9.711/98 e pela Lei nº 11.488/07, passou a dispor que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, no prazo legal, em nome da empresa cedente da mão de obra. Os serviços executados mediante cessão de mão de obra que ensejam a incidência da retenção dos 11% encontramse dispostos, de forma exemplificativa, no §4º do Art. 31, supra mencionado, o qual prevê em seu inciso III os serviços prestados mediante empreitada de mão de obra. Lei N° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela lei nº 11.488/07) §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.508 11 dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mão de obra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. §5º O cedente da mão de obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711/98) O §4º do Art. 31 da Lei 8.212/91, além de relacionar de forma não exaustiva diversas categorias de serviços historicamente prestados mediante cessão de mão de obra, conferiu ao Regulamento a competência legislativa para estabelecer outros serviços os quais também estariam sujeitos à retenção caso fossem prestados mediante cessão de mão de obra. Nesse contexto, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, ampliou o rol de serviços que, se prestados mediante cessão de mão de obra, estariam sujeitos a retenção, assim dispondo : REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (grifos nossos) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão de obra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; XXV – telefonia, inclusive telemarketing. §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão de obra. §4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5º O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6º A empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8º Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.509 13 parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. §9º Na impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subsequentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3º do art. 247. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §10º Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. §11º As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. §12º O percentual previsto no caput será acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelos segurados empregado, cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial, após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Deflui do regramento positivado que os serviços prestados mediante cessão de mão de obra ou por empreitada de mão de obra na construção civil encontramse sujeitos à retenção prevista no Art. 31 da Lei 8.212/91, valendo, neste momento, aclarar o conceito de cessão e de empreitada de mão de obra fixado na legislação previdenciária, in verbis: INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP Nº 3/2005 Art. 143. Cessão de mão de obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. §1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. §2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. §3º Por colocação à disposição da empresa contratante entende se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 144. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Na construção civil, o regime da retenção convive com o serôdio instituto da solidariedade, de molde que o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem, conforme estabelece o art. 220 do RPS. Regulamento da Previdência Social Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (grifos nossos) §1º Não se considera cessão de mão de obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. §2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. §3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.510 15 Assim, na contratação de obra de construção civil, se houver cessão de mão de obra, as empresas contratantes estarão sujeitas ao regime da retenção. Se não houver cessão de mão de obra, como é o caso da contratação mediante empreitada global, incidirá o instituto da solidariedade entre a construtora e a empresa contratante, pelas obrigações talhadas na Lei nº 8.212/91. Por tal razão, não procede a alegação do Recorrente de que a norma inscrita no art. 31 de Lei nº 8212/91 não seria aplicável aos contratos de obras e serviços de engenharia, os quais continuariam disciplinados, no que se refere à contribuição social incidente sobre a folha de salários, exclusivamente pelo art. 30 da Lei nº 8212/91. 3.3. DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA RETENÇÃO Com efeito, na contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, em que a empresa contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, é facultado ao prestador dos citados serviços a exclusão do valor referente aos materiais fornecidos e/ou aos equipamentos utilizados em sua execução, desde que tal fornecimento de materiais e/ou equipamentos esteja expressamente previsto no contrato firmado entre as partes e, cumulativamente, os valores do aludido fornecimento encontremse devidamente discriminados nas notas fiscais, faturas ou recibos, e sejam devidamente comprovados. Regulamento da Previdência Social Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. A implementação simultânea dos requisitos supracitados constituise condição sine qua non para a exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 158 da IN INSS/DC nº 100/2003, sob cuja égide ocorreram os fatos geradores sobre os quais nos debruçamos. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no §7º do art. 219 do RPS. (grifos nossos) §1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. §2º Revogado. §3º Compete à contratada a comprovação dos valores de que trata o §1º deste artigo, mediante apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. (grifos nossos) Por outro viés, a legislação previdenciária arrola uma miríade de serviços que não se encontram sujeitos ao regime de retenção ora em debate, tais como os serviços de administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras, serviços de assessoria e consultoria técnicas, serviços de controle de qualidade de materiais, locação de máquinas e equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mão de obra, fundações especiais, dentre outros tantos. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 179. Não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de: I administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras; II assessoria ou consultoria técnicas; III controle de qualidade de materiais; IV fornecimento de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada ou preparada; V – jateamento ou hidrojateamento; VI perfuração de poço artesiano; VII elaboração de projeto da construção civil vinculado a uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); VIII ensaios geotécnicos de campo ou de laboratório (sondagens de solo, provas de carga, ensaios de resistência, amostragens, testes em laboratório de solos ou outros serviços afins); IX serviços de topografia; X instalação de antenas, de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão; XI locação de caçamba; XII locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra; XIII venda com instalação de estrutura metálica, de equipamento ou de material, com emissão apenas da nota fiscal de venda mercantil; XIV fundações especiais. Parágrafo único. Quando na prestação dos serviços relacionados no inciso XIII do caput, houver emissão de nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços relativa à mão deobra utilizada na instalação do material ou do equipamento Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.511 17 vendido, os valores desses serviços integrarão a base de cálculo da retenção. No caso sub examine, mediante termos próprios a fls. 31/34, a empresa foi intimada a apresentar contratos de prestação de serviços, assim como uma série de documentos que comprovassem a locação de equipamentos, o fornecimento de materiais e a sua devida previsão contratual, bem como a real prestação de serviços de assessoria e de controle de qualidade de materiais. Por outro lado, mas ária de outra ópera, informa a Autoridade Lançadora que muitas das notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço consignavam referência expressa a serviços de assessoria ou consultoria técnicas, de controle de qualidade de materiais, locação de máquinas, de ferramentas, e execução de fundações especiais, atividades essas excluídas do regime de retenção. Ocorre que, pela análise dos contratos apresentados, a fiscalização logrou apurar que tais contratos foram celebrados para prestação de outros serviços que não aqueles. Verificou ainda não haver provas de que tais prestadoras possuíam condições técnicas para a execução dos serviços consignados nas notas fiscais. Diante desse cenário, foi a empresa intimada a apresentar planilhas de medição referentes aos serviços descritos nas notas fiscais; laudos técnicos relativos a todas as notas de controle de qualidade de materiais e respectivas Anotações de Responsabilidade Técnica – ART; relatórios de consultoria e respectivas ART, projeto de fundação da obra ginásio de esportes, etc. Ora, com efeito, se houvessem sido prestados serviços de assessoria e consultoria técnicas, deveria haver algum contrato, laudos ou relatórios de tal consultoria/assessoria. Não causa perplexidade imaginar que, se realmente foram efetuados exames de controle de qualidade de materiais, deve existir um contrato e, certamente, um laudo ou relatório de avaliação registrando o resultado dos exames realizados. Na mesma prumada, se de fato houve locação de máquinas e equipamentos, não seria providência esdrúxula que as obrigações da locadora e locatária estivessem consignadas em cláusulas contratuais. Se contratados serviços de fundações especiais, não seria demasia exigir que a execução se desse de acordo com algum projeto de engenharia, e assim por diante. Os documentos solicitados serviriam ao fim de demonstrar que os serviços acima elencados foram efetivamente contratados nas condições referidas nas notas fiscais e nessas circunstâncias, figurariam excluídos do regime da retenção ora em voga. Os documentos exigidos, todavia, não foram devidamente apresentados. Compulsando o conjunto de provas coligido pelo Recorrente verificamos que os assim denominados “Relatórios de Consultoria” nada mais registram do que informações vagas e primárias acerca do suposto objeto da consultoria e da data de sua realização, não contendo qualquer informação técnica a respeito do assunto a que fora contratada ou do seu escopo. Tampouco houvese por juntada qualquer ART relativa a de execução desses alegados serviços. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Da mesma maneira, os assim denominados “laudos técnicos” a fls. 760/800, relativos aos serviços de controle de qualidade de materiais nada mais informam do que as especificações padrão de materiais, como comprimento da vara de vergalhão, quantidade recebida, etc., informações essas que, de regra, são coletadas pelo apontador da obra. Parece hilário, mas há até “Controle de colocação de tijolos, com verificação de alinhamento, prumo e junta”. Também os aludidos laudos técnicos, não se encontram cortejados por qualquer informação técnica ou resultado de análise, nada. Inexistem, igualmente, as necessárias anotações de responsabilidade técnica. Como anteriormente, não foi juntada nenhuma ART dos serviços supostamente realizados. Também como anteriormente, os documentos não estão autenticados ou comparados com os seus originais. Tais elementos em nada contribuem para comprovar a efetiva realização dos serviços descritos nas notas fiscais, devendo prevalecer o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego de outros meios de apuração. Nada obstante, malgrado tenha sido devidamente intimada para tanto, a Recorrente deixou de apresentar um volume considerável de documentos não logrando assim adimplir a obrigação de comprovação material exigida pela legislação tributária para a lapidação da base de cálculo da retenção. Nessas circunstâncias, as omissões perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, as exclusões da base de cálculo da retenção teriam sido imediatamente apuradas pela análise dos contratos e dos documentos comprobatórios do fornecimento de materiais e de locação de equipamentos, ferramentas ou máquinas. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Mostrouse, pois, deficiente a documentação fornecida pelo Recorrente. Diante desse quadro, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação autoriza os agentes fiscais a inscrever de ofício importância reputada como devida, transferindose para a empresa, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.512 19 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não a de lançar como montante de incidência da retenção em foco o valor bruto constante nas notas fiscais/faturas de serviços, nos termos do caput do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, com arrimo legal no permissivo encartado no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Cumpre neste comenos destacar que a vinculação da exclusão das parcelas referentes ao fornecimento de equipamentos e materiais da base de cálculo da retenção à sua devida comprovação foi inserida no ordenamento jurídico através do §7º, in fine, do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo suas disposições de observância obrigatória pelos membros das turmas do CARF, em atenção às prescrições adotadas no art. 62 do regimento interno deste colegiado, nos termos da Portaria MF nº 256/2009. Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. As constatações acima descritas demonstram a improcedência das alegações da empresa ao afirmar que a fiscalização teria se “baseado em uma suposição de ausência de documentos”. Com efeito, revelouse falho o fornecimento da documentação exigida pela fiscalização. Portando os documentos fiscais descrição de serviços diferentes daqueles prescritos nos respectivos contratos, constituise obrigação acessória da empresa a prestação eficiente de esclarecimentos e a apresentação de documentação que lhes fornecesse esteio material arrimado em provas documentais, no exercício do seu ônus de comprovar a exatidão dos serviços prestados. Revelase totalmente esdrúxula a alegação da empresa de que “não seria necessária apresentação de nenhum relatório de controle de qualidade de materiais ou relatórios que especificassem os valores dos serviços contratados”. Quem possui competência e discricionariedade para decidir e especificar quais documentos se fazem necessários para demonstrar a efetiva ocorrência ou não de um fato gerador ou afastar a incidência de tributo é o auditor fiscal e não o sujeito passivo. Este tem o dever acessório de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do órgão fazendário, na forma por este estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, a teor do inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Se nos antolha igualmente desarrazoado o argumento defendido pelo Recorrente de que a responsabilidade pelo tributo que outra empresa deixou de pagar só pode ocorrer se ficar demonstrada a existência de conluio ou má fé, ou a de que o Fisco não poderia, a pretexto de suposta irregularidade praticada por uma empresa fornecedora de serviços, transferir para o Recorrente a responsabilidade tributária. A legislação tributária é de ofuscante clareza ao estatuir que somente podem ser excluídos da base de cálculo da retenção os valores de materiais e de locação de equipamentos e máquinas consignados nas notas fiscais e previstos no contrato e, cumulativamente, desde que devidamente comprovados. Falhando a empresa na comprovação suso referida, prevalece como montante tributável o valor bruto constante nas notas fiscais/faturas de prestação de serviços. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.513 21 Por outra via, não guardando coerência as informações acerca da natureza dos serviços prestados constantes nos contratos e nas notas fiscais, pecando a empresa no fornecimento de documentos e esclarecimentos aptos a dirimir a controvérsia, tem a fiscalização, como dever funcional, que inscrever de ofício importância que reputar como devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. E nesse mister, malogrou a empresa. 3.4. DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Pondera o Recorrente que o Agente do Fisco, ao encontrar qualquer suposta irregularidade, antes de autuar, deveria, necessariamente, intimar o contribuinte, por escrito, na pessoa de seu representante legal, para que prestasse, no prazo razoável, todos os esclarecimentos necessários, sob pena de nulidade do ato, em respeito ao princípio do contraditório. Razão não lhe assiste. Em primeiro plano, conforme assentado nos termos de intimação, a empresa foi instada a apresentar documentos e a prestar esclarecimentos. Mas o atendimento à exigência fiscal foi deficiente, conforme demonstrado. Por outro plano, mostrase auspicioso destacar que o lançamento tributário se configura legalmente como um procedimento administrativo, privativo da autoridade fiscal competente, com o objetivo de apurar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O procedimento administrativo delineado no parágrafo precedente é inaugurado, em regra, por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento. A fase oficiosa ou não contenciosa encerrase com a ciência do contribuinte do lançamento tributário levado a cabo, podendo ele, aquiescendo, nada alegar, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe é exigido, ou, numa atitude diametralmente oposta, discordando da exigência, impugnar o lançamento, exercendo assim o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, inaugurando, assim, a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Nessa perspectiva, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem ao contraditório e à ampla defesa nessa fase inquisitorial, mas, sim, posteriormente, com a impugnação ao lançamento pelo sujeito passivo, quando então se instaura o contencioso fiscal. Ao contrário do que entende o Recorrente, em virtude de sua natureza inquisitiva, a ausência do contraditório na fase preparatória do lançamento não o nulifica. Anotese que o auditor fiscal possui a prerrogativa, mas não a obrigação, de exigir do sujeito passivo a prestação de esclarecimentos e informações de interesse da fiscalização. O contribuinte, sim, encontrase jungido pelo dever jurídico de prestar à autoridade fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme assim preceitua o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 3.5. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Pondera o Recorrente que a multa de mora aplicada tem caráter confiscatório, o que não seria permitido na ordem jurídica brasileira. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.514 23 subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme já anteriormente articulado, escapa da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.515 25 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.6. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Por derradeiro, requer o contribuinte a concessão de prazo para a juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo neste ato. A rogativa acima esposada não reúne condições de prosperar. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000256/200730 Acórdão n.º 2302001.622 S2C3T2 Fl. 1.516 27 §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, não logrando o Recorrente comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13709.001825/99-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
“Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados”
Numero da decisão: 9303-001.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento
parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição com respeito aos fatos geradores ocorridos em setembro de 1989 e outubro de 1989 e determinar o retorno à unidade preparadora para exame do mérito.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição com respeito aos fatos geradores ocorridos em setembro de 1989 e outubro de 1989 e determinar o retorno à unidade preparadora para exame do mérito. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Relatório Adoto o relatório elaborado por ocasião do julgamento pela DRJ que, sucinto embora, retrata o essencial da lide: Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação, apresentado em 24/11/1999, da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, relativo à parcela recolhida acima da alíquota de 0,5%, no período de apuração de setembro de 1989 a março/1991. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (81/82), sob a alegação de que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário, com base nos artigos 165,I e 168, I, da Lei n°5.172 e no Ato Declaratório SRF n° 96/99. Cientificada da decisão em 26/11/2001, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 14/01/2002 (lis. 84/90), alegando, em síntese que: a) O prazo de cinco anos para repetição de indébito de tributo iniciase quando os efeitos da decisão do STF foram válidos "erga omnes", isto é quando a Administração Tributaria reconheceu que a cobrança de alíquota acima de 0,5% era indevida, o que ocorreu com a edição da Medida Provisória 1110/95. Este era entendimento da SRF (Parecer COSIT n°58/98); b) A requerente recebeu tratamento desigual pois, com base no Parecer COSIT nº 58/98 a SRF homologou vários pedidos de restituição /compensação, diferenciação incompatível com o Princípio da Isonomia Tributária; c) O prazo para pedir a restituição é contado da data em que foi declarada a inconstitucionalidade da norma que instituiu a majoração da alíquota conforme jurisprudência do STJ, Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13709.001825/9966 Acórdão n.º 9303001.831 CSRFT3 Fl. 2 3 d) Diante do alegado requer a reforma da decisão e o reconhecimento do direito creditório pleiteado . Diante do não acolhimento de seu pleito pela DRJ, repetiuo a contribuinte em recurso voluntário em cujo julgamento se admitiu a interpretação pretendida, qual seja a de que o prazo prescricional seria demarcado pela publicação da lei que declara a inconstitucionalidade da lei instituidora ou majoradora da exação. No caso, entendeuse ser ela a Medida Provisória 1.110, publicada em outubro de 1995. Dessa decisão recorre a PFN sustentando não haver qualquer razão para que o prazo deva ter como marco inicial a data de publicação daquele ato legal, que apenas dispensou a Administração da prática de atos tendentes “à constituição do crédito, à inscrição em divida ativa da União, bem como o ajuizamento de ações de execução fiscal para a cobrança do FINSOCIAL, o que levaria ao desperdício de recursos públicos, posto que o próprio STF não mais o considera exigível” e pede a reforma da decisão na linha do que fora definido pela DRJ. Defende, ainda, a vinculação de toda a Administração Tributária a Ato Declaratório Normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal, a teor dos comandos legais insertos nos arts. 100, I e 103, I do CTN, cuja ilegalidade ou inconstitucionalidade não poderiam ser declaradas ou reconhecidas na instância administrativa, de modo a que o termo inicial seja o dia do recolhimento indevido efetuado mesmo nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621 RS. Naquele julgamento, discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional seja o que ali veio a ser “retificado”. Apesar disso, no entanto, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo aquela Corte firmou o posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. Esse ato regimental também é suficiente para rejeitar a alegação da douta Procuradoria no sentido de que estariam os Conselheiros membros deste Colegiado adstritos aos comandos do Ato Declaratório da SRF que reitera ser o termo inicial a data do pagamento indevido realizado. Tudo ao contrário, é este último que deve ser revisto, diante da imperiosa aplicação da interpretação emanada da suprema Corte. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código, o que, aliás, fora a pretensão deduzida pela empresa em seu recurso voluntário. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que estava já prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 21 de novembro de 1999. Voto, assim, pelo provimento parcial do apelo fazendário de modo a reconhecer a prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados nos meses de outubro de 1989 e novembro de 1989, referentes a fatos geradores ocorridos em setembro e outubro daquele ano respectivamente (consoante planilha às fls. 09), esclarecendo que, para este último, materializouse a prescrição no dia 31 de outubro de 1999. Não tendo se verificado o perecimento do direito com relação aos recolhimentos posteriores, devem os autos retornar à instância recorrida para que se pronuncie sobre o mérito, ainda não enfrentado em nenhuma instância. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13709.001825/9966 Acórdão n.º 9303001.831 CSRFT3 Fl. 3 5 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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