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Numero do processo: 10580.005010/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/01/2001
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2302-001.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1996 a 31/01/2001 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1996 a 31/01/2001 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 5157DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 5158DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.005010/200796 Acórdão n.º 230201.849 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A presente notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 11/10/2006,fls. 01, e referese a diferenças apuradas entre as bases de cálculo levantadas pela fiscalização e aquelas consideradas pelo contribuinte nos pagamentos das guias de recolhimento, nos parcelamentos efetuados e nas notificações lavradas contra a notificada por solidariedade, quando da fiscalização dos tomadores de serviço Copene/Braskem S/A e Sudamericana, no período de 09/1996 a 12/2000. Referese também o lançamento às diferenças de acréscimos legais em recolhimentos efetuados fora do prazo nas competências de 10/1996 a 01/2001, lançadas na competência 01/2001. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência, fls. 3385/3390, para manifestação fiscal quanto às alegações trazidas pela defesa quanto a inconsistências e erros nas bases de cálculo lançadas. Todavia, às fls. 5052, volume XVII, em resposta à diligência solicitada, o fisco se manifesta pela aplicação da Súmula Vinculante n.º 08, já que, nos termos da citada súmula, todo o período lançado encontrase abrangido pela decadência. Acórdão de fls. 5056/5061, volume XVII, pugna pela procedência da impugnação e exoneração do crédito lançado frente a aplicação da Súmula Vinculante n.º 08 , do Supremo Tribunal Federal e recorre de ofício a este colegiado. Não houve interposição de recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Com efeito, o crédito lançado abrange o período de 09/1996 a 12/2000 e a competência 01/2001, referese a diferenças de acréscimos legais nas competências de 10/1996 a 01/2001, por recolhimentos efetuados fora do prazo. De acordo com os elementos constantes do processo, o sujeito passivo foi cientificado da notificação em 11/10/2006. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus Fl. 5160DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.005010/200796 Acórdão n.º 230201.849 S2C3T2 Fl. 3 5 membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 a 75, Relatório de Documentos Apresentados, fls, 170 a 215 e consulta ao conta corrente da empresa, que houveram recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º: Fl. 5161DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ainda, é de se notar, que por qualquer das regras contidas no Código Tributário Nacional, artigos 173, I, ou 150,§4º, as competências até 11/2000, estariam decadentes, enquanto para as competências 12/2000 e 01/2001, o DAD, demonstra a existência de recolhimentos parciais, em todos os levantamentos, fls. 18, 19, 29, 55 e 60. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5162DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901702/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após
retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via
da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da
homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a
existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.671
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 136 1 135 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901702/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120200671 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16/01/2012 Matéria PER/DCOMP Recorrente BANCO DO ESTADO DO PARÁ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 137 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório denegatório da homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. A homologação da compensação foi denegada na unidade de origem sob o fundamento de que, em se tratando o crédito de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, este somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte descreveu, inicialmente, os seguintes fatos, in verbis: 0 Banco procedeu a compensação via PER/DCOMP, utilizando se do crédito de estimativa de CSLL base ago/04, no valor de R$6.102,26, deqorrente do valor pago a maior em 30.06.2006, considerando que a base estimada foi com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, para guitar os seguintes débitos: IRPJ base estimada de ago/2005, no valor de R$ 4.409,15, mais juros/multas, totalizando R$6.102,26. Importa esclarecer que o valor apurado de CSLL base ago/2004, com base no balancete acumulado do período, foi declarado à SRF , o valor de R$173.002,04, através de DCTF retificadora n° 41.45.61.72.8718, transmitida em 03.01.2005, devidamente registrado na contabilidade A época devida, e com alterações posteriores efetuadas ate 22.12.2006, em decorrência do Acórdão DRJ/BEL no 3.795, de 17.03.2005, a sua apuração passou a ser R$133.226,88, declarado em DCTF retificadora n° 41.10.33.26.3303, transmitida em 22.12.2006, passando a existir crédito de pagamento a maior do referido período (darf, no valor total de R$150.599,78, pago em 30.12.2004), utilizado para compensar o IRPJ base ago/2005, conforme PER/DCOMP' no 42507.08057.291206.1.3.044079, totalizando R$6.102,26. Pediu a homologação da compensação realizada, invocando o art. 165 do CTN como fundamento principal do direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Especificou que, no caso em análise, tratase de pagamento a maior de IRPJ devidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução, havendo a possibilidade de compensação imediata e inexistência de vedação legal, hipótese essa, segundo ele, distinta do simples pagamento a maior de estimativa. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 138 3 Citou o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, para amparar o seu direito à compensação pleiteada, assim como o art. 35 da Lei nº 8.981/95, o qual orientou seu procedimento na apuração do crédito. Aduziu que inexiste vedação legal para a compensação imediata de pagamento a maior de tributo indevidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução. Criticou a interpretação literal do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005 dada pela decisão recorrida, aduzindo, em reforço, que a IN RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso IX, não proíbe a compensação pretendida. Requereu, subsidiariamente, o afastamento da multa de mora respectiva, em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, e com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. Juntou cópia do balancete respectivo, dos extratos das DCTF originária e retificadora e da cópia do acórdão referido, a fim de comprovar seu direito. A DRJ/Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a impossibilidade de compensar os recolhimentos, calculados segundo os critérios da Lei nº 9.430/1996, efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real durante o anocalendário, por se caracterizarem, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, não podendo ser considerados, a priori, como pagamentos indevidos ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Referiuse a decisão ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e ao art. 10 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, os quais, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manteve também a multa de mora, por se tratar de multa de natureza compensatória, devida em razão do prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da DCOMP em data em que o débito já estava vencido. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 139 4 Inconformado com o resultado do acórdão do qual foi cientificado em 10/12/10 (fl.117,v.), o contribuinte apresenta o recurso voluntário ora em julgamento, protocolizado em 06/01/11 (fls.118 ss), nos mesmos moldes da manifestação de inconformidade, acrescentando a distinção entre os casos de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa (IRPJ e CSLL), sujeita a apuração de saldo negativo passível de compensação somente no final do exercício, dos casos de emissão de balanço acumulado em que o contribuinte apura devidamente o crédito, por meio de balanço acumulado, podendo efetuar a compensação já no mês seguinte, como é o caso. Nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, considerando que se trata de mesma questão jurídica, tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos abaixo relacionados, os quais se referem às respectivas PER/DCOMP: PROCESSO NR.PER/DCOMP 10280901700/200914 29934.96823.291206.1.3.048020 10280900603/200912 25638.24072.211206.1.3.049206 10280901694/200903 25153.57480.211206.1.3.043050 10280901701/200969 18844.26431.291206.1.3.047718 10280901702/200911 42507.08057.291206.1.3.044079 10280901970/200925 18357.35012.291206.1.3.049453 10280901703/200958 26578.95543.291206.1.3.041912 10280901696/200994 32909.17212.291206.1.3.043236 10280901697/200939 16526.67481.291206.1.3.047035 10280901704/200901 00260.91646.291206.1.3.040552 10280901679/201091 08777.71029.310107.1.3.045580 10280901695/200940 20506.00720.291206.1.3.041899 10280901698/200983 28712.11429.291206.1.3.043728 10280901699/200928 11550.04167.230107.1.7.044845 10280901705/200947 09068.21813.291206.1.3.043592 É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 140 5 Voto Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 141 6 O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 142 7 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 143 8 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 144 9 Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A especificidade do caso ora analisado traduzse no fato de que, através de PER/DCOMP, a recorrente pleiteia a compensação de valor pago a maior apurado após levantamento de balancete de suspensão/redução, considerando os valores retificados, sendo que o valor originalmente recolhido também havia sido definido após o levantamento de balancete. Embora a recorrente aponte que a simples apuração através de balanço de suspensão/redução lhe daria o direito de compensar o montante recolhido a maior a partir do mês seguinte, a situação verificada nos autos é bem distinta, haja vista que houve retificação da própria base de cálculo do lucro real levantada no período. A recorrente alega que o Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17/03/2005, formalizado nos autos do processo nº 10280.005581/200209, juntado por cópia na fase de manifestação de inconformidade, conferiulhe o direito de reduzir a base de cálculo do tributo no período de apuração em questão. À vista de tal decisão, providenciou a retificação da DCTF, reduzindo o montante do tributo devido e, com ele, o aproveitamento do pagamento via DARF, o que resultou, segundo ela, num indébito tributário. Verificase que o acórdão referido pela recorrente como ensejador da alteração do montante apurado tratou de analisar um lançamento destinado à redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano de 1998. A parcela da autuação julgada improcedente, referente à possibilidade de dedução de determinadas despesas na apuração do lucro real, transitou em julgado na data da ciência (10/06/2005), porque o crédito tributário exonerado estava abaixo do limite de alçada fixado na legislação de regência, não se sujeitando ao recurso de ofício à instância superior. Disso se depreende, em tese, a justificativa de ter havido redução da base de cálculo do tributo devido por antecipação, ensejadora da retificação da DCTF respectiva, caracterizandose o indébito em função da retificação da base de cálculo do lucro real apurado no período. Como se trata de retificadora entregue em data posterior ao encerramento do exercício, quando já era possível verificar a existência de saldo negativo porventura existente, em que pese a pretensão de compensar crédito de estimativa, teria deixado de existir fundamento para a negativa da restituição/compensação do crédito. Todavia, na verdade, o que está em jogo é a data do início da atualização monetária, a depender do momento de caracterização do indébito: se na data do recolhimento da estimativa mensal ou na data da apuração do saldo negativo (31 de dezembro). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 145 10 A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, considerando que a recorrente faz expressa referência a DCTF retificadora, onde passou a declarar um débito menor e, proporcionalmente, utilizouse de uma parcela menor do valor recolhido via DARF, gerando um crédito pela parcela recolhida a maior. Ao apresentar a DCTF retificadora, a recorrente desfez uma parte do crédito das estimativas incluído na apuração do saldo final do exercício, pretendendo compensar a parcela excedente com outro débito de estimativa. Conforme consta da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente, inicialmente, informou em DCTF a obrigação de antecipar um valor de IRPJ (ou CSLL) no mês, recolheu esse valor e, posteriormente, o recalculou em razão do trânsito em julgado de decisão administrativa parcialmente favorável e informou o valor recalculado em DCTF retificadora. Em que pese não ter juntado a tela da DCTF retificadora em todos os processos analisados em conjunto, a juntada em alguns deles e a expressa referência em todos os recursos indica que foi realizado o mesmo procedimento. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901702/200911 Acórdão n.º 120200671 S1C2T2 Fl. 146 11 Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10530.002022/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.762
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Data da lavratura do AIOP: 23/06/2008. Data da Ciência do AIOP: 16/07/2008 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da entidade em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, assim como a contribuição adicional destinada ao financiamento das aposentadorias especiais, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados sujeitos a aposentadoria especial aos 25 anos de serviço, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/42. Informa a Autoridade Lançadora que os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias objeto do presente lançamento foram apurados a partir das declarações prestadas pelo empregador nas GFIP pertinentes aos valores pagos a segurados empregados e segurados contribuintes individuais e aos segurados sujeitos à aposentadoria especial aos 25 anos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 90/93. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 180/181, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 184. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs, em 16 de junho de 2011, Recurso Voluntário a fls. 185/190, requerendo a anulação da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/04/2011, sexta–feira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 184. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.002022/200835 Acórdão n.º 230201.762 S2C3T2 Fl. 208 3 Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.002022/200835 Acórdão n.º 230201.762 S2C3T2 Fl. 209 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/04/2011, sexta–feira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na segundafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 02 de maio de 2011, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 31 dias do mês de maio do mesmo ano, inclusive, terçafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 02 de maio de 2011, o que implica na fixação do dia 31 do mesmo mês e ano como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 16 de junho de 2011, como assim denuncia o carimbo de protocolo a fl. 185, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Noticiese que a própria petição recursal é datada de 13 de junho de 2011, data em que já se encontrava perempta a faculdade de se recorrer da decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.002022/200835 Acórdão n.º 230201.762 S2C3T2 Fl. 210 7 Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 213DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10665.003558/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA
DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3101-001.066
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: 1 Da Autuação Tratase de auto de infração para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 2/15) referente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006. O lançamento decorre de falta/insuficiência de recolhimento de PIS, conforme valor apurado nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços anexados, e tem como fundamentação legal os arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70 e os arts. 2º, I, a e parágrafo único, e 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. Conforme demonstrativo consolidado no doc. de fls. 2, o valor total do crédito tributário constituído é de R$ 240.541,95, incluídos o principal, multa e juros de mora, estes calculados até 28/11/2008. De acordo com o referido relatório fiscal de fls. 16/17, “O contribuinte foi intimado através do Termo de Início da Ação Fiscal a apresentar notas fiscais, recibos, faturas de serviços prestados a terceiros com ciência em 02/06/2008 para apresentação em 09/06/2008. No dia 27/06/2008, foi lavrado outro Termo de Intimação para apresentação dos mesmos documentos já solicitados no termo anterior para apresentação a partir de 02/07/2008. Após a análise dos documentos apresentados, constatamos uma receita bruta superior aos limites permitidos para que a empresa permanecesse no SIMPLES. Foi então emitida uma Representação Administrativa para exclusão do SIMPLES em 16/09/2008. No dia 08/10/2008, foram emitidos os Atos Declaratórios Executivos DRF/DIV nº 46 para exclusão do SIMPLES FEDERAL através do processo administrativo nº 10665.002883/200898; nº 48, para exclusão do SIMPLES NACIONAL através do processo administrativo nº 10665.002946/200814, dos quais tiveram ciência em termo próprio no dia 21/10/2008 através do Sr. Robson Luiz Esteves, sócio da empresa, inscrito no CPF/MF sob o nº 775.490.90653. Do resultado da exclusão do SIMPLES, foram solicitadas apresentações dos Livros Diário e Razão, Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, Demonstrativos dos créditos de PIS e COFINS, com ciência da empresa em 21/10/2008 para apresentação em 20 dias contados da ciência deste termo. Vencido o prazo, foi solicitada pela empresa a prorrogação de tal Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.003558/200842 Acórdão n.º 310101.066 S3C1T1 Fl. 500 3 prazo. A solicitação foi atendida, sendo concedido um novo prazo de 20 dias contados do encerramento do prazo anterior (12/11/2008), tendo sido lavrado outro Termo de Intimação solicitando a apresentação dos mesmos documentos mencionados no termo anterior. A empresa teve ciência deste termo em 17/11/2008. Findo este prazo, foi concedido um novo prazo de 5 dias úteis com ciência da empresa em 10/12/2008 para apresentação de tais documentos. Até o encerramento desta auditoria não foram apresentados os Livros Diário, Razão, LALUR e nem os demonstrativos de créditos de PIS e COFINS, razão pela qual procedeuse à apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pela forma do Lucro Arbitrado com base na receita bruta apurada nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços. Anexas a este relatório encontramse as planilhas demonstrativas do faturamento apurado pela apresentação das Notas Fiscais e Recibos de Prestação de Serviços apresentados pela empresa. Segue anexa também planilha demonstrativa da distribuição dos tributos apurados no Simples e recolhidos em guias de DARF (Documento de Arrecadação Federal) com a respectiva distribuição dos seus valores (Previdência Social – cota patronal, IRPJ, CSLL, PIS, COFINS).” 2 Da Impugnação Em 23/12/2008 a empresa tomou ciência dos autos de infração (fls. 3), e em 23/01/2009 apresentou impugnação (fls. 164/188), com as alegações a seguir sintetizadas. Requer a nulidade da autuação, por cerceamento de defesa, por entender que somente poderia ter sido acusada de omitir rendimentos e sofrer o arbitramento do lucro após o “prévio e regular processo administrativo tributário para exclusão” do Simples (Lei nº 9.317/96) e do Simples Nacional (LC nº 123/2006). Entretanto, teria havido apenas uma representação administrativa para exclusão do Simples e posteriores atos declaratórios de exclusão, para aplicar a regra do arbitramento do lucro, sem considerar a regra do lucro presumido, mais favorável ao contribuinte, segundo os percentuais de presunção de 8% para produção de mudas e 32% para serviços. Argumenta que no processo não há prova da omissão de receitas e que o lançamento foi baseado em informações prestadas pelo próprio contribuinte e por terceiros. Ressalta que todas as solicitações do auditor fiscal foram prontamente atendidas e que não houve resistência à entrega de documentos fiscais. Afirma desconhecer por completo os recibos utilizados pelo Fisco, documentos que não constam de sua contabilidade ou de sua declaração, nem se encontram assinados. Acrescenta que as notas fiscais emitidas pela impugnante representaram, de fato, ingressos de valores, mas não Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 necessariamente, em seu total, receita operacional da empresa. Parte destes recursos se refere à participação de terceiros na atividade operacional da empresa, ou seja, produção de mudas, plantio, corte e produção de carvão. Sustenta que a receita bruta da autuada está devidamente informada nas declarações apresentadas. Reitera que os recibos utilizados pelo Fisco não se revestem de formalidades legais e não representam receitas. Observa que “muitos destes valores consignam o valor contido nas Notas Fiscais. Ou seja, houve diversas sobreposições de valores, atribuindose receita em dobro”. Entende ter havido presunção de receitas operacionais por parte da autoridade fiscal. Lembra que, salvo nos casos previstos em lei específica, não é dado ao Fisco o direito de lançar com base em presunção, e tampouco presumir o dolo, a fraude ou a simulação. Invoca o princípio da verdade material e, em seguida, cita e transcreve trechos da doutrina e da jurisprudência administrativa. Argumenta que o Fisco tinha o dever de carrear aos autos as provas de que houve omissão de receitas. Relativamente à apuração dos tributos, entende que o Fisco deveria ter intimado “a pessoa jurídica a se manifestar sobre a opção pela forma de tributação de seus lucros a partir do ano seguinte da exclusão. E não simplesmente se utilizar do arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica (em 38,4%), que, por si só, já é penalizador do agravamento de percentuais em comparações com o Lucro Presumido (8% e 32% para mudas e serviços respectivamente).” Considera que o Fisco apurou indevidamente “o Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Arbitrado em todos os anos objeto do lançamento (2004, 2005 e 2006) e não com base no Lucro Presumido nos anos 2005 e 2006, não manteve a forma de apuração do SIMPLES em 2004, como determina a norma administrativa, Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006 artigo 9º”. Discorda do procedimento adotado pela fiscalização, por entender que, por ter ultrapassado, no anocalendário de 2004, o limite de receita, a contribuinte pagaria os tributos na forma de apuração simplificada com acréscimos. Nessa hipótese, a empresa deveria ser tributada pelo lucro presumido a partir de janeiro do anocalendário subsequente (2005) àquele em que se deu o excesso de receita bruta. Quanto à aplicação da multa, entende que tal procedimento deve ser considerado improcedente, em face do princípio constitucional de vedação ao confisco. Argumenta que a multa qualificada foi indevidamente aplicada, já que todas as informações disponíveis foram apresentadas e que não se pode caracterizar a fraude ou dolo. Por consequência, entende que a Representação Fiscal para Fins Penais não deve ser mantida. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.003558/200842 Acórdão n.º 310101.066 S3C1T1 Fl. 501 5 Defende, ainda, a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic. A impugnante reitera seu pedido para que sejam acatadas as preliminares de nulidade para cancelamento dos autos de infração. Somente para argumentar, requer que sejam determinadas diligências a fim de comprovar a existência de valores relacionados como efetiva receita da impugnante; que se apurem as receitas segundo cada atividade operacional (produção de mudas, carvão e serviços), para efeito de apuração do lucro presumido/arbitrado; que a forma de apuração de tributos seja alterada para lucro presumido e que sejam excluídos os juros de mora pela taxa Selic. Por fim, requer a produção de provas periciais e documentais, e que as intimações sejam encaminhadas ao endereço de seu representante legal. 3. Da Diligência De acordo com o Despacho DRJ/BHE nº 152, de 8 de abril de 2009 (fls. 383/386), o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, para que a unidade de origem juntasse documentos, a fim de melhor elucidar os fatos. Em atendimento, a repartição de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 387/388, na qual esclarece que: Todos os valores mencionados neste processo a título de valores recebidos pela empresa CARMAC – CARVOARIA MARTINHO CAMPOS LTDA., constantes às folhas 22, 25, 28, 31, 34, 37, 40, 43, 47, 49, 51, 53, 55, 57, 59, 61, 63, 65, 70, 72, 74, 76, 78, 80, 82, 87, 90, 93, 98, 99, 103, 104, 111, 113, 115 e 120; estão devidamente comprovados através de transferências bancárias – TED, emitidas pelo banco BRADESCO em que a tomadora de serviços CAF SANTA BÁRBARA forneceu a este Auditor Fiscal, contra quem a empresa auditada emitiu Notas Fiscais de Prestação de Serviços e efetivamente recebeu tais valores em sua conta corrente 84.784 agência 2283 do Banco do Brasil conforme cópias de transferências anexas às páginas seguintes. Anexa a esta informação fiscal há um quadro demonstrativo dos valores recebidos onde esclarecemos que os valores recebidos apresentados neste processo são provenientes da soma de Comprovante –TED + Pagamentos em espécies (a título de adiantamentos efetuados pela tomadora de serviços conforme demonstrado em cópias anexas de seu livro razão analítico) + Desconto SIPAT (Referente a treinamento de Segurança do trabalho) + Venda de Madeiras Esclarecemos também que estão anexas a este processo cópias do Livro Razão Analítico onde estão demonstrados os valores pagos pela tomadora de serviços à empresa prestadora de serviços. Na ocasião, foi juntado o quadro demonstrativo de fls. 389; cópias de comprovantes, emitidos pelo Bradesco, de pagamentos Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 mediante TED (transferência eletrônica disponível), efetuados pela empresa CAF Santa Bárbara em favor da Carmac Carvoaria Martinho Campos Ltda., (fls. 390/425); além de cópias do livro Razão Analítico da empresa CAF Santa Bárbara Ltda. (fls. 426/440). Cientificada da referida Informação Fiscal e seus anexos em 13/08/2009, (aviso de recebimento de fls. 443), e de que poderia, em face das informações contidas nos documentos recebidos, aditar a defesa já apresentada, no prazo de trinta dias, a interessada permaneceu silente. 4. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Em 18/10/2008, foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais nº 10665.003518/200809. A DRJ em BELO HORIZONTE/MG considerou procedente em parte o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do Simples motivada por excesso de receita produz efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta. Nessa forma de apuração de tributos, não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis à atividade exercida. PERCENTUAIS DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROVA. A mera alegação de que há atividades a serem segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para elidir a motivação do procedimento de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.003558/200842 Acórdão n.º 310101.066 S3C1T1 Fl. 502 7 Correto o lançamento fundado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços. MULTA QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A prática de reduzir a receita declarada substancialmente e de modo reiterado, durante todos os meses dos anos de 2004 a 2006, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade ou a legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando esta se revela prescindível. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 471 e seguintes, onde requer nulidade do auto de infração e a improcedência da ação fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria deste contencioso, apesar de versar sobre contribuição para o PIS, que normalmente é da nossa órbita de competência, hodiernamente, é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso IV do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009 demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Estreme de dúvida, as infrações à legislação do IRPJ (omissão de receitas) é que deram azo ao auto de infração ora discutido neste contencioso PIS reflexo, uma vez que a adição dessas receitas fez com que a recorrente fosse excluída do SIMPLES e tributada em regime ordinário. Dessarte, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.003558/200842 Acórdão n.º 310101.066 S3C1T1 Fl. 503 9 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/04 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010976/2005-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
1. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência.
2. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-001.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. 1. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. 2. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Tratase de recurso contra o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2001 (fls. 33/40), no valor de R$ 1.127,03 (um mil, cento e vinte e sete reais e três centavos). No auto de infração foram alterados os rendimentos tributáveis de 82.496,40 para R$ 83.668,89; o imposto retido na fonte de R$ 16.755,15 para R$ 16.796,01; e glosada a dedução de despesas médicas no valor de R$ 26.051,59. A contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, impugnou o lançamento, argumentando, em síntese, que realizou o pagamento das despesas médicas e tem direito à dedução correspondente. Contesta o percentual da multa de ofício e a constitucionalidade da mora baseada na taxa Selic. Ao final, faz juntada de diversos recibos e comprovantes. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, por meio do Acórdão nº 0217.773 (fls. 65/70), rejeitou o pedido de nulidade e julgou o lançamento procedente. O contribuinte, cientificado da decisão em 6 de junho de 2008, interpôs recurso no dia 26. Na sua petição alega que: a) conforme o Código Civil, que tutela a relação entre particulares, art. 212, inciso II, o fato jurídico pode ser provado mediante documento; b) de acordo com o Código de Processo Civil, art. 368, as declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário; c) se apresentou “os recibos constando todos os dados requeridos expressamente na legislação, não há, o fisco, motivo algum para requerer outro tipo de documentação, senão a falta destes”; d) não é obrigada a fornecer detalhes sobre o tratamento médico em razão do direito à inviolabilidade da intimidade, garantido pela Constituição Federal (inciso X do artigo 5°); e) “a declaração contida em documento particular, desde que assinado pelo declarante, dispensa qualquer outro meio probatório [...], pois milita a presunção de veracidade em favor do autor do documento”. E “se o próprio profissional atesta que prestou o serviço, declarando tal serviço em sua própria declaração de rendimentos, não há motivo para a glosa em comento; f) a cópia do Livro Caixa e da Ficha 2 (Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior) da Dra. Vânia Lúcia de Oliveira Grossi, inscrita no CPF sob o n. 282.362.46604 e CRO sob n° 8234, constam os serviços prestados à recorrente; g) os recibos assinados pelo dentista responsável, Dr. Antônio de Pádua Pedreira dos Santos, inscrito no CPF sob o n° 354.022.37620, e inscrito, no Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.010976/200555 Acórdão n.º 210201.976 S2C1T2 Fl. 2 3 CRO/MG sob o n° 8.717, comprovam “um grande tratamento dentário sofrido pela recorrente”. h) não há razão alguma para imputar falsidade dos documentos, pois os critérios subjetivos não podem se sobrepor as provas concretas trazidas aos autos. Ao fim, cita jurisprudências do Conselho de Contribuintes e pede o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência fiscal teve origem em procedimentos de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido dedução indevida de despesas médicas e não atendimento à intimação para comprovação do pagamento ou da efetividade dos serviços médicos prestados. Na declaração original (fls. 58/59), entregue em 22 de março de 2001, e na primeira retificadora (fls. 48/49), entregue em 22 de abril de 2002, a contribuinte declarou os seguintes pagamentos, totalizando R$ 37.571,59 com despesas médicas. NOME DO BENEFICIÁRIO CPF ou CNPJ CÓDIGO VALORES R$ VÂNIA LUCIA O. GROSSI 282.362.46604 03 5.000,00 MITERMAYER REIS BRITO 269.188.20630 03 120,00 CLINICA DENTARIA SÃO GERALDO LTDA. 18.258.681/000158 03 10.000,00 CIBELE COSTA FONTENELE 832.648.84615 03 11.520,00 VIVIANI DA SILVA PRATA GERMAN 529.650.74600 03 10.140,00 BRADESCO 33.055.146/000193 04 123,59 SEGURO SAUDE 17.247.933/000180 04 180,00 CMRO CLÍNICA MINEIRA DE RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA LTDA. 25.692.252/000150 04 70,00 LABORATÓRIO HUMBERTO ABRAO 20.119.152/000115 04 238,00 HOSPITAL MADRE TERESA 60.194.990/000844 04 180,00 Na segunda retificadora (fls. 53/54), apresentada em 21 de junho de 2003, a contribuinte exclui da relação os pagamentos à Clínica Dentária São Geraldo e à Cibele Costa Fontenele, e inclui o beneficiário Antonio de Pádua Pedreira dos Santos CPF 354.022.37620 com a despesa de R$ 10.000,00. Os novos valores passam a totalizar R$ 26.051,059. Apesar de ter sido glosada a dedução integral, a contribuinte junta apenas documentos relacionados aos profissionais Antonio de Pádua Pedreira dos Santos e Vânia Lucia O. Grossi. Para o Dr. Antonio de Pádua Pedreira dos Santos foram anexados seis recibos, sendo três do ano calendário 2000 e outros três do ano calendário 2001 (28 de setembro de 2.000 – R$ 2.500,00; 27 de novembro de 2.000 – R$ 5.000,00; 28 de dezembro de 2.000 – R$ 5.000,00; 31 de outubro de 2.001 – R$ 2.500,00; 30 de novembro de 2.001 – R$ 2.500,00; 31 de dezembro de 2.001 – R$ 2.500,00). Entretanto, o profissional não consta da relação de pagamentos e doação. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.010976/200555 Acórdão n.º 210201.976 S2C1T2 Fl. 3 5 Para comprovar as despesas com a Drª. Vânia Lucia O. Grossi, foi anexado um documento denominado “RELAÇÃO DE RECIBOS EM 2000”, na qual a requerente é beneficiária de cinco dos recibos relacionados, datados de 28 de maio, 1º de junho, 28 de julho, 28 de agosto e 29 de dezembro, totalizando R$ 5.000,00. Curiosamente, em que pese não haver impedimento de dia e hora para o exercício da atividade profissional, cinco recibos da relação citada foram emitidos em dia de domingo, inclusive o do dia 28 de maio, para a requerente. Em relação às deduções, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. São dedutíveis os pagamentos efetuados a psicólogos fisioterapeutas e despesas com serviços dentários. Despesas essas que se restringem aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes e limitase àqueles especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Ainda, de acordo com o art. 73 e § 2º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se não forem cabíveis, e poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Em principio, admitemse os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, como prova idônea de pagamento. Entretanto, havendo dúvida quanto à idoneidade dos documentos, podemse solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais, por meio de odontogramas, laudos etc. Verificando que as deduções são elevadas e na imprecisão das provas, caberia de fato ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. Nesse caso, é responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A questão seria facilmente resolvida se a requente, atentando para a solicitação da auditoria ou a decisão da DRJ, tivesse juntado aos autos outros elementos que reforçasse a efetividade do serviço prestado ou do pagamento, até porque quando a fonte pagadora é pessoa jurídica os pagamentos são quase que na totalidade das vezes efetuados por intermédio de instituição bancária. Portanto, ainda que as despesas médicas tivessem sido pagas em espécie, teria a interessada como comprovar pelo menos os saques, coincidentes ou aproximados em datas e valores. Entretanto, ao invés de juntar aos autos provas que dirimisse a questão, a requerente se limita a contestar a decisão e a exigência de outros elementos probantes, subsidiando sua argumentação nos dispositivos do Código Civil (art. 333 e 334). Porém, nesse caso, não cabe ao fisco obter as provas da inidoneidade do recibo, mas, a recorrente apresentar elementos que dirimam as dúvidas a respeito dos recibos e permitam a convicção na apreciação da prova para acatar as deduções com as despesas médicas. Por essas razões, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001578/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/2002
SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO.
A isenção de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão, legalmente regulamentada, em relação à Cofins, vigeu somente até 31 de março de 1997.
INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS. RESTITUIÇÃO.
A restituição de indébitos tributários está condicionada à certeza e liquidez dos valores pleiteados.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/2002 SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. A isenção de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão, legalmente regulamentada, em relação à Cofins, vigeu somente até 31 de março de 1997. INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS. RESTITUIÇÃO. A restituição de indébitos tributários está condicionada à certeza e liquidez dos valores pleiteados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/2002 SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. A isenção de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão, legalmente regulamentada, em relação à Cofins, vigeu somente até 31 de março de 1997. INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS. RESTITUIÇÃO. A restituição de indébitos tributários está condicionada à certeza e liquidez dos valores pleiteados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taqueira e Silva, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente contra decisão da DRJ Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de indébitos decorrentes de pagamento da Cofins sobre o faturamento mensal no período de abril de 1997 a junho de 2002. A autoridade administrativa competente indeferiu a restituição pleiteada sob o argumento de que os valores pagos a título de Cofins sobre o faturamento mensal, naquele período, ao contrário do entendimento da recorrente, não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida nos termos da legislação vigente e, ainda, se reconhecido seu direito, parte dos valores já haviam sido atingidos pela decadência/prescrição quinquenal. Inconformada com aquela decisão, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 76/82), insistindo na restituição dos valores reclamados, alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela DRJ: “1. É uma sociedade civil de prestação de serviços de profissão regulamentada e. como tal, estava isenta da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, nos termos do art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, combinado com o art. 12 do DecretoLei n°2. 397, de 21 de dezembro de 1987; 2. a isenção da Cofins prevista na Lei Complementar n° 70, de 1991 não poderia ter sido revogaria pelo artigo 56 da Lei n° 9.430, de 1996; estando a isenção prevista em lei complementar, somente poderia ser revogada por meio de outra de igual hierarquia; a tentativa de revogação da isenção concedida por de lei complementar, por meio de lei ordinária, constituiria afronta ao Principio da Hierarquia das Leis; Não obstante não mencionar de forma clara e inequívoca suas argumentações, a impugnante reproduziu acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 156.839/SP, destacando o seguinte trecho: NÃO HÁ SUPORTE JURÍDICO PARA SE ACOLHER A TESE DA FAZENDA NACIONAL DE QUE HÁ TAMBÉM AO LADO DOS REQUISITOS ACIMA ELENCADOS UM ÚLTIMO O DO TIPO DE REGIME TRIBUTÁRIO ADOTADO PELA SOCIEDADE. A LEI COMPLEMENTAR NÃO FAZ TAL EXIGÊNCIA PELO QUE NÃO CABE AO INTÉRPRETE CRIÁLA. (GRIFAMOS) Aduz ainda a impugnante que a Receita Federal, tenda em vista o disposto no Decreto 2.346, de 10 de outubro de 1.997, consolidando normas e procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal, diante da Jurisprudência firmada pelos Tribunais Superiores, tem a obrigatoriedade de apreciar o pedido formulado pelo Recorrente, conforme dispõe o mencionado Decreto. E menciona ainda o PARECER PGFN/CAT/N° 0550/99, no qual destaca: 4. A BEM LANÇADA NOTA COSIT/COOPE/SENOC N° 90, DE 30.3.99, APÓS LABORIOSO ESTUDO DA QUESTÃO, CONCLUI NOS SEGUINTES TERMOS: a) A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PROFERIDA NO JULGAMENTO DE ADIN GERA, NO PLANO TEMPORAL, EFEITOS ‘EX TUNC’ TENDO EFEITO VINCULANTE PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.001578/200241 Acórdão n.º 330101.302 S3C3T1 Fl. 203 3 b) A RESTITUIÇÃO DOS VALORES CITADOS DEVE SER PROCEDIDA PELO ÓRGÃO INCUMBIDO DA ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO OU SEM PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. (destaques no original) E conclui, diante do exposto, que o órgão da SRF é competente para apreciar os pedidos de restituição e ou compensação de tributos, conforme expressamente determina o art. 21, da Portaria n° 227, de 03/09/98, bem como o Decreto 70.235/72 e demais disposições em vigor, apontando, em resumo, como pontos de discordância na Manifestação de Inconformidade: a) da legitimidade da autoridade administrativa para apreciar e dar provimento aos ‘pedidos de restituição e ou compensação de tributos declarados inconstitucionais’, conforme restou provado da legislação referendada e do posicionamento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional manifestada através do Parecer 550/99 e conseqüentemente, do pedido formulado pela Recorrente; b) diante do provimento conferido pelos dos inúmeros julgados do STJ, quanto à ilegalidade da cobrança do COFINS pela Receita Federal, em virtude da isenção conferida pelo Art. 60 Inciso II da Lei Complementar 70/91, tem a Recorrente o direito liquido e certo à restituição ou compensação do tributo indevidamente recolhido, conforme mencionado em seu pedido inicial. c) finalmente que é devida e legitima a restituição da contribuição recolhida no período de abril/97 até novembro/02, conforme legislação mencionada e até mesmo orientação da própria SRF.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme Acórdão nº 05 19.166, datado de 10/09/2007, às fls. 134/142, sob as seguintes ementas: “INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. ISENÇÃO, SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei 9.430, de 1996. A norma revogada embora inserida formalmente em lei complementar concedia isenção de tributo federal e, portanto, submetiase à disposição de lei federal ordinária, que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, outra lei ordinária da União, validamente, poderia revogar, como efetivamente revogou. PAGAMENTO INDEVIDO. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Não existindo pagamentos indevidos, não existem créditos passíveis de restituição.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 146/164), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito de repetir os valores reclamados, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade. Informou, ainda, que, a partir do protocolo do seu pedido de consulta sobre sua sujeição à Cofins, protocolado na DRF em Santo André, passou a efetuar depósitos extrajudiciais dos valores devidos mensalmente. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Os valores reclamados como indébitos tributários correspondem aos valores da Cofins apurados sobre o faturamento mensal dos períodos de competência de abril de 1997 a junho de 2002, declarados nas respectivas DCTFs e recolhidos tempestivamente. A recorrente entende que a isenção da Cofins, para as sociedades civis de profissão regulamentada, nos termos em que fora concedida pela Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991, art. 6º, II, c/c o Decreto nº 2.397, de 21/12/1987, ainda continua vigendo porque somente lei complementar poderia revogála. A isenção da Cofins para as sociedades civis de profissão regulamentada de que trata o Decretolei nº 2.397, de 21/12/1997, que fora concedida por meio da LC nº 70, de 30/12/1991, foi revogada de forma expressa pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, arts. 55 e 56, com vigência a partir de 1º de abril de 1997, in verbis: “Art. 55. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada de que trata o art. 1º do Decretolei n.º 2.397, de 21 de dezembro de 1987, passam, em relação aos resultados auferidos a partir de 1º de janeiro de 1997, a ser tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. “Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo único. Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997. Art. 88. Revogamse: (...); Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.001578/200241 Acórdão n.º 330101.302 S3C3T1 Fl. 204 5 XIV – os arts. 1º e 2º do Decretolei n.º 2.397, de 21 de dezembro de 1987. (...).” Ao contrário do entendimento da recorrente, no julgamento do RE nº 381.964/MG, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a validade da revogação da isenção da Cofins para as sociedades civis por meio da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 56, Portanto, todos os recolhimentos efetuados, a título de Cofins sobre o faturamento mensal a partir de abril de 1997, inclusive, eram devidos pela recorrente e não constituem indébitos tributários e sim valores devidos nos termos dos arts. 55 e 56 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citados e transcritos acima. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16542.000682/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 1997
PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. RETROATIVIDADE PERMITIDA. ARTIGO 15 DA LEI N° 11.051/2004.
Realizada diligência fiscal para certificar que a contribuinte não praticou atividade impediente à inclusão no regime Simples, sendo autorizado pela Lei a inclusão retroativa em razão da atividade praticada pela contribuinte, há que reconhecer o direito ao pedido de inclusão retroativo no período de 1997 a
2003.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. RETROATIVIDADE PERMITIDA. ARTIGO 15 DA LEI N° 11.051/2004. Realizada diligência fiscal para certificar que a contribuinte não praticou atividade impediente à inclusão no regime Simples, sendo autorizado pela Lei a inclusão retroativa em razão da atividade praticada pela contribuinte, há que reconhecer o direito ao pedido de inclusão retroativo no período de 1997 a 2003. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos De Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 169 2 Relatório Tratase de pedido feito pela contribuinte em 12/11/2003, quanto à inclusão retroativa da empresa ao regime do Simples, a partir de janeiro de 1997, requerendo ainda que não seja aplicada multa quanto à entrega fora do prazo da Declaração Anual Simplificada. Tal pedido foi negado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de origem no Despacho Decisório de fls. 55 a 57, nos seguintes termos: A formalização da opção pelo SIMPLES, para as pessoas jurídicas em início de atividades, é admitida com efeitos imediatos, conforme o disposto na Instrução Normativa SRF n° 9, de 10 de fevereiro de 1999, desde que o interessado, no momento da inscrição no CNPJ, faça corretamente o uso da faculdade da opção. E para as pessoas já inscritas no Cadastro da Pessoa Jurídica CNPJ (IN SRF n° 27, de 5 de março de 1998), passou a ser admitida, com efeitos retroativos a 1° de janeiro do próprio ano da opção, até o último dia útil do mês de fevereiro do anocalendário, sendo que após esta data, a opção somente produzirá efeitos a partir do anocalendário seguinte. O interessado está inscrito no CNPJ desde 23/02/1996 (fl. 53) e seu objeto social é comércio e representação de aparelhos eletroeletrônicos (fl.5), atividade incompatível para o SIMPLES, conforme o disposto no item XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Proponho, assim, que se indefira o pedido do contribuinte à opção retroativa ao SIMPLES, por falta de previsão na legislação pertinente. A contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que: Conforme se dessume do contrato social, esta tem como objeto o comércio e a representação de aparelhos eletroeletrônicos, estando enquadrada perante o órgão impugnado sob o código n° 52.450 (Comércio varejista de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação), atividade que, indubitavelmente, não requer, para a sua realização, de profissional habilitado, estando qualquer pessoa, independentemente da sua qualificação, apta a exercêla. Nesse ponto, cabe salientar que apesar de constar em seu contrato social a expressão "representação", a impugnante jamais realizou a atividade de representação comercial no sentido próprio da expressão. (...) Voltandose para o caso concreto, podese afirmar, seguramente, que a impugnante não realiza a atividade de representação comercial acima descrita. Do fato, jamais Fl. 169DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 170 3 celebrou qualquer contrato nas condições supra referidas, tendo desenvolvido sua atividade, sempre, de forma autônoma, sem interferência de qualquer outra pessoa jurídica ou laica. Assim, o simples fato de conter em seu contrato social o termo "representação", não significa que a sua atividade seja a de representação 1comercial prevista na Lei n°4.886/65, essa, sim, proibida de realizar opção pelo SIMPLES. Diante dos argumentos ora levantados, concluise que a impugnante não pode ser conceituada como sociedade civil de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, podendo, portanto, exercer livremente sua opção pelo SIMPLES. A manifestação de inconformidade foi rejeitada pela DRJ, apresentando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 1997 VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de representante comercial, ou assemelhados. Solicitação Indeferida. A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 08/11/2007, apresentou Recurso Voluntário em 05/12/2007, alegando: a) É imperioso salientar que apesar do Contrato Social da recorrente destacar como seu objeto a palavra "representação", a recorrente nunca atuou sob a forma de representante, fato esse que se comprovado através das notas fiscais juntadas aos autos. Portanto, a atividade da recorrente, desde o inicio, é o comércio e manutenção de máquinas eletro eletrônicas; b) Afirma ser uma inverdade o reconhecimento em seu petitório de que afirmou atuar na área de representação comercial, reafirmando que nunca atuou em qualquer ramo ou área da representação comercial, apenas trouxe a tona a legislação pertinente para comprovar que não tem vinculo algum com a atividade prestada por esta, que 'é o comércio varejista de equipamentos e materiais de escritório e informática; c) Com base no entendimento já esposado pela própria recorrida com relação a atividade da recorrente, tornase cristalino o direito desta em ser incluída no sistema de tributação do Simples, em razão de sua atividade não estar elencada no rol do artigo 9° da Lei 9.317/96. d) Requereu seja conhecido e provido o Recurso a fim de que ocorra a inclusão da empresa no sistema SIMPLES, e que esta se dê retroativamente à opção da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 171 4 empresa por essa forma de tributação, nos termos do artigo 15, da Lei n° 11.051, de dezembro de 2004. O contribuinte juntou algumas cópias de Notas Fiscais de Serviços daquilo que lhe interessava, demonstrando sua atividade de comércio de produtos e peças de aparelhos eletro eletrônicos, a locação de televisores, serviços de instalação de produtos e equipamentos, apresentando ainda Nota Fiscal emitida em face da empresa TVA como prestação de serviço de distribuição de equipamentos. Os autos foram convertido em diligência, conforme voto do ilustre Conselheiro Flávio Campos: O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. Assim sendo, dele conheço. A questão fundamental trazida à apreciação deste Conselho é o pedido de inclusão retroativa no Simples, com efeito a partir de 01/01/1997, denegado em função do recorrente desenvolver a atividade de representação comercial. A Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte e instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, determina em seu art. 9°, XIII que não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços de representante comercial, verbis: Art. 9° Não poderá optar peio SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 0 contrato social da empresa, datado de 01/02/1996, indica como objeto social: "comércio e representação de aparelhos eletro eletrônicos", mantido na alteração do mesmo ano. A alteração contratual, datada de 07/10/1997, altera o objeto social para "A) comércio de representação de aparelhos eletro eletrônicos; B) Locação de aparelhos eletroeletrônicos". Alega a recorrente que apesar de estar prevista em seu contrato social a atividade de representação comercial, nunca a exerceu, juntando cópias de notas fiscais não seqüenciais de fls. 104/150. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 172 5 Da análise das notas fiscais, constase ser 27 notas de prestação de serviço, em sua maioria de locação de televisores (23 notas), uma de prestação de distribuição de equipamentos, três de manutenção e instalação de equipamentos eletrônicos (n° inicial 0001 em 20/01/1998 e final 0368 em 01/08/2002) e 19 relativas a vendas de mercadorias (n° inicial 0001 em 11/04/1996 e final 000164 em 27/06/2002). Tendo sido negada a inclusão retroativa do contribuinte no Simples por haver previsão em seu contrato social de atividade vedada, qual seja, representação comercial, bem como, tendo a recorrente apresentado parte de suas notas fiscais, como documentação comprobatória de que não exerce referida atividade, entendo ser necessária a verificação da real atividade da recorrente. Isto posto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Delegacia a que está submetido o contribuinte se manifeste sobre as citadas alegações da contribuinte e informe, examinando a escrituração e respectivos documentos que lhe dão suporte, se, no período fiscalizado a recorrente realizou atividade de representação comercial. Seja elaborado relatório a respeito das informações acima solicitadas, bem como outras que entenda pertinente em face das alegações apresentadas pela impugnante, cientificandoa do seu teor e reabrindolhe o prazo de 10 dias para manifestação. Intimado o contribuinte a apresentar documentos fiscais sobre suas atividades, o mesmo apresentou, sendo objeto de análise pela fiscalização nos seguintes termos: Dandose continuidade a presente diligência fiscal, analisamos os registros da empresa junto ao cadastro da RFB no CNPJ, onde constatamos que a mesma, desde o exercício de 2004, vem declarando como estando na inatividade. E através de seu sócio, Sr. Orli Amancio Fidencio, a empresa não está ativa. A contribuinte apresentou os documentos abaixo relacionados, os quais foram analisados com toda profundidade: a — Notas fiscais de vendas (blocos n's 01 à 03); b — Notas fiscais de prestação de serviços n° 01 ã 08; c Livros de entrada com registros de 1998 à 2001; d Livros de Saídas com registros de 1998 à 2001; e Livros de apuração do ICMS com registros de 1998 à 2001. A metodologia empregada no exame do material acima, foi a verificação de todas as notas fiscais constantes nos talões e por amostragem analisados os registros nos livros fiscais. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 173 6 Encontramos nas notas fiscais de prestação de serviços somente cobranças relativas a serviços de instalação de suporte para TV, locação desses aparelhos, instalação de câmeras, de alarmes, de antenas, visitas técnicas e serviços diversos relativos a TV e equipamentos de segurança (sensores, câmeras, etc). Com relação as notas fiscais de vendas os produtos negociados pela empresa, correspondem a itens ( TV, Cabos diversos, suportes, modulador, sensores, amplificador, câmeras, fonte de energia, antenas, etc.) vinculados aos serviços que a mesma prestava. No exame das atividades registradas tanto nas notas fiscais, quanto nos lançamentos fiscais efetuados nos livros examinados, não constatamos nenhum registro de operação que possa ser caracterizada como da atividade de Representação Comercial. Encerramos, nesta data, a diligência levada a efeito no contribuinte acima identificado, que teve por escopo a verificação do efetivo exercício da atividade por parte do mesmo, atendendo diligência solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Cientificado da diligência, os autos retornaram para julgamento. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que merece provimento o Recurso do contribuinte, visto que o mesmo guardou durante os anos de 1997 e seguintes, até sua inatividade as condições de empresa sob o regime do Simples, não sendo encontrado pela fiscalização com base na análise completa dos documentos fiscais do contribuinte qualquer exercício da atividade de representação comercial, fundamento usado pela fiscalização e pelos julgadores da DRJ como impediente da adoção ao regime do Simples. O disposto no artigo 15, da Lei n° 11.051, de dezembro de 2004, prescreve sobre a retroatividade do pedido de inclusão no Simples: Art. 15. O art. 4o da Lei no 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 174 7 II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (...) É fato que no momento do pedido de inclusão retroativa feita pelo contribuinte em 12/11/2003, não existia previsão legal para tal façanha. Contudo, também é fato que no momento do julgamento desse pedido, já encontravase em vigor a referida legislação que trata da inclusão retroativa. Portanto, não é por ausência de regra jurídica que iremos negar o pedido do contribuinte. Se os dois únicos fundamentos para impedir a inclusão retroativa (falta de previsão legal e impedimento quanto à atividade) foram superados, entendo pelo provimento do Recurso, reconhecendo a inclusão até a data efetiva do pedido, visto que em 2004 a empresa declarouse inativa, conforme diligência fiscal. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOULHE provimento nos termos do voto acima colacionado. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16542.000682/200314 Acórdão n.º 120100.657 S1C2T1 Fl. 175 8 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 15586.000801/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999, 2000
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, regra geral, decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, conforme o art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o art. 173, I, do CTN.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIÁRIA.
Compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. A prova indiciária, para referendar a identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a tributação relativa à omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada no ano calendário de 2000, e reconhecer a decadência dos fatos geradores relativos aos três primeiros trimestres de 1999 e três primeiros trimestres de 2000, para fins de IRPJ e de CSLL, e a decadência dos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, inclusive, para o PIS e a COFINS, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente RECRIS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, regra geral, decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, conforme o art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIÁRIA. Compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. A prova indiciária, para referendar a Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 377 2 identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal IRPJ, aplicase àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a tributação relativa à omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada no ano calendário de 2000, e reconhecer a decadência dos fatos geradores relativos aos três primeiros trimestres de 1999 e três primeiros trimestres de 2000, para fins de IRPJ e de CSLL, e a decadência dos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, inclusive, para o PIS e a COFINS, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 135 a 170, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 378 3 crédito tributário no montante de R$ 1.495.906,65, aí já incluídos os acréscimos legais relativos a juros e multa. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 221 a 244, relata a fiscalização que arbitrou o lucro do contribuinte nos anos calendário 1999 e 2000, tendo em vista que este deixou de apresentar os livros da sua escrituração, os quais alegou terem se extraviados. O valor lançado foi apurado com base na receita bruta declarada de prestação de serviços e de revenda de mercadorias, e nos recursos recebidos do exterior sem a comprovação da sua natureza jurídica. Tendo em vista a falta de registro contábil de receitas recebidas do exterior, com a conseqüente manutenção de recursos à margem da contabilidade, e a sua omissão nas declarações DIPJ, de forma reiterada, aplicou a fiscalização a multa de ofício de 150% a esta infração. Aos tributos calculados com base nas receitas declaradas foi aplicada a multa de ofício de 75%. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 281 a 310, expondo os argumentos a seguir sintetizados. Aduz que ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Com relação ao ano calendário de 2000, demanda a nulidade da cobrança em razão da imprestabilidade da prova que suporta os lançamentos. Diz que nos autos do processo não existe qualquer documento que faça referência à recorrente, à exceção daquele apresentado pela fiscalização como comprobatórios do recebimento de divisas de outro país. Reitera as informações já prestadas durante a fase investigativa de que desconhece tais documentos, e salienta que não possui e nunca possuiu conta no exterior, e que sua movimentação bancária sempre foi operada em contas correntes mantidas no Banco Real, Banco do Brasil e Unibanco, todas elas em território nacional. Protesta estar a exigência tributária fundamentada com base em documento redigido em língua estrangeira, sem a correspondente tradução, o que constitui grave violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Além disto, os lançamentos foram efetuados com base em mera presunção, sendo que ao fisco incumbe o ônus da prova da efetiva omissão da receita. Diz que não há evidência de atitude tendenciosa à aplicação da multa de 150% aplicada, a qual considera confiscatória, e que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional e ilegal. Conclui alegando a nulidade dos autos e pedindo sejam os mesmos julgados insubsistentes. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOI, no Rio de Janeiro/RJ, manteve intrgralmente o lançamento efetuado. O Acórdão 1213.084, fls. 313 a 319, está assim ementado: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 379 4 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros fiscais justifica o arbitramento do lucro. BASE DO LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. É legítima a adoção da receita bruta como parâmetro para o arbitramento. RECEITA OMITIDA. RECURSOS RECEBIDOS DO EXTERIOR NÃO ESCRITURADOS OU DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de recursos recebidos do exterior não escriturados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos de ofício, é devida a multa de ofício. Nos casos de fraude, deve ser aplicada a multa de 150%. JUROS DE MORA. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1999, 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.” Cientificada desta decisão em 26.06.2007, conforme AR de fls. 333, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 26.07.2007, fls. 334 a 369, no qual reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 380 5 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de declaração da nulidade dos lançamentos em razão da alegada imprestabilidade das provas, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. A comprovação da infração diz respeito ao mérito do lançamento, e não importa, de forma alguma, em sua nulidade. A questão da decadência será analisada mais adiante, em razão de sua vinculação à manutenção ou não da multa qualificada aplicada. O lançamento, conforme relatado, foi efetuado com base no lucro arbitrado, em razão da falta de apresentação dos livros de sua escrituração, fato reconhecido pela recorrente, que inclusive não contestou o arbitramento feito com base nas receitas por ela declaradas em suas DIPJ relativas aos anos calendário 1999 e 2000, nas quais optara pelo lucro presumido. Também não contestou a recorrente os valores lançados como omissão de receita no ano calendário de 1999, ao contrário, expressamente reconheceu que auferiu receitas provenientes do exterior, pelo pagamento de serviços prestados no Brasil, as quais estão comprovadas pelos extratos do Banco Real por ela mesma apresentados, e que não foram contabilizadas nos livros próprios e nem tampouco submetidas às incidências tributárias (v. fls. 165, 174, 283 e 336). Intimada a apresentar os documentos que lastrearam as operações de recebimento do exterior desses valores (R$ 192.950,00 em 08.10.1999, e R$ 190.000,00 em 11.11.1999), respondeu que “não possui outros documentos a não ser os extratos bancários já anexados” (intimação às fls. 168, resposta às fls. 174). A inconformidade da recorrente com relação ao lançamento relativo a esses fatos situase apenas no plano das alegações de decadência e da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. A alegação de que a multa teria caráter confiscatório não pode ser acolhida. Tratase de penalidade expressamente prevista em dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico pátrio, sendo cediço que falece competência a este órgão julgador para deixar de aplicar lei regularmente editada pelo Poder Legislativo sob o fundamento de violação a princípios constitucionais, nos termos da Súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 381 6 Quanto à aplicabilidade da multa qualificada ao caso concreto, entendo ter esta sido perfeitamente demonstrada pela fiscalização. A autuação se deu com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 (presunção legal de omissão de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada). Entretanto, os rendimentos auferidos, no caso concreto, não apenas não tiveram sua origem não comprovada, mas também sequer foram contabilizados, conforme reconheceu a própria recorrente ao fisco, e muito menos oferecidos à tributação. Tratase, no caso, de vultosos recursos mantidos à margem da contabilidade, o que afasta, portanto, a possibilidade de tratar se de mero equívoco. A recorrente apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2000 pelo lucro presumido, informando os seguintes valores de receita por trimestre: AC 1999 Receitas Declaradas 1º Trimestre 26.495,00 2º Trimestre 28.340,30 3º Trimestre 27.150,00 4º Trimestre 27.311,00 Total 109.296,30 As receitas comprovadamente omitidas no quarto trimestre de 1999 foram de R$ 192.950,00 em 08.10.1999, e R$ 190.000,00 em 11.11.1999, totalizando R$ 382.950,00. Tal montante é 3,5 vezes superior à receita declarada em todo o ano calendário, e 14 vezes superior à receita declarada no quarto trimestre. O reconhecimento, pela recorrente, em sede de fiscalização, de que estes valores se refeririam a “serviços de consultoria comercial e engenharia executados pela Recris para empresas da Europa fornecedora de equipamentos para empresas siderúrgicas e mineradoras brasileiras” demonstra que ela tinha pleno conhecimento a respeito de que se tratava, não sendo minimamente razoável que tenha, à época dos fatos, de modo não intencional, simplesmente olvidado justamente os dois recebimentos cujo montante se afigurava, cada um deles, superior à receita de todo o ano em questão. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96, à época dos fatos, previa que a multa de ofício seria aplicada no percentual de 150% nos casos de evidente intuito de fraude. O evidente intuito de fraude, por sua vez, possui um amplo conceito onde se inserem as condutas dolosas tipificadas como sonegação, fraude ou conluio, conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, o dolo é elemento essencial à sua caracterização. Para a constatação da ocorrência de dolo, tanto em sua acepção penal, quanto aqui, como elemento subjetivo do tipo qualificado tributário, diz a mais balizada doutrina que é necessário verificar se havia, por parte do agente, a consciência (conhecimento do agente das circunstâncias caracterizadoras do ilícito) e a vontade para a prática da conduta (positiva ou omissiva) contrária ao ordenamento. Em outras palavras, é preciso demonstrar que o agente previu e quis o resultado ilícito, sendo certo, contudo, que o elemento subjetivo dolo não há de ser extraído da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 382 7 Nestes termos, a manutenção de tão vultosos recursos à margem da contabilidade, a omissão de sua informação ao fisco, e o seu não oferecimento à tributação, mesmo sabendo tratarse de receita auferida, demonstram a clara intenção do contribuinte com vistas a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, prática esta definida como sonegação à luz do artigo 71 da Lei n° 4.502/64, o que atrai para as infrações apuradas a aplicação do percentual de 150%, conforme feito pela autoridade fiscal. Com relação ao ano calendário de 2000, o lançamento também se fez com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, contudo, neste caso, a movimentação bancária ocorreu em conta mantida no exterior, identificada no decorrer dos trabalhos vinculados à operação denominada “Beacon Hill”, ou “Farol da Colina”, em livre (e equivocada) tradução. Em breve histórico, temse que, no curso do inquérito instaurado para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de CuritibaPR, a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION – BHSC, sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, a qual atuava como preposto bancário financeiro de pessoas físicas ou jurídicas em agência do JP Morgan Chase Bank. As mídias eletrônicas e documentos contendo os dados financeiros relativos à Beacon Hill foram disponibilizada para análise e cópia por parte das autoridades brasileiras após decisão judicial proferida Suprema Corte norte americana. Estas informações e documentos foram trazidos para o País pela autoridade policial, e, em 20/04/2004, conforme decisão do Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, foi deferido o acesso à Receita Federal, Bacen e Coaf, a todos os documentos e arquivos eletrônicos obtidos pela autoridade policial relativamente a Beacon Hill. As mídias eletrônicas foram periciadas por Peritos Federais Criminais, que elaboraram Laudos Periciais, individualizados por contas ou subcontas, visando a identificar os titulares, procuradores e responsáveis pela movimentação financeira. Nestes laudos, os principais campos existentes nas planilhas dos arquivos eletrônicos examinados foram descritos pelos peritos. Foi a partir da referência ao nome da recorrente no campo DETAIL PAYMENT (que forneceria detalhes sobre as ordens de pagamento), relativa à movimentação financeira ocorrida na subconta ELEVEN FINANCE CORPORATION, nº 310057, que a Equipe Especial de Fiscalização, criada pela Portaria SRF nº 463/2004, identificoua como beneficiária de recursos movimentados por meio da citada conta. Contudo, à semelhança de outros processos anteriormente julgados por esta Turma, constato que nos autos constam meros indícios de que a recorrente possa de fato ser a beneficiária dos apontados recursos. Nas planilhas elaboradas a partir dos dados constantes das mídias eletrônicas (documentos de fls. 17 a 22) não há nenhum outro elemento que faça qualquer conexão entre as referidas transações e a recorrente, que não a simples menção ao seu nome empresarial. Ora, a evidência que se infere a partir de um indicio deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o prosseguimento e aprofundamento das investigações. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 383 8 Não há nenhum contrato, procuração, cartão de assinatura, ou qualquer outro documento que contenha alguma assinatura da recorrente, ou qualquer outro elemento que permita demonstrar que ela movimentasse estes recursos ou que deles fosse titular. Nenhuma ligação foi apontada entre a recorrente e a BHSC ou qualquer dos seus sócios ou mesmo administradores da subconta ELEVEN FINANCE CORPORATION por meio da qual circularam os valores em questão. A recorrente, por sua vez, sempre afirmou que não teve qualquer participação nestas operações, que desconhecia, bem como que jamais manteve qualquer conta no exterior. A simples menção ao nome da recorrente na mídia eletrônica, desacompanhada de qualquer outro indício ou elemento de prova, permite no máximo que se chegue a um juízo de probabilidade de que ela seja a beneficiária de tais recursos, mas não é suficiente para identificar, estreme de dúvidas, o sujeito passivo. O art. 112 do CTN determina que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Concluo, portanto, que não há prova nos autos que confirme ser a autuada de fato a beneficiária dos recursos, apontados no presente processo, que foram movimentados no ano calendário de 2000 por meio da subconta ELEVEN FINANCE CORPORATION, pelo que o lançamento fiscal deve ser cancelado nesta parte. Neste mesmo sentido, cito os seguintes precedentes administrativos: PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIARIA. A “presunção” consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador. (Acórdão n° 20309180, sessão de 11.09.2003, relatora Cons. Luciana Pato Peçanha Martins) LANÇAMENTO – ILEGITIMIDADE PASSIVA – PROVA INDICIARIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido. (Acórdão n° 10708.592, sessão de 25.05.2006, relatora Cons. Albertina Silva Santos de Lima) LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIÁRIA. Compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. A prova indiciária, para referendar a identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador. (Acórdão n° 110200.338, sessão de 11.11.2010, relator Cons. João Otávio Oppermann Thomé) Com relação à arguição de decadência relativa ao ano calendário de 1999, tenho que assiste parcial razão à recorrente. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 384 9 Isto porque, tratandose de lançamento sujeito ao regime de homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência regese não pelo prazo quinquenal previsto na primeira parte do parágrafo 4° do art. 150 do CTN, mas sim pelo disposto na parte final do referido dispositivo, o que desloca o prazo decadencial para aquele previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma, consoante a remansosa e pacífica jurisprudência desta Casa. Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos no quarto trimestre de 1999, para fins de IRPJ e CSLL, o prazo decadencial teria o início de sua contagem somente em 01.01.2001, findando em 31.12.2005. Tendo o lançamento sido cientificado à recorrente em 13.12.2005, não estava ainda decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário relativo a este período. Já com relação aos três primeiros trimestres de 1999, não houve o lançamento de qualquer infração com multa qualificada, de sorte que a contagem do prazo quinquenal tem início na data de encerramento de cada período de apuração trimestral em 1999. Aliás, mesmo que a contagem se fizesse pelo art. 173, inciso I, do CTN, ainda assim estaria o prazo vencido, porque, neste caso, sua contagem teria início em 01.01.2000. Com relação às contribuições PIS e COFINS, cujos fatos geradores são mensais, aplicandose o mesmo raciocínio acima, concluise que estão decaídos todos os fatos geradores relativos ao ano de 1999. Isto porque, mesmo nos meses de outubro e novembro de 1999, em que houve aplicação da multa qualificada, o prazo começou a fluir em 01.01.2000. Além disto, em que pese não tenha sido arguido pela recorrente, cumpre reconhecer de ofício a decadência parcial dos lançamentos efetuados também com relação ao ano calendário de 2000. Neste ano, conforme exposto no presente voto, subsistiu tão somente a aplicação do arbitramento aos lucros da recorrente, contudo, tal arbitramento não contempla a multa qualificada. Por conseguinte, tendo o lançamento sido cientificado à recorrente em 13.12.2005, estão decaídos todos os fatos geradores relativos aos três primeiros trimestres de 2000, com relação ao IRPJ e à CSLL, bem como todos os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, inclusive, com relação ao PIS e à COFINS. Com relação à arguição de que a taxa Selic seria inconstitucional e ilegal, a ela se opõe não somente a Súmula CARF nº 2, ao norte já reproduzida, mas também a Súmula CARF nº 4, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos, tendo em vista que efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal, devese aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do IRPJ. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a tributação relativa à omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada no ano calendário de 2000, e para reconhecer a decadência dos fatos geradores relativos aos três Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 15586.000801/200521 Acórdão n.º 110200.654 S1C1T2 Fl. 385 10 primeiros trimestres de 1999 e três primeiros trimestres de 2000, para fins de IRPJ e de CSLL, e a decadência dos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, inclusive, para o PIS e a COFINS. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO
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Numero do processo: 13839.001739/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2004
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1301-000.859
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 147 2 MACCAFERRI DO BRASIL LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 09 de junho de 2006, por meio do qual a interessada solicita a restituição de valores recolhidos como Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no montante de R$ 171.231,63, relativo ao anocalendário de 2003. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido, nos termos do Despacho Decisório de fls. 14/16, que se transcreve, parcialmente: “RELATÓRIO Através do presente o interessado, identificado às fls. 05 a 11, formalizou Pedidos de Restituição em 23/05/2006, 02/06/2006, 09/06/2006 e 05/07/2006, às fls. 01, por meio dos quais solicita restituição de valores recolhidos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL , dos anoscalendário AC 2001 a 2004, nos valores cf. segue: AC R$ (valor original) 2001 213.848,46 2002 226.365,04 2003 171.231,63 2004 160.683,53 Estes valores seriam referentes à incidência da alíquota da CSLL sobre receitas decorrentes de exportação. Às fls. 02 juntou planilha com a qual pretende demonstrar o valor do pretenso crédito; às fls. 03 apresentou cópia da Ficha 8 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), Demonstração do Lucro da Exploração do AC 2001 (2002, 2003, 2004); às fls. 04 apresentou cópia da Ficha 17 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004). É o relatório. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A imunidade tributária sobre receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, está prevista no inciso 1, § 2°, do art. 149 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), como segue: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, 1 e III, e sem Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 148 3 prejuízo do previsto no art. 195, § 6° relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1°... § 2°. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) Na Demonstração do Lucro da Exploração do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 03, verificase que, de fato, o interessado informa ter auferido receitas decorrentes de exportações, no valor de R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58). Ao ser aplicada a alíquota da CSLL (9%) sobre este valor, obtémse os R$ 213.848,46 (R$ 226.365,04, R$ 171.231,63, R$ 160.683,53) pleiteados pelo interessado. Entretanto, em análise do cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 04, verificase que, na Linha 26 da Ficha 17 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), a título de "Outras Exclusões", o interessado deduziu da base de cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004) os R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58) que obteve com exportações. Portanto, o interessado observou, ao calcular a CSLL devida no AC 2001 (2002, 2003, 2004), a imunidade tributária sobre as receitas decorrentes de exportações. Dessa forma, concluise que não existe crédito a favor do interessado. Isso posto, proponho o indeferimento dos Pedidos formalizados. (...) DECISÃO À vista da informação supra, e no uso das atribuições do art. 243 da Portaria MF n° 95/2007 e da Portaria DRF/Jundiaí n° 81 de 22/05/2007, e com fundamento no art. 47 da IN SRF 600/2005, indefiro os Pedido formalizados. 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 17, em 30 de julho de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 29 de agosto de 2007, fls. 18/21, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que a autoridade fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, considerou equivocadamente que as fichas da DIPJ anexadas ao Pedido de Restituição, seriam as fichas autênticas da declaração de rendimentos entregue. No entanto, tais fichas serviram, tão somente, para evidenciar a forma de apuração dos créditos pleiteados, sendo anexadas como modelo. Em suas palavras: “Na verdade, as fichas válidas, que compõem as DIPJ’s entregues conforme seus respectivos recibos de entrega, não Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 149 4 excluíram os efeitos decorrentes das receitas de exportação para a correta apuração da contribuição, razão pela qual formalizou os pedidos de restituição! Este fato poderia e pode ser verificado com a simples consulta destas DIPJ’s nos sistemas informatizados da Receita Federal, bem como nas cópias anexas, as quais demonstram que a Recorrente não deduziu ou excluiu quaisquer importâncias decorrentes dos efeitos da exportação, para apuração da contribuição social devida. Assim, uma vez reconhecido o direito à exclusão das receitas decorrentes da exportação da base de cálculo da contribuição, conforme o despacho decisório, os Pedidos de Restituição devem ser deferidos, pois a recorrente, conforme demonstrado e comprovado, ainda não excluiu referidas receitas da base de cálculo da contribuição.” 3.2. Conclui, requerendo que o Despacho Decisório seja reformado, visando sanar o equívoco da autoridade fiscal, bem como deferido o Pedido de Restituição, ou, ainda, em caso de mora na restituição, autorizada a compensação do crédito com débitos vencidos ou vincendos. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0521.852, de 08/05/2008 (fls. 127/130), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O inciso I, do §2º, do artigo 149, da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional n.º 33, de 2001, prescreve imunidade tributária sobre as receitas de exportação, no caso das contribuições sociais cujo elemento material da regra matriz de incidência seja a receita. No entanto, o lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, e as receitas, são realidades inconfundíveis, segundo as diretrizes delineadas na Lei Fundamental, razão pela qual não há como sustentar a tese de que as receitas de exportação foram excluídas da incidência dessa contribuição. Ciente da decisão de primeira instância em 23/06/2008, conforme documento de fl. 132, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 22/07/2008 (registro de recepção à fl. 133, razões de recurso às fls. 133/144), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, alega a nulidade do acórdão recorrido, por julgamento extrapetita1. Por sua ótica, seu direito creditório já teria sido reconhecido no Despacho 1 Certamente por equívoco, a recorrente se refere ao acórdão nº 0521.851, proferido em outro processo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 150 5 Decisório proferido pela DRF Jundiaí, o qual ao final veio a negar a restituição apenas em virtude de equívoco quanto às fichas da DIPJ, equívoco esse que veio a ser desfeito em sede de manifestação de inconformidade. A DRJ Campinas teria, então, proferido julgamento extra petita, “já que analisou o mérito do pedido, o qual, ressaltese, que já havia sido deferido pelo despacho decisório”. Reforça seus argumentos de que a DRF de origem teria externado a conclusão pelo direito à exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL diante do fato de que, se assim não fosse, o AuditorFiscal que analisou o pedido teria providenciado a lavratura dos autos de infração para cobrança dos respectivos valores, o que não ocorreu. Colaciona jurisprudência administrativa que entende favorável a sua tese, e acrescenta que, entre as competências das Delegacias de Julgamento, não se encontra a revisão de ofício das decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal. No mérito, a recorrente reitera seus argumentos de que “as alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 33 ao artigo 149 da Constituição abrangem igualmente a CSLL, do que se conclui que as receitas e, conseqüentemente, o lucro decorrentes de exportação são imunes à tributação da CSLL desde 12 de dezembro de 2001”. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cabe apreciar, inicialmente, a alegação da recorrente de nulidade do acórdão combatido, por julgamento extrapetita. O seguinte excerto, que consta do Despacho Decisório às fl. 14/15, bem esclarece sobre o fundamento adotado pela DRF Jundiaí ao negar a restituição pretendida: A imunidade tributária sobre receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, está prevista no inciso I, § 2°, do art. 149 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), como segue: [...] Na Demonstração do Lucro da Exploração do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 03, verificase que, de fato, o interessado informa ter auferido receitas decorrentes de exportações, no valor de R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58). Ao ser aplicada a aliquota da CSLL (9%) sobre este valor, obtémse os R$ 213.848,46 (R$ 226.365,04, R$ 171.231,63, R$ 160.683,53) pleiteados pelo interessado. Entretanto, em análise do cálculo da CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004), às fls. 04, verificase que, na Linha 26 da Ficha 17 da DIPJ/2002 (2003, 2004, 2005), a titulo de "Outras Exclusões”, o interessado deduziu da base de cálculo da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 151 6 CSLL do AC 2001 (2002, 2003, 2004) os R$ 2.376.093,95 (R$ 2.515.167,11, R$ 1.902.573,64, R$ 1.785.372,58) que obteve com exportações. Portanto, o interessado observou, ao calcular a CSLL devida no AC 2001 (2002, 2003, 2004), a imunidade tributária sobre as receitas decorrentes de exportações. Dessa forma, concluise que não existe crédito a favor do interessado. Duas conclusões podem ser daqui obtidas. A primeira é de que a Autoridade Administrativa estava, ainda preliminarmente, verificando se havia registro, na DIPJ da interessada, de que as receitas de exportação efetivamente teriam integrado e onerado a base de cálculo da CSLL. Tal verificação foi feita com base nos documentos de fls. 03 e 04, acostados aos autos pela própria interessada, consistentes em cópias das fichas 08 e 17 da DIPJ 2004 (AC 2003). A análise sumariamente empreendida levou à conclusão de que inexistia qualquer crédito a ser restituído, posto que as receitas de exportação já haviam sido excluídas pela interessada da base de cálculo da CSLL. A segunda conclusão é de que a análise parou nesse ponto. A Autoridade Administrativa considerou desnecessário avançar na apreciação do mérito do pedido, visto que, qualquer que fosse a decisão quanto ao direito em tese, o crédito já se havia revelado inexistente. Não consigo extrair do último parágrafo da transcrição acima, tido em seu contexto, o alcance que lhe pretende emprestar a interessada, de que o mérito de seu pedido já teria sido reconhecido. Em nada auxilia a interessada o argumento de que o AuditorFiscal deveria ter providenciado a lavratura de auto de infração, caso houvesse discordado do alcance da imunidade na forma do entendimento da interessada. Tal hipotética providência não teria necessariamente ocorrido dentro dos autos deste processo, e não há como afirmar sobre sua existência ou inexistência. Na sequência, instaurado o litígio mediante a manifestação de inconformidade, e esclarecido que os documentos de fls. 03 e 04 não correspondiam à DIPJ efetivamente apresentada, mas tão somente àquilo que a interessada entendia correto, a Autoridade Julgadora em primeira instância apreciou o mérito do pedido de restituição, e fundamentadamente o indeferiu. Não vejo como tal procedimento possa ser tido como julgamento extrapetita, menos ainda como causa de nulidade. Rejeito, pois, a argüição de nulidade do acórdão recorrido. No mérito, melhor sorte não socorre a interessada. Peço vênia para transcrever excerto da decisão recorrida, à qual não faço reparos e que, por sua clareza e concisão, adoto também aqui como razões de decidir: 17. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, é uma contribuição que visa atender a seguridade social. A questão a ser dirimida, portanto, cingese a sua inserção entre as contribuições que incidem sobre receita de exportação. 18. O termo incidência tem significação própria na Ciência do Direito. Segundo Alfredo Augusto Becker (in Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo: 3ª ed., Lajus, 1998, p. 83/84), quando o direito tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (‘fato gerador’). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 152 7 19. Com efeito, o inciso I, do § 2º , introduzido no texto do art. 149 da CF por meio da EC nº 33, de 2001, referiuse apenas as contribuições sociais que incidem sobre as receitas de exportação, hipótese cuja materialidade pressupõe as diversas operações de venda de mercadoria e serviços, diferindo de outras exações cuja hipótese de incidência assentase no lucro. 20. A incidência sobre lucro pressupõe o resultado de diversos negócios jurídicos realizados, ou seja, buscase aferir o saldo positivo de diversas operações de compra e venda efetuadas em determinado período (receitas menos custos e despesas). 21. O próprio artigo 195 da Carta Suprema, ao definir as competências impositivas, separou as hipóteses de incidência possíveis para as contribuições sociais, permitindo a criação de uma sobre o lucro e outra sobre receita. Não se poderia inferir que, em outro dispositivo do mesmo texto, o legislador utilizasse um conceito pelo outro, ou seja, ao tratar da “receita de exportação” estivesse se referindo “ao lucro na operação de exportação”. 22. A conclusão que se retira de todo o exposto anteriormente e da observação do Texto Constitucional por inteiro é que a CF prescreve cada imunidade tributária buscando atingir um fim específico. Isso quer dizer que a imunidade instituída sobre receita de exportação visa desonerar as exportações, mas não alcançar o lucro da empresa exportadora, que expressa a sua capacidade contributiva com relação à seguridade social, que, como está expresso no texto constitucional, deve ser suportada por toda a sociedade. 23. Portanto, o inciso I, do § 2º, introduzido no texto do art. 149 da CF por meio da EC nº 33, de 2001, prescreve imunidade com fim de aliviar as receitas decorrentes de exportação da incidência das contribuições sociais cuja hipótese de incidência seja a receita, deixando de fora a CSLL, já que essa contribuição incide sobre o lucro. No âmbito administrativo, este CARF e, antes dele, o Primeiro Conselho de Contribuintes vem reiteradamente decidindo que as receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. A título de exemplo, confiramse os acórdãos nº 10197.077, nº 10323.524, nº 10195.858, nº 10323.178, nº 10196.207 e nº 140200.594. Vejase a ementa deste último, mais recente2: CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Também o Poder Judiciário já decidiu sobre o mérito da questão, nos autos do Recurso Extraordinário nº 474.1323, em 12/08/2010, restando o acórdão assim ementado: Recurso extraordinário. 2. Contribuições sociais. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). 3. Imunidade. Receitas decorrentes de exportação. Abrangência. 4. A imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição, introduzida pela Emenda Constitucional nº 33/2001, não alcança 2 Acórdão 140200.594, de 30/06/2011, Relator Cons. Antônio José Praga de Souza. 3 DJe nº 231, Divulgação 30/11/2010, Publicação 01/12/2010. Relator Min. Gilmar Mendes. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 153 8 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), haja vista a distinção ontológica entre os conceitos de lucro e receita. 6. Vencida a tese segundo a qual a interpretação teleológica da mencionada regra de imunidade conduziria à exclusão do lucro decorrente das receitas de exportação da hipótese de incidência da CSLL, pois o conceito de lucro pressuporia o de receita, e a finalidade do referido dispositivo constitucional seria a desoneração ampla das exportações, com o escopo de conferir efetividade ao princípio da garantia do desenvolvimento nacional (art. 3º, I, da Constituição). 7. A norma de exoneração tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição também não alcança a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), pois o referido tributo não se vincula diretamente à operação de exportação. A exação não incide sobre o resultado imediato da operação, mas sobre operações financeiras posteriormente realizadas. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. A matéria foi, ainda, discutida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 564.4138, com a seguinte conclusão4: IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 4 DJe nº 209, Divulgação 28/10/2010, Publicação 03/11/2010, Relator Min. Marco Aurélio. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001739/200621 Acórdão n.º 130100.859 S1C3T1 Fl. 154 9 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15954.000004/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2101-001.304
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Em desfavor da contribuinte MARLI SHINOBU SAWASAKI, servidora pública, foi emitido o Auto de Infração às fls. 4 e 6 a 12, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao Ano Calendário 2002 (Exercício 2003) no valor de R$ 6.781,82 (seis mil, setecentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos). O valor total do crédito tributário exigido, incluída a multa de lançamento de ofício de 75% sobre o valor do imposto e juros de mora calculados até 31.10.2007 é de R$ 16.627,66 (dezesseis mil, seiscentos e vinte e sete reais e sessenta e seis centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 6), a Fiscalização apurou que a contribuinte: a) Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica R$ 2.100,00 referentes a resgate de previdência privada da Brasilprev Seguros e Previdência, conforme informado pela respectiva fonte pagadora. b) Dedução indevida a título de contribuição à Previdência Privada e Fapi, em decorrência do não atendimento da intimação fiscal n° 520/07. Regularmente intimada em 27/07/2007, a contribuinte solicitou prorrogação de 30 dias,. Tendo transcorrido o prazo da prorrogação sem que a contribuinte se manifestasse, foi glosada a dedução de Contribuição à Previdencia Privada e FAPI no valor de R$ 4.235,63. c) Dedução indevida com dependente(s), em decorrência do não atendimento da intimação fiscal n ° 520/07. Regularmente intimada em 27/07/2007 a contribuinte solicitou prorrogação de 30 dias. Tendo transcorrido o prazo da prorrogação sem que houvesse manifestação da contribuinte, foi glosada a dedução com dependente no valor de R$ 5.088,00. d) Dedução indevida com dependente(s), em decorrência do não atendimento da intimação fiscal n° 520/07. Regularmente intimada em 27/07/2007 a contribuinte solicitou prorrogação de 30 dias. Tendo transcorrido o prazo da prorrogação sem que a contribuinte se manifestasse, foi glosada a dedução de despesa com Instrução no valor de R$ 5.994,00. e) Dedução indevida a titulo de despesas médicas, em decorrência do não atendimento da Intimação Fiscal n° 520/07. Regularmente intimada em 27/07/2007, a contribuinte solicitou prorrogação de 30 dias. Transcorrido o prazo da prorrogação sem que houvesse qualquer manifestação, foi glosada a dedução de despesa médica no valor de R$ 7.243,55. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 15954.000004/200851 Acórdão n.º 210101.304 S2C1T1 Fl. 76 3 A contribuinte recolheu parte do tributo restando em litígio o valor correspondente a R$ 4.586,02 de imposto, mais juros de mora e multa de 75%, conforme fls. 19 e 20. Em sua Impugnação, a contribuinte solicita revisão do lançamento, alegando em síntese, que: 1. Admite a falha quanto à declaração referente ao resgate de previdência privada;,mas houve o investimento no valor declarado; 2. Reconhece a exclusão de uma dependente, reduzindo o valor informado; 3. Gastou muito além do limite considerado para despesas com instrução; sendo assim, solicita seja considerado o valor do limite permitido; 4. Não dispõe dos comprovantes de todos os valores deduzidos como despesa médica; solicita a consideração do valor de R$ 3.503,55; Requer o cancelamento de parte do débito fiscal reclamado e o arquivamento do presente processo. Solicita nova oportunidade de demonstrar o que foi dito, colocandose à disposição para a apresentação da documentação citada. Ao examinar o pleito, a 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 1742.006, de 23 de junho de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. A não comprovação das deduções declaradas pelo contribuinte através de documentação hábil e idônea ensejam a manutenção das glosas apuradas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA PELO TITULAR. Tributase o rendimento recebido de Pessoa Jurídica, omitido na declaração de ajuste anual. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for Fl. 90DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 causada pelos motivos especificados na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 12 de julho de 2010 (fls. 30), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12 de agosto de 2010 (fls. 32 a 34) e anexou documentos às fls. 35 a 85. Em sua peça recursal, a Recorrente alega, em síntese, o seguinte: 1. Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Admite a omissão de receita com rendimentos em resgate de Previdência Privada como uma falha no preenchimento de sua declaração de ajuste. Todavia, já que a Receita Federal mantém o aumento da base cálculo em R$ 2.100,00, solicita que se considere também o IRRF no valor de R$ 156,30, conforme consta do Informe de Rendimentos Financeiros do Banco do Brasil S/A (fls. 35). 2. Despesas com Dependentes A Fiscalização considerou indevida a dedução de despesas com dependentes, glosa esta mantida no Acórdão, porém a Receita Federal acatou a receita tributada das mesmas dependentes, informada na declaração de ajuste (fls. 13 a 15), aceitando, inclusive, os valores informados como IRRF. Reconhece a exclusão de sua avó, admitindo não haver prova documental da efetiva relação de dependência, na época. Solicita que se reduza o valor informado de R$ 5.088,00 para R$ 3.816,00 — restando como dependentes apenas as suas três filhas. 3. Despesas com Instrução Solicita que seja considerado o valor do limite permitido para a dedução de despesas com instrução, pois seu dispêndio foi muito acima do valor de R$ 5.994,00, conforme comprova. 4. Despesas Médicas Pede sejam considerados os documentos ora juntados. 5. Contribuição à Previdência Privada Solicita sejam considerados os valores lançados em aplicação na Previdência Privada pois os lançamentos foram corretos, conforme comprova. Pede, ao final, a revisão do que lhe foi negado no Acórdão. Pretende demonstrar a improcedência da ação fiscal, e requer seja acolhida a presente solicitação para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado, arquivandose o presente processo, por encontrar se quitado. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 15954.000004/200851 Acórdão n.º 210101.304 S2C1T1 Fl. 77 5 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido. A contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 em 12 de julho de 2010, conforme comprova o carimbo de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 30. Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte protocolizou Recurso Voluntário na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto no dia 12 de agosto de 2010, conforme atesta o funcionário da referida unidade (fls. 32). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciase a contagem do prazo no dia 13 de julho de 2010, prazo esse que se encerra no dia 11 de agosto de 2010. Os dias de início e do fim do prazo não foram feriados nacionais e não consta tenham sido dias não úteis ou de expediente anormal na cidade de Ribeirão Preto, local da apresentação do Recurso Voluntário. Sendo assim, tendo em vista que o dia 12 de julho de 2010 foi uma segundafeira, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário iniciouse na terçafeira, dia 13 de julho de 2010, dia de expediente normal, expirandose no dia 11 de agosto de 2010, uma quartafeira, também dia útil. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: Fl. 92DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 6 I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...].” Constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 93DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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