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Numero do processo: 10183.004517/2006-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL
RURAL – ITR
Exercício: 2002
VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO.
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados.
A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN.
ALTERAÇÃO NO REGISTRO DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. DESCONFORMIDADE COM O TERMO DE RESPONSABILIDADE, COM O MAPA DE LOCALIZAÇÃO E MEMORIAL DESCRITIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As alterações nos registros à margem da matrícula do imóvel, para fins de comprovação da reserva legal, devem ser acompanhadas de comprovação. O registro em desconformidade com o com Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta, do Ibama, o Mapa de Localização e o Memorial Descritivo, devidamente assinados por profissional competente, não pode ser considerado.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que reconhecia a área de reserva legal no percentual da área total definido na legislação para o município onde se encontra localizado o imóvel.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializase pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. ALTERAÇÃO NO REGISTRO DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. DESCONFORMIDADE COM O TERMO DE RESPONSABILIDADE, COM O MAPA DE LOCALIZAÇÃO E MEMORIAL DESCRITIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As alterações nos registros à margem da matrícula do imóvel, para fins de comprovação da reserva legal, devem ser acompanhadas de comprovação. O registro em desconformidade com o com Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta, do Ibama, o Mapa de Localização e o Memorial Descritivo, devidamente assinados por profissional competente, não pode ser considerado. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que reconhecia a área de reserva legal no percentual da área total definido na legislação para o município onde se encontra localizado o imóvel. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004517/200624 Acórdão n.º 210201.662 S2C1T2 Fl. 151 3 Relatório Contra a empresa Arcobras Comercial e Incorporadora Ltda., CNPJ/MF Nº 60.601.721/00189, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 30 de novembro de 2006, auto de infração de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural, exercício 2002 (fls. 1 a 9), por falta de recolhimento do ITR do imóvel “Fazenda Santa Filipina”, NIRF nº 353.4278, localizado no município de Santa Cruz do Xingu – MT, em decorrência da revisão da declaração. O crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do seu vencimento, foi de R$ 1.846.035,37 (um milhão, oitocentos e quarenta de seis mil, trinta e cinco reais e trinta e sete centavos) de imposto e R$ 1.384.526,52 (um milhão, trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e vinte e seis reais e cinquenta e dois centavos) de multa. A fiscalização, conforme o demonstrativo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 6 e 7), apurou subavalição no valor da terra nua e divergência na área de reserva legal. Cientificada e inconformada com a autuação, a requerente impugnou o lançamento, alegando que: a) a área do imóvel encontrase quase que totalmente gravada como de reserva legal, restando para exploração apenas 930,8 ha. sujeita à tributação; b) o Cartório de Registro Imobiliário não atendeu a contento à solicitação do auditor fiscal, tendo enviado apenas as cópias de documentos que embasaram a averbação AV. 0310.954, e a impugnante não pode ser prejudicada pelo fato de o cartório ter desatendido à solicitação; c) são insubsistentes os valores do VTN atribuídos pela RFB. A 1ª Turma de julgamento da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0411.881, de 4 de maio de 2007 (fls.75 a 80), julgou o lançamento procedente. A contribuinte foi intimada da decisão acima em 5 de junho de 2007 (fl. 89) e interpôs recurso voluntário no dia 4 do mês seguinte (fls. 91 a 112), representado em procuração por terceiro, alegando as questões abaixo transcritas: (a) em recente julgamento o Terceiro Conselho de Contribuintes, reconheceu a reserva legal da recorrente, conforme o acórdão n° 30334.016, 24.01.2007, prolatado no recurso n° 134.198, do processo n° 10183.002970/200515, em anexo, em que ela é recorrente; (b) a recorrente possui requerimento de ADA Ato Declaratório Ambiental do IBAMA entregue ao referido órgão em 02/12/97, o qual comprova que mais de 99% Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 da área de sua propriedade (119.826 hectares) configura reserva legal, ou seja, área de Utilização Limitada; (c) há averbação na matrícula do imóvel em questão reconhecendo que mais de 99% da área de propriedade (119.826 hectares) da Impugnante configura Área de Utilização Limitada; (d ) derivou ele de procedimento em que não foram devidamente levados a efeito o dever de investigação e o princípio da busca da verdade material para fins da perfeita identificação da prova da Área de Utilização Limitada alegada; (e) supostamente apurou o Valor da Terra Nua por hectare com base em sistema (Sistema de Preços de terras SIPT) não disponibilizado aos contribuintes, em total afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa e da publicidade. Os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por meio da Resolução nº 3013.078 (fl. 117 a 124), converteram o julgamento em diligência, retornando os autos à unidade de origem para que a autoridade lançadora informasse a origem dos dados e critérios utilizados para chegar à apuração do valor atribuído como VTN no SIPT, posteriormente utilizado no lançamento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro José Luiz Novo Rossari para redigir o voto vencedor. Após oficiar aos órgãos de controle ambiental no Estado de Mato Grosso, a Delegacia da Receita Federal teceu suas considerações na Informação Fiscal de nº 14/2010 (Fl. 131 a 133), informando: No procedimento fiscal que resultou na autuação ora em julgamento, o contribuinte, para comprovar o valor da terra nua declarado, foi intimado a apresentar laudo técnico de avaliação, elaborado de acordo com os requisitos estabelecidos na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, eis que o VTN por ele informado (R$12,04/ha) destoava sobremaneira da média dos valores declarados naquele exercício por outros contribuintes relativamente a imóveis localizados no mesmo município (cerca de 12% do VTN médio). É oportuno salientar que, para se definir o real valor de um imóvel rural, é imperativo e imprescindível que este valor seja pautado em laudo de avaliação que atenda os requisitos estipulados pela ABNT, norma que regula a forma, o modo e os profissionais habilitados para a sua elaboração. Por meio do termo de intimação fiscal, acostado às fls. 17 a 19, verificase que foram estabelecidos requisitos mínimos, pautados na norma, para elaboração e apresentação do laudo de avaliação, com objetivo de se estabelecer o real valor do bem, e informado ao contribuinte que a falta de apresentação desse laudo ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terras – SIPT da então SRF. No entanto, conforme informado na descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 06 e 07, o contribuinte não apresentou o laudo de avaliação elaborado com observância dos requisitos estabelecidos na NBR14.6533. Por esse motivo, adotouse a medida excepcional de arbitrar o VTN com base nos valores registrados no SIPT, correspondentes ao preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Santa Cruz do Xingu/MT no exercício de 2002, uma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, às fls. 129 e 130, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a então SRF utilizasse valores históricos constantes de seus acervos, até que fosse viabilizada, naquele órgão, a realização do trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004517/200624 Acórdão n.º 210201.662 S2C1T2 Fl. 152 5 Assim, considerando a área do imóvel rural (119.826,0ha) e o preço médio do hectare constante do SIPT (R$96,38/ha), cujo extrato encontrase às fls. 16, apurouse o VTN de R$ 11.548.829,88. A requerente, por meio de seu bastante procurador, juntou documento, em resumo, afirmando que: [...] a conversão do julgamento em diligência, além de nada trazer aos autos que justificasse a aplicação do VTN com base no SIPT, apenas documentou que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso não dispunha de valores de terra nua como consignado no ofício de fls. 129/130, o que reforça a matéria recursal no sentido de que deverá ser acolhido o valor de R$ 12,04 por ha, trazido pelo contribuinte, não infirmado pela administração nos termos da legislação aplicável, afastandose o valor arbitrado com base no SIPT. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Da análise da descrição dos fatos no auto de infração, verificase que o lançamento foi motivado pela glosa da área de utilização limitada e arbitramento do Valor da Terra Nua, fundamentado na Lei nº 9.393/96, por não haver comprovação das informações contidas na Declaração do ITR. O CTN, visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa as informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento, e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. O legislador atribuiu ao contribuinte de ITR a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Entretanto, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei. Com base no recurso da recorrente, passase a analisar os tópicos listados a seguir: Área de utilização limitada. No que diz respeito redução do valor do ITR a pagar, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004517/200624 Acórdão n.º 210201.662 S2C1T2 Fl. 153 7 agosto de 1981, a obrigatoriedade de apresentação do ADA passou a ter expressa disposição legal. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. A requerente apresentou cópia não autenticada do ADA, anexada às folhas 29 e 30. Para a reserva legal, a lei determina sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. O disposto foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 (Código Florestal), pelo art. 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Informa a requerente que a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel foi devidamente realizada, sendo corrigida por ter havido um lapso do Cartório de Imóveis. Analisando os autos, encontramse divergências nas informações sobre as áreas de reserva legal. Para melhor entendimento, destacamos os seguintes documentos: 1 – Certidão de Registro do Imóvel, mat. 10.954 (fls. 25 a 28) (fl. 37 a 40): • aquisição, em 7/5/1996, com área total de 119.826 ha; • averbação, em 15/5/1996, de 20% da propriedade para reserva legal, correspondendo a 23.965,2 ha, “conforme termo de responsabilidade assinado com o Ibama”; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 • retificação da averbação, em 27/11/2003, a mero pedido do requerido, registrado como “lapso da Serventia”, da área de reserva legal para 118.895,2ha, correspondendo a 99,224 da área total (fl.28). 2 – Novo Registro do Imóvel, Mat. 1.116, efetuado em 3/8/2005, substituindo o anterior, de nº 10.954 (fls. 29, verso e anverso): • anotação da área total de 119.826ha (fl. 28) ; e • averbação da área de reserva legal de 118.895,2ha, correspondendo a 99,224% da área total. 3 – Ato Declaratório Ambiental, de 2/12/1997, com área de reserva legal de 118.895,20 ha (fl. 30). 4 – Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta, assinado em 15/5/1996, registrando 20% da área total do imóvel ( 23.965,2ha) como utilização limitada/reserva legal (fls. 41 e 42). 5 – Mapa de localização da reserva legal, assinado pelo Engenheiro Aldo R. Resende Rodrigues, indicando 23.965,20ha (fls. 43 e 44). 6 – Memorial descritivo da área de reserva legal da propriedade com 23.965,20 há, assinado pelo mesmo profissional (fl. 45). 7 – Requerimento da empresa Arcobrás Comercial e incorporadora Ltda ao Cartório do 1º Ofício de São Felix do Araguaia, em 19/11/2001, solicitando correção de erro na averbação, sem juntada de quaisquer documentos para comprovação (fl. 46/47). Com base nesses documentos, observase que a propriedade era, inicialmente, registrada na matrícula nº 10.954, sendo substituída, em 3 de agosto de 2005, pela matrícula nº 1.116. A primeira averbação, de 23.965,2 ha, foi devidamente comprovada por laudo técnico e mapeamento de área. A segunda averbação foi efetuada apenas por solicitação do requerente sem juntada de nenhum elemento comprobatório da evidência do suposto erro. A autoridade fiscal, diante da dúvida, solicitou ao Cartório de Registro de Imóveis os documentos comprobatórios, nos seguintes termos (fl. 6): Para dirimir esta incoerência, solicitei ao Cartório de Registro de Imóveis que me encaminhasse as matrículas do imóvel e cópia de todos os documentos que embasaram as averbações AV.0310954 e AV.0410954, como Termos de Responsabilidade e Preservação de Floresta, Mapas e o Memorial descritivo da Reserva Legal. Nos documentos encaminhados pelo Cartório, conforme relata a auditoria e atestam os documentos citados acima, “verificase que o Termo de Responsabilidade, o memorial descritivo e mapas são de uma área de 20% do total do imóvel, confirmandose, então, que a AV. 0410954 está incorreta”. A contribuinte alega que não pode ser prejudicada “por eventuais erros e/ou equívocos da Administração Pública, se essa, através do seu órgão ambiental (IBAMA), não comunicou ao seu órgão arrecadador (Receita Federal) a instituição da reserva legal, e se o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004517/200624 Acórdão n.º 210201.662 S2C1T2 Fl. 154 9 órgão público responsável pelo registro imobiliário equivocouse ao proceder à averbação da restrição.” A averbação da área de reserva legal é obrigatória. O seu registro deve estar amparado em demonstrativos das áreas do imóvel enquadradas nessa situação e de termo de responsabilidade assinado perante o órgão ambiental e, no caso em análise, o memorial descritivo e o termo de responsabilidade (fls. 41 a 45) se referem a uma área de 23.965,2 ha. de reserva legal. A alteração no registro das áreas, tanto na retificação ocorrida em 27 de novembro de 2003, como no novo registro emitido, em agosto de 2008, destoa dos demais documentos, levantamentos e memoriais. Nesse sentido, havendo a alteração do registro à margem da matrícula do imóvel, sem elementos comprobatórios para essa alteração, permanecendo os documentos que motivam a averbação com a área de 20%, considero correto o levantamento efetuado no lançamento fiscal. Insubsistência dos valores atribuídos pela Receita Federal. Em relação ao VTN, foram apresentados os seguintes valores: • VTN médio, extraído do SIPT (fl. 16), R$ 96,38/ha; • VTN declarado, R$12,04/ha. A requerente não apresentou laudo de avaliação do imóvel. Apenas alega que a Receita Federal não cumpriu os dispositivos legais para fixação do VTN, por não ter efetuado o levantamento de preços mínimos de terra nua para os municípios do Estado de Mato Grosso Nos termos do § 2° do artigo 8º da Lei n° 9.393, de 1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. O VTN declarado será submetido à apreciação da RFB, que verificando subavaliação, com arrimo nas informações veiculadas pela tabela do Sistema de Preços de Terras (SIPT), procederá a correção do valor declarado. Essa orientação está respaldada no mandamento do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A informação pode ser contradita com a apresentação de laudo técnico de avaliação em que reste comprovado existir na propriedade características peculiares que a distingam das demais da região, à vista do qual poderá a autoridade administrativa rever o VTN que fora atribuído ao imóvel rural. Porém, a recorrente não apresentou laudo de avaliação. Insurgese contra a forma de apuração do valor lançado sem apresentar um valor plausível para contrapor a cobrança. Apenas alega que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso não dispunha de valores de terra nua como consignado no ofício de fls. 129/130 e que deve ser acolhido o valor de R$ 12,04 por ha, afastandose o valor arbitrado com base no SIPT. A Receita Federal informou que aplicou a medida excepcional de arbitrar o VTN com base nos valores registrados no SIPT, correspondentes ao preço médio do hectare, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 10 obtido a partir dos valores informados nas DITRs apresentadas para os imóveis localizados no município de Santa Cruz do Xingu/MT, no exercício de 2002, porque a contribuinte não apresentou laudo de avaliação e, também, porque a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso informou não ter condições para fornecer os valores de terra nua. Assim, não constando o laudo do levantamento necessário à apuração do valor da terra nua, e apresentando a declaração preço irrisório, voto para manter o valor lançado com base no preço médio apurado nas DITRs daquele município. Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001238/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA
Uma vez efetuado o lançamento tributário no prazo inferior a 05 anos, não há que se falar em decadência. AÇÃO JUDICIAL MATÉRIA
DIVERSA Somente importa renuncia na esfera administrativa, as questões discutidas na esfera judicial, devendo ser conhecida administrativamente as demais questões contidas no lançamento fiscal. NFLD CONFRONTO GFIP x GPS
Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas.
AUTORIDADE ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA
A autoridade administrativa tem, não só a competência, mas o dever de julgar as questões trazidas no processo administrativo que não estão sendo discutidas na esfera judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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AÇÃO JUDICIAL MATÉRIA DIVERSA Somente importa renuncia na esfera administrativa, as questões discutidas na esfera judicial, devendo ser conhecida administrativamente as demais questões contidas no lançamento fiscal. NFLD CONFRONTO GFIP x GPS Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA A autoridade administrativa tem, não só a competência, mas o dever de julgar as questões trazidas no processo administrativo que não estão sendo discutidas na esfera judicial. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 898DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 899DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001238/200798 Acórdão n.º 240102.101 S2C4T1 Fl. 891 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativa a contribuições sociais providenciarias, correspondentes a parte dos segurados, incidentes sobre os valores descontados dos segurados empregados e não recolhidos em época própria à previdência social conforme estabelecido na Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 67/68 , tratase de ação fiscal específica para apuração de divergência dos valores devidos à Previdência Social declarado nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com os valores efetivamente recolhidos pelo contribuinte, através das Guias da Previdência Social (GPS). Inconformada com a decisão de fls. 411/424, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em apertada síntese: DA PRELIMINAR Acolho como preliminar a argüição de decadência formulada pela recorrente. Sobre este tema, defende a recorrente que os períodos compreendidos entre 01/2000 a 12/2002, passaram não lançados por definitivo, o que o acórdão de 06/12/2007 prenuncia, operandose, portanto, A DECADÊNCIA postulatória do fisco previdenciário, eis que qüinqüenal o prazo legal. Para corroborar tal entendimento transcreve os artigos do CTN abaixo reproduzidos: Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Fl. 900DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Divida Ativa Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: I o nome do devedor e, sendo caso, o dos coresponsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; II a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos; III a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado; IV a data em que foi inscrita; V sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito. Parágrafo único. A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da folha da inscrição. Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidades da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada. Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída. Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 901DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001238/200798 Acórdão n.º 240102.101 S2C4T1 Fl. 892 5 § 2° O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. DO MÉRITO No mérito afirma estar a decisão de primeira instância eivada de erro, formal, material e substancial. Afirma que o julgador de primeira instância alegou que os valores do crédito não compõem o montante que está sendo discutido judicialmente que será decidido pelo judiciário. Contra este argumento a recorrente assim refuta: “a)... pela prova material que ora se colaciona, vêse dignos julgadores, que ali estão incluídos SIM, as competências ora discutidas em juízo, nos processos 20033400042501 e 200334000425023 da Justiça Federal de BrasíliaDF, e, se, fosse válido o argumento de submeter à competência de julgamento administrativo apenas as contribuições que não estariam sendo discutidas no judiciário, como informa o acórdão fis.426, vêse, CLARAMENTE, pelas planilhas expedidas pelo próprio órgão (anexas), que o argumento é falacioso, e estão querendo discutir as contribuições de todo o período já enviada à justiça federal como acima exposto, b) De outro lado, mesmo que fosse verdade a afirmação do item acima, vê se que o órgão é contraditório em suas afirmações, eis que faz lançamento no valor de R$ 77.359,53 e no relatório que envia logo após, dáse conta de que o valor real, se fosse devido, seria bem menor, ou seja, R$ 46.925,79. c) Logo, Douto julgador, o lançamento fiscal, deve ser preciso, claro, sem vício de constituição e forma, e podemos notar que este não é o caso aqui acontecido, onde a NFLD deve ser completamente anulada, eis que imprecisa em relação aos valores, bem como o dito acórdão, onde a seara administrativa chamou para si uma competência baseada em estarse discutindo valores que não aqueles já em sede judicial, afirmando ela mesma, que o que estaria lá, seria competência do judiciário decidir. d) Se fossemos considerar os erros acima apontados e dizermos que estariam discutindo apenas o principal, mas de todo o período, ainda sim, estaria incorreto o valor, o período, e também, o fato de que já estão sendo depositados em conta judicial, o que geraria DUPLA COBRANÇA, o que nem de longe se pode concordar, vez que a consignatória foi procedente. Ultrapassadas as impropriedades acima, que clamam pela nulidade do acórdão e pela incompetência do órgão administrativo em julgálo, eis outra questão que por si só nulifica a NFLD.” Requer o provimento do recurso nos termos das fundamentações acima alinhavados. Fl. 902DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 É o relatório. Fl. 903DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001238/200798 Acórdão n.º 240102.101 S2C4T1 Fl. 893 7 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A decadência suscitada pela recorrente não merece ser acolhida. Tenta a notificada fazer entender que, por não estar definitivamente constituído o crédito tributário, estariam decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01/2000 a 12/2002. Na verdade a recorrente confunde os conceitos de decadência e prescrição. No presente caso temos que a lavratura da NFLD ocorreu em dezembro de 2004 e os fatos geradores lançados referemse ao período compreendido entre janeiro de 2000 a dezembro de 2003, logo, não há que se falar em decadência. Para se operar a decadência seria necessário observar alguns marcos essenciais; • a ocorrência do fato gerador, para se identificar o início do prazo decadencial; • o lançamento do crédito tributário ou a lavratura do auto de infração, que interrompe o prazo decadencial (CTN, arts. 173, I e II, ou 150, § 4º, conforme o caso) No presente caso, como já dito acima, o decurso do prazo entre o fato gerador e o lançamento não atingiu o prazo quinquenal necessário para se falar em decadência, seja pelo art. 150, § IV ou 173, I do CTN, Apenas após a constituição definitiva do crédito é que irá se falar em prescrição.que também é interrompida com a citação feita ao devedor (art. 174, parágrafo único, inc. I, na sua redação original), ou o despacho que ordenar a citação (após a edição da Lei Complementar nº. 118, de 9 de fevereiro de 2005). Desta forma, não há como acolher a preliminar suscitada pela recorrente. DO MÉRITO Também no mérito os argumentos da recorrente padecem de amparo fático ou jurídico capazes de macular o lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente, a decisão de primeira instância não afirmou que as ações judiciais não estariam discutindo as competências inseridas do presente Fl. 904DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 lançamento, mas sim, que a presente notificação contempla matéria diferenciada que não são objeto daquelas demandas, devendo estas serem apreciadas na esfera administrativa. Vejamos um trecho da decisão de primeira instância que aborda o assunto: “Apesar das planilhas de fls. 93/98 estarem anexadas também na ação judicial (fls 264/266), verificase que o valor originário devido não é objeto da lide judicial, uma vez que não estava devidamente constituído no momento da propositura da ação. Entretanto, existindo valores lançados pela fiscalização contra os quais o contribuinte contrapõese mediante apresentação de cálculos dos valores que entende devidos fica caracterizada a existência de controvérsia no âmbito administrativo em relação ao valor originário constituído. Desta forma, a existência de matéria diferenciada na esfera administrativa no que se refere ao valor originário levantado determina a competência deste órgão julgador para apreciála, restando afastada da competência desta turma de jul2.a. mento a discussão em relação à TR, Selic, Juros, Denúncia Espontânea e Multa, nas competências de 01/2000 até 07/2003 por constituírem objeto de ação judicial. Logo, não será apreciada a matéria controvertida deduzida em juízo, eis que cabe ao Poder Judiciário a decisão sobre a mesma, havendo, então, a renúncia da defesa na esfera administrativa Desta forma, equivocada a interpretação tida pela recorrente acerca dos valores discutidos na notificação em apreço. Importante lembra que, a fiscalização somente tomou conhecimento das ações judiciais após a informação constante na defesa administrativa, o que levou a turma de julgamento a baixar os autos em diligência para serem anexadas as peças iniciais daqueles processos, donde restou verificado não estarem sendo discutidos os valores originários do débito da empresa, mas sim os juros e multas. Já no que diz respeito a diferença de d R$ 77.359,53 para R$ 46.925,79 a recorrente não observou que o primeiro valor referese ao crédito consolidado, acrescido de juros e multa enquanto o segundo reflete o valor originário do débito sem os acréscimos, pois estes estão sendo discutidos judicialmente. Assim, não há a alegada imprecisão de valores e tampouco falta de clareza ou erro no lançamento, bem como, não resta demonstrado que os valores originários do débito estariam sendo depositados judicialmente para caracterizar a ocorrência da cobrança em duplicidade. Por fim, temos que, se há valores no lançamento que não são objeto de demanda judicial, é sim competência da autoridade administrativa apreciar e decidir acerca de tais levantamentos. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento com relação aos valores originários do débito. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 905DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001238/200798 Acórdão n.º 240102.101 S2C4T1 Fl. 894 9 Fl. 906DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15889.000523/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO SISTEMA. TRANSPOSIÇÃO DO LIMITE DE RECEITA
BRUTA ANUAL. MARCO TEMPORAL DOS EFEITOS.
É vedada a permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que, na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte, ultrapassou os limites de receita bruta no ano-calendário.
Os efeitos da exclusão do regime simplificado, quando ultrapassado o limite da receita bruta anual, operam-se a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que se deu a causa.
Verificada a omissão de receita aplicam-se os percentuais legalmente previstos sobre os valores mensais auferidos para a determinação dos impostos e contribuições devidos DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTOS.
Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em
conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,
em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente
intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1103-000.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo a parcela de R$ 10.000,00.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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TRANSPOSIÇÃO DO LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL. MARCO TEMPORAL DOS EFEITOS. É vedada a permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que, na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte, ultrapassou os limites de receita bruta no anocalendário. Os efeitos da exclusão do regime simplificado, quando ultrapassado o limite da receita bruta anual, operamse a partir do anocalendário subseqüente àquele em que se deu a causa. Verificada a omissão de receita aplicamse os percentuais legalmente previstos sobre os valores mensais auferidos para a determinação dos impostos e contribuições devidos DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo a parcela de R$ 10.000,00. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 110300.556 S1C1T3 Fl. 458 2 documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Em foco recurso voluntário visando à reforma da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão PretoSP que julgou parcialmente procedentes os lançamentos efetuados em 18/11/2008 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em BaurúSP com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social Previdenciária (CSP), respeitado o regime de tributação pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal consistiu na tributação, a título de omissão de receitas, no ano calendário de 2005, dos valores depositados em contascorrentes bancárias cuja origem não logrou ser justificada pela contribuinte, bem como, no lançamento das quantias correspondentes à insuficiência dos próprios valores dos tributos confessados e/ou recolhidos em face da mudança da alíquota aplicável, a qual decorre da transposição da faixa de receita bruta em razão do novo montante das receitas tributáveis (declaradas somadas às omitidas). Impugnando os lançamentos a contribuinte alegou que seriam ilegítimos os lançamentos lastreados apenas em extratos bancários sem que se prove sinais exteriores de riqueza, bem como, identificou vários créditos que seriam provenientes de transferências de mesma titularidade, empréstimos e estornos, de forma que deveriam ser expurgados e mostra a precariedade do lançamento. Asseverou que a origem dos recursos depositados encontra justificativa no fato de ter autuado como representante comercial em algumas transações, recebendo suas contas bancárias o produto da venda intermediada, logo depois de repassado aos vendedores com retenção de comissões. Invocou que a exigência pelo SIMPLES lhe é mais onerosa do que o lucro presumido e até mesmo pelo lucro arbitrado, cabendo sua exclusão do regime em razão de ter exercido atividade expressamente vedada, sem contar que admitidas as acusações fiscais igualmente caberia exclusão do Simples Federal, situação que configura incoerência. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 110300.556 S1C1T3 Fl. 459 3 Ainda, que o valor cobrado a título de contribuição ao INSS é extremamente desproporcional à folha de salário, reforçando a tese de que a exigência pelo SIMPLES deve ser afastada. Ao final, pugnou pelo incabimento da multa de 75% (setenta e cinco por cento) por ser confiscatória, desproporcional e irrazoável. Aquele Colegiado (5ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação e entendeu procedentes em parte os lançamentos, assim ementando o Acórdão nº 1427.036, tomado por unanimidade de votos: “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão.” O acórdão recorrido consignou que a contribuinte não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos, daí aplicável a presunção de omissão de receita a que alude o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem assim, que a tributação pelo regime do SIMPLES operouse em razão do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, segundo o qual a determinação do valor do imposto regrase pelo regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Também, que o artigo 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, estende à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação de regência. Contudo, excluiu da tributação os valores dos depósitos de R$ 916,24, R$ 605,00 e R$ 59.880,00 ao entendimento de se referirem a transferências entre contas e empréstimo bancário. Quanto aos demais depósitos indicados na impugnação analisouos individualmente e concluiu falecer razão à defesa. Especificamente em relação à multa de 75% (setenta e cinco por cento) registrou que apesar de não competir à autoridade administrativa pronunciarse sobre a constitucionalidade de dispositivos legais temse que o princípio do nãoconfisco aplicase somente aos tributos e contribuições. Ciente do decisório em 28 de janeiro de 2010 a contribuinte apresentou em 26 do mês seguinte o recurso de fls. 428/454 no qual assevera que a autoridade julgadora não Fl. 459DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 110300.556 S1C1T3 Fl. 460 4 se manifestou sobre a questão de que é um representante comercial, tornando a matéria incontroversa. Também que o artigo 18 da Lei nº 9.317/96, utilizado na fundamentação do próprio voto condutor do acórdão recorrido, estatui que a aplicação das presunções legais de omissão de receita às microempresas e empresas de pequeno porte exige que a apuração se faça com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas, aí não se incluindo extratos bancários. Reprisa suas razões de impugnação e reforça os argumentos de que alguns depósitos encontramse com a origem dos recursos provada, listandoos. Ao final, qualifica de falaciosos os fundamentos da decisão recorrida quanto ao cabimento da multa de 75% (setenta e cinco por cento) e pede o provimento do recurso, seguindose o cancelamento dos autos de infração. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Incabível prosperar a tese de que o acórdão recorrido materializa como matéria incontrovertida a questão do exercício de atividade de representante comercial, pois que o preceito é aplicável às partes em litígio e não à jurisdição, ainda que administrativa, (CF, art. 5º, LV), portanto, sanável o vício, quando efetivo, pelos remédios aclaratórios colocados à disposição do administrado ou pelas próprias instâncias revisoras. Ademais, de bem ver que a decisão de primeiro grau não se esquivou de enfrentar a questão, a ver à fl. 417: “No caso concreto, apesar de todo o tempo de que dispôs a contribuinte para apresentar suas informações e seus documentos, não houve, em nenhum momento, informação de que os valores depositados nas contas correntes bancárias, sem escrituração na sua contabilidade, pudessem provir de outra origem que não receitas omitidas, o que respalda o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal.” Com o recurso voluntário, neste particular, igualmente permanece a Recorrente inerte na comprovação do alegado, ou seja, o exercício da atividade de representação comercial, a indiciar ou indicar que os recursos depositados em suas contas bancárias pertenceriam a terceiros e como tais excluídos da suspeita fiscal, continua sob regência única da simples afirmativa. Não há notas de vendas ou de comercialização, recibos, contratos, transferências, correspondências ou peças que o valham mostrando que a contribuinte exerceu, de fato ou de direito, operações que justificassem o trânsito de recursos financeiros de outrem nas suas contascorrentes. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 110300.556 S1C1T3 Fl. 461 5 Quanto ao mérito propriamente dito, importa à questão o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata de presunção relativa quando a pessoa jurídica não logra comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos ou de investimentos em conta mantida junto a instituição financeira. Assim dispõe o citado dispositivo legal: “Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Art. 88. Revogamse : (...) XVIII – o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990” Assim, o Fisco, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes tal previsão não existia e com isso precisava, nos estritos termos do parágrafo 5.º e do caput do artigo 6.º da Lei n.º 8.021 de 1990, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Neste sentido, aliás, a tese da defesa e os precedentes do então Conselho de Contribuintes colacionados pela Recorrente. Como visto, atualmente a regra é bem outra, é dizer, não se tributa o depósito bancário nem tampouco se interpreta que ele seja o fato gerador dos tributos. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da Recorrente que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. O contribuinte, de sua parte, afasta a presunção iuris tantum produzindo a prova em contrário, no caso apresentando os documentos que comprovem a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Não o fazendo, como ao longo da pesquisa fiscal efetivamente não o fez, nem tampouco os remédios recursais aviados (impugnação e recurso voluntário) se fizeram acompanhados desses comprovantes, lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração. Verificada a omissão de receita cumpre à autoridade tributária determinar o valor dos tributos de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão (artigo 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Em sendo empresa inscrita no SIMPLES, e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2005), os valores devidos mensalmente pela empresa Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 110300.556 S1C1T3 Fl. 462 6 autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na lei do regime simplificado. O invocado desenquadramento da empresa do regime do SIMPLES em face do ultrapasse do limite anual de receita só se opera ou surte efeitos a partir do anoseguinte em que verificada dita situação excludente, consoante estatui o artigo 15, inciso IV, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Noutro giro, o desenquadramento por atividade vedada como, por exemplo, a de representante comercial, surte efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação, consoante este mesmo artigo 15, inciso II, que não se aplica ao presente caso pelas razões deduzidas no início deste voto. No que toca ao argumento de insustentabilidade dos lançamentos porque os extratos bancários seriam elementos estranhos aos livros e documentos de que fala o artigo 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, mais uma vez sem qualquer razão a Recorrente. Com efeito, a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, endereçase ao titular da conta de depósitos ou de investimentos, seja pessoa física ou jurídica e independe, consoante se extrai da clareza desse comando legal, da capacidade jurídica do titular ou, no caso de pessoa jurídica, do regime de tributação em que esta se encontra sujeita por imposição legal ou opção. Portanto, a norma posterior ampliou a abrangência da questão. Além disso, referidas normas não são conflitantes. No caso específico foi apurada a existência de depósitos bancários não levados a registro no livro “Caixa”, cuja escrituração é obrigatória pelos optantes do regime de tributação do SIMPLES, ou no facultativo livro “Razão”. Igualmente, não foram apresentados documentos que pudessem justificar a movimentação financeira detectada. Portanto, justamente esta incompatibilidade entre a falsa realidade externada pelos livros e documentos ou até mesmo a negativa decorrente da inexistência destes elementos e aquela outra mostrada pela movimentação financeira é que faz da escrita o elemento requisitado no artigo 18 da lei do regime simplificado. No que toca aos depósitos em que a Recorrente pugnou pela justificativa de origem, entendo que lhe assiste razão quanto ao suprimento de R$ 10.000,00 havido em 26/07/2005 sob o título de encargos limite crédito, eis que este enunciado aproximase mais de uma operação de crédito junto ao agente bancário do que propriamente de um suprimento efetuado pelo correntista. Quanto aos demais ingressos listados pela defesa (cinco de R$ 300,00 em 13/01/2005; R$ 21.000,00 em 21/01/2005; R$ 4.000,00 e R$ 3.300,00 em 30/09/2005) entendo que os argumentos trazidos não possibilitam reconhecer que se tratam de simples transferências entre contas. Finalmente, no que diz respeito à multa aplicada observase que dito acréscimo incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, bem como, que seus respectivos percentuais não são arbitrados pela autoridade administrativa, sendo que a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada delas por não disporem de competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 110300.556 S1C1T3 Fl. 463 7 Cediço que todas as leis vêm ao mundo jurídico gozando de presunção de constitucionalidade, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. Embora exista a possibilidade de afrontarem a Constituição instituiuse, por esta razão, os controles de constitucionalidade dos atos legais (difuso e concentrado), mas são eles da exclusiva alçada do Poder Judiciário, consoante artigo 102 da Constituição. Contudo, diante do disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, o qual estabelece que “... devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, resta salientar que inexiste até a presente data decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que rege a incidência de multas de ofício e sua gradação. Registro, ainda, que a Súmula nºs 2 deste Conselho assim se expressa: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com tais razões, VOTO pelo parcial provimento do recurso para excluir da base que serve ao cálculo dos tributos a quantia de R$ 10.000,00. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10380.005169/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/09/2001 a 31/07/2006
MANUTENÇÃO DE LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHOLTCAT E DO PROGRAMA DE PREVENÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAISPPRA. APRESENTAÇÃO.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL (ARTS. 33 DA LEI Nº 8.212/91 e
58 DA LEI Nº 8.213/1991).
O Auditor Fiscal da Receita Federal possui autorização legal para solicitar e examinar quaisquer documentos que tenham repercussão na arrecadação de
contribuições previdenciárias.
Mostrase
legítima a solicitação do LTCAT e do PPRA através do Termo de
Intimação de Apresentação de Documentos, uma vez que o adicional de
alíquota de 6%, 9% e 12% da contribuição previdenciária destinada ao
financiamento da aposentadoria especial depende dos riscos das atividades
desenvolvidas na empresa pelo segurado.
O art. 58, §3º da Lei nº 8.213/1991 determina a aplicação de multa por não
manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos
existentes no ambiente de trabalho ou que emitir documento de comprovação
de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo.
ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUMÁRIA.
TRANSCRIÇÃO DA LETRA DA LEI. COMPLEMENTAÇÃO PELO
RELATÓRIO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL.
Inexiste nulidade no auto de infração em que são apontados os dispositivos
legais que prevêem a obrigação e aplicam a multa correspondente, sobretudo
quando complementados por relatório da fiscalização detalhando
narrativamente a conduta praticada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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APRESENTAÇÃO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL (ARTS. 33 DA LEI Nº 8.212/91 e 58 DA LEI Nº 8.213/1991). O Auditor Fiscal da Receita Federal possui autorização legal para solicitar e examinar quaisquer documentos que tenham repercussão na arrecadação de contribuições previdenciárias. Mostrase legítima a solicitação do LTCAT e do PPRA através do Termo de Intimação de Apresentação de Documentos, uma vez que o adicional de alíquota de 6%, 9% e 12% da contribuição previdenciária destinada ao financiamento da aposentadoria especial depende dos riscos das atividades desenvolvidas na empresa pelo segurado. O art. 58, §3º da Lei nº 8.213/1991 determina a aplicação de multa por não manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUMÁRIA. TRANSCRIÇÃO DA LETRA DA LEI. COMPLEMENTAÇÃO PELO RELATÓRIO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Inexiste nulidade no auto de infração em que são apontados os dispositivos legais que prevêem a obrigação e aplicam a multa correspondente, sobretudo quando complementados por relatório da fiscalização detalhando narrativamente a conduta praticada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 119 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros~ MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face de CAJUÍNA SÃO GERALDO LTDA, notificada em 09/10/2006, tendo sido aplicada àquela empresa a multa no valor de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), por ter emitido documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo técnico com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), o contribuinte foi devidamente notificado a respeito da fiscalização a ser realizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Nº 09316546F00 em 11/07/2006 e de outros documentos também já juntados aos autos. Afirma o Relatório Fiscal que, no prazo regular para entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, o contribuinte apresentou os Perfis Profissiográficos Previdenciários (PPP), os quais teriam sido emitidos em desacordo com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e com as folhas de pagamento apresentadas, conforme atestam documentos (fls.22) anexados ao referido Relatório. Inconformada com a imputação ao pagamento de multa em virtude das razões anteriormente expostas, a ora recorrente apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 62), afirmando que a autoridade fiscalizadora não possuiria competência funcional para a fiscalização do cumprimento do texto legal, uma vez que, de acordo com diplomas legislativos específicos, competeria ao Ministério do Trabalho e Emprego, por meio de suas Delegacias Regionais do Trabalho, a fiscalização do cumprimento das disposições relativas ao acidente de trabalho, e às Delegacias Regionais do Trabalho, a fiscalização do cumprimento das regras de segurança e saúde do trabalho. Todavia, conforme o Acórdão (fls.83) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, foi considerada, por unanimidade, a procedência do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 120 3 lançamento consubstanciado no Auto de Infração, mantendose o crédito tributário e valor da multa imputado à recorrente, conforme ementa a seguir transcrita: PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO MANUTENÇÃO DE LAUDO TÉCNICO ATUALIZADO. INFRAÇÃO LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho. COMPETÊNCIA DO INSS PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O AFPS tem competência para efetuar a lavratura de Auto de infração, quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação acessória. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexistente o alegado cerceamento do direito de defesa, eis que a empresa apresentou sua impugnação, rebatendo pontualmente os aspectos apresentados no Auto de Infração. Assim, inconformada com a decisão proferida, por meio de Recurso Voluntário, chegaram os presentes autos a este Conselho de Contribuintes, alegando a Recorrente em síntese: a) A incompetência do AuditorFiscal da Previdência Social para fiscalizar o Cumprimento de Normas de Segurança e Medicina do Trabalho; b) A dissociação entre o fato narrado como infração e a fundamentação legal apresentada no auto de infração; c) A inadequação técnica quanto ao uso do Auto de Infração e do Relatório Fiscal. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 121 4 Das Preliminares Da competência do AuditorFiscal para analisar o cumprimento das normas relativas à exposição dos empregados aos agentes nocivos no ambiente de trabalho Para a elucidação da questão preliminar suscitada, é mister a análise do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 que prevê a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil para examinar a contabilidade e documentos das empresas quando estes tiverem repercussão nas contribuições sociais, determinando, por conseguinte, a imposição de penalidade para o caso de recusa ou sonegação dos referidos documentos ou informações, como se observa da transcrição abaixo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Corroboram o dispositivo acima disposto as alíneas “a e b” do artigo 8º da Lei 10.593/2002, que dispõe das competências do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, a saber: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos,materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades (Grifos nossos) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 122 5 A simples leitura dos dispositivos acima elencados ilide qualquer necessidade de posteriores discussões acerca da competência do AuditorFiscal da Previdência Social para a prática de atos visando ao cumprimento da legislação previdenciária. Ora, se o ato de manter atualizado o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT é uma obrigação decorrente de legislação previdenciária, tal conduta é perfeitamente passível de ser objeto de fiscalização por parte da referida autoridade, uma vez que os documentos relacionados à saúde e a segurança do trabalho, por ter fundamental relevância nas questões referentes à aposentadoria especial prevista no artigo 57, §6º da Lei nº 8.213/1991, são objeto de fiscalização pela auditoria fiscal, sobretudo para fins de verificação do regular recolhimento das contribuições previstas no art. 22, II da Lei nº 8.212/1991 e art. 57, §6º da Lei nº 8.213/1991. O AuditorFiscal, no exercício das suas funções, é, conforme preceitua a lei, autoridade competente e responsável pela lavratura do Auto de Infração diante da constatação de uma situação de irregularidade sujeita ao seu âmbito de fiscalização. Não cabe o argumento de que os referidos documentos somente deveriam ser entregues a médico do trabalho ou técnico em segurança do trabalho, pois o Auditor Fiscal detém o conhecimento técnico necessário para a leitura e compreensão do LTCAT e do PPRA, ainda que não seja por ele elaborado. Se há um diploma normativo aplicando penalidade à empresa que deixar de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho ou de emitir documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo (Lei 8.213/91, artigo 58, § 3º), como também uma disposição expressa atribuindo ao AuditorFiscal da Previdência Social competência para a prática de atos de forma a garantir a efetividade da legislação previdenciária, resta inconteste que não há razões para se argüir a incompetência da referida autoridade para a lavratura do Auto de Infração que aplicou à ora Recorrente o pagamento de multa em virtude do descumprimento daquela obrigação previdenciária. Da efetiva relação de tipicidade entre o fato narrado como infração e a fundamentação legal apresentada no auto de infração É de total improcedência a alegação da ora Recorrente de que não há nos dispositivos legais ou nos Regulamentos da Previdência Social qualquer disposição determinando que os Perfis Profissiográficos Previdenciários (PPP) devem estar em concordância com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e com as folhas de pagamento. A mera leitura do artigo 58, §3º da Lei 8.213/91 elide qualquer possibilidade de questionamento e corrobora, de maneira cabal, o juízo de tipicidade entre a conduta da empresa no mundo concreto e o fato tipificado como infração na legislação previdenciária. Dispõe o referido diploma: § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 123 6 em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. A conduta aqui descrita como infração não se limita, pois, à não apresentação do laudo técnico referente aos agentes nocivos, uma vez que abarca, também, a emissão de documento em desacordo com o respectivo laudo. Não faria sentido, do ponto de vista pragmático, a simples exigência de emissão de documentos se não fosse estabelecido qualquer parâmetro no sentido de atestar a sua veracidade. Se, conforme consta dos autos, foi devidamente comprovado por meio do Relatório Fiscal (fls.06 e ss.) e de planilha específica (fls. 22 a 25) que os PPP’s foram emitidos em desobediência aos requisitos elencados em lei, fatos incontroversos nos autos, não há que se falar em prejuízo à relação de adequação típica necessária à configuração do referido ato infracionário. É interessante notar que a ora recorrente, num esforço para ter seu pleito julgado procedente por este Conselho, valese de um trecho específico do Acórdão, interpretandoo de maneira marcadamente restritiva, fechando os olhos para o fato de que não se pode interpretar qualquer texto fora do contexto comunicativo no qual ele é inserido. Além do mais, não há qualquer coerência na tentativa de interpretar restritivamente o referido trecho do Acórdão, uma vez que tal interpretação vai, como já afirmado acima, em direção totalmente oposta ao que está disposto em lei. Verificase, também, outra incoerência referente a este ponto quando da análise da própria peça recursal, pois, ao expor a já devidamente afastada questão preliminar acerca da competência do AuditorFiscal da Previdência Social (fls.100), a ora recorrente expressamente elenca a segunda parte do §3º do artigo 58 da Lei 8.213/91 (“emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo de comprovação”) como uma das obrigações acessórias passíveis de fiscalização pela Previdência Social. Como ser, então, procedente o argumento de que “não há nos dispositivos legais ou do RPS, nenhum preceito que determine que os PPP ... devam estar de acordo com os PPRA e com as folhas de pagamentos, tipificados como infração” (sic), se na mesma peça recursal a própria recorrente afirma justamente o contrário, chegando, inclusive, a se reportar à legislação específica a respeito do tema? Destarte, em virtude das razões anteriormente expostas, deve ser afasta a questão preliminar suscitada pela ora recorrente, pois, conforme demonstrado, houve a devida verificação do juízo de tipicidade necessário à lavratura do Auto de Infração e à conseqüente imputação ao pagamento de multa em virtude do descumprimento de obrigação acessória expressamente prevista em legislação previdenciária. Da descrição da conduta descumpridora da obrigação tributária No que se refere ao mérito da presente lide, a ora recorrente resume suas alegações à argüição de nulidade formal do referido Auto de Infração, uma vez que, ao invés de elaborar uma descrição sumária do fato irregular verificado na empresa, o Auditor Fiscal se limitou a transcrever a letra da lei. Em conseqüência, afirma que o Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração, responsável pelo detalhamento dos fatos, está também eivado de nulidade no Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 124 7 sentido de que não é sua função suprir a “omissão” da descrição sumária obrigatória do Auto de Infração. Não há, porém, qualquer procedência no argumento ora em análise. Se por descrição sumária se entende um resumo da conduta irregular praticada, não há forma mais inequívoca, célere e objetiva de fazêlo que a transcrição do dispositivo legal referente à situação concreta específica. A análise detalhada dos fatos, por sua vez, é feita no Relatório Fiscal, o qual, a partir da conduta irregular elencada no Auto de Infração, expõe os motivos que deram causa à sua lavratura. Nesse sentido, cabe menção à célebre doutrina de Leandro Paulsen, que afirma: "Muitas vezes, o documento de lançamento (NFLD, Auto de Infração etc.) não é detalhado, mas se faz acompanhar de um relatório fiscal de lançamento, que o integra, contendo todos os dados necessários à perfeita compreensão das causas de fato e de direito, do período e da dimensão da obrigação imputada ao contribuinte, sendo que inexistirá vício de forma". (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 9. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2007, p. 940). Há, portanto, uma relação de complementação entre os referidos documentos, de forma que a brevidade de um é compensada pelo detalhamento do outro, de forma a assegurar ao contribuinte o seu direito de saber o porquê de estar sendo autuado, a origem do débito e seus fundamentos legais para poder, assim, elaborar a sua defesa em observância aos preceitos do devido processo legal. Se, no Auto de Infração, há a transcrição expressa de um dispositivo legal, é desejável, por mera lógica, que se pressuponha a ocorrência da conduta irregular tipificada no dispositivo legal, cabendo ao Autuado, portanto, dentro dos procedimentos do processo administrativo tributário, o ônus de provar o contrário. Só seria admissível se falar em cerceamento de defesa ou em nulidade do Auto de Infração na ausência de qualquer descrição da irregularidade verificada quando da lavratura do documento, situação marcadamente arbitrária, incompatível com o devido processo legal e absolutamente não verificada no caso concreto. Inexiste, portanto, qualquer vício formal no Auto de Infração, de forma que resta inconteste a improcedência das alegações formuladas pela ora recorrente. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, NEGARLHE provimento. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.005169/200767 Acórdão n.º 230102.334 S2C3T1 Fl. 125 8 É como voto.Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/10/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 14041.000276/2004-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000276/200458 Acórdão n.º 920201.710 CSRFT2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Guilherme Alves Bruno foi lavrado o auto de infração de fls. 38 46, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 245258). Por sua vez, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10422.675, que se encontra às fls. 294316, cuja ementa é a seguinte: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. FAO ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela FAO – Food and Agriculture Organization, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categoriais determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000276/200458 Acórdão n.º 920201.710 CSRFT2 Fl. 3 3 RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação da multa isolada pelo não pagamento do imposto de renda como antecipação mensal carnêleão quando em concomitância com a multa de ofício exigida juntamente com o imposto, apurado no ajuste anual, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 13/12/2007 (fls. 317), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 319329, acompanhado dos documentos de fls. 330350, para pleitear o restabelecimento da multa isolada, invocando como paradigma o acórdão n° 10194.858. Através do Despacho n° 104079/2008 (fls. 352354), a então Presidente da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso, sendo que a Fazenda Nacional, intimada, deixou de recorrer. Já o contribuinte, quando cientificado do acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes, interpôs recurso especial de divergência às fls. 361379, acompanhado dos documentos de fls. 380390, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigma o acórdão n° CSRF/0104.135. Este recurso foi admitido (fls. 392) e em sede de contrarrazões (fls. 394406) a Fazenda Nacional pugnou, basicamente, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000276/200458 Acórdão n.º 920201.710 CSRFT2 Fl. 4 4 O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Food and Agriculture Organization – FAO). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 419DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005661/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa: VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE
A expedição do Ato Declaratório Executivo não requer prévio
questionamento à pessoa jurídica. Comprovada sua regular a expedição, não há que se falar em nulidade.
AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. OBJETO DIVERSO DO TRATADO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO.
Evidenciado que nos autos do processo judicial não foi analisada a possibilidade de enquadramento da interessada no regime do Simples, correta a decisão de primeira instância que concluiu pelo prosseguimento normal do presente administrativo no que se relaciona à matéria diferenciada.
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA
Não merece acolhida pedido de diligência, quando dos autos constarem elementos necessários e suficientes para se conhecer a natureza das
atividades efetivamente desenvolvidas pela pessoa jurídica.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2004
ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.
A atividade locação/cessão de mão de obra é claramente impeditiva à opção pelo Simples, mesmo em se tratando da hipótese de empreitada exclusivamente de mão de obra, por possuir esta similitude com a locação de mão de obra.
O desenvolvimento de atividades assemelhadas às de engenheiro, assim como a execução de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, impedem a permanência da pessoa jurídica inscrita no Simples.
EFEITOS DA EXCLUSÃO
No caso das hipóteses excludentes de que tratam os incisos V, XII, “f” e XIII, c/c § 4°, da Lei nº 9.317, de 1996, a exclusão produz efeitos a partir do mês subsequente ao que incorridas.
Assunto: Normas Tributárias JURISPRUDÊNCIA
As decisões do Conselho de Contribuintes não são normas complementares da legislação tributária, uma vez que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa. Também não vinculam o entendimento administrativo, as decisões judiciais das quais o contribuinte não faça parte, por lhes faltarem eficácia normativa.
Numero da decisão: 1301-000.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
1.0 = *:*
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE A expedição do Ato Declaratório Executivo não requer prévio questionamento à pessoa jurídica. Comprovada sua regular a expedição, não há que se falar em nulidade. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. OBJETO DIVERSO DO TRATADO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Evidenciado que nos autos do processo judicial não foi analisada a possibilidade de enquadramento da interessada no regime do Simples, correta a decisão de primeira instância que concluiu pelo prosseguimento normal do presente administrativo no que se relaciona à matéria diferenciada. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Não merece acolhida pedido de diligência, quando dos autos constarem elementos necessários e suficientes para se conhecer a natureza das atividades efetivamente desenvolvidas pela pessoa jurídica. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2004 ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. A atividade locação/cessão de mão de obra é claramente impeditiva à opção pelo Simples, mesmo em se tratando da hipótese de empreitada exclusivamente de mão de obra, por possuir esta similitude com a locação de mão de obra. O desenvolvimento de atividades assemelhadas às de engenheiro, assim como a execução de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, impedem a permanência da pessoa jurídica inscrita no Simples. EFEITOS DA EXCLUSÃO No caso das hipóteses excludentes de que tratam os incisos V, XII, “f” e XIII, c/c § 4°, da Lei nº 9.317, de 1996, a exclusão produz efeitos a partir do mês subsequente ao que incorridas. Assunto: Normas Tributárias JURISPRUDÊNCIA As decisões do Conselho de Contribuintes não são normas complementares da legislação tributária, uma vez que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa. Também não vinculam o entendimento administrativo, as decisões judiciais das quais o contribuinte não faça parte, por lhes faltarem eficácia normativa.
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NULIDADE A expedição do Ato Declaratório Executivo não requer prévio questionamento à pessoa jurídica. Comprovada sua regular a expedição, não há que se falar em nulidade. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. OBJETO DIVERSO DO TRATADO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Evidenciado que nos autos do processo judicial não foi analisada a possibilidade de enquadramento da interessada no regime do Simples, correta a decisão de primeira instância que concluiu pelo prosseguimento normal do presente administrativo no que se relaciona à matéria diferenciada. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Não merece acolhida pedido de diligência, quando dos autos constarem elementos necessários e suficientes para se conhecer a natureza das atividades efetivamente desenvolvidas pela pessoa jurídica. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. A atividade locação/cessão de mãodeobra é claramente impeditiva à opção pelo Simples, mesmo em se tratando da hipótese de empreitada exclusivamente de mãodeobra, por possuir esta similitude com a locação de mãodeobra. O desenvolvimento de atividades assemelhadas às de engenheiro, assim como a execução de obras e serviços auxiliares e complementares da Fl. 347DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 construção civil, impedem a permanência da pessoa jurídica inscrita no Simples. EFEITOS DA EXCLUSÃO No caso das hipóteses excludentes de que tratam os incisos V, XII, “f” e XIII, c/c § 4°, da Lei nº 9.317, de 1996, a exclusão produz efeitos a partir do mês subsequente ao que incorridas. Assunto: Normas Tributárias JURISPRUDÊNCIA As decisões do Conselho de Contribuintes não são normas complementares da legislação tributária, uma vez que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa. Também não vinculam o entendimento administrativo, as decisões judiciais das quais o contribuinte não faça parte, por lhes faltarem eficácia normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. EDITADO EM: 27/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Jaci de Assis Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INSTECH INDUSTRIACAL ELETROMECÂNICA LTDA EPP, fls. 294 a 317, contra decisão da 2ª Turma da DRJ/CTA, consubstanciada no Acórdão nº 0622.016, fls. 283 a 291, que por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada, sob as seguintes razões descritas em sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE DO ADE. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 321 3 Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do ADE emitido por autoridade fiscal competente, além de, na fase litigiosa do procedimento, regida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. OBJETO DIVERSO DO TRATADO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Quando a ação judicial transitada em julgado tem objeto diverso do tratado no processo administrativo, este deve ter prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada, conforme esclareceu a alínea "h" do ADN Cosit no 3, de 1996. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. CESSÃO DE MÃODE OBRA. INSTALAÇÃO E MONTAGEM DE EQUIPAMENTOS PARA INSTRUMENTAÇÃO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de cessão de mãode obra, prestação de serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais ou execução de obras de construção civil, estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida Conforme descrito no relatório que integra o acórdão recorrido, o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA no 151, de 18 de julho de 2008 (fl. 245), editado em consequência de Representação Fiscal formulada pela então Secretaria da Receita Previdenciária (fls. 03 a 05), excluiu a interessada do Simples, com efeitos a partir de 08/09/2004 (data de inicio de atividades), por incorrer nas situações previstas no art. 9°, V, XII, “f”, e XIII, c/c § 4º, da Lei n° 9.317, de 1996, ou seja, pelo exercício das atividades econômicas vedadas relativas à execução de obras de construção civil, à de locação de mãode obra e à de serviços profissionais de engenheiros ou assemelhados. Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, transcrevese a seguir a parte do relatório constante da decisão de primeira instância que resumiu os argumentos expostos pela interessada em sua manifestação de inconformidade apresentada às fls. 252 a 276, nos seguintes termos: “(...) Da violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa 3.2 Alega que a exclusão do Simples se deu em desacordo com os princípios do devido processo legal, do contraditório e da Fl. 349DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ampla defesa, pois em momento algum lhe foi dado oportunidade de manifestarse a respeito das alegadas vedações à opção no Simples; que não aceita que apenas o prazo de recurso contra o ADE seja válido para garantirlhe o direito ao contraditório e à ampla defesa, razão pela qual entende deva ser declarada a nulidade desse ato declaratório. Da vedação às empresas prestadoras de serviços relacionados à construção civil 3.3 Aduz que a execução de serviços auxiliares da construção não impede a adesão ao Simples, e que a interpretação da norma excludente deve obedecer limites, sob pena de não restarem contribuintes aptos a optarem pelo regime simplificado; que a atividade de manutenção elétrica é executada por eletricistas, cuja profissão não exige preparação especifica ou habilitação legalmente exigida e não pode ser comparada à de engenheiro ou técnico; cita julgados do Conselho de Contribuintes e do TRF da 4a Regido. 3.4 Argumenta que a interpretação extensiva para tentar equiparar sua atividade de manutenção elétrica em geral à de construção de imóveis é totalmente equivocada, e que os serviços por ela prestados são muito mais singelos e não pressupõem formação profissional específico; que um ato declaratório normativo da Receita Federal não pode restringir um direito previsto na Constituição ou na Lei; que as restrições de direito só podem ser feitas por lei em sentido estrito e desde que previamente autorizadas pela Constituição, mas jamais por ato normativo infralegal, sob pena de ofensa ao principio da legalidade (arts. 5°, II, e 150, I, da C.F.); que, como a atividade por ela exercida não está dentre as eleitas pelo legislador como excludente da opção pelo Simples, deve o ato de exclusão ser revogado. Da ação judicial transitada em julgado 3.5 Relata que ingressou com a ação n° 2006.70.00.0176672 perante a Justiça Federal em Curitiba contra o INSS (atualmente Receita Federal do Brasil) para que fosse decretada a ilegalidade da antecipação da contribuição previdenciária devida pelas empresas prestadoras de serviços, haja vista ser ela optante pelo Simples, bem como a condenação do réu à restituição dos valores retidos, desde 08/09/2004 (data de inicio das atividades da empresa), a titulo de contribuição previdenciária no percentual de 11%, conforme previsto no art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, sobre as notas fiscais de prestação de serviços por ela emitidas. 3.6 Destaca que a decisão do TRF da 4ª Região que negou provimento apelação do INSS contra a sentença favorável obtida em 1° instância já transitou em julgado; que, caberia ao INSS ter alegado em juízo os fatos impeditivos ao direito da reclamante, mas em nenhum momento foram apresentadas as razões trazidas aos autos (locação de mãodeobra, atividades de construção civil ou execução de serviços de engenharia), nem sequer foi juntada cópia da Representação fiscal; que não é possível agora, no momento do pagamento da ação, via administrativa, Fl. 350DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 322 5 desconsiderar a decisão judicial e pretender, ainda, a exclusão do Simples retroativamente, descumprindo decisão proferida nos autos 2006.70.00.0176672. Locação de mãodeobra X prestação de serviços 3.7 Contesta a exclusão do Simples fundamentada no fornecimento de mãodeobra para execução de serviços na área elétrica, manutenção e montagem industrial, cujo preço foi orçado por valor horahomem, fato considerado pela autoridade fiscal para caracterização de locação de mãodeobra. 3.8 Salienta que tem por objeto social a prestação de serviços especializados, cuja execução é feita com utilização de mãode obra especializada; que é óbvio que há um custo de mãodeobra para prestação de serviços, assim como há o custo de materiais utilizados; que, assim, nos contratos de prestação de serviços o que se contrata é o serviço a ser prestado, o resultado final, mesmo que isso envolva mãodeobra e material; que, diversamente, os contratos de locação de mãodeobra têm cunho personalíssimo, não se confundindo com a prestação de serviços; que os Tribunais têm excluído a retenção da contribuição para o INSS de empresas prestadoras de serviço inscritas no Simples. 3.9 Argúi que na locação de mãodeobra, determinada empresa (locatária) contrata o fornecimento de mãodeobra de outra pessoa jurídica (locadora), sendo que os trabalhadores ficarão sob as ordens da locatária, embora o vinculo empregatício permaneça com a locadora; que consta de seu contrato social que ela executa a atividade de "comércio a varejo de máquinas e peças industriais, fabricação de máquinas e equipamentos industriais, serviços de manutenção industrial e reparos em estruturas metálicas", o que, por si só, não é suficiente para caracterizar a atividade de locação de mãodeobra, impondose uma investigação das circunstancias que envolvem a prestação do serviço. 3.10 Alega que no caso em tela, os contratos celebrados para contratação de seus serviços não deixam seus funcionários permanentemente na contratada, nem tampouco mudam sua subordinação; que eventual diligência nos locais em que atualmente estão sendo prestados serviços pode demonstrar o alegado; que na prestação de serviço há comprometimento de realização de tarefas para outrem, sob imediata direção do próprio prestador e mediante retribuição especifica; que são prestações laborais autônomas, preservandose no empregado a direção cotidiana sobre sua prestação. 3.11 Acrescenta que quanto aos serviços a serem prestados dentro do estabelecimento da tomadora do serviços, tal situação por si só não condiciona o trabalho a ser subordinado; que alguma diretriz a ser seguida pelo prestador do serviço não implica necessariamente em trabalho subordinado; que a presença dos prestadores dos serviços nas dependências da tomadora se deve ao fato de as máquinas objeto de manutenção Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 industrial serem muito pesadas, devendo o serviço ser prestado no próprio local. Cita decisão do TRF da 4° Região. Da retenção de 11% a titulo de INSS 3.12 Questiona o entendimento fiscal de que a retenção de 11% nas notas fiscais de prestação de serviços, na forma do art. 31, caput e § 1°, da Lei n° 8.212, de 1991, enquadraria a reclamante como cedente de mãodeobra, e por conseguinte, locação. 3.13 Argumenta que se parte do pressuposto de que cessão e locação de mãodeobra seriam a mesma coisa, quando a cessão de mãodeobra pode acontecer em qualquer prestação de serviço e não se confunde com a locação de mãodeobra; que não era a contribuinte, mas os contratantes de seus serviços que faziam a retenção para o INSS; que tanto não concordava com a retenção, que ingressou com a ação judicial antes referida e obteve a declaração de inexigibilidade de retenção da contribuição; que, por óbvio, o Judiciário se deparou com o seu contrato social e viu tratarse de empresa prestadora de serviços. 3.14 Aduz que qualquer empresa prestadora de serviços poderia estar abrangida pelo disposto no § 3º do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, não se confundido com empresa locadora de mãode obra. Cita decisão do STJ (Resp 511.032), no sentido de admitir a possibilidade de empresas prestadoras de serviços de mãode obra que se mantivessem no Simples de não recolherem a contribuição para o INSS; que por ser a recorrente empresa optante pelo Simples não estaria sujeita à. retenção de 11%, eis que essa forma de pagamento, instituída pela Lei n° 9.711, de 1998, é incompatível com o recolhimento unificado previsto na Lei n° 9.317, de 1996, razão pela qual a ação impetrada foi julgada totalmente procedente. Da impossibilidade de retroatividade da exclusão 3.15 Alega que, no caso em tela, após quatro anos depois da inclusão no regime do Simples, não cabe ao fisco excluíla com efeitos retroativos, em total afronta ao principio da segurança jurídica; requer que, em não se aceitando as argumentações anteriores, os efeitos do ato declaratório sejam possíveis apenas a partir do mês subsequente ao da sua ciência. Do pedido 3.16 Ao final requer seja admitida a presente manifestação de inconformidade como recurso, para fins de: a) anular o ADE DRF/CTA n° 151, de 2008, uma vez que a recorrente não se encontra enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação; b) em não se entendendo pela revogação ou nulidade do ADE DRF/CTA n° 151, de 2008, que a exclusão só possa gerar efeitos a partir do mês subsequente ao da sua ciência; c) a produção de provas em direito admitidos, tais como juntada de novos documentos, diligência nos locais onde são realizadas Fl. 352DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 323 7 as prestações de serviços, perícia nos locais, prova testemunhal, etc.” A autoridade julgadora de primeira instância manteve a exclusão da contribuinte do SIMPLES, fundamentando, em especial, sua decisão nas seguintes razões de decidir: Quanto ao relato da reclamante acerca da existência de ação judicial a seu favor, transitada em julgado, o voto condutor ressaltou que esta possui objeto diverso da matéria tratada nos presentes autos, haja vista naquela não ter sido analisada a possibilidade de enquadramento da interessada no regime do Simples. Ressalta também ser improcedente preliminar de nulidade do ADE DRF/CTA n° 151, de 2008, arguida pela reclamante, uma vez não caracterizadas no caso as hipóteses previstas nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como pelo fato de a fase litigiosa para o exercício do contraditório da ampla defesa somente se instaura com a apresentação da impugnação, a teor do disposto no art. 15, § 3º, da Lei nº 9.317, de 1996. Após relatar o conteúdo dos serviços descritos nos contratos de prestação de serviços e respectivas notas fiscais, registra que os mesmos comprovam que a interessada executou obras de construção civil e serviços de instalação e montagem de equipamentos para instrumentação de processos industriais, além da cessão de mãodeobra mediante sistema de hora administrada. No que concerne à locação de mãodeobra destaca que, de acordo com os contratos de prestação de serviços firmados com a Mosaic Fertilizantes do Brasil S/A (fls. 55 58) e Fospar S/A (fls. 5962), seu valor encontrase fixado com base nas horas efetivamente trabalhadas o que revelaria que a força de trabalho passa a ser a principal prestação da empresa cedente, ou seja, o objeto do contrato é o fornecimento de mãodeobra. Transcreve os artigos das Resoluções Confea n° 218, de 1973, e 262, de 1979, para concluir que como a competência para executar serviços de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais cabe aos engenheiros e técnicos, no âmbito dessas modalidades profissionais especificas, estes serviços se enquadram na vedação do inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996. Fundamentandose no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 1999, conclui também que a interessada executa obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil. Cientificada desta decisão em 18/05/2009, fls. 293, a recorrente interpôs recurso voluntário em 10/06/2009, fls. 294 a 317, mediante o qual reitera os argumentos já expostos na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Fl. 353DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Assim, dele conheço. PRELIMINARES Da violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa Nulidade A recorrente alega de que a exclusão do Simples se deu em desacordo com os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, pois em momento algum lhe foi dado oportunidade de manifestarse a respeito das alegadas vedações à opção no Simples. O Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal prevê em seu art. 14, que a fase litigiosa do procedimento se instaura com apresentação da impugnação. Inaugurando o presente processo administrativo fiscal, as motivações expostas na representação fiscal do INSS, fls. 02 a 05, complementada às fls. 35 a 40, no sentido de que a interessada supostamente desenvolve atividade vedada no âmbito do sistema Simples, culminaram na expedição do Ato Declaratório Executivo de exclusão da Recorrente do Simples – ADE, fls. 245. Nesse contexto, esclareçase à Recorrente que mencionada representação fiscal constitui simples documento interno com finalidade precípua de comunicar a autoridade competente sobre a necessidade de expedição do referido ato administrativo de exclusão do Simples. O Ato Declaratório Executivo de exclusão da Recorrente do Simples compõe, pois, a fase inquisitiva do presente processo, na qual apenas se estava investigando a necessidade de expedição de ato administrativo de exclusão da Recorrente do Simples. Vale dizer que a expedição do ADE não requer prévio questionamento à pessoa jurídica. Somente após a sua efetiva expedição é que se tem início a fase do contraditório do processo administrativo, momento a partir do qual é oferecida a oportunidade da apresentação de manifestação de inconformidade por parte do contribuinte e demais meios de recurso postos à sua disposição No caso concreto, verificase que, sob o ponto de vista formal, foi inteiramente regular a expedição do competente Ato Declaratório Executivo DRF/CTA no 151, de 18 de julho de 2008 para exclusão da Recorrente do Simples. Da ação judicial transitada em julgado Quanto ao relato da reclamante acerca da existência de ação judicial a seu favor, transitada em julgado, verificase do voto condutor da decisão recorrida que a mesma possui objeto diverso da matéria tratada nos presentes autos, haja vista naquela não ter sido analisada a possibilidade de enquadramento da interessada no regime do Simples. De acordo com a cópia da Sentença proferida em ação ordinária, juntada às fls. 278, “tratase de ação declaratória cumulada de repetição de indébito proposta sob rito ordinário por Ribeiro e Ribeiro Instalações Técnicas Industriais Ltda, em relação ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, objetivando o reconhecimento da ilegalidade da retenção do montante Fl. 354DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 324 9 equivalente a 11% sobre o valor bruto de cada nota fiscal ou fatura de prestação de serviços a titulo de contribuição previdenciária, em razão de sua inscrição no SIMPLES.” De seu respectivo voto, constatase, ainda, que a questão relacionada ao Simples se restringiu unicamente na verificação de que a autora daquela ação atendia ou não ao requisito fixado pela legislação de regência para ela pudesse usufruir da dispensa da referida retenção, qual seja: de estar inscrita no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, à época em que os valores foram retidos pelas tomadoras dos serviços prestados. Nesse sentido, o fundamento daquele julgado foi bastante claro no sentido de que: “Ficou incontroverso nos autos que a parte autora é inscrita no SIMPLES desde 08.09.2004. Não obstante, tal fato é comprovado pelo documento de fl. 29. Resta, portanto, apenas analisar a questão da exigibilidade, ou não, da retenção do montante equivalente a 11% sobre o valor bruto de cada nota fiscal ou fatura de prestação de serviços da parte autora, a titulo de contribuição previdenciária.” Evidenciado, pois, que nos autos do processo judicial não se discutiu o atendimento aos requisitos para enquadramento da interessada no regime do Simples, correta a decisão de primeira instância que concluiu que o presente processo deve ter prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada, conforme esclareceu a alínea "h" do ADN Cosit n° 3, de 14 de fevereiro de 1996. Realização de diligência A Recorrente requereu a realização de diligência, com vistas à confirmação de que os serviços por ela prestados não se subsumem às hipóteses legais de vedação que foram relacionadas no Ato Declaratório de exclusão da Requerente do Simples. Tal requerimento, porém, não merece ser acolhido por se revelar totalmente desnecessário para formação de convicção sobre os fatos de que trata o presente processo, haja vista que os elementos constantes dos autos (contrato social da Recorrente, notas fiscais de prestação de serviços, diversos contratos de prestação de serviços e respectivos orçamentos e relatórios) são necessários e suficientes para se conhecer a natureza das atividades efetivamente desenvolvidas pela Recorrente. MÉRITO Antes de se iniciar o exame dos elementos que integram os presentes autos para verificar se a atividade desenvolvida pela Recorrente se amolda ou não às hipóteses legais de vedação alinhas pelo ADE questionado, cumprese anotar os conceitos legais e doutrinários que distinguem os contratos de “locação de mãodeobra”, de “cessão de mãodeobra”. Para tanto, peço licença transcrever excerto do voto que conduziu o Acórdão nº 140100249, proferido pela 4ª Câmara deste CARF, em sessão realizada em 21/05/2010, no qual o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, de forma didática, assim sintetizou o assunto: “(...), locação de mãodeobra doutrinariamente costuma ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são Fl. 355DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãodeobra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Já a definição legal de cessão de mãodeobra encontrase no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, regulamentado pelo art. 219 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999) e pelo art. 143 da IN SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, que assim dispõe: Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. §1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. §2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. §3 Por colocação à disposição da empresa contratante entende se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Quanto à empreitada, tratase de instituto regulado pelos arts. 610 e seguintes do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), e pelo art. 144 da IN SRP n° 3, de 2005, que assim dispõe: Art. 144. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Registrese que é admissível a existência das seguintes espécies de empreitada: de materiais e mãodeobra; exclusivamente de mãodeobra (lavor) e por administração. Sua principal característica é o trabalho autônomo, possuindo utilização corrente na construção civil e no meio rural. A distinção entre os diferentes tipos de empreitadas farseá pela natureza da prestação de trabalho. Fundamental para Fl. 356DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 325 11 caracterizarse a empreitada é que o empreiteiro assuma o risco de realizar a obra contratada, por si ou seus prepostos, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço. O empreiteiro é responsável pela organização dos meios necessários e a gestão do próprio risco, além da obrigação de executar a obra ou o serviço para o qual foi contratado, Como regra geral, todos os contratos de empreitada pressupõem a assunção, por parte do contratado, do ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação. A diferenciação básica existente entre a empreitada e a locação de mãodeobra, portanto, é obtida pelo modo de encarar a obrigação de fazer. Se o que é ajustado limitase ao fornecimento da mãodeobra, sob controle e supervisão do locatário, temos a locação de mãodeobra. Se o que é ajustado restringese à apresentação de um resultado, defrontamos com a empreitada. No caso da empreitada exclusivamente de mãodeobra, o resultado é a própria execução do serviço, estabelecendose, assim, sua similitude com a locação de mãodeobra.” Mais adiante, consta do voto condutor em referência: “Vale dizer que o conceito legal de cessão de mão de obra abrange até mesmo serviços não relacionados com a atividade fim da empresa contratante e independe da natureza e forma de contratação dos empregados, conforme consta expressamente do caput do retrocitado art. 143 da IN SRP n° 3/2005. (...) A "empreitada exclusivamente de mãodeobra" caracterizase por envolver apenas uma obrigação de fazer (prestação de serviços, com ou sem a utilização de equipamentos de propriedade da prestadora do serviço). Por outro lado, a "empreitada mista" caracterizase por envolver uma obrigação de fazer (prestação de serviços, com ou sem a utilização de equipamentos de propriedade da prestadora do serviço) aliada a uma obrigação de dar (fornecimento de materiais que serão definitivamente agregados à obra contratada ou que serão consumidos durante o processo de prestação de serviços). Em suma: a "empreitada mista" é aquela em que a prestadora de serviços, além de fornecer a mãodeobra, também fornece materiais que serão definitivamente incorporados à obra contratada ou então que serão consumidos durante a fase de prestação de serviços. Esta espécie de empreitada (mista) é muito comum no ramo da construção civil, onde a empresa pode ser contratada para fornecer apenas a mãodeobra (empreitada exclusivamente de mãodeobra) ou então para fornecer a mãodeobra bem como Fl. 357DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 os materiais de construção utilizados naquela obra (tijolos, ferro, cimento, areia, revestimentos cerâmicos etc.). O simples emprego de equipamentos convencionais de trabalho (tais como caminhões, betoneiras, tratores, pás, enxadas, peneiras etc.) não têm o condão de, por si só, transformar uma "empreitada exclusivamente de mãodeobra" em uma "empreitada mista", Isto ocorre porque tais equipamentos continuam sendo de propriedade da empresa prestadora de serviços, que apenas os utiliza durante a prestação de serviços, sem transferir sua propriedade à empresa contratante.” Análise do caso concreto Da Representação Fiscal de fls. 02 a 05, se extrai a seguinte constatação: “(...) ao analisarmos o processo de restituição da retenção [de INSS], requerida pela empresa, constatamos através das notas fiscais de prestação de serviços emitidas arquivadas ao processo que a empresa vem prestando serviços de Construção Civil, Serviços de pinturas e Serviços na manutenção mecânica e elétrica.” Diante disso, entendeu o agente da Secretaria da Receita Previdenciária que a empresa estaria impedida de optar pelo SIMPLES, em face do disposto no Artigo 9°, inciso V e § 4º da Lei n° 9.317 de 05 de dezembro de 1996. Complementada pela Representação Fiscal de fls 35 a 40, o Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba(PR), com base nas respectivas constatações, proferiu o Despacho Decisório de fls. 235 a 243, concluindo que a interessada exerce atividades incompatíveis com sua opção pelo Simples. Conforme se vê do mencionado despacho, a conclusão da autoridade preparadora também se fundamentou a partir do exame dos elementos que integram os presentes autos, dentre os quais os contratos de prestação de serviços firmados com as contratantes COAMO AGROINDUSTRIAL COOPERATIVA, fls. 50 a 54, MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL S/A, fls. 55 a 58, FOSPAR S/A, fls. 59 a 62, USINA DE AÇÚCAR SANTA TEREZINHA, fls. 63 a 68, além dos relatórios das Propostas para Execução de Serviços emitidas pela então representada, ora recorrente (nas quais, observese, utiliza o nome de fantasia "SN Engenharia"), para as empresas Usina Alto Alegre e Usina de Açúcar Santa Terezinha, fls. 79/90, bem como das Notas Fiscais de Prestação de Serviços juntadas à fl. 11/24 e 173/231. Com base em todos esses elementos, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR editou o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 151, de 18 de junho de 2.008, sob o fundamento de incorrer a empresa na vedação prevista no art. 9º, incisos V, XII, “f” e XIII, c/c § 4°, da Lei nº 9.317, de 1996. Relativamente à vedação expressa no art. 9º, inciso XII, “f”, temse que: “Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 326 13 f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra;” (grifei) Da leitura deste texto legal, é de se perceber que o mesmo se reporta à terceirização de determinadas tarefas, da qual a contratada busca economia tanto em salários diretos, quanto em encargos trabalhistas. Destarte, sobressai da leitura do texto legal em referência que a preocupação do legislador esteve, pois, voltada para que o tratamento jurídico diferenciado e simplificado instituído pela Lei que criou o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES não comprometesse o equilíbrio financeiro do orçamento previdenciário, indesejável à política alinhada ao objetivo constitucional de bemestar da população e da justiça social. Voltandose ao exame da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, constatase que a decisão recorrida entendeu que, de modo geral, as expressões cessão de mãodeobra e locação de mãodeobra não se distinguem, uma vez que ambas advém do ato de colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Baseandose, pois, no conceito firmado pelo § 3º, do art. 31, da Lei nº 8.212, de 1991, ficou claro para a relatora do voto do acórdão recorrido que o objeto do contrato seria o fornecimento de mãodeobra, tal como consta dos contratos de prestação de serviços firmados com a Mosaic Fertilizantes do Brasil S/A (fls. 55 a 58) e Fospar S/A (fls. 59 a 2), cujo valor teria sido fixado com base nas horashomem efetivamente trabalhadas. Sob este aspecto, discorda a recorrente alegando que “nos contratos de prestação de serviços o que se contrata é o serviço a ser prestado, o resultado final, mesmo que isso envolva mãodeobra e material.” De acordo como seu ponto de vista, esse tipo de contrato não se confunde com os contratos de locação de mãodeobra que têm cunho personalíssimo. Acerca do fornecimento de mãodeobra especializada, seria bom ressaltar, que a própria interessada argumenta em sua manifestação de inconformidade que “o objeto do contrato social da empresa é a prestação de serviços”, fato que lhe fez indagar “como é possível prestação de serviços especializados sem mãodeobra especializada”. Deste argumento extraise que a recorrente pretende enfatizar que o objeto principal contratado não seria o trabalho mas a obra. Equivaleria dizer, então, que os contratos celebrados com seus clientes se classificariam como contratos de empreitada de lavor e materiais, regidos especificamente pelo art. 610 e 611 do Código Civil, de 2002, e também previsto no art. 144 da IN SRP n° 3, de 2005, anteriormente transcrito. Do exame das peças que integram os presentes autos verificase que na espécie classificada como empreitada de materiais e mãodeobra (empreitada mista), concebida pelo art. 611 do citado Código Civil, de 2002, estariam as prestações de serviços descritas nas correspondências enviadas pela própria interessada à cliente USINA ALTO ALEGRE UNIDADE I COLORADOPR, uma vez referiremse a orçamento de mãode obra e fornecimento de todo o material usado na prestação do serviço, juntadas às fls. 79 a 86. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Ainda na concepção da Recorrente, nos contratos que celebrou para prestação de serviços não há mudança de subordinação e nem seus funcionários ficam permanentemente na “contratada”. Com isso, quer dizer a Recorrente, que a ela caberia o controle e a supervisão dos funcionários colocados à disposição de seus clientes, ou seja, a relação de subordinação permaneceria sob seu poder. Ao alegar que tal característica integra os contratos por ela celebrados, a Recorrente apresenta um fator de diferenciação entre empreitada e locação de mãodeobra. Contudo, nos casos em que se configure empreitada exclusivamente de mãodeobra, regulamentada pelo art. 612 do Código Civil, de 2002, tal fator deixa de ser essencial, eis que como o resultado contratado é a própria execução do serviço, o trabalho passa a ser o objeto principal do contrato, estabelecendose assim, conforme mencionado no preâmbulo deste mérito, similaridade jurídica com a locação de mãodeobra. Exclusivamente no que tange a este último aspecto, do exame dos contratos de prestação de serviços celebrados pela interessada é de se constatar que alguns deles refletem, na verdade, que a força de trabalho seria a principal prestação da empresa contratada, fato este que realça a identificação do objeto do contrato como sendo o fornecimento exclusivo de mãodeobra. Citese, a título de exemplo, o contrato celebrado com a empresa COAMO AGROINDUSTRIAL COOPERATIVA, fls. 50 a 54, cujas cláusulas evidenciam que os serviços contratados tiveram por objeto o fornecimento de mãodeobra: “Cláusula Primeira: Constitui objeto do presente instrumento, a prestação de serviços a ser realizado pela CONTRATADA, com fornecimento de mão deobra e ferramentas, necessários à Montagem de Equipamentos Mecânicos e Manutenção de Equipamentos Existentes na Indústria de Óleo da CONTRATANTE, (...)” (...)” Observese que, conforme destacado anteriormente, o simples emprego de ferramentas necessárias para o trabalho não descaracteriza a empreitada exclusivamente de mãodeobra. A força de trabalho como principal prestação da empresa contratada pode ser também evidenciada pela leitura das seguintes cláusulas de contrato firmado com a empresa Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda., fls. 63 a 67: “1. OBJETO DO CONTRATO: 1.1 Constitui objeto do presente contrato a prestação de serviços, exclusivamente de mãodeobra especializada, para: 1) Montagem de Pré Evaporador com capacidade de 5000 m2 (NOVO) e Readequação do evaporador 1800m2, 2) Aumento da capacidade do evaporador 1200m2, 3) interligação da bomba spray na tubulação de 22"e 4) Fabricação e montagem do decantador com capacidade de 800m3 de acordo com o projeto da sucrana, conforme proposta em anexo que l'az parte integrante deste contrato. (...) Fl. 360DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 327 15 6. RESPONSABILIDADE DA CONTRATANTE: 6.1. A CONTRATANTE obrigase a fornecer todo o material de consumo e de montagem para a execução dos serviços. 8. DISPOSIÇÕES GERAIS: 8.1. A CONTRATADA deverá requisitar o material por escrito em 05 (cinco) dias de antecedência discriminando as quantidades e especificações dos mesmo a CONTRATANTE.” Convenções neste mesmo sentido se encontram também previstas nos contratos firmados com a mesma usina de açúcar, conforme se pode constatar dos contratos juntados às fls. 68 a 75, 76 a 78. Reforça ainda esta constatação a descrição acerca de que a responsabilidade pelo fornecimento de todo o material usado para a execução dos serviços seria da contratante, no caso, a Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda, conforme se vê dos relatórios intitulados ESCOPO DOS SERVIÇOS E VALORES INDIVIDUAIS, juntados às fls.83 a 85, 86 a 88 e 89 a 90. A despeito do acima exposto por si só não garantir a permanência da empresa recorrente no Simples, convém que sejam também examinados os contratos celebrados com a empresa Fospar S/A, fls. 59 a 62, e a empresa Mosaic Fertilizantes do Brasil S/A, fls. 55 a 58. Consta da primeira cláusula do INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, celebrado com a empresa Fospar S/A, fls. 59 a 62, o seguinte objeto: I OBJETO 1.1. A CONTRATADA fornecerá mão de obra especializada para a prestação de serviços de instalações e manutenção industrial no estabelecimento da CONTRATANTE no endereço acima citado, conforme proposta técnica/comercial datada em 01/07/2005, que devidamente rubricada pelas partes passa a fazer parte integrante deste contrato, ficando avençado que as disposições deste instrumento sempre deverão prevalecer sobre a referida proposta, quando conflitantes. 1.2. Os serviços serão prestados mediante solicitação da. CONTRATANTE que deverá informar o tipo de serviço a ser realizado, o prazo para a conclusão do mesmo e o numero de funcionários que pretende contratar para sua realização. Deverá a CONTRATADA responder a solicitação da CONTRATANTE através de Proposta Técnica, confirmando o número de funcionários a serem disponibilizados, o prazo de entrega dos serviços e o preço para a realização destes. Verificase, primeiramente, que o objeto pelo qual o contrato foi celebrado resumese no fornecimento de mãodeobra especializada para a prestação de serviços de instalações e manutenção industrial no endereço da contratante. Verificase também que pelo fato de prever hipótese na qual incumbe à contratante a definição sobre o número de funcionários que pretende contratar constitui, na verdade, um fator indicativo de que o controle e a supervisão dos serviços estariam a cargo da tomadora desses serviços. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Não obstante isso, no que se refere ao preço contratado, este se encontra sob a regência da terceira cláusula do contrato de prestação de serviços em referência, nos seguintes termos: III – PREÇO 3.1. O preço certo e previamente ajustado dos serviços descritos na cláusula primeira, inclusive materiais e demais despesas é de: Opção I) Compreende o fornecimento de mãodeobra para até 02( dois) dias, sendo: FUNÇÃO Valor Técnico eletricista R$ 23,00 Eletricista de Manut e montagem industrial R$ 20,00 Mecânico de manut industrial( solda/oxicorte/preventiva ) R$19,00 Caldereiro industrial ( especializado em traçado e fabricação) R$ 20,00 Soldador TIG R$ 20,00 Torneiro Mecânico ( tomo próprio ) R$ 35,00 Auxiliar de eletricista R$ 12,00 Auxiliar de mecânica R$ 12,00 Opção 2) Compreende o fornecimento de mãodeobra para até 07( sete) dias, sendo: FUNÇÃO Valor Técnico eletricista R$ 23,00 Eletricista de Manut e montagem industrial R$ 18,00 Mecânico de manut industrial( solda/oxicorte/preventiva ) R$17,00 Caldereiro industrial ( especializado em traçado e fabricação) R$ 18,00 Soldador TIG R$ 18,00 Torneiro Mecânico ( tomo próprio ) R$ 35,00 Auxiliar de eletricista R$ 10,00 Auxiliar de mecânica R$ 10,00 Opção 3) Compreende o fornecimento de mãodeobra para até 15( quinze ) dias , sendo: FUNÇÃO Valor Técnico eletricista R$ 23,00 Eletricista de Manut e montagem industrial R$ 16,50 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 328 17 Mecânico de manut industrial( solda/oxicorte/preventiva ) R$16,00 Caldereiro industrial ( especializado em traçado e fabricação) R$ 16,50 Soldador TIG R$ 16,50 Torneiro Mecânico ( tomo próprio ) R$ 35,00 Auxiliar de eletricista R$ 9,50 Auxiliar de mecânica R$ 9,50 3.1.1. Está incluso no preço acima os materiais para execução dos serviços inclusive os encargos sociais, tributos bem como todas ferramentas e equipamentos necessários. 3.1.2 O reajuste do preço da parcela que compõe o item mão de obra será efetuado baseado no índice do dissídio coletivo da categoria, 3.2. Estabelecem as partes que os serviços, objeto deste contrato, deverão ser realizados de segundafeira a domingo em horário a ser determinado. 3.3. O valor acima ajustado será pago pela CONTRATANTE ao mês posterior do serviço executado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviços com 10 (dez) dias de antecedência. 3.3.1 A CONTRATANTE pagará mensalmente à CONTRATADA pelo fiel cumprimento de todas as obrigações e serviços objeto do presente contrato, o valor resultante da multiplicação de horas trabalhadas pelo valor da hora/homem acima estipulado. 3.3.2. O apontamento de horas será efetuado em formulário da CONTRATADA que submeterá aprovação da CONTRATANTE. Desta cláusula chama atenção o fato de o preço dos serviços contratados corresponder ao valor resultante da multiplicação de horas trabalhadas pelo valor da hora/homem estipulado. Essa forma de remuneração de serviços, conforme destacou o voto condutor da decisão de primeira instância, reflete, realmente, que a força de trabalho passa a ser a principal prestação da empresa contratada, o que vem novamente realçar o fato de que o objeto do contrato é o fornecimento de mãodeobra. Sobre este aspecto, convém ressaltar ainda, que o preço contratado em função da hora/homem trabalhada não consegue configurar a hipótese em que se apoiou a recorrente no sentido de que “nos contratos de prestação de serviços o que se contrata é o serviço a ser prestado, o resultado final.” Além do mais, ao serem oferecidas à contratante três opções de preço, graduados segundo o número de dias de fornecimento de mãodeobra (até dois dias, até sete dias e até quinze dias), acaba por se deparar com a possibilidade de o serviço contratado não ter sido completamente realizado ao final do décimo quinto dia trabalhado. Daí equivoca se a recorrente, eis que, pelo exame do próprio contrato de prestação de serviços, fica Fl. 363DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 evidenciado que os trabalhos poderiam ser realizados sem a obrigação de se executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Observese também que, embora haja previsão de estar incluído no preço contratado os materiais para execução dos serviços (cláusula 3.1.1, acima reproduzida), do exame da nota fiscal de prestação de serviços nº 155, juntada às fls. 176, verificase a inexistência de destaque relativo à utilização de eventuais materiais. É de se conclui, pois, que o valor daquela nota fiscal corresponde somente à mãodeobra empregada o que, em face de sua natureza, impede à Recorrente de permanecer no Simples. Seria bom ressaltar que, do conjunto probatório integrantes dos presentes autos, percebese que, em relação ao referido contrato de prestação de serviços, a subordinação dos trabalhadores ao comando da contratada passa a ser secundária no que tange à distinção entre locação de mãodeobra e empreitada. Ademais, o fato de a cláusula 4.7.1 do mesmo contrato em referência fixar como obrigação da contratada, ora Recorrente, a atividade de “dirigir e administrar todos os serviços, de acordo com a melhor técnica e norma aplicável a trabalhos desta natureza”, não quer dizer que o controle e a supervisão das tarefas executadas tenha ficado sob comando da recorrente. Muito pelo contrário, por estar mais relacionada ao trabalho intelectual e administrativo de organizar os serviços e fiscalizar o andamento da execução do objeto do contrato, tal obrigação se coaduna mais à atividade inerente a engenheiro, conforme adiante será examinado. Por estabelecer cláusulas e condições semelhantes às analisadas anteriormente, pela leitura do contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Mosaic Fertilizantes do Brasil S/A, fls. 55 a 58, é de se chegar à mesma conclusão de que a Recorrente incorre em hipótese que lhe veda à permanência Simples. Em vista do exposto, não resta dúvida de que a empresa INSTECH INDUSTRIAL ELETROMECÂNICA LTDA, de fato, incorreu na hipótese de vedação estabelecida pelo inciso XII, aliena “f”, da Lei nº 9.317, 1996. Por sua vez, fixou o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 151, de 18 de junho de 2.008, sob exame, que referida empresa teria incorrido também na vedação expressa no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996, que assim dispõe: “Art. 9º• Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” (grifei) Transcrevendo trechos das Resoluções CONFEA n° 218, de 1973, nº 262, de 1973, e ainda com fundamento no ADN COSIT n° 4, de 2000, e na lei nº 5.194, de 1966, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento concluiu pela vedação ao Simples, em razão da atividade da empresa, nos seguintes termos: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 329 19 “(...) o termo "assemelhado" constante do inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, faz incluir na vedação à opção pelo Simples qualquer atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com aquelas enumeradas. Nessa linha de raciocínio, e tendo em conta que a vedação é para "a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado", devese assentar o fato de que basta o exercício do serviço de reparação, conservação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais, com ou sem supervisão, assinatura ou execução por profissional regulamentado, para que a opção pelo Simples seja vedada. Mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, a pessoa jurídica não poderá permanecer no regime simplificado, porquanto se trata do exercício de atividades assemelhadas à profissão de engenheiro.” A recorrente se insurge contra o enquadramento da atividade que exerce como sendo assemelhada à de engenheiro sob o argumento de que as atividades de manutenção elétrica “são prestadas por eletricistas, e portanto, não exigem preparação especifica ou habilitação legalmente exigida, o que só demonstra que este prestador de serviços não pode ser comparado ao engenheiro ou até mesmo a um técnico”. Aduz também que “Ato Declaratório Normativo da Receita Federal não pode restringir um direito previsto na Constituição ou na Lei,” bem como observa que “os serviços prestados pelo contribuinte são muito mais singelos e não pressupõem formação profissional especifica.” Contudo, a observação de que seriam singelos os serviços prestados pela recorrente não se coaduna com o grau de complexidade e de detalhes técnicos que se depreende da leitura da descrição dos serviços que foram prestados pela recorrente a seus clientes, constantes dos orçamentos e relatórios juntados às fls. 79 a 90. Daí, perfeitamente válida a aplicação da norma acima transcrita para a exclusão da interessada do Simples. Ainda a respeito do assunto, há que se observese, ainda, o que estabelece a Lei 5.194, de 1966, ao regular o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e EngenheiroAgrônomo: Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiroagrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estalais, paraestatais, autárquicas, de economia mista e privada, b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recurso naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica, d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras e .serviços técnicos, f) direção de obras e serviços técnicos, g) execução de obras e serviços técnicos; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 h) produção técnica especializada, industrial ou agropecuária. Portanto, predomina no contexto da norma acima a característica da atividade intelectual, de natureza científica. Sobre este aspecto, o fato de a cláusula 4.7.1 do contrato de prestação de serviços de fls. 59 a 62, anteriormente mencionada, fixar como obrigação da contratada a obrigação de “dirigir e administrar todos os serviços, de acordo com a melhor técnica e norma aplicável a trabalhos desta natureza”, vem, na verdade, demonstrar o exercício de trabalho intelectual e administrativo de organizar os serviços e fiscalizar o andamento da execução do objeto do contrato, tal como previsto nas atividades relacionadas nas alíneas “f” e “g”, da legislação em referência. Portanto, fica configurado que a recorrente também desenvolve atividade assemelhada à de engenheiro, cuja vedação consta expressamente prevista pelo inciso XIII, do art. 9º, da Lei nº 9.317, de 1996. A última hipótese de exclusão da Recorrente do Simples teve por fundamento o art. 9º, inciso V, c/c § 4º, da Lei nº 9.317, de 1996, que assim dispõe: “Art. 9º• Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, â incorporação ou construção de imóveis; (...) § 4º. Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10121997).” Sob a orientação estabelecida pelo Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 14 de novembro de 1999 – ADN nº 30, de 1999, abaixo reproduzido, a decisão de primeira instância concluiu que a interessada também executa obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil. “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n°227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso V do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pelo art. 4° da Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Declara, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, ás Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável a atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1. a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 330 21 2. sondagens, fundações e escavações; 3. construção de estradas e logradouros públicos; 4. construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. terraplenagem e pavimentação; 6. pintura, carpintaria, instalações elétrica se hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo.” A recorrente contesta tal orientação ao argumento de que o “próprio § 4º deixa claro que se trata de obras de construção civil, não podendo à elas compararse os serviços que lhe auxiliam, até porque, não se encontra listada no mencionado parágrafo a atividade desenvolvida pela contribuinte.” Contrariando tal argumento, contudo, das cópias reprográficas das notas fiscais de prestação de serviços juntadas às fls. 12, 17 (pintura) fls. 14, 18, 19 (alvenaria), fls. 21 (desmontagem de barracão), fls. 22 (substituição de telhas), verificase que as atividades nelas discriminadas referemse de forma inequívoca que o contribuinte auferiu, de fato, receitas provenientes de atividade vedada de que trata o art. 9º, inciso V, § 4°, da Lei n° 9.317, de 1996, nos termos declarados no ADN nº 30, de 1999. No que diz respeito à aplicação dos Atos Declaratórios Normativos que serviram de fundamento para a manutenção da exclusão do Simples, cumprese observar que, por se tratar de atos administrativos expedidos por autoridade competente, bem como pelo fato de serem integrantes da classe denominada de normas complementares às leis, consoante art. 96 e art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional, o ADN nº 30, de 1999, bem como o ADN COSIT n° 4, de 2000, possuem caráter vinculante para os agentes públicos. Com objetivo único de explicitação de norma legal, referidos atos normativos simplesmente detalham as atividades compreendidas nas expressões “engenheiro” e “construção de imóveis” descritas nas regras definidas inciso XIII e no parágrafo único, do art. 9º da Lei em referência, de forma a evitar a diversidade de entendimentos por parte dos agentes da administração tributária. Nesse sentido ensina o professor Hugo de Brito Machado, em seu livro Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol. 1, coord. Ives Gandra Martins, Ed. Saraiva, 1998, p. 29: “Quando a lei contenha indeterminações, devem estas ser preenchidas normativamente, vale dizer, pela edição de ato normativo, aplicável a todos quantos se encontrem na situação nele hipoteticamente prevista. Assim, a atividade de determinação e de cobrança do tributo será sempre vinculada a uma norma. (...)... qualquer vaguidade conceitual, qualquer indeterminação do texto da lei, deve ser superada pela autoridade administrativa mediante a edição de norma, de sorte a evitar a pluralidade de entendimentos por parte de sues diversos agentes. Isso realiza o objetivo da regra definidora de Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 tributo, além de realizar também o princípio da isonomia, evitando tratamentos desiguais de situações idênticas.” Portanto, referidos Atos Declaratórios Normativos têm todas as características descritas, haja vista especificar a abrangência das expressões descritas no texto legal regulamentado, proporcionando, ao contrário da tese defendida pela Recorrente, o mesmo tratamento tributário para as situações consideradas. No que se refere ao fato de o despacho decisório fazer referência ao destaque da retenção dos 11% quando da emissão das notas fiscais de prestação de serviços, vale observar que tal fato serviu apenas de mero indicativo que não interfere nas conclusões a que se chegou a autoridade preparadora que o subscreveu. Oportuno ressaltar que as jurisprudências administrativas e judiciais não são normas complementares da legislação tributária, uma vez que inexiste lei que lhes atribuam eficácia normativa, como exigido no art. 100, II, do CTN. Portanto os julgados apontados pela Recorrente não a socorrem, por não constituíremse normas complementares. A respeito, ainda, das diversas decisões do Conselho de Contribuintes, colacionada pela Recorrente, observese, que as mesmas não lhe são úteis, na medida em que tratam de situações distintas à dos presente autos. Finalmente, quanto às alegações acerca dos efeitos retroativos da exclusão, há que se esclarecer à Recorrente que, em razão de ficar comprovado o desenvolvimento das atividades previstas no art. 9º, incisos V, XII, “f” e XIII, c/c § 4°, da Lei nº 9.317, de 1996, aplicase o disposto em seu art. 15, inciso II, com a redação alterada pelo art. 33 da Lei n.° 11.196, de 21/11/2005, combinado com o art. 52, XXXVI, da Constituição Federal. Correto portanto, a declaração de que os efeitos da exclusão do Simples produzem efeitos a partir de 08/09/2004, mês subseqüente ao que incorridas as respectivas situações excludentes. Portanto, do exame dos presentes autos restou comprovado o exercício da atividade “locação/cessão de mãodeobra”, atividade claramente impeditiva à opção pelo Simples. Observese que, ao contrário do que alegou a Recorrente, a atividade locação/cessão de mãodeobra é claramente impeditiva à opção pelo Simples, mesmo em se tratando da hipótese de empreitada exclusivamente de mãodeobra. Também ficou plenamente demonstrado nos autos o desenvolvimento de atividades assemelhadas à atividade de engenheiro, assim como a execução de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, atividades que, de igual forma, impedem a Recorrente de permanecer no Simples. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.005661/200692 Acórdão n.º 1301000.738 S1C3T1 Fl. 331 23 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000994/2005-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. DELIMITAÇÃO DA ÁREA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. CONFIRMADA POR AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRICULA DO IMÓVEL. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente delimitação constante de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal, lavrado perante a Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMAGO, e posteriormente corroborada pela averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado ADA ou seu requerimento tempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área,
glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior e Elias Sampaio Freire, que davam provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. DELIMITAÇÃO DA ÁREA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. CONFIRMADA POR AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRICULA DO IMÓVEL. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente delimitação constante de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal, lavrado perante a Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMAGO, e posteriormente corroborada pela averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado ADA ou seu requerimento tempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior e Elias Sampaio Freire, que davam provimento. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório ADELINO GOUVEIA DE MORAES ESPÓLIO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 23/02/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Buriti Alto”, localizado no município de Serranópolis GO, NIRF nº 15850536, conforme peça inaugural do feito, às fls. 40/48, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 15.569/2005, às fls. 68/73, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Câmara, em 15/10/2008, pelo voto de qualidade, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30134.779, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2001 ITR ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXIGÊNCIA. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 3 3 Não há obrigação de prévia apresentação do protocolo do pedido de expedição do Ato Declaratório Ambiental para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a não ser a partir do advento da Lei n° 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei n°. Lei no 6.938/1981. É apropriada a comprovação da área de utilização limitada / reserva legal mediante a averbação na matrícula do imóvel. Aplicação retroativa do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96, com a redação dada pela 1VIF' 2.16667, de 24/08/01. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 131/155, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30239.233, dentre outros, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel e requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à necessidade de requisição do ADA para fruição do benefício fiscal em epígrafe. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No caso dos autos, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000, na forma, inclusive, decidida pela 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Acórdão nº CSRF/0305.940. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 4 4 Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 21010136/2009, às fls. 165/166. Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, 173/191, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30239.233, ora adotado como paradigma, dentre outros, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende da emissão do Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou mesmo a sua requisição atempada, além da averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do ADA para fins da benesse isentiva a Câmara recorrida contrariou os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000, na forma, inclusive, decidida pela 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Acórdão nº CSRF/0305.940. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 5 5 tempestiva de seu requerimento, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural sobre as áreas de reserva legal. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Como se extrai dos dispositivos legais encimados, em nosso entendimento, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 6 6 Declaratório Ambiental junto ao IBAMA não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo as glebas de terra destinadas à reserva legal, ao revés do entendimento da recorrente. Entrementes, afora entendimento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende a jurisprudência majoritária que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de área de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, é que a contribuinte lavrou Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal, às fls. 06, datado de 07/07/1997, com participação de Órgão da Administração Pública (Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMAGO), delimitando precisamente a área destinada a reserva legal, o que veio a ser ratificado pela averbação à margem da matrícula do imóvel, ocorrida em 15/10/1997, como se constata da Certidão de fls. 10/14, afastando de uma vez por todas qualquer dúvida quanto a regularidade do procedimento eleito pelo autuado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 7 7 Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à requisição tempestiva do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000994/200574 Acórdão n.º 920201.421 CSRFT2 Fl. 8 8 Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Nesse sentido, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que não apresentado o ADA tempestivo, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000665/2004-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1994 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 30/11/1997,
01/04/1998 a 30/11/1998
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratandose
de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação
e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de
junho de 2005, aplicase
o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que
restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621.
COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO.
Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades
civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91.
Confirmação de constitucionalidade nos termos do que restou decidido pelo
STF com caráter de repercussão geral no RE nº 377.457.
Numero da decisão: 3403-001.336
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621. COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Confirmação de constitucionalidade nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 377.457. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, fls.53/54: Trata o processo de pedido de restituição de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), fl. 01, protocolizado em 05/02/2004, em relação aos pagamentos efetuados, entre 10/01/1995 e 30/09/2002, para os períodos de apuração 01/12/1994 a 28/02/1997 e 01/04/1997 a 31/12/1998, conforme DARF (cópia) de fls. 11/28. 0 valor total do referido pedido, atualizado até 02/2004, importa em R$ 11.222,06 (R$ 5.419,19 de Cofins + R$ 5.802,87 de juros de mora). 2. À fl. 01, consta como motivo do pedido: "Pagamentos indevidos (CTN, art. 165, I) a titulo de COFINS (LC 70/91 e Lei 9 718/98), em decorrência de regra complementar a CF/88 de não incidência para as sociedades civis de prestações de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no registro civil competente das pessoas jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no pais (Lei Complementar 70/91, art. 6°, II, c.c. DecretoLei 2.397/87, art. 1°; CF/88, art. 133 e Lei 8.906/94 STJ, AGRESP 433341/MG 02122002, DJ 02/12/2002, pg. 244; Resp. 209.629/MG, DJU 16/11/1999; TRF 1° Reg. 24MS 95.01.292070MG, DJU 17/02/1997, p. 6624/5 e Acórdão n°20175.438/2001, do 2° CC; Hugo de Brito Machado in Posição Hierárquica da Lei Complementar, RDDT 14, pg. 19 e ss.); STJ Súmula 276, de 14/05/2003, DJ 02/06/2003, pg. 365 "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado." 3. No campo 4 do pedido de fl. 01, a interessada relaciona a documentação apresentada (contrato social e 1ª alteração, procuração e cópias de DARF fls. 02/28) e transcreve o seguinte texto que alega ter sido extraído da IN SRF n° 376, de 23 de dezembro de 2003, in verbis: "Art. 3°A exceção das hipóteses mencionadas no art. 2, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições sob administração da SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF o correspondente formulário aprovado pelo art. 44 da Instrução Normativa SRF n 210, de 30 de setembro de 2002, ou pelo art. 6 da Instrução Normativa SRF n 291, de 3 de fevereiro de 2003, ao qual deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório." Fl. 72DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10980.000665/200412 Acórdão n.º 3403001.336 S3C4T3 Fl. 72 3 4. Em 06/02/2004, após analise, o pedido, quanto aos recolhimentos havidos antes de 05/02/1999, foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, despacho decisório as fls. 30/32, em face da decadência, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN e item I do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. Na mesma ocasião, e quanto aos pagamentos efetuados após 05/02/1999, considerouse não formulado o pedido, por ter sido formalizado em desacordo com as normas de regência. Desse despacho, a interessada foi cientificada em 11/02/2004 (fls. 33/34). 5. Inconformada com a decisão proferida, a interessada interpôs, em 02/03/2004, manifestação de inconformidade, fls. 35/44, cujo teor é sintetizado a seguir. 6. Primeiramente, após breve relato das ocorrências do processo e do despacho decisório que nele foi proferido (transcreve excertos), alega que o direito de restituir é de 10 anos e não de 5 anos pois a Cofins é tributo sujeito ao lançamento por homologação. Aduz que "a parte da decisão que faz referencia a Lei n° 9.430/96 também não merece ser mantida, uma vez tratar se de lei ordinária que não pode revogar lei complementar, no caso a Lei Complementar n° 70/91." 7. A seguir, diz que "tratandose, como no caso, de tributo cujo o lançamento é da modalidade por homologação, incide a regra dos 10 anos (5 para lançar + 5 para pedir a compensação/restituição)." Aduz, ainda, que tanto no âmbito administrativo, como na esfera judicial, há o entendimento de que tributos sujeitos à homologação, como no caso da Cofins, o prazo para recuperação (restituição/compensação) do indébito tributário é de 10 anos (5+5). 8. Após, afirma que a interpretação sistemática do art. 168 do CTN, impõe duas questões: (a) quando ocorre a extinção do crédito tributário, quando o lançamento é da modalidade por homologação (Cm, art. 150)? e (b) como e/ou quando nasce ou pode surgir o próprio crédito tributário respectivo, de cuja extinção trata o inciso I, do art. 168, do CTN. 9. Nesse contexto, conclui que "não existe nenhuma dúvida quanto ao referido prazo de 10 (dez) anos para a decadência do direito de restituir/compensar os tributos cujo lançamento é por homologação, mormente em face a firmeza do STJ, em relação a esse assunto." 10. A seguir, no item "IIB) Das Razões para a Reforma do Acórdão — Matéria Objeto da Súmula 276 do Superior Tribunal de Justiça e seu Entendimento Sedimentado", diz que "independentemente do entendimento exposto no acórdão proferido, o mesmo merece ser reformado uma vez que contraria o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, bem como no âmbito do próprio Conselho de Contribuintes." Transcreve o teor da Súmula n° 276 do STJ e ementas de julgamentos proferidos no âmbito do STJ. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Transcreve, ainda, ementas de acórdãos proferidos pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 11. Já, no item, "Da Necessidade de Vinculação da Administração Pública Federal ao Entendimento Firmado das Cortes Superiores", salienta que "como há, de fato, o reconhecimento, por parte do Superior Tribunal de Justiça, Corte Superior competente para apreciar a matéria relativa a Cofins, em instância derradeira, no sentido da isenção das sociedades civis de profissionais regulamentadas e em face da impossibilidade da revogação da LC 70/91 pela Lei n° 9.430/96, resulta inequívoco que tal posicionamento deverá ser respeitado pela administração tributária." 12. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e o reconhecimento da procedência do pedido. A 3ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão nº 0612.014, de 30 de agosto de 2006, fls. 52/58, indeferiu a solicitação de restituição. A decisão foi assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1994 a 28/02/1997,01/04/1997 a 30/11/1997, 01/04/1998 a 30/11/1998 Ementa: PREJUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão em 19/09/2006, fls. 60, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 04/10/2006, fls.61/69/, alegando em síntese que tratandose, no caso, de tributo cujo lançamento é da modalidade por homologação, incide a regra dos 10 anos ( 5+5) dos pagamentos indevidos; a lei complementar nº 118/2005 não aplica aos pedidos formulados anteriormente à sua entrada em vigor. Ao final pede seja acolhido o recurso voluntário em todos os seus termos, determinandose a reforma do acórdão da DRJ/CTA nº 06.12.014, a fim de confirmar o direito à restituição, tal como formulado. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado trata o presente processo de Pedido de Restituição de Cofins, protocolizado em 05/02/2004, referente aos recolhimentos efetuados entre 10/01/1995 e Fl. 74DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10980.000665/200412 Acórdão n.º 3403001.336 S3C4T3 Fl. 73 5 30/09/2002, correspondentes aos períodos de apuração 01/12/1994 a 28/02/1997 e 01/04/1997 a 31/12/1998. A recorrente entende ser isenta do recolhimento dessa contribuição por força do art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 1991, c/c o Decreto nº 2.397, de 1987. Alega que: “... como há de fato, o reconhecimento, por parte do Superior Tribunal de Justiça, Corte superior competente para a apreciar a matéria relativa a Cofins, em última derradeira, no sentido da isenção das sociedades civis de profissionais regulamentadas e em face da impossibilidade da revogação da LC 70/91 pela Lei nº 9.430/96, resulta inequívoco que tal posicionamento deverá ser respeitado pela administração tributária.” A autoridade julgadora a quo indefere o pedido de restituição para os períodos pleiteados, com data de protocolização em 05/02/2004, em face à extinção do direito pela decadência, sob os fundamentos a seguir: (...) 27. Compulsandose os autos, constatase que houve pagamentos após 05/02/1999 para os períodos de apuração 01/12/1997 a 31/03/1998 e 01/12/1998 a 31/12/1998 (fls. 24/25 e 28). 28. Ocorre, contudo, que na manifestação apresentada a interessada não trouxe qualquer argumento que pudesse instaurar litígio em relação à decisão da DRF em Curitiba de não conhecer do aludido pedido (feito em face dos pagamentos que teriam sido efetuados após 05/02/1999). Limitouse a interessada, na sua manifestação, a apresentar razões relacionadas a prejudicial de decadência, à reforma da decisão em face do disposto na Súmula 276 do STJ e à necessidade de vinculação da Administração Pública ao entendimento que teria sido firmado (de que a isenção não teria sido revogada) nas Cortes Superiores. 29. Em assim sendo, devese considerar que, quanto à decisão adotada pela DRF de Curitiba de não conhecer do pedido relacionado aos pagamentos efetuados a partir de 05/02/1999, não há litígio a ser dirimido no presente âmbito. 30. Quanto às demais considerações expendidas, em face do reconhecimento da decadência do direito, não podem ser aqui examinadas. 31. Posto isso, voto para que seja mantido o indeferimento do pedido de restituição referente às contribuições feitas a titulo de Cofins, entre 10/01/1995 e 17/12/1998 (períodos de apuração 01/12/1994 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 30/11/1997 e 01/04/1998 a 30/11/1998), em face da extinção do direito, pela decadência Da leitura dos fundamentos do voto condutor, posição que também era adotada por membros desse colegiado, tendo a protocolização do pedido ocorrido em 05/02/2004, apenas seriam passíveis de restituição os valores referentes aos pagamentos realizados após 05/02/1999. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Na peça recursal vem a recorrente apresentando apenas alegações quanto à questão prejudicial da decadência, defendendo em suma a tese dos cinco mais cinco. Recentemente, a matéria sobre o prazo para a repetição do indébito, tratada no recurso representativo da controvérsia, submetido ao regime de repercussão geral RE 556. 621, foi submetida a julgamento pelo plenário do Superior Tribunal Federal, tendo como relatora a ministra Ellen Gracie. Pondo fim a discussão sobre a matéria, os Ministros desse Egrégio Tribunal acordaram, por maioria de votos, sob a presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Eis parte do voto da relatora, Ministra Ellen Gracie, acompanhado pela maioria de seus pares que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 2005 por violação do princípio da segurança jurídica, nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expressa na Constituição Federal nos arts. 1º e 5º, inciso XXXV, e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, no caso 9 de julho de 2005: (...) 8. Mas, não estamos diante de lei interpretativa, devendose considerar a LC 118/05 como lei nova que é, submetendoa a todos os condicionamentos a que está sujeita. (...) Reconheço, pois, a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da redução de prazo que alcance prazos já interrompidos, bem como da aplicação, imediatamente após a publicação da lei, às novas ações ajuizadas, sem assegurar aos contribuintes nenhum prazo para que, deduzindo suas pretensões em Juízo, pudessem evitar o perecimento do seu direito, considerando violado pelo art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, que repousam implícita e expressamente nos art. 1º e 5º, inciso XXXV, da Constituição. 9. Diante da inconstitucionalidade reconhecida, cabe, ainda, verificar a partir de quando e com que efeito o novo prazo pode ser validamente aplicado. (...) Tenho que o art. 4º da LC 118/05, na parte em que estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias, cumpriu tal função, concedendo prazo suficiente para que os contribuintes não apenas tomassem conhecimento do novo prazo, como para que pudessem agir, ajuizando as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Notese que foi significativa a avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005, sinal, aliás, de que tal prazo cumpriu sua finalidade, não havendo fundamento constitucional para proteger o contribuinte da sua própria inércia, cabendo dar aplicação ao velho brocardo latino: “Dormientibus non sucurrit jus”. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10980.000665/200412 Acórdão n.º 3403001.336 S3C4T3 Fl. 74 7 Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data. (...) Assim decidiu a Corte Superior no julgamento de mérito do RE 566.621, tema submetido ao regime de repercussão geral, realizado em 04 de agosto 2011, de acordo com a ementa que se transcreve a seguir: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Diante dessa decisão do STF, publicada no Dje nº 195 em 11/10/2011, e do disposto no art. 62A do RICARF, os membros desse colegiado estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso em exame, a data de protocolização do pedido de restituição, referente aos recolhimentos feitas a titulo de Cofins, entre 10/01/1995 e 17/12/1998 (períodos de apuração 01/12/1994 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 30/11/1997 e 01/04/1998 a 30/11/1998) ocorreu em 05/02/2004. Analisando a questão prejudicial de decadência, esta se encontra superada pelo julgamento de mérito do RE 566.621, porquanto a pretensão da recorrente foi ajuizada antes de 09 de junho de 2005, aplicandose, pois o prazo de dez anos anteriormente vigente no Tribunal a quo. Portanto, não há que se falar em decadência de o direito de repetição do indébito tributário pretendido pela recorrente, por ser inferior a 10 anos o prazo dos recolhimentos pleiteados, uma vez que o prazo do primeiro recolhimento efetuado, que ora pretende a recorrente sua restituição, ocorreu em 10/01/1995. Vencida a prejudicial de decadência, deve ser apreciada a matéria central que é o direito a restituição pretendida pela recorrente sob o fundamento de ser isenta do recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por força do art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 1991, c/c o Decreto nº 2.397, de 1987, não cabendo a revogação pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição ao qual se submete o Processo Administrativo Fiscal, superada a questão prejudicial de decadência que fundamentava o julgamento de primeira instância, caberia a devolução dos autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo. Ocorre que o Superior Tribunal Federal em sede de repercussão geral, com mérito já julgado no RE 377.457, recurso representativo da controvérsia, confirmou a Fl. 78DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10980.000665/200412 Acórdão n.º 3403001.336 S3C4T3 Fl. 75 9 constitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, desfavorável a pretensão da recorrente. Transcrevo a seguir ementa do julgado do RE 377.457, 17 de setembro de 2008: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção, julgando AR 3.761PR, à luz do posicionamento do STF, deliberou cancelar a súmula 276, que possuía a seguinte redação: “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado.” De acordo com o disposto no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe aos membros desse colegiado a aplicação dos julgados pelas nossas cortes superiores nos julgados submetidos ao regime previsto no art. 543 B do Código de Processo Civil. Sendo assim, e com esteio no princípio da economia processual, entendo que a questão de mérito pode ser apreciada por esse colegiado sem descumprimento ao princípio do duplo grau de jurisdição frente a posição já firmada pela Corte Suprema que declarou constitucional a revogação da isenção ao recolhimento da Cofins pelas sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, prevista no art. 6º, II, da LC 70/91, pelo art. 56 da Lei 9.430/96. Portanto, no mérito o pedido de restituição formulado pela recorrente não pode reconhecido por ser devida a contribuição recolhida. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 79DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002340/2001-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Anocalendário: 2000
LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. IRRETROATIVIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS AO ÓRGÃO A QUO PARA A ANÁLISE DO CASO À LUZ DA LEI N° 9317/96, SOB PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Fixada a irretroatividade da Lei Complementar n° 123/06, e constituindo-se, a sua aplicação retroativa como único fundamento do acórdão recorrido, impõe-se o retorno dos autos a fim de que o órgão a quo analise a questão à luz da Lei n° 9317/96, sob pena de indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 9101-001.047
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para determinar o retorno dos autos à instância inferior para análise da possibilidade de permanência do contribuinte no Simples em face da Lei n° 9317/96.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. IRRETROATIVIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS AO ÓRGÃO A QUO PARA A ANÁLISE DO CASO À LUZ DA LEI N° 9317/96, SOB PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Fixada a irretroatividade da Lei Complementar n° 123/06, e constituindo-se, a sua aplicação retroativa como único fundamento do acórdão recorrido, impõe-se o retorno dos autos a fim de que o órgão a quo analise a questão à luz da Lei n° 9317/96, sob pena de indevida supressão de instância.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. IRRETROATIVIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS AO ÓRGÃO A QUO PARA A ANÁLISE DO CASO À LUZ DA LEI N° 9317/96, SOB PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Fixada a irretroatividade da Lei Complementar n° 123/06, e constituindose, a sua aplicação retroativa como único fundamento do acórdão recorrido, impõese o retorno dos autos a fim de que o órgão a quo analise a questão à luz da Lei n° 9317/96, sob pena de indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para determinar o retorno dos autos à instância inferior para análise da possibilidade de permanência do contribuinte no Simples em face da Lei n° 9317/96. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 74DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo referese a pedido de inclusão retroativa no regime do SIMPLES, a partir de 10/04/2000, com fundamento em sentença judicial. Indeferido o pedido, o contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o indeferimento, sob o entendimento de que a atividade que consta do contrato social do contribuinte, consistente em promoção de eventos esportivos, culturais e recreativos, é assemelhada a de produtor de espetáculos, incidindo, portanto, a vedação constante do artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. O contribuinte interpôs recurso às fls. 39/40. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Anocalendário: 2000 Ementa: Conforme o disposto no artigo 17, §1°, inciso XVII, da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006 c/c com o disposto no artigo 18 e §1° da Resolução CGSN n° 4, de 30/05/2007 do Comitê Gestor de Tributação da ME e EPP, podem optar pelo Simples as empresas promotoras de eventos. Recurso Voluntário Provido. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 3 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com fundamento em violação ao artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, artigos 88 e 89 da Lei Complementar n° 123/2006, artigo 106 do CTN e o artigo 94 dos ADCT. Sustentou a irretroatividade da Lei Complementar n° 123/2006, salientando que o pedido de inclusão retroativa foi feito em 2001, antes mesmo da entrada em vigor daquela lei. Ressaltou, ainda, que a Lei Complementar n° 123 dispõe, expressamente, em seus artigos 88 e 89, o regime do Super Simples, nela instituído, somente começaria a vigorar a partir de 01 de julho de 2007. Postulou, desta forma, pela reforma da decisão recorrida. O contribuinte não apresentou contrarazões. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou os dispositivos legais que reputa violados: artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, artigos 88 e 89 da Lei Complementar n° 123/2006, artigo 106 do CTN e o artigo 94 dos ADCT. A questão que se deve decidir consiste em se saber se a Lei Complementar n° 123/06, que inaugurou o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, retroage, no que se refere às hipóteses de vedação de opção pelo Simples, para beneficiar o contribuinte que, excluído com base na Lei n° 9.317/96, não mais o seria com base naquela Lei Complementar. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo (recurso especial n° 1.021.263), analisou tema semelhante, referente à irretroatividade da Lei n° 10.034/2000, exteriorizando o entendimento da Corte no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º, DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 4 4 1. A Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (revogada pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006), dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, instituindo o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2. O inciso XIII, do artigo 9º, do aludido diploma legal, ostentava o seguinte teor: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)" 3. A constitucionalidade do inciso XIII, do artigo 9º, da Lei 9.317/96, uma vez não vislumbrada ofensa ao princípio da isonomia tributária, restou assentada pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, quando do julgamento da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643DF, oportunidade em que asseverou: "... a lei tributária esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e os profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º, do art. 145, da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto, é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo." (ADIMC 1643/UF, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgado em 30.10.1997, DJ 19.12.1997) 4. A Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, alterou a norma inserta na Lei 9.317/96, determinando que: "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental ." Fl. 77DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 5 5 5. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu artigo 24, assim dispôs: "Art. 24. Os arts. 1o e 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e préescolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V – agências terceirizadas de correios; VI – (VETADO) VII – (VETADO)' (NR) (...)" 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." 7. Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 1056956/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no REsp 1043154/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 16/02/2009; AgRg no REsp 611.294/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 19/12/2008; REsp 1.042.793/RJ, Fl. 78DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 6 6 Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 21.05.2008; REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 07.02.2008; e REsp 721.675/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23.08.2005, DJ 19.09.2005). 8. In casu, à data da impetração do mandado de segurança (07/07/1999), bem assim da prolatação da sentença (11/10/1999), não estava em vigor a Lei 10.034/2000, cuja irretroatividade reveste de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Aliás, neste sentido, tem decidido, recentemente, a 1° Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da seguinte ementa: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 1401 00.338 em 02/09/2010 SIMPLES EXCLUSÃO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EMENTA Anocalendário: 1997 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA Conforme dispõe o item XIII do artigo 9° da Lei IV 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de professor ou assemelhados.LEI COMPLEMENTAR N° 123/2006. RETROATIVIDADE. BENIGNA IMPOSSIBILIDADE. O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar n° 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei n° 9.317/96. Tal situação não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Publicado no DOU em: 14.03.2011 Fl. 79DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 7 7 Recorrente: W BLUMENAU SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA ME Recorrida: FAZENDA NACIONAL Com efeito, no caso não se vislumbra hipótese cabível de retroatividade da Lei Complementar n° 123. Isto porque, também aqui, tanto quanto na hipótese discutida no recurso repetitivo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, não se caracteriza quaisquer dos casos previstos de retroatividade, conforme estabelecido no artigo 106 do Código tributário Nacional, que dispõe nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática De fato, em primeiro lugar, temse que a Lei Complementar não é expressamente interpretativa. Pelo contrário, os seus artigos 88 e 89 estabelecem que: Art. 88. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, ressalvado o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, que entra em vigor em 1o de julho de 2007. Art. 89. Ficam revogadas, a partir de 1o de julho de 2007, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. Não faz, destarte, a lei, qualquer menção à sua aplicabilidade retroativa, sobre os dispositivos constantes da Lei n° 9.317/96. Pelo contrário, prevê, de forma expressa, a revogação desta lei. Ora, como poderia uma norma ser interpretativa da norma que revoga? Ademais, lei expressamente interpretativa, por sua própria natureza, não inova no ordenamento jurídico, senão que se refere apenas e tãosomente ao ordenamento já existente quando do seu surgimento. Não é, sem dúvida, o que se dá com a Lei Complementar n° 123. Por outro lado, não incidem, outrossim, as demais hipóteses de retroatividade da lei, conforme previsto no artigo 106, inciso II, do CTN. Este dispositivo referese, exclusivamente, à superveniência de lei mais branda, mais benigna, em se tratando de matéria concernente, tãosomente, às infrações tributárias. Neste sentido, Eduardo Sabbag, ao cuidar do artigo 106, inciso II, do CTN, esclarece que: Fl. 80DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 8 8 “O supracitado dispositivo, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato. (...) Nessa medida, o dispositivo protetor dá azo à retrooperância da lei mais branda, intitulada Lex mitior, na esteira da retroatividade benéfica ou benigna em Direito Tributário, exclusivamente para as infrações”. 1 Inequivocamente, não pertence, a matéria ora em julgamento, à seara infracional do direito tributário. As normas que a integram, assim como no Direito Penal, atendem a uma estrutura característica, composta pelo preceito primário, na qual se prevê a conduta proibida, o fato típico; e pelo preceito secundário, consistente na sanção conseqüente à prática do fato descrito no tipo. No presente caso, cuidase apenas de rol de atividades, antes previstas na Lei n° 9.317/96, e hoje na Lei Complementar n° 123/06, proibidas de serem exercidas pelo contribuinte que pretende optar pelo Simples. Tratase, pois, tãosomente de condições à participação do contribuinte no Simples. Neste sentido: “Quanto à segunda exceção legal, também se entremostra impossível a sua configuração. Isso porque as leis em cotejo não versam, absolutamente, sobre infrações ou penalidades. Em termos mais claros: a opção do contribuinte pelo Simples em desacordo com a Lei n° 9.317/96 não é tipicamente uma infração, nem tampouco a sua exclusão da sistemática simplificada pode ser admitida como uma penalidade. A retroatividade benigna contemplada pela regra em comento deita raízes no Direito Penal, fonte na qual se deve buscar inspiração para interpretação em análise. Nesse cenário, a infração tributária deve ser entendida como o descumprimento de uma ordem emanada da norma, o cometimento de um ato ilícito, uma afronta a um fazer ou não fazer expressamente ditado pelo legislador. A penalidade, por sua vez, é uma decorrência dessa inobservância, e tem caráter nitidamente punitivo, sancionador a exemplo de aplicação de multa. A par disso, o que se tem na hipótese ora debatida não é infração, nem penalidade, mas, isto sim, um programa governamental de incentivo previsto em lei, no qual se delimitam condições aos pretensos participantes para que nele possam ingressar. Aqueles que preenchem os requisitos podem ser inseridos no Simples; caso contrário não será autorizado o ingresso ou a permanência no regime simplificado. Se os dispositivos das normas em apreço versam particularmente sobre requisitos de acesso a um regime tributário especial 1 SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009.p. 158/159. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.002340/200108 Acórdão n.º 9101001.047 CSRFT1 Fl. 9 9 voltado a determinadas empresas, é inconcebível rotulálos como veículos legislativos que estabelecem infrações”. 2 Diante disso, tendo em vista não se enquadrar, a Lei Complementar n° 123, em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional, não há como se aquiescer com o desfecho dado ao caso pelo órgão a quo. Sucede, entretanto, que, conforme se depreende do acórdão recorrido, o órgão julgador a quo adotou como fundamento para o provimento do recurso voluntário do contribuinte, a retroatividade da Lei Complementar n° 123/06, ora afastada. Não chegou a analisar a compatibilidade, em si, da atividade desenvolvida pelo contribuinte em relação ao regime da Lei n° 9.317/96. Por isso, a fim de que se evite indevida supressão de instância, impõese que estes autos retornem à instância inferior, de modo a que possa enfrentar a questão sob a delimitação aqui definida, qual seja, a da irretroatividade da Lei Complementar n° 123. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e determino o retorno dos autos à instância inferior, a fim de que analise a possibilidade de permanência do contribuinte no Simples, em face da Lei n° 9.317/96. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann 2 JÚNIOR, Bernardo Alves da Silva. A Injuricidade da Aplicação Retroativa da Lei Complementarn° 123/06 para a Reinclusão de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no Regime do Simples. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169. Outubro de 2009. p. 21. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18108.002246/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DUPLA VISITA PARA EFETUAR A APLICAÇÃO DA MULTA. INEXISTÊNCIA.
Constatada a ocorrência da infração, a Auditoria Fiscal tem o dever de lavrar auto de infração para aplicação da penalidade cominada legalmente, não exigindo a legislação que a lavratura seja precedida de visita fiscal.
ATENUAÇÃO DA MULTA. INEXISTÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Para atenuação da multa em cinquenta por cento, a legislação exigia a correção da infração até o final do prazo para impugnação.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO.
A Auditoria Fiscal detém competência para efetuar à análise da escrita contábil do sujeito passivo, e também de caracterizar como segurados empregados pessoas físicas que prestem serviço sob condições em que estejam presentes os requisitos da relação empregatícia.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.132
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) afastar as preliminares suscitadas; e b) por declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que votou por aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DUPLA VISITA PARA EFETUAR A APLICAÇÃO DA MULTA. INEXISTÊNCIA. Constatada a ocorrência da infração, a Auditoria Fiscal tem o dever de lavrar auto de infração para aplicação da penalidade cominada legalmente, não exigindo a legislação que a lavratura seja precedida de visita fiscal. ATENUAÇÃO DA MULTA. INEXISTÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Para atenuação da multa em cinquenta por cento, a legislação exigia a correção da infração até o final do prazo para impugnação. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. A Auditoria Fiscal detém competência para efetuar à análise da escrita contábil do sujeito passivo, e também de caracterizar como segurados empregados pessoas físicas que prestem serviço sob condições em que estejam presentes os requisitos da relação empregatícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DUPLA VISITA PARA EFETUAR A APLICAÇÃO DA MULTA. INEXISTÊNCIA. Constatada a ocorrência da infração, a Auditoria Fiscal tem o dever de lavrar auto de infração para aplicação da penalidade cominada legalmente, não exigindo a legislação que a lavratura seja precedida de visita fiscal. ATENUAÇÃO DA MULTA. INEXISTÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Para atenuação da multa em cinquenta por cento, a legislação exigia a correção da infração até o final do prazo para impugnação. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A Auditoria Fiscal detém competência para efetuar à análise da escrita contábil do sujeito passivo, e também de caracterizar como segurados empregados pessoas físicas que prestem serviço sob condições em que estejam presentes os requisitos da relação empregatícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) afastar as preliminares suscitadas; e b) por declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que votou por aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 428DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.002246/200768 Acórdão n.º 240102.132 S2C4T1 Fl. 427 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.014.1253, no qual é aplicada a penalidade de R$ 234.471,50 (duzentos e trinta e quatro mil, quatrocentos e setenta e um reais e cinquenta centavos) em razão da empresa haver deixado de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP a integralidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período compreendido entre 01/1999 a 12/2004. Nos termos do Relatório Fiscal da Infração os fatos geradores de contribuição omitidos na guia informativa foram: I) período de 01/1999 a 12/2001 a) remunerações pagas a contribuintes individuais, extraídas dos recibos de pagamento; b) salário indireto pago a segurados empregados, consistente em vale refeição e cesta básica não incluídas no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; c) remunerações pagas a empregados, aferidas indiretamente, em razão da empresa não ter atendido à intimação do Fisco para apresentar documentos relacionados às contribuições ou têlos apresentado de forma deficiente. II) período de 01/2002 a 12/2004 a) remunerações pagas aos sócios, a transportadores autônomos e a contribuintes individuais diversos, obtidas da escrita contábil; b) remunerações pagas a operários não registrados, contratados mediante pessoas físicas, que não emitiam notas físicas. Valores verificados da análise contábil; c) salário indireto pago a segurados empregados, consistente em valerefeição e cesta básica não incluídos no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Todos os valores envolvidos foram apresentados em diversas planilhas constantes do Relatório Fiscal. Cientificada do lançamento em 30/11/2007, a empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou integralmente procedente a lavratura. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes as competências até 11/2002; Fl. 429DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) o Fisco não poderia autuar a empresa, sem que antes tivesse feito uma visita para orientála quanto às falhas porventura existentes. Assim, por ferir as disposições legais vigentes o AI merece ser nulificado; c) o Auditor Fiscal atuou com abuso de poder, na medida em que não detém competência para analisar lançamentos contábeis e para efetuar reconhecimento de vínculo de emprego, posto que essa prerrogativa é privativa de contabilistas e do Poder Judiciário, respectivamente; d) a infração inocorreu, uma vez que a empresa tem como atividade principal a realização de reformas em prédios comerciais, as quais são executadas na modalidade de empreitada global; e) por ser primária, deve ter o valor da penalidade reduzida a 50% do valor lançado. Ao final, pede a decretação de nulidade ou insubsistência do AI ou, alternativamente, a redução da penalidade que lhe foi aplicada. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.002246/200768 Acórdão n.º 240102.132 S2C4T1 Fl. 428 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência A decadência do direito do fisco de lançar a multa deve ser reconhecida, embora que, parcialmente. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 30/11/2007, pelo critério acima, o período da autuação, 01/1999 a 12/2004, já estava parcialmente alcançado pela decadência. Nesse sentido, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 01/1999 a 11/2001, devendo essas competências serem expurgadas do AI sob cuidado. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Da necessidade de dupla visita Como preliminar de mérito a empresa argüiu a nulidade da lavratura em razão de inobservância do critério legal da dupla visita, segundo o qual o Fisco não lhe poderia penalizar logo em um primeiro momento, devendo inicialmente ter uma atuação educativa e não punitiva. Essa tese recursal encontrase divorciada das normas de regência. Uma vez constatado pelos Agentes Fiscais conduta que contrarie à legislação previdenciária, surge para os mesmos o poderdever de impor a sanção legalmente prevista, sob pena de responsabilização funcional. Eis disposição do RPS sobre a questão: Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Vejase que o requisito para a lavratura fiscal é unicamente a ocorrência da infração, não existindo, como afirma a recorrente, qualquer menção à necessidade de dupla visita para que o Fisco possa aplicar sanções por descumprimento de obrigações acessórias. Da incompetência do Auditor Fiscal Outra preliminar que não merece sucesso, diz respeito ao suposto abuso de poder cometido pela Auditoria, que invadiu competência do Judiciário ao caracterizar como saláriodecontribuição os valores pagos a título de valealimentação e cesta básica. Equivocase a recorrente. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada verba está ou não sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. Vejase o que prescreve a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, fato sobre o qual nos debruçaremos ao tratar do mérito da contenda, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário seja para a exigência do tributo devido, seja para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, não se verificando na espécie qualquer indício de abuso de poder, o qual é caracterizado pelo desrespeito do agente público às barreiras legais de fixação de competência. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.002246/200768 Acórdão n.º 240102.132 S2C4T1 Fl. 429 7 Quanto à incompetência do Fisco para analisar a escrita contábil de empresa sob ação fiscal é matéria que não suscita maiores polêmicas. Prova disso é que foi objeto de súmula editada pelo CARF, a qual carrega a seguinte redação: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nesse sentido, não carece de competência a Auditoria para solicitar da empresa os seus livros contábeis e se valer dos dados ali lançados para tirar suas conclusões acerca da regularidade fiscal do contribuinte. Da ocorrência dos fatos geradores A incidência de contribuições sobre as parcelas listadas no Relatório Fiscal da Infração foi discutida no bojo dos processos abaixo listados, os quais dizem respeito à exigência dos recolhimentos sobre as parcelas não declaradas em GFIP, tendose concluído que efetivamente ocorreram os fatos geradores que deram ensejo à autuação sob cuidado. Eis os processo relativos à exigência das contribuições, os quais contemplam os fatos geradores omitidos nas GFIP: a) 18108.002284/200711 – contribuições sobre remuneração paga sob a forma de “vale transporte” e “cesta básica” sem que a empresa comprovasse a inscrição no PAT; b) 18108.002286/200718 – contribuições sobre remunerações pagas a contribuintes individuais, segurados empregados contratados por pessoa física interposta, sócios e transportadores rodoviários autônomos; c) 18108.002280/200732 – contribuições sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais, verificadas em recibos de pagamentos apresentados pelo sujeito passivo, e a segurados empregados, calculadas por arbitramento. Os processos mencionados nos itens “a” e “b” foram julgados há minutos, tendose concluído que efetivamente ocorreram os fatos geradores. Quanto ao processo da alínea “c”, embora no Acórdão n.º 240200.877 a 2.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF não tenha se manifestado sobre a ocorrência dos fatos geradores, uma vez que afastou as contribuições por decadência, os dados do processo sob enfoque permitemme concluir pela ocorrência dos fatos geradores. Vejamos. As contribuições sobre a remuneração dos contribuintes individuais foram calculadas com base em documentos apresentados pela recorrente e as contribuições sobre a remuneração dos empregados foram aferidas indiretamente, tomandose como base dados obtidos da contabilidade da empresa, uma vez que a mesma apresentou documentação deficiente e o Fisco demonstrou que as remunerações informadas nas folhas de pagamento e GFIP não representavam a totalidade dos valores pagos aos empregados a serviço da autuada. É de se ressaltar que sobre essas questões a recorrente não se contrapôs expressamente, devendo prevalecer o entendimento da fiscalização. É que, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a matéria não contestada expressamente é considerada não impugnada. Fl. 433DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, há de se concluir que efetivamente ocorreram os fatos geradores relacionados pela Auditoria no Relatório Fiscal da Infração. Da ocorrência da infração Uma vez que entendemos pela incidência da contribuição sobre as verbas listadas pelo Fisco, é de se concluir que o fato da empresa não declarar tais parcelas na GFIP representa infração ao art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 e vigente quando da ocorrência dos fatos geradores). (...) Nesse sentido cabível a aplicação da penalidade prevista no § 5.º do art. 32 da mesma Lei, o qual carregava a seguinte redação: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 e Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Não devo acolher a tese recursal de que a infração não teria ocorrido em razão da empresa executar suas obrigações contratuais pela modalidade de empreitada global. Esse fato é irrelevante para fins de caracterização da infração, uma vez que mesmo as remunerações dos segurados envolvidos em serviços decorrentes de ajustes por empreitada total devem ser declarados na GFIP. Do pedido de redução da penalidade O pedido de atenuação da penalidade não encontra respaldo na legislação que vigia na data da lavratura. É que os revogados art. 291, “caput” e inciso V do art. 292 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, assim prescreviam: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (...) Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.002246/200768 Acórdão n.º 240102.132 S2C4T1 Fl. 430 9 (...) De acordo com as regras acima somente caberia a redução da multa para a metade do valor originalmente aplicado, caso a empresa procedesse à correção da falta durante o prazo para impugnar, o que não está demonstrado nos autos. Assim, descabida essa pretensão. Da aplicação retroativa da legislação que fixa o cálculo da penalidade É cediço que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NFLD correlata. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas, por reconhecer a decadência da lavratura até a competência 11/2001 e, no mérito, por lhe dar provimento.parcial de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 435DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 436DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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