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Numero do processo: 10530.720174/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE.
A exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. No mesmo sentido, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título
de juros moratórios.
Numero da decisão: 2201-001.521
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. A exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. No mesmo sentido, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fl. 01), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 644.104,27, calculados até 30/11/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Frigoprata” com 3.954,7 ha, localizado no município de Riachão das Neves BA. A fiscalização glosou integralmente as áreas declaradas de preservação permanente (2.125,9 ha), de reserva legal (977,9 ha) e de interesse ecológico (769,9 ha), além da área ocupada com benfeitorias (81,0 ha). Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, fls. 24/35, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: considera aceitável arbitrar o VTN para o ITR/2003 e 2004 com base no SIPT, cabendo provar o VTN declarado por meio de laudo técnico, mas discorda do procedimento fiscal que manteve o VTN declarado na DITR/2005, 511% maior que no ano anterior, dando origem a um ITR com efeito de confisco, tendo ocorrido erro de fato quanto as áreas ambientais, ao uso do solo, VTN e cálculo do imposto; o imóvel se localiza em regido de baixos índices pluviométricos que o desvalorizam, com uma área de utilização limitada/reserva legal em cerrado de 2.879,3 ha, assegurada pela MP 2.16667, apesar de não ter sido informada em ADA e estar sem averbação em cartório; na DITR/2005, foram informadas erroneamente a área de reserva legal e a área com benfeitorias, além de áreas ambientais de preservação permanente e de interesse ecológico, essas duas inexistentes. apresenta quadro demonstrativo (fls. 33), com as retificações pretendidas nos dados declarados e apurados na DITR/2005, de acordo com parecer técnico; transcreve acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, em apoio as suas teses; Ao final, o contribuinte requer, com essas alterações e o ajuste do VTN, seja recalculado o ITR12005 suplementar apurado, subtraindose o valor já pago. Registrese que o presente processo, para fins de julgamento, foi transferido da DRJ/Recife para esta DRJ, conforme Portaria RFB/SUTRI n° 1.158/2009. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.720174/200732 Acórdão n.º 220101.521 S2C2T1 Fl. 2 3 DA AREA DE RESERVA LEGAL. Para ser excluída do ITR, exigese que a pretendida área de utilização limitada esteja averbada tempestivamente à margem da matricula do imóvel, além de ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN declarado para o ITR/2005, por falta de laudo técnico de avaliação com ART/CREA e em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, de modo a atingir fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem a hipótese de erro de fato e, conseqüentemente, a sua revisão de oficio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 25/11/2009 (fl. 132), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 08/12/2009 (fl. 133/146), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis: (...) No relatório que acompanha o referido Acórdão, não considera o Parecer Técnico como Laudo Técnico no teor da NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II. (...) 2. De todos os itens do "Quadro de Fundamentação", apenas o item 1 Número de dados de mercado efetivamente utilizados é que literalmente ficaria abaixo de 05 (cinco fontes), por ter empregado no Parecer Técnico que acompanha a impugnação, apenas as informações do Instituto FNP. 3. O Instituto FNP é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que visa a contribuir com o fomento do agronegócio por meio de fornecimento de dados, levantamentos estatísticos, análises e tendências de mercado. A instituição foi constituída por iniciativa da FNP Consultoria & AgroInformativos, empresa de consultoria que há 15 anos atende ao agronegócio brasileiro, gestora do maior banco de dados do setor, desde setembro de 2006, incorporado pela multinacional Informa. (...) O engenheiro agrônomo responsável pelo Parecer Técnico, abordou, portanto sim, pelo entendimento e clareza que possamos analisar que poderia ter enquadrado como Laudo Técnico de acordo com o solicitado, pois os mapas e imagens, Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 nos trás a convicção o "uso do solo e seus valores", pois o Instituto FNP já utilizara mais de cinco fontes de informação para levantamento de preços. (...) 5. Quanto ao "Uso do Solo" apropriado no DITR/2005 e mantido nas "apurações" posteriores tanto pela RFB como pelo DRJ, é no mínimo "falta de conhecimento" de qualquer imóvel rural, onde em uma propriedade pudesse ter 2.125,9 ha como Preservação Permanente (áreas de matas ciliares nas margens de aguadas naturais ou encostas com maior de 45% de inclinação) em lugares de chapada (solos planos) e ainda ser a "Área Aproveitável = zero". A área com preservação permanente foi descrita de forma clara na pagina 07 do Parecer Técnico e no mapa e imagem de satélite nos anexos do Parecer. 7. Está claro que o preenchimento do DITR/2005 fora executado por quem não tinha conhecimento algum e que certamente foi um equivoco cometido pelo impugnante, que tem o direito de "retificar seu erro". Por isso repetimos o que já fora exposto no recurso anterior, por se tratar de "erros de fato" de acordo com o disposto no artigo 147, inciso primeiro do Código Tributário Nacional, os quais não impedem o contribuinte de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITR no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme decisões julgadas pelo CONSELHO DE CONTRIBUINTES no ACÓRDÃO 20209.117 e 20170769, publicados no DIÁRIO OFICIAL ... 8. Assim, apresentamos o "uso do solo" com base no Parecer Técnico, pois há fundamentação suficiente para apropriarmos suas áreas dos Quadros 2, 3 e 4, senão vejamos: N° Discriminação Área / ha 1 Áreas c/ Cerrado 2.879,3 ha 2 Áreas c/ Benfeitorias 25,0 ha 3 Áreas C/ Pastagem / Descanso 1.050,4 ha 4 Área Total 3.954,7 ha (...) 10. Ora, o ADA vem sendo discutido e rebatido há muito tempo mesmo de forma administrativa dentro da própria autarquia, quer seja na Delegacia de Julgamento, quer seja no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujas decisões em Acórdãos somam 716 encontrados no site do Conselho... (...) 12. O mesmo ocorre quando à Área de mata natural ou cerrado não estiver averbado na matricula para que seja aceito como "Utilidade Limitada", tanto pelo ponto de vista administrativo do Conselho do Contribuinte, quanto da Justiça Federal ... (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.720174/200732 Acórdão n.º 220101.521 S2C2T1 Fl. 3 5 17. Desta forma, fica evidenciada a pretensão da acolhida deste petitório, onde a "Área de Utilidade Limitada" deve fazer parte da Declaração dos ITR/2005 e conseqüentemente ser esta área isento. 18. Quanto ao VTN, podese adotar o valor do SIPT apesar de crermos ser possível legalmente utilizar o Parecer Técnico. Como não sabemos qual o VTN do SIPT para o município de Riachão das Neves — BA em 2005, repetiremos para efeito de cálculo na planilha abaixo, o mesmo valor de 2004. Vimos que nos preços encontrados pelo Instituto FNP, a variação para o Oeste Baiano entre 2004 e 2005 foi mínima. (...) 20. Portanto, o imposto suplementar a ser recolhido para o ITR/2005 é de R$ 135,00. 21. Quanto a exigências de juros moratórios e multa moratória não houve de parte dos recorrentes qualquer inflação à legislação tributaria quando, no momento oportuno, exerceu a sua faculdade legal de reclamar. Não se pode dizer, também, que os juros moratórios têm caráter meramente compensatório e que devem ser cobrados inclusive no período em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa pela impugnação administrativa ou judicial. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas declaradas de preservação permanente (2.125,9 ha), de reserva legal (977,9 ha) e de interesse ecológico (769,9 ha), além da área ocupada com benfeitorias (81,0 ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra praticados no município de Riachão das Neves/BA. De acordo com a “Descrição dos Fatos”, fl. 01, “... após regularmente intimado o contribuinte não comprovou a área declarada de benfeitorias (...) áreas declaradas a título de preservação permanente (...) de reserva legal (...) de interesse ecológico”. Por outro lado, em sua peça recursal alega a suplicante que o Parecer Técnico elaborado pelo engenheiro agrônomo identificou na propriedade 2.879,3 ha como sendo relativo à área de utilização limitada, 25 ha referente à área ocupada com benfeitoria, além de 1.050,4 ha concernente à área ocupada por produtos vegetais e de descanso. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Pois bem, quanto ao montante de 2.879,3 ha identificado pelo Parecer Técnico como sendo relativo à área de utilização limitada/reserva legal, entendo, pois, que o parágrafo 8° do art. 16 da Lei n° 4.771/65 (com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) determina expressamente a averbação da área no cartório de registro de imóvel. Portanto, ante a ausência da averbação não é possível exclusão da referida área. Da mesma forma, não é possível considerar o montante de 25 ha como sendo relativo à área ocupada com benfeitoria, pois o Parecer Técnico não teve o cuidado de discriminálas, ou seja, o referido documento apenas apontou a existência de benfeitorias na propriedade (fl. 58). Quanto à área informada como sendo ocupada por produtos vegetais e de descanso no valor de 1.050,4 ha, cumpre reproduzir as importantes e profícuas observações do julgador a quo os quais adoto e agrego ao meu voto (fl. 156): ... além de o “Parecer Técnico” apresentado não discriminar as culturas e atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas, esse documento deveria estar acompanhado dos documentos que serviram de base para sua elaboração, tais como, notas fiscais de produtor, notas fiscais de insumos, certificados de depósito (nos casos de armazenagem de produtos), contratos ou cédulas de créditos rural, outros, a serem analisados no contexto, de modo a ajudar na convicção da efetiva existência dessa área, no anobase de 2004, a prudente critério da autoridade julgadora. Assim, sem outros elementos de prova não há como dar guarida à pretensão da recorrente. Ressaltese que a mera menção de que se trata de vegetação típica de cerrado e a inclusão do imóvel na região do “Chapadão Central” não são suficientes excluíla da tributação. Relativamente ao Parecer Técnico elaborado cumpre registrar mais uma observação. Em que pese alegue o engenheiro agrônomo, Rogério Andrade Giovanini, que “Para a elaboração de Laudo Técnico com base na NBR 14.653, o custo se torna bastante oneroso para o contribuinte, pois o mesmo é complexo e o trabalho a ser realizado, ocupa o mesmo tempo com dados e informações, tanto para uma área de 100 hectares, quanto para uma área de 1.000 hectares”, deve ser esclarecido que o Laudo Técnico elaborado de acordo com as normas da ABNT NBR 14.653 se reveste de rigor científico suficiente para firmar convicção ao julgador. Portanto, o Parecer Técnico em questão carece de maiores detalhamentos de forma a obtemperar as glosas perpetradas pela autoridade fiscal. Por fim, a exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. No mesmo sentido, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios, conforme Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.720174/200732 Acórdão n.º 220101.521 S2C2T1 Fl. 4 7 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001572/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. AFASTAMENTO. O apontamento e reconhecimento de eventual nulidade nos atos procedimentais pelos agentes fazendários acarreta a nulidade do procedimento quando deste decorra, em alguma medida, prejuízo para a defesa do contribuinte. Inexistindo prejuízos para a defesa, não afasta-se a preliminar de nulidade suscitada. SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADE VEDADA. NECESSIDADE COMPROVAÇÃO EFETIVA. A aplicação das disposições contidas no art. 9o da Lei 9.317/96, importa na necessidade de efetiva verificação da desenvolvimento fático de atividades apontadas como vedadas, não se permitindo, da simples análise do contrato social, a configuração das hipóteses indicadas como “assemelhadas” às atividades próprias de engenheiros, arquitetos, contadores, e outras profissões regulamentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Numero da decisão: 1301-000.842
Decisão: acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. AFASTAMENTO. O apontamento e reconhecimento de eventual nulidade nos atos procedimentais pelos agentes fazendários acarreta a nulidade do procedimento quando deste decorra, em alguma medida, prejuízo para a defesa do contribuinte. Inexistindo prejuízos para a defesa, não afasta-se a preliminar de nulidade suscitada. SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADE VEDADA. NECESSIDADE COMPROVAÇÃO EFETIVA. A aplicação das disposições contidas no art. 9o da Lei 9.317/96, importa na necessidade de efetiva verificação da desenvolvimento fático de atividades apontadas como vedadas, não se permitindo, da simples análise do contrato social, a configuração das hipóteses indicadas como “assemelhadas” às atividades próprias de engenheiros, arquitetos, contadores, e outras profissões regulamentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2004 Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. AFASTAMENTO. O apontamento e reconhecimento de eventual nulidade nos atos procedimentais pelos agentes fazendários acarreta a nulidade do procedimento quando deste decorra, em alguma medida, prejuízo para a defesa do contribuinte. Inexistindo prejuízos para a defesa, não afastase a preliminar de nulidade suscitada. SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADE VEDADA. NECESSIDADE COMPROVAÇÃO EFETIVA. A aplicação das disposições contidas no art. 9o da Lei 9.317/96, importa na necessidade de efetiva verificação da desenvolvimento fático de atividades apontadas como vedadas, não se permitindo, da simples análise do contrato social, a configuração das hipóteses indicadas como “assemelhadas” às atividades próprias de engenheiros, arquitetos, contadores, e outras profissões regulamentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Souza Pinto Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Tratam, os presentes autos, de pedido de revisão da exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei 9.317/1996), efetivada em 26/08/2004, sob o fundamento de que as operações desempenhadas pela empresa – a partir dos elementos contidos em seus atos societários , tratarseiam de atividades vedadas para o especial tratamento tributário estabelecido pela legislação de regência, não podendo, assim, ser admitido. Em oposição ao inicialmente formalizado pelos agentes fazendários, a contribuinte apresentou sua insurgência em 23/09/2004, sendo inicialmente conhecidos os argumentos pelos próprios agentes da DRF que, em despacho, mantiveram a exclusão apresentada. Contra esse despacho, por sua vez, apresentou a contribuinte então sua manifestação de inconformidade, tendo sido essa então (finalmente) encaminhada à apreciação da DRJ competente, que, então, identificando, na oportunidade, a inexistência de qualquer prejuízo ao contribuinte em relação as falhas procedimentais apontadas, apreciou as razões apresentadas, mantendo, todavia, a exclusão determinada, sob o argumento de que, conforme aponta, sendo a atividade desenvolvida pela contribuinte (indicada em seu contrato social) a “Prestação de serviços de manutenção, bem como reformas e reparos em equipamentos elétricos e eletrônicos”, verificarseia, na hipótese, a configuração (ao menos em tese) da necessidade da existência de profissional de engenharia com conhecimentos específicos a respeito da matéria apontada, o que, a rigor, imporia a aplicação das disposições do Art. 9o, inciso XIII da Lei 9.317/98, e, por conseqüência, a manutenção da vedação apontada. Intimada que foi a contribuinte da referida decisão em 19/05/2008, apresentou ela, então, em 06/06/2008, o seu competente Recurso Voluntário, argüindo, sinteticamente: 1) A Nulidade do Ato Decisório; 2) A Nulidade do Ato Declaratório Executivo; e 3) A ilegalidade da presente exclusão do SIMPLES. Em rápida síntese, esse é o relatóprio. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001572/200685 Acórdão n.º 1301000.842 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Verificandose a perfeita tempestividade do recurso voluntário oferecido, dele conheço. Da análise das preliminares suscitadas A par das questões discutidas nos autos, verificase que a contribuinte, nas razões de seu Recurso Voluntário, argui, preliminarmente, a existência de nulidades nos autos, decorrentes dos procedimentos adotados originariamente na DRF de vinculação, As nulidades apontadas, destacase, referirseiam, a princípio, no pronunciamento da SECAT – Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, que, a par de dizerse incompetente para a apreciação do pedido formulado, teria, expressamente, indeferido a pretensão deduzida, o que, segundo entende, seria suficiente para fulminar a discussão mantida nos presentes autos. A respeito desse apontamento, cumpre ressaltar que a decisão recorrida, em suas razões, expressamente aponta a falha procedimental verificada na DRF, o que, entretanto, não teria acarretado qualquer prejuízo à defesa da contribuinte, que, incontinenti, pode argüir todos os elementos fáticos e jurídicos pertinentes, estando agora, os autos, junto às autoridades competentes. A respeito do apontamento, vale ressaltar, a contribuinte não indica, em momento algum, qual teria sido, na oportunidade, qualquer prejuízo diretamente decorrente da manifestação proferida pela DRF, não lhe tendo sido cerceado, a qualquer momento, a busca pelas instâncias administrativas competentes com o regular processamento do feito. Diante disso, não se havendo falar em qualquer prejuízo para a defesa da contribuinte, afastase, na espécie, a argüição de nulidade apontada, reconhecendose, apenas e tão somente, a falha da DRF, imediatamente sanada pela decisão, ora recorrida. Além desse apontamento, a recorrente destaca também uma suposta outra nulidade, esta referente ao próprio Ato Declaratório Executivo, sendo este especificamente relacionado à validade do apontamento a respeito da exclusão efetivada, o que, acreditase, confundese com o próprio mérito do recurso, devendo, assim, ser ali efetivamente tratada. Diante dessas circunstâncias, afastase, assim, integralmente, as preliminares apontadas. Do Mérito Na análise do mérito do recurso interposto, verificase que o pano de fundo da discussão havida nos autos tratase, especificamente, a respeito da possibilidade ou não de integração da contribuinte nas atividades admitidas no âmbito do SIMPLES FEDERAL, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 especificamente em relação às disposições contidas no Art. 9o, XIII da Lei 9.317/96, que, sobre o assunto, inclusive, assim expressamente se apresenta: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) A partir dessas disposições, insta destacar que, a rigor, a discussão empreendida referese, então, à conformação ou não das atividades praticadas pela contribuinte nessas que são as atividades vedadas enquadradas pelas disposições apresentadas, valendo o destaque, na oportunidade, que a exclusão determinada utilizou, apenas e tão somente, a análise dos termos do contrato social apresentado pela contribuinte. Pois bem. Conforme se verifica dos autos, o objeto da atividade social praticada pela contribuinte apresentase desenhado como sendo, especificamente: a) Montagens por conta própria e ou de terceiros de painés elétricos e eletrônicos em todas as suas modalidades; b) Comércio atacadista e ou varejista de equipamentos elétricos e eletrônicos para fins industriais, comerciais ou residenciais; c) Prestação de serviços de manutenção, bem como reformas e reparos em equipamentos elétricos e eletrônicos. A par dessas atividades, a r. decisão reconhecida fez então consignar que, conforme apontado pelo despacho de exclusão originário, as atividades pretendidas pela contribuinte (ao menos em tese) seriam então enquadradas como aquelas atividades próprias da atividade regulamentada dos chamados ENGENHEIRO ELETRICISTA e/ou ENGENHEIROS ELETRÔNICOS, sendo, portanto, imperiosa a exclusão determinada. Em que pese os argumentos apresentados pela douta DRJ de origem, ouso discordar de suas conclusões. Em primeiro lugar, verificase das argumentações apresentadas pela decisão recorrida, extraise o apontamento de que, a rigor, a conclusão atingida decorreria, a princípio, da impossibilidade de verificação efetiva se a contribuinte poderia, ou não, ser então beneficiada pelos ditames do mencionado SIMPLES FEDERAL, apontando, em suas razões, o seguinte: “Vai daí que não é possível dizer, peremptoriamente, que o contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia (Lei 9.317/96Art. 9o inciso XIII), isto para o desempenho do(s) serviço(s) retro mencionado(s). Por outra, sem maiores especificações, digase, sem mais elementos tendentes (prova) a colocar à luz a real atividade desempenhada pela Contribuinte, realmente, não se tem condições de saber se o interessado incide n’alguma vedação para efeito de ingresso/permanência do Simples Federal respeitante Fl. 61DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001572/200685 Acórdão n.º 1301000.842 S1C3T1 Fl. 3 5 ao quesito “atividade econômica”. Não se deixe esquecer: o Simples Federal é um benefício fiscal, logo, se o interessado quer fazer jus a ele, não pode deixar campo aberto à dúvida sobre a satisfação das condições exigidas.” Pela análise dos argumentos ali lançados, verificase que a r. decisão de origem destaca que, para que seja garantida a concessão/permanência da contribuinte na sistemática, no caso, do Simples Federal, deveria ela cuidar e impedir qualquer possibilidade, mesmo eventual, de presunção fiscal contrária à sua pretensão, o que, com todas as vênias, representaria, sem dúvida alguma, a imposição de um ônus completamente incompatível com o que pretende, então, o tratamento especial oferecido pelas disposições apontadas. Não fosse só por isso, cumpre ressaltar que, ao contrário do que pretende fazer crer a r. decisão, a vedação determinada pelas disposições da Lei 9.317/96 para a inclusão no sistemas especial de tributação (Simples Nacional) – sobretudo em relação àquelas lançadas no inciso XIII do mencionado Art. 9o , não decorreria, simplesmente, na possibilidade de verificação de que as atividades pretendidas pudessem (ao menos em tese) ser enquadradas como aquelas passíveis de ser realizadas pelos profissionais habilitados e regidos pelo respectivo Conselho de Classe (no caso, o CRÊA), mas sim que a atividade fosse, de fato e de direito, a ela direta e especificamente vinculada. Nessas circunstâncias, o que é vedado pelas disposições do mencionado Art. 9o, inciso XIII da Lei 9.317/96 não é qualquer atividade “assemelhada” àquelas próprias de engenheiros, arquitetos, contadores, médicos, etc., mas sim as atividades próprias e por eles (exclusivamente) realizadas. Nessas circunstâncias, analisando as circunstâncias específicas da empresa analisada, verificase tratarem as suas atividades de atividades próprias de agentes técnicos, não demandando, diretamente, a atuação e participação obrigatória de engenhos eletricistas ou engenheiros eletrônicos, estando fora, assim, das atividades próprias regulamentadas pelas normas regentes do Conselho Profissional respectivo. Assim sendo, concluindo pela não exclusividade das atividades relacionadas à contribuinte às atuações próprias dos profissionais vinculados ao respectivo Conselho profissional, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, desconstituindo a exclusão determinada. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723247/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
Numero da decisão: 2201-001.615
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/05), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 96.680,01, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Nossa Senhora das Graças e Ceará”, com área total de 451,1 ha, localizado no município de Rio Acima MG. A fiscalização glosou integralmente as áreas ambientais declaradas de preservação permanente (180,4 ha), de reserva legal (67,7 ha) e de pastagens (128,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 202.600,00, arbitrandoo em R$ 1.897.849,88. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, por glosar as áreas de preservação permanente e reserva legal informadas, comprovadas por laudo técnico e sem necessidade de ADA para isentálas do ITR/2005; o VTN arbitrado não reflete o valor correto da terra, comprovado por laudo técnico com ART/CREA e em conformidade com a NBR 146533 da ABNT; transcreve parcialmente a legislação de regência, em especial os §§ 1º e 7º do art.10 da Lei 9.393/1996, acórdãos do Conselho de Contribuintes e do TRF1ª RF, para referendar seus argumentos. Ao final, o contribuinte requer seja acolhida a presente impugnação e revisto o lançamento contestado, para acatar as áreas ambientais declaradas e o VTN de R$ 1.736,06/ha, com repercussão no cálculo da multa isolada. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além de a área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser revisto o VTN arbitrado pela autoridade fiscal, tendo sido apresentado laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART/CREA, demonstrando o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços de 01/01/2005, atendidos os requisitos das normas da ABNT. Impugnação Procedente em Parte Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.723247/200996 Acórdão n.º 2201001.615 S2C2T1 Fl. 2 3 Intimado da decisão de primeira instância em 12/02/2010 (fl. 158), Hélcio Geraldo de Oliveira Corrêa apresenta Recurso Voluntário em 02/03/2010 (fls. 161 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: As áreas de preservação permanente foram identificadas no laudo, às fls. 09, como sendo "as faixas de áreas localizadas a margem do Córrego Pai Manoel, Rio do Peixe, Córrego da Canoa, Córrego do Serrador, na regido das vertentes do Córrego Serrador, no entorno do espigão do Monteiro e da escarpa denominada 'Carreira Comprida', conforme registros do imóvel e artigo 2° da Lei 4.771/65" (fl. 09 do laudo pericial). Já a área de reserva legal, o lado pericial constatou o seguinte: "Considerouse enquadrada na classe VIII a área de Reserva Legal (20,00%) e a área de Preservação Permanente (35,00%), conforme definido na legislação ambiental (Código Florestal Lei n° 4.771/65), bem como a área ocupada com infraestrutura (1,55%)". (fl.10 do laudo) É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, na glosa efetuada pela autoridade fiscal relativa à área preservação permanente (180,4 ha) e a área de reserva legal (67,7 ha). Em sua peça recursal alega o suplicante que é descabida a exigência do ADA, bem como desnecessária a averbação da reserva legal, pois, segundo seu ponto de vista, “... não há necessidade da comprovação pelo contribuinte das áreas de reserva legal e de preservação permanente é o disposto no §7°, do artigo 10 da Lei 9.393/96”. Além do mais, assevera o recorrente que “... a autoridade tributária não contesta a existência das áreas, que, no entanto, estão comprovadas pelo laudo técnico da lavra do Engenheiro Agrícola Gustavo Ferreira de Paula, inscrito no CREA/MG sob o nº 67055/D, o qual foi elaborado sob a sua responsabilidade técnica e conforme a NBR 14.6533”. Área de Preservação Permanente De início, deve ser registrado que sempre me posicionei no sentido de que antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Todavia, a Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Assim, a partir do exercício 2001 a utilização do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico) ou as de Preservação Permanente. Em se tratando do exercício de 2005 e considerado o art. 10, § 4º, inciso II, da IN/SRF nº 043/97, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67/97, e, especificamente, o parágrafo 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao Ibama/órgão conveniado, do requerimento do Ato Declaratório Ambiental ADA expirou em 31 de março de 2006, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2005, até 30.09.2005, de acordo com a IN/SRF nº 554/2005. Ressaltese que a posição majoritária deste Colegiado é no sentido de não exigir o ADA para as áreas de preservação permanente, todavia, a Turma Julgadora condiciona a comprovação efetiva da referida área à apresentação de laudo técnico acompanhado de ART. Contudo, o laudo de avaliação apresentado às fls. 46/70 limitase a informar a existência de áreas de preservação permanente na propriedade, sem, entretanto, delimitálas e discriminálas de modo a tornar possível a subsunção às alíneas dos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal. Além do mais, a mera menção de que se trata de vegetação típica de savanas (cerrado) não é suficiente para caracterizar a área como de preservação permanente e excluíla da tributação. Portanto, como não se encontra nos autos documento que comprove a entrega tempestiva do ADA, bem como laudo técnico discriminando as áreas de preservação Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.723247/200996 Acórdão n.º 2201001.615 S2C2T1 Fl. 3 5 permanente na forma dos arts. 2º e 3º do Código Florestal, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção do imposto. Área de Reserva Legal De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 196DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16832.000173/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
Numero da decisão: 1202-000.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Meigan Sack Rodrigues. Ausente momentaneamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, substituído pela conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Meigan Sack Rodrigues. Ausente momentaneamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, substituído pela conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16832.000173/201055 Acórdão n.º 1202000.781 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa isolada por falta de pagamento da estimativa mensal de IRPJ referente ao mês de janeiro de 2006, em decorrência de apuração incorreta na DIPJ. Em defesa, sustenta o contribuinte que a multa isolada não é devida, porque foi aplicada quando já encerrado o ano calendário. Considera que, após o encerramento do exercício cabe, apenas, a aplicação de multa sobre eventual diferença de imposto apurada no balanço anual, conforme jurisprudência que cita, não podendo ser cumulada com a multa de ofício sobre o IRPJ devido ao final do exercício, por se tratar de acúmulo de penalidades. A 1ª Turma da DRJ/RJO I reconheceu como única matéria em litígio a multa isolada, diante da adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, mantendo a exigência. Cientificado da decisão em 23/07/2011, o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao CARF, em 15/08/2011, repisando as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16832.000173/201055 Acórdão n.º 1202000.781 S1C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. No presente caso, o lançamento de multa isolada devida por falta de recolhimento das estimativas de IRPJ teve por fundamento legal o art. 44, §1º, inciso IV, da Lei 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória 351, de 2007, sobre as diferenças entre os valores declarados e apurados pela fiscalização. A aplicação retroativa do percentual mais benéfico (50%) se deu com lastro no art. 106, II, alínea "c", da Lei 5.172/66. A recorrente se insurge contra a multa isolada de 50% aplicada concomitantemente com a multa de ofício de 75%, no que não tem razão. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, aplicase retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Enquanto isso, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa isolada por falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a apuração de multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, data venia, não merece ser reconhecida. Respeitando as opiniões em contrário, entendo que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16832.000173/201055 Acórdão n.º 1202000.781 S1C2T2 Fl. 4 4 A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traz consequências, na medida em que a falta de recolhimento representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. Assim, a falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Ora, são distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Da mesma forma, distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo da multa isolada é a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração. Nesse sentido, a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção. Ademais, a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A determinação legal é clara nesse sentido, ao reafirmar que a multa é devida “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que não se verificou no presente caso. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não se inclui na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada Fl. 454DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16832.000173/201055 Acórdão n.º 1202000.781 S1C2T2 Fl. 5 5 pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Nesse sentido, o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 455DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 16327.001152/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.
GANHO DE CAPITAL. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O resultado na baixa de bens do ativo permanente sujeita-se à apuração do respectivo ganho de capital, devendo ser computado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL.
GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES. O ganho de capital deve ser apurado levando-se em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais das bolsas de valores.
RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. EFETIVA REALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Tributa-se a reserva de reavaliação quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, o que aconteceu no momento da transferência do bem reavaliado para o acionista da impugnante.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas.
JUROS DE MORA. SELIC A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. GANHO DE CAPITAL. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O resultado na baixa de bens do ativo permanente sujeita-se à apuração do respectivo ganho de capital, devendo ser computado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES. O ganho de capital deve ser apurado levando-se em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais das bolsas de valores. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. EFETIVA REALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Tributa-se a reserva de reavaliação quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, o que aconteceu no momento da transferência do bem reavaliado para o acionista da impugnante. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Recurso Voluntário Negado Provimento.
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Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. GANHO DE CAPITAL. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O resultado na baixa de bens do ativo permanente sujeitase à apuração do respectivo ganho de capital, devendo ser computado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais das bolsas de valores. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. EFETIVA REALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Tributase a reserva de reavaliação quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, o que aconteceu no momento da transferência do bem reavaliado para o acionista da impugnante. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Recurso Voluntário Negado Provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 52 /2 01 0- 67 Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SCHAHIN CORRETORA DE CAMBIO E VALORES MOBILIARIOS S/A recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 178192, em fiscalização despendida junto à contribuinte supramencionada, referente ao anocalendário de 2007, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: 1. Da descrição dos fatos A SCHAHIN CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S/A(Schahin) tem por objeto social, entre outros, a intermediação em bolsa de mercadorias e bolsa de valores (fls.40). Para operar nas bolsas de valores, a Schahin era obrigada a possuir títulos patrimoniais dessas entidades, à época associações sem fins lucrativos. A Schahin ingressou como associada da Bovespa em 29/05/89, quando de sua constituição como subsidiária integral do Banco Schahin Cury S/A, com a integralização do título patrimonial da Bovespa efetuada pelo Banco Schahin no montante de NCZ$830.829,86, conforme razão de fls.119 e escritura de constituição de fis.128. Em 28/02/2000 houve o desdobramento dos títulos da Bovespa na proporção de 1 para 12. Em 24/04/2000 a contribuinte vendeu 3 títulos patrimoniais, permanecendo com 9 títulos da Bovespa em 2007 (fls.08). Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 3 Em 04/07/85 o Banco Schahin adquiriu um título patrimonial de corretora de mercadorias da BM&F, e em 04/03/86 adquiriu um título de membro de compensação e um título de sócio efetivo da BM&F. A Schahin adquiriu esses títulos em 25/10/89, conforme razão de fls.119 e 119verso, nos valores de NCZ$16.196,82 (título de corretora de mercadorias), NCZ$242.668,04 (título de agente de compensação da BM&F) e NCZ$48.590,40 (título de sócio efetivo da BM&F). Em 06/03/97 a Schahin adquiriu títulos dc membro de compensação e sócio efetivo da CSC S/A CFI, CNPJ 08.030.215/000167, que foram vendidos em 07/03/97 (fls.09), permanecendo com os títulos adquiridos anteriormente, conforme informou às fls.l 13. Em 30/08/2007, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária (fls.29 30), foi deliberado o aumento do capital social da Schahin de R$14.288.245,52 para R$51.751.431,53, mediante capitalização de reservas registradas como "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" (R$23.087.698,11), "Reservas de Lucros" (R$718.774,37) e "Lucros ou Prejuízos Acumulados" (R$13.656.713,53), totalizando aumento de R$37.463.186,01. Na mesma assembleia foi aprovada a redução do Capital Social (item 2), considerado excessivo, de R$51.751.431,53 para R$21.784.941,76, mediante transferência ao Banco Schahin S/A, detentor de 100% das ações da Schahin, dos seguintes bens do ativo permanente da corretora: I a) 9 títulos patrimoniais da Bovespa, no valor de R$12.672.036,09; 1.500 ações de emissão da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC, no valor de R$7.752.780,00; 1 título de corretora de mercadoria da BM&F, no valor de (...): 1 título de agente de compensação da BM&F, no valor de (...) 1 título de sócio efetivo da BM&F, no valor de R$10.000,00. As transferências foram efetuadas pelos saldos das contas representativas DS títulos patrimoniais constantes do ativo permanente, totalizando redução de R$29.966.489,77. Na assembleia deliberouse ainda que as variações patrimoniais havidas a partir de 30/06/2007, e relativas aos ativos que foram transferidos, seriam atribuídas diretamente ao único acionista. Efetuaramse lançamentos de estorno das atualizações ocorridas no período, considerandose a database de 30/06/2007 para a redução de capital, segundo informou a contribuinte às fls. 108 e razões de fls.6365. Os registros contábeis efetuados pela corretora demonstram os saldos iniciais (aquisição dos títulos) e finais em 30/09/2007, quando ocorreu a transferência dos títulos por redução de capital na Schahin, conforme o quadro apresentado pela contribuinte às fls.ll. 2. Da autuação a) Infração I: Baixa de título patrimonial da Bovespa e BM&F por meio dc redução de capital. Ganho de capital. Custo do título. Correta apuração pela Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 4 consideração do efeito da realização da reserva de atualização de títulos patrimoniais. A época dos fatos, a Bovespa e a BM&F eram constituídas como associações sem fins lucrativos, gozando do benefício fiscal de isenção do imposto dc renda. As corretoras, por outro lado, eram constituídas sob a forma de sociedades empresariais, que ao ingressar nas Bolsas de Valores, efetuavam contribuição para formação do patrimônio social daquelas entidades, recebendo em contrapartida a essa contribuição títulos patrimoniais que eram registrados no ativo permanente. O patrimônio da Bovespa e da BM&F, pelo exercício de suas atividades operacionais ao longo do tempo, acumulou considerável montante sob a forma de superávits, que não podiam ser transferidos ou devolvidos ou distribuídos aos sócios, sob pena dc desnaturar a característica de entidade associativa beneficiada com a isenção fiscal. Para refletir a riqueza patrimonial adquirida pelas Bolsas, houve autorização para fazer refletir nos demonstrativos patrimoniais das associadas essa valorização dos títulos patrimoniais. As reservas de precificação de ativos, integrantes do patrimônio líquido \das sociedades empresariais, são neutras em termos fiscais no momento de sua formação, Ficando os efeitos tributários prorrogados, diferidos ou postergados. O art.249, e parágrafo único, do RIR/99 comanda a imposiçãotributária atualmente denominada de Realização Fiscal da Reserva, impondo a exação a quem, mesmo sem a realização econômica do ativo precifícado, utilizar o valor da reserva para distribuir interesses, aumentar capital social ou conta de Lucros Acumulados, pois tais situações configuram fato gerador por acréscimo patrimonial advindo de proventos de qualquer natureza. No caso presente, os títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F foram entregues ao unico acionista, Banco Schahin, em ato societário de redução de capital, conforme A.GL 30/08/2007, ocorrendo a situação concreta prevista no parágrafo único do art.249 do P .iv A9 \ jrque houve a Realização Fiscal da Reserva. O Banco Central (Bacen) autorizou a criação da Reserva de Atualização de ítulos Patrimoniais (RATP) para que os balanços das sociedades corretoras refletissem a evolução patrimonial advinda das participações em associações superavitárias que estivessem impedidas de distribuir os resultados as bolsas de valores. A contabilização dos títulos patrimoniais das Bolsas está prevista no Capítulo 1, item 11, subitem 3, § 3o do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional — Cosif. Neste, a conta utilizada para registro dos títulos patrimoniais pertence ao grupo do ativo permanente — investimentos (contas Cosif 2.1.4.10.10.000183, 2.1.4.10.20.00037 e 2.1.4.10.20.00040). A conta Cosif 6.1.3.709, que registra a RAPT, situase no Patrimônio Líquido Reserva de Capital, sob a rubrica "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais'". Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 5 O registro da valorização do ativo pertencente às corretoras impunha o lançamento de uma contrapartida em conta credora, mas se essa conta fosse de resultado haveria impacto no resultado tributável das sociedades. Para afastar tal fato, ao menos pelo momento em que ocorre a formação da RATP, foi editada a Portaria MF n° 785/77, que diferia a tributação para outro momento. As reservas apenas devem ser mantidas se o ativo que lhes deu origem for mantido na operação da sociedade (regra da continuidade aludida pela Deliberação CVM n° 183/95). Não há sentido lógico, jurídico ou contábil em manter uma reserva quando o ativo foi baixado. No presente caso, houve a baixa de títulos patrimoniais do ativo permanente, fato que aponta a realização por decorrência da redução de capital mediante a entrega dos títulos patrimoniais para o único sócio — Banco Schahin sem ter sido vcrificada a baixa ou realização da parcela correspondente na reserva constituída e cuja tributação foi diferida conforme a Portaria MF n° 785/77. O art.31 do Decretolei n° 1.598/77 traz o regramento atinente ao ganho de capital: (...) Referida regra foi consolidada no art.418 do RIR/99. Assim, no caso em apreço, o ganho de capital deve ser apurado dimr iii do preço de venda do bem ou direito o valor do custo contábil registrado na 2scritu "ão, considerando o ajuste que deveria ter sido feito pela contribuinte quando da ;ah. çao da reserva por conta da redução de capital efetivada. Aplicamse à CSLL, a teor do art.28 da Lei n° 9.430/96, as mesmas normas de apuração da legislação do IRPJ. Infração II: Transferência da ações da Companhia Brasileira de Liquidação de Custódia — CBLC. Tributação da realização da reavaliação a partir de 01/01/2000. A contribuinte possuía 1.500 ações da CBLC, que foram transferidas ao Banco Schahin por R$7.752.780,00 na redução de capital deliberada pela AGE de 30/08/2007. Conforme razões às fls.141145, na conta Cosif 2.1.5.10.10.00062 Cia. Brasileira de Liquidação e Custódia, foram efetuadas atualizações cuja contrapartida foi a conta 6.1.3.709 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais. A contribuinte informou às fls. 125 que: '" .. A natureza das atualizações procedidas na conta COSIF referese às atualizações do titulo patrimonial, conforme comunicadas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC, sendo que os respectivos valores não transitaram por contas de resultados, apenas entre as contas do Ativo permanente e as contas de Reservas de capital do Patrimônio Líquido, (...). Portanto, a empresa efetuou reavaliações das ações, contabilizadas no Ativo Permanente, sendo a contrapartida contabilizada em conta de Reserva de Reavaliação. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 6 A realização da reserva de reavaliação ocorre com a efetiva realização do bem reavaliado, no caso, quando da transferência dos bens ao Banco Schahin. Não existe amparo legal na atualização do valor das ações da CBLC com contrapartida em Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, a qual deve refletir apenas as variações sofridas pelos títulos patrimoniais das bolsas. O procedimento cquiparase a reavaliação espontânea, a qual é tributada desde 01/01/2000, na forma do art. 4o da Lei n° 9.959/2000, a seguir: Art. 4° A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Infração III: Anocalendário de 2007. IRPJ e CSLL. Apuração da estimativa mensal. Valor não incluído na determinação da base de cálculo do imposto c da contribuição social. Multa de ofício de que trata o art.44, II, "b", da Lei n° 9.430/96 multa isolada. Os ganhos apurados nas infrações I e II acima descritas não foram incluídos na apuração da base de cálculo da estimativa mensal do IRPJ e da CSLL do mês de setembro/2007. A contribuinte é obrigada a apurar o lucro real, fazendoo pela sistemática de apuração trimestral ou anual, sendo que nesta tem dever de fazer antecipações mensais com receita bruta ou balanços de suspensão (art.222 a 230, do RIR/99). As antecipações calculadas com base na receita bruta são determinadas de acordo com os art.223 a 226 do RIR. Conforme a regra do art.225 do RIR, as receitas c resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pela regra geral devem ser acrescidos à base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. No caso sob exame, conforme ficha 11 da DIPJ (fls.155158) e a escrituração da contribuinte (fls. 176177), evidenciase que a Schahin efetuou a determinação da base de cálculo do IRPJ com base na receita bruta sem incluir os ganhos apurados nas infrações I e II. Logo, é cabível a aplicação da multa isolada, cuja base legal é o art.44, II, "b", da Lei n° 9.430/96, redação dada pelo art.14 da Lei n° 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n° 351/2007, editada em 22/01/2007. 3. Da base de cálculo tributável a) Infração I Ganho de capital decorrente da redução de capital por meio dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F. A apuração do ganho de capital dos 9 títulos patrimoniais da Bovespa e dc 1 título patrimonial de corretora de mercadorias da BM&F, 1 título de sócio efetivo da BM&F e 1 título de membro de compensação da BM&F foi feita de acordo com os valores a seguir: (...) Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 7 b) Infração II — Tributação da reavaliação da ações da CBLC na data da redução de capital. Conforme razão da conta Cosif 21510100006 Cia Brasileira de Liquidação e Custódia, os valores lançados a título de reavaliação, tendo como contrapartida a conta de Reserva de Reavaliação, serão tributados por ocasião de sua realização (razões de fls.141145 e tabela de fls.138): 2001 2002 2003 2004 190.740,00 343.590,00 492.210,00 613.590,00 2005 2006 2007 830.550,00 1.077.120,00 1.058.460,00 c) Infração III Apuração das multas isoladas No mês de 09/2007 o valor não incluído na estimativa foi de R$22.576.655,87, correspondente ao ganho de capital decorrente das infrações apuradas. As multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL são apuradas a seguir: c.i) IRPJ Em função da infração apurada, calculouse os valores de R$3.386.498.38 de IRPJ por estimativa, e R$2.257.665,59 de IRPJ adicional (10%), totalizando o IRPJ devido de R$5.644.163,97, o que resulta em multa isolada (50%) de R$2.822.081,99. c.ii) CSLL Em função da infração apurada, calculouse o valor de R$2.031.899,03 de CSLL por estimativa, o que resulta em multa isolada (50%) de R$1.015.949,51. (...) Da Impugnação Cientificada da autuação em 27/08/2010 (lis. 194, 201 e 207), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 214232, acompanhada dos documentos de lis. 233 1339, e, posteriormente, esclarecimentos às fls.13411342, com documentos anexos às fls. 13431345, alegando em síntese: Esclarecimento inicial Pleiteia a reunião dos processos administrativos referentes às exigências de IRPJ, CSLL e multa isolada de CSLL. Os fatos A requerente, por meio de deliberação da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 30/08/2007 (fls.279280), promoveu (i) a capitalização do saldo das reservas de Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 8 ajustes patrimoniais relativas aos títulos da Bovespa, BM&F e ações da CBLC; e (ii) a redução do capital social em R$29.966.489,77, mediante entrega dos seguintes ativos ao Banco Schahin: nove títulos patrimoniais da Bovespa, valor: R$12.672.036,09; mil e quinhentas ações de emissão da CBLC, valor: R$7.752.780,00; um título de corretora de mercadoria da BM&F, valor: \ R$4.735.096,92; um título de agente de compensação da BM&F, valor: R$4.796.576,76; e um título de sócio efetivo da BM&F, valor de R$10.000,00. A impugnante atualizava tais ativos periodicamente em função dc alterações no ''jr patrimonial. Os acréscimos ou decréscimos de valor não refletiam na base de cálculo . IRPJ e CSLL por previsão normativa expressa. Como a transferência dos ativos por redução de capital da impugnante pelo valor contábil, os títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, e as ações da 31 passaram a constar do patrimônio do Banco Schahin pelo mesmo valor contábil ' registrado no ativo permanente da requerente, conforme balancete de fls.281 e razão de fls.282, contendo as contas Cosif 2.1.4.10.10.00018, 2.1.4.10.20.00024, 2.1.4.10.20.0003 7, 2.1.4.10.20.00040 e 2.1.4.10.10.00062. III. O direito Não houve ganho de capital passível de incidência pelo IRPJ c CSLL. A transferência dos títulos patrimoniais foi efetivada a valor contábil. A impugnante não promoveu reavaliações espontâneas das ações da CBLC, e os valores da RATP não foram distribuídos aos acionistas da requerente, mas sim capitalizados a valor contábil, como previsto na legislação, razão pela qual as alegações contidas no auto de infração não merecem prosperar. III. 1 Decadência do direito de o Fisco desconsiderar o custo de aquisição declarado em agosto de 2005 A fiscalização entendeu pela tributação da atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F, e das ações da CBLC, quando tais ativos foram transferidos, via redução de capital, ao Banco Schahin. No entanto, houve a decadência do direito de o Fisco exigir os tributos em tela sobre a atualização daqueles ativos ocorrida antes de 08/2005. O tributos exigidos submetemse ao lançamento por homologação, sujeitandose ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN, que é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo. No caso, o fato gerador ocorria conforme os títulos eram atualizados, não ocorrendo a tributação nos termos da Portaria MF 785/77. Deve ser reconhecido como custo de aquisição dos títulos patrimoniais os valores declarados em 08/2005 (ou 31/12/2004, caso se considere o fato gerador anual fls.283333), pois não é possível a glosa de prejuízo Fiscal após cinco anos da data em que gerado e declarado pela contribuinte. III.2 O cálculo do ganho de capital deve levar em conta eventual variação contábil positiva, inexistente no caso concreto Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 9 A Portaria MF n° 785/77 definiu que os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas, em decorrência de alteração do patrimônio social, não . constituem receita, devendo ser excluídos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não pode o Fisco revogar tal dispositivo, mesmo porque essa isenção foi dada sob condição onerosa, sob pena de ofensa à súmula 544 do STF. Tais participações passaram a ter o mesmo tratamento tributário dispensado às participações societárias avaliadas pelo método de equivalência patrimonial por força do art.23 do Decretolei n° 1.598/77, alterado pelo art. 1Io do Decretolei n° 1.648/78. Assim, o valor baixado pela impugnante no momento da transferência dos títulos via re* iv de capital, deveria ser comparado ao valor contábil desses títulos, para apuração do ganho de capital. O próprio art.418 do RIR/99 determina que o ganho de capital ser calculado tomandose por base o valor contábil do bem registrado na escrituração da contribuinte. Não havendo ganho de capital, não há que se falar em incidência de IRPJ e sobre qualquer resultado. A incidência do IRPJ e da CSLL pressupõe, conforme artigos 53 e 155 da CF/88, efetiva aquisição de renda ou de lucro, o que não ocorreu neste caso. Atualização dos títulos patrimoniais — natureza jurídica de equivalência patrimonial A RFB entendeu, por meio da Solução de Consulta n° 13/97, que a natureza jurídica da sistemática de atualização dos títulos patrimoniais se eqüivale à atualização dos investimentos em outras sociedades. O art.389 do RIR/99 estabelece que a contrapartida do ajuste de que trata o art. 388 (equivalência patrimonial), por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real. Portanto, o acréscimo do valor do investimento verificado em razão da variação do valor patrimonial da sociedade investida não gera qualquer ganho tributável ou perda dedutível. No caso, além da Portaria MF n° 785/77 determinar a não tributação dos acréscimos decorrentes do aumento do valor nominal dos títulos, os artigos 225 c 389 do RIR/99 e o art.32 da Lei n° 8.981/95 determinam que qualquer variação positiva reconhecida em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial deveria ser excluída da base de cálculo do IRPJ. A Portaria MF n° 785/77 obrigou a requerente a avaliar as participações na BM&F e Bovespa pelo método da equivalência patrimonial. A legislação tributária reconhece que, se a legislação bancária ou regulatória exigir a aplicação do método de equivalência patrimonial, essa regra deve produzir efeitos fiscais, conforme definido pelo Parecer Normativo CST n° 78/78 e Ato Declaratório Normativo CST n° 9/81. Esse entendimento foi exarado pela própria RFB, por meio da Solução de Consulta n° 13/97, itens 6.8 e 6.11, determinando que a RATP teria natureza de equivalência patrimonial, devendo ter o mesmo tratamento tributário. No mesmo sentido o Parecer CST n° 2.254/81, transcrito na Solução de Consulta n° 13/97. Atualização das ações da CBLC — ajustes reconhecidos em conta de RATP A CBLC foi constituída como sociedade anônima em 1997, e seu capital era detido pela Bovespa e por bancos e sociedades corretoras, os quais também detinham títulos patrimoniais da Bovespa. Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 10 Assim, o investimento na CBLC tem natureza jurídica semelhhnte aos investimentos detidos pela requerente nos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F, conforme informes de atualização do valor das ações emitidos pela CBLC aos detentores de suas ações (fls. 3551339), tal como faziam a Bovespa e a BM&F. Dessa maneira, a impugnante reconheceu a "'"alização da ações da CBLC em conta de RATP. Deve ser aplicado às ações da CBLC detidas pela requerente o mesmo tratar" i i ^al aplicável aos investimentos em títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F, pois v calores reconhecidos pela requerente em conta de RATP têm natureza de resultados jj. vos de equivalência patrimonial, sendo isentos de tributação pelo IRPJ e CSLL conforme He íinação legal. O art. 100 do CTN e a inexigibilidade da multa de ofício de 75% e dos juros de mora E improcedente e ilegal a imposição de multa de ofício de 75%, bem como dos juros de mora aplicados, pois, conforme o art.100 do CTN, a requerente, à época dos fatos geradores objeto do lançamento em questão, agiu conforme o entendimento da autoridade administrativa de que não haveria incidência de IRPJ e CSLL na atualização dos títulos patrimoniais, já que a avaliação destes era pelo método da equivalência patrimonial (Solução de Consulta n° 13/97). . Requer, assim, a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora. Impossibilidade de aplicação de multa isolada As multas isoladas devem ser canceladas pois não podem ser aplicadas cumulativamente com a multa de ofício prevista no art.44, I, da Lei n° 9.430/96. Notcsc também que as multas isoladas foram aplicadas sobre a mesma base de cálculo das multas dc ofício. Devem, portanto, ser canceladas as multas isoladas. CSLL A Lei n° 7.689/88, com alteração da Lei 8.034/90, determina em seu art.2° que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, ajustado pelas exelusões e adições previstas no § Io, ou seja, o lucro líquido. A argumentação exposta anteriormente aplicase à CSLL, razão pela qual esta não incide sobre o valor relativo à venda dos títulos patrimoniais. IV. Pedido Pelo exposto, requer o cancelamento integral dos autos dc infração em tela. A decisão recorrida está assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de tributação da reserva de atualização de títulos patrimoniais e da reserva de reavaliação de ações, o fato gerador ocorreu no momento da realização dessas reservas, quando houve a redução do capital da Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 11 impugnante. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos. GANHO DE CAPITAL. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O resultado na baixa de bens do ativo permanente sujeitase à apuração do respectivo ganho de capital, devendo ser computado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais das bolsas de valores. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. EFETIVA REALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Tributase a reserva de reavaliação quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, o que aconteceu no momento da transferência do bem reavaliado para o acionista da impugnante. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício. Portanto, ambas podem ser aplicadas à contribuinte. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão dc todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à CSLL dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): (...) Por todo o exposto, ficou demonstrado que: (í) a transferência dos títulos patrimoniais e das ações CBLC detidas pela Recorrente, via redução de capital, para o BANCO SCHAHIN ocorreram pelo valor contábil, razão pela qual não há o que se falar em reconhecimento de ganho de capital; (ii) a atualização dos títulos patrimoniais e das ações da CBLC era um direito da Recorrente, não estando sujeita à tributação do IRPJ e da CSLL por expressa determinação da Portaria MF 785/77; Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 12 (iii) como a Recorrente estava obrigada a reconhecer o valor dos títulos pelo método de equivalência patrimonial, e como o aumento do valor desses títulos era isento de tributação, é evidente que a simples transferência dos títulos pelo mesmo valor contábil não gerou qualquer acréscimo patrimonial para a Recorrente; (iv) levandose em consideração o fato de o investimento na CBLC ter natureza jurídica semelhante aos investimentos detidos pela Recorrente nos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F, natureza essa que é comprovada pelos próprios informes de atualização do valor das ações emitidos pela CBLC aos detentores de suas ações, tal como o faziam a Bovespa e a BM&F, temse que deve ser aplicado às ações da CBLC detidas pela Recorrente o mesmo tratamento fiscal aplicável aos investimentos em títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F; (v) tendo a Recorrente, em cada ano, declarado ao Fisco o valor atualizado de seus títulos na BM&F e na Bovespa, bem como de suas ações da CBLC, não ocorrendo qualquer manifestação a esse respeito, decaiu o seu direito de questionar a validade de tal atualização, no que se refere ao período anterior a agosto de 2005 (ou 31.12.2004 se considerado o fato gerador anual); (vi) ainda que esses tributos fossem devidos, deveria ser afastada a cobrança de multa de 75% e dos juros de mora, pela aplicação do artigo 100 do CTN; e (vii) Multas isoladas devem ser canceladas, pois não podem ser aplicadas cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da n. 0 9.430/96. (...) Portanto, a Recorrente pleiteia o acolhimento integral do presente Recurso Voluntário e o cancelamento integral da exigência — contribuições, multas e juros consubstanciada nos Autos de Infração, com o conseqüente arquivamento do Processo Administrativo. (...) É o relatório. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 13 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte alienou títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F e ações da Companhia Brasileira de Liquidação de Custódia CBLC. Antes da alienação, a contribuinte atualizou os valores dos mencionados títulos patrimoniais e das ações com as "reservas de atualização de títulos patrimoniais" e "reservas de lucros". Assim, a Fiscalização entendeu que deveria ter sido oferecido à tributação o ganho de capital auferido com a operação correspondente à diferença entre o custo de aquisição dos ativos e o valor obtido na alienação. Por sua vez, a contribuinte argumenta que deveria ser considerado o custo contábil dos ativos alienados, razão pela qual não haveria fundamento na exigência do crédito tributário constituído pela autoridade administrativa. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A recorrente pleiteia a declaração da decadência do direito da Fazenda Pública de revisar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais, até o período de agosto de 2005. Mais especificamente, a contribuinte alega que vinha atualizando seus títulos patrimoniais em seus registros contábeis e apresentando essas informações ao Fisco. Assim, se do a recorrente, o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública revisar o lançamento teria se iniciado com a entrega das declarações em que constavam as referidas atualizações dos títulos patrimoniais. Diante disso, entende que a autoridade administrativa n o poderia mais desconsiderar as informações prestadas, uma vez que teria transcorrido o prazo decadencial que a Fazenda Pública dispunha para revisar e alterar tais informações. A situação aqui não é nova: temos um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão aos exercícios já protegidos pela decadência. o fato gerador da obrigação tributária surgiu no momento da alienação dos títulos patrimoniais e das ações da CBLC vale dizer, em 2007. A partir dessa data a autoridade administrativa teria cinco anos para revisar e, se encontrada alguma irregularidade, realizar o pertinente lançamento de ofício. Desse modo, há que se reconhecer como correto o procedimento adotado pela Fiscalização, tendo em vista que o auto de infração foi consumado no ano de 2010 portanto, dentro do período decadencial. Diante disso, não merece prosperar a alegação de decadência suscitada pela recorrente. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 14 INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA AVALIAÇÃO DO PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÕES A Bovespa e a BMF nasceram, respectivamente, em 1967 e 1985, com contornos jurídicos de Associações sem Fins Lucrativos. Durante sua existência, essas associações emitiram diversos títulos, representativos de frações do seu patrimônio. Nesse ponto, vale ressaltar que a propriedade desses títulos era condição necessária para ter acesso às operações intermediadas pelas bolsas de valores acima mencionadas. Em outras palavras, as pessoas físicas e jurídicas que desejassem participar de operações organizadas pela Bovespa e pela BM&F deveriam adquirir tais títulos patrimoniais. Ao tempo das alienações dos títulos patrimoniais, realizadas pela contribuinte em 2007, o regime jurídico das Bolsas de Valores permanecia o mesmo, ou seja, aquele próprio das associações sem fins lucrativos. Diante disso, não restam dúvidas de que as normas aplicáveis à BOVESPA e à BM&F eram as previstas nos art. 53 a 61 do Código Civil de 2002. Isso porque o regime jurídico das associações está previsto nos aludidos dispositivos legais em local apartado dos dispositivos que tratam das sociedades. DA TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOVESPA E DA BM&F A contribuinte aduz que o procedimento contábil a ser utilizado para as atualizações dos títulos patrimoniais seria análogo ao da equivalência patrimonial. Além disso, afirma que a utilização do MEP teria sido imposta pelo Conselho Monetário Nacional e pela CVM às instituições financeiras e equiparadas. Assim, deverseia aplicar ao presente processo as normas que tratam das avaliações procedidas pelo método da equivalência patrimonial. Entretanto, tais alegações não merecem prosperar. Verificase que a recorrente visa a aplicação do regime jurídico próprio das sociedades anônimas. Isso porque pretende utilizar o método da equivalência patrimonial previsto na Lei n° 6.404, de 1976 para a avaliar o ativo correspondente ao título patrimonial que lhe assegurava a condição de associado das Bolsas de Valores. Portanto, necessário verificar porque o regime da Lei n° 6.404/76 (sociedade por ações) não podia ser aplicado, à época dos fatos geradores, às operações de alienação de títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F. Além disso, também é imprescindível demonstrar porque a contribuinte deveria ter oferecido à tributação o acréscimo patrimonial aferido com mencionada operação. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA AVALIAÇÃO DO PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÕES A Bovespa e a BMF nasceram, respectivamente, em 1967 e 1985, com contornos jurídicos de Associações sem Fins Lucrativos. Durante sua existência, essas associações emitiram diversos títulos, representativos de frações do seu patrimônio. Nesse ponto, vale ressaltar que a propriedade desses títulos era condição necessária para ter acesso às operações intermediadas pelas bolsas de valores acima mencionadas. Em outras palavras, as pessoas físicas e jurídicas que desejassem participar de operações organizadas pela Bovespa e pela BM&F deveriam adquirir tais títulos patrimoniais. Ao tempo das alienações dos títulos patrimoniais, realizadas pela contribuinte em 2007, o regime jurídico das Bolsas de Valores permanecia o mesmo, ou seja, aquele próprio Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 15 das associações sem fins lucrativos. Diante disso, não restam dúvidas de que as normas aplicáveis à BOVESPA e à BM&F eram as previstas nos art. 53 a 61 do Código Civil de 2002. Isso porque o regime jurídico das associações está previsto nos aludidos dispositivos legais em local apartado dos dispositivos que tratam das sociedades. É sabido que uma sociedade é caracterizada por ser uma pessoa jurídica decorrente de um estatuto social ou de um contrato, pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a prestar certa contribuição de bens ou serviços, formando um patrimônio destinado ao exercício de atividade econômica, e com a intenção de partilhar lucros entre si. Nessa perspectiva, as antigas Bovespa e BM&F, para serem consideradas sociedades, deveriam partilhar os resultados advindos da atividade econômica desenvolvida. Todavia, por terem sido constituídas sob a forma de associações civis SEM FINS LUCRATIVOS, não há que se falar em distribuição de lucros e, portanto, em equiparação de tais entidades a sociedades. Dessa maneira, a legislação aplicável às sociedades não pode ser estendida às associações em razão das próprias características que diferenciam um e outro tipo de pessoa jurídica. Portanto, resta inviabilizada a pretensão de estender à Bovespa e à BM&F a legislação de regência das sociedades empresárias. As razões utilizadas acima servem para se refutar o entendimento da contribuinte, no sentido de que seria aplicável o método da equivalência patrimonial (MEP) para a avaliação do título patrimonial das bolsas de valores. Ora, o MEP foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei n° 6.404, de 1976, e deve ser aplicado de acordo com os preceitos firmados por este diploma legal. Assim, o primeiro aspecto que deve ser asseverado é que a Lei n° 6.404, de 1976, tem como destinatárias as sociedades por ações, que possuem natureza jurídica totalmente diversa das associações. Vale lembrar que a BOVESPA e a BMF foram instituídas como associações sem fins lucrativos, enquanto as sociedades por ações servem para o desenvolvimento de atividades empresariais cujo objetivo é proporcionar lucro aos seus sócios. Desse modo, fica evidente a incompatibilidade da Lei n° 6.404, de 1976, com o regime jurídico das associações. Não obstante, nada impede que uma lei possa autorizar que as associações civis utilizem as regras previstas para as sociedades empresárias. Apesar das inúmeras disparidades entre as sociedades empresárias e as associações civis sem fins lucrativos, se a lei previsse que estas poderiam ser regidas pelas normas da Lei n° 6.404, de 1976, caberia apenas obedecer ao comando legal. Nessa perspectiva, o contribuinte teria razão se houvesse uma lei que autorizasse as associações civis a seguirem as normas contábeis específicas para as sociedades por ações. Entretanto, não existe tal suporte legal que fundamente a pretensão do contribuinte pois os dispositivos do Código Civil que regulamentam as associações não trouxeram norma com este conteúdo, tampouco a Lei n° 6.404, de 1976. Feitas estas considerações, não há como se distanciar das conclusões exaradas na Solução de Consulta Cosit n° 10/2007, ao afirmar que: “(...) nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP. Estavam, sim, autorizadas pela Portaria n° 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. “ Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 16 Conforme se verifica no trecho acima transcrito, não havia autorização legal para que as corretoras avaliassem seus títulos patrimoniais da BOVESPA e da BMF utilizando o MEP. Esse entendimento apenas confirma que o regime jurídico das Bolsas de Valores era distinto das sociedades por ações e não poderia ser diferente, visto que a BOVESPA e a BMF eram entidades sem fins lucrativos, ao contrário das sociedades empresárias. Assim, resta evidenciado que nenhuma lei ou DecretoLei fundamentou a pretensão do contribuinte de avaliar seus títulos patrimoniais das Bolsas de Valores pelo MEP. Por sua vez, cumpre destacar que a Portaria n° 785/1977, do Ministro de Estado da Fazenda, regulamentou a tributação dos acréscimos patrimoniais auferidos pela BOVESP A e pela BMF. Ocorre que a mencionada Portaria em momento algum determinou a ização da Lei das Sociedades por Ações para contabilização dos acréscimos de valor 'os títulos patrimoniais das Bolsas. Confirase: Portaria n° 785, de 20 de dezembro de 1977 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com, fundamento no que dispõe o art. 223, 'm', do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Resolve: I.Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II.Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109/70, art. 3°, § 3° (RIR, art. 237). Chama a atenção que a citada Portaria foi editada para regulamentar a alínea "m" do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75. Significa dizer que a Portaria n° 785, de 1977, retirou fundamento de validade de uma norma anterior ao próprio surgimento do MEP que passou a vigorar apenas a partir da Lei n° 6.404, de 1976. Dessa forma, fica patente que a interpretação ministerial explicitada na mencionada Portaria não se referia ao MEP. Para confirmar essa constatação, vejamos o que dispunha a alínea "m" do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (... ) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6° e 9°, 223, alínea l, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3°, 283, 297, 577, 578 e 583 (Decretolei n° 1.096/70, art. 1°, §§ 6° e 7°, Lei n° 4.862/65, art. 49, Decretlei n° 1.260/73, art. 4°, Decretolei n° 1.109/70, art. 3° e § 1°, Lei n° 4.357/64, art. 3°, § 6°, Decretolei n° 756/69, art. 25, Decretolei n° 1.338/74, art. 15, § 4°, Decretolei n° 1.191/71, art. 9°, § único, Decretolei n° 221/67, art. 80, § 4°, Lei n° 5.508/68, art. 36, Decretolei n° 756/69, art. 24, § 4°, Decretolei n° 1.346/74, arts. 6°, § 3°, e 11, e Decretolei n° 1.370/74, art. 2°, § 3°); Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 17 Dessa forma, percebese que a norma acima tratava dos quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da bolsa de valores. Assim, não há que se confundir a situação tratada nos referidos atos normativos com o MEP. Não merecem prosperar, igualmente, alegações no sentido de que o Ofício Circular CVM n° 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 teriam obrigado as sociedades corretoras de valores a avaliarem seus títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) pelo MEP. Com efeito, inferese da leitura do art. 248 da Lei n° 6.404, de 19761, que o MEP só se aplica aos investimentos em sociedades controladas ou coligadas. Diante disso, não se pode admitir que o Poder Regulamentar conferido à CVM, pela Lei n° 6.404 de 1976, possa servir para autorizar a extensão do MEP para as Bolsas de Valores constituídas sob a forma de associação civil. Isso porque o art. 4° da referida lei evidencia que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas. Por outro lado, se o Ofício Circular CVM n° 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 conferiram tal prerrogativa às corretoras, o fizeram desrespeitando o art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976. Isso porque o citado dispositivo legal restringe a aplicação do MEP para avaliação de investimentos em sociedades coligadas ou controladas. Ora, Srs. Conselheiros, é possível conceber que as corretoras eram coligadas ou controladoras das Bolsas de Valores? Se prevalecer o entendimento de que as corretoras poderiam avaliar seus títulos patrimoniais nas Bolsas de Valores pelo MEP, restaria desconfigurada ou simplesmente ignorada a natureza jurídica das próprias Bolsas de Valores. Significa dizer que o MEP serviria para associados avaliarem sua participação no patrimônio da associação o que é totalmente incompatível com a finalidade e a estrutura de uma associação sem fins lucrativos. Acrescentese ainda que a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 determina apenas que as sociedades corretoras observem normas consubstanciadas no COSIF, mas, de forma alguma autorizou que se avaliassem investimentos em associações pelo MEP. Observase que na referida Circular inexiste autorização ou determinação para que as sociedades corretoras avaliem seus ativos representativos dos títulos patrimoniais das bolsas de valores pelo MEP. O disposto nos artigos 6°, 7° e 9° da Resolução CMN 2690/2000, em vigor indicam que as bolsas de valores não podem mais alterar o valor dos títulos patrimoniais, pois agora, se quiserem, podem emitir novos títulos e colocálos em leilão, conforme se depreende da inteligência dos referidos artigos. Confirase: Art. 6°. O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. Art. 7° As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. Parágrafo 1° O preço mínimo de emissão ou colocação de título patrimonial ou ação não será inferior ao seu valor nominal. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 18 Parágrafo 2° A emissão e colocação de títulos patrimoniais ou de ações de forma diversa da prevista no caput depende de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários ou de previsão legal. Parágrafo 3° O desdobramento de títulos patrimoniais ou de ações depende, igualmente, de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários ou de previsão legal. Art. 9° Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser apurado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. Parágrafo 1° A apuração anual do patrimônio deve ser submetida, até dez dias depois de aprovada pela assembléia geral, à Comissão de Valores Mobiliários, para sua homologação. Parágrafo 2° A falta de manifestação da Comissão de Valores Mobiliários, após trinta dias da apresentação dos respectivos processos de apuração, implicará aceitação da proposta. Parágrafo 3° O prazo previsto no parágrafo anterior poderá ser interrompido, uma única vez, por no máximo trinta dias, caso a Comissão de Valores Mobiliários requisite à bolsa de valores informações ou documentos adicionais. Como se vê, o que tais dispositivos determinam não se confunde com equivalência patrimonial, pois o MEP é método de avaliação de investimento e não, método de apuração de patrimônio social. O que os aludidos dispositivos tratam é da apuração do próprio patrimônio das bolsas de valores, de como ele deve ser repartido pelo número de títulos patrimoniais e da emissão de novos títulos. Relevante ainda explicitar quais seriam as conseqüências da pretensão do contribuinte, no sentido de utilizar o MEP para avaliar seus títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F. Nesse ponto, a própria recorrente já deixa claro o resultado pretendido por ela, ao alegar que, no momento da alienação dos títulos patrimoniais, deveria ser considerado o valor contábil dos mencionados bens. Significa dizer que, segundo a contribuinte, para verificar se houve ganho de capital, a Fiscalização teria que cotejar o valor registrado em sua contabilidade que correspondia ao valor originário do título patrimonial acrescido das atualizações efetivadas ao longo dos anos e o valor recebido na alienação título patrimonial. Assim, a recorrente discorda da metodologia empregada pela autoridade administrativa, que considerou o custo de aquisição do título patrimonial para apurar o ganho de capital da operação. O problema da proposta da contribuinte é que ela não condiz com a realidade da BOVESPA e da BM&F. Em outras palavras, a recorrente tenta fazer prevalecer os efeitos tributários do MEP para as associações sem fins lucrativos apesar de notória a disparidade entre o regime jurídico das sociedades empresárias e o regime jurídico das associações sem fins lucrativos. Assim, vale a pena explicar por qual motivo um investimento avaliado pelo MEP, ao ser alienado pela investidora, tem como parâmetro o valor contábil. Nesse ponto, importante transcrever trecho da obra Manual de Contabilidade Societária: O método da equivalência patrimonial concentra grandes complexidades e dificuldades de aplicação prática. Todavia, apresenta resultados significativamente mais adequados. Esse critério traz reflexos relevantes nas demonstrações contábeis das empresas com participação em coligadas, em controladas e em controladas em conjunto, com repercussões positivas particularmente nos mercados de capitais e de crédito. Por esse critério, Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 19 as empresas reconhecem os resultados de seus investimentos nessas entidades no momento em que tais resultados são gerados naquelas empresas, e não somente no momento em que são distribuídos na forma de dividendo, como ocorre no método de custo. (destaques não constam no original) Dessa forma, o método da equivalência patrimonial acompanha o fato econômico, o que é a geração dos resultados e não a formalidade da distribuição de tal resultado. A lógica do MEP é oportunizar às sociedades investidoras a possibilidade de registrar os resultados ainda não distribuídos pelas suas coligadas ou controladas. Especificamente quanto aos lucros, não é preciso que a sociedade investida reconheça e distribua os dividendos dos seus acionistas para que estes registrem os ganhos provenientes da coligada ou controlada. Dessa maneira, os investidores obtêm a vantagem de refletir em seus balanços contábeis os resultados de seus investimentos em coligadas ou controladas mesmo sem o efetivo recebimento. Partindo desse contexto, se um ativo foi avaliado pelo MEP significa que os dividendos não distribuídos integram o valor do investimento, ou seja, o investidor reconhece em sua contabilidade, por meio do MEP, os dividendos ainda não disponibilizados pela coligada ou controlada. É por essa razão que, no momento da alienação do investimento deve se considerar o seu valor contábil. Com efeito, os valores a que teria direito o investidor produzidos e não disponibilizados pelas suas coligadas ou controladas serão realizados com a alienação do ativo. A lógica é relativamente simples: o lucro será tributado na investida, ficando retido nesta o dividendo ainda não entregue ao investidor. Assim, os dividendos serão "recebidos" pelo investidor quando este vender um investimento pelo seu valor contábil. Isso porque o preço pago pelo ativo será composto pelo custo de aquisição mais os resultados da coligada ou controlada ainda não distribuídos. Diante disso, fica evidente que a apuração do ganho de capital na alienação dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BMF não segue a mesma lógica demonstrada acima. Com efeito, para o investimento ser avaliado pelo MEP presumese que a investida coligada ou controlada não tenha distribuído seus resultados aos acionistas. Nesse ponto reside o primeiro obstáculo à pretensão do Contribuinte, qual seja: a BOVESPA e a BMF, entidades sem fins lucrativos, não possuíam lucro e tampouco poderiam cogitar distribuírem seus resultados. Ora, Srs. Conselheiros, como aplicar o MEP às Bolsas de Valores se estas ostentavam natureza jurídica de associações sem fins lucrativos? Se não havia lucros a distribuir, qual a razão que justificaria a aplicação do MEP? Não obstante essas constatações indicarem que o MEP não é compatível com o e. ,.me jurídico da BOVESPA e da BMF enquanto associações sem fins lucrativos é possível admitir que a CVM e o Banco Central tenham determinado que as corretoras utilizassem uma técnica contábil parecida com o MEP para avaliarem os títulos patrimoniais das Bolsas de Valores. Ao que parece, a preocupação da CVM e do Banco Central era conferir transparência ao mercado de capitais. Desse modo, editaram regras específicas para que os valores dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BMF fossem atualizados na contabilidade das corretoras. Entretanto, é preciso ressaltar que essas regras criadas pela CVM e pelo Banco Central tem efeitos meramente contábeis, não atingindo a relação jurídicotributária do contribuinte com a Fazenda Pública. Isso porque, se entendermos que a manifestação da CVM Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 20 e do Banco Central teria determinado a utilização do MEP levando em consideração a relação jurídica mantida entre as Bolsas de Valores e as corretoras, teremos a seguinte conseqüência: a BOVESPA e a BM&F não são e nunca foram verdadeiras associações sem fins lucrativos; eram, na realidade, sociedades coligadas ou controladas das corretoras. Por seu turno, se esta for a linha adotada, implica dizer que as Bolsas de Valores nunca estiveram abrangidas pelos benefícios fiscais que, é bom frisar, usufruíram durante décadas. Em verdade, o recorrente almeja a produção do mesmo sentido e dos mesmos efeitos das normas societárias e contábeis no âmbito do direito tributário. Entretanto, essa pretensão somente se concretizaria se houvesse normas tributárias que previssem os efeitos pretendidos pelo contribuinte. Portanto, não merecem reparos a decisão recorrida. Diante disso, há que se reconhecer o acerto da decisão recorrida, que afastou a aplicação do MEP e apurou o ganho de capital auferido na alienação dos títulos patrimoniais tomando por parâmetro o custo de aquisição dos mencionados ativos. POSTERGAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO PELA PORTARIA N° 785, DE 1977 A recorrente sustenta que a Portaria n° 785, de 1977 expedida pelo Ministro da Fazenda teria autorizado a utilização do MEP pelas corretoras que possuíssem títulos patrimoniais da BOVESPA e da BMF. A esse respeito, já manifestei em tópico anterior, trazendo os argumentos que demonstram a improcedência do alegado pela contribuinte. Portanto, resta agora elucidar qual o sentido deve ser extraído da interpretação da referida Portaria. Inicialmente, é preciso observar que o item "II" da Portaria n° 785/1977, condiciona a aplicação do item I a que seja cumprido o disposto no art. 3°, § 3° do Decreto Lei n° 1.109, de 1970, que se assim dispunha: Art. 3° Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do impôsto de renda. (... ) § 3° Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao impôsto de renda na declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução. (destaques não constam no original) De acordo com o dispositivo acima transcrito, até mesmo os aumentos nominais dos títulos patrimoniais, decorrentes de aumento do capital social das bolsas de valores, ficam sujeitos à tributação em caso de extinção ou de redução do capital social (a qualquer título) da bolsa de valores. Desse modo, podese concluir que a Portaria n° 785/1977 servia de amparo para toda e qualquer alteração no valor do ativo representativo de título patrimonial das Bolsas, bem como autorizava a postergação da tributação de tais acréscimos para quando houvesse a redução do capital social da bolsa de valores ou a própria extinção da mesma. Não se pode ignorar o fato de que as Bolsas de Valores apesar de terem sido instituídas como associações sem fins lucrativos desenvolviam atividades que geravam enormes ganhos patrimoniais. Justamente por isso, editouse uma norma que postergava a tributação dos ganhos obtidos pelas pessoas jurídicas que operavam na Bolsa de Valores. Tratase de uma decorrência lógica da própria estrutura da BOVESPA e da BMF naquela Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 21 época, qual seja: associações sem fins lucrativos, que não poderiam distribuir qualquer parcela dos resultados auferidos em cada exercício. Ora, se não havia lucro e se os resultados não poderiam ser disponibilizados aos associados das Bolsas de Valores, não havia receita ou ganho a ser tributado. Com efeito, todos os ganhos deveriam ficar retidos nas Bolsas de Valores e estas, por sua vez, não poderiam ser tributadas dada a sua natureza jurídica de entidade sem fins lucrativos. Esse, aliás, é o conteúdo do item I da Portaria n° 785, de 1977. Em verdade tributação dos ganhos das corretoras foi adiado para o momento em que houvesse a realização do investimento. Significa dizer que as corretoras deveriam pagar tributo no momento em que recebessem de volta sua parcela do patrimônio investido nas Bolsas de Valores e fosse verificada a ocorrência de ganho de capital. É por essa razão que a Portaria n° 785, de 1977, condiciona a aplicação do item I a que seja cumprido o disposto no a . 3°, § 3° do DecretoLei n° 1.109, de 1970. Assim, caso as corretoras alienassem os seus títulos patrimoniais sofreriam a incidência do imposto sobre a renda relativamente aos ganhos que obtivessem com essa operação. A pretensão da contribuinte não demonstra razoabilidade e coerência com o ordenamento jurídico. Isso porque pretende que os ganhos patrimoniais experimentados pelas Bolsas de Valores que permanecerem durante décadas sem serem tributados agora sejam disponibilizados sem qualquer ônus tributário. Implica dizer que, a prevalecer a tese da contribuinte, nunca houve e nem haverá incidência de qualquer tributo sobre os ganhos patrimoniais obtidos pelas corretoras que operavam na BOVESPA e na BM&F o que desvirtuaria completamente o benefício trazido pela Portaria n° 785, de 1977. Diante disso, fica evidenciado que a Portaria n° 785, de 1977, apenas postergou a tributação dos ganhos provenientes das atividades desenvolvidas pelas Bolsas de Valores. Tratase da interpretação mais coerente com o ordenamento jurídico, uma vez que não gera distorções e privilégios injustificados, que beneficiariam apenas um seleto grupo de contribuintes. DO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DA CBLC A contribuinte pretende, ainda, aplicar as mesmas regras previstas para os títulos patrimoniais emitidos pela BOVESPA e pela BM&F às ações emitidas pela CBLC. Assim, segundo a recorrente, não incidiria tributos na alienação das ações da CBLC, tendo em vista que apenas teria realizado a atualização do valor das ações a exemplo do que ocorria com os títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F. A CBLC foi constituída sob a forma de sociedade anônima, ou seja, era uma sociedade empresária. Dessa maneira, fica realmente difícil vislumbrar por qual motivo suas ações deveriam receber o mesmo tratamento fiscal conferido aos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F. Ora, a natureza jurídica das Bolsas de Valores e da CBLC era totalmente distinto aquelas eram associações sem fins lucrativos, enquanto esta era uma sociedade empresária. Nessa mesma linha, a relação jurídica dos investidores da BOVESPA e da BM&F também era diferente da relação jurídicas dos investidores da CBLC, a saber: os primeiros eram associados das Bolsas de Valores, enquanto os últimos figuravam como acionistas da CBLC. Diante desse contexto, há que se reconhecer que o tratamento a ser dispensado a cada uma das instituições deve ser específico vale dizer, de acordo com as suas respectivas peculiaridades. Nesse ponto, vale a pena conferir trecho da decisão recorrida: Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 22 De todo modo, os investimentos em ações não se equiparam aos títulos patrimoniais das bolsas de valores, pois estes tinham que ser mantidos enquanto a corretora quisesse operar em bolsa (até o evento da desmutualização), ao passo que as ações da CBLC poderiam ser vendidas a qualquer momento pela corretora. Ações não são títulos patrimoniais, e não existe amparo legal para a empresa efetuar reavaliação de ações com contrapartida em conta de reserva de atualização de títulos patrimoniais, a qual deve refletir somente as variações ocorridas nos títulos patrimoniais das bolsas. Os próprios documentos apresentados pela impugnante (fls.355587) comprovam a valorização das ações da CBLC, como consta, por exemplo, no rodapé do balancete de 31/05/2007 (fls.585), justificando a reavaliação das ações da CBLC efetuada pela empresa. Portanto, resta evidente que as ações da CBLC não possuíam a mesma natureza jurídica dos títulos patrimoniais emitidos pela BOVESPA e BM&F. Com efeito, tratamse de ações de pessoa jurídica organizada sob a forma de sociedade anônima. Assim, forçoso reconhecer que a contribuinte reavaliou as mencionadas ações e, posteriormente, as alienou considerando o valor aumentado na reavaliação. Diante disso, correto o entendimento do julgador de primeira instância, no sentido de que a alienação das ações gerou ganho de capital passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL nos termos do art. 4° da Lei n° 9.959, de 2000. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA APLICAÇÃO DE MULTAS E JUROS DE MORA Quanto aos protestos da recorrente com relação a suposta extrapolação de limites constitucionais, portanto seria inconstitucional a multa aplicada, não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela CF, art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001152/201067 Acórdão n.º 1402001.263 S1C4T2 Fl. 0 23 não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. No que se refere às citações de acórdãos administrativos, cumpre destacar que não se aplicam ao presente processo, a teor do art. 100, II, do CTN, por inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa; cabe ressaltar, ainda, que no tocante a decisões judiciais, em que o interessado não figura em qualquer dos pólos da relação jurídica, as mesmas somente têm efeito entre as partes componentes dos respectivos processos judiciais. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 17460.000591/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação,
seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96.Súmula n.º 732, STF.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT.
REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária estava sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SALÁRIOEDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96.Súmula n.º 732, STF. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. JUROS/SELIC Fl. 441DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária estava sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 442DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000591/200785 Acórdão n.º 230201.667 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação fiscal de lançamento de débito – NFLD, lavrada em 29/12/2006 e cientificada ao sujeito passivo em 03/01/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 01/1996 a 05/1997, 07/1997 a 04/1998, 07/1998, 10/1998, 12/1999, 01/2000, 03/2000, 08/2000, 11/2000 a 06/2002, 08/2002, 11/2002, 06/2003, 08/2003 a 11/2003, 12/2003 (13º) a 12/2004, 01/2005, 02/2005, 04/2005 a 08/2006. De acordo com o relatório fiscal de fls. 307/310, a recorrente não apresentou todos os documentos solicitados em ação fiscal e o crédito foi apurado com base nas folhas de pagamento e demais documentos apresentados, como recibos de férias, de rescisões de contrato de trabalho e GFIP’s. Nas competências em que não foram apresentados documentos, as remunerações foram aferidas, conforme demonstrado no relatório fiscal, no item 5, à fl. 308, volume II, dos autos. Após a impugnação, Acórdão de fls. 376/383, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese: a) que o fisco utilizou a presunção para imputar valores à recorrente, ferindo o princípio da legalidade; b) a decadência qüinqüenal; c) que a UFIR como correção monetária deve ser expurgada do lançamento, assim como a SELIC como taxa de juros; d) a inconstitucionalidade do Salárioeducação; e) a ilegalidade do SAT e que tem direito a utilizar a alíquota mínima, porque o decreto não pode dispor sobre o assunto; f) que a multa é confiscatória. Requer a inconsistência da notificação. É o relatório. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação foi lavrada em 29/12/2006 e cientificada ao sujeito passivo em 03/01/2007, compreendendo o período de 01/1996 a 08/2006. A recorrente argúi a decadência e, com efeito, deve ser observado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000591/200785 Acórdão n.º 230201.667 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo ser obedecida a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode notar do exame do DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 a 32, a existência de recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 12/2001, inclusive: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto à utilização da presunção como forma de apuração do crédito lançado, não possui razão a recorrente, posto que o relatório fiscal é explícito ao afirmar que foram formalmente solicitados, através do TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, fls.312, 314 e 315, os documentos para possibilitar a auditoria fiscal e apurar os eventuais créditos existentes. Como não foram apresentados todos os documentos solicitados, os valores devidos, em algumas competências, foram apurados indiretamente com base nas GFIP’s e folhas de pagamento de outras competências, elaboradas pela própria recorrente, de sua posse, guarda e conhecimento. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000591/200785 Acórdão n.º 230201.667 S2C3T2 Fl. 4 7 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Assim, ao contrário do que diz a recorrente, o lançamento não é fundamentado em simples presunção, e sim nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. Do Mérito A recorrente não se insurge contra o mérito do levantamento, limitandose a argüir a inconstitucionalidade e ilegalidade das exações relativas ao salárioeducação, seguro acidente do trabalho, correção monetária com base na UFIR e SELIC. Com relação à contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, conforme Súmula 02 do CARF, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000591/200785 Acórdão n.º 230201.667 S2C3T2 Fl. 5 9 segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000591/200785 Acórdão n.º 230201.667 S2C3T2 Fl. 6 11 I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressalto que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Deixo de me manifestar quanto à atualização monetária, já que foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/1995, conforme a Lei n.º 8.981/95. Quanto à multa aplicada, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispunha, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 452DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000591/200785 Acórdão n.º 230201.667 S2C3T2 Fl. 7 13 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Fl. 453DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do levantamento as competências até 12/2001, inclusive, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 454DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 37071.000484/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003
SESC E SENAC. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS POR PRESTADORAS DE SERVIÇO.
Em relação às contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC devidas pelas prestadoras de serviços há que se aplicar o entendimento exarado no Parecer CJ n° 1.861, devendo ser excluídas as competências até dezembro de 2002.
Para o período posterior são devidas as contribuições em função do advento do Parecer CJ n° 2.911, que o revogou.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.594
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade foi conhecido parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: ADRIANA SATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 679 1 678 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37071.000484/200748 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 230201.594 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria Remuneração de Segurados. Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente RANDON IMPLEMENTOS E SISTEMAS AUTOMOTIVOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003 SESC E SENAC. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS POR PRESTADORAS DE SERVIÇO. Em relação às contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC devidas pelas prestadoras de serviços há que se aplicar o entendimento exarado no Parecer CJ n° 1.861, devendo ser excluídas as competências até dezembro de 2002. Para o período posterior são devidas as contribuições em função do advento do Parecer CJ n° 2.911, que o revogou. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade foi conhecido parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Declarouse impedida a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. Marco André Ramos Vieira Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 680 2 Adriana Sato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 681 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 15/12/2003, cuja ciência da Recorrente ocorreu na mesma data. De acordo com o Relatório Fiscal fls. 65 e seguintes, os fatos geradores (bases de cálculo) das contribuições sociais são: os valores pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados afastados do trabalho por motivo de acidente de trabalho, nos primeiros 15 dias, através de recibos de pagamento de salário e folha de pagamento coletiva de salário, na rubrica 00070 — Acidente do Trabalho. Tais valores foram também informados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social — GFIP e lançados na contabilidade (livros diário e razão' até a competência 10/2003) na conta contábil código 41203008 — Salário Seguro. remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados afastados do trabalho por motivo de doença relativo aos primeiros 15 dias, através de recibos de pagamento de salário, das folhas de pagamento na rubrica 00060 — Atestado, informadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e também lançadas na contabilidade (livro diário e razão até 10/2003) na conta contábil código 41203006 — Salário Doença; são as remunerações pagas ou creditadas aos administradores, lançadas na contabilidade na conta contábil Participação dos Administradores; os pagamentos efetuados a todos os empregados que completaram 25, 35 e 40 anos de trabalho na empresa e indenização proporcional aos empregados demitidos após terem completado, no mínimo, 15 anos de serviço na empresa. A Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese: principio constitucional da segurança jurídica; os levantamentos de Salário Seguro de Acidente de Trabalho — ACT e Salário Doença/Atestado — ATS são nitidamente verbas de caráter indenizatório, não havendo que se falar em falta de recolhimento, pois o contrato de trabalho que obriga o empregador ao pagamento de salário em face de prestação de serviço encontrase suspenso; indevido o recolhimento de contribuições sociais ou de Terceiros; os valores provisionados em sua contabilidade a titulo de participações que seriam distribuídas aos seus administradores não permite à D. Autoridade Previdenciária considerar esses valores como complementação de pro labore, simplesmente; o prêmio por tempo de serviço não tem natureza salarial, já que, além' de ser periódico — é pago em intervalos de dez anos anos ou mais e é eventual, pois os empregados só o Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 682 4 recebem quando completam determinado tempo de serviço à empresa, podendo alguns, ou muitos, deles sequer recebêlo; ilegalidade do INCRA; Em razão da impugnação apresentada, o processo em diligência para a manifestação do auditor fiscal notificante sobre os aspectos abordados pela recorrente no tocante aos valores considerados como remuneração ao titulo de "participação dos administradores". Às fls. 423 consta a seguinte informação fiscal: “ ... a) 0 crédito constituído através do levantamento Pro labore Indireto — PI referese a remunerações provisionadas no curso dos exercícios de 2001 e 2002, na conta de despesas 41205003 — Participação da diretoria, pertencente ao grupo de contas 41205 — Remuneração da Diretoria e Conselheiros, tendo como contrapartida a conta do passivo 21602001 Participações da Diretoria pertencente ao grupo de contas do passivo 21602 Participações a pagar (obrigações) estando perfeitamente caracterizado o reconhecimento das despesas do valor atribuído aos administradores antes da distribuição dos dividendos aos acionistas. b) Tais, valores foram pagos aos administradores nos meses de 04/2002 e 05/2003, conforme recibos apresentados por ocasião da fiscalização. 0 pagamento do mês 05/2003 pode ser confirmado na conta contábil 21602001 — Participação da Diretoria em 09/05/2003 (cópia do razão da conta em anexo), ocasião em que ocorreram os fatos geradores das contribuições previdenciárias sendo constituído o credito previdenciário nestes meses. Deste modo, vêse que o débito foi lançado por ocasião do efetivo pagamento aos administradores conforme demonstrado no Relatório de Lançamentos RL (fl. 51 do presente processo) e não quando da provisão. c) — Importante salientar que estes valores foram pagos aos administradores, não em função de sua participação no capital social da Companhia, mas em função dos serviços realizados na administração da sociedade e não estão vinculados ao retorno do capital investido como rendimento de capital, na forma de dividendos, mas como remuneração pelo exercício da administração da sociedade. Tal fato é que é o cerne da questão...” A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 683 5 A SRP apresentou contra razões, a 2ª CaJ anulou a DN e a Recorrente foi cientificada da diligência fiscal e da decisão proferida pelo CRPS. A Recorrente apresentou manifestação alegando em síntese que os valores pagos a titulo de participação nos lucros aos diretores não integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, bem como que o pagamento desses valores somente se deu após ou simultaneamente á divisão dos dividendos' aos acionistas, o que descaracteriza completamente aquela verba como "pro labore indireto". Foi proferida nova DN que julgou o lançamento procedente e a Recorrente interpôs recurso voluntário com as mesmas alegações, e, por fim, requereu: a) anular a presente NFLD, tendo em vista impossibilidade de se considerar as rubricas levantadas sobre "prêmio" por tempo de serviço pago aos empregados segurados bem como a participação nos lucros devidos aos administradores como base de cálculo para a incidência de contribuições previdenciárias, bem como os valores percebidos pelos empregados a titulo de salário seguro/acidente de trabalho e salário doença, nos primeiros quinze dias de afastamento; b) desconsiderar, por ser consectário legal da base de cálculo, as contribuições de terceiros, exigidas à alíquota de 5,8%, a titulo de Seguro de Acidente do Trabalho, Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE; c) caso não se entenda pela ilegalidade acima apontada, se desconsidere para a formação da base de cálculo os valores devidos a titulo de contribuição para INCRA, em face de toda a jurisprudência assentada pelo E. Superior Tribunal de Justiça; d) manter suspensa a exigibilidade do débito consubstanciado na presente NFLD, nos termos do inciso Ill, do artigo 151, do Código Tributário Nacional, até a decisão definitiva; e) se abster de efetuar a inscrição do questionado crédito formalizado na presente NFLD em Divida Ativa da União, pelo motivo defendido no item anterior. Às fls.648 consta uma petição da Recorrente requerendo desistência parcial do recurso e o SECAT às fls.678 informou que em análise do pedido do contribuinte, verificou que a solicitação referese a desmembramento das rubricas PI Pro labore indireto referente competências 04/2002 e 05/2003, e, operacionalizou o desmembramento, demonstrado através dos relatórios TETRA e DADD (doc. fls. 657 a 677). É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 684 6 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO PARCIALMENTE DO RECURSO em razão do pedido de desistência parcial de fls.648, e, passo a análise das questões suscitadas. Alega a Recorrente que s contribuições devidas e incidentes sobre valores pagos, em folha de pagamento aos segurados empregados a titulo de salárioseguro/acidente do trabalho e saláriodoença/atestado, referentes aos primeiros quinze dias de afastamento do trabalho por motivo de acidente ou doença, no período de 01/2002 a 11/2003 tratase de indenização, não fazendo parte do salário de contribuição. Razão não assiste a Recorrente, haja vista que muito embora a Recorrente diga que tais valores não fazem parte do salário de contribuição, o artigo 28, I, da Lei n.° 8.212/91, conceitua salário de contribuição para o segurado empregado e o seu parágrafo 92, traz as excludentes do mesmo, sendo que na letra "a", temos que não integram o salário de contribuição, os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais. Desta forma, de acordo com o preceituado na Lei n.9 8.213/91, artigo 59, o auxilio doença como beneficio previdenciário será devido ao segurado que ficar incapacitado para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos. E, o artigo 60 traz que o auxíliodoença será devido ao segurado empregado a partir do 16° (décimo sexto) dia do afastamento da atividade, sendo que no parágrafo 32 , consta, expressamente, que durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado o seu salário, ou seja, referida verba tratase de salário, devendo sobre esse salário pago incidir a contribuição previdenciária. No que se refere aos pagamentos efetuados a titulo de prêmio aos empregados que completarem 25, 35 e 40 anos de serviço na empresa e proporcionalmente àqueles demitidos após terem completado 15 anos de serviço, temos que a Recorrente regulamentou a forma de premiação, objetivando reconhecer a contribuição e o comprometimento dos funcionários com o desenvolvimento da empresa, de forma que todos os empregados ao completarem determinado tempo de serviço receberão um prêmio. Mencionada gratificação leva em conta, também, a assiduidade, na medida em que aquele empregado que ficar afastado por auxilio doença previdenciário num período continuo superior a um ano, deverá trabalhar por igual período, para fazer jus à premiação. Assim, não é procedente a alegação da Recorrente de que tais valores não são tributáveis por se tratarem de abonos desvinculados da remuneração, na forma do artigo 28, § 9, da Lei n.8.212/91, pois a disposição legal diz que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 685 7 Cumpre salientar que a desvinculação deve ser expressa, deve ter base legal e não fica condicionada ao arbítrio das empresas. Da mesma forma, os valores pagos a titulo de prêmio não possuem a característica da eventualidade, mas pelo contrário são valores pagos habitualmente pela empresa aos empregados que cumprirem determinado tempo de serviço. Assim, o pagamento efetuado decorre do contrato de trabalho, é ajustado através de acordo expresso, amplia o patrimônio do trabalhador, sendo, por sua natureza, remuneratório. O pagamento pode até ser indireto, mas representa uma vantagem proporcionada pelo empregador com o objetivo de aumentar a remuneração do trabalhador, sua satisfação, a preservação da mãodeobra e a melhoria nas relações de trabalho, visando um aumento de produtividade. A gratificação eventual, ao contrário da habitual, é aquela paga por liberalidade e a critério exclusivo da empresa inexistindo a presunção de que tal fato poderá voltar a se repetir. No processo em questão, o prêmio está presente nas normas internas da empresa, fixandose as condições para sua concessão e afastandose a eventualidade, já que habitualmente é concedido aos empregados que atingirem determinado tempo de serviço, ou mesmo que sejam demitidos após um período estipulado. Desta forma, claro está que o prêmio concedido revestese de características salariais, não havendo que se falar em eventualidade e liberalidade. O conceito de salário de contribuição, para fins de incidência contributiva previdenciária, que está contido no artigo 28 da Lei n.2 8.212/91, diz que o salário de contribuição do segurado empregado é a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade, os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. Portanto, compreendese como remuneração, além do salário, todos os valores recebidos como contraprestação pelo serviço executado, e, em função do trabalho. E, no parágrafo 9º, temos as parcelas excludentes do salário de contribuição, onde, pelo que foi anteriormente exposto, não estão inseridos os pagamentos efetuados aos segurados empregados da Recorrente. Quanto a alegação do INCRA, temos que as empresas urbanas devem recolher contribuição destinada ao INCRA, não havendo óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 686 8 Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 687 9 IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 688 10 Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 689 11 PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 690 12 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 691 13 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Por tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Quanto ao argumento de que as prestadoras de serviços não são contribuintes do SESC nem do SENAC, o mesmo não merece prosperar. As contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada. Nesse sentido é o entendimento atual do STJ, como exemplo segue ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 840946/RS, cuja relatora foi a Eminente Ministra Eliana Calmon, publicado no DJ em 29 de agosto de 2007, nestas palavras; TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também Fl. 13DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.000484/200748 Acórdão n.º 230201.594 S2C3T2 Fl. 692 14 que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012 Adriana Sato Fl. 14DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13851.000198/99-01
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1989 a 31/10/1995
|PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 01 98 /9 9- 01 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13851.000198/9901 Acórdão n.º 9900000.539 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0414 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0407, que decidiu negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N'49/199 5. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA1\4 os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos . Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial ; nos ternos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que deu provimento ao recurso. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0439, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, fls. 0442, alegando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido e caso seja deve ser declarado improcedente. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13851.000198/9901 Acórdão n.º 9900000.539 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 03/1989 a 10/1995, fls. 0105, e o pedido de restituição ocorreu em 05/03/1999, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13851.000198/9901 Acórdão n.º 9900000.539 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 05/03/1999, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 05/03/1989 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 05/03/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000287/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa: IMPUGNAÇÃO.NÃO CONHECIDA.. PRECLUSÃO.
A impugnação invalidada não produz efeitos e implica na preclusão ao direito de recorrer em segunda instância em relação à matéria não impugnada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 1998, 1999, 2000
Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.APRECIAÇÃO.
A preclusão decorrente da impugnação inválida não impede a apreciação de questões de ordem pública suscitadas no recurso voluntário desde que regularmente entregue. PIS. DECADÊNCIA.PRAZO.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do PIS, extingue se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 1402-001.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/03/2000, inclusive.Vencido o Conselheiro Antonio José Praga de Souza, que negava provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: IMPUGNAÇÃO.NÃO CONHECIDA.. PRECLUSÃO. A impugnação invalidada não produz efeitos e implica na preclusão ao direito de recorrer em segunda instância em relação à matéria não impugnada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.APRECIAÇÃO. A preclusão decorrente da impugnação inválida não impede a apreciação de questões de ordem pública suscitadas no recurso voluntário desde que regularmente entregue. PIS. DECADÊNCIA.PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do PIS, extingue se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN.
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PRECLUSÃO. A impugnação invalidada não produz efeitos e implica na preclusão ao direito de recorrer em segunda instância em relação à matéria não impugnada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.APRECIAÇÃO. A preclusão decorrente da impugnação inválida não impede a apreciação de questões de ordem pública suscitadas no recurso voluntário desde que regularmente entregue. PIS. DECADÊNCIA.PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do PIS, extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/03/2000, inclusive.Vencido o Conselheiro Antonio José Praga de Souza, que negava provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000287/200518 Acórdão n.º 1402001.121 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração de fls. 19/42 lavrado contra a empresa qualificada em epígrafe em virtude da apuração de diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos (verificações obrigatórias) da Contribuição para o PIS para os meses 01/1998 a 11/2004, exigindoselhe contribuição de R$1.621.369,03, multa de oficio de R$1.216.026,44 e juros de mora de R$743.981,91, calculados até 28/02/2005, perfazendo o total de R$3.581.377,38. No Termo de Constatação de folhas 14 a 16 o fiscal autuante informa que a ação fiscal decorreu de diligência proposta no âmbito do Processo n° 13701.000909/200282, que resultou na perda da isenção estabelecida pelo artigo 174 do RIR/99, diante da constatação de que a empresa exercita atividade econômica. Informa ainda que o contribuinte foi intimado a apresentar relações individualizadas mês a mês das contribuições para o PIS, no período de janeiro/98 a dezembro/2004 e para a Cofins, no período de abril/2001 a dezembro/2004. Quanto ao PIS, a empresa realizava os recolhimentos tomandose por base a folhas de salários, uma vez que entendia estar isenta do IRPJ (artigo 174, do RIR). Quanto à Cofins foram detectadas diferenças em diversos meses, após análise das relações apresentadas e os seus registros fiscais e contábeis. O enquadramento legal encontrase a(s) fl(s). 25,26 e 27. Cientificada em 31/03/2005, a interessada apresentou em 29/04/2005 a impugnação de fls. 52 a 61, da qual transcrevo suas alegações: A CPAD, desde o início de suas atividades no ano de 1 940, é uma entidade religiosa, sem fins lucrativos, vinculada a Convenção Geral das Assembléias de Deus, (entidade que exerce o governo da Igreja no Brasil, também, por sua vez, entidade religiosa sem fins lucrativos), cumprindo atividade genuinamente religiosa de evangelização mediante a divulgação da Palavra de Deus, na forma escrita(..) () As entidades religiosas, na literalidade do código civil, organizações religiosas, sabidamente não possuem fins lucrativos. A entidade ora autuada, evidentemente não os possui, assim rege os seus estatutos, a sua estrutura jurídica, a sua operação, a sua missão. Não se trata de uma sociedade, na entidade não existem donos, lucros, portanto não pode haver, por este simples aspecto, tributação pelo PIS, distinta daquela de que trata a lei de regência ao exigir o seu pagamento pelo valor equivalente a I% da folha de pagamento mensal. A venda das escrituras sagradas, hinários, livros teológicos e demais elementos integrantes do culto a Deus praticado pela Igreja Assembléia de Deus, no Brasil e no mundo, é atividade usual de todas as comunidades religiosas(..) Sendo entidade religiosa, sem fins lucrativos, não distribuindo lucros (pois juridicamente não os possui), não remunerando os seus dirigentes (chamados conselheiros), possuindo escrituração contábil detalhada, não se pode falar na incidência do PIS, senão aquela de 1% sobre o valor da folha de pagamento que sempre o fez. ...solicita a entidade autuada, aos Julgadores integrantes desta Respeitada Delegacia de Julgamento, que seja rejeitado in totun o lançamento tributário efetuado (.) visto que: Fl. 881DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 a)Inaplicável o lançamento do PIS tendo por base o faturamento, pelo fato de se tratar de organização religiosa, sem fins lucrativos, cujos conselheiros não são remunerados; por possuir escrituração contábil completa, reveladora de sua tipicidade operacional, diversa das características de uma empresa; e por aplicar todos os seus recursos, só e somente só, na prática religiosa; b) Não se trata de desvio de finalidade de que trata a Lei 9532, de 1997, arts. 15 a 18, pois que a atividade é religiosa, somente trata de assuntos vinculados à fé cristã conforme o seu credo. Tratase de organização religiosa mundial, estruturada em todo o mundo de forma semelhante, e portanto consoante o princípio da liberdade religiosa, extravasado na Carta Constitucional, art. 5°. VII, e art. 19, I; e de forma equivalente exposta no Código Civil, pela letra da Lei 10.825, de 22 de dezembro de 2003. Tendo sido verificado que a impugnação apresentada encontrase sem a assinatura do representante legal da contribuinte, a interessada foi intimada por duas vezes (fls. 96 e 97) a regularizar a impugnação apresentada. Em vista do não atendimento às intimações o processo foi devolvido a esta DRJ para prosseguimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1320.429 decidindo pelo não conhecimento da impugnação pelo fato do documento não ter sido assinado, o que impediria a comprovação de que teria sido apresentada por parte legítima. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado repisando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Acrescenta que a revelia não impediria a apreciação da decadência que ora suscita, por ser matéria de ordem pública. Além disso, também não haveria óbice à aplicação do artigo 106 do CTN, para que retroagisse a redução a zero da alíquota do PIS incidente sobre receita bruta decorrente da venda de livros no mercado interno, estabelecida pela Lei n° 11.033/2004. O processo foi encaminhado à Primeira Seção do CARF por se tratar de lançamento decorrente de fatos que implicaram na exigência do IRPJ. É o Relatório. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000287/200518 Acórdão n.º 1402001.121 S1C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO No âmbito do processo administrativo fiscal, o litígio só se instaura com a apresentação da impugnação regularmente entregue. Assim, a conseqüência direta da rejeição da impugnação por estar sem assinatura, o que impediria a comprovação de que foi apresentada por quem de direito, é a inépcia da defesa e a preclusão do direito do contribuinte se insurgir contra o mérito da exigência. Na peça recursal a interessada não questiona a irregularidade constatada. Afirma apenas que a revelia não impediria a autoridade administrativa de apreciar a decadência, por ser matéria de ordem pública. Nesse ponto, assiste razão ao sujeito passivo conforme remansoso entendimento doutrinário e jurisprudencial inclusive, nesse último caso, no âmbito do CARF. Com relação à decadência, a jurisprudência deste Colegiado está amplamente consolidada pela contagem do prazo nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do PIS. Importa registrar que a regra definida pelo inciso I, do art. 173, do CTN, nos termos estabelecidos pelo STJ, não tem aplicabilidade ao presente caso, pela ocorrência de pagamentos da contribuição sob exame que, inclusive, foram deduzidos na apuração da exigência. Assim, considerando a data de ciência de autuação em 31/03/2005 e apuração mensal do PIS, foram atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até 31/03/2000, inclusive. Quanto às demais razões de defesa. envolvem questões de direito em relação as quais ocorreu a preclusão no termos expostos no início deste voto. Mesmo que, por hipótese, fosse superada essa circunstância, registrese ainda que os argumentos concernentes à imunidade tributária da recorrente deveriam ser suscitados no âmbito do processo em que ocorreu a suspensão dessa imunidade. No caso da redução de alíquota, não envolve extinção de penalidade, a ser aplicada retroativamente. De todo o exposto, meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/03/2000, inclusive. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 883DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10935.720337/2011-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. LIVRO APURAÇÃO DE ICMS. Não apontados quaisquer equívocos ou erros na sua apuração é lícito o lançamento de ofício que utiliza a receita bruta registrada na escrituração fiscal (Livro Apuração de ICMS e Registro de Saídas). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 TAXA DE JUROS. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 04, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADES. Não apontados quaisquer vícios formais ou materiais a invalidar o lançamento, não podem ser acolhidas as alegações genéricas de nulidade destituídas de suporte nos elementos fáticos probatórios constantes dos autos. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. LIVRO APURAÇÃO DE ICMS. Não apontados quaisquer equívocos ou erros na sua apuração é lícito o lançamento de ofício que utiliza a receita bruta registrada na escrituração fiscal (Livro Apuração de ICMS e Registro de Saídas). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 TAXA DE JUROS. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 04, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADES. Não apontados quaisquer vícios formais ou materiais a invalidar o lançamento, não podem ser acolhidas as alegações genéricas de nulidade destituídas de suporte nos elementos fáticos probatórios constantes dos autos. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 222 1 221 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.720337/201119 Recurso nº 921.263 Voluntário Acórdão nº 180301.330 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E OUTROS Recorrente GAZZIERO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. LIVRO APURAÇÃO DE ICMS. Não apontados quaisquer equívocos ou erros na sua apuração é lícito o lançamento de ofício que utiliza a receita bruta registrada na escrituração fiscal (Livro Apuração de ICMS e Registro de Saídas). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 TAXA DE JUROS. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 04, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADES. Não apontados quaisquer vícios formais ou materiais a invalidar o lançamento, não podem ser acolhidas as alegações genéricas de nulidade destituídas de suporte nos elementos fáticos probatórios constantes dos autos. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 223 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório GAZZIERO TRANSPORTES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA/PR, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o processo de autos de infração exigindo os impostos e contribuições, devido a fiscalização motivada por diferenças identificadas entre as receitas declaradas à Fazenda Estadual e as da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e do Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais; o período total analisado foi 2007 a 2009, sendo que o contribuinte apurou os tributos Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, no período de janeiro a junho de 2007, objeto do processo nº 10935.720338/201155, e pelo lucro presumido nos demais períodos analisados, objetos deste processo, lavrado na sistemática do lucro presumido: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, fls. 135/141, no valor de R$ 9.815,16, devido a omissão de receitas da atividade apurada mediante confronto entre valores recolhidos pelo lucro presumido e valores das receitas constantes do livro Registro de Apuração do ICMS, fatos geradores em 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009; base legal nos arts. 224, 518, do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 224 3 b. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, fls. 142/150, no valor de R$ 9.853,51 relativa à mesma infração, fatos geradores mensais de 31/07/2007 a 31/12/2009 (exceto os de 31/12/2008 e 31/07/2009), (exceto os de 30/09/2007, 28/02/2008, 31/12/2008 e 31/07/2009), com base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, fls. 151/159, no valor de R$ 49.528,20 relativa à mesma infração, fatos geradores mensais de 31/07/2007 a 31/12/2009 (exceto os de 31/12/2008 e 31/07/2009); base legal nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 160/167, no valor de R$ 16.121,15 relativo à mesma infração; fatos geradores em 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2007, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009; exigida com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos apurados exigese multa de ofício de 75% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às fls. 121/134, no Termo de Verificação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação; às fls. 126 Demonstrativo da Receita Bruta considerada na apuração dos Tributos; e às fls. 127/130, Demonstrativos de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. 4. Cientificado o contribuinte em 16/05/2011, fl. 171, dos autos e do TVF, apresentou tempestivamente, em 13/06/2011 a impugnação de fls. 173/183, por meio de seu representante legal de fls. 184/185. 3. Em preliminar, pleiteia a nulidade dos autos, devido à ausência de elementos informadores no auto de infração, porque os autos embora lançados com base no MPF 0910300.2011.000331, não receberam numeração própria e portanto não foram individualizados e fazem parte do mesmo corpo, não atendem ao disposto nos arts. 2º, 10 e 11 do Decreto 70.235, de 1972; dificultam a apresentação da defesa, pois foi necessário conjugar três teses em uma apenas para combater as autuações, sendo que os autos dizem respeito à IR, PIS/Pasep e Contribuições, figuras distintas deveriam ser tratadas autonomamente. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 225 4 4. Assim, se impõe a extinção dos presentes pelo vício de forma, e não atendimento ao que determina a legislação, e em decorrência, violação do princípio da estrita legalidade. 5. No mérito, afirma que a base de cálculo obtida mediante o arbitramento dos valores com base nos que foram declarados em RAICMS, não pode ser considerada válida para a apuração dos valores devidos; que a utilização do valor do faturamento informado nas RAICMS é também indevida para a obtenção dos supostos débitos; que a fundamentação utilizada para justificar a utilização do ICMS como base para a apuração do valor devido nos impostos é indevida, pois o artigo 530, do RIR, não diz que poderão ser utilizados quaisquer critérios para o arbitramento dos valores devidos, não se prestando o ICMS para tanto; que, se não se pode demonstrar que houve algum faturamento, não há que se falar em incidência de imposto, bem como as contribuições que se exigem, sobre o que não existe; aduz que o fiscal tem elementos para apurar o real valor devido, levandose em conta a remuneração dos empregados da recorrente, em detrimento do valor da nota. 6. Também reclama de excesso de apenamento devido à aplicação de multa de ofício de 75% sobre as exigências; afirma que tal multa é excessiva, abusiva e que configura em verdadeiro confisco, transferência de patrimônio, vedado pela CF e pela própria sistemática do direito tributário, na medida que se vale dos princípios para equiparar a saciedade do Fisco aos direitos dos contribuintes; pleiteia que o percentual da multa seja reduzido a 20% e transcreve júrisprudência nesse sentido. 7. Reclama de cumulação da multa com juros de mora, o que é inadmissível, na medida em que pune duplamente o mesmo fato, ocasionando, um tipo de “bis in idem”, porque razão é uma só, o não pagamento do tributo. 8. Pugna pela da inaplicabilidade da taxa Selic, como juros de mora, afirmando que está em total descompasso com a legislação nacional e com o próprio Código Tributário Nacional CTN que prevê que a taxa de juros moratórios deve ser de, no máximo, doze por cento (12%) ao ano; sendo que o entendimento da doutrina e da jurisprudência a esse respeito é pacífico. 9. Descreve que Sistema Especial de Liquidação e Custódia é um sistema eletrônico de teleprocessamento, cujo objetivo é o registro das operações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, pelo Banco Central do Brasil, Estados e Municípios o Governo Federal, por meio dos seus órgão, utiliza esta taxa como instrumento de política monetária, e a qual inclui sempre custos que não a mera remuneração de capital, como, por exemplo, riscos, corretagem e outros serviços, sem falar a própria correção monetária e ainda contempla execrável anatocismo, na medida em que referida taxa acumulada os índices mensalmente apurados, incidindo em usura; afirma que a fixação da taxa de juros, deverá ser a do artigo 161,§ 1º, do Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 226 5 CTN, que tem caráter de lei complementar nacional, de modo que qualquer lei ordinária (incluindo a Lei n° 9.430, de 1996, que fundamentou a incidência no presente litígio) somente poderia fixar juros iguais ou inferiores a um por cento (1%) e jamais juros superiores a este percentual; que, nessa medida, a taxa Selic, para fins tributários, somente poderia exceder este limite desde que também prevista em lei complementar nacional, visto que não há como conceder que uma lei complementar nacional venha estabelecer a taxa de juros máxima e mera lei ordinária apresentar um percentual maior; afirma que Superior Tribunal de Justiça STJ já julgou ilegal e inconstitucional a utilização da Selic para fins tributários. 10. Conclui que a utilização da Selic com índice de apuração dos juros legais não é juridicamente segura, porque impede o prévio conhecimento dos juros; não é operacional, porque seu uso será inviável sempre que se calcularem somente juros ou somente correção monetária; assim como é incompatível com a regra do artigo 591 do novo Código Civil, que permite apenas a capitalização anual dos juros, razão pela qual deve ser afastada na presente autuação; e pleiteia a substituição da correção pela Selic, por outro índice que represente melhor a desvalorização da moeda, e ainda, descapitalizado nos termos da fundamentação. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0632.872, de 28 de julho de 2007 (fls. 187/197), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA. LIVRO REGISTRO APURAÇÃO ICMS. Os dados registrado pelo contribuinte para apuração do ICMS são válidos para identificação da receita bruta. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 227 6 JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigemse juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ANATOCISMO. NÃO OCORRÊNCIA. Os juros de mora Selic, exigidos sobre o imposto e contribuições lançados de ofício, não são capitalizados mensalmente, mas resultado da simples soma das taxas mensais, não configurando o anatocismo. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a acusação de bis in idem na incidência de juros de mora e multa de ofício, eis que possuem natureza jurídica diversa, tendo esta natureza punitiva, e aquele, natureza indenizatória. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Ciente da decisão em 04/08/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 203), apresentou o recurso voluntário em 30/08/2011 fls. 205/221, onde reitera os argumentos da inicial, pugnando ainda pela nulidade da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) em virtude da ausência de declaração e insuficiência de recolhimento destes Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 228 7 tributos nos anos calendários 2007, 2008 e 2009, apurada pelo confronto entre a escrituração fiscal (Livro Apuração do ICMS e Registro de Saídas) e os valores apurados/recolhidos. Alega a recorrente em síntese: a) Nulidade da decisão de primeira instância pois não observou o princípio da motivação e contraditório pois não combateu as teses da defesa e tampouco permitiu a produção de provas requeridas na impugnação; b) A nulidade dos auto de infração por falta de individuação (numeração própria); c) Impropriedade de utilização do Livro de Apuração do ICMS como base para o lançamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); d) Inaplicabilidade da taxa SELIC à título de juros de mora; e) Caráter confiscatório da multa de ofício de 75%; f) Impossibilidade de cumulação de multa de ofício e juros de mora (anatocismo). Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa da bem lançada decisão de primeira instância, esta refutou uma a uma as alegações da recorrente as quais digase revelamse eminentemente procrastinatórias pois não apontam qualquer irregularidade real no lançamento de ofício realizado. Ao revés constatase que conforme aponta o Termo de Verificação Fiscal (fls. 131/134), a fiscalizada encontravase omissa em suas obrigações acessórias na entrega das DSPJ e DIPJ (01/2007 a 06/2007 e ano calendário 2009), DCTF´s e DACOM de 2007 a 2009 e efetuou a entrega em branco das declarações dos anos calendários 2007 e 2008, fatos que não foram infirmados em seu longo arrazoado. No que tange ao não acolhimento do genérico pedido adicional de produção de provas, além de não ter indicado quais provas pretendia produzir e os respectivos quesitos o que contraria as disposições do art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, não apontou a recorrente qualquer inconsistência ou erro nos Livros Registro de Apuração do ICMS e de Saídas, única forma que poderia invalidar ou implicar alteração no lançamento de ofício realizado. Rejeito portanto as alegações de nulidade da decisão de primeira instância. Melhor sorte não colhe a recorrente em relação as alegações já deduzidas por ocasião da impugnação apresentada na primeira instância e que foram suficientemente rebatidas pelo colegiado julgador “a quo”. Com relação a suposta nulidade por falta de numeração e individuação dos autos de infração não merece acolhida pois não existe numeração dos autos de infração mas sim do processo administrativo fiscal. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.720337/201119 Acórdão n.º 180301.330 S1TE03 Fl. 229 8 Tratandose de autos de infração que foram lavrados com base nos mesmos elementos de prova (receita bruta apurada com base na escrituração fiscal) não se vislumbra qualquer nulidade ou vício no que se refere a parte formal ou material que possa invalidar o lançamento, procedimento respaldado também pelo art. 9º, § 1º do Decreto nº 70.235/72. Assim, o fato de estarem os autos de infração reunidos em um só processo não prejudica e tampouco impede a produção de quaisquer alegações em relação a cada tributo por parte da defesa, tratandose de alegações vazias e evidência eloqüente de falta de razões e argumentos por parte da recorrente. No que se refere a inaplicabilidade da taxa SELIC à título de juros de mora, a matéria é objeto de súmula, de observância obrigatória por parte desta instância julgadora administrativa: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da mesma forma, no que tange ao caráter confiscatório da multa de ofício, sua apreciação é vedada conforme entendimento consubstanciado na Súmula CARF a saber: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por derradeiro, não há qualquer óbice na legislação sobre a exigência concomitante da multa de ofício e juros de mora, pois tem nítida natureza jurídica distinta, conforme bem observou a decisão de primeira instância que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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