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Numero do processo: 13807.005429/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1992 a 31/01/1999
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de
pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em
valor maior que o devido, extinguese
com o decurso do prazo de cinco anos,
contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento
antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao
princípio da segurança jurídica.
CONSTRUÇÃO E VENDA DE IMÓVEL. RECEITA. TRIBUTAÇÃO.
A receita da empresa que se dedica à construção e venda de imóveis está
sujeita à incidência do PIS, por ser esta uma atividade tipicamente comercial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1992 a 31/01/1999 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. CONSTRUÇÃO E VENDA DE IMÓVEL. RECEITA. TRIBUTAÇÃO. A receita da empresa que se dedica à construção e venda de imóveis está sujeita à incidência do PIS, por ser esta uma atividade tipicamente comercial. Recurso Voluntário Negado.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. CONSTRUÇÃO E VENDA DE IMÓVEL. RECEITA. TRIBUTAÇÃO. A receita da empresa que se dedica à construção e venda de imóveis está sujeita à incidência do PIS, por ser esta uma atividade tipicamente comercial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/09/2011 Fl. 395DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 14/06/2002 a empresa PROMORAR ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA ingressou com pedido de restituição de PIS e de IRLL. O pedido relativo ao PIS referese a pagamentos efetuados no período de junho de 1992 a fevereiro de 1999 e alega a recorrente que a exação não incide na venda de imóveis que constrói para vender, posto que imóvel não é mercadoria e, consequentemente, o produto de sua venda não é faturamento. O pedido de restituição do IRLL foi transferido para outro processo, conforme despacho de fls. 345. A Derat em São Paulo SP indeferiu o pedido da recorrente, alegando decadência para pleitear a restituição de pagamentos efetuados há mais de 05 (cinco) anos e, para os demais períodos, em face da venda de imóveis pela recorrente tratarse de faturamento (receita bruta), base de cálculo do PIS, conforme Despacho Decisório e Relatório de fls. 203/212. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 216/237, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido. A 6a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1612.466, de 10/09/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). VENDA DE BENS IMÓVEIS. O valor total da receita auferida com as vendas de bens imóveis integra o faturamento (receita bruta), base de cálculo do PIS, no mês da efetivação das vendas. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 16/02/2009, conforme AR de fl. 357v, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 05/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 360/370, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a inocorrência da decadência (5 + 5 anos) e que imóveis não é mercadoria e o produto de sua venda não é faturamento e, portanto, não integra a base de cálculo da Cofins, sendo indevidos os pagamentos efetuados. Cita doutrina e jurisprudência judicial. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13807.005429/200220 Acórdão n.º 330201.191 S3C3T2 Fl. 379 3 Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele conheço. A recorrente está pleiteando a restituição de PIS incidente sobre a receita da venda de imóveis que constrói e vende, relativo aos fatos geradores ocorridos entre maio de 1992 e janeiro de 1999. O pedido foi indeferido porque a RFB considerou extinto o direito de pleitear a restituição para os pagamentos realizados a mais de 05 (cinco) anos e, para os demais pagamentos, porque a receita da venda de imóveis auferida pela recorrente integra o faturamento (receita bruta), base de cálculo do PIS. Em seu apelo, a empresa recorrente sustenta que o prazo de 05 (cinco) anos para pleitear a restituição contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento e, quanto ao mérito, que imóvel não é mercadoria e o produto de sua venda não pode ser tributado pelo PIS. Embora não altere o resultado do julgamento, tem a recorrente razão quanto à decadência do direito de pleitear a restituição. É que esta matéria foi apreciada e decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sessão do Pleno, realizada no dia 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621 para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Diante desta decisão do STF, para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, deverá ser adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, quanto à contagem do prazo para pleitear restituição de tributos, previsto no art. 168, I, do CTN, ou seja, referido prazo contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento efetuado e objeto do pedido de restituição. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 397DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 No caso dos autos, não ocorreu homologação expressa de pagamento. Consequentemente, o prazo para pleitear a restituição contase da data da homologação tácita. E, por esta regra, ocorreu a extinção do direito da Recorrente de pleitear a restituição em relação ao pagamento efetuado no dia 09/06/1992 não se operando a decadências para os demais pagamentos, posto que realizados a partir do dia 14/06/1992. O reconhecimento do direito de pleitear a restituição não implica em reconhecimento da legitimidade dos créditos pleiteados, pelas razões que seguem. Quanto ao mérito, não assiste razão à recorrente porque é assente na jurisprudência deste tribunal administrativo que o conceito de mercadorias para fins tributários não se restringe às coisas móveis, albergando, também, os imóveis que, tendo valor econômico, possam ser objeto de comércio. Neste sentido, as empresas voltadas para construção e comercialização de imóveis praticam ato de comércio e a receita desse operação comercial sujeitase à incidência do PIS, como bem o disse a decisão recorrida. No caso em tela, o objeto social da recorrente é a produção e comercialização de unidades imobiliárias e, portanto, pratica a recorrente atos comerciais e o produto da venda das unidade imobiliárias vendidas integra a base de cálculo do PIS, como bem fundamentou o relator do voto condutor da decisão recorrida, que ratifico. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000274/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presentes indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presentes indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presentes indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10920.000274/200593 Acórdão n.º 210201.774 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra ELOI SCAINI foi lavrado Auto de Infração, fls. 06/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 10.789,50, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até dezembro de 2004. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 16.360,00 e está assim descrita no Auto de Infração: Valores sem comprovação do efetivo pagamento, conforme consta da intimação fiscal: Fabricio Scaini = R$ 3.790,00 (filho do autuado) e Lenice T. F. Oliveira = R$ 5.760,00. Bradesco Saúde = R$ 6.810,00 documentos apresentados tem como segurado Nutriben Rest. Ind. Ltda. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0712.786, de 06/06/2008, fls. 34/36. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 25/06/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 40, o contribuinte apresentou, em 02/07/2008, recurso voluntário, fls. 41/46, onde alega, em suma, que o recorrente cumpriu os requisitos legais para efetuar a dedução relativa às despesas médicas, ou seja, apresentou os recibos de pagamentos efetuados, cumprindo assim o disposto na Lei n° 9.250/95, em seu artigo 8°, § 2°, bem como pelo disposto no Decreto nº 3000, de 1999 (inciso III do § 1° do artigo 80) e que a decisão recorrida baseiase única e exclusivamente no fato de o Sr. Fabrício Scaini ser filho do recorrente. É o Relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10920.000274/200593 Acórdão n.º 210201.774 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a decisão recorrida considerou matéria não impugnada a glosa de despesas médicas, relativa aos pagamentos efetuados ao Bradesco Seguro, de sorte que permanecem na lide somente as despesas médicas referentes ao odontólogo Fabricio Scaini e à fisioterapeuta Lenice T. F. Oliveira, nos valores de R$ 3.790,00 e R$ 5.760,00, respectivamente. Para a análise da questão controversa trazse a lume os dispositivos da legislação tributária que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10920.000274/200593 Acórdão n.º 210201.774 S2C1T2 Fl. 4 4 Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, por parte da autoridade fiscal, dúvida quanto ao efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos de tratamento médico, outras provas podem ser solicitadas. E este é o caso dos autos. A autoridade fiscal verificou que o contribuinte pleiteou dedução de despesas médicas, no valor de R$ 3.790,00, com o odontólogo Fabrício Scaini, que vem a ser filho do recorrente. Tal situação não é usual. Muito pelo contrário. Na prática, o que se verifica é que filhos não cobrem os honorários de serviços prestados aos seus pais. Nesse contexto, está perfeitamente justificada a conduta da autoridade fiscal em exigir do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento de suas despesas médicas. Ocorre que intimado, o contribuinte não se desincumbiu da comprovação do efetivo pagamento de nenhuma das deduções de despesas médicas pleiteadas. Nesse ponto, vale destacar que o contribuinte pleiteou em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) dedução de despesas médicas que foram suportadas pela pessoa jurídica da qual é sócio (Bradesco Seguro, no valor de R$ 6.810,00). Nessa conformidade, correta a conduta da autoridade fiscal em glosar a totalidade das despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte, não podendo prevalecer a alegação da defesa de que os recibos seriam suficientes para comprovar os pagamentos. Vale ainda dizer que o contribuinte também pleiteou dedução de despesas com fisioterapia, no valor total de R$ 5.760,00, representada por três recibos, a saber: R$ 1.100,00 (07/04/2000), R$ 2.160,00 (01/08/2000) e R$ 2.500,00 (24/11/2000). Nesse ponto, vale destacar que constam dos autos tabela de honorários fisioterapêuticos, fls. 20/23, onde observase que o valor de uma sessão de fisioterapia varia entre R$ 12,50 e R$ 75,00, a depender do nível de complexidade do tratamento. Logo, despesas de fisioterapia, nos valores consignados nos recibos apresentados, somente se justificaria em casos de enfermidade bastante grave e severa, o que não restou comprovado nos autos. Nestes termos, considerando que o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento, devese manter integralmente a glosa de despesas médicas. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 36216.001640/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS.. O Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), declarou a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF MATÉRIA DE REPERCUSSÃO GERAL Nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
recursos fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, as decisões sobre matérias objeto de Repercussão Geral no STF deverão ser observadas nos julgamentos administrativos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que não conheciam do recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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O Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), declarou a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de sub rogado. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF MATÉRIA DE REPERCUSSÃO GERAL Nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, as decisões sobre matérias objeto de Repercussão Geral no STF deverão ser observadas nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que não conheciam do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.001640/200491 Acórdão n.º 240102.119 S2C4T1 Fl. 598 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, em face de a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 02, a empresa deixou de declarar no campo “comercialização de produção rural” o valor das aquisições de gado para abate, efetuadas junto a produtores rurais pessoas físicas, em relação ao período de 01/1999 a 01/2002. Também informa o RF que, no decorrer da ação fiscal constatouse que a recorrente faz parte do Grupo Econômico Itaporã, cuja caracterização encontrase demonstrada no relatório “GRUPO ECONOMICO ITAPORÔ, sendo enviada, via AR, uma cópia para o recorrente e outras para as empresas Frigodema Frig. Diadema Ltda e Luso Bras. Part. E Empreendimentos Ltda., por se tratarem de coresponsáveis Inconformada com a Decisão Notificação de fls. 401 a 429, a empresa apresentou recurso, alegando em síntese: Suscita a nulidade do lançamento, por entender ter sido cerceado seu direito a ampla defesa e contraditório, uma vez que o presente Auto de Infração é desprovido de Relatório Fiscal, com a descrição clara e precisa de todos os fatos que ensejaram a aplicação da multa, dificultando o oferecimento da defesa da contribuinte, em total afronta ao disposto no artigo 5º, incisos LIV e LV, da CF. Aduz que a autoridade lançadora não logrou comprovar qualquer irregularidade nos documentos apresentados, bem como utilizouse dos mesmos motivos que fundamentaram Auto de Infração anterior, gerando aplicação em duplicidade de uma mesma penalidade pecuniária. Afirma que as autoridades administrativas julgadoras não podem deixar de apreciar questões de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades de leis ou atos normativos, sob pena de eximir a administração pública da responsabilidade pela guarda da Constituição Federal. Contrapõese à contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural (FUNRURAL), argüindo sua inconstitucionalidade por afrontar o artigo 195, § 8º, da Constituição Federal. Sustenta que a Lei nº 8.540/92 ampliou o rol de contribuintes da contribuição em comento, sem conquanto observar que tal competência é privativa de Lei Complementar, infringindo o disposto nos artigos 195, § 4º, c/c 154, inciso I, da CF, consoante se extrai dos julgados de nossos Tribunais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Defende que a fiscalização, ao promover o presente lançamento, negou validade a decisão judicial/liminar obtida em Mandado de Segurança impetrado perante o Tribunal Regional Federal de 3ª Região, objetivando afastar a cobrança dos tributos ora exigidos, sendo desnecessário, dessa forma, o destaque de referidas contribuições nas GFIP’s ou GRFP’s, tendo a contribuinte procedido da melhor forma, com estrita observância a ordem judicial. Opõese à multa aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº. 8.212/91, aduzindo para tanto que o procedimento adotado pelo fisco ao calcular a penalidade (mensalmente) é totalmente insustentável, não podendo se considerar as GFIP ou GRFP isoladamente, mas sim um todo, representando um único documento, impondo a retificação da exigência para o valor de R$ 8.278,60, sob pena de configurar confisco, o que não é admissível em nosso ordenamento jurídico, conforme preceitua o artigo 150, inciso IV, da CF. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Os contribuintes José Antônio Fernandes e Cristiano De La Noce Fernandes, coresponsáveis pelo crédito exigido, apresentaram Recurso Voluntário, às fls. 454/467, propugnando pela reforma da decisão recorrida nos seguintes termos. Requerem a exclusão da condição de coresponsáveis pelo débito em questão, ao argumento de que o fato de os recorrentes serem os únicos quotistas da sociedade Nova Fronteira Participações e Empreendimentos S/C Ltda., controladora do Frigorífico Pedra Bonita Ltda., por si só não pode conduzilos à condição de coresponsáveis, vez que o conceito de grupo econômico abrange somente as empresas que o compõe, excluídas as pessoas físicas, e bem assim não restou comprovada a existência dos requisitos inscritos no artigo 135, do CTN. Suscita, ainda, a nulidade do feito face ao descumprimento das formalidades esculpidas no artigo 175, §§ 2º e 3º, da Instrução Normativa nº 70/2002, que exige a inclusão dos coresponsáveis no anexo CORESP, bem como o envio àqueles de cópias dos documentos constitutivos do Auto de Infração, em observância ao direito da ampla defesa e contraditório. Alega que somente empresas podem ser responsabilizadas pelos créditos previdenciários constituídos em desfavor de grupo econômico, não podendo inserir pessoas físicas nesta condição. Pugnam pelo acolhimento de suas razões recursais, excluindoos da relação de coresponsáveis o presente Auto de Infração. As contribuintes Luso Brasileira Participações e Empreendimentos Ltda., e Sueli De La Noce Fernandes, interpuseram Recurso Voluntário, contra a decisão de primeira instância, requerendo, em suma, a exclusão da condição de coresponsáveis pelo débito ora lançado, por não fazerem parte do grupo econômico caracterizado indevidamente pela fiscalização. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarazões, às fls. 518/519, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. A 4ºª Câmara do CRPS proferiu o Acórdão nº 2611/2005, anulando a autuação em face da notificação do contribuinte ter ocorrido em data posterior ao prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.001640/200491 Acórdão n.º 240102.119 S2C4T1 Fl. 599 5 A SRP apresentou Pedido de Revisão, tendo este sido acolhido pela 4ª CaJ do CRPS que emitiu o Despacho Decisório nº 329/2006, anulando o Acórdão nº 2611/2005 e convertendo o julgamento em diligência para que fosse informado sobre a existência de NFLD’s correspondentes às contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural com pessoas físicas e, em caso afirmativo, para que se elucidasse o andamento das mesmas. Às fls. 563, a SRP informou existir duas notificações com o objeto da diligência, quais sejam, as de DEBCAD’s nºs. 35.512.0143 e 35.512.1441 que se encontram na Procuradoria Geral da Fazenda/ São Bernardo do Campo com exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida no MS 2002.03.00.356226 do TRF 3ª Região. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Retornam os autos após diligência determinada pela então 4ª CaJ do CRPS, de onde veio a resposta de que as NFLD’s conexas ao presente Auto de Infração, se encontram sobrestadas na Procuradoria Geral da Fazenda/ São Bernardo do Campo com exigibilidade suspensa. DAS PRELIMINARES Com relação às nulidades processuais argüidas pelo recorrente, estabelece a legislação de regência que, na hipótese de o julgador poder decidir o mérito em favor do contribuinte, deverá relevar a nulidade constatada, adentrandose às questões meritórias. É o que determina o artigo 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, nos seguintes termos: “Art.59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)” Verificase, que a situação retro encontra consonância com o caso em apreço, ensejando a não análise das nulidades processuais suscitada, em virtude de, no mérito, igualmente, melhor sorte não assistir ao Fisco, como restará à seguir demonstrado. DO MÉRITO Em tese, seria necessário aguardar o julgamento das Notificações correlatas a autuação para que não se proferisse julgamento em desacordo com o fim levado pelas autuações da obrigação principal. Contudo, no interregno entra a realização da diligência solicitada e o presente julgamento acerca da autuação, fora proferida decisão pelo Supremo Tribunal Federal – STF nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº. 863,352/MG, onde foi julgada inconstitucional a cobrança de contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado, que era prevista no art. 25, I, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 8.540/1992. Vejamos a referida decisão do STF: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.001640/200491 Acórdão n.º 240102.119 S2C4T1 Fl. 600 7 Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Após essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D à O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 17 de março de 2011. A resultado deste julgado ser observado nas decisões do CARF, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Como a presente autuação foi lavrada em face da não declaração no campo “comercialização de produção rural” o valor das aquisições de gado para abate, efetuadas junto a produtores rurais pessoas físicas, e tais contribuições foram declaradas inconstitucionais, aplicase a Repercussão Geral da decisão do STF à presente autuação. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, não conhecer das nulidades e, no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000168/2006-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Somente
a prova cumulativa da efetiva entrega dos recursos e da sua origem externa à empresa, feita através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, é capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas, a tanto não se prestando a mera alegação de capacidade financeira dos sócios
supridores
ESCRITURAÇÃO. PROVA A FAVOR DO CONTRIBUINTE.
NECESSIDADE DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. A escrituração, por
si só, não faz prova a favor do contribuinte, devendo estar acompanhada de documentos probatórios, consoante Art. 923 do RIR/99 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. 0 decidido em relação à matéria principal estende-se aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Somente a prova cumulativa da efetiva entrega dos recursos e da sua origem externa à empresa, feita através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, é capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas, a tanto não se prestando a mera alegação de capacidade financeira dos sócios supridores ESCRITURAÇÃO. PROVA A FAVOR DO CONTRIBUINTE. NECESSIDADE DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. A escrituração, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, devendo estar acompanhada de documentos probatórios, consoante Art. 923 do RIR/99 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. 0 decidido em relação à matéria principal estende-se aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Somente a prova cumulativa da efetiva entrega dos recursos e da sua origem externa à empresa, feita através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, é capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas, a tanto não se prestando a mera alegação de capacidade financeira dos sócios supridores ESCRITURAÇÃO. PROVA A FAVOR DO CONTRIBUINTE. NECESSIDADE DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. A escrituração, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, devendo estar acompanhada de documentos probatórios, consoante Art. 923 do RIR/99 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. 0 decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 395DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13116.000168/200663 Acórdão n.º 1801000.739 S1TE01 Fl. 396 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ em BrasíliaDF: Relatório Em 07/02/2006, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ/reflexos, atinentes ao ano calendário de 2002, cujo crédito tributário lançado de oficio perfaz o montante de R$44.002,20, assim discriminados por exação fiscal: Em síntese, o Relatório Fiscal de fls. 24/25 informa que no Livro Razão, relativo a 2002, consta que Ricardo Correa Borges, Osvaldo Correa Borges, José Nivaldo Oliveira e Marco Antony Suzana, sócios, teriam emprestado à Fl. 397DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 empresa, ora contribuinte, respectivamente; R$75.000,00, R$75.000,00, R$75.000,00 e R$100.000,00, em 30/12/2002, perfazendo o total de R$325.000,00. Os recursos foram obtidos pela venda de "boi gordo para abate" e "arroz em casca", conforme Notas Fiscais acostadas aos autos. 0 empréstimo encontrase informado nas DIRPF dos sócios. Os empréstimos, realizados em 30/12/2002, e o seu pagamento, realizado em 12/11/2003, foram registrados na Conta Caixa, tendo sido feitos em dinheiro, sem registro bancário ou qualquer outro comprovante. Em 2002, foram adquiridos veículos no valor de R$485.020,43, situação em que, intimado a comprovar a origem destes recursos, a contribuinte respondeu que desse montante, R$325.000,00 referirseiam a empréstimos de pessoas físicas em dinheiro. Tomando como referências o Parecer Normativo CST n° 242/1971, que dispõe que a simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para a comprovação dos suprimentos efetuados à pessoa jurídica, sendo necessário a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores, das importâncias supridas, e o art. 282 do RIR/99, decidiu a Fiscalização apurar omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da efetividade da entrega do total de R$325.000,00 em 30/12/2002. Cientificada dos lançamentos, em 07/02/2006 (Ciência do Contribuinte/Responsável as fls. 05, 09, 17 e dos Autos de Infração), a interessada.apresentou a impugnação de fls. 298/306, em 07/03/2006 (protocolo de recepção As fls. 298). ,Apoiada nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: • conforme atestaram os próprios fiscais, a Impugnante comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a regularidade das operações creditórias, contudo, os mesmos fiscais reputaram insuficiente tal documentação e consideraram todos os ingressos de 'recursos decorrentes dos empréstimos como sendo receita omitida; •'discorre sobre o art. 282 do RIR/99, no qual para se afastar a presunção de omissão de receitas há de haver a comprovação da origem dos recursos utilizados e a efetividade da entrega dos mesmos; • acerca da comprovação do ingresso dos recursos (inclusive escrituração contábil dos mesmos não restou qualquer dúvida, eis que os próprios auditores afinaram expressamente no Relatório Fiscal que os valores constam nas DIRPF dos mutuantes assim como os registros . dos empréstimos, os Fl. 398DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13116.000168/200663 Acórdão n.º 1801000.739 S1TE01 Fl. 397 5 empréstimos realizados em 30/12/2002; e os pagamentos correspondentes, realizados em 12/11/2003, foram registrados na conta "Caixa" e teriam sido feitos em dinheiro, sem registro bancário e os valores escriturados de receita guardam compatibilidade com os valores declarados, e os livros de escrituração encontramse revestidos das formalidades legais; • assim, não há se falar em não comprovação da origem externa dos recursos e da efetiva entrega de numerário pelos sócios A pessoa jurídica, a não ser que a única prova admitida para o Mister seja um comprovante ou registro bancário corno querem os autuantes; • veja que os documentos apresentados mormente as notas fiscais de vendas atestam a origem do dinheiro, coincidem em datas e.valores com os suprimentos feito a pessoa jurídica, vez que a maioria absoluta das notas dão conta de vendas de "boi gordo para abate" realizadas em outubro de 2002, enquanto que o empréstimo dos sócios à empresa foi feito em dezembro do mesmo ano, com uma diferença de dois meses, e isto, em matéria de economia, é uma das razões justificadoras para o não ingresso de tais valores em contas bancárias, vez que estariam sujeitos à tributação desnecessária pela CPMF; • com relação á efetiva entrega dos valores inerentes, a mesma foi entregue em espécie e está devidamente registrada na conta Caixa, o que elide qualquer presunção de sonegação, e o Código Civil em seu art. 1226 dispõe que "os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição"; • presumir que o valor ingressado na contabilidade sem comprovação pertence ao "caixa dois" da empresa quando o mesmo não é devidamente escriturado, bem como', não comprovada sua origem externa é permissivo legal, contudo, tentar ampliar o alcance deste dispositivo, fazendo exigências que a lei não faz, como por exemplo, a comprovação bancária de entrega dos recursos, não encontra guarida legal; • se a lei não exige que o suprimento de numerário seja feito mediante transferência bancária, pelo contrário, determina que se faça mediante tradição (art. 1226, CC), não pode o agente público, que tem atividade plenamente vinculada, exigir o contrário, estabelecendo condições que a lei não estabelece; • transcreve Acórdão do Conselho de Contribuinte para corroborar este entendimento; transcreve ensinamentos doutrinários sobre presunção legal, para concluir que, entre o fato conhecido (indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização desta correlação, sendo q4e na situação presente isto não ocorreu, não ficou demonstrada em momento algum a ligação entre o fato Fl. 399DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 conhecido (suprimento de numerário pelos sócios) e o fato desconhecido (omissão de receitas). • ante o exposto, requer o cancelamento do lançamento em sua totalidade (principal e reflexos). Em sessão de 11 de agosto de 2008, a DRJ em BrasíliaDF, julgou a impugnação e com o Acórdão 0325.926, manteve os lançamentos. Cientificada do Acórdão em 03/09/2008, interpôs Recurso Voluntário em 24/09/2008, onde repete as alegações da impugnação, afirma que os recursos provenientes de empréstimos dos sócios entraram no caixa da empresa e encontramse registrados no livro Caixa. Afirma que, de fato, presumir que o valor ingressado na contabilidade sem comprovação pertence ao “caixa dois” da empresa quando o mesmo não é devidamente escriturado, bem como não comprovada sua origem externa é permissivo legal constante em nossa legislação. Contudo, ampliar o alcance deste dispositivo, fazendo exigências que a lei não faz, como por exemplo, a comprovação bancária da entrega dos recursos não encontra guarida legal, além de ser totalmente inaceitável para fundamentar autuação. Aduz que assim é que vigente no ordenamento jurídico pátrio o princípio da legalidade ampla, voltada para o particular, segundo o qual ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei (art. 5º II da CF/88), e o da legalidade restrita, voltada para a administração pública, pelo qual o agente público só pode fazer aquilo que determina a lei (art. 37, CF/88). Diante disso, afirma que se a lei não exige que o suprimento de numerário seja feito mediante transferência bancária, pelo contrário, determina que se faça mediante tradição (art. 1226, CC), não pode o agente público, .que tem atividade plenamente vinculada, exigir o contrário, estabelecendo condições que a lei não estabelece. Colaciona decisões administrativas e citações doutrinárias que, no sem seu entendimento embasam sua fundamentação. Pede o conhecimento do Recurso e que seja declarado improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13116.000168/200663 Acórdão n.º 1801000.739 S1TE01 Fl. 398 7 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso é tempestivo e dele conheço A recorrente foi autuada por ter a fiscalização, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, apurado omissão de receitas da atividade, caracterizada pela não comprovação da efetividade da entrega, por parte dos sócios, do total de R$ 325.000,00 (trezentos e vinte e cinco mil reais), em 30/12/2002. A contribuinte alega que os recursos são provenientes de empréstimos dos sócios e encontramse registrados no livro Caixa , que os mesmos são oriundos de venda de boi gordo para abate e de arroz em casca, conforme Notas Fiscais acostadas aos autos. e que foram lançados nas DIRPF de cada um sócios, documentos estes apresentados à Fiscalização. Os empréstimos, realizados em 30/12/002 e o seu pagamento, realizado em 12/11/2003, foram registrados na conta Caixa, tendo sido feitos em dinheiro, sem registro bancário ou qualquer outro comprovante. Tomando como referências o Parecer Normativo CST n° 242/1971, que dispõe que a simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para a comprovação dos suprimentos efetuados à pessoa jurídica, sendo necessário a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores, das importâncias supridas, e o art. 282 do RIR/99, decidiu a Fiscalização apurar omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da efetividade da entrega do total de R$325.000,00 em 30/12/2002. "Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei n°1.598, de 1977, art. 12, 5S 3', e DecretoLei n° 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1°, inciso II)". A recorrente alega em seu Recurso que os fiscais autuantes, que tem atividade plenamente vinculada, exigiram o que a lei não prevê, como por exemplo, comprovante de transferência bancária.. O que a fiscalização fez, na verdade, foi cumprir as disposições do artigo 282 do RIR/99, onde são previstas as condições necessárias para a adequação da situação fática descrita no diploma legal, quais sejam, i) a comprovação da origem dos recursos e II) a comprovação da efetiva entrega dos mesmos. Fl. 401DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a esta matéria, conforme Acórdãos a seguir transcritos: "IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIOS — Os suprimentos de numerário atribuidos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis de efetividade de entrega e origem dos recursos não forem devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributados corno receitas omitidas pela empresa. 1° Conselho de Contribuintes / Ia. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.107 em 25.04.2007." "OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIOS— Os suprimentos de numerário atribuidos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis de efetividade de entrega e origem dos recursos não forem devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, caracterizam omissão de receitas. 1° Conselho de Contribuintes / 7a.Câmara /ACÓRDÃO 10708.086 em 19.05.2005." Pela análise de todo o processo, em nenhum momento, seja na fase de apresentação de documentos ou na impugnação, a recorrente não logrou apresentar à fiscalização documentos hábeis e idôneos que comprovassem a efetiva entrega dos recursos pelos sócios Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso.. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.006874/2005-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
CONTRIBUINTE SUBMETIDO AO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO PELO LUCRO REAL. FALTA DE ADIÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO, DE OFÍCIO, DA PARCELA MÍNIMA OBRIGATÓRIA.
A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral.
LUCRO INFLACIONÁRIO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INVOCAÇÃO DE PRECEDENTE DO STJ PELA NÃO TRIBUTAÇÃO. DECISÃO PERANTE CASO CONCRETO. EFEITO INTER PARTES.
A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não
beneficiando, nem prejudicando terceiros
Numero da decisão: 1802-000.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2000 CONTRIBUINTE SUBMETIDO AO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO PELO LUCRO REAL. FALTA DE ADIÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO, DE OFÍCIO, DA PARCELA MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral. LUCRO INFLACIONÁRIO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INVOCAÇÃO DE PRECEDENTE DO STJ PELA NÃO TRIBUTAÇÃO. DECISÃO PERANTE CASO CONCRETO. EFEITO INTER PARTES. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros
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FALTA DE ADIÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO, DE OFÍCIO, DA PARCELA MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral. LUCRO INFLACIONÁRIO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INVOCAÇÃO DE PRECEDENTE DO STJ PELA NÃO TRIBUTAÇÃO. DECISÃO PERANTE CASO CONCRETO. EFEITO INTER PARTES. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 168/171 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 156/161) que julgou procedente, em parte, o lançamento do IRPJ do ano calendário 2000. Quanto aos fatos: Consta do auto de infração do IRPJ que, em procedimento de revisão eletrônica de declarações (DIPJ e DCTF), foram imputadas as seguintes infrações (fls. 11/20): 1) Adições não computadas na apuração do Lucro Real. Lucro Inflacionário realizado de ofício – Realização mínima obrigatória: O fisco constatou a ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real trimestral apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2001 (anocalendário 2000), do lucro inflacionário, parcela de realização mínima obrigatória para os 4 (quatro) trimestres/2000. Intimada pela fiscalização, a contribuinte alegou, em resposta apresentada em 12/07/2005 (fl. 21), que teria oferecido à tributação todo o saldo de lucro inflacionário na DIPJ Retificadora do exercício 1999, anocalendário 1998, não restando valor a ser realizado no ano calendário 2000. Cópia do LALUR (fls. 97/103). A fiscalização, por sua vez, narrou no auto de infração do IRPJ que a contribuinte, embora tivesse – num primeiro momento adicionado o valor do lucro inflacionário na linha 11 (ficha 10) da DIPJ/1999, porém, na linha 23 (ficha 10), por último, o excluiu, a título de Saldo Dev. da Dif. Corr. Monet. Compl. – IPC/BTNf, implicando, por conseguinte, estorno da adição (sem justificativa), em todos os trimestres do anocalendário 1998. Demonstração do lucro inflacionário realizado de ofício: saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995 no valor de R$ 1.375.193,12. realização mínima obrigatória, em 2000, de 10% ao ano =R$ 137.519,31/4 = R$ 34.379,83 (valor para cada um dos 4 trimestres/2000). Fundamentação legal: Lei nº 9.065/95, art. 8º; Lei nº 9.249, arts. 6º e 7º; RIR/99, arts. 249, I, e 449. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006874/200563 Acórdão n.º 180200.989 S1TE02 Fl. 2 3 2)– Falta de recolhimento do IRPJ informado na DIPJ 2001 (ano calendário 2000). DCTFs entregues com débitos zerados: Em procedimento de análise da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF entregues pela contribuinte, a fiscalização apurou que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica informado na DIPJ estava superior ao declarado na DCTF, ensejando o lançamento dos valores não recolhidos. 1º trimestre/2000, valor do IRPJ R$ 141,44 2º trimestre/2000, valor do IRPJ R$ 108,71 3º trimestre/2000, valor do IRPJ R$ 420,01 4º trimestre/2000, valor do IRPJ R$ 1.022,70 Fundamento legal: RIR/99, art. 841, incisos I, III e IV. O imposto, de ambas as infrações imputadas, foi acrescido de multa de ofício de 75%, e respectivos juros de mora, conforme auto de infração do IRPJ (fls. 11/20). A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 15/08/2005 (fl. 34), apresentando impugnação em 13/09/2005 (fls 36/48), cujas razões, síntese, são as seguintes: Preliminar de decadência, quanto aos débitos do 1º e 2º trimestres/2000; Inexistência de Lucro Inflacionário a Realizar. Nesse sentido, juntou cópias da Parte B do Livro LALUR do anocalendário 1998 (fl. 29/31); que, se houver dúvida, se proceda diligência fiscal. Quanto aos débitos da infração “Falta de Recolhimento do IRPJ informado na DIPJ e não informado em DCTF”: a) em relação aos 3º e 4º trimestres/2000, débitos do imposto de R$ 420,01 e R$ 1.022,70, juntou cópia dos DARFs de recolhimentos e respectiva contabilização na conta 2.1.3.01.001 (fls. 95/96); b) atienente aos 1º e 2º trimestres/2000, débitos do imposto de R$ 141,44 e R$ 108,71, não comprovou pagamento; suscitou decadência. A decisão a quo: I) rejeitou o pedido de diligência fiscal por desnecessidade de outras provas (todos os elementos de prova para resolução da lide constantes dos autos); II) reconheceu a decadência, com base no art. 150, § 4º, do CTN, em relação aos débitos do imposto lançados de ofício dos 1º e 2º trimestres/2000 (de ambas as infrações imputadas), exonerando o respectivo crédito tributário; III) quanto aos 3º e 4º trimestres/2000: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 a) em relação à infração Lucro Inflacionário: manteve a infração lucro inflacionário realizado de ofício do 3º trimestre/2000 de R$ 34.379,83, valor do imposto R$ 3.609,88, mais multa de 75% e juros de mora; reduziu o valor da infração – lucro inflacionário realizado de ofício do 4º trimestre/2000 de R$ 34.379,83 para R$ 29.761,00; por conseguinte, o valor do imposto ficou reduzido de R$ 3.609,88 para R$ 3.121,91, bem assim a multa de ofício e os juros de mora; b) – em relação à infração Falta de Recolhimento do Imposto informado na DIPJ e não declarado na DCTF dos 3º e 4º trimestres/2000, em face da comprovação dos recolhimentos do imposto de R$ 420,01 e R$ 1.022,70, respectivamente, dos 3º e 4º trimestres/2000 (fls. 95/96), foi exonerado respectivo crédito tributário lançado de ofício. A ementa desse decisum foi lavrada nos seguintes termos (fl.156): (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000 IRPJ. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. No caso do imposto de renda das pessoas jurídicas, tributo sujeito ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 1° de janeiro de 1996, constatada a falta de realização minima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente parcela não oferecida à tributação, apurada com base no lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Lançamento Parcialmente Impugnado Lançamento Procedente em Parte Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006874/200563 Acórdão n.º 180200.989 S1TE02 Fl. 3 5 (...) Ciente dessa decisão em 02/03/2009 (fl. 167), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 01/04/2009 de fls. 168/171, juntando ainda os documentos de fls. 172/197, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Infração “Falta de Recolhimento do Imposto apurado e informado na DIPJ e não declarado na DCTF”: que a decisão recorrida, além acolher a decadência do crédito tributário relativo aos 1º e 2º trimestres/2000 (das duas infrações imputadas), exonerou o crédito tributário dos 3º e 4º trimestres/2000 da infração “Falta de Recolhimento do Imposto apurado e informado na DIPJ e não declarado na DCTF” (pois acatou a comprovação nos autos do processo dos respectivos pagamentos do imposto de R$ 420,01 e R$ 1.022,70 fls. 95 e 143); porém, contraditoriamente, a decisão recorrida consignou que tais valores do imposto da infração não teriam sido impugnados; que, por isso, a RFB estaria exigindo, também, esses valores, com multa de ofício e juros de mora (crédito tributário já exonerado); que não pode prosperar, nessa parte, a exigência de pagamento, pois implicaria duplicidade, o que daria margem à repetição do indébito. 2) – Infração “Falta de adição do Lucro Inflacionário”: que em relação ao crédito tributário remanescente a título de lucro inflacionário, não pode prevalecer a exigência fiscal, poi não há incidência do imposto sobre o lucro inflacionário: que o entendimento pacífico no STJ é pela não incidência do imposto sobre o lucro inflacionário, conforme ementas de decisões transcritas desse Tribunal e cópias juntadas aos autos (precedentes jurisprudenciais invocados). Por fim, a recorrente pediu, com base nessas razões, provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. A lide versa acerca da exigência de crédito tributário decorrente da infração imputada “Falta de adição do lucro inflacinário na apuração do lucro real do anocalendário 2000”, cujo valor foi realizado de ofício (crédito tributário remanescente, nos termos da decisão recorrida), ou seja: imposto do 3º trimestre/2000, valor do principal R$ 3.609,88, mais multa de 75% e juros de mora; imposto do 4º trimestre/2000, valor do principal R$ 3.121,91, bem assim a multa de ofício de 75% e os juros de mora. Quanto à obrigatoriedade de oferecimento à tributação do saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995, transcrevo o disposto nos arts. 447 e 449, do RIR/99, in verbis: Art.447.O saldo do lucro inflacionário remanescente em 31 de dezembro de 1995, atualizado monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regras contidas nesta Seção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 7º). Parágrafo único. (...) Art.448. (...) Art.449.A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado na forma do artigo anterior (Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º ). A recorrente, por sua vez, nas razões de mérito, alegou, com base em precedentes jurisprudencias do STJ, a não incidência do imposto sobre o lucro inflacionário, o qual não seria lucro real, mas mera recomposição do valor de compra da moeda, aviltado pela inflação do período considerado e que, assim, não configuraria acréscimo patrimonial. Entretanto, os precedecentes jurisprudenciais invocados não beneficiam, não favorecem a recorrente, pois tais decisões foram proferidas pelo STJ, em sede de Recurso Especial nos autos de processo judicial em que a recorrente não figurou como parte dessas demandas. Por conseguinte, os limites subjetivos da coisa julgada estão restritos às partes do Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006874/200563 Acórdão n.º 180200.989 S1TE02 Fl. 4 7 processo judicial (efeito inter partes), não beneficiando terceiros não partes (pela ausência de efeito erga omnes). Tratase da inteligência do art. 472 do Código de Processo Civil Brasileiro (Lei nº 5.869/73 e alterações ulteriores), in verbis: Art.472.A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Portanto, os precedentes jurisprudenciais invocados, perante caso concreto em processo judicial que a recorrente não foi parte, não a favorecem, devendose manter a exigência tributária acerca do lucro inflacionário, nos termos da decisão recorrida. Por derradeiro, cabe esclarecer que é incabível a exigência do crédito tributário exonerado pela decisão recorrida em relação à infração Falta de Recolhimentos ( 3º e 4º trimestres/2000), sob pena de cobrança em duplicidade. A Repartição Fiscal de origem estaria exigindo o crédito tributário como se não houvesse exoneração dessa parte, em face de contradição interna na decisão recorrida. Ocorre que a indigitada contradição não é real, mas tãosomente aparente, pois, muito antes da lavratura do auto de infração, o débito já não existia (havia sido quitado), conforme comprovam as cópias dos DARF (fl. 95) juntados por ocasião da impugnação na primeira instância de julgamento, cujos recolhimentos estão confirmados no Sistema Sinal (fl. 143). Por conseguinte, se os comprovantes de pagamento foram juntados aos autos juntamente com a impugnação, significa que, nessa parte, o crédito tributário, também, foi impugnado, tanto que foi exonerado pela decisão a quo. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000258/2002-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998, 1999
IRPF DEPUTADO ESTADUAL VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE “AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE” E DE “AUXÍLIO-HOSPEDAGEM”
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INSUBSISTENTE.
Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda
ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN.
Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.” Acórdão n° 920200.053).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Celia Sueli Artacho foi lavrado o auto de infração de fls. 40/43, objetivando a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física em decorrência da identificação, pela autoridade fiscal, da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo a título de “AuxílioEncargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”, relativamente aos exercícios de 1998 e 1999. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10249.394, que se encontra às fls. 180/190 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999 Ementa: VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA — As verbas de gabinete recebidas pelos Deputados e destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda, especificado no artigo 43 do CTN. O fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória. Recurso provido.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000258/200212 Acórdão n.º 920201.890 CSRFT2 Fl. 2 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 13/02/2009 (fls. 191) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de fls. 194/204, em que sustenta divergência entre o v. acórdão, que analisando os rendimentos recebidos a título de auxílioencargos gerais de gabinete entendeu pela não incidência do IRPF mesmo nos casos em que não há prestação de contas dessas verbas, e o entendimento expresso no acórdão 10616.157. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme Despacho nº 920200.437, de 14/10/2009 (fls. 207 e vº). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 213/230. É o Relatório Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão no presente recurso é a incidência do imposto sobre a renda de pessoa física sobre verbas recebidas a título de auxílioencargos gerais de gabinete. Nesse sentido, o acórdão recorrido (Acórdão nº 10249.394), exarado pela C. 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem cancelar lançamento por entender que tais verbas não constituem acréscimo patrimonial da contribuinte, independentemente da prestação ou não de contas da utilização dessa verba. Visando à rediscussão da matéria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 106 16.157. Entendo que o acórdão indicado como paradigma analisou situação semelhante ao presente caso, qual seja a apreciação, pelo então Conselho de Contribuintes, da natureza das verbas recebidas a título de auxílio de gabinete, como se verifica da ementa abaixo transcrita: “IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — AUXÍLIO GABINETE — Não sendo comprovada a efetiva utilização de verba recebida a título de "auxíliogabinete" para o fim a que se propõe, deve a mesma ser tomada como rendimento tributável. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE È cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso negado.” O acórdão citado como paradigma concluiu que as verbas de auxíliogabinete recebidas por deputado do Estado de São Paulo nos mesmos períodos constituem rendimentos tributáveis. Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão citado como paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No mérito a questão é bastante conhecida deste E. Colegiado, qual seja a incidência ou não de imposto sobre a renda de pessoa física sobre os valores recebidos por parlamentares a título de auxíliogabinete nos anos de 1997 e 1998, períodos em que a Assembléia Legislativa daquele Estado não exigia a comprovação dos gastos efetuados e sua vinculação ao provimento de instrumentos para o trabalho do parlamentar. Já me manifestei em diversas julgados anteriores, tanto na segunda instância quanto nesta instância especial, que essas verbas, salvo nos casos em que há a efetiva comprovação de sua utilização, devem ser consideradas como rendimentos tributáveis dos contribuintes. Nada obstante tenho restado como único voto vencido nos diversos recursos apreciados recentemente por este E. Colegiado, razão pela qual, em atenção aos princípios da moralidade, efetividade e eficiência da administração pública (Art. 37 da Constituição Federal), passo a adotar, com ressalva da minha opinião pessoal, o entendimento da maioria deste Colegiado. Para tanto, transcrevo a seguir o voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, constante do acórdão nº 920201.000, da sessão de 17/08/2010, que reflete o entendimento atual do Colegiado, in verbis: “O contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento, sob o fundamento de que os valores recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “Auxílio Hospedagem” não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Passase, então, à análise do recurso interposto pelo autuado. Pois bem, o contribuinte, na qualidade de deputado estadual em São Paulo (SP) no período compreendido entre maio de 1997 e dezembro de 1998, recebera valores da Assembléia Legislativa daquele Estado a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “AuxílioHospedagem”. Como não comprovou o oferecimento dessas verbas à tributação, embora intimado para tanto, a autoridade lançadora entendeu estar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, posição que restou endossada pela r. decisão recorrida. Tais verbas foram instituídas pela Resolução n° 783/97, da ALESP, em cujo artigo 11 consta o seguinte: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000258/200212 Acórdão n.º 920201.890 CSRFT2 Fl. 3 5 Art. 11. Ficam instituídos o AuxílioEncargos Gerais de Gabinete de Deputado e o AuxílioHospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UFESPs, destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, previstos nos artigos 1°, inciso I, alínea “I” e 8°, da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. Por sua vez, o artigo 1°, inciso I, alínea “I” e o artigo 8°, ambos da Resolução n° 776/96, da ALESP, assim estabeleciam: Art. 1°. A estrutura administrativa da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fica assim constituída: I – da Mesa e das Representações Partidárias: (...) I – Gabinete de Deputado; Art. 8°. Aos Gabinetes de Deputados, unidades subordinadas aos respectivos titulares, compete: I – prestar assessoria e assistência técnica nas matérias relacionadas à atividade parlamentar; II – representar o respectivo titular nos eventos e ocasiões por ele determinadas; III – acompanhar a tramitação de proposições de interesse do deputado; IV – providenciar sobre o expediente e as audiências do Deputado, além de outras atribuições correlatas. Relevante transcrever, também, a seguinte passagem contida em ofício encaminhado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal (fls. 0708): Sirvome do presente para, mais uma vez, tratar dos procedimentos fiscais que cuidam do recebimento do “AuxílioEncargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”, pelos senhores parlamentar com assento na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Como anteriormente dito no ofício SGA n° 076/2001, a partir de maio de 1997, os Gabinetes dos Deputados, no exercício de seus mandatos nesta Assembléia, passaram a contar, em substituição ao fornecimento de materiais e serviços disponibilizados pela Administração do Legislativo, com as verbas em questão, de valor mensal correspondente a 1.250 UFESP´S (um mil, duzentos e cinqüenta unidades fiscais do Estado de São Paulo). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 (Grifei) Podese perceber, que até abril de 1997, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fornecia aos seus deputados materiais e outros serviços não especificados e, a partir de maio de 1997, o fornecimento de tais materiais e serviços foi substituído pelo pagamento aos parlamentares das verbas denominadas “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e “AuxílioHospedagem”, no valor equivalente a 1.250 UFESP. O trabalho da autoridade fiscal, no caso, resumiuse em intimar o contribuinte para que informasse se havia oferecido à tributação os valores em referência, comprovando tal situação (fls. 1617). Como o então fiscalizado não produziu esta prova, prontamente restou lavrado o lançamento de ofício por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sem que a autoridade lançadora tentasse, ao menos, obter informações ou comprovações das despesas efetivamente realizadas pelo parlamentar como contraposição das verbas pagas a ele pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, era no sentido de que as verbas destinadas às despesas de gabinete parlamentar não se sujeitam à incidência do imposto sobre a renda, desde que estejam comprovadas ou haja uma prestação de contas. Tal posicionamento pode ser ilustrado através da transcrição das ementas dos seguintes acórdãos: VERBA DE GABINETE – Valores recebidos sob a rubrica “verba de gabinete”, destinados à aquisição de material de gabinete, passagens, assistência social e outras correlatas à atividade de gabinete parlamentar, sobre as quais devem ser prestadas contas, não se enquadram no conceito de renda. (CRSF, Primeira Turma, acórdão CSRF/0104.676, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado em 13/10/2003) IRPF – PARLAMENTAR – VERBAS DE GABINETE – Somente não se sujeitam à tributação as verbas de gabinete comprovadamente gastas com passagens aéreas, serviços postais e tarifas telefônicas, por parlamentares no exercício de seus mandatos. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, acórdão n° 104 19.058, Relator Conselheiro José Pereira do Nascimento, julgado em 05/11/2002) Entendo ser bastante coerente este posicionamento, na medida em que os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, compreendidos neste conceito o “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e o “AuxílioHospedagem” pagos pela ALESP a seus deputados, que não correspondam a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000258/200212 Acórdão n.º 920201.890 CSRFT2 Fl. 4 7 despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do Código Tributário Nacional. Nesta situação resta configurado o fato gerador do imposto sobre a renda. No caso em tela, cumpre reiterar, a autoridade lançadora, por estar convicta de que os valores em questão sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda, sequer intimou o parlamentar para que comprovasse a utilização dos recursos recebidos na finalidade para a qual foram criados. É notório, nos termos do artigo 334, inciso I, do Código de Processo Civil CPC, não sendo razoável deixar isso de lado, que os deputados têm inúmeras despesas no exercício de seus mandatos. Ao longo do processo, o contribuinte informou que a criação do “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e do “AuxílioHospedagem” visou desonerar a ALESP de diversas despesas mensais, tais como, fornecimento de combustível, peças de veículos, custos de manutenção de frota de automóveis, despesas com hospedagem, aquisição de passagens, impressão de livros e materiais didáticos, cópias reprográficas, material de escritório, assinatura de jornais e revistas e outras despesas relacionadas à atividade do gabinete parlamentar. Isso se comprova no ofício enviado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, do qual já transcrevi os excertos mais relevantes para o deslinde desta controvérsia. Sendo assim, tenho como inquestionável que se ocorreu fato gerador do imposto sobre a renda com relação aos valores recebidos da ALESP pelo Sr. Misael Margato a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “Auxílio Hospedagem”, a matéria tributável não é representada pela totalidade desses numerários. Poderseia tributar, apenas, a diferença entre os valores recebidos e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados, pois aí residiria “o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título”, previsto no artigo 3°, § 4°, da Lei n° 7.713/88. Penso, com todo o respeito, que o trabalho da autoridade lançadora não foi abrangente, como se fazia necessário. A fiscalização deste caso, sob minha ótica, deveria seguir parâmetros semelhantes àqueles adotados nos trabalhos iniciados com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal a respeito da movimentação bancária dos contribuintes. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 O lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ocorre após a intimação do contribuinte para que comprove a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, atingindo apenas os recursos sem origem comprovada. Aqui, volto a destacar, a exigência fiscal poderia alcançar tão somente a diferença entre os valores recebidos pelo recorrente da ALESP a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “AuxílioHospedagem” e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados. Por isso, entendo que o auto de infração está em desacordo com as previsões do artigo 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (Grifei) A pretensão de tributar tais verbas desrespeita, também, o artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional e vai de encontro ao princípio constitucional da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, § 1°, da Carta da República. Não havendo a adequada demonstração da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, nem tampouco da matéria tributável, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, pois o lançamento é improcedente. Ademais e embora sob outros fundamentos, devo ressaltar que esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já apreciou a matéria por diversas vezes, considerando insubsistentes os autos de infração. Com o objetivo de ilustrar tal posicionamento, trago à colação a ementa do seguinte acórdão: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física IRPF VERBA DE GABINETE – IMPOSTO DE RENDA – VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR – NÃO INCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso especial negado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000258/200212 Acórdão n.º 920201.890 CSRFT2 Fl. 5 9 (CSRF, 2ª Turma, Recurso n° 151.210, Acórdão n° 9202 00.053, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, julgado em 17/08/2009) Do voto proferido pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cumpre destacar as seguintes passagens: O exame da matéria exige que se identifique se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. (...) Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será o fato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. Ao apreciar a natureza jurídica da “verba de gabinete”, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário de n° 204.1432, julgado em 250397, em que foi relator o Ministro Octávio Gallotti, assentou que os subsídios dos Deputados Estaduais são fixados nos termos do artigo 27, § 2o., da Constituição Federal, na razão de, no máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observados o que dispõem os artigos 39, § 4o. e 57, § 7o, da Constituição. O artigo 39, § 4o., da Constituição Federal, por sua vez, prevê que “o membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no artigo 37, X e XI.” Os dispositivos constitucionais acima referidos, a exemplo do que já decidiu o Supremo Tribunal Federal, em especial nos fundamentos contidos na decisão do Ministro Sepúlveda Pertence, que ao suspender a segurança deferida no acórdão atacado por meio do Recurso Extraordinário n° 204.1432, afastou a tese de natureza remuneratória da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 denominada “verba de gabinete”, arrimando sua decisão com a seguinte passagem que transcrevo: “Que o caráter supostamente indenizatório da referida verba viesse a dissimular a indevida evasão do imposto de renda e a regra constitucional da equivalência dos tetos (CF, art. 37, XI) – segundo alega a impetração (fl. 43) – e, de sombra, a fraudar o limite de 75% da remuneração dos congressistas (art. 27, § 2o.) – é questão que diz apenas com a legitimidade do seu pagamento aos parlamentares estaduais em exercício.” Tenho que a “verba de gabinete” se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a “verba de gabinete” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. (...) Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. A impossibilidade de incidência do imposto de renda pessoa física sobre as chamadas “verbas de gabinete” é corroborada, ainda, pela jurisprudência uníssona do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme demonstram as ementas dos seguintes acórdãos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – NOVA QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS – POSSIBILIDADE – NÃOOCORRÊNCIA DE OFENSA À SÚMULA 7/STJ – IMPOSTO DE RENDA – AJUDA DE CUSTO A PARLAMENTAR – NÃOINCIDÊNCIA – PRECEDENTES. 1. A Corte Especial entende perfeitamente possível, na via do apelo especial, que o STJ, partindo dos fatos delimitados na sentença e no acórdão do Tribunal a quo, atribua nova Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000258/200212 Acórdão n.º 920201.890 CSRFT2 Fl. 6 11 qualificação e conclusão jurídica diversa daquela feita pela instância de origem, sem infringência à Súmula 7/STJ. 2. Os valores recebidos por parlamentares a título de ajuda de custo não constituem fato gerador do imposto de renda (aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN)), por ter natureza jurídica indenizatória. Precedentes do STJ. 3. Agravos regimentais não providos. (STJ, Segunda Turma, Ag.Rg. no REsp n° 1.166.717/CE, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJE de 04/03/2010) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS RECEBIDAS POR PARLAMENTAR DENOMINADAS COMO COTAS DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. As verbas de gabinete recebidas pelos parlamentares, embora pagas de modo constante, não se incorporam aos seus subsídios. Precedentes do STJ e do STF. 3. É que a incidência do imposto de renda sobre a verba intitulada “ajuda de custo” requer perquirir a natureza jurídica desta: a) se indenizatória, o que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. 4. In casu, a instância a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a verba denominada como cotas de serviço percebida pelo parlamentar (auxílio moradia, passagem, correspondência e telefone) tem natureza indenizatória, não constituindo, portanto acréscimo patrimonial. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa extensão, não provido. (STJ, Primeira Turma, REsp n° 1.074.152/RO, Relator Ministro Benedito Gonçalves, DJE de 19/08/2009) Com tais fundamentos, concluo que o lançamento é improcedente, de modo que a decisão recorrida deve ser reformada. Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, restando prejudicado o recurso da Fazenda Nacional.” Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Nesse sentido, conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13896.003160/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
AJUDA DE CUSTO. MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente não é tributada a verba denominada a ajuda de custo,
disponibilizada para fazer frente à despesas de mudança de local de trabalho, quando o sujeito passivo comprova a efetiva transferência do empregado e que a verba foi fornecida em parcela única e com esse propósito.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS
IRREGULARMENTE.
Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participação nos Lucros e Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício, devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência, que devem ficar de fora da tributação.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. CORREÇÃO PARCIAL. RELEVAÇÃO PROPORCIONAL
Até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais. previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005)
A regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona As obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas
da Administração Tributária.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-002.138
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, por
indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; II) Por unanimidade de votos, pelo provimento parcial do recurso, para: a) que se exclua da lavratura as competências 01 e 07/2004 do levantamento PLR PARTICIPAÇÃO LUCROS
RESULTADOS e todas as competências do levantamento "DED Despesas
com Educação"; e b) para que se aplique a relevação parcial da multa na proporção das contribuições declaradas até o prazo de impugnação; e III) Por maioria de votos, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 e aquele resultante do auto de infração após a relevação parcial da multa. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que votou por aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. AJUDA DE CUSTO. MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Somente não é tributada a verba denominada a ajuda de custo, disponibilizada para fazer frente à despesas de mudança de local de trabalho, quando o sujeito passivo comprova a efetiva transferência do empregado e que a verba foi fornecida em parcela única e com esse propósito. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS IRREGULARMENTE. Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participação nos Lucros e Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício, devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência, que devem ficar de fora da tributação. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. CORREÇÃO PARCIAL. RELEVAÇÃO PROPORCIONAL Até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais. previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005) A regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona As obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. AJUDA DE CUSTO. MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Somente não é tributada a verba denominada a ajuda de custo, disponibilizada para fazer frente à despesas de mudança de local de trabalho, quando o sujeito passivo comprova a efetiva transferência do empregado e que a verba foi fornecida em parcela única e com esse propósito. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS IRREGULARMENTE. Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participação nos Lucros e Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício, devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência, que devem ficar de fora da tributação. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. CORREÇÃO PARCIAL. RELEVAÇÃO PROPORCIONAL Até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais Fl. 721DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005) A regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona As obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, por indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; II) Por unanimidade de votos, pelo provimento parcial do recurso, para: a) que se exclua da lavratura as competências 01 e 07/2004 do levantamento PLR PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS e todas as competências do levantamento "DED Despesas com Educação"; e b) para que se aplique a relevação parcial da multa na proporção das contribuições declaradas até o prazo de impugnação; e III) Por maioria de votos, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 e aquele resultante do auto de infração após a relevação parcial da multa. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que votou por aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 722DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 722 3 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.160.0235, mediante o qual se aplicou ao sujeito passivo acima identificado multa pelo descumprimento da obrigação de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 04/13, a empresa deixou de declarar na guia informativa as seguintes remunerações: a) remunerações de segurados empregados não declaradas em GFIP e constantes em folhas de pagamento; b) parcela relativa à participação nos lucros, paga em desconformidade com a lei de regência; c) remunerações pagas a contribuintes individuais, constantes em folha de pagamento e/ou escrita contábil e não declaradas em GFIP; d) rubrica “960 – Ajuda de Custo Eventual”, a qual foi paga com habitualidade e em valores reajustáveis na mesma proporção dos salários; e) despesas com educação a empregados, sobre as quais a empresa não prestou esclarecimentos, e pagamento de despesas de educação vinculadas à gratificação sobre vendas; f) pagamentos de menores aprendizes que deixaram de ser informados na GFIP relativa à competência 13/2004; g) valores divergentes entre a GFIP e a contabilidade no que se refere ao pagamento de expatriados e honorários aos dirigentes e membros de conselhos empresariais; h) valores constantes em Recibos de Pagamento a Autônomos – RPA não incluídos em folha de pagamento; i) beneficiários constantes em pagamentos lançados na Declaração de Importo de Renda Retido na Fonte, não informados nas folhas de pagamento nem nas GFIP, os quais foram considerados como segurados empregados (0561 — IRRF — Rendimento do Trabalho Assalariado) e como contribuintes individuais (0588 — IRRF — Rendimento do Trabalho sem Vinculo Empregatício). A empresa apresentou impugnação, tendo a DRJ em Campinas exarado o acórdão n.º 0527.752, fls. 587/594, em que ficou decidido pela procedência da lavratura. A empresa apresentou recurso voluntário, fls. 601/614, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) impõese o sobrestamento do presente AI, ao menos até o julgamento definitivo das NFLD n.ºs 37.182.7558, 37.182.7566, 37.182.75749 37.182.7582, Fl. 724DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 723 5 37.160.0243, 37.160.0251 e 37.160.0260, uma vez que se constituem questões prejudiciais ao julgamento do presente feito; b) no julgamento da NFLD n.º 37.160.0243 foram excluídos os valores pagos a título de despesas com educação (levantamento “DED – Despesas com Educação); c) retificou as GFIP do período de janeiro a dezembro de 2004, para incluir no referido documento os fatos geradores das remunerações pagas aos empregados, estatutários e conselheiros , conforme comprovantes de entrega acostados à impugnação; d) diante das considerações acima a multa imposta deve ser retificada; e) a “Ajuda de Custo Eventual” foi repassada aos empregados a título de reembolso por despesas de representação e não foi paga com habitualidade; f) a inexistência de habitualidade se verifica pelo fato dos pagamentos da “Ajuda de Custo Eventual” terem sido feitos somente no momento da rescisão do contrato de trabalho dos empregados Mauricio Doria de Camargo, Pedro Caminha Montenegro, Maria Ines Teixeira Yamamoto e Francisco Jose Manso; g) corrigiu a infração relativa à falta de inclusão dos menores aprendizes na GFIP, por esse motivo, a penalidade correspondente a esses pagamentos deve ser excluída do AI; h) os valores da conta “Honorários” dizem respeito a pagamentos efetuados aos conselheiros e diretores da recorrente pela empresa Telecomunicações de São Paulo S.A. – TELESP, além do mais resta comprovado pela documentação acostada que essa rubrica não é composta apenas do pagamento de remunerações; i) as contribuições incidentes sobre os pagamentos feitos aos contribuintes individuais Hércio Rodrigues e Marcos Duarte da Silva foram integralmente quitadas, conforme comprovantes acostados; j) não efetuou o pagamento de PLR, no ano de 2004, em três parcelas como afirma o Fisco. Os repasses nos meses de janeiro e julho foram efetuados conforme manda a legislação, todavia, o pagamento efetuado em março contemplou apenas os empregados transferidos da empresa Katalyx Transportation do Brasil Ltda., no mês de setembro de 2003. Esse pagamento é independente do acordo de PLR feito entre a recorrente e seus trabalhadores e não pode desnaturálo; k) os valores discriminados na Planilha XIII, anexada ao presente AI, correspondem ao pagamento de aluguel a proprietários de diferentes imóveis, e não a segurados empregados e/ou contribuintes individuais, conforme pode comprovar pela juntada de novos documentos; l) a multa deve ser reduzida, considerandose a retroatividade benigna prevista no CTN, devendose assim aplicarse o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Ao final pede o reconhecimento da improcedência do AI e, caso necessário, a juntada de documentos e a realização de perícia técnica. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 É o relatório. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 724 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Conexão entre os processos Alega a recorrente que, em razão da conexão do presente AI com outros decorrentes da exigência das contribuições incidentes sobre as remunerações supostamente não declaradas, deve o presente processo permanecer sobrestado até o deslinde das contendas que possam interferir no seu julgamento. Essa alegação não deve prevalecer, posto que todos os processos que a recorrente alega ter conexão com o AI que ora se analisa, foram objeto de apreciação a poucos minutos nessa seção de julgamento. Assim, todas as questões decididas no bojo dos processos 37.182.7558, 37.182.7566, 37.182.75749 37.182.7582, 37.160.0243, 37.160.0251 e 37.160.0260 estão sendo levadas em conta no presente julgamento. Ajuda de Custo Eventual Alega a recorrente que os valores relativos à rubrica “Ajuda de Custo Eventual” não poderiam ser tributadas, posto que correspondem a reembolso de despesas de representação pagas a alguns empregados, em parcela única, portanto, sem habitualidade. Não devo concordar com essa assertiva. Conforme assinalou a própria defendente, fato corroborado pelos autos, esse pagamento deuse por ocasião da rescisão do contrato de trabalho dos empregados Mauricio Doria de Camargo, Pedro Caminha Montenegro, Maria Inês Teixeira Yamamoto e Francisco José Manso. Assim, denotase tratar de verba rescisória que não guarda relação com reembolso de despesas feitas para o trabalho, como quer fazer crer a recorrente. Vejo que nenhum comprovante da despesa supostamente feita pelos segurados foi acostada com a defesa ou com o recurso. Além de que, da conta contábil de onde foram extraídos os referidos pagamentos, “Conta: 0031012990 Outros Salários e Adicionais”, não foram exibidos os documentos que deram origem aos lançamentos, fato que nos leva a concluir que o Fisco acertou quando apurou as contribuições sobre esses valores. A recorrente ainda suscita ainda a alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 para justificar a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica, todavia, não demonstrou que os segurados envolvidos foram transferidos de local de trabalho, tampouco que as verbas foram disponibilizadas para indenizar despesas com transferência. Diante das evidências apontadas, entendo que deve ser mantida a exigência de declaração em GFIP, quanto à verba “Ajuda de Custo Eventual”. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Honorários A recorrente alega que no ano de 2004, os pagamentos efetuados aos seus conselheiros e diretores foram suportados pela empresa Telecomunicações de São Paulo S. A. – TELESP, sendo que a contribuição previdenciária foi efetuada no CNPJ da empregadora (a autuada). Em adição, afirma que os valores lançados na conta “Honorários” não se referem apenas ao pagamento de remunerações, mas a outras parcelas de caráter não remuneratório. Para comprovar a alegação, afirma ter juntado, nos autos do processo relativo à exigência das contribuições devidas, documento que atestaria a composição dos valores registrados na contabilidade. Sustenta ainda que as contribuições incidentes sobre as parcelas remuneratórias foram quitadas, conforme documentos acostados. Inicialmente, cabe ponderar que o referido demonstrativo (fl. 450 do processo n.º 13896.003148/200876) nada esclarece quanto à origem dos valores apurados. Na verdade, tratase de demonstrativo desacompanhado dos documentos que foram solicitados durante a ação fiscal e que poderiam elucidar a natureza dos valores lançados na conta contábil “Honorários”. A empresa, mesmo não tendo atendido a intimação do Fisco, o que deu ensejo à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, poderia ter, durante o contencioso, apresentado os documentos que pudessem dar guarida a sua tese de que parte dos valores constantes na referida conta contábil não seriam suscetíveis de tributação. Somente a planilha mencionada, para mim, não é suficiente a comprovar o que a empresa articula, mesmo porque a base de cálculo apurada pelo Fisco mediante análise contábil, no valor de R$ 4.017.573,75 é bastante próxima do valore informado na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica na ficha correspondente a Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração, que totalizou R$ 4.037.373,75. Pagamento de aluguéis O argumento de que o Fisco incluiu como saláriodecontribuição valores pagos a título de aluguéis, os quais teriam sido obtidos da DIRF carece de base probatória suficiente. Analisando os anexos que acompanham o AI, pude verificar que a apuração foi dividida em remuneração paga a segurados empregados (Planilha I) e remuneração paga a segurados contribuintes individuais (Planilha II). Sobre os valores lançados na “Planilha II”, a recorrente não se contrapôs, ao contrário, juntou as GFIP que supostamente saneariam a falta de declaração dos valores correspondentes. Quanto aos valores pagos aos segurados empregados, que a empresa alega serem destinados a despesas de locação de imóveis, não há nenhum documento acostado na defesa ou no recurso que comprove tal afirmação. Para solução desse ponto do recurso, já alegado em sede de defesa, é preciso que se analise a distribuição do ônus de provar no processo administrativo fiscal. Cabe ao Fisco indicar os elementos em que se baseou para efetuar a apuração do montante devido. Na Fl. 728DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 725 9 espécie, verifico que esse dever foi cumprido, quando o fisco mencionou os elementos analisados que o levaram a concluir pela existência das diferenças apuradas, os quais, digase de passagem, foram os documentos apresentados pelo contribuinte. Esse, por sua vez, alega que foram incluídas na base de cálculo parcelas não sujeitas à incidência previdenciária, as quais dizem respeito ao pagamento de aluguéis. Todavia, nada foi juntado para fazer prova dessa alegação. Sobre essa questão vale trazer à baila o que dispõe Decreto n. 70.235/1972, ao tratar da questão: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesse sentido, nítido é o ônus do contribuinte de fazer prova dos fatos que articula. No caso em tela, verifico que poderiam ter sido acostados os contratos de locação ou os recibos de pagamento, dentre outros. Nada, porém, foi oferecido ao órgão de julgamento. O ônus de provar os fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito de quem acusa é da parte adversa, conforme se infere do disposto no art. 333 do CPC, in verbis: Art.333.O ônus da prova incumbe: Iao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; IIao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Diante disso, entendo que não deva ser acatado o argumento de que foram lançadas contribuições sobre valores pagos a pessoas físicas a título de aluguéis, por absoluta falta de comprovação documental. Guias de pagamento As guias de pagamento acostadas, que a recorrente alega quitar as contribuições relativas a pagamentos efetuados a autônomos, nada afetam a lavratura em questão, haja vista que a mesma decorre de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Verba educação No julgamento da impugnação apresentada contra o AI n.º 37.160.0243, o órgão a quo excluiu do lançamento os valores agrupados no item “DED – Despesas com Fl. 729DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Educação”, por esse motivo essas omissões relativas a essas remunerações não devem ser consideradas no presente AI. Gratificação sobre vendas Apontou o Fisco pagamentos de despesas de educação como forma de premiar os segurados Ciro Alegro, Cláudia Novaes Ferreira e Fátima Campos. Tais pagamentos, segundo a Auditoria, teriam sido detectados mediante análise de faturas emitidas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. A recorrente asseverou que tais despesas não tinham caráter salarial, por esse motivo não poderiam compor a base de cálculo das contribuições. Sobre a tributação desses desembolsos posso dizer que os mesmos não constam das remunerações consideradas omitidas (ver Planilha, fl. 86 e seguintes), até porque todo o levantamento “DED – Despesas com Educação” foi excluído do crédito no julgamento de primeira instância. Nesse sentido, essa alegação recursal perdeu o objeto. Menores aprendizes O Fisco menciona no seu relatório o item de apuração denominado “FMA – FOPAG Menor Aprendiz”, o qual englobaria os valores não declarados em GFIP para a competência 13/2004 (13.º Salário), relativos aos pagamentos efetuados aos menores aprendizes. As remunerações não declaradas constam da “Planilha VIII”, fl. 101. O Fisco afirma em seu relato que as mesmas não foram declaras mesmo após a empresa ser intimada para regularizar a situação. Compulsando os autos pude verificar que os documentos colacionados pela recorrente, fls. 334/336, não são hábeis a comprovar a correção da falta quanto a esse item, posto que não apresenta a declaração dos menores aprendizes, mas apenas a totalização das informações lançadas na GFIP. Participação nos Lucros e Resultados De acordo com o Fisco, o pagamento de PLR descumpriu um dos requisitos exigidos pela Lei n.º 10.101/2000, qual seja, aquele previsto no § 2.º do art. 3.º, verbis: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 726 11 A empresa, por sua vez, aduziu que as parcelas pagas em janeiro e julho foram efetuados em consonância com o plano de PLR 2003/2004, porém, os valores repassados em março dizem respeito a pagamento estranho ao referido plano, a qual abrangeu apenas os empregados que, em setembro de 2003, foram transferidos da empresa Katalyx Transportation do Brasil Ltda. Analisemos o Acordo Coletivo de Trabalho colacionado às fls. 224/227, especificamente na parte que trata da periodicidade do PLR: 3.ª — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS , AS _ EMPRESAS ,efetuarão o pagamento da PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, da seguinte forma: PARÁGRAFO PRIMEIRO Em Fevereiro de 2004; pagarão aos empregados o valor correspondente'à Participação dos Lucros, referente ao exercício de 2003, mediante _atingimento de metas corporativas e das estabelecidas por equipes, conforme regras estabelecidas em acordo especifico. PARÁGRAFO SEGUNDO — No mês de Julho de 2.004, pagarão a cada empregado, uma parcela correspondente ao somatório, de ate 130% (cento e trinta por cento) de seu salário nominal e da vantagem pessoal, a titulo de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS, referente ao exercido de 2004, condicionado ao atingimento das metas corporativas e das estabelecidas por equipe. PARÁGRAFO TERCEIRO Os critérios de aferição de metas e avaliação de desempenho serão definidos em conjunto com a entidade sindical. Vêse então que a previsão de pagamentos é de duas vezes por ano, em semestres distintos, portanto, em consonância com a norma de regência. Concluo, então, que o pagamento efetuado no mês de março não faz parte do acordo de PLR referido, portanto sobre essa parcela devem incidir as contribuições. A meu ver, todavia, devem ficar de fora da apuração fiscal as quantias pagas em conformidade com o plano de PLR, uma vez que o próprio Fisco reconheceu que a única desconformidade do pagamento dessa rubrica foi a parcela disponibilizada no mês de março de 2004. Nesse sentido, sou forçado a concluir que o fato de ter havido o pagamento de uma parcela não contemplada no plano de PLR, mesmo que sob essa rubrica, não desnatura as demais parcelas pagas em conformidade com a norma específica. Diferentemente seria se o próprio plano já contivesse dispositivo garantindo o pagamento da PLR em periodicidade não permitida legalmente. Diante dessas considerações, não devem ser consideradas infração a falta de declaração na GFIP da verba para a título de PLR – PARTICIPAÇÃO LUCROS E RESULTADOS nas competências 01 e 07/2004. Correção parcial da falta Acerca da relevação da penalidade na proporção da correção da falta, confesso que alterei meu posicionamento a esse respeito. Em julgamento realizado nessa Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Turma no dia 16/03/2011, fui vencido nessa questão, o que me levou a uma melhor reflexão sobre o tema tendo evoluído para o entendimento firmado no citado julgamento pela maioria da Turma. Nesse sentido, para justificar meu atual posicionamento, favorável a relevação da multa de forma parcial, para as ocorrências em que inexistiu a correção integral da falta, peço licença para transcrever o voto vencedor naquela ocasião da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire (Acórdão n.º 240101.693): Ouso divergir do ilustre relator na sua seguinte afirmação: “Alinhome aos que entendem que a concessão do benefício da relevação da penalidade por descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, hoje fora do nosso ordenamento, pressupunha a integral correção de cada ocorrência.” Anteriormente, até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005): Art. 656. (...) (...) §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto: (REVOGADO PELA IN SRP nº 23/2007) I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal; II a diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. Ocorre que esta alteração, decorrente da revogação do aludido dispositivo normativo, não decorreu de alteração legal e sim de interpretação. Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 727 13 convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado ' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) , demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto, as obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados em GFIP. É como voto. Diante dessas considerações, a multa para as competências em que houve correção parcial da falta deve ser relevada na proporção das contribuições previdenciárias declaradas na GFIP. Nos termos do art. 291, § 1.º, o sujeito passivo faz jus ao benefício uma vez que detém a condição de primário e apresentou GFIP retificadoras durante ação fiscal e também no prazo para impugnar. Eis o dispositivo. Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Nesse sentido, deve o órgão preparador considerar a relevação parcial da penalidade para todas as competência em que o sistema informatizado comprove a entrega de GFIP até o prazo de defesa, contemplando fatos geradores não declarados quando do início da ação fiscal. Multa mais benéfica De fato, com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia, pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003160/200881 Acórdão n.º 240102.138 S2C4T1 Fl. 728 15 a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas, resulta em valor mais benéfico ao contribuinte, tendose em conta que, em todas as competências, a penalidade aplicada foi limitada ao teto legal. Pedido de Diligência Fiscal e juntada de documentos Quanto ao pedido de novas dilações probatórias, mediante a realização de Diligência Fiscal, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Não tenho como deixar de reconhecer que o relato do Fisco e os documentos colacionados permitem uma análise consistente da lide tributária, sendo descabido o pedido para realização de Diligência Fiscal. Do mesmo modo também não há de se acatar o pedido para a juntada de novos documentos, eis que os elementos presentes nos autos já permitem que se chegue a uma I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 conclusão segura sobre o destino dos lançamentos. Além de que esse não é o momento próprio para a produção de prova documental pelo contribuinte, visto que o § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 estabelece que esta prerrogativa processual preclui após o prazo para impugnar. Conclusão Diante das ponderações acima, voto por conhecer do recurso, por indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso, para que se exclua da lavratura as competências 01 e 07/2004 do levantamento PLR – PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS e todas as competências do levantamento “DED – Despesas com Educação”; para que se aplique a relevação parcial da multa na proporção das contribuições declaradas até o prazo de impugnação e para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 e aquele resultante do auto de infração após a relevação parcial da multa.. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16045.000268/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO OBRA
DE CONSTRUÇÃO CIVIL NÃO CONTABILIZAÇÃO DOS FATO GERADORES DA OBRA AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO
PREVIDENCIÁRIO.
Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mão de obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mão de obra, há que se utilizar o critério da aferição indireta.
A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.999
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 233 1 232 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000268/200910 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240101.999 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria AFERIÇÃO OBRA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL Recorrente TOTAL ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL NÃO CONTABILIZAÇÃO DOS FATO GERADORES DA OBRA AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mãodeobra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mãodeobra, há que se utilizar o critério da aferição indireta. A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000268/200910 Acórdão n.º 240101.999 S2C4T1 Fl. 234 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.239.2687, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração utilizada na execução da obra de construção civil acima identificada. O presente levantamento foi efetuado por arbitramento e apurado por aferição indireta, considerandose que faltou prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil acima identificada. Ainda segundo a fiscalização o procedimento adotado foi adotado ao verificar que a escrituração contábil da empresa, não espelhava a realidade por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Nos Livros Razão e Diário da empresa não existem nenhum lançamento contábil referente a esta obra, nem de mão de obra ou material utilizado, uma vez que não existe nem conta contábil específica para a mesma. Não foi possível como conseqüência, verificar se as diversas despesas com mãodeobra, ou seja, se foi registrado corretamente o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Tais registros deveriam ter sido feitos em contas individualizadas por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, conforme o caso. Estas exigências não desobrigam a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil; A autuada deixou de apresentar, dentre outros documentos solicitados para exame, o Contrato de Prestação de Serviços e/ou as Ordens de Compra citadas nas Notas Fiscais emitidas, as Folhas de Pagamentos, período de 09/04 a 01/05, relativos à obra em referencia. A Declaração prestada, cópia em anexo, ressalta tal fato. A obra teve início na competência 08/2004, tendo sido faturados serviços prestados conforme consta nas NF/Fatura de Prestação de Serviços no 82 e 94 de 18/08/2004 e 03/09/2004, respectivamente. Nesta competência, apesar de ter serviços faturados na obra, a empresa apresentou GFIP com ausência de fato gerador para a Previdência. Observase que o valor destas Notas corresponde a 40% do total faturado na obra enquanto que a mão de obra declarada nestas competências(08 e 09/2004) corresponde somente a 11% do total. O primeiro empregado foi registrado em 13/09/2004 e os demais a partir do dia 20/09/2004. Tal fato demonstra inequivocamente que não foi registrado o movimento real da remuneração dos segurados. Não restando alternativa, na falta dos documentos próprios da empresa, pertinentes a mão de obra utilizada, fezse necessário arbitrarmos o salário de contribuição, para se calcular o valor devido à Previdência Social. Observando o que determina a Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória n o 449, de 2008, procedeuse ao arbitramento da remuneração dos empregados com base nos valores das Notas Fiscais de Serviços emitidas. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 25/08/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 58 a 68. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 184 a 187, englobando os DEBCAD; procedentes o AIOP DEBCAD n° 37.239.2687 (COMPROT n° 16045.000268/200910), o AIOP DEBCAD n" 37.239.2695 (COMPROT n° 16045.000269/200956) e o AIOP DEBCAD n° 37.193.9178 (COMPROT n°16045.000267/200967, subdivididos em obrigação patronal, contribuição do segurado e terceiros. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 192 a 202, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Desta forma, tratandose de empreitada parcial, não cabia a autuada a obrigação pela matricula da CE, sendo esta obrigação da empresa AMSTED. Ressaltase que, a aferição indireta das contribuições previdenciárias, deve ser usada excepcionalmente, quando através dos documentos contábeis não se puder constatar a movimentação real da empresa. No caso em tela, toda documentação foi devidamente repassada à Auditora, a qual achou por bem, ainda assim, autuar a empresa. Na esteira desse pensamento, concluímos que, se a Auditora fiscal lavradora do auto de infração ora atacado, não apresentar o fato jurídico tributário, relacionandoo, por meio de provas irrefutáveis, ao evento verificado no mundo fenomênico, se terá por nulo o ato pela falta de um de seus pressupostos, que é a correlação lógica entre o fato e a norma infringida (nexo), ônus que cabe privativamente ao agente fiscal, não podendo este, repassar ao contribuinte tal obrigação, muito menos penalizalo por isso. A auditora fiscal, em sua investida contra a impugnante, aplicou, a seu bel prazer, multas aleatórias, e sem respaldo legal, conforme supra demonstrado, chamando a nossa atenção pela sua exorbitância. Improcede também, os juros e correções, pois ausente o principal não há que se falar em acessório.. Requer, ao final, seja declarada nula as sanções impostas, ou ainda se apreciar o mérito decidir pela improcedência. Foram ainda apresentado recursos para as demais Autos de Infração, fls. 203 a 224. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000268/200910 Acórdão n.º 240101.999 S2C4T1 Fl. 235 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 232. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação das bases de cálculo no documento DAD, não lhe confiro razão. Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições dos pagamentos feitos aos segurados descritos no relatório de Lançamentos, inclusive com a indicação do livro em que foram apurados os valores. Ademais, o relatório fiscal da infração descreve de forma detalhada, como foi realizado o lançamento, indicando inclusive sobre qual base foram apuradas as contribuições. Quanto a desobediência ao princípio da Primazia da Realizada, entendo que equivocado encontrase o argumento do recorrente, considerando que foram considerados pela autoridade fiscal, não só os documentos apresentados, como também os fatos encontrados durante o procedimento, contudo a legislação previdenciária é clara quanto ao conceito de salário de contribuição. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO Quanto à questão suscitada pela recorrente de que houve cerceamento de defesa, pois não foram apontados os fundamentos para arbitramento dos valores, não lhe confiro razão. A empresa deixou de apresentar contabilidade regular para os anos objeto do lançamento, à medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Argumentar que não está obrigado a realizar contabilidade regular face o tipo de constituição empresarial, não o abstem de efetuar os registros contábeis referentes a suas movimentações. Conforme descrito na IN 03/2005 o procedimento para a fiscalização de obra deve ter por base: FISCALIZAÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL ANÁLISE DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS (IN SRP n° 03/2005, Art. 472) A obra ou serviço de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deverá ser auditada com base na escrituração contábil e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Os lançamentos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Os registros contábeis deverão ser efetuados em centro de custo específico para cada obra. Nas obras sujeitas à responsabilidade solidária, quando a contratante não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, a fiscalização exigirá as mesmas por solidariedade. A aceitação de documento de arrecadação e GFIP com remuneração inferior aos percentuais estabelecidos pelo, fica condicionada à comprovação de que a contratada possui escrituração contábil no período de duração da obra, mediante cópia do balanço extraído do livro diário para o exercício encerrado e a declaração de que os valores encontramse contabilizados, firmada pelo representante legal ou mandatário da empresa e pelo contador, para o exercício em curso. Havendo nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços de contratada, sem prova da escrituração contábil, a contratante será responsabilizado pela diferença das contribuições apuradas na forma estabelecida pelo fisco . A remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual por serviços prestados na execução de obra de construção civil, será desconsiderada como tal e considerada como remuneração a segurado empregado, se presentes os pressupostos inerentes a esta condição, devendo ser demonstrados pela fiscalização. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000268/200910 Acórdão n.º 240101.999 S2C4T1 Fl. 236 7 A fiscalização deverá emitir Subsídio Fiscal SF, nos casos previstos em ato próprio, inerentes à atividade de construção civil. AFERIÇÃO INDIRETA Na falta de escrituração contábil, mesmo quando a empresa estiver desobrigada da apresentação ou mesmo quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro, a remuneração dos segurados utilizados para a execução da obra ou para a prestação dos serviços será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos no item 25.7.2.1 sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços de empreitada ou de subempreitada; II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos incisos I e II. Na contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma do 25.4.3.2 (da elisão), em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma dos item I, II e III retro, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. (§ 2° do art. 473 da IN 03) Na empreitada total de obra que não seja edificação, a apuração da remuneração deverá ser efetuada com base nos incisos I ou III. Ocorrendo a recusa de apresentação de qualquer documento ou informação, a apresentação deficiente desses documentos ou dessas informações ou a tentativa de sonegálos, a base de cálculo será aferida na forma acima disposta, lavrandose o respectivo autodeinfração AI. Na apuração da remuneração na obra de construção civil com base na área construída e no padrão da obra ou na apuração da mãodeobra contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço, se constatada a contratação de subempreiteiras, deverão ser constituídos os créditos das contribuições previdenciárias correspondentes, em lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Os créditos serão constituídos da seguinte forma: I mãodeobra própria; Fl. 240DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 II responsabilidade solidária; III – retenção; IV aferição da mãodeobra total. A remuneração considerada nos lançamentos previstos nos incisos I a III será deduzida do lançamento do inciso IV (aferição da mãodeobra total). No lançamento por responsabilidade solidária, de que trata o item II, não serão cobradas as contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), as quais deverão ser cobradas diretamente da empresa contratada. (§3° do art. 474 da IN 03) A fiscalização previdenciária constatou a omissão da recorrente, desse modo, descumprindo um dever jurídico, contabilização dos fatos que ocorrem na entidade, a recorrente passa a arcar com o ônus da prova em contrário. A discriminação dos fatos geradores não foi possível ser realizada de forma completa, em virtude da inércia da própria recorrente que não apresentou a documentação pertinente durante a ação fiscal, o que gerou a inversão do ônus probatório, conforme previsto no art. 33, § 3º da Lei n ° 8.212/1991, fundamento legal à fl. 22. Desse modo, ao contrário do que afirma a recorrente, o relatório fiscal esclareceu os motivos de fato e legais que ensejaram a presente notificação fiscal. Não procede o argumento de que o fisco não juntou qualquer prova no sentido de contrapor a regular documentação apresentada pela impugnante, pois uma vez não apresentando a documentação e constando tal afirmação no relatório fiscal, a empresa é quem deveria provar a regular contabilização para o ano de 2001. Não procede o argumento da recorrente de que o fiscal não tem competência para elaborar planilhas de custos de obras. A fiscalização previdenciária não elaborou planilha de custo, mas sim aferiu, de forma indireta, na forma dos ditames legais, a mãodeobra utilizada na edificação da obra. A competência para realizar tal enquadramento advém de dispositivo legal, art. 33, § 4º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 – omissis (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. O que o Auditor Fiscal fez foi simplesmente uma conta aritmética utilizando se tabela de valores elaborada pelo próprio Sinduscon, com base na área construída e no padrão da obra. Nesse sentido é esclarecedor o posicionamento da 1ª Turma do STJ no julgamento do Recurso Especial n ° 384528, cujo Relator foi o Ministro José Delgado, publicado no DJ em 10/6/2002, cuja ementa transcrevo a seguir: Fl. 241DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000268/200910 Acórdão n.º 240101.999 S2C4T1 Fl. 237 9 PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IRREGULARIDADE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 4º, DA LEI 8.212/91. REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚM. 07/STJ. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO – CUB. UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 197, DO CTN. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA CDA. SUBSTITUIÇÃO DO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ARTS. 202 E 203, DO CTN. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 13/STJ E ART. 255, DO RISTJ. PRECEDENTES. 1. Comprovada a irregularidade na escrituração contábil da pessoa jurídica, sujeito passivo da obrigação tributária, pode a Fazenda Pública, nos termos expressos do art. 33, § 4º, da Lei 8.212/91, valerse da aferição indireta dos valores devidos, conforme evidenciado na hipótese. 2. A verificação de eventual equívoco na fiscalização dos documentos contábeis da empresa recorrente, o que, em tese, afastaria a utilização do lançamento por arbitramento, é mister que encontra óbice intransponível na Súmula 07/STJ. 3. A Lei 4.591, de 16/12/64, determinou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, estabelecesse, dentre outros, critérios e normas para o cálculo de custos unitários de construção, o que foi materializado por intermédio da NB 140, atual NBR 12.721/92, que define os padrões para a apuração do Custo Unitário Básico da Construção Civil – CUB. Esta unidade de medida é calculada mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON, não havendo neste ato ingerência do agente previdenciário fiscalizador e tampouco estabelecimento de base de cálculo diversa da legalmente prevista. 4. Improcede a alegada ofensa ao art. 97 (inc. I e IV) do CTN, porquanto a Autarquia Previdenciária, ao utilizar o Custo Unitário Básico CUB, não instituiu base de cálculo por intermédio de Ordem de Serviço, mas tãosomente aplicou um método para apurála, procedimento que se evidencia inteiramente em sintonia com o § 4º, art. 33, da Lei 8.212/91. 5. Na esteira dos precedentes da Corte, a mera substituição do fator de atualização monetária – na hipótese, a TRD pelo INPC , não induz à nulidade da Certidão de Dívida Ativa – CDA, considerando que foi verificado no título todos os elementos exigidos pela Lei 6.830/80, havendo o devedor exercido regularmente o direito à ampla defesa. Ausente, dessarte, qualquer ofensa aos artigos 202 e 203, do CTN (REsp 331.343/MG, DJ 18.03.2002 e REsp 167.592/MG, DJ 17/08/1998, Relator Min. José Delgado) 6. A demonstração do dissenso pretoriano exige a similitude das situações fáticas julgadas, sendo indispensável a realização do cotejo analítico entre as teses em confronto, não se prestando ao mister paradigmas originados no mesmo tribunal recorrido, requisitos que na espécie não foram atendidos. Presente, portanto, o óbice contido na Súmula 13/STJ e artigo 255 do RISTJ. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, nego provimento. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Quanto ao argumento de que responsabilidade só pode cair sobre a executora dos serviços e que a recorrente elidiu sua responsabilidade, acontece que no presente lançamento, a empresa fiscalizada foi a própria dona da obra, que não apresentou a documentação pertinente capaz de comprovar a regularização da obra de sua responsabilidade. No presente caso, a responsabilidade pela matrícula da obra e posterior regularização é da notificada. Uma vez que o presente caso se trata de aferição, o critério para apuração de mãodeobra é aquele previsto pela autarquia previdenciária que utilizará meios indiretos normatizados em suas Instruções Normativas. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 243DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000268/200910 Acórdão n.º 240101.999 S2C4T1 Fl. 238 11 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO Fl. 244DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 245DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720016/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006
Ementa:
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto
que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1302-000.790
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 951DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10280.720016/200852 Acórdão n.º 130200.790 S1C3T2 Fl. 937 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 952DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10280.720016/200852 Acórdão n.º 130200.790 S1C3T2 Fl. 938 3 Relatório SI SERRUYA COMÉRCIO, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante da ausência de apresentação de livros de escrituração obrigatória, foi promovido o arbitramento do lucro. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, oferecendo, em síntese, os seguintes argumentos: que os lançamentos, na forma como foram efetivados, teriam dificultado o exercício da ampla defesa e do contraditório; que o valor lavrado teria efeito de confisco, extrapolando a sua capacidade de pagamento; que a documentação referente ao período fiscalizado jamais poderia ser apresentada, vez que tinha sido extraviada, conforme Boletim de Ocorrência Policial, excerto de Diário Oficial do Estado e Nota de Faturamento da Imprensa Oficial; que havia sido fiscalizada por parte do Fisco Estadual, tendo sido tributada em bases muito menores; que apresentava as DIRF 's, DCTF's e DIPJ's de todo o período fiscalizado, documentos do conhecimento da Fiscalização Federal e que elidiriam qualquer dúvida sobre o seu movimento econômico, financeiro e fiscal; que teria sido obrigada a refazer as DCTFs em razão da mudança de regime tributário, tendo apresentado as retificadoras junto ao Fisco Federal e pago as multas que lhe foram cobradas, motivo pelo qual o arbitramento não poderia prevalecer; que, ao adotar arbitramento, a Fiscalização não teria considerado os valores já declarados em DCTFs do período, tributando todo o valor sem abatimento do valor já confessado, o que se constituiria em dupla tributação, inadmissível no ordenamento jurídico pátrio; A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 01 12.855, de 22 de janeiro de 2009, pela procedência dos lançamentos. Fl. 953DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10280.720016/200852 Acórdão n.º 130200.790 S1C3T2 Fl. 939 4 O referido julgado foi assim ementado: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O ato administrativo que observa o prescrito na lei quanto à forma e é motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram, não pode ser considerado nulo. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária, mas sim uma modalidade de apuração do lucro tributável obrigatória quando a apuração do lucro real tornase impossível ou deficiente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Caracterizase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais, é lícito o lançamento que tomou por base valores tributáveis apurados por depósitos bancários não comprovados e valores declarados em DIPJ. ALEGAÇÃO DE CONFISCO E DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. DILIGÊNCIA A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 912/914, por meio do qual sustenta: que a decisão recorrida se ateve estritamente ao que fora declinado pelo Auditor Fiscal, deixando de lado matéria que foi, ainda que de forma genérica, aludida na impugnação, sem uma análise apurada; que a Fiscalização considerou, como crédito, valores estranhos a depósitos bancários (transcrevo, abaixo, considerações da Recorrente relacionadas a esse argumento de defesa); a) BANCO BRADESCO S/A — DOCUMENTOS ÀS FLS 44 A 110 DOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, não fora confeccionado pelo AFRFB o Extrato Depurado, o que impossibilitou o confronto entre os Extratos Bancários e o Extrato Depurado para a verificação dos valores considerados como Fl. 954DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10280.720016/200852 Acórdão n.º 130200.790 S1C3T2 Fl. 940 5 depósito bancário, o que, culminou num obstáculo para o direito amplo de defesa, pois comprovaríamos, em relação à Instituição Bancária em tela, os mesmos erros crassos cometidos em relação às Instituições Bancárias, abaixo relacionadas. b) BANCO SAFRA S/A DOCUMENTOS ÀS FLS 114 A 130 DOS AUTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL O Auditor Fiscal considerou como Depósito Bancário, valores diversos constantes do extrato, considerandoos como "CRÉDITO, quando não deveriam ser retirados por não se enquadrarem tecnicamente como depósito, tais como: "TRANSFERÊNCIA TB", "LIQUIDAÇÃO DE TÍTULOS E OUTROS, conforme pode se verificar pelo confronto dos valores constantes do extrato bancário, às fls. 114 a 130 com os valores do Extrato Depurado às fls. 344 e seguintes. c) BIC DOCUMENTOS ÁS FLS. 135 A 204 DOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ao analisar os documentos acima e comparálos com os documentos às fls. 382 e 210, verificou, prima facie, que valores de Cobrança de Títulos Recebidos foram creditados como Depósitos recebidos no Extrato Depurado, o que novamente mostra erro crasso por parte do Auditor Fiscal, pois demonstra desconhecimento aos conceitos elementares de contabilidade e auditoria. d) HSBC DOCUMENTOS ÀS FLS. 135 A 204 DOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – Em continuação à análise, verificou se, também, que foram lançados como crédito, valores estranhos aos conceitualmente e tecnicamente tidos como depósitos bancários, quando da confrontação extrato bancário X extrato depurado, conforme se vê às fls. 357, 358, 359, 360, etc. que fica patente o prejuízo causado, além de outros, inclusive, com violação a dispositivo constitucional, como o excesso de exação, uma vez que considerando aqueles valores como crédito, aumentou a base de cálculo dos tributos, o que já se questionara, ainda que de forma genérica, na impugnação ao Auto de Infração; Ao final, requerendo a reforma da decisão exarada em primeira instância e a desconstituição do crédito tributário, a Recorrente protesta pela realização de perícia nos extratos bancários que serviram de base para os lançamentos tributários. É o Relatório. Fl. 955DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10280.720016/200852 Acórdão n.º 130200.790 S1C3T2 Fl. 941 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Aprecio, em primeiro lugar, as condições de admissibilidade do apelo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém proferiu decisão em sessão realizada em 22 de janeiro de 2009, indeferindo a impugnação interposta pela contribuinte (fls. 879/890). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém elaborou intimação à contribuinte para fins de ciência da citada decisão (fls. 892). Não obstante o aviso de recebimento de fls. 902, em que se verifica o recebimento, em 20 de fevereiro de 2009, da intimação em referência, a contribuinte foi considerada cientificada da decisão de primeira instância em 03 de março de 2009, conforme aviso de recebimento de fls. 906. Em 03 de abril de 2009, conforme registro de fls. 912, a contribuinte impetrou recurso voluntário. Consoante as disposições constantes do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, temos que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão ... Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ... Assim, à luz dos elementos reunidos nos autos, vêse que a decisão prolatada em primeira instância foi cientificada à contribuinte em 03 de março de 2009, sendo, portanto, o recurso apresentado em 03 de abril de 2009 intempestivo, resultando daí que, nos termos do artigo 42 acima transcrito, a decisão em referência passou a ser definitiva. Diante do exposto, deixo de conhecer o recurso, por perempto. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 956DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10280.720016/200852 Acórdão n.º 130200.790 S1C3T2 Fl. 942 7 Fl. 957DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10865.000697/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/10/2009
CUSTEIO AI OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÕES SOBRE CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO.
A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991.
Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/10/2009
EXCLUSÃO DOS CO-RESPONSÁVEIS IMPOSSIBILIDADE INDICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELA EMPRESA.
Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.168
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2007 a 30/10/2009 CUSTEIO AI OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÕES SOBRE CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/10/2009 EXCLUSÃO DOS CO-RESPONSÁVEIS IMPOSSIBILIDADE INDICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELA EMPRESA. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 83 1 82 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000697/201082 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.168 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente FAURECIA EMISSIONS CONTROL TECHNOLOGIA LIMEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2007 a 30/10/2009 CUSTEIO AI OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÕES SOBRE CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/10/2009 EXCLUSÃO DOS CORESPONSÁVEIS IMPOSSIBILIDADE INDICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELA EMPRESA. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 90DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.000697/201082 Acórdão n.º 240102.168 S2C4T1 Fl. 84 3 Relatório A presente AI – Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.248.7726, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho médico, no período de 11/2007 a 10/2009. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 19, constituem fatos geradores das contribuições lançadas, os valores pagos à Cooperativa de Trabalho Médico — MEDICAL Medicina Cooperativa Assistencial de Limeira (SP), cujos valores encontramse demonstrados no Discriminativo do Débito — DD, parte integrante deste Lançamento de Débito. Para a determinação da Base de Cálculo, aplicouse o índice de 30% (trinta por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme disposto na alínea "a" do Inciso I do Art. 291. da IN SRP N° 03, de 14 de julho de 2005. Para efeitos de esclarecimento, importante mencionar que a autoridade fiscal procedeu ao comparativo entre a multa aplicada e a adequação ao termos da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 03/03/2010 tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/03/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 33 a 44. Foi exarada a Decisão de 1ª instância, fls. 59 a 61, que confirmou a procedência total do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 67 a . Em síntese, a recorrente alega: 1. É equivocada a exigência de tributo o qual a autuada não participou da relação jurídica para informação. 2. O fundamento legal da contribuição artigo 22, IV da Lei 8.212/91 — é claro ao destacar que esta incide sobre os serviços prestados à empresa por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. No entanto, a autua da não usufruiu dos serviços dos cooperados da Medical. 3. Sua atividade é incompatível com os serviços prestados pela Cooperativa de Trabalho Médico, os quais são destinados ao atendimento humano com vistas {a aplicação da medicina, não guardando qualquer relação com o objeto social da Recorrente). 4. Constrói argumento que culmina com a afirmação de que o critério material da regra matriz de incidência não está presente no caso sob análise, tendo em vista que a cooperativa não oferece serviços a autuada e a emissão de nota fiscal em relação a esta Fl. 92DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 justificase por ser mandatária de seus funcionários, estes sim, atendidos pelos cooperados e, portanto, os tomadores de serviço. 5. Desenvolvese a relação entre o médico e o funcionário da autuada (ambas pessoas físicas), sendo a cooperativa e a autuada meros representantes de cada um deles para viabilizar o pagamento. 6. Não se pode argumentar que a intermediação promovida pela autuada lhe trouxe beneficio indireto, até porque isso não tem qualquer conotação com seu objeto social. 7. Melhor esclarecendo, os funcionários da Recorrente são atendidos pelos cooperados que integram a Cooperativa de Trabalho Médico, de sorte que são eles os tomadores de serviços da cooperativa e não a Recorrente. 8. Ainda que se pretendesse responsabilizar a autuada pelo fato de ter recebido a nota fiscal em seu nome e até mesmo custear parte do valor, nos termos do artigo 458 da CLT tais valores não constituem salário in natura sobre o qual incide contribuição previdenciária. Alias, o próprio artigo 28, § 9., "q" da Lei 8.212/91 exclui tais valores do conceito de saláriodecontribuição. 9. Não havendo que se falar em tributo não cabe sua declaração e, conseqüentemente, é descabida a Representação Fiscal para Fins Penais. 10. É indevida a vinculação de pessoas físicas na condição de sujeito passivo, tendo sido o artigo 13, parágrafo único, da Lei 8.620/93, revogado pela Lei 11.941/2009. 11. Inexiste qualquer apuração da responsabilidade subjetiva das pessoas indicadas no Relatório de Vínculos, carecendo o procedimento adotado pela fiscalização de sustentação legal ou jurídica. 12. Ao final, requer o provimento de suas razões e para reformar a decisão proferida na 1 instância, julgando improcedentes as acusações constantes do auto ora recorrido, bem corno, que as intimações sejam feitas nas pessoas dos advogados subscritores da impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.000697/201082 Acórdão n.º 240102.168 S2C4T1 Fl. 85 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 505. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Todo o recurso apresentado pelo recorrente é no sentido da inexistência da incidência de contribuição previdência, considerando que os serviços não eram prestados a empresa, que possui objeto social totalmente diverso, figurando na verdade como mera intermediadora dos serviços prestados pela cooperativa aos seus empregados. Contudo, entendo que os argumentos apresentados pelo recorrente não afastam a obrigação tributária em questão. Como a prestadora de serviços, no caso a MEDICAL Medicina Cooperativa Assistencial de Limeira (SP), é uma cooperativa de trabalho, a retenção era devida entre as competências 11/2007 e 10/2009. De acordo com a legislação previdenciária, a partir da competência março de 2000, a tomadora de serviços prestados por cooperativa de trabalho ficou com o dever de contribuir com a alíquota de 15% sobre o valor da nota fiscal/fatura para a seguridade social. No caso, não existe qualquer exceção para que só haja incidência da referida contribuição, se o objeto da contratante seja relacionado ao da cooperativa. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Uma vez que a recorrente empresa Faurécia Emisions tomou serviços de cooperativa de trabalho, no caso a MEDICAL deveria ter contribuído para a seguridade social com a alíquota de 15% sobre as respectivas notas fiscais, independente se os beneficiários dos serviços terem sido seus funcionários, o pagamento efetivo da fatura (que consiste no fato gerador) da obrigação.previdenciária. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ao contrário do exposto pelo recorrente a contratação dos serviços da cooperativa foi realizada pela empresa, que teve as faturas emitidas em seu nome, contabilizadas e efetivou o pagamento. Assim, não há como afastála do polo passivo da obrigação tributária. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. QUANTO AOS COREPONSÁVEIS Por fim, quanto a exclusão dos coresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações principal (recolhimento da contribuição); em sendo assim, a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de CoResponsáveis – CORESP, consoante determinação contida na legislação previdenciária. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento. QUANTO A REPRESENTAÇÃO FISCAL Quanto a alegações de que incabível a emissão da REPRESENTAÇÃO FISCAL, entendo que não compete a este colegiado a apreciação da questão, posto que a apreciação da mesma darseá pelo Ministério Público. Nesse mesmo sentido, foi a decisão de 1. Instância, a qual transcrevo abaixo. Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP lavrada, sua análise excede a competência deste órgão julgador, a qual encontrase delimitada nos termos da Lei 11.457/2007 e artigo 212 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF 125, de 04/03/2009 5 . Portanto, o presente julgamento nos termos da legislação de regência limitase à discussão relacionada ao crédito tributário constituído através da lavratura do Al em questão. A RFFP constituise em instrumento próprio, pelo qual o auditorfiscal comunica ao Ministério Público a ocorrência, em Fl. 95DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.000697/201082 Acórdão n.º 240102.168 S2C4T1 Fl. 86 7 tese, de ilícito penal para que seja instaurada a respectiva ação penal objetivando a apuração do ilícito. Como se vê, embora a RFFP lavrada guarde relação com o lançamento efetuado, representa procedimento distinto e de natureza diversa do mesmo, restando prejudicada nesta instância a análise do inconformismo externado em relação à sua lavratura. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos cima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação em sua totalidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 96DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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