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Numero do processo: 11128.000946/96-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 303-28748
Nome do relator: GUINÊS ALVAREZ FERNANDES
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RECURSO DE OFICIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasfiia-DF, em 20 de novembro de 1997 jflAig- • B OSTA • • s ir ENTE UINE VAREZ FERN • ES *ff ..euclana Corta (norte Pontei a _o 3 _ 9 ? Preendora da Fazenda Nacland Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI, LEVI DAVET ALVES e MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. Ausente o Conselheiro SERGIO SILVEIRA MELO. RCM MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.798 ACÓRDÃO N° : 303-28.748 VOTO Recurso regularmente processado. Dele conheço por atender as normas de regência do limite de alçada da 1'. instância. Não há reparo a opor à decisão singular. A mercadoria é oriunda da zona submetida a Acordo Internacional, consoante o atestam os certificados de Origem de fls.52J68. Tanto o Acordo de Complementação Economica n° 14, subscrito entre o Brasil e a Argentina, implementado pelo Decreto n° 60, de 15.03.91 (Dou. de 18.03.91), quanto o Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n° 18, avençado entre os países integrantes do Mercosul, cuja execução foi autorizada pelo Decreto n° 550/92 (Dou. de 29.05.92), determinam a exclusão de qualquer gravame ou restrição tarifária ao comércio após 31.12.94, como aliás, reconhecido no A.D.N.- Cosit 31/95. Ora, a mercadoria objeto do litígio, oriunda da zona objeto de país participante das avenças, foi desembaraçada por Declaração de Importação registrada em 10/04/95, quando já careciam de vigor quaisquer restrições, não havendo como dar guarida a mero equivoco formal, ante a legitimidade do direito consagrado em Acordos Internacionais, cuja implementação foi regularmente autorizada pela legislação vigente. Face ao exposto n rovimento ao recurso de oficio, para manter a r. decisão de fls. 152/155 S a das Sessões, em 20 ie novembro d - 997 ( --- GUINÊS-ACCAREZ FERNANDES -, LATOR — 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.798 ACÓRDÃO N° : 303-28.748 A autoridade de P. instância concluiu pela improcedência da imputação fiscal, fundamentada nas normas contidas tanto no ACE n° 14, quanto no APCE n° 18, que estabeleceram a extinção de quaisquer gravames, no máximo até 31/12/1994. Face aoxú1or doi+o, ofereceti recurso de oficio previsto nas normas que regem o lin76 de alçada. É o elato'rio. a 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 118.798 ACÓRDÃO N° : 303-28.748 RECORRENTE : DRJ - SÃO PAULO/SP INTERESSADA : AUTOLATLNA BRASIL S/A RELATOR(A) : GUINÊS ALVAREZ FERNANDES RELATÓRIO Em ato de revisão procedida na D.1 n° 04315/003, registrada em 10/04/95, a fiscalização aduaneira glosou redução do imposto de importação pleiteada pela interessada com amparo no Acordo de Complementação Econômica n° 14, - código 2. 100, por haver feito constar na Guia de Importação de veículos automotores oriundos da Argentina, o código 5002 do Acordo de Alcance Regional n° 4, em desacordo com o postulado, fundamento que impediria a fruição do beneficio, porque a mercadoria estaria incluída na Lista de Restrições anexa ao Decreto n° 648/92, imputando-lhe a exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multa sobre ambos os tributos, juros de mora, no montante de 891.376,45 reais Em impugnação manifestou-se tempestivamente a Volkswagem do Brasil Ltda., afirmando ser a atual denominação da Autuada, aduzindo que: Na data do registro da declaração de importação, em 20/02/95, estava em vigor o ACE n° 18, promulgado pelo Decreto n° 558, de 27/05/92. A Lista de Exceções do Brasil, anexa ao Acordo, teve vigência apenas até 31/12/94. Na data da ernisssão da Guia de Importação já estava em vigor o AAPCE n° 18, sem a Lista de Exceções do Brasil, o que lhe permitiria importar sob a aliquota zero. Por lapso foi consignado no campo n° 7, do anexo à Guia de Importação, o Código de Instrumento de Negociação n° 5002, ao invés do de n° 2186, sendo que este último ainda não fora consignado na Portaria Decex-8/9I e posteriores alterações. Insiste na aplicação da aliquota prevista no Acordo, independentemente do código consignado na Guia de Importação, a fim de que prevaleça a verdade material ante a formal. 2 Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11011.000159/95-29
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 301-28796
Nome do relator: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. 111 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 21 de julho de 1998 n""--- MOACYR ELOY DE MEDEIROS PROCuRAomA.0 :RAI. DA FAZaNDA 1 . ... n••e • fr• Gooderbeçao-Gerc i i r .pres.ncço et,e; • t:cle Presidente d 3 Fazenda I:aelonal Ent- / . . e 4 13 - LUCIMA COR I EZ ROrtIZ C h:E rfigiliedocce Eu Fazenda Ib.:acionai 1.24444"."" FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : LEDA R'UIZ DAMASCENO, MÁRIO RODRIGUES MORENO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, JORGE CLIMACO VIEIRA (suplente) e MÁRCIO NUNES IÓRIO ARANHA OLIVEIRA (suplente) Ausentes os Conselheiros MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e PAULO LUCENA DE MENEZES. mfms • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.491 ACÓRDÃO N° : 301-28.796 RECORRENTE : DIGITEL S/A INDÚSTRIA ELETRÔNICA RECORRIDA : DRJ/PORTO ALEGRE/RS RELATOR(A) : FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO RELATÓRIO Adoto, no que couber, o Relatório constante da decisão recorrida: Trata o presente processo de crédito tributário apurado em • procedimento de revisão dos despachos aduaneiros processados perante a Alfândega do Aeroporto Salgado Filho, através das Declarações de Importação nos 1126, 4535, 4675, 5373, 6547, 6543, 6812, 6815, 7670, 8594, 9962, todas de 1992, e 4528, 4964, 5456 e 9929, de 1994. 1.1 A irregularidade detectada pela fiscalização está descrita no campo " Descrição dos fatos e enquadramento legal" do Auto de Infração (fl. 1, verso ), nos seguintes termos: " ( . . ) constatei que o contribuinte, no anverso qualificado, invocando a Port. DECEX IV° 08, de 13/05/9 1, alterada pela Port. DECEX N° 15 de 09/08/91, deixou de apresentar as Guias de Importação correspondentes às Declarações de Importação relacionadas em anexo (folha Ar 02), não o fazendo a posteriori. Intimado ( doc. Folhas 1n1° 03 a N° 17) a apresentar as Guias de Importação, também não o fez ( . . . )" 2. Em razão disso foi constituído o crédito tributário no valor total correspondente a 18.627,68 UFIR que decorre da imputação da multa de que trata o art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5/3/85, prevista para as hipóteses de importação de mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais. 3. Tal exigência foi tempestivamente contestada, através do arrazoado de fls. 35 a 37, acompanhado de documentos (fls. 38 a 48) onde constam, em síntese, as seguintes alegações: 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.491 ACÓRDÃO N° : 301-28.796 CC ) A intimação de fls. é inteiramente nula, porquanto não realizada na pessoa do representante legal da empresa, que possui aptidão legal para responder pela sociedade, conforme disposto na própria Lei Societária Assim, sendo inválida a intimação realizada, não pode prosperar a cobrança da multa levada a efeito pela fiscalização, protestando a impugnante pela juntada da documentação no prazo de 60 dias, a 410 contar da presente. De mais a mais, a cobrança da presente multa, no percentual de 30% do valor CIF da mercadoria, investe contra o CIN e a CF/88. A multa em apreço é nitidamente confiscatória, sendo desproporcional com a capacidade contributiva do contribuinte. Ainda, não há no auto de infração a indicação do fundamento legal da multa em questão, ofendendo-se, daí, o princípio da legalidade. A mera indicação de dispositivos regulamentares não é o suficiente para embasar de validade o auto de infração, pois na forma do art. 192 do CIN há a necessidade de o ato administrativo de lançamento, sujeito ao controle de legalidade, informar a base legal para a constituição do crédito tributário. • Não o fazendo, é ele vazio de fundamento jurídico válido para suportar qualquer cobrança fiscal. 1! O processo foi julgado por decisão assim ementada: INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES A falta de apresentação de Guia de Importação a ser emitida a posteriori, conforme havia se comprometido o importador, enseja a aplicação da multa de que trata o art. 526, inc. II, do Regulamento Aduaneiro. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE. (Lt'41 3 . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.491 ACÓRDÃO N' : 301-28.796 Inconformada, no prazo legal, a Recorrente interpôs o seu recurso, no qual repisa mais pormenorizadamente os fundamentos de sua impugnação. É o relatório. Çl'Ail7 • 11 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.491 ACÓRDÃO N' : 301-28.796 VOTO A nulidade da intimação É totalmente improcedente. Do auto de infração a ora Recorrente tomou ciência e dele recebeu cópia por intermédio de seu Despachante Aduaneiro, como se verifica à fls. 01 do 111 processo, o qual, Despachante Aduaneiro, tem poderes para receber intimação ou notificação, nos termos do art. 10 do Decreto 646/92, combinado com o art. 560 do R.A., como se verifica da procuração de fls. 49. Rejeito a preliminar. Quanto ao mérito. Como se verificou do relatório, a ação fiscal se fundamenta em razão de: 5.1 "no curso dos despachos aduaneiros processados através das Declarações de Importação relacionadas no demonstrativo de fl. 2, a interessada não apresentou as correspondentes Guias de Importação, valendo-se do que facultava a Portaria DECEX n° 08, de 13/5/91, com as alterações feitas pela • Portaria DECEX n° 15, de 9/8/91. Aludida norma, à época, disciplinava os procedimentos administrativos na importação e, efetivamente, previa hipóteses em que era facultada a emissão de guia de importação após o desembaraço da mercadoria importada, contrariando a regra geral que era de emitir tal documento previamente ao embarque das mercadorias no exterior. 5.2. Todavia, nesses casos excepcionais, o pedido de emissão de guia ao órgão competente deveria ser feito até 40 dias corridos após o registro da declaração de importação, e a validade do documento assim emitido, para fins de comprovação junto à repartição de desembaraço aduaneiro, seria de 15 dias, após a emissão ( art. 2°, Parágrafo Segundo, da Portaria DECEX n° 8/91, com a redação dada pelo art. 1° da Portaria DECEX n° 15/91). MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.491 ACÓRDÃO N' : 301-28.796 5.3. No caso concreto, não obstante já decorrido um grande lapso de tempo desde o encerramento dos prazos previstos na legislação, sem que a impugnante tivesse apresentado as guias de importação em comento, como seria de seu exclusivo interesse, a fiscalização intimou-a para que apresentasse os aludidos documentos, possibilitando que fosse sanada a irregularidade existente. E, uma vez esgotados os prazos deferidos nas intimações de fls. 3 a 17, sem que as mesmas fossem atendidas, foi lavrado o Auto de Infração de fl. 1. 5.4. Ao impugnar a exigência, a interessada limitou-se a meras alegações, sem, contudo, providenciar o que seria fundamental para elidir os termos da autuação, ou seja, a apresentação das indigitadas Guias de Importação, temaestivamente emitidas o que demonstra claramente a sua inexistência, e enseja a aplicação da multa de que trata o art. 526, inc. II do Regulamento Aduaneiro. É de se ressaltar que até agora, tendo tido a Recorrente a oportunidade de apresentar, mesmo a destempo, as G.I. pertinentes, não o fez nem quando da impugnação nem quando do recurso que interpôs. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de julho 1998 FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10768.001328/00-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1991
FINSOCIAL PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a essa contribuição é de 05 anos, contados nos termos do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte Provido e Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: 9303-001.193
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) negar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. A Conselheira Maria Teresa Martínez López declarou-se impedida de votar.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a essa contribuição é de 05 anos, contados nos termos do CTN. Recurso Especial do Contribuinte Provido e Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. A Conselheira Maria Teresa Martínez López declarouse impedida de votar. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Os fatos foram assim descritos na decisão de primeira instância. Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, adoto o Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 relatório constante da decisão de primeira instância, o qual transcrevo adiante: “Trata o presente processo de auto de infração de fls. 77 a 84 e 91, lavrado pela DEINF/Rio de Janeiro em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 32.154,81, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/1990 a 01/1991, 03/1991 a 03/1992, à multa de ofício de 50% e 75 % e aos juros de mora calculados até 30/12/1999. 2. Relata o autuante, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 72/75, que: 2.1 O contribuinte aforou Ação Declaratória (Proc. 91.0042393 9), em 24/12/1990, pleiteando o reconhecimento da inexistência de relação jurídicotributária no tocante à cobrança do Finsocial, ou da inconstitucionalidade das sucessivas majorações de alíquotas; 2.2 A demanda principal foi antecedida por Medida Cautelar Preparatória (Proc. 90.0053870), em que teve liminar deferida, através da qual requereu o depósito judicial das importâncias relativas ao valor, mês a mês, do Finsocial questionado, visando à suspensão da exigibilidade do tributo até final da decisão na ação declaratória; 2.3 No dia 09/09/1993, foram julgadas procedentes as ações Declaratória e Cautelar. Em 08/05/1996, juntamente com a Ação Cautelar, sobreveio a sentença de primeira instância, objeto de recurso da União Federal, o qual foi conhecido e provido em segunda instância, tendo o TRF, anulado o decisório, reconhecendo o julgamento extra petita; 2.4 Os autos baixaram para prolação de nova decisão de mérito. Assim, no dia 07/05/1998, foi julgado procedente, em parte, a Ação Declaratória, reconhecendo a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do extinto Finsocial, declarando que a exação é devida obedecidas a base de cálculo e a alíquota previstas nos Decretoslei nºs 1.940/1982 e 2.397/1987, até a instituição da Cofins; 2.5 Os autos subiram para o TRF2ª Região, por remessa ex officio; 2.6 O processo Cautelar, foi julgado extinto, sem julgamento do mérito, por perda de objeto, já que, no curso do processo, tendo sido autorizado, o autor procedeu ao levantamento de toda importância depositada, desaparecendo, assim, a causa de suspensão do crédito tributário, antes da solução definitiva da demanda principal (fls. 61 a 69); 2.7 O presente trabalho tem por finalidade apurar o montante do crédito tributário a título de Finsocial no período de 01/1990 a 03/1992; 2.8 Os valores das bases de cálculo da Contribuição para o Finsocial constantes da planilha de fl. 76, são os informados Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10768.001328/0081 Acórdão n.º 930301.193 CSRFT3 Fl. 499 3 pela interessada, às fls. 32/34, correspondentes aos anos calendário 1990, 1991 e 1992. Tais valores conferem com os lançamentos contábeis realizados na escrita do contribuinte; 2.9 Considerando que os débitos referentes a esses períodos não foram declarados em DCTF (fl. 71), que o contribuinte procedera ao levantamento de toda a importância depositada e, tendo em conta todos os elementos legais e factuais aduzidos ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, concluímos pelo lançamento na seguinte forma: 2.9.1 No presente Auto de Infração, apurouse o Finsocial devido, para o período em questão, aplicandose a alíquota de 0,5% (meio por cento), conforme determinação da sentença de fls. 53/60; e 2.9.2 Para prevenir a decadência, foi objeto de lançamento de outro Auto de Infração a quantia apurada pela diferença quando da aplicação das alíquotas vigentes para o período em questão. Tal lançamento foi efetuado com a exigibilidade suspensa. 3. Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 78 do referido Auto de Infração. 4. Cientificada em 26/01/2000 (fl. 77), a interessada, inconformada, apresentou, em 10/02/2000, a impugnação de fls. 101/108, na qual alega que: 4.1 A matéria relacionada à presente tributação encontrase sub judice, uma vez que ajuizou a Medida Cautelar Preparatória nº 90.0053870 e Ação Declaratória nº 91.00423939; 4.2 O período referente à presente autuação foi alcançado pela prescrição prevista no art. 174 do CTN. Os fatos geradores ocorreram há mais de 5 (cinco) anos, tornandose incabível a autuação apresentada com a justificativa de que se trata de contribuição social sujeita ao prazo prescricional de 10 (dez) anos; 4.3 Para sustentar a sua tese transcreve ementas de acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes cujo entendimento é de que o prazo de decadência é o contido no art. 150, § 4º do CTN e que o art. 3º do Decretolei nº 2.049/1983 trata de prazo de prescrição e não de decadência; e 4.4 A contribuição para o Finsocial devida pelas empresas exclusivamente prestadoras de serviços não configura contribuição social, mas imposto novo que somente poderia ser instituído por Lei Complementar, não podendo ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos discriminados na Constituição Federal, art. 154, inciso I. 5. Foram por mim anexadas extratos de pesquisas efetuadas nos sítios do TRF2ª Região e da Justiça Federal/RJ (fls. 178/198) e do sistema informatizado da SRF (fls. 169/177), onde se verifica Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 que a empresa autuada foi incorporada por BANCO ALVORADA S/A. 6. É o relatório.” O acórdão DRJ/RJOII nº 11.012/05 (fl. 201/210) julgou o lançamento procedente, sintetizando o seu entendimento consoante os termos exarados na ementa adiante transcrita: Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1991, 01/03/1991 a 31/03/1992 “FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Finsocial, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. FINSOCIAL. DECADÊNCIA. O prazo para constituição de crédito referente à Contribuição para o Finsocial é de dez anos, contados da data fixada para o seu recolhimento. Lançamento Procedente.” A decisão de primeira instância, preliminarmente, reconheceu a legitimidade do lançamento de ofício para prevenção de decadência, nos termos do Parecer PGFN/CRJN/Nº 743/88; que a propositura pelo contribuinte de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto (art. 1º, § 2º, DL 1.737/79 e art. 38, p. ú., Lei 6.830/80, ADN/COSIT nº 03/96). Nesse passo segue o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social. Reconheceu, ainda, o descabimento de multa de ofício nessa modalidade de lançamento (art. 63, Lei 9.430/96), em razão da exigibilidade do crédito tributário encontrarse suspenso, nos termos do art. 151IV do CTN, para rejeitar a preliminar de decadência suscitada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10768.001328/0081 Acórdão n.º 930301.193 CSRFT3 Fl. 500 5 No mérito, aduz o voto condutor que em 26/01/00, quando a impugnante tomou ciência do lançamento, inexistia provimento judicial que pudesse impedir a elaboração do mesmo, cuja legalidade estava sendo questionada judicialmente, inexistindo também provimento que pudesse sustar a sua exigibilidade, já que em 150794 foi expedido alvará de levantamento (fl. 69) do montante depositado referente à ação impugnada, objeto da Medida Cautelar Preparatória nº 90.0053870, dando causa ao desaparecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão. Esclareceu que de acordo com a sentença judicial de primeira instância fls. 59/60, a impugnante foi considerada como instituição financeira ou a ela equiparada, portanto encontrandose obrigada ao recolhimento do Finsocial tal qual as empresas comerciais em geral, mediante a incidência da alíquota de 0,5% sobre o valor da receita bruta, desconsiderando as majorações posteriores. Sentença confirmada e transitada em julgado em 19/05/03 (fl. 185). Em relação ao questionamento formulado pela impugnante de que a contribuição para ao Finsocial devida pelas empresas exclusivamente prestadoras de serviços não configura contribuição social, mas imposto novo que somente poderia ser instituído por Lei Complementar, não podendo ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos discriminados na CF/88, art. 154I, entendeu que uma vez sendo levada à apreciação do Poder Judiciário e tendo o mesmo se pronunciado sobre o tema de forma definitiva, não mais cabe a apreciação desta matéria no âmbito administrativo, que não poderia decidir de modo diverso. Nesse sentido encontrase o Parecer da PFN nº 25.046/78 e o ADN/COSIT nº 03/96. Conclui o relator pela rejeição da preliminar de decadência suscitada, por não conhecer da impugnação na parte que questiona a ilegalidade do Finsocial e por julgar procedente o lançamento. Ciente da decisão por meio de AR em 27/03/06 (fl. 223), a contribuinte protocoliza o seu recurso voluntário em 27/04/06 (fls. 224/240), portanto, tempestivamente, apresentando relação de bens para arrolamento, conforme prevê a IN/SRF nº 264/02 (fl. 245), para reiterar, de forma mais aprofundada, os fundamentos contidos na exordial sem, entretanto, trazer aos autos nenhum fato superveniente. Em apertada síntese, aduz: A CF/88 expressamente determinou que as normas gerais a respeito da decadência devem ser tratadas exclusivamente através de lei complementar, conforme previsão do seu art. 146 III, “b”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 O art. 173I do CTN estabeleceu que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingüese após cinco anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Não há que se cogitar no caso da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN para fim de verificação do prazo decadencial, uma vez que não houve antecipação do pagamento. Não há se falar em homologação. Menciona jurisprudência administrativa dos Conselhos de Contribuintes e judicial em favor de sua tese sobre decadência. O crédito tributário relativo às contribuições ao Finsocial, lançado por meio do auto de infração em questão, tendo o ora recorrente sido intimado em 26/01/00, foi constituído quando já havia transcorrido mais de cinco anos após o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo os créditos tributários em questão referentes a fatos geradores no período compreendido entre 01/90 a 01/91 e 03/91 a 03/92, temse que o termo inicial de contagem do prazo decadencial começou a fluir (para o mais recente dos fatos geradores) em janeiro de 1993. O termo final para a constituição dos referidos créditos através de lançamento pela autoridade fiscal, sob pena de sua extinção pelo instituto da decadência, ocorreu em janeiro/98. Encontrase decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário por meio de auto de infração em questão, na forma prevista no art. 156V, do CTN, pela decadência. Requer seja julgado improcedente o lançamento do crédito tributário. Julgando o feito, a Câmara a quo deu provimento ao recurso, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1991 Ementa: FINSOCIAL. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição ao Finsocial é de cinco anos, contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, até o advento da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. A partir desta data passa a ser de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da referida contribuição poderia haver sido constituído. Havendo o contribuinte tomado conhecimento do lançamento tributário em 26/01/00, os períodos de apuração concernentes ao Finsocial compreendidos entre 01/01/90 a 31/01/91 e de 01/03/91 a 30/06/91, encontramse decaídos. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10768.001328/0081 Acórdão n.º 930301.193 CSRFT3 Fl. 501 7 Contra esse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei, que logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 319 a 321. Contrarrazões ao apelo fazendário vieram às fls. 342 a 368. A seu turno, o sujeito passivo também apresentou recurso especial, fls. 388 a 429, o qual foi admitido por meio do despacho de fls. 491 a 493. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os recursos apresentados pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles conheço. A teor do relatado, a questão posta em debate diz respeito, unicamente, ao prazo de decadência para constituir o crédito pertinente ao Finsocial. A Câmara recorrida entendeu que o prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição ao Finsocial é de cinco anos, contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, até o advento da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. A partir desta data, passou a ser de dez anos, contado do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. A Douta PGFN defende que o prazo decadencial do Finsocial sempre foi de 10 anos, nos termos da legislação instituidora dessa contribuição, enquanto o sujeito passivo defende que esse prazo é qüinqüenal, contado da ocorrência do fato gerador. Na hipótese dos autos, o termo de início – se da extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN ou se do primeiro dia do exercício seguinte, como previsto no inciso I do art. 173 do Código Tributário é irrelevante, tendo em vista o longo espaço de tempo decorrido entre o fato gerador e o lançamento fiscal (cerca de 8 anos, para o período mais próximo). Nessa matéria, o meu posicionamento era no sentido de que predita contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da remansosa jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto o prazo limite de cinco anos estabelecido no CTN. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao especial apresentado pela Fazenda Nacional, e dar provimento ao apelo apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 17/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13737.000732/2003-98
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
ARGUIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE
CONTRIBUTIVA E FM ILEGALIDADE - Falece competência ao Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (CARf) para se pronunciar sobre eventual ofensa de lei tributária a princípios constitucionais, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Ademais, nos procedimentos administrativos hostilizados pela recorrente, não se vislumbra qualquer
ofensa aos princípios arrolados.
SIMPLES ATIVIDADE VEDADA. PRÊMIOS OBTIDOS PELA
PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS EM EVENTOS ESPORTIVOS — OS
rendimentos auferidos pelos sócios de pessoa jurídica, derivados de prêmios conquistados pela participação individual destes, na qualidade de profissionais de vôlei de praia, em eventos esportivos organizados por terceiros, quando imputados a pessoa jurídica, vedam a opção desta pelo Simples, ao teor do disposto no inciso XIII do art 9º da Lei nº 9.317/96, pois a mencionada atividade é assemelhada às relacionadas no referido inciso.
Numero da decisão: 1103-000.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar. provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recketenvald
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: ARGUIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E FM ILEGALIDADE - Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARf) para se pronunciar sobre eventual ofensa de lei tributária a princípios constitucionais, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Ademais, nos procedimentos administrativos hostilizados pela recorrente, não se vislumbra qualquer ofensa aos princípios arrolados. SIMPLES ATIVIDADE VEDADA. PRÊMIOS OBTIDOS PELA PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS EM EVENTOS ESPORTIVOS — OS rendimentos auferidos pelos sócios de pessoa jurídica, derivados de prêmios conquistados pela participação individual destes, na qualidade de profissionais de vôlei de praia, em eventos esportivos organizados por terceiros, quando imputados a pessoa jurídica, vedam a opção desta pelo Simples, ao teor do disposto no inciso XIII do art 9º da Lei nº 9.317/96, pois a mencionada atividade é assemelhada às relacionadas no referido inciso.
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Recorrida 8' TURMA DA DRPRIO1 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: ARGUIÇÃO DE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE. CONTRIBUTIVA E DA ILEGALIDADE — Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre eventual ofensa de lei tributária a princípios constitucionais, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, Ademais, nos procedimentos administrativos hostilizados pela recorrente, não se vislumbra qualquer ofensa aos princípios arrolados. SIMPLES, ATIVIDADE. VEDADA. PRÊMIOS OBTIDOS PELA PARTICIPAÇÃO DE SÓCIOS EM EVENTOS ESPORTIVOS — Os ,• rendimentos auferidos pelos sócios de pessoa jurídica, derivados de prêmios conquistados pela participação individual destes, na qualidade de profissionais de vôlei de praia, em eventos esportivos organizados por terceiros, quando imputados a pessoa jurídica, vedam a opção desta pelo Simples, ao teor do disposto no inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9,317/96, pois a mencionada atividade é assemelhada às relacionadas no referido inciso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os iembros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos ter! -11rl-atódo e voto que integram o presente julgado ..- ( ALOYSIO I SIV"E,CÍNI* •A SILVA - Presidente 1 pp GER.VASIOj ICOLAc U RECKE' TENVALD - Relator(juuL-t-\ 1 EDITADO EM' JUL MIO Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervásio Nicolau Reeketenvald, Marcos Shigueo Takata (Vice presidente), Eác Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. 2 1111/ Processo ri° 13737 000732/2003-98 S1-C1T3 Acórdão ti '1103-00.209 Fl 2 Relatório A discussão em tela versa sobre a exclusão do SIMPLES, determinada pela DRF de Niterói através do Ato Declaratório Executivo DRF/NIT n° 445.120, de 07 de agosto de 200.3 (fl. 03). O referido ADE excluiu a interessada do Simples a partir de 01/05/2002, isto é, no mês seguinte à data da opção àquele sistema de tributação, que ocorreu em 17/04/2002. O motivo da exclusão, assinalado no ato administrativo, é o exercício de "atividade econômica vedada - CNAE 9.261-4/99 - Outras Atividades Desportivas", com enquadramento na Lei n° 9317, de 05/12/1996, art. 9', inciso XIII. Inconformada, a recorrente solicitou revisão da exclusão, alegando, em síntese, não se enquadrar no dispositivo citado como excludente, pois "a firma não organiza e nem promove eventos esportivos" (fl. 01). Mesmo assim, sem maiores investigações acerca do alegado, a Administração Tributária indeferiu a solicitação, sob a justificativa de que a '`promoção de eventos esportivos é atividade vedada conforme Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n°235/2001" (fl. 02). Ato contínuo, a interessada apresentou impugnação à DR.J, arguindo que não é produtora de espetáculos - atividade vedada pelo art, 9°, inciso XIII, da Lei n° 9,317/96 -, mas que "tem como representante legal um atleta profissional do Vôlei de Praia, que participa, jogando, em competições desportivas, que ao final, dependendo de sua colocação percebe prêmios dos promotores dos eventos" (fl 18). Alega, ainda, que foi obrigada a constituir pessoa jurídica para possibilitar o recebimento de prêmios derivados das competições esportivas de que participa, pois estes são pagos por cheques, nominais às pessoas jurídicas. Da leitura desses fatos, a impugnante infere estar comprovado que não organiza e nem promove eventos esportivos, mas apenas deles participa através dos sócios - pessoas físicas — que, na qualidade de atletas, assim exercem sua atividade profissional. Por fim, ainda alega que o ato declaratório hostilizado teria ferido o princípio da legalidade e o principio da capacidade contributiva. Apreciando a impugnação, a DR.)", através do Acórdão if 10.174, de 31/03/2006, declarou-se incompetente para julgar as arguições de inconstitucionalidade e rejeitou a preliminar de nulidade por entender que o procedimento atendia as determinações legais concernentes. No mérito manteve a exclusão em vista do entendimento de que "a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de promoção de eventos esportivos está impedida de optar pelo SIMPLES" (fl. 38). Fundamenta a exclusão, basicamente, na expressão "ou assemelhados", contida no inciso XIII do art. 9 0 da Lei n° 9.317/96. Ressalva que a atividade da impugnante, informada no CNRJ, corresponde a "outras atividades desportivas", de CNAE Fiscal n° 9.261-4/99, mas que mesmo assim a atividade estaria abarcada pela expressão "assemelhados", empregada na Lei n° 9.317/96 e nos atos normativos que a regulam. / 3 Suplementarmente, no que respeita à questão arguida pela defesa, de que foi obrigada a constituir pessoa jurídica para receber os prêmios das competições esportivas ganhos pelos sócios da impugnante, o voto condutor do acórdão em tela trás à baila a Solução de Consulta COSIT n° 15, de 26 de agosto de 2002, que traduz entendimento de que "os valores das gratificações, prêmios, participaçõe.s, pagos a atleta profissional em decorrência dos resultados obtidos em competições esportivas possuem caráter remuneratório e estão sujeitos à incidência do imposto de renda, na fonte e na declaração [ Ainda neste mesmo contexto, segundo o relator do acórdão a quo, a constituição de pessoa jurídica para acolher os rendimentos decorrentes das competições esportivas ganhos pelos sócios, representaria "convenção particular oposta à Fazenda Pública, com objetivo de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes", procedimento inaceitável, no caso, ao teor do art. 123 do CTN (Código Tributário Nacional) (fl. 46). Por fim, em face dos argumentos acima sintetizados, a 8" Turma da DRI/RJO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 54), repisando, inicialmente, que tem como seu representante legal um atleta profissional do Vôlei de Praia, que participa, jogando, em competições desportivas, que ao final, dependendo de sua colocação, percebe prêmios dos promotores dos eventos Todavia, ainda segundo o recurso, para recebê-los, teria lhe sido imposta a condição sine qua non de constituição de uma pessoa jurídica, visto que sem essa conditio ficaria o atleta impossibilitado de obter suas premiações Na sequência do recurso, a defesa reafirma que a empresa não exerce a atividade constante no contrato social — "serviços de promoção de eventos esportivos e exploração de imagem de seus sócios" — mas que tão somente participa, na condição de atleta, dos eventos esportivos promovidos por outrem, cuja atividade não admitiria a exclusão hostilizada por não vedada pelo Simples. Em vista disso, a interessada entende que a exclusão foi irregular porque a autoridade administrativa apenas se apoiou nos dizeres do contrato social e não verificou se efetivamente a atividade nele prevista era exercida. De outra parte, também segundo entendimento da interessada, o enquadramento da exclusão não poderia se apoiar em analogia ou na expressão "assemelhados", referida no art. 9°, inc. XIII, da Lei n° 9 317/96, por não aplicável à situação fática, Ainda, repetindo arguições da impugnação, a interessada alega ter o ato de exclusão ferido o princípio da legalidade, pois "no ato vinculado o administrador está condicionado aos ditames do ordenamento jurídico, o que faz deste apenas um aplicador do que está regulamentado antecipadamente pela norma, não cabendo ao administrador qualquer margem de apreciação subjetiva, e sim apenas a constatação" (fl.. 61) (o grifo é do original) e, no caso, a exclusão não teria embasamento legal. Além disso, o recurso voluntário manifesta entendimento de que o procedimento administrativo, consubstanciado na exclusão da interessada do Simples, teria ferido também o Princípio da Capacidade Contributiva Tal princípio teria sido ofendido, principalmente, em vista da exclusão retroativa, o que acarretaria uma "carga tributária por demais excessiva, o que importaria na própria extinção da Recorrente" (fl. 64). 4 /111\ Processo n' 13737 000732/2003-98 SI C1 T3 Acórdão n.° 1103-00.209 FL 3 Por derradeiro, já nos pedidos, a contribuinte requer seja dado provimento ao recurso voluntário para, mediante a reforma do acórdão a quo, fosse determinada a reinclusão da interessada no Simples. Recebido o recurso voluntário pelo antigo Conselho de Contribuintes, este foi distribuído à Primeira Câmara do Terceiro Conselho, que, através da Resolução 301-2058, converteu o julgamento em diligência, determinando ao órgão preparador a juntada de documentos comprobatórios da efetiva natureza da receita da empresa, que, segundo a defesa, era originada de prêmios de eventos esportivos ganhos pelas sócias da recorrente, por participarem dessas competições na qualidade de atletas profissionais de vôlei de praia. Procedida a diligência, o Fisco juntou aos autos o "Termo de Compromisso dos Atletas - Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia", o "Regulamento Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia — Confederação Brasileira de Vôlei", cópias das Notas Fiscais emitidas pela GCS Promoções e Eventos Esportivos Ltda. ME, cópias dos recibos das Declarações Anuais do Simples dos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 e Certidão de Baixa de Atividade junto à Prefeitura Municipal de Rio Bonito, de 21/12/2006 A diligência foi concluída com a lavratura do "Termo de Encerramento de Diligência", no qual o Fisco esclarece: (a) que o torneio principal é o Circuito de Vôlei de Praia do Banco do Brasil e que este, como os demais, são coordenados pela Confederação Brasileira de Vôlei; (b) que as notas fiscais emitidas mostram que o faturamento é proveniente de premiação pela participação dos eventos; (c) que o contribuinte procedeu a baixa da empresa junta à Prefeitura de Rio Bonito em 21112/2006. Ato contínuo, retomaram os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para deslinde, este limitado à questão de exclusão do Simples, pois não há notícias nestes autos de que, por ocasião da exclusão, tivesse havido lançamento de eventuais diferenças em função da adoção (indevida) do Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Segundo o relatado, a controvérsia cinge-se à legalidade, ou não, da exclusão do Simples, efetuada em agosto de 2003 pelo Ato Declaratório Executivo DRUNIT n° 445 120 (fl. 03), retroativa a 01/05/2002, de empresa formada por atletas profissionais de vôlei de praia, constituída em 08/04/2002 (fl. 08), sendo que a sociedade tem como objeto, segundo o contrato social, a "prestação de Serviços de Promoção de Eventos Esportivos e Exploração de Imagem de seus Sócios" (fl. 06). Perante o CNPJ, a atividade informada corresponde a "outras atividades desportivas". Por óbvio, e segundo o narrado nos autos, a controvérsia veio a este Conselho porque em instâncias administrativas anteriores, destacando-se a decisão da 8 Turma da DRI do Rio de Janeiro, prevaleceu o entendimento expresso no Acórdão a quo, de que "a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de promoção de eventos esportivos está impedida de optar pelo SIMPLES". Tal entendimento, todavia, desde a instauração da discussão, é contestado pela recorrente, que afirma e reafirma que o ato de exclusão: a) feriu o princípio da legalidade ("no ato vinculado o administrador está condicionado aos ditames do ordenamento jurídico, o que .faz deste apenas um aplicador do que está regulamentado antecipadamente pela norma, não cabendo ao administrador qualquer margem de apreciação subjetiva, e sim apenas a constatação") (fl 61) (o grifo é do original); (b) ofendeu o princípio da capacidade contributiva (a exclusão retroativa acarretaria uma "carga tributária por demais excessiva, o que importaria na própria extinção da Recorrente") (fl. 64); (c) que o ato de exclusão é improcedente porque a empresa não prestou nenhum serviço vedado pelo inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9.713/96 - dispositivo que fundamentou o ato declaratório de exclusão - pois os rendimentos que auferiu teriam sido todos decorrentes, exclusivamente, de prêmios por participações em competições de vôlei de praia, percebidos pelos sócios da interessada Diante disto, e principiando o efetivo enfrentamento das questões postas, inicialmente, é de ponderar que as arguições relacionadas a eventual contrariedade ao principio constitucional da capacidade contributiva, situação que hipoteticamente poderia se instaurar em decorrência do ato declaratório de exclusão em vista de urna possível futura autuação, deixam de ser objetivamente apreciadas por faltar ao colegiado ad quem competência para tanto. Ademais, acatar uma tese assentada na possível exorbitância de uma hipotética autuação que poderia advir em decorrência da escolha, possivelmente equivocada, do sistema de tributação eleito pelo contribuinte, fato que violaria o princípio da capacidade contributiva, além de representar apenas mera hipótese, portanto não pertencente aos autos, implicaria reconhecer, incidenter tantum, a inconstitucionalidade das leis que embasariarn a possível autuação, o que, além de absurdo, caracterizaria invasão a matéria da competência privativa do Poder judiciário. Vale acrescentar, ad argumentandum, considerando que o princípio da capacidade contributiva, por plasmado na esteira da justiça distributiva, impõe ao contribuinte U41k Piocesso n" 13737 000732/2003-98 S1-C1T3 Acendão n.° 1103-00,209 Fi 4 dotado de maior poder aquisitivo a obrigação de pagar impostos com alíquotas mais elevadas, não vislumbro de como a alegação trazida ao recurso voluntário poderia favorecer a defesa. A propósito, vejo, mas de parte da litigante, um desvio ao pretendido pelo princípio da igualdade, que, diga-se, é intimamente ligado ao princípio da capacidade contributiva. Esta fuga emerge no momento em que rendimentos pretensamente auferidos pela recorrente, normalmente submetidos à tributação pela tabela progressiva, e na alíquota de 27,5%, são oferecidos à tributação pelo Simples - uma sistemática constitucionalmente prevista para possibilitar às pequenas empresas os benefícios da tributação reduzida, Por fim, resta dizer que a retroatividade da exclusão do Simples é legal nos termos em que foi prolatada, pois a lei não veda tal possibilidade. Assim, o questionamento da litigante quanto a este aspecto, e que fundamenta sua tese de que a exclusão retroativa teria contrariado o princípio da capacidade contributiva quando diz que ela "desencadeia o pagamento de toda a diferença tributária mais multa e .juros de mora" (fi, 64), não merece acolhida. À semelhança, deixo de apreciar a alegação de ofensa ao princípio da legalidade, pois não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade ou constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário, Mesmo assim, considerando que a arguição em comento está assoalhada numa suposta ilegalidade que o prolator do ADE teria cometido ao excluir a interessada do Simples sem aparente apoio na Lei, indiretamente, os efeitos da pretensa ofensa ao princípio da legalidade, por inseridos na discussão de mérito, serão enfrentadas como se verá adiante. Vencida essa etapa, e para dar início à discussão de mérito, mister se faz expor, sinteticamente, as teses que constituem a controvérsia: o a administração tributária, responsável pelo ADE hostilizado, com o apoio da instância julgadora recorrida — a DR.J/RJO -, dizem que não cabe a permanência da contribuinte no Simples por ela exercer atividade vedada, conforme previsão no inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9.317/96, pois segundo seu contrato social ela tem como objeto "a prestação de serviços de promoção de eventos esportivos e exploração da imagem de seus sócios", estes atletas profissionais de vôlei de praia; * a recorrente, por sua vez, embora não discorde, ao menos de forma expressa, de que a atividade prevista em seu contrato social é vedada pelo Simples, sedimenta sua incoformidade na arguição de que a receita efetivamente auferida não é decorrente daquela atividade (a prevista no contrato social), mas provém, unicamente, de prêmios recebidos pelo desempenho em competições esportivas, obtidos pelos sócios da interessada; neste aspecto, reitera, afirmando que a participação em eventos esportivos seria atividade não vedada ao Simples. Nesse panorama, diversos aspectos emergem como relevantes para o deslinde da questão. Estes podem ser sintetizados nas cinco indagações abaixo formuladas, através das quais demarco a abrangência da análise que pretendo desenvolver para orientar e justificar meu voto: 7 011 1) É licito excluir uma empresa do Simples por constar cru seu contrato social uma única atividade, vedada, mas que de fato não é exercida? 2) Por que a empresa recorrente não registrou em seu contrato social a efetiva atividade, isto é, disputar competições esportivas e através destas granjear prêmios? 3) É admissivel imputar a pessoa jurídica prêmios decorrentes de atividades individualmente desenvolvidas pelas pessoas .fisicas dos sócios, portanto não derivados de venda de serviços a terceiros com o fim especulativo de lucro? 4) Mesmo aceitando que a atividade efetivamente desenvolvida pelas atletas de vôlei de praia, de fato imputada à recorrente, pudesse legalmente seria ela atribuída, poderia, então, a pessoa jurídica optar pelo Simples? 5) A exigência do patrocinador, que alegadamente determinou a constituição de pessoa jurídica como condição para pagar os prêmios, é razão legalmente suficiente para estribar a alteração da forma de tributação, mesmo contrariando disposições legais específicas? No que respeita à primeira indagação — se é lícito excluir uma empresa do Simples por constar em seu contrato social urna única atividade, vedada, mas que de fato não é exercida - é pacífico o entendimento da Receita Federal, expresso em pronunciamentos da COM', a exemplo do orientado através do "Perguntas e Respostas - Ano Calendário 2004" (pergunta 143), que "a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impedi. tivas" possibilita a opção e permanência no Simples desde que a interessada exerça, exclusivamente, atividades não vedadas. Este, todavia, ao menos aparentemente e segundo a defesa, não é o caso dos autos, pois na situação em tela, a atividade contida no contrato social não estaria sendo exercida, e, por outro lado, a efetivamente exercida não constaria como objeto social. Por outro lado, ainda segundo a citada orientação, "também estará impedida de optar pelos Simples a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social". Também esta proposição não tem congruência com o caso fático, a menos que se conclua que a atividade de fato exercida. não prevista no contrato social. impeca a opcão pelo Simples. Uma terceira situação, também abordada na orientação COSIT acima citada, mereceu o seguinte entendimento: "se no contrato social constarem unicamente atividades que vedam a opção, a pessoa jurídica deverá alterar o contrato para obter a inscrição no Simples, valendo a alteração para o ano-calendário subsequente". Esta determinação, embora aplicável à situação sob deslinde, no meu modo de ver, é insuficiente para, por si só, afiançar a exclusão procedida. Entretanto, dela emerge um outro ponto, relacionado à segunda indagação acima proposta: ''por que a empresa recorrente não registrou em seu contrato social a efetiva atividade, isto é, disputar competições esportivas e com isto granjear prêmios", uma vez que, quando constituída, já se sabia exatamente qual seria a natureza da receita que se buscava? 8 Processo n0 13737 000732/2003-98 51-C 1 T3 Acórdão ri ° 1103-00.209 El 5 A razão disto não pode ser inferida dos autos. Entretanto, a reflexão sobre essa possibilidade, fatalmente nos leva à análise da terceira indagação acima proposta, qual seja: "É admissivel imputar a pessoa jurídica prêmios decorrentes de atividades individualmente desenvolvidas pelas pessoas fisicas dos sócios-, quando não derivados de venda de serviços a terceiros com o fim especulativo de lucro?" Para esclarecer esta dúvida, impõem-se breves considerações sobre a linha divisória que separa as atividades típicas das pessoas jurídicas e, portanto, tributadas segundo as determinações específicas do sistema de tributação escolhido para cada caso, das receitas produzidas por atividades desenvolvidas individualmente por pessoas fisicas, tributadas segundo a sistemática estabelecida para as pessoas fisicas, com base na tabela progressiva. Nesse raciocínio, segundo preceitua a alínea "b" do § 1° do art. 41 da Lei rf 4.506, de 1964, estão sujeitos ao imposto de renda das pessoas jurídicas os rendimentos decorrentes de qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços E a venda de serviços a terceiros estará tipificada quando tais serviços são prestados por pessoas contratadas e remuneradas pela unidade econômica a que se vinculam, que explora o potencial de trabalho destes mediante a venda dos serviços a terceiros, com a finalidade de lucro. Por outro lado, quando os serviços são prestados pessoalmente, como no caso, sem que a prestação exija uma unidade econômica, estrutura empresarial, participação de terceiros não auxiliares, etc., os rendimentos deles decorrentes se submetem à tributação do imposto sobre a renda das pessoas físicas. Nesse contexto, admitir que pessoas físicas atribuam a pessoa jurídica os rendimentos de serviços que pessoalmente prestam, quando ausente a venda de servicos com o fim especulativo de lucro, é buscar alternativa de tributação não prevista em Lei. É o que se infere do disposto no art. 3°, § 4 0 , da Lei n° 7.713/88 (art. 45, inciso I, do RIR199), que determina que os rendimentos do trabalho não assalariado, a exemplo dos honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (onde se enquadra o atleta profissional), sejam submetidos à tabela progressiva. O pensamento suso exposto, inclusive já foi tema de reiteradas manifestações da administração tributária, expressas em respostas a consultas, a exemplo das abaixo reproduzidas: PRÊMIOS PAGOS A ATLETA - Os valores das gratificações, prêmios, participações, pagos a atleta profissional em decorrência dos resultados obtidos em competições esportivas possuem caráter remuneratório e estão sujeitos à incidência do imposto de renda, na fonte e na declaração [ ] Dispositivos Legais Art. 7 0 , inciso II, da Lei n" 7 713, de 22 de dezembro de 1988; art. 7 0 da Lei 77° 9 779, de 19 de janeiro de 1999 Processo de Consulta n" 15/02 Órgão Coordenação-Geral do Sistema de Tributação — COSIT. Publicação no DOU de 27 08 2002 PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS — A pessoa física que, individualmente, presta serviços não comerciais, para efeito de imposto de renda, não é considerada empresa individual equiparada a pessoa jurídica, sendo incabível a opção pelo 9 Simples Dispositivos Legais . arts. 37, 38, 150, 620 e 628 do Decreto n° 3000, de 1999, cirt 3° da Lei n° 9.317, de 1996 Processo de Consulta n° 6/05 órgão. SRRF/8" Região Fiscal. Publicação no DOU. 22 02 2005. Ademais, impende destacar que segundo a documentação juntada ao processo por ocasião da realização da diligência solicitada pelo Conselho de Contribuintes, não persistem dúvidas sobre o caráter pessoal e individual dos serviços que propiciaram o rendimento canalizado à recorrente. Nesse passo, o "Regulamento Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia" (fls. 76 a 84), que estipula o regamento das competições, aceito pelos atletas quando assinam o termo de compromisso dos atletas ("o jogador tem conhecimento e concorda com os 'tete do Regulamento do Circuito do Banco do Brasil Vôlei de Praia, assim como os itens das Medidas Disciplinares do Vôlei de Praia") (fi, 85), não deixa dúvidas quando, entre outras coisas, estabelece: 14.11 A participação dos atletas nas atividades de Vôlei de Praia é exercida a nível individual 12.6 Para todo e qualquer pagamento relativo a premiação, será descontado Imposto de Renda na Fonte, Entretanto, poderia alguém arguir que a atividade exercida não se limita à participação pura e simples na disputa esportiva, mas que a receita também se justifica pela venda de imagem dos atletas sócios. Alegação neste sentido deveria ser tida sem efeito em vista do contido na letra "b" do "Termo de compromisso dos atletas — Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia" (fl. 85) que estabelece: "O jogador autoriza a Confederação Brasileira de Voleibol e o Banco do Brasil, a .fazerem uso da imagem e mostrarem de tempos em tempos, nome ou apelido, voz, semelhança e material biográfico recolhidos através de filmes, fotografia e gravações em teipe ou ao vivo em televisão, da sua pessoa, durante a participação nos eventos oficiais da CBV, com objetivo de promovei; divulgar e fazer propaganda do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia, sem que receba compensação adicional e aqui abdica qualquer direito a tal compensação para ele, seus herdeiros e cessionários". Mesmo assim, tal atividade estaria vedada ao Simples, nos termos do posicionamento da Receita Federal expresso em resposta a consulta, cuja ementa é a seguir transcrito, a qual adoto na hipótese: CESSÃO DE DIREITO AO USO DO NOME OU DA IMAGEM DE ATLETA — A pessoa jurídica que se dedica à cessão de direito ao uso do nome ou da imagem de atleta está impedida de optar pelo Simples, por se tratar de intermediação de negócios, atividade que se equipara à corretagem ou à representação comercial Dispositivos Legais . Constituição da República, art. 5", inciso XXVIII, alínea "a", Código Civil, art 50, Lei n°9,317, de 1996, art 9", inciso VIII; Lei n° 9.610, de 1998, arts 24, inciso e 27, Lei n" 9.615, de 1998, art. 28, § 7', e 87, ‘`caput" Processo de Consulta n" 188/03. Órgão . SRRF/9" Região Fiscal Publicação no DOU. 15/01/2004. Ante o exposto, parece-me evidente tratar-se, no caso, de rendimentos abarcados pelo § 4 0 do art. 3 0 da Lei n° 7313, de 1988 (art. 45 do RIR199), tributáveis, portanto, segundo as normas de imposto sobre a renda estabelecidas para as pessoas fisicas. Todavia, é importante frisar que esta questão, apesar de relevante à análise da correta lo Piocesso ri' 13737 000732/2003-98 S1-C1T3 Acórdão ri " 1103-00209 F1 6 tributação dos rendimentos em foco, não é relevante, especificamente, ao caso sob deslinde, urna vez que a exclusão em debate está assentada na vedação ao Simples da atividade exercida, e não concernente à polêmica aqui levantada, isto é, se os rendimentos devem ser tributados segundo as normas previstas para as pessoas físicas ou segundo as normas formuladas para as pessoas jurídicas. Na sequência, e alheio à controvérsia acerca da possibilidade, ou não, de imputar a pessoa jurídica os rendimentos obtidos pelas sócias da recorrente, mesmo porque esta não é a realidade dos fatos que envolvem a discussão submetida a julgamento, agora faz-se relevante dissecar a quarta indagação, assim formulada: "Allesmo aceitando que a atividade efetivamente desenvolvida pelas atletas de vôlei de praia, de fato imputada à recorrente, pudesse legalmente ser a ela atribuída, poderia, então, a pessoa jurídica optar pelo Simples?" A resposta é não. E uma rápida leitura do inciso XIII do art. 9° da Lei 1-10 9.317/1996 abona a afirmação. Senão vejamos: o referido inciso veda o acesso ao Simples de serviços profissionais, a exemplo, dentre outros, de ator, de cantor, de músico, de dançarino, de professor, de fisicultor, ou assemelhados. No caso, é inegável que a atividade de atleta profissional de vôlei de praia é assemelhada às expressamente citadas pelo inciso XIII. E não se trata de interpretação que se apóia na analogia, como acusa a recorrente, pois a expressão "ou assemelhados" deve ser tida como citação expressa, pela Lei, da atividade de atleta. Ainda, deve-se considerar que a relação de profissões expressamente citadas pelo inciso XIII do dispositivo legal referenciado é meramente exemplificativa, o que se infere da expressão "ou assemelhados", bem como da outra expressão "e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". Evidentemente, não é nesta última expressão que se apóia a exclusão, mas sim na anteriormente citada, ou seja, "ou assemelhados". A propósito, empresta confiabilidade ao entendimento que afasta os serviços profissionais em tela do alcance do Simples, inclusive os de atleta profissional, uma decisão do STF proferida por ocasião do indeferimento de liminar na ADin ri.° 1.643-1, interposta pela Confederação Nacional das Profissões Liberais, na qual a entidade pleiteava os beneficies fiscais do Simples para sociedades constituídas por seus associados (Dec. de 05/12/02, do STF ADin 1.643-1 — DO 01/04/03), assim ementada: Não há ofensa ao principio da isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microernpresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do Simples aqueles cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado O Ministro Relator da referida ADin, em seu voto condutor, assim interpretou o objetivo da Lei n° 9,317/96: 9 Não há falar-se, pois, em ofensa ao princípio da isonornia tributária, visto que a lei tributária — e esse é o caráter da Lei n" 9 317/96 — pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas ás pessoas da mesma classe ou categoria. II 16W‘ 10- A razocibilidade da Lei e 9 317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresárias de maior porte e aos profissionais liberais Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também a norma contida no § I° do art. 145 da Constituição Federal Para encerrar a análise da quarta indagação acima formulada, mister se faz referir que os arts, 3° e 17 da LC n° 123, de 2008, com vigência a partir de 1° de julho de 2007, ao mencionarem as hipóteses que vedam a opção ao Simples Nacional, na parte correspondente ao revogado inciso XIII do art. 9' da Lei n° 9317/96, numa redação bem mais objetiva, não deixam dúvidas quanto aos serviços em tela: XXII — tenha atividade de prestação de serviços de natureza intelectual técnica, cientifica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como os. serviços de instrutor, corretor, despachante ou qualquer tipo de intermediação de negócios Feitas essas colocações, e para encenar a análise dos questionamentos propostos para enfrentar a controvérsia, resta a quinta indagação, assim construída: "A exigência do patrocinador, que alegadamente determinou a constituição de pessoa jurídica como condição para pagar os prêmios, é razão legalmente suficiente para estribar a alteração da forma de tributação, mesmo contrariando disposições legais específicas". Nesse panorama, embora a recorrente afirme e reitere que foi obrigada a constituir pessoa jurídica para possibilitar o recebimento de prêmios derivados das competições esportivas por serem estes pagos por cheques nominais às pessoas jurídicas, a efetividade de tal circunstância não pode ser comprovada. Acerca da forma de remuneração, constam do "Regulamento Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia" (fl. 76 a 84) as seguintes normas, nas quais não se vislumbra a propalada exigência: 12.1 Os jogadores, em cada etapa do Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia, receberão premiação que será distribuída após à conclusão de cada etapa, desde que tenham atendido ao que estabelecem as normas e regulamentos da CBV 12 5 Todos os pagamentos de prêmios relativos ao Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia serão feitos por meio de crédito em conta corrente vinculada a tuna agência da rede bancária do patrocinador do evento, à escolha do atleta 12 6 Para todo e qualquer pagamento relativo a premiaçào, será descontado Imposto de Renda na Fonte. Mesmo assim, como corretamente decidiu o Acórdão a quo, a suposta exigência de constituição de pessoa jurídica não tem o condão de modificar determinações tributárias apoiadas em Lei. Segundo foi decidido, o que endosso, uma "convenção particular oposta à Fazenda Pública, com objetivo de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes" é procedimento inaceitável, vedado, ao teor do art. 123 do CTN (Código Tributário Nacional) (fi, 46). 12 Processo ri' 13737 00073212003-98 51-C1 T3 Acórdão ri ° 1103-00.209 Fl 7 Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e voto por manter a exclusão da recorrente do Simples na forma determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/NIT no 445.120 (fl. 03) e conforme já decidido pela DRJ Recorrida. É o meu voto. C:4"CO dl til t.Kei CiERVÁSI ILAU-RECK.TENVALD 13 ,
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000979/2001-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/06/1999 a 06/09/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO – CABIMENTO.
Constatada omissão na decisão proferida, esta deve ser suprida, para que o resultado do resultado do julgamento espelhe a decisão tomada.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS E ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 3201-000.931
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 15/06/1999 a 06/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO – CABIMENTO. Constatada omissão na decisão proferida, esta deve ser suprida, para que o resultado do resultado do julgamento espelhe a decisão tomada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS E ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 15/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por entender que bem espelha a realidade dos fatos ocorridos até aquele momento, utilizome do Relatório constante do Acórdão embargado: Tratase o presente processo de auto de infração lavrado para a cobrança do crédito tributário no valor de R$ 10.863.859,86, correspondendo ao Imposto de Importação II, no valor de RS 853.500,86 e Imposto Industrializado vinculado à importação — IPI, de R$ 160.287,13, ambos acrescidos dos juros de mora e da multa proporcional, que somadas totaliza RS 1.107.717,74, além de multa regulamentar, no valor de R$ 8.742.354,13. O referido lançamento originouse da inobservância, pela contribuinte, das proporções e dos índices previstos no programa de incentivo fiscal estabelecido na Lei n" 9.440, de 14.03.97. O incentivo fiscal objeto do presente processo foi criado através da Medida Provisória MP n" 1.024, de 13.06.95, posteriormente convertida em Lei, sob o n" 9.449/97, e consiste em reduzir o imposto de importação de bens relacionados com a indústria automotiva e teve como objeto incentivar a produção nacional. Porém, para que as empresas interessadas no programa cumprissem com os objetivos do mesmo e não tirasse apenas proveito dos benefícios ali estabelecidos sem realizar a sua parte, o Poder Executivo estabeleceu algumas condições retratadas por meio de proporções e índices que essas empresas deveriam cumprir, tudo isso já previsto na MP n" 1.024/95. Essas proporções e índices, regulamentados pelo Decreto n" 2.072, de 14.11.96, posteriormente alterado pelo Decreto n" 2.638/98, no caso específico da empresa autuada que fabrica tratores agrícolas, colheitadeiras, implementos e equipamentos agrícolas, estavam estabelecidos nos artigos 9" e 11, abaixo descritos: Art. 9" O valor total FOB das importações de "insumos" com redução do Imposto cie Importação não poderá exceder, por anocalendário, dois terços das 'Exportações Líquidas". Art. 10 (...) Art. 11 Os "índices Médio de Nacionalização" deverão ser de, no mínimo, sessenta por cento. Entendese, por "índice Médio de Nacionalização" a proporção entre o valor dos insumos produzidos no país e a soma dos insumos produzidos no país com o valor FOB das importações de insumos, deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas no regime drawback em cada anocalendário. Em procedimento de fiscalização verificouse que a empresa não cumpriu as exigências estabelecidas no Decreto acima citado, ficando, desta forma, sujeita às multas previstas em seu artigo 14, incisos V e VII, in ver bis: Art. 14 A inobservância ao disposto neste Decreto sujeitará o "Beneficiário " ao pagamento de multa de: . Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 15165.000979/200108 Acórdão n.º 3201000.931 S3C2T1 Fl. 2 3 V setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Insumas", realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4", que concorrer para o descumprimento do "índice Médio de Nacionalização"; IV(...) VII setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Insumos", realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4", que exceder a proporção estabelecida no art. 9". Parágrafo único. O produto da arrecadação das multas a que se referem este artigo será recolhido ao Tesouro Nacional. Além dessas multas, foram cobrados os impostos incidentes sobre as importações efetuadas ao abrigo desse incentivo fiscal. Os cálculos apresentados pela auditoria acusaram um excesso de importação sobre dois terços das exportações líquidas, previstos no art. 9" do Decreto n" 2.072/96, na ordem de U$ 1.157.749,48 e um índice médio de nacionalização com percentual de 56,90% correspondente a US$ 5.668.322,20 de insumos importados a maior, ou seja, inferior a 60% previsto no art. II do mesmo diploma legal. Como os valores extrapolados correspondiam ao anocalendário de 1999, o Auditor Fiscal utilizou o critério de cobrança dos tributos com base nos valores informados nas declarações de importação, utilizadas para ingresso daquelas mercadorias que não estavam asseguradas pelo beneficio, registradas mais recentemente e em ordem decrescente, dentro daquele próprio ano. Os cálculos acima constam da descrição dos fatos e enquadramento legal, constante àsfls. 35 a 43, juntamente com as planilhas que fazem parte do presente processo. Inconformada, a interessada apresentou impugnação, aduzindo em síntese: que a multa prevista no art. 13 da Lei n" 9.449/97 não é cumulativa coma exigência de imposto em razão de inobservância das proporções e índices condicionadores dos benefícios; a multa prevista nos art. 13 da Lei n" 9.449/97 e aqui aplicada é flagrantemente inconstitucional, de tal modo ostensiva é a violação dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da não confiscatoriedade; 3 a causa da inobservância das proporções e índices foi exclusivamente a súbita e abrupta desvalorização cambial, ocorrida em janeiro de 1999, fato esse alheio à vontade da empresa, devendo a multa não ser imputável à impugnante; Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 4 a empresa não cumpriu os valores requeridos nos períodos anuais, mas em termos globais ela preencheu todas as exigências na legislação; 5 as diferenças de imposto de importação não poderiam abranger ias as importações com redução num valor total de U$ 5.668.322,20, •%s apenas as importações com redução que estivessem abrangidas no eríodo cie tempo a partir do qual a impugnante rompeu com o índice. Por fim requereu a anulação das exigências constantes do auto de infração. Em ato processual seguinte, a decisão de primeiro grau, de fls. 902/909, julgou procedente o lançamento, salientando que as multas aplicadas possuem natureza diversa, sendo que a multa prevista no regime automotivo (art. 13, da Lei n° 9.449/97) é aplicada quando do descumprimento dos índices e proporções estabelecidos pelo incentivo fiscal, situação na qual .há prejuízo ao mercado interno, diferentemente da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430 de 1997. Ressalta, ainda, o julgador a quo que, a empresa não observou, durante o ano calendário de 1999, o índice Médio de Nacionalização (IMN), agindo sem o devido controle para que as importações não ultrapassem os índices previstos pelo benefício, situação esta, que em nada guarda relação com a variação cambial ocorrida em janeiro daquele ano. Por fim, destaca que a Interessada não impugnou os valores apresentados pelo Auditor Fiscal, limitandose a considerálos incorretos. A decisão acima referida restou assim ementada: INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A EXCLUSÃO DAS MULTAS. Não há dispositivo legal prescrevendo que a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei n" 9.340/97 exclui a incidência da multa, instituída pelo regime automotivo, estabelecida no art. 14 da Lei n" 9.449/97. ALEGAÇÕES ALUSIVAS AO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Estando o julgador administrativo vinculado à letra da lei e incumbido apenas do exame da legalidade do ato administrativo, não lhe é possível manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou não da lei. IMPUTABILIDADE DA INTERESSADA. Agindo a autuada por livre e espontânea vontade contra os preceitos legais incorre nas penas aplicadas às matérias infringidas. REGIME AUTOMOTIVO. As proporções e os índices estabelecidos no regime automotivo, regulamentado pelo Decreto n" 2.072/97, têm como base os valores correspondentes ao anocalendário e não como pretende a contribuinte, que seja durante toda a vigência do beneficio, ou seja, quadrienal. O Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 15165.000979/200108 Acórdão n.º 3201000.931 S3C2T1 Fl. 3 5 lançamento do crédito tributário é sobre os valores tributáveis das declarações de importação mais recentes qite contribuíram para o não cumprimento das proporções e índices exigidos pelo regime automotivo. Lançamento Procedente. Intimada da r. decisão proferida, a Interessada apresentou às fls. 921/945, seu Recurso Voluntário endereçado a esse Terceiro Conselho de Contribuintes, reiterando os termos da impugnação apresentada. Durante a Sessão de 23/08/2006, por maioria de votos, acolheu se a preliminar de conversão do julgamento em diligência à Repartição de Origem, arguida pelo Conselheiro Corintho Oliveira Machado. A Resolução 3021.292 foi assim redigida: Com o objetivo de bem formar a livre convicção racional do Colegiado, entendeuse por bem de diligenciar junto à autoridade lançadora do presente contencioso, para que a unidade de origem providencie, se necessário mediante Laudo com fundamento econômico, respostas para as seguintes indagações: se a valores constantes (aplicado um deflator cambial) o regime ora em tela (ano a ano e também globalmente) teria sido cumprido em função dos Índices preconizados pela legislação?; especificamente para o ano do suposto inadimplemento, houve algum outro fator, além da variação cambial, que pudesse ter influenciado o preço dos insumos dos produtos objeto do regime?; após levada a efeito a diligência, dar ciência ao recorrente das conclusões encontradas, para aquele manifestarse, se assim o desejar; retorno para julgamento. Em decorrência, aquela repartição de origem apresentou os fundamentos constantes do "Relatório Diligência Fiscal", de fis. 1367/1376. Ainda, a Interessada se manifesta às ils. 1379/1380 sustentando a veracidade dos dados apresentados. Apresentado recurso voluntário, este foi provido, afastando o lançamento realizado. A Fazenda Nacional interpõe embargos de declaração, alegando omissão no julgado, por não ter havido debate sobre o art. 14, VII do Decreto n.º 2.072/96, motivo pelo qual retorna o processo para julgamento. Voto Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Tratase de embargos de declaração promovidos pela Fazenda Nacional, alegando omissão por não ter havido debate sobre a penalidade prevista no art. 14, VII do Decreto n.º 2.072/96. Entendo que a irresignação da embargante merece guarida, já que efetivamente não houve um debate específico sobre aquela matéria. O referido Decreto dispõe sobre a redução do imposto de importação para os produtos automotivos, chamado também de Regime Automotivo. No caso de inadimplemento do referido Regime, há a aplicação de diversas sanções, como bem lançado pela autoridade fiscalizadora. Este foi o caso em concreto, haja vista que, em face da mudança brusca da taxa do Dólar, a recorrida não conseguiu obter os índices que a levavam a cumprir o regime automotivo acordado, nos moldes do referido Decreto. Quando do julgamento, foi acolhida a tese do “fato do príncipe”, ou seja, foi afastada a alteração brusca da taxa do dólar e, assim, considerado adimplido o regime. Desta feita, a base do lançamento foi afastada. Entretanto, o acórdão recorrido não tratou de uma das multas previstas no referido Decreto: Art. 14. A inobservância ao disposto neste Decreto sujeitará o "Beneficiário" ao pagamento de multa de: I setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Bens de Capital" realizadas nas condições previstas no inciso I do art. 4º, que contribuir para o descumprimento da proporção a que se refere o art. 6º; II setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Bens de Capital" realizadas nas condições previstas no inciso I do art. 4º, que exceder os limites adicionais a que se refere o art. 13; III sessenta por cento sobre o valor FOB das importações de matériasprimas realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4º, que exceder a proporção fixada no art. 7º; IV sessenta por cento sobre o valor FOB das importações de matériasprimas realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4º, que exceder os limites adicionais a que se refere o art. 13; V setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Insumos", realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4º, que concorrer para o descumprimento do "Índice Médio de Nacionalização"; Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 15165.000979/200108 Acórdão n.º 3201000.931 S3C2T1 Fl. 4 7 VI 120% sobre o valor FOB das importações de "Insumos" e de "Veículos de Transporte", realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4º e no art. 5º, respectivamente, que exceder a proporção estabelecida no art. 8º; VII setenta por cento sobre o valor FOB das importações de "Insumos", realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4º, que exceder a proporção estabelecida no art. 9º. Parágrafo único. O produto da arrecadação das multas a que se referem este artigo será recolhido ao Tesouro Nacional. (grifo nosso) O referido artigo 9º assim dispõe: Art. 9º O valor total FOB das importações de "Insumos" com redução do imposto de importação não poderá exceder, por ano calendário, dois terços do das "Exportações Líquidas". Parágrafo único. Excetuamse do disposto no caput deste artigo as matériasprimas, quando se tratar das importações a serem realizadas pelos fabricantes de "Autopeças". Ora, todo o lançamento se deu com base em uma variação da taxa cambial atípica, motivo pelo qual foram lançados os tributos e penalidades debatidos neste processo, assim como a multa do inciso VII do art. 14 da norma em debate, que exigia comparação entre valor FOB das importações frente às exportações líquidas. Quando da diligência realizada, restou afirmado que, afastada a variação cambial atípica, o regime havia sido integralmente cumprido, fls. 1368/1369: QUESITO 1 A valores constantes (aplicado um deflator cambial) o regime ora em tela (ano a ano e também globalmente) teria sido cumprido em função dos índices preconizados pela legislação? A resposta a este quesito é afirmativa. Conforme planilhas anexas (anexos I a VI), onde encontramse analiticamente individualizados os dados financeiros e econômicos apurados pela Recorrente durante a vigência do Regime Automotivo 1996 a 1999, consideramos que se aplicado um deflator cambial, o regime ora em tela, ano a ano e também globalmente teria sido cumprido em atenção aos índices preconizados pela legislação. Se adimplido o regime automotivo, todas as penalidades e tributos lançados devem ser afastados, inclusive a multa prevista no inciso VII do art. 14 Decreto n.º 2.072/96. Assim, voto por conhecer os embargos de declaração interpostos e acolhê los, para fins de complementação do acórdão ora guerreado, para que passe a constar a fundamentação sobre o afastamento da multa prevista no inciso VII do art. 14 Decreto n.º 2.072/96, sem alterar o mérito da decisão. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 8 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000065/2005-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI COM LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO.
Comprovado que o contribuinte é portador de doença especificada na Lei tributária por laudo médico oficial e que percebe rendimentos de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada, deve-se reconhecer o direito à isenção sobre tais rendimentos na forma do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº 7.713/88.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para reconhecer que o rendimento percebido na demanda trabalhista 00991.014/928, no valor de R$71.544,50, pago pelo Banco Santander Meridional S/A ao autuado, está acobertado pela isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI COM LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO. Comprovado que o contribuinte é portador de doença especificada na Lei tributária por laudo médico oficial e que percebe rendimentos de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada, devese reconhecer o direito à isenção sobre tais rendimentos na forma do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº 7.713/88. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para reconhecer que o rendimento percebido na demanda trabalhista 00991.014/928, no valor de R$71.544,50, pago pelo Banco Santander Meridional S/A ao autuado, está acobertado pela isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Abaixo se colaciona o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza a motivação da autuação e as razões deduzidas na impugnação (fl. 106), verbis: O contribuinte JOÃO DE MENEZES RAMOS apresentou declaração de ajuste anual (fls. 53/55) requerendo restituição do imposto de renda no valor de R$ 22.367,66. A fiscalização, após proceder a revisão da declaração, constatou que o contribuinte declarou como "rendimentos de aposentadoria isentos por moléstia grave" o valor de R$ 71.544,50, recebidos em decorrência de ação trabalhista — processo 00991.014/928. Em decorrência, foi lavrado o respectivo Auto de Infração, conforme consta As fls. 02/04, procedida a revisão da declaração e apurado imposto a restituir no valor de R$ 6.628,83, conforme consta As fls. 05 dos autos. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 01) informando que o valor recebido da causa trabalhista corresponde a diferença de complementação de aposentadoria e, por ser portador de moléstia grave, esse rendimento é isento. A 8ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1021.292, de 09 de outubro de 2009 (fls. 105 e seguintes). A decisão acima asseverou que os valores controvertidos eram oriundos de complementação de aposentadoria, porém os documentos comprobatórios de que o autuado era portador de moléstia grave, especificamente o Oficio 0001/2002, expedido pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, em 03 de janeiro de 2002, não fazia referência à data de início da enfermidade, levando a presunção que tal termo de início seria o da data da expedição do Oficio, qual seja, 03 de janeiro de 2002. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 26/10/2009 (fl. 109). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 25/11/2009 (fl. 110). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que, na data de 15/05/2001, internouse na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde, no dia 22/05/2001, foi submetido à cirurgia de lobectomia superior direita para tratamento de neoplasia maligna pulmonar (câncer de pulmão), como comprova com atestados médicos, exames e boletim hospitalar, juntados desde a impugnação, que agora renova. Após longa recuperação, dirigiuse no dia 12/12/2001 à Agência da Previdência Social de São Jerônimo (RS), quando encaminhou pedido de isenção de IR, por ser portador de moléstia grave, obtendo, após a análise da documentação pela perícia médica da autarquia previdenciária, o reconhecimento perseguido, consubstanciado no oficio n° 0001/2002, juntado aos autos. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13007.000065/200550 Acórdão n.º 210201.903 S2C1T2 Fl. 2 3 Devese ressaltar que, em julho de 2001, o autuado recebeu diferenças de complementação de aposentadoria do Banco Santander Meridional S/A no bojo da Reclamatória Trabalhista n° 00991.014/928, objeto da controvérsia nestes autos, sendo de rigor reconhecer a incidência da isenção na forma do art. 6º, XIV,da Lei nº 7.713/88. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 26/10/2009 (fl. 109), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 25/11/2009 (fl. 110), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 25/11/2009, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia nesta instância resumese a definir se o contribuinte faz jus à isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, no tocante aos valores percebidos do Banco Santander Meridional S/A em julho de 2011 (fls. 43 e 65), especificamente se o autuado era portador de moléstia especificada na Lei na data da percepção dos valores, pois já restou incontroversa a natureza das verbas recebidas, complementação de aposentadoria, na Delegacia de Julgamento. Antes de tudo, não há qualquer dúvida que o recorrente era portador de moléstia especifica na Lei tributária, como se vê pelo Ofício INSS nº 0001/2002, de 03 de janeiro de 2002, da Agência da Previdência Social de São Jerônimo (RS), que assevera (fl. 77), verbis: Atendendo a solicitação do segurado, acima referenciado, informamos que após a análise da documentação apresentada, foi concluído pelo médico perito, que vossa senhoria é portadora de patologia que se enquadra no art. 30, da Lei 9.250, de 26/12/1995, fazendo jus, portanto, a isenção do Imposto de Renda sobre o valor, pago a titulo de Aposentadoria por Tempo de Contribuição. Aliando o reconhecimento acima da Autarquia Previdenciária, com o atestado médico de fl. 78, de 11/10/2001, que assevera que o Sr. João Menezes Ramos é portador de neoplasia maligna pulmonar, tendo sido submetido a tratamento cirúrgico no dia 22/05/2001, como se comprova pela cópia do anotomopatológico nº 235654, do Laboratório Geyer (fls. 79 e 80), documentação estas trazidas desde a impugnação, tudo reforçado pela Nota de Alta Hospitalar emitida Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, acostada no recurso voluntário (fls. 118 e 119), não se pode negar que o autuado era portador de moléstia especificada na Lei tributária desde, pelo menos, maio de 2001, ou seja, quando ele recebeu os valores da complementação da aposentadoria do Banco Santander Meridional S/A em julho de 2001, inegavelmente tal montante estava acobertado pelo manto da isenção do art. 6º, XIV, da Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Lei nº 7.713/88, pois se tratava de proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave. Negar a conclusão acima, que emerge cristalinamente dos autos, fiandose apenas na ausência da data de início da moléstia no Ofício INSS nº 0001/2002, é desprestigiar a Administração Fiscal perante os contribuintes, pois não se pode compreender como um senhor idoso, com 78 anos na data da intervenção cirúrgica, que ressecou uma neoplasia maligna pulmonar em maio de 2001, tendo buscado o reconhecimento da isenção do IRPF em dezembro de 2001 junto à perícia médica do INSS e obtido seu desiderato nos primeiros dias de 2002 (03/01/2002), e que tal reconhecimento não tenha qualquer ligação com a neoplasia maligna que o acometia desde maio de 2001, no mínimo (por óbvio, é de meridiana clareza que o infortúnio que o acometeu era anterior até ao ano de 2001, pois ninguém desenvolve um carcinoma pulmonar instantaneamente, mas aqui se toma o mês de maio de 2001 apenas porque se comprovou formalmente nestes autos a incidência da doença, a partir da intervenção cirúrgica, situação ratificada pelo Ofício INSS nº 0001/2002). Não há qualquer dúvida que a moléstia grave, a partir da documentação acostada aos autos, deve ser reconhecida desde maio de 2001, implicando que a complementação de aposentadoria recebida em julho de 2001 está acobertada pela isenção em face do imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para reconhecer que o rendimento percebido na demanda trabalhista 00991.014/928, no valor de R$71.544,50, pago pelo Banco Santander Meridional S/A ao autuado está acobertado pela isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11159.000217/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3301-001.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 64 1 63 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11159.000217/201012 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 330101.397 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2012 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente JOAQUIM CUNHA DA SILVA Sc CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 03/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Alan Fialho Gandra, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidasede recurso em face do acórdão que manteve a multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Contribuições Sociais – DACON, ao mês de janeiro de 2010, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON. 0 cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributaria, sujeita o infrator A aplicação das penalidades legais. 0 DACON relativo ao mês de janeiro/2010 deveria ser apresentado até o 5° (quinto) dia útil do mês de março/2010 (05/03/10). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme o relatório do acórdão recorrido, trata o presente processo de multa expedida através da Notificação de Lançamento de fl. 12, decorrente do atraso na entregado Dacon referente ao mês de janeiro de 2010, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo). 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 29.04.2010, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 14.04.2010 (fls.01/10), na qual a interessada, emsíntese: a) Reclama de uma série de dificuldades criadas pela Receita Federal relativas a dificuldades técnicas e de informação; b) A nova regra de apresentação mensal do Dacon a partir de janeiro de 2010 somente foi disciplinada pela Instrução Normativa RFB no 1.015, de 05.03.2010 (DOU de 08.03.2010), causando problema para as empresas; c) Alega falta de clareza na Instrução Normativa que vigorou até 07.03.2010, no que se refere à entrega do Dacon mensal pelas empresas que entregavam semestralmente, fato que somente foi aclarado com a IN 1.015, de 2010; d) Afirma haver constado informação errada no sitio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) Falta clareza e objetividade na sucessiva edição de atos para regulamentar a matéria em questão. Cientificada em 11/02/2011 (AR fl. 36), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 37 e seguintes, em 04/03/2011, em síntese, reiterando as razões constantes de sua impugnação. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11159.000217/201012 Acórdão n.º 330101.397 S3C3T1 Fl. 65 3 É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7º da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 § 3º. A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifado) Ademais disto, nem mesmo quando presente a denúncia espontânea, o que não é o caso, ainda assim é devida a multa decorrente do atraso na entrega de declaração, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 16403.000593/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1990 a 30/11/1994
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO PRÓPRIO POR PERDA DO PRAZO. REVISÃO DA MATÉRIA DIANTE DE ENTENDIMENTO DEFINITIVO DOS
TRIBUNAIS SUPERIORES. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. POSSIBILIDADE.
É passível de revisão, dentro de processo de declaração de compensação, a
matéria julgada pelo Carf em processo próprio de pedido de restituição, que
considerou haver ocorrido a perda de prazo para o pedido, diante da
relatividade da definitividade das decisões administrativas e da
obrigatoriedade regimental de o Carf adotar o entendimento pacificado pelo
STF e STJ em sede de repercussão geral e recurso repetivido, respectivamente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/1990 a 30/11/1994
COFINS E PIS. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO. “CINCO MAIS CINCO”.
Anteriormente à vigência da Lei Complementar n. 118, de 2005, o prazo para
pedido de restituição e, portanto, para determinar se um crédito é ou não
compensável era de cinco anos, contados da data de homologação tácita de
lançamento (“cinco mais cinco”), conforme entendimento pacífico do STJ,
referendado pelo Supremo Tribunal Federal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1990 a 30/11/1994
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar no 7, de
1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.642
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO PRÓPRIO POR PERDA DO PRAZO. REVISÃO DA MATÉRIA DIANTE DE ENTENDIMENTO DEFINITIVO DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. POSSIBILIDADE. É passível de revisão, dentro de processo de declaração de compensação, a matéria julgada pelo Carf em processo próprio de pedido de restituição, que considerou haver ocorrido a perda de prazo para o pedido, diante da relatividade da definitividade das decisões administrativas e da obrigatoriedade regimental de o Carf adotar o entendimento pacificado pelo STF e STJ em sede de repercussão geral e recurso repetivido, respectivamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1990 a 30/11/1994 COFINS E PIS. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO. “CINCO MAIS CINCO”. Anteriormente à vigência da Lei Complementar n. 118, de 2005, o prazo para pedido de restituição e, portanto, para determinar se um crédito é ou não compensável era de cinco anos, contados da data de homologação tácita de lançamento (“cinco mais cinco”), conforme entendimento pacífico do STJ, referendado pelo Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1990 a 30/11/1994 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar no 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16403.000593/200877 Acórdão n.º 330201.642 S3C3T2 Fl. 417 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 184 a 194) apresentado em 03 de maio de 2011 contra o Acórdão no 0630.373, de 16 de fevereiro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 177 a 179), cientificado em 08 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de junho de 1990 a novembro de 1994, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INDEFERIDO. IMPOSSIBILIDADE. O valor objeto de pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB com decisão definitiva na esfera administrativa não poderá ser objeto de compensação, mediante entrega, pelo sujeito passivo, de Declaração Eletrônica de Compensação DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente As declarações foram transmitidas em 12 de fevereiro de 2004, 15/04/2004, 14/05/2004, 15/06/2004, 15/07/2004, 13/08/2004, 13/09/2004, 15/10/2004, 12/11/2004, Fl. 417DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16403.000593/200877 Acórdão n.º 330201.642 S3C3T2 Fl. 418 3 14/12/2004 e inicialmente apreciadas pelo despacho decisório de fls. 93 a 96, segundo o qual o direito de crédito não foi reconhecido no processo 10940.000804/0016. Ademais, teria a Interessada perdido o prazo para o pedido. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente da Manifestação de Inconformidade interposta contra decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório nº 627/2008 da Seção de Orientação e Análise Tributária SAORT da DRF/PONTA GROSSA (fls. 93/96), o qual decidiu pela NÃO HOMOLOGAÇÃO das declarações de compensação tratadas no processo nº 16403.000563/200861. Referido despacho decisório prolatou o entendimento de que deveria ser aplicado aos débitos indevidamente compensados o conceito de compensação não declarada (definido e previsto no § 12, inciso I, combinado com § 3º, inciso VI, ambos do Art. 74 da Lei 9.430/96, com as modificações/inclusões conferidas pela Lei nº 11.051/2004), não concedendo, portanto, à contribuinte o direito à discussão administrativa pelo rito do Decreto nº 70.235/72 (o qual regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF), mas concedendo, entretanto, o direito ao recurso hierárquico previsto na Lei nº 9.784/99, sem a aplicação do efeito suspensivo ao crédito tributário. Desta forma, a autoridade administrativa realizou a abertura do presente processo (16403.000593/200877) para o seguimento do recurso hierárquico, destinando o primeiro processo (16403.000563/200861) para o seguimento da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Contudo, no julgamento do recurso hierárquico, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal emitiu o Despacho Decisório nº 41 – SRRF/9ª RF/Disit (fls. 165 a 171), datado de 11/03/2009, decidindo pela aplicação do Decreto 70.235/72 (rito do PAF) ao caso, bem como pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Os débitos indevidamente compensados foram então suspensos, nos termos do inciso II, do artigo 151, da Lei nº 5.172/66 (CTN Código Tributário Nacional), sendo o processo de cobrança (16403.000563/200861) apensado ao presente processo (16403.000593/200877), e este, por sua vez, encaminhado a esta DRJ para o seguimento do recurso administrativo. As Declarações de Compensação – DCOMP que foram tratadas no processo nº 16403.000563/200861 e no Despacho Decisório nº 627/2008 são as listadas na Tabela 1 abaixo. [...] Por meio destas Declarações de Compensação a contribuinte extinguiu débitos de PIS e COFINS dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2004, valendose de crédito solicitado através do processo de restituição nº 10940.000804/0016. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16403.000593/200877 Acórdão n.º 330201.642 S3C3T2 Fl. 419 4 Citado pedido de restituição, relativo aos pagamentos de PIS dos períodos de apuração de junho de 1990 a novembro de 1994, foi indeferido pela Autoridade Administrativa (Seção de Tributação da DRF de Ponta Grossa), conforme cópia de Despacho Decisório juntado às fls. 87 a 92, sendo a contribuinte cientificada em 22/06/2001 (conforme citação contida às fls. 94). Ressaltese que esta decisão já se tornou definitiva no âmbito administrativo, tendo em vista a manutenção da mesma pelas instâncias administrativas de julgamento, através do Acórdão nº 069299 de 21 de setembro de 2005 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJCTA, e do Acórdão 20401.140 de 28 de março de 2006 do 2º Conselho de Contribuintes. O Despacho Decisório nº 627/2008, emitido em 11/07/2008, com ciência ao contribuinte em 15/07/08 (fls, 97), procedeu a não homologação das compensações pretendidas através das DCOMP relacionadas na Tabela 1, tendo em vista o não reconhecimento ao crédito pleiteado no citado processo de restituição (10940.000804/0016), cuja denegação ocorreu em razão da decadência do direito à repetição dos indébitos tributários. A manifestação de inconformidade (Recurso hierárquico), apensada às fls. 98 a 163, foi apresentado pela contribuinte em 22/07/08 e defende, em resumo, que: a contribuinte possui o direito a repetição dos pagamentos de PIS, recolhidos sob a égide dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, os quais foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, com a confirmação da inconstitucionalidade pelo Senado Federal através da Resolução de nº 49; o prazo de decadência para a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para a homologação do pagamento, ou seja 10 anos, 5 anos para homologação do tributo e mais 5 para a decadência do direito de restituir. Diante destas razões a recorrente solicita que o recurso seja recebido e apreciado e que a decisão seja reformada, reconhecendose o direito à restituição/compensação dos pagamentos indevidos de PIS. Conforme ementa anteriormente reproduzida, a Primeira Instância considerou impossível a apresentação de declaração de compensação após o indeferimento do direito de crédito. No recurso, a Interessada alegou que os indébitos decorreriam da semestralidade da base de cálculo do PIS e que o prazo para o pedido seria de 10 anos. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16403.000593/200877 Acórdão n.º 330201.642 S3C3T2 Fl. 420 5 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O que fundamentou a decisão de primeira instância foi o fato de o indébito não ter sido reconhecido e a decisão administrativa haverse tornado definitiva. Naquele processo, foi decidido que a Interessada perdeu o prazo para o pedido, que seria contado a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal n. 49, de 1995. O processo, que se referiu à repetição de indébito, foi apresentado em 20 de outubro de 2000. O despacho decisório foi de 07 de maio de 2001. No caso dos autos, as declarações foram apresentadas a partir de fevereiro de 2004 e o último período de indébito foi de novembro de 1994. A disposição da Lei n. 9.430, de 1996, art. 74, § 3º, VI, que vedou a compensação com indébitos já indeferidos, passou a viger com a Lei n. 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e não se aplica ao caso dos autos. Portanto, não havia vedação para apresentar as declarações de compensação após o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, cabe, primeiramente, analisar a possibilidade de reexame da matéria (perda de prazo), à vista de o pedido de restituição ter sido denegado na esfera administrativa de forma definitiva. Quando a Interessada apresentou as declarações de compensação, ainda não havia sido julgado definitivamente o pedido de restituição. Entretanto, era de seu conhecimento que o crédito objeto das declarações de compensação era o mesmo contido no pedido de restituição, tanto que indicou, nas DCOMP, o processo de origem. Dessa forma, a decisão contida no processo de restituição produziu efeitos em relação às declarações de compensação. A questão, portanto, é saber se seria possível, em sede de recurso voluntário relativo às declarações de compensação, alterar o mérito relativo ao indébito, já julgado em processo anterior. Primeiramente, é inequívoco que não seria possível alterar o mérito do próprio pedido de restituição. Em outras palavras, não seria possível rever as matérias analisadas naquele processo com o fim de efetuar restituição do indébito em moeda. Somente seria questionável, portanto, se haveria possibilidade de analisar a questão da perda do prazo para efeito, apenas, das compensações efetuadas. Isso por que somente são discutidas nos presentes autos as mencionadas compensações. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16403.000593/200877 Acórdão n.º 330201.642 S3C3T2 Fl. 421 6 Voltando à relação que existe entre os dois processos, normalmente se considera que há relação de prejudicialidade, ou seja, não se poderia julgar o processo de compensação antes do julgamento do direito de crédito, uma vez que a compensação depende da liquidez e certeza do crédito. Foi a regra seguida pelas instâncias anteriores, que simplesmente justificaram a não homologação das compensações pelo fato de inexistir indébito, à vista da decisão administrativa definitiva. Nesse contexto, o que justificaria a alteração do que foi julgado no outro processo seria o estabelecimento de jurisprudência definitiva sobre a matéria, conforme a seguir demonstrado. O prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN foi alterado pela Lei Complementar no 118, de 2005. No Recurso Extraordinário no 566.621, apresentado pela União contra decisão do Tribunal Regional Federal da 1a Região, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria. O recurso foi julgado em 04 de agosto de 2011, estabelecendo que a disposição do art. 3º da referida LC somente se aplicaria a partir da sua vigência, que ocorreu 120 dias após a publicação, que ocorreu em 10 de fevereiro de 2005. Somente aos pedidos apresentados após a vigência é que se aplicaria o novo prazo. Como o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo (REsp 1.002.932/SP), que o prazo seria de “cinco mais cinco”, então, por força dos arts. 62 e 62A do Regimento Interno, tal entendimento teria que ser aplicado pelo Carf. Portanto, temse aqui a seguinte situação: prestigiase a definitividade da decisão administrativa anterior ou a vinculação das decisões do Supremo Tribunal Federal (em repercussão geral) e do Superior Tribunal de Justiça (em sede de recurso repetitivo)? Ademais, os próprios artigos citados do Ricarf prestigiam, de forma incontroversa, a jurisprudência consolidada dos tribunais superiores. Considerando que a definitividade das decisões administrativas é relativa, à vista da autotutela da Administração, o que lhe confere o poder de rever os próprios atos, quando eivados de ilegalidade. Muito embora seja evidente não haver ilegalidade formal no acórdão anterior, há que se questionar se a adoção de entendimento diverso do jurisprudencial seria ilegalidade. Certamente o entendimento simplesmente divergente de um entendimento majoritário não poderia ser considerado ilegal por tal razão. Entretanto, quando se fala das decisões em repercussão geral e recursos repetitivos, falase de jurisprudência qualificada com atributos de vinculação. Em outras palavras, falase do entendimento formalmente correto diante do ordenamento jurídico. Assim, é certo que o entendimento proferido no processo de restituição era incorreto. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16403.000593/200877 Acórdão n.º 330201.642 S3C3T2 Fl. 422 7 Nesse contexto, como se trata de novo recurso, submetido ao mandamento dos arts. 62 e 62A do Ricarf, não há como desconsiderar a relatividade da decisão anterior e a prevalência da jurisprudência qualificada dos tribunais superiores, para, no âmbito apenas das declarações de compensação, aplicar o entendimento correto quanto ao prazo para o pedido em relação à matéria discutida no presente recurso. Como anteriormente esclarecido, o pedido original foi apresentado em 20 de outubro de 2000. Já as declarações de compensação foram apresentadas em 2004, também antes da vigência da Lei Complementar n. 118, de 2005. A questão adicional é saber qual das datas devese levar em conta pra a contagem do prazo, a do pedido original ou a de cada declaração de compensação. Como anteriormente observado, os processos estão relacionados e isso ocorre por que se trata de um mesmo direito creditório. Portanto, o prazo deve ser contado em relação ao pedido original. Quanto ao mérito do direito creditório, aplicase a Súmula Carf n. 15: Súmula CARF n. 15 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar n. 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para considerar não prescritos os recolhimentos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 20 de outubro de 1990 e reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, relativa e unicamente ao montante de indébito a ser compensado no presente processo. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10380.013625/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 19/10/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar livros relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
EDIFICAÇÃO EM REGIME DE CONDOMÍNIO. OBRIGATORIEDADE DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO.
Os condomínios responsáveis pela construção de obras nos termos da Lei n.º 4.591/1965, por serem equiparados ao incorporador, devem manter escrituração contábil completa.
MULTA ATUALIZADA POR PORTARIA. AMPARO EM PREVISÃO LEGAL.
A correção dos valores das penalidades pela Portaria do Ministério da Previdência Social que atualiza o valor dos benefícios pagos pelo INSS encontra guarida na própria legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.200
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar livros relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. EDIFICAÇÃO EM REGIME DE CONDOMÍNIO. OBRIGATORIEDADE DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. Os condomínios responsáveis pela construção de obras nos termos da Lei n.º 4.591/1965, por serem equiparados ao incorporador, devem manter escrituração contábil completa. MULTA ATUALIZADA POR PORTARIA. AMPARO EM PREVISÃO LEGAL. A correção dos valores das penalidades pela Portaria do Ministério da Previdência Social que atualiza o valor dos benefícios pagos pelo INSS encontra guarida na própria legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.013625/200742 Acórdão n.º 240102.200 S2C4T1 Fl. 199 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 35.944.4962, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de deixar de apresentar ao Fisco livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A multa foi fixada em R$ 11.569,44 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), portanto, no patamar mínimo, por não terem havido circunstâncias agravantes. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 10/11, o condomínio autuado, mesmo regularmente intimado, deixou de exibir o Livro Diário. O sujeito passivo apresentou defesa, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente a lavratura. Irresignado, o condomínio interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alega que o AI é nulo, haja vista que a multa cominada foi prevista em Portaria Ministerial e não em Lei, como determina o Código Tributário Nacional. Assevera ainda que todos os documentos/livros que estava obrigado manter foram exibidos ao Fisco, assim, inexistiu a infração, uma vez que os condomínios não são obrigados a escriturarem o Livro Diário. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da obrigatoriedade dos condomínios de manterem escrituração do Livro Diário O cerne da presente contenda diz respeito a se concluir se o Condomínio autuado estaria ou não obrigado a escriturar o Livro Diário. Caso exista essa exigência legal, é inconteste a ocorrência da infração. Se a conclusão for em sentido contrário, outro destino não poderá ter o AI que não seja a declaração de sua improcedência. Inicialmente cabe esclarecer que, nos termos da Ata da Assembléia Geral dos Participantes do Condomínio Residencial Fernando Pessoa, fls. 43/44, o Condomínio estaria autorizado a promover a alienação de unidades imobiliárias para custear o andamento da obra, nesse sentido, o mesmo é equiparado a incorporador nos termos da Lei n.º 4.591/1964. Vejamos. O mencionado diploma legal dispõe em seu art. 30: Art. 30. Estendese a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos que contratem a construção de edifícios que se destinem a constituição em condomínio, sempre que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras. Verificase, assim, que as pessoas, físicas ou jurídicas, formadoras do Condomínio Fernando Pessoa, por haverem contratado a edificação da obra para fins residenciais e haverem comercializado unidades, durante a construção do edifício, ostentam a condição de incorporador. Quanto à escrituração contábil, a Lei n. 4.591/1964, na redação dada pela Lei n.º 10.931/2004, estabelece para o incorporador: Art. 31D. Incumbe ao incorporador: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004) (...) VIII manter escrituração contábil completa, ainda que esteja desobrigado pela legislação tributária.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004) Há de se concluir, então, que esta obrigação também deve ser exigida daqueles a ele equiparados, como é o caso do Condomínio autuado. Compulsandose a Instrução Normativa – IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, chegase a mesma conclusão, como veremos. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.013625/200742 Acórdão n.º 240102.200 S2C4T1 Fl. 200 5 Art. 413. Considerase: (...) XXI construção de edificação em condomínio, aquela executada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, sob o regime condominial, de obra de construção civil sob a responsabilidade dos condôminos, pessoas físicas ou jurídicas, ou físicas e jurídicas, proprietárias do terreno, com convenção de condomínio arquivada em cartório de registro de imóveis; Art. 414. Terá tratamento de obra de pessoa jurídica: I a construção de edificação em condomínio e a incorporação por pessoa física, desde que atendidos os requisitos da Lei nº 4.591, de 1964; (...) Art. 419. O responsável pela obra de construção civil, pessoa jurídica, está obrigado a efetuar escrituração contábil relativa a obra, conforme previsto no inciso IV do art. 60, observado o disposto nos § § 4º, 5º e 7º do mesmo artigo. Portanto, sendo o Condomínio Fernando Pessoa responsável pela edificação de obra de construção civil em conformidade com a Lei n.º 4.591/1964, deve o mesmo receber o tratamento de pessoa jurídica, sendo obrigado a manter escrituração contábil completa, que nos termos do inciso IV do art. 60 da mesma IN, constituise de: Art. 60. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: (...) IV lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções e os totais recolhidos, observado o disposto nos § § 4º, 5º e 7º e ressalvado o previsto no § 6º, todos deste artigo; (...) § 4º Os lançamentos de que trata o inciso IV do caput, escriturados nos Livros Diário e Razão, são exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições sociais, devendo: I atender ao princípio contábil do regime de competência; II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as nãointegrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 5º As exigências previstas no inciso IV do caput e no § 4º não desobrigam a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. (...) § 7º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput, a empresa deve manter à disposição da fiscalização da SRP os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração das folhas de pagamento, bem como as utilizados na escrituração contábil. Hei de concluir, com base nos dispositivos acima invocados, que o sujeito passivo, por edificar obra em regime condominial, nos termos da Lei n.º 9.415/1965, é equiparado a incorporador e, por esse motivo, deveria manter escrituração contábil completa, inclusive com o registro dos fatos geradores de contribuição previdenciária em Livro Diário. A falta de escrituração do referido Livro é clara infração ao que dispõe o § 2.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 33 (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) Não custa lembrar que, nos termos do art. 15 da mesma Lei, são os condomínios equiparados às empresas em geral: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (grifos nossos) Assim, não devo acatar a tese da improcedência da lavratura, uma vez que o autuado deixou de exibir livro fiscal, que legalmente deveria manter. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.013625/200742 Acórdão n.º 240102.200 S2C4T1 Fl. 201 7 Da ilegalidade da multa Passo agora a tratar da possível ofensa ao princípio tributário da estrita legalidade em razão da atualização do valor da penalidade pela Portaria MPS n.º 342, de 2006. A Lei n.º 8.212/1991 estipula o piso e o teto de valores para fins de aplicação das penalidades decorrentes de descumprimento da legislação previdenciária. Percebase que o legislador remeteu ao RPS o disciplinamento da matéria, bem como, estabeleceu a forma de reajustamento desses valores, o qual deverá observar o mesmo índice aplicável aos benefícios pagos pela Previdência Social. Eis os dispositivos que tratam do tema: Art.92.A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. Atendendo aos comandos normativos acima, o RPS fixou a multa para a infração em tela, nos seguintes termos: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (...) Repetindo o comando da Lei n.º 8.212/1991, o RPS também tratou da questão do reajustamento dos valores das penalidades: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Ocorre que os benefícios previdenciários são reajustados anualmente por Portaria do Ministro da Previdência Social, a qual atualiza, pelos mesmos índices, também outros valores, como é o caso das multas por descumprimento de obrigações acessórias, exatamente como mandam a Lei n.º 8.212/1991 e o seu Regulamento. Diante do exposto, não há o que se falar em afronta ao princípio da estrita legalidade tributária, haja vista que a lei fixa os limites entre os quais devem situarse os valores das multas e determina o parâmetro para atualização dos mesmos. Posso concluir que o agente do fisco aplicou a penalidade respeitando estritamente os ditames legais. Por outro lado, não me é permitido apreciar a constitucionalidade do dispositivo da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que há súmula do CARF vedando os órgãos desse tribunal de se pronunciar sobre conformidade de lei tributária com a Constituição Federal, conforme se vê: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não há de se acatar a tese de que o AI seria nulo por falta de previsão legal para fixação da multa. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.002693/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/08/2009
Ementa: COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. ALCANCE DA IMUNIDADE.
A imunidade possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal. Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. Desse modo, a abrangência da imunidade limita-se às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes
sediados no país.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.866
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Obrigações Acessórias em GFIP Recorrente REFLORESTADORES UNIDOS SA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/08/2009 Ementa: COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. ALCANCE DA IMUNIDADE. A imunidade possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal. Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. Desse modo, a abrangência da imunidade limitase às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes sediados no país. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002693/200908 Acórdão n.º 230201.866 S2C3T2 Fl. 67 3 Relatório O presente auto de infração foi originado do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização, a autuada deixou de informar em Gfip todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme relatório fiscal às fls. 10 a 16. Inconformada com a autuação, a entidade apresentou impugnação, conforme fls. 26 a 35. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre apreciou os argumentos de defesa e julgou procedente o lançamento efetuado, fls. 39 a 42. Não concordando com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 47 a 56. Alegou em síntese que: a) devia ser reconhecida a imunidade sobre as receitas de exportação; b) a Instrução Normativa criara distinção não prevista no texto constitucional; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 46 e 47. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. A operação com as empresas adquirentes é uma operação interna, que não se confunde com a exportação. Para a Secretaria da Receita Previdenciária, a imunidade somente alcança as exportações diretas, conforme previsto no art. 245 da Instrução Normativa nº 03/05. Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º, do art. 149, da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto". Desse modo, a abrangência da imunidade limitase às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes sediados no país. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002693/200908 Acórdão n.º 230201.866 S2C3T2 Fl. 68 5 Nesse sentido, também é o entendimento da Procuradoria Federal, conforme Nota Técnica n. 30 de 2004 (NOTA TÉCNICA PFEINSS/CGMT/DCMT Nº 30/2004), nestas palavras: 7. Nesse diapasão, muito embora atenda plenamente ao tão visado incremento da política exportadora a isenção da receita decorrentes da operação que remete a empresa comercial exportadora produtos com fim específico de exportação (conforme consignado na Nota Técnica que se objetiva rever, a qual bem assevera o efeito nocivo aos pequenos produtores da inexistência de isenção nessa operação), tanto é que a Receita Federal desoneroua através das leis outrora mencionadas, não há lei específica que a preveja em relação às contribuições previdenciárias, por isso que os atos normativos editados no âmbito do INSS tampouco a prevêem. Logo, ante a ausência de supedâneo legal para se reconhecer a inexistência do fato gerador das contribuições previdenciárias nas operações internas que remetam às tradings produtos com fim específico e comprovado de exportação, são devidas as contribuições arrecadadas pelo INSS. 8. Por todo o exposto, atestamos a perfeita adequação da Nota Técnica PROCGER/CGCONS/DCT Nº 521/2002 ao entendimento desta Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, do que decorre a desnecessidade de sua revisão. Contudo, a Receita Federal não observou, de forma correta, a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) A conduta de apresentar a Gfip com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a Gfip com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002693/200908 Acórdão n.º 230201.866 S2C3T2 Fl. 69 7 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e de não declarar em Gfip, não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Desse modo, deve ser corrigido o lançamento quanto à aplicação da multa imposta. A Receita Federal não tem que somar multa por descumprimento de obrigação com multa por descumprimento de acessória. A análise tem que ser isolada. Dessa forma, conforme planilha à fl. 23, há casos em que o valor de 100% da contribuição devida e não declarada é menor que o mínimo de R$ 500,00. Para as competências em que isso ocorreu deve ser aplicado o menor valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002693/200908 Acórdão n.º 230201.866 S2C3T2 Fl. 70 9 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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