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Numero do processo: 12259.000479/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO – PENALIDADE DE MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a qual sujeita o contribuinte à multa, este deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
BIS IN IDEM – INOCORRÊNCIA
Não se caracteriza bis in idem a ocorrência de situações que levam à configuração do descumprimento de obrigações acessórias distintas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.231
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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BIS IN IDEM – INOCORRÊNCIA Não se caracteriza bis in idem a ocorrência de situações que levam à configuração do descumprimento de obrigações acessórias distintas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 2), a autuada deixou de apresentar à fiscalização os Livros Razão anos 1996 a 2005, dificultando, assim, a ação fiscal. Também, deixou de apresentar a totalidade das Notas Fiscais de Prestação de Serviços da Empresa Incentive House, apresentando , apenas , algumas delas. A autuada teve ciência do lançamento em 19/10/2006 e apresentou defesa (fls. 16/27) onde alega que a auditora fiscal examinou as GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e concluiu que o dados ali apresentados não corresponderiam aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, haja vista ter analisado Notas Fiscais referentes ao Programa de Estimulo à Produtividade e, por mera suposição, afirmar que se tratava de concessão de prêmio, sem os devidos descontos para a seguridade social. Argumenta que a fiscalização nada provou e que teria sido duplamente penalizada pela emissão de outros autos de infração, os quais especifica. Aduz que não tendo outra alternativa, porquanto necessitava da obtenção de parcelamento perante o órgão arrecadador, aderiu ao Lançamento de Débito Confessado LDC nº 37.005.6922. Considera que houve violação dos princípios do contraditório e ampla defesa, isso porque o relatório, conforme elaborado, não permite a exata compreensão do seu fundamento. Tece argumentação teórica sobre presunção para concluir que a auditoria fiscal se utilizou de presunção sem provas que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Entende que tampouco a auditoria fiscal poderia ter presumido a existência de fraude e conluio. Menciona jurisprudência trabalhista no sentido de demonstrar que os valores fornecidos a título de incentivo à produção não possuem natureza salarial. Pela Decisão Notificação nº 17.403.4/0085/2007 (fls. 84/88), a autuação foi considerada procedente. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12259.000479/201011 Acórdão n.º 2402002.231 S2C4T2 Fl. 121 3 Contra tal decisão, a autuada apresentou recursos tempestivo (fls. 94/104) onde efetua a repetição dos argumentos de defesa. À época da apresentação do recurso, seu seguimento estava condicionado à realização do depósito prévio de 30%. Como a autuada não efetivou o depósito, o recurso não foi encaminhado à instância superior e foi considerado deserto, tendo, inclusive, sido emitido o Termo de Trânsito em Julgado. Entretanto, com a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.976, julgada procedente pelo STF e que resultou na Declaração de Inconstitucionalidade do art. 32 da Medida Provisória n° 1.69941/98, convertida na Lei n° 10.522/02, que deu nova redação ao art. 33, §3° do Decreto n° 70.235/72 , a Receita Federal do Brasil emitiu o Ato Declaratório Interpretativo n° 16, de 21/11/2007 que determinou a realização de novo juízo de admissibilidade dos recursos e relativamente ao apresente caso, foi considerado que o recurso deveria ter seguimento. Assim, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Argumenta a recorrente a impossibilidade da presunção da existência de fraude e conluio, por parte da auditoria fiscal e que levou à presente autuação. Cumpre dizer que em nenhuma peça dos autos, a auditoria fiscal afirmou a existência ou não de fraude e conluio. A autuação ocorreu em razão da recorrente haver deixado de apresentar à fiscalização quando devidamente intimada os Livros Razão anos 1996 a 2005 e parte das Notas Fiscais de Prestação de Serviços da Empresa Incentive House. Portanto, o lançamento em questão não foi efetuado com base em qualquer presunção, menos ainda na da existência ou não de fraude e conluio, assim, tal alegação é impertinente. Entende a recorrente que houve bis in idem, ou seja, pelo mesmo fato foram aplicadas diversas autuações. Além da presente autuação, a recorrente também foi autuada pelo descumprimento das seguintes obrigações acessórias. • Obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. • Obrigação acessória prevista no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto nº 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social em razão de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. • Obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo a recorrente o bis in idem teria ocorrido pela lavratura da presente autuação e aquela fundamentada no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12259.000479/201011 Acórdão n.º 2402002.231 S2C4T2 Fl. 122 5 O dispositivo que amparou a autuação em tela é o art. 33 §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcritos em sua redação atual: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Já o art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991 dispõe o seguinte: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) A presente autuação ocorreu em razão da recorrente não haver apresentado os Livros Razão, situação que se enquadra perfeitamente na presente autuação, conforme se depreende do § 2º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, como também parte das notas fiscais de prestação de serviços pela empresa Incentive House. O Auto de Infração lavrado com base no art. 32, Inciso III, da Lei nº 8.212/1991 também foi objeto de recurso distribuído para esta Conselheira para relatoria, no caso, o processo nº 12259.000488/201011 e analisandose as peças daqueles autos, foi possível constatar que o que deu azo àquela autuação foram as ocorrências que se seguem: A empresa não teria apresentado os arquivos digitais de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP, arquivo digital, extraído da contabilidade ou livro auxiliar Fornecedores/Contas a pagar, contendo relação das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela Empresa Incentive House, arquivos digitais da DIRF, planilhas com informações dos beneficiários dos cartões FLEXCARD emitidos pela Empresa Incentive House, contendo os valores pagos a cada segurado e por competência. A meu ver, as infrações não se confundem. A não apresentação de informações em arquivos digitais conforme previsto nas normativas no órgão, por exemplo, não encontra fundamento em outro dispositivo que não o art. 32, Inciso III da Lei nº 8.212/1991, ou seja, não prestar informações na forma estabelecida pelo órgão. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Sendo assim, não se configura bis in idem, conforme alegou a recorrente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 137DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.002236/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância após o prazo legal de trinta dias.
Numero da decisão: 2401-010.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Faber de Azevedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto, (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância após o prazo legal de trinta dias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto, (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância após o prazo legal de trinta dias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto, (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 84/97) interposto contra a decisão da 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte, acórdão nº 02-31.836, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segue abaixo a ementa do referido acórdão (e-fls. 83/105): Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. Incide contribuição para Outras AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 22 36 /2 00 9- 64 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.095 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.002236/2009-64 Entidades sobre os valores pagos a segurados empregados que prestam serviços à empresa. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 e editada a Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial das contribuições sociais passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRAZO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente, ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. TESTEMUNHAS. O fato gerador da contribuição previdenciária deve ser comprovado documentalmente, inexistindo previsão normativa para que seja verificado por meio de prova testemunhal. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia deve ser realizada quando motivada pela necessidade de verificação de dados técnicos, não se prestando para suprir provas que o impugnante deixou de apresentar à fiscalização no momento da ação fiscal ou quando de sua impugnação. O pedido de perícia deve cumprir os requisitos dispostos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. SUSPENSÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não há previsão legal para suspensão de processo administrativo fiscal. Impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário legalmente constituído. Por bem relatar o processo, adoto o relatório da decisão de primeira instância: AUTUAÇÃO Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa Transponteio Transportes e Serviços Ltda, no montante de R$69.972,64 (sessenta e nove mil novecentos e setenta e dois reais e sessenta e quatro centavos), consolidado em 15/10/2009, referente a contribuições devidas a Outras Entidades (Terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, período de janeiro/2004 a 12/2005, incluindo o décimo-terceiro salário. O lançamento é composto do Levantamento SE1 – Segurados Empregados. Em essência, o Relatório Fiscal de fls. 34 a 36 registra que: a) a empresa foi excluída do Regime de Tributação Simplificado, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 45, de 15/07/2004, sendo os efeitos dessa exclusão a partir de 01/01/2002, por exercício de atividade vedada. Entretanto, a empresa ignorou os efeitos dessa exclusão e continuou a informar nas GFIP, no período de 01/2004 a 12/2005, como sendo optante pelo Simples; b) foram verificados os seguintes documentos: folhas de pagamento em meio papel e em arquivos digitais, RAIS, recibos de férias, rescisões de contratos de trabalho, recibos individuais de pagamento referentes a contribuinte individual, fichas de registro de empregados, guias de recolhimento para a Previdência Social (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) constantes dos Sistemas Corporativos da RFB, Livros Diário (nºs 14 e 15) e Razão (anos 2004 e 2005) e blocos de notas fiscais emitidas pela empresa; c) nesta ação fiscal foram lavrados, ainda, os seguintes Autos: AIOP nº 37.237.277-5, referente a contribuições sociais correspondentes à parte patronal (empresa/RAT-SAT), Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.095 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.002236/2009-64 AIOP nº 37.237.279-1, referente a contribuições sociais correspondentes à parte não arrecadada dos segurados empregados e não informadas em GFIP, AIOA nº 37.237.278-3, CFL 78, por apresentar GFIP com incorreções ou omissões, AIOA nº 37.239.896-0, CFL 21, por deixar de apresentar, na forma estabelecida pela RFB, os arquivos digitais referentes à contabilidade; d) formalizou-se Representação Fiscal para Fins Penais, por em tese, ter sido prestada informação falsa à autoridade tributária; e) considera-se o Auto de Infração de nº 37.237.277-5 como processo principal, estando os demais apensados a este para efeito de cobrança. A Ação Fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 0610300.2009.00348, com documentos solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 25/26), Termos de Intimação Fiscal nºs 01 (fls.27), 02 (fls. 29) e 03 (fls.31). Em documento juntado às fls. 39 consta a informação de que os processos de nºs. 10630.002234/2009-75 e 10630.0002236/2009-64 foram apensados ao processo de nº 10.630.002235/2009-10. O Auto de Infração foi lavrado em 27/10/2009 e o contribuinte foi cientificado em 03/11/2009, por meio do Aviso de Recebimento (AR) de fls. 40. IMPUGNAÇÃO A empresa apresentou defesa em 25/11/2009 (fls.42 a 44), acompanhada dos documentos de fls. 45 a 51, alegando, em síntese, que: a) Da improcedência da exclusão da impugnante do Simples e da existência de ação judicial questionando o ato administrativo respectivo: a.1) exigir da impugnante as exações decorrentes do ADE nº 45/2004 ofende o princípio que determina que a lei não pode excluir do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; a.2) esse ADE é objeto de discussão no Poder Judiciário, que por certo julgará improcedente essa exclusão, tornando inócua a cobrança pretendida pela administração pública com a presente fiscalização; a.3) requer a suspensão do presente processo enquanto não restar transitada em julgado a decisão do Poder Judiciário no que se refere a esse ADE. Da decadência: b.1) padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei nº 8.212/91 que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social, devendo ser aplicado o prazo de cinco anos do CTN; b.2) considerando que a ação fiscal iniciou-se em 15/07/2009, conforme Termo de Início de Ação Fiscal, não pode o auto em questão pretender o lançamento de qualquer crédito tributário anterior a 14/07/2004, em função da decadência desse direito; b.3) requer seja excluído deste Auto os lançamentos do período de 01/01/2004 a 14/07/2004, inclusive. e) Dos pedidos: e. 1)seja recebida e provida a presente impugnação para julgar insubsistente o auto; Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.095 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.002236/2009-64 e. 2)seja suspenso o presente feito enquanto não ocorrer o trânsito em julgado da ação judicial processada perante a Justiça Federal de Governador Valadares; e. 3)seja reconhecida a decadência para exclusão do lançamento dos créditos relativos ao período de 01/01/2004 a 14/07/2004; e. 4)requer provar o alegado por todos os meios de defesa em direito admitidos, em especial através de documentos, testemunhas e perícias. ACÓRDÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA Sobreveio, assim, o acórdão nº 02-31.836 da 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo foi cientificado do acórdão número 16-24.757 exarado pela DRJ/BHE em 09/05/2011 (e-fl. 82) e em 09/06/2011 (e-fl. 83) apresentou o recurso voluntário, alegando em síntese: - Tempestividade do Recurso: alega que tendo ocorrido a ciência do lançamento em 10/05/2011, o prazo do recurso terminaria em 09/06/2011, o que teria sido observado pelo recorrente; - Decadência: estão decaídos os períodos anteriores a 07/2004; - Impossibilidade de atribuição de efeitos retroativos do ato de exclusão do simples, que se tornou definitivo em 07/2007, processo 10620.000764/2003-11, e só a partir de então é que a exclusão poderia produzir efeitos válidos. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e análise do Recurso Voluntário, este deve obedecer ao pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, de que o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.095 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.002236/2009-64 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Súmula CARF nº 9, dispõe que é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O recorrente alega a tempestividade do recurso. Aduz na peça recursal que foi cientificado do lançamento em 10/05/2011, e com isso, o prazo para apresentação do recurso terminaria em 09/06/2011, data que, de fato, postou sua peça de defesa (e-fl.83). Entretanto, não assiste razão o contribuinte. Compulsando-se os autos do processo, notadamente o Aviso de Recebimento (e- fl. 83), verifica-se que o recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância na data 09/05/2011, uma segunda-feira, dia útil, e não em 10/05/2011, como alegado. Assim, o prazo recursal iniciou-se em 10/05/2011 e terminou em 08/06/2011. Portanto, o recurso interposto em 09/06/2011 é intempestivo, uma vez que fora do prazo. Concluindo, NÃO CONHEÇO do recurso. (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19647.002980/2007-92
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1101-000.034
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter em diligência para sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZWp-SINACIONAL ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Anos- calendários: 2004 e 2005 Ementa: PERDA DE INCENTIVOS FISCAIS. ARTIGO 59 DA LEI N° 9.069/95. CARACTERIZAÇÃO DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA. NECESSIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO DEFINITIVO. A análise de autuação calcada em perda de incentivo fiscal, a teor do artigo 59 da Lei n° 9.069/95, depende da efetiva caracterização da prática de crime contra a ordem tributária. Constitui questão preliminar, para julgamento do feito, a existência de decisão irrecorrivel, em outro processo administrativo, a ratificar a situação delitiva, com a consequente análise da qualificação da multa punitiva. 0 pronunciamento sobre o recurso em tela deve, pois, ser sobrestado, até decisão de mérito final naqueles autos principais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter em diligência para sobrestar o julgamento do recurso, nos termos 4ø relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. Valmar Fonseca de es'- Presidente Participaram da i sesS'ão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso BeniciZ"Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Benedicto Cel s Benic o Anior - Relator Processo n° 19647.002980/2007-92 SI-CITI Rcsoluçâo n° 1101-000.034 Fl. 3 Guerreiro, José Ricardo da Silva e Diniz Raposo Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração de fls.02/08, por meio do qual se exigiu crédito tributário relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, no valor de R$ 735.515,26, incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 09/12), o lançamento decorreu da glosa da redução do IRPJ considerada, pela empresa, nas DIPJ's dos anos-calendário 2004 e 2005. 0 motivo da glosa foi, para o ano-calendário de 2004, a prática de atos que configuraram crime contra a ordem tributária, redundante na perda de incentivos fiscais. Para o ano-calendário 2005, o motivo foi o usufruto de beneficio fiscal antes do inicio do prazo de concessão. 0 enquadramento legal das infrações, bem como os demonstrativos de apuração, encontram-se consignados no auto de infração e em seus anexos. 0 contribuinte apresentou impugnação (fls. 93/126), alegando, em síntese, que: - há nulidade da autuação, por ofensa ao devido processo legal e ao principio da razoabilidade. Teria havido cerceamento do direito de defesa, por faltar clareza ao auto de infração; - o processo administrativo de responsabilização criminal ainda está em curso, inexistindo julgamento definitivo. A Fiscalização não individualizou a conduta nem as operações que pudessem ensejar a perda do incentivo fiscal. O dispositivo legal que amparou o lançamento somente poderia ser aplicado em caso de condenação judicial transitada em julgado; - em relação ao ano-calendário 2005, a empresa obteve o reconhecimento do direito desde aquele ano, conforme laudo constitutivo. 0 ato de concessão do beneficio é ato retrospectivo, devendo o prazo de fruição retroagir ao tempo do implemento da condição; - é incabível a cobrança de juros pela taxa Selic; a multa, outrossim, tem caráter confiscatório. A 3' TURMA — DRJ EM RECIFE — PE, ao cuidar da impugnação protocolizada, julgou-a improcedente, mantendo in totum as autuações, sob a égide de argumentos assim sumarizados: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário: 2004, 2005 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 2 Processo n° 19647.002980/2007-92 SI-C1T1 Resolução n° 1101-000.034 Fl. 4 A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura corn a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 PRATICA DE ATOS QUE CONFIGUREM CRIME. PERDA DE INCENTIVOS FISCAIS. A prática de atos que configurem crime contra a ordem tributária acarreta a perda de incentivos fiscais no ano-calendário correspondente. INCENTIVOS FISCAIS. INICIO DA FRUIÇÃO. A utilização de beneficio fiscal antes do inicio previsto para fruição enseja o lançamento de oficio para exigência do tributo indevidamente reduzido. Lançamento Procedente." Cientificado em 02/10/2008, interpôs o contribuinte, em 23/10/2008, recurso voluntário a este conselho, reiterando as arguições agitadas em primeira instância. o relatório. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator: 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O All em análise se reporta a duas infrações distintas, apuradas pela Fiscalização, sintetizadas pelo Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 09/12. Inicialmente, aventa a Fazenda que o contribuinte, no ano-calendário de 2004, apurou IRPJ a menor, mediante emprego de incentivo fiscal de redução concedido as pessoas jurídicas situadas na área de administração da extinta SUDENE (atual ADENE). 3 Processo n° 19647.002980/2007-92 SI-CITI Resolução n° 1101-000.034 Fl. 5 Ocorre que, segundo entendimento do fiscal lançador, tal benesse fora perdida pelo contribuinte, em virtude de ele ter praticado, em tese, crime contra a ordem tributária, consoante autuações geridas pelo Processo Administrativo n° 19647.01050012006- 86. Aplicar-se-ia ao sujeito passivo, nesse sentido, o disposto pelo artigo 59 da Lei no 9.069/95, in verbis: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos daLei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão a pessoa jurídica infratora a perda, no ano-calendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Ora, não é dificil averiguar que a autuação focada parte do suposto de que a peticionária praticou, efetivamente, conduta tipificável como crime fiscal. Assim, em principio, para que ela seja mantida — é dizer, para que a glosa efetivada seja justificada —, é necessário perquirir se, de fato, pode-se asseverar a existência de delito contra o ordenamento fiscal. Em outras oportunidades, posicionamo-nos no sentido da desnecessidade de decisão administrativa ou judicial transitada em julgado, por meio da qual se confirmasse a prática delitiva. Noutros termos, defendemos, em especifico, que a mera caracterização abstrata de crime contra a ordem tributária bastaria para que o sujeito passivo perdesse os incentivos fiscais outrora fruídos. De toda forma, naquelas situações, a prática delituosa já tinha sido, sim, confirmada por decisão administrativa irrecorrivel. Por esta razão, mantivemos os perdimentos dos incentivos afastados, com arrimo no indigitado artigo 59 da Lei no 9.069/95. Os autos em estudo, entretanto, encerram situação diversa. Tendemos, portanto, a rever nossa orientação, eis que a solução resenhada não parece ser a mais adequada ao deslinde do mérito. De fato, revisando casos similares, constatamos que, muitas das vezes, a acusação da prática de crime acabava sendo infundada. 0 principal efeito decorrente desta qualificação, representado pela majoração da multa de oficio impingida, era, não raro, afastado pelos órgãos administrativos superiores, porquanto desprovidos de comprovação sólida. Assim, manter desvinculada a discussão sobre a existência de crime contra a ordem tributária, de um lado, e o debate respeitante à perda de incentivos fiscais, decorrente da primeira, de outro, poderia levar a contradições insanáveis, que só perpetuariam a insegurança jurídica. Isto, evidentemente, contraria o espirito do processo administrativo fiscal, imbuido pela busca da verdade material e pela solução adequada dos litígios. 0 Processo Administrativo n° 19647.010500/2006-86, com efeito, ainda não foi julgado em definitivo, dado remanescer pendente Recurso Especial da Fazenda Nacional. Assim, ainda não há como se dizer que haja certeza jurídica acerca da prática de crimes fiscais, a ensejar a retirada dos incentivos fiscais em análise. Parece claro que o julgamento presente depende, intq sicamente, daquele realizado nos autos do Processo Administrativo acima numerado. Pos isso, creio que o 4 Processo no 19647.002980/2007-92 SI-CIT1 Resolução n° 1101-000.034 Fl. 6 melhor caminho seja determinar o sobrestamento do atual feito, até que seja realizado o julgamento irrecorrivel daquele auto de infração. A definição da existência de delito fiscal é questão preliminar, cuja resolução se impõe, ex ante, para a correta consideração do recurso voluntário presentemente julgado. Note-se, no entanto, que a mera definição administrativa sera suficiente, não havendo que se falar em necessidade de provimento judicial penal condenatório. Deixo, pois, de analisar a autuação relativa ao ano-base de 2005, relegando tal estudo para o momento em que estes autos voltarem à pauta. Isto posto, determino o SOBRESTAMENTO do julgamento deste recurso voluntário, com a manutenção dos autos em secretaria, até que seja prolatada decisão de mérito irrecorrivel no âmbito do Processo Administrativo n° 19647.010500/2006-86. - Benedicto Gels° e icio Júnior / , 5
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Numero do processo: 10820.720891/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1102-000.197
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, para suspender o andamento do processo até o trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STJ, sob o regime do art. 543-C do CPC, no Recurso Especial nº 1.116.460SP, devendo os autos permanecerem em Secretaria para controle, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araújo e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que prosseguiam no exame do mérito do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, para suspender o andamento do processo até o trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STJ, sob o regime do art. 543-C do CPC, no Recurso Especial nº 1.116.460SP, devendo os autos permanecerem em Secretaria para controle, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araújo e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que prosseguiam no exame do mérito do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 2 ___________ O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Reproduz-se abaixo trecho do Relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, verbis: “Trata-se de recurso voluntário interposto pela S/A CENTRAL DE IMÓVEIS E CONSTRUÇÕES EM LIQUIDAÇÃO contra acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO, conforme ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESAPROPRIAÇÃO. São tributáveis os valores auferidos a título de indenização por desapropriação, exceto aquela para fins de reforma agrária. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDA DE IMÓVEIS. Comprovadas as vendas de imóveis de propriedade da contribuinte e a falta de escrituração das receitas assim auferidas, cumpre proceder de ofício à tributação dos valores omitidos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. PERÍCIA. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de perícia ou diligência que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 3 3 Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foi constatada, nos anos-calendário (AC) de 2006, 2007 e 2008, omissão caracterizada pela falta de contabilização de receitas financeiras e de receitas provenientes da alienação de imóveis. Apurou-se omissão de receita relativa a depósitos bancários de origem não comprovada. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) – fls. 2502 a 2556. Imposto: R$ 119.617.079,54 Juros de mora: R$ 57.032.362,05 Multa proporcional: R$ 179.425.619,34 Total: R$ 356.075.060,93 Enquadramento legal do imposto: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 3º; RIR, de 1999, arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280, 282, 287 e 288. 2 – Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) – fls.2557 a 2599. Contribuição: R$ 43.179.584,52 Juros de mora: R$ 20.590.866,80 Multa Proporcional: R$ 64.769.376,80 Total: R$ 128.539.828,12 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990) e art. 3º (com as alterações introduzidas pelo art.17 da Lei nº 11.727, de 2008); Lei nº 8.981, de 1995, art. 57 (com as alterações introduzidas pelo art.1º da Lei nº 9.065, de 1995); Lei nº 9.249, de 1995, art. 2º; Lei nº 9.316, de 1996, art. 1º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28; Lei nº 10.637, de 2002, art.37. 3 - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – fls.2600 a 2650. Contribuição: R$ 36.454.398,50 Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 4 4 Juros de mora: R$ 17.751.015,11 Multa Proporcional: R$ 54.681.597,85 Total: R$ 108.887.011,46 Enquadramento legal da contribuição: Fls. 2604 a 2607. 4 - Contribuição para o PIS – fls. 2651 a 2698. Contribuição: R$ 7.914.441,78 Juros de mora: R$ 3.853.838,82 Multa Proporcional: R$ 11.871.662,77 Total: R$ 23.639.943,37 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) nº 7, de 1970, arts.1º e 3º; Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 2º; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º, 2º, 3º e 4º (com as alterações introduzidas pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004). Relatou o autuante no Termo de Constatação de Infração Fiscal (fls.2428 a 2461) que, sendo intimada, a contribuinte apresentou os livros Diário, Razão, Registro de Entradas e de Saídas, extratos bancários da conta 3046-5, agência 2126, do Bradesco, todos dos anos-calendário (AC) de 2006 a 2008, o livro Registro de Prestação de Serviços referente aos AC 2006 e 2007, e a Ata da Assembleia realizada em 08/11/2001. Informou que a contribuinte foi intimada a comprovar as operações bancárias relacionadas às fls.2429/2430, tendo esclarecido que aquela no valor de R$ 2.400.000,00 foi recebida de Hiroshima A. Ltda, relativa ao pagamento pela cessão parcial de crédito e direito àquela empresa correspondente a ações de desapropriação de imóvel da contribuinte. Acrescentou que as operações de R$ 51.245,00, R$ 51.244,72, se referem a ações de desapropriação pelo Poder Público. A respeito da operação no valor de R$ 72.185,32, informou que corresponde ao reembolso feito pela empresa Biri Max Empreendimentos Imobiliários Ltda. referente ao pagamento de IPTU. Quanto aos valores de R$ 910.000,00 (03/07/2008), R$ 50.000,00 e R$ 14.220,00, alegou que são transferências de numerário entre contas da empresa para pagar trabalhadores, obrigações e contribuições fiscais. Esclareceu que o valor de R$ 910.000,00 (07/11/2008) é uma devolução de numerário para a conta de origem, correspondente à operação do dia 07/11/2008. Relatou a fiscalização que o valor de R$ 2.400.000,00 foi transferido para a conta da contribuinte no Banco Clássico e não transitou pelo seu caixa. Constatou que o valor de R$ 910.000,00 (03/07/2008) se trata de parte do valor recebido pela venda à Inter Comercial de Automóveis Ltda., em 02/07/2008, dos lotes 1 a 9 situados na Av. Professor Fonseca Rodrigues, Jardim Universitário, São Paulo, SP, pelo total de R$ 4.300.000,00, recebendo no ato a quantia de R$ 1.300.000,00 e o restante em 12 parcelas iguais de R$ 250.000,00, conforme escritura. Verificou que os valores de R$ 51.245,00 e R$ 51.244,75 não foram tributados como receita. Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 5 5 Foi constatado pela fiscalização que a contribuinte não informou que possuía conta no Banco Clássico S/A mas teve expressiva movimentação financeira nesse banco, que tem como sócio majoritário José João Abdalla Filho, que também é sócio majoritário da contribuinte. A fiscalização fez a conciliação bancária e intimou a contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados nas contas bancárias (Banco Clássico S/A e Banco Nossa Caixa S/A). Para confrontar as informações da contribuinte em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 18/02/2011, correspondente às comercializações de imóveis, depósitos, créditos e débitos bancários, o fisco fez diversas diligências e intimou vários contribuintes, dentre eles a empresa Biri-Max Empreendimentos Imobiliários Ltda., Union Distribuidora de Veículos Ltda., Inter Empreendimentos Imobiliários Ltda., AgroImobiliária Avanhandava S/A em Liquidação, Ricardo Hanada, etc. Analisando a resposta da contribuinte (fls. 366 a 441) e confrontando-a com as respostas das diligências realizadas, a fiscalização constatou que os imóveis informados pelos Cartórios nas Declarações de Operações Imobiliárias – DOI do período de 01/01/2006 a 31/12/2008, referem-se a vendas realizadas nos anos de 1977 a 2003, com escrituras lavradas no período de 01/01/2006 a 31/12/2008, e, quando vendidos a prazo, as parcelas geralmente foram pagas antes de 01/01/2006 (início do período sob ação fiscal). Exceção se faz em relação aos imóveis vendidos a: Biri-Max Empreendimentos Imobiliários Ltda., comprou da contribuinte, em 15/07/2001, conforme Contrato Particular de Venda e Compra de Imóveis, 801 lotes no loteamento Jardim Sant’ana, em Birigui, SP, pelo valor de R$ 2.375.000,00 a serem pagos em 95 parcelas, com o prazo de um ano para começar a pagar, iniciando-se em 15/07/2002, com parcelas a vencer até 05/2010, portanto com parcelas recebidas dentro do período fiscalizado de 01/01/2006 a 31/12/2008; Pau Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda., comprou da contribuinte, em 15/07/2001, conforme Contrato Particular de Venda e Compra de Imóveis, 349 lotes no Jardim Ipanema em Araçatuba, SP, pelo valor de R$ 1.425.000,00 a ser pago em 95 parcelas, com o prazo de um ano para começar a pagar, iniciando-se em 15/07/2002, com parcelas a vencer até 05/2010, portanto com parcelas recebidas dentro do período fiscalizado de 01/01/2006 a 31/12/2008; e Inter Comercial de Automóveis Ltda. comprou da contribuinte, em 02/07/2008, os lotes 01 a 09 situados na Av. Professor Fonseca Rodrigues, Jardim Universitário, no 14º Distrito Lapa, São Paulo, SP, pelo valor de R$ 4.300.000,00, recebendo no ato R$ 1.300.000,00 por meio de dois cheques de emissão da empresa Union Distribuidora de Veículos Ltda., o primeiro de R$ 910.000,00 (nº 2688) e o 2º de R$ 390.000,00 (nº 2689), ambos do Bradesco, agência 0313-1 e o restante correspondente a R$ 3.000.000,00 em 12 parcelas iguais de R$ 250.000,00, vencendo a primeira em 02/08/2008, conforme Escritura de promessa de Venda e Compra lavrada no Cartório do 27º Tabelião de Notas da Capital – SP, em 02/07/2008; Constatou a fiscalização que os valores relativos às vendas acima citadas não foram contabilizados como receita da contribuinte. Da mesma forma, o valor de R$ 418.968.031,66 correspondente a desapropriações não foram contabilizados. Apenas o valor de R$ 149.838.244,64 do dia 11/02/2008 consta no extrato do Banco Clássico S/A, e os outros dois valores de R$ 130.848.917,52 e R$ 138.280.869,50 não constam nos extratos da conta do referido banco, embora conste nos documentos de transferências bancárias entre a Nossa Caixa S/A, remetente, e como destinatário o banco Clássico. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 6 6 Foi apurada, então, omissão de receitas de venda de imóveis por desapropriação no valor acima referido de R$ 418.968.031,66, mais os valores de R$ 2.400.000,00 e R$ 51.245,00, relativos à desapropriação feita pela Prefeitura Municipal de Araçatuba, conforme processo nº 507/91 da 3ª Vara Cível da Comarca de Araçatuba-SP. Constatou-se, também, omissão de receitas provenientes de: 1) venda de imóveis às empresas Biri-Max (R$ 1.422.544,42), Pau Brasil (R$ 853.795,52) e Inter Comercial de Automóveis (R$ 2.550.000,00) e a Pedro Sanches Garbelini (R$ 3.458,00); 2) depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 53.414.063,16); e 3) receitas financeiras (R$ 501.521,78). Foram lavrados os autos de infração para exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com aplicação da multa de 150%, tendo sido formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais e o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de José João Abdalla Filho. Sendo notificada da autuação, a contribuinte e José João Abdalla Filho ingressaram com a impugnação de fls.2707 a 2721, subscrita por José Augusto Otoboni e José João Abdalla Filho, alegando: A desapropriação de imóveis não consiste em modalidade de venda. Conforme entendimento da doutrina e da jurisprudência de todos os tribunais do país não se pode tributar valores decorrentes de indenizações por desapropriação; A respeito da alegação constante no item 53, fl.28 do auto de infração, cumpre esclarecer que, em relação ao recebimento de valores decorrentes do imóvel situado na Av.Prof. Fonseca Rodrigues, em São Paulo, a escritura outorgada não foi levada a registro na matrícula do imóvel perante o 10º Cartório de Registro de Imóveis, continuando a mesma como proprietária do imóvel. Assim, quando da venda do citado imóvel, dado o decurso de tempo (30 anos), solicitou-se à compradora que efetuasse o pagamento diretamente a José João Abdalla Filho e o detentor de 30% do imóvel, Antônio João Abdalla Filho; Quanto às alegações constantes a respeito das empresas Biri-Max Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Pau Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda. cumpre esclarecer que a relação havida entre elas e a impugnante decorre de contrato de prestação de serviços, não havendo venda a ser tributada, tanto que não foi outorgada qualquer escritura para tais empresas; Com relação aos depósitos bancários, o próprio agente fiscalizador atesta e confirma a origem deles, cumprindo esclarecer que tais depósitos não se referem a nenhum negócio que pudesse ensejar tributação e que só vieram a ser depositados em outra empresa, mas do mesmo acionista, pois a empresa estava temporariamente impossibilitada de movimentar a conta bancária em razão de possíveis bloqueios judiciais, não configurando ganho de capital tributável; A multa aplicada é ilegal, confiscatória, afronta o art. 412 do Código Civil vigente. Não sendo devido o principal, muito menos o acessório. A 3ª Turma da DRJ/POR através do Acórdão 14-37141 (fls. 2725 – 2736) julga pela manutenção integral do crédito tributário, sob os seguintes argumentos: Matéria não Impugnada: Na impugnação, que a contribuinte não contesta a omissão de receitas financeiras, bem assim os juros de mora. Dessa forma, nos termos do art. 16, III, e 17 do PAF, é definitiva, na esfera administrativa, a exigência dos Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 7 7 tributos relativa à infração acima citada, não podendo mais ser objeto de contestação nas instâncias superiores. Omissão de Receitas. Desapropriação de Imóveis. Dispõe o art. 423 do RIR, de 1999: Está isento do imposto o ganho obtido nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (CF, art. 184, § 5º). Verifica-se, assim, que a legislação é clara ao determinar que apenas o valor relativo à desapropriação efetuada para fins de reforma agrária está beneficiado pela imunidade tributária conferida pela Constituição Federal (CF). O art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que “Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Assim, os valores recebidos pela contribuinte a título de indenização por desapropriação por necessidade ou utilidade pública não se enquadram na hipótese prevista no art. 423 do RIR, de 1999, anteriormente transcrito e, portanto, não são isentos, devendo integrar a base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica e das contribuições. Alienação dos lotes situados na Av.Prof. Fonseca Rodrigues, em São Paulo. Na impugnação, afirmou que a escritura outorgada não foi levada a registro na matrícula do imóvel perante o 10º Cartório de Registro de Imóveis, continuando a mesma como proprietária do imóvel, e, quando da sua venda, dado o decurso de tempo (30 anos), solicitou-se à compradora que efetuasse o pagamento diretamente a José João Abdalla Filho e o detentor de 30% do imóvel, Antônio João Abdalla Filho. Verifica-se, entretanto, que, apesar de fazer essa alegação, a contribuinte não anexou ao processo qualquer documento que pudesse comprová-la. Não se comprovou o pagamento das parcelas diretamente às pessoas acima citadas. Ao contrário, consta no processo que as parcelas pagas no período de agosto a dezembro de 2008 foram depositadas na conta da contribuinte no Banco Clássico S/A (fl.2476) e não foram registradas na sua contabilidade. Reforça a improcedência dessa alegação o fato de que a escritura pública de venda levada a registro foi outorgada pela contribuinte e não pelas pessoas físicas anteriormente referidas que se diz serem as proprietárias e possuidoras da escritura de aquisição do imóvel. Alienações feitas à Biri-Max Empreendimentos Imobiliários Ltda. e à Pau Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda. A contribuinte se limita a alegar que a relação havida entre ela e essas empresas decorre de contrato de prestação de serviços, não havendo venda a ser tributada. Entretanto, não apresenta qualquer comprovação hábil dessa alegação. Assim, mantém-se o lançamento. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. No presente caso, a contribuinte foi intimada durante a fiscalização a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, incompatíveis com suas receitas declaradas. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada essa origem durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou comprovada. Tributação Reflexa. Com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Multa. Com relação às alegações de que a multa aplicada é confiscatória e ilegal, os protestos da impugnante não se prestam para pautar a decisão deste colegiado, que tem sua atividade completamente vinculada à legislação vigente que rege a matéria objeto do procedimento fiscal impugnado. Isto porque não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 8 8 Juntada posterior de documentação. O pedido para juntada posterior de documentação não pode ser deferido porque a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterou o disposto no PAF, art. 16, mediante a inclusão do § 4º, que diz a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tais ocorrências não ficaram provadas no presente processo, razão pela qual indefere-se a solicitação feita. Perícia. Em relação à perícia requerida, o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da empresa. Irresignada com a decisão de 1ª Instância, a recorrente interpõe recurso voluntário, pugnando por sua reforma no que concerne a: - Não incidência de tributos e contribuições de quaisquer espécies sobre distribuição de valores decorrentes de desapropriações para fins de reforma agrária ou não à empresa de loteamento de terras em processos de liquidação e a seus sócios, reafirmando as razões apostas em sua impugnação, destacando ementários da jurisprudência administrativa e judicial; - Não se trata de caso de isenção de IR, mas de não incidência por inocorrência do fato gerador. -Não incidência do Pis/Cofins sobre indenizações; - Alienação dos lotes situados na Av. Prof. Fonseca Rodrigues”- Quando da alienação do referido imóvel, dado o decurso de tempo entre a organização do imóvel entre a família, há mais de 30 anos passados, os mesmo solicitaram à compradora que efetuasse o pagamento diretamente a José João Abdalla Filho, detentor de 30% da empresa ora recorrente que possuía a totalidade do imóvel apreço, como, inclusive por este próprio órgão e doc. anexado. - Com relação à manutenção do lançamento em relação à manutenção dos lançamentos em relação às empresas Biri-Max Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Pau Brasil Empreendimentos Imobiliários, esclarecera a recorrente que a relação havida entre as mesmas decorre de Contrato de Prestação de Serviços, não havendo compra e venda entre as mesmas a ser tributada; - Em relação à manutenção da conclusão de que existem depósitos sem comprovantes nas conta-corrente da Impugnante ora recorrente, o próprio agente fiscalizador atestou e confirmou a origem dos mesmos, cumprindo ainda esclarecer que tais depósitos não se referem a nenhum negócio que pudesse ensejar qualquer tributação e que só vieram a ser depositados em outra empresa, mas do mesmo acionista, eis que a empresa estava temporariamente impossibilitada de movimentar a conta bancária, em razão de bloqueios judiciais, não configurando, portanto, em hipótese alguma, ganho de capital, e assim consequentemente não tributável. - O caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório.” Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 9 9 Como se depreende do relatório supra, versa o caso sobre alegada omissão de receitas provenientes de (a) desapropriação por utilidade pública; (b) venda de imóveis às empresas Biri-Max, Pau Brasil, Inter Comercial de Automóveis e a Pedro Sanches Garbelini; e (c) depósitos bancários de origem não comprovada. No tocante ao item (a) supra, (omissão de receitas provenientes de desapropriação por utilidade pública), em exame a recurso especial representativo de controvérsia de que trata o art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça, firmou o entendimento de que não há incidência de IRPJ sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, ante o caráter indenizatório da verba recebida. Cite-se, por relevante, trecho da ementa do citado precedente, verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO- INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Argüição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do paragrafo 2., do art. 1., do Decreto-lei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão-só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, paragrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., paragrafo 2., inciso ii, do decreto-lei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18-11-1988). Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10820.720891/2011-85 Resolução nº 1102-000.197 S1-C1T2 Fl. 10 10 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido da não-incidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (Rel.: Ministro Luiz Fux, j. 09.12.2009). A Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário contra o acórdão acima transcrito, a fim de viabilizar o reexame da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. Citado recurso ainda pende de exame pelo STF. Considerando-se (a) a não ocorrência de trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STJ sob o regime dos recursos repetitivos, o que impede sua reprodução na forma do art. 62-A do RI/CARF; (b) a vigência do art. 31, caput e § 4 o do Decreto-lei n. 1598/77, que prevê a incidência de IRPJ sobre os valores recebidos a título de desapropriação; e (c) a verossimilhança das alegações da Contribuinte sobre essa matéria, em vista de precedentes da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito do tema, os integrantes do Colegiado, por maioria de votos, resolveram converter o julgamento em diligência para que o processamento deste recurso seja suspenso enquanto não haja o trânsito em julgado do precedente judicial acima citado e, por conseguinte, a definição, pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito da (in)constitucionalidade da exigência de IRPJ sobre valores recebidos pelos contribuintes a título de desapropriação. Pelo exposto, orienta-se voto no sentido de suspender o andamento do processo até o trânsito em julgado do Acórdão: proferido pelo STJ, sob o regime do art. 543-C do CPC, no Recurso Especial nº 1.116.460-SP, devendo os autos permanecerem em Secretaria para controle. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO – Redator designado. Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDR E DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 11020.000641/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 28/02/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE nº 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como estando caracterizado que a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 11/08/2004, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 05/1997 a 02/2003, sendo assim os valores apurados até a competência 11/1998 e também na competência 13/1998 foram atingidos pela decadência.
Com isso, a competência 12/1998 e posteriores não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS TERCEIROS. SEBRAE.
INCRA. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: SEBRAE e INCRA.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT).
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 356 1 355 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.000641/200999 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240202.301 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS NÃO CONTABILIZADAS. SIMULAÇÃO Recorrente BINGPLAY ENTRETENIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 28/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE nº 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como estando caracterizado que a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O lançamento foi efetuado em 11/08/2004, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 05/1997 a 02/2003, sendo assim os valores apurados até a competência 11/1998 e também na competência 13/1998 foram atingidos pela decadência. Com isso, a competência 12/1998 e posteriores não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS TERCEIROS. SEBRAE. INCRA. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: SEBRAE e INCRA. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 357 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parcela dos segurados e da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 05/1997 a 02/2003. O Relatório Fiscal (fls. 58/59) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apurados em recibos não registrado em folhas de pagamento e não contabilizados, constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. Levantamento RP Recibo de Pagamento de Salários antes da GFIP: competências 05/1997 a 06/de 1997, 10/1997 a 02/1998, 04/1998 a 07/1998 e 11/1998 a 12/1998, inclusive 13° salário; 2. Levantamento RPS Recibo de Pagamento de Salários após GFIP: competências 01/1999 a 02/2003. Esse Relatório Fiscal informa ainda que “[...] Os valores que serviram de base de cálculo para as contribuições previdenciárias foram apuradas através de recibos de pagamento extrafolha, conforme cópias anexas. Tais documentos também deixaram de ser contabilizados. Esses documentos foram apreendidos pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, no escritório do contador Sr. Admir Santo Sartori, em Porto Alegre/RS e na sede do Bingo [...]”. Neste Relatório ainda consta que essa conduta da empresa caracteriza, em tese, o crime de “Sonegação de Contribuição Previdenciária”, à luz do artigo 337A, inciso I do Código Penal, na redação da Lei n° 9.983/2000, o que enseja Representação Fiscal para Fins Penais, endereçada ao Ministério Público Federal, a fim de que sejam tomadas as providências cabíveis. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/08/2004 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 252/264) – acompanhada de anexos de fls. 265/273 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu a decadência do direito de lançar as contribuições na forma do art. 150, § 4° do CTN, sendo indevidos os valores anteriores a 08/1999; 2. há inexatidão na classificação dos pagamentos efetuados, como por exemplo o pagamento de R$1.340,00 (um mil, trezentos e quarenta reais) efetuado em 12/1997 a título de caixinha de Natal dos funcionários do bingo, que não se encontra nas hipóteses de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 358 5 incidência de contribuição previdenciária, de acordo com o art. 28, § 9o, alínea “e”, item “7”, da Lei no 8.212/1991. Também, não aceita que vários pagamentos efetuados a contribuintes individuais tenham sido considerados como para empregados, a exemplo do valor de R$ 160,00 em 05/1998; 3. argúi a inconstitucionalidade da contribuição sobre a remuneração dos autônomos e administradores, pois possui a mesma base que a do Imposto de Renda. Que a Lei n° 9.876/1999, não poderia ter alterado a lei complementar, por ser ordinária, inexistindo respaldo constitucional para a exigência da contribuição, devendo ser eliminada dos cálculos em apenso; 4. argúi a inconstitucionalidade da cobrança do SAT, já que a contribuição se consubstancia em Decretos, violando o princípio da legalidade. Os decretos não têm competência para ampliar o disposto nas leis; 5. argúi a ineficácia da exigência para o SEBRAE, pois não há qualquer relação de causa e efeito para tanto, levando em conta suas atividades, devendo, por igual, ser excluídas tais contribuições; 6. aduz, também que a contribuição para o INCRA deve ser excluída porque é empresa de cunho urbano, não mantendo vinculação com os objetivos inconstitucionais do mesmo; 7. argúi o caráter confiscatório da multa aplicada e a vedação constante da Constituição Federal; que o percentual de 30% é abusivo, tornando ilíquida a execução. Discorre sobre a impossibilidade da exigência de juros acima de 1% ao mês e sua cumulação; 8. impugna a aplicação da taxa SELIC e diz da impossibilidade da cumulação da SELIC com outros índices. Não aceita que a correção monetária incida sobre a multa, como se depreende do exame da peça fiscal e que os juros incidam sobre os acessórios, o que torna ilíquidos os cálculos da notificação; 9. requer a desconstituição da notificação. A Delegacia da Receita Previdenciária em Caxias do Sul/RS – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 19.422.4/244/2004 (fls. 276/282) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 286/307), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Caxias do Sul/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 355). É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 359 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente as seguintes alegações: (i) inconstitucionalidade da Lei Complementar no 84/1996 e da Lei n° 9.876/1999, que instituíram a exigência da contribuição sobre a remuneração paga aos autônomos e o pro labore dos diretores; (ii) inconstitucionalidade dos Decretos nos 79.037/1976 e 2.173/1997, que estabelecem regras para a cobrança do SAT/GILRAT; e (iii) caráter desproporcional, não razoável, da multa aplicada no presente lançamento, afrontando o art. 150, V, da Constituição Federal; dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. A Recorrente alega também que seja declarada a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização estariam fulminados pelo instituto jurídico da decadência até a competência 08/1999 , nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação será acatada parcialmente pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei nº 8212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art.173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 360 9 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 ......................................................................................................... "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 05/1997 a 02/2003 e foi efetuado em 11/08/2004, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, inclusive, e também a competência 13/1998. Esclarecemos que a competência 12/1998 não deve ser excluída do cálculo do lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível (situação fática da hipótese de incidência da contribuição) somente ocorrerão a partir de 01/1999, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal. Por outra regra estabelecida pelo arcabouço jurídicotributário, ainda que existam recolhimentos, tratase de situação em que se caracteriza, em tese, a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada da notificada, eis que a auditoria fiscal registrou no Relatório Fiscal (fls. 58/59) que os valores apurados no presente processo decorrem de remunerações não submetidas à escrituração contábil e nem inseridas em folhas de pagamento. Essa conduta da empresa caracteriza, em tese, o crime de “Sonegação de Contribuição Previdenciária”, à luz do artigo 337A, inciso I do Código Penal, na redação da Lei n° 9.983/2000. Com isso, resta afastada a aplicação do art. 150, § 4º, para a aplicação do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores a 12/1998, pois o direito potestativo do Fisco – nas competências até 11/1998, inclusive, e competência 13/1998 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, eis que os valores apurados até a competência 11/1998, inclusive, e na competência 13/1998 foram atingidos pela decadência. Após isso, passo ao exame de mérito. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 361 11 DO MÉRITO: Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, mencionado na análise da preliminar das alegações de inconstitucionalidade expostas na peça recursal. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91.NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. Não merece ser acolhida a alegação da ilegalidade da cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE, eis que esta contribuição foi criada pela Lei no Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 8.029/1990, com nova redação dada pela Lei no 8.154/1990, com a finalidade de atender a política de apoio às micro e pequenas empresas, em que a competência para cobrálas seria do INSS, sendo que a sua incidência se dará sobre a mesma base de cálculo das contribuições ao SESC/SENAC, SESI/SENAI, caracterizando um adicional sobre as contribuições já existentes. Apesar de o SEBRAE ter como objetivo o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, a contribuição é recolhida também pelas empresas de médio e grande porte, em virtude do principio da solidariedade social, nos termos do art. 195 da Constituição Federal. Frisamos ainda que a contribuição destinada ao SEBRAE caracterizase como uma espécie tributária de intervenção no domínio econômico, não pressupondo qualquer ligação entre contribuintes e beneficiários. Nesse sentido tem decidido o Poder Judiciário, abaixo transcrito: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SEBRAE. LEI COMPLEMENTAR. A cobrança da contribuição social ao SEBRAE, por incidir sobre a folha de salários, encontra seu fundamento no art. 195, I, da Constituição da República, podendo ser viabilizada por lei ordinária. Desnecessária, pois, lei complementar. O que fez o legislador, ao criar o SEBRAE, foi instituir um adicional à contribuição já existente. Não se trata aqui de contribuição de interesse de categoria econômica a exigir a filiação do sujeito passivo, mas de contribuição de intervenção no domínio econômico que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado. (TRF 4a Região; Agravo de Instrumento no 2000.04.01.0357476; DJU em 06/09/2000; p. 152).” Com isso, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo procedente a exigência da contribuição para o SEBRAE. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 362 13 II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Nesse sentido, há precedentes judiciais no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), a saber: TRIBUTÁRIO. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO SAT. CONSTITUCIONALIDADE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTO. 1. Não há qualquer vício no se atribuir ao Executivo, ou a um órgão do Executivo, a determinação dos graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos correspondentes graus de risco. 2. Em muitas situações o legislador é obrigado a editar normas "em branco", cujo conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se entreveja a vedada delegação legislativa. As circunstâncias dirão a quem deferir a competência. 3. Não se confunde a delegação legislativa com a suplementação técnica da norma por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos, é típica suplementação técnica da lei, atribuída à autoridade administrativa, que não estará exercendo qualquer função normativa e nem mesmo regulamentar. Via de conseqüência, não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo Ministério da Previdência Social, dos critérios de enquadramento das empresas nos diversos graus de risco de acidentes do trabalho. 4. Recurso de apelação improvido.(TRF 4a Região, Recurso de Apelação nº 1999.72.01.0062983/SC, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.) Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, mencionado na análise da preliminar de alegações de inconstitucionalidade. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, sem as alterações da Lei no 11.941/2009, transcrito abaixo: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 363 15 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI nº 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 15DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei n° 8.212/1991, sem as alterações da Lei no 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000641/200999 Acórdão n.º 240202.301 S2C4T2 Fl. 364 17 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 46/50), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que ocorreu a decadência tributária até a competência 11/1998, inclusive, e na competência 13/1998, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13811.003123/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1101-000.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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E MENEZES - Presidente. VA - Relator. Si-C1T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13811.003123/2005-1 Recurso n° 144.039 Voluntário Acórdão n° 1101-00.047 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria PAES - Revisão de Consolidação Recorrente Aços Villares S/A Recorrida Fazenda Nacional RESOLUÇÃO 1101-00.047 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Ricardo da Silva (Vice-Presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. , (\ i. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto por AÇOS VILLARES S/A (fls. 1827/1876), contra o Despacho Decisório da EQPIR/RJ, de 20 de junho de 2007 (fl. 1293/1800), que deferiu parcialmente seu pedido de exclusão dos débitos do PAES, elencados nas tabelas 1 e 2, das fls. 1798/1799. Inicialmente, a Recorrente apresentou Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no PAES, sob a justificativa de haver distorções ocorridas na migração dos débitos constantes do REFIS I para o PAES, bem como nos débitos incluídos por ela na ocasião da adesão ao último parcelamento. Assim, informa que, por iniciativa da própria SRF foi incluso, na consolidação, débitos decorrentes de processo administrativo em discussão, cuja exigibilidade se encontra suspensa, débitos em duplicidade e débitos que já foram pagos ou compensados, entre outros, onerando sua divida tributária. Ao ser apreciado seu pedido de revisão, a autoridade fiscal propôs seu deferimento parcial, conforme se depreende das fls. 1206/1213. Cientificada da decisão, e com ela não se conformando, o contencioso administrativo foi instaurado com a apresentação, tempestiva, de Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 1219/1256), com os seguintes fundamentos: a) como possuía alguns débitos em aberto que necessitavam ser regularizados, com o advento da Lei 9.964/00, que instituiu o Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), visualizou uma excelente oportunidade para guitar débitos pendentes perante a Secretaria da Receita Federal, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e com o Instituto da Seguridade Social; b) nos meses seguintes de sua adesão ao REFIS, os pagamentos do parcelamento foram religiosamente efetuados; c) anos mais tarde, com a edição da Lei 10.684/03, que criou o Parcelamento Especial (PAES), decidiu transferir o saldo de débitos que constava do REFIS para o PAES, incluindo outros débitos pendentes, os quais continuaram a ser, mensalmente, pagos; d)após receber, em março de 2005, o extrato consolidado da divida do PAES, elaborado pela SRF, constatou clue não haviam sido inclusos apenas os débitos informados na Declaração REFIS e na Declaração PAES à época própria, mas também débitos decorrentes de processo administrativo em discussão, cuja exigibilidade se encontrava suspensa, débitos em duplicidade e débitos flue iá haviam sido pagos ou compensados, dentre outros; e) em 05 de dezembro de 2005 protocolou Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no PAES, com o escopo de regularizar sua 2 Processo n° 13811.003123/2005-1 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 2 situação, para que se procedesse a exclusão do valor da divida inclusa indevidamente no PAES; f) em 24 de janeiro de 2007 foi intimada da decisão que deferiu parcialmente a solicitação de revisão de débitos consolidados no PAES; g) os débitos remanescentes, em sua opinião, devem ser imediatamente baixados do saldo original do PAES, uma vez que basicamente se referem à compensação de valores efetuados pela Recorrente; h) também constatou que, após a transferência dos débitos do REFIS para o PAES, houve uma aumento da divida, o que não se pode admitir; i) em preliminar alega que, tendo o processo administrativo como principio basilar o principio da verdade real, não ha que se falar em preclusão do direito da Recorrente em ter a apreciação das provas acostadas aos autos; j) no mérito, destaca que, com relação ao montante de R$ 2.461.004,62 e 5.276,48 UFIRs, ao anal a autoridade administrativa se pronunciou indeferindo sua exclusão porquanto da decisão ora combatida, a justificativa para tanto se baseia em quatro pilares principais: i) alocação de DARF; ii) problemas com relação ao DARF (i.e. Pagamento anterior ao período de apuração, códigos divergentes, CNPJ de outro estabelecimento); iii) compensações não encontradas; e, iv) valores referentes a outro processo administrativo; k) que o indeferimento pela exclusão de débitos da Receita Federal, em vista da solicitação da revisão elaborada pela Recorrente, pode ser assim sumarizado: Item da Decisão Administrativa Valor Justificativa 3 227,96 DARF alocado 4 11,19 DARF alocado 5 591,53 DARF alocado 6 174,73 Pagamento anterior ao inicio de apuração 7 3.335,80 DARF alocado 8 426,60 DARF alocado 9 40,00 DARF's cujo código era 1505 (custas judiciais — outras) 10 113,27 DARF alocado 12 795,32 DARF alocado 14 121,70 CNPJ do estabeleicmento de Mogi das Cruzes — impossibilidade de alocação 17 400.771,31 CNPJ da Filial 18 1.132.189,80 Compensações não encontradas 19 748.857,82 DARFs alocados e compensações não encontrados 20 173.347,59 Compensações não encontrados 22 5.276,48 Valores referentes ao Processo 10845.0001126/94-11 e não do 3 10845.001127/94-76 I) se o DARF corresponde ao débito constante do PAES, ele não poderia ter sido alocado em outro pagamento; m) a SRF esquiva-se em mencionar onde houve a referida "alocação", impossibilitando a apresentação eventual de quitação dos referidos débitos; n) não se pode admitir que a alegação evasiva da Receita Federal supere a prova trazida aos autos do Processo Administrativo ora combatido, uma vez que o referido débito encontra-se pendente pela simples alocação de pagamento ter sido apropriada em outro débito; o) além de inexistir legislação que autorize a Receita Federal a alocar, indistintamente, os créditos detidos pela Recorrente com seus débitos a seu bel prazer, afirma não ter autorizado; p)isto porque, tal procedimento pode ter quitado débitos que a Recorrente entende serem indevidos ou que estejam atrelados it eventual discussão administrativa ou judicial, cuja exigibilidade dos referidos créditos fiscais encontram-se suspensos, nos termos do art. 151 do CTN; q)ainda se surpreendeu ao verificar que os débitos constantes dos itens 3, 4, 5, 7, 8, 10 e 12 estio sendo objeto de discussão nos processos administrativos 10880.78988/2004-45 e 10880.48094/2004-06; r) se tais débitos já estão sendo motivo de discussão em processo administrativo diverso, claro está que deve ser imediatamente excluído da discussão referente ao PAES; s) como não teve tempo hábil para se informar da situação de ambos os processos administrativo, protesta pela juntada, posterior, de provas, amparando-se no principio da verdade real; t) quanto ao pagamento de R$ 174,76, alegou a autoridade fiscal que o pagamento havia sido efetuado antes do período de apuração, uma vez que este ocorreu em 23 de março de 2001, e o vencimento do 1RRF de 04/2001, referente ao processo administrativo 10880.489888/2004-45, era em 18/04/2001; u) o fato do referido débito estar sendo objeto de discussão em outro processo administrativo novamente traz à tona a alegação apresentada no item anterior, ou seja, havendo discussão especifica acerca da matéria tal débito deve ser excluído do PAES imediatamente; v) com relação ao item 9, que cuida dos DARFs de Código 1505, a justificativa dada pelo indeferimento menciona que os códigos referem- • se a "custas judiciais — outras"; 4 Processo n° 13811.003123/2005-1 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 3 w) contudo, alega que houve apenas um equivoco quanto ao código aposto no DARF apresentado, que não pode prejudicar a Recorrente, uma vez que as demais informações constantes da DCTF são idênticas; x) os valores constam da discussão atrelada ao processo administrativo 10880.489888/2004-45, e que não se pode permitir que dois processos administrativos cuidem da cobrança dos mesmos débitos; y) referente aos DARFs com CNPJ diverso, como é o caso do item 14 e 17, informa que a SRF não os alocou sob a justificativa de que no primeiro o CNPJ pertence A. filial localizada em Mogi das Cruzes — SP e que, mesmo existindo a centralização de tributos em DCTF, tal recolhimento encontra-se compartilhado, e por corresponder a outra jurisdição, restaria impossibilitada sua alocação, e quanto ao segundo, argumentou que não o poderia alocar por, além de pertencer A filial de CNPJ diverso, inexistia a centralização de tributos em DCTF para o IPI; z) contudo, informa a Recorrente que o item 14 está sendo discutido no processo administrativo 10875.752963/2004-91, e o item 17 no processo administrativo 10860.451.737/2004-52; aa) que o débito do item 14 deve ser excluído, pois o DARF apresentado refere-se ao crédito vinculado no demonstrativo de débitos consolidados; bb) a autoridade fiscal está exigindo uma retificação que não pode ser efetuada, pois os débitos se referem ao exercício de 1997 e, por conta disso, não ha qualquer chance de retificação da DCTF apresentada anteriormente, uma vez que é de 5 anos o prazo legal para qualquer alteração de declaração; cc) assim, somente resta a alternativa para a Recorrente de solicitar a retificação do CNPJ da filial, constante nos DARF's apresentados, para o CNPJ da matriz, uma vez que não hi possibilidade de a mesma proceder As alterações necessárias em virtude do prazo para tanto já ter transcorrido; dd) que as demais informações estão de acordo com o recolhimento, de forma que apenas o CNPJ é que consta divergente; ee) no que pese a divergência de CNPJ, a Recorrente não pode restar prejudicada uma vez que todos os outros indícios apontam no sentido da quitação dos montantes tidos como pendentes pela SRF; ff)em relação ao item 18, que diz respeito a compensações efetuadas, informa que a autoridade fiscal os indeferiu sob o argumento de não os ter encontrado; gg) contudo, alega que o argumento é totalmente desprovido de consistência, não podendo ser utilizado como base para o indeferimento de compensações que foram efetivamente comprovadas; hh) durante anos, acumulou saldo de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, crédito este que foi utilizado para compensar alguns débitos federais; ii) como tais comprovações não se mostraram suficientes aos olhos da SRF, a Recorrente apresenta nova prova no intuito de ratificar que o crédito detido realmente lhe compete, conforme se pode inferir dos informes de rendimentos do período de 1997 a 2000, constantes dos docs. de 01 ao 41, devidamente acostados aos autos; jj) as compensações efetuadas pela Recorrente possuem amparo no Ato Declaratório Normativo COSIT 14, de 10 de setembro de 1998, bem como no ADN COSIT 17, de 09 de novembro de 1998m que regem a compensação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte; kk) com base nos mencionados Atos Declaratórios, a compensação realizada nesses termos independe de prévia autorização da Receita Federal, e somente não poderia ser admitida nos casos em que fossem efetuadas com créditos derivados do recolhimento do LEZRF, decorrente de responsabilidade tributária, já que o encargo financeiro foi suportado por terceiro e se refira a FRRF decorrente de responsabilidade tributária de remessa de rendimentos para o exterior, hipótese em que ha necessidade de autorização da Receita Federal; 11) ao vislumbrar o crédito de IRRF acumulado, a Recorrente alega ter seguido as orientações contidas nos ADN's Cosit 14/98 e 17/98, efetuando as compensações devidas, demonstrando as operações nas DCTF's apresentadas A Receita Federal A época; mm) o único óbice que se pode colocar neste procedimento é que a Recorrente, em algumas DCTFs, equivocadamente colocou no campo "compensação com DARF" o valor que efetivamente corresponde A "compensação sem DARF" pois, de acordo com o esclarecido anteriormente, não havia a necessidade de comprovação por meio de DARF; nn) feitos os devidos acertos com relação A interpretação do que consta nas DCTF's, e considerando a impossibilidade de altera-las em vista do escoamento do prazo de 5 anos, constata-se que o procedimento para as compensações em apreço guarda completa vinculação com o que a legislação tributária permite; oo) o art. 156, II do CTN claramente prevê que a compensação é uma forma de extinção do crédito tributário, e a SRF não pode ignorar esse preceito em hipótese alguma; pp) a Recorrente não foi informada pela SRF que eventuais compensações realizadas não foram reconhecidas, não havendo sentido, tampouco base legal, que permita a SRF consolidar tais débitos com àqueles que foram objeto de adesão ao PAES, tampouco mantê-los em cobrança; Processo n° 13811.003123/2005-1 Sl-C1T1 AcórdAo n.° 1101-00.047 Fl. 4 qq) o saldo acumulado de crédito anteriormente demonstrado pela Recorrente, por meio das mencionadas D1PJ's, bem como dos informes de rendimentos, demonstram valor mais que suficiente para quitação desses débitos que, por algum equivoco, se encontravam em aberto para com a Receita Federal, e foram erroneamente incluídos por esta na consolidação de débitos do PAES; rr) com eximia facilidade constata-se que em relação is compensações efetuadas pela Recorrente, a SRF cometeu diversos equívocos, como o não reconhecimento das compensações efetuadas com o crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, a despeito deste crédito ser suficiente para quitação dos valores objeto de compensação, por não ter informado a empresa que tais débitos não foram considerados extintos, embora a compensação seja uma das formas de extinção do crédito tributário, por ter incluído, por conta própria, no extrato consolidado do PAES, os débitos "em aberto", os quais Recorrente não tinha nem ciência de que se encontravam nessa situação, e sem qualquer base legal que lhe permitisse esse procedimento; ss) faz-se necessário atualizar os registros da Receita Federal com a conseqüente homologação das compensações efetuadas, bem como a baixa desses débitos do extrato consolidado do PAES, tendo em vista que não pode a Recorrente ser prejudicada pela demora no processamento das compensações; to as alegações constantes da decisão administrativa ora guerreada ainda dão azo ao indeferimento de débitos que foram objeto de compensação e pagamento, tais como aqueles mencionados nos itens 19 e 20 da decisão em apreço; uu) o item 19 demonstrou o indeferimento da compensação e do pagamento do total de R$ 784.857,82; vv) foi alegada na mesma oportunidade a impossibilidade de exclusão do item 20, que soma R$ 173.347,59, tendo em vista que o pagamento de R$ 3.486,00 foi reconhecido; ww) no que pese o total de pagamentos relacionados neste tópico ter sido reconhecido pela SF, as compensações permanecem pendentes em virtude dos mesmos argumentos debatidos nos tópicos anteriores; xx) a compensação que soma o total de R$ 968.480,50, seguiu o mesmo procedimento permitido pelos ADNs COSIT 14/98 e 17/98, onde houve a compensação do Imposto sobre a Renda com o IRRF retido sobre as aplicações financeiras, anteriormente acumulado nas DIPJs apresentadas; yy) conforme anteriormente declinado, o saldo total de 1RRF retido e espelhado nas D1PJs do período de 1997 a 2001 foi R$ 5.606.240,73; 7 zz) parte desse crédito já foi utilizado para a compensação do montante de R$ 1.132.189,90, de acordo com o item anterior, e o restante do saldo acumulado, que é de R$ 4.474.050,83, é suficiente para guitar o débito de R$ 968.480,50; aaa)para dirimir quaisquer dúvidas existentes, a Recorrente informa ter trazido à baila os informes de rendimentos relativos ao IRRF retido pelas instituições financeiras e que comprovaram que o IRRF retido sobre as aplicações financeiras não só é suficiente para absorver a compensação como totaliza o valor de R$ 2.761.849,55; bbb) que em nenhum momento teve ciência de que eventual compensação não fora reconhecida, de modo que a inclusão desses valores é claramente arbitraria; ccc)no tocante à compensação, continuam aplicáveis as mesmas criticas apontadas no tópico anterior quanto ao procedimento adotado pela Receita Federal, pois esta não homologou as compensações efetuadas com o crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, a despeito deste crédito ser suficiente para quitação dos valores objeto de compensação, não informando a empresa que tais débitos não foram considerados extintos, embora a compensação seja uma das formas de extinção do crédito tributário, ocasionando a inclusão, por conta própria, no extrato consolidado do PAES, os débitos "em aberto", os quais a requerendo não tinha nem ciência de que se encontravam nessa situação, e não havia permissão legal para tanto; ddd)resta nítido que os débitos questionados pela SRF, no montante de R$ 922.205,41, não devem permanecer, uma vez que foi compensado de acordo com os ADNs 14/98 e 17/98 com crédito suficiente, conforme se constata da somatória dos informes de rendimentos recebidos das instituições financeiras; eee) a autoridade fiscal, para motivar o indeferimento de seu pleito, alegou que o valor de R$ 5.276,48 UFIRs se referia ao Processo Administrativo 10845.001127/94-76, e que tal processo não consta da consolidação do PAES, de forma que os débitos de II/2892 e IPI/3345 estão atrelados ao Processo Administrativo 10745.001126/94-11; fff) dada a identidade de valores, a Recorrente se equivocou em mencionar outro processo administrativo que não o 10745.001126/94-11, que abarca a quantia debatida; ggg)merece destacar que o procedimento adotado pela SRF na inclusão de débitos que permanecem sob discussão administrativa, e que acabaram não só por serem incluidos na consolidação do PAES, como também por permanecerem no parcelamento, a despeito da proporia autoridade ter reconhecido que tais débitos encontram-se atrelados à discussão administrativa; hhh) o processo administrativo em questão advém da lavratura de auto de infração, mas que até o momento continua em discussão administrativa, não restando definitivamente constituído o crédito tributário; 8 Processo n° 13811.003123/2005-1 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 5 iii) mesmo assim a SRF os incluiu na consolidação do PAES e os manteve na revisão dos débitos consolidados; jjj) esse procedimento somente seria possível diante da desistência expressa da Recorrente da discussão administrativa travada, o que não ocorreu; Ickl() é cediço que a discussão administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, 111, do CTN; Ill) após a revisão dos débitos constantes do PAES foram acrescentados valores que não constavam no mesmo extrato quando da primeira consolidação; mmm) de acordo com a legislação pertinente, a consolidação dos débitos do REFIS e no PAES deveriam, respectivamente, observar as determinações contidas nas Lei 9.964/00 e 10.684/03; nnn) a Lei 9.964100 dispõe que o ingresso no REFIS era optativo, e apenas com esta opção é que a sociedade faria jus ao regime especial de consolidação e parcelamento de débitos fiscais; 000) seu art. 2°, §3° era claro ao estabelecer que a consolidação de valores no REFIS abrangeria indistintamente os débitos "em aberto" existentes em nome da pessoa jurídica à época da adesão; ppp) a SRF, ao implementar o PAES, concedeu nova modalidade de parcelamento, que guardava semelhança com o REFIS em alguns aspectos. Contudo, não restabeleceu as condições exatas desse primeiro parcelamento concedido; qqq) a instituição da Lei 10.684/03 inovou o procedimento para o parcelamento de débitos federais ao se limitar a dispor que os débitos seriam consolidados, conforme se pode verificar do seu art. 1°; rrr) ao verificar que a conciliação de débitos não correspondia consolidação do PAES, requereu à "Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no PAES", mediante a qual foram excluídos diversos débitos irregularmente contidos na consolidação do PAES; sss) ao confrontar o "novo" extrato de débitos do PAES, disponibilizado em janeiro/2007, após a decisão combatida, a Recorrente se surpreendeu ao perceber que foram incluídos débitos que não constavam do Extrato de Consolidação disponibilizado em março/2005, e que não conseguiu identificar a respectiva origem, conforme tabela de fls. 1247/1248; tu) ao examinar a consolidação efetuada pela SRFD em janeiro/2007 constatou-se a inclusão de diversos débitos que não constavam no REFIS, tampouco foram confessados ou declarados na Declaração do PAES; 9 uuu) da análise do extrato emitido pela SRF é perceptível o equivoco cometido pelos sistemas da SRF, que acabaram por incluir débitos que a Recorrente nem sabe dizer de onde surgiram; vvv) o REFIS e o PAES perfazem parcelamentos distintos, concedidos por leis individualizadas e regras diversas, restando A Recorrente, unicamente, a contestação formal, por meio do presente petitório; www) não pode a Recorrente admitir ser penalizada face A ineficiência da Receita Federal, a qual realizou a revisão da consolidação de seus débitos de forma claramente equivocada; xxx) requer a exclusão do montante originário de R$ 8.821,35, em vista de que i) tais débitos não constavam do REFIS; ii) não solicitou sua inclusão na Declaração do PAES; iii) a legislação do PAES não havia disposição que amparasse a SRF A incluir débitos "em aberto" em nome da Recorrente, na forma que dispunha as normas do REFIS; e que iv) os débitos nem constavam da primeira consolidação executada equivocadamente pela SRF, em março/2005; yyy) quanto as transferências do saldo devedor do REFIS para o PAES, consoante se depreende da legislação fiscal, informa que foram efetuados de maneira equivocada pela SRF; zzz)que os débitos mantidos no REFIS foram transferidos por ocasião da opção pelo PAES, nos termos que dispunha a legislação acerca da matéria, a saber, débitos das Contribuições ao PIS e COFINS, IPI e ERRF; aaaa) diante do confronto dos saldos originais dos referidos tributos no REFIS e, posteriormente, na consolidação do PAES, vislumbram-se diferenças, conforme demonstrado pela Recorrente em planilhas elaboradas por ela As fls. 1248/1254; bbbb) a divida contraída pela Recorrente no REFIS, que totalizava R$ 34.832.196,89, passou a somar R$ 39.938.644,50; cccc) a pessoa jurídica optante pelo REFIS que desejasse aderir ao parcelamento do PAES deveria se submeter As condições que tratavam da transferência de débitos, conforme consta do art. 2°, da Lei 10.684/03; dddd) o art. 1° da referida norma estabelecia as condições gerais e, dentre elas, que o parcelamento era aplicável aos débitos que já haviam sido objeto de parcelamento anterior; eeee) a consolidação deveria ocorrer no mês de adesão do parcelamento, conforme o parágrafo terceiro, inciso I do art. 1°, anteriormente apontado; ffff)a consolidação dos débitos provenientes do REFIS no PAES deveriam ocorrer nos termos estabelecidos pelo Comitê Gestor do Programa; 1 0 Processo n° 13811.003123/2005-1 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 6 gggg) tal órgão editou duas resolução, a Resolução CF REFIS 29/03 e a 32/03, que estabeleciam regras sobre o desligamento do REFIS para fins de inclusão dos débitos consolidados no REFIS; hhhh) tais normas se restringiram a dispor acerca dos procedimentos práticos para desistência de um parcelamento e adesão de outro, sem abordar, em nenhum momento, as regras especificas da consolidação do saldo devedor, a não ser pela disposição abrangente do art. 3°, I, da Resolução CG REFIS 29/03; iiii) .veri fica-se que a consolidação do saldo devedor do REFIS no âmbito do PAES não possui procedimento adicional que não o próprio art. 1°, da Lei 10.684/03; jjjj) A exclusão da diferença de R$ 5.106.447,61 corresponde à melhor interpretação das alegações lançadas; kkkk) desta forma, necessário se faz proceder a imediata atualização dos registros da Receita Federal, com a conseqüente exclusão dos débitos compensados, objeto de discussão administrativa em andamento, bem como aqueles não incluídos pela Recorrentes, os quais somam, a titulo do principal, multa e juros, o montante de 14$ 9.124.537,76. A DIOR/EQPIR/PJ, ao apreciar o mérito, exarou Despacho Decisório (fls. 1293/1800), o qual deferiu, parcialmente, seu pleito, conforme se verifica de sua ementa: PAES — REVISÃO DE CONSOLIDAÇÃO Solicitação de revisão de débitos consolidados no PAES — compensação com saldos negativos de IRRI. SOLICITAÇÃO DEFERIDA PARCL4LMENTE. Cientificada do Despacho Decisório, e com ela não se conformando, apresentou Requerimento, com os seguintes fundamentos (fls. 1827/1830): 1111) se encontra no prazo para interposição de Recurso Voluntário perante este Egrégio Conselho, em face de parte da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, no que se refere à parcela remanescente dos débitos considerado indevidos e consistente; mmmm) ao elaborar a conciliação dos débitos relativo ao REFIS constatou que tal parcelamento vem sendo atualizado pela SRF, a despeito de todos os débitos terem sido migrados para o PAES no momento de sua adesão ao programa; 11 nnnn) verificou que a atualização dos débitos incluídos no PAES, realizada pela RFB, não corresponde A atualização prevista na legislação correlata, a qual determina a aplicação de juros calculados com base na TJLP; 0000) que a Recorrente não consegue identificar a razão para a existência de tal divergência, uma vez que a atualização dos débitos consolidados no PAES não é disponibilizada como ocorria no REFIS I, mas tão-somente ao total atualizado; PPPP) somente conseguirá compreender a forma de atualização dos débitos consolidados no PAES após a disponibilização de documento equivalente a um extrato, que discrimine cada lançamento efetuado sobre tais débitos, a ser emitido pela RFB, que é a entidade que agregou as funções da antiga SRF e INSS; qqqq) que os lançamentos devem estar individualizados desde a consolidação dos débitos, até o presente momento; rrrr)no intuito de regularizar sua situação no PAES com a maior brevidade possível, requer o fornecimento das informações acerca da atualização dos débitos consolidados no PAES, desde a sua adesão ao parcelamento até o presente momento, franqueando as informações relacionadas com as respectivas movimentações na conta-corrente criada por tal programa, com a devida urgência, em vista do decurso do prazo para apresentação de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, a expirar em 06 de agosto de 2007. Em 23 de julho de 2007, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 1831/1876), tendo como fundamento, em parte, os argumentos ventilados em sua Manifestação de Inconformidade Fiscal, inovando-se no que segue: ssss)em preliminar, destaca que a decisão recorrida menciona que a Recorrente teria deixado de apresentar recurso tempestivo, conforme determinação da Portaria PGFN/RFB 3/2004; Mt) que o referido artigo indicado pela autoridade fiscal para fundamentar a decretação de intempestividade, foi capitulado de maneira equivocada; uuuu) que o art. 14 da referida portaria diz respeito apenas, e tão- somente, ao recurso apresentado pelo contribuinte em caso de exclusão deste do PAES; vvvv) em nenhum momento a Recorrente foi excluída do PAES, logo, não lid que se falar em apresentação do recurso capitulado no art. 14 da Portaria 3/2004; wwww) se a legislação do PAES não foi profunda ao prever um instrumento capaz de questionar a decisão da solicitação de revisão de débitos incluídos no PAES, a Recorrente teve que se ater As normas 12 Processo no 13811.003123/2005-1 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 7 gerais do processo administrativo, que prevê o manejo de manifestação de inconformidade, prevista no art. 74, §9°, da Lei 9.430/96, e alterações posteriores, cujo prazo para apresentação são de 30 dias da decisão recorrida; xxxx) grande parte dos débitos que permaneceram na consolidação do PAES referiam-se à compensações que não haviam sido homologadas até aquele momento pela RFB e, por conta disso, mantiveram-se como débitos "em aberto"; YYYY) em consonância com o disposto no art. 74, da Lei 9.430/96, veio a IN 600, de 28 de dezembro de 2005, no intuito de ratificar que a manifestação de inconformidade, a ser apresentada no prazo de 30 dias da ciência da decisão que não homologou a compensação efetuada, é o instrumento legal facultado ao contribuinte contra despachos decisórios; 7777.) a mesma orientação é dada por julgado do Conselho de Contribuintes, que impõe que a autoridade administrativa deve processar a manifestação de inconformidade no rito do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento de defesa e do contraditório, conforme se verifica do Acórdão 301-32.998, DOU 12/07/2006; aaaaa) por não haver estipulação de prazo para o recurso ao Conselho de Contribuintes, ouve o ferimento do disposto no §10, do art. 74, da Lei 9.430/96; bbbbb) a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente possui o condão de instaurar o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal; ccccc) compete à DRJ julgar os processos administrativos em primeira instância, tanto aqueles que tratam da exigência de crédito tributário, quanto aos relativos ao reconhecimento do direito creditório de tributos e contribuições administrados pela RFB, conforme disposto no art. 174, do Regimento Interno da STU, aprovado pela Portaria MF 95, de 30 de abril de 2007; ddddd) devem ser destacadas as disposições insertas no Decreto 70.235/72, as quais são plenamente esclarecedoras em relação competência para julgamento em primeira instância, e que incubem as Delegacias da Receita Federal de Julgamento dessa árdua tarefa, nos termos do art. 25, do diploma legal acima referido; eeeee) destaca as disposições especificas sobre a matéria, delineada pelo art. 56, da Lei 9.784/99, onde assinala que cabe recurso das decisões administrativas; fffff) que é obrigação da autoridade fiscal abrir prazo para interposição de recurso administrativo, bem como permitir a análise do processo em segunda instância administrativa, conforme delineado, tanto no 13 a', Regimento Interno da Receita Federal, quanto no Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, além de leis esparsas; ggggg) salienta que o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria 147, de 25 de junho de 2007, estabelece, já no art. 1°, que é de competência deste colegiado o julgamento administrativo em segunda instância; hhhhh) havendo decisão que aprecie mérito em primeira instância, é direito do contribuinte recorrer perante órgão competente, que no caso é o Conselho de Contribuintes; iiiii)o Conselho de Contribuintes já se manifestou sobre a questão, ratificando o direito do contribuinte em ter sua questão apreciada pelo duplo grau de jurisdição, conforme se infere dos Acórdãos 101-10141, 102-43257 e 302-37109; jjjjj)a manifestação de inconformidade apresenta teve por escopo o questionamento da decisão anteriormente proferida pela autoridade fiscal, por ocasião de sua solicitação de revisão dos débitos incluídos no PAES (SRDC), com relação aos itens 3 à 10, 12, 14, 17 A. 20 e 22, além de outras alegações que não foram contempladas na referida decisão; klcIddc) no que tange aos itens 12 e 17, verificou-se que as respectivas alegações da Recorrente foram consideradas para guitar os débitos supostamente "em aberto"; 11111)considerando que na decisão recorrida não houve menção acerca da improcedência dos valores dos demais itens, tem-se que a autoridade fiscal indeferiu a exclusão desses valores sob os seguintes argumentos: i) alocação de DARF; ii) problemas com relação ao DARF; iii) compensações não encontradas e; iv) valores discutido em outro processo administrativo; mmmmm) a decisão prolatada por ocasião da SRDC, no tocante aos itens 18 e 19, reconheceu parcialmente o direito da Recorrente as compensações realizadas; nnnnn) contudo, a autoridade fiscal cometeu alguns equívocos que acarretaram a homologação parcial das compensações realizadas pela Recorrente, e que devem ser detidamente examinadas neste momento, sob pena de acarretar prejuízo irreparável à sociedade; 00000) a autoridade fiscal examinou a origem de todo o crédito apontado pela Recorrente, proveniente de saldo de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, acumulado durante os exercícios de 1997 a 2000, e constantes dos respectivos informes de rendimentos; ppppp) a autoridade fiscal ratificou que a Recorrente detinha crédito no montante de R$ 2.454.878,78, cuja diferença de R$ 307.153,04 se deve A. apresentação equivocada de cópia de um informe de rendimentos sem autenticação, que não foi reconhecida pelo sistema de informações eletrônicas da RFB; 14 Processo n° 13811.003123/2005-1 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 8 qqqqq) ao verificar o equivoco, a Recorrente providenciou cópia autenticada do informe de rendimentos do Banco Sul América, a fim de reparar o engano e comprovar que detém o crédito relativo ao montante de R$ 307.153,04; rrrrr) o fato desse informe não constar no sistema de informações eletrônicas da RFB, como alegado na decisão recorrida, chamou a atenção da Recorrente que foi investigar na instituição financeira a causa desse desencontro de informações; sssss) que a instituição financeira informou que as retenções de IRRF decorrentes da aplicação de renda fixa detida pela Recorrente somente constaram da DIRF apresentada à RFB no ano-calendário de 1998, a despeito de terem ocorrido nos anos de 1997 e 1998; ttttt)o sistema de informações da RFB de 1997 não tinha como apontar um valor que só foi informado por meio de DlRF da instituição financeira em 1998; uuuuu) assim, o valor de R$ 307.153,04 não está atrelada ao ano- calendário de 1997, mas sim nas informações inerentes ao ano- calendário de 1998; vvvvv) com as informações que se acaba de prestar, não há que se falar ern desconsideração do crédito de R$ 307.153,04, ainda que esse seja alocado no ano-calendário de 1998; wwwww) a cópia autenticada do informe de rendimentos, obtida junto instituição financeira constitui prova cabal da retenção do imposto de renda e, consequentemente, do crédito detido pela Recorrente; xxxxx) assim, o montante total do crédito de imposto de renda retido da Recorrente, em vista das aplicações financeiras existentes nos exercícios de 1997 a 2000, corresponde a R$ 2.762.031,82, e as respectivas compensações devem ser homologadas até esse montante; yyyyy) o referido crédito não foi parcialmente compensado com o pedido de compensação da Recorrente, consubstanciado no PER/DCOMP 02496.99248.240604.1.3.02-5284, pois o crédito utilizado nessa compensação provém de duas fontes, que são: i) das retenções decorrentes das aplicações financeiras FICART e demais rendimentos do capital (day trade), realizadas no ano-calendário de 2001 pela Villares Metals S/A, CNPJ 42.566.752/0001-64, que somam R$ 273.573,64 e; ii) rendimentos decorrentes de decisão da Justiça Federal, cuja retenção foi efetuada pela Nossa Caixa S/A, em 25/10/2002, por ocasião do levantamento do depósito judicial realizado no Processo 241/92, que remonta R$51.270,40; zzzzz) não tendo sido esses créditos considerados como parte do crédito de R$ 2.762.031,82, fica demonstrado que a Recorrente 15 possui adicionalmente o montante de R$ 324.844,04 para ser utilizado em outra compensação, que de fato foi o que ocorreu com a apresentação do PER/DCOMP; aaaaaa) uma vez que o crédito de R$ 324.844,04 atualizado foi mais que suficiente para compensar o débito da Recorrente, cabe mencionar que o valor de R$ 51.270,40 se refere ao ano-calendário de 2002, e não ao ano-calendário de 2001, conforme equivocadamente informado no PER/DCOMP apresentado; bbbbbb) sua PER/DCOMP não compromete, em nada, as demais compensações realizadas, já que se refere a outros créditos, e não aqueles anteriormente analisados; cccccc) a detenção pela Recorrente do crédito total de R$ 2.762.031,82 que, adicionado ao montante de R$ 324.844,04 ampara as compensações realizadas pela sociedade e, por isso, os débitos elencados nos itens 18 e 19 da decisão SFtDC devem ser imediatamente excluídos da consolidação do PAES; dddddd) o item 18 foi indeferido parcialmente pela autoridade fiscal, sob o argumento de que o crédito detido pela Recorrente não era suficiente para homologar tais compensações; eeeeee) por isto, a RFB deixou de excluir da consolidação do PAES o montante principal de R$ 246.621,46; ffffff) o crédito detido pela Recorrente foi parcialmente homologado e, neste momento, restou comprovado de que possuía o montante de R$ 631.997,08, resultado da somatória de R$ 307.153,04 e R$ 324.844,04; gggggg) o valor de R$ 631.997,08 atualizado era, de pronto, mais que suficiente para compensar a quantia de R$ 246.621,46 que ora se reclama; hhhhhh) resta evidente a urgente compensação do montante de R$ 246.621,46, nos termos do art. 156, II, do CTN; nun) na decisão advinda da SRDC, a autoridade fiscal alegou a impossibilidade de exclusão do item 20, que soma R$ 173.347,59, tendo em vista que o pagamento de R$ 3.486,00 foi reconhecido; JJJJJJ) o crédito detido da Recorrente perfaz o montante total de R$ 631.997,08, resultado da somatória de R$ 307.153,04 (informe de rendimentos do banco Sul América S/A) e R$ 324.844,04 (que não foi utilizado para compensação no PER/DCOMP); Iddcicick) esse valor, atualizado, deve ser utilizado, imediatamente, para compensar o montante de R$ 454.207,35; 111111) a autoridade fiscal alegou que o valor de R$ 5.726,48 UFIRs se referia ao Processo Administrativo 10845.001127/94-76, e que tal processo não consta da consolidação do PAES, de forma que os débitos 16 Processo n° 13811.003123/2005-1 S1-C1 T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 9 de I1/2892 e IP113345 estão atrelados ao Processo Administrativo 10745.001126/94-11; mmmrnmm) a Recorrente se equivocou ao mencionar outro processo administrativo que não o 10745.001126/94-11, que abarca a quantia debatida; nnnnnn) merece destaque o procedimento adotado pela RFB na inclusão de débitos que permanecem sob discussão administrativa, e que acabaram não só por serem incluídos na consolidação do PAES, como também por permanecerem no parcelamento, a despeito da própria autoridade fiscal ter reconhecido que tais débitos encontram-se atrelados à discussão administrativa; 000000) o processo administrativo advém da lavratura de auto de infração, mas que até o momento continua em discussão, não restando definitivamente constituído o crédito tributário; pppppp) apesar disto, foram incluídos pela RFB na consolidação do PAES, e mantidos na revisão dos débitos consolidados; qqqqqq) não houve desistência da discussão administrativa, logo, não poderiam ter sido consolidados; mur) analisando os extratos do PAES disponibilizados para consulta na Internet, verificou que, após a revisão de seus débitos, foram acrescentados valores que não constavam no mesmo extrato quando da primeira consolidação, no montante de R$ 8.821,32; ssssss) apesar de já terem sido objeto de contestação por meio de manifestação de inconformidade, não foram citados na decisão recorrida; tttttt) outros débitos foram incluídos, indiscriminadamente, no extrato consolidado do PAES, só que, desta vez, na competência da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; uuuuuu) os débitos inicialmente computados no âmbito da PGFN somavam, em 04/01/2005, o montante de R$ 56.303,96, e em 27/04/2005, passaram a totalizar o montante de R$ 1.513.191,92, e atualmente, estão computados no extrato consolidado no valor de R$ 5.765.488,94; vvvvvv) a Recorrente não conseguiu verificar quais são os débitos considerados pela PGFN como devidos, já que não é disponibilizado o extrato de débito A débito, assim como disponibiliza a RFB; wwwwww)ao final, por considerar comprovado suas obrigações fiscais, principais e acessarias, requer que seja determinado a imediata baixa dos . débitos em tela, com o conseqüente provimento de seu Recurso. 17 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo, após o recebimento do Recurso Voluntário, o negou seguimento, com suporte no art. 17, da Portaria Conjunta PGFN/SRF, que regulamenta o PAES e determina que as decisões de recursos administrativos do definitivas (fls. 1967/1968). MO se contentando com a negativa, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança, n° 2008.61.00.004103-8, com pedido liminar, pleiteando que fosse determinado o encaminhamento de seu Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho. Concedida a segurança em sede liminar pela Justiça Federal em Sic) Paulo — SP (fls. 2107/2108), a qual veio a ser confirmada posteriormente por sentença de mérito em 17 de setembro de 2008, procedeu o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais à sua distribuição (fl.s 2216/2217). o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Como visto do relato, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1831/1876, tendo em vista o deferimento parcial do seu pleito constante na Manifestação de Inconformidade de fls. 1219/1256. Os fundamentos apresentados dizem respeito a inconsistências nos débitos registrados no PAES. A DERAT em São Paulo/SP, negou seguimento ao recurso voluntário em atenção ao artigo 17 da Portaria Conjunta PGNF/SRF que regulamenta o PAES. Irresignada, a contribuinte ingressou com o Mandado de Segurança 2008.61.00.004103-8, com pedido de liminar junto a Justiça Federal de Sao Paulo/SP, para que o recurso voluntário fosse encaminhado ao Conselho de Contribuintes para o julgamento do mesmo. A decisão liminar foi confirmada pela sentença de mérito em 17/09/2008, determinando o processamento e julgamento do recurso voluntário apresentado pela contribuinte. A discussão envolve valores incluidos no parcelamento PAES e também a compensação de tributos que deixaram de ser homologados pela SRFB, os quais dizem respeito a crédito de imposto de renda retido da Recorrente, em vista de aplicações financeiras; a PER/DCOMP apresentada não compromete as demais compensações realizadas, já que se refere a outros créditos, e não aqueles anteriormente analisados. Outrossim, argumenta que, do crédito total de R$ 2.762.031,82 que, adicionado ao montante de R$ 324.844,04 ampara as compensações realizadas pela sociedade e, por isso, os débitos elencados nos itens 18 e 19 da decisão recorrida. 18 Processo n° 13811.003123/2005-1 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.047 Fl. 10 Entre outros questionamentos levantados pela recorrente e já detalhados no relatório, o valor constante no Processo Administrativo 10845.001127/94-76, não integra a consolidação do PAES, de forma que os débitos de 1112892 e 1P1/3345 estão atrelados ao Processo Administrativo 10745.001126/94-11. Alega também, que outros débitos foram incluidos, indiscriminadamente, no extrato consolidado do PAES, só que, desta vez, na competência da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Existindo dúvidas a respeito da matéria em apreço, o julgador, para formar sua convicção, deve buscar todos os elementos necessários para a elucidação dos fatos, pois na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. 0 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. No caso ora em apreço, não conseguimos vislumbrar a clareza necessária para uma perfeita apreciação dos fatos em discussão, visto que trata-se do pedido de revisão de valores consolidados no PAES. A. vista dos argumentos apresentados pela recorrente e do que consta dos autos, entendo indispensável a realização de diligência fiscal para que sejam esclarecidos todos os pontos suscitados na peça de defesa, visto que não é possível a solução das pendências nesta esfera, principalmente pelo fato de existirem valores pendentes em outros processos administrativos que influem na solução do presente. Assim, tendo em vista a falta dos esclarecimentos necessários para o perfeito deslinde da questão, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a repartição de origem efetue um levantamento de todos os itens e valores questionados nos presentes autos, intimando a empresa, para que, se for o caso, apresente a documentação comprobatória que embase sua alegações e se manifestar a respeito. Fica facultado i. repartição de origem, aditar outros esclarecimentos que julgar oportuno e cientificar ao sujeito passivo do teor do relatório de diligências para assegurar o direito de ampla defesa. E como voto. 19
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Numero do processo: 13900.000263/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/08/1996
NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-002.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo De Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de NFLD constituída em 20/12/2006 para exigir a contribuição previdenciária da empresa (cota patronal), contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e a contribuição dos segurados empregados, pelo fato da Recorrente de não ter comprovado os recolhimentos pela empresa Zolco S/A Equipamentos Industriais (prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra), os quais poderiam elidir sua responsabilidade solidária, no período de 07/1996 a 08/1996. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 44/107) pleiteando pela total nulidade do lançamento. A d. DRJ em Campinas, ao analisar o processo (fls. 122/127), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que: (i) é lícita a presunção do fato gerador, por não ter o contribuinte apresentado os documentos solicitados; (ii) é solidariamente responsável, haja vista que não reteve as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra contratada; (iii) não se aplica o benefício de ordem; (iv) o prazo decadencial é de 10 anos; e (v) a CND não comprova a inexistência de débito. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 137/178) alegando que: (i) o lançamento é nulo por falta de motivação; (ii) os requisitos legais para a lavratura do auto de infração não foram observados; (iii) o crédito tributário está decaído; (iv) sua responsabilidade é subsidiária e não solidária; e (v) não possui nenhum débito pendente perante o INSS. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13900.000263/200700 Acórdão n.º 240202.280 S2C4T2 Fl. 185 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Alega a Recorrente que o crédito tributário objeto do presente processo deve ser julgado totalmente improcedente, por estar decaído. A presente NFLD foi constituída em 20/12/2006 para exigir contribuições previdenciárias relativas ao período de 07/1996 a 08/1996. Notase que transcorreram mais de 10 anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Assim, considerando que o lapso temporal existente entre a data dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário é superior a 10 anos, devese reconhecer a total decadência dos valores ora lançados. Apenas a título de esclarecimento, pontuo que, independentemente da regra adotada (se a regra contida no art. 150, § 4º, ou a do art. 173, inc. I, do CTN), a totalidade dos créditos tributários restam decaídos. Por fim, em razão da extinção da totalidade dos créditos tributários pela decadência, deixo de apreciar as demais razões de recurso do contribuinte. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE TOTAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção do crédito tributário pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 197DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 11543.004602/2004-57
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.115
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima, Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo foi anteriormente encaminhado à 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e conforme informação de fls. 1393, da Presidente daquela Câmara, tendo em vista que os recursos das contas bancárias da LINEART foram tributados no auto de infração de IRPJ, proc. 11543.0004600/200468, cujo recurso já havia sido julgado conforme acórdão 10322.627, de 20.09.2006, e que os lançamentos de IRPJ e IRRF foram realizados tomando por base as mesmas contas bancárias, no mesmo período, na mesma ação fiscal, concluiu que são processos conexos, e por conseguinte, aquela Câmara não seria competente para apreciar o recurso voluntário ora em julgamento. Recebi o processo, por sorteio. Tratase de lançamento relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, dos anos de 1999 a 2000, com exigência de multa de ofício qualificada, de 150%. A ciência dos autos ocorreu em 22.12.2004. A infração foi descrita como falta de recolhimento do imposto na fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, ou pagamentos efetuados ou recursos entregues sem causa e sem comprovação da operação, e tem como enquadramento legal o art. 61, §1º, da Lei 8.981/95, e art. 674, § 1º, do RIR/99. A fiscalização foi iniciada em 21.05.2003. Consta no Termo de Encerramento da ação fiscal (ciência em 27.12.2004): a) Em 19.09.2003, a contribuinte apresentou livros Diário de 1999 a 2002, bem como cópia de DIPJ retificadoras no regime do lucro arbitrado; também apresentou procuração outorgada a Edson Viana dos Santos, para representar a fiscalizada perante a Receita Federal; b) a empresa LINEART recebeu recursos da Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo (ALES); o desvio de dinheiro público para as contas bancárias dessa empresa foi efetivado mediante simulação de pagamentos a entidades diversas, que eram utilizadas para que fossem preparados requerimentos, dirigidos à ALES solicitando ajuda financeira para realização de festas e eventos diversos; os hipotéticos eventos eram aprovados pelo presidente da instituição, Deputado José Carlos Gratz; a nota de empenho era emitida em nome da entidade supostamente beneficiada, e após era emitido o cheque; c) a LINEART nos anos de 1999 e 2000 foi beneficiada com depósitos de cheques desviados da ALES no valor total de R$ 4.078.820,00, que eram registrados na contabilidade, falsamente, como oriundos de prestação de serviços, e originaram o proc. 11543.004600/200468, referente a auto de infração do IRPJ; ao mesmo tempo, constatouse pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros e sócios, sem comprovação da operação ou da causa, no valor de R$ 4.062.353,77, o que caracteriza a hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei 8.981/95; d) tais pagamentos foram contabilizados fictamente, como suprimentos do caixa contábil da fiscalizada, ou seja, o dinheiro efetivamente entregue a terceiros ou sócios foi registrado falsamente na contabilidade como se tivesse ingressado no caixa da fiscalizada; os Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 3 3 pagamentos foram obtidos a partir da emissão de RMF (cheques pagos com valor superior a R$ 1.000,00); e) a análise dos processos de pagamento da ALES e das cópias de cheques da conta mantida pela ALES no BANESTES, resultou na identificação de esquema para desviar ilicitamente verbas do erário público para contas bancárias mantidas em nome da LINEART; f) no período em que a fraude foi perpetrada, o quadro societário da empresa era composto por César Augusto Cruz Nogueira e Flávio Augusto Cruz Nogueira, conforme contrato social e alterações (fls. 1147/1151); g) a contribuinte foi intimada, de acordo com o Termo de Intimação Fiscal de 25.11.2004, cientificado em 13.12.2004 a apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos efetuados ou recursos entregues relacionados em referida intimação, e discriminar a contabilização correspondente (folha de registro no Diário e Razão), bem como a identificar a correspondente operação ou causa, com documentação idônea comprobatória do motivo jurídico dos pagamentos efetuados ou recursos entregues. Foi dado prazo de cinco dias, conforme art. 71 da MP 2.15835, de 24.08.2001, pois os elementos solicitados dizem respeito a fatos que estão ou deveriam estar registrados na escrituração contábil do contribuinte; h) para facilitar o atendimento da intimação foram devolvidos ao representante legal do fiscalizado os extratos bancários do Banestes, Sudameris e Unibanco, o Livro de Registro de Apuração de Serviços, os livros Diário de 1996 a 1998 e cópia dos livros Diário de 1999 e 2000, bem como foram disponibilizadas as cópias de microfilmes dos cheques relacionados no referido Termo de Intimação Fiscal; i) mesmo tendo recebido todos os elementos necessários à prestação de informações, a contribuinte não comprovou a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros e sócios; não foi apresentada documentação idônea comprobatória do motivo jurídico dos pagamentos efetuados ou recursos entregues; i) Acusa a fiscalização, que para ocultar o fato gerador do tributo, cuja hipótese de incidência está prevista no art. 61 da Lei 8.981/95, a fiscalizada registrou, ficticiamente, que os recursos entregues a terceiros foram utilizados para suprir o caixa contábil; j) Exemplifica: o cheque nº 000001 no valor de R$ 12.000,00 foi compensado em 26.01.99, conforme extrato do Banco Sudameris; o correspondente registro contábil se deu a débito da conta caixa, com o ingresso de recursos, tendo como origem um hipotético saque de dinheiro na conta bancos; entretanto, a hipótese materializada nos registros contábeis é ficta, pois o cheque não foi sacado, mas sim, compensado, sendo o ingresso de dinheiro no caixa, uma ficção contábil; k) no mundo real, não refletido nos livros contábeis, o dinheiro foi para a conta de André Luiz da Cruz Nogueira (à época Diretor Geral da ALES), mantida no Banestes; somente a parte do registro contábil referente à saída do dinheiro da conta Banco é verdadeira; o dinheiro realmente foi deduzido do saldo da conta bancária da LINEART no Sudameris; a outra parte do lançamento contábil, correspondente ao ingresso de dinheiro na conta caixa é falsa, se caracterizando como fraude; l) o mesmo procedimento fraudulento de registro contábil com identificação falsa dos ingressos na conta contábil caixa, foi adotado com relação aos demais pagamentos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 4 4 efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios; procedendo dessa forma, omitiu o fato gerador do IRRF previsto no art. 61, §§ 2º e 3º da lei 8.981/95 (pagamentos sem causa e sem comprovação da operação); m) a qualificação da multa de ofício foi assim justificada: a fiscalizada efetuou registros contábeis fraudulentos; na contabilidade foram efetivados registros contábeis inverídicos, nos quais fictamente constam suprimentos do caixa contábil, valores que na verdade, foram utilizados para pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, sem comprovação da operação ou da causa; revelouse a intenção fraudulenta da contribuinte em suprimir os tributos devidos, ocultando de forma contumaz e reiterada a natureza jurídicotributária dos rendimentos auferidos; ao tipificar o crime contra a ordem tributária, a lei 8.137/90, evidencia no art. 1º, I, que a omissão de informações e prestação de declaração falsa se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo do tipo doloso; enquadrou a conduta no art. 71, da Lei 4.502/64. Apresentaram impugnação, a empresa autuada, e também o Sr. Flávio Augusto Cruz Nogueira, na qualidade de terceiro interessado. O terceiro interessado alega em síntese, que apesar de sua libertação ter sido determinada em 13.12.2004 (estava preso), e de sua desvinculação aos quadros da interessada ter ocorrido em 18.03.2002, que houvera referência a seu nome realizada no auto de infração, propondo assim a imposição de sua responsabilidade pessoal a respeito do tributo constituído, o que não poderia ser admitido. Discute o cabimento da impugnação de terceiro interessado, da inexistência de responsabilidade tributária, uma vez que somente detinha 1% do capital social e que nunca participou de qualquer função ou cargo da administração ou gerência da empresa. Pede a completa inexistência de sua responsabilidade sobre o crédito tributário. A Turma Julgadora rejeitou as preliminares de nulidade e de decadência e concluiu pela procedência do lançamento, e em relação à impugnação do terceiro interessado, consignou que a definição da responsabilidade dos sócios é matéria que foge ao âmbito de competência das DRJ, e que a etapa de responsabilidade dos sócios é matéria atinente à etapa de execução judicial do crédito tributário. A ciência da decisão de primeira instância foi dada à empresa autuada, em 23.11.2005. Não consta nos autos, que a decisão de primeira instância tenha sido dada ao terceiro interessado. Em 06.12.2005, a empresa autuada apresentou recurso voluntário. Argumenta a recorrente que os agentes fiscais tomaram como base, tão somente as informações obtidas relativas aos anos de 1999 e 2000, que por caracterizarem, supostamente, discrepância entre os valores das receitas declaradas pela pessoa jurídica e a sua movimentação financeira foram também objeto de autuação específica, no proc. 11543.004600/200468. Entre as matérias discutidas no recurso há a discussão sobre a impossibilidade de retroatividade da LC 105/2001; alega que a medida de quebra de sigilo bancário foi desnecessária, pois apesar de todos os empecilhos apresentou seus documentos fiscais para que fossem analisados pela fiscalização, o que em momento algum teria sido realizado, impondo o efetivo reconhecimento da completa e total invalidade da autuação realizada, por força da nulidade do processo administrativo fiscal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 5 5 Outra preliminar discutida é que a empresa foi intimada em 13.12.2004 a prestar informações relativos aos pagamentos realizados no prazo de cinco dias, mas que esse prazo somente se aplicaria no início do procedimento fiscal e que ademais, a intimação fiscal tinha como objetivo que a autuada promovesse a análise e descrição fiscal dos registros existentes, cuja atuação típica é da autoridade fiscal, além do que o prazo seria exíguo, tornando completamente impossível o seu atendimento pela autuada. Acrescenta que o sócio César Augusto Cruz Nogueira que detinha o conhecimento a respeito das atividades da empresa encontravase preso, desde 06.12.2004, não podendo promover o cumprimento das determinações fiscais; e ainda que o outro sócio, que detinha apenas 1% de participação no capital social nunca exerceu ato de gerência ou de administração, não podendo cumprir a determinação fiscal. Discute ainda, a invalidade substancial do auto de infração. Afirma que se auto arbitrou, conforme art. 531 do RIR/99, e que assim, se imporia na mesma medida, a circunstância da inexigibilidade da existência escorreita da escrita contábil, não se podendo determinar a incidência do IRRF. Argumenta também, que a exacerbação da multa de ofício não pode ser realizada, sem a necessária apuração, demonstração e comprovação dos elementos suficientes para caracterizálo, tornandoa indevida conforme jurisprudência que cita. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O lançamento diz respeito à exigência do IRRF, dos anos de 1999 e 2000, em razão de falta de recolhimento desse imposto incidente sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, sem comprovação da causa e da operação, e tem como enquadramento legal o art. 61, §1º, da Lei 8.981/95. Constatase que a recorrente argumenta a impossibilidade de retroatividade da Lei Complementar 105/2001. As informações sobre os pagamentos realizados ou recursos entregues a terceiros ou a sócios, foram obtidas, com base na requisição de informações de movimentações financeiras junto a bancos. O sujeito passivo em seu recurso discute várias matérias, entre elas, a preliminar de nulidade, em razão da alegada irretroatividade da Lei Complementar 105/2001, sendo que em relação a essa matéria, o STF reconheceu a existência de repercussão geral, razão pela qual devese analisar se nos termos do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, o julgamento deve ou não ser sobrestado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 6 6 O Tribunal Pleno do STF, em sessão de 02.10.2009, reconheceu a existência de Repercussão Geral em Recurso Extraordinário, 601314RG/ SP, nos termos do art. 543A, § 1º, do CPC, combinado com o art. 323, § 1º do RISTF, cuja ementa, a seguir transcrevo: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Transcrevo também dispositivos do Código de Processo Civil, relacionados com a repercussão geral: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1º Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa.(Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Notese que quando do exame de Agravo de Instrumento nº 765714, conforme trecho abaixo, o Ministro Ricardo Lewandowski decidiu: No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 7 7 já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/ SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/ SP O trecho transcrito revela que está ocorrendo, de fato, o sobrestamento, de que trata o art. 328, § único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, cujos dispositivos abaixo transcrevo: Art. 3281. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Transcrevo ainda o art. 62A, do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. A Portaria CARF nº. 1, de 03 de janeiro de 2012, dispõe sobre os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 1102000.115 S1C1T2 Fl. 8 8 Segundo o § único do art. 1º dessa Portaria, o procedimento de sobrestamento será aplicado aos casos em que comprovadamente tiver sido determinado pelo STF, o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência da repercussão geral reconhecido para o caso. Entendo que a devolução dos autos de que trata o exame de Agravo de Instrumento nº 765714, determinada pelo Ministro Ricardo Lewandowski, mesmo relator que reconheceu a existência de Repercussão Geral no Recurso Extraordinário, 601314RG/ SP, caracteriza que o STF determinou o sobrestamento de processos relativos à mesma matéria daquela discutida no Recurso Extraordinário citado. Na sessão de 12 de junho de 2012, este colegiado se pronunciou em relação ao sobrestamento do julgamento de recurso, relacionado com idêntica matéria, conforme Resolução nº 110200.088, de 12.06.2012, sendo que por maioria de votos, o sobrestamento foi determinado. Na sessão de 08.08.2012 desta Turma, por unanimidade de votos, foram sobrestados os julgamentos dos recursos relativos aos processos: 10640.001930/201089 e 10640.001929/201054, Resoluções 110200.100 e 110200.099, posto que uma das matérias discutidas no recurso se refere à legalidade do acesso à movimentação financeira, por meio de RIMF. Nessa mesma sessão, também foi determinado, de ofício, o sobrestamento do julgamento de recurso em que se discute a mesma matéria, conforme Resolução nº 1102 00.097. Do exposto, pelas mesmas razões, concluo que também deve ser sobrestado o julgamento do presente recurso. Constatei que não consta nos autos que a ciência da decisão de primeira instância tenha sido dada ao terceiro interessado. Assim, tendo em vista que o julgamento do recurso deverá ser sobrestado, nesse ínterim, proponho o retorno dos autos à Unidade de origem para ciência da decisão de primeira instância ao Sr. Flávio Augusto Cruz Nogueira, ou juntada do Aviso de Recebimento aos autos, caso a mesma já tenha ocorrido. Assim, oriento meu voto para conversão do julgamento em diligência, para os seguintes fins: a) encaminhamento dos presentes autos à Unidade de origem para ciência da decisão de primeira instância ao Sr. Flávio Augusto Cruz Nogueira, ou juntada do Aviso de Recebimento, caso a mesma já tenha sido dada; b) retorno dos autos a este Conselho para fins do sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10976.000787/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
O lançamento foi efetuado em 30/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, ocorreram no período compreendido entre 01/2004 a 12/2004, com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram atingidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento.
REINCIDÊNCIA.
Configura reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação pelo mesmo contribuinte, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referente à autuação anterior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.277
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. O lançamento foi efetuado em 30/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, ocorreram no período compreendido entre 01/2004 a 12/2004, com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram atingidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. REINCIDÊNCIA. Configura reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação pelo mesmo contribuinte, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referente à autuação anterior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000787/200982 Acórdão n.º 240202.277 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991 e no art. 4° da Lei n° 10.666/2003, combinados com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e do contribuinte individual a seu serviço, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 131/134), o sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações pagas ou creditadas, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados, incidentes sobre valores pagos aos mesmos a título de ajuda habitação, aviso prévio especial, bônus e participação nos lucros ou resultados. Os valores não descontados estão devidamente explicitados nos anexos dos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP’s) nos 37.211.7767, (processo 10976.000781/200913), 37.211.7775 (processo 10976.000782/200950) e 37.211.7783 (processo 10976.000783/200902). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 135/136) informa que foi aplicada a multa básica no valor de R$1.329,18 (hum mil, trezentos e vinte é nove reais e dezoito centavos), em conformidade com os artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212/199, combinados com o art. 283, inciso I e alínea “g”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Porém, tendo em vista a caracterização da reincidência prevista no parágrafo único do artigo 290 do RPS, o valor da multa foi fixado em R$7.975,08. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/12/2009, mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (fl. 01 e 130). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 138/156) – acompanhada de anexos de fls. 157/190 –, alegando, em síntese, que: 1. Decadência. A aduz que os valores lançados já se encontram extintos pela decadência, por determinação do artigo 150, § 4o c/c o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional, pois o Auto de Infração que exige valores supostamente não recolhidos pela impugnante no ano de 2004, apenas foi lavrado em dezembro de 2009; 2. Inocorrência da Reincidência. Transcreve o art. 290, V, parágrafo único, do RPS e as autuações anteriores, e aduz que na medida em que os autos de infração lavrados em 2006 tiveram por fundamento o art. 32 da Lei n° 8.212/1991, e o art. 225 do Decreto 3.048/1999, forçoso é concluir não se tratar de reincidência, uma vez que a infração ora imputada à impugnante foi capitulada nos artigos 92 e Fl. 246DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 102 da Lei n° 8.212/1991 e ao art. 283, I, alínea “g” e art. 373, ambos do Decreto 3.048/1999; 3. Natureza das Multas Tributárias e os Limites Impostos. Transcreve decisões judiciais, e diz que dessa maneira, é de se aplicar a farta jurisprudência dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Administrativos, em hipótese análogas, relevando a aplicação de multas por mero descumprimento de obrigação acessória quando não esteja presente o elemento doloso da conduta do contribuinte, tal como ocorre na espécie, e que além de possuir caráter nitidamente confiscatório, a penalidade exigida na autuação ora impugnada ultrapassa os limites da razoabilidade e da proporcionalidade; 4. Interpretação da Norma Punitiva: Proporcionalidade da Aplicação da Pena. Transcreve o artigo 112 do CTN e diz que no caso concreto, portanto, podese seguramente afirmar que o Fiscal, em total dissonância com os mandamentos do Código Tributário Nacional e com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, aplicou penalidade severa em demasia; 5. Lesão aos Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A aplicação da excessiva penalidade viola os princípios constitucionais da moralidade e da razoabilidade, aos quais está adstrita a administração pública (transcreve entendimento doutrinário e judicial); 6. Necessidade de Sobrestar o Julgamento deste Auto de Infração. Requer o sobrestamento do julgamento da presente autuação, até que haja a constituição definitiva das autuações que ensejaram a lavratura do presente auto de infração de multa, pois, em se tratando de multa por alegado descumprimento de obrigação acessória, mister se faz reconhecer a necessidade de sobrestamento do julgamento desta autuação até que se confirme a natureza salarial das verbas autuadas pela fiscalização; 7. Acréscimos Moratórios. No que tange a aplicação dos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência vêm reconhecendo a inaplicabilidade da taxa referencial SELIC aos créditos tributários, uma vez que esta taxa não foi criada por lei para fins tributários (transcreve decisão proferida pelo STJ); 8. Pedido. Seja decretada a improcedência da autuação, e que em se tratando de auto de infração lavrado em decorrência dos Autos de Infração nos 37.211.7767, 37.211.7775 e 37.211.7783, é mandatário que seja sobrestado o julgamento desta autuação até que as NFLD’s em tela sejam definitivamente constituídas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0227.431 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 193/200) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que o valor da multa aplicada de R$7.975,08 foi retificado para R$ 2.658,36. Essa retificação decorre do fato de que o valor básico de R$1.329,18 deve ser multiplicado apenas em duas vezes e não por seis como Fl. 247DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000787/200982 Acórdão n.º 240202.277 S2C4T2 Fl. 3 5 procedeu a Fiscalização, visto que no presente caso ocorreu apenas a reincidência genérica (autuações em infrações diferentes) e na mesma ação fiscal. A Notificada apresentou recurso (fls. 206/220), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Agência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Betim/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 238). É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 12/2004, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional (CTN) que disciplinam a questão. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000787/200982 Acórdão n.º 240202.277 S2C4T2 Fl. 4 7 Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim – como a autuação se deu em 30/12/2004, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 130), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/2004 a 12/2004 –, percebese que a competência 01/2004 e demais competências posteriores não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de Fl. 250DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 12/2003 não estão atingidas pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: O cerne do recurso, apresentado pela Recorrente, repousa em alegação de que ao procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, para as competências 01/2004 a 12/2004, deixou de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados. Essas remunerações decorrem dos valores pagos ou creditadso a título de ajuda habitação, aviso prévio especial, bônus e participação nos lucros ou resultados. Com essa conduta a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Esse art. 30, inciso I e alínea “a”, da Lei no 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 216, inciso I e alínea “a”: DA ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) (g.n.) Fl. 251DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000787/200982 Acórdão n.º 240202.277 S2C4T2 Fl. 5 9 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados – incorreu na infração disposta no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, combinado com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Com relação ao argumento de que não ocorreu a hipótese de reincidência, pois, segundo a Recorrente, a infração ora imputada foi capitulada nos art. 225, III, do Decreto no 3.048/1999, não será acolhida, eis que ficou caracterizada a agravante prevista no inciso V do art. 290 do RPS (reincidência). Decreto nº 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) Os fundamentos fáticos e jurídicos da reincidência da multa foram devidamente delineados no Relatório Fiscal, conforme comprovação assentada na Tabela abaixo: Auto de Infração Dispositivos Legais Infringidos Decisão Data pagamento 37.056.5789 Art. 32, I, da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 225, I, § 9°, do RPS Extinção do crédito pelo pagamento com redução da multa em 50%. 19/12/2006 37.056.5797 Art. 32, II, da Lei n° 8.212/1991, c/c art.225, II, §§ 13 a 17, do RPS Extinção do crédito pelo pagamento com redução da multa em 50%. 19/12/2006 37.056.5835 Art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/1991, c/c arts. 232 e 233 do RPS Extinção do crédito pelo pagamento com redução da multa em 50%. 19/12/2006 37.056.5800 Art. 32, IV, §§ 3° e 5°, Lei n° 8.212/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528/1997, c/c art. 225, IV, § 4°, do RPS. Extinção do crédito pelo pagamento com redução da multa em 50%. 19/12/2006 Fl. 252DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 37.056.5827 Art. 32, IV, §§ 3° e 6°, Lei n° 8.212/1991 acrescentado pela Lei n° 9.528/1997, c/c art. 225, IV, § 4° do RPS Extinção do crédito pelo pagamento com redução da multa em 50%. 19/12/2006 É importante esclarecer que, neste processo oriundo do descumprimento de obrigação tributária acessória, não há aplicação de juros de mora (Taxa SELIC), eis que a Taxa SELIC foi aplicada exclusivamente na lavratura dos autos de infração oriundos de obrigação tributária principal (AIOP’s nos 37.211.7767, processo 10976.000781/200913; 37.211.7775, processo 10976.000782/200950; e 37.211.7783, processo 10976.000783/200902). Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001349/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA FISCAL. DESNECESSIDADE.
OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considera-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n° 2.
TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, o crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei nº 9.065/1995.
Numero da decisão: 2401-010.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Faber de Azevedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
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DILIGÊNCIA FISCAL. DESNECESSIDADE. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considera-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n° 2. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, o crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei nº 9.065/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 13 49 /2 01 0- 18 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.015 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001349/2010-18 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, acórdão nº 02-29.234, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 37.253.611-5. Segue abaixo a ementa do referido acórdão: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTUAÇÃO. EXIBIÇÃO DE LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. EFEITOS Configura-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à fiscalização quando solicitados, os livros relacionados com as Contribuições Previdenciárias, ou apresentá-los sem atender às formalidades legais exigidas. O regime de tributação da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, é condicionado ao atendimento, pelo optante, dos requisitos expressos e se constitui a exceção e não a regra. Uma vez excluída do sistema, a empresa sujeita-se ao cumprimento de todas as obrigações acessórias previstas na legislação, desde a data dos efeitos do ato declaratório de exclusão. O lançamento, no montante de R$ 14.317,78, lavrado em 5/7/2010, por descumprimento de obrigação acessória disposta na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 33, §§ 2º e 3º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, artigos 232 e 233, parágrafo único, CFL 38. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.015 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001349/2010-18 De acordo com Relatório Fiscal (fls. 5 a 14), o sujeito passivo foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, os Livros Diários relativos aos anos de 2005, 2006 e 2007, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) de 29/1/2010 (fls. 16/17), com ciência em 1/2/2010 (fl. 18). Os livros foram apresentados em 5/4/2010, sem observância das formalidades legais, consubstanciadas na falta do registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG), razão pela qual foram devolvidos à empresa para providenciar o registro, o que não foi feito até o encerramento da fiscalização, em 5/7/2010. A documentação para realização do Procedimento Fiscal foi solicitada por meio do mencionado TIPF e dos Termos de Intimação Fiscal (TIF) nº 001 (fls. 19/20), com ciência em 1/2/2010 (fl. 21); 002 (fls. 23/24), com ciência em 7/4/2010 e 003 (fls. 27/30), com ciência em 8/4/2010. Aduz que a empresa é primária e não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Por bem relatar os pontos arguidos pelo sujeito passivo na sua defesa, adoto o que consta do relatório da decisão de piso: Cientificado em 7 de julho de 2010 (fl. 63), o interessado, por seu representante legal (fls. 94 e 98), ingressou, em 6 de agosto de 2010, com a impugnação de fls. 65 a 93, na qual argumenta, em síntese: que a Impugnante foi imputada do não recolhimento das contribuições lançadas no auto de infração após sua ilegal exclusão do simples; que, no exercício de sua atividade, mantém relação contratual com a empresa Cersal Produtos Cerâmicos Ltda., empresa que teve a personalidade jurídica desconsiderada pela fiscalização, com a consequente atribuição de seus lucros à Impugnante, razão pela qual o fisco entendeu que não seria empresa de pequeno porte, por ultrapassar o limite legal de receita, o que motivou a sua exclusão do regime simplificado de tributação; que, diante da ilegal exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, com indicação genérica de suporte legal nos artigos 14 e 16 da Lei nº 9.317, de 1996, sem qualquer comprovação de infringência, não pode a empresa ser impedida de se beneficiar do regime simplificado; que, sendo incabível a exclusão da Impugnante do regime do SIMPLES, por observância do princípio da eventualidade processual, não pode produzir efeitos retroativos, mas deve sim obedecer à redação da Lei nº 9.317, de 1996, artigo 15, inciso IV, no sentido de produzir efeitos apenas a partir da notificação do contribuinte; que na hipótese de não ser considerada a ilegal exclusão do SIMPLES, as contribuições lançadas por presunção no presente Auto de Infração (AI), tendo em vista que a empresa recolheu devidamente os tributos inerentes à sua atividade de microempresa, de acordo com todos os documentos postos à disposição da fiscalização e que, mesmo que seja considerada a falta de recolhimento, verifica-se que os valores apontados pelo fisco são exorbitantes, razão pela qual necessário se torna a realização de perícia; alega, ainda, que a multa de ofício e isolada aplicada é inconstitucional, por assumir o caráter de confisco, devido ao seu exorbitante valor, que fere o disposto no artigo 150, Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.015 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001349/2010-18 inciso IV, da Carta Magna e que, as transformações de ordem político-econômica ocorridas na Nação, ensejaram a promulgação da Lei nº 9.298, de 24 de julho de 1996, que limita o percentual cobrado a título de multa a 2%; que, em relação aos juros aplicados, a taxa SELIC não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios, uma vez que possui indisfarçável natureza financeira e afronta o disposto no artigo 192, § 3º, da Constituição Federal, devendo ser aplicado, por consequência, o Código Tributário Nacional (CTN), artigo 161, § 1º; para sustentar suas alegações, transcreve doutrinas e jurisprudências que entende ser aplicáveis ao presente AI; requer, finalmente, a procedência da impugnação, para que sejam excluídos todos os lançamentos. Sobreveio, assim, o acórdão nº 02-29.234 da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE (fls. 108/110 verso), cientificado ao contribuinte em 19/11/2010 (fls. 111/112). Em 17/12/2010 (fl.143), o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário (fls. 113 a 142), repisando os pontos alegados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PEDIDO DE PERÍCIA O recorrente alega no recurso que sempre se pautou pelo cumprimento de suas obrigações tributárias, sejam elas principais ou acessórias. Que sempre manteve sua escrituração contábil e fiscal em dia, não tendo o Fisco fundamentos para a fixação de multas. Aduz que os valores apontados, bem como as multas, são totalmente insubsistentes e não correspondem aos dados juntados no processo administrativo fiscal, bem como na contabilidade da empresa. Nestes termos, alega que se verifica a necessidade precípua de realização de perícia para que se confirme a falta de recolhimento desses tributos, bem como alguma irregularidade contábil que leve a fixação de multa. Para o sujeito passivo, se existe alguma dúvida quanto à inidoneidade dos documentos apresentados na fiscalização, o Fisco é que deverá demonstrar, pelo princípio da Verdade Real. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.015 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001349/2010-18 Entretanto, não assiste razão o recorrente. É sabido que o direito não exercido oportunamente não poderá ser invocado posteriormente pela parte ou mesmo apreciado de ofício pela instância recursal. O art. 3º, III da Lei nº 9.784/99, dispõe que o administrado tem direito perante a Administração da busca da verdade material, apresentando alegações e documentos até a proclamação da decisão final no processo administrativo: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Ocorre que, no processo administrativo fiscal, o artigo deve ser interpretado conjuntamente com o art. 60 do mesmo diploma legal: Art. 60. O recurso interpõe-se por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes. O fato de o dispositivo trazer a expressão “pedido de reexame” leva ao entendimento que somente pode ser objeto de recurso matéria que tenha sido expressamente analisada pela decisão então recorrida, caso não fosse essa a intenção o legislador teria aplicado vocábulo de significado mais amplo. Nesta esteira, entendo que o pedido de perícia deve ser indeferido quando a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico. No presente caso, a alegação do sujeito passivo de que haveria a necessidade precípua de realização de perícia para que se confirme a falta de recolhimento desses tributos ou alguma irregularidade contábil que leve a fixação de multa não se sustenta, visto que caberia ao próprio interessado a apresentação de documentos, provas, dos motivos de fato e de direito que fossem capazes de fundamentar a discordância em relação à acusação fiscal. E de fato, disso o contribuinte não se desincumbiu. Ademais, o lançamento foi levado a efeito pela Fiscalização se embasando nos documentos do sujeito passivo, e os documentos juntados aos autos, são suficientes para a comprovação da existência e extensão do credito lançado. De todo exposto, a apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento. Do exposto, rejeito a preliminar suscitada. MULTA CONFISCATÓRIA Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.015 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001349/2010-18 O recorrente se insurge contra a multa de oficio aplicada, alegando sua inconstitucionalidade, por assumir o caráter de confisco, devido ao seu exorbitante valor, ferindo o consignado no inciso IV, do art. 150, da Carta Magna, razão pela qual não poderia prevalecer o lançamento. Entretanto, a inconstitucionalidade, o caráter de confisco são assuntos sumulados neste Conselho, não cabendo esta discussão no tribunal administrativo, conforme o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, como dito pela DRJ na decisão de piso, os valores aplicados de multa deram-se em razão da aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN, por conta da edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, senão vejamos: A multa foi aplicada conforme disposto no artigo 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ambos com a redação da Medida Provisória n o 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. A referida MP 449, de 2008 modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212, de 1991, acrescentando os artigos 32-A e 35-A. Assim, a partir da publicação da MP 449/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deve ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”. Desse modo, devem ser vinculados os processos relacionados com contribuições não declaradas em GFIP, somando-se as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no art. 35-A da Lei 8.212, de 1991. O presente Auto de Infração foi lavrado em data posterior à edição da citada medida provisória, o que determina que a elaboração de demonstrativo entre as multas aplicáveis antes da edição da MP nº 449, de 2008 com a multa aplicável após sua edição para fins de determinação de qual norma seria a mais favorável ao contribuinte, nos termos CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Assim, na data da lavratura do presente auto de infração, conforme demonstrado pelo Auditor Fiscal Autuante no RF, aplicou-se a multa de 75%, por ser mais benéfica ao contribuinte, (conforme legislação posterior à edição da MP 449, de 2008), visto que inferior à soma das multas aplicáveis conforme determinava a legislação de regência (legislação anterior à edição da MP 449, de 2008) e observada a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009. Dessa forma, não há qualquer mácula na aplicação da multa. TAXA SELIC Por fim, o contribuinte se insurgiu contra a taxa de juros aplicada ao lançamento. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.015 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001349/2010-18 Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, quanto à SELIC, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, é correta a aplicação da taxa de juros SELIC no presente lançamento. CONCLUSÃO Por todo o acima exposto, voto por, CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a preliminar, e no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
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