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Numero do processo: 18471.001068/2005-48
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000,2001,2002
IRPF - DECADÊNCIA - GANHO DE CAPITAL - FATO GERADOR OCORRIDO NA DATA DA ALIENAÇÃO - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL NA FORMA DO ART. 150, § 4o, DO CTN - COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 173,1, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital é por homologação, cujo fato gerador ocorre na data da alienação, tudo na forma do art. 3o, § 3o, da Lei n° 7.713/88 c/c o art. 21 da Lei n° 8.981/95. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4o, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação a contagem na forma do art. 173, I, do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DEMONSTRATIVO CONFECCIONADO A PARTIR DA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS - ALEGAÇÃO DE EQUÍVOCOS NESSA DECLARAÇÃO -NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO DECLARANTE - INOCORRÊNCIA - Para o contribuinte elidir a informação da declaração de bens e direitos que constou no Demonstrativo de Variação Patrimonial a Descoberto e que foi sucessivamente ratificada em outras declarações, mister comprovar, mesmo indiciariamente, a inexistência da propriedade do bem que funcionou como dispêndio no fluxo de caixa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FONTES DE RECURSOS ORIUNDAS DE CONTAS BANCÁRIAS - RENDIMENTOS ISENTOS, NÃO-TRBUTÁVEIS E TRIBUTÁVEIS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE - MATÉRIA APRECIADA PELA DECISÃO RECORRIDA -RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO APONTA QUAL FONTE DE RECURSOS NÃO FOI CONSIDERADA - IMPOSSrnll..IDADE DA
INSTÃNCIA AD QUEM APRECIAR A IRRESIGNAÇÃO RECURSAL - O
recorrente deve contraditar a decisão recorrida, apontando, especificamente,onde essa não acatou a sua pretensão. Pedido genérico que não aponta qual o rendimento que não foi acatado como fonte de recursos em fluxo de caixa
que apurou acréscimo patrimonial a descoberto, notadamente quando a decisão a quo enfrentou minudentemente a inconformidade do então impugnante, não pode ser conhecido nesta instância recursal.
IRPF - GANHO DE CAPITAL - CONTA REMUNERADA MANTIDA EM BANCO ESTRANGEIRO -ALIENAÇÃO DE TITULOS DO GOVERNO NORTE-AMERICANO - NÃO COMPROVAÇÃO - RENDIMENTOS
PERCEBIDOS NA SUÍÇA - AUSÊNCIA DE ACORDO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO NA ÉPOCA DOS FATOS GERADORES -
IDGIDEZ DO LANÇAMENTO - Não comprovado que o ganho nas alienações se referia a títulos do governo norte-americano, com imposto pago
ao fisco estadunidense, correto a imputação fiscal, já que no ano-calendário
em debate não havia acordo para evitar a dupla tributação entre o Brasil e a
Suíça. Ainda, o bem objeto da operação financeira excede o limite do art. 22
da Lei nO9.250/96, não havendo falar em isenção do ganho de capital obtido
na alienação de bem de pequeno valor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00 - SOMATÓRIO ANUAL QUE NÃO ULTRAPASSA R$
80.000,00 DESCONSIDERAÇÃO COMO OMISSÃO DE
RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS
DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Para fins de aplicação do art. 42, 3°, lI, da Lei n° 9.430/96, a exclusão dos depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 deve ser feita em qualquer fase do processo, considerando-se, para fins de apuração do limite de R$ 80.000,00, os depósitos de origem não comprovada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial
provimento, ao recurso, para reconhecer que a decadência fulminou os créditos tributários referentes ao ganho de capital dos fatos adores ocorridos em 31103/2000 e 30/06/2000 e cancelar o lançamento referente a omissã de rendimentos caracterizada por depósitos
bancários de origem não comprovada, venda a Conselheira Núbia Matos Moura que não acolhia a decadência.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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IRPF Ano-calendário: 2000,2001,2002 IRPF - DECADÊNCIA - GANHO DE CAPITAL - FATO GERADOR OCORRIDO NA DATA bA ALffiNAÇÃO - LANÇANrnNTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL NA FORMA DO ART. ISO, ~ 4., DO CTN - COMPROVAÇÃO DA ocoRRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃÇ) - PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 173, I, QO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda incidente sobre o ganho de' capital é por homologação, cujo fato gerador ocorre na data da alienação, tudo na forma do art. 3°, ~ 3., da Lei n. 7.713/88 c/c o art. 21 da Lei n° 8.981/95. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. ISO, ~ 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação a contagem na forma do art. 173, I, do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DEMONSTRATIVO CONFECCIONADO A PARTIR DA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS - ALEGAÇÃO DE EQUÍVOCOS NESSA DECLARAÇÃO - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO DECLARANTE _ INOCORRÊNCIA - Para o contribuinte elidir a informação da declaração de bens e direitos que constou no Demonstrativo de Variação Patrimonial a Descoberto e que foi sucessivamente ratificada em outras declarações, mister comprovar, mesmo indiciariamente, a inexistência da propriedade do bem que funcionou como dispêndio no fluxo de caixa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FONTES DE RECURSOS ORIUNDAS bE CONTAS BANCÁRIAS - RENDIMENTOS ISENTOS, NÃO-TRmUTÁVEIS E TRmUTÁVEIS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE - MATÉRIA APRECIADA PELA DECISÃO RECORRIDA- RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO APONTA QUAL FONTE DE , Processo n'18471. 1068/2005-48 Ac6rdão n.' 2102-00.358 S2.C1T2 A. 504 RECURSOS NÃO FOI CONSIDERADA - IMPOSSrnll..IDADE DA INSTÃNCIA AD QUEM APRECIAR A IRRESIGNAÇÃO RECURSAL - O recorrente deve contraditar a decisão recorrida, apontando, especificamente, onde essa não acatou a sua pretensão. Pedido genérico que não aponta qual o rendimento que não foi acatado como fonte de recursos em fluxo de caixa que apurou acréscimo patrimonial a descoberto, notadamente quando a decisão a quo enfrentou minudentemente a inconformidade do então impugnante, não pode ser conhecido nesta instância recursal. IRPF - GANHO DE CAPITAL - CONTA REMUNERADA MANTIDA EM BANCO ESTRANGEIRO -ALIENAÇÃO DE TITULOS DO GOVERNO NORTE-AMERICANO - NÃO COMPROVAÇÃO - RENDIMENTOS PERCEBIDOS NA SUÍÇA - AUSÊNCIA DE ACORDO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO NA ÉPOCA DOS FATOS GERADORES - IDGIDEZ DO LANÇAMENTO - Não comprovado que o ganho nas alienações se referia a títulos do governo norte-americano, com imposto pago ao fisco estadunidense, correto a imputaç'ão fiscal, já que no ano-calendário em debate não havia acordo para evitar a dupla tributação entre o Brasil e a Suíça. Ainda, o bem objeto da operação fmanceira excede o limite do art. 22 da Lei nO9.250/96, não havendo falar em isenção do ganho de capital obtido na alienação de bem de pequeno valor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00 - SOMATÓRIO ANUAL QUE NÃO ULTRAPASSA R$ 80.000,00 DESCONSIDERAÇÃO COMO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Para fins de aplicação do art. 42, ~ 3°, lI, da Lei n° 9.430/96, a exclusão dos depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 deve ser feita em qualquer fase do processo, considerando-se, para fins de apuração do limite de R$ 80.000,00, os depósitos de origem não co~provada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento, ao recurso, para reconhecer que a decadência fulminou os créditos tributários referentes ao ganho de capital dos fat ., adores ocorridos em 31103/2000 e 30/06/2000 e cancelar o I lançamento referente omissã de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comp vada, ven a a Conselheira Núbia Matos Moura que não acolhia a dc\cadência. - Relator e Presidente. amento os conselheiros: Núbia Matos Moura, aurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Processo nO 18471.00106812005-48 Acórdão n.o 2102.,0.358 I 52-ClTI FI. 505 Relatório Em face do contribuinte Renato Marcelo Elias José, CPFIMF n° 034.099.707- 97, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 1110812005,auto de infração (fls. 349 a 370), com ciência !pessoal (procurador) em 11/08/2005 (fl. 349). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário corlstituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partirldOmês seguinte ao do vencimento do crédito: . IMPOSTO ' R$ 81.167,02 MULTA DE OFÍCIO R$ 60.875,21 I MULTA EX[GIDA ISOLADAMENTE R$ 23.452,21 I II Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, todas apenadas com multa de ofício de 75%: ' 1. omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, nos anos-calendário 2000 e 2001; 2. acréscimo patrimonial a descoberto, no montante de R$ 197.637,78, no ano-calendário 2002; 3. omissão de ganho de capital nas alienações de bens e direitos, adquiridos em moeda estrangeira, nos anos-calendário 2000 a 2002; 4. dedução indevida de dependentes, nos anos-calendário 2000 a 2002; 5. dedução indevida de despesas médicas, nos anos-calendário 2000 a 2002; 6. onussao de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos-calendário 2000 a 2002; 7. falta de recolhimento de IRPF a título de carnê-leão, nos anos- calendário 2000 a 2002. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impuguação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3' Turma de Julgamento da DRJ-Rio de Janeiro fi (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o, lançamento, em decisão de fls. 437 a 453, consubstanciada no Acórdão nO13-15.202, de 15 de fevereiro de 2007. Essa decisão reduziu o acréscimo I patrimonial a descoberto de R$ 197.637,78 para R$ 191.986,49 ao computar rendiment(ls obtidos em instituições financeiras nacionais e alienígenas. 1 O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 26/03/2007 (fl. 456).Irresignad, , interpôs recurso voluntário em 24/04/2007 (fl. 457). Processo n"18471 00106812005-48 Acórdão n." 2102'j.J58 No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 52.Cln FI. 506 l. a decadência fulminou o lançamento referente ao imposto decorrente do ganho de capital dos períodos de 31/0312000 e 30/06/2000, já que a ciência do lançamento ocorreu em 11/08/2005, quando já tinha fluído o qüinqüênio decadencial contado na forma do art. 150, ~ 4°, do CTN; lI. o acréscimo patrimonial apontado em dezembro de 2002 decorreu de um equívoco dai contribuinte no preenchimento de sua declaração de ajuste anual. Assim, o declarante indevidamente informou como disponibilidade em espécie o valor de, R$ 290.000,00, sendo que este valor representava o montante total de aquisição do apartamento nO 1602, doi Edf. Lucca, localizado na Rua Maria Tomasia, n° 1.429, Fortaleza - CE (R$ 278.805~03 mais comissões de corretagem). Na verdade, o contribuinte somente detinha uma disponibilidade em espécie de R$ 90.000,00 e deveria ter informado R$ 290.000,00 como custo total db imóvel em 31/1212002, ao invés de registrar o valor efetivamente despendido no ano de 20021na aquisição do referido imóvel (R$ 68.811,32) e R$ 217.641,56 como dívida e ônus reais. Anota-se que tal situação foi acertada nas declarações de ajuste dos anos subseqüentes, tudo a figurar no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto. IAinda, devem ser considerados os rendimentos isentos, não-tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte como fonte de recursos no fluxo de caixa; 1 III. a omissão referente ao ganho de capital está albergada pela regra isentivado art. 22 d Lei n° 9.250/95 (Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação d~ bens e direitos de pequeno valor. cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se {ealizar, seja igualou inferior a R$ 20.000,00). Ainda que se tributável fosse, o que somente se iidmite para efeito de argumentação, o imposto pago na venda de títulos do Tesouro norte-americano, a partir de um banco suíço, deve ser compensado com o IR brasileiro, já que o Brasil teln acordo para evitar dupla tributação com os Estados Unidos, ex vi do Ato Declaratórid SRF n° 28/2000, pois a fonte' pagadora do rendimento se situa nos Estados I Unidos, e não na Suíça; I IV. todos os créditos bancários considerados como rendimentos omitidos não excedem, individualmente, R$ 12.000,00, e seu somatório não ultrapassa R$ 80.000,00, em cada ano-dlendário, estando albergados pelos limites do art. 42, ~ 3°, lI, da Lei n° 9.430/96. i I Este recurso voluntário compôs o lote n° 03, sorteado para este relator na. sessão públka da Primeira Turma Ordinária da Quarta Cãmara da Terceira Seção do CARF de 06/05/2009l Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 26/03/2007 (fl. 456), terça-feira, e interpôs o recurso voluntário em 24/041200t (fl. 457), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 26/04/2007, quinta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discÍiminado no relatório. Processo n' J8471.00106812005-48 Ac6rdão n.' 2102.00.358 S2.C1T2 FI. 507 Das infrações imputadas ao fiscalizado, não há controvérsia nesta instância em relação 11omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, nos anos- calendário 2doo e 2001, à dedução indevida de dependentes, nos anos-calendário 2000 a 2002, e à dedução ilidevida de despesas médicas, nos anos-calendário 2000 a 2002. I Passa-se à defesa do item I (decadência fulminou o imposto referente ao ganho de capital dos fatos geradores de 31/03/2000 e 30/0612000). I A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio examb da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada I de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá-se na forma disciplinada lIo art. ISO, ~ 4°, do CTN. Este é o caso do lançamento do imposto de renda da pessoa físical e da pessoa jurídica . Deve-se enfatizar que era pacífico, no ânlbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda amolda-se à dicção do art. ISO, I~4°, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citam-se os acórdãos noS: 101- 95.026, rela~ora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 102-46.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo,' sessão de 07/0712005; 103-23.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 104-22.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 106-15.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/1112006. . No caso aqui guerreado, que trata de IRPF incidente sobre ganho de capital, considera-s~ ocorrido o fato gerador do imposto de renda na data da alienação, tudo na forma do art. 3°, ~ 3°, da Lei n° 7.713/88 clc o art. 21 da Lei n° 8.981/95, verbis: Art. 3° da Lei n° 7.713/88. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução. ressalvado o disposto nos arts. 9' a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) ~ I' e ~ 2' Omissis. ~ 3' Na apuração do ganho' de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer t£tulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realiztJdas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. , Art. 21 da Lei n' 8.981/95.0 ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita-se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. ~ I' O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Processo n"18471.001068n005-48 Acórdão n." 2102.00.358 ~ 2' Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. S2.C1T2 A.508 \ Assim, considerando que IRPF incidente sobre ganho de capital é tributado definitivamente, o qüinqüênio decadencial do lançamento conta-se a partir do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o qüinqüênio conta-se a partir do plimeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A falta de recolhimento de IR incidente sobre ganho de capital, no caso em debate nestes autos, I foi apenada com multa de ofício ordinária de 75% (fl. 352). No caso do IRPF lançado e a~ui discutido, não incidiu as qualificadoras do dolo, fraude ou simulação, a justificar a imposição da multa de ofício qualificada, o que levaria o prazo decadencial para a regra do art.!173, I, do CTN. Assim, o prazo decadencial do IRPF ora em discussão conta-se a partir do fato gerador, na forma do art. 150, ~ 4', do CTN. Assim, os fatos geradores do imposto de renda sobre o ganho de capital referentes àS I alienações ocorridas em 31/0312000 e 30/06/2000 se aperfeiçoaram nessas datas, e o fisco somente poderia efetuar o lançamento até 30/06/2005. Considerando que o contribuinte Ifoi cientificado do auto de infração em 11/0812005 (fl. 349), forçoso reconhecer que o fenômeno extintivo da decadência, contada na forma do art. 150, ~ 4°, do CTN (qüinqüênio Idecadencial a partir do fato gerador), atingiu os fatos geradores do imposto que incidiu sobre os ganhos de capital das alienações de 31/03/2000 e 30/0612000. Agora, passa-se à defesa do item fi (acréscimo patrimonial a descoberto). I No fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto em dezembro de 2002 (fl. 331), foi registrado um saldo de dinheiro em cofre de R$ 290.000,00 e a aquisição di: bens no valor de R$ 79.802,84, aqui incluindo o dispêndio no ano-calendário 2002 com d apartamento n° 1602, do Edf. Lucca, localizado na Rua Maria Tomasia, n° 1.429, Fortaleza J CE, no valor de R$ 68.811,32. Essas informações constaram nas DIRPF-ano- calendário i002 original e retificadora apresentadas pelo contribuinte (fls. 15, 16,20 e 21). 1 Primeiramente, o contribuinte alega que retificou o saldo de caixa na declaração subseqüente (ano-calendário 2003, com prazo de entrega em 30/04/2004), reduzindo- para R$ 90.000,00, em 31/12/2002. Tal declaração foi juntada a estes autos pelo então imphgnante, porém se percebe que se trata de uma declaração retificadora, sem comprovação de quando foi apresentada (fls. 414 e 417). Ora, considerando que o contribuinte teve ciênci~ do Termo de Início desta fiscalização em 21/0612004 (fl. 24), menos de dois meses após o prab de entrega da declaração original do ano-calendário 2003, certamente apresentou a retificadbra em foco no curso desta ação fiscal, o que a enfraquece como prova para demonstrar o saldo de caixa em 31/12/2002. I No caso desses autos, o contribuinte declarou seguidamente a existência do saldo em espécie de R$ 290.000,00, nas declarações original e retificadora do ano-calendário 2002. AiIlda, diferentemente do asseverado neste recurso, apreende-se que essa mesma informaçãb foi prestada na declaração original do ano~calendário 2003, já que o então impugnante sequer fez a prova de quando apresentou a declaração retificadora do ano- calendárid 2003, que teria o condão desconstituir, neste ponto, a presunção utilizada pela autoridade fiscal no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial em dezembro de 2002. Aqui, trabsparece que o saldo de R$ 290.000,00 figurou em anos sucessivos, a indicar a 6 Processo 0"18471.00106812005-48 Acórdão n." 2102-00.358 S2-C1T2 FI. 509 provável existência de tal montante. Ademais, percebe-se que o contribuinte vinha aumentando paulatinamente o saldo em caixa/dinheiro em cofre (R$ 10.000,00, R$ 75.000,00, R$ 150.000,00 e R$ 290.000,00, de 31/12/1999 a 31/12/2002, respectivamente), a demonstrar uma estratégka persistente de entesouramento doméstico (talvez em moeda estrangeira), a fortalecer a idéia da existência do montante de R$ 290.000,00. Porém há mais. O contribuinte é detentor de vultoso patrimônio (próximo de dois milhões de reais em 31/12/2002), tendo expressivo valor monetário em contas bancárias (fls. 15 e 16). Assim, não seria um despautério acreditar que o contribuinte detinha o saldo em cofre de R$ 290.000,00, no final do ano-calendário 2002. Ainda, é esquisito que o dispêndio com a aquisição do apartamento n° 1602, do Edf. Lucca, localizado na Rua Maria Tomasia, n°, 1.429, Fortaleza - CE (R$ 68.811,32) tenha vindo exatamente do recurso em cofre, este que tem uma larga margem de manobra para comprovar evolução patrimonial, e não de algum dos recursos em bancos competentemente declarados pelo contribuinte. I É de sabença geral que a informação de saldos de caixa em espécie fictícios, no ano-calendário em que existe sobra de rendimentos a justificar a evolução patrimonial, é uma manobra utilizada para justificar acréscimos patrimoniais futuros não estribados em rendimentos tributáveis. Fica-se, assim, com uma reserva de recursos inexistentes, informados na declaração de ajuste anual, que pode justificar acréscimo patrimonial a partir de rendimentos não tribuddos. No momento em que o declarante tenta desfazer tal informação, especificambnte no curso de uma ação fiscal, surge um problema de solução quase impossível, já que não sb consegue fazer a prova de que o saldo fictício não existe. Não se pode fazer uma prova dired da inexistência dos recursos, porém se pode tentar provar por outros indícios que demonstrerrl a impossibilidade de o declarante ter aquele recurso (por exemplo, saldos negativos em contas bancárias no final do período, empréstimos pessoais tomadOS).Para o caso em debate'l não há quaisquer desses indícios. Ao revés, a sólida posição financeira do contribuinte indica a plausibilidade da existência em cofre do montante de R$ 290.000,00. Por tudo o acima exposto, percebe-se que o contribuinte não logrou se desincumbir de provar, mesmo indiciariamente, a inexistência do montante em cofre de , R$ 290.000,00. Ao revés, as provas dos autos, notadamente os expressivos recursos monetários mantidos em bancos, o incremento ano após ano do saldo em cofre, aqui a denotar uma estratégia financeira de entesouramento doméstico, a confissã() do saldo guerreado nas declaraçõeS de bens e-direitos sucessivas, indica claramente a correção de se imputar o saldo em cofre nb fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial no ano-calendário 2002, como procedido bela autoridade fiscal. Neste ponto, pelo acima exposto, sem razão o recorrente. Quanto à afirmação de que, no fluxo de caixa, não constou como fonte de recursos os rendimentos isentos, não-tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte, o recorrente inão apontou quais rendimentos não foram computados, o que impede a avaliação da pertinência dessa irresignação. Aqui se deve observar que o contribuinte deduziu essa mesma, inconformidade na impugnação, lá informando quais os rendimentos que deveriam ser computad~s (fl. 401), matéria que foi enfrentada na decisão recorrida, com redução, inclusive, do acréscilno patrimonial a descoberto (fl. 447). Em face da decisão recorrida, o contribuinte fez um pédido genérico, sem indicar onde essa não o atendeu, o que impede, repise-se, a apreciação desse ponto da defesa, já que o recorrente não especificou onde seu direito restou vulnerado, Processo 0'18471.00106812005-48 Ac6rdão o.' 2t02-r.358 Por tudo, neste item, sem razão o recorrente. 52.CtT2 A.51O Passa-se à defesa do item fi (ganho de capital que incidiu sobre a alienação dos títulos do Tesouro norte-americano em banco suíço). Compulsando os autos, vê-se que a tributação incidiu sobre uma aplicação financeira m ntida no UBP em Genebra, nO62.383 ZR, com saldo em 31/12/1998 de US$ 104.927,95 (hs. 8, 29 a 37 e 345). Assim, a partir de cada rendimento trimestral, com o pagamento db juros, houve a cobrança do IR sopre o ganho de capital respectivo. 1 Toda a discussão, na fase que antecedeu a autuação e na decisão recorrida,centrou-se n controvérsia sobre uma pretensa compra e venda de títulos do governo norte- americano, cbm pagamento de juros, com imposto respectivo, devendo o imposto pago alhures ser compens~do com o imposto incidente no Brasil. Na espécie o contribuinte asseverava que o imposto pagb ao Tesouro norte-americano excedia o imposto sobre o ganho de capital no Brasil, nada havendo a pagar. A decisão recorrida asseverou que se tratava de imposto pago na Suíça e com6 esse país, na época, não se encontrava no rol de países com o qual o Brasil tinha acordo para hitar dupla tributação, hígida a autuação. Parece-me que não há reparos na decisão recorrida. Inicialmente, sequer há provas nos autos de que se tratava de alienação de títulos do governo norte-americano, na conta mantida no OOP suíço. O que se vê é uma conta remunerada, com rendimentos trimestrais. Não há qual~uer prova de que houve pagamento de juros ao Tesouro norte-americano. Na linha acima, o que se provou foi o recebimento de juros e pagamento de impostos no âmbito do UBP, e como asseverado na decisão recorrida, o Brasil não tinha acordo para evitar dupla tributação com a Suíça nos anos em debate, o que impede de se acatar o pleito . ,I .compensatono. II Por fim, no tocante ao benefício da isenção do IR sobre ganho de capital na alienação de bens de pequeno valor (Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido nd alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em bue esta se realizar, seja igualou inferior a R$ 20.000,00), anota-se que se tratava Ide uma aplicação financeira em valor muito superior ao limite aqui informado, com imposto incidindo sbbre os rendimentos produzidos periodicamente sobre tal aplicação fmanceira em moeda estr~geira, não havendo falar em alienação de bens e direitos nos limites definido no art. 22 da Lei n° 9.250/95. Com as considerações acima, rejeita-se a defesa deduzida pelo recorrente. Por último, passa-se à defesa do item IV (todos os créditos bancários considerados como rendimentos omitidos não excedem, individualmente R$ 12.000,00, e seu somatório Inão ultrapassa R$ 80.000,00, em cada ano-calendário, estando albergados pelos limites do art. 42, ~ 3°, lI, da Lei n° 9.430/96~. Compulsando as planilhas que apontaram os depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 346 a 348), nos montantes anuais de R$ 34.000,00, R$ 7.713,00 e R$ 13.60~,87, percebe-se que todos os créditos bancários, individualmente, não excedem R$ 12.000,00, e os somatórios anuais não sobejam R$ 80.000,00. Claramente, tais créditos estão dentto dos limites do art. 42, ~ 3°, lI, da Lei n° 9.430/96; I • Processo n' 18471.00106812005-48 Acórdão n.' 2102i.358 52.CIT2 Ao 511 Ac6RDÃo, nO 102.49.379, julgado em 05/11/2008: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igualou inferior a R$ 12.000.00. desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000.00, dentro do ano-calendário. I I Diferentemente do que asseverou a decisão recorrida, que entendeu que os limites devem ser verificados no momento da primeira intimação ao sujeito passivo (fi. 451), para fins de japlicação do art. 42, 9 30, lI, da Lei na 9.430/96, a exclusão dos depósitos de valores igmus ou inferiores a R$ 12.000,00 deve ser feita em qualquer fase do processo administratiJo fiscal, considerando-se, para fms de apuração do limite de R$ 80.000,00, os depósitos de'l~rigem não comprovada. Como tal, veja-se a aplicação de tais limites nos julgados dos ConselhÓs de Contribuintes: I Ac6RDÃo n° 104.23.367, julgado em 06/08/2008: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁR/OS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DEPÓSITOS DE PEQUENO VALOR - Nos lançamentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos de pequeno valor, assim considerados os inferiores a R$ 12.000,00. cuja soma, no ano, não ultrapasse R$ 80.000,00. AC6RDÃo n° 102.49.190,ju/gado em 06/08/2008: OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS ART. 42, li 3°, li, da Lei 9.430/96 - Não serão considerados. para efeito de determinação da renda omitida, depósitos bancários que sejam iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 e que, quando somados, não ultrapassem o total de R$ 80.000,00. AC6RDÃo n° 106.16. 797, julgado em 06/03/2008: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000.00 ATÉ O LIMITE SOMADO DE R$ 80.000,00. Conforme preconiza o artigo 42, li 30, inciso 11,da Lei na 9.430/96. com a redação que lhe foi dada pela Lei na 9.481, de 13 de agosto de 1997, no caso de pessoa física não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42 da Lei na 9.430/96, os depósitos bancários sem origem comprovada de valor igualou inferior a R$ 12.000,00 até o limite somado de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Ac6RDÃo n° 104-22.985, julgado em 23/01/2008: DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00- No caso de pessoa flsica, não são considerados rendimentos omitidos. para os fins da presunção do artigo 42, da Lei nO 9.430, de 1996, os depósitos de valor igualou inferior a R$ 9 , Processo n"I8471.oo106812005-48 Acórdão n." 2102J00.358 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (~ 3°, inciso /l, da mesma lei, com a redação dada pela Lei nO9.481, de 1997). ACÓRDÃO n" 106-16.673, julgado em 06/1212007: IRPF _ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 ATÉ O UMITE SOMADO DE R$ 80.000,00. Conforme preconiza o artigo 42, ~ 3', inciso /l, da Lei nO9.430196, com a redação que lhe foi dada pela Lei nO9.481, de 13 de agosto de 1997, no caso de pessoa física não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção da artigo 42 da Lei n° 9.430196, os depósitos bancários sem origem comprovada de valor igualou inferior a R$ 12.000,00 até o limite somado de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. S2.CIT2 FI. 512 Assim, deve-se cancelar li Om1ssao de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recorrer, para reconhecer que a decadência fulminou os créditos tributários referente ao ganho de capital dos fatos gerad6res ocorridos em 31/03/2000 6/2000 e cancelar o lançamento referente à omissão de bndimentos caracterizada depósit s bancários de origem não comprovada. I Giov Christian N 10 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000070/2007-43
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004 e 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO NO SITE DA RECEITA FEDERAL.
A contribuinte recebe, quando submetido à ação fiscal amparada por Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, código numérico que lhe permite acompanhar no site da Receita Federal as prorrogações de prazo, porventura, estabelecidos para o MPF.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI- O Primeiro Conselho de
Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2)
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
ORIGEM. COMPROVAÇÃO
A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real dá ensejo ao arbitramento de seus lucros.
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos
utilizados nessas operações.
ESTORNO DE CRÉDITOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. ERRO DE FATO.
É de se cancelar parcialmente o lançamento em relação ao estorno de créditos (cheques devolvidos) quando tal abatimento consta da descrição dos fatos e houve apenas mero erro material por parte do fiscal na execução da tarefa de exclusão.
MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA.
Caracterizado o dolo do sujeito passivo, é de se aplicar a multa de 150% prevista na legislação, independentemente da análise de aplicabilidade de sanção penal
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.133
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio Bezerra Neto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 e 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO NO SITE DA RECEITA FEDERAL. A contribuinte recebe, quando submetido à ação fiscal amparada por Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, código numérico que lhe permite acompanhar no site da Receita Federal as prorrogações de prazo, porventura, estabelecidos para o MPF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI- O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real dá ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ESTORNO DE CRÉDITOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. ERRO DE FATO. É de se cancelar parcialmente o lançamento em relação ao estorno de créditos (cheques devolvidos) quando tal abatimento consta da descrição dos fatos e houve apenas mero erro material por parte do fiscal na execução da tarefa de exclusão. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Caracterizado o dolo do sujeito passivo, é de se aplicar a multa de 150% prevista na legislação, independentemente da análise de aplicabilidade de sanção penal TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISs.t.~ I ir PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12963.000070/2007-43 Recurso n° 171.862 Voluntário Acórdão n° 1401-00133 — C Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2009 Matéria IRPJ- ANOS - CALENDÁRIO: 2004 e 2005 Recorrente DF AGRO PECUÁRIA LTDA Recorrida C TURMA/DM-JUIZ DE FORA/MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 e 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO NO SITE DA RECEITA FEDERAL. A contribuinte recebe, quando submetido à ação fiscal amparada por Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, código numérico que lhe perunte acompanhar no site da Receita Federal as prorrogações de prazo, porventura, estabelecidos para o MPF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI- O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real dá ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição fmanceira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ESTORNO DE CRÉDITOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. ERRO DE FATO. É de se cancelar parcialmente o lançamento em relação ao estorno de créditos (cheques devolvidos) quando tal abatimento consta da descrição dos i Processo n° 12963.000070/2007-43 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 2 fatos e houve apenas mero erro material por parte do fiscal na execução da tarefa de exclusão. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Caracterizado o dolo do sujeito passivo, é de se aplicar a multa de 150% prevista na legislação, independentemente da análise de aplicabilidade de sanção penal TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, Cul rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. g•--Cy ANTONIO ERRA NETO - Presidente Substituto e Relator EDITADO EM 4 f O MAR 2010 Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Nelso Kichel, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, José Sérgio Gomes, João Francisco Bianco e Karem Jureidini Dias. • Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n°09-19.281, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora-MG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "É exigido da contribuinte, já qualificada nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 6.482.159,07, discriminado da seguinte forma: 1 — R$ 1.440.154,34 de imposto; RE 2.160.231,50 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 701.852,67 de juros de mora (calculados até 30;04/2007), conforme auto de inflação de IRPJ, às fls. 3/11; 2 — R$ 166.067,35 de contribuição; R$ 249.101,01 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 80.901,58 de juros de mora (calculados até 30/04/2007), conforme auto de infração de CSLL, às fls. 12/18; 3 — R$ 99 947 87 de contribuição; R$ 149.921,78 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 49.993,93 de juros de mora (calculados até 30/04/2007), conforme auto de infração do PIS, às fls. 19/26; 2 Processo n° 12963.000070/2007-43 SI-C4T/ Acórdão n." 1401-00.133 Fl. 3 4 — R$ 461.298,18 de contribuição; R$ 691.947,24 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 230341,62 de juros de mora (calculados até 30/04/2007), conforme auto de infração da COFINS, às fls. 27/34. Constou do auto de infração referente ao IRPJ, as fls. 5/6, a realização de arbitramento nos períodos trimestrais 06/2003, 09/2003, 12/2003, 03/2004, 06/2004 e 09/2004, tendo em vista que a contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Teimo de Verificação Fiscal de fls. . 37/40, deixou de apresentá-los e/ou não os possui. Tomou-se como base para o arbitramento os depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, conforme relação de fls. 41/47. Do citado Termo, transcreve-se o relatado pela Fiscalização às fls. 39/40: "Cabe esclarecer que a empresa está cadastrada junto á Secretaria da Receita Federal (fls. 48 e 49), com CNAE — Código Nacional de Atividade Econômica — Atividades de apoio à pecuária não especificadas anteriormente, conforme também se identifica acima. Ainda, a empresa apresentou declarações PISI's 2004 e 2005 (docils. 50 a 53), como INATIVA, e a seguinte atividade — Outras atividades de serviços relacionados com a pecuária — exceto atividades veterinárias. Mesmo estando INATIVA, a empresa movimentou valores consideráveis em suas contas conentes bancárias, conforme se verifica em suas Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (DCPMF's 2003/2004 — doc.fls. 54 a 57). O contribuinte não apresentou escrituração comercial e fiscal (docEs. 295), não restando outra alternativa senão o ARBITRAMENTO do lucro do contribuinte, com base nos valores movimentados em suas contas correntes. O art. 530 do RIR/99 trata das hipóteses de arbitramentos, sendo que o inciso III dá embasamento suficiente ao ARBITRAMENTO do lucro da empresa. A combinação dos arts. 531, 532 e 518 e parágrafos tratam do cálculo da base de cálculo arbitrada, cuja alíquota será de 38,4% (32% x 1,2 — 38,4%). Findo o prazo e, não apresentando o contribuinte esclarecimentos/justificativas, mediante documentação hábil e idônea, não resta outra alternativa senão proceder ao levantamento dos valores devidos relativos ao IRPJ e às contribuições PIS/COFINS/CSLL Portanto, face do exposto, iremos proceder ao arbitramento do lucro da empresa, conforme artigo 530, inciso III, do RIR/99 e artigo 47 da Lei 8.981/1995, em razão da falta de apresentação de escrituração comercial e fiscal, as quais são exigidas pela legislação pertinente. O arbitramento do lucro ensejará o lançamento de oficio, tendo como base as seguintes infrações e valores, a saber: 1 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — OMISSÃO DE RECEITA 2 — LANÇAMENTO REFLEXO . FIS/COFINS/CSLL — OMISSÃO FALTA DE RECOLHIMENTO CONCLUSÃO: Face ao exposto, procedeu-se ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos, a saber, CSLL/PIS/COFINS, anos-calendário de 2003 e 2004, respectivamente, com acréscimo de juros de mora e multa de oficio 7qualificada (150% - cento e cinqüenta por cento), incidentes sobre o valor do 3 Processo n° 12963.000070/200743 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 4 imposto devido, em face á ocorrência, em tese, de Crime contra a Ordem Tributária, conforme delineia os arts. P e 2° da lei n. 8.137/90. A autuada, por intermédio de seu representante e de procurador habilitado (instrumento de fl. 314), ofereceu a impugnação de fls. 301/313, na qual aduziu, em síntese: I — o procedimento preparatório do lançamento do crédito tributário não observou as formalidades postas nas Portarias SRF 3 00712001 e 6.087/2005, pois ocorreram períodos da ação desenvolvida não amparados por mandados de procedimento fiscal, inclusive o próprio lançamento tributário, sendo esse, portanto, inválido, já que lavrado em desrespeito à legislação aplicável; II — não foi concedido ao sujeito passivo o direito de reação as ações praticadas pela Administração Pública para o lançamento do crédito tributário, não se estabelecendo, pois, o devido processo legal; ademais, os atos administrativos requerem para sua prática a existência de motivação, cuja exposição seja clara e precisa, e, a falta desse elemento essencial acarreta-lhe a nulidade; essa determinação consta, ainda, do ordenamento infraconstitucional, conforme expresso no art. 2° da Lei n. 9.784/99; XLI — ao se percorrer todos os atos processuais, não é encontrada menção sobre a razão de as respostas prestadas e a da documentação apresentada pela impugnante serem desconsideradas pela Fiscalização; IV — o ônus das requeridas provas recai sobre a impugnada e não da impugnante, não se admitindo que a presunção de legitimidade do ato administrativo do lançamento inverta essa proposição; V — foram considerados como omissão de renda pela Fiscalização diversos valores que não significaram acréscimo patrimonial e que sequer tenham potencial para tanto, portanto não podem ser admitidos como base tributável do imposto de renda; VI — ao se planilhar os extratos bancários, justificam-se diversos valores (fls. 310/311); VII — a aplicação da multa de 150% deu-se sem que houvesse o cometimento de crime por parte da contribuinte, que, por se tratar de pessoa jurídica, não está sujeita a essa prática (exceto ambientais); VIII — inexistiu condenação criminal; nesse mister, a autoridade administrativa fumou a compreensão de que o sujeito passivo fora culpado por crime contra a ordem tributária, o que significa dizer que criou juízo de exceção, em contrário às disposições do art. 5°, LIII e LVII, da Constituição da República/88; IX — para a determinação da citada multa, seria necessária a demonstração do evidente intuito de fraude, o que não ocorreu nos presentes autos; e o que dizer sobre essa imposição se o Poder Judiciário entender ausente a prática de crime contra a ordem tributária? X — nesse propósito, o interessado registra o fato de que sequer foi lavrada a representação fiscal para fins penais. Dos itens expostos nos "requerimentos" apresentados, à fl. 313, destacam-se: 4 Processo na 12963.000070/2007-43 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 5 "1. Que sejam realizadas diligências junto às instituições financeiras para que as operações bancárias dos depósitos constantes na tabela fls. 41 e seguinte do autos sejam refeitas pela Instituição Bancária respectiva, demonstrando a origem dos mesmos, abrindo vistas para as partes se manifestarem na forma da lei; 2. Que a presente defesa seja recebida e julgada totalmente procedente, extinguindo o credito tributário, exonerando o Impugnante, de oficio, dos gravames decorrentes do litígio, devendo o crédito tributário ter sua exigibilidade suspensa enquanto não ocorrer a coisa julgada administrativa; 3. Que o presente processo tributário administrativo seja arquivado, com baixa em todo e qualquer registro a ele relativo; 4. Que a multa aplicada seja reduzida na forma da lei e argumentação acima." A DRJ, por unanimidade de votos, manteve o lançamento, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE Á RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2005 OMISSSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. ESPÉCIES DISTINTAS. Á disposição legal acerca da omissão de rendimentos, em face de valores creditados em conta sem a comprovação de suas origens, prescinde para a sua aplicação de que haja a ocorrência de acréscimo patrimonial, mormente o fato de a interessada consistir-se em pessoa jurídica, quando a ausência de escrituração e dos documentos que a amparam enseja o arbitramento do lucro, com base na receita tida por omitida. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PISE COFINS. Os lançamentos reflexos, uma vez que nada especifico a esses foi contraditado, seguem a sorte do lançamento principal (IRP.O. ASSUNTO. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO NO SITE DA RECEITA FEDERAL 13." 5 Processo n° 12963.000070/2007-43 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 6 A contribuinte recebe, quando submetido à ação fiscal amparada por Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, código numérico que lhe permite acompanhar no site da Receita Federal as prorrogações de prazo, porventura estabelecidas para o MPP, MULTA DE OFICIO. AGRAVADA. Caracterizado o dolo do sujeito passivo, é de se aplicar a multa de 150% prevista na legislação, independentemente da análise de aplicabilidade de sanção penal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATORL4. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa." Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. 6 Processo n° 12963.00007012007-43 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 7 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade - MPF O contribuinte alega que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, que seria válido até 06/04/2007, restando um lapso temporal descoberto até o dia 25 de maio de 2007 (ciência do lançamento). Defende, então, a nulidade do procedimento fiscal, uma vez que, ausente prorrogação expressa do MPF, este teria sido extinto pelo decurso de seu prazo de validade. O MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. Nesse passo, a jurisprudência administrativa deste Conselho, abaixo colacionada, subscreve esse mesmo entendimento: "NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. O mandado de procedimento fiscal não constitui parâmetro de aferição da idoneidade jurídica dos trabalhos realizados para verificação dos comportamentos de determinado contribuinte frente à Fazenda Federal. Preliminar rejeitada. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...)(Actirdão 107-07268 de 13/08/2003)). MPF.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.POSTULADOS.INOBSERVÁNCL4. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECUR SAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF ) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em beneficio desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e ,// planejamento das ações fiscais. A não-observância - na ;40 7 Processo n" 12963.000070/200743 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 8 instauração ou na amplitude do MPF - poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. (Acórdão 107-06797 de 18/09/2002 - Relatar: Neicyr de Almeida). Recurso negado." Dessa forma, eventual inobservância da norma infralegal em nada macularia o lançamento, razão pela qual não merece prosperar, de plano, a alegação da recorrente. Mas, de somenos importância se torna as considerações acima diante do fato de que não houve sequer um desses vícios no caso concreto. De se ver. A recorrente esquece-se de que as Portarias n° 6.087, de 21 de novembro de 2005, e n° 4.066, de 2 de maio de 2007, que disciplinavam o MPF à época do procedimento fiscal, prevêem, no art. 13, que a prorrogação do mandado seria efetuada tantas vezes quantas necessárias e poderia ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet; posterionnente, quando do primeiro ato de oficio da autoridade administrativa, esta deve entregar ao sujeito passivo o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF. A DRJ, nesse mesmo sentido já esclareceu a questão, sem que a recorrente se dignasse a retrucar os seus fatos e fundamentos: -Nota-se no MPF, a fi. 1, o registro do código do procedimento fiscal (64168112), mediante o qual o contribuinte obtém na Internet (sitio da Receita Federal) acesso ao acompanhamento das informações atinentes às prorrogações havidas; no caso, constam duas (extrato defl. 316): "MPF prorrogado até: 05 de junho de 2007 MPF prorrogado até: 29 de junho de 2007" Verifica-se que todo o período envolvendo o procedimento fiscal encontrava-se acobertado pela instrumento em foco e suas prorrogações, de acordo com o ordenamento destacado para a espécie. Em assim sendo, a pretensa nulidade do lançamento revela descomedimento factual, já que se observou o pleno cumprimento das formalidades requeridas para o mister." Também não merece melhor sorte sua outra tentativa de anular o auto de infração pelo fato de não lhe ter sido proporcionado o direito de defesa às ações praticadas no decorrer do trabalho fiscal. É que é consagrada a distinção entre a fase inquisitória e a fase processual inaugurada com a apresentação da impugnação. São diferenciados os princípios constitucionais e legais aplicáveis em cada uma delas. É na fase processual que se há de assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa e isso está sendo feito nesse momento. Processo n° 12963.00007012007-43 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 El. 9 Outrossim, na fase inquisitório o autuante cumpriu perfeitamente sua missão de intimar o sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das movimentações financeiras pesquisadas. Se ele fez isso a contento ou não é matéria meritória a ser discutida mais adiante. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade. Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos — ônus• da prova O art. 42, da Lei n° 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê do Termo de Verificação Fiscal, é incontroverso que a empresa não apresentou documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. Com efeito, sequer os contabilizou ou os declarou. A interessada limita-se alegar, diversas situações que não deveriam compor a base da autuação (estorno de débitos, depósitos de cheques de terceiros devolvidos, depósitos de cheques bloqueados, Depósitos em dinheiro, etc), bem assim incorreções no procedimento matérias essas a serem tratadas em tópicos específicos mais adiante O ponto relevante deste tópico é o fato de a recorrente não ter logrado êxito em comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos, coincidentes em datas e valores. Teceu apenas considerações estéreis a respeito do procedimento do autuante e da incerteza do crédito lançado. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Das alegada incorreções nos procedimentos preparatórios do lançamento tributário A recorrente primeiro reclama que no lhe foi proporcionado o direito de defesa às ações praticadas no decorrer do trabalho fiscal e que o fiscal não lhe deu respostas às suas razões. Conforme já foi colocado em sede de preliminar, é na fase processual que se há de assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa e isso está sendo feito nesse momento. 9 Processo n° 12963.00007012007-43 S1-C411 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 10 Porém, não do que se queixar a recorrente, pois o próprio Termo de Verificação Fiscal responde aos questionamentos da recorrente. Nele podemos encontrar as respostas tão procuradas. Eis o exato teor do Termo de Verificação Fiscal (138), no que se refere ao que foi acatado: "De posse dos Extratos Bancários das contas correntes da fiscalizada e após uma análise criteriosa e individualizada dos valores creditados nestas contas, procedemos à exclusão dos valores relativos a transferência entre contas do mesmo titular, bem como os valores referentes, bem como os valores referentes a estornos dos débitos, a resgates de aplicações financeiras, cheques devolvidos empréstimos bancários, etc." (destaquei) Outrossim, também aponta explicitamente o que foi negado: "O representante/preposto da fiscalizada alega que os depósitos em dinheiro e depósitos bloqueados não integram a base de cálculo do Imposto de Renda, o que não procede, pois foram aqueles devidamente creditados em suas contas bancárias, conforme determina o art. 899 do R1R199" A esse respeito, não há nada a ser reparado, pois o art. 849 do RIR/99 c/c art. 42 da Lei n° 9430/96 deixa bastante claro as exclusões permitidas, depósito em dinheiro é espécie do gênero depósito tal qual consta nesse preceptivo legal, não havendo nenhuma ressalva em sentido contrário. RIR-99 "Art. 849. Caracterizam-se também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n°9.430, de 1996, art. 42). § 1° Em relação ao disposto neste artigo, observar-se-ão (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, §§ 1°c 2": I - o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; II - os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 2° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos iserão analisados individualizmlamente, observado que não serão u) Processo o° 12961000070/200743 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 11 considerados (Lei n°9.430, de 1996, art. 4Z § 3°, incisos 1 e II, e Lei n°9.481, de 1997, art. 4'): 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física oujurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. § 3° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira (Lei n°9.430, de 1996, art. 42, § 4°)." Lei n° 9.430-96 "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei n° 9.481, de 1997) § 4' Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. 11 Processo n° 12963.0000701200743 S1-C411 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 12 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a detemünação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluido pela Lei n` 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n°10637, de 2002)" Almada incerteza e iliquidez do Crédito Alega a recorrente que "a base de cálculo do lucro arbitrado é muito superior aos valores constantes no Termo de Inicio de Fiscalização, restando dúvidas quanto à razão dessa diferença." Ora, a dúvida é facilmente sanável. Dando cumprimento à Demanda externa requisitória da Procuradoria da República de Minas Gerias a respeito do aferimento da capacidade econômico/financeira da recorrente para amparar operações realizadas, os autuante tiveram acesso a informações globais fornecidas pelas DCPMF's (2003/2004) — Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira e as fizeram constar no montantes constantes no Termo de Início de Fiscalização. Por óbvio, que essas informações globais depois de efetuado um trabalho individualizado como foi feito, expurgando todos os créditos que a lei não autorizaria a compor a base de cálculo da omissão presumida, não poderia coincidir ao fim e ao cabo com o valor efetivamente lançado. Afasto, portanto, as razões da recorrente em relação a esse item Da suposta irregularidade na determinação do valor tributável Nesse ponto, a recorrente utiliza-se de dois argumentos centrais. O primeiro ponto já foi refutado no tópico anterior. Trata-se da tentativa de inverter o ônus da prova para fiscalização, quando o art. 42 da Lei n° 9.430/96 atribui ao contribuinte esse ônus, uma vez intimado à comprovar a origem dos depostos na identificados. O segundo argumento se encarrega de tentar enfraquecer o lançamento sob o argumento de que a fiscalização não fez a sua parte de apurar a base de cálculo ao não expurgar supostas duplicidades de movimentação existente em suas contas-correntes. Nesse passo, relaciona na fase inquisitória e processual (impugnação e recurso), diversas situações que não deveriam compor a base da autuação (estorno de débitos, depósitos de cheques de terceiros devolvidos, depósitos de cheques bloqueados, Depósitos em dinheiro, etc).Ressalvada a situação pertinente a depósitos de cheques devolvidos que se \demonstrará que a recorrente possui razão, essa insistência em repetir as mesmas contestações 12 Processo n° 12963.00007012007-43 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 13 sem contrapor contra-argumentos às respostas fornecidas pela primeira instância só demonstra além de dificultar o julgamento demonstra o caráter procrastinador do recurso. Não é verdade que a fiscalização se omitiu de fazer essa tarefa. Muito ao contrário, o que se vê ao longo do processo é um trabalho meticuloso e muito bem feito pelo autuante, analisando cada depósito um a um, classificando-os. A recorrente por sua vez, é que se mostrou apática ao não desempenhar a contento o seu ônus de justifica a origem desses depósitos a não ser em situações que a Lei ou a jurisprudência já prevêem a exclusão. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso, ressalvando o se colocou acima, passo a adotar como razão de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Os créditos/depósitos não comprovados, no entender da Fiscalização, constaram das tabelas de fls. 41/47. A impugnante, por seu turno, repisa, às fls. 310/311, as informações prestadas no decorrer da ação fiscal, conforme fls. 177/179, em resposta ao termo de início de fiscalização de fis. 81/82. Em que pese o caráter meramente procrastinatório das alegações passivas, uma vez que nada de novo trouxe a interessada aos autos, vale aclarar os seguintes itens: 1 — não hão que se excluir dos valores levados à tributação os depósitos realizados em dinheiro, sem que tenha se dado a perfeita identificação da origem desses, consoante a demonstração de coincidência entre datas e valores; 2 — os resgates de aplicações financeiras já foram objeto de exclusão dos valores tributáveis, desde que demonstradas as origens dessas; 3 — não compuseram as planilhas de fis. 41/47 as importâncias correspondentes a "depósitos bloqueados", sendo que essas foram consideradas apenas quando dos seus desbloqueios; 4 — não se verificam nos quadros de fls. 41/47, em cotejo com os extratos, depósitos representativos de cheques, cujos valores foram estornados em razão de devolução; 5 — constam equívocos na impugnação acerca dos valores efetivamente levados à tributação, notadamente em relação à argüição de que não houve operações realizadas pelo Banco Bradesco nos anos-calendário 2003 e 2004; pode ter se olvidado a impugnante que as instituições BBV Banco e Banco Alvorada foram incorporadas pelo Bradesco; contudo, a seqüência dos documentos de fls. 91/148 (extratos bancários) permite firmar a convicção de que esse prestou informações alusivas àquelas; as planilhas de fls. 41/47 identificam a listagem de operações vinculadas à conta corrente referente ao Bradesco (fls. 41/42), ao BBV (fls. 42/45) e à CAFECRED1 ais. 45/47)." 13 Processo n° 12961000070/200743 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 14 Como já foi posto, tenho um reparo a fazer no item 4 acima, pois apesar de, estritamente falando, ser verdade que "não se verificam nos quadros de fls. 41/47, em cotejo com os extratos, depósitos representativos de cheques, cujos valores foram estornados em razão de devolução", esse lógica de checagem não é a mais adequada, pois existem muitos casos, como se demonstrará adiante, em que vários depósitos aparecem no extrato de forma global e os estornos estão descritos de forma detalhada, cheque a cheque depositado. Dessa forma, a simples comparação direta de valores passa a ser um critério equivoco. O fiscal e a DRJ deveriam além dessa simples comparação ter se preocupado em identificar os depósitos correlatos, dai eles perceberiam que o abatimento dos estornos teria que ser feito em cima dos montantes globais depositados que foram considerados para efeito de presunção legal de omissão de receitas. Para melhor ilustrar o ocorrido, segue abaixo um determinado exemplo constante do extrato bancário de fls. 221, demonstrando que o estorno das devolução de cheques não foi considerado: TABELA 1 - EXEMPLO Débito Crédito Data Operação Histórico Documento 58.350,00* 21/05/2003 Depósito Cheque 113 outros bancos 21/05/2003 1.28 1,00 21/05/2003 700,00 21/05/2003 900,00 21105/2003 651,30 21/05/2003 2.400,00 5.932,30 58.350,00 Totalizadores * Valor considerado pelo autuante como omissão de receitas conforme planilha de fls. 43. Dessa forma, nesse exemplo fica claro que o autuante não cumpriu o que havia se proposto a fazer no Teimo de Verificação Fiscal (fls. 38). Ou seja deixou de considerar os estornos de créditos que se referem às devoluções de cheques. Eis o exato teor do Termo de Verificação Fiscal (11.38): "De posse dos Extratos Bancários das contas correntes da fiscalizada e após uma análise criteriosa e individualizada dos valores creditados nestas contas, procedemos à exclusão dos valores relativos a transferência entre contas do mesmo titular, . bem como os valores referentes, bem como os valores referentes 14 Processo n° 12963.000070/200743 S1-C4T1 Acórdão ri.° 1401-00.133 Fl. 15 a estornos dos débitos, a resgates de aplicaçaes financeiras, chgue.s devolvidos empréstimos bancários, etc." (destaquei) Assim, abstraindo o juízo de valor a respeito da pertinência desse estorno, pois não posso agravar o lançamento, assiste razão a recorrente em relação a esse ponto (estorno de créditos — cheques devolvidos), uma vez que tal abatimento consta da descrição dos fatos, havendo mero erro material por parte do fiscal na execução da tarefa de exclusão. Fazendo, então, um trabalho de cotejo entre as tabelas indicadas pela própria recorrente (fls. 256, 258/259), os extratos bancários e a tabela de fls. 41/47, relacionamos todas aquelas situações envolvendo estorno de créditos (devoluções de cheques) que não foram consideradas efetivamente pelo autuante a fim de serem excluídas da base de cálculo da omissão de receitas e do arbitramento: TABELA 2 — TABELA TRIMESTRAL DE AJUSTES A SEREM EFETUADOS NA BASE DE CÁLCULO DOS LANÇAMENTOS Trimestre Data Débito 2 15/4/2003 756,00 2 30/4/2003 5.00000 2 30/4/2003 2.400,00 2 30/4/2003 595,00 2 30/4/2003 15000 2 7/5/2003 734,00 2 7/512003 573,67 2 8/5/2003 59500 2 815/2003 71,00 2 14/5/2003 400,00 2 14/5/2003 2.600,00 2 14/5/2003 2.00000 2 15/5/2003 63,30 2 15/5/2003 356,00 2 21/5/2003 1.281,00 2 21/5/2003 700,00 2 21/5/2003 900,00 2 21/5/2003 900,00 2 21/5/2003 651,30 2 21/5/2003 2.400,00 2 27/5/2003 4.324,32 2 29/5/2003 4.324,32 2 Total 31.774,91 3 2/6/2003 19.700,00 3 3/6/2003 26668,00 3 10/6/2003 1.022,65 3 12/6/2003 142,00 3 16/6/2003 1.022,65 3 17/6/2003 13.615,00 3 17/6/2003 100,00 3 17/6/2003 15.060,00 3 20/612003 660,34 3 20/6/2003 365,00 3 2016/2003 504,80 IS Processo n° 12963.000070/2007-43 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl, 16 3 20/6/2003 571 AO 3 24/6/2003 500,00 3 26/6/2003 365,00 3 26/6/2003 500,00 3 3016/2003 6.000,00 3 30/6/2003 5.000,00 3 3/712003 34,00 3 22/7/2003 700,00 3 22/7/2003 300,00 3 22/7/2003 5.00000 3 6/8/2003 25,00 3 12/8/2003 1.200,00 3 12/8/2003 1.000,00 3 12/8/2003 1.250,00 3 12/8/2003 2.000,00 3 12/812003 2.500,00 3 13/8/2003 150,00 3 14/8/2003 1.521,70 3 14/8/2003 420,00 3 14/8/2003 1.200,00 3 14/8/2003 989,00 3 15/8/2003 256,40 3 29/8/2003 500,00 3 Total 110.842,54 4 1/9/2003 5.060,00 4 2/9/2003 2.800,00 4 2/9/2003 500,00 4 2/912003 1.200,00 4 2/9/2003 2.400,00 4 4/912003 59.600,00 4 5/9/2003 2.800,00 4 5/9/2003 1.200,00 4 5/9/2003 22.850,00 4 11/9/2003 85.000,00 4 1219/2003 55.280,00 4 15/9/2003 24.000,00 4 16/9/2003 1.050,00 4 16/9/2003 1.300,00 4 16/912003 1.300,00 4 16/912003 1.000,00 421/11/2003 50.800,00 424/11/2003 51.000,00 4 Total 369.140,00 Total Global 511.757,45 Dessa forma, dou provimento parcial em relação à esse item, cabendo à autoridade executora deste Acórdão proceder a exclusão de R$ 511.757,45 da base de cálculo -- considerada no arbitramento dos diversos tributos(IRRT, CSLL, PIS e COFINS). Cabe salientar (19, 16 Processo n° 12963.00007012007-43 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 17 que esses ajustes devem ser feitos de forma trimestral conforme subtotais constantes na Tabela 2 acima. A comprovação da origem dos valores depositados em conta-corrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas-corrente, incompatíveis com suas receitas declaradas. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada essa origem durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou comprovada Nada impede a contribuinte de exercer seu direito constitucional de se calar a respeito dos depósitos efetuados em conta de sua titularidade. No entanto, ao se calar, resta sem comprovação a origem desses depósitos o que induz à materialização do fato gerador previsto na nonna legal, que não pode ser questionada por esta autoridade administrativa. Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Multa Oualificada (150%) — Prática reiterada Conforme relatado, a contribuinte apresentou Declarações Anuais Simplificadas - PJSI 2004 e 2005 (fls. 50/53), indicando sua Inatividade. Não obstante, a pessoa jurídica realizou movimentação financeira nas expressivas quantias de R$ 7.252.795,30 e R$ 6.188.136,61, Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximir-se do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, adiante reproduzido: 'Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." Nestes temios, como nos autos está devidamente evidenciado que além de declarar falsamente a sua situação de inatividade, o contribuinte, ao longo de vários anos, omitia receitas de forma contínua e reiterada em valores significativamente superiores ao declarado não se pode chegar a outra conclusão que não seja a de que o que houve, concretamente, foi conduta tendente a manter ao largo da tributação o montante dos seus ganhos auferidos. • Processo n° 12963.000070/2007-43 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.133 Fl. 18 Tenho pautado os meus votos no sentido de que a "prática reiterada" de omissão de receitas constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, não porque o intuito de fraude apenas se concretize com a repetição, mas porque com a repetição é que se exterioriza objetivamente o evidente intuito de fraude. Dessa forma, a prática de omitir receitas por vários anos de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o "evidente intuito de fraude". Mo se pode aqui imaginar que o agente que pratica "erros" de forma continua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Outrossim, caracterizado o dolo do sujeito passivo, é de se aplicar a multa de 150% prevista na legislação, independentemente da análise de aplicabilidade de sanção penal, como colocou a recorrente. Por óbvio que a decisão judicial sobrepõe a decisão administrativa • para todos os efeitos. Ouso divergir da posição abraçada pelo nobre relator em relação a sua tentativa de desqualificação da multa (150% para 75%). No que se refere ao alegado excesso de exação ou mesmo do caráter confiscatório do patamar sancionador, os argumentos trazidos pela defesa são de índole constitucional. Buscam afastar multa expressamente prevista em lei com base em preceito previsto na Constituição Federal, o que não é da competência deste Órgão Julgador, conforme estipulação da Súmula n° 2: Súmula 1°CC n°2. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa, ressalvando é claro o provimento parcial em relação aos estornos de créditos (cheques devolvidos) não considerados pelo autuante. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, DOU provimento parcial em relação ao ano-calendário de 2003, de forma a excluir o valor de R$ 511.757,45, distribuídos trimestralmente conforme Tabela 2, da base de cálculo considerada no arbitramento dos diversos tributos (1RPJ, CSLL, PIS e COFINS). • ANToNv EZERRA NETO 18 -k a, MINISTÉRIO DA FAZENDA 1:;,-Cfc*-4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 8;;E:itok QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 12963.000070/2007-43 Acórdão :1401-00.133 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, em 10 de março de 2010 _ ansktífâgstkifteolckrig~gcretária da Câmara Ciência Data: / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial, [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004579/2001-42
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2000
COFINS. BASE DE CALCULO. § 1º, ART. 32 DA LEI N2 9.718/98.
INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
- INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI QUE MAJOROU A BASE DE
CALCULO. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS.
As instâncias administrativas não competem apreciar vícios de
inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
COFINS. BASE DE CALCULO.
Essa contribuição incidia sobre o faturamento, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Maria Teresa Martinez L6pez, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Lisboa Cardoso que davam provimento ao recurso. 0 Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanha a divergência pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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BASE DE CALCULO. § 1 2, ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI QUE MAJOROU A BASE DE CALCULO. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento A. legislação vigente. COFINS. BASE DE CALCULO. Essa contribuição incidia sobre o faturamento, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Maria Teresa Martinez L6pez, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Lisboa Cardoso que davam provimento ao recurso. 0 Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanha a divergência pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. ‘Antonio ga - residente // Antonio Carlos Atukg- Relator ,74z , Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Antonio Carlos Guidoni Filho, Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Manoel Coelho Arruda Júnior e Antonio Lisboa Cardoso. Relatório Por meio do Acórdão n2 201-79.349 a Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, ficando decidido que as receitas de aluguel de lojas e estacionamento de clientes integram a base de cálculo da contribuição, por força do disposto no art. 32, § 1 2 da Lei n2 9.718/99. 0 sujeito passivo interpôs Recurso Especial (fls. 274/340) com fulcro na divergência de julgados prevista no art. 72, II do Regimento Interno da CSRF, alegando, em síntese, que o STF já declarou a inconstitucionalidade do § 1 2, do art. 32 da Lei n2 9.718/98. ik luz desta declaração de inconstitucionalidade, somente é cabível a exigência da contribuição sobre a receita decorrente da venda de bens, serviços ou de bens e serviços. O lançamento aqui analisado perdeu a base legal, sendo descabida a inclusão das receitas provenientes da participação no empreendimento Shopping Praia de Belas na base de cálculo da contribuição. 0 recurso foi admitido por meio do Despacho n2 201-444 (fls. 292/294). Regularmente notificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contra-razões. o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Trata-se de fato incontroverso que o lançamento alcançou exclusivamente as receitas provenientes da participação do Banco no empreendimento Shopping Praia de Belas, pelo fato da contribuinte não tê-las considerado nas apurações mensais da contribuição. 0 objeto deste recurso é a questão da inclusão na base de cálculo da Cofins de receitas não operacionais, especificamente, as receitas provenientes da participação no condomínio pro indiviso Shopping Praias Belas. 2 Processo n° 11080.004579/2001-42 Acórdão n.° 02-03.660 CSRF/T02 Fls. 299 A discussão travada nas instâncias ordinárias girou em torno da impossibilidade de exclusão de qualquer receita da base de cálculo da contribuição a teor do disposto na Lei n2 9.718/98, bem como da incompetência da autoridade administrativa julgadora para decidir sobre constitucionalidade das leis. Nesse passo, verifica-se que o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário nQ 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da Unido de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade do art. 32, § 1 2 da Lei n' 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 82 da referida lei. A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o Tribunal considerou que o art. 32, § 1 2 da Lei n2 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, "b" da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC n2 20/98. Existindo decisão definitiva do STF, proferida em sede de controle difuso, a questão que se coloca é a possibilidade de a Administração Pública estendê-la aos demais contribuintes. Relativamente A. extensão administrativa dos efeitos das decisões do STF em matéria tributária, o art. 77 da Lei n2 9.430/96 estabelece que: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributtiria federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I - abster-se de constitui-los; II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de oficio, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em divida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. (Grifei) Em cumprimento a este enunciado legal foi baixado o Decreto n2 2.346/97, que assim dispôs em seu art. 42 e parágrafo Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador- Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (Gr(fei) Tanto o art. 77 da Lei n2 9.430/96 quanto o capuz' do art. 42 do Decreto n2 2.346/97 exigiram apenas que a decisão proferida pelo STF seja definitiva, não havendo nenhuma ressalva quanto A. necessidade de prévia Resolução do Senado em relação às declarações de inconstitucionalidade em controle difuso. Em matéria tributária, portanto, por meio do caput do art. 42 do Decreto n2 2.346/97 a Administração Tributária Federal está autorizada pelo Presidente da República a aplicar a interpretação fixada pelo STF independentemente da publicação da Resolução do Senado, bastando, para tanto, a expedição de um ato administrativo do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral da Fazenda Nacional, para que os órgãos da Administração Tributária ativa se abstenham de aplicar a lei inconstitucional. Se para os órgãos da Administração Tributária ativa o Presidente da República estabeleceu regra especial no capuz' do art. 42 do Decreto n2 2.346/97, para os órgãos da Administração Tributária judicante foi estabelecida regra especifica no parágrafo Esta regra alcança não só os Conselhos de Contribuintes, mas também as Turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pois o parágrafo único se refere expressamente A impuznaccio ou recurso e A órglios julgadores singulares ou coletivos, abrangendo tanto o julgamento em primeira, quanto em segunda instância e, também, o julgamento em instância especial. Tendo em vista que o parágrafo único do art. 42 estabeleceu uma regra de exceção em relação ao caput, é evidente que os órgãos da Administração Tributária judicante não precisam aguardar que sobrevenham atos administrativos do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral, e, tampouco, a publicação da Resolução do Senado, suspendendo a eficácia da norma declarada inconstitucional em sede de controle difuso. Isto porque tal exigência foi estabelecida no art. 1 2 do Decreto n2 2.346/97 em caráter geral para os demais órgãos da Administração Pública e apenas em relação à matéria não tributária. Em outras palavras, o art. 1 2 do Decreto n2 2.346/97 trouxe uma disposição genérica em relação aos "Órgãos da Administração Pública Federal direta e indireta", cuja incidência em matéria tributária é excluída pelas regras especiais criadas no art. 49 • 0 art. 77 da Lei n2 9.430/97 foi especifico quando mencionou a "administração tributária federal". Já o art. 1 2 do Decreto n2 2.346/97 se refere genericamente A "Administração Pública Federal direta e indireta". E inequívoco que temos três regras distintas disciplinando a extensão dos efeitos das decisões do STF. Uma regra geral no art. 1 2 do Decreto, que serve para todos os órgãos da Administração Federal tributária e não-tributária, no caso de declarações de inconstitucionalidade proferidas em ações diretas. Outra regra no caput do artigo 42 que é especifica para a Administração Tributária ativa. E, por fim, a regra que se constitui na exceção da exceção, que se encontra no parágrafo único, cujos destinatários são os órgãos singulares e coletivos da Administração Tributária judicante. 4 (CC Antonio Carlos Agirn Processo n° 11080.004579/2001-42 Acórdão n.° 02-03.660 CSRF/T02 Fls. 300 Portanto, o art. 77 da Lei n2 9.430/97 foi regulamentado pelo art. 42 do Decreto n2 2.346/97 e não pelo art. 1 2 que é uma regra genérica. Se a Administração Tributária ativa ou judicante precisasse aguardar a publicação de Resolução do Senado nos casos de declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso, a redação do Decreto n2 2.346/97 poderia ter parado no art. 22. Aliás, caso se aceite tal interpretação, seria prescindível a própria expedição do Decreto, uma vez que a Resolução do Senado suspende a norma inconstitucional com força erga omnes, o que alcançaria também toda a Administração Pública Federal. Desse modo, nos casos de impugnação ou de recurso não definitivamente julgados, como se dá no caso presente, deve a Administração Tributária judicante adotar a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal e afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional, independente da publicação de Resolução do Senado ou da manifestação de qualquer outra autoridade, pois está autorizada diretamente pelo Presidente da Republica a fazê-lo. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação presidencial e excluir da base de cálculo da Contribuição os valores provenientes da participação no empreendimento Shopping Praia de Belas porque não se tratam de receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da Contribuição os valores contabilizados sob aquela rubrica, com base na decisão proferida pelo STF no RE n2 357.950, cuja interpretação estendo a este caso concreto com fulcro no ar>71Ld&Jei n2 9.430/96, no art. 42, parágrafo único, do Decreto n2 2.346/97 e no art. 34, afagrafo único, inciso I, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais. /4 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A questão que se apresenta a debate gira em torno da possibilidade se estender, administrativamente, a decisão do STF sobre o denominado alargamento da base de cálculo da Cofins, previsto no § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1999. 0 relator entendeu possível aplicar ao caso sob exame a decisão da Excelsa Corte. Desse entendimento, com as devidas escusas, divirjo, pelas razões a seguir expostas. Com o advento da Lei 9.718/1999, a Cofins passou a ser exigida com base no faturamento assim entendido a receita bruta auferida mensalmente pela pessoa jurídica. Para afastar qualquer dúvida do que se deve entender por receita bruta, o § 1° do artigo 2° da Lei 9.718/1998 dispôs, expressamente, que receita bruta é a totalidade das receitas auferidas pela 5 pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Em relação A suposta inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo da contribuição pela Lei 9.718/1998, alegada pela recorrente, é de observar-se que A. autoridade administrativa não compete a apreciação da constitucionalidade das normas tributárias, vez que no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Sobre este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 'Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O "sistema difuso", isto 6, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concentrado", em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. 0 primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. 0 segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Austria de 1° de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogd- las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8° e 9°). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2juridico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que 1 M. CAPPELLETTI, 0 controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2a ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 2 0 Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. .e.7,. 6 Processo n° 11080.004579/2001-42 Acórdão n.° 02-03.660 CSRF/T02 Fls. 301 violassem a Constituição Federal. Essa ADIn interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional n° 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito em As pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem h famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juizes negarem aplicação As leis contrárias a constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juizes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana, não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison, já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juizes é a de interpretar as leis e aplicá-las ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, ai, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. ,r1 7 De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. 0 preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Camara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, §1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2° da Lei n° 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2". À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificaciio prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). 0 repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: podem os órgãos judicantes da administração afastarem a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastarem a aplicação de lei clue entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta ã. primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus artigos: 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, "a" e "b"), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. 8 Processo n ° 11080.004579/2001-42 Acórdão n.° 02-03.660 CSRF/T02 Fls. 302 Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da Republica e Professor Titular da Universidade de Brasilia, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da Republica, do qual transcrevemos o seguinte trecho: Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fática, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuida pela constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É principio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacifica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. t que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Politico foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se este cabe, por força de preceito expresso, a função em apreço, nenhum dos outros poderes tem competência para exercê-la 'sob pena de se confundirem as atribuições destes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, esse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutores. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. t que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que ilk) dispõem do exercício do poder executivo. (sic) 3 Bittencourt, Lúcio - 0 Contrõle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2°, edição, págs.91 a 96. i'r 9 Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o principio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que: se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação A. lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção furls tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, 6 lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e integra aquela força formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação A lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. t que, em relação a ela, existe o principio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária á. Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luis Roberto Barroso 4 : A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. 0 principio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. 0 descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vicio haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa its sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se il lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no 4 BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3 0 edição, pp 170 e 171...' 10 Processo no 11080.004579/2001-42 Acórdão n.° 02-03.660 CSRF/T02 Fls. 303 controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente sera' declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97, da Seção I do Capitulo III - Do Poder Judiciário - do Titulo IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativo no há a previsão para tal. Alias, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instancia administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instancia, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, â exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Camara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuida exclusivamente ao Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Poder Jurisdicional, com efeitos erga omnes, no controle concentrado de constitucionalidade, ou com efeito inter partes, no controle difuso, mas com resolução do Senado suspendo a execução do dispositivo inquinado de inconstitucionalidade, a lei é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional.. Assim, como a citada lei não foi julgada inconstitucional, em controle concentrado, tampouco tivera sua execução suspensa por resolução do Senado, não se pode negar-lhe vigência. Com isso, a base de cálculo da Cofins, no período abrangido nestes autos, continuava a ser o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por conseguinte, correta a 11 exigência da contribuição relativa as receitas auferidas com aluguel de lojas e com exploração de estacionamento de shopping Center. Com essas razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Haul-lie Frinh/eirO-TOTra -> () 12
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Numero do processo: 11516.721225/2011-71
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.111
Decisão: RESOLVEM os membros os membros do colegiado, por maioria de votos,
em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) redator(a) designado Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencido Conselheiro Oseas Coimbra Junior.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Vencido Conselheiro Oseas Coimbra Junior. (assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior Relator (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato, Natanael Viera dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11516.721225/201171 Resolução n.º 2803000.111 S2TE03 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a diferenças de alíquota RAT e adicional FAP (FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO). A DecisãoNotificação – fls. 79 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, o contribuinte apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte: • Ausência de Motivação e fundamentação legal – não se encontra clara e precisamente qual a suposta infração praticada em decorrência de descumprimento legal. • Ilegalidade de fixação do RAT a regulamentação dos conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco” por meio de Decreto, para fins de exigência da contribuição prevista no artigo 22, inciso II, da Lei nº 8.212/1991, além de configurar majoração ilegal do tributo ferem os princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade tributária. As normas que delegaram ao poder Executivo a prerrogativa de determinar a atividade preponderante, bem como a definição dos riscos, são inconstitucionais. • Ilegalidade de fixação do FAP aplicação do FAP (Fator Acidentário de Prevenção) fere os princípios da tipicidade tributária, da legalidade, da segurança jurídica e da publicidade, já que a sua apuração é feita com base em normas editadas pela própria Administração (Decretos e Resoluções CNPS) e leva em conta dados sigilosos de outras empresas. • As resoluções que regulamentam o FAP são irrazoáveis e desproporcionais. • Anexa documento onde informa ter obtido o fator FAP 1,00. • Requer seja dado provimento ao recurso com o cancelamento do auto lavrado. Alternativamente que os valores cobrados a título de FAP sejam somente no montante principal, sem juros e multa posto que a recorrente se pautou em ato normativo do órgão. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11516.721225/201171 Resolução n.º 2803000.111 S2TE03 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Junior, Redator. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. A afirmação contida no parágrafo anterior reproduz exatamente o conteúdo do Ato Declaratório nº 11/2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, verbis: ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” JURISPRUDÊNCIA: Súmula nº 351 do STJ, DJe 19/06/2008; AgRg no Ag 1178683/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 28/09/2010; AgRg no Ag 1008620/BA, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/03/2010, DJe 12/04/2010; AgRg no AgRg no AgRg no REsp 1114033/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009; AgRg no Ag 1134164/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 24/09/2009; REsp 947920 / SC, Rel. Min. ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; e REsp 842838/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 19/02/2009. Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11516.721225/201171 Resolução n.º 2803000.111 S2TE03 Fl. 4 4 O critério para apurar a atividade preponderante está consagrado no § 3 do art. 202 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, verbis: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II – dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. De acordo com o § 5º do referido art. 202 do RPS, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revêlo a qualquer tempo. A revisão, no entanto, não poderá ocorrer na forma adotada pela fiscalização, conforme se pode observar do Acórdão recorrido (fls. 82), verbis: Esse mesmo relatório fiscal (fls. 34/35), também registra expressamente que tais diferenças surgiram porque a Autuada, no período de 04/2007 a 04/2008, não poderia ter declarado a alíquota RAT de 1%, já que a alíquota correta, tendo em vista sua atividade preponderante (Código CNAE 4511101 – Comércio a Varejo de Automóveis, Camionetas e Utilitários Novos), era a de 2%, e porque nas GFIP das competências 01/2010 a 13/2010, a Autuada não poderia ter informado o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) de 1,0000, visto que o correto seria 1,6998. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 11516.721225/201171 Resolução n.º 2803000.111 S2TE03 Fl. 5 5 O reenquadramento, como se pode observar do § 3º do art. 202 do Decreto nº 3.048/99, bem como da previsão contida no Ato Declaratório nº 11/2011, da PGFN, não coaduna com a regra adotada pela fiscalização. O critério CNAE x Alíquota não tem respaldo legal para prevalecer, motivo pelo qual deverá a autoridade lançadora, para validar seu trabalho, adotar os seguintes procedimentos: 1. Efetuar o reenquadramento mensal (inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91) com base na atividade preponderante da empresa, de acordo com o critério estabelecido no Ato Declaratório nº 11/2011, da PGFN; 2. Intimar a empresa a reapresentar o documento de fls. 71, com vistas a provar que tal documento diz respeito à Autuada. CONCLUSÃO Cumpridas as determinações acima, a autoridade administrativa deverá comunicar o contribuinte dandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar suas manifestações. Após, retornem os autos para julgamento na Segunda Instância Administrativa. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 16327.003759/2003-52
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
ANO-CALENDÁRIO: 2000
INCENTIVO FISCAL - FINAM E FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA
LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE
INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deve ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC.
Numero da decisão: 1802-000.091
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Jose de Oliveira Ferraz Correa
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I ' MINISTÉRIO DA FAZENDA )1g,'.0;avc, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •,-'4%.3» PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.003759/2003-52 Recurso n° 162.662 Voluntário Acórdão n° 1802-00.091 — r Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria IRPJ Recorrente JP MORGAN CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. Recorrida 10a. TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 2000 INCENTIVO FISCAL - FINAM E FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deve ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins d - • . 0: e negava provimento ao recurso. r R E • PESOSO • • residente É DE OLIVEIRA FERRAZ CORRE' - • elator EDITADO EM V22 7 AGO 2009 Participaram da sessão de j :amento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Leonardo *bo de Almeida, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula F andes Júnior e João Francisco Blanco. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que manteve o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC (fls. 1 a 3), conforme já havia decidido a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo no Despacho Decisório de fls. 53 a 55. A opção pelo incentivo fiscal (FINAM e FINOR) foi realizada para o ano- calendário de 2000, e seu indeferimento foi motivado pelo fato de o interessado estar inscrito no CADIN, bem como apresentar situação irregular junto à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal, de acordo com os relatórios de fls. 48 a 52. Instaurado o contencioso, a contribuinte apresentou em sua manifestação de inconformidade, às fls. 57 a 78, os seguintes argumentos, conforme descritos na decisão de primeira instância, Acórdão n° 16-14.289, de fls. 173 a 179: I. À época da manifestação de sua opção pelo investimento de parcela do IRPJ em fundos regionais, a manifestante possuía regularidade fiscal. Exigir-se a condição de regularidade depois da realização da opção significa aplicar lei atual à situação pretérita, em afronta ao princípio da irretroatividade da lei tributária. 2. O despacho decisório acusa a contribuinte de possuir débitos que o impedem de fazer a opção pela destinação dos recursos, no entanto, em momento algum é facultado ao contribuinte demonstrar a regularidade de sua situação fiscal 2.1. O extrato de débitos anexado aos autos pela DIORT não permite que seja afirmada a existência de débitos, sendo que tal análise foi realizada depois de vários anos entre a apresentação do PERC e a data em que foi proferido o despacho. 2.2. Caberia à autoridade administrativa intimar a manifestante para se manifestar sobre as alegações postas no Despacho Decisório, consoante o art.59, II, do Decreto n° 70.235/72. 2.3. O despacho decisório é nulo por afronta ao princípio constitucional da ampla defesa. 2.4. Não se pode admitir que seja proferido despacho de cunho decisório genérico, sem descrever os fatos adequadamente e sem permitir a manifestação da contribuinte quanto ao seu conteúdo. No caso em tela, o indeferimento do PERC não permitiu a correta identificação da inadimplência fiscal que foi imputada à contribuinte. 3. Não é razoável pretender que a contribuinte possua CND quando da apreciação do PERC, sem, no entanto, exigir-lhe a sua comprovação. Ainda que se admita legal a exigência formulada, deveria a autoridade administrativa oportunizar a possibilidade de a manifestante apresentar tal documento. #, 2 Processo n° 16327.003759/2003-52 SI-TE02 Acórdão n.• 1802-00.091 Fl. 2 4. Uma consulta aos sistemas informativos da Receita Federal comprova que o registro do débito no CADIN deveria estar sustado haja vista que se encontra com sua exigibilidade suspensa na forma da lei. Ainda que não fosse evidente a situação de suspensão de exigibilidade, a contribuinte deveria ser intimada a comprovar a situação de modo a respeitar a legalidade, a moralidade, e, principalmente, a eficiência, tal como preceituado pelo art.37 da Constituição. 5. Nas Leis n° 8.167/91 e 9.532/97 não se cogita da possibilidade de a contribuinte ter seu beneficio vedado em razão da existência de débitos perante a Receita Federal, a Procuradoria da Fazenda Nacional, nem junto ao INSS. 5.1. Ainda assim, seria agir em desacordo com o princípio da segurança jurídica negar o direito ao benefício com fundamento na suposta existência de débitos tantos anos após a manifestação pela opção do investimento incentivado. Como já mencionado, a DRJ em São Paulo manteve o indeferimento do incentivo, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 INCENTIVO FISCAL. FLIVOR. FINAM. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, bem como a sua inscrição no CADIN, impedem o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALJDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida De acordo com a Delegacia de Julgamento, a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica. Em razão disso, a unidade de origem realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte, concluindo, em 07/04/2006, data de expedição do despacho decisório, que ela se encontrava em situação irregular. Ainda segundo a DRJ, o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal da contribuinte seria justamente a data de expedição do Despacho Decisório. Como base legal, foram citados o art. 60 da Lei n°9.069/1995 e o inciso II do arte' da Lei n° 10.522/2002. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/08/2007, a contribuinte apresentou em 17/09/2007 o recurso voluntário de fls. 182 a 201, onde reitera as suas razões, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando que: d3 -se a Administração tivesse analisado a regularidade fiscal da Recorrente na data de expedição do Extrato de Aplicação do Incentivo, concluiria que legítima seria a concessão do beneficio fiscal, pois a Recorrente possuía certidão de regularidade fiscal até janeiro de 2006, englobando, no período, a data de processamento eletrônico do incentivo fiscal; - a Lei 10.522/2002 não é aplicável ao caso sob exame, uma vez que ela só foi publicada em 2002, enquanto que a opção pelo incentivo ocorreu em 2001. Deste modo, ao aplicar a referida lei a decisão administrativa teria violado os princípios da irretroatividade e da segurança; - a Recorrente, na época da manifestação de sua opção pelo incentivo possuía ampla e total regularidade fiscal. Tanto isso é verdade, que tal fato foi expressamente reconhecido pela r. decisão impugnada, ao se afirmar que o contribuinte teria deixado de possuir tal condição de regularidade anos depois da opção, ou seja, em 2006 ("CND expedida pela RFB vencida desde 07/01/2006"). Assim, restou reconhecido que anteriormente a essa data a Recorrente possuía situação regular; - caso não acolhidos os argumentos em prol da reforma da decisão recorrida, deve ser reconhecida a nulidade insanável desta, em razão do cerceamento de defesa presente neste processo, devendo-se determinar a abertura de prazo para que a Recorrente possa demonstrar que estava regular junto ao Fisco Federal; - a contribuinte não alegou a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis, como se afirma na decisão recorrida, mas sim a legalidade e constitucionalidade dos atos administrativos, os quais não observaram o disposto na constituição e nem nas normas infraconstitucionais. Este é o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com o relato apresentado, tanto o Despacho Decisório de indeferimento do PERC, quanto a decisão de primeira instância, que confirmou esse indeferimento, foram motivados pelo não atendimento ao requisito estabelecido no art. 60 da lei 9.069/1995: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuicães_federais." Como se pode observar, esse dispositivo não indica o momento em relação ao qual deve ser verificado o cumprimento da condição para a concessão/reconhecimento do incentivo, o que acarreta inúmeras controvérsias sobre essa matéria. 4 Processo n° 16327.003759/2003-52 SI-TE02 Acórdão n.• 1802-00.091 Fl. 3 A posição do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes se consolidou no sentido de que a regularidade fiscal deve ser analisada em relação à data de apresentação da Declaração de Rendimentos, onde o contribuinte manifesta sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Colho o fundamento para este entendimento no Acórdão n° 101-96.204, proferido em 13/06/2007 pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Para a solução da lide faz-se necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Diferentemente do defendido pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que o momento em que se deve verificar a regularidade fiscal do sujeito passivo, quanto à quitação de tributos e contribuições federais, é a data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, na declaração de rendimentos, portanto na data da apresentação de sua DIRPJ. Entender de forma diferente, por exemplo na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá serfeito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano-calendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos calendários subseqüentes." Da mesma forma, há decisões de outras Câmaras do Primeiro Conselho, nesse mesmo sentido: Terceira Câmara, Acórdão 103-23515, de 27/06/2008 "Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda NacionaL Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal." Quinta Câmara, Acórdão 105-16164, de 09/11/2006 "Ementa:-PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. Descabe o indeferimento do PERC quando a alegado irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo beneficio fiscal.Recurso provido." Sétima Câmara, Ac. 107-0932, de 06/03/2008 "Ementa:-INCENTIVOS FISCAIS - PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. - Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denega tório do seu pleito. - É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento .Recurso Provido." Nesse sentido, dentre os elementos apurados, constato que não há nos autos comprovação de que as pendências fiscais já existiam no momento em que a contribuinte manifestou sua opção pelo incentivo fiscal, isto é, na data da entrega da Declaração de Rendimentos. Além disso, como as próprias decisões anteriores consignaram, a contribuinte possuía CND com vencimento em janeiro de 2006, o que indica ter existido uma situação de regularidade que abrangia períodos anteriores, inclusive aquele referente à data de opção. Deste modo, não há como negar o pedido de revisão — PERC de fl. 01, que deverá ser processado pela Delegacia de origem. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para afastar o óbice da regularidade fiscal. ;n‘ É DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 6 Processo n° 16327.003759/2003-52 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.091 Fl. 4 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ I com Embargos de Declaração; [ 7
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000889/00-79
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/08/1998 a 31/12/1999
RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE EM TESE DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. MATÉRIA INCONTROVERSA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
Falta interesse recursal em relação à possibilidade de compensação quando a inexistência de créditos suficientes à sua realização seja matéria incontroversa nos autos.
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. PARADIGMA RELATIVO A COMPENSAÇÃO POR PEDIDO. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA.
Não se configura a divergência jurisprudencial entre as hipóteses de compensação escritural indevida realizada pelo próprio sujeito passivo entre créditos de PIS e Cofins e débitos de IPI, que seria restrita a tributos da mesma espécie (compensação indevida sob a vigência da legislação anterior e
posterior) e de pedido de compensação entre tributos de diferentes espécies.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.491
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10940.000889/00-79 Recurso n° 202-123608 Especial do Contribuinte Acórdão n° 02-03.491 — 2 Turma Sessão de 2 de setembro de 2008 Matéria IPI Recorrente METALÚRGICA SANTA CECÍLIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL AssUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/08/1998 a 31/12/1999 RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE EM TESE DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. MATÉRIA INCONTROVERSA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Falta interesse recursal em relação à possibilidade de compensação quando a inexistência de créditos suficientes à sua realização seja matéria incontroversa nos autos. RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. PARADIGMA RELATIVO A COMPENSAÇÃO POR PEDIDO. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. Não se configura a divergência jurisprudencial entre as hipóteses de compensação escritural indevida realizada pelo próprio sujeito passivo entre créditos de PIS e Cofins e débitos de IPI, que seria restrita a tributos da mesma espécie (compensação indevida sob a vigência da legislação anterior e posterior) e de pedido de compensação entre tributos de diferentes espécies. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Antonio Praga - Pres; dente 00/W-uC Josefa Maria Coelho Marques - Relatora Editado em: 17/06/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso divergência da interessada (fls. 464 a 470) apresentado em 19 de setembro de 2005 contra o Acórdão 202-16.396 (fls. 451 a 456) da 2 Câmara do 2' Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao seu recurso voluntário nos termos da ementa abaixo reproduzida: "IPI. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não compete às partes litigantes em processo judicial executarem o comando emanado da sentença definitiva da forma que lhes aprouver. A segurança jurídica da relação formada no processo judicial está na execução do decisum como determinado, em razão da norma particular e concreta nela aduzida. CREDITAMENTO DO IMPOSTO RELATIVO AOS INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. A não-cumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Recurso negado." O auto de infração foi lavrado à vista da inexistência de créditos relativos ao Finsocial e aos PIS, relacionados aos processos judiciais n°97.0012782-6 e 97.0012784-2. Segundo a fiscalização, os créditos de Finsocial esgotaram-se em compensação com a Cofins e, no tocante ao PIS, teria sido apurado saldo devedor e não credor. Ademais, foram glosados os créditos mantidos em desconformidade com a Instrução Normativa SRF ri" 33, de 1999, que, segundo a interessada, resultariam da aplicação da aliquota de saída dos produtos sobre os valores de entradas sem destaque de IPI. O acórdão recorrido considerou que a interessada obtivera, nas ações propostas, o direito de compensar o Finsocial com a Cofins e o PIS com PIS, não havendo 2 Processo n° 10940.000889/00-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.491 Fl. 502 como admitir a compensação com IPI. Em relação aos créditos de IPI, considerou que inexistiriam. No recurso, a interessada alegou que haveria base legal para as compensações e que deveriam ser aplicadas as disposições da Instrução Normativa SRF d . 210, de 2002. Em relação ao IPI, alegou que a questão estaria pacificada desde 1995 e que teria "decisão favorável do TRF4". Com base nos acórdãos juntados pela interessada, admitiu-se o recurso especial "para apreciação de matéria referente à possibilidade de compensação de crédito tributário com débitos de tributo diverso daquele autorizado judiciamente" (fls. 488 e 489). Nas contra-razões (fls. 491 a 498), a Fazenda Nacional defendeu a impossibilidade de descumprimento de decisão judicial, especialmente por que, no caso dos autos, as disposições da Lei n-Q 9.430, de 1996, já estavam em vigor à época das mencionadas decisões. Ao final, destacou a inexistência de recurso em relação aos créditos de IPI. É o relatório. Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora Somente é objeto do recurso especial a possibilidade de compensação de créditos alegados de PIS e Finsocial decorrentes de ação judicial com o IPI. Primeiramente há que se salientar a inexistência de processos de compensação apresentados pela interessada, nos termos da Instrução Normativa SRF rr 210, de 2002, o que era exigido pela redação do art. 74 da Lei n' 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos. Assim, pelo que consta dos autos, a interessada teria efetuado as compensações diretamente, sem apresentar os pedidos de compensação. Em que pesem tais fatos, a causa da autuação não foi nem a falta de pedido, nem a impossibilidade de compensação, aventada pelo acórdão recorrido, mas sim a inexistência de créditos suficientes para a compensação. Nesse diapasão, saliente-se o que disse o acórdão de primeira instância em relação à impugnação da interessada: "3.2 - A defesa não contesta os motivos da glosa da compensação, conforme acima explicitado, limitando-se a defender o direito de compensar, de acordo com a legislação de regência." Tal fato levou o acórdão de primeira instância a decretar as conseqüências da compensação com saldos inexistentes de créditos. 3 Portanto, o acórdão de segunda instância, objeto do presente recurso, distanciou-se da realidade fática, uma vez que de nada adiantou decidir sobre o direito de compensar se não existiam créditos e nesse contexto é que o recurso especial foi apresentado. Note-se que o acórdão recorrido, à fl. 455 dos autos, concluiu que "resulta indevida a compensação efetuada do IPI com os valores recolhidos a maior dos tributos declarados inconstitucionais", num contexto em que a matéria central do lançamento (inexistência de créditos) sequer havia sido objeto de impugnação. Considerando, como esclarecido, que o acórdão de primeira instância já havia destacado que "A defesa não contesta os motivos da glosa da compensação", tal matéria, que sequer foi objeto da impugnação, por si só seria suficiente para manter o lançamento. Portanto, ainda que toda a matéria do acórdão de primeira instância tenha sido devolvida à apreciação da Câmara recorrida e, dessa forma, pudesse fundamentar sua decisão com base em outro critério, o fato de inexistirem créditos que pudessem ser compensados com o imposto lançado torna inócua a discussão sobre a possibilidade de compensação. Dessa forma, a matéria submetida ao exame da Câmara Superior é irrelevante, razão pela qual não há, na prática, utilidade alguma na sua decisão, uma vez que a inexistência de créditos é matéria incontroversa nos autos e o eventual provimento do recurso da interessada não a beneficiaria. Assim, voto por não conhecer do recurso, em razão da inexistência de interesse recursal. Ademais, conforme já esclarecido, tratando-se de compensação entre tributos de diferentes espécies, seria necessária a apresentação de pedido de compensação, o que descaracteriza a divergência em relação ao paradigma apresentado. Note-se que, anteriormente à instituição da declaração de compensação pela Medida Provisória ri 66, de 2002, convertida na Lei n2 10.637, de 2002, havia duas modalidades distintas de compensação: entre créditos da mesma espécie e destinação constitucional, prevista no art. 66 da Lei n 8.383, de 1991, realizada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração e no âmbito do lançamento por homologação; e entre outros tributos federais, prevista no art. 74 da Lei d- 9.430, de 1996, realizada pelo fisco à vista de pedido do sujeito passivo. Anteriormente à Lei ng- 9.430, de 1996, portanto, somente havia previsão legal para compensação entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Nesse contexto, a Câmara Superior admitiu a compensação com outros tributos não previstos na decisão judicial, uma vez que a Lei n 9.430, de 1996, alterou a legislação vigente à época da apresentação da ação. Entretanto, a compensação realizada pela interessada não foi a da Lei n' 9.430, de 1996, por meio de pedido à autoridade fiscal, mas sim a da Lei n 2 8.383, de 1991, que somente poderia ser realizada entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Dessa forma, a legislação posterior não poderia beneficiar a interessada em relação ao direito reconhecido na decisão judicial, sem que houvesse o necessário pedido. 4 Processo n° 10940.000889/00-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.491 Fl. 503 De fato, a hipótese dos autos é de compensação escritural indevida, que a Lei n' 8.383, de 1991, não permitia, por se tratar de tributos de espécies diferentes. Ademais, não poderia ser caracterizada como a compensação da Lei n' 9.430, de 1996, por ausência de pedido. Já a hipótese divergente é de compensação por pedido não prevista na lei anterior (inexistia possibilidade de compensação entre contribuições sociais e IPI anteriormente à Lei n' 9.430, de 1996) e que passou a ser permitida por meio de pedido pela nova legislação. Assim, a hipótese dos autos não se ajusta à do acórdão apresentado como paradigma, que se refere à hipótese de pedido de compensação. Com essas considerações, voto por não tomar conhecimento do recurso. Dtb,a jut,CYL osefa Maria Coelho Marques ta/
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Numero do processo: 10860.002164/99-08
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: MULTA DE OFÍCIO - DADOS CADASTRAIS - O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício.
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.109
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra (Relatorl), Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da
Silva, Zuelton Furtado e José Clóvis Alves. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho.
Nome do relator: Antonio de Freitas Dutra
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS.\f<10 PRIMEIRA TURMA Processo n° : 10860.002164199-08 Recurso n° : 106-122483 (RD/106-0.507) Matéria : IRPF - Ex.: 1997 Recorrente : JOSÉ BROSLER CHANES JUNIOR Interessada : FAZENDA NACIONAL Recorrida : SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 20 DE AGOSTO DE 2002 Acórdão n° : CSRF/01-04.109 MULTA DE OFÍCIO - DADOS CADASTRAIS - O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ BROSLER CHANES JUNIOR. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra (Relatorl), Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva, Zuelton Furtado e José Clóvis Alves. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho. , E.D.1{-- , . . ., . ..0.' ON PEREI --: íovã RIGUES P ESIDENTE MARIA e ORETTI DE BULHÕES CARVALHO RELA *RA DESIGNADA FORMALIZADO EM: 1 8 Jim 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Processo n°. : 10860.002164/99-08 Acórdão n°. : CSRF/01-04.109 Recurso n°. : 106-122483 (RD/106-0.507) Recorrente : JOSÉ BROSLER CHANES JÚNIOR RELATÓRIO JOSÉ BROSLER CHANES JÚNIOR, CPF n° 258.311.196-53 jurisdicionado à ARF/GUARATINGUETÁ–S.P. recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais da decisão prolatada no Acórdão n° 106-11.538 de 17/10/2000 (fis. 93/105). A lide decorre do lançamento feito no auto de infração de fl. 03 em função do contribuinte ter consignado em sua declaração de ajuste anual do exercício de 1.997 rendimentos tributáveis como se fossem isentos ou não tributáveis. Os mencionados rendimentos decorrem de trabalho com vínculo empregatício pagos pelo Centro Tecnológico Aeroespacial-CTA. Cientificado da decisão do Acórdão acima mencionado, o contribuinte tempestivamente ingressou com recurso especial de divergência de fl. 111 instituído com cópia da decisão proferida no Acórdão n° 104-17.083 visando comprovar o dissídio jurisprudencial. O Acórdão recorrido está assim ementado: "IRPF – FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO – A não retenção do Imposto de Renda na Fonte, pela empresa, não exonera o beneficiário dos rendimentos sujeitos à tributação, da obrigação de incluí-los na declaração de ajuste anual como tributáveis. Recurso negado." A Presidente da Sexta Câmara pelo Despacho n° 106-1.715 de fls. 117/119 dá seguimento ao recurso especial. N)P 2 Processo n°. : 10860,002164199-08 Acórdão n°. : CS R F/01-04.109 Às fls. 120/121 contra-razões da FAZENDA NACIONAL propondo a manutenção da decisão do Acórdão recorrido. É o Relatório. 3 Processo n°. : 10860.002164/99-08 Acórdão n°. : CSRF/01-04.109 VOTO VENCIDO Conselheiro ANTONIO DE FREITAS DUTRA, Relator: O recurso preenche as formalidades legais, dele conheço. A matéria discutida nos autos diz respeito a exigência de imposto de renda de parcela indevidamente consignada na declaração de ajuste do exercício de 1.997 como não tributável. Todavia a matéria a ser discutida por este Colegiado diz respeito apenas ao inconformismo do contribuinte em relação à multa de ofício. Ou seja, a despeito da extensa e copiosa argumentação dispendida no recurso especial de divergência o pedido restringiu-se apenas à dispensa da multa de ofício e somente em relação a ela foi dado seguimento conforme Despacho de fls. 117/119. O ponto central do apelo do contribuinte ao pedir a exoneração da multa de ofício é a alegação de que foi induzido a erro pela fonte pagadora ao informá-lo que as gratificações pagas eram isentas. Sem adentrar no mérito da questão, vez que este Colegiado não se constitui terceira instância de julgamento, desfaço cabalmente a alegação do contribuinte, senão vejamos. E, apenas para argumentar tecerei breves considerações sobre o sistema de retenção de fonte porquanto a matéria em litígio, a multa de ofício, já foi devidamente provada sua aplicabilidade neste caso. É mister esclarecer que no sistema de retenção de fonte, a pessoa obrigada a satisfazer a obrigação, a princípio, é a pessoa que lhe atribuiu esse rendimento. Assim, a lei elegeu a fonte pagadora do rendimento para sujeito passivo da obrigação. (Y2° 4 Processo n°. : 10860002164199-08 Acórdão n°. : CSRF/01-04 109 Desta forma, a princípio, os valores pagos integram o rol dos rendimentos sujeitos a incidência por antecipação, ou seja, a tributação na fonte dá- se por antecipação do imposto devido na declaração anual, de cujo imposto apurado será deduzido o pago na fonte. Sendo que a obrigação da fonte pagadora é a de recolher o imposto de renda na fonte. Por outro lado, é obrigação do beneficiário declarar o rendimento auferido e pagar o imposto apurado na declaração anual, compensando o imposto retido quando tiver ocorrido a retenção. Assim, tem-se que no caso específico do imposto de renda retido na fonte a título de antecipação vejo que a responsabilidade atribuída à fonte pagadora não afasta o cumprimento da obrigação tributária pelo beneficiário. Diz o Código Tributário Nacional: "Art. 128 — Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da respectiva obrigação." Fica claro portanto, que o próprio Código Tributário admite que mesmo havendo a figura de um terceiro responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, nada impede que o fisco exija do próprio contribuinte a satisfação do crédito tributário. De fato, a lei atribuiu a terceiro — no caso a fonte pagadora — a responsabilidade pela retenção do imposto a título de antecipação do devido na declaração. No entanto, há de se observar que esta responsabilidade não persiste "ad eternum". Cr 5 Processo n°. 10860.002164/99-08 Acórdão n°. . CSRF/01-04.109 Ora, encerrado o exercício em que foi realizado o pagamento e, mais ainda transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não vejo como perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora Isto porque, tratando-se de situação em que fica afastado o cumprimento da obrigação pelo contribuinte, o encerramento do exercício e o decurso do prazo para a entrega da declaração afastam a responsabilidade da fonte pagadora. Nesta ordem de idéias, o procedimento de ofício ocorrido após a entrega da declaração deve considerar que aquele imposto devido a fonte passa a ser exigido junto aos demais rendimentos apurados no curso do ano-calendário respectivo, cabendo ao beneficiário incluí-los no rol dos demais rendimentos e oferecê-los à tributação através da declaração anual. Assim sendo, não se justifica, a manutenção da exigência à fonte pagadora de imposto, que representa simples antecipação do tributo devido pelos beneficiários envolvidos no caso em questão. Como também é entendimento já consagrado, que se a previsão da tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso de omissão de Rendimentos/receitas, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimentos/receitas. (f) 6 Processo n°. . 10860.002164199-08 Acórdão n°. : CS R F/01-04.109 Assim sendo, pela argumentação acima dispendida e por tudo mais que dos autos consta, voto por NEGAR provimento ao recurso especial de divergência. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 20 de agosto de 2.002. DAE FREITASANTONIO REITAS DUTRA 7 Processo n°. : 10860.002164/99-08 Acórdão n° : CSRF/01-04.109 VOTO VENCEDOR Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO„ Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido, relembrando que o seguimento foi dado apenas em relação a multa de ofício. Portanto, a questão submetida à apreciação do Colegiado consiste na pretensão do recorrente em ver afastada a multa de ofício da exigência sobre rendimentos declarados como "não tributáveis". Sou pela exclusão da penalidade, vez que o contribuinte, espontaneamente, declarou os rendimentos não os ocultando da Receita Federal. É certo, também, que os referidos rendimentos, inobstante declarados indevidamente com não tributáveis, constituíam elementos cadastrais da repartição e não foram apurados através de procedimentos fiscais e sim confessados pelo beneficiário. Não bastasse, a fonte pagadora através do formulário "informe de rendimentos", alocava os valores como isentos e não tributáveis e, com isto, induzia o contribuinte a praticar o erro, perfeitamente escusável, no preenchimento de sua declaração, não se vislumbrando nenhum tipo de fraude ou sonegação. Esta mesma questão já foi submetida à Câmara Superior de Recursos Fiscais, dando origem ao Acórdão n.° CSRF/01.0.217, com a seguinte ementa: IRPF - REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFICIO OU POR DECLARAÇÃO. Desde que o contribuinte declarou os rendimentos, embora, erroneamente, os considerasse intributáveis, não cabia considerar tais rendimentos 8 L\\(1) Processo n°. : 10860.002164/99-08 Acórdão n°. : CSRF/01-04.109 como omitidos, e inexata a declaração, efetuando-se o conseqüente lançamento de ofício. A hipótese ensejava a retificação de erro, em simples revisão interna, procedendo-se ao lançamento por declaração. Nesse Acórdão, o ilustre Relator Dr. Urgel Pereira Lopes apresentou os seguintes fundamentos, os quais adoto e permito-me transcrever: "O conceito de declaração inexata deve ser visto com os devidos temperamentos. Se o vocábulo exato tem a acepção de certo, correto, preciso, rigoroso, perfeito, esmerado, seria inexato tudo que, em alguma medida, não fosse certo, correto, preciso, etc. Em suma, qualquer pequeno erro de soma, de informação, etc. implicaria inexatidão de declaração. Ante o rigor terminológico de inexato, a legislação do imposto sobre a renda cuida de estabelecer o sentido do vocábulo quando aplicado às declarações de rendimentos. Assim, lê-se no art. 483, letra "c", do RIR/75: "c) fizer declaração inexata, considerando-se como tal não só a que omitir rendimentos como também a que contiver dedução de despesas não efetuadas ou abatimentos indevidos." Em vista do texto legal transcrito, concluímos que não é qualquer erro, mesmo grosseiro, que autoriza o lançamento de ofício, por inexatidão da declaração de rendimentos. Temos, por outro lado, o lançamento por declaração, isto é, o lançamento efetuado à vista das informações prestadas pelos contribuintes. Entendo que, nestes casos, não se cuida, pura e simplesmente, de efetuar o lançamento por declaração apenas quando as declarações de rendimentos estão preenchidas com absoluta correção. Na realidade, lançamento será por declaração sempre que, em revisão interna, for possível extrair dos elementos fornecidos pelos contribuintes os dados necessários à feitura do lançamento, com segurança. No processo de revisão, não se afasta a hipótese de intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos necessários. Se estes foram satisfatórios, isto é, confirmarem, por exemplo, a legitimidade da classificação dada aos rendimentos, das deduções ou abatimentos considerados, ainda assim o lançamento será por declaração, retificando-se, no que couber, a declaração prestada pelo contribuinte " ().,p 9 Processo n°. . 10860.002164/99-08 Acórdão n°. . CSRF/01-04.109 Assim, na esteira dessas considerações, meu voto é no sentido de DAR provimento ao recurso, para excluir do lançamento a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 20 de agosto de 2002 at_ed:L4, MARIA de RETTI DE BULHÕES CARVALHO io Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.004160/2003-61
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO.
Cabe ao contribuinte reunir e trazer aos autos os elementos probatórios do crédito alegado em processo relativo a pedido de restituição ou compensação de tributos.
Numero da decisão: 1103-000.756
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR OS EMBARGOS interpostos pela contribuinte
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. Cabe ao contribuinte reunir e trazer aos autos os elementos probatórios do crédito alegado em processo relativo a pedido de restituição ou compensação de tributos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.004160/200361 Recurso nº Embargos Acórdão nº 110300.756 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria IRPJ compensação Embargante Cia Nacional de Cimento Portland Interessado Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. Cabe ao contribuinte reunir e trazer aos autos os elementos probatórios do crédito alegado em processo relativo a pedido de restituição ou compensação de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR OS EMBARGOS interpostos pela contribuinte. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.756 S1C1T3 Fl. 2 2 Os autos tratam de declaração de compensação com aproveitamento de créditos originários de saldos negativos de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica dos anos calendário 2001 e 2002. Por intermédio do Acórdão nº 110300.476/2011 (fls. 245), adotado por unanimidade, esta Turma negou provimento ao recurso voluntário interposto (fls. 207), assim resumindo a decisão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo do contribuinte, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do CTN – Código Tributário Nacional, acarreta indeferimento do pedido e negativa de homologação da compensação.” Cientificada da decisão em 05/11/2011 (fls. 258), Lafarge Brasil S/A, na condição de responsável por incorporação, opôs embargos de declaração no dia 11 do mesmo mês ao fundamento de existência de contradição no acórdão (fls. 260). Requereu o recebimento dos embargos com efeito modificativo para determinação de realização da diligência negada pela Turma no acórdão contestado. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. As hipóteses de embargos de declaração se encontram indicadas no art. 65 do anexo II do Ricarf – Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF 256/2009, entre as quais se encontra aquela de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. A recorrente identificou contradição na fundamentação para negativa à realização de diligência constante do acórdão embargado. No seu entendimento, seriam conflitantes as conclusões quanto à instrução suficiente do processo, no voto condutor do acórdão, e à negativa da homologação por falta de comprovação do crédito alegado, na ementa. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.756 S1C1T3 Fl. 3 3 Afirmou: “Às fls. 248 e 249, há expressa afirmativa no sentido de que o processo estava suficientemente instruído: ‘O processo está suficientemente instruído, contendo os elementos necessários para a formação da convicção do julgador ... (fls. 284) Desnecessária, portanto, a realização de diligência. (fls. 249)’ E já na ementa, traz a informação de que ‘(...) A falta de comprovação do crédito líquido e certo do contribuinte, requisito necessário para a compensação, conforme o previsto no art. 170 do CTN Código Tributário Nacional, acarreta indeferimento do pedido e negativa de homologação da compensação.’” A alegação deve ser rejeitada. Percebese que a recorrente transcreveu na sua peça de contestação apenas a afirmação de suficiente instrução do processo, esquecendose da fundamentação que a acompanhou, relativa à distribuição do ônus da prova. Eis o texto completo: O processo está suficientemente instruído, contendo os elementos necessários para a formação da convicção do julgador, considerandose que, em matéria de restituição ou compensação de tributos, cabe ao contribuinte requerente reunir e trazer aos autos os elementos necessários para comprovação do seu direito ao crédito pleiteado. Esse é o entendimento pacífico neste Conselho, adiante exemplificado: ‘Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. Cabe ao contribuinte reunir e trazer aos autos os elementos probatórios do crédito alegado em processo relativo a pedido de restituição ou compensação de tributos. (Acórdão nº 110300.349/2010 – Recurso nº 166795 – Processo nº 10860.004059/200432)’ Desnecessária, portanto, a realização de diligência.” Vêse claramente que cabia ao contribuinte trazer aos autos por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário os elementos probatórios do crédito alegado, não sendo cabível exigirse do Fisco a produção de tais provas. A conclusão de suficiência de instrução do processo, negandose a diligência, deuse com base na distribuição do ônus da prova e nas oportunidades da contribuinte de juntá las (as provas) aos autos, conforme expressamente referido no acórdão. Além do que, toda a documentação apresentada pela recorrente foi individual e detalhadamente avaliada e referida no voto condutor do acórdão, com indicação de valores, localização nos autos (fls.) e resultado do exame, concluindose: Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.756 S1C1T3 Fl. 4 4 “O que se percebe na argumentação da recorrente, relativa aos dois anos calendário, é uma tentativa de realizar retificações nas suas DIPJ utilizando meio impróprio, uma declaração de compensação.” Não existiu a contradição alegada. Conclusão Pelo exposto, rejeito os embargos da contribuinte. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10940.000802/97-13
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DO STJ DE Nº 993.164. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Entendimento do STJ objeto do recurso especial repetitivo de nº 993.164, o qual deve ser aplicado pelo CARF por força do artigo 62-A do Regimento Interno.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: NANCI GAMA
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DO STJ DE Nº 993.164. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Entendimento do STJ objeto do recurso especial repetitivo de nº 993.164, o qual deve ser aplicado pelo CARF por força do artigo 62A do Regimento Interno. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 08 02 /9 7- 13 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de nº 20174.157, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, (i) por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos ao estoque inicial de matéria prima existente em 01.01.97, bem como para reconhecer a incidência de juros na forma da Norma de Execução nº 08/97; (ii) por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como dos valores relativos aos gastos com embalagens de papelão e gases utilizados no acondicionamento dos produtos do contribuinte; e (iii) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso para considerar indevida a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos ao combustível consumido no processo de industrialização dos produtos exportados, conforme ementa a seguir: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EXCLUSÃO DE ESTOQUE A IN n° 103/97 determina a exclusão do cálculo do valor do beneficio, no período relativo ao quarto trimestre do ano, dos estoques finais existentes em 31.12 do ano anterior. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o "valor total" das aquisições de MP, PI e ME, referidos no art. I o da Lei n° 9.363/96. A Lei referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO As IN n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363/96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas (IN n° 23/97), bem como que as MP, PI e ME, adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitos mediante Lei ou Medida Provisória. As IN são normas complementares das Leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto das normas que complementam. PRINCÍPIO DA PRATICABILIDADE O crédito presumido de EPI utiliza oprincípio da praticabilidade, que usa a presunção como o meio mais simples eviável de se atingir o objetivo da lei, dando à administração o alívio do fardo dainvestigação exaustiva de cada caso isolado, dispensandoo da coleta de provasde difícil, ou até impossível, configuração. AQUISIÇÕES DECOMBUSTÍVEIS Os combustíveis não se enquadram no Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10940.000802/9713 Acórdão n.º 9303002.151 CSRFT3 Fl. 448 3 conceito de MP, PI e ME, previsto na legislação aplicável do IPI, bem como não existe nos autos acomprovação de que integram o processo produtivo, devendo ser excluídos doscálculos do crédito presumido, mantida nessa parte a decisão recorrida. EMBALAGENS DE PAPELÃO E GASES UTILIZADOS EM BENSDESTINADOS AO MERCADO INTERNO Devese excluir do cálculo dobenefício, as embalagens de papelão e os gases, utilizados no processo produtivode bens destinados ao mercado interno, na forma do art. I o da IN SRF n° 23, de13/03/1997, que dispõe que o crédito presumido do EPI incide apenas sobre asaquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, utilizados no processoprodutivo de bens destinados à exportação para o exterior, mantida nessa parte adecisão recorrida. JUROS (NORMA DE EXECUÇÃO N° 08/97) Reconhecido, ainda, o direito ao ressarcimento acrescido de juros, na forma prevista na Norma de Execução n° 08/97. Recurso provido em parte.” Inconformada com a parte do acórdão que reconheceu ser devida a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores oriundos das aquisições de matériasprimas de pessoas físicas e cooperativas, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando divergência de aludido entendimento para com o constante dos acórdãos de números 20211.198, 20211.449 e 20211.450, tendo, entretanto, apenas juntado cópia do acórdão de nº 20211.450, cuja ementa encontrase a seguir transcrita: “IPI CRÉDITOS PRESUMIDOS I INSUMOS ADQUIRIDOS DE PRODUTORES. COOPERATIVAS E/OU MICT Não integram a base de cálculo do crédito presumido devido a inexistência de gravame da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS nesta operação. II ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO Para que seja caracterizado como matéria prima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo. em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou vice versa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em industrialização. A energia elétrica e os combustíveis, no caso presente, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Recurso a que se nega provimento.” Em despacho de fls. 182 o i. Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado tanto do despacho que admitiu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, como do próprio recurso especial da Fazenda Nacional e, também, do acórdão proferido pela Primeira Câmara, o contribuinte opôs embargos de declaração, não tendo, entretanto, apresentado contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Paralelamente aos embargos de declaração opostos pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa também opôs embargos de declaração contra o acórdão. Ambos os embargos declaratórios foram incluídos em pauta de julgamento, tendo sido prolatado o acórdão de nº 20180.509, o qual os conheceu e os acolheu apenas para “reratificar o acórdão de nº 20174.157”, conforme ementa a seguir: “Ementa: OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. EMBARGOSDECLARATÓRIOS. CABIMENTO. Havendo omissões e contradições no Acórdãoembargado, entre a ementa, acórdão e fundamentos,são cabíveis embargos declaratórios para suaretificação, devendo passar a ementa a ser a seguinte: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕESDE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do crédito presumido serádeterminada mediante a aplicação sobre o 'valortotal' das aquisições de MP, PI e ME, referidos noart. Ia da Lei na 9.363/96. A lei referese a 'valortotal' e não prevê qualquer exclusão. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. As IN n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n°9.363/96 ao estabelecerem que o crédito presumidode IPI será calculado, exclusivamente, em relação àsaquisições efetuadas de pessoas jurídicas (IN n123/97), bem como que as MP, PI e ME, adquiridas decooperativas não geram direito ao crédito presumido(IN ir 103/97). Tais exclusões somente poderiam serfeitas mediante Lei ou Medida Provisória. As IN sãonormas complementares das Leis (art. 100 do CTN) enão podem transpor, inovar ou modificar o texto dasnormas que complementam. PRINCÍPIO DA PRATICABILIDADE. O crédito presumido de IPI utiliza o princípio dapraticabilidade, que usa a presunção como o meio maissimples e viável de se atingir o objetivo da lei. dando àadministração o alívio do fardo da investigaçãoexaustiva de cada caso isolado, dispensandoo dacoleta de provas de difícil, ou até impossível,configuração.Os combustíveis não se enquadram no conceito deMP, PI e ME, previsto na legislação aplicável do IPI. EMBALAGENS DE PAPELÃO E GASES UTILIZADOSEM BENS DESTINADOS AO MERCADO INTERNO. A forma de apuração do crédito presumido de IPIavalia a parcela dos insumos utilizados na produçãode bens exportados ou vendidos no mercado internopor meio de uma técnica de rateio e não pelaexclusão direta da base de cálculo do incentivo dosinsumos, ainda que empregados exclusivamente emprodutos vendidos no mercado interno. JUROS. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10940.000802/9713 Acórdão n.º 9303002.151 CSRFT3 Fl. 449 5 Incidindo a taxa Selic sobre a restituição, nos termosdo art. 39, § 4a, da Lei n° 9.250/95, a partir de01/01/96, sendo o ressarcimento uma espécie dogênero restituição, conforme entendimento daCâmara Superior de Recursos Fiscais no AcórdãoCSRF/020.708, de 04/06/98, além do que, tendo oDecreto nr 2.138/97 tratado restituição e ressarcimentoda mesma maneira, a referida taxa incidirei, também,sobre o ressarcimento. Recurso provido em parte. " Embargos acolhidos.” Após ser intimado de referido acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial suscitando que a parte do acórdão que excluiu, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores relativos aos gastos com combustível consumido no processo de industrialização dos produtos exportados, divergiria dos acórdãos utilizados como paradigmas de números 20304839 e 20209744, os quais entenderam que os combustíveis seriam matérias primas por participarem do processo produtivo, cabendo, portanto, serem incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Em exame de admissibilidade de fls. 380/381, o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte não foi conhecido pelo i. Presidente da 3ª Seção de Julgamento do CARF, tendo o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais mantido referido exame sob fundamento de que a matéria objeto do recurso já teria sido pacificado por meio da Súmula de nº 12 do CARF, não cabendo a interposição de recurso especial por força do disposto no artigo 15, §2º do Regimento Interno da Câmara Superior, bem como do artigo 67 do Regimento Interno do CARF. Regularmente intimado, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia cingese em determinar se as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas devem ou não ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Na verdade, aludida controvérsia existe por conta da publicação das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de n.os 23/97 e 103/97, as quais limitam os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96, impondo que o direito ao crédito presumido de IPI somente pode ser configurado para aquisições de pessoas jurídicas, sendo excluídas, ainda, as aquisições de cooperativas. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Em ambos os casos, o fundamento para essas Instruções Normativas é o mesmo, qual seja, o de que o benefício do crédito presumido de IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e Cofins, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador, houver incidência dessas contribuições sociais. Eis as suas transcrições: IN SRF n° 23/97: “Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” IN SRF n° 103/97: “Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido.” A matéria em referência já foi objeto de julgamento de recurso especial repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual deve ser aplicado o entendimento objeto do REsp nº 993.164 por força do artigo 62A1 do Regimento Interno do CARF. Aludido julgamento do STJ respaldou o entendimento de que os valores oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas, os quais irão ser utilizados no processo produtivo de mercadorias a serem exportadas, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI, conforme sua ementa a seguir: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIALREPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITOPRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DOPIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS EEXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOSINSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS ÀTRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIADOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULAVINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃONORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO).CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DODIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃOCARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXASELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC.INOCORRÊNCIA. 1“Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 452DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10940.000802/9713 Acórdão n.º 9303002.151 CSRFT3 Fl. 450 7 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, nãopoderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução NormativaSRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar noordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI pararessarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadoriasnacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre ProdutosIndustrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam asLeis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 dedezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre asrespectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas,produtos intermediários e material de embalagem, para utilização noprocesso produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase,inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com ofim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "oMinistro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias aocumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos eperiodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido erespectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aosdocumentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título,efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições,expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização docrédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando oSecretário da Receita Federal a expedir normas complementaresnecessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu aInstrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua forçanormativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nosmesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assimpreceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere oartigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadoriasnacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício daalíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fimespecífico de exportação. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos daatividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 deabril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ouembalagem, na produção bens exportados, será calculado,exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoasjurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97,restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras deprodutos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercadointerno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuiçõesdestinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atosnormativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limitesimpostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis,tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem apositivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquianormativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não deinconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso deMello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativaque extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, dabase de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, asaquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) dematériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributaçãopelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de DireitoPúblico: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg noREsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma,julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra ElianaCalmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008;REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgadoem 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. MinistroTeori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon,Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e,por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido peloprodutorexportador, mesmo não havendo incidência na sua últimaaquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posteriorà Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e(iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisiçõesdos insumos Fl. 454DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10940.000802/9713 Acórdão n.º 9303002.151 CSRFT3 Fl. 451 9 utilizados no processo produtivo (art. 2º), semcondicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) adecisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declareexpressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poderpúblico , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula dereserva de plenário não abrange os atos normativos secundários doPoder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com aConstituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STFà espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo,impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente daaplicação do princípio constitucional da não cumulatividade),descaracteriza referido crédito como escritural (assim consideradoaquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escritacontábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sobpena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica doprecedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, doCPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega oManual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ)autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) nacorreção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados poróbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon,Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restouconfigurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de formaclara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese,ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, osargumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizadostenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreuna hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidênciade correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Face ao exposto, voto no sentido de conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento no sentido de manter o acórdão a Fl. 455DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 quo e reconhecer o direito do contribuinte ao benefício do crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Nanci Gama Fl. 456DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13854.000036/2001-83
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL - IPI - INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA - EXCLUSÃO.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção juris et de jure, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO PELA SELIC- Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Precedentes jurisprudenciais.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devém ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Providos.
Numero da decisão: 9303-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento quanto ao coeficiente de apuração do crédito presumido entre a receita de exportação e a receita operacional bruta; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 36 /2 00 1- 83 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO PELA SELIC Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Precedentes jurisprudenciais. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devém ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento quanto ao coeficiente de apuração do crédito presumido entre a receita de exportação e a receita operacional bruta; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, fl. 01, relativo ao 4º trimestre de 2000, com fundamento na Portaria MF n. 238/97, cumulado com pedido de compensação, os quais foram Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 358 3 convertidos em declarações de compensação, conforme § 4º do art. 49 da Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Por meio do Acórdão 20217.645 o recurso foi provido em parte. Por maioria de votos, os conselheiros deram provimento para reconhecer o direito de inclusão do custo com a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido. Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido e quanto a taxa Selic. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à energia elétrica, aos combustíveis e produtos adquiridos para revenda A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. A mens legis do incentivo teve por finalidade a desoneração tributária dos produtos exportados. O valor das matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários mandados industrializar por encomenda que integraram o produto final exportado compõe a base de cálculo do crédito presumido do IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas .físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da COFINS, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrar a receita bruta operacional nos termos da legislação do Imposto de Renda. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É vedada a atualização de créditos meramente escriturais por absoluta falta de previsão legal. Recurso provido em parte." A Procuradora da Fazenda Nacional recorreu tempestivamente do Acórdão n. 20217.645, sob a alegação de entendimento contrário à lei no tocante à inclusão do custo dos Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Segundo a recorrente, a decisão fustigada incorreu em afronta à regra do artigo 12 da Lei n. 9.363/96 (fls. 250/260). Pelo Despacho n. 202030, fls 263, sob o entendimento de estarem presentes as condições legais, deuse seguimento ao recurso. Cientificada do Acórdão, bem como do teor do Despacho n. 202030, a interessada também interpôs, tempestivamente, em petição única, as contrarrazões ao apelo da Fazenda Nacional e Recurso Especial de divergência (fls. 158/193). As divergências apontadas pela empresa referemse a não inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos custos das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, a não atualização do ressarcimento pela taxa Selic e a manutenção dos valores das vendas de produtos adquiridos de terceiros na receita bruta mas não na receita de exportação, para efeito de cálculo do coeficiente do exportação. Para comprovar a necessária divergência, consoante estabelece o art. 15, § 2º. Do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a recorrente fez juntar aos autos, às fls. 309/323, várias ementas e cópia integral de dois acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Consta do Despacho de admissibilidade de fls. 328/329: As ementas de fls. 309/310 e 311/312 referemse aos Acórdãos CSRF/0201.165 e CSRF/0200001.319, nos quais foi decidido que as aquisições de pessoas físicas e de cooperativas devem integrar o cálculo do crédito presumido e que a taxa Selic deve incidir sobre o ressarcimento. Nestas questões, este acórdãos, sem a menor sobra de dúvida, são divergentes do acórdão que ora se combate. Com relação à taxa Selic, também faz prova da divergência a ementa juntada à fl. 313, relativa ao Acórdão CSRF/0201414. No tocante à não inclusão da receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros para revenda na receita de exportação, a recorrente aponta como divergente o Acórdão CSRF/0201.451, cuja cópia integral foi juntada às fls. 318/323. Neste julgado, a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que a receita da exportação de mercadorias de terceiros deve ser incluída, tanto na receita bruta como na receita de exportação, decisão que foi divergente daquela proferida no presente processo. Assim, caracterizado o dissídio jurisprudencial e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no inciso II do art. 7°, c/c o § 2' do art. 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Port. MF n. 147/2007, dou seguimento ao presente Recurso Especial, no tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, à incidência da taxa Selic no ressarcimento de IPI e com relação à inclusão da receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no numerador (receita de exportação) quanto no denominador (receita bruta). Portanto, sob entendimento de estarem presentes as condições de admissibilidade, foi dado também seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 359 5 no tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, à incidência da taxa Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI e com relação à inclusão da receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no numerador (receita de exportação) quanto no denominador (receita bruta). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O objeto da presente controvérsia é o pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, no anocalendário de 2000. Os recursos apresentados atendem as condições exigidas e deles tomo conhecimento. As matérias objeto dos 2 recursos apresentados, um pela Fazenda Nacional e outro pelo contribuinte, são bastante conhecidas por este Colegiado. A saber: Recurso da Fazenda Nacional: A Procuradora da Fazenda Nacional recorreu tempestivamente do Acórdão n. 20217.592, sob a alegação de entendimento contrário à lei no tocante à inclusão do custo dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Recurso do contribuinte: As divergências apontadas pela empresa referemse a: I) não inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos custos das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, sob entendimento de que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS e II) a não atualização do ressarcimento pela taxa Selic e III) e com relação à inclusão da receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no numerador (receita de exportação) quanto no denominador (receita bruta). Passo à análise dos recursos: Consta dos autos que a contribuinte é empresa fabricante de produtos derivados do processamento de frutas cítricas, especialmente a laranja, comercializados tanto no mercado interno quanto no mercado externo. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 A matéria tem dado azo a divergências neste Colegiado. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23/03/95, convertida na Lei nº 9.363/96, e tem a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matériasprimas, visando permitir maior competitividade destes no mercado externo. Tratase, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia à parcela de sua arrecadação tributária, em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. Evidentemente, os serviços de industrialização cobrados pelo industrializador incluem valor de mãodeobra e insumos que se agregaram aos produtos industrializados sob encomenda da contribuinte e posteriormente exportados devem, no entender desta Conselheira, por conseqüência, ser incluídos no cálculo do crédito presumido. Nesse sentido, invoco outros precedentes do então Conselho de Contribuintes: AC n n.º 20212301 – Relator MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA Ainda com relação às aquisições, analisase a industrialização por encomenda. É certo que se a empresa adquirisse a madeira beneficiada, o valor que constaria na nota fiscal do fornecedor representaria o custo da madeira em bruto mais o custo dos serviços de beneficiamento. Neste caso, não há dúvida de que o valor dessa aquisição comporia a base de cálculo do incentivo, posto que madeira beneficiada foi transformada em móveis que foram exportados. De outra forma, se a empresa fornecedora emitisse, duas notas fiscais, uma da madeira em bruto e outra do serviço de beneficiamento, que diferença faria para o adquirente? Para o fornecedor, a base do IPI, caso haja incidência, deve ser a soma dos valores das duas notas fiscais. Para o produtor exportador, o custo da matériaprima há que ser composto pelo somatório das duas notas fiscais. No caso presente, o fornecedor da madeira em bruto é um e o realizador do beneficiamento é outro. Isto quer dizer que as duas notas cogitadas no parágrafo anterior são emitidas por estabelecimentos diferentes, mas isso não muda o fato de que, para o adquirente, o custo da matériaprima é composto pelas duas parcelas: o preço pago pela madeira e o preço pago pelo beneficiamento da mesma, para que adquira as condições exigidas pelo processo de fabricação dos móveis a serem exportados. Pelo exposto, reconheço como inerente ao custo da matéria prima o que é pago para o seu beneficiamento em estabelecimento de terceiro, ainda mais que esse terceiro, como o primeiro fornecedor, também está sujeito às contribuições que o incentivo visa ressarcir. ACÓRDÃO n.º. 20174349 Rel. ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 360 7 Antes de aplicarse tal forma de interpretação, incumbe relembrar, e disto não discrepa esta Câmara, que o benefício foi instituído para desonerar a carga tributária das exportações. Por tal, penso que, quando a lei fala em aquisições, não se resume a deferir o direito restrito a tal momento, excluindo operações que não se perpetrem ou que transcendam aquela definição temporal. Quando a regra fala em ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições, penso referirse ao produto adquirido e ao custo que nele se contém e que nele vem a agregarse. Ora, o termo “aquisições” não se limita a compra e ao seu preço. Significa, igualmente, entre outras formas de aquisição, a obtenção de um produto, até a título gratuito. É, portanto, um conceito que engloba outras formas de aperfeiçoamento de seu conceito, que não a compra e o seu pagamento. Não encontro, data venia, resposta lógica, a não ser exacerbada interpretação literal, e contraditória aos princípios perseguidos pela regra instituidora do benefício. Encerro minha manifestação aduzindo dois argumentos finais. O primeiro, e este o nobre ConselheiroRelator exemplificou como perfeitamente abrangido pela norma, é a admissibilidade do benefício caso o produto tivesse sido adquirido já como produto intermediário (fio de algodão), sem a ocorrência da industrialização por conta de terceiros. Não vejo, e aí a discrepância, porque tratar desigualmente duas formas distintas de obtenção do mesmo produto. Não consigo admitir que a regra seja iníqua ao ponto de punir injusta e, no meu entender, antijuridicamente, o exportador que opta por caminho que lhe assegure a competitividade através da obtenção de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem por preço final (custo) mais em conta. Ainda que perpassasse pelos meus nobres pares que discordam deste entendimento, o pensamento de que tal operação objetivasse superavaliar o produto, mediante preço eventualmente majorado, visando alargar financeiramente o benefício, ainda assim de aplicarse a regra como defendo. Caberia, juridicamente, fosse o caso, glosar a operação por simulada ou fraudulenta, e não simplesmente fazer tábula rasa da desconfiança. Vou mais além: não vejo estímulo para a prática, visto que a relação benefício potencial versus risco é altamente desestimulante à prática. No entanto, afirmo que o fenômeno não se sustenta juridicamente, sendo matéria árida para amparar o entendimento do desamparo ao direito. O segundo e final argumento, ainda que reconheça não confortado peja juridicidade, é de que a operação de industrialização por conta de terceiros, inclusive em relação ao custo de mãodeobra, sofre incidência do PIS e da COFINS, o Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 que, por si só, justifica a desoneração tributária via ressarcimento ou compensação. ACÓRDÃO nº. 20176472 – RELATOR GILBERTO CASSULI: É dizer, a contribuinte incluiu os valores referentes à industrialização efetuada por outras empresas em sua base de cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao incentivo à exportação. E esses valores foram excluídos pela autoridade tributária. Com efeito, estabelece a Lei nº 9.363, de 13/12/1996: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n°s 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (grifamos) Estão estabelecidos na lei os aspectos do crédito presumido em exame. E assim, a interpretação que a autoridade julgadora lhe deu não pode prosperar, porque, ao afirmar não poderem compor a base de cálculo, referida no art. 2º da Lei nº 9.363/96, os custos com a industrialização efetuada por outras empresas, diz que somente geram direito ao crédito as aquisições em sentido estrito, o que é uma exegese demasiadamente literal do texto legal. Devemos, inicialmente, perquirir acerca da mens legis, ou seja, a vontade, o desejo da lei. Bem sabemos que pretende, com este crédito presumido, desonerar a carga tributária das exportações. Agora, com relação às aquisições que dão direito ao crédito presumido, devemos entender o que abrangem. Evidentemente, devem às aquisições ser somados os custos nelas contidos, ou seja, geram crédito presumido as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, e os custos a estes agregados. Com efeito, tratase o crédito presumido de IPI em comento, como estabelecido no texto legal, de ressarcimento do PIS e da COFINS recolhidos nas etapas anteriores (e não somente na Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 361 9 imediatamente anterior), incidentes sobre os insumos. No dizer do ilustre Conselheiro Osvaldo Tancredo de Oliveira, da Segunda Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes, é: “... incentivo financeiro à exportação quantificado sobre o valor total dos custos dos insumos que compõem o produto exportado. É certo que esse incentivo, efetivamente, visa a compensar o exportador do valor das ditas contribuições sociais que oneram os insumos empregados, bem como, ainda, as contribuições que oneraram as mercadorias empregadas na fase produtiva desses insumos. Daí a alíquota de 5,37%, para efeito de cálculo do incentivo incidente sobre o valor total dos insumos que compõem o produto exportado, como esclarece a citada Portaria Ministerial.” 1 (grifamos) Tratase, inclusive, de questão de igualdade tributária, de isonomia. Porque se os custos inseridos, por exemplo, no beneficiamento de matériaprima não gerarem direito ao crédito presumido aos contribuintes que optam por trabalhar com algumas industrializações por encomenda, estarseá tratando este contribuinte de maneira diferente daquele que adquire o insumo semiacabado (produto intermediário), onde já estarão inseridos os custos com a industrialização efetuada. De fato, caso o produtor adquirisse o produto intermediário já com os beneficiamentos necessários, em vez de adquirir a matériaprima em estado produtivo inicial e remetêla à industrialização em outra empresa (por encomenda), incluiria na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total deste custo. De outra banda, adquirindo a matériaprima em estado inicial e remetendoa à industrialização por conta de terceiros, conforme o entendimento adotado na decisão objurgada, não pode inserir este custo na base de cálculo do crédito presumido. Há aqui manifesta afronta à juridicidade deste instituto e ofensa ao princípio da igualdade tributária, porque a situação, na ótica do contribuinte, é a mesma. Lembremonos, inclusive, que, muitas vezes, este procedimento diminui o valor do ressarcimento, porque o custo total é menor. A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no julgamento do Processo nº 10920.000521/9762, Recurso nº 110.144, Acórdão nº 20174.349, Relator o eminente Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa, em Sessão no dia 21/03/2001, decidiu: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Os valores correspondentes à industrialização por encomenda integrarão o valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA A energia elétrica, 1 Acórdão nº 20209.865, Relator Osvaldo Tancredo de Oliveira, Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Sessão em 17/02/1998, ao julgar o Recurso nº 102.571. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 embora não integre o produto final, é produto intermediário consumido durante a produção e indispensável à mesma. Sendo assim, deve integrar a base de cálculo a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.363/96 (...). Recurso parcialmente provido.” (grifamos) Destarte, não se pode negar que um custo a que se submete a matériaprima não integre o valor das aquisições incentivadas. É dizer, pelo acima exposto, pode, no entender desta Conselheira, incluir os valores referentes à industrialização efetuada por outras empresas em sua base de cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao incentivo à exportação. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência dos Tribunais superiores, a controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtorexportador houver incidência dessas contribuições sociais. Como bem percebido pelo doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira2, a lei instituidora do benefício “presume de forma absoluta, sem admitir contraprova, mas também sem exigir qualquer prova, que houve custos incorridos e que, a bem das exportações nacionais devem ser ressarcidos ao exportador, e, igualmente, presume de forma absoluta, sem necessidade de prova em qualquer sentido, o montante desses custos a ressarcir”. E, mais adiante, afirma ainda o autor: “Em suma, nestas circunstâncias não há prova a ser feita pelo fisco ou pelo contribuinte, de incidência ou não incidência, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando serem provados os elementos da fórmula geral”, ou seja, basta que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo, a receita de exportação e a receita operacional bruta. Ainda, sob o tema, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: 2 Crédito Presumido de IPI – Ressarcimento de PIS e COFINS – Direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributados, não publicado. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 362 11 a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Da posição atual do STJ Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 3. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou 3 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 363 13 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. DA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO – SELIC Insurgese o contribuinte contra o acórdão proferido que negou o reconhecimento da incidência da correção da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido. O ressarcimento de créditos básicos do IPI não utilizados no período tratase, em verdade de um incentivo fiscal, já que o legislador autorizou o ressarcimento em espécie ou sob forma de compensação com outros tributos, de eventual saldo credor do imposto não utilizado na compensação com débitos do próprio IPI. No caso dos autos, a interessada solicitou o ressarcimento do crédito. Ressalto conhecer da existência de Jurisprudência cristalina dos Tribunais Superiores no sentido de que crédito escritural não deve ser sujeito à atualização. Não é o caso dos autos em que se permite a atualização a partir do protocolo do pedido administrativo de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Aliás, a partir do protocolo de pedido de restituição de determinada importância, passa a ser a referida importância, uma dívida. Como dívida, ressalvase um outro Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 aspecto importante. A demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Cabe também asseverar que não se discute se correção monetária é mera recomposição do poder aquisitivo da moeda, fato este constatado pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, a exemplo dos seguintes julgados: RE nº 93.415/RS, RE nº 893837/RJ, RE nº 77.803/RS. A partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. Posição do STJ No mais, a exemplo do exposto na análise do item anterior, cabe aqui lembrar que a matéria também se encontra afeta pelo art. 62A do RICARF4. Nesse sentido: AgRg no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.088.292 RS (2008/02047717) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI N. 9.363/96. PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO. MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 411/STJ. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. 1. O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos, dos créditos adquiridos por força do art. 1º, da Lei n. 9.363/96 créditos presumidos de IPI adquiridos como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS) quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. 2. Incidência do enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" e mudança do ponto de vista do Relator em razão do decidido no recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 364 15 3. Precedentes em sentido contrário: REsp. Nº 1.115.099 SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.3.2010; AgRg no REsp. Nº 1.085.764 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18.8.2009. 4. Agravo regimental não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a)." Devida assim a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. RECEITA OPERACIONAL BRUTA E DE EXPORTAÇÃO Alega a recorrente, no que tange à receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros, que esta foi acrescida indevidamente pela Fiscalização à receita operacional bruta, não sendo considerada, entretanto, no total da receita de exportação. Acrescentou que para fins de cálculo do crédito presumido, referido valor não deve integrar nem a receita de exportação nem a receita operacional bruta, afim de não contaminar o valor a ser ressarcido. A posição adotada pelo interessado, foi pela exclusão total como forma de neutralizar fiscal e contabilmente os efeitos. A jurisprudência desta Eg. Câmara também é no sentido de neutralizar os efeitos fiscais. Na verdade, (i) ou a receita de exportação (RE) de mercadorias adquiridas de terceiros entra na composição da RE como um todo ou (ii) não entra em nenhuma das rubricas. Alguns Conselheiros entendem que deveria ser incluído como um todo. Particularmente, esta Conselheira entende que deva ser excluído das duas rubricas. Mas, isto, no meu entender, não está em discussão, eis que não é objeto do pedido do recurso interposto. Destarte, no que tange à receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros, entendo ter sido acrescida indevidamente pela fiscalização à receita operacional bruta não sendo considerada, entretanto, no total da receita de exportação. Para fins de cálculo do crédito presumido, referido valor não deve integrar nem a receita de exportação nem a receita operacional bruta a fim de não distorcer o valor a ser ressarcido. No que diz respeito às receitas de revendas ao exterior, a razão entre receita de exportação e receita bruta tem o claro objetivo de apurar o percentual dos insumos que são utilizados em produtos exportados. Dessa forma, pareceme razoável se pensar que a receita bruta somente poderia referirse à receita de vendas de produtos fabricados com os insumos. A inclusão da receita de revendas diminui artificialmente o percentual, de forma injustificada, uma vez que os insumos não são empregados em produtos revendidos. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Este tema foi brilhantemente analisado pelo ilustre Conselheiro José Antonio Francisco no voto condutor do Acórdão nº 20190.004, Recurso n º 136.395, na sessão de 24 de maio de 2007, cujos excertos reproduzo a seguir: A Portaria MF nº 38, de 1997, referiuse à receita operacional bruta como se representasse o produto de venda de bens e serviços, o que causou o surgimento de uma linha de interpretação literal das disposições da Portaria, segunda a qual a receita bruta, para efeito do cálculo, abrangeria também a receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros. Nesse ponto, as Portarias MF nº 64, de 2003, e nº 93, de 2004, art. 3°, parágrafo 12, II, antes de inovarem a ordem jurídica, já que não houve alteração legal, objetivaram afastar essa linha de interpretação, para deixar claro que receita operacional bruta representa apenas a de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Se é assim, a definição da receita de exportação também deve seguir no mesmo sentido. Notese que sequer a expressão 'receita operacional bruta' foi alterada, o que exige que se reconheça que se trata apenas de receita de produtos industrializados pelo contribuinte. Dessa forma, o valor das mercadorias revendidas no exterior deve ser excluído tanto da receita de exportação como da receita operacional bruta, para que não haja distorção na proporção." Em síntese, voltando ao caso em análise, considerando que a receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros, foi acrescida pela Fiscalização à receita operacional bruta, não sendo considerada, entretanto, no total da receita de exportação, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte. CONCLUSÃO: Em face ao acima exposto, voto no sentido de: negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Peço licença à i. relatora, mas entendo que o recurso especial da Fazenda Nacional merece provimento, pela s razões a seguir aduzidas. Na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e, também, na então Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por diversas vezes, votei no sentido de permitir a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do custo de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13854.000036/200183 Acórdão n.º 9303001.933 CSRFT3 Fl. 365 17 beneficiamento e de mãodeobra empregada na industrialização efetuada por terceiros (industrialização por encomenda), quando estes, são utilizados pelo industrial exportador como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagens na fabricação de produtos por ele exportado. Todavia, os argumentos apresentados pelos Eminentes Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques e Antônio Bezerra Neto, fizeram me refletir mais sobre a matéria e, finalmente, concluir em sentido contrário ao do que vinha votando até então. Neste ponto, passo a adotar como razão de decidir, o voto da Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, que, de forma objetiva e com a costumeira competência, bem enfrentou a matéria. Assim, com as homenagens de praxe, passo a transcrever os argumentos da ilustre Conselheira, expendidos no voto proferido quando do julgamento do Recurso n° 202118.591, na sessão plenária da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Outra questão é que diz respeito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pago pela recorrente pelos serviços de industrialização prestados em regime de encomenda. De fato, é inadmissível a inclusão dos serviços de industrialização por encomendas na base de cálculo do incentivo. A matériaprima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços se incorpora ao valor do produto acabado e não ao da matériaprima. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições que deram origem ao incentivo, não se trata de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos valores são os únicos a integrarem a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Não se trata de matéria a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca o direito ao crédito. Portanto, considerar que se outra hipótese de fato houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes equivale a tomar o lugar do legislador, para estender o benefício a situação claramente não contemplada na lei, o que é completamente inadmissível. De todo o exposto, é de se reconhecer a pertinência do apelo fazendário, neste ponto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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