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Numero do processo: 18471.001424/2006-12
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DEPÓSITO BANCÁRIO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE O
RECORRENTE SERIA O BENEFICIÁRIO DOS RECURSOS
DESTINADOS AO EXTERIOR - Não há nos autos prova que o recorrente é o verdadeiro beneficiário dos recursos enviados ao exterior. Para que urna
pessoa seja colocada no pólo passivo da relação tributária corno contribuinte é imprescindível que preencha as condições previstas na lei como aquele
, sujeito que realiza a materialidade do fato gerador, isto é, aquela pessoa que
pratica no mundo concreto o fato previsto na hipótese de incidência, bem
assim que seja a pessoa que aufere os benefícios econômicos do respectivo
fato gerador e pode deles usufruir, estando, portanto, diretamente obrigado a pagar o tributo.
Recurso provido
Numero da decisão: 3301-000.096
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento cio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar o lançamento, nos termos
do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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Para que urna pessoa seja colocada no pólo passivo da relação tributária corno contribuinte , é imprescindível que preencha as condições previstas na lei como aquele , sujeito que realiza a materialidade do fato gerador, isto é, aquela pessoa que , pratica no mundo concreto o fato previsto na hipótese de incidência, bem assim que seja a pessoa que aufere os benefícios econômicos do respectivo fato gerador e pode deles usufruir, estando, portanto, diretamente obrigado a , pagar o tributo. , Recurso provido. 1 11 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento cio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar o lançamento, nos termos do voto do Relator. , . , MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA , 1 Presidente em exercício $,Í A / . , 1 1 Processo n° 18471.001424/2006-12 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.096 Fl. 182 / EDUARDO 'ADEU FAR a H Relator FORMALIZADO EM: 2 SEI 2009 Participaram, ainda, do pre — nte julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, José Raimundo Tosta Santos, Ale 4 ndre Naoki Nishioka, Silvana Mancini Karam, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Ruben . Maurício Carvalho (Suplente convocado). Relatório Ivan Moniz Freire recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 3 3 Turma da DRJ - Rio de Janeiro II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 162 a 176. Trata-se de exigência de IRPF com valor total de R$ 6.720.038,90, já incluído os acréscimos legais cabíveis. A infração apurada pela fiscalização foi omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada, através da constatação de que o contribuinte movimentou valores no exterior (Beacon Hill). O Laudo de Exame Econômico-Financeiro n° 1300/04 (fls. 83 a 93 do anexo IV), de 24/05/2004, confeccionado pelos peritos criminais federais, identificou Ivan Moniz Freire como titular/representante da subconta AVALON, por meio de informações contidas no conjunto de documentos analisados. Os auditores fiscais formalizaram Representação Fiscal para Fins. Inconformado, o autuado apresentou Impugnação (fls. 108 a 128), alegando, em síntese: a) erro na identificação do sujeito passivo, pois o impugnante não teria relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do imposto de renda pretensamente devido, pois a conta mantida em Nova York é da Beacon Hill; b) que a fiscalização não comprovou que o autuado seria remetente, ordenante ou beneficiário dos recursos e que a própria COFIS (Coordenação Geral de Fiscalização) reconhece que os valores disponibilizados em mídia eletrônica poderão não estar amparadas por documentos específicos (fls. 95 do anexo IV); c) que algumas ordens bancárias não tiveram sua assinatura, mas as de outras pessoas e que ele poderia ser responsável solidário, mas não contribuinte; d) ocorrência do instituto da decadência para os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 a novembro de 2001; 2 Processo n" 18471.001424/2006-12 S3-C3T1 Ao:irão n°3301-00.096 Fl. 183 e) impossibilidade de aplicação da multa qualificada por não se caracterizar o dolo; f) que a pessoa física, se comprovada a sua sujeição passiva, deveria ser equiparada à jurídica, para somente então ser tributada; g) requer a tributação da variação cambial, e não de toda a remessa ao exterior; h) que o impugnante não possui qualquer ligação com a Beacon Hill e que os autos não demonstram que ele remeteu divisas ou que foi beneficiário ou ordenante dos recursos; i) incabível o lançamento de imposto com base em presunção que não seja expressamente autorizada em lei; Por seu turno, a 3' Turma da DRJ — Rio de Janeiro II, através do Acórdão n° 13.16.608, julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas a seguir transcritas: DECADÊNCIA. O prazo para constituição do crédito tributário pela Fazenda Nacional é de cinco anos contados a partir cio primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte deixe de efetuar o pagamento e/ou adote procedinzentos dolosos, fraudulentos ou de simulação. MULTA DE OFÍCIO DEVIDO À OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade .fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que os art. 71 a 73 da lei 4.502/64 elencam como caracterizadores de sonegação, fraude ou conluio, ou mesmo que assumiu o risco de produzi-los. Manutenção da multa quando os elementos dos autos fazem prova de tal conduta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titttlar, regulai'Mente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIA. RIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris imitiu,: inverte o ónus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, eptivamente, ao airferimento de rendimentos (fato 3 Processo n° 18471.001424/2006-12 S3-C3T1 Acórdào n.° 3301-00.096 Fl. 184 jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ADEQUAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não cabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecido em lei é apropriada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (artigo 116, inciso III, da Lei n." 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (artigo 42, caput, da Lei n.' 9.430/1996). Cientificado da decisão de primeira instância, Ivan Moniz Freire apresenta Recurso Voluntário, sustentando, em síntese: a) decadência na forma do § 40 do art. 150 do CTN; b) erro na identificação do sujeito passivo; c) a fiscalização deveria aprofundar o trabalho fiscal de forma a equiparar o recorrente a pessoa jurídica, tributando o spread, correspondente a 5% dos depósitos bancários, d) exclusão da multa majorada de 150%; É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Erro na Identificação do Sujeito Passivo Inicialmente, deve ser esclarecido que a matéria motivo do litígio é de conhecimento desta câmara e suscitou intensos debates por ocasião do julgamento do processo n° 13893005140/2006-67, tendo como relator o ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Na ocasião, os conselheiros votaram por unanimidade pelo provimento ao Recurso Voluntário. Ressalte-se que o colegiado possuía na época essa mesma composição. Entretanto, há algumas nuances neste processo que merece ser destacada. A fiscalização considerou que o recorrente é o legitimo titular os recursos enviados ao exterior e tributou os valores na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ou seja, qualificou as quantias remetidas corno omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. No momento da formação da exigência entendeu autoridade fiscal que as inúmeras evidências convergiam para atribuir ao investigado a responsabilidade pela subcont. TS Processo n° 18471.001424/2006-12 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.096 Fl. 185 no 311124, denominada "AVALON", administrada por Beacon Hill Service Corporation/USA. Entre as evidências, destaca-se: - Laudo de Exame Econômico-Financeiro número 1300/04 (fls. 83 a 93 do anexo IV); - cópia do cartão de autógrafo da BHSC, onde figura como titular da Navi e da Avalon Ivan Moniz Freire (fls, 50 do anexo 1)• - acordo firmado entre o contribuinte e o BHSC, com aposição de assinatura do primeiro no referido documento e o nome da conta Avalon (fls. 51 a 54 do anexo I); - substitute W-8 — Certificate of Foreign Status (fls.55 e 56 do anexo I), datados de 10/02/2001 e 28/02/2002, em papel timbrado da Beacon Hill Service Corp, onde consta nome e assinatura do contribuinte (fls. 55 e 56 do anexo I) e endereço situado na Rua Alzira Cortes, 50, apartamento 702, Rio de Janeiro (RJ), imóvel este pertencente ao contribuinte e a sua esposa, Gilda Maria Newlands Moniz Freire, até 1995, quando foi alienado a Ivonne M011iZ Freire Furtado «is. 61 e 62 do anexo 1); - documento em papel timbrado com nome de Ivan Freire e endereço constante na Rua da Assembléia, 10, sala 3304 (mesmo endereço cadastral da Vigo do Brasil Câmbio e Turismo Ltda, CNPJ 28.194.967/0001-70, pessoa jurídica extinta em setembro de 2001, na qual Ivan Moniz Freire figurava como um dos sócios- fls. 144 e 145), solicitando explicações sobre transações ocorridas para um dos seus clientes — Proclusul Lida, estabelecido em Porto Alegre, RS (fls. 57 do anexo I); - documento firmado pelo sr. Elliot Fine, onde consta o nome de Ivan Freire. como cliente 'brasileiro, com conta de nome "Avalon", que requer o envio de US$ 22.000,00 por ordem de um dos seus clientes, Produsul, para Montevidéu, Uruguai (fls. 58 do anexo I); - documento manuscrito, datado de 21/03/2000 (fls. 59 do anexo I), com nome e assinatura de Ivan M. Freire (semelhante à assinatura do cartão de autógrafo da 50 do anexo I), mencionando a conta "Avalon", a remessa de US$ 22.000,00 e o endereço da Rua da Assembléia, 10, sala 3304 (endereço cadastral da Vigo, ,fls 144); - documentos em papel timbrado com nome de "Ivan Freire", onde são mencionadas a conta "Avalon" e a remessa de US$ 22.000,00 para Montevidéu, com assinatura de Ivan Moniz Freire (fls. 63 e 64 do anexo I); - documentos pré-impressos pela Beacon Hill Service Corp. onde constam assinaturas de Ivan Moniz Freire (fls. 66 a 68 cio anexo If4. . 5 Processo n° 18471.001424/2006- I 2 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.096 Fl. 186 - documentos (fls 69 e 70 do anexo I) que noticiam a condição de estrangeiro de Ivan Moniz Freire, assinados pelo mesmo, em papel timbrado da Beacon Hill Sei-vice Corp.; - correspondência assinada por Ivan Moniz Freire (pela conta "Avalon'), de 02/01/2003, destinada ao sr. Aníbal Contreras, atestando a assinatura de cheque emitido por João Salvador Vieira; - termo de aceitação do teor do manual do cliente, onde Ivan Moniz Freire o assina e afirma, inclusive, ter treinado seus funcionários usando o Manual de Procedimentos da BHSC (fls. 76 a 78 do anexo I); - documento n" 45 (fls. 79 do anexo I), onde o contribuinte declara ter lido e compreendido as exigências legais sobre operações de cabo, comprometendo-se a agir de acordo com a sua regulamentação; - documentos 46 e 47 (fls. 80 e 81 do anexo 1), emitidos por assistente do BHSC, dào notícia ao si-. Ivan Moniz Freire de cheque extraviado que deveria ter sido depositado na sua conta no BlISC; - a pessoa jurídica Vigo consta em várias ordens de pagamento, como exemplo há os documentos às fls. 114, 118, 119, 123, 124, 125, 126, 128, 129, 130, 131 do anexo 1. Assim, concluiu a fiscalização que o recorrente foi responsável por 70 operações ou registros, no total de US$ 3.413.957,33. Por sua vez, o insurgente alegou não ser o titular dos recursos afirmando que exercia atividade de "doleiro" recebendo comissões nas transações de remessa e recebimento de recursos do exterior, por ordem de seus clientes. Asseverando em sua defesa que "(...) o Auditor Fiscal elegeu como sujeito passivo a pessoa física do Recorrente, que não tem qualquer relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador do imposto de renda pretensamente devido." Entretanto, o Acórdão guerreado rejeitou os argumentos sustentados pelo recorrente a partir do entendimento de que"(..) o autuado, por ser comprovadamente titular da conta, foi corretamente considerado contribuinte do Imposto de Renda lançando a partir da presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada" (4158) Depreende-se de todo o exposto que a controvérsia cingiu-se, basicamente, em quem "de fato" é titular dos recursos transacionados no exterior. A Secretaria da Receita Federal através do Memorando-circular SRF/C0F1S/GAB N° 652/2004 de 24 de junho de 2004, determinou os procedimentos a serem observados pelas Regiões Fiscais em relação aos trabalhos relacionados com a operação "Bacon Hill". O item 10 do referido documento determinava: f 6 Processo n° 18471.001424/2006-12 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.096 Fl. 187 "As representações referidas versarão, isolada ou conjuntamente, sobre as situações abaixo descritas, envolvendo os contribuintes identificados com base nos documentos ou nas mídias eletrônica analisada pela Equipe Especial: a) o contribuinte foi apontando como remetente dos recursos, quando, identificado nos cadastros da SRF, tenha ido responsável pela remessa das divisas ao exterior. O remetente confunde-se em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita. 1)) .o contribuinte foi apontado como ordenante dos recursos, quando, identificado nos cadastros da SRF, tenha sido responsável pela ordem/determinação de remessa de divisas. c) o contribuinte foi apontado como beneficiário dos recursos, quando identificado nos cadastros da SRF, aparece como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas." Compulsando-se os autos, verifica-se que dos documentos acostados denominados "Transações entre Contas e Subconta de Doleiros" da subconta AVALON (f1.156) identificaram 70 registros com moeda estrangeira, totalizando US$ 3.413.957,33. Ressalte-se que deste total a Tupi Câmbios, empresa de propriedade do recorrente, possui 39 registros, perfazendo o montante de US$ 1.234.522,00. Entretanto, o mesmo documento não identifica o recorrente como sendo remetente, ordenante ou beneficiário, na forma do Memorando-Circular SRF/COFIS/GAB N° 652/2004, supracitado. Em que pese os documentos carreados aos autos levarem a fiscalização para uma só direção, qual seja, "(..) inúmeras evidências convergiam para a atribuição da responsabilidade do investigado (..)", entendo, pois, com a devida venia, que o lançamento peca em eleger como sujeito passivo da obrigação tributária, o ora Recorrente. Pelo que se vê, o recorrente enviava em nome dos reais remetentes recursos para o exterior, sem, contudo, haver qualquer comando que implicasse em obrigação própria. Com efeito, constam dos autos (fls. 09 do anexo III; fls. 138, 142, 148, 188 do anexo I) remessas efetuadas para o exterior em que aparece como remetente dos recursos pessoa diversa do recorrente, demonstrando, com isso, que não houve com exatidão a identificação do sujeito passivo da relação tributária. Não se pode perder de vista que contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza, na forma do art. 4 .3 do Código Tributário Nacional. Ainda, sobre a matéria, deve ser destacado o art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz- se: . (4\ 1/ 7 Processo n" 18471.001424/2006-12 S3-C3 TI Acórdão n." 3301-00.096 Fl. 188 I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Pelo que se depreende da leitura do artigo, a sujeição passiva direta ocorre quando a obrigação recai sobre o contribuinte, ou seja, sobre aquele que realiza o fato jurídico passível de tributação. Desta forma, o comando normativo do referido artigo assenta, expressamente, como sujeito passivo da obrigação tributária, a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, identificando como elementos necessários para caracterizar, o contribuinte, pessoa que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O recorrente, quando enviou recursos ao exterior, enviou não em nome próprio, mas em nome de terceiros, motivo pelo qual não pode ser considerado sujeito passivo dos créditos tributários ora constituídos. Assim, para que uma pessoa seja colocada no pólo passivo da relação tributária corno contribuinte é imprescindível que preencha as condições previstas na lei, como aquele sujeito que realiza a materialidade do fato gerador, isto é, aquela pessoa que pratica no mundo concreto o fato previsto em abstrato na hipótese de incidência, bem assim que seja a pessoa que aufere os benefícios econômicos do respectivo fato gerador e pode deles usufruir, estando, portanto, diretamente obrigado a pagar o tributo. A autoridade fiscal deveria prosseguir as investigações para chegar aos efetivos titulares dos recursos ou, ainda, arbitrar os rendimentos e exigir o imposto devido em relação às comissões percebidas pelo autuado no exercício de suas funções. Em atendimento ao princípio da legalidade, o sujeito passivo de cada relação jurídico-tributária é aquele eleito pela lei que esteja diretamente vinculado ao fato que gerou o crédito tributário. Conseqüentemente, somente poderá ser sujeito passivo da obrigação tributária, aquele que realize a materialidade do respectivo fato gerador e aufira os seus beneficios econômicos. Para tanto, mister se faz identificar com exatidão e comprovar quem é esse sujeito passivo, sob pena de não existir qualquer vínculo jurídico que dê suporte à exigência tributária. Da análise dos documentos carreados ao processo, constata-se que os verdadeiros beneficiários da renda auferida em decorrência das operações realizadas foram os "clientes" do Recorrente-doleiro, verdadeiros detentores dos recursos transacionados, ficando claro que o contribuinte foi usado tão-somente como um veículo para alcançar a proteção ou rentabilidade econômica dos recursos enviados ao exterior. Em conseqüência, restava ao Fisco exigir o tributo devido nas pessoas dos reais beneficiários dos rendimentos, e não na pessoa da Recorrente. Não o fazendo, resta caracterizado o erro de identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, porquanto não devidamente identificado, conforme dispõe o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto n. 70.235/72. 40, ,,c4\ 8 Processo tf 1847 I .001424/2006-12 S3-C3T1 Acórdão o.° 3301-00.096 Fl. 189 Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito as ementas correspondentes aos seguintes precedentes: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR TITULA RIZADA POR PESSOA JURÍDICA ESTRANGEIRA — AUSÊNCIA DE PROVA QUE DEMONSTRE QUE A CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA TEVE OBJETIVOS FRAUDULENTOS, A ESCONDER OS REAIS PROPRIETÁRIOS DOS VALORES — PROCURADOR DA EMPRESA - IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAR AS TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS PARA CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA AO PROCURADOR SEM PROVA QUE AQUELA FUNCIONAVA COMO INTERPOSTA PESSOA DESTE — As transferências para conta bancária mantida no exterior e titularizada por pessoa jurídica estrangeira somente podem ser imputadas ao procurador de tal empresa se comprovar que o contribuinte procurador tenha constituído tal empresa com propósitos simulatórios ou fraudulentos, com fito de esconder o real detentor dos valores movimentados em tal conta, que seria, no caso, o próprio procurador da conta de depósito. Ausente qualquer prova que demonstre que a pessoa jurídica funcionava como interposta pessoa do contribuinte procurador, não se pode imputar a ele a presunção do art. 42 da Lei n" 9.430/96. Recurso voluntário provido. (Acórdão 106-, I 7042) CONTA DE DEPÓSITO DE TERCEIRA PESSOA — RECORRENTE ORDENAN7E DE TRANSFERÊNCIA FINANCEIRA — AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE O RECORRENTE SERIA O REAL TITULAR DA CONTA BANCÁRIA DE DESTINO - Não há nos autos nada que comprove que o recorrente é titular da conta de depósito estrangeira que recebeu a transferência que lhe foi imputada como depósito de origem não comprovada. Assim, não houve um depósito em conta de depósito do recorrente. Pelas informações dos autos, tratou-se de uma transferência ordenada pelo recorrente para uma conta bancária de terceira pessoa, no exterior. Nesta senda, não se pode considerar tal valor como uni depósito de origem não comprovada, a presumir a omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei n" 9.430/96. Recurso voluntário parcialmente provido. (Acórdão 106-17003) Por todo o exposto, voto no sentido de CANCELAR o lançamento por evidente erro de identificação do sujeito passivo. Da mesma forma em relação aos lançamentos reflexos, ante a relação de causa e efeito que os une ao lançamento principal. Sala da ' essões — DF, em 01 de junh • § EDUARD 'ADEU FA 9
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002596/2006-58
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2004, 2005, 2006
MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
As DRJ são competentes para apreciar as alegações suscitadas pelo contribuinte, no que diz respeito à redução de 50% da multa de ofício.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
E nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria contestada pelo contribuinte em sede de impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2102-000.332
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2004, 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. As DRJ são competentes para apreciar as alegações suscitadas pelo contribuinte, no que diz respeito à redução de 50% da multa de ofício. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. E nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria contestada pelo contribuinte em sede de impugnação. Decisão Recorrida Nula.
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Numero do processo: 10680.002032/2005-12
Data da sessão: Mon May 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ. LUCROS NO EXTERIOR. EMPREGO DO VALOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de coligadas e controladas devem ser adicionados ao lucro 1íquido para
determinação do Lucro Real da empresa nacional. O momento é diferido ate a data em que forem disponibilizados tais lucros. A restituição de Capital ao sócio pessoa física, com a entrega da participação societária no exterior, caracteriza a disponibilização do lucro.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. 0 decidido no julgamento do
lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente.
Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e provido.
Numero da decisão: 9101-000.098
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda
Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Karem Jureidini Dias e Antonio Carlos Guidoni Filho. Por maioria de votos , REJEITAR a proposição de retornar os autos a Câmara de origem, tendo em vista que for m apreciadas no Acórdão todas as matérias suscitadas no recurso voluntário. Vencidos o Conselheiros José Carlos Passuello (Relator) José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que entenderam haver matérias que não oram apreciadas no Acordão
recorrido. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Lósso Filho.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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ementa_s : IRPJ. LUCROS NO EXTERIOR. EMPREGO DO VALOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de coligadas e controladas devem ser adicionados ao lucro 1íquido para determinação do Lucro Real da empresa nacional. O momento é diferido ate a data em que forem disponibilizados tais lucros. A restituição de Capital ao sócio pessoa física, com a entrega da participação societária no exterior, caracteriza a disponibilização do lucro. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. 0 decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Karem Jureidini Dias e Antonio Carlos Guidoni Filho. Por maioria de votos , REJEITAR a proposição de retornar os autos a Câmara de origem, tendo em vista que for m apreciadas no Acórdão todas as matérias suscitadas no recurso voluntário. Vencidos o Conselheiros José Carlos Passuello (Relator) José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que entenderam haver matérias que não oram apreciadas no Acordão recorrido. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Lósso Filho.
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IRPJ. LUCROS NO EXTERIOR. EMPREGO DO VALOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos no exterior por int rmédio de coligadas e controladas devem ser adicionados ao lucro 11 quido para determinação do Lucro Real da empresa nacional. O momento é diferido ate a data em que forem disponibilizados tais lucros. A restituição de Capital ao sócio pessoa fisica, com a entrega da participação societdri a no exterior, caracteriza a disponibilização do lucro. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. 0 decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica az coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a ntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido -e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a prelimin de não conhecimento do recurso e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o prese nte julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Carlos Alberto G onçalves Nunes, Karem Jureidini Dias e Antonio Carlos Guidoni Filho. Por maioria de votos , REJEITAR a proposição de retornar os autos a Camara de origem, tendo em vista que for m apreciadas no Acórdão todas as matérias suscitadas no recurso voluntário. Vencidos o Conselheiros José Carlos Passuello (Relator) José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalv es Nunes, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que entenderam haver matérias que não oram apreciadas no Acordão recorrido. Designado para redigir o voto vencedor o Co selheiro Nelson Lósso Filho. Carlos Alberto Freita Barreto - Pr sidente • Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.098 Fl. 2 tor Designado Participaram, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros:Antonio Praga, Marcos Vinicius Neder de Lima, Adriana Gomes Rego, Valmir Sandri (Substituto Convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente Substituto). 17°4 Nelson L6sso • 2 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.098 Fl. 3 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com arrimo no artigo 32, 1, do Regimento Interno então vigente, face à decisão prolatada pela 3° Camara do extinto Conselho de contribuintes consubstanciada no Acórdão n° 103-22.451, de 24.05.2006, assim sumariada no sitio dos Conselhos: Número do Recurso: 146977 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10680.002032/2005-12 Tipo do Recurso: DE OFÍCIO/VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: 3 TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Recorrida/Interessado: EDIVA EMPREENDIMENTOS LTDA. Data da Sessão: 24/05/2006 00:00:00 Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe Decisão: Acórdão 103-22451 Resultado: OUTROS - OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela contribuinte inclusa a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário; e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Cândido Rodrigues Neuber que negaram provimento; e, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ex officio. A contribuinte foi defendida pelo Dr. José Roberto Pisani, inscrição OAB/SP n° 27.708. A Fazenda Nacional foi defendida por seu procurador, Dr. Sérgio de Moura. inteiro Teor do Acórdão - AC 103-22451 - 146977.pdf Ementa: IRPJ - DECADÊNCIA - LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADAS NO EXTERIOR - A contagem do prazo decadencial inicia-se a partir da disponibilidade econômica ou jurídica dos lucros, que se dá nas hipóteses do art. 1°, §1°, aliena "h" e §2°, da Lei n° 9.532197.REDUÇÃO DE CAPITAL - SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA - Consoante o que está disposto no art. 1° da Lei 9.532/97 e, nas suas alterações, a redução de capital, com devolução ao sócio de parte do capital investido na sociedade, mediante ações de empresa controlada no estrangeiro, não caracteriza hipótese de incidência de IRPJ.RECURSO DE OFÍCIO - ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA - Somente se pode arbitrar lucro auferido no exterior por meio de sociedade controlada quando a empresa controladora não apresentar a documentação das operações realizadas pela empresa estrangeira cujo capital participa, conforme normas especificas previstas nas INs SRF 38/96 e 213/2002.RECURSO DE OFÍCIO - ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA - A falta de apresentação dos documentos que tenham servido de suporte à escrituração contábil de empresa controlada no exterior não autoriza o arbitramento 3 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 AcOrdao n.° 9101-00.098 Fl. 4 +CO 9 dos lucros da controladora no Brasil. 0 arbitramento do lucro 1.9 no exterior, só terá lugar se as filiais, sucursais ou controladas fora do Pais não dispuserem de sistema contábil que permita a apuração de seus resultados, ou se as demonstrações financeiras dessas empresas deixarem de ser apresentadas à fiscalização no Brasil.Recurso de oficio negado. Publicado no D.O.U. n°154, de 11/08/06. 0 especial abriu a discussão de mérito informando que: "8- A motivação da autuação foi a transferência do total das quotas que a EDIVA EMPREENDIMENTOS LTDA detinha na LIGTHNING SPGS LTDA para o sócio Edison Dias." E conclui que: "14- Mais ainda. Qualquer que seja a linha de argumentação utilizada, um fato singelo é inescapcivel: a transferência de toda participação do capital carreou consigo, para o beneficiário, e por quem tinha o poder para transferir, todo o lucro existente. Esse fato suporta e vence todas as construções interpretativas que procuram negá-lo," Entende ainda a Ilustre recorrente que (fls. 574): "9 — Inexiste possibilidade de transferência do valor do lucro, como quis fazer crer a recorrida, sem que tivesse poder para tanto, isto 6, sem que estivessem os lucros disponíveis para a transferência. 10— Só pode transferir a propriedade quem dela tem a faculdade jurídica de disposição. E necessário estar disponível. Por isso, por exempla, a renúncia à herança em favor de alguém, implica na realidade em recebimento e alienação; a compensação de tributos ern prévia restituição; a transferencia de quotas de controlada sua disponibilização. 11 - De acordo com De Plácido e Silva (in Vocabulário Jurídico, 17" edição, Forense, 2000) o emprego do valor pressupõe o seu recebimento, direto ou indireto, e a posterior utilização para algum fim, como dependê-lo na liquidação de uma divida ou aplicá-lo em algum negócio, visando a um beneficio em favor de quem o emprega.." E pede a restauração, na parte guerreada, da decisão de 1° grau, adotando as razões da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em são Paulo. Foi o especial admitido provisoriamente pelo despacho n° 103-0.013/2007 (fls. 577 e 578). A exação corresponde ao IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2001 e os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 15.02.2005 (fls. 343), tendo adotado como base tributável o valor de R$ 56.788.670,75 (fls. 07 e 11). . A capitulação legal se deu no art. 25, par. 2° e 3°, da Lei n° 9.249/95; A da Lei n° 9.430/96 e Art. 3° da Lei n° 9.959/2000. 4 An 1.997 1.998 1.999 2.000T 2.001 t- Soma CSRF-T1 Fl. 5 09- Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 15 a 25), a base de cálculo foi formada pelos seguintes valores, correspondentes a 99,87%, e depois 100%, da participação da EDIVA no capital social da LIGHTNING: Valor R3 52.700.075,52 1.388.280,25 i. 744078,941 179.507,16 1 56.788.679,45j O resultado utilizado pela fiscalização relativamente ao ano de 2001, que apresentava prejuízo no balanço da LIGHTNING (controlada), foi obtido por arbitramento, já tendo sido sua tributação cancelada no julgamento de 1 ° grau, não mais integrando a lide. 0 resultado contábil de 2001 fora um prejuízo de $ 5.405.391, escudos. O termo de verificação assim descreveu a operação, resumidamente (fls. 23): "Houve, na devolução de capital através das ações da LIGHTNING SGPS LTDA para o sócio Edison Dias, a transferência de bens do patrimônio da sociedade para o sócio, peculiaridade essa que é da essência da alienação. 40. Dessa forma, os Lucros Acumulados, apresentados no Balanço da controlada em 31/10/2001, deveriam ter sido oferecidos a tributação em 31/12/2001, quando do cálculo do Lucro Real da alienante da controlada, a outra fiscalizada, EDIVA Empreendimentos Ltda. No entanto, da análise da DIRT 2002 (Ano Calendário 2001), nota-se que ela não o fez." (destaques no original). A restituição de capital se deu em 30.11.2001 pelo seu valor contábil na forma do artigo 22 da Lei n° 9.249/95, não havendo reavaliação de qualquer ativo e, portanto, inexistindo ganho de capital. A decisão de 1 ° grau, a par de negar a aplicação da preliminar de decadência e afastar o arbitramento do ano de 2001 (que se resolveu pelo improvimento ao recurso d oficio, fato que não provocou recurso especial), manteve o restante da tributação com base parágrafo 9° do artigo 2° da IN SRF 38/96 1 , entendendo que a operação implica Art. 20 Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas o coligadas serão adicionados ao lucro liquido do período -base, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados. (• • •) § 90 Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil. Processo n° 10680.002032/2005-12 Acórdão n.° 9101-00.098 5 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 AcOrddo n.° 9101-00.098 Fl. 6 disponibilização dos lucros apurados e acumulados até 31.10.2001 pela controlada no exterior. Aduz que a IN 38/96 não foi derrogada pela Lei n° 9.532/97, tanto que a IN SRF n° 213/2002 reiterou o dispositivo mencionado, e que a declaração de inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88 não se aplica ao caso. 0 entendimento da autoridade julgadora de 1° grau acerca do conceito de alienação e dos efeitos da operação sob exame está nos parágrafos trazidos no voto condutor da decisão reformada (fls. 463): "Segundo a impugnante, a redução de capital é opera cão distinta da alienação. Consideradas isoladamente, as duas espécies de operação realmente não se confundem. Reduzir o capital implica apenas devolver aos sócios parte do capital que haviam investido na sociedade. No presente caso, porém, não houve simples devolução de capital Para saldar a divida para com o sócio, a autuada transferiu-lhe a propriedade da participação que possuía na Lightning. Ora, um dos significados de alienar é exatamente transferir para o domínio de outrem algo pertencente ao alienante. Não há dúvida alguma de que, como resultado da liquidação da redução do capital, a autuada deixou de ser proprietária da participação na Lightning. Tampouco se discute que o novo proprietário passou a ser o sócio Edison Dias. Esse fato é atestado pelo documento a folhas 124 a 128, consistente em cópia das alterações no registro da Lightning mantido pela repartição portuguesa encarregada do registro comercial. Para a caracterização da alienação basta que se mude o titular do direito de propriedade." "Também é irrelevante que os lucros acumulados continuem a figurar no balanço da empresa cuja propriedade foi alienada. Uma vez que se transferiu a titularidade do negócio, transferiu- se com ela o total dos lucros acumulados. Estes só deixam de figurar no balanço quando são absorvidos mediante aumento do capital social ou compensados com perdas subseqüentes, ou ainda quando são distribuídos aos sócios. Tampouco há mister de que se faça a distribuição prévia dos lucros acumulados, para que haja a alienação da propriedade da empresa. A razão é que, em geral, existem formalidades próprias para a alteração do capital social, mantendo-se entrementes em conta separada os acréscimos ou reduções patrimoniais registrados pela sociedade. Diferentemente do que alega a impugnante, o item 4 da alínea "b" do § 2" da Lei n" 9.532, de 1997, fornece sim respaldo legal para a exigência fiscal, ao estabelecer que se consideram pagos os lucros (o que é o mesmo que dizer que se consideram disponibilizados), quando houver o emprego do respectivo valor em qualquer praça em favor da beneficiária, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Note-se que o aumento de capital é apenas uma das hipóteses aventadas na lei como maneira de empregar o respectivo valor dos lucros, e não a única. Trata-se de mero exemplo, pois o texto legal é genérico o bastante para abranger qualquer situação em que o valor é empregado em beneficio da empresa controladora. Ora, no presente caso, a autuada, par 6 Processo n° 10680.002032/2005-12 Acórdão n.° 9101-00.098 saldar a divida que contraiu com o seu sócio, transferiu-lhe a participação societária que possuíam, entregando com esta os lucros acumulados pela sociedade alienada. É evidente que foi empregado em beneficio da autuada o valor dos lucros acumulados, sobretudo por integrarem estes o patrimônio da alienada e por terem sido necessariamente sopesados na avaliação da participação societária. Assim, ainda que fosse admitido, apenas para argumentar, que a norma da Instrução Normativa SRF 38, de 1996, é inválida, ou se acha derrogada, a exigência fiscal poderia ser fundamentada apenas com o que estabelece o item 4 da alínea "b" do § 2' da Lei n" 9.532, de 1997. CSRF-T1 Fl. 7 /9— Relativamente à CSLL, a autoridade de 10 grau reconhece que inexistia previsão legal sobre tal incidência antes da MP 1856-6/99, todavia "como a autuada não deixou que o fato gerador ocorresse antes de 2001, a lacuna legal não a beneficiou. Quando finalmente os lucros vieram a se tornar disponíveis, _16 estava plenamente em vigor a norma que previa a incidência da CSLL" (transcrito de fls. 464). A manutenção da exigência se fez, portanto, parcialmente, com recomposição dos valores mediante a desconsideração do resultado do arbitramento de 2001 e a redução do montante subtotalizado do valor dos prejuízos apurados no mesmo ano de 2001. Já, os fundamentos da decisão cameral recorrida que acolheram em parte os argumentos trazidos no recurso voluntário, mesmo negando a aplicação da preliminar de decadência e de outras de nulidade, restaram suficientes para o provimento ao recurso voluntário. 0 Ilustre relator, após descrever a operação ressaltando que não houve reavaliação do ativo nem ganhos de capital, mas apenas o sócio recebeu de volta o mesmo valor investido, nos exatos moldes do que prescreve o artigo 22 da Lei 9.249/95, expressou seu entendimento de que "a operação em questão não se enquadra na hipótese de incidência capitulada pelo fiscal autuante, uma vez que não se trata de alienação de participação societária e, nem, tampouco, de transferência de participação acionária. Trata-se de simples redução de capital, com devolução ao sócio da parte do capital investido na sociedade, mediante ações. " (transcrito de fls. 565). Entendeu ainda, que "Os lucros gerados e retidos na empresa controlada não foram distribuídos ou disponibilizados para a investidora brasileira, por qualquer forma, logo, não existiu sequer o fato gerador do imposto." (fls. 565). 0 I Relator entende, ainda, que a redução de capital é uma operação societária normal e corriqueira, sendo importante observar que operações nos mesmos moldes, porém com ações de outra empresa coligada ou controlada localizada no Brasil não enseja a tributação, não havendo razão para sofrer tributação apenas por se localizar no exterior e adita (fls. 566): "Não fosse assim, entendo que a Lei 9.249/95, instituidora do principio da universalidade da renda para fins de tributação de lucros e ganhos de capital auferidos no exterior, nos termos do artigo 25 — pretendia tributar os resultados diretos produzidos — ganhos de capital e rendimentos — no exterior e resultados indiretos — lucros auferidos por coligadas ou controladas no exterior — todavia, a meu juízo, o fez de forma precária, uma vez 7 CSRF-Tl Fl. 8 dq' Processo n° 10680.002032/2005-12 Acórdão n.° 9101-00.098 que essa tributação deveria ocorrer independentemente da efetiv a. disponibilização jurídica e econômica da renda. Isso porque o conteúdo da norma em apreço chocava-se frontalmente com as disposições contidas no artigo 43, do CTN, dado que a tributação das pessoas jurídicas não pode ocorrer sobre valores ainda não disponíveis econômica e juridicamente. Ora, é evidente que o simples fato da empresa controlada no exterior auferir lucros não significa que os mesmos foram automaticamente distribuídos e disponibilizados por qualquer forma. Tal depende de deliberação específica neste sentido. Ocorre para sanar tais vícios, foi editada a IN SRF 38/96, trazendo em seu bojo um novo conceito de "disponibilizados", ou seja, o lucro seria tributado no Brasil apenas quando disponibilizado (pago ou creditado) à controlada ou coligada no Brasil, pela controlada no exterior. Contudo, que tal inovação não pode ser aceita, pois como se sabe, uma norma secundária não pode criar aspectos de incidência tributária porque tal ato transbordaria de sua atribuição primária. Ante o flagrante ilegalidade da IN 38/96, foi editada a Lei n" 9.532/97, na tentativa de sanar o problema. Em seu artigo primeiro, foram descritas todas as hipóteses de disponibilização de lucros auferidos no exterior por meio de sociedade coligada ou controlada. E, dentro dessas hipóteses, o legislador não fez incluir a Alienação de Sociedade estrangeira como sendo hipóteses de disponibilização de lucros. E, se não o fez é porque não desejava ver tributadas tais operações. Mais adiante, foi editada a Lei n° 9.959/00 e a MP n' 2.158- 35/01, que ao tratarem da matéria, também, não trouxeram qualquer previsão a respeito. Assim, apenas as hipóteses expressamente previstas na legislação tributária poderiam servir da hipótese de incidência do IRPJ, sabre os lucros auferidos no exterior por empresas controladas. Diante de tais evidencias, a .fiscalização tentou equipar a Redução de capital el hipótese de "emprego do valor em favor da beneficiária em qualquer praga", prevista no art. 10, § 2", alínea "b", item 4, da Lei 9.532/97. Todavia, o artigo acima mencionado se aplica aos casos em que a sociedade controlada estrangeira — ela mesma agindo em nome próprio, utiliza os lucros gerados no exterior em favor da beneficiária — controladora brasileira. No caso sob análise, diversamente do que está descrito no artigo acima comentado, foi a controladora, ora recorrente, quem devolveu ao sócio, pelo mesmo valor contábil, pelo seu capital investido, toda a participação societciria detida na sua controlada. É transparente que a controlada não empregou essas lucros em lugar nenhum, até porque a opera cão de redução de capital não envolve lucros e sim uma participação Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.098 Fl. 9 societária. Além do mais, os lucros da controlada continuam a 14- figurar ern seu balanço, em suspenso." Em contra-razões, (fls. 582 a 599) a empresa reitera suas razões de recurso voluntário, descreve a operação, comenta a decisão recorrida e formula preliminar de não conhecimento do recurso especial, alegando que não foi demonstrada fundamentadamente a contrariedade alei ou à evidência da prova, uma vez que " ..., a Recorrente não indicou o artigo de lei afrontado, apenas se limitou a afirmar genericamente que a r. decisão recorrida negou vigência à Lei n° 9.532, de 10 - 12-1997" (transcrito de fls. 587 — destaque no original), sem sequer se dar ao trabalho de apontar o artigo que considerava contrariado. Inconformou-se, ainda, a empresa entendendo que (fls. 587): "15. A corroborar a superficialidade com que o assunto foi abordado no Recurso Especial, vale notar que a Recorrente não apenas não comprovou a contrariedade it lei, como também não a indicou de forma fundamentada, conforme determina o artigo 33, § 1", dos Regimentos Internos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 16. A Recorrente deveria em seu recurso ter indicado, um a um, os pantos da r. decisão recorrida que entende contrários à lei. E mais, ter apontado que dispositivo da Lei nü 9.532, de 10.12.1997 ("Lei 9.532/97"), foi supostamente afrontado. Todavia, nada disso foi feito. Não houve a indicação de forma fundamentada dos trechos da r. decisão recorrida que, em tese, teriam sido contrários a Lei 9.532/97." Aduz ainda a empresa que nessa linha de raciocínio o STJ já se posicionou ao não conhecer Recurso Especial no qual os motivos que fundamentaram a reforma da r. decisão recorrida não foram expostos de forma clara e pontual, conforme ementa: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO — FGTS — AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO SUPOSTAMENTE VIOLADO Não se conhece do recurso especial se o recorrente não apontou o dispositivo tido como violado. As razões do recurso especial devem exprimir, com transparência e objetividade, os motivos pelos quais o recorrente visa a reforma do decisum." (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial n' 889.992/SP, publicado no DJ 05.02.2007)." Quanto ao mérito, a empresa em suas contra-razões argumenta que os lucros apurados permanecem no exterior, não podendo confundir-se com qualquer forma de disponibilização econômica ou jurídica por sua controladora no Brasil, e que a disponibilização depende de evento futuro e incerto, dependendo de deliberação dos sócios ou acionistas da empresa sediada no exterior e que sua simples apuração não pode ser confundida com a disponibilização. Alega ainda que a redução de capital não implica na transferência dos lucros acumulados no exterior, já que Id permanecem intocados, independentemente da redução do capital da investidora, e que inocorreu o emprego de lucros e a inexistência de inversão na relação de poder entre controladora e controlada. Com relação a este último ponto, terc fundamento do recurso, que a recorrente entendeu que a decisão recorrida teria preten 9 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.098 FL 10 inverter a "relação de poder" existente na lei 9.532/97, fazendo parecer que era a controlada que detinha o controle de sua controladora, e no o contrário, alegando que 6. a recorrente e no a 3' Câmara que se equivocou. Assim se apresenta o processo para julgamento o Relatório. 10 • Processo n° 10680.002032 12005-12 Acórddo n.° 9101-00.098 Voto Conselheiro , Relator JOSÉ CARLOS PASSUELLO Inicio pela apreciação da preliminar de inadmissibilidade do recurso especial formalizada pela empresa em contra-razões. Segundo ela, o especial não teria demonstrado fundamentadamente a contrariedade à lei ou à evidencia das provas em seu conteúdo perante a decisão recorrida, já que nem mencionou o artigo da lei em que se baseou. c_ Um dos requisitos para a interposição do recurso foi atendido, qual seja a quebra de unanimidade da decisão. , 0 outro, onde reside a inconformidade da empresa, que alega não ter sido demonstrada fundamentadamente a contrariedade a lei ou à evidência das provas, é que deve ser apreciado. Examinando o recurso, observo que entre as alegações consta a assertiva de que a decisão recorrida teria negado vigência à Lei n° 9.532/97, além do que buscou a reforma dessa decisão pela aplicação do item 4, do § 10 do art. 1° da Lei n° 9.532/97. Se bem a fundamentação foi de curta argumentação, ela identificou a legislação contrariada e chamou ao recurso os argumentos expendidos pela Delegacia de Julgamento, onde a legislação foi fartamente examinada. Assim, penso que o especial deva ser conhecido, por ter sido manejado dentro dos limites que esta Turma vem aceitando. Quanto ao mérito, considerando a amplitude do relatório, procurarei restringir novas exposições e relatos dos fatos, buscando objetivamente os conceitos aplicáveis ao caso, até por economia processual. O principio da universalidade de tributação das rendas, que já existia na legislação do imposto de renda de pessoa fisica, é relativamente recente no que respeita ao imposto de renda de pessoa jurídica, somente sendo implementada pela Lei n° 9.249/95, por seu artigo 25, encontrando-se em processo de aperfeiçoamento como se observa pelo artigo 16. A legislação é regida por um principio lógico, de que capitais nacionais aplicados no exterior devam produzir tributos no pais de origem. Os mecanismos de tributação sofreram alterações ao longo do pouco tempo da vigência dessa legislação, mas apresentam uma característica que me desperta a atenção, já que orientada por dois pressupostos da efetividade na tributação. Um, que determina a residência (sede) do investidor no pais e outro que exige a transferência dos lucros para o pais. Entendo que aqui reside um pressuposto não expresso na lei, mas que instruir a interpretação da legislação pertinente, qual seja o fato de que, enquanto a proprie CSRF-T1 Fl. 12 6"/7 da participação societária permanece em poder de empresa sediada no pais (sede, residência ou domicilio), os lucros produzidos no exterior por investidas permanecem no campo de observação do fisco nacional e isso permite o acompanhamento e verificação objetiva da disponibilização dos lucros gerados no exterior sem maiores dificuldades. Nesse caso, mesmo havendo mobilidade de proprietários dos investimentos não deve, via de regra, ser acionada a tributação (IRPJ e CSLL). Esse entendimento vai a reforço ao pressuposto da disponibilidade que depende de evento faturo e incerto. E o caso concreto de se pretender, em havendo a alienação de uma participação societária no exterior para outra empresa localizada no pais, em cuja hipótese a pretensão de tributar os lucros como se disponibilizados fossem, permaneceria pendente de tributação a efetiva disponibilização dos lucros, quando no futuro fossem eles distribuídos ao novo proprietário, provocando dupla tributação. Em caso de múltiplas transferências, teríamos múltiplas tributações. Esse é um dos argumentos que venho utilizando quando voto pelo cancelamento de tributação sobre lucros apurados no exterior não efetivamente disponibilizados mas cuja propriedade do investimento é transferido por incorporação, cisão ou outra forma de transmissão (Ex. Acórdão 105-17.322, de 12.11.2008). Esse entendimento não provoca qualquer elisão ou evasão fiscal, uma vez que preserva o núcleo do fato gerador que é a disponibilização do lucro sob a forma, principalmente de distribuição do lucro e até mesmo de sua aplicação. 0 outro pressuposto, também ligado A territorialidade, está refletido na transferência de propriedade do investimento, da empresa sediada no pais para outra localizada no exterior. Nessa hipótese, passando a propriedade do investimento a investidor localizado fora do pais, o fisco não tem mais o controle sobre a disponibilização dos lucros, uma vez que os lucros serão distribuído de uma empresa localizada no exterior para outra empresa localizada no exterior. Nessa hipótese e nesse momento, deve o fisco preocupar-se com a possível elisão do tributo que futuramente incidirá sobre a distribuição dos lucros que deixaram de pertencer potencialmente ao investidor nacional. Nessa hipótese pode o fisco verificar se A luz da legislação de regência a operação caracteriza a disponibilização ou outra forma que provoque a possibilidade de provocar a tributação. Atente-se para o teor do item 4 da letra b, do § 1°, do art. 1 0, da Lei n° 9532/97 2 . Isso tudo porque A luz da legislação de regência (Lei n° 9.532/97, art. 1 0), tratando-se de coligadas ou controladas, os lucros consideram-se disponibilizados quando pagos ou creditados (0 tratamento para filiais ou sucursais é diferenciado). Feitas essas considerações iniciais fruto de observação pessoal e independentemente de eventual apreciação parcial da matéria relativa A possibilidade de aplicação da preliminar de decadência sobre os períodos cuja regulamentação esteve a teor da Lei n° 9.249/95 em que a tributação referenciada o período da apuração do lucro no exterior (IRPJ) e da inexistência de imposição da CSLL em período anterior A vigência da Medida Provisória n° 1.858-6, de 29.06.1999, situações que somente poderiam ser examinadas em caso de provimento ao recurso da Fazenda Nacional, passo ao exame de mérito. Diante das considerações acima e constatando que a propriedade participação societária foi transmitida para pessoa, mesmo se tratando de pessoa fis 2 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capita controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Processo n° 10680.002032/2005-12 Acórdão n.° 9101-00.098 12 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.098 Fl. 13 residente no pais, fica resguardada a manutenção do investidor no campo de observação do fisco, uma vez que o novo proprietário é contribuinte com domicilio no pais. Assim, quando da disponibilização efetiva dos lucros, serão eles submetidos à tributação pela legislação própria. Deixo de aprofundar o exame nesse cenário já que em nenhum momento foi aludida qualquer relação nesse sentido. Quanto à conformidade da operação de redução de capital com versão ao sócio de bens do ativo da empresa a valor contábil, encontra ela respaldo no artigo 22 da Lei n° 9.249/95 3 . Resta o exame do argumento básico que motivou o lançamento, qual seja a possibilidade de ter ocorrido o emprego do valor, na forma da Lei n° 9.532/97, com redação: Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1 0 Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. 3r 2 0 Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considera-se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: I. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer titulo, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. 3 Art. 22 Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio o cionista, a titulo de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou d mercado. C.) 13 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórd5o n.° 9101-00.098 Fl. 14 § 3 0 Não serão dedutiveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil. § 4' Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n." 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de calculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano- calendário subsequente ao de sua apuração. § 5" Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerar-se-6 vencido o prazo a que se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999. (destaque do relator). 0 conceito de "emprego" não encontra detalha -mento na legislação de regência, porém, a recorrente formalizou alegações sobre conceito que teria sido emitido pelo Mestre De Plácido e Silva, sendo que, por já ter utilizado esse conceito no voto condutor do Acórdão n° 105-17.322, o trago por inteiro. Assim, De Plácido e Silva4 entende: "EMPREGO. Significa, geralmente, o cargo, oficio ou função exercida por uma pessoa fisica. E assim se diz emprego do comércio ou emprego público, conforme é o mesmo exercido em um estabelecimento comercial ou industrial, ou num estabelecimento público. Emprego. Mas, tomado de empregar, no sentido de aplicar, também significa o uso, utilização ou aplicação que se faz de alguma coisa ou do próprio tempo. E, deste modo, são freqüentes as expressões: emprego de capital (aplicação de dinheiro para renda), emprego da casa (utilização ou uso da casa), emprego das horas disponíveis (utilização das horas disponíveis em outras atividades)." (destaque do conceito que interessa) A autoridade lançadora reconheceu ter havido devolução do capital através das ações da LIGHTNING SGPS LT, para o sócio Edison Dias, concluindo que transferência de bens do patrimônio da sociedade para o sócio, peculiariedade essa qu essência da alienação.". 4 In Dicionário Jurídico, Forense, 20 Ed. 1967, P. 592 14 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.098 Fl. 15 _CLÇaD_ A transferência de bens patrimoniais da sociedade pode ser efetuadg por diversas motivações jurídicas, como a cisão, a incorporação, a restituição de capital, a doação, a venda e a permuta, entre outras. Pretender, porém, dar a todas elas a mesma conotação jurídica e pretender eliminar as especificidades jurídicas de cada instituto comercial que a rege individualmente. Já apreciei, de outra feita, situação caracterizada pela cisão da investidora no exterior com versão da participação societária no exterior, cujo caso apresenta duas semelhanças com o presente. Em ambos os casos o beneficiário da transmissão de propriedade são sediados no pais e em ambos os casos fica patente a redução do patrimônio da empresa. Naquele caso pela versão de elementos patrimoniais para integrar o patrimônio de outro contribuinte e no presente caso, também, pela versão de elementos patrimoniais para o patrimônio de outro contribuinte. Lá, como aqui, o processo societário foi adequadamente encaminhado a registro comercial e não sofreu qualquer reparo pela autoridade lançadora quanto aos seus elementos formais e jurídicos. Também não tenho dúvidas de que lá, como aqui, não é possível identificar qualquer forma de "emprego" no sentido que lhe deu De Plácido e Silva, ou mesmo no sentido que o termo recebe na conceituação morfológica, como define Aurélio Buarque de Holanda Ferreira 5 : "EMPREGO 0. [Dev. de empregar.] S. m. 1. Ato de empregar: aplicação, uso: bom emprego do tempo, emprego de um objeto, de um vocábulo. (...)." (destaque do conceito que interessa) Não identifico qualquer forma de emprego, no sentido que a legislação me parece contemplar, o que me induz a acompanhar a decisão recorrida sem qualquer reparo. Ainda, o emprego que a legislação contempla é orientado a que ocorra em favor da beneficiária, referindo-se evidentemente à investidora quando menciona "beneficiária", já que seria ela a beneficiária dos lucros aplicados. Quer me parecer que a legislação estabeleceu essa norma para bloquear a possibilidade de a investida no exterior, por sua iniciativa ou por solicitação da investidora utilize os recursos correspondentes aos lucros que seria distribuídos para formar outra forma de patrimônio ou de liquidação de encargos, tanto que previu objetivamente como forma de aplicação a integralização de capital da própria coligada ou controlada domiciliada no exterior. Alcançou com esse dispositivo a reinversão de capital na própria investida. Antes de encerrar o voto, volto ao teor da decisão recorrida cujo teor é de irretocável propriedade, inclusive quanto aos seus comentários à legislação e à IN 38/96, sendo de reiterar que no artigo 10 da Lei n° 9.532/97 "foram descritas todas as hipóteses de disponibilização de lucros auferidos no exterior por meio de sociedade coligada controlada. E, dentro dessas hipóteses, o legislador não fez incluir a Alienação de So edad 5 In Novo Dicionário Aurélio, Nova Fronteira, 2 Ed. 35' impressão, p. 638, ¡if ) 15 Sala d , em 11 de maio de 2009. • Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórclao n.° 9101-00.098 Fl. 16 6' .2 d4 Estrangeira como sendo hipótese de disponibilização de lucros. E, se não o fez é porque não desejava ver tributadas tais operações." (transcrição de fls. 567. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento. JO CARLOS PASSUELLO • 16 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.098 Fl. 17 C,2=2 Voto Vencedor Conselheiro NELSON LÓSSO FILHO, Redator Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus o ilustre relator, peço vênia para dele discordar quanto à tributação do lucro apurado no exterior por empresa controlada por pessoa juridica nacional, em virtude de sua disponibilização quando da restituição de capital ao sócio da empresa controladora, com a entrega de ações da controlada no estrangeiro. Do relato verbal apresentado pelo Conselheiro Relator, extraio que a matéria que me cabe discutir gira em torno da disponibilização de lucros apurados por controlada de empresa nacional no exterior, além da proposta de retorno dos autos A. Camara de origem para análise de alegações que não teriam sido apreciadas no julgamento do recurso. A irregularidade apurada pelo Fisco foi a seguinte: redução de capital com entrega ao sócio da controladora Ediva Empreendimentos Ltda., Edison Dias, de ações que a autuada detinha na empresa Ligthning Spgs Ltda., com a conseqüente disponibilização de lucros registrados nessa empresa que não foram oferecidos à tributação no ano de 2001. Antes de adentrar no mérito da exigência fiscal, registro a evolução legislativa a respeito da tributação dos lucros apurados no exterior por controlada de empresa situada no Brasil. Até o ano-calendário de 1995 não ocorria a tributação dos lucros apurados por controladas no exterior, prevalecendo o principio da territorialidade, conforme artigo 337 do RIR194, cuja matriz legal são a Lei n° 4.506/64, art. 63, e o Decreto-lei n° 2.429/88, art. 11: "Art. 337 - 0 lucro proveniente de atividades exercidas parte no Pais e parte no exterior somente será tributado na parte produzida no Pais". Não sendo, então, tributado pelo Imposto de Renda, nem tampouco pela CSLL. Com a edição da Lei n° 9.249/95 e sua vigência a partir de 01 de janeiro de 1996, a tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior passou a ser regida pelo principio da universalidade, sofrendo incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica no momento de sua apuração no balanço levantado pela investida ao final do exercício. 0 artigo 25 da Lei n° 9.249/95 está assim redigido: "Art. 25 - Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serer° computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano, ,¢ I° - Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro liquido das pessoas jurídicas corn observância do seguinte: I - os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos ern Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data ern que forem contabilizados no Brasil; 17 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n." 9101-00.098 Fl. 18 6:23 II - caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte- americanos e, em seguida, em Reais; § 20 - Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; Ii - os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV - as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3° - Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro liquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II - os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período-base da pessoa jurídica; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro liquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV - a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópias das demonstrações financeiras da coligada. § 4° - Os lucros a que se referem os §§ 2° e 3 0 serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5° - Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6° - Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 2° e 30 ii Em 10 de dezembro de 1997 foi editada a Lei n° 9.532, tendo seu artigo 1° previsto expressamente o momento em que o lucro seria considerado disponibilizado. "Art. I° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. cf § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: 18 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 AcOrdao n.° 9101-00.098 FL 1 a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2° Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, cons idera-se : a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: I. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer titulo, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praga; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praga, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. § 3° Não serão dedutiveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil. § 4° Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano-calendário subseqüente ao de sua apuração. § 5° Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerar-se-á vencido o prazo a que se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999." Pelo relato depreendo que a empresa no exterior apurou lucros em períodos anteriores a outubro de 2001, data da restituição de capital pela pessoa jurídica Ediva ao sócio pessoa física, esses lucros ficaram acumulados na controlada no exterior, Ligthning Spgs Ltda, e não foram disponibilizados à sócia controladora até o ano de 2001. Em todos os períodos anteriores a outubro de 2001 a pessoa jurídica nacional procedeu à equivalência patrimonial e ajustou seu investimento, inclusive com a observância da variação cambial. Para restituir o Capital ao sócio Edison Dias, a autuada identificou no seu Ativo Permanente Investimento o valor das ações da controlada no exterior, Ligthning Spgs Ltda. Esse montante estava influenciado, por meio da equivalência patrimonial, pelos lucros acumulados constantes dos balanços da investida. Economicamente o sócio da Ediva recebeu como restituição de Capital ações da empresa controlada no exterior, Ligthning Spgs Ltda, cuja valoração foi determinada por lucros acumulados dessa empresa, sendo este montante o custo de aquisição dessas ações registrado na declaração de rendimentos pela pessoa física Edison Dias. Caso o sócio pessoa fisica resolva alienar esse investimento pelo mesmo valor registrado na sua declaração de rendimentos não apurará qualquer ganho de capital, 19 CSRF-T1 , Fl. 20 i V, %0 6 Processo n° 10680.002032 12005-12 Ac6rdao n.° 9101-00.098 porque seu custo de aquisição estará adicionado pelos lucros da controlada no exterior, que atualizou o valor patrimonial da ação. Por sua parte a empresa autuada, Ediva Empreendimentos Ltda., após a restituição do Capital ao sócio jamais tributará o montante desse lucro, pois não terá mais participação na investida no exterior. Portanto, ninguém tributará o lucro apurado no exterior corno previsto na legislação de regência. Claro está que na valoravao para a entrega das ações a seu sócio, os lucros obtidos no exterior foram levados em consideração, havendo proveito econômico desses valores, sendo este o momento de sua disponibilização, enquadrando-se nas condições previstas no item 4 "b" do § 2° do artigo 1° da Lei n° 9.532/97. A leitura do artigo 10 da Lei n° 9.532/97 deve levar em conta uma interpretação sistemática. A rígida exegese das leis era defendida fortemente no passado. A ordem jurídica hodierna não mais se vale da simples interpretação literal, cabendo antes uma interpretação sistemática e teleológica. Daquelas leis são produzidas normas que visam a um fim que é o objetivo do legislador. Outro argumento que comprova a supremacia da interpretação sistemática é o próprio principio da Interpretação Conforme a Constituição. A exegese justificada por uma leitura equivocada do Principio da Legalidade Estrita e da Segurança Jurídica acaba por desvirtuar o verdadeiro conceito da capacidade contributiva e exime, injustamente, um dever de contribuir. Este raciocínio põe por terra aquele apresentado em sentido contrário. A interpretação da expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária" deve fazer entender que a disponibilizaçao é o uso do valor adicionado pelos lucros auferidos no exterior, ainda que seja para adimplemento de restituição de capital ao sócio. A própria beneficiária empregou o valor para liquidação de sua obrigação, em última instancia, que é o Capital, para com o sócio. No caso em voga, a empresa Ediva reduziu seu capital e entregou as ações que detinha na controlada no exterior, Ligthning Spgs Ltda, a seu sócio pessoa física, Edison Dias, tendo sido o valor da transferência dessas ações influenciado pelos lucros constantes do Patrimônio Liquido da investida na data dessa restituição de Capital para seu sócio, ficando dessa forma disponibilizado o lucro A autuada. Lançamento Decorrente: Contribuição Social sobre o Lucro 0 lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro no ano-calendário de 2001 teve origem em matéria fatica apurada na exigência principal, na qual a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Tendo em vista a estreita relação entre eles existente, deve-se aqui seguir os efeitos da decisão ali proferida. Quanto A proposta de retorno dos autos A Camara de origem para julgamento entendo despicienda e sem mister, haja vista que todas as alegações relevantes constantes do recurso foram examinadas no acórdão original. 20 Processo n° 10680.002032/2005-12 CSRF-T1 „1 G Acórdao n.° 9101-00.098 Fl. 21 (04 A empresa em momento algum questionou a falta de análise de qualquer de suas alegações, como também não interpôs embargos de declaração para suprir algum tipo de omissão no voto. Não cabe ao julgador em seu voto esgotar a análise de todos os parágrafos apresentados, se já formada a sua livre convicção, não ocorrendo a omissão apontada. O Professor Cândido Range! Dinamarco, ao discorrer sobre o Principio da Persuasão Racional do Juiz, confirma a livre formação da convicção do julgador: "Tal principio regula a apreciação e a avaliação das provas existentes nos autos, indicando que ojuiz deve formar livremente sua convicção." (in "Teoria Geral do Processo", Ed. Malheiros, 140 Edição, 1998, p. 67) Da mesma forma entendem nossos Tribunais Superiores, como pode ser observado pelas ementas a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. REEXAME DE PROVA. SÚMULA N° 7/STJ. 3. 0 não acatamento das argumentações deduzidas no recurso, não implica em cerceamento de defesa, posto que, ao julgador, cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente it lide. 4. Não esta obrigado o magistrado a julgar a questão posta a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim, com o seu livre convencimento (art. 131, do CPC), utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. (STJ — Primeira Turma — ReL MM. José Delgado — Embargos de Declaração em Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n° 304.754/MG — DJ 12.02.2001) "PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO OMISSO SOBRE QUESTÕES INVOCADAS NO RECURSO DE APELAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VICIO INEXISTENTE. COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA. TETO SALARIAL AFASTADO POR DECISÃO IRRECORRIDA. PRECLusio. 1. o Juiz deve se pronunciar sobre todos os temas controvertidos da causa; não está obrigado, entretanto, a responder ponto a ponto, todas as alegações das partes, que se irrelevantes podem ser repelidas implicitamente. Ofensa ao CPC, art. 535, II, que não se caracteriza. (..)" 21 e Processo n° 10680.002032/2005-12 Acórdão n.° 9101-00.098 CSRF-T1 Fl. 22 (STJ — Quinta Turma — Rel. Min. Edson Vidigal — Recurso Especial n° 260.803/SP — DJ 11.12.2000) Portanto, claro está que no direito processual brasileiro vigora o sistema do livre convencimento do julgador, não ficando adstrito a nenhum formalismo para decidir. As preliminares e o mérito questionados no recurso foram enfrentados pelos conselheiros no julgamento de 2 Instancia. Vejo que mesmo aquelas que porventura não foram abordadas a omissão de análise não produziu efeito algum na decisão tomada, porque tratam de assuntos sumulados pelo Conselho de Contribuintes: inconstitucionalidade de normas e imputação da taxa SELIC como juros de mora. Pelos fundamentos expostos, divirjo do ilustre Relator quanto A. disponibilização do lucro auferido por controlada de empresa nacional no exterior, votando no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência fiscal e rejeitar a proposta de retorno dos autos a Camara de origem para a apreciação de matéria não analisada no Acórdão n° 103-22.451. els n Lasso F . designado. S 22
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000544/2005-10
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 28/06/2000
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - TRIANGULAÇÃO COMERCIAL - POSSIBILIDADE.
A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.250
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa (Relator), Mércia Helena Trajano Damorim e Corintho Oliveira Machado. Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Matéria II/IPI - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS Recorrida DRLFORTÁLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - /I Data do fato gerador: 28/06/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - TRIANGULAÇÃO COMERCIAL - POSSIBILIDADE. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa (Relator), Mércia Helena Trajano Damorim e Corintho Oliveira Machado. Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano • pes de Almeida Moraes n ' i n—ajanolleànioW?",}2residente ii I • 'c- •o' Rosa - Rela rir , \ -. Luciano Lopes de Al /a oraes - Recrat r Desigiado EDITADO EM: 27/04/2010 i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Márcia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Cuida-se de lançamento tributário efetuado pela Alfândega do Porto de Belém contra o interessado supra qualificado, nos termos do Auto de Infração de fls. 02 - II, cujo crédito tributário constituído se refere ao Imposto de Importação e acréscimos legais, perfazendo na data de sua lavratura o valor total de R$ 120271,66. Consta que a autuada procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Económica n 39 (ACE 39), conforme Decreto n° 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (Países-Membros da Comunidade Andina). Das razões da autuação A fiscalização aduziu diversos dispositivos normativos, para, em seguida, argumentar que constatou diversas irregitlaridacles, conforme a seguir se resume: DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM APRESENTADO Reportando-se ao artigo 8° da Resolução ALAD1/CR n°252/99, a fiscalização entende que a certificação de origem é feita em função da fatura comercial que acoberta a mercadoria, o que significa dizer que a constatação de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial impede o reconhecimento do tratamento preferencial; No caso concreto, o Certificado de Origem n` ALD-I000933080, de 27/09/2000) se reporta à Fatura Comercial 107977-0, da empresa PDVSA PETROLEO Y GÁS 5é4, da Venezuela, a qual não foi apresentada no despacho; Entretanto, a fatura que instruiu o despacho aduaneiro foi a de n' PIFSB-887/00, de 04/10/2000, pela empresa PETROBRAS INTERNA TIONAL FINANCE COMPANY (P1FC0), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI; O conhecimento de embarque fbi consignado á empresa PIECO, OPERAÇÃO DE COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO EFETUADA PELA EMPRESA NO ESTÁ ACOBERTADA 2 Processo n° 10209.000544/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.250 Fl. 250 PELA RESOLUÇÃO 252 DO COMITÉ DE REPRESENTANTES DA ALAM'. O artigo 4' da Resolução 252 (Decreto n' 3.325/99) não prevê a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador; O artigo 9' da Resolução 252 (Decreto n° 3.325/99) admite a participação de um terceiro pais, membro ou não da ALADI, porém estabelece requisitos a serem cumpridos; A hipótese prevista no artigo 9° não se aplica no caso em tela, visto que não houve interveniência de um operador, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador; Ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no certificado de origem, no campo "observações", que a mercadoria seria faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração Aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu; Destaca que a indicação da fatura emitida pela PDVSA em um campo da fatura PIECO, bem como a mera referência à PIECO no campo "Observações" do certificado de origem não suprem as disposições da Resolução 252, visto que não identifica a operação pretendida. Também não consta que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação; Conforme correspondência de fls. 31 - 33, o importador confirma que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária, a empresa PIECO (Ilhas Cayman), e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, isto é, uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman sem respaldo em certificado de origem, DAS ISENÇÕES E REDUÇÕES DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Atentando-se ao disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpreta-se literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação), defende a fiscalização que qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na legislação, se utilizada conforme estabelece a legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. 3 Diante do exposto, a fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido cia parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de oficio de 75% Das razões da defesa Cientificado do lançamento, a autuada insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 38 - 57, nos termos conforme se resumirá nos itens seguintes. Após proceder a um resgate histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a inzplignante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de urna triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos. Em seguida, analisa a suposta ocorrência de infrações, pelo que faz as suas considerações jurídicas: Defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI Admite um equivoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo á condição da ?TECO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda. Aduz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil. Afirma ainda que a PIECO figura como exportadora pelo fato da Receita Federal não prever o procedimento específico nos casos de triangulação comercial. Defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução 252. Opõe-se a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art.425 do RA/85 inerentes à fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial. Diz que a fiscalização laborou em equívoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, e que, a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada. 4 Processo n° 10209.000544/2005-10 S3-C1T2 Acórdão it° 3102-00.250 El, 251 Argumenta que a Resolução 252 não definiu a figura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação. Rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução 252, ressaltando a conduta formalista do autuante, e aduz o princípio da razoabilidade e da instrumentalidade das formas. Ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos. Frisa a inaplicabilidade da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declarató rio Interpretativo SRF n°13, de 10/09/2002, e ainda, a inaplicabilLtade da taxa SELIC. Por fim, requer a insubsistência do auto de infração, e, continuadamente, a exclusão da multa de 75% e a taxa SEL1C. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetiza sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Imposto sobre a Importação - Data do fato gerador: 26/07/2000 ALADL PREFERENCIA TARIFÁRIA. DIVERGÊNCIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO PAIS NÃO SIGNATÁRIO. Incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do acordo internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito tributário Data do fato gerador: 26/07/2000 MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n°9.430, de . 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários á sua identificação e ao enquadramento tarifaria pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. JUROS DE MORA, TAXA SELIC ARGUIÇÃO DE LVSUBSISTENCIA FORMAL DAS LEIS, FORO 5 ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARÁ ANÁLISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à analise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. O processo foi baixado em diligência para que a Unidade Preparadora anexasse aos autos o documento de ciência da decisão de primeira instância, ou, em não sendo isso possível, justificasse tal impossibilidade e esclarecesse como é possível conhecer a data em que a ciência se efetivou. Em resposta, a Unidade Preparadora indicou a folha do processo onde o representante legal da empresa tomou ciência da decisão de piso, anexou cópia da carteira de identidade correspondente, a procuração vigente à época e a atual. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele, portanto, tomo conhecimento. As razões de recurso são, em linhas gerais, as mesmas apresentadas em sede de impugnação, embora presentes protestos dirigidos à decisão a quo e não renovada a contestação quanto aos juros de mora incidentes sobre o crédito tributário constituído. A questão que se apresenta diz respeito à admissibilidade ou não do certificado de origem apresentado pelo contribuinte com vistas à aplicação da aliquota preferencial prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE-39) do qual o Brasil, país importador, e a Venezuela, pais exportador, são signatários. Conforme já esclarecido nos autos, o problema com o Certificado Origem n° ALD-1000933080 está na informação nele contida de que a mercadoria importada seria procedente da empresa PDVSA Petróleo y Gas S/A, situada na Venezuela, fatura n° 107977, enquanto a fatura apresentada no despacho aduaneiro foi a de número PIFSB-887/00, emitida pela Petrobras International Finanee Company — PIFCO 3 empresa situada nas Ilhas Cayman, pais que não é membro da ALADI. Na peça rectirsal a empresa esclarece as razões para que isso tenha ocorrido. "Crescentes têm sido as dificuldades na captação de recursos por que passa o Pais. Adicionalmente, o prazo de pagamento praticado no mercado internacional de petróleo é curto, variando entre OS a 30 dias do carregamento. Visando captar os recursos necessários, e alongar tal prazo, vem a PETROBRÁS se valendo, inclusive, de linhas de crédito tomadas, no exterior, diretamente por suas subsidiárias lá sediadas". Nr'N:NA.N.N 6 Processo n°10209.000544/2005-10 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.250 Fl. 252 "Buscando equacionar esse significativo rol de contingenciamentos, e como urna das alternativas comerciais, passou a PETR OBRAS a comprar do produtor, com aquele prazo; mas urna dessas subsidiárias paga diretamente ao produtor-exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente, a PETROBRAS revende a mercadoria á subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento em até 180 dias". Não é dificil compreender que o litígio diz respeito a uma questão adstrita à observância das formalidades exigidas pela legislação para que se reconheça a redução da aliquota do Imposto na importação da mercadoria. Uma vez compreendidas as razões pelas quais a empresa pratica a operação nesses moldes e, corolário, o porquê dos problemas identificados na instrução da declaração de importação, não se discute, do ponto de vista comercial, a razoabilidade desta prática, tão pouco a efetiva origem das mercadorias, mas exclusivamente a possibilidade de que esta operação seja considerada como regular do ponto de vista tributário. Em primeira instância, o voto vencedor decidiu pela procedência da autuação (afora a multa de oficio), tendo por base o reg-ramento estabelecido para as operações processadas no âmbito da ALADI e a interpretação que se extrai os dispositivos legais que fixam tais regras. Reproduzo excertos do voto. Preferência tarifária em fim ção da origem da mercadoria Prescrevia o art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985 — RA/85: Art. 434- No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único — Tratando-se de mercadoria importada de pais-membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADO, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. (.) Infere-se das normas de regência que, se o beneficio acordado entre os países signatários do acordo está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do certificado de origem é pressuposto de validade para que o beneficio pactuado seja reconhecido pelo pais importador, pela imprescindibiliclade deste documento, conforme está cristalinamente disciplinado no Regime de Origem - elLADUCIVResolução 78, art. 7": "os países-membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário-padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem...". Ademais, além de serem apresentados os certificados de origem, deve a operação de importação estar de conformidade com as regras estabelecidas no Regime de Origem. Com efeito, os acordos no âmbito da ALADI, visam estabelecer, ao longo prazo, e de maneira gradual e progressiva, um mercado comum que culmine com a eliminação das tarifas e outras barreiras ao comércio entre os países que dele participam. Neste sentido, evidencia-se de suma importância o estabelecimento das normas acerca do Regime Geral de Origem, pela Resolução n. ° 78, de 1987, no âmbito da ALADI, visto que, para a efetividade desses acordos, a caracterização da origem deve ser inequívoca, sob pena de invalidar os beneficios da redução tarifária acordada entre os países signatários. Prescreve o art. 1° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, que trata da Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem, promulgado pelo Decreto n°. 98.836, de 17 de janeiro de 1990, com a redação dada pela Resolução 252 cla ALADI: PRIMEIRO — A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADPSH, e com a que se registra na atum conne7Ltras- sara o de sache adua • r. (grifei) Da interpretação das normas de regência em destaque, constata- se, em face do caráter bilateral dos acordos que objetivam tratamentos preferenciais entre os países integrantes da ALAD1 e do escopo de assegurar a sua eficácia, que a concessão de redução tarifária reservada a esses países com base nos requisitos de origem, foi formulada justamente para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza poderiam, de modo ilegítimo, estender a terceiros países não signatários, o tratamento prefrencial acordado exclusivamente entre os países membros. Uma leitura acurada dos dispositivos legais que disciplinam o Regime de Origem, permite a inferência de que essa vedação torna-se evidente e imperativa, na medida em que o supracitado dispositivo dispõe de fbrma inequívoca que deverá haver uma correspondência entre o certificado de ori.enignfii_itura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro assem/raiado-se, dessa forma, que a mercadoria submetida ao despacho é a mesma objeto da certifica cão e queaoerc comercial que deu ori em importação se amolda aos princípios pactuados nos acordos. atendendo, assim, a seus objetivos. Vale ressalvar que, para fins aduaneiros, a fatura comercial comprova a cessão por venda, por parte do vendedor/exportador em favor do adquirente/importador. Participação de operaria 7- de um terceiro país TNNNN • Processo n° 10209.000544/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.250 A. 253 Entretanto, a Resolução 252 que engloba as Resoluções ;Cs 227, 232 e os Acordos n's 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu artigo 9° veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, nos seguintes termos: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou mio membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará a administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. É oportuno esclarecer que em matéria tributária, qualquer situação excepcional só pode ser acatada se expressamente prevista na legislação. Observa-se que a Resolução 252 ressalva a interveniéncia de um operador de um terceiro pais, signatário ou não do acordo em questão. Todavia, à espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço visto qtrItt análise das Pecas processuais constata-se aue não há a interveniéncia de um operador nos moldes previstos a Resolução retromencionacla. mas a participação de um terceiro sais na utilidade de ex.ortador na medida em •te uma empresa situada nas Ilhas Cavman fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI. (.v) À luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no timbiro da ALADI, verifica-se que, ainda que a empresa exportadora (Ilhas Cayman) se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução 252, que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no certificado de origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seda faturada por um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar a administração 9 aduaneira correspondente urna declaração juramentada que justificasse o fato. Em sua defesa a recorrente argumenta, dentre outros, que a decisão estaria contrariando "frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico central da SRF, mediante a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97", "claríssima no sentido de que a apresentação das faturas anteriores é despicienda e que "não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais". Parte da Nota é reproduzida no recurso voluntário. Segundo entendimento do contribuinte, o teor de seu texto confirma a desnecessidade de que os números constantes dos Certificados de Origem e das faturas sejam coincidentes, como exigido na decisão de primeira instância. Transcrevo o texto da Nota reproduzido no recurso. "O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL) Mio há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso do MERCOSEIL se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ott fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data da emissão, e devidamente firmado pelo operador". Ora, não vejo como pode prosperar a interpretação sugerida pelo contribuinte. A Nota é clara no sentido de que (1) não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais, o que não está em discussão, e 00, no caso do MERCOSIJL, é obrigatória a indicação, na fatura apresentada para despacho de declaração jurada de que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data da emissão, e devidamente firmado pelo operador". A manifestação contida no voto condutor da decisão recorrida é análoga ao considerar que, fosse o caso passível de ser enquadrado na hipótese definida na lej'slação, seria necessário para que a operação pudesse ser considerada como regular que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no formulário respectivo que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais. E, se no momento da expedição do certificado de origem não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador, que o importador apresentasse à administração aduaneira declaração juramentada que justificasse o fato. São situações distintas e a descrita na NOTA COANA/COLADDITEG N° 60/97 apenas denota a cautela e o rigor com que são estipuladas as exigências formais para a confirmação da origem da mercadoria com vistas à aplicação da aliquota preferencial, cuja inobservância importa na perda do beneficio pleiteado. O contribuinte também considera que não foi observado o artigo 10 da Resolução ALADIM 78 com o seguinte teor: \1N1‘8, io Processo n° 10209 000544/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00.250 Fl. 254 "10 — Sempre que um pais signatário considere que os certificados expedidos por uma repartição oficial ou entidade de classe credenciada do pais exportador não se ajustam às disposições contidas no presente regime, comunicará o fato às autoridades governamentais do pais exportador para que este adote as medidas que considere necessárias para solucionar os problemas apresentados". Não creio que essa determinação se aplique ao caso presente. Não se pode aceitar a hipótese de que, a cada problema identificado pela autoridade aduaneira de um dos países-membro em um determinado certificado de origem, o pais tenha que comunicar o fato ao país exportador para, só depois da manifestação deste, resolver qual medida adotar em relação ao problema identificado. É certo que o artigo está dirigido às situações em que o pais (e não o agente fiscal) considere que há problemas com os certificados (e não com o certificado) expedidos por urna determinada repartição oficial ou entidade de classe credenciada. isso constatado, cumprirá a um dos países signatários comunicar o fato ao pais exportador para que esse adote as medidas necessárias para solucionar o problema e não para que este se manifeste em relação a um determinado erro identificado pela autoridade fiscal no certificado emitido, como condição para adoção as providências que julgar adequadas. No que diz respeito às restrições impostas no artigo 4° da Resolução 78 e da afirmação de que "em momento algum tem na legislação que a inobservância destes aspectos formais traga PERDA DO DIREITO À REDUÇÃO", considero equivocado entendimento manifesto pelo contribuinte e, ainda mais, as conclusões a que o mesmo deu ensejo. Tais restrições dizem respeito às "mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países", o que não ocorreu no presente caso e, ainda menos, motivou a autuação fiscal. Por outro lado, a inobservância das condições especificadas nos itens i, ii,e da alinea "b", importam, sim, na perda do direito à redução do imposto. É por demais claro o comando contido no caput do artigo 4°. "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. (grifei) Ou seja, contrário senso, não satisfeita a condição sine gua non, as mercadorias originárias não se beneficiarão do tratamento preferencial. No que diz respeito à jurisprudência administrativa trazida à colação, cumpre rememorar que nem as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais nem as tomadas pelas Câmaras desse Terceiro Conselho de Contribuintes tem efeito vinculante. De todo o exposto, o que se conclui é que a operação empregng a pela recorrente está em desacordo com a legislação de regência do Imposto que, incluaiy em \íífi situações análogas, exige que sejam adotadas certas cautelas para o reconhecimento da aplicação da aliquota preferencial. Nem mesmo estas foram observadas no caso vertente. ',Po I- sse motivo, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo cont 13' inte. 'I i r ‘tic r I PI à Rosa i ,,,, t J Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Redator Designado O ponto fulcral da questão trazida pela Recorrente não é nova e conta com diversos julgados que ratificam a preferência tarifária. Entendo que a Certificação de Origem, como o próprio nome diz é documento que atesta a origem da mercadoria, sua nacionalidade ou procedência primária. O privilégio dado pelo Acordo Internacional não é pessoal, mas objetivo, ou seja, dá-se preferência a atos comerciais que tenha por objeto mercadorias originárias dos países signatários, o que pennite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. E esse foi o objetivo das exceções criadas pelo art. 4 0, da Resolução ALADI/CR n°. 78 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n°. 98.836, de 1990, o de tratar das circunstâncias em que se mantém a preferência tarifária, quando • preservada a origem da mercadoria importada, ou, pelo menos, quando se é possível comprovar tal preservação de origem. Nesse sentido adoto o excelente voto condutor do Acórdão n°. 303-29.776, de 06 de junho de 2001 de lavra do Ilustre Conselheiro Irineu Bianchi: "Entende a fiscalização que a recorrente perdeu o direito de redução pleiteado, pelos seguintes motivos: a) divergência constatada entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução das respectivas declarações de importação e; b) a operação intentada pelo importador (triangulação comercial) não está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALADê Observa-se que a ação fiscal não impugna a validade dos Certificados de Origem e nem das Faturas Comerciais, pelo que, afasta-se de imediato a alegação da recorrente no sentido de ter ocorrido prejuízo quanto a ver suprimida a diligência prevista no art. 10 da Resolução n' 78 da ALADL que prevê a consulta entre os Governos, sempre e antes da adoção de medidas no sentido da rejeição do certificado apresentado. 12 Processo n° 10209.000544/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.250 Fl. 255 Assim, válidos os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro, ao menos no seu aspecto formal, entendo que o deslinde do conflito passa necessariamente pela análise dos atos praticados pela recorrente, vale dizer, se foram realizados atos contrários aos requisitos preceituados na legnslacão de regência, capazes de gerar a perda do beneficio tarifaria. A fruição dos tratamentos preferenciais acha-se normatizada no art. 4°, da Resolução ALADFCR n° 78' — Regime Geral de Origem (RGO)--, aprovada pelo Decreto n°98836, de 1990, 4°, in verbis: CUARTO.- Para que Ias mercancias originarias se beneficien los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador ai pais importador. Para tales efectos, se considera como expeclición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún pais no participante dei acuerdo. b) Las mercancias transportadas en transito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bojo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: z) el tránsito este justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos dei transporte; ii) no estén destinadas ai comercio, uso o empleo en el pais. de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipule° para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación. O caput do dispositivo em comento, combinado com sua letra "a", estabelece, de forma expressa e clara, que é requisito para a fruição dos tratamentos preferenciais, que as mercadorias tenham sido expedidas diretamente do pais exportador ao pais importador, considerando-se expedição direta, as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo." Note-se neste ponto que as prova carreada aos autos demonstram que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil não tendo aportado em outro Pais o que comprova que intenuniência do terceiro não participante foi meramente negociai. Continua ti voto condutor: "As hipóteses perfiladas na letra "b", segundo entendo, destinam-se àqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ;contendo as disposições das Resoluções inte 227, 232 e dos Acordos 25,91 e 215 do Comitê de Representantes 13 passe por terceiro país não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. É que a análise dos documentos apresentados demonstra que embora a ocorrência de triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas Ilhas Cayman. Logo, sob o ponto de vi.sta da origem das mercadorias, não há nenhuma dúvida de que as mesmas são procedentes da Venezuela, pais signatário do Tratado de Montevidéu, ficando atendido o requisito para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Entendo, outrossim, que o conteúdo do Certificado de Origem e as divergências que podem causar no confronto com as Faturas Comercias, não podem embasar a negativa ao beneficio pretendido. Com efeito, analisando a dicção do art. 434, capta, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que o mesmo determina que no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta mesma origem será feita por qualquer meio julgado idôneo. Já o parágrafo único faz ressalva em relação às mercadorias importadas de pais-membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, caso em que a comprovação da origem se fará através de certificado emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. A previsão legal acima acha-se perfilada com o que estabelece o art. 7', da Resolução ALADI/CR n° 782 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n°981836, de 1990. A finalidade precipua do Certificado de Origem, na forma do dispositivo legal citado e nos termos da NOTA COANAICOLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, acostada pela recorrente as fls. 1791181, é tratar-se de "... um documento exclusivamente destinado a acreditar o cumprimento dos requisitos de origem pactuados pelos países membros de um determinado Acordo ou Tratado, com a finalidade específica de tornar efetivo o beneficio derivado das preferências tarifárias negociados Já o art. 8' determina que as mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes, deverá coincidir com a que corresponde a mercadoria negociada classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que foi registrada na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. 2 Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ,contendo as disposições das Resoluções d's 227, 232 e dos Acordos 25,91 e 215 do Comitê de Representantes 14 Processo n° 10209 000544/2005-10 53-C1T2 Acórdão n.°3102-00.250 A. 256 Analisando e confrontando cada uma das DIs e respectivos documentos complementares (Certificado de Origem, Bill of Latling, Faturas Comerciais), apresentados para despacho, verifica-se que a descrição das mercadorias é a mesma, não se constatando qualquer divergência, o que refOrça o entendimento de que as operações atenderam ao disposto no art. 4°, letra "a", da Resolução n°78. Resta uma análise no que se refere à triangulação comercial, apontada pelo fisco como causa para a negativa do beneficio pleiteado. A mesma NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, antes referenciada, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: "Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de urna operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiar-se do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALÁDI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". A lacuna apontada na referida NOTA restou preenchida através da Resolução n" 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n" 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9" da Resolução 78, prevendo: "Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma 15 declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação." --• Por outra via, se a PIFC0 for qualificada corno operadora, nos termos da Resolução 78, fica evidente que a norma em apreço não foi observada, visto que os Certificados de Origem contêm, em sua totalidade, o número da Fatura Comercial emitida pela empresa venezuelana. Na primeira hipótese, como entendido pela decisão singular, retorna-se à situação, justamente aquela analisada pela NOTA COANA antes mencionada, no sentido de que as triangulações comerciais são práticas freqüentes e que não prejudicam a acredita ção estampada no Certificado de Origem, caso em que, os requisitos para a fruição do beneficio estilo atendidos. Na segunda hipótese, configura-se a inobservância ao disposto na Resolução 78, porquanto com o desembaraço aduaneiro, a • recorrente, na qualidade de importadora, deveria apresentar uma declaração juramentada justificando a razão pela qual no campo relativo a "observações" do Certificado de Origem não foi preenchido, informando ainda os números e datas das faturas comerciais e dos certificados de origem que ampararam as operações de importação. Mas nestas alturas cabe averiguar se a não entrega da declaração juramentada tem o condão de desqualificar as operações como hábeis à fruição do tratamento diferenciado ou mesmo, se o conjunto de documentos apresentados no desembaraço suprem as informações que deveriam constar do aludido documento. A única justificativa plausível e racional para a exigência de uma declaração juramentada é a consideração de que, no ato do desembaraço, seria apresentada apenas a fatura emitida pelo operador. Não é o caso presente, uma vez que todos os documentos utilizados nas ditas triangulações, foram apresentados à autoridade aduaneira, de sorte que as informações que deveriam constar da mencionada declaração já se acham presentes nos mesmos, suprindo, ao meu ver, toda e qualquer exigência legal. Não vislumbro, assim, qualquer motivo para descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido, segundo o espírito que norteou a elaboração da Resolução A 78." Os documentos acostados aos autos mantém a rastreabilidade documental do produto importado, comprovando sua origem, verifica-se que a faturMinvoice PFICO n° 965/99 (fls. 22) de venda de "Commercial Butane" para a Petróleo Brasileiro SIA, que ampara a operação menciona o Certificado de Origem n'. ALD -990914715 (fis.23), ou seja a venda do mesmo "Commercial Butane" para a PFICO, conforme a fatura/invoice PDVSA n°. 62389-0 (fis.150), portanto, os documentos emitidos e devidamente apresentados encontram 16 Processo n°10209.000544/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.250 Fl. 257 correspondência e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar, sem qualquer dúvida, a origem da mercadoria, mesmo que ocorrida a operação de triangulação comercial. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. if t l Luciano Lo e i , 1 lmeida Mor , es 17
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Numero do processo: 10380.006741/2007-13
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
Ementa: AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 Ementa: AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 41 /2 00 7- 13 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 27/04/2007, e cientificado ao sujeito passivo na mesma data, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, por não ter apresentado à fiscalização os livros Diário e razão do período de 09/2005 a 12/2006. Após a impugnação, Acórdão de fls. 75/76, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega que não há comprovação da recusa da empresa em apresentar os livros, que os fatos são fantasiosos e o artigo 92, da Lei n.º 8.212/91, carece de legalidade, pois somente a lei pode cominar penalidades. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006741/200713 Acórdão n.º 2302002.018 S2C3T2 Fl. 96 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente foi autuada por não ter apresentado os Livros Diário/Razão no período de 09/2005 a 12/2006. Ao agir desta forma, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS n.º 142, de 01/04/2007, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. As multas relativas a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias não foram inquinadas de inconstitucionalidade, permanecendo vigentes e válidas no âmbito das contribuições previdenciárias. No que se refere a argüição da recorrente de que os fatos constantes da autuação são fantasiosos e de que não há prova da falta de apresentação dos livros contábeis, tenho a dizer que a alegação é totalmente inócua, posto que os referidos livros foram devidamente solicitados, como faz prova o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls.11, assinado por preposto da empresa, sendo que a não apresentação originou a lavratura do presente auto de infração. Caso a recorrente tivesse os documentos deveria têlos apresentado por ora do prazo para impugnação, o que não fez, confirmando com este procedimento a inexistência dos mesmos. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 15521.000338/2008-15
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS EMITIDOS POR PESSOA JURÍDICA DECLARADA INAPTA. INÍCIO DA FALTA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS MESMOS EM FAVOR DE TERCEIROS. Descabe a glosa de documentos de empresas que a fiscalização considerou inaptas, quando inexiste Ato Declaratório Executivo de situação de inscrição inapta ou quando o efeito do mesmo se inicie em período-base posterior ao autuado, devendo ser mantida a glosa dos documentos cuja inaptidão da Pessoa Jurídica emitente tenha sido declarada, mesmo após os períodos-base autuados, mas com efeitos retroativos aos mesmos, apenas quando a beneficiária do documento não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE QUANDO NÃO COMPROVADO O DOLO.
A aplicação da multa qualificada de 150% somente é admitida quando o intuito de fraude resta cabalmente comprovado nos autos. Dolo não se presume, devendo ser provado objetivamente por elementos seguros de prova, que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência
Numero da decisão: 1401-000.853
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos exatos termos da decorrência do resultado de julgamento proferido nos autos do processo nº 15521.000337/2008-71, julgado em conjunto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Assinado digitalmente
Karem Jureidini Dias Redatora Designada.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS EMITIDOS POR PESSOA JURÍDICA DECLARADA INAPTA. INÍCIO DA FALTA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS MESMOS EM FAVOR DE TERCEIROS. Descabe a glosa de documentos de empresas que a fiscalização considerou inaptas, quando inexiste Ato Declaratório Executivo de situação de inscrição inapta ou quando o efeito do mesmo se inicie em período-base posterior ao autuado, devendo ser mantida a glosa dos documentos cuja inaptidão da Pessoa Jurídica emitente tenha sido declarada, mesmo após os períodos-base autuados, mas com efeitos retroativos aos mesmos, apenas quando a beneficiária do documento não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE QUANDO NÃO COMPROVADO O DOLO. A aplicação da multa qualificada de 150% somente é admitida quando o intuito de fraude resta cabalmente comprovado nos autos. Dolo não se presume, devendo ser provado objetivamente por elementos seguros de prova, que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000338/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401000.853 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria IPI Recorrente Indústria de Bebidas Joaquim Thomaz deAquino Filho S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS EMITIDOS POR PESSOA JURÍDICA DECLARADA INAPTA. INÍCIO DA FALTA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS MESMOS EM FAVOR DE TERCEIROS. Descabe a glosa de documentos de empresas que a fiscalização considerou inaptas, quando inexiste Ato Declaratório Executivo de situação de inscrição inapta ou quando o efeito do mesmo se inicie em períodobase posterior ao autuado, devendo ser mantida a glosa dos documentos cuja inaptidão da Pessoa Jurídica emitente tenha sido declarada, mesmo após os períodosbase autuados, mas com efeitos retroativos aos mesmos, apenas quando a beneficiária do documento não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE QUANDO NÃO COMPROVADO O DOLO. A aplicação da multa qualificada de 150% somente é admitida quando o intuito de fraude resta cabalmente comprovado nos autos. Dolo não se presume, devendo ser provado objetivamente por elementos seguros de prova, que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos exatos termos da decorrência do resultado de julgamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 38 /2 00 8- 15 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 3 2 proferido nos autos do processo nº 15521.000337/200871, julgado em conjunto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Assinado digitalmente Karem Jureidini Dias – Redatora Designada. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Cuida o presente processo auto de infração lavrado contra a empresa Joaquim Thomaz de Aquino Filho S/A para formalização de exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), alcançando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 a 2005. A ciência do auto de infração deuse em 15/12/2008. As infrações apontadas foram (i) Crédito básico indevido; (ii) Créditos Presumidos indevidos (iii) Não recolhimento ou recolhimento a menor de IPI lançado e (iv) Créditos indevidos por devolução ou retorno de produto. Foi imposta a multa de 150%. A infração (iv) acima mencionada (“Créditos indevidos por devolução ou retorno de produto”) foi exonerada em primeira instância, não sendo objeto de recurso. A infração (iii), intitulada “Não recolhimento ou recolhimento a menor de IPI lançado”, diz respeito a créditos sobre insumos não tributados, alíquota zero ou isentos. Segundo a autoridade fiscal, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2005 o contribuinte utilizou créditos sobre insumos naquelas condições, amparado por sentença parcialmente procedente, datada de 03/11/2003, cujo direito peticionara na Justiça — Mandado de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 4 3 Segurança, processo n° 2002.51.03.0028481. Antes mesmo de ser prolatado o acórdão (28/03/2007) contrário ao seu interesse, a empresa iniciou procedimento de estornos dos referidos créditos, fazendoo a partir do 3° decêndio de março de 2005 até o 3° decêndio de 2006, sem apropriação dos juros moratórios. Após a apropriação (por imputação proporcional) feita pela autoridade fiscal, foram identificadas insuficiências, que motivaram a exigência de ofício. As outras duas infrações, referentes a créditos indevidos, resultam do fato de a fiscalização ter considerado inidôneas as notas fiscais emitidas, em favor da interessada, naqueles período, pelas empresas Hart Distribuidora de Produtos Químicos Ltda, Alre Química Ltda, Castelnovo Química Ltda, Odicéia Com. Transportes Representações de Álcool e Derivados de Cana Ltda. e Galante Incorporações Empreendimentos Ltda (atual denominação de Julio César de Souza Incorporações Empreendimentos Ltda). Para justificar a declaração de inidoneidade, os fiscais autuantes apontam, inicialmente, alguns aspectos extrínsecos dos documentos fiscais emitidos pelas empresas Alre, Castelnovo, Odicéia, e Galante (antiga Júlio Cesar): não contêm a assinatura, nome e matrícula de qualquer Fiscal de Rendas do Estado, aparentam terem sido preenchidas pela mesma máquina e pelo mesmo datilógrafo, possuem numeração praticamente seqüencial, apesar de emitidas em diversas datas. Informam também terem sido considerados os resultados de investigações a respeito das empresas fornecedoras, feitas nos cadastros da Receita Federal (DIRFs, DIPJs), nos endereços cadastrados, nas Juntas Comercias, junto às Secretarias de Fazenda Municipais e Estaduais (autorizações para fornecimento de documentos fiscais, situação cadastral, SINTEGRA, etc.), junto às companhias fornecedoras de energia elétrica, etc.. A fiscalizada foi intimada a apresentar cópia de documentos comprobatórios dos efetivos pagamentos das notas fiscais e prestar outros esclarecimentos. Da análise da resposta apresentada, a fiscalização destacou dois aspectos que lhe chamaram a atenção: que a interessada efetua seus pagamentos em moeda corrente e que a comprovação dos pagamentos dáse pelas duplicatas quitadas apresentadas e registros em seu Livro Diário (fls. 45 do TVF). A fiscalização registrou que, em que pese não haver impedimento a que se façam pagamentos em moeda corrente, essa não é a prática usualmente adotada, mormente considerados o porte do contribuinte e o valor envolvido (R$ 32.488.919,63 ao longo dos anos de 2003 a 2005). Teceu considerações quanto à natureza das duplicatas (títulos de crédito) e manifestou sua estranheza pelo fato de a interessada não ter se cercado de segurança, quando do suposto pagamento das mesmas, assegurandose de que a assinatura aposta no verso das duplicatas eram consignadas por pessoa com poderes para dar quitação ao emitente do título de crédito. Com relação à contabilização no Livro Diário, a fiscalização registrou que os lançamentos representativos dos pagamentos são feitos por valores fechados, ou seja, que se contabiliza a retirada do caixa em valor, a rigor, significativamente superior ao eventual pagamento da duplicata. Registrou também que as Juntas Comerciais dos Estados de São Paulo e Espírito Santo informaram a inexistência de Livros de Registro de Duplicatas registrados em nome dos supostos fornecedores, em que pese a exigência do art. 19 da Lei n° 5.474/1968. Informou que a interessada foi intimada, em 31/10/2008, a apresentar documentação hábil e idônea que identificasse os signatários nos versos das duplicatas, o que Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 5 4 seria necessário e suficiente para assegurarlhe que a quitação daqueles títulos estava sendo dada por pessoa competente para tanto, tendolhe sido apresentado contrato social das empresas Julio César Inc. Empr. Ltda. e Castelnovo Química. Observou a fiscalização que não parece razoável que a interessada não tivesse se cercado das cautelas legais com vistas a evitar uma possível execução por uma obrigação supostamente já extinta por pagamento. Concluiu a fiscalização que não houve a aquisição dos produtos, e que ocorreu compra de créditos de IPI e ICMS destacados nas notas fiscais glosadas. Como exemplo, destacou três notas fiscais de três dos fornecedores elencados, e apontou que a amostra demonstra que a fiscalizada contabilizara pagamentos, em média, da ordem de 50,40% de seu valor (valendose de abatimentos e descontos), aproveitandose de créditos tributários de 1P1 e ICMS destacados (correspondentes a aproximadamente 78,50% dos pagamentos contabilizados), deixando entender que o fornecedor arcaria com o ônus dos tributos, abrindo mão de sua margem de lucro ou mesmo do valor do produto. Face ao exposto, a fiscalização decidiu desconsiderar os efeitos, para fins tributários, das notas fiscais glosadas. A fiscalização justificou a aplicação da multa qualificada pela “...prática adotada pelo contribuinte ao apresentar à Fiscalização notas fiscais não autênticas/inidôneas, por meio das quais aproveitara, indevidamente, créditos de IPI, PIS e COFINS, além de ter pretendido dar amparo aos registros de custos e pagamentos efetuados(...)” . Em impugnação tempestiva o contribuinte alegou cerceamento de defesa e postulou por ser declarada a nulidade do lançamento, por não haver sido observado o que dispõem os arts. 3° e 142 do CTN e arts. 9°, 10 e 59, II, do Decreto n° 70.235/1972, e, ainda, por ser inconstitucional, representado verdadeiro confisco, vedado pelo art. 150, inciso IV da Constituição Federal; bem como ferindo os princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade. No mérito, relativamente ao IPI lançado recolhido a menor, afirmou que realmente lançou créditos de IPI de que julgava ser detentora com base em ação judicial. Entretanto, após decisão contrária a seus interesses, estornou os referidos créditos, acrescidos de juros moratórios. Alegou que jamais teve conhecimento da tal imputação proporcional mencionada no Auto, pelos Auditores Fiscais e o Termo de Verificação Fiscal a descreve em seu item 4.3.3 de forma confusa, não demonstrando como foram encontrados os valores indicados na coluna G do quadro de fls. 59 do citado Termo de Verificação, ficando desta forma impedida de apresentar qualquer argumentação contrária, a não ser a negativa geral.".Acrescentou que mais uma vez “os auditores agiram com excesso de exação ao aplicarem multa majorada (150%) sobre tais diferenças, calculadas sobre suposta insuficiência de recolhimento, resultante de imputação (!?) em estorno de crédito submetido à apreciação judicial". Sobre as acusações referentes a créditos indevidos (básico e presumido) alegou que a base do lançamento dos correspondentes itens do auto de infração de IPI foi a conclusão da fiscalização pela inaptidão dos documentos das empresas fornecedoras Hart Distribuidora de Produtos Químicos Ltda, Are Química Ltda, Castelnovo Química Ltda, Odicéia Com. Transportes Representações de Álcool e Derivados de Cana Ltda. e Galante Incorporações — Empreendimentos Lida (atual denominação de Julio César de Souza — Incorporações Empreendimentos Ltda), após extenso e minucioso trabalho de investigação em terceiros, de novembro de 2007 a dezembro de 2008, sem levar em conta uma auditoria de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 6 5 produção que demonstraria que os insumos em questão seriam necessários ao processo produtivo, o que poderia ser atestado em perícia, então requerida. Afirmou que cumpre rigorosamente com suas obrigações comerciais e fiscais e negou que tenha tentado "impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária" de qualquer circunstância relacionada com os fatos em questão, pois nada foi ocultado das autoridades, ao contrário, tudo foi oferecido à fiscalização. Protestou que não cabe à empresa fazer cadastro minucioso e investigativo de seus fornecedores. Afirmou que sua preocupação é com relação ao produto recebido, seu preço, sua qualidade, quantidade e facilidades para pagamento e que as indústrias de bebidas são pólo de atração de fornecedores espalhados em todo o Brasil. Aduziu que, por essa razão, buscando melhores condições, em junho de 2000 nomeou o Sr Narciso Baldez Mahias para representála junto aos fornecedores, uma vez que isso implica visita e deslocamento a outros estados, não conhecendo, por isso, os dirigentes das empresas fornecedoras ou suas instalações. Alegou que tinha por rotina checar se as empresas fornecedoras estavam devidamente cadastradas e ativas no CNPJ, tendo tal providência sido tomada, conforme pesquisas que juntava à impugnação, que comprovam que à época do fornecimento e pagamento dos insumos estavam todas habilitadas perante o CNPJ. Ressaltou que as notas fiscais demonstram que os insumos foram transportados com indicação do veículo, passagem por barreiras interestaduais, constando carimbo próprio da receita estadual, manuseio de expedição e almoxarifado com entrada em seu parque industrial. Protestou contra a insinuação da fiscalização de que a falta de assinatura dos agentes nos carimbos da receita estadual seria indício para atestar a inaptidão das notas fiscais, afirmando ser esta a prática rotineira nestes postos, conforme comprovam notas do ano de 2008, de outros fornecedores , também carimbadas sem conter qualquer assinatura, afirmando que a identificação da autoridade somente é exigida em atos formais, nunca para os casos de simples consignação de passagem de veículo de carga por posto de fiscalização interestadual, onde é verificado, por amostragem, a carga e a sua documentação. Argumentou que a fiscalização não levou em consideração que os representantes legais da empresa Julio César de Souza Incorporações e Empreendimentos Ltda. declararam que foram quitadas todas as duplicatas referentes às vendas por eles realizadas, alertando que o produto adquirido álcool etílico hidratado estava sob o regime de substituição tributária e, por isso, para passar na barreira estadual, seria necessário, primeiro, pagar o ICMS, o que foi feito pela interessada, conforme atestam os DARJs anexos às Notas Fiscais. Discorreu sobre as características das duplicatas mercantis e dos títulos de crédito, refutando a afirmação da fiscalização de que as quitações no verso das duplicatas não assegurariam à interessada as cautelas legais de sua adimplência. A fim de demonstrar a rotina de recebimento de mercadorias, juntou "Fluxo de Recebimento de Álcool no Estabelecimento", afirmando ser o produto controlado no Kardex, contendo as entradas e saídas dos insumos. As entradas são representadas pelas notas fiscais dos fornecedores enquanto que as saídas são representadas pelas requisições efetuadas ao almoxarifado para a produção, alertando para que as notas fiscais glosadas estão todas lá relacionadas. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 7 6 Juntou quadro de consumo de álcool para cada litro de bebida produzido e quadro contendo a movimentação do estoque nos anos de 2003, 2004 e 2005, respaldado pelo consumo de selos de controle e de compra de vasilhames, a fim de demonstrar e comprovar que não poderia produzir a quantidade de litros de bebidas vendidas sem a entrada dos insumos que constam das notas fiscais glosadas pela fiscalização. Reclamou que a fiscalização visa transferir a responsabilidade dos fornecedores ao adquirente de boa fé, alertando que as empresas emitentes das notas fiscais não estavam inaptas no CNPJ à época das operações comerciais efetuadas e que a própria Receita Federal somente agora providenciou a declaração de inaptidão para algumas delas, quando, somente então, a publicidade de tal declaração pode alertar e prevenir contribuintes para os riscos de negociação com tais fornecedores. Ponderou que se a Receita Federal considera hoje as empresas "inaptas", não pode a interessada ser por isso prejudicada quando, à época em que com elas negociou, o cadastro das mesmas na Receita Federal consignavaas como empresas ativas e aptas a efetuar transações comerciais. Contestou o fato de a fiscalização ter julgado inválidos os pagamentos em moeda corrente, exaltando montante vultoso e desconsiderando que o desembolso se deu no período de três anos ou mais, o que tomaria os valores unitários de desembolso passíveis de pagamento em moeda corrente, com destaque de entrada e saída em sua contabilidade. Afirmou que é prática de mercado o pagamento em moeda corrente, inclusive para não arcar com a CPMF, proporcionando descontos por pagamentos à vista. Mencionou que tais pagamentos foram utilizados para a injusta autuação de "pagamento a beneficiário não identificado", quando os beneficiários estão pormenorizada e individualizadamente destacados em sua documentação contábil, amparados em notas fiscais e avisos de recebimento igualmente individualizados, suficientes para afastar a responsabilidade da interessada em face de possível, e por ela ignorada, inidoneidade dos emitentes de tais documentos. Transcreveu o art. 41 da IN 748/2007, afirmando que nenhum das fornecedores apresentou cumulativamente as características prescritas nos incisos I a III do mesmo, pois não foi comprovada a indisponibilidade de patrimônio e capacidade operacional das empresas à época da emissão das notas fiscais glosadas, nem que as mesmas estivessem então paralisadas, bem como foram localizados os sócios de cada uma delas. Destacou que os sócios da empresa Julio César de Souza — Incorporações e Empreendimentos Lida, após localizados e ;intimados, confirmaram as vendas realizadas à interessada, tendo a fiscalização, para invalidar tal declaração, protestado que documentos distintos emitidos por cada sócio tinham a mesma formatação, estilo e resposta, afirmando que tal é insuficiente para desabonálas. Imputou tendencioso e arbitrário o trabalho da fiscalização, reiterando que nenhuma das empresas pode ser enquadrada como inexistente à época em que transacionou com elas, bem como que a fiscalização não comprovou que as operações não se realizaram e não foram pagas. Transcreveu Jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre notas fiscais inidôneas, pedindo o cancelamento dos autos de infração. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 8 7 Com relação à multa de oficio, no percentual de 150%, reiterou que em nenhum momento tentou impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária de qualquer circunstância relacionada com os fatos em questão, tendo fornecido todas as informações e documentos. Alegou que a multa exigida, aplicável nos casos de "evidente intuito de fraude", definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, decorreu da suposições de inidoneidade de notas fiscais e inexistência das empresas emitentes, não tendo sido comprovada sua efetiva inexistência, nem que as mesmas se encontravam inaptas na época de emissão das notas fiscais, bem como, não foi comprovado pela fiscalização que a interessada tenha deixado de efetivamente transacionar com tais pessoas jurídicas e que as compras não ocorreram de fato ou que a interessada teria prévio conhecimento de qualquer irregularidade com seus fornecedores, não havendo, portanto, que se falar de fraude por parte da interessada. Afirmou que a autuação não se baseou em verdade material comprovada, mas em presunção legal e indícios de irregularidades de terceiros, incidindo a multa sobre valores presumidos, sem ter sido demonstrado o imprescindível evidente intuito de fraude por parte da interessada, como preconizado no próprio texto que embasou a aplicação da multa no percentual de 150%. Destacou jurisprudência do Supremo Tribunal Federal onde se afirma que a fraude não se presume, ressaltando que na autuação não foi provado o evidente intuito de fraude por parte da empresa ou seus administradores, uma vez que não provada a inexistência das operações comerciais autuadas. Pediu, caso seja mantida a autuação, que fosse afastada a aplicação da multa no percentual de 150% imposta sobre infrações presumidas, sem comprovação de culpabilidade direta por parte da administração da interessada. Insistiu em que a fiscalização, sem realizar qualquer auditoria de produção, mas com informações colhidas em terceiros e, sem certeza irrefutável da existência da tipificação, autuou a empresa, inexistindo outros elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário impugnado. Afirmou que, inobstante a improcedência total do lançamento, decorreu o prazo decadencial para os períodos bases de janeiro a dezembro de 2003, de conformidade com art. 150 do CTN. Formalizou o requerimento de perícia e diligência, indicando peritos químico e contábil, formulando os quesitos para cada um. Encerrou pedindo o cancelamento do lançamento. O órgao julgador a quo julgou procedente em parte o lançamentor, considerando indevida a parcela lançada a título de crédito indevido por devolução de produtos e reduzindo para 75% a multa incidente sobre a parcela lançada a título de recolhimento a menor de IPI lançado, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 9 8 Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes, independentemente da publicação anterior do ato de reconhecimento da inaptidão, mormente quando o Fisco traz provas robustas da ilegalidade dos documentos, não afastadas pela empresa. MULTA DE OFICIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a aplicação da penalidade pecuniária qualificada (150%) quando restar comprovada nos autos o dolo na utilização de documentos fiscais inidôneos. CRÉDITO PRESUMIDO. Glosamse os crédito presumidos apurados tendo como base notas fiscais comprovadamente inidôneas. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Comprovado que o contribuinte não estornou o crédito escriturado no amparo de decisão judicial, posteriormente modificada é cabível exigilo com multa e juros, uma vez ultrapassado o prazo legal que o desobrigava da imputação de penalidade. CRÉDITOS INDEVIDOS. DEVOLUÇÕES DE PRODUTOS VENDIDOS. Comprovado o cancelamentos e/ou a devolução de vendas, legitimo o estorno de débito (crédito). Impugnação Procedente em Parte Irresignada, como a decisao interpos o contribuinte o recurso ora analisado reiterando os argumentos anteriores. Posteriormente ao recurso, a contribuinte protocolizou petição neste CARF, pedindo a juntada de memorial enfatizando a impossibilidade de desconsideração dos efeitos fiscais dos documentos reputados inidôneos em relação aos adquirentes de boafé, destacando que : (a) quando das aquisições, nenhuma das empresas havia sido declarada inapta para emitir documentos idôneos (todas constavam do cadastro do CNPJ como ATIVAS); (b) a fiscalização não comprovou que as aquisições não ocorreram (não fez auditoria de produção); (c) a fiscalização não comprovou que à época em que foram emitidas as notas fiscais, as empresas fornecedoras inexistiam de fato. Para suprir a ausência de auditoria de produção pelo Fisco, Instruiu o memorial com laudo de levantamento de produção feito por BDO RCS Auditores Independentes, a fim de comprovar a efetiva aquisição dos produtos amparados pelas notas fiscais glosadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Maurício Pereira Faro A exigência que permanece em litígio resulta, quase que integralmente, da desconsideração dos efeitos fiscais de documentos considerados inidôneos pela fiscalização, sendo que apenas uma pequena parcela decorre da acusação de recolhimento a menor, em Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 10 9 razão de estornos de créditos utilizados indevidamente, sem efetuar a apropriação dos juros de mora. A questão relativa aos efeitos fiscais dos documentos inidôneos foi por mim analisada ao relatar o recurso voluntário referente aos autos de infração do IRPJ e reflexos, resultantes do mesmo procedimento fiscal (processo nº 15521.000337/200871), e julgado nesta mesma sessão, sendo objeto do Acórdão nº 1401000.852. Por ter o mesmo suporte fático, as decisões hão que ser harmônicas. Observo, inicialmente, que a decisão recorrida, ora sob julgamento, traz extensa e detalhada análise a respeito dos elementos apontados pela fiscalização, confirmando a conclusão fiscal de que os documentos são inidôneos. Contudo, não está em julgamento a inidoneidade dos documentos, mas seus efeitos em relação à Recorrente. Reproduzo, com as adaptações necessárias, meu entendimento expressado no voto condutor do Acórdão nº 1401000.852. Como visto do relatório, o principal ponto da pendenga referese a valores contabilizados a título de aquisições de matériasprima utilizadas na industrialização, cujos efeitos fiscais foram desconsiderados pelo Fisco, por ter tido como inidôneos os documentos fiscais emitidos pelas empresas fornecedoras das matérias primas e inexistentes as aquisições contabilizadas. A questão controvertida não é a imputação, pelo fisco, de idoneidade dos documentos, mas sim, em que medida essa imputação pode atingir os adquirentes dos produtos por eles acobertados, tendo em conta que a notafiscal é o documento hábil para representar a operação de compra e venda dos produtos e, portanto, para servir de lastro ao registro na escrituração. De fato, dispõe o art. 9º do Decretolei nº 1.598/77: Art 9º (...) § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Sendo a nota fiscal o documento hábil para representar a operação de venda de mercadoria, a contabilização de operação de aquisição de matériaprima lastreada em nota fiscal faz prova em favor do adquirente. Observo que a decisão recorrida procura estabelecer uma inversão do ônus probatório, vinculando a responsabilidade do adquirente à conferência da nota fiscal, ao mencionar que “(...) as normas legais estabelecem a obrigatoriedade de o adquirente conferir o destaque do imposto promovido pelo seu fornecedor com o objetivo de apenas creditarse da Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 11 10 parcela que a lei lhe autorize. Essa exigência advém originalmente do art. 62 da Lei n° 4.502/64, matrizlegal do artigo 266 do RIPI em vigor, baixado pelo Decreto n° 4.544/2002.” Todavia o dispositivo legal mencionado para justificar que a irregularidade fiscal do fornecedor possa atingir o adquirente (art. 62 da Lei 4.502/64, matriz do art. 266 do RIPI/2002) é impertinente. Referido dispositivo determina que “Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento”. No caso, os produtos acobertados pelas notas fiscais não são rotulados, marcados ou sujeitos a selo, e estavam eles acompanhados do documento exigido (nota fiscal), que satisfaz a todas as prescrições do RIPI. Eventual inidoneidade do fornecedor não poderia ser conferida pelo adquirente antes da publicidade da declaração de inaptidão. Se o fisco prova que os documentos, embora em princípio hábeis, são inidôneos, a determinação dos seus efeitos fiscais em relação aos adquirentes deve ser precedida da verificação da publicidade da inaptidão da empresa fornecedora para emitir documentos idôneos. Se os fatos registrados são anteriores à publicidade da inaptidão da empresa emitente, para desconsiderar os efeitos dos documentos compete ao fisco provar que as operações não existiram (princípio da verdade material). De ordinário, essa prova é alcançada mediante auditoria de produção (princípio do dever de investigação), o que, no caso concreto, não foi feito pelos auditores fiscais. Para os fatos registrados ocorridos posteriormente à publicidade da declaração de inaptidão da empresa, há uma presunção legal de que são inverídicos, com inversão do ônus da prova em favor do fisco (Lei nº 9.430/96, art. 82, parágrafo único). Assim, fosse esse o caso, caberia ao contribuinte provar que as aquisições ocorreram. No presente caso, as notas fiscais glosadas podem ser divididas em três grupos: a) Emitidas por empresas cuja situação cadastral do seu CNPJ indicava “ATIVA”, ou seja, não haviam sido declaradas inaptas para emissão de documentos fiscais: Alre, Odicéia e Galante (atual denominação de Júlio Cesar de Souza Incorporação e Empreendimentos Ltda.); b) Emitidas por empresa cuja situação cadastral do seu CNPJ indicava ter sido declarada INAPTA para emissão de documentos idôneos com efeitos a partir de data posterior às aquisições registradas pela Recorrente (Castelnovo); c) Emitidas por empresa cuja situação cadastral do seu CNPJ indicava ter sido declarada INAPTA para emissão de documentos idôneos a partir de data anterior às aquisições registradas pela Recorrente (HART). No que se refere às notas fiscais dos grupos (a) e (b) supra, temse que, quando da aquisição dos produtos, a empresa fornecedora não era inapta para emitir documentos, e a fiscalização não trouxe a prova (que lhe competia) de que as aquisições não ocorreram. Por conseguinte, não há como desconsiderar os efeitos fiscais dos fatos registrados com fulcro naquelas notas fiscais. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 12 11 Quanto às notas emitidas pela empresa HART (sem destaque de IPI, mas utilizadas para crédito presumido), o ato declaratório de inaptidão foi publicado em 12/12/2008, com efeitos a partir de 01/01/2000. Uma vez que a declaração de inaptidão da Hart só teve publicidade em 2008, para desconsiderar, em relação a terceiros (no caso, a Recorrente), os efeitos dos documentos emitidos antes dessa data, imputados inidôneos, competia ao fisco provar que as operações não existiram, o que poderia ter sido feito mediante auditoria de produção. No caso específico, tanto o auto de infração sob julgamento como a declaração de inaptidão da Hart resultaram do mesmo processo investigatório, direcionado à Hart (informações cadastrais junto ao CNPJ, às Fazendas municipal e estadual, AIDF, companhia fornecedora de energia elétrica, junta comercial, endereço cadastral). Com base nele, o auditor fiscal concluiu que as operações não existiram e formalizou, em dezembro de 2008 os lançamentos tributários contra a Recorrente (que contabilizou as aquisições), bem como representação para declaração de inaptidão da HART. Nessa situação particular, em que a declaração de inidoneidade e a glosa dos efeitos fiscais para o adquirente decorreram do mesmo processo, no que se refere ao aproveitamento do crédito, admitese a desconsideração dos efeitos fiscais para fatos anteriores à publicidade, desde que comprovado que o adquirente conhecia a fraude e foi conivente (conluio). Porém, esta prova não se encontra nos autos. Todo o trabalho fiscal concentrouse na investigação da idoneidade da Hart para emitir documentos, não tendo restado afastada a condição da recorrente de adquirente de boafé (fato, aliás, com que não se preocupou a fiscalização, que sequer investigou se as aquisições existiram). A fiscalização, embora não tenha realizado a auditoria de produção, afirma que as aquisições dos produtos descritos nas notas fiscais não existiram, tendo havido “compra de créditos de IPI e ICMS destacados naquelas notas fiscais”. Porém o Recorrente traz relatório de levantamento de produção feito pela empresa BDO RCS Auditores Independentes, que atesta que as aquisições realmente ocorreram. De fato, o levantamento de produção feito pela empresa de auditoria independente atestou que (i) os registros contábeis de entrada de mercadorias/insumos conferem razoavelmente com os valores apresentados nas escritas fiscais, havendo diferenças entre as informações da contabilidade e dos livros fiscais, as quais, individualmente, não ultrapassaram 3% da movimentação total dos exercícios analisados; (ii) os registros contábeis de vendas conferem com os valores apresentados nas escritas fiscais; (iii) os valores apresentados de custo estão condizentes com os preços de vendas praticados no período; (iv) a movimentação apresentada no Kardex das entradas de insumos, necessárias para a produção vendida no período, confere com o Custo Standard do mesmo período; (v) .o Custo Standard está condizente com as vendas ocorridas no período, consequentemente, necessitou adquirir toda matéria prima que consta nos livros fiscais. O laudo apresentado, a partir da matéria prima álcool, evidencia que se as aquisições correspondentes às notas fiscais glosadas não tivessem ocorrido, como afirma a autoridade fiscal, teria sido impossível auferir os montantes de receitas oferecidas à tributação evidenciados na última linha do demonstrativo a seguir: 2003 2004 2005 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 13 12 Receita de vendas 36.966.432,88 49.095.731,15 57.465.133,11 Quantidade de produto vendida (em litros) 9.132.648 11.397.787 11.475.232 Quantidade produzida (em litros) 8.787.692 11.808.962 12.819.733 Matéria prima necessária à produção 3.459.893 4.145.579 3.939.915 Matéria prima glosada 1.679.010 1.773.690 2.790.125 Produção sem matéria prima glosada 4.523.219 6.756.486 3.741.198 Produção correspondente às matérias primas glosadas 4.264.474 5.052.476 9.078.535 Receita (tributada) correspondente à insuficiência de produção decorrente da glosa 17.261.411,13 21.763.435,59 45.463.065,34 O levantamento de produção agora trazido visou suprir o indeferimento da diligência/perícia requerida na impugnação, ao argumento de ser prescindível, bem como a desconsideração, pelo julgador, do demonstrativo oferecido, por considerálo insuficiente (simplista), assim motivando: “O demonstrativo sintético das entradas e saídas de álcool, fls 1361 do volume VII, não demonstra, a quantidade possível de se produzir com os insumos adquiridos, ou mesmo a fórmula de seus produtos, a quantidade total de insumos adquiridos o que possibilitaria apurarmos sua produção, somente traz a quantidade anual do insumo — álcool e a quantidade saída do produto final”. Se o levantamento de produção comprova que para a produção obtida foram adquiridas as quantidades de matérias primas correspondentes às notas fiscais questionadas, descabe, sem comprovar sua participação em fraude ou conluio, desconsiderar os efeitos fiscais dos documentos para o adquirente. Não obstante o diligentíssimo trabalho fiscal no sentido de averiguar a idoneidade das notas fiscais, a investigação restou não terminada em relação ao adquirente das mercadorias. De fato, em se tratando de notas fiscais emitidas por empresas regulares no cadastro do CNPJ, se a autoridade fiscal conclui que os documentos são inidôneos, cabelhe aprofundar a investigação, para averiguar se as aquisições existiram (o que pode ser feito mediante auditoria de produção). Se restar provada a inexistência das aquisições, impõese a desconsideração dos efeitos fiscais dos documentos, inclusive com a penalidade qualificada. Por outro lado, se provada a aquisição, descabe a desconsideração, a menos que a fiscalização produza a prova de conduta fraudulenta com a participação do adquirente . Em síntese, em relação às notas fiscais imputadas de inidôneas, tenho que: (a) a acusação fiscal é de que as aquisições por ela acobertadas não existiram; (b) a fiscalização não produziu a prova da inexistência das aquisições, estando a acusação fundada apenas na inidoneidade dos documentos, alcançada principalmente a partir de investigações relacionadas com as empresas fornecedoras ; Fl. 15DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 14 13 (c) a declaração de inaptidão de empresa para emitir documentos idôneos só produz efeitos em relação a terceiros a partir de sua publicação (requisito do ato administrativo para produzir efeitos externos); (d) excepcionalmente, se a declaração de inidoneidade e a glosa dos efeitos fiscais para o adquirente decorreram do mesmo processo investigatório, pode haver a desconsideração de efeitos fiscais para fatos anteriores à publicidade, desde que comprovado que o adquirente conhecia a fraude e foi conivente (conluio). (e) no presente caso, a partir do que consta dos autos, e como já admitido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, no julgamento do processo principal (nº 15521.000337/200871: IRPJ e reflexos), não há como afirmar que a interessada sabia da inidoneidade dos documentos, e muito menos de ocorrência de "conluio", que sequer foi aventada no Termo de Verificação Fiscal; (f) comprovado, pelo levantamento de produção trazido para suprir a não realização, pela fiscalização, da auditoria de produção, que sem os insumos cobertos pelos documentos glosados não seria alcançada a produção obtida e vendida (e tributada), resta desconstituída a acusação de inexistência das aquisições, e demonstrada a condição da Recorrente de adquirente de boafé. Por fim, observo que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a respeito da matéria encontrase expresso na ementa a seguir transcrita, referente ao Recurso Especial Repetitivo n° 1148444/MG (Relatoria do Ministro Luis Fux); PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada à veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ Fl. 16DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 15 14 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). (...) (destaque não constante do original) Por se tratar de decisão tomada na sistemática de recursos repetitivos, esse entendimento é de adoção obrigatória pelos membros do CARF, conforme previsto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF. Portanto, comprovado que as mercadorias foram adquiridas e não demonstrado pela fiscalização não ser, a Recorrente, adquirente de boafé, julgo improcedente a desconsideração dos efeitos fiscais de todas as notas fiscais glosadas pela fiscalização Assim, voto pelo cancelamento da exigência fundada na acusação de créditos indevidos, amparados em documentos inidôneos. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS Resta analisar a questão da infração designada no auto de infração como IPI Lançado Não recolhimento ou recolhimento a menor (1º item do auto de infração).. Segundo relatou o autuante, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2005 o contribuinte utilizou créditos presumidos sobre insumos desonerados de imposto (isentos, NT ou alíquota zero), amparado por sentença judicial datada de 03/11/2003, proferida em Mandado de Segurança, processo n° 2002.51.03.0028481. Antes mesmo de ser prolatado o acórdão (28/03/2007) contrário ao seu interesse, a empresa, em face da mudança da orientação jurisprudencial do STF, iniciou procedimento de estornos dos referidos créditos, fazendoo a partir do 3° decêndio de março de 2005 até o 3° decêndio de 2006, sem apropriação dos juros moratórios. Após a apropriação dos juros (por imputação proporcional) feita pela autoridade fiscal, foram identificadas insuficiências, que motivaram a exigência de ofício. No Termo de Verificação Fiscal o autuante menciona que o contribuinte, ao prestar esclarecimentos, faz referência aos efeitos do § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. A autoridade fiscal destaca que o dispositivo invocado pelo fiscalizado se presta para o não recolhimento da multa moratória a que aludem os artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, não Fl. 17DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 16 15 alcançando os juros de mora. Destaca que o contribuinte foi cientificado do início da ação fiscal em 21.11.2007, e em 26 de novembro retificou suas DCTF dos 3º e 4º trimestres de 2004 e 1º trimestre de 2005, de forma a fazer constar, com saldo a pagar, débitos de IPI decorrentes dos juros Selic sobre os valores estornados extemporaneamente. Tanto na impugnação como no recurso, a interessada limitase a afirmar que: (i) procedeu ao estorno dos créditos, acrescidos dos juros de mora, antes de qualquer procedimento fiscal; (ii) desconhece a imputação proporcional mencionada pelo autuante; (iii) que não compreendeu como foram encontrados os valores indicados no demonstrativo que integra a fl. 59 do TVF; que os créditos foram estornados no prazo, não cabendo qualquer multa, haja visto que estavam com a exigibilidade suspensa em razão da decisão judicial. Quanto a este item, decidiu a turma a quo: O impugnante arguiu que não conhece o método de 'imputação proporcional' que o Fisco diz ter utilizado, além de achar o demonstrativo efetuado confuso. Na verdade, o que o Fisco chamou de 'imputação proporcional' nada mais é do que alocar, atribuir juros Selic aos valores dos créditos estornados, ou melhor, foi o mesmo procedimento realizado pelo contribuinte (fls.40/41 ) ao atender em 10/12/2007 ao Termo de Intimação datada de 21/11/07 (fls.67/84). O Demonstrativo elaborado pela empresa é basicamente o mesmo do Fisco, o que os difere são o índices de atualização usados em alguns períodos e o fato de deflacionar com mesmo índice da correção o excedente de um período, quando os períodos não coincidentes. A título de exemplo tomase o estorno realizado em setembro de 2005, cujo pagamento se deu em 05/10/2005, data essa considerada pelo Fisco enquanto o impugnante considerou a data do estorno apropriando uma variação da Selic menor — 19,57% quando o correto seria 21,07%. O mesmo ocorreu no estorno realizado em outros períodos o que culminou num valor a maior de crédito não estornado relativo ao 3º decêndio de setembro de 2004. Enquanto a Fiscalização apurou um montante de R$ 66.896,14, não estornado referente a esse período a empresa apurou R$ 27.582,05(fl. 42 e 901). A partir dai os valores dos créditos não estornados apurados pela empresa e Fiscalização são idênticos. Cabe ainda ressaltar que a apropriação dos juros no montante estornado foi realizada após o inicio da ação fiscal e o valores faltantes correspondem, em última analise, às atualizações realizadas nas parcelas anteriores ao 3º decêndio de setembro de 2004. Dessa forma, correto o procedimento da fiscalização em exigir da empresa os créditos utilizados indevidamente e não estornados. O contribuinte durante a ação fiscal arguiu o § 2° do artigo 63 da lei 9.430/96 que a seguir transcrevese Fl. 18DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 17 16 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) § 1° 0 disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifamos) Como parte dos citados créditos não foram estornados no prazo de trinta dias da publicação da decisão judicial (28/03/2007), como prevê o texto legal, os valores dos créditos indevidos estão sendo exigidos corretamente, com multa e juros moratórios. Isso só ocorreu porque os valores estornados pela empresa foram insuficientes devido a não alocação dos juros. A questão da multa foi assim analisada: Não constam dos autos evidências da ocorrência de dolo no tocante ao não estorno dos créditos indevidos efetuados no amparo de decisão judicial posteriormente modificada. A empresa neste caso, iniciou o estorno dos créditos antes mesmo da decisão definitiva, fazendoo porém, de forma equivocada, sem alocar os juros morat6rios respectivos. 0 que se exige agora são os valores não estornados após a incidência dos juros. Portanto, sobre esta parcela não há como imputarlhe multa qualificada e sim a penalidade de 75% prevista no inciso I do art. 488 do RIPI, cuja base legal é o art. 80, inciso I da Lei 4502 e art. 45 da Lei 9430/96. Quanto a este item do recurso, embora considere pouco crível que a Recorrente ignore em que consiste o método da imputação proporcional, procedimento que, como informa a decisão recorrida, foi o mesmo por ela adotado ao atender a intimação fiscal, reconheço que o demonstrativo constante das fls. 59 do TVF, inobstante as referências constantes às fls. 58, não permite, realmente, identificar como foram apuradas as diferenças. Esse esclarecimento não consta do Termo de Verificação Fiscal, e apenas com a decisão de primeira instância veio uma explicação de que a diferença decorre de utilização, pelo contribuinte e pelo fisco, de índices de atualização diferentes. Mesmo assim, a decisão apenas exemplifica com o mês de setembro de 2005, dizendo que o contribuinte utilizou índice menor, por considerar a data do estorno (setembro), enquanto a fiscalização considerou a do pagamento (5 de outubro). E afirma que “O mesmo ocorreu no estorno realizado em outros Fl. 19DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 18 17 períodos o que culminou num valor a maior de crédito não estornado relativo ao 3º decêndio de setembro de 2004”. Contudo, em nenhuma peça dos autos consta quais os índices utilizados pela fiscalização, a fim de demonstrar como chegou ela a diferenças não extintas a partir de crédito relativo ao 4º decêndio de 2004. Mesmo sem que se possa averiguar se houve ou não apropriação a menor de juros de mora, não me parece que esse item da exigência possa prosperar, pelos motivos que passo a expor. O contribuinte creditouse do imposto (crédito presumido sobre insumos não onerados) autorizado por decisão judicial. Assim, ainda que indevido o crédito, o correspondente valor era inexigível enquanto não reformada a decisão autorizativa, o que só ocorreu em 28 de março de 2007. Contudo, entre março de 2005 e maio e 2006, quando ainda estava ao abrigo da decisão, procedeu à reversão dos créditos, calculando os juros de mora (segundo a taxa Selic) sobre os créditos indevidos1. A autoridade fiscal entendeu que os juros de mora foram calculados a menor. Aplicou, então, o método da imputação proporcional, e em lugar de lançar insuficiência de juros de mora, lançou insuficiência de principal, fazendo incidir, sobre a diferença, juros de mora e multa de ofício. Contudo, o contribuinte estornou o crédito quando ainda estava ao abrigo da sentença judicial que o autorizava, e o fez acrescido dos juros de mora. Inadmissível, assim, cobrar os créditos indevidos, com imposição de multa. Se os juros foram calculados a menor pelo contribuinte (por ter usado como referência a data do estorno, e não a do pagamento, segundo esclareceu a decisão recorrida), cabia à autoridade lançar a diferença a menor dos juros, conforme previsto no art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A respeito, convém lembrar que a Instrução Normativa nº 77, de 1998 (alterada pelas IN 14/2000 e 460/2004), estabelece: 1 Nos termos do art. 5º do Decretolei nº 1.736/79, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial Fl. 20DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 19 18 Art. 4° Quando o contribuinte efetuar o pagamento do principal fora do prazo, com os acréscimos moratórios em valor menor que o devido, a diferença relativa à multa de mora e aos juros de mora será exigida por meio de auto de infração, sem a incidência de multa de lançamento de ofício. Art. 5° Os juros moratórios serão cobrados por meio de auto de infração, na forma do art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996: I juntamente com a multa de lançamento de ofício, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo, sem a incidência dos acréscimos moratórios; II isoladamente, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo legal, com o acréscimo de multa moratória, mas sem o acréscimo de juros ou com o pagamento desses a menor. No caso, como, de acordo com o § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, não havia incidência de multa moratória, aplicase o disposto no inciso II do art. 5º acima transcrito, ou seja, os juros pagos a menor seriam cobrados por meio de auto de infração (não havendo que se falar em imputação proporcional e imposição de multa de ofício). Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso. Assinado digitalmente Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias – Redatora Designada. Nos termos do relatório do Conselheiro relator original – fls. 02 – cumpreme elaborar voto vencedor referente a créditos indevidos, que resultam do fato de a fiscalização de ter considerado inidôneas as notas fiscais emitidas em favor da interessada, nos termos das infrações apontadas nos itens (i) Crédito básico indevido e (ii) Créditos Presumidos indevidos. De acordo com o mesmo relatório, os itens “(iii) Não recolhimento ou recolhimento a menor de IPI lançado” e (iv) “Créditos indevidos por devolução ou retorno de produto” não são objeto deste voto, sendo que o item (iv) foi inclusive cancelado em primeira instância, não sendo objeto de recurso. Ainda, como bem informado pelo relator original, por terem mesmo suporte fático, as decisões hão de ser harmônicas. Se assim é, na verdade, a Câmara adotou quase in totum as bem elaboradas razões de decidir do Conselheiro Relator, cabendo a divergência tão somente quanto à manutenção do lançamento relativamente ao fornecedor HART – Distribuidora de Produtos Fl. 21DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 20 19 Químicos Ltda., do mesmo modo como ocorreu no processo nº15521.000337/200871, julgado primeiro na mesma sessão. Passo então a reproduzir as breves considerações do voto vencedor constante daquele processo. Conforme se verifica do resultado de julgamento, o presente processo foi julgado em conjunto com o processo nº 15521.000337/200871, tendo a Câmara nesse processo entendido por dar provimento parcial ao recurso voluntário. A despeito das autuações envolverem o mesmo contribuinte, a decisão de 1ª instância naquele processo decidiu de maneira distinta do presente, mantendo apenas a glosa relativa ao fornecedor HART. Ainda naquele processo, que se relaciona com o presente, o relator, quando do julgamento do Recurso Voluntário dividiu as notas fiscais glosadas em três grupos: a) Emitidas por empresas cuja situação cadastral do seu CNPJ indicava “ATIVA”, ou seja, não haviam sido declaradas inaptas para emissão de documentos fiscais: Alre, Odicéia e Galante (atual denominação de Júlio Cesar de Souza Incorporação e Empreendimentos Ltda.); b) Emitidas por empresa cuja situação cadastral do seu CNPJ indicava ter sido declarada INAPTA para emissão de documentos idôneos com efeitos a partir de data posterior às aquisições registradas pela Recorrente (Castelnovo); c) Emitidas por empresa cuja situação cadastral do seu CNPJ indicava ter sido declarada INAPTA para emissão de documentos idôneos a partir de data anterior às aquisições registradas pela Recorrente (HART). Quanto aos grupos “a” e “b”, A Câmara acompanhou novamente o relator, no sentido de que a glosa correspondente às notas fiscais dos grupos (a) e (b) é imporcedente, conforme já havia sido decidido pela DRJ naquele processo (15521.000337/200871), que tem o mesmo suporte fático, nos seguintes termos: “De fato, se quando da aquisição dos produtos a empresa fornecedora não era inapta para emitir documentos, e se a fiscalização não trouxe a prova (que lhe competia) de que as aquisições não ocorreram, não há como desconsiderar os efeitos fiscais dos fatos registrados com fulcro naquelas notas fiscais.” Segundo a descrição, as infrações resultam do fato de a fiscalização ter considerado inidôneas as notas fiscais emitidas em favor da contribuinte interessada naqueles períodos, por diversas empresas. Em consequência, foi efetuada a glosa de custos baseados nas notas fiscais consideradas inidôneas. No tocante as notas do grupo (c) notas emitidas pela empresa HART, entendeu o relator tanto naquele quanto no presente processo que, a despeito de não se aplicar a declaração de inidoneidade (posterior às aquisições), o fisco deveria demonstrar, através de processo investigatório direcionado à Hart, que as operações não existiram. Concluiu que “pelo levantamento de produção trazido para suprir a não realização, pela fiscalização, da auditoria de produção, resta desconstituída a acusação de inexistência das aquisições, e demonstrada a condição da Recorrente de adquirente de boafé”. Neste passo, também no presente processo, devo redigir o voto vencedor apenas quanto a este ponto, razão pela qual reproduzo as razões já adotadas no processo nº 15521.000337/200871. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15521.000338/200815 Acórdão n.º 1401000.853 S1‐C4T1 Fl. 21 20 É bem verdade que não há possibilidade de presumir qualquer máfé do contribuinte, mas isto não autoriza entender que houve comprovação suficiente da operação a ensejar o cancelamento do lançamento, mesmo nessa situação. Quando do julgamento, a Câmara aprofundouse na investigação dos documentos, verificando que para todos os fornecedores que emitiram as notas objeto e lançamento, houve a comprovação da passagem das mercadorias pela fronteira, dentre outras. Tal comprovação de passagem de mercadorias pela fronteira só não foi possível quanto ao fornecedor Hart, razão pela qual concluiu a Câmara pela inexistência de comprovação suficiente a afastar o lançamento apenas para as notas emitidas por tal fornecedor, a despeito da necessária redução da multa ao patamar normal, conforme já havia sido decidido pela DRJ no processo nº 15521.000337/200871. Cumpre reiterar que a multa qualificada de 150% deve ser reduzida ao patamar normal, relativamente ao lançamento remanescente – notas emitidas pelo fornecedor Hart – mantendose a mesma harmonia com o quanto decidido no processo 15521.000337/200871. Naquele processo foi decidido à unanimidade por negar provimento ao Recurso de Ofício, no qual, dentre outras questões, a decisão da DRJ, sobre os mesmos suportes fáticos, já havia desqualificado a penalidade. Neste passo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendose apenas o lançamento relativo ao fornecedor Hart e desqualificando a penalidade sobre a glosa remanescente. Assinado digitalmente Karem Jureidini Dias – Redatora Designada. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 17546.000167/2007-91
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/06/2001
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT.
O lançamento refere-se exclusivamente a diferenças de SAT, apuradas no exame das folhas de pagamentos que foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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O lançamento referese exclusivamente a diferenças de SAT, apuradas no exame das folhas de pagamentos que foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 01 67 /2 00 7- 91 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000167/200791 Acórdão n.º 2302002.153 S2C3T2 Fl. 80 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 28/04/2006, de diferenças de contribuições destinadas ao financiamento dos riscos ambientais do trabalho, nas competências de 05/1999 a 06/2001, apuradas pelo programa SAFIS – Sistema de Fiscalização – da Previdência Social, ao efetuar o cruzamento dos salários de contribuição informados nas folhas de pagamento e a os valores recolhidos através de GRPS. O relatório fiscal de fls. 20/23, diz que a presente notificação vem a substituir a de n.º 35.386.5729 de 25/02/2002, que foi anulada por erro formal. Após a impugnação, os autos foram baixados em diligência, fls. 41, para que a fiscalização informasse se as folhas de pagamento que ampararam o lançamento são específicas dos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social e se houve acréscimo nas alíquotas do SAT para o financiamento de aposentadoria especial e por quê. Em informação de fls. 45/46, o Fisco informa que o notificado tinha procedido de forma correta ao autoenquadramento na alíquota de SAT, que a elaboração das folhas de pagamento é de responsabilidade do contribuinte, que os segurados pertencentes a regime próprio não pertencem a esta notificação e que as diferenças apuradas não se referem à majoração de alíquota para financiamento de aposentadoria especial. O contribuinte foi notificado do resultado da diligência e apresentou suas alegações, após o que Acórdão de fls. 58/60, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a inexigibilidade do depósito prévio; b) que não houve individualização das contribuições lançadas, que o lançamento pode estar abrangendo servidor estatutário; c) que pelos artigos 57 e 58 da Lei n.º 8.213/91 e Lei 9.732/98 para a concessão de aposentadoria especial os servidores deveriam estar discriminados; d) que deve ser comprovada a efetiva exposição aos riscos ambientais do trabalho; e) que não há a discriminação clara e precisa dos fatos geradores; f) que a SELIC é inconstitucional. Requer o provimento do recurso para declarar nula a notificação, protestando pela juntada de novos documentos e por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000167/200791 Acórdão n.º 2302002.153 S2C3T2 Fl. 81 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares De acordo com os elementos constantes dos autos, a notificação em epígrafe, compreendendo o período de 05/1999 a 06/2001, foi lavrada em 28/04/2006, em substituição a outra de n.º 35.386.5729, emitida em 25/02/2002, anulada por vício formal, em 23/07/2004, conforme tela de fls. 57. Desta forma, o novo lançamento está respaldado no disposto pelo art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.(grifei) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, por falta de caracterização do fato gerador, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000167/200791 Acórdão n.º 2302002.153 S2C3T2 Fl. 82 7 qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ademais, o relatório fiscal de fls. 20/23, a informação fiscal relativa à diligência efetuada, às fls.45/46 e a própria decisão recorrida já explicitaram sobejamente à recorrente que o lançamento referese a diferenças apuradas pelo cruzamento de informações extraídas das folhas de pagamento da empresa com os valores efetivamente recolhidos através de guias de recolhimento de contribuições previdenciárias. Não se verificou erro no enquadramento da alíquota do SAT procedido pela recorrente, tampouco os valores se referem ao adicional para financiar a aposentadoria especial. O lançamento consubstanciado nesta notificação referese exclusivamente a diferenças de SAT, apuradas no exame das folhas de pagamentos que foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ainda é de se ressaltar, que o Fisco já esclareceu à recorrente que os servidores pertencentes a Regime Próprio de Previdência não fazem parte do lançamento, que não padece de qualquer vício que enseje a sua nulidade. Do Mérito Como já referido em parágrafos anteriores, o mérito do lançamento cingese apenas às diferenças no recolhimento da exação relativa ao seguro acidente do trabalho, na alíquota de 1%, conforme autoenquadramento efetuado pelo próprio município, o que não foi alterado. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. A incidência da contribuição se dá sobre o salário de contribuição apurado através das folhas de pagamento da sociedade empresária , sendo desnecessária a identificação de cada segurado, pois a alíquota aplicada, de 1%, é idêntica para todos e incidente sobre o total do salário de contribuição. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000167/200791 Acórdão n.º 2302002.153 S2C3T2 Fl. 83 9 O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 35569.000326/2007-71
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/10/2006 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES QUE INDEPENDE DE INTENÇÃO. Em conformidade com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Detectada apresentação da GFIP em desconformidade com a legislação, correta a aplicação da penalidade prevista na lei. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da correção da apresentação da GFIP, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, caso não tenha ocorrido, ou tenha ocorrido parcialmente, recolhimento total das contribuições não informadas ou que se aplique ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, caso o recolhimento tenha sido total. Redator Designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Em conformidade com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Detectada apresentação da GFIP em desconformidade com a legislação, correta a aplicação da penalidade prevista na lei. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da correção da apresentação da GFIP, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, caso não tenha ocorrido, ou tenha ocorrido parcialmente, recolhimento total das contribuições não informadas ou que se aplique ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, caso o recolhimento tenha sido total. Redator Designado: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro Jose Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35569.000326/200771 Acórdão n.º 230101.991 S2C3T1 Fl. 141 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SOCIEDADE FILANTRÓPICA CATÓLICA ORTODOXA contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada por descumprimento de obrigação tributária acessória, qual seja deixou de apresentar a empresa documento com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 1/12/2005 a 31/10/2006. 2. Segundo relatório fiscal o contribuinte “informou incorretamente a sua massa salarial de segurados empregados, já que as folhas de pagamentos apresentadas por ela possuem valores maior que os declarados pela empresa nas GFIPs.” (fl. 4) 3. A recorrente, por sua vez, impugnou tempestivamente a peça fiscal acostando juntamente com sua petição uma série de documentos, dentre as quais as GFIPs relativas ao período fiscalizado. (27/110) 4. Em seguida, a autoridade competente baixou em diligência os autos para análise da documentação trazida pela empresa, resultando na emissão de relatório complementar de fls. 115/118 que apenas retificou o valor da multa aplicada afastando os 5,8% relativos a terceiros. 5. A ementa do acórdão nº 1726.380 da 11ª Turma de Julgamento restou vazada nos seguintes termos: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração a apresentação, por parte da empresa, de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCIPAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO POSITIVA OU NEGATIVA. O Código Tributário Nacional divide a obrigação tributária em principal e acessória; a primeira consiste no recolhimento do tributo; a segunda consiste na prática ou abstenção de condutas previstas em lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 REVISÃO DO LANÇAMENTO. A Administração Pública pode rever de oficio o lançamento nas hipóteses constantes do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 127) 6. Inconformada com a decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, o seguinte: “1. Foram entregues, de fato, várias GFIPs de uma mesma competência, cada uma com funcionários distintos, conforme constam dos autos e afirmação do agente fiscalizador em seu Relatório Complementar. Equivocadamente, as informações previdenciárias foram prestadas somente dos funcionários que constavam das GFIPs, quando deveriam ser de todos. 2. Que a última GFIP entregue referente a uma mesma competência sobrepõese às demais é fato, porém não invalida seus recolhimentos. Quando o recolhimento do FGTS é feito parcialmente, ou seja, de uma parte dos funcionários de cada vez, é gerada e entregue uma GFIP para cada recolhimento. Todavia, toda e qualquer GFIP deve conter as informações de todos os funcionários, assim como as informações previdenciárias. Para o recolhimento parcial do FGTS utilizase o código 9 para aqueles que já tiveram o recolhimento efetuado ou o serão posteriormente. Ocorre que o período a que se refere a ação fiscal coincide com o da implantação das mudanças do SEFIP, quando as informações passaram a ser enviadas pela internet e não mais via disquete. Por desconhecimento das ferramentas e utilização do nóvel sistema, a instituição enviou várias GFIPs de uma mesma competência sem observar o procedimento correto, distorcendo, assim, as informações previdenciárias. 3. Não deve a instituição, que se propõe tão somente a fazer aquilo que o Governo, em todas as suas esferas, deixa de fazer na área social, ser penalizada por sua flagrante ignorância aos recursos de um sistema de informações implantado pela Caixa Econômica Federal CEF, em conjunto com o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, sem o estabelecimento concreto de um programa de orientações para utilização do mesmo. 4. Constatado o lapso, cabe à fiscalização orientar o contribuinte dos procedimentos corretos, principalmente nesse caso em que o sistema estava recém implantado. Antes de sofrer punição, o contribuinte tem o direito de ser orientado. III — DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrado que não houve intenção de infringir a legislação tributária, espera e requer o defendente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, relevandose o referido Auto de Infração.” (fls. 136/137) É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35569.000326/200771 Acórdão n.º 230101.991 S2C3T1 Fl. 142 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Presentes os pressupostos legais de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. DA AUTUAÇÃO FISCAL 2. Conforme consta do relatório fiscal, a autuação se deu em razão da empresa ter descumprido obrigação tributária acessória, qual seja deixou de apresentar documento com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 1/12/2005 a 31/10/2006. 3. De acordo com a peça fiscal a empresa “informou incorretamente a sua massa salarial de segurados empregados, já que as folhas de pagamentos apresentadas por ela possuem valores maior que os declarados pela empresa nas GFIPs.” (fl. 4) 4. Após a impugnação da empresa, na qual foram acostados vários documentos (GFIPs do período fiscalizado), foi emitido relatório complementar de fls. 115/118, o qual retificou o valor da multa aplicada, afastando os 5,8% relativos a terceiros, conforme a seguinte argumentação: “4.1. Primeiro, em que pese à empresa ter gerado mais de uma GFIP por competência, como ela mesma alega, ressaltamos que consoante Manual da GFIP/SEFIP 8, tomamos como parâmetro para a apuração das contribuições previdenciárias devidas e autuação, pela omissão de fatos geradores, apenas a última GFIP transmitida pelo contribuinte, sendo as anteriores desconsideradas; 4.2. Outrossim, retificando e aclarando a autuação, tomando como base as Folhas de Pagamento da empresa e a última GFIP válida à época, demonstraremos no quadro abaixo a multa aplicada. (...) 4.2.1. Nesta linha de raciocínio, retificamos a alíquota aplicada para 21,0% (diz respeito a 20% de contribuição da empresa, mais 1% a título de SAT, tudo conforme a lei n o 8.212/91), em vez de 26,8% como consta do relatório inicial, eis que os 5,8% dos terceiros, consoante legislação securitária, não devem ser levados em conta para o cálculo da multa.”[grifos nossos] (fl. 116) 5. Feitas essas breves considerações, no que toca à lavratura do auto de infração, não merece prosperar a tese do fisco. No presente caso, verificase que a autuação por Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 descumprimento de obrigação acessória não observou a legislação previdenciária, qual seja o art. 32, inciso IV e §3º, da Lei n.º 8.212/91. 6. Isso porque o referido artigo dispõe que a empresa é obrigada a informar mensalmente a Seguridade Social, por meio de documento específico, dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Eis o teor do dispositivo: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 7. O documento mencionado no dispositivo é a Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, conforme dispõe o Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999. 8. Ocorre que o contribuinte alega ter apresentado GFIP’s complementares, por competência, informação essa contestada pelo fisco apenas com a seguinte argumentação: “consoante Manual da GFIP/SEFIP 8, tomamos como parâmetro para a apuração das contribuições previdenciárias devidas e autuação, pela omissão de fatos geradores, apenas a última GFIP transmitida pelo contribuinte, sendo as anteriores desconsideradas”. 9. Procedimento que considero equivocado, pois se consta a informação de que o contribuinte teria apresentado mais de uma GFIP, a fiscalização deveria ao menos apreciar os documentos a fim verificar o cumprimento total da obrigação tributária acessória, ao invés de simplesmente considerar o último documento. 10. Aliás, o contribuinte se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia ao encaminhar ao INSS os documentos complementares antes do início da ação fiscal (fl. 14). 11. Além do mais, é preciso considerar que a GFIP é um conjunto de dados fornecidos ao INSS, relativos aos valores pagos, retidos e recolhidos pela empresa, atribuídos aos trabalhadores que lhe prestaram serviços no mês. De maneira que, se a empresa demonstra efetivamente para o fisco as informações, mesmo que apresente documento complementar, deve ser considerada cumprida a obrigação acessória. 12. Conforme consta dos autos, às fls. 29/110, as GFIP’s complementares têm data anterior à lavratura do auto de infração, bem como estão em conformidade com o regulamento segundo trecho retirado do mesmo manual: “7 – COMO RECOLHER E INFORMAR O empregador/contribuinte deve sinalizar o recolhimento/declaração ao FGTS ou apenas a declaração ao FGTS por intermédio do campo Modalidade, no SEFIP. Para o FGTS, é possível haver complementação na informação das remunerações, para fins de recolhimento ou declaração, em uma nova GFIP/SEFIP. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35569.000326/200771 Acórdão n.º 230101.991 S2C3T1 Fl. 143 7 13. Depreendese da leitura acima a possibilidade de haver complementação em uma nova GFIP, sendo considerado válido o procedimento para efeito de livrarse o contribuinte de uma pesada multa. Sendo assim, entendo que o contribuinte cumpriu com sua obrigação acessória, qual seja apresentar documento com dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. DA MULTA APLICADA 14. Por fim, no que se refere à multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória – apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – entendo que o lançamento deve ser reformado. 15. Isso porque a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 16. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 17. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 18. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 19. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 20. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35569.000326/200771 Acórdão n.º 230101.991 S2C3T1 Fl. 144 9 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 21. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 22. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 23. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 24. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 25. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 27. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35569.000326/200771 Acórdão n.º 230101.991 S2C3T1 Fl. 145 11 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 26. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 27. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 28. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 29. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, se mais benéfico ao contribuinte. CONCLUSÃO 14. Assim, voto por CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Damião Cordeiro de Moraes Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35569.000326/200771 Acórdão n.º 230101.991 S2C3T1 Fl. 146 13 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. A própria recorrente reconhece que alterou suas GFIPs e entendeu que devia fazêlo de modo complementar, porém a cada apresentação a anterior era cancelada deixando alguns fatos geradores fora da novel declaração. Embora tenha sido fruto de um erro, a infração, ocorreu, ainda que por imperícia da interessada. No Direito Tributário a responsabilidade por infrações não depende da intenção do agente, conforme art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Logo, ainda que a infração tenha sido causada por culpa, nas modalidades imperícia, imprudência ou negligência, é cabível a aplicação de penalidade. Assim, não acompanhamos o afastamento da multa proposto pelo relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 28/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19515.002873/2006-89
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002
CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. AUSÊNCIA DO RECOLHIMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO A QUO.
Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que não houve o pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, ainda que seja hipótese de tributação mensal.
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3802-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a advogada Dra. Mayra Siqueira Pino, OAB/SP 287.187.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 20/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Bruno Maurício Macedo Curi, Solon Sehn. Ausente momentaneamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. AUSÊNCIA DO RECOLHIMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO A QUO. Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que não houve o pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, ainda que seja hipótese de tributação mensal. PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a advogada Dra. Mayra Siqueira Pino, OAB/SP 287.187. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 20/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Bruno Maurício Macedo Curi, Solon Sehn. Ausente momentaneamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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AUSÊNCIA DO RECOLHIMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO A QUO. Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que não houve o pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, ainda que seja hipótese de tributação mensal. PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 73 /2 00 6- 89 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a advogada Dra. Mayra Siqueira Pino, OAB/SP 287.187. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 20/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Bruno Maurício Macedo Curi, Solon Sehn. Ausente momentaneamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 321): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que se verifique a ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, para se submeter à disposição do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. REGIME DE CAIXA. COMPROVAÇÃO. A alegação de que a diferença entre o valor do PIS escriturado e o declarado e/ou pago seria decorrente de variações cambiais, que teriam sido diferidas para serem tributadas no momento da liquidação da correspondente operação, deve estar respaldada por documentos hábeis e idôneos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19515.002873/200689 Acórdão n.º 3802001.188 S3TE02 Fl. 389 3 Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 323.): Trata o presente feito de auto de infração de PIS, referente aos anoscalendário de 2001 e 2002 (fls. 86/88). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal PIS (fls. 80/81), foram constatadas diferenças entre os valores contabilizados e os declarados/pagos relativamente a essa contribuição. As disposições legais que embasaram o lançamento encontramse descritas no referido no auto de infração. Em 14/12/2006, a interessada tomou ciência do auto de infração (fls. 86) e, em 15/01/2007, apresentou defesa (fls. 91/109), resumidamente, nos seguintes termos: tendo em vista que o presente auto de infração somente foi lavrado em 14/12/2006, os valores relativos aos meses de julho a novembro de 2001 não mais podiam ser objeto de lançamento, porquanto o suposto crédito tributário já se encontrava extinto em razão da decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, c/c artigo 156, V, do Código Tributário Nacional. ainda que se entenda que o prazo decadencial deva ser computado de acordo com o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, como o recolhimento do PIS é mensal, os valores relativos aos períodosbase mencionados já estavam atingidos pela decadência quando da autuação. as receitas decorrentes de variação cambial que tiveram origem em obrigação não liquidada na época, bem como as receitas decorrentes dos juros de operações de exportação, não deveriam ser consideradas na base de cálculo do PIS, como autorizava a MP 2.158/2001. todavia, a impugnante havia computado essas receitas no cálculo da contribuição no momento de sua escrituração contábil. a exigência fiscal deve estar em consonância com as determinações legais e não fundada em erro da contribuinte, sob pena de violar o principio da estrita legalidade. protestase pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive ajuntada de novos documentos. 5. Em 05/10/2009, o processo foi encaminhado para a fiscalização, para diligenciar a empresa (fls. 247/248). O resultado da diligência encontrase consubstanciado no relatório de fls. 294/296. Concedido o prazo de 10 dias para a interessada se manifestar, esta não se pronunciou. O recurso voluntário foi interposto por Cosan Alimentos S.A., sucessora por incorporação do sujeito passivo originário. Nele o Recorrente reitera a alegação de decadência parcial do crédito tributário, aduzindo que o art. 173, I, do CTN, somente seria aplicável nos casos de dolo, simulação ou fraude e que, ademais, nos tributos sujeitos ao regime de apuração mensal, “o primeiro dia do exercício” corresponde ao primeiro dia do mês seguinte. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Sustenta ainda que as receitas decorrentes de variação cambial, nos termos dos art. 30, da Medida Provisória nº 2.158/2001, devem ser tributadas em consonância com o regime de caixa e que, nos termos dos arts. 149, § 2º, I, da Constituição, e do art. 14 da referida medida provisória, os juros decorrentes de operações de exportação são imunes à incidência da exação. O contribuinte, assim, teria se equivocado ao incluílas no cálculo do PIS no momento da escrituração contábil, o que não pode gerar qualquer obrigação tributária, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade. Por fim, após afirmar que a documentação constante nos autos seria suficiente para demonstrar a base de cálculo correta da contribuição, pleiteia o cancelamento da autuação fiscal (fls. 333358). É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 17/11/2010 (fls. 332), interpondo recurso tempestivo em 14/12/2010 (fls. 333). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. I DA DECADÊNCIA O exame da decadência do crédito tributário, em face do disposto no art. 62 A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733/SC, julgado no regime do art. 543C do Código de Processo Civil: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19515.002873/200689 Acórdão n.º 3802001.188 S3TE02 Fl. 390 5 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/20082. Portanto, havendo prova do pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial submetese ao disposto no § 4o do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto 2 STJ. 1ª S. REsp 973.733/SC. Rel. Min. LUIZ FUX. DJe 18/09/2009. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Logo, não procede a alegação do Recorrente quando afirma que o art. 173, I, do CTN, somente seria aplicável nos casos de dolo, simulação ou fraude. Referida exegese foi afastada pela jurisprudência do STJ, razão pela qual, sem a prova do pagamento antecipado, o termo inicial é regido pelo art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A expressão “primeiro dia do exercício seguinte”, por sua vez, com a devida venia, não se coaduna à interpretação sustentada pelo Recorrente. Isso porque, no direito positivo brasileiro, de acordo com o art. 34 da Lei 4.320/64, o exercício financeiro coincide com o ano civil, ou seja, cada exercício financeiro inicia no dia 01 de janeiro e termina em 31 de dezembro do mesmo ano, in verbis: Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Assim, não encontra respaldo legal o entendimento de que, nas hipóteses de tributação mensal, como no caso do Pis, o "dies a quo" do prazo decadencial poderia ser interpretado como sendo o primeiro dia do mês seguinte, vez que, no Código Tributário Nacional, a palavra "exercício" referese á exercício fiscal, que corresponde ao ano civil. Portanto, não tendo ocorrido pagamento e considerando que a notificação do lançamento ocorreu em 14/12/2006, não há que se falar em decadência do crédito tributário. II DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO Os resultados positivos de variações cambiais, de acordo com o disposto no art. 9º da Lei n. 9.718/1998, são qualificados como receita financeira para efeitos de incidência do PIS/Pasep e da Cofins: Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19515.002873/200689 Acórdão n.º 3802001.188 S3TE02 Fl. 391 7 O crédito tributário exigido, por sua vez, decorre de eventos imponíveis ocorridos entre julho de 2001 a outubro de 2002. Nesse período, como ainda não estava em vigor o regime nãocumulativo do PIS/Pasep (Lei nº 10.637/2002, art. 68, II3), a incidência da contribuição sobre receitas financeiras estava fundamentada no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com efeito, até o início da vigência da nãocumulatividade da contribuição, a hipótese de incidência da contribuição devida pelas pessoas jurídicas submetidas ao imposto de renda no regime do lucro real foi disciplinada pelas Leis no 9.715/1998 e n.o 9.718/1998. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei no 9.715/1998: Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei nº 9.715/1998, como se vê, restringia a materialidade do tributo à receita operacional da pessoa jurídica. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente foi possível após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 3 Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: II a partir de 1o de dezembro de 2002, em relação aos arts. 1o a 6o e 8o a 11; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Destarte, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno. Logo, não há fundamento jurídico para a exigência da contribuição sobre receitas financeiras auferidas no período em que o contribuinte esteve submetido ao regime da Lei nº 9.718/1998, no que está compreendida a receita da variação cambial. Por fim, cabe destacar que a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, embora não tenha sido ventilada pelo interessado, pode ser conhecida deofício, uma vez que, de acordo com o art. 62A, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática prevista no art. 543B do CPC “deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf”. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 19515.002873/200689 Acórdão n.º 3802001.188 S3TE02 Fl. 392 9 O Recorrente, ademais, não pode ser penalizado por ter deixado de arguir a inconstitucionalidade, porque, a rigor, sequer poderia fazêlo em processo administrativo, uma vez que, como se sabe, “o Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula nº 2). Votase, assim, pelo conhecimento e pelo integral provimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19515.000859/2005-60
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IPI
Período de apuração: 31/10/2002 a30/07/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL.
Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF - Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00.255
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco e Fabíola Cassiano Keramidas, que davam provimento parcial para reduzir o valor da multa.
Nome do relator: Alexandre Gomes
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS il.-1741'41 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.000859/2005-60 Recurso n° 152.760 Voluntário Acórdão n° 3302-00.255 — 3° Câmara 1 r Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria IPI Recorrente VERVI INDUSTRIA GRÁFICA E EDITORA LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: IPI Período de apuração: 31/10/2002 a30/07/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. Antes da edição da Medida Provisória 110451/2008, a falta de apresentação de DIF - Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIP1/02. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / T Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO ) E 'JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos d ) voto do Relator. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco e Fabiola Gaisiano Ker.midas, q e dav • Provimento parcial para reduzir o valor da multa. 1 i ) : a R SE I i :pr, IL A - Presidente j .? A al j., /4 i/VV n 'A EXAN E G e MES - Relator P rticiparam do presente julgamento, os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Suplente) e Gileno Gurjão Barreto. 1 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em decorrência da irregularidade fiscal por parte do contribuinte, qual seja, o descumprimento de obrigação acessória, perfectibilizando-se na falta de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIP — Papel Imune), no período compreendido a partir do 3° trimestre de 2002 ao segundo trimestre de 2004, atingindo o montante de R8740.000,00 (setecentos e quarenta mil reais). O lançamento proferido pelo Fisco encontra seu amparo legal no art. 16 da Lei n° 9.779/99, e/c art. 57, I e § único, da MI' 2.158-35/01; art. 10 c/c art. 1 0, 11 e 12 da IN SRF n° 71/01, com nova redação dada pelo art. 4° da IN SRF n° 101/01; art. 1° da IN SRF n° 134/02; art. 2° da IN SRF 159/02; art. 344 do Decreto n° 2.637/98 (RIPI198), c/c arts. 212, 368 e 505 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), conforme relacionados na Descrição dos fatos e enquadramentos legais. Irresigando, o contribuinte apresentou sua Impugnação Administrativa, discorrendo, basicamente, sobre a inconstitucionalidade do art. 16 da Lei 9.779/99, bem como o excesso da sanção imposta e sua conseqüente inobservância dos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação do confisco. Ao analisar o estes autos, os membros da T Turma de Julgamento da DRITRibeirão Preto, por unanimidade de votos, acordaram: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — 1P1 Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não-apresentação, ou a apresentação da D1F-Papel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista. Lançamento Procedente Inconformad a, a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário no qual utiliza-se, basicamente, dos =mie s argumentos de sua Impugnação. É o Relatório. Ç5t1 2 Processo n° 19515.00085912005-60 53-C3T2 Acórdão n.° 3302-00255 Fl. 366 Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES , Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consta no relatório, contra a recorrente foi lavrado auto de infração pela falta de entrega de obrigação acessória, perfectibilizando-se na falta de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF — Papel Imune), no período compreendido entre o 3° trimestre de 2002 e o segundo trimestre de 2004. Tal declaração foi instituída pelo art. 12, da IN SRF n°71/2001. Este tema tem sido enfrentado por nossa Turma e tenho me filiado ao posicionamento defendido pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva no sentido de serem julgados improcedentes os lançamentos por erro na fundamentação legal da multa aplicada. Para melhor entendimento transcrevo o voto proferido nos autos do processo n° 19515.000513/2005-61, aos quais faço remissão e adoto como razão de decidir, com as homenagens de estilo ao autor: "Art. 12. A não apresentação da D1F - Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.158- 34, de 27 de julho de 2001. Em sua defesa, o recorrente alega, basicamente, que a multa aplicada é excessiva eleve princípios constitucionais. É inquestionável que a RFB está autorizada a instituir obrigações acessórias do IP' (art. 16 da Lei n° 9.779/99, matriz legal do art. 212 do RIPI/2002). A instituição de penalidade, no entanto, é privativa de lei mesmo na hipótese das obrigações acessórias serem criadas pela RFB. Quanto à multa pelo atraso na entrega da DIF — Papel Imune, entendo que o art. 12 da IN SRF n° 71/2001 está equivocado ao aplicar a penalidade do art. 57 da Medida Provisória n° 2.158- 3512001 no caso de atraso de entrega de declaração regularmente instituída no âmbito da legislação do IPI. Para urna melhor clareza, transcrevo o art. 57, acima citado. Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigi s nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretar a aplicação das seguintes penalidades: 3 I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, ca informações ou esclarecimentos solicitados. (grifei). Verifica-se que a obrigação a que alude o art. 16 da Lei n° 9.779/99 refere-se a todo e qualquer imposto ou contribuição administrado pela RFB e a penalidade do art. 57, I, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 aplica-se, em tese, a todo e qualquer descumprimento de fornecimento de informações e esclarecimentos solicitados pelos agentes do Fisco ou pela RFB. Ocorre que na legislação do IPI existe uma penalidade pela falta da apresentação de declaração do imposto e de prestação de informação, na forma das instruções expedidas pela RFB. Falo dos arts. 21Z 368, 506, 507 e 508, todos do RIP1/02, que abaixo se reproduz, junto com os arts. 505, 509 e 510, também relacionados ao tema. "Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei n2 9.779, de 1999, art.16). Art. 368. Os documentos de declaração do imposto e de prestação de informações adicionais serão apresentados pelos contribuintes, de acordo com as instruções expedidas pela SRF. § P O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (Decreto-lei n2 2.124, de 1984, art. 52, § 12). • § 22 As diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativas ao imposto, serão objeto de lançamento de oficio ( Medida Provisória n2 2.158-35, de 2001, art. 90). Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mês-calendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória n2 2.158-35, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória n2 2.158-35, de 2001, art.57, parágrafo único). Art. 506. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declar., ão de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DI " ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DC el 4 • Processo n° 19515.000859/2005-60 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00155 Fl. 367 e Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SAI", e sujeitar-se-á às seguintes multas ( Lei n2 10.426, de 24 de abril de 2002, ara. 72): - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 31' ( Lei n- 10.424 de 200Z art. 72, inciso 1); II - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF ou na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 32 ( Lei n2 10.426, de 2002, art. 72, inciso II); e III - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas (Lei n2 111426, de 2002, art. 72, inciso III). § 12 Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e 11 do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração (Lei na 10.426, de 2002, art. 72, §12). § 22 Observado o disposto no § 32, as multas serão reduzidas ( Lei n9 10.426, de 2002, art. 72, §22): 1 - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio ( Lei n2 10.426, de 2002, art. 72, § 22, inciso 1); e II - a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação (Lei n2 10.426, de 2002, art. 72, § 21', inciso II). § 32 A multa mínima a ser aplicada será de (Lei n2 10.426, de 2002, art. 72, § 32): I- R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n2 9.317, de 1996 (Lei n 2 10.426, de 2002, art. 72, § 32, inciso I); e 11 - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos (Lei n2 10.426, de 2002, art. 79, § 32, inciso 11). § 42 Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela SRF (Lei ri 2 10.42.;\ de 2002, art. 72, § 42). n § 52 Na hipótese do § 42 , o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contado ciência da intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso 5 do caput, observado o disposto nos § 1 2 a § 32 (Lei n2 10.426, de 2002, art. 72, § 52). Art. 507. Serão punidos com a multa de R$ 31,65 (trinta e um reais e sessenta e cinco centavos), aplicável a cada falta, os contribuintes que deixarem de apresentar, no prazo estabelecido, o documento de prestação de informações a que se refere o art. 368 (Decreto-lei n2 1.680, de 1979, art. 42, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 30). (grifei) Parágrafo único. As disposições do caput aplicam-se exclusivamente aos contribuintes do imposto não sujeitos ao disposto no art. 506. Art. 508. As infrações para as quais não se estabeleçam, neste Regulamento, penas proporcionais ao valor do imposto ou do produto, pena de perdimento da mercadoria ou outra especifica, serão punidas com a multa básica de R$ 21,90 (vinte e um reais e noventa centavos) (Lei n2 4502, de 1964, art. 84, Decreto-lei n2 34, de 1966, art. 22, alteração 24", e Lei n 2 9.249, de 1995, art. 30). Art. 509. A inobservância de normas prescritas em atos administrativos de caráter normativo será punida com a multa estabelecida no art. 508, se outra maior não estiver prevista neste Regulamento. Art. 510. Em nenhum caso a multa aplicada poderá ser inferior à prevista nos arts. 508 e 509 (Lei n2 4.502, de 1964, art. 86, e Decreto-lei n2 34, de 1966, art. 22, alteração 259." Note-se que no RIP1/02, o art. 212 está no Capitulo Ido Titulo VIII, que trata das disposições preliminares das obrigações acessórias. Por sua vez, o art. 368 está na Subseção IV, da Seção 11 (dos documentos fiscais), do Capitulo IX (do documentado fiscal), também do Titulo III (das obrigações acessórias), que trata dos documentos de declaração e de prestação de informações. Estes dois dispositivos, e as respectivas penalidades a eles vinculadas, tratam de obrigação acessória instituída pela RFB, sendo que o art. 368 trata especificamente de declaração de informação e o art. 212 trata de toda e qualquer modalidade de obrigação acessória. Existindo legislação especifica no RIP1/02, entendo que esta deve prevalecer sobre a legislação que alcança toda e qualquer obrigação acessória vinculada a qualquer imposto ou contribuição administrado pela RFB. Entendo que a DIF - Papel Imune classifica-se como um documento de prestação de informação a que se refere o art. 368 do RI? 002 (como o era a DIPI) e, conseqüentemente, ao descu p "mento de sua apresentação aplica-se a penalidade previs • • art. 507 do RIPI/2002, acima transcrito, e não a penali. d • do art. 505, reproduzido no art. 12 da IN SRF 71/2001. • CÇ,.:5."k 6 Processo n° 195 5.000859/2005-60 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.255 Fl. 368 Em conclusão, entendo que o fundamento da multa aplicada ao caso concreto é o art. 507 e não o art. 505, ambas do RIPI/2002, sendo, portanto, improcedente o lançamento. Por fim, o .¢ 4 0, do art.1°, da Medida Provisória n° 451, de 15/12/2008', estabeleceu uma multa específica para a apresentação fora do prazo da DIF-Papel Imune e para erro no seu preenchimento. Tal dispositivo, no meu entendimento, não significa redução da penalidade para a referida infração fiscal. Ao contrário, houve um agravamento da multa antes prevista para o referido delito fiscal". 1 Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil, a pessoa jurídica que: 1 - exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea "d" do inciso VI do art. 150 da Constituição; e - adquirir o papel a que se refere a alínea "d" do inciso VI do art. 150 da Constituição para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I - expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II - estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não-cumprimento da obrigação prevista no inciso 11 do § 3° sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: - cinco por cento, não inferior a R§ \100,00 (cem reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou nconapleta; e 11- de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), dep‘endentemente da sanção prevista no inciso 1, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do zo mas antes de qualquer procedimento de oficio, a multa de que trata o inciso lido § 4° será reduzida à metade. 7 1 • • o ao]. . exp e sto voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e, come,' '• -men , cance ar e lançamento em questão. 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