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Numero do processo: 10510.900051/2006-31
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO.
Face ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos com repercussão geral, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, com pagamento antecipado, cujos processos/pedidos foram formulados em data anterior a 09/06/2005, extingue-se em dez anos da data do fato gerador o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente.
Numero da decisão: 1202-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a prescrição do direito de pleitear a restituição, sem prejuízo do exame, pela autoridade competente, da existência material do crédito e da sua quantificação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Face ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos com repercussão geral, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, com pagamento antecipado, cujos processos/pedidos foram formulados em data anterior a 09/06/2005, extingue-se em dez anos da data do fato gerador o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Face ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos com repercussão geral, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, com pagamento antecipado, cujos processos/pedidos foram formulados em data anterior a 09/06/2005, extinguese em dez anos da data do fato gerador o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a prescrição do direito de pleitear a restituição, sem prejuízo do exame, pela autoridade competente, da existência material do crédito e da sua quantificação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 00 51 /2 00 6- 31 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.900051/200631 Acórdão n.º 1202000.889 S1C2T2 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto parte do relatório do Acórdão nº 1519.467 da DRJ/Salvador, de fls. 32 a 34, que a seguir transcrevo: “Tratase de Declaração Eletrônica de Compensação, fls. 01 a 05, indicando como crédito o saldo negativo do IRPJ, período de apuração 2° trimestre de 1998 (30/06/1998), no valor de R$3.420,98, para compensar parte do débito do IRPJ do 4º trimestre /2001, no valor de R$22.770,50. A autoridade tributária, por meio do Despacho Decisório à fl. 08, não homologou a compensação, sob o fundamento de que na data da transmissão do PER/DCOMP, com o demonstrativo do crédito, já estaria extinto o direito de utilização do saldo negativo, em virtude do decurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a data de transmissão do PERDCOMP (25/07/2003) e a data de apuração do saldo negativo (30 de junho de 1998). Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo, por meio da petição às fls. 11 a 14, apresentou as seguintes razões de defesa: procedeu por meio de vários PERDCOMP, a compensação do débito referente ao IRPJ, do 4° trimestre de 2001, no valor de R$22.770,50, cópias dos recibos anexas, utilizando para tanto os saldos negativos dos quatro trimestres constantes da declaração de rendimentos com base no lucro presumido, relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, e ainda parte do valor pago a maior do IRPJ, relativo ao primeiro trimestre de 1999; em 20/05/2008, a DRF em Aracaju, por intermédio de despacho decisório 763956573, não homologou a compensação, e ainda está cobrando todo o débito, alegando que decaiu o direito de uso do crédito proveniente do saldo negativo do segundo trimestre do ano de 1998, processo 10510.900051/200631; ressaltese que foram usados seis PER/DCOMP para a compensação do débito, portanto, a não homologação da compensação de apenas um PER/DCOMP não exclui o direito de uso do crédito indicado nos demais. É o que se conclui em razão da cobrança total do débito, no valor de R$22.770,50; por sua vez, para as compensações, foram efetuados os cálculos à parte dos acréscimos legais pertinentes, até a data da transmissão, porquanto a primeira versão do PERDCOMP não permitia tal procedimento. [...] como se denota, a soma dos créditos é superior ao total do débito, podendo a Receita Federal aproveitar o saldo na compensação de outros débitos; quanto ao crédito relativo ao saldo negativo do 2° trimestre de 1998, entende o manifestante que o prazo para pleitear a restituição ou compensação de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.900051/200631 Acórdão n.º 1202000.889 S1C2T2 Fl. 51 3 tributos pagos indevidamente é de cinco anos. No entanto, se o indébito surge calcado em situação fática não litigiosa, este prazo tem início, no caso de imposto de renda pessoa jurídica, por se tratar de declaração prestada anualmente, a partir da entrega da referida declaração de rendimentos. Como sua entrega ocorreu no ano de 1999, os cinco anos se completaram em 2004, portanto, em data posterior à transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Dessa forma, o direito à utilização do crédito relativo ao saldo negativo do IRPJ do 2° trimestre de 1998, encontrase perfeitamente enquadrado nas normas legais; por fim, protesta quanto ao procedimento do fisco, afirmando que, além de não aceitar a compensação objeto deste processo, também não aceitou a compensação realizada nos demais PER/DCOMP, o que caracteriza verdadeiro equívoco cometido pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento revisional, isso porque a análise isolada do PER/DCOMP relativo ao presente processo não conduz a esse entendimento. Para a exigência de todo o débito haverá a necessidade da g1osa dos créditos constantes dos 6(seis) pedidos de compensação, fato inexistente neste processo, no qual compensou apenas uma parte da dívida;” Na sequência, a DRJ/ Salvador emitiu o Acórdão nº 1519.467, de fls. 32 a 34, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, em obediência ao prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, conforme ementário que se transcreve: PRAZO EXTINTIVO 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário, no caso de pagamento a maior que o devido, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, conforme determinação contida no artigo 168 do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida Irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 39 a 42, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na sua manifestação de inconformidade. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso, para que se reconheça o direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação das compensações. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso apresentado é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A principal controvérsia diz respeito à determinação do prazo prescricional admitido para efetuar pedido de restituição de crédito fiscal para utilização na compensação de débitos informados em PER/DCOMPs. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.900051/200631 Acórdão n.º 1202000.889 S1C2T2 Fl. 52 4 Conforme abordado no relatório deste acórdão, a transmissão do PER/DCOMP ocorreu em 25/07/2003 e o crédito, oposto aos débitos lá informados, referese ao saldo negativo do IRPJ do 2º trimestre do anocalendário de 1998. O acórdão recorrido considerou que o pretenso pagamento a maior ocorreu na data do fato gerador, em 30/06/1998. Assim, teria ocorrido o transcurso do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para solicitação da restituição, nos termos do art. 168 do CTN, motivo pelo qual foi indeferido o pedido de restituição/compensação. Deixouse, também, de examinar a existência material do pretenso crédito e de quantificar o valor desse crédito oferecido em compensação. Portanto, no presente caso, irá se examinar unicamente o aspecto temporal do direito ao pedido de restituição. Nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ, a perda do direito de pleitear a restituição se esgota no prazo de 5 anos da data da extinção do crédito tributário (pagamento antecipado), nos termos do art. 168, I da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), combinado com o art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, abaixo transcritos, para melhor clareza: Lei nº 5.172, de 1966 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I. nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; Lei Complementar nº 118, de 2005: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. (destaquei) Entretanto, a redação original do art. 168, I do CTN trouxe interpretações divergentes no âmbito dos processos administrativos e judiciais. A posição consolidada no Superior Tribunal de JustiçaSTJ foi a de que, nos casos de lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário somente ocorreria 5 anos após o transcurso do prazo decadencial de lançamento dos tributos, consagrando a tese conhecida como 5 mais 5 anos. Assim, segundo o STJ, o art. 168, I do CTN deveria ser interpretado no sentido de que o direito ao pedido de restituição somente se esgotaria com o decurso do prazo de 10 anos da ocorrência do fato gerador. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.900051/200631 Acórdão n.º 1202000.889 S1C2T2 Fl. 53 5 Por esse motivo é que foi editada a Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, com o objetivo de definir qual o momento em que considerava extinto o crédito tributário para fins de contagem do prazo prescricional de 5 anos. A redação contida no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, trouxe uma nova interpretação dada ao art. 168, I do CTN, para definir que o prazo prescricional de 5 anos começa a ser contado no momento da extinção do crédito tributário, que ocorre com o pagamento antecipado do tributo sujeito à homologação pela autoridade administrativa e não mais contado a partir do decurso do prazo decadencial, como interpretava o STJ. Entretanto, mais uma dúvida surgiu a respeito do momento que deveria ser aplicado o novo dispositivo contido no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, face a existência de inúmeros processos administrativos e judiciais pendentes de apreciação quando da publicação da referida lei. A decisão a respeito da matéria foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal STF, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, publicado no DJe de 11/10/2011, cujo ementário e dispositivo abaixo se transcreve: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.900051/200631 Acórdão n.º 1202000.889 S1C2T2 Fl. 54 6 de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (grifei) Dessa forma, a mais alta Corte do País decidiu, em definitivo, pela aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Com efeito, o entendimento consolidado no Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos com “repercussão geral” (CPC, art. 543B), conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, é de reprodução obrigatória pelos Conselheiros deste órgão no julgamento dos recursos, nos termos do art. 62A do RICARF. A despeito da ementa do Acórdão do RE 566.621/RS, acima transcrito, mencionar apenas o termo “ações ajuizadas”, considero que da leitura do Voto da relatora, Senhora Ministra Ellen Gracie, concluise que o entendimento lá esposado também pode perfeitamente ser aplicado aos “processos administrativos” (“requerimentos administrativos” na visão da Senhora Ministra), em prestígio aos postulados da “confiança do tráfego jurídico” e do “acesso à justiça”. Assim, tendo a contribuinte solicitado a restituição/compensação por meio da entrega do PER/DCOMP em 25/07/2003, portanto, antes da data de 09 de junho de 2005 fixada pelo STF, concluise por aplicar ao caso o prazo de 10 anos para efetuar pedido da restituição do saldo negativo do IRPJ com fato gerador encerrado em 30/06/1998, e não no prazo de 5 anos como decidiu o acórdão recorrido. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso voluntário, face a inocorrência da prescrição do direito de pedir a restituição/compensação ao Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.900051/200631 Acórdão n.º 1202000.889 S1C2T2 Fl. 55 7 caso em análise, sem prejuízo do exame, pela autoridade competente, da existência material do crédito e de sua quantificação. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004898/2004-79
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE NO ATRASO. LEGALIDADE. A obrigação de entregar a DCTF está regularmente exigida pela legislação tributária e a multa pelo atraso na entrega tem amparo legal. A não entrega da DCTF no prazo acarreta a obrigação de pagar multa.
MULTA EXIGIDA POR LEI. CONFISCO. SÚMULA 2 DO 1º CC. O Conselho não é competente para julgar matéria de inconstitucionalidade, como o alegado teor confiscatório da multa exigida por Lei.
RETROATIVIDADE BENIGNA - REDUÇÃO DE 50% DA MULTA PARA A ENTREGA EM ATRASO DA DCTF ANTES DA AÇÃO FISCAL. Tendo a contribuinte entregado a DCTF em atraso antes de qualquer ação fiscal, beneficia-se do desconto de 50% aplicado nos termos do art. 106 do CTN e art. 7º. da Lei 10.426/02.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1803-000.282
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso da contribuinte para reduzir a multa pelo atraso na entrega da DCTF em 50%., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE NO ATRASO. LEGALIDADE. A obrigação de entregar a DCTF está regularmente exigida pela legislação tributária e a multa pelo atraso na entrega tem amparo legal. A não entrega da DCTF no prazo acarreta a obrigação de pagar multa. MULTA EXIGIDA POR LEI. CONFISCO. SÚMULA 2 DO 1º CC. O Conselho não é competente para julgar matéria de inconstitucionalidade, como o alegado teor confiscatório da multa exigida por Lei. RETROATIVIDADE BENIGNA - REDUÇÃO DE 50% DA MULTA PARA A ENTREGA EM ATRASO DA DCTF ANTES DA AÇÃO FISCAL. Tendo a contribuinte entregado a DCTF em atraso antes de qualquer ação fiscal, beneficia-se do desconto de 50% aplicado nos termos do art. 106 do CTN e art. 7º. da Lei 10.426/02. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Numero do processo: 10835.002120/98-97
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COFINS – DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.600
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : COFINS – DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. Recurso especial provido.
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Numero do processo: 35226.004406/2004-33
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1989 a 31/05/1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VALORES PAGOS A MAIOR MEDIANTE CERTIFICADOS DA DÍVIDA PÚBLICA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUPOSTA APLICAÇÃO DE UFIR INCORRETA PELO INSS. ALCANCE DA NORMA TRIBUTÁRIA NO TEMPO. APLICAÇÃO DE NORMA POSTERIOR À EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A Recorrente, ao realizar pedido de restituição, insiste no fato de que mesmo sendo ato jurídico perfeito, o débito por ela quitado é suscetível de influências de mutações legislativas posteriores. A MP n° 1973/00 fixou a UFIR de janeiro de 1997 como parâmetro de reconversão para real dos débitos de qualquer natureza e contribuições arrecadadas pela União, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1999, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31/08/1995. A Recorrente pretende a aplicação da referida norma de forma retroativa em relação a obrigação tributária inteiramente cumprida anteriormente à referida previsão legal. O art. 29 da MP 1973/00, ao estabelecer a aplicação da UFIR de 1997, estabelece critérios específicos: i) Que sejam débitos tributários ou previdenciários em favor da União, constituídos ou não; ii) Com fatos geradores até 31 de dezembro de 1994; iii) Que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. No caso em tela, o pedido de restituição da Recorrente diz respeito à obrigação tributária que não se enquadra em nenhum dos requisitos estabelecidos em lei, razão pela qual não há que se falar em direito de restituição. Trata-se de ato jurídico perfeito, crédito tributário extinto, ao qual não cabem modificações.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1989 a 31/05/1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VALORES PAGOS A MAIOR MEDIANTE CERTIFICADOS DA DÍVIDA PÚBLICA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUPOSTA APLICAÇÃO DE UFIR INCORRETA PELO INSS. ALCANCE DA NORMA TRIBUTÁRIA NO TEMPO. APLICAÇÃO DE NORMA POSTERIOR À EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Recorrente, ao realizar pedido de restituição, insiste no fato de que mesmo sendo ato jurídico perfeito, o débito por ela quitado é suscetível de influências de mutações legislativas posteriores. A MP n° 1973/00 fixou a UFIR de janeiro de 1997 como parâmetro de reconversão para real dos débitos de qualquer natureza e contribuições arrecadadas pela União, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1999, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31/08/1995. A Recorrente pretende a aplicação da referida norma de forma retroativa em relação a obrigação tributária inteiramente cumprida anteriormente à referida previsão legal. O art. 29 da MP 1973/00, ao estabelecer a aplicação da UFIR de 1997, estabelece critérios específicos: i) Que sejam débitos tributários ou previdenciários em favor da União, constituídos ou não; ii) Com fatos geradores até 31 de dezembro de 1994; iii) Que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. No caso em tela, o pedido de restituição da Recorrente diz respeito à obrigação tributária que não se enquadra em nenhum dos requisitos estabelecidos em lei, razão pela qual não há que se falar em direito de restituição. Trata-se de ato jurídico perfeito, crédito tributário extinto, ao qual não cabem modificações. Recurso Voluntário Negado.
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VALORES PAGOS A MAIOR MEDIANTE CERTIFICADOS DA DÍVIDA PÚBLICA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUPOSTA APLICAÇÃO DE UFIR INCORRETA PELO INSS. ALCANCE DA NORMA TRIBUTÁRIA NO TEMPO. APLICAÇÃO DE NORMA POSTERIOR À EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Recorrente, ao realizar pedido de restituição, insiste no fato de que mesmo sendo ato jurídico perfeito, o débito por ela quitado é suscetível de influências de mutações legislativas posteriores. A MP n° 1973/00 fixou a UFIR de janeiro de 1997 como parâmetro de reconversão para real dos débitos de qualquer natureza e contribuições arrecadadas pela União, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1999, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31/08/1995. A Recorrente pretende a aplicação da referida norma de forma retroativa em relação a obrigação tributária inteiramente cumprida anteriormente à referida previsão legal. O art. 29 da MP 1973/00, ao estabelecer a aplicação da UFIR de 1997, estabelece critérios específicos: i) Que sejam débitos tributários ou previdenciários em favor da União, constituídos ou não; ii) Com fatos geradores até 31 de dezembro de 1994; iii) Que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. No caso em tela, o pedido de restituição da Recorrente diz respeito à obrigação tributária que não se enquadra em nenhum dos requisitos estabelecidos em lei, razão pela qual não há que se falar em direito de restituição. Tratase de ato jurídico perfeito, crédito tributário extinto, ao qual não cabem modificações. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 44 06 /2 00 4- 33 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35226.004406/200433 Acórdão n.º 2402003.186 S2C4T2 Fl. 250 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 217/224) interposto em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), no qual fora negado pedido de restituição realizado pela Recorrente em 25/10/2004 (Fls. 02/04), com fundamento na MP 1.973/00, posteriormente convertida em Lei n. 10.522/02. Pretende a Recorrente a restituição de valores pagos a maior em 29/10/1999, mediante Certificados de Dívida Pública – CPD, a título de contribuições previdenciárias, referente aos créditos 55.635.6136 (R$ 65.286.851,93) e 31.570.2877 (R$ 21.654.321,57), sob a alegação de que o INSS, ao calcular o valor por ela devido à época, aplicou UFIR (Unidade Fiscal de Referência) incorreta, resultando em valor significativamente mais alto do que o efetivamente devido. Os débitos objeto de pagamento pela Recorrente se referiam as competências de 05/1989 a 05/1994. Protocolado o pedido de restituição junto à Procuradoria, o processo fora encaminhado ao Serviço de Arrecadação, considerando o teor do art. 52 do Regimento Interno do INSS, que declinou de sua atribuição à Diretoria de Administração da Receita Previdenciária em BrasíliaDF face à limitação de alçada. Após manifestação da Divisão de Consultoria em Matéria Tributária, entendeuse que, interpretando a norma trazida pela MP 258/05, então vigente, o exame da questão caberia à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN. Todavia, foi considerado o entendimento da Consultoria Geral da União, que opinou pela remessa do feito ao Órgão de Arrecadação da Procuradoria Geral Federal em Teresina/PI. Às fls. 171 e 172, foi apresentada manifestação do Sr. ProcuradorChefe do Órgão de Arrecadação da ProcuradoriaGeral Federal/INSS/PI, Seção de Dívida Ativa, afirmando que a mudança da atualização monetária da UFIR para a taxa SELIC, com relação aos débitos da Procuradoria, deuse de forma automática, com base em programa de caráter nacional, elaborado por especialistas em arrecadação. Por fim, solicitou manifestação da arrecadação com vistas a esclarecer se havia possibilidade de erro de atualização de valores. Ante as afirmações do Sr Procurador, às fls. 173, o Sr. Delegado da Receita Previdenciária de TeresinaPI se manifestou alegando que a arrecadação previdenciária sempre foi submetida a processos nacionalmente uniformizados, enquanto os cálculos eram processados manualmente e, portanto, sujeitos a divergências, mas que, após a informatização sistemática da Receita Previdenciária, os cálculos e atualizações seguiam rotinas igualmente aplicadas a todos os contribuintes, em todo o território nacional, afastandose a hipótese de divergências individualizadas, já que os programas são dotados de códigos de segurança inacessíveis aos usuários, que jamais poderiam modificar o funcionamento dos mesmos. Retornados os autos ao Órgão de Arrecadação, o ProcuradorChefe endossou o Parecer do Sr. Delegado (Fls. 175/176), opinando pela improcedência do pedido de Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 restituição e o remeteu à Delegacia da Receita Previdenciária – DRP, para julgamento do pleito. Às fls. 181, foi proferida decisão do Sr. Delegado da Receita Previdenciária, indeferindo o pleito e determinando o arquivamento do processo. Intimado da decisão (fls. 182), a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (Fls. 184/192), alegando, em síntese: i) que a questão não se fundamenta na constatação de erro voluntário ou involuntário na confecção dos cálculos e atualizações do crédito tributário, mas sobretudo da questão jurídica de direito intertemporal referente ao critério retroativo de reconversão em real dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e das contribuições arrecadadas pela União para fatos geradores ocorrido até 31 de dezembro de 1994 pelo valor da UFIR de 1o de janeiro de 1997; ii) que o fundamento do pedido de restituição se baseia no comando legal instituído pelo artigo 29 da MP 1.973/00, posteriormente convertida na Lei n. 10.522/02, que fixou a Ufir de 1o de janeiro de 1997 como parâmetro de reconversão para real dos débitos de qualquer natureza e contribuições arrecadadas pela União, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1999, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31/08/1995; iii) que a aplicação da Medida Provisória nada mais é do que espécie de retroatividade benigna, autorizada pela legislação tributária; iv) que o contribuinte tem o direito de obter recálculo dos valores em discussão e, via de conseqüência, obter a restituição da quantia paga a maior, sob pena de violação ao princípio da isonomia tributária consignado no art. 150, III, da CF; v) que em casos semelhantes a este o INSS já se pronunciou favoravelmente ao pleito do contribuinte. Ao final, requereu o deferimento do pedido de restituição, juntando decisões do INSS favoráveis em casos análogos. A manifestação de inconformidade foi remetida ao Conselho de Contribuintes para julgamento (Fls. 196) e redirecionada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que a julgou improcedente (200/204). Inconformada, a Recorrente interpôs tempestivamente (fls. 246) o recurso voluntário em exame (fls. , 217/224) reiterando os termos da Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada. Os autos foram remetidos a esta Turma para julgamento. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35226.004406/200433 Acórdão n.º 2402003.186 S2C4T2 Fl. 251 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões – Relator Em preliminar O recurso apresentado atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive quanto à tempestividade. Em sendo assim, dele conheço. No mérito O Recurso Voluntário sob exame trata da possibilidade de restituição de valores supostamente pagos a maior em razão de cálculo de créditos, por parte do INSS, sem levar em consideração o que dispunha a Medida Provisória n. 1.973/00, posteriormente convertida na Lei n. 10.522/02. Pois bem. O artigo 29 da Lei n. 10.522/02 determina: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. Ou seja, de acordo com a norma prescrita no dispositivo supra transcrito, todos os débitos previdenciários, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento até 31/08/1995, deverão ser monetariamente atualizados com base na Unidade Fiscal de Referência – UFIR – fixada para 1o de janeiro de 1997. São, portanto, três os critérios estabelecidos para aplicação da norma: 1) Que sejam débitos tributários ou previdenciários em favor da União, constituídos ou não; 2) Com fatos geradores até 31 de dezembro de 1994; 3) Que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. A Receita Federal do Brasil, no exercício de suas prerrogativas, estabeleceu a Unidade Fiscal de Referência – UFIR – de janeiro de 1997 em 0,91081. A questão a ser verificada nestes autos é se, tendo a Recorrente realizado pagamento anteriormente à disposição legal acima descrita, esta pode ser alcançada pela norma posteriormente editada. 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/PgtoAtraso/ufir.htm acesso em 07/11/2012. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 O art. 156, I, do Código Tributário Nacional traz o pagamento como sendo forma de extinção do crédito tributário. Por extinto entendese o crédito tributário já sanado pelo contribuinte por alguma das hipóteses arroladas pelo art. 156. Ou seja, ato jurídico perfeito e, portanto, inatingível por fatos posteriores. A Constituição Federal, em seu artigo 5o, XXXVI, estabelece que: “Art. 5o. (...) XXXVI – A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; (...)” No caso em análise, o que se pretende é a aplicação de norma posterior à extinção definitiva do crédito tributário. A Recorrente, ao realizar pedido de restituição, insiste no fato de que mesmo sendo ato jurídico perfeito, o débito por ela quitado é suscetível de influências de mutações legislativas posteriores. Descabida a pretensão da Recorrente. O artigo 29 da MP n. 1.973/00 prescreve que os débitos, constituídos ou não, serão objetos de correção monetária nos termos por ela impostos. O dispositivo, todavia, não se refere àqueles débitos já extintos. Nesse sentido, o Tribunal Regional Federal da 4a Região já decidiu: “(...) 2 – Em havendo norma legal posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, ela deve ser aplicada ao caso concreto, desde que, em relação ao crédito, não haja julgamento definitivo, quer na via administrativa, quer na via judicial (como na hipótese dos autos), nos termos do art. 106, II, c, do CTN.” (TRF4, AC 2002.04.0545265, Primeira Turma, Rel. Vivian Josete Pantaleão Caminha, publ 22/02/2006). No mesmo sentido, é o entendimento da Nobre Procuradora do INSS, Sueli Urbano Viegas: “(...) a expressão ‘definitivamente julgado’há de ser entendida como a existência de uma situação em que o crédito fiscal esteja perfeitamente constituído. (...) A existência de uma Confissão de Débito já plenamente celebrada tornaram o crédito previdenciário perfeitamente constituído, o que equivale a uma situação de ato definitivamente julgado. O parcelamento, é preciso que se lembre, ainda é ato jurídico perfeito, valor jurídico constitucionalmente protegido contra quaisquer efeitos passíveis de serem produzidos por legislação posterior à sua perfectibilização (art. 5o, XXXVI, CF)” (Sueli Urbano Viegas em informações prestadas nos autos do MS 97.60454, que tramitou perante a 12a Vara Federal de Porto Alegre – Citada por Leandro Paulsen2) 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Livraria do Advogado. Editora ESMAFE Escola Superior da Magistratura Federal, 2008, p. 848. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35226.004406/200433 Acórdão n.º 2402003.186 S2C4T2 Fl. 252 7 Assim, considerando a extemporaneidade do fato em relação à norma cuja aplicação se pretende, sem respaldo a pretensão da Recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto pelo conhecimento do recurso e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10166.011121/2001-37
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
BASE DE CÁLCULO - BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS
A bonificação em mercadoria recebida pela pessoa jurídica deve ser excluída da base de cálculo, conforne entendimento exarado no processo relativo ao lançamento do IRPJ/Lucro Presumido, do qual este foi considerado decorrente. A tributação ocorre no momento da venda da mercadoria recebida a título de bonificação.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC
A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial SELIC tem previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE - ARGÜIÇÃO
É competência exclusiva do Poder Judiciário manifestar-se sobre a
constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento
Numero da decisão: 1802-000.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para, excluir da base de calculo da Cofins, nos meses de abril a agosto de 2000, os valores incluídos a titulo de
bonificação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Jose de Oliveira Ferraz Correa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 4:".. 64-.- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • ^ ,...." Processo n° 10166.011121/2001-37 Recurso n° 158.975 Voluntário Acórdão n° 1802-00.065 — 2" Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria COFINS Recorrente DISCOTECA 2001 LTDA. Recorrida 2a. TURMAJDRJ-BRASILIA/DF Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 BASE DE CÁLCULO - BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS A bonificação em mercadoria recebida pela pessoa jurídica deve ser excluída da base de cálculo, confonne entendimento exarado no processo relativo ao lançamento do IRPJ/Lucro Presumido, do qual este foi considerado decorrente. A tributação ocorre no momento da venda da mercadoria recebida a título de bonificação. JUROS DE MORA - TAXA SELIC A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial SELIC tem previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE - ARGÜIÇÃO É competência exclusiva do Poder Judiciário manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para, excluir da base de calculo da Cofins, nos meses de abril a agosto de 2000, os valores incluídos a titulo de bonificação, nos termos do relatório e v. t • e integram o presente julgado. ...z.: R • RQ - 5 LINS D ti le S : Presidente a _ 7 J • • ri E OLIVEI • :. ERIL\Z CORRÊA — Relatord 1 EDITADO EM: 2 7 AGO 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Leonardo Lobo de Almeida, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que considerou parcialmente procedente o auto de infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS (fls. 06 a 15), no valor inicial de R$ 82.102,41, nele incluídos a multa de oficio de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório que consta da referida decisão recorrida, Acórdão n° 13.159, às fls. 507 a 515: "Contra o sujeito passivo acima qualificado, foi lavrado o auto de infração de Colins, referente aos fatos geradores ocorridos em 1996, 1998, 1999 e 2000, conforme fls. 06/16, com crédito tributário de R$ 82.102,41. 2. Conforme descrição dos fatos constante do auto de infração, à fl. 07, o lançamento decorreu de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, como resultado dos trabalhos de verificação obrigatória. O enquadramento legal do lançamento está às fls. 08 e 12. 3. Cientificado em 29 de agosto de 2001, consoante ciência no corpo do auto de infração àfl. 06, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fls. 433/438, em 28 de setembro de 2001, onde alegou: Preliminar - Cerceamento do direito de defesa; Mérito - O presente lançamento é decorrente do lançamento de IRPJ, que por tratarem de situações idênticas, merece a mesma decisão daquele no que diz respeito a equívocos fiscais comuns, a cujos fundamentos se reporta; - - Cometeu-se o equívoco de considerar os valores de transferências de mercadorias entre estabelecimentos do próprio contribuinte como renda. O estabelecimento que recebe a mercadoria, ao realizar a venda, registra tal movimento como sua receita operacional. Da forma como foi feito no lançamento, ou seja, considerando a receita como da matriz, há uma duplicidade de renda. A base de éálculo é a receita com vendas e não com transferências. Cita o exemplo do mês de novembro de 1996, onde foram cometidos, segundo ele, dois equívocos: erro na totalização da renda e erro na consideração de transferências como renda. As transferências são identificadas pelo código de (2 Processo n°10166.011121/2001-37 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.065 Fl. 2 operação 5.22. Para todos os demais períodos-base foi cometido o mesmo erro; - Além das transferências, encontram-se nos livros de Saída do 1CMS valores registrados como devoluções, que não correspondem à receita bruta; - Observa-se a inclusão de valores diversos que não compõem a Receita Bruta nos termos da legislação vigente; - Juros à taxa Selic é inconstitucional; - O sujeito passivo solicitou a realização de perícia nos termos do que dispõe o art. 16, inciso IV do Decreto no. 70.235/72. 4. Diante dos questionamentos do sujeito passivo e tendo em vista a ausência de demonstrativos detalhando por estabelecimento as receitas consideradas, com os respectivos abatimentos (por tipo), o presente processo foi encaminha° para a DRF/Brasilia/DF para que, em diligência, elaborasse demonstrativo detalhado, dando ênfase na verificação dos itens alegados pelo contribuinte, com anexação dos documentos pertinentes. 5. Foi elaborada a informação fiscal às fls. 502/503 como resultado da diligência, tendo sido anexados os documentos e planilhas às fls. 474/502. O sujeito foi cientificado do resultado da diligência em 21/10/2004, conforme cópia do AR à fl. 505, não tendo apresentado qualquer mantifestaçã o no prazo legaL " Conforme mencionado, a DRJ Brasília considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Coflns Ano-calendário: 1996, 1998, 1999, 2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO As cópias do livro de Registro de Apuração de ICMS e do Razão demonstram que a autoridade fiscal não considerou na apuração da base de cálculo as transferências entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, bem assim devoluções de vendas. Comprovado erro na apuração da base de cálculo referente ao fato gerador ocorrido em novembro de 1996. A autoridade fiscal cometeu erro de digitação do valor da receita bruta de filial. Lançamento improcedente nesta parte. Comprovado erro na apuração da base de cákuo referente ao fato gerador ocorrido em 31/03/1998. A autoridade fiscal não abateu a Cofins declarada para as filiais. 1NCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE fi 3 A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Lançamento Procedente em Parte" A Delegacia de Julgamento esclareceu no início de sua decisão que o livro Registro de Apuração de ICMS foi utilizado apenas para o ano de 1996, e que nos meses dos outros anos (1998, 1999 e 2000), o lançamento foi realizado com base no livro Razão, mais especificamente nas contas "Mercadorias a Vista" da matriz e das filiais, que são contas de receita. Relativamente ao mês de novembro de 1996, foi elaborado um demonstrativo para evidenciar que a autoridade fiscal não incluiu na base de cálculo da COFINS o valor relativo às transferências entre os estabelecimentos, ao contrário do que havia alegado a impugnante. Contudo, constatou-se que a diferença apurada pela fiscalização, em relação a esse mês, decorreu de erro na digitação do valor das receitas, e, por isso, o lançamento desse período foi considerado improcedente. Em relação a março de 1998, foi verificado que a autoridade fiscal não levou em conta a COFINS declarada em separado para as filiais, e o lançamento deste período também foi julgado improcedente. Além disso, a DRJ registrou em sua decisão que o sujeito passivo, na fase de diligência, alegou que as bonificações incluídas no lançamento diziam respeito a mercadorias enviadas pelas fábricas para compensar produtos encalhados e ou subsidiar vendas promocionais, integrando o custo das mercadorias vendidas e barateando o custo das mesmas. Quanto a esse ponto, o órgão julgador entendeu que as operações não foram comprovadas documentalmente, e que também não foram apresentados os lançamentos contábeis correspondentes. E mesmo que as operações tivessem ocorrido e sido escrituradas como redução do custo de mercadorias vendidas, a DRJ afirmou que tais valores integrariam a base de cálculo, por representarem receita nos termos do art. 3° da Lei 9.718/98. Em relação às devoluções, foi registrado que tal argumento só teria fundamento para os fatos geradores ocorridos em 1996, por serem os únicos baseados no livro Registro de Apuração do ICMS. Nesse sentido, constatou-se que em novembro deste ano o fiscal deduziu o valor a título de devolução de vendas. Além disso, em dezembro de 1999, o fiscal teria excluído valor escriturado no Razão como devolução de vendas, o que também afastaria a alegação da contribuinte. Depois do exame realizado sobre as rubricas mencionadas acima, a DRJ rejeitou a alegação de que teria ocorrido a inclusão de valores diversos, não abrangidos pela Receita Bruta, nos termos da legislação vigente, por considerar essa alegação genérica, sem a especificação dos valores correspondentes. Irresignada com a decisão de primeira instância, da qual tomou ciência em 07/04/2005, a contribuinte apresentou em 09/05/2005 o recurso voluntário de fls. 525 a 535, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, ressaltando principalmente que o erro verificado no mês novembro de 1996 teria também ocorrido nos demais períodos autuados. Este é o Relatório. 4 Processo e 10166.011121/2001-37 51-TE02 Acórdão n.° 1802-00.065 Fl. 3 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, é importante assinalar que a contribuinte, tanto em sua • impugnação, quanto no recurso voluntário, sustentou que o presente lançamento é decorrente do apurado em auto de infração de imposto de renda - IRPJ (Processo n° 10166.011119/2001- 68), e que, portanto, merece a mesma decisão proferida neste outro processo, relativamente aos equívocos fiscais comuns. Por esse motivo, inclusive, estes autos, que haviam sido encaminhados inicialmente ao antigo Segundo Conselho de Contribuintes, foram redistribuídos, conforme Acórdão 202-17.609, às fls. 546 a 551. De fato, durante a fiscalização foram apurados fatos que resultaram não apenas no auto de infração de COFINS, aqui examinado, mas também em lançamento de IRPJ, no regime do lucro presumido, que já foi julgado pela antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão n° 108-08.839, de 24/05/2006, com a seguinte ementa: "RECEITA TRIBUTÁVEL LUCRO PRESUMIDO - O valor de bonificação em mercadoria recebida pela pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido não constitui base de cálculo do imposto de renda devido. PROVA DA RETENÇÃO DO IMPOSTO - ÓNUS DA CONTRIBUINTE. É ônus da contribuinte provar através de documento hábil o valor lançado como dedução relativa à retenção sofrida. e INCONSTITUCIONALIDADE — ARGÜIÇÃO - É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. JUROS DE MORA. SELIC - A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legaL Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Essa decisão considerou que os valores registrados como bonificações recebidas e bonificações s/volume representam mercadorias recebidas como bonificação, não configurando receita de venda, para fins de apuração do IR pelo Lucro Presumido, conclusão essa que deve, portanto, ser estendida ao lançamento da COFINS nos meses de abril, maio, junho, julho e agosto de 2000, períodos em que há bonificações incluídas na base de cálculo, 49 5 conforme demonstrativos de composição da base de cálculo às fls. 13 e 14. Nesse caso, a tributação para as empresas que podem utilizar Livro Caixa ocorrerá no momento em que a mercadoria recebida a título de bonificação for vendida. Igualmente, devem ser adotadas as mesmas conclusões da Oitava Câmara acerca da preliminar argüida, posto que realmente não está caracterizado qualquer cerceamento do direito de defesa e do contraditório, e tampouco existe ilegalidade nos atos praticados pelo fisco ou pela autoridade recorrida, havendo de se salientar, novamente, que foi procedida diligência para sanar as divergências sobre o levantamento fiscal, levantamento que, aliás, baseou-se nos próprios livros da contribuinte. O questionamento sobre a utilização da Taxa SELIC também deve ser rejeitado, posto que sua aplicação está de acordo com a legislação vigente (art. 161 do CTN, art. 84 da Lei 8.981/95 e art. 13 da Lei 9.065/95), e no que toca à sua constitucionalidade, a apreciação não cabe a este Conselho, mas exclusivamente ao Poder Judiciário. Quanto aos erros relativos a transferências entre os estabelecimentos, devoluções e "valores diversos" que teriam sido indevidamente incluídos na base de cálculo da contribuição, não merece qualquer reparo a decisão da Delegacia de Julgamento. Essa decisão analisou detalhadamente as rubricas indicadas pela contribuinte, e constatou que o problema no mês de novembro/1996 foi conseqüência de um evidente e pontual erro de digitação, situação que não se repetiu nos outros meses, ao contrário do que alega a recorrente. Nesse sentido, observo que a contribuinte, mesmo diante da análise feita pela DRJ, simplesmente repetiu em seu recurso voluntário o exemplo já utilizado na impugnação, relativo a novembro de 1996, problema que já foi sanado, sustentando genericamente que este mesmo erro ocorreu em todos os demais períodos, argumento que não encontra qualquer base de sustentação. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, quanto ao mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as bonificações da base de cálculo da COFINS, conforme demonstrado abaixo: Fato Gerador Bonificações Valores a serem excluídos da Base de Cálculo da COFINS abr/00 7.506,78 mai/00 8.294,30 jun/00 22.120,22 u1/00 6.025,55 ago/00 38.164,76 SESE DE OLIVEIRA FrelbtAL CORRÊA 8 Processo e 10166.0111212001-37 S1-TE02 Acórdão n." 1802-00.065 Fl. 4 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 1 7
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Numero do processo: 10845.002120/2008-29
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA POSSE DO CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 3.577/1959. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Não gozava de isenção da obrigação de recolher as contribuições previdenciárias as entidades que não possuíssem o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos na vigência da Lei n.º 3.577/1959, devendo para gozar do benefício efetuarem requerimento do benefício à Administração Tributária, demonstrando cumprir os requisitos legais necessários ao benefício fiscal.
DECISÃO JUDICIAL REFERENTE A LANÇAMENTOS ESPECÍFICOS. NÃO INFLUÊNCIA EM DÉBITOS LAVRADOS EM PERÍODOS POSTERIORES.
Não têm interferência sobre débitos lavrados em períodos posteriores as decisões anulatórias de débitos fiscais, em que se discute a imunidade/isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária, posto que a entidade autuada poderá ter deixado de cumprir os requisitos necessários ao gozo do benefício fiscal.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Independentemente da empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados.
BOLSAS DE ESTUDOS PARA EMPREGADOS. CURSO SUPERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS CURSOS FORNECIDOS NÃO ERAM VINCULADOS ÀS ATIVIDADES DO EMPREGADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Não tendo o fisco demonstrado que os cursos superiores oferecidos aos empregados da empresa autuada eram incompatíveis com a sua atividade empresarial, deve-se afastar a incidência de contribuições sobre esse benefício.
BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Quando da ocorrência dos fatos geradores, não incidiam contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os levantamentos CB (cestas básicas) e BEE (bolsas de estudo para segurados). Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial para excluir somente o levantamento CB (cestas básicas).
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA POSSE DO CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 3.577/1959. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não gozava de isenção da obrigação de recolher as contribuições previdenciárias as entidades que não possuíssem o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos na vigência da Lei n.º 3.577/1959, devendo para gozar do benefício efetuarem requerimento do benefício à Administração Tributária, demonstrando cumprir os requisitos legais necessários ao benefício fiscal. DECISÃO JUDICIAL REFERENTE A LANÇAMENTOS ESPECÍFICOS. NÃO INFLUÊNCIA EM DÉBITOS LAVRADOS EM PERÍODOS POSTERIORES. Não têm interferência sobre débitos lavrados em períodos posteriores as decisões anulatórias de débitos fiscais, em que se discute a imunidade/isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária, posto que a entidade autuada poderá ter deixado de cumprir os requisitos necessários ao gozo do benefício fiscal. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Independentemente da empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados. BOLSAS DE ESTUDOS PARA EMPREGADOS. CURSO SUPERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS CURSOS FORNECIDOS NÃO ERAM VINCULADOS ÀS ATIVIDADES DO EMPREGADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 21 20 /2 00 8- 29 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não tendo o fisco demonstrado que os cursos superiores oferecidos aos empregados da empresa autuada eram incompatíveis com a sua atividade empresarial, devese afastar a incidência de contribuições sobre esse benefício. BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Quando da ocorrência dos fatos geradores, não incidiam contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os levantamentos CB (cestas básicas) e BEE (bolsas de estudo para segurados). Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial para excluir somente o levantamento CB (cestas básicas). Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 590 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por representante legal da entidade acima contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Santos (SP), que declarou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.558.2295, de 16/09/2005, a qual contempla a contribuição dos segurados e as contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, além das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Conforme o relatório fiscal, fls. 117/122, os fatos geradores que ensejaram o lançamento decorreram de salários indiretos pagos aos segurados empregados e foram segregados em quatro itens de apuração distintos: a) CB – fornecimento de cestas básicas sem adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; b) PS pagamento de plano de saúde em desconformidade com a legislação que prevê a não incidência de contribuições sobre esta benefício; c) BED – concessão de bolsas de estudo a dependentes dos segurados; d) BEE – concessão de bolsas de estudo aos segurados Inconformada com a decisão do órgão de julgamento da Receita, a empresa interpôs recuso voluntário, no qual, em síntese, alegou que: a) a pessoa física representante legal da entidade detém legitimidade para interpor o recurso, além de que não é cabível a exigência do depósito recursal prévio; b) tem a posse de Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, cujas exigências para obtenção são mais rigorosas que aquelas previstas na Lei n.º 8.212/1991 para o gozo da isenção/imunidade. Assim, o CEAS serve como prova de que a entidade preenche os requisitos necessários à isenção/imunidade em questão; c) na vigência da Lei n.º 3.577/1959, a AELIS já estava de plena posse do Certificado Provisório de Fins Filantrópicos, desde 11 de agosto de 1976, data do protocolo do pedido do referido certificado. É esse o entendimento adotado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência e Assistência Social colacionado, o qual reconhece a retroatividade dos efeitos dos pedidos de isenção à data de sua apresentação; d) a declaração de utilidade pública também representa ato meramente declaratório, pelo que sua concessão posterior tem o condão de operar efeitos desde a data do seu requerimento; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 e) o § 1.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 prevê direito adquirido à isenção/imunidade para as entidades que preenchessem os requisitos os requisitos estipulados na Lei n.º 3.577/1959; f) o próprio Poder Judiciário já reconheceu a condição de isenta da requerente, quando apreciou a ação anulatória de débito fiscal n.º 2003.34.00.0026481, na qual foram declaradas nulas as NFLD n.º 35.173.5186 e n.º 35.173.5194, relativas à exigência da cota patronal previdenciária; g) não se pode invocar na espécie, como feito na decisão recorrida, os arts. 178 e 179 do CTN, que tratam da isenção condicionada, posto que o benefício fiscal ora em discussão estão previstos no § 7.º do art. 195 da Constituição Federal; h) a tentativa de considerar como integrantes do saláriodecontribuição a disponibilização in natura (cestas básicas) de alimentação aos empregados não procede; i) a alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 exclui da base de cálculo das contribuições os pagamentos pela empresa de planos de saúde para os seus empregados; j) as bolsas de estudo, previstas em Convenções Coletivas de Trabalho, e fornecidas aos empregados e dependentes da recorrente não podem sofrer incidência de contribuições; k) as bolsas concedidas aos empregados representam a possibilidade de capacitação e aperfeiçoamento profissional; l) quanto ao fornecimento das bolsas aos dependentes, estas não tem caráter contraprestativo, nem pode tal benefício ser tratado como prestação in natura, posto que não se incorpora ao salário do trabalhador, além de que se enquadra no objetivo estatutário da entidade de promover assistência social a quem dela necessite; m) a legislação trabalhista exclui o caráter salarial das despesas com educação suportadas pelo empregador, além de que há precedentes no Conselho de Recursos da Previdência Social no mesmo sentido. Ao final, pede a nulidade da NFLD ou o reconhecimento da sua improcedência. É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 591 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A existência do direito adquirido à isenção O fundamento de validade da imunidade/isenção das entidades beneficentes de assistência social quanto ao recolhimento das obrigações previdenciárias tem sede no § 7.º do art. 195 da Constituição Federal, nesses termos: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para dar eficácia ao comando constitucional chegou ao ordenamento pátrio a Lei n. 8.212/1991 que, em seu art. 55, prescrevia: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se investigue a princípio se a recorrente poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo. O caso pede que se faça uma retrospectiva da legislação anterior a edição da Lei n.º 8.212/1991, de modo que possamos concluir pela existência de direito adquirido para a recorrente. Em 1959, com o advento da Lei n. 3.577, surgiu no direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração. Esse diploma normativo foi revogado pelo DecretoLei n. 1.572/1977, que dispôs em seu art. 1. : "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) Todavia, as entidades que já gozavam do benefício e aquelas que estavam em vias sua aquisição foram ressalvadas nos parágrafos do art. 1.º do mesmo diploma legal: § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 592 7 § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. A exegese dos dispositivos acima permite concluir que, a partir da edição do Decreto Lei n. 1.572, de 01/09/1977, foram fechadas as portas para concessão de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde, como já frisamos, mantivessem os requisitos legais necessários à fruição do benefício, nos termos da legislação revogada. Verificase, então, no caso sob análise, que, se a recorrente tiver comprovado a posse do Título de Reconhecimento de Entidade de Utilidade Pública emitido pelo Governo Federal e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebiam remuneração, devese reconhecer o seu direito adquirido à isenção, ou seja, não haveria necessidade de requerêlo ao INSS, conforme o § 1.º do revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. De acordo com o documento de fl. 369, a recorrente obteve o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos em 21/05/1981, com validade para o período de 01/11/1977 até 31/12/1994. Portanto, não há comprovação nos autos de que a entidade recorrente possuísse o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos quando da edição do Decreto n.º 1.572/1977 e nem mesmo que o tivesse requerido, assim, devese rechaçar o argumento de que haveria direito adquirido à isenção. Da condição de imune/ isenta Conforme visto, na vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, caso a entidade não possuísse o direito adquirido, para que viesse a gozar da imunidade/isenção, deveria formular pedido ao INSS, a teor do § 1.º do mencionado artigo. Verificase dos autos que em nenhum momento a entidade recorrente logrou demonstrar que tivesse Ato Declaratório do INSS reconhecendo a sua condição de isenta, portanto, não deve ser acatado o argumento da impossibilidade legal de exigência das contribuições patronais. Das decisões judiciais que garantiriam o direito à isenção Embora a empresa não tenha acostado aos autos cópia da decisão judicial exarada no bojo da ação anulatória de débito fiscal n.º 2003.34.00.0026481, a qual se reportou no recurso, para decidir sobre a questão fomos nos valer do voto proferido pela Ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, no julgamento do processo n.º 15983.000413/201025, quando, por unanimidade, a 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF negou provimento ao recurso do contribuinte. Vejamos o que se disse ali sobre o tema: Fl. 595DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 “A respeito do tema, diante da reprodução das alegações de defesa no recurso voluntário, impende transcrever excerto da decisão de primeira instância que bem demonstra os aspectos fáticos da presente autuação, rechaçando o pleito da contribuinte nos seguintes termos: “[...]De fato, o auditor notificante trouxe aos autos cópia da sentença relativa ao Mandado de Segurança n° 2003.34.00.0026481 (fls. 59 a 63), em que o juiz, depois de ressaltar que o INSS não lograra provar que entidade havia descumprido os requisitos legais e constitucionais que lhe conferem o direito a imunidade prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, julgou procedente o pedido da autora e declarou a nulidade das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.173.5186 e 35.173.5194. No entanto, ao contrário do que a impugnante tenta fazer crer, o decisum em comento não reconheceu o seu direito à imunidade desde sempre e para sempre, mas apenas relativamente ao período abrangido pelas NFLD há pouco citadas e porque, no entendimento da autoridade judiciária, o INSS não conseguira demonstrar que, ao longo daquele entremeio, a entidade deixou de cumprir os requisitos estabelecidos no § 7° do art. 195 da CF/88 e no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Alias, isto fica claro nas seguintes palavras do DD. Juiz da 4a Vara da Justiça Federal no DF: [...]Ora, se, na visão do juiz do processo em tela, o exercício do direito imunidade depende, outrossim, do cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei de custeio, e se, ao mesmo tempo, requisito num dado momento cumprido pode não têlo sido em outro, vejase, por exemplo, que, segundo o item 10 do relatório fiscal, a AELIS não dispunha do CEAS no período de 01/01/1998 a 19/10/2005 (fato este não contestado pela defesa), ou seja, especificamente neste interregno ela descumpriu a exigência posta no inciso II, acima reproduzido —, resta claro que a conclusão manifesta naquela sentença vale para o período compreendido nas NFLD n° 35.173.5186 e 37.173.5194, mas não necessariamente para o lapso de 09/2005 a 12/2007. Isto porque, obviamente, a verificação do cumprimento dos aludidos requisitos deve ser uma constante, e não algo que, uma vez realizado, produz uma situação jurídica imutável, como quer a defesa. Não por outro motivo, o § 7° do art. 206 (antes de sua revogação pelo Decreto n° 7.237, de 20/07/2010) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, prescrevia que "0 Instituto Nacional do Seguro Social verificar, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo." (...) Tudo o que se acaba de explanar é para dizer o óbvio, ou seja, que a decisão proferida em 25 de agosto de 2004, nos autos do MS n° 2003.34.00.0026481, não produz efeitos relativamente ao período contemplado neste auto de infração, exatamente porque o DD. magistrado, naquela oportunidade, não pode verificar — porquanto não dotado do poder de adivinhar o futuro — se, no tocante ao lapso de 01/09/2005 a 31/12/2007, o INSS (hoje, a RFB) também não lograra "provar que a autora deixou de Fl. 596DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 593 9 cumprir os requisitos legais e constitucionais que conferemlhe o direito à imunidade". (...) Com base, principalmente, na afirmação expressa no texto grifado pelo próprio auditor notificante — a qual, ressaltese, não é contestada pela defesa —, constatase que não procede a alegação da defesa, de que a autuada foi, "durante todo o período fiscalizado, entidade de assistência social que obedece, integralmente, os requisitos constitucionais e legais", pois ao menos um dos requisitos legais ela, incontestavelmente, não atendeu, qual seja o definido no § 10 do art. 55 da Lei n° 8.212/91, eis que, nas palavras da autoridade lançadora, a reclamante "nunca teve o direito A isenção previdenciária reconhecido pelo Poder Executivo Federal". (...) Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, que a decisão judicial que se reporta a contribuinte para amparar sua pretensão, em verdade, não tem o condão de macular a exigência fiscal, uma vez que exarada em processo em que a autuada se insurgia contra duas notificações específicas, NFLD´s n°s 35.173.5186 e 35.173.5194, em relação a fatos geradores ocorridos no período de 01/1998 a 11/2000, não podendo interferir, portanto, na presente autuação que se refere às competências 09/2005 a 12/2007.” Diante das considerações acima reproduzidas, afastamos também o argumento de que a mencionada decisão judicial poderia ser utilizada para afastar a exigência presente NFLD sob cuidado. Fornecimento de alimentação Sem maiores delongas, devo aplicar para fins de resolução deste ponto da lide, relativa à rubrica “alimentação”, o posicionamento da própria Administração Tributária, exarada no Ato Declaratório n.º 03, de 20/12/2011, da Procuradoria da Fazenda Nacional, o qual se baseou no Parecer PGFN CRJ n.º 2.117/2011. Eis o disposto no referido Ato Declaratório: ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 597DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Diante desse entendimento, e constando dos autos que a alimentação foi fornecida aos empregados, mediante a entrega de cestas básicas, deve ser afastado do lançamento o levantamento denominado CB. É bom que se diga que, nos termos do art. 19, §§ 4º e 5º, da citada Lei nº 10.522, de 2002, a lavratura de ato declaratório também possui o condão de impedir a constituição do crédito tributário relativo ao presente caso pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, obrigandoa, inclusive, a rever, de ofício, os lançamentos já efetuados. Plano de saúde Sobre a incidência de contribuições sobre a parcela denominada “Plano de Saúde”, assim se pronunciou o fisco em seu relato: “14. Também são pagas pelo sujeito passivo despesas com plano de saúde oferecidos (sic!) pela Cooperativa de Trabalho Unimed Santos – Cooperativa de Trabalho Médico. Ocorre que esta prestação é fornecida de maneira gratuita, por força de Acordo/Convenção Coletiva, aos segurados empregados pertencentes à categoria de trabalhadores do “ensino superior”. Este benefício não é concedido aos trabalhadores pertencente (sic!) à categoria do ensino básico. 15. O oferecimento deste benefício de forma não extensiva para todos os segurados empregados da entidade, viola o disposto no artigo 28, parágrafo 9, alínea “q” da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991. Fato esse que torna inquestionável em razão da citada cooperativa médica emitir duas faturas: a) uma reconhecida como despesa sem contraprestação dos segurados empregados; b) outra rateada integralmente em folha de pagamento entre seus beneficiários. A primeira (“a”) foi objeto do lançamento; a segunda(“b”) não. 16. Observar também, que eventuais encargos assumidos pelo segurado empregado no levantamento PS foram deduzidos de sua base de cálculo através do fato gerador negativo RPS (Ressarcimento de Plano de Saúde).” Diante dessas considerações, formuladas com base em informações prestadas pela empresa, as parcelas relativas a assistência médica, foram incluídas na base de cálculo do lançamento. A empresa não concorda com a tributação dessas rubricas, por entender que as legislações previdenciária e trabalhista não acolhem a pretensão do fisco. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 594 11 Analisemos a Lei n.º 8.212/1991, norma aplicável à situação, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Como se percebe, para que a rubrica em questão não fosse alcançada pela tributação para a Seguridade Social, deveria a assistência médica ser disponibilizada a todos os empregados e dirigentes. Conforme própria declaração da empresa, apenas parte do seu quadro era coberto pelo benefício, o que nos leva a entender que a inclusão dessas rubricas na salário decontribuição foi medida acertada do fisco, não cabendo alteração do que ficou decidido pela DRP. Ao invocar dispositivo da CLT para dar substância a sua tese, a recorrente olvidou que a norma do Direito Laboral é aplicada ao Direito Previdenciário, apenas subsidiariamente. Além de que não se deve confundir o conceito justrabalhista de “salário” com conceito previdenciário de “saláriodecontribuição”, que embora tenham vínculos muito estreitos, não coincidem na sua totalidade. A prova mais visível dessa diferenciação é a incidência de contribuição ao FGTS para determinadas normas que não se constituem em base de cálculo para as contribuições previdenciárias, como é o caso do auxílio doença acidentário, sobre o qual incide FGTS, mas que não sofre incidências das contribuições sociais. Assim, não acolho também a tese de que a aplicação da CLT deva prevalecer sobre os ditames da Lei de Custeio da Seguridade Social, quando o tema tratado diz respeito ás contribuições sociais. Bolsas de estudo aos empregados De acordo com a decisão recorrida, a incidência de contribuições sobre as bolsas de estudo fornecidas aos empregados decorreu do fato da empresa não ter cumprido o requisito legal de fornecer a prestação em planos de educação básica ou na capacitação profissional de seus empregados. Afirma o julgador monocrático que os integrantes da categoria ensino básico tinham acesso apenas a cursos dos ensinos médio e fundamental, ao passo que aqueles que atuavam no ensino superior podiam freqüentar os cursos de mesma natureza. Em adição, aduz que a maioria das bolsas eram fornecidas em cursos do ensino superior, cuja escolha era prerrogativa do beneficiário, o que retiraria da prestação o Fl. 599DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 requisito de que a capacitação seria prestada no interesse da empresa, mas que prevaleceria o interesse do beneficiário, representando salário indireto. A legislação previdenciária tratava do tema, na época da ocorrência dos fatos, na alínea “t” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). De acordo com as informações constantes dos autos, havia o fornecimento de bolsas de estudo voltadas para educação básica, que, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996, inclui o ensino fundamental e o médio. Significando que poderá o empregador custear as despesas desta modalidade de ensino para seus empregados, incentivando a formação acadêmica e o desenvolvimento social. Resta avaliar o fornecimento dos cursos de educação superior. Entendemos que o fornecimento de bolsas nesta modalidade, regra geral, proporciona uma qualificação profissional, posto que a evolução das relações de trabalho e das atividades desenvolvidas, há muito exigem uma formação multidisciplinar de seus atores. A busca de atividades que levem a um desenvolvimento cognitivo, seja ele qual for, influencia na qualidade do empregado e, dessa feita, melhor qualificao e incrementa a sua capacitação. O fisco justifica a tributação no fato de que os beneficiários poderiam escolher os cursos de seu interesse, fato que desnaturaria o requisito de que a capacitação era feita em atividades de interesse da empresa. Não me parece razoável tal conclusão, posto que não se demonstrou de forma específica quais empregados estariam sendo beneficiados com bolsas em áreas que não interessassem aos objetivos da empresa. Devese, portanto dar razão a entidade, quando afirma que as bolsas fornecidas aos seus empregados têm o objetivo de qualificálos e capacitálos para as atividades desenvolvidas para o empregador, mas também para o mercado de trabalho, devendo ser afastada a tributação sobre essas parcelas. Bolsas de estudo dependentes Da regra mencionada no tópico anterior, temse que as verbas que não sofrem incidência de contribuições são aquelas relativas aos valores pagos à título de bolsas, somente aos empregados e dirigentes, não sendo extensivas aos dependentes destes. Desta forma, ainda que a recorrente apele para o caráter social do fato gerador em comento, a legislação e a jurisprudência não tem corroborado com tal entendimento. Ao realizar o pagamento das referidas bolsas aos dependentes dos trabalhadores, a recorrente não observou o preceito legal de que tais verbas, para se beneficiarem da isenção em tela, deveriam ser pagas apenas aos empregados e dirigentes, para o aprimoramento, capacitação e qualificação profissionais destes. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 595 13 A jurisprudência do CARF é pacífica nesse sentido, como se pode ver dos julgados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ISENÇÃO MANTENEDORA/ MANTIDA O usufruto pela entidade mantida da isenção concedida à sua mantenedora era possível até a edição do Decreto º 2.173/1997. Até então, a perda da isenção da entidade mantenedora correspondia, de igual forma, à perda do benefício por parte da entidade mantida, por via reflexa BOLSAS DE ESTUDO FORNECIMENTO A DEPENDENTES INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Integram o salário de contribuição os valores das bolsas de estudo fornecidas a filhos de empregados. Não há previsão legal para que tal verba fique ao abrigo da incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte (2.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF, Acórdão n.º 2402003.216, de 21/11/2012, Rel. Conselheira Ana Maria Bandeira). ......................................................................................................... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao Fl. 601DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO A DEPENDENTES DE EMPREGADOS LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DO FATO GERADOR SALÁRIO INDIRETO O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Não integram o saláriodecontribuição apenas o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. À época do fato gerador, no período 01/2005 a 12/2006, incide contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas a dependentes de empregados. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de CoResponsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Negado (3.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF, Acórdão n.º 2403001.703, de 17/10/2012, Rel. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro). É de se observar que a nova redação dada à Lei n.º 8.212 pela Lei n.º 12.153/2011, alterou a abrangência da isenção sobre as despesas com educação, admitindo a exclusão do saláriodecontribuição das parcelas pagas em benefício dos dependentes. Vejamos Fl. 602DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10845.002120/200829 Acórdão n.º 2401002.912 S2C4T1 Fl. 596 15 t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Todavia, conforme determina o art. 144, “caput”, do CTN, devese tratar os fatos contemplados no lançamento com a legislação vigente quando da sua ocorrência. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os levantamentos CB (cestas básicas) e BEE (bolsas de estudo para segurados). Kleber Ferreira de Araújo Fl. 603DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 35226.001965/2007-34
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1999
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.518
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária da Segunda 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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ECN. TEC E TURISMO Recorrida DRJ/FORTALEZA/CE . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ki(j7 . i 1 Processo e 35226.001965/2007-34 52-C3T1 Adora° n.° 2301-00.518 Fl. 121 ACORDAM os membros da 3' Câmara li' Turma Ordinária da Segunda ii, T Seção de Julgamento, . tr u . imidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, n , ,- is do voto do relator. ilik JULI• ',. • VI RA GOMES Presidi ,.., 'VICt „ .0 A' SILVA AL Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de liveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 1 Processo n°35226.001965/2007-34 52-C3T1 Acórdão n.°2301-00.518 Fl. 122 _ Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra o Estado do Piauí — Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Tecnológico e Turismo, referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, parte patronal e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas a servidores, no período de 01/1997 a 02/1999. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 08/05/2007 (fls. 64) A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, além das questões de mérito a decadência do e 1eito de o fisco realizar o lançamento. É o relatório. li l 3 Processo n°35226.001965/2007-34 S2-C3T1 Acórdão n.°2301-00.518 Fl. 123 Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CM. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n°1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 1 -A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: 4 Processo n° 35226.001965/2007-34 52-C3TI Acórdão n.° 2301-00.518 Fl. 124 Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. ("Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei re 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 12 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 42), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do 150, §40, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. ir 5 Processo e 35226.00196512007-34 52-C3T1 Acórd5o n.° 2301-00.518 Fl. 125 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 08/05/2007. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 02/1999, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessões, em 07 de ju o de 2009 411r EDGA • :1 IDAL Relator 6 Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.001315/98-55
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 13 15 /9 8- 55 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.001315/9855 Acórdão n.º 9900000.547 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0531 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0510, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto Procuradoria da Fazenda Nacional. Acordam os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator),Antonio Carlos Atulim e Antonio Bezerra Neto que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0595, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, argumentando que o decidido no acórdão recorrido deve ser mantido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.001315/9855 Acórdão n.º 9900000.547 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 07/1988 a 10/1995, fls. 021, e o pedido de restituição foi protocolado em 29/01/1998, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 684DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.001315/9855 Acórdão n.º 9900000.547 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 29/01/1998, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 29/01/1988 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 29/01/1988 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 686DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.001576/2002-92
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Outros
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA TERMO A QUO. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME
DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ o prazo decadencial
do direito de constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, rege-se pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Súmula Vinculante n° 8. O
Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da Seguridade Social. Cofins e a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL , prevalece aqueles estabelecidos no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-000.248
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Adriana Gomes Rego que dava provimento.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Outros Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA TERMO A QUO. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ o prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, rege-se pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Súmula Vinculante n° 8. O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da Seguridade Social. Cofins e a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL , prevalece aqueles estabelecidos no Código Tributário Nacional.
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L 1- ''•'''' •r- '. MINISTÉRIO DA FAZENDA . .i- -•- ---',....--t CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS,... .-..- , .,.&,,•"-t-dat,l," - CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 19515.001579/2002-92 Recurso n° 157.197 Voluntário Acórdão n° 9101-00.248 — i a Turma Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida GOMEZ CARRERA IMP.EXP. REPRESENTAÇÕES LTDA (atual Albarino Comercial e Importadora de Bebidas Ltda). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Outros Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA TERMO A QUO. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ o prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, rege-se pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Súmula Vinculante n2 8,. O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da Seguridade Social. Cofins e a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL , prevalece aqueles estabelecidos no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do rel. ório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheir. Adriana Go - s Rego que dava provimento. 4 OP CARLOS AL-BER C 14 ITAS B • 1 • TO - Presidente .------ PÁ - IVET ff".,... AQ 9"..--0,„,_ '', • ' • jin SOA MONTEIRO — Relatora 1 EDITADO EM: 0 1 SE T 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rego, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello ( substituto convocado) e Irineu Bianchi ( substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado em 26/03/2008 pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7 0., inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época, contra Acórdão n° 105-16.798, fls. 337/351 — vol II, proferido pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 05/12/2007, assim ementado: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - IRPJ - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - O IRPJ se submete à homologação estatuída no art. 150 do CT/V, sendo que a ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento, iniciando-se a contagem do prazo de homologação e decadencial, por ocasião do encerramento de cada fato gerador e o prazo a ser adotado é aquele do §40 - 5 anos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRL4 - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso voluntário conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por GOMEZ CARRERA IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES LTDA. (ATUAL ALBARINO COMERCIAL E IMPORTADORA DE BEBIDAS LTDA.) ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao IRPJ e por maioria em relação à CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os 2 Processo n° 19515.001579/2002-92 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.248 Fl. 2 Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Waldir Veiga Rocha." O Contribuinte apresentou sua DIRPJ do ano calendário de 1997, com base no lucro real trimestral. Revisão sumária da declaração glosou prejuízos indevidamente compensados, para o IRPJ, às fls.80/85 e para a CSLL, às fls.210/214, por não observar o limite de 30% fixado em lei para tal compensação. A infração refere-se aos fatos geradores ocorridos em 30/06 e 30/09/1997. A ciência do lançamento se deu em 03.12.2002 (fis.85). A Câmara recorrida reconhece a decadência para os fatos geradores ocorridos no período, fundamentando-se no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. A Fazenda Nacional oferece recurso especial , fls. 356/379,onde, em síntese, argumenta que na hipótese de lançamento ex-officio de tributo não recolhido pelo contribuinte, o prazo decadencial não é aquele previsto no art. 150,§ 4°., e sim o artigo 173 do Código Tributário Nacional, na linha do acórdão 107-07968, que oferece ao confronto. Em vasto arrazoado, no tocante à Contribuição Social, afirma a decisão violou a regra estabelecida no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional e o artigo 45 da Lei 8212/1991, motivos bastantes para a restauração do lançamento. Contra-razões às fls. 402/411 — vol.II, onde, em síntese, a Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido. Em 08 /07/2008 os autos foram a esta Relatora distribuídos, para análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Sí1))., Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relatora Recurso tempestivo e assente em lei. A matéria versa sobre decadência, mais especificamente sobre o prazo aplicável nos casos de lançamento de ofício para exigência do IRPJ e Contribuição Social dai decorrente, referentes aos trimestres encerrados em 30 de junho e 30 de setembro do ano calendário de1997, com ciência do auto de infração em 03/12/2002,conforme fls. 85 e 212. O acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional, O i.Representante da Fazenda Nacional pede a aplicação do comando normativo do artigo 45 da Lei 8112/1991, destacando que , na ausência de pagamento não há como se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, e de que o prazo decadencial das contribuições sociais é de dez anos, a teor do art. 45 da Lei n° 8.212/91. A primeira questão posta é a definição do dispositivo legal aplicável : se o § 4°.do 150 ou inciso I do artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. No Especial o i.Representante da Fazenda nacional pede a aplicação do comando normativo do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, sob argumento de que, em nenhuma hipótese de exigência de oficio cabe-se falar em "lançamento por homologação ". Afirma, ainda, que nos casos de ausência de pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial deixa de ser aquele previsto pelo artigo 150 § 4 0. do Código Tributário Nacional , passando a ser regido pela regra geral prevista no artigo 173,1 do mesmo diploma. Por tal comando normativo o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos , contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registra a ausência de pagamentos no período, realização de compensações, informe de base de cálculo positiva na DIPJ e nenhum recolhimento para este tributo. A questão posta é a definição do dispositivo legal aplicável : se o § 4°.do 150 ou inciso I do artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir da Lei n° 8.383/91, passaram a ser pagos mensalmente e, mais tarde trimestralmente. Assim, a partir do dia seguinte à ocorrência do fato gerador, inicia-se a contagem do prazo decadencial. A necessidade de lançar o crédito tributário e a conseqüência de sua inobservância foram objeto do Resp n° 332.693 (2001-0096668), relatora Ministra Eliana Calmon, da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, unânime, cuja ementa está assim redigida: 4 (j Processo n° 19515.001579/2002-92 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.248 Fl. 3 "TRIBUTÁRIO — CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA. 1) O fato gerador faz nascer a obrigação tributária, que se aperfeiçoa com o lançamento, ato pelo qual se constitui o crédito correspondente à obrigação (arts. 113 e 142 do CTA9. 2. Dispõe a FAZENDA do prazo de cinco anos para exercer o direito de lançar, ou seja, constituir o seu crédito tributário. 3. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, nem por ordem judicial nem por depósito do devido. (grifei) 4) Com depósito ou sem depósito, após cinco anos do fato gerador, sem lançamento, ocorre a decadência. 5. Recurso especial provido". Estes fundamentos já respondem ao i. recorrente porque não prevalece deslocamento do prazo decadencial, no caso de ausência de pagamento,para regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, ante a sistemática de apuração vigente a partir do ano calendário de 1992. Nesse ano, a atividade que era do fisco, passa para o Contribuinte.° dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se resultar tributo a ser pago, procedimento que se amolda à hipótese do § 4° do art. 150 do C'TN, cuja redação é a seguinte: "§ 4° - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negritei)" O Código Tributário Nacional determina homologar o lançamento e não o pagamento. (Procedimento que tanto pode apontar lucro, resultado nulo, ou prejuízo). E este Colegiado consolida que o prazo aplicável é aquele do artigo 150 § 4°. do Código Tributário Nacional. Quanto à pretensão da contagem do prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", pela regra prevista no art. 45 da Lei n° 8.212/91, já não prospera. O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n2 8, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do sç 4° do art. 2° da Lei n° 11.417/2006: fillN n tP1 s — - * Súmula vinculante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) No caso concreto, como figura do relatório, os lançamentos realizados em 03/12/2002,conforme fls. 85 e 212, para exigência do IRPJ e CSLL, referentes aos trimestres encerrados em 30 de junho e 30 de setembro do ano calendário de1997, já atingidos pela decadência, como decidiu o julgado recorrido. Nesta ordem de juízos, nego provimento ao recurso interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. *4 r 101 IV : # -V a aqui- S-Pes-sT)à— onteiro - Relatora 6
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Numero do processo: 13062.000278/2005-17
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.318
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Recorrida DRJ - SANTA MARIA/RS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Recurso Voluntário Negado. 1 , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. i riml„...._ M WitÀ-PIÉPÉE4 A' AM SX MOI-2TM-- Presidente , LUCIANO LOPES DE/LMEIDA MORAE' - Relator EDITADO EM: 14 de outubro de 2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. , 11 , Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: FOCKINK PARTICIPAÇÕES LTDA., acima qualificado, foi autuado eletronicamente, folha(s) 15, para aplicação de multa por atraso de 2, 2, 7 e 4 meses, respectivamente na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, referente(s) ao(s) 1°,2°,3° e 4° trimestres 2003, no valor de R$ 15.283,79. Regularmente intimado da exação (ciência, fl. 30), mas irresignado, o interessado formulou a reclamação da(s)fl(s). 1 a 14, subscrita por/pelo próprio interessado. Em síntese, alega a) que os citados fundamentos legais incorrem em flagrantes de ilegalidade e incontitucionalidade, por impor penalidade pecuniária a empresa, mesmo diante da ocorrência do instituto da denúncia espontânea, colidindo, a exigência entabulada no presente lançamento, frontalmente com o Princípio da Hierarquia das Leis ( CF, art.59 ), b) que está ao abrigo do instituto previsto no art.13 8 do CTN, c) que exatamente no mesmo sentido, entendimento corroborado de forma uníssona pela corrente doutrinária e jurisprudencial administrativa e judiciária, e; d) que também fundamentou a aplicação da penalidade no art. 7°, § 2°, inciso 1, da Lei nO 10.426, de 24 de abril de 2002, lei ordinária que dispõe de forma diversa ao art.138 do CT1V, imposição que pretende a autoridade fazendária, seja aplicável, indistintamente, desconsiderando as demais normas que regem o direito tributário pátrio, principalmente, aquele de caráter complementar que é o CT1V. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/STM n° 8.296, de 27/11/07, fls. 34/37: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF o contribuinte que entrega a DCTF, mesmo que espontaneamente, após o prazo, fica sujeito ao pagamento da multa correspondente. O instituto da denúncia espontânea não se aplica às penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Lançamento Procedente. Às fls.40 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 41/55, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 2 Processo n° 13062.000278/2005-17 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00318 Fl. 61 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discute-se nos autos a aplicação de multa por atraso na entrega de DCTF. O simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. De acordo com os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. Por fim, não merece acolhimento a argumentação de redução da multa aplicável, pois já aplicada a referida redução. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui e .tivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argu entos. /__. LUCIANO LOPES , • A EIDA MORAES 3
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