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Numero do processo: 11080.015082/92-52
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 1995
Ementa: Não se conhece o recurso pois a importadora impetrou mandado de
segurança em relação ao litígio, optando pela esfera judicial.
Falta de objeto
Numero da decisão: 302-33.026
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em deixar de conhecer do recurso por falta de objeto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-16T08:01:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-16T08:01:28Z; Last-Modified: 2010-01-16T08:01:28Z; dcterms:modified: 2010-01-16T08:01:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-16T08:01:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-16T08:01:28Z; meta:save-date: 2010-01-16T08:01:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-16T08:01:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-16T08:01:28Z; created: 2010-01-16T08:01:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-01-16T08:01:28Z; pdf:charsPerPage: 1082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-16T08:01:28Z | Conteúdo => _ MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA - PROCESSO N° : 11080-015082/92.52 SESSÃO DE : 23 de Maio de 1995 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 RECURSO N° : 116.914 RECORRENTE : ICOTRON S/A IND DE COMP. ELETRÔNICOS RECORRIDA : IRF - PORTO ALEGRE / RS Não se conhece o recurso pois a importadora impetrou mandado de segurança em relação ao litígio, optando pela esfera judicial. Falta de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em deixar de conhecer do recurso por falta de objeto , na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF 23 de maio de 1995 SÉRGIO DE CASTRO NEVES Presidente ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Relatora CLÁUDIA R r r l• ' USMÃO*. Procuradora da Fazenda Nacional VISTA EM 1 MAR 1996 • - Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : UBALDO CAMPELLO NETO, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO e LUÍS ANTONIO FLORA. MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 116.914 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 RECORRENTE : ICOTRON S/A IND. DE COMP. ELETRÔNICOS RECORRIDA : IRF - PORTO ALEGRE/RS RELATOR(A) : ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO RELATÓRIO Icotron S/A Indústria de Componentes Eletrônicos submeteu a despacho, através da DI n° 002791, de 19/11/92, 08 (oito) máquinas automáticas para fabricação de condensadores elétricos, solicitando o desembaraço das mercadorias com isenção do IPI, com base na Lei 8191/91 artigo 1 0 , parágrafo 2° e no Decreto 151/91. A Guia de Importação n° 1980-92/005695-5 (Aditivos de n° 002337-2 e 002338-0) que autorizou a operação, especificou que a mercadoria, no caso, era usada. Em procedimento de revisão aduaneira, o auditor fiscal designado verificou que o IPI vinculado à importação não havia sido recolhido nos termos do RIPI, uma vez que a Lei 8191/91 apenas instituiu isenção do IPI aos equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, ...importados ou de fabricação nacional... Para o Imposto de Importação, a aliquota aplicada foi de 0%, concedida por EX da Portaria 1101/91, uma vez que as máquinas em questão estavam enquadradas no mesmo, conforme laudo técnico às fls. 44 - verso. Face ao não recolhimento do IPI quando do desembaraço aduaneiro, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01, para exigir da importadora o recolhimento do crédito tributário referente ao citado imposto, e multa prevista no art. 364, inc. I, do RIPI (50% do imposto devido até 90 dias do desembaraço) ou inciso 11 (100%, após 90 dias do desembaraço), sendo a correção monetária do tributo e da multa pela Lei 8383/91, art. 53, e os juros de mora pela mesma Lei 8383/91, art. 54. Regularmente intimada, a autuada apresentou impugnação tempestiva ao feito fiscal, argumentando que: 1) Mediante o Mandado de Segurança n° 92.0017452-2, a importadora postulou fosse-lhe reconhecido o direito líquido e certo de desembaraçar os equipamentos usados de que se trata, sem a incidência do IPI, por serem máquinas • recondicionadas pela exportadora, mediante encomenda da impugnante, que não comercia com tal tipo de produto. MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 116.914 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 2) Cumprindo a referida ordem judicial, antecedida do competente depósito judicial, os bens em questão foram devidamente desembaraçados. 3) Contudo, apesar de a questão estar "sub judice" e o valor em litígio depositado, para os efeitos do art. 151, inc. II, do CTN, foi lavrado o Auto de Infração ora impugnado. 4) Preliminarmente, é de ser rejeitado o lançamento de ofício, uma vez que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, em virtude do depósito do seu montante integral. (art. 151, II, CTN). 5) Enquanto não for julgado o mandado de segurança impetrado, nenhum lançamento pode ser formalizado contra a importadora, sendo que, caso seja negado o direito da impugnante, o crédito tributário depositado em juízo tem o seu montante convertido em renda da União. Dispensável, pois, a figura do lançamento de ofício. 6) No mérito, o imposto objeto do Auto de Infração (IPI) descabe por completo, uma vez que, no caso, está ausente o elemento material que compõe o fato gerador deste tributo, representado pela industrialização, que só existe quando o produto sai da fábrica, novo. Em se tratando de produto usado, que passou por um processo de recondicionamento, feito pelo fabricante, sob encomenda do importador, que não comercia com este tipo de produto, não há incidência do IPI (art. 4 0 , inc. XI, Decreto n° 87.981, de 23/12/82). 7) No caso em lide, não se trata de isenção do IPI, mas simplesmente de não incidência desse imposto. 8) Tanto é verdade que a Lei 8191 / 91, ao conceder isenção do IPI para os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, deixou propositalmente de se referir ao material usado, justamente porque não é tributado. 9) No entanto, como mero argumento, mesmo que o lançamento de ofício fosse cabível, a penalidade imposta é absolutamente ineficaz, face ao depósito judicial efetuado pela impugnante e à exigibilidade do crédito tributário estar suspensa, por força do mandado de segurança impetrado. 10) Finaliza requerendo que seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração lavrado. Na contestação fiscal (fls. 56/59), o autor do feito argumentou que: 1) O Auto de Infração foi lavrado visando a garantia do crédito tributário para a Receita Federal e dar início ao Processo Administrativo Fiscal, ‘se- MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 116.914 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 conforme Decreto 70235/72, art. 7 0 , inciso I e Lei 5.172/66 (CTN), arts. 142 e parágrafo único, 147, 146, inc. V e 150, visto que não havia sido feita a exigibilidade do IPI. 2) Deve ser ressaltada a contradição entre o depósito em juízo, feito pelo impugnante, alegando a não incidência do imposto na compra de máquinas usadas, e a declaração de importação, onde solicita a isenção do IPI com base na Lei 8191/91, que é específica para máquinas e equipamentos novos, alegando que as máquinas usadas são isentas por extensão do conceito da Lei. 3) A alegação de que o IPI não incide sobre o produto industrializado usado, vindo de país estrangeiro, sem ter pertencido à empresa importadora, nem ter sido tributado anteriormente, por carecer de industrialização, é improcedente, pois a máquina é um produto industrializado no exterior e, ao ingressar no país, para fazer parte do ativo permanente da importadora, estará completamente caracterizado o elemento temporal (desembaraço) e o elemento material (produto industrializado no país estrangeiro) para a incidência do imposto (art. 1° do RIPI). 4) O art. 4 0 , inc. XI do RIPI (e a Lei n° 4502, art. 3 0 , parágrafo único) , trata apenas da recuperação de produtos usados, portanto já tributados quando da aquisição original, seja pela própria empresa, seja por empresas restauradoras para não comerciantes do produto, descaracterizando esta recuperação como operação de industrialização, evitando a dupla incidência do imposto. 5) Cumpre esclarecer que, conforme disposto no art. 3°, inc, V, do RIPI (e Lei 5402/64, art. 3 0 , parág. único e Lei 5172/66, art. 46, parág. único), a operação de recondicionamento ou renovação caracteriza industrialização. 6) No processo "sub judice", as máquinas não pertenciam à empresa e foram importadas, estando perfeitamente caracterizados o fato temporal (desembaraço) e o elemento material (ser produto industrializado) para a incidência do IPI, como já foi dito. A operação de recondicionamento ou renovação que se processou é, simplesmente, mais uma operação de industrialização no exterior. 7) A extensão da isenção criada pela Lei 8191/91 para máquinas e instrumentos novos, não pode ser acolhida, face ao disposto nos arts. 176, 175 e 111, inc. II, do CTN, que expressam claramente que a outorga de isenção deve ser expressa literalmente, definidas as condições e requisitos para a mesma, na legislação. 8) Quanto à aplicação da sanção prevista no art. 364, do RIPI, ela é cabível, pois houve declaração incorreta por parte do contribuinte (ao atribuir ao imposto a condição de isento, alegando a Lei 8191/91, art. 1°, parágrafo 2°) e a falta MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 116.914 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 de recolhimento do imposto (uma vez que o depósito em juízo foi feito objetivando o desembaraço da mercadoria). 9) Opina pela manutenção integral do Auto de Infração. Às fls. 60/64, foi acostada aos Autos a "sentença" referente ao Mandado de Segurança impetrado pela importadora, segundo a qual improcede o pedido da impetrante, sendo denegada a segurança requerida. Em decisão às fls. 65/66, a autoridade monocrática julgou a impugnação parcialmente procedente, considerando ter sido o lançamento válido e eficaz, pois não contraria a eficácia da medida judicial eis que visa apenas a constituição de crédito tributário em favor da Fazenda Pública, evitando os efeitos da decadência. Quanto ao mérito da exigência do imposto, não tomou conhecimento de impugnação nessa parte, vez que a matéria é objeto de Mandado de Segurança, implicando tal fato no afastamento da discussão administrativa. Por ter sido depositado em juízo, por autorização no próprio Mandado de Segurança, antes do desembaraço da mercadorias, o valor integral do imposto indicado na DI, julgou inaplicável a multa prevista no art., 364, inciso I ou II do RIPI. Cientificada da Decisão proferida, a autuada , interpôs, tempestivamente, recurso a este Conselho de Contribuintes, expondo que: 1) A exigência dos juros moratórios, mantida pela autoridade de primeira instância, deva ser reformada, pelas mesmas razões adotadas para excluir a multa prevista no art. 364, incisos I ou II, do RIPI. 2) A recorrente impetrou mandado de segurança em caráter preventivo e obteve liminar antes da formalização do lançamento de ofício, devendo, assim, ser aplicado o disposto no art. 151 do CTN; 3) por outro lado, o mesmo CTN prevê a cobrança de juros moratórios apenas nos casos de denúncia espontânea, onde o contribuinte cometeu a falta e deixou de cumprir a obrigação, no devido tempo, incorrendo em mora. 4) Por analogia, a ação do mandado de segurança preventivo é equiparada ao instituto de consulta, o qual exclui o acréscimo de juros moratórios e penalidades cabíveis, conforme art. 161, § 1°, do CTN. MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 116.914 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 5) Finaliza requerendo o provimento do recurso apresentado. É o relatório. MINSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 116.914 ACÓRDÃO N° : 302-33.026 VOTO O litígio de que se trata foi levado à esfera judicial, através de mandado de segurança impetrado pela importadora. Por tal, não deve ser conhecido na esfera administrativa, além do que a própria autoridade de primeira instância não tomou conhecimento da parte referente ao mérito, constante da peça impugnatória. Juros de mora, no caso, também estão abrangidos na discussão do mérito, embora sejam, apenas, sanção administrativa, não representando penalidade tributária, no meu entender. Sala das Sessões, em 23 de Maio de 1995. ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO -RELATORA • 7
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Numero do processo: 11020.720139/2009-06
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-006.977
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade dos créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso neste ponto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto aos créditos das despesas com manutenção dos bens do ativo imobilizado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade dos créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso neste ponto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto aos créditos das despesas com manutenção dos bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-17T11:49:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-17T11:49:44Z; Last-Modified: 2019-10-17T11:49:44Z; dcterms:modified: 2019-10-17T11:49:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-17T11:49:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-17T11:49:44Z; meta:save-date: 2019-10-17T11:49:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-17T11:49:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-17T11:49:44Z; created: 2019-10-17T11:49:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-10-17T11:49:44Z; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-17T11:49:44Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11020.720139/2009-06 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.977 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2019 Recorrente EXCLUSIVO AGRO-FLORESTAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 CONCEITO DE INSUMOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. NOTA TÉCNICA PGFN Nº 63/2018. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos recursos representativos de controvérsias, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, “constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” INSUMO. ÓLEO DIESEL. TRATORES. POMARES. Uma vez que a empresa se dedica à atividade agroindustrial de produção de maças, as despesas com óleo diesel utilizado em tratores devem ser admitidos como insumos, vez que essenciais para a sua produção. PIS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 39 /2 00 9- 06 Fl. 189DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade dos créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso neste ponto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto aos créditos das despesas com manutenção dos bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata-se de Pedido de Compensação de crédito da contribuição destinada ao PIS. Conforme identificado no Relatório de Verificação Fiscal e planilhas com a relação de créditos glosados, os valores pleiteados foram parcialmente reconhecidos pela fiscalização, com a homologação parcial da compensação. As irregularidades fiscais identificadas pela fiscalização se referem à “Apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis, despesas diversas e bens sujeitos à alíquota zero”. Assim, as glosas dos créditos podem ser segregadas em dois grupos: a) créditos de insumos que não são utilizados diretamente na produção: óleo diesel utilizado em tratores que são igualmente utilizados em “plantas frutíferas (pomares) não produtivas, por se tratar de cultura em formação”; e b) créditos aproveitados como relacionados a insumos que, na verdade, referem-se às despesas relacionados aos bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica (tratores e implementos). Fl. 190DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando que os créditos foram tomados sobre despesas incorridas na produção, enquadrando-se no conceito de insumo. A defesa foi julgada improcedente pelo acórdão da DRJ. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a validade dos créditos de insumos sobre despesas com óleo diesel utilizado em tratores e implementos agrícolas; (ii) direito ao crédito sobre bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado e despesas diversas). Invoca a discussão quanto aos créditos de insumos de PIS e COFINS, indicando que a empresa planta, produz e comercializa maças, sendo que os gastos, custos de produção desses bens geram direito ao crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3402-006.976, de 25 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.720138/2009-53. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.976): “Atentando-se para a peça recursal da empresa, observa-se que a empresa se atém a discussão quanto ao conceito de insumo, aduzindo que a fiscalização adotou um conceito mais restritivo, baseado no IPI, enquanto a empresa entende que os bens foram utilizados em sua produção, sendo cabível o creditamento. Contudo, se olvida a Recorrente que há, nos autos, dois pontos distintos trazidos pela fiscalização para a glosa dos créditos, que cabem ser analisados de forma segregada: um relacionado ao conceito de insumo e outro relacionado aos bens do ativo imobilizado. Senão vejamos. I – DO CONCEITO DE INSUMO: ÓLEO DIESEL EMPREGADO EM TRATORES Um primeiro ponto se relaciona, tão somente, com o conceito de insumo, vez que a fiscalização entendeu que a fase pré agrícola na produção de maças (plantas frutíferas - pomares) não integrariam a produção. Com isso, as despesas com óleo diesel para abastecimento dos tratores, por terem sido igualmente utilizados nessa fase pré produção e não sendo suscetível de separar das despesas incorridas com as fases Fl. 191DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 admitidas como produtivas pela fiscalização (colheita, por exemplo), não dariam direito ao crédito por não terem sido integralmente utilizadas na produção. Vejamos, novamente, o teor no relato fiscal: Da análise da memória de cálculo do contribuinte, constata-se que a maioria dos itens incluídos pelo contribuinte refere-se a óleo diesel utilizado em tratores, bem como manutenção de tratores e implementos agrícolas. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, próprios e de terceiros, quanto em pomares ainda não produtivos, bem como na manutenção das propriedades de terceiros. Mesmo utilizando parte dos tratores da empresa e de terceiros e, consequentemente, óleo diesel, em pomares não produtivos, bem como em áreas rurais de terceiros, o contribuinte não imobiliza nenhum valor referente a estas operações. Cabe lembrar que plantas frutíferas (pomares) não produtivas, por se tratar de cultura em formação, devem ter todos os seus custos e despesas imobilizadas em conta do ativo imobilizado até a sua primeira produção. Assim, quanto às despesas com óleo diesel para os tratores, utilizado na produção e em razão de contratos de arredamento firmados com terceiros, cabe avaliar o seu enquadramento no conceito de insumo, à luz do art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003. Com efeito, as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo - vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa - vigência a partir de 01/02/2004). No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, adotava a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço, em uma aproximação intermediária que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. 12 1 A título de exemplo, vejam-se manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendendo pela corrente intermediária que já prevalecia neste Conselho antes do julgamento do processo pelo Superior Tribunal de Justiça, exigindo a necessidade de relação com a atividade desenvolvida pela empresa e a relação com as receitas tributadas: "Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. (...)" (Número do Processo 10983.721444/2011-81 Data da Sessão 12/12/2017 Relator Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303-006.108 - grifei) 2 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403-002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) Fl. 192DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 Cumpre mencionar que uma corrente de interpretação intermediária do aproveitamento do crédito, admitindo que a legislação identificou apenas um rol exemplificativo de créditos de insumos, foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos do Recurso Especial nº 1.221.170, entendendo que o "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte" (grifei). Referido julgado foi ementado nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (STJ, REsp 1221170/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 - grifei) Passa-se, por conseguinte, a ser necessário avaliar os critérios da essencialidade ou relevância do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018 em análise deste julgado, dispensando os procuradores de recorrerem quanto a esta tese. Naquela Nota, foram identificados o que são esses critérios em conformidade com o voto da Ministra Regina Helena Costa: (...) os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo Fl. 193DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” (grifei) À luz deste conceito, considerando que a Recorrente se dedica à atividade agroindustrial de produção de maças, as despesas com óleo diesel utilizado em tratores devem ser admitidos como insumos da Recorrente, vez que essencial para a sua produção. À época da fiscalização, a empresa procedeu com a descrição de seu processo produtivo nos seguintes termos: Processo Produtivo da Empresa 1 - Roçadas entre as filas de plantas de macieiras com tratores e roçadeiras; 2 - Poda de parte dos galhos das macieiras feito manualmente com tesouras e serrotes e os galhos retirados do pomar com tratores e implementos agrícolas; 3 - Arranquio de árvores velhas, doentes ou defeituosas, com tratores e implementos agrícolas, movimentação de solo, gradeação, preparo c adubação com tratores c implementos agrícolas e plantio de mudas novas, tutoradas com palanques e arames, feitos com tratores c implementos agrícolas; 4 — Tratamento fitossanitário quinzenais das árvores, com tratores c pulverizadores; 5 - Raleio das frutas que ficam em excesso parte com produtos pulverizadas com tratores, e parte manualmente com tesouras; 6 - Colheita : A fruta é colhida a mão, posta cm sacolas, para caregá-las até os bins, que são carregados do meio do pomar por tratores com implementos e transportados até o local onde serão colocados em cima dos caminhões por tratores com empilhadeiras, para serem transportados até as câmaras frias. 7 - Caiação manual de frutas industriais que ficaram no chão, roçada e limpeza do solo com trator e implementos. 8 - Eventualmente também era comercializada maçã embalada cm caixas de papelão com bandejas. (e-fl. 29 – grifei) Observa-se que os tratores são utilizados em distintos momentos da produção da empresa, sendo cabível o creditamento sobre o óleo diesel utilizado nesses equipamentos. Aqui importante salientar que a fiscalização em qualquer momento coloca em cheque que o óleo diesel não seria utilizado nos tratores, apenas afirmando que não seria cabível o crédito em razão dos tratores serem utilizados “em pomares ainda não produtivos, bem como na manutenção das propriedades de terceiros.” Contudo, a própria fiscalização evidenciou que os pomares não produtivos a que faz referência fazem parte do processo produtivo das maças. Com efeito, afirma a fiscalização que esses pomares se referem à cultura em formação. Ora, é intuitivo que as mudas desenvolvidas em cultura de formação são essenciais para a própria plantação da árvore de maça. Da mesma forma, a fiscalização evidencia que a empresa possuía contratos de parceria com outras pessoas que autorizavam a utilização dos tratores na manutenção das propriedades de terceiros. Como relatado pela própria fiscalização Fl. 194DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 Em relação aos contratos de parceria agrícola apresentados, é mencionado expressamente que é de responsabilidade da empresa a manutenção das máquinas e equipamentos necessários para o desenvolvimento das atividades, bem como plantio de novas mudas anualmente com fins de reposição, sendo que tudo deve ser "devolvido" ao parceiro nas mesmas condições ao final do contrato. (e-fl. 78) Assim, não constam dos autos quaisquer elementos trazidos pela fiscalização que possam evidenciar que a empresa não utilizaria os tratores em sua produção ou para o exercício de sua atividade de produção de maças, ainda que por meio de contratos de parceria agrícola com terceiros. Com isso, o óleo diesel utilizado nesses tratores deve, sim, ser admitido como insumo. Nesse sentido, voto no sentido de admitir o crédito de PIS sobre o óleo diesel utilizado nos tratores. II – DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS COM MANUTENÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Outra discussão distinta da anterior se refere às despesas para manutenção de bens do ativo imobilizado da empresa que, ao contrário do que pretende a Recorrente, não se encerra com a discussão quanto ao conceito de insumo. Com efeito, desde o início nestes autos, a fiscalização identifica que as despesas com manutenção dos tratores que foram glosadas (recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos e cabeçotes - reforma de motores - , câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus), deveriam ser consideradas como créditos relacionados a depreciação de ativos imobilizados, na forma do art. 3º, VI, Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, e não como crédito de insumos como pretendido pela empresa (art. 3º, II, Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003). Ora, nos termos do inciso VI, dos artigos 3º, das Leis n.º 10.637/2002 e nº 10.833/2003, somente geram direito ao crédito do PIS e da COFINS os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Nesta hipótese, o crédito é calculado sobre os encargos de depreciação, nos termos do §1º, III dos dispositivos mencionados. Nos exatos termos dos diplomas legais, na redação vigente à época dos fatos geradores autuados: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (grifei) Assim, a empresa indevidamente tomou os créditos relacionados às partes e peças de manutenção de bens do ativo imobilizado (tratores) como se tratassem de insumos, quando o correto seria, apenas, tomar o crédito dessas despesas como encargos de depreciação dos bens. Inclusive, a solução de consulta n.º 286/2008 mencionada pela própria Recorrente em sede de fiscalização, e a solução de consulta n.º 480/2009, indicada no Recurso Voluntário, evidenciam que somente são admitidos como créditos de insumos aquelas despesas com manutenções realizadas em bens com vida útil inferior a 1 (um) ano, leia- Fl. 195DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 se, que não se enquadrem como bens do ativo imobilizado. Vejamos o teor das consultas: PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A partir de 1º de dezembro de 2002, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep os valores referentes à aquisição de partes e peças de reposição para máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que tais partes e peças sofram alterações (desgaste, dano, perda de propriedades físicas ou químicas) decorrentes de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e caso as referidas partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado, sejam pagas a pessoa jurídica domiciliada no País e sejam respeitados os demais requisitos legais e normativos pertinentes. Respeitados tais requisitos, a partir daquela data também os serviços de manutenção em máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagos a pessoa jurídica domiciliada no país, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep, desde que dos dispêndios com tais serviços não resulte aumento de vida útil superior a um ano. Caso resulte aumento de vida útil superior a um ano de dispêndios com partes e peças de reposição para máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda ou com serviços de manutenção dessas máquinas e desses equipamentos, devem tais dispêndios ser capitalizados para servirem de base a depreciações futuras, deles não decorrendo geração de direito a créditos a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep. A partir de 1º de maio de 2004, por conseqüência das disposições da Lei nº 10.865, de 2004, os bens e serviços importados utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda também podem gerar créditos, atendidos todos os requisitos legais e regulamentares. (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 286 de 25 de Agosto de 2008 - grifei) EMENTA: NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, são consideradas insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie. Igualmente, também se consideram insumos, para os mesmos fins, os serviços de manutenção nos mencionados máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda, que não acrescentem vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie. (Solução de Consulta n.º 480 de 18 de Dezembro de 2009) E, nos presentes autos, a empresa em qualquer momento contesta que os tratores seriam integrantes do ativo imobilizado, não trazendo qualquer elemento modificativo efetivo para a concessão do crédito quanto a esses itens. De fato, a própria Recorrente, em fase de fiscalização, identificou às e-fls. 32/33 uma série de tratores que integravam seu ativo mobilizado e já tinham, inclusive, sido objeto de depreciação. Acresce-se que, como indicado pela fiscalização no relatório de verificação fiscal, uma vez que não foi possível segregar na contabilidade os valores correspondentes à depreciação, a fiscalização não possuía documentos e informações suficientes para conceder o crédito com fulcro no art. 3º, VI das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. E em sua defesa a Recorrente nada acrescenta em relação às despesas referentes à manutenção dos bens imobilizados. Aqui importante frisar que essa distinção em relação à discussão de insumo (aplicável às despesas com óleo diesel, vista no tópico anterior) em relação aos bens do ativo imobilizado foi delineada na r. decisão recorrida, que assim se manifestou: Fl. 196DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 b) Conforme bem detalhada a motivação das glosas de despesas com tratores, foi pelo fato que dentre as diversas utilizações com referidas máquinas, muitas delas não poderiam ser aproveitadas no crédito da contribuição, por serem despesas a serem ativadas no permanente da empresa até que os pomares próprios e de terceiros passem a produzir, enquanto que, não existe qualquer contabilização no permanente, segundo a autoridade fiscal, e, ainda, o fato de que não há qualquer segregação da utilização dos tratores e máquinas agrícolas em áreas próprias, de terceiros em arrendamento e de terceiros, e de áreas em formação, o que impede a possibilidade de aceitação de parte dessas despesas que poderiam estar sendo aplicadas em áreas em produção. Quanto às empilhadeiras, a que se refere a impugnante, embora pelas características somente pudessem ser utilizadas no processo produtivo não identificou quais seriam, com documentos para tanto; c) A afirmação de que todos os gastos com diesel, manutenção de máquinas e equipamentos são necessários à produção do produto não leva em conta que para efeito de utilização dos créditos oriundos desses gastos devem estar perfeitamente enquadrados no inciso II do artigo 3º da lei 10.833/2003, ou seja, bens e serviços utilizados como insumo na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda, o que não inclui bens que deveriam ser ativados no permanente, nem despesas ou custos de implantação de pomares que ainda não estejam em produção nem atividades em áreas de terceiros; (e-fls. 164/165) Ora, essencial novamente 3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. O contribuinte traz considerações gerais quanto ao conceito de insumo, sem demonstrar que eventualmente os bens ou serviços não teriam sido ativados ou afastados das despesas de depreciação (Parecer n.º 5/2018). Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não reconhecer o crédito pleiteado, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 4 . Nesse sentido, face a ausência de qualquer elemento modificativo concreto da conclusão alcançada pela fiscalização quanto aos créditos relacionados à manutenção de bens do ativo imobilizado (tratores), cabe ser negado provimento ao Recurso neste ponto. III - DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402-004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III- os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 197DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.977 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720139/2009-06 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.000909/2003-40
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
NULIDADE DO LANÇAMENTO — PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. O crédito tributário relativo a imposto cujo fato gerador seja a
propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, sub-roga-se na pessoa do adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
GLOSA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. SÚMULA CARF n° 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido
pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. A criação do Zoneamento Socioeconômico-Ecológico do Estado de Rondônia
não induz, por si só, ao conceito de área de interesse ecológico prevista no art, 10, §1°., II, "b", da Lei nªº 9.393/96, havendo que se perquirir, em cada caso, se efetivamente foi imposta ao contribuinte, por meio de ato específico da autoridade competente, uma restrição de uso que amplie aquelas previstas
para as áreas de preservação permanente e de reserva legal,
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí la da base de cálculo para apuração do ITR em relação a fatos geradores subseqüentes ao registro público.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.411
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva, e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 4,000 ha, nos termos do voto do Relator, Vencido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que dava provimento integral ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, SÚMULA CARI n° 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO, A criação do Zoneamento Socioeconômico-Ecológico do Estado de Rondônia não induz, por si só, ao conceito de área de interesse ecológico prevista no art, 10, §1°., II, "b", da Lei a" 9.393/96, havendo que se perquirir, em cada caso, se efetivamente foi imposta ao contribuinte, por meio de ato específico da autoridade competente, uma restrição de uso que amplie aquelas previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO„ A averbação no registro de imóveis é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí- la da base de cálculo para apuração do ITR em relação a fatos geradores subseqüentes ao registro público. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. JOSÉ RAI~D6tOSTA SANTOS - Relator ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva, e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 4,000 ha, nos termos do voto do Relator„ Vencido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que davar)mento integral ao recurso, CAIO MARCOS C4DIDO, Presidente 2 4 SE1 3)1 FORMALIZADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Silva e Gonçalo Bonet Allage, Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 11-17,591, proferido pela l" Turma da DRJ Recife (fls. 63/79), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração às fls. 01/06. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls 01/06, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, data do fato gerador 01/01/1999, relativo ao imóvel denominado "Seringal Belo Horizonte", localizado no município de Ariquemes - RO, com área total de 8.900,0 ha, cadastrado na SRF sob o n{) 5 663 087-5, no valor de R$ 45 272,08 (quarenta e cinco mil, duzentos e setenta e dois reais e oito centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29/08/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$ 110 033,79 (cento e dez mil, trinta e três reais e setenta e nove centavos), 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DURA 999 a fiscalização apurou a seguinte infração, conforme Termo de Constatação e Verificação de fis, 07/08: - falta de recolhimento do 1TR, em virtude de glosa integral dos valores declarados a título de área de preservação permanente e área de utilização limitada e alteração do valor das benfeitorias para R$ 20 000,00 3 Ciência do lançamento em 18/09/2003, conforme AR de fls. 12 2 Processo n 10240.000909/2003-40 S2 -C1TI Acórdão o ° 2101-00,411 Fl 2 4. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou, em 17/10/2003, a impugnação de fls. 37/50, acompanhada dos documentos de fls. 51/61, alegando, em síntese: 1 — que o imóvel está encravado em área de interesse ecológico, conforme certidão emitida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Rondônia (Sedam) e apresentada à fiscalização, onde consta que o imóvel está dentro da Zona 4 do zoneamento sócio-econômico e ecológico do Estado de Rondônia; II — que todos os imóveis localizados dentro da citada Zona 4 estão obrigados a manter as suas áreas preservadas, por força da Lei Complementar Estadual n° 52/91, que limita as atividades do proprietário às atividades que não alterem as condições naturais da floresta; — que a certidão expedida pela Sedam atesta que 47,71% do imóvel está encravado em zona de interesse ecológico, onde as atividades agrícolas ficam proibidas, por força da Lei Complementar Estadual n° 52/91; IV — que as áreas de interesse ecológico declaradas por ato do Poder Público são isentas do ITR, de tal sorte que 47,71% do imóvel está isento do imposto; V — que a citada Lei Complementar não é uma lei de caráter geral, pois ela delimitou e individualizou as áreas de interesse ecológico, as quais foram mapeadas, tendo sido proibida a derrubada da floresta para a implantação de projetos agrícolas e pecuários; VI — que o imóvel está coberto por floresta natural, em pelo menos 98%, estando a área florestal do imóvel integralmente preservada; VII — que não é razoável que o auditor-fiscal, sem justificativa plausível, venha a desconsiderar o valor declarado a título de benfeitorias, pois o imóvel possui casa, curral, 40 Km de cercas, dois açudes e 310,0 ha de pasto, sendo incabível se considerar apenas o valor de RS 20.000,00; VIII — que a obrigação de averbar a reserva legal e de apresentar o ADA, além de outras informações cadastrais constantes da Lei n° 9..393/1996, caracterizam-se corno obrigação tributária acessória; IX — que a citada lei não indica penalidade para o contribuinte que não procedeu à averbação da área de reserva legal ou que deixou de apresentar o ADA; X — que o Código Florestal estabelece que deve ser averbaria 50% da área do imóvel para fins de preservação de florestas, a Medida Provisória n° 2A66-67/2001 alterou o percentual para 80% e o Decreto n° 4.297/2002 estabelece que deverá ser obedecido o zoneamento sócio-econômico e ecológico de cada Estado; XI — que, diante da divergência legislativa apontada, o contribuinte fica prejudicado, sem saber como regularizar a área de reserva legal, dúvida também existente nos Cartórios de Registro de Imóveis; XII — que se a lei não determina a tributação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, o Fisco não pode tributá-las; XIII — que a Medida Provisória n° 2,166-67/2001 acrescentou o § 7 0 ao art. 10 da Lei n" 9.393/1996, dispensando o contribuinte de comprovar previamente a averbação da área de reserva legal; 3 XIV — que comprova a existência da área de reserva legal pelo mapa produzido por imagem de satélite, em anexo; XV — que os órgãos públicos não informaram aos contribuintes acerca da obrigatoriedade de apresentação do ADA; XVI — que a jurisprudência entende que não pode ser exigido imposto se houver descumprimento de obrigação acessória, citando decisões judiciais; XVII — que o lançamento do UR, incluindo as áreas de reserva legal e de preservação permanente, fere princípios constitucionais; XVIII — que instruções normativas, portarias e outras normas da Administração não têm o condão de obrigar o terceiro, servindo apenas para organizar internamente a Administração; XIX — que não pode ser lançado imposto sobre reservas florestais criadas pelos Estados, citando o art 150 da Carta Magna; XX — que a aliquota de 20% caracteriza verdadeiro confisco da propriedade privada, contrariando o disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal, além de ferir o princípio do direito de propriedade; XXI — que a DITR/99 foi apresentada pela proprietária anterior, tendo tornado o cuidado de, quando da aquisição do imóvel, obter certidão negativa expedida pela SRF no sentido de que não existiam débitos fiscais sobre o imóvel, razão pela qual não pode assumir débitos do UR anteriores à sua aquisição, os quais devem ser exigidos da proprietária anterior; XXII — que junta decisão prolatada pela DM/Manaus, que concedeu isenção a imóvel localizado em zona de interesse ecológico por lei estadual. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibanta ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador, GLOSA PARCIAL DO VALOR RELATIVO A BENFEITORIAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL, 4 Processo n° 10240.000909/2003-40 S2-C1T1 Acórdão n 2101-00.411 Fl. 3 Deve ser mantida a glosa a título de valor de benfeitorias, quando o contribuinte, inobstante intimado, não apresenta nenhuma comprovação documental que ateste o valor informado na DITR, mormente quando este é substancialmente superior ao valor informado na D1TR do exercício anterior. SUJEITO PASSIVO DO 1TR São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural o proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei, sendo .facultado ao Fisco exigir o tributo, sem beneficio de ordem, de qualquer um deles, nos termos do art 31 do CTN Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 ISENÇÃO.. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR., Não se encontra abrangida pela competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da inconstitucionalidade de atos legais ou da ilegalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que neste juízo eles se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. DECISÕES JUDICIAIS, EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões .judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr: Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiadas não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Lançamento Procedente 5 A peça recursal de fls. 83/97 repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, O julgamento fbi convertido em diligência, nos tennos da Resolução de Ir 302-1.473 Após as providências adotadas, vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3 0, III. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela recorrente. Diferentemente do que aduz o recorrente a DITR do exercício de 1999 foi apresentada pela empresa Leme Empreendimentos e Participações Ltda, CGC n° 48.107.171/0001-40, conforme Declaração Original às fls. 13/14, apresentada em 28/03/2001. Nenhuma dúvida resta, portanto, que a informação constante da Escritura Pública de Compra e Venda (fl. 30), lavrada em 27/03/2000, de que foram exibidas as Certidões de Regularidade Fiscal não abrange o período em exame, pois como se justificaria a emissão das certidões de regularidade fiscal se havia pendência de entrega da DITR do exercício de 1999, somente regularizada pela adquirente no ano de 2001, Por outro lado, a já mencionada Escritura Pública de Compra e Venda (fl. 30) informa que a Outorgada Compradora dispensou a apresentação das Certidões exigidas pela Lei n° 7.433, de 18/12/1985, que trata exatamente das certidões fiscais, dentre outras. Enfim, pela análise dos elementos de prova nos autos, firmo convencimento de que a autuada deve figurar no pólo passivo da obrigação tributária em exame. A legislação do ITR possibilita ao proprietário de imóvel rural excluir da área tributável do imóvel a área de preservação permanente, exigindo apenas que a indique em Ato Declaratório Ambiental — ADA, que deve ser apresentado ao IBAMA no prazo de seis meses, contados a partir do prazo final para apresentação da DITR. Sobre a exigência do ADA, a jurisprudência pacífica da 2 n Turma da CSRF deste CARF firmou-se no sentido de que somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, para exclusão da área tributável do ITR, tornou-se imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal (Acórdãos IN 9202-00.006 e 9202- 00.194, sessão de 17/08/2009 e 18/08/2009, respectivamente). Neste sentido, para espancar qualquer dúvida sobre a matéria, foi editada a Súmula CARF n" 41: A não apresentação do Ato Declarató rio Antbiental (ADA) emitido pelo MAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o 6 Processo o' 10240.000909/200340 S2-C1T1 Acórdão a 2101-00.411 Fl. 4 lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Em conclusão: a área de preservação permanente de 4,000,00 hectares, informada pela autuada na D1TR do exercício de 1999, deve ser excluída da apuração do UR. No que tange à área de interesse ecológico de 4,000,00 hectares, informada pela contribuinte em sua Declaração do 1TR do exercício de 1999 como área de utilização limitada, foi incluída pela fiscalização para tributação, tendo em vista que esta não apresentou qualquer ato específico do órgão ambiental competente, conforme determina o artigo 10 da Lei n° 9_393, de 1996, que reconheça à referida área a condição de interesse ecológico. Confira-se: Art.. 10„ A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior, § I' Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: [ - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4..771, de 1.5 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. (grifas na transcrição). Neste sentido, estabelece o artigo 10 do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, para que possa se beneficiar da exclusão da base de cálculo do ITR, o sujeito passivo deve apresentar ato emitido por órgão competente, federal ou estadual, como a seguir transcrito: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I - de preservação permanente (Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, mis. 2" e 3', com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1"); - de reserva legal (Lei n" 4 771, de 1965, art 16, com a redação dada pela Medida Provisória n" 2.166-67, de 24 de agosto de .2001, ar!. 19; III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n" 9,985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n" 1 922, de 5 de/anho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei a' 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001), V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos 7 incisos I e II do caput deste arde° (Lei n" 9.393, de 1996, art. 10, k' 1", inciso II, alínea "b" VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n" 9.393, de 1996, art. I0„§ 1", inciso II, alínea "c") ) § 2"A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, (grifas da transcrição) Neste sentido, verifica-se que o Oficio n° 1.129/GAB/SEDAM (fl. 135) indica que até 05/06/2000 60,22 % do imóvel estava liberada para exploração agropecuária, que corresponde a 5,359,58 hectares, respeitada a reserva legal e demais áreas de proteção. Referido Oficio é silente a respeito da existências destas áreas e em que as áreas de interesse ecológico ampliaram as restrições de uso previstas no artigo 10, § I', inciso II, alínea " b", da Lei 9,393/1996, não sendo possível determinar as áreas de preservação permanente e reserva legal que estariam dentro das Zonas 4 e 5, que nos termos da Lei Complementar de n° 52/91, do Estado de Rondônia, são declaradas de interesse ecológico. Tal demonstração seria de fundamental importância, uma vez que a título de preservação permanente a contribuinte pleiteou e obteve a exclusão de 4.000,00 hectares, restando 4,900,00 hectares de área aproveitável, inferior, portanto, aos 5,359,58 hectares liberadas para exploração agropecuária, consignados no referido Oficio. À mingua de outros elementos de prova capazes de especificar a natureza das restrições ambientais das áreas que compõem o imóvel rural denominado Seringal Belo Horizonte, de modo a evitar superposição de áreas e permitir a correta apuração da matéria tributável, penso que nenhuma alteração deve ser efetuada na glosa efetuada pela fiscalização relativa à área de utilização limitada. Segundo dispõe o § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 2,166-67, de 24/08/01 (DOU de 25/08/01), "a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e 'cr, do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte da declarante". Ao dispensar a prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de gozo da isenção, o dispositivo não inovou, o que é próprio do lançamento por homologação, conforme disposto no caput do artigo. Quando necessário, a comprovação das condições para fruição de beneficio fiscal será feita posteriormente, mediante intimação da fiscalização. Como todos os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as informações prestadas na DITR estarão sujeitas à verificação. O que podemos entender da leitura desse parágrafo é que está dispensada a apresentação dos documentos comprobatórios simultaneamente com a Declaração do ITR, porém, não está o contribuinte dispensado de comprovar, quando assim solicitado pelo Fisco, o que foi declarado. E, se as informações forem inexatas, ficará ele sujeito ao pagamento do imposto suplementar, com os devidos acréscimos legais. Sobre a reserva legal, também não se comprovou nos autos a sua existência. Somente o montante desta área averbada no cartório imobiliário, antes da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da tributação, nos termos do artigo 144 do CTN. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada corno área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis: 8 Processo n° 10240.000909/2003-40 S2-CIT1 Acórdão n 2101-90.411 Fl. 5 EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária, Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (GRIFEI) Mandado de segurança indeferido, O Ministro Sepúlveda Pertence, proferiu voto vista no julgado acima referido, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal. Do voto transcrevo o seguinte excerto: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade („) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como unia parte determinada do imóvel, Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não .foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria ,frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2 0 do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Após intenso debate a esse respeito, a 2" Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, firmou o entendimento de que a averbação da reserva legal no registro imobiliário antes da ocorrência do fato gerador é condição para o reconhecimento da isenção do 1TR sobre essas áreas (Acórdão ri° 9202-00.077, sessão de 17/08/2009). Peço vênia ao ilustre relator Júlio César Vieira Gomes, para a transcrição de excertos do seu voto: "Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8,847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 9 I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. ( ) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7,803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei ri' 8,847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n" 4,771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16 § § 2". A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1,227 Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Ressalta-se que permanece fume a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007) Par fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do GARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Andamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do 1TR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo," Por fim, cumpre ressaltar que, na esteira da jurisprudência uníssona do CARF, materializada na Súmula a' 2, não compete a este Conselho pronunciar-se acerca da 10 Processo n" 10240 000909/2003-40 S2-C1T1 Acórdão n ó 2101-00411 Fl 6 inconstitucionalidade de leis. Isto porque, tendo tais nonnas obedecido o trâmite previsto na Lei Maior para ingressar no ordenamento jurídico, tornam-se cogentes e, portanto, são plenamente aplicáveis as aliquotas do ITR, por força da presunção de validade. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de ilegitimidade e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 4.000,00 hectares, informada pela autuada na DITR do exercício de 1999. Aleir -441111N - JOSÉ RAIMU'p, Sala das Sessõcias esso 0\TÓSTA SANTOS em 02 de fevereiro de 2010 11
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Numero do processo: 10665.001289/2003-75
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1989 a 31/08/1989
PIS. DECADÊNCIA.
O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.190
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1989 a 31/08/1989 PIS. DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan. Carlos Alberto de Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 12 89 /2 00 3- 75 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez Lopez, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz , Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 117/124, contra decisão do Acórdão nº 20218.794 da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/1998 Ementa: SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional reclama a contagem do prazo de 05 (cinco) anos a partir do recolhimento/pagamento, para fins de restituição. Entende que o aresto desrespeitou as regras plasmadas no art. 168 do Código Tributário Nacional e na Lei Complementar nº 118/2005. Por intermédio do despacho nº 202269, fls. 127/128, o recurso foi admitido. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 132/140. É o Relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 147 3 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao termo a quo para contagem do prazo decadencial relativo ao direito de repetição do indébito em face da Resolução do Senado nº 49/95. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sua abordagem digna de aplausos, enfrenta o tema com brilhantismo e eficiência, de forma que peço vênia para transcrever ipsis litteris e adotar como razão de decidir. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito se decadencial ou prescricional para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendiam que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos". Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita Lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei 5172/66 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituirse às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operavase a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no artigo 106, inciso I, da Lei 5172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art. 106 – A lei aplicase ao ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. De outro lado, os críticos da Lei Complementar 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 148 5 da segurança jurídica já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento, insurgiuse a Fazenda Nacional que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.0901 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença, para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão aqui submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3o E 4o. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. "Reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Brasília, 18 de junho de 2008. R E L A T Ó R I O Tratase de recurso extraordinário interposto pela União de acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça em que se afastou a aplicação da segunda parte do art. 4a da Lei Complementar 118/2005. Tal dispositivo estabelece que a interpretação dada pelo art. 3 a da mesma lei acerca do marco inicial para contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário deve se submeter ao art. 106, I, do Código Tributário Nacional, isto é, que deve ser retroativa. Transcrevo, para fins de registro, a ementa do acórdão prolatado por ocasião do julgamento de Embargos de Declaração, com os quais a União alegou que a decisão fora omissa quanto à aplicabilidade do art. 97 da Constituição ao julgamento: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. (RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. LEI COMPLEMENTAR 118, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2005. JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO.). Acórdão embargado que assentou que "a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)". A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no votovista desta relatoria: 'a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda 1ei interpretativa, como toda 1ei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada 'surpresa fiscal'. Na 1úcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibi1idade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.' (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2004, pág. 295 a 300). (...) À míngua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucional idade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 149 7 na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permita o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucional idade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios." Deveras, é cediço que inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar o decisum, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. Ademais, impõese a rejeição de embargos declaratórios que, à guisa de omissão, têm o único propósito de prequestionar a matéria objeto de recurso extraordinário a ser interposto. 5.Embargos de declaração rejeitados."(REsp 709 .805EDcl, rel. min. Luiz Fux, Primeira Turma). Sustentase nas razões do recurso extraordinário que o acórdão prolatado pelo e. STJ afastou a aplicação da segunda parte do art. 4 º da Lei Complementar 1 18 / 2005 , por ofender o princípio constitucional da autonomia e independência entre as Funções do Estado {art. 2 º da Constituição) e a garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (art. 5 e , XXXVI, da Constituição), A norma afastada estabelece que a interpretação fixada no art. 32 da Lei Complementar 1 18 / 2 005 , segundo a qual a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado", deverá observar o disposto no art. 1 06 , I, do Código Tributário Nacional. Tratarseia de norma meramente interpretativa e, portanto, de efeitos retroativos na contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário. Segundo a União, o referido dispositivo legal somente poderia ter sua aplicação afastada pelo C. Superior Tribunal de Justiça mediante sua declaração de inconstitucional idade, o que exige a observância do princípio da reserva de plenário previsto no art. 97 da Constituição Federal' (Fls. 267 grifos originais). Opina o Ministério Público Federal, em parecer subscrito pelo subprocuradorgeral da República Dr. Paulo da Rocha Campos, pelo provimento do recurso extraordinário (Fls. 281 288 ) . O recurso extraordinário foi afetado ao Pleno por decisão da Segunda Turma em 26 . 0 6 . 2007 , É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4o, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: "CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3°. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4o, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1.Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. O art. 3o da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 150 9 dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3o da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5.O artigo 4o, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3o, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2o) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5o, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3o e 4o da Lei Complementar 118/2005: "Art. 3 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discutese no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3o da LC 118/2005, como determinam o art. 4° da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3o e 4o da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3o da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3o e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1o e 4o, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3o da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3o e 4o da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoiase no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: "O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no votovista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 151 11 dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal." (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declaroulhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), "reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição". Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): "A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois,a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3o e 4o da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o artigo 4º que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no artigo 3º padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 1Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 152 13 controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretálas, suspendêlas e revogálas, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagravase, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo ProcuradorGeral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito em às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poderdever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudála por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana, não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison, já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obraprima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicálas ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, devese valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dáse entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrandose no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 153 15 aprovada pelo Congresso Nacional por entendêla inconstitucional, nos termos do art. 66, §1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo darse de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, perguntase: podem os órgãos judicantes da administração afastarem a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastarem a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus artigos: 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, "a" e "b"), temse que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do exProcuradorGeral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio que ousaríamos chamar fática, livre e realista e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, podese dizer, igualmente, que sem aquela Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferirlhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputarse inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada e nos limites em que o seja toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, podese concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendose presumir boa e válida a resolução adotada. Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercêla 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damolhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parecenos equivocada a afirmação daqueles que pregam que: se a administração é vinculada aos 3 Bittencourt, Lúcio O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 154 17 ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei não se presume lei é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtarse a obedecerlhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou nãoaplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrairse à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspendese o julgamento do processo e remetese a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97, da Seção I do Capítulo III Do Poder Judiciário do Título IV Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativo não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Vejase ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26–A do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei 11941/2009. A norma Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 155 19 inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei complementar 118/2005, passase a análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito a repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no artigo 1655do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "b" do inciso III do artigo 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I ......................................................................................................... ............................ III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) ......................................................................................................... .......................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabidos, é a Lei 5.172/1966, alçada a categoria de 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168, do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I. da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II. da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo, o art. 1686 fixas duas datas distintas, como não poderia deixar de ser para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meios das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 156 21 rescindido a decisão condenatória afora essas duas hipóteses, nenhuma outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo, não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria constituição, art. 146, III, "b" e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro7: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho10, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democráticoconstitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para 7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” 9 “II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 a vinculação jurídicoconstitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores que, baseado na doutrina alemã11, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bemestar público, será preciso decidirse pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poderseia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuíssem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”13, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las 11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a BoaFé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf 12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 157 23 posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva14, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, faltalhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmarse que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero15 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, 14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembrese, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de 16 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 158 25 constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídicopositivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da préfalada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzirse na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417721: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF em sua função de Corte Constitucional atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como 19Op. cit., p. 1265/1266 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal23., por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao artigo 168, inciso I do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º da Lei 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel Lei Complementar. 22 LXXI concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 159 27 Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n º 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4 º , no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, partese deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo . de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 28 Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC 24: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na I a Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR26: 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; 25 Relator: Ministro Francisco Falcão, julgado em 28/11/2006, publicado no DJ de 14/12/2006. 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 160 29 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da Republica. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari27, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo28, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais das ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 30 Ora, parecenos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerandose dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki30, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 161 31 que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça31, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG32: “Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito 31 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 32 extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes34, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentuese, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concedese proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendose à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35 “Pode também entenderse que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 162 33 relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas.” Como Bem asseverou o conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima, um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp nº 686.05836 MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, temse ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 34 I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) ou seja, conclui o ilustre conselheiro, ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornouse pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direitodever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigurase difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poderseia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38 . O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 163 35 (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Eurico de Santi39, arremata o tema, com sua magistério: Decadência e prescrição são regras que objetivam o princípio da segurança jurídica, como regras têm a função precípua de objetivar condutas: retratam a opção do legislador em prestigiar a justiça mediante a função segurança jurídica em detrimento da função legalidade, igualdade ou proporcionalidade. Aliás, “decadência” e “prescrição” são mecanismos que justamente restringem a realização concreta da legalidade da regra tributária, impedindo que a norma seja aplicada ao caso concreto. Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizaras relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social,na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei 4.502/1964 lei básica do IPI que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra 39 Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 36 engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda40, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia41 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo42. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1843. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09144 40 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. 41Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. 42Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 43§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 44 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10665.001289/200375 Acórdão n.º 9303000.190 CSRFT3 Fl. 164 37 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazerse por lei" (RE 80.153∕SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posicionase em igual sentido: "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522∕2002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise a compensação foi realizada após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecerse que o direito à compensação dos mencionados créditos, foi alcançado pela prescrição. Retornando ao caso em epígrafe, os recolhimentos foram efetuados em 10/02/1989; 10/03/1989; 10/04/1989; 10/07/1989; 10/08/1989 e 15/08/1989, e o contribuinte buscou a compensação em 1998, ou seja, com mais de cinco anos do último recolhimento. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 38 Neste passo, resta evidente a decadência do direito de repetir o indébito referente aos recolhimentos citados. Forte nestes argumentos, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GIL SON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13941.000068/2005-23
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2004
DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS E PROGRAMAS. ATIVIDADE.
ATIVIDADE IMPEDITIVA EXCETUADA PELA NOVA LEI.
Apenas com a Lei Complementar nº 123/2006, a teor do art. 17, §1º c/c art.
18, inciso IV do §5º-D, a atividade de desenvolvimento de programas de
informática deixou de se constituir em óbice para a opção pela sistemática do
Simples Nacional, contanto que as pessoas jurídicas que a exerça o façam em
seus estabelecimentos e em regime de exclusividade ou em conjunto com
outras atividades que não tenham sido objeto de vedação
RETROATIVIDADE DA LEI NOVA. EFEITOS. JULGAMENTOS
PENDENTES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE
APLICAÇÃO.
Não cabe a retroopração de lei superveniente que levantou a restrição à opção
ao Simples porquanto sua repercussão implica em falta de pagamento de
tributo.
Numero da decisão: 1402-000.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS E PROGRAMAS. ATIVIDADE. ATIVIDADE IMPEDITIVA EXCETUADA PELA NOVA LEI. Apenas com a Lei Complementar nº 123/2006, a teor do art. 17, §1º c/c art. 18, inciso IV do §5º-D, a atividade de desenvolvimento de programas de informática deixou de se constituir em óbice para a opção pela sistemática do Simples Nacional, contanto que as pessoas jurídicas que a exerça o façam em seus estabelecimentos e em regime de exclusividade ou em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação RETROATIVIDADE DA LEI NOVA. EFEITOS. JULGAMENTOS PENDENTES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Não cabe a retroopração de lei superveniente que levantou a restrição à opção ao Simples porquanto sua repercussão implica em falta de pagamento de tributo.
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ATIVIDADE. ATIVIDADE IMPEDITIVA EXCETUADA PELA NOVA LEI. Apenas com a Lei Complementar nº 123/2006, a teor do art. 17, §1º c/c art. 18, inciso IV do §5º-D, a atividade de desenvolvimento de programas de informática deixou de se constituir em óbice para a opção pela sistemática do Simples Nacional, contanto que as pessoas jurídicas que a exerça o façam em seus estabelecimentos e em regime de exclusividade ou em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação RETROATIVIDADE DA LEI NOVA. EFEITOS. JULGAMENTOS PENDENTES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Não cabe a retroopração de lei superveniente que levantou a restrição à opção ao Simples porquanto sua repercussão implica em falta de pagamento de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 2 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. EDITADO EM: 15/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vice-Presidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Diniz Raposo Silva e Sergio Luiz Bezerra Presta. Relatório BZS Informática Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo Nº 528.227, de 02/08/2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu-PR, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2004, informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada de desenvolvimento de programas de informática, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Cientificado, em 17/09/2004 (fl.95), apresentou SRS alegando ter modificado o objeto social da empresa com a 6ª alteração contratual, bem como o código CNAE para adequar-se à legislação e, em assim sendo, o ADE não pode prosperar. A SRS foi indeferida porque embora tenha ocorrido a 6ª Alteração de Contrato Social, a atividade impeditiva continua constando. Na manifestação de inconformidade alega que não desenvolve software e tem como objeto o comércio varejista de máquinas, equipamentos e material de informática, manutenção, reparação e instalação de máquinas de escritório e de informática; que fará nova alteração contratual para excluir o item “b” da cláusula 4ª da Sexta Alteração e junta documentos.” A DRJ proferiu em 30/04/2009 o Acórdão nº 22.030 (fls. 117-118), que traz a seguinte ementa: “DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS E PROGRAMAS. ATIVIDADE VEDADA. Uma vez comprovado que a empresa praticou atividade vedada juntamente com atividade não vedada, procede a sua exclusão do SIMPLES, ainda que a atividade não vedada seja a preponderante.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13941.000068/2005-23 Acórdão n.º 1402-00.168 S1-C4T2 Fl. 134 3 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/05/2009 (A.R. de fl. 121), a recorrente interpôs recurso voluntário em 16/06/2009 (fls. 122-131) onde alega, em síntese, que exerce o comércio varejista de máquinas, equipamentos e material de informática, manutenção, reparação e instalação de máquinas de escritório e de informática, atividades não vedadas aos optantes do Simples e que o desenvolvimento de programas de informática apenas consta em seu contrato social. Alega, por fim, que a Lei Complementar 123/2006 não veda a atividade de programação e desenvolvimento de sistemas. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve ser conhecido por esta Câmara. Versa a matéria constante dos autos sobre a exclusão da recorrente da sistemática do Simples pelo exercício de atividade vedada - desenvolvimento de programas de informática, por ser atividade típica de programador, analista de sistemas ou assemelhados. Com efeito, à época da exclusão da empresa da Sistemática do Simples vigia a Lei nº 9.317/96, que em seu art. 9º, inciso XIII, vedava a opção pelo Simples da pessoa jurídica que prestasse serviços profissionais de engenheiro, programador, analista de sistema, ou assemelhados, e de profissão cujo exercício dependesse de habilitação legalmente exigida. Entretanto, com o advento da Lei Complementar nº 123/2006, republicada em atendimento ao disposto no art. 6º da LC nº 128/2008, a atividade de desenvolvimento de programas de informática deixou de se constituir em óbice para a opção pela nova sistemática de tributação simplificada, chamada de Simples Nacional, contanto que as pessoas jurídicas que a exerça o façam em seus estabelecimentos e em regime de exclusividade ou em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação (art. 17, §1º c/c art. 18, inciso IV do §5º-D). No caso concreto, consta do contrato social da empresa três atividades (fl. 97): a) comércio varejista de máquinas, equipamentos e matérias de informática; b) desenvolvimento e edição de software pronto para uso; c) manutenção, reparação e instalação de máquinas de escritório e de informática. As atividades descritas acima em (a) e (c) não foram objeto de vedação. Somente o desenvolvimento de programas de informática motivou o ADE que excluiu a empresa do Simples (fl. 07). Ademais, não há nos autos provas de que a empresa exerça a atividade supostamente vedada fora das dependências de seu estabelecimento. Constata-se, portanto, que os fatos apresentados no caso concreto subsumem- se ao comando normativo da LC 123/2006 em seu art. 17, §1º, c/c art. 18, inciso IV do §5º-D, pelo que se conclui que, com o advento dessa lei complementar, o desenvolvimento de programa de informática pela ora recorrente não se constitui em restrição para sua opção ao Simples Nacional. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 4 Pondera-se, por outro lado, se seria apropriado impor ao caso a retroatividade da lei superveniente para se considerar a atividade econômica exercida pela empresa como beneficiada pelo Simples instituído pela Lei nº 9.317/96. Aventa-se, nesse sentido, com a possibilidade de se constituir o levantamento da restrição em fato com repercussão pretérita por força do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, b, do Código Tributário Nacional, in verbis. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I. em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II. tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifo nosso) Com efeito, da leitura do comando normativo acima, é de se concluir que a nova lei somente poderia ser aplicada a atos ou fatos pretéritos, enquanto satisfeitas as seguintes condições, em relação a tais atos ou fatos: i) não estejam definitivamente julgados; ii) nova lei deixe de tratá-los como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão; iii) não tenham sido fraudulento e não tenham implicado em falta de pagamento de tributo. Despiciendo se analisar a condição (i), já que a própria situação processual do caso – em julgamento nesta instância administrativa – fala por si; quanto à segunda condição, a análise a que se procedeu no início deste Voto aponta para o levantamento, pela lei superveniente, da condição impeditiva de opção pela sistemática simplificada; sobre a primeira parte da terceira condição, não consta dos autos provas, nem sequer alusão, no sentido de apontar como fraudulenta a conduta da recorrente. Entretanto, quanto a última parte da terceira condição, há que se reconhecer que a opção pelo Simples, em comparação a outros regimes de tributação, tem como repercussão o não pagamento de imposto de renda por parte dos sócios da optante, já que alcançados pela isenção prevista no art. 25 da Lei 9.317/96, in verbis. Art. 25. Consideram-se isentos do imposto de renda, na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário, os valores efetivamente pagos ao titular ou sócio da microempresa ou da empresa de pequeno porte, salvo os que corresponderem a pro labore, aluguéis ou serviços prestados. Conclui-se, portanto, que a vedação imposta pela Lei 9.317/96, ao obstar a recorrente da opção pelo Simples, não permite aos sócios da empresa se beneficiarem da isenção de imposto de renda a que se refere o comando acima. A aplicação da retroatividade, neste caso, recolocaria a empresa em posição tal que seus sócios poderiam usufruir da isenção mencionada, o que implicaria na falta de pagamento de tributo, aventada no art. 106, inciso II- b, do CTN como condição restritiva à sua aplicação. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13941.000068/2005-23 Acórdão n.º 1402-00.168 S1-C4T2 Fl. 135 5 Dessa forma, entende-se não caber ao caso a aplicação da retroatividade da lei superveniente. O raciocínio aplicado neste Voto, inclusive, guarda consonância com a jurisprudência e posicionamento atual do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende do julgamento do Recurso Especial nº 722.307 - SC (2005/0023376-7), cuja ementa se transcreve a seguir: RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RICARDO GOMES PY DA SILVEIRA E OUTROS RECORRIDO : CENTRO EDUCACIONAL ENCANTADO LTDA ADVOGADO : PAULO HENRIQUE RAUEN FILHO TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DE MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. ESTABELECIMENTO DE ENSINO PRÉ-ESCOLAR E FUNDAMENTAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. ART. 557 DO CPC. FALTA DE INTERESSE EM RECORRER. LEI Nº 10.034/00. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO. 1. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade no aresto recorrido. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. 2. Ainda que não seja dominante o posicionamento favorável à retroatividade da Lei nº 10.034/00, a parte não foi prejudicada, pois teve a questão apreciada pelo órgão colegiado, ante a apresentação de agravo regimental. Falta de interesse em recorrer no particular. 3. O art. 106, em seus incisos, estabelece quando a lei tributária será aplicada a atos ou fatos pretéritos. O caso dos autos não se enquadra em qualquer das hipóteses, não havendo de se falar em retroação da Lei nº 10.034/00. 4. A pessoa jurídica que se dedica à pré-escola e ao ensino fundamental somente tem direito a optar pelo SIMPLES a partir da vigência da Lei nº 10.034/00 que não pode ter aplicação retroativa. 5. Recurso especial provido. Transcreve-se, também, para um melhor entendimento, parte do voto no julgamento daquele Recurso Especial: “(...) Relativamente ao mérito propriamente dito, a discussão a respeito do tema não foi debatida muitas vezes por esta Corte. Ao pesquisar a jurisprudência desta Casa, localizei apenas quatro precedentes da relatoria do Min. Luiz Fux, considerando possível a retroação da lei tributária em casos semelhantes ao presente Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 6 (EDcl no REsp 603.451/PE, DJU de 25.10.04; REsp 577.654/PE, DJU de 03.05.04; REsp 500.477/SC, DJU de 09.02.04; e, AgRg no REsp 433.697/PR, DJU de 23.06.03). Em tais julgados, consignou-se que a Lei nº 10.637/02 – que passou a permitir às agências de viagem e turismo a opção pelo SIMPLES - deveria retroagir "a teor dos incisos do art. 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior ". Analisando a questão, ouso divergir de tal posicionamento. É cediço que, em regra, aplica-se o princípio da irretroatividade das leis ao Direito Tributário. O art. 106 do Código Tributário Nacional traz as hipóteses excepcionais em que a lei tributária poderá ser aplicada a ato ou fato pretérito, consoante se constata de seu teor, a seguir transcrito: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Da leitura de seus incisos, não verifico a possibilidade de retroação da lei pela mera existência de regra mais benéfica ao contribuinte. O primeiro inciso restringe-se à lei expressamente interpretativa, o que não é o caso. Já o segundo inciso, subdividido em alíneas, estabelece quando a lei pode retrooperar para atingir atos não definitivamente julgados. A hipótese dos autos não se enquadra em qualquer das alíneas desse último inciso. O art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, vigente no momento em que a recorrida passou a ser optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, tem a seguinte redação: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)". Portanto, as empresas que prestassem serviços profissionais educacionais eram atingidas pela vedação imposta. Não se cuida aqui de infração ou penalidade, devendo ser afastadas, de pronto, as letras "a" e "c" do art. 106 do Código Tributário Nacional. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13941.000068/2005-23 Acórdão n.º 1402-00.168 S1-C4T2 Fl. 136 7 Poder-se-ia entender pela incidência, na espécie, do previsto na letra "b" do artigo em alusão. Ocorre que a simples leitura da parte final de tal alínea impossibilita essa conclusão, pois o fato de o recorrido ter optado pelo SIMPLES quando não era permitido certamente importou em falta de pagamento de tributo, na forma como era devido à época. O recorrido foi excluído da restrição constante da Lei nº 9.317/96 apenas com o advento da Lei nº 10.034/00, cujo art. 1º preceitua: "Art. 1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental". Cumpre registrar, unicamente a título de informação, que o dispositivo mencionado foi alterado pela Lei nº 10.684/03, passando a viger nos moldes abaixo: "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e pré-escolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V – agências terceirizadas de correios; VI – vetado VII – vetado" Assim, o aresto hostilizado merece reparos, uma vez que, somente a partir da vigência da Lei nº 10.034/00, o recorrido teve o direito de optar pelo SIMPLES, não podendo retroagir a norma em comento para alcançar atos ou fatos pretéritos. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. (...)” (grifei) No que tange às demais alegações da peça recursal, entende-se que foram adequadamente enfrentadas na decisão de 1 a instância, não merecendo reparos, pelo que se pede vênia para adotar seus fundamentos, a seguir transcritos: “(...) Constituída em 1996, aderiu ao Simples em 01/01/2004 e conforme consta da Sexta Alteração Contratual da Sociedade, registrada em 07/04/2004 (fl.02/06) declarou como objeto social, comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais de informática; desenvolvimento e edição de software pronto para uso; manutenção, reparação e instalação de máquinas de escritório e de informática. O dispositivo legal que determinou sua exclusão ao benefício é: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 8 “Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” (grifei) O Ato Declaratório Executivo DRF/FOZ nº 528.227 (fls. 07), fez constar como causa excludente do referido sistema, o fato de ela exercer atividade relacionada ao desenvolvimento de programas de informática. Na manifestação de inconformidade sustenta que não desenvolve programas e como comprovação junta cópias de parte de suas notas fiscais de fls. 13/92, onde se encontram discriminados vários serviços, ligados à manutenção de máquinas, o que não é vedado ao Simples. À fl. 12 consta cópia do Alvará concedido pela Prefeitura do Município de Marechal Cândido Rondon em 01/02/2005 onde constam os seguintes códigos: 003.004. comércio atacadista e varejista de equipamentos de informática; 002010. serviço de processamento de dados; 002.010. serviço de manutenção de computadores e material de escritório e, por fim, 002010 serviços de informática, consultoria e programas. Como se percebe a gama de serviços autorizados é bem mais ampla do que aquilo que o contribuinte alega fazer, já que prevê, entre outras atividades a consultoria e a programação. Tratando de pessoa jurídica com uma gama muito grande de clientes e com o ramo de atividades que desenvolve, seria esperado que ela tivesse uma página na internet, como se fato se comprovou. Uma breve consulta ao site da empresa foi suficiente para constatar que o item b da Cláusula Quarta da Sexta Alteração Contratual da Sociedade não permanece ali por engano. O que se constata é que a reclamante oferece aos seus clientes serviços completos de análise, desenvolvimento e implantação de sistemas de controle para as mais variadas áreas de atuação (controle de ponto, rural, saúde, ACSOR, bibliotecas, controle de freqüência da alunos) além das já tradicionais assistência técnica em equipamentos e em rede (fls.112/115). É lógico que ao apresentar sua defesa a interessada não iria juntar provas que lhe fossem desfavoráveis, razão pela qual as notas fiscais relativas ao desenvolvimento de sistemas não foram juntadas. Portanto entendo que o ADE não merece reparos, devendo a interessada ser excluída do Simples. Conclusão Assim, ante o exposto voto por indeferir o pleito. (...)” Ex positis, entendo que a Lei Complementar nº 123/2006 excluiu a atividade de desenvolvimento de programas de informática daquelas obstadas para as empresas com opção pela sistemática do Simples Nacional; entretanto, entendo também que a aplicação retroativa dessa lei não encontra albergue no art. 106 do CTN, pelo que encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13941.000068/2005-23 Acórdão n.º 1402-00.168 S1-C4T2 Fl. 137 9 Sala das Sessões, em 17 de maio de 2010 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001705/2006-41
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calenddrio: 2002
IRPJ. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL NÃO APRESENTADA.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária a escrituração fiscal e contábil e a documentação correspondente para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE DEMONSTRADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA.
Demonstrada pela fiscalização nos autos a fraude praticada, que concorreu para o não pagamento do tributo, é correta a aplicação de multa quali ficada.
Numero da decisão: 1302-000.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso em relação ao tributo lançado, e por maioria de votos, em manter a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Guilherme Polastri Gomes da Silva que a reduziam para 75%
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calenddrio: 2002 IRPJ. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL NÃO APRESENTADA. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária a escrituração fiscal e contábil e a documentação correspondente para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE DEMONSTRADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. Demonstrada pela fiscalização nos autos a fraude praticada, que concorreu para o não pagamento do tributo, é correta a aplicação de multa quali ficada.
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LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. ESCRITA CONTABIL E FISCAL NÃO APRESENTADA. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar h. autoridade tributária a escrituração fiscal e contábil e a documentação correspondente para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE DEMONSTRADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. Demonstrada pela fiscalização nos autos a fraude praticada, que concorreu para o não pagamento do tributo, é correta a aplicação de multa quali ficada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso em relação ao tributo lançado, e por maioria de votos, em manter a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Guilherme Polastri Gomes da Silva que a reduziam para 75%. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ/Salvadot. Os autos tratam da representação fiscal para a exclusão da empresa acima identificada do SIMPLES, fls, 01, que culminou com a emissão do ATO DECLARATORIO EXECUTIVO n° 18, de 07 de junho de 2006, fls. 13, o qual efetuou a exclusão da empresa do referido sistema em decorrência da obtenção de receita em montante superior ao limite previsto no art, 9, II da Lei 9,317/1996. De acordo com o referido ato, a exclusão surtirá efeitos a partir de 01/01/2002. Em seguida, foram lavrados os autos de infração de fls. 19 a 46, lavrados em 28/06/2006, para a cobrança do Imposto sobre a Renda da Pessoa Juridica — MPJ, no valor de RS 221.695,11 (duzentos e vinte e um mil seiscentos e noventa e cinco reais e onze centavos), da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, no valor de RS 66,542,38 (sessenta e seis mil quinhentos e quarenta e dois reais e trinta e oito centavos), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no valor de RS 110,562,78 (cento e dez mil quinhentos e sessenta e dois reais e setenta e oito centavos) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COHNS, no valor de RS 307,118,88 (trezentos e sete mil cento e dezoito reais e oitenta e oito centavos), todos relativos ao ano-calendário 2002, além da multa proporcional e dos juros de mora calculados até 31/05/2006. De acordo com o auto de infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Teimo de inicio de fiscalização em 23/06/2005, apresentou apenas os livros ,fiscais da matriz, com registros a partir de fevereiro de 2002, alegando extravio dos demais, conforme nota publicada no Diário Oficial do estado de Sergipe em 14/03/2002 Intimado pela segunda vez em 18/10/2005, para apresentar os Livros Caixa e os Livros Fiscais de todas as filiais, bem como cópias das Guias Informativas Mensais do ICMS (GIM) e cópias das Declarações de Informações do Contribuinte (DIC) de 2001 e 2002, respectivamente, o contribuinte se reporta a boletim de ocorrência do corpo de bombeiros no qual é relatada a ocorrência de incêndio em um veiculo Kombi placa HZG - 7585, que, segundo o contribuinte, estaria transportando os livros e documentos solicitados, motivo pelo qual não Ode atender h intimação. 2 Processo n° 10510001705/2006-41 S1-C3T2 Acórao n° 1302-00,352 Fl 304 O auditor registra que o contribuinte não cumpriu a determinação contida no art, 264 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, pois não provou haver informado o extravio dos livros e documentos ao órgão competente do registro do comercio no prazo de quarenta e oito horas, remetendo cópia da comunicação à Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição . De acordo com as informações constantes das DIC e das GIM, ambas apresentadas pelo contribuinte A Secretaria da Fazenda do estado de Sergipe, bem como de acordo com os registros efetuados no Livro de Apuração de ICMS, período de fevereiro a dezembro de 2002, a empresa auferiu receitas de vendas de mercadorias nos meses de janeiro a dezembro de 2002 em valor bem maior do que o informado na Declaração Anual Simplificada -PJ 2003, relativa ao ano-calendário 2002, entregue A Receita Federal. Por entender caracterizado o evidente intuito de fraude, foi aplicada a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), prevista no inciso II do art 44 da Lei n° 9430/1996. Em decorrência dos mesmos fatos, foram lavrados os Autos de Infração relativos A Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social -COFINS, Por fim, o Termo de Verificação Fiscal informa que foi efetuado o arbitramento com base nos valores informados na Declaração Simplificada do ano 2005, DA IMPUGNAÇÃO A empresa autuada apresentou impugnação ao lançamento em 04/08/2006, juntada As fls. 151/160, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos. Alega que a afirmação do auditor - de que os valores declarados em GIM e em DIC são inferiores Aqueles inseridos na Declaração Anual Simplificada apresentada A Receita não foi comprovada. Argumenta que os valores constantes dos livros e documentos fiscais da Autora refletem exatamente os montantes pelos quais se realizaram as operações comerciais de compra e venda, tendo o IRPJ, o PIS, a CSLL e a COFINS sido apurados com base em tais valores. Não há razão para que se recolham estes tributos em valores superiores aos efetivamente devidos. Esta impossibilidade jurídica 6 corolário dos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade, da capacidade contributiva e do devido processo legal, 0 arbitramento efetuado tomou por base valores decorrentes de pauta fiscal, o que é ilegal, Apresenta jurisprudência em apoio a sua tese . Requer a improcedência do Auto de Infração . A la Turma da DRJ/Salvador, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação, nos termos do voto do relator, mantendo a autuação procedida, e decidindo, em síntese, que: a) Restaram verificadas as divergências entre as guias apresentadas ao Fisco Estadual e as Declarações Simplificadas prestadas LReceita Federal. b) Os documentos juntados na defesa já tinham sido analisados pela autoridade fiscal, e em nada inovam. c) Os valores inseridos nas declarações prestadas ao Fisco Estadual se referem a receita bruta com a revenda de mercadorias d) Tratando-se de alegação do contribuinte, o ataque à origem documental dos lançamentos, a ele incumbia o ônus da prova de suas assertivas, o que não fez. e) Não foram apresentados os livros Diário e Razão ou Caixa, mesmo após reiteradas intimações da fiscalização. A não apresentação de tais livros autoriza a apuração pot arbitramento do lucro. f) As conclusões advindas da apreciação do Auto de Infração relativo ao lançamento do IRPI devem ser estendidas àqueles relativos aos lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFÍNS. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) A autoridade fiscal não fundamentou o arbitramento em nenhuma das hipóteses do art. 148 do CTN, nem tampouco instaurou procedimento regular de arbitramento, com as garantias do contraditório, tendo sido realizado à margem do contribuinte; 2) Os documentos que embasaram o arbitramento foram fornecidos por terceiros e deles não foi previamente notificado o contribuinte, para os contraditar. Assim, caracterizou-se cerceamento à ampla defesa. 3) Houve cerceamento de defesa também na fase contenciosa. 4) Requer, ao final, a nulidade do auto de infração; alternativa e sucessivamente, a redução da multa qualificada para o percentual previsto para a multa simples. o r elatório. 4 Processo e 10510.001705/2006-41 S1-C3T2 Acórdão rt.' 1302-00.352 Fl 305 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. O recorrente teve sua base de cálculo recalculada de oficio pela fiscalização, pelo critério do lucro arbitrado (art, 530, RIR/99), posto que não entregou os livros Razão ou Caixa requisitados, Segundo informa a fiscalização, somente os livros da matriz foram fornecidos, com preenchimento a partir do Ines de fevereiro de 2002, tendo sido alegado pelo contribuinte que os livros da filial 0002 haviam sido extraviados por motivo de incêndio . Foi acostado documento fornecido pelo corpo de bombeiros do Estado de Sergipe que atesta solicitação para debelar incêndio na Kombi de propriedade de ROBERTO OLIVEIRA FRAGA, estacionada em via pública (Av, Canal). 0 relato data de 11/03/2002, e se reporta ao incêndio datado de 17/02/2002. 0 auto de infração 6 relativo ao ano-calendário de 2002. Tal informação basta para se concluir pela não prestação de informações relativa ao período de 18/02/2002 até 31/12/2002, as quais foram requisitadas pela fiscalização e não entregues. Não foi adotada a cautela de comunicar o fato em 48h, destinada aos casos de extravio (§1° do art. 264, RIR). Não há comprovação de que os livros tidos por extraviados se encontravam no veiculo incendiado, cuja propriedade não era do recorrente, segundo o relato do corpo de bombeiros, e que estava estacionado em via pública no momento de constatação do incêndio. A fonte para o conhecimento da receita bruta reside nas declarações prestadas pelo recorrente ao Fisco Estadual. De acordo com os fatos acima, verifico que a fiscalização pautou-se de acordo com as normas vigentes. 0 arbitramento realizado de acordo com o art, 530 do RIR é forma de apuração do lucro, no caso em que a documentação do sujeito passivo não exista, revele indícios de fraudes, ou contenha vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável para determinar o lucro real. Também é possível o arbitramento se o contribuinte, sujeito à apuração com base no critério do lucro presumido, deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, ou opta indevidamente por esta forma de tributação. Trata-se da modalidade de lançamento de oficio, prescrita no art. 149 do CTN, ao lado das modalidades de lançamento por declaração (art. 147) e por homologação (art, 150), de natureza subsidiária, e sem caráter sancionlrio. 5 No caso presente, encontram-se as condições para sua aplicação, havendo ausência de entrega de livros comerciais, os quais deveriam ter sido escriturados, vez que o recorrente foi excluído do Simples a partir de 01/01/2002. A alegação de cerceamento A ampla defesa, por não ter sido aberto procedimento específico para tal ato, não procede . Em primeiro lugar, porque o recorrente teve diversas possibilidades de infirmar os dados coletados de terceiros, inclusive na impugnação, mediante a prestação da totalidade daqueles que deveria possuir, e nisso não obteve sucesso. Em segundo lugar, porque o fundamento de validade do art. 47 da Lei 8,981/95 não reside no art, 148 do CTN, como entende o recorrente, não cabendo invocar as disposições e os procedimentos deste dispositivo para o caso vertente. Vale lembrar que o art. 148 rege os casos nos quais a autoridade arbitra valor ou preço de bem, direito, serviço ou ato jurídico, sempre que sejam omissos ou que não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. No caso vertente, a autoridade lançadora não arbitrou valor ou pew, adotando aqueles informados pelo próprio recorrente em sua declaração prestada As autoridades fiscais estaduais. Neste sentido, já decidiu a antiga 5' Camara do 1 0 Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso 162.415, com voto condutor do Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, seguido à unanimidade, que abaixo parcialmente transcrevo. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do prep de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, Com relação a adoção de dados prestados em declaração firmada pelo próprio contribuinte, e sua incompatibilidade com o conceito de arbitramento prescrito no art. 148 do CTN, destaco o voto condutor do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso n° 153.338, também julgado A unanimidade: VALOR DE BEM UTILIZADO EM DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO FLUXO DE" CAIXA - VALOR CONSTANTE EM DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DESNECESSIDADE DE ARBITRAMENTO - Quando o cálculo do tributo tome por consideração o valor de bens ou direitos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor; sempre que não mereçam . fé as declarações, os esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo. Entretanto, não há que se falar em arbitramento, na .forma do art,. 148 do Código Tributário Nacional, quando o valor do bem, objeto da aplicação do recurso em .fluxo de caixa, consta na declaração de bens e direitos do contribuinte. Assim, incabível ao caso a aplicação do art, 148, restam sem fundamento as alegaç4s de cerceamento a ampla defesa decorrentes, 6 Processo n° 10510.001705/2006-41 51 -C3T2 Acórdão n ° 1302-00352 Fl 306 Quanto a alegação de violação a ampla defesa no contencioso, seguem desacompanhadas de motivação, bem como dos fatos que a tenham propiciador Quanta a este ponto, cumpre ressaltar que a prova incumbe a quem alega, devendo ser rechaçada também tal postulação. A multa de 150% foi aplicada pela autoridade, que vislumbrou o evidente intuito de fraude na conduta de prestar a DIC (Declaração de Informações do Contribuinte) e GIM (Guia de Informação Mensal), ambas à Secretaria da Fazenda, e aos registros efetuados no Livro de Apuração do ICMS em valores bem superiores àqueles declarados na Declaração Simplificada (PI 2003 - SIMPLES), ano-calendário 2002. Tendo em vista que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que falseá-la, reduzindo-lhe os valores de receita bruta, é conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores . Provada a redução com base em declarações e informações prestadas à Fazenda Estadual, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o crédito tributário lançador , \\ .e...0%.0... ,...,,,\-- I EDUARDO E \ ANDRADE - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001578/2006-83
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
PRELIMINARES DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA
INSTÂNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NEGATIVA DE PERÍCIA.
Estando a decisão de primeira instância devidamente fundamentada, inclusive
a negativa da perícia, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de
primeira instância.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTABILIDADE PARALELA COMO
PROVA.
A contabilidade paralela pode ser utilizada como prova por ter sido obtida de
forma lícita, por meio de laudo pericial da Polícia Federal, e pelo fato da
fiscalização ter aprofundado a investigação, trazendo aos autos, outros
indícios graves, precisos e convergentes, que em seu conjunto, permitem
concluir que o sujeito passivo mantinha contabilidade paralela.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE
DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR
TERCEIROS.
Durante o procedimento fiscal é permitilo à fiscalização obter informações
de terceiros; a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto
70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento, assim, a oportunidade da
contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e
posteriormente com a apresentação do recurso voluntário; conseqüentemente
não ocorreu cerceamento do direito de defesa.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA.
No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do
CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a
contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e
simulação, situação em que se aplica o art. 173, I, do CTN, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o
prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS.
Nos termos do inciso II do art. 281 do RIR199, a falta de escrituração de
pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas,
ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA
A constatação de saldo credor na conta Caixa, caracteriza-se como omissão
no registro de receita, ressalvado ao sujeito passivo a prova da improcedência
da presunção, nos termos do inciso Ido art. 281 do RIR199.
GLOSA DE CUSTOS.
A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova
documental hábil e idônea das respectivas operações.
JUROS SELIC - SÚMULA N°4 DO 1° CC.
Conforme dispõe a Súmula n°4 do 1° CC, a partir de P' de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela
Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para
títulos federais.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N° 2 DO 1°
CC.
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar
sobre a constitucionalidade de lei tributária, de acordo com o disposto na
súmula n° 2.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO.
Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. Não há
base legal que ampare a redução da multa qualificada e da multa de 75%,
para 20%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estende-se o decidido em relação ao lançamento
do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de
causa e efeito.
ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RR F
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
Conforme o disposto no art. 674 do RIR199, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1401-000.002
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passaria a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINARES DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NEGATIVA DE PERÍCIA. Estando a decisão de primeira instância devidamente fundamentada, inclusive a negativa da perícia, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTABILIDADE PARALELA COMO PROVA. A contabilidade paralela pode ser utilizada como prova por ter sido obtida de forma lícita, por meio de laudo pericial da Polícia Federal, e pelo fato da fiscalização ter aprofundado a investigação, trazendo aos autos, outros indícios graves, precisos e convergentes, que em seu conjunto, permitem concluir que o sujeito passivo mantinha contabilidade paralela. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR TERCEIROS. Durante o procedimento fiscal é permitilo à fiscalização obter informações de terceiros; a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento, assim, a oportunidade da contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e posteriormente com a apresentação do recurso voluntário; conseqüentemente não ocorreu cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, situação em que se aplica o art. 173, I, do CTN, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Nos termos do inciso II do art. 281 do RIR199, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA A constatação de saldo credor na conta Caixa, caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvado ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção, nos termos do inciso Ido art. 281 do RIR199. GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações. JUROS SELIC - SÚMULA N°4 DO 1° CC. Conforme dispõe a Súmula n°4 do 1° CC, a partir de P' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N° 2 DO 1° CC. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária, de acordo com o disposto na súmula n° 2. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. Não há base legal que ampare a redução da multa qualificada e da multa de 75%, para 20%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RR F Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Conforme o disposto no art. 674 do RIR199, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:01:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:01:21Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:01:22Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:01:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:01:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:01:22Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:01:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:01:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:01:21Z; created: 2009-09-09T16:01:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; Creation-Date: 2009-09-09T16:01:21Z; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:01:21Z | Conteúdo => SI-C4TI• Fl. 2.798 a: ‘‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA P CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS r‘Va PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO' Processo n° 10707.001578/2006-83 Recurso n° 159.352 Voluntário Acórdão n° 1401-00.002 — 4' Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2009 Matéria IRPJ e OUTROS - Exs.: 2002 a 2004 Recorrente CHEBABE CEREAIS LTDA Recorrida 3a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINARES DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NEGATIVA DE PERÍCIA. Estando a decisão de primeira instância devidamente fundamentada, inclusive a negativa da perícia, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTABILIDADE PARALELA COMO PROVA. A contabilidade paralela pode ser utilizada como prova por ter sido obtida de forma lícita, por meio de laudo pericial da Polícia Federal, e pelo fato da fiscalização ter aprofundado a investigação, trazendo aos autos, outros indícios graves, precisos e convergentes, que em seu conjunto, permitem concluir que o sujeito passivo mantinha contabilidade paralela. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR TERCEIROS. Durante o procedimento fiscal é permitilo à fiscalização obter informações de terceiros; a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento, assim, a oportunidade da contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e posteriormente com a apresentação do recurso voluntário; conseqüentemente não ocorreu cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, situação em que se aplica o art. 173, I, do CTN, que dispõe que o f? Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 A. 2.799 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Nos termos do inciso II do art. 281 do RIR199, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA A constatação de saldo credor na conta Caixa, caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvado ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção, nos termos do inciso Ido art. 281 do RIR199. GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações. JUROS SELIC - SÚMULA N°4 DO 1° CC. Conforme dispõe a Súmula n°4 do 1° CC, a partir de P' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N° 2 DO 1° CC. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária, de acordo com o disposto na súmula n° 2. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. Não há base legal que ampare a redução da multa qualificada e da multa de 75%, para 20%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RR F Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Conforme o disposto no art. 674 do RIR199, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não (Q 2 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 E. 2.800 identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – • ' , por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de decai ' — no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pasii• • egrar o presente julgado. /ft r • CO: n INICIUS NEDER DE LIMA : resi. ente ALBERTIN SI VA SANTOfi DE LIMA Relatora Formalizado em: 19 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Shigueo Takata, Silvana Rescigno Guerra Barreto (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Relatório I – DA AUTUAÇÃO Trata-se de lançamento do IRPJ, IRRF e contribuições (CSLL, PIS e COFINS), em razão das seguintes infrações: a) Omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa (tópicos 6.2 e 5.5 do Termo de Verificação Fiscal – TVF) para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 150%; b) Omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (tópicos 6.1, 5.2 "contabilidade paralela"e 5.3 "auditoria da conta fornecedores" do TVF), para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75% para a infração relativa a auditoria da conta fornecedores e de 150% para a infração de relacionada com a contabilidade paralela; 3 Processo n' 10707.001578/200643 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.801 c) Glosa de custo, para o ano-calendário de 2001, em virtude da contabilização dos documentos iniclôneos (tópicos 6.3 e 5.4 do TVF); foi lançada multa de oficio de 150%; d) Compensação indevida de prejuízo fiscal, para o ano-calendário de 2003, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75%. O prejuízo fiscal foi apurado no 4° trimestre de 2003 no valor de R$ 23.710,49, tendo em vista as reversões dos prejuízos após os lançamentos das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003. Houve o lançamento do PIS e COFINS para as infrações dos itens "a" e "h" e de CSLL para as infrações dos itens "a" a "c". Houve o lançamento do IRRF em face de pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, conforme itens 6.4, 5.1 (pagamentos efetuados à Ubigás) e 5.4 do TVF (compras de álcool hidratado). Foi aplicada multa de 150%. A justificativa pormenorizada para aplicação da multa qualificada consta no item 9 do TVF de fls. 625 a 631. A ciência dos lançamentos se deu em 22.12.2006. O valor total do crédito tributário lançado supera R$ 21 milhões. Foram incluídos como responsáveis solidários os acionistas/administradores, conforme art. 134, III, do CTN: o espólio do Sr. Antonio Carlos Chebabe, Maria Cristina Chebabe Elias e Osmar Silva Gonçalves. A fiscalização afirma que a ação fiscal foi iniciada com base nas investigações conduzidas pela Polícia Federal, a qual apontou uma organização criminosa instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, voltada para o cometimento de crimes de sonegação fiscal. Essa organização denominada de "Rede Chebabe" era comandada por Antonio Carlos Chebabe e seu genro Djanir Soares de Azevedo, conforme relato em despacho proferido pelo Ministério Público Federal. No centro dessa organização encontrava-se a empresa Ubigás Petróleo, tendo como sócios os srs. Abel Benevides de Azevedo e Albenir Soares de Azevedo, ambos funcionando como laranjas da empresa, em troca de remuneração mensal, mas que, o sócio de fato da empresa era o sr. Antonio Carlos Chebabe. A fiscalização faz extensa explanação sobre as razões dessa conclusão. • 5.1 do TVF: pagamentos sem causa à Ubigás Petróleo A Polícia Federal apreendeu a contabilidade paralela da Ubigás Petróleo. As pessoas que pertencem ao grupo CHEBABE são identificadas nessa contabilidade por meio de códigos. Da análise da contabilidade paralela e dos demais documentos disponibilizados, a fiscalização concluiu que os códigos referem-se às seguintes pessoas: X1 - Chebabe Transportes S/A (atual AGE — Logística e Transportes S/A), X4 - Chebabe Cereais S/A, X9 - Chebabe Pneus Ltda, X11 - Chebabe Distribuidora de Petróleo (atual PUIG Distribuidora de Petróleo S/A), Km 10 - Campos Garoupa Ltda, "ACC, 133 e Fundo de Reserva" — Sr. Antonio Carlos Chebabe. Para cada código apontado, a fiscalização evidencia as razões que a levaram a essa conclusão. 4 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.• 1401-00.002 Fl. 2.802 A fiscalização afirma que o Sr.Antônio Carlos Chebabe de fato era o verdadeiro dono da empresa Ubigás Petróleo Ltda, e que os Srs. Abel Benevides de Azevedo e Abelnir Soares de Azevedo figuravam apenas como interpostas pessoas dessa empresa. A empresa Ubigás Petróleo exercia a atividade de transportador, revendedor retalhista de querosene, óleo diesel, óleo BPF, derivados de petróleo em geral, exceto gasolina, álcool carburante e gás liquefeito de petróleo (GLP) Na atividade comercial da Ubigás, seus clientes liquidavam suas obrigações com a empresa repassando os cheques recebidos em seus postos. Além desses recursos a empresa também recebia cheques emitidos por outras empresas do grupo, muitas vezes por mera liberalidade, não tendo essas empresas negócios comerciais ou financeiros com a Ubigás. Só a Chebabe Cereais no período de 2001 a 2003 repassou à Ubigás o montante de R$ 768.962,00. Os cheques recebidos por essa empresa eram utilizados para quitar suas obrigações. Todavia, a empresa não liquidava somente as obrigações contraídas por ela. Os recursos muitas vezes serviram para liquidar obrigações contraídas por outras empresas do grupo. Essas operações, tanto do recebimento de cheques, como da utilização de recursos para quitação de títulos de terceiros, em nenhum momento foram registradas nos livros oficiais da Ubigás, tampouco nos Livros das demais pessoas do grupo. Assim, os pagamentos da Chebabe Cereais à Ubigás mediante a entrega de cheques só eram registrados na contabilidade paralela da Ubigás (nos documentos identificados como "Boletim de Caixa do dia ..." ou nos documentos que identificam os cheques recebidos pela Ubigás — relatório "R11") contabilidade esta apreendida pela Polícia Federal. Na escrita contábil da Chebabe Cereais, a empresa debitava a conta caixa e creditava a conta Bancos, como se houvesse descontado os cheques na agência bancária para reforçar o caixa da empresa. Mas, esses cheques foram utilizados pela Ubigás para liquidar não só as suas obrigações como as de outras empresas do grupo. A fiscalização relaciona às fls. 521/532, uma amostra dos cheques emitidos pela Chebabe Pneus, AGE e PUIG, em favor da Ubigás, bem como uma amostra dos pagamentos efetuados pela Ubigás em favor da AGE — Logística e Transportes, da Chebabe Pneus, da PUIG e do sr. Antonio Carlos Chebabe. Ressalta que todas essas pessoas compõem o "GRUPO CHEBABE". Esclarece que com a quebra de sigilo bancário do GRUPO CHEBABE, autorizada pela Justiça Federal, o Banco Bradesco foi intimado a enviar à fiscalização cópia de cheques emitidos pela Chebabe Cereais e documentos que informassem a destinação dada aos referidos cheques (fl. 756/776). Em 22.03.2006, pelo TIF de fls. 313/317, a fiscalizada foi intimada a esclarecer o motivo de ter emitido os cheques especificados em favor da Ubigás, "cheques esses utilizados por esta empresa em suas operações comerciais". Também foram solicitados esclarecimentos em relação aos lançamentos contábeis, uma vez que somente havia a contabilização dos ingressos de recursos no caixa, por meio de lançamentos a débito da conta Caixa e a crédito da conta Banco, não havendo a contabilização das saídas dos recursos para pagamento à Ubigás. Na intimação foram relacionados 9 cheques que totalizaram R$ 843 mil. A fiscalizada respondeu que os cheques foram efetivamente utilizados para suprimento de caixa, porém em vez de sacados na "boca do caixa", foram trocados por dinheiro junto à Ubigás e como o cheque é ordem de pagamento à vista, o lançamento contábil (ïe, s Processo n° 10707.001578/2006-83 SI -C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.803 efetuado foi a débito da conta Caixa e a crédito da conta Banco. Declarou ainda que não havia o registro contábil do pagamento à Ubigás porque simplesmente não houve qualquer negócio jurídico entre as duas empresas. A fiscalização afirmou que a fiscalizada jamais registrou em sua contabilidade a troca de cheques por recursos provenientes da Ubigás. Destaca a fiscalização que há a necessidade de a fiscalizada descrever no histórico dos lançamentos contábeis as operações envolvendo a troca de cheques por moeda em espécie, fato este que não ocorreu, uma vez que, o histórico dos lançamentos apenas descreve a baixa de determinado cheque, como se este tivesse sido descontado na "boca do caixa" da instituição bancária, sendo que em nenhum momento, a Ubigás registrou as operações de troca de cheque em seus livros contábeis. Destaca também que em relação a suposto suprimento de caixa efetuado pela Ubigás, tratando-se de empresa ligada, haveria a necessidade de a fiscalizada comprovar o efetivo recebimento dos recursos provenientes daquela. Acrescenta que as operações feitas em moeda corrente têm exatamente como falha, a falta de documentação hábil e idônea conseqüente que comprove sua efetividade e, cabendo o ônus de tais comprovações à fiscalizada, deve ela arcar com as conseqüências da escolha de um método de transferência que não seja eficazmente comprovável. Tanto a fiscalizada como as outras empresas que compõem o GRUPO CHEBABE emitiram cheques em favor da Ubigás sem que houvesse entre elas qualquer transação comercial ou financeira. Os cheques recebidos por essa empresa eram registrados em seus boletins de caixa ou em seus relatórios "1111". Nos boletins constam os recebimentos e pagamentos efetuados pela Ubigás. Nos relatórios "R11" são identificados os cheques recebidos pela Ubigás que eram entregues ao Bradesco para depósitos, pagamentos de títulos etc. A fiscalização exemplifica com o histórico dos lançamentos contábeis. Conclui que os cheques emitidos pela fiscalizada cujo favorecido foi a UBIGÁS, não foram trocados por dinheiro nem se destinaram a nenhuma transação comercial ou financeira entre a fiscalizada e a Ubigás, sendo considerados como pagamentos sem causa ou motivo jurídico, estando sujeitos à incidência do IRRF, conforme § 1° do art. 674 e o o inciso IV, do art. 841, do RIR199. Tais cheques foram utilizados para financiar o GRUPO CHEBABE, onde a Ubigás por diversas vezes quitou obrigações suas e de empresas integrantes do grupo. Consta no TVF que os documentos comprobatórios da infração encontram-se às fls. 310 a 335, 336 a 703 do Mexo 1, e 777 a 1573 do processo. Tendo em vista que a maioria dos recursos provenientes dos cheques utilizados para pagamentos à Ubigás ingressou no caixa da fiscalizada, não havendo a correspondente saída dos mesmos quando do pagamento àquela empresa, fez-se necessário o ajuste da conta Caixa, conforme tópico 5.5 — saldo credor de caixa. Os cheques cujos pagamentos foram efetuados à UBIGAS estão relacionados às fls. 387 dos autos e totalizam a importância de RS 768.962,00 e os lançamentos contábeis na conta caixa se referem ao período de 30.07.2001 a 11.03.2003. • 5.2 do TVF: CONTABILIDADE PARALELA • 6 Processo n°10707.001578/2006-83 SI -C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.804 Como citado anteriormente, a investigação conduzida pela Policia Federal, apontou para a existência de uma organização criminosa, voltada para o cometimento de crimes de sonegação fiscal nas transações comerciais realizadas com produtos derivados de petróleo, tendo como centro das operações a empresa UBIGÁS. Nos monitoramentos realizados foi possível estabelecer uma divisão de tarefas entre aqueles que organizavam as atividades fraudulentas do GRUPO CHEBABE e os agentes públicos envolvidos. Para a comprovação do esquema foram determinadas pela Justiça Federal operações de busca e apreensão de documentos e computadores nos endereços das pessoas fisicas e jurídicas vinculadas ao GRUPO CHEBABE. Na oportunidade, a Polícia Federal apreendeu mídias eletrônicas nas dependências da Chebabe Cereais. O Núcleo de Criminalística — NUCRIM — do DPF enviou à fiscalização o Laudo n° 10.450/04-SR/RJ do exame em mídia de armazenamento computacional acompanhado de dois DVDs com conteúdo dos dados apurados (fls. 747/755). Por meio de análises efetuadas nessas mídias foi verificada a existência de arquivos contábeis e fiscais onde eram registradas operações efetuadas pela empresa, muitas delas não contabilizadas em seus livros Diário e Razão. Um dos arquivos relaciona as compras efetuadas pela fiscalizada e pagas por ela, no período de 08.03.95 a 27.08.2003. As compras registradas nos Livros de Registro de Entradas (livros oficiais) estão inseridas nessa relação. A relação de compras encontra-se às fls. 1 a 210 do Anexo 2. As compras cujo campo "série" é identificado como "CPF" não foram registradas em seus livros oficiais. Essas compras foram adquiridas e pagas pela empresa, porém, parte das notas fiscais foi emitida em nome de terceiros. Outro arquivo identifica os pagamentos efetuados pela fiscalizada a seus fornecedores. Diversos pagamentos relacionados nesse arquivo estão contabilizados pela empresa em seus livros Diário e Razão. A relação dos pagamentos encontra-se às fls. 211/870 do Anexo 2. Os pagamentos relacionados às compras cujo campo série do arquivo primeiro é identificado como "CPF" não foram contabilizados pela fiscalizada em seus livros oficiais. O terceiro arquivo identifica os lançamentos contábeis das operações efetuadas pela empresa. Da mesma forma que os demais arquivos, contempla os lançamentos registrados nos Livros Diário e Razão da empresa. Contém lançamentos a partir de 01.07.2002. A relação dos mesmos encontra-se às fls. 871 a 1614 do Mexo 2. Os arquivos estão armazenados na pasta EXPORT do DVD identificado como "LAUDO 10450/04-SR/RJ — CÓPIA 2/2, que se encontra na contracapa do processo. A partir da análise dos arquivos contidos na mídia apreendida pela Polícia Federal verificou-se que: a) Todas as compras cujo campo "SERIE" equivale ao código "CPF" não foram registradas nos livros Registro de Entrada apresentados pela empresa à fiscalização. Da mesma forma, os pagamentos relacionados a tais compras não foram contabilizados pela empresa; est( 7 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.805 b) Os pagamentos de determinadas compras cujos campos "SERIE" equivale ao código "Ml" foram registradas nos livros Diário e Razão por valores inferiores aos registrados nos arquivos contábeis ou, não foram contabilizados nos livros oficiais; c) Diversos pagamentos relacionados às compras referidas nas letras "a" e "b" se deram por meio de emissão de cheques da empresa; d) A partir de julho de 2002, houve a possibilidade de identificar os recursos que foram utilizados para quitar as obrigações contraídas pela empresa em nome próprio ou de terceiros, por meio dos lançamentos registrados no arquivo "lanclote[225].dbf". Com o objetivo de apurar os fatos, foi procedida a intimação tanto à fiscalizada quanto aos fornecedores da empresa e foi tomado a termo depoimentos de pessoas envolvidas nessas operações. A fiscalizada foi intimada a esclarecer as operações de compras efetuadas pela empresa, a apresentar as notas fiscais emitidas pelos diversos fornecedores e a apresentar os pedidos de compras identificados nos arquivos e foram enviadas planilhas relacionadas às operações. Na intimação foi feito breve relato da análise desenvolvida nos arquivos magnéticos contidos na mídia apreendida pela Polícia Federal na sede da empresa. A fiscalizada respondeu declarando não reconhecer as operações listadas nas planilhas, bem como não reconhecer como sendo seus os registros de dados de informática (fl. 359). Nas circularizações efetuadas junto aos fornecedores da fiscalizada, estes foram intimados a apresentar as cópias das notas fiscais emitidas contra a CHEBABE Cereais, os esclarecimentos quanto à forma de quitação das mercadorias vendidas à CHEBABE Cereais, os documentos de comprovação dos pagamentos, os nomes dos responsáveis pela negociação de compra e venda de mercadorias, tanto na empresa circularizada quanto na fiscalizada, e a forma de negociação das vendas junto à fiscalizada. As circularizações foram efetuadas junto à (i) Indústria Andrade Latorre S/A, (ii) Indústria de Fósforos Catarinenese Ltda, (iii) União Fabril Exportadora S/A UFE, (iv) CADM Consultoria e Administração Agroindustrial Ltda. Também foram tomados depoimentos do Sr. Luiz Fernando Ribeiro Parente, um dos fornecedores da fiscalizada (fls. 1972/1979) do anexo 2. Este senhor é produtor de cana-de-açúcar e comercializa a matéria prima junto às diversas Usinas de Campos de Goytacazes. Outras intimações e depoimentos ocorreram em relação às seguintes pessoas físicas e jurídicas: intimações para (i) Rodoviário Sol Nascente, (ii) Mário Orlando Júnior, sócio da Pinheiro Filho & Cia Ltda; depoimentos para (i) Geovane dos Santos Pinto, responsável pelo transporte de mercadorias adquiridas pela fiscalizada da União Fabril (fls. 2006/2014 do anexo 2); Alexandre Ribeiro de Souza, empregado da fiscalizada até 1999 e sócio da Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda e casado com a neta do sr. Antonio Carlos Chebabe, (iii) Antonio Augusto de Souza Russo, sócio da empresa Rodoviário Sol Nascente Ltda (fls. 1985 a 1989 do anexo 2) fls. 1985/1989 do anexo 2, (iv) Marlon Ferreira Barbosa, vendedor da empresa União Fabril Exportadora S/A desde 1996 (fls. 2025/2042 do anexo 2), (v) Sandra Cristina Ribeiro Carvalho que trabalhou na fiscalizada desde 1994 (fls. 2043 a 2051 do anexo 2), (vi) Sr. Osmar Silva Gonçalves, diretor-comercial da fiscalizada (fls. 2052/2061 do anexo 2), (vii) Sr. José Breno Campos, contador da fiscalizada (fls. 2062/2070 do anexo 2). (1? s Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.806 Concluiu a fiscalização que: a) A fiscalizada adquiriu mercadorias em nome de terceiros que tinham como destino final as dependências da empresa. A negociação dessas mercadorias era executada pela funcionária da empresa Sra. Sandra cumprindo ordens de seus patrões, os srs. Antonio Carlos Chebabe e Maria Cristina Chebabe Elias; b) Nesse esquema de sonegação fiscal, houve a participação de no mínimo três empresas: Auto Serviço Vila Capixaba Ltda, Auto Posto Ultra Rápido Ltda e Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda, todas com domicílio no Estado do Espírito Santo. Uma das empresas, a Cash Comércio, tinha como sócio o sr. Alexandre Ribeiro de Souza, genro da sra. Maria Cristina Chebabe Elias, que é filha do sr. Antonio Carlos Chebabe; c) Ao analisar as informações constantes dos Sistemas de Informação da SRF, constatou que a única empresa que teve receita no período de 2001 a 2003 foi a empresa Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda, no montante de R$ 329,80, obtida no ano- calendário de 2002. Esta empresa vem apresentando suas declarações, como inativa desde o ano de 2004. Já as empresas Auto Serviço Vila Capixaba Ltda e Auto Posto Ultra Rápido Ltda apresentaram suas últimas declarações, a DIRPJ 1997, no ano de 1998. Ambas se encontram inaptas desde 22.02.2003 pelo motivo de "omissa não localizada" (fl. 2103 a 2113 do anexo 2); d) Em depoimentos tomados na DRF de Campos dos Goytacazes junto aos responsáveis pelo transporte das mercadorias, os Srs. Antonio Augusto de Souza Russo, sócio da empresa Rodoviário Sol Nascente, e Geovane dos Santos Pinto, declararam que as mercadorias adquiridas em nome de terceiros pela fiscalizada eram descarregadas nas dependências desta empresa; e) As mercadorias adquiridas em nome de terceiros pela fiscalizada foram pagas com recursos da empresa, uma parte utilizando recursos mantidos em conta corrente, em torno de R$ 3,1 milhões, mas, tanto as compras como os respectivos pagamentos não foram contabilizados em seus livros Diário e Razão e Registro de Entradas; O A fiscalizada contabilizou a aquisição de determinadas compras por valor inferior ao registrado em seus arquivos contábeis (contabilidade paralela — campo "SÉRIE" equivalente ao código "Ml"). O detalhe importante é que os cheques utilizados para pagamentos dessas compras tinham o valor idêntico ao valor do pagamento escriturado na contabilidade paralela — arquivo de pagamento "iop[179].dbf". Outra parte das compras — Série MI — nem contabilizada foi. Tratamento dado aos pagamentos: a) Pagamentos efetuados por meio da emissão de cheques de titularidade da Chebabe Cereais: Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "CPF" — o caixa da empresa foi ajustado por meio do lançamento a crédito, tendo em vista que os recursos relativos aos cheques emitidos pela Chebabe Cereais ingressaram no caixa da empresa sem que houvesse a contabilização dos pagamentos. A relação de tais pagamentos consta da planilha "COMPRAS — CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE CPF — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA" — fls. 388 a 389); Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "Ml". O caixa da empresa foi ajustado por meio do lançamento a crédito da diferença entre o valor pago e o escriturado pela empresa, tendo em vista que a Chebabe Cereais registrou somente uma parte do pagamento. A relação consta da planilha 9 Processo n° 10707.001578/2006-83 S1-C4T1 Acórdão n.°1401-00.002 Fl. 2.807 "CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE MI — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA" FLS. 390; b) Pagamentos efetuados por meio de outros recursos: Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "CPF" — havia indícios de que esses pagamentos teriam sido feitos com recursos estranhos à contabilidade. A relação dos mesmos consta da planilha "CONTABILIDADE PARALELA — DEMAIS PAGAMENTOS — SÉRIE CPF" fls. 371 a 385; Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "Ml" — Havia indícios de que parte desses pagamentos havia sido efetuada com recursos estranhos à contabilidade. Os pagamentos não quitados por meio da emissão de cheques estão relacionados na planilha "CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE M1 — DEMAIS PAGAMENTOS" fls. 386. Em relação aos pagamentos do item "b" — pagamentos não contabilizados — a empresa foi intimada (fls. 365/492), a esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados para quitar as diversas obrigações da empresa, uma vez que deixou de contabilizar diversos pagamentos. A empresa respondeu que não reconhecida a contabilidade paralela, não reconhecia os pagamentos efetuados e as compras mencionadas. Não tendo a empresa, prestado os esclarecimentos sobre a origem dos recursos, o fisco, presumiu amparado no inciso II, art. 281, do RIR/99, que a origem de tais recursos encontra-se na omissão de receitas. • 5.3 do TVF: Auditoria da conta fornecedores A fiscalizada foi intimada a apresentar documentos hábeis que comprovassem os lançamentos na conta fornecedores. Esta respondeu que não localizou diversas duplicatas. Paralelamente foram emitidos MPFE às empresas com as quais o sujeito passivo manteve transação de compra de mercadorias nos anos-calendário de 2000 a 2003. As empresas foram intimadas a elaborar planilha com a relação das vendas de mercadorias/serviços efetuadas à empresa CHEBABE. Atendidas as intimações foi efetuado o confronto das informações constantes das planilhas apresentadas pelas empresas com os lançamentos registrados nos livros Razão e também com os lançamentos, cujos comprovantes não haviam sido entregues pela empresa. Constatou a fiscalização, que diversas duplicatas haviam sido baixadas em datas posteriores à da efetiva quitação e outras, nem sequer tiveram a sua baixa contabilizada. O sujeito passivo foi novamente intimado a esclarecer as divergências mencionadas que foram detalhadas. Para confrontar as informações que viessem a ser trazidas pela CHEBABE CEREAIS, alguns de seus fornecedores foram circularizados, sendo solicitados a eles as notas fiscais emitidas contra a fiscalizada e os comprovantes de quitação das compras adquiridas pela fiscalizada. Com base em toda a documentação apresentada pela fiscalizada e pelas diligenciadas, foram identificadas nos anos de 2001 a 2003, irregularidades na Contabilidade da CHEBABE a seguir mencionadas: (i) Pagamentos não contabilizados, (ii) pagamentos contabilizados em data posterior à da efetiva quitação das duplicatas, (iii) incorreções nos registros dos pagamentos, tendo em vista que a empresa registrava a baixa das duplicatas creditando a conta fornecedores e debitando a conta caixa. O segundo e o terceiro caso requereram a recomposição da conta caixa da empresa sendo abordados no item 5.5: "saldo credor de caixa". O primeiro caso foi considerado como indício de omissão de receitas (art. 281, II, do RIR/99). A empresa foi novamente intimada (fls. 365/492) a esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados para quitar as diversas obrigações da empresa, uma vez que eço lo Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI • Acórdão n.' 1401-00.002 Fl. 2.808 deixou de contabilizar diversos pagamentos. Em síntese a autuada alegou erros no registro dos pagamentos, baixa em data posterior, e que a origem dos recursos foi o caixa da empresa. A fiscalização concluiu que se a contribuinte tivesse liquidado as suas obrigações com recursos do caixa, deveria contabilizar os pagamentos devidamente. A fiscalizada alegou ainda: que em relação às operações com a Rio de Janeiro Refrescos, não houve as compras efetuadas por meio das notas fiscais de que trata o item 1.1. da intimação, bem como não considerava como documentos comprobatórios dos pagamentos a relação de sacados fornecida pela instituição financeira e que não havia prova do recebimento das mercadorias. Em relação a esse fato, a fiscalização considerou que os documentos que a fiscalização dispõe são incontestes. A Rio de Janeiro Refrescos foi fornecedora de mercadorias do sujeito passivo no período de 2001 a 2003. Como prova das transações, há notas fiscais emitidas contra a fiscalizada e também, comprovantes de pagamentos relacionados a tais notas. Concluiu a fiscalização que a falta de contabilização de pagamentos de obrigações autoriza, de forma relativa, a presunção de que tais obrigações foram pagas com recursos à margem da escrituração. Exige-se para afastá-la, a prova de que os recursos não são originários de receitas omitidas. Inexistindo a prova, prevalece a presunção (art. 281, II, do RIR199). Os elementos de prova da fiscalização estão relacionados às fls. 576/578. • 5.4 e 6.3 Compras de álcool hidratado A empresa no ano-calendário de 2001 adquiriu para revenda álcool hidratado de três empresas domiciliadas na cidade de Campo de Goytacazes (Disnabe, Hart e Sanibrás) e foi intimada a comprovar os pagamentos. Concluiu a fiscalização, que os documentos apresentados (fls. 252 a 255 e 272 a 278) não foram hábeis para comprovar as compras efetuadas. Foram analisadas as declarações das três empresas mencionadas do ano-calendário de 2001 e verificou-se que estas não declararam receitas naquele ano, sendo que a Hart e a Disnabe apresentaram declarações como inativas e a Disnabe, optante do Simples, apresentou declaração com receita nula. Tais empresas foram intimadas a informar a data de quitação dos títulos relacionados às notas fiscais emitidas por elas contra a CHEBABE e a apresentar os respectivos comprovantes de quitação. Os sócios das três empresas negaram ter comercializado com a CHEBABE. A sócia da Sanibrás declarou que nunca efetuou venda à CHEBABE e/ou suas filiais, informando que sua sala foi arrombada e que documentos importantes foram furtados. Apresentou cópia de jornal datada de 01.12.2000, com o anúncio do extravio de seus talões de notas fiscais de n° 0001 a 1500. As notas apresentadas pela CHEBABE como de emissão da Sanibrás fazem parte dessa numeração. As informações trazidas pela autuada eram de que parte das compras de álcool havia sido quitada por meio de pagamentos efetuados com cheques da empresa e que os mesmos haviam sido devidamente contabilizados (pagamentos à Hart e Disnabe), e que a outra parte havia sido paga com recursos de caixa. Como a maior parte dos cheques emitidos pela empresa era de sua conta mantida junto ao Bradesco, solicitou-se a esse Banco, cópias frente e verso de tais cheques e destinação dada aos mesmos. Dos cheques recebidos constatou-se que nenhum dos cheques foi depositado em contas dos fornecedores de álcool. Encontravam-se entre os beneficiários dos recursos diversas pessoas, entre elas, a empresa Ubigás (de propriedade do Sr. Antonio Carlos Chebabe), a CADM e a Usina Cupim (ambas fornecedores de açúcar da CHEBABE). (ll Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.809 Diante desses fatos, a empresa foi intimada a justificar o motivo de os pagamentos das compras de álcool hidratado por meio de cheques terem sido feitos a diversas pessoas e não às empresas Hart e Disnabe. Deveria justificar a causa/finalidade dos pagamentos terem sido efetuados a essas pessoas e não aos fornecedores, com documentação idônea. Respondeu a autuada que as empresas Hart e Disnabe faltaram com a verdade ao afirmarem não ter realizado comércio com ela. No tocante aos cheques informou que os mesmos foram entregues ao portador e o fato de terem sido descontados em favor de pessoas diversas deveria ser explicado por essas empresas. Como havia indícios de que as operações envolvendo a compra de álcool não haviam ocorrido, tomou-se necessário circularizar as pessoas que possivelmente estariam envolvidas nas operações de compra e venda de álcool hidratado. De posse das notas fiscais de venda emitidas pela CHEBABE, recebidas pela fiscalização foram extraídos dados que identificaram as pessoas responsáveis pelo transporte do álcool, os veículos utilizados no transporte e os adquirentes do produto (fls. 268 do Anexo 4). Aos adquirentes de álcool foi solicitada a apresentação dos seguintes documentos: cópias autenticadas das notas fiscais emitidas pela CHEBABE no ano de 2001, cópias autenticadas dos comprovantes de quitação das obrigações da empresa junto à CHEBABE, cópias autenticadas das folhas do Diário onde as operações estaria registradas. Aos transportadores do produto, responsáveis pelos fretes, foram solicitados esclarecimentos e documentos. Além das circularizações efetuadas no decorrer da ação fiscal foram colhidos depoimentos de pessoas ligadas ao caso, como os sócios da Hart e da Disnabe, o contador da CHEBABE e seu diretor comercial. Desses depoimentos concluiu o autuante que as empresas Hart, Disnabe e Sanibrás pertencem à mesma pessoa, o Sr. Eduardo Brasileiro Pinto, o qual é sócio de direito da Hart. As duas últimas empresas são representadas por interpostas pessoas, a funcionária Andréa Monteiro Cordeiro e a Sra. Antonia Brasileiro Pinto, mãe do Sr. Eduardo. Essas empresas forneceram notas fiscais frias à CHEBABE. A Sra. Andréa, sócia da Disnabe foi uma das responsáveis pelo preenchimento de diversas notas emitidas pela Hart e pela Sanibrás. Essas informações foram prestadas pela Sra. Andréa em seu depoimento e vêm a ser corroboradas com o exame grafotécnico efetuado pela Polícia Federal de fls. 716 a 720. Segundo a Sra. Andréa, a ordem para o preenchimento das notas fiscais partia do Sr. Eduardo Brasileiro, que já havia trabalhado na empresa CHEBABE. Os blocos de notas fiscais n° 01 a 1500 que segundo a Sra. Antonia Brasileiro haviam sido furtados da empresa Sanibrás, foram utilizados no esquema. Em relação à Disnabe, foram apresentados à fiscalização dois talonários de notas fiscais de n° 1 a 50 e de 51 a 100, ambos sem preenchimento. Percebe-se que existiam talonários paralelos, com a mesma numeração, utilizados nas simulações das operações de venda de álcool hidratado para CHEBABE (fls. 414 a 444 e 497/526 do Anexo 4). Concluiu a fiscalização que: a) A empresa CHEBABE não adquiriu álcool hidratado das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás; b) Os cheques utilizados para a "compra de álcool hidratado" foram usados para outros fins (fls. 562 a 611 do Anexo 4); (3/ 12 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.810 c) As vendas no período existiram, pois recursos ingressaram no caixa da empresa, porém não foram para as pessoas discriminadas nas notas fiscais, nem necessariamente a mercadoria ou produto vendido tenha sido álcool hidratado; d) Não houve fretes especificados nas notas fiscais. Tendo em vista que as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart não receberam os recursos da CHEBABE e esta registrou pagamentos àquelas empresas, concluiu a fiscalização que esses pagamentos são considerados como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, estando sujeitos à incidência de IRRF, conforme art. 674 e inciso IV do art. 841 do RIR/99. Do total de pagamentos foram excluídos aqueles efetuados por meio de cheques onde se identificou o beneficiário e a causa da operação. As operações identificadas se referem às compras não contabilizadas pela empresa em que os pagamentos constam na contabilidade paralela identificada pelo arquivo lop[179].dbr. Tais pagamentos fazem parte da planilha "COMPRAS — CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE CPF — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA" às fls. 388 a 389. Não comprovadas as compras de álcool hidratado glosou-se o custo do produto vendido que foi levado para a conta de resultado. Adicionou-se o custo ao lucro líquido conforme art. 281, I, do RIR/99. Os custos indedutíveis compõem a base de cálculo do IRPJ e CSLL e foram adicionados ao lucro líquido, conforme art. 249, I, do RIR/99 (e art. 2° da Lei 7.689/88, para a CSLL). • 5.5 e 6.2 do TVF: Saldo credor de caixa O saldo credor de caixa teve sua origem na recomposição do caixa efetuada por meio de ajustes dos lançamentos relacionados às operações envolvendo: a) Cheques que foram utilizados para pagamentos à UBIGAS, conforme item 5.1 do TVF; b) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome de terceiros. Estas compras foram contabilizadas pela CHEBABE em sua contabilidade oficial e muitas delas foram adquiridas em nome de empresas situadas no Estado do Espírito Santo (Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda, Auto Serviço Capixaba Ltda e Auto Posto Ultra Rápido Ltda). A relação das compras como de seus pagamentos consta nos arquivos contábeis presentes nas mídias apreendidas pela Policia Federal. São as compras identificadas no campo "SÉRIE" do arquivo "Entrada[109]dbf" e "iop[179].dbr pelo código "CPF". O sujeito passivo contabilizava a baixa dos cheques utilizados para pagar suas obrigações a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, como se os recursos bancários estivessem ingressando no caixa da empresa. Todavia não havia registro dos pagamentos efetuados. Dessa forma, o caixa ficava com saldo inflado, tornando-se irreal. Assim fez-se necessário o ajuste de caixa por meio do lançamento a crédito nessa conta. A relação dos cheques integra a planilha "COMPRAS — CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE CPF — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA", às fls. 388/389. Cópia dos cheques e dos extratos bancários às fls. 2137 a 2255 do Mexo 2. (tr 13 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 19. 2.811 c) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome próprio. Os pagamentos por essas compras foram contabilizados pela CHEBABE por valor inferior ao registrado na contabilidade paralela. Foi feito o ajuste do caixa por meio do lançamento a crédito nessa conta das diferenças apuradas entre o valor dos cheques e os respectivos pagamentos. Planilha às fls. 330 e cópia dos cheques e extratos às fls. 2137 a 2255 do Anexo II. d) Baixa de duplicata em data posterior à do efetivo pagamento. Houve o ajuste do caixa da empresa, regularizando os lançamentos para as datas da efetiva quitação dos títulos. Os lançamentos sujeitos a ajuste estão relacionados na planilha "POSTERGAÇÃO DO REGISTRO DE PAGAMENTOS", às fls. 412/417. A descrição dos fatos relacionados à inflação encontra-se no tópico 5.3 — AUDITORIA DA CONTA FORNECEDORES. e) Incorreções nos registros das baixas de duplicatas. A autuada registrou de forma incorreta a baixa de duplicatas por meio do lançamento a débito da conta Caixa e a crédito da conta fornecedores, quando deveria adotar o procedimento inverso. Em alguns casos, a empresa tentou ajustar o lançamento por meio de operação inversa, registrando tal operação em outra data. Devido a essas incorreções fez-se necessário o ajuste do caixa da empresa, regularizando os lançamentos por meio de operações inversas. Os lançamentos sujeitos a ajuste estão relacionados na planilha de fls. 418. A descrição dos fatos encontra-se no tópico 5.3 — AUDITORIA DA CONTA FORNECEDORES. Diante dos fatos apurados foi procedida a recomposição do caixa da empresa (fls. 419 a 491), regularizando os lançamentos para as datas da efetiva quitação dos títulos. Os saldos iniciais da conta caixa do mês de janeiro dos anos de 2001, 2002 e 2003 e os totais dos valores debitados e creditados diariamente nessa conta fazem parte das planilhas às fls. 392 a 411. Estes dados foram obtidos da conta caixa às fls. 1059 a 1117. Após os ajustes foram apurados saldo credor de caixa em diversos meses que correspondem aos maiores saldos credores verificados no mês. Em determinados períodos, mesmo sem a utilização de qualquer ajuste no caixa da empresa, este já apresentava saldo negativo. Após a recomposição do caixa, a autuada foi intimada a esclarecer a origem dos recursos utilizados para a quitação dos títulos e demais pagamentos, tendo em vista que havia sido verificado, saldo insuficiente para dar suporte às obrigações baixadas pela mesma. A empresa respondeu que em relação ao saldo credor de caixa, que não reconhecida as compras mencionadas e os pagamentos efetuados e, portanto, não teria motivo para justificar a origem dos recursos que não utilizou. • 6.4: Pagamentos sem causa e/ou a beneficiário não identificado Neste item, os autuantes tratam dos pagamentos sem causa à Ubigás Petróleo, cujos fatos estão descritos no item 5.1. Tratam também de pagamentos não comprovados que referem-se a recursos que saíram do caixa e a contas mantidas pela empresa junto às instituições financeiras que 14 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.812 supostamente teriam sido utilizados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores de álcool hidratado, mencionado no item 5.4, (compras de álcool hidratado). A ciência dois autos se deu em 22.12.2006. II — DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO DA TURMA JULGADORA Transcrevo da decisão de primeira instância os argumentos contidos na impugnação: "- o lançamento é nulo, por cerceamento do direito de defesa e por ausência de fundamentação (motivação do ato"; - com relação aos fatos geradores entre 05/01 e 11/01, ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; - compras e pagamentos não registrados: o lançamento não pode prosperar, em face da imprestabilidade dos documentos utilizados para a construção da convicção e pela metodologia irregular — diante de pagamentos não contabilizados, cabe o arbitramento do lucro, por não poder haver tributação sem a consideração de custos ou deve haver recomposição do caixa; não há prova irrefutável do pagamento; solicita diligência para provar que não realizou os negócios jurídicos em tela; - saldo credor de caixa: refeita a conta caixa, sem a exclusão dos cheques lançados a débito nesta conta, não há saldo credor de caixa; - exclusão de custos: trata-se das vendas realizadas às empresas Sanibrás, Disnabe e Hart; a fiscalização se baseou em depoimentos de funcionários das referidas empresas, com lesão ao devido processo legal; seguem as notas fiscais ditas inidôneas, que revelam a legitimidade das operações; - 1RRF do art. 674 do RIR/99: a fiscalização ignorou suas respostas, trata-se de recursos da conta banco para o caixa; sendo regulares as operações com as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart, não se justifica o lançamento; - a multa de 150% viola o princípio do não confisco; - o STJ já decidiu que a taxa selic é inconstitucional, devendo ser aplicada a orientação do Poder Judiciário. Encerra solicitando o provimento das preliminares de nulidade e de decadência, a produção de prova pericial e diligências, a improcedência ou a revisão do lançamento — arbitramento e consideração dos custos, redução da multa para 20% e exclusão da taxa selic — com efeitos estendidos aos lançamentos reflexos. O lançamento foi considerado procedente. Transcrevo algumas das ementas: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — 1RPJ 15 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão rif 1401-00.002 Fl. 2.813 Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 [...1 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A constatação de saldo credor na conta Caixa, sem que o sujeito passivo comprove erros na escrituração e na conciliação da conta, autoriza a presunção de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Não elididos os fatos apontados pela fiscalização, suficientes para jus «ficar a exação, deve ser mantido o lançamento. GLOSA DE CUSTO. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custo requer a prova documental hábil e idónea das respectivas operações [...] Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à aliquota de 3596, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sécios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não foi comprovada a operação ou a sua causa. III — DO RECURSO VOLUNTÁRIO A ciência da decisão de primeira instância se deu em 14.05.2007 e o recurso foi apresentado em 12.06.2007. A recorrente apresenta argumentos de nulidade e de mérito. Nulidade da decisão por ausência de fundamentação (motivação do auto) e por negativa de perícia Afirma que a autoridade julgadora se limita a afirmar que a recorrente não provou suas alegações, sem se dar ao trabalho de expor porque o contribuinte não logrou éxito em sua defesa, nem sequer refutando os pontos questionados na peça de defesa; que a julgadora deixou de motivar o seu ato de julgamento, ou seja, de enunciar as circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocaram o conteúdo de sua decisão, pois, limita-se a afirmar que o recorrente não provou o alegal e "ponto final". 16 Processo n° 10707.001578/2006-83 S 1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.814 Destaca que a exposição de motivos do ato administrativo (motivação do ato) é obrigatória, pois é exigência do devido processo legal, requisito para a ampla defesa do administrado e, portanto, imprescindível em um Estado que se diz Constitucional e de Direito; que em casos como o presente, ela é ainda mais imperiosa, pois o lançamento discutido se apóia em presunções e cria uma situação individual e concreta para o contribuinte que só pode ser mantida se devidamente justificada, sob pena de não haver segurança jurídica. Conclui que tendo em vista a administração não ter exposto todas as razões de ordem jurídica, fática e técnica que justifiquem o seu ato de julgamento, deve-se ter por absolutamente nula a decisão recorrida, sob pena de consagrar a própria negação à garantia fundamental do direito do cidadão a sofrer privações diante apenas de um ato administrativo motivado e justificado. Alega que também é nula a decisão por não ter permitido o acesso da recorrente à produção de prova pericial, sendo também, neste ponto, lesiva à ampla defesa protegida constitucionalmente. Afirma que em momento algum são expostas as razões suficientes para a negativa da realização da perícia, sendo denegada a produção de prova pericial apenas sob a argumentação do recorrente não ter juntado os documentos a serem periciados. Afirma que esse ato viciado consiste em típico erro que acarreta a nulidade do próprio julgamento e contamina todos os atos posteriores e que é nulo porque lesa garantia constitucional do administrado, e trata-se de nulidade absoluta, não havendo possibilidade de saneamento em face da relevância constitucional da proteção do direito de defesa. Da preliminar de decadência Argüi que como estão sujeitos os tributos lançados ao lançamento por homologação, não há que se falar na aplicação do art. 173, I, mas sim do art. 150, § 4° do CTN, porque o lançamento fora praticado há mais de cinco anos a contar do fato gerador. Cita jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes. Da presunção de omissão de receitas a) Em relação à existência de uma suposta contabilidade paralela e "compras e pagamentos não registrados": como relatado na impugnação, a partir de uma possível existência de uma contabilidade paralela, a autoridade fiscal detectou (i) compras não registradas, (ii) pagamentos não registrados, (iii) registro de notas fiscais e pagamentos por valor menor que o efetivamente devido; porém a presunção firmada, tal como concluída, não merece prosperar tendo em vista a imprestabilidade dos "documentos" utilizados para construção da convicção quanto à presunção; b) Com efeito, não pode prosperar o lançamento em face da inidoneidade dos documentos como provas da presunção fixada. Como consta dos relatos fiscais, os "documentos" utilizados para construção da presunção firmada correspondem a registros de informática cujos dados a recorrente não reconhece como verdadeiros; c) Sequer as planilhas indicadas representavam controle próprio da recorrente. Ressalta que não se pode admitir que um lançamento tributário por presunção seja realizado diante de "provas" que consistem em arquivos de computador que sequer estão inseridos em programas próprios de controle contábil; (Xe 17 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão o.° 1401-00.002 F1. 2.815 d) Diante da ausência de elementos de prova objetivos e racionais e, portanto do altíssimo grau de "subjetividade fiscal" presente no lançamento, resta evidente que o mesmo, no que concerne à consideração destes "pagamentos" como omissão de receita do recorrente, apresenta-se absolutamente improcedente; e) Ademais, na prática do lançamento em face da suposta contabilidade paralela, foi utilizada uma metodologia que não pode prosperar. Aborda que foram duas as ações que marcaram a metodologia da autoridade fiscal: (i) se correlacionados os pagamentos com cheques da recorrente, a autoridade fiscal efetuou o lançamento a crédito na conta Caixa, reajustando esta conta com a exclusão destes valores tendo em vista os mesmos terem destino diverso do reforço de caixa, (ii) se não localizados os supostos pagamentos com recursos da contabilidade firmou-se a presunção do total de pagamentos como receita omitida; 1) Porém na situação de se estar realmente diante de compras não registradas e portanto, pagamentos não registrados, deve ser considerada a situação particular do contribuinte, levando-se em conta a atividade econômica desempenhada e a forma de apuração do resultado tributável desta atividade, ou seja, não se pode tributar todos os valores pagos como receita omitida, mas sim deve ser realizado o arbitramento do lucro. Ressalta que na pior das hipóteses, o custo de aquisição das mercadorias não pode ser desprezado, sob pena de serem feridos os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. Aduz que quanto à auditoria da conta fornecedores, a fiscalização recompôs a conta caixa, indicando saldo credor e, portanto, omissão de receita. A auditoria indicou pagamentos contabilizados em data posterior à da efetiva quitação das duplicatas, erro material na baixa dos pagamentos (fornecedores C e Caixa D). Refina essas indicações da auditoria. Afirma que realizou negócios jurídicos com a Rio de Janeiro Refrescos, sendo esta empresa um de seus maiores fornecedores, entretanto, não realizou os negócios jurídicos de que tratam o auto de infração como pagamentos não contabilizados. Diz que relatórios fornecidos pelo banco com as duplicatas supostamente pagas pela recorrente nada provam, pois qualquer pessoa pode criar uma duplicata em nome de qualquer empresa e efetuar pagamento. Entende que faltaram provas da realização ou não dos negócios, tais como: provas da entrega de mercadorias, por meio da entrega dos rodapés das notas fiscais emitidas ou recibos no próprio corpo das notas. Afirma que não há qualquer prova irrefutável de pagamento efetuado pela recorrente, tal como cópia ou microfilmagem de cheque, doc, ou transferência bancária realizados pela recorrente ou ordem de pagamento. Aduz que há apenas relatório bancário onde consta que uma duplicata em nome da recorrente foi paga, o que não caracteriza a certeza de ter sido a recorrente que efetuou o pagamento, o que dizer quanto à realização do negócio jurídico. Pede diligência para que seja intimada a empresa Rio de Janeiro Refrescos para apresentação dos documentos que provem a entrega das mercadorias constantes das notas fiscais discutidas e pede perícia sobre estes documentos Em relação aos lançamentos ditos postergados afirma que se devem a erros contábeis. Afirma que nem sempre a existência, no passivo, de obrigação já paga representa omissão de receitas, pois se os pagamentos foram levados a efeito por meio de recursos internos, ou seja, com recursos de caixa do contribuinte, a prova não é externa e (tf 18 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.816 independe de elementos novos a serem inseridos na contabilidade; diz que a prova pré-existe à fiscalização, pois já consta na contabilidade da empresa, qual seja, a conta caixa; diz que essa é a situação da recorrente. Argumenta que a autoridade fiscal, com relação aos lançamentos registrados em trimestre posterior ao do efetivo pagamento, não utilizou o método da recomposição do caixa, mas sim, computou como receita omitida o total dos valores pagos. Afirma que o único meio adequado de se afirmar a existência de omissão de receita é por meio da recomposição da conta caixa, sendo inidôneo o método utilizado pela autoridade fiscal. Em primeiro lugar, para recomposição da conta caixa não podem ser excluídos os cheques que lançados a débito no conta caixa foram trocados por espécie com a empresa Ubigás; a autoridade fiscal os excluiu para refazimento da conta caixa, ainda tributando estes mesmos cheques pelo IRRF de que trata o art. 674 do RIR99. Mas, como esses recursos efetivamente foram trocados em espécie, não podem ser excluídos da conta caixa. Afirma que não pode haver tributação como omissão de receita de forma direta sobre o valor total dos pagamentos efetuados cujos lançamentos foram supostamente postergados; deve-se retirá-los da data em que o lançamento do pagamento fora indevidamente efetuado para que o lançamento seja refeito considerando a data do efetivo pagamento; refeito o lançamento para fins de verificação fiscal, apura-se o saldo de caixa do período, e caso ocorra saldo de caixa credor, a tributação deve recair sobre o maior saldo credor do perído; com efeito esta é a única forma de aproximar a presunção da realidade sem que se lese o princípio da segurança jurídica e também o da capacidade contributiva. Diz que esta verificação deve ser feita independente da diferença de trimestres de apuração entre o efetivamente pago e a data do lançamento tido como postergado. Alega que a prova pericial negada, enseja nulidade da decisão, por ensejar cerceamento do direito de defesa, uma vez que a impossibilita de usufruir do meio correto para provar as circunstâncias fáticas que cercam o incorreto lançamento do crédito tributário discutido. Ajuste do resultado com exclusão dos custos de mercadorias adquiridas com documentação inidônea (vendas realizadas às empresas Sanibrás, Disnabe e Hart) Argui que por meio da tomada de depoimentos, a autoridade fiscal, ouviu da funcionária destas empresas, que as notas fiscais eram emitidas realmente pelas mesmas e a mando do proprietário de fato das mesmas. Porém, o referido proprietário alega que nunca realizou as vendas. A partir única e exclusivamente desta afirmação, a autoridade fiscal julgou que a documentação de compra do álcool hidratado era inidônea e consequentemente reajustou o resultado da recorrente e efetuu lançamento de oficio do saldo devedor e de ITTF sobre as saídas de caixa para pagamento destas mesmas notas fiscais. Argumenta, que a utilização de informações prestadas por terceiros traduziu- se em ato lesivo ao devido processo legal e que sequer fora informado acerca da oitiva do terceiro e assim, em maior medida, sequer lhe fora dada a oportunidade de refutar as informações prestadas. Conclui que houve lesão ao devido processo legal, por em momento algum lhe foi dada a oportunidade de refutar as informações prestadas pelo Sr. Eduardo Brasileiro e também não fora dada a oportunidade de se afastar, por meio da produção da prova adequada estas informações. Argui que atos viciados consistem em típicos erros que acarretam a nulidade do próprio procedimento e contamina todos os atos posteriores, dentre estes, o ato de lançamento, porque lesa garantia constitucional do administrado, e tratando-se de nulidade 2I9 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401 -00.002 Fl. 2.817 absoluta, não há saneamento em face da relevância constitucinal da proteção do direito de defesa. Lançamento do IRRF (art. 674 do RIR/99) a) Argumenta que supostos pagamentos efetuados à empresa Ubigás sem motivo ou causa aparente: Afirma que os recursos dos cheques foram devidamente lançados a débito na conta caixa, tendo sido contabilmente demonstrado que esses recursos, oriundos diretamente do desconto dos cheques, teve o destino identificado. Entende que conforme comprova a relação de cheques da recorrente movimentados pela Ubigás e que consta no Anexo VI do processo 15521.000140/2006-70 (doc.6) em que a empresa Ubigás sofreu o lançamento de oficio de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, os cheques da recorrente foram compensados no mesmo dia em que lançados os recursos em sua conta caixa, restando evidente a contabilização da troca dos recursos da conta banco para o caixa. b) Da falsidade nas compras e pagamentos feitos junto às empresas Sanibrás. Disnabe e Hart — consideradas as saídas de caixa para pagamento a estes fornecedores como para beneficiários não identificados: Pelas mesmas razões expostas em relação ao ajuste do lucro liquido pela exclusão dos custos das mercadorias a que se referem estas operações com as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart, não pode prevalecer o lançamento, tendo em vista a regularidade das operações junto às empresas mencionadas. Quanto à aplicação da multa de 150% afirma que deve ser afastada no âmbito do processo administrativo, pois representa manifesta ofensa ao princípio constitucional do não-confisco. Afirma que os julgadores esquivaram-se de enfrentar a questão por entender que não lhes compete julgar tais matérias, mas que o processo administrativo tributário consiste em garantia constitucional do contribuinte; que o desrespeito ao processo administrativo e aos princípios que o norteiam representa desrespeito à própria CF. Reitera o pedido para exclusão da taxa selic em vista de sua flagrante inconstitucionalidade, sendo aplicado apenas os juros previstos no CTN, ou seja, 1% ao mês. Pede ao final a nulidade da decisão recorrida, por ter sido proferida em claro cerceamento do direito de defesa devido à ausência de motivação adequada das razões de decidir. Ou que seja declarada a extinção do crédito tributário diante da ocorrência da decadência, ou que seja cancelado por ausência de respaldo legal; ou que seja alterado o lançamento reduzindo-se o percentual da multa, tendo em vista a ausência de constitucionalidade da mesma e a exclusão dos juros pela taxa selic, mantendo-se os juros de 1% ao mês. É o Relatório. Voto Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. (1 0 20 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.818 Trata-se de lançamento do IRPJ, IRRF e contribuições (CSLL, PIS e COFINS), em razão das seguintes infrações: a) Omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa (tópicos 6.2 e 5.5 do Termo de Verificação Fiscal — TVF) para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 150%; b) Omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (tópicos 6.1, 5.2 "contabilidade paralela"e 5.3 "auditoria da conta fornecedores" do TVF), para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75% para a infração relativa a auditoria da conta fornecedores e de 150% para a infração de relacionada com a contabilidade paralela; c) Glosa de custo, para o ano-calendário de 2001, em virtude da contabilização dos documentos inidôneos (tópicos 6.3 e 5.4 do TVF); foi lançada multa de oficio de 150%; d) Compensação indevida de prejuízo fiscal, para o ano-calendário de 2003, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75%. Houve o lançamento do PIS e COFINS para as infrações dos itens "a" e "h" e de CSLL para as infrações dos itens "a" a Houve o lançamento do IRRF em face de pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, conforme itens 6.4, 5.1 e 5.4 do TVF. O lançamento foi considerado procedente pela Turma Julgadora Preliminarmente, a interessada alega nulidade da decisão de primeira instância por: ausência de fundamentação (motivação do ato), negativa de perícia, uso como prova de contabilidade paralela não reconhecida pela interessada, utilização de informações prestadas por terceiros. Também discute a preliminar de decadência. Essas preliminares são apreciadas a seguir. • Nulidade da decisão por ausência de fundamentação (motivação do ato) A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e fundamentou sua decisão. Também rejeitou a preliminar de decadência e fundamentou sua decisão, conforme segue: a) Em relação aos fiindamentos relativos à manutenção do saldo credor de caixa, a relatora faz referência ao item 5.5 do Termo de Verificação Fiscal, em que a fiscalização esclarece a recomposição do caixa efetuada por meio de ajustes dos lançamentos relacionados às operações Destaca a afirmação da fiscalização de que foi procedida a recomposição do caixa da empresa e observa que, em certos períodos, mesmo sem a utilização p 21 Processo n° 10707.00157812006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.819 de qualquer ajuste, o caixa já representava seu saldo negativo. Entendeu a relatora que diante dos fatos relacionados na decisão e minuciosamente descritos no TVF e comprovados por documentos juntados aos autos, a fiscalização agiu corretamente ao realizar a reconstituição da conta caixa. Concluiu que na impugnação, a interessada não apresentou elemento de prova capaz de elidir os fatos apontados pela fiscalização, nem o saldo negativo já existente antes da reconstituição do caixa; b) Quanto à infração de omissão de receitas por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade, entendeu a Turma Julgadora, que conforme art. 332 do CPC não há distinção de provas, sejam elas documentais, testemunhais ou periciais, não havendo prevalência entre elas, bastando, para provar a verdade dos fatos, que sejam legais e legitimas. Assim, a prova da infração fiscal pode se realizar por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes. Conclui que os elementos apresentados pela fiscalização são suficientes para caracterizar a omissão de receita, embasando materialmente a autuação. Com base no art. 24 da Lei 9.249/95 entendeu não prosperar a alegação de ser devido o arbitramento do lucro, porque o valor a ser considerado na determinação da base de cálculo do imposto devido, lançado com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica, é a receita omitida. A dedução dos custos depende da prova efetiva de sua contabilização. Considerou que a falta de escrituração de pagamentos caracteriza omissão de receita (art. 281, II, do RIR199) não havendo amparo legal à pretensão da interessada de dever haver, a recomposição do caixa. Finalmente, concluiu que diante das provas juntadas aos autos pela fiscalização, uma vez que a contribuinte apresentou em sua defesa meras alegações desacompanhadas de elemento de prova capaz de elidir o lançamento, encontra-se caracterizada a omissão de receita. c) Glosa de custos em virtude de contabilização de documentos inidôneos (itens 6.3 e 5.4 do TVF). Conforme item 5.4 do TVF, a fiscalização informa que a interessada foi intimada a comprovar a quitação de obrigações registradas em sua contabilidade. Como não foram apresentados documentos comprobatórios de quitação de compras de álcool hidratado das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás, foram efetuadas diligências. Todos os fornecedores de álcool negaram ter comercializado com a fiscalizada. Foi solicitado ao Banco cópia dos cheques emitidos pela fiscalizada, constatando-se que os cheques não foram depositados nas contas dos fornecedores. A interessada foi novamente intimada a prestar esclarecimentos. Foram solicitados documentos dos adquirentes de álcool e dos transportadores dos produtos; foram colhidos depoimentos de pessoas ligadas ao caso. d) A Turma Julgadora levou em conta as seguintes conclusões da fiscalização em relação à glosa de custos: (i) a autuada não adquiriu álcool hidratados das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás, (ii) os cheques utilizados para a compra de álcool hidratado foram usados para outros fins, (iii) as vendas existiram, porém não foram para as pessoas discriminadas nas notas fiscais e (iv) não houve os fretes especificados nas notas fiscais. Concluiu que a argumentação da interessada não se sustenta, uma vez que, a dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e que é ônus da interessada a prova nesse sentido. Destacou que a prova não se faz apenas com a apresentação das notas fiscais e que o procedimento da fiscalização de exigir a comprovação da quitação das obrigações não merece reparo. Assim, a apresentação de notas fiscais não ilide o lançamento. e) Quanto à multa de oficio de 150%, a Turma Julgadora considerou que a autoridade administrativa não dispõe de competência legal para examinar a 22 Processo n° 10707.001578/2006-83 5I-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.820 constitucionalidaddlegalidade de leis inseridas no ordenamento jurídico nacional, que é competência privativa do Poder Judiciário. Também manifestou-se no sentido de que os juros moratórios foram aplicados de acordo com a legislação vigente. O Quanto ao lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa (itens 6.4, 5.1 e 54 do TVF), de que trata o art. 61 da Lei 8.981/95, levou em conta que na impugnação, a interessada se limita a alegar que a fiscalização ignorou suas respostas; que se trata de troca de recursos da conta banco para o caixa, sendo regulares as operações com as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart. Não juntou nenhum documento fundamentando sua defesa em simples alegações. Concluiu que os fatos apontados pela fiscalização são suficientes para justificar o lançamento, não sendo elididos pela interessada. Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez que a decisão de primeira instância, conforme acima demonstrado está fundamentada. • Nulidade da decisão por negativa de perícia Sobre a negativa de perícia ou diligência, a Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: Quanto ao protesto pela produção de prova pericial e diligências, cabe observar que o inciso HL do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do art. 1° , da Lei 8.748/1993, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. O contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência. Deste modo, indefiro a solicitação de perícia ou diligência. Concluo que a negativa está motivada, conforme trecho transcrito não havendo razão para nulidade da decisão de primeira instância. • Contabilidade paralela como prova A recorrente não reconhece os registros da contabilidade paralela como verdadeiros. Entretanto, os mesmos foram obtidos mediante a apreensão pela Polícia Federal de mídias eletrônicas, nas suas dependências, mediante determinação da Justiça Federal. O Núcleo de Criminalistica do DPF enviou à fiscalização Laudo do exame da mídia. A fiscalização detalha no item 5.2 do TVF as características dos arquivos eletrônicos e de seu conteúdo. O Núcleo de Criminalistica do Depto. de Polícia Federal enviou o Laudo 10.450/04-SR/RJ do exame em mídia de armazenamento computacional apreendida na sede da ()(f 23 Processo n° 10707.001578/2006-83 81-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.821 Chebabe Cereais, acompanhado de dois DVDs com conteúdo dos dados apurados (fls. 747 a 755). Foi verificada a existência de arquivos contábeis e fiscais onde eram registradas operações efetuadas pela empresa, muitas delas não contabilizadas em seus livros oficiais — Diário e Razão: a) Arquivo "Entrada[109].dbr — relaciona as compras efetuadas pela autuada e pagas por ela, no período de 08.03.95 a 27.08.2003. As compras registradas nos Livros de Registros de Entrada (livros oficiais) estão inseridos nessa relação. A relação de compras encontra-se às fls. 1 a 210 do Anexo 2. As compras cujo campo "SÉRIE" é identificado como "CPF" não foram registradas em seus livros oficiais; b) Arquivo "iop[179].dbf" — identifica ao pagamentos efetuados pela Chebabe Cereais a seus fornecedores. Diversos pagamentos relacionados nesse arquivo estão contabilizados pela empresa em seus Livros Diário e Razão. A relação dos pagamentos encontra-se às fls. 211 a 870 do Anexo 2. Os pagamentos relacionados às compras cujo campo "SÉRIE" do arquivo "Entrada[109].dbf" é identificado como "CPF" não foram contabilizados pela Chebabe Cereais em seus livros oficiais; c) Arquivo lanclote[225]dbf" — identifica os lançamentos contábeis das operações efetuadas pela empresa. Da mesma forma que os demais arquivos, este contempla os lançamentos registrados nos Livros Diário e Razão da empresa. Contém lançamentos a partir de 01.07.2002. A relação dos lançamentos encontra-se às fls. 871 a 1614 do Anexo 2. Concluiu a fiscalização que todas as compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "CPF" não foram registrados nos Livros de Registros de Entradas apresentados pela empresa à fiscalização. Da mesma forma, os pagamentos relacionados a tais compras não foram contabilizados pela empresa em seus livros Diário e Razão; os pagamentos de determinadas compras cujos campo "SÉRIE" equivale ao código "MI" foram registrados nos livros Razão e Diário por valores inferiores aos registrados nos arquivos contábeis ou simplesmente não foram contabilizados nos livros oficiais. Diversos pagamentos relacionados às compras mencionadas se deram por meio de emissão de cheques da empresa. A fiscalização aprofundou a investigação, e circularizou fornecedores e outras pessoas fisicas e jurídicas e concluiu que a fiscalizada adquiriu mercadorias em nome de terceiros que tinham como destino final as dependências da empresa; que a negociação dessas mercadorias era executada por funcionária da empresa cumprindo ordens de seus patrões; nesse esquema de sonegação houve a participação de outras empresas que segundo registros da SRF, nos anos de 2001 a 2003 não auferiram receita, sendo que apenas uma delas auferiu receita de R$ 329,80 em 2002; os responsáveis pelo transporte de mercadorias declararam que as mercadorias adquiridas em nome de terceiros pela fiscalizada eram descarregadas nas dependência da empresa; as mercadorias adquiridas em nome de terceiros foram pagas, em parte, com recursos da empresa mantidos em conta corrente, mas tanto as compras como os pagamentos não foram contabilizados nos Livros Razão ou Diário; a fiscalizada contabilizou a aquisição de determinadas das compras por valor inferior ao registrado em seus arquivos contábeis (contabilidade paralela, campo 'SÉRIE" equivalente ao código "Ml"), sendo que os cheques utilizados para pagamento dessas compras tinham o valor idêntico ao valor do pagamento escriturado na contabilidade paralela e outra parte das compras nem contabilizada foi. Assim, a fiscalização não se limitou a utilizar as informações contidas no Laudo. Ela aprofundou a investigação, e pelo conjunto das informações acima mencionadas, g024 Processo n° 10707.00157812006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.822 entre outras constantes nos autos se conclui que a contabilidade paralela serve como prova, uma vez que foram obtidas de forma lícita e que os os indícios colhidos pelos autuantes são graves, precisos e convergentes para permitir o uso da contabilidade paralela como prova. • Nulidade do lançamento por utilização de informações prestadas por terceiros A contribuinte alega nulidade por utilização de informações prestadas por terceiros e pelo fato de não ter sido informada acerca da oitiva do terceiro para que pudesse ter a oportunidade de refutar as informações, e ainda por que não teria sido dada a oportunidade de se afastar por meio da produção da prova adequada essas informações. Entretanto, durante o procedimento fiscal é permitido à fiscalização obter informações de terceiros. A impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim, a oportunidade da contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e posteriormente com a apresentação do recurso voluntário. Conseqüentemente não ocorreu cerceamento do direito de defesa. Rejeita- se essa preliminar de nulidade. • Preliminar de decadência A contribuinte pede que seja aplicada a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4" do CTN A ciência do lançamento se deu em 22.12.2006 e refere-se aos anos- calendário de 2001 a 2003 (saldo credor de caixa — multa de 150%, pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade — multa de 75% e de 150%, glosa de custos por comprovação inidônea — multa de 150%, IRRF multa de 150%, glosa de prejuízos compensados indevidamente por reversão dos prejuízos após as infrações constatadas — multa de 75%). O resultado foi apurado pelo regime do Lucro Real trimestral. Como se verá adiante a multa qualificada deve ser mantida. Assim, não houve decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se apôs o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, para os lançamentos, em que houve a aplicação da multa de 150%, ainda que todo o crédito tributário se referisse ao fato gerador do primeiro trimestre de 2001 (1PJ e CSLL) ou janeiro de 2001 (para o IRRF e demais contribuições), o primeiro dia do exercício seguinte é 01.01.2002, não ocorrendo a decadência do direito de se efetuar os lançamentos. Para o lançamento em que foi aplicada a multa de 75%, também não ocorreu a decadência, uma vez que a multa de 150% aplicada contamina o lançamento para os mesmos períodos. • Pagamentos não contabilizados: contabilidade paralela e auditoria da conta fornecedores. Quanto à infração de pagamentos não contabilizados relacionada com a contabilidade paralela, a Polícia Federal apreendeu diversas mídias eletrônicas nas ?(,( 25 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 " Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.823 dependências da Chebabe, que resultou no Laudo do Núcleo de Criminalistica. Na contabilidade paralela, as compras cujas séries equivalem ao código "CPF" não foram registradas nos Livros Registro de Entradas apresentados ao fisco e os respectivos pagamentos não foram contabilizados. Os pagamentos de determinadas compras cujo campo "SERIE" equivale ao código "M" foram registrados nos livros Diário e Razão por valores inferiores aos registrados nos arquivos contábeis, ou não foram contabilizados nos livros oficiais. Diversos pagamentos relacionados às compras se deram por meio de emissão de cheques da empresa. A fiscalizada foi intimada a esclarecer as operações de compras efetuadas e a apresentar os pedidos de compras identificados nos arquivos. Declarou não reconhecer como seus os registros de dados de informática e não reconhecer as operações listadas nas planilhas. Nas circularizações efetuadas junto aos fornecedores da Chebabe, estes foram intimados a apresentar as cópias das notas fiscais emitidas contra a contribuinte, e a esclarecer a forma de quitação das mercadorias vendidas à Chebabe, os documentos de comprovação dos pagamentos, os nomes dos responsáveis pela negociação de compra e venda de mercadorias etc. Concluiu a fiscalização que autuada adquiriu mercadorias em nome de terceiros que tinham como destino final as dependências da empresa. A negociação dessas mercadorias era executada pela funcionária sra. Sandra cumprindo ordens de seus patrões. Foram obtidos depoimentos de responsáveis pelo transporte das mercadorias e os mesmos declararam que eram descarregadas nas dependências da Chebabe. A fiscalização também concluiu que as mercadorias adquiridas em nome de terceiros foram pagas com recursos da empresa, uma parte utilizando recursos mantidos em conta-corrente, em tomo de R$ 3,1 milhões. Entretanto, tanto as compras como os respectivos pagamentos não foram contabilizados em seus livros contábeis e fiscais. O valor do pagamento das mercadorias adquiridas pela CHEBABE CEREAIS não pagas com cheques da mesma e que constam da contabilidade paralela foi considerado pela fiscalização como "pagamentos não contabilizados" e é este item do lançamento que está em discussão, uma vez que os pagamentos efetuados com cheque foram ajustados na conta caixa apurando-se saldo credor de caixa, juntamente com outras motivações e que será apreciado mais adiante. O conjunto dos indícios acima mencionados nos leva a concluir que efetivamente a autuada efetuou pagamentos para adquirir mercadorias, sendo que tais pagamentos não foram registrados em sua contabilidade, conforme consignou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal. Afirma a recorrente que em face da suposta contabilidade paralela foi utilizada uma metodologia que não pode prosperar. Se correlacionados os pagamentos com cheques da recorrente, a autoridade fiscal efetuou o lançamento a crédito da conta caixa reajustando esta conta com a exclusão destes valores tendo em vista os mesmos terem destino diverso do reforço de caixa. Se não localizados os pagamentos com recursos da contabilidade firmou-se a presunção do total de pagamentos como receita omitida. Argumenta que deveria ser imposto o arbitramento do lucro porque estando- se diante de compras não registradas e portanto pagamentos não registrados, deve ser considerada a situação particular do contribuinte, levando-se em conta a atividade econômica 26 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.824 desempenhada e a forma de apuração do resultado tributável desta atividade, ou seja, não se poderia tributar todos os valores pagos como receita omitida, mas sim deveria ser realizado o arbitramento do lucro. Assim, na hipótese de restarem configurados pagamentos que são identificados como compra de mercadorias não registradas, o que não admite como verdadeiro, entende não poder haver a tributação sem levar em conta os custos da atividade da recorrente, entende que deve ser revisto o lançamento quanto à sua metodologia, impondo-se o arbitramento do lucro quanto às receitas à margem da fiscalização. O argumento de que deveria ser utilizado o arbitramento do lucro, pelo não registro de compras não pode prosperar, conforme o disposto no art. 24 da Lei 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Ressalte-se que a infração é de pagamentos não contabilizados, e conforme o inciso II do art. 281 do RIFt199, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Assim, não se trata da acusação de infração de omissão de compras, razão pela qual os custos não podem ser levados em conta, mesmo porque, não há comprovação de que as receitas decorrentes das vendas dessas mercadorias tenham sido contabilizadas. Não há elementos suficientes para o arbitramento do lucro. Quanto à infração de pagamentos não contabilizados relacionada com a auditoria da conta fornecedores, houve circularizações realizadas no decorrer da ação fiscal junto aos fornecedores da empresa, conforme descrito no item 5.3 do TVF e relação de pagamentos de fls. 370. A empresa durante a ação fiscal procurou justificar todos os pagamentos não contabilizados. Com exceção das operações com a empresa Rio de Janeiro Refrescos, informou que as diferenças apuradas foram pagas com recursos de caixa. Em relação às operações com a empresa Rio de Janeiro Refrescos, a interessada no recurso, não nega que tenha realizado negócios jurídicos com a Rio de Janeiro Refrescos, alias, afirma que essa empresa é seu maior fornecedor, no entanto, nega que tenha efetuado as compras relativas às notas fiscais objeto dos autos. Argumenta a recorrente que não considera como documentos comprobatórios dos pagamentos a relação de sacados fornecida pela instituição financeira, pois qualquer pessoa poderia criar uma duplicata em nome de qualquer empresa e efetuar o pagamento, e assim, no relatório bancário constará o nome da empresa "sacada" e que, como meio de prova irrefutável da realização ou não dos negócios jurídicos. Pede diligências para que a empresa Rio de Janeiro Refrescos seja intimada a apresentar os documentos que provem a entrega das mercadorias e perícia sobre esses documentos. A fiscalização entendeu que os documentos são incontestes. Como prova das transações esse fornecedor, apresentou cópia das notas fiscais emitidas contra a fiscalizada e relatórios bancários do Bradesco de fls. 155 a 211 do Anexo 3. Concluiu que a fiscalizada não conseguiu comprovar a origem dos recursos. Concluo que as provas juntadas aos autos são suficientes para a conclusão de que os pagamentos não foram contabilizados e que neste caso especifico, considerando o conjunto probatório, não é necessário a prova do cheque, doe ou transferência bancária, como g(e 27 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.825 alega a recorrente e tampouco é necessária a perícia para comprovação da entrega das mercadorias. Em relação aos demais pagamentos a contribuinte não trouxe no recurso nenhum argumento específico, razão pela qual esse item do lançamento deve ser mantido. • Omissão de receitas — saldo credor de caixa - A recomposição de caixa foi efetuada levando-se em conta os ajustes de lançamentos relacionados às seguintes operações: a) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome de terceiros (a baixa dos cheques foi contabilizada a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, e houve a contabilização pelo valor total de alguns pagamentos e por valor parcial de outros). A fiscalização efetuou ajuste na conta caixa por meio de lançamentos dos cheques emitidos. A relação das compras e dos pagamentos consta nos arquivos contábeis presentes nas mídias apreendidas pela Polícia Federal, arquivos "Entrada[109].dbf" e "iop[19]dbf. São compras identificadas no campo "SÉRIE" do arquivo "Entrada[109].dbf". pelo código "CPF". (letra "h" do item 5.5 do TVF); b) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome próprio: Os pagamentos foram contabilizados por valor inferior ao registrado na contabilidade paralela; foram efetuados ajustes na conta caixa por meio de lançamento a crédito dessa conta das diferenças apuradas entre o valor dos cheques e os respectivos pagamentos; c) Cheques utilizados para pagamentos à Ubigás: baixa dos cheques contabilizada a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, mas, os pagamentos não foram contabilizados, ficando o caixa inflado. d) Baixa de duplicatas em data posterior à do efetivo pagamento: há vários elementos de provas na letra "d" do item 5.5 do TVF. e) Incorreções nos registros das baixas das duplicatas: Registro incorreto da baixa de duplicatas por meio do lançamento a débito da conta caixa e a crédito da conta fornecedores, quando deveria adotar procedimento inverso. Em alguns casos, a contribuinte tentou ajustar o lançamento por meio de operação inversa, registrando tal operação em outra data. Os lançamentos sujeitos a ajuste estão relacionados na planilha "AJUSTES DE LANÇAMENTO DO CAIXA, fl. 418 e a descrição dos fatos encontra-se no item 5.3 do TVF. Os elementos de prova constam na letra "e" do item 5.5 do TVF. Em relação aos ajustes na conta caixa em função dos cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome de terceiros e em nome próprio (contabilização parcial), esses valores não foram contabilizados pela autuada em sua contabilidade oficial. A autuada contabilizava a baixa dos cheques utilizados para pagar suas obrigações a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, como se os recursos estivessem ingressando no caixa da empresa Todavia, não havia registro dos pagamentos efetuados. Dessa forma o caixa ficava com saldo inflado, tornando-se irreal, tendo sido efetuado os respectivos ajustes na conta caixa, os quais considero coretos. Q28 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.826 Em relação aos cheques utilizados para pagamento à UBIGÁS, argumenta a empresa que trocou os cheques por dinheiro junto à Ubigás e que não realizou nenhum negócio• jurídico. Entretanto, a fiscalizada jamais registrou em sua contabilidade a troca de cheques por recursos provenientes da Ubigás. A forma como o histórico da baixa dos cheques foi efetuada, indica que o cheque foi descontado na "boca do caixa" da instituição bancária, entretanto, tomando-se como exemplo, os cheques 5185 e 5186, ambos no valor de R$ 60 mil, a contabilidade paralela da Ubigás indica que os cheques emitidos pela Chebabe teriam sido repassados à Ubigás pelo sócio da empresa Sr. Antonio Carlos Chebabe. Para os cheques 5190 e 5191 (R$ 120 mil e R$ 83 mil), constam da relação de cheques recebidos pela Ubigás, em 14.08.2001, que foram entregues ao Bradesco "R11". No boletim de caixa dessa data, fls. 374 do Anexo I, a Ubigás registra a operação como recebimento para o Fundo de Reserva (Sr. Antonio Carlos Chebabe). Concluiu a fiscalização que os cheques foram utilizados para financiar empresas do grupo. Assim, está correto o procedimento fiscal de ajustar a conta caixa. Conseqüentemente, toma-se desnecessária qualquer perícia para a inclusão dos valores dos cheques na conta caixa, para comprovação de que não teria havido saldo credor que foi pleiteada pela interessada. Em relação à baixa de duplicatas efetuada em data posterior ao pagamento a fiscalização efetuou ajustes regularizando os lançamentos para as datas da efetiva quitação, tomando o saldo de caixa real. A empresa alega erros contábeis, entretanto, não foram comprovados. Também alega que deveria ser provado que na data do efetivo pagamento, a contribuinte possuía ou não receita já oferecida à tributação, em sua conta caixa, como suficiente para saldar as obrigações. Deve-se registrar que a acusação fiscal não é a de passivo fictício. Foram efetuados os ajustes na conta caixa e houve a recomposição da conta caixa, inclusive na forma como a recorrente entende que deveria ter sido feito. Após os ajustes mencionados foram apurados saldo credor de caixa em diversos meses de 2001 a 2003. Esses saldos correspondem aos maiores saldos credores verificados no mês. Observou a fiscalização que em determinados períodos, mesmo sem a utilização de qualquer ajuste no caixa da empresa, este já apresentava seu saldo negativo. Sobre saldo credor de caixa, transcrevo o art. 281, Ido RIR199: Art.281.Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 12, §22, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 40): 1-a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; 11-a falta de escrituração de pagamentos efetuados; 111-a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Portanto, trata-se uma presunção legal, em que o ônus da prova é do contribuinte. A empresa foi devidamente intimada para que que comprovasse o contrário, entretanto, não efetuou a respectiva comprovação. Entendo que as provas constantes dos autos justificam os ajustes efetuados na conta caixa pela fiscalização. ()(f 29 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.827 • Glosa de custo - Compra de álcool hidratado A contribuinte no ano-calendário de 2001 adquiriu para revenda álcool hidratado de três empresas domiciliadas na cidade de Campo de Goytacazes (Disnabe, Hart e Sanibrás) e foi intimada a comprovar os pagamentos. Concluiu a fiscalização, que os documentos apresentados (fls. 252 a 255 e 272 a 278) não foram hábeis para comprovar as compras efetuadas. Foram analisadas as declarações das três empresas mencionadas do ano- calendário de 2001 e verificou-se que estas não declararam receitas naquele ano, sendo que a Hart e a Disnabe apresentaram declarações como inativas e a Disnabe, optante do Simples, apresentou declaração com receita nula. Tais empresas foram intimadas a informar a data de quitação dos títulos relacionados às notas fiscais emitidas por elas contra a CHEBABE e a apresentar os respectivos comprovantes de quitação. Os sócios das três empresas negaram ter comercializado com a CHEBABE. A sócia da Sanibrás declarou que nunca efetuou venda à CHEBABE e/ou suas filiais, informando que sua sala foi arrombada e que documentos importantes foram furtados. Apresentou cópia de jornal datada de 01.12.2000, com o anúncio do extravio de seus talões de notas fiscais de n° 0001 a 1500. As notas apresentadas pela CHEBABE como de emissão da Sanibrás fazem parte dessa numeração. As informações trazidas pela autuada eram de que parte das compras de álcool havia sido quitada por meio de pagamentos efetuados com cheques da empresa e que os mesmos haviam sido devidamente contabilizados (pagamentos à Hart e Disnabe), e que a outra parte havia sido paga com recursos de caixa. Como a maior parte dos cheques emitidos pela empresa era de sua conta mantida junto ao Bradesco, solicitou-se a esse Banco, cópias frente e verso de tais cheques e destinação dada aos mesmos. Dos cheques recebidos constatou-se que nenhum dos cheques foi depositado em contas dos fornecedores de álcool. Encontravam-se entre os beneficiários dos recursos diversas pessoas, entre elas, a empresa Ubigás (de propriedade do Sr. Antonio Carlos Chebabe), a CADM e a Usina Cupim (ambas fornecedores de açúcar da CHEBABE). Diante desses fatos, a empresa foi intimada a justificar o motivo de os pagamentos das compras de álcool hidratado por meio de cheques terem sido feitos a diversas pessoas e não às empresas Hart e Disnabe. Deveria justificar a causa/finalidade dos pagamentos terem sido efetuados a essas pessoas e não aos fornecedores, com documentação idônea. Respondeu a autuada que as empresas Hart e Disnabe faltaram com a verdade ao afirmarem não ter realizado comércio com ela. No tocante aos cheques informou que os mesmos foram entregues ao portador e o fato de terem sido descontados em favor de pessoas diversas deveria ser explicado por essas empresas. Como havia indícios de que as operações envolvendo a compra de álcool não haviam ocorrido, tomou-se necessário circularizar as pessoas que possivelmente estariam envolvidas nas operações de compra e venda de álcool hidratado. De posse das notas fiscais de venda emitidas pela CHEBABE, recebidas pela fiscalização foram extraídos dados que identificaram as pessoas responsáveis pelo transporte do álcool, os veículos utilizados no transporte e os adquirentes do produto (fls. 268 do Anexo 4). Aos adquirentes de álcool foi solicitada a apresentação dos seguintes documentos: cópias autenticadas das notas fiscais emitidas pela CHEBABE no ano de 2001, cópias autenticadas dos comprovantes de quitação das obrigações da empresa junto à CHEBABE, cópias autenticadas das folhas do Diário onde as operações estariam registradas. Aos transportadores do produto, responsáveis pelos fretes, foram solicitados esclarecimentos e documentos. fie( 30 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 A. 2.828 Além das circularizações efetuadas no decorrer da ação fiscal foram colhidos depoimentos de pessoas ligadas ao caso, como os sócios da Hart e da Disnabe, o contador da CHEBABE e seu diretor comercial. Desses depoimentos concluiu o autuante que as empresas Hart, Disnabe e Sanibrás pertencem à mesma pessoa, o Sr. Eduardo Brasileiro Pinto, o qual é sócio de direito da Hart. As duas últimas empresas são representadas por interpostas pessoas, a funcionária Andréa Monteiro Cordeiro e a Sra. Antonia Brasileiro Pinto, mãe do Sr. Eduardo. Essas empresas forneceram notas fiscais frias à CHEBABE. A Sra. Andréa, sócia da Disnabe foi uma das responsáveis pelo preenchimento de diversas notas emitidas pela Hart e pela Sanibrás. Essas informações foram prestadas pela Sra. Andréa em seu depoimento e vêm a ser corroboradas com o exame grafotécnico efetuado pela Policia Federal de fls. 716 a 720. Segundo a Sra. Andréa, a ordem para o preenchimento das notas fiscais partia do Sr. Eduardo Brasileiro, que já havia trabalhado na empresa CHEBABE. Os blocos de notas fiscais n°01 a 1500 que segundo a Sra. Antonia Brasileiro haviam sido furtados da empresa Sanibrás, foram utilizados no esquema. Em relação à Disnabe, foram apresentados à fiscalização dois talonários de notas fiscais de n° 1 a 50 e de 51 a 100, ambos sem preenchimento. Percebe-se que existiam talonários paralelos, com a mesma numeração, utilizados nas simulações das operações de venda de álcool hidratado para CHEBABE (fls. 414 a 444 e 497/526 do Anexo 4). Concluiu a fiscalização que: a) A empresa CHEBABE não adquiriu álcool hidratado das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás; b) Os cheques utilizados para a "compra de álcool hidratado" foram usados para outros fins (fls. 562 a 611 do Mexo 4); c) As vendas no período existiram, pois recursos ingressaram no caixa da empresa, porém não foram para as pessoas discriminadas nas notas fiscais, nem necessariamente a mercadoria ou produto vendido tenha sido álcool hidratado; d) Não houve fretes especificados nas notas fiscais. Não comprovadas as compras de álcool hidratado glosou-se o custo do produto vendido que foi levado para a conta de resultado. Adicionou-se o custo ao lucro líquido conforme art. 281, I, do R1R/99. Os custos indedutiveis compõem a base de cálculo do IRPJ e CSLL e foram adicionados ao lucro líquido, conforme art. 249, I, do RIR/99 (e art. 2° da Lei 7.689/88, para a aCSLL). A infração está descrita no item 5.4 do TVF. Os cheques constituem as fs. 562 a611 do Mexo 4. Em sua defesa, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal, ouviu da funcionária das empresas Sanibrás, Disnabe e Hart, que as notas fiscais eram emitidas realmente pelas mesmas e a mando do proprietário de fato das mesmas, e que esse proprietário alega que nunca realizou as referidas vendas, e ainda que a partir única e exclusivamente desta afirmação, a autoridade fiscal julgou que a documentação de compra do álcool hidratado era g((), 31 Processo n° 10707.001578/2006-83 S1-C4T1 " Acórdão n.° 1401-00.002 A. 2.829 inidônea. Entretanto, não procedem esses argumentos, uma vez que as provas trazidas aos autos não se baseiam apenas em depoimentos de uma funcionária e na negativa do proprietário, mas sim de diversos outros indícios já acima expostos. Quanto à utilização de depoimentos de terceiros como prova e lesão ao devido processo legal, já foi objeto de apreciação quando se tratou de argumentos de nulidade. Portanto, procede a glosa de custos, uma vez que não foi comprovada a compra da mercadorias e os cheques obtidos junto ao Banco evidenciam como beneficiários dos recursos diversas pessoas, entre elas, a empresa UBIGÁS do grupo da CHEBABE e outras empresas fornecedoras de açúcar, bem como, em razão dos demais elementos de prova anteriormente mencionados. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações. • Pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Sobre a infração de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, transcrevo art. 674 do RIR/99: Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 61). §124 incidência prevista neste artigo aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §12). §22Considera-se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §22). §320 rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §39. Conforme o dispositivo legal transcrito, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa. A autuada efetuou pagamentos à empresa UBIGÁS sem ter comprovado sua causa. Sua alegação de que somente trocou os cheques por dinheiro em espécie com a empresa UBIGÁS conforme já abordado neste voto não prospera, uma vez que a suposta transação não foi registrada em sua contabilidade e nem na contabilidade da Ubigás. Sobre o lançamento de oficio formalizado em nome da UBIGÁS, por pagamentos a beneficiários não identificados, essa informação da recorrente, não interfere na infração em discussão, isto porque, no caso, a recorrente foi autuada por pagamentos sem causa. São infrações distintas. Nji 32 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.830 Tratando-se de uma presunção legal, caberia à recorrente comprovar a causa dos pagamentos, entretanto, seus argumentos recursais não comprovaram a causa dos mesmos. Sobre os pagamentos não comprovados à Hart, Disnabe e Sanibrás, tendo em vista que essas empresas não receberam os recursos da CHEBABE e esta registrou pagamentos às mesmas, concluiu a fiscalização que esses pagamentos são considerados como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, estando sujeitos à incidência de IRRF, conforme art. 674 e inciso IV do art. 841 do RI12199. Referem-se a recursos que saíram tanto do caixa como das contas mantidas pela empresa junto às instituições financeiras que supostamente teriam sido utilizados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores de álcool hidratado. Conforme item 5.4 do TVF as compras não existiram, sendo a maior parte dos pagamentos feita a beneficiários não identificados e parte relacionada a emissão de cheques efetuados sem qualquer motivo jurídico aparente. Relação dos pagamentos às fls. 712/715. Conforme já apreciado anteriormente está evidenciado que a empresa não logrou comprovar a compra das mercadorias. Correto o procedimento fiscal de que os pagamentos devam ser considerados como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. • Compensação indevida do lucro real— R$ 23.719,49,4° tri de 2003. Consta no auto de infração que as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001 a 2003, provocaram a glosa dos prejuízos relativos ao 4° trimestre de 2003, no valor de RS 23.719,40. Mantido o lançamento relativo às infrações, conforme exposto neste voto, deve ser mantida a referida glosa. • Aplicação da multa de 150% e aplicação da taxa selic como juros de mora. Afirma a recorrente que a multa de 150% deve ser afastada pois representa manifesta ofensa ao princípio constitucional do não-confisco. Em relação aos juros Selic aduz que é inconstitucional a sua aplicação, como juros de mora. Sobre esses argumentos, aplica-se as Súmula ifs 2 e 4 do 1° CC que a seguir transcrevo: Súmula 1°CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula V CC n° 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Sobre a redução da multa para 20% não há base legal que ampare seu pedido, pois esta aplica-se quando do pagamentos de débitos declarados ou quando do pagamento de débitos que não tenham sido objeto de lançamento de oficio, o que não é o caso nestes autos. Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. 33 Processo n°10707.001578/2006-33 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.831 • Exigências reflexas Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do acima exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e no mérito negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2009. É C.-- ALBERTINA S SANTOS/)E LIMA , 34 Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.001075/98-59
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DCTF — ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art 138 do CTN Precedentes do STJ
Numero da decisão: CSRF/02-01.032
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (Relator) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
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FAZENDA NACIONAL Recorrida 2° CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de 21 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 032 DCTF — ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art 138 do CTN Precedentes do STJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto por LOPES SUPERMERCADOS LTDA ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (Relator) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo ED.*N PER RAROD UES RESIDENTE OTACILIO DANTA CARTAXO RELATOR - DESIG ADO FORMALIZADO EM 24 OUT 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA e DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Processo n°, 10820 001075/98-59 Acórdão n° : CSRF/02-01 032 Recurso n° RD/202-0,402 Recorrente LOPES SUPERMERCADOS LTDA RELATÓRIO Trata-se o presente processo de exigência de multa por atraso nas entregas de Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, onde a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, com base no entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte, cabendo a aplicação da penalidade pelo descumprimento prevista no Decreto — Lei n 2, 124/84. Às fls. 120/129 Recurso Especial, com razões estribadas no no art 138 do CTN, e no fato de que a entrega as destempo das DCTF's foi efetuada antes de qualquer ação fiscal, isto comprovado no próprio corpo do Auto de Infração. Além do que, afirma que os débitos tributários declarados nos documentos dos quais ora se cuida, já estavam devidamente recolhidos e reitera o trabalho expendido pelo Conselheiro Relator Luiz Roberto Domingo e conclui mais uma vez destacando que os tributos constantes das DCTF's entregues com atraso, foram recolhidos tempestivamente. Oferece a doutrina de Luciano Amaro e jurisprudência administrativa e judicial Contra — Razões, às fls. 147/148, alegando que a jurisprudência trazida aos autos não se aplica ao caso e transcreve ementa da 1 a Turma do E. STJ, decidindo que o institutN da denúncia espontânea não se aplica aos casos de descumprimento de obrigao formal, a exemplo da declaração de imposto de renda. É o relatóri Processo n° 10820.001075/98-59 Acórdão n° CSRF/02-01 032 VOTO VENCIDO Conselheiro — Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Inicialmente, entendo o art.. 138 do CTN como abrangente das infrações de natureza formal quando trata da possibilidade de infração sem pagamento de tributo, posto que, contém no texto indicação clara de possibilidade alternativa — se for o caso Essa possibilidade alternativa, é claramente possibilitadora da inclusão das infrações de ordem formal no amplexo do princípio da espontaneidade, posto que, quando se refere ao não pagamento de tributo está comandando as obrigações acessórias, Por outro lado, jamais poderia ser a multa de que se trata, de natureza compensatória, posto que, não haveria o que compensar uma já que a DCTF é mero artefato de controle, que não atinge positiva ou negativamente o pagamento do tributo Quanto ao entendimento do E. STJ, transcrito nas Contra — Razões a este Recurso sobre a entrega com atraso da Declaração de Imposto de Renda, considerando que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art 138, não exergo nele, ligação ao caso presente, uma vez que, a Recorrente recolheu os tributos tempestivamente e, apenas informou-os a destempo Portanto, tratando-se efetivamente, a meu ver, de sanção punitiv., em )ii face do descumprimento de obrigação tributária formal, feita a destempo, por: . , is Processo n° 10820 001075/98-59 Acórdão n° CSRF/02-01 032 exatos limites preceituados pelo artigo 138 do CTN, voto no sentido de reformar a Decisão guerreada, dando provime 8 \ao Recurso Especial interposto Sala das Sessies, (8F) em 21 (-maio de 2 081 FRANCI" 8-1~_ ith Á : e Á :UQUERQUE SILVA Processo n°. 10820„001075/98-59 Acórdão n°. CSRF/02-01 032 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO RELATOR — DESIGNADO - OTACÍLIO DANTAS CARTAXO O recurso especial cumpre todos os requisitos necessários para sua admissão, portanto dele conheço. O STJ em recentes julgados vem entendendo que o instituto da denúncia espontânea, albergado pelo art. 138 do CTN, não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Nesse sentido transcrevo as razões de voto do Exmo. Sr Ministro do STJ José Delgado, proferidas no Resp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do imposto de renda, plenamente aplicável, pela similitude, também à entrega de DCTE "A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. Processo n°. 10820.001075/98-59 Acórdão n° CSRF/02-01 032 A multa a aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte " Reforçando esse entendimento, manifestou o mesmo Magistrado, no EARESP n° 2581411PR, cujo acórdão foi assim ementado* "PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF PRECEDENTES 1 (omissis) 2 (omissis) 3 (omissis) 4 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais — DCTF. 5 As responsabilidades acessórias autônomas sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6 (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais também se pronunciou sobre o assunto; e, nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão CSRF n° 02-0.829, da lavra da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez lóper "DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art.. 138, do CTN Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento." Isso posto, vejo que a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois trata-se de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN. Processo n° . 10820 001075/98-59 Acórdão n°. : CSRF/02-01 032 Dessa forma, concluo que o acórdão recorrido não merece reforma e nego provimento ao recurso especial É assim como voto Sala das Sessões, em 21 de maio de 2001 letX\ t).1,1 OTACÍLIO DAN v- S C Á RTAXO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11050.000596/93-60
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ADUANEIRO. NACIONALIZAÇÃO DE MERCADORIA
Para o gozo da isenção outorgada por decisão da comissão Befiex
não há como exigir que a mercadoria já introduzida no país sob
suspensão de tributos ( Admissão Temporária) tenha que ter sido
transportada em navio de bandeira brasileira (DL 666/69) por se
tratar de condição impossível, no caso.
Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03-03.203
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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NACIONALIZAÇÃO DE MERCADORIA Para o gozo da isenção outorgada por decisão da comissão Befiex não há como exigir que a mercadoria já introduzida no país sob suspensão de tributos ( Admissão Temporária) tenha que ter sido transportada em navio de bandeira brasileira (DL 666/69) por se tratar de condição impossível, no caso. Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. - E lk -19 PER I' À ODRIGUES -4" RESIDE NT JO O OLANDA COSTA " LATOR FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros :CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA 6Processo n°. : 11050.000596/93-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO e ROBERTO CUCO ANTUNES. 2 6Processo n°. : 11050.000596193-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 Recurso n°. : RD1302-0.392 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformada com o Acórdão 302-33.473, da 2 a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, recorre a Fazenda Nacional a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais procurando demonstrar existir divergência jurisprudencial e apresenta paradigmas. Trata-se de pedido de isenção ao amparo do certificado BEFIEX, concedida para uma mercadoria que já se encontrava no território nacional, ingressada sob o regime suspensivo de Admissão Temporária. Ocorreu de, em ato de revisão aduaneira, ser verificado que o transporte da mercadoria se fizera em navio que não era de bandeira nacional, o que, no entender da fiscalização da Receita Federal impedia o reconhecimento da isenção pleiteada. A exigência é imposição do Decreto-lei 666/69 e dos art. 217 e seguintes, do Regulamento Aduaneiro, baixado com o Decreto 91.030/85. Argumenta a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional nos seguintes termos: "O art. 308 do Regulamento Aduaneiro determina que a nacionalização dos bens e o seu despacho para consumo serão realizadas com observância das exigências legais e regulamentares, inclusive as relativas ao controle administrativo das importações. Prosseguindo na análise da legislação, verificamos que o art. 217, inciso III do RA, dispõe que é obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira, de mercadorias a serem beneficiadas com isenção ou redução do imposto .Note-se que não há ,em qualquer lugar da legislação em vigor, nenhum dispositivo excetuando os bens importados originalmente sob o regime de admissão temporária desta obrigatoriedade 3 6Processo n°. :11050.000596/93-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 Outrossim, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional, a interpretação da legislação que disponha sobre isenção de impostos deve ser feita de forma literal. Assim sendo, não há como se admitir a isenção de tributos para as mercadorias em questão, mesmo tendo sido importadas sob o regime de admissão temporária e amparadas por certificado BEFlEX, em face da impossibilidade de cumprir a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira brasileira, condição "sitie qua non" para o deferimento do benefício" Transcorrido o prazo da intimação sem que o contribuinte se manifestasse em contra-razões, o processo veio a esta Câmara Superior para julgamento. É o relatório 4 6Processo n°. :11050.000596/93-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 VOTO CONSELHEIRO RELATOR — JOÃO HOLANDA COSTA Ouso discordar, "data venha", da argumentação desenvolvida pela Fazenda Nacional e nos Acórdãos paradigmáticos. Conquanto não haja a norma previsto exceção da exigência do transporte em navio de bandeira brasileira, para o gozo da isenção ou redução de imposto, no entanto, há que entender que a exigência não pode ser imposta para a mercadoria que já se encontre no território nacional. A propósito, não deve ficar esquecido o princípio de que a norma não pode impor ao súdito uma condição impossível de cumprir. Quando do ingresso dos bens submetidos ao regime especial de admissão temporária inexiste a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira brasileira. Não há fundamento para interpretar que a exigência de bandeira venha a ser recuperada se o contribuinte que optou pela nacionalização das referidas mercadorias pretender a isenção que acaso haja obtido mediante Certificado Befiex. A meu ver, em se tratando de mercadoria legitimamente já ingressada no território nacional, a exigência relativa a bandeira quer-me parecer imposição de cumprimento impossível. Pelo exposto mesmo que não haja formalmente uma exceção prevista em a norma de regência, sua não aplicação ao caso em foco decorre da própria lógica interpretativa da norma. Voto para negar provimento ao recurso de divergência da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2.001 JOÃ NDA COSTA 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10235.000563/2009-44
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade da decisão recorrida que não confere ao
contribuinte o direto de apresentar provas em momento ulterior à
Impugnação quando o contribuinte sequer junta as tais provas na
interposição do Recurso Voluntário.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM A CONTRIBUINTE, INTIMADA A FEZÊ-LO, NÃO COMPROVA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovado pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade ante a presunção legal de
omissão incidente na espécie.
Numero da decisão: 1301-000.592
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão recorrida que não confere ao contribuinte o direto de apresentar provas em momento ulterior à Impugnação quando o contribuinte sequer junta as tais provas na interposição do Recurso Voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM A CONTRIBUINTE, INTIMADA A FEZÊ-LO, NÃO COMPROVA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade ante a presunção legal de omissão incidente na espécie.
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Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão recorrida que não confere ao contribuinte o direto de apresentar provas em momento ulterior à Impugnação quando o contribuinte sequer junta as tais provas na interposição do Recurso Voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM A CONTRIBUINTE, INTIMADA A FEZÊLO, NÃO COMPROVA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade ante a presunção legal de omissão incidente na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 991DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG. Verificase no presente processo que contra a recorrente foi lavrado auto de infração (fls. 686 788), depreendendose pela leitura da Descrição dos Fatos (fls. 688 700) ter havido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Salienta a autoridade lançadora que o recorrente foi, reiteradas vezes, intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas correntes e a despeito disso, não apresentou informações convincentes sobre as origens de todos os depósitos objetos da glosa e que devidamente intimado, na forma do § 2° do art. 4° do Decreto n° 3.724/2001, o recorrente apresentou os extratos bancários das contascorrentes, poupanças e de aplicações financeiras, o que autorizou o Fisco a requisitar diretamente às instituições financeiras os referidos extratos, cujo exame mostrouse indispensável (fls. 172 a 185, 278 a 281 e 341). Nesse contexto, consignouse no auto de infração que a recorrente movimentou R$ 3.255.147,27, e declarou uma receita de R$ 161.724,23, no ano calendário 2005. Ademais, registouse ter havido omissão de receitas da revenda de mercadorias e da prestação de serviços, porquanto a recorrente apresentou extratos possibilitando a comprovação da origem dos recursos utilizados em alguns depósitos feitos na conta corrente n° 472441, mantida por ela na agência n° 45446, do Banco do Brasil, bem como, por coincidência de datas e valores, na conta n° 00300000139/5, mantida pela fiscalizada na agência n° 0658 no ano calendário 2005 (fls. 489 – 588). Destacouse ainda, que a recorrente foi intimada a informar a que se referiam os pagamentos efetuados pelos órgãos do governo do estado do Amapá conforme extratos do SIAFEM2005/EXEFIN, CONSULTAS, LISOB, fornecidos no curso da fiscalização (fls. 590, 591 e 596) e que em resposta à intimação, a recorrente apresentou os blocos de notas fiscais de saída, sendo extraídas cópias das notas fiscais mencionadas nos extratos dos sistemas SIAFEM2005/EXEFI1V, CONSULTAS, LISPD — Sistema de Administração Financeira de Fl. 992DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 3 3 Estados e Municípios (Execução Financeira, Consulta Programação Desembolso), (fls. 606 a 662 e 665 a 671). Verificase ainda, que contra a recorrente foi aplicada multa de 75% no que concerne à infração “Insuficiência de Recolhimentos” e em relação às infrações descritas nos itens “Omissão de Receitas não Escrituradas”. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 801 810), alegando em síntese, ter havido quebra de sigilo bancário, situação que só poderia ser aperfeiçoada por decisão emanada do Poder Judiciário e que os depósitos bancários não podem ser base de cálculo para tributação. Sustentou ainda, que tem como objetivo principal a atividade de prestação de serviços e venda de equipamentos de informática, ocorrendo que de boafé, o titular da empresa recorrente outorgou procuração ao Sr. José Tadeu de Oliveira Bittencourt (CPF n° 149.977.70191), dando poderes para gerir a empresa, inclusive movimentar contas bancárias e que, aproveitandose desses poderes, o citado procurador, por conta própria e com seus próprios recursos, teria movimentado a conta n° 0615150, agência n° 0810 URB W3 SUL, do Banco HSBC em Brasília/DF, no ano calendário 2005 (fls. 264, 265 e 276), fato que teria sido constatado pela fiscalização e que a recorrente jamais teve domicílio em Brasília, e nem comercializava com fornecedores ali localizados, portanto, as receitas movimentadas nesta conta seriam de inteira responsabilidade do Sr. José Tadeu de Oliveira Bittencourt. Argumentou no mais, que em razão dos prejuízos morais e materiais causados pelo Sr. José Tadeu pela má utilização da procuração e do nome da empresa, o titular da recorrente foi obrigado a revogar judicialmente a citada procuração (fl. 79 Vol. 1) e que o sócio de outra empresa L.K EMPREENDIMENTOS Ltda. (CNPJ 05.315.655/000172), e sendo empresa individual, constantemente, misturava depósitos pessoais, inclusive transferências de valores da outra empresa da qual é sóciotitular, para saldar contas da empresa, empréstimo bancários, ou antecipar compras de cartões. Nesse contexto, afirmou que seria possível a ocorrência de transferências de numerários entre as contascorrentes das empresas, fato que poderia ser provado, mediante comparação entre os extratos bancários das duas pessoas jurídicas, afirmando que esses extratos seriam anexados posteriormente, tão logo pudesse obter todos os extratos bancários e identificar os depósitos realizados nas contas correntes. Teceu outros tantos outros comentários e requereu a improcedência da autuação. A 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, nos termos do acórdão e voto de folhas 822 a 830, manteve a autuação, fundamentando, sinteticamente, que caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, assentando ser essa a hipótese do caso concreto. Devidamente cientificada (fl. 836), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 839 – 850), afirmando ser nula a decisão objetada, porquanto lhe teria cerceado direito de defesa na medida em que, solicitara, expressamente, que lhe fosse concedido prazo para apresentação de provas, considerando as dificuldades de agrupar todos os documentos e a Fl. 993DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 4 4 despeito disso, a decisão recorrida teria refutado seu pedido, cerceando assim, o seu direito de defesa. Sustentou ainda, que o lançamento foi aperfeiçoado com ofensa ao princípio da legalidade, porquanto a recorrente teria afirmado não ser a detentora dos recursos movimentados na conta bancária indicada, passando na sequência a aduzir que a movimentação bancária não era de sua titularidade, decorrendo da má fé do seu procurador, assentando que a movimentação bancária glosada pertencia às empresas do mesmo titular, representando assim, meras transferências e aduzindo que os depósitos de um mês não poderiam justificar os recursos do mês seguinte, expondo suas conclusões e pugnando por provimento do recurso e a consequente reforma da decisão da DRJ de Belo Horizonte. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos para formal admissibilidade, conheçoo. A autuação versada no presente processo está relacionada à omissão de receitas, verificada ante a existência de depósitos bancários, cuja origem, a recorrente não teria comprovado. Verificando as alegações da recorrente encontrase pleito pela decretação da nulidade da decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de belo Horizonte/MG, porquanto teria incorrido em cerceamento ao seu direito de defesa, alegando no mérito, substancialmente, que os depósitos bancários considerados para os fins de apuração da omissão de receitas não lhe pertenciam e foram controlados por seu antigo procurador. Com esse panorama dos fatos, passo à análise da preliminar sustentada, sede na qual afirmou a recorrente que não lhe fora oportunizado prazo, a despeito de requerimento expresso, para que produzisse novas provas após o protocolo da Impugnação e que os tais documentos seriam imprescindíveis à elucidação do caso concreto. Observese textualmente o que a contribuinte consignou na folha 841 do seu Recurso Voluntário, in verbis: (...) Portanto, faltou sensibilidade jurídica ao juízo "a quo" ao negar prazo para produção de provas, sem maior fundamentação, e sem percebeu que a recorrente foi vítima de seu procurador, que na época tinha em mãos uma procuração com amplos poderes e morava em Brasília. Por isso, para provar que vários depósitos foram realizados em conta corrente supostamente pertencente a recorrente, teria que solicitar cópias de documentos de terceiros (Banco HSBC). Evidentemente, para tanto, seria necessário demandar um certo Fl. 994DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 5 5 prazo para que o recorrente pudesse contactar com aquela instituição e, estas por sua vez, demandariam de outro tanto de tempo para encaminhar tais documentos (demora entre a postagem e a entrega ao destino). (...) Não se desconhece que a recorrente reputou imprescindíveis as “novas provas”, no entanto, ainda que se abstenha de perquirir o acerto da decisão recorrida, observa se que até o momento a recorrente não as juntou, limitandose a arguir a nulidade da decisão que não lhe oportunizou fazêlo. Tivesse a recorrente trazido em sede de Recurso Voluntário as coincidentes provas que pretendeu produzir e que supostamente lhe foi obstaculizado pela decisão recorrida, esse colegiado poderia aferir a pertinência das tais provas e diante disso, avaliar eventual ocorrência de preterição ao consagrado direito de defesa da contribuinte. Quer me parecer, portanto, que a mera alegação de que a decretação da preclusão acarretou cerceamento de defesa não é suficiente para impedir a marcha do processo e decretarse a nulidade da decisão objetada, razão pela qual, afasto qualquer pecha de nulidade alegada no presente processo. No que toca ao mérito da autuação e em cotejo dos argumentos expendidos pelo sujeito passivo, melhor sorte não lhe socorre que não o desprovimento do Recurso Voluntário. Com efeito, por mais verossímil que seja a alegação de que a empresa recorrente foi fraudada por seu antigo procurador, é de rigor evidenciarse que à época dos depósitos bancários considerados (por ausência de prova em sentido contrário, como omissão de receitas), vigia mandato que conferia poderes ao procurador para agir em nome da empresa recorrente. Sendo assim, presente a norma contida no artigo 118 do Código Tributário Nacional devese abstrair, ao menos no momento de verificar a pertinência da constituição do crédito tributário como o é a presente fase, eventual máfé do mandatário, de sorte que essas ponderações poderão ter eventual relevância na fase de cobrança do crédito tributário, jamais na sua constituição, de sorte que ficam prejudicadas as negativas da recorrente quanto à titularidade dos depósitos mantidos na conta n° 0615150, agência n° 0810 Banco HSBCDF. Comprovados pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), foi legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade. No mais, os argumentos da recorrente esbarram na presunção legal contida no artigo 42 da Lei n0 9.430/96, consagrador de que caracteriza omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 995DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 6 6 Com essas ponderações, encaminho meu voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a presunção legal de omissão de receitas. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 996DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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