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4761215 #
Numero do processo: 11065.002089/90-40
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-85665
Nome do relator: Não Informado

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HAMBURGO (RS) , , , PEDIDO DE RECONSIDERAÇA0 - Mandado de , ,, 1, : , , , , ,, , ,: , , , , , , , , , , , , - : ,, ;,, • _ . , : , ' '1(VR../.1 951 - PRESIDENTE E RELATORA ! OW • , ANT. ' O V Ã LA V DOPIVES _. pRocRAnnR , , ELENÁ) 1,1LiuNí.._ ,, Sn- looz ,, , JuituCARLOS ALBERTO GONÇAL , VES NUNES, JEZER DE OLIVEIRA CANDIDO,CELSO ALVES FEITOSA,RAUL PI- ,, MENTEL, RAIMUNDO SOARES DE CARVALHO, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. , AUSENTE,JUSTIFICADAMENTE, o Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRAN- DA I tf",ii X 11 ' (41 • - • ,,,, .-i ~kt- bwmep MINISTÉRIO DA FAZENDA VIn PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 11065/002.089/90-40 RECURSO Np: 68.020 - PEDIDO DE RECONSIDERAÇA0 ACORDO Np: 101- 85.665 RECORRENTE: CALÇADOS KLASER S/A INDUSTRIA E COMERCIO RECORRIDA: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NOVO HAMBURGO (RS) RELATOR IO O pre5en t e prnces 5 e f r-h. Jillgdo n n r ç'''' nâTü PM Sessão realizada em 26.08.92, ocasião em que foi apresentado o relatório que consta à fls. 67, da lavra do ilustre Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, e que ora leio, para melhor lembrança dos demais membros deste Colegiada Na oportunidade, esta Câmara, nnr dnanimidade de vot o5 , d e d prnv imentn prri l ;, r) rrmr ,,,.n , rncin faz certo o Acórdão no. 101-23.973, assim ementado 'I,RF“ - IMPOSTO DE FONTE L PROCEDIMENTO REFLEXO - Se O lançamento tribu;_a(io ïur ddds1de rado insubsistente, PM parte, es demàis .Jru cedimentos que tenham originado do mesmo suporte fâtice, face a relação de causa P Efeito Entre as matérias em litigio, mererem a mesma sorte. ResDdr .,,,,D connecide e pro .y ido, Em parte'. Como 5e depr eende da ementa supra, t ,ratà-se de p r ec'es 5 o decnrrente dn d nn ........ de interesse da empresa supra identificada, cujo 'recurso volutário foi autuado neste Conselho sob o n2 101,215, que, de igual forma, foi subme ..... tido ao julgamento deste Colegiado, O qual cencluiu, pelo pro- vimen -to parcial de apelo, nos termos da decisão consubstanciada no Acerdão n2 101-93.996. de 25.02.9'2, Inconformada rnm aludda d e5sãn, a rTOnfrihiHn isnir d rOM O pedido dE reconsideração de fls. 70/71 , roddi• • tandn n5 fundamentos ependidos nó pedido de reconsideração ,:yrl 'k_ ;KJ wç.J,u yr.i.:1iyl, qusl indeferido pela autoridade de primeira is.--scj.i • : • • Aâmik4L #-,+~h4 MINISTÉRIO DA FAZENDAt k ',k;,,k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Nq 1106/Uu2,us9/0-40 ACORDA° Nn 1,01- 85.665• • , - Contra, esse âLo à empresa impetrou Mandado de Segurança junto à 6à V.RI-R 'J ,.: Justiça Federal em Porto Alegre (RS), a fim de ver éeu pedido de '-Ernr-,1-;,(13 aceito e encami- nhado a este Conselho para reexame da matéria, Cuncedida ,:, liminar, de conformidade com o despa cho anexo ,.::: Ils. 96, retornam os autos á esta Câmara, para que apr e m'iano, no mérito, o pedido de reconsideração interposto pela contribuinte, E m relatório, VOTO Conselheira MAR sIAM SEIF, Relatera Tomo conhecimento do pedido, por Lfl da sentença concessiva do mandadn dé segurança, e em observância à orientação prolatada no Parecer FGENSCREN/Na 842, de 04.11.88, pelo qual a Coordenação de Representação da Fazenda Nadinnal concluiu "Prolatada a sentena cohLéssiva de mandado de segurança contra decisão do Conselho denedatória do pedido de reconsideração, cumpre da imediato cualoin;ento ;C:) decisum, cemhenendo se daquele pedido E julgando-o de plano, com o que SE encerrará de lodo D pocesso administrativo tributário," Np tocante ào mérito do pedido, tratando-se de 2xigéncia reflexa, é cediço nesta instância admisisLraL .-Ja que sua sorte vincula-se :::.D decidido no processo principal, dada a Estreita relação de causa e Efeito entre OS dois lançamentos, por repousarem Ef" um mesmo ',,~..rti:::: fatico. No presente ::i:AS?::: observa se que esta Câmara, • apreciando D pedido de reconsideração apresentado no processo principal, concluiu, à unanimidade de votos, por seu conhecimen to, pIr I j ,.? dedisãc judicial e, no mérito, indefer:'" -lo, uma vez que a apelante nada de novo trouxe ao processo capaz de t E :,-:, r ::, ri P, ri ,..n ;, nt(2. i,Hni-nt mrniatada_ , rl•••'. ,_....4.A4I, - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acn P nAo Nus D':: —85.665 ---„.......... i,/".- .. - . ' .- .. ..... .. •':"/ .-.,...:---7Áf': .."..A.:...' .. • ..., .'. i .... - t //, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

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4759465 #
Numero do processo: 10880.023693/93-21
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-90313
Nome do relator: Não Informado

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PEREZ & FRAIA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. b 6i4 GUES PRESIDENTE Tt" ed4=-7 FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA RELATOR FORMALIZADO EM: 2 1 NOV 199 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, CELSO ALVES FEITOSA, SANDRA MARIA FARONI, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, RAUL PIMENTEL, KAZUKI SHIOBARA. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10880/023.693/93-21 ACÓRDÃO N° : 101-90313 RECURSO N" : 86.512 RECORRENTE : PEREZ & FRAIA LTDA RELATÓRIO Contra PEREZ & FRAIA LTDA., qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11/12, no qual é exigido o recolhimento da Contribuição Social referente ao exercício de 1989, período-base de 1988, decorrente da Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, apurada no processo matriz n° 10880/023691/93-04 instaurado contra a pessoa jurídica, que reduzira indevidamente o lucro líquido do referido exercício, sobre o qual é calculada a contribuição em questão. A Impugnação interposta contra a exigência, foi indeferida pela decisão de fls. 31/32, onde o julgador de 1° grau aplicou o princípio da decorrência, eis que no processo principal houve também o indeferimento da impugnação. Intimada dessa decisão, a interessada ingressou com o recurso de fls. 36/41, que é cópia do recurso interposto no processo matriz, do qual este é decorrente. É o Relatório. 2 iam MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N.' : 10880/023.693/93-21 ACÓRDÃO N" : 101-90.313 VOTO CONSELHEIRO FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, RELATOR A exigência do recolhimento da Contribuição Social, formulada no presente processo, esta relacionada com o procedimento fiscal levado a efeito no processo principal original n° 10880/023691/93-04, instaurado contra a mesma empresa. 1 Releva notar que o processo principal já foi julgado por esta Câmara, em 1 1 grau de recurso voluntário (Recurso n° 107.732), tendo a Câmara, à unanimidade de votos, i julgado decadente o direito da a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativamente 1 ao exercício de 1988, período-base de 1987, nos termos do Acórdão n° 101-90.238, 1 de 15.10.96. No presente feito decorrente, a Contribuição Social exigida, se refere ao exercício de 1989, período-base de 1988, inexistindo base legal para a cobrança da aludida 1Contribuição no referido exercício, face o julgamento do Supremo Tribunal Federal que acolheu a arguição de inconstitucionalidade do art. 8° da Lei n° 7.689, de 15/12/88, por ferido 11 o princípio da anterioridade consagrado na Constituição Federal. I1 Na esteira dessas considerações, voto pelo provimento do recurso. I1 1 1 Sala das Sessões - DF, em a e Outu n , de 1996 ) 1 4111111P" , , IMF FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA 3 Iam Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1

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4753810 #
Numero do processo: 19515.001973/2007-79
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Rejeita-se preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. PIS. CSLL. COFINS. IPI. INSS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.381
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Nelson Lósso Filho

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T19:45:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2284049_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-15T19:45:27Z; Last-Modified: 2010-12-15T19:45:27Z; dcterms:modified: 2010-12-15T19:45:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2284049_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:a89b7e63-623e-4fec-90a0-378842a5bd42; Last-Save-Date: 2010-12-15T19:45:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T19:45:27Z; meta:save-date: 2010-12-15T19:45:27Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2284049_0.doc; modified: 2010-12-15T19:45:27Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-15T19:45:27Z; created: 2010-12-15T19:45:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-12-15T19:45:27Z; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-15T19:45:27Z | Conteúdo => S1-C2T2 Fl. 350 1 349 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001973/2007-79 Recurso nº 178.679 Voluntário Acórdão nº 1202-00.381 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2010 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente GATEWAY BRASIL COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Rejeita-se preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. PIS. CSLL. COFINS. IPI. INSS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 2 (documento assinado eletronicamente) Nelson Lósso Filho - Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Contra a empresa Gateway Brasil Comércio e Serviços de Informática Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 216/221, PIS, fls. 222/227, CSLL, fls. 228/233, COFINS, fls. 234/239, IPI, fls. 240/245, e INSS, fls. 246/251, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade no ano-calendário de 2004, descrita às fls. 220: “001 - INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO - Insuficiência de valor recolhido apurada conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO que faz parte integrante e indissociável desse Auto de Infração.” O auditor autuante complementa a descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 197/199 e 202/205, de onde extraio o seguinte excerto: “OMISSÃO DE RECEITA DE VENDAS. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO COMPROVADO. A- DOS FATOS. Inicialmente é importante ressaltar que a fiscalizada é optante pelo SIMPLES no ano-calendário de 2004 (doc. de fls. 11 às fls. 30) Em razão das análises necessárias ao cumprimento do MPF referido, a fiscalizada foi intimada a apresentar seus extratos bancários. Examinando os extratos dos outros dois referidos Bancos observamos vários valores creditados nas contas. Após os ajustes necessários ficaram faltando para serem esclarecidos os créditos motivos de intimação. Em 09/04/2007 (doc. de fls. 162 às fls. 165), intimamos a fiscalizada a comprovar a origem dos recursos que motivaram os créditos nas contas correntes. Em resposta, por escrito, a empresa comprovou parte (doc. de fls. 166 às fls.185). É importante ressaltar que a receita acumulada no mês de setembro de 2004 ultrapassa o limite de R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais) permitido para opção ao SIMPLES. Em virtude do exposto estamos promovendo a Representação Fl. 382DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.001973/2007-79 Acórdão n.º 1202-00.381 S1-C2T2 Fl. 351 3 Fiscal Para Exclusão de Ofício do Simples a partir de janeiro de 2005, com base nos artigos 90, 12, 13, 14, 15 e 16 da Lei n° 9.317/96. B - DO DIREITO. O contribuinte optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno - SIMPLES, na condição de empresa de pequeno porte, no ano-calendário de 2004. A empresa apresentou em sua PJSI/2005, uma receita total de R$458.723,15 (doc. de fls. 12,. às fls. 30). Analisando os extratos bancários informados acima, observamos vários créditos que não foram vinculados a qualquer tipo de origem devidamente escriturada e comprovados com documentos hábeis e idôneos para ano-calendário sob exame.” O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, conhecido como SIMPLES/Federal, introduzido em 1997, consiste, basicamente, em permitir que as empresas optantes recolham os tributos e contribuições devidos, calculados sobre a receita bruta, mediante a aplicação de alíquota única, em um único documento de arrecadação, chamado DARF-SIMPLES. O sistema de pagamento unificado pode abranger os tributos estaduais e municipais mediante convênio celebrados com a Receita Federal para a qual são delegadas as atribuições de fiscalização e administração dos tributos administrados pelos entes estaduais ou municipais (ICMS ou ISS). Então, exclusivamente para fins tributários, considera-se empresa de pequeno porte (EPP), a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). É mister ressaltar o conceito de receita bruta. Considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado obtido nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (descontos que independam de evento futuro, a exemplo dos descontos dados na própria nota fiscal). É vedado proceder-se a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção etc). Para obtenção da receita bruta mensal a empresa poderá considerar a soma das notas ou cupons fiscais emitidos no mês, independentemente se a venda foi a vista ou a prazo (regime de competência), ou adotar o regime de caixa, ou seja, considerar como receita as vendas a vista e os valores das vendas a prazo, Fl. 383DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 4 efetivamente recebidos em cada mês. O regime escolhido (caixa ou competência) deverá ser uniforme para todo o ano- calendário. Aplicam-se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a Lei n° 9.317, de 1996 (saldo credor de caixa, omissão de pagamentos, passivo fictício e movimentação bancária não comprovada), desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, ainda que fundamentadas em elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros. No caso sob exame, a fiscalizada não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, parte das origens dos recursos constantes de seus extratos bancários nas contas mencionadas acima, conforme resposta ao Termo de Intimação (doc. de fls. 166 às fls. 185). A omissão de receita, pela falta da comprovação da origem dos créditos bancários sob exame, é motivo de exigência tributária própria. Em virtude do exposto estamos exigindo os créditos tributários relativo ao SIMPLES.” Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 24 de agosto de 2007, em cujo arrazoado de fls. 254/258 contesta o lançamento. Em 10 de junho de 2008 foi prolatado o Acórdão nº 14-19.494, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, fls. 311/316, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004. MPF - INVALIDADE - CONTRATO DE MÚTUO – PROVA. A indicação da autoridade responsável pela condução dos trabalhos não é exigida pela legislação que disciplina a edição do MPF - Complementar. Eventual irregularidade na edição do MPF não é causa de nulidade do lançamento. Cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos bancários. A alegação de que os sócios celebraram contrato de mútuo com a empresa deve ser provada. Lançamento Procedente” Fl. 384DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.001973/2007-79 Acórdão n.º 1202-00.381 S1-C2T2 Fl. 352 5 Cientificada em 03 de novembro de 2008, AR de fls. 329, e novamente irresignada com o Acórdão de Primeira Instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 28 de novembro de 2008, em cujo arrazoado de fls. 330/336, alega, em apertada síntese, o seguinte: 1- o procedimento de fiscalização está eivado de nulidade insanável por conta da falha na emissão do mandado de procedimento fiscal; 2- o MPF-C expedido para suportar a autuação aqui atacada deixou de atender aos requisitos da portaria regulamentadora, na medida em que omitiu o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela autuação, descumprindo requisito formal para sua validade, vício suficiente a macular o procedimento fiscal empreendido e tornar inválida a autuação; 3- o argumento exposto pelo acórdão recorrido, segundo o qual a informação da autoridade incumbida de executar o MPF seria desnecessária não condiz com a realidade do modelo de MPF-Complementar determinado pela Portaria RFB n° 4.066/2007, com a redação que lhe emprestou a Portaria RFB n° 10.382/2007, sendo que a exigência da indicação do "nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado" consta dos dois; 4- a autuação desconsiderou por completo o mútuo contratado com pessoas físicas dos sócios, relatado na impugnação e cuja prova se fazia indispensável, antes de se poder lançar mão da presunção de receita, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96; 5- em 01/06/2004 os sócios da empresa rescindiram contrato de aquisição das unidades comerciais, recebendo a parcela do preço que pagaram à construtora em bens e dinheiro, no importe de R$ 225.000,00, os quais foram, integralmente, depositados na conta corrente da sociedade, na qualidade de mútuo dos sócios, para que a mesma pudesse fazer frente às dificuldades de caixa que à época enfrentava; 6- conforme se alegou por ocasião da apresentação defesa, a única prova da operação de mútuo se restringia ao contrato de rescisão juntado aos autos, tendo a contribuinte requerido à instituição financeira onde os valores foram depositados a apresentação de cópia dos comprovantes de depósito, comprometendo-se a trazê-los aos presentes autos tão logo deles disponha; 7- a instituição financeira onde foram procedidos os depósitos não tem como fornecer a microfilmagem dos cheques ali depositados, o que só é possível obter perante a instituição que administra a conta bancária da Construtora que emitiu os cheques; 8- além do contrato de rescisão já trazido aos autos e que acompanha o presente recurso a pessoa jurídica obteve cópia de dois recibos das referidas parcelas decorrentes da restituição, bem como de um comprovante de depósito desses valores junto à sua conta bancária; 9- referidos documentos deixam claro que o montante depositado em conta corrente da empresa por seus sócios corresponde ao mútuo firmado para suprir as necessidades de caixa da empresa; 10- que não se alegue a preclusão do direito de prova, dado que segundo o princípio da legalidade, o qual norteia todo o processo de apuração do crédito tributário, Fl. 385DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 6 orientado em busca da chamada "verdade material", a prova trazida aos autos, após o prazo da defesa apenas contribui para o controle de legalidade dos atos praticados pela administração, evitando-se a movimentação desnecessária, e altamente custosa aos cofres públicos, do aparato judiciário para anular lançamento, cuja prova foi substancialmente produzida na instância administrativa, a despeitado prazo insculpido no art. 16, § 4º do Dec. 70.235/1972; 11- a autuação fiscal, além do vício de origem formal acima enunciado, possui vício material. Com efeito, segundo dispõe o art. 3° do Decreto 3.724/2001, os exames de informações "relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, serão considerados indispensáveis" nas hipóteses de "obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos" (inciso II); 12- a recorrente sustentou desde a fiscalização que parte dos recursos depositados na conta corrente fiscalizada vieram de empréstimo dos sócios, com recurso oriundo da rescisão contratual firmada com a Construtora Gustavo Halbreich Ltda.. Cabia à autoridade lançadora, em atenção à expressa disposição do art. 3°, inciso II do Decreto 3.724/2001, diligenciar perante a referida construtora para obter cópia dos respectivos cheques pelos quais a mesma restituiu valores aos sócios e, com isso, certificar-se que os mesmos foram parar na conta bancária da pessoa jurídica e, portanto, não poderiam constituir em hipótese alguma "receita omitida" nos exatos termos do art. 3°, inciso II do Decreto 3.724/2001, tais providências eram "indispensáveis" para o lançamento; 13- não cabia à autoridade lançadora, em juízo de conveniência e oportunidade, deixar de proceder as verificações perante terceiros, posto que se assim lhe fosse autorizado, estaríamos tratando de providências dispensáveis, em frontal contrariedade com o que dispõe o referido art. 3°, inciso II, e com a inteligência do art. 142 do Código Tributário Nacional, que imputa à autoridade lançadora o dever de "verificar a ocorrência do fato gerador" bem como de "determinar a matéria tributável", sem o que se estará usando o art. 42 da Lei 9.430/96, como mero pretexto para tributação de parcelas que, sabidamente, não constituem receita, razão pela qual a legislação tratou de conferir à fiscalização meios de verificar a veracidade dos fatos perante terceiros que mantenham relação jurídica com o contribuinte, imputando à autoridade fiscal tal obrigação; 14- uma vez que a autoridade lançadora deixou de proceder, no curso da fiscalização, com o que dispõe o art. 3º, inciso II do Decreto 3.724/2001, bem como com a regra do art. 142 do CTN, resta materialmente nulo o lançamento procedido, devendo essa Câmara julgar insubsistente o auto. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As matérias em litígio dizem respeito à nulidade do lançamento, em virtude de irregularidades nos Mandados de Procedimentos Fiscal - MPF editados e a comprovação da origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização. Fl. 386DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.001973/2007-79 Acórdão n.º 1202-00.381 S1-C2T2 Fl. 353 7 Incabível a preliminar de nulidade do auto de infração, argüida tendo como base irregularidades na execução do Mandado de Procedimento Fiscal. Este Conselho já analisou a questão de irregularidades no MPF no Acórdão 108-07.708, se manifestando no sentido de que tais incorreções não têm o condão de causar a nulidade do auto de infração. O posicionamento está firmemente fundamentado na Declaração de Voto do ilustre Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, da qual extraio o seguinte excerto: “Acompanhei o Senhor Relator tanto na questão preliminar quanto no mérito do recurso voluntário. Permito-me, no entanto, aditar algumas considerações acerca da alegada nulidade do auto de infração, em razão de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, apontados pelo sujeito passivo. É sabido que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco-contribuinte. Objetiva o Mandado de Procedimento Fiscal assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais e que o agente fiscal indicado recebeu ordem da Administração Tributária para executar a ação fiscal. Nesse sentido, o Senhor Secretário da Receita Federal baixou a Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, disciplinando a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições por ela administrados. Eis as principais diretrizes estabelecidas: 1.do MPF será dada ciência ao sujeito passivo, por ocasião do início do procedimento fiscal; 2. o MPF será emitido, caso a caso, pelas seguintes autoridades: a) Coordenador--Geral de Fiscalização; b) Coordenador-Geral de Administração Aduaneira; c) Superintendente da Receita Federal; d) Delegado da Receita Federal etc; 3. do MPF conterão: a) a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; b) os dados identificadores do sujeito passivo; c) a natureza do procedimento fiscal a ser executado; d) o prazo para a realização do procedimento fiscal; e) o nome e a matrícula do AFRF responsável pela execução do mandado etc; 4. o MPF indicará, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência), podendo ser fixado o período de apuração correspondente etc; 5. o MPF (para fiscalização) terá prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, podendo ser prorrogado pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, mediante emissão de MPF Complementar; Fl. 387DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 8 6. o MPF se extingue pela conclusão do procedimento fiscal ou pelo decurso do prazo, sendo que, nessa segunda hipótese, na emissão de novo MPF não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do MPF extinto. Alegou a recorrente que a fiscalização levada a efeito pela Receita Federal deixou de observar as normas emanadas da referida portaria, uma vez que: 1.do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF-F emitido em 26/07/00, com validade até 23/11/00, somente tomou ciência em 08/08/00; 2. do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar – MPF-C emitido em 22/11/00, com validade até 22/03/01, somente tomou ciência em 29/11/00; 3. do MPF-C emitido em 23/03/01, com validade até 21/07/01, somente tomou ciência em 09/04/01; e 4. do MPF-C emitido em 19/07/01, com validade até 18/08/01, somente tomou ciência em 20/07/01. Sustenta o sujeito passivo que “admitir a continuidade do trabalho fiscalizatório, sem que seja, de imediato, dada ciência ao contribuinte, é o mesmo que aceitar a fiscalização por Agentes Fiscais sem a ordem específica, o que é vedado pela Portaria nº 1.265/99, em seu art. 2º”. Não tem razão a recorrente. Como já salientado, o Mandado de Procedimento Fiscal criado pelo aludido ato administrativo visa primordialmente informar ao contribuinte que o procedimento fiscal que estiver sendo executado por auditor-fiscal é de conhecimento da Administração Tributária e por ela foi autorizado. A ciência tardia das prorrogações dos mandados de procedimento de fiscalização não trouxe qualquer insegurança para o contribuinte fiscalizado, bastando se observar a cronologia das prorrogações para se concluir que os trabalhos de fiscalização tinham o consentimento da Senhora Delegada da Receita Federal em Santo André (SP). E mais: ainda que os MPF-C somente tivessem sido emitidos após extinto o MPF-F, por decurso de prazo, não haveria que se falar em vício ou nulidade, uma vez que a emissão do MPF-C supre a finalidade do referido ato administrativo, qual seja, a de que o agente fiscal seja autorizado a prosseguir os trabalhos de fiscalização já iniciados. A prevalecer o entendimento do sujeito passivo, aí sim, teríamos que admitir que eventual inobservância de uma norma infra- legal (Portaria SRF nº 1265/99) teria o condão de gerar nulidades no procedimento, assim entendido o caminho para consecução do ato do lançamento, a chamada fase meramente fiscalizatória. Ocorre que é matéria reservada à lei o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, assim entendido tanto a fase do procedimento (preparatório do ato do lançamento), quanto a fase do processo (iniciada com a impugnação do lançamento). Fl. 388DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.001973/2007-79 Acórdão n.º 1202-00.381 S1-C2T2 Fl. 354 9 No âmbito federal, é o Decreto nº 70.235/72, lei em sentido material, que regula a matéria, dispondo inclusive de capítulo próprio relativo ao tema das nulidades. Estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 as duas hipóteses de nulidades passíveis de serem declaradas pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No âmbito do procedimento, em princípio, é válido todo e qualquer ato praticado por Auditor-Fiscal da Receita Federal, em exercício nas Divisões de Fiscalização e integrante de Equipe de Fiscalização, não havendo que se falar em pessoa incompetente. Nesse sentido, reafirma a recente Medida Provisória nº 46/2002 a competência privativa do Auditor-Fiscal da Receita Federal para executar procedimentos de fiscalização, bem assim, constituir, mediante lançamento, crédito tributário em favor da União (art. 6º, I, “a” e “c”). Assim, na hipótese de MPF-F ou MPF-C tardiamente cientificado ao contribuinte, que seja do conhecimento do Delegado da Receita Federal ou do Chefe de Divisão de Fiscalização, e que essas autoridades administrativas não tenham sequer suscitado eventual incompetência do agente fiscal, revela-se absolutamente despropositado, data venia, o entendimento, de julgador de primeiro ou de segundo grau, que vier a acolher tese no sentido da incompetência do AFRF, uma vez que própria Administração Tributária, por meio de autoridade administrativa, teria ratificado essa competência. Nos presentes autos, frise-se também, não há que se cogitar de eventual preterição do direito de defesa do contribuinte, seja porque por ele não suscitada, seja porque a referida ciência tardia do MPF-F ou dos MPF-C não lhe acarretou qualquer insegurança quanto à validade da fiscalização que lhe foi imposta. Qualquer outra interpretação da comentada portaria, que não seja a teleológica, pode gerar graves prejuízos para o Erário Público e ir de encontro aos princípios constitucionais do interesse público e da justiça fiscal, além de ferir o princípio de direito de que a nulidade, salvo se absoluta, não deve ser declarada se a parte interessada não demonstrar a existência de prejuízo, uma vez que esse é da essência daquela. Por fim, ressalto que compete exclusivamente à autoridade administrativa verificar eventual inobservância de norma de controle administrativo e promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, nos termos da Lei nº 8.212, de 11 de dezembro de 1990.” Fl. 389DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 10 Pelo exposto, não se sustenta a alegação de nulidade do auto de infração motivada por vícios na execução do Mandado de Procedimento Fiscal. A infração detectada pelo Fisco resume-se a não comprovação da origem dos depósitos realizados em conta-corrente bancária no ano-calendário 2004. Todos os elementos trazidos aos autos militam contra a contribuinte, que em nenhum momento logrou, por elementos probantes, colocar em dúvida a acusação contida no trabalho fiscal. Pelo contrário, permanecem incólumes todas as provas coletadas pelo Fisco. As esparsas alegações apresentadas pela empresa não conseguiram ilidir a constatação da irregularidade detectada pela fiscalização, a ocorrência de omissão de receitas. Não junta a pessoa jurídica nenhum documento ou qualquer outro elemento que justifique a falta de comprovação da origem exigida. Caberia à autuada contraditar o conjunto probatório levantado pelo Fisco, demonstrando a efetividade das operações realizadas e sua origem, não bastando para tal o Instrumento Particular de Rescisão de Compromisso de Venda e Compra de fls. 338, os recibos de emissão do próprio sócio de fls. 346/347 e o depósito em conta-corrente da empresa de fls. 348, em valor não coincidente com o questionado, por não ficar demonstrada a vinculação entre o depósito efetuado e o suposto empréstimo de sócio. O fato apurado pela auditoria fiscal independe da forma de contabilização adotada pela empresa, pois foi suportado por presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, a falta de comprovação dos recursos que possibilitaram os depósitos efetuados nas contas-correntes de titularidade da pessoa jurídica. Neste artigo estão descritos os procedimentos exigidos para que seja apurada a omissão de receitas. Este artigo da Lei nº 9.430/96 está assim redigido: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (Omissis)” Fl. 390DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.001973/2007-79 Acórdão n.º 1202-00.381 S1-C2T2 Fl. 355 11 Tomou a fiscalização todas as providências para realizar uma justa tributação, seguindo os ditames do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não sendo aplicável ao caso qualquer alegação a respeito de exigência com base exclusivamente em extratos bancários, erro na determinação do quantum debeatur ou falta de procedimento investigativo da auditoria fiscal. Assim, face à total ausência de provas em sentido diverso, deve ser confirmada a omissão de receitas. Lançamentos Decorrentes: PIS – CSLL – COFINS - IPI e INSS. Os lançamentos do PIS, da CSLL, da COFINS, do IPI e do INSS, em questão tiveram origem em matéria fática apurada na exigência principal, na qual a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Tendo em vista a estreita relação entre eles existente, deve-se aqui seguir os efeitos da decisão ali proferida. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Relator Fl. 391DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Assinado digitalmente em 15/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO

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Numero do processo: 10768.030126/87-61
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-80232
Nome do relator: Não Informado

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Dado provimento parcial ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA ESTANÍFERA DO BRASIL. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento , em parte, ao recurso, para ajustar à exigência ao decidido no proces- so matriz, pelo Acórdão n9 101-80.165, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões(DF), em 20 de junho de 1990 URGE í *E-EIR LOPE'. - PRESIDENTE CRISTÓVÃO ANCHIE,A DE PAIVA - RELATOR 9 or VISTO EM AFONS8 1SO FERREI" Á PE CAMPOS- PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE: - ZENDA NACIONAL .#.7 1 LE IgIn Participaram,ainda ., do presente julgamento,os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL , CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. Ausente por motivo justificado o Conselherio FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA. 2 pii - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Nq 10768-030.126/87-61 RECURSO NI?: 50.718 ACÓRDÃO N9: 101-80.232 RECORRENTE : COMPANHIA ESTANiFERA DO BRASIL RELATÕRI O Pelo Processo n9 10768-030.127/87-23, que transitou por este Conselho e Cãmara sob o recurso n9 92.720, a Administração' Tributária promoveu contra Companhia Estanífera do Brasil, cobrança' de ofício do imposto de renda dos exercícios de 1985 e 1986, a ação . alcançou também o exercício de 1984, cujo lucro real se anulou por compensação de prejuízos. Como decorrência daquele procedimento, lavrou-se o auto de fls. 1, pelo qual se exige a contribuição para o Fundo de Participação do Programa de Integração Social (PIS-dedução) e mais os acréscimos de correção monetária, juros de mora e multa de ofí- cio . O auto refle ,cc foi cientificado à parte em (fls.1) e impugnado em '29.09.87 (fls. 5), pela peça de fls. 5, onde salien- ta o caráter decorrencial deste feito, o que faz sua sorte depender da solução do principal. Junta a impugnação principal. O autor do feito pronuncia-se às fls. 22, opinando pela manutenção da ação. A autoridade singular julga procedente o feito re- flexo (fls. 45), em sintonia com o decidido no matriz. Cientificada da decisão em 21.04.88 (f is. 48), a:. fr") DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768-030.126/87-61 3 Acórdão n9 101-80.232 interessada recorre em 20.05.88( ),pedindo a improcedência des, te reflexo em face do recurso interposto no processo principal. É o relatório. VOTO _ Conselheiro Cristóvão Anchieta de Paiva, Relator: O recurso é tempestivo. Conheço dele. Cobra-se aqui, com relaçãô aos exercícios de 1985 e 1986, a contribuição devida ao Fundo de Participação do Programa de Integração Social pela empresa recorrente, em consequência do impos- to de renda dela cobrado de ofício através do processo número 10768-030.127/87-23, cujo recurso neste Conselho tomou o n9 92.720 , e foi julgado pelo acórdão n9 101-80.165, desta Câmara. O presente apelo nada opõe de es pecífico contra a exigência da contribuição e acréscimos mantidos pela decisão recorri da. Com sua apresentação, a recorrente deixa ver que pretende unica mente o ajustamento da cobrança reflexa ao imposto que viesse a ser mantido por esta instância no processo principal. Como este Conselho deu provimento parcial ao recur- so n9 92.720, impõe-se retificar a exigência deste reflexo, em face da torrencial jurisprudência administrativa, segundo a qual a sorte do processo principal comunica-se, em tese, â do feito reflexo. Inexistindo aqui circunstâncias que invalidem esse' princípio, dou provimento parcial ao recurso, a fim de que a exigên- cia se restrinja â. contribuição e acréscimos correspondentes ao im- posto de renda mantidos no acórdão n9 101-80.165. É o meu voto. A . CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10280.004085/88-00
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-78928
Nome do relator: Não Informado

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Recorrid a DELEGACTA DA RECEITA rEnERAL Elv BE L31 (PA)r ER?J - Emptesa com divei'-:zs a li v idades A., empresa nâo pexde o el-Hei1, da alfuota de 6-.1 2o11-.,r,- dos de sua ativieade de avicu11u(,11,i lmente de monst t a rio s s p n,:t z:[ de pa s 13- IeLa mente pratique o ce,ilrto de me ;-:-c9 dor:as granjeiras. - Receitas Financeiras, de . -omentee de - apli.eaçes em curto praz, ' de eventuais P1 isponibilidade de caL;:,-,, ceitas diversas deeorren1es do cji.rc, mal tributãveis â al1quuda da E li , desde que não ultrapassem o TJirl Lo de 5% das receits geradas pela pxâtical do Un-a. - Recurso provido. Vis í--Jus, relat, , dos e discutidos (--,s presen'es autos de re curso in.terlr , ost p por INCUBADORA GRANJA IZABELENSE ACORDAM os Mel:bros da Pr j wira Câiiiat„ do PIHP,Hí»,-, Lho de ConttibutuLes, por unanimidade de votos, dar s ao - curso nos termos do lelat6Lio e vote , uue pJissam te julgado. 41/ Sala das efl 12 de jallo de l,9S9 URGE!, ?sP _ - g i" CFFSTCWAO DN 1 - VISTO EM AFONSO Coe. FERREIRA DE_IMPOS PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: 4 1,:t^ ZENDA NACIONAL^ j iil IdZ59 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONAÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MI- RANDA, CELSO ALVES FEITOSA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER e JOSÉ EDUAR DO RANGEL DE ALCKIMN. Ausente por motivo justificado o conselheiro RAUL PIMENTEL. Kk SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Pilou.SsoN910.280-000.085/88-00 RECURSO Nch 94.138 ACORDÃOW 101-78.928 RECORRENTE: INCUBADORA nRANjA H IZABELENSE LTDA. RELATÓRIO Em ação fiscal contra Incubadora Granja izabelense, com sede em Santa Izabel do Pará, foi lavrado o auto de infração de fls. 3 ./7, pelo qual se exige o credito tributário de 18.201,63 OTN, integrado por imposto de renda (9.768.61 OTN), juros de mora (3.548,72) e multa de ofício (4.884,30), tudo em relação aos exer cicios de 1985 e 1986, base 1984 e 1985, respectivamente. A constituição do credito decorreu da autuação dos seguintes fatos tidos como infraç8es à legislação tributária. 1) Exercício de 1985, base 1984: A autuada, que se dedicou à exploração da atividade agrícola de avicultura, exerceu paralelamente atividade mercantil com produtos agropastoris, tendo nesse exercício apresentado "apro ximadamente 37% de suas atividades provenientes da revenda de mercadorias". Alem disso, houve habitualidade entre fevereiro e outubro do exercício da atividade de compra e venda. Ante isso,a fiscalização entendeu que a pratica habitual de ato de comercio descaracteriza a eventualidade de seus resultados. — Nessas condiçaes, a autuada, por não se dedicar ex- clusivamente a atividades incentivadas com receitas eventuais de no maximo 5%, não goza dos benefícios do Decreto-lei n9 1382/74,se ja o de alloUota reduzida (6%), seja o de exclusão do lucro liqui 10/1(7 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.280-000.085/88-00 Ac6rdão n9 101-78.928 do, como incentivo às atividades rurais. Ante isso, a fiscalização tributou, através do auto, mediante aplicação da allquota comum de 35%, o valor de Cr$.... 677.588.443,00, integrado por Cr$ 612.260.536,00 correspondentes' a exclusão glosada e por Cr$ 65.327.907,00, importância correspon dente ao valor não tributado na declaração em conseqüencia do in- devido uso da aliquota de 6%. 2) Exercício de 1986, base 1985: Embora neste exercício, a fiscalização não tenha descaracterizado os benefícios concedidos ã atividade agropasto-- ril, os agentes do fisco, com fulcro no Parecer Normativo CST n9 7/82, desclassificaram o uso da allquota de 6% sobre as receitas' financeiras auferidas. Isso porque, segundo os autuantes, a avi- cultura não apresenta ciclos de produção (com safra e entre-safra) que justifiquem aplicaçaes financeiras com recursos subtraídos à atividade incentivada. Ante isso, feitos os reajustamentos que entenderam' pertinentes, tributaram no auto à allquota de 35% a importãncia de Cr$ 131.735.741,92 (Ola seja, 82,8571% do total das receitas fi nanceiras de Cr$ 159 005 120). O auto, cientificado à parte em 30.06.88 (fls.3 ) indica como infringidos os parãgrafos 19 e 29 de artigo 278 do RIR/80. Pela impugnação de 28.07.88 (f is. 102), a autuada argumenta, em síntese, o seguinte: 1 - que pratica a avicultura e a venda de ovos de sua produção não aproveitados na incubação; 2 - que em 1984, de fevereiro a outubro, manteve nu ma filial para comercializar ovos, não s6 de sua produção, como adquiridos para revenda; 717 fuè 4. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.280-000.085/88-00 Acórdão n9 101-78.928 3 - que em outubro essa filial foi fechada, com a criação de uma coligada a quem foi entregue a atividade comercial. 4 - que o lançamento referente ao exercício de 1985 não pode prosperar em face do disposto no artigo 278 do RIR/80 corretamente interpretado. Este artigo não condiciona os favores â. exclusividade da atividade da empresa, mas, ao contrário, cria Qs favores para o lucro da atividade rural. Essa visão e que jus- tifica o § 39 do artigo 278. Para beneficiar-se dos favores, a empresa tem de ter, devidamente segregada, a escrituração e apura ção de cada atividade. 4.1 - que a autuada mantinha a contabilidade segrega- da por estabelecimento e por atividade, podendo a qualquer momen- to apurar o resultado individual de cada uma delas (apresenta qua dro demonstrativo); 4.2 - que, conforme demonstra, a declaração apresenta da não confundiu em momento algum os dois resultados (o incentiva do e o não incentivado); 4.3 - que esse Conselho, por diversos acórdãos (cita 4), reconhece que a _multiplicidade de atividades, desde que haja segregação contábil dos resultados, não prejudica a fruição dos benefícios; 4.4 - que a pr6pria S.R.F.,,pela IN n9 59/87, acabou por reconhecer a legitimidade desse procedimento, e que sendo ela interpretativa, tem efeito retroativo (cita o CTN e doutrina); 5 - que -bambem o lançamento relativo ao exercício ' de 1986 não procede, isto porque: 5.1 - o total das receitas financeiras (Cr$ 159.005.120) representam 2,452% da receita bruta da atividade in- centivada e pois inferior aos 5% estabelecido como limite no 29 artigo 278 do RIR/80./ (kV 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.280-000.085/88-00 Ac6rdão n9 101-78.928 5.2 - que toda aquela receita financeira decorre do giro normal da atividade agro pastoril; 5.2.1 - que parte dela (descontos obtidos, juros de clientes, recuperação de despesas, rendas diversas) estão ao abri go conceituai do Parecer Normativo 7/82; 5.2.2 - que a parte restante (open market e over night) não tem amparo naquele parecer Normativo, mas apesar disso, é do giro normal. Eis que não houve desvio de recursos da atividade a- gropastoril mas sua "otimização pela utilização dos recursos Ocio- sos de caixa" em época de alta inflação. 5.3 - que, nos termos do § 29 do artigo 278 do RIR/80, as receitas financeiras se compreendem no limite de 5%, pois do contrario, receberia o tratamento dis pensado as receitas imobi-- lierias. 5.4 - que esse também o entendimento do Parecer CST n9 875/81, item 8.4, que e transcrito (fls. 22); 5.5.- invoca o artigo 112 do CTN (interpretação mais favoráveltao fim pede as diligencias que se fizerem necessárias. Para fins de prova junta os elementos de , fls. 25/128, sintetizados às fls. 24, que leio para os ilustres pa- res. Informação fiscal - fls. 130/137. Basicamente a informação se funda nas diretrizes dos Pareceres Normativos 145/75 e 7/82. Que os benefícios são desclassificados em relação a quem, paralelamente às atividades' incentivadas, exerça habitualidade a atividade comercial. Que os acôrdãos citados não infirmam esse entendimento, posto que "em nenhum momento se manifestam contra o requisito da eventuali dade das demais atividades". Que, quanto às receitas financeiras tributadas à , 015. 6. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL processo n9 10.280-000.085/88-00 Acõrdão n9 101-78.928 alíquota normal em 1986, razão assiste à recorrente quando afirma que parte delas está dentro do conteúdo conceituai do giro normal do PN 7/82. A outra parte entretanto, que se refere a aplicações' em "open market" e "over night" devem ser tributadas à allquota de 35%. Ademais, prop6e uma correção nos cálculos efetiva-- dos no auto de infração. A autoridade nonocrãtica decide às fls. 150, no sentido da informação fiscal, dando provimento parcial à ação fiscal para retificar os cãlculos e reduzir a matéria tributável do exercício de 1986, tudo conforme demonstra às fls. 15. Ciente da decisão em 17.02.89 (fls. 157), em 17 de março (fls. 158) o sujeito passivo interpõe o recurso de fls. 160/168, no qual basicamente reedita os argumentos da impugnação. Pedindo a realização de diligências que se fizeram necessárias, em especial para constatação dos registros contá- beis segregados por atividade, conclui por protestar pela refor- ma da decisão recorrida. Prova: elementos de fls. 169/258. É o relat6rio. VOTO— — — Conselheiro CRISTOVÃO ANCHIETA DE PAIVA, Relator: O recurso é tempestivo. Conheço dele. A exigência deste processo, no que diz respeito ao exercício de 1985, fundamenta-se, tanto no auto de infração quan to na decisão recorrida, na interpretação dada ao artigo 178 do RIR/80 pelos Pareceres Normativos CST n9s 145/75 e 7/82. Segundo, esses pareceres, o direito à aliquota privilegiada de 6% tem por sujeito tão somente a empresa rural que se dedique exclusivamen -(4) . OÃ) 457 7. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.280-000.085/88-00 Ac6rdão n9 101-78.928 te às atividades incentivadas arroladas no artigo. O exercício cu_ mulativo dessas atividades com outras não incentivadas implicaria a imposição pela alicruota normal de 35%. Essa interpretação, porém, já de longa data não tem acolhida nesse Colegiada. Em 1982, esta Câmara jã decidia: , 1) "O exercício de atividades diferentes das indica - das neste artigo não prejudica a utilização dos beneficias fiscais previstos no caput e no § 49, desde que possa o contribuinte demonstrar, sepa- radamente, os resultados de cada atividade (Ac. 19 C.C. 101-73.416/82); 2) "Empresas com atividades diversas - A empresa não perde o direito à aplicação da aliquota de 6% sobre as atividades agra-pecuãrias s6 porque possui receitas provenientes de outras ativida- des,desde que faça distinção em sua contabilida de , de suas vârias receitas, custos e resulta-- dos" (Ac. 19 C.C. 101-73.228/82). Os exemplos poderiam multiplicarem-se mas contento- me em acrescentar o seguinte, que evidencia que a 3a. Câmara co- munga com a mesma tese: "Empresas com Atividades Diversas - O exercício de outra atividade industrial ou mercantil, ao lado da atividade agro-pastoril, não tira à pessoa jurídica o direito à aliquota de 6-c' a que se refere este ar- tigo, desde que distintas em sua contabilidade as receitas, custos e resultados (Ac. 19 C.C. n9 103-06.634/85)." Dessa jurisprudência decorre evidente que o exercí- cio de atividades diversas, por si s6, não exclui o direito à aliquota privilegiada sobre os resultado, conta,bilmente segregado, da atividade agro-pastoril.~umarazão assiste ao autuante quan do afirma que esses ac6rdãos referem-se a outras atividades de caráter eventual. Não, para que uma atividade seja-mercantil é (11) , 8. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.280-000.085/88-00 Ac6rdão n9 101-78.928 imprescindivel que haja habitualidade na prática de atos mercan- tis. E o ac6rdão supra está a indicar exatamente o contrário do que afirma o autuante. E não e s6 a jurisprudência que adota esse enten- dimento. A pr6pria Secretaria da Receita Federal, pela Instrução Normativa 59/87, acabou por reconhecer que a prática de ativida- des mistas (incentivadas e não incentivadas) implica a tributa- ção de cada resultado, contabilmente evidenciado, pela allquotal a ele correspondente 6% para o incentivado e 35% para os demais. Tal interpretação, sem a menor dúvida, é a que me- lhor corresponde a letra e ao espirito do disposto no parágrafo' 19 do artigo 278 do RIR/80: "O regime tributário previsto neste artigo aplica- se exclusivamente aos lucros decorrentes da expio ração das atividades especificadas no caput deste artigo." (Grifei) Havendo segregação contábil do lucro incentivado , sua imposição a 6% e a dos outros a 35% atende ao comando retro- transcrito. No caso dos autos, a contabilidade atende ao pre- requisito de distinção quanto a receitas, custos e resultados-Por essa razão dou provimento ao recurso neste ponto. Também quanto á tributação no exercício de 1986, das receitas financeiras decorrentes de aplicaçaes em "over night" e "open market", entendo que a recorrente está com a boa doutrina. Eventuais disponibilidade de caixa não podem ser corroídas pela voracidade da inflação. Incumbe ao empresário di- ligente opor-se a elapelos meios que entender adequados. E a impo siçÃo se dará na forma da lei, segundo o comando inscrito no 29 do artigo 278 do RIR/88, que diz: //' 9. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.280-000.085/88-00 Acórdão n9 101-78.928 "Excetuadas as provenientes da venda de imóveis, po derão incluir-se no regime do caput deste artigo re ceitas diversas decorrentes do giro normal da pes- soa jurídica, desde que não ultrapassem o limite de 5% (cinco por cento) das receitas geradas pelas ati vidades próprias definidas neste artigo." As receitas financeiras, por este texto, não se e- quiparam as receitas imobiliárias, e como tal, sendo, como de fa- to o são, em montante inferior a 5% das receitas incentivadas,de- vem ser consideradas como decorrente do giro normal tributáveis a 6% . Aplicações de curto prazo, salvo se em caráter permanente , não traduzem desvio de recursos da atividade incentivada. Impõe-- se aqui esclarecer que a autuação não foi feita pela permanencia' da aplicação (fato não alegado, nem demonstrado) mas pelo simples fato de haver sido feita aplicação. Como visto, não concordo com a autuação. Dou provimento ao recurso. , CRISTOVÃO ANCHIETA DE PAIVA. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1

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4759244 #
Numero do processo: 16327.000418/00-57
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. Não é nulo o auto de infração que não viola as disposições do art. 142 do CTN e dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Também não é nula a decisão que obedeceu rigorosamente ao rito do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. I0F. CRÉDITO. EMPRESA DE FACTORING. NÃO FINANCEIRA. NÃO-INCIDÊNCIA. O IOF não incidia nas operações realizadas por empresa não financeira que se dedicava a operações de factoring antes do advento da Lei nº 9.532, de 1997. As operações de crédito, correspondentes a financiamento de veículos, efetivadas entre pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa física, antes de 1º de janeiro de 1998; não estavam sujeitas à incidência do I0F. Recurso provido.
Numero da decisão: 202-17.273
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcus de Oliveira Kaufmann, OAB/DF nº 14.750, advogado da recorrente
Nome do relator: Antonio Zomer

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Recorrida : DRJ em São Paulo - SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. Não é nulo o auto de infração que não viola as disposições do art. 142 do CTN e dos arts. 10 e 59 do Decreto n 2 70.235/72. Também não é nula a decisão que obedeceu rigorosamente ao rito do Decreto n2 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. 10F. CRÉDITO. EMPRESA DE FACTORING. NÃO FINANCEIRA. NÃO-INCIDÊNCIA. O IOF não incidia nas operações realizadas por empresa não MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNTES CONFERE COMO ORIGINAL financeira que se dedicava a operações de factoring antes do advento da Lei n2 9.532, de 1997. As operações de crédito, Brasília, 30 44 i 20(26 correspondentes a financiamento de veículos, efetivadas entre . pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa Andrezza aseinterno S ehmeikal física, antes de 1 2 de janeiro de 1998; não estavam sujeitas à mau Siapc 13773/0 incidência do 10F. Recurso provido. • • . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CRUZEIRO FACTORING SOCIEDADE DE FOMENTO COMERCIAL LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcus de Oliveira Kaufmann, OAB/DF n 2 14.750, advogado da recorrente. Sala . essões, em 23 de agosto de 2006. fir A tonto Carlos Atu m President • AI •,10 , Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Router°, Ivan Allegretti (Suplente), Simone Dias Musa (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. MF -SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTL; • Stektk„ ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 20 CC-NIF tePtt:•.e.:2;:„:12. Fl. :4:ipily4.:P• Segundo Conselho de Contribuintes Brasíl ia , 20 .1. 1406 .4.;:.tt.zifatct EaC1171.1, ~- Processo n2 : 16327.000418/00-57 Andrezza Nascimento Sehincikal Recurso n2 : 116.569 Mal ti iape 13773MY Acórdão n9- : 202-17.273 Recorrente : CRUZEIRO FACTORING SOCIEDADE DE FOMENTO COMERCIAL LTDA. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado para cobrança de 10F que deixou de ser pago sobre operações de crédito, realizadas no período compreendido entre janeiro e dezembro de 1997, no valor total de R$ 75.711.191,71, incluídos imposto, multa e juros de mora, com fundamento nos arts. 3 2 e seu § 1 9, alínea "a", 42, 52 e 72, inciso I, "b", e seu § 1 9, e art. 10, inciso VII, todos do Decreto n2.2.219/1997. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 17/31 o autuante relata que a contribuinte, 'constituída para a prática de quaisquer modalidades de operações de factoring (prestação de serviços e participações destinadas ao fomento comercial), celebrou, no ano de 1997, mais de 250.000 contratos. Entretanto, teria desenvolvido estas atividades sem qualquer estrutura administrativa e .operacional própria, não possuindo nenhum empregado e nenhum bem registrado em seu ativo permanente imobilizado. A Fiscalização informa que as atividades da empresa eram desenvolvidas pelo Banco ABS AMRO S.A., que já possuía estrutura para tanto, como demonstram os contratos de fomento mercantil e de cessão de crédito, que eram assinados por funcionários daquela instituição, como procuradores ou gerentes da Cruzeiro Factoring. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, o Banco ABN AMRO S/A e a Cruzeiro Factoring Sociedade de Fomento Ltda. eram empresas do mesmo grupo, sendo que o Banco ABN AMRO S/A era quem, de fato, executava todas as atividades inerentes aos serviços • de fnctoring, sendo que, a partir de 31/10/1997, a gestão operacional dessas atividades passou a ser acobertada por contrato de prestação de serviços administrativos operacionais, firmado com o referido Banco. O objeto descrito nos contratos é o fomento mercantil das atividades presentes da CONTRATANTE (empresa cliente) pela CONTRATADA (Cruzeiro Factoring), mediante a • prestação dos seguintes serviços: 1) verificação da situação creditícia dos sacados da CONTRATANTE; 2) acompanhamento da carteira de contas a receber da CONTRATANTE; e 3) cessão dos direitos creditórios da CONTRATANTE à CONTRATADA. Entretanto, a operação se dava da seguinte maneira: 1) a empresa que vendia o bem preenchia uma ficha cadastral do comprador em modelo impresso, fornecido pela Cruzeiro Factoring, e à esta submetia a aprovação do crédito; 2) aprovado o crédito, a venda era efetuada à vista, com emissão de nota fiscal também à vista, e o comprador emitia cheques "pré-datados" ou Notas Promissórias para o pagamento do bem em parcelas, enquanto que a empresa vendedora recebia à vista da empresa de factoring; e 3) a Cruzeiro Factoring efetuava suas operações por meio de contratos de venda à prazo com reserva de domínio e de cessão de crédito, que apresentavam os seguintes elementos: • -• 0.4F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTEE1 22 CCMF.43:4•n,7 Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuinte ... Efrasilia , .30 44 i • cedoo,6 J AndrezzaProcesso n2 : 16327.000418100-57 • 714r1 Nascimento Scluneikal • Recurso n2 : 116.569 Max. Siape 1377389 Acórdão n2 : 202-17.273 Vendedor/Cedente: empresa que vendia o bem; Comprador: cliente que comprava o bem; Cessionária: pessoa a quem o crédito originário da venda à prazo seria cedido - no caso, a Cruzeiro Factoring Sociedade de Fomento Comercial Ltda. Pela análise da operação, a Fiscalização concluiu que o consumidor adquiria o veículo financiado e que o financiador era a empresa de facloring. A taxa de juros e o valor das prestações constam do contrato, tal como em um financiamento de Crédito Direto ao Consumidor - CDC. O ato da compra do veículo, consubstanciado na emissão da nota fiscal, e o financiamento são efetuados concomitantemente, tanto que o veículo saia da interveniente vendedora acompanhado da nota fiscal de venda à vista contendo a reserva de domínio para a Cruzeiro Factoring. Considerando que o conteúdo econômico do negócio praticado de forma sistemática e contínua seria fator preponderante, a prevalecer sobre a forma jurídica adotada, a Fiscalização equiparou a Cruzeiro Factoring a uma instituição financeira, sujeitando as operações ao 10F, cujo fato gerador, no tocante às operações de crédito, é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou a sua colocação à disposição do interessado, conforme previsto no art. 63, inciso 1, da Lei n 2 5.172/1966 - Código Tributário Nacional - CTN. Cientificada do auto de infração em 1 9/03/2000, g contribuinte ingressou tempestivamente com a impugnação de fls. 2.385/2.452, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação com base nas seguintes alegações: - a impugnante já teve instaurado contra si procedimento administrativo pelo Banco Central do Brasil (Processo Administrativo n2 9800905759) para apuração da ocorrência ou não da consecução de operações de crédito privativas de instituições financeiras; - de acordo com o disposto no art. 10 da Lei n2 4.595, compete privativamente ao Banco Central do Brasil (Bacen) a apuração da prática de operações financeiras por empresas não autorizadas; - somente após a manifestação definitiva do Bacen, que ocorrerá após a apresentação de defesa e todos os recursos a ela inerentes, é que se poderia, em tese, afirmar que - houve a prática de operações de crédito; - a atividade desenvolvida não se subsume à hipótese de incidência tributária .descrita na lei instituidora do 10F, pois a empresa não é instituição financeira e não há na legislação tributária qualquer dispositivo prevendo a equiparação automática para fins de tributação; . - o objeto da empresa é a cobrança e garantia de créditos comerciais; a aquisição, administração e negociação de ativos patrimoniais de pessoas jurídicas, inclusive de direitos creditórios de empresas comerciais e industriais decorrentes de faturamento da venda de bens e serviços; a prestação de serviços técnicos de assessoria em operações de financiamento, elaboração de estudos, planejamento e participação em empreendimentos; - possuía contrato informal com o Banco ABN AMRO S/A para que este realizasse a gestão operacional de suas atividades; contudo, este contrato só foi formalizado em 31/10/1997, sendo indevida a acusação comida no Termo de Verificação Fiscal de que se trata de empresa de "fachada"; ‘. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT • 22 CC-MF CONFERE COMO ORIGINALMinistério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, j d 080(26 -..f.;t5.13.2?» - — Processo na : 16327.000418/00-57 , Andrezza Nascimento Schnieikal Recurso na : 116.569 Mal. Siape 13773Kg Acórdão n2 : 202-17.273 • - mesmo que suas operações não visassem a compra de créditos de seus clientes decorrentes de vendas efetuadas a prazo, mas sim decorrentes de compra à vista, este fato não descaracterizaria a operação de factoring, não existindo qualquer irregularidade nas operações realizadas pela empresa, porque haveria, da mesma forma, o nascimento de direitos creditórios para o estabelecimento comercial, que lhe teriam sido cedidos; - o fato de receber, concomitantemente, com a aquisição dos créditos de seus clientes a reserva . de domínio do bem alienado não pode caracterizar operação de alienação fiduciária em garantia, que é privativa das operações de crédito praticadas por instituições financeiras, porque não houve a assinatura de qualquer contrato de alienação fiduciária em garantia; - o que caracteriza o factoring é a cessação de toda e qualquer responsabilidade do faturizado perante o faturizador, que é justamente o que ocorreu no caso sul) examine; - os contratos de assunção de dívida não constituem captação de recursos, tendo em vista que só as instituições financeiras, por meio de operação bancária passiva, podem obter recursos do público; - para caracterizar uma instituição como sendo financeira há. que se verificar a prática cumulativa das três atividades descritas no caput do art. 17 da Lei n2 4.595/64, quais sejam: coleta, intermediação e aplicação de recursos de terceiros; - partindo da premissa supra, a fiscalizada não pode ser, em hipótese alguma, caracterizada como instituição financeira, uma vez que a mesma realizava a prestação de serviOs característicos de factoring e a compra "pro soluto" dos créditos oriundos das vendas mercantis realizadas por suas clientes; e - a Lei n2 9.532/97 introduziu nova hipótese de incidência para o 10F, contudo, referida incidência passou a vigorar tão-somente a partir de 01/01/1998, ou seja, posterionnente ao período apresentado no auto de infração (1997). Finalizando a impugnação, requer a realização de perícia, indicando o seu perito, com o fim de determinar com exatidão e correção o valor supostamente devido, já que, no seu entender, os cálculos efetuados pela Fiscalização não são corretos, mas o tempo disponibilizado para a defesa é muito exíguo para o exame de um procedimento administrativo de 2.365 folhas. A DRJ em São Paulo - SP julgou o lançamento integralmente procedente, em decisão assim ementada (fls. 2.455/2.476): "Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos • ou Valores Mobiliários - 10F Período de apuração: 03/01/1997 a 31/12/1997. Ementa: 10F SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO Incide o 10F sobre a entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua a obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (art. 63, I CTIV). As operações de crédito, correspondentes a 171littl0 de recursos financeiros entre pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa física, sujeitam-se à incidência do .10F segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas Instituições Financeiras. • („1‘ 1.1 Ministério da Fazenda ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ! 2 2 CC-MF t.;;.• Fl. :.5•4r.--,•:,J Segundo Conselho de Contribuinte' CONFERE COMO ORIGINAL • • Brasitia .30 1 ifif / 2.006' Processo 112 : 16327.000418/00-57 47142- • Recurso 112 : 116.569 Andrezza Nasciniento SeInncikal • Mal. Siape 1377389 Acórdão: 202-17.273 LANÇAMENTO PROCEDENTE". • No recurso voluntário apresentado em 12/12/2000, fls. 2.484/2.515, a autuada . reedita suas razões de defesa, valendo aqui acrescentar que foram tra.nscritos, tanto na impugnação como na peça recursal, várias ementas de acórdãos do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, que decidiram que as atividades desenvolvidas não equiparam as factoring a instituições financeiras. A. recorrente alega, ainda, que a negação da perícia requerida caracteriza cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a existência de incorreções nos valores apresentados no auto de infração. • No tocante ao mérito, aduz que o jurista Valdírio Bulgarelli, em parecer juntado à impugnação, analisou as operações realizadas pela recoiTente e concluiu pela sua total legalidade. Ao final, requer, alternativamente: 1) a nulidade do auto de infração, tendo em vista que ainda não houve manifestação do Banco Central no sentido de caracterizar a operação praticada como sendo financeira e tendo em vista que é inadmissível, em matéria tributária, a presunção de ocorrência do fato gerador; 2).a nulidade da decisão recorrida, determinando-se o retorno dos autos à fase instrutória para a realização da prova pericial requerida na impugnação; e 3) a insubsistência do lançamento, em face dos argumentos de mérito .apresentados. O recurso veio ao Conselho de Contribuintes por força de liminar obtida no Mandado de Segurança n2 2000.61.00.048836r8, comprovada pelos documentos de fls. 2:516/2.517. Enquanto o processo aguardava distribuição e julgamento em segunda instância, ocorreram os seguintes fatos processuais: - em 31/07/2001, a contribuinte encaminhou requerimento solicitando a juntada de cópia do PARECER PGFN/CAT/N° 334/2001, no qual foi analisada a questão da prática de atividade privativa de instituição financeira pelas empresas defactoring (fls. 2.526/2.585); - em 03/08/2001 a autoridade preparadora encaminhou cópia da sentença favorável à recorrente, proferida nos autos do Mandado de Segurança impetrado com o objetivo de ter seu recurso voluntário apreciado sem a necessidade da realização do depósito equivalente a 30% do crédito tributário. Estes documentos foram juntados às fls. 2.586/2.593; - em 10/08/2001 o Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes foi intimado a tomar ciência dos documentos juntados às fls. 2.526/2.585; - na mesma data o Procurador fez juntar ao processo a manifestação de fls. .2.595/2.599, na qual avalia a autuação e o Parecer PGFN/CAT n° 334/2001, concluindo que a primeira está em harmonia com as conclusões do segundo e não se opondo à juntada desse documento ao processo; 5 • MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTEP.- Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL 2. CC-MF tevit-•-te ; • Segundo Conselho de Contribuintes Brasffia / ae,006 Fl. jn4-oe Processo n2 : 16327.000418/00-57 Andrezza Nascimento Schnicikal Mal. Siape I 377389Recurso n2 : 116.569 Acórdão n2 : 202-17.273 - em 14/11/2003 a recorrente volta aos autos, por meio da petição de fls. 2.600/2.602, para informar que o Processo Administrativo n 2 9800905759, instaurado pelo Banco Central do Brasil para a apuração da prática ou não de operações de crédito privativas de instituições financeiras, foi julgado em seu favor pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, conforme extrato apresentado, que foi juntado às fls. 2.603/2.608; - em 18/11/2003 o Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes tomou ciência dos documentos juntados às fls. 2.600/2.608, manifestando-se favoravelmente à inclusão deles nos autos e sugerindo que a interessada fosse intimada a apresentar cópia do inteiro teor da decisão profehda pelo Conselho de 'Recursos do Sistema Financeiro Nacional - CRSFN. No mesmo documento, fl. 2.609, o Procurador informa que mantém o entendimento de que a autuada, mesmo não sendo instituição financeira, praticou operações próprias delas; • - em 04/12/2004 os novos patronos da recorrente (instrumento de substabelecimento de fl. 2.611) apresentam a petição de fls. 2.622/2.623, requerendo a juntada aos autos do inteiro teor do acórdão do CRSFN, proferido no Processo Administrativo n2 9800905759, instaurado pelo Banco Central do Brasil (fls. 2.624/2.626); - em 07/04/2005 o Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da petição de O. 2.629, requereu a juntada do Ofício n2 892/2005, por meio do qual a Procuradoria Regional da República da 3! Região lhe encaminhara cópia de parecer ofertado nos autos do Habeas Corpus n=) 2005.03.00.002762-1, em trâmite perante a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 3! Região, além de cópia da denúncia da Ação Penal Originária n 2 2003.61.81.009847-9, pela qual se apura a prática de crime contra a ordem tributária e crime contra o Sistema Financeiro Nacional, praticados pelos administradores da mencionada sociedade- e relacionados com o presente recurso voluntário. Estes documentos encontram-se às fls. 2.630/2.656; - em 22/06/2005 a Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de São Paulo • encaminhou cópia do Acórdão proferido pela 4! Turma do Egrégio TRF-da 3 ! Região, nos autos -do .Mandado de Segurança já referenciado neste relatório, que deu provimento à apelação c à remessa oficial, julgando perfeitamente legal c cabível a exigência de depósito recursal como condição de apreciação do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Os documentos foram juntados às fls. 2.657/2.675; • - em 05/07/2005 o Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes apresenta outra cópia da decisão proferida pelo TRF da 3! Região, requerendo que este Colegiado negue seguimento ao recurso voluntário, por falta de preparo recursal (fls. 2.678/2.697); - em 13/09/2005, conforme certidão de O. 2.701, foi entregue ao patrono da contribuinte cópia dos documentos de fls. 2.622/2.697; - em 20/09/2005 a recorrente apresenta a petição de fls. 2.702/2.705, contrapondo- • se à petição do Procurador da Fazenda e requerendo o prosseguimento do feito, uma vez que a decisão do TRF da 3 ! Região não transitou em julgado, estando a depender do julgamento, pelo STJ, de Agravo de Instrumento interposto contra a inadmissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário (extrato às fls. 2.705/2.707). Nesta mesma peça informa que apresentou à 6 , • rt;i RIF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC - MF fr Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIG!NAL • Fl. 41,Fitr Segundo Conselho de Contribuinte Brasilia 30 / I 4006" - Jim-1 .Processo n2 : 16327.000418/00-57 Andrezza Nasc imento Sehnicikal Recurso n2 : 116.569 Mal. Siape 13773149 Acórdão 1) 12 : 202-17.273 - Delegacia Especial das Instituições Financeiras, em 28/02/2001, com fundamento no Decreto n2 3.717/2001 (art. 22, inciso II), Termo de Fiança no valor correspondente a 30% do crédito tributário mantido na decisão recorrida, que não foi, até o momento, rejeitada por aquela autoridade fiscal (fls. 2.708/2.712); e - em 30/09/2005 a recorrente requer a juntada dos documentos originariamente apresentados à Deinf em São Paulo, todos relativos ao Termo de Fiança antes informado (fls. 2.713/2.769), reiterando o pedido de apreciação do recurso voluntário, pois a fiança atende a exigência de garantia recursal, conforme legislação vigente à época de sua apresentação. É o relatório. • • . . .J) kjli 7 Ministério da Fazenda MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 21' CC-MF • Segundo Conselho de Contribuinte CONFERE COMO ORIGINAL Fl. Ot.rd12;..r Brasiba, 30 / ,e,006 Processo n2 : 16327.000418/00-57 j710-og Recurso n2 : 116.569 Andrezza Nascimento Selma:lha! Acórdão n-Q : 202-17.273 Iai . Siape 1377.184 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO ZOMER Primeiramente, analiso a questão da garantia recusai. Inicialmente, a recorrente obtivera liminar, e depois sentença de mérito, que lhe garantiam o direito de ter seu recurso apreciado sem a necessidade de apresentação de depósito ou arrolamento. A sentença favorável à recorrente permaneceu como fato processual até que, em 22/06/2005, a Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de São Paulo encaminhou cópia do Acórdão proferido pelo TRF da 3 2 Região, dando provimento à apelação e à remessa oficial, julgando perfeitamente legal e cabível a exigência de depósito recursal como condição de apreciação do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Embora a recorrente tenha informado que a decisão do TRF da 3 2 Região ainda não transitou em julgado, estando a depender do julgamento, pelo STJ, de Agravo de Instrumento interposto contra a inadmissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário, acredito que este fato não seja relevante para o deslinde da questão. Com efeito, muito tempo antes da decisão que lhe era favorável ser revertida pelo • tribunal, a -recorrente havia apresentado à Delegacia Especial das Instituições Financeiras, com fundamento no Decreto n2 3.717/2001 (art. 22, inciso II), um Termo de Fiança no valor correspondente a 30% do crédito tributário mantido na decisão recorrida, conforme demonstram os documentos juntados .a estes autos às fls. 2.708/2.712 e 2.713/2.769. A apresentação dos documentos relativos ao Termo de Fiança foi feita em 28/02/2001, porém, só veio aos autos •pelas mãos da recorrente em setembro de 2005. O recurso voluntário foi apresentado em 12/12/2000; quando a exigência de garantia recursal prevista no art. 33 e §§ do Decreto n2 70.235/72, na redação que lhe foi dada pelo art. 32 da Medida Provisória n2 1.973-63, de 29/06/2000, e reedições, estava regulada nos seguintes termos. "A ri. 33 ... § 22 Em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente o instruir COM prova do depósito de valor correspondente a, no mínimo, trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão. § 32 Alternativamente ao depósito referido no parágrafo anterior, o recorrente poderá prestar garantias ou arrolar, por sua iniciativa, bens e direitos de valor igual ou superior à exigência fiscal definida na decisão, limitados ao ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. § 42 A prestação de garantias e o arrolamento de que trata o parágrafo anterior serão realizados preferencialmente sobre bens imóveis. • § 5O Poder Executivo editará as normas regulamentares necessárias à operacionalização do depósito, da prestação de garantias e do arrolamento referidos nos parágrafos anteriores. '' Regulamentando a matéria, o Poder Executivo expediu o Decreto n2 3.717, de 3 de janeiro de 2001, no qual ficou assim estabelecido: JN a k)i'l Wet MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 CC-MF •t-rti,•;:4-,,;i••• Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIG!NAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes *.teCt Brasilia 30 d 1 1.006 Processo n2 : 16327.000418/00-57 Andrezza Nascimento Sehnicikal Recurso n2 : 116.569 Mit; Siare t 3 773 to Acórdão n2 : 202-17.273 "Art. lO depósito, a prestação de garantia e o arrolamento de bens, no recurso voluntário contra decisão nos processos de determinação e exigência de crédito tributário da União, serão efetuados em conformidade com as disposições deste Decreto. Art. • 2' Pára seguimento do recurso voluntário a que se refere o artigo anterior, o recorrente deverá: • 1.4 I. 1 - prestar garantia de valor correspondente a, no mínimo, trinta por cento da exigência fiscal definida ha decisão; ou [... 1 • • • Art. 4' A prestação de garantia e o arrolamento de bens . serão realizados, preferencialmente, com bens imóveis. Art. 52 Na prestação de garantia, poderão ser aceitas as modalidades de fiança, hipoteca ou seguro. § Conforme a modalidade da garantia, o recorrente deverá apresentar: 1- na fiança: a) proposta aprovada por instituição financeira, que será renovada sempre que necessário, para a fiança bancária; b) relação de bens do fiador acompanhada de certidões dos cartórios de protesto e distribuição, para os demais tipos de fiança; ". (destaques acrescidos) De acordo com os dispositivos supratranseritos, a fiança bancária era um dos meios de garantia recursal legalmente admitido. Desta forma, estando os documentos apresentados pela recorrente de acordo com as exigências estatuídas pelo Decreto n2 3.717/2001 e . sendo tempestivo o recurso, dele tomo conhecimento. Além das preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, a recorrente centra sua defesa no fato de inocorrência do fato gerador do IOF apontado pela Fiscalização e está fundada nas seguintes premissas: 1) o negócio por ela praticado é de factoring, enquadrando-se perfeitamente em . seu objeto social; 2) não existe legislação que permita equiparar as empresas de factoring a instituições financeiras; e 3) a nova incidência do 10F prevista na Lei n2 9.532/97 só alcança os fatos geradores ocorridos a partir de 12/01/1998. A recorrente alega, em preliminar, que o auto de infração seria nulo porque o Banco Central ainda não decidira se as operações praticadas pela recorrente são ou não financeiras, não sendo possível, em matéria tributária, a presunção de ocorrência do fato gerador. O auto de infração contém todos os requisitos do art. 10 do Decreto n 2 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Além disto, as decisões do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (Órgão do Banco Central), mesmo que possam subsidiar os procedimentos seguidos pela Fiscalização, de modo algum a vinculam, pois não são fontes do Direito Tributário e nem se constituem em normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. . 9é, Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE 22 CC - MF CONFERE COM O ORIGINAL Fl. 1,006 ;:,1:•;..**•0' • Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, _3{2_1 Processo n2 : 16327.000418/00-57 V5LIP/A-r2 Recurso n2 116.569 Andrezza Nascimento Schincikal Acórdão n2 : 202-17.273 Mai. %lupe 1377389 Ademais, a teor do disposto no art. 142 do CTN, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, não havendo qualquer irregularidade na autuação, rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração. A recorrente requer, também, a anulação da decisão recorrida, fazendo-se retornar os autos à fase instrutória para a realização da prova pericial requerida na impugnação. Não tem razão a reclamante. Se o julgador a quo, ao firmar livremente a sua convicção, diante das provas existentes nos autos, conforme lhe faculta o art. 29 do Decreto n 2 70.235/72, considerou despicienda a produção de outras provas, não há razão para se considerar que houve cerceamento do direito de defesa. Rejeita-se, pois, a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Adentrando na análise do mérito, a acusação da Fiscalização é que a recorrente, travestida de empresa de factoring, praticou operações de crédito, privativas de instituições financeiras, isentando-se, por conseguinte, do recolhimento do I0F. As operações que deram origem à exigência fiscal também foram impugnadas pela fiscalização do Banco Central do Brasil, que instaurou o Processo Administrativo n2 9800905759 para a apuração da prática ou não de operações de crédito privativas de instituições financeiras. Referido processo foi julgado favoravelmente aos interesses da recorrente pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional - CRSFN, conforme demonstra o inteiro teor daquela decisão, juntada por cópia às fls. 2.624/2.626. Este entendimento de que as atividades descritas pela Fiscalização não equiparam as factoring a instituições financeiras foi manifestado em outros julgados do CRSFN, como se pode ver nas ementas dos seguintes julgados daquele órgão Colegiado: "... mesmo analisadas globalmente, as operações em tela (cessões de crédito de. exportação e contratos de assunção de dívidas ligadas a vendas de veículos) não se apresentaram de forma dissimulada e tampouco resvalaram na interpretação financeira, caracterizada pela captação de recursos do público e subseqüente empréstimos a terceiros." (Acórdãos CRSFN Ii2s 2.704/99 e 2721/99). "Exe. rcício de atividades típicas de instituição financeira sem a competente autorização do Banco Central do Brasil - Empréstimos a pessoas físicas mediante garantia de cheque c notas promissórias - Ausência de intromissão especulativa - Irregularidade não caracterizada - Recurso provido." (Acórdão CRSFN n2 2.744/99). Na decisão do CRSFN, assim como no Parecer PGFN/CAT/N2 334/2001, ficou assentado que, para caracterizar uma instituição como sendo financeira há que se verificar a prática cumulativa das três atividades descritas no capta do art. 17 da Lei n2 4.595/64, quais sejam: coleta, intermediação e aplicação de recursos de terceiros, o que não se dá com .as operações de factoring, mesmo aquelas realizadas pela recorrente. A constatação de que as atividades desenvolvidas pela autuada não a equipara a instituição financeira não seria suficiente para afastá-la da obrigação de pagar o IOF, caso a incidência deste imposto para o tipo de operação por ela desenvolvida estivesse prevista na legislação de regência deste tributo, à época dos fatos alcançados pelo lançamento. Mas este não é o caso. O Decreto n2 2.219, de 02 de maio de 1997, que regulamentou o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - 10F, consolidando a legislação anterior, elegeu como fato gerador as I () NP • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES! Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAI 22 CC-MF t4g.-2.-.-!.:„ • Segundo Conselho de Contribuinte Brasilia 30 , .20(7,6 Fl. skstõti>. Ai401. Processo n2 : 16327.000418/00-57 Andrezza Nascimento Schincikal Recurso na : 116.569 Ma;. Siape 1377389 Acórdão n' 202-17.273 operações de crédito realizadas exclusivamente por instituições financeiras, como dispôs o art. 2, inciso I, verbis: "Art. 2 0. O 1OF incide sobre: 1 - operações de crédito realizadas por instituições financeiras (Lei n° 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1°);". (destaques acrescidos) Os contribuintes do imposto foram definidos pelo art. 5 2 do mesmo regulamento, nos seguintes termos. "Art. 5°. São responsáveis pela cobrança do 10F e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito (Decreto-Lei n° 1.783/80, art. 3°, inciso 1)." (destaques acrescidos) Como se vê, dentre as possíveis operações de crédito, só constituíam fato gerador• do 10V aquelas realizadas por instituições financeiras. Da mesma forma, ao tempo das operações realizadas pela autuada - janeiro a dezembro de 1997 -, só as instituições financeiras estavam definidas como responsáveis pela cobrança e recolhimento desse imposto. • O direito tributário sege-se, dentre outros, pelos princípios da estrita legalidade e tipicidade tributária, de modo que a obrigação tributária tem nascimento tão-somente se verificado o fato descrito conotativamente no antecedente da regra-matriz de incidência. Portanto, para que o lançamento tributário possa ser constituído validamente, é imprescindível o perfeito enquadramento do fato à hipótese de incidência descrita pela norma geral e abstrata. Fabiana Dei Padre Tomé', no seu livro "A Prova no Direito Tributário", refere-se à necessidade de subsunção do fato à norma, nos seguintes termos: "A fundamentação das normas individuais e concretos na linguagem das provas decorre da necessária observância aos princípios da estrita legalidade e da tipicidade tributária, limites objetivos que buscam implementar o sobrepriticipio da segurança jurídica, garantindo que os indivíduos estarão sujeitos à tributação somente se for praticado o fato conotativamente descrito na hipótese normativa tributária. Como bem ensina Paulo de Barros Carvalho ?, o princípio da tipicidade tributária define-se em duas dimensões, quais sejam o plano legislativo e o da facticidade. No primeiro está a necessidade de que a norma geral e abstrata traga todos os elementos descritores do fato jurídico tributário e os dados prescritores da relação obrigacional, ao passo que no segundo tem-se a exigência da estrita subsunção do fato à previsão genérica da norma geral e abstrata, .vinculando-se ri correspondente obrigação. Por esse motivo, a norma individual e • concreta que constitui o fato jurídico tributário e a correspondente obrigação deve trazer, no antecedente, o fato tipificado pela norma geral e abstrata, com as respectivas coordenadas temporais e espaciais, indicando, no conseqüente, o fato da base de cálculo, • que, juntamente com a alíquota, especificam o quatztum devido, bem como os sujeitos integrantes do vínculo obrigacional." Sem a prescrição normativa o evento não ingressa no mundo jurídico e sem previsão na norma tributária falta-lhe motivo para dar origem ao lançamento. Sem motivo, a motivação toma-se capenga, como se infere da leitura do seguinte trecho do livro de Fabiana Del Padre Tome3: ' Tomé, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tributário. São Paulo. Noeses, 2005, p. 30-31 2 A Prova no Procedimento Administrativo Tributário. Revista Dialética de Direito Tributário n 2 34. p. 105. 3 Tomé, Fabiana Dei Padre. Op. cit., p. 326/327. Ns4 \\I i I , • inAtk - ME. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - 20 CC-MFMinistério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuint•s ISt7.1)::>‘:4-• ,C2AI:f7C~ Brasília: 30 14 .2°06 Processo n2 : 16327.000418/00-57 Jyted. Recurso na : 116.569 Andrezza Nascimento Sehincikal Atai. Siar,: I 3773x9 Acórdão -: 202-17.273 "A emissão de atos administrativos, dentre eles o ato de lançamento e o de aplicação de penalidade em razão do descumprimento de obrigação tributária ou de dever instrumental, depende da existência de determinados pressupostos: (i) competência, (ii) motivo, (iii) formalidades procedimentais, (iv) finalidade e (v) causa. Para que sejam regularmente constituídos, esses atos exigem a presença dos elementos (i) forma, (ii) motivação e (iii) conteúdo. O motivo e a motivação estão intrinsecamente relacionados com o tema das provas: enquanto o primeiro é pressuposto fático do ato, representado pelo evento que preenche os requisitos da hipótese normativa tributária, a motivação é o relato que, com fundamento na linguagem das provas, constitui o fato jurídico, introduzindo-o no ordenamento." Só a partir de 1 2 de janeiro de 1998, com o advento da Lei n 2 9.532/97, é que as operações realizadas por factoring passaram a ser tributadas pelo 10F. E a partir de 1 2 de janeiro de 1999, com a edição da Lei n 2 9.779/99, o IOF passou a incidir, também, sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. O financiamento de veículos realizado por factoring antes da Lei n 2 9.532/97 já foi apreciado por este Segundo Conselho de Contribuintes por diversas vezes, tendo-se decidido reiteradamente que o IOF não incidia sobre estas operações antes de 1 2 de janeiro de 1998, como se pode ver noS Acórdãos cujas ementas abaixo se transcreve: "10F - IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU • RELATIVAS A TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS - Não incide o 101 7 sobre operações realizadas por instituições não financeiras que se dedica à operação de factoring, antes do advento da Lei n° 9.532/97. As operações de crédito, correspondentes a financiamento de veículos, efetivadas entre pessoas jurídicas não financeiras e outra pessoa jurídica ou pessoa física, não se sujeitam à incidência do 10F. Recurso provido." (Acórdãos n2s 201-74.101, de 08/11/2000 e 201-74.147, de 06/12/2000). "10F. CRÉDITO. EMPRESA DE FACTORING NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide o 10F nas operações realizadas por empresa não financeira que se dedica a operações de factoring, antes do advento da Lei n°9.532, de 1997. As operações de crédito, correspondentes a financianzento de veículos, efetivadas entre pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa física, não estão sujeitas à incidência do 10F. Recurso provido." (Acórdãos n2s 201-76.043, de 16/04/2002 e 201 -76.463, de 15/10/2002). "10F, CRÉDITO. EMPRESA DE FACTORING NÃO FINANCEIRA. INCIDÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI IV" 9.532/97. Somente incide o 10F nas operaç-ões- realizadas por empresa não financeira que se dedica a operações de factoring, a partir de .01/01/1998, data em que entrou em vigor a Lei n°9.532, de-1997, que previu em seu art. 58 que: 'A pessoa física ou jurídica que alienar, à empresa que exercer as atividades relacionadas na alínea 'd' do inciso 111 do § I° do art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995 - (factoring), direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, sujeita-se à incidência do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos e valores mobiliários - IOF às mesmas alíquotas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras.' Recurso provido em parte." (Acórdão n2 201-77.177, de 09/09/2003) • • • • MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF •--rirs.c.r, Ministério da Fazenda CONFERE COIN O ORIGINAL FI. - Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia 4X`Nr \A-721-ce. Processo n2 : 16327.000418/0037 Andrezza Nascimento Schnieikal Recurso n2 : 116.569 Mi. Siare 13773*? Acórdão n2 : 202-17.273 "10K IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. Não incide o IOF sobre operações realizadas por instituições não financeiras, que se dedicam à operação de factoring, antes do advento da Lei n°9.532/97. As operações de crédito, correspondentes • a financiamento de veículos, efetivadas entre pessoas jurídicas não financeiras e outra pessoa jurídica ou pessoa física, não se sujeitam à incidência do 10F. Recurso provido. . em parte." (Acórdão n2 201-77.181, de 09/09/2003). • 10F. CRÉDITO. EMPRESA DE FACTORING. . NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide o 10F nas operações realizadas por empresa não financeira que se dedica a operações de factoring, antes do advento da Lei n°9.532, de 1997. As operações de crédito, correspondentes a financiamento de veículos, efetivadas entre pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa física, não estão sujeitas à incidência do 10F. Recurso provido." (Acórdão n2 201-77.769, de 10/08/2004). "/OF. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CAMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A VALORES MOBILIÁRIOS. Não incide o 10F sobre operações realizadas por instituições não financeiras que se dedicam à operação de factoring, antes do advento da Lei n°9.532/97. As operações de crédito correspondentes a financiamento de veículos efetivadas entre pessoas jurídicas não financeiras e outra pessoa jurídica ou física não se sujeitam à incidência do 10F. Recurso provido." (Acórdãos n2s 201-78.012 e 201-78.013, de 09/11/2004). Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso, determinando o cancelamento integral do auto de infração. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2006. • ak • 14)%1 • • N 0 er OMER • l 3

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Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Os prejuz:os' fiscais da incorporadora podem ser compensados com os resultados futuros, observado o prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes au tos de recurso interposto por XEROX INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Pri meiro Conselhd de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejei- tar as preliminares suscitadas e, no mérito, por meioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatõrio e voto que pas sam a integrar o presente julgado, Vencidos os Cons. Carlos Alber to Gonçalves Nunes e Mariam Seif, que lhe negavam provimento. ala Sessões, em 25 de agosto de 1992 „orMAR A n " - PRESIDENTE „TEZ CND DO RELATOR ATON: zi O FERREIRA DE PROCURADOR DA FA VIS TO EM z ENDA NACIONAL 4 SESSÃO DE: I / ri konin RECURSO DA FAZENDA NACIONAL N9 RP/101 -0.164 II, V, DAMEFP/OF- SECOS N 9. 064/90 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: Seba.stião Rodrigues Cabral, Francisco de Assis Miranda, Sandro Martins Silva, Celso Alves Feitosa e Raul Pimentel. P'"41 fÁ 2-4iW • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10783/007.636/90-79 RECURSO N9 101.592 ACORDÃO N2 : 101-83.894 RECORRENTE: XEROX INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A RELATÓRIO Xerox Industrial e Comercial S/A, CGC/MF n9 27.809,607,/0001 -73, com estabelecimento sede localizado na Avenida Nossa Senhora da Penha, n9 1.331, Vitõria/ES, inconformada com a decisão n9 411/11; exarada as fls. 1661170, destes autos, que man teve as exigências formuladas no auto de infração n9 797,/90, fls. 12/21, e apuradas através de compensação indevida de prejuízos; lançamento de doações indedutíveisí apropriação como despesa de va lores ¡mobilizáveis e, despesas não comprovadas; recorre a este Conselho; alegando: Inconformada com a inclusão, no total da exi gência, da parcela relativa a "compensação de prejuízos", a con- tribuinte impugnou a autuação com as raz'ões que seguem: - Merecem fé as irregularidades ,apontadas nos itens 2 a 5, pelo que, junta a documentação relativa a arreca dação da importância reclamada na autuação. - Quanto a compensação indevida de prejuí zos fiscais seu apontamento 6 irregular e inaceitável e odiosa a acusação de simulação buscada no artigo 202 do COdigo Civil. - Pressupõe a suplicante que a autoridade im pugnada relatou de forma incorreta. O importante e essencial é que este pressuposto de simulação eventual, não pode existir uma vez que atos jurídicos ditos simulados não o podem ser antes de jul.a DAM5"-"/DF - SECOS N 9 0 65/ 90 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783/007,636_/90-79 3, Ac6rdáo n9 101-83.894 dos por sentença - artigo 152 do CC. por si sO essa falba causa a improcedência e nulidade de tal acusação. - Os atos societários concernentes a incorpora- ção obedeceram as formalidades de praxe, oriundas da lei n9 6.404/76 e produziram os necessários efeitos legais a que afron tam qualquer incursão ao inciso 1 do artigo 102 do CC como pre tendeu o autuante. Arrola opiniões de jurisconsultos tais como; Prof, Rui Barbosa Nogueira, do mestre frances Gaston Lerouge na transcriçãoltradução de Amilcar de Araújo 'Falcão, Gaston Jeze e transcreve trecho da resolução aprovada no 139 Congresso da 1FA Internacional Fiscal Assocation, realizada em Madri/59. Conclua pedindo o cancelamento do auto de infra ção, A decisão a' quo manteve a exigência baseada no que segue: - a alegação de cerceamento do direito de defe- sa não merece fá,.., a simples existência de erro de fato, per feitamente saneável sem qualquer prejuízo dos elementos que em basam a autuação, não justificam referido pleito. - todas as informações que respaldam o presente lançamento foram fornecidas pelo contador da empresa. - abordados vários aspectos referentes a incor- poração,.. demonstrando claramente o procedimento simulado com o objetive de reduzir o pagamento do imposto devido. - simulação "no sentido jurídico, sem fugir do sentido normal, é o ato jurj!dico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade...". - a incorporadora assumiu a denominação social da incorporada; elegeu como novos administradores os mesmos da incorporada e, ainda, posa capital de apenas 1,2% _do valor do capital da incorporada. LN\ 5Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783100.7.636190-79 4. Acórdão n9 101-83.894 - no caso em questão a sociedade absorvida de fato foi a EXPRO e não a impugnante que simulou toda a opera - 010. - Inconformada a autuada, tempestivamente recor re a este Conselho com as seguintes razOes: - O arbitro de primeira instância, ostentando as vestes de Juiz Togado "prolatou sentença" julgando SIMULADA a reorganização corporativa havida.., com a conseqüente glosa dos prejuízos fiscais da incorporadora. - Fixando como premissa o artigo 102 do CC / da decisão recorrida determinou como simulado os atos societarios de incorporação. - Amparado pelas muletas da falsa premissa,a au toridade coatora corrobora a autuação, esquecido o mandarrento do artigo 109 do CTN. Indispensável pois, para confirmação de seus efeitos, Principalmente tributários, ser, dita simulação, apre ciada em juízo e, desde que inserida no artigo 147, 11, do COdi go Civil, declarada a nulidade a luz do artigo 152. - A danosa acusação de SIMULAÇÃO acolhida pelo julgador primário abusiva e não pode prevalecer a vista de, existir o caminho adequado para demandar em juizo, posto no ar tigo 105 do CC. - O auditor fiscal exorbitou da sua competência tendo sido acompanhado pelo Sr, Chefe da Divisão de Tributação, que ao prolatar a insubsistente decisão recorrida inverteu de maneira contundentemente ilegal os efeitos do ato corporativo. Conclue pelo provimento do recurso como impera- tivo de justiça. É o relatório, grrÁN Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783/007.636/90-79 5. Acôrdão n9 101-83.894 VOTO Conselheiro JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO RELATOR O recurso tempestivo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, convém esclarecer que, para so lução do litígio, não tem qualquer relevância o fato de ter a fiscalização se enganado quanto ao ano de constituição da empre sa "Xerox Industrial e Comercial S.A", mesmo porque tal circuns tância foi devidamente esclarecida antes do julgamento de pri meira instância, tendo sido apreciada pela autoridade a quo.- Por outro lado, também, não vemos como acolher a hip6tese aventada pela recorrente de que o processo jã esta ria "prejulgado", uma vez que "o nobre Representante do Sujeito . Ativo... ... informou que o relat6rio que instrui o procedimen to fiscal instaurado foi elaborado em conjunto com um dos mem- bros que compOe o Conselho ou Contribuintes; uma vez que a re- corrente não faz acompanhar da necessária comprovação a denun- cia feita e, mais ainda, sequer identifica o "membro" deste Con- selho que teria "elaborado" o relatOrio. Se comprovada a denún- cia e identificada a pessoa, se conselheiro desta amara, obvia- mente, não participaria deste julgamento, dissipando, assim, qualquer suspei,ção quanto à lisura e imparcialidade do Õrgão Cole giado. Por outro lado, convêm ressaltar que, em seu mister, a fiscalização pode e deve recorrer a decisões deste Colegiado, o que,"data venia",demonstra maior zelo no desempe - nho de suas funções. Na verdade, a atitude da recorrente e que de- monstra "pré--julgamento" com relação a este Colegiado, ao fa I — zer acusação desprovida de qualquer prova que a consubstâncie. Não vemos como acolher tais aleqaçaes da recor rente, mas, ao contrãrió,à ausência de comprovação, _refutá- -s 4 •4‘ Imprensa Namona SERVCOPÜBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10783/007.636/90-79 6. Ac6rdão n9 101-83.894 com veemência. Razão, também, não assiste â interessada quan- do argumenta que para serem inquinados de simulação pela fisca lização, os atos devem ter suas nulidades julgadas por senten ça. A fiscalização tem o dever de aplicar a legis lação tributãria e, a lei, estabelece penalidades qualificadas para determinadas condutas do sujeito passivo (sonegação, frau de, concluio). Assim, por dever funcional, cabe a autoridade administrativa, verificada a ocorrência de infração â legisla- ção, efetuar o lançamento, aplicando a penalidade estabelecida em lei, seja ela qualificada ou não, independentemente, de sen tença judicial. Aliâs, a simples leitura do inciso VII, do ar tigo 149, do C6digo Tributário Nacional, confirma o que foi di to linhas atrÁs. Data vênia, seria um absurdo admitir-se a im- posição de penalidades para as infraçaes comuns sem quaisquer restriçaes e, para as infraOes qualificadas, somente apOs ma- nifestação do Poder judiciário. Nada obsta que a recorrente se socorra do Poder JudiciÁrio, como instância superior e derradeira, para aprecia ção do lançamento efetuado pela autoridade administrativa. Rejeitadas as preliminares, passemos ao méri to, A fiscalização glosou a compensação de prejuí- zos efetuada pela recorrente no exercício de 1988, .relativos aos exercícios de 1984 a 1986, em virtude de ter ocorrido simu- lação na incorporação da XIC pela EXPRO, para aproveitamento de prejuízos desta Ultima com possíveis lucros da primeira . Imprensa Namona , , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1078310070636190-79 7. Acórdão n9 101-83.894 Concluiu ainda a fiscalização: a) que não houve mudança de controle-acionário; b) que a incorporadora (EXPRO) decidiu adotar a denominação social da incorporadora (XIC);' c) que o patrimônio liquido da incorporadora (EX._ PRO) representa 1,2% da incorporada; d) que a incorporadora transferiu sua sede para o mesmo local da incorporada; e) que a EXPRO Cincorporadora) não tinha condi- çóes de adquirir a XIC; f) que a XIC, Com o intuito de adquirir a EXPRO, engendrou um artifício para transfigurar a in _ corporação. O artigo 227, da Lei n9 6.404176, que regula a incorporação de sociedades, assim dispóe; "2\xt.227-A incorporação é a operação pela qual uma Ou 'mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obriga - Oes". O dispositivo acima transcrito não faz qual- quer restrição a que: a) o patrimônio de uma sociedade seja maior ou me nor do que o da Cs) outra (s); _ b) a incorporadora tenha prejuízos; c) a incorporadora mude sua denomiação social e sua sede; Por outro lado, como acentuou a fiscalização,' não houve mudança de controle acionário, não se aplicando, as `.. Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783/007.636/90-79 8. Acórdão 1V9 101-83,894 sim, o disposto no art. 32 do Decreto-Lei n9 2341/87. No nosso entender, não existe qualquer previsão legal para, aSSiM,dr agaalho à pretensão fiscal de descarac- terizar a incorporação da XIC pela EXPRO. Não pode a fiscalização preencher lacuna lativa, criando hipótese não contemplada pela lei. Diante do exposto, tomo conhecimento do recurso por tempestivo, rejeitando as preliminares de nulidade, para, no mérito, dar-lhe provimento. Brasília - (IDP),- em 25 de agosto de 1992 JEZE' DE OUVETRA CANDrDO - RELATOR 4'41' Imprensa Nadorral Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.005021/2005-12
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA, BALANÇOS DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. FALTA DE RANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS NO LIVRO DIÁRIO. FORMALIDADE. INADMISSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO. Inexiste suporte fátieo suficiente à imputação da penalidade em comento pelo simples fato de não ter o contribuinte transcrito no livro Diário os balancetes de suspensão/redução, mormente quando apresenta contabilidade ordenada e idônea que comprova o preenchimento dos requisitos materiais estabelecidos na legislação de regência para suspensão do recolhimento das estimativas mensais. Apurando o contribuinte, em todos os exercícios questionados, bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, não há espaço para imposição de multa isolada, ante a inexistência de tributo a recolher no período. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1103-000.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencido o conselheiro Mario Sergio Fernandes Barroso
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO

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FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS NO LIVRO DIÁRIO,. FORMALIDADE. INADMISSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO, Inexiste suporte fátieo suficiente à imputação da penalidade em comento pelo simples fato de não ter o contribuinte transcrito no livro Diário os balancetes de suspensão/redução, mormente quando apresenta contabilidade ordenada e idônea que comprova o preenchimento dos requisitos materiais estabelecidos na legislação de regência para suspensão do recolhimento das estimativas mensais. Apurando o contribuinte, em todos os exercícios questionados, bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, não há espaço para imposição de multa isolada, ante a inexistência de tributo a recolher no período. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os inc abro s do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório ,;„ 6.-t-(-). que inte -am o presente julgado. Vencido o conselheiro Mario Sergio Fernandes Barrost; ..4,- ALOYSIO,JUS E CIN SILVA - Presidente, HUC?, OR t >70 Relator, EDITADO EM: o 5 AG0 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente da Turma), Gervásio Nicolau Recketenvald, Hugo Correu Sotero (Vice Presidente), Eric Moraes de Castro e Silva, Mario Sergio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. 2 Plocesso n" 10580 005021/2005-12 SI-CI T3 Acôrd5o n " 1103-00,242 Fl 605 Relatório Contra a Recorrente foi lavrado auto de infração por cometimento de infração à legislação tributária de regência, infração esta consistente na falta de recolhimento das estimativas mensais relativas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos anos- calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, pelo que foi-lhe aplicada multa isolada calculada sobre o valor das estimativas não recolhidas. Narra a autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal de fls, 14 a 16, que a Recorrente estava submetida, nos anos-calendário em questão, à sistemática de apuração da CSLL pelo lucro real o que a obrigava a proceder ao recolhimento das estimativas apuradas a cada mês ou suspender ou reduzir o pagamento mediante demonstração da suficiência dos valores já recolhidos para quitação dos valores apurados através de balanços ou balancetes mensais devidamente escriturados no Livro Diário e no LALUR. Afirma a autoridade lançadora que a Recorrente elaborou os balancetes de suspensão, sendo estes desconsiderados por ausência de transcrição no Livro Diário.. Notificada do lançamento, apresentou a Recorrente impugnação (fis, 3471.360), argüindo: a) no encerramento de todos os exercícios anuais objeto de análise pela fiscalização, não houve apuração de CSLL a recolher e sim de bases negativas; b) nulidade da autuação por defeito no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) — falta de indicação do tributo objeto da fiscalização; c) a Lei n", 9,430/96 somente permite a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais quando da apuração ao final do exercício resulta valor a ser recolhido; d) excessividade e desproprocionalidade da multa aplicada. A impugnação foi rechaçada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) por acórdão assim ementado: "NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Igfiação .foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, configurando-se objeto meramente infbrinativo para os contribuintes, não implicando nulidade do lançamento eventuais falhas ou omissões relacionadas ó sua emissão e trâmite, mormente quando devidamente cientificados e quando as prorrogações de prazo foram disponibilizadas na internei. INCONSTITUCIONALIDADE INSTÁNCIAS ADMINISTRATIVAS COMPETÊNCIA 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância cia legislação tribtaária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de ai giiições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instáncia administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. LUCRO REAL ANUAL SUSPENSÃO DO RECOLHIMENTO DA ESTIA/LATIM. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual está obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, podendo suspendê-lo.s sob a condição de levantar balanços ou balanceies mensais acumulados — que demon,s-trem que a contribuição apurada é igual ou inferior ao montante já pago -, e de transcervê-los no livro Diário, até a daia do vencimento de cada parcela mensal ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE RETROATIVIDADE BENIGNA. É cabível o lançamento desta penalidade quando constatado que a pessoa jurídica não efetuou os recolhimentos mensais obrigatórios da CSLL estimada, ressaltando-se, porém, que o percentual da multa deve ser reduzido para 50% (cinqüenta por cento), em obediência ao piincipio da retroatividade da lei mais benigna. Lançamento Procedente em Parte Da decisão se extraem os seguintes excettos: "No caso presente, a Autuada optou pelo lucro real anual, submetendo-se, portanto, aos recolhimentos mensais por estimativa A alternativa a tais recolhimentos repousa na elaboração de balanços ou balanceies de verificação, com fbrça para suspender ou reduzir o pagamento A impugnante elaborou balanceies mensais, porém, como ela mesmo admite, não os transcreveu no Livro Diário, conforme determina a legislação Ora, da exegese dos dispositivos legais acima reproduzidos, infere-se que à contribuinte, sujeita ao recolhimento por estimativa, eslava assegurada a faculdade de suspender ou reduzir o pagamento, desde que cumprisse alguns requisitos indispensáveis, quais _sejam, o de levantar balanços ou balanceies mensais com base no lucro real, bem como o de transcrevê-los no livro Diário, tempestivamente. As imposições são cumulativas, isto é, a falta de uma delas impede a suspensão ou redução do,s pagamentos mensais por es//inativa Assim, comprovado o desatendimento de um requisito condicionante — no caso, a transcrição dos balanceies mensais no livro Diário -, não pode a contribuinte exercer a .faculdade de reduzir ou suspender o recolhimento da contribuição por estimativa, com anwaro nas Tefé,' idos balanceies, independentemente do fato de ter apurado base de cálculo 4 Processo n n 10580 005021/2005-12 S 1-C1 T3 Acórao " 1103-00,242 F I 600 negativa, nos inesinos balancetes ou ao final do ano- calendário Observa-se que a aplicação de multa isolada se deu exclusivamente por conta da ausência de transcrição dos balancetes de suspensão no livro Diário, afirmando a Delegacia de Julgamento ter o contribuinte efetivamente os elaborado. Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 585-603, reproduzindo as razões de impugnação, exceto no que concerne à nulidade do lançamento por vício do Mandado de Procedimento Fiscal, não tratada nas razões de impugnação. É. o relatório. fé 5 Voto Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO Recurso tempestivo, Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Com dito, a imputação de multa isolada em relação ao anos-calendários objeto de análise pela autoridade lançadora, está fundamentada no asserto de que a Recorrente não se desincumbiu do cumprimento das obrigações tributárias acessórias, especificamente a transcrição dos balancetes de suspensão e/ou redução no Livro Diário. Filio-me ao posicionamento que nega a configuração de suporte tático suficiente à imputação da penalidade em comento pelo simples fáto de não ter o contribuinte transcrito no livro Diário os balancetes de suspensão/redução, mormente quando apresenta contabilidade ordenada e idônea que comprova o preenchimento dos requisitos materiais estabelecidos na legislação de regência para suspensão do recolhimento das estimativas mensais, tendo efetivamente elaborado os balanços de suspensão (como afirma textualmente a decisão da Delegacia de Julgamento). Constituiria formalismo injustificável impor ao contribuinte penalidade pela simples omissão formular assentamento no livro Diário, em situação que não questiona a autoridade lançadora ou a autoridade julgadora a configuração dos requisitos necessários à elisão do pagamento das estimativas.. Nessa linha a manifestação deste Conselho: "IRPJ — CSLL — RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA — MULTA ISOLADA — A falta de transcrição dos balanços de redução/suspensão no Livro Diário, não se consubstancia em .fato gerador de imposto, caracterizando, tão somente, descomprimem° de obrigação acessória, sendo incabível portanto, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, § 1", inciso IV, da Lei n" 9 430/96, quando o sujeito passivo apresenta a escrituração contábil e fiscal bem como os balanços/balancetes de suspensão ou redução das antecipações. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.." (Acórdão n 101-95 977, 1". Câmara, rel. Conselheiro Paulo Roberto Co, tez, j 26/01/2007) "MULTA ISOLADA — A simples falta de transcrição dos balanços ou balanceies de suspensão ou redução no Livro Diário, não pode justificar a aplicação da multa isolada prevista no art 44, § 1", IV, da Lei n". 9 4.30/96, quando o _sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal de demonstrando que apurou prejuízos fiscais." (Acórdão 'I" 101-94.401, 1`! Câmara) 6 Processo n" 10580 005021/2005-12 SI-C1T3 Acórdão r" 1103-00242 A 607 Não fosse por isso, o valor da multa isolada aplicada por insuficiente recolhimento das estimativas mensais não pode exceder o valor do tributo devido pelo contribuinte quando do encerramento do respectivo exercício. O entendimento foi enunciado nos seguintes acórdãos da Conspícua Câmara Superior de Recursos Fiscais: "IRPI – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – PREJUÍZO FISCAL – O artigo 44 da Lei n" 9,430/96 precisa que a inulta de ofício deve ser cakulada sobre a totalidade ou difèrença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano O tributo devido pelo contribuinte .surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a empresa apura prejuízo em sua escrita . fiscal ao .final do exercício. Recurso especial provido". (Acórdão CSRF/01-05. 201, rel. Marcos Vinícius Neder de Lima, 1. 14/03/2005) "CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – O artigo 44 da Lei n" 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se conlimde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não- recolhimento de estimativa quando a empresa apura base de cydculo negativa em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido," (Acórdão C5RF/01-05 179, rel Marcos Vinícius Neder de Lima, J. 14/03/200.5) No caso que se cuida, apurou a Recorrente, em todos os exercícios questionados, bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (o que foi confirmado pela própria Delegacia de Julgamento), não havendo espaço para imposição de multa isolada, ante a inexistência de tributo a recolher no período. Com estas considerações, conheço do recurso para dar-lhe total provimento, _ h—EYH OA SOTERO 7

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Numero do processo: 13839.000186/92-14
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-90933
Nome do relator: Não Informado

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LTDA RECORRIDA : DRF EM CAMPINAS-SP SESSÃO DE : 16 DE ABRIL DE 1997 ACÓRDÃO N° : 101-90.933 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - Inexiste base legal para a cobrança da contribuição social no exerc. de 1989, face o julgamento do supremo Tribunal Federal que acolheu a arguição de inconstitucionalidade do art. 8° da Lei no 7.689, de 15112/88, por ferido o principio da anterioridade consagrado na Constituição Federal. DECORRÊNCIA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - A decisão proferida no julgamento do recurso interposto no processo principal relativo ao IRPJ, estende-se ao processo decorrente relacionado com a cobrança da contribuição social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONSTRUTORA E.O.S. LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • SON P 4- RODRIGUES PRESIDENTE Oir low FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA RELATOR FORMALIZADO EM: 1 g MAI 1997 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 138391000.186/92-14 ACÓRDÃO N° : 101-90.933 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, CELSO ALVES FE1TOSA, SANDRA MARIA FARONI, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, RAUL PIMENTEL, KAZUKI SHIOBA6,7 1 , i , 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 138391000.186192-14 ACÓRDÃO N° : 101-90.933 RECURSO N° : 84.698 RECORRENTE : CONSTRUTORA E.O.S. LTDA RELATÓRIO Contra a empresa supra-referenciada, qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 10/15, no qual é exigido o recolhimento da Contribuição Social relativa aos exercícios de 1989 a 1991, em consequência das irregularidades apuradas no processo matriz n° 13839/000.181/92-09, referente ao 1RPJ, dos exercícios de 1988 a 1991, instaurado contra a mesma pessoa jurídica, que, segundo o fisco, reduziram o lucro líquido dos aludidos exercícios, sobre o qual é calculada a contribuição em questão. Os fatos que ensejaram o reflexo no presente feito, estão assim descritos na peça vestibular da autuação: "DESPESA INDEVIDA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO: "Expurgo no valor de Cz$ 1.092.000, efetuado no Patrimônio Líquido, referente a retiradas não escrituradas do sócio Sr. Armando Salles dos Santos. Em consequência fica reduzido o Patrimônio Líquido e procede-se a glosa da correspondente despesa de correção monetária nos exercícios de 1988, 1989, 1990 e 1991, nos valores abaixo, tudo conforme Termo de Verificação anexo, parte integrante deste Auto de Infração." A impugnação interposta contra a exigência, foi indeferida pela decisão de fls. 41/42, que aplicou o princípio da decorrência, eis que no processo matriz a impugnação fora igualmente indeferida. Intimada dessa decisão em 27/09/93, a interessada ingressou em 22/10/93, com o tempestivo recurso de fls. 49, no qual se reporta aos argumentos 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 13839/000.186/92-14 ACÓRDÃO N° : 101-90.933 expendidos no recurso relativo ao processo matriz, cuja cópia é anexada às fls. 50/59. É o /47 1 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 138391000.186192-14 ACÓRDÃO N° : 101-90.933 VOTO CONSELHEIRO FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, RELATOR O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele tomo conhecimento. A exigência do recolhimento da contribuição social formulada no presente processo, está relacionada com o procedimento fiscal levado a efeito no processo principal original n° 13839/000.181/92-09, instaurado contra a mesma empresa. No presente feito a contribuição social é exigida sobre as irregularidades apuradas nos exercícios financeiros de 1989, 1990 e 1991, que, segundo o fisco, reduziram o lucro dos aludidos exercícios, sobre o qual é calculada a contribuição em questão. Inexiste base legal para a cobrança da contribuição social no exercício de 1989, período-base de 1988, face o julgamento do Supremo Tribunal Federal que acolheu a arguição de inconstitucionalidade do art. 8° da Lei n° 7.689, de 15/12/88, por ferido o princípio da anterioridade consagrado na Constituição Federal. Relativamente aos exercícios de 1990 e 1991, releva notar que esta Câmara, já julgou o recurso voluntário interposto no processo principal (Recurso n° 107.273), sendo que, no julgamento, foram excluídos da tributação os valores 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 13839/000.186/92-14 ACÓRDÃO N° : 101-90.933 tributados nos exercícios de 1989, 1990 e 1991, que causaram reflexo neste feito decorrente. Tratando-se de processo decorrente, a decisão de mérito proferida pelo Colegiado no processo matriz, constitui prejulgado em relação a matéria formalizada por reflexo, ante o nexo causal existente. Na esteira dessas considerações, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões - DF - m 16 - Abril de 707 - FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1

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4754177 #
Numero do processo: 10950.006383/2007-29
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2007 DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada uma das hipóteses do §4º do art. 16, o que não ocorreu nos autos. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-02.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Não Informado

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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2007 DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada uma das hipóteses do §4º do art. 16, o que não ocorreu nos autos. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 273          1 272  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10950.006383/2007­29  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­02.456  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  01 de dezembro de 2011  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ­ AI ­  GFIP  Recorrente  DILELI & DILELI LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2007  DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.  A solicitação para produção de provas não encontra amparo  legal, uma vez  que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação  dada  pelo  art.  1º  da  Lei  8.748/93,  determina  que  a  impugnação  deve  mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de fazê­lo  em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada uma das hipóteses  do §4º do art. 16, o que não ocorreu nos autos.  LANÇAMENTOS  REFERENTES  FATOS  GERADORES  ANTERIORES A MP  449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO  DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.  A  mudança  no  regime  jurídico  das  multas  no  procedimento  de  ofício  de  lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a  aplicação da alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo 106 do CTN. No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com a GFIP, deve  ser  feito o  cotejamento  entre o  novo  regime  ­  aplicação  do  art.  32­A para  as  infrações  relacionadas  com a  GFIP ­ e o regime vigente à data do fato gerador ­ aplicação dos parágrafos  do  art.  32  da  Lei  8.212/91,  prevalecendo  a  penalidade  mais  benéfica  ao  contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN.  DA  VEDAÇÃO  AO  CONFISCO  COMO  NORMA  DIRIGIDA  AO  LEGISLADOR  E  NÃO  APLICÁVEL  AO  CASO  DE  PENALIDADE  PECUNIÁRIA.  O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido  ao  legislador  de  forma  a  orientar  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade  contributiva  e não pode dar  ao  tributo  a  conotação de  confisco.  Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá­la .  Além  disso,  é  de  se  ressaltar  que  a  multa  de  ofício  é  devida  em  face  da  infração  à  legislação  tributária  e  por  não  constituir  tributo, mas  penalidade     Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA     2 pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto  no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.  TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA  LEI 8.212/91.  Em  conformidade  com  a  Súmula  do  CARF,  é  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia ­ Selic  para  títulos  federais.  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32­A, da Lei  8.212/91,  caso  este  seja  mais  benéfico  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em  dar provimento parcial  ao Recurso,  no mérito,  para determinar que  a multa  seja  recalculada,  nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35­A da Lei 8.212/1991,  deduzindo­se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso  seja mais  benéfico  à  Recorrente;  II)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  negar  provimento  ao  Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).     (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  bem  como  os  Conselheiros Wilson  Antonio  de  Souza  Correa,  Damião  Cordeiro  de  Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006383/2007­29  Acórdão n.º 2301­02.456  S2­C3T1  Fl. 274          3   Relatório  Trata­se de Auto de  Infração  (AI) nº 37.137.316­6,  lavrado em 28/11/2007,  por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 16, apresentado  o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas  ou  omissas  em  relação  aos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  no  período  de  04/2003 a 08/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 252.166,30, fls.  01.  Após tomar ciência pessoal da autuação em 29/11/2007, fls. 01, a recorrente  apresentou impugnação, fls. 222/226, na qual apresentou argumentos similares aos constantes  do recurso voluntário.   A  5ª  Turma  da  DRJ/Curitiba,  no  Acórdão  de  fls.  235/240,  julgou  o  lançamento procedente.  O  recurso  voluntário,  apresentado  em  22/04/2008,  fls.  247/267,  apresentou  argumentos conforme a seguir resumimos.  Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer  pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal.  Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e  cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN.  Encerra com um pedido genérico de produção de provas.    É o relatório.  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA     4   Voto             Conselheiro Mauro José Silva, Relator  Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos  conhecimento.   A propósito, observamos que a recorrente não foi intimada em seu domicílio  fiscal,  havendo  envio  de  intimação  apenas  para  um  de  seus  sócios  que  a  recebeu  em  19/03/2008. Se considerássemos tal data de início do prazo recursal, teríamos a data final em  18/04/2008, o que resultaria na intempestividade do Recurso apresentado em 22/04/2008. No  entanto, como a recorrente não foi intimada em seu domicílio fiscal nem houve a publicação de  edital,  consideramos  que  a  apresentação  do  Recurso  Voluntário  supriu  tal  falta  sem  que  possamos concluir pela intempestividade.     Do pedido de produção de provas  A solicitação para produção de provas não encontra amparo  legal, uma vez  que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º  da  Lei  8.748/93,  determina  que  a  impugnação  deve  mencionar  as  provas  que  o  interessado  possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual, salvo se  ficar  caracterizada algumas das hipóteses do §4º do  art.  16,  o que  não  foi  demonstrado pela  recorrente.   O pedido para produção de provas é, portanto, negado.    Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.    Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da  GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta  partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além  disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões  na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com  dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referia­se a apresentação do documento  com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores.   Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que  trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou  incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96  para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual  temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.   Fl. 286DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006383/2007­29  Acórdão n.º 2301­02.456  S2­C3T1  Fl. 275          5 Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar  lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de  definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos  diante de duas situações:  1­  lançamentos  realizados  após  a  edição  da MP  449  e  referentes  a  fatos  geradores posteriores esta;  2­  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  porém  ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Vamos analisar individualmente cada uma das situações.    Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a  esta    Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de  aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91.  Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio  tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta  de  recolhimento,  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata.  A  falta  de  recolhimento  é  uma  hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP  449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a  declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A  falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era  punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não  (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões.  É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a  não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de  contribuições: o art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em  conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada  com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.   Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96  seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo  que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de  contribuição.  No  entanto,  tal  conclusão  não  se  sustenta  se  analisarmos  mais  detidamente  o  conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2%  (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA     6 quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for  apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se  também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal  conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos  casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44,  inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de  declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em  procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que  demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são  normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério  da especialidade e critério hierárquico.  O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não  nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei  9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei  11.941/2009.  O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são  normas de igual hierarquia.  Resta­nos o critério da especialidade.   Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira  genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a  declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho  em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do  caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da  Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e,  seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força  vinculante.  Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo  nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo  do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP  na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de  qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido  em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a  favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art.  29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos  habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de  utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­ terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos  valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei  9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP.  Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença  das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador  poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o  empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria.  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006383/2007­29  Acórdão n.º 2301­02.456  S2­C3T1  Fl. 276          7 Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a  necessidade de prevalência do art. 32­A.  Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a  aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com  informações inexatas.  Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício  previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de  ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que  deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não  idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento.  Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na  Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP.  Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade  aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN  em conjunto com o art. :    Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.    § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente  à  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído  novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliado  os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade tributária a terceiros.    §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  impostos  lançados por períodos  certos de  tempo, desde que a  respectiva  lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera  ocorrido.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:     I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados;     II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:    a) quando deixe de defini­lo como infração;    b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA     8   c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.    A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que  devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência  dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver  deixado de definir um fato como infração.    Lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a  MP  449,  porém  ainda  não  definitivamente julgados na esfera administrativa.    Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de  plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do  lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime  pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao  atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração  instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de  12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e  pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício.  Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no  princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo,  tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório  contábil para tratar de sua vida fiscal.   A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na  GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo,  considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve  o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa  do 32­A da Lei 8.212/91.  A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela  declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º  da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B  responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora.  Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora  no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e  B.  No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o  cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a  GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei  8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106,  inciso II, alínea “c”.    Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006383/2007­29  Acórdão n.º 2301­02.456  S2­C3T1  Fl. 277          9 Multa de ofício ­ confisco  O impugnante suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está  previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito  de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação  estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade  contributiva  e  não  pode  dar  ao  tributo  a  conotação  de  confisco.  Não  observado  o  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar  o  mundo  jurídico  por  inconstitucional.  Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá­la .  Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e  por  não  constituir  tributo,  mas  penalidade  pecuniária  estabelecida  em  lei,  é  inaplicável  o  conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.  Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora    A  insurgência  da  recorrente  contra  a  aplicação  da  Taxa  Selic  como  juros  moratórios  não  pode  prosperar,  uma  vez  que  se  trata  de  matéria  sumulada  neste  Tribunal  Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir:  Súmula CARF No­ 4  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais..  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91,  o  art.  34  do  referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.  Sobre  argumentos  fundados  em  inconstitucionalidade,  temos  Súmula  deste  Colegiado:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a manter a multa mais  benéfica  quando  comparada  a  penalidade  aplicada  com  aquela  prevista  no  art.  32­A  da  Lei  8.212/91.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator    Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA     10                               Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA

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