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Numero do processo: 10840.001565/2003-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118, de 2005, deve-se
aplicar o prazo de 10 (dez) anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.376
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para afastar a decadência suscitada nos autos, procedendo-se a devolução do processo à DRFB de origem para enfrentamento do mérito.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
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PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118, de 2005, devese aplicar o prazo de 10 (dez) anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência suscitada nos autos, procedendose a devolução do processo à DRFB de origem para enfrentamento do mérito. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10840.001565/200327 Acórdão n.º 280102.376 S2TE01 Fl. 148 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/SPOII, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte acima identificado apresentou, em 05/08/2.005, por intermédio de seus representantes legais (fl. 89), manifestação de inconformidade de fls. 72 a 87, discordando do Despacho Decisório de fls. 65 a 69, exarado pela Seção de Orientação e Análise Tributária (SEORT) da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão PretoSP, do qual tomou ciência em 25/07/2.005 (fl. 71), que indeferiu o pedido de restituição, no valor de R$ 35.364,49, apurada em declaração de ajuste anual retificadora do IRPF/1.996 (anocalendário 1.995) apresentada em 10/12/2.001, conforme documentos de fls. 7 a 14 e 32 a 35, retificação essa que visava obter a restituição do imposto de renda retido na fonte que, segundo o interessado, teria sido descontado indevidamente por ocasião do resgate de seu plano de previdência privada junto à PREVER S/ASeguros e Previdência, ocorrido em 18/05/1.995. 2. A decisão recorrida indeferiu o pleito do contribuinte, sob o argumento de que, em consonância com os arts. 165, inciso I, 168, inciso I, 150, §§ 1° e 4°, todos da Lei n° 5.172, de 1.966 (Código Tributário Nacional), a partir de 31/12/2.000 havia decaído o direito do contribuinte pedir a mencionada restituição, na medida em que a contagem do prazo decadencial para o exercício de tal direito é de 5(cinco) anos, contados da data do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, que, no caso em foco, corresponde a 31/12/1.995. 3. Na manifestação de inconformidade apresentada às fls. 72 a 87, o contribuinte alega, em síntese, que: 3.1 o exercício fiscal próprio para restituição ainda não tinha se encerrado quando do pedido da retificação da declaração, uma vez que o Imposto de Renda está sujeito ao lançamento por homologação, devendo, assim, o ato do lançamento ocorrer para que, a partir daí, se inicie a contagem do prazo decadencial aludido no art. 168 do Código Tributário Nacional (reproduz Doutrina); 3.2 o art. 150 do Código Tributário Nacional estipula os prazos para homologação tributária sendo que, somente o transcurso daqueles lapsos é que se tem por definitivamente extinto o crédito tributário; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10840.001565/200327 Acórdão n.º 280102.376 S2TE01 Fl. 149 3 3.3 quer seja nos casos de homologação tácita (cinco anos contados a partir da data de ocorrência do fato gerador), quer seja nos de homologação expressa, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que o contribuinte aponte qualquer vício no crédito tributário só se inicia após a homologação do lançamento; 3.4 assim é que, havendo homologação expressa imediatamente após o recolhimento do tributo e sua declaração pelo contribuinte, o prazo prescricional se esgotaria após o transcurso de cinco anos dessa homologação e, de outro lado, diante da hipótese de homologação tácita, tal prazo se estica para dez anos (cinco anos para a homologação e mais cinco anos para o contribuinte exercer seu direito de pedido de restituição); 3.5 no caso em análise, o lançamento se deu por homologação expressa, levada a efeito no dia 16 de dezembro de 1.996, data da notificação do recorrente de que teria imposto a restituir, no valor de R$ 1.429,32 e, portanto, o prazo prescricional para que o contribuinte pudesse pleitear a restituição das verbas retidas indevidamente na fonte começou a fluir no dia subseqüente ao de sua notificação; 3.6 ainda que se quisesse, num esforço de rigidez de interpretação, tomar por base a data do processamento da declaração retificada (16/12/1.996)data anterior à da efetiva notificação o prazo se iniciaria no dia subseqüente (17/12/1.996)findando o prazo após 17/12/2.001; 3.7 desta forma, tendo sido protocolado em 10 de dezembro de 2.001, o presente pleito é tempestivo; 3.8 no mérito, o impugnante alega que, como exfuncionário do Banco Bamerindus do Brasil Sociedade Anônima, quando ainda no gozo de suas funções, foi alçado ao cargo de Diretor Estatutário onde, em setembro de 1.993, optou pela adesão a um plano de previdência privada, à época firmado entre o conglomerado Bamerindus e a Prever S/A Seguros e Previdência, sendo que os Diretores estatutários (não empregados) foram beneficiados pela Lei n° 6.919/1.981, que lhes facultou ingresso no referido plano, sob o regime do FGTS (reproduz a referida Lei); 3.9 posteriormente, especificando e disciplinando as novas situações fáticas relativas ao FGTS, sobreveio a Lei n° 8.036/1.990 (o contribuinte reproduz alguns artigos dessa Lei), tornando pacífica a equiparação, ao FGTS, das verbas depositadas a título de previdência privada; 3.10 a partir da publicação da Lei n° 7.713/1.988 (reproduz alguns artigos dessa Lei), os participantes de fundos de previdência privada, tais como o ora recorrente, gozavam de isenção legal referente ao Imposto de Renda, devendo suas verbas, quando do saque, ser recebidas sem qualquer desconto de tributos, sendo que, somente a partir de 10 de janeiro de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10840.001565/200327 Acórdão n.º 280102.376 S2TE01 Fl. 150 4 1.996, a rigor, passou a ser efetivada a tributação no momento do resgate, para os rendimentos referentes às verbas agregadas neste período; 3.11 assim sendo, quaisquer valores provenientes do fundo constituído até 31 de dezembro de 1.995 deverão permanecer isentos, sofrendo tributação, somente, os rendimentos auferidos após a citada data, eis que sob a égide da Lei n° 9.250/1.995, continuando as situações pretéritas a ser regidas pela lei da época; 3.12 a própria Receita Federal, ao editar o Regulamento do Imposto de Renda, reconheceu a nãoincidência dessas verbas (reproduz os arts. 623 e 39, incisos XXXIV e XXXVIII, todos do RIR/99); 3.13 a tributação é ilegítima, uma vez que, gozavam de isenção legal os depósitos efetuados pelo impugnante, em período anterior ao da vigência da Lei n° 9.250/1.995 (01/01/1.996), não podendo ser tributados, diante do permissivo legal contido no art. 39, inciso XX, do RIR/99, c/c art. 28 da Lei n°8.036/1.990 e art. 6°, inciso V, da Lei n°7.713/1.988, dentre outros, todos supracitados; 3.14 por outro foco, é de se ressaltar que, por imposição constitucional (art. 5°, inciso XXXVI, CF), "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada", tratandose do princípio da irretroatividade, igualmente previsto na Lei de Introdução ao Código Civil (art. 6°, §§ 1° ao 3°), cujo efeito é o de manter inerte o direito constituído, regido e exercido por lei anterior; 3.15 requer, por fim, o recebimento da presente reclamação e seu encaminhamento à DRJ/SPOII, bem como seja julgado totalmente procedente o presente recurso, reformandose a decisão recorrida para, por ato declaratório, ser reconhecida a retificação da declaração e a conseqüente restituição do imposto de renda Passo adiante, a 6ª turma da DRJ/SPOII entendeu por bem indeferir a solicitação, em decisão que restou assim ementada: ISENÇÃO RESGATE REFERENTE A PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR A RESPECTIVA RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição de imposto retido na fonte sobre resgate de previdência privada decai no prazo de 5 (cinco anos), contados da data do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física. Cientificado em 17/11/2009 (Fls. 145), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/12/2009 (fls. 124 a 144), reforçando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10840.001565/200327 Acórdão n.º 280102.376 S2TE01 Fl. 151 5 Ato contínuo, o processo foi colocado em pauta para julgamento; sendo, contudo, sobrestado nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Agora, findo o motivo de sobrestamento, o processo é novamente encaminhado para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida a presente hipótese de discussão acerca da decadência do direito de restituição de Imposto sobre a Renda Retenção Fonte – IRRF, em relação a verbas oriundas do resgate de plano de previdência privada junto à PREVER S/ASeguros e Previdência, ocorrido em 18/05/1995. No caso dos autos, o desligamento o resgate ocorrera em 1995, tendo o contribuinte recorrente requerido a restituição em 2001; tal restituição foi indeferida, com fulcro no inciso I do art. 168 e art. 156, inciso I do CTN, e no Ato Declaratório n.º 96/99, estabelecendo o entendimento que o prazo decadencial de 5 anos é contado da data do recolhimento do imposto. Contudo, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, após reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional do prazo decadencial de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, julgou o RE 566.621/RS, Rel. Min. ELLEN GRACIE, nele proferindo decisão consubstanciada em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA 'VACATIO LEGIS' – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos Fl. 165DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10840.001565/200327 Acórdão n.º 280102.376 S2TE01 Fl. 152 6 contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a 'vacatio legis', conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de 'vacatio legis' de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da 'vacatio legis' de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Portanto, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de matéria sob a égide de repercussão geral, de aplicação obrigatória para os Conselheiros do CARF, entendeu que o prazo decadencial de restituição, aplicado para os pedidos formalizados antes de 09 de junho de 2005, é de 10 anos, contados do pagamento indevido ou a maior. Logo, tendo o pedido de restituição sido protocolado muito antes de esgotado o prazo decadencial, inexiste razão para falar em decadência. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10840.001565/200327 Acórdão n.º 280102.376 S2TE01 Fl. 153 7 Diante de todo o exposto e do que consta dos autos, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a inexistência da decadência do pedido de restituição, e determinando, de outra feita, o retorno dos autos para a Delegacia de origem, para que esta aprecie o mérito do pedido. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 167DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
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Numero do processo: 18239.004717/2008-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal quando comprovadas na fase recursal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.849
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal quando comprovadas na fase recursal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 02/04, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao exercício 2004, anocalendário 2003, no valor total de R$ 20.674,15, incluídos a multa de ofício no percentual de 75% e os juros de mora, estes calculados até 30/06/2008. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, foram glosadas, pela fiscalização, deduções com despesas médicas no Fl. 54DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.004717/200868 Acórdão n.º 280101.849 S2TE01 Fl. 49 2 montante de R$ 32.500,00, tendo em vista a falta de indicação do beneficiário dos serviços prestados pelos seguintes profissionais: Dr. Jorge A. de C. Marques (R$ 6.500,00), Mariana Cruz Lefebvre (R$ 20.000,00), e Ana Raquel de Moraes e Barros Carvalhaes (R$ 6.000,00). Inconformado com a exigência, o interessado apresentou em 14/07/2008 a impugnação à fl. 01, argumentando que: “(...) Mais fácil seria concordar com o entendimento da Receita Federal do Brasil e acatar tal glosa, dando por fim a este procedimento. Porém, uma simples leitura dos 3 (três) recibos em apreço (que foram objeto da glosa), entendese perfeitamente que o beneficiário dos serviços fui eu, o próprio declarante, identificado nos 3 (três) recibos pelo meu nome (que dificilmente teria um homônimo) sendo que em dois deles, inclusive, pelo meu próprio CPF, demonstrando assim, repito, de forma inequívoca, que, efetivamente o beneficiário destes serviços, fui eu, o próprio declarante; diante do exposto, sintome na obrigação de pleitear junto à Receita Federal do Brasil uma nova análise dos documentos em apreço, esperando que esta Petição/Impugnação seja integralmente acatada.(...)” Ao apreciar o litígio, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJ2 n° 1331.514, de 24/09/2010, às fls. 27/29, mantendo, portanto, a exigência do crédito tributário. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/11/2010 (conforme AR à fl. 33), o contribuinte interpôs em 10/12/2010 o recurso às fls. 35/38, asseverando, em síntese, que: deixa de recorrer da parte do lançamento relacionada à glosa das despesas médicas no valor de R$ 20.000,00, referente ao recibo à fl. 06 emitido pela Dra. Mariana Cruz Lefebvre, pois efetuou o recolhimento do imposto suplementar correspondente, com o beneficio de redução de 30% da multa de oficio, conforme DARF anexado aos autos, no total de R$ 12.959,10, pelo que requer seja considerado o pagamento por ocasião da liquidação do crédito tributário; com relação aos recibos dos demais prestadores de serviços, às fls. 07 e 08, estes sim ainda em discussão, observa que a exigência da DRJ quanto à necessidade de apresentação de recibos originais, cópias autenticadas ou “com o confere da autoridade administrativa” é ilegal, por ser formulada apenas em ato administrativo, e neste ponto, cabe à autoridade fiscal orientar o contribuinte e, assim, abrirlhe prazo para sanar a falta, o que não foi feito pela DRJ/Rio de Janeiro II; as alegações contidas na decisão recorrida não se afiguram corretas, na medida em que se distanciam completamente dos ditames da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, e em momento algum determina a necessidade de certificação que este ou aquele documento confere com o original; a fim superar a questão, apresenta as cópias dos referidos documentos devidamente autenticadas, razão pela qual não se poderá mais atribuir imprestabilidade aos documentos por falta de comprovação de sua originalidade; Fl. 55DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.004717/200868 Acórdão n.º 280101.849 S2TE01 Fl. 50 3 na medida em que nada mais fora levantado que desconstituísse a validade de tais documentos para fins de comprovação de despesas médicas dedutíveis do Imposto de Renda Pessoa Física, necessário se impõe a aceitação da dedução pleiteada; no que se refere ao endereço do Dr. Jorge A. de C. Marques, junta ao processo declaração do profissional que ratifica o recibo emitido, informando seu endereço, a fim de suprir a exigência; Ao final de sua defesa o recorrente requer o restabelecimento das despesas médicas no total de R$ 12.500,00, por ter apresentado os recibos devidamente autenticados e ratificados no que se refere ao endereço do profissional emitente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nesta instância de julgamento a controvérsia cingese as despesas médicas nos valores de R$ 6.500,00 e R$ 6.000,00, declaradas pelo contribuinte como tendo sido pagas, respectivamente, aos profissionais Jorge A. de C. Marques e Ana Raquel de Moraes e Barros Carvalhaes, que foram glosadas pela autoridade lançadora. Destaquese, de início, que a fundamentação do lançamento baseouse no fato de que tais recibos não continham a indicação dos beneficiários dos serviços prestados pelos referidos profissionais de saúde. O contribuinte, ao impugnar o lançamento, asseverou que teria sido ele, o próprio declarante, o beneficiário dos serviços identificados nos recibos questionados pela fiscalização, posto que dificilmente existiria um homônimo. Ressaltou ainda que nos referidos documentos consta o seu CPF, comprovando de forma inequívoca sua afirmação. Ao apreciar a lide o órgão julgador de primeira instância concluiu por desconsiderar as cópias dos recibos que foram apresentados juntamente com a impugnação (fls. 06 a 08) pelo fato de que tais cópias não haviam sido “conferidas com os respectivos originais na Unidade de Origem do contribuinte quando da abertura do processo”, faltandolhes o carimbo “confere com original”, e assinatura por servidor da Receita Federal do Brasil. E mais, em relação ao recibo (cópia) à fl. 07, no valor de R$ 6.500,00, sua desconsideração também se deu pelo fato de não constar no documento o endereço do profissional emitente, encontrandose em desacordo com a legislação de regência (art. 8° da Lei n° 9.250/95, art. 80 do Decreto n° 3.000/99, e art. 46 da IN SRF n° 15/2001). No entanto, ao que se revela, a decisão vergastada não suscitou dúvidas acerca do efetivo beneficiário dos serviços prestados, neste caso, o próprio declarante, vez que tal decisão refutou os documentos (recibos às fls. 07 e 08) tãosomente com espeque nas questões retro mencionadas. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.004717/200868 Acórdão n.º 280101.849 S2TE01 Fl. 51 4 É o que se depreende da leitura do voto ali proferido, posto que a autoridade julgadora embasou sua negativa para não aceitação da despesa médica de R$ 20.000,00 (parte não questionada pelo interessado nesta fase recursal) também no fato da profissional que assina a cópia de recibo apresentada à fl. 06 ser filha do recorrente (então beneficiário dos serviços), residindo no mesmo endereço deste, situação que não encontraria respaldo nas regras estabelecidas pelas Resoluções n°s 002/1987, de 15/08/1987, e 010/2005, de 25/08/2007, ambas do Conselho Federal de Psicologia. Volvendose às despesas médicas reclamadas nesta fase recursal (R$ 6.000,00 + R$ 6.500,00), temse que aos documentos (cópias de recibos) já constantes dos autos, por ocasião do recurso voluntário foi apresentada pelo interessado nova documentação às fls. 40/42. Observase que alguns destes novos documentos (fls. 40/41) são cópias autenticadas dos mesmos recibos anteriormente apresentados e anexados às fls. 07/08, cumprindo o interessado, deste modo, a exigência formulada pela DRJ quanto à necessidade da apresentação de documentação devidamente autenticada para fins de comprovação das deduções pleiteadas. No que se refere à outra questão levantada na decisão a quo, e que diz respeito especificamente à despesa médica no valor de R$ 6.500,00 (fls. 07 e 41), o recorrente juntou ao processo cópia autenticada (em cartório) de declaração firmada pelo cirurgião dentista Jorge A. de C. Marques, em que o mesmo ratifica o pagamento efetuado pelo recorrente, informando também o seu endereço profissional. Sanadas, portanto, nesta fase recursal, as questões elencadas na decisão recorrida no tocante a estas despesas. Isto posto, VOTO em dar provimento ao recurso para restabelecer deduções a título de despesas médicas no valor total de R$ 12.500,00. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 57DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 11030.001374/2004-43
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/06/2004
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. (Súmula 2° CC nº 11)
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS JUDICIALMENTE
RECONHECIDOS. DÉBITOS.
Homologam-se as compensações de débitos, apurados pela semestralidade, até onde suportarem o valor dos créditos oriundos de decisão judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3803-000.054
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO
DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a semestralidade, na linha da Súmula 2° CC nº 11, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. (Súmula 2° CC nº 11) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. DÉBITOS. Homologam-se as compensações de débitos, apurados pela semestralidade, até onde suportarem o valor dos créditos oriundos de decisão judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ''-,̀-,.'. '7 • '' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS o W-:---.4 '-- TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11030.001374/2004-43 Recurso n° 140.316 Voluntário Acórdão n° 3803-00.054 — 3' Turma Especial Sessão de 11 de agosto de 2009 Matéria PIS - DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ALCIDES S. MILANI CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. (Súmula 2° CC n2 11) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. DÉBITOS. Homologam-se as compensações de débitos, apurados pela semestralidade, até onde suportarem o valor dos créditos oriundos de decisão judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a semestralidade, na linha da Súmula 2° CC n2 11, nos termos do voto do Relator. ALE . NDRE KERN P - .14 ente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. i Processo n° 11030.001374/2004-43 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.054 Fl. 196 Relatório Trata-se de declarações de compensações não homologadas pela DRF-PFU. Por bem retratar os eventos dos autos, reproduzo o relatório contido no Acórdão n 2 18-6.922, de 5 de abril de 2007, da DRJ/STM, fls. 163 a 170, Trata o presente processo de controle de Declarações de Compensação, essas contendo informações de compensações efetivadas de valores devedores de PIS relativos a períodos de apuração entre 10/2002 e 06/2004, compensações essas fundamentadas no Mandado de Segurança n° 1999.71.04.004470-1, impetrado junto a 2a Vara da Justiça Federal em Passo Fundo (RS), através do qual as empresas impetrantes (dentre elas, a declarante) buscavam o reconhecimento da existência de indébito relativo a pagamentos indevidos de PIS, bem como fosse declarado o direito de promoverem a compensação do indébito com valores devidos aos tributos administrados pela SRF e/ou, tão somente, com os futuros débitos de PIS, de forma atualizada pela correção plena — fls. 02/17 e 122/133. Tais compensações representaram um total de R$ 34.277,53. Após as Declarações de Compensação a repartição preparadora anexou os Extratos de Processo de fls. 18/19 e 134/136. Também foram anexadas cópia da inicial de medida judicial (fls. 21/34); cópia de documentos de arrecadação (fls. 35/63); cópia de despacho judicial (fls. 64/65); cópia de sentença judicial (fls. 66/71); cópias de Acórdão, ementa e certidões de processo judicial (fls. 72/80). Posteriormente a repartição preparadora anexou extratos dos Sistemas S1NCOR e SINAL10, além de planilha de confirmação de valores (fls. 81/88), tendo despachado à fl. 89. Também anexou cópias de DIPJ (fls. 90/109) e produziu os demonstrativos e planilhas de cálculos e compensação de fls. 110/114 e 116, além de ter anexado os extratos do sistema DCTF de fls. 115 e 117. Juntou, ainda, extratos do Sistema Comprot, Profisc e tela de sistema de controle — fls. 118/120. Às fls. 138/142 está anexado o Despacho Decisório DRF/PFO/Saort de 23/03/2005, onde o Sr. Delegado da Receita Federal em Passo Fundo (RS) resolveu: a) não reconhecer crédito algum à empresa declarante, relativamente ao Mandado de Segurança n° 1999.71.04.004470-1, visto que o crédito dele originado foi utilizado pela contribuinte para compensar parcialmente valores devidos de PIS nos períodos de apuração entre 05/2000 e 10/2000; b) não homologar as compensações indicadas nas DComps, relacionadas ao crédito nâo admitido, determinando a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Daquele despacho a empresa foi cientificada em 09/05/2005, conforme AR de fl. 143. Não conformada com a decisão, apresentou a contribuinte em 19/05/2005 — fls. 144/149 — sua manifestação contrária, onde, em síntese, aponta os seguintes argumentos: - DOS IMOS (\°' 2 Processo n° 11030.001374/2004-43 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.054 Fl. 197 O débito refere-se à compensação de crédito tributário • o débito ora constituído tem origem na compensação que efetuou, tendo por base decisão judicial que lhe outorgou tal procedimento, diante da inconstitucionalidade declarada pela Excelsa Corte dos Decretos-lei n's 2.445 e 2.449, de 1988, referentes à exação do PIS; • em 27/09/1999 ajuizou Mandado de Segurança n° 1999.71.04.004470-1 perante a Justiça Federal de Passo Fundo-RS, com o objetivo de constituir e compensar crédito decorrente do pagamento a maior efetuado na vigência dos referidos decretos-lei. Em que pese a sentença ter denegado a segurança, em sede recursal, o TRF/4a Região confirmou o direito pleiteado na inicial, lhe conferindo a possibilidade de creditar-se dos valores recolhidos a maior; • no corpo da decisão não houve um pronunciamento claro no tocante à não correção da base de cálculo, fazendo com que tivesse que buscar amparo na jurisprudência firmada pelo STJ, a qual determina que os contribuintes calculem as contribuições para o PIS, no período de junho de 1988 a outubro de 1995, com base no faturamento do sexto mês anterior e não no mês imediatamente anterior ao recolhimento; • se houvesse interesse da Fazenda em modificar a decisão, almejando a correção da base de cálculo, teria recorrido ao STF ou ao STJ, mas assim não procedeu, uma vez que ciente do entendimento unânime da Corte Superior acerca a questão; • ao efetuar a compensação, procurou a Receita Federal solicitando informações a respeito do procedimento correto da compensação, objetivando evitar futuras surpresas, bem como orientar-se da maneira correta de operacionalizar contabilmente a questão. Foi informada que deveria simplesmente deixar de pagar, cumprindo ordem judicial; • deixou, então de quitar o tributo na data prevista, encontrando-se agora, diante da autuação fiscal, tolhida no seu direito judicialmente garantido e confirmado. II— Da fundamentação jurídica das compensações realizadas Quanto à confirmação pelo Superior Tribunal de Justiça — Cálculo semestral da contribuição ao PIS • o STJ firmou entendimento no sentido de reconhecer o direito de calcular as contribuições para o PIS, no período de junho de 1988 a outubro de 1995, com base no faturamento do sexto mês anterior, e não no mês imediatamente anterior ao recolhimento. Tais decisões ratificam e reconhecem a legalidade dos seus procedimentos contábeis de compensação. Registra decisões do judiciário e posicionamento da doutrina; • ante as decisões mencionadas, resta evidente que a opção do legislador de fixar a base de cálculo do PIS como sendo o valor do faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, foi uma opção política que visava beneficiar o contribuinte, especialmente em regime inflacionário; • inocorre, in casu, uma interpretação ampliativa da lei, e sim uma interpretação à luz dos mais basilares princípios constitucionais e tributários que regram o nosso sistema tributário; 3 Processo n° 11030.001374/2004-43 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.054 Fl. 198 • resta evidente não ter obrado em má-fé, nem está se apoderando de valores que não são seus, porquanto ao definir seu crédito seguiu a interpretação da decisão judicial amparado nos princípios máximos do direito tributário, seguindo ainda o entendimento jurisprudencial dominante, motivo pelo qual deve ser invalidado o auto de infração, eis que não há débito a ser quitado. O crédito da manifestante — dos valores • entende que possui crédito frente è Receita Federal, inexistindo valores a serem quitados. Diz que os valores que encontrou seguem a sistemática oficial da correção monetária; • infere ser injusto o despacho decisório em questão, vez que procedeu de forma a respeitar fielmente aos mandamento judiciais proferidos em seu favor, sedimentados pelo entendimento do STF e STJ, este último quanto à semestralidade que chancela o direito a crédito de quem pagou o PIS no período inconstitucional. III — Do requerimento final Ao finalizar, considerando que não houve qualquer apropriação indevida de crédito; considerando a ilegitimidade e ilegalidade do débito que impugna, face a previsão legal e judicial, e; considerando todas as demais razões e argumentos contidos na peça de impugnação, requer: a) que seja recebida a manifestação de inconformidade, com os documentos que a instruem; b) que seja apreciado o pedido para julgar-se totalmente procedente a sua manifestação de inconformidade, para o fim de homologar-se as compensações realizadas pela empresa, com a extinção total da dívida, diante do fato de ter-se utilizado de crédito oriundo de decisão judicial, tudo de conformidade com o preclaro mandamento, apoiado em recente decisão do STJ sobre o cálculo semestral. À manifestação de inconformidade foram juntados os documentos de fls. 150/160. A repartição de origem despachou à fl. 161, tendo a DRF/Passo Fundo (RS) despachado à fl. 162. Sob a consideração de que o manifestante não logrou refutar a imputação de não possuir o créditos em montante suficiente para opô-los em compensação dos débitos confessados, a 2' Turma da DRJ/STM houve por bem em julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, em julgado que teve a ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 30/06/2004 PIS. COMPENSAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Decorrendo de medida judicial, os valores de PIS eventualmente passíveis de compensação com débitos da própria contribuição devem ser apurados com estrita observância do contido no decisório proferido naquele processo. PIS. DCOMPS. COMPENSAÇÃO. VALORES CREDORES. (1 UTILIZAÇÃO. 4 Processo n° 11030.001374/2004-43 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.054 Fl. 199 Resta imprópria a compensação informada em DComps relativamente a débitos de PIS, quando ficar comprovado que o valor passível de compensação já foi integralmente utilizado em momento anterior. Solicitação Indeferida Cuida-se agora de recurso voluntário (fls. 175 a 185) interposto contra a decisão do colegiado de piso. Após exposição dos fatos, o recorrente esgrima os seguintes argumentos: a) De que procedeu à compensação nos moldes da decisão que transitou em julgado, em 19/06/2000, nos autos do Mandado de Segurança n-q 1999.71.04.004470-1; b) De que como não houve claro pronunciamento do TRF da 4a Região, no tocante à base de cálculo, procedeu à apuração da contribuição, no período de junho de 1988 a outubro de 1995, conforme jurisprudência do STJ, com base no faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, e não no do mês imediatamente anterior; c) De que procedeu à correção dos créditos judicialmente reconhecidos conforme a sistemática oficial; d) De que não obrou em má-fé, razão pela qual não podem incidir multa e juros de mora caso seja mantido o entendimento quanto à não homologação das compensações. Conclui, requerendo provimento de seu recurso voluntário, para o fim de homologação das compensações declaradas e, alternativa e sucessivamente, a exclusão do valor das multas e dos juros. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 175 a 185 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-STM n 9- 18-6.922, de 5 de abril de 2007. Parece-me estar claro, a conclusão da autoridade fiscal pela insuficiência de créditos oponíveis em compensação dos débitos confessados pelo ora recorrente deveu-se aos diferentes critérios de apuração da contribuição. O contribuinte alega tê-lo feito com base no faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento (fl. 177), ao passo que a Administração Tributária, como é sabido, não abraça a tese da semestralidade da base de cálculo, entendendo que a contribuição é apurada com base no faturamento do mês imediatamente anterior ao de ocorr'encia do fato gerador (Despacho Decisório DRF/PFO/Saort, de 23 de março de 2005, fl. 159). , . Processo n° 11030.001374/2004-43 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.054 Fl. 200 A questão já tem entendimento pacificado na instância recursal administrativa, plasmado na Súmula n 2 11, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 (DOU de 26/09/2007), que assevera que a base de cálculo do PIS, prevista no art. 6° da Lei Complementar n2 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Assim sendo, deve-se reconhecer a parcial procedência das alegações recursais, homologando-se as compensações de créditos e débitos da contribuição apurados com aplicação da semestralidade, na forma da Lei Complementar n 2 7, de 1970, pela aplicação da aliquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2009 Mr/V, ALE NDRE KERN 6
score : 1.0
Numero do processo: 10235.000680/2007-46
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. CRUZAMENTO COM A DIRF. TRIBUTAÇÃO.
A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) é documento
hábil para comprovar a omissão de rendimentos e sua desconsideração
somente pode ocorrer quando o contribuinte demonstrar de forma inconteste a inexistência ou inexatidão dos dados informados pelas fontes pagadoras.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.175
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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VALORES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. CRUZAMENTO COM A DIRF. TRIBUTAÇÃO. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) é documento hábil para comprovar a omissão de rendimentos e sua desconsideração somente pode ocorrer quando o contribuinte demonstrar de forma inconteste a inexistência ou inexatidão dos dados informados pelas fontes pagadoras. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000680/200746 Acórdão n.º 2801002.175 S2TE01 Fl. 94 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, às fls. 02/05, decorrente da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, que resultou na exigência de crédito tributário (IRPF) no valor total de R$ 10.258,39, referente a imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora. Na peça fiscal a autoridade lançadora indicou a ocorrência da seguinte infração: “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 17.129,66, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 57,16. HSBC Empresa de Capitalização (R$ 6.599,72); Sociedade Beneficente São Camilo (R$ 5.311,94); Beneficência Camiliana do Sul (R$ 5.218,00).” Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação à fl. 01, ocasião em que contestou o resultado do trabalho fiscal. Em síntese, alegou que: "Não consta em meus arquivos haver recebido as importâncias a mim imputadas, no período referido, nem tão pouco lembro de haver recebido tais valores, portanto solicito a impugnação de tais cobranças". Com o encaminhamento dos autos à DRJ/Belém(PA) para apreciação do litígio em primeira instância, resolveu o órgão julgador converter o julgamento em diligência (Despacho n° 106, de 01/07/2009, à fl. 14), para que as fontes pagadoras apontadas no lançamento fossem intimadas a confirmar ou não os pagamentos realizados ao contribuinte no anocalendário 2003, e ainda, a informar a que título tais pagamentos foram efetuados. Na sequência, para conclusão da diligência, caberia à autoridade fiscal anexar ao processo a documentação que resultasse da providência solicitada, dando ciência ao contribuinte dos resultados, reabrindolhe prazo para sua manifestação. Cientificado dos resultados da diligência, por meio do expediente à fl. 58 o contribuinte apenas ratificou as informações prestadas na impugnação, ou seja, de que não constava em seus arquivos haver recebido os valores apontados na Notificação de Lançamento, e que tampouco se lembra de ter recebido tais rendimentos no período em questão. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000680/200746 Acórdão n.º 2801002.175 S2TE01 Fl. 95 3 Ao apreciar o litígio, a 5a Turma de Julgamento da DRJ/Belém (PA) decidiu, por unanimidade de votos, em considerar improcedente a impugnação, mantendo, assim, a exigência do crédito tributário, nos termos do Acórdão DRJ/BEL nº 0116.137, de 27/01/2010, às fls. 85/86. Transcrita, a seguir, a ementa constante da peça decisória: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 PROVAS PRODUZIDAS EM DILIGÊNCIA. As alegações genéricas não têm o condão de alterar a verdade estabelecida nos autos a partir de farta documentação produzida em diligência, de forma a não deixar dúvida da fidedignidade dos fatos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 22/02/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 90, o interessado interpôs em 09/03/2010 o Recurso Voluntário à fl. 91, em que reitera sua argumentação de defesa, solicitando o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A infração apurada pela autoridade lançadora referese à omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (código 0588), conforme demonstrativo à fl. 03, visto que restou consignado em DIRF que o contribuinte recebera das pessoas jurídicas HSBC Empresa de Capitalização, Sociedade Beneficente São Camilo, e Beneficência Camiliana do Sul, no anocalendário 2003, respectivamente, os valores de R$ 6.599,72, R$ 5.311,94, e R$ 5.218,00, sendo que tais rendimentos não foram informados na declaração de ajuste anual. Em sua defesa, alega o recorrente não ter recebido tais importâncias no período referido, e mais, tampouco lembra que tenha auferido estes rendimentos. Ocorre que, por solicitação do órgão julgador a quo, foi realizada diligência (nos termos do Despacho n° 106, de 01/07/2009, à fl. 14) com intimação às fontes pagadoras dos rendimentos para esclarecimentos, resultando na confirmação dos pagamentos ao recorrente dos valores questionados. Assim discorreu o julgador administrativo no acórdão de primeira instância (fl. 86 dos autos): Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000680/200746 Acórdão n.º 2801002.175 S2TE01 Fl. 96 4 [...] Em razão da negativa genérica do contribuinte, por não lembrar de ter recebido os rendimentos omitidos, foram realizadas diligências junto às fontes pagadoras para confirmação dos pagamentos realizados ao impugnante. Passamos em revista os resultados: A fonte HSBC Empresa de Capitalização, assim se posiciona, fls. 20/21 e 28: "Em atendimento aos questionamentos acima, temos a informar que foram realizados pagamentos ao contribuinte Arthur de Lima Torrinha em virtude de prestação de serviços sem vínculo empregatício. As fontes pagadoras são as seguintes: HSBC SERVIÇOS DE SAÚDE S/C... HSBC SEGURO SAÚDE S/A ... (...) A segunda realizou pagamentos no anocalendário de 2003 que totalizaram R$ 6.599,72 (seis mil, quinhentos e noventa e nove reais e setenta e dois centavos), sendo que o valor total de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF corresponde a R$ 54,43 (cinquenta e quatro reais e quarenta e três centavos) conforme 'Extrato para fins de IR' anexo (doc. n° 4)" A Sociedade Beneficente São Camilo assim responde: "Em cumprimento à intimação, segue abaixo, informações do serviço prestado no ano calendário 2003 pelo Sr. Arthur de Lima Torrinha e em anexo, demonstrativo dos pagamentos efetuados. Serviço prestado sem vínculo empregatício em: 2003 Valor do serviço: R$ 5.311,94 Valor da retenção: R$ 10,33" (...) Beneficência Camiliana do Sul responde nestes termos, fl. 40: "Quanto ao item n° 01, temos a informar que conforme documentação comprobatória anexa, a Beneficência Camiliana do Sul efetuou vários pagamentos no ano de 2003 ao médico ARTHUR DE LIMA TORRINHA. Todavia o mesmo é médico, que atende a especialidade de OTORRINOLARINGOLOGIA, credenciado à Beneficência Camiliana do Sul, sendo este remunerado como profissional liberal (AUTÔNOMO) conforme recibo de pagamento de autônomo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000680/200746 Acórdão n.º 2801002.175 S2TE01 Fl. 97 5 Quanto ao item n° 2 (segue anexo todos os pagamentos realizados, bem como os valores recolhidos (IR e INSS). [...]” Portanto, as fontes pagadoras ratificaram as informações prestadas através das DIRF apresentadas à Receita Federal quanto ao recebimento, pelo contribuinte, de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício no ano de 2003. Estas empresas encaminharam documentação comprobatória destes pagamentos efetuados ao recorrente. Compulsando os autos, verificase que, tanto na impugnação (fl. 01), como na peça recursal (fl. 91), o contribuinte insiste na mesma alegação genérica. No entanto, não trouxe o interessado, em nenhuma destas instâncias processuais, embora já transcorridos mais de 04 (quatro) anos da instauração da presente lide administrativa, qualquer prova capaz de elidir a infração apontada pelo Fisco. Assim, na visão deste Relator, o trabalho da autoridade fiscal não restou desconstituído pelo recorrente, devendo prevalecer a omissão de rendimentos como apurada no lançamento. Isto posto, VOTO em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.011943/95-51
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS
Data do Fato Gerador:30/06/1994/ 31/08/1994, 30/09/1994,
31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994
INCONSTITUCIONALIDADE.
A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal.
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E
JUDICIAL
Tratando-se de matéria submetida a apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, analise relativamente 'a matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário.
EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM MANDADO DE
SEGURANÇA. MULTA DE OFÍCIO.
Cancela-se, por inaplicável, penalidade incidente sobre crédito
tributário com exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-000.286
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucional idade de nonna legal. CONCOMrl'ÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratando-se de matéria submetida a apreciação) do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, analise relativamente 'a matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. EXIGIBILIDADE SUSPENSA, LIMINAR EM 'MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DE OFÍCIO. Cancela-se, por inaplicável, penalidade incidente sobre crédito tributário com exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3'. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. ‘1,,...F). NDRE KERN - Pr , ,.i, i: ,41 • CARLOS IIEN.R.I.QU,V i • ' (( NS DE LIMA - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Mauricio Ledato, Héleio Lafeta Reis e Ivan Allegretti . Ausente o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. .. _Relatório Trata-se de Auto de Infração, lis. 17/22, lavrado em face da contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, pertinente aos períodos de apuração de junho e agosto a dezembro de 1994, nos termos do art. 30, alínea "b" da Lei Com.plementar n" 7, d.e 07 de setembro de 1970, c/c art V, parágralO único da Lei Complementar IV 17, de 12 de dezembro de 1973; , art. l do Decreto- lei n° 2445, de 29 dejuntio de 1988, c/c art. I' do Decreto-lei á' 2/149, de 21 de julho de 1988 O autuante informa à fL 22 e no Termo de Verificação Fiscal de fl. 16 que a contribuinte, ao abrigo de medida judicial (fls. 03/12), deixou de recolher a contribuição para o P1S com base na Medida Provisória if 543, de 1994, estando assim suspensa a exigibilidade do crédito tributário até decisão judicial definitiva. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 26/04/1995 ( fs 21) e apresenta, em 17/05/1995, a impugnação de lis. 26/31, alegando em sua defesa., em síntese: A recorrente é empresa que realiza corretagem de câmbio e valores mobiliários, estando sujeita à exigência da contribuição para o PIS, todavia a medida provisória que pretendeu dar aplicabilidade à Emenda Constitucional if 01, de 1994, é inconstitucional, razão pela qual a cobrança do PIS das instituições financeiras deve continuar sendo re gida pela Lei Complementar n° 7, de 1970; Por essa razão, obteve liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, tendo sido surpreendida pela lavratura do Auto de infração em questão, que desrespeitou a ordem judicial; A presente exigência é inconstitucional, pois a EC n° 01, dc 1994, não criou nenhum tributo, mas limitou-se a instituir o Fundo Social de Emergência e destinar a ele o produto da arrecadação, dentre outras, da contribuição para o PIS incidente sobre a receita bruta operacional das instituições financeiras, à alíquota de 0,75%, e, 2 Processo n" 10880.011943/95-5 S3-TE03 Acórdão n." 3803-00.286 El. I 47 assim, tornava-se absolutamente necessária a edição de lei complementar que efetivamente criasse uma nova obrigação tributária especificatnente às instituições tina.nceiras, De acordo com a legislação do imposto de renda, a base de cálculo da contribuição para o PIS prevista pela EC n" 01, de 1994, é a receita da venda de bens e serviços, não englobando qualquer tipo de receita financeira, sendo intolerável a ampliação da base de cálculo perpetrada pela medida provisória que a regulamentou, Desta forma, o Auto de Infração deve ser cancelado. Em 26/04/2000, a Delegacia da Receita Federal de .Iul ga.mento em São Paulo encaminhou o presente processo à DRF/DEINF/SPO/EQCCT para que a contribuinte tbsse intimada a apresentar a Certidão de Objeto e Pé da ação judicial que intentou contra a Fazenda Nacional (Il. 42), desta forma, foram anexados os documentos de Os, 49/60.. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE 'MARTINS DE LIMA, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele conheço., No que concerne à alegada inconstitucionalidade da cobrança do PIS das instituições financeiras com base na EC n° 01, de 1994, e na MP n" 543, de 1994, releva observar que a análise da legalidade ou constitucionalidade de urna norma está reservada exclusivamente ao Poder judiciário, não cabendo à autoridade administrativa pronunciar-se acerca da sua inconstitucionalidade. A autoridade administrativa deve limitar-se, tão-somente, a aplicar a norma. legal. Ressalte-se, por oportuno, que ao autuante não caberia mesmo outro procedimento que não fosse o da obediência à legislação vigente, tendo em vista sua estrita vinculação às normas originadas dos Poderes Legislativo e Executivo, incluindo-se os atos administrativos ou normativos emanados da Secretaria da Receita Federal. Da mesma forma, os órgãos judicantes, integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, devem verifica a conformidade dos procedimentos administrativos relacionados aos process .s é exigência de créditos tributários, 3 .'11/ referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com as normas legais vigentes Assim, carecem as Delegacias de Julgamento da Receita Federal, no desempenho de suas funções, de competência para pronunciar-se a respeito de conformidade de lei ou ato normativo com preceitos emanados da Constituição Federal, por ser matéria reservada exclusivamente ao Poder Judiciário, também por 'Corça de dispositivo constitucional Contudo, no presente caso, a exigência do PIS foi objeto de questionamento judicial por parte da recorrente. Em consulta ao site do Tribunal Regional Federal da 3' Região (fis,. 64/65), constata-se que ainda não houve o transito em julgado da ação ali mencionada. O artigo 1 0 , 2°, do Decreto-lei n° 1,737, de 20 de dezembro de 1979, e o artigo 38, parágralb único da Lei n" 6.830, de 22 de setembro de 1980, preconizam que a propositura, •pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.. Nesse sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo ti: -03, de 14 de fevereiro de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, esclarecendo que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial-por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto h) conseqüentemente, quando dikrentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p..ex., aspectos .formais do lançamento, base de cálculo etc.),- e) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão .fOrmal. declaratória da ddinitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se foro coso, encaminhando o processo para a cobrança do débito ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 14.9 do C11V;. d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-á a inscrição em dívida ativa, deixando- se de fiizê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou 11/ (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.151, do 0\7,- 0 (grifei) Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais 4 Processo n" 10880 (111943/95-51 S3- LE03 Acórdão n 3803-00.286 Fl 148 poderia ser alterada no processo administrati o, pois tal procedimento fehria a Constituição Federal, que adota o modelo : e j sdição una, com a plena soberania das decisões -judiciais. Diante ao exposto, voto por nã c' Joice recurso voluntário em decorrência da matéria discutida estar sendo submeti a lál,er Judiciário. d CARLOS J MARTINS DE LIMA /
score : 1.0
Numero do processo: 13727.000251/2003-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
DÉBITOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS ILÍQUIDOS E
INCERTOS DE FINSOCIAL.
Inexiste possibilidade de efetuar a compensação de débitos da contribuição enquanto não reconhecido definitivamente o direito creditório na via judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO
COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE
RECONHECIDOS.
A não confirmação da extinção por compensação de débitos declarados em DCTF justifica o seu lançamento de oficio para formalizar a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis.
MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS.
Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de oficio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3803-000.040
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO
DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a aplicação da multa de lançamento de oficio, mantendo-se as demais parcelas da exigência fiscal, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO II/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 DÉBITOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS ILÍQUIDOS E INCERTOS DE FINSOCIAL. Inexiste possibilidade de efetuar a compensação de débitos da contribuição enquanto não reconhecido definitivamente o direito creditório na via judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. A não confirmação da extinção por compensação de débitos declarados em DCTF justifica o seu lançamento de oficio para formalizar a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÂO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a aplicação da multa de lançamento de oficio, mantendo-se as demais parcelas da exigência fiscal, nos termos do voto do Relator. , . Processo n° 13727.000251/2003-00 S3-TE03, Acórdão n.° 3803-000.040 Fl. 134 ' •• I 1n115\—j RNk:DREOP 13 .. d-nte e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegfetti, Hélcio Lafeta Reis, Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Trata-se de Auto de Infração eletrônico n 9 0001561 (fls. 03 a 11). Por retratar a realidade dos autos, transcrevo o Relatório constante do Acórdão 13-14.708, de 24 de dezembro de 2006, fls. 103 e 104: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 03 a 11, lavrado pela DRFNolta Redonda em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondente à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 22.724,29, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/1998, 11/1998 e 12/1998, à multa de oficio de 75%, e aos juros de mora calculados até 30/06/2003. 2. Consta da "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", à fl. 06, do "Anexo Ia — Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF", às fls. 07/08, e do Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, à fl. 09, que: 2.1 O presente Auto de Infração originou-se da realização de Auditoria Interna nas DCTF referentes aos 1° e 4° Trimestres do ano-calendário 1998, conforme IN-SRF nos 045/98 e 077/98; 2.2 As irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados nessas DCTF dizem respeito à falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata; e 2.3 Não foram localizados os pagamentos vinculados aos débitos referentes aos meses 01/1998, 11/1998 e 12/1998. 3. Os dispositivos legais infringidos constam do "Quadro 10" da "Descrição dos fatos e enquadramento legal", à fl. 06 do Auto de Infração. 4. Cientificada em 21/07/2003 (fl. 46), a Interessada, inconformada, apresentou, em 14/08/2003, a impugnação de fls. 01/02, na qual alega que efetuou o recolhimento dos valores exigidos em seis parcelas de R$ 5.189,17 em 31/07/2002, 30/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 29/11/2002 e 30/12/2002, no código n°0810, e com fulcro no art. 11 da MP n° 38/2002. 5. Por fim, requer seja julgado improcedente o lançamento. 6. Posteriormente, em 12/01/2005, a Impugnante apresentou a petição de fl. 32, na qual informa que: 6.1 O débito de janeiro de 1998 foi pago conforme cópia do Darf em anexo; e 2 Processo n° 13727.000251/2003-00 83-TE03 Acórdão n.° 3803-000.040 Fl. 135 6.2 Os débitos de novembro e dezembro de 1998, foram quitados no processo administrativo n° 10073.000028/00-20. 7. A Delegacia de origem, em procedimento de revisão de ofício, informou às fls. 56/57 que o pagamento apresentado pela Contribuinte constante de fl. 33, foi alocado ao débito referente ao mês 01/1998, encontrando-se o crédito tributário liquidado, conforme extrato de fl. 52. Acrescenta que procede a cobrança dos débitos referentes aos meses 11/1998 e 12/1998, tendo e vista que a inscrição de fls. 34 a 38 refere-se a débitos de 1999 e 2002. 8. Sobre a informação supra, alega a Interessada às fls. 62/63 que: 8.1 Houve erro na informação prestada na DCTF, pois os créditos vinculados aos débitos em questão foram informados como sendo oriundos de pagamentos quando o correto seria informar serem tais créditos oriundos de compensação; 8.2 A Contribuinte ajuizou a Ação Ordinária n° 97.0074136-2. Contra a decisão de 1 8 instância, a Fazenda Nacional interpôs a Apelação Cível n° 99.02.11053-3. As cópias das peças judiciais seguem a esta anexadas; e 8.3 A referida Ação gerou um crédito para a Contribuinte que poderia ser utilizado para compensar débitos da própria Contribuição para o PIS apurados em períodos subseqüentes, o que foi feito em relação aos períodos de apuração 11/1998 e 12/1998. 9. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 10. Foram por mim anexadas cópias da Portaria DRF/VRA/RJ n° 31, de 10/07/2004 (fl. 94) e da Portaria DRFTVRA/RJ n°003, de 22/01/2002 (fls. 95/101). 11. É o relatório. Em revisão de ofício do lançamento, a DRF-Volta Redonda exclui o débito referente ao PA 01/1998 da exação (fls. 56 e 57). Sobreveio o julgamento de primeira instância, por meio do qual a DRJ/RJO-II-4 a Turma houve por bem em julgar o lançamento procedente, tudo conforme o Acórdão n2 13-14.708, de 21 de dezembro de 2006, da DRJ/RJO- II, fls. 102 a 107, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. DESCONSIDERAR. Somente se considera para fins de extinção da obrigação tributézria a compensação de créditos cuja existência tenha sido devidamente comprovada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. 3 • Processo n° 13727.000251/2003-00 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-000.040 Fl. 136 Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnató rias todos os documentos que dêem a elas força probante. Lançamento Procedente Cuida-se agora de recurso (fls. 111 a 114) interposto pelo autuado, em 11/05/2007, contra a referida decisão, da qual foi intimado em 12/04/2007. Após resumo dos fatos, o recorrente esgrima os seguintes argumentos: a) Do incabimento da aplicação da multa de 75%, porque o contribuinte denunciou espontaneamente a infração, conforme jurisprudência que cita e transcreve; b) De que se a SRF tivesse procedido à verificação fiscal previamente ao lançamento, teria constatada a suficiência dos créditos judicialmente reconhecidos e opostos em compensação dos débitos ora controvertidos; c) De que as guias de recolhimeto de PIS e a planilhada elaborada em 28/08/1997, além das peças da ação ordinária n2 97.0074136-2, já transitada em julgado, comprovam a extinção dos débitos ora guerreados. Conclui, pedindo a improcedência do AI e, sucessiva e alternativamente, a exclusão da multa. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Possibilidade de compensação de direito creditório judicialmente reconhecido antes do trânsito em julgado da sentença A 1' Turma do Egrégio STJ já assentou que "só pode haver compensação se o crédito do contribuinte for liquido e certo, isto é, determinado em sua quantia", sendo certo que "só após esse estado de liquidez e certeza é que o contribuinte pode fazer o lançamento, efetuando a operação de compensação, sujeita a homologação pelo Fisco", ou seja, "a liquidez e certeza só podem ser apuradas mediante operação que demanda provas e contas" (cf. Acórdão da i a Turma do STJ no REsp n° 100.523, Reg. 96/0042745-3, em sessão de 07/11/96, rel. Min. José Delgado, publ. in DJU de 09/12/96), obviamente só apuráveis após o trânsito em julgado, através da liquidação da sentença, que estabeleça, com exatidão, a liquidez, certeza e exigibilidade do crédito tributário compensando. Ressalte-se primeiramente que o recorrente, enquanto impugnante, não contestou a falta de recolhimento da contribuição como apontada pela Fiscalização. Trata-se portanto de matéria preclusa nesta instância recursal. Sua linha de defesa contra o mérito do lançamento pretende obter o cancelamento da autuação mediante o reconhecimento administrativo da existência de direito creditório do contribuinte contra a Fazenda Pública 4 Processo n° 13727.000251/2003-00 83-TE03 Acórdão n.° 3803-000.040 Fl. 137 (pagamentos a maior) e a posterior compensação do indébito com os valores apurados de oficio. No caso concreto, verifica-se que à época em que, alegadamente, o contribuinte, ora recorrente, promoveu a compensação dos débitos de que se trata, referentes ao PA 11/1998 e 12/1998, tinha provimento judicial precário, que só foi transitar em julgado na data de 23/02/2001. Nessas circunstâncias, o crédito oposto em compensação dos débitos não se reveste dos atributos de liquidez e certeza requeridos pelo art. 170 da Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional - CTN. Lançamento de débitos declarados em DCTF A não confirmação da compensação fez com que os débitos declarados na DCTF se tornassem inadimplidos. Nesse sentido, de acordo com o disposto no parágrafo único do artigo 22 da IN-SRF n2 210, de 30 de setembro de 2002, vigente à época dos fatos, os mesmos deveriam ter sido encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em Divida Ativa da União. A questão da necessidade de lançamento, nestes casos, trilhou um caminho tumultuado, desde a edição do Decreto-Lei n2 2.124, de 13 de junho de 1984. Nesta trajetória, o assunto foi objeto de reiteradas decisões judiciais e de parecer da PGFN, firmando-se o entendimento de que os débitos declarados pelo contribuinte dispensariam o lançamento de oficio, para fins de posterior inscrição em divida ativa. Este entendimento foi expresso pela Secretaria da Receita Federal no art. 1 2 da Instrução Normativa SRF n2 77, de 24 de julho de 1998, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n2 14, de 14 de fevereiro de 2000, nos seguintes termos: "Art. 12 Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n2s 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n 2 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." O caput do art. 1 2 da N SRF n2 77, de 1998, referiu-se apenas ao saldo a pagar, porém o parágrafo único estendeu o posicionamento da SRF para o valor total do tributo declarado, nos casos de compensação indeferida. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN n 2 991, de 11 de maio de 2001, também manifestou o entendimento de que a confissão de divida de que trata o Decreto-Lei n2 2.124, de 1984, alcança o valor total do débito declarado e não apenas o saldo PIX*. a pagar, como ressalta de suas conclusões, constantes do trecho abaixo transcrito: 5 Processo n° 13727.000251/2003-00 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-000.040 Fl. 138 "15. A título de conclusão, podemos afirmar: a) a declaração e confissão de dívida tributária, hoje efetuada no âmbito da Secretaria da Receita Federal por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, guarda conformidade com a ordem jurídica em vigor, sendo plenamente válida para viabilizar a inscrição em Dívida Ativa e a cobrança judicial, se for o caso, b) a sistemática de cobrança do "saldo a pagar", mediante inscrição em Dívida Ativa e os conseqüentes a partir daí, é juridicamente escorreita, representando, inclusive, um aperfeiçoamento desejável pela redução, em tese, de inconsistências de várias ordens; c) não há necessidade, a rigor não é juridicamente válida, a formalização ou constituição de crédito tributário já revelado no âmbito da sistemática da declaração e confissão de dívida na modalidade do "saldo apagar"; d) a Secretaria da Receita Federal pode, e deve, alterar o montante do "saldo a pagar", sem afronta ao débito devido ("débito apurado"), se identificar de oficio fatos relevantes para tanto, devidamente contemplados na legislação tributária." Este disciplinamento, no que se refere especificamente àqueles casos em que há alteração do saldo a pagar (e não do tributo devido), foi alterado pelo art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, verbis: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." (destaquei) A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no parecer antes citado, ao mesmo tempo em que conclui pelo não-cabimento do lançamento dos valores declarados como "Saldo a pagar", afirma, também, que este valor deve ser alterado pela Secretaria da Receita Federal sempre que houver fatos relevantes para tanto. As hipóteses previstas no art. 90 da MP n 2 2.158-35, de 2001, (pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade) enquadram-se, sem dúvida, na categoria de "fatos relevantes" citados pela PGFN, aptos a ensejar a alteração do "Saldo a pagar" declarado pelo contribuinte. Entretanto, com o advento deste novo prescritivo legal, nos casos em que o pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade informados nas DCTF forem indevidos ou não comprovados, o entendimento da SRF e da PGFN ficou superado e o lançamento passou a ser efetuado. Este comando legal prevaleceu até a edição da Medida Provisória n 2 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n 2 10.833, de 29 de dezembro de 2003, cujo art. 18, na redação que lhe dada pelo art. 25 da Lei n2 11.051, de 29 de dezembro de 2004, disciplinou de modo diferente o lançamento de oficio aplicável às hipóteses de não homologação de compensação, verbis: 6 Processo n° 13727.000251/2003-00 83-TE03 Acórdão n.° 3803-000.040 Fl. 139 "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n 2 4.502, de 30 de novembro de 1964." (negrito na transcrição) O presente lançamento enquadra-se nas hipóteses previstas no art. 90 da MP n2 2.158-35, de 2001 (compensação não homologada) e foi efetivado antes das restrições impostas pelo art. 18 da Lei n 2 10.833, de 2003, tratando-se, portanto, de ato jurídico perfeito, estritamente de acordo com as disposições legais vigentes na data de sua constituição. Nada obstante, em havendo lançamento, deve-se cobrar o crédito tributário com multa de mora, em consonância com o § 2° do artigo 5° do Decreto-Lei n2 2.124, de 13 de junho de 1984, pois o Fisco não pode optar pelo meio de cobrança mais gravoso para o contribuinte. À vista do entendimento acima referido e considerando que o artigo 112 do CTN manda aplicar a lei tributária que comine penalidades de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à penalidade aplicável ou à sua graduação, conclui-se que, no presente processo, deve ser cancelada a aplicação da multa de oficio, no valor de R$ 5.234,19 (cinco mil, duzentos e trinta e quatro reais e dezenove centavos), sem prejuízo da cobrança do(s) débito(s) respectivo(s) com o acréscimo da multa de mora de 20%. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento, para cancelar a aplicação da multa de lançamento de oficio, no valor de R$ 5.234,19 (cinco mil, duzentos e trinta e quatro reais e dezenove centavos), sem prejuízo da cobrança do principal com multa de mora. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2009 A ,XkNDRE KERN 7
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Numero do processo: 11128.000303/2001-00
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.926
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia a Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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DRJ/FORTALEZA/CE Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO N2 301-1.926 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia a Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. at■- OTACiLIO DAN • S CARTAXO Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Cardozo Miranda e Patricia Wanderkoke Gonçalves (Suplente). Ausentes os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Joao Luiz Fregonazzi. Processo n.° 11128.000303/2001-00 Resolução n.° 301-1.926 CC03/C01 Fls. 194 RELATÓRIO Cuida-se de pedido de reconhecimento de crédito tributário e restituição (fis.01/07) referente ao Imposto de Importação, em face dos seguintes argumentos: 1. Foi importada mercadoria através da DI n°. 00/00996095-8 no mês de outubro de 2000. Referidas mercadorias foram produzidas no Mexico e enviadas aos Estados Unidos para embarque ao Brasil; 2. Por tratar-se de mercadoria produzida no México, pais integrante da Associação Latino-Americana de Integração — ALADI, a empresa teria direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a aliquota normal; 3. Ocorre que, no registro da Declaração de Importação não foi possível o reconhecimento da redução de aliquota, tendo em vista que o SISCOMEX só admite a aplicação da redução tarifária da ALADI, nos casos que o exportador esteja localizado em Pais membro da referida associação; 4. Nos termos do Decreto n°. 3.325/99, dispõe que: "Para as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. Para tais efeitos, considera-se com expedição direta: b) as mercadorias transportadas em transito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países (...)"; 5. Assim, admite-se que a mercadoria produzida em um determinado Pais (México), seja comercializada por um terceiro Pais que não seja membro da ALADI (EUA); 6. Dessa forma, o Certificado de Origem deverá indicar no campo observações que a mercadoria será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do exportador. Assim, cumpridos os requisitos, o importador fará jus ao incentivo firmado no âmbito da referida associação; A Secretaria da Receita Federal de Santos proferiu decisão (fls.66/67) indeferindo o pedido de restituição, uma vez que para se beneficiar da tarifa preferencial, a interessada deveria ter atendido, cumulativamente, as seguintes condições: 1) as mercadorias deveriam ser caracterizadas como produtos de origem mexicana (Resolução n°. 78/87); 2) elas deveriam estar excluídas da lista de exceção prevista no Acordo e 3) elas deveriam ser expedidas diretamente do México para o Brasil (Resolução n°. 78/87). 2 Processo n. 0 11128.000303/2001-00 ResoluçAo n •° 301-1.926 CC03, CO I Fls. 195 Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.70/81) reiterando praticamente os mesmos argumentos trazidos no pedido de restituição. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (fls.116/130) proferiu acórdão indeferindo a solicitação, pois consoante o artigo 4' da Resolução n°. 252, do Comitê de Representantes da ALADI, para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais devem ser expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador, admitindo-se, porém, o trânsito por um terceiro pais, desde que o produto não seja objeto de comércio neste pais. A fatura comercial acostada aos autos (fis.40/41) e a informação, no certificado de origem, do número da fatura comercial emitida pelo fabricante no Mexico, evidenciam que a mercadoria foi objeto de comércio entre o produtor no México (pais membro da ALADI) e uma empresa dos Estados Unidos (pais que não é membro do ALADI), que a revendeu para o importador no Brasil. 0 contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fis.134/157) aduzindo que os produtos foram produzidos no México, enviados aos EUA, onde permaneceram sob a vigilância e controle das autoridades aduaneiras daquele pais para, posteriormente, serem exportados ao Brasil, em razão de aspectos geográficos. Alega que os motivos geográficos são evidentes, vez que o traslado da mercadoria de Tijuana (Mexico, que faz divisa com os Estados Unidos, porém, na costa Oeste desse Pais), localizada no Oceano Pacifico, pelo território dos Estados Unidos, permite que as mercadorias sejam embarcadas para o Brasil e transportadas pelo Oceano Atlântico, que, permite o desembaraço no Porto de Santos. Os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes acordaram em converter o julgamento em diligência (fls.178/180), urna vez que está ausente a fatura emitida pelo fabricante — no México — para a empresa que faturou a mercadoria para a recorrente, cujo número consta do Certificado de Origem. • o relatório. 3 Processo n.° I 1128.000303/2001-00 Resolução n.° 301-1.926 CCO3 CO! Fls. 196 VOTO Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Trata-se em saber se as mercadorias importadas pelo contribuinte estão ou não amparadas pela redução tarifária a que fazem jus países integrantes da Associação Latino- Americana de Integração — ALADI, para dessa forma, determinar a restituição do imposto recolhido indevidamente, portanto, a lide diz respeito ao cabimento ou não do direito ao regime de preferencia tarifária previsto no Acordo de Preferência Tarifária Regional assinado entre o Brasil e o México (PTR-4), cuja execução no Brasil foi operacionalizada pelo Decreto n' 90.782/84. Assim, o objeto da discussão está em se saber se há impedimento ao enquadramento do beneficio previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria for vendida e remetida pelo México aos Estados Unidos da America, e, depois, exportada desse pais para o Brasil, corn emissão de Certificado de Origem em que esteja informado o faturamento pela empresa dos EEUU. 0 Conselheiro que me antecedeu na análise deste processo, o ilustre Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, havia convertido o julgamento em diligência solicitando documentos que foram juntados ao processo. Todavia, comungo do entendimento do Conselheiro desta Câmara, José Luiz Rossari, de que o processo ainda carece de documentação para estar maduro para o julgamento. Neste sentido, voto da mesma forma do Conselheiro Rossari, no entendimento da nova conversão deste julgamento em diligência, a fim de que sejam trazidos aos autos novos elementos para a formação da convicção dos julgadores. Portanto, me remeto diligência requerida pelo Conselheiro Rossari nos processos em que é relator, para adotar tal diligência integralmente corno faço a seguir, transcrevendo, corn pequenas alterações para a adequação ao presente caso, o teor do pedido feito nos outros processos da Recorrente que têm o Conselheiro Rossari corno relator: Diante do exposto, voto por que se converta o julgamento em diligência unidade da SRFB de origem, a fim de que: A) seja solicitada à recorrente: Al) declaração da Alfândega dos Estados Unidos da America, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. B) após o cumprimento do quesito anterior, seja solicitada a manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto à comercialização de mercadoria 4 • Processo n.° 11128.000303/2001-00 Resolução n.° 301-1.926 CC03CO1 Fls. 197 por operador de terceiro pais, membro ou não da ALADI (art. 9-° da Resolução n" 252 da ALADI — Decreto n° 3.325/99), no tocante aos seguintes quesitos (por ocasião desse pedido, deverão ser encaminhados A Secex, em anexo, o Certificado de Origem, as Faturas Comerciais do México e dos EEUU, a declaração da Alfândega dos EEUU, se apresentada, e o Conhecimento de Carga): b 1) pode a operação estar ao amparo de preferencia tarifária prevista no acordo (PTR-4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (México) e entregue a esse 3" pais (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada pelos EEUU para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EEUU? b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do beneficio, a interveniência de operador de terceiro pais afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4" da Resolução n" 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. zr, "b", ii, da Resolução ti." 252): a venda da mercadoria (com emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro pais, e a posterior comercialização e expedição do 3 0 pais para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o beneficio quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no pais de trânsito? Vale dizer, o comércio posterior da mercadoria já em poder do operador-exportador do 3 0 pais, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo pais de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3 0 pais e depois foi comercializada corn o Brasil? Antes do retorno do processo a este Conselho, a Recorrente deverá ser informada do inteiro teor das informações prestadas, a fim de que, querendo, possa manifestar- se a respeito. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2008 SUSY GO S HO FMANN - Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003509/2007-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-002.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 64DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.003509/200741 Acórdão n.º 280102.011 S2TE01 Fl. 58 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 6.154,50, referente ao exercício de 2004, a título de imposto (R$ 2.750,00), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 2.062,50), além dos juros de mora (R$ 1.342,00). O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: • Tomou serviços profissionais da especialidade de fisioterapia no ano de 2003, no valor de R$ 10.000,00 e efetuou os pagamentos dos honorários em espécie, de forma que não fora necessário utilizar recursos advindos de bancos; • O valor pago e a forma de pagamento foram previamente ajustados, pois a profissional reservaria uma disponibilidade maior de seu tempo ao impugnante; • Declarou renda bruta de R$ 164.000,00, sendo desta forma tranqüilamente possível a obtenção de uma despesa de R$ 10.000,00 a titulo de serviços profissionais de fisioterapia; • 0 Código Tributário Nacional em momento algum dispõe sobre a forma de pagamento. A 4ª Turma da DRJ/CGE/MS, conforme Acórdão de fls. 31/35, julgou procedente o lançamento. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 22/11/2010 (fl. 40), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 41/51, em 10/12/2010. Em sua defesa, alega ter direito à dedução integral das despesas médicas declaradas, conforme os recibos médicos de prestações dos serviços apresentados, sendo dispensada a recomendação médica uma vez que o próprio contribuinte é médico, ficando assim provado a sua boafé, uma vez que se enquadra nos termos da legislação de regência, encontrando, também, amparo na jurisprudência administrativa citada. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese ao inconformismo do contribuinte em relação à glosa da despesa médica delarada, referente à fisioterapeuta Ângela R F Teixeira, no valor de R$ 10.000,00. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.003509/200741 Acórdão n.º 280102.011 S2TE01 Fl. 59 3 Relativamente a essa questão, importa observar que a glosa foi motivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento. A decisão recorrida julgou procedente a referida glosa, concluindo que é necessária a comprovação do efetivo desembolso, em razão do elevado valor, através da apresentação de cópia dos cheques e/ou extratos bancários com o destaque dos saques com datas e valores compatíveis, mormente considerando que o contribuinte recebeu rendimentos de pessoas jurídicas e que, portanto, sua renda circula por contacorrente bancária. Em sede de recurso, o interessado requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas julgados necessários pela fiscalização e decisão recorrida a comprovar a efetividade do pagamento da reclamada despesa médica. Apenas junta, à fl. 53, delaração da fisioterapeuta Ângela R F Teixeira, na qual ela afirma ter prestado seviços ao próprio contribuinte que efetuou os pagamentos em espécie.t No caso sob exame, também entendo que a falta de comprovação dos pagamentos denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Diferentemente do que aduz o recorrente, não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação do serviços. O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente. No tocante às jurisprudências citadas, cumpre registrar que essas não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 66DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.003509/200741 Acórdão n.º 280102.011 S2TE01 Fl. 60 4 Tânia Mara Paschoalin Fl. 67DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10831.012426/2001-76
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/11/1994 a 08/05/1995
REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK - DECADÊNCIA - O prazo decadencial do drawback é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em face da inadimplência do regime, levando-se em conta para o prazo de 30 (trinta) dias que o contribuinte teria após o término do prazo de suspensão fixado no Ato Concessório para pagar os tributos, devolver ou destruir os insumos importados. Esta posição prevaleceu à do relator que entendera que o termo inicial do prazo qüinqüenal teria início imediatamente após o prazo de 30 (trinta) dias conferido ao beneficiário para adotar uma das três alternativas fixadas no art. 342 do Regulamento Aduaneiro.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARA ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA
Numero da decisão: 301-34.540
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência, vencido o conselheiro José Luiz Novo Rossari, qüe conta o prazo a partir do exercício seguinte a entrega do relatório da SECEX da SRFB. A conselheira Susy Gomes Hoffmann, declarou-se impedida.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/11/1994 a 08/05/1995 REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK - DECADÊNCIA - O prazo decadencial do drawback é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em face da inadimplência do regime, levando-se em conta para o prazo de 30 (trinta) dias que o contribuinte teria após o término do prazo de suspensão fixado no Ato Concessório para pagar os tributos, devolver ou destruir os insumos importados. Esta posição prevaleceu à do relator que entendera que o termo inicial do prazo qüinqüenal teria início imediatamente após o prazo de 30 (trinta) dias conferido ao beneficiário para adotar uma das três alternativas fixadas no art. 342 do Regulamento Aduaneiro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARA ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA
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Esta posição prevaleceu à do relator que entendera que o termo inicial do prazo qüinqüenal teria início imediatamente após o prazo de 30 (trinta) dias conferido ao beneficiário para adotar uma das três alternativas fixadas no art. 342 do Regulamento Aduaneiro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARA ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência, vencido o conselheiro José Luiz Novo Rossari, que conta o prazo a partir do exercício seguinte a entrega do relatório da SECEX da SRFB. A conselheira Susy Gomes Hoffinann, declarou-se impedida. OTACÍLIO DANTAS AR AXO — Presidente • , Processo n° 10831.012426/2001-76 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.540 Fls. 672 41111~r1.11"r LUIZ ROBERTO D MINGO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi e Valdete Aparecida Marinheiro. 2 • Processo n° 10831.012426/2001-76 CCO3/C01 Acórdão n.° 30144.540 Fls. 673 Relatório Trata-se de processo que discute a exigência de tributos incidentes sobre a importação de bens desembaraçados sob o benefício do Regime Especial de Drawback, em face do descumprimento verificado em procedimento de fiscalização, que retornou de diligência determinada pela Resolução n°. 301- , de. Por bem narrar os fatos, adoto relatório da Resolução, o qual leio em sessão. A diligência determinou que fossem encaminhados os autos à SECEX para que se pronunciasse sobre a comprovação do DRAWBACK com base nos registros de exportação acostados aos autos, nas apurações levadas a efeito pela fiscalização e em vista de que a recorrente alega, em sua defesa. Tendo retornado os autos sem o cumprimento da diligência determinada, empreendi nova análise dos autos, o que ensejou sua colocação em pauta. É o Relatório. AN( 3 . . ., . . . Processo n° 10831.012426/2001 -76 CCO3/C01, Acórdão n.° 301-34.540 Fls. 674- Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por atender aos requisitos admissibilidade. Apesar de o ponto fulcral do processo ser a analise do cumprimento ou não do dever de exportar assumido no Ato Concessório n° 0052-94/158-9, de 24/10/1994, creio que há questão preliminar que pode antecipar a apreciação da lide, mesmo sem que tenha sido cumprida a diligência, ou seja, a preliminar de decadência. Trata-se de exigência de crédito tributário decorrente da desconsideração dos li Registros de Exportação que não fizeram constar a vinculação com o Ato Concessório do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, para fins de adimplemento compromisso de exportação. Inicialmente, é imprescindível a apreciação da preliminar de decadência levantada pela Recorrente. Quando da apreciação dessa matéria em caso que tratava da análise da decadência em drawback-isenção (RV 134542), pude desenvolver o raciocínio a respeito de seu termo inicial, qual seja o fato gerador da importação que utilizou o beneficio do drawback isenção, em face da inexistência da condição futura a ser adimplida. No caso do Drawback Suspensão o desencadeamento do processo de concessão e adimplemento de condição é diferente. De início o contribuinte solicita regime especial á Secex com o fim de proceder à importação de insumos com o beneficio da suspensão do pagamento dos tributos que se converterá em isenção se e quando houver a exportação de ó produtos industrializados, atendidos os requisitos e prazos constantes no ato concessório. Pois bem, dá-se o registro da DI normalmente, sendo que o contribuinte fica dispensado do pagamento dos tributos apurados e declarados, na forma do art. 335 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 4.543/2002: "Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decreto- lei ff 37, de 1966, art. 78, e Lei n 8.402, de 1992, art. 1, inciso I): I - suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementaçã o ou acondicionamento de outra a ser exportada;" Findo o prazo concedido para que seja promovida a exportação dos produtos compromissados, o contribuinte está obrigado a apresentar o Relatório de Comprovação do Drawback pelo qual o Estado-Concedente passa a ter integral conhecimento do quanto cumprido. si":1-3/4 • . Processo n° 10831.012426/2001-76 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.540 Fls. 675 Art. 339. O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar. Pois bem, o que se percebe é que os impostos devidos na importação, já conhecidos e apurados na DI, ficam no aguardo do prazo concedido para cumprimento do compromisso a fim de que seja convertido em isenção ou: Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I - no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: 1111 a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; II - no caso de renúncia à aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III - no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessó rio, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. Desta forma, admitida a hipótese de que as mercadoria admitidas no regimes serão destinadas ao mercado interno, o contribuinte beneficiário tem 30 dias para proceder ao pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos. • Mas o que realmente ocorre no plano das normas que suspende a exigibilidade e executividade dos tributos incididos na importação? Qual é o fenômeno jurídico que promove o congelamento daquela relação jurídica que teve início com o registro da DI? Pois bem, tenho para mim que concedido o regime especial de drawback as partes (sujeito ativo e sujeito passivo) vêem uma situação jurídica suspensa na expectativa de ocorrência de um fato pretendido pela partes, qual seja a exportação. Note-se que o Ato Concessório é um contrato de direito público pelo qual o Estado compromete-se a renunciar à Tributação se o contribuinte importador realizar a exportação dos bens compromissados promovendo o ingresso de divisas. Esse contrato faz suspender a relação jurídica tributária que irromperia com a importação dos insumos. Essa suspensão não permite a ocorrência do termo inicial da decadência, haja vista que, considerada a pendência da ocorrência de fato futuro que pode ou não desencadear a exigência dos tributos, tenho convicção de que se trata de um caso de aplicação do art. 116 do CTN: . . . , , Processo n° 10831.012426/2001-76 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.540 Fls. 676• "Art. 116 - Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Ora, no drawback, considerando que a suspensão tende a converter-se em isenção, consideradas as situações de fato, no momento da importação não se verificam as circunstância materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente são próprios da importação. Portanto, a decadência não poderia ter início na data do Registro da DI, pois a incidência conjunta da norma jurídica do drawback impede a ocorrência do fato gerador. • Com isso, a ocorrência do fato gerador é prorrogada para a data final prevista no ato concessório do drawback, quando o contribuinte tem condições de verificar e comprovar o adimplemento, procedendo na forma do art. 342 do RA, no prazo de 30 dias. A legislação de regência do DRAWBACK atribui ao sujeito passivo (contribuinte beneficiário) a obrigação de, novamente e com base nas exportações realizadas, apurar eventual crédito tributário remanescente e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, de forma idêntica ao fato gerador do imposto de importação, com o diferencial do momento e da exclusão dos impostos relativos às importações que tiveram a contrapartida da exportação (conforme contrato). Para tanto tem trinta dias contados do termo final de exportação para fazê-lo. Portanto, o imposto de importação devido no momento do registro da DI e o imposto de importação devido quando do inadimplemento do regime especial do drawback, cumprem os requisitos atinentes ao lançamento por homologação, pois cabe ao contribuinte IN apurar e antecipar o pagamento dos tributos devidos. Desta forma, tenho para mim que o fato gerador do imposto de importação devido após o transcurso do prazo conferido pelo ato concessório de drawback é 30 dias após a data da entrega do Relatório de Comprovação de Drawback ao órgão concedente do regime ou da data final consignado no ato concessório para que sejam promovidas as exportações, fato que ocorrer primeiro. A partir desse momento, a Fazenda está autorizada a promover toda sorte de investigações e fiscalizações para verificação o cumprimento da obrigação de exportar ou do recolhimento dos impostos devidos por conta do inadimplemento do compromisso de exportação, pelo prazo de cinco anos conforme assinala o art. 150,§ 4°, do CTN. Dois pontos são importantes mencionar: 1 - a ausência de pagamento não altera a modalidade de lançamento de um tributo, explico, é que os tributos classicamente incluídos na modalidade de lançamento por ,.3u homologação (ICMS e IPI) podem não resultar imposto a pagar no final de cada período d/e .. ' Processo n° 10831.012426/2001-76 CCO3/C01,. Acórdão n.° 301-34.540 Fls. 677• apuração, em face da aplicação da não-cumulatividade, de modo que a ausência de pagamento não altera nem a modalidade de lançamento nem o termo inicial do prazo decadencial. 2 - o inadimplemento do regime especial de drawback não constitui infração à norma tributária, mas a contrato e nem sempre depende da vontade da concessionário. Como vimos, o drawback é um contrato de direito público pelo qual o contribuinte-administrado fica autorizado a importar insumos sem o pagamento de impostos sob o compromisso de exportar produtos, mas dependente de mercados externos tem a possibilidade de tomar uma das medidas previstas no art. 342 do RA, caso não consiga realizar as exportações. Note-se que tal compromisso em nada se relaciona com um dever instrumental tributário; trata-se de uma obrigação de fazer que depende de circunstâncias alheias a vontade do concessionário, tanto que há possibilidade de "desfazimento" do negocio. Dados esses dois pressupostos que informam o caráter do regime de drawback é imperativo que se interprete corretamente os "acréscimos legais" a que se refere a legislação de 01, regência, que neste caso não se revela relevante. Considerando que o contribuinte apresentou o Relatório de Comprovação do Drawback em 20/10/1995, o Fisco tinha até 20/10/2000 para constituir os tributos não recolhidos. Dado o fato de o auto de infração ter sido lavrado em 18/10/2001, o crédito tributário em apreço já havia decaído. Mesmo para aqueles que entendem que o prazo decadencial do drawback 1 suspensão tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o fisco poderia constituir o crédito tributário (art. 173, inciso I, do CTN), houve, neste caso, o transcurso do prazo decadencial. Isso porque o termo inicial do prazo decadencial seria 1 0/01/1996 e termo final em 31/12/2000. Diante dessas considerações, ACOLHO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA 1 do direito de a Fazenda constituir os tributos que seriam devidos por conta do inadimplemento do Drawback, por entender que os impostos incidentes na importação não perdem as características próprias dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação por conta das e normas atinentes ao drawback-suspensão, mantendo-se o prazo de cinco anos para o lançamento contado da data em que cessa a suspensão, quando o contribuinte, mais uma vez, fica incumbido de antecipar o pagamento do imposto eventualmente devido. 1 Fica ressalvada, no entanto a posição dos que votaram pelas conclusões e que entendem que o termo inicial do prazo decadencial do drawback é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, levando-se em consideração o trintídio que o beneficiário do regime tem para adotar uma das opções dadas pelo art. 342 do regulamento Aduaneiro. e. ArSala I. - _ies - ?. e ‘ o d: 008 dirdirÁllak r LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator 7
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Numero do processo: 13890.000133/2007-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendo-lhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide.
RENDIMENTOS DECORRENTES DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. INTERESSE DE AGIR. UNIÃO.
Os rendimentos relativos a contribuições efetuadas a previdência
complementar se subordinam à tributação sujeita à declaração de ajuste anual do IRPF, sendo legítima a sua cobrança pela União, tendo como sujeito passivo o contribuinte pessoa física.
IRPF. APOSENTADORIA. COMPLEMENTAÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
São rendimentos tributáveis os valores recebidos das entidades de
previdência privada, a partir de 01/01/96, nos termos do artigo 33 da Lei n° 9.250/95, a título de complementação de aposentadoria, sendo que não incide imposto de renda somente sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário
no período de 01/01/89 a 31/12/95, e até o limite do imposto pago sobre as contribuições deste período, por força do disposto no inciso VII do art. 6° da redação original da Lei n° 7.713/88, sendo que o ônus da prova é do contribuinte.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-002.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide. RENDIMENTOS DECORRENTES DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. INTERESSE DE AGIR. UNIÃO. Os rendimentos relativos a contribuições efetuadas a previdência complementar se subordinam à tributação sujeita à declaração de ajuste anual do IRPF, sendo legítima a sua cobrança pela União, tendo como sujeito passivo o contribuinte pessoa física. IRPF. APOSENTADORIA. COMPLEMENTAÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. São rendimentos tributáveis os valores recebidos das entidades de previdência privada, a partir de 01/01/96, nos termos do artigo 33 da Lei n° 9.250/95, a título de complementação de aposentadoria, sendo que não incide imposto de renda somente sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/01/89 a 31/12/95, e até o limite do imposto pago sobre as contribuições deste período, por força do disposto no inciso VII do art. 6° da redação original da Lei n° 7.713/88, sendo que o ônus da prova é do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 231 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Ewan Teles Aguiar, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 114/116, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, resultando em um crédito tributário de R$ 8.170,05, decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Banco do Estado de São Paulo – Banespa, no valor de R$ 45.873,72, constatada por meio da DIRF apresentada pela respectiva fonte pagadora. Por intermédio do Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento de fls. 117, o pedido de retificação do lançamento do interessado foi indeferido por restarem “não comprovados os valores que deram origem à autuação”. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/12, acatada como tempestiva, alegando, preliminarmente: a) ilegitimidade passiva, por considerar que é credor de R$ 6.345,43, e não devedor de R$ 8.170,05. Acrescenta que, se fosse constatada a ausência de recolhimento do imposto devido sobre os rendimentos recebidos, o sujeito passivo deveria ser o Banespa, gestor e exclusivo beneficiário dos rendimentos produzidos pelo seu patrimônio previdenciário; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 232 3 b) deverá ser declarada a carência da ação, pois o impugnante, por força das Leis n° 7.713/88 e 6.435/77, nada deve à Receita Federal, visto que apenas recebe mensalmente, em devolução, para sua administração pessoal, parcela de seu patrimônio previdenciário que se encontra sob gestão e em poder do Banespa; c) em virtude de ação movida contra o Banespa e a Banesprev, a natureza jurídica dos rendimentos recebidos encontrase sub judice (processo n° 02002200601015002), não havendo, assim, interesse de agir da Receita Federal; d) não existe possibilidade jurídica para tributar tais rendimentos porque os valores em questão já foram tributados quando do ganho de capital decorrente de sua aplicação pelo Banespa. Nova tributação caracterizaria bis in idem; e) o recebimento de tais valores não se enquadra no conceito de fato gerador estabelecido pelo art. 43 do CTN, pois não representou acréscimo de seu patrimônio, mas tão somente devolução do que havia contribuído; f) as parcelas da contribuição devidas pelo empregador são isentas de imposto de renda, desde o advento da Lei n° 7.713/88 (art.6°, VIII); g) a isenção do imposto de renda sobre o valor das contribuições do empregador e do empregado não pode implicar em tributação da operação posterior. Dessa forma o art. 33 da Lei n° 9.250/95 padece de inconstitucionalidade, por afrontar a alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal. Cita decisões do Conselho de Contribuintes que teriam proferido entendimento nesse sentido; h) prescrição de eventual direito de tributação sobre os rendimentos que contribuíram para a formação do patrimônio previdenciário do impugnante, que se aposentou em 31/01/1991 (doc.15) nos termos da Lei n° 7.713/88 e dos artigos 173 e 174 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e nos termos do § 5° do art. 219 do CPC. Quanto ao mérito, expõe, em síntese, os seguintes argumentos: a) o Banespa já recolheu o imposto devido sobre os rendimentos em discussão, pois somente em 2006 transferiu o pagamento de seus funcionários aposentados e pensionistas para o Banesprev Fundo Banespa de Seguridade Social, ajustandose à legislação previdenciária; b) nos termos do art. 6°, VIII, da Lei n° 7.713/88, as contribuições pagas pelos empregadores em favor de seus empregados são isentas de imposto de renda; c) aposentados antes de 1995 não pagam IR sobre complementação de fundo de previdência privada, tendo citado decisões judiciais nesse sentido; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 233 4 d) se houvesse imposto de renda a recolher sobre os rendimentos lançados, a responsabilidade pelo recolhimento seria do Banespa, em face da necessária apropriação dos lucros decorrentes da aplicação dos títulos públicos federais que lastreiam mencionado fundo e que geram a correção pelo IGP DI da Fundação Getúlio Vargas, além de juros 12% a.a.. Sustenta que a situação se assemelha àquela prevista no art. 39, XXIX, do RIR/99, devendo tipificarse tais rendimentos como tributáveis exclusivamente na fonte; e) não estando o Banespa devidamente legalizado como entidade de previdência complementar, como se comprovou, jamais poderia ter emitido DIRF informando rendimento tributável do exempregado, mesmo porque tais pagamentos são mera devolução de parte de seu patrimônio previdenciário; Diante do exposto acima requer “seja acolhida a presente impugnação para o fim de reconhecerse a natureza de rendimento isento ou tributado exclusivamente na fonte para os valores reclamados e, em conseqüência, cancelandose o crédito fiscal objeto do presente auto”. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Brasília julgou a impugnação improcedente (fls. 128/132), nos termos do voto do relator, reproduzido a seguir: “A impugnação é tempestiva, dela tomo conhecimento. Preliminares. Em sede de preliminar, o impugnante alega que o art. 33, da Lei 9.250/95 é inconstitucional, que não é parte de legítima e que a natureza dos rendimentos se encontra subjudice, aguardando decisão na Vara do Trabalho de Rio Claro. Em relação a inconstitucionalidade argüida, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, não podem ser apreciadas essas questões. A autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado, deve limitarse à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da observância da norma legal a outros preceitos legais ou ao disposto na Constituição. O Princípio da Legalidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal, exige que o agente público fique inteiramente preso ao enunciado da lei, não podendo dele se afastar, sob pena de violação ao próprio texto da Carta Magna. Somese a isto o fato de que, tendo a lei passado pelo crivo do Presidente da República, chefe máximo do Poder Executivo, através de sanção, reconhecendo a constitucionalidade do seu teor, não cabe aos órgãos hierarquicamente subordinados contestar este ato e exprimir juízos sobre a obediência ou não da lei com a Constituição Federal. É esta a lição de Ruy Barbosa Nogueira, em trecho extraído de “Da Interpretação e da Aplicação das Leis Tributárias” (1965, pág. 32): Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 234 5 “Devemos distinguir o exercício da administração ativa, da judicante. No exercício da administração ativa o funcionário não pode negar aplicação à lei, sob mera alegação de sua inconstitucionalidade, em primeiro lugar porque não cabe a função de julgar, mas de cumprir e, em segundo, porque a sanção presidencial afastou do funcionário de administração ativa o exercício do poder executivo”. No mesmo sentido, Luiz Henrique Barros de Arruda explica a competência dos órgãos do Ministério da Fazenda nos julgamentos no âmbito do processo administrativo fiscal: “Como órgãos de jurisdição administrativa, sua função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais (...)”. “(...) Falecelhes, como falece aos órgãos do Poder Executivo (...), competência para pronunciarse a respeito da conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal (...) matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário.”(Luiz Henrique Barros de Arruda – Processo Administrativo Fiscal – Editora Resenha Tributária – SP – 2° Edição pag. 85 e 86).” Sobre o tema, o 1° Conselho de Contribuintes já editou a Súmula de n° 2, publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006, em que se assentou este entendimento, conforme se pode verificar da transcrição abaixo: Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação de ser parte ilegítima na relação tributária, não assiste razão ao impugnante, já que os rendimentos recebidos são decorrentes de contribuições efetuadas a previdência complementar e estes se subordinam à tributação sujeita ao ajuste, consoante prevê o art. 33, da Lei 9.250/95. Desse modo, o beneficiário dos rendimentos, no caso o contribuinte, é o sujeito passivo da obrigação tributária e não a instituição financeira. Correto, portanto, o lançamento. O impugnante, ainda, alega que a questão da natureza jurídica da complementação da aposentadoria estaria subjudice, conforme Reclamação Trabalhista apresenta junto à Vara do Trabalho de Rio Claro. É de se destacar, contudo, que a competência para julgar causas relativas aos tributos federais é da Justiça Federal e não a Justiça do Trabalho, conforme arts. 109 e 114 da Constituição Federal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 235 6 Rendimentos de Aposentadoria Complementar. No que tange aos rendimentos decorrentes de previdência complementar, a interpretação dada pela Fazenda Nacional era no sentido de que com a revogação da isenção contida na alínea “b” do inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, operada pela Lei nº 9.250, de 1995, deveria incidir o imposto de renda sobre a totalidade da verba recebida a título de complementação de aposentadoria, pouco importando que tivesse havido contribuição por parte do beneficiário no período em que a referida isenção teve vigência (1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995). Entretanto, o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ que não incide imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, até o limite do imposto pago sobre as contribuições deste período, por força da isenção concedida no inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, na redação anterior a que lhe foi dada pela Lei nº 9.250, de 1995. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2139/2006, reconhecendo a pacífica jurisprudência do STJ, posicionouse favorável ao reconhecimento da isenção do imposto de renda nos estreitos limites aceitos acima citados. Assim, para fazer jus à isenção em comento é necessário que o contribuinte satisfaça os seguintes requisitos: (1) aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995; (2) contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário; (3) até o limite do imposto pago sobre as contribuições desse período. Embora o reconhecimento da isenção esteja vinculada a comprovação desses requisitos, o impugnante não junta nenhum documento que demonstre satisfazer essas exigências. Ao decidir apresentar a impugnação em face do lançamento, o contribuinte assume o ônus de apresentar documentos que fundamentem as alegações apresentadas, sob pena de serem considerados não alegados os fatos não provados. O Código de Processo Civil estabelece como regra que o ônus da prova recai sobre aquele quem alega (art. 333) e o Decreto 70.235/72 dispõe que a impugnação deverá ser instruída com documentos em que se fundamentar: Art.15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 236 7 Não comprovados nos autos os requisitos exigidos para reconhecimento da isenção, não há como considerar isento o rendimentos em tela. Dessa forma, em face de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo integralmente o crédito exigido.” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado do acórdão de primeira instância em 23/09/10 (fls. 137), o interessado interpôs, em 14/10/10, o Recurso de fls. 138/162, juntamente com os documentos de fls. 163/226, em que alega, preliminarmente, o seguinte: a) durante o ano de 2004 recebeu do Banco Santander Brasil S/A, e não do Banespa, os rendimentos em discussão, porém a natureza jurídica de tais verbas é de proventos decorrentes de complementação de aposentadoria; b) violação dos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72, face à existência de omissões no acórdão recorrido, por não ter manifestação acerca da incorreção dos dados da DIRF e à vista do teor dos julgados proferidos pelas DRJFlorianópolis sobre a matéria, que descaracterizam a omissão de rendimentos nesses casos, e pela ausência de pronunciamento a respeito dos direitos do recorrente em função da Lei n° 6.435/77 e da LC n° 109/2001, que disciplinaram o regime de previdência complementar, estabelecendo que os pagamentos de complementação de aposentadoria somente podem ser efetuados pelas entidades de previdência complementares devidamente legalizadas, o que não ocorreu neste caso. Afirma, também, que houve omissões quanto à alegação de que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto sobre os rendimentos em discussão é da fonte pagadora, pelo fato de tais valores não se tratarem de despesas necessárias à realização dos fins econômicos da empresa, e, também, quanto ao argumento de que não houve acréscimo de seu patrimônio, não estando, assim, caracterizada a ocorrência do fato gerador do imposto de renda; c) outras existências de omissões no acórdão recorrido, por não terem sido apreciadas as alegações de isenção do imposto de renda sobre as verbas em discussão, inexistência de prejuízo ao erário, negação de omissão de receitas, bis in idem, e, por fim, de que tais valores deveriam ser tributados exclusivamente na fonte; d) existência de contradição no acórdão recorrido, na medida em que homenageia o princípio da legalidade e o efeito vinculante da lei e de outro norte não o aplica. Destaca que essa contradição tornase latente quando o aresto em questão amplia o sentido do art. 33 da Lei n° 9.250/95, para nele incluir hipótese não contemplada pelo legislador, qual seja, a tributação total do imposto de renda sobre complementação de aposentadoria paga por empresa privada que não alberga a qualificação de Fl. 240DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 237 8 entidade de previdência privada, conforme exigido pela Lei Complementar no 109/2001; e) ilegitimidade passiva, por alegar não ter recebido quaisquer rendimentos do Banespa em 2004 e porque não mantém vínculo empregatício com essa instituição financeira desde 01/02/91, quando se aposentou; f) por jamais ter mantido vínculo empregatício com o Banco Santander Brasil S/A, “é totalmente ilegal qualquer declaração Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retencão na Fonte, especialmente de retencão de imposto de renda na rubrica 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado”; g) falta de interesse de agir da União, posto que as empresas que efetuaram pagamentos ao arrepio da lei, por não serem entidades de previdência privada, nos termos da Lei n° 6.435/77, devem oferecer à tributação os mencionados valores, a exemplo do que acontece com os pagamentos de dividendos. Assim, havendo ausência de recolhimento do tributo, a exigência deveria recair, neste caso, sobre a fonte pagadora. Exigilo da pessoa física, como foi feito, representa bis in idem; h) não houve qualquer omissão de rendimento por parte do recorrente, sendo que a relação tributária envolve apenas o Banco Santander Brasil S.A. e a União, em face do direito positivo vigente. Agindo com total boafé, fez constar de sua declaração de renda o valor prómemória de R$ 1,00 acusando o recebimento da importância ora em discussão, atribuindo ao rendimento a natureza de rendimento tributado exclusivamente na fonte, em virtude de a matéria já haver sido devidamente normalizada, devendo a empresa oferecer à tributação os citados valores, na forma da lei. (incisos I e V do art. 13 da Lei n° 9.250/97 (sic); §§ 2° e 3° do art. 11 da Lei n° 9.532197); i) a ordem jurídica estabelece como sujeito passivo da obrigação a empresa que descumpriu o inciso V do art. 13 da Lei n° 9.249/95, conforme previsão contida no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.532/97; Quanto ao mérito, alega, em síntese, que: a) a Lei n° 6.435/77, que criou o regime da previdência privada ou complementar, vigente ao tempo da aposentadoria do recorrente, não estabeleceu qualquer limitação para a contribuição dos participantes e nem exigia a participação do beneficiário no fornecimento de recursos para o fundo previdenciário. Dessa forma, não pode o intérprete condicionar a isenção do imposto de renda exclusivamente aos valores fornecidos pelo participante, sob pena de invadir área de competência privativa do legislador, em obediência ao devido processo legislativo. Tratase de matéria exclusivamente de mérito, que não exige qualquer comprovação, posto que, satisfeita a situação fática, ocorre automaticamente a incidência da norma; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 238 9 b) não concorda que a isenção do imposto de renda alcance exclusivamente o período de 01/01/1989 a 31/12/1995, durante a vigência da Lei n° 7.713/88, nem que se referiria exclusivamente aos beneficiários que tenham contribuído para o fundo de previdência privada, e até o limite do imposto pago sobre as contribuições do período. A discordância se prende ao fato de que a previdência privada sempre existiu, pressupondose a obediência da lei. Sua existência foi devidamente institucionalizada em 1977, por meio da Lei n° 6.435 e eventual descumprimento da legislação tributária já estaria prescrito. Por outro lado, mencionada lei não impedia que a patrocinadora fosse a única contribuinte para o suprimento de recurso para o fundo, portanto, não pode o intérprete restringir aquilo que a própria lei não restringiu; c) os documentos juntados aos autos são suficientes para demonstrar que os rendimentos em questão estão alcançados pela isenção do imposto de renda; d) agiu de boafé, ao declarar os rendimentos em discussão como tributados exclusivamente na fonte, e não como rendimentos do trabalho assalariado, como informados incorretamente na DIRF apresentada pelo Banco Santander; e) a situação fática mencionada no auto de infração não é verdadeira, pois partiu de um pressuposto falso e não pode sofrer a incidência da hipótese tributária, pois o pagamento da complementação mensal à empresa que não pode ser caracterizada strictu sensu como entidade de previdência privada, na forma do inciso I do art. 13 da Lei n° 9.249/95; f) o recebimento dos rendimentos lançados não configurou acréscimo de seu patrimônio, mas tão somente a devolução de parte de seu patrimônio previdenciário, já constituído desde o momento de sua aposentadoria; g) os valores tributados são isentos do imposto de renda, nos termos do inciso VIII do art. 6° da Lei n° 7.713/88; h) conforme se comprovou nos autos, tem recebido em devolução apenas parte das reservas matemáticas existentes, cujos valores são debitados de suas reservas a cada beneficio recebido, sendo certo e devidamente comprovado nos autos que o Banco Santander tem se apropriado da rentabilidade dos títulos públicos recebidos para a recomposição do passivo previdenciário do Banespa, sem efetuar qualquer repasse aos verdadeiros beneficiários, razão pela qual a tributação deve ocorrer integralmente na origem e pelo beneficiário dos rendimentos, no caso exclusivamente pelo Banco Santander do Brasil S/A; i) as informações contidas na DIRF que lastreou o lançamento estão incorretas, razão pela qual o auto de infração deve ser declarado improcedente; Diante do exposto acima requer o acolhimento do recurso para que seja declarada a nulidade do auto de infração e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 239 10 É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente serão analisadas as preliminares argüidas pelo recorrente que verdadeiramente se enquadram neste conceito, sendo que as demais alegações que não se tratam de matéria preliminar serão apreciadas no mérito da questão. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR NÃO APRECIAÇÃO DE TODAS AS ALEGAÇÕES EXPOSTAS NA IMPUGNAÇÃO E POR EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO O recorrente alega que houve violação aos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72, por entender que no acórdão recorrido não houve manifestação acerca de todas as alegações constantes da impugnação, em especial àquelas relativas à incorreção dos dados da DIRF, aos direitos do recorrente em função da Lei n° 6.435/77 e da LC n° 109/2001, que disciplinaram o regime de previdência complementar, estabelecendo que os pagamentos de complementação de aposentadoria somente podem ser efetuados pelas entidades de previdência complementares devidamente legalizadas, que sustenta não ter ocorrido no caso em apreço, à alegação de que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto sobre os rendimentos em discussão é da fonte pagadora, pelo fato de tais valores não se tratarem de despesas necessárias à realização dos fins econômicos da empresa, e, também, quanto ao argumento de que não houve acréscimo de seu patrimônio, não estando, assim, caracterizada a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Sustenta, também, a existência de omissões no acórdão recorrido, por não terem sido apreciadas as alegações de isenção do imposto de renda sobre as verbas em discussão, inexistência de prejuízo ao erário, negação de omissão de receitas, bis in idem, e, por fim, de que tais valores deveriam ser tributados exclusivamente na fonte. Conforme entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todos os questionamentos formulados pelas partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da questão, observadas as peculiaridades do caso concreto, o que ocorreu no caso em apreço. Vejamos abaixo ementa de julgamento daquela Corte, que esclarece essa questão: AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.400.606 RS (2011/00444916) RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA AGRAVANTE : DÁCIO BORBA DAVI ADVOGADO : FABIANA FERREIRA DA SILVA E OUTRO(S) AGRAVADO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 240 11 EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PÚBLICO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 QUE NÃO SE VERIFICA. OFENSA ÀS LEIS 8.622/93 E 8.627/93. 28,86%. REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA. LIMITAÇÃO TEMPORAL. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. VERBETE N. 7 DA SÚMULA DO STJ. INCIDÊNCIA. – O Tribunal de origem decidiu a controvérsia de forma clara e fundamentada, embora desfavoravelmente à pretensão da parte, pelo que afastada a apontada violação do art. 535 do Código de Processo Civil. O julgador não está obrigado a responder a todos os questionamentos formulados pelas partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da quaestio, observadas as peculiaridades do caso concreto. – A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que não ofende a coisa julgada a limitação temporal do pagamento do reajuste de 28,86%, devido em razão de decisão judicial, à data da edição de lei que reestrutura a carreira do servidor. Precedentes. – A modificação do julgado demandaria o revolvimento do acervo fático e probatório dos autos, inviável em sede de recurso especial, a teor do verbete n. 7 da Súmula desta Corte. Agravo regimental improvido. (Data do julgamento: 25/10/11) (Grifo meu) Cumpre assinalar que o próprio contribuinte reconhece, em seu recurso, que a natureza jurídica das verbas em questão é de proventos decorrentes de complementação de aposentadoria, entendimento compartilhado pelo órgão julgador de primeira instância na análise das preliminares suscitadas, como pode ser observado no trecho abaixo transcrito: “Quanto à alegação de ser parte ilegítima na relação tributária, não assiste razão ao impugnante, já que os rendimentos recebidos são decorrentes de contribuições efetuadas a previdência complementar e estes se subordinam à tributação sujeita ao ajuste, consoante prevê o art. 33, da Lei 9.250/95. Desse modo, o beneficiário dos rendimentos, no caso o contribuinte, é o sujeito passivo da obrigação tributária e não a instituição financeira. Correto, portanto, o lançamento.” Diante do exposto acima rejeito a preliminar em exame. DAS PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE PASSIVA E DE FALTA DE INTERESSE DE AGIR DA UNIÃO. Também não prospera a alegação de ilegitimidade passiva, visto que se tratam de rendimentos decorrentes de contribuições efetuadas à previdência complementar e estes se Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 241 12 subordinam à tributação sujeita à declaração de ajuste anual do beneficiário das aludidas verbas, consoante prevê o art. 33, da Lei 9.250/95. Face ao acima exposto cai por terra o argumento de que a União não teria interesse de agir, posto que o tributo deve ser exigido do contribuinte pessoa física, e não da fonte pagadora. Por tais razões rejeito as preliminares suscitadas. MÉRITO Quanto ao mérito, o acórdão recorrido não merece qualquer reparo, como será demonstrado seguir. A matéria em discussão era regida pelo art. 6º, VII, alínea “b”, da Lei nº 7.713/88, in verbis: Lei nº 7.713/88 Art. 6°. Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos pelas pessoas físicas: (...) VII — Os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: (...) b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte. Todavia, a isenção especificada no dispositivo legal acima reproduzido foi revogada pelo art. 33 da Lei nº 9.250/95, in verbis: Lei nº 9.250/95 Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Dessa forma os rendimentos de que tratam as citadas normas, os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, tiveram sua isenção revogada pela Lei nº 9.250/95, com vigência a partir de 01/01/96. Como os rendimentos em discussão foram recebidos pelo recorrente em 2004, não restam dúvidas de que estão alcançados pela tributação do imposto de renda. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação ao entendimento acima esposado, como pode ser observado nas ementas reproduzidas a seguir. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA – RESGATE. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 242 13 São tributáveis os rendimentos percebidos via resgate antecipado de complementações de aposentadoria, eis que possuem a mesma natureza do benefício mensal negociado, e não se confundem com verbas indenizatória percebidas por adesão a Programas de Desligamento Voluntário. Recurso especial provido. (Acórdão CSRF/0400.526, de 20/03/07) APOSENTADORIA — COMPLEMENTAÇÃO RECEBIDA DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Submetemse integralmente à tributação, a partir de 01/01/1996, os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, nos termos do artigo 33 da Lei 9.250/95. Recurso negado. (Acórdão nº 10248.295, de 28/03/07) IRPF COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA PAGA POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada a partir do anocalendário de 1996. Recurso negado (Acórdão nº 10422.708, de 17/10/07) IRPF. APOSENTADORIA – COMPLEMENTAÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA.. São rendimentos tributáveis os valores recebidos das entidades de previdência privada, a partir de 01.01.96, nos termos do artigo 33 da Lei 9250/95, a titulo de complementação de aposentadoria. Recurso negado. (Acórdão nº 10248.762, de 17/10/07) Cumpre informar que a Procuradoria da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN/CRJ n° 2139/2006, aprovado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, pelo qual foi dispensada a interposição de recursos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, até o limite do imposto pago sobre as contribuições deste período. Entretanto, para que tais parcelas estejam alcançadas pela isenção fazse necessário que o contribuinte comprove que o valor recebido corresponda exclusivamente a contribuições por ele suportadas. E isso não ocorreu no presente caso, como bem esclarecido no acórdão recorrido. Quanto à alegação de que em 2004 não mantinha vínculo empregatício com o Banespa, cabe esclarecer que as verbas em discussão são decorrentes de complementação de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13890.000133/200725 Acórdão n.º 2801002.220 S2TE01 Fl. 243 14 aposentadoria, logo, deveriam ser pagas pela instituição responsável pela sua guarda, no caso a entidade para a qual o recorrente efetuou suas contribuições, que ele próprio reconhece ter sido àquela instituição. Dessa forma não há qualquer irregularidade no pagamento das aludidas contribuições ao contribuinte pelo Banespa. Vale lembrar, também, que o Banespa foi adquirido pelo Banco Santander, o que afasta quaisquer alegações relativas à inexistência de vínculo com ambas as instituições, posto que os rendimentos que o interessado possuía direito de receber deveriam ser pagos por uma das duas instituições financeiras, conforme tenha sido estabelecido na negociação envolvendo ambas as pessoas jurídicas. Por fim questionamentos acerca de inconstitucionalidades de leis não podem ser apreciados por este Conselho, por falta de competência, conforme entendimento pacífico desta Corte, consubstanciado na Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto acima voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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