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Numero do processo: 11686.000186/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS
O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ.
Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado.
No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições.
As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis.
GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições.
Numero da decisão: 3202-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INSUMOS Recorrente AGROFERTIL SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERTILIZANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 86 /2 00 8- 17 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 681 2 Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins cumulado com compensação – PER/DCOMP, decorrentes de vendas no mercado interno com alíquota zero (art. 16 da Lei nº 11.116/2005), no valor de R$ 136.411,77, período de apuração 3º trimestre/2006 (efls. 5/ss). Consta da Informação Fiscal (efls. 63/ss) e do Despacho Decisório nº 016/2009 (efls. 77), exarados pela DRF – Porto Alegre, que foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 128.743,87, sendo glosado o restante do crédito pleiteado sob o seguinte fundamento, verbis: “(...) Despesas e custos indiretos como gastos gerais de fabricação, etc, embora necessários à realização das atividades da empresa, não são considerados insumos para a prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, para fins de apuração dos créditos no regime da sistemática nãocumulativa. Assim, não dão direito a crédito os valores despendidos com gastos gerais de fabricação.” (n.g.) Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de COFINS nãocumulativa, vinculado às vendas no mercado interno com alíquota zero, analisado no período de 01/07/2006 a 30/09/2006. Conforme o relatório fiscal, a interessada incluiu indevidamente, na base de cálculo dos créditos, valores referentes a gastos gerais de fabricação, que não podem ser Fl. 681DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 682 3 caracterizados como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Desta forma, foi apurado um crédito passível de ressarcimento e compensação no valor de R$ 128.743,87, ao invés de R$ 136.411,77, conforme pleiteava originalmente o contribuinte, que apresentou manifestação de inconformidade contra a glosa parcial, argumentando, em síntese: Que os gastos gerais de fabricação, objeto da glosa, se tratariam de despesas aplicadas diretamente na produção do fertilizante, seriam essenciais ao seu processo industrial e portanto passíveis de inclusão na base de cálculo dos créditos apurados. Acrescenta que a RFB já teria reiteradamente decidido no mesmo sentido, cita e transcreve Soluções de Consulta e Soluções de Divergência para embasar seus argumentos. Conclui que a interpretação da nãocumulatividade, conforme a Constituição, levaria ao reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias a produção do resultado econômico, especialmente em se tratando de "gastos gerais de fabricação". Quanto aos efeitos do cancelamento da DCOMP, anexou fotocópia de cancelamento da DCOMP que utilizou o crédito aqui parcialmente indeferido. Aponta que o cancelamento se deu antes da ciência do despacho decisório aqui impugnado, o que estaria de acordo com o disposto no Art. 82 da IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o qual entende que apenas obstaria o cancelamento quando já existente decisão administrativa sobre a DCOMP que se pretende cancelar. Diante de todo o exposto, pede que o Despacho Decisório em comento seja declarado nulo por ter ignorado a redução do capital social da contribuinte, com os lançamentos de sua movimentação, e a tributação correspondente, pela Fertibras. Alternativamente, requer o recebimento de sua Manifestação de Inconformidade para que se reforme a decisão proferida, com o reconhecimento da possibilidade de inclusão dos créditos relativos a gastos de fabricação na base de cálculo dos créditos apurados na contribuição nãocumulativa, ou, sucessivamente, o reconhecimento da inexistência do débito conforme DIPJ aqui anexada. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 1036.647, em 19 de janeiro de 2012 (e folhas nº 648/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 07/02/2012 (efolha 661), interpôs Recurso Voluntário em 28/02/2012 (efls. 663/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 683 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A matéria em discussão neste litígio – conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Cofins – tem dado azo a profundos debates no CARF e, também, à decisões com entendimentos divergentes. Existem julgados que têm dado interpretação mais restritiva ao conceito de insumos, equiparandoos ao conceito utilizado na legislação do IPI (vide Acórdãos nº 3801 001.855, de 23/05/2013 e nº 330100.929, de 3/05/2011), adotando o entendimento constante das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004; há julgados que aplicaram conceito mais elástico, adotando o conceito de insumo como todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos moldes da legislação do IRPJ (vide Acórdãos nº 320200.226, de 08/12/2010 e nº 203 12.741, de 11/03/2008); há julgados, em uma linha intermediária, que têm aplicado critérios próprios para tentar definir o conceito de insumo para fins das citadas contribuições (vide Acórdãos CSRF nº 930301.741, 09/11/2011 e nº 930301.042, de 23/08/2010). Esta última posição, ao que nos parece, tem sido majoritária. A meu ver, ambas as posição extremas (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Desse modo, é preciso deixar assentado que, de um lado, o conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI – restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção, de outro lado, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Neste ponto, transcrevo as precisas palavras da ilustre Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, proferidas no voto vencedor do Acórdão nº 3302001.784, de 22/08/2012, com as quais concordo plenamente, verbis: A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e para a COFINS, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Fl. 683DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 684 5 CARF emprestam o conceito de “custo” e de “despesa” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com os sistemas do IPI, do ICMS ou do IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. (grifos existentes) Muito bem. Partamos para delimitar o conteúdo semântico do vocábulo “insumos” aplicável ao PIS e a Cofins. Compartilhamos do entendimento (da escola do Constructivismo Lógico Semântico) pelo qual o intérprete, sempre, deve partir dos enunciados prescritivos para construir a norma aplicável ao caso concreto, atribuindo sentido e definindo o alcance ao texto bruto da lei. Assim, a partir dos enunciados da Lei nº 10.637/2002 (e, também, Lei nº 10.833/2003, para a Cofins), alterada pela Lei nº 10.865, de 2004, é que devemos construir os critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições, definindo quais as rubricas que podem gerar direito de crédito (aspecto quantitativo da regramatriz de incidência). Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Fl. 684DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 685 6 Devese, destarte, apurar quais foram os gastos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regra matriz de incidência). Ademais, observese que o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 (com a nova redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) incluiu na delimitação do sentido do termo “insumos”, além dos bens, também os “serviços”, denotando claramente, a meu ver, a intenção de ampliar o conceito de insumo, não o restringindo apenas ao da legislação do IPI. Por óbvio, os bens e serviços citados no artigo 3º, II, das referidas leis, não “são” insumos, mas são “utilizados como” insumos no processo produtivo, como advertiu Marco Aurélio Grecco (http://arquivos.portaldaindustria.com.br). E essa noção é de extrema importância: devemse perquirir quais são os gastos, em bens e/ou serviços, utilizados no processo produtivo, sem os quais a produção da empresa seria inviabilizada, e com isso não haveria geração de receitas. De igual modo, o legislador incluiu como insumo os “combustíveis e lubrificantes” (o que seria um disparate na legislação do IPI!), demonstrando, mais uma vez, o intento de permitirse o creditamento de todos os gastos necessários e pertinentes ao processo produtivo do contribuinte. Os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo produtivo e não diretamente no produto, reforçando a distinção a ser feita entre as legislações do IPI e das contribuições. De outro lado, a meu ver, também não houve intenção do legislador em ampliar o conteúdo semântico do vocábulo “insumo”, equiparandoo aos conceitos de custos e despesas operacionais previstos na legislação do IRPJ. Se assim o fosse, não seria necessário relacionar, de forma exaustiva, todas as hipóteses permissivas de créditos nos incisos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Além, é claro, de disporem sobre materialidades distintas como já anotado linhas acima (receita não é lucro!). Por fim, destaco a doutrina de Marco Aurélio Grecco (in “Não cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Pausen (cood.). São Paulo: IOB Thomson, 2004), em reforço ao entendimento exarado neste voto, verbis: Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apoiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. (n.g.) Pois bem. Passemos à jurisprudência sobre a matéria. No STJ há dois julgados relevantes e divergentes sobre a matéria: (i) o REsp nº 1.246.317 – MG, Ministro Relator Mauro Campbell (2ª Turma), em linha com o entendimento exarado neste voto; (ii) o REsp nº 1.020.991 – RS. Ministro Relator Sérgio Kukina (1ª Turma), que adota posição mais restritiva (legislação do IPI), de modo a possibilitar Fl. 685DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 686 7 o creditamento do PIS e da Cofins apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Conforme noticiado por Fabiana Del Padre Tomé (artigo “Definição do conceito de insumo para a nãocumulatividade do PIS e da COFINS”, consulta ao endereço eletrônico http://ibet.provisorio.ws), o Ministro Relator Mauro Campbell proferiu seu voto no REsp nº 1.246.317 – MG no seguinte sentido, verbis: Ementa: (...) 5. São ‘insumos’, para efeitos do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.8332003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo ‘insumo’ para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. (...). (grifos no original) Registrese que o Ministro Relator Mauro Campbell foi acompanhado pelos Ministros Castro Meira e Humberto Martins. O Ministro Herman Benjamin pediu vistas dos autos, em 16/06/2011 (fonte: consulta processual no site do STJ, em 07/11/2013). Portanto, aguardase o resultado final do julgamento. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF manifestouse no Acórdão nº 930301.741, de 09/11/2011, Conselheira Relatora Nanci Gama, em consonância com a linha intermediária por nos adotada (definição de insumos por critérios próprios), conforme ementa abaixo transcrita: PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. No caso concreto tratado nos autos, os citados “gastos gerais de fabricação”, como a própria fiscalização admite – necessários à realização das atividades da empresa (vide Informação Fiscal efls. 63/ss), em meu entendimento, são inerentes, pertinentes e necessários Fl. 686DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000186/200817 Acórdão n.º 3202001.023 S3C2T2 Fl. 687 8 ao processo produtivo da Recorrente e, por esta razão, devem dar direito ao crédito da contribuição. Destarte, em face de tudo o que foi exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 687DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 17460.000068/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 60 .0 00 06 8/ 20 07 -5 9 Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000068/200759 Resolução nº 2402000.390 S2C4T2 Fl. 1.187 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 16/01/2007 para exigir a contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial de que trata o art. 382 da IN SRP nº 03/2005, relativamente ao período de 12/2004 a 06/2005. Foram arroladas como responsáveis solidárias as empresas (fls. 315/340): Holding Inepar Administração e Participações S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Penta Participações e Investimentos Ltda., Itaguaí Energia S.A., Inepar Telecomunicações S.A., Inepar Argentinas S.R.L, Inepar Trading S.A., Ibrafem Estruturas Metálicas S.A., Sadafem Equipamentos e Montagens S.A. A Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A. interpôs impugnação (fls. 347/393) pleiteando pela total insubsistência da autuação. As empresas Eletrosul Centrais Elétricas S.A., Sadefem Equipamentos e Montagens S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Argentina S.R.L., Inepar – Administração e Participações S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Trading S.A. e Ibrafem Estruturas Metálicas S.A. apresentaram impugnação pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 662/664) determinou a realização de diligência para que a autoridade fiscal indicasse de forma clara e detalhada quais foram os motivos que ensejaram o lançamento por arbitramento, assim como os critérios utilizados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP apresentou Relatório Fiscal Complementar (fls. 699/706) consignando que o arbitramento foi instaurado com base na identificação de cargos expostos a agentes nocivos através da documentação apresentada pela empresa. O contribuinte e os responsáveis solidários foram notificados da diligência (fls. 712/775). A Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Indústria e Construções, Inepar Administração e Participações S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Trading S.A. e Inepar Argentina S.R.L, apresentaram manifestação (fls. 782/788) pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária. A Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A. (fls. 807/853) se manifestou no sentido de que a fiscalização verificou algumas inconsistências nas informações contidas nos laudos técnicos PPRA, PCMSO, entre outros, mas não verificou a situação real das condições de trabalho, tampouco comprovou devidamente a ocorrência dos fatos geradores, pleiteando ao final pela total nulidade do lançamento. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000068/200759 Resolução nº 2402000.390 S2C4T2 Fl. 1.188 3 A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 864/894), sob o entendimento de que: (i) a empresa Ibrafem Estruturas Metálicas S.A. deve ser excluída do polo passivo e a empresa Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. deve permanecer no polo passivo apenas no período de 01/12/2004 a 15/02/2005; (ii) o arbitramento inverte o ônus da prova; (iii) não ficou caracterizado cerceamento ao direito de defesa; (iv) alegações desprovidas de documentação não tem o condão de invalidar o lançamento; (v) os julgadores administrativos não têm competência para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo; (vi) a prova documental deve ser apresentada na impugnação e não há previsão legal para realização de prova testemunhal e sustentação oral; (vii) o pedido de perícia só pode ser atendido quando preenchidos os requisitos estabelecidos na norma; (viii) aplicase a taxa SELIC como forma de atualização dos créditos tributários; (ix) a multa incide apenas sobre o valor principal e não sobre os juros; (x) não há previsão legal para a realização de dupla visita; (xi) caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, controle ou administração de uma delas. A empresa Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. interpôs recurso voluntário (fls. 925/943) alegando que é controlada pela Ibrafem Estruturas Metálicas S.A., não tendo esta empresa qualquer participação de outra empresa que possua ligação com a Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A. ou com o Grupo Inepar. Pleiteou também pela inconstitucionalidade do art. 30 da Lei nº 8.212/91. As empresas Inepar Trading S.A., Inepar Argentina S.R.L., Inepar Equipamento e Montagens S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Administração e Participações S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Energia S.A., apresentaram recursos voluntários (fls. 945/1047) alegando que inexiste grupo econômico, pois não foi verificada a situação prevista no art. 265 da Lei nº 6.404/64, bem como que os seus controles independem da Iesa Projetos e Montagens. Pontuam também que o art. 479 da IN SRP nº 03/2005 é ilegal, e que a cobrança seria nula por não terem sido observados os requisitos legais para sua cientificação quanto à responsabilidade pelo crédito tributário. A Eletrosul Centrais Elétricas S.A. apresentou recurso voluntário (fls. 1050/1175) alegando que inexiste grupo econômico, que a autoridade administrativa não a fiscalizou previamente à constituição do débito. A devedora principal, Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A, apresentou em sessão protocolo de interposição de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000068/200759 Resolução nº 2402000.390 S2C4T2 Fl. 1.189 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Antes de analisar as razões recursais, cabe destacar que, embora não constasse dos autos recurso voluntário do contribuinte principal da obrigação, este, durante a sessão de julgamento, apresentou protocolo comprovando ter interposto tempestivamente seu recurso voluntário. Assim, antes de analisar as razões trazidas pelas empresas tidas como responsáveis solidárias que, no caso, estão delimitadas pela formação ou não de grupo econômico para fins de responsabilidade tributária, é necessário que sejam devolvidos os autos à DRFB para que se pronuncie sobre o documento juntado. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência nos termos acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000836/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE NÃO CARACTERIZADO. Não restando comprovado o intuito de fraude, descabe a qualificação da multa de ofício.
PIS E COFINS. RECEITA BRUTA MENSAL. Constatado que, na apuração do PIS e da COFINS, a fiscalização utilizou, equivocadamente, a receita bruta trimestral, e não a mensal, exonera-se parcialmente a exigência.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE NÃO CARACTERIZADO. Não restando comprovado o intuito de fraude, descabe a qualificação da multa de ofício. PIS E COFINS. RECEITA BRUTA MENSAL. Constatado que, na apuração do PIS e da COFINS, a fiscalização utilizou, equivocadamente, a receita bruta trimestral, e não a mensal, exonera-se parcialmente a exigência. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000836/200989 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402001.504 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2013 Matéria Auto de Infração do IRPJ e Reflexos Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EXPANDRA ESTAMPARIA E MOLAS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE NÃO CARACTERIZADO. Não restando comprovado o intuito de fraude, descabe a qualificação da multa de ofício. PIS E COFINS. RECEITA BRUTA MENSAL. Constatado que, na apuração do PIS e da COFINS, a fiscalização utilizou, equivocadamente, a receita bruta trimestral, e não a mensal, exonerase parcialmente a exigência. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 36 /2 00 9- 89 Fl. 13000DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 5A. TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO – SP, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência contra a empresa EXPANDRA ESTAMPARIA E MOLAS LTDA. Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 964/967, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa ao anocalendário de 2004, constatouse o seguinte: A contribuinte foi intimada a apresentar os seus Livros Contábeis e Fiscais e a relação dos dez maiores clientes no ano calendário de 2004. Pelas informações constantes nos sistemas da RFB, juntamente com a relação fornecida pela contribuinte, a fiscalização selecionou os clientes listados às fls. 964/965, que foram intimados a apresentar a relação das compras de produtos/serviços efetuadas junto à fiscalizada e suas filiais durante o anocalendário de 2004. Após análise e tabulação dos dados enviados por essas empresas, a fiscalização intimou a contribuinte a: · Informar se as Notas Fiscais identificadas e relacionadas no demonstrativo anexo ao Termo foram emitidas pelo estabelecimento matriz da fiscalizada bem como se os produtos/mercadorias foram entregues aos respectivos destinatários; · Caso afirmativa a resposta ao item anterior, informar se os valores correspondentes aos produtos/mercadorias descritos nestas Notas Fiscais de Saída foram efetivamente recebidos pela fiscalizada. A contribuinte solicitou prazo adicional para cumprir a intimação, mas, findo o prazo solicitado, não se pronunciou mais a respeito. Os clientes foram, então, intimados a apresentar cópia autenticada das Notas Fiscais de Saída emitidas pela fiscalizada, conforme a relação já anteriormente encaminhada, bem como cópia autenticada dos documentos comprobatórios dos pagamentos relativos a estas Notas Fiscais. Considerando que a fiscalizada limitouse a apresentar folhas impressas como Livro Registro de Saída, não foi possível realizar o confronto entre estas e o que foi apresentado pelos clientes. Portanto, a fiscalização comparou as receitas obtidas através da circularização (Notas Fiscais relacionadas na tabela anexa, fls. 968/1112) com as declaradas na DIPJ, conforme planilha abaixo (valores em reais), tendo sido apuradas as seguintes diferenças, a serem tributadas como omissão de receitas: Trimestre Receita apurada Clientes Receita declarada DIPJ Diferença 1o 3.341.260,14 738.858,19 2.602.401,25 2o 3.870.173,61 879.652,67 2.990.520,94 3o 14.625.559,64 1.128.765,33 13.496.794,31 4o 16.125.269,93 1.533.958,22 14.591.311,71 Fl. 13001DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 3 Assim, na empresa fiscalizada foi verificada omissão de receita com multa prevista de 150% (artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96), a qual passou a ser de 225% (artigo 44, inciso II, § 2o da Lei n° 9.430/96) pelo fato de a contribuinte haver deixado de responder aos Termos de Intimação lavrados pela fiscalização. Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2004: (...) Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 2.595.391,31 IRPJ 30/04/2009 843.616,16 PIS 3.893.613,47 COFINS 1.401.700,78 CSLL 8.734.321,72 TOTAL Cientificada dos lançamentos em 28/05/2009, a contribuinte, por meio de seu representante, apresentou, em 26/06/2009, a impugnação de fls. 1148/1163, alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, cumpre destacar que o prazo de duração de fiscalização, previsto pela Portaria RFB n° 4066/2007 (artigos 12 e 13), é de 120 dias, podendo ser prorrogado por mais 60 dias e assim sucessivamente, desde que o contribuinte seja cientificado por escrito. E esse prazo de 120 dias para a conclusão dos trabalhos foi extrapolado, inexistindo prorrogação por escrito de mais 60 dias. A fiscalização iniciouse no dia 13/11/2007 através do MPF nº 08190002007 027566 e encerrouse em 28/05/2009. Ou seja, passaramse 561 dias sem que o MPF fosse prorrogado e a contribuinte tivesse ciência formal de sua prorrogação. Portanto, a fiscalização que teve início em 13/11/2007, expirou seu prazo de fiscalização em 12/03/2008, ou seja, 120 dias após seu início. No período de 13/03/2008 a 28/05/2009 (mais de um ano após o prazo final) não houve ciência da contribuinte de ato da RFB prorrogando o prazo físcalizatório por mais 60 dias. Como não foi cumprida a tal determinação, não pode prosperar o Auto de Infração. O artigo 15 da Portaria RFB n° 4.066/2007 dispõe sobre a extinção do MPF. Para tentar sanar este vício, a administração publicou novo MPF (nº 081 90002009 035949) que também não deve prosperar, pois já foi iniciado com o vício do anterior. Ou seja, por ter perdido o prazo físcalizatório de um MPF, a administração busca, através de outro, reverter a situação fatal. Ainda, na substituição do MPF deve designar outro Auditor Fiscal, o que não foi feito. Em resumo, a autuação deve observar prazos legais previstos para início e encerramento, bem como dar ciência ao contribuinte para prorrogação do MPF e, em sendo necessário a substituição do MPF, devese designar outro Auditor Fiscal. Quanto ao mérito, a autoridade autuante por diversas vezes menciona o fato de a fiscalizada ter se negado a dar informações e a responder a intimações, dificultando o trabalho de fiscalização. Fl. 13002DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 4 Na verdade, a fiscalizada teve problemas na guarda dos livros fiscais e contábeis devido a furto ocorrido na empresa e pediu dilação de prazos para organizar os livros e documentos a serem apresentados. Foram apresentados os livros de Registros de Saída, o que a Auditora não aceitou. Foram apresentados os maiores clientes da empresa e a Auditora baseouse nesse fato para lançar o Auto de Infração agravado por fraude e embaraço à fiscalização. Apresentada a escrituração do Livro Caixa, esta não foi recepcionada pela Auditora, tendo em vista que, segundo alegou, já estava procedendo aos cálculos da autuação pela comparação entre as receitas obtidas através da circularização com as declaradas na DIPJ e não pela comparação do livro Registro de Saída e as Notas Fiscais apresentadas pelos clientes, o que é extremamente desfavorável à contribuinte. Ademais, não há provas de que a empresa tenha agido com dolo ou má fé. A Auditora simplesmente se baseou nas Notas Fiscais coletadas nos diversos clientes, comparou as receitas obtidas pela circularização com as declaradas em DIPJ, sem saber se os valores haviam sido recebidos pela empresa ou sem verificar os livros bancários, extratos das contascorrentes da empresa, etc. A conduta da Auditora cerceou o direito de defesa e de contribuir com provas de que não havia dolo ou má fé na escrituração dos livros fiscais. Devido ao furto pode ter havido um atraso na apresentação das solicitações da Auditora, mas não se pode dizer que houve embaraço a fiscalização. Há que se observar, ainda, que a lei tributária indicou algumas hipóteses fáticas como presunção de omissão de registro de receita. No entanto, não se verifica no caso em tela nenhuma das hipóteses fáticas elencadas na legislação. Houve apenas uma verificação entre a DIPJ e as receitas presumidamente obtidas. Quanto à exacerbada multa de ofício de 225%, ela é confiscatória e, portanto, inconstitucional. Não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito, que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 75%, quando a inflação anual gira em torno de 12%. Nem mesmo a sonegação de determinado tributo, fato este tentado incidir pela fiscalização, mas não subsumido à espécie, justificaria a apenação de uma multa que exproprie desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio, desproporcional à hipotética infração alegada. Dessa forma, impõese afirmar a inconstitucionalidade da multa de 225%, aplicada no Auto de Infração em lide, por ter caráter confiscatória e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior. Assim, à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. A decisão recorrida está assim ementada: IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. Constatada a omissão de receitas, comparandose as receitas de vendas da contribuinte informadas por seus clientes com as declaradas na DIPJ, Fl. 13003DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 5 correta a autuação a título de IRPJ e CSLL, com base no lucro presumido, apuração trimestral. INTUITO DE FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não restando comprovado o intuito de fraude, descabe a qualificação / agravamento da multa de ofício. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantémse o agravamento da multa de ofício pelo não atendimento a intimações, em face da subsunção dos fatos à norma legal. PIS E COFINS. RECEITA BRUTA MENSAL. Constatado que, na apuração do PIS e da COFINS, a fiscalização utilizou, equivocadamente, a receita bruta trimestral, e não a mensal, exonerase parcialmente a exigência. A ciência à Contribuinte foi enviada via postal, fl. 12989, mas não logrou êxito. Consta no AR que a empresa “mudouse”. A seguir foi procedida a ciência via edital, fl. 12992. Porem, a contribuinte não apresentou Recurso Voluntário. Ato continuo, o processo foi encaminhado ao CARF para julgamento do Recurso de Oficio. É o relatório. Fl. 13004DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso de oficio preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de exigência em face de omissão de receitas, com multa de oficio qualificada e agravada, sendo que a DRJ exclui a qualificação da penalidade bem como reduziu a base de calculo PIS/Cofins em face de erro no períodos de apuração. Conforme relatado a contribuinte mudouse e não comunicou à Receita Federal seu novo endereço, por isso, a intimação via postal restou inviabilizada (fl. 12989) pelo que a empresa foi cientificada via edital (fl. 12992), não tendo apresentado recurso voluntário. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida quanto as matérias exoneradas: “(...) DA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS Com relação ao IRPJ e à CSLL, constatada a omissão de receitas, correta a sua tributação com base no lucro presumido apurado trimestralmente, conforme constam dos Autos de Infração. Com relação ao PIS e à COFINS, no entanto, a fiscalização efetuou lançamento relativo aos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2004, utilizando, equivocadamente, a diferença trimestral da receita bruta, e não a mensal, como exige a legislação tributária (artigo 74 do Decreto n° 4.524/2002, que regulamenta o artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91 e o artigo 2º da Lei nº 9.715/98). Dessa forma, há que se refazer o cálculo do PIS e da COFINS utilizando as diferenças de receitas brutas dos supracitados meses, conforme a seguir demonstrado (valores em reais): Mês Receita Clientes Receita DIPJ Diferença tributável PIS (0,65%) COFINS (3%) mar/04 1.325.857,82 251.211,78 1.074.646,04 6.985,20 32.239,38 jun/04 1.384.200,68 274.441,00 1.109.759,68 7.213,44 33.292,79 set/04 4.640.241,83 425.509,00 4.214.732,83 27.395,76 126.441,98 dez/04 5.948.030,35 521.545,79 5.426.484,56 35.272,15 162.794,54 TOTAL 76.866,55 354.768,69 Obs: As receitas de clientes foram totalizadas a partir da “Relação de Notas por Trimestre, fls. 980/987 (março), 1004/1011 (junho), 1047/1062 (setembro) e 1095/1112 (dezembro); As receitas da DIPJ encontramse às fls. 19, 22, 25 e 28 (PIS) e 31, 34, 37 e 40 (COFINS). Quanto às diferenças relativas aos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2004, estas devem ser desconsideradas, pois não houve autuação com relação a esses meses e a Delegacia de Julgamento não tem competência para inovar o lançamento efetuado pela fiscalização. Fl. 13005DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 7 Por todo o exposto, há que se manter a tributação da receita omitida a título de IRPJ e CSLL, exonerandose parcialmente a tributação a título de PIS e COFINS. DA MULTA DE OFÍCIO Com relação à multa de ofício utilizada nos lançamentos, a fiscalização argumenta que: “Considerando que na empresa fiscalizada foi verificada omissão de receita com multa prevista de 150% (art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96), a qual passou a ser de 225% (art. 44, inciso II, § 2o da Lei n° 9.430/96) pelo fato do contribuinte haver deixado de responder aos Termos de Intimação lavrados pela fiscalização (...)”. O supracitado artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97) dispõe que: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (redação dada pela Lei nº 9.532/97) a) prestar esclarecimentos; (...)”. Em resumo, em relação à multa por falta de pagamento, de 75%, houve 2 tipos de “agravamentos”: um, pelo suposto intuito de fraude; outro, pelo não atendimento às intimações. Em sua defesa, a impugnante alega, basicamente, que: a multa aplicada é confiscatória, violando o artigo 150, IV, da CF/88; não há provas de que a empresa tenha agido com dolo ou má fé; não se negou a dar informações e a responder a intimações (teve problemas na guarda dos livros fiscais e contábeis devido a furto ocorrido na empresa e pediu dilação de prazos para organizar os livros e documentos a serem apresentados; e apresentou a relação dos maiores clientes e os livros de Registros de Saída e Livro Caixa). Quanto à legalidade ou inconstitucionalidade das normas relativas à multa aplicada (artigo 44 da Lei nº 9.430/96), cumpre observar que à esfera administrativa não cabe apreciar questões dessa natureza, competência exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 13006DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000836/200989 Acórdão n.º 1402001.504 S1C4T2 Fl. 0 8 Com relação ao agravamento devido ao intuito de fraude, a impugnante alega, além da inconstitucionalidade, já rechaçada, a inexistência de dolo. Quanto a esse agravamento, entendo ser descabido, por falta de comprovação da existência de dolo, cujo ônus compete à fiscalização. Em nenhum momento a fiscalização comprova o intuito de fraude, limitandose a vincular a qualificação da multa (alterandoa de 75% para 150%) apenas à constatação da omissão de receitas. Destaquese que a Súmula nº 14 do 1º CC dispõe que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Além disso, para que a multa de ofício seja agravada, a contribuinte deveria ter infringido um dos três artigos (71, 72 ou 73) da Lei nº 4.502/64, fato esse que não resta caracterizado nos autos. (...) Dessa forma, há que se enquadrar a multa de ofício no inciso I (e não no inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê o percentual base de 75%. (...)” Verificase, de plano, que não há reparo a ser feito na decisão de primeira instancia quanto aos valores exonerados, pois: em relação ao PIS e a Cofins o erro na constituição do crédito tributário está patente. Ao invés de lançamento de oficio observando os períodos de apuração mensais desses tributos, tal qual estabelecido nas normas legais de regência, a Fiscalização simplesmente consolidou as bases de cálculo ao final de cada trimestre, da mesma forma que procedeu para o IRPJ/CSLL. Tratase de um erro primário que há meu ver não pode mesmo ser corrigido no julgamento administrativo, pois, implicaria em aperfeiçoar o lançamento. quanto a multa qualificada o lançamento simplesmente não aponta os fatos o irregularidades que levaram à conclusão de a contribuinte incorreu em conduta dolosa. Tem razão o acórdão recorrido ao afirmar que a omissão de receitas, por si só, não autoriza a exasperação da penalidade nos termos da Súmula 14 do CARF. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 13007DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 13971.000095/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
É devida a incidência de contribuição social previdenciária quando a entidade beneficente de assistência social, não demonstra atendimento aos pressupostos legais para obter os benefícios fiscais estabelecidos pela legislação previdenciária.
No presente caso a entidade não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal, recaindo sobre si a contribuição previdenciária respectiva.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. É devida a incidência de contribuição social previdenciária quando a entidade beneficente de assistência social, não demonstra atendimento aos pressupostos legais para obter os benefícios fiscais estabelecidos pela legislação previdenciária. No presente caso a entidade não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal, recaindo sobre si a contribuição previdenciária respectiva. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. É devida a incidência de contribuição social previdenciária quando a entidade beneficente de assistência social, não demonstra atendimento aos pressupostos legais para obter os benefícios fiscais estabelecidos pela legislação previdenciária. No presente caso a entidade não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação fiscal, recaindo sobre si a contribuição previdenciária respectiva. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 00 95 /2 01 0- 14 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Cuidase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte IASI INSTITUTO DE APOIO A SAÚDE DO VALE DO NORTE DO ITAJAI TRANSPORTES LTDA. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta, bem como manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 31/34), a constituição do crédito tributário teve como objeto as contribuições sociais devidas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), referentes ao período de 03/2005 a 05/2007. 3. Por oportuno, transcrevo parte do relatório fiscal da infração: “Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas: 3.1. Levantamentos RSE Z3 Z4: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as Remunerações pagas e/ou creditadas aos Segurados Empregados da empresa autuada, cujos valores foram informadas na GFIP Guia do Fundo de Garantia e Informação a Previdência Social, nas competências 01/2005 a 09/2009 " e estão indicados no campo "01 SC Empreg/avulso" do Discriminativo do Débito – DD integrante deste AI.” 4. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 38/52). Ao analisar as razões colacionadas pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2009 AIOP DEBCAD N° 37.213.2324 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91 apenas a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos requisitos dispostos no art. 55 da mesma lei. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13971.000095/201014 Acórdão n.º 2301003.779 S2C3T1 Fl. 251 3 5. Inconformado com a decisão proferida pelo Colegiado de primeira instância, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (ff. 215/230), no qual, vertendose unicamente à tese de imunidade tributária, aduz que: a) desde sua constituição teve sempre o caráter de entidade beneficente sem fins econômicos e lucrativos, conforme demonstram seus atos constitutivos; b) sempre prestou serviços ligados à saúde da família, notadamente ao Programa da Saúda da Família (PSF); c) seus dirigente jamais receberam remuneração na condição de sócio, diretores ou associados, à exceção dos integrantes da secretaria executiva, que recebem na condição de empregados, como, de fato, o são; d) faz jus à imunidade das contribuições sociais, posto que preenche os requisitos do art. 55, da Lei nº. 8.212/91, possuindo, inclusive, certificação como “Entidade de Utilidade Pública Federal” conferida pelo Ministério da Justiça; e) a imunidade a que faz jus emerge do efetivo exercício de atividades de assistência social, bastando que o Poder Público declare esses serviços como de utilidade ao Estado para que incida o benefício tributário; f) em razão do exercício de atividade de assistência social, o auto de infração deve ser cancelado. 6. Em seu pedido recursal, assinala o contribuinte, in verbis: “POSTO ISTO, aguarda confiantemente a recorrente, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), receba o presente recurso, haverá de conhecêlo e dar provimento, nos termos da fundamentação, já que a entidade comprovou o efetivo exercício de atividade de assistência social, preenchendo os requisitos legais para obtenção da imunidade tributária prevista no artigo 195 § 7 o da Constituição Federal, sendo que o Instituto recorrente preenche o estatuído e atua nas condições do artigo 199 § Io, igualmente da Constituição Federal, e assim, considera que inexistiu a infração apontada pela Autoridade Fiscal Lançadora, haja vista a imunidade a que tem direito na forma da Constituição Federal e legislações ordinárias pertinentes, pelo o que, requer o cancelamento do Auto de Infração, por ser de merecida JUSTIÇA.” 7. Não tendo o fisco apresentado contrarrazões, o processo foi remetido a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. 8. De sua vez, esta Relatoria emitiu Despacho de Retificação de Inexatidão Material (f. 236) restituindo os autos à Secretaria da Turma para que adotasse providências necessárias no sentido da remessa dos autos ao órgão competente para análise dos documentos relativos à certificação de entidades beneficentes de assistência social. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 9. Em resposta ao despacho desta Relatoria, o Fisco exarou a informação fiscal (ff. 239/240) onde conclui que: “A entidade pretendente à isenção da cota patronal previdenciária deveria, antes de tudo, comprovar as certificações regulares exigidas legalmente o que, em nenhum momento, restou comprovado durante a ação fiscal nem na impugnação, uma vez que em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal, não foram encontrados o Registro nem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.” 10. Embora devidamente intimado, o contribuinte não se manifestou acerca da informação fiscal citada acima, conforme despacho de encaminhamento (f. 248). 11. Não tendo havido outras manifestações, os autos foram restituídos a esta Turma para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS RECURSAIS 1. Conheço do recurso voluntário manejado pelo contribuinte, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos recursais. DO MÉRITO 2. Nos termos do relatório fiscal consta a motivação para o lançamento fiscal foi a seguinte (ff. 31/34): 4.1. A IASI informa em GFIP o código do FPAS 639, código utilizado pelas ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, com isenção requerida e concedida pela Previdência Social e recolhe apenas o valor da contribuição descontada dos empregados no código 2305 (Filantrópicas com Isenção CNPJ). 4.2. Considerase isenta das contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas nos arts. 22 e 23, as Entidades Beneficentes de Assistência Social que cumpre os requisitos previstos no artigo 55, todos da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. No entanto, verificase que a IASI não possuem todos os requisitos previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, motivo pelo qual motivou o lançamento das contribuições sociais não alcançadas pela isenção, conforme segue: 4.3.1. Artigo 55. I da Lei 8.212: "I seja reconhecida como de utilidade pública federal, e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; O único certificado apresentado foi o de Utilidade Pública Federal (cópia no anexo III), concedido em 19/03/2009, ou seja, muito tempo após a entidade começar a usufruir o benefício da isenção das contribuições sociais. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13971.000095/201014 Acórdão n.º 2301003.779 S2C3T1 Fl. 252 5 4.3.2. Artigo 55. II da Lei 8.212: "II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001)." A IASI foi intimida no Termo de Início de Procedimento Fiscal, cuja ciência se deu em 21/09/2009, e não apresentou o Certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da SRFB não foram encontrados o Registro e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo CNAS. 4.3.3. Artigo 55. IV da Lei 8.212: "IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;" Notase que alguns diretores (conselho de Administração) recebem remuneração na entidade (Anexo VII), conforme abaixo: Presidente: Gilberto Lenzi CPF: 706.930.56991 Período: 01/03/2004 até a presente data Remuneração: recebe remuneração como empregado – período 01/12/2004 a 13/01/2006 e 01/04/2006 em diante Última Função:Secretário Executivo. Tesoureiro: Thiago Filipe Cirico CPF: 040.301.00988 Período: 22/05/2006 a 25/08/2008 Remuneração: recebeu remuneração como empregado período: 01/06/2004 a 01/10/2008 Última Função: Coordenador Financeiro. João Bueno Soares Filho CPF: 878.501.41849 Período: 25/08/2008 até a presente data Remuneração: recebe remuneração como empregado período: 01/08/2006 em diante Última Função: Coordenador de RH.” 3. A decisão recorrida enfatiza a situação fática encontrada na entidade para manter a autuação fiscal no que se refere às contribuições devidas a terceiros: Intimada a apresentar o Certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, não o apresentou, apresentando tão somente o de Utilidade Publica Federal, concedido em 19/03/2009, ou seja, muito tempo após a entidade se declarar isenta das contribuições sociais. Em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da SRFB, não foram encontrados o Registro nem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo CNAS. (fls. 182) 4. Dessa forma, no meu sentir, o levantamento do débito realizado pelo auditor fiscal não merece retificação, eis que embasado na legislação previdenciária aplicável ao caso concreto, notadamente no que toca às exigências asseveradas no art. 55, da Lei n.º 8.212/91. 5. O contribuinte, a seu turno, não se desincumbiu do ônus probatório de demonstrar o cumprimento das exigências para o gozo da isenção tributária, em particular, quanto à apresentação do Certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, requisito para a concessão do benefício fiscal. 6. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito previdenciário exigido, considerando que entidade em questão não gozava da isenção previdenciária por ela declarada, ou seja, não cumpria a totalidade dos requisitos determinados no art. 55 da Lei 8.212/91, vigente no período abrangido pela presente autuação. CONCLUSÃO Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 7. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.901043/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 10 43 /2 00 9- 82 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.791, às fls. 24 a 26: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 16/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 400,21, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado por estimativa em junho de 2001. 2. Através do despacho de fl. 08, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal — DRF em Maceió identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), afirmando que, em janeiro de 2001, pagou IRPJ no valor de R$ 760,77, apurado através de balanço mensal de redução. Alega que o valor foi recolhido indevidamente, pois teria encerrado o exercício com prejuízo. Pretende, assim, compensar o crédito com débito de estimativa apurado em exercício posterior. Sustenta desconhecer quais débitos motivaram a não homologação da compensação, requerendo que lhe sejam informadas a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito por ela declarado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 31/08/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2012, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o contribuinte efetuou indevidamente em julho de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 760,77, relativo ao IRPJ apurado involuntariamente por Estimativa Mensal em junho de 2001, quando o seu Balancete de Suspensão do período apresentava saldo negativo da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme demonstrado às Fichas1 e 3, Fichas11 Fls. 7,8,9 e 10, e ficha12A Fls. 11 de sua DIPJ/2002 (em anexo); por entender que o imposto era devido, declarou desnecessariamente em DCTF, motivo pelo qual o pagamento foi reconhecido como integralmente vinculado ao suposto débito pela DRF/Maceió; como o imposto declarado foi pago indevidamente, representando crédito fiscal em favor do contribuinte, este por sua vez apresentou Declaração de Compensação DCOMP para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa mensal em março de 2005, e involuntariamente no preenchimento do referido Pedido de Compensação, no campo "TIPO DE CRÉDITO" selecionou a opção "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" em lugar de "SALDO NEGATIVO DE IRPJ"; DO ESCLARECIMENTO o contribuinte reconhece que cometeu erro ao pagar em julho de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de junho quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo; reconhece também que cometeu erro por declarar em DCTF o imposto pago, que não era devido; reconhece por fim ter cometido erro de digitação no momento da seleção da opção no campo "TIPO DE CRÉDITO" da DCOMP; DO DIREITO o contribuinte é optante do referido pagamento mensal previsto na Lei 9.430/1996, o qual utiliza uma base de calculo estimada, sendo devido o imposto sempre que o contribuinte gere receita. Porém, nos meses em que se pleiteia tal restituição, o contribuinte apresentou saldo fiscal negativo, desobrigandose, de acordo com os dispositivos legais, do pagamento do imposto; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 5 4 logo, se o contribuinte não possui saldo positivo na apuração da receita bruta mensal, concluise pela desnecessidade de pagamento de tributo; DA OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF em virtude da obrigatoriedade de apresentação de DCTF, o contribuinte declarou a existência do imposto equivocadamente, o qual foi pago, consolidando o imposto, pago indevidamente, ao débito declarado; ressaltase que a DCTF vinculou o valor pago indevidamente ao débito presumido, como se confissão fosse, efetivando um equívoco inicial e retirando do contribuinte um credito que é seu por direito, suprimindoo ao pagamento de um imposto que não existiu; DO RESPALDO NA LEI N° 8.383/1991 E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL o simples fato de a DCTF ter vinculado os valores pagos equivocadamente a um tributo que não se devia, não faz nascer para a Fazenda Pública a garantia de permanecer com tais valores, consolidar o débito indevido e permanecer com tal decisão, denegando ao contribuinte o direito ao crédito compensatório; é tão verdade o direito do contribuinte que em decisão a um recurso voluntário interposto em caso similar ao caso em tela, a Seção do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais do Distrito Federal, em julgado anterior, julgou procedente o referido recurso, confirmando o direito do contribuinte em reaver os valores efetuados de forma indevida, gerado em virtude de erro no preenchimento da DCTF; DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VERDADE MATERIAL de acordo com o princípio constitucional da verdade material ou real, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos; diante do exposto, mostrase ofendido tal princípio, tendo em vista que a documentação anexada ao pedido de inconformidade faz meio de prova material, tido como lícito e capaz de instruir o processo e levar o órgão decisório a têlo como base para seu referido acórdão; A CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da decisão recorrida, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 31/03/2006 (fls. 18 a 22), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de “pagamento indevido” a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de junho de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 23/07/2001 e possui o valor de R$ 760,77. A compensação abrange débito de estimativa de IRPJ referente ao mês de março de 2005. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 760,77 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que a referida estimativa havia sido recolhida indevidamente, porque teria encerrado o exercício com prejuízo. Sustentou ainda que desconhecia os débitos que motivaram a não homologação da compensação, solicitando que lhe fosse informado a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito pleiteado. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando que não estavam presentes os requisitos de certeza e liquidez para o reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: [...] 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em julho de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 760,77, relativo ao IRPJ apurado por estimativa em junho de 2001. Por entender indevido ou a maior o pagamento, transmitiu a declaração ora em exame, por via da qual utilizou o suposto crédito para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa em março de 2005. 6. A DRF/Maceió constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado por estimativa em junho de 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$ 760,77, o exato valor do pagamento efetuado pela empresa. Ressaltese que o referido débito está claramente indicado no despacho decisório, nele constando o valor, o código de receita e o período de apuração. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 7 6 7. Em consulta ao banco de dados da Receita Federal, verifiquei que a contribuinte efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado por estimativa, em junho de 2001, débito do IRPJ no valor de R$ 760,77, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante (fl. 21). 8. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) . 9. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte procurou comprovar o alegado direito creditório com a apresentação de folha do livro Razão onde estavam registrados os pagamentos de estimativa de IRPJ e de CSLL feitos ao longo do ano de 2001. Contudo, não haviam dúvidas sobre a existência do pagamento em questão, eis que o próprio despacho decisório já havia atestado esse fato, indicando o código de receita, o valor do DARF e a data de arrecadação. O mesmo despacho decisório também indicou precisamente o débito ao qual o pagamento estava vinculado, discriminando o valor do débito, o código de receita e o período de apuração, não havendo razão para que a Contribuinte alegasse desconhecimento do débito que motivou a não homologação da compensação. O referido débito, aliás, foi declarado em DCTF pela própria Contribuinte. Estas circunstâncias evidenciam que Contribuinte pouco contribuiu para o esclarecimentos dos fatos na primeira fase do processo. Desde o início, a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior, e caberia a ela demonstrar a ocorrência de erro na informação prestada em DCTF. Quanto a isso, a Contribuinte simplesmente alegou na primeira instância administrativa que recolheu indevidamente estimativa de IRPJ, por ter apurado prejuízo fiscal. Ao proferir sua decisão, a Delegacia de Julgamento novamente tratou da falta de comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, uma vez que a Contribuinte alegava ter realizado “pagamento indevido” de estimativa ao mesmo tempo em que havia confessado débito no valor do recolhimento. No que toca à comprovação de um indébito, é sempre importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 8 7 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Como já mencionado, desde o início a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior. Nessa fase recursal, a Contribuinte anexou cópias parciais de uma DIPJ retificadora (Fichas 11 e 12A), que registram sinteticamente valores negativos como base de cálculo de IRPJ nos meses de 2001. E segue alegando que apurou prejuízo nos meses de 2001 e que teria recolhido indevidamente as estimativas mensais. Não consta a data em que essa DIPJ retificadora foi apresentada. A Contribuinte também não procurou esclarecer a razão do erro no recolhimento das estimativas, informando apenas “que cometeu erro ao pagar em Julho de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Junho de 2001 quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo”. Além disso, não há nos autos demonstração da apuração do lucro real (LALUR), seja para os períodos mensais, seja para o período anual; não há balancetes mensais de suspensão/redução que a Contribuinte alegou possuir (e que tornariam a própria estimativa a maior ou indevida); não há sequer um demonstrativo de apuração do resultado anual, com as correspondentes receitas e despesas, ainda que de forma globalizada (DRE). Já foi destacado que o processo administrativo fiscal possui uma dinâmica própria no que toca à formação da prova, que em alguns casos a carência de prova pode ser suprida pelo contribuinte no desenrolar do processo, etc., mas, mesmo assim, o contribuinte deve realizar um esforço probatório mínimo no intuito de dar substância às suas alegações. Nesse sentido, vale registrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, os elementos dos autos não são suficientes nem mesmo para demonstrar a apuração de prejuízo no ano em questão, inviabilizando inclusive a restituição/ compensação da estimativa na forma de saldo negativo. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901043/200982 Acórdão n.º 1802001.924 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10845.906762/2011-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 76 2/ 20 11 -0 2 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906762/201102 Resolução nº 3801000.590 S3TE01 Fl. 393 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906762/201102 Resolução nº 3801000.590 S3TE01 Fl. 394 3 É o importa relatar. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906762/201102 Resolução nº 3801000.590 S3TE01 Fl. 395 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906762/201102 Resolução nº 3801000.590 S3TE01 Fl. 396 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906762/201102 Resolução nº 3801000.590 S3TE01 Fl. 397 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.006004/2007-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
NORMAS PROCESSUAIS - MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração.
Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte com provimento em parte
Numero da decisão: 9101-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) em relação ao recurso do contribuinte, por maioria dos votos afastar a argüição de nulidade suscitada, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva e Susy Gomes Hoffmann, e no mérito, recurso provido por unanimidade em relação aos exercícios 2002 e 2003; 2) Recurso da Fazenda Nacional, não conhecer por perda de objeto, unânime.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 05/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos â implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem se registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVAS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA A falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de oficio isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período ou mesmo de formalização de oficio de exigência de tributo devido ao final do ano, com a conseqüente aplicação da multa proporcional. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 60 04 /2 00 7- 11Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Anocalendário: 2004 NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso Especial do Contribuinte com provimento em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) em relação ao recurso do contribuinte, por maioria dos votos afastar a argüição de nulidade suscitada, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva e Susy Gomes Hoffmann, e no mérito, recurso provido por unanimidade em relação aos exercícios 2002 e 2003; 2) Recurso da Fazenda Nacional, não conhecer por perda de objeto, unânime. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 05/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez ( Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com modificações, para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Aço Cearense Industrial Ltda., inscrito no CNPJ sob o n° 00.990.842/0001 38, teve contra si lavrados autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fls. 04/14, e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, fls. 15/26, Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 3 3 para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulado no valor total de R$ 16.832.391,91, inclusive encargos legais, decorrente das infrações a seguir sintetizadas: 1. RECUPERAÇÃO OU DEVOLUÇÃO DE CUSTOS/DEDUÇÕES – OMISSÕES RECUPERAÇÃO DE REDUÇÕES DA RECEITA BRUTA OMISSÃO Falta de adição, para fins de apuração do lucro real, de recuperação de despesas não incluídas na apuração do lucro liquido dos períodos de apuração correspondentes aos anos calendário de 2002 a 2003, ... A empresa fiscalizada é titular de incentivos fiscais do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI, através do Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas PROVIN, conforme contrato celebrado em data de 03 de fevereiro de 1997 (Operação n° 33.0097/8) com o Banco do Estado do Ceará S.ª — BEC e com o Estado do Ceará, este último como interveniente do referido FDI (docs. de fls. 59 a 65). O FDI/PROVIN subsidia parte do ICMS devido pela empresa, através de renúncia fiscal destinada ao capital de giro, nos termos estipulados nas Cláusulas Primeira, subitem 1.3, e Quarta do contrato. A referida renúncia fiscal corresponde a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do ICMS financiado pelo BEC, inclusive os encargos contratuais incidentes sobre este percentual do financiamento, sob a única condição de que valor correspondente a 25% (vinte e cinco por cento) do mútuo seja pago até a data aprazada para o vencimento, configurando as situações previstas nos arts. 116, II, e 117, I, ambos do Código Tributário Nacional. A empresa contabilizou todo o valor do ICMS sobre vendas como redutor de sua receita bruta (despesa), creditando toda a parte financiada pelo BEC (75% do ICMS a Pagar) na conta 2.2.2.0.00000003 — BEC OPERAÇÃO 33.0097/8, integrante de seu Passivo Exigível de Longo Prazo. Na mesma data de cada crédito, transfere a parte subsidiada (75% do financiamento, para a conta 2.4.2.3.02000000 — BEC FDI/PROVIN OPERAÇÃO 33.0097/8, representativa de Reserva de Capital e integrante do Patrimônio Liquido, conforme se acham individualizados nos quadros demonstrativos de fls. 27 e 28. Desta forma, a dedução de vendas (ICMS s/ Vendas) onera o resultado do exercício pelo valor bruto, exigindo que o valor do subsidio, que se caracteriza como Recuperação de Despesas/Custos seja adicionado ao lucro liquido, para fins de determinação do lucro real do período da renúncia. Idêntica situação se apresenta quanto h. determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL, a qual está sendo exigida em auto reflexo, parte integrante e inseparável deste processo. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 2. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 VALOR ESCRITURADO E 0 DECLARADO/PAGO A fiscalizada recolheu, em atraso, o IRPJ Estimativa Mensal relativo aos períodos de apuração correspondentes aos meses de Novembro e Dezembro/2004, calculados sobre balanços/balancetes de suspensão redução. Como tais recolhimentos foram efetuados com insuficiência de acréscimos moratórios, conforme DEMONSTRATIVO DE IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS (fls. 29), está sendo exigida a diferença de principal não recolhida, uma vez que a mesma gerou insuficiência de quitação do IRPJ Ajuste Anual. 3. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA O cometimento das infrações descritas no item 001 do presente auto, relativo falta de contabilização/adição dos subsídios do ICMS, através do FDIPROVIN, gerou também insuficiência de recolhimentos do IRPJ/CSLL Estimativa Mensal, calculados sobre balanços/balancetes de suspensão redução, em idêntico montante ao IRPJ/CSLL Anual, ficando sujeito à incidência de multa isolada de 50%. 4. MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — IRPJ ESTIMATIVA A fiscalizada recolheu, em atraso, o 1RPJ Estimativa Mensal relativo aos períodos de apuração correspondentes aos meses de Novembro e Dezembro/2004, calculados sobre balanços/balancetes de suspensão redução. Como tais recolhimentos foram efetuados com insuficiência de acréscimos moratórios, conforme DEMONSTRATIVO DE IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS (fls. 29), a diferença de principal não recolhida fica sujeita a incidência de multa isolada de 50%. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 29/06/2007 o contribuinte apresentou impugnação em 31/07/2007, fls. 126/151, propugnando pela nulidade da peça de autuação tanto por vicio formal quanto por vicio material, aduzindo as razões de defesa abaixo sintetizadas. Aduz, que, a nulidade por vicio formal consiste no fato de que a fiscalização desprezou que o contribuinte já havia sido fiscalizado pelos mesmos fundamentos de fato e de direito, conforme Processo n° 10380.010109/200251, tendo, inclusive, logrado êxito em obter a nulidade da autuação, conforme Acórdão n° 10194.646, que ora anexa. Em outras palavras, os órgãos superiores da administração fazendária já decidiram que o incentivo fiscal de ICMS do FDI PROVIN, de que o impugnante goza, é uma subvenção para Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 4 5 investimento e, como tal, não integra o lucro real, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Sendo assim, essa DRJ não poderá decidir de forma diversa ao examinar a presente impugnação, pois as decisões administrativas de instâncias superiores vinculam o julgamento nas instâncias inferiores, em atenção ao principio da hierarquia. Assim, em respeito ao principio hierárquico, essa DRJ deverá julgar nulo os lançamentos do IRPJ e da CSLL, decorrentes dos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2002 e 2003, tendo em vista que essa matéria já foi objeto de decisão administrativa proferida por instância hierarquicamente superior, no caso, por meio do Acórdão n° 10194.676, da la Camara do 1° CC, que julgou improcedentes os lançamentos efetuados para os fatos geradores relativos aos anoscalendário de 1997 a 2001. Quanto ao lançamento da diferença de IRPJ estimativa mensal, relativa aos períodos de apuração de novembro/2004 e dezembro/2004, a autuação é nula porque o período fiscalizado não foi objeto de delegação legal, pelo o que a autoridade fazendária não possui legitimidade legal para efetuar o lançamento. No caso concreto, tendo em vista que o MPF teve por objeto apenas os fatos geradores correspondentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, o ato da autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento das diferenças de acréscimos moratórios relativas ao recolhimento, em atraso, do IRPJ estimativa mensal de novembro e dezembro de 2004, é nulo por inobservância dos limites da delegação legal, haja vista que não lhe foi conferida a competência para a fiscalização de qualquer tributo ou contribuição exigível em 2004. Com efeito, nos termos da Portaria SRF n° 1.265/99, somente é licito o lançamento referente a períodos de apuração diversos dos constantes do MPF na hipótese da expedição de MPF Complementar, o que não ocorreu na situação concreta. Por outro lado, apenas por amor ao debate, importa dizer que o lançamento ainda seria nulo porque, mesmo investida da competência para fiscalizar os citados períodos de apuração, a autoridade fiscal inobservou que o impugnante, ao recolher em atraso as parcelas de IRPJ, acrescidas dos juros de mora, isto 6, sem a multa moratória, exerceu a denúncia espontânea, direito que lhe é assegurado pelo art. 138 do CTN. O lançamento improcede também porque as próprias parcelas de IRPJ estimativa mensal, referentes aos períodos de novembro e dezembro/2004, são indevidas, conforme apuração posterior pelo impugnante, informada ao Fisco por meio de DCTF retificadoras, pelo o que não se há de falar em diferença de acréscimos moratórios, resultante, pois, de pagamento indevido efetuado pelo contribuinte, sendo, também, incabível, Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 conseqüentemente, a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. Materialmente, o lançamento do IRPJ, fatos geradores de 31/12/2002 e 31/12/2003, é insubsistente porque o incentivo fiscal de ICMS não se enquadra na definição de devolução de custos ou despesas, tratandose, na verdade, de subvenção para investimentos, nos termos da Lei Estadual n° 10.367/79, que não é adicionada ao lucro liquido na determinação do lucro real, como estabelece expressamente o § 2° do art. 38 do Decretolei n° 1.598/77 (art. 443 do RIR/99). O auto de infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ fora lavrado pela verificação de suposta omissão de receita tida por integrante do lucro real, in casu, os valores decorrentes do financiamento equivalente a 75% do ICMS devido e recolhido em cada período fiscal apontado, concedido pelo Banco do Estado do Ceara BEC à Aço Cearense Industrial Ltda., nos termos previstos no Programa de Incentivos ao funcionamento de empresas do Estado do Ceara PROVIN/FDI. Os valores decorrentes do financiamento em questão foram classificados, no entender da fiscalização, como subvenção para custeio e, como tal, deveriam ter sido computados na apuração do lucro real para fins do Imposto de Renda, como dispõe o art. 392, inciso I, do RIR 199. Todavia, a autuação é improcedente, tanto com relação ao IRPJ quanto para a CSLL, uma vez que, em todos os casos, a fiscalização partiu do entendimento equivocado de que o incentivo concedido pelo Estado do Ceara à Aço Cearense Industrial Ltda. constitui subvenção para custeio, quando, na verdade, tratase de subvenção para investimentos, que não integra o lucro real, como estabelece expressamente o art. 443 do RIR/99. Os referidos valores constituem, sem dúvida, subvenção para investimentos porque a empresa autuada recebeu o mencionado incentivo fiscal em virtude da instalação de uma unidade industrial no Município de Caucaia, nos termos da Lei Estadual n° 10.367/79, empreendimento esse que foi considerado de relevante interesse público para o Estado do Ceara., na medida que propiciaria o incremento da economia local e a geração de empregos, como efetivamente ocorreu e vem ocorrendo desde 1997. De fato, Em 21 de novembro de 1995, o Governo do Estado do Ceará e a Aço Cearense Industrial Ltda. assinaram um Protocolo de Intenções para a instalação de uma unidade industrial, destinada ao fabrico de tubos industriais, perfis virados, tiras articuladas, desbobinamento e corte de bobinas e estiramento de vergalhões. Conforme previsto no referido protocolo, em 3 de fevereiro do ano de 1997 foi assinado um Contrato de Mútuo entre a Aço Cearense Industrial Ltda. e o Banco do Estado do Ceará BEC, com a interveniência do Estado do Ceará, cujo objeto está descrito na cláusula primeira. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 5 7 Esse contrato foi aditivado em 16 de fevereiro de 2005, prorrogando o incentivo fiscal para o exercício de 2014. E percebese, pelas suas disposições, que os valores incentivados, uma vez que destinados a implantação e futura expansão de uma unidade industrial do impugnante, e contabilizados na reserva de capital do patrimônio liquido, caracterizamse como subvenção para investimentos, não integrante do lucro real, conforme disposto no art. 443 do RIR199. Esse entendimento já é pacificado nos tribunais brasileiros, bem como nas instâncias julgadoras da fiscalização tributária, conforme julgados que cita As fls. 134. Em qualquer caso, ou seja, apesar de se mostrar claro que o financiamento do ICMS em análise se caracteriza como subvenção para investimentos, mister se faz estabelecer a distinção entre as duas espécies de subvenção, como também entre transferência de renda e transferência de capital, porque esta ocorre na subvenção de investimentos, enquanto aquela se dá na subvenção corrente (para custeio ou operação). Dentre as transferências, de renda ou de capital, fica fácil perceber qual delas integra ou não o lucro real, para fins de sujeição à tributação pelo Imposto de Renda. E que, consoante o disposto no art. 153, inciso III, e ainda de acordo com o art. 43 do Código Tributário Nacional, a Unido Federal tem autorização apenas para tributar a renda, e não o capital. Por outro lado, apesar de a lei tributária empregar o termo subvenção tanto para as transferências de renda como para as de capital, ela as submete a regimes jurídicos inteiramente distintos, no que diz respeito à sujeição à tributação. Mas, em termos gerais, a expressão "subvenção" significa a dotação de recursos advindos do patrimônio público para integrar o patrimônio privado, como incentivo à atividade econômica. As fls. 135 transcreve entendimentos de Bulhões Pedreira, Modesto Carvalhosa e De Plácido e Silva, para asseverar que, a subvenção não apresenta caráter remuneratório nem compensatório e, uma vez concedida, dispensa qualquer contrapartida da pessoa jurídica beneficiada. Quer dizer, pelo menos no caso da subvenção para investimentos, a contraprestação do subvencionado importará apenas na obrigação de aplicar os recursos exclusivamente na instalação e expansão do empreendimento industrial e, assim, contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado. Na verdade, as subvenções configuramse como relevante instrumento a disposição do Poder Público para que este possa estimular certas atividades econômicas, operações e empreendimentos reputados de grande interesse público. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 As subvenções correntes, direcionadas para o custeio ou para a operação, são aquelas concedidas à pessoa jurídica para que esta possa fazer frente aos seus custos, custos esses comuns, ordinários, como, por exemplo, necessidades de caixa ou determinados déficits operacionais. Já as subvenções para investimentos se caracterizam pela destinação dos recursos à empresa para que sejam aplicados em sua instalação, ampliação ou implementação de seu parque industrial. E o que sintetiza o Parecer Normativo n° 112, de 29 de dezembro de 1978, da Coordenação do Sistema de Tributação. As subvenções correntes (para custeio ou operação) são consideradas transferências de renda, que integram as receitas operacionais, e por isso estão sujeitas à tributação. Ao contrário, as subvenções para investimentos são transferências de capital e, como tal, creditadas A conta de reserva de capital, com o que restam excluídas da tributação, vez que não concorrem para determinação do lucro real. Logo, as subvenções que devem integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica beneficiada são as destinadas ao custeio ou operação, não alcançando as que se destinem, especificamente, à realização de investimentos, como ocorre no caso concreto. A destinação que o Poder Público estabelece para a aplicação dos recursos não 6, por si só, suficiente para oferecer uma perfeita e definitiva caracterização de uma transferência de capital e, portanto de uma subvenção para investimentos. Fazse imprescindível examinar o tratamento contábil que a pessoa jurídica beneficiada confere aos recursos recebidos, que, na situação em tela, é perfeitamente adequado, tendo em vista que os valores incentivados são todos registrados na reserva de capital do patrimônio liquido, como foi constatado pela própria autoridade fiscal e pode ser comprovado pelos documentos contábeis em anexo. Sobre a matéria, a Coordenação do Sistema de Tributação esposou entendimento semelhante no já citado Parecer Normativo no 112/78, cujo excerto é transcrito às fls. 138/139. O tratamento contábil e tributável das subvenções vem expressamente regulado pela legislação tributária. A Lei n° 4.506/64, ao cuidar do imposto de renda, estabeleceu no art. 44, inciso IV, que ‘integram a receita bruta operacional: (..) IV as subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais’. O § 2° do art. 38 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que teve sua redação original modificada pelo art, 1°, inciso VIII, do DecretoLei n° 1.730, de 17 de dezembro de 1979, ao dispor sobre as subvenções para investimentos, diz o seguinte: ‘As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de imposto concedidas como estimulo à implantação ou Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 6 9 expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3 0 e 4 0 do artigo 19; ou b) feitas ern cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte ou utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas’. Em suma, temse, pois, que as subvenções correntes, para custeio ou para operação, integram a receita bruta operacional e são consideradas na determinação do lucro real. Já as subvenções para investimentos, inclusive aquelas oriundas de isenção ou redução de impostos, concedidas pelo Poder Público como estimulo a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não são computadas na apuração do lucro real, desde que obedecidas as duas condições mencionadas na lei, quais sejam, tenham sido registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social ou feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço patrimonial. Ou seja, como consta do PN n° 112/78, em principio, as duas espécies de subvenção deveriam integrar a receita bruta operacional e, desse modo, concorrer para a apuração do lucro real, que é a base de cálculo do Imposto sobre a Renda. Entretanto, no caso das subvenções para investimentos, a lei tributária estabelece expressamente sua exclusão do lucro real, desde que os recursos não sejam registrados à conta de resultados, mas incorporados como reserva de capital. Convém ressaltar que a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), dispensa idêntico tratamento à matéria, pois o parágrafo 1 0, letra "d", do art. 182 determina que: ‘serão classificadas como reserva de capital as contas que registrarem: (...) d) as doações e as subvenções para investimentos.’ Além disto, pondo fim a quaisquer dúvidas, o RIR/99 estabelece expressamente no inciso I do art. 443, que uma vez contabilizada na reserva de capital do patrimônio liquido, as subvenções para investimentos não são computadas na determinação do lucro real. Nesse sentido é a ementa do Acórdão n° 10412.206 transcrita às fls. 141. Esse mesmo entendimento também consta dos Pareceres Normativos de nºs 2/78 e 112/78, da Coordenação do Sistema de Tributação. Em resumo, as isenções ou devoluções de impostos, concedidas pelos Governos estaduais para a implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, caracterizamse como subvenções Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 10 para investimentos, as quais, desde que registradas na reserva de capital do patrimônio liquido, não são computadas na determinação do lucro real. E especificamente sobre o caso concreto, isto 6, incentivos fiscais que conferem crédito de ICMS ou devolução de parcelas de ICMS recolhidas, importa ressaltar que o 1° CC tem entendido, de forma pacifica, tratarse de subvenções para investimentos, não sujeitas, como visto, à tributação, conforme ementas de julgados transcritas as fls. 142/143. Essa mesma orientação é também prestigiada pelo Poder Judiciário, conforme ementa transcrita às 142/143. Portanto, fica fácil perceber que, na situação em exame, a subvenção recebida pela Aço Cearense Industrial Ltda, configurada pela devolução de parcelas recolhidas de ICMS, enquadrase como subvenção para investimento, uma vez que é registrada na reserva de capital do patrimônio liquido, não devendo ser computada, pois, na determinação do lucro real, pelo que fica afastada a tese fazendária de que os valores caracterizariam devolução de custo, para fins do disposto no inciso II do art. 392 do RIR/99. Com efeito, a concessão do aludido beneficio fiscal teve origem no Protocolo de Intenções assinado com o Governo do Estado do Ceara em 21 de novembro de 1995, cujo objetivo foi formalizar o estimulo à implantação da empresa autuada. Referido documento deixou manifesto o interesse público do Estado do Ceara em fomentar o desenvolvimento da atividade econômica da empresa citada, por considerála de grande importância para o incremento da economia local e para a geração de empregos. Ademais, o Contrato de Mútuo assinado em 3 de fevereiro de 1997, entre a Aço Cearense Industrial Ltda e o Banco do Estado do Ceará BEC, com a interveniência do Estado do Ceará, deixa claro que o financiamento de 75% do ICMS se trata de subvenção para investimento, uma vez que determina expressamente que os valores correspondentes ao mencionado incentivo fiscal somente poderão ser utilizados na execução do projeto de implantação e ampliação da unidade industrial da empresa autuada, como demonstram as cláusulas primeira e sexta. Quanto ao tratamento contábil, repitase, verificase também que o impugnante observou todos os requisitos para contabilizar os recursos recebidos como uma subvenção para investimentos: ele sempre procedeu à contabilização dos valores subvencionados na reserva de capital do patrimônio liquido. Assim, todas as condições que caracterizam o incentivo recebido pela Aço Cearense Industrial Ltda como subvenção para investimentos foram e continuam sendo devidamente observadas, motivo pelo qual a presente autuação não merece prosperar em virtude da carência de suporte fático e jurídico. Os valores recebidos foram e continuam sendo aplicados exclusivamente no empreendimento econômico objeto do Contrato de Mútuo, e tal destinação dos recursos financeiros é Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 7 11 confirmada pelos registros contábeis da Aço Cearense Industrial Ltda. Logo, a empresa beneficiária do incentivo mencionado é a mesma que suporta o ônus do projeto. Ademais, em momento algum, houve desvio de finalidade quanto aos recursos recebidos e nem tampouco distribuição dos valores aos sócios da empresa, até mesmo porque tais fatos, se fosse o caso, deveriam ter sido apresentados pela fiscalização, o que não ocorreu no caso concreto. Uma vez, portanto, que o incentivo fiscal de ICMS do FDI PROVIN representa subvenção para investimentos, e tendo em vista que os valores subvencionados sempre foram registrados na reserva de capital do patrimônio liquido, eles não são computados na determinação do lucro real, nos termos do art. 443, inciso I do RIR/99, não se sujeitando, pois, à tributação pelo IRPJ. E em conseqüência, pelo princípio da tributação reflexa esses valores também não se sujeitam à tributação pela CSLL. Nos termos do art. 153, inciso III, do Código Tributário Nacional, o fato gerador do Imposto sobre a Renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e de proventos de qualquer natureza. Assim, na redação do CTN, renda é sempre um produto, um resultado, isto 6, um acréscimo patrimonial, quer seja do trabalho ou do capital, quer sej a da combinação de ambos. Os demais acréscimos patrimoniais que não se enquadrem no conceito de renda são os proventos. Logo, de acordo com a citada lei complementar, não há renda nem provento se estes não importarem num acréscimo patrimonial, pois o CTN adotou expressamente o conceito de renda como significativo de acréscimo. E, como acréscimo, há de se entender tudo o que for aferido pela pessoa jurídica, excluídas, é claro, as parcelas que a lei permite sejam deduzidas desse acréscimo. Assim como o art. 443 do RIR199 determina que as subvenções para investimentos não são computadas na determinação do lucro real, os recursos correspondentes ao incentivo fiscal não se caracterizam como acréscimo patrimonial. Sendo assim, esta espécie de subvenção está expressamente excluída da tributação. Os valores recebidos pela Aço Cearense Industrial Ltda., decorrentes do financiamento de 75% do ICMS recolhido, não se encaixam no conceito de renda disponível já que, necessariamente, possuem obstáculos jurídicos à sua livre,disposição, quais sejam, repita se, a obrigatoriedade; de aplicação exclusiva dos recursos na instalação ou ampliação do empreendimento econômico, e, como estes são registrados na reserva de capital do patrimônio liquido, s6 podem ser utilizados na absorção de prejuízos ou incorporação ao capital social. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 12 Por mais estas razões, portanto, os valores tidos por tributáveis pela autoridade fiscal não se sujeitam à tributação pelo IRPJ. Importa ainda acrescentar, apenas a titulo argumentativo, que os recursos recebidos pelo impugnante, ainda que fossem disponíveis, não seriam exigíveis porque a Aço Cearense Industrial Ltda, de acordo com a Portaria DAI/ITE — 0186/1997, da extinta SUDENE, é isenta do imposto pelo período de 10 anos, a contar do exercício de 1997. É sabido que as receitas provenientes de atividade incentivada não compõem a base de cálculo de imposto, na proporção do beneficio a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. Assim, a pessoa jurídica instalada na regido da SUDENE ou SUDAM, por exemplo, com isenção de 100% (cem por cento) sobre o lucro da exploração, como é o caso do impugnante, não possui o dever legal de incluir na base de cálculo do IRPJ a receita bruta da atividade incentivada. Se a empresa tiver direito à redução de 50% (cinqüenta por cento) do imposto, será excluída da base de cálculo, portanto, a metade da receita bruta da atividade incentivada. Como se pode observar pela mencionada Portaria, a atividade incentivada do impugnante é justamente a instalação da unidade industrial da empresa situada no Município de Caucaia. Logo, caso os valores apontados pela autoridade fiscal fossem tributáveis, como lucro da atividade incentivada, ainda assim o lançamento seria improcedente, ao menos no tocante ao IRPJ, em virtude da isenção gozada pela empresa quanto ao imposto. Corroborando o raciocínio acima transcreve as fls. 151 ementa de acórdão do 1° CC. A DRJ decidiu conforme ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MOR Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 8 13 A norma albergada pelo art. 138 do CTN não alcança o pagamento espontâneo efetuado com atraso pelos contribuintes, independentemente de o crédito tributário já se encontrar constituído ou não, devendo neste ser incluída a competente multa de mora, conforme de forma expressa determina a legislação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ISENÇÕES OU REDUÇÕES DE ICMS Os valores correspondentes ao beneficio fiscal de redução ou isenção de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação especifica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro operacional. ISENÇÃO ALCANCE DO BENEFÍCIO A isenção referese ao imposto e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em função de despesas indedutíveis ou de receitas omitidas, porque tais parcelas adicionadas ao lucro liquido para determinação do lucro real não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação. IRPJ. DIFERENÇAS APURADAS. A falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVAS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA Por expressa disposição legal, a falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de oficio isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período ou mesmo de Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 14 formalização de oficio de exigência de tributo devido ao final do ano, com a conseqüente aplicação da multa proporcional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalenddrio: 2002, 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Aplicase As exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto A exigência matriz, devido a intima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de oficio, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. A recorrente foi cientifica do acórdão DRJ em 09/01/2008 e apresentou recurso em 01/02/2008. Em seu recurso repete os argumentos da impugnação e em especial alega: que o lançamento não observou o decidido do acórdão 10194676 da 1ª Câmara do primeiro conselho de contribuintes, havendo no caso desrespeito ao principio da hierarquia; . a nulidade do lançamento do imposto de renda pessoa jurídica mensal, referente aos períodos de novembro a dezembro de 2004, por ofensa ao principio da legalidade;. que não foi expedido o mandado de procedimento fiscal complementar para investir a fiscalização de poderes para fiscalizar o imposto de renda pessoa jurídica estimativa mensal referente ao exercício de 2004; que o pagamento da estimativa em atraso eve ser beneficiado pelo instituto da denúncia espontânea previstas no artigo 138 do CTN; que os valores recebidos do governo do estado Ceará configuram subvenção para investimento e devem ser excluídos do lucro liquido para efeito de determinação do lucro real; que no caso das subvenções para investimentos, a lei tributária estabelecem expressamente sua exclusão do lucro real, desde que registradas como reserva de capital; sobre a matéria acima traz jurisprudência administrativa e judicial; que na situação em exame, a subvenção recebida pela a Aço e Cearense Industrial, configurada para devolução de parcelas recolhidas de ICMS, enquadrase como subvenção para investimento, uma vez que é registrada na reserva de capital do patrimônio liquido, não devendo ser computada, pois, na determinação do lucro real, pelo o que fica afastada tese fazenddria de que os valores caracterizariam devolução de custos, para fins do disposto no inciso II do artigo 392 do RIR/99; Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 9 15 que houve violação o conceito de renda estabelecidos no CTN e na constituição federal. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Nulidade. Decisão do CC em outro processo. Não há nulidade no fato da decisão recorrida não ter observado decisão anterior do Conselho de Contribuintes preferida em outro processo. Nulidade. MPF. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. IRPJ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido por governo estadual, a titulo de subvenção para capital de giro, não se traduz em "subvenção para investimento", mormente quando não efetiva e especificamente aplicada pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, mas sim para atender despesas correntes do beneficidrio.Estimativas pagas em atraso. Não se aplica o art. 138 do CTN ao pagamento de estimativa em atraso, devendo os pagamentos serem acompanhados de multa de mora. Inconformada com a decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a exigência da multa isolada, imputada em razão da falta de recolhimento das estimativas mensais, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 383/397), o qual foi admitido (fls. 398/400) pelo presidente da 3ª Câmara da 1ª Sejul. A contribuinte interpôs recurso especial (fls. 409/436), o qual foi parcialmente admitido pelo presidente da 3ª Câmara da 1ª Sejul, para levar a CSRF a apreciar a alegação de nulidade do Auto de Infração, por falta de Mandado de Procedimento Fiscal e, no mérito, a insurgência relativa ao não reconhecimento de incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento. O recurso foi submetido a reexame, no qual o presidente da CSRF, manteve a decisão constante do despacho de admissibilidade da câmara recorrida. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 506/514). É o Relatório. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 16 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Admitidos ambos recursos, reitero presentes os pressupostos para as admissibilidades. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese a três pontos controversos: recurso especial do contribuinte: Tema 1) nulidade do lançamento da diferença de IRPJ estimativa mensal, relativa aos períodos de apuração de novembro/2004 e dezembro/2004, em virtude de que o MPF teve por objeto apenas os fatos geradores correspondentes aos anoscalendário de 2002 e 2003; tema 2 não reconhecimento de incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento, relativo aos anoscalendário de 2002 e 2003; e .recurso especial da Fazenda Nacional Tema 3) excluir a exigência da multa isolada, imputada em razão da falta de recolhimento das estimativas mensais –; Recurso Especial do Contribuinte Tema 1 Nulidade pela ausência de MPF No caso da nulidade quando à ausência de MPF, esta se dá no lançamento em que há cobrança da diferença de IRPJ estimativa mensal, relativa aos períodos de apuração de novembro/2004 e dezembro/2004, alegando o recorrente que a autuação é nula porque o período fiscalizado não foi objeto de delegação legal, pelo o que a autoridade fazendária não possuiria “legitimidade legal” para efetuar o lançamento. Alega que no caso concreto,” tendo em vista que o MPF teve por objeto apenas os fatos geradores correspondentes aos anos calendário de 2002 e 2003, o ato da autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento das diferenças de acréscimos moratórios relativas ao recolhimento, em atraso, do IRPJ estimativa mensal de novembro e dezembro de 2004,” seria nulo por inobservância dos limites da delegação legal, haja vista que não lhe foi conferida a competência para a fiscalização de qualquer tributo ou contribuição exigível em 2004. Não procedem os argumentos do recorrente expendidos no recurso especial pelo contribuinte, no que diz respeito à nulidade do auto de infração por ausência do MPF. Alega, em apertada síntese, a jurisprudência antiga do antigo CC e do CARF, traz doutrina, e cita o dispositivos genéricos do CTN, no sentido de tentar demonstrar que um auto de infração sem estar precedido de um MPF é nulo de pleno direito. De lembrar que no caso em debate, havia o MPF, e, no curso da fiscalização, foi extendida auditoria para exercício adicional sem edição de MPF complementar (art. 10 da Portaria SRF n. 3.007/2001), conforme alegado pelo recorrente. Não assiste razão ao recorrente. Ocorre que os atos infralegais que regulam o MPF não podem se sobrepor aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração (especialmente seu art. 6º ). Ademais, o ato, se entendido pelo Delegado da RFB, autoridade competente para sua expedição, como irregular deveria ter sido anulado de ofício, o que não foi feito, havendo portanto, a corroboração do Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 10 17 procedimento fiscal, visto que o MPF é apenas uma medida interna, de controle administrativo e sua ausência não contamina a essência do lançamento quando levado a efeito por autoridade competente. Neste sentido convém citar jurisprudência do CARF, mais recente que aquela trazida pelo recorrente em recurso especial, a exemplo do Acórdão 110100.699, decidido em 16/03/2012, unânime, de relatoria do i. C. Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que contém a seguinte ementa (sobre o tema em comento: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO. O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não afeta a relação da fiscalização com contribuinte. No que tange ao contribuinte, o MPF é um documento neutro. Os trabalhos da fiscalização não são afetados por qualquer elemento do MPF, que nesse aspecto apenas serve para garantir ao contribuinte que a pessoa que se apresenta como fiscal, de fato o é. Frisese, não é o MPF que dá legitimidade ao Auditor da RFB para lançar tributos, mas a lei stricto sensu, e esta não restou violada. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso especial do Contribuinte com relação à nulidade do lançamento, mantendo o lançamento em sua integralidade, em relação aos faots geradores relativos ao anocalendário de 2004. Recurso Especial do Contribuinte Tema 2 Não reconhecimento de incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento. O acórdão recorrido, em relação ao tema, tem a ementa com o seguinte teor: IRPJ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido por governo estadual, a titulo de subvenção para capital de giro, não se traduz em "subvenção para investimento", mormente quando não efetiva e especificamente aplicada pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, mas sim para atender despesas correntes do beneficiário. Não subsiste dúvida de que o tema em debate diz respeito à natureza pela qual os benefícios fiscais concedidos pelo Estado do Ceará devem ser contabilizados: se como subvenção de custeio (conforme definido no acórdão recorrido) ou se subvenção de investimento (conforme defendido pela Recorrente). Em seu recurso especial o contribuinte discorre sobre as diferenças entre transferência de renda e transferência de capital, e também entre as subvenção de custeio e de investimento, cita o Parecer Normativo CST n. 112/78 e acrescenta que no caso de subvenção para investimento, a transferência de capital pode ser feita de duas formas: por meio de Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 18 ingressos de recursos; ou por meio de isenções ou reduções de impostos, e após fixa quatro premissas para a caracterização dos ingressos como subvenção para investimento: I. As transferências devem ser contabilizadas como reserva de capital; II. Vinculação de sua aplicação aos projetos aprovados pelo Poder Público para ampliação ou expansão do empreendimento econômico; III. O seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; e IV. As subvenções para investimentos podem ser tanto ingressos de recursos como isenções ou reduções de impostos. A seguir sustenta que não há dúvidas sobre o cumprimento das premissas I, III e IV e discorre sobre o cumprimento da premissa II a partir dos termos do contrato de mútuo e cita jurisprudência do CARF. Nas contrarrazões a PGFN discorre sobre os conceitos de subvenção e seus efeitos tributários, cita o Parecer Normativo CST n. 112/79 e doutrina, sustentando que subvenções são receitas e que devem ser tributadas salvo se estiver prevista isenção, a qual deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN). Adiante cita a Solução de Divergência Cosit n. 15/2003 (pareceme que, no caso presente, todos os requisitos ali previstos foram cumpridos). A diante a PGFN sustenta que " a decisão recorrida foi perfeita ao classificar como de investimento as subvenções concedidas à Recorrente pelo Estado do Ceará." (pg. 12) Adiante revisa o pacto de mútuo e ressalta a cláusula que trata do uso dos recursos como capital de giro e sustenta que (a meu ver de maneira contraditória): "Além disso, o Contrato de Mútuo firmado pela Recorrente dispõe que os recursos do financiamento se destinam ao capital de giro, isto é, inclui apenas a transferência de recursos com a finalidade de auxiliar o beneficiário, o que afasta a subvenção da classe "subvenção de investimento"." Adiante cita a decisão da DRJ e Parecer Normativo CST n. 112/1978 e jurisprudência da CSRF que em casos semelhantes entendeu ser subvenção de custeio. Verificadas as posições do recorrente da Fazenda, passamos à análise do tema. Há um argumento, não constante do acórdão recorrido, mas que consta da decisão da DRJ/FOR (fl. 307), de que tal operação não se trata de subvenção, que merece consideração preliminar. Ora, se a operação em debate não for considerada subvenção, seria um empréstimo puro e simples e o lançamento da obrigação em conta de passivo eliminaria qualquer dúvida de que a contrapartida não deve ser contabilizada como receita tributável. Tratase de subvenção e o desenlace futuro da conta de reserva de capital (baixa ou conversão em participação) é tema cujo deslinde não impacta o lançamento em debate. Inicialmente há que se ressaltar que as subvenções são em regra receitas tributáveis pelo IRPJ, somente que as subvenções de custeio ou operação são sempre tributáveis e as subvenções de investimento não são receitas tributáveis se cumprirem determinados requisitos. É que se extrai do conjunto normativo que rege a matéria, em especial os artigos 392, I (com base no art. 44, IV, da Lei n. 4.506/1964), que trata das subvenções de custeio ou operação e 443 do RIR/1999, que tem a seguinte redação: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 11 19 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 38, § 2 º , e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º , inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Frisese que no presente caso não se trata de isenção, mas de uma forma de redução do ICMS devido por via de esquema financeiro, o que a afasta a incidência do art. 111, II, do CTN. Do que consta dos autos defluise que a contrapartida efetuada pelo contribuinte foi na conta reserva de capital ( conta 2.4.2.3.02000000 EEC FDI/PROVIN OPERAÇÃO 33.0097/8, representativa de Reserva de Capital e integrante do Patrimônio Liquido, cf. fls. 27 e 28). Assim neste aspecto cumpre a exigência do art. 443, I, do RIR. Resta perquerir se esta subvenção é de investimento no termos do caput do artigo, em virtude de que não há acusação de descumprimento dos termos do art. 545 do RIR, pois não resta dúvida de que trarase de redução de impostos, ainda que por via de esquema financeiro envolvendo agente financeiro oficial. Consta do item 1.3. do contrato que envolve o benefício que os recursos "destinamse à composição do esquema necessário ao capital de giro da unidade industrial da Mutária (contribuinte) para a produção industrializada, comercialização e representação de conformados de chapas e vergalhões de aço, bem como a importação e exportação, de acordo com o projeto econômico e respectiva memória de análise elaborada por equipe técnica do BEC" (fl. 60). Destaquese que foi a destinação à constituição de capital de giro, tendo sido o ICMS sobre vendas deduzido da receita, caracterizando a parcela do subsídio como redução de custos/despesas, que fundamentou a acusação fiscal para descaracterizar como subvenção de investimento (fl. 05), visto que os outros requisitos estão cumpridos. Na mesma linha, o acórdão recorrido se fia na destinação dos recurso para capital de giro, conforme se vê dos trechos abaixo transcritos daquele acórdão (fls. 376377): O próprio contrato firmado entre a recorrente e o banco do estado do Ceará prevê que os recursos serão utilizados para financiamentos do capital de giro e este um não se confunde com a destinação especifica prevista no artigo 443, ou seja, investimento , me parece claro que subvenção para investimento é diferente de subvenção para custeio o capital de giro. tratando de norma isentiva, aplicase o artigo 111 do código tributário nacional que prevê que interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Não pode o Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 20 intérprete alargar o conceito de investimento para permitir que também as subvenções destinadas a capital de giro tenham o mesmo tratamento fiscal. [...] Não há reparos a fazer a afirmação acima e justamente nela é que me baseio para ter entendimento diverso do exposto pela recorrente. O contrato assinado pela recorrente com o banco do estado do Ceará estabelece que os recursos serão utilizados para capital de giro e não para investimentos o que exclui o entendimento de que seria uma subvenção para investimento. Também não há nos autos elementos de convencimento de que os recursos tenham sido utilizados em outra finalidade que não capital de giro e não poderia ser diferente tendo em vista que o contrato exclui essa possibilidade. A PGFN em suas contrarrazões reforça este entendimento, mesmo porque no auto de infração e TVF não há motivação adicional (i.e., provas de destinação diversa dos recursos). Contudo pareceme não ser coerente considerarse apenas o contrato de mútuo para efeito da análise do caso presente. Antes do contrato, que é feito com um agente financeiro, há que se verificar os termos impostos pelo Governo do Estado que concedeu o benefício, e que fiscaliza o seu cumprimento. Assim, no protocolo de intenções, que decorre da lei que concedeu o incentivo, fica claro que o destino dos recursos é a expansão do empreendimento, condição que satisfaz a norma do art. 443 do RIR, pois se trata de utilizar os recursos da subvenção em "investimentos" que aqui tem sentido genérico1 (que não deve ser entendido somente como inversão em ativo imobilizado ou o investimento conforme consta da Lei 6.404/76, em seu art. 179, III, o que levaria à necessidade de usar os recursos para aquisição de ações ou quotas de capital de outra sociedade o que seria uma contradição em relação à finalidade da lei estadual que criou o incentivo). Neste sentido, sustenta o contribuinte, em aspecto não refutado (fls. 142): Com efeito, a concessão do aludido beneficio fiscal teve origem no Protocolo de Intenções assinado com o Governo do Estado do Ceará em 21 de novembro de 1995, cujo objetivo foi formalizar o estimulo à implantação de uma unidade industrial da empresa autuada. Referido documento deixou manifesto o interesse público do Estado do Ceará em fomentar o desenvolvimento da atividade econômica da empresa citada, por considerála de grande importância para o incremento da economia local e para a geração de empregos. Filiome à mesma linha de raciocínio do voto condutor do paradigma apresentado pela corrente, i.e., o Acórdão da CSRF n. 910100.566, 10 de maio de 2010, de relatoria do i. Claudemir Rodrigues Malaquias que, forte na legislação do estado que concede o benefício, entende haver subvenção para investimento, dentre outros aspectos que reforçam aquele entendimento. O mesmo me parece ocorrer no caso presente em face de lei cearense (Lei nº 10.367, de 07/12/79), que prevê em seu art. 2o: Art.2º Para a promoção industrial o FDI assegurará às empresas industriais consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado e /ou seus acionistas, 1 A doutrina também entende nesta forma, ver, e.g., Edmar Oliveira Andrade Filho. Imposto de Renda das Empresas. 6a. ed. rev. at. São Paulo: Atlas, 2009, p. 133. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 12 21 incentivos de implantação, funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação, sob a forma de subscrição de ações, participações societárias, empréstimos, observada a legislação federal pertinente. Forte também nos argumentos expendidos pela i. C. Sandra Faroni no Acórdão 10194.676, da 1a Câmara do 1o CC, de 15 de setembro de 2004, sobre tema idêntico (mesma matéria e mesmo contribuinte), considero que a operação no caso concreto corresponde à subvenção para investimento, não tendo a fiscalização comprovado sua desqualificação enquanto tal ou demonstrado, sob o ponto de vista fático ou legislativo, que se trata de subvenção de custeio. Isto posto, dou provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito ao afastamento do lançamento em relação à inclusão dos benefícios fiscais aludidos como receita que compõem a base do IPRJ e da CSLL, relativamente aos anoscalendário 2002 e 2003. Recurso Especial da Fazenda Nacional Tema 3 Exigência da multa isolada Houve lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais, conforme auto de infração, que foi mantido, nesta parte, pela decisão de primeira instância administrativa, e afastada pela decisão recorrida. Observese que a infração decorreu de omissão de recolhimento de IRPJ e CSL nas estimativas relativo à falta de contabilização/adição dos subsídios do ICMS, sendo que esta infração não é objeto de recurso. Disto resultou insuficiência de recolhimentos do IRPJ Estimativa Mensal, e foram calculados sobre balanços/balancetes de suspensão redução, em idêntico montante ao do IRPJ Anual, ficando sujeito à incidência de multa isolada de 50%, conforme auto de infração. A Fazenda Nacional alega que conforme disposição do artigo 29 da Lei n9. 9.430, de 1996, as pessoas jurídicas que optam pelo lucro real com apuração anual de resultados ficam obrigadas ao pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados mensalmente com base na estimativa, desta forma, em caso de inadimplemento dessa obrigação tributaria, a mesma Lei estipulou, no artigo 44, § U, inciso IV (atual art. 44, II, b, da Lei n.9 9.430/96, na redação dada pela Lei n. 11.488/07), a multa de oficio, que deve ser exigida isoladamente, destacando a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei n.9 9.430/96. Ressalta a recorrente que ”a expressão ‘ainda’ significa que a multa é exigida tanto na hipótese de apuração de lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, como no caso da apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Não fosse assim, o termo "ainda" seria desnecessário. E, corno se sabe, a lei não contém palavras inúteis ou desnecessárias.” Traz outras alegações citando a Instrução Normativa SRF n. 93, de 1997, o CTN e paradigma condizente com os argumentos expendidos. O paradigma trazido corrobora este entendimento. Não há contrarrazões do contribuinte. O acórdão paradigma tem basicamente a mesma linha argumentativa expendida pelo recorrente, de forma contrapor os argumentos do acórdão recorrido, e a meu ver, com melhor hermenêutica da matéria que o acórdão recorrido, portanto, concordo com os argumentos do recorrente. De observar que a jurisprudência do CARF neste aspecto parece Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 22 pender para o outro lado, mas meu entendimento é no sentido da aplicação do sistema do CTN ao caso concreto, i.e. que a dispensa de multa só pode se dar por via de lei de anistia, e de que as estimativas mensais são obrigações tributárias autônomas destacadas da obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro, e que se apenadas com sanções distintas estas não passíveis de consunsão. Desnecessário transcrever aqui, mas adoto também como razões de decidir as mesmas do Acórdão 180200.205, de 1º de outubro de 2009, expendidas pelo i. C. Jose de Oliveira Ferraz Correa em seu voto vencedor naquele Acórdão. A questão, posta de outra forma, é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa, devidas mensalmente se acumulam com a multa pelo não pagamento do tributo devido apurado na declaração anual. Entendo possível a aplicação da multa proporcional sobre o ajuste anual e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas que ensejaram, em referência ao mesmo exercício fiscal. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, sujeitamse às multas previstas na legislação que se aplica à espécie. Na redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10380.006004/200711 Acórdão n.º 9101001.798 CSRFT1 Fl. 13 23 a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos (anterior e alteração) estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário, o que nem é o caso, pois há tributo devido ao final do ano. A única distinção é o percentual aplicado, de 50% e não mais de 75%, o que inclusive motivou a aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora. Vejase que no presente caso devese aplicar a retroatividade benigna, com multa de 50% no atraso da estimativa, ainda que à época da lavratura do auto de infração ainda vigorasse a multa de 75%. Considerase, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repitase que a assunção desta obrigação foi uma opção do contribuinte e que o desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação principal referente ao recolhimento do tributo devido ao final do Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 24 período. São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Aliás, intepretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre, que embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Contudo, o colegiado da 1a T. da CSRF, à unanimidade, entendeu que este aspecto da questão ficou prejudicado tendo em vista que foi dado provimento ao contribuinte no que tange ao entedimento de que tratase de subvenção para investimento o tema central. É o voto. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 10850.906016/2011-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 01 6/ 20 11 -3 1 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 306 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do DARF, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 307 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 27 de junho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26 de julho do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 308 4 f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 1999 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 309 5 Quanto ao pedido de julgamento em conjunto dos processos identificados na peça recursal, informase que eles foram incluídos na pauta da mesma sessão, encontrandose, portanto, atendido o pedido do Recorrente acerca dessa questão. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 310 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do Livro Diário, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a rendimentos de aplicação financeira e de lucros obtidos no mercado de renda variável, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes o livro Diário e do Balancete então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 311 7 livro Diário e do Balancete correspondentes ao anocalendário sob análise, em que se confirmam as informações que já haviam sido apresentadas na primeira instância. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento, conclusão essa que se confirma no Balancete e na planilha trazida aos autos pelo Recorrente. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Resolução nº 3803000.370 S3TE03 Fl. 312 8 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10882.900912/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2002
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Joel Miyazaki - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Joel Miyazaki Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 12 /2 00 8- 14 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900912/200814 Acórdão n.º 9303002.527 CSRFT3 Fl. 12 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900912/200814 Acórdão n.º 9303002.527 CSRFT3 Fl. 13 3 à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o decreto lei 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar n 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” O colegiado recorrido, decidindo o feito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, cujo acórdão foi assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº288/67. O contribuinte apresentou recurso especial em que, basicamente, repete as alegações expendidas no recurso voluntário. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900912/200814 Acórdão n.º 9303002.527 CSRFT3 Fl. 14 4 Foi dado seguimento a esse recurso especial pelo presidente da câmara recorrida Intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. O processo foi distribuído a este conselheiro em despacho de 21 de agosto de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte insurgese contra a não homologação de seu pedido de compensação alegando supostos créditos por pagamentos indevidos de PIS e COFINS que, alega a recorrente, não incidiriam sobre vendas por ela feitas a contribuintes situados na Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, por se equipararem a exportações, para fins fiscais. Consultando os autos, verificase que a contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, junta planilhas em que constam apenas meras listagens de notas fiscais, sendo certo que tais planilhas sequer são mencionadas na referida peça recursal. Quanto ao recurso voluntário e ao especial, depreendese da leitura dessas peças que o contribuinte confunde as atividades administrativas de fiscalização e (eventual) lançamento com o procedimento de restituição/compensação. Abaixo transcrevo excertos das peças recursais a título ilustrativo: 6. Como se repara, o v. acórdão inova completamente do lançamento inicial, visto que o r. despacho decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade à Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Fica evidente que tal prática cerceou o direito de defesa da Recorrente. 7. É fato que para a comprovação do seu direito creditório (que sequer tinha sido investigado em primeira t instância, tendo sido rejeitado de plano, sem análise prévia de nenhum documento fiscal ou contábil),... (sublinhados nossos) Conforme vimos acima, a contribuinte menciona “lançamento” e “investigação”. Ora, a atividade administrativa de fiscalização é que busca investigar condutas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900912/200814 Acórdão n.º 9303002.527 CSRFT3 Fl. 15 5 Nesse procedimento, de iniciativa do Fisco, diversos passos são necessários para garantir o amplo direito de defesa à contribuinte, sendo que ao final, pode (ou não) o processo resultar em lançamento de crédito tributário. No procedimento de restituição/compensação, de iniciativa da contribuinte, o ônus da prova cabe a esta, por dever legal, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Ressaltese que a apresentação da PER/DCOMP extingue o crédito tributário, sob a condição resolutória de (eventual) posterior homologação pelo Fisco, que se dará mediante comprovação pela contribuinte do direito creditório alegado. Eventual porque a grande maioria das PER/DCOMP são “homologadas” eletronicamente pelos sistemas informatizados desde que as informações necessárias constem dos bancos de dados da Receita Federal, dispensando a apresentação de provas pela contribuinte. Assim, uma vez que a PER/DCOMP é de iniciativa da contribuinte, tem o poder de extinguir crédito tributário e que a grande maioria deles é “eletronicamente homologada”, é perfeitamente razoável que o procedimento de glosa de compensação seja um procedimento simplificado, devendo o contribuinte trazer a prova da liquidez e certeza de seus créditos assim que notificado da glosa desses. Nesta Terceira Seção de Julgamento, diversas turmas de julgamento, por unanimidade (ressaltese), tem reafirmado este entendimento conforme acórdãos abaixo transcritos para maior clareza: Acórdão nº 3301001.932– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão nº 3102001.898 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900912/200814 Acórdão n.º 9303002.527 CSRFT3 Fl. 16 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Tal entendimento é pacífico também na 1a. Seção de Julgamento, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos em que, por unanimidade (ressaltese), decidiuse que cabe ao demandante do crédito o ônus da prova de sua liquidez e certeza: Acórdão nº 1802001.818 – 2ª Turma Especial ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor, no processo de compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO CONTRA O FISCO. ATRIBUTOS. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação tributária autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento do alegado crédito é desprovida de fundamento. Na declaração retificadora, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova da escrituração contábil que pudesse evidenciar outro tipo de erro material nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Acórdão nº 1801001.626 – 1ª Turma Especial Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900912/200814 Acórdão n.º 9303002.527 CSRFT3 Fl. 17 7 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10980.000327/2006-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. EMPRESA INAPTA. SÚMULA CARF N 44.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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EMPRESA INAPTA. SÚMULA CARF N 44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 03 27 /2 00 6- 42 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.000327/200642 Acórdão n.º 2801003.352 S2TE01 Fl. 55 2 Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, à fl. 03, relativo à declaração de ajuste anual do exercício 2001, ano calendário 2000, que exige a multa por atraso na entrega da declaração no valor de R$ 165,74. Em sua impugnação, o contribuinte alegou falta de condições financeiras para pagar a multa. A 4 a Turma da DRJ em Curitiba/PR, conforme Acórdão de fls. 09/10, manteve o lançamento sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: MULTA POR A TRASO NA ENTREGA DA DIRPF Sujeitase à multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual a pessoa física obrigada a sua apresentação, por participar do quadro societário de empresa como titular ou sócio, que fizer a entrega fora do prazo fixado. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 24/09/2007 (fl. 13), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 14/15, em 04/10/2007, no qual, além da alegação de dificuldades financeiras para pagar a multa, argumenta que apresentou a declaração sob exame antes de qualquer medida de fiscalização, estando, portanto, ao abrigo do instituto da denúncia espontânea, nos termos do que dispõe o artigo 138 do Código Tributário Nacional. Conforme Resolução nº 280100.028 (fls. 46/47), o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade administrativa informasse desde quando a referida empresa estava inapta, instruindo os autos com o documento que confirma a informação prestada, tendo em vista que a empresa foi baixada em dezembro de 2008, nos termos da Lei n° 11.941/2009, art. 54, por se encontrar inapta à época, conforme resultado da pesquisa realizada no sítio www.receita.fazenda.gov.br. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fl. 50/52, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento consiste na cobrança da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual do contribuinte, referente ao exercício de 2001, anocalendário de 2000. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.000327/200642 Acórdão n.º 2801003.352 S2TE01 Fl. 56 3 A decisão recorrida confirmou a entrega em atraso da DIRPF sob exame, bem como a obrigatoriedade de sua entrega, por ser o sujeito passivo titular da firma José Casemiro de Lima, CNPJ n° 77.960.102/000183. Ocorre que a referida empresa, conforme pesquisas realizadas no sítio www.receita.fazenda.gov.br, foi baixada em dezembro de 2008, nos termos da Lei n° 11.941/2009, art. 54, por se encontrar inapta à época. Conforme relatado, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência para que a unidade administrativa informasse desde quando a referida empresa José Casemiro de Lima estava inapta. Em resposta, às fls. 51/52, a Equipe de Cadastro e Demais Atividades da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba – PR informou que a pessoa jurídica JOSÉ CASSIMIRO DE LIMA – ME CNPJ 77.960.102/000183 se encontrava na situação Inapta pelo motivo omissa contumaz desde 07/09/1997, permanecendo nesta situação até a ser Baixada nos termos dos artigos 54 e 55 da Lei nº 11.941/2009, conforme se verifica no histórico das alterações cadastrais à fl 50. Nos termos da Súmula CARF nº 44, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, não cabe a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF quando a pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio, se encontra inapta; in verbis: Súmula CARF n° 44: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Assim, no presente caso, resta considerar indevida a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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