Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15885.000191/2008-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O termo inicial para a contagem do prazo de decadência para o lançamento de contribuições previdenciárias em virtude do não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção por entidades isentas é aquele previsto no Código Tributário Nacional, não se cogitando a suspensão do prazo no período em que a entidade usufruir da isenção por estar esta condicionada a requisitos verificáveis contemporaneamente ao gozo do beneficio, e não ern
período posterior, estando a autoridade fiscal habilitada a desde sempre fiscalizar seu cumprimento e lançar as correspondentes contribuições devidas em caso de infração à legislação pertinente.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O termo inicial para a contagem do prazo de decadência para o lançamento de contribuições previdenciárias em virtude do não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção por entidades isentas é aquele previsto no Código Tributário Nacional, não se cogitando a suspensão do prazo no período em que a entidade usufruir da isenção por estar esta condicionada a requisitos verificáveis contemporaneamente ao gozo do beneficio, e não ern período posterior, estando a autoridade fiscal habilitada a desde sempre fiscalizar seu cumprimento e lançar as correspondentes contribuições devidas em caso de infração à legislação pertinente. Recurso especial negado
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15885.000191/2008-34
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4825628
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.263
nome_arquivo_s : 920201263_15885000191200834_201102.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Gustavo Lian Hadad
nome_arquivo_pdf_s : 15885000191200834_4825628.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
id : 4746124
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230212943872
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-04-20T17:32:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-04-20T17:32:09Z; Last-Modified: 2011-04-20T17:32:09Z; dcterms:modified: 2011-04-20T17:32:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7aa73d2b-366b-4829-87b4-402f6a232a10; Last-Save-Date: 2011-04-20T17:32:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-04-20T17:32:09Z; meta:save-date: 2011-04-20T17:32:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-04-20T17:32:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-04-20T17:32:09Z; created: 2011-04-20T17:32:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-04-20T17:32:09Z; pdf:charsPerPage: 1355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-04-20T17:32:09Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 15885.000191/2008-34 Recurso 258.588 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-01.263 — 2 Turma Sessão de 8 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO ITE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O termo inicial para a contagem do prazo de decadência para o lançamento de contribuições previdencidrias em virtude do não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção por entidades isentas é aquele previsto no Código Tributário Nacional, não se cogitando a suspensão do prazo no período em que a entidade usufruir da isenção por estar esta condicionada a requisitos verificáveis contemporaneamente ao gozo do beneficio, e não ern período posterior, estando a autoridade fiscal habilitada a desde sempre fiscalizar seu cumprimento e lançar as correspondentes contribuições devidas em caso de infração à legislação pertinente. Recurso especial negado. S-.1,4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Cai Marcos Candido .7 P esidente-Substituto O " GustSio Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 12/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Instituição Toledo de Ensino foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de fls. 01/12, objetivando a exigência de contribuições devidas ao INSS, destinadas A. Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, a parte dos segurados, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, e as destinadas aos terceiros (INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE e Salário Educação), no período compreendido entre 07/1997 a 08/1997. A Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 206-01.831, que se encontra As fls. 265/276 e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIAIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 PREVIDENCI4'R10 - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO — RESPONSABILIDADE SOLIDARIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCL4 QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. 0 STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Yinculante de n° 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n° 8 - "Seio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No presente caso, a NFLD foi lavrada em 15/12/2006, tendo a cientificacdo ocorrido em 19/12/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/1997 a 08/1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. 2 Processo n° 15885.000191/2008-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.263 Fl. 2 Recurso Voluntário Provido." A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para declarar a decadência. Intimada pessoalmente do acórdão em 30/06/2009 (fls. 283) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 286/292, em que sustenta, em apertada síntese, que não se operou a decadência no presente caso na medida em que a matéria envolve entidade considerada isenta pelo INSS, o que impedia a constituição de eventuais créditos tributários até que houvesse a cassação da isenção pelo Conselho Nacional de Assistência Social, ficando assim modificado o termo inicial da contagem do prazo decadencial para constituição dos créditos tributários. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho n° 2400-306, de 10 de setembro de 2009 (fls. 293/294). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentou suas contra-razões. E o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad , Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial de fls. 286/292 por meio do qual sustenta que não se operou a decadência no presente caso na medida em que o termo inicial de contagem do prazo decadencial teria sido deslocado para o momento da cassação da isenção pelo Conselho Nacional de Assistência Social, eis que antes disto a autoridade fiscal estaria impedida de proceder ao lançamento. Pretende, dessa forma, transferir o momento inicial de contagem do prazo de decadência (i) da ocorrência do "fato gerador' (art. 150, §4°, do CTN) ou (ii) do primeiro dia do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN) para a data da cassação da isenção sob o argumento de que "enquanto estava a recorrente resguardada pelo manto da isenção, a Administração Tributária encontrava- se impedida de constituir o crédito tributário que lhe atingisse" (fls. 290). Entendo, no entanto, que no assiste razão à Recorrente. De fato, a isenção das contribuições sociais para entidades de fins filantrópicos, aproveitada pelo contribuinte, a meu ver não é situação impeditiva para que a autoridade fiscal cumprisse com seu dever de fiscalização. Isto porque os requisitos para a isenção são verificáveis contemporaneamente ao período de fruição, devendo ser fiscalizados pela autoridade competente. 3 Transcrevo, abaixo, trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, nos autos do processo n° 35348.000097/2007-99, que adoto como fundamento de decidir, in verbis: "Mais a mais, é cediço na doutrina e jurisprudência que o gozo da isenção por entidade de fins filantrópicos não tem o condão de suplantar o poder-dever da autoridade fiscal de promover o lançamento, uma vez constatada a ocorrência dos fatos geradores dos tributos sem o devido recolhimento, mormente quando referido procedimento objetiva prevenir a decadência, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade fiscal, nos termos do artigo 142 do CTN. A rigor, repita-se, a própria decisão judicial exarada nos autos do processo retro corrobora esse entendimento, ao determinar o lançamento dos tributos ora devidos para efeito de se evitar a decadência. Nessa toada, admitindo-se a impossibilidade do lançamento, bem como a suspensão da decadência, em face da isenção da entidade, estaríamos dando aos artigos 151 e 173, do C7'N, extensão que dele não decorre, violando a inafasteivel sujeição do contribuinte a fiscalização. Consoante se infere do dispositivo legal supracitado, em momento algum o legislador contemplou a possibilidade da suspensão do prazo decadencial, por ocasião da fruição de isenção, suspendendo- se simplesmente a exigibilidade do crédito tributário eventualmente constituído, observados os requisitos para tanto, até decisão final no processo pertinente, o que se vislumbra no caso vertente. Frise-se, que a isenção em epígrafe não tem eficácia de impedir a constituição do crédito previdenciário pelo lançamento, porquanto a autoridade administrativa, em observância ao disposto no artigo 142 do CIN, deve exercer o seu poder-dever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando suspensa a exigibilidade do crédito. Mesmo porque, referido beneficio fiscal não afasta totalmente as obrigações tributárias, relativamente aos demais tributos não abarcados pela isenção e, bem assim, no que tange as obrigações acessórias. Neste sentido, aliás, a própria autoridade julgadora de primeira instância foi por demais enfática em afirmar: "Inicialmente há que se considerar que a concessão, pelo CNAS, do Certificado de Entidade Assistência Social (CEAS) Fundação UIVIVALI não The confere, de pronto, o direito a isenção; a concessão deste beneficio fiscal é de competência do órgão que administra as contribuições sociais previdenciciria, quando cumpridos determinados requisitos previstos ern lei. Assim sendo, o fato de a Fundação possuir o CEAS não consistiria em impedimento ao presente lançamento, assim como este não influencia na condição da Fundação de entidade de assistência social certificada pelo CNAS. Assim não há que se falar que, em face da certificação conferida pelo CNAS, o lançamento consista ern violação do direito da instituição, afronta ao principio do direito adquirido, do ato jurídico perfeito, da coisa julgada e da segurança jurídica. Não procede a alegação de que em tendo o CNAS concedido e renovado o CEAS da Fundação, circunstância que envolveu urn processo administrativo de análise e julgamento da parte (94 4 Processo n° 15885.000191/2008-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.263 Fl. 3 documental/contábil até 1999, não poderia o AFPS solicitar aqueles documentos, especialmente porque o art. 8° do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998 condiciona que as diligencias externas para suprir informações ou mesmo adotar providências fica condicionada a solicitação do CNAS, que formalmente nenhuma exigência fez ao INSS. Vejamos. Inicialmente, é importante não esquecer que a entidade, enquanto isenta, não é obrigada a pagar as contribuições sociais patronais, mas continua responsável pela retenção e recolhimentos das contribuições devidas pelos segurados, ou seja, a entidade não fica isenta das obrigações acessórias impostas as empresas em geral. Assim sendo, continua sujeita a fiscalização do órgão competente, que ci época do lançamento era a Secretaria da Receita Previdencidria (SRP), em relação ás obrigações acessórias que lhe cabem. Portanto, a época do lançamento, era prerrogativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), órgão do Ministério da Previdência Social, o exame da contabilidade das empresas, mesmo das isentas, conforme art. 33, caput e §1°, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 1° da Lei n° 11.098, de 13 de janeiro de 2005. Há ainda o fato de que a solicitação dos documentos relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias era indispensável ao cumprimento da ordem judicial que deu origem a ação fiscal. Ademais, ao contrário do que entende a impugnante, o art. 8° do Decreto n° 2.536/98, abaixo transcrito, não diz que o INSS somente poderá realizar diligencia nas entidades isentas por solicitação do CNAS. Na realidade, tal dispositivo possibilita ao CNAS, se este julgar necessário, solicitar ao INSS diligências para suprir a necessidade de informação ou adotar providencia que as circunstâncias assim recomendarem, com vistas a adequada instrução de processo de concessão ou manutenção do CEAS." (grifamos) Como se observa, inexiste qualquer limitação legal capaz de impedir o lançamento relativamente aos contribuintes isentos. Ao contrário, existe sim, determinação legal (artigo 142 do CTN, p. ex.), a qual obriga a autoridade administrativa, sendo privativa, vinculada e obrigatória a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, quando constatada a ocorrência dos fatos geradores do tributo. Com efeito, a legislação de regência, vigente a época, ao dispor sobre os requisitos para manutenção e concessão da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, estabelece que o Fisco poderá/deverá fiscalizar, além do recolhimento de tais tributos, o cumprimento dos pressupostos daquele beneficio, como segue: "Lei n° 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", 'V e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições 5 incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Art. 55 Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [-I § 40.. 0 Instituto do Seguro Social — INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo" (grifamos) "Decreto 3.048/1999 Art. 206. § 70 0 Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo; § 80 0 Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendê-los, observado o seguinte procedimento: - se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informa cão Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção;" Nessa toada, unia vez constatado que a entidade não cumpre os requisitos para manutenção da isenção, deveria o Fisco, à época, emitir Informação Fiscal propondo o cancelamento da isenção, lavrando por decorrência notificações fiscais para o período correspondente, visando evitar a decadência das contribuições previdencidrias. A fazer prevalecer este entendimento, a legislação de regência hodierna, notadamente a Lei n° 12.101/2009, regulamentada pelo Decreto n° 7.237/2010, editados com o fito de unificar as fiscalizações da antiga Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal, após a criação da RFB, determina que a autoridade fazenddria, ao vislumbrar a inobservância dos requisitos da isenção, deverá lavrar auto de infração para o período perrinente, relatando os fatos que ensejaram a constituição do crédito tributário, in verbis: "Lei n° 12.101/2009 Art. 31. 0 direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da 6 Processo n° 15885.000191/2008-34 Acórdão n.° 9202-01.263 CSRF-T2 Fl. 4 concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capitulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. sç lo Considerar-se-6 automaticamente suspenso o direito a isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. sç 2o 0 disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente." "Decreto n° 7.237/2010 Art. 41. 0 direito a isenção das contribuições sociais somente poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da Unido, se atendidos cumulativamente os requisitos previstos na Lei no 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § lo Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito a isenção, e o lançamento correspondente terá corno termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. §. 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o 0 julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972." (grifamos) Corno se observa dos dispositivos legais acima transcritos, inexiste a toda evidência impedimento para a fiscalização lavrar notificações fiscais e/ou autos de infração em desfavor de entidades beneficentes que gozem da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Ao contrário, se as normas pretéritas já previam tal possibilidade, atualmente impõem que se constitua o crédito tributário quando verificado o descumprimento dos requisitos do beneficio fiscal sob análise, ficando o débito suspenso até decisão administrativa final, afastando de uma vez por todas o argumento da Procuradoria. Diy 7 Em verdade, sequer se pode cogitar na contrariedade a lei suscitada pela recorrente, o que somente fora relevada em homenagem discussão a propósito de tema de tamanha importância. Destarte, a afronta ao artigo 173, inciso I, do CTN, como defendido na peça recursal, estaria em admitir a tese aventada pela Procuradoria que, por via transversa, extirpa o instituto da decadência do ordenamento jurídico, nos casos de isenção. Com efeito, como muito bem asseverado no Acórdão recorrido, a prevalecer o entendimento da Procuradoria, as entidades beneficentes isentas não estariam sujeitas ao prazo decadencial, em qualquer lapso temporal pretérito, uma vez que, cassada sua isenção, naquela data o fisco poderia alcançar 10, 20, 30, etc... anos para trás e lançar as contribuições previdencidrias que entender devidas, eis que o termo inicial da decadência seria a data do término da condição de isenta. Tal conclusão representa o absoluto afastamento da decadência na relação tributária entre tais contribuintes e o Fisco, o que fere de morte os princípios constitucionais da isonomia, moralidade e segurança jurídica, dentre outros, reproduzidos, igualmente, no artigo 2° da Lei n° 9.784/99, os quais devem ser observados pela Administração em suas atividades, incluindo, conseqüentemente, a Procuradoria da Fazenda Nacional. A rigor, a isenção, no caso de admitir tal conclusão da recorrente, seria uma verdadeira ficção, tendo em vista que a entidade passaria um determinado tempo sem recolher os tributos correspondentes, mas assim que perdesse a condição de isenta estaria sujeita a pagar todas as contribuições (in casu) concernentes ao período em que esteve gozando daquele favor legal, independentemente desse lapso temporal. Da mesma forma, não há se falar em afronta aos ditames do artigo 175, inciso I, do Código Tributário Nacional, vez que a isenção não impossibilita o n'ascimento da própria obrigação tributária, ao contrário do que sustenta a Fazenda Nacional. Como delineado alhures, a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias não impede a ocorrência do fato gerador do tributo, mas tão somente afasta a tributação sobre ele, remanescendo, porém, as obrigações acessórias pertinentes, como informá-los em GFIP, bem como as demais contribuições afora a cota patronal. Em verdade, o artigo 175, inciso I, do CTN, ao estabelecer a isenção como uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário exige necessariamente que aquele seja constituído. Em outras palavras, somente se pode cogitar em exclusão do débito, a partir da isenção, se for devidamente constituído por meio de um lançamento fiscal, o que faz cair por terra, novamente, o argumento de que referido dispositivo legal impossibilita o lançamento para as entidades isentas." Como bem destacado no referido voto, a legislação em vigor (art. 33 e 55, § 4° da Lei n. 8.212/1991 e 206, §§ 7° e 8°, inciso I do Decreto n. 3.048/1999), diversamente do quanto alegado pela Recorrente, expressamente detenninava às autoridades fiscais a fiscalização do cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção. Assim, não tendo sido demonstrado qualquer impedimento para que fosse constituído o crédito tributário, deve-se aplicar a regra geral do Código Tributário Nacional para a contagem do prazo decadencial das contribuições previdencidrias em questão. 614g, 8 Processo n° 15885.000191/2008-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01 263 Fl. 5 Deixo de me manifestar sobre a aplicação ao caso da regra de inicio de contagem segundo o artigo 150, § 4° ou pelo artigo 173, inciso I, ambos do CTN, tendo em vista que em qualquer caso a conclusão seria pela ocorrência de decadência. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Gust o 5)-4460( Lian Haddad 9
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005914/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2007
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das
remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-002.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10950.005914/2008-47
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4792840
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.440
nome_arquivo_s : 230102440_10950005914200847_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10950005914200847_4792840.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4747252
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230225526784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005914/200847 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.440 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente CURTUME PANORAMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração aplicado por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea “a”, do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, “caput”, da Lei 10.666/03, c/c o art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 06), a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições que deveriam ser a cargo dos segurados em relação aos contribuintes individuais administradores e autônomos a seu serviço, especificados por período, por meio da relação de nomes, valores pagos e identificação do lançamento contábil, nos discriminados dos ANEXOS "A", "B", "C" e "D"; A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0624.320, da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 182), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 189), repetindo basicamente os argumentos já apresentados na impugnação. Alega que, ao contrário do que expôs a decisão de recorrida, de acordo com os levantamentos realizados, tanto os Anexos "A" e "B" quanto os "C" e "D" correspondem ao pagamento de serviços prestados por terceiros, que trabalham por conta própria, e se referem notadamente a honorários advocatícios e fretes e carretos e, considerando que esses profissionais prestam serviços de forma autônoma, além de não manterem vínculos empregatício com o contratante (recorrente), assumem o fisco da atividade econômica exercida, motivo pelo qual, a teor do art. 30, II da Lei 8.212/91, estão obrigados a recolher a exação por conta própria. Destaca que as contribuições dos contribuintes individuais não são de responsabilidade da empresa tomadora, mas por iniciativa própria daqueles, inexistindo a propalada sujeição passiva indireta da recorrente, encontrandose desobrigada para o cumprimento da exação atribuída pelo art. 21 da Lei 8.212/91. Argumenta que, em que pese as alíquotas de contribuição serem idênticas para os avulsos e contribuintes individuais, (art. 21 — Lei 8212/91), a obrigatoriedade de recolhimento é díspar, sendo que o art. 30 tratou os contribuintes desiguais de forma desigual, respeitando a diversidade das categorias bipartidas no art. 12, inciso I alíneas "g" e "li". Entende que é induvidoso que a exigência das Contribuições descritas nos Relatórios, "A" e "B" e, "C" e "D", carecem de legalidade, tratandose de imposição atípica e injurígena, de modo que a recorrente, no caso concreto, não é sujeito passivo para o cumprimento da guisada obrigação, ressaltandose que esta ocorre exclusivamente sobre a remuneração paga aos prestadores de serviços avulsos e eventuais, tipificados no inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91, inexistentes "in casu". Finaliza alegando nulidade da exigência em apreço e, sendo nula a exigência das Contribuições da recorrente por ausência de tipicidade, inquestionável que a cobrança Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10950.005914/200847 Acórdão n.º 230102.440 S2C3T1 Fl. 2 3 MULTA reflexa pela ausência de entrega da GFIP, também as são, haja vista o caráter acessório que detém. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, constatase que em nenhum momento a recorrente nega que deixou de arrecadar, mediante descontos da remuneração paga aos segurados citados pela fiscalização, a contribuição por eles devida. Ela apenas tenta demonstrar que não está obrigada a recolher a contribuição lançada, incidente sobre os pagamentos realizados aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, argumentando que tais segurados, por prestarem serviços de forma autônoma e não manterem vínculos empregatício com o contratante, assumem o fisco da atividade econômica exercida, motivo pelo qual, a teor do art. 30, II da Lei 8.212/91, estão obrigados a recolher a exação por conta própria. Todavia, a obrigação de a empresa reter a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais, e recolher a contribuição retida, encontra amparo nos dispositivos legais transcritos a seguir: Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003, com redação dada pela Lei 11.933/2009 Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Assim, toda empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, mediante desconto de sua remuneração. Dessa forma, houve infração à legislação previdenciária e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10950.005914/200847 Acórdão n.º 230102.440 S2C3T1 Fl. 3 5 Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Assim, não há como acatar a alegação de nulidade do AI, que foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Relativamente à alegação de que a cobrança MULTA reflexa pela ausência de entrega da GFIP é nula haja vista o caráter acessório que detém, cumpre observar que é objeto do presente processo administrativo fiscal o AI lavrado por ter deixado a empresa de arrecadar, mediante descontos de suas remunerações, a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, sendo a não apresentação de GFIP totalmente impertinente e estranho ao processo ora sob análise. Portanto, a recorrente deve demonstrar seu inconformismo quanto à ausência de entrega da GFIP ou contra a ausência de recolhimento de contribuição devida nos processos que discutem os lançamentos pertinentes. Nesse sentido e Voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000217/2005-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.
Prestadas as informações bancárias pelo próprio contribuinte, não há que se falar em quebra de sigilo bancário.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ÔNUS.
O ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001, 2002, 2003
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Prestadas as informações bancárias pelo próprio contribuinte, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ÔNUS. O ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16095.000217/2005-61
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4857101
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.160
nome_arquivo_s : 180301160_16095000217200561_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Sérgio Rodrigues Mendes
nome_arquivo_pdf_s : 16095000217200561_4857101.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4748658
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230244401152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2.432 1 2.431 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000217/200561 Recurso nº 501.523 Voluntário Acórdão nº 180301.160 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SURF EXPRESS COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS E VESTUÁRIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Prestadas as informações bancárias pelo próprio contribuinte, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ÔNUS. O ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.433 2 Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.434 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 2.321 a 2.323verso): Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 28 de dezembro de 2005, no valor total de R$ 305.511,18, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 357/359: 001. Depósitos Bancários não Contabilizados Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, do 1º trimestre de 2000 ao 4º trimestre de 2002, valor tributável ou imposto e percentual da multa (75%)] Enquadramento legal: Arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430/96; art. 528 do RIR/99. 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Constatação Fiscal de fls. 348/350, que se transcreve: IRPJ ANOCALENDÁRIO 2000, EXERCÍCIO 2001. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL X RECEITA DECLARADA. Dos fatos 1.1) Em 15.08.2005, Termo de Início de fiscalização, para apresentação dos extratos bancários; 1.2) Em 07.10.2005, o contribuinte foi reintimado; 1.3) Em 14.10.2005, o contribuinte apresentou os extratos bancários; 1.4) Em 11.11.2005, o contribuinte foi intimado a justificar a origem dos créditos e depósitos em suas contas bancárias. 1.5) Até a presente data, o contribuinte não comprovou as origens dos créditos e depósitos em suas contas bancárias. Valores a Tributar Conforme exposto, os valores a serem tributados são os abaixo relacionados: [Demonstrativo referente aos anoscalendário de 2000 a 2002, discriminando, mês a mês, os montantes a serem tributados] Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.435 4 Do direito e enquadramento legal A presente matéria é tratada no art. 849 do RIR/99, que traz a seguinte redação: (...) Até a presente data, não foi apresentado a esta fiscalização nenhum documento que efetivamente comprovasse as origens dos créditos acima relacionados. Em razão do exposto e devido à inexistência das comprovações dos valores creditados em suas contas correntes, conforme constante da relação anteriormente mencionada, no valor total de R$ 2.237.655,17 (...), todos os créditos efetuados em suas contas correntes nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, conforme extratos bancários anexos, e conforme anteriormente demonstrado mensalmente, somos autorizados, dessa forma, à presunção de omissão de rendimentos, pelos valores creditados nas respectivas contas correntes, razão pela qual o contribuinte será lançado de ofício, por infração ao disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, artigo 4º da Lei 9.841/97, artigo 21 da Lei 9.532/97. 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 402/437, em 20 de janeiro de 2006, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Entende que, em decorrência da impugnação apresentada, os fatos discutidos nos autos não podem ser comunicados ao Ministério Público, para tomada de eventuais providências penais, uma vez que a investigação do suposto delito, que é material ou de resultado, não pode prescindir da prévia decisão definitiva do processo administrativo fiscal, que consubstancia uma condição objetiva de punibilidade. 3.2. Acrescenta que eventual requisição da instauração de eventual inquérito policial contraria a Constituição Federal, na medida em que iria investigar a prática de suposto crime tributário cujo lançamento não restou definitivamente constituído. Menciona jurisprudência, fls. 404/405. 3.3. Afirma que os autos de infração tiveram origem em dados da CPMF, baseandose exclusivamente em extratos bancários obtidos administrativamente, em contrariedade ao § 3º, artigo 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996. Em suas palavras: Para tanto concorrem as seguintes e relevantes II – Razões de Direito Que se consubstanciam na nulidade e improcedência dos lançamentos tributários lavrados contra a Impugnante pela (o): a) cerceamento do direito de defesa na fase averiguatória, de fiscalização e do processo administrativo de lançamento; bem como pela inobservância do princípio da verdade material; b) inconstitucionalidade dos lançamentos, pelo desvio de finalidade do poder público na utilização da quebra de sigilo bancário para constituição dos créditos bancários; Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.436 5 c) inconstitucionalidade dos lançamentos, pela quebra do sigilo bancário pelas vias administrativas; d) inconstitucionalidade dos lançamentos, por basearse exclusivamente em extratos bancários e depósitos para a constituição dos créditos tributários; e) improcedência dos AIs, em razão da inclusão, na base de cálculo dos tributos ora lançados, de valores que somente circularam nas contas da Impugnante e nunca lhe pertenceram, com fundamento no § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96; e f) improcedência dos AIs, por desconsiderar as despesas dedutíveis na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como do PIS e da COFINS, já que a D. Fiscalização presumiu, por arbitramento, as receitas e não abateu as reais despesas dedutíveis do período. 3.4. Aduz que a autoridade fiscal formalizou os autos de infração sem averiguar a verdade material e sem instaurar validamente o procedimento contraditório na fase de fiscalização, para que prestasse os esclarecimentos e comprovasse com documentação hábil e idônea as diferenças entre os valores declarados e os presentes nos extratos das instituições financeiras. 3.5. Dessa forma, teria havido cerceamento de seu direito de defesa, pois se desconsiderou os montantes constantes nas declarações apresentadas e impôs tributação pela totalidade dos créditos em suas contas bancárias, sem lhe dar real oportunidade para se explicar, tendo em conta que foi intimada a prestar referidos esclarecimentos num prazo de 20 (vinte) dias, o que se mostrou notoriamente impossível, diante dos inúmeros cheques, transferências e depósitos presentes em suas contas. Acrescenta que o prazo não foi prorrogado, tendo em vista que a fiscalização consignou que precisava lavrar o auto de infração até o final de dezembro de 2005, em face da decadência. Ressalta que a intimação foi recebida em 11/11/2005, enquanto os autos foram lavrados em 23/12/2005. 3.6. Disserta amplamente sobre o princípio da verdade material e afirma que, por força do princípio da legalidade, a tarefa de subsunção dos fatos à norma jurídica é plenamente vinculada, sendo inadmissível qualquer interferência valorativa por parte da autoridade fiscal, sendolhe vedada a utilização de presunções. 3.7. Reitera que, diante da impossibilidade de conseguir prestar os esclarecimentos necessários no prazo de 20 dias, os lançamentos distanciamse da verdade material, baseandose exclusivamente em presunções, impondose o reconhecimento da nulidade do processo administrativo, diante do procedimento arbitrário adotado. Menciona doutrina a embasar seus argumentos. 3.8. Assinala que houve desvio de poder na utilização da quebra de sigilo bancário para constituição do crédito tributário, com a nova redação ao artigo 11 da Lei nº 9.311, de 1996, porque esta, a pretexto de atingir um objetivo (arrecadar CPMF), visa outro (devassar as contas bancárias do cidadão brasileiro e propiciar a cobrança de créditos tributários), o que macula o ato administrativo de nulidade. Acrescenta que não há como sustentar que haveria um interesse público na quebra de sigilo bancário, diante do que dispõe a Constituição Federal, artigo 145, § 1º. 3.9. Argumenta que a quebra de sigilo bancário no anocalendário de 2000 e janeiro de 2001 não encontra respaldo legal, tendo em vista que se trata de informações anteriores ao advento do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. E, nos outros períodos, tal norma legal não pode restringir um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.437 6 3.10. Reitera a impossibilidade de quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, por ausência de previsão constitucional, em analogia com a vedação que teria sido imposta ao Ministério Público, conforme jurisprudência que elenca, fl. 421. 3.11. Afirma que o procedimento adotado viola a intimidade e a vida privada das pessoas, pois investiga o segredo profissional, as relações interpessoais e os negócios particulares. Menciona a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, a qual estaria ainda vigente. 3.12. Referese ao artigo 42, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, que, ao tratar da omissão de receitas, prevê a possibilidade de prova de valores pertencentes a terceiras pessoas, depositadas nas contas bancárias ou de investimentos da contribuinte e acrescenta que a grande maioria dos depósitos presentes em suas contas não lhe pertence, porque efetuados por empresas do mesmo Grupo “Surf Xpress”, relacionadas à fl. 425. 3.13. Nesse sentido, afirma que demonstrará documentalmente e por testemunhas que não auferiu a totalidade das supostas receitas, pois grande parte dos depósitos é de terceiras empresas que depositavam tais recursos em sua conta, para fins de desconto de títulos ou de transferências de cartões de crédito ou débito. Dessa forma, não houve a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, fato gerador do IRPJ, ou lucro auferido e faturamento, fatos geradores da CSLL e das contribuições exigidas (PIS e COFINS). Em suas palavras: Como prova préconstituída, a fim de aclarar a situação para a D. Fiscalização, a impugnante junta alguns jogos de documentos que servirão para diferenciar os depósitos em cheque depositados nas contas da impugnante (vide documentos anexos). Verifiquese que cada cheque depositado tem, no verso, a identificação da empresa a qual o numerário pertence, empresa esta que certamente recebeu o título por conta da venda de uma mercadoria de sua propriedade. Sendo assim, todos os cheques que foram depositados e somente circularam nas contas da impugnante não podem ser considerados suas receitas e/ou fazer parte de seu faturamento, para fins de compreenderem base de cálculo para a apuração dos tributos exigidos por meio dos AIs impugnados. Assim, para comprovar real e documentalmente a quantia exata depositada nas contas da impugnante, a seu cargo, necessário se fará a microfilmagem de todos os cheques, depósitos e transferências que constam nas contas bancárias abaixo especificadas, para constatar a origem e o destino do numerário em questão, e, consequentemente, afastar a tributação ora perpetrada, ou, pelo menos, uma grande parte dela. Consignese: as contas bancárias da impugnante somente serviam para depósito/desconto dos títulos das empresas do “grupo” da impugnante, não podendo ela suportar a totalidade da tributação pela integralidade dos valores depositados em suas contas bancárias, conforme fundamentação supra, até mesmo porque todas as empresas possuem personalidade jurídica e contabilidade autônomas. 3.14. Afirma que foi utilizada a base de cálculo presumida e arbitrada, ao se considerar a integralidade dos créditos que circularam pelas suas contas. Dessa forma, como a base de cálculo e o lucro têm fundamento no lucro real, deveriam ter Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.438 7 sido consideradas as despesas dedutíveis suportadas no mesmo período, para se apurar a real base de cálculo dos tributos lançados. 3.15. Anexa diversos documentos que comprovariam as despesas dedutíveis, a fim de serem acolhidas e abatidas das bases de cálculo. 3.16. Requer a realização de perícia e diligências, a teor do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Outrossim, e, como o presente processo é regido pelo Princípio da Verdade Real, é a presente para requerer se digne Vossa Senhoria de autorizar e determinar seja realizada uma ampla perícia nas contas bancárias da impugnante, para se determinar e identificar todas as respectivas entradas e saídas nos anos de 2000 a 2002, bem como a origem dos depósitos efetuados em suas contas e o destino desses numerários. Igualmente, a perícia será apta para identificar o sacador dos títulos ou titulares das transferências dos depósitos em suas contas bancárias e também trazer a estes autos a microfilmagem de todos os cheques e transferências referentes a essas transações de entradas e saídas, tudo para que seja capaz da impugnante demonstrar e provar que a grande parte dos depósitos em suas contas nunca lhe pertenceu, mas sim a terceiras empresas, exercitando, com isso, seu direito constitucional à ampla defesa que detém, para afastar as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas. Eis aqui a justificativa e a pertinência da perícia pleiteada. É o que desde já requer. Para tanto, a impugnante vem informar quais as instituições financeiras que detinha contas bancárias, para que elas sejam oficiadas para apresentar, no bojo destes autos, as provas para a realização da perícia acima requerida, como: a microfilmagem da integralidade dos cheques depositados e emitidos nas suas contas bancárias, as transferências e demais movimentações bancárias, que desde já requer a título de diligência, os quais serão impreterivelmente documentos de prova para a aludida perícia, tendo em vista que, em 30 (trinta) dias, que é o prazo para apresentação da presente impugnação, as Instituições Financeiras se negaram a apresentar os referidos documentos, em razão do exíguo prazo. As instituições financeiras são: (...) Requer, igualmente, para complementar a perícia solicitada, sejam, após a vinda das informações dos Bancos Bradesco, Brasil e Itaú, oficiadas às respectivas instituições financeiras “emissoras” dos cheques, DOCs ou outras transferências, para que informem e identifiquem os sacados dos títulos (cheques) ou titulares das transferências realizadas para as contas da impugnante, e também trazer aos autos a microfilmagem desses cheques, DOCs ou transferências referentes a essas transações, tudo para identificar a origem e o destino dos valores circulados nas contas da impugnante e demonstrar e comprovar, repitase, que referidos valores nunca lhe pertenceram, afastando, com isso, as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas, o que desde já requer. A justificativa e a razão para esta diligência é a mesma da perícia acima. 3.17. Indica como perito seu contador, Sr. Sebastião Luiz Gonçalves dos Santos, com endereço e demais dados detalhados à fl. 432, bem como os quesitos de fls. 435/437. Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.439 8 3.18. Requer a realização de prova oral, com a realização de audiência para a inquirição de testemunhas arroladas, a fim de colher prova de que os cheques depositados em suas contas pertenciam a terceiras pessoas. 3.19. Por fim, pleiteia que a perícia se estenda aos documentos anexados, principalmente os relativos a despesas dedutíveis, para fins de determinação da real base de cálculo dos tributos lançados, como também para determinar se os recursos para a quitação das despesas tiveram origem e saída de suas contas bancárias. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte da exigência fiscal mantida (fls. 2.320 a 2.321): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Com a apresentação da impugnação, o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado, o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não houve ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias fornecidas pela própria contribuinte, mediante intimação fiscal. Ademais, a obtenção dos extratos bancários está em absoluta conformidade com as normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. NORMAS PROCESSUAIS. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.440 9 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. A forma de tributação utilizada no Lucro Presumido, a partir de percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, considera a maior parcela dos depósitos bancários não identificados como custos ou despesas, respeitando os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. [...]. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2000, 2001, 2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 06/08/2009 (fls. 2.356), a tempo, em 19/08/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 2.357 a 2.396, instruído com os documentos de fls. 2.397 a 2.399 e 2.402 a 2.417, nele argumentando, em síntese: a) que o presente recurso voluntário limitarseá à discussão: (i) da nulidade da autuação, posto pautarse em informações sigilosas; (ii) inexistência de acréscimo patrimonial a ensejar a tributação pelo IRPJ; e (iii) inadmissibilidade de lançamento com base em informações bancárias, segundo posição consolidada no antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) que houve inequívoca violação, injustificada, do direito ao sigilo de dados pessoais, resultando a respectiva obtenção, no particular, inadmissível; c) que ilegal, inconstitucional e, pois, nulo o procedimento empregado pela fiscalização, restando o auto de infração respectivo eivado de nulidade insanável, sendo de rigor que assim o seja declarado, por ferir de morte, dentre outros princípios, o do sigilo de dados pessoais, constitucionalmente resguardado (art. 50, X, da Constituição Federal); d) que, à época da lavratura do Termo de Início de Fiscalização a autoridade fiscal já dispunha, antecipadamente, de dados sigilosos da Recorrente, tanto que a intimou para fornecer extratos bancários, dada a incompatibilidade entre a movimentação financeira e a receita declarada; Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.441 10 e) que, para os fatos ocorridos no anocalendário de 2000, não havia instrumento normativo que respaldasse a pretensão da fiscalização, no que tange à constituição de crédito tributário de IRPJ e reflexos, com base em movimentação financeira, notadamente com informações da CPMF; f) que, até 2001, a Lei 9.311, de 1996, não autorizava a Receita Federal a utilizar os dados relativos à CPMF para constituir outro crédito tributário senão o da própria CPMF; g) que não merece subsistir o argumento de que o artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional, autoriza a aplicação de legislação posterior ao fato imponível; h) que, no mérito, a autoridade fiscal, quando da fiscalização, deveria fazer uma análise das receitas e das despesas, para, então, concluir pelo acréscimo patrimonial, contudo, ao revés, considerou, isoladamente, os depósitos a crédito; i) que, se houvesse, por parte da autoridade fiscal, a correta mensuração de despesas e receitas, chegarseia à conclusão que não houve acréscimo patrimonial a ser tributado pelo IR pelo menos não no valor apurado; j) que, segundo abalizada doutrina e uníssona jurisprudência, para que haja incidência do imposto sobre a renda, necessário, antes, seja comprovada a existência do acréscimo patrimonial ou, como comumente tratado, sinais exteriores de riqueza, o que, no particular, não restou demonstrado pela fiscalização; k) que os valores depositados nas contas correntes tinham como destinatários outras empresas do grupo “Surf Xpress”; l) que a autoridade julgadora não deu o devido destaque ao fato de as contas correntes, indicadas na autuação, pertencerem, também, às empresas (1) Parra Comércio de Artigos Esportivos Ltda., CNPJ 64.560.063/000185; (2) Silcan Surf Action Comercio de Artigos de Vestuário Ltda., CNPJ 00.178.884/000179; (3) Lima Boechat Comércio de Calçados Ltda., CNPJ 60.860.707/000108; (4) Perez Comércio de Calçados e Vestuário Ltda., CNPJ 64.560.048/000137; (5) Surf Xpress Comércio de Vestuário Artigos Esportivos e Acessórios Ltda., CNPJ 01.518.996/000194; (6) Surf Teen Comércio de Vestuários Artigos Esportivos e Acessórios Ltda. e (7) Trust Comercio de Artigos Esportivos e Vestuário Ltda, CNPJ 04.498.362/000185; m) que as contas sub examine pertenciam conjuntamente às empresas do grupo “Surf Xpress”, acima arroladas, sendo certo que os depósitos realizados nas contas bancárias da Recorrente tinham como destinatárias, em sua maioria, as empresas do grupo, as quais, cumpre informar, são devidamente constituídas e possuem tributação autônoma, contudo, sem conta corrente com titularidade própria; Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.442 11 n) que, nesse sentido, para comprovação do alegado, a Recorrente acostou inúmeros cheques à Impugnação, cada qual com um carimbo no verso, que identificava a empresa destinatária do valor, como pagamento de venda realizada; o) que salta aos olhos, com clareza solar, que mesmo diante dos documentos apresentados, houve por bem a autoridade julgadora ignorar o fato de que havia depósitos que não pertenciam à Recorrente; p) que a forma como discriminado no verso do cheque deixa claro que o valor do documento pertencia à terceira empresa, diversa da Recorrente, indo ao encontro da tese ora advogada, qual seja, de que os valores apenas transitaram pela conta corrente da Recorrente, sem, contudo, pertencer a ela; q) que, uma vez demonstrado que os valores apontados no auto de infração apenas transitaram pela conta da Recorrente, não lhe pertencendo, torna se improcedente o lançamento; r) que é confiscatória a multa fixada, devendo ser reduzida a patamar razoável; e s) que é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic para o fim de cálculo de juros moratórios incidentes sobre os tributos pretensamente devidos à União. Em mesa para julgamento. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.443 12 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do lançamento 4. Argui a Recorrente, preliminarmente a nulidade da autuação, posto pautarse em informações sigilosas. 5. Com relação à suposta “quebra de sigilo bancário”, esta não sucedeu no presente processo, uma vez que a própria Recorrente, em atendimento a intimação nesse sentido, forneceu, de livre e espontânea vontade, os extratos bancários nos quais se baseou a autuação (fls. 66). 6. Nesse sentido, os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 120100.157 — 2ª Câmara – 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2009 EXTRATOS BANCÁRIOS — não há violação de sigilo bancário no caso de lançamento esteado em depósitos bancários, especialmente, se os extratos foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo. [...]. Acórdão nº 130100.289 — 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. [...]. Acórdão nº 120200.307 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2010 EXTRATOS BANCÁRIOS ENTREGUES PELO CONTRIBUINTE. PROVA ILÍCITA. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.444 13 A entrega, pelo contribuinte, dos extratos com sua movimentação financeira bancária não configura a existência de prova ilícita. [...]. Acórdão nº 140200.273 – 4ª Câmara – 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de novembro de 2010 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Não há descumprimento de decisão judicial por quebra de sigilo bancário quando o sujeito passivo fornece seus extratos bancários sem opor resistência. [...]. Acórdão nº 180300.771 – 4ª Câmara – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2011 INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em quebra de sigilo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação da autoridade administrativa nesse sentido. 7. Írritas, por conseguinte, todas as alegações da Recorrente que têm como pressuposto básico uma pretensa “quebra de sigilo bancário” (fls. 2.359 a 2.376). 8. Reiterase, ainda, que a autuação se baseou nos dados constantes dos extratos bancários fornecidos espontaneamente pela Recorrente, e não em dados de CPMF que, quando muito, poderiam se constituir, se fosse o caso, em meros indícios, insuscetíveis de qualquer lançamento. 9. Rejeito a preliminar arguida de nulidade do lançamento. Depósitos bancários de origem não comprovada 10. Esclarecese, de início, que não foram desconsiderados, pela fiscalização, os montantes de receitas constantes nas declarações apresentadas, tendo sido tributados apenas os créditos em contas bancárias de origem não justificada excedentes àqueles montantes (fls. 346 e 347). 11. Também não foi tributada a totalidade dos créditos nas contas bancárias da Recorrente, mas somente aqueles cujo histórico não identificava, em princípio, a respectiva origem dos recursos (art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). 12. Quanto à alegada inexistência de acréscimo patrimonial a ser tributado pelo Imposto de Renda e à suposta ausência de sinais exteriores de riqueza, não demonstrados pela fiscalização, incide na espécie a Súmula CARF nº 26, de seguinte teor: Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.445 14 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 13. Evidentemente, a dispensa de comprovação do consumo da renda tem como reflexo a desnecessidade de o fisco demonstrar a existência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza, os quais dão origem àquele consumo. 14. Dessa forma, por força da mencionada Súmula, estão superados os entendimentos externados por este Conselho nas ementas transcritas pela Recorrente de fls. 2.380 a 2.382. 15. No que se refere à assertiva da Recorrente de que teriam sido incluídos, na base de cálculo dos tributos lançados, valores que somente circularam em suas contas e que nunca lhe pertenceram (empresas do mesmo Grupo), nada restou comprovado a esse respeito. 16. De conformidade com o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública, conforme se verifica a seguir (fls. 429 e 430, grifouse): Outrossim, e, como o presente processo é regido pelo Princípio da Verdade Real, é a presente para requerer se digne Vossa Senhoria de autorizar e determinar seja realizada uma ampla perícia nas contas bancárias da impugnante, para se determinar e identificar todas as respectivas entradas e saídas nos anos de 2000 a 2002, bem como a origem dos depósitos efetuados em suas contas e o destino desses numerários. Igualmente, a perícia será apta para identificar o sacador dos títulos ou titulares das transferências dos depósitos em suas contas bancárias e também trazer a estes autos a microfilmagem de todos os cheques e transferências referentes a essas transações de entradas e saídas, tudo para que seja capaz da impugnante demonstrar e provar que a grande parte dos depósitos em suas contas nunca lhe pertenceu, mas sim a terceiras empresas, exercitando, com isso, seu direito constitucional à ampla defesa que detém, para afastar as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas. Eis aqui a justificativa e a pertinência da perícia pleiteada. É o que desde já requer. [...]. Requer, igualmente, para complementar a perícia solicitada, sejam, após a vinda das informações dos Bancos Bradesco, Brasil e Itaú, oficiadas às respectivas instituições financeiras “emissoras” dos cheques, DOCs, ou outras transferências, para que informem e identifiquem o sacados dos títulos (cheques) ou titulares das transferências realizadas para as contas da impugnante, e também trazer aos autos a microfilmagem desses cheques, DOCs ou transferências referentes a essas transações, tudo para identificar a origem e o destino dos valores circulados nas contas da impugnante e demonstrar e comprovar, repitase, Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.446 15 que referidos valores nunca lhe pertenceram, afastando, com isso, as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas, o que desde já requer. A justificativa e a razão para esta diligência é a mesma da perícia acima. 17. Há que se ressaltar que a mera existência de carimbos ou anotações no verso de cheques poderia comprovar, quando muito, a destinação dada aos recursos depositados, mas não a origem desses recursos, como pretendeu a Recorrente. 18. Além disso, notase a existência de créditos decorrentes de transferências eletrônicas, e não de cheques (CRED. TEF, REDE CARD, REDE SHOP – fls. 299 a 345). 19. Por fim, destacase o fato de constar naqueles cheques (fls. 492 a 507), também, em seu verso, carimbo de conta corrente de outra empresa para depósito, como segue (fls. 104, 491 e 506): Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.447 16 [...]. 20. Para comprovar que os recursos creditados em sua conta corrente (e não na de outros, como pretendeu) eram realmente oriundos de operações de terceiros, deveria a Recorrente ter anexado aos autos as notas fiscais/duplicatas que deram origem a esses recursos, com datas e valores coincidentes aos dos correspondentes créditos bancários a serem justificados. 21. Como se sabe, cada venda deve estar amparada por nota fiscal, que serve como documento comprobatório da origem dos respectivos recursos recebidos. Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.448 17 22. Com relação à insurgência recursal quanto à suposta desconsideração de despesas dedutíveis na base de cálculo do IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, tratase, no caso, de tributação pelo lucro presumido, conforme opção efetuada pela própria Recorrente em suas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 23, 35 e 47), pelo que, nos percentuais de presunção do lucro (8% e 12% da receita bruta, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL – fls. 351 a 353 e 382 a 387), já estão automaticamente consideradas aquelas despesas (92% e 88% da receita bruta, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL). 23. Assim, não há que se fazer “uma análise das receitas e das despesas” ou “a correta mensuração de despesas e receitas” ou, ainda, a “análise global das despesas e receitas” (fls. 2.379). Alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade 24. No tocante às alegações de ser confiscatória a multa fixada e ser ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic para o fim de cálculo de juros moratórios, aplicase a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Demais exigências 25. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13848.000108/2005-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
Ementa: A Multa por atraso na entrega da DCTF deve ser mantida, uma vez demonstrado que a situação fática descrita pelo contribuinte não se configura caso fortuito.
Numero da decisão: 9101-001.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso da Fazenda Nacional. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: A Multa por atraso na entrega da DCTF deve ser mantida, uma vez demonstrado que a situação fática descrita pelo contribuinte não se configura caso fortuito.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13848.000108/2005-03
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4882833
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.026
nome_arquivo_s : 910101026_13848000108200503_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Alberto Pinto Souza Junior
nome_arquivo_pdf_s : 13848000108200503_4882833.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou o relator pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
id : 4746712
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230252789760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13848.000108/200503 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.026 – 1ª Turma Sessão de 25 de maio de 2011. Matéria DCTF. MULTA POR ATRASO. CASO FORTUITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DEL ARCO REPRSENTAÇÕES DE PRODUTOS PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL LTDA.. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: A Multa por atraso na entrega da DCTF deve ser mantida, uma vez demonstrado que a situação fática descrita pelo contribuinte não se configura caso fortuito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou o relator pelas conclusões. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão no 30239973 (doc. a fls. 41 a 48), o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 83DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. CASO FORTUITO. Tendo o contribuinte comprovado a ocorrência de caso fortuito, deve ser excluída a responsabilidade pelo atraso no adimplemento da obrigação acessória e afastada a penalidade respectiva. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O Auto de Infração (doc. a fls. 02) foi lavrado para cobrança de multa referente ao atraso na entrega de DCTF do primeiro trimestre de 2003, a qual foi entregue em 16.05.2003, ou seja, um dia após a data limite para a entrega (15/05/2003). Em sua defesa, o contribuinte alegou que ficou impossibilitado de apresentação da DCTF no dia 15/05/2003, pois houve uma queda momentânea de energia elétrica nas dependências do Escritório de Contabilidade responsável pela entrega da referida Declaração, causando problemas no sistema operacional do microcomputador que seria utilizado para enviar as informações para o site da Receita Federal, sendo que os problemas somente foram resolvidos no dia seguinte, dia este, em que foi entregue a DCTF. Como prova do alegado, anexou: Boletim de Ocorrência n° 287/03 lavrado no dia 16/05/2003 onde encontrase como vitima a empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica — Caiuá Serviços de Eletricidade S/A; e Declaração emitida pela empresa Caiuá Serviços de Eletricidade S/A confirmando o fato ocorrido. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto manteve o lançamento (doc. a fls. 23 a 24), por entender que acontecimentos fortuitos como a interrupção de energia elétrica por 10 (dez) segundos não implica dilação de prazo para o cumprimento de obrigação acessória, nem elide a aplicação da penalidade legal decorrente do inadimplemento no seu cumprimento. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 31 e 32), no qual explica que o curto circuito que causou a referida queda de energia, danificou o disco rígido e consequentemente o sistema operacional do microcomputador, que seria utilizado para transmitir a DCTF. Assim, sustenta que o atraso de 1 (um) dia na entrega da DCTF não foi devido ao fato da queda momentânea da energia elétrica, e sim o que esta queda causou ao microcomputador. A Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão no 302‐39.973 (doc. a fls. 41 a 47), decidiu que devia ser excluída a responsabilidade pelo atraso no adimplemento da obrigação acessória e afastada a penalidade respectiva, uma vez que o contribuinte comprovou a ocorrência de caso fortuito. A Fazenda Nacional teve ciência do referido Acórdão em 12/05/2009 (doc. a fls. 49) e interpôs Recurso Especial em 23/05/2009 (doc. a fls. 51 a 58), com fundamento no art. 7o, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior, o qual foi admitido em despacho do Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF (doc. a fls. 61 e 62). Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional sustenta que as justificativas apresentadas pela contribuinte no sentido de que a penalidade imposta deve ser cancelada em razão de queda momentânea de energia elétrica ocorrida no último dia do prazo para remessa da DCTF não socorre a empresa de maneira alguma, pois como registrado pelo próprio Boletim de Ocorrência e pela declaração da empresa responsável pelo fornecimento de energia Fl. 84DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13848.000108/200503 Acórdão n.º 9101001.026 CSRFT1 Fl. 2 3 elétrica, a queda de energia durou aproximadamente dez segundos, prazo este que não impossibilitou de forma alguma a remessa tempestiva da declaração, eis que por demais diminuto, podendo a empresa diante de tal incidente apresentála durante qualquer outro período. Devidamente cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não se manifestou (doc. a fls. 66 a 68). É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto S. Jr, Relator. Presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso especial. Do que foi decidido pelo acórdão recorrido, afloram três indagações: a) Casos fortuitos podem justificar o descumprimento de obrigações acessórias tributárias? b) O evento descrito pelo contribuinte pode ser classificado como caso fortuito? c) Restou provado que este evento descrito pelo contribuinte deu causa ao atraso na entrega da DCTF? Inicialmente, cabe lembrar os ensinamentos de Hely Lopes (in Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, 28ª edição, p. 231), para quem “caso fortuito é o evento da natureza que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade, cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do contrato”. Na mesma linha, Marçal Filho (in Curso de Direito Administrativo, ed. Saraiva, p. 363), define como ocorrência de fato excepcional e imprevisível, estranho à vontade das partes e que impossibilite o cumprimento dos prazos anteriormente previstos.”. O parágrafo único do art. 393 do Código Civil dispõe que “O caso fortuito ou força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir”. Tal conceito, que parece amplo e abragente a todo Direito, está limitado à matéria do caput, a qual trata de direito obrigacional, mas precisamente sobre a responsabilidade do devedor civil pelos prejuízos causados pelo caso fortuito ou força maior. Outro dispositivo legal importante que se vale do conceito de “caso fortuito” é a Lei no 8.666/93, quando no seu art. 78, inciso XVII, o colocam como um dos motivos para se rescindir o contrato administrativo. Temos ainda a utilização do conceito de caso fortuito no Código Penal, especialmente no § 1º do art. 28, o qual isenta de pena o agente que por embriaguez completa decorrente de caso fortuito for incapaz de entender o caráter ilícito da sua conduta. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 Notase assim, que o caso fortuito é todo evento da natureza que torna impossível a alguém agir de acordo com a sua livre vontade e que, por isso, fica afastada a sua responsabilidade penal por sua má conduta ou, cível, pelo inadimplemento de uma obrigação. Todavia, vale observar que estamos falando da aplicação da teoria da imprevisão e do conceito de caso fortuito em situações de responsabilidade subjetiva do agente. Ocorre, porém, que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva. Ou seja, a vontade do contribuinte é irrelevante para a sua responsabilização por infrações tributárias, já que o art. 136 do CTN dispõe que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente”. Ao se compulsar o CTN, não se verifica qualquer dispositivo que autorize o intérprete da norma tributária a dispensar uma penalidade em decorrência de um caso fortuito, nem há na legislação específica da matéria em exame qualquer comando que determine a vinculação da responsabilidade pelo atraso na entrega da DCTF à intenção do contribuinte de assim agir. Ora, se uma enchente atingir toda uma cidade ou um bairro, impossibilitando seus moradores de cumprir com suas obrigações acessórias tributárias durante algum tempo, será necessário a edição de uma Lei, regularmente aprovada pelo Parlamento, para conceder anistia das multas decorrentes dos atrasos na entrega das Declarações. Isso porque somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades, conforme dispõe o art. 97, VI, do CTN. É verdade, como bem salientava Hely Lopes, que a aplicação da teoria da imprevisão, no Brasil, “assentavase mais na equidade que no Direito, visto que nenhuma lei a consagrava para os contratos administrativos” e “que foi a jurisprudência pátria que, seguindo os rumos do Conselho de Estado da França e estimulada pela doutrina, acabou admitindo a revisão dos ajustes administrativos em razão de fatos supervenientes e altamente onerosos para o particular contratado . Diante disso, eu indago: será que poderia o julgador administrativo, com base na idéia de equidade, dispensar a multa por atraso na entrega da DCTF sem o respaldo de uma lei (anistiadora), da mesma forma como ocorrera na disciplina dos contratos administrativos? A responsabilidade objetiva por infrações tributárias pode ser elidida pela ocorrência de caso fortuito ou força maior? De plano, vale alertar que o § 2º do art. 108 do CTN só veda o emprego da eqüidade para dispensa de pagamento de tributo devido. Como no caso em tela, tratase de multa, que com tributo não se confunde, concluise que não há nenhum óbice expresso no CTN ao emprego da equidade para se dispensar multa. Com relação à responsabilidade objetiva, sustentar que ela não pode ser elidida pela ocorrência de caso fortuito ou força maior é aceitar que ela tenha caráter absoluto, o que, pela jurisprudência pesquisada, parece não ser a melhor exegese. Ao analisar a responsabilidade objetiva do Estado por danos causados por seus agentes, julgados do Supremo Tribunal Federal tem sustentado reiteradamente que a “responsabilidade objetiva não se reveste de caráter absoluto, eis que admite o abrandamento e, até mesmo, a exclusão da própria responsabilidade civil do Estado, nas hipóteses excepcionais configuradoras de situações liberatórias como o caso fortuito e a força maior...” (vide: RDA 137/233 RTJ 55/50, no mesmo sentido, RE 539401 Agr/BA, RE 238453/SC, ). Notese que o § 6º do art. 37 da Constituição Federal de 1988, ao versar sobre a responsabilidade objetiva do Fl. 86DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13848.000108/200503 Acórdão n.º 9101001.026 CSRFT1 Fl. 3 5 Estado, não faz expressamente qualquer ressalva à hipótese de ocorrência de caso fortuito ou força maior, sendo portanto essa conclusão uma construção jurisprudencial. Se a própria responsabilidade objetiva do Estado é elidida em se demonstrando que decorreu de caso fortuito, sem que haja expressa previsão no § 6º do art. 37 da CF/88, concluo que a melhor exegese do art. 136 do CTN deva ir pelo mesmo caminho, ou seja, a ocorrência de caso fortuito que impeça o cumprimento da obrigação tributária elide a responsabilidade pela infração tributária e, consequentemente, a aplicação da respectiva sanção. Cabe, agora, analisarmos se a situação fática descrita pelo contribuinte pode ser tida como caso fortuito. Conforme já bem frisado, o caso fortuito é o evento da natureza imprevisível e inevitável, ou seja, evento que seja impossível ao homem evitálo. Ainda que se tenha como imprevisível a ocorrência de falta de luz nas nossas cidades, certamente, não se pode dizer que tal evento é inevitável, mormente quando verificamos que o seu lapso temporal foi de apenas 10 segundos. Ora, o problema não era inevitável, pois o escritório de contabilidade poderia ter equipamentos mínimos para segurança de rede. Não estamos falando de equipamento raro e caro, mas de equipamento que se encontra em prateleiras de qualquer loja de computadores. Logo, o evento –falta de luz no escritório de contabilidade – era evitável, ou seja, existia meios ao alcance do contribuinte (ou do seu contratado) para evitálo. Assim, não há que se falar em caso fortuito no situação fática em tela. Não obstante reste demonstrado que não se trata de caso fortuito, vale esclarecer, apenas para argumentar, que não restou provado que o evento descrito pelo contribuinte tenha dado causa ao atraso na entrega da DCTF, pois a falta de luz por 10 segundos não teria o condão de impossibilitar o envio da DCTF durante todo o último dia de entrega, conforme bem salientou o julgador de primeira instância. Só depois que o julgador de primeira instância expôs a fragilidade da tese de defesa, o contribuinte modifica o seu argumento, para, então explicar que a queda da energia não foi a razão do descumprimento da obrigação acessória, mas o dano, por ela causado, no computador do escritório de contabilidade. Mesmo com o emenda feita pelo contribuinte após o julgamento de primeira instância, a tese de defesa continua sendo frágil, primeiro, porque não trouxe nenhuma prova do dano causado ao computador, como por exemplo, um orçamento de empresa especializada em reparos de computadores. Além disso, difícil imaginar que só existisse um computador à disposição de um escritório de contabilidade para fazer o envio da DCTF, mas se assim o fosse, seria por pura imprevidência do referido prestador de serviço, o que não justificaria a anistia da multa. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do Procurador para restabelecer a cobrança da multa por atraso na entrega da DCTF do 1º trimestre de 2003. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 Fl. 88DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000360/2005-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003
DIFPAPEL
IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR
MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 113, § 2º, do CTN, a obrigação acessória decorre da
legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções
normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do
CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da DIF Papel
Imune por meio da Instrução Normativa nº 71/2001.
As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade
no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/
2001, que expressamente previu
as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações
Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita
Federal.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA
RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Em matéria de penalidades, aplicase
a lei mais benéfica aos atos e fatos não
definitivamente julgados.
Recurso Provido em Parte.e/jpeg
Numero da decisão: 3403-001.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPAPEL
IMUNE a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora
do prazo.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 113, § 2º, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da DIF Papel Imune por meio da Instrução Normativa nº 71/2001. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, que expressamente previu as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em matéria de penalidades, aplicase a lei mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. Recurso Provido em Parte.e/jpeg
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19515.000360/2005-52
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4944603
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.168
nome_arquivo_s : 3403001168_19515000360200552_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 19515000360200552_4944603.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPAPEL IMUNE a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4744401
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230315704320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1996; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000360/200552 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 340301.168 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2011 Matéria DIF PAPEL IMUNE Recorrente IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 113, § 2º, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da DIF Papel Imune por meio da Instrução Normativa nº 71/2001. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que expressamente previu as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em matéria de penalidades, aplicase a lei mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIF PAPEL IMUNE a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão no 15.331, de 28/03/2007, da DRJ em Ribeirão PretoSP, que manteve o lançamento de ofício da multa pela falta ou atraso da DIF – PAPEL IMUNE. Regularmente notificado daquela decisão, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese que: 1) o atraso na entrega das declarações foi mera irregularidade formal, não representando qualquer prejuízo aos cofres públicos; 2) a penalidade aplicada é ilegal porque nem a Lei nº 9.779/99 e nem o DecretoLei nº 1.593/77 criaram a obrigação acessória; 3) a obrigação acessória foi criada por meio de ato administrativo da Receita Federal e isto fere de morte o princípio da legalidade; 4) o art. 113, § 2º, do CTN, estabelece que a obrigação tributária decorre da “legislação tributária” e deve ser interpretado consoante o art. 5º, II, da Constituição, que estabelece que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei; 5) a IN SRF nº 71/2001 alargou o alcance da lei e incorreu em equívoco ao buscar fundamento de validade no Decretolei nº 1.593, de 21/12/1977, pois o registro especial a que remete a IN, destinase aos fabricantes de cigarros, possuindo natureza totalmente diversa e incompatível com a matéria a ser regulada nas operações com papel imune; 5) a aplicação desta multa viola a garantia constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão principal a ser apreciada se resume em saber se a Administração Tributária pode criar obrigações acessórias por meio de atos administrativos. A interessada afirma que a instituição da DIFPAPEL IMUNE por meio da IN SRF nº 71/2001 é ilegal, pois não fora criada nem pela Lei nº 9.779/99 e nem pelo Decreto Lei nº 1.593/77. Ocorre que o art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, dispõe que “A obrigação acessória decorre da legislação tributária”. Nesse passo, equivocouse a recorrente ao argumentar com o art. 5º, II, da CF/88, uma vez que este dispositivo veicula o princípio da legalidade e não o princípio da reserva de legal. Assim, no art. 5º , II da CF/88, o termo “lei” tem uma expressão mais abrangente que alcança também os atos infralegais. Se assim não fosse, o art. 96 do CTN não teria sido recepcionado pela Constituição ao dispor que a expressão “legislação tributária” Fl. 228DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.000360/200552 Acórdão n.º 340301.168 S3C4T3 Fl. 2 3 compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, não existe nenhuma ilegalidade no caso concreto, pois o Secretário da Receita Federal está autorizado a instituir obrigações acessórias no âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal. No tocante à legalidade da multa aplicada, temos que a base legal prevista pelo art. 12 da Instrução Normativa nº 71/2001 é a prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15834: “Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001.” O art. 57 em comento previa a imposição das seguintes multas: “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” As relações jurídicas reguladas pela aludida medida provisória foram convalidadas pela Medida Provisória nº 215835/2001, art. 91: “Art. 91. Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001.” Por sua vez, a Medida Provisória nº 215835 manteve o mesmo texto na imposição da multa em apreço: “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; Fl. 229DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” A Medida Provisória nº 2.15835 passou a vigorar por tempo indeterminado com força de lei por força do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. Assim, a Instrução Normativa nº 71/2001 firmou a sanção para o descumprimento da obrigação acessória de “nãoapresentação da DIF – Papel Imune”: a aplicação da multa de “R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados”. Tal sanção era veiculada através da Medida Provisória nº 2.158 34/2001. Com a edição da Medida Provisória nº 2.15835/2001 restaram convalidados os atos praticados com base na versão anterior e, especificamente, ficou mantida a sanção prescrita para o descumprimento da obrigação acessória de “nãoapresentação da DIF – Papel Imune”. À vista do exposto, não procede a alegação de que inexistiria a base legal na imposição da multa, uma vez que a multa foi mantida pela Medida Provisória nº 215835. Relativamente ao fato da IN SRF nº 71/2001 ter obrigado os estabelecimentos que operam com papel imune a obterem o mesmo registro especial ao qual estão sujeitos os fabricantes de cigarros, não existe a incompatibilidade alegada. Isto porque a Administração Tributária tem o dever não só de controlar o consumo de papel destinado à fabricação de cigarros, mas também o dever de controlar o uso do papel destinado à impressão de livros e periódicos. No primeiro caso, o dever consiste em assegurar a satisfação da obrigação principal por parte dos fabricantes de cigarros e, no segundo caso, o cumprimento do desígnio constitucional por parte das editoras, jornais e gráficas. No mais, não cabe aos órgãos administrativos de julgamento apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos normativos. Tal questão é objeto da Súmula CARF nº 01, vazada nos seguintes termos: Portanto, a exigência da multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPAPEL IMUNE não encontra nenhum óbice legal. Após a lavratura do auto de infração objeto deste processo a multa cominada em razão da falta ou atraso da DIFPAPEL imune pela Lei nº 11.945, de 04/06/2009, nos seguintes termos: “Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que:(Produção de efeitos). Fl. 230DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.000360/200552 Acórdão n.º 340301.168 S3C4T3 Fl. 3 5 I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1odeste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2odo art. 2oda Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2odo art. 2oe no § 15 do art. 3o da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. (grifei). Fl. 231DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Conforme se pode verificar, o art. 1º, § 4º , II, da Lei nº 11.945/2009 abrandou a multa originalmente prevista no art. 57, I, da MP nº 2.15835/2001, pois a incidência passou a ser de R$ 5.000,00 por declaração não apresentada ou que for apresentada fora do prazo estabelecido, em vez de R$ 5.000,00 por mêscalendário. A Lei nº 11.945/2009 fez com que desaparecesse do cenário jurídico a possibilidade de inflição, para o caso concreto, da chamada “multataxímetro”, onde o valor da multa é multiplicado pelo número de meses de falta ou atraso na entrega da declaração. O art. 106, II, “c” do CTN estabelece que a lei nova deve ser aplicada aos atos não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa do que a anteriormente prevista. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir a penalidade aplicada no auto de infração para R$ 5.000 (cinco mil reais) por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo. Antonio Carlos Atulim Fl. 232DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006496/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 09/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘a’ do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.430
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘a’ do CTN. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10384.006496/2007-04
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4760640
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.430
nome_arquivo_s : 230201430_10384006496200704_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10384006496200704_4760640.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4745774
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230330384384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 75 1 74 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.006496/200704 Recurso nº 001.430 Voluntário Acórdão nº 230201.430 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AI CFL 59 Recorrente RAIMUNDO NONATO BATISTA LAGES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘a’ do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006 Data da lavratura da Auto de Infração: 19/11/2007. Data da ciência do Auto de Infração: 26/11/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária prevista no Art. 30, I, ‘a’ da Lei nº 8.212/91 e Art. 4º, §1º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 216, I, ’a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente – Presidente da Câmara Municipal do município de Cabeceiras do Piauí, em virtude de este ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências junho a dezembro/2006, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 10. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Relata a Autoridade Lançadora que a multa foi aplicada em conformidade com os artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigos 283, I, ‘g’ e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu valor mínimo, atualizado pelo art. 9°, V da Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, publicada no Diário Oficial da União de 12/04/2007. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 25/36. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 46/53, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 24 de julho de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 55. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 57/70, requerendo a desconstituição do lançamento em debate. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10384.006496/200704 Acórdão n.º 230201.430 S2C3T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/07/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA RESPONSABILIDADE DOS DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS O presente Auto de Infração foi lavrado aos 19 dias do mês de novembro de 2007, ocasião em que vigia com plena eficácia o art. 41 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária, a qual pedimos venia para transcrever em sua integralidade. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre, no entanto, que tal dispositivo legal foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo tal revogação, em seguida, ratificada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em consequência, restou o citado dispositivo legal totalmente extirpado do Direito Positivo Brasileiro. O Constituinte Originário adotou em nossa ordem jurídica os princípios da irretroatividade da lei mais severa e da retroatividade da lei mais benigna, encartandoos no inciso XL do art. 5º da nossa Lei Soberana como um verdadeiro direito subjetivo de liberdade. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XL a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; Nas Ordens do Direito Tributário, tal princípio se revela nas disposições inscritas no inciso II do art. 106 do CTN, o qual prevê retroatividade da lei tributária e a sua incidência restrita a atos ou fatos pretéritos, não definitivamente julgados, nos casos em que a lei nova deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo ou nos casos em lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A situação fática retratada no presente feito, consistente na extinção de norma legal imputadora de responsabilidade pessoal por infração, atrai ao feito, com fulcro no art. 106, II, ’a’ do CTN, a incidência da novatio legis in mellius que revogou o já citado art. 41 da Lei nº 8.212/91, excluindo do dirigente de órgão público a responsabilidade pessoal pelo pagamento de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigações tributárias acessórias previstas na Lei Orgânica da Seguridade Social. Nessa nova roupagem legal, repousa a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e pela observância das obrigações acessórias diretamente no próprio órgão público em si considerado, e não nos ombros de seus gestores ou dirigentes. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘a’ do CTN. É como voto. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10384.006496/200704 Acórdão n.º 230201.430 S2C3T2 Fl. 77 5 Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002596/00-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO PARADIGMA EXARADO PELO MESMO COLEGIADO DO RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à
comprovação/caracterização da divergência Acórdão paradigma exarado pela mesma Câmara que expediu o decisum guerreado.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO PARADIGMA EXARADO PELO MESMO COLEGIADO DO RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência Acórdão paradigma exarado pela mesma Câmara que expediu o decisum guerreado. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10120.002596/00-43
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4783656
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.865
nome_arquivo_s : 920201865_101200025960043_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 101200025960043_4783656.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4747852
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230383861760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 201 1 200 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.002596/0043 Recurso nº 329.515 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920201.865 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2011 Matéria ITR Recorrente CLENON DE BARROS LOYOLA FILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO PARADIGMA EXARADO PELO MESMO COLEGIADO DO RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência Acórdão paradigma exarado pela mesma Câmara que expediu o decisum guerreado. Recurso especial não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório CLENON DE BARROS LOYOLA FILHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1995, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Pau D’arco”, cadastrado na SRF sob o nº 42090083, localizado no município de Britânia/GO, conforme peça inaugural do feito, às fls. 24, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 2a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 2.909/2002, às fls. 53/56, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 09/07/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30239.647, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1995 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA como condição para exclusão dessa área de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprovase por meio de técnico e outras provas documentais. No caso, de declaração pelo IBAMA. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício de 2001, inteligência do art. 17O da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1o da Lei no 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 152/163, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10120.002596/0043 Acórdão n.º 920201.865 CSRFT2 Fl. 202 3 aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30239.935, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada à divergência arguida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor a não incidência do ITR sobre as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, ainda que o Ato do Poder Público reconhecendo a RPPN tenha sido expedido posteriormente à ocorrência do fato gerador, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Ressalta que o Acórdão paradigma fora exarado pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes nos autos de processo administrativo de interesse do mesmo contribuinte, em relação à mesma propriedade rural objeto do presente lançamento, reforçando a tese da necessidade de reforma do decisum guerreado e comprovando a existência de entendimentos conflitantes sobre o mesmo tema e imóvel. Elucida que o Acórdão paradigma fora objeto de Recurso Especial da Procuradoria, razão pela qual pugna pelo julgamento em conjunto dos dois processos, os quais contemplam os mesmos fatos e razões. Contrapõese ao entendimento adotado no Acordão atacado, aduzindo para tanto que o artigo 11, inciso II, da Lei n° 8.847/94, revogada pela Lei n° 9.393/1996, que em seu artigo 10, inciso II, alínea “b”, simplesmente reproduziu a disposição daquela primeira norma legal, oferece proteção ao pleito do contribuinte, eis que devidamente demonstrada e comprovada a RPPN mediante laudos técnicos e Ato de reconhecimento do IBAMA, ainda que posteriormente ao fato gerador. Sustenta que a área reconhecida como RPPN, além de ser de interesse ecológico, sempre foi área de preservação permanente nos termos do art. 2º da Lei n° 4.771/65 vez que engloba área que margeia tanto o Rio Araguaia quanto o Rio Vermelho, além dos incontáveis lagos que se forma na seca dentro da citada área. Infere que o fim precípuo da isenção sob análise é exatamente a preservação do meio ambiente, o que se vislumbra na hipótese dos autos, tendo em vista referirse à área de mata virgem/intocada, cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Corrobora seu entendimento na Medida Provisória n° 2.16667/2001 que, ao alterar o artigo 10 da Lei n°9.393/1996, dispensou o declarante a prévia comprovação de área de preservação permanente para a incidência da isenção do ITR, não se cogitando na exigência do ADA para tanto, consoante jurisprudência judicial transcrita em seu recurso. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 4 Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 21010108/2010, às fls. 190/191. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 193/199, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia à ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão do recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30239.935, ora adotado como paradigma, admite a não incidência do ITR sobre as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, ainda que o Ato do Poder Público reconhecendo a RPPN tenha sido expedido posteriormente à ocorrência do fato gerador, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Não obstante o esforço do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que o contribuinte não logrou comprovar a divergência arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10120.002596/0043 Acórdão n.º 920201.865 CSRFT2 Fl. 203 5 § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a contribuinte ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais câmaras, turmas de câmara, turmas especiais ou a própria CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Com efeito, perfunctória leitura da peça recursal do contribuinte é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Isto porque, o Acórdão n° 30239.935, utilizado como paradigma para efeito da comprovação da divergência pretendida, fora exarado pela mesma Câmara recorrida (Segunda Câmara do Terceiro Conselho), não se prestando, assim, a caracterizar a divergência, na forma do artigo 67 do RICARF. Nesse sentido, com a devida vênia a ilustre então Presidente subscritora do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do contribuinte, não entendemos ser Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 6 possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que o recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial do Contribuinte em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001279/2004-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-001.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13884.001279/2004-24
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4870569
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.798
nome_arquivo_s : 920201798_13884001279200424_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13884001279200424_4870569.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747074
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230482427904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 346 1 345 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13884.001279/200424 Recurso nº 165.911 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.798 – 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAURÍCIO BOSCHETTI E OUTRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 347 2 Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. EDITADO EM: 01/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro Convocado), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O Acórdão nº 220200.315, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 316 a 318), julgado na sessão plenária de 30 de outubro de 2009, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Argüição de decadência acolhida. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 348 3 Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (fls. 322 a 334), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 336 a 338 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou paradigma, alegando que o início do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inclusive na hipótese de lançamento por homologação: Acórdão no 10246355 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). Aduz o recorrente que, no caso em tela, verificada a ausência de pagamento (declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, com imposto a pagar igual a zero fls. 57), deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173, I, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 349 4 situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 350 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 351 6 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, verifico que não existiu antecipação de pagamento, pois, como demonstram as informações da declaração de ajuste do exercício de 1999 (fl. 5), não existiram imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento do saldo de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 352 7 regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste momento, há que se fazer um esclarecimento quanto ao alcance do decidido no Recurso Especial nº 973.733 – SC. Isto porque esse julgado deixou claro que “‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, o que, se aplicado literalmente ao IRPF, levaria à conclusão de se tratar do dia 1o de janeiro do ano subsequente ao do lançamento, o que, na prática, adiaria o início de contagem do prazo decadencial em apenas um dia. Entretanto, há que se observar que o REsp n° 973.733 – SC trata de Contribuições Previdenciárias, tributo cujo fato gerador é instantâneo (consubstanciado no pagamento de salários a empregados – salientese que há referência no relatório do REsp a servidores sobre cujas remunerações estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias). Assim, nessa situação, aplicandose a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, cabe a conclusão de que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, conclusão essa que é constante do parágrafo 3 da ementa do REsp, acima transcrita. Desta forma, para um tributo cujo fato gerador é instantâneo, o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível pode corresponder ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que o que se impõe aqui é a aplicação dos fundamentos do REsp em questão ao lançamento de Imposto de Renda, cujo fato gerador não é instantâneo. Sendo o Imposto de Renda um tributo com fato gerador complexivo e com período de apuração equivalente ao anocalendário, temse que a aplicação das premissas claramente adotadas pelo STJ ao caso em específico levam à conclusão congruente porém levemente diversa da constante do parágrafo 3 antes reproduzido. Com efeito, para que no caso se cumpra o mandamento do art. 173, I, do CTN, deve ser levado em consideração que: (1) o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário (e.g. 31/12/1998); (2) o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte (e.g. 01/01/1999); (3) o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário subseqüente (e.g. 01/01/2000); e (4) o prazo decadencial termina ao final de 5 (cinco) anos (e.g. 31/12/2004). Esclareçase que a aplicação literal da conclusão constante do parágrafo 3 da ementa do REsp (que se refere a tributo com fato gerador instantâneo) ao caso (que trata de tributo com fato gerador complexivo) equivale a não aplicar os fundamentos da decisão do STJ sob o pretexto de vinculação à própria decisão. Vale registrar que o próprio STJ, dando aplicabilidade ao recurso repetitivo, tem entendido dessa forma, conforme decisão abaixo referida: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 353 8 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (Edcl no Edcl no AgRg no Resp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 26/02/2010) Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004 (fl. 197), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para afastar a decadência do lançamento, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 354 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000385/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
NULIDADE.
ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
REGULARIDADE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de
Julgamento são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional.
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO. INOCORRÊNCIA. O ato do Secretário da Receita Federal
do Brasil que transfere processos administrativos para julgamento para outra Delegacia da Receita Federal de Julgamento não tem natureza normativa, e não decorre de indevida delegação praticada pelo Ministro da Fazenda.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela
defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RITO DE REPERCUSSÃO GERAL. O sobrestamento de julgamento de recurso voluntário no âmbito do CARF somente se verifica nos casos de sobrestamento do julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal, devendo ser aplicada a legislação questionada no âmbito daquele Tribunal Superior enquanto não definitiva a decisão de mérito que venha a afastá-la.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C
do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN.
NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial.
CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Não há homologação tácita se a
contribuinte deixa de fazer recolhimentos e entregar declarações, somente apresentando informações ao Fisco depois de excluída sua espontaneidade.
APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. Declara-se a decadência do crédito
tributário correspondente a períodos de apuração relativamente aos quais já havia transcorrido, no momento do lançamento, o prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 1101-000.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. REGULARIDADE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO. INOCORRÊNCIA. O ato do Secretário da Receita Federal do Brasil que transfere processos administrativos para julgamento para outra Delegacia da Receita Federal de Julgamento não tem natureza normativa, e não decorre de indevida delegação praticada pelo Ministro da Fazenda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RITO DE REPERCUSSÃO GERAL. O sobrestamento de julgamento de recurso voluntário no âmbito do CARF somente se verifica nos casos de sobrestamento do julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal, devendo ser aplicada a legislação questionada no âmbito daquele Tribunal Superior enquanto não definitiva a decisão de mérito que venha a afastá-la. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Não há homologação tácita se a contribuinte deixa de fazer recolhimentos e entregar declarações, somente apresentando informações ao Fisco depois de excluída sua espontaneidade. APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. Declara-se a decadência do crédito tributário correspondente a períodos de apuração relativamente aos quais já havia transcorrido, no momento do lançamento, o prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15983.000385/2006-60
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4965713
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.626
nome_arquivo_s : 110100626_15983000385200660_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Edeli Pereira Bessa
nome_arquivo_pdf_s : 15983000385200660_4965713.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747687
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230523322368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 805 1 804 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000385/200660 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110100.626 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ e Reflexos Omissão de Receitas Depósitos bancários não contabilizados Recorrente ENSEG ENSEADA SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. REGULARIDADE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO. INOCORRÊNCIA. O ato do Secretário da Receita Federal do Brasil que transfere processos administrativos para julgamento para outra Delegacia da Receita Federal de Julgamento não tem natureza normativa, e não decorre de indevida delegação praticada pelo Ministro da Fazenda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RITO DE REPERCUSSÃO GERAL. O sobrestamento de julgamento de recurso voluntário no âmbito do CARF somente se verifica nos casos de sobrestamento do julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal, devendo ser aplicada a legislação Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 806 2 questionada no âmbito daquele Tribunal Superior enquanto não definitiva a decisão de mérito que venha a afastála. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Não há homologação tácita se a contribuinte deixa de fazer recolhimentos e entregar declarações, somente apresentando informações ao Fisco depois de excluída sua espontaneidade. APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. Declarase a decadência do crédito tributário correspondente a períodos de apuração relativamente aos quais já havia transcorrido, no momento do lançamento, o prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 807 3 Relatório ENSEG – ENSEADA SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS S/C LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE lançamento lavrado em 22/11/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 287.766,12. Foram lançados valores devidos a título de IRPJ e CSLL, na sistemática do lucro presumido, e de Contribuição ao PIS e COFINS, nos períodos de apuração de 2000 a 2002, todos com o acréscimo de multa de 75% e juros de mora, em razão das infrações assim descritas no Auto de Infração de IRPJ às fl. 06/07: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Valor referente a créditos efetuados em conta de depósitos, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte ora fiscalizado manteve conta corrente bancária junto ao Banco Bradesco S/A, agência 05258 GuarujáCentro(SP), na conta corrente n.° 33.4251 durante os anos calendários de 2000, 2001, e 2002, conforme extratos fornecidos pela própria instituição financeira mediante procedimento regular em Requisição de Movimentação Financeira RMF 0810600.2006/0024, documentos anexos, cujos valores foram integralmente transportados para a uma planilha da trabalho denominada "movimentação total de conta corrente bancária", em 34 folhas. Os valores a crédito nessa conta corrente foram devidamente expurgados das parcelas não correspondentes ao efetivo ingresso de numerário naquela conta, e os créditos assim resumidos, identificados nos documentos de folhas anexas, foram demonstrados na planilha "movimentação de conta corrente bancária", em 6 folhas, que serviu de base para o Termo de Intimação Fiscal de 05/09/2006, onde foram solicitados esclarecimentos pelos valores não escriturados. O contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento ou justificativa sobre o fato. Do valor apurado acima, ainda foram excluídas as receitas declaradas em DIPJ, sob ação fiscal,documentos anexos,e que estão sendo tributadas em autos de infração separados. [...] 002 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO Lançamento que se formaliza de ofício, correspondente ao imposto de renda pessoa jurídica declarado pela empresa no curso da ação fiscal, excluída a espontaneidade de que trata o art. 7o, § 1°, do Decreto n° 70.235/72, conforme extrato de declarações, que integra o presente auto de infração. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 808 4 Este contribuinte não havia apresentado declaração do imposto de renda para o ano calendário de 2000 e apresentado declarações de inatividade para o exercício de suas atividades, correspondente aos anos calendários de 2001 e 2002. Mediante solicitação fiscal fez a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ para os exercícios de 2001, 2002 e 2003, correspondente aos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, e fez prova de sua escrituração regular com a apresentação dos livros contábeis e documentos correspondentes. [...] Depois de impugnada a exigência, foi juntado despacho encaminhado os autos à DRJ/Fortaleza, tendo em vista a transferência de competência de julgamento, estabelecida pela Portaria RFB nº 336, de 22 de fevereiro de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 25 de fevereiro de 2008 (fl. 775). Consta da decisão recorrida o seguinte relato das alegações contidas na impugnação: 3.1 — os valores objeto de tributação dizem respeito a depósitos efetuados em sua conta corrente, não representando, entretanto, o faturamento da empresa e que, a receita total é a que consta nas DIPJs dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, conforme documentação contábil apresentada; 3.2 — aduz ainda que os ingressos em conta corrente tiveram origem nos depósitos e transferências da empresa contratante da mãodeobra fornecida pelo declarante sob o regime de empreitada de construção civil, com fornecimento de material; 3.3 — assevera, porém, que, ao efetuar os depósitos na contacorrente da requerente, além dos valores destinados ao pagamento dos serviços contratados, eram depositados outros valores destinados ao pagamento de fornecedores, empreiteiros, material, fretes, etc., de contratação da empresa tomadora dos serviços da requerente, face à distância entre a sede da tomadora e o da prestadora de serviços, agindo, assim como simples intermediária no pagamento dos compromissos da empresa contratante, sem receber qualquer remuneração sobre tal prestação de serviços; 3.4 — assim, o que sobrou dos pagamentos efetuados a terceiros de responsabilidade da contratante, resultou no faturamento da requerente. Ressalta, nesse sentido, que as prestações de contas foram feitas entre as partes, sem que a requerente ficasse com algum comprovante dos pagamentos, que estão de posse da empresa tomadora dos serviços; 3.5 ante o exposto, requer a anulação do Auto de Infração, sugerindo, no entanto, em face das divergências apontadas na impugnação, que sejam adotadas as seguintes providências por este órgão de julgamento, a saber: a) levantamento fiscal baseado na movimentação financeira; b) lançamento baseado na escrituração contábil da requerente; e c) diligências na empresa tomadora dos serviços, de forma que esta apresente a documentação comprobatória de que o numerário enviado não foi só para o pagamento dos serviços contratados com a requerente. 3.6 — esclarece ainda que deixa de anexar documentos em razão de não estar de posse dos demonstrativos de prestação de contas. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Seria descabida a pretensa alegação de nulidade do Auto de Infração, uma vez que não foi cometido nenhum vício de natureza formal ou material. A Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 809 5 contribuinte apresenta argumentos sem nenhuma consistência jurídica, e não junta qualquer prova do alegado contrato de empreitado firmado com outra empresa, reportandose genericamente aos fatos alegados; • O art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas quando não comprovada a origem de depósitos/créditos e/ou investimentos realizados junto a instituição financeira, após regular intimação. A defesa da interessada, por sua vez, é genérica, além de desacompanhada de qualquer prova. • Ademais, mesmo que a impugnante tivesse recebido em sua conta corrente bancária depósitos efetuados pela pretensa empresa contratante, não se justificaria que deixasse de utilizar a referida contas para depósitos/créditos e outras operações em nome da própria impugnante, bem como deixasse de efetuar o registro de tais operações no Livro Caixa, porquanto declarou o Imposto de Renda no anocalendário sob exame pelo Lucro Presumido, tendo que observar nesse sentido, a disposição do art. 45, inciso I, II e III, parágrafo único, da Lei n° 8.981, de 20/01/1995. • Não há qualquer contestação específica quanto à insuficiência de recolhimento imputada pela Fiscalização, apurada a partir dos valores declarados pela contribuinte, razão pela qual não foi instaurada a fase litigiosa relativamente a esta parcela do lançamento. • A diligência/perícia requerida não se justifica, ante a falta de apresentação do alegado contrato de empreitado, ou outros elementos de provas com indícios da existência do referido contrato. • As exigências reflexas devem ter o mesmo tratamento dado à exigência principal de IRPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/11/2008 (fl. 798), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/11/2008 (fls. 799/803). Aduz que improcede absolutamente a afirmativa no item 2.1.2, pois o Recorrente movimentava junto ao Banco Bradesco — Agência 05258, Conta Corrente 33.4251, depósitos efetuados em sua conta corrente, não representando, entretanto, o faturamento da empresa e que, a receita total é a que conta nos documentos (DIPJs) dos anos calendários de 2000, 2001 e 2002 conforme documentação contábil apresentada (item 3.1). Nega que tenha efetuado depósitos na conta corrente, além de valores destinados a pagamento dos serviços contratados, agindo assim como simples intermediária no pagamento dos compromissos da Empresa, sem receber qualquer remuneração sobre tal movimentação. Afirma que não feriu a objetividade absoluta do fato, pois as alegações são lícitas e positivas. Reafirma a nulidade do auto de infração, dada a eficácia, perante a Fazenda Pública, de contratos firmados entre duas partes, com objeto lícito e forma prescrita em lei. Aduz que não fez alegações genéricas, mas sim cumpriu fielmente seu dever assumindo seus atos perante o Erário. Em suas palavras: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 810 6 O procedimento administrativo constituise de atos intermediários, preparatórios e autônomos, mas sempre interligados, que se conjugam para dar conteúdo e forma ao ato principal e fmal colimado pelo poder público. Todavia, o princípio da uniformidade de procedimentos no tempo não foi contrariado, pois os recursos efetuados pelo Contribuinte se coadunam com a norma legal. Por outro lado, a invocação do procedimento fiscal seria plausível e realizável se as condições do fato mantivessemse inalteradas, o que não ocorreu na fiscalização. Por fim, argúi a nulidade da decisão recorrida, em razão da incompetência da DRJ/Fortaleza para decidir o litígio, na medida em que a autoridade administrativa competente para aplicar a legislação fiscal é aquela do Domicílio Fiscal do Contribuinte, conforme dispositivos que menciona. Acrescenta que, nos termos do Anexo V do Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 080/2005, cabe à DRJ/São Paulo I o julgamento dos processos fiscais originados de unidades da SRF situados no Estado de São Paulo. Questiona a validade do ato que transferiu a competência de julgamento do processo em tela, acrescentando que é nula a delegação de competência presente na Portaria MF nº 259/2001, e no art. 230, inciso XXVII da Portaria MF nº 30/2005, as quais permitiram a edição da Portaria que ensejou a transferência contraditada, na medida em que o art. 13, inciso I da Lei nº 9.784/99 proíbe tais delegações. Somente o Ministro da Fazenda, nos termos do art. 25, §5o do Decreto nº 70.235/72, teria o poder de editar “atos de caráter normativo” relativos à competência para julgamento de processos administrativos. Pede, assim, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 811 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A interessada argúi a nulidade da decisão recorrida em razão de suposta incompetência da autoridade que a proferiu. Diz o Decreto nº 70.235/72: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] §5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Afirma a recorrente que, no uso desta delegação, o Ministro da Fazenda expediu a Portaria MF nº 259/2001, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, e nele destaca a seguinte disposição: Art. 237. Fica delegada competência ao Secretário da Receita Federal para proceder a alterações nas matérias constantes dos anexos deste Regimento Interno. Isto porque o Regimento Interno traz, dentre outros, o Anexo V, denominado Delegacias da Receita Federal de Julgamento – Localização, do qual consta, na versão vinculada à Portaria MF nº 259/2001, o que segue: DRJ Jurisdição Territorial Matéria São Paulo I (SP) Deain/São Paulo (SP), Deinf/São Paulo(SP), Derat/São Paulo (SP), Defic/São Paulo(SP), DRF/Santos (SP) Tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto: I IPI; II ITR; III IRPF não decorrente de lançamento de IRPJ, e IV IE, II e IPIV da 8ª Região Fiscal Todas as unidades da SRF IOF e CPMF Necessária, porém, uma retificação inicial, pois o ato do Ministro da Fazenda que decorre da delegação inserida pela Medida Provisória nº 2.15835/2001 no §5o do art. 25 do Decreto nº 70.235/72 é a Portaria MF nº 258/2001, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. A referida Portaria dispõe sobre a composição das Turmas de Julgamento, os deveres do julgador, a forma de distribuição dos processos, os procedimentos a serem observados durante a sessão de julgamento e outras providências. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 812 8 Retomando, a defesa da recorrente prossegue com a invocação do Anexo V da Portaria MF nº 80/2005 (quando possivelmente quer se referir à Portaria MF nº 30/2005), de teor semelhante ao antes reproduzido, bem como seu art. 280 (muito embora tal Portaria se encerre no art. 260) e citando a Portaria SRF nº 1.033/2002 como ato de transferência de competência de processos administrativos fiscais, muito embora conste à fl. 775 destes autos que a transferência de competência de julgamento aqui promovida, em favor da DRJ/Fortaleza, se deu por meio da Portaria RFB nº 336, de 22 de fevereiro de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 25 de fevereiro de 2008, e a seguir transcrita: Portaria RFB nº 336, de 22 de fevereiro de 2008 DOU de 25.2.2008 Transfere a competência para o julgamento de processos administrativos fiscais entre Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O SECRETÁRIOADJUNTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da competência delegada pela Portaria RFB nº 10.684, de 13 de julho de 2007, resolve: Art. 1º Transferir a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais, relacionados nos Anexos I e II a esta Portaria, respectivamente: I da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza; II da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém. Art. 2º Os processos a que se refere o art. 1º deverão ser transferidos no prazo de dez dias da publicação desta Portaria. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO De toda sorte, em que pese a imprecisão na menção aos atos questionados, é possível extrair da argumentação expendida que a invalidade da referida transferência decorreria do fato de a Lei nº 9.784/99 vedar delegação para edição de ato que remete a processos administrativos a outra Delegacia de Julgamento, ao assim dispor: Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; [...] Entende a recorrente, em suma, que a decisão recorrida seria nula porque o Ministro da Fazenda não poderia ter delegado ao Secretário da Receita Federal o poder de editar “atos de caráter normativo” relativos à competência para julgamento de processos administrativos. Como dito, porém, a delegação trazida pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001, ao incluir o §5o do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, foi exercida única e exclusivamente pelo Ministro da Fazenda, ao editar a Portaria MF nº 258/2001, e assim ele estabeleceu que o julgamento administrativo de 1a instância deve ser realizado por uma Turma de uma Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A distribuição dos processos entre as Delegacias de Julgamento é atividade de cunho exclusivamente operacional, e prestase apenas a empreender maior eficácia e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 813 9 celeridade ao julgamento administrativo de 1a instância. Por conseqüência, a transferência de processos entre as unidades de julgamento administrativo não é ato normativo, como pretende crer a recorrente, mas mero ato administrativo, perfeitamente realizável pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Acrescentese, ainda, que o Ministro da Fazenda reconheceu a ampla competência territorial das DRJ ao firmar, também no Regimento Interno, a caracterização destas unidades de julgamento como órgãos de jurisdição nacional. Vejase, neste sentido, a redação presente na Portaria MF nº 95/2007, vigente à época em que promovida a transferência dos processos para a DRJ/Fortaleza: Art. 174. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: I – de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. §1º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a nãohomologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. Art. 175. Às turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a III do artigo anterior. No mesmo ato, o Ministro da Fazenda estabeleceu as atribuições do Secretário da Receita Federal do Brasil, dentre as quais destacase: Art. 224. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: [...] XV estabelecer a área de jurisdição das unidades da RFB; [...] E, exercendo esta atribuição, o Secretário da Receita Federal do Brasil nada mais fez do que reafirmar a jurisdição nacional das Delegacias de Julgamento, ao editar a Portaria SRF no 10.166, de 11 de maio de 2007: Dispõe sobre a jurisdição fiscal das Unidades Descentralizadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso XV do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, resolve: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 814 10 [...] Art. 4º As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) têm jurisdição em todo o território nacional. [...] No mais, cabe apenas registrar a existência da Portaria SRF no 10.684, de 12 de julho de 2007, por meio da qual o Secretário da Receita Federal do Brasil delega competência ao SecretárioAdjunto, Carlos Alberto Freitas Barreto, para assinar ato de transferência de processo administrativo fiscal entre Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Por todo o exposto, resta claro que o Ministro da Fazenda definiu que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal têm jurisdição nacional, e que o ato de transferência do presente processo para a DRJ/Fortaleza foi regularmente editado, em observâncias às normas regimentais que regem este ato de cunho meramente administrativo. Neste contexto, temse por válida a decisão recorrida proferida por uma Turma de Julgamento de uma Delegacia de Julgamento da Receita Federal, independentemente do local onde esta Delegacia de Julgamento se situe. Acrescentese, por fim, que tais órgãos estão definidos no Decreto nº 70.235/72, como de deliberação interna, sem qualquer intervenção presencial do impugnante no julgamento, o que reafirma a irrelevância, para determinação da validade deste, do local onde se processa o julgamento. Aliás, nem mesmo sob o ângulo do cerceamento ao direito de defesa se pode cogitar de nulidade, pois a alteração do local onde se processará o julgamento de 1a instância somente permitiria à interessada exigir o encaminhamento dos autos a seu domicílio fiscal ante eventual pedido de vistas prévio ao julgamento, ou para ciência da decisão proferida pelas Turmas Julgadoras da DRJ. Todavia, não há qualquer notícia de pedido de vistas anterior ao julgamento, e a ciência da decisão foi promovida pela autoridade administrativa da DRF/Santos. Rejeitase, assim, a arguição de nulidade da decisão recorrida. No mérito a interessada não traz qualquer argumento que possa infirmar a autuação. Em verdade, limitase a produzir defesa semelhante à apresentada na impugnação, a qual foi validamente rebatida no voto condutor da decisão recorrida, o qual se adota, aqui, na íntegra, conforme a seguir reproduzido: 7.1 — Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração 7.1.1 — argúi a impugnante, em primeiro lugar, que o instrumento de autuação deveria ser declarado nulo, em função da impugnante ter realizado contrato de empreitada de construção civil, no qual a empresa contratante de mãodeobra fornecida pela autuada, efetuara a transferência de ingressos que resultaram nos depósitos realizados em sua conta corrente, os quais não representaram faturamento da empresa, pois como intermediária no pagamento dos compromissos da empresa contratante, nos depósitos realizados constavam outros pagamentos a título de fornecedores, empreiteiros, material, fretes, etc., de sorte que somente o que teria sobrado dos pagamentos efetuados a terceiros de responsabilidade da contratante, resultaria no faturamento da requerente; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 815 11 7.1.2 — alega ainda nesse sentido, que da realização do referido contrato e, de ter havido a prestação de contas entre as partes, a requerente não ficou com nenhum comprovante de pagamento, ficando estes em poder da empresa tomadora de serviços, propondo inclusive junto à referida empresa a realização de diligência, a fim de que a mesma apresente a documentação comprobatória de que o numerário enviado não foi efetuado somente para o pagamento dos serviços contratados com a requerente; 7.1.3 — a despeito do direito assegurado ao contribuinte de se insurgir contra a exigência fiscal, podendo, para tanto, apresentar os meios de prova admitidos em direito no sentido de descaracterizar o instrumento de autuação, não nos parece no presente caso que o impugnante o tenha feito com a devida prudência, pois, na verdade, apresenta argumentos sem nenhuma consistência jurídica, senão vejamos: a) se a impugnante afirma que celebrou um contrato de empreitada com outra V empresa, seria lógico que tivesse em seu poder cópia autenticada desse contrato a fim de que pudesse, quando solicitado, provar a realização do mesmo; b) seria lógico também que indicasse o nome e demais características da empresa com a qual firmara o pretenso contrato, uma vez que a celebração de um contrato pressupõe a existência de duas partes, com direitos e obrigações recíprocas e objeto a ser cumprido em determinado período de tempo; c) os argumentos expendidos pela defesa são eminentemente genéricos, não tendo, portanto, nenhuma força jurídica probante no sentido de descaracterizar o referido instrumento de autuação, daí por que não se pode leválos em conta a fim de modificar o lançamento original; d) ademais, sem o conhecimento do contrato e das partes que o teriam celebrado, restam da impugnação apresentada apenas alegações de teor genérico, desprovidas, portanto, de força jurídica probante, de sorte que a peça exatória em questão permanece inalterada, subsistindo o lançamento da mesma forma como constituído originalmente; e) descabe, portanto, a pretensa alegação de nulidade do Auto de Infração, uma vez que não foi cometido nenhum vício de natureza formal ou material que pudesse inquinálo de nulidade. 7.1.4 — com base, pois, no art. 28 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93, rejeitase a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, passase ao exame do mérito. 7.2 Da Presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 7.2.1 Em face, pois, da não comprovação da origem dos depósitos/créditos e/ou investimentos realizados junto a instituição financeira (Banco Bradesco S/A), em que o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme circunstanciado no Termo de Intimação Fiscal acima referenciado, é que a Fiscalização lançou mão do próprio comando legal ao qual subsumiuse o fato descrito como ilícito fiscal, ou seja, a Lei n° 9.430/96, cujo dispositivo sobre a matéria, estatui: 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 816 12 7.2.2 Vêse, neste particular, que o contribuinte foi devidamente intimado, desde o início dos trabalhos de fiscalização (Termo de Início de Fiscalização, v. IV, fls. 735; c/c o Termo de Intimação Fiscal de fls. 59, a apresentar as justificativas quanto às diferenças apuradas no demonstrativo "movimentação de conta corrente bancária", parte integrante do referido Termo de Intimação (fls. 60/65), relativamente à contas bancária de titularidade da empresa que deram origem à movimentação financeira nos valores acima apontados junto às instituição financeiras: Banco Bradesco S/A, conforme retratado em demonstrativo próprio (v.II, fls. 307/340), os quais por não terem sua origem comprovada deram ensejo à lavratura do Auto de Infração em apreço (fls. 05/18); 7.2.3 A defesa tenta descaracterizar o lançamento sob o argumento de que os depósitos efetuados junto ao Banco Bradesco S/A (agência 05258, contacorrente n° 33.4251) decorreram de ingressos ou transferências de numerário feitos por outra empresa com a qual teria celebrado contrato de empreitada para fornecimento de mãodeobra, sendo que a referida conta bancária teria recebido valores atinentes a outros pagamentos (empreiteiros, fornecedores, fretes, material etc.), de sorte que os valores apurados e lançados pela Fiscalização não representariam o real faturamento da impugnante, requerendo inclusive diligência a ser procedida na pretensa empresa a fim de dirimir a dúvida e efetivar o lançamento da forma correta; 7.2.4 Não vingam as alegações da defesa, uma vez que no item precedente esta questão foi devidamente enfrentada, chegandose à conclusão de que as alegações da defesa são descabidas, seja pela pelas razões apresentadas apenas de teor genérico, em tese, seja pela inexistência do eventual contrato celebrado entre a impugnante e a pretensa empresa contratante, seja ainda pela falta de indicação do nome e demais características desta última, o que denota o total descabimento de suas alegações nesse sentido; 7.2.5 Ademais, mesmo que a impugnante tivesse recebido em sua conta corrente bancária depósitos efetuados pela pretensa empresa contratante, não se justificaria que deixasse de utilizar a referida contas para depósitos/créditos e outras operações em nome da própria impugnante, bem como deixasse de efetuar o registro de tais operações no Livro Caixa, porquanto declarou o Imposto de Renda no ano calendário sob exame pelo Lucro Presumido, tendo que observar nesse sentido, a disposição do art. 45, inciso I, II e III, parágrafo único, da Lei n° 8.981, de 20/01/1995; 7.2.6 Não tendo, pois assim procedido e, não tendo também alegado nem provado que os depósitos bancários efetuados em suas contas bancárias eram de terceiros, conclusão outra não se pode tirar, a não ser que tais depósitos foram de fato efetuados pela própria impugnante e em nome dela devem ser considerados, conclusão esta que se coaduna com a que levou a AuditoraFiscal autuante a lavrar o instrumento de autuação contra a impugnante (Auto de Infração —IRPJ, fls. 05/18); 7.2.7 Além disso, o lançamento em tela, como visto, não decorreu única e exclusivamente da existência dos depósitos bancários em nome da impugnante. Na verdade, a constituição do crédito tributário adveio do fato de o contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que deram respaldo aos referidos depósitos, o que ensejou por presunção legal de omissão de receita, a lavratura do referido instrumento de autuação; 7.2.8 Ademais, para a constituição do crédito tributário em referência, o lançamento adveio de presunção legal (juris tantum), prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, de sorte que, não tendo o contribuinte provado a origem dos recursos efetuados em sua conta de depósito ou de investimento de sua titularidade, está Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 817 13 caracterizada a omissão de receita, inclusive porque se tratando de presunção legal, invertese o ônus da prova e, naturalmente, caberia ao contribuinte comprovar o origem dos mesmos, o que no presente caso não ocorreu; 7.2.9 Corroborando o procedimento adotado pela Fiscalização, cabe transcrever no presente tópico parte da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, nos seguintes termos (fls. 06): Os valores a crédito nessa conta corrente foram devidamente expurgados das parcelas não correspondentes ao efetivo ingresso de numerário naquela conta, e os créditos assim resumidos, identificados nos documentos de folhas anexas, foram demonstrados na planilha "movimentação de conta corrente bancária", em 6 folhas, que serviu de base para o Termo de Intimação Fiscal de 05/09/2006, onde foram solicitados esclarecimentos pelos valores não escriturados. O contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento ou justificativa sobre o fato. (grifouse) 7.2.10 A omissão de receita assim obtida, por presunção legal, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, constitui disponibilidade econômica ou jurídica em favor do contribuinte, caracterizando, assim, o fato gerador do Imposto de Renda, compatível com a regramatriz constitucional de incidência do referido imposto (CF/88, art. 153, III, § 2°, I), bem assim em consonância com as regras do Código Tributário Nacional que dispõem, o fato gerador e a base de cálculo do Imposto de Renda (CTN, arts. 43, I e II, e 44), coadunandose, portanto, o procedimento fiscal consubstanciado no Auto de Infração IRPJ (fls. 05/18), com as disposições constitucionais e legais que regem a matéria; 7.2.11 Considerando, pois, que, não foram apresentados outros elementos de prova capazes de descaracterizar o presente instrumento de autuação, inclusive porque as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando este for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não surtem nenhum efeito jurídico, é de se manter a autuação nos mesmos termos do lançamento original. 7.3 Matéria não Impugnada (Insuficiência de Recolhimento) 7.3.1 O lançamento abrangeu também, além da infração discriminada no tópico precedente, a diferenças verificadas entre os valores declarados pelo contribuinte e os efetivamente recolhidos, gerando insuficiência de recolhimento, conforme descrito nas infrações 2.2 e 2.3 (fls. 08/10); 7.3.2 Vêse, porém, que o contribuinte em sua defesa, não contestou expressamente a presente matéria, considerandose, neste particular, como não impugnado o lançamento e, portanto não iniciada a fase litigiosa do procedimento, conforme dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532/97, infra transcrito: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7.3.3 Com efeito, nos termos do dispositivo supra, é de se considerar como não impugnada a matéria objeto do presente processo, relativamente aos referidos itens da autuação e, portanto, não instaurada a fase litigiosa do procedimento; 7.4 — Da Realização de Diligência ou Perícia 7.4.1 A realização de diligência e /ou perícia requerida pela defesa teria sentido se a impugnante na defesa apresentada tivesse indicado a pretensa empresa com a qual teria celebrado o contato de empreitada ou tivesse ainda apresentado cópia do eventual contrato celebrado entre as partes ou pelo menos apresentado. outros elementos de provas com indícios da existência do referido “Contrato”. Como não Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 818 14 procedeu dessa forma, apresentando apenas alegações de caráter genérico, em tese, são totalmente despropositadas suas alegações nesse sentido. 7.4.2 Descabe, assim, a pretensa realização de diligência ou perícia aventada pela defesa, porquanto prescindese, à luz do arts. 18 e 28 do Decreto n° 70.235/72, de realização desse procedimento, na medida em que os elementos insertos nos autos, sobretudo aqueles que resultaram nos demonstrativos acima referenciados são necessários e suficientes à formação da livre convicção desta autoridade julgadora quanto ao exame do mérito. 7.5 Dos Tributos Reflexos: PIS, CSLL e Cofins 7.5.1 Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida integralmente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexos, inclusive no tocante à aplicação da multa de oficio e dos juros de mora. Como também no recurso voluntário nenhum documento foi juntado pela interessada, subsiste a presunção de omissão de receitas firmada em razão da não comprovação da origem dos depósitos bancários realizados em conta de titularidade da autuada. Cabe consignar que a movimentação financeira da contribuinte foi obtida mediante requisição de informações às instituições financeiras, procedimento fundamentado no art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal sob o rito da repercussão geral. De outro lado, o Anexo II do Regimento Interno do CARF, depois da alteração promovida por meio da Portaria MF nº 586/2010, passou a dispor que: Art. 62A. [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Todavia, embora o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, não há notícia de que tenha sido sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, de forma que não é o caso de sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário. Anotese, ainda, que o Decreto nº 70.235/72 autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 819 15 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por sua vez, o art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Por fim, observase que a formalização de parte do lançamento ocorreu depois de transcorrido o prazo decadencial para tanto. Tal definição é afetada pelas novas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 820 16 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 821 17 se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Anota a fiscalização que a contribuinte não havia apresentado declaração de imposto de renda para o anocalendário 2000 e apresentado declarações de inatividade para o exercício de suas atividades, correspondente aos anoscalendário de 2001 e 2002. Somente no curso do procedimento fiscal apresentou as DIPJ correspondentes, bem como a escrituração que justificaria sua tributação na sistemática do lucro presumido. Em conseqüência, a autoridade fiscal exigiu, com os acréscimos pertinentes ao lançamento de ofício, também os tributos informados pela contribuinte nas DIPJ apresentadas no curso do procedimento fiscal. Logo, está evidenciado que a contribuinte não exerceu a atividade prevista no art. 150 do CTN, não podendo se cogitar de homologação tácita de sua apuração após transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, a aplicação do prazo mais alargado previsto no art. 173 do CTN não é suficiente para convalidar a integralidade da exigência. De fato, mesmo iniciandose a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observase que na data de ciência do lançamento já havia expirado o prazo para formalização de parte do crédito tributário. Antes, porém, cabe observar que foram adotadas duas formas de intimação para ciência do lançamento: às fls. 756/757 constam avisos de recebimento acusando a recepção, dos autos de infração, no domicílio fiscal da contribuinte, em 28/11/2006; e à fl. 758 consta edital para a mesma ciência, afixado em 22/11/2006 e desafixado em 07/12/2006. Por sua vez, a interessada apresentou impugnação em 21/12/2006, afirmandose notificada em 26/11/2006. Há indícios, portanto, de que a ciência postal promovida em 28/11/2006 foi eficaz, ensejando, inclusive, a apresentação da impugnação correspondente dentro do prazo de 30 (trinta) dias, fixado em lei para tanto. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 822 18 Contudo, admitindose possível o lançamento, no próprio anocalendário 2000, dos tributos cujo fato gerador ocorreu antes de 31/12/2000, a contagem do prazo previsto no art. 173 do CTN teria início em 01/01/2001, e expiraria em 31/12/2005. Logo, em 28/11/2006 não seria possível exigir os valores devidos a título de IRPJ e CSLL no 1o, 2o e 3o trimestres de 2000, bem como a título de Contribuição ao PIS e COFINS nos períodos de janeiro/2000 a novembro/2000. Assim, resta concluir que somente poderiam ser formalizados, naquele momento, os créditos tributários de IRPJ e CSLL pertinentes aos períodos de apuração encerrados a partir do 4o trimestre de 2000, bem como as exigências correspondentes à COFINS e à Contribuição ao PIS devidas nos períodos de apuração encerrados a partir de dezembro/2000. Nestes casos, como o lançamento somente seria possível no anocalendário 2001, o prazo decadencial teria início em 01/01/2002, e somente terminaria em 31/12/2006. Por estas razões, devese declarar a decadência do crédito tributário exigido, a título de IRPJ e CSLL, do 1o trimestre de 2000 ao 3o trimestre de 2000, bem como a título de Contribuição ao PIS e COFINS, nos períodos de apuração de janeiro/2000 a novembro/2000. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, para cancelar as exigências a título de IRPJ e CSLL, do 1o trimestre de 2000 ao 3o trimestre de 2000, bem como a título de Contribuição ao PIS e COFINS, nos períodos de apuração de janeiro/2000 a novembro/2000. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000964/2002-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/10/1997, 30/11/1997,
31/12/1997
COFINS. DCTF. VINCULAÇÃO. PAGAMENTOS INEXISTENTES.
LANÇAMENTO.
Na vigência original do art. 90 da MP no 2.15835,
de 2001, era cabível o
lançamento relativo a débito vinculado em DCTF a pagamento inexistente,
sendo irrelevante ao caso se houve opção ao Refis, especialmente quando não
tenham sido os débitos incluídos no parcelamento, posteriormente rescindido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.149
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 COFINS. DCTF. VINCULAÇÃO. PAGAMENTOS INEXISTENTES. LANÇAMENTO. Na vigência original do art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, era cabível o lançamento relativo a débito vinculado em DCTF a pagamento inexistente, sendo irrelevante ao caso se houve opção ao Refis, especialmente quando não tenham sido os débitos incluídos no parcelamento, posteriormente rescindido. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10320.000964/2002-69
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4964312
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.149
nome_arquivo_s : 330201149_10320000964200269_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10320000964200269_4964312.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4743774
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230530662400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.000964/200269 Recurso nº 238.981 Voluntário Acórdão nº 330201.149 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2011 Matéria Cofins Auto de Infração Recorrente EMPRESA PACOTILHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 COFINS. DCTF. VINCULAÇÃO. PAGAMENTOS INEXISTENTES. LANÇAMENTO. Na vigência original do art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, era cabível o lançamento relativo a débito vinculado em DCTF a pagamento inexistente, sendo irrelevante ao caso se houve opção ao Refis, especialmente quando não tenham sido os débitos incluídos no parcelamento, posteriormente rescindido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10320.000964/200269 Acórdão n.º 330201.149 S3C3T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 42) apresentado em 16 de fevereiro de 2007 contra o Acórdão no 089.583, da 3ª Turma de Julgamento da DRJ / FOR (fls. 33 a 36), cientificado em 19 de janeiro de 2007, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos 2º (exceto março) e 4º trimestre de 1997, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 PARCELAMENTO ESPECIAL REFIS. O fato de o § 3º do Art. 2º da Lei 9.964/2000 estabelecer que a consolidação do Refis abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, não impede que a Fazenda Pública venha apurar novos débitos, relativos aos períodos compreendidos no parcelamento especial. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de auditoria interna da DCTF, quando a irregularidade apurada não se coaduna com as hipóteses previstas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 15 de março de 2002 (fl. 27), de acordo com o termo de fls. 6 e 7, os pagamentos informados em DCTF não foram localizados. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 04/08, no valor total de R$ 121.987,23, incluindo encargos legais. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, o lançamento decorreu de auditoria interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, tendo sido apuradas as infrações a seguir indicadas. 2.1. Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme anexo III – Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, fls. 08. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10320.000964/200269 Acórdão n.º 330201.149 S3C3T2 Fl. 3 3 2.2. O enquadramento legal das infrações encontrase indicado às fls. 05. 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 15/03/2002, fls. 27, apresentou o contribuinte impugnação em 11/04/2002, fls. 01, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. 3.1. Afirma a defesa que, de acordo com o Art. 1º da Lei 9.964, de 10/04/2000, o Programa de Recuperação Fiscal REFIS é destinado a promover a regularização dos créditos da União, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, com vencimento até 29/02/2000, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos. 3.2. Assim, alega que a empresa fez opção pelo Programa de Recuperação Fiscal REFIS no dia 13 de dezembro de 2000 (cópia anexa) e, de acordo com o § 3º do Art. 2º da Lei 9.964/2000, a consolidação abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de oficio, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. 3.3. À vista de todo exposto, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando se o débito fiscal reclamado. A DRJ concluiu que, “analisandose o Demonstrativo de Débitos Consolidados do Refis, extrato às fls. 31/32, verificase que o sujeito passivo não incluiu no referido parcelamento os valores declarados na DCTF que compõem o presente lançamento de ofício. Portanto, cabível a cobrança do crédito tributário em análise”. Entretanto, excluiu a multa de ofício, pelo fato de os débitos terem sido declarados em DCTF. No recurso, a Interessada reportase às mesmas razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O presente auto de infração trata do lançamento da Cofins declarada em DCTF e vinculada a pagamentos inexistentes em todo ou em parte. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10320.000964/200269 Acórdão n.º 330201.149 S3C3T2 Fl. 4 4 O objeto do processo administrativo fiscal previsto no Decreto no 70.235, de 1972, é a apuração da determinação e exigência do crédito tributário. Como determina o art. 144 do CTN, o lançamento “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. À época da efetuação do lançamento, vigiam as disposições originais do art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, que determinava o seguinte; Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, havendo o contribuinte apresentado a DCTF com erro evidente e não sendo exigível a obrigação sem o lançamento, a lavratura do auto de infração era obrigatória, como determina o art. 142 do CTN. Conforme esclarecido pela Primeira Instância, os débitos lançados sequer foram incluídos pela Interessada no Refis e a sua opção foi rescindida em 11 de dezembro de 2000. Portanto, a alegação de que os débitos deveriam ter sido incluídos no parcelamento é completamente irrelevante para o presente caso. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
