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Numero do processo: 19515.000478/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/11/2000 a 31/01/2001, 01/08/2001 a 28/02/2002 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - PROCESSO ADMINISTRATIVO - NÃO APLICAÇÃO Conforme determina a Súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” DECADÊNCIA - LEI Nº 8212/91 - INAPLICABILIDADE - SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN - OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tal entendimento também é aplicável em face do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF - RICARF - e do recurso repetitivo RESP 973.733, de relatoria do Min. Luiz Fux.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 3302-001.597
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/11/2000 a 31/01/2001, 01/08/2001 a 28/02/2002 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NÃO APLICAÇÃO Conforme determina a Súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” DECADÊNCIA LEI Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tal entendimento também é aplicável em face do artigo 62A do Regimento Interno do CARF RICARF e do recurso repetitivo RESP 973.733, de relatoria do Min. Luiz Fux. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 2 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. Evidenciado que pessoas físicas ausentes do contrato social da empresa são seus verdadeiros controladores, é correta a atribuição de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois resta caracterizado que estas pessoas físicas possuem interesse direito nas operações econômicas que geraram as obrigações tributárias objeto do lançamento. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: WALBER JOSE DA SILVA (PRESIDENTE), JOSE ANTONIO FRANCISCO, FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, ALEXANDRE GOMES E JOSE EVANDE CARVALHO ARAÚJO. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 1.347/1.356) lavrado para constituição de crédito de COFINS, supostamente devido no período de 10/1999 a 02/2002, e relativo a diferencial apurado pela Fiscalização entre o valor declarado pelo contribuinte em DCTF e os valores apurados e escriturados. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 3 3 O lançamento foi efetuado não apenas contra a pessoa jurídica, como também contra duas pessoas físicas, na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, pois no entender da fiscalização, possuíam interesse comum na situação que constituiu fato gerador do tributo ora cobrado, vez que seriam estas pessoas físicas que se beneficiariam com o não recolhimento da COFINS em discussão. O lançamento decorre de fiscalização iniciada para verificações obrigatórias de IRPJ, posteriormente estendida a tributos aduaneiros (que culminou no lançamento objeto do Processo Administrativo nº 19515.002567/200308), bem como ao IPI, PIS, COFINS e CSLL. A documentação relacionada ao processo e fiscalização principais encontrase acostada aos autos. Como bem relatado no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 1.301/1.346), a fiscalização originouse de investigação da Receita Federal realizada em 2002, que resultou na apreensão de uma série de documentos que comprovavam a importação irregular de diversos produtos. Segundo consta do relatório em questão, a fiscalização teve por objetivo original analisar operações de importações de mercadorias. Tais operações teriam sido realizadas com subfaturamento, através de uma estrutura montada para sonegação de tributos incidentes sobre referidas importações. Neste sentido, haveria simulação de operações comerciais, nas quais participavam importadores e vendedores “de fachada”, além dos fornecedores de fato (empresas no exterior, que vendiam as mercadorias) e dos importadores de fato (adquirente final dos produtos, que promovia o pagamento através de contas no exterior, diretamente para os fornecedores estrangeiros). A MAJ, portanto, figuraria como uma intermediária que participava das simulações, como se importadora fosse, mas que não participaria das negociações e/ou da formação dos preços. Diante da constatação do esquema de simulação, foram apontados como responsáveis solidários pelos tributos aduaneiros (nos autos do Processo nº 19515.002567/200308), os verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas (importadores de fato), os Srs. Liu Kuo An e Liu Shun Jen. São estes Srs. que também foram apontados como responsáveis solidários pelo tributo (COFINS) objeto do lançamento sob análise. Vários documentos foram apreendidos, e aquelas relacionados à empresa Recorrente foram retirados de imóveis de propriedade do Sr. Liu Kuo An. Os volumes foram lacrados e, posteriormente, analisados e xerocopiados na presença de advogado da empresa. Segundo o relato fiscal, dentre a documentação apreendida encontravamse apenas alguns dos livros da empresa Recorrente, embora a resposta de seus advogados para os termos de intimação para apresentação de documentos, no curso desta fiscalização, tenha sido sempre a de que os documentos se encontrariam em poder da Receita Federal. Inclusive, em resposta à alegação do contribuinte, no curso da ação fiscal, de que os livros e documentos solicitados estariam em poder da Receita Federal, a fiscalização esclareceu que, dentre a documentação solicitada, apenas o Livro Caixa de 2000 estava sob seu poder – e, ainda assim, incompleto, pois sequer estaria escriturada a movimentação bancária da empresa fiscalizada. Foi entregue à fiscalização as DIPJ’s dos anoscalendário de 1998 a 2001 (regime de lucro presumido). Em relação ao anocalendário de 2002 foi apresentada – segundo a fiscalização, de modo equivocado – a Declaração Anual Simplificada de Inatividade (fls. 262/382). Foram entregues, ainda, as DCTF’s de 1º ao 4º Trimestres dos anoscalendário de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 4 4 1999 a 2001, além das DCTF’s do 4º Trimestre de 2002 e 1º e 2º Trimestres de 2003 (fls. 383/440). Em 28/10/02, a fiscalização intimou o advogado da Recorrente para apresentar uma série de documentos, relativos aos anos de 1998 a junho/2002, especialmente para apresentar, dentre outros documentos: as Declarações tributárias faltantes, LALUR, Livros Diário, Razão e Caixa, Planilhas de apuração de PIS e COFINS, Relação de bens do ativo permanente da empresa, Relação de marcas de propriedade da empresa, Extratos de contas bancárias mantidas pela empresa, Relação dos imóveis utilizados e/ou ocupados pela empresa desde o início de suas atividades, até o momento da fiscalização (além de outras informações). Nos dois anos seguintes sucederamse diversas manifestações do advogado da empresa, no sentido de que ou não possuía as informações solicitadas e/ou não poderia apresentar os documentos solicitados, pois estariam de posse da Receita Federal. Sobrevieram, também, reiterados pedidos de dilação de prazo para resposta aos diversos termos de intimação, expedidos pelo Fisco durante o período, além de diversos termos de reintimação para apresentação dos documentos, esclarecendo que os mesmos não estavam de posse da Receita Federal. Diante das evasivas do contribuinte foi emitido Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 539/543), além de Requisição de Informação de Movimentação Financeira (fls. 547/552), através dos quais foram obtidas cópias de extratos bancários não fornecidos pela empresa fiscalizada. Em 25/06/04, a empresa foi intimada a comprovar os valores de IPI e ICMS/Substituição tributária, que alegou ter excluído das bases de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 663/667). Também foi intimada (em 30/06/04) a comprovar a origem de diversos depósitos bancários e valores que aparecem em sua contabilidade sem origem identificada e que somam valor superior à receita declarada pela Recorrente, no período sob fiscalização (fls. 669/733). A fiscalização seguiu questionando a Recorrente sobre a não apresentação de uma série de documentos – relacionados com os tributos federais – bem como em relação às diferenças entre os valores eventualmente declarados (a menor) e os valores de notas fiscais e depósitos bancários recebidos em nome da empresa. A Recorrente, todavia, limitouse a apresentar argumentos genéricos quanto à legislação que teria aplicado para apurar os tributos questionados, bem como, alegando que não apresentara a documentação requerida porque ou bem estaria sob a guarda do Fisco, ou a operação de fiscalização teria “bagunçado” seus arquivos, o que dificultava o trabalho de localização dos documentos. Diante da ausência de esclarecimentos efetivos, por parte da Recorrente, e da constatação das diferenças entre os valores declarados como base de cálculo dos tributos, e aqueles recebidos pela Recorrente, foram lavrados diversos autos de infração para cobrança dos tributos federais não declarados e não pagos. Dentre eles, o presente lançamento de COFINS, cuja base são as diferenças apuradas entre a base de cálculo da COFINS calculada com base nas notas fiscais da empresa, bem como de valores constantes em sua contabilidade, e aqueles que foram utilizados como base de cálculo do tributo pago, na medida em que tais exclusões jamais foram esclarecidas pela empresa, no curso da fiscalização. Intimados do lançamento os contribuintes apresentaram suas respectivas defesas. A Impugnação apresentada por Liu Kuo Na (fls. 1.371/1.380), limitase à alegar a ilegalidade de sua indicação como responsável solidário, uma vez que o fundamento – de que ele faria parte de uma organização criminosa visando fraudar o Fisco – Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 5 5 não foi provada criminalmente, tampouco foi comprovado que ele teria interesse na situação que constituiu o fato gerador tributário objeto do lançamento (art. 124 do CTN). Alega, ainda, que sequer era sócio da empresa autuada e que não foi intimado para apresentar esclarecimentos no curso da fiscalização. A Impugnação apresentada por Liu Shun Jen (fls. 1.387/1.397) é idêntica, acrescentando, apenas, que no período fiscalizado o impugnante era relativamente incapaz (art. 6º do Código Civil vigente à época), por ter nascido em 28/11/1980. A Impugnação apresentada pela pessoa jurídica (fls. 1.406/1.410) limitase a alegar que não pôde apresentar a documentação solicitada pelo Fisco para comprovar a adequação de suas declarações porque esta se encontrava de posse da própria Fiscalização. A DRJ manteve o lançamento (fls. 1.421/1.422), indeferindo as Impugnações apresentadas e mantendo, inclusive, a responsabilidade solidária das pessoas físicas. No que se refere à responsabilidade solidária, a DRJ entendeu que as pessoas físicas indicadas, embora não fossem os sócios da empresa autuada, eram quem verdadeiramente a controlavam e coordenavam as operações da empresa – atuando em todas as fases dos negócios jurídicos praticados, desde a negociação do preço, a compra e a venda dos produtos. Segundo esclarecido pela DRJ tais questões foram exaustivamente abordadas no Processo Administrativo nº 19515.002567/200308 que se refere à apuração das infrações relacionadas aos tributos aduaneiros, no qual também foram indicadas as pessoas físicas como responsáveis solidárias, fato confirmado no julgamento daquele processo pela DRJ competente. No que se refere à alegação de incapacidade relativa do Sr. Liu Shun Jen, a DRJ afasta o argumento em razão de a capacidade tributária ser dissociada da capacidade civil, por expressa previsão no CTN (art. 126, I). Adicionalmente, a DRJ registra ter ocorrido a preclusão, no que se refere a apresentação de provas. E, finalmente, no que se refere ao argumento apresentado pela empresa, no sentido de que os documentos não foram por ela disponibilizados à Fiscalização, porque já se encontrariam de posse da Receita Federal, a DRJ aponta que, por diversas vezes, nos autos há afirmação da Recorrente neste sentido às quais a Fiscalização respondeu que apenas um Livro Caixa (ano 2000) encontravase sob sua guarda. O que se comprova, também, da análise dos Termos de Retenção acostados aos autos, que evidenciam que a documentação solicitada não havia sido apreendida pela Fiscalização. Sobrevieram os Recursos Voluntários dos Recorrentes. No Recurso apresentado pelos responsáveis solidários – pessoas físicas (fls. 1.447/1.469) – foi alegada (i) a prescrição intercorrente, pelo decurso de 07 anos da data do início da fiscalização, até aquela data; (ii) a decadência; (iii) a ilegalidade do lançamento porque não foram intimados, durante a fiscalização, para prestar nenhum esclarecimento; (iv) que não restou comprovada a existência de nenhuma organização criminosa, como alegado, tampouco que teriam interesse na situação que deu origem ao fato gerador; (v) que não eram sócios nem tinham ingerência na empresa autuada; (vi) que o fato de documentos terem sido apreendidos em sua residência não justifica a responsabilidade que lhes é atribuída; e (vii) que a multa aplicada à pessoa jurídica não pode lhes ser imposta pois não tinham qualquer relação com a infração cometida. No Recurso Voluntário apresentado pela empresa (fls. 1.470/1.475) reitera o argumento de que não apresentou os documentos solicitados porque os mesmos estavam apreendidos pelas autoridades. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 6 6 Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do lançamento de COFINS, resultado de fiscalização ampla que também gerou o lançamento de outros tributos federais (IRPJ, CSLL, IPI e PIS), em virtude da constatação de operações de importação com subfaturamento, envolvendo importadores de fachada e importadores de fato. Inicialmente vale esclarecer que no curso do processo os autuados não apresentaram nenhuma informação, prova ou documento sequer a respeito dos questionamentos apresentados pela Fiscalização, quanto às diferenças apuradas entre notas fiscais e registros contábeis de valores que deveriam compor a base de cálculo da COFINS e que, entretanto, não foram considerados pela empresa na apuração, declaração e pagamento do tributo. Portanto, a discussão dos autos limitase a questões preliminares. Da análise dos argumentos apresentados pelos Recorrentes Pessoas Físicas, entendo que a alegação de prescrição intercorrente é infundada, na medida em que o prazo apontado como prescricional – da data do início da fiscalização até o momento da apresentação do Recurso Voluntário – não é um prazo prescricional. Do início da fiscalização até a lavratura (e ciência) do auto de infração estava em curso o prazo decadencial, de 05 anos, que o Fisco tem para verificar a ocorrência do fato gerador e a adequação do lançamento por homologação efetuado pelo contribuinte. O prazo prescricional somente tem início após a definitividade do lançamento, ou seja, após o encerramento da fase administrativa em que se discute a legalidade do auto de infração. Ademais, a jurisprudência deste Conselho já firmou entendimento de que a prescrição intercorrente não pode ser aplicada no processo administrativo fiscal, tendo editado uma súmula a este respeito, verbis: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Desta feita, não há de se admitir o argumento apresentado pelos Recorrentes, a este respeito. No que se refere à decadência, por sua vez, assiste razão aos Recorrentes, embora apenas em relação a um período objeto do lançamento. A decadência para lançamento de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 05 anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do que estabelece o art. 150 §4º do Código Tributário Nacional. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 7 7 O lançamento ocorreu em 23/02/05, tendo sido notificado aos interessados em 07/03/05 (Pessoa Jurídica – fls. 1.361), 14/03/05 (Sr. Liu Jen – Fls. 14/03/05) e 25/03/05 (Sr. Liu Na – fls. 1.363). Alguns dos fatos geradores objeto do lançamento, contudo, ocorreram mais de 05 anos antes da ciência do lançamento (que se refere a diversas competências compreendidas no período de 10/1999 a 02/2002). Assim, em relação aos créditos derivados de fatos geradores ocorridos antes 02/2000, operouse a decadência e a correspondente extinção do crédito tributário – nos termos do artigo 156, V do CTN – razão pela qual, a constituição destes créditos não pode prosperar. Assim, reconheço a decadência e extinção dos créditos objeto do lançamento, que se referem aos períodos de 10/1999 e 01/2000. Quanto à alegação de que não poderiam ter sido incluídos no pólo passivo do lançamento, como responsáveis solidários, entendo que não merece prosperar. Conforme relatado pela DRJ em sua decisão, a questão da responsabilidade solidária das pessoas físicas incluídas no polo passivo deste lançamento já foi objeto de exaustiva análise no processo administrativo que cuidou do lançamento dos tributos aduaneiro, de onde originou a fiscalização que gerou o lançamento ora sob análise (Processo Administrativo nº 19515.002567/200308). Cumpre destacar que referido processo já foi objeto de julgamento definitivo por este Conselho, ocasião em que foi mantido não apenas o lançamento, mas a condição de responsáveis solidários dos Srs. Liu Kuo An e Liu Shun Jen. Naqueles autos a documentação apresentada evidenciou que os Srs. Liu Kuo An e Liu Shun Jen tinham participação ativa e decisiva nos negócios jurídicos firmados pela empresa MAJ Comércio Exportação e Importação Ltda.. Há documentos físicos que indicam o nome dos Srs., mensagens eletrônicas e arquivos de despachantes aduaneiros que comprovam que não apenas estes Srs. escolhiam os produtos a serem por ela importados, como também os fornecedores/exportadores, negociavam diretamente o preço, efetuavam o pagamento, negociavam o embarque dos produtos e determinavam quem seriam os compradores. Destaco trecho do Acórdão nº 0237.392 proferido pela 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, proferido nos autos do Processo Administrativo nº 19515.002567/200308, que trata justamente das evidências de que os Recorrentes coordenavam pessoalmente as importações realizadas pela MAJ, o que os qualifica como importadores de fato e, portanto, diretamente interessados nas situações que se consubstanciaram como fatos geradores da COFINS ora em discussão, verbis: “Defendese o impugnante Liu Shun Jen (Marco Liu), por ter a fiscalização na presente peça fiscal atribuidolhe a condição de contribuinte solidário das operações de importação realizadas pela empresa MAJ, alegando não pertencer ao quadro societário da referida empresa, por não ter nela atuado como gerente, administrador, procurador, tutor, inventariante, etc, e nem ter interesse algum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos. (...) Inúmeros documentos anexados aos autos endereçados a Marco Liu ou por ele enviados demonstram que a sua participação deve ir além de um simples "repassador" de mensagens às pessoas de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 8 8 direito, como alega. Constatase a presença de seu nome, quer no cabeçalho, quer no rodapé, de vários documentos relativos às mais diversas atividades da "organização", como se a ele coubesse a função de gerenciamento/supervisão de todas as atividades operacionais da "empresa". (...) 1) Foram encontradas no escritório dos despachantes aduaneiros, cópias de mensagens eletrônicas (emails) enviadas de Marco Liu (marco.liu@troni.com.br ) Junior, provavelmente Thiers Fleming Câmara Junior, (às fls. (vol. 18) 4297, 4312, 4330, 4348, 4351, 4354, 4397), as quais continham anexadas a elas, arquivos que se constituem em faturas, elaboradas em programas de edição de texto (arquivos com extensão .doc), que eram enviadas para os despachantes, responsáveis pelo desembaraço das mercadorias. Um número expressivo de impressões dessas faturas podem ser encontradas de fls. 4298 a 4486 (vol.18); 2) mensagens eletrônicas (emails), às fls. 810/811 e 820 a 823, nas quais Liu Kuo An solicita a Marco Liu uma série de providências relativas à importação de mercadorias. Face ao acima exposto, não há como excluir o reclamante da sua participação nas operações de importação de mercadorias e, conseqüentemente, como participante ativo na ocorrência do fato gerador dos tributos aduaneiros. Quanto a Liu Kuo An, o conteúdo das mensagens eletrônicas (originais e traduções), de fls. 804 a 847, trocadas entre ele e a empresa Doluoni, sediada em Taiwan, (por exemplo, às fls. 804: De: Liu Kuo An para adoluoni@ms7.hinet.net ; às fls 806/818: Para: Irmão Kin Chang De: Kuo An) demonstram que o impugnante comandava as compras, o embarque, o pagamento, enfim, todas as atividades relativas a operações de importação das mercadorias. Alega Liu Kuo An que o simples fato de alguns documentos terem sido encontrados na sua residência não bastam para considerálo como contribuinte solidário. Ressaltese que não foram alguns, mas muitos documentos. Dentre eles, vasto arquivo de dossiês de importação realizadas pela MAJ, de fls. 856 a 2869, as "Listas de Saída de Mercadorias, Quantidades e Contas a Receber", os "Controles Contábeis de Taiwan" e outros. Portanto, improcedente a alegação do contribuinte. (...) Ensina José Eduardo Soares de Melo, no seu Livro Curso de Direto Tributário (3aedição, Dialética, 2002, pag.200) sobre solidariedade: "A solidariedade tributária (na linha do direito privado — art. 896, parágrafo único, do Código Civil) consiste na possibilidade Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 9 9 de a Fazenda poder exigir o tributo de mais de uma pessoa vinculada ao fato gerador. Embora o natural devedor do tributo seja o contribuinte, em face de sua vinculação pessoal e direta com a materialidade do tributo, podem existir pessoas a ela vinculadas, e que tenham interesse no respectivo ônus." Do acima exposto, o auto de infração decorrente do procedimento de fiscalização foi lavrado contra o pretenso importador MAJ e as pessoas físicas LIU KUO AN e LIU SHUN JEN, contribuintes solidários, pessoas que têm interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos: o primeiro, por ser o importador de direito, e os últimos, por serem os importadores de fato.” Entendo, portanto, que restou evidenciado pela fiscalização que os Srs. Liu Kuo An e Liu Shun Jen foram adequadamente responsabilizados solidariamente pelos tributos objeto do lançamento, na medida em que tinham interesse direto nas operações que geraram o lançamento, vez que se revestiam da condição de importadores de fato dos produtos revendidos pela MAJ. No tocante à alegação de que a multa não lhes seria aplicável, na condição de responsável, entendo que não procede, pois a responsabilidade que lhes é atribuída é pelo crédito tributário – composto, portanto, pelo principal, acrescido dos encargos legais (juros e multa). Finalmente, quanto às alegações da MAJ, no sentido de que não foram apresentados os documentos comprobatórios da adequação da apuração da COFINS, efetuada pela empresa, porque os mesmos estariam sob a guarda da autoridade fiscal, entendo que a alegação é descabida. No curso do processo este argumento foi insistentemente apresentado pela empresa, para justificar a não apresentação dos documentos, e de pronto rechaçado pela Fiscalização, que afirmou durante todo o tempo que apenas havia retido um Livro Caixa (do ano de 2000 e, ainda assim, incompleto). Os Termos de Apreensão acostados nos autos não indicam que houve a apreensão da documentação fiscal solicitada e a Recorrente, em momento algum, apresentou nenhum outro Termos de Apreensão que pudesse corroborar suas alegações. Assim, entendo descabida a argumentação de que os documentos não foram apresentados porque estariam de posse das autoridades. Desta forma, por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar seja cancelado o lançamento em relação às competências de 10/1999 e 01/2000, em virtude da ocorrência da decadência e extinção do crédito tributário em questão. Julgo procedente o lançamento em relação aos demais períodos, inclusive com a manutenção da responsabilidade solidária dos Srs. Liu Kuo An e Liu Shun Jen. É como voto. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.000478/200581 Acórdão n.º 330201.597 S3C3T2 Fl. 10 10 Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 17546.001014/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003
Ementa: REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA
É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
SUCESSÃO
Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
Numero da decisão: 2301-002.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003 Ementa: REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUCESSÃO Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
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AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUCESSÃO Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001014200761 Acórdão n.º 2301002.758 S2C3T1 Fl. 356 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuinte individual, e ainda, contribuições devidas pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Conforme Relatório Fiscal (fls. 69), as bases de cálculo da contribuição lançada foram extraídas das Folhas de pagamento dos segurados empregados e contribuinte individual (administrador) apresentadas e das Notas Fiscais de compra de mercadorias de pessoa física produtor rural. A autoridade lançadora informa que a notificada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, mas não efetuou os descontos e os recolhimentos das contribuições por eles devidas em decorrência da comercialização de suas produções. A seguir expõe os motivos pelos quais entende que há formação de grupo econômico entre a recorrente e as empresas ali listadas, e fundamenta a solidariedade entre as empresas do grupo no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. A empresa notificada e as demais solidárias apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0519.355, da 7a Turma da DRJ/CPS, (fls. 289), julgou o lançamento procedente, excluindo, porém, do pólo passivo da NFLD, a empresa Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda, sob a alegação de que não restaram evidenciados, nos autos, os elementos caracterizadores da constituição de grupo econômico de fato entre esse frigorífico e as demais empresas. Inconformada com a decisão, a empresa notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 335), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, esclarece que não foi arguída inconstitucionalidade da cobrança ou de suas normas reguladoras, mas apenas, em impugnação, foi alegada ilegalidade quanto a sua cobrança, ante a inexigibilidade declarada pelo Superior Tribunal de Justiça, nos exatos termos da jurisprudência transcrita. Reitera que é evidentemente ilegal e inexigível a cobrança do FUNRURAL ou contribuição para o INCRA, observando que o art. 20, da Portaria 520/04, determina que o INSS deve afastar aplicação por ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, especialmente nos casos que já tenha sido declarada a inconstitucionalidade por tribunal, e em caso de decisão judicial afastando a aplicação da norma por ilegalidade. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Assevera que o Sr. Relator do acórdão recorrido aplica portaria editada após a finalização do procedimento fiscal e inicio da fase contenciosa, o que torna ilegal a decisão de primeira instância, devendo ser sanada com a sua reforma e declarado nulo o lançamento do débito fiscal ante a ilegalidade da cobrança, que fica desde já requerida. Reafirma que não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara que as empresas foram constituídas sucessivamente, e não concomitantemente, sendo, assim, latente a ilegalidade na decisão, afrontando as determinações legais e deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. Sustenta que não se pode falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados, sendo que o próprio relatório aduz tratarse de possível sucessão de empresas e, se uma sucedeu a outra não poderiam de forma alguma formar grupo econômico de fato, ante a não existência concomitante. Entende que o fato de não ter ocorrido baixa no cadastro junto a Receita Federal não indica que a empresa esteja de fato em atividade, tanto que algumas das citadas empresas apresentaram declaração de inatividade e reafirma que não existiu a confusão patrimonial, pois cada uma das empresas tem sua personalidade e obrigações tributárias próprias. Observa que na legislação pátria civil os contratos não necessitam estar dispostos de forma explicita ou formal, podendo ser tácitos, conforme ocorreu com a cessão do uso do nome fantasia Mantiqueira, o que não pode levar a crer que existe grupo econômico, "Mantiqueira"; e Defende que o fato de um empregado laborar em uma empresa e ser proprietário de outra no mesmo ramo não pode ensejar na formação de econômico, sob pena de ferir o direito ao livre emprego do cidadão, sem contar que a legislação nada dispõe em contrário sobre o assunto. Alega que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior; ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada por normativo editado posteriormente à finalização do procedimento fiscal e inicio do contencioso. Argumenta que, ao aplicar o artigo 124 do CTN, sob fundamento do inciso I e II, alegando que as empresas têm interesse comum na situação do fato gerador, o julgador o faz de forma equivocada, distorcendo o verdadeiro sentido do dispositivo legal, sendo que jamais ocorreu interesse comum em fato gerador tributário, e mais, esse interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN, não reflete na formação de grupo econômico ou confusão patrimonial, como entendeu a decisão. Insiste em afirmar que todo o relato tratou de sucessão e não de formação de grupo econômico, lembrando que são situação bem distintas. Aponta como sendo outra ilegalidade da decisão o embasamento da formação de grupo econômico em norma reguladora trabalhista, uma vez que a presente discussão versa sobre débitos tidos como fiscais e não trabalhistas, não podendo, portanto, requerer aplicação de dispositivo da CLT a questão fiscal. Assevera que a Lei 8112/91, em seu artigo 30, IX, não se refere à solidariedade, referindose somente à arrecadação Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001014200761 Acórdão n.º 2301002.758 S2C3T1 Fl. 357 5 Requer, por fim, que seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente reforma da decisão recorrida. As empresas consideradas integrantes do Grupo Econômico e solidárias pelo débito, FRIGOSEF FRIGORIFICO SEF DE SÃO JOSE DOS CAMPOS LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR apresentaram recurso tempestivo, alegando, em síntese, desnecessidade de efetuar o depósito prévio e inexistência de formação de grupo econômico. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, dos autos, que somente a notificada FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA, e as empresas consideradas como integrantes do Grupo Econômico, FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME, apresentaram recursos, sendo que as três insurgiramse contra a caracterização do Grupo Econômico, motivo pelo qual, no que se refere a essa matéria, seus recursos serão analisados em conjunto. Com relação ao recurso apresentado pelo FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente requer a reforma do acórdão recorrido, alegando que não foi argüida, em impugnação, inconstitucionalidade da cobrança ou de suas normas reguladoras, mas apenas a ilegalidade quanto a sua cobrança, ante a inexigibilidade declarada pelo Superior Tribunal de Justiça, nos exatos termos da jurisprudência transcrita, e que o art. 20, da Portaria 520/04, determina que o INSS deve afastar aplicação por ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, especialmente nos casos que já tenha sido declarada a inconstitucionalidade por tribunal, e em caso de decisão judicial afastando a aplicação da norma por ilegalidade Reafirma a ilegalidade e inexigibilidade da cobrança do FUNRURAL ou contribuição para o INCRA. Contudo, no acórdão recorrido, a autoridade julgadora não fundamentou sua decisão na Portaria 520/04, e sim no art. 18 da Portaria 10.875/07, vigente à época, que estabelece: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001014200761 Acórdão n.º 2301002.758 S2C3T1 Fl. 358 7 A contribuição ao INCRA e ao SENAR encontram respaldo legal na legislação apontada no Relatório FLD, às fls. 31, vigentes à época da ocorrência do fato gerador. Assim, o acórdão recorrido não merece reparos, pois a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Não desconheço que no recurso especial 363856, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Ocorre que, conforme verificase do relatório FLD, o presente débito foi fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário. Observase que o Ministro Marco Aurélio deixa claro, em seu voto, que a desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, é somente até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Assim, a Lei 10.256/2001, que fundamenta o débito lançado por meio da NFLD ora discutida, encontra amparo na EC 20/98, e está em pleno vigor no ordenamento jurídico, não havendo que se falar em ilegalidade da exação em tela. É oportuno informar que tal matéria já foi objeto de apreciação pela 3a Turma, da 4a Câmara, da 2a Seção, deste CARF, que decidiu, por unanimidade, que as aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas após o advento da Lei 10.256/2001 são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Assim, sendo o lançamento um ato vinculado, ao verificar a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento, lavrou a NFLD em estrita observância aos dispositivos legais vigentes à época da ocorrência do fato gerador. Portanto, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 A notificada alega que não se pode falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados. Contudo, a fiscalização constatou a presença dos elementos que caracterizam a sucessão, quais sejam, empresas que desenvolvem o mesmo ramo de atividade, no mesmo endereço, com a transferência de fundo de comércio. Verificouse que o Frigorífico Campos de Sao José Ltda passou a funcionar no mesmo local em que até então funcionava o Frigorífico Mantiqueira Ltda, utilizando exatamente das mesmas máquinas e equipamentos e dos mesmos empregados. O Frigorífico Campos de Sao José Ltda "sucedeu", para efeitos cadastrais, o Frigorifico Mantiqueira Ltda junto ao Serviço de Inspeção Federal — SIF do Ministério da Agricultura, e continuou a usar o "nome fantasia" de "Frigorifico Mantiqueira", assim como as firmas individuais, consideradas integrantes do "grupo econômico", utilizam o nome fantasia de "Distribuidora de Carnes Mantiqueira". Documentos fiscais emitidos em nome do Frigorífico Mantiqueira Ltda foram registrados em livro do Frigorífico Campos de Sao José Ltda. A recorrente não nega tais fatos constatados pela fiscalização, mas apenas se justifica afirmando que os equipamentos e o local são arrendados e o fato de não ter ocorrido baixa no cadastro junto a Receita Federal não indica que a empresa esteja em atividade, observando que na legislação pátria civil os contratos não necessitam estar dispostos de forma explicita ou formal, podendo ser tácitos, conforme ocorreu com a cessão do uso do nome fantasia Mantiqueira, o que não pode levar a crer que existe grupo econômico, "Mantiqueira". Contudo, todos esses fatos, aliados à falta de documentos que pudessem comprovar as alegações da recorrente, levam à convicção de que a empresa Frigorífico Campos De São José Ltda sucedeu a Frigorífico Mantiqueira Ltda, nos temos do Assim, entendo que os elementos citados acima, presentes no caso em estudo, evidenciam a sucessão de fato, nos termos do art. 133, do CTN, e do art. 751, da IN 03/2005. A notificada entendeu que todo o relato tratou de sucessão e não de formação de grupo econômico, lembrando que são situação bem distintas. Porém, estão presentes no caso em tela as duas situações. Está claro nos autos que houve sucessão da empresa Frigorífico Mantiqueira Ltda pela Frigorífico Campos De São José Ltda. Já o grupo econômico de fato é composto pelas empresas Frigosef Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda, Frigorífico Campos de São José Ltda, André Luiz Nogueira Junior ME, Tânia Pereira Lopes ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME. Portanto, as duas situações não se confundem, tendo a autoridade lançadora fundamentado tanto a sucessão quanto a formação do grupo econômico, de formas distintas, motivando seu entendimento e expondo, com muita clareza, as razões que o levaram à convicção de que houve uma e outra situação, diante da realidade fática encontrada durante a ação fiscal. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001014200761 Acórdão n.º 2301002.758 S2C3T1 Fl. 359 9 Quanto ao questionamento de a empresa notificada e as duas empresas solidárias que apresentaram recursos não participarem de grupo econômico, passase, agora, à análise dos fatos trazidos aos autos. O Relatório Fiscal, no item "Caracterização do Grupo Econômico de Fato", bem como toda a documentação contida nos autos, trazem as seguintes informações relevantes: O Sr José Luiz Nogueira é sócio da Frigosef e da empresa Frigorífico Campos de São Jose Ltda, sucessora do Frigorífico Mantiqueira A empresa FRIGOSEF foi aberta com um capital social de R$ 950,00, para fazer funcionar um frigorífico que nasceu falido, diante de um arrendamento de R$ 15.000,00 e aquisição de matériaprima paga normalmente à vista , e somente a conta de energia elétrica deveria consumir todo o capital investido no primeiro mês de funcionamento. O Sr: Andre Luiz Nogueira, sócio gerente da FRIGOSEF desde 20/03/98 e do Frigorífico Campos de São Jose, assina documento pelas 2 empresas, como verificado no processo de beneficio de Hélio Soares de Lima (FRIGOSEF) e Processo Trabalhista nr. 82/2005 de Francisco das Chagas (FRIGOSEF) e recibos de férias, rescisões, cheques e outros pelo Frigorífico Mantiqueira Ltda. Verificouse, ainda, nos locais desses estabelecimentos, que o Sr. André Luiz Nogueira faz a verificação da falta de carnes bovinas e suínas, que somente o Frigorífico Campos de São Jose fornece. O Sr. André Luiz Nogueira Júnior é empregado do Frigorífico Campos de São José Ltda, e o Sr. André Luiz Nogueira assina documentos da empresa André Luiz Nogueira Junior ME Portanto, constatase que as empresas citadas têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades vinculadas e complementares, evidenciandose, a partir do exame de seu quadro societário, uma estreita ligação entre todas elas. É importante destacar que essas participações societárias, no ensinamento de Verçosa (2006, p. 262/266), [..] podem ter o caráter de mero investimento e até mesmo ser acidentais, como ocorre nas hipóteses em que uma sociedade credora recebe ações ou quotas de outra sociedade devedora como resultado de um acordo. Mas tais participações podem compor um quadro mais amplo e profundo. [..] Do ponto de vista jurídico, a união de sociedades fundada em relações de controle baseadas em participações de capital apresentase sob a forma de dois tipos de grupos: (t) de direito ou (ii) de fato. Os primeiros organizamse formalmente por meio da celebração de um contrato denominado convenção de grupo.Os segundos são aqueles assim considerados em vista do puro e simples fato da existência de uma ou mais sociedades que, individualmente ou em conjunto, pode(m) determinar os destinos das sociedades que abaixo dela(s) s coloca(m) na cadeia de comando. (g.n.). De todo o conjunto probatório examinado, o meu convencimento caminha na direção da existência de inúmeros elementos indicativos de um poder de controle de certo modo centralizado, ou, pelo menos, harmonizado com os interesses comuns das empresas. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 É patente, no caso em tela, a configuração de empresas atuando com objetivos correlatos, constatandose várias operações a demonstrar, no mínimo, uma coordenação entre as empresas; fato reforçado em razão de que, basicamente, as mesmas pessoas exercem, direta ou indiretamente, a administração dos negócios do grupo. Cumpre observar que não é o mero fato da relação de parentesco que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas , no caso específico sob exame, a forma peculiar como estão dispostos, societariamente, o controlador principal (Sr. André Luiz Nogueira), e as outras empresas citadas pela fiscalização. Vale esclarecer que o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindose também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902200108315000RO 922352/2002RO9) Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas, indicadas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelas obrigações previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30, IX, da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. As recorrentes alegam que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior, ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6.404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001014200761 Acórdão n.º 2301002.758 S2C3T1 Fl. 360 11 Contudo, a responsabilidade solidária pelo débito foi fundamentada no artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 e no art. 222, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, normas legais que devem ser observadas pela autoridade fiscal, tendo em vista sua atividade vinculante. E a menção da IN 03/2005 pela autoridade julgadora não se trata de retroação da norma, conforme entenderam de forma equivocada as recorrentes, uma vez que o referido normativo legal é de 2005 e, portanto, se encontrava em vigor quando da lavratura do AI, e o julgador apenas citou, para reforçar sua argumentação e se contrapor aos argumentos das recorrentes, o artigo com redação vigente à época da emissão do Acórdão recorrido, o que não invalida a decisão combatida. A IN 03/05 foi trazida pela autoridade julgadora por ser o normativo vigente quando da emissão do Acórdão, e a IN 20/2007, que deu nova redação ao inciso I, do citado artigo 179, do referido normativo legal, apenas acrescentou a expressão “conforme previsto no inciso IX do art.30, da Lei 8.212 de 1991” Assim, a IN 03/05, em sua redação original e vigente quando da lavratura do AI, já estabelecia, no inciso I, do seu art. 179, que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, são responsáveis solidárias, entre si, pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001188/2002-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO.
O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Soma-se a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-002.229
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Somase a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão n.º 9202002.229 CSRFT2 Fl. 482 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0417, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) contra acórdão, fls. 0393, que decidiu, na parte em litígio, por unanimidade de votos, reduzir a multa de ofício para 75%, retirando o agravamento. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme Súmula 1 do Primeiro Conselho de Contribuintes. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Comprovado nos autos que foram entregues ao contribuinte cópia de todos os documentos que embasaram o lançamento junto ou com o Auto de Infração ou durante a ação fiscal, não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 de acordo com precedentes já definidos pela Súmula n° 4 do 1º CC, vigente desde de 28/07/2006. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de oficio para 112,5% ou 225% em face do não atendimento à intimação para prestação de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DENISE TOMÉ SILVA. ACORDAM os membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto à quebra do sigilo bancário e à irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, em face da concomitância com a via judicial e, na parte conhecida, REJEITAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão proferido que, por unanimidade de votos, desagravou a multa de ofício aplicada ao Contribuinte Recorrido, em razão de entender que o agravamento da penalidade pelo não atendimento à intimação é incompatível com o lançamento ancorado no art. 42 da Lei 9.430/96; 2. Para tanto, apresenta acórdãos paradigmas: 1º) proferido pela 4° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão paradigma n° 10421978); e 2º) proferido pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (Acórdão Paradigma nº 10808356); 3. O contribuinte não pode furtarse de cumprir as intimações do Fisco; 4. Não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma; 5. A prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão n.º 9202002.229 CSRFT2 Fl. 483 5 6. Os documentos poderiam ser facilmente fornecidos pela contribuinte, que optou por não atender ao Fisco, motivo para o agravamento da multa; 7. Ante o exposto, a PFN requer que seu recurso seja conhecido e provido. Por despacho, fls. 0434, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A única matéria em litígio referese ao agravamento da multa. Em primeiro lugar, devemos verificar as razões do Fisco para tanto, fls. 0110: “Além da cobrança do imposto omitido no item "I" acima, fica o contribuinte sujeito à multa de ofício de 112,5 %, conforme artigo 44, inciso I, parágrafo 2, da Lei n° 9.430/96.” Não há mais razões para o agravamento da multa e devese ressaltar que o recorrente solicitou mais prazo para atender ao Fisco. No agravamento da multa, em nosso entender, o Fisco deve demonstrar o intuito do sujeito passivo, pois somente em casos comprovados em que o contribuinte busca, por ações ou omissões, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e a respectiva base de cálculo é que a penalização deve ocorrer. Nesse sentido, a resposta à intimação fiscal, para pedir prorrogação, para informar que não tem o documento ou que não vai entregálo, inviabiliza a aplicação da norma que manda agravar a multa de oficio. A intimação foi respondida pelo sujeito passivo, para solicitar prorrogação do prazo, conforme consta do Relatório Fiscal. Portanto, o sujeito passivo demonstrou interesse em responder e atender à fiscalização. Em segundo lugar, somase a informação de que a fiscalização obteve, por Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) os dados que solicitou, utilizando a presunção permitida por lei para quantificar a base de cálculo do tributo. Na aplicação do agravamento da multa devemos levar em conta se houve prejuízo á atuação do Fisco, pois, caso não tenha ocorrido prejuízo à ação fiscal, não há como prosperar o agravamento da multa. Nesse sentido há a correta decisão da CSRF, em voto qualificado do nobre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: Ementa: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão n.º 9202002.229 CSRFT2 Fl. 484 7 detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente a ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso Especial Negado. ... Ao analisar a matéria, a Câmara recorrida reduziu a multa ao percentual de 75%, afastando o agravamento procedido pela autoridade lançadora, a pretexto de não ter existido qualquer prejuízo à fiscalização no fato de o contribuinte não responder/atender às intimações fiscais, sobretudo quando àquela já detinha elementos suficientes para promover o lançamento. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com a conclusão levada a efeito pela Câmara recorrida, reduzindo à multa agravada ao percentual mínimo de 75%. Destarte, em nosso sentir, aludida disposição legal tem como finalidade precípua evitar que o contribuinte quedese silente objetivando prejudicar e/ou impedir o procedimento fiscalizatório que poderá ou não culminar com o lançamento. É bem verdade que a legislação de regência, não faz essa explicação/diferenciação, estabelecendo bastar à ausência de prestação de esclarecimentos solicitados pelo fisco para ensejar a aplicação da multa agravada. Entrementes, ao analisar as demandas cabe ao julgador e/ou demais aplicadores da lei, verificar qual a finalidade da norma. In casu, entendemos que não é a mera omissão na prestação das informações requeridas pelo Fisco que faz incidir a possibilidade de aplicação da multa em comento. Ao contrário, como elucidado alhures, defendemos que qualquer uma das hipóteses legais contempladas pelas alíneas “a”, “b” e “c”, do artigo 44, inciso I, § 2o, da Lei n° 9.430/96, procura penalizar o contribuinte que, deixando de prestar esclarecimentos ou apresentar a documentação ali descrita, impediu, retardou e/ou impossibilitou a continuidade da verificação fiscal, culminando ou não com o lançamento. Mas não é o que se vislumbra na hipótese dos autos. Em verdade, o procedimento fiscal seguiu o rito normal para a maioria dos casos dessa natureza, senão vejamos: Intimado e reintimado a apresentar seus extratos bancários o contribuinte não o fez, o que ensejou a expedição de RMF, requerendo a movimentação bancária do autuado. Posteriormente, intimado a justificar a origem dos depósitos bancários o interessado Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 permaneceu silente, fazendo incidir os preceitos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Observese, que a conduta do contribuinte não interferiu em absolutamente nada no andamento da ação fiscal. Aliás, somente agilizou a lavratura do Auto de Infração, uma vez que, deixando de procurar justificar a origem dos depósitos bancários, incorreu precisamente na presunção legal contemplada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Ocorreria prejuízo muito maior ao fisco se o contribuinte prolongasse a ação fiscal, requerendo dilatação de prazo ou procurando justificar sua movimentação bancária com argumentos frágeis, hipótese em que a fiscalização seria mais duradoura. Ora, se não conseguiria comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, entendeu por bem permanecer silente. A rigor, as hipóteses de incidência da presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e do agravamento da multa em epígrafe, neste caso, se confundem. De um lado o artigo 42 daquele Diploma Legal caracteriza omissão de rendimentos quando o contribuinte não comprovar a origem dos depósitos bancários. De outro, o artigo 44, inciso I, parágrafo 2°, alínea “a”, prescreve o agravamento da multa quando não prestadas às informações solicitadas pelo fisco. No entanto foi exatamente em razão de deixar de prestar os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, quais sejam, comprovação da origem dos depósitos bancários, que o contribuinte fora autuado com base na presente presunção legal. Mais a mais, inexiste a toda evidência qualquer prejuízo ao Fisco capaz de ensejar a aplicação da multa sob análise, mormente quando a fiscalização já dispunha de todos os elementos de prova suficientes ao lançamento. Prova disso é que, após ter em mãos os extratos bancários, intimou o contribuinte numa única oportunidade para comprovar a origem dos recursos. Assim não o tendo feito, promoveuse o lançamento com base na presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, afastando o agravamento da multa do artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, quando não comprovado o prejuízo da fiscalização em razão da conduta omissiva do contribuinte, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão n.º 9202002.229 CSRFT2 Fl. 485 9 (não tributável, isenta ou já anteriormente tributada) dos valores depositados em sua conta de depósito. MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE Incabível a qualificação da multa, quando não restar comprovada nos autos a ações ou omissões do contribuinte com deliberado propósito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seu conhecimento pelo fisco, utilizandose de meios que caracterizem evidente intuito de fraude. MULTA AGRAVADA ART. 44, § 2°, LEI N° 9.430/1996 – INOCORRÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Incabível o agravamento da multa, quando o lançamento ocorreu mediante informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras, fundamentado pela Lei Complementar n° 105/2001, sem restar comprovado nos autos nenhum prejuízo e, portanto, embaraço ao procedimento de fiscalização. Recurso de ofício parcialmente provido.” (2a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 153.399, Acórdão n° 10248.303 – Sessão de 28/03/2007) (grifamos) “[...] MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO O agravamento da penalidade pelo não atendimento à intimação para apresentação de comprovação da origem dos depósitos é incompatível com o lançamento ancorado na presunção legal do art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, eis que este já veicula conseqüência específica para a hipótese. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de cerceamento do direito de defesa rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (4a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 153.736, Acórdão n° 10422.367 – Sessão de 26/04/2007) (grifamos) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de ofício, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. Recurso voluntário provido parcialmente.” (6a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 159.003, Acórdão n° 106 17.240 – Sessão de 05/02/2009) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, demonstrandose que a ausência do atendimento/resposta do contribuinte às intimações fiscais não acarretou qualquer prejuízo ao bom andamento da ação fiscal e, Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 conseqüentemente, à lavratura do Auto de Infração, é de se manter a ordem legal no sentido de afastar a multa agravada insculpida no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. (Processo 10540.000250/200690) Por todo o exposto, não podemos concordar com a nobre recorrente nesse ponto. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso da digna Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007924/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PRÊMIOS DE INCENTIVO INCIDÊNCIA
Integra a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado.
DECADÊNCIA QUINQUENALA
decadência a ser aplicada em casos de lançamentos de contribuição previdenciária é qüinqüenal nos termos da Súmula Vinculante nº 08, do STF. Estando o lançamento dentro deste prazo, não há que se falar em decadência.
NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS No julgamento de processos administrativos somente serão considerados os
argumentos referentes ao objeto dos autos.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do
Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
INDEFERIMENTO DE REUNIÃO DE CRÉDITOS É prerrogativa e não
imposição, que a administração reúna em um só feito, vários créditos lançados contra o mesmo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PRÊMIOS DE INCENTIVO INCIDÊNCIA Integra a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. DECADÊNCIA QUINQUENAL A decadência a ser aplicada em casos de lançamentos de contribuição previdenciária é qüinqüenal nos termos da Súmula Vinculante nº 08, do STF. Estando o lançamento dentro deste prazo, não há que se falar em decadência. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS No julgamento de processos administrativos somente serão considerados os argumentos referentes ao objeto dos autos. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. INDEFERIMENTO DE REUNIÃO DE CRÉDITOS É prerrogativa e não imposição, que a administração reúna em um só feito, vários créditos lançados contra o mesmo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Declarouse impedido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007924/200744 Acórdão n.º 240102.624 S2C4T1 Fl. 773 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições patronais previstas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991 e contribuições patronais destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), no período de 05/2003 a 09/2006 com ciência do contribuinte em 23/04/2007. De acordo com o Relatório Fiscal, a notificada a partir de 05/2003, firmou contrato com a empresa INCENTIVE HOUSE para fornecimento de cartões magnéticos denominados PREMIUM CARD e FLEXCARD a empregados e contribuintes individuais indicados pelo contratante, que poderiam utilizar os referidos cartões para efetuar saques na rede bancária ou adquirir produtos em lojas credenciadas pela contratada sem considerar os valores como base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária. Inconformada com a Decisão de fls. 672/689 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Inicialmente faz um breve relato sobre a presente autuação. Em sede preliminar alega que o fisco previdenciário não poderia exigir documentos e livros fiscais relativos a períodos alcançados pela decadência qüinqüenal. Que houve afronta aos princípios da Verdade Material, do Contraditório e da Ampla Defesa, praticada pela autoridade autuante e, baseadas em flagrante erro material, as autoridades julgadoras entenderam que não teria havido afronta aos referidos principio, porquanto a NFLD não estaria baseada em presunções, mas exclusivamente em informações e listagens apresentadas pela empresa; No mérito insurgese contra a autuação afirmando que: Não pode e não deve ser avaliado um empreendimento de cunho eminentemente social, educacional e cientifico, núcleo ou foco primordial de atuação que constitui objeto social de instituições como a Recorrente, como se fora estabelecimentos comerciais com finalidades lucrativas; Aduz que a fiscalização exige contribuição sobre parcelas legalmente excluídas do campo de tributação, tais como prêmios de produtividade e itens indenizatórios, a exemplo de despesas de táxi, com alimentação e outros gastos reembolsáveis; Defende que a conduta do fiscal afronta ao artigo 28, da Lei 8.212/91, em seu § 9º, que afasta a incidência de contribuição previdenciária para todas as hipóteses listadas na Notificação ora recorrida. Sustenta que os pagamentos efetuados aos empregados mediante cartão de premiação caracterizamse como ganhos eventuais ou abonos desvinculados do salário, podendo ser considerados participação no resultado e ainda, os prêmios conhecidos como Fl. 794DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 incentivo a desempenho estão relacionados ao resultado do impugnante e não ao salário do empregado, ficando afastada assim a possibilidade de tributação. Salienta que, há farta jurisprudência que corrobora a tese de que não é remuneração o prêmio pago em razão do alcance de metas fixadas pela empresa e a premiação pela aplicação de questionário não pode ser confundida como remuneração de autônomo, posto que é um bônus oferecido em razão dos resultados alcançados pelo contratado, durante curto lapso de tempo; Diz que a oferta de renda a pessoas físicas (donas de casa, desempregados, estudantes, etc.) para aplicação de questionários de pesquisa é assemelhada a bolsas de ensino, pesquisa e extensão, sobre as quais não incide contribuição previdenciária, devendose ter em conta que tal atividade pode ser até desenvolvida por via telefônica sendo que a própria Justiça do Trabalho não tem reconhecido nesses casos a relação empregatícia, conforme sentença proferida pela Juíza Titular da 2. a Vara do Trabalho de Teresina em reclamatória ajuizada contra o IPESPE, o que pode comprovar mediante documento juntado; Prossegue alegando que, os serviço de transporte de passageiros mediante veículo táxi não se confunde com o condutor autônomo de veículos automotores tratado pela legislação previdenciária como segurado obrigatório, bem como os serviços de transporte de passageiros por via aérea também não podem sofrer incidência de contribuição; Que também não é admissível a exigência de contribuição sobre despesas com reembolso de gastos com alimentação, hospedagem e reprodução de documentos; Refuta a exigência de declaração em GFIP dos fatos geradores controversos, posto que somente a partir do julgamento final do processo administrativo é que ficará definido se as remunerações em questão são consideradas salário de contribuição; Que a exigência da contribuição relativa à retenção sobre as faturas dos prestadores de serviço pessoa jurídica não merece prosperar, posto que as retenções foram promovidas dentro dos parâmetros legais; Entende que não existe possibilidade legal de se penalizar o contribuinte duplamente pela mesma conduta, sendo assim não procede a aplicação de multa moratória e a multa por falta de declaração dos fatos geradores em GFIP referente às verbas discutidas na presente NFLD; Menciona que o presente lançamento tem caráter confiscatório o que é vedado pela Constituição Federal. Requer a produção de perícia e que todos os créditos lançados sejam reunidos em um feito único para se evitar divergência. Por fim pede o acolhimento do recurso para anular o AI, julgálo improcedente ou ainda, que seja anulada a decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007924/200744 Acórdão n.º 240102.624 S2C4T1 Fl. 774 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Da Decadência Embora concorde com a recorrente que o prazo decadencial a ser aplicado deva ser o prazo qüinqüenal conforme previsto na Súmula 08 do Supremo Tribunal Federal, temos que no presente caso não há lançamentos alcançados por este prazo. Do que se verifica dos autos, a recorrente foi cientificada em 23/04/2007 e o lançamento abrange o período de 05/2003 a 09/2006, logo na há competências a serem excluídas. Assim, fica rejeitada esta preliminar. Ofensa aos princípios da Verdade Material, do Contraditório e da Ampla Defesa. Também desprovida de amparo as alegações acerca da ocorrência de afronta aos princípios acima mencionados. A autoridade lançadora demonstrou de forma clara e precisa os fatos geradores do lançamento, identificando as competências, os valores apurados e as bases de cálculo aplicadas, não havendo razões para se falar em presunção como pretende a recorrente. Além disso, foi oportunizado à recorrente o pleno direito de se manifestar e produzir provas, tanto que foi apresentado defesa e recurso e os argumentos trazidos pela autuada não só foram analisados pelo julgador de primeira instância, como estão sendo submetidos a análise desta turma julgadora. Assim, encaminho pela rejeição da preliminar. DO MÉRITO No mérito insurgese a recorrente contra o lançamento, aduzindo que os valores pagos aos segurados empregados a título de Prêmios de Incentivo, por meio da empresa Incentive House, não podem ser admitidos como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em que pese sua irresignação, esta matéria tem tido entendimento majoritário neste conselho, no sentido de ser fato gerador sujeito à incidência de contribuição previdenciária. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a Fl. 796DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme abaixo transcrito: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função Fl. 797DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007924/200744 Acórdão n.º 240102.624 S2C4T1 Fl. 775 7 do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, Fl. 799DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007924/200744 Acórdão n.º 240102.624 S2C4T1 Fl. 776 9 inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Sobre a cumulação de multa moratória e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, não há vedação legal para tanto, sendo que uma ocorre por falta de recolhimento de tributo e a outra por ação ou omissão do sujeito passivo, no presente caso a não apresentação de documentos. Sobre a produção de prova pericial, está somente se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] Fl. 800DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” A reunião de processos para julgamento em conjunto, embora razoável, não é exigência procedimental e sim faculdade da administração pública visando a celeridade e economia processual, o que não impede o julgamento em separado de autos diversos. Com relação aos demais argumentos, verificase que a recorrente teve lavradas contra si duas NFLD’s e outros quatro AI’s, razão pela qual deve ter elaborado um só recurso para todos os lançamentos. Cumpre esclarecer que não serão objeto de análise na presente autuação, questões estranhas aos autos. Assim, não só correta foi a aplicação do auto de infração ao presente caso pela autoridade fiscal, como encontrase devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. Portanto, tendo a autuação obedecido todos os preceitos legais e estando revestida dentro das formalidades legais, não há que se falar na improcedência do AI. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, rejeitar as preliminares e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 801DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.013791/00-65
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1996, 1997 Somente pode ser acolhida como recurso voluntário peça firmada pelo sujeito passivo ou por quem tenha legítimo interesse na discussão do crédito tributário. Peça firmada por sócio ou por seu procurador pode ser admitida como recurso voluntário. O não questionamento integral do mérito na fase impugnatória impede à empresa que o faça, mesmo que parcialmente e limitada à penalidade qualificada, por ocasião do recurso voluntário. A imputação de responsabilidade “na qualidade de sócios” a sócios somente pode prosperar no lapso de tempo que se encerra com o arquivamento na Junta Comercial do ato societário que transmite a propriedade de suas quotas, tendo sido afirmada a cessão por declaração de um dos beneficiários. Não tendo a fiscalização definido o artigo ou ato legal em que baseou a imputação de responsabilidade, que foi caracterizada apenas nos limites de “na qualidade de sócios”, a decisão não alcança as demais formas possíveis de responsabilidade legal caracterizável por ocasião da execução do crédito tributário que eventualmente não venha a ser solvido pela empresa. Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 1803-001.340
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, que não conhecia do recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1996, 1997 Somente pode ser acolhida como recurso voluntário peça firmada pelo sujeito passivo ou por quem tenha legítimo interesse na discussão do crédito tributário. Peça firmada por sócio ou por seu procurador pode ser admitida como recurso voluntário. O não questionamento integral do mérito na fase impugnatória impede à empresa que o faça, mesmo que parcialmente e limitada à penalidade qualificada, por ocasião do recurso voluntário. A imputação de responsabilidade “na qualidade de sócios” a sócios somente pode prosperar no lapso de tempo que se encerra com o arquivamento na Junta Comercial do ato societário que transmite a propriedade de suas quotas, tendo sido afirmada a cessão por declaração de um dos beneficiários. Não tendo a fiscalização definido o artigo ou ato legal em que baseou a imputação de responsabilidade, que foi caracterizada apenas nos limites de “na qualidade de sócios”, a decisão não alcança as demais formas possíveis de responsabilidade legal caracterizável por ocasião da execução do crédito tributário que eventualmente não venha a ser solvido pela empresa. Recurso parcialmente provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 451 1 450 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.013791/0065 Recurso nº 143661 Voluntário Acórdão nº 1803001.340 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente CASA DE TECIDOS R M LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996, 1997 Somente pode ser acolhida como recurso voluntário peça firmada pelo sujeito passivo ou por quem tenha legítimo interesse na discussão do crédito tributário. Peça firmada por sócio ou por seu procurador pode ser admitida como recurso voluntário. O não questionamento integral do mérito na fase impugnatória impede à empresa que o faça, mesmo que parcialmente e limitada à penalidade qualificada, por ocasião do recurso voluntário. A imputação de responsabilidade “na qualidade de sócios” a sócios somente pode prosperar no lapso de tempo que se encerra com o arquivamento na Junta Comercial do ato societário que transmite a propriedade de suas quotas, tendo sido afirmada a cessão por declaração de um dos beneficiários. Não tendo a fiscalização definido o artigo ou ato legal em que baseou a imputação de responsabilidade, que foi caracterizada apenas nos limites de “na qualidade de sócios”, a decisão não alcança as demais formas possíveis de responsabilidade legal caracterizável por ocasião da execução do crédito tributário que eventualmente não venha a ser solvido pela empresa. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, que não conhecia do recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Selene Ferreira de Moraes Presidente Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 452 2 (Assinado Digitalmente) (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Viviane Aparecida Bacchmi, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 4.457 proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza Ceará, (fls. 341 e segs), a seguir transcrito: “Casa de Tecidos RM Ltda., inscrito no CNPJ sob o n°63.483.382/000171, teve contra si lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, fls. 06/11, no valor de R$ 410.803,34. O auto de infração teve como motivação a falta de recolhimento da Cotins, apurada com base nas Guias Informativas Mensais ao ICMS, apresentadas pelo contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará, anoscalendário de 1996 e 1997. No campo 'Intimação' do auto de infração às fls. 06 consta a seguinte descrição: ‘A presente intimação se faz também na pessoa do Si'. Luiz Moreira Pires, CPF 074.091,17320, e Sra. Francisca Ferreira Parente Pires, CPF 091.25140333, tin qualidade de sócios de fato da empresa autuada, fato apurado no curso deste procedimento fiscal, conforme Termo de Constatação e demais documentos em anexo’. Às fls. 294/298 encontrase acostada a peça de defesa apresentada pelo patrono dos Srs. Luiz Moreira Pires, CPF 074.091.17320, e Francisca Ferreira Parente Pires, CPF 091.251.40353, recepcionada aos 25/09/2000, mediante a qual este aduz, em síntese: • Em 10 de maio de 1991, o casal Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires, constituíram a pessoa jurídica de nome L. MOREIRA PIRES & CIA LTDA., com sede e foro na cidade de Fortaleza, com lojas nos endereços da Rua Alberto Magno, n° 1,334 – Montese (Matriz) e Av. Monsenhor Tabosa, n° 200 – Praia de Iracema (Filial); • em data de 04 de abril de 1996, os Contestantes venderam referida empresa para as pessoas de Raimundo Moreira Pires e sua esposa Marina Araújo Pires. A venda da empresa com a transferência das quotas do Capital Social foi devidamente materializada no Sexto Aditivo ao Contrato Social, que se encontra devidamente registrado junto a Jucec – Junta Comercial do Estado do Ceará, sob o n° 232.125.578; • consta expressamente na Cláusula Quinta do referido documento que os sócios lb que ingressaram na sociedade assumiam todo ativo e passivo da empresa dando aos sócios retirantes plena, geral e total quitação; • ainda, por força daquele aditivo, a empresa teve sua razão social alterada para a denominação de CASA DE TECIDOS Fl. 452DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 453 3 RM LTDA., com a extinção da filial da Av. Monsenhor Tabosa, n° 200 – Praia de Iracema, transferindo todo o acervo de mercadorias para a loja Matriz localizada na Rua Alberto Magno, n° 1.334– Montese, conforme se vê nas Cláusulas Terceira e Quarta; • concretizada a referi a negociação, os Contestantes continuaram no exercício de suas atividades, desconhecendo, por completo, as atividades mantidas pela empresa então negociada – CASA DE TECIDOS RM LTDA; • assim, os Contestantes n\o têm interesse nem legitimidade para questionar a validade do Auto de Infração, lavrado contra a empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA., motivo pelo qual, será contestado, apenas a inclusão dos nomes dos Contestantes, como sócios de fato da referida empresa, o que não é verdadeiro, sendo fruto, apenas, da convicção arbitrária dos srs Auditores; • o Sexto Aditivo ao Contrato Social ü empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA, por estar devidamente registrado na Jucec, é um 'documento público, consequente verdadeiro até sentença judicial que o descaracterize. Taxado pelos srs. auditores de mera simulação referido documento estaria eivado de vício que o tomava anulável, por força do disposto no art. 147, inciso II, do Código Civil. Ora, mesmo que estivesse maculado pelo vicio da 'simulação', o que se admite apenas a titulo de argumentação, ainda assim, referido documento produziria seus efeitos legais enquanto não fosse declarado por sentença judicial, nos termos do art. 152 do CC; • os auditores não são competentes para declarar a nulidade de atos jurídicos que entendam eivados de vícios decorrentes de 'simulação' como arbitrariamente fizeram. Assim, os auditores usurparam a função jurisdicional, e julgaram a nulidade de um ato jurídico, deixando a margem o sagrado princípio constitucional que garante a todos o direito ao contraditório e a ampla defesa; • entenderam os auditores que estava devidamente 'provada' a existência de uma sociedade de fato entre os proprietários da empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA e os contestantes, arrolandoos como responsáveis tributários com base nos seguintes fatos: o atual sócio da empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA, Sr. Rogério Bezerra da Costa, havia afirmado que não era sócio daquela empresa e que havia recebido do Sr. Luiz Moreira Pires a importância de R$ 1.000,00, para assumir tal condição; apesar de várias diligências realizadas objetivando ouvir o sr. Raimundo Moreira Pires, o mesmo não foi localizado; Jorge Martins de Lima, ex contador da empresa, nada acrescentou de relevante; o Sr. Tarcísio Moreira da Silva, proprietário do imóvel situado na Rua das Tulipas, n°10, EuzébioCE, endereço onde funciona ou funcionou a empresa CASA DE TECIDOS RM LIDA, afirmou não ser do seu conhecimento que a empresa fiscalizada tenha funcionado naquele endereço; que o outro sócio da empresa fiscalizada — Sr. Aldemar Juca de Oliveira, afirmou haver realmente adquirido a empresa juntamente com o sócio Rogério Bezerra da Costa; que as diligências realizadas no endereço da Rua Teodolfo Magalhães, n° 147, Lagoa Redonda, Fortaleza/CE, em contato mantido com a pessoa de Marina Araújo Pires, esposa de Raimundo Moreira Pires, esta afirmou que havia realmente Fl. 453DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 454 4 adquirido uma empresa junto ao Sr. Luiz Moreira Pires, como pagamento de um crédito, afirmando, ainda, que referida empresa não havia funcionado naquele endereço; foram intimadas as empresas TEXTIL IRMÃOS MENEGHEL LTDA., CNPJ 43.248.848/000147, e ELISABETH S/A INDÚSTRIA TEXTIL, CNPJ 48.038.541/000135, estabelecidas no Estado de São Paulo, fornecedoras da firma CASA DE TECIDOS RM LTDA, tendo sido recebidas da primeira algumas notas fiscais de vendas, expedidas no ano de 1997, destinadas à firma CASA DE TECIDOS, com endereço na Rua Alberto Magno, 1334. • no entanto, esqueceramse os auditores de relatar que a empresa TEXTIL IRMÃO MENEGHEL LTDA., prestou informação complementar informando que a colocação do endereço da Rua Alberto Magno, tf 1394 — Montese, nas notas fiscais de mercadorias destinadas a CASA DE TECIDOS RM LTDA., deveuse a equívocos ocorridos na ocasião do faturamento. Ou seja, aquele endereço constou nas notas fiscais de forma indevida; • por igual, esqueceramse os auditores de relatarem que o Sr. Rogério Bezerra da Costa, então titular da CASA DE TECIDOS RM LTDA., em acareação realizada junto a SSPDC — Secretaria de Segurança Pública e Defesa da Cidadania, retratouse plenamente das afirmações que havia prestado, reconhecendo, de forma inequívoca que realmente havia adquirido a referida empresa junto ao Sr. Raimundo Moreira Pires, esclarecendo, ainda, que havia feito tais afirmações objetivando apenas prejudicar o bom nome do Sr. Luiz Moreira Pires, pessoa a quem, de muito, nutria rancores. Afim, expõe o defendente que: "... inexistindo a falada 'sociedade de fato' que deu origem a inclusão do nome dos Contratantes como responsáveis tributários da empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA, CNPJ 63.483.382/000152; restando devidamente provado que a referida empresa foi vendida em data de 04/06/96, não tendo qualquer responsabilidade pelo débito apurado em meses posteriores; comprovado que até a data em que foram sócios da referida empresa os contratantes sempre pagaram rigorosamente todas as obrigações tributárias; considerando que o Sexto Aditivo ao Contrato Social celebrado em data de 04/06/96 é um ato jurídico perfeito, e assim permanecerá até que seja julgado por sentença, não podendo ser reconhecida de oficio; REQUEREM a Vossas Excelências que se digne acatar in totum a argumentação de defesa constante nesta peça, para declarar a inexistência de relação jurídica entre os Contratantes e a empresa CASA DE TECIDOS RM LTDA, capaz de tomalos responsáveis tributários pelas obrigações fiscais de que trata o Auto de Infração de nº. 0310100/00090/00, ..." Às fls. 307/309 encontrase anexada nova petição do patrono dos Srs. Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires, apresentada aos 02/05/2001, mediante a qual é relatado que: "os requerentes foram surpreendidos no último quadrimestre do ano de 2000 próximo passado, com o recebimento de fotocópia de um documento encaminhado ao Sr. Delegado da Receita Federal em FortalezaCE, denominado REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, que vejam os Srs. o absurdo, em razão do qual dois AFRE's, por tido onírico e fantasioso Auto de Infração lavrado Fl. 454DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 455 5 contra uma empresa com razão social de CASA DE TECIDOS RM LTDA., e que teria sido motivado por fatos e atos praticados por outra(s) administração(ões) da sociedade, posteriormente a saída dos signatários"; aos 25/09/2000 apresentou uma defesa com base apenas no documento aludido que teve conhecimento (Representação Fiscal para Fins Penais), único encaminhado aos requerentes; nos últimos dias e através de seus legítimos procuradores em estada nessa Delegacia, é que tomou conhecimento da existência de diversos autos de infração lavrados contra a empresa em referência, que foi dado ciência aos atuais proprietários da sociedade, entretanto, imputando irresponsavelmente a responsabilidade dos mesmos aos Srs. Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires; assim é que até a presente data de 02 de maio de 2001, ainda não foram os requerentes cientificados, nem tampouco receberam cópia da documentação que motivou esses pretensos Autos de Infração, tido como obrigação primeira e essencial a instauração do Processo; à vista dos fatos acima narrados solicita o requerente que: 1. lhe seja remetido oficialmente cópias dos pretensos autos de infração lavrados contra a empresa Casa de Tecidos R.M. Ltda. que ensejaram a tida Representação Fiscal para Fins Penais; 2. que seja concedido o prazo legal de 30 (trinta) dias para que possa apresentar a defesa em 1° instância a DRF de Julgamento em Fortaleza/CE, contados a partir da data que for legalmente intimado. Em petição datada de 18/06/2001, fls. 319/320, o patrono dos Srs Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires volta a reiterar o pedido de que lhe sejam encaminhados os autos de infração lavrados contra a empresa Casa de Tecidos RM Ltda, tendo em vista que até a presente data ainda não foram cientificados, nem tampouco recebeu cópia de toda a documentação que motivou os pretensos autos de infração. Em Informação Fiscal anexada às fls. 331 o autuante assim esclarece: ‘Atendendo aos despachos de fls. 327 e 328, informamos que, por não ter sido possível a ciência pessoal, remetemos o Auto de infração de fls. 04 a 25 juntamente com os Termos de Ciência de fls. 290 e 291, via postal, aos sócios de fato da autuada, Luis Moreira Pires, CPF 074.091.17320, e esposa, Francisca Ferreira Parente Pires, CPF 091.251.40353, para Av. Beira Mar, n° 1400, apto 1300, bairro Meireles, nesta cidade, endereço cadastrado neste Fisco como sendo do primeiro sócio acima citado, conforme consulta ao Sistema CPF feita em 16.08.2000, de fls. 329. Verificamos que às fls. 296 e 297 do Processo n° 10380.013792/0028 encontramse os AR que acompanhavam os autos de infração lavrados contra a empresa acima, onde consta como data de recebimento 28.08.00 e cujas xerocópias juntamos às fls. 330. Observamos ainda que o impugnante não alega não ter tomado ciência da autuação em sua impugnação de fls. 294 a 298, apresentada 28 dias após a citada data de recebimento’. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 456 6 Cientificado da Informação Fiscal, acima relatada, através do Oficio n° 437/2004 DRF/FOR/Secat, aos 16/04/2004, fls. 337/338, o contribuinte não mais se pronuncia nos autos”. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza Ceará, em sessão de 28/05/2004, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 4.457 entendendo “por unanimidade de votos, em JULGAR PROCEDENTE o lançamento, para manter o crédito tributário lançado e a sujeição passiva dos Srs. Luiz Moreira Pires, CPF n° 074.091.17320, e Francisca Peneira Parente Dias, CPF n° 091.251.40353, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”, sob argumentos assim ementados: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: Simulação. Interposta Pessoa. Evidente Intuito de Fraude Na utilização de interposição de pessoa o intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito defraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros responsáveis pela empresa fiscalizada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: Matéria Não Impugnada Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente”. Não houve ciência da decisão de primeira instância em 10/02/2009 pela Recorrente, (Aviso de devolução fls. 360), sendo que foram intimados Rogério Bezerra da Costa em 19/08/2004 (AR fls. 364), Luiz Moreira Pires, CPF/MF n° 074.091.17320 em 27/09/2004 (AR fls. 374) e Francisca Peneira Parente Dias, CPF/MF n° 091.251.40353 em 27/09/2004 (AR fls. 364), contudo somente o Luiz Moreira Pires, CPF/MF n° 074.091.17320, inconformado com a decisão contida no Acórdão nº 4.457, recorre em 26/10/2004 (376 e segs) objetivando a reforma do julgado. O processo em 11/11/2004 foi encaminhado ao antigo 1º Conselho de Contribuintes, (fls. 421), sendo distribuído para a 3ª Câmara. Em 10/12/2005 a 3ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, (fls. 422) enviou o processo ao antigo 2º Conselho de Contribuintes, sendo distribuído em 22/05/2007 para a 2ª Câmara (fls. 422v). Em 12/03/2008 a 2ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes (fls. 426), declinou a competência, sob a seguinte alegação: “O lançamento da contribuição ao PIS e da Cofins como decorrência do lançamento lastreado, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à Fl. 456DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 457 7 tributação do IRPJ, fica submetido à competência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Art. 20, I, "d", do Regimento Interno”. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo unicamente de reflexos (CSLL, PIS e COFINS) decorrente de auto de infração IRPJ. E, para o deslinde da questão peço vênia para trazer a colação julgamento proferido pela 5ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes no Processo nº 10380.013790/0001 (Recurso nº 143701), na sessão de 25/10/2005, que teve como relator o Conselheiro José Carlos Passuello, que proferiu o Acórdão nº 10515.365 entendendo “por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para limitar a responsabilidade dos sócios, ‘na qualidade de sócios’, Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parete Pires no período em que participaram da sociedade, nos ter os do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — Somente pode ser acolhida como recurso voluntário peça firmada pelo sujeito passivo ou por quem tenha legítimo interesse na discussão do crédito tributário. Peça firmada por sócio ou por seu procurador pode ser admitida como recurso voluntário. O não questionamento integral do mérito na fase impugnatória impede à empresa que o faça, mesmo que parcialmente e limitada à penalidade qualificada, por ocasião do recurso voluntário. A imputação de responsabilidade ‘na qualidade de sócios’ a sócios somente pode prosperar no lapso de tempo que se encerra com o arquivamento na Junta Comercial do ato societário que transmite a propriedade de suas quotas, tendo sido afirmada a cessão por declaração de um dos beneficiários. Não tendo a fiscalização definido o artigo ou ato legal em que baseou a imputação de responsabilidade, que foi caracterizada apenas nos limites de ‘na qualidade de sócios’, a decisão não alcança as demais formas possíveis de responsabilidade legal caracterizável por ocasião da execução do crédito tributário que eventualmente não venha a ser solvido pela empresa”. A decisão proferida pela 5ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes foi consubstanciada nos autos do processo principal; por conta disso, entendo que devendo os reflexos seguir o mesmo desfecho do processo nº 10380.013790/0001. Por isso, peço vênia para utilizar as razões de decidir do Ilustre Conselheiro José Carlos Passuello, “verbis”: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 458 8 “(...) A discussão do mérito que em nenhuma peça foi travada, já que não foi contestado o enquadramento legal, a descrição dos fatos nem o lançamento em seus efeitos jurídicos. Assim, nesse aspecto não se estabeleceu o litígio, sendo adequada a decisão de primeira instância que reconheceu a perempção da discussão do mérito. A discussão exclusiva da multa qualificada que não fora feita anteriormente na impugnação se apresenta preclusa, já que intimamente vinculada à discussão do mérito relativamente ao tributo. O outro aspecto, que se apresentou como preocupação central das pessoas físicas de Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente, diz respeito ao fato de que eles foram considerados pela fiscalização como responsáveis na qualidade de sócios de fato da autuada. Ainda, é necessário esclarecer se a peça de fls. 395 a 419 pode ser acolhida nos efeitos recursais. A petição foi firmada pelo procurador de Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires, que os representou na qualidade de recorrentes pessoas físicas, sendo indicado como recorrente apenas Luiz Moreira Pires. Firmou a relação de bens e direitos para arrolamento, estranhamente, o Sr. Rogério Bezerra da Costa, que prestou no processo duas declarações antagônicas. A primeira de fls. 31, negando ter participação efetiva no capital ou na administração da autuada (firmada em 01.03.200) e a segunda (fls. 436) afirmando que efetuou a compra da Casa de Tecidos R M Ltda., firmada em 05 de outubro de 2004. Como se pode observar, a discussão acerca do crédito tributário restou abandonada pela empresa como pelas pessoas classificadas como responsáveis, descabendo acolher a peça de fls. 395 e seguintes na forma de recurso voluntário relativamente à formação do crédito tributário. Tal peça, porém, ataca diretamente a condição de responsável das pessoas físicas com relação à pessoa jurídica. A fiscalização não esclareceu a forma jurídica que revestia a responsabilidade, tendo relatado no termo de constatação (fls. 28) que: ‘ ... atribuímos a Luiz Moreira Pires e a sua esposa Francisca Ferreira Parente Pires a condição de sócios de fato da empresa ora autuada, caracterizandose a alienação de suas quotas de capital feitas a Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires, e posteriormente a Rogério Bezerra da Costa e Ademar Juca de Oliveira meramente uma simulação, com intuito de sonegar os tributos devidos, ora lançados através dos autos de infração’ (destaquei) Como se pode ver, a fiscalização não procedeu à tributação elegendo como sujeito passivo ou como titular da obrigação tributária a Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires apenas imputando a eles a condição de sócios de fato da empresa, tendo procedido ao lançamento contra a pessoa jurídica CASA DE TECIDOS R M LTDA. No processo ficou patente serem os tributos devidos, mercê da completa omissão de defesa relativamente ao mérito da exigência. Nem mesmo a qualificação da Fl. 458DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 459 9 multa foi discutida na impugnação, momento em que poderia ido atacada objetivamente a afirmativa da fiscalização da ocorrência de fraude na impugnação, e seria o momento oportuno de dirimir as dúvidas próprias atinentes à questão. Manifesteime quando da inclusão do processo em pauta, no mês de agosto de 2005, que a discussão relativa à responsabilidade dos sócios era matéria que não deveria ser tratada no âmbito desse julgamento, uma vez que corresponderia a aspecto que somente dizia respeito à fase de execução, quando a Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal ou a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional buscassem outro responsável diante de eventual não cumprimento da obrigação tributária pela empresa (pessoa jurídica), mas fui voz isolada nesse sentido, tendo o Colegiado preferido o enfrentamento da questão desde logo. Até para evitar posição vencida, me curvo diante de tal postura adotada e procedo a apreciação da responsabilidade dos sócios, na forma como foi definida pela fiscalização. O primeiro passo é verificar a atuação de Rogério Bezerra da Costa e Aldemar Jucá Oliveira, que teriam adquirido de Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires as quotas da sociedade, conforme 8° aditivo contratual, em 15.07.1996. Constam do processo elementos que permitem formalizar a seguinte cronologia de fatos e atos societários: Portanto, Rogério Bezerra da Costa e Aldemar Jucá Oliveira ingressaram na sociedade em 15.07.96, na forma do 8° aditivo contratual. A ciência à MPF do inicio da fiscalização (fls. 01) foi firmada por Rogério Bezerra da Costa (03.03.2000). O referido Senhor foi novamente citado no processo, no Termo de Constatação (fls. 26), quando a fiscalização assim se referiu a ele: ‘6. Em 01/03/2000, o Sr. Rogério Bezerra da Costa, ao tomar ciência desse procedimento de fiscalização, disse, em depoimento prestado nesta Receita Federal, que não era sócio de fato da empresa e que havia recebido a quantia de R$ 1.000,000 do Sr. Luiz Moreira Pires, para assumir tal condição, informando, em 15.03.2000, em carta — resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, não saber da documentação contábil e fiscal da mesma (fia 31 e32); 7. Apesar das diligências realizadas no sentido de ouvir o Sr. Raimundo Moreira Pires, este não foi localizado, conforme Termo de Constatação de 13.03.2000 (fls. 34)’. ‘11. Tomando conhecimento de procedimento policial em tramitação na Delegacia de Policia de Crimes Contra a Fé Pública, nesta cidade, contra os Fl. 459DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 460 10 sócios da empresa, oficiamos àquele órgão, no sentido de obtermos subsídios ao caso, de onde recebemos cópias dos Termos de Declarações de Rogério Bezerra da Costa, Aldemar Juca de Oliveira e Luiz Moreira Pires; e Termo de Acareação entre Rogério Bezerra da Costa e Luiz Moreira Pires, cujos depoimentos nos pareceram contraditórios, pois, enquanto o Sr. Aldemar Juca afirmou ter realmente adquirido a firma do Sr. Luis Moreira Pires, o Sr. Rogério disse inicialmente, da mesma forma do depoimento nesta Receita Federal, não ser de fato sócio da firma em questão e ter recebido do Sr. Luis Moreira Pires certa importância para assumir tal condição, tendo o mesmo alterado suas declarações no Termo de Acareação supra, contradizendo assim o que havia dito contra Luiz Moreira (fis. 174 a 218)’ Corre na Justiça do Estado do Ceará processo crime promovido pela Secretaria da Fazenda, visando dirimir pendência fiscal do ICMS. Dos autos foram juntados ao processo, entre outras peças a declaração firmada pelo Sr. Rogério Bezerra da Costa (fls. 190 a 193): ‘Inquirido pela a Autoridade, desse QUE o declarante no ano de 1996 trabalhava na empresa BIBIO Motos, estabelecida na Rua Joaquim Bento em Messejana, sendo referida empresa de propriedade de Francisco Edenilson Pires da Silva; que, ceda vez, foi procurado pelo Edenilson, o qual propôs ao declarante que este fornecesse seu nome para abrir uma empresa; que, a empresa seria do tio de Edenilson, senhor Luiz Pires Moreira da Silva salvo engano; que, por haver dado seu nome e seus documentos, o declarante recebeu a quantia de R$ 330,00 (trezentos e trinta reais); que, deveria ter recebido o valor de R$ 500,00, tendo em vista que Edenilson prometera R$ 1.000,00, para serem divididos entre os dois sócios que comporiam a empresa, porém quando o dinheiro foi entregue, Edenilson, resolveu também participar da divisão, ficando para cada um o valor acima mencionado; que, foi dito ao declarante que a empresa receberia a denominação de CASA DE TECIDOS RM LTDA. e funcionaria na Rua das Tulipas, 10 Centro Eusébio; que, a atividade da empresa seria venda de tecidos; que, é do conhecimento do declarante que o outro componente da sociedade seria a pessoa de Aldemar Jucá Oliveira, residente atualmente no Conjunto Maringá, próximo ao Clube de Cabos e Soldados da Policia Militar do Estado no Eusébio; que, tem conhecimento que Aldemar trabalha em uma loja de montagem de som, na Rua Coronel Dionisio Alencar, 335 em Messejana, denominada STAFF SOUD; que o telefone de Aldemar é 474.2981 e 971.9629; que, o declarante afirma que Luís Pires, tem uma loja no Montese, de nome Pano e Cia., assim como tem lojas no mesmo ramo em Natal e Belém do Pará; que, o declarante gostaria de esclarecer que somente deu seu nome para constituir a empresa investigada, tendo em vista que na ocasião encontravase precisando de dinheiro, e porque lhe prometeram a quantia de R$ 500,00 quando na verdade somente recebeu R$ 330,00 e também porque lhe disse Edenilson que o negócio era sem problemas; que, nunca chegou sequer a ir na empresa, sabendo onde a mesma funciona tendo em vista que é uma residência de outro sobrinho de Luís Pires, senhor Tarcísio e sempre ia jogar bola no local; que, pelas vezes que o declarante foi no endereço onde Fl. 460DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 461 11 deveria funcionar a empresa Casa de Tecidos RM Ltda., pode afirmar que não funcionava no local, nenhuma empresa, haja vista que era uma residência, por sinal em local bastante escondido; que nunca viu qualquer documento fiscal, livros ou mesmo notas fiscais da empresa, a única coisa que recebeu foi uma carta da coletoria de Aquirás, isto no ano passado, solicitando que fossem devolvidos notas fiscais; que, incontinente o declarante entrou em contato com o contador da empresa Jorge, com escritório no Bairro de Fátima — Autos Serviços Ltda. e falou acerca do documento, tendo Jorge lhe dito que a empresa estava baixada, ou seja, não mais existia, porém pediu o papel e ficou de resolver o problema junto a SEFAZ, não sabendo se assim procedeu; que, procurou o contador, tendo em vista que, quando a empresa foi criada, recebeu orientação do senhor Luís Pires, para qualquer problema em que fosse chamado o declarante, imediatamente procurasse o contador, por isso que procedeu da forma acima mencionada; que, também recebeu um chamado da receita federal, e ao comparecer naquele órgão, foi cientificado que na verdade a empresa havia sido constituída antes do declarante fazer parte da mesma, e o que ocorreu foi que o declarante entrou na sociedade em substituição ao senhor Raimundo Pires, irmão de Luís Pires, enquanto o Aldemar Juca substituiu a esposa de Raimundo Pires, cujo nome não sabe informar, isto através de um aditivo; que, ao assinar os documentos que inseriram seu nome da sociedade, estava na empresa BIBIO Motos e o fez na presença de Francisco Edenilson e o contador Jorge, este último que levou todos os papéis; que, este fato ocorreu na parte da tarde, sem saber o dia exato’. Ao contrário do que então declarou, o Sr. Rogério Bezerra da Costa firmou declaração (fls. 436), em 05.10.2004, segundo a qual: ‘2 Que relativamente à empresa CASA DE TECIDOS R M LTDA, foi adquirida por minha pessoa para comercialização de tecidos e malhas; 3 Que, as coisas não foram bem, acabou acarretando em prejuízos para a sociedade; 4 Que uma vez foi obrigado (constrangido) a assinar documentos de depoimento que lhe foi solicitado, por se sentir intimado e coagido diante de autoridades que lhe faziam perguntas e exigiam outros esclarecimentos, e que em vista disso chegou a mentir, para se vê livre daquele tormento’. Bem, estamos diante de duas declarações firmadas pela mesma pessoa, antagônicas entre si, a primeira firmada antes do lançamento e a segunda depois. Infelizmente este Colegiado não tem poderes de acareação ou de tomada de depoimentos intermediários ou finais, não sendo possível apurar objetivamente em qual das duas ocasiões o Sr. Rogério Bezerra da Costa declarou a verdade. Porém, tentarei juntar provas que me induzam à conclusão mais razoável, pelo exame do material disponível no processo. A fiscalização juntou cópias de notas fiscais de emissão de Elizabeth Têxtil e Têxtil Irmãos Meneguel Ltda, absolutamente fora de ordem numérica e de datas, porém, estarei agora pacientemente alinhandoas para poder verificar sua sequência: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 462 12 A fiscalização juntou cópias de notas fiscais de emissão de Elizabeth Têxtil e Têxtil Irmãos Meneguel Ltda, absolutamente fora de ordem numérica e de datas, porém, estarei agora pacientemente alinhandoas para poder verificar sua sequência: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 463 13 A relação acima demonstra que a partir de 24.10.96 as compras da empresa, já em nome de Tecidos R M Ltda passaram a ser encaminhadas para o endereço da Rua Teodolfo Magalhães, 147, endereço constante do 78 Aditivo Contratual de 13.05.96. A demora na adoção pelo fornecedor do novo endereço não está esclarecida no processo, nem a fiscalização buscou os motivos. Causa estranheza o fato de a empresa Elizabeth Têxtil ter fornecido no período de 03.01.97 a 20.01.97 mercadorias com o endereço da Rua Alberto Magno, 1334, que já fora alterado, mas isso não foi mencionado pela empresa nem questionado pela fiscalização. O que fica claro é que o endereço da Rua das Tulipas, Euzébio, CE não foi utilizado pelos fornecedores acima elencados e, salvo a existência de outros fornecedores que o utilizaram, não se prova atividade em tal endereço. A Sra. Marina Araújo Pires (fls. 27) admitiu que seu exesposo adquirira a empresa, mas alegou que no endereço da Rua Teodolfo Magalhães, 147 a empresa nunca funcionou, porém grande quantidade de notas fiscais foram emitidas por fornecedores da empresa para tal endereço, sem que a fiscalização em nenhum momento buscasse qualquer prova de que a entrega se deu em outro local, com o próprio fornecedor, ou com o transportador. Pode ser verdadeira a afirmação da Sra. Marina de que a empresa nunca funcionou no endereço de sua residência, mas isso não identifica quem teria desviado a mercadoria para outro endereço, se o seu exesposo Raimundo ou o Sr. Luiz, antigo proprietário da empresa. A fiscalização afirma (fls. 27) que o fato de a empresa Elizabeth Têxtil ter emitido notas fiscais com o endereço da Rua Alberto Magno n° 1394, comprova o vínculo do Sr. Luiz Moreira Pires. Não encontrei qualquer vinculação maior do que o fato de ser esse o endereço inicial da empresa L Moreira Pires & Cia Ltda, antecessora de Tecidos RM Ltda. Inclusive o endereço residencial, uma das hipóteses de vincula do Sr. Luiz M Pires é na Rua São Roque n° 365, Lagoa Redonda, Fortaleza, CE (fls. 162), bem como da Sra. Francisca Ferreira Parente Pires. A fiscalização buscou a correlação entre a empresa e as pessoas imputadas como responsáveis como sócios de fato em outros trechos trazidos de seu relatório, como (fls. 27): ‘12. Em diligências realizadas na Rua Teodolfo Magalhães, 147, Bairro Lagoa Redonda, nesta cidade, constatamos existir no referido endereço uma casa residencial, onde vive a Sra. Marina Araújo Pires, que, em depoimento prestado nesta Delegacia, disse que ex esposo, Raimundo Moreira Pires, adquiriu sim uma empresa de Luiz Moreira Pires, com quem tinha crédito a receber, e que este crédito foi compensado com o valor das quotas da firma em questão. Afirmou, porém, que a empresa fiscalizada nunca funcionou na Rua Teodolfo Fl. 463DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 464 14 Magalhães, 174, onde até hoje reside; acrescentando finalmente não saber do destino dado aos livros e documentos fiscais da firma, nem saber do paradeiro de Raimundo Moreira Pires (fls. 297)’. ‘13. Prosseguindo nossas investigações, intimamos as empresas Têxtil Irmãos Meneghel Ltda, CNPJ 43.248.848/000147, e Elisabeth S.A. Indústria Têxtil, CNPJ 43.038.541/35, estabelecidas no Estado de São Paulo, fornecedores da firma Casa de Tecidos RM Ltda., tendo sido recebido da primeira algumas cópias de notas fiscais de venda (fls. 219 a 296), expedidas no ano de 1.997, destinadas à firma Casa de Tecidos com endereço na Rua Alberto Mágno, 1394, comprovandose assim o vinculo do Sr. Luis Moreira Pires, ainda no referido ano, com a firma Casa de Tecidos RM Ltda’. Todo esse quadro revela, sem dúvida, questões que permanecem sem resposta. Existe a afirmativa de que a primeira cessão de quotas, para Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires, em 04.04.96 é verdadeira, feita tal declaração pela própria Sra. Marina Araújo Pires, mas seguese a utilização de seu endereço para a emissão de notas fiscais de fornecedores, contrariando a afirmativa e que naquele endereço nunca funcionou a empresa. Resta a afirmativa da fiscalização, contida a fls. 28, de que: ‘Desta forma, considerando que o Sr. Rogério Bezerra Costa não mencionou em nenhum dos seus depoimentos ter adquirido a firma em questão do Sr. Raimundo Moreira Pires, como consta do 7° Aditivo ao Contrato Social, e o fato da empresa fiscalizada, apesar de não ter funcionado efetivamente nos endereços constantes dos aditivos 7° e 9° ao contrato social, citados nos itens 4 e 5 acima, registrou movimentação até janeiro/97, mesmo período em que funcionou uma outra firma de nome L. Moreira RM Tecidos Ltda, aberta por Luiz Moreira Pires logo após a venda da firma anterior, com o mesmo ramo de atividade, e no mesmo endereço, ou seja, na rua Alberto Magno, 1394, e ainda a existência das notas fiscais citadas no item 123 acima, atribuídas a Luiz Moreira Pires e sua esposa Francisco Ferreira Parente Pires a condição de sócios de fato da empresa ora autuada, caracterizandose a alienação de suas quotas de capital a Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires e posteriormente a Rogério Bezerra da Costa e Ademar Juca de Oliveira meramente uma simulação, com intuito de sonegar os tributos devidos, ora lançados através de autos de infração’. (destaquei) Busco a seguir, no processo, a prova de existência da empresa L Moreira RM Tecidos Ltda (Rua Alberto Magno, 1394) acima citada. Nenhum comprovante da existência da referida empresa consta do processo. A única possibilidade está contida no termo fiscal de fls. 27, onde a fiscalização afirma que: ‘10. Em suas declarações de 26.03.2000, o Sr. Luiz Moreira Pires afirmou ter vendido a firma Casa de Tecidos RM LTDA a Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Pires, a quem devia certa importância, cujo valor foi compensado com o valor das quotas alienadas; Disse também que, em julho/96, abriu uma nova empresa na rua Alberto Magno, 1334, onde funciona até hoje; (...)’ A referida declaração encontrase a fls. 37, onde consta, textualmente: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 465 15 ‘(...) que o declarante, somente após vender e transferir a L. Moreira Pires & Cia, é que abriu uma nova firma com o nome L. Moreira e Parente Ltda, CGC 01.245.160/000163, que funciona desde julho de 1.996 na Av. Alberto Magno, 1334, Montese, em prédio de sua propriedade: (...)’ Não consta do processo o nome da empresa acima mencionada. Esclareço que os números 1334 e 1394 representam o mesmo endereço, já que houve mudança de número por ação da Prefeitura, conforme consta do processo. Revendo os argumentos e fatos colacionados, tenho comigo que o fato de algumas notas fiscais emitidas em data posterior à alteração de contrato pelo 7° aditivo (13.05.96), cujo endereço antigo continuou sendo usado até 24.06.96, não caracterizam a responsabilidade, uma vez que pode ter ocorrido demora na alteração cadastrai da empresa ou demora no arquivamento da alteração do contrato na Junta, data que em nenhum momento foi trazida aos autos. Concluo que as provas trazidas aos autos, representadas por notas fiscais de emissão de fornecedores com endereço na R. Teodolfo Magalhães n° 147 são mais fortes do que simples declarações de interessados em se livrar de imputações onerosas e que somente uma ação mais objetiva da fiscalização poderia ter comprovado que tais mercadorias foram utilizadas no antigo endereço da empresa, o que poderia ter sido facilmente feito em diligência perante os fornecedores ou os transportadores. Aceito as declarações de que a transferência de quotas para Raimundo Moreira Pires e Marina Araújo Lopes foi procedida, já que confirmada pela Sra. Marina Araújo Pires (fls. 297). Apesar de a Sra. Marina não identificar objetivamente qual a empresa adquirida, sua declaração coincide com a declaração do Sr. Luiz. Já, com relação à operação de transferência para o Sr. Rogério Bezerra da Costa e Aldemar Juca Oliveira, busco a fls. 200 o depoimento prestado por Aldemar Juca de Oliveira, onde o mesmo declara ser sócio da empresa CASA DE TECIDOS R M LTDA, juntamente com Rogério, que a empresa funcionava na Rua Tulipas, Euzébil e que comprou a empresa do Sr. Raimundo Moreira Pires e que, quando comprou a empresa ela funcionava no Bairro da Lagoa Redonda. Assim, não vejo como negar validade a uma alteração contratual arquivada na Junta Comercial e ainda confirmada por um dos sócios em depoimento prestado na Delegacia de Crimes contra a Fé Pública, ainda mais que nenhuma informação consta do processo acerca de eventual tentativa de anulação, invalidação ou retificação do ato societário. Mas, o processo está eivado de contradições e versões parciais. Porém, já na fase posterior ao ingresso de Rogério e Aldemar na sociedade, no período de 03.01.97 a 20.01.97 ocorreu a emissão, pela empresa Têxtil Elizabeth, de 7 notas fiscais emitidas com o endereço da Rua Alberto Magno n° 1334, exatamente o endereço indicado pelo Sr. Luiz Moreira Pires como sendo o endereço de sua nova empresa, a L Moreira e Parente Ltda (fls. 37). Esse é o único conjunto de documentos que me convencem que tais operações possam ter sido operacionalizadas sob a responsabilidade do Sr. Luiz já que as mercadorias foram enviadas por terceiros para seu endereço. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 466 16 Quanto às demais notas fiscais, acerca das quais não consta o aprofundamento da ação fiscal na busca da efetiva entrega aos cuidados do Sr. Luiz, não me permitem correlacionalas com o mesmo. Ainda mais, a fiscalização deixou de fazer provar que os negócios da empresa Casa de Tecidos R M Ltda eram geridos, após 04.04.96 por Luiz Moreira Pires e/ou Francisco Ferreira Parente Pires, já que nenhum documento bancário, recibo de recebimento ou pagamento, procuração ou outro instrumento que vincule formalmente tais pessoas com a empresa foi trazido aos autos. O tão utilizado expediente de quebra do sigilo fiscal poderia ter trazido as provas nesse sentido, já que os eventuais bancos que operam os recursos da empresa poderiam indicar os titulares das contas ou seus procuradores, entre outras formas de produzir as provas necessárias para tal vinculação. As notas fiscais da fornecedora Elizabeth Têxtil indicam a emissão de duplicatas e não foi buscada a forma de sua quitação, que bem poderia ser pela via bancária. As notas fiscais de emissão de Elizabeth Têxtil indicam como transportadores as empresas Transecon Transp Mudanças Ltda, CNPJ 00.928.774/000349 e endereço na Rua João Pedro Blumental, 95, Guarulhos, SP, e Transecon Econ Emp Constr N Ltda, CNPJ 06.939.961/000304 e endereço na Rua Panambi, 19/20, Guarulhos, SP. As notas fiscais de emissão da Têxtil Irmãos Meneguel Ltda indicam como transportador a empresa Rodoviário Sta Bárbara Ltda, CNPJ 47.439.310/000170 e endereço na Av. da Indústria, 222 Jardim Pérola, Sta. Bárbara D'Oeste, SP. Verificando no site da Receita Federal, pelos CNPJs, constatei que os três cadastros eram vigentes à época dos fatos, como se verifica pela transcrição (copiarcolar) abaixo do teor dos informes cadastrais disponíveis ao público. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 467 17 Nenhuma dificuldade teria a fiscalização em proceder à confirmação dos embarques e o efetivo local de entrega, bem como o responsável pelo recebimento. O pagamento também poderia ser possível confirmar com as empresas recebedoras pela origem dos recursos que lhe foram transferidos em quitação aos fornecimentos (cheque ou transferência bancária). Penso que a fiscalização foi econômica na produção das provas destinadas a embasar suas afirmativas. Uma última questão deve ser apreciada. A qualidade de responsabilidade atribuída a Luiz Moreira Pires e Francisco Ferreira Parente Pires está contida nos termos de fls. 299 e 300. Lá consta textualmente: ‘(...) em que foi apurada a responsabilidade do contribuinte acima como sócio de fato da mesma pelos tributos lançados, (...)’ A fiscalização deixou de indicar qualquer artigo ou texto legal onde tivesse ancorado tal imputação, o que definiria sua amplitude. Como se pode ver, toda a discussão não pode transbordar dos efeitos da responsabilidade na qualidade de sócios, responsabilidade essa definida na lei comercial e restrita aos limites da responsabilidade dos sócios perante os débitos da sociedade, cujos detalhes não foram discutidos no processo. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 468 18 E, diante disso, a ciência dos autos de infração às pessoas ditas responsáveis se deu adequadamente, para prevenir seus efeitos futuros. Nessa linha de entendimento não se esgota a responsabilidade solidária ou por substituição que eventualmente possa ser questionada quando da execução do débito tributário, em não sendo ele solvido regularmente pela sociedade (Art. 124, 128, 135 ou outro do CTN). Exclusivamente limitado à imputação que se caracteriza pela responsabilidade de Luiz Moreira Pires e Francisca Ferreira Parente Pires, penso que a aceitação da transferência das quotas pelo 6° aditivo ao contrato social quebra a sua responsabilidade vinculada à sua condição de sócios, remanescendo, porém eventual responsabilidade solidária ou por substituição que não tenha sido apontada pela fiscalização, mas que possa ser questionada quando da execução do débito, caso não tenha sido regularmente solvido pela empresa. Assim, mesmo aquelas notas fiscais mencionadas de janeiro de 1997 cuja responsabilidade tributária pode, mediante comprovação mais direta, ser atribuída ao Sr. Luiz Moreira Pires, ela não diz respeito à sua qualidade de sócio, mas de beneficiário das operações, podendo ter concorrido na ocorrência do fato gerador correspondente ou consequente. Isso mediante ação individual ou concurso de terceiros, no caso os sócios da empresa ou seus fornecedores. Porém, a condição de sócios de Luiz Moreira Pires e Francisco Ferreira Parente Pires não pode ser afastada até o momento em que o 6° aditivo de contrato social foi arquivado na MM. Junta Comercial, já que somente seu registro faz prova perante terceiros (incluído o Fisco) de seu conteúdo. Como não consta do processo a sua data, não tenho como definila. Espero ter conseguido demonstrar os motivos que me levavam inicialmente a não apreciar a imputação de responsabilidade intentada, principalmente pelo fato de que ela não esgota a questão na forma que foi colocada e, espero também ter demonstrado os motivos que me conduziram a entender que a responsabilidade, na dimensão imputada de ‘qualidade de sócio1 não pode ser integralmente mantida, reafirmando a ressalva de possibilidade de imputação de responsabilidade inerente a outros aspectos que possam ser delineados por ocasião da execução do crédito tributário, se não solvido pela empresa. Mais uma questão. Sendo o autor do recurso parte legitima, porquanto, na qualidade de sócio, pelo tempo que o foi, poderia representar a empresa, acolho o recurso voluntário, mas quando ao seu julgamento, não conheço do recurso na parte que discutia exclusivamente a imposição da penalidade já que preclusa sua argumentação, porquanto não houve discussão do mérito nem da penalidade na impugnação e, relativamente à imputação de responsabilidade como sócio, afastoa parcialmente, tão somente após o arquivamento na Junta Comercial do Estado do Ceará do 6° Aditivo ao Contrato Social”. Diante dos sólidos argumentos que compõem a decisão acima transcrita, fica evidente a conexão existente entre os processos, uma vez que a decisão proferida pela 5ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes trata de IRPJ e o presente processo de Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 469 19 seus decorrentes (PIS, COFINS e CSLL) voto no sentido de manter para os decorrentes a mesma conclusão do processo principal e dar provimento parcial ao recurso, para manter a imputação tributária para Luiz Moreira Pires, CPF/MF n° 074.091.17320 e Francisca Peneira Parente Dias, CPF/MF n° 091.251.40353 até o arquivamento na Junta Comercial do Estado do Ceará do 6° Aditivo ao Contrato Social, datado de 04/04/1996, onde as quotas de capital foram transferidas para o Sr. Raimundo Moreira Pires, CPF/MF nº 081.469.93320, e sua esposa, Sra. Marina Araújo Pires, CPF/MF nº. 561.875.21315. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) competem julgar os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários. Desta forma, estes órgãos de julgamento não são aptos a se manifestar quanto à matéria referente à responsabilidade solidária, que é afeta ao órgão responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos. Em outras palavras, a qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, e não ao de controle de sua legalidade. Destarte, falece competência a este Colegiado para o julgamento de Recursos apresentados a Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, em consonância, aliás, com o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal) (grifouse): Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 470 20 Conforme se observa do dispositivo transcrito, a competência deste CARF se limita ao julgamento de razões de defesa suscitadas contra decisões que tenham se manifestado a respeito de exigências constituídas em auto de infração ou notificação de lançamento. Apesar de constar, também, dos autos de infração a indicação de responsável solidário, vale salientar que a responsabilidade pelo crédito tributário é matéria alheia à constituição do lançamento. A exigência é constituída em face do sujeito passivo, que aqui é a pessoa jurídica, na condição de contribuinte; já a responsabilidade solidária deve ser avaliada numa contingente execução forçada do crédito. Logo, não pode este Tribunal Administrativo, sem qualquer amparo legal, decidir acerca de matéria estranha à formalização do lançamento (o qual, à evidência, subsiste ainda que ausente qualquer Termo de Responsabilidade Solidária), atinente apenas a quem caberia, na hipótese de manutenção final da exigência fiscal e de seu nãopagamento pelo sujeito passivo autuado, se sujeitar à respectiva cobrança. É certo dispor o art. 5º, LV, da Constituição Federal que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.” É o caso de se perguntar: no processo administrativo fiscal, quem são os litigantes? A resposta se depara, também, no Decreto nº 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), quando dispõe, em seu art. 14, que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. É dizer: a impugnação a qualquer outra matéria que não seja a da exigência fiscal propriamente dita, posta a exame da DRJ, não instaura qualquer litígio e, em consequência, não tem o condão de exigir o seu pronunciamento. É o que ocorre, por exemplo, com a lavratura, por parte da fiscalização, e na mesma época da constituição do crédito tributário, de Representação Fiscal para Fins Penais. Essa Representação, como se sabe, tem como finalidade auxiliar o Ministério Público Federal na formalização de denúncia na esfera criminal. Analogamente, o Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária cujos indicados, de regra, são os mesmos apontados naquela Representação, quando existente destinase a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) quando de eventual execução judicial de crédito fiscal não pago pelo sujeito passivo autuado. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 471 21 Tratase, pois, de matérias que extrapolam as competências das DRJ e deste CARF, conquanto lavradas por ocasião da autuação, e que nada têm a ver com o lançamento propriamente dito, sendo objeto, ambas, de acolhimento, ou não, por parte daqueles órgãos, em momento processual distinto deste. Destaquese, por oportuno, que nada impede que a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), no exercício de suas atribuições constitucionais (art. 131, § 3º, da Lei Maior), direcione a execução judicial contra terceiras pessoas que não tenham sido apontadas pela fiscalização, ou que o faça apenas com relação a algumas por esta indicadas, nos limites de seu poder discricionário. Assim, pretenderse discutir o conteúdo e o alcance do Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária lavrado pela fiscalização, sem, ao menos, se ter a certeza de seu futuro aproveitamento pela PFN, seria um mero exercício de futurologia, além de se reputar inócuo, porquanto não vedaria que aquele órgão, alicerçado em seu próprio convencimento, e de forma autônoma, viesse a orientar a execução judicial contra quem entendesse de direito. Nesse sentido, o art. 202, I, do CTN, determina que o termo de inscrição da dívida ativa indicará obrigatoriamente o nome do devedor e, sendo o caso, o dos co responsáveis. Essa mesma disposição consta do § 5º do art. 2º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que regula o processo de inscrição e cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Por outro lado, o § 4º do mesmo artigo estipula que a Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Por óbvio, esse é um juízo de valor dos senhores Procuradores, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão, eles, vinculados a entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja das Delegacias de Julgamento, seja do CARF, não se tratando, portanto, de matéria que deva ser apreciada por qualquer dessas instâncias julgadoras. É necessário recordar, ainda, que o fato de constar da Certidão de Dívida Ativa o nome de alguém como coresponsável não significa que essa pessoa estará definitivamente revestida dessa condição. Isso porque, por força do art. 3º, e parágrafo único, da já citada Lei nº 6.830, de 1980, e do parágrafo único do art. 204 do CTN, a Dívida Ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, ressalvada prova inequívoca em contrário. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 472 22 Concluise, por conseguinte, que, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional entenda que as pessoas mencionadas como coresponsáveis pelo crédito tributário devem efetivamente por ele responder, a última palavra a respeito caberá ao Poder Judiciário. Apenas nesse momento será admissível discutir se a situação fática determinará a existência desse vínculo obrigacional, ou não. Do que se deflui que os aspectos relativos à responsabilidade solidária pelos créditos tributários da pessoa jurídica constituem matéria estranha ao processo administrativo fiscal regularmente instaurado contra esta última, podendo ser apresentada a defesa pertinente em caso de eventual execução judicial do crédito tributário. Desse modo, toda a argumentação contida na Impugnação e no Recurso do arrolado como responsável pelo crédito tributário lançado de ofício neste processo, refutando a responsabilidade deste pelos tributos não pagos pelo sujeito passivo autuado fica prejudicada, posto que, como já dito anteriormente, a responsabilização dessa pessoa física é matéria a ser discutida em fase de execução judicial, não tendo qualquer reflexo na análise do mérito da presente exigência. Para finalizar este tópico, transcrevese recente ementa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no mesmo sentido do aqui exposto (grifouse): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 557 DO CPC. INOCORRÊNCIA. REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIOGERENTE QUE FIGURA NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA COMO CORESPONSÁVEL. POSSIBILIDADE. DISTINÇÃO ENTRE A RELAÇÃO DE DIREITO PROCESSUAL (PRESSUPOSTO PARA AJUIZAR A EXECUÇÃO) E A RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL (PRESSUPOSTO PARA A CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA). 1. É pressuposto de admissibilidade do recurso especial a adequada indicação da questão controvertida, com informações sobre o modo como teria ocorrido a violação a dispositivos de lei federal (Súmula 284/STF). 2. Não se pode confundir a relação processual com a relação de direito material objeto da ação executiva. Os requisitos para instalar a relação processual executiva são os previstos na lei processual, a saber, o inadimplemento e o título executivo (CPC, artigos 580 e 583). Os pressupostos para configuração da responsabilidade tributária são os estabelecidos pelo direito material, nomeadamente pelo art. 135 do CTN. 3. A indicação, na Certidão de Dívida Ativa, do nome do responsável ou do co responsável (Lei 6.830/80, art. 2º, § 5º, I; CTN, art. 202, I), confere ao indicado a condição de legitimado passivo para a relação processual executiva (CPC, art. 568, I), mas não confirma, a não ser por presunção relativa (CTN, art. 204), a existência Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10380.013791/0065 Acórdão n.º 1803001.340 S1TE03 Fl. 473 23 da responsabilidade tributária, matéria que, se for o caso, será decidida pelas vias cognitivas próprias, especialmente a dos embargos à execução. 4. É diferente a situação quando o nome do responsável tributário não figura na certidão de dívida ativa. Nesses casos, embora configurada a legitimidade passiva (CPC, art. 568, V), caberá à Fazenda exequente, ao promover a ação ou ao requerer o seu redirecionamento, indicar a causa do pedido, que há de ser uma das situações, previstas no direito material, como configuradoras da responsabilidade subsidiária. 5. No caso, havendo indicação dos codevedores no título executivo (Certidão de Dívida Ativa), é viável, contra o sócio, o redirecionamento da execução. Precedentes: REsp 627.326RS, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 23.08.2004; REsp 278.741, 2ª Turma, Min. Franciulli Netto, DJ de 16.09.2002. 6. Recurso especial a que se dá provimento. (REsp 803.314/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21.03.2006, DJ 03.04.2006 p. 292) Destaco, por fim, que já sumulou este CARF, em caso análogo, o seguinte: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Voto pelo não conhecimento do Recurso, no que se refere às alegações relativas à responsabilidade solidária. Sérgio Rodrigues Mendes (Assinado digitalmente) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 02/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDE S, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 11128.004181/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/05/2007 e 30/05/2007
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO.
Não há como manter decisão proferida em primeira instância administrativa que deixou de apreciar argumentos de defesa trazidos na impugnação por entender, equivocadamente, que havia concomitância entre os processos administrativo e judicial, em relação a matéria que não foi levada ao Poder Judiciário para discussão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/05/2007 e 30/05/2007 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. APRECIAÇÃO DA QUESTÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA A QUO. Não há como manter decisão proferida em primeira instância administrativa que deixou de apreciar argumentos de defesa trazidos na impugnação por entender, equivocadamente, que havia concomitância entre os processos administrativo e judicial, em relação a matéria que não foi levada ao Poder Judiciário para discussão. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Fábia Regina Freitas . Relatório Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Cuida a lide de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA, atual MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA, para exigência de créditos tributários referentes às diferenças que deixaram de ser recolhidas relativas ao Imposto sobre a Importação, IPIvinculado, COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, no valor total de R$.98.367,30, inclusos o principal, juros de mora e multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (fls. 01/35). As diferenças encontradas decorreram da reclassificação fiscal das mercadorias importadas constantes das DI nº.07/06576289, registrada em 22/05/2007; e DI nº 07/06991529, registrada em 30/05/2007. A contribuinte classificou as mercadorias descritas como “aparelhos depuradores de ar de uso doméstico” no código NCM 8421.39.90 – Outros aparelhos para filtrar ou depurar gases, tendo a autoridade fiscal reclassificandoas para o código NCM 8414.60.00 – Coifas (exaustores) para extração ou reciclagem, com ventilador incorporado, mesmo filtrantes, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, encontrandose o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, por força de depósito judicial das quantias correspondentes ao valor da exação, procedido nos autos da ação sob o rito ordinário, com pedido de antecipação parcial de tutela, processo nº 97.00600564, em trâmite perante a 2ª Vara Cível da Justiça Federal do Estado de São Paulo. O objeto da referida ação diz respeito à classificação fiscal do produto denominado “depurador de ar”. Intimado da autuação, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls.143/146), insurgindose quanto à aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria em razão da errônea classificação na NCM. A DRJSão Paulo II/SP não conheceu da impugnação, por entender haver entre as esferas administrativa e judicial (fls.302/304), nos termos da ementa adiante transcrita: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do'lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a querelante apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 352/368). Alegou, preliminarmente, a inexistência de concomitância, tendo em vista que tanto a impugnação apresentada quanto o recurso oferecido discutem tãosomente o lançamento da multa regulamentar de 1%, por classificação incorreta na NCM. Aduz que esta matéria não está sendo discutida na esfera judicial, a qual atémse à apreciação da questão relativa à classificação fiscal da mercadoria. No mérito, repisa os argumentos expendidos na impugnação, em que defende o não cabimento da referida multa. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.004181/200716 Acórdão n.º 3202000.505 S3C2T2 Fl. 384 3 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de recurso voluntário tempestivo apresentado em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por entender haver concomitância entre as esferas judicial e administrativa. Temse que, no caso, assiste razão à contribuinte. Nos termos da súmula nº 01 do CARF, a concomitância, que importa renúncia às instância administrativas, somente se dá quando há propositura de ação judicial pelo mesmo sujeito passivo e com o mesmo objeto do processo admistrativo, cabendo ao órgão administrativo judicante apreciar a matéria distinta daquela constante do processo judicial. Vejase: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo da ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. In casu, a matéria que se discute na esfera judicial não é a mesma que se discute nestes autos administrativos. Perante o Judiciário, a lide se estabeleceu quanto à classificação fiscal da mercadoria importada pela recorrente, denominada “depuradores de ar”. Já nestes autos administrativos, a contribuinte manifesta entendimento acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário e insurgese quanto à aplicação a multa de 1% do valor aduaneiro em razão da incorreta classificação fiscal na NCM, não questionando a classificação fiscal em si. São, claramente, matérias distintas, muito embora seja a aplicação da multa consequente da suposta classificação incorreta, que se está a discutir judicialmente. Assim, não havendo concomitância entre os processos judicial e administrativo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10247.000050/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO.
A contagem do prazo a que se refere o art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN) tem como ponto de partida a data da constituição definitiva do crédito tributário. Com o ato do lançamento, o sujeito passivo é notificado a recolher ou impugnar o débito dentro do prazo de trinta dias. Nesse intervalo a Fazenda Nacional ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo, por via de conseqüência, ser considerada inerte. As impugnações e recursos interpostos nos termos do processo administrativo fiscal suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas o prazo de prescrição sequer foi iniciado.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INAPLICABILIDADE Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas.
Perícia Indeferida.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. A contagem do prazo a que se refere o art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN) tem como ponto de partida a data da constituição definitiva do crédito tributário. Com o ato do lançamento, o sujeito passivo é notificado a recolher ou impugnar o débito dentro do prazo de trinta dias. Nesse intervalo a Fazenda Nacional ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo, por via de conseqüência, ser considerada inerte. As impugnações e recursos interpostos nos termos do processo administrativo fiscal suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas o prazo de prescrição sequer foi iniciado. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INAPLICABILIDADE Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o Fl. 57DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 2 conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Perícia Indeferida. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 58DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 2 3 HEIMAR MIRANDA COIMBRA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 189.363.34204, com domicílio fiscal na cidade de Santarém Estado do Pará, na Travessa 15 de agosto, nº 15, Bairro Centro, jurisdicionado, para fins de ITR (NIRF 172545 – Fazenda Jabotiapebo, situada no município de Porto de Moz PA), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Monte Dourado PA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 38/44, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 47/53. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 21/06/2006, o Auto de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (fls. 19/25), com ciência, em 14/07/2006, através de AR (fls. 30), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 14.102,63 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao período base de 2001, fato gerador 01/01/2002, exercício 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu que os valores apurados no Auto de Infração decorrem da falta de recolhimento do ITR em virtude da glosa total da área declarada exclusa da tributação a titulo de Utilização Limitada, e sua conseqüente reclassificação como área tributável, tendo em vista que o contribuinte não logrou êxito, mediante documentação comprobatória prevista na legislação do imposto em epígrafe, na isenção da área supramencionada, conforme os procedimentos de auditoria interna de Malhas da SRF, mediante verificação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR DIAC/DIAT). Infração capitulada nos artigos 1º, 7º, 8°, 9°, 10, 11, 14 e 15, da Lei nº 9.393, de 1996; artigo 170, § 1° da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 e artigo 1° da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 22/23), entre outros, os seguintes aspectos: que o contribuinte autuado declarou em seu Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) possuir, no referido imóvel, áreas de Utilização Limitada no total de 1.500,00 ha, descritas nos itens "h" e/ou "c" do inciso II do § 1° do art. 10 da Lei n° 9.393/96. que o sujeito passivo em questão apresentou o Ato Declaratório Ambiental (ADA) (fl. 09), protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em 30/06/1998, no qual constam 1.500,00 ha a título de área de Interesse Ecológico. Sendo assim, por não apresentar o Ato especifico do órgão ambiental competente e por não atender as condições e requisitos exigidos, pela legislação do ITR, para a concessão da isenção, foi submetido, de oficio, à tributação, de acordo com os artigos 10, 70, 8°, 9°, 10, 11, 14 e 15 da Lei n°9.393/96; que no caso da Área de Utilização Limitada se referir a áreas de Interesse Ecológico, aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que se destinem à proteção dos ecossistemas e ampliem as restrições de uso em relação às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente e/ou aquelas assim declaradas que sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, não serão aceitas, as áreas declaradas em Fl. 59DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 4 caráter geral (todos os imóveis da região), por região local ou nacional, mas sim, apenas as declaradas, em caráter especifico (individual), até o último dia do ano anterior a que se refere o fato gerador, para determinadas áreas do imóvel particular. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro da área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular, conforme o que dispõe o inciso IV do art. 16 da IN SRF n° 60/01; que conforme preceitua o parágrafo único do art. 14 da IN SRF n° 60/01, a área total do imóvel deve se referir a situação existente á época da entrega da DITR, e a distribuição das áreas, em Preservação Permanente e Utilização Limitada, à situação existente em 10 de janeiro de cada exercício, isto é, na data do fato gerador, como disposto nos parágrafos anteriores. Em sua peça impugnatória de fls. 32/35, sem instrução adicional de documentos, apresentada, tempestivamente, em 01/08/2006, o contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que é bom que fique bem claro que o Recorrente não auferiu nenhuma vantagem na área do Imóvel, já que não produziu, continuando a área coberta de mata virgem, onde pode ser constatado. Após tomar conhecimento que as terras pertencem a Unido — Terra Indígena considerou nula a escritura e deixou de recolher o ITR, mas insiste o Procurador da Fazenda Nacional em cobrar tributa indevidamente, de terras que não mais pertence ao Recorrente; que o Auditor Fiscal deveria investigar exaustivamente, uma vez que está vinculado a Lei e a Terra em questão foi decretada Terra da União e não poderia a autoridade fiscal, aplicar Auto de Infração em fato gerador que não pertence ao Impugnante, uma vez que a TERRA É DA UNIÃO; que exigir ITR de terras que não pertence ao patrimônio do impugnante causa sérios prejuízos ao impugnante uma vez que está sendo exigido a pagar imposto de Imóvel que não lhe pertence; que após tomar conhecimento que a área, faz parte de uma reserva indígena, não recolheu os impostos devidos, Decreto Presidencial n°. 6.383/76; que o lançamento tributário, como qualquer atividade administrativa, pode conter impropriedades que levem à sua alteração. No caso vertente, surgiu fato novo, ou seja, o Decreto do Presidente da República n°. 6.383R6, modifica a situação, já que não pode o impugnante assumir responsabilidade, quando já existe uma situação definida, o RETORNO DO IMÓVEL AO PATRIMÔNIO PÚBLICO.; que diante dessa situação factual, inelutável a revisão, tantas vezes se detectem erros, de fato ou de direito, não importa e muito mais os primeiros, porque irrelevante para o fenômeno da tributação à vontade, seja do tributante seja do contribuinte, porque o lançamento como norma concreta tem que ser realizado de acordo com a norma abstrata definida na lei, sendo intoleráveis desvios de procedimentos estatais que se sobreponham ao principio da legalidade tributária. Vinga nesse âmbito o principio da nulidade do ato administrativo, cuja invalidade é proclamada com a supressão da relação jurídica dele nascida, porque em desconformidade com a ordem jurídica. É o principio da subordinação da Administração Pública ao principio da legalidade. A atividade fazendária não é discricionária, mas sob rígida vinculação à lei. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 3 5 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE decide julgar procedente o lançamento, mantendose, de forma integral, o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a fase litigiosa, na esfera administrativa, se instaura com a impugnação contra o lançamento e, ainda, com o duplo grau de jurisdição na apreciação das provas e dos argumentos de defesa; que a fase processual — contenciosa — da relação fiscocontribuinte inicia se com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14 do Decreto n° 70.235, de 1972) e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido i Administração. A. litigância e conseqüente solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do contraditório e da ampla defesa; que a realização de perícia tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida; que, no caso, verificase que o contribuinte limitase a solicitar, de maneira imprecisa, a realização de perícia, sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, conforme requisito previsto na lei; que, logo, indefiro o pleito do contribuinte, pois, além de o pedido de perícia não ter atendido os requisitos exigidos pela legislação, a realização da mesma é prescindível; que mesmo que o impugnante comprovasse que tinha o imóvel totalmente em área indígena, a alegação do impugnante de que, por esse motivo, não seria sujeito passivo do ITR, não encontra respaldo na legislação. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União, porém os índios têm a posse permanente, a titulo de usufruto especial. Essas terras são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis. Por conseguinte são imunes do ITR cabendo à União declarar essas áreas para efeito do ITR, pois a imunidade não desobriga o contribuinte de apresentar a DITR; que a imunidade, nestes casos, está condicionada ao imóvel ser bem da União e a posse ser dos índios. Entretanto se, apesar de ser bem da União e a posse ser dos índios por comando constitucional, o contribuinte tem a posse não tem como se afastar o mesmo do pólo passivo; que, assim, podemos afirmar que quem tem a posse de imóvel público por ocupação, autorizada ou não, deve apresentar a declaração do ITR. Inobstante o caráter precário dessa posse — não gera efeitos para fins de usucapião por determinação constitucional — ela configura fato gerador do imposto, pois a tributação da terra é função do seu valor econômico (fator de produção). De modo que a incidência do imposto, in casu, decorre do uso e fruição do imóvel pelo particular, onde o aproveitamento econômico do imóvel é igual ao fato de produção. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários i adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. GLOSA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Reputase não impugnada a matéria quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/12/2008, conforme Termo constante às fls. 45/46, o recorrente interpôs, tempestivamente (02/01/2009), o recurso voluntário de fls. 47/53, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que concluise, portanto, que a preclusão processual é instituto que se encontra presente no processo administrativo tributário inclusive em razão do principio constitucional do devido processo legal. C40Vo, em razão da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência devem estar sempre presentes no processo administrativo, é possível a aplicação, mitigada da preclusão temporal nos julgamentos administrativos; que o julgador, no caso da Segunda Instância e Câmara Superior de Recursos Fiscais encontra fundamentação nos chamados embargos inominados para acolher as petições do contribuinte quando, mesmo fora do rigor temporal, tragam aos autos provas da inexistência da imputação fiscal. Pelo lado da Fazenda Pública, decorridos 360 dias sem apreciação das demandas interpostas, cabe ao litigante na esfera administrativa requerer a extinção do processo sob o amparo do art. 24 da Lei n° 11.457, de 2007. Nesse sentido, alega o Recorrente A preclusão e de imediato o arquivamento do processo; que é impossível prevalecer o credito tributário sem fato gerador consumado, haja vista, que a terra foi considerada dos índios — Terra da União e os Nobres Julgadores da Delegacia de Julgamento de Recife — Pernambuco, não pesquisaram o Decreto de Desapropriação; que eminentes Julgadores, porque não foi realizada diligência junto ao INCRA E IBAMA, para saber se o Recorrente exerceu atividade na Terra, ou se deu causa a Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 4 7 benfeitoria na terra. Nenhum procedimento foi adotado pelos Nobres Julgadores, cerceando o direito de defesa do Recorrente. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Vencido Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como visto no relatório e nos autos, a discussão gira em torno de um pedido de diligência, uma preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, uma preliminar de preclusão do crédito tributário e, no mérito, a discussão diz respeito à área de utilização limitada (1.500,0 ha) e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado e averbação no cartório de registro, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Observase nos autos, que o ADA trazido foi protocolado no IBAMA em 25/06/1998 (ADA relativo a outro exercício), ou seja, constatase que o requerimento do ADA (fls. 09), contemplando a área de preservação permanente de 3.465,0 e uma área de utilização limitada de 1.500,0 há referese a outro exercício, sendo, portanto, improcedente a providência para justificar a exclusão das áreas ambientais nele informadas do ITR/2002. É de se considerar falta de apresentação de ADA tempestivo. Assim, verificase que uma das exigências previstas para justificar a exclusão de tal área da incidência do ITR/2002, qualquer que sejam as suas reais dimensões, foi a falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA) para a área de utilização limitada e esta é a maior questão discutida nos autos. No que diz respeito ao pedido de preclusão processual é de se dizer que a prescrição, em direito tributário, pode ser conceituada como “a perda do direito da Fazenda Pública, pelo decurso do tempo, de ajuizar ação de cobrança (ou, mais propriamente, de Execução Fiscal) relativamente a crédito tributário não pago” ou, ainda, “a perda do direito de ação de repetição de indébito, pelo decurso do tempo.”. Como se vê, a prescrição é também a perda de um direito, mas o direito de exercer uma ação, de exigir o cumprimento da obrigação. A prescrição atua diretamente anulando a pretensão de exigir de outrem, o cumprimento de uma obrigação. À prescrição tributária se aplicam as mesmas regras que disciplinam a prescrição das ações em geral salvo as modificações expressas da lei. Diferentemente da decadência, que está relacionada ao direito potestativo, direito esse que para ser realizado ou exercido independe da manifestação da outra parte. Ambas estão passíveis de emergir em decorrência da inércia do titular do direito. No Direito Tributário, ao configurar a ocorrência da prescrição, como uma das causas de extinção do crédito tributário, estabelece que o sujeito ativo não possui mais o direito de exigir o cumprimento da obrigação tributária por parte do sujeito passivo. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 5 9 É muito comum encontrar nos textos jurídicos, principalmente nos tributários, a descrição de que a decadência não é passível de interrupção ou suspensão, conquanto a prescrição aceita a interrupção ou suspensão. É necessário também deixar bem claro que a possibilidade de ocorrência da decadência é no lapso temporal anterior ao lançamento efetuado pela autoridade fiscal, e a prescrição, após o lançamento. Portanto, o lançamento é o marco divisor entre os dois institutos. O Código Tributário Nacional, nos termos do artigo 174 define a data inaugural para contagem do prazo prescricional como a data em que ocorre a constituição definitiva do crédito. Art. 174 A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único A prescrição se interrompe: I pela citação pessoal feita ao devedor; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. O prazo prescricional se traduz no lapso temporal, dentro do qual o sujeito ativo possui permissibilidade legal para exigir do sujeito passivo o adimplemento da obrigação tributária. O prazo previsto no artigo 174 do Código Tributário Nacional começa a fluir a partir do momento em que o sujeito passivo está obrigado a satisfazer a obrigação tributária, regulamente formalizada pelo lançamento e não o faz, segundo ABAL (2003, p. 97 98). Obedecidas certas condições, na maioria das situações, o sujeito passivo tem um prazo de 30 (trinta) dias para recolher ou apresentar impugnação. Nesse período o fisco está impedido de exigir o cumprimento da obrigação, por força legal tem que se manter inerte até a conclusão do prazo. Antes de terminar o prazo, o sujeito passivo pode apresentar sua defesa, a impugnação, dependendo da organização interna de cada órgão, a julgamento de 1ª instância administrativa. Continua o fisco impedido de exigir o cumprimento até a prolação da decisão. Não logrando êxito, após a ciência da decisão de 1ª instância o sujeito passivo tem um prazo para recolher ou apresentar recurso voluntário para órgão superior, colegiado conhecido como Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, formado por representantes da sociedade organizada e do Fisco Federal. Nesse interregno, também está a Fazenda Pública impedida de exigir o cumprimento. Somente após a decisão de 2ª instância administrativa, com a ciência do sujeito passivo, e caso não couber mais qualquer tipo de recurso na esfera administrativa, a administração passa, então, ter a permissibilidade para exigir o cumprimento da obrigação, momento em que ocorre a constituição definitiva do crédito. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 10 Não poderia ser de outra forma, é de meridiana clareza que somente a partir dessa data iniciase o cômputo do prazo prescricional para o sujeito ativo. Persistindo a negativa do sujeito passivo em cumprir com a sua obrigação tributária pode a administração intentar a devida ação de execução fiscal. Ademais, a Súmula CARF nº 11, indica, que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida, sob o entendimento de que de que houve, em síntese, ofensa ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa, assegurado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por discordar, em síntese, dos procedimentos adotados pela fiscalização para lavratura do presente Auto de Infração, é de se dizer que o trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7º e 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, observada especificamente, a Instrução Normativa SRF n° 094, de 1997, que dispõe sobre os procedimentos adotados para a revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes em geral, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, feita mediante a utilização de malhas. É de se observar, ainda, de que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental e a falta de comprovação, em qualquer situação, de dados cadastrais informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), incluindo a subavaliação do VTN, autoriza o lançamento de oficio, regularmente formalizado através de auto de infração, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei n° 5.172, de 1966 — CTN, e art. 4° da citada IN/SRF n° 094/1997, observada, no que diz respeito aos documentos de prova, a Norma de Execução (NE) correlata, no caso, a NE SRF Cofis n° 002, de 07 de outubro de 2003 não havendo necessidade de verificar "in loco" a ocorrência de possíveis irregularidades, como sugere o requerente. Ademais, mesmo que fosse possível, o contribuinte não atenderia às normais legais, já que é corrente majoritária neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a área de utilização limitada, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental – ADA, já que o mesmo passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em assim sendo, entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 6 11 A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, que a sua lavratura foi efetuada de forma a prejudicar a ampla defesa. Com a devida vênia, o Auto de Infração foi lavrado tendo por base os valores constantes em documentos oficiais, onde consta de forma clara a existência das áreas glosadas, que são partes integrantes do Auto de Infração, sendo que o mesmo, identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 12 tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. Ademais, no caso em questão, o ônus da prova documental é do contribuinte autuado, a qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercido, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Da mesma forma, não há como negar que a irregularidade apontada pelo autuante foi devidamente caracterizada e compreendida pelo interessado, tanto é verdade que o mesmo contestou o referido auto de infração de forma a não deixar dúvidas quanto ao perfeito conhecimento dos fatos, através da Impugnação acompanhada de documentação. Portanto, o fundamental é que o contribuinte tenha tomado ciência do presente auto de infração, e tenha exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa. Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade da Notificação de Lançamento. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 7 13 No que diz respeito ao pedido de diligência/perícia, é de se esclarecer, que da análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância entendeu que não merece ser acolhida às alegações apresentadas sobre a possibilidade de comprovação da existência da área excluída da base de cálculo da exigência tributária através de realização de uma perícia para a sua confirmação, indeferindo o pedido com base na fundamentação de que para um pedido de diligência / perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de um profissional capacitado a esclarecêlas, bem como entende que o ônus da prova recai sobre o contribuinte, responsável pela comprovação das áreas contestadas e demais documentos. Só posso confirmar este entendimento, já que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência ou perícia de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte. Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993 Processo Administrativo Fiscal diz: Art. 16 – A impugnação mencionará: (...). IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...). Art. 18 A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Como se verifica do dispositivo legal, o colegiado que proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis, devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 14 É de se ressaltar, que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Já se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que as perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Além disso, o julgador não tem a atribuição de efetuar lançamento, não lhe sendo aberta a possibilidade de se mover sem óbices por universo externo ao processo. No caso, por exemplo, se com o resultado da vistoria in loco ficasse demonstrada a não existência do objeto da vistoria e constatada outra irregularidade na propriedade, o julgador não poderia proceder ao lançamento com base nestas observações, como já dito, não é de sua atribuição legal, sendo, inclusive, vedado a este Órgão de julgamento o reformatio in pejus, ou seja, lhe é proibido julgamento com agravamento do lançamento. Ademais, descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Ora, o que se questiona nos autos é a regularização documental e a localização da área de utilização limitada, que se supõe existir, para que seja considerada na apuração do ITR. A interessada diz que sua declaração reflete a real situação de seu imóvel, que as áreas glosadas existem, de fato, na propriedade, assim, a perícia apenas comprovaria, ou não, essa existência, porém, isso, por si só, não autorizaria a isenção, pois, como mais adiante se verá, são necessários o cumprimento de requisitos legais até a data do fato gerador e outros até seis meses da data final do período de entrega da DITR. Pelo exposto, nenhuma circunstância há que justifique a diligência / perícia pleiteada. O lançamento limitouse a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados em nome do contribuinte, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique Parecer Técnico Complementar. Por fim, fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Como visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 8 15 Quanto a isenção da área pleiteada, quais seja: Área de utilização limitada equivalente a 1.500,0 há, é de se dizer que não posso acompanhar o raciocínio do recorrente quanto ao mérito em discussão, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência legal para a exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto Territorial Rural, aí incluídas as áreas cobertas por florestas naturais, pelos motivos a seguir alinhavados. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que as áreas coberta por florestas nativas sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas cobertas por florestas nativas), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 16 a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 9 17 Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 18 Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo Ibama. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 10 19 Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 20 h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 11 21 tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 22 § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 10. .............................................................. § 1o ..................................................................... ........................................................................... II .................................................................... d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 12 23 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR sobre as áreas cobertas por florestas nativas, a proprietária do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas cobertas por florestas nativas, glosada pela fiscalização lançada pelo contribuinte como se fosse parte da área de utilização limitada, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 24 Quanto a questão das terras pertencerem a União é de se observar, inicialmente, que foi o próprio contribuinte que declarou ser o possuidor a qualquer título de 6.930,0 ha em sua DITR/2002. Ora, mesmo que o impugnante comprovasse que tinha o imóvel totalmente em área indígena, a alegação do impugnante de que, por esse motivo, não seria sujeito passivo do ITR, não encontra respaldo na legislação. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União, porém os índios têm a posse permanente, a titulo de usufruto especial. Essas terras são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis. Por conseguinte são imunes do ITR cabendo à União declarar essas áreas para efeito do ITR, pois a imunidade não desobriga o contribuinte de apresentar a DITR. A imunidade, nestes casos, está condicionada ao imóvel ser bem da União e a posse ser dos índios. Entretanto se, apesar de ser bem da União e a posse ser dos índios por comando constitucional, o contribuinte tem a posse não tem como se afastar o mesmo do pólo passivo. Assim, podemos afirmar que quem tem a posse de imóvel público por ocupação, autorizada ou não, deve apresentar a declaração do ITR. Inobstante o caráter precário dessa posse — não gera efeitos para fins de usucapião por determinação constitucional — ela configura fato gerador do imposto, pois a tributação da terra é função do seu valor econômico (fator de produção). De modo que a incidência do imposto, in casu, decorre do uso e fruição do imóvel pelo particular, onde o aproveitamento econômico do imóvel é igual ao fato de produção. Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 13 25 O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal. Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 26 de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da mesma constituição, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada e dos juros moratórios com base na taxa SELIC. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10247.000050/200651 Acórdão n.º 220201.798 S2C2T2 Fl. 14 27 promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Assim, não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, estas matérias (inconstitucionalidade de leis e juros moratórios com base na taxa SELIC) já estão pacificadas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicada no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)”. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitada pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 28 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13116.000250/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de contradição no julgado, é de se acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional.
NULIDADE DE LANÇAMENTO ANTERIOR POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL.
Constatado que houve cancelamento de Auto de Infração lavrado anteriormente, sob os fundamentos de ausência de descrição minuciosa dos fatos tidos como infracionais e de insuficiência na capitulação legal da matéria tributável, os quais impediam ou dificultavam o exercício, por parte do contribuinte, do contraditório e da ampla defesa, deve ser reconhecida a natureza jurídica de nulidade por vício material, ainda que tenha sido consignado na decisão anterior se tratar de vício formal, em homenagem e aplicação do Princípio da Legalidade que orienta o Direito Público.
NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
ANÁLISE DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do Código Tributário Nacional, cabendo a sua análise de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO
ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO.
A tributação sobre a propriedade territorial rural fica sujeita declaração anual, e, independente, de qualquer exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, ao ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte.
Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de sobre a propriedade territorial rural ocorre em 01 de janeiro do ano seguinte de cada ano-calendário
base para a apuração e que, nos casos de ganhos de capital e
imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2202-001.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 303-35.414, de 19/06/2008, sanando as omissões apontadas, atribuir efeitos infringentes para negar provimento ao recurso de ofício, no termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Verificada a existência de contradição no julgado, é de se acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. NULIDADE DE LANÇAMENTO ANTERIOR POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL. Constatado que houve cancelamento de Auto de Infração lavrado anteriormente, sob os fundamentos de ausência de descrição minuciosa dos fatos tidos como infracionais e de insuficiência na capitulação legal da matéria tributável, os quais impediam ou dificultavam o exercício, por parte do contribuinte, do contraditório e da ampla defesa, deve ser reconhecida a natureza jurídica de nulidade por vício material, ainda que tenha sido consignado na decisão anterior se tratar de vício formal, em homenagem e aplicação do Princípio da Legalidade que orienta o Direito Público. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ANÁLISE DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do Código Tributário Nacional, cabendo a sua análise de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 2 PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação sobre a propriedade territorial rural fica sujeita declaração anual, e, independente, de qualquer exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, ao ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de sobre a propriedade territorial rural ocorre em 01 de janeiro do ano seguinte de cada anocalendário base para a apuração e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 30335.414, de 19/06/2008, sanando as omissões apontadas, atribuir efeitos infringentes para negar provimento ao recurso de ofício, no termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório A matéria em discussão referese aos Embargos de Declaração, apresentados pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, assentado no argumento da existência de omissão o no acórdão questionado, buscando amparo legal no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009. Impressionou a Autoridade Julgadora de Primeira Instância o fato do colegiado, 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, terem, por maioria de votos, dado provimento parcial do recurso de oficio para declarar a decadência tão somente do lançamento relativo à área de pastagem e devolver os autos a DRJ para apreciar a impugnação quanto à área de reserva legal e a área de preservação permanente, vencida a Conselheira Nanci Gama, que negou provimento integral ao recurso de ofício. A requerente, em sua assertiva de contestação, observou, em síntese, os seguintes aspectos: que trata o presente processo, do crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração de fls. 02/10, no montante de R$ 3.487.523,36, referente ao ITR, do exercício de 1997, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda São Vicente”, cadastrado na RFB sob o nº 0.539.8843, com área declarada de 20.158,8 ha, localizado no Município de Flores de Goiás – GO; que o cálculo do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal, no valor de R$ 1.116.257,52, está demonstrado às fls. 05, e decorreu da glosa integral das áreas declaradas de preservação permanente, utilização limitada, ocupadas com benfeitorias e utilizadas para pastagens, respectivamente, com 4.031,0 ha, 4.031,0 ha, 20,0 ha e 11.276,8 ha, e do arbitramento de novo VTN para o imóvel, de R$ 5.583.987,60 ou R$ 277,00/ha, com base no SIPT da Receita Federal; que esse lançamento decorreu da Nulidade, por vício formal, do lançamento original (às fls. 02/10 do processo apensado/nº 13116.000887/200170), por decisão unânime da 1ª Turma desta DRJ/BSB, em razão de falhas contidas na descrição dos fatos e enquadramentos legais das matérias tributadas, conforme descrito no voto condutor dessa decisão, materializada no Acórdão DRJ/BSB nº 08.218, de 19/11/2003 (às fls. 50/56 do processo apenso); que o imposto suplementar apurado naquela ocasião, cujo cálculo consta demonstrado, às fls. 02, do processo apenso, no valor de R$ 140.260,00, decorreu da glosa integral das áreas declaradas de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, com 4.031,0 ha e 4.031,0 ha, e do arbitramento de novo VTN para o imóvel, de R$ 2.200.000,00 ou R$ 109,13/ha; que, por ocasião do julgamento da impugnação interposta pelo Contribuinte, contestando o crédito tributário decorrente do novo lançamento, os julgadores desta mesma 1ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, decidiram, de ofício, considerar improcedente Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 4 o lançamento, prevalecendo o entendimento de que o mesmo foi constituído após o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, a contar do 1º/01/1998, observado, não o art. 173, inciso II, mas sim o disposto no art. 173, inciso I, ambos da Lei 5.172/66 – CTN, aplicado em razão de ter ocorrido em relação ao lançamento primitivo, anulado por vício formal, inovação e agravamento da exigência fiscal, mas com a interposição do necessário Recurso de Ofício, submetendose tal decisão a apreciação do então Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme exposto no Acórdão DRJ/BSB nº 0319.639, de 25/01/2007 (às fls. 56/60); que se registre que na contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos foi adotado, como termo inicial, a data de 1º/01/1998, em conformidade com o disposto no art. 173, inciso I, da Lei 5.172/66, em razão de a correspondente DITR/1997 somente ter sido entregue, com atraso, em 19/05/1998, afastando qualquer possibilidade de o pagamento do imposto nela apurado ter sido realizado dentro do próprio exercício a que se refere o imposto (1997), não se aplicando, no nosso entendimento, a regra prevista no art. 150, § 4º, do mesmo CTN, que trata do lançamento por homologação; que ao apreciarem esse Recurso de Ofício, os membros da Terceira Câmara do então 3º Conselho de Contribuintes decidiram, por maioria de votos, provêlo em parte, sendo admitido que o prazo decadencial, a contar de 1º/01/1997, considerado o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, ocorreu tão somente em relação às áreas de pastagens, de 11.276,8 ha, que não foram objeto de glosa no lançamento primitivo; fazendo constar: “Quanto às áreas de reserva legal e preservação permanente impugnadas pelo contribuinte autuado, é o posicionamento desta Terceira Câmara que sejam os autos remetidos à segunda instância, para apreciação da DRJ em Brasília (DF). Após manifestação da Delegacia, retornem os autos a este Conselho para apreciação dos pontos remanescentes”; que, ocorre que, apesar da conclusão de que a decadência parcial teria ocorrido somente em relação às áreas de pastagens, não alcançando as áreas de reserva legal e de preservação permanente, nada foi dito em relação à área ocupada com benfeitorias, de 20,0 ha, que apesar de não ter sido objeto de glosa no lançamento primitivo, foi glosada no lançamento substituto, e, da mesma forma, em relação ao VTN arbitrado, que passou de R$ 2.200.000,00 ou R$ 109,13/ha para R$ 5.583.987,60 ou R$ 277,00/ha; que quanto à solicitação de que essa DRJ/BSB se manifeste sobre a impugnação em relação às ditas áreas ambientais, o certo é que o Contribuinte na sua impugnação (às fls. 22), se atém apenas à tese de ilegitimidade passiva, alegando que as diversas partes de terras que compõem o referido imóvel rural, depois de declaradas de interesse social para fins de reforma agrária (às fls. 23/29, no decorrer do mês de setembro e início do mês de outubro de 1977), foram objeto de imissão de posse a favor do INCRA (às fls. 30/50); que, portanto, em relação às alterações efetuadas pela autoridade fiscal, não houve qualquer questionamento, cabendo ser consideradas matérias não impugnadas, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67, da Lei nº 9.532/1997; cabendo ser enfrentada apenas a questão relacionada com a alegada ilegitimidade passiva do Contribuinte, em face da alegação de que o INCRA foi imitido na posse das diversas glebas de terras que compõem a “Fazenda São Vicente”, anteriormente declaradas de interesse social para fins de reforma agrária; que, ocorre que, admitindose a aplicação da decadência parcial do lançamento, que alcançou apenas as áreas de pastagens declaradas (11.276,8 ha), conforme entendimento da Terceira Câmara do então 3º Conselho de Contribuintes, entendo s.m.j que antes de qualquer pronunciamento e decisão de mérito, no âmbito desta DRJ/Brasília, em Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 3 5 relação à alegada ilegitimidade passiva, fazse necessário que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF se pronuncie sobre a inovação constatada em relação à área ocupada com benfeitorias (20,0 ha) e, principalmente, em relação ao arbitramento do VTN, aumentado de R$ 2.200.000,00 ou R$ 109,13/ha para R$ 5.583.987,60 ou R$ 277,00/ha, com implicação no valor do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal. Em síntese, é preciso saber se essas matérias também teriam sido alcançadas ou não pela decadência e, no caso, do VTN, qual será o valor a ser adotado (declarado/arbitrado no lançamento originário/arbitrado no lançamento substituto, respectivamente, de R$ 200.000,00, R$ 2.200.000,00 ou R$ 5.583.987,60); que, também, não ficou bastante clara a determinação de que: “Após manifestação da Delegacia, retornem os autos a este Conselho para apreciação dos pontos remanescentes”, colocando em dúvida até mesmo a possibilidade de o Contribuinte ser cientificado no nosso julgamento e poder exercer o seu direito de recorrer ao CARF, no caso de uma eventual decisão de 1ª instância que venha a lhe ser desfavorável, em respeito ao seu direito ao duplo Grau de Jurisdição. Da simples leitura do Acórdão nº 30335.414, de 19 de junho de 2008, observase que a razão está com a autoridade julgadora de Primeira Instância, já que são evidentes a existência de omissões no aresto questionado. Resta claro, que a decisão questionada não se manifestou sobre a inovação constatada em relação à área ocupada com benfeitorias (20,0 ha) e, principalmente, em relação ao arbitramento do Valor da Terra Nua, aumentado de R$ 2.200.000,00 ou R$ 109,13/ha para R$ 5.583.987,60 ou R$ 277,00/ha, com implicação no valor do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal. Ou seja, o colegiado deixou de se manifestar se essas matérias também teriam sido alcançadas ou não pela decadência e, no caso, do VTN, qual será o valor a ser adotado (declarado/arbitrado no lançamento originário/arbitrado no lançamento substituto, respectivamente, de R$ 200.000,00, R$ 2.200.000,00 ou R$ 5.583.987,60). Em razão da discussão envolver, tãosomente, recurso de ofício o aresto questionado também é omisso no que diz respeito à decadência nos casos de ocorrer inovação e agravamento da exigência. Ou seja, não se manifestou sobre a decisão de Primeira Instância no sentido de que não cabe ser considerado, para efeito de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, item II, da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, mas sim o prazo de 05 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador do imposto, no caso, 01/01/1997, nos termos do art. 150, § 4º do mesmo CTN, combinado com o disposto no art. 10 da Lei no 9393/1996, ou, na melhor das hipóteses, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, 01/01/1998, nos termos do art. 173, inciso I, do mesmo CTN, também combinado com o disposto no art. 1° da Lei n° 9.393, de 1996, conforme conclusão firmada na Solução de Consulta Interna n° 16, de 05/06/2003, editada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit). Diante dos fatos apresentados o Conselheiro Presidente da Turma e Redator Designado pelo Presidente da Câmara, através do Despacho nº 2202.016 – designações, de 29 de março de 2012, concluiu ocorreu hipótese prevista no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009, no julgamento que culminou com o Acórdão n.º 30335.414, de 19 de junho de 2008 (fls. 67/74), propondo que processo retorne ao relator designado para que o mesmo tome as providências necessárias para que se proceda a inclusão Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 6 em Pauta de Julgamento para que as omissões apontadas pela embargante seja sanada pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, conforme o previsto no § 3º do art. 66 do RICARF. Em 02 de dezembro de 2011, o Presidente da 2ª TO 2ª Câmara – 2ª Seção de Julgamento do CARF exarou o seguinte despacho, verbis: Ocorreu hipótese prevista no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009, no julgamento que culminou com o Acórdão n.º 303 35.414, de 19 de junho de 2008 (fls. 67/74) prolatado pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 2 – Que o presente processo retorne ao redator designado para que o mesmo tome as providências necessárias para que se proceda a inclusão em Pauta de Julgamento para que a omissão apontada pela embargante seja sanada pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, conforme o previsto no § 3º do art. 65 do RICARF. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Tratase aqui de determinação regimental para que o Conselheiro Nelson Mallmann, relator designado da matéria embargada, emita parecer, nos termos do § 2º do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, sobre os fatos relatados às fls. 84/86, relativo ao Acórdão n.º 30335.414, de 19 de junho de 2008 (fls. 67/74). Assim sendo, após a análise observouse que o assunto deveria ser tratado como Despacho de Embargos, nos termos do § 3º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, já que em 28 de setembro de 2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, resolve a apresentar a contestação de fls. 84/86, que foi acolhida como sendo apresentação de Embargos de Declaração pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, assentado no argumento de existência de omissão no acórdão questionado, com amparo legal no artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº. 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009. A matéria em discussão referese aos Embargos de Declaração, apresentados pela Autoridade Julgadora em Primeira Instância, assentado no argumento da existência de omissão no acórdão questionado, buscando amparo legal no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009. Impressionou o representante da Fazenda Nacional, o fato do colegiado ter, por unanimidade de votos, acolhido a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, sob o entendimento de que “Tratandose o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31/12 de cada ano calendário, temse que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, iniciando sua contagem em 01/01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o inicio da contagem em 01/01/2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01/01/2005.”. Da simples leitura do Acórdão nº 30335.414, de 19 de junho de 2008, observase que a razão está com a autoridade julgadora de Primeira Instância, já que são evidentes a existência de omissões no aresto questionado. Resta claro, que a decisão questionada não se manifestou sobre a inovação constatada em relação à área ocupada com benfeitorias (20,0 ha) e, principalmente, em relação ao arbitramento do Valor da Terra Nua, aumentado de R$ 2.200.000,00 ou R$ 109,13/ha para R$ 5.583.987,60 ou R$ 277,00/ha, com implicação no valor do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal. Ou seja, o colegiado deixou de se manifestar se essas matérias também Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 8 teriam sido alcançadas ou não pela decadência e, no caso, do VTN, qual será o valor a ser adotado (declarado/arbitrado no lançamento originário/arbitrado no lançamento substituto, respectivamente, de R$ 200.000,00, R$ 2.200.000,00 ou R$ 5.583.987,60). Em razão da discussão envolver, tãosomente, recurso de ofício o aresto questionado também é omisso no que diz respeito à decadência nos casos de ocorrer inovação e agravamento da exigência. Ou seja, não se manifestou sobre a decisão de Primeira Instância no sentido de que não cabe ser considerado, para efeito de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, item II, da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, mas sim o prazo de 05 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador do imposto, no caso, 01/01/1997, nos termos do art. 150, § 4º do mesmo CTN, combinado com o disposto no art. 10 da Lei no 9393/1996, ou, na melhor das hipóteses, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, 01/01/1998, nos termos do art. 173, inciso I, do mesmo CTN, também combinado com o disposto no art. 1° da Lei n° 9.393, de 1996, conforme conclusão firmada na Solução de Consulta Interna n° 16, de 05/06/2003, editada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit). Diante disso se faz necessário verificar a decisão da autoridade julgadora de primeira instância motivadora da interposição do recurso de ofício. Observase às fls. 54/58, que a autoridade julgadora em primeira instância julgou improcedente o lançamento amparado no argumento básico de que quando o lançamento substituto implicar em agravamento da exigência, inovação de matéria tributável ou qualquer outra espécie de mudança de critério jurídico, em relação ao lançamento primitivo, não há que falar em adoção do prazo decadencial previsto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional, tendo por base, em síntese, as seguintes considerações: que apesar de não ter sido questionada pelo requerente, entendo que no presente caso se faz necessário verificar, preliminarmente, a hipótese de decadência, uma vez que a mesma, caso admitida, deve ser acolhida de oficio, para efeito de extinção do crédito tributário em questão; que, da análise do presente processo, verificase que o referido lançamento decorreu da Nulidade, por vicio formal, do lançamento originariamente constituído através do processo n° 13116.000887/200170 (apensado aos autos), conforme Acórdão DRJ/BSA N" 08.218, de 19/11/2003, às fls. 49/55, do processo apensado; que tal nulidade foi declarada de oficio por falha na descrição dos fatos e respectivos enquadramentos legais das matérias tributadas, no que diz respeito às irregularidades apontadas pela autoridade fiscal, que deram origem ao auto de infração lavrado naquela oportunidade, por constar registrado na "Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is)" apenas "Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado conforme ..."; que é de se observar que nesse lançamento, após ter sido exigido apenas a apresentação de "Laudo Técnico" emitido por Engenheiro Agrônomo/Florestal, a autoridade fiscal se contentou em glosar integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente (4.031,0 ha) e como utilização limitada (4.031,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado (R$ 200.000,00, arbitrando o valor de R$ 2.200.000,00, apurandose um imposto suplementar no valor de apenas RS 140.260,00 (As fls. 01 e 12, do processo apensado); que apesar de a autoridade fiscal dispor de um prazo de 05 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, a contar da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 5 9 definitiva na esfera administrativa (art. 173, inciso II, do CTN), a mesma deveria se limitar a melhorar a descrição dos fatos, além de capitular as infrações então apuradas em consonância com a legislação de regência de cada matéria, observandose os mesmos critérios jurídicos adotados por ocasião do primeiro lançamento; que, enfim, não poderia a autoridade fiscal se valer desse prazo especial de decadência para submeter a DITR/1997 apresentada pelo requerente a uma nova ação fiscal, estendendose a exigência de comprovação a todos os dados dessa declaração, além de adotar outro critério para comprovação das áreas ambientais do imóvel, ao se a exigir o Ato Declaratório Ambiental, não solicitado anteriormente, além atribuir ao imóvel um VTN maior do que o valor anteriormente arbitrado, com apuração dc um imposto suplementar superior ao apurado no lançamento primitivo, sendo o seu valor alterado de R$ 140.260,00 para R$ 1.116.257,52; que, assim, tendo ocorrido inovação e agravamento da exigência, não cabe ser considerado, para efeito de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, item II, da Lei n° 5.172/66 — CTN, mas sim o prazo de 05 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador do imposto, no caso, 1°/01/1997, nos termos do art. 150, § 4º do mesmo CTN, combinado com o disposto no art. 10 da Lei no 9.393/1996, ou, na melhor das hipóteses, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, 01/01/1998, nos termos do art. 173, inciso I, do mesmo CTN, também combinado com o disposto no art. 1° da Lei n° 9393/1996, conforme conclusão firmada na Solução de Consulta Interna n° 16, de 05/06/2003, editada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit); que adotandose, no caso, para efeito de inicio de contagem do prazo qüinqüenal legalmente previsto, a data mais favorável â Fazenda Nacional (1°/01/1998), a autoridade fiscal deveria ter realizado esse novo lançamento, referente ao ITR/1997, até 31 de dezembro de 2002, decaindo, em 1° de janeiro de 2003, o direito de constituílo; que, no entanto, no presente caso a nova ação fiscal somente teve inicio com a Intimação de lis. 11/12, recepcionada em 11/02/2005 (AR de fls. 13) — que, aliás, faz referência equivocadamente aos dados cadastrais relativos DITR/2000 (anobase 1999) e não DITR/1997 (anobase 1996), como seria correto , ocorrendo a ciência do novo auto de infração apenas em 17/03/2005 (AR de fls. 51), portanto, nessa data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento nele consubstanciado. que, assim, entendo que deva ser reconhecida procedente, de oficio, a tese da decadência, pois o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguiuse em 01/01/2003. Embora tenha constado da ementa da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que o fundamento para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração tenha sito a ocorrência de vício formal, cumpre analisar as razões que levaram ao decreto de nulidade. Extraise, da primeira decisão da autoridade de primeira instância, de forma cristalina de que sob o rótulo de “vício formal”, a falta de uma correta descrição dos fatos e o insuficiente enquadramento legal para capitular a infração, impossibilitou a compreensão dos fundamentos que justificaram a autuação, dificultando ou mesmo impedindo o exercício, pelo Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 10 contribuinte, do contraditório e da ampla defesa, segundo textualmente é apontado pela decisão transcrita. As nulidades em matéria tributária são amplas e discutíveis e o Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, passa cotidianamente por diversas alterações de ordem normativa, gerando, pois uma nova visão sobre diferentes assuntos, visto que o princípio da legalidade, sendo pedra angular do Direito Público não pode se afastar da realidade fática dos mais variados acontecimentos envolvendo o interesse público e a administração. Não há dúvidas, que as questões preliminares relativas à distinção entre os casos de nulidade e de anulabilidade do lançamento são, e certamente continuarão sendo por muito tempo, controvertidas, assim como a convalidação ou invalidação dos atos administrativos. As nulidades em matéria tributária estão reguladas através do Processo Administrativo Fiscal aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: CAPÍTULO – III DAS NULIDADES Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Observase que, no tocante ao lançamento, esse dispositivo somente admite, literalmente, nulidade por incompetência do agente e por cerceamento do direito de defesa. Entretanto, este dispositivo traça as linhas mestras dos critérios que devem orientar os julgadores na apreciação das alegações de nulidade dos atos processuais. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 6 11 O sujeito passivo dificilmente pode praticar, no processo administrativo tributário, ato jurídico nulo, mas pode praticar ato anulável. Ensina a doutrina civilista (FRANÇA, Instituições de Direito Civil, 1991, p. 176) que: Ato nulo – é aquele que, eivado de vício essencial, torna o ato jurídico absolutamente ineficaz. Ato anulável – é aquele que, eivado de algum vício capaz de lhe gerar a ineficiência, pode regularizarse, uma vez que esse vício seja eliminado. Tal definição, todavia, não encontra apoio na moderna e melhor doutrina administrativa, que recusa ao ato administrativo a aplicação da dicotomia importada do direito comum, classificatória dos atos jurídicos em nulos e anuláveis, como Hely Lopes Meirelles ao opinar: (...) em direito público não há lugar para os atos anuláveis, como já assinalamos precedentemente. Isto porque a nulidade (absoluta) e a anulabilidade (relativa) assentam, respectivamente, na ocorrência do interesse público e do interesse privado na manutenção ou eliminação do ato irregular. Quando o ato é de exclusivo interesse dos particulares – o que só ocorre no direito privado – embora ilegítimo ou ilegal, pode ser mantido ou invalidado segundo o desejo das partes; quando é de interesse público – e tais são todos os atos administrativos – a sua legalidade se impõe como condição de validade e eficácia do ato, não se admitindo o arbítrio dos interessados para a sua manutenção ou invalidação, porque isto ofenderia a exigência de legitimidade da atuação pública. O ato administrativo é legal ou ilegal, é válido ou inválido. ... . O que pode haver é correção de mera irregularidade que não torna o ato nem nulo nem anulável, mas simplesmente defeituoso ou ineficaz até a sua retificação (MEIRELLES, Direto Administrativo Brasileiro, Revista dos Tribunais, 1991, pp. 183/184). Neste caso, levando em conta que o principio da especificidade, que informa o sistema de nulidades processuais, prevê que as nulidades, por sua natureza sancionatória, devem ser expressamente cominadas em texto de lei, Meirelles estaria com a razão. Entretanto, segundo Teresa Wambier (Nulidades do Processo e da Sentença. 1997. pp. 148/149) esse princípio deve ser amenizado, pois é quase impossível ou, pelo menos, muito difícil que o legislador preveja todos os casos em que os vícios dos atos jurídicos sejam de tal porte a ponto de serem aptos a tornálos nulos. Não há dúvidas, que a questão é polemica, pois, para muitos autores, na esfera do Direito Público, por se estar a tratar de relações jurídicas que tratam de bens indisponíveis e sujeitos ao princípio da legalidade estrita, não caberia a figura dos atos anuláveis, ou seja, não haveria espaço para a figura das nulidades relativas, dos atos anuláveis; ou o ato atenderia os requisitos da lei e não poderia ser invalidado, ou então não atenderia tais requisitos e deveria ser anulado, sem possibilidades de saneamento. O que pode ser dito é que, apesar das polêmicas, certo é que já existem hoje vários fundamentos jurídicos formais a acobertar a tese da coexistência dos atos nulos e anuláveis no âmbito do processo administrativo fiscal. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 12 É importante frisar, que qualquer ato precedente em ofensa ao contraditório e à ampla defesa macula o ato decisório posterior que deverá ser tornado ineficaz por declaração de nulidade pelo julgador, o quer dizer, que se impõe no caso de o ato administrativo ter sido praticado com afronta aos princípios e normas legais, bem como normalmente, as nulidades estão ligadas a questões externas ao mérito da relação jurídicotributária, razão pela qual se mostram, em regra, como questões preliminares no âmbito dos julgamentos. Tal pensamento encontra apoio na doutrina de Antônio da Silva Cabral (in "Processo administrativo Fiscal", Ed. Saraiva, São Paulo, 1993, p. 525526), que critica a posição de tantos quantos defendem a idéia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são apenas aquelas elencadas nos incisos I e II do artigo 59 do decreto n.º 70.235/1972. Utilizandose de distinção efetivada por De Plácido e Silva, defende a idéia de que os citados dispositivos representam hipóteses de nulidade expressa ou legal (que devem ser declaradas a qualquer tempo, independentemente de argüição, sendo os atos inquinados inaproveitáveis), sem negar que existam outras causas que provocam a nulidade absoluta ou a declaração de nulidade; seriam estas as nulidades relativas ou acidentais (que dependem de argüição, podendo os atos inquinados serem ratificados ou sanados) e as nulidades virtuais (que resultam da interpretação das leis). Nesta mesma linha de raciocínio se encontra o pensamento de Marcos Vinicius Neder ao opinar: (...) o ato processual pode se desviar desse esquema, apresentando uma inadequação como tipo. São atos imperfeitos, atípicos, sujeitos, portanto, a aplicação de uma regra sancionadora que os tornem inválidos e ineficazes, de modo a garantir a obediência aos imperativos do sistema. A imperfeição por si pode não ser evidente e o ato produzirá efeitos normalmente previstos pela ordem jurídica. Apenas com a declaração de nulidade pelo julgador é que o tornará ineficaz. Assim, tanto o legislador como julgador devem ponderar a relevância jurídica da atipicidade e o prejuízo de sua permanência no mundo jurídico. O primeiro, em sua tarefa legiferante, prescreve as causas merecedoras da sanção de nulidade e o segundo as aplica no caso concreto no processo. No dizer de J J Calmon de Passos, o ato só encontra no estado de nulidade após o pronunciamento sancionador do juiz, antes ele é um ato jurídico capaz de produzir efeitos, embora imperfeito (NEDER, Marcos Vinicius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 467.) Existe, nesse sentido, jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais que sustentam a amplitude das nulidades em matéria tributária: Primeiro Conselho de Contribuintes. Sexta Câmara. Acórdão º 10611.750. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de “recursos” e “aplicações”, consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. DECLARAR a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 7 13 Primeiro Conselho de Contribuintes. Oitava Câmara. Acórdão º 10807.556. VICIO FORMAL – NULIDADE – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. Primeiro Conselho de Contribuintes. Quarta Câmara. Acórdão º 10417.440. NULIDADE. LANÇAMENTO SEM ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE. A ausência no lançamento da capitulação prevista para as infrações imputadas ao contribuinte implica em nulidade da exigência uma vez que foi emitido em desacordo com o disposto no artigo 142 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e no artigo 11 do Decreto nº 70.235/72. Primeiro Conselho de Contribuintes. Oitava Câmara. Acórdão º 10807.556. VICIO FORMAL – NULIDADE – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. Além das hipóteses citadas importante é o estabelecimento da distinção entre nulidades por vício formal e nulidades de caráter material. As por vício formal referemse especificamente à relação processual estabelecida em um dado processo, sem invadir a esfera do direito argüido; as de caráter material viciam o próprio direito, inviabilizando que qualquer relação processual se estabeleça a partir dele. Assim, declarada a nulidade por força de disposições de vicio formal, extinguese a relação processual, mas o direito do fisco pode voltar a ser pleiteado, depois de sanada a irregularidade; já a nulidade do direito material significa a extinção do próprio direito, não podendo o mesmo voltar a ser pleiteado. Como exemplo, declarada a nulidade por ilegitimidade passiva, extinguese a relação processual, dado que contribuinte era outro. De tais observações, inferese, então, que não são apenas os casos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 que se conformam como hipóteses de nulidade, tanto quanto se conclui, que não são todos os casos de nulidade que dão margem a novo lançamento por parte do fisco. Só são passíveis de novo lançamento as matérias constantes de processos que foram anulados por vícios processuais (falta de emissão de MPF, falta de descrição da irregularidade Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 14 cometida, falta de intimação das partes, etc.); em relação aos processos que foram anulados por vícios materiais (erro de direito, decadência, etc.), o novo procedimento deve ser vedado. A necessidade da distinção das nulidades não é de cunho meramente acadêmico, mas, ao contrário, resulta da necessidade prática de determinar a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso II do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – omitido; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Cumpre observar, que os vícios materiais dificilmente podem ser sanados, pois atingem o motivo do ato, ou seja, o vício se refere à norma e aos fatos que fundamentam o ato administrativo. Já os vícios formais são passíveis de serem corrigidos e da continuação do processo. Assunto, que foi abordado de forma brilhante pelo Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, no voto proferido no Acórdão 10706.695 da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a devida vênia, transcrevo os seguintes excertos: Quanto à existência de vício formal no lançamento, relativamente às irregularidades descritas no item 002 do Auto de Infração, entendo que andou bem a autoridade julgadora de primeiro grau ao declarar a nulidade do lançamento, porém discordo da fundamentação de que a nulidade davase pela existência de vício meramente formal. De fato, são inquestionáveis os defeitos presentes no lançamento, porém, com a devida vênia, lanço dúvida quanto à caracterização do vício como sendo de forma, à falta de uma definição precisa, ou, pelo menos, mais debatida, a respeito, pelo que externo minha inquietação diante da situação atual em que, na espécie, temse adotado idêntica solução para situações fáticas diversas. Questiono, portanto, se em certos casos, como no presente, não estaríamos diante de um vício substancial, não meramente formal, sob a ótica de que a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, bem como a competência da autoridade que praticou o ato, constituirseiam em elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se poderia admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e seriam preparatórios à formalização do lançamento, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração e a conseqüente notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula, regrados nos artigos 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 8 15 Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à “fachada”, na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura, que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na “fachada”, não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contornáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. E, a meu ver, são esses “defeitos menores” que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados, e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. Buscando na doutrina, encontrei referências que se enquadram perfeitamente ao tema sob estudo, no consagrado trabalho de Antonio da Silva Cabral, sobre o processo administrativo fiscal, nos tópicos relativos aos “efeitos da nulidade” 1 e ao “vício formal” 2, conforme segue: 5. Efeitos da nulidade. “...”. O julgador deverá sanar o processo, determinando, inclusive, se repitam os atos posteriores àquele que foi declarado nulo. Acontece, entretanto, que o efeito do ato do julgador é “ex tunc”. Deste modo, o ato nulo pode, até, tornarse ato insanável. Suponhase que um processo chegue a julgamento no Conselho de Contribuintes após sete anos da lavratura do auto de infração que o motivou e o Conselho apure ter ocorrido erro na identificação do sujeito passivo. O erro seria insanável, pois se a repartição quisesse proceder ao lançamento contra o verdadeiro sujeito passivo verseia impossibilitada (pela decadência.)” O texto acima nos leva a concluir que o autor considera o erro na identificação do sujeito passivo como sendo um vício substancial, pois, se assim não fosse, estaria afastada a hipótese da caducidade do direito de a Fazenda Nacional efetuar novo lançamento, como sói acontecer quando a nulidade do ato se dá por vício de forma. 1 CABRAL, Antonio da Silva. In: Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Saraiva, 1993. p. 531. 2 CABRAL, ibid. p. 532534 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 16 Mais adiante, na mesma obra, contrapondose ao caso acima descrito, brindanos esse consagrado autor e eminente ex Conselheiro deste Primeiro Conselho de Contribuintes, com as seguintes colocações: “4. O vício formal. O art. 173 do CTN diz que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Um dos motivos da declaração de nulidade, portanto, é o chamado vício formal, antes mencionado. O art. 642 do RIR/80 também determina que os auditores fiscais procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados etc. Acrescenta o § 2º desse artigo que, em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame mediante ordem escrita do superintendente, do delegado ou do inspetor da Receita Federal. Se, após terminada a ação numa empresa, o fiscal aí reaparecer e tornar a examinar documentos sem a devida autorização poderá ter o respectivo auto de infração, que porventura vier a lavrar, totalmente anulado por vício de forma, isto é, por não ter obedecido à formalidade necessária, que era a autorização do superior. (...). Embora no texto supra se esteja fazendo referência à distinção entre ato nulo ou anulável, entendo que a questão fulcral não está nessa discussão, mesmo porque a doutrina não admite tais institutos como sendo próprios do Direito Público3 pátrio, como o são do Direito Privado, pois é consabido que o princípio da oficialidade rege o ato administrativo, que, por seu turno, é praticado visando e em função do interesse público. Nada impede, entretanto, que utilizemos essa distinção apenas para que dimensionemos os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros podem ter sobre o crédito tributário constituído. Trago a lume tal avaliação para corroborar a tese anteriormente posta, colocando o erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, poderíamos extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. A dita questão fulcral residiria, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões extrairseia a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, tudo em homenagem ao princípio da segurança jurídica e dos limites temporais dos atos administrativos. Sem embargo, cumpre à administração tributária acercarse dos cuidados necessários para que o lançamento seja efetuado de acordo com os preceitos legais, mormente quando se está a estabelecer as bases do próprio ato de ofício, que precedem sua formalização e lhe são intrínsecos. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 9 17 Se é válido dizerse que o ato administrativo defeituoso pode e deve ser declarado nulo pela autoridade competente, também é justo admitirse que não se pode expor o administrado à incerteza da viabilidade do lançamento de ofício, diante da possibilidade de, a qualquer tempo e hora, ser submetido ao constrangimento de um novo lançamento, sem que tenha dado causa à ocorrência do erro que o inquinara de nulidade. Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, ao se proceder a um novo lançamento estarseia aperfeiçoando crédito tributário já constituído e, portanto, acabado, quanto aos seus aspectos estruturais, providência que entendo inviabilizada pelo transcurso do prazo decadencial. (...). Isso posto, entendo que, no caso sob análise, a nulidade se deu não por vício formal, mas em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável, não cabendo, pois, seu aperfeiçoamento mediante novo lançamento, por não estar caracterizada a situação prevista no inciso II do art. 173 do CTN. Como visto, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Não há dúvidas, que a autoridade julgadora, antes de declarar a nulidade de ato processual, deve investigar a espécie de vício que o macula e se há prejuízo para os interessados no processo, nesta espécie teríamos os atos convalidáveis, que são aqueles portadores de anulabilidade relativa, em sede de provimento administrativo de convalidação, ou seja, a eficácia dos atos convalidáveis é mantida, havendo a preservação de seu conteúdo pelo ato de convalidação sem prejuízo à moralidade administrativa ou a direito de terceiro. Neste sentido decidiu a Primeira Turma da CSRF, em sessão realizada em 11 de setembro de 2007, quando prolatou o Acórdão CSRF/0105.716, cuja emenda a seguir se reproduz: NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ATO MERAMENTE IRREGULAR. Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 18 verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a “motivação” feita pela autoridade administrativa que integra a “formalização” do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiram no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO – O princípio do contraditório se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida a decisão administrativa proferida em desobediência ao ditame constitucional do contraditório. Na aludida sessão, decidiuse interessante questão processual relacionada à teoria das nulidades. Debateuse sobre vícios identificados no curso do processo relacionados à insuficiência na descrição dos fatos e ao contraditório e seus efeitos sobre o lançamento fiscal e a decisão de primeira instância. Desde sua impugnação, o contribuinte insurgiase contra a insuficiente descrição dos fatos no auto de infração e pedia a declaração de nulidade do lançamento por cerceamento ao seu direito de defesa, no que foi atendido integralmente pela Egrégia Quinta Câmara. De modo diverso, a Primeira Turma da CSRF, ao apreciar recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, entendeu que o lançamento fiscal não deveria ter sido anulado, pois as irregularidades não comprometeram a defesa. Como se viu, na atualidade, a tese mais aceitável no que se refere às nulidades em matéria tributária é aquela que divide os atos administrativos inválidos em duas classes distintas: os atos convalidáveis e os atos nulos, ou seja, a nulidade por vício formal, onde a autoridade lançadora pode dar continuidade ao processo desde que saneado o vício e observado o artigo 173, II do Código Tributário Nacional e a nulidade por vício material (substancial) onde o processo se extingue, não havendo mais possibilidade de saneamento. Tal distinção procurou seguir critérios próprios do Direito Público, servindo o Direito Privado como auxílio na melhor compreensão das invalidades dos atos administrativos. Restou claro nos autos do processo de que a nulidade foi declarada de oficio por falha na descrição dos fatos e respectivos enquadramentos legais das matérias tributadas, no que diz respeito às irregularidades apontadas pela autoridade fiscal, que deram origem ao auto de infração lavrado inicialmente, por constar registrado na "Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is)" apenas "Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado conforme ...". No atual lançamento posto em discussão é de se observar que após ter sido exigido apenas a apresentação de "Laudo Técnico" emitido por Engenheiro Agrônomo/Florestal, a autoridade fiscal se contentou em glosar integralmente as Areas declaradas como de preservação permanente (4.031,0 ha) e como utilização limitada (4.031,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado (R$ 200.000,00, arbitrando o valor de R$ 2.200.000,00, apurandose um imposto suplementar no valor de apenas RS 140.260,00 (As fls. 01 e 12, do processo apensado). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 10 19 Ora, quando o lançamento substituto implicar em agravamento da exigência, inovação de matéria tributável ou qualquer outra espécie de mudança de critério jurídico, em relação ao lançamento primitivo, não há que falar em adoção do prazo decadencial previsto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. Isso posto, entendo que, no caso sob análise, a nulidade se deu não por vício formal, mas em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável, não cabendo, pois, seu aperfeiçoamento mediante novo lançamento, por não estar caracterizada a situação prevista no inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional. Assim, tendo ocorrido inovação e agravamento da exigência, não cabe ser considerado, para efeito de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, item II, da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, mas sim o prazo de 05 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador do imposto, no caso, 1°/01/1997, nos termos do art. 150, § 4º do mesmo CTN, ou, na melhor das hipóteses, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, 1º/01/1998, nos termos do art. 173, inciso I, do mesmo Código Tributário Nacional. Nesta linha de raciocínio entendo que imposto lançado (ITR) já se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (17/03/2003 – fls. 51), de acordo com as regras contidas nos artigo 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, cuja regra seria a mais desfavorável possível para o contribuinte (não existência de pagamento antecipado para o IRPF e/ou constatação do evidente intuito de fraude e a mais favorável para a Fazenda Nacional. A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original, ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência. Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial. É de se esclarecer, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual e o imposto sobre a propriedade territorial rural. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 20 No caso em discussão, vale a pena traçar alguns comentários acerca do denominado lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário Nacional, no qual o contribuinte auxilia ostensivamente a Fazenda Pública na atividade do lançamento, cabendo ao fisco realizálo de modo privativo, homologandoo, conferindo a sua exatidão. Verificase, que o grau de participação do particular nesta espécie de lançamento atinge nível de suficiência capaz de compor a pretensão tributária limitandose a autoridade administrativa competente tãosomente a uma atividade de controle a posteriori do procedimento de apuração exercido. No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A jurisprudência pacificouse no sentido de que o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Ora, o próprio Código Tributário Nacional fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo determinou o art. 173 do Código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, a administração tributária preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o Código, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação serlhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Nesta ordem, sempre refutei nos meus votos o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocandose para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 11 21 É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao “conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio Código Tributário Nacional”. Nos dias atuais esta discussão se tornou irrelevante já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 22 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 12 23 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 24 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 13 25 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo STJ para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 26 O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de imposto sobre a propriedade territorial rural por via de conseqüência o fato gerador do imposto é 01/01 do anocalendário subseqüente do ano base de apuração. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 14 27 manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que mesmo considerando que não houve recolhimento de imposto antecipado, decadente está o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado, já que o fato gerador ocorreu em 01/01/1998. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/01/1998, já que o fato gerador ocorreu em 01/01/1997. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 01/01/2003, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 17/03/2005, está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado. Somente para fins de argumentação, é de se dizer, que nos casos de argüição de decadência quanto restar caracterizado o evidente intuito de fraude, que não se aplica ao presente caso, já que houve a desqualificação da multa de ofício, merece transcrição à lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226): Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos. A simulação consiste na "prática de ato ou negócio que esconde a real intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470). A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação da existência de dolo, fraude ou simulação. Assim, a configuração desse ilícito interessa ao direito tributário na medida em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º., do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 28 O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º., do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de modo que os prazos não fiquem ad eternum em aberto. Os prazos do Direito Civil são inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular. A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública . Embora o prejuízo a terceiro, que, no caso, é a Administração Pública, não seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém deles se utilize sem interesse econômico. Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos. É nessa linha que autores como JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165), assinala que ao direito tributário o que importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado. Quanto a isso, vale lembrar o que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isso, obviamente, não afasta a aplicação de eventuais sanções especificamente pelas condutas dolosas, fraudulentas ou simuladas, conforme se infere, por exemplo, da Lei Federal n.º 8.137, de 1990, e do art. 137 do próprio Código Tributário Nacional. Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costumase apontar nessa parte final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria tratamento legal quanto ao prazo para lançar quando presente dolo, fraude ou simulação (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 220201.797 S2C2T2 Fl. 15 29 Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291): b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida com dolo, fraude ou simulação – o trato de tempo para a formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim sendo e tendo em vista, que o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco e inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 30335.414, de 19/06/2008, sanando as omissões apontadas, atribuir efeitos infringentes para negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10530.001375/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.930
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 17/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 12/06/2009 e cientificado ao sujeito passivo, através de Registro Postal em 30/06/2009, referese às contribuições destinadas às Terceiras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados apuradas na análise das folhas de pagamento, da contabilidade e declaradas e GFIP pela autuada, no período de 01/2005 a 12/2005. Conforme consta do relatório fiscal de fls.21/23, a entidade teve a isenção patronal das contribuições previdenciárias cancelada através do Ato Cancelatório n.º 002/2007, com efeitos retroativos a 01/11/1991. Após a impugnação, Acórdão de fls. 153/154, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso reiterando a argüição contida na peça de defesa, de que é entidade filantrópica declarada de utilidade pública federal, estadual e municipal, prestando relevantes serviços à sociedade através de atendimento ao SUS e discorre sobre a impossibilidade do INSS ter cassado a sua isenção pois não infringiu os incisos I e II do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, tampouco apresentou defesa intempestiva ao Ato Cancelatório. Requer, por fim, o provimento do recurso e a reforma da decisão recorrida para tornar improcedente o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.001375/200907 Acórdão n.º 230201.930 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A argüição da recorrente acerca da impossibilidade da emissão do Ato Cancelatório da isenção patronal das contribuições previdenciárias não pode ser apreciada por este Colegiado, posto que não é matéria desta autuação, que se deu, justamente, por ser definitivo o cancelamento do benefício antes usufruído. A título elucidativo, os autos trazem documentos relativos ao ocorrido cancelamento, fls.80, de onde se pode observar que a motivação foi a ausência de comprovação da entidade possuir o título de Utilidade Pública Federal e Estadual. Desta forma, e em consonância com o preceito contido no artigo 206, parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social, não cabia recurso à instância superior da decisão que cancelasse a isenção por falta dos títulos citados, estando a mesma em consonância com a legislação e não merecendo reparos: Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos :I seja reconhecida como de utilidade pública federal; II seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal ou Município onde se encontre a sua sede; III seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) IV promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 VII esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (...) § 9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput. Quanto ao mérito, a recorrente não contestou o lançamento que se refere às contribuições destinadas aos terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, devendo ser observado o que dispõe o artigo 17, do Decreto n.º 70.235/72, onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13857.000752/2005-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002
Ementa:
IPI. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM 31.12.1998. IN SRF NO 33/99.
Não padece de ilegalidade a IN SRF no. 33/99, no que restringe o aproveitamento do saldo credor do IPI, acumulado em 31.12.1998, para compensação escritural com débitos do próprio imposto ou no que condiciona o ressarcimento e a compensação de saldos formados a partir de janeiro de 1999 ao prévio esgotamento de créditos remanescentes na escrituração do contribuinte em 31.12.1998.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os órgãos administrativos judicantes não têm competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível a exigência de juros de mora com base na Taxa SELIC nos lançamentos tributários efetuados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 Ementa: IPI. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM 31.12.1998. IN SRF NO 33/99. Não padece de ilegalidade a IN SRF no. 33/99, no que restringe o aproveitamento do saldo credor do IPI, acumulado em 31.12.1998, para compensação escritural com débitos do próprio imposto ou no que condiciona o ressarcimento e a compensação de saldos formados a partir de janeiro de 1999 ao prévio esgotamento de créditos remanescentes na escrituração do contribuinte em 31.12.1998. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos judicantes não têm competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a exigência de juros de mora com base na Taxa SELIC nos lançamentos tributários efetuados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 10 1 9 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13857.000752/200564 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.913 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria IPI Recorrente ITALPA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 Ementa: IPI. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM 31.12.1998. IN SRF NO 33/99. Não padece de ilegalidade a IN SRF no. 33/99, no que restringe o aproveitamento do saldo credor do IPI, acumulado em 31.12.1998, para compensação escritural com débitos do próprio imposto ou no que condiciona o ressarcimento e a compensação de saldos formados a partir de janeiro de 1999 ao prévio esgotamento de créditos remanescentes na escrituração do contribuinte em 31.12.1998. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos judicantes não têm competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a exigência de juros de mora com base na Taxa SELIC nos lançamentos tributários efetuados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 07 52 /2 00 5- 64 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Sirvome de trechos do relatório preparado pela fiscalização às fls. 476/481 para narrar os fatos relevantes à compreensão da controvérsia: “INTRODUÇÃO. (...) realizamos ação fiscal na empresa acima identificada, para verificar a legitimidade dos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO do IPI relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/1999 e 30/09/2002, tendo como fundamento o artigo 11 da Lei no. 9.779, de 19/01/1999 e a Instrução Normativa SRF no. 33, de 04/03/1999. Os trabalhos tiveram início com a visita ao parque fabril, onde constatamos que o estabelecimento industrializa tubos e conexões em PVC – para rede de água, esgoto e irrigação, dentre outros, com a utilização de resinas, carbonatos de cálcio e policloretos, como principais insumos. Verificamos que a contribuinte classificou corretamente os produtos de sua fabricação e escriturou os insumos adquiridos no livro Registro de Entrada, onde foram apropriados os créditos de IPI e, posteriormente, transferidos para o livro Registro de Apuração do IPI. (...) Apuramos que os insumos utilizados no processo industrial possuíam alíquotas do IPI superiores às alíquotas dos produtos finais industrializados, gerando, dessa forma, à época dos pedidos de ressarcimento, saldos credores na conta fiscal. Em face da existência de saldos credores de IPI, a contribuinte solicitou ressarcimento, com base no art. 11 da Lei no. 9.779/99, por meio dos seguintes processos administrativos: (...). Apesar de os pedidos de ressarcimento terem sido integralmente DEFERIDOS (fls. 424/451), a fiscalização constatou que a pessoa jurídica MANTEVE na escrita fiscal, a partir de 01/01/99, o saldo credor do IPI acumulado até 31/12/1998, no valor de R$ 602.260,03, contrariando, dessa forma, o disposto no §3o do art. 5o. da IN 33/99 (...). RESSARCIMENTO DE IPI A PARTIR DE 01/01/99 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 3403001.913 S3C4T3 Fl. 11 3 É importante lembrar que o art. 11 da Lei no. 9.779/99, dispõe que o saldo credor do IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder deduzir com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no. 9.430, de 1996, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Nesse sentido foi editada a IN SRF no. 33/99, que estabeleceu normas sobre a apuração e a utilização do crédito do imposto e tratou, no artigo 4o, do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI a partir de 01/01/99: ‘Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no. 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999.’ A IN SRF no. 33/99 normatizou, também, o aproveitamento dos créditos acumulados de IPI existentes em 31/12/1998, conforme dispõe o artigo 5o.: ‘Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. §1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. §2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrentes dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. §3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo.’ Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o ressarcimento dos créditos de IPI gerados a partir de 01/01/99, nos termos do art. 11 da Lei no. 9.779/99, ficou condicionado ao tratamento dado aos créditos acumulados de IPI em 31/12/98, cujo ressarcimento é vedado. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Nesse sentido, o §2o do art. 5o da IN 33/99 estabeleceu que os créditos de IPI acumulados até 31/12/98, somente poderiam ser aproveitados com débitos decorrentes de venda de produtos acabados existentes em 31/12/98; e com débitos decorrentes da venda de produtos acabados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos até 31/12/1998. Por sua vez, o §3o do art. 5o da referida Instrução Normativa, determinou que os créditos de IPI gerados a partir de 01/01/1999, somente podem ser utilizados nas condições previstas no art. 4o da IN SRF no. 33/99 (art. 11 da Lei no. 9.779/99) se esgotado o saldo credor do IPI existente em 31/12/1998. Todavia, na hipótese de a contribuinte não conseguir aproveitar o crédito de IPI acumulado até 31/12/98, na forma estabelecida no §2o do art. 5o da IN no. 33/99, poderá, à sua opção, esgotar esse saldo credor mediante o seu estorno na escrita fiscal, conforme dispõe o Ato Declaratório Interpretativo SRF no. 15, de 25 de setembro de 2002, abaixo transcrito: ‘Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no §3o do art. 5o. da Instrução Normativa SRF no. 33/99, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no §2o do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo’. (...) DAS IRREGULARIDADES APURADAS (...) constatamos que o saldo credor acumulado em 31/12/1998, no valor de R$ 602.260,03, foi mantido na escrita fiscal até 31/12/2003, quando, então, foi estornada a importância de R$ 531.0851,96, conforme demonstrado no Livro Registro de Apuração do IPI (fls. 23/396). Diante dessa constatação, a pessoa jurídica foi intimada a esclarecer e comprovar se o saldo credor do IPI, acumulado até 31/12/1998, foi aproveitado na forma definida no art. 5o da IN 33/99 (fls. 399/400). Em resposta, a contribuinte apresentou planilhas comprovando que os débitos de IPI gerados a partir de 01/01/99, em função das vendas dos produtos acabados até 31/12/98, foi de R$ 9.671,67; e que os débitos de IPI gerados a partir de 01/01/99, em razão das vendas dos produtos acabados com a utilização de insumos adquiridos até 31/12/98, foi de R$ 2.923,16. (...) Assim sendo, concluise que, de acordo com os artigos 4o e 5o, da IN SRF 33/99, a empresa somente poderia aproveitar o saldo credor do IPI acumulado em 31/12/98 até o limite de R$ 12.594,83 (R$ 9.671,67 + R$ 2.923,17). Em face ao exposto, e de acordo com as informações e documentos apresentados pela contribuinte, glosamos o saldo credor do IPI acumulado em 31/12/98, no valor de 598.665,20 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 3403001.913 S3C4T3 Fl. 12 5 (R$ 602.260,03 – R$ 12.594,83), por ter sido indevidamente aproveitado na escrita fiscal a partir de 01/01/99. Em seguida, reconstituímos a escrita fiscal (fls. 453/456), partindose do saldo credor acumulado em 31/12/98, no valor de R$ 12.594,83, e apuramos a existência de saldos devedores do IPI (...). (...) Os saldos devedores do IPI acima discriminados não foram recolhidos, não foram compensados, nem declarados em DCTF, razão pela qual foram constituídos por meio do presente auto de infração.” Intimada da lavratura do auto de infração, a ora recorrente interpôs tempestiva impugnação para, em síntese, insurgirse contra a exigência aos seguintes fundamentos (fls. 487/505): (a) o artigo 5o, da IN SRF no. 33/99 não poderia limitar o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado em 31/12/98 apenas para dedução dos débitos do próprio imposto, vedando o ressarcimento e a compensação; (b) o artigo 5o, §3o da mesma IN SRF no. 33/99 também não poderia condicionar a utilização do regime de aproveitamento previsto pelo artigo 11, da Lei no. 9.779/99, ao prévio esgotamento dos créditos acumulados em 31.12.1998; (c) é ilegal e inconstitucional a imposição, sobre o crédito tributário, de juros de mora calculados segundo a variação da Taxa SELIC; (d) é inaplicável ao caso concreto a multa de ofício estabelecida pelo artigo 44, da Lei no. 9.430/96; e, finalmente, (e) é incabível a imposição de juros moratórios sobre a multa de ofício. Tendo sido desprovida a impugnação por meio do acórdão de fls. 534/540, a interessada interpõe recurso voluntário, ao ensejo do qual reafirma os motivos da própria impugnação, exceção feita à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício (item ‘e’ acima), cujo pedido de exclusão acabou não renovado (fls. 554/576). É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e observa as demais formalidades aplicáveis à interposição, motivo pelo qual dele se conhece. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 O tema em debate – concernente ao regime de aproveitamento dos créditos acumulados na escrita fiscal do IPI antes do advento da Lei no. 9.779/99 – não é novo. Em muitas oportunidades, este órgão administrativo de julgamento foi chamado a decidir a respeito. Numa dessas ocasiões, a Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, sob relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, hoje Presidente desta Terceira Turma, da Quarta Câmara, da Terceira Seção do CARF, decidiu a propósito que: “O cerne da controvérsia reside na existência ou não do direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI existente no livro modelo 8 em 31/12/1998, relativo ao acúmulo de créditos básicos do imposto, em decorrência do descompasso entre as alíquotas de entrada e de saída, sob as formas de ressarcimento ou compensação, com base no art. 11 da Lei no. 9.779, de 19/01/1999, e nos arts. 73 e 74 da Lei no. 9.430/96. (...) Observese que, à luz do princípio da nãocumulatividade, da forma como colocado na Constituição brasileira, o crédito de IPI tem a natureza de um crédito meramente escritural, pois o constituinte garantiu apenas a transferência do saldo credor para o período seguinte, em vez do ressarcimento em dinheiro. Desse modo, e considerando que o silêncio das normas superiores em relação ao ressarcimento em dinheiro não impedia a União de concedêlo por meio de incentivo fiscal, foi que a legislação ordinária criou os chamados créditos incentivados. Os créditos básicos têm matriz constitucional no princípio da nãocumulatividade e previsão legal no art. 25, da Lei no. 4.502, de 30/11/1964. Em cumprimento ao princípio da não cumulatividade, esses créditos são meramente escriturais, não admitem o ressarcimento em dinheiro e, até 1997, sujeitavam se ao estorno quando os insumos tributados pelo IPI fossem empregados na industrialização de produtos cuja saída fosse desonerada do imposto. A partir da publicação do Decreto no. 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/98), que incorporou as inovações trazidas pela Lei no. 9.493, de 10/09/1997, foi reconhecido o direito ao crédito básico em relação a insumos empregados na industrialização de produtos isentos e tributados com alíquota zero, uma vez que paralelamente à inclusão dos produtos sujeitos à alíquota zero no campo de incidência do imposto, por meio do art. 2o, parágrafo único, do referido decreto, foi suprimida do texto do art. 147, I, a expressão ‘... exceto os de alíquota 0 (zero) e os isentos, (...)’, que constava do texto do art. 82, I, do Regulamento de 1982. Relativamente aos créditos incentivados, ao contrário do que ocorre com os créditos escriturais, são eles concedidos a título de incentivo fiscal. Não tem nem previsão e nem óbice constitucional a sua instituição por meio de lei e podem ser passíveis de manutenção na escrita fiscal, ou de manutenção e Fl. 591DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 3403001.913 S3C4T3 Fl. 13 7 ressarcimento em dinheiro, conforme previsão específica na lei do incentivo. (...) Essa situação perdurou até janeiro de 1999, quando entrou em vigor a Lei no. 9.779, de 19/01/1999 que, na prática, acabou com a distinção entre créditos básicos e incentivados e instituiu a possibilidade de utilizar o saldo credor da escrita fiscal de IPI para compensação ou ressarcimento (...). Ao editar este dispositivo legal, o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional concedida pela nãocumulatividade, pois, na prática, além de acabar com a figura do crédito incentivado, instituiu o direito de compensação e ressarcimento do saldo credor da conta corrente de IPI, direito inexistente até então, e ao qual não estava obrigado pela Constituição. Por ter extinguido uma situação jurídica anteriormente existente e também por ter instituído um novo regime jurídico para os créditos de IPI, que agora assegura a compensação com outros tributos e o eventual ressarcimento, é inequívoco que a Medida Provisória no. 1.788, de 29/12/1998, convertida na Lei no. 9.779, de 19/01/1999, criou direito novo, razão pela qual mais uma vez lícita é a segregação entre créditos gerados antes e depois do seu advento. (...) O fato gerador do direito ao crédito de IPI ocorre no momento da efetiva entrada do produto no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, conforme prescreve o art. 171, I, do Decreto no. 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/1998). Assim, somente estão aptos a gerar compensação ou ressarcimento, nos termos do art. 11 da Lei no. 9.779, de 19/01/1999, os créditos originados por entradas de insumos efetivadas a partir de 30/12/1998. Porém, o art. 11 da lei se refere claramente ao ‘saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário (...)’. Como os créditos gerados pelas entradas de insumos ocorridas nos dias 30 e 31/12/1998 entraram na composição do saldo credor existente em 31/12/1998, o qual estava contaminado por créditos gerados pelas entradas ocorridas antes da publicação da Medida Provisória, justificada está a fixação do dia 01/01/1999 como data inaugural do novo regime jurídico dos créditos de IPI. (...) Desse modo, já é possível antever que a IN SRF no. 33, de 04/03/1999, não criou nenhuma restrição além daquelas que já se continham nas normas superiores que regem o sistema de créditos do IPI. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Com efeito, o art. 4o. da IN SRF no. 33, de 04/03/1999, estabelece que ‘o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no. 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999’. Ora, embora a geração de créditos novos tenha ocorrido a partir da vigência da MP no. 1.788, de 1998, o saldo credor do mês de dezembro constituiuse também por créditos gerados sob a sistemática anterior (...). Portanto, o primeiro período de apuração a partir do qual só existem créditos gerados sob a nova sistemática iniciouse em 01/01/1999, que também é a data de início do primeiro trimestre calendário do ano de 1999, o que justifica que o Secretário da Receita Federal tenha explicitado aquela data em seu ato normativo. Relativamente ao art. 5o da IN SRF 33, de 04/03/1999, a leitura apressada do dispositivo realmente pode conduzir à conclusão equivocada de que tenha criado vedação ao aproveitamento do saldo credor originado a partir de 01/01/1999. (...) Assim dispõe o art. 5o da IN SRF no. 33, de 04/03/1999: ‘Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. §1o. Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. §2o. O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. §3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo.’ No artigo transcrito, o ato administrativo tratou dos créditos básicos e dos créditos incentivados para os quais as leis específicas só garantiam a manutenção na escrita fiscal, os quais colaboraram para a formação de saldo credor em 31/12/1998. Como existem casos em que o saldo credor em 31/12/1998 continuará a existir mesmo após o aproveitamento a que alude o referido art. 5o, §2o, a empresa que eventualmente se encontrasse Fl. 593DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13857.000752/200564 Acórdão n.º 3403001.913 S3C4T3 Fl. 14 9 nesta situação não poderia usufruir do ressarcimento do saldo credor gerado a partir de 1999, em face do que determina o §3o. (...) Esclarecendo melhor: o saldo credor existente em 31/12/1998 deverá ficar anotado à margem da escrita fiscal do IPI, como manda o §1o do art. 5o da IN SRF no. 33, de 04/03/1999. Este saldo só poderá ser aproveitado para o abatimento do IPI devido pela saída de produtos existentes no estoque em 31/12/1998 ou com produtos fabricados com insumos que originaram aqueles créditos, nos termos do §2o. Somente após esgotada esta possibilidade de aproveitamento, é que a empresa poderia solicitar o ressarcimento dos saldos credores gerados a partir de 1999, nos termos referidos no art. 4o, da IN SRF no. 33, de 04/03/1999. O valor remanescente do saldo credor existente em 31/12/1998, após esgotado o aproveitamento referido no §2o, permanecerá anotado à margem da escrita fiscal e não poderá ser compensado com o IPI devido pela saída de produtos fabricados com insumos adquiridos a partir de janeiro de 1999, uma vez que aquele saldo é constituído por créditos básicos gerados sob a sistemática anterior, em relação aos quais nem o art. 11 da lei e nem a Constituição Federal asseguram a compensação com outros tributos e o eventual ressarcimento. A permanência deste saldo indefinidamente no livro de IPI, ao contrário do alegado, não viola o mandamento referente à transferência do saldo credor contido no art. 49, parágrafo único, do CTN. Isto se dá em decorrência da feição da não cumulatividade no direito constitucional positivo pátrio, que determina que o abatimento do imposto pago na entrada com o imposto debitado na saída se faça a cada operação. Ou seja, a transferência determinada pelo art. 49, parágrafo único, do CTN, é para possibilitar a compensação entre débitos e créditos escriturais do imposto. Como os créditos e débitos gerados a cada operação a partir de 1999 deixaram de ser meramente escriturais e o legislador não está obrigado, pela Constituição Federal ou pelo CTN, a permitir a compensação entre créditos e débitos de naturezas diferentes ou mesmo a conceder o ressarcimento de créditos escriturais, só restam duas alternativas: ou se deixa aquele saldo credor anotado à margem da escrita fiscal, como previu a IN SRF no. 33, de 04/03/1999, ou se efetua o estorno no livro modelo 8.” Pelos motivos expostos no julgado acima, este órgão de julgamento não tem reconhecido nenhuma ilegalidade na IN SRF no. 33/99, no que restringe o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado na escrita fiscal do contribuinte em 31.12.1998 para abatimento de débitos do próprio tributo ou, ainda, no que condiciona o ressarcimento ou a compensação de saldos credores acumulados a partir de 1999 ao prévio esgotamento dos créditos remanescentes na escrita fiscal em 31.12.1998. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Também não prospera a irresignação da recorrente no que dirigida aos acréscimos da multa de ofício e dos juros de mora calculados segundo a variação da Taxa SELIC: (a) no primeiro caso, porquanto a multa de ofício para hipóteses nas quais o sujeito passivo tributário não pratique fraude ou sonegação, está estabelecida pelo artigo 44, inciso I, da Lei no. 9.430/96, de sorte que, para afastála, só mesmo pronunciando a inconstitucionalidade do dispositivo, medida vedada aos órgãos administrativos judicantes pelo artigo 26A, do Decreto no. 70.235/72; (b) no segundo caso, porque a imposição da Taxa SELIC, como juros moratórios da dívida fiscal federal, teve sua validade afirmada pela Súmula CARF no. 4, de acordo com a qual “a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 595DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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