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Numero do processo: 10680.723523/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA OU TICKET.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
ASSISTÊNCIA À SAÚDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISPOSIÇÃO DO BENEFÍCIO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
Somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, §9o, q, da Lei n o 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Alimentação paga em pecúnia ou ticket.Vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Plano de Saúde. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados. Os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA OU TICKET. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ASSISTÊNCIA À SAÚDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISPOSIÇÃO DO BENEFÍCIO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, §9o, q, da Lei n o 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 23 /2 01 0- 50 Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Alimentação paga em pecúnia ou ticket.Vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Plano de Saúde. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados. Os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.723523/201050 Acórdão n.º 2302003.164 S2C3T2 Fl. 1.656 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, a fim de reduzir a multa de ofício aplicada no Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.275.6719 de 112,5% para 75%. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.597 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito previdenciário, lançado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil contra o contribuinte em epígrafe, cujo montante consolidado em 27/09/2010 é de R$ 404.603,66 (quatrocentos e quatro mil seiscentos e três reais e sessenta e seis centavos), apurado no período 01/2007 a 12/2008. O lançamento referese a créditos de contribuições previdenciárias, correspondentes à parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados a serviço da empresa, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, relativas a: • Benefícios concedidos a empregados: Levantamentos: LI e L8 Auxílio Plano de Saúde em Espécie; L2 e L9 Programa Participação no Resultado; L3 Programa Alimentação do Trabalhador. Os Levantamentos acima referemse a contribuições devidas à Seguridade Social, calculadas sobre os salários de contribuição constantes dos Anexos I, II e III do Relatório Fiscal, com base nas Folhas ¡de Pagamento e Livros Diário, disponibilizados pelo contribuinte em arquivos digitais. A fiscalização ressalta que os valores pagos por conta de Auxílio Plano de Saúde (em espécie) e Abono PPR, comandados nas folhas de pagamento sob os códigos "0209" e "0203" não foram computados nas bases de cálculo utilizadas pela empresa para fins de recolhimento das contribuições sociais mensais. O benefício Auxílio Plano de Saúde foi pago a parte dos empregados em desacordo com o previsto no artigo 214, § 9o, inciso XVI do Regulamento da Previdência Social RPS, Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999, que não contempla a possibilidade de concessão desse tipo de assistência em espécie. Já os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de Participação no Resultado, face à ausência de comprovação de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no artigo 214, § 9o, inciso X do referido RPS. O Auditor Fiscal registrou ainda que os gastos com alimentação foram reconhecidos contabilmente a débito da conta "3.2.01.01.0015 Lanches e Refeições", conforme análise dos livros Diários referentes aos exercícios 2007 a 2008, tendo constatado que, em relação ao exercício de 2007, o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da empresa se deu em desacordo com o programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei n° 6.321/76, conforme determina o artigo 214, § 9°, inciso III do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, haja vista que sua adesão ao referido programa se deu em 17/12/2007, conforme se verifica do comprovante de recadastramento, anexo ao Relatório Fiscal. • Contribuintes Individuais (Administradores): Levantamento: L4 Despesas Pessoais Diretor Referese a contribuições devidas (parte da empresa), incidentes sobre as bases de cálculo mensais, demonstradas'no Anexo IV do Relatório Fiscal, apuradas conforme o disposto no artigo 22, inciso III da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.876/99. Informa a fiscal ação que, da análise da contabilidade, constatou a escrituração de diversos pagamentos, a débito de contas de resultado, correspondentes a gastos com cartões de crédito de seu sócio gerente (Alexandre Pedrosa), bem como diversos fornecimentos de numerário sem a devida comprovação. Conforme esclarece o Relatório Fiscal, intimada a dar esclarecimentos, a empresa não atendeu a todas as intimações. • Contribuintes Individuais: Levantamentos: L5 Serviços de Terceiros PF; L 7 Transportadores Rodoviários Autônomos. Tratase de contribuições devidas (parte da empresa), incidentes sobre as bases de cálculo mensais, demonstradas nos Anexos V e VI do Relatório Fiscal, apuradas sobre valores pagos por conta de serviços prestados por pessoas físicas e transportadores rodoviários autônomos, conforme no artigo 22, inciso III da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n°9.876/99. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.723523/201050 Acórdão n.º 2302003.164 S2C3T2 Fl. 1.657 5 De acordo com o Relatório Fiscal, no que se refere à aplicação de multas, em virtude da edição da Lei n° 11.941/2009, que estipulou novos parâmetros para a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias e multa relativa a lançamento de ofício, no período de 01/2007 a 11/2008 foi observado o princípio da retroatividade benigna,prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional),comparandose as multas impostas pela legislação vigente à época dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente (quadro comparativo item 3 do Anexo VII do Relatório Fiscal), prevalecendo a multa de ofício de 75%, como mais benéfica para o contribuinte. Na constituição dos créditos na competência 12/2008, foi considerada a multa de ofício de 75%, haja vista que a obrigação ocorreu já na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. O Auditor Fiscal esclarece ainda que, por ter deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, a empresa infringiu o artigo 32, inciso III e § 11 da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso III do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cuja infração implicou que a multa de ofício de 75%, teve seu percentual aumentado de metade, passando para 112,50%, nos termos do inciso I do § 2o do artigo 44 da Lei n°9.430/96. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista terem sido constatados fatos que, "em tese", configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a ordem tributária, definidos no artigo Io da Lei n° 9.983 de 14/07/2000, que acrescentou o artigo 337A, inciso III ao DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940 Código Penal e no artigo Io da Lei n° 8.137/90. A contribuição dos segurados, incluída no Auto de Infração n° 37.275.6727, não configurou crime de apropriação indébita. Cientificado da autuação em 30/09/2010, conforme assinatura do sócio diretor Alexandre Pedrosa, fls. 01, o contribuinte, apresentou impugnação em 03/11/2010, consoante documentos de fls. 203/1599, com as seguintes alegações. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente em parte, a fim de reduzir a multa de ofício aplicada no Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.275.6719 de 112,5% para 75%., tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.170 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * Alimentação: tem previsão em instrumento normativo, além de constar da CLT e da CF; Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 * Plano de Saúde: há instrumento normativo que concebe direito ao plano de saúde ou ao ressarcimento por plano contratado diretamente; * PLR: não há que se impor qualquer rigor para sua concessão, restando inadmissível a imposição da instalação de metas, haja vista constar a natureza específica no documento firmado * Multa excessiva. É o relatório. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.723523/201050 Acórdão n.º 2302003.164 S2C3T2 Fl. 1.658 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Participação nos Lucros ou Resultados para os segurados empregados. Alega a recorrente que não há que se impor qualquer rigor para sua concessão, restando inadmissível a imposição da instalação de metas, haja vista constar a natureza específica no documento firmado No Relatório Fiscal consta que houve lançamento a título de Participação no Resultado face à ausência de comprovação de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado. A desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração decorre de um rearranjo histórico das próprias funções da legislação social, que surge como um direito exclusivamente protetor ou tutelar e desenvolvese, a partir das crises econômicas, principalmente, como um direito que, a par da tutela ou proteção, visa ainda atender a interesses da gestão da organização empresarial e, conseqüentemente, preservar ou até mesmo estimular o desenvolvimento econômico (nesse sentido: Nascimento, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 33ª ed., São Paulo: LTr, 2007, p.4357). Nesse sentido, pode se afirmar que a norma flexibilizadora, além de constituir um direito social do trabalhador, tem ainda a função de incentivar o progresso econômico da empresa e do país. Reforçam e acrescem à nossa argumentação as palavras do Conselheiro Mauro José Silva: O dispositivo constitucional que concede aos trabalhadores o direito à participação nos lucros ou resultados pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1°, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois objetivos da República: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional (art. 3°, inciso I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social” (Ministro Lewandowski, RE 398.284), que contribuiria para a “humanização do capitalismo” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com os seus atores sociais, com os seus protagonistas (Ministro Carlos Britto, R$ 398.284). (SILVA, Mauro José. A participação nos lucros ou resultados e as exigências da regulamentação da imunidade em relação às contribuições previdenciárias. Revista dialética de direito tributário n. 193. São Paulo, out. 2011, p. 118.) Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 A Lei 10.101/2000 estabelece os contornos gerais da participação nos lucros, ou resultados. E assim o faz para dar efetividade ao direito social estatuído no artigo 7°, XI, da CF: Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (destaques nossos) Assim, em que pese seu caráter flexibilizador, é preciso reconhecer que a PLR está condicionada aos critérios e pressupostos definidos em lei, de sorte que não assiste razão à recorrente em afirmar que não deve ser imposto qualquer rigor para sua concessão, devendo ser mantido o lançamento. Alimentação. Alega a recorrente que a alimentação tem previsão em instrumento normativo, além de constar da CLT e da CF. Ocorre que a norma coletiva é lei entre as partes, não podendo ser oposta ao Fisco para designar a natureza jurídica da verba. Vale dizer, ou o ajuste atende aos requisitos legais estabelecidos para o gozo da isenção ou sofrerá incidência. Vejamos se a situação encontrada pela autoridade fiscal enquadrase na norma isentiva. Consta do relatório fiscal que os gastos com alimentação foram reconhecidos contabilmente a débito da conta "3.2.01.01.0015 Lanches e Refeições", conforme análise dos livros Diários referentes aos exercícios 2007 a 2008, tendo sido apurado que, em relação ao exercício de 2007, o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da empresa se deu em desacordo com o programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei n° 6.321/76, conforme determina o artigo 214, § 9°, inciso III do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, haja vista que sua adesão ao referido programa se deu em 17/12/2007, conforme se verifica do comprovante de recadastramento, anexo ao Relatório Fiscal. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamentos a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.723523/201050 Acórdão n.º 2302003.164 S2C3T2 Fl. 1.659 9 Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É por intermédio do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. É verdade que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Todavia, para gozar da norma isentiva, os pagamentos jamais poderiam ser em pecúnia ou em ticket. Portanto, o lançamento deve ser mantido. Assistência à Saúde. Quanto ao lançamento a título de assistência à saúde, alega a recorrente que há instrumento normativo que concebe direito ao plano de saúde ou ao ressarcimento por plano contratado diretamente. Primeiramente, voltamos a destacar que a norma coletiva é lei entre as partes, não podendo ser oposta ao Fisco para designar a natureza jurídica da verba. Vale dizer, ou o ajuste atende aos requisitos legais estabelecidos para o gozo da isenção ou sofrerá incidência. Quanto ao que se apurou, consta do Relatório Fiscal que houve o pagamento em espécie e a recorrente não comprovou o atendimento dos requisitos constantes no art. 28, § 9o, q, da Lei n o 8.212/91, que estabelece que somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Portanto, não tendo a recorrente cumprindo com seu ônus de comprovar o cumprimento dos requisitos legais, deve ser mantido o lançamento. Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Multas. Direito Intertemporal. Alega a recorrente que a multa é excessiva. Com efeito, a recorrente faz jus à redução da multa em relação a fatos geradores anteriores à Medida Provisória n° 449/2008. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.723523/201050 Acórdão n.º 2302003.164 S2C3T2 Fl. 1.660 11 c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplica a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.723523/201050 Acórdão n.º 2302003.164 S2C3T2 Fl. 1.661 13 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em parte das competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo à multa pelo descumprimento de obrigação principal ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012981/2007-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Incidência De Multa.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
Numero da decisão: 1801-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Este processo já foi objeto de duas Resoluções, razão pela qual aproveito o Relatório redigido na Resolução nº 1801000.236 para historiar os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 29 81 /2 00 7- 80 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 “A empresa recorre do Acórdão nº 0622.566/09 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, fls. 53 e 54, que manteve a exigência de multa por atraso na entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, consubstanciada no Auto de Infração lavrado às fls. 22, no valor de R$ 153.967,23, relativa ao mês de setembro/2005. Aproveito trechos do relatório e do voto condutor do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Em 22/10/2007, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/09, instruída com os documentos de fls. 10/49, onde alega, em síntese, que a DCTF foi entregue espontaneamente. Apresenta jurisprudência e afirma que, nos termos do art. 138 do CTN, a denúncia espontânea da infração exclui a responsabilidade. Aduz, ainda, que a multa é confiscatória. Salienta que os tributos foram pagos tempestivamente e, ao final, requer o cancelamento do lançamento. [...] A respeito da entrega espontânea de que trata o art. 138 do CTN, não se aplica ao presente caso, pois a multa em discussão é decorrente da satisfação extemporânea de uma obrigação acessória (entrega de declaração) à qual, frisese, estão sujeitos todos os contribuintes, e obrigações dessa espécie, pelo simples fato de sua inobservância, convertemse em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3o do CTN). [...] Quanto às demais alegações, relativas ao pagamento tempestivo dos tributos declarados, não podem ser consideradas, pois, conforme consta do auto de infração, existe legislação determinando o lançamento (cuja atividade, segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional). A impugnante, com apoio na doutrina e na jurisprudência, também argumenta que a multa aplicada ofende o princípio do nãoconfisco. De plano, cabe esclarecer que, apesar da discordância da impugnante, o que está vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, pelo art. 150, IV, da Constituição Federal, é utilizar tributo com efeito de confisco, e, a teor do art. 5º do CTN, multa por atraso na entrega de declaração não caracteriza tributo. [...] Por outro lado, a garantia insculpida naquele dispositivo constitucional não é endereçada à Fazenda Pública, circunscrita que está ao ordenamento legal vigente, mas, isso sim, ao legislador, como limite ao seu poder de inovar em matéria tributária. [...]” VOTO [...] O presente processo é conexo ao processo administrativo fiscal nº 10980.012973/200733, julgado nesta mesma sessão, somente versando sobre outro período, no caso, exigência de multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de setembro de 2006. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.012981/200780 Acórdão n.º 1801002.001 S1TE01 Fl. 3 3 Naqueles autos, a recorrente expressamente desiste do recurso voluntário e efetua o pagamento, em parte, do débito tributário consignado no Auto de Infração. A petição de desistência foi juntada a posteriori à interposição do recurso voluntário. Argúi que desistiu do recurso para usufruir dos benefícios da Lei nº 11.941/09. Temo que a empresa, para se beneficiar do parcelamento especial instituído pela retro citada norma, também tenha desistido desta discussão administrativa, razão pela qual voto em converter o julgamento na realização de diligência para que a unidade de jurisdição da recorrente verifique se houve desistência do recurso interposto e pagamento do débito tributário, à semelhança do ocorrido no outro processo administrativo acima identificado.” A diligência resultou na seguinte verificação – fls. 80: A resolução solicita a esta unidade que “verifique se houve desistência do recurso interposto e pagamento do débito tributário, à semelhança do ocorrido no outro processo administrativo acima mencionado” – 10980012.973/200733 – para usufruir dos benefícios estabelecidos pela Lei nº 11.941, de 2009. Esta Eqcof/Secat não logrou êxito em localizar nenhuma petição de desistência do presente litígio, não localizando nenhum pagamento referente ao presente processo administrativo nos sistemas da RFB, conforme documentos juntados ao processo. Regularmente cientificada da informação fiscal, a recorrente argumenta, às fls. 87, que “...por um verdadeiro lapso,[...] acabou invertendo o número dos dois processos administrativos no momento dos seus respectivos pagamentos, ou seja, pagou os valores devidos nesse processo (10980.012.981/200780), mas indicou como liquidação o processo administrativo nº 10980.012.980/200735, segundo se infere das cópias anexas, e do cotejo que pode ser realizado nos registros de pagamentos da Receita Federal. Posto isto, no dia 02/10/2012, a ora requerente apresentou eletronicamente um REDARF – Pedido de Retificação de Pagamento, como se vê na cópia anexa.” Cópia do Pedido de Retificação de Pagamento consta às fls. 88. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. (...) A Resolução nº 180100.142/12 trouxe novo rumo ao litígio. Ao ser informada sobre a informação fiscal a respeito de haver ou não desistência desta lide, a recorrente flagrouse de erro no preenchimento do Darf no que referese ao nº do processo. Ou seja, argumenta que desistiu foi deste litígio e não daquele instaurado no processo administrativo nº 10980.012.980/200735. Comprova, ainda, que procedeu ao Pedido de Retificação de Darf, alterando o número do processo. A questão, todavia, não é tão simples. O processo administrativo nº 10980.012.980/200735 foi julgado por este colegiado em 08 de agosto de 2012 e o Acórdão nº 180101.123 restou assim ementado: [...] Ora, se houve erro na informação sobre os processos e desistência somente de um, o referido acórdão é nulo de todos os seus efeitos, pela ocorrência de erro fático quanto aos elementos inerentes à própria lide. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A nulidade deverá retroagir até a data da juntada do pedido de desistência da recorrente e ser declarada pela autoridade preparadora do processo, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Desta forma, mister é que estes autos voltem à unidade de jurisdição da recorrente para que se procedam às correções necessárias nos dois processos, a partir da verificação se o ReDarf foi efetivamente alterado.” (grifos não pertencem ao original) A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada verificou que houve confusão por parte desta Relatora ao informar que o processo de nº 10980.012.980/200735 havia sido julgado por esta turma julgadora. Na realidade, o processo julgado por este colegiado foi o de nº 10980.012973/200733 (efls ). No entanto, não se manifestou a respeito do REDARF que a recorrente argumenta haver protocolizado, cópia às efls. , o qual, em tese, importa na comprovação de que a penalidade cominada nestes autos foi efetivamente paga. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora O recurso voluntário interposto já foi reconhecido por tempestivo. O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.012981/200780 Acórdão n.º 1801002.001 S1TE01 Fl. 4 5 Saliento que a recorrente argumenta que a penalidade ora discutida e exigida no Auto de Infração contestado já foi efetivamente recolhida aos cofres públicos, porém com equívoco cometido na informação, em DARF, sobre o nº do processo administrativo fiscal. Esclarece, ainda, que solicitou a retificação do DARF (Redarf) e apresenta cópia do pedido às efls. 88, fato que deve ser verificado na unidade de jurisdição da recorrente e considerado, se o Redarf foi deferido. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13982.000294/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009
NOTA FISCAL INIDÔNEA. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS SUBSIDIÁRIAS DA EXISTÊNCIA DA EFETIVA TRANSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A confirmação, com robustas provas indiciárias colhidas no âmbito de processo judicial, que a operação de compra e venda foi simulada para fim de regularizar o estoque de mercadorias vendida sem nota fiscal e, simultaneamente, a concessão graciosa de crédito tributário, somente pode ser elidida com provas indiciárias adequadas, respaldada em documentos de fonte externa aos supostamente envolvidos no esquema de fraude, que comprovem que houve pagamento do preço das mercadorias negociadas ou a sua efetiva entrega no estabelecimento do comprador.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE MEDIANTE CONLUIO ENTRE VENDEDOR E COMPRADOR. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DUPLICADO. POSSIBILIDADE.
É devida a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), se ficou comprovada nos autos a prática da fraude mediante conluio entre vendedor e comprador na operação de compra e venda, simulada com o objetivo de regularizar a operação de compra e venda sem emissão de nota fiscal anteriormente realizadada pelo vendedor e a apropriação ilegítima de crédito fiscal pelo comprador.
INCONSTITUCIONALIDADE. NORMA LEGAL VIGENTE. DECLARAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009 NOTA FISCAL INIDÔNEA. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS SUBSIDIÁRIAS DA EXISTÊNCIA DA EFETIVA TRANSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A confirmação, com robustas provas indiciárias colhidas no âmbito de processo judicial, que a operação de compra e venda foi simulada para fim de regularizar o estoque de mercadorias vendida sem nota fiscal e, simultaneamente, a concessão graciosa de crédito tributário, somente pode ser elidida com provas indiciárias adequadas, respaldada em documentos de fonte externa aos supostamente envolvidos no esquema de fraude, que comprovem que houve pagamento do preço das mercadorias negociadas ou a sua efetiva entrega no estabelecimento do comprador. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE MEDIANTE CONLUIO ENTRE VENDEDOR E COMPRADOR. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DUPLICADO. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), se ficou comprovada nos autos a prática da fraude mediante conluio entre vendedor e comprador na operação de compra e venda, simulada com o objetivo de regularizar a operação de compra e venda sem emissão de nota fiscal anteriormente realizadada pelo vendedor e a apropriação ilegítima de crédito fiscal pelo comprador. INCONSTITUCIONALIDADE. NORMA LEGAL VIGENTE. DECLARAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000294/201176 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.200 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CENTRO CENTER ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009 CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÕES DE BENS NÃO CONFIRMADAS. GLOSA DO VALOR DA OPERAÇÃO. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, é legítima a glosa do valor do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep apropriado indevidamente sobre o preço de aquisição de mercadoria utilizada para revenda, relativa à operação de compra e venda simulada com o objetivo de regularizar operação anterior de compra e venda sem emissão de nota fiscal pelo vendedor e propiciar a apropriação indevida de crédito fiscal pelo comprador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009 CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÕES DE BENS NÃO CONFIRMADAS. GLOSA DO VALOR DA OPERAÇÃO. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, é legítima a glosa do valor do crédito da Cofins apropriado indevidamente sobre o preço de aquisição de mercadoria utilizada para revenda, relativa à operação de compra e venda simulada com o objetivo de regularizar operação anterior de compra e venda sem emissão de nota fiscal pelo vendedor e propiciar a apropriação indevida de crédito fiscal pelo comprador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 94 /2 01 1- 76 Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 NOTA FISCAL INIDÔNEA. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS SUBSIDIÁRIAS DA EXISTÊNCIA DA EFETIVA TRANSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A confirmação, com robustas provas indiciárias colhidas no âmbito de processo judicial, que a operação de compra e venda foi simulada para fim de regularizar o estoque de mercadorias vendida sem nota fiscal e, simultaneamente, a concessão graciosa de crédito tributário, somente pode ser elidida com provas indiciárias adequadas, respaldada em documentos de fonte externa aos supostamente envolvidos no esquema de fraude, que comprovem que houve pagamento do preço das mercadorias negociadas ou a sua efetiva entrega no estabelecimento do comprador. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE MEDIANTE CONLUIO ENTRE VENDEDOR E COMPRADOR. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DUPLICADO. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), se ficou comprovada nos autos a prática da fraude mediante conluio entre vendedor e comprador na operação de compra e venda, simulada com o objetivo de regularizar a operação de compra e venda sem emissão de nota fiscal anteriormente realizadada pelo vendedor e a apropriação ilegítima de crédito fiscal pelo comprador. INCONSTITUCIONALIDADE. NORMA LEGAL VIGENTE. DECLARAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzse, a seguir, o relatório encartado no acórdão recorrido: Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13982.000294/201176 Acórdão n.º 3102002.200 S3C1T2 Fl. 101 3 Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em razão da constatação da falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS, no valor de R$ 22.744,45, e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, R$ 98.281,27, que ocorreu devido a glosa de créditos da não cumulatividade aproveitados pela contribuinte, em 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009. Às contribuições devidas apuradas foram acrescidos juros de mora e a multa de ofício de 150%. Do Relatório Fiscal Foram glosados os créditos relativos às aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda., lastreadas por notas fiscais identificadas pela fiscalização como emitidas de forma graciosa. Inicialmente a autoridade fiscal informa que a ação fiscal foi iniciada a partir de documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina e compartilhados, com a devida permissão judicial, com a Receita Federal do Brasil que revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais e emissão de notas fiscais e duplicatas forjadas para outros destinatários. Explica que o esquema consistia em vendas de mercadorias pela empresa Tozzo & Cia Ltda que eram entregues por motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, em destinatários que não desejavam receber nota fiscal, com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscal, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos, como por exemplo, o SIMPLES. Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de documento paralelo denominado "pedido ATZO". Por outro lado, para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis da empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais com destinatários forjados. Tais notas fiscais eram denominadas pelos envolvidos na empresa Tozzo & Cia Ltda de "Nota Referente", pois correspondiam, ou se referiam, a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiamse a um "pedido ATZO". Acrescenta que para o controle financeiro, os responsáveis da empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a emissão de duplicatas que eram registradas como quitadas via caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. Relata que da análise dos documentos recebidos, constatou se que a empresa CENTRO CENTER ALIMENTOS LTDA. era uma das beneficiárias dessas notas fiscais graciosas emitidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda. Ou seja, a Empresa Tozzo & Cia Ltda, efetuou vendas de mercadorias para empresa diversa e emitiu notas fiscais forjadas indicando como destinatária a empresa objeto desta fiscalização. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 A partir desta constatação, realizouse diligência fiscal para verificar o emprego pela contribuinte das notas fiscais graciosas, quando foram obtidas, em meio digital, informações relativas às notas fiscais de entrada e a escrituração contábil e fiscal (fls. 087). Confirmado o emprego das notas fiscais graciosas instaurouse procedimento fiscal para que fossem apuradas as irregularidades de recolhimento nos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A contribuinte foi regularmente intimada a comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento dessas mercadorias e o seu efetivo pagamento, mas não apresentou explicações. Apesar de apresentar as cópias das Notas Fiscais, NÃO comprovou o efetivo pagamento das mesmas. A autoridade Fiscal salienta que do exame em tais cópias das Notas Fiscais disponibilizadas pela contribuinte (juntadas por amostragem fls. 356 a 394), vêse que em TODAS existe a indicação de "Nota Fiscal com Desconto Itens com Valor Líquido", ou seja, numa operação regular, deveriam ser indicados em campos específicos da respectiva NF os valores: bruto da mercadoria, do desconto concedido e do líquido recebido. A situação encontrada só corrobora com o trabalho realizado pelo Fisco Estadual na apuração do ICMS conjuntamente com o Ministério Público do Estado de Santa Catarina. Informa que nas contas contábeis 4173 REDUÇÕES DA RECEITA, 310171 VENDAS e 231021 LUCRO OU PREJUÍZO ACUMULADO (juntadas por amostragem em períodos de 12/2005, 12/2006, 12/2007, 12/2008 e 09/2009) identificam e comprovam a utilizam das Notas Fiscais "inidôneas" para composição de seus custos e conseqüente apuração de resultado pelo lucro real. E que, a contribuinte apura tanto o PIS quanto a Cofins na forma não cumulativa e, portanto, ao registrar as respectivas notas fiscais da empresa Tozzo e Cia Ltda 81.810.376/000163, cujo destinatário fora forjado, acabou por se apropriar de maneira indevida dos créditos provenientes da não cumulatividade e consequentemente reduzir o montante dos tributos devidos. Firma, a autoridade fiscal que “A legislação fiscal aplicável exige que a determinação das contribuições não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus feitos tributários”. Aplicou a multa de ofício duplicada considerando que empresa fiscalizada, de forma reiterada e intencional, inseriu em sua escrituração contábil e fiscal documentos inidôneos durante o período fiscalizado anos calendário de 2005 a 2009, ato que modificou a característica essencial do fato gerador de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da Impugnação A impugnante contesta a autuação alegando que todas as notas fiscais relacionadas nos autos exceto algumas que listas e que diz que não foram escrituradas e nem utilizadas na composição do crédito descontado referemse a mercadorias efetivamente adquiridas, devidamente contabilizadas e Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13982.000294/201176 Acórdão n.º 3102002.200 S3C1T2 Fl. 102 5 registradas em seus livros fiscais e contábeis, tendo havido a comprovação de seus respectivos recebimentos, através da assinatura nos canhotos das notas fiscais, e de seus pagamentos, por meio das duplicatas quitadas e baixadas do caixa, trazidas em anexo por amostragem. Alega ainda que várias notas possuem mercadorias isentas ou submetidas à substituição tributária das contribuições, o que estima que representaria aproximadamente 20% (vinte por cento) do total dos valores dos produtos, o que reduziria, na mesma proporção, os valores glosados pelo fisco. Por essa razão, argumenta que “a autuação fiscal foi aplicada de forma aleatória, sem critérios de levantamento correto das alíquotas tributárias (desconsiderando as isenções e substitutos tributários)”. Reclama da aplicação da multa de ofício, dizendoa abusiva haja vista representar 55% do total do débito, “caracterizando se flagrante ato ilegal”. Ante o exposto, requer o cancelamento dos autos de infração, ou exclusão das notas não fiscais não contabilizadas e a revisão do valor da multa. Da Diligência Ante as arguições da impugnante, o processo foi baixado em diligência a fim de que a autoridade fiscal informasse: os valores declarados em Dacon a título de aquisições de bens para revenda no mercado interno, na linha 01 (Bens Para Revenda) da ficha 06A (Apuração dos Créditos de PIS/Pasep) e da ficha 16A (Cofins); o montante dos valores registrados pela contribuinte (LRE) de todas as notas fiscais de entrada de mercadorias para revenda (no mercado interno) emitidas pela Tozzo e Cia Ltda e o montante das notas emitidas por outras empresas – em relação às operações de aquisição cujos valores foram informados no Dacon (linha 01 Bens Para Revenda) e considerados (descontados) na apuração da contribuição devida declarada na DCTF; se os valores dos créditos descontados a esse título no Dacon coincidem com os valores dos créditos declarados na DCTF. Foi solicitado, ainda que a autoridade fiscal se manifestasse quanto ao fato alegado pela contribuinte, informando, se fosse o caso, os valores indevidamente descontados pela contribuinte na apuração das contribuições devidas no período. Em resposta o fiscal: trouxe planilha discriminando o montante das notas fiscais emitidas pela Tozzo e Cia Ltda incluídas pela fiscalizada na base de cálculo do crédito descontado bem como das notas emitidas pela demais empresas; destacou que a contribuinte NÃO faz o registro contábil dos créditos de PIS/Cofins por nota fiscal (registro individual) e SIM por valores totais mensais, conforme razões extraídos da contabilidade; traz uma listagem de notas, com seus montantes mensais líquidos, que não foram registradas na contabilidade da empresa e que, portanto, devem ser excluídas dos montantes Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 glosados; discrimina os valores dos lançamentos depois de corridos os valores glosados; e informa que os valores dos créditos descontados no Dacon coincidem com os valores declarados em DCTF. Conforme Despachos de Encaminhamento às folhas 1273 e 1274 (arquivo digital), a ciência da Informação Fiscal foi dada à contribuinte por via postal com Aviso de RecebimentoAR assinado em 30/03/2012, tendo sido concedido o prazo de 30 dias para que esta se manifestasse. Consta que, atendidas as solicitações do Despacho de Encaminhamento à fl 1.274, o presente processo foi encaminhado à DRJ/FNS/SC para continuidade do julgamento. Não consta que a interessada tenha se manifestado no prazo que lhe foi concedido. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1276/1283), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte e mantido o crédito tributário de Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 22.363,48, e da Cofins, no valor de R$ 96.941,05, acrescidos dos respectivos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% do valor devido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/05/2009, 31/07/2009, 31/08/2009 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos fiscais hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As Notas Fiscais fazem prova perante o fisco das operações comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção de veracidade, presunção esta somente afastada por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. Afastada pelo Fisco a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 15/10/2012, a autuada foi cientificada dessa decisão (fls. 1288/1289). Inconformada, em 13/11/2012 (fls. 1298/1299), protocolizou o recurso voluntário de fls. 1291/1297, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13982.000294/201176 Acórdão n.º 3102002.200 S3C1T2 Fl. 103 7 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relatório. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados sobre os valores de supostas aquisições de bens adquiridos para revenda da empresa Tozzo e Cia. Ltda., lastreadas em notas fiscais que, segunda a fiscalização, foram emitidas de forma graciosa, com objetivo de regularizar os estoques das mercadorias vendidas sem nota fiscal pela emitente e, simultâneamente, beneficiar a destinatária da nota, no caso, a ora recorrente, com os créditos das referidas Contribuições. Conforme delineado no relatório precedente, com base nos documentos apreendidos pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina, que foram compartilhados, com a devida permissão judicial, com a fiscalização da Receita Federal do Brasil, foi constatado que os responsáveis pela pessoa jurídica Tozzo & Cia. Ltda. organizaram um esquema fraudulento de vendas de mercadorias sem notas fiscais para determinados clientes, acompanhado da emissão de notas fiscais e duplicatas graciosas para outras pessoas jurídicas interessadas em créditos fiscal. Em breve síntese, o esquema montado pela pessoa jurídica Tozzo & Cia. Ltda consistia na venda de mercadorias sem a emissão de nota fiscal, para clientes que tinham interesse em revender tais mercadorias também sem nota fiscal, pois eram duplamente beneficiados com a sonegação dos tributos e a permanência em regimes de tributação favorecidos, a exemplo do Simples. Na outra ponta do esquesma, com vistas a manter a regularidade do estoque de mercadorias e, simultaneamente, atender os interessados na apropriação de créditos de ICMS, era simulada uma operação de venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para pessoas jurídicas interessadas nos referidos créditos. Paralelamente,, para justificar o fluxo financeiro das vendas simuladas, eram emitidas duplicatas, que eram registradas como quitadas via caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações de venda simulada. A fiscalização constatou que a recorrente foi uma das pessoas jurídicas beneficiária do esquema fraudulento, especificamente, na condição de favorecido com as supostas compras de mercadorias para revenda acobertadas pela referidas notas fiscais graciosas. Em relação a essas operações, a interessada, embora regularmente intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, o recebimento das mercadorias e o seu efetivo pagamento, limitouse a apresentar apenas as cópias das correspondents notas fiscais. Também apurou a fiscalização que a recorrento registrou em sua escrituração contábil e fiscal as respectivas notas fiscais graciosas e, indevidamente, apropriouse dos valores dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor das referidas operações simuladas de venda. No recurso em apreço, a recorrente alegou que as mercadorias foram efetivamente adquiridas, devidamente contabilizadas e registradas em seus livros fiscais e contábeis, e que houve a comprovação dos recebimentos das mercadorias, mediante a Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 assinatura nos canhotos das notas fiscais, e dos pagamentos das mercaroais, por meio das duplicatas quitadas e baixadas do caixa, inclusive, por amostragem, algumas delas acompanharam a peça impugnatória. Nos termos do art. 226 do Código Civil de 2002, a escrituração contábil da sociedade empresária somente faz prova, em seu favor, nos casos em que, além de não apresentarem vícios intrínsecos ou extrínsecos, os fatos nela registrados forem confirmados por documentos hábeis e idôneos. No caso em tela, as notas fiscais que acobertavam as supostas operações de aquisição das referidas mercadorias, certamente, não atende tais requisitos, pois, sobre elas recaem fortes indícios de inidoneidade que precisavam ser contraditados com elementos probatórios robustos pela recorrente. Para esse fim, ainda na fase do procedimento fiscal a recorrente foi intimada a comprovar o recebimento e o pagamento das supostas mercadorias, o que seria possível mediante apresentação de documentos adequados (fonte externa) que confirmasse o transporte das mercadorias (conhecimento transporte, notas fiscais dos serviços de transporte etc.) e de comprovantes de pagamento (cópias de cheques compensados, transferências bancárias eletrônicas etc.). No entanto, a documentação apresentada pela recorrente (assinatura nos canhotos das notas fiscais, duplicatas quitadas e baixadas do caixa etc.), evidentemente, por se tratar documento interno não tem força probatória suficiente para ilidir a forte presunção de inidoneidade atribuída as referidas notas fiscais, com base em robustas provas indiciárias colacionadas aos autos. Por essas razões, chegase a conclusão de que a recorrente não logrou comprovar a efetividade das questionadas operações de venda, que deram ensejo a apropriação de crédito indevidamente utilizado na dedução dos débitos das referidas Contribuições. A recorrente alegou ainda que, aproximadamente, 20% (vinte por cento) mercadorias descritas nas referidas notas fiscais eram isentas ou submetidas à substituição tributária das ditas Contribuições, o que reduziria, na mesma proporção, os valores dos créditos glosados. Essa alegação não tem subsistência. Primeiro, porque a interessada não identificou as notas fiscais em que discriminadas tais mercadorias. Segundo, porque não identificou nem quantificou tais bens, limitandose em apresenta uma simples estimativa. Terceiro, porque não trouxe as provas que confirmassem tal alegação, conforme exige o art. 333 do CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Por fim, a recorrente alegou que a multa de ofício aplicada era abusiva, uma vez que representava 55% (cinquenta e cinco por cento) do total do débito lançado, o que caracterizava flagrante ilegalidade. No caso, a multa de oficio aplicada foi duplicada, porque ficou suficientemente caracterizada a fraude praticada pela recorrente, mediante conluio da recorrente com a pessoa jurídica Tozzo & Cia. Ltda., com evidente intenção de reduzir o montante das contribuições devidas devido, infração considerada grave, sancionada com a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), estabelecida no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13982.000294/201176 Acórdão n.º 3102002.200 S3C1T2 Fl. 104 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Tratase, portanto, de penalidade instituída em preceito legal em plena vigência, por conseguinte, não cabe a esta instância de julgamento afastar a sua aplicação por suposta abusividade ou onerosidade. Para tanto, seria necessário analisar a constitucionalidade da referida norma legal, matéria excluída da competência deste Conselho, por expressa determinação do art. 26A1 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972, com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Com base no referido preceito legal, podese inferir que o julgamento na esfera do processo administrativo fiscal visa, fundamentalmente, o controle da legalidade do ato administrativo (auto de infração, despacho decisório, decisão de instâncias de julgamento de grau inferior etc.), mediante o exame da conformidade dos referidos atos com as normas legais vigentes. Por outro lado, falecelhe competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de preceito de lei, validamente editada e plena vigência, por se tratar de matéria reservada, com exclusividade, ao crivo do Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação também se encontra expressamente determinada no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e a jurisprudência foi consolidado por meio do enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, deve ser mantida a cobrança da multa ofício agravada, conforme propostos nas questionadas autuações. 1 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Por todo o exposto, vatase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 11065.001441/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001
PRAZO DE DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDOS PROTOCOLADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. IMPOSSIBILIDADE.
O prazo decadencial de 5 anos do direito de repetir o indébito, contado a partir do pagamento, relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, aplica-se aos pedidos de restituição protocolados a partir de 9 de junho de 2005, conforme entendimento explicitado na decisão plenária definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob regime de repercusão geral, previsto no art. 543-B do CPC (aplicação do rt. 62-A do RICARF).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. O Conselheiro José Paulo Puiatti declarou-se impedido.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001 PRAZO DE DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDOS PROTOCOLADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. IMPOSSIBILIDADE. O prazo quinquenal de decadência do direito de repetir o indébito tributário, contado a partir da data do pagamento, relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, aplicase aos pedidos de restituição protocolados a partir de 9 de junho de 2005, conforme entendimento explicitado na decisão plenária definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob regime de repercusão geral, previsto no art. 543B do CPC (aplicação do rt. 62A do RICARF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001 PRAZO DE DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDOS PROTOCOLADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial de 5 anos do direito de repetir o indébito, contado a partir do pagamento, relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, aplicase aos pedidos de restituição protocolados a partir de 9 de junho de 2005, conforme entendimento explicitado na decisão plenária definitiva de mérito, proferida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 41 /2 00 6- 94 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob regime de repercusão geral, previsto no art. 543B do CPC (aplicação do rt. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. O Conselheiro José Paulo Puiatti declarouse impedido. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeira instância, que segue transcrito: O contribuinte supracitado solicitou restituição de valores de COFINS e de PIS dos meses de fevereiro a dezembro de 1999 (fls.02 e 03), janeiro a dezembro de 2000 (fls.96 e 97) e fevereiro a março de 2001 (fls. 183 e 184), pois alega a inconstitucionalidade e ilegalidade do art. 3º da Lei 9.718/1998, que alargou a base de cálculo da contribuição para considerar o faturamento como qualquer receita recebida pelo sujeito passivo. Decorrente desta inconstitucionalidade, por ser uma empresa “holding”, não deveriam ser tributadas as receitas de aluguéis, venda de ativo imobilizado, aplicações financeiras e outras receitas, haja vista que não recebe rotineiramente receitas de venda de mercadorias ou prestação de serviços. A DRF de origem apreciou o pleito do contribuinte através do Parecer DRF/NHO/Seort nº 748/2008, de 23/12/2008, contido nas fls. 215 a 219, na qual foi indeferida a restituição porque houve decadência do prazo para a solicitação do pedido de restituição. Inconformado, apresenta manifestação de inconformidade, de fls. 255 a 231. Nesta, alega que o prazo de restituição é decenal, (dez anos do fato gerador), não podendo ser utilizado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 de forma retroativa, mas somente de forma prospectiva. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11065.001441/200694 Acórdão n.º 3102002.189 S3C1T2 Fl. 101 3 No mérito, solicita o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 236/239), em que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de restituição, com base nos fundamentos resumido no enunciado da ementa que segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2001 RESTITUIÇÃO PRAZO PARA RESTITUIÇÃO. A restituição deve ser solicitada até cinco anos dos pagamentos indevidos ou a maior, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, e dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº118, de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 31/03/2001 RESTITUIÇÃO PRAZO PARA RESTITUIÇÃO. A restituição deve ser solicitada até cinco anos dos pagamentos indevidos ou a maior, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, e dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº118, de 2005. Em 13/4/2009, a recorrente foi cientificada dessa decisão (fl. 242). Inconformada, em 25/4/2009, protocolizou o recurso voluntário de fls. 243/251, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O cerne da controvérsia cingese ao prazo decadencial do direito de pleitear a restituição dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins dos meses de fevereiro a dezembro de 1999 (fls. 4/5), janeiro a dezembro de 2000 (fls. 97/98) e fevereiro a março de 2001 (fls. 184/185). Aliás, a divergência gira em torno do termo inicial da contagem do referido prazo. Segundo o Acórdão recorrido, o termo inicial de contagem do prazo decadencial (ou prescricional) do direito de pedir a restituição do indébito tributário seria sempre a data do pagamento do tributo indevido ou maior que o devido. Por outro lado, alegou a recorrente que o termo a quo seria o dia seguinte ao término do prazo da homologação tácita Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 de 5 (cinco) anos, contado a partir data da ocorrência do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). A matéria foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS, submetido ao regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do Código de Processo Civil, cujo enunciado da ementa segue transcrito: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(BRASIL. STF. RE 566.621, Rel. Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11065.001441/200694 Acórdão n.º 3102002.189 S3C1T2 Fl. 102 5 04/08/2011, DJe195, divulg 10102011, public 11102011 ement vol0260502, pp00273) Da leitura da ementa do referido julgado, concluise que o Plenário do STF reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118, de 2005, considerando válida “a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005”. Em outras palavras, às ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005 aplicase o prazo de dez anos, contado a partir do fato gerador, segundo a tese dos “cinco mais cinco”. Assim, em conformidade com o disposto no caput do art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), adotase os mesmos fundamentos consignados no referido julgado, para fim de aplicação (i) aos pedidos de restituição protocolados antes de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de dez anos, contado a partir do fato gerador, de acordo com a tese dos “cinco mais cinco” consolidada na jurisprudência do E. STJ e (ii) aos pedidos de restituição protocolados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo de 5 anos, contado a partir da data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Dessa forma, como o Pedido de Restitução em apreço foi protocolado em 17/5/2006 (fls. 1/2), consequentemente, os créditos pleiteados relativos aos recolhimentos realizados antes de 17/05/2001, certamente, foram atingidos pela decadência. No caso, os pagamentos mais recentes, relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do mês de março de 2001, ocorreram em 11/4/2001. Logo, fica demonstrado que todos os pagamentos ocorreram antes de 17/5/2001, por conseguinte, todos os valores dos créditos pleiteados pela recorrente foram fulminados pela decadência. Por todo o exposto, vatase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...]" Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 36222.000874/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/01/2001
DISCUSSÃO JUDICIAL - TERCEIROS
Os valores discutidos judicialmente deverão ser lançados em notificações separadas que permanecerão sobrestadas até decisão final dos respectivos processos judiciais.
Numero da decisão: 2301-003.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Wilson Antonio de Souza Correa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros - Relator. Wilson Antonio de Souza Correa - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Wilson Antonio de Souza Correa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 22 2. 00 08 74 /2 00 5- 12 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão emitida pela Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Norte que, por meio da DecisãoNotificação nº 21.402.4/0106/2007, julgou a NFLD procedente em parte O débito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada se refere a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Segundo o Relatório Fiscal (fls. nº 311 a 317), a notificada não apresentou as folhas de pagamento de 01/1995 a 01/2001, bem como os Livros Diários de 1995 a 1999, motivo pelo qual os valores foram aferidos considerandose as bases constantes da RAIS, tendo sido utilizada a alíquota mínima de 8% para cálculo das contribuições devidas referentes aos segurados. Consta, também, que estão sendo lançadas, por intermédio do levantamento DAL, as diferenças de acréscimos legais tendo em vista valores pagos a menor nos campos juros/multa das GRPS/GPS pagas em atraso. A notificada impugnou o débito via peça de fls. nº 333 a 367 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 21.402.4/0106/2007 (fls. 506), julgou a NFLD procedente em parte, excluindo as contribuições devidas aos Terceiros (SESC, SENAC, INCRA E SEBRAE) e recorrendo de ofício da decisão ao CRPS, na forma do inciso I e § 2o, do art. 366, do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. Tendo sido constatado que a empresa não foi oportunizada a apresentar recurso voluntário em relação à parte remanescente do débito, a extinta Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte devolveu os autos à Delegacia de Julgamento, solicitando que o interessado fosse cientificado da decisão e que fosse aberto prazo para apresentação de recurso voluntário. Cientificada da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a recorrente não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36222.000874/200512 Acórdão n.º 2301003.963 S2C3T1 Fl. 585 3 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Não havendo óbice ao conhecimento do recurso de ofício, passo a sua análise. A extinta Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão Notificação nº 21.402.4/0106/2007 (fls. 506), recorre de ofício a este Conselho da decisão que anulou a NFLD lançada contra a empresa PMT SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. O julgador monocrático constatou, da análise da defesa apresentada e dos documentos juntados aos autos, que as contribuições lançada aos Terceiros estavam com a exigibilidade suspensa, tendo em vista a existência de Ação Judicial, com liminar concedida à empresa afastando a exigibilidade das contribuições destinadas ao SESC e SENAC, SEBRAE e INCRA. Dessa forma, segundo informa a autoridade julgadora de primeira instância, seria necessário desmembrar o crédito constituído, mas que, devido à inviabilidade gerada no Sistema Informatizado de Cobrança, os lançamentos relativos aos Terceiros tiveram que ser excluídos do débito, para serem lançadas por meio de NFLDs específicas, que permaneceriam sobrestadas até a decisão final das citadas ações.judiciais. Assim, considerando as limitações dos sistemas informatizados da Previdência Social, à época, entendo que assiste razão à primeira instância administrativa ao julgar o presente lançamento procedente em parte, para excluir, do lançamento, as contribuições objeto de discussão judicial. Nesse sentido, Voto por conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 591DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728411/2012-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.220
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 28 41 1/ 20 12 -8 9 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 253 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1040.203 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente os lançamentos de obrigação tributária legal principal, fl. 01, AIOP nº 37.301.6000 e AIOP nº 37.301.6018, no período de 08/2007 a 12/2008. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: I) Auto de Infração Debcad nº 37.301.6000 (fls. 02/162) O Auto de Infração Debcad nº 37.301.6000 abrange a contribuição a cargo da empresa (20%) incidente sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a segurados contribuintes individuais sócios administradores da empresa, no período de 08/2007 a 12/2008. Os dispositivos legais que amparam o crédito objeto deste Auto de Infração estão relacionados no relatório – Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 15/16). O item 12 do Relatório Fiscal(fls. 20/24) explicita o procedimento adotado para o cálculo da multa em razão das alterações trazidas com a edição da MP/449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, especialmente em relação ao cálculo e aplicação da multa mais benéfica, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina a aplicação da legislação menos severa ao contribuinte, comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa de mora de 24% somada à multa do AI 68 – apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores) e a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75%). No período de 08/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de mora de 24% prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999 e no período de 12/2008 a 13/2008 a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91. O demonstrativo da multa mais benéfica consta da planilha “SAFIS – Comparação de Multas”(fls. 148/149). O crédito tributário relativo a este Auto de Infração atingiu o montante de R$ 23.098,40 (vinte e três mil, noventa e oito reais e quarenta centavos), consolidado em 30/06/2012 (fls. 02). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 254 3 II) Auto de Infração Debcad nº 37.301.6018 (fls. 163/230) O Auto de Infração Debcad nº 37.301.6018 abrange a contribuição devida a Terceiros, no caso, SalárioEducação e destinada ao FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, no período de 08/2007 a 13/2008. O item 9.1 do Relatório Fiscal noticia que a empresa informou indevidamente na GFIP o código de terceiros 114, a significar “empresa com convênio com o FNDE”, para arrecadação direta da contribuição devida ao SalárioEducação, no período de 08/2007 a 13/2008. Os dispositivos legais que amparam o crédito objeto deste Auto de Infração estão relacionados no relatório – Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 179/180). No período de 08/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de mora de 24% prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e no período de 12/2008 a 13/2008 a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35 A da Lei nº 8.212/91. O crédito tributário relativo a Terceiros atingiu o montante de R$ 605.087,90 (seiscentos e cinco mil, oitenta e sete reais e noventa centavos), consolidado em 30/06/2012 (fls. 163). O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD é de 08/2007 a 12/2008. A Recorrente teve ciência das autuações em 10.07.2012, conforme tela do sistema CCADPRO, às fls. 188. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa foi cientificada pessoalmente da autuação em 16/07/2012, tendo apresentado impugnação através do arrazoado de fls. 204/205 (Debcad nº 37.301.6000) e fls. 217/218 (Debcad nº 37.301.6018), ambas com o mesmo teor. Anexa cópia de PER/DCOMP às fls. 206/216 e 219/229. Reproduz o texto do IPC Instruções para o Contribuinte, na parte que trata da redução de multa de ofício, da multa isolada e da multa por descumprimento de obrigação acessória em 50% (cinquenta por cento), se efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que foi notificado do lançamento. Informa que tem crédito perante a Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 776.695,84 (setecentos e setenta e seis mil, seiscentos e noventa e cinco reais e oitenta e quatro centavos), decorrente do PER/Dcomp nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011, conforme documento em anexo, aguardando apreciação há mais de um ano, inexistindo qualquer óbice aos números nele apresentados. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 255 4 Relata que a RFB tem implementado a compensação com quaisquer débitos por ela própria administrados, o que ocorreu em diversos PER/DCOMPs anteriores da requerente, com o que entende perfeitamente plausível a presente pretensão de COMPENSAÇÃO, viabilizandose o que leciona a letra “a” do item 2 do IPC, ou seja, a quitação do débito com a redução das multas em 50 % através da compensação com o crédito que porta valor nominal à data de julho de 2001 bem superior ao apontado no Debcad 37.301.6000 e que alcança R$ 23.098,40, mesmo acrescido do quantum indicado no Debcad 37.301.6018 (R$ 605.087,90). Por fim, requer seja efetuada a compensação com os créditos aqui identificados, com a conseqüente redução das multas em 50%, extinguindose o crédito tributário objeto dos Debcads nºs 37.301.600 0 e 37.301.6018. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1040.203 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.301.6000 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REQUISITOS LEGAIS PARA A REDUÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.301.6018 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. SALÁRIOEDUCAÇÃO. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REQUISITOS LEGAIS PARA A REDUÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Aplicarseá a redução da multa de lançamento de ofício no percentual de cinqüenta por cento, se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de trinta dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento. O não atendimento dos requisitos legais impede a concessão do benefício da redução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 256 5 Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 31 de agosto de 2012 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, de idêntico teor para os AIOPs, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Informa que tem crédito perante a Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 776.695,84, decorrente do PER/Dcomp nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011. (ii) Reitera que fez o pedido de compensação do crédito decorrente do PER/Dcomp em sede de Impugnação, portanto no prazo de trinta dias estabelecido no item 2 do Relatório IPC Instruções para o Contribuinte às fls. 18,, com os valores devidos nos AIOPs. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 257 6 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 501. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1040.203 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente os lançamentos de obrigação tributária legal principal, fl. 01, AIOP nº 37.301.6000 e AIOP nº 37.301.6018, no período de 08/2007 a 12/2008. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: I) Auto de Infração Debcad nº 37.301.6000 (fls. 02/162) O Auto de Infração Debcad nº 37.301.6000 abrange a contribuição a cargo da empresa (20%) incidente sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a segurados contribuintes individuais sócios administradores da empresa, no período de 08/2007 a 12/2008. Os dispositivos legais que amparam o crédito objeto deste Auto de Infração estão relacionados no relatório – Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 15/16). O item 12 do Relatório Fiscal(fls. 20/24) explicita o procedimento adotado para o cálculo da multa em razão das alterações trazidas com a edição da MP/449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, especialmente em relação ao cálculo e aplicação da multa mais benéfica, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina a aplicação da legislação menos severa ao contribuinte, comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa de mora de 24% somada à multa do AI 68 – apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores) e a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75%). No período de 08/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de mora de 24% prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 258 7 disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999 e no período de 12/2008 a 13/2008 a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91. O demonstrativo da multa mais benéfica consta da planilha “SAFIS – Comparação de Multas”(fls. 148/149). O crédito tributário relativo a este Auto de Infração atingiu o montante de R$ 23.098,40 (vinte e três mil, noventa e oito reais e quarenta centavos), consolidado em 30/06/2012 (fls. 02). II) Auto de Infração Debcad nº 37.301.6018 (fls. 163/230) O Auto de Infração Debcad nº 37.301.6018 abrange a contribuição devida a Terceiros, no caso, SalárioEducação e destinada ao FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, no período de 08/2007 a 13/2008. O item 9.1 do Relatório Fiscal noticia que a empresa informou indevidamente na GFIP o código de terceiros 114, a significar “empresa com convênio com o FNDE”, para arrecadação direta da contribuição devida ao SalárioEducação, no período de 08/2007 a 13/2008. Os dispositivos legais que amparam o crédito objeto deste Auto de Infração estão relacionados no relatório – Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 179/180). No período de 08/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de mora de 24% prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e no período de 12/2008 a 13/2008 a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35 A da Lei nº 8.212/91. O crédito tributário relativo a Terceiros atingiu o montante de R$ 605.087,90 (seiscentos e cinco mil, oitenta e sete reais e noventa centavos), consolidado em 30/06/2012 (fls. 163). A controvérsia está centrada no pedido feito pelo sujeito passivo, em sede de Impugnação e reiterado em sede de Recurso Voluntário, de compensação dos valores apurados nos AIOPs com o crédito perante a Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 776.695,84, decorrente do PER/Dcomp nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011. Devemos observar o ordenamento legal em relação à redução da multa de lançamento de ofício, com os requisitos estabelecidos no art. 6º, I, Lei 8.218/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009 Art. 6º. Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 259 8 multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinqüenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por um lado, a decisão de primeira instância não deu provimento ao pleito do sujeito passivo ao considerar que não foram cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 6º, I, Lei 8.218/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, às fls. 237 e 238: Analisando os documentos trazidos na peça impugnatória (fls. 206/229), verificase que a autuada protocolizou junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil um pedido de restituição efetuado através do PER/DCOMP nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011, onde informa ser detentora de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ no valor total de R$ 776.695,84, cujo mérito não foi julgado, conforme noticia a própria autuada. Notese que o PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) é o programa que processa tanto o pedido de restituição ou de ressarcimento quanto a Declaração de Compensação (DCOMP). No caso, o que existe é um pedido de restituição conforme faz prova o “Recibo de Entrega do Pedido de Restituição” (fls. 206) e o tipo de documento informado no PER/DCOMP, como sendo “Pedido de Restituição”. Observese também que o referido pedido é anterior à autuação. Isto posto, verificase que não foram cumpridos os requisitos estabelecidos em lei para a concessão da redução de multa, eis que a atuada não apresentou a) pedido de compensação e b), no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que foi notificada deste lançamento, razão pela qual não faz jus ao benefício pleiteado, mantendose as multas aplicadas. Então, a decisão de primeira instância entendeu que o sujeito passivo protocolou, através do PER/DCOMP nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011, um pedido de restituição e não um pedido de compensação, daí o fundamento para o indeferimento. Entretanto, a Recorrente aduz que em sede de Impugnação formalmente alterou o pedido de restituição para compensação em relação ao PER/DCOMP nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011, anotandose que o pedido de restituição de tal PER/DCOMP ainda não teve a correspondente manifestação da Unidade da RFB até a impetração do Recurso Voluntário.. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728411/201289 Resolução nº 2403000.220 S2C4T3 Fl. 260 9 DA NECESSIDADE DE NOVA DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se o pedido feito pelo sujeito passivo, em sede de Impugnação, se reveste das formalidades necessárias para constituir alteração de restituição para compensação em relação ao PER/DCOMP nº 23643.40549.050711.1.2.02 0294, transmitido em 05/07/2011, e ainda se tal pedido é viável para se quitar os débitos oriundos das presentes autuações AIOP nº 37.301.6000 e AIOP nº 37.301.6018. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) Se o pedido feito pelo sujeito passivo, em sede de Impugnação, se reveste das formalidades necessárias para constituir a alteração do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO feito no PER/DCOMP nº 23643.40549.050711.1.2.020294, transmitido em 05/07/2011, para PEDIDO DE COMPENSAÇÃO; (iii) Se tal PEDIDO DE COMPENSAÇÃO for formalmente viabilizado, se o sujeito passivo se enquadraria na hipótese de redução da multa de lançamento de ofício estipulada no art. 6º, I, Lei 8.218/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009; (iii) bem como, na hipótese de se viabilizar formalmente tal PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, se o crédito do PER/DCOMP nº 23643.40549.050711.1.2.020294 é suficiente para se quitar os débitos oriundos das presentes autuações AIOP nº 37.301.600 0 e AIOP nº 37.301.6018. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10735.900749/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 3202-001.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausentes, momentanetamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Recorrente RIOBRÁS TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 07 49 /2 00 8- 83 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.900749/200883 Acórdão n.º 3202001.186 S3C2T2 Fl. 86 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausentes, momentanetamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O presente processo, protocolizado em 16/04/2008, iniciouse com o indeferimento à declaração de compensação eletrônica apresentada para a quitação de PIS/Cofins, no montante de R$ 1.167,61, com supostos créditos de PIS, conforme explanado no Despacho Decisório DRF Nova Iguaçu nº 757783114, de 24/04/2008 (efolhas 1/25). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, 02788.13136.19037.1.7.045997, transmitida em 19/03/2007, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 09/01/2004, a título de PIS – código 8109, com débito da COFINS e do próprio PIS. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, o Delegado da DRF – Nova Iguaçu não homologou a compensação declarada, pois não foi confirmada a existência do crédito informado, visto que o DARF com recolhimento de R$ 1.167,61, em 09/01/2004, código de receita 8109, discriminado na PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A Interessada ingressou, em 11/06/2008, com manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese: 1. A empresa apresentou Declaração de Compensação, em 09/11/2003, com nº 01758.17253.090104.1.3.047795, identificando como origem dos créditos a contribuição ao PIS, com o valor de R$ 1.167,61. Foi emitido Termo de Intimação com a informação de que não fora localizado o DARF de R$ 67.132,43 indicado naquela declaração. Diante do imenso valor apresentado incompatível com seu fluxo de caixa, realizou a Retificação da Compensação em 19/03/2007, com nº 02788.13136.190307.1.7.045997, especificando os tributos a serem compensados através da Ficha Débito do PERDCOMP; 2. O programa PERDCOMP, versão à época, era um procedimento obrigatório recente, aceitava qualquer informação inconsistente induzindo então, sem alertas ou pendências, a introdução de um importante e vital elemento para a compensação, que era a descrição da origem do crédito; 3. Esta falha, considerada no direito tributário como “simples erro material”, ocorrida quando da transcrição dos dados para a tela do computador, poderia ser causada pela inexperiência das empresas no pioneirismo do uso da versão inicial Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.900749/200883 Acórdão n.º 3202001.186 S3C2T2 Fl. 87 3 do referido programa, amparada pela ineficiência do mesmo na filtragem dos dados, o que, ao contrário do que hoje ocorre inabilitando a utilização de créditos que tem como origem tributos cujos DARFs não tenham sido encontrados nos bancos de dados da Receita Federal, filtro, cuja ausência na entrada de dados das versões iniciais, permitiu que várias informações incorretas tenham sido "imputadas", assim concorrendo para criar situações complexas de erro de dados e sua reparação junto ao fisco; 4. Causada também na inexperiência dos usuários dos processos de compensação, antes utilizando formulários em papel, que permitiam a especificação de vários DARFs para justificar a origem dos créditos mas que, na conversão para o programa eletrônico, restringiu o uso, permitindo apenas a especificação de 1(um) único DARF, quebrando a sistemática de cálculo dos créditos e gerando um grande impacto no beneficio legal que permite a compensação de créditos as empresas; 5. Os créditos de estipulados na referida compensação estão relacionados no Pedido de Restituição formulado no processo nº 13748.000436/200368, de 24/09/2003, totalizando valor muitas vezes superior ao débito e perfeitamente aplicável ao encontro de contas crédito versus débito, realizado pela compensação; 6. Os referidos créditos constantes no Pedido de Restituição encontramse disponíveis para exame fiscal nos registros contábeis da empresa, bem como detalhados no referido processo de restituição, conforme direito raso e certo amparado pelo Código Tributário Nacional; 7. Ressaltese que a empresa recorrente encontrase atualmente em regime de tributação pelo Lucro Real, modificandose portanto, os códigos tributários , bem como processo contábeis diferentes, embora na época, tenha sido utilizado como origem dos créditos, face ao declarado no referido pedido, o tributo PIS; 8. Em seguida, apresenta suas ponderações a respeito da inconstitucionalidade da contribuição ao PIS a respeito do artigo 18 da Lei nº 9.715/98, que, conforme seu entendimento, gerou o crédito formalizado no processo de restituição acima citado; 9. Após transcrição de diversas normas legais e regulamentares, alega ainda que após demonstrar a ocorrência de um erro involuntário, dividido entre o órgão arrecadador e o contribuinte, este requer o provimento e que seja cancelado o débito fiscal reclamado e, após o exame do processo apresentado seja permitida nova compensação, com o aceite da inclusão de multa e juros até a data.. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1244.929, em 4 de abril de 2012 (efolhas nº 54/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS/DÉBITO. COMPROVAÇÃO. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.900749/200883 Acórdão n.º 3202001.186 S3C2T2 Fl. 88 4 A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido, em 18/04/2012 (efolhas 60), interpôs Recurso Voluntário em 17/01/2012 (efls. 61/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente em decorrência da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito reclamado, conforme trecho do voto vencedor abaixo transcrito: O Despacho Decisório ora contestado deixou de homologar a compensação declarada pelo interessado tendo em vista o DARF indicado na referida declaração não ter sido localizado. Em contraponto, o contribuinte alega que a presente declaração é uma retificadora e que a preenchera incorretamente, pretendendo vincular seus débitos a um Pedido de Restituição formalizado em processo administrativo diverso. De pronto, o que podemos firmar é que se a Declaração de Compensação foi preenchida erroneamente ou indevidamente, só resta ao contribuinte efetuar a sua retificação através dos procedimentos regimentais e não mediante a presente Manifestação de Inconformidade que é cabível nos casos de não homologação após exame da autoridade administrativa competente para análise do pleito como, aliás, ocorre no caso sob exame. Logo, descabe em análise da manifestação autorizar ou deferir um novo pedido de retificação da Declaração de Compensação, matéria totalmente estranha a esta Delegacia de Julgamento, por absoluta falta de competência, ou mesmo tecer considerações a respeito de crédito pleiteado em processos administrativos não diretamente vinculados à Declaração de Compensação cuja não homologação provocou a manifestação de inconformidade. (n.g) A ausência de elementos probantes para demonstrar os créditos pleiteados também já havia sido declinada no Despacho Decisório (efolha 2), verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.167,61 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Com efeito, compulsandose os autos verificase não existir qualquer elemento probante capaz de demonstrar a existência dos alegados créditos. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.900749/200883 Acórdão n.º 3202001.186 S3C2T2 Fl. 89 5 A Recorrente faz extensa explanação quanto a matérias diversas – que a compensação, à época, era um instrumento novo; que houve falha (“simples erro material”) na transcrição dos dados causada pela inexperiência da empresa; que os supostos créditos estão relacionados a Pedido de Restituição formulado em outro processo; que estes créditos encontramse disponíveis para exame fiscal nos registros contábeis da empresa; que há inconstitucionalidade no artigo 18 da Lei nº 9.718/98, entretanto, não apresenta sequer um elemento probante para demonstrar concretamente os supostos direitos de créditos alegados. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, a causa de indeferimento do seu pedido de compensação foi insuficiência do crédito para compensar com o débito informado. Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Este artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e de ofensa a princípio constitucionais, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão destas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Destarte, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.900749/200883 Acórdão n.º 3202001.186 S3C2T2 Fl. 90 6 É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.902419/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 24 19 /2 01 2- 01 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902419/201201 Acórdão n.º 3803006.082 S3TE03 Fl. 63 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 6 de novembro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902419/201201 Acórdão n.º 3803006.082 S3TE03 Fl. 64 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000180/00-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1997
CUSTO OU DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Quando
comprovado que os serviços foram efetivamente prestados, os gastos sejam necessários à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, além de serem usuais e normais no ramo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, as importâncias pagas ou incorridas são dedutíveis para efeito de apuração do lucro real.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado
provimento ao Recurso.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 CUSTO OU DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Quando comprovado que os serviços foram efetivamente prestados, os gastos sejam necessários à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, além de serem usuais e normais no ramo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, as importâncias pagas ou incorridas são dedutíveis para efeito de apuração do lucro real. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 CUSTO OU DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Quando comprovado que os serviços foram efetivamente prestados, os gastos sejam necessários à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, além de serem usuais e normais no ramo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, as importâncias pagas ou incorridas são dedutíveis para efeito de apuração do lucro real. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao Recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc - Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 9101-001.436, de 17 de julho de 2012, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Seção resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 10/08/2007 (fls. 578), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, inicialmente Embargos de Declaração datado de 13/08/2007 (fls. 580/582), os quais foram rejeitados pela autoridade examinadora, cuja ciência se deu 31/03/2008, posteriormente, tempestivamente, em 09/04/2008, interpõem Recurso Especial (fls. 589/595) para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 101-96.082, de 29/03/2007 (fls. 566/576) cuja decisão, por maioria de votos de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, em 19/07/2005, pela contribuinte Ação Informática Brasil Ltda. (fls. 378/387). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra a contribuinte, Ação Informática Brasil Ltda., foi lavrado, em 21/02/2000, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (fls. 197/205), com ciência, em 21/02/2000 (fls. 197/205) exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 367.340,60, a título de IRPJ e CSLL, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos referente ao exercício de 1997, correspondente ao ano-calendário de 1996. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 - CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS: Perante a legislação do Imposto de Renda, para se comprovar uma despesa de modo a torná-la dedutível do lucro tributável, não basta comprovar que foram elas assumidas e pagas. É indispensável comprová-las com documentos hábeis, idôneos e coincidentes em datas e valores, que demonstrem, inequivocamente, a efetiva realização dos serviços e/ou dos produtos adquiridos e sua relação com a atividade exercida. Infração capitulada nos arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 243 e 247, do RIR/94. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000180/00-12 Acórdão n.º 9101-001.436 CSRF-T1 Fl. 3 3 2 - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS: Os dispêndios relativos aos itens 03 a 10 retro citados, no valor total de R$ 552.457,16, serão glosados de oficio, por falta de comprovação da necessidade à atividade da empresa. Infração capitulada nos arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243, do RIR/94. Alerta a autoridade fiscal lançadora, através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 09/02/2000 (fls. 192/196), entre outros, os seguintes aspectos: - que perante a legislação do Imposto de Renda, para se comprovar uma despesa de modo a torná-la dedutível do lucro tributável, não basta comprovar que foram elas assumidas e pagas. É indispensável comprová-las com documentos hábeis, idôneos e coincidentes em datas e valores, que demonstrem, inequivocamente, a efetiva realização dos serviços e/ou dos produtos adquiridos e sua relação com a atividade exercida. Portanto, a falta de comprovação dessas despesas, apesar do longo prazo concedido, constitui infração aos artigos 195, inciso I; 197, parágrafo único; 242; 243 e 247, todos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94 (RIR/94) e, por esta razão, a quantia relativa a esses lançamentos, no valor total de R$ 41.495,60 (R$ 22.000,00 mais R$ 19.495,60) será glosada de oficio; - que com relação aos demais itens, ou seja, itens 03 a 10, os quais também se referem à dispêndios deduzidos do lucro tributável no período sob fiscalização, foram apresentadas cópias dai s respectivas notas fiscais e outros documentos que, segundo a empresa, comprovariam a efetividade dessas despesas e sua relação com a atividade exercida; - que todos esses dispêndios tiveram como beneficiárias empresas coligadas do contribuinte ora fiscalizado e, segundo as notas fiscais, referem-se a serviços que supostamente teriam sido realizados por essas empresas coligadas, relativos a comissões e assistência técnica. Contudo, as notas fiscais apresentadas contêm descrição genérica e global, sem qualquer especificação e indicação dos supostos serviços prestados; - que, em decorrência disso, os dispêndios relativos aos itens 03 a 10 retro citados, no valor total de R$ 552.457,16, serão glosados de oficio, por falta de comprovação da necessidade à atividade da empresa, conforme previsto nos artigos 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243, todos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94 (RIR/94). Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 20/03/2003 (fls. 209/214) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, em 11/05/2005, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I decide julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 363/370), com base, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: - que são consideradas indedutíveis as despesas quando o sujeito passivo não apresenta provas inequívocas de sua efetiva realização. - que não demonstrada a necessidade e normalidade da prestação dos serviços, justifica-se a glosa imposta; - que se aplica ao lançamento reflexo o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 24/06/2005, conforme Termo constante às fls. 371, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 19/07/2005, o seu Recurso Voluntário (fls. 378/387), o qual, ao ser apreciado pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 101-96.082, de 29/03/2007 (fls. 566/576), cuja decisão foi, por maioria de votos, pelo provimento parcial ao recurso, conforme se verifica de sua ementa e decisão: IRPJ — CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS — GLOSAS — Revestida a característica de necessário o gasto, essencial a transação ou operação exigida pela exploração das atividades principais ou acessórias, que esteja vinculado com as fontes produtoras dos rendimentos, bem corno, lastreadas em documento hábil e idôneo, impõe-se o restabelecimento de sua dedutibilidade. IRPJ — DESPESAS INCOMPROVADAS — Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. IRPJ — DESPESAS — COMPROVAÇÃO — Devidamente comprovado com documentação hábil e idônea a efetiva despesa, bem como, tratar-se de despesas com característica necessária e essencial a atividade exercida pela contribuinte e vinculada a fonte produtora dos rendimentos, impõe-se o restabelecimento da dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda. CSLL — LANÇAMENTO REFLEXO — Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento principal, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos novos ensejar decisão diversa. Recurso Provido Parcialmente. (...). ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) restabelecer em parte a dedutibilidade das despesas consideradas não comprovadas, no montante de R$ 19.495,60; 2) restabelecer integralmente a dedutibilidade das despesas consideradas não necessárias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido e Mário Junqueira Franco Júnior que mantiveram a indedutibilidade das despesas consideradas não comprovadas (o grifo não é do original). Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 29/03/2007, conforme Termo constante às fls. 578, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (09/04/2008), o seu Recurso Especial de fls. 589/595, com amparo no art. 7º, inciso I, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no Fl. 720DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000180/00-12 Acórdão n.º 9101-001.436 CSRF-T1 Fl. 4 5 qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que, desde já, convém logo ressaltar, que a matéria a ser enfrentada é eminentemente de prova. A contribuinte foi notificada em 23/11/1999 para comprovar alguns lançamentos extraídos dos livros Diário e Razão do ano-calendário de 1996; - que a decisão da Câmara se deu por maioria de votos no que pertine a dar provimento ao pedido de dedutibilidade das despesas que a fiscalização e a DRJ entenderam como não comprovadas, aceitando, para tanto, a nota fiscal de fls. 327 e a declaração de fls. 227 como documento hábil; - que a questio iuris implica em saber quais documentos têm força probante para que a prestação de serviços possa ser considerada como despesa operacional, e aí impassível de incidência do Imposto de Renda e demais corolários legais; - que a nota fiscal e a correspondência de fls. 227, de per si, não podem gerar a presunção de que houve a efetivação dos serviços pactuados. É necessária a comprovação, por meio de documentação idônea, contemporânea à sua realização, de que efetivamente a despesa realizada era devida pelos serviços prestados. É necessária a comprovação, por meio de documentação idônea, contemporânea à sua realização, de que efetivamente a despesa realizada era devida pelos serviços prestados; - que para que a despesa seja considerada operacional ela deve ser usual e normal às atividades da empresa, no caso específico de prestação de serviços, este deve ser efetivamente prestado (e devidamente assim comprovado) para que possa ser dedutível. Segue abaixo os acórdãos citados como sendo paradigmas da matéria em discussão (fls. 593), do qual transcrevo as respectivas ementas na parte que interessa: Acórdão 103-21868: IRPJ GLOSA DE CUSTOS - DESPESAS/ CUSTOS INDEDUTÍVEIS OU NÃO COMPROVADOS - São indedutíveis os custos e despesas, cuja efetiva realização e/ou respectivos pagamentos não forem devidamente comprovados pelo sujeito passivo, através de documentação hábil e idônea. A necessidade de comprovação decorre de que somente poderá ser considerada como operacional e dedutível a despesa para a qual for demonstrada a estrita conexão do gasto com a atividade explorada pela pessoa jurídica, bem assim é conditio sine qua non que atenda às exigências legais revestindo-se do caráter de usualidade, normalidade e necessidade para a manutenção da atividade e produção dos rendimentos. PRESUNÇÃO LEGAL - ÔNUS DA PROVA – Na relação jurídico-tributária o ônus probandi "incumbit ei qui dicit". Inicialmente, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, a Fl. 721DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 posteriori, apresentar os elementos que provem o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. Acórdão 103-21435: IRPJ - CUSTOS/DESPESAS - COMPROVAÇÃO - Para a apropriação de despesas operacionais dedutíveis, se faz necessário à comprovação da efetiva prestação dos serviços, não bastando comprovar que tenha ocorrido o pagamento. Acórdão 101-92788: PROVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – A dedutibilidade de despesas com prestação de serviços, pressupõe a prova da necessidade e efetiva realização deles, não bastando a comprovação de que foram contratados, assumidos e pagas. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 1ª Câmara do então primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 000/2008, de 12/04/2008 (fls. 595), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência do contribuinte, em 28/08/2008 (fls. 661), nos termos regimentais, foram apresentadas, em 12/09/2008, as contrarrazões (fls. 642/651), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: - que, agora, a Fazenda Nacional se insurge parcialmente contra o referido acórdão de fls. 566/576, apenas no tocante ao item 01 (um) do AIIM (despesas não comprovadas), por entender que teria ocorrido "contrariedade à evidência das provas", o que lhe autorizaria o manejo do presente recurso, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do novo Regimento Interno da CSRF; - que no tocante ao item 02 (dois) do AIIM aqui combatido (despesas necessárias — decisão unânime), onde o recurso especial poderia ter sido interposto com fulcro no inciso II, do art. 7°, do RI-CSRF, é importante salientar que a Fazenda Nacional não recorreu. Logo, no tocante a este item 2, ocorreu o trânsito em julgado da matéria envolvida, qual seja, a possibilidade de dedução das despesas consideradas necessárias; - que, por esta razão, ao analisar os requisitos de admissibilidade do recurso especial da Fazenda, o I. Conselheiro-Presidente da C. Primeira Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes/MF, acabou por admiti-lo com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno desta E. Corte; - que, entretanto, com a devida vênia, não estão presentes as mínimas condições para o conhecimento/provimento do recurso especial em comento; - que como noticiado anteriormente, é importante registrar aqui que o recurso especial da Fazenda Nacional impugna apenas a parte do v. acórdão de fls. que, por maioria, deu parcial provimento ao recurso do contribuinte, para restabelecer a dedutibilidade das despesas consideradas não comprovadas, no montante de R$ 19.495,60; Fl. 722DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000180/00-12 Acórdão n.º 9101-001.436 CSRF-T1 Fl. 5 7 - que, no presente caso, todavia, resta evidente que tais pressupostos não foram atendidos pela Recorrente. Isto porque, não obstante a constatação da divergência, não restou demonstrado que o v. acórdão recorrido teria sido contrário à evidência de provas; - que, pelo contrário, o v. acórdão recorrido entende que os documentos carreados aos autos pela ora Recorrida são hábeis e idôneos (nota fiscal de serviço e declaração de prestação de serviços) e comprovam a efetiva prestação de serviço no tocante a parte recorrida pela Fazenda Nacional (R$ 19.495,60); - que conforme se infere das razões do recurso em análise, a Recorrente procura impedir o direito da ora Recorrida à dedução de despesas incorridas para a realização das transações/operações exigidas na sua atividade, devidamente comprovadas por meio de documentação idônea (nota fiscal de serviços e declaração do prestador confirmando que prestou o referido serviço); - que os documentos apresentados foram considerados hábeis, idôneos e suficientes pela Colenda Primeira Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, para comprovação e dedução dos valores acima mencionados da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 106-16.982, de 26 de junho de 2008, processo atualmente de competência da 1ª Turma da, e tendo em vista que o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu me designar, como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 31/03/2008 (fls. 585) e tendo protocolizado o presente apelo em 09/04/2008 (fls. 589/595), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidencia-se a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Procurador, já que demonstrou que a decisão foi não-unânime de Câmara, e foi contrária à lei ou à evidência da prova. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão- somente ao item nº 01 do Auto de Infração, qual seja: o restabelecimento pela autoridade julgadora de 2ª Instância do valor de R$ 19.495,60 a título de custos ou despesas comprovadas Fl. 723DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 A Fazenda Nacional entende, que a nota fiscal e a correspondência de fls. 227, de per si, não podem gerar a presunção de que houve a efetivação dos serviços pactuados. Firma a sua posição no sentido de que é necessária a comprovação, por meio de documentação idônea, contemporânea à sua realização, de que efetivamente a despesa realizada era devida pelos serviços prestados. Entende, ainda, que a declaração de fls. 227 se limita a mencionar o período, de 1995 a 1996, pelo qual tais serviços teriam sido efetuados e sequer indica as datas em que teriam ocorrido. Por seu turno, para manter afastada a exigência alega a Recorrida (autuada) que as despesas ditas como não comprovadas encontram-se devidamente documentadas e referem-se a venda de equipamentos e prestação de serviços. Não há dúvidas de que se trata de interpretar o art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, cujo teor é o seguinte: Art. 47 - São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º - São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º - As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Este dispositivo é exemplo clássico daquilo que se denomina de cláusula geral. Verifica-se que o legislador desejando abranger quantidade considerável de hipóteses e, evidentemente, não encontrando possibilidade de enumerar os casos possíveis enquadráveis na área de abrangência da norma, restou-lhe lançar mão de tal expediente. A cláusula geral é formulação de hipótese legal que, em termo de grande amplitude, abrange e submete a tratamento jurídico todo o domínio de casos. Mediante a cláusula geral opta o legislador pela criação de hipótese legal em termo gerais a fim de evitar o problema das lacunas, pois a enumeração taxativa estará sempre exposta ao risco de apenas fragmentar e provisoriamente abordar a matéria jurídica. A circunstância de a norma não ser taxativa, mas envolver princípio norteador geral, não exclui o trabalho de interpretação da lei. Afinal, a tipicidade, em Direito Tributário, é do tipo cerrado e, mesmo existindo cláusula geral, é necessário haver interpretação da norma a fim de se saber se tal ou qual fato se enquadra na previsão legal. Ora, a Lei nº 4.506, de 1964 contém norma geral que estabelece como requisitos da dedutibilidade das despesas sua necessidade e normalidade. A necessidade não é referida, genericamente, ao tipo de atividade da empresa, mas a cada um dos seus negócios ou operações. A despesa é necessária desde que paga ou incorrida para realizar qualquer negócio exigido pela atividade do contribuinte. Despesa normal é a usual, costumeira ou ordinária no tipo de negócio do contribuinte. O requisito legal não é que seja usualmente paga pelo contribuinte, pode ser excepcional ou esporádica na experiência do contribuinte, desde que possa ser considerada como usual ou normal do tipo de negócios, operações ou atividades. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000180/00-12 Acórdão n.º 9101-001.436 CSRF-T1 Fl. 6 9 Em regra geral a comprovação das despesas, qualquer que seja sua natureza, há de ser feita com os documentos de praxe, isto é, com recibos, notas fiscais, canhotos de passagens etc., desde que a lei não imponha forma especial de comprovação. O mais importante é que estes comprovantes sejam de idoneidade indiscutível. No caso em julgamento, sou do entendimento de que o pagamento feito a empresa Multimídia & Cia. Ltda., na importância de R$ 19.495,60, encontra-se devidamente comprovado, eis que a contribuinte anexou aos autos nota fiscal de serviços (fl. 327) e Declaração da empresa confirmando a prestação dos serviços, devendo, por conseguinte, ser suficiente para restabelecer a dedutibilidade das despesas glosadas pela fiscalização, eis que a meu ver, tratam-se de despesas incorridas para a realização das transações/operações exigidas pela atividade da empresa, subsumindo-se perfeitamente na hipótese prevista no § 1°., art. 47, da Lei n. 4.506, de 1964. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e, no mérito, nego-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16327.000838/2003-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Anos-calendários: 1998, 1999, 2000, 2001
Ementa:
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.
Numero da decisão: 9101-001.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso
negado provimento. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado) e o Conselheiro
Francisco Sales de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira Viviane Vidal Wagner (suplente convocada).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso negado provimento. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado) e o Conselheiro Francisco Sales de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira Viviane Vidal Wagner (suplente convocada). (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente - Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadao, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Convocado). Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausentes, Justificadamente, Os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacionale, inconformada com o acórdão proferido que deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, nos seguintes termos: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 COOPERATIVAS DE CRÉDITOS. MERCADO FINANCEIRO. ATO COOPERATIVO. Aplicação financeira realizada por Cooperativa de Crédito. Descabida a incidência da exação ern destaque. Lançamento Improcedente..” O recurso especial apresentado pela Fazenda foi admitido pelo despacho de admissibilidade, às fls. XX, com os seguintes paradigmas: "."Número do Recurso: 105419919 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10680.014998/95-70 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE BOM DESPACHO LTDA. Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 29/11/2004 15:30:00 Relator(a): Mário Junqueira Franco Júnior Acórdão: CSRF/01-05.153 Decisão: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 9101-001.844 CSRF-T1 Fl. 11 3 Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Remis Almeida Estol e Wilfrido Augusto Marques que deram provimento ao recurso Inteiro Teor do Acórdão Ementa: COOPERATIVAS DE CRÉDITO — RESULTADO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS COM NÃO-ASSOCIADOS — TRIBUTAÇÃO — As aplicações de recursos realizadas pelas cooperativas de credito dentro do sistema cooperativo associado são as únicas que devem ser tratadas como efetivos atos cooperativos, isentos do imposto sobre a renda e não geradores de lucros tributáveis pela contribuição social, mas sim sobras. A verdadeira essência da cooperativa de crédito nit) é servir de intermediário do cooperado com o mercado financeiro, mas sim permitir, dentro da cooperativa e seus associados, maior acesso ao crédito, captando recursos com esses mesmos associados. Ouando, por questões de mercado ou de sobra de reservas, aplicar tais valores em outras instituições financeiras, estará realizando ato não cooperativo, cujo resultado positivo deve ser tributado. Recurso negado." "Número do Recurso: 105-121500 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10665.000517/97-26 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE CARMOPOLIS DE MINAS LTDA. Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 05/12/2005 15:30:00 Rela tor(a): Marcos Vinicius Neder de Lima Acórdão: CSRF/01-05.348 Decisão: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Vencidos os Conselheiros Victor Luis de Saltes Freire e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Ricardo Belizio de Faria Senra, OAB/MG n° 74.494 e o Senhor Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Junior. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: COOPERATIVAS — APLICAÇÕES FINANCEIRAS — ATOS NÃO COOPERATIVOS — As aplicações financeiras sio atos não cooperados, praticados com não associados, sujeitando-se ao imposto de renda. Recurso especial negado.” É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Pois bem, sobre o tema da tributação das receitas financeiras obtidas por cooperativas (genericamente falando), o Superior Tribunal de Justiça tem entendimentofirmado, retratado em sua súmula jurisprudencial e em julgamento de recurso repetitivo (Resp n° 58265): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 9101-001.844 CSRF-T1 Fl. 12 5 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotas partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e Decreto Lei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 58265/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) A Súmula n° 262 do STJ, no mesmo sentido, estabelece que “incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. Tal entendimento, contudo, refere se às cooperativas em geral. Na sua consolidação, o STJ não trouxe à baila a análise específica da situação das Cooperativas de Crédito. Pelo contrário, ao fazê lo, o Egrégio Tribunal manifesto use, por diversas vezes, no sentido de excluídas do entendimento retratado no acórdão e na súmula acima transcritos. Isto porque, tratando se de Cooperativa de Crédito, as receitas financeiras, efetivamente, consubstanciam atos cooperativos.” Neste sentido, os seguintes julgados: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 9101-001.844 CSRF-T1 Fl. 13 7 INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmo use no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie6. No caso concreto, inverto os honorários advocatícios, restabelecendo os valores fixados na sentença, a qual condenou a União ao pagamento da verba honorária em 5% (cinco por cento) do valor atribuído à causa (R$ 805.433,30 – oitocentos e cinco mil, quatrocentos e trinta e três reais e trinta centavos), corrigido monetariamente, dado o elevado valor conferido à demanda. 7. Essa inversão é possível, pois, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, "1. O STJ, ao aplicar o direito à espécie, após conhecer do recurso especial, rejulga a causa (...). 2. Possibilidade de fixação de honorários advocatícios em percentual inferior ao mínimo de 10% (dez por cento), quando vencida a Fazenda Pública, mediante a aplicação do art. 20, § 4º do CPC" (AgRg no REsp 418.640/DF, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 2.6.2003). Na mesma linha de entendimento: "conhecido o recurso, é possível ao STJ, desde logo, aplicar o direito à espécie, nos termos do art. 257 do seu Regimento Interno, não havendo que se falar em supressão de instância. 3. O valor dos honorários foi fixado com razoabilidade, no mínimo legal, devendo ser ressaltado o fato de que a tese defendida pela parte só veio a ser acolhida na instância Superior, demandando acompanhamento profissional contínuo, Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 que merece ser prestigiado" (EDcl REsp 1.130.634/RS. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 15.12.2009). 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tão somente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbências em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 24/02/2010) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. (EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611.217/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 823.207/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009) Ressalte se que o Supremo Tribunal Federal, quando lhe foi levado à apreciação por meio de Recurso Extraordinário, não conheceu do recurso, por reputar que eventual violação à Constituição Federal, esta somente seria indireta (ARE 639684, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 13/06/2011, publicado em DJe162 DIVULG 23/08/2011 PUBLIC 24/08/2011). De sorte que a última palavra sobre o assunto coube ao STJ.” Neste sentido, deve se ter em mente que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça pode ser resumido da seguinte forma: o imposto sobre a renda incide Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 9101-001.844 CSRF-T1 Fl. 14 9 sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, salvo em relação às cooperativas de crédito. Isto justamente porque, no caso particular das cooperativas de crédito, as aplicações financeiras realizadas inserem se no conceito de atos cooperativos. Com efeito, como bem se demonstrou no acórdão recorrido, as cooperativas são pessoas jurídicas criadas com uma finalidade central de prestar serviços relevantes de assistência a seus associados, conforme se depreende dos artigos 3° e 4° da Lei n° 5.764/71. E mais, sem objetivo de lucro. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 (artigo 79) qualifica juridicamente como cooperativos os atos praticados “entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Tais atos, como se sabe, não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. No caso específico das Cooperativas de Crédito, o respectivo objetivo social, em síntese, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro. Na hipótese dos autos, a contribuinte, conforme se depreende do artigo 3° do seu Estatuto Social, tem por objetivo “a organização em comum e em maior escala dos serviços econômico financeiros e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.” Na consecução deste escopo, a contribuinte, conforme alegado ao longo do presente processo administrativo, administra o excedente de liquidez das filiadas (recursos que acabam não sendo empregados integralmente no quadro social), redirecionando tais recursos para outras cooperativas ou para aplicações financeiras no mercado financeiro. Estas aplicações financeiras revelam se naturais, na medida em que consubstanciam um reforço à consecução dos objetivos sociais da Cooperativa, sobretudo porque, conforme se depreende do documento de fls. 76/79 (despesas de rateio), conforme citado pelo próprio órgão a quo, a receita obtida por meio de tais aplicações financeiras é repassada aos cooperados, não havendo, pois, qualquer lucro por conta da Cooperativa. Ora, se não há lucro propriamente dito em favor do contribuinte, e se as aplicações financeiras são implementadas com vistas à melhor concretização dos objetivos sociais da cooperativa, é de se concluir que os respectivos atos enquadram se no conceito de atos cooperativos. Ressalte se, uma vez mais, que, segundo o artigo 79 da Lei n° 5.764/71, para que o ato seja qualificado como cooperativo, faz se imprescindível que seja praticado no intuito de consecução dos objetivos sociais. As aplicações financeiras promovidas pelo contribuinte, na hipótese, definitivamente, são feitas com esse ânimo, e não com ânimo de lucro da própria cooperativa. Desta forma, tendo em vista o entendimento do STJ sobre a matéria, tendo vista também que as Cooperativas de Crédito apresentam circunstâncias que a distinguem das demais espécies de cooperativas (não podendo, o entendimento prevalente sobre estas, incidir sobre aquelas) e, finalmente, considerando se que as aplicações financeiras promovidas pelo Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 contribuinte na hipótese são feitas a fim de atingir o respectivo objetivo social, não se pode acolher as alegações da Fazenda. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha, na sua integralidade, o acórdão recorrido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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