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Numero do processo: 37219.002038/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se
a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda
aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.676
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ACORDAM os membros do Colegiado, [Tabela de Resultados] Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37219.002038/200675 Acórdão n.º 240101.676 S2C4T1 Fl. 217 3 Relatório NET RIO S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ Sul, DN nº 17.403.4/0165/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31, da Lei nº 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mãodeobra cedida pela empresa RCL RIO QUALITY SERVIÇOS LTDA., apurada por aferição indireta com espeque no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 01/1997 a 11/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 35/41. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 27/12/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 159.770,98 (Cento e cinqüenta e nove mil, setecentos e setenta reais e noventa e oito centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa RCL RIO QUALITY SERVIÇOS LTDA., que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, utilizandose o percentual de 40% (quarenta por cento) e/ou 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor total do serviço prestado contido nas Notas Fiscais, Faturas ou Recibos, nos termos do artigo 600, incisos I e II, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 57. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 153/167, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade previdenciária competente deveria ter dado ciência à NET RIO das razões de impugnação da prestadora de serviços, para devida manifestação a propósito de seus argumentos e documentos trazidos à colação, sob pena de cerceamento do direito de defesa das contribuintes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, sob o argumento de que deveria o INSS ao constituir o crédito previdenciário, sobretudo por se tratar de responsabilidade solidária, promover o cruzamento de informações sistematizadas objetivando verificar de forma evidente o não recolhimento das contribuições objeto da notificação, acostandose tais informes aos autos e dando ciência às partes, no intuito de evitar a duplicidade da cobrança das contribuições ora lançadas. Assevera que o Parecer CJ/MPAS nº 2376/2000, bem como a legislação previdenciária, especialmente a Instrução Normativa SRP nº 03/2005, oferece proteção ao pleito da contribuinte, determinando que a fiscalização adote procedimentos prévios ao lançamento com o fito de minimizar as chances de bitributação, não servindo para tanto o simples argumento da necessidade de existência de guias específicas. Requer a nulidade do lançamento, alegando que a fiscalização deixou de verificar primeiramente, junto à prestadora dos serviços, a existência dos créditos previdenciários ora lançados. Contrapõese à decisão recorrida, aduzindo que não pretendeu e/ou pretende em suas razões recursais questionar a legalidade do instituto da responsabilidade solidária em comento, inferindo tão somente que caberia à fiscalização dispensar esforços, com diligências e/ou verificação dos sistemas informatizados, para verificar se as contribuições previdenciárias ora exigidas efetivamente não foram recolhidas pela empresa prestadora de serviços. Sustenta que o simples fato de não apresentar as guias específicas vinculadas aos serviços prestados, por si só, não tem o condão fundamentar a presunção de existência de passivos previdenciários. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões, às fls. 175/178, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Incluído na pauta do dia 11/12/2007, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária informasse, relativamente ao período objeto da notificação, se a empresa prestadora de serviços fora submetida à ação fiscal total (com contabilidade) ou parcial; se detém CND de baixa emitida; se encontrase incluída em algum Parcelamento; ou mesmo se existem recolhimentos de contribuições previdenciárias relacionadas com os fatos geradores em comento, conforme Resolução nº 20600.038, às fls. 179/184. Em atendimento à diligência suso mencionada, a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 194, elucidando as questões suscitadas por aquela Egrégia Câmara, ressaltando que a empresa prestadora de serviço sofreu fiscalização parcial relativamente ao período de 01/1997 a 12/1997 (intermitente), resultando na lavratura de LDC’s. Instada a se manifestar a propósito da diligência supracitada, a contribuinte apresentou suas novas razões, às fls. 195/196, pugnando pelo acolhimento da decadência da exigência fiscal em comento, sobretudo em face da aprovação da Súmula Vinculante n° 08 do STF. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37219.002038/200675 Acórdão n.º 240101.676 S2C4T1 Fl. 218 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37219.002038/200675 Acórdão n.º 240101.676 S2C4T1 Fl. 219 7 e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, do CTN). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 27/12/2005, com a devida ciência da contribuinte, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/1997 a 11/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002842/00-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido
de compensação convertido em declaração de compensação que não seja
objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da
data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do
montante do crédito.
DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de
declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho
decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos,
contado da data de seu protocolo.
Numero da decisão: 3302-000.841
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 14/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI, fundamentado na Lei 9.363/96, protocolado nos termos da Portaria MF 38/97, relativo a período de apuração de 01/01/1999 a 31/03/1999, que foi protocolado em 19/12/2000. Em 19/12/2000 foi apresentado pedido de compensação (fls.02) de débitos de PIS e COFINS com o créditos decorrentes do pedido de ressarcimento. Em 16/01/2001, novo pedido de compensação é apresentado (fls. 47). Por meio da Intimação SAORT nº. 2006189, de fls. 58, a Recorrente é intimada pela para apresentar diversos documentos fiscais. As fls. 137 foram anexadas cópias da inicial do Mandado de Segurança 93.00011847, protocolado junto a Justiça Federal de Santa Catarina, onde se discutia a não incidência do IPI nas vendas de açúcar de cana de seu estabelecimento industrial situado no Município de Ilhota/SC. Por meio de Despacho Decisório (fls. 168), datado de 18/04/2007, a Delegacia da Receita Federal de Florianópolis entendeu por bem INDEFERIR o pedido de Ressarcimento e os Pedidos de Compensação (Declarações de Compensação), em despacho assim assentado: CONSIDERANDO o que consta dos autos e com base na Informação Fiscal de fls. 161/168, que aprovo, uso da competência definida pelo art. 250, inciso XXI, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 30. de 25 de fevereiro de 2005, para indeferir o pedido de ressarcimento do contribuinte REFINADORA CATARINENSE S/A, CNPJ 86.151.586/000100 (fl. 01) e os pedidos de compensação de fls. 02 e 47. A Recorrente foi intimada desta decisão em 07/05/2007. Da Informação Fiscal (fls. 219) que lastreou o despacho decisório, cumpre destacar: “A apreciação deste processo nesta DRF devese à alteração de oficio do domicílio fiscal, através do Ato Declaratório Executivo n° 72, de 13/07/2006, do Sr. Delegado da Receita Federal em Florianópolis, publicado no DOU de 17/07/2006, que estabeleceu o domicílio tributário da empresa à Rodovia SC 401, km 5, n° 4756, Saco Grande II, Florianópolis, SC.” Fl. 265DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 330200.841 S3C3T2 Fl. 238 3 (...) “Evidente que a interpretação da IN SRF 21/97 só pode ser feita à luz da Portaria MF 38/97 então vigente. Sendo assim, necessariamente, o contribuinte deveria em primeiro lugar compensar os créditos enquadrados no art. 4° com débitos do mesmo imposto e, somente na SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM FLORIANÓPOLIS – SC DESPACHO DECISÓRIO (Processo n2 10909.001589/0058 — Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI Compensação) hipótese de impossibilidade de compensação com débitos do IPI, poderia pedir o ressarcimento em espécie.” “É fato que, por força do art. 3° da IN SRF n° 67, de 14/07/1998, no período de 06/07/1995 a 16/11/1997 a empresa teve convalidado seu procedimento, tendo inclusive obtido decisão administrativa favorável no processo 10909.000855/97 67, uma vez que o valor do IPI devido naquele período deixou de depender do assunto tratado na demanda judicial..” (...) “Com o advento da IN SRF 233/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 foram transformados em declarações de compensação. Este entendimento permanece válido segundo o art. 64 da IN SRF 600/2005.” (...) “Em 28 de setembro de 2005, a Procuradoria da Fazenda emitiu Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1.499/05, que analisa diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação tributária, o qual, em seu item "c.1" dispõe : "c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei n° 9.430/96 e legislação correlata;"” “Sendo assim, de conformidade com o item "c.1" do referido Parecer, tendo em vista que a situação específica do pedido de ressarcimento de fl. 01 estava expressamente vedada. Os pedidos de compensação de fls. 70, 71 e 192 (acessórios) que utilizavam o crédito do pedido de ressarcimento de fl. 01 (principal), não se transformaram em "declarações de compensação", permanecendo como "pedidos de compensação", não se aplicando o § 2° do art. 29 da IN SRF 600/2005.” “Os débitos de IPI do período de setembro a dezembro de 1998 que deixaram de ser reconhecidos pelo contribuinte foram lançados de oficio pela fiscalização e são tratados no processo 18471.002611/200362. Tal processo, após impugnação, encontrase em cobrança final desde 06/05/2004. Após esta data, Fl. 266DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 foi apresentado recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes, não conhecido por perempto, e à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional.” “Tendo em vista a existência de litígio judicial que pode alterar o valor a ser ressarcido, é vedado o ressarcimento dos créditos, inclusive para fins de compensação com débitos administrados pela SRF (IN SRF 21/97, art. 8°, § 6° e IN SRF 600/2005, art. 0).” (...) O pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI apurado a partir de 01/01/1999 (fl. 01), protocolado em 19/1212000, é tempestivo (art. 1° do Decreto n.° 20.910 de 6 de janeiro de 1932) e está formalizado de conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 21/97. Não foi realizada verificação da escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que a existência de litígio judicial impede a concessão do ressarcimento e conseqüentemente, a homologação das compensações.” Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade onde, em síntese, alegou que: 1.Preliminarmente, deve ser declarada nulidade do despacho decisório nos termos do art. 5°, inciso LIII, da Constituição Federal, art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, e jurisprudência administrativa colacionada, pois a competência para analisar a questão concernente ao presente processo pertence a Inspetoria da Receita em Itajaí/SC, autoridade que o contribuinte era subordinado à época do protocolo dos pedidos; 2. A autoridade fiscal esforçase ao máximo, fazendo verdadeiro histórica da legislação, com vistas a demonstrar que era vedado à contribuinte o ressarcimento em espécie, quando, em momento algum, a contribuinte fez tal solicitação, conforme podese perceber pelos documentos de fls. 01, 02 e 47; 3. A legislação que não teria sido observada pela contribuinte inviabilizando, assim, a conversão dos seus pedidos de compensação em declarações de compensação, e vedando o pedido de ressarcimento, é quase toda posterior ao protocolo dos citados pedidos, portanto, não podendo ser aplicada ao caso presente. As únicas legislações correlatas vigentes à época do protocolo dos pedidos (Portaria MF 38/97 e IN 21/97), não prevêem qualquer vedação à situação específica da contribuinte. Incorreu, portanto, em completo equívoco a autoridade julgadora; 4. Não acatadas as teses da nulidade do despacho decisório e da ocorrência da homologação tácita das compensações, entende a contribuinte que os valores exigidos á título de PIS e COFINS constantes do Demonstrativo de Débito de fl. 169 já prescreveram, uma vez que vencidos há mais de 5 anos. Após análise dos argumentos apresentados, a DRJ de Ribeirão, Preto entendeu por bem indeferir a solicitação, em decisão que assim ficou ementada: Fl. 267DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 330200.841 S3C3T2 Fl. 239 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ABRANGÊNCIA DO PEDIDO. A ressarcimento/compensação de tributos é um direito subjetivo a ser exercido dentro de regras administrativas processuais próprias, estabelecidas na legislação tributária. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. COMPETÊNCIA O reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos do IPI cabe ao titular da DRF que, à data do reconhecimento, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Após cientificada da decisão, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário onde reprisa os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se destacou no relatório acima exposto, a Recorrente apresentou pedido de Ressarcimento de Créditos Presumidos de IPI de que trata a Lei nº. 9.363, de 13 de dezembro de 1996 e a ele atrelou compensações que foram apresentadas nos dias 19/12/2000 (fls. 02) e 16/01/2001 (fls.47). Consta também que os créditos foram alvo de diligências por parte da DRF de Florianópolis (fls. 58), que deixou de efetuar as verificações na escrituração contábil e fiscal por conta da existência de litígio judicial. Somente em 18/04/2007, DRF entendeu que a existência de ação judicial relacionada ao IPI impediria o deferimento dos pedidos de Restituição, motivo pelo qual estes foram indeferidos. Em relação as compensações, foi afastada a sua homologação tácita tendo por fundamento o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/05, sendo as mesmas também indeferidas. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 A Recorrente foi cientificada do despacho decisório que indeferiu a restituição e as compensações no dia 07/05/2007. Em se tratando de pedidos de compensação protocolados no ano de 2000 e 2001, convém analisar o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº. 10.637/2002 e nº. 10.833/03, assim determinou: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 330200.841 S3C3T2 Fl. 240 7 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nos termos do §§ 4ºe 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, passando, a partir disto, a estarem sujeitos à homologação tácita quando não analisados dentro do prazo de 5 anos a contar do seu protocolo. A Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, primeira a regular a matéria tratada nos parágrafos 2° e 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, após a edição da MP n° 66/2002, basicamente repete os dispositivos contidos naquela Lei, vejase a seguir: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput,o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF. A Secretaria da Receita Federal, por meio da sua CoordenaçãoGeral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna n° 01, de 04 de Janeiro de 2006, em que restou esclarecido: ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita Fl. 270DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Ou seja, não existe, na legislação de regência, qualquer determinação ou exigência relacionada a procedência ou não dos pedidos de ressarcimento, nem a eventuais requisitos a serem cumpridos por estes. A homologação tácita ocorre somente em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação e não em relação aos pedidos de ressarcimento, que em alguns casos não precisam sequer ser analisados, como no caso de os créditos requeridos estarem sendo totalmente utilizados nas compensações informadas. A interrupção do prazo disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, somente ocorre com a regular intimação da decisão ao sujeito passivo. Esta é a determinação contida na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, senão vejamos: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (grifos nossos) No presente caso isto somente ocorreu em 07/05/2007, ou seja, quase sete anos após o protocolo (19/12/2000 (fls. 2) e 16/01/2001 (fls. 47)) dos Pedidos de Compensação que foram posteriormente convertidos em Declaração de Compensação. Tendo sido homologadas tacitamente todas as compensações requeridas, as outras questões levantadas no Recurso Voluntário perdem força, motivo pelo qual deixo de examinálas. Neste sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, em acórdão de lavra do eminente conselheiro Antônio Zomer, cuja ementa assim ficou assentada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 271DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.002842/0063 Acórdão n.º 330200.841 S3C3T2 Fl. 241 9 Período de apuração: 01/0712000 a 31/10/2000 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO. O reconhecimento da ocorrência de homologação tácita da compensação, conforme disposto nos §4 e 52 do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte e resolve processo administrativo, extinguindo o correspondente litígio. (Acórdão nº20219304 – Relator Antônio Zomer. Data Julgamento 04/09/2008) Por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a homologação tácita das compensações protocoladas em 19/12/2000(fls. 02), e 16/01/2001 (fls. 47), cancelandose por inteiro a exigência fiscal. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 272DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10980.010598/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS.
NULIDADES. Deixam de ser apreciados os fundamentos da nulidade
suscitada no recurso quando estes se confundem com a matéria de mérito.
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Incumbe ao fisco
demonstrar por prova direta que as atividades exercidas pela contribuinte impedem a sua opção pelo Simples.
Numero da decisão: 1302-000.523
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES. Deixam de ser apreciados os fundamentos da nulidade suscitada no recurso quando estes se confundem com a matéria de mérito. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Incumbe ao fisco demonstrar por prova direta que as atividades exercidas pela contribuinte impedem a sua opção pelo Simples.
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NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES. Deixam de ser apreciados os fundamentos da nulidade suscitada no recurso quando estes se confundem com a matéria de mérito. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Incumbe ao fisco demonstrar por prova direta que as atividades exercidas pela contribuinte impedem a sua opção pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010598/200525 Acórdão n.º 130200.523 S1C3T2 Fl. 437 2 Relatório TVB SERVIÇOS EM EQUIPAMENTOS PARA TELECOMUNICAÇÕES LTDA. ME, inscrita no CNPJ sob nº 02.197.453/000185, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Trata o presente processo da exclusão da interessada do Simples, através do Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/CTA nº 122, de 2 de dezembro de 2008 (fls. 12), motivado pela representação do Centro (fls. 14/16), pelo desempenho da atividade de projetos, instalação e manutenção de equipamentos para telecomunicações e eletroeletrônica, vedadas pelo art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/1996. Cientificada da exclusão (fls. 28), a interessada, tempestivamente, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 18, alegando que a empresa não desenvolve atividades vedadas pelo simples. Juntou os documentos de fls. 19/28 para comprovação do alegado. A Segunda Turma Julgadora da DRJ em Curitiba (PR) indeferiu o pedido nos termos do Acórdão nº 0623.293 (fls. 49/50), cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: SIMPLES. SERVIÇOS DE PROJETOS, INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS PARA TELECOMUNICAÇÕES, SERVIÇOS DE MONTAGENS ELÉTRICAS. Serviços de projetos, instalação e manutenção de equipamentos para telecomunicações, serviços de montagens elétricas são vedadas ao Simples pelo art. 9º, XIII da Lei nº 9.317, de 1996. Cientificada da decisão (fls. 53), a interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 55/75, alegando em síntese: A nulidade do Ato Declaratório Executivo, uma vez que no mesmo não existe menção quanto aos motivos que levaram ao entendimento de que as atividades constantes do objeto social da Recorrente apenas poderiam ser praticadas por um engenheiro; A nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa pela total ausência de fundamentação e motivação uma vez que a própria decisão recorrida admite a existência de dúvidas quanto à efetiva e real prestação de serviços prestada pela recorrente; No mérito diz que o ato de exclusão é autoritário e ilegal de vez que por imposição constitucional, deve merecer tratamento jurídico tributário diferenciado, fazendo jus à opção pelo simples; Que a Lei nº 9.317/1996, ao criar exceções vedando a opção pelo regime diferenciado transbordou os limites constitucionais; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010598/200525 Acórdão n.º 130200.523 S1C3T2 Fl. 438 3 Que a recorrente não praticou atividades vedadas, inobstante constarem de seus atos constitutivos; Que a vedação à opção pelo Simples de quem presta serviços profissionais de engenheiro, arquiteto, etc., há que se entender que a microempresa não pode prestar serviços, cuja execução exija concurso profissional legalmente habilitado; Que não há exigência legal do concurso de engenheiro para as atividades de montagens elétricas ou mesmo projetos, instalação e manutenção de equipamentos para telecomunicações, caso contrário, a recorrente deveria estar registrada no CREA. Citou jurisprudência, juntou documentos e pediu o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Cuidase de pedido de impugnação a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, instituído pela Lei n° 9.317/96. PRELIMINARES Os argumentos que embasam as preliminares de nulidade do Ato Declaratório Executivo e da decisão recorrida se confundem com a matéria de fundo e lá serão examinadas. MÉRITO Pelas razões neste ato expostas, deduzse que a exclusão da recorrente na sistemática do SIMPLES se deu exclusivamente pelo motivo de que a mesma prestaria serviços incompatíveis com sua opção pelo sistema simplificado. A autoridade fiscal consignou no Despacho Decisório de fls. 14/15 que consta do objeto social da recorrente o desenvolvimento das seguintes atividades econômicas: Projetos, instalação e Manutenção de Equipamentos para Telecomunicações e Eletro Eletrônica”. Assim, segundo Despacho Decisório, por pretensamente se enquadrar no item XIII do Art. 9º da Lei 9.317/1996, a recorrente foi excluída do SIMPLES, acrescentando: Em outras palavras, quer o desenvolvimento de projetos, quere a instalação e manutenção de equipamentos para telecomunicações, são atividades que exigem o envolvimento de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.010598/200525 Acórdão n.º 130200.523 S1C3T2 Fl. 439 4 engenheiros ou assemelhados, cuja habilitação profissional é legalmente exigida, acarretando, para as empresas que se dedicam a execução de tais serviços, como é o caso da interessada, vedação à opção pelo Simples. Não assiste razão ao fisco, por entender que as atividades exercidas pela recorrente, impedem sua opção pelo SIMPLES. De plano, observamos, que não existe qualquer exigência ou prérequisito legal algum para que os serviços que vêm sendo exercidos pela recorrente devam ser através de profissionais com conhecimentos técnicos especializados, particularmente o concurso de engenheiros. Ao contrário, as atividades exercidas pela recorrente dependem apenas de pessoas com conhecimentos empíricos num ramo de atividade que independe de profissionais com habilitação legalmente estatuída. Verificase que a recorrrente, pequena sociedade empresária é composta por profissionais de nível médio, comerciantes por profissão, que não necessitam de instrução especializada para exercerem suas atividades. O Despacho Decisório tomou por base apenas o que consta do contrato social da recorrente, sem qualquer precaução quanto à busca da verdade material, ou seja, da constatação da natureza dos serviços que efetivamente são prestados. Em vista disso, concluímos que as atividades que exerce a recorrente, estão entre aquelelas permitidas pela legislação de regência do SIMPLES, portanto, não incluídas na restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei 9317 de 05/12/1996. DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de DARLHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI – Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10855.003677/2006-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. A existência de sócio com participação
superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica cumulada com receita bruta global acima do limite legal caracteriza condição excludente do regime do Simples, com efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da condição.
Numero da decisão: 1103-000.435
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as parcelas do crédito tributário correspondente aos períodos de apuração de junho a dezembro de 2002, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. A existência de sócio com participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica cumulada com receita bruta global acima do limite legal caracteriza condição excludente do regime do Simples, com efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da condição.
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EXCLUSÃO. A existência de sócio com participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica cumulada com receita bruta global acima do limite legal caracteriza condição excludente do regime do Simples, com efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da condição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as parcelas do crédito tributário correspondente aos períodos de apuração de junho a dezembro de 2002, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Gervásio Nicolau Recketenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vicepresidente) e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Fl. 1116DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1418.888/2008 (fls. 960), da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP. O lançamento, relativo a fatos geradores de todos os meses do anocalendário 2002, foi assim descrito no relatório da decisão recorrida: “Contra empresa acima identificada foram lavrados autos de infração que lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 34.452,18, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 34.452,18, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 53.922,00; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de R$ 107.844,02 e Contribuição para a Seguridade Social (INSS) de R$ 223.486,44 (fls. 539/591), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos. A imposição tributária deuse no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. O lançamento tributário achase calcado em omissão de receitas, com base em depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimento, esta decorrente do reenquadramento da receita oferecida pela contribuinte à tributação, em face da mudança da base de cálculo dos tributos, obtida com o acréscimo dos depósitos bancários. Segundo consta do Termo de Constatação Fiscal (fls. 537/538), o procedimento iniciouse a partir da comprovação de que houve movimentação financeira da pessoa jurídica em conta de depósitos de sócio da interessada, corroborada pelo cotista, senhor Jonas Caetano Filho em declaração na qual afirmou que os depósitos da pessoa jurídica eram carreados para a conta da pessoa física (fls. 222/224). Após proceder ao cotejo entre os depósitos efetuados e o que fora contabilizado, a autoridade fiscal elaborou relação dos créditos cuja origem não fora comprovada, ao mesmo tempo em que intimou a contribuinte a manifestarse acerca do que havia sido constatado (fls. 477/532). Em resposta a contribuinte apresentou o expediente acostado sob fl. 533 em que informou que toda a movimentação bancária decorreu de vendas de mercadorias. Constam dos autos planilhas com demonstrativo mensal dos créditos bancários havidos nas contas de pessoa física e pessoa jurídica que serviram de base para apuração da receita omitida, base de cálculo para o lançamento, após ter sido deduzida a receita declarada (fls. 534/536). Conforme dão conta as cópias das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) que a contribuinte, inicialmente optante pela tributação na sistemática do Simples, alterou a forma de tributação para a Fl. 1117DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 3 3 modalidade de Lucro Presumido a partir de 01/06/2002, durante o anocalendário. Segundo deixou consignado a autoridade tributária, a contribuinte alterou a sistemática de tributação pelo fato de que seu sócio, senhor Jonas Caetano Filho procedeu a abertura de outra empresa, denominada Caetano de Boituva Materiais para Construção Ltda., CNPJ 05.081.777/000141, da qual participa com 50%. Conforme assentou, a alteração não se poderia dar no decorrer do anocalendário, fato que ensejou o lançamento na modalidade de Simples. Procedeu a autoridade fiscal ao arrolamento da pessoa jurídica, protocolizado sob nº 10855.003678/200641 (fls. 592/593).” A contribuinte apresentou uma impugnação para cada auto de infração (fls. 597, 656, 715, 774 e 863). A turma de primeira instância julgou a exigência procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples ANOCALENDÁRIO: 2002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na receita bruta, na forma disciplinada na Lei nº 9.317/96 e legislação superveniente. Cobramse através de lançamento de ofício as importâncias correspondentes a depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. PARTICIPANTE. EXCLUSÃO. OPÇÃO. EFEITOS. Os efeitos da exclusão de empresa participante do Simples que tenha optado por afastarse do sistema operamse a partir do anocalendário subseqüente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e os valores escriturados nos Livros Contábeis, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1118DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 4 4 Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação.” Cientificada da decisão em 04/06/2008 (fls. 971), a contribuinte interpôs o recurso no dia 2 do mês seguinte (fls. 975). Antes de “adentrar no bojo da presente situação de tensão jurídicodialética”, informou que interpôs apenas um recurso, tendo em vista a existência de uma única decisão de primeira instância abrangendo as cinco impugnações ofertadas. Preliminarmente, alegou (i) impossibilidade de exigência dos tributos pelas normas do Simples, (ii) incompetência da Receita Federal para fiscalizar e cobrar contribuições sociais previdenciárias inerentes ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e (iii) cerceamento do direito de defesa. No mérito, contestou as alíquotas utilizadas no lançamento para apuração da contribuição previdenciária destinada ao INSS e destacou o “evidente caráter confiscatório” da multa imposta. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Inicialmente, registrese o descabimento, no âmbito do julgamento administrativo tributário, do exame de alegações relativas a suposta inconstitucionalidade de lei vigente, de vez que se trata de matéria privativa do Poder Judiciário, nos termos do art. 102 da Constituição da República, restando examinarse, tãosomente, a conformidade do ato de lançamento à legislação tributária aplicável. Fl. 1119DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 5 5 Esse é o entendimento consubstanciado em Súmula deste Conselho: “Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Entretanto, apenas em caráter informativo, sabese que o princípio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não se aplicando às multas ex officio. O entendimento de que o art. 150, IV, da Constituição da República abrange as multas, como defende a recorrente, não encontra respaldo na nossa doutrina tributária. Segundo a lição de Hugo de Brito Machado1: “Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do princípio do nãoconfisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art.150, inciso IV, referese apenas aos tributos. O elemento teleológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas é exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógicosistêmico, a seu turno, não leva a conclusão diversa, posto que a nãoconfiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocarse qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude.” A preliminar de impossibilidade de apuração do crédito tributário segundo as normas do Simples se confunde com o próprio mérito do lançamento. Dessa forma, deve ser examinada no contexto do enfrentamento do mérito e não como preliminar de nulidade do lançamento. A alegação de cerceamento do direito de defesa não constitui questão a ser enfrentada neste julgamento, uma vez que aborda mera especulação de suposto vício, de mudança de fundamentação da exigência, que seria promovida por este Colegiado, determinando a apuração do crédito tributário pelo regime de tributação do lucro presumido, conforme se percebe no arrazoado da recorrente: “Reforçando a necessidade de INTEGRAL ANULAÇÃO destes lançamentos de ofício, a simples reforma destes atos/procedimentos administrativos implicará em violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório (decorrência lógica da apuração dos tributos da Recorrente, através do lucro presumido, a partir de junho/2002, sem abrirlhe novo prazo de defesa), sendo salutar a modificação dos fundamentos que embasam a exigência fiscal, garantindo a Recorrente o direito de manifestarse (contraditório) sobre os novos fundamentos quantitativos da presente autuação (agora apurados através do lucro presumido), com todos os meios e garantias de uma defesa eficaz (ampla defesa), guardando, por conseguinte, observância plena ao principio constitucional do devido processo legal.” Bem se percebe que o texto faz referência a suposta situação futura e não a fato efetivamente ocorrido no transcurso do processo. Em suma, tratase de mera ilação, estranha ao presente litígio. A recorrente contestou a competência da RFB para fiscalizar e arrecadar contribuições previdenciárias destinadas ao INSS. 1 “Os Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988”, Dialética, 4ª edição, página 107. Fl. 1120DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 6 6 Argumentou que o art. 33 da Lei 8.212/91, vigente na época dos fatos, atribuía ao INSS a competência para administrar tais contribuições. A exceção ocorria apenas no âmbito do Simples, nos termos do art. 17 da Lei 9.317/96. Como, no seu entendimento, a tributação pelo Simples seria equivocada, devendo se dar pelo regime do lucro presumido, faltaria competência à RFB para exigir a contribuição ao INSS. Repetese aqui o equívoco da recorrente quando da preliminar de cerceamento do direito de defesa. Na verdade, inexiste questão a ser enfrentada, tendo em vista que os autos de infração tratam de exigência do Simples, inexistindo qualquer lançamento sob as normas do lucro presumido. Passando ao exame de mérito, os autos revelam que a contribuinte requereu exclusão do Simples em 1º/06/2002, após a constituição da pessoa jurídica Caetano de Boituva Materiais para Construção Ltda, ocorrida em 28/05/2002, que tem como detentor de mais de 10% do capital social o Sr. Jonas Caetano Filho, também sócio da recorrente. A situação descrita, de sócio com participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica cumulada com receita bruta global acima do limite anual previsto pelo art. 2°, II, da Lei 9.317/1996 (R$ 1.200.000,00) caracteriza condição excludente do Simples, conforme estipulado pelo inciso IX do mesmo dispositivo legal. A receita bruta global representa a soma das receitas brutas das pessoas jurídicas das quais o sócio comum participa. Prevê ainda a referida lei, no seu art. 13, II, a exclusão do regime mediante comunicação obrigatória da contribuinte na hipótese de ocorrência da condição descrita no parágrafo anterior, cujos efeitos darseão a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, segundo a redação do art. 15, II, vigente na época dos fatos, dada pela Lei 9.732/1998. A turma recorrida entendeu que a exclusão do Simples se deu por opção da contribuinte e não pela ocorrência de situação que ensejasse exclusão obrigatória, tendo em vista que a receita bruta informada na DIPJ não teria excedido o limite legal. Dessa forma, a condição excludente – existência de sócio com participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica cumulada com receita bruta global excedente ao limite – não teria ocorrido. Observese o texto do voto condutor do acórdão refutado: “Pela análise do texto legal concluise que somente podese verificar a exclusão do sistema quando a receita bruta superar o teto respectivo, que no caso presente, conforme relatado antes, é de R$ 1.200.000,00. Embora tenha ocorrido uma das hipóteses impeditivas de permanência, isto é, participação com mais de 10% no capital de outra empresa, a outra, de superação da receita bruta, não se verificou, conforme atesta a DIPJ entregue pela contribuinte, que registra receita de R$ 587.097,01 (fl. 04) até o mês de maio/2002. Assim, por dedução lógica, não se trata de exclusão obrigatória, o que afasta a possibilidade de surtir efeitos a partir do mês subseqüente.” (destaquei) Fl. 1121DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 7 7 Como conseqüência da interpretação adotada na decisão contestada, a exclusão surtiria efeitos a partir do anocalendário seguinte, segundo determina o art. 15, I, da lei ora examinada. Defendeu a recorrente a exclusão obrigatória (art. 13, II, “a”), cujos efeitos darseiam já a partir do mês subseqüente, nos termos do art. 15, II, em razão dos novos valores das suas receitas, recalculadas de ofício pela autoridade fiscal acrescidas das omissões apuradas, resultando em excesso ao limite legal. De tal forma, o lançamento deveria ser cancelado por ter o crédito tributário calculado segundo as normas do Simples, desconsiderando a sua opção pelo lucro presumido. Rejeitou a utilização pela autoridade fiscal de dois valores distintos de receita bruta no mesmo procedimento: o valor constante da DIPJ para fins de manutenção no Simples no anocalendário 2002 e o valor acrescido das omissões para quantificação do crédito tributário constituído. Nas suas palavras, “ou prevalece a RECEITA BRUTA declarada pela Recorrente à época (nesse caso não existiria, por óbvio, motivo para as respectivas autuações), ou prevalece a RECEITA BRUTA encontrada pela Fiscalização (e, nesse caso, mais do que certa a exclusão da Recorrente do sistema SIMPLES e, portanto, inválida a Autuação que utilizou essa sistemática para o cálculo dos tributos)”. A apuração da receita omitida não foi contestada pela contribuinte. Inexiste, portanto, controvérsia acerca desse aspecto do lançamento. Com efeito, a autoridade fiscal, ao realizar o lançamento ex officio, deve fazê lo conforme o comando art. 142 do CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Procedendo de acordo com o comando legal mencionado, a autoridade fiscal considerará, forçosamente, todos os aspectos relacionados à “matéria tributável”. Quaisquer acréscimos de receita identificados na investigação fiscal serão utilizados para todos os seus efeitos legais, a exemplo da interferência na base de cálculo tributável. Não pode fugir à regra a observância dos limites do Simples para fins de novo enquadramento ou exclusão do sistema, assim como ocorre por ocasião do atingimento de valores que obrigam ao adicional do IRPJ, como conseqüência de acréscimos à base de cálculo apurados em procedimento fiscal. No caso concreto, a receita bruta da recorrente, já computada a parcela omitida, importou em R$ 2.012.251,14, acumulada até maio/2002, segundo consta do demonstrativo integrante do TVF (fls. 539). Com efeito, vêse que já em maio a condição excludente havia se implantado, constituída da existência de sócio com participação superior a 10% do capital de outra pessoa jurídica cumulada com receita bruta global excedente ao limite legal. Fl. 1122DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.003677/200604 Acórdão n.º 110300.435 S1C1T3 Fl. 8 8 Nessa situação, a exclusão surte efeitos “a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão”, segundo a redação do art. 15, II, vigente na época dos fatos, dada pela Lei 9.732/1998, conforme já noticiado neste voto. Assim, considerando maio/2002 como mês da exclusão, já a partir de junho do mesmo anocalendário a contribuinte não mais poderia ser tributada pelo Simples. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para excluir as parcelas do crédito tributário correspondente aos períodos de apuração de junho a dezembro de 2002. Sala das Sessões, em 30 de março de 2011. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 1123DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10830.720478/2008-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOExercício: 2002COMPROVAÇÃO.Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para evidenciar o direito creditório pleiteado.PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA.Para que haja direito à compensação, deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1801-000.472
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para evidenciar o direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que haja direito à compensação, deve ser comprovado, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 172 2 Relatório A Recorrente formalizou as Declarações de Compensação (DComp) em 27/09/2006, fls. 03/13, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2001 no valor de R$908.096,58 para compensação dos débitos ali informados. O processo foi instruído com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2001, fls. 20/25. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 76/81, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas e especificamente ao ano calendário de 1999: No que diz respeito às estimativas, foi verificado uma divergência significativa no mês de abril, entre o valor informado na ficha 12 da DIPJ e o valor declarado em DCTF, conforme segue (fls. 4547, 49): Estimativas IRPJ – AnoCalendário 1999 Mês Ficha 12 – DIPJ/2000 DCTF Abril R$144.800,00 50.130,87 Assim, concluiuse pelo deferimento em parte do pedido ao argumento de que ficou comprovada a existência de direito creditório líquido e certo passível de restituição: no anocalendário de 1999 no valor de R$503.937,72; no anocalendário de 2000 no valor de R$273.292,97; no anocalendário de 2001 no valor de R$822.167,10. Cientificada em 23/08/2008, fl. 89, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 19/09/2008, fls. 90/93, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que incorreu em erro no preenchimento da DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do anocalendário de 1999, indicando os valores que entende corretos. Indica Para a quitação do saldo apurado competência abril de 1999 utilizamos então o seguinte: Pagamento com DARF => R$ 50.130,87 Compensação com saldo de IR 1998 => R$ 89.861,59 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 173 3 Compensação com IRPJ recolhido a maior fevereiro 1999 => R$ 4.808,00 Total => R$ 144.800,46 Conclui Para esse processo devemos em primeiro lugar ajustar o saldo negativo de IRPJ de 1999 e ao fazermos esse acerto, automaticamente os saldos apontados pela Receita Federal para os anos de 2000 e 2001 poderão ser confrontados com as DIPJs entregues. A partir dai, a única alteração que precisaremos fazer será a seguinte: Na DIPJ 2003 ( 02 ) houve um equívoco no preenchimento da ficha 12 linha 13, pois só deveríamos ter mencionado o saldo de IRF que não foi aproveitado durante o ano, ou seja, R$ 66.082,76 e não os R$ 645.423,76 devendo a diferença de R$ 579.341,00, que foi compensada na estimativa de setembro, ser informada na ficha 12 linha 16 como "Imposto de Renda pago por Estimativa" passando o valor correto dessa linha a ser R$ 2.070.419,00, bem como o valor indicado na ficha 12 linha 13 ser de R$ 66.082,76. Portanto, fazse necessária também uma correção da DIPJ citada para uma correta demonstração dos fatos. Termos em que, Pede deferimento, Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0525.010, de 05/03/2009, fls. 126/133:“ Rest/Ress Indeferido Comp. Não Homologada”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO CREDOR. IRPJ. ESTIMATIVAS. Somente são admitidas, na formação do saldo do tributo no ajuste anual, as antecipações mensais do mesmo tributo, efetivamente extintas. Ausentes provas documentais da apuração de estimativa em valor superior ao que declarado e de sua compensação com créditos de período anterior (1998), não há como admitila na formação do saldo credor apurado no ajuste anual de 1999 para fins de sua utilização para compensação com estimativas dos anoscalendário de 2000 e 2001. ESTIMATIVA PAGA A MAIOR. Tendo a autoridade da DRF já admitido em seu Despacho Decisório a utilização, informada em DCTF, do pagamento a maior alegado, não há como considerálo novamente para formação do saldo credor do período. Notificada em 01/07/2009, fl. 135, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 31/07/2009, fls. 136/142, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Reitera os argumentos apresentados junto à primeira instância de julgamento. Acrescenta Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 174 4 A decisão recorrida não admitiu a alegação de que a compensação da estimativa de IRPJ de abril/1999 não estaria provada pela requerente, através de elementos da sua contabilidade. Ora, essa questão, sendo fundamental para a solução da controvérsia, poderia ter sido objeto de diligência específica que o Ilmo. Relator poderia ter solicitado de ofício, privilegiando a busca da verdade material. Em face das considerações do Ilmo. Relator do acórdão objurgado, a ora recorrente traz à colação cópia do livro razão (doc. 04), onde consta o movimento da conta contábil de "IRPJ a pagar (21.710.00000)", onde localizou o registro contábil, em 30/04/1999, das compensações do crédito de Imposto de Renda de 1998, nos valores de R$ 2.338,00 e R$ 85.103,50, no total de R$ 87.441,50, consignado sob o histórico de "TRANSF. IRF A RECUPERAR 1998". Esta a verdade material, devidamente comprovada, que deve prevalecer. A parcela restante, de R$ 7.227,63 (R$ 94.669,13 — 87.441,50), corresponde a uma compensação com saldo negativo de IRPJ 1997. [...] Em outras palavras, se o Acórdão, por vias oblíquas, inadmitiu a compensação que a empresa efetuou na apuração de abril de 1999, portanto, há mais de cinco anos, resta nítido que o foram violadas as regras da decadência e da prescrição de que tratam os arts. 173 e 174 do CTN, razões pelas quais também se impõe a reforma ou anulação da decisão! Conclui Diante do todo exposto, através do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, a empresa REQUER a reforma do Acórdão nº 0525.010, da 4ª Turma da DRJ/CPS, ou alternativamente, a sua anulação pelos vícios processuais acima expostos, a fim de que sejam homologadas integralmente as compensações do crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 e canceladas as cobranças vinculadas a este processo. Protesta por todos os meios de prova admitidos. Nestes termos, pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Em relação aos argumentos relativos ao reconhecimento do direito creditório do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, cabe ressaltar que como não é objeto do pedido original não pode ser analisado nos presentes autos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 175 5 O litígio se restringe ao valor não reconhecido de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 no valor de R$85.929,48 a título de IRPJ não recolhido com base na estimativa, conforme Demonstrativo às fl. 95. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ademais, no exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, lavrou o Despacho Decisório, fls. 76/81, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente se insurge contra a não homologação da compensação argumentando que houve erro nos dados declarados, inclusive em relação ao anocalendário de 1999. Vale ressaltar que a decadência e a prescrição são objeções, ou seja, são matérias de ordem pública que podem ser conhecidas a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento (art. 269 do Código de Processo Civil – CPC). O Código Tributário Nacional (CTN) assim determina: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado [...] Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Sobre o cálculo do IRPJ a pagar, o RIR, de 1999, prevê: Art.229. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 176 6 Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f"). Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes. Tem cabimento colacionar entendimentos desta segunda instância de julgamento (fonte:http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=liquidez+e+certeza&localidade=&local idadeexclude=&autoridade=&autoridadeexclude=&tipoDocumento=&tipoDocumento exclude=&descritor=&descritorexclude=&title=&titleexclude=&apelido=&apelido exclude=&description=&descriptionexclude=&acronimo=&acronimoexclude=&urn=&urn exclude=&year=2008&yearmax=2010&smode=advanced; acesso em 31/01/2011): Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10517269 do Processo 138110032109914 Data 16/10/2008 Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO COMPENSAÇÃO Incomprovada a liquidez e certeza do crédito, há que se denegar o pedido de restituição e, por via de conseqüência, a homologação das compensações requerida. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10323602 do Processo 102830006030055 Data 16/10/2008 Ementa CSLL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO Somente se defere a restituição/compensação do indébito tributário quando o sujeito passivo comprova cabalmente a liquidez e a certeza do crédito. O IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária (Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, na Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1996 e na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Cabe esclarecer que na verificação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 deve haver o exame da sua liquidez e certeza, para fins de reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da compensação dos débitos. Neste procedimento está correta a análise dos valores compensados nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real, em conformidade com a jurisprudência administrativa sobre a matéria Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 177 7 (fonte:http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenc ia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157222 Número do Processo 10768.100409/200368 Turma 1ª Câmara Contribuinte BANCO FINIVEST SA Tipo do Recurso Recurso Voluntário Outros Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Valmir Sandri Nº Acórdão 10196829 Tributo / Matéria CSL ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, no sentido de reconhecer o erro de fato no pedido interposto, determinandose o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação das compensações pretendidas, considerando os créditos existentes relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 229272 Número do Processo 10283.009117/9951 Turma 5ª Câmara Contribuinte IMPORTADORA BELMIROS LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário Outros Data da Sessão 14/09/2007 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 10516675 Tributo / Matéria CSL ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 178 8 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §3º O prazo a que se refere o inciso I do §1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. A Lei nº 9.430, de 1996, prescreve que a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real pode optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, devendo apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. O saldo do imposto apurado pode ser compensado com o imposto a ser pago, se negativo, assegurada a alternativa de requerer a restituição ou a compensação do montante pago a maior. O tributo mensal apurado pela base de cálculo estimada deve ser efetivamente extinto pelo pagamento (art. 156 do CTN) para que possa ser compensado com o saldo apurado em 31 de dezembro de cada ano. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (RIR, de 1999), determina: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Em relação ao valor de R$144.800,00 referente ao recolhimento da estimativa de abril do anocalendário de 1999 constante na DIPJ, fls. 43/48, cabe ressaltar que a Recorrente informou em DCTF o valor de R$50.130,87, fls. 49 e 95. À época a compensação de crédito com débito tributários da mesma destinação constitucional independia de requerimento (Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997) e deveria ser informada em DCTF (Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10830.720478/200804 Acórdão n.º 180100.472 S1TE01 Fl. 179 9 Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou aos autos provas nem a escrituração respaldada em documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que incorreu em erro nos dados declarados. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o pedido de reconhecimento do direito creditório deve ser indeferido. Da mesma forma, não há comprovação dos demais argumentos constantes no recurso voluntário. Logo, não lhe cabe razão. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10925.001183/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2002
CRÉDITO PRÊMIO DO IPI.
O crédito prêmio de IPI não é mais passível de utilização, em face das posições jurisprudenciais consolidadas pelo STJ e STF, pois revogado desde 1990.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.647
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2002 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. O crédito prêmio de IPI não é mais passível de utilização, em face das posições jurisprudenciais consolidadas pelo STJ e STF, pois revogado desde 1990. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Maria Regina Godinho de Carvalho. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O interessado acima identificado pediu o reconhecimento do direito de utilização d o crédito prêmio do IPI (art. 1° do DL 491/69), decorrente das exportações realizadas no período em epígrafe, inclusive com atualização monetária calculada à taxa SELIC. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente indeferiu o pleito, demonstrando que o para o período em questão o créditoprêmio de IPI já havia sido revogado. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que não teria ocorrido qualquer decadência ou prescrição e que o beneficio ainda está em vigor, inclusive corrigido monetariamente, conforme legislação e julgados que cita. Encerrou solicitando o integral ressarcimento pleiteado. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/RPO nº 29.417, de 02/06/2010, fls.76/84, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2002 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Às fls. 85 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 86/113. Após, é dado seguimento ao processo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.001183/200959 Acórdão n.º 3201000647 S3C2T1 Fl. 117 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos a possibilidade de utilização do chamado crédito prêmio de IPI. O STF, ao analisar o tema, decidiu, plenariamente, pela extinção do referido incentivo já no ano de 1990: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. EXCEPCIONALIDADE AUSENTE. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRÊMIO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI (DL 491/1969). VIGÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE ENTENDEU PRESCRITO O DIREITO DE PLEITEAR O INCENTIVO. APLICAÇÃO DO DECRETO 20.910/1932 EM PREJUÍZO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DISCUSSÃO INFRACONSTITUCIONAL RECONHECIDA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. ALEGADA CONTRADIÇÃO. RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA DE FUNDO. MATÉRIAS DISTINTAS. COERÊNCIA. 1. O acórdão recorrido baseouse no confronto entre o Decreto lei 20.910/1932 e os arts. 156 e 168 do Código Tributário Nacional para entender ausente a possibilidade de postulação do direito ao incentivo. Assim, inequívoco que a discussão travada especificamente neste caso tem estatura meramente infraconstitucional, que não desafia a interposição de recurso extraordinário. 2. Por outro lado, o reconhecimento da repercussão geral da matéria de fundo não se estende, pura e simplesmente, a todos os recursos. Se houver fundamento autônomo suficiente para manutenção da decisão recorrida e o recurso não puder revertê lo, seja por deficiência processual ou por contrariar jurisprudência da Corte, o reconhecimento da repercussão geral da matéria de fundo será irrelevante, por ausência de utilidade (interesse processual moot judgment). 3. Por fim, o Plenário desta Corte reconheceu que o incentivo foi extinto dois anos após a promulgação da Constituição de 1988, por não ter sido confirmado pelo Congresso Nacional em lei específica (RE 577.348, rel. min. Ricardo Lewandowski, Pleno, DJe de 26.02.2010). Ausentes omissão, contradição ou obscuridade. Embargos de declaração rejeitados. (grifo nosso) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 (STF – 2ª Turma AI 597912 AgRED/RS SUL – Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA – DJE 30/09/2010) Já o art. 26A da Lei nº 11.941/09 assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o (Revogado). § 2o (Revogado). § 3o (Revogado). § 4o (Revogado). § 5o (Revogado). § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...) O STJ também assim já se posicionou, em sede de recurso repetitivo ainda: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. MATÉRIA DE ORDEM INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. PRETENSÃO INFRINGENTE. EMBARGOS MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIOS. MULTA. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. (...) 2. A extinção do créditoprêmio de IPI foi operada pela ausência de confirmação legal do benefício, pois o art. 1º, da Lei 8.402/92 não o abrangeu, muito embora tivesse tratado de um outro benefício previsto no art. 5º, do DecretoLei 491/69. A verificação da existência ou não de lei que confirmaria o benefício é tema infraconstitucional, invocandose apenas reflexamente a aplicação do art. 41, §1º, do ADCT, por não poder o STJ, como qualquer outro tribunal, desconsiderar as normas (princípios e regras) constitucionais em vigor. Nesse sentido, se a invocação do art. 41, §1º, do ADCT é reflexa, o seu tratamento deriva do art. 257 do RISTJ e da Súmula n. 456, do STF, não havendo que se falar em prequestionamento. 3. Hipótese de interposição dos segundos embargos de declaração veiculando matéria idêntica cujo mérito já foi decidido inclusive em sede de recurso representativo da controvérsia (REsp. Nº 1.129.971 BA, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.2.2010). O intuito protelatório do recurso assim se evidencia, o que faz incidir a norma do parágrafo único do art. 538 do CPC. Aplicação de multa em 1% do valor da causa à empresa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.001183/200959 Acórdão n.º 3201000647 S3C2T1 Fl. 118 5 recorrente. 4. Embargos de declaração rejeitados, com a fixação de multa.(grifo nosso) (STJ – 2ª Turma EDcl nos EDcl no REsp 1020969 / RJ – Rel. Min. Mauro Campbell Marques – Dje 05/11/2010 ) Assim, também incide o óbice do art. 62A do Regimento Interno desta Corte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 01 de março de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
score : 1.0
Numero do processo: 14474.001006/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005
PRELIMINAR NULIDADE AUTUAÇÃO E MPF
Não há que se falar em nulidade quando o MPF e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cumprem os requisitos exigidos pela legislação de regência.
INEXIGIBILIDADE DA ALÍQUOTA DE 20%, DO SALÁRIO EDUCAÇÃO,
DO SAT, DO SEBRAE, DO SESC E DO SENAC.
Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2301-002.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005 PRELIMINAR NULIDADE AUTUAÇÃO E MPF Não há que se falar em nulidade quando o MPF e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cumprem os requisitos exigidos pela legislação de regência. INEXIGIBILIDADE DA ALÍQUOTA DE 20%, DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, DO SAT, DO SEBRAE, DO SESC E DO SENAC. Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2.
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INEXIGIBILIDADE DA ALÍQUOTA DE 20%, DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, DO SAT, DO SEBRAE, DO SESC E DO SENAC. Falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decidir acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto na Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (Presidente). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.815.3700, a qual exige contribuições previdenciárias sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuinte individual, declarados em GFIP e não recolhidos pela empresa. A autuada apresentou impugnação alegando os seguintes pontos: i) o MPF lavrado contra a impugnante não preenche os requisitos essenciais; ii) é inválida a ciência do MPF que não seja ao representante legal; iii) o relatório fiscal não foi anexado à autuação, mas somente um “relatório de débito confessado”, o qual não expõe de forma clara e precisa o fato; iv) não consta em qualquer peça da NFLD a alíquota específica de cada contribuição devida a terceiros (SESC, SENAC, SEBRAE e FNDE); v) não foram elencados na NFLD os fundamentos que conferem competência fiscalizatória à autoridade fiscal que a lavrou, cerceando o direito de defesa; vi) foram entregues declarações retificadoras para as competências a partir de julho de 2003, que não foram observadas quando da ação fiscal; vii) Na competência maio/2005, foi considerado remuneração o valor recebido a titulo de gratificação pelo empregado Frank James Brandão Rabelo, conforme preenchido na GFIP, indispensáveis, restando viciado em sua forma, carecendo de validade; viii) Ilegitimidade da cobrança das contribuições à alíquota de 20%; ix) Inexigibilidade do SESC, SENAC, SEBRAE; x) A alíquota do SAT deve ser de 1% e não 2% como apurado pelo Fisco; Diante dos argumentos apresentados pelo contribuinte, às fl. 375 dos autos foi determinada a manifestação da autoridade lançadora a fim de verificar, principalmente, questões suscitadas acerca do cálculo das contribuições. Às fls. 406 e 407 a autoridade fiscal manifestandose no sentido de que: Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 14474.001006/200806 Acórdão n.º 230102.205 S2C3T1 Fl. 606 3 i) que não há divergência entre o que foi declarado em GFIP e o que foi apurado pela fiscalização; ii) as retificações procedidas pela empresa por meio de RDEs informando salário família e salário maternidade, valores esses que foram na NFLD; iii) a alíquota do SAT foi verificada de acordo com o autoenquadramento efetuado pela empresa que declarou em GFIP a alíquota de 2%; e iv) assim, não há retificações a fazer na NFLD. Dessa diligência o contribuinte tomou ciência e manifestouse às fl. 412 a 415, a qual não trouxe novos elementos, fincando, basicamente, na proporcionalidade e razoabilidade da apuração da alíquota do SAT. A autoridade julgadora de primeira instância manteve a autuação na sua integralidade. A ora recorrente, devidamente intimada, interpôs recurso voluntário renovando os argumentos suscitados na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Nulidades na NFLD que violam a ampla defesa Como se depreende do relatório vários são os argumentos suscitados pelo contribuinte no sentido de que a NFLD é nula. Assim todos os argumentos serão apreciados em conjunto. A meu ver não há qualquer nulidade nos Mandados de Procedimento Fiscal, os quais foram todos expedidos pela autoridade tributária competente, conforme detalhadamente apontou a decisão recorrida (fl. 425), dentro dos seus respectivos prazos e dado ciência ao contribuinte. O fato de quem assina o recebimento do MPF não ser o representante legal da empresa não o inquina de viciado, haja vista que a legislação de regência admite que a ciência seja dada a preposto, tal como ocorreu no caso concreto. A título argumentativo valemonos da Sumula CARF nº 09, a qual prevê que a ciência da NFLD pode ser dada a pessoa que não seja o representante legal. Ora, se a NFLD, que constitui o crédito tributário pode ser dada ciência a pessoa que não seja o representante Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 legal, não vejo óbices para que o mesmo entendimento seja aplicado ao MPF, instrumento de controle da fiscalização. Em relação às demais questões de nulidade da NFLD devemos destacar que quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I – pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.535, de 10.12.1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III – por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)” Fl. 624DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 14474.001006/200806 Acórdão n.º 230102.205 S2C3T1 Fl. 607 5 Verifico, outrossim, que a NFLD foi lavrada por autoridade competente, contém todos os documentos indispensáveis, em especial o Relatório que embasa a autuação, bem como o FLD com os fundamentos legais do débito. Em respeito às alíquotas das contribuições destinadas a terceiros também não procede a argumentação, haja vista que a fundamentação legal encontrase perfilhada no FLD, bem como a alíquota aplicada consta do DAD. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Assim, rejeito a preliminar de nulidade da autuação. Mérito No mérito a recorrente sustenta que a contribuição patronal não poderia ser exigida à alíquota de 20%, bem como não poderiam lhe ser cobrados os terceiros, digo SESC, SENAC, SEBRAE, SalárioEducação e SAT. Entendo que para, eventualmente, afastar as disposições legais que regem as matérias acima suscitadas o órgão julgador teria que, necessariamente, avaliar a constitucionalidade da lei de regência, competência essa que falece a esse órgão administrativo, conforme exposto na Sumula CARF nº 02. Em relação à alíquota do SAT, apurada a 2%, cabe relembrar que o Fisco não fez qualquer reenquadramento da empresa, mas apenas se valeu do enquadramento efetuado pelo próprio contribuinte e declarado em GFIP. Logo, também não procedem esses argumentos. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, mantida a autuação fiscal na íntegra. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 36830.009868/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
Ementa: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO DIFERENTE DA INFRAÇÃO APONTADA NO RELATÓRIO FISCAL E NA FUNDAMENTAÇÃO DA INFRAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.961
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.
Nome do relator: Adriana Sato
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36830.009868/200643 Recurso nº 246.520 Voluntário Acórdão nº 2302000.961 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente STAFF INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Ementa: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO DIFERENTE DA INFRAÇÃO APONTADA NO RELATÓRIO FISCAL E NA FUNDAMENTAÇÃO DA INFRAÇÃO. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 27/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago d Ávila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Ausência Momentânea de Thiago D Ávila Melo Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 07/03/2006, cuja ciência do recorrente ocorreu em 08/03/2006 (fls.01) por ter deixado a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto no art. 32 III da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, III do RPS. De acordo com o Relatório Fiscal, a auditoria fiscal teve por finalidade determinar o montante de contribuições previdenciárias suprimidas pela empresa, cujos fatos geradores foram identificados em anterior procedimento fiscal encerrado em 03/02/2004. Ainda no relatório fiscal, o auditor fiscal menciona trechos da NFLD 35.340.2753 lavrada na auditoria fiscal anterior, no que tange a existência de uma filial do Recorrente na Cidade de São Paulo. Em decorrência das informações constantes na NFLD acima mencionada, a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração por ter o Recorrente deixado de inscrever sua filial (escritório em São Paulo) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, deixando com isso de prestar importante informação cadastral à Previdência Social, haja vista que a matricula da empresa junto à Previdência Social ocorre simultaneamente com a inscrição no CNPJ, conforme determinação do artigo 49, I da lei 8.212/91. O valor da multa aplicada foi baseada no artigo 92 da Lei 8.212;91, no artigo 283, II, b do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99 e da Portaria MPS n°822 de 12/05/2005. O recorrente apresentou impugnação, a DN julgou a autuação procedente, e, inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: O presente Auto de Infração não se confunde e nem tem relação direta com a NFLD 35.340.2753; todas as informações foram prestadas; a sala alugada na cidade de São Paulo não possui nenhum funcionário e é utilizada somente como ponto de apoio da empresa na metrópole; A DRP apresentou contrarazões reportandose aos termos da DN e o Recorrente protocolou em 13/05/2009 o pedido de aplicação da Súmula Vinculante 8. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36830.009868/200643 Acórdão n.º 2302000.961 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO O RECURSO e passo a análise de uma questão de ofício. Analisando os autos constatei que o Recorrente, às fls.01 foi autuado por infringir o art. 32 III da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, III do RPS, no entanto, no Relatório Fiscal, às fls.16, item V.1 o AFPS descreve que “a empresa não inscreveu sua filial (escritório em São Paulo) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, deixando com isso de prestar importante informação cadastral à Previdência Social, haja vista que a matricula da empresa junto à Previdência Social ocorre simultaneamente com a inscrição no CNPJ, conforme determinação do artigo 49, I da lei 8.212/91”. Assim, a infração apontada na descrição sumária da infração é diferente da infração apontada no Relatório Fiscal que foi devidamente fundamentada, restando comprovada que a infração do recorrente foi a descrita no Relatório Fiscal e não a descrita na descrição sumária da infração. No caso do ato administrativo de lançamento, o Auto de Infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário, e, a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Cumpre ressaltar que a infração apontada no Relatório Fiscal não poderia ser aplicada pelo INSS, por ser este órgão incompetente no que tange a autuação por falta de inscrição de CNPJ. Sendo assim, o fato gerador apontado pela fiscalização não constitui motivação para a lavratura do presente Auto de Infração, implicando em prejuízo à defesa, e, por conseqüência, a nulidade da autuação. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Adriana Sato Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Declaração de Voto Conforme expressamente consignado no relatório fiscal, fl. 16, a autuação ocorreu em virtude de a sociedade empresária não ter inscrito sua filial (escritório em São Paulo) no CNPJ. Tal fato não enseja autuação por parte da fiscalização previdenciária. Os contribuintes que estão sujeitos à inscrição no CNPJ não fazem inscrição na Previdência Social. Somente deveriam se inscrever na Previdência Social, os sujeitos à matrícula CEI; e caso não houvesse tal inscrição haveria autuação e matrícula de ofício pela autoridade fiscal da Receita Previdenciária. Contudo, pela não inscrição no CNPJ a fiscalização previdenciária não era competente para aplicar autuação. A competência para realizar tal autuação era da Secretaria da Receita Federal. Conforme previsto no art. 19 da Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que, no exercício de suas funções, constatar a existência de entidade não inscrita no CNPJ, deverá proceder à intimação do titular, sócio ou responsável para providenciar, no prazo de dez dias, sua inscrição. O não atendimento à intimação prevista no caput, no prazo determinado, acarretará a inscrição de ofício pelo titular da unidade da RFB cadastradora com jurisdição sobre o domicílio tributário da entidade. CONCLUSÃO Voto por CONHECER do recurso da autuada, para no mérito CONCEDER LHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10920.001007/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato
administrativo. Inadmissível a mera alegação.
IPI. RESSARCIMENTO. ESTORNO. REQUISITO.
A anulação do crédito, através do estorno, é requisito para o ressarcimento.
IPI. CRÉDITOS. INSUMOS NT, ISENTOS OU ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de insumos isentos, nãotributados
e de alíquota zero não gera
crédito de IPI. Não havendo exação de IPI, não há valor algum a ser
creditado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.057
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação. IPI. RESSARCIMENTO. ESTORNO. REQUISITO. A anulação do crédito, através do estorno, é requisito para o ressarcimento. IPI. CRÉDITOS. INSUMOS NT, ISENTOS OU ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos isentos, nãotributados e de alíquota zero não gera crédito de IPI. Não havendo exação de IPI, não há valor algum a ser creditado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório A empresa Celulose Irani S.A. apresentou pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, originado da aquisição de insumos, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos, de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, referente ao segundo trimestre do ano de 2002, cumulado com pedido de compensação. A DRF de jurisdição da Contribuinte, em despacho decisório, deferiu parcialmente o pedido e homologou as compensações até o limite do crédito deferido. Inconformada com a parte indeferida, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) A inserção de dados no campo "informações complementares", referese a crédito legítimo e passível de recuperação, uma vez que sua origem se deu com a efetiva entrada da mercadoria. Ademais, sendo a escrituração um procedimento de formalidade, não poderá frustrar o objetivo da contribuinte de creditarse do imposto. iii) O valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, eis que o crédito é totalmente legítimo; iv) São devidos os créditos relativos a aquisições de insumos isentos e/ou de alíquota zero. A DRJ/Ribeirão Preto/SP prolatou acórdão mantendo o despacho decisório proferido pela DRF, em acórdão com a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO DE IPI. ESTORNO DE CRÉDITOS NO RAIPI. REQUISITOS. O direito ao ressarcimento de créditos reclama, em contrapartida do contribuinte, o estorno, na escrita fiscal, do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001007/200371 Acórdão n.º 330201.057 S3C3T2 Fl. 2 3 valor pedido, no período de apuração em que for encaminhado à autoridade fiscal. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. Manifestação de Inconformidade. Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a Interessada insurgese contra seus termos, apresentando Recurso Voluntário, afirmando, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) O valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, eis que o crédito é totalmente legítimo; iii) Os créditos decorrentes de insumos isentos ou de alíquota zero foram corretamente utilizados, eis que foram operacionalizados quando a matéria estava favorável aos contribuintes; iv) Atualização monetária pela SELIC Finaliza requerendo seja reconhecido integralmente o direito creditório, atualizado pela SELIC. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No tocante as glosas de créditos indevidos referentes a aquisições de produtos para comercialização (CFOP's 1.12 e 2.12), verificase que a Recorrente, limitandose a argumentar, não juntou aos autos nenhuma prova que garanta o que aduz, contrariando, portanto, o teor do art. 16, III1, do Decreto nº 70.235/72. Noção cediça, a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. O Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, sobre o assunto, assim dispõe: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.° 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Destarte, correta a manutenção das glosas em apreço. Quanto a alegação de que o valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, também, não assiste razão à Recorrente. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001007/200371 Acórdão n.º 330201.057 S3C3T2 Fl. 3 5 Sabese que o estorno, no ressarcimento, é um procedimento contábil que visa impedir a utilização de créditos em duplicidade. A anulação do crédito em baila tem previsão expressa no nosso ordenamento jurídico, vejamos: Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI – RIPI) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): § 5º Anularseá o crédito no período de apuração do imposto em que ocorrer ou se verificar o fato determinante da anulação, ou dentro de vinte dias, se o estabelecimento obrigado à anulação não for contribuinte do imposto. Portanto, nesse particular, correto o procedimento fiscal. No que tange a utilização de créditos decorrentes de insumos isentos ou de alíquota zero, não assiste razão a Recorrente pelas razões adiante expostas. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, verbis: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” (grifo nosso) O Código Tributário Nacional estabelece, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio, e remete à lei a forma dessa implementação. “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei nº 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inciso I, do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem que não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, porquanto o sujeito passivo não arcou com ônus algum. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. Ademais, quanto aos insumos tributados à alíquota zero, o CARF aprovou a súmula abaixo, cuja aplicação pelos seus membros é obrigatória. Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001007/200371 Acórdão n.º 330201.057 S3C3T2 Fl. 4 7 Diante do exposto, entendo não haver para a reclamante o direito a crédito de IPI referente a aquisições de insumos não tributados, isentos ou de alíquota zero, por não existir norma legal que albergue a sua pretensão. Concernente a incidência da SELIC sobre ressarcimento, que passo a analisar pela possibilidade de ser vencido na matéria acima, entendo ser incabível por falta de previsão legal. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento (instituto completamente distinto daqueles). Na mesma linha têmse a Lei nº 8.383/91, art. 66, com redação dada pelo artigo 58 da Lei nº 9.069, de 1995. Ambos dispositivos pressupõem a existência de pagamento. A propósito, vejamos o teor dos citados excertos legais, com grifo nosso: Lei nº 9.250/95. “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. §4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifei) Lei nº 8.383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. §1º omissis § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. Conforme se vê, os dispositivos acima tratam de compensação ou restituição, para os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais. Não cogitam os referidos atos de ressarcimento de créditos escriturais do IPI. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Somado a isso, a SELIC tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação, aplicála é causar favorecimento sem expressa previsão legal. E, também, a Fazenda Nacional não corrige os débitos escriturais do IPI e, analogamente e por força do princípio da isonomia, os créditos ressarcidos não devem ser corrigidos. Sobre o tema, assim tem se posicionado, reiteradamente, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, e.g., no acórdão CSRF/0203.855: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado”. Ademais, é noção cediça (prescrita no art. 2º, I, da Lei nº 9.784/99) que a Administração Pública, nos processos administrativos, deve atuar conforme a lei e o Direito, princípio extensivo ao julgador dado sua competência estritamente vinculada. Por outro lado, o princípio da legalidade, insculpido no artigo 37, caput, da CF/88, preceitua que à Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, sob pena de violação do princípio da legalidade. No caso em tela, não há norma garantidora da pretensão da Recorrente. Portanto, incabível a aplicação da SELIC sobre os valores ressarcidos ou a ressarcir. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 19515.002866/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/07/1998 A 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/07/1998 a 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
Numero da decisão: 3201-00.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1998 a 31/01/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 08/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando , Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente processo trata de Autos de Infração para a cobrança do PIS (fls. 115/119) e da COFINS (fls. 353/357), lavrados em 19/11/2004, em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, relativos aos períodos de apuração de 31/07/1998 a 31/01/2003. Por bem descrever os fatos ocorridos transcrevo o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para Programa de Integração Social PIS, abrangendo os períodos de apuração 07/98, 10/98 a 12/98, 02/99 a 04/99, 06/99 a 01/00, 04/00, 06/00 a 09/00, 11/00, 03/01, 04/01, 10/01 a 01/02, 03/02, 04/02, 06/02 a 09/02 e 11/02 a 01/03 (fls. 108 a 118), no valor de R$ 7.467,97, com o acréscimo de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 5.600,82, e juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 3.434,12, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 16.502,91, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Defic/SPO, conforme Termo de Início de Fiscalização às fls. 04. 2. Foi ainda lavrado auto de infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, para os PA 07/98, 11/98, 12/98, 02/99 a 02/00, 04/00 a 09/00, 11/00, 12/00, 03/01, 04/01, 10/01 a 04/02, 06/02 a 09/02, 11/02 a 01/03 e 04/04 (fls. 345 a 356), no valor de R$ 56.272,43, com o acréscimo de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 42.204,16, e juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 32.613,93, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 131.090,52, em decorrência da mesma ação fiscal. 3. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 106/107 e 343/344), o AFRF autuante informa, em relação à apuração do PIS e da COFINS, que: • O contribuinte apresentou formulários que demonstram a base de cálculo das contribuições, que, conferidos pela Fiscalização, foram substituídos para contemplar, a partir de fevereiro de 1999, as receitas financeiras; • No ano de 1999, os valores informados foram conferidos por amostragem com os balancetes mensais; • Os créditos referentes aos valores não declarados em DCTF ou declarados em valor inferior ao demonstrado na escrituração contábil foram objeto do auto de infração; • Em 11/07/03, após o início da ação fiscal, o contribuinte entrou com pedido de parcelamento especial (Lei 10.684/02), sendo que os débitos nele incluídos já estavam declarados em DCTF entregues antes do início da ação fiscal. 4. O enquadramento legal da autuação foi: PIS: artigo 77111 do DecretoLei n° 5.844/43; artigo 149 da Lei n° 5.172/66; artigos 10 e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/70; artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73; Título 5, Capítulo 1, Seção 1, alínea "b", Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 19515.002866/200415 Acórdão n.º 320100.661 S3C2T1 Fl. 531 3 itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; artigos 2°I, 3 0, 8°1 e 90 da Medida Provisória n° 1.212/95 e reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98; artigos 2°I, 8°1 e 9° da Lei n° 9.715/98; artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. COF1NS: artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91; artigo 77111 do Decreto Lei n° 5.844/43; artigo 149 da Lei n° 5.172/66; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias n os 1.807/99 e 1.858/99 e suas reedições; artigos 2° II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02 . A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta às fls. 114 e 352. 5. Após tomar ciência da autuação em 19/11/2004 (fls. 115 e 353), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada às fls. 121 a 146 e 360 a 384 em 17/12/2004, com as alegações abaixo resumidas, relativas ao PIS e à COFINS: 5.1. As modificações introduzidas pela Lei n° 9.718/98, quanto à inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de outras receitas da pessoa jurídica, não têm qualquer fundamento jurídico ou validade constitucional; 5.2. A majoração da alíquota da COFINS também não se afigura constitucional, pois fere o princípio da capacidade tributária, expresso no artigo 145, § 1° da Constituição, no sentido de que apenas poderá compensar 1/3 da contribuição com a CSLL o contribuinte que auferir lucro; 5.3. Não se pode admitir que uma lei resultante de conversão de medida provisória promova alteração no conceito de "faturamento", cujo alcance e extensão estão definidos na Lei Maior; 5.4. As alterações trazidas pela Lei n° 9.718/98 não podem ter fundamento na EC n° 20/98, pois esta foi aprovada e publicada após a edição da citada Lei, não podendo surtir efeitos retroativos, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica e irretroatividade das leis; 5.5. Em razão da inconstitucionalidade da referida Lei, a impugnante recolheu o PIS com base na Lei Complementar n° 7/70 e a COFINS com base na Lei Complementar n° 70/91, à alíquota de 2%, considerando apenas as receitas de venda de mercadorias e prestação de serviços; 5.6. A Lei n° 9.718/98 distorceu o conceito e a extensão do termo "faturamento", expresso no artigo 195Ib da Constituição, que coincide com aquele definido pelo direito comercial, não podendo uma lei infraconstitucional "alargar" conceito de jaez constitucional, por ser hierarquicamente inferior; 5.7. A Lei n° 9.718/98 deveria ser aplicada em consonância com o ordenamento constitucional vigente à data de sua publicação, fazendo uso da expressão "faturamento", definido pelo direito comercial, em obediência ao artigo 110 do CTN; 5.8. Assim, jamais poderseia admitir a cobrança do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, inscrito no artigo 15011Ia da Constituição; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN 4 5.9. Além disso, a Lei n° 9.718/98 instituiu nova fonte de custeio para a Previdência Social, sendo necessário observar os artigos 195, § 4° e 1541, ambos da Constituição, ou seja, a edição de lei complementar, padecendo a referida norma, portanto, de inconstitucionalidade formal; 5.10. Sendo a Lei Complementar n° 7/70 regra adotada pela Constituição (artigo 239), somente pode haver alteração em sua sistemática por meio de emenda constitucional, não podendo a Lei n° 9.718/98 ter alterado a forma de cobrança do PIS, não se podendo alegar que esta contribuição poderia ser instituída com fundamento no artigo 195 da Constituição, pois o STF já se manifestou contrariamente a esta tese; 5.11. Pelo exposto, requer a anulação do auto. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – II, julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão 1317.606 ( 437/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/02/1999 a 29/02/2000, 01/04/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 30/04/2001, 01/10/2001 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/01/2003, 01/04/2004 a 30/04/2004 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente A autoridade fiscal da DERAT – Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, exarou Despacho Decisório, de folhas 466/469, retificando de ofício, com base no artigo 149 do CTN, o lançamento efetuado, para cancelar a cobrança do PIS e da COFINS referentes aos fatos geradores anteriores a novembro de 1999, por já encontrarse extinto o direito da Fazenda de constituir os respectivos créditos tributários, nos termos da Súmula Vinculante No. 8 do Supremo Tribunal Federal. A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Rio de Janeiro e do Despacho Decisório da DERAT – São Paulo, através da Intimação N° 4489/2008 (folha 478) em 26/12/2008 (folha 500). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 501/ss), protocolizado em 29/01/2009, onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 05/12/2010, na forma regimental. É o relatório Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 19515.002866/200415 Acórdão n.º 320100.661 S3C2T1 Fl. 532 5 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O Recurso Voluntário apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, por ter sido interposto intempestivamente. Determina o art. 33 do Decreto no 70.235/72 que é cabível recurso voluntário dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão”. Por sua vez, o art. 35, também do Decreto no 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julgará a perempção: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção”. Com efeito, a Intimação N° 4489/2008 – DERAT São Paulo (folha 478) notificando a empresa da decisão de primeira instância foi entregue no dia 26/12/2008 (6ª feira), via Correios com AR – Aviso de Recebimento, ao domicílio fiscal declarado pelo contribuinte (fl. 500). Desta feita, o prazo para interposição de seu recurso voluntário teve início em 29/12/2008 (2ª. feira) e encerrouse em 27/01/2009 (3ª. feira), de acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Todavia, o recurso só veio a ser oposto em 29/01/2009 (fl. 501), portanto, a destempo. A Recorrente silenciou sobre a interposição do recurso após o decurso do prazo legal. Em face do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de, em sede de preliminar, NÃO CONHECER do recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN
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