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Numero do processo: 10909.002762/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITAS. PROVA MATERIAL. VALORES DE VENDAS CONSTANTES EM CUPONS DE REDUÇÃO "Z" E MAPAS-RESUMO
DE ECF, NÃO CONTABILIZADOS.
Constituem prova material da omissão do registro de receitas documentadas por cupons fiscais emitidos por equipamento ECF Emissor de Cupons Fiscais, os valores não contabilizados
constantes nas leituras dos cupons de redução "Z" diários de cada equipamento ECF e/ou totalizados nos correspondentes mapas resumo
diários dos equipamentos ECF de uso autorizado pela autoridade fiscal do estado federado ao estabelecimento objeto da ação fiscal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Inocorre o cerceamento do direito de ampla defesa do sujeito passivo, autuado por constatação material de omissão do registro de receitas (vendas documentadas por cupons fiscais ECF), quando (a) todos os elementos probatórios das infrações são constituídos por seus próprios livros e documentos fiscais e contábeis franqueados, sob intimação, à autoridade fiscal e (b) o contribuinte recebeu, em intimação pessoal, cópias de todos os
papéis gerados na ação fiscal (autos de infração, demonstrativos e Termo de Verificação de Infrações e de Encerramento) e, em devolução, todos os livros e documentos entregues à autoridade.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL), PIS/PASEP E COFINS. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).
Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins), devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1202-000.562
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITAS. PROVA MATERIAL. VALORES DE VENDAS CONSTANTES EM CUPONS DE REDUÇÃO "Z" E MAPASRESUMO DE ECF, NÃOCONTABILIZADOS. Constituem prova material da omissão do registro de receitas documentadas por cupons fiscais emitidos por equipamento ECF Emissor de Cupons Fiscais, os valores nãocontabilizados constantes nas leituras dos cupons de redução "Z" diários de cada equipamento ECF e/ou totalizados nos correspondentes mapasresumo diários dos equipamentos ECF de uso autorizado pela autoridade fiscal do estado federado ao estabelecimento objeto da ação fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Inocorre o cerceamento do direito de ampla defesa do sujeito passivo, autuado por constatação material de omissão do registro de receitas (vendas documentadas por cupons fiscais ECF), quando (a) todos os elementos probatórios das infrações são constituídos por seus próprios livros e documentos fiscais e contábeis franqueados, sob intimação, à autoridade fiscal e (b) o contribuinte recebeu, em intimação pessoal, cópias de todos os papéis gerados na ação fiscal (autos de infração, demonstrativos e Termo de Verificação de Infrações e de Encerramento) e, em devolução, todos os livros e documentos entregues à autoridade. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL), PIS/PASEP E COFINS. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Fl. 492DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 2 2 Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins), devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Jorge Celso Freire da Silva, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luiz Tadeu Matosinho Machado Relatório Trata o presente auto de infração de IRPJ e reflexos, referente ao período compreendido entre 1º de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2005, em que se apurou a diminuição dos tributos devidos, resultando em lançamento de ofício com multa proporcional de 75% e juros de mora. Foram apuradas as seguintes infrações: 001 — OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS — COMBUSTÍVEIS Nos registros das máquinas ECF da fiscalizada há indicações de vendas sujeitas à substituição tributária e vendas tributadas, Fl. 493DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 3 3 sejam elas referentes a vendas de combustíveis e vendas de outros produtos, respectivamente. A fiscalizada fazia uso de duas máquinas emissoras de cupom fiscal, identificadas por ECF 0001 ou ECF 0002, sendo que cada uma apresenta numeração sequencial própria para os cupons fiscais e as reduções Z (totais diários) emitidas. Em atendimento a nossas intimações a fiscalizada apresentou os livros da sua contabilidade e os registros diários de suas máquinas ECF. Da análise da documentação apresentada, constatamos a falta de registro do total das vendas efetuadas em determinados dias. Elaboramos um demonstrativo das receitas omitidas (fls. 270 a 273), contendo o número da máquina ECF, o número da redução Z não contabilizada, os números dos cupons fiscais iniciais e finais correspondentes, a data e os valores das vendas de combustíveis, de outros produtos e do total das vendas não contabilizadas. Todos estes valores foram obtidos através dos documentos apresentados pela fiscalizada (reduções Z, mapas com resumos diários e leituras da memória fiscal), conforme cópias em anexo (fls. 274 a 338). Nos livros de Registro de Saídas (fls. 02 a 68 do Anexo I) e nos livros Razão (fls. 69 a 141 do Anexo I) as vendas estão contabilizadas pelos totais diários, correspondentes às reduções Z de cada dia. Também anexamos cópias de folhas dos livros Diários (fls. 142 a 189 do Anexo I), com as receitas iguais às contabilizadas nos Registros de Saídas e Razão. Através desta infração foram lançados os valores de IRPJ devidos, calculados com base nas omissões de vendas de combustíveis em 2004 e 2005, na forma do lucro real trimestral. Nos sistemas da SRF constatamos a existência de prejuízo fiscal compensável pela fiscalizada, no total de R$ 21.359,09, tendo sido o mesmo utilizado para reduzir a base de cálculo do IRPJ no 1º trimestre de 2004 (fls. 399 a 347). Para o cálculo dos valores dos adicionais do IRPJ devidos foram considerados os lucros apurados pela fiscalizada em sua contabilidade, conforme transcrições dos Livros de Apuração do Lucro Real (fls. 190 a 201ç do Anexo I). 002 — OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS – OUTROS PRODUTOS Através desta infração foram lançados os valores de IRPJ devidos, calculados com base nas omissões de vendas de outros produtos em 2004 e 2005, na forma do lucro real trimestral, conforme já descrevemos no item anterior (fls. 270 a 338). 003 — LANÇAMENTOS DECORRENTES Fl. 494DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 4 4 Em virtude da apuração das omissões de receitas, também foram lançados os valores reflexos relativos ao PIS, à COFINS e à CSLL (fls. 360 a 389). Em relação ao PIS e à COFINS, apenas houve lançamento relativo às omissões de receitas de vendas de outros produtos, pois as vendas de combustíveis estão sujeitas ao regime de substituição tributária. Em relação à CSLL, também constatamos nos sistemas da SRF a existência de base de cálculo negativa compensável, no total de R$ 21.953,02, tendo sido o mesmo utilizado para reduzir a base de cálculo da CSLL no 1º trimestre de 2004 (fls. 374 a 380). Tendo tomado ciência do auto de infração a contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos, alegando em síntese: Equivoco no critério jurídico e fundamentação legal adotados para o lançamento Neste tópico a contribuinte questiona a fundamentação legal para o lançamento bem como o fato de a autoridade lançadora não ter procedido ao arbitramento de seus lucros, mas sim preferido tributar suposta omissão do registro de receitas pelo lucro real trimestral, o que teria servido apenas para aumentar sua carga tributária. Incorreta eleição da base de cálculo Neste ponto a contribuinte tece considerações quanto (i) a tributação de ofício incidiu sobre o valor total das supostas omissões e não apenas sobre o lucro (ou limitado a 1,92% ou permitida a dedução do valor das compras de combustíveis), e (ii) a necessidade de ser deduzida a CSSLL da base de cálculo do IRPJ. Do aspecto relativo a redução “z” Aqui, argüiu a contribuinte preliminarmente o cerceamento de seu direito de defesa, bem como o que entende ser uso indevido de prova emprestada, considerando como tal o uso de seus mapas de apuração de saídas documentadas por cupons fiscais e cupons de redução “z” de seus ECFs. Tributações reflexas Quanto a CSLL reconhece a condição de decorrência deste lançamento, porém como entende não ser devido nenhum valor relativo ao IRPJ, impugna o lançamento da CSLL pelas mesmas razões relativas ao IRPJ. No tocante ao PIS e COFINS, reitera os argumentos trazidos para impugnar o lançamento da CSLL, porém aduz que os lançamentos do PIS e COFINS não poderiam ter sido efetuados diante do regime legal de tributação destas contribuições em relação ao comércio varejista de derivados de petróleo e álcool combustível basearse na substituição tributaria, consoante o disposto no artigo 4º da Lei Complementar nº 70/91, para a COFINS e artigo 6º da Lei nº 9.715/98, para o PIS. Fl. 495DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 5 5 Diante da impugnação do contribuinte a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITAS. PROVA MATERIAL. VALORES DE VENDAS CONSTANTES EM CUPONS DE REDUÇÃO "Z" E MAPASRESUMO DE ECF, NÃOCONTABILIZADOS. Constituem prova material da omissão do registro de receitas documentadas por cupons fiscais emitidos por equipamento ECF – Emissor de Cupons Fiscais, os valores nãocontabilizados constantes nas leituras dos cupons de redução "Z" diários de cada equipamento ECF e/ou totalizados nos correspondentes mapasresumo diários dos equipamentos ECF de uso autorizado pela autoridade fiscal do estado federado ao estabelecimento objeto da ação fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Inocorre o cerceamento do direito de ampla defesa do sujeito passivo, autuado por constatação material de omissão do registro de receitas (vendas documentadas por cupons fiscais ECF), quando (a) todos os elementos probatórios das infrações são constituídos por seus próprios livros e documentos fiscais e contábeis franqueados, sob intimação, à autoridade fiscal e (b) o contribuinte recebeu, em intimação pessoal, cópias de todos os papéis gerados na ação fiscal (autos de infração, demonstrativos e Termo de Verificação de Infrações e de Encerramento) e, em devolução, todos os livros e documentos entregues à autoridade. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL), PIS/PASEP E COFINS. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (TRPJ) e os que lhe são decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins), devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Lançamento Procedente Fl. 496DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 6 6 Tal decisão teve por fundamento, preliminarmente, para afastar o alegado cerceamento de defesa, o fato de que nenhum elemento estranho à documentação fiscal e à escrituração contábil e fiscal da contribuinte foi utilizado pela autoridade autuante, não ocorrente, por tanto, cerceamento ao direito de ampla defesa da contribuinte, quanto a constatação material de omissão do registro de receitas, aqui entendidas as vendas documentadas por cupons fiscais, quando (i) todos os elementos probatórios das infrações são constituídos por seus próprios livros e documentos fiscais e contábeis, franqueados mediante intimação à autoridade fiscal, e (ii) a contribuinte receberá, em intimação pessoal, cópias de todos os papéis gerados na ação fiscal, e, em devolução, todos os livros e documentos entregues à autoridade autuante. Não obstante, a contribuinte efetuou alegação genérica quanto ao cerceamento de defesa, sem apontar claramente em que ponto do processo teria havido tal cerceamento, não procedendo assim sua alegação quanto a preliminar. No mérito, a autoridade julgadora a quo, destacou como não contestados os seguintes pontos: a empresária informou nas DIPJ que apuraria o Imposto de Renda — Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pela sistemática do lucro real em sua variante eletiva trimestral (f. 10 e 87); a empresária apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondentes aos anoscalendário de 2004 e de 2005 (f. 12 a 80 e 89 a 110), em branco ou, seja, apenas preenchidas com zeros, com exceção das informações relativas aos balanços patrimoniais ("Último Balanço do Ano — Imediatamente Anterior — Da Declaração"), parcialmente preenchidas (estão zeradas as informações relativas à Declaração do anocalendário de 2005, às f. 111 a 113); as omissões de registro de receitas (vendas diárias totais de certos dias, documentadas por cupons fiscais ECF, e não registradas) são as mesmas nos livros Registro de Saídas, Diário e Razão, e foram demonstradas pela autoridade fiscal na planilha "RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS", às f. 270 a 273. No tocante ao mérito, inicialmente, quanto ao equivocado critério jurídico e fundamentação legal adotados para o lançamento, entendeu a autoridade julgadora que houve equívoco por parte da contribuinte ao equiparar a constatação material referente a falta de registro de receitas à mera presunção de omissão de receitas, por falta ou insuficiência de escrituração/contabilização. Quanto ao arbitramento, sugerido pela contribuinte, apontou a decisão recorrida que, por tratarse de medida extrema, somente pode ser aplicado em situações limite, em que as demais formas de tributação não puderem ser aplicadas, especialmente a que tiver sido oportunamente escolhida pela contribuinte, o que no presente caso fora o lucro real trimestral. Entendeu a autoridade julgadora pela correção do procedimento fiscal que procedeu à apuração da base de cálculo de IRPJ e da CSLL suplementares, e sua tributação a partir da opção da contribuinte pelo lucro real trimestral. Fl. 497DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 7 7 No tocante ao argumento de incorreta eleição da base de cálculo, entendeu a autoridade julgadora a quo que a contribuinte repetiu sua equivocada afirmação de presunção de omissão do registro de receitas diante da demonstrada existência material desta. Ressalta que ao sugerir que a autoridade fiscal deveria ter reconhecido, a par da omissão de receita, os correspondentes custos, deveria a contribuinte ter demonstrado quais seriam tais custos, o que não foi feito em sede de impugnação. Destaca que a autoridade fiscal constatou que as vendas totais de determinados dias não haviam sido registradas, sem apontar durante o procedimento de fiscalização não foram apontados os alegados custos que deixaram de ser levados em considerações. No tocante à exclusão da base de cálculo do IRPJ da CSLL lançada de ofício esclarece que desde o anocalendário de 1997 a referida dedução está vedada nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.316/96, bem como o disposto no §6º do artigo 344 do RIR/99, estando assim correto o lançamento fiscal. Quanto a suposta prova emprestada, aponta que a contribuinte está equivocada em sua argumentação, posto que a prova emprestada que não pode ser utilizada, por argumentos doutrinários e jurisprudenciais, entre os sujeitos ativos (União, Estados e Municípios) são as conclusões a que chegou um sujeito ativo em relação a determinado sujeito passivo. Nada ocorre contra o uso, por parte de um dos sujeitos ativos, das provas de qualquer gênero obtidas por outro sujeito ativo, para fundamentação de suas próprias conclusões em face de específica legislação tributária. No presente caso, não se tem conhecimento de procedimento de fiscalização realizado pelo Estado de Santa Catarina, mas tão somente, teria o auditor fiscal dado cumprimento ao artigo 195 do CTN. Esclarece que os cupons ECF individualmente emitidos são diariamente totalizados e resumidos em um cupom de leitura e redução a zero de uma das memórias do equipamento, denominado de redução “z”, sendo os mapasresumo ECF planilhas em que apenas se transcrevem em um único documento os valores de todas as reduções “z”, não devendo haver qualquer divergência entre os valores totais dos cupons emitidos e os cupons de redução “z”, bem como os mapasresumo. De tal sorte, a autoridade fiscal, ao analisar o mapa resumo faz apenas o equivalente a examinar os próprios cupons emitidos em substituição às notas fiscais de saída das mercadorias comercializadas, não prosperando assim a alegação de prova emprestada. Por tratarse de comprovação material das saídas promovidas pelo estabelecimento, excluíse também qualquer alegação de uso de presunção de omissão de receitas. Quanto às tributações reflexas, no tocante a CSLL, diante da manutenção do lançamento de IRPJ, nada há que se reparar. No tocante ao PIS e a COFINS, por terem incidido apenas sobre os valores de vendas omitidas de “outros produtos”, e não às vendas a varejo de combustíveis, também entendeu a autoridade julgadora que o lançamento fiscal não merece qualquer reparo, eis que estes “outros produtos” não estariam sujeitos ao regime de substituição tributária. Fl. 498DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 8 8 Já no que se refere a suposta ilegalidade da presunção comum como prova, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer demonstrativo ou prova nesses sentido. Não há que se falar em presunção, posto que a autoridade fiscal demonstrou através de prova documental, material, que todas as vendas de determinados dias, nos anoscalendário de 2004 e de 2005 não foram registradas e nem levadas à tributação. Afasta a impugnação à representação fiscal para fins penais e do arrolamento de bens e direitos, diante da limitada competência da primeira instância administrativa, cabendo sua decisão somente ao litígio administrativo. No tópico referente a ilegalidade ou inconstitucionalidade da aplicação dos juros através da SELIC, alega não caber aquela instância se manifestar sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de qualquer diploma legal regularmente editado e em vigor, se socorrendo de julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes. Assim, entendeu a autoridade julgadora, rejeitar a argüição de preliminar de cerceamento de defesa, julgar procedentes as exigências de IRPJ e decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), bem como julgar procedentes a exigência de juros de mora calculados com base na SELIC, e declarar sua incompetência para apreciar matéria relativa à ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária. A contribuinte foi notificada da decisão em 20 de maio de 2009, e inconformada apresentou Recurso Voluntário a este Conselho em 17 de junho daquele ano. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte reitera a exposição fática já exposta neste relatório, alegando que a simples descrição dos fatos demonstraria, de plano, que as exigências são inoportunas e desprovidas de respaldo legal ou jurídico, devendo ser julgadas improcedentes. No mérito, novamente sustenta ter havido adoção de equivocado critério jurídico e fundamentação legal para o lançamento. Alega que fora invocado como enquadramento legal para respaldar os lançamentos o artigo 24 da Lei nº 9.249/95, combinado com os artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288, todos do RIR/99. De tal sorte, a atenta leitura dos citados dispositivos evidenciaria que estes não prestariam para respaldar qualquer exigência fiscal, apoiados nos fatos lá descritos, por cuidarem de tipificação estranha à estes. Aponta que: 12. O artigo 251, Parágrafo único do RIR/99, cuida, tão somente, de o dever do Contribuinte escriturar todas as suas operações com observância das leis comerciais e fiscais. Portanto, sua aplicação se restringe aos casos em que o Fisco demonstra e comprova, com elementos concretos, que o Contribuinte deixou de escriturar alguma operação que resultasse em prejuízo ao Erário. 13. Os artigos 278, 279 e 280 do mesmo Regulamento tratam da definição de Lucro Bruto, Receita Bruta e Receita Líquida, e sua aplicação, obviamente, fica limitada às hipóteses em que o Fisco apura, mediante prova inconteste, erros e falhas cometidos pelo Fl. 499DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 9 9 Contribuinte na apuração e contabilização dessas contas de resultado. 14. O artigo 249, inciso II, do RIR/99, por seu turno, cuida da adição de resultados, rendimentos e receitas, não incluídos no Lucro Líquido, para a determinação do Lucro Real. Logicamente, a aplicação desses dispositivos pressupõe comprovação efetiva por parte do Fisco da ocorrência de omissão de rendimentos ou receitas. 15. No que pertine ao artigo 24 da Lei no 9.249/95, consolidado no artigo 288, inciso II, do RIR/99, versa, apenas, sobre o regime de tributação de eventual Omissão de Receitas. Entende ter restado claro que os lançamentos se pautaram em mera presunção de omissão de receitas, por falta ou insuficiência de escrituração/contabilização, o que, deveria resultar, segundo seu entendimento, em arbitramento de seus lucros, por falta de escrituração das compras e vendas dos combustíveis. Não teria a autoridade fiscal assim agido para impor à contribuinte uma carga tributária mais onerosa, posto que se houvesse o arbitramento de lucros, os tributos a serem exigidos incidiriam sobre 1,92% da base apurada. Ressalta que o arbitramento não constitui penalidade e que somente deve ser adotado em casos extremos de imprestabilidade da escrituração, quando esta não presta amparar a tributação com base no lucro real. Destaca ainda que não esta invocando o arbitramento como elemento de defesa, pois tem consciência de que escriturou todas operações realizadas. Outro tópico levantado pela recorrente é a suposta incorreção na eleição da base de cálculo, em que a autoridade fiscal teria majorado a base cálculo dos lançamentos, fundado em mera presunção de omissão de receitas, desconsiderando o valor das compras dos produtos comercializados, que constituiria custo necessário. Sustenta que a atuação do auditor fiscal afrontou a legislação de regência e a dominante jurisprudência do CARF e da CSRF, que orienta no sentido de que, em se tratando de revenda de combustíveis, eventual tributação de omissão de receitas deve incidir tão somente sobre o lucro da operação. Se socorre de jurisprudência desde Conselho que dariam suporte a seus argumentos. Alega que em se tratando de revenda de combustíveis, caberia ao Fisco levar em conta, quando do lançamento, o efetivo lucro da atividade, ou seja, a diferença entre o preço de venda e compra do produto, sob pena de exigir imposto sem causa. Destarte, a fiscalização teria se equivocado na eleição da base de cálculo, fazendo incidir sobre o total da receita, tida por omitida, quando o correto seria fazer incidir apenas sobre o lucro das operações de revenda de combustíveis. Não havendo, assim, suporte a esta apuração na escrita da contribuinte, caberia ao Fisco arbitrar seus lucros, fazendo incidir os tributos sobre 1,92% da receita tida por omitida, consoante a legislação de regência para a atividade. Fl. 500DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 10 10 Diante disto, entendendo ter sido o lançamento efetuado com base em presunção não autorizada por lei, pretende ver o lançamento julgado improcedente, reformandose a decisão proferida pela autoridade julgadora a quo. Sustenta ainda que, de acordo com a legislação, a base de cálculo do IRPJ é determinada após a dedução da CSLL, o que no presente caso não teria sido observado pela autoridade fiscal, o que teria resultado em tributação dupla, cabendo, em caso de manutenção do lançamento, a revisão deste item. Desta forma, requer que sendo mantido o lançamento, seja procedida a exclusão da base de cálculo do IRPJ da CSLL lançada de ofício e a incidência de eventual tributação de omissão de receitas tão somente sobre o lucro da operação. Reitera em sede de recurso voluntário as argumentações trazidas na impugnação acerca da prova emprestada, ou seja, a utilização de Maparesumo ECF, posto que tal documento se destina ao Fisco estadual. Aduz que a quantificação da base de cálculo partiu através dos valores obtidos através dos mapas denominados Redução “Z”, utilizados para a apuração do ICMS, valor que não se confundem com o conceito de receita para fins de apuração do IRPJ. Novamente se socorre de jurisprudência do CARF e da CSRF que dariam suporte a suas alegações. Reitera que não houve aprofundamento por parte da autoridade fiscal em buscar outros meios para a correta análise fática, se escorando em presunção, não prevista em Lei, de considerar que a contribuinte omitiu receitas por simples apuração dos valores obtidos dos mapas de Redução “Z”. No tocante ao item denominado “quebra de estoques”, a contribuinte alega que apesar de ter demonstrado e comprovado a integralidade dos elementos solicitados durante a ação fiscal, a fiscalização teria rejeitado a maior parte dos esclarecimentos prestados, tendo procedido a autuação a pretexto de que a contribuinte cometera subavaliação de estoque final de bens de revenda e redução incorreta do lucro real. Sustenta que a autoridade fiscal deixou de considerar a quebra de estoque que, no comércio de combustíveis, é inquestionável, se constituindo de verdadeiro custo para a Contribuinte, nos termos do inciso I do artigo 291 do RIR/99. Afirma ser inquestionável a quebra de estoques no comércio de combustíveis, restando apurarse o percentual normal da quebra. Sendo que o Primeiro Conselho teria decidido que se admite, na apuração de vendas de combustíveis, a quebra de estoque até o limite de 0,6%. A dedução da quebra de estoques de combustíveis seria pacifica na jurisprudência, bem como em consultas realizadas ao Fisco, consoante colaciona em sua peça recursal. Desta feita, tendo o lançamento sido formalizado em moldes rechaçados pela Lei, doutrina e jurisprudência, requer seja declarada a improcedência dos lançamentos. Fl. 501DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 11 11 Quanto a tributação reflexa, reitera os argumentos apontados em sede de impugnação, qual seja, quanto a CSLL que não subsistindo o lançamento do IRPJ, não deve prosperar o lançamento quanto a CSLL. No tocante ao PIS e a COFINS também seguiriam a sorte do IRPJ, porém, são também insustentáveis, ainda que o IRPJ fosse procedente, posto que em se tratando de comerciante varejista de combustíveis, a capitulação adotada fora equivocada, diante do sistemática de substituição tributária, consoante o artigo 4º da Lei Complementar nº 70/91 e artigo 6º da Lei nº 9.715/98. Teriam, portanto, sido tomadas, como fundamentos materiais, das exigências de PIS e COFINS, pretensas omissões de receitas, o que, por se tratar a contribuinte de comerciante varejista de combustíveis, não se poderia ser utilizado para efeitos de incidência, posto que tais contribuições são exigidas dos distribuidores sob a condição de substitutos. Sua exigência redundaria em conflito com as disposições legais, configurandose bitributação. Sustenta ainda a ilegalidade da presunção comum como prova, diante do fato do auto de infração ter sido lavrado por mera presunção, deixandose de observar o artigo 112 do CTN. Teria a autoridade fiscal tentado, por meio de presunção, inverter o ônus da prova, diante de dúvidas acerca de efetiva existência de ato infracional, posto não haverem provas incontestes da prática dos ilícitos. Reitera os argumentos trazidos em impugnação acerca do descabimento da representação fiscal para fins penais e do arrolamento de bens e direitos, diante da inexistência de evidente intuito de fraude, o que se caracterizaria pela não aplicação de multa qualificada. Assim, não haveria fundamento para representação fiscal para fins penais e tão pouco para o arrolamento de bens e direitos, por não ter sido comprovado o evidente intuito de fraude exigido em lei para a adoção desses procedimentos. Por fim, reitera também seus argumentos impugnatórios a aplicação da taxa SELIC na correção de débitos tributários, diante de sua falta de previsão legal, inadequação entre a natureza da taxa criada e regulamentada pelo Banco Central e o campo tributário, sua inconstitucionalidade material e flagrante inconstitucionalidade formal. Por derradeiro, enfatiza que suas atividades são reguladas por legislação específica (comercial e civil), que o direito tributário não derroga, consoante os artigos 109 e 110 do CTN. Ao final requer seja a decisão de primeira instância reformada, e cancelados os lançamentos, por terem sido processados sem qualquer fundamentação fática e legal que possa respaldálos e, em razão de o procedimento da contribuinte estar amparado na legislação fiscal vigente à época dos fatos autuados. Protesta, por fim, pela juntada de novas provas, demonstrativos e outros elementos hábeis a demonstrar à comprovação das alegações. E, prevalecendo o lançamento, seja excluída a taxa SELIC exigida a título de juros de mora, diante de decisão proferida pelo STJ. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 12 12 Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe analisar a referência, ainda que genérica, feita pela Recorrente quanto ao cerceamento ao seu direito de defesa no item 53 de seu Recurso Voluntário. Entende a recorrente não ter havido “aprofundamento nas investigações de molde a caracterizar a matéria tributável”, e ainda não existirem no Termo de Verificação Fiscal, elementos suficientes a cientificála do inteiro teor do ilícito imputado, havendo demonstrações sucintas que caracterizariam “Cerceamento do Direito de Defesa e por conseqüência a nulidade da autuação”. Tal alegação quanto ao cerceamento do direito de defesa não prospera. Isto porque não há na autuação qualquer elemento estranho à Recorrente, pois como bem se vê, tem por fundamento toda a documentação entregue pela própria Recorrente. Verificouse, de forma documental a omissão do registro de vendas através de cupons fiscais ECF, tendo a Recorrente recebido, por meio de intimação pessoal, cópias de tudo o que foi produzido durante o procedimento de fiscalização. Não obstante, não há qualquer insurgência individualizada, clara, quanto a ponto em que teve cerceado, ou ao menos, reduzido, seu direito de defesa, não passando a alegação de genérica referência, feita no corpo do recurso. Assim, superase a preliminar argüida, rejeitandoa para se prosseguir à análise de mérito. Quanto ao suposto equivoco no critério jurídico e fundamentação legal adotados para o lançamento, a Recorrente aponta como presunção de omissão de receitas fato documentalmente demonstrado, qual seja, a existência de vendas documentadas através de cupons fiscais ECF não escrituradas. Neste tópico questiona: “Se o Fisco atribuiu à Recorrente a titularidade das vendas e dos recursos delas provenientes, porque não arbitrou os seus lucros, por falta de escrituração das compras e vendas dos combustíveis?” E responde que não houve arbitramento pois este seria mais vantajoso a ela. De certo que o arbitramento de lucros, procedido de ofício, é medida extrema, adotada quando as demais formas de tributação não puderem ser adotadas, o que não se verifica no caso dos autos. Neste ponto merece ser reconhecido o trabalho realizado quando da fiscalização, procedendose a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma Fl. 503DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 13 13 suplementar, uma vez verificada, de forma material, por meio documental, a omissão do registro de vendas realizadas pela Recorrente, e a conseqüente omissão de receitas, procedendose sua tributação através da opção realizada pelo lucro real trimestral. Noutro ponto, qual seja, a suposta eleição incorreta da base de cálculo, novamente a Recorrente se insurge em face de pretensa presunção de omissão de registro de receitas. Reiterese, não há presunção de omissão, a omissão restou demonstrada documentalmente. Contudo, aponta que a autoridade fiscal deveria ter reconhecido os correspondentes custos, referentes às saídas omitidas. Destaquese que em nenhum momento, seja quando do procedimento fiscal, seja em sede de impugnação, ou ainda neste Recurso Voluntário, a contribuinte trouxe elementos de prova com o objetivo de demonstrar a existência destes custos. Reiterese não houve a demonstração dos custos a serem reconhecidos. Houvesse qualquer demonstração destes custos, de certo seriam considerados quando dos competentes procedimentos de ofício. Como bem demonstrado, a autoridade fiscal verificou a existência de vendas totais, referentes a determinados dias, que não foram registradas. Nada foi apontado quanto a existência de possíveis compras não registradas, nem pela Recorrente, nem pelo auditor fiscal. Como resta transparente das razões de recurso, a contribuinte pretende ver o lançamento de ofício realizado através de arbitramento, o que não convém ao caso. Em que pese a vasta jurisprudência colacionada pela Recorrente, não se aplicam ao caso, posto a inexistência de comprovação de custos não escriturados ou falta de registro de compras. No caso em tela, o que há é falta de registro de parte dos documentos fiscais referentes às vendas realizadas, ou seja, omissão documentalmente comprovada. Quanto a exclusão da base de cálculo do IRPJ da CSLL lançada de ofício, como bem assentado pela autoridade julgadora a quo, existe vedação legal para tal dedução, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.316/96, bem como §6º do artigo 344 do RIR/99. Adiante, pretende a Recorrente que seja reconhecido o uso de prova emprestada, qual seja, os Mapas Resumo de ECF, fornecidos pela própria Recorrente durante o procedimento fiscal. Não há que se falar em prova emprestada, posto que não houve a utilização de prova produzida em outro procedimento de fiscalização, e tão pouco uso de conclusões a que eventual procedimento de fiscalização tenha chegado. O que houve foi a utilização por parte do Fisco Federal de documentos fiscais produzidos pela Recorrente, que registram a realização de vendas efetuadas, e seu confronto com a escrituração realizada. Não há prova emprestada como pretende a Recorrente, pois não houve, como bem se vê, o transporte da prova de um processo para outro, mas sim a apresentação por parte da Recorrente de seus documentos fiscais. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 14 14 No ponto referente à quebra de estoques, trazidos apenas em sede de Recurso Voluntário, não cabe a este colegiado se manifestar, diante da preclusão ocorrida, posto não haver manifestação da Recorrente neste sentido em sede impugnação, o que afastou da autoridade julgadora a quo, a possibilidade de se manifestar acerca do tema. Eventual manifestação quanto a este tópico configuraria supressão de instância. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A TEOR DO QUE DISPÕE O ARTIGO 17, DO DECRETO N 70.235, DE 1972, NA REDAÇÃO QUE LHE FOI DADA PELA LEI N° 9.532, DE 1997, A MATÉRIA QUE NÃO TENHA SIDO EXPRESSAMENTE CONTESTADA, CONSIDERAR SEÁ NÃO IMPUGNADA, TORNANDOSE PRECLUSA. (CARF 1º Seção / 1 a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180100.172 em 08/12/2009) (Grifei) Já no tocante a tributação reflexa, certo é que a sorte do lançamento decorrente segue a do principal, e no presente caso, mantido o lançamento do IRPJ, devese manter o da CSLL. Em relação ao PIS e a COFINS, também não há que se modificar o lançamento. De fato as vendas no varejo de combustíveis estão sujeitas ao regime de substituição tributária, mas como se verifica no presente caso, só houve lançamento de tais contribuições sobre os valores de vendas omitidas de “outros produtos”, ou seja, não houve incidência de tais contribuições sobre a venda omitida de combustíveis. Não havendo qualquer reparo a ser feito. Quanto a suposto ilegalidade da presunção como prova, não merece guarida o argumento da Recorrente, isto porque houve a demonstração documental da existência material de omissão de receitas, qual seja, a falta de escrituração de vendas realizadas em determinados dias dos anoscalendários de 2004 e 2005. No tocante ao descabimento da representação fiscal para fins penais e do arrolamento de bens e direitos, não cabe a este conselho se manifestar, posto que sua competência é para julgar o litígio administrativo, não se incluído as questões relativas ao arrolamento de bens e direitos e tão pouco da representação fiscal para fins penais. Por fim, quanto a aplicação da Taxa SELIC, não cabe a este colegiado se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de sua aplicação. Porém, no tocante a SELIC, a matéria já é objeto de Súmula, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10909.002762/200755 Acórdão n.º 120200.562 S1C2T2 Fl. 15 15 Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceameto de defesa e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 506DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 13161.720024/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2005
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n.° 6.938/81.
Hipótese em que o contribuinte comprovou documentalmente ser a área objeto de fiscalização, em sua totalidade, de preservação permanente.
Embargos de declaração acolhidos.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-000.975
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e rerratificar o Acórdão nº 2101-00.583, de 18 junho de 2010, alterando o resultado do julgamento para DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n.° 6.938/81. Hipótese em que o contribuinte comprovou documentalmente ser a área objeto de fiscalização, em sua totalidade, de preservação permanente. Embargos de declaração acolhidos. Recurso voluntário provido.
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ISENÇÃO. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1 0, da Lei n.° 6.938/81. Hipótese em que o contribuinte comprovou documentalmente ser a área objeto de fiscalização, em sua totalidade, de preservação permanente. Embargos de declaração acolhidos. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e rerratificar o Acórdão ií 2101-00.583, de de junho de 2010, alterando o resultado do julgamento para DAk provimento ao recurso, os termos do voto do Relator. 4/10) arcos Cândido - Presid Processo n° 13 16 1 .720024/2007-62 Acórdão n.° 2101-00.975 rAL Alexandre Nao i Nishio a - Relator EDITADO: 1 5 an 2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela la. Turma Ordinária da P. Camara da 2a • Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 05 de janeiro de 2011, contra o Acórdão n° 2101-00.583, de 18 de junho de 2010, em virtude de omissão, decorrente do recebimento tardio (após a data do julgamento), por esta la. Turma, de documentos apresentados pelo contribuinte antes do julgamento. E o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Os embargos de declaração interpostos por este Conselheiro Relator com fundamento no disposto pelo art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.° 256, de 2009, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. De fato, o texto normativo do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARP), mais especificamente o seu art. 65, caput, admite a interposição do referido recurso, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tão-somente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido. A este respeito, cumpre trazer A. baila o estatuído pelo Regimento Interno: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; 2 52-C1T1 Fl. 2 Processo n° 13161.720024/2007-62 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.975 Fl. 3 IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2° 0 presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° 0 despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrario. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração sera dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicam-se, no que couber, As decisões em forma de resolução." No presente caso, aponta -se omissão no acórdão embargado, devido â. falta de análise e pronunciamento acerca dos documentos trazidos aos autos posteriormente A. interposição do recurso voluntário, os quais, de acordo com o contribuinte, ratificam o argumento de que a totalidade do imóvel FAZENDA VACA BRANCA, objeto da fiscalização, área de preservação permanente. Tal como esclareceu o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Exmo. Sr. Marco Aurélio, no julgamento do Agravo de Instrumento n. 163.047-5-PR-AgRg-Edcl: "Os embargos declaratórios não consubstanciam critica ao oficio judicante, mas servem-lhe ao aprimoramento. Ao aprecia-los, o órgão deve fazê-lo com espirito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal". Com esse espirito, passo a analisar os documentos apresentados pelo contribuinte antes do julgamento, mas juntados posteriormente. Em 14 de outubro de 2009, o contribuinte, ao protocolar petição requerendo a apreciação de novos documentos que ratificariam seu argumento de que a Area do imóvel FAZENDA VACA BRANCA é área ambiental, mais especificamente Area de preservação permanente, trouxe aos autos Relatório Ambiental da Fazenda Vaca Branca — Navirai/MS, elaborado pela Fundação Cândido Rondon e pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul. Integram esse relatório entre outros documentos um parecer técnico e um diagnóstico ambiental (imagens de satélite) do imóvel FAZENDA VACA BRANCA, elaborados por engenheiro agrimensor e engenheiro agrônomo, que concluem ser, a extensão total do imóvel rural em questão, área de preservação permanente. Veja-se: "Todavia, a totalidade da área de preservação permanente projetada para a propriedade, ou seja, as areas identificadas por meio das imagens de satélite como várzea em conformidade com a Resolução CONAMA n° 303 descrita acima, alcançam um total de 13.503,4910 ha o que representa 100% da extensão total do imóvel rural em questão." 3 Processo n° 13161.720024/2007-62 52 -C1T1 Acórdão n.° 2101-00.975 Fl. 4 Verifica-se, portanto, que os documentos trazidos A. baila pelo contribuinte são legítimos para demonstrar a natureza das áreas que constituem o imóvel FAZENDA VACA BRANCA. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração para sanear a omissão apontada e re-ratifi2ar o Acórdão 2101-00.583, de 18 de junho de 2010, alterando o resultado do julgamento paya DAR provimento ao recurso. I, Al On, Alexan re Naoki Nishioka 4
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005725/2004-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
No imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
FALTA DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS.
O lançamento prescinde de intimação prévia para prestação de esclarecimentos, quando a infração estiver claramente demonstrada e apurada, nos termos da legislação vigente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho com e sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual.Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.187
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. No imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. O lançamento prescinde de intimação prévia para prestação de esclarecimentos, quando a infração estiver claramente demonstrada e apurada, nos termos da legislação vigente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho com e sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual.Recurso Voluntário Negado
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. No imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. O lançamento prescinde de intimação prévia para prestação de esclarecimentos, quando a infração estiver claramente demonstrada e apurada, nos termos da legislação vigente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho com e sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 87DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 84 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra JOSÉ NERVAL MARQUES foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/08, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 18.502,77, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração, foi omissão de rendimentos do trabalho com e sem vínculo empregatício, recebidos das seguintes pessoas jurídicas: Em Reais Fonte pagadora Rendimentos IRRF Deduções Consórcio Intermunicipal Teles Pires 71.935,40 10.288,20 3.682,00 Campo Mourão Prefeitura 2.810,40 412,86 Unimed Norte Matogrossense 12.912,14 277,41 Sinop Prefeitura 3.500,00 528,25 Totais 91.157,94 11.506,72 3.682,00 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 36/37, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0412.411, de 10/08/2007, fls. 57/59, decidindose, por Fl. 88DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 85 3 unanimidade de votos, pela procedência parcial do lançamento, para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 05/11/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 65, o contribuinte apresentou, em 04/12/2007, recurso voluntário, fls. 66/75, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Do direito Reafirmamos que no mesmo período (anocalendário) foi retida na fonte por parte das empresas pagadoras a quantia original de imposto de renda no total de R$ 11.511,76 (onze mil quinhentos e onze reais e setenta e seis centavos). A divergência ocorrera, pois estes valores foram lançados juntos por equivoco no lançamento como rendimentos totais tributáveis, quando deveriam ter sido desmembrados os valores de natureza não tributável ou isento. Mesmo assim, fica claro verificar que no período em questão já foi devidamente pago o imposto por retenção na fonte. (...) Ora se os documentos trazidos pelo contribuinte não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento, o Fisco tem a prerrogativa de provar o contrário, o porquê não seriam ou porque teriam sua idoneidade questionada, uma vez que foram firmados por empresas também responsáveis pelo pagamento do imposto retido. Falta de Pedido de Esclarecimento Seja considerado improcedente o procedimento fiscal de expedir auto de infração, pelo Correio, sem pedido prévio de esclarecimento consoante legislação processual retro indicada; Da decadência do direito de lançar A multa por falta da entrega tempestiva da DIRPF. Do exercício 2001, ano calendário 2000 estava decaída quando da ciência do Auto de Infração. A decadência no âmbito da Secretaria da Receita Federal, quando a lei que instituiu a obrigação não preveja este instituto, regese pelo § 4º, do artigo 150, do CTN, ou seja, cinco anos a contar do fato gerador da obrigação tributária. (...) Considerando que as normas relativas às penalidades pecuniárias por falta de entrega das DIRPF. São omissas à decadência, então o dies a quo do direito de lançar a multa pelo seu descumprimento, no presente caso, é o seguinte: Prazo de vencido em 30/04/2001, começo do prazo qüinqüenal em 01/05/2002; decadência em 16/05/2007. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 86 4 A ciência da notificação de lançamento ocorreu em 05 de novembro de 2007. Portanto, intempestivamente, não produzindo mais qualquer efeito jurídico pertinente. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 87 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, o contribuinte traz a alegação de decadência do crédito tributário exigido no lançamento. De pronto, cumpre esclarecer que o contribuinte se equivoca ao mencionar que a notificação de lançamento teria ocorrido em 05/11/2007. Na realidade, a ciência do lançamento, se deu por via postal em 10/01/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 33, enquanto a data mencionada pela defesa corresponde na verdade à data em que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau. Prosseguindose com o exame do prazo decadencial, devese antes observar que o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 91DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 88 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, o contribuinte não apresentou sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2001, anocalendário 2000, entretanto, neste período teve imposto de renda retido na fonte sobre seus rendimentos. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2000 somente se completaram em 31/12/2000, data a ser considerada para fins de contagem do prazo Fl. 92DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 89 7 decadencial, que se encerrou em 31/12/2005. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 10/01/2005, não há que se falar em decadência na data do lançamento. No que concerne à alegação do recorrente de que o lançamento ocorreu sem que houvesse pedido prévio de esclarecimento, temse que mais uma vez enganase o recorrente. O procedimento fiscal, que culminou com a lavratura do Auto de Infração, fls. 03/08, iniciouse com Termo de Início de Fiscalização, fls. 20/21, do qual o contribuinte foi cientificado em 05/03/2004, sendo certo, portanto, que houve a intimação prévia. Outrossim, vale destacar que se a infração estiver claramente demonstrada e apurada, admitese o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte. Notese, ainda, que na formalização do lançamento foram regularmente observados todos os requisitos legais do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Logo, a alegação de improcedência do lançamento em razão de falta de prévio pedido de esclarecimento não procede. No mérito, o contribuinte afirma que teria ocorrido equívocos no lançamento, que deixou de considerar parcela isenta dos rendimentos recebidos e também o imposto de renda retido na fonte sobre os mesmos. Quanto à existência de parcela isenta dos rendimentos considerados omitidos e tributados no Auto de Infração, vale frisar que o contribuinte limitase a afirmar que os rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal tiveram origem em rescisão de contrato de trabalho, de sorte que significante parte das verbas possuem natureza de rendimentos isentos e não tributáveis. Nesse ponto, vale dizer que o contribuinte recebeu rendimentos de duas prefeituras municipais, quais sejam: Campo Mourão e Sinop, as quais apresentaram Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), fls. 18 e 14, respectivamente, indicando os rendimentos levados à tributação como tributáveis. Por outro lado, o contribuinte não indica qual a parcela que seria isenta, tampouco traz documentos comprobatórios de suas alegações. Quanto ao imposto de renda retido na fonte cumpre esclarecer que foram devidamente considerados no Auto de Infração, conforme inferese do Demonstrativo de Apuração, fls. 03. Observase que a autoridade fiscal para apurar o imposto de renda devido, no valor de R$ 6.708,28, considerou deduções de R$ 3.682,00, imposto de renda na fonte de R$ 11.511,76 e pagamentos de quotas (código 0211), no valor total de R$ 1.515,84. Logo, correto o procedimento fiscal, tanto no que diz respeito aos rendimentos tributáveis, dado que o contribuinte não logrou comprovar a existência de parcela isenta, quanto ao cálculo do saldo do imposto devido, que foi apurado com aproveitamento de deduções, imposto de renda retido na fonte e pagamentos de quotas. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005725/200489 Acórdão n.º 210201.187 S2C1T2 Fl. 90 8 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 94DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005063/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – PRESUNÇÃO LEGAL – Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores
creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Excluem-se da base de cálculo, contudo, os valores cuja origem houver sido comprovada em qualquer fase do processo.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por
infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
JUROS MORATÓRIOS SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria
da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.947
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – PRESUNÇÃO LEGAL – Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Excluemse da base de cálculo, contudo, os valores cuja origem houver sido comprovada em qualquer fase do processo. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. JUROS MORATÓRIOS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada Recurso negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório VICENZO ANTONIO AMÉRICO ZEZZE interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 421/427. Tratase de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no valor de R$ 505.285,00, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 1.283.578,51. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 411/420, foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no anocalendário de 2001. Na impugnação de fls. 442/450 o Contribuinte alegou, em síntese, que toda pessoa jurídica tem o direito de destinar ou encaminhar recursos em nome de seus sócios para que este atue em nome da empresa e que a empresa EBF – VAZ disponibilizou recursos a seu sóciopresidente para a aquisição de ativo imobilizado; que quanto às divergências de datas estas se explicam pelo fato de que a empresa fazia provisões de recursos a serem liberados no exterior; que, pertencendo os recursos à empresa EBF – VAZ, da qual é sócio presidente, os recursos não constaram de sua declaração de rendimentos, pois não lhe pertenciam; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13839.005063/200645 Acórdão n.º 220100.947 S2C2T1 Fl. 2 3 que a aquisição dos ativos está comprovada com a documentação apresentada à fiscalização. O Contribuinte ataca, ainda, a documentação que deu início à ação fiscal. Diz que a fiscalização não se aprofundou em demonstrar com clareza as transações, em especial as reais datas de remessas, circunstância que reputa de suma relevância e cuja inobservância constitui ofensa ao devido processo legal. Insurgese contra a multa e os juros de mora que diz serem abusivos e caracterizam confisco. A Delegacia de Julgamento julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Após tecer considerações sobre o princípio contábil da entidade, a Delegacia de Julgamento destacou que, no caso, embora a contabilidade da empresa EBF – VAZ registre as remessas de recursos para Vicenzo Antonio Zezze não indica que tais remessas se destinavam a compra de ativo imobilizado; que como o contribuinte não declarou estes valores, conforme ele próprio reconhece, estaria correto o lançamento. Sobre a alegação de violação ao devido processo legal anotou que o impugnante não apontou nenhum vício que pudesse ser assim caracterizado, rejeitando a preliminar. Quanto à multa de ofício e os juros de mora, apresentou fundamento no sentido de que tais exigências têm previsão legal expressa, não merecendo reparo o lançamento também quanto a estes pontos. Enfim, considerou procedente o lançamento. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 08/09/2008 (fls. 509) e, em 08/10/2008, interpôs o recurso de fls. que ora se examina e no qual reitera a alegação quanto á origem dos depósitos bancários e rebate os fundamentos da autuação quanto á violação ao princípio da entidade. Afirma que tanto o auto de infração quanto a decisão de primeira instância reconhecem que os depósitos foram feitos pela empresa da qual é sócio. O processo foi incluído na pauta do CARF na sessão de dezembro de 2009 que decidiu converter o julgamento para que a autoridade lançadora pudesse confirmar a autenticidade das cópias dos livros contábeis apresentados apenas na fase recursal, determinando que fosse elaborado relatório circunstanciado do resultado da diligência do qual o contribuinte deveria ser intimado para, querendo, manifestarse. Em cumprimento da diligência, o Contribuinte foi intimado a apresentar os livros fiscais originais e não os apresentou. Foi elaborado relatório de diligência do qual o Contribuinte foi cientificado em 26/08/2010 e não apresentou nenhuma manifestação. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários de origens não comprovadas, com amparo no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. De início, não identifico qualquer vício no procedimento fiscal ou na autuação dela decorrente que possa ensejar a nulidade do lançamento. Verifico que foram observadas as normas que regem o processo administrativo fiscal, a autuação está perfeita com a clara descrição dos fatos e do enquadramento legal, de modo que o Contribuinte pode exercer plenamente o direito de defesa. Quanto ao mérito, tratase de lançamento com base em presunção legal. A presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a se de presumir que se trata de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13839.005063/200645 Acórdão n.º 220100.947 S2C2T1 Fl. 3 5 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. No caso concreto, o Contribuinte afirma que os depósitos bancários mantido em sua conta particular tinham origem na atividade da empresa EBFVAZ da qual é sócio e presidente e apresenta, na fase recursal, cópias de folhas do livro diário onde estariam registradas operações que confirmariam o fato alegado. Como se tratava de cópias e tendo sido apresentadas apenas na fase recursal, decidiuse converter o julgamento em diligência para que fosse confirmada a autenticidade das cópias. E, intimado mais de uma vez, em 21/06/2010 e 05/10/2010, a apresentar os livros originais, o Contribuinte não os apresentou, alegando que não os havia localizado. Nessas condições, portanto, não há como admitir como prova idônea as cópias de fls. 484/487. Como este foi o único elemento de prova da alegação, temse como não comprovadas as origens dos depósitos bancários. Quanto à multa de ofício, tratase de exigência baseada em disposição expressa de lei, o art. 44 da lei nº 9.430, de 1996 que prevê sua incidência no caso de diferença de imposto. Por outro lado, não cabe aos órgãos administrativos de julgamento decidir sobre a validade de normas validamente inseridas no ordenamento jurídico, mormente emitindo juízo sobre as repercussões econômicas de suas aplicações. Da mesma forma, quanto aos juros calculados com base na taxa Selic, trata se de exigência baseada em disposição legal expressa e neste caso em particular o CARF já consolidou entendimento no sentido de sua regularidade, vejamos; Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não merece reparos o lançamento também quanto a este item. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13839.005063/200645 Acórdão n.º 220100.947 S2C2T1 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 35368.000037/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1990 a 26/01/2004
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
AFERIÇÃO INDIRETA. REGULARIDADE.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.885
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do
voto do Relator; e b) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente DELTA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1990 a 26/01/2004 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. REGULARIDADE. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Fl. 169DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35368.000037/200738 Acórdão n.º 230100.885 S2C3T1 Fl. 166 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), fls. 045 a 052, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 019 a 021, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram aferidos, devido a recorrente não ter apresentado documentos solicitados pela fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 09/10/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 023 a 034, acompanhada de anexos, onde alegou, em síntese, que: 1. O RF deixou de identificar os fatos geradores das obrigações tidas como inadimplidas, sua origem e sua capitulação legal, viciando o ato, tornando nulo o lançamento; 2. A fiscalização deveria, ante o princípio da legalidade, descrever com clareza a infração cometida, a fim de possibilitar o exercício da ampla defesa; 3. Houve afronta ao art. 2° e inciso II do art. 50, ambos da Lei n°9.784/1999, devido a falta de motivação; 4. O início da obra se verificou em 09/1986 e foi encerrada em 12/1999, razão pela qual se encontram decadentes todas as exigências tributárias, com aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN); 5. O art. 2° do Decreto n° 3.969/2001 determina que o procedimento fiscal será executado mediante Mandado de Procedimento Fiscal, razão pela qual o presente padece de vício de nulidade; Fl. 171DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 6. Os valores utilizados como base de incidência não tem correspondência com os documentos disponibilizados à auditoria fiscal, uma vez que os valores recolhidos no período de 09/87 à 07/96 não foram convertidos em metros quadrados de edificação; 7. Não foram apresentados os valores utilizados para a aferição; 8. A exclusão de sessenta e sete meses não corresponde ao número de meses efetivamente decadente; e 9. Contabilizou regularmente todos os fatos geradores, mas que os livros encontramse extraviados, pelo que protesta pela juntada assim que localizados. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 054 a 064, acompanhado de anexos, reiterando os argumentos apresentados na defesa. Posteriormente, os autos forma enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 082. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF, analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco se pronunciasse sobre os efeitos da decadência. O Fisco emitiu informação fiscal, a partir das fls. 0155, pronunciandose, em síntese, pela decadência parcial do lançamento. A recorrente apresentou argumentos, a partir das fls. 0160, alegando, em síntese, que: 1. A entrega dos apartamentos foi em 1999, portanto totalmente decadente as contribuições; 2. Reitera seus argumentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35368.000037/200738 Acórdão n.º 230100.885 S2C3T1 Fl. 167 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue Fl. 173DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Ocorre que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 174DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35368.000037/200738 Acórdão n.º 230100.885 S2C3T1 Fl. 168 7 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Fl. 175DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Ressalto que aplicaremos, como é nossa obrigação, a determinação regimental – já que no nosso entendimento o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado não é contado da ocorrência do fato imponível, mas sim do dia seguinte ao que os valores deveriam ter sido recolhidos – mesmo não concordando com seu teor. Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 10/2006 e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 06/1990 a 01/2004 todas as contribuições apuradas nas competências anteriores a 01/2001 devem ser excluídas do presente lançamento. Ressaltamos que, apesar de buscarmos, por diligência, novas informações, não há documentação alguma que confirme o término da obra anteriormente ao alegado pelo Fisco. Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar ora examinada, no que tange à decadência, excluindo às contribuições apuradas anteriormente a 01/2001. A recorrente alega, ainda nas preliminares, que o RF deixou de identificar os fatos geradores das obrigações tidas como inadimplidas, sua origem e sua capitulação legal, viciando o ato, tornando nulo o lançamento. Analisando o RF verificamos que todos os elementos necessários ao total conhecimento sobre o lançamento estão presentes, como determina a legislação. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, não há que se argumentar sobre cerceamento de defesa, já que o RF traz descrição clara e precisa dos motivos do lançamento. Em outra preliminar a recorrente alega que o procedimento fiscal não possuiu MPF. Esclarecemos á recorrente que o MPF sobre o presente procedimento fiscal encontrase anexo. Portanto, não há razão no argumento. Por todo o exposto, acato parcialmente a preliminar ora examinada, para excluir do lançamento, devido a decadência, as contribuições apuradas anteriormente a competência 01/2001, devido a decadência, nos termos do voto. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente afirma que os valores utilizados como base de incidência não tem correspondência com os documentos disponibilizados à auditoria fiscal, Fl. 176DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35368.000037/200738 Acórdão n.º 230100.885 S2C3T1 Fl. 169 9 uma vez que os valores recolhidos no período de 09/87 à 07/96 não foram convertidos em metros quadrados de edificação. Esclarecemos à recorrente que os valores recolhidos nas competências citadas foram considerados pelo Fisco, como consta, de forma clara, no RF. Portanto, não há razão no argumento. Esclarecemos, também, que os valores que serviram a aferição, seus motivos, sua fundamentação legal e fática foram devidamente demonstrados no lançamento, especialmente pelo RF, possibilitando o amplo conhecimento do conteúdo e da formalização do exigido. A contabilidade não foi apresentada ao Fisco e, assim sendo, foi exercido o dever, segundo a legislação, de apurar por aferição as contribuições devidas. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Fl. 177DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido a decadência, as contribuições apuradas anteriormente a competência 01/2001, devido a decadência, nos termos do voto. Quanto ao mérito, nego provimento ao recurso. Marcelo Oliveira Fl. 178DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 02/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901795/2008-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32%
Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio.
Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio,
competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego
de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
Numero da decisão: 1103-000.457
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32% Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 258 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 259 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Por intermédio do Despacho Decisório (fl. 3), não foi reconhecido nenhum direito creditório a favor da recorrente e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada na PER/DCOMP (fls. 1 e 2), por meio da qual a recorrente pretendia compensar débito de Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O motivo da não homologação se fundou na constatação de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6 a 9), na qual alegou, em síntese, que: a) A sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) Em 23/01/2003, a recorrente formulou consulta fiscal, processo administrativo nº 10855.000267/20031 (fls. 18 a 21), requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido e obteve como resposta o percentual de 8%; c) Constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, consequentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; d) Procedeu à compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); e) Deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto; f) Embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; Fl. 259DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 260 4 g) A não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da recorrente e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. h) Requereu o apensamento deste processo ao processo de nº 10855.900739/200881 e que seja dado provimento à manifestação de inconformidade para homologar a compensação. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/01/2010, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados: a) Ao analisar o contrato social da recorrente, constatouse que a empresa exerce diversas modalidades de prestação de serviços. Por conseguinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mais de uma atividade, o que torna imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ do 4º trimestre de 2001, para demonstrar o montante do tributo devido; b) A recorrente apresentou notas fiscais, porém o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal, vez que a recorrente pleiteia como indébito o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, que incide sobre uma base de cálculo, e não incide em relação a cada nota fiscal em particular; c) Portanto, a recorrente deveria ter trazido aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, com a aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, em consequência, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido; d) Ainda, a recorrente deveria ter apresentado provas que permitissem albergar a tese de pagamento indevido ou a maior, isto porque há na DCTF declaração de existência de débito de IRPJ, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário; e) O indébito, portanto, não contém os atributos necessários de liquidez e certeza e não cabe o apensamento ao processo administrativo de nº 10855.900739/200881 por referiremse a períodos de apuração distintos. Cientificada da decisão em 22/02/2010, interpôs a recorrente recurso voluntário de fls. 250 a 254 em 12/03/2010, reiterando, basicamente, as alegações feitas na manifestação de inconformidade, e juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, das notas fiscais emitidas nesse trimestre, dos contratos com a SABESP e das notas fiscais dos materiais empregados nas obras. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 261 5 Voto Conselheiro Marcos Takata, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A não homologação da DCOMP se deu por despacho decisório “eletrônico” com fundamento na existência de pagamento localizado para solução de débito do mesmo código (2089 – lucro presumido) e mesmo período de apuração (4º trimestre de 2001), não restando crédito disponível para compensação (fl. 3). A recorrente alega erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que não foram retificadas. O erro defluiria do pagamento de IRPJ sob o regime do lucro presumido, pela aplicação da alíquota de 32% sobre a receita bruta para a determinação daquela, quando o correto seria a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta. A controvérsia acerca do direito creditório postulado pela recorrente de IRPJ pago a maior gravita em torno da aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta do 4º trimestre do anocalendário de 2001 na determinação do lucro presumido, ao invés da alíquota de 32% sobre tal receita bruta – o que teria gerado o direito creditório da recorrente. Invoca a recorrente a Solução de Consulta a ela conferida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, de março de 2005, no processo administrativo 10855.000267/200351. Nela se reconheceu a aplicação da alíquota de 8% na apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade, e a alíquota de 32% na apuração do lucro presumido, quando houver unicamente emprego de mão deobra. Segundo o contrato social da recorrente, seu objeto social inclui atividades diversificadas na área da construção civil. Com a manifestação de inconformidade, a recorrente carreou aos autos cópia de contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, de suspensão e de rescisão de um dos contratos celebrados com essa, cópias de notas fiscais emitidas pela recorrente para aquela, e cópias de notas fiscais de compra de matérias de construção civil. Documentação que fora acostada aos autos com a peça inaugural, para comprovar que as receitas auferidas pela recorrente no 4º trimestre do anocalendário de 2001 foram somente de construção civil com emprego de materiais. Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, cópia de mais contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, e cópia alegadamente de todas as notas fiscais emitidas nesse trimestre e de todas as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 262 6 Posto isso, é curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Compulsando os autos, vejo que há cópias: a) de notas fiscais emitidas pela recorrente; b) de notas fiscais de compra de materiais para construção civil; c) de contratos com a SABESP para execução de rede de distribuição de água, de rede coletora de esgotos, de ligações prediais de agia e de esgotos, de corte e restabelecimento de fornecimento de água e supressões de fornecimento de água, de ligações domiciliares de água avulsas, de melhorias nas ligações domiciliares de água, de construção de casa de bombas, de ampliação da estação de tratamento de esgotos; d) do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas, do balanço e da demonstração de resultado. As cópias do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas contábil, do balanço, da demonstração de resultado, das notas fiscais emitidas em outubro e Fl. 262DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 263 7 dezembro de 2001, de parte das notas fiscais de compra, e de alguns dos contratos já mencionados somente foram trazidas aos autos com a peça recursiva. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa registrar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou cópia das contas do Razão sensibilizadas com o reconhecimento das receitas e das compras: não há anotação da somatória dos lançamentos a crédito em conta de receita da atividade do Diário que teriam sido com emprego de materiais em “batimento” com a receita da atividade da demonstração do resultado do trimestre. Também, a recorrente não elaborou planilha demonstrativa de tais receitas indicando a “fonte” contábil, e demonstrativa das compras (custos) indicando a “fonte contábil”, com um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Ademais disso, a cópia do Diário só foi juntada aos autos no momento processual recursivo (além, é claro, da cópia de notas fiscais emitidas em outubro e dezembro, de parte das notas fiscais de compra e da demonstração de resultado que parece ser do exercício, e não do 4º trimestre). Nesse passo, retomo o que deduzi acima, sobre o onus probandi, sobre o momento processual para produção de provas no caso de pretensão do contribuinte, sobre o princípio da verdade material não ser absoluto. Também, como disse alhures, não cabe transformar este juízo em fase de procedimento de auditoria. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Não percebeu a recorrente que, sendo sua a pretensão, seu é o onus probandi, competindo a quem tem esse ônus a discriminação acima referida, para a comprovação de sua pretensão, e não simplesmente “lançar” nos autos lotes de notas fiscais, o Livro Diário correspondente ao 4º trimestre de 2001, balanço e demonstração de resultado do anocalendário de 2001. De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o Fl. 263DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 264 8 contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). Ainda assim, apreciando os autos, encontro: o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 180, no valor de R$ 14.715,40 (fl. 277 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 181, no valor de R$ 82.622,02 (fl. 279 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 182 no valor de R$ 2.023,72 (fl. 280 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 183, no valor de R$ 2.344,97 (fl. 281 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 184, no valor de R$ 25.783,78 (fl. 283 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 186, no valor de R$ 14.286,80 (fl. 284 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 187, no valor de R$ 8.516,06 (fl. 287 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 478,05 (fl. 288 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 96.745,77 (fl. 288 do processo); Fl. 264DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 265 9 o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.930,00 (fl. 290 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 3.069,68 (fl. 292 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 188,18 (fl. 293 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.145,57 (fl. 293 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.220,90 (fl. 293 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.946,58 (fl. 296 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 3 de dezembro de nº 195 (fl. 272) e o lançamento contábil ser também de 3 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 60.022,87 (fl. 297 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 5 de dezembro de nº 196 (fl. 273) e o lançamento contábil ser também de 5 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 16.232,40 (fl. 298 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 10 de dezembro de nº 197 (fl. 274) e o lançamento contábil ser também de 10 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 26.056,91 (fl. 299 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 14 de dezembro de nº 198 (fl. 275) e o lançamento contábil ser também de 14 de dezembro; Fl. 265DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901795/200833 Acórdão n.º 110300.457 S1‐C1T3 Fl. 266 10 o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 4.525,99 (fls. 299 e 300 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 17 de dezembro de nº 198 (fl. 276) e o lançamento contábil ser também de 17 de dezembro. Mas isso é insuficiente para comprovar a alegação da recorrente, ademais do que tal documentação contábil foi carreada aos autos somente no recurso. Diante de tudo quanto deduzi, padece de falta de certeza o crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 266DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 35043.002766/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/12/2001
DECADÊNCIA. SUMULA DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. PERÍODO DO LANÇAMENTO ANTERIOR A EC Nº 33/2001. NÃO HÁ IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
A receita bruta decorrente da comercialização de produto rural para o exterior realizada por pessoa jurídica durante o período anterior a publicação da Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001 é considerada
como base de cálculo para incidência de contribuições para Seguridade
Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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SUMULA DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. PERÍODO DO LANÇAMENTO ANTERIOR A EC Nº 33/2001. NÃO HÁ IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. A receita bruta decorrente da comercialização de produto rural para o exterior realizada por pessoa jurídica durante o período anterior a publicação da Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001 é considerada como base de cálculo para incidência de contribuições para Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35043.002766/200619 Acórdão n.º 230102.075 S2‐C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa NOLEM COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento de contribuições sociais previdenciárias, incidentes sobre a receita bruta originária da comercialização da produção rural devida pelo empregador rural pessoa jurídica, no período de 1/06/1998 a 31/12/2001. 2. Segundo informa o relatório fiscal (fl. 214), a recorrente deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias, consoante legislação vigente à época: “1. Este relatório integra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.863.3133, que constitui o crédito da Seguridade social decorrente das contribuições incidentes sobre a receita bruta oriunda de comercialização da produção rural, devida pelo empregador rural pessoa jurídica, na forma prevista nos incisos I e II e §1º do art. 25 da Lei nº 8.870, de 15/04/1994 e alterações posteriores da lei 10.256, de 09/07/2001, considerando as alíquotas aplicadas: 1.1. 2,5% da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; 1.2. 0,1% da recita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho; 1.3. 0,1% da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao SENAR, no período de 08/1994 a 12/2001; 3. Acrescenta ainda que “(...) o montante devido foi apurado com base em notas fiscais emitidas pela empresa e Livro de Registro de Saída de Mercadoria e Livro de Registro de Apuração do ICMS no período anterior a GFIP e no período da GFIP, pois a referida empresa não informou os valores decorrentes da comercialização de sua produção rural em GFIP.” 4. A decisão monocrática restou vazada nos termos que ora transcrevo: “OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA ORIUNDA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. MERCADO INTERNO. MERCADO EXTERNO. Obrigatoriedade do produtor rural – Pessoa Jurídica recolher as contribuições devidas à Seguridade Social, decorrentes da comercialização da produção rural. Não incidem as contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do §2º do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Considerase operação com o Mercado Externo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior.” 5. Em suas razões recursais, o contribuinte aduz, em síntese, que: a) as receitas decorrentes da comercialização dos produtos rurais destinados ao mercado externo não podem ser incluídas na base de cálculo de contribuições previdenciárias, haja vista publicação da Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal. No mesmo sentido, convergem o art. 245 da Instrução Normativa 03/2005 e a jurisprudência pátria; b) destaca ainda que “a impossibilidade de incidência das contribuições sociais sobre as receitas de exportação já possuíam previsão na Lei 8.212/91 (...)” e que “na verdade, a emenda constitucional nº 33/2001 somente veio dar abrangência total às isenções quanto à incidência das contribuições sobre receitas de exportação (...)”; c) por fim, assevera que uma vez indevida a obrigação principal, por arrastamento será a obrigação acessória, qual seja a declaração à Seguridade Social de documento que comprove o recolhimento de tais contribuições. 5. O Fisco, por sua vez, apresentou suas contrarazões no sentido de manter a decisão recorrida, pois entende que o presente débito não restou alterado com o advento da Emenda Constitucional nº 33/2001. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35043.002766/200619 Acórdão n.º 230102.075 S2‐C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, posto que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Inicialmente, é importante que seja feita a análise da decadência de ofício, tendo em vista que alguns créditos tributários constituídos já se encontram decaídos segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional, ainda que ausente manifestação do contribuinte nesse sentido, por se tratar de matéria de ordem pública. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, depreendese do Discriminativo Analítico de Débito (DAD) acostado às fls. 4/30 que houve recolhimento parcial face à totalidade da folha de salários da empresa sobre os valores lançados, dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. 9. Desta forma, tendo sido cientificada a recorrente do lançamento fiscal em 28/12/2005, referente às contribuições do período de 01/06/1998 a 31/12/2001, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 06/1998 a 11/2000, restando mantidas as demais a partir de 12/2000 até 12/2001. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35043.002766/200619 Acórdão n.º 230102.075 S2‐C3T1 Fl. 4 7 10. No entanto, conforme análise de planilha de fl. 393 constatase que, em sede recursal, o período discutido se restringe a 01/07/1998 a 30/11/2001, vez que a única matéria ventilada é aquela relativa ao mercado externo e, em relação à competência 12/2001, o débito lançado fica inalterado tendo em vista que o contribuinte não contesta a incidência de contribuição social sobre a receita obtida com a venda de produtos rurais no mercado interno. 11. Em razão do exposto, excluo do lançamento fiscal as competências 06/1998 a 11/2000. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS RURAIS DESTINADOS AO MERCADO EXTERNO 12. Consoante manifestação fiscal, a empresa foi notificada em razão do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, devidas pelo empregador rural pessoa jurídica, de acordo com a previsão disposta no artigo 25, incisos I e II e §1º, do da Lei nº 8.870/94 e alterações posteriores da lei 10.256/01. 13. A recorrente, por sua vez, afirma que “as receitas decorrentes da comercialização dos produtos rurais destinados ao mercado externo não podem ser incluídas na base de cálculo haja vista publicação da Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal. No mesmo sentido, convergem o art. 245 da Instrução Normativa 03/2005 e a jurisprudência pátria.”. 14. Assevera ainda “a impossibilidade de incidência das contribuições sociais sobre as receitas de exportação já possuíam previsão na Lei 8.212/91 (...)” e que “na verdade, a emenda constitucional nº 33/2001 somente veio dar abrangência total às isenções quanto à incidência das contribuições sobre receitas de exportação (...)”. Destacase, por fim, pedido de compensação de créditos previdenciários que alega o contribuinte possuir com os eventuais débitos remanescentes. 15. Não obstante o arrazoado do contribuinte, razão não lhe assiste. É que a alteração promovida pela Emenda Constitucional n.º 33, de 11 de dezembro de 2001, não afasta as contribuições ora lançadas, eis que as competências consideradas pelo fisco encontram limite temporal no mês de novembro de 2001. É dizer: o lançamento fiscal não incluiu a receita proveniente da comercialização de produtos rurais ao exterior no período de vigência da imunidade assegurada pela citada EC n.º 33. 16. No mesmo sentido, a Lei n.º 8.212/91 não traz nenhuma regra que sustente a alegação do contribuinte no sentido de inviabilizar o lançamento do débito, ao contrário, fundamenta os valores levantados pelo auditor, tal como o art. 22A, da referida norma. 17. No que diz respeito ao pedido de compensação, adoto as considerações aduzidas em sede de contrarazões ao recurso, pois, acertadamente, afastam a pretensão do contribuinte: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 “14. Por outro lado, a cópia do pedido de compensação de supostos créditos da Nolem, enexada já por ora da defesa, traduzse em pedido meramente (...), porquanto, pelas planilhas apresentadas às fls. 378/386 se conclui que a Recorrente listou impossíveis créditos previdenciários a seu favor quando, sequer, no período do levantamento, existia a imunidade/isenção de contribuições sociais sobre a comercialização de produtos rurais com o mercado exterior, ou seja, a Nolem apresentou um pedido de compensação de supostos créditos que não existem nem mesmo sob o ponto de vista da legislação, quanto menos do ponto de vista de sua materialidade (não houve recolhimentos indevidos em face das contribuições incidentes sobre esse comércio de produtos rurais com o mercado externo).” (fl. 418) 18. Com efeito, mantenho a decisão recorrida neste ponto por considerar que incidem contribuições sociais previdenciárias sobre a comercialização de produtos rurais para o exterior antes da vigência da EC n.º 33/2001. CONCLUSÃO 19. Ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, excluindo do lançamento o período alcançado pela decadência quinquenal, qual seja 01/06/1998 a 30/11/2000, mantendo as demais competências. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001997/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NÃOCUMULATIVIDADE.
CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO
Os custos de bens e serviços nãoutilizados
diretamente no processo de
produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de
Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-00.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros
Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam
provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO Os custos de bens e serviços nãoutilizados diretamente no processo de produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento ao recurso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II, RJ, que julgou procedente em parte a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu e deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2005. Inconformada com deferimento parcial, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade requerendo o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COF1NS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Caso a intenção da Vidroforte fosse a venda com a suspensão do PIS e da COFINS, na época das aquisições, mesmo havendo autorização da suspensão do PIS e da COFINS pela Lei 10.865/04, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com a referida suspensão somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Não existem os supostos ‘vícios formais’ a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira, manutenção de florestas e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei 10.833/03; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Juntase aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13971.001997/200683 Acórdão n.º 330100.927 S3C3T1 Fl. 740 3 k) A legislação prevê o direito ao creditamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, consoante art. 30, IX, da Lei 10.833/03; l) Quanto à diferença entre os valores declarados no DACON a título de armazenagem e frete nas operações de venda e aqueles registrados nos balancetes, esclarecese que as contas mencionadas no balancete são de custos, ou seja, líquidas dos impostos recuperáveis (ICMS, PIS e COFINS) enquanto no DACON consta o valor total do CTRC/NF; m) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em ‘vícios formais’, mas, quando muito, meras irregularidades, conforme já explanado; n) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; ...” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, conforme acórdão nº 1322.692, datado de 08/12/2008, às fls. 710/723, sob as seguintes ementas: “VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da COFINS nãocumulativa, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. COFINS APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para a COFINS nãocumulativa, calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados.” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 732/736, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando, em síntese, a ilegalidade das glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre os custos/despesas de custeio (manutenção) de florestas, extração de madeiras e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção de madeira (matériaprima). É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente suscitou a ilegalidade das glosas sobre os custos/despesas de custeio (manutenção) de florestas, extração de madeiras e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção de madeira. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para a Cofins, assim dispõe, quanto aos créditos dessa contribuição, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento, in verbis: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...); V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...).” Os dispositivos legais transcritos acima elencam de forma expressa os custos e despesas que geram créditos de Cofins nãocumulativa passíveis de deduções e/ ou de ressarcimento. Os custos e despesas decorrentes de custeio de florestas, extração de madeira e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados nessas atividades não constituem insumos utilizados no processo produtivo da recorrente e sim do produtor da madeira. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13971.001997/200683 Acórdão n.º 330100.927 S3C3T1 Fl. 741 5 Segundo aqueles dispositivos, somente geram créditos de Cofins os custos dos bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os referidos custos/despesas não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação dos produtos vendidos pela recorrente. Assim, não há que se falar em ressarcimento de créditos apurados sobre tais custos e despesas. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001015/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173,
INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade
por descumprimento de obrigação acessória submetese
à regra decadencial
do art. 173, inciso I, considerandose,
para a aplicação do referido
dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para
cumprimento do respectivo dever instrumental.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a
competência 12/2003, anteriores a 01/2004, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para
determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A
da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a competência 12/2003, anteriores a 01/2004, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
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Fatos Geradores Recorrente PARCERIA SERVIÇO TEMPORÁRIO LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a competência 12/2003, anteriores a 01/2004, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.001015/200963 Acórdão n.º 230102.121 S2C3T1 Fl. 494 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PARCERIA SERVIÇO TEMPORÁRIO LIMITADA contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a autuação lavrada por descumprimento de obrigação tributária acessória, qual seja deixou de apresentar documento com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias nos termos do art. 32, IV, e §3º, da Lei 8.212/91. 2. No caso sob exame, o contribuinte “deixou de declarar em GFIP, até o momento do início do procedimento fiscal, todos os empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços ou o total das remunerações pagas a alguns desses trabalhadores, no período de jan/2004 a dez/2004.” (fl. 22) 3. A ementa do acórdão nº 1227.067, prolatado pela 13ª Turma da DRJ/RJ1, restou vazada nos seguintes termos: “ TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIARIO. PRAZO DECADENCIAL. 0 lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória segue a regra geral de decadência prevista no art. 173, I do CTN. TEMPUS REGIT ACTUM. ARTIGO 144 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/66). 0 lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. RETROATIVIDADE BENIGNA EM MATÉRIA DE INFRAÇÃO. Aplicase a lei nova ao ato ou fato pretérito ainda pendente de julgamento, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua pratica. Inteligência do art. 106, II, c do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 406) 4. Em suas razões recursais, a empresa reitera o mesmo argumento da defesa administrativa, na qual sustenta a decadência dos débitos compreendidos entre janeiro a junho de 2004, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. 5. Por fim, a fiscalização não apresentou contrarrazões, sendo os autos encaminhados a este Colegiado para análise do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, sustenta a recorrente que os débitos compreendidos entre janeiro a junho de 2004 encontramse atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.001015/200963 Acórdão n.º 230102.121 S2C3T1 Fl. 495 5 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, verificase que houve recolhimento parcial, em face da totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados, vez que o auditor juntou ao relatório fiscal da infração planilhas de cálculo do valor da multa onde constam o recolhimento de contribuições previdenciárias (fls. 26/106). 9. Posto isso, devese prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4º do CTN, também para o auto de infração, visto que a regra é aplicável ao débito principal e deve ser igualmente transferida para a obrigação acessória. 10. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 13/02/2009, referente às contribuições do período de 01/2004 a 12/2004, fica alcançada pela decadência quinquenal apenas a competência 01/2004, restando mantidas as demais competências. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 11. Dito isso, acato a preliminar de decadência sustentada pelo contribuinte para afastar do lançamento apenas a competência 01/2004, observando a aplicação do artigo 32A, da Lei 8.212/91 para dosimetria da multa, conforme determinado pela decisão recorrida (item 23). CONCLUSÃO 12. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para decotar do lançamento somente a competência 01/2004, e consequentemente, reduzir a multa de acordo com o artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da decisão vergastada. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.001015/200963 Acórdão n.º 230102.121 S2C3T1 Fl. 496 7 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator designado Divirjo do relator em relação ao dies a quo da decadência, conforme a considerações a seguir. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.001015/200963 Acórdão n.º 230102.121 S2C3T1 Fl. 497 9 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.001015/200963 Acórdão n.º 230102.121 S2C3T1 Fl. 498 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.001015/200963 Acórdão n.º 230102.121 S2C3T1 Fl. 499 13 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN. Considerando que a ciência do lançamento foi realizada em 13/02/2009, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 12/2003. Nos demais aspectos, acompanho o relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 26/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 19679.010695/2003-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA LEI
Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE
SÚMULA
Nº 8
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as
previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São
inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
nº
1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de
prescrição e decadência de crédito tributário”.
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO PROCESSO
JUDICIAL NÃO
COMPROVADO
O Auto de Infração lavrado eletronicamente em virtude da não localização,
pelo sistema da Secretaria da Receita Federal, dos processos judiciais que
deram ensejo ao não recolhimento do tributo ou mesmo da guia DARF de
pagamento, deve ser cancelado se o contribuinte comprovar a falsidade destas
premissas. Caso a fiscalização, após constatada a efetiva existência do
processo, ainda pretenda constituir os créditos, agora por razão diversa: falta
de autorização judicial, para fim de evitar a decadência de valores, etc; deve
iniciar mandado de procedimento fiscal e elaborar novo auto de infração,
com outro fundamento. Inclusive, se for apenas para evitar a decadência, não
haverá a incidência de multa. Não compete ao julgador alterar o fundamento
do auto de infração para fim de regularizálo
e manter a exigência, tal
competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.270
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto
da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA LEI Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO O Auto de Infração lavrado eletronicamente em virtude da não localização, pelo sistema da Secretaria da Receita Federal, dos processos judiciais que deram ensejo ao não recolhimento do tributo ou mesmo da guia DARF de pagamento, deve ser cancelado se o contribuinte comprovar a falsidade destas premissas. Caso a fiscalização, após constatada a efetiva existência do processo, ainda pretenda constituir os créditos, agora por razão diversa: falta de autorização judicial, para fim de evitar a decadência de valores, etc; deve iniciar mandado de procedimento fiscal e elaborar novo auto de infração, com outro fundamento. Inclusive, se for apenas para evitar a decadência, não haverá a incidência de multa. Não compete ao julgador alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 04/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico, lavrado para o fim de constituir débito de PIS em virtude do não recolhimento do tributo baseado na indicação de processo judicial não localizado pela fiscalização. Por retratar a realidade dos fatos peço vênia a meus pares para transcrever a seguir o relatório proferido na decisão administrativa de primeira instância, verbis: “Em auditoria fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi constatado ‘Proc. jud. não comprovado’ da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/1998 a 12/1998 e declarados nas DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 24 e 25 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de oficio e juros de mora com cálculos válidos até 30/06/2003 perfazendo o total de R$2.026.118,50 (dois milhões, vinte e seis mil, cento e dezoito reais e cinqüenta centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1° e 3°, alínea ‘b’, da Lei Complementar n° 07/70; art. 83, inc. III, L.8981/95; art 1°, L 9249/95; art. 2° e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 162 reed; art. 2 e inc. I e par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8, inc. I MP 1676/9834 e reed.. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 11/08/2003 (AR à fl. 76), o contribuinte protocolizou, em 10/09/2003 a impugnação de fls. 1 a 5, acompanhada dos documentos de fls. 675, na qual alega: 2.1. A Impugnante é sucessora da Biolab — Indústrias Farmacêuticas S/A de forma que passou a ocupar o pólo ativo Fl. 150DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010695/200344 Acórdão n.º 330201.270 S3C3T2 Fl. 2 3 da MC n° 91.07428359 e AO n° 92.00079130 que haviam sido propostas pela Biolab em 3 de janeiro de 1992. O objeto dessas ações foram o provimento jurisdicional que permitisse o recolhimento do PIS sem as alterações introduzidas pelos DL n° 2445 e 2449/88. 2.1.1. Nessa MC foi determinada a conversão da quase totalidade dos valores depositados em renda da União Federal, sendo que uma pequena parcela dos depósitos judiciais que excedeu ao montante total do PIS devido foi levantada pela Impugnante. Para comprovação, anexa Certidão de Objeto e pé emitida pela Justiça Federal em agosto de 2002 (doc. 6), bem como as cópias autenticadas de algumas folhas dessa MC relacionadas com o despacho do juiz para a conversão da quase totalidade dos valores depositados em renda da União Federal e de providências correlatas (doc. 7). 2.1.2. Registrese ainda que o Auto de Infração AI ora impugnado apresentou equivocadamente os valores depositados nessa MC n° 91.07428359 — relativamente aos meses de janeiro a março de 1998 — como se tivesse sido depositados em outra ação (no caso, a MC n°93.00131800, comentada mais adiante). 2.1.3. Essa conclusão se depreende do fato de que o Anexo I do AI apresenta valores de PIS depositados naqueles meses vinculados apenas à segunda medida cautelar mencionada (i.e., a de n° 93.00131800), mas que, de fato, correspondem ao somatório das guias de depósito de ambas as ações acima referidas (ou seja, da MC n° 91.07428359 e n° 93.00131800), conforme demonstram o quadro abaixo e as cópias autenticadas dessas guias de depósito (docs. 8 a 12). (...) 2.1.4. Independentemente desse equivoco, todos os valores apontados no AI foram depositados pela Impugnante e convertidos em renda da União. O CTN prevê, em seu art. 156, VI, a conversão do depósito em renda como sendo uma modalidade de extinção do crédito tributário. Logo, tendo em vista que todo valor exigido pela d. fiscalização está abarcado nos depósitos judiciais convertidos em renda da União Federal, não há mais nada para ser exigido da Impugnante. 2.2. Em 19/05/1993, a Impugnante propôs a MC n° 93.0013180 0 objetivando suspender a exigibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS (doc. 13). Em 24 de maio de 1993, foi concedida a liminar requerida mediante depósito judicial integral dos valores em discussão (doc. 14). 2.2.1. A eficácia da liminar concedida restou prejudicada em razão da instância proferida nos autos da Ação Ordinária n° 93.00162985. Todavia, a Impugnante apelou de tal sentença, sendo a decisão monocrática revertida no Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Regido. A União Federal interpôs Fl. 151DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Recurso Extraordinário ao STF, o qual não foi admitido. Desta decisão foi interposto Agravo de Instrumento, o qual aguarda julgamento pelo STF. Tudo isso consta do descritivo da Certidão de Objeto e Pé emitida pela Justiça Federal em 02/08/2002 (doc. 15). 2.2.2. Todos os valores de PIS relacionados com a referida MC n° 93.00131800 foram regularmente depositados pela Impugnante (e ainda não levantados), de forma que sua exigibilidade encontrase suspensa, o que se comprova pelas Guias de Depósito judicial anexas (docs. 10 a 12e 16 a 25). 2.2.3. A Impugnante ressalta novamente o equivoco do Auto de Infração quanto ao montante apontado relativamente aos depósitos dos meses de janeiro a março de 1998 vinculados a esta medida cautelar, conforme já comentado e comprovado anteriormente (em 8 e 8.1 supra — 2.1.2. e 2.1.3. do presente). 2.2.4. Tal suspensão encontrase prevista na regra contida no art. 151 do CTN. 2.2.5. Por tal razão, é evidente que o lançamento consubstanciado no Auto de Infração ora impugnado é revestido de manifesta nulidade, porquanto despreza a legislação vigente, conforme demonstrado. 2.2.6. Ainda que assim não fosse,seria totalmente descabida a cobrança de multa de oficio e juros de mora, visto que os depósitos judiciais foram feitos, todos, até o prazo de vencimento do PIS. 2.3. Por fim, requer seja declarada a insubsistência do presente lançamento.” Após analisar as razões trazidas à colação pela Recorrente, a Noma Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo DRJ/SPOI – proferiu o acórdão nº 1621.461 (fls. 115/128), da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PIS DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Sumula Vinculante n° 08 do STF, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. AUTO DE INFRAÇÃO AÇÃO JUDICIAL. Nos termos do art. 62 do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 151 do Código Tributário Nacional, é devida a constituição do crédito tributário durante a vigência de medida judicial. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, Fl. 152DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010695/200344 Acórdão n.º 330201.270 S3C3T2 Fl. 3 5 não há que se falar em anulação ou invalidação do Auto de Infração. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Para o crédito tributário mantido procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC porque encontrase amparada por lei. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do impõese o cancelamento da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte.” Em resumo, as autoridades de primeira instância administrativa constataram que os débitos ora exigidos estavam sendo discutidos – e depositados em processos judiciais. Da mesma forma restou confirmado que parte dos valores depositados havia sido convertido em renda da União Federal e que dentre os valores autuados encontravamse competências decaídas. Em razão destes fatos, concluise pela procedência parcial do auto de infração, sendo que os valores mantidos, o foram com a exigibilidade suspensa. Às fls. 138/141, o Recorrente apresentou petição informando a não apresentação de Recurso Voluntário em vista do resultado ter sido pela manutenção de R$ 39.999,87, suspensos em virtude de estarem depositados nos autos da Medida Cautelar nº 93.00131800. Às fls. 144, consta Termo de Transferência de Crédito Tributário e às fls 147, despacho informando o desmebramento do processo, a saber: “A decisão do citado Acórdão facultou ao interessado interpor o RECURSO VOLUNTÁRIO e existia também RECURSO DE OFÍCIO. O interessado não interpôs o recurso voluntário motivo pelo qual os créditos tributários procedentes foram desmembrados para o processo n° 10880.726001/2009 10 (fl. 139) e se encontram, neste momento, com exigibilidade suspensa devido ao depósito judicial do montante integral. Os demais créditos tributários, que se encontram vinculados ao presente processo, seguem para julgamento do Recurso de Oficio (fls. 140 a 141).” Após estas considerações, os autos foram encaminhados à este egrégio Conselho para julgamento, tendo sido a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso de ofício que atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração eletrônico lavrado para fim de constituir crédito tributário não recolhido em virtude de estarem depositados e vinculados aos processos judiciais nº 91.07428359 e 93.131800. Conforme se verifica das fls. 31/34, a fundamentação do auto de infração foi a não localização, pela fiscalização, do processo judicial alegado para a não realização do pagamento (“proc. jud. não comprova”). O que se discute nos presentes autos é apenas a decisão recorrida de ofício, que foi favorável à Recorrente baseada (i) na decadência dos valores referentes à competência de jan/1998 a julho/1998, bem como (ii) na extinção dos débitos vinculados à Medida Cautelar nº 91.07428359. (i) Da decadência Em relação ao reconhecimento da decadência de parte dos valores autuados, com razão a decisão recorrida. O Auto de Infração foi lavrado em 24/06/2003, cientificado em 11/08/2003 (AR à fl. 76), tendo sido autuados os períodos de apuração de 01/1998 a 12/1998. Assim, no momento da ciência do auto de infração já estavam decaídos os períodos de apuração ocorridos entre jan/1998 a jul/1998. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento total do presente auto de infração. Não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Desta forma, não há meios de se manter a exigência em relação aos fatos geradores ocorridos até julho/1998, uma vez que ocorridos antes de 5 anos da ciência da lavratura do auto de infração. (i) Dos Depósitos realizados nos autos da Medida Cautelar Fl. 154DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010695/200344 Acórdão n.º 330201.270 S3C3T2 Fl. 4 7 No tocante ao mérito, o auto de infração foi lavrado em função do entendimento de que a Recorrente estava inadimplente sem o supedâneo de qualquer procedimento judicial que validasse o não recolhimento. Registro minha posição pessoal no sentido de que a simples existência do processo alegado é suficiente para cancelar o auto de infração. Isso porque não compete ao julgador administrativo alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora. Todavia, no caso em apreço, em virtude de parte dos débitos ter sido gerado em sociedade incorporada, houve uma confusão no momento da Declaração de Tributos e Contribuições Federais – DCTF entre dois processos judiciais (Medida Cautelar n° 91.07428359 e n° 93.00131800), passo a analisar o mérito que foi julgado na decisão de primeira instância administrativa. Mais uma vez correta a decisão recorrida. A justificativa para o cancelamento da autuação foi o reconhecimento da extinção do crédito tributário em virtude da conversão em renda dos valores depositados nos autos da Medida Cautelar nº 91.07428359. De fato, nos termos do alegado pela Recorrente e confirmado pelas autoridades administrativas de fiscalização (Despacho da EQAMJ fls. 104/104 verso – e 107/108 eletrônica), os valores depositados foram convertidos em renda e ensejaram a extinção do crédito tributário. Assim e como a conversão em renda é uma das forma de extinção do crédito tributário (artigo 156 do Código Tributário Nacional – CTN), deve ser cancelado o auto de infração em apreço. Registro que deixo de analisar os valores que foram mantidos em virtude da ausência de recurso do contribuinte e por constarem de outro processo administrativo n° 10880.726001/2009 10. Ante o exposto, concluo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo, in totum, a decisão recorrida para o fim de cancelar o auto de infração lavrado. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 155DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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