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Numero do processo: 10840.000908/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DESPESAS COM MÉDICOS, LABORATÓRIOS, DENTISTAS E PSICÓLOGOS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus
dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou
insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA
CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com
a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2101-001.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. Vencido
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. Vencido (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos,Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte MARIO ROBERTO HATAYDE, supra qualificado, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 23, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2005 (exercício 2006), no valor total de R$ 6.042,68 (seis mil e quarenta e dois reais e sessenta e oito centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29 de maio de 2009, perfazendo um crédito tributário total de R$ 12.800,81 (doze mil e oitocentos reais e oitenta e um centavos). As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 108 a 110. A Fiscalização alega ter havido: 1. Dedução indevida a título de despesas com instrução, resultando na glosa do valor de R$ 2.198,00, por falta de previsão legal (compra de livros); 2. Dedução indevida de despesas médicas, resultando na glosa do valor de R$ 22.474,37, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal, conforme especificado a seguir: a) Recibos emitidos por Ana Catarina T. Scandelai (R$ 6.886,92), Carlos A. F. de Lima (R$3.700,00), Edson Yukio Shibuya (R$ 750,00), Clayton dos Reis Marques (R$ 5.288,00) e Marcela Renzetti Malheiros (R$1.200,00). b) Valor de R$ 493,00 referente a pagamento feito ao Laboratório Paulista, por não constar da Nota o nome do paciente. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 156 3 c) Valor de R$ 550,00 referente a pagamento a Fleury, por ser referente a tratamento de Isadora Moreira Geraldo Martins, a qual não é dependente do contribuinte d) Valor de R$ 1.885,00 referente a recibo emitido por Edson Yukio, por ser referente a Vitória Maria Cassiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. e) Valor de R$ 1.721,45 pago a FUNEP por se tratar de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entregou declaração simplificada em separado. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 2 de junho de 2009, a impugnação de fls. 01 a 22, pedindo, em síntese: a oitiva pessoal de todos os profissionais que emitiram recibos de pagamentos relativos à prestação de seus serviços. Caso o Julgador entenda necessário, com o fito de demonstrar a veracidade dos recibos apresentados pelo Impugnante no referido procedimento administrativo, requerse a elaboração de perícia técnica para comprovação da efetiva prestação dos serviços pelos profissionais liberais supramencionados. a procedência dos embargos, para efeito de cancelar a inscrição da divida sub judice e, por conseguinte, extinguir o processo de cobrança dela decorrente, condenando a embargada nas verbas de sucumbência (sic). a exclusão dos juros moratórios referentes à Selic e da multa de 75%, ou, no mínimo, o redimensionamento da multa para 20%. o cancelamento do débito fiscal reclamado. A 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 negou provimento à impugnação apresentada e manteve integralmente o crédito tributário lançado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis os pagamentos das despesas com instrução do contribuinte e seus dependentes efetuados a estabelecimentos de ensino nos termos do Art. 8° , II, b da Lei 9.250/95, não havendo previsão para dedução de gastos com aquisição de livros. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções estão sujeitas A comprovação. 0 direito As deduções de despesas médicas, condicionase A comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Artigo 35, da Lei n2 9.250 de 26 de dezembro de 1995. MULTA DE OFICIO. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 A multa de oficio está prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, aplicável ao caso e não se confunde com a multa de mora, mas consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. PERÍCIA.OITIVA DE TESTEMUNHAS. É indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para a formação da convicção em julgamento e em desacordo com o art. 16, IV do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado dessa decisão em 23 de setembro de 2010 (fls. 128), o contribuinte ingressou, em 20 de outubro de 2010, com tempestivo recurso voluntário. Em sua peça recursal, o recorrente insurgese contra o lançamento suplementar correspondente “aos anos de 2005/2006”. Em sua defesa, baseandose em farta doutrina, alega ter havido afronta ao princípio constitucional do devido processo legal administrativo. Salienta que, no presente caso, é necessária a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 para que o lançamento de ofício seja anulado, por ser ilegal e fundado em presunção. Defende que o lançamento de ofício foi realizado com base na arbitrariedade do Auditor Fiscal, o qual ignorou o disposto no artigo 8.º, inciso II, alínea a e o § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9,250, de 1995, já que todas as despesas declaradas pelo recorrente foram devidamente comprovadas em conformidade com esse dispositivo. A seu ver, o Auditor Fiscal deveria, em caso de dúvida, nomear perito devidamente capacitado para que este demonstrasse todo o alegado. Como não foi esta a conduta da referida autoridade, entende ter ocorrido ofensa às garantias constitucionais anteriormente mencionadas. No mérito, salienta que os documentos juntados às fls. 62, 67, 70 a 78, 91 e 92, que fazem prova inequívoca do preenchimento dos requisitos do artigo 8.º, inciso II, alínea a e § 2.º da Lei n.º 9.250, de 1995, não foram analisados pelo julgador de primeira instância. Além disso, ressalta que não tem fundamento a alegação da Fiscalização que há recibos emitidos em dias não úteis, assim como em números seqüenciais, já que esses fatos Fl. 162DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 157 5 não comprovam não serem os recibos autênticos. Caso isso evidenciasse alguma irregularidade, tal deveria ser sanada junto aos seus emitentes. Sendo assim, como não há prova inequívoca a ensejar o lançamento de ofício, este não pode prosperar sob pena de afronta ao princípio da presunção de inocência, ao da ampla defesa e do contraditório. Propugna pelo cancelamento da decisão de primeira instância administrativa, por falta de embasamento legal do lançamento de ofício, já que acredita ser totalmente descabida a exigência de apresentação de cheque nominal para comprovar o efetivo pagamento das despesas. Além do mais, em momento algum dos profissionais emitentes dos recibos negam a sua autenticidade. Para embasar seu posicionamento, cita jurisprudência e doutrina. Sustenta não terem embasamento legal as glosas dos valores correspondentes às deduções com o plano de saúde da São Francisco Clínicas (FUNEP), no ano de 2005, no valor de R$ 1.721,45. Esclarece que Vitória Maria Cussiol Hatayde é sua esposa e entregou declaração de imposto sobre a renda de pessoa física na modalidade simplificada, retificada pela decisão recorrida sem embasamento jurídico. Entende indevida a glosa do valor de R$ 2.198,00, declarado como dedução a título de despesa com instrução, já que anexou à sua declaração de imposto sobre a renda o competente recibo de pagamento oriundo da compra de livros técnicos. Alega que o Auditor Fiscal agiu de modo arbitrário e ilegal ao exigir a apresentação de comprovantes de pagamentos feitos a Ana Catarina Tezzei Scandelai, Carlos A. F. de Lima, Edson Yukio Shibuya, Marcela Renzetti Malheiros e Clayton dos Reis Marques, mas acolheu os recibos emitidos por Instituto de Olhos Reynaldo Rezende e por Mara Cristina Esteves e Tatsuko Sakima, em afronta ao princípio da isonomia. Reporta ser inaplicável a multa de 75% sobre o valor do imposto apurado, aplicada pelo agente da Fiscalização. Primeiro, por ter caráter confiscatório e segundo por não ter havido comprovação de conduta fraudulenta por parte do Recorrente, mas simples presunção por parte da Fiscalização. Defende a redução da multa ao patamar de 20%, nos termos do artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Nesse sentido, transcreve ementas de julgados proferidos pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Por fim, citando doutrina sobre o assunto, defende que a aplicação da taxa Selic a título de juros de mora sobre o valor da diferença de imposto apurada não encontra respaldo jurídico, e que devem ser aplicados juros moratórios não superiores a 1% ao mês, de acordo com o previsto no artigo 161, § 1.º do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 1. Das preliminares Em sua peça recursal, sem ser específico em suas razões, o Recorrente alega, em preliminar, ter havido violação ao devido processo legal administrativo. Da análise dos autos, não se observou qualquer afronta aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, ficando asseguradas as garantias previstas no artigo 5.º, incisos LIV e LV da Constituição. O Recorrente pleiteia, outrossim, ainda preliminarmente, o cancelamento do lançamento suplementar efetuado, integralmente mantido pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 114 a 123), alegando ter havido mera presunção do Fisco de que todos os recibos médicos e odontológicos por ele apresentados são inválidos para fins de dedução. Sustenta que, para a glosa, a Fiscalização baseouse exclusivamente no fato de não terem sido apresentados “cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmo” (sic). Essa determinação, ratificada pela decisão de primeira instância administrativa, mostrase, a seu ver, totalmente arbitrária. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. O caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, assim prescreve: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Temos ainda que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo legal prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Fl. 164DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 158 7 Da regra do caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas. Desse modo, no presente caso, ao exigir as comprovações das despesas médicas e odontológicas utilizadas como deduções na declaração de imposto de renda do contribuinte, o agente da Administração agiu em consonância com o que prevê a legislação reguladora do tema. E, assim sendo, é de se afastar qualquer ilegalidade por parte do Auditor Fiscal. Com base nos mesmos dispositivos, entendo que não se pode afirmar ter havido lançamento por presunção. É que, ante o que prevêem o artigo 73, caput, e 835, § 4.º do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, acima transcritos, existe base legal para o lançamento sempre que a Autoridade lançadora julgar insuficientes as provas apresentadas pelo contribuinte para justificar deduções. Agora, se há, nos autos, provas hábeis a desconstituir o lançamento, no todo ou em parte, é o que estamos a analisar. O Recorrente sustenta que o lançamento de ofício foi realizado com base na arbitrariedade do Auditor Fiscal, o qual, a seu ver, ignorou o disposto no artigo 8.º, inciso II, alínea a e o § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9.250, de 1995, já que todas as despesas declaradas foram devidamente comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Entende que o Auditor Fiscal deveria, em caso de dúvida, nomear perito devidamente capacitado para que este demonstrasse todo o alegado. Entendo que a providência é desnecessária. A comprovação da efetiva prestação dos serviços médicos e odontológicos, bem como do correspondente desembolso para a prestação dos referidos serviços é ônus do contribuinte, eis que, para tal fora intimado. O que busca o Recorrente com esta perícia é a produção de prova documental que ele mesmo deveria ter providenciado, para contrapor àquelas feitas pela fiscalização. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado nesse sentido: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Fl. 165DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Concluise, assim, que não cabe ao Fisco produzir prova em favor do contribuinte, comprovando que as despesas médicas e odontológicas declaradas foram efetivamente realizadas, mas sim ao próprio contribuinte, que para isso foi regularmente intimado. O agente da fiscalização agiu dentro das prerrogativas legais, com base no disposto no caput do artigo 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, o qual prevê estarem todas as deduções sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, observando, portanto, o principio da legalidade. É dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. No caso em pauta, a insuficiência da prova da efetiva prestação dos serviços e do efetivo desembolso do valor a eles correspondente, em que se baseou a fiscalização para efetuar o lançamento, é válida e plenamente aceitável para embasar o lançamento, cabendo ao contribuinte suprir essa insuficiência, através da apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário. A Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo em geral, assim prevê: Art. 4.º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. É direito do sujeito passivo apresentar provas que possam impugnar o lançamento, assim como é seu dever colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A recusa do sujeito passivo em colaborar com a Administração não pode ser suprida por diligências ou perícias, além do mais se desnecessárias e custeadas pelo Poder Público. Ante o exposto, afastamse as preliminares alegadas pelo Recorrente. 2. Deduções de despesas com instrução Fl. 166DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 159 9 A infração apontada pela Fiscalização e mantida pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 114 a 123) está relatada na descrição dos fatos, às fls. 108, consubstanciandose na glosa do valor de R$ 2.198,00, deduzido a título de despesas com instrução, por suposta falta de previsão legal. O Recorrente alega, em seu Recurso Voluntário, que foi anexado, na sua Declaração de Imposto de Renda, o recibo de pagamento de livros técnicos e de nível universitário, junto à Livraria Acadêmica, gasto este, no seu entender, perfeitamente justificável, já que é professor da UNESP – Universidade Estadual Paulista. Além disso, explica, a alínea “b” do artigo 8.º, inciso II, da Lei n.º 9.250, de 1995, vigente à época dos fatos, dispunha ser possível a dedução com pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino até o limite anual de R$ 2.198,00. Sobre este assunto, verifico que o artigo 8.º, inciso II, alínea “b” da Lei n.º 9.250, de 1995, com a redação vigente à época dos fatos, assim previa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.198,00 (dois mil, cento e noventa e oito reais), relativamente: 1. à educação infantil, compreendendo as creches e as pré escolas; 2. ao ensino fundamental; 3. ao ensino médio; 4. à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); 5. à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico; (grifouse) O dispositivo autoriza a dedução de valores pagos a estabelecimentos de ensino, em razão de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes. Em que pese livros serem necessários à instrução do ser humano, a legislação do imposto sobre a renda não prevê e não previa na época dos fatos a dedução com esses dispêndios. Ante o exposto, não tem razão o Recorrente em suas alegações, haja vista não haver previsão legal para as deduções efetuadas. Mantémse, portanto, a glosa. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 3. Deduções com despesas com laboratórios, médicos, dentistas e psicólogos As deduções supostamente indevidas com despesas médicas e odontológicas, apontadas pela Fiscalização e mantidas pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 114 a 123) estão relatadas na descrição dos fatos às fls. 109 e 110, consubstanciandose na glosa do valor de R$ 22.474,37, assim especificado: a) Recibos emitidos por Ana Catarina T. Scandelai (R$ 6.886,92), Carlos A. F. de Lima (R$3.700,00), Edson Yukio Shibuya (R$ 750,00), Clayton dos Reis Marques (R$ 5.288,00) e Marcela Renzetti Malheiros (R$1.200,00). b) Valor de R$ 493,00 referente a pagamento feito ao Laboratório Paulista, por não constar da Nota o nome do paciente. c) Valor de R$ 550,00 referente a pagamento a Fleury, por ser referente a tratamento de Isadora Moreira Geraldo Martins, a qual não é dependente do contribuinte d) Valor de R$ 1.885,00 referente a recibo emitido por Edson Yukio, por ser referente a Vitória Maria Cassiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. e) Valor de R$ 1.721,45 pago a FUNEP por se tratar de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entregou declaração simplificada em separado. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Fl. 168DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 160 11 Compulsandose os dados constantes dos recibos fornecidos pelo contribuinte com a regra do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 1999, acima transcrito, verificase o seguinte: a.1) Os recibos emitidos por Ana Catarina T. Scandelai, anexos às fls. 70 e 71 dos autos não cumprem os requisitos constantes do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, por não conterem o endereço do emitente. Em 22 de junho de 2009 (fls. 101 e 105), o Recorrente juntou novo recibo em substituição aos de fls. 70 e 71. Todavia, assim como os recibos anteriores, o novo não preenche os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Mantémse a glosa. a.2) Não cumprem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, os recibos constantes às fls. 76 a 80, emitidos por Carlos A. F. de Lima. No entanto, em 22 de junho de 2009 (fls. 91, 92 e 105), o Recorrente juntou fichas de exames e tratamento emitidas por esse profissional e, às fls. 99 anexou novo recibo, em substituição àqueles anteriormente acostados aos autos. No novo recibo, consta a discriminação do tratamento, assim como os valores correspondentes e demais requisitos previstos no artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Mesmo considerandose que estes documentos foram trazidos aos autos após a apresentação da impugnação, entendo que podem ser aceitos como provas, haja vista terem sido anexados aos autos antes da análise da referida impugnação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2. Verifico ter havido um esforço do contribuinte para cumprir as exigências feitas pela Fiscalização. Sendo assim, entendo admissível aceitar esses documentos como comprovação das despesas declaradas como deduções da declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste do exercício de 2006 do Recorrente. Restabelecese, com isso, a dedutibilidade dos valores agora comprovados, de R$ 3.700,00. a.3) O recibo constante às fls. 84 dos autos, emitido por Edson Yukio Shibuya, não atende aos requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Em 22 de junho de 2009 (fls 100 e 105), o Recorrente anexou Declaração, na qual o mesmo emitente declara ter prestado os serviços profissionais especificados a Melina Cussiol Hatayde. Verifico, contudo, que este novo documento também não cumpre os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, por não conter o endereço do emitente. Mantémse a glosa. a.4) Os recibos acostados às fls. 72 e 73, atribuídos a Clayton dos Reis Marques, não preenchem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Tendo em vista que não foram apresentadas quaisquer outras provas que pudessem demonstrar a efetiva prestação do serviço ou seu efetivo pagamento, mantémse a glosa. a.5) O recibo anexado às fls. 43, emitido por Marcela Renzetti Malheiros, não preenche os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. No entanto, verifico que, em 22 de junho de 2009 (fls. 105), o Recorrente anexou, às fls. 97, documento que contém o orçamento e o tratamento dentário correspondente, além de cumprir os demais requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Mesmo considerandose que este documento foi trazido aos autos após a apresentação da impugnação, entendo que podem ser aceitos como provas, haja vista terem sido anexados aos autos antes da análise da referida impugnação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2. Restabelecese, com isso, a dedutibilidade dos valores agora comprovados, de R$ 1.200,00. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Ante o exposto, sou pelo provimento parcial do recurso, relativamente este item, para restabelecer a dedutibilidade das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. b) O valor de R$ 550,00 correspondente a recibo emitido por Fleury (fls. 84), pelo tratamento de Isadora Moreira Geraldo Martins não pode ser aceito como dedução do imposto sobre a renda de pessoa física do Recorrente, haja vista não se tratar de despesa efetuada nem com o próprio contribuinte nem com seus dependentes. Mantémse a glosa. c) Correta a glosa do valor de R$ 1.885,00 correspondente a recibo emitido por Edson Yukishigue Nakaghi (fls. 93), por ser referente a Vitória Maria Cassiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. d) O valor de R$ 493,00 referente a pagamento feito ao Laboratório Paulista (fls. 44 e 45), foi glosado pela Fiscalização por não constar das Notas o nome do paciente. Em sua análise, a DRJ em São Paulo 2 assim se manifestou (fls. 119 e 120): “No que diz respeito as despesas de R$ 493,00, consubstanciadas em duas notas de fls. 44/45 nas quais não constaram o nome do paciente, é de se estranhar que o laboratório tenha emitido as notas em sequência, 1883 e 1884, no intervalo de 14 dias sugerindo inexistência de outros atendimentos no período. Dito isso, a declaração de fls. 46, juntada aos autos é extemporânea e isoladamente, não comprova o efetivo pagamento além disso, é de se observar que foi firmada por uma filha do declarante.” Ante essa observação, teria sido, de todo, benéfico ao contribuinte ter apresentado provas complementares àquelas já apresentadas, ou seja, aos recibos e à mencionada declaração (fls. 46), a fim de eliminar quaisquer dúvidas quanto à prestação dos serviços e ao seu efetivo pagamento. Essa possibilidade está prevista no artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) (grifouse). Fl. 170DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 161 13 Com base no que foi apontado pela DRJ em São Paulo 2, observase que a sequência da numeração dos recibos de Laboratório Paulista indica irregularidade na sua emissão, haja vista induzir ao entendimento que, no período, o Laboratório Paulista prestou serviços exclusivamente ao contribuinte. No entanto, em sua defesa, o Recorrente limitouse a alegar falta de fundamentação para a glosa, tendo em vista que o fato de haver recibos emitidos em números sequenciais não comprova não serem os recibos autênticos; e ainda, caso isso evidenciasse alguma irregularidade, tal deveria ser sanada junto aos seus emitentes. Entendo não assistir razão ao Recorrente. Como dito antes, é dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. Ante indícios de irregularidades nas provas apresentadas, cabível o lançamento, com base no caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Importante para a defesa do Recorrente, aqui, teria sido a apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário, tais como, por exemplo, a prova do desembolso do valor correspondente aos recibos emitidos por Laboratório Paulista ou a especificação dos exames realizados. No entanto, o Recorrente nada apresentou. Forçoso, portanto, manterse a glosa. e) O valor de R$ 1.721,45, pago a FUNEP, foi glosado sob a alegação de tratarse de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entregou declaração simplificada em separado. Sobre o alegado, o Recorrente entende não terem tais glosas embasamento legal, já que Vitória Maria Cussiol Hatayde é sua esposa e entregou declaração de imposto sobre a renda de pessoa física na modalidade simplificada, retificada pela decisão recorrida sem embasamento jurídico. Os recibos apresentados (fls. 26 e 62) nada esclarecem. Vitória Maria Cussiol Hatayde não consta como dependente do Recorrente em sua declaração de ajuste anual de 2006 (fls. 59). A alegação de que ela teria entregue declaração em separado, no modelo simplificado, em nada muda o cenário, tendo em vista que, neste caso, a despesa correspondente já está incluída no desconto padrão da sua declaração. Naturalmente, a mesma despesa não pode ser deduzida, de novo, na declaração do Recorrente. Mantémse, portanto, a glosa. 4. Da afronta ao princípio da isonomia O Recorrente alega que o Auditor Fiscal agiu de modo arbitrário e ilegal ao exigir a apresentação de comprovantes de pagamentos feitos a Ana Catarina Tezzei Scandelai, Carlos A. F. de Lima, Edson Yukio Shibuya, Marcela Renzetti Malheiros e Clayton dos Reis Marques, mas acolheu os recibos emitidos por Instituto de Olhos Reynaldo Rezende e por Mara Cristina Esteves e Tatsuko Sakima, em afronta ao princípio da isonomia. A presente alegação não tem qualquer fundamento. Os recibos aceitos pela Fiscalização preenchem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Os não aceitos, não preenchem esses requisitos. 5. Da multa de 75% sobre o valor da diferença de imposto apurada. O contribuinte acredita que a imputação da multa punitiva “em patamar tão exorbitante” deveuse ao fato de a Fiscalização ter presumido que ele agiu com dolo ou intuito Fl. 171DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 de fraudar o Fisco. Entende que a multa, no percentual de 75%, é inaplicável. Quando muito, a seu ver, poderia aplicarse multa de 20% sobre o valor do imposto devido, tal como prevê o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Alega ser confiscatória a multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada. A multa de 75%, prevista no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é devida nos casos de lançamento de ofício, quando for apurada falta de pagamento ou pagamento a menor do tributo devido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Essa multa é devida por infração à legislação tributária quando a autoridade lançadora entende não haver sonegação, fraude ou conluio. Comprovadas estas circunstâncias (artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964), a multa é qualificada, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, conforme prevê o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo o Fisco, o Recorrente fez deduções que não ficaram devidamente comprovadas, e, por isso, foram glosadas, hipótese que se subsume ao art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, o qual prevê a multa de 75%, devendo esta prevalecer. Tendo em vista que a apuração do tributo foi feita por meio de lançamento de ofício, correta a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 Lei n° 9.430, de 1996, sobre o imposto apurado no procedimento de revisão de declaração Não estamos aqui diante de uma hipótese de multa moratória, limitada a vinte por cento, aplicável apenas aos débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, mas recolhidos em data posterior por iniciativa do próprio contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. A estes aplicase a regra do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, mas não aos créditos tributários lançados de ofício. Além do mais, de acordo com as regras do Direito Tributário, consubstanciadas no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, não é dado à Administração conduta diversa da de se aplicar a Lei em sua conformidade; na espécie, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a alegação de caráter confiscatório da multa de 75% sobre o imposto lançado de ofício, esclareço que, a teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, deixo de me manifestar sobre o assunto. 6. Da taxa Selic O Recorrente argumenta que a incidência da taxa Selic sobre a diferença de crédito tributário apurada no lançamento de ofício não encontra respaldo jurídico, que a adoção Fl. 172DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000908/200921 Acórdão n.º 2101001.148 S2C1T1 Fl. 162 15 da referida taxa para o cálculo de juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional, por desnaturar o pressuposto e a finalidade desta espécie de juros. Sobre o assunto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fez editar a Súmula n.º 4, que assim prevê: A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Estando o assunto já pacificado na esfera administrativa, não cabe mais qualquer manifestação de minha parte. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedutibilidade das despesas efetuadas com Carlos A. F. de Lima, no valor de R$ 3.700,00 e com Marcela R. Malheiros, no valor de R$ 1.200,00. (assinado digitalmente) Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 173DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000357/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO
LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO
JUDICIAL.
Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre
impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de
fundamento e objeto.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-001.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan
Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado. EDITADO EM: 27/03/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra (Relator), Alexandre Gomes (Redator Desigando) e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Cuidase de recurso de ofício contra o acórdão no 0712.938, da DRJ/Florianópolis, (fls. 109 e ss.), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. O acórdão tem a seguinte ementa: “CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. SUBORDINAÇÃO AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL A atualização monetária e a incidência de juros de mora sobre créditos contra a Fazenda Nacional reconhecidos em ação judicial, deve ser efetuada nos estritos termos da determinação posta no provimento judicial. Lançamento Procedente em Parte”. A Primeira Instância muito bem resumiu os fatos (até a apresentação da impugnação), da seguinte maneira: “Por meio do auto de infração às folhas 05 a 11, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 130.544,23, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescida de multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais devidos à época do pagamento, referentes aos fatos geradores ocorridos nos primeiro e segundo trimestres de 1997. O lançamento se deu em face da realização de auditoria interna nas DCTF apresentadas pela contribuinte. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", à folha 06, verificase que a autuação se deu em razão da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". É que a contribuinte informou o adimplemento das contribuições devidas por via de compensação com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial, sendo que tais créditos não teriam suas existências confirmadas. Irresignada com o feito fiscal, interpôs a contribuinte a impugnação constante das folhas 01 e 02, na qual reafirma ser detentora de créditos contra a Fazenda Nacional, que teriam sido reconhecidos em ação judicial regularmente proposta. Anexa cópias dos provimentos judiciais, com fins de ver corroborada a regularidade da compensação informada nas DCTF. A DRF/Blumenau/SC, em cumprimento às determinações constantes da Norma Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19/02/2002, tratou de, anteriormente ao envio da impugnação para apreciação da DRJ/Florianópolis/SC, analisar as razões trazidas pela contribuinte em seu recurso administrativo (folhas 105 a 121), tendo constatado, nesta análise, que apesar da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000357/200222 Acórdão n.º 330201.050 S3C3T2 Fl. 130 3 existência da ação judicial reclamada, a contribuinte só conseguiu levantar crédito contra a Fazenda Nacional para fins de intentar a compensação informada nas DCTF, porque ao calcular o montante que lhe seria devido, o fez em dissonância com o determinado nas decisões judiciais. É que tais decisões judiciais garantiram à contribuinte a correção monetária nos mesmos termos em que eram corrigidos os débitos tributários e a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir da vigência da Lei n.° 9.250/1995, mas a contribuinte, ao calcular seus créditos, tratou de fazer incidir sobre os valores originais, expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, houve uma ampliação irregular do montante de créditos contra a Fazenda Nacional. A DRF/Blumenau/SC, ainda no âmbito da análise prévia da impugnação, efetuou o recálculo do montante do crédito da contribuinte, e depois de efetuar as devidas confrontações com os valores devidos desde a data dos recolhimentos indevidos, verificou que, ao tempo da apresentação das DCTF ora em comento, não havia mais créditos remanescentes em montante suficiente para o adimplemento total das contribuições devidas declaradas, razão pela qual se manifestou pela regularidade apenas parcial do lançamento. Como exposto à folha 108, o crédito remanescente foi suficiente para confirmar integralmente a compensação do valor devido relativo ao período de apuração de março de 1997 e para confirmar parcialmente a compensação do valor devido relativo ao período de apuração de abril de 1997. Já para os débitos relativos aos períodos de apuração de maio e junho de 1997, não restaram créditos suficientes para confirmar, mesmo parcialmente, as compensações intentadas. Na seqüência, o processo foi encaminhado a esta DRJ para julgamento”. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em suma: i) inaplicabilidade do auto de infração, vez que por força de regulamentação específica, tanto o "débito", quanto o "crédito" a ele vinculado em DCTF, são suficientes para a "constituição" do crédito tributário e para a "liquidação" desse crédito tributário. Estando o crédito tributário constituído através de DCTF não há o que se falar em novo lançamento, gerando este último constituição em duplicidade; ii) A DCTF em questão consigna uma compensação e, sendo assim, deve ter o rito processual adequado, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Entregou a DCTF em 26/02/1998 e, não tendo sido cientificada de nada acerca da compensação, resta claro que a compensação efetuada se encontra devidamente homologada, uma vez Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 que já transcorreram mais de 5 (cinco) anos, conforme estabelecido no § 5º do citado dispositivo. iii) Repisa os argumentos acerca dos expurgos inflacionários. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inaplicabilidade do auto de infração e homologação tácita da compensação informada em DCTF Concernente às alegações “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação”, descritas nos itens i e ii do relatório acima, entendo que não deve ser tomado conhecimento dessas matérias vez que não foram argüidas em sede de primeiro grau, restando preclusas, conforme estabelece o art. 171, do Decreto nº 70.235/72. Na impugnação a Recorrente não contestou essas questões. Conseqüentemente, sobre tais matérias não há litígio e nem foram objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Portanto, não há como este Conselho apreciálas, posto que preclusas. Cumprimento de decisão judicial. Expurgos inflacionários. Pretende a Recorrente que este Colegiado reforme a decisão recorrida para reconhecer integralmente as compensações de PIS informadas em DCTF, sob a alegação de amparo em decisão judicial e na legislação de regência. Verificase nos autos que a Contribuinte informou em DCTF a compensação de PIS com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial. Frisese que a Contribuinte obteve provimento judicial (fls. 18 e ss.) para corrigir monetariamente seus créditos na mesma forma pela qual são corrigidos os débitos 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000357/200222 Acórdão n.º 330201.050 S3C3T2 Fl. 131 5 vencidos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, no período respectivo e de acordo com a Súmula 46, do extinto TFR, e acrescidos de juros conforme o art. 39 da Lei 9.250/95. Sucede que o cálculo do montante que lhe é devido está superestimado e em dissonância com o determinado na decisão judicial. Ao calcular seus créditos, além do que lhe foi garantido, a Contribuinte incluiu indevidamente os expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, contrariando a legislação vigente e a decisão judicial, ampliou os créditos a que fazia jus. Destarte, não estando provado a existência de crédito líquido e certo a favor da Recorrente, utilizado para compensar seus débitos do período autuado, fica caracterizado a inexatidão da DCTF e autorizado o lançamento de ofício. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Conclusão Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto no sentido de não conhecer do recurso, na parte referente as matérias “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação informada em DCTF”; e, no restante, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Voto Vencedor Em que pese as considerações trazidas aos autos pelo eminente Relator, ouso discordar de suas conclusões pelos motivos que passo a expor. O processo administrativo fiscal, por sua essência, deve sempre respeitar os princípios da legalidade e da verdade material. No presente caso, verifico que o auto de infração teve por fundamento a não comprovação da existência do processo judicial declarada na DCTF enviada pelo Recorrente. Nesta Declaração era informada a compensação de seus débitos com créditos decorrentes dos recolhimentos indevidos promovidos em decorrência dos decretos lei. 2.445/88 e 2.449/88. Com a impugnação o Recorrente apresentou copia do Mandado de Segurança nº 96.0106273, bem como das decisões a ele relacionadas. Embora saibamos que tais autos de infração são emitidos eletronicamente através do cruzamento de informações, não podemos esquecer que a atividade do lançamento é vinculada e deve respeitar todos os requisitos legais para que tenha validade. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Assim prescreve o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) Restando clara e inequívoca a veracidade do fato apontado pelo contribuinte, qual seja, a existência do processo judicial, fica prejudicado o presente auto de infração. Isto porque não compete à autoridade julgadora “ajustar” a descrição do motivo para que o auto de infração tenha validade. Sendo o motivo ensejador do lançamento a ausência de processo judicial, não se pode após comprovada a existência do mesmo transmutar o lançamento justificandoo pela ausência de ordem judicial ou compensação em desacordo com a legislação. Ademais, quanto à possibilidade de manter o presente lançamento sob outros pressupostos, agravando a exigência da inicial, assim determina o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993: “§ 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” (grifo nosso) No presente caso não foi emitida notificação complementar nem tampouco novo auto de infração. É de se ressaltar que bastaria uma simples intimação ao contribuinte para que este comprovasse a existência do processo judicial, o que possibilitaria a fiscalização de analisar as questões de mérito quanto às compensações efetuadas, se possíveis, se albergadas por decisão liminar, se o crédito era suficiente, e assim por diante. A informatização dos sistemas de controle e de lançamentos não pode ser desculpada para o não cumprimento das determinações legais quanto ao lançamento. Se o “sistema” possui falhas ou não é capaz de prever todas as situações não deve ser utilizado, ou ainda, deve ser atualizado e melhorado. A respeito do tema, cito parte da ementa de julgado deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. (Recurso n° 133.787 – 1ª Câmara do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000357/200222 Acórdão n.º 330201.050 S3C3T2 Fl. 132 7 Segundo Conselho de Contribuintes – relatora Fabíola Cassiano Keramidas – Data da Sessão: 08/12/2006). (grifou nosso) Destarte, conforme demonstrado e sendo este o entendimento deste Conselho de Contribuintes, não há razão para subsistência do lançamento em questão, pois, deixando de possuir fundamento para sua validade o auto de infração perde seu objeto. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11080.002041/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA
TRIBUTÁVEL
A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é
receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado
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TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 1º trimestre de 2006, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos e da inclusão, na base de cálculo, da receita de crédito presumido do ICMS. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade contestando unicamente a inclusão, na base de cálculo da exação, do valor do crédito presumido do ICMS, que não considera receita, nos termos da doutrina e da jurisprudência judicial que cita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão nº 1025.427, de 20/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Ciente desta decisão em 23/06/2010 (AR de fl. 315), a empresa ingressou, no dia 22/07/2010, com o recurso voluntário de fls. 316/323, no qual repisa os argumentos de que o valor do crédito presumido do ICMS não é receita (representa recuperação de custos). Cita doutrina e jurisprudência. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando que o valor do crédito presumido do ICMS não integre a base de cálculo da Cofins não cumulativa e, consequentemente, que seja reconhecido o crédito pleiteado e glosado em face a inclusão, feita pela RFB, do referido valor na base de cálculo da exação. Sem razão a recorrente. Não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto integralmente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.002041/200799 Acórdão n.º 330201.028 S3C3T2 Fl. 5.31 3 Devo acrescentar, no entretanto, sobre a tributação da receita de crédito presumido de ICMS autorizado por Lei Estadual, que os dispositivos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, reproduzidos nas decisões da RFB, não deixam dúvidas de que a base de cálculo da Cofins é a totalidade da receita bruta mensal auferida. A autorização legal dada pelo Estado para o contribuinte creditarse de valores presumidos de ICMS resulta, sim, em aumento patrimonial da beneficiária e, portanto, é receita operacional e, consequentemente, tributada pela Cofins. Para corroborar esse entendimento, a partir de 01/01/2009, apenas um tipo de receita de crédito presumido do ICMS ou de ISS teve a alíquota do PIS e da Cofins reduzida a zero, com a edição da Lei nº 11.945/08: são as “receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados, Distrito Federal e Municípios relativos ao ICMS e ao ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços” (art. 5º). Portanto, todas as demais receitas decorrentes de valores creditados pelos Estados, relativos a ICMS, sofrem a incidência da Cofins não cumulativa, antes e depois da edição da Lei nº 11.945/08. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11618.003589/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Anocalendário:
1996, 1997, 1998, 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto
70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da
perempção.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Matéria PIS/PASEP Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinatura digital) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinatura digital) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por fielmente retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação — PER/Dcomp — de fls.02/29, no qual é indicado como crédito o pagamento da contribuição no valor original de R$ 3.250.462,78 e como débitos, parcelas da mesma contribuição referentes aos períodos de dezembro de 2006 a julho de 2007. 2. Após análise das DCOMP acima, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, acatando o PARECER DRF/JPA/SAORT n° 604/2007, de f1.35, emitiu o Despacho Decisório de fl.36, no qual foi negada a homologação da compensação pretendida com a determinação, por conseqüência, da cobrança do débito confessado na referida declaração com os devidos acréscimos legais, nos termos dos artigos 29, 30 e 68 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, com redação alterada pela IN SRF n° 728, de 20.03.2007 com a conseqüente ciência à contribuinte, esclarecendolhe do direito à apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias. 3. O Parecer DRF/JPA/SAORT no 604/2007 retrocitado, assim conclui: O crédito que fundamenta as pretensões do contribuinte já foi devidamente analisado no âmbito do Processo n° 11618.003144/2000761, oportunidade em que não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, conforme termos do Parecer n° 544/2007 de 24/08/2007, consolidado no respectivo Despacho Decisório na mesma data – fls. 30 a 34. Desta forma, não há que se falar em crédito que fundamente a pretensão em lide. A Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. com redação alterada pela Instrução n° 728, de 20 de março de 2007, em seu art.26 § 3º, incisos IV, VIII e X, disciplina, deforma cristalina, a matéria em tela. 4. Cientificada de tal negativa em , 19/10/2007 conforme "AR" de fl. 39, a contribuinte, por meio do seu representante legal, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 40/58, na data 'de 19/11/2007, em que contesta o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese:, I informa que não foi cientificada quanto ao Parecer 544/2007 e nem quanto ao despacho Decisório citados na decisão ora impugnada, II discorda do Parecer acima, quanto à fundamentação para a não homologação em comento, contida no art.26, § 3º, inciso IV, da IN SRF n° 600/2005, uma vez que não existem, no seu caso, débitos que já tenham sido objeto de nãohomologação, pois os que existiam foram cancelados em 01 de agosto de 2007, sendo que os pedidos de cancelamento fazem parte de Manifestação de inconformidade apresentadas a esta Delegacia de julgamento referentes aos processos nº 11618.003588/200704 e 11618.003604/200751; III em relação às hipóteses previstas nos incisos VIII e X da IN SRF n° 600/2005 acima citada (o crédito não passível de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11618.003589/200741 Acórdão n.º 330200.893 S3C3T2 Fl. 100 3 restituição e já indeferido pela autoridade competente da SRF), argumenta que esses existem, em face da ocorrência de um vácuo legislativo entre a edição da Medida Provisória 1.212/95 e da Lei 9.715/98, na série de 38 medidas provisórias, que Se sucederam com 16 soluções de continuidade provocadas por publicações fora do prazo, ditado pela , norma constitucional de trinta dias, estando tal tese respaldada por decisões do STJ, sendo assim, a conseqüência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato de que a exação Pasep não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à vigência da Lei n° 9.715/98 e quem a recolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir ou compensar; IV cita e transcreve, para corroborar a tese acima, jurisprudência e doutrina sobre o assunto; V tece considerações sobre, a distinção entre os conceitos de validade, vigência e eficácia da normal jurídica, para concluir que se a reedição de uma Medida Provisória ocorrer após o decurso de trinta dias de Validade da MP, pelo fato da previsão constitucional da perda da eficácia anterior, pela não conversão em lei, não terá a edição de nova medida provisória, ainda que versando matéria idêntica, o condão de recuperar a eficácia da medida anterior, pelo exaurimento da sua validade, devendo, ipso facto, o prazo de anterioridade nonagesimal ser reiniciado; VI requer e espera o deferimento dos pedidos formulados, referentes à contribuição ao PASEP, mediante esta manifestação de inconformidade e a aplicação dos arts.29, §1 0 e 48, da IN SRF 600/05 e: (i) livre movimentação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) junto à União, sem bloqueios; (ii) não inclusão no Cadin; (iii) não inscrição em divida ativa da União e a notificação prévia de toda e qualquer sanção a ser aplicada', decorrente do procedimento administrativo ora intentado. A DRJ de Recife entendeu por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP . Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Compensação – NãoHomologada Considerase como não – homologada a compensação de débitos e créditos administrados pela Receita Federal, quando o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já tenha sido indeferido pela autoridade competente da RFB e os débitos já tenham sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 Em seu Recurso Voluntário a Recorrente reprisa os argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso é intempestivo e dele não tomo conhecimento Consta nas fls.72, cópia do AR de intimação da decisão prolatada pela DRJ de João Pessoa/PB, onde restou consignado como data de recebimento o dia 11/01/2010, uma segundafeira. O protocolo do Recurso Voluntário ocorreu no dia 12/02/2010, uma sexta feira, conforme se verifica nas fls. 75. Consta ainda nas fls. 74 Termo de Perempção lavrado pela DRF de João Pessoa/PB. O Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, assim prescreve a respeito dos prazos: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...)Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...)Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Assim, contados os 30 dias de prazo para a interposição de Recurso Voluntário, temos que o prazo findou em 10/02/2010, tornando o presente Recurso perempto. Por todo o exposto, face à protocolização intempestiva do Recurso Voluntário, e por força do disposto no art. 35 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer o recurso. (assinatura digital) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11618.003589/200741 Acórdão n.º 330200.893 S3C3T2 Fl. 101 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 15889.000082/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência
Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose
de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº
8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.887
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Negado.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO IV, § 6º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte prestou informações inexatas, incorretas e/ou omissas, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 132 3 Relatório KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 12 21.154/2008, às fls. 105/110, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com arrimo no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com incorreções e/ou omissões em campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, em relação ao período de 02/1999 a 08/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/05, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.314,50 (Um mil, trezentos e quatorze reais e cinqüenta centavos), com base nos artigo 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigos 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91. A autoridade recorrida achou por bem julgar procedente em parte a autuação fiscal, acolhendo a decadência parcial do crédito, relativamente às competências 02/1999, 05/1999 e 05/2000, com base no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 116/124, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Em defesa de sua pretensão, infere que as obrigações acessórias, quando descumpridas, convertemse em obrigação principal relativamente à penalidade, vinculada, portanto, ao fato gerador do tributo, impondo seja acolhida a decadência inscrita no artigo 150, § 4°, do CTN, de maneira a excluir o crédito tributário até a competência 11/2002. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender não ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados, os quais, inclusive, foram suporte para lavratura de NFLD´s contra a empresa, não tendo prejudicado e/ou dificultado a ação fiscal em nenhum momento, inexistindo qualquer prejuízo ao INSS. Lança assertivas a propósito das notificações fiscais lavradas contra a contribuinte, pugnando pela decretação da nulidade do lançamento, repisando o argumento de ter existido equívoco na ação fiscal desenvolvida na empresa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não houve a apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 133 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido, notadamente em virtude da existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias, ou seja, antecipação de pagamento. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 134 7 Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 135 9 Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez tratarse de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória – omissão e incorreções de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impondo a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Com efeito, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. MÉRITO Conforme se depreende dos autos, o presente lançamento decorreu do fato de a contribuinte ter apresentado GFIP’s com erros nos campos não relacionados com os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incorrendo na infração prevista no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa nos termos do artigo 284, inciso III, do RPS, senão vejamos: “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 [...] III – cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores.” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que determinou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, impende frisar que, não obstante tratarse de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente às NFLD´s lavradas contra a empresa, bem como a propósito de matérias alheias ao presente lançamento, especialmente em relação à autuação fundamentada no artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais, e outras obrigações acessórias. Consoante se positiva do artigo 113, do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento apresentar o contribuinte ao fisco GFIP’s com informações omissas, inexatas ou incorretas, nos campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Assim, por serem independentes, os fatos ensejadores das eventuais NFLD´s lavradas contra a contribuinte não guardam relação de causa e efeito com a presente autuação, sobretudo quando a infração incorrida diz respeito à apresentação incorreta de dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida. A uma porque se vinculam com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. A duas, porque, em sua maioria, dizem respeito à autuação diversa, fundada no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de macular a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000082/200887 Acórdão n.º 2401001.887 S2C4T1 Fl. 136 11 Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11065.000265/2005-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Fl. 384DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 28/01/2005, relativo aos créditos de Cofins não cumulativa do quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 714.224,21 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2006 (fl. 167), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 153 a 165, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 575.125,08. Foram glosados os valores decorrentes de: (i) créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada e (ii) não oferecimento à tributação de valores originados de transferências de créditos de ICMS a terceiros. No Relatório Fiscal, também consta a glosa de aproveitamento indevido de parte do valor do crédito relativo ao estoque inicial, porém, tal item não afeta o período em análise neste processo. O Relatório esclarece detalhadamente todas as infrações, inclusive os pontos em que se baseou para descaracterizar a empresa PUPPIES TIME como estabelecimento independente da empresa fiscalizada. A empresa é cientificada do Despacho Decisório em 11/10/2006. O contribuinte apresenta, em 13/11/2006, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 171 a 296), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a inclusão na base de cálculo dos créditos de ICMS transferidos a terceiros e a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Argumenta que a transferência do ICMS para terceiros não pode ser considerada receita tributável, mas sim receita decorrente de exportação e sobre a qual não incide a Cofins. Também considera que incluir na base de cálculo os valores do ICMS transferidos a terceiros constituiria bitributação, pois tais valores já teriam sido tributados pelo fornecedor de insumos. Cita jurisprudência judicial. Já quanto à glosa relativa aos créditos dos serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e poder se creditar da Cofins sobre os serviços que aquela empresa teria prestado. Observa que sendo Fl. 385DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000265/200592 Acórdão n.º 320100.0767 S3C2T1 Fl. 378 3 a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação e inventário de material de embalagem. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que da Ação Fiscal, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Verifica se que a empresa impetrou Ação Judicial, Mandado de Segurança com pedido de liminar, que tomou o n° 2006.71.08.0169722, visando afastar da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos em remuneração à transferência para terceiros de saldo credor de ICMS, suspender a exigibilidade de lançamentos decorrentes e o ressarcimento dos valores objeto dos pedidos efetuados nos processos administrativos que menciona, inclusive no que ora se analisa. Também pretendeu a extensão dos efeitos da liminar para todos os futuros processos e o afastamento das exigências da Instrução Normativa Conjunta SRF/SRP 629/2006. A liminar foi deferida parcialmente para suspender a exigibilidade dos créditos lançados através dos autos de infração constantes dos processos administrativos arrolados, afastar as glosas dos pedidos de ressarcimento constantes dos processos que elenca, dentre os quais o presente, determinando que não fosse exigida a contribuição incidente sobre aquelas receitas decorrentes da transferência do ICMS para terceiros. Ante pedido de reconsideração da interessada foram estendidos os efeitos da liminar para afastar outras exigências para comprovação de regularidade diferentes da certidão positiva com efeitos de negativa. Ante tal ordenamento, a DRF/NHO autorizou o ressarcimento dos valores originalmente deferidos, R$ 575.125,08, mais a parcela decorrente da glosa relativa à inclusão da remuneração pela transferência de créditos do ICMS a terceiros na base de cálculo, R$ 98.454,44, totalizando R$ 673.579,52 (fls. 312 a 314). Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Fl. 386DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.489 (fls. 329/330): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.334), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2008 (fls. 335/345), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. O referido recurso ataca a glosa do crédito de COFINS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio Fl. 387DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000265/200592 Acórdão n.º 320100.0767 S3C2T1 Fl. 379 5 jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de COFINS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de COFINS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de COFINS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não Fl. 388DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Fl. 389DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000265/200592 Acórdão n.º 320100.0767 S3C2T1 Fl. 380 7 Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de COFINS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da COFINS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833 de 2003, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de COFINS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.833 de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. Fl. 390DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 8 É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 391DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 10183.002180/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. CONTRARIEDADE À LEI.
AGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA
O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos.
A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.
COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. CONTRARIEDADE À LEI. AGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos. A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 102 1 101 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.002180/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.184 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria IRPF DESPESAS MÉDICAS Recorrente ANNA BEATRIZ DE FIGUEIREDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. CONTRARIEDADE À LEI. AGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos. A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 103 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de glosa de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$9.625,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 4), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 73), o sujeito passivo apresentou as seguintes alegações: 1) Notificada para prestar esclarecimentos acerca das despesas médicas, apresentou recibos emitidos pelos profissionais da área da saúde que prestaram serviços à impugnante e ao seu dependente no ano de 2003; 2) Os esclarecimentos apresentados, erroneamente, não foram suficientes para justificar, pois as mencionadas despesas médicas foram devidamente realizadas e comprovadas através dos recibos colacionados: a) Fonoaudiologia — Encaminhamento do Hospital Geral Universitário para tratamento do distúrbio da fala do filho Guilherme Adolfo (fl. 11); b) Psicologia — Encaminhamento da Médica Giovana da Gama Fortunato (fl. 12); c) Fisioterapia — Atestado Médico de Estevão Virgílio Vaz Curvo (fl. 13). 3) O argumento que as despesas são exageradas não devem prevalecer pois embora os valores com tratamento de saúde tenham sido elevados, para os padrões de vida da requerente, foram extremamente necessários, a fim de estabelecer a saúde da mesma e de sua família, conforme restou devidamente comprovado; Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 104 3 4) O auditor fiscal não possui conhecimentos na área médica a ponto de efetuar glosas nos tratamentos médicos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 70 a 84): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Uma declaração com a mesma natureza dos recibos inicialmente apresentados não acrescenta nenhum outro elemento de convicção ou comprovação. A partir da declaração de inidoneidade de documentos em face de prestador de serviço médico, reforçase a exigência do ônus da prova quanto a validade e eficácia do documento emitido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância justificou sua decisão como os seguintes argumentos: Se o contribuinte for instado a comprovar as deduções, com autoriza a Lei, não deverá apenas indicar, mas sim apresentar documentação ou cheque nominativo, que são as duas possibilidades de comprovação eficazes. A contrario senso, se o contribuinte dispor de documentação suficiente para comprovar, de acordo com os dispositivos precedentemente analisados, a prestação do serviço, a quem foi prestado, e a efetividade da despesa, desnecessária a indicação do cheque nominativo. (...) Se não há disposição legal que estabeleça que um único documento seja o apto a comprovar tais requisitos, não pode o contribuinte, no caso de existir motivadas razões ("todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora" e "ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte") para considerar que um documento é Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 105 4 insuficiente para a comprovação pretendida, eximirse do ônus probatório pela mera afirmação de que o referido documento seria suficiente. Além disso, as declarações constantes de documentos particulares presumem se verdadeiras apenas em relação às partes que participaram do ato, como dispunha o art. 131, caput, do Código Civil de 1916, o parágrafo único do art. 219 do Código Civil atual e art. 368 do Código de Processo Civil. É o caso das declarações trazidas aos autos, que tem a mesma natureza dos recibos inicialmente apresentados pois não acrescenta nenhum outro elemento de convicção ou comprovação que seria atendido mediante documentos complementares do tratamento realizado ou mesmo prova do efetivo pagamento. (...) À vista desses documentos e com base na legislação, critérios e princípios expostos, concluise por: 10.A) Não aceitar como eficazes para dedução com despesa médica os recibos apresentados pelo profissional JAIME DA CRUZ BORGES ASSUMPÇÃO pela referida declaração de inidoneidade corroborada pela profusão de recibos que somaram o valor de R$ 31.650,00 muito superior ao valor declarado de R$ 15.000,00 , cuja exegese está em consonância com a jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes, cujas decisões sobre o tema, apresentam pequena divergência quanto ao entendimento, mas são pacíficas quanto ao resultado, conforme demonstram os seguintes julgados: (...) 10.B) Não aceitar como eficazes para dedução com despesa médica os recibos apresentados pelos demais profissionais pois não constam o endereço dos profissionais e descrevem o tratamento de forma genérica e não atendem aos requisitos expostos anteriormente: Item 3.c: identificar a natureza do serviço prestado, e a quantidade, se for o caso, o que não é suprido por expressões genéricas (inc. III). Item 3.d: identificar o endereço do profissional. Item 7.1: Valor elevado justifica a exigência de comprovação complementar do pagamento. (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 17/12/2009 (fl. 89), o contribuinte apresentou, em 12/01/2010, o recurso de fls. 91 a 95, onde: a) apontou afronta ao art. 29 do Decreto n° 70.235/72, pois a autoridade fiscal não investigou a idoneidade das provas apresentadas, ou seja, não ordenou a produção de prova oral, único meio capaz de emprestar ou não eficácia aos recibos apresentados; Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 106 5 b) indicou violação do dispositivo constitucional que garante a ampla defesa, pois a decisão recorrida fundamentou a condenação em mera presunção de inidoneidade documental, sem lhe investigar o grau de confiabilidade, mediante a produção de prova testemunhal; c) acrescentou que decisão combatida também redundou em afronta aos comezinhos princípios constitucionais da reserva legal (art. 5o, inciso II), ampla defesa e devido processo legal (art. 5°, inciso LIV), por desrespeitar expressa regulamentação tributária e ainda por impedir o livre exercício da ampla defesa em processo administrativo. Ao final, pugnou pelo cancelamento do débito fiscal recorrido. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 101, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Os argumentos de violação dos princípios constitucionais da reserva legal, ampla defesa e devido processo legal serão analisados junto com o mérito. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 107 6 § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 108 7 Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso em tela, a contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003 (fls. 43 a 46), rendimentos tributáveis de R$87.270,24 e despesas médicas que totalizaram R$35.000,0 com os seguintes profissionais: Nome do Beneficiário CPF/CNPJ Cód. Valor Pago JAIME DA C. B. ASSUMPCAO 482.011.20159 03 15.000,00 ALESSANDRA R.P. DE O. DIAS 544.450.35149 03 7.500,00 GISELLE MACHADO DE OLIVEIRA 387.922.22153 03 10.000,00 DAYLANA MARQUES STEINBECK 513.468.69120 03 2.500,00 Fl. 109DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 109 8 A Fiscalização exigiu a comprovação da efetiva realização dos serviços médicos e o efetivo desembolso (através de exames, prontuários e de cheques nominativos, cartão de crédito, extrato bancário, etc.) (fl. 48). Em resposta, a fiscalizada apresentou apenas recibos médicos (fls. 49 a 67). Como, para o profissional Jaime da Cruz Borges Assumpção, existia Ato Declaratório Executivo declarando inidôneos os recibos por ele emitidos por não ter comprovado à fiscalização o exercício da atividade de 2000 a 2002, e diante da não apresentação de outros elementos que demonstrassem a efetiva realização dos serviços médicos e o efetivo desembolso, a autoridade autuante glosou as deduções a título de despesas médicas. Em sua impugnação, a recorrente informou: a) que as despesas com a Dra. Alessandra R. P. de O. Dias se referiram a serviços de fonoaudiologia prestados ao seu dependente Guilherme Adolfo, conforme indicação (distúrbio da fala) e encaminhamento da médica pediatra, em 10/01/2002 (fl. 11); b) que as despesas com a Dra. Giselle Machado de Oliveira se referiram a serviços de psicologia prestados à impugnante e ao seu marido, em tratamento denominado terapia de casal, conforme indicação e encaminhamento da médica ginecologista em 12/12/2001 (fl. 12); c) que as despesas com o Dr. Jaime da C. B. Assumpção se referiram a serviços de fisioterapia, prestados à impugnante, conforme atestado médico, datado de 20/01/2002, que indica tratamento de RPG por tempo indeterminado, devido a patologia CID.: M 545/M4101M544 (fl. 13). Analisando os argumentos e as provas apresentadas, o julgador a quo considerou que as despesas médicas não haviam sido suficientemente comprovadas, ponderando, para o profissional Jaime da Cruz Borges Assumpção, que os recibos eram de valor muito elevado e que havia declaração de inidoneidade dos documentos por ele emitidos no ano da fiscalização, e, para os demais profissionais, que os recibos não continham o endereço de trabalho e descreviam o tratamento de forma genérica, além de importarem em desembolso elevado, o que justificaria a exigência de comprovação complementar do pagamento. A simples descrição acima do procedimento fiscal e do julgamento administrativo de 1a instância põe por terra os argumentos de cerceamento de direito de defesa, contrariedade à lei e agressão ao devido processo legal. O contribuinte teve diversas oportunidades de comprovação das despesas efetivadas, insistindo na suficiência dos recibos como provas dos fatos. A falta de inquirição pessoal dos prestadores do serviço não macula a atividade fiscal, que utilizou procedimentos de investigação válidos, oportunizou a defesa ao sujeito passivo e instruiu o processo administrativo de forma satisfatória para embasar o lançamento. Recordese que já se disse que cabe a quem alega o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito, e que a autoridade lançadora pode exigir que as deduções pleiteadas Fl. 110DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.002180/200611 Acórdão n.º 2101001.184 S2C1T1 Fl. 110 9 sejam justificadas. Assim, não é permitido que o fiscalizado exija que a autoridade fiscal produza prova que a ele lhe cabe. Assim, creio que o conjunto probatório milita em favor do conclusão da Fiscalização, corroborada pelo julgamento de 1a instância, de que as despesas médicas deduzidas não estavam suficientemente comprovadas. Afinal, o sujeito passivo pleiteou despesas médicas superiores a 40% dos rendimentos tributáveis, um dos profissionais teve todos os seus recibos declarados como inidôneos no ano da fiscalização, e os demais recibos não atendiam aos requisitos do art. 8o da Lei nº 9.250, de 1995, pois não continham o endereço do profissional. Diante desse quadro, razoável se exigir do contribuinte novas provas dos serviços médicos e dos pagamentos, que não foram apresentadas a contento, o que justifica a glosa das deduções pleiteadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 44023.000047/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 59 1 58 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 44023.000047/200684 Recurso nº 260.075 Voluntário Acórdão nº 230200.946 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente BANCO INDUSTRIAL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000047/200684 Acórdão n.º 230200.946 S2C3T2 Fl. 60 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja a confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências 01/2002, 07/2002, 02/2003 e 03/2003. De acordo com o relatório fiscal de fl. 10, a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais através de cartões de premiações, por intermédio da empresa prestadora de serviços Incentive House S/A. Em razão da caracterização de tais pagamentos como salário de contribuição foram lavradas as respectivas NFLD’s, cujos relatórios descrevem de forma pormenorizada as circunstâncias que ensejaram o lançamento. Após a apresentação de defesa, DecisãoNotificação de fls. 29/36, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde se reporta aos termos da defesa apresentada, reafirmando que a verba paga referiase a ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário e por isso não integrantes do salário de contribuição. Que somente à justiça do trabalho é dado julgar questões de emprego, que os ganhos eventuais não precisam constar de GFIP, nem em folha de pagamento. Requer a reforma da decisão para julgar insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. No presente caso, a recorrente foi notificada pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de premiação de incentivo, através de notificações de débito também distribuída a esta relatora que confirmou a decisão recorrida, a qual entendeu ter a verba paga natureza salarial. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000047/200684 Acórdão n.º 230200.946 S2C3T2 Fl. 61 5 (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Pelo exposto, é obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A recorrente, em suas razões, não refutou que não confeccionou as folhas de pagamento nos padrões estabelecidos pela Seguridade Social, limitandose a dizer da nulidade da autuação, porque valores pagos a título premiação não são base de incidência contributiva previdenciária. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 342, de 16/08/2006, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social: Art. 7º A partir de 1º agosto de 2006 (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos) a R$ Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 115.694,42 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta dois centavos); Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002056/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
EXISTÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCLUSÃO PELA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O fato da empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada demonstrar ter sofrido a retenção da contribuição previdenciária, prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não autoriza a se concluir pela extinção integral da obrigação tributária decorrente da prestação de serviços,
mas apenas até o montante da retenção destacado na nota fiscal.
ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA.
Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na apuração de crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.857
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. EXISTÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCLUSÃO PELA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O fato da empresa prestadora de serviço mediante cessão de mãodeobra ou empreitada demonstrar ter sofrido a retenção da contribuição previdenciária, prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não autoriza a se concluir pela extinção integral da obrigação tributária decorrente da prestação de serviços, mas apenas até o montante da retenção destacado na nota fiscal. ALEGAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS DEVERES PARA COM A FAZENDA PÚBLICA E A COLETIVIDADE EM PERÍODOS ANTERIORES À OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Quando o Fisco demonstra a existência de tributos não recolhidos, o fato de, em períodos pretéritos à ocorrência dos fatos geradores, a empresa haver adimplido com todos os seus encargos fiscais e ter cumprido com o seu papel social, não interfere na apuração de crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.241 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 2.226/2.235, interposto pela empresa acima identificada contra acórdão da Delegacia de Julgamento em Recife, fls. 2.217/2.223, que decidiu pela procedência do lançamento consignado no Auto de Infração n. 37.231.0508. Da autuação O processo em questão, no valor de R$ 148.880,80 (cento e quarenta e oito mil, oitocentos e oitenta reais e oitenta centavos), com data de consolidação em 27/08/2009, foi cientificado ao contribuinte no mesmo dia. No mesmo foram lançadas as contribuições sociais cota patronal destinada à Seguridade Social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Eis as observações mais relevantes do Relatório Fiscal, fls. 44/47, acerca das circunstâncias que deram ensejo à apuração das contribuições: a) a empresa, por apresentar de forma deficiente a contabilidade e folhas de pagamento, teve contra si lavrados autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias, além de abrir ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido; b) na elaboração da escrituração contábil não observou o Princípio da Oportunidade; c) os fatos geradores considerados no lançamento foi a prestação de serviço por segurados empregados nas competências constantes do Relatório de Lançamentos, os quais não foram regularmente declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; d) a base de cálculo foi obtida por aferição indireta e correspondem a, no mínimo, 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes nas notas fiscais discriminadas; e) encontrase anexado demonstrativo da diferença entre a remuneração obtida por aferição indireta e aquela declarada na GFIP; f) foram consideradas para dedução as guias de recolhimento e as retenções destacadas em notas fiscais, exceto aquelas que tenham sido objeto de pedido de restituição ou compensação; Foram juntados ao Relatório do Fisco os seguintes demonstrativos: a) RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS E RESPECTIVOS DESTAQUES DAS RETENÇÕES DE 11%; b) RELAÇÃO DOS VALORES DO MATERIAL APLICADO E DA LOCAÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 c) DIFERENÇA ENTRE A REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM NOTA FISCAL DE SERVIÇOS E A DECLARADA EM GFIP; d) RELAÇÃO DE TODOS OS LANÇAMENTOS EFETUADOS NO PROCEDIMENTO FISCAL; e) RELAÇÃO DAS GPS'S CONSIDERADAS; f) RELAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DAS GFIP'S CONSIDERADAS. Da impugnação A empresa apresentou impugnação, fls. 1404/1413, na qual alega, em síntese, que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, que os valores retidos pelos seus tomadores de serviço, no percentual de 11% do valor das notas fiscais, quitariam as contribuições lançadas e, ainda, que apresentou as GFIP e folhas de pagamento dos trabalhadores envolvidos na prestação dos serviços, o que comprova que o lançamento é improcedente. Da decisão recorrida A DRJ em Recife decidiu por manter o crédito tributário na integralidade, exarando o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA O MOVIMENTO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. HIPÓTESE AUTORIZADORA DE AFERIÇÃO INDIRETA. Contabilidade que não registra o movimento real da remuneração paga aos segurados constitui fato subsumido à hipótese prevista no art. 33, § 6°, da Lei 8.212/91, autorizadora da aferição indireta do valor da mãodeobra empregada. RETENÇÃO DE 11%. CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Embora haja a obrigação da retenção das contribuições, nos termos do art. 31, da Lei 8.212/1991, tal fato, por si só, não extingue a obrigação previdenciária principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso No seu recurso a empresa, após breve sinopse dos fatos constantes no processo, alega, em apertada síntese, que: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.242 5 a) a vasta documentação apresentada é suficiente para desconstituir o lançamento sob cuidado; b) a recorrente é cumpridora de seus deveres legais, uma vez que atua no ramo da construção civil desde o ano de 1973, sem que nunca tenha sido autuada por irregularidades fiscais; c) exerce um importante papel no desenvolvimento econômico e social do Estado da Paraíba; d) nos anos de 2004 e 2005 foi contratada pelas empresas Siemens e WFI para execução de serviços na modalidade contratual de empreitada global; e) em algumas ocasiões as notas fiscais eram emitidas somente após o término da obra, posto que o pagamento dos serviços dependia da vistoria das contratantes; f) sofria a tributação prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, portanto, a quitação das suas obrigações previdenciárias era efetuada mediante a retenção pela contratante de 11% sobre o valor das notas fiscais emitidas; g) os trabalhadores que laboraram na execução dos serviços estão corretamente informados nas folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; h) a jurisprudência, conforme decisões colacionadas, tem entendido que o fato da empresa tomadora dos serviços não efetuar o repasse da contribuição devidamente destacada na nota fiscal não pode prejudicar a prestadora; i) a contribuição previdenciária decorrente da remuneração paga aos seus empregados foi quitada em todas as competências do lançamento em razão das retenções efetuadas pelas contratantes. Ao final, pede a declaração de improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do histórico da empresa Na sua peça recursal a empresa alega que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias e que cumpre relevante papel social no desenvolvimento do Estado da Paraíba. Não posso desprezar tais argumentos, uma vez que é de fundamental importância, não só para a Paraíba, mas para todo o País, que as empresas contribuam, quer pelo correto adimplemento de suas obrigações fiscais, quer pela assunção da responsabilidade pelo bem estar das pessoas que residem na sua área de atuação. Todavia, por mais relevantes que sejam essas alegações, as mesmas não se prestam para afastar o lançamento de que se cuida. O Fisco, ao constatar a existência de obrigação tributária não adimplida, vê se obrigado a constituir o crédito correspondente mediante a atividade do lançamento, a qual é plenamente vinculada e independe do fato da empresa demonstrar que até então vinha cumprindo integralmente com suas obrigações para com a Fazenda Pública. Inexiste no ordenamento pátrio comando legal que impeça o Fisco de efetuar o lançamento tributário em razão da ausência de antecedentes do sujeito passivo quanto ao cometimento de ilícitos fiscais ou quanto ao abandono de sua responsabilidade social. Nesse sentido, o que temos que analisar é se o procedimento administrativo de lançar o tributo está em consonância com a legislação que rege a matéria, não sendo necessário nos aprofundarmos sobre o histórico da empresa no que diz respeito ao cumprimento dos seus deveres fiscais e sociais. Da quitação das contribuições Sustenta a empresa que a retenção sobre as faturas dos serviços que prestou mediante empreitada quitaria as contribuições lançadas. Para análise dessa assertiva, necessário se faz um breve comentário acerca da sistemática da retenção previdenciária sobre os serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. Com a alteração do art. 31 da Lei n. 8.212/19911, na redação dada pela Lei n. 9.711/1998, para os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, substituise a desgastada responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias do tomador de serviços, pela técnica tributária da retenção do percentual de 11% sobre o valor das faturas/notas fiscais de serviço. Assim, a empresa contratante no ato da quitação da fatura/nota fiscal passou a assumir a responsabilidade por efetuar a retenção e recolher o valor correspondente em nome 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.243 7 do prestador dos serviços. Uma vez descumprido esse dever, a tomadora tornase devedora da retenção não efetuada nos termos do § 3. do art. 32 da Lei n. 8.212/19912. Ressaltese, todavia, que o fato de sofrer a retenção não retira a contratada do polo passivo da relação jurídicotributária. Essa, quando da quitação das contribuições da competência da emissão da fatura/nota fiscal, compensase do valor retido e recolhe a diferença ou, caso a retenção seja superior ao tributo devido, requer a restituição do valor em excesso ou efetua a compensação em competências subsequentes. Diante do exposto não é apenas o fato da empresa prestadora sofrer a retenção que lhe garante a quitação integral das contribuições devidas, podendo haver saldo remanescente a recolher à Seguridade Social, mesmo após a dedução dos valores retidos. É essa a situação que exsurge dos autos. O Fisco em razão da deficiência na documentação apresentada pelo contribuinte aferiu o saláriodecontribuição com base no valor das notas fiscais apresentadas, conforme lhe faculta o art. 148 do Código Tributário Nacional – CTN3 e também os §§ 3. , 4. . e 6. do art. 33 da Lei n. 8.212/19914, estes na redação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Devo abrir um parêntese, nesse momento, para tratar da deficiência da documentação apresentada pela recorrente, a qual abriu ao fisco a prerrogativa de arbitrar o tributo. Conforme ficou assentado no Relatório Fiscal, as falhas verificadas na documentação da empresa foram objeto de autuações por descumprimento de obrigações acessórias, as quais estão sendo objeto de apreciação nessa sessão de julgamento. Falo dos seguintes processos: 2 Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. 3 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 4 Art. 33(...) § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co responsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 a) AI 37.231.0443: deixar de apresentar, em meio digital, as informações relacionadas às contribuições previdenciárias utilizadas por processamento eletrônico de dados na produção da escrituração contábil, livros Diário e Razão, dos exercícios de 2004 e 2005; b) AI 37.231.0451: não fazer constar nas folhas de pagamento apresentadas as informações constantes nos recibos de férias dos segurados empregados e nas notas fiscais emitidas por pessoas físicas referentes a serviços prestados, bem como, não discriminar nas mesmas os cargos/funções exercidos pelos segurados empregados, não apresentando, também, o resumo das folhas de pagamento dos empregados alocados nas obras de construção civil; c) AI 37.231.0460: escriturar verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária em contas contábeis únicas, além de registrar numa mesma conta pagamentos a pessoas físicas e pagamentos a pessoas jurídicas; d) AI 37.231.0478: deixar de apresentar os seguintes documentos relativos às obras de edificação: projetos de arquitetura, demonstrativo das áreas reais construídas, alvarás de licença para construção e habitese e anotações de responsabilidade técnica; e) AI 37.231.0494: deixar de apresentar ou apresentou de forma deficiente documentos relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Diante desses fatos, a Auditoria entendeu cabível o arbitramento das contribuições. Sobre essa questão não posso deixar de concordar com a decisão recorrida que também entendeu procedente a apuração da remuneração mediante o procedimento de aferição indireta. Pois bem, uma vez admitido o procedimento de aferição das contribuições, devo me debruçar sobre a possibilidade das retenções serem suficientes a quitar as contribuições lançadas. A auditoria deixou claro, apresentando inclusive demonstrativo, que apropriou todas as guias de recolhimento, bem como as retenções destacadas nas notas fiscais, exceto aquelas que deram ensejo a pedidos de restituição ou compensação. Também está suficientemente esclarecido nos autos que as remunerações declaradas em GFIP não foram objeto do presente lançamento, posto que o valor lançado é a diferença entre o valor aferido indiretamente e o valor declarado. Assim, não há de se considerar que o argumento de que a apresentação das GFIP acompanhadas das guias de recolhimento comprovariam a quitação das contribuições lançadas. Também não devo concordar com a alegação de que o fato das notas fiscais terem sido emitidas após o encerramento dos serviços, em razão da necessidade de fiscalização pelas contratantes, teria influência no presente lançamento. O que levou o Fisco a arbitrar as contribuições e concluir pela existência do débito tributário não se relaciona à data de quitação das faturas, mas à confecção de folhas de pagamento e da escrita contábil em desacordo com as normas vigentes. Ao meu ver a contribuinte não conseguiu apresentar os argumentos e provas que pudessem vir em seu socorro, uma vez que deixou justificar as falhas documentais apontadas pela Auditoria. Vejase que em momento algum a empresa indica especificamente qualquer mácula no procedimento adotado pela Auditoria no que diz respeito aos valores tomados como base para a apuração, nas guias e retenções consideradas ou mesmo nas notas fiscais envolvidas no levantamento do crédito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14751.002056/200967 Acórdão n.º 240101.857 S2C4T1 Fl. 2.244 9 Posso afirmar, então, que, não tendo a recorrente conseguido demonstrar a extinção da obrigação tributária principal pelo pagamento, não devo acolher o seu pedido de improcedência do Auto de Infração sob enfoque. Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13896.002537/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
A ausência de fundamento legal para aplicar alíquota única no levantamento relativo à cota dos segurados. é vicio formal insanável que torna nulo tal lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-001.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal para aplicar alíquota única no levantamento relativo à cota dos segurados. é vicio formal insanável que torna nulo tal lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.002537/200701 Acórdão n.º 230201.175 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A presente notificação foi lavrada em 27/12/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 29/12/2006, referindose às contribuições previdenciárias patronais, a parte relativa aos segurados empregados e às destinadas aos Terceiros, incidentes sobre valores pagos aos segurados, constantes de folha gerencial, a título de “Ajuda de Custo”, “Ajuda Transporte”, Brindes e Comemorações”, “Brindes e Presentes” e “Premiação a Funcionários”, no período de 01/1996 a 02/2005. O relatório fiscal da notificação às fls. 147 a 152, explicita no seu item 03.1, à fl. 148, os valores foram pagos com habitualidade, sem qualquer demonstração de contraprestação de despesas e por isso integram o salário de contribuição. Após a apresentação da defesa, os autos baixaram em diligência para informação quanto a aplicação da alíquota única de 8%, relativa a parte dos segurados. Às fls. 532/533, o fisco diz que por ora da ação fiscal não foram apresentados elementos capazes de individualizar os valores recebidos por cada segurado, o que motivou o levantamento através da alíquota única. E, que quando da diligência, solicitou através de TIADTermo de Intimação para Apresentação de Documentos, que fossem apresentadas as relações discriminadas dos beneficiários das verbas, ao que a empresa não atendeu, sendo lavrado auto de infração e mantido o levantamento. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou no prazo concedido, dizendo que não tem condições de apresentar os dados individualizados porque teria que reprocessar as folhas dos últimos dez anos de inúmeras filiais e o tempo concedido foi exíguo. O auditor fiscal se manifesta pela manutenção do lançamento, já que a própria empresa admite que não tem condições de individualizar os valores pagos a cada segurado. Acórdão da DRJ às fls. 587/596, considera o lançamento procedente em parte para excluir o período decadente de 01/1996 a 11/2000 e retifica o crédito lançado de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito Retificado, fls. 566/586, para retirar os valores relativos à alíquota de 8%, do segurado, frente à inexistência de fundamentação legal que sustente a aferição indireta. Em razão do valor exonerado recorre de ofício a este Colegiado. O contribuinte foi cientificado da decisão e ofereceu recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a decadência pelo artigo 150,§4º, do Código Tributário Nacional, já que não houve fraude, dolo, ou máfé; b) que a NFLD é improcedente porque as verbas tem cunho indenizatório; Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 c) que os funcionários receberam um plus quando foram transferidos de local de trabalho; d) que a contribuição ao INCRA foi extinta em 1989; e) que a NFLD possui vício substancial porque a falta de indicação dos elementos utilizados pela fiscalização para o cálculo dos valores tidos como tributáveis, implica na impossibilidade de defesa; f) que existe vício material no lançamento; g) que a utilização da SELIC como taxa de juros é ilegal e requer que a NFLD seja julgada insubsistente. Posteriormente, a recorrente protocolou às fls. 1027 a 1048, termo de desistência parcial do recurso para aderir ao parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009, relativo aos levantamentos : AC2, período de 12/2000 a 02/2005 e PR2, período de 12/2000 a 02/2005. O CARF devolveu o processo a instância de origem para acatar a desistência do recurso voluntário, mas os autos retornaram para o julgamento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.002537/200701 Acórdão n.º 230201.175 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Do exame dos autos, é de se observar a ausência de indicação do dispositivo legal para sustentar a aferição indireta no que diz respeito à alíquota mínima de 8% relativa a parte do segurado empregado, mais precisamente o artigo 33,§3º, da Lei n.º 8.212/91. Não constando a fundamentação legal que ampara o lançamento, se vislumbra o cerceamento de defesa, pois o contribuinte não foi devidamente informado do procedimento utilizado pela fiscalização, não podendo se manifestar a respeito. A falta de referência ao fundamento legal que sustenta o lançamento fiscal gera cerceamento de defesa e a ampla defesa é assegurada constitucionalmente aos contribuintes e deve ser observada no processo administrativo fiscal. A falta de indicação da legislação que ampara o lançamento sonega ao contribuinte o direito de se defender quanto a isso. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Feitas estas considerações, entendo que o Acórdão proferido às fls. 587/596, se manifestou corretamente pela anulação do levantamento não sustentado pela indicação do dispositivo legal em que se baseou. Quanto à decadência, o entendo correto o acatamento à Súmula Vinculante n.º 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Todavia, divirjo da motivação para a aplicação do artigo 173, I do CTN, porque a menção do auditor fiscal de que “em tese” existiu sonegação e o encaminhamento ao órgão competente da representação fiscal, ainda não permite a conclusão do feito. De toda forma, há que se atentar que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN, e havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso de ter ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No processo em questão, ainda não restou configurado o dolo, fraude ou simulação, mas também não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, estando correta a exclusão das competências até 11/2000: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.002537/200701 Acórdão n.º 230201.175 S2C3T2 Fl. 4 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto à desistência do recurso voluntário oferecida pelo contribuinte às fls. 1027/1048, é de se notar que embora conste como desistência parcial, abrange todos os levantamentos existentes na notificação após a emissão do Acórdão recorrido, que retificou o lançamento. Deste modo, temse que a desistência foi total, não restando matéria a ser discutida. Por todo o exposto, e tendo o contribuinte desistido do recurso voluntário, nego provimento ao recurso de ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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