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Numero do processo: 13887.000103/2002-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3201-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96, bem como é lícita a aplicação da taxa SELIC acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 01 03 /2 00 2- 63 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 180 2 JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. A contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento de R$ 2.568.696,75, a titulo do crédito presumido do IPI de que trata a Portaria MF n° 38/97. O Despacho Decisório de fl. 44 deferiu parcialmente o pleito, concedendo o montante de R$ 201.443,23, sendo que a parcela negada deveuse à glosa das aquisições efetuadas de pessoas físicas não sujeitas As contribuições do PIS/PASEP e COFINS, conforme o relatório de fls. 40/43. Cientificada em 21/11/2006, conforme aviso de recebimento nos autos, a interessada apresentou em 18/12/2006 a manifestação de inconformidade de fls. 92/113 com a alegação de que a fiscalização não poderia ter glosado as aquisições de pessoas físicas, pois o cálculo do crédito presumido, pelo disposto na lei que não poderia ser alterado por atos administrativos, não se restringe às aquisições da matériaprima, simples e pura, mas sim de todos aqueles bens e produtos utilizados no fluxo industrial (o produto final das pessoas físicas — laranja, limão, tangerina, etc. — traz intrinsecamente o custo dos insumos utilizados para produção: sementes, fertilizantes, equipamentos para poda e irrigação, material de embalagem, óleo combustível, etc.), inclusive adquiridos de pessoas físicas, conforme doutrina, decisões do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. Aduz que é o produto que é onerado pelo PIS/COFINS, e não a pessoa do lavrador (pessoa física ou jurídica). Encerrou a peça de defesa com a solicitação do ressarcimento do valor glosado, devidamente atualizado pela taxa SELIC, conforme jurisprudência administrativa e judiciária que cita. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 181 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA TAXA SELIC. É incabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A controvérsia restringese à possibilidade de inclusão das aquisições junto a pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, bem como à aplicação da taxa SELIC ao saldo credor, a título de atualização monetária do valor requerido. Com efeito, tais matérias não comportam maiores digressões por parte deste Colegiado posto o STJ já as ter julgado sob o rito do repetitivo, previsto no art. 543C do CPC. Aplicável a lide, portanto, a norma prevista no artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 182 4 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, tendo em vista o dispositivo acima transcrito, aplicase nesta decisão administrativa o entendimento exposto no julgamento do RE 993.164, reproduzido abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 183 5 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 184 6 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, Dje 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; Resp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e Resp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 185 7 pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições junto a pessoas físicas, bem como autorizar a aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos, acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo até a sua efetiva utilização por meio de compensação com outros tributos ou pelo ressarcimento em espécie. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10074.001831/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009
MULTA E JUROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
Quando a norma complementar alegada pelo sujeito passivo não se reveste das qualidades necessárias ao seu enquadramento no art. 100 do Código Tributário Nacional, é incabível a alegação de violação ao princípio da confiança legítima e da boa fé objetiva, e, consequentemente, não pode justificar o afastamento das penalidades e juros de mora.
MULTA. INAPLICABILIDADE DO ART. 155, INCISO II, DO CTN.
O art. 155, inciso II, do Código Tributário Nacional aplica-se somente aos casos em que há inequivocamente um benefício fiscal concedido, quando o beneficiado não preenchia ou deixa de preencher às condições para a sua fruição. Não se presta a afastar penalidades diante da pretensa existência de um benefício fiscal, caso em que sequer faz-se pertinente a análise do preenchimento de condições para a sua concessão.
Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso de ofício. Vencidos o relator-Daniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Redatora designada-Mércia Helena Trajano Damorim (quanto à exigência de CND/FGTS para o II/IPI para os períodos que deixaram de comprovar essa regularidade fiscal). No restante das matérias, negado provimento ao recurso de ofício, por maioria de votos. Vencido Joel Miyazaki. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negou-se provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 LEI N° 8032/90. FRUIÇÃO AO BENEFÍCIO FISCAL (II e IPI). REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOCND E CRFFGTS. A fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 8032/90 exige a comprovação da regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da lei de n/ 9.069/95, bem como no art. 47 da Lei de n° 8.212/91 e no art. 27 da Lei de n° 8.036/90. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ISENÇÃO. MOTORES. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Motores” incluemse no conceito de partes, peças ou componentes, razão pela qual deve ser reconhecida a isenção sobre a sua importação. ISENÇÃO. FERRAMENTAS. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Ferramentas” não se incluem no conceito de partes, peças ou componentes, mesmo que utilizadas em serviços de reparo, revisão ou manutenção de aeronaves. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ISENÇÃO. MOTORES. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Motores” incluemse no conceito de partes, peças AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 18 31 /2 01 0- 79 Fl. 4450DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 ou componentes, razão pela qual deve ser reconhecida a isenção sobre a sua importação. ISENÇÃO. FERRAMENTAS. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Ferramentas” não se incluem no conceito de partes, peças ou componentes, mesmo que utilizadas em serviços de reparo, revisão ou manutenção de aeronaves. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ALÍQUOTA ZERO. MOTORES E FERRAMENTAS. A norma que estabelece alíquota zero de PISImportação inclui expressamente motores e ferramentas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ALÍQUOTA ZERO. MOTORES E FERRAMENTAS. A norma que estabelece alíquota zero de PISImportação inclui expressamente motores e ferramentas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 MULTA E JUROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Quando a norma complementar alegada pelo sujeito passivo não se reveste das qualidades necessárias ao seu enquadramento no art. 100 do Código Tributário Nacional, é incabível a alegação de violação ao princípio da confiança legítima e da boa fé objetiva, e, consequentemente, não pode justificar o afastamento das penalidades e juros de mora. MULTA. INAPLICABILIDADE DO ART. 155, INCISO II, DO CTN. O art. 155, inciso II, do Código Tributário Nacional aplicase somente aos casos em que há inequivocamente um benefício fiscal concedido, quando o beneficiado não preenchia ou deixa de preencher às condições para a sua fruição. Não se presta a afastar penalidades diante da pretensa existência de um benefício fiscal, caso em que sequer fazse pertinente a análise do preenchimento de condições para a sua concessão. Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso de ofício. Vencidos o relatorDaniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Redatora designadaMércia Helena Trajano Damorim (quanto à exigência de CND/FGTS para o II/IPI para os períodos que deixaram de comprovar essa regularidade fiscal). No restante das matérias, negado provimento Fl. 4451DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.451 3 ao recurso de ofício, por maioria de votos. Vencido Joel Miyazaki. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negouse provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevo abaixo o relatório da decisão recorrida, bem sua ementa e as razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 545.195.689,79 referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multa de mora e juros de mora. Depreendese do Termo de Verificação integrante do auto de infração que: A interessada registrou Declarações de Importação no período de 01/01/2006 a 28/02/2009 para amparar importação de mercadorias, pleiteando benefícios fiscais. Os benefícios pleiteados se referem a isenção de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, com fundamento na Lei nº 8.032/1990, e a redução das alíquotas de PIS/Pasepimportação e de Cofinsimportação, amparandose na Lei nº 10.865/2004. As atividades da empresa giram em torno de motores aeronáuticos e outros motores, sendo que o Certificado de Homologação de Empresa (CHE) expedido pelo DAC autoriza a empresa a executar serviços, exclusivamente, conforme os Padrões D (manutenção, modificações e reparos em motores de Fl. 4452DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 aeronaves), F (manutenção e reparos em equipamentos de aeronaves) e H (serviços especializados). A isenção de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, prevista na Lei nº 8.032/1990, é relativa a importações de partes, peças e componentes destinados a uma das operações relacionadas (reparo, revisão e manutenção) em um dos bens descritos (aeronaves e embarcações). A interpretação da norma isencional deve ser de forma restritiva, sendo vedadas interpretações extensivas. Portanto, as isenções em tela, in casu, somente abrangem aeronaves, que são classificadas na Posição NCM 8802 e não motores, classificados no Capítulo 84 da NCM. Análise dos 12 (doze) contratos da empresa com seus clientes confirma que nenhum deles tem por objeto reparo, revisão e manutenção de aeronaves, mas sim reparo, revisão e manutenção de determinados motores, seus acessórios ou componentes. Concluise, assim, que a empresa não faz jus às isenções previstas na Lei de regência, devendo ser revogadas. O artigo 1º da Lei nº 8.032/90 revogou o dispositivo que expressamente concedia isenção à manutenção, revisão e reparo de componentes das aeronaves, como é o caso de motores. A Solução de Consulta nº 523/89 e o Memo RF/Cosit/Dicex nº 60/2004, trazidos pela interessada não apresentam nenhuma contradição em relação às conclusões antes estabelecidas. Ao contrário, a Solução de Consulta ao se referir apenas à manutenção de aeronaves, reafirma a impossibilidade de gozo da isenção nas importações para manutenção de motores aeronáuticos. Análise da legislação comparada, da mesma forma, faz concluir que há clara distinção entre aeronaves e motores para essas. 89% das Declarações de Importação foram desembaraçadas no canal verde de conferência, ou seja, 11.020 DI’s, das 12.428 DI’s desembaraçadas. A isenção de II e IPI não abrange “ferramentas” e suas partes, portanto são revogadas na presente autuação as isenções indevidamente concedidas. O Decreto nº 5.268/2004 alterou a tipificação da isenção, que passou a ter caráter misto, ou seja, vinculada tanto à destinação dos bens, quanto à qualidade do importador, pois passou a direcionar a isenção aos proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda, a oficinas homologadas. Uma importante consequência dessa alteração é a exigência de Certidões Negativas dos Tributos Federais e a regularidade perante o FGTS, conforme art. 47 da Lei nº 8.212/1991 e art. 60 da Lei nº 9.069/95. Especificamente em relação ao FGTS o art. 27 da Lei nº 8.036/90 condiciona a apresentação do certificado de regularidade para o reconhecimento de benefícios fiscais. Fl. 4453DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.452 5 O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 07/1998, esclareceu que o despacho e consequente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de beneficio ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. Assim, caso a isenção ou redução seja direcionada a apenas alguns contribuintes (vinculada à qualidade do importador) estamos diante de um benefício subjetivo, condicionado, portanto, à comprovação de quitação de tributos e contribuições federais. No caso em apreço, com as alterações promovidas pelo Decreto nº 5.268/2004, apenas os proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda as oficinas especializadas, homologadas e detentoras de contratos com os proprietários ou possuidores de aeronaves, estão aptos a realizar a importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves com isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, e com redução a zero das alíquotas do PIS/Pasepimportação e da Cofinsimportação, o que caracteriza claramente a subjetividade da isenção e da redução. Assim, deve a interessada comprovar a quitação de tributos e contribuições federais, bem como a regularidade perante o FGTS a partir de 10/11/2004. No período compreendido entre 05/05/2009 e 21/12/2009 houve retorno à tipificação objetiva, com a publicação do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759/20009 até sua alteração pelo Decreto nº 7.004/2009. A redução de alíquotas do PIS/Pasepimportação e da Cofins importação, para o caso em tela, foi prevista no art. 8º, § 12, inciso VII, da Lei nº 10.865/2004. A Lei nº 10.925/2004, publicada em 26/07/2004, alterou a redação do dispositivo em menção, todavia ainda abrangendo os bens em trato. Em 09/08/2004 foi publicado o Decreto nº 5.171/2004 que criou nova condição para a concessão do benefício, vigente a partir de 26/07/2004, idêntica àquela introduzida pelo Decreto nº 4.765/2003 para a isenção do imposto de importação, qual seja, que o benefício só seria aplicável para a importações destinadas à manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem de aeronaves utilizadas no transporte comercial de cargas ou de passageiros. O mesmo Decreto nº 5.268/2004, publicado em 10/11/2004, que alterou o Decreto nº 4.543/2002, introduzindo a subjetividade na isenção do imposto de importação (isenção vinculada à qualidade do importador), também o fez em relação ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação, estabelecendo exigências semelhantes. A interessada atende aos requisitos previstos para a redução das alíquotas das contribuições, relativamente aos contratos e Fl. 4454DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 certificados de homologação. Todavia, não comprovou sua regularidade perante os tributos federais e perante o FGTS, condição para a concessão e fruição do benefício. Desse modo, são revogados na presente autuação o benefício para o PIS/Pasep e para a Cofins, nas importações nos períodos sem comprovação da referida regularidade, por terem sido indevidamente concedidos. A interessada apresentou certidões de regularidade fiscal e perante o FGTS para parte do período, ou seja, não comprovou a qualidade de regular para todo o período fiscalizado. Assim, ao negligenciar a obtenção das certidões à época não tem como fazer prova, hoje, de que teria direito a elas. De acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.212/91 é ônus da empresa para usufruir o benefício fiscal apresentar CND. Alguns dos certificados de regularidade perante o FGTS apresentados pela interessada tinham validade condicionada à verificação de autenticidade no site da Caixa. Todavia tal conferência não foi possível em razão de o site não mais disponibilizar informações para esses períodos, portanto os certificados não foram aceitos. Ademais se refiram apenas a alguns períodos. A interessada apresentou ofício emitido pela Caixa, no qual essa informa que o modelo de gestão do FGTS adotado pela CEF não prevê a recuperação de regularidade em períodos passados. O ofício informa ainda que se verificou que os recolhimentos de FGTS pela interessada são efetuados rigorosamente em dia, conforme extrato anexo. Essa informação não confere com os extratos mencionados, pois praticamente todo o recolhimento foi efetuado em atraso. Por fim, o ofício registra que, “considerando o exposto acima, não identificamos óbice para que os certificados de regularidade fossem emitidos à época”. Ocorre que os atrasos mencionados já seriam óbice suficiente para não emissão do certificado à época. Ademais, recolhimento no prazo não significa dizer que houve recolhimento de tudo o quanto era devido à época. Somente o certificado de regularidade nos moldes da Caixa teria este condão. Cabe ao importador a comprovação de que cumpria todos os requisitos previstos na Lei nº 8.212/90 e da Lei nº 10.865/2004, bem como na legislação correlata, para ter reconhecido os benefícios fiscais pleiteados, e mais, que cabe ao importador a comprovação de que cumpriu a finalidade que motivou a concessão dos benefícios. Os benefícios fiscais em tela possuem dois momentos distintos: um momento inicial (momento da concessão) onde a autoridade fiscal avalia o preenchimento dos requisitos e o cumprimento das condições por parte do contribuinte e reconhece a aplicação dos benefícios fiscais, e um período posterior (período de fruição) durante o qual o beneficiário deve, além de continuar Fl. 4455DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.453 7 preenchendo os requisitos, observar o cumprimento de algumas outras condições. Verificouse que os benefícios foram concedidos de forma indevida, portanto, com base nos artigos 155 e 179 do CTN os benefícios devem ser revogados e os tributos renunciados devem ser cobrados, sem imposição de penalidade, exceto quando constatado artifício doloso. Para se verificar o cumprimento das condições e requisitos no momento da concessão, há a previsão de realizarse a revisão aduaneira (artigo 570 do Decreto nº 4.543/2002). A empresa deixou de cumprir condições e de satisfazer requisitos necessários para a concessão da isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados relativos às Declarações de Importação registradas no período entre 01/01/2006 e 28/02/2009. Portanto, esses benefícios foram revogados e os impostos devem ser cobrados, acrescidos de juros moratórios (art.61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996), sem multa de ofício (art. 155, II, do CTN). Todavia, por não possuir caráter punitivo, é proposta a aplicação da multa moratório, prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. Com relação à redução das alíquotas de PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação a interessada não comprovou a regularidade em relação aos tributos federais, bem como em relação ao FGTS, nos períodos indicados no item cinco do termo de verificação fiscal. Para esses períodos deve ser realizada a cobrança das contribuições não recolhidas, acrescidas de juros e multa de mora. Para o cálculo das contribuições foram utilizadas as seguintes alíquotas de ICMS: 19% (18 +1) DI’s desembaraçadas no RJ exceto aquelas desembaraçadas no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim nas quais foi utilizada a alíquota de 14 % (13 +1). Para as demais DI’s foi utilizada a alíquota de 18%. Pelas razões expostas, foram lavrados autos de infração para exigência dos impostos e contribuições não recolhidos quando do registro das Declarações de Importação, acrescidos de multa de mora de 20% e juros de mora. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fl. 2328) a interessada apresentou a impugnação tempestiva (v. fl. 3588) de folhas 3189 a 3243, com documentos anexados. A impugnante alega, em síntese, que: Para o cumprimento das atividades constantes de seu objeto social, muitas vezes importa do exterior partes, peças, componentes e ferramentas utilizados na prestação do serviço de reparo, revisão e manutenção de motores aeronáuticos. Fl. 4456DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Essas importações são beneficiadas com a isenção de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados, nos termos da Lei nº 8.032/1990 e pela alíquota zero do PIS/Cofinsimportação, na forma da Lei nº 10.865/2004. Há erros de cálculo dos impostos e contribuições lançados. Com relação ao cálculo das contribuições, a fiscalização aplicou a alíquota de ICMS de 18%, todavia havia que considerar a redução da base de cálculo autorizada pelo Convênio ICMS 75, de 05/12/1991, vigente até 31/12/2012, que resulta na aplicação da alíquota de 4%. A fiscalização considerou as alíquotas de 16% para o imposto de importação incidente para as mercadorias classificadas nas NCM 4016.93.00 e 8483.10.90 e para o IPI aplicou alíquota de 8% para os bens classificados na NCM 4016.93.00 e de 12% para aqueles relativos à NCM 8483.10.90. Ocorre que essas alíquotas somente foram válidas até dezembro de 2006, pois a Resolução Camex nº 43/2006 e a TIPI, objeto do Decreto nº 6006/2006, ambas com efeitos a partir de 1/1/2007, estabeleceram alíquotas de II e IPI reduzidas a zero para as citadas NCM. Há, portanto, erro na apuração do II e do IPI a partir de 01/01/2007, que deve ser retificado, em função da utilização de alíquotas indevidas. Por essa razão, também a apuração de PIS/Cofinsimportação deve ser revista, tanto pelo uso de alíquotas indevidas do II e do IPI, quanto pelo percentual indevido do ICMS antes citado. É o que a jurisprudência tem a muito decidido. O inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865/2004 é inconstitucional, pois determina utilização de base de cálculo das contribuições diferente da autorizada pela Constituição Federal em seu artigo 149, § 2º, inciso III, alínea “a”, referente ao valo aduaneiro. Assim, deve ser reduzido o crédito tributário referente ao PIS/Cofinsimportação, excluindo da base de cálculo o valor do ICMS e das próprias contribuições, ajustando para o valor aduaneiro determinado pelo GATT. Sem prejuízo do já explicitado, há que se cancelar a totalidade da exigência fiscal, haja vista ter cumprido todos os requisitos necessários ao gozo dos benefícios fiscais pleiteados. A interpretação dada pela fiscalização à legislação de regência da isenção do II e do IPI é restritiva e equivocada, chegando a conclusão ilógica e absurda. A isenção do II sobre a importação de componentes aeronáuticos destinados à manutenção de aeronaves e de seus componentes está prevista no artigo 15, inciso IX, do Decretolei nº 37, de 18/11/1966. A Lei nº 8.032/1990 deixou de fora da revogação das isenções e reduções do II e do IPI, essa de que trata o artigo 15, IX, do DL 37/66, conforme o artigo 2º, inciso II, alínea “j”, da Lei nº 8.032/1990. Fl. 4457DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.454 9 E, além disso, estendeu a isenção ao imposto sobre produtos industrializados, conforme disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.032/1990. A “isenção do Imposto de Importação sobre bens destinados à manutenção de aeronaves e de seus componentes, concedida pelo DL 37/66, ainda está em pleno vigor, tanto que mantida pela norma contida no artigo 2º, inc. II, alínea “j”, da Lei n. 8032/90, e estendida ao IPI, nos termos do artigo 3º desta mesma lei. E a redação do artigo 15 do DL 37/66 é muito clara no sentido de que a isenção em foco não se limita apenas às partes e peças de reparo de aeronaves, aplicandose, também, àquelas destinadas ao conserto dos componentes dessas aeronaves, dentre os quais, indubitavelmente, estão inseridos os motores aeronáuticos. Portanto, a Impugnante, que importou peças, partes e componentes de reparo, revisão e manutenção de motores de aeronaves, faz jus à isenção em foco. (...) A falta de identidade entre o artigo 2 o , inc. II, " j " , da Lei n. 8032 e o artigo 15 do DL 37/66, ou melhor, a ausência de menção, pelo primeiro, aos "componentes" das aeronaves, não tem o condão de validar o argumento do fisco de que teria havido revogação parcial do benefício fiscal. Ora, a diferença entre um e outro dispositivo legal é fruto de uma questão de estilo ou preferência redacional do legislador, não alterando o conteúdo da norma isentiva.” Não houve revogação parcial da isenção prevista no artigo 15, inciso IX, do Decretolei nº 37/1966 pela Lei nº 8.032/1990. A isenção concedida com vistas ao reparo de aeronaves abrange também seus componentes, dentre os quais se incluem os motores aeronáuticos. A interpretação literal realizada pela fiscalização não está correta. Mesmo para normas tributárias a jurisprudência dos tribunais tem sido no sentido de que a interpretação literal não cabe, mesmo nas hipóteses do artigo 111 do CTN. Da mesma forma no âmbito do julgamento administrativo. “Realmente, apesar de a legislação inerente ao benefício fiscal fazer referência apenas a "aeronaves e embarcações", que se submetem a reparo mediante o uso de componentes cuja importação é isenta dos impostos em apreço, sem aludir, de maneira expressa, a "motores", "partes", "peças", "equipamentos" e "componentes" das aeronaves, todos estes bens, por serem partes integrantes das últimas, ficam, sim, favorecidos com a isenção. Fl. 4458DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Essa conclusão não fere o artigo 111, inc. II, do Código Tributário Nacional, na medida em que não se trata de interpretação ampliativa da norma, mas, sim, de análise de seu verdadeiro alcance, de sua finalidade, de tal forma que a lei tenha aplicação prática, não conduzindo a conclusões absurdas. (...) Nesses termos, beneficiandose o "todo", as partes e componentes a ele inerentes estarão, também, e consequentemente, beneficiadas, até porque, ao aludir às aeronaves, o legislador não imaginou uma "carcaça", mas, sim, um equipamento complexo, formado por uma série de peças e aparelhos, tais como os motores aeronáuticos. Ora, se o benefício fiscal fosse dado à fuselagem, ele seria vazio, sem conteúdo, o que, de certo, não foi a intenção do legislador.” A Superintendência Regional da Receita Federal na 7ª Região Fiscal proferiu a Solução de Consulta nº 226/2001 no sentido de que a isenção do imposto de importação alcança os itens importados com vistas ao reparo e à manutenção, não só de aeronaves, como também de suas partes e peças. O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto ao alcance da isenção em casos semelhantes, tendo determinado que o benefício concedido ao todo (principal) é extensivo às suas partes (acessórios). Da mesma forma que as partes, peças e componentes, as ferramentas também são isentas do imposto de importação e do IPI, pois são necessárias, indispensáveis à realização da atividade de revisão, manutenção ou reparo e aeronaves e de seus equipamentos. O Parecer CST/DTECEx, de 1989,e o MEMO/SEANA/001/94 confirmam que a impugnante possui direito à isenção do imposto de importação e do IPI. E ainda que os impostos fossem devidos, o fato de ter agido em conformidade a normas complementares das leis tributárias torna descabida a imposição de penalidade e cobrança de juros, nos termos do artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. “A isenção do Imposto de Importação e do IPI e a alíquota zero do PIS/COFINSImportação ora debatidos consistem em benefícios fiscais de natureza objetiva, e não "mista" ou subjetiva, como indevidamente afirmou a fiscalização, pelo que, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n. 7, de 7.7.1998, a apresentação da certidão de regularidade fiscal, nestes casos, é prescindível.” A Lei nº 8.032/1990 segregou as isenções de acordo com seu caráter, subjetivo ou objetivo. Assim foram definidas as isenções subjetivas (dependentes da qualidade do importador) no inciso I do artigo 2º e aquelas de caráter objetivo (dependentes do tipo de bem a ser importado) no inciso II do mesmo artigo 2º da lei. A isenção de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações foi prevista Fl. 4459DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.455 11 na alínea “j” do inciso II do artigo 2º da Lei nº 8.032/1990, caracterizando assim sua natureza objetiva. Da mesma forma em relação à redução de alíquotas do PIS/Cofinsimportação que foi definida no inciso VII do parágrafo 12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 especificamente aos bens ali arrolados e não direcionada a determinadas pessoas em função de suas qualidades pessoais. A interpretação realizada pela fiscalização está equivocada na medida em que admite que alteração de requisitos determinados em decretos (Decreto 4.543/2002 e Decreto nº 5.171/204, alterados pelo Decreto nº 5.268/2004) teriam alterado a natureza do benefício fiscal em foco, estabelecido em norma superior, lei. Essa interpretação estaria admitindo uma verdadeira ilegalidade, pois as alterações teriam sido realizadas sem amparo na lei. A redação do Regulamento Aduaneiro de 2002 foi novamente utilizada no Regulamento Aduaneiro de 2009, relativamente ao dispositivo que estabelece as condições para a isenção do imposto de importação e do IPI em trato, à exceção de pequeno período entre fevereiro e dezembro de 2009. “Assim, no que se refere ao Imposto de Importação e ao IPI, quando muito, podese dizer que, exceto durante o curto espaço de tempo durante o qual vigeu a redação original do artigo 174 Regulamento Aduaneiro de 2009, a importação dos componentes destinados ao conserto e à manutenção de motores de aeronaves era, como de fato é, isenta desses tributos, desde que observadas as seguintes condições”: (i) se a importação for realizada pelo proprietário ou possuidor respectivo: este deve fazer prova da propriedade ou posse do bem; ou (ii) se a importação por realizada por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves: esta deverá apresentar o contrato de prestação de serviços para o que foi contratada, bem como estar homologada perante a ANAC para a realização destas atividades.” As condições cominadas na legislação regulamentar para a fruição do benefício atinente ao PIS/Cofinsimportação são exatamente as mesmas estabelecidas para o gozo da isenção do Imposto de Importação e do IPI. “Realmente, as normas que conferem isenção e atribuição de alíquota zero, respectivamente, para Imposto de Importação e IPI e para PIS/COFINSImportação, contemplam os mesmos requisitos e condições. Esses requisitos e condições nada têm a ver com as características da pessoa do importador. Sua finalidade não é restringir o benefício fiscal a esta ou aquela categoria de importadores; tratase, na verdade, de exigência no sentido de Fl. 4460DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 que o importador faça prova da destinação, a tal ou qual aeronave, dos componentes de reparo e manutenção por ele importados.” “O fato de o importador ter de se submeter a determinadas condições para fruição da isenção e da alíquota zero, como, por exemplo, ser proprietário ou possuidor da aeronave a ser reparada, ou ainda, ser empresa homologada para a prestação de serviços de manutenção da aeronave a ser reparada, não transforma a natureza do benefício originalmente concedido, que continua sendo, até a presente data, objetiva.” “Assim, não há que se falar que a isenção e a alíquota zero passaram a ser subjetivas, ou até mesmo mistas, como sustentou a fiscalização.” “Entendimento em sentido contrário fatalmente conduziria à conclusão de que a legislação regulamentar extrapolou os limites das Leis n.s 8032/90 e 10865/04, sendo, pois, ilegal, considerando que ambas leis livram os bens importados da tributação pelo Imposto de Importação, pelo IPI e pelo PIS/COFINSImportação, independentemente de qualquer qualidade pessoal do importador.” “Em suma, a isenção e a alíquota zero em apreço possuem natureza objetiva, sendo certo que as normas regulamentares que as disciplinaram, ao criarem condições para sua fruição, não tiveram o condão de alterar tal natureza, a uma porque esta decorre da lei, e a duas porque, se uma alteração desse jaez ocorresse em nível regulamentar, ela não teria validade, por ofensa ao princípio da legalidade.” “À luz de todas essas considerações, demonstrado que os benefícios atinentes ao Imposto de Importação, ao IPI e ao PIS/COFINSImportação na importação de bens utilizados para o reparo e a manutenção de motores e equipamentos aeronáuticos são de natureza objetiva, resulta caracterizado que a comprovação da quitação dos tributos não representava, como de fato representa, requisito para o aproveitamento destes benefícios, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n. 7. Portanto, é inteiramente descabida a exigência da fiscalização no sentido de que a Impugnante fornecesse certidão de regularidade fundiária, previdenciária e quanto a tributos federais em geral, razão pela qual é imperioso o cancelamento do crédito tributário ora combatido.” As normas que estabelecem a exigência da comprovação de situação regular perante o Fisco Federal e perante o FGTS (Lei nº 9069/1995, Lei nº 8212/1991 e Lei nº 8036/1990) são anteriores à instituição do PIS/Cofinsimportação e os benefícios fiscais (Lei nº 10865/2004). As condições, que representam um gravame, não podem ser exigidas com base em lei anterior à instituição do incentivo fiscal, pois as normas posteriores não prevêem restrição em semelhante sentido. O ônus de provar a situação fiscal irregular da impugnante é do Fisco. As Declarações de Importação foram quase que em sua totalidade desembaraçadas pelo canal verde de conferência Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.456 13 aduaneira que, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 680/2006 leva em consideração a regularidade fiscal da interessada. Assim, o fato de as declarações terem sido desembaraçadas ratifica o fato de a impugnante estar em condição fiscal regular. “Não poderiam os agentes fiscais, a essa altura, e com base em meras ilações, sem qualquer prova, sequer indícios, reputar que a Impugnante não estaria em situação regular quando das importações em apreço.(...)o Fisco não poderia alegar, sem provas, que a impugnante estaria em situação irregular, na medida em que o ônus de tal prova é do Fisco. Isto porque, se a Impugnante desembaraçou quase a totalidade de suas mercadorias vindas do exterior pelo canal verde, no pressuposto, portanto, de que estava em situação regular, na forma do artigo 21, inc. I, da Instrução Normativa SRF n. 680, caberia ao Fisco produzir prova em contrário, o sentido de que tal regularidade não existia à época.” “Demais disso, se os próprios agentes fiscais é que controlam, ainda que em parte, os débitos existentes em nome do contribuinte, emitindo, se for o caso, a prova da regularidade fiscal, cabe a eles, em processo de fiscalização, buscar em seus cadastros a documentação que ateste que, à época, o contribuinte estava irregular. Isso, não só porque essa documentação (e as correspondentes informações) é de titularidade desses agentes fiscais, como também porque ela não mais é fornecida aos contribuintes, mesmo quando requerida. Ou seja, exigir a apresentação de determinados documentos ou informações pelo contribuinte, quando em posse da Administração Tributária, além de absurdo, é prova de realização impossível.” “Deveras, o próprio "Termo de Verificação" juntado ao auto de infração revela, à fl. 26, que, em alguns casos, a alegada falta das certidões acima mencionadas durou 1 único dia, ou 2 dias, ou 13 dias, tempo mínimo para que, na prática, as empresas consigam a liberação das certidões, qualquer que seja ela. Sendo assim, o período apontado, durante o qual, no entender da fiscalização, a Impugnante não estaria regular, é perfeitamente razoável, em qualquer empresa de médio ou grande porte que tenta obter certidões, ainda mais num período em que os documentos emitidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria da Fazenda Nacional não eram expedidos em menos de 30 dias! Portanto, é sem razão, além faltar com razoabilidade, o argumento da fiscalização de que a Impugnante na estaria quite com suas obrigações fiscais. No tocante à regularidade perante o FGTS, a fiscalização argumentou que a validade dos respectivos certificados apresentados pela Impugnante "está condicionada à verificação Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 de autenticidade no site da Caixa, sendo que tal conferência não foi possível, em razão do site não mais disponibilizar informações para estes períodos. Pelo exposto, não foram aceitos os certificados acima mencionados" (fl. 24 do "Termo de Verificação"). Ora, não podem os agentes fiscais desconsiderar documentos do contribuinte sem qualquer justificativa válida para tanto. Em outros dizeres, não podem estes agentes, baseados em meras ilações, desprezar conjunto probatório que o contribuinte logrou produzir.” A verdade material deve prevalecer, conforme diversos julgados do Conselho de Contribuintes que se transcrevem. Foi ainda apresentado ofício emitido pela Caixa Econômica Federal por meio do qual a empresa pública estatuiu a regularidade fundiária da impugnante para o período em debate, todavia referido documento foi desconsiderado pela fiscalização. A acusação da fiscalização de que não havia regularidade perante o FGTS porque havia pagamentos em atraso é descabida, pois regularidade não é necessariamente sinônimo de pontualidade. O pagamento fora do prazo, mas durante o trâmite processual é suficiente para que o contribuinte seja considerado regular perante o Fisco, de acordo com decisões administrativas já proferidas. “Diante de todo o exposto, é imperioso o cancelamento integral da exigência fiscal ora combatida, a uma porque, sendo os benefícios fiscais em foco de natureza objetiva, faziase inexigível, para sua fruição, a apresentação de prova de regularidade fiscal da Impugnante, na forma determinada pelo Ato Declaratório Cosit n. 7/98, e a duas porque é do Fisco o ônus da prova de que a Impugnante não estaria regular à época dos fatos, ônus do qual o Fisco não se desincumbiu.” Há erro de enquadramento legal da penalidade no percentual de 20%, pois a fiscalização aludiu aos artigos 179 e 155 do Código Tributário Nacional. Ocorre que o artigo 179 do CTN se refere às isenções de caráter individual, assim entendidas aquelas cuja fruição depende da análise, caso a caso, pela autoridade administrativa, de requerimento do interessado, fazendo prova do cumprimento dos requisitos e condições para o gozo do benefício fiscal. Não é o caso da isenção do IPI e do imposto de importação e das alíquotas zero das contribuições, que são declaradas pelo importador na própria declaração de importação, deixando de ser recolhidas independentemente de qualquer autorização, licença ou processo formal de reconhecimento desses benefícios fiscais. Portanto, não podem ser aplicados os dispositivos legais utilizados pela fiscalização para fins de enquadramento da multa, além de, ademais, o benefício fiscal do PIS/Cofins sequer ser uma isenção, esta sim disciplinada pelo artigo 179 do CTN. Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.457 15 Houve, assim, inobservância ao disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, fato que torna nula a autuação fiscal conforme decisões administrativas. E ainda que fossem aplicáveis ao caso os dispositivos legais invocados pela fiscalização, o artigo 155, inciso II do Código Tributário Nacional impede a aplicação de qualquer multa para o caso em tela. Não há que se falar que a multa moratória, por não ser punitiva, poderia ser aplicada ao caso, diferentemente da multa de ofício. A multa moratória tem sim caráter punitivo, como a jurisprudência, administrativa e judicial, ha muito já firmou. Requer a reforma do auto de infração ou a declaração de sua improcedência. A instância a quo julgou procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa do Acórdão nº 0728.632, de 02/05/2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2009 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA NORMA. A norma que estabelece isenção de imposto de importação deve ser interpretada literalmente. “Ferramentas” não se incluem no conceito de partes, peças ou componentes, mesmo que utilizadas em serviços de reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, no âmbito da isenção de imposto de importação prevista na alínea “j” do inciso II do art. 2º da Lei nº 8.032 de 12/04/1990. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (IN RFB nº 734/2007) INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como a parcela do crédito tributário que foi exonerada pela decisão da instância a quo excedeu ao patamar previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008 (o crédito tributário era originalmente R$ 545.195.689,79 e foi reduzido a R$ 643.030,65), o Presidente de 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inconformada pelo fato de sua impugnação ter sido julgada apenas parcialmente procedente, sendo mantido pela instância a quo o crédito tributário no tocante ao Imposto de Importação – II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, bem como as respectivas multas e juros moratórios, a GE Celma Ltda. (“GE Celma”) interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos da sua impugnação atinentes a essas exações. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Ambos os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. 1 RECURSO DE OFÍCIO Conforme já relatado, o recurso de ofício versa sobre a exoneração de parte dos créditos tributários relativos ao II e ao IPI, da totalidade do crédito tributário relativo a PIS/CofinsImportação, além das multas e juros de mora proporcionais. 1.1 NECESSIDADE DE APRESENÇÃO DE CND E CRFFGTS VOTO VENCIDO PARCIAL DANIEL MARIZ GUDIÑO Tal exoneração decorreu do fato de que, na visão da instância a quo, a autoridade preparadora não poderia ter exigido Certidão Negativa de Débito ou Certidão de Regularidade Fiscal do FGTS, no curso do procedimento de revisão aduaneira, por não ser um requisito específico para a concessão dos benefícios pleiteados pela GE Celma. É o que se depreende do seguinte trecho da decisão recorrida: ... não consta das normas que regulamentam os benefícios em tela a exigência de apresentação de Certidão Negativa de Tributos Federais (CND) ou de Certidão de Regularidade do FGTS, sendo, como se verá, a exigência de CND normativamente vedada. Fl. 4465DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.458 17 A decisão recorrida está fundamentada na legislação vigente à época e há precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que corroboram o entendimento da instância a quo, a saber: REGIMES ESPECIAIS. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. AERONAVES. Os regimes aduaneiros especiais se justificam como exceções ao regime normal de tributação, destoando considerálos como benefícios fiscais sujeitos a apresentação de certidão negativa para sua concessão. Aplicação do Ato Declaratório Cosit 22/1997. (Acórdão nº 3401002.185, Rel. Cons. Ângela Sartori, Sessão de 28/02/2013) ......................................................................................................... CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (Acórdão nº 3102001.672, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, Sessão de 27/11/2012) Por oportuno que é, vale mencionar que o posicionamento em tela também está amparado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – COSIT, a saber: Processo de Consulta nº 10/03 Órgão: CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Importação II Ementa: ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. O reconhecimento de isenção para partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves eembarcações não está condicionado à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais administrados pela SRF, nos termos da legislação vigente, posto tratarse de benefício fiscal de natureza objetiva, estando vinculado tão somente à destinação dos bens, contemplado, portanto, pelo Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 7, de 1998. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.032, de 1990, art. 2º, inciso II, alínea "j"; Lei nº 8.402, de 1992, art. 1o, inciso IV; Lei nº 9.069, de 1995, art. 60; art. 137, 145, 149, 156 e 158 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985; arts. 120 e 172 do Decreto nº 4.543, de 2002, Regulamento Aduaneiro; Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 7, de 1998. Fl. 4466DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 REGINA MARIA FERNANDES BARROSO CoordenadoraGeral (Data da Decisão: 04.06.2003) Porquanto a decisão recorrida observou fielmente a legislação vigente à época, não há motivos para reformála nesse particular. VOTO VENCEDOR CONSELHEIRA MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Peço vênia para discordar do i. conselheiro na parte sobre a necessidade de apresentação de CND e CRFFGTS em que este entende que a exoneração decorreu do fato de que, na visão da instância a quo, a autoridade preparadora não poderia ter exigido Certidão Negativa de Débito ou Certidão de Regularidade Fiscal do FGTS, no curso do procedimento de revisão aduaneira, por não ser um requisito específico para a concessão dos benefícios pleiteados pela GE Celma LTDA. Inicialmente, o art. 179 do Código Tributário Nacional, bem como o art. 195, § 3º, da Constituição Federal, que assim estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Art. 195. [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios” Para se valer de qualquer incentivo concedido pelo Poder Público, necessário se faz a regularidade fiscal. Exigências trazidas na legislação infraconstitucional, a seguir transcritas: O art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 (base da CND), dispõe: Art. 60 – A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifei) Assim sendo, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Além do mais, de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.212/91 é ônus da empresa para usufruir o benefício fiscal apresentar CND. Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Fl. 4467DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.459 19 I da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele; E, mais, a Solução de Consulta SRF (COSIT) nº 10, de 04 de junho de 2003, a qual baseiase no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n. 07, de 1998, dispõe sobre a dispensa de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais quando do despacho aduaneiro de mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero, se o benefício ou incentivo fiscal envolvido não tiver sido concedido subjetivamente ao importador, conforme: (ou seja, de caráter geral) “O Coordenador do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, DECLARA: Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador.” (grifei) Portanto, o Ato Declaratório acima dispensa apresentação de CNDs por ocasião do despacho aduaneiro apenas para benefícios ou incentivos fiscais concedidos em caráter objetivo, e mesmo assim para mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero. Estão excluídos da dispensa casos como o do litígio, que veremos tratarse de benefício de caráter OBJETIVO / SUBJETIVO OU MISTO. As isenções do IIImposto de Importação e IPIImposto sobre Produtos Industrializados, para o caso, estavam assim previstas, in verbis: Lei nº 8.032/1990 Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: (...) II aos casos de: (...) j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações; (...) Parágrafo único. As isenções e reduções referidas neste artigo serão concedidas com observância do disposto na legislação respectiva. Fl. 4468DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 Art. 3º Fica assegurada a isenção ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme o caso: I nas hipóteses previstas no art. 2º desta lei, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao Imposto de Importação; (...) (grifei) Lei nº 8.402/1992 Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: (...) IV isenção e redução do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, a que se refere o art. 2°, incisos I e II, alíneas a a f, h e j, e o art. 3° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990; (grifei) Citando a legislação, à época dos fatos, através do Regulamento do II e do IPI, Decreto nº 4.543/2002 e o Decreto nº 4.544/2002 assim dispuseram, in verbis: Decreto nº 4.543/2002 Art. 135. São concedidas isenções ou reduções do imposto de importação: (...) II aos casos de: (...) i) partes, peças e componentes, destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e de embarcações; (...) Parágrafo único. As isenções ou reduções de que trata o caput serão concedidas com observância dos termos, limites e condições estabelecidos na Seção VI. Por sua vez: Seção VI Dos Termos, Limites e Condições (...) Subseção XIII Das Partes, Peças e Componentes Destinados a Reparo, Revisão e Manutenção de Aeronaves e de Embarcações Art. 172. A isenção do imposto, na importação de partes, peças e componentes, será reconhecida somente aos bens destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações. (Redação dada pelo Decreto nº 5.268, de 2004) Fl. 4469DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.460 21 § 1º Para cumprimento do disposto no caput, o importador deverá fazer prova da posse ou propriedade da aeronave ou embarcação. (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) § 2º Na hipótese do § 1º, caso a importação seja promovida por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, esta deverá: (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) I apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave; e (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) II estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa. (Incluído pelo Decreto nº 5.268, de 2004) (grifei) O Decreto nº 4.544/2002 prescreve: Art. 51. São isentos do imposto: (...) XXI os demais produtos de procedência estrangeira, nas hipóteses previstas pelo art. 2º da Lei nº 8.032, de 1990, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao de Imposto de Importação; (...)(grifei) Percebese, claramente que o Decreto nº 5.268/2004 alterou a tipificação da isenção, que passou a ter caráter misto, ou seja, vinculada tanto à destinação dos bens, quanto à qualidade do importador, pois passou a direcionar a isenção aos proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda, a oficinas homologadas. Caracterizando a isenção mista e sujeita à apresentação do CND. Por fim, o art. 27 da Lei de n° 8.36/90, dispõe: Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: a) .......... b) .......... c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS; Pois bem, como é ressaltado no próprio relatório da decisão a quo: Alguns dos certificados de regularidade perante o FGTS apresentados pela interessada tinham validade Fl. 4470DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 condicionada à verificação de autenticidade no site da Caixa. Pois bem, para esses períodos, fica a exigência em aberto, dessa regularidade fiscal. Em sendo assim, dáse provimento parcial ao recurso de ofício pela necessidade da comprovação da regularidade fiscal (para o II e IPI). 1.2 ABRANGÊNCIA DE MOTORES NAS NORMAS QUE PREVÊEM ISENÇÕES E ALÍQUOTAS ZERO Outro fundamento para a exoneração do crédito tributário foi a concordância da instância a quo com a tese da GE Celma no sentido de que o reparo, a revisão e a manutenção de motores aeronáuticos estariam abrangidos pela isenção das aeronaves. Confira se: Nesse escopo, entender que a isenção concedida a partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves não inclui partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de motores de aeronaves seria admitir que a norma em apreço não seria plenamente aplicável. Basta considerar que o reparo, revisão e manutenção de aeronaves pressupõe o reparo, revisão e manutenção de seus componentes, dentre eles, seus motores. Assim, para a consecução dos serviços previstos na norma, imprescindível é a utilização de partes, peças ou componentes dos componentes de aeronaves. Exemplificando: o reparo, revisão e manutenção de aeronave inclui, por evidente, o reparo, revisão e manutenção de seus motores. A consecução desses serviços implica, no mais das vezes, a utilização de partes, peças ou componentes de motores de aeronaves. Entender de forma tão restritiva como fez a fiscalização levaria à conclusão de que, in casu, somente seriam isentas as importações de motores completos de aeronaves. Prevalecendo essa interpretação restaria inócua a previsão legal de isenção de bens destinados à revisão ou manutenção de aeronaves, pois o único serviço possível seria a substituição do motor completo da aeronave e não sua revisão, reparo ou manutenção. Portanto, da análise da legislação vigente somente se pode concluir que a isenção em tela abrange as partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de motores de aeronaves como os das importações em apreço. Com efeito, revelase exagerada a interpretação que a autoridade preparadora pretendeu dar aos dispositivos legais que versam sobre a isenção de II e IPI e a alíquota zero do PIS/CofinsImportação. Também nesse particular, portanto, não merece reforma a decisão recorrida. Fl. 4471DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.461 23 1.3 ABRANGÊNCIA DE FERRAMENTAS NA NORMA QUE PREVÊ ALÍQUOTAS ZERO Finalmente, no tocante ao PIS/CofinsImportação, a instância a quo decidiu que os lançamentos são improcedentes, uma vez que o art. 8º, § 1º, VII, da Lei nº 10.865, de 2004, com redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004, referese expressamente a ferramentais. Despiciendo qualquer comentário adicional sobre essa questão. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO Por óbvio, o recurso voluntário diz respeito ao valor remanescente do crédito tributário original, ou seja, parte do II e do IPI, bem como a multa e os juros de mora correspondentes. 2.1 INTERPRETAÇÃO DE NORMAS QUE OUTORGAM ISENÇÃO A manutenção parcial do lançamento foi justificada pela instância a quo pelo fato de a GE Celma também ter pleiteado os benefícios em tela para a importação de ferramentas, quando, na verdade, as respectivas leis isencionais dispuseram apenas sobre partes, peças e componentes. O Código Tributário Nacional é muito claro ao dispor que a legislação tributária deve ser interpretada literalmente quando dispõe sobre outorga de isenções. É o que se depreende do art. 111, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Há vários precedentes do CARF confirmando a aplicação do referido dispositivo, a saber: SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IPI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS EXPRESSOS. INTERPRETAÇÃO LITERAL DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O artigo 111 do CTN determina interpretação literal da lei em casos de suspensão ou exclusão do crédito tributário. Não cumpridos os requisitos do artigo 39 da lei 9.532/07, não há que se falar em suspensão do pagamento do IPI. (Acórdão nº 3801001.625, Rel. Cons. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Sessão de 28/11/2012) ......................................................................................................... EX TARIFÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Tratandose de hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode Fl. 4472DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 ser beneficiada com “ex” tarifário a mercadoria que corresponder exatamente àquela descrita no ato que concede o benefício. Aplicação do art. 111, II, do CTN. Jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. EXTARIFÁRIO 445 DO CÓDIGO NCM 8479.89.99. Comprovado nos autos que a máquina de cravação automática, Marca Komax, Modelo Gamma 255, não executa a função de aplicação de selos vedantes, não cabe o beneficio previsto no ExTarifário 445 do código NCM 8479.89.99. (Acórdão nº 3202000.435, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 28/02/2012) ......................................................................................................... NORMAS PROCESSUAIS. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Consoante art. 111 do CTN a legislação que confira exclusão do crédito tributário tem de ser interpretada literalmente. PIS. ISENÇÃO. FRETE REALIZADO DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL. DESCABIMENTO. A teor do disposto no art. 11 da Lei 9.432, é isenta da contribuição ao PIS a receita de fretes desde que o transporte seja realizado entre o Brasil e ponto sediado no exterior. A contrário senso, se o transporte é realizado inteiramente dentro do território nacional não há falar em isenção sendo a receita correspondente inteiramente tributada. (Acórdão nº 340200.542, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 29/04/2010) Seguindo a determinação do Código Tributário Nacional, indiscutivelmente aplicável à Administração Tributária, conforme visto nos precedentes acima, é preciso diferenciar a situação dos motores e das ferramentas. Enquanto os motores são componentes de aeronaves na medida em que as integram, não há como enquadrar as ferramentas no conceito de partes, peças e componentes. As ferramentas são dissociadas das aeronaves ao passo que as partes, peças e componentes as integram. Quando o legislador quis incluir as ferramentas no escopo dos benefícios aplicáveis às aeronaves, isso foi feito de modo expresso. É o caso da redução de alíquota do PISImportação e da CofinsImportação. Nesse caso, o legislador foi textual ao incluir o termo “ferramentais” no inciso VII do § 12 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 2004. É importante ressaltar que muitas vezes as autoridades fiscais cometem excessos ao interpretar a norma tributária de maneira restritiva, sob a alegação de que estariam amparados pelo art. 111 do Código Tributário Nacional. Normalmente isso ocorre quando o legislador não adjetiva o substantivo que goza da isenção, deixando a norma isencional mais ampla. No caso concreto, todavia, a questão é outra: o legislador especificou exatamente o que deveria ser alcançado pela isenção do II e do IPI, deixando de fora as ferramentas utilizadas no reparo e na manutenção de aeronaves. Por essa razão, a aplicação do art. 111 do Código Tributário Nacional é oportuna. É de se considerar, portanto, que o art. 15, inciso IX, do DecretoLei nº 37, de 1966, foi sim restringido pelo art. 2º, inciso II, alínea “j”, da Lei nº 8.032, de 1990. Fl. 4473DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.462 25 2.2 A CONFIANÇA LEGÍTIMA E A BOA FÉ OBJETIVA Sobre o Parecer CST/DTCEX n. 523, de 1989, e o MEMO/SEANA/001/94 (na verdade, o documento em questão é o Memorando SRF/COSIT/DICEX nº 060, de 21/10/1994 – fl. 2.352), a GE Celma alega que os mesmos ainda produziriam efeitos normativos. Em suma, os referidos atos administrativos indicam que a isenção do II e do IPI tratada originalmente no art. 15, inciso IX, do DecretoLei nº 37, de 1966, continuou a abranger ferramentas mesmo após a edição da Lei nº 8.032, de 1990. Com efeito, o lançamento impugnador teria ferido os princípios da confiança legítima e a boa fé objetiva do contribuinte, os quais estariam positivados no art. 48, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Tal afirmação, conforme já decidido pela instância a quo, é falaciosa. Isso porque o Parecer CST/DTCEX n. 523, de 1989, versa sobre dispositivo legal revogado expressamente pelo art. 1º da Lei nº 8.032, de 1990. Além disso, o MEMO/SEANA/001/94 não se reveste das características da consulta administrativa de que trata o art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996. No que diz respeito ao primeiro argumento, há vários precedentes do CARF que demonstram que a consulta perde a eficácia quando é revogada a norma sobre a qual versa. A título ilustrativo, transcrevese as ementas abaixo: EFEITOS DA CONSULTA. MUDANÇA DO REGIME JURÍDICO. A consulta formulada à administração tributária somente surte efeitos enquanto inalterado o regime jurídico a que se referiu. Alterada a legislação tributária, deve o consulente interpretar o novo comando legal e aplicálo adequadamente ao seu caso. (Acórdão nº 2301003.374, Rel. Cons. Mauro José Silva, Sessão de 12/03/2013) ......................................................................................................... CONSULTA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. DISPOSITIVOS REVOGADOS. EFEITOS. CESSAÇÃO. A consulta produz efeitos sobre a aplicação de dispositivos determinados da legislação tributária aos fatos descritos pelo consulente (inteligência do art. 46, caput, do Decreto nº 70.235/1972), os quais cessam após a revogação dos normativos que embasaram a decisão da autoridade administrativa. A questão dos autos, tal como posta na consulta, perdeu seu objeto com a revogação expressa dos Decretosleis nº 902/1969 e nº 1.382/1974 pela Lei nº 8.023/1990, a qual instituiu novas condições para o gozo do benefício fiscal concedido à atividade rural. (Acórdão nº 9101001.234, Rel. Cons. Claudemir Rodrigues Malaquias, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A solução de consulta, certa ou errada, vincula a Administração em relação consulente. Entretanto, se a legislação que amparou a solução de consulta é supervenientemente alterada ou revogada, a orientação Fl. 4474DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 administrativa perde sua eficácia, mormente quando são estabelecidas novas definições pela legislação de regência. (Acórdão nº 1202000.438, Rel. Cons. Nereida de Miranda Finamore Horta, Sessão de 13/12/2010) Já no que se refere ao segundo argumento, convém lembrar que a origem do instituto da consulta formal em matéria tributária é o Decreto nº 70.235, de 1972, especialmente os arts. 46 e ss. Tratase de legislação que já existia ao tempo em que o chamado MEMO/SEANA/001/94 foi expedido. Contudo, esse documento foi expedido pelo Chefe da Divisão de Tributos sobre o Comércio Exterior em resposta ao Chefe do Serviço de Controle Aduaneiro – SEANA/DRJ Nova IguaçuRJ, e não em resposta a uma consulta formulada pela GE Celma, nos termos da legislação aplicável à época. Tratase de documento interno da Receita Federal, não tendo o condão de se revestir dos efeitos normativos da consulta formal de que tratava os arts. 46 e ss. do Decreto nº 70.235, de 1972, à época dos fatos. Não prospera, portanto, a alegação de que o lançamento violaria o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430, de 1996. 2.3 MULTA E JUROS No tocante à cobrança multa e juros, a GE Celma alega que o cumprimento de normas complementares a exime da sua imposição por força do art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Entretanto, como visto no tópico precedente, a GE Celma não atuou com respaldo em norma complementar válida e eficaz, razão pela qual o referido dispositivo não se aplica ao caso concreto. Da mesma forma, a GE Celma alega que a decisão recorrida teria ignorado o art. 155, II, do Código Tributário Nacional, segundo o qual, não havendo dolo ou simulação do contribuinte, o crédito tributário deve ser cobrado sem a imposição de penalidade, incluindose aí a multa moratória, sempre que se apure que o beneficiado de moratória deixou de satisfazer as condições para a concessão do favor. Com a devida vênia, esse dispositivo legal também não se aplica ao caso concreto, pois a GE Celma nunca fez jus à isenção de II e IPI para a importação de ferramentas realizadas no período abrangido pelo lançamento. A lei aplicável à época dessas importações não faz menção a ferramentas, logo, não se trata de satisfazer ou deixar de satisfazer condições para a concessão do benefício fiscal. É assim que a multa de ofício e os juros moratórios são cobrados, de forma legítima, no lançamento guerreado e mantido parcialmente pela decisão recorrida. 3 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, DÁSE PROVIMENTO parcial ao recurso de ofício (necessidade de comprovação da regularidade fiscal para o II e IPI) e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a exoneração parcial do crédito tributário. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 4475DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10074.001831/201079 Acórdão n.º 3201001.458 S3C2T1 Fl. 4.463 27 Fl. 4476DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/05/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 06/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10865.904937/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.354
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 37 /2 01 2- 81 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.265. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904937/201281 Acórdão n.º 3201002.354 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13003.000294/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. O feito foi assim relatado por essa mesma Turma quando do julgamento do Recurso de Ofício: Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração de nº 0004621, folhas 27 e 28, para exigência de imposto, juros de mora e multa de lançamento de oficio, pela falta de recolhimento de débitos confessados, por infrações apuradas a partir de procedimentos de verificação dos dados da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 4º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 03 .0 00 29 4/ 20 03 -4 2 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 666 2 trimestre(s) de 1998, totalizando R$ 6.442.944,22, com base nos seguintes dispositivos legais: Do principal: art 1º (com alteração introduzida pelo art. 1º do DecretoLei nº 34, de 1966); 2º, inc. II; 5º (com a alteração introduzida pelo art. 1º do decretoLei nº 1.133; de 1970); 34; 35 (com a alteração introduzida pelo art. 31 da Lei nº 9.430, de 1996) e 36 a 39 da Lei nº 4.502, de 1964; art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979; art. 8º, § 1º; art. 4º, alínea "a", da Lei nº 7.798, de 1989; arts. 1º e 2º da Lei nº 8.850, de 1994; art. 1º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 4º do DecretoLei nº 1.199, de 1971, combinado com o Decreto n2 2.092, de 1996, com a alteração do art. 1º do Decreto nº 2.386, de 1997; arts. 1º e 3º do Decreto nº 2.501, de 1998; art. 56 e parágrafo único, do Decreto nº 2.637, de 1998; arts. 3º da Lei nº 9.493, de 1997; arts. 38 e 39, §§ 3º e 4º; art. 40 e parágrafo único, e; 43 da Lei nº 9.532, de 1997; Dos juros: art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN; art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996; Dos acréscimos legais: arts. 160 do CTN; 1º da Lei nº 9.249, de1995; arts. 43 e 61 e §§ 1 2 e 22, da Lei nº 9.430, de 1996. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), o contribuinte não teria recolhido o(s) débito(s) de IPI nº 8793945, 8793944, 8793949. Intimado da exigência em 17/07/2003 (cópia do AR na folha 81), o interessado apresentou a impugnação da(s) folha(s) 1 a 7, subscrita por representante legal devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas fo1ha 08 a 24), instruída com o(s) documento(s) da(s) folha(s) 35 a 80. Em síntese, argúi que: a) esclarece que se trata de tradicional grupo industrial nacional, detentor de ilibada reputação no mercado, cumpridor de todas as suas obrigações legais e contratuais, notadamente aquelas decorrentes das imposições fiscais tributárias e que, em realidade, a autuação ocorreu apenas por lamentável equivoco por parte da Fiscalização; b) conforme relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF, anexado a presente autuação, foram apurados os seguintes débitos: c) ao analisar a sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais do 4º Trimestre de 1998 (doc. 05), fls. 17, 18 e 21 , constatou: i. que o débito no valor de R$ 952.444,70 foi devidamente recolhido através de guia DARF, conforme comprovante anexo (doc. 06, fl. 72); Fl. 666DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 667 3 ii. que os débitos no valor de R$ 958.941,58 e R$ 587.257,70 foram compensados com créditos oriundos do processo administrativo nº 13884.003820/9884; d) a autuação não pode prosperar com relação ao débito indicado no item "i", uma vez que o valor foi devidamente recolhido pela Impugnante, dentro do prazo legal; e) a autuação referente aos débitos descriminados no item "ii" ocorreu em razão de a Impugnante ter efetuado compensação administrativa de débito, nos moldes da Instrução Normativa nº 21/97, com crédito próprio conforme processo administrativo retro citado; f) com relação ao processo nº 13884.003820/9884, o impugnante possuía, em 15/12/1998, saldo credor a compensar em conformidade com a IN nº 21/97, com as alterações introduzidas pela IN nº 73/97, art. 22, inc. I, combinado com o art. 12 e parágrafos, pleiteando a compensação de crédito próprio de Imposto de Renda Pessoa Jurídica conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano base 1997, exercício 1998, no valor de R$ 7.457.920,99 (sete milhões, quatrocentos e cinqüenta e sete mil, novecentos e vinte reais e noventa e nove centavos) com débitos de IPI e de PIS de outros estabelecimentos filiais (doc. 07, fl. 73); g) utilizou crédito próprio para efetuar a compensação do processo nº 13884.003820/9884 e informou a origem do crédito, sem que tenha havido, até a data da apresentação da impugnação, qualquer questionamento por parte do Fisco com relação ao valor do crédito e as condições do mesmo; Ante a demonstração da ilegalidade da autuação fiscal e da respectiva exigência, a Impugnante pleiteia a acolhida de sua Impugnação, para o efeito de anular o Auto de Infração nº 004621, datado de 13/06/2003, julgandoo totalmente improcedente e, por via de conseqüência, requer o cancelamento da exigência fiscal contida. A decisão recorrida, consubstanciada no acórdão já mencionado (efls. 473/477), restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A falta de confirmação dos pagamentos informados em DCTF justifica o lançamento de oficio para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. Cancelase o lançamento de oficio para formular a exigência de imposto não pago, na proporção dos valores cujo recolhimento foi comprovado na impugnação. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora. Lançamento Procedente em Parte O recurso de ofício foi interposto em respeito ao art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, tendo em vista que a decisão de 1ª instância exonerou parte do crédito tributário em montante superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 668 4 Em sede de Recurso Voluntário (fls. 264 e seguintes), a Embargante aduziu que os débitos residuais mantidos pela DRJ foram extintos por compensação, requerendo a extinção integral do crédito tributário. Em primeira oportunidade, essa Turma Julgadora acolheu os Embargos de Declaração com vistas a sanar a omissão incorrida relativamente ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Quanto ao mérito do Recurso, os autos foram baixados em diligência para que a Autoridade Preparadora prestasse alguns esclarecimentos de fato acerca da matéria. Após o resultado da diligência, o Contribuinte apresentou suas considerações e os autos retornaram para julgamento. Conforme assinalado em sede de Julgamento dos Embargos de Declaração, o Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme exposto quando da resolução determinada por esta Turma julgadora, depreendese das manifestações fiscais a seguinte situação: O Auto de Infração em julgamento tem por objeto a cobrança de 3 (três) débitos de IPI, declarados pelo contribuinte (fl. 62), quais sejam: PA Valor lançado Situação 2111/1998 R$952.444,70 Pagamento não localizado 0112/1998 R$958.941,58 Crédito não reconhecido. 2112/1998 R$587.257,70 Crédito não reconhecido. De acordo com o contribuinte, os débitos nos valores de R$958.941,58 e R$587.257,70 foram extintos por objeto de compensação declarada nos autos do Processo 13884.003820/9884 (fl. 58) A DRJ, após analisar impugnação e documentos apresentados pela Embargante, concluiu pela extinção do primeiro débito no valor de R$952.444,70 e pela manutenção dos demais (Fls. 180): PA Valor lançado Situação 2111/1998 R$952.444,70 Débito extinto. DARF localizado (fl. 72) 0112/1998 R$958.941,58 Débito mantido. 2112/1998 R$587.257,70 Débito mantido. A manutenção dos demais débitos (débitos que se encontram sob análise neste julgamento) devese ao fato de que DRJ não acatou a alegação do contribuinte no sentido de que os débitos nos valores de R$958.941,58 e R$587.257,70 teriam sido extintos com o crédito reconhecido no processo 13884.003820/9884. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 669 5 De acordo com a DRJ, o crédito do processo 13884.003820/9884 teria sido utilizado apenas para a compensação de dois outros débitos não coincidentes com aqueles objeto do presente processo 13003.000294/200342 (fl. 180). Essa constatação decorreria do extrato do próprio processo 13884.003820/9884 apresentado à fl. 83, emitido em 06/10/2006 (correspondente à fl. 166 eprocesso): Diante disso, a Embargante, em seu Recurso Voluntário, alega, essencialmente, que a conclusão apresentada pelo DRJ foi equivocada, pelas seguintes razões: Por meio do Processo 13884.003820/9884 a Embargante pleiteou o reconhecimento de crédito no valor total de R$7.457.929,99 (Pedido de Restituição). Em face desse processo de reconhecimento de crédito, foram apresentados diversos pedidos de compensação. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 670 6 Considerando que o Processo 13884.003820/9884 foi apresentado no CNPJ do estabelecimento matriz da Embargante (CNPJ 19.900.000/000176), e houve a apresentação de Pedidos de Compensação vinculados tanto ao CNPJ matriz, como a CNPJs de seus estabelecimentos filiais, a RFB houve por bem desmembrar o processo original em diversos outros. Desse modo, nos autos do Processo 13884.003820/9884, além do crédito, passaram a ser controladas exclusivamente as compensações relativas ao CNPJ da Matriz (CNPJ 19.900.000/000176), que são exatamente aquelas compensações que a DRJ afirmou serem as únicas vinculadas ao referido processo (extrato de fl. 166, acima). Diversos outros Processos foram criados para o controle de débitos apurados por estabelecimentos filiais, todos estes vinculados ao crédito pleiteado no Processo 13884.003820/9884. O presente processo 13003.000294/200342, portanto, controla apenas os Pedidos de Compensação vinculados a estabelecimento filial da Embargante (CNPJ 19.900.000/000508, conforme Auto de Infração de fl. 54), sendo que o crédito utilizado é aquele controlado pelo Processo 13884.003820/9884. A DRJ, ao indeferir a compensação controlada no presente processo 13003.000294/200342, afirmando inexistir crédito vinculado, utilizouse de extrato relativo ao Processo 13884.003820/9884 emitido em 06.10.2006, sendo que, nesta data, ainda não havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão administrativa proferida no referido processo de crédito (Negado seguimento ao Recurso Especial em 26.09.2007 fl. 446). Após o trânsito em julgado do Processo 13884.003820/9884, a totalidade do crédito nele reconhecido foi utilizado para a extinção de diversos débitos do contribuinte, inclusive aqueles objeto do presente Processo 13003.000294/200342. Estas compensações não teriam sido consideradas pela DRJ uma vez que esta se baseou em informação / documento anterior ao referido trânsito em julgado. Visando aos esclarecimento de questões fáticas relacionadas à extinção do crédito tributário, esta Turma Julgadora resolveu por converter o feito em diligência e a Autoridade Preparadora apresentou os respectivos esclarecimentos: 1. O julgamento do Processo 13884.003820/9884 já se encontra encerrado na esfera administrativa? Sim, o julgamento do processo 13884.003820/9884 está encerrado na esfera administrativa. O contribuinte foi cientificado do acórdão do CARF em 27/06/2007 e não apresentou recurso especial. 2. Caso positivo, qual o valor total do crédito reconhecido nos autos do Processo 13884.003820/9884? O valor total de crédito reconhecido nos autos do processo 13884.003820/9884 é de R$ 5.437.342,73. 3. Quais são os processos de débito vinculados ao Processo 13884.003820/9884 e seus respectivos débitos? Fl. 670DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 671 7 Os processos de débito (cobrança) vinculados ao processo 13884.003820/9884 estão controlados no sistema PROFISC e são os abaixo listados, com seus respectivos débitos. 4. Dentre os débitos listados, quais foram extintos por compensação com o crédito reconhecido nos autos do Processo 13884.003820/9884? Os débitos extintos por compensação com o crédito reconhecido nos autos do processo 13884.003820/9884 são os seguintes: 5. Quais débitos remanescem em aberto após a utilização do crédito reconhecido nos autos do Processo 13884.003820/9884? Os débitos que remanescem em aberto após a utilização do crédito reconhecido nos autos do processo 13884.003820/9884 são os seguintes: 6. Existe saldo de crédito remanescente no Processo 13884.003820/9884? Em caso positivo, qual o valor? Não existe saldo de crédito remanescente no processo 13884.003820/9884. O crédito reconhecido foi totalmente utilizado em compensações. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 672 8 7. Se existente crédito relativo ao Processo 13884.003820/9884, este é suficiente para a extinção dos débitos controlados no presente processo 13003.000294/2003 42? Respondida no item 6. Instada a se manifestar acerca do resultado da diligência fiscal, a Recorrente afirma que os débitos exigidos no presente feito (R$958.941,58, PA 12/98 e R$587.257,70, PA 12/98), quando somados, correspondem exatamente aos seguintes débitos apontados como extintos pela diligência fiscal: Noto, assim, que a questão que se apresenta é a aparente duplicidade na cobrança de débitos. De acordo com o Recorrente, os débitos controlados pelo presente 13003.000294/200342 (R$958.941,58 e R$587.257,70), quando somados, correspondem exatamente ao débito de R$1.546.199,28, cuja compensação foi controlada pelo Processo 13884.003993/200593, reconhecidamente extinto por compensação. Em ambos os casos o débito é de IPI (0668) e se referem ao Período de Apuração 12/1998. Diante de tais dados, retomase ao que restou decidido pela DRJ quando manteve a cobrança dos débitos de R$958.941,58 e R$587.257,70 declarados pela Recorrente: Fl. 672DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 673 9 Débitos de IPI nºs 8793944 PA 112/1998 R$ 958.914,58 e 9793949 PA 312/1998 R$ 587.257,70 No caso dos débitos epigrafados, a Defesa, reitera a informação dada em DCTF, bradando a extinção dos mesmos pela via da compensação com direito creditório reconhecido nos autos do processo administrativo fiscal nº 13884.003820/9884. O extrato do processo, fl. 83, dá conta de que o mesmo está encerrado por compensação SIEF e de que os débitos extintos foram os seguintes: a) Código 0668 (IPI) PA 09/1999, vencimento em 15/09/1999, R$ 765.520,69, e; b) Código 8109 (PIS) PA 11/1998, vencimento em 15/12/1998, R$ 144.170,46. Como se vê, nenhum dos dois débitos coincide com os ora sub judice, que, se pode concluir, remanescem descobertos. Assim, o único fundamento utilizado pela DRJ para negar a alegada extinção dos débitos por meio de compensação é que o crédito informado pela Recorrente (qual seja aquele controlado pelo processo 13884.003820/9884) destinouse exclusivamente à extinção dos débitos de R$ 765.520,69 e R$ 144.170,46, descritos no trecho citado. Pelo resultado da diligência fiscal, vêse que tal argumento não é verdadeiro. O Crédito controlado pelo 13884.003820/9884 foi utilizado para a extinção, por compensação, de diversos outros débitos, e não apenas os citados valores de R$ 765.520,69 e R$ 144.170,46. É o que se percebe pelas respostas aos quesitos 3 e 4 já transcritos anteriormente. Com efeito, às fls. 70 e seguintes dos autos consta a DCTF relativa ao 4º Trimestre de 1998, sendo que, às fls. 106/110 constam os débitos declarados pelo contribuinte em cada um dos decêndios do apuração do IPI, cujos dados sistematizo: FL. DOS AUTOS PA DÉBITO DECLARADO FORMA DE EXTINÇÃO 106 1º decêndio dez/98 958.941,58 Compensação sem DARF Processo administrativo 138840038209884: 958.941,58 108 2º decêndio dez/98 979.891,12 Pagamento: 979.891,12 110 3º decêndio dez/98 1.358.269,90 Compensação sem DARF (Processo administrativo 138840038209884: 587.257,70 e Pagamento: 771.012,20 Ressalto que, conforme dito acima, os valores declarados como extintos por pagamentos com DARF (979.891,12 e 771.012,20) já foram devidamente reconhecidos pela Fiscalização. Apenas remanescem aqueles cuja extinção se deu por compensação, conforme informado pelo contribuinte na sua DCTF. Logo: (i) se no Auto de Infração em epígrafe o único fundamento para cobrança dos débitos de IPI é a declaração prestada pelo Contribuinte por meio de sua DCTF; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13003.000294/200342 Resolução nº 3201000.709 S3C2T1 Fl. 674 10 (ii) se pela análise da DCTF constatase que os dois únicos débitos declarados como extintos por compensação que permanecem em aberto para o Período de Apuração Dezembro/1998 são os valores de R$958.941,58 e R$587.257,70 que, somados, correspondem exatamente ao débito de R$1.546.199,28; e (iii) se em diligência, a Fiscalização reconheceu que houve a extinção, por compensação, de débito de IPI correspondente ao PA 12/98 exatamente no valor de R$1.546.199,28, É forçoso concluir que, de fato, como afirmado pela Recorrente, os débitos de IPI nos valores de valores de R$958.941,58 e R$587.257,70, relativos ao Período de Apuração Dezembro de 1998, foram extintos por compensação com o crédito controlado pelo 13884.003820/9884. À essa conclusão acrescento o fato trazido pela diligência fiscal de que as compensações em questão foram controladas pelo Processo nº 13884.003993/200593. Considerando todo exposto, converto o feito novamente em diligência para que a Autoridade Preparadora confirme a exatidão da conclusão obtida. Em caso negativo, que apresente a origem do débito em cobrança. Dêse ciência à Recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar acerca do resultado. Após, retornem os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 674DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002957/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
Tendo a fiscalização comprovado que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia.
COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas.
(ementa conforme Acórdão n.º 3201-001.689)
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por unanimidade deu-se provimento parcial ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Trajano D'Amorim e José Luiz Feistauer.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Tatiana Josefovicz Belisario e Jorge Rubem Folena De Oliveira
Ausente, justificadamente, os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo a fiscalização comprovado que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. (ementa conforme Acórdão n.º 3201-001.689) RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo a fiscalização comprovado que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. (ementa conforme Acórdão n.º 3201001.689) RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 57 /2 00 7- 05 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por unanimidade deuse provimento parcial ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Trajano D'Amorim e José Luiz Feistauer. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Tatiana Josefovicz Belisario e Jorge Rubem Folena De Oliveira Ausente, justificadamente, os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 0720.091 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (fls. 355 e seguintes). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos no DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 — Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.094 3 (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei n° 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. Á própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3ª da Lei n° 10.833 e ao Art. 8° na IN/SRF 404/2004 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4°) e como embalagem de transporte (art. 6°); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa do crédito vinculado a aquisição de ÁCIDO ASCÓRBICO, defendendo que tal produto consiste de insumo consumido durante o processo produtivo. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e "packinghouse". Assim explica: a) Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d'agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no "packinghouse": também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de "prateleira gigante" Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.095 5 (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drive in), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No "packinghouse" ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso na Lei n.° 10.833/2003, no seu art. 3°, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa". A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta n° 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de COFINS nãocumulativo os valores contestados. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUIVIOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 402 e seguintes, reiterando os argumentos da Impugnação no que diz respeito às glosas mantidas. Os autos foram remetidos a este CARF para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Armando. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.096 7 transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.334: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus 'onus probandi') por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 06 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. A Fiscalização apresentou a INFORMAÇÃO FISCAL SAORT 20140113 CCV (fls. 958 e seguintes), aduzindo que parte das glosas deixaram de ser contestadas pelo contribuinte, e mantendo os fundamentos das demais. Intimado do resultado da Diligência, o Contribuinte alegou, em síntese, que os itens glosados pela Fiscalização integram o seu processo produtivo e, portanto, dão direito à crédito do PIS não cumulativo. (fls. 1021 e seguintes) Os autos, então, retornaram ao CARF e, tendo em vista que o D. Relator originário não mais compõe este colegiado, foram a mim distribuídos por sorteio eletrônico, conforme "ATA DO MÊS DE MARÇO DE 2016 DA PRIMEIRA TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO". É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário A matéria em debate cingese à definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Especificamente quanto ao Recorrente, essa mesma Turma Julgadora já se manifestou em reiteradas oportunidades, sempre para reconhecer o direito ao crédito sobre os bens diretamente empregados no processo produtivo. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.097 9 Pois bem. Passase a analisar cada um dos itens objeto de Recurso Voluntário. PRELIMINARMENTE DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DAS PROVAS APRESENTADAS E INDEVIDO INDEFERIMENTO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA — CERCEAMENTO DE DEFESA Nesse aspecto, atenhome ao que foi consignado pelo Relator originário do feito quando da solicitação de diligência fiscal, que torno parte integrante das presentes razões de decidir: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.334: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Pelo exposto, entendo que a questão restou superada com a diligência ordenada por este CARF, que determinou a análise da documentação apresentada, bem como a realização de demais verificações acerca dos itens glosados a fim de verificar o correto emprego dos itens no processo produtivo da Recorrente. Quanto ao mérito, consoante razões recursais, a matéria deve ser analisada sob os seguintes tópicos: 04.1 QUANTO AS EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DESTINADAS AO TRANSPORTE 04.2 QUANTO AS EMBALAGENS DE APRESENTAÇÃO APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS A DRJ, ao analisar o feito no que tange aos créditos oriundos da aquisição de embalagens pela Recorrente, atevese à distinção entre embalagens de transporte e embalagem de apresentação, conforme entendimento aplicável ao crédito de IPI. Não obstante, ao final, houve por bem manter integralmente a glosa efetuada pela Fiscalização sob o fundamento de que, ainda que se possa acatar os créditos relativos ao material de embalagem de apresentação, a contribuinte não teria logrado comprovar tal finalidade: Ocorre, porém, que como acima se viu, apenas as embalagens de apresentação é que geram o direito ao crédito, que faz com que não se possa acatar como aptas à geração de créditos as aquisições de pallets e cantoneiras, pois consistem claramente de embalagens de transporte, tanto que como tais foram informados pela contribuinte na listagem "item 03 (Embalagens de Transporte)". Do mesmo modo, não há como se aceitar que os materiais discriminados na listagem "Item 03 (Embalagens de Apresentação)", consistam de embalagens de apresentação ou materiais nelas empregados. De se ver. Primeiro, em relação às várias operações de aquisição de "rótulo e etiquetas" e "caixa, bandejas, diversos", não bastasse o fato de tais materiais não constarem como adquiridos para Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.098 11 industrialização (códigos CFOP 1.556 e 1.949), também não há mais nada que possibilite a identificação específica de suas destinações. Da mesma forma, em relação às demais aquisições (CFOP 1101 e 2110) —tais como, plástico bolha, diversos tipos de caixas (descritas como TAMPA REFRAI, FUNDO MERCADO INTERNO, TAMPA REATAR EXPORTAÇÃO, FUNDO RE'NAR, TAMPA NATURA), fita adesiva, selos, sacolas, bandejas, fita pet, etc. na impossibilidade da identificação específica de suas destinações, não há como definir qual delas poderia eventualmente gerar direito a crédito, por consistirem de embalagem de apresentação ou materiais nela empregados. No caso específico das caixas, mencionese que a contribuinte apresentou a autoridade fiscal algumas fotos de vários tipos de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas listadas como embalagens de apresentação — essas fotos se encontram no documento denominado "item 06" onde a contribuinte descreve o processo produtivo da empresa; e, em sede de defesa, juntou cópias de várias das notas fiscais lá listadas. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. É que, apesar de as fotos 01 e 02 evidenciarem que as caixas que lá aparecem se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Assim, não há como reconhecer o direito pleiteado pela contribuinte. Como o creditamento relativo a embalagens não se estende a toda e qualquer embalagem, tornase imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das embalagens em relação às quais é pleiteado o crédito. Destarte o ônus de comprovar a natureza das embalagens e de identificar de forma individualizada quais aquisições estão associadas a quais embalagens é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de pretensos insumos, sem que a natureza destas operações e a identificação do insumos adquiridos sejam definidas/produzidas. Como mencionado anteriormente, a matéria em exame nos presentes autos já foi exaustivamente discutida por esta Turma Julgadora, com cerca de uma dezena de processos envolvendo o mesmo contribuinte e os mesmos itens de glosa. Desse modo, por compreender exatamente o tópico ora abordado, utilizo como razão de decidir o seguinte trecho do Acórdão n.º 3201001.689 (Processo nº 10925.002948/200714), de relatoria do então Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes: Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 O conceito de embalagem, segundo o Ministério do Meio Ambiente é: A embalagem é essencial para a proteção dos produtos durante a sua etapa de distribuição, armazenamento, comercialização, manuseio e consumo. (...) Cabe à embalagem proporcionar segurança no manuseio do produto, manutenção de suas propriedades e informações legais sobre sua composição e validade, e mesmo rastreabilidade do lote de produção. Em certos casos cabe ainda à embalagem estender o prazo de vida dos produtos, evitando o seu desperdício. Lembramos, inclusive, que a legislação local de ICMS, usualmente mais restritiva que a legislação federal, entende que tais produtos dão direito a crédito, classificandoos como material auxiliar. Neste sentido é o que abstraímos da Instrução Normativa nº 45/98, Título I, Capítulo V, seção 2.0, item 2.1.2, neste sentido: 2.1.2 Não se incluem entre as mercadorias usadas ou consumidas no estabelecimento: a)as matérias primas e os materiais secundários, assim entendidas as mercadorias que se destinem a ser transformadas em constituintes do objeto central da produção, integrandose, agregandose ou incorporandose ao produto final por meio de qualquer processo, inclusive aquelas utilizadas na embalagem ou acondicionamento de mercadorias; (...) Ademais, a própria RFB permite o amplo e geral crédito sobre as compras de embalagem, entendoas como insumos, como vemos na IN 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.099 13 desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) (...) (grifo nosso) Assim, descabe qualquer outro debate sobre o tema. Assim, entendo que assiste razão à Recorrente no que tange ao reconhecimento do direito ao crédito sobre a aquisição de itens de embalagem, sejam estas destinadas ao transporte ou à apresentação, ressaltando que a legislação de regência da COFINS não traz qualquer distinção entre estas. 04.3 DEMAIS INSUMOS Sob o item "demais insumos" a Recorrente questiona apenas uma linha de glosa, relativa ao tem "ácido ascórbico". A glosa foi fundamentada exclusivamente na justificativa de que o contribuinte não teria comprovado a sua utilização no processo produtivo. Com efeito, a partir de detalhado exame do feito e de todos os documentos apresentados pelo contribuinte, noto que não há qualquer explanação acerca da forma de utilização do componente "ácido ascórbico" no processo produtivo da Recorrente. Esta apenas se limita a afirmar que se trata de item empregado no seu processo produtivo, além de apresentar a nota fiscal de aquisição do produto. Assim, ainda que, em senso comum, se possa conjecturar a efetiva utilização desse produto no processo produtivo das maçãs, é certo que a atividade julgadora deve ficar adstrita ao que se encontra nos autos. Desse modo, à míngua de justificativa, pelo contribuinte, acerca da forma de utilização do "ácido ascórbico" no seu processo produtivo, deixo de reconhecer o direito ao referido crédito. 04.4 QUANTO AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO: Por fim, quanto às glosas relativas aos encargos de depreciação do Ativo Imobilizado cumpre, efetivamente, o exame da aplicação dos itens no processo produtivo da Recorrente. Nesse sentido respondeu a Fiscalização em diligência solicitada por esta Turma Julgadora: No que se refere a matéria controversa, verificase que a contribuinte deixou de contestar, se conformando, portanto, com as glosas, em relação aos bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004, cuja base de cálculo importa em R$ 2.950,38 para cada um dos meses do trimestre, e se encontram especificados abaixo Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Os bens abaixo relacionados, em nosso ver, não são passíveis do beneficio do uso do crédito a título de depreciação uma vez que os mesmos não se encontravam em contato direto com a produção. Tratase de máquinas ou equipamentos que realizam operações de suporte não ligados diretamente a produção, assim por não preencherem os requisitos da lei, devem ser mantidas as glosas realizadas. O valor da base de cálculo para o mês de Outubro – R$ 1.067,36, Novembro – R$ 1.065,29 e dezembro R$ 1.065,29. Em relação aos bens que a contribuinte apresentou contestação, observase pela descrição detalhada da utilização do bem ou sua função, no setor ou seção a que estão alocados, em confronto com as imagens fotográficas de cada item, ser possível estarem sendo utilizados nos setores em que se desenvolveu a produção, sendo possível, portanto o seu cômputo na base de cálculo dos créditos mensais. Valor da base de cálculo admitida para os meses de Outubro e Novembro – R$ 146,08 e R$ 604,45 para o mês de dezembro. Segue, a seguir, relação detalhada dos mesmos: Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10925.002957/200705 Acórdão n.º 3201002.249 S3C2T1 Fl. 1.100 15 Logo, têmse 3 (três) grupos distinto de itens sobre os quais incidiu a glosa efetuada pela Fiscalização: (a) Bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004: sobre tais aquisições não houve questionamento por parte do contribuinte, pelo que tais glosas são mantidas. (b) Máquinas ou equipamentos que realizam operações de suporte não ligados diretamente a produção: Nesse item de glosa existem despesas para as quais não se comprovou a aplicação no processo produtivo (equipamentos utilizados no transporte de materiais e limpeza do terreno, tais como reboques, semireboques, triturador de galhos e plataforma) e, portanto, devem ser glosados; mas, também, itens aplicados ao processo produtivo, mais especificamente na armazenagem do produto, tais como o portapallets e seus materiais, e que, portanto, não devem ser glosados. (c) Utilizados nos setores em que se desenvolveu a produção: Para estes bens a Diligência fiscal chancelou a sua utilização no processo produtivo da Recorrente. Sendo assim, as glosas devem ser canceladas. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as glosas relativas à (i) totalidade dos itens de embalagem; (ii) das máquinas ou equipamentos que realizam operações de suporte, exclusivamente no que se refere aos portapallets e seus materiais; e da (iii) totalidade dos bens utilizados nos setores em que se desenvolveu a produção, sendo estes dois últimos itens em conformidade com o levantamento realizado pela diligência fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 19 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11543.001207/2004-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
As variações cambiais ativas caracterizam-se como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3201-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA - Relator.
Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
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COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas caracterizamse como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 07 /2 00 4- 12 Fl. 2553DF CARF MF 2 JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA Relator. Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Por se tratar de processo com retorno de diligência, transcrevo o Relatório constante da Resolução redigida por este CARF (fls. 2098 a 2105): Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e COFINS com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o § 1o do art. 5o da Lei 10.637/2002. A DRF/VITÓRIA procedeu à análise em conjunto as Declarações de Compensação formalizadas nos processos n° 11543.000583/200317, 11543.000680/200300, 11543.000973/200389, 11543.001384/200318, 11543.002341/200350, 11543.003111/200316, 11543.003332/200386, 11543.003841/200317, 11543.004370/200356, 11543.004855/200340, 11543.000123/200461, 11543.000576/200498, 11543.000484/200416, 11543.000958/200411 e 11543.001207/200412, este último adotado como principal. A análise visou à apuração do crédito de PIS correspondente ao período de dezembro de 2002 a julho de 2004 e, por fim, foi exarado o Despacho Decisório de fls. 1007, com base no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 766/2007 de fls. 984 a 1006, reconhecendo o direito creditório no valor de R$2.989.776,24 referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS no período citado, na forma da Lei 10.637/2002 e IN/SRF 247/2002. Em decorrência, foram parcialmente homologadas as compensações constantes das declarações anexadas a todos os processos examinados, até o limite do crédito reconhecido, conforme valores relacionados nas planilhas às fls. 978 a 980. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: 1) A produção da Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/12/2002, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS; 2) A análise da escrituração do sujeito passivo, notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração do PIS nãocumulativo e Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 3 3 dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. Em face disso, foram realizados ajustes e adições à base de cálculo apurada pelo contribuinte, além de glosas dos créditos d descontar 3) No DACON a empresa informa que praticamente toda a sua produção foi destinada ao mercado externo. Conforme registrado nos Livros Registro de Apuração do ICMS, nos balancetes e nas Notas Fiscais de venda, a Nibrasco destinou grande parte de sua produção para a sua coligada CVRD, estabelecimento de CNPJ 33.592.510/022042, registrando as operações sob os Códigos Fiscais de Operação CFOP 5.11 e 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para a fruição do benefício da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de PIS nãocumulativo vinculados às aquisições, o que em uma operação com fim específico de exportação não é admitido, de acordo com o art. 21, § 2o da IN 600/2005; 5) Em diligência realizada junto à CVRD, CNPJ 33.592.510/022042 verificouse que em muitos casos, o estabelecimento escriturou as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.12 è 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os códigos 5.11 e 7.11 (até dez/02) e 5.101 e 7.101 (a partir de jan/03), todas identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica as exportações de mercadorias recebidas com fim específico de exportação; 6) Depreendese dos registros, tratarse de operações normais no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador; 7) A própria CVRD em resposta ao Termo de Solicitação de Documentos afirma estar utilizando os de créditos do PIS decorrentes dessas vendas (fl. 879/993); 8) De acordo com a definição legal dada à expressão "fim específico de exportação", para fazer jus ao benefício fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. 46, § 1o, a Lei 9.532/97, art. 39, § 2o e o Decretolei 1.248/72, art. 1o, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues/recebidas no pátio da remetente. Cumpre observar que o estabelecimento industrial da Nibrasco não está compreendido Fl. 2555DF CARF MF 4 em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil (fls. 884/887); 10) Verificase, assim, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD não estão amparadas pela isenção da contribuição para o PIS, uma vez que não se enquadram na definição legal de fim específico de exportação; 11) O sujeito passivo não incluiu na base de cálculo do PIS não cumulativo os valores decorrentes das variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora. Desse modo, os lançamentos registrados a crédito representam receita tributável; 12) O contribuinte apurou o saldo da conta de variações cambiais adotando um regime de contacorrente. A Lei 9.718/98 de forma alguma estipula que o valor tributável deva ser o saldo mensal positivo entre as variações ativas e passivas como entendeu o contribuinte. A Lei 10.637/2002 também não prevê tal abatimento; 13) Intimado, o contribuinte informou ter adotado o regime de competência no registro das variações cambiais. Assim sendo, para fins de apuração da base de cálculo do PIS não cumulativo, foram considerados os valores registrados no balancete nas contas de variações cambiais dos passivos e variações cambiais dos ativos; 14) Constatase do Livro Registro de Apuração do ICMS operações de transferência de créditos de ICMS, sob o código 5.601. No entanto, tais receitas não foram incluídas pelo contribuinte na base de cálculo do PIS nãocumulativo, em afronta à Lei 10.637/2002; 15) Intimada a apresentar planilha de custo dos insumos (bens e serviços) utilizados na produção, o sujeito passivo apresentou planilhas mensais elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo; 16) Foram efetuadas glosas no item serviços contratados diretos SAC, tendo em vista que alguns desses serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; 17) Para que o serviço prestado possa ser considerado insumo, deve necessariamente ser aplicado ou consumido na fabricação do produto; 18) Foram elaboradas pela diligência as Tabelas de Serviços Contratados Diretos Serviços Excluídos (fl. 930) discriminando os contratos excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar e a Tabela dos Serviços Contratados Direto Base de Cálculo após dedução dos serviços excluídos (fls. 931/934); 19) A contribuinte também descontou créditos sobre serviços prestados pela CVRD, identificados como Fator C, Fator K, Fator Y e Fator T, previstos no contrato apresentado às fls. 899/927. O sujeito passivo aproveitou de forma integral os valores repassados pela CVRD. Foram glosadas partes desses Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 4 5 serviços, conforme planilha de Serviços Contratados CVRD Glosas Efetuadas nos Fatores C, Y, K e PR (fls. 935/937); 20) No que tange ao Fator C foram glosados os serviços de apoio administrativo e serviços gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos. Não foram glosados os gastos com materiais e energia elétrica, posto que tais valores já haviam sido excluídos pelo contribuinte; 21) O Fator K corresponde a despesas gerais e seus valores foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar por não serem aplicados diretamente na produção da empresa; 22) O Fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Não existe previsão legal que permita o aproveitamento de créditos sobre tais valores; 23) O Fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pilha adicional. Entendese que tal gasto enquadrase na definição legal de insumo, razão pela qual foi mantido na base de cálculo dos créditos a descontar; 24) Também foram glosados os valores correspondentes à participação nos resultados (PR) pagos aos inativos da Diretoria de Pelotização e Metálicos, pois não corresponde à despesa que gera direito a crédito; 25) Não houve correção a ser efetuada no que tange aos gastos Despesas Financeiras Mutuo CVRD, Saldo de Insumos no Estoque em 30/11/02 (estoque de abertura) e Insumos Adquiridos; 26) Foram elaboradas as Planilhas de apuração da contribuição para o PIS, anoscalendário 2002, 2003 e 2004 (fls. 938/977). Os campos Receita de Exportação, Receita de Venda no Mercado Interno e Receita de Prestação de Serviços foram preenchidos já com seus valores líquidos. No campo Receitas Financeiras foram incluídas as contas Variações Cambiais dos Passivos. Estão inseridos nesse campo o subgrupo 354 concernente a variação cambial dos passivos e o grupo 45 relativo a Receitas Financeiras; 27) No item Outras Receitas foi compreendida a conta receitas diversas (código 48). Foram retirados da base de cálculo, os valores correspondentes a três sub contas equivocadamente oferecidos à tributação pelo contribuinte (recuperação de despesas, Crédito PIS MP66 e venda de imobilizado); 28) O valor do crédito a descontar vinculado às receitas de exportação foi determinado com base no rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, regime adotado pelo contribuinte; 29) Foi elaborada a planilha de compensação (fls. 978/980) ilustrando as compensações realizadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência, com destaque para Fl. 2557DF CARF MF 6 os meses de dezembro de 2002, abril, junho e julho de 2003 onde foi apurado saldo de PIS a recolher. Conseqüentemente foi emitido auto de infração para os referidos meses; 30) Foram descontados, primeiramente os créditos vinculados às vendas no mercado interno e depois os créditos vinculados às exportações. O saldo de créditos do mercado externo foi utilizado para fins de compensação, consoante as DCOMP apresentadas. De acordo com a planilha, grande parte das compensações não foi homologada por insuficiência de créditos. Cientificada da decisão em 30/08/2007 (fl. 1033), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/09/2007 (fls. 1036 a 1066), alegando, em síntese que: 1) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2o, inciso I da CF). O art. 5o da Lei 10.637/2002 repete expressamente a determinação Constitucional; 3) O disposto no art. 5o da Lei 10.637/2002 referese diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação colacionados aos autos; 6) As variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de "receita decorrente de operação de exportação"; 7) O crédito que goza a requerente com a variação cambial no fechamento do câmbio é direito creditório decorrente das operações de exportação imunes de tributação pelo PIS; 8) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de ICMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; 9) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente do fornecimento de bens ou serviços; 10) Tanto o STJ como o STF têm entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 5 7 11) O STJ entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS/PASEP; 12) Admitir a incidência do PIS sobre o crédito de ICMS eqüivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; 13) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo do PIS, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição; 14) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3o, inciso II, da Lei 10.637/2002; 15) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposado pela autoridade fiscal; 16) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos à operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3o da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado à luz do regime nãocumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 17) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da não cumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; 18) Para que seja atingida a nãocumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3o da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado de modo apto a desfazer os malefícios causados pela cumulatividade, ou seja, a incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 19) Os serviços de frete decorrentes da operação da indústria da requerente oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. Portanto, a exclusão de tais valores viola as prescrições do art. 195, § 12 da CF; 20) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente à contribuição para o PIS relativa à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente; Fl. 2559DF CARF MF 8 21) Por fim, requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade, com a finalidade de reformar o despacho decisório proferido. Às fls. 1318 a 1348 consta manifestação de inconformidade apresentada em 11/01/2008, acompanhada dos anexos de fls. 1349 a 1453. Tais documentos, contudo, não se relacionam ao presente processo, mas sim ao de n° 11543.000506/200511, relativo a Declarações de Compensação mediante aproveitamento de crédito da COFINS nãocumulativa, tendo sido elaborado o Parecer SEORT/DRF/VIT n° 1499/2007, contestado pelo contribuinte. Por esta razão, foram extraídas as peças originais anexadas ao presente processo e encaminhadas à DRF/Vitória para anexação ao processo correspondente. Sobreveio decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de venda efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição ao PIS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 6 9 É o relatório. Em primeira análise, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, houve por bem converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Entre as questões em julgamento, divergem as partes acerca da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes das vendas de pelotas de minério de ferro para a empresa Vale SA. Enquanto a RFB sustenta que tais vendas caracterizamse como vendas no mercado interno, e, portanto, tributáveis, a recorrente defende que as mercadorias foram destinadas ao exterior, o que ensejaria na não incidência do tributo. Em análise aos autos, verifico a necessidade de maiores esclarecimentos acerca do local em que as pelotas destinadas a exportação foram entregues pela recorrente – se este local corresponde a pátio alfandegado ou não. Assim sendo, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) analise, por meio de diligências e auditorias que entender necessárias, se a área de destino das pelotas de minério de ferro revendidas à empresa Vale SA era considerada, à época dos fatos geradores exigidos neste processo, área alfandegada; Do resultado da diligência devera ser dada ciência à recorrente e à PGFN para manifestação no prazo de 30 dias, devolvendo os autos em seguida a este Conselho para a retomada do julgamento. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu (fls. 2277 a 2281, grifos nossos): 1. INTRODUÇÃO No exercício das funções do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e para efeito de informação fiscal no processo nº 11543.001207/200412, haja vista solicitação do CARF, procedemos à diligência ora proposta, com base no Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência nº 0720100.2016.00156, conforme os fatos a seguir relatados: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e COFINS com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o § 1º do art. 5º da Lei 10.637/2002, e apurados no período compreendido entre dezembro de 2002 e julho de 2004. Verificouse, durante o procedimento fiscal, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD não estão amparadas pela Fl. 2561DF CARF MF 10 isenção da contribuição para o PIS, uma vez que não se enquadram na definição legal de fim específico de exportação. Cientificada da decisão em 30/08/2007 (fl. 1033), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/09/2007 (fls. 1036 a 1066), alegando, em síntese que a requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo. Inconformada com a decisão foi apresentado Recurso Voluntário ao CARF, reiterando os argumentos trazidos à baila em sua defesa inaugural. Com base na Resolução nº 3201000.646 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF converteu o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: a) analise, por meio de diligências e auditorias que entender necessárias, se a área de destino das pelotas de minério de ferro revendidas à empresa Vale SA era considerada, à época dos fatos geradores exigidos neste processo, área alfandegada; Os pátios da Vale passaram a ser alfandegados desde 29 de julho de 1996, conforme determinado pelos Atos Declaratórios Executivos SRRF nº 24/1996, 132/2002 e 165/2004. Em contrapartida, os pátios das empresas coligadas da Vale, dentre elas a Nibrasco, não são e nunca foram alfandegados. Neste contexto, tornase imprescindível dirimir acerca do local aonde se deu ou se dava a entrega das pelotas de ferro: no pátio da Vale ou no pátio das suas empresas coligadas, dentre elas a Nibrasco. Muito embora a empresa tenha alegado que a entrega das pelotas de minério de ferro tenha ocorrido no pátio da Vale ou nos navios para exportação, não há nenhuma alusão dessa informação no Contrato para Operação da Usina de Pelotização, firmado entre a Nibrasco e Vale. Neste contrato foi estabelecida cláusula para a entrega das pelotas, na medida em que a própria Vale se encarregaria de transportar as pelotas de minério de ferro, do pátio das Brascos até o seu pátio, ou até os navios para exportação, conforme previsto no item 2.3, transcrito abaixo ipsis litteris: “A CVRD manuseará e carregará PELOTAS entregues pela NIBRASCO desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de PELOTAS da NIBRASCO até o carregamento para compradores em Ponta de Tubarão, incluindo as operações de manuseio, após a recuperação e o carregamento adicionais especificados nos parágrafos 2.2.7 e 2.28 deste Contrato, a pesagem, amostragem e análise em Ponta de Tubarão. As operações de manuseio e carregamento de PELOTAS realizadas pela CVRD serão efetuadas com o máximo de eficiência e rapidez, compatível com os recursos e instalações próprias de manuseio, carregamento e facilidades da CVRD” (grifos no original) Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 7 11 Com base neste contrato a entrega das pelotas de minério de ferro pelas empresas de pelotização (Brascos) ocorreria no próprio pátio das Brascos. Tanto é que a própria Vale manusearia e carregaria as pelotas entregues pela Nibrasco desde o começo da correia transportadora que sai do pátio de pelotas da Nibrasco até o carregamento para o mercado externo em Ponta de Tubarão. Ademais, durante os procedimentos de fiscalização, a própria Vale esclareceu que as pelotas eram entregues no pátio da remetente. Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da NIBRASCO em 2007, pela autoridade fiscal que procedeu a fiscalização nesta empresa. Assim, no entender da Receita Federal, a entrega das pelotas se deu ou se dava nos pátios das Brascos, e referidos pátios não eram, e continuam não sendo alfandegados. Além disso, no presente processo, restou provado que a CVRD (Vale) se aproveitou, em alguns meses, dos créditos de Pis decorrentes da aquisição de pelotas de minério de ferro da Nibrasco, no período de apuração sob análise. A CVRD (Vale) deu entrada em sua contabilidade, no que tange as aquisições de pelotas de minério de ferro da Nibrasco, de acordo com os CFOP 1.112 e 1.102¹, ao invés de ter utilizado os CFOP 1.86 1.501¹, aproveitandose integralmente dos créditos das contribuições nãocumulativas, nos meses de junho de 2003 a março de 2004. Com vistas a comprovar tais fatos, foram anexados os Livros Registros de Entrada e de Apuração de ICMS de dezembro de 2002 até dezembro de 2005, Demonstrativos apurados com base no Livro Registro de Entrada enviado em meio magnético de 2002 até dezembro de 2005, bem como o arquivo digital de notas fiscais em que se comprova que a Vale se aproveitou integralmente dos créditos decorrentes das vendas de pelotas de minério de ferro efetuadas pela Nibrasco, em vários meses, contrapondo a alegação de que não houve seu aproveitamento. 5. CONCLUSÃO Tendo em vista o exposto neste Termo, damos por encerrada a diligência ora proposta. O presente Termo constará do processo em comento bem como os demais elementos de prova produzidos nas diligências. Salientese que o contribuinte terá o prazo de 30 dias, conforme art. 35, § único do Decreto 7.574/2011, para, caso desejar e julgar necessário, apresentar sua manifestação, a qual deverá ser feita junto à Delegacia da Receita Federal de Vitória/ES, ou através de juntada de documentação através do portal eCAC, no caso de possuir certificação digital válida. Nesta oportunidade poderá solicitar cópia dos autos, em meio magnético, ou em papel mediante pagamento, conforme disposto na legislação em vigor. Fl. 2563DF CARF MF 12 O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência na página eletrônica da Secretaria da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br), opção Empresa/ Todos os Serviços/ Procedimento Fiscal/ Consulta Procedimento Fiscal MPF/TDPF, onde deverão ser informados o número do CNPJ e o código de acesso nº 19444879. Para cumprir todas as cautelas legais, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, infrafirmado, lavra o presente Termo de Encerramento Diligência, cuja ciência e cópia do contribuinte se darão eletronicamente via eprocesso, conforme opção manifestada pela empresa pela empresa por essa forma de ciência. Concedida vista à Recorrente, essa se manifestou sobre a conclusão fiscal, fls. 2287 a 2296, onde ressalta a posição confirmada na diligência sobre o efetivo alfandegamento da área da VALE S.A. (antiga CVRD), desde data bastante anterior à época dos fatos objeto do presente litígio. Ressalta que o objeto da diligência teria sido para dirimir dúvidas acerca do alfandegamento das áreas para as quais foram destinadas as mercadorias exportadas e questiona as conclusões obtidas a partir de seu contrato firmado com a Vale S.A. Quanto à diligência ter apontado que o pátio da Recorrente jamais teria sido alfandegado, argumenta que tal questão nunca foi debatida nos autos, considera irrelevante o fato da sua área ser ou não alfandegada, uma vez que os produtos por ela industrializados saem diretamente da sua Usina de Pelotização para a exportação, por meio de esteiras da Vale ou seguem para seu pátio de estocagem, não existindo circulação de mercadorias fora destes espaços físicos, nem tampouco a comercialização/venda, apenas estocagem. Conclui a sua manifestação, reafirmando que todas as mercadorias possuem uma única destinação e apresenta para embasar seus argumentos modelo esquematizado do Porto de Tubarão. Acrescenta, ainda, quanto ao argumento de que a VALE S.A. teria se aproveitado dos créditos das contribuições nãocumulativo, que seu único equívoco cometido seria relativo ao registro da CFOP, circunstância já sanada com as cartas de correção nos moldes que as normas relativas ao ICMS autorizam e com esteio em Convênios vigentes. Neste sentido, para reiterar que suas mercadorias eram destinadas ao fim específico de exportação, informa que cuidou de confeccionar cartas declarando que não se creditou do PIS/COFINS nas aquisições das mercadorias minério de ferro aglomerado “pelotas” adquiridas da Nibrasco com o fim de exportação. Aponta que todos os documentos aqui trazidos, bem como matéria idêntica, já foram julgados por este Eg. CARF em diversas vezes, inclusive recentemente (15586.001068/200724), também observa que estava juntando aos autos a íntegra do acórdão proferido no processo nº 15586.001061/200711, o qual teria julgado por unanimidade matéria idêntica à tratada nos presentes autos. Após, os autos foram remetidos a este CARF e, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 8 13 Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira O Recurso Voluntário do contribuinte (fls. 1966 a 2000) atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, trata o presente processo do resultado da análise de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e COFINS com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de que trata o § 1º do art. 5º da Lei 10.637/2002, visando à apuração do crédito de PIS correspondente ao período de dezembro de 2002 a julho de 2004. O Despacho Decisório de fls. 1007, com base no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 766/2007 de fls. 984 a 1006, reconheceu um direito creditório no valor de R$ 2.989.776,24 referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS no período citado, na forma da Lei 10.637/2002 e IN/SRF 247/2002. Em decorrência, foram parcialmente homologadas as compensações constantes das declarações anexadas a todos os processos examinados, até o limite do crédito reconhecido. A lide em questão tem como foco as seguintes matérias objeto de contestação no presente recurso voluntário: 1 Exigência de PIS sobre as vendas de produtos ao exterior, onde se discutidose se a imunidade alcança as vendas realizadas pela Recorrente com destino a exportação; 2 Incidência de PIS sobre as variações monetárias ativas, que também se tratariam de receitas oriundas da exportação; 3 Inclusão de valores relativos a créditos de ICMS como receita da empresa, para fins de tributação pelo PIS; 4 Glosa de créditos oriundos de bens e serviços que teriam sido usados indiretamente no processo produtivo, dentro da sistemática não cumulativa do PIS/PASEP; 5 Glosa de créditos oriundos de despesas relativas aos serviços para as operações das usinas da Recorrente. 1 Incidência de PIS sobre as vendas de produtos ao exterior Esta matéria foi o foco da diligência solicitada no presente processo, onde a resposta da fiscalização atestou que "Os pátios da Vale passaram a ser alfandegados desde 29 de julho de 1996, conforme determinado pelos Atos Declaratórios Executivos SRRF nº 24/1996, 132/2002 e 165/2004". Contudo, a resposta à diligência também afirmou que "os pátios das empresas coligadas da Vale, dentre elas a Nibrasco, não são e nunca foram alfandegados". Ou seja, a fiscalização ressalta que a entrega das pelotas não ocorre no pátio da Vale S.A., e sim nos pátios da própria Recorrente, que não são alfandegados. No caso, a decisão recorrida não considerou os produtos como exportados, com o fundamento de os mesmos não teriam sido remetidos à área alfandegada. Neste sentido, o processo foi encaminhado em diligência exatamente para que houvesse a comprovação, ou não, de que as mercadorias foram remetidas ao recinto alfandegado da Vale S.A.. Fl. 2565DF CARF MF 14 Pela análise dos autos, particularmente do teor da resposta apresentada à diligência solicitada, resta evidente que, em que pese as considerações ali externadas pela fiscalização, os produtos industrializados pela Recorrente tiveram efetivamente como destino final a exportação. O fato do pátio da Recorrente ser ou não alfandegado não afeta a fruição da isenção do PIS e da COFINS. O art. 14, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que considera a venda para exportação para empresa que realize operações de comércio exterior e esteja devidamente registrada no SISCOMEX é suficiente para configurar a isenção do PIS e da COFINS. Conforme já observado pelo eminente conselheiro Winderley Morais Pereira, nos autos do processo nº 15586.001061/200711, ao julgar matéria análoga à que aqui se discute: As operações em discussão nos autos não ocorrem somente com a Recorrente, existindo outras empresas que operam de forma similar, industrializando produtos que posteriormente são vendidos a CVRD para exportação, estas empresas também atuam na área do Porto de Tubarão e foram também objeto de lançamento para exigência fiscal, nos termos constantes do presente lançamento. Duas destas atuações já foram enfrentadas pelo CARF, sendo decidido pela isenção do PIS e da COFINS nas operações realizadas com a CVRD. Um dos julgados ocorreu no Acórdão 3402003.299 da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, quando em sede de recurso de ofício, por unanimidade, manteve a decisão da primeira instância que considerou isentas as operações realizadas nos mesmos moldes da Recorrente.O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício e aquelas informadas nos DACON, sujeitase à exigência por meio de lançamento de ofício. Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 9 15 A matéria também foi enfrentada por esta Primeira Turma no Acórdão 3201001.459, que por unanimidade, também decidiu pela comprovação da exportação e da isenção das contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. (Acórdão 3201 001.459, Relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão de 22/10/2013) BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Excluise da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 3402003.299, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Sessão de 18/09/2014) Conforme, bem esclarecido nas diligências fiscais. As operações da Recorrente e a CVRD com a finalidade de exportação foram confirmadas. Assim, a Recorrente faz jus a isenção da COFINS. Por todo o antes exposto, evidenciase que as pelotas industrializadas no parque industrial da Recorrente, que fica próxima do recinto alfandegado da Vale S.A., na área do Porto de Tubarão, eram enviadas por meio de esteiras até o citado recinto alfandegado. Ainda, o simples fato da empresa ter estocado momentaneamente as mercadorias vendidas em seu pátio antes do envio, por meio de esteiras, à Vale S.A., não é suficiente para desconsiderar a sua entrega como sendo diretamente ao recinto alfandegado. Em que pese o alegado pela fiscalização, mesmo considerando a obrigatoriedade da interpretação literal de legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção obrigação, conforme preceitua o Art. 111 do CTN, os fatos descritos nos autos tornam evidente que as mercadorias foram sim enviadas do estabelecimento da recorrente para o recinto alfandegado da Vale S.A., que, de forma incontroversa, é empresa comercial exportadora. Fl. 2567DF CARF MF 16 Desta forma, voto para que seja reconhecido o direito da recorrente à isenção do PIS em relação às receitas objeto da presente lide, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário quanto à esta primeira matéria. 2 Incidência de PIS sobre as variações cambiais ativas Quanto à inclusão das variações cambiais ativas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Tratase de tema que se encontra atualmente pacificado, em face da previsão constante do Art. 62A do Regimento Interno do Carf, que determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B do CPC devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Vejamos que a hipótese dos autos tratou justamente de matéria já decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, conforme abaixo transcrevo (grifei): O que se discute nestes autos é se as receitas das variações cambiais ativas podem ser consideradas como receitas decorrentes de exportação, de modo a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência do PIS e da COFINS. Tenho que a resposta é positiva. Variações cambiais constituem atualizações de obrigações ou de direitos estabelecidos em contratos de câmbio. Estão compreendidas entre dois grandes marcos: a contratação (fechamento) do câmbio, com a venda, para uma instituição financeira, por parte do exportador, da moeda estrangeira que resultará da operação de exportação; e a liquidação do câmbio, com a entrega da moeda estrangeira à instituição financeira e o consequente pagamento, ao exportador, do valor equivalente em moeda nacional, à taxa de câmbio acertada na data do fechamento do contrato de câmbio. No âmbito tributário, as variações cambiais dizemse: i) ativas, quando são favoráveis ao contribuinte, gerandolhe receitas; e ii) passivas, quando o desfavorecem, implicando perdas. [...] Percebese que as receitas advindas de variações cambiais ativas são conseqüência direta das operações de exportação de bens e/ou serviços (conjugadas à oscilação cambial favorável), qualificandose como “receitas decorrentes de exportação”. De fato, o contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, estando diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas: o exportador vende a divisa estrangeira que receberá do comprador à instituição financeira autorizada a operar com câmbio, a fim de receber o pagamento em moeda nacional. Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 10 17 [...] Corrobora, por fim, o presente posicionamento, o fato de a imunidade em questão não ser concedida apenas às “receitas de exportação”, senão às “receitas decorrentes de exportação” (art. 149, § 2º, I). O adjetivo “decorrentes” confere maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional; evidencia, por consequência, a intenção, plasmada na Carta Política, de se desonerarem as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. Em suma, eventual variação da taxa de câmbio entre fechamento e a liquidação do contrato configura receita decorrente de exportação, sempre que seja favorável ao exportador. Logo, as receitas cambiais relativas à exportação estão abrangidas pela imunidade do art. 149, § 2º, I, da Carta Constitucional. [...] 4. Isso posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas negolhe provimento, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. 5. Recurso extraordinário conhecido e não provido. 6. Aos recursos sobrestados, que aguardam a análise da matéria por esta Corte, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE nº 627.815/PR, sessão de 23/05/2013, relatora Min. Rosa Weber) Pelo acima exposto, entendo que devem ser excluídas da base de cálculo do PIS as receitas decorrentes de variações cambiais ativas, no que assiste razão ao recurso quanto à esta segunda matéria. 3 Inclusão de valores relativos a créditos de ICMS como receita da empresa, para fins de tributação pelo PIS Ao analisar a terceira matéria, entendo que novamente deve ser suscitado o Art. 62A do Regimento Interno do Carf, que determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B do CPC devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. A questão relativa à tributação do valor relativo à transferência onerosa dos créditos de ICMS, também está pacificada desde o julgamento do RE 606.107/RS pelo Supremo Tribunal Federal que, tendo sido submetido à sistemática prevista no art. 543B do Fl. 2569DF CARF MF 18 CPC, deve ser obrigatoriamente aplicado por este colegiado. Na parte em que interessa ao presente julgamento transcrevo abaixo excertos da ementa do RE 606.107/RS: "(...) VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC." Com base no acima exposto, há que se reconhecer o direito de a contribuinte ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamento, no caso, sobre as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS. Assim, devese dar provimento a esta parte do recurso, relativa à terceira matéria recorrida. Conceito de Insumos Reclama a Recorrente que Autoridade Fiscal teria glosado créditos relacionados à aquisição de bens e prestação de serviços com o fundamento de que as mesmas não se enquadrariam dentro do conceito de insumos, pois não seriam diretamente aplicados na operação industrial da empresa. A recorrente também sustenta que todos os serviços estariam incluídos no conceito de insumos previsto no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002. As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que tratam de PIS e Cofins não cumulativos, abordam, genericamente, nos seus Arts. 3º, II, a possibilidade de se apurar créditos sobre insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como se vê acima, referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que normalmente se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos durante a atividade de uma empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, se de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem; de outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 11 19 crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Ou seja, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Por sua vez, tratandose de PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja “utilizado” na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Até se poderia generalizar que insumo seja considerado como qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços. Contudo, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação, embora não seja necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Como se vê, tal exigência, suficientemente clara, restringe as pretensões de se interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. Podemos aqui já tirar uma primeira conclusão, elementar, no sentido de que custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela Lei para que uma despesa gere crédito não se pauta pela circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, o que, para o caso, é irrelevante. Cabe também destacar que o Art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, ao falar em “insumos”, restringese aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Neste sentido, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes à prestação de serviços ou à produção de bens, como p.ex., as despesas financeiras. O que não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II do Art. 3º. Da mesma forma, as despesas administrativas, que não possuem relação coma receita oriunda da prestação de serviços ou da produção e fabricação de bens, não geram direito a crédito. O momento da sua utilização, se antes, durante ou após o término do processo produtivo, também deve ser considerado na definição de que determinado bem será (ou não) insumo. No caso, apenas os bens utilizados durante o processo produtivo são considerados insumos, assim, os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não devem ser considerados como insumos para fins de geração de créditos. Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos aplicáveis ao caso em exame. 4 Glosa de créditos oriundos de bens e serviços que teriam sido considerados como insumos pela Recorrente Conforme o Contrato de Operação De Usinas, efls. 1922 em diante, este foi firmado entre a Recorrente e a atualmente denominada Vale S.A.. A decisão recorrida, efl. 2082, relata que a glosa atingiu créditos decorrentes de serviços contratados pela Vale S.A., mas que teriam sido suportados pela Recorrente, registrados sob diversas rubricas. Fl. 2571DF CARF MF 20 Quanto às glosas referentes a serviços indiretos prestados à Recorrente, a matéria também já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão nº 3201002.179, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, quando foi decidido por reconhecer como possíveis de gerar créditos para as contribuições, somente as despesas referentes à contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Por concordar plenamente, com o voto condutor do referido acórdão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria: Conforme já esclarecido, apenas enquadramse com insumos para fins de creditamento os serviços adquiridos necessários para a percepção de receitas decorrentes da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A recorrente apresenta como objeto societário a produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a produção e venda de pelotas de minério de ferro. Tendo em vista o seu atuação empresarial, podese concluir que a contratação dos serviços técnicos acima descritos encontram se vinculados a sua atividade produtiva, de forma que se enquadram como insumos de seu processo produtivo, e, desta forma, gerando créditos no regime da não cumulatividade do PIS. Deve ser revista, portanto, a glosa destes créditos. 5 Glosa de créditos oriundos de despesas relativas aos serviços para as operações das usinas da Recorrente Quanto às demais glosas de créditos decorrentes de serviços contratados pela Vale S.A., conforme descritos na decisão recorrida, efl. 2082, foram também atingidos créditos decorrentes de serviços contratados pela Vale S.A., registrados sob as rubricas: "Fator K ", despesas gerais e " Fator Y" relativo ao custo financeiro de capital de giro provido pela Vale S.A., a natureza destes dispêndios encontrase prevista no contrato de efls. 1922 em diante. Da mesma forma como já decidiu o citado Acórdão nº 3201002.179, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, concordo que a análise da natureza destas despesas evidencia que as mesmas não dizem respeito a atividade produtiva da recorrente, mas, sim, correspondem a despesas administrativas e financeiras, que não geram direito a créditos do PIS no regime não cumulativo. Correto, portanto, o procedimento fiscal de glosa destes créditos. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 3201002.396 S3C2T1 Fl. 12 21 Diante de todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para que as receitas decorrentes de vendas à Vale S.A. sejam enquadradas como vendas ao mercado externo, bem como sejam excluídas da base de cálculo do PIS as receitas decorrentes de variações cambiais ativas e oriundas de transferências de créditos de ICMS. Devese, ainda, conceder os créditos vinculados às despesas com contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Porém, devem ser mantidas as demais glosas efetuadas pela fiscalização, relativas a serviços com despesas gerais (Fator K) e ao custo financeiro de capital de giro provido pela Vale S.A. (Fator Y). José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 2573DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904936/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.353
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 36 /2 01 2- 37 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.264. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000273/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1993
COFINS. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Salvo exceções expressa em lei no sistema jurídico brasileiro, impõe-se a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada ou alterada, bem
como dos seus efeitos, vedando-se a retroação da lei nova. Tal afirmação leva à inexorável conclusão de que a homologação tácita das compensações por decurso de prazo, somente alcança as declarações apresentadas a partir da vigência do § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, introduzido pela MP 135, de 30/10/2003.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS.
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Jorge Rubem Folena de Oliveira e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Salvo exceções expressa em lei no sistema jurídico brasileiro, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada ou alterada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Tal afirmação leva à inexorável conclusão de que a homologação tácita das compensações por decurso de prazo, somente alcança as declarações apresentadas a partir da vigência do § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, introduzido pela MP 135, de 30/10/2003. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 02 73 /2 00 5- 55 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Jorge Rubem Folena de Oliveira e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "O presente processo foi protocolizado por iniciativa da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul com o intuito de efetuar a cobrança de créditos tributários relativos à Cofins, declarados em DCTF pela empresa, os quais teriam sido extintos por compensação com base em processo judicial. Ação Cautelar interposta pela empresa (93.00.041487) deferiu o pedido de liminar para assegurar o direito do contribuinte de compensar os valores indevidamente pagos a título de FINSOCIAL com valores devidos de Cofins. Julgamento de mérito em 1ª instância confirmou a liminar deferida, entretanto o TRF da 2ª extinguiu o processo sem julgamento do mérito. Já ação ordinária no 93.00.591126, apesar de ter considerado procedente o pedido em primeira instância, julgou improcedente o pleito, em 2ª instância, dos contribuintes Randon S/A Implementos e Sistemas Automotivos e Randon Implementos S/A, uma vez que esses contribuintes não lograram comprovar a natureza de seus objetos sociais. A DRF de origem, tendo em vista os termos da decisão judicial, não homologou as Compensações efetuadas. Sendo assim, foi encaminhada Carta Cobrança (fls. 161/162), em nome da incorporadora Randon S/A Implementos e Participações, dos valores confessados como devidos em DCTF. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 164/183) defendendo o direito à suspensão da exigibilidade dos débitos cobrados, os quais teriam sido Fl. 445DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11020.000273/200555 Acórdão n.º 3201002.251 S3C2T1 Fl. 3 3 compensados com base em medida liminar deferida na Ação Cautelar nº 93.00.041487 (17 Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro), bem como para que fosse aplicado o rito estabelecido pelo Decreto n°70.235/1972. Traz para discussão os objetos sociais das empresas litigantes nas ações judiciais impetradas, defendendo sua natureza mista. Junta os documentos de fls. 203/224. Entende ser de observância obrigatória as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de argüição de inconstitucionalidade. Cita o disposto na IN SRF n° 32/1997, afirmando ser incontestável a legitimidade da compensação efetuada. Afirma que teria ingressado com pedido administrativo de compensação perante SRF, tendo em vista liminar concedida nos autos da Ação Cautelar já citada. Alega homologação tácita das compensações, nos termos do disposto no § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, introduzido pela Lei n° 10.637/2002, uma vez que as DCTFs teriam sido entregues no ano 1993. Não teria ocorrido sequer o lançamento dos débitos em aberto. Argumenta ainda que o Fisco deveria ter observado o prazo estabelecido pelo art. 150, § 4 do CTN, para homologar a compensação, sob pena de decadência. Por fim, discorda da cobrança da multa de mora e dos juros de mora por entender que os débitos foram extintos pela compensação implementada. Menciona a cobrança de taxa de 20% a título de honorários advocatícios, a qual entende indevida. O Setor de Arrecadação da Delegacia de origem, citando as alterações introduzidas na sistemática da compensação pela Lei n" 10.833/2003, encaminhou o processo para que esta DRJ apreciasse a manifestação de inconformidade apresentada (fls.234). Tendo cm vista o entendimento predominante na RFB ser no sentido de que compensações declaradas apenas em DCTF, que não tiveram pedido administrativo de compensação protocolado não seguem o rito do Decreto n°70.235/1972, sendo aplicável nesse caso a Lei n° 9.784/1999 (Lei geral do Processo Administrativo Federal), o processo foi devolvido à Delegacia de origem. Cientificada do Despacho de fls. 237/239, a interessada apresentou recurso administrativo (fls.252/276). Recorreu ainda ao Poder Judiciário requerendo a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados em DCTF, bem como para que fosse concedido o rito do Decreto nº 70.235/1972 para a manifestação de inconformidade apresentada. Concedida a liminar Judicial no Mandado de Segurança nº 2009.71.07.0012199 (fls.293/296), os autos retornaram a esta DRJ para julgamento. A decisão recorrida, consubstanciada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1993 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. DCTF ANTERIOR A 1997 INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA INCABÍVEL Não há que se falar em homologação tácita de compensação com base em informação prestada em DCTF anterior a 1997, uma vez que inexistia campo especifico nessa declaração para informar compensação eventualmente implementada. DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA PRESCINDÍVEL O LANÇAMENTO DE OFÍCIO A DCTF tem caráter de confissão de divida, sendo instrumento hábil e suficiente à cobrança dos débitos declarados, dispensando a lavratura de auto de infração. MEDIDA JUDICIAL IMPEDINDO A COBRANÇA DOS DÉBITOS DECLARADOS PRESCRIÇÃO INEXISTENTE Enquanto vigente medida judicial impedindo a cobrança de débitos declarados, não há que se falar em prescrição, uma vez que esta o Fisco impedido de cobrar os valores confessados. MULTA DE MORA JUROS DE MORA ACRÉSCIMOS LEGAIS São devidos juros de mora e multa de mora sobre valores recolhidos em atraso, por expressa determinação legal. Solicitação Indeferida” O sujeito Passivo cientificado da decisão da DRJ, interpôs recurso voluntários (fls. 352 a 375) alegando a inexistência de concomitância de ação judicial com o presente processo administrativo, decadência do direito do Fisco de exigir os créditos tributários, homologação tácita da compensação efetuada nos termos da Lei nº 9.430/96, homologação da compensação nos termos do Código Tributário Nacional e inaplicabilidade da multa e juros de mora. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção resolveu converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem nos seguintes termos. A minha divergência em relação ao voto proferido pelo ilustre conselheiro restringese a constatação de que não foram anexadas ao presente processo as decisões judiciais relacionadas ao Mandado de Segurança nº 2009.71.07.0012199, que tem por objeto a possibilidade de julgamento do presente recurso voluntário. Desta forma, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem anexe ao presente processo as decisões proferidas pelo Poder Judiciário relacionadas ao Mandado de Segurança nº 2009.71.07.0012199, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11020.000273/200555 Acórdão n.º 3201002.251 S3C2T1 Fl. 4 5 bem como esclareça se o processo já possui decisão transitada em julgado. Transitada em julgado a Ação Judicial nº 2009.71.07.0012199, a Unidade da Receita Federal anexou ao presente processo a decisão final que determinou a apreciação do processo administrativo (fls. 428 a 441). O Relator Original do processo não mais pertence a este Conselho e em atendimento ao regimento interno, foi realizado novo sorteio, cabendo a mim o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Nos termos detalhados no relatório, a Recorrente questiona o entendimento adotado pela primeira instância, em considerar a concomitância para a discussão sobre a compensação de pagamentos indevidos de Finsocial, nos termos previstos nas ações submetidas ao Poder Judiciário, Ação Cautelar nº 93.00,041487 e Ação Ordinária n.° 93.00.591126. A teor do relatado, a identidade da matéria discutida nos autos e Ações Judiciais está claramente delineada. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de aguardar a decisão final da esfera judicial para prosseguimento do julgamento, que foi confirmada em decisão final, portanto, cabe a este colegiado apreciar o recurso voluntário interposto pela Recorrente, entretanto, a matéria referente a inconstitucionalidade da exigência do Finsocial e a possibilidade de compensação com outros tributos exigidos pela Receita Federal é matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e a posição adotada deverá ser implementada pela Receita Federal de acordo com as sentenças prolatadas. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Quanto as demais matérias suscitadas no recurso voluntário, por trataremse de matérias distintas das ações judiciais e atenderem os pressupostos de admissibilidade deverão ser objeto de manifestação por parte deste colegiado. Quanto a decadência para cobrança dos débitos declarados em DCTF é necessário ressaltas que os débitos declarados em DCTF são confissão de dívida e portanto, passíveis de inscrição em dívida ativa. A Recorrente pede a aplicação da decadência à cobrança dos débitos declarados em DCTF, entendo não assistir razão ao recurso. Não se trata de constituir crédito tributário, mas, de exigir débitos já constituídos e que não foram objeto de cobrança em momento anterior, em razão das decisões judiciais que suspenderam os procedimentos atinentes à cobrança. A confissão do débito por meio de Declaração, foi tratado no art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84. “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretária da Receita Federal. § 1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito.” A art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 77/98 definiu quais as declarações do ITR e da DCTF, seriam possíveis de execução por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidas na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União.” Posteriormente, sobreveio a IN SRF nº 14/2000, que alterou as declarações possíveis de inscrição em Dívida Ativa da União, alterando as declarações que constituem em dívida. “Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11020.000273/200555 Acórdão n.º 3201002.251 S3C2T1 Fl. 5 7 “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Assim, descabe a aplicação da decadência para a cobrança dos débitos declarados em DCTF. Quanto a alegação de homologação tácita das compensações realizadas, a matéria foi objeto de manifestação por parte da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303003.300, de Relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, onde ficou assentado que a homologação tácita de pedidos de compensação somente aplicase a partir da edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5o do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. Recurso especial provido. Por concordar integralmente com a decisão prolatada na decisão da Terceira Turma, peço vênia para incluir o voto condutor daquele Acórdão e fazer dele também minhas razões de decidir. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. É nítida a divergência entre a decisão recorrida e o paradigma apresentado pela Fazenda, no tocante ao entendimento quanto à homologação tácita das compensações. Portanto, conheço do recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela contribuinte, contudo, intempestivamente. A ciência do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Procurador ocorreu em 19/11/2012 (fl. 209), segundafeira, e a apresentação das contrarrazões ocorreu em 05/12/2012 (fl. 210), quartafeira, ultrapassando o prazo de 15 dias do art.69 do RICARF, conforme consta do Despacho de Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Encaminhamento de fl. 417. Por isso, não conheço das contrarrazões da contribuinte. A teor do relatado, a matéria devolvida ao Colegiado cingese em decidir se a compensação realizada pelo sujeito passivo, à data da decisão da autoridade preparadora, encontravase homologada tacitamente. O colegiado recorrido entendeu que na data em que fora prolatado o despacho decisório já se havia exaurido o prazo da homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003. O Regime jurídico das compensações relativas a tributos administrados pela Receita Federal é regido pelo art. 74 da Lei 9.430/1996 e suas alterações. Dentre essas, ganha destaque a introduzida pelo art. 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, resultado da conversão em Lei da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002. A grande alteração trazida por essa MP foi a que previu que a declaração de compensação extinguiria, antecipadamente, o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação 1 . Outra mudança que merece ser citada foi a do § 4º desse mesmo artigo2 que transformou os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em declarações de compensação, desde o seu protocolo. Posteriormente, o art. 17 da Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, introduziu novas alterações no art. 74 da Lei 9.430/1996, dentre as quais destacase o § 5º 3, que fixa prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para a homologação da compensação declarada. Diante desse quadro de alterações na legislação, a pergunta a ser feita é: essas mudanças na legislação de regência alcançam os pedidos de compensação protocolados sob o auspícios da legislação anterior? No caso da transformação de pedidos de compensação em declaração de compensação, dúvida não há, pois a Lei expressamente faz essa transformação. Todavia, no tocante à criação do prazo de homologação, essa alteração alcança apenas as compensações efetuadas a partir da vigência do dispositivo legal que introduziu tal prazo no ordenamento jurídico, ou seja, a partir de 30 de outubro de 2003, data em que foi editada a Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinados. Tampouco há dificuldade de entender os efeitos da lei nova 1 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 2 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 3 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11020.000273/200555 Acórdão n.º 3201002.251 S3C2T1 Fl. 6 9 sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, haja alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária faria com que o processo fosse regido por uma única lei, a nova ou a velha. Mas como, em 4 regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, defende que o processo seria constituído de fases autônomas (postulatória, instrutória e de julgamento), cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais. Segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados e passa a disciplinar os demais a partir de sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Na linha desse raciocínio, temse que se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. Não se pode olvidar, ainda, alguns princípios norteadores do sistema processual brasileiro, tais como o Princípio da Imediatividade, o Princípio da Irretroatividade da Norma Processual, e o Princípio do Tempus Regit Actum. Pelo primeiro, entendese que, uma vez vigente, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros a partir de então, como previsto no 5 art. 1.211 do CPC; já pelo segundo, o da irretroatividade da lei processual, temse a impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o abrigo da lei antiga, por força do primado constitucional da defesa do direito adquirido e da proteção aos efeitos do ato jurídico perfeito, e, finalmente, pelo terceiro, que nada mais é do que a síntese dos dois primeiros, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. 4 Regra geral, a lei produz efeitos para frentes, à exceção da lei penal mais benéfica e da que for meramente interpretativa. 5 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Sob esse prisma, a lei em vigor na data da protocolização do pedido de compensação, ou da entrega da declaração de compensação, rege todo o processo. Hoje, encontrase apascentado, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o curso normal do processo e, uma vez inserida nova norma processual ao ordenamento jurídico, em relação a processo pendente, essa novel legislação regerá apenas os atos que ainda deverão ser praticados. Esse isolamento dos atos processuais garante que a lei nova não alcançará os efeitos produzidos por atos já realizados até aquela fase do processo, por ato préexistente à nova lei. É por demais óbvio que para os processos iniciados após a vigência da norma nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início, serão regidos por essa nova legislação. Sobre o tema, Galeno Lacerda 6, ensina que a lei nova "não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é, não pode ferir os respectivos direitos processuais adquiridos. O princípio constitucional de amparo a esses direitos possui, aqui, também, plena e integral vigência". Cândido Dinamarco Rangel, um dos maiores expoente da Teoria Geral do Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações seguintes: quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; quando retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; quando haja redução da possibilidade de ampla defesa, quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes. De outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, traz, numerus clausus, as situações em que a lei tem efeitos pretéritos, quais sejam: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 6 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11020.000273/200555 Acórdão n.º 3201002.251 S3C2T1 Fl. 7 11 A situação tratada nos autos não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas no artigo transcrito linhas acima, o que leva à conclusão inexorável que a alteração legislativa que introduziu o prazo de homologação tácita da compensação tributária não retroage para alcançar os pedidos efetuados anteriormente à vigência dos dispositivos veiculadores desse prazo. Por último, registro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre a lei aplicável à compensação. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. 1. Inexiste contradição em acórdão que lança premissas harmônicas com as conclusões adotadas. 2. A jurisprudência atual da 1ª Seção é no sentido de que a compensação tributária há de regerse pela lei vigente no momento em que o contribuinte a aciona. 3. No caso, a compensação estava vinculada aos ditames da Lei nº 9430 de 1996, que exigia requerimento prévio ao órgão arrecadador. 4. Embargos rejeitados. (EDcl no AgRg no REsp 701865/MG EMBARGOS DE : DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/01596046, Rel Ministro JOSÉ DELGADO DJ 22/05/2006 p. 152). Diante do exposto, a conclusão inexorável é a de que a homologação tácita, por decurso de prazo, introduzida no ordenamento jurídico das compensações alcança os pedidos convertidos em Dcomp, mas apenas no sentido de que o prazo introduzido pela MP 135, de 30 de outubro de 2003, contase a partir dessa data, não havendo possibilidade de ser aplicado retroativamente. Aplicandose tal entendimento ao caso concreto, não há homologação tácita para nenhum dos pedidos ora em apreço, uma vez que todos foram todos examinados antes de 29 de outubro de 2008. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a homologação tácita das compensações sob exame, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que examine as demais questões acerca dessas compensações. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de março de 2015.(Acórdão nº 9303003.300, Sessão de 25/03/2015, Relator Henrique Pinheiro Torres) Quanto a multa de mora, a exigência está prevista no art. 61, da Lei 9.430/96, sendo aplicada quando o contribuinte não paga os débitos tributários no prazo previsto na legislação específica. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)” O contribuinte também se insurge contra a cobrança de juros de mora e utilização da taxa SELIC. Também nesta matéria não assiste razão a recorrente, os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Depreendese da leitura do § 1º que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do DecretoLei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do DecretoLei 2.323/87 com redação dada pelo artigo 6º do Decreto Lei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91. Quanto ao cabimento da cobrança de juros de mora, utilizando a taxa SELIC. O CARF editou a súmula nº 4, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Por fim, consta do recurso, diversas alegações de ofensa a princípios constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11020.000273/200555 Acórdão n.º 3201002.251 S3C2T1 Fl. 8 13 “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário quanto a matéria submetida ao poder judiciário e negar provimento ao restante do recurso. Winderley Morais Pereira Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10480.908667/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.288
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 67 /2 01 2- 01 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908667/201201 Acórdão n.º 3201002.288 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.561, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908667/201201 Acórdão n.º 3201002.288 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908667/201201 Acórdão n.º 3201002.288 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908667/201201 Acórdão n.º 3201002.288 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908667/201201 Acórdão n.º 3201002.288 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908667/201201 Acórdão n.º 3201002.288 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 15586.720025/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para a COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 25 /2 01 1- 28 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância, com as devidas adições. Trata o presente de Pedido de Ressarcimento nº 04110.68024.310107.1.1.090050 e DCOMP abaixo relacionadas, relativos à COFINS nãocumulativa Exportação, do 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 21.348.284,21. PER/DCOMP 38175.68119.310107.1.3.099130 23083.91162.280207.1.3.099785 27182.76931.300307.1.3.099416 18194.43004.281108.1.3.095927 De acordo com o Parecer nº 48/2011 (fls. 163/173) foi apurado o que se segue: Os exames da escrituração e documentação da Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco apurou a existência de débitos de contribuição que foram objeto de lançamento do crédito tributário por meio do auto de infração formalizado pelo processo nº 15586.001586/201043. Quanto à apuração do crédito a descontar, foram efetuadas as seguintes glosas: a) Serviços classificados como insumos Foram glosados créditos calculados sobre serviços que não são, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na fabricação de seu produto. Entre esses serviços encontramse: serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria de engenharia; serviços de operação e manutenção de aterro industrial; serviços controle e consultoria ambiental; informações de indicadores econômicos; assessoria econômico financeira e contábil; locação de andaimes, sanitários químicos Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 763 3 e outros módulos; serviços topográficos; desenvolvimento de softwares;compras de bens de uso e consumo; entre outros, todos estampados no “Demonstrativo de Glosa de Créditos de PIS e Cofins”, fls.156/161. b) Serviços de operação da usina O contribuinte também aproveitou créditos sobre serviços prestados pela Companhia Vale do Rio doce – CVRD, atualmente denominada Vale S/A, identificados em seus demonstrativos como Fator C, Fator K e Fator Y. De acordo com o contrato apresentado, fls.96/124, tratase da prestação de serviços necessários e dos serviços correlatos por parte da CVRD, para o funcionamento da usina de pelotização da NIBRASCO. Nos termos do item VI do contrato, os fatores apontados referemse à compensação monetária pela operação normal da usina, nos quais estão inclusos os seguintes elementos: Fator C: valor dos materiais, serviços e suprimentos diretamente medidos na operação da usina; valor para a NIBRASCO dos serviços e materiais complementares relativos ao Departamento de Pelotização da CVRD, tais como inspeções, controle de qualidade, oficinas, sala de controle, engenharia industrial, transporte de pessoal e de materiais, etc.; valor para a NIBRASCO correspondente ao total das despesas com mãode obra e respectivos encargos e provisões do Departamento de Pelotização da CVRD dividido pelo número de usinas operadas pela CVRD na Ponta de Tubarão. Fator K: despesas gerais da CVRD. Referese a todas as despesas incorridas pela CVRD, em Vitória e no Rio de Janeiro, pela prestação de serviços necessários ou úteis para a administração regular da NIBRASCO, entre os quais: telex e outras modalidades de comunicação, elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, órgãos de pessoal, comercial e de compras, assistência jurídica e fiscal, estatística, serviços de contabilidade e custo, etc., que não estejam incluídos em nenhum componente da compensação. Fator Y: componente voltado a compensar a CVRD pelo custo financeiro do capital de giro que a CVRD proverá para a operação e manutenção da Usina, através da manutenção em estoque de sobressalentes e de materiais de consumo. Observase da análise dos componentes da compensação pela operação da usina que vários deles não são aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro e, por conseguinte, não se subsumem ao conceito de insumo para aproveitamento de crédito da contribuição para o PIS. Nesta condição estão os serviços voltados à administração regular da NIBRASCO abarcados pelo Fator K. No tocante ao Fator Y, salientase que a legislação somente estabeleceu o aproveitamento de créditos sobre os valores das aquisições de bens para a industrialização, não integrando o cálculo as Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 aquisições de bens de consumo e o custo financeiro atinente à manutenção em estoque. Além da lavratura do citado auto de infração, a reversão da receita do mercado externo em receita do mercado interno influencia os valores passíveis de ressarcimento e/ou compensação, pois como já visto, somente são passíveis de ressarcimento e/ou compensação os valores dos créditos vinculados à receita de exportação. O valor do crédito a descontar vinculado às receitas de exportação foi determinado com base no rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, regime adotado pelo contribuinte. O Parecer e Despacho Decisório (fls. 163/173 e 176) reconheceu o direito creditório no valor de R$ 11.429.241,52 e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. A ciência foi efetuada em 29/03/2011 (fl. 177) e a manifestação de inconformidade (fls. 181/260) foi apresentada em 28/04/2011, alegando em síntese: O despacho decisório é nulo por não conter a descrição dos fatos constantes do processo nº 15586.001586/201043. A interessada contesta as razões do auto de infração nº 15586.001586/201043, que considerou como vendas no mercado interno as vendas de pelotas para a CVRD informadas no DACON como com fim específico de exportação. Insumo é um conceito mais amplo do que o alegado pela fiscalização. Os serviços glosados oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. A glosa dos serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção contraria o entendimento manifestado pela RFB na Solução de Consulta nº 30/2010. Quanto ao FATOR K são serviços necessários à operação de industrialização e, portanto, passíveis de creditamento. Cita Acórdão nº 1629677 de 2011 da 9ª Turma da DRJ SP1 que trata da possibilidade de apuração de crédito de insumos relativos à armazenagem de mercadoria e frete. Quanto ao FATOR Y (matérias de estoque sobressalente e materiais de consumo) cita o Acórdão nº 0627264 de 2010 da 3ª Turma da DRJ Curitiba. Por fim, requer perícia para comprovação do caminho que percorrem as pelotas." Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 764 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NULIDADE Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. MATÉRIA JÁ APRECIADA. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo anterior relativo ao mesmo período e mesmo tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a autuada apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação, reafirmando o direito a isenção, em razão das suas vendas terem como destino final a exportação e o direito aos créditos decorrentes de serviços que teriam sido usados "indiretamente " no processo produtivo. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. No presente processo discutese a isenção para a venda de produtos ao exterior em que a Fiscalização entende não estar comprovada a exportação. A discussão presente no processo trata de identificar se as operações da Recorrente configuram exportação que estariam isentas do PIS e da COFINS e glosas realizadas pela Fiscalização referente a serviços prestados de forma "indireta" à Recorrente. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 765 7 b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Verificase que a informação da remessa das mercadorias para recinto não alfandegado estão dentre os motivos da exigência fiscal. Dai concluise que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, posição que é sustentada pela Recorrente. A matéria já é conhecida desta turma e já foi enfrentada em outros julgamentos. A Recorrente já teve a matéria referente a discussão da venda de pelotas para o exterior enfrentada por este colegiado no Acórdão nº 3201001.949, que após duas diligências, decidiu que a operação de venda de pelotas de ferro pela Recorrente configura exportação e que os produtos fabricados pela Recorrente são revendidos a CVRD tendo como destino a exportação. Transcrevo abaixo, trecho extraído do voto vencedor, daquele acórdão em que é detalhado o entendimento da turma. Nos termos já bem detalhados no relatório, a turma de julgamento na busca dos esclarecimentos fáticos necessários a solução da lide converteu o julgamento por duas vezes em diligência para apurar se as alegações da Recorrente quanto a exportação das Pelotas de Ferro foram enviadas para a CVRD com o fim exclusivo de exportação. As duas diligências confirmaram que os produtos industrializados pela Recorrente tiveram como destino final a exportação. As conclusões constantes do segundo termo de diligência fiscal apontam para a existência da transferências das pelotas de ferro para a CVRD. A análise das informações colhidas pelas diligências fiscais, deixa evidente o fato que as vendas dos produtos em discussão nos autos foi realizada pela Recorrente à CVRD. O fato do pátio da Recorrente não ser alfandegado em nada interfere na fruição da isenção do PIS e da COFINS. O art. 14, IX da MP nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, que considera a venda para Fl. 769DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 766 9 exportação para empresa que realize operações de comércio exterior e esteja devidamente registrada no SISCOMEX é suficiente para configurar a isenção do PIS e da COFINS. As operações em discussão nos autos não ocorre somente com a Recorrente, existindo outras empresas que operam de forma similar, industrializando produtos que posteriormente são vendidos a CVRD para exportação, estas empresas também atuam na área do Porto de Tubarão e foram também objeto de lançamento para exigência fiscal, nos termos constantes do presente lançamento. Duas destas atuações já foram enfrentadas pelo CARF, sendo decidido pela isenção do PIS e da COFINS nas operações realizadas com a CVRD. Uma dos julgados ocorreu no Acórdão 3402003.299 da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, quando em sede de recurso de ofício, por unanimidade, manteve a decisão da primeira instância que considerou isentas as operações realizadas nos mesmos moldes da Recorrente.O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício e aquelas informadas nos DACON, sujeitase à exigência por meio de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Excluise da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.(Acórdão3402003.299, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Sessão de 18/09/2014) A matéria também foi enfrentada por esta Primeira Turma no Acórdão 3201001.459, que por unanimidade, também decidiu pela comprovação da exportação e da isenção das contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. (Acórdão 3201 001.459, Relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão de 22/10/2013) Conforme, bem esclarecido nas diligências fiscais. As operações da Recorrente e a CVRD com a finalidade de exportação foram confirmadas. Assim, a Recorrente faz jus a isenção da COFINS.(Acórdão nº 3201001.949, Rel. Winderley Morais Pereira. Sessão de 09/12/2015) Portanto, considerando que os fatos do presente processos dizem respeito a mesma matéria já enfrentada no Acórdão nº 3201001.949, confirmase que a operação realizada pela Recorrente configura exportação, fazendo jus a isenção do PIS e da COFINS. Quanto a matéria referente a glosa dos créditos decorrentes dos serviços "indiretos" prestados à Recorrente. A matéria também já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão nº 3201002.178, de Relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, quando foi decidido por reconhecer como possíveis de gerar créditos para as contribuições, somente as despesas referentes à contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Por concordar plenamente, com o voto condutor do referido Fl. 771DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 767 11 acórdão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime da não cumulatividade, correspondente ao 2° trimestre de 2006, e que foi parcialmente indeferido pela unidade da RFB jurisdicionante do sujeito passivo. A lide centrase em dois pontos, quais sejam: a isenção ou não de receitas decorrentes da venda de mercadorias para empresa comercial exportadora, que o Fisco entende corresponder a receitas obtidas no mercado interno; e a possibilidade de geração de créditos no regime da não cumulatividade relacionada a serviços contratados. Das Vendas Realizadas à Empresa Comercial Exportadora As receitas decorrentes de operações de venda à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, são isentas da Contribuição para o PIS/Pasep, conforme estabelecido pelo artigo 5°, inciso III da Lei n° 10.637/2002: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (grifo nosso) A recorrente teria informado em seus documentos fiscais que as receitas tributadas teriam natureza de vendas no mercado interno. Afirma, contudo, que tais informações seriam incorretas Fl. 772DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 pois se tratariam de vendas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, e que já teria procedido as retificações necessárias. Para comprovar o alegado, anexa aos autos diversos documentos, como o contrato firmado com a empresa adquirente, CVRD, caracterizada como empresa comercial exportadora, e que as mercadorias teriam sido entregues em recinto alfandegado. Explicitada a lide, esclarecese que o artigo 1° do DecretoLei n° 1.248/1972 define que as mercadorias comercializadas junto à empresa comercial exportadora, para serem caracterizadas como destinadas a exportação, devem ser diretamente remetidas do estabelecimento produtor/vendedor para o embarque de exportação ou para depósito alfandegado da adquirente: Art.1° As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Em procedimento de diligência fiscal, restou comprovado que o pátio da CVRD, ao qual as mercadorias foram enviadas, era considerado alfandegado à época em que ocorreram as vendas. A fiscalização afirma, contudo, a entrega das pelotas não se dava no pátio da CVRD, e sim nos pátios da própria recorrente, e referidos pátios não eram alfandegados. A contenda de deve a forma como era efetivada a tradição da mercadorias. As pelotas eram industrializadas no parque industrial da recorrente, que fica ao lado do recinto alfandegado da CVRD, enviados ao pátio deste parque industrial, e seguiam por meio de esteiras até o citado recinto alfandegado. Em que pese o alegado pela fiscalização, mesmo com a obrigação de se seguir a previsão contida no artigo 111 do CTN, que determina a obrigatoriedade da interpretação literal de legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, as mercadorias foram enviadas do estabelecimento da recorrente para o recinto alfandegado da CVRD, que, de forma incontroversa, é empresa comercial exportadora. O fato da empresa ter alocado as mercadorias vendidas em seu pátio antes da envio, por meio de esteiras, à CVRD, não Fl. 773DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 768 13 descaracteriza a sua entrega diretamente ao recinto alfandegado. Entendese, desta forma, que a recorrente tem direito a isenção do PIS em relação às receitas objeto da lide, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário quanto à matéria. Dos Créditos Glosados Insumos A autoridade fiscal glosou créditos requeridos pela recorrente relacionados a serviços contratados junto a determinados prestadores de serviço e a serviços contratados pela CVRD, mas que teriam sido suportados pela própria recorrente. A recorrente sustenta que todos os serviços estariam incluídos no conceito de insumos previsto no artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Em relação ao conceito de insumos para fins de geração de créditos no regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, entendo, em consonância com o pensamento de Marco Aurélio Greco1, que deve ser observado processo formativo da receita daquela pessoa jurídica. E este processo formativo da receita inclui todos os elementos, sejam eles físicos ou funcionais, necessários para a obtenção desta receita. Claro que este entendimento não pode vir dissociado das hipóteses previstas na legislação como passíveis da geração de créditos. O legislador especificou, no artigo 3º da Lei nº 10.637/02, quais situações passíveis de geração de créditos, deixando de fora desta lista determinados custos e despesas. Caso a lei tivesse por objetivo adotar a generalidade, bastaria fazer uma alusão genérica a toda e qualquer despesa ocorrida e que estivesse sujeita, anteriormente, à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. Como esta não foi a forma adotada pela legislação, não se pode entender como insumos despesas que dizem respeito a todo e qualquer aspecto da atividade de uma empresa. Pois bem, o artigo 3º destas leis, ao falar de “insumos”, restringese aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes a prestação de serviços ou a produção de bens, tais como as despesas financeiras. Isto não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II deste artigo. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Pelo mesmo raciocínio, as despesas administrativas, por não terem relação ao processo formativo da receita na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, não geram direito a crédito. Outro aspecto importante para a definição de determinado bem como insumo é o momento em que este bem é utilizado, se antes, durante ou após o término do processo produtivo. Como já esclarecido, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, de forma que os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não são considerados insumos para fins de geração de créditos. Do exposto, conceituamos insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade, ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Também não se enquadram como insumos os bens destinados ao ativo imobilizado, posto que os créditos referentes a estes bens estão incluídos em hipóteses distintas de creditamento, e devem ser apropriados por meio de calculo de depreciação. Esclarecese, ainda, que diante das particularidades deste regime tributário, o direito aos créditos se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja a de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Assim, em sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Desta forma, o direito aos créditos da não cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Caso o contribuinte não comprove possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 769 15 Esclarecidos os conceitos a serem adotados neste voto, serão apreciados, inicialmente, os créditos vinculados a serviços contratados diretamente pela recorrente. Foram glosados os créditos vinculados a contratação dos seguintes serviços: Conforme já esclarecido, apenas enquadramse com insumos para fins de creditamento os serviços adquiridos necessários para a percepção de receitas decorrentes da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A recorrente apresenta como objeto societário a produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a produção e venda de pelotas de minério de ferro. Tendo em vista o seu atuação empresarial, podese concluir que a contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental encontramse vinculados a sua atividade produtiva, de forma que se enquadram como insumos de seu processo produtivo, e, desta forma, gerando créditos no regime da não cumulatividade do PIS. Deve ser revista, portanto, a glosa destes créditos. Os serviços de topografia; gerenciamento de projetos de engenharia; locação de sanitários portáteis hidráulicos; disponibilização de informações especializadas e de indicadores econômicos e financeiros; consolidação, agenciamento e transporte internacional de cargas; gerenciamento e fiscalização de projetos de engenharia; auditoria e consultoria tributária, contudo, por não haver comprovação de que estão diretamente vinculados a sua atividade produtiva, não geram direito a créditos. Percebase que tais serviços, por se referirem a projetos de engenharia civil, ou dizerem respeito a áreas administrativas da recorrente, como o setor comercial ou tributário, não se caracterizam como serviços vinculados a sua atividade Fl. 776DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 produtiva, de forma que mostrase correta a glosa de tais créditos. Em relação aos créditos decorrentes de serviços contratados pela CVRD, mas suportados pela recorrente, foram glosados créditos correspondentes a serviços com despesas gerais (Fator K) e pelo custo financeiro de capital de giro provido pela CVRD (Fator Y). A natureza destes dispêndios encontrase prevista no contrato celebrado entre a recorrente e a CVRD, neste termos: Fl. 777DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15586.720025/201128 Acórdão n.º 3201002.398 S3C2T1 Fl. 770 17 Em análise a natureza destas despesas, resta claro que as mesmas não dizem respeito a atividade produtiva da recorrente, mas, sim, correspondem a despesas administrativas e financeiras, que não geram direito a créditos do PIS no regime não cumulativo. Correto, portanto, o procedimento fiscal de glosa destes créditos. Da conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, devendo as receitas decorrentes de vendas a CVRD serem enquadradas como vendas ao mercado externo, bem como sendo concedidos os créditos relacionados que a contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental, mantendose a glosa em relação aos demais serviços analisados neste acórdão. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Assim, em conssonancia com a decisão já prolatada por esta Turma, entendo, que na apuração das contribuições não cumulativas, a Recorrente pode auferir créditos referentes a contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental, mantendose o restante das glosas referentes as despesas de serviços realizadas pela Fiscalização. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que a venda das produtos da Recorrente tiveram como destino a exportação e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 Winderley Morais Pereira Fl. 779DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/10/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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