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Numero do processo: 35273.000238/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006
MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.161
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores de salário de contribuição dos segurados empregados obtidos por aferição indireta lançamentos sob a rubrica "AFE NOTAS FISCAIS".
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores de saláriodecontribuição dos segurados empregados obtidos por aferição indireta lançamentos sob a rubrica "AFE NOTAS FISCAIS". Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35273.000238/200794 Acórdão n.º 240102.161 S2C4T1 Fl. 146 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.048.6455, lavrada contra o contribuinte acima, na qual foram incluídas as contribuições dos segurados empregados e as contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 34/36, as contribuições foram apuradas por arbitramento, tendo em vista que a empresa apresentou documentação deficiente. Assevera o Fisco que no Livro Caixa exibido não há registros de pagamento de Anotações de Responsabilidade Técnica, as quais existiram conforme diligência realizada na Inspetoria do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA. Acrescenta a Auditoria que, embora o sóciogerente da empresa notificada, prestasse serviço em várias localidades do país, não há qualquer registro contábil de despesas com deslocamento e estadia. Afirmase que o saláriodecontribuição foi apurado pela aplicação da alíquota de 40% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela notificada, as quais estão agrupadas no levantamento “SER”. Acrescentase que na competência 12/2004 o lançamento denominado “GLOSA” referese a valores recebidos a maior pela notificada em processo de restituição. A empresa apresentou impugnação, fls. 41/57, na qual, em síntese, arguiu a nulidade do lançamento, por não haver justificativa para aferição indireta da base de cálculo, além de que é ilegal a utilização da taxa SELIC para fins tributários, bem como, a multa aplicada é inconstitucional por possuir caráter de confisco. A DRJ em Santa Maria (RS) baixou o processo em diligência, fl. 90, para que a Autoridade Notificante esclarecesse sobre quais remunerações recaíram a aferição indireta, se as dos empregados ou a do sóciogerente. Também questionouse a mera falta de registro contábil dos pagamentos de ART seria motivo a justificar o arbitramento e a glosa de valores já restituídos ao sujeito passivo. Na Informação Fiscal acostada à fl. 92, a Auditoria apresenta mais fatos para comprovar que houve emissões de ART, cujos pagamentos não foram lançados no Livro Caixa. Quanto ao pagamento de despesas de locomoção e estadia, asseverou o Fisco que em contrato de prestação de serviço apresentado não havia qualquer cláusula prevendo que o ônus dessas despesas seria da empresa contratante. Concluiu o Fisco que deva ser mantida o arbitramento das contribuições, assim como a “glosa” de valores restituídos ao sujeito passivo. Cientificado do pronunciamento fiscal, o sujeito passivo não se manifestou. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A DRJ em Santa Maria declarou procedente o lançamento, fls. 99/101. Entendeu o órgão a quo que as falhas apontadas pelo Fisco justificariam a aferição indireta das contribuições. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 104/114, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, invocado pelo Fisco, não justifica, na espécie, a adoção do arbitramento; b) não houve sonegação de documentos ou mesmo a comprovação de que os registros contábeis seriam imprestáveis; c) as falhas apontadas não justifica o arbitramento, posto que não recaíram sobre parcelas necessárias ao cálculo do tributo devido; d) somente é cabível a aferição, quando o Fisco não dispõe de meios para apurar as contribuições, o que não é o caso que os autos apresentam; e) as despesas com deslocamento e hospedagem são de responsabilidade dos contratantes, não se sustentando o argumento do Fisco de que essas parcelas não teriam sido contabilizadas pela recorrente; f) a jurisprudência pátria não admite a adoção do procedimento de aferição indireta da base de cálculo em situação análogas a que ora se analisa; g) o Fisco ao arbitrar o tributo feriu o princípio da legalidade; h) a multa aplicada possui caráter confiscatório. Ao final requer o cancelamento da NFLD ou a redução da multa aplicada. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35273.000238/200794 Acórdão n.º 240102.161 S2C4T1 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Limites da lide Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. Do Relatório de Lançamentos – RL, verificase que na apuração foram utilizadas remuneração de empregados (para todas as competências); remuneração de contribuinte individual (para a competência 12/2005) e glosas de valores restituídos. Verifico que, quanto aos valores apurados, o sujeito passivo insurgese apenas quanto a aferição indireta do saláriodecontribuição dos empregados. Nesse sentido, considerase impugnada apenas essa matéria, posto que, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte acusada. Nesse sentido, irei me centrar apenas na questão do arbitramento das contribuições e na arguição relativa à multa. Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) Fl. 149DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendê la imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãoobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 150DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35273.000238/200794 Acórdão n.º 240102.161 S2C4T1 Fl. 148 7 Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Multa caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação principal é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da mesma pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fisca aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no anexo Fundamentos Legais do Débito Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula do CARF que trata da questão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Diante de todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, de modo que sejam afastados do lançamento os valores de saláriodecontribuição dos segurados empregados obtidos por aferição indireta (lançamentos sob a rubrica “AFE – NOTAS FISCAIS”. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 151DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001251/2003-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
Ementa:RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra
da moeda reveste-se em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplica-se a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas.
Numero da decisão: 9303-001.385
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: NANCI GAMA
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa:RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto. Nanci Gama Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face ao acórdão de n.º 20313.817, o qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte para excluir, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores das aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como para excluir a incidência da taxa Selic sobre o saldo credor de IPI do contribuinte, conforme ementa a seguir: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PRODUTORES RURAIS. PESSOAS FÍSICAS. O valor da matériaprima, do produto intermediário e do material de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes do PIS e da Cofins não integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI. Recurso negado.” Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando, em síntese, que outros acórdãos, utilizados como paradigmas, entenderam que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores das aquisições de insumos de pessoas físicas, eis que a lei 9.363/96 prevê, tão somente, que estão incluídos, na base de cálculo desse crédito presumido, os insumos utilizados na produção da mercadoria final, não prevendo, dessa forma, qualquer restrição acerca da origem dos mesmos. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001251/200317 Acórdão n.º 930301.385 CSRFT3 Fl. 278 3 Além disso, aduziu, ainda, quanto à questão referente à taxa Selic, que outros acórdãos, também utilizados como paradigmas, entendem que a mesma incide sobre o saldo credor de IPI, nos casos de restituição. Em despacho de fls. 256, o i. presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Especial do contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões às fls. 259/275, requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheira NANCI GAMA Conheço o Recurso Especial interposto pelo contribuinte eis que tempestivo e, ao meu ver, encontramse reunidos todos os pressupostos de admissibilidade previstos no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF de nº 256/2009. A controvérsia trazida à esta sede superior de julgamento pelo contribuinte cingese em determinar dois aspectos, quais sejam: (i) se as aquisições de insumos de pessoas físicas ou de cooperativas podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) se incide a taxa Selic sobre os créditos objeto de pedido de ressarcimento. Primeiramente, vale mencionar que a controvérsia acerca da inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, de valores oriundos da aquisição de insumos de pessoas físicas, não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS, existe por conta da publicação das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nos 23/97 e 103/97, as quais limitam os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96, impondo que o direito ao crédito presumido de IPI somente pode ser configurado para aquisições de pessoas jurídicas, sendo excluídas, ainda, as aquisições de cooperativas. Em ambos os casos, o fundamento para essas Instruções Normativas é o mesmo, qual seja, o de que o benefício do crédito presumido de IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e Cofins, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador, houver incidência dessas contribuições sociais. Eis as suas transcrições: IN SRF n° 23/97: “Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” Fl. 299DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001251/200317 Acórdão n.º 930301.385 CSRFT3 Fl. 279 5 IN SRF n° 103/97: “Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido.” A matéria já foi objeto de diversos julgados nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo pertinente trazer à tona as conclusões do doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira1, mencionado no voto da nobre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do Recurso Especial nº 215.839: “VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em 1 DE OLIVEIRA, Ricardo Mariz in “Crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS – direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas” Fl. 300DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas).” E, como muito bem dito em referido voto proferido pela nobre conselheira Maria Teresa Martinéz López, “na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício”. Inclusive é esse o entendimento consolidado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a saber: 1)“(...) mesmo quando o produtorexportador adquire matériaprima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo.(...)” 2 2 REsp 529.758SC, STJ, Ministra Eliana Calmon. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001251/200317 Acórdão n.º 930301.385 CSRFT3 Fl. 280 7 2)“TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO – ART. 1º DA LEI N. 9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL – ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringese à limitação da incidência do art. 1º da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2º, § 2º da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posicionase no sentido da ilegalidade do art. 2º, §2º da IN 23/97. Recurso especial improvido.” 3 (grifouse) 3)“TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INSUMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN –SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃOPROVIDO. 1. O apelo especial da Fazenda Nacional prendese à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1º da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento à apelação movida pelo órgão fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia têlo feito a IN SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI ” (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 3 REsp 719.433CE, STJ, Ministro Humberto Martins. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Min. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Min. Eliana Calmon. 5. Recurso especial nãoprovido.”4 (grifouse) Assim, quanto à inclusão de valores oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, entendo que merece prosperar o Recurso Especial do contribuinte. Quanto à questão referente à correção monetária do crédito do contribuinte pela taxa Selic, entendo que também merecem prosperar as razões do contribuinte. O cabimento da taxa Selic em matéria de ressarcimento de IPI também foi muito bem explicitado pela ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez López, em seu voto proferido no Recurso 201125.339, a quem peço vênia para reproduzir como meu, conforme abaixo segue: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos5. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. 6 No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse sentido, vejamse precedentes jurisprudenciais reconhecendo a aplicação da taxa SELIC.7 Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. 4 REsp 921.397CE, STJ, Ministro José Delgado. 5 REsp. 667308/ SC; REsp. 412.710∕SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJU 08∕09∕2003. REsp 416.776∕RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJU 16∕02∕2004 e REsp 541.505∕PR, Rel. Min. José Delgado, DJU 20.10.2003, e REsp 412.710∕SC. 6 Vejase os acórdãos 20302.719/96, 20208.583/96, 20208.594/96 e 20302.719/97. 7 A matéria já foi objeto de vários julgados dos Conselhos de Contribuintes, (ACÓRDÃO 20213.920, sessão de 09/07/2002; ACÓRDÃO 20177.484 , sessão de 16/02/2004, incluindo CSRF ( CSRF/0201.732, sessão de 13 de setembro de 2004; e CSRF/020.762, DOU de 06/08/99; Acórdão nº CSRF/020.708, de 04/06/98), reconhecendo, tratandose de restituição de crédito de IPI, o direito à atualização do crédito pela taxa SELIC. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001251/200317 Acórdão n.º 930301.385 CSRFT3 Fl. 281 9 De outra frente, poderseia invocar que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, não seria apropriada em razão de não ser especificamente taxa de atualização monetária. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Há de se lembrar que o crédito presumido, quando aproveitado a maior ou indevidamente, também é pago com o acréscimo da SELIC. Observo inexistir texto legal específico conceituando a taxa SELIC. Podese dizer que a taxa SELIC é por sua composição, híbrida, tendo em vista que comporta juros e atualização monetária.8 Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, a “atualização/juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Também deve ser considerado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, que preceitua que, a partir de 1º de janeiro de 1996, em lugar da UFIR, a compensação ou restituição de tributos deve ser acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ora, na repetição do indébito, consoante o disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN, os juros moratórios são devidos apenas a partir do trânsito em julgado da decisão que a determinar. Logo, inferese que tal incidência não se faz a título de juros moratórios, pois estes estão vedados pelo Código Tributário Nacional nesse mesmo parágrafo único do art. 167. Por outro lado, as Instruções Normativas da Receita Federal indicam ser a taxa SELIC adotada como referencial de juros moratórios, verdadeiro substitutivo da correção monetária. Mas, se a inflação, mesmo oficial, ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. Em verdade, o que ocorre é a substituição de um indexador por outro, de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O mesmo, de resto, sucede quando credor o Fisco, com a atualização de seus créditos mediante uma taxa de supostos juros moratórios correspondentes à taxa referencial SELIC.9 8 Algumas Resoluções antigas do Banco Central, como as de n°s. 2.672/96, 1.693/90 e 1.124/86, permitem inferir que essa taxa corresponde àquela média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação SELIC para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Outrossim, inexiste definição legal quanto à composição dessa mesma taxa. Como corresponde ela aos rendimentos dos títulos federais, deve albergar conjuntamente os juros remuneratórios do capital empregado na aquisição desses títulos e, ainda, a correção monetária, que, a despeito de suprimida relativamente às demonstrações financeiras, para fins de apuração do imposto de renda (art. 4º da Lei nº 9.249/95), continua presente na economia nacional e é reconhecida através da publicação de vários índices oficiais ou oficiosos. Aliás, não é por outra razão que essa taxa varia mensalmente. Embora o livre jogo do mercado financeiro possa influir nessa variação, o componente relativo à inflação mensal é nela indescartável. 9 Também devese levar em consideração que o próprio Banco Central do Brasil, que apura a taxa SELIC, reconheceu em sua Circular nº 2.672/96, ao regulamentar Linha Especial de Assistência Financeira do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), ser a taxa SELIC diferenciada dos juros. Tanto assim que cobra encargos financeiros capitalizados diariamente e exigíveis trimestralmente à taxa equivalente à taxa média ajustada de todas as operações registradas no SELIC, acrescida de juros. Portanto, distinguemse os juros dessa última taxa. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa Selic reflete a melhor opção.” Face ao exposto, conheço do Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento, de forma a incluir, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como a determinar a correção do seu crédito com base na taxa Selic. NANCI GAMA Relatora Fl. 305DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/09/ 2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10660.002902/2005-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais
CSLL, PIS e Cofins. Prazo de decadência.
Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão não-unânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Numero da decisão: 9101-001.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do
recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAPORÃ DISTRIBUIDORA COMBUSTÍVEIS LTDA Assunto: Normas Gerais CSLL, PIS e Cofins. Prazo de decadência. Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão não unânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias e Karem Jureidini Dias. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 1384 a 1395), com fundamento no art. 7, inciso I, do Anexo II da Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 10516.839 (doc. a fls. 1385 a 1379), na parte em que, por maioria, a Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência: em relação aos fatos geradores da CSLL ocorridos até o 3º trimestre de 2000; e, em relação aos fatos geradores da Contribuição para o PIS e da Cofins ocorridos até novembro de 2000. Insurgese a recorrente contra a decisão exarada no acórdão recorrido, por sustentar que o art. 45 da Lei 8.212/91 é constitucional e que não poderia a decisão recorrida afastar a incidência do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, diante do princípio da presunção de constitucionalidade das leis, corolário da supremacia que é deferida à Constituição, como vértice do ordenamento jurídico. O Presidente da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselheiro, por meio do despacho a fls. 1397/1398, deu seguimento ao recurso especial do Procurador, por entender que era tempestivo e que restou demonstrada a contrariedade da decisão proferida no acórdão recorridido com o art. 45 da Lei 8.212/91. Cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional (doc. a fls. 1401), a recorrrida apresentou contrarrazões (doc. a fls. 1402/1403), na qual alega que o recurso não deve ser conhecido, pois o Supremo Tribunal Federal colocou um pá de cal nesta questão em junho de 2008, ao emitir a Súmula Vinculante nr. 08, in verbis: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Tratase de recurso especial do procurador contra decisão nãounânime contrária ao art. 45 da Lei nº 8.212/91, com fundamento no inciso I do art. 7º do Anexo II da então vigente Portaria MF nº 147/2007. Assim sendo, não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador, uma vez que a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante nº 8, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Isso posto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10660.002902/200583 Acórdão n.º 910101.245 CSRFT1 Fl. 2 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 10768.015328/2001-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1999
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1999
ESCRITURAÇÃO. PROVA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
MULTA DE OFÍCIO. MULTA DO CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR. INAPLICABILIDADE.
As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária (Súmula CARF nº 51).
Numero da decisão: 1803-001.152
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 ESCRITURAÇÃO. PROVA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. MULTA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INAPLICABILIDADE. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária (Súmula CARF nº 51).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 ESCRITURAÇÃO. PROVA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. MULTA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INAPLICABILIDADE. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária (Súmula CARF nº 51). Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.241 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.242 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 984 a 987): A DRF/Rio de Janeiro/RJ lavrou Autos de Infração para exigir o Imposto de Renda Retido na FonteIRRF, fls. 182/187, no valor de R$ 137.663,57, com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente, e Auto para Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda, pela utilização da compensação do Prejuízo Fiscal de 1998, no valor de R$ 255.661,02, fls. 175/178 e Ajuste da Base de Cálculo da Contribuição Social CSLL, pela compensação da Base de cálculo da CSLL de 1998, no valor de R$ 62.564,35, fls. 179/181, conforme Termo de verificação de fls. 169/174, que verificou as seguintes irregularidades: 1. Remuneração indireta a administradores, diretores e gerentes com base no art. 74 da Lei 8.383/91 e art. 61 da Lei 8.981/95, foram glosadas as despesas a seguir, por se tratarem de remuneração indireta não adicionada aos respectivos salários. No caso do item 1A, nem individualizadas e identificadas. Enquadramento legal: art. 193, 194, 195, I, 197, § único, 242, §§ 1º e 2º, 247, 296, § 5º, e 297 do RIR/94 e art. 61 da Lei 8.981/95. 1A Gastos com combustíveis, fl. 169 – item 002 do Auto de infração, fls. 176/177; 1B – Despesas com benefícios e vantagens concedidos a diretores e administradores, tais como alimentação, hospedagem, viagens, etc., fls. 170/171 – item 002 do Auto de Infração, fl. 176/177; 2. Despesas não comprovadas, fls. 172/173 – item 001 do Auto de Infração, fl. 176. Enquadramento legal: Art. 195, I, 197, § único, 243 e 247 do RIR/94. 2A viagens internacionais 2B – viagens nacionais 3. IRRF – com base nos itens 1 e 2, foi lançado o IRRF, com o reajuste das bases de cálculo, conforme art. 631 do RIR/94 e art. 61, § 1º a 3º, da Lei 8.981/95. Pelo Termo, em virtude das irregularidades apuradas, ficou também a interessada intimada a alterar o seu prejuízo fiscal declarado e a base negativa da CSLL. A ciência dos Autos de Infração ocorreu em 20/12/2001, (fls. 175, 179 e 182), e a interessada apresentou a impugnação de fls. 193/230, em 18/01/2002, onde alega, em síntese: . a fiscalização, por mera presunção ou evidência, glosou valores de despesas registrados na contabilidade, e determinou a alteração do seu prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, uma vez que apresentou prejuízo fiscal no anobase de 1998; Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.243 4 . nulidade do auto por ausência dos requisitos de lavratura, limitandose a normas genéricas que não guardam pertinência com o objeto da autuação, não permitindo ampla defesa e contraditório, nos termos da C.F., e afrontando, também, o art. 10 do Decreto 70.235/72, especialmente quanto ao dispositivo legal infringido e o que lhe comine a sanção ou justifique a exigência da obrigação; . nulidade por falta de provas demonstrando que as despesas não seriam operacionais. Ao fundamentar como salário indireto dos administradores, a autoridade fiscal extrapolou a competência, que é da Justiça do Trabalho, conforme art. 114 da C.F.; . caberia ao Fisco provar que as despesas atenderam a interesses particulares e não obrigar o contribuinte a fazer prova negativa. A descaracterização da despesa só seria válida com provas documentais, testemunhais, e mesmo o depoimento pessoal dos administradores; cita acórdãos e doutrina; . quanto ao item 1A – gastos com combustíveis: é necessário o deslocamento, por automóvel, de seus diretores e gerentes, em visitas a clientes, bancos, órgãos públicos, etc., por isso adquiriu e manteve uma frota de veículos, contratando com terceiros os motoristas, exclusivamente para transporte de seus administradores; anexa os documentos, em parte apresentados durante a fiscalização, fls. 276/343. . o fiscal, ao utilizarse do livro razão, considerou como total de débitos da conta de Despesas de Veículos não apenas os gastos reais, mas os valores de meros lançamentos contábeis de transferência entre os centros de custo. Estimase que os gastos efetivos sejam 50% menores, como se verifica por amostragem, em outubro/98, fls. 324/343; os gastos com combustível, conservação, custeio e manutenção dos veículos contabilizados por centro de custo eram posteriormente zerados e contabilizados em uma única conta; . deste modo, caso mantida a glosa, impõese realização de perícia e diligência para atestar o equívoco; . conforme o C.C., as despesas de combustível são operacionais e não podem ser glosadas quando a empresa dispõe de uma frota de veículos; . quanto ao item 1B, apesar de ter apresentado à fiscalização, foi desconsiderada a documentação, que ora apresenta, que se refere a despesas de viagem, alimentação, hospedagem e transporte incorridos pelo Diretor Comercial, Sérgio Botafogo, inclusive para Suíça, onde fica sua matriz; Diretor Geral Juan Salaberry, despesas necessárias para assinatura de contratos, conforme relatórios juntados; . quanto ao item 2 – despesas não comprovadas de viagens nacionais e internacionais de terceiros colaboradores ou contratados prestadores de serviço, junta documentos que comprovam as tratativas, relatórios e correspondências. O governo brasileiro exigiu que os laboratórios adotassem medidas de segurança nas embalagens, e a interessada participou de um projeto de fabricação de selo de segurança, que demandou viagens à Europa e EUA, e no País; relaciona às fls. 214/215 os documentos que comprovam que as despesas atendem à atividade fim; . cita acórdãos dos C.C., e reitera que os gastos contraídos são operacionais e, portanto, dedutíveis. . se os meios de prova apresentados não forem suficientes, protesta por perícia, apresentando o Perito e as questões de fls. 220/221; Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.244 5 . contesta os valores, em especial para excluir encargos moratórios abusivos, assim como a aplicação ilegal da taxa Selic; discorre amplamente sobre a impropriedade de sua utilização nos créditos tributários, bem como de ser induvidosa a aplicabilidade do teto de 1%, pela C.F. e pelo CTN. O Congresso Nacional foi declarado em mora pelo STF, por não baixar lei complementar regulando o art. 192 da CF. Isso significa um direito subjetivo constitucional de pagar seus débitos com a taxa de 1% a. m., sob pena de a Fazenda Pública responder por perdas e danos. Quanto à realização da perícia solicitada pela interessada, em 24/06/2005, pela RESOLUÇÃO DRJ/RJOI Nº 077/2005, fls. 934/935, converteuse o julgamento em diligência, para que o AuditorFiscal da Receita Federal da unidade administrativa lançadora de jurisdição da interessada, à luz dos documentos originais e da escrituração fiscal/contábil, efetuasse a análise da base de cálculo, tendo em vista que as infrações se referem a: “1A Gastos com combustíveis, fl. 169 – item 002 do Auto de infração, fls. 176/177; 1B – Despesas com benefícios de vantagens concedidos a diretores e administradores, tais como alimentação, hospedagem, viagens, etc., fls. 170/171 – item 002 do Auto de Infração, fl. 176/177; 2. Despesas não comprovadas, fls. 172/173 – item 001 do Auto de Infração, fl. 176: 2A viagens internacionais 2B – viagens nacionais Quanto ao item 1A, verificouse que as despesas totalizadas mensalmente, à fl. 169, foram apuradas pelos documentos de fls. 135/168, Razão Analítico, que constam nas contas 3.3.2.7.04(505) “Produção” e 3.4.1.7.05(536) “Administração”. A interessada alega que o fiscal considerou como total de débitos da conta de Despesas de Veículos não apenas os gastos reais, mas os valores de meros lançamentos contábeis de transferência entre os centros de custo; os gastos com combustível, conservação, custeio e manutenção dos veículos contabilizados por centro de custo eram posteriormente zerados e contabilizados em uma única conta. Por amostragem, em outubro/98, fls. 324/343, na apuração dos valores, a fiscalização considerou os totais mensais das contas de Produção e Administração, que, no exemplo referente a outubro/98, foram respectivamente de R$ 4.896,92 mais R$ 3.468,49, que totalizaram R$ 8.365,41, valor da infração no Auto. À fl. 304, a interessada apresenta a contabilização das despesas de veículos desse mês, cujo total foi de R$ 7.646,03, dividido entre 3 centros de custos: Produção, Administração e Vendas. A composição final das Despesas com veículos, após o rateio, ficou da seguinte forma: Produção – R$ 2.537,29; Administração – R$ 1.320,59 e Vendas – R$ 3.788,16, que totalizou R$ 7.646,04. Conforme fls. 146/147 e 164/165, apenas R$ 1.065,47 da conta 3.3.2.7.04 (505) e R$ 2.926,11 da conta 3.4.1.7.05 (536), são as despesas diretamente apropriadas nos centros de custo considerados pela fiscalização. Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.245 6 Tais despesas estavam distribuídas, sem o rateio, conforme fl. 324, e com o rateio, fl. 334. Em face dessas considerações, solicitouse na diligência que: a) em vista dos documentos de fls. 276/343, verifique se efetivamente ocorreu duplicidade na apuração dos valores, conforme alega a interessada; ainda, se as informações e documentos apresentados atendem, ou não, aos critérios definidos na legislação para sua dedutibilidade, ou seu reconhecimento como remuneração indireta; b) com relação aos itens 1B e 2A e 2B, verifique se as cópias dos documentos de fl. 344/927 correspondem e justificam, ou não, os custos/despesas glosados por não comprovação de que são indispensáveis à atividade da empresa, conforme valores indicados às fls. 170/171, ou por falta de comprovação, valores às fls. 172/173. A diligência foi efetuada, fls. 937/959, e a conclusão resultou na Informação Fiscal de fls. 960/963. Cientificada do resultado da diligência, a interessada aditou razões de defesa, em síntese: . os mapas demonstrativos de fls. 962/963 comprovam que os supostos valores lançados erroneamente no auto estão muito superiores à prova documental inequívoca, conforme comparativo de fl. 967; . nulidade do auto, por se tratar de verdadeiro erro material quando da apuração da base de cálculo, legitimando a convicção da inidoneidade da exigência inicial, conforme entendimento do CARF, em ementas citadas às fls. 968; 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 982 e 983): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a alegação de nulidade quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Apresentados documentos hábeis de comprovação de parte das despesas, exonerase parcialmente o crédito tributário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.246 7 Exonerado o crédito tributário de IRPJ, igual sorte colhe, no caso, o relativo à formulada por mera decorrência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 REMUNERAÇÃO INDIRETA DE ADMINISTRADORES. Procede em parte a exigência não comprovada pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3. Cientificada da referida decisão em 13/04/2011 (fls. 1.012), a tempo, em 11/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 2.220 a 2.236 (numeração digital ND), nele argumentando, em síntese: a) que a autuação fiscal está baseada em mera presunção, evidência ou amostragem; b) que, em nenhum momento, o acórdão recorrido traz a fundamentação para o afastamento dessa preliminar; c) que o Termo de Verificação foi feito por mero arbitramento, realizado em “mapa demonstrativo”, composto por valores de estimativa fiscal imputados à Recorrente; d) que, assim, o lançamento do crédito tributário padece de nulidade insanável, devendo ser anulado; e) que o auto de infração não preencheu os requisitos indispensáveis à sua lavratura, limitandose a relacionar duas normas genéricas que não guardam pertinência com o objeto da autuação (arts. 74 da Lei nº 8.383, de 1991, e 61 da Lei nº 8.981, de 1995); f) que, em nenhum momento, há o afastamento, na decisão recorrida, da violação, pelo auto de infração, do art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972; g) que, em razão da comprovação pela Recorrente de que houve erro material quando da apuração da base de cálculo no valor das despesas glosadas pela fiscalização, o auto de infração merece ser nulo; h) que o erro material na constituição do lançamento tributário leva obrigatoriamente à sua anulação; Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.247 8 i) que, conforme o voto vencido, ficou constatado, no livro Razão, utilizado para apuração dos valores, que as despesas foram corretamente indicadas nos centros de custos, havendo, ainda, comprovação de que os respectivos lançamentos identificam os veículos, as placas e seus usuários, inexistindo, assim, explicação sobre qual foi o critério utilizado pela fiscalização para glosar tais despesas; j) que, ainda segundo o voto vencido, a conclusão foi de que, do total de glosa de despesas no valor de R$ 71.597,65, somente R$ 2.087,91 não foram comprovadas, ou seja, menos de 3%, razão pela qual foi considerada improcedente a parte do lançamento referente ao item 01 do auto de infração; k) que todos os julgadores da DRJ concordaram no ponto de que as despesas são efetivamente relativas às atividades operacionais da empresa, razão pela qual não há qualquer sentido em manter o lançamento; l) que o ônus da prova para comprovação de que as despesas não seriam operacionais seria do próprio fisco, não podendo arbitrariamente declarar inidôneas as naturezas das despesas escrituradas e comprovadas; m) que, em nenhum momento, a decisão recorrida afasta a comprovação documental anexada à impugnação; n) que as despesas comprovadas, consideradas operacionais, demonstram a inequívoca improcedência do lançamento do IRRF; o) que restou constatado que as despesas são operacionais, seja pelo voto vencido, seja pelo voto vencedor, razão pela qual todas são dedutíveis; p) que não há dúvidas de que as provas produzidas demonstram que as despesas são efetivamente operacionais; e q) que não restando comprovado dolo ou máfé da Recorrente, não incide a multa de ofício ou, alternativamente, deve esta ser reduzida para 2%, por força da Lei nº 9.298, de 1996. Em mesa para julgamento. Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.248 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminares de nulidade do lançamento 4. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do lançamento. 5. Quanto a essa arguição, cabe aduzir, de início, que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. 6. Referida preliminar de nulidade se estriba nas alegações de que o auto de infração se basearia em presunção, evidência ou amostragem; que não teria preenchido os requisitos indispensáveis à sua lavratura, limitandose a relacionar duas normas genéricas que não guardam pertinência com o objeto da autuação; e de que teria havido erro material quando da apuração da base de cálculo do valor das despesas glosadas pela fiscalização. 7. Não há que se falar que o auto de infração tenha se baseado em presunção, evidência ou amostragem, uma vez que se está a tratar, aqui, de glosas de despesas, consideradas como remuneração indireta a administradores, diretores e gerentes (item 1 do Termo de Verificação – fls. 169 a 171) ou como não comprovadas – beneficiário não identificado (item 2 do Termo de Verificação – fls. 172 e 173). 8. No que se refere às normas citadas (arts. 74 da Lei nº 8.383, de 1991, e 61 da Lei nº 8.981, de 1995), mesmo que, por hipótese, não guardassem, elas, pertinência com o objeto da autuação, a sua citação não impediu a Recorrente de se defender cabalmente das glosas de despesas procedidas. 9. Quanto ao alegado erro material na apuração da base de cálculo, não importa, por si só, em nulidade da autuação (art. 60 do PAF): Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 10. Rejeito as preliminares arguidas de nulidade do lançamento. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.249 10 11. Argui, ainda, a Recorrente, em preliminar, que o acórdão recorrido, em nenhum momento, teria fundamentado o afastamento das preliminares arguidas de estar a autuação fiscal baseada em mera presunção, evidência ou amostragem, e de violação, pelo auto de infração, do art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. 12. Na realidade, o acórdão recorrido rebateu, sim, essas preliminares, fundamentandose genericamente no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, como segue (fls. 989 e 990): Quanto à nulidade, preceitua o artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 que: Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade do lançamento realizado pelo Fisco, uma vez que foi realizado nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Verificase que os Autos de Infração em questão foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. No presente caso, verificase que a Descrição de Fatos e Enquadramento Legal e Termo de Verificação Fiscal permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição do crédito tributário, não deixando dúvidas acerca das imputações. Ademais, a interessada revelou pleno conhecimento das autuações, rebatendoas em alentada defesa. Portanto, não resultou o ato em questão em acarretar cerceamento do direito de defesa da interessada, uma vez que a mesma foi regularmente intimada, tendo tomado ciência dos termos lavrados durante o procedimento de fiscalização e, ainda, dos autos de infração. Foi assegurado à interessada o prazo para defesa previsto em lei, tendo apresentado pedido de perícia em sua impugnação, que foi efetuada. Da mesma forma, foi cientificada do resultado da Diligência e apresentou suas razões, sem acrescentar novos esclarecimentos ou justificativas sobre as diferenças não comprovadas. Afasto, portanto, a alegação de nulidade do auto e passo à análise do mérito. Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.250 11 13. Rejeito a preliminar arguida de nulidade da decisão recorrida. Mérito 14. O presente lançamento decorre, basicamente, de glosa de despesas com combustíveis e com alimentação, hospedagem, viagens, etc., de diretores, administradores e gerentes, consideradas, pela fiscalização, como remuneração indireta a administradores, diretores e gerentes (item 1 do Termo de Verificação – fls. 169 a 171); e despesas com viagens nacionais e internacionais de terceiros, consideradas, pela fiscalização, como não comprovadas – beneficiário não identificado (item 2 do Termo de Verificação – fls. 172 e 173). 15. Posteriormente, em face da documentação apresentada pela Recorrente quando da Impugnação (fls. 276 a 927), foi proposta diligência pela DRJ recorrida, com a finalidade de analisála (fls. 934 e 935). 16. No curso daquela diligência, foi solicitado o seguinte (fls. 938): 1. A empresa deverá apresentar todos os documentos que embasaram os registros de despesas de combustível apresentados na impugnação do auto de infração, lavrado em 19/12/2001, acostados às fls 276/343, bem como elaborar planilhas identificando os centros de produção, administração e vendas em conformidade com os comprovantes apresentados. 2. Da mesma forma, a empresa deverá apresentar os comprovantes das despesas de viagens internacionais e nacionais, a fim de que a fiscalização possa constatar se tais dispêndios são indispensáveis à manutenção da atividade da empresa, comprovar a efetividade e necessidade, visto que a documentação apresentada na impugnação, às fls. 344/927, não foi relacionada, fazendo a vinculação aos lançamentos do auto de infração, mês a mês. Assim sendo, a empresa deverá elaborar as planilhas em conformidade com a documentação apresentada. 17. De posse da documentação apresentada despesas com combustíveis e com alimentação, hospedagem, viagens, etc., de diretores, administradores e gerentes (item 1 do Termo de Verificação – fls. 169 a 171) , a fiscalização concluiu que (fls. 961 – grifouse): Assim sendo, após o recebimento da documentação entregue em 10/04/2008, a fiscalização procedeu à minuciosa conferência e análise, verificando item a item, lançamento a lançamento, checando cada documento. Entretanto, constatou que a empresa apresentou parte dos documentos comprobatórios e, em nenhum momento, reportouse às diferenças de valores ali apresentadas. [...]. Desta forma, a fiscalização analisou toda a documentação entregue pela empresa e elaborou as planilhas demonstrando a apuração dos valores que foram comprovados e não comprovados, com indicação dos valores lançados no Auto de Infração e reportandose a cada documento, com indicação dos Anexos e com identificação das folhas, cumprindo a Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.251 12 determinação do item c) da citada Resolução, a seguir demonstradas: [...]. Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.252 13 Cumpre informar que o que foi comprovado atende aos critérios de dedutibilidade. 18. Com relação às despesas com viagens nacionais e internacionais de terceiros (item 2 do Termo de Verificação – fls. 172 e 173, correspondente ao item 1 da autuação – fls. 176 e 180), que não foram objeto de manifestação na diligência fiscal procedida, em face de a Recorrente não haver feito a sua vinculação aos lançamentos do auto de infração, mês a mês, como solicitado em intimação (fls. 938, item 2), o voto vencedor procedeu a esse levantamento, como segue (fls. 997 a 999): Viagens nacionais não comprovadas item 1 autuação bases de cálculo R$ valor lançado valor comprovado valor mantido data valor valor folha 19/ago 552,67 0,00 552,67 19/ago 857,32 0,00 857,32 19/ago 593,30 593,30 577 0,00 19/ago 593,30 593,30 577 0,00 19/ago 593,30 593,30 577 0,00 19/ago 593,30 593,30 577 0,00 19/ago 593,30 593,30 577 0,00 31/ago 293,00 0,00 293,00 31/ago 353,45 0,00 353,45 31/ago 180,00 0,00 180,00 31/ago 50,00 0,00 50,00 31/ago 90,00 0,00 90,00 31/ago 110,00 0,00 110,00 31/ago 170,00 0,00 170,00 31/ago 177,00 0,00 177,00 Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.253 14 31/ago 240,00 0,00 240,00 31/ago 551,90 551,90 594 0,00 31/ago 551,90 551,90 594 0,00 31/ago 551,90 551,90 594 0,00 31/ago 566,18 566,18 593 0,00 31/ago 566,18 566,18 593 0,00 31/ago 566,18 566,18 593 0,00 31/ago 566,18 566,18 593 0,00 agosto 9.960,36 6.886,92 3.073,44 08/set 2.357,02 2.357,02 596 0,00 08/set 3.373,41 3.373,41 603 0,00 09/set 733,20 0,00 733,20 11/set 1.901,79 1.901,79 686 0,00 14/set 765,83 765,83 621/622 0,00 14/set 713,21 713,21 623/624 0,00 18/set 671,01 671,01 685 0,00 18/set 664,59 664,59 680 0,00 21/set 8.264,85 8.264,85 649 0,00 30/set 2.295,33 2.295,33 696/697 0,00 setembro 21.740,24 21.007,04 733,20 01/out 688,02 688,02 715/716 0,00 13/out 693,00 693,00 723/724 0,00 23/out 2.790,04 2.790,04 727/729 0,00 28/out 675,76 675,76 747/750 0,00 28/out 675,76 675,76 747/750 0,00 outubro 5.522,58 5.522,58 0,00 03/nov 2.835,66 2.835,66 842/743 0,00 03/nov 2.164,46 0,00 2.164,46 03/nov 602,03 0,00 602,03 13/nov 1.271,73 0,00 1.271,73 17/nov 2.615,66 0,00 2.615,66 19/nov 733,20 0,00 733,20 19/nov 675,76 675,76 862 0,00 19/nov 675,76 675,76 862 0,00 19/nov 675,76 675,76 862 0,00 27/nov 582,08 0,00 582,08 27/nov 2.889,49 0,00 2.889,49 novembro 15.721,59 4.862,94 10.858,65 resumo dos valores mantidos v. nacionais não comprovadas R$ mês valor R$ janeiro fevereiro março abril Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.254 15 maio junho julho agosto 3.073,44 setembro 733,20 outubro . novembro 10.858,65 dezembro total 14.665,29 viagens internacionais não comprovadas item 1 autuação – R$ bases de cálculo lançados comprovados mantidos Mês 505 558 536 total valor folha janeiro 1.964,04 1.964,04 1.964,04 74/75anexo 6 0 fevereiro março Abril Maio junho julho 2.641,74 1.056,10 556,76 4.254,60 0 4.254,60 agosto 223,77 223,77 0 223,77 setembro 1.837,50 332,2 2.169,70 0 2.169,70 outubro 560,84 560,84 560,84 171/172anexo 6 novembro dezembro 446,63 446,63 0 446,63 Total 6.443,28 2.395,77 780,53 9.619,58 2.524,88 7.094,70 despesas não comprovadas item 1 autuação bases de cálculo R$ Mês lançado exonerado mantido internacional nacional total Janeiro 1.964,04 1.964,04 0,00 0,00 0,00 Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho 4.254,60 4.254,60 4.254,60 Agosto 10.184,13 6.886,62 223,77 3.073,74 3.297,51 Setembro 23.909,94 21.007,04 2.169,70 733,20 2.902,90 Outubro 6.083,42 6.083,42 0,00 0,00 0,00 Novembro 15.721,59 4.862,94 0,00 10.858,65 10.858,65 Dezembro 446,63 446,63 0,00 446,63 Total 62.564,35 40.804,06 7.094,70 14.665,59 21.760,29 Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.255 16 19. Constou do voto vencedor o seguinte (fls. 997 – sublinhouse): No que se refere à minha divergência com a relatora, a mesma se deve ao seu voto no sentido de exonerar todas as despesas relativas a viagens nacionais e internacionais não comprovadas, pois, a meu modo de ver, houve apenas comprovação parcial das mesmas. Apesar de divergência quanto ao valor a ser exonerado, estou de acordo com seu entendimento de que tais despesas foram efetuadas, são relativas a atividades da empresa e que os beneficiários foram identificados, descabendo sua manutenção por desnecessidade. 20. Assim, remanescem como matérias tributáveis apenas as despesas para as quais não foi apresentada qualquer documentação por parte da Recorrente. 21. Reiterese: todos os documentos apresentados e que se vinculavam às glosas procedidas, sem qualquer exceção, foram acatados, e os respectivos valores excluídos de tributação (vide planilhas acima). 22. Dessa forma, a argumentação da Recorrente, fundada na premissa de que teria havido comprovação de todas as despesas e rejeição de documentos por ela apresentados, tornase írrita (fls. 2.229 a 2.234 – ND). 23. Em seu Recurso, não foi juntado qualquer documento além dos já apreciados e acolhidos pela decisão de primeira instância, não tendo sido, ainda, demonstrada a desconsideração de qualquer deles. 24. Como se sabe (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 [Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999] – grifouse): Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Multa de ofício 25. Com relação à alegação de que, não restando comprovado dolo ou máfé da Recorrente, não incidiria a multa de ofício, é bem de se ver que, nessa hipótese, deixase de qualificar aquela multa, e não de aplicála, nos estritos termos do art. 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação vigente à época dos fatos): Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.015328/200100 Acórdão n.º 180301.152 S1TE03 Fl. 2.256 17 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 26. No tocante à multa de 2%, instituída na Lei nº 9.298, de 1º de agosto de 1996, aplicase a Súmula CARF nº 51, de seguinte teor: “As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária.” Demais exigências 27. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10580.902293/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 14/01/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO
INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de
DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz
prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e
certeza do crédito pleiteado, devese
apreciar as provas trazidas pelo
contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 07/07/2004 a empresa SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de PIS pago a maior no dia 15/01/2004 (PA 12/2003) por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, nos termos do Despacho Decisório de fl.01, emitido no dia 24/04/2008. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que errou no preenchimento da DCTF, erro já retificado em 19/05/2008, e o valor solicitado foi devidamente recolhido em 08/03/2004 (sic). (fls. 04/07). O valor do débito do PIS do PA 12/03 declarado nas DCTFs original e retificadora, esta apresentada no dia 19/05/2008, foi de R$ 83.307,11 e a este débito foi vinculado os seguintes pagamentos feitos no dia 15/01/2004: R$ 73.478,39, R$ 1.721,94 e R$ 8.106,78, totalizando um valor de R$ 83.307,11. A DRJ em Salvador BA indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que a DCTF retificadora fora apresentada após a ciência do despacho decisório e, portanto, à época da apresentação da DCTF retificadora a recorrente não gozava mais de espontaneidade, nos termos do Acórdão nº 1524.648, de 25/08/2010 fls. 71/73. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 21/02/2011 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 18/03/2011 (fls. 75/76), no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade e, ainda, que apresentou, no dia 01/10/2008, uma segunda DCTF retificadora e nesta o valor declarado do débito do PIS do PA 12/03 foi de R$ 75.200,33 e os pagamentos vinculados são os mesmo declarados na DCTF original, ou seja, R$ 73.478,39, R$ 1.721,94 e R$ 8.106,78, totalizando um valor de R$ 83.307,11. Por estas informações, o pagamento a maior corresponde ao Darf de R$ 8.106,78. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e, portanto, merece ser conhecido. Como relatado, a empresa recorrente apurou a existência de pagamento indevido de PIS e o utilizou para compensação de débitos seus, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.902293/200805 Acórdão n.º 330201.295 S3C3T2 Fl. 184 3 A DRF verificou que o valor dos pagamentos (Darfs) informados pela recorrente foram integralmente aproveitados no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF, quando não gozava a recorrente de espontaneidade. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou nova retificação da DCTF. Com razão a recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III, do § 2º, do art. 11, da IN RFB nº 786/2007 não se refere a decisão em pedido do contribuinte. Este não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte e, ainda, não houve a intimação a que se refere o citado dispositivo, como se pode ver abaixo. Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei). Fl. 185DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição. Se o processamento administrativo da restituição somente pode ser realizado após a retificação da DCTF, isto em nada afeta o direito material à repetição do indébito. Além disto, a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. Pelas disposições contidas no art. 18 da Medida Provisória no 2.18949/2001, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original. De acordo com o art. 9º, I, da IN RFB no 1.110/2010, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, o que não é o caso dos autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a retificação da DCTF que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação à débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF retificadora. Desta forma, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica outrora constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito e, portanto deveria ter sido considerado pela decisão recorrida e não o foi. Como a recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundouse unicamente nas informações constantes da DCTF apresentada pela Recorrente e, por elas, concluiu que não há indébito. Por outro lado, se a recorrente tivesse apresentado a DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de restituição não tornaria líquido e certo o crédito pleiteado. Portanto, não serve a DCTF (original ou retificadora) para conferir, ou não, liquidez e certeza ao crédito pleiteado. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo compensação o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e compensação. Pela sistemática atual, ao fazer o pedido de restituição não está o contribuinte obrigado a apresentar nenhuma prova da existência do crédito pleiteado, inclusive mediante a apresentação ou retificação de DCTF. Como acima se disse, não pode a falta de apresentação de DCTF (original ou retificadora), por si só, ser motivo de indeferimento de pedido de restituição. Ademais, se a DCTF for prova da existência do crédito pleiteado, ela é prova indiciária, necessitando de verificações complementares para constatarse a existência concreta Fl. 186DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.902293/200805 Acórdão n.º 330201.295 S3C3T2 Fl. 185 5 do crédito pleiteado. Se essas verificações complementares não foram realizadas pela autoridade fazendária, ou se outras provas não forem oferecidas pelo sujeito passivo, não há como falarse em existência ou inexistência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao momento em que o sujeito passivo deve apresentar a prova da existência do crédito pleiteado em PER/DCOMP, também não há norma legal específica. Entendo que o contribuinte deve apresentálas quando for solicitado e no prazo determinado pela autoridade fazendária. Na hipótese de a autoridade fazendária indeferir o pedido de restituição sem solicitar prova do direito pleiteado, como é o caso destes autos, entendo que essa prova deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade e no prazo fixado no art. 15 do Decreto nº 70.235/72, isto sem prejuízo da autoridade fazendária solicitar outras informações ou documentos que entender necessários à formação de sua convicção sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, consequentemente, para a não homologação das compensações declaradas. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar as compensações declaradas até o limite do crédito apurado. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que a autoridade da RFB apure a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela recorrente, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e, se for o caso, homologue as compensações declaradas pela recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 187DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13736.000096/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Fl. 36DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004 (fls. 4 a 7), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 12.906,00 (doze mil, novecentos e seis reais). O contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos estariam entre as hipóteses de exclusão de incidência de tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, nos termos do inciso III do art. 1º da Lei nº 8.852, de 1994. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RIO II, por meio do Acórdão nº 13 19.296, entendeu ser procedente o lançamento. Cientificado em 27 de maio de 2008 (fl. 30), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 10 do mês subsequente (fls. 31/33), alegando que: a) os rendimentos correspondem ao “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”, indevidamente incluído como rendimentos tributável; e b) a lei nº 8.852, de 1994, no art. 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”, reconheceu a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13736.000096/200819 Acórdão n.º 210201.720 S2C1T2 Fl. 36 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente solicita que seja considerada isenta do imposto de renda a gratificação denominada “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”. Não procede a argumentação do contribuinte, haja vista que a Lei nº 8.852, de 1994, no dispositivo citado, não contempla hipótese de incidência ou isenção do imposto de renda pessoa física. A lei – que dispõe sobre a aplicação dos art. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal – apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para efeitos dos seus dispositivos. As exclusões referemse unicamente ao conceito de remuneração. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. Ainda, conforme expresso no Código Tributário Nacional, art. 11, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente. De acordo com a Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, a tributação independe “da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos [...] e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Os rendimentos isentos do imposto de renda estão consolidados no Capítulo II do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (arts. 39 a 42). E a gratificação referida não está computada entre os rendimentos isentos e não tributáveis. Pelo exposto, voto no sentido de Negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 35301.014129/2006-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO A DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Numero da decisão: 9202-001.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO A. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso ha decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinac" s judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Vistos, elatad s e discutidos os presentes autos. Acor provimento ao recurso am os rr embros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar Elias Sampaio ire —..----\/Relator e Presidente-Substituto EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Presidente-Substituto), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 205- 00.650, proferido pela antiga Quinta Câmara do 2° CC em 03/06/2008 (fls. 487/496), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade ã. Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 503/518), nos termos do art. 7°, inciso I c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O acórdão recorrido, por maioria de votos, acatou a preliminar de domicilio tributário para anular o lançamento. Segue abaixo sua ementa: DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado." A recorrente afirma que o acórdão proferido merece ser reformado, pois contraria a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2° do CTN; arts. 9°, §2°, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto n°70.235/72; e, ainda, arts. 2°, TX e 22, da Lei n° 9.784/99. No seu entender contraria também a prova dos autos, no ponto em que interpreta equivocadamente a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2a Regido. Explica que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do auto de infração sob a argumentação de que a autoridade fiscal não demonstrou os motivos que ensejaram a recusa do domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo, ou ainda, que a decisão final do TRF determina a anulação dos autos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Entende que a decisão recorrida, ao anular o presente procedimento fiscal diante de decisão do TRF que declarou que o domicilio fiscal da pessoa jurídica era aquele constante da alteração do contrato social, partiu de premissa equivocada, pois atribuiu ao acórdão em comento um efeito constitutivo de anulação que ele não tem. Desse modo, violou o teor da decisão judicial, prova coligida nos autos. Em seguida, aduz que, se foram confirmadas as razões para a desconsideração do domicilio eleito pela contribuinte, ao anular a autuação a decisão atacada afronta o art. 127, §2° do CTN. Pondera que, a luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da autuação, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. In casu, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, muito embora este não fosse lotado no suposto domicilio fiscal da contribuinte. Nesse contexto, o acórdão recorrido viola o art. 9°, §2° do PAF. Alega que, da leitura detida do auto de infração, bem como do Relatório Fiscal e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que tudo está em plena conformidade com o que estabelece os arts. 10, 11, 59, 60 e 61 do Decreto n°70235/72 e a Lei n° 8212/91. Processo n°35301.014129/2006-99 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.461 Fl. 2 Em sua opinião, a descrição pormenorizada dos fatos e dos fundamentos legais que sustentam a autuação estão precisamente explicitados nos termos do procedimento fiscal. Assim, todos os elementos essenciais ao ato praticado estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Sustenta que o contribuinte em momento algum demonstrou de forma concreta e efetiva o prejuízo advindo da desconsideração do domicilio tributário. Na verdade, teria demonstrado ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa o débito. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostra-se incabível a declaração de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos da Informação e Decisão de fls. 520/526, negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 530/536, a PGFN interpôs agravo em face da Decisão acima descrita. Nos termos do Despacho n° 2401-128/2009 (fls. 538/540), que reexaminou a admissibilidade do recurso interposto, deu-se seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 0 contribuinte ofereceu contra-razões às fls. 550/581. Inicialmente afirma que, nos termos do art. 7°, §3° do Regimento Interno, o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instancia, bem como todo o procedimento fiscal. Não deve ser admitido também porque as provas dos autos comprovam a nulidade de todo o procedimento fiscal, viciado desde sua origem. Entende que a legislação tributária estabelece que a recusa ao domicilio deve ser justificada, o que não ocorreu no presente caso. Ressalta que o domicilio da empresa, desde 1995, é sua sede em Rio das Flores. A declaração judicial citada pela recorrente, que confirma tal fato, produz reflexos em relação a uma fiscalização levada a efeito em local diverso do declarado. Explica que se a Fiscalização, embora ciente do local correto a fiscalizar, optou por efetivar o ato fiscal fora do domicilio da empresa e, se ela, empresa, não está obrigada a apresentá-los ern local diverso do seu centralizador, não há como se aplicar a aferição indireta. Eis o vicio da fiscalização, em sua opinião. Ressalta que não foi demonstrado qualquer empecilho para a °col -reneia fiscal, tanto assim que outros Órgãos Municipais, Estaduais e Federais procedem normalmente 3 As suas fiscalizações. A empresa apontou o equivoco dos fiscais e indicou o endereço correto para a diligência fiscal, informação desprezada pelo Fisco, Assim, não se justifica a recusa do domicilio fiscal da recorrida. Pondera que o cerceamento de defesa se deu pela ausência de acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, com a prestação de informações e apresentação de documentos necessários A. conferência da regularidade fiscal da empresa. Ao final, requer que não seja admitido o Recurso Especial interposto pela União e, caso assim não entenda, que seja negado provimento ao mesmo, mantendo-se a decisão que anulou o lançamento em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF no. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9 0 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior A 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7 0 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade A lei. 0 recurso é tempestivo e examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, fundamentadarnente, em que a decisão recorrida seria contrária A. lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.022430-0 da Sétima Tuinia. do Tribunal Regional Federal da 2a Regido, de relatoria do desembargador Sergio Schwaitzer: Trata-se de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM Juizo da 1 9 a .Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: "MI. MONTREAL INFORM .A TICA LTDA, qualificada na ajuiza a presente ação ern face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de Processo n°35301.014129/2006-99 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.461 Fl. 3 que o domicilio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizá-la na sua filial, situada na Rua São José, n° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindo-lhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Dai o pedido. (..) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n°04, Centro, Município de Rio das Flores — RI", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, 2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O ss' 20 do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. — Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado dar-lhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderá-lo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdão CARF n° 2401-01.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Pelo Fazenda Nacional sto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Elias S aio Freire
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000162/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
INÉPCIA DO RECURSO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado.
Numero da decisão: 1201-000.618
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NÃO
CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, que o conhecia para negava-lhe provimento.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INÉPCIA DO RECURSO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, que o conhecia para negavalhe provimento. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16151.000162/200658 Acórdão n.º 120100.618 S1C2T1 Fl. 218 2 Conforme relatado no despacho decisório de fls. 154/155, a interessada teve seu pedido de inclusão retroativa no Simples parcialmente deferido, tendo a autoridade acatado a inclusão a partir de 01/01/2003, e mantido a contribuinte fora do sistema simplificado no ano de 2002. Explica a autoridade fiscal que a pessoa jurídica havia sido excluída do Simples por meio do ato declaratório executivo nº 485816, com efeitos a partir de 01/01/2002, tendo em vista a vedação contida no art. 9º, IX, da Lei nº 9.317/96, que assim estabelece: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; (...) Proposta manifestação de inconformidade contra o despacho decisório acima referido (fls. 157/160), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito da interessada (fls. 174/181). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob a alegação de que o STJ reconheceu o direito de os estabelecimentos de ensino optarem pelo Simples a partir do ano de 2000 (fls. 185/190). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Coisa Julgada Compulsandose os autos do presente processo, em especial fls. 168/171, é possível verificar que contra o ADE que a excluiu do Simples a contribuinte propôs, no âmbito do processo nº 16151.000133/200513, solicitação de revisão do ato (SRS). No entanto, referida SRS foi proposta intempestivamente, daí porque a exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, transitou em julgado. Isso posto, não há como se acolher no presente processo o pedido de inclusão retroativa no Simples a partir de 01/01/2002, já que isso macularia a coisa julgada no processo nº 16151.000133/200513. O pedido de inclusão retroativa pode ser deferido naqueles casos em que a contribuinte, apesar de não haver formalmente optado pelo Simples (geralmente por erro no preenchimento da ficha cadastral da pessoa jurídica FCPJ), recolheu seus tributos e Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16151.000162/200658 Acórdão n.º 120100.618 S1C2T1 Fl. 219 3 contribuições pelo sistema simplificado, apresentou declaração simplificada e não estava legalmente impedida de optar por esta sistemática. O caso que se apresenta é bem outro. Aqui a contribuinte optou pelo Simples e, posteriormente, foi excluída do sistema por força do disposto no art. 9º, IX, da Lei nº 9.317/96. Contra o ato de exclusão a contribuinte apresentou SRS, todavia, intempestivamente, daí porque a exclusão transitou em julgado no âmbito administrativo, razão pela qual o ADE não pode ser revisto no presente processo. 3) Do Objeto da Lide Além dos argumentos acima expostos há que se ter em conta, ainda, que as razões de mérito arroladas pela recorrente em nada se opõem às razões pelas quais foi promovida a sua exclusão do Simples. De fato, conforme se observa no já citado despacho decisório, a contribuinte foi excluída do Simples em razão de um de seus sócios deter participação superior a 10% do capital de outra empresa, sendo que nos anos de 2002 e 2003 a soma da receita bruta de ambas ultrapassou o limite estabelecido no art. 2º, II, da Lei nº 9.317/96. Por sua vez, a defesa não contesta a mencionada acusação fiscal, limitandose a afirmar que a partir do ano de 2000 os estabelecimentos de ensino têm direito à opção pelo Simples. Sobre o assunto, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900304/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ.
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior.
Numero da decisão: 1301-000.677
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, decidem negar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, decidem negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE. Observase dos autos que orginalmente a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 01) contra Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (fls. 15) que assentando a falta de disponibilidade de crédito, não homologou a compensação declarada na DCOMP n° 30914.46990.081003.1.3.044219, transmitida em 08 de outubro de 2003 (fls. 20 24). Depreendese ainda, pela descrição dos fatos, que o crédito original informado pelo contribuinte teve como origem pagamento indevido de tributo (SIMPLES) mediante o DARF discriminado na referida DCOMP, consignando a autoridade administrativa, que o aludido DARF, apesar de localizado, não pôde ser aproveitado, tendo em vista que já havia sido integralmente restituído ao contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP sob análise. Regularmente notificada do indeferimento, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em síntese, que foram apresentadas duas DCOMP's para fins de se compensar o mesmo débito e em virtude da duplicidade de declarações, requereu que as DCOMP's fossem reanalisadas considerando um único débito, ou seja, desconsiderando uma das declarações em virtude do equívoco cometido no envio de duas DCOMP's com o mesmo débito. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 27 a 29, indeferiu a solicitação, fundamentando para tanto, que de início deveria ser demarcado o objeto do litígio, uma vez que não houve contestação por parte da recorrente em relação a não homologação de crédito originado por pagamento a maior de SIMPLES, informado na DCOMP n° 30914.46990.081003.1.3.044219, conforme Manifestação de Inconformidade à folha 01 do presente processo. Diante disso, assentou a decisão recorrida que se deveria considerar como matérias nãolitigiosas, nos termos dos artigo 16 e 17 do Decreto n°70.235/72, as matérias que não foram versadas pelo contribuinte, destacando que na situação analisada a peça impugnatória não atende às normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, pois a defesa alega unicamente o fato de ter enviado DCOMP's em duplicidade e em momento algum contesta o fato do crédito informado não ter sido homologado, tampouco rechaça a informação de inexistência de saldo do crédito pleiteado (ver tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO anexada à fl. 26). Sendo assim, considerando que o crédito que deu origem a tal demanda já fora restituído/utilizado integralmente, e não tendo sido objeto de inconformidade por parte do interessado, entendeu a decisão recorrida que descaberia qualquer reforma no Despacho Decisório prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza. Devidamente notificada (fl. 31), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 32), aduzindo que em 10 de agosto de 2009, foi pedido a reanálise dos referidos PER/DCOMPS, para que fosse considerado apenas um débito, em virtude de constar em duplicidade. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10320.900304/200611 Acórdão n.º 1301000.677 S1C3T1 Fl. 2 3 Afirmou ainda, que analisando os despachos decisórios dos referidos PER/DCOMP, constatou a cobrança em duplicidade, por isso é pediu a reanálise, pretendendo fosse considerado apenas um débito. Mencionandose que o despacho decisório informa que foram localizados os créditos, mas usados integralmente para quitar os débitos, e diante disso, requereu fosse informado para qual mês foi alocado esse débito, bem como fosse feito um confronto com todos os arquivos que constam na Receita Federal do Brasil, para que seja comprovado a duplicidade desse débito. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como se observa no relatório acima minudenciado, a ora recorrente apresentou declaração de compensação cujo direito creditório, reputou a autoridade administrativa, fora consumido em sua integralidade em momento anterior. Manifestando seu inconformismo contra o primitivo Despacho Decisório, a recorrente limitouse a aduzir que apresentara as compensações em duplicidade requerendo que as DCOMPs fossem analisadas conjuntamente. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, por seu turno, considerou que a recorrente não refutou as constatações da autoridade administrativa, consagradora de que o crédito indicado já havia sido utilizado, indeferindo, portanto, a solicitação da contribuinte. Observase que em sede de Recurso Voluntário, apresentado pela contribuinte à folha 32, voltouse a afirmar unicamente que as compensações foram apresentadas em duplicidade. Cuidando de deslindar o caso concreto, é oportuno revisitar o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, bem como a DCOMP apresentada pela recorrente, conferindose assim, se acham presentes os requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado para compensação. Nesse mister, ao analisar o Despacho Decisório de folha 15, colhese do item “3” a seguinte fundamentação: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 299,68. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) (meus os destaques) Tem razão a decisão recorrida ao afirmar que a recorrente não refuta as constatações da autoridade administrativa. Com efeito, não reputouse que o crédito da recorrente não tenha existido em algum momento, contrário disso, verificouse que a integralidade do tributo recolhido a maior/indevidamente fora utilizado em sua integralidade. Diante dessas constatações e ausente qualquer demonstração por parte da recorrente que de que ainda dispõe de direito creditório, carece a declaração de compensação dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez para homologação da compensação. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10320.900304/200611 Acórdão n.º 1301000.677 S1C3T1 Fl. 3 5 Diante desses fatos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 11030.000411/2002-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999, 2000.
Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (APD). ATIVIDADE URBANA E RURAL. EXCLUSIVIDADE E PREPONDERÂNCIA.
A atividade preponderante, ou exclusiva, em atividade urbana permite que o lançamento siga a legislação dessa atividade.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-001.725
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar
provimento ao recurso, para afastar a nulidade do lançamento e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para exame das demais questões. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado ONÓRIO LUIZ GAZOLA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000. Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (APD). ATIVIDADE URBANA E RURAL. EXCLUSIVIDADE E PREPONDERÂNCIA. A atividade preponderante, ou exclusiva, em atividade urbana permite que o lançamento siga a legislação dessa atividade. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, para afastar a nulidade do lançamento e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para exame das demais questões. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 770DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 771DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.000411/200234 Acórdão n.º 920201.725 CSRFT2 Fl. 692 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade, fls.0663, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0633, que decidiu, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — ATIVIDADE RURAL — APURAÇÃO ANUAL — Consoante jurisprudência .unânime e pacifica da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o acréscimo patrimonial da atividade rural deve ser apurado de forma anual, nos termos do art. 49 da Lei n° 7.713/1988 e da Lei n° 8.023/1990. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ONORIO LUIZ GAZOLA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Antonio José Praga de Souza. que negam provimento e apresentam declaração de voto. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. O acórdão negou vigência ao art. 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 1988, que dispõe: "Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados". 2. O chamado Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD), portanto, trata de presunção legal relativa de omissão de receitas ou rendimentos pelo contribuinte, mecanismo colocado à disposição Do Fisco na busca da verdade material quanto a fatos havidos no período sob investigação; Fl. 772DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. E para esse fim, lhe é permitido utilizar de todos os meios legais disponíveis para levantamento da renda auferida e o confronto com aquela informada à Administração Tributária, na forma autorizada pelos arts. 142 e 195, do CTN; 4. É exatamente a situação que se verifica no acórdão recorrido, que afastou indevidamente a aplicação da presunção legal prevista no art. 3º, §1°, da Lei n° 7.713/88, para aplicar a norma restritiva prevista no art. 49 daquele mesmo diploma legal, amparado em presunção dos ilustres Conselheiros vencedores, de que os rendimentos omitidos eram provenientes de atividade rural; 5. A presunção legal de omissão de receita somente será afastada no caso do contribuinte que, através de documentação hábil e idônea, comprovar a origem do acréscimo patrimonial a descoberto; 6. Verificase, assim, que a referida presunção legal é a favor do Fisco. Portanto, é do contribuinte o ônus da prova quanto à origem dos valores apurados a título de acréscimo patrimonial a descoberto pela autoridade lançadora; 7. No caso do contribuinte não lograr êxito em comprovar a origem dos valores apurados em acréscimo patrimonial a descoberto, haverá presunção absoluta de renda tributável, com a conseqüente ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, sujeitandose o contribuinte às normas do referido tributo; 8. Segundo a lei de regência, não é o Fisco quem tem que provar a origem dos recursos apurados em acréscimo patrimonial a descoberto do contribuinte. Esse ônus é do contribuinte; 9. Assim, como o contribuinte não trouxe nenhuma prova hábil e inequívoca de que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no período fiscalizado é proveniente exclusivamente da atividade rural, impossível aplicar a legislação tributária referente a tal atividade (Lei n° 8.023/90); 10. Somente a partir da formação do juízo de certeza de que a receita ou os rendimentos omitidos são provenientes de atividade rural desenvolvida pelo contribuinte é que se pode aplicar a norma excepcional do art. 49 da Lei 7.713/88, que prevê: "O disposto nesta Lei não se aplica aos rendimentos da atividade agrícola e pastoril, que serão tributados na forma da legislação específica"; Fl. 773DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.000411/200234 Acórdão n.º 920201.725 CSRFT2 Fl. 693 5 11. O contribuinte é que é obrigado a provar que é atua na área rural; 12. Observese que essa verificação não demanda nenhum esforço adicional ao produtor rural, uma vez que, por força de lei e de norma administrativa, este é obrigado afixar os fatos pela escrituração de livro caixa e mantença da documentação de receitas e despesas de custeio à disposição do fisco, conforme determinação contida na Lei n° 9.250 de 1995, artigo 18; 13. Ainda que se possa admitir, apenas por apego ao debate, que a origem dos rendimentos relacionados ao acréscimo patrimonial a descoberto seja do resultado de atividade rural, por ser essa a atividade exercida declarada pelo contribuinte (presunção hominis), ainda sim, o lançamento seria válido, eis que, da mesma forma que ocorre com o resultado da atividade rural, o APD é apurado mensalmente, nos termos do art. 55, inc. XIII e § único, do RIR/99, porém sua tributação é realizada no ajuste anual, ou seja, seu fato gerador é anual; 14. Rendimentos omitidos identificados por meio de presunção legal centrada em acréscimos patrimoniais mensais a descoberto somente podem situarse no âmbito de incidência das normas da Lei 8.023, de 1990, quando efetivamente comprovados com documentos que identifiquem a sua origem na atividade rural e permitam a subsunção; 15. Assim, justo e legal, inclusive para proteção daquele que efetivamente exerce a atividade rural, que se deva sempre investigar, com utilização de todos os meios disponíveis ao fisco, a possibilidade do exercício oculto de outras atividades por aquele que se declara como restrito à primeira; 16. Por todo o exposto, requer a Fazenda Nacional seja dado provimento ao presente recurso. Por meio de despacho deuse seguimento ao recurso especial, reconhecendo se a contrariedade, fls. 0680. Cientificado do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o interessado apresentou suas contrarazões, fls. 0685, alegando, em síntese, que: 1. Os argumentos buscam dois objetivos: suprir a deficiência legislativa e atender apenas ao interesse arrecadatório; Fl. 774DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 2. A posição do recurso especial violenta a ordem processualadministrativatributária por se assentar na falsa premissa de que a autoridade julgadora pode fazer às vezes da autoridade lançadora; 3. Diante do fenômeno do lançamento, as funções daquela e desta não se confundem, não se intercambiam, nem se complementam; 4. É falsa a premissa de que os dados da declaração de rendimentos representam meras “informações indiciárias”, visto que o artigo 150 do CTN qualificaa como geradora de um “lançamento por homologação”, revisável de ofício (CTN, art. 149, II); 5. Assim, se num procedimento fiscalizatório, como é o caso, a autoridade lançadora admite a declaração sem ressalvas, concretizase, ainda que tacitamente, o fenômeno da homologação; 6. Noutros termos, significa dizer que se o autuante imputou como corretos os informes (rendimentos, despesas, etc) declarados da atividade rural, descabe ao julgador, na fase do contencioso, usurpar as prerrogativas da fiscalização, praticando desvio de função, questionar o procedimento fiscalizatório, isto é, reabrir o trabalho averiguativo, objetivando alterar o lançamento; 7. Descabe à autoridade julgadora, na fase do contencioso, invocar motivos legais ou fáticos não aduzidos pela autoridade fiscal para justificar a manutenção ou alteração do lançamento, sob pena de afrontar o artigo 146 do CTN e atentar contra o princípio constitucional da segurança jurídica; 8. É teratológica a argumentação destinada a justificar o uso de presunção contra disposição expressa de lei, no caso, do artigo 49 da Lei n° 7.713/88/ 9. Isto porque, diante do regime de tributação das atividades rurais, que, por exemplo, permite a apropriação de certos custos/despesas sem a ocorrência do respectivo desembolso efetivo, tornase impossível apurar a ocorrência de “acréscimo patrimonial a descoberto”, haja vista que a presunção de “omissão de rendimento” só pode ocorrer mediante um efetivo giro (desembolso) financeiro, o que afasta o uso de meros cálculos aritméticos mensais; 10. Reside aí, aliás, a razão de ser da ”anualidade” da tributação da atividade rural, não suficientemente compreendida pelos representantes fazendários; Fl. 775DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.000411/200234 Acórdão n.º 920201.725 CSRFT2 Fl. 694 7 11. Alicerçado no exposto, o recorrido sentese autorizado a inferir que o recurso especial visa preencher as deficiências legislativas relacionadas à temática, mesmo afrontando as claras disposições contidas no artigo 49 da Lei n°7.713/88; 12. Não é esta a função do Conselho de Contribuintes; 13. Diante do exposto, pede à Câmara Superior de Recursos Fiscais que inacolha a postulação do Representante Fazendário. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 776DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator O recurso é tempestivo e conforme despacho que lhe deu seguimento, a recorrente comprovou em tese a contrariedade. O recurso da Procuradoria está fundamentado em disposição do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes: Portaria 147/2007: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; A questão em análise referese a possibilidade, ou não, de manutenção do lançamento, no que tange a APD apurado de forma mensal, no caso em que o sujeito passivo tenha obtido sua renda por atividade rural. Em primeiro lugar cabe esclarecer que as informações constantes dos autos não demonstram que a renda obtida pelo sujeito passivo possui origem unicamente na atividade rural. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 013, que o sujeito passivo informa em suas declarações que possui as seguintes fontes de renda: a) Rendimentos da firma individual R$ 3.391,30; b) Rendimentos da Pref. Municipal R$ 4.751,84; c) Rendimentos da atividade rural R$ 4.354,52; d) Rendimentos de fretes (40% do bruto) R$ 13.125,33. Ora, o próprio sujeito passivo demonstra em sua declaração que a atividade rural não é a responsável pela maior parte de sua renda. Cabe ressaltar, também, conforme o Termo citado, que a ação fiscal decorreu de encaminhamento do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul, Foro de Marau — RS, em 15/05/2001, que solicitou que sejam verificadas as irregularidades fiscais por parte do contribuinte acima identificado; pois o mesmo executara seus devedores por empréstimos concedidos. Empréstimos concedidos não se referem à atividade rural. Assim, concluise que está demonstrado que o sujeito passivo não atua, de forma exclusiva ou preponderante, na atividade rural. Com essa certeza, correto está a utilização da apuração mensal para o cálculo do tributo devido. Lei 7.713/1998: Fl. 777DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.000411/200234 Acórdão n.º 920201.725 CSRFT2 Fl. 695 9 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. ... Art. 49. O disposto nesta Lei não se aplica aos rendimentos da atividade agrícola e pastoril, que serão tributados na forma da legislação específica. Para que se chegasse à conclusão de que os APD se referem ao disposto no Art. 49 (atividade agrícola e pastoril) seria imprescindível que estivesse demonstrado nos autos a exclusividade, ou mesmo a preponderância, de atuação nessas atividades, fato que não ocorre. Assim sendo, corretamente o Fisco devido a ausência de comprovação sobre o que se tratavam os APD apurou mensalmente o imposto de renda devido. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. MARCELO OLIVEIRA Fl. 778DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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