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Numero do processo: 10425.900346/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Sep 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 31/05/2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL.
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 104 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 105 3 Relatório BENTOIT UNIÃO NORDESTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação veiculada na DCOMP nº 13401.32613.141204.1.3.041989. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (nº 13401.32613.141204.1.3.041989) na qual se indicou, como origem de crédito, o DARF relativo a estimativa (código de receita 2484) do período de apuração de 31 de maio de 2004, que teria sido pago indevidamente pela Interessada em 31/05/2004. O despacho decisório eletrônico (fl. 07) constatou a correspondência do crédito original informado no PER/DCOMP no valor de R$ 12.693,02, a pagamento realizado. No entanto, afirma que o valor do referido pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, não homologando a compensação declarada, com indicação de saldo devedor no valor de R$ 13.930,59 a ser acrescido de multa e juros moratórios. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade trazendo aos autos cópias do PER/DCOMP em questão, cópia do DARF, cópia da DCTF transmitida em 28/02/2005, com o intuito de comprovar o valor do DARF e cópia da ficha 16 da DIPJ, onde consta a indicação do valor de 19.436,58 de estimativa da CSLL a ser paga, o que implicaria em recolhimento a maior no valor de 12.693,02 e cópia do recibo de entrega da DIPJ. Requer a desconsideração do Despacho Decisório em questão. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • [...] o saldo a pagar de contribuição ou imposto constante da DIPJ a partir do anocalendário de 1999, mas não declarado em DCTF, não se encontra apto à inscrição em Dívida Ativa e conseqüente cobrança forçada, consoante dispõem as Instruções Normativas SRF nº 77/98 e 126/98, esta última revogada pela Instrução Normativa SRF nº 255/2002, mas que manteve a mesma disposição quanto à inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos declarados em DCTF. • A DIRPJ foi substituída pela DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, de conteúdo meramente informativo, não mais ostentando atributo de confissão de dívida, em conformidade com o preconizado na Instrução Normativa SRF nº 014, de 14 de fevereiro de 2000. Inclusive, o recibo de entrega da DIPJ deixou de conter a expressão a expressão “a declaração constitui confissão de dívida”, sendo substituída por “as informações correspondem à expressão da verdade”. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 106 4 • Nos termos do art. 170 do CTN, a compensação depende re prova de efetiva extinção de crédito tributário em montante indevido ou a maior que o devido. Em conseqüência, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte, bem como dever do interessado provar a efetiva apuração de saldo negativo de imposto. • Acrescentou que, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, os valores pagos por estimativa somente podem ser utilizados para dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. • Salientou, ainda, que a contribuinte utilizou como dedução da CSLL devida ao final do período de apuração o somatório dos valores pagos a título de estimativa conforme cópia da ficha 17 da sua DIPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/10/2010 (fl. 51), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/11/2010 (fls. 52/61), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Argumenta que o débito de R$ 46.266,05 foi declarado na DCTF da Recorrente em razão de um equívoco cometido por ela, pois consoante a Ficha 16 da DIPJ/2005, a Recorrente apurou o débito de 19.436,58, a titulo de CSLL. Apresenta, também, balancete do período em questão (doc. 05), bem como planilha de apuração da base de cálculo de CSLL de maio de 2004 (doc. 06). Defende a prevalência das informações prestadas na DIPJ sobre o erro na DCTF, pois a DIPJ é o documento utilizado pelos contribuintes para informar o cálculo do valor de diversos tributos devidos pelas empresas ao longo do anocalendário, ali indicando todos os cálculos para a determinação da base de cálculo do imposto, com as adições, deduções, etc. Já na DCTF apenas são informados os débitos e o meio de quitação, informações que não são aleatórias e estão vinculadas ao conteúdo da DIPJ e às informações contábeis da recorrente. A legislação permite que o Fisco tome o que informado em DCTF como verdade e promova sua cobrança sem necessidade de lançamento, mas isto não impede a comprovação, pelo sujeito passivo, da inexistência do débito por meio de outros documentos. Adotar como verdade apenas o que consta na DCTF faz com que o Fisco se afaste do princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário. Transcreve doutrina em favor na busca da verdade material pela autoridade administrativa, e defende a retificação de ofício da DCTF, com a conseqüente homologação da compensação. Aborda, também, a vedação contida no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, transcrevendo ementas de julgados dos Conselhos de Contribuinte favoráveis à compensação de recolhimento de estimativa a maior que o devido e reportandose à nova disciplina da matéria, veiculada na Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 107 5 Por fim, esclarece que não utilizou os valores recolhidos indevidamente na apuração realizada ao final do período, uma vez que em momento algum ele foi declarado na sua DIPJ, conforme se atesta pela Ficha 16 (doc. 04) e Ficha 17 da DIPJ/2005 (doc. 07). Aos autos digitalizados no eprocesso está juntado despacho no qual a Primeira Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF declina da competência para julgamento destes autos em favor da 1a Seção. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 108 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua manifestação de inconformidade, cópia da ficha de apuração de CSLL por estimativa em maio de 2004, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, informando que sobre a base de cálculo de R$ 1.929.425,76 foi apurado CSLL no valor de R$ 173.648,32, que reduzido por CSLL devido em meses anteriores e outras antecipações (R$ 154.211,74), resultou no saldo a pagar de R$ 19.436,58 (fl. 31), inferior ao recolhimento de R$ 46.266,05, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 13401.32613.141204.1.3.041989. À fl. 32 consta recibo de entrega da DIPJ/2005, datado de 29/06/2005 e, nos sistemas informatizados da Receita Federal, verificase que a DIPJ entregue nesta data contém as informações de fl. 31, permanece ativa e foi processada sob nº 0970070. Tais elementos confirmam a alegação de que a DIPJ originalmente entregue pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 12.693,02, utilizado na compensação aqui tratada. Portanto, estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 109 7 Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a assegurar a compatibilidade entre as informações prestadas em DCTF e DIPJ, retificando a DCTF quando retificasse a DIPJ – ou, como no presente, retificando a DCTF ao apresentar, posteriormente, DIPJ original com valor diferente do antes declarado –, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 110 8 Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 111 9 Ocorre que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, o perecimento do direito ao crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora – e por conseqüência da DIPJ original, que tem a mesma natureza daquela –, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez entregue a DIPJ original, ou formalizada a sua retificação, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 112 10 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ original, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 113 11 Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Quanto à vedação contida no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, cumpre inicialmente observar que ela não foi mencionada no despacho decisório que não homologou a compensação, até porque o recolhimento indevido de estimativa se verificou antes da edição da referida Instrução Normativa. De toda sorte, esta Relatora já concluiu, em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº 9.430/96, que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº 03/2000, seria Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 114 12 atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei nº 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrejouse) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 115 13 apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Apenas esclareçase que, no presente caso, ao contrário do que aventou a autoridade julgadora, o recolhimento indevido de estimativa verificado em maio de 2004 não integrou o montante deduzido, a título de antecipações, na apuração de CSLL do ano calendário 2004. De fato, a sistemática de preenchimento da Ficha 16 da DIPJ/2005, em caso de estimativas apuradas com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, transporta para o mês seguinte, como CSLL Devida em Meses Anteriores, o valor da CSLL Apurada no mês anterior, de forma que a dedução destas estimativas no ajuste anual 2004 (R$ 773.905,78) foi composto, em maio de 2004, pela parcela de R$ 19.436,58 informada na DIPJ, e não pela estimativa de R$ 46.266,05, informada em DCTF (fls. 70/73). Registrese, ainda, a apresentação, pela recorrente, de balancete de redução levantado em 31/05/2004, acusando o resultado acumulado desde 01/01/2004 no valor de R$ 2.751.646,49, que ajustado por adições, exclusões e compensações, resulta na base de cálculo informada na DIPJ de R$ 1.929.425,76 (fls. 74/86 e fl. 83 do processo administrativo nº 10425.900356/200873). Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 116 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 117 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 118 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10425.900346/200838 Acórdão n.º 110100.583 S1C1T1 Fl. 119 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10680.020733/99-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Não se conhece de Recurso Especial de divergência quando não demonstrada a identidade de objeto entre o acórdão recorrido e aqueles utilizados como paradigmas. É sumulada a conclusão pela nulidade do ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 9101-001.058
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso do Procurador.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Não se conhece de Recurso Especial de divergência quando não demonstrada a identidade de objeto entre o acórdão recorrido e aqueles utilizados como paradigmas. É sumulada a conclusão pela nulidade do ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso do Procurador. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.020733/9943 Acórdão n.º 910101.058 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 64/70), contra o Acórdão nº 30131.922 (fls. 57/62), proferido pela então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere a Ato Declaratório (Comunicação de Exclusão) nº. 33.310, de 11 de fevereiro de 1999 (fls. 29), por meio do qual o contribuinte AMOR DE GENTE LTDA., ora Recorrido, foi excluído do programa SIMPLES de recolhimento de tributos federais, nos termos dos artigos 9º ao 16 e 26 da Lei nº. 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pela Lei nº. 9.732, de 11 de dezembro de 1998, e de acordo com a disciplina da Instrução Normativa nº. 74, de 24 de dezembro de 1996. Em síntese, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por meio do referido Ato Declaratório, sob o argumento de haver “Pendências da Empresa e/ou dos Sócios junto ao INSS”. Cientificado da sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte apresentou Impugnação em 06.08.1999 (fls. 01), argumentando que: (i) o débito apontado pelo INSS não se refere a "contribuições previdenciárias", uma vez tratarse de multa imposta pela fiscalização do INSS quando de sua visita ao estabelecimento; (ii) multa de caráter punitivo, não é contribuição previdenciária, não sendo pois, motivo de exclusão da autuada do regime simplificado (iii) a atividade de creche, exercida pelo contribuinte, está amparada para permanência no SIMPLES, por força da Decisão nº. 155, de 04.07.1997; (iv) ainda que nas alterações processadas pelo Contribuinte venha constar atividades que impeça sua opção pelo regime do Simples, desde que não tenha tido receita dessa atividade, não seria motivo para sua exclusão. Foi proferido acórdão pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (fls. 31/35) sob o nº. 2.759, de 23.01.2003, com a seguinte ementa, in verbis: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos /é Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 1999 Ementa: EXCLUSÃO MOTIVADA PELA EXISTÊNCIA DE DÉBITO INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DO INSS O instrumento legítimo de formalização da exclusão de ofício da pessoa jurídica do SIMPLES é o ato declaratório expedido pela autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que a jurisdicione, contendo os elementos essenciais necessários para assegurar à interessada o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.020733/9943 Acórdão n.º 910101.058 CSRFT1 Fl. 3 3 A existência de débito inscrito na Dívida Ativa do INSS é hipótese impeditiva do enquadramento da pessoa jurídica no sistema. Solicitação Indeferida A ciência do Acórdão nº. 2.759 se deu em 07.03.2003 (fls. 37). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10.04.2003 (fls. 38/40), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, o contribuinte alegou que (i) “embora haja a existência de debito perante o INSS, o Contribuinte, contestando a natureza, reconhece ser devedor. Todavia, solicitou e obteve os favores do REFIS – PROGRAMA DE ECUPERAÇÃO FISCAL , previsto no art. 2º e de seus Parágrafos, da Lei 9.964;2000, cuja conta REFIS tomou o nº 500.000.024.045”; e (ii) “quanto as atividades do contribuinte naquele ano, 1999, estar em desacordo com as normas do Sistema Simplificado do Pagamento de Tributos Federais, não pode, também, prosperar, haja visto que no Relatório do Acórdão, extrapola o contencioso instaurado e não será considerado no julgamento”. Sobreveio Acórdão nº. 30131.922 da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: SIMPLES. ATO DECLARATORIO. MOTIVAÇÃO INVÁLIDA NULIDADE O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está sujeito à observância estrita do critério da legalidade, impondo o estabelecimento de nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica, sob pena de sua nulidade. Processo que se anula ab initio. Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual alega, primeiramente, que há divergência jurisprudencial com relação ao Acórdão nº. 301 31.922, e no mérito alega que: (i) a exclusão foi motivada pela existência de débito da empresa optante, inscrito na Dívida Ativa do INSS (Ato Declaratório e SRS), de modo que a discussão relativa à caracterização da atividade desenvolvida e ao fato de ela ser ou não impeditiva da inscrição no SIMPLES, constante dos autos na SRS e na impugnação, extrapola o contencioso instaurado; (ii) contribuinte não contestou a existência do débito, tampouco, a sua inscrição na Dívida Ativa. Ao contrário, confirmaa, apresentando, inclusive, a Certidão da Dívida Ativa (CDA) no. 31.708.6120; e (iii) em nenhum momento nestes autos, restou ao mínimo evidenciado que a contribuinte não entendera o motivo de sua exclusão, não havendo, assim, de se falar em malferimento do princípio da Ampla Defesa. O Despacho de fls. 79 determinou o seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.020733/9943 Acórdão n.º 910101.058 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. A princípio, a questão estaria limitada em saber se o contribuinte mantinha ou não regularidade fiscal perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme suposto motivo do Ato Declaratório Executivo que o excluiu do sistema SIMPLES de recolhimento dos tributos federais. Nesse sentido, de um lado, argumenta o contribuinte que os valores supostamente em aberto com o INSS não se referiam a "contribuições previdenciárias", uma vez tratarse de multa imposta pela fiscalização do INSS quando de sua visita ao estabelecimento; (ii) multa de caráter punitivo, não é contribuição previdenciária, não sendo pois, motivo de exclusão da autuada do regime simplificado (iii) a atividade de creche, exercida pelo contribuinte, está amparada para permanência no SIMPLES, por força da Decisão nº. 155, de 04.07.1997; (iv) ainda que nas alterações processadas pelo Contribuinte venha constar atividades que impeça sua opção pelo regime do Simples, desde que não tenha tido receita dessa atividade, não seria motivo para sua exclusão. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que o contribuinte em nenhum momento contestou a existência de débitos, de modo que restaria indiscutível a existência de débito inscrito em Dívida Ativa do INSS em nome do contribuinte, bem como afirma que o contribuinte entendeu o motivo de sua exclusão do Simples e que, contraditoriamente ao quanto a própria Procuradoria afirma, teria se defendido sobre a atividade que exerce, o que não é objeto da lide. De se verificar que o acórdão que deu provimento ao Recurso do contribuinte foi proferido à unanimidade. Assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional é de divergência. Neste passo, de se anotar que a decisão recorrida fundase na necessidade do ato administrativo, que determina a exclusão do SIMPLES, consignar não só que existem pendências, mas a indicação dos débitos cuja exigibilidade não se encontra suspensa. A suposta divergência apontada pela recorrente afasta a nulidade do ato que não especifica o débito, quando o contribuinte interpreta corretamente a que débito se refere o Ato Declaratório. Feitos esses breves esclarecimentos, entendo que o Recurso não deve ser conhecido por duas razões. A uma, porque no presente caso a situação fática é diversa, já que o contribuinte, de um lado, defendese acerca de sua atividade – creche, que nada tem a ver com a acusação, e, de outra parte, aponta débito, que salienta não ser de “contribuição previdenciária”. A duas, porque essa matéria já está sumulada, exatamente no sentido de que decidiu o acórdão recorrido. O entendimento sumulado por este Tribunal é de que o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem fazer menção a nenhum dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa, é nulo. Neste sentido, a Súmula CARF nº 22: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.020733/9943 Acórdão n.º 910101.058 CSRFT1 Fl. 5 5 “É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da d. Procuradoria, fundamentada na Súmula CARF nº 22. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008843/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL
PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A,
DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO
SOCIETÁRIA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
A atualização monetária do custo de aquisição de bens e direitos vigorou somente até 31/12/1995, nos exatos termos do artigo 3º, §2º, da Lei n.º 7.713/1988, artigo 16 da Lei n.º 8.218/1991, artigo 2º, §7º, da Lei n.º 8.383/1991, e artigo 17, inciso I, da Lei n.º 9.249/1995.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR MEIO DE PERMUTA, SEM TORNA. APLICAÇÃO DO MESMO TRATAMENTO LEGAL DESTINADO À PERMUTA DE BENS IMÓVEIS.
Deve-se aplicar à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis. Não tendo havido torna no presente caso, não há que se falar em tributação.
Sendo assim, na futura alienação do bem, deverá ser considerado, para apuração do ganho de capital, o custo da aquisição originária do bem que fora objeto de permuta.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.366
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso. Foi realizada sustentação oral pelo patrono do contribuinte, Dr. Magnus
Piber Maciel – OAB/SC 16849. Foi pedida antecipação do julgamento.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A atualização monetária do custo de aquisição de bens e direitos vigorou somente até 31/12/1995, nos exatos termos do artigo 3º, §2º, da Lei n.º 7.713/1988, artigo 16 da Lei n.º 8.218/1991, artigo 2º, §7º, da Lei n.º 8.383/1991, e artigo 17, inciso I, da Lei n.º 9.249/1995. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR MEIO DE PERMUTA, SEM TORNA. APLICAÇÃO DO MESMO TRATAMENTO LEGAL DESTINADO À PERMUTA DE BENS IMÓVEIS. Deve-se aplicar à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis. Não tendo havido torna no presente caso, não há que se falar em tributação. Sendo assim, na futura alienação do bem, deverá ser considerado, para apuração do ganho de capital, o custo da aquisição originária do bem que fora objeto de permuta. Recurso provido.
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NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A atualização monetária do custo de aquisição de bens e direitos vigorou somente até 31/12/1995, nos exatos termos do artigo 3º, §2º, da Lei n.º 7.713/1988, artigo 16 da Lei n.º 8.218/1991, artigo 2º, §7º, da Lei n.º 8.383/1991, e artigo 17, inciso I, da Lei n.º 9.249/1995. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR MEIO DE PERMUTA, SEM TORNA. APLICAÇÃO DO MESMO TRATAMENTO LEGAL DESTINADO À PERMUTA DE BENS IMÓVEIS. Devese aplicar à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 176 2 Não tendo havido torna no presente caso, não há que se falar em tributação. Sendo assim, na futura alienação do bem, deverá ser considerado, para apuração do ganho de capital, o custo da aquisição originária do bem que fora objeto de permuta. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso. Foi realizada sustentação oral pelo patrono do contribuinte, Dr. Magnus Piber Maciel – OAB/SC 16849. Foi pedida antecipação do julgamento. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 167/173) interposto em 15 de março de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 159/163), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de fevereiro de 2010 (fl. 166), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 133/136, lavrado em 24 de setembro de 2009 (ciência em 25 de setembro de 2009, fl. 134), em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, verificada no anocalendário de 2004 (fato gerador de 31/08/2004). O acórdão teve a seguinte ementa: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 177 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do ganho de capital auferido em alienação de participação societária, a incorporação de reserva de correção monetária ao capital social não é computada no custo de aquisição. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 159). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 167/173, no qual argumentou, em síntese, (i) a existência de decadência, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, uma vez que decorridos mais de 5 anos do fato gerador do imposto de renda sobre ganho de capital, cuja apuração é mensal; (ii) a inexistência de ganho de capital, já que se trata apenas da incorporação da reserva de correção monetária ao capital, a qual não seria passível de tributação, à luz do art. 3º da Lei n.º 7.713/88 e, por fim, (iii) o equívoco na forma de cálculo, a qual não restou claramente demonstrada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, no que concerne à preliminar de decadência aduzida pelo Recorrente, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário naqueles casos nos quais, inexistindo dolo, fraude ou simulação e inexistindo, ademais, declaração do contribuinte, a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, embora o preveja, o contribuinte não realiza referido recolhimento, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 178 4 CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 179 5 junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim – muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, a exemplo do Recurso Voluntário n.º 149.960 –, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passo a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte Infraconstitucional, aplicando, em hipóteses como a presente, o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual (i) não há constituição do crédito pelo contribuinte, (ii) não se trata de dolo, fraude ou simulação e (iii) a legislação não prevê o pagamento antecipado ou, em o prevendo, não há início de pagamento, haverá de ser aplicado o prazo previsto em aludido dispositivo, iniciandose a contagem do prazo decadencial quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” No caso vertente, portanto, cuidandose de fato jurídico tributário datado de 31/08/2004, somente em 1º/01/2005 teve início a contagem do prazo decadencial de cinco Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 180 6 anos, não se afigurando a decadência do direito à constituição do crédito tributário, a qual foi devidamente notificada ao contribuinte em 25/09/2009. Afasto, pois, a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. No mérito, especificamente no que concerne à alegação de inexistência de ganho de capital em razão da afirmada possibilidade de se corrigir monetariamente os valores constantes no balanço da sociedade, incorporando a respectiva reserva ao capital, não assiste razão ao Recorrente. A Lei n.º 7.713/1988, em seu art. 3º, §2º, previa expressamente a possibilidade de correção monetária do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei.” Também nessa mesma linha, o artigo 16 da Lei n.º 8.218/1991 assim dispôs: “Art. 16. Na apuração do ganho de capital na alienação de bens e direitos, efetuada a partir da vigência desta Lei, a pessoa física poderá utilizar, para efeito de correção do custo da aquisição: I o Índice de Preços ao Consumidor IPC, relativamente ao ano de 1990; II a variação do BTN, relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 1991; III o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC, a partir do mês de março de 1991. Parágrafo único. Na falta de publicação do INPC, poderá ser utilizado o Índice Geral de Preços Mercado (IGPM), publicado pela Fundação Getúlio Vargas.” Com a publicação da Lei n.º 8.383/1991, a correção do custo de aquisição de bens ou direitos passou a ter como base a UFIR. É o que determina o seu art. 2º, §7º: “Art. 2° A expressão monetária da Ufir mensal será fixa em cada mês calendário; e da Ufir diária ficará sujeita à variação em cada dia e a do primeiro dia do mês será igual à da Ufir do mesmo mês. (...) § 7° A expressão monetária do coeficiente utilizado na apuração do ganho de capital, de que trata a Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, corresponderá, a partir de janeiro de 1992, à expressão monetária da Ufir mensal.” Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 181 7 A correção monetária para fins tributários vigorou até 31/12/1995, sendo até então realizada pela variação da UFIR. A partir de 1º/01/1996, contudo, as bases de cálculo de todos os tributos federais passaram a ser expressas em Reais, conforme disposto no artigo 1° da Lei 9.249/95: "Art. 1°. As bases de cálculo e o valor dos tributos e contribuições federais serão expressos em Reais". Em decorrência desse fato, a própria Lei 9.249/95, em seu art. 17, inciso I, disciplinou que o custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos até final de 1995 serão corrigidos monetariamente somente até 31/12/1995, tomando por base a UFIR vigente em 1º/01/1996: “Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária.” Assim, de acordo com referido histórico legislativo, a correção monetária para fins de apuração do ganho de capital, a partir de janeiro de 1992, era realizada pela variação da UFIR (Unidade Fiscal de Referência), vigorando até 31/12/1995. E foi exatamente essa a sistemática adotada no presente caso pela autoridade fiscal. Consoante se infere do Termo de Verificação Fiscal (fls. 119/130) e do Demonstrativo da Apuração do Ganho de Capital na Alienação de Quotas da Empresa WGP Participação e Administração Ltda. (fls. 115/118), na hipótese em exame, o Recorrente detinha, em 15/12/1991, 14.999.000 quotas da empresa WGP Participação e Administração Ltda., totalizando o valor de Cr$ 14.999.000,00. Com a primeira alteração contratual, havida em 14/04/1996, o capital social foi alterado, por força das Leis n.os 8.697/1993 e 8.880/1994, para R$ 10,90, registrandose, ainda, um aumento de R$ 26.989,10 decorrente do alegado “aproveitamento do saldo da Conta Correção Monetária do Capital Realizado”. Por sua vez, na quarta alteração contratual, já em 05/01/2004, foi subscrito e integralizado o capital no valor de R$ 171.000,00, proporcionalmente à participação de cada sócio, também em razão do “aproveitamento de Reservas de Correção Monetária do Capital contabilizadas conforme Balanço Patrimonial”. Diante desse quadro, considerandose que não há que se falar em correção monetária após 1º/01/1996, a autoridade fiscal, nos exatos termos do artigo 16 da Lei n.º 8.218/1991, c/c artigo 2º, §7º, da Lei n.º 8.383/1991, e artigo 17, inciso I, da Lei n.º 9.249/1995, desconsiderou a correção computada posteriormente a essa data no custo de aquisição das ações, recompondo o seu valor de aquisição pela aplicação da variação da UFIR de janeiro de 1992 a 1º/01/1996. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 182 8 Esse entendimento, inclusive, é corroborado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, então Primeiro Conselho de Contribuintes, que assim já se manifestou: “GANHO DE CAPITAL ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO A partir de 1º.01.1996, as bases de cálculo e os tributos e contribuições federais passaram a ser expressos em Reais, revogandose as disposições legais que versam sobre as atualizações monetárias pela UFIR, inclusive o custo de aquisição de bens (Lei 9.249/1995, art. 1º).” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª. Câmara, Acórdão 10247.885, j. em 20/09/2006). Também é de se rejeitar o argumento do Recorrente no sentido de que “não se vislumbra clareza na atualização detida pela fiscalização” (fl. 172). Como claramente se verifica do exame do Demonstrativo da Apuração do Ganho de Capital, a autoridade aplicou sobre o custo do bem (Cr$ 14.999.000,00), adquirido em 15/12/1991, a variação da UFIR, de janeiro de 1992 a 1o/01/1996, a qual, de acordo com o Anexo Único da Instrução Normativa SRF no 84/01, corresponde a 720,4779, a fim de apurar o custo de aquisição do bem para efeitos de apuração do ganho de capital. Ocorre, todavia, que, independentemente da improcedência dessas alegações do Recorrente, o recurso deve ser provido por outro motivo. Tal como se verifica da fl. 36 dos autos, a autuação decorre de alienação de participação societária por meio de permuta. Se é certo, por um lado, que não se permite a atualização monetária do custo de aquisição de bens e direitos, a qual vigorou somente até 31/12/1995, não menos certo é que, por se tratar de permuta de ações, não há, no caso concreto, ganho de capital apto à incidência da norma jurídica tributária. Considerando que o imposto de renda pressupõe, para sua incidência, a aquisição da disponibilidade jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza, há que se perquirir acerca dos efeitos da permuta, com vistas à análise da sua aplicação ao caso concreto. A permuta é a troca de posições patrimoniais equivalentes. Como bem observam, à luz do direito italiano, Mariano D’Amelio e Enrico Finzi, tratase do contrato mais antigo e difundido no mundo, que tem por objeto a transferência recíproca de propriedade de bem ou direito, de um contratante a outro (“La permuta è il contratto che ha per oggetto il reciproco transferimento della proprietà di cose, o di altri diritti, da un contraente all’altro.” D’AMELIO, Mariano; FINZI, Enrico. Codice Civile: Livro delle Obbligazioni. v. II, parte I. Firenze: G. Barbèra. p. 142 e 145). De igual modo, Ludwig Enneccerus, que foi Conselheiro de Justiça e Professor da Universidade de Marburg, na Alemanha, identifica a permuta como a troca de um bem ou direito por outra contraprestação não pecuniária, também consistente em um bem ou direito. (“También en la permuta se promete una cosa o un derecho a cambio de una contraprestación, pero ésta no consiste en dinero, sino en otra cosa o en un derecho.” ENNECCERUS, Ludwig. Derecho de obligaciones. 2. ed. v. II, tomo II. Barcelona: Casa Editorial Bosch, 1966. p. 109). No direito brasileiro, Clóvis Beviláqua qualifica a troca ou permuta como “o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro.” Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 183 9 (BEVILÁQUA, Clóvis. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil comentado. 10. ed. v. IV. São Paulo: Editora Paulo de Azevedo Ltda., 1955. p. 269). Outra não é a lição de Arnoldo Wald, para quem a troca ou permuta é “a transferência da propriedade do bem de um permutante ao outro e a simultânea transferência de outro bem do segundo ao primeiro” (WALD, Arnoldo. Direito civil: contratos em espécie, v. 3. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 47). Como se vê, a permuta é a mera troca de patrimônio, sendolhe a reciprocidade elemento essencial, por meio da qual cada contratante se obriga a entregar ao outro o bem ou direito que lhe pertence, alterandose as posições patrimoniais. Havendo uma permuta sem torna, o que há, na realidade, é a substituição de uma posição patrimonial por outra que se equivale, não havendo que se falar, nesse sentido, em acréscimo patrimonial. A configuração do ganho de capital, fato gerador do tributo em exame, dáse com a aquisição da disponibilidade jurídica da renda, sem que esta esteja relacionada à realização de uma condição posterior. Sobre o tema, vale transcrever o disposto pelo art. 128, §4º, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/1999): “Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) § 4º Nas operações de permuta com ou sem pagamento de torna, considerase custo de aquisição o valor do bem dado em permuta acrescido da torna paga, se for o caso. (...).” Da simples leitura do aludido dispositivo, depreendese que, em uma operação de permuta sem torna, deve ser mantido como custo de aquisição do bem recebido aquele a que correspondia o bem dado em permuta, o que demonstra não ter ocorrido ganho de capital com a celebração do contrato de permuta, sem torna. Nesse diapasão, o art. 121 do mesmo regulamento determina que, em uma operação de permuta, a incidência do imposto de renda se dará com relação ao ganho de capital apurado em decorrência da torna. Vejase: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): I as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima, observado o disposto no art. 119; II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 184 10 § 1º Equiparamse a permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. § 2º No caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna.” Sobre a matéria, há que se registrar, ainda, a Instrução Normativa n.º 107/88, a qual, ao dispor sobre permuta de imóveis, determina que a permuta sem torna não é operação apta à geração de acréscimo patrimonial. É o que se verifica do item 2.1.1 do referido ato normativo: “2. Permuta entre pessoas jurídicas 2.1 Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem. 2.1.1 No caso de permuta sem pagamento de torna, as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. 2.1.2 No caso de permuta com pagamento de torna, a permutante que receber a torna procederá pela forma indicada no subitem 1.5, devendo considerar como custo do bem recebido o valor contábil do bem dado em permuta, deduzido do custo atribuído a torna recebida ou a receber. Para a permutante que pagar ou prometer pagar a torna, o custo do bem adquirido será a soma do valor contábil do bem dado em permuta com o valor da torna. (...).” Muito embora os dispositivos citados tratem de permuta de unidades imobiliárias, outro não deve ser o entendimento em relação à permuta de ações. Como se viu, a permuta pode ter por objeto tanto bens como direitos, não havendo que se falar, em qualquer dos casos, em acréscimo patrimonial, eis que não se verifica a realização do critério material da regra matriz do imposto sobre a renda. Em outras palavras, não se dá, com a permuta, a aquisição da disponibilidade jurídica de renda. E mais: também não se verifica, com referida operação, a satisfação do critério temporal da hipótese de incidência do tributo, eis que, no anocalendário de que trata a autuação, não houve alienação de ações, não se realizando a maisvalia apta a deflagrar a incidência da norma. Como se vê, não se está a tratar de um incentivo instituído pelo legislador, mas da própria não incidência da regra de tributação em decorrência da sistemática estabelecida pelo legislador constitucional e infraconstitucional em relação ao imposto sobre a renda. Em artigo específico sobre o tema, Gustavo Lian Haddad e Joana Chia Yin Liu corroboram referido entendimento, ao consignarem que não há embasamento para a diferenciação de tratamento tributário entre permutas de unidades imobiliárias e permutas de bens móveis. Como complementam os autores, “não há como afastar a conclusão que nas operações de permuta sem torna, independentemente da natureza dos bens trasladados, quer móveis ou imóveis, não há como haver a incidência do IRPF, vez que não se apura ganho de capital tributável por aquele imposto. Há mera substituição de elemento do patrimônio do Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 185 11 contribuinte por outro de igual consideração, nem ingresso de nova riqueza disponível que ampare a tributação pelo imposto sobre a renda.” (HADDAD, Gustavo Lian; LIU, Joana Chia Yin. O imposto de renda nas operações de permuta. In: ANAN JR., Pedro; PEIXOTO, Marcelo Magalhães (Coord.). Imposto de renda pessoa física à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. São Paulo: MP Editora, 2010. p. 130 e 132). A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional também já se manifestou nesse sentido, ao publicar o Parecer n.º 970/91, concluindo que, no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, a entrega de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição de ações caracterizase como permuta, caso em que não incide o imposto de renda sobre o ganho de capital, que só será devido por ocasião da posterior alienação das ações adquiridas por valor superior ao custo de aquisição. Sobre o registro da operação pelo valor contábil, extraise do referido parecer que “não pode a lei, sob pena de incidir em confisco, determinar perda para o credor, alegando como parâmetro de grandeza, para realização de novo negócio jurídico com o devedor, a avaliação de mercado, já que tal crédito tem valor juridicamente exigível contra o devedor, que é o valor de face.” E prossegue referido parecer, afirmandose que “esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte e, em conseqüência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” Referido entendimento é também corroborado por outro Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de n.º 452/92, no qual se reconheceu que “a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, e sim o reconhecimento de não incidência da regra de tributação.” E mais adiante, ao se tratar do momento de incidência da regramatriz do imposto sobre a renda, é contundente a conclusão de aludido parecer acerca da não incidência do tributo na permuta, sob pena de violação do próprio patrimônio do contribuinte: “O momento do fato gerador do imposto sobre maisvalia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizandose só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, conseqüentemente inexiste fato gerador do tributo. Poderseia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria diferido no tempo. Criarse, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio. A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza.” Cumpre salientar, ainda, o Parecer Normativo CST n.º 504/71, que, com apoio nas lições de Henry Tilbery, trata especificamente da permuta de ações: “No caso de permuta de um bem por pessoa jurídica que recebe em troco outro bem do mesmo valor, não há diferença de valores a registrar: o novo bem ingressa no patrimônio da empresa como valor igual ao do bem substituído. Portanto, nesta hipótese não ocorreu na permuta nenhum ganho tributável. É esta a opinião defendida por José Luiz Bulhões Pedreira, aceita pelo parecer normativo CST n.º 504/71 no caso de permuta de ações. Parecer este que expõe claramente a tese de a pessoa jurídica que permutar ações por outras de valor Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.008843/200968 Acórdão n.º 210101.366 S2C1T1 Fl. 186 12 equivalente ao de aquisição das cedidas, por conseqüência não alterando quantitativamente o patrimônio social, não estar sujeita à imposição de tributo, ressaltando outrossim que não é o valor das ações negociadas a base de apuração do resultado na transação, e sim o valor de aquisição das por ela cedidas, em confronto com o atribuído às que receba na permuta.” Também esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem acolhendo o entendimento acerca da inexistência de ganho de capital nos casos de permuta entre bens ou direitos sem torna, independentemente da natureza desses. É o que se depreende de trecho do Acórdão n.º 10247.844, da então 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “Essa Câmara firmou entendimento majoritário que não incide ganho de capital na permuta de bens, seja qual for a natureza desses (terrenos, participações societárias, veículos, etc.), conforme Acórdão n.º 10247.681, proferido na sessão de 22/06/2006. Entendeu o Colegiado que na operação de permuta não há acréscimo patrimonial do contribuinte; logo a não incidência do ganho de capital não poderia ser restrita às operações entre imóveis mediante escritura pública de permuta.” (1º Conselho de Contribuinte, 2ª Câmara, RV 141.114, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 17/08/2006) Diante do exposto, constatase que, no caso em tela, a alienação das quotas de sociedade, que ensejou a glosa ora em discussão, ocorreu por meio de uma operação de permuta sem torna, hipótese não abrangida pela regramatriz de incidência do imposto sobre a renda. Sendo assim, não há que se falar na incidência do tributo, uma vez que, nesse momento, diante da mera transferência patrimonial, não há resultado a apurar. Eventual ganho de capital será apurado somente quando da alienação do bem, considerandose como custo de sua aquisição o valor da aquisição originária do bem que fora objeto de permuta. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10580.727005/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº
9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, o Dr. Izaak Broder, OAB-BA Nº 17.521.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, o Dr. Izaak Broder, OAB BA Nº 17.521. Assinado digitalmente Fl. 127DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 128 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MOACIR REIS FERNANDES FILHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 118.396,85, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/10/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/200166, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Preceitua a Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 129 3 (...) As diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. (...) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 43/71, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1523.582, de 28/04/2010, fls. 76/82: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; Fl. 129DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 130 4 h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/10/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 85, o contribuinte apresentou, em 25/10/2010, recurso voluntário, fls. 86/244, onde reitera e reforça os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 131 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 131DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 132 6 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 132DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 133 7 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Fl. 133DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 134 8 União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que se torna desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Por fim, vale observar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça adotou o mesmo entendimento em julgamento realizado em 17/08/2010 (Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), cujas ementas e acórdão abaixo se transcrevem: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 210201.565 S2C1T2 Fl. 135 9 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. BrasíliaDF, 17 de agosto de 2010(Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 135DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10660.001449/2005-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2000
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de
pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em
valor maior que o devido, extinguese
com o decurso do prazo de cinco anos,
contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento
antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao
princípio da segurança jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2000 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 11/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 08/06/2005 a empresa CAFÉ BOM DIA LTDA., já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de PIS, relativo a pagamentos efetuados no período de Janeiro de 1999 a Maio de 2000, alegando inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da exação. A DRF em Varginha MG indeferiu o pedido da recorrente, alegando a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição, a impossibilidade de discutir constitucionalidade de lei e de houve períodos em que não há pagamento de PIS e outros foram parcelados no PAES, conforme Despacho Decisório de fls. 40/44. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 47/54, na qual alega, resumidamente, que: 1 o direito de pedir a restituição extinguese em cinco anos contados após a homologação do pagamento antecipado, data em que se considera extinto o crédito tributário. Cita jurisprudência judicial e administrativa. 2 a questão não envolve unicamente a constitucionalidade ou não de lei, mas também aspectos legais tais como o confronte entre a Lei Complementar nº 7/70 e a Lei nº 9.718/98; 3 os meses em que não houve pagamento deveuse à apuração de saldo credor e houve meses incluídos no PAES. Isto, no entanto, em nada altera o direito à restituição. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0918.750, de 18/02/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: RESTITUIÇÃO O direito de pleitear restituição extinguese em 05 anos artigo 168 CTN. INCONTITUCIONALIDADE DE LEI: Discussão incabível em sede administrativa. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/03/2008, conforme AR de fl. 63, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 20/03/2008, o recurso voluntário de fls. 64/76, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Voto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10660.001449/200598 Acórdão n.º 330201.262 S3C3T2 Fl. 79 3 Conselheiro Walber José da Silva O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. A recorrente está pleiteando a restituição de PIS cujos pagamentos, que entende indevidos ou maiores que os devidos, foram realizados no período de março de 1999 a junho de 2000. O pedido de restituição foi apresentado no dia 08/06/2005, portanto, antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, que considera de 05 (cinco) anos do pagamento antecipado o prazo para pleitear a restituição de tributo ou contribuição lançado por homologação. A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DRJ, julgou extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo para pleitear restituição, que entende ser de 5 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Sobre a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/05, em sessão realizada no dia 04/08/2011, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 566.621, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerou válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Diante desta decisão do STF, para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, deverá ser adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, quanto à contagem do prazo para pleitear restituição de tributos, previsto no art. 168, I, do CTN, ou seja, referido prazo contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento efetuado e objeto do pedido de restituição. No caso dos autos, não ocorreu homologação expressa do pagamento. Consequentemente, o prazo para pleitear a restituição contase da data da homologação tácita. E, por esta regra, não ocorreu a extinção do direito da Recorrente de pleitear a restituição porque a homologação tácita mais remota de pagamento efetuado, objeto do pedido de restituição, ocorreu no dia 15/03/2004 e o pedido de restituição foi apresentado no dia 08/06/2005, antes do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, a que se refere o art. 168 do CTN. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O reconhecimento do direito de pleitear a restituição não implica em reconhecimento do valor a restituir pleiteado. O valor a restituir deve ser apurado pela autoridade da Receita Federal do Brasil, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir. Esclareçase que o valor a restituir apurado pela autoridade da Receita Federal do Brasil é passível de contestação pela recorrente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente pleitear a restituição dos pagamentos indevidos de PIS dos períodos de apuração de 02/99 a 05/00. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11831.007461/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2001
APURAÇÃO DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA.
APRESENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte comprovar, mediante apresentação de recibo, a entrega
de declaração retificadora não processada pela administração tributária, na
qual constaria prejuízo fiscal aproveitado em período de apuração posterior.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
IMPOSTO RETIDO. DOCUMENTOS DA LAVRA DA INTERESSADA.
APROVEITAMENTO. DESCABIMENTO.
Não possui força probante documentos da lavra exclusiva da Recorrente. Para
poder compensar na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na
fonte, o contribuinte deve apresentar comprovante de retenção emitido em
seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. INÍCIO.
VIGÊNCIA.
A compensação somente pode ser realizada por meio de declaração
apresentada à administração tributária desde a publicação da Medida
Provisória nº 66 em 30 de agosto de 2002.
Numero da decisão: 1402-000.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar, mediante apresentação de recibo, a entrega de declaração retificadora não processada pela administração tributária, na qual constaria prejuízo fiscal aproveitado em período de apuração posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 IMPOSTO RETIDO. DOCUMENTOS DA LAVRA DA INTERESSADA. APROVEITAMENTO. DESCABIMENTO. Não possui força probante documentos da lavra exclusiva da Recorrente. Para poder compensar na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na fonte, o contribuinte deve apresentar comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. INÍCIO. VIGÊNCIA. A compensação somente pode ser realizada por meio de declaração apresentada à administração tributária desde a publicação da Medida Provisória nº 66 em 30 de agosto de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 801 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 802 3 Relatório The Boston Consulting Group (Brasil) Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade (fls. 303 a 315) em face da homologação parcial das Compensações de fls. 01/02, 125/126, 127 e 128 apresentadas respectivamente em 20/12/2002, 30/09/2003, 20/11/2003 e 30/01/2004, instruída, a primeira, com os documentos de fls. 03 a 68, no montante total de R$1.798.630,60. A declarante apontou como origem do crédito saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) que teria sido apurado no ano calendário 2001. 2. A autoridade administrativa em 22/12/2007, às fls. 284 a 292, homologou parcialmente as compensações declaradas pelos seguintes motivos: 2.1. o imposto de renda retido por duas fontes pagadoras, formador de parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 utilizado nas compensações, não foi aceito, já que não foi apresentado Comprovante de Rendimentos, conforme exige o artigo 44 da Lei nº 7.450/1985, emitido por uma destas fontes e quando à outra fonte, o rendimento foi pago no anocalendário 2002; 2.2. inexistência de parte do saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores compensado na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001; e 2.3. utilização de parte do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 em compensações sem processo das estimativas de IRPJ relativas aos meses de agosto e setembro de 2002, que foram convalidadas no despacho decisório de fls. 284 a 292. 3. A autoridade administrativa não convalidou compensações sem Declarações de Compensação que foram informadas pela contribuinte na resposta à intimação de fls. 223 a 226, relativas às estimativas de IRPJ dos meses de fevereiro e março de 2003, com o fundamento de que nesta época a compensação obrigatoriamente deveria ser feita por meio de Declaração. 4. Cientificada em 02/01/2008 (fl. 293) do despacho decisório de fls. 284 a 292, a contribuinte irresignada apresentou, em 31/01/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 303 a 315, instruída com os documentos de fls. 316 a 464, 467 a 663 e 666 a 717, na qual alega em síntese que: 4.1. a manifestação de inconformidade é cabível (§ 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996), é tempestiva, já que foi apresentada no prazo de trinta dias da ciência (02/01/2008) do despacho recorrido, e suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 combinado com o inciso III do artigo 151 do CTN; 4.2. em janeiro de 2003 realizou a Declaração de Compensação de fls. 351 a 353, referente ao anocalendário 2000, pelo programa PERD/DCOMP 1.3, que Fl. 849DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 803 4 indevidamente acusou que créditos a seu favor não poderiam ser objeto de compensação por terem mais de cinco anos; 4.3. a despeito de a informação do programa não ser verdadeira, visto que as compensações foram efetivamente realizadas em 2003, no prazo legal de cinco anos para utilização dos créditos, que datam de 1999 e 2000, apresentou, em 18/08/2007, a Declaração de Compensação em papel (fls. 354 a 404), que foi autuada no processo de número 11610.008000/200771 e que demonstra a regularidade das compensações realizadas em 2003; 4.4. quanto ao rendimento considerado pago pela autoridade recorrida em 2002, anexa os seguintes documentos para justificar a dedução do IRRF no ano de 2001: comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora (fl. 421), cópias das notas fiscais emitidas para a fonte pagadora no ano de 2001 (fls. 452, 453, 456 e 457), cópias de extratos bancários que comprovam o recebimento dos valores indicados nas notas fiscais líquidos do IRRF (fls. 454, 455 e 459) e planilha cronológica de todas as notas fiscais emitidas em 2001 (fls. 411 a 414); 4.5. em relação ao IRRF sem comprovante de rendimentos apresenta os seguintes documentos: cópia da nota fiscal emitida para a fonte pagadora (fl. 438), cópia de extrato bancário que comprova o recebimento do valor indicado na nota fiscal (fl. 439) e planilha cronológica de todas as notas fiscais emitidas em 2001 (fls. 411 a 414); 4.6. apesar de a requerente não apresentar o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, os documentos citados no subitem anterior juntamente com sua escrituração fiscal e contábil, que faz prova a seu favor enquanto não desqualificada comprovadamente pela autoridade administrativa, conforme os artigos 923 e 924 do RIR/1999, são suficientes para convalidar a utilização do respectivo IRRF na DIPJ relativo ao anocalendário 2001, não havendo que se falar em violação ao artigo 55 da Lei nº 7.450/1985; 4.7. o montante de prejuízos fiscais de períodos anteriores compensado na DIPJ, relativa ao anocalendário 2001 (R$127.838,26), efetivamente existia, pois é decorrente das informações constantes da DIPJ retificadora, referente ao ano calendário 2000 (fls. 520 a 569), que não constam no sistema IRPJ; 4.8. é equivocado o entendimento da autoridade fiscal recorrida de que não é possível convalidar as compensações relativas ao imposto apurado nos períodos encerrados em 28/02/2003 e 31/03/2003, pois em nenhum dos diplomas normativos que deram origem à Instrução Normativa nº 210/2002 (Lei nº 9.250, de 26/12/1005, e Lei nº 8.383, de 30/12/1991) há restrições ao direito de o contribuinte comprovar a regularidade de suas compensações por meio de seus documentos contábeis e fiscais (que fazem prova a seu favor, cabendo ao Fisco a prova da inveracidade das informações neles registradas, nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/1999), ainda que diversos da Declaração de Compensação; e 4.9. nos presentes autos, apresentou petição datada de 06/12/2007 (cópia às fls. 480 e 481), na qual explica ter utilizado, nos meses de março e abril de 2003, os valores de R$280.742,87 e R$254.907,94, que representam o total de R$227.801,74 e R$203.747,05 de créditos originais, para a compensação de DARF´s de código 5993, com data de vencimento em 31.3.2003 e 30.4.2003.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 20.174 (fls. 728735) de 22/01/2009, por unanimidade de votos, homologou parcialmente a compensação pleiteada. A decisão foi assim ementada. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 804 5 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2001 APURAÇÃO DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar com apresentação de recibo a entrega de declaração retificadora não processada pela administração tributária, na qual constaria prejuízo fiscal aproveitado em período de apuração posterior. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 RENDIMENTO. AUFERIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPOSTO RETIDO. APROVEITAMENTO. Os rendimentos devem ser oferecidos à tributação, e o respectivo imposto retido pode ser aproveitado, no período de apuração em que foram auferidos, ainda que tenham sido pagos em outro período de apuração. IMPOSTO RETIDO. APROVEITAMENTO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. REQUISITO. Para poder compensar na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na fonte, o contribuinte deve possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. INÍCIO. VIGÊNCIA. A compensação somente pode ser realizada por meio de declaração apresentada à administração tributária desde a publicação da Medida Provisória nº 66 em 30 de agosto de 2002.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/02/2009 (fl. 736), a interessada interpôs recurso voluntário em 06/03/2009 (fls. 740757) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se ressaltar, de início, que a empresa, em sua peça recursal, simplesmente reafirma os argumentos trazidos em sua impugnação, sem anexar qualquer outro documento de relevância. Por entender que a matéria foi adequadamente enfrentada na decisão de 1a Fl. 851DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 805 6 instância, que não merece reparos, pedese vênia para adotar seus fundamentos, a seguir transcritos: “6. Um dos motivos para a não homologação integral das compensações declaradas é que não foi aceito pela autoridade recorrida o IRRF informado como retido por uma fonte pagadora em 2001, e que comporia o saldo negativo de IRPJ apurado neste anocalendário aproveitado nas compensações ora discutidas, já que, conforme o comprovante de rendimentos de fl. 167, o rendimento teria sido pago e o imposto de renda retido no anocalendário 2002. 7. De fato, o comprovante de rendimentos de fl. 167 informa que o rendimento de R$8.769.493,82 foi pago e o respectivo imposto de renda retido (R$131.542,40) em janeiro de 2002. No intuito de comprovar que o rendimento foi pago e o imposto retido em 2001, além de outra cópia do comprovante de rendimentos (fl. 421), a manifestante apresentou cópias das notas fiscais que emitiu em novembro e dezembro de 2001 em decorrência dos serviços prestados e que originaram os rendimentos em discussão (fls. 452, 453, 456 e 457) e cópias de extratos bancários com dois créditos bancários em janeiro de 2002 referentes a estes rendimentos líquidos de IRRF (fls. 454 e 455). 8. Juntei aos autos extrato do sistema DIRF (fl. 718) que confirma o comprovante de rendimentos de fls. 167/421 e extratos do sistema DIPJ (fls. 719 e 720) que demonstram que a contribuinte declarou parte do valor de comprovante de rendimentos de fls. 167/421 na DIPJ relativa ao anocalendário 2001 e parte na DIPJ referente ao anocalendário 2002. 9. A combinação dos documentos apresentados pela manifestante com as pesquisas por mim realizadas nos sistemas da administração tributária demonstra que apesar de o rendimento bruto no montante de R$8.769.493,82 ter sido pago e o respectivo imposto de renda retido em janeiro de 2002, de acordo com o que declarou a fonte pagadora e confirmam os extratos bancários da contribuinte beneficiária, o rendimento foi auferido, pois os serviços foram prestados, em novembro e dezembro de 2001, como comprovam as cópias das notas fiscais de fls. 452, 453, 456 e 457. Assim, a contribuinte declarou o rendimento e se aproveitou do respectivo IRRF (R$131.542,41) corretamente na apuração do anocalendário 2001. 10. O rendimento bruto da prestação de serviços cujo IRRF é aceito na composição do saldo negativo de IRPJ passa a ser R$23.798.427,45 (R$15.028.933,63 já confirmados no despacho recorrido à fl. 288 acrescidos dos R$8.769.493,82 confirmados neste voto), valor compatível com os rendimentos que foram oferecidos à tributação na DIPJ, anocalendário 2001 (fl. 727) no importe de R$26.625.700,90. Portanto, o IRRF no valor de R$131.542,41 deve compor também o saldo negativo do anocalendário 2001. 11. O segundo motivo para a não homologação integral das compensações discutidas no presente processo é que não foi aceito pela autoridade recorrida o IRRF, no valor de R$7.625,28, formador do saldo negativo apurado no ano calendário 2001, cujo Comprovante de Rendimentos não foi apresentado pela contribuinte. Com o objetivo de comprovar a incidência deste IRRF sobre rendimentos por si recebidos a manifestante juntou cópia da nota fiscal que emitiu para a fonte pagadora (fl. 438), cópia de extrato bancário que comprova o recebimento do valor indicado na nota fiscal líquido de IRRF (fl. 439) e planilha cronológica de todas as notas fiscais emitidas em 2001 (fls. 411 a 414). 12. Contudo falece à contribuinte o direito de se aproveitar deste IRRF para formar o saldo negativo apurado no anocalendário 2001, pois além de todos os Fl. 852DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 806 7 documentos apresentados serem de lavra exclusiva da impugnante (não foi apresentado um único documento de autoria da fonte que teria pagado os rendimentos e retido o imposto), em pesquisa realizada no sistema DIRF não encontrei qualquer informação sobre estes alegados rendimentos e retenção. 13. Quanto aos artigos 923 e 924 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), é preciso dizer que não podem ser interpretados isoladamente, mas devem ser entendimentos sistematicamente com o artigo 925 deste mesmo diploma legal: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º). (negritos meus) 14. Em primeiro lugar, cabe dizer que no presente caso a manifestante não apresentou sua escrituração, que é a situação prevista no invocado artigo 923 do RIR/1999. Mas ainda que tivesse apresentado o mesmo artigo 923 exige que a escrituração seja comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza ou conforme definição legal. O também invocado 924 do RIR/1999, por sua vez, diz que o ônus de invalidar a escrituração é da autoridade administrativa quando for observado o disposto no artigo 923. Desta forma, nos autos em discussão, o fato de o documento hábil (Comprovante de Rendimentos e de Imposto de Renda Retido) não ter sido apresentado, já seria suficiente para dizer que a autoridade administrativa não tem o ônus de invalidar a escrituração, pois esta, por si só sem o documento embasador adequado, não seria hábil para provar. Contudo, não satisfeito com estes dois artigos, o legislador ainda produziu o artigo 925 do RIR/1999 para dizer que o ônus da prova não caberia ao auditor fiscal ainda que a escrituração estivesse embasada em documentos adequados nos casos em que a lei atribua ao contribuinte o ônus de provar os fatos registrados. 15. Diante deste cenário legal e das circunstâncias do presente processo, não há como negar eficácia ao artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985: “Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” 16. O terceiro motivo para a não homologação integral das compensações discutidas no presente processo é que a autoridade administrativa recorrida não encontrou nos sistemas informatizados da administração tributária o montante de prejuízos fiscais de períodos anteriores que a contribuinte compensou para apurar o saldo negativo no anocalendário 2001. A contribuinte na manifestação de inconformidade afirma que o auditor fiscal não encontrou o prejuízo de períodos Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 807 8 anteriores no valor utilizado na DIPJ relativa ao anocalendário 2001, porque este somente foi demonstrado na DIPJ retificadora, cuja cópia a manifestante juntou às fls. 520 a 569. 17. Também quanto a este ponto a interessada não tem razão, pois em nenhum momento apresentou o recibo de entrega desta Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, anocalendário 2000, exercício 2001 (DIPJ/2001) retificadora e no sistema IRPJ somente consta a entrega da DIPJ/2001 original (fls. 721 e 722), cujos valores de apuração do lucro real (fls. 723 a 726) são bem distintos dos constantes na alegada DIPJ/2001 retificadora. 18. Por fim, a manifestante também se insurge quanto à não convalidação das compensações sem processo de estimativas de IRPJ relativas aos períodos de apuração fevereiro e março de 2003, afirmando que em nenhum momento a legislação restringiu seu direito a comprovar a regularidade de suas compensações por meio de documentos contábeis e fiscais, nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/1999. 19. Conforme já dito acima, as disposições dos artigos 923 e 924 do RIR/1999 devem ser aplicadas em conjunto com o artigo 925 e com outras disposições específicas eventualmente existentes sobre a matéria que se quer comprovar. E a compensação tributária desde a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, cujo artigo 49 deu nova redação ao artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, somente é realizada com a apresentação à administração tributária de uma Declaração de Compensação: Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: a) o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; b) os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 854DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 808 9 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (negrito meu) 20. Relacionada a esta questão, a contribuinte iniciou sua manifestação de inconformidade (subitens 4.2. e 4.3 do relatório acima) afirmando que tentou em janeiro de 2003 (itens 9 e 10 de fls. 305) apresentar a Declaração de Compensação de fls. 354 a 404, que indevidamente não foi aceita pelo Programa PER/DCOMP 1.3. Para demonstrar a regularidade das compensações realizadas em 2003, em 18/08/2007 apresentou a Declaração de Compensação em papel (fls. 354 a 404) que forma o processo número 11610.008000/200771. 21. Quanto a isto é necessário dizer primeiramente que é impossível física e juridicamente que em janeiro de 2003 a interessada já tenha realizado, ainda que apenas em sua contabilidade, a extinção por compensação das estimativas de IRPJ que seriam apuradas em fevereiro e março de 2003. Em segundo lugar, se em 2003 o programa PER/DCOMP não aceitou indevidamente sua Declaração de Compensação que seria regular, a interessada deveria imediatamente a ter apresentado em papel para que não se exaurisse o prazo decadencial de seu direito à compensação. E por último, mas não menos importante, há contradição entre as informações prestadas à fl. 224 (cópia à fl. 481) e as constantes às fls. 380 e 383 da Declaração de Compensação em papel: enquanto na resposta à intimação a contribuinte informou que os débitos de estimativa nos valores de R$280.742,87 e R$254.907,94, compensados com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2001, se refeririam a fevereiro e março de 2003 (vencimentos em 31/03/2003 e 30/04/2003), na DComp em papel declarou que se refeririam a março e abril de 2003 (fls. 380 e 383). 22. Diante disto tudo, não é possível convalidar estas compensações não realizadas por meio de Declaração apresentada à administração tributária dentro do prazo decadencial. 23. Diante do exposto, voto pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações discutidas no presente processo administrativo em decorrência do reconhecimento do direito creditório no valor de R$131.542,41, além do valor que já foi reconhecido no despacho decisório de fls. 284 a 292.” Por todo o exposto, encaminho meu Voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11831.007461/200217 Acórdão n.º 140200.663 S1C4T2 Fl. 809 10 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10166.001828/2005-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples.
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
EMENTA: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. ACÓRDÃO PARADIGMA QUE NÃO TRATA DO ESPECIFICAMENTE TRATADO NO JULGADO RECORRIDO.
Não se configura a divergência jurisprudencial quando o acórdão paradigma versa sobre a exclusão das academias de ginástica do Simples, e a decisão recorrida fundamenta-se no fato de que o inciso XIII, do artigo 9° da Lei 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de atividade econômica caracterizada pela
prestação de serviços e circulação de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo.
Numero da decisão: 9101-000.827
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 EMENTA: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. ACÓRDÃO PARADIGMA QUE NÃO TRATA DO ESPECIFICAMENTE TRATADO NO JULGADO RECORRIDO. Não se configura a divergência jurisprudencial quando o acórdão paradigma versa sobre a exclusão das academias de ginástica do Simples, e a decisão recorrida fundamenta-se no fato de que o inciso XIII, do artigo 9° da Lei 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de atividade econômica caracterizada pela prestação de serviços e circulação de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo.
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ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 EMENTA: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. ACÓRDÃO PARADIGMA QUE NÃO TRATA DO ESPECIFICAMENTE TRATADO NO JULGADO RECORRIDO. Não se configura a divergência jurisprudencial quando o acórdão paradigma versa sobre a exclusão das academias de ginástica do Simples, e a decisão recorrida fundamentase no fato de que o inciso XIII, do artigo 9° da Lei 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de atividade econômica caracterizada pela prestação de serviços e circulação de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 277DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10166.001828/200569 Acórdão n.º 9101000.827 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 01/05 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu solicitação, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002. Ementa: Exclusão do Simples Atividade Econômica não permitida. A pessoa jurídica que presta serviço profissional de professor, ou assemelhado, não pode optar pelo Simples. Efeitos da Exclusão. A pessoa jurídica enquadrada nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20 da IN SRF 250/2002, que tenha optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir de 1° de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 62/67 dos autos. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, às fls. 86/92 dos autos, deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: SIMPLES. OPÇÃO. EXCLUSÃO. ACADEMIA DE GINÁSTICA. A atividade desenvolvida pelo contribuinte não guarda plena identidade com a vedação disposta no inciso XIII, do artigo 9° da Lei 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de atividade econômica caracterizada pela prestação de serviços e circulação Fl. 278DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10166.001828/200569 Acórdão n.º 9101000.827 CSRFT1 Fl. 3 3 de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Na ausência de dispositivo que vede sua opção, deve a Recorrente ser mantida no sistema. Recurso Voluntário Provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls.95/99 dos autos). Segundo a recorrente: “Para a exploração do ramo de academia de esportes, necessita se de professores, fisicultores, ou assemelhados, cuja prestação de serviços nessas atividades é vedada pela lei, ex vi do art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9317/96”. Salientou que a contribuinte incorreu em situação excludente desde a opção, em 1997. O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 114/122 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Todavia, entendo que não preenche os demais requisitos de admissibilidade, uma vez que a recorrente demonstrou a divergência jurisprudencial quanto à tese de que a exclusão do SIMPLES alcançaria as academias de ginástica, com base no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Ocorre que o Acórdão ora recorrido entendeu que a atividade desenvolvida pela recorrida não se enquadrava nas vedações previstas no artigo 9o., XIII da Lei. 9.317, tendo em vista que A atividade desenvolvida pelo contribuinte não guarda plena identidade com a vedação disposta no inciso XIII, do artigo 9° da Lei 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de atividade econômica caracterizada pela prestação de serviços e circulação de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo Assim, como o Acórdão paradigma trata apenas do tema de estar vedado às atividades de professor e assemelhados serem optantes do SIMPLES, não foi caracterizada a divergência, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10166.001828/200569 Acórdão n.º 9101000.827 CSRFT1 Fl. 4 4 Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 280DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000216/2005-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
PAF REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando não demonstrada a
contrariedade à lei ou evidência de prova.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Francisco Assis de Oliveira Junior, Ronaldo de Lima Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que dele conheciam.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 PAF REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não demonstrada a contrariedade à lei ou evidência de prova. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Francisco Assis de Oliveira Junior, Ronaldo de Lima Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que dele conheciam. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 06/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório O acórdão recorrido pode ser sintetizado por meio da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Base de cálculo. Valor da terra nua (VTN). ITR – 2001 – Nulidade – Cerceamento de defesa Constituíse em cerceamento ao direito de defesa a restrição às informações utilizadas à lavratura do auto de infração ao Contribuinte, resultando por corolário, na nulidade do mesmo. Assim, não sendo concedido ao contribuinte o acesso as informações do SIPT – Sistema de Preços de Terras, base de informações para lançamento do VTN, não tem este como verificar a fidedignadade destas informações, caracterizando, por certo, o cerceamento ao direito de defesa. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Área aproveitável. Benfeitorias. As benfeitorias úteis e as necessárias são passíveis de exclusão da área total do imóvel rural para a determinação da área aproveitável. Carece de fundamento jurídico a pretendida exclusão quando desacompanhada da produção de prova documental suficiente para demonstrar a efetiva existência das áreas ocupadas com tais benfeitorias. Pelo o que se extrai da ementa acima, a decisão recorrida, por maioria de votos, acolheu a preliminar de lançamento no que concerne ao VTN, por cerceamento do direito de defesa. Por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário quanto às áreas ocupadas com benfeitorias. Na parte em que reconheceu a nulidade do lançamento, a decisão recorrida o fez com base nos seguintes fundamentos: “A glosa da fiscalização para fins do Valor da Terra Nua deuse através da extração do valor lançado SIPT — Sistema de Preços de Terras, cujo acesso, nos termos da Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, ocorre de forma restrita, a usuário credenciado pela Cofins — Coordenação Geral de Fiscalização da SRF, não permitindo ao contribuinte visualizar a origem dos valores informados no auto de infração, não oportunizando ao Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10670.000216/200559 Acórdão n.º 920201.485 CSRFT2 Fl. 3 3 contribuinte conferir se os valores constantes no auto de infração são efetivamente aqueles do SIPT. Ora, não basta a Autoridade Lançadora alegar que os valores constantes no auto de infração são aqueles do SIPT, fis 12 e 15, é preciso oportunizar ao Contribuinte o conhecimento destas informações, a fim de que este manifestese apresentando suas razões, se entender necessário. Portanto, caracterizase por cerceamento ao direito de defesa a restrição de acesso imposta ao Contribuinte ao Sistema SIPT de onde foram extraídos os valores utilizados para glosa do valor da terra nua. Por estas razões, com fundamentos no inciso II, do artigo 59, do Decreto 70.235/72 considero como nulo o auto de infração no que concerne ao lançamento do VTN.” Regularmente intimada, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial às fls. 126 e seguintes, alegando contrariedade ao artigo 14, caput, da Lei nº 9.396, de 1996, que autoriza a SRF a proceder o lançamento de ofício em caso de subavaliação ou prestação incorreta do preço das terras. Sustenta que não houve cerceamento de defesa, pois foi anexado aos autos o resultado da consulta feita pelo SIPT, no qual consta o valor da terra fornecido pelo município de localização do imóvel. O recurso foi admitido, tendo o recorrido apresentado contrarrazões que ratifica a argumentação disposta no decisum. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Passo a examinar os requisitos de admissibilidade que na época estavam previstos no artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, aprovado pela Portaria nº 55, de 16 de março de 1998, a seguir transcrito: Art. 5º. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I – decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando foi contrária à lei ou à evidência de prova;e II – (...) Para que se possa dizer que a decisão recorrida foi contrária a determinado dispositivo de lei, requisito necessário para desafiar recurso especial, é necessário que referida norma, ainda que em razão de embargos de declaração, seja levada em consideração quando do julgamento do acórdão recorrido. Não se pode dizer que o acórdão recorrido contrariou o artigo 14, da Lei nº 9.393, de 1996, abaixo transcrito, quando tal norma, nem de forma indireta, foi citada ou utilizada como razões de decidir. “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º. As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Quanto a matéria trazida me sede de preliminar, há de se salientar que o dispositivo apontado como infringido sequer foi discutido no acórdão recorrido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça são no sentido de que não há de se conhecer de recurso especial se os dispositivos legais tidos como contrariados não foram objeto de debate no julgado recorrido. Confira o seguinte aresto do STJ (REsp 852826 / RJ, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ 26/10/2006 p. 258): RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO . LANÇAMENTO DE MULTA ADMINISTRATIVA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. AUSÊNCIA DE Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10670.000216/200559 Acórdão n.º 920201.485 CSRFT2 Fl. 4 5 PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULAS 286/STF E 07/STJ. NÃOCONHECIMENTO. ............. 2. Não prospera recurso especial se os dispositivos legais apontados como infringidos não foram objeto de debate pelo julgado recorrido. Incide o teor do verbete sumular 282/STF. Seguiramse embargos de declaração, rejeitados por unanimidade pelo Tribunal a quo, em face da inexistência "de quaisquer dos vícios previstos no artigo 535 do CPC".(GRIFEI) .............. 4. Recurso especial nãoconhecido. A norma acima transcrita diz respeito ao lançamento feito com base em informações constantes do Sistema de Preços de Terras instituído pela Receita Federal (Portaria). Todavia, a decisão recorrida não se refere à possibilidade ou não da utilização de tal sistema para fins de lançamento, mas sim na necessidade de se oportunizar ao autuado o conhecimento dos dados constantes destas informações, a fim de que possa apresentar suas razões quanto a eventuais discordâncias. Pelas razões acima referidas, entendo que o acórdão recorrido não decidiu com base no artigo 14, da Lei nº 9.393, de 1996, situação que impede o conhecimento do recurso com base no artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, aprovado pela Portaria nº 55, de 16 de março de 1998. ISTO POSTO, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000586/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. ART. 173, II
DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA.
O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas
obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os
documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado.
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.268
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. ART. 173, II DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
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DECADÊNCIA. ART. 173, II DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 214 3 Relatório Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997 Data de lavratura da NFLD : 21/02/2008. Data da Ciência da NFLD : 22/02/2008. Tratase de lançamento fiscal para constituição de crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãodeobra empregada na execução obra de construção civil, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 18/26. Tratase de lançamento fiscal para constituição de crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãodeobra empregada na execução obra de construção civil, Matrícula CEI nº CEI: 21.904.06834/78, Rodovia Presidente Castelo Branco, S/N Km. 29,991, Margem Direita – Barueri/SP, decorrente da responsabilidade solidária com a empresa Talude Comercial Construtora Ltda, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 18/26. O lançamento fiscal foi realizado em substituição de outro anterior, lavrado em 30/11/2001, e que foi julgado nulo, por Acórdão da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, fls. 139/142, em sessão realizada em 25/05/2005, em razão da ausência de indicação do fundamento de direito que autorizou o procedimento de aferição indireta. Relata a Autoridade Lançadora que o Recorrente, na qualidade de proprietário de obra de construção civil matrícula CEI nº 21.904.06834/78, deixou de apresentar os comprovantes de recolhimentos de contribuições previdenciárias vinculados à obra, relativos aos serviços que lhe foram prestados pela empresa Talude Comercial e Construtora Ltda, CNPJ 61.701.314/000106, fato que desaguou na imputação da responsabilidade tributária solidária entre contratante, proprietário da obra, e a empreiteira em tela, prestadora de serviços de construção civil. Informa, outrossim, que as diligências empreendidas diretamente no contribuinte, Talude Comercial e Construtora Ltda, constataram não constar que tenha sido realizada auditoria fiscal, com exame da contabilidade, para o período a que se refere o lançamento e que os créditos referentes à prestação de serviços ora tributada não foram objeto de lançamento anterior. Aduz que as guias de recolhimento apresentadas (cópias às fls. 28/30, 155 e 160) não foram consideradas no presente lançamento, por não atenderem às formalidades e exigências legais então vigentes, quanto à vinculação à obra de construção civil indicação da matrícula CEI e o nome do proprietário da obra. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Acrescenta que, não havendo sido apresentados documentos ou outras evidências de que os valores faturados eventualmente incluiriam materiais e a utilização de equipamentos, especialmente contrato de prestação de serviços, considerouse que os montantes faturados compreenderam, tão somente, o fornecimento de mãodeobra de construção civil, de molde que a base de cálculo das contribuições previdenciárias foi determinada pela aplicação do percentual de 40% sobre o total das notas fiscais discriminadas a fl. 26. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 95/109. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 182/187, julgando procedente o presente lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/05/2009, conforme Avisos de Recebimento a fl. 190. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 192/209, deduzindo seu inconformismo em face da decisão guerreada em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que foi comprovado, por meio de documentação acostada aos autos, o efetivo recolhimento, pela empreiteira, das contribuições por ela devidas ao INSS; • Decadência quinquenal; • Que, sendo a prestadora de serviços o sujeito passivo da relação tributária, e tendo ela efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias, não pode o INSS exigir da Recorrente o recolhimento de tais exações, sob pena de efetivarse a cobrança em duplicidade de tais tributos; • Que, para que o INSS pudesse exigir do Recorrente o recolhimento de tais exações, deveria, antes de tudo, ter realizado fiscalização nas empresas fornecedoras da mãodeobra, para, somente depois de constatado o não recolhimento por aquelas empresas, proceder à autuação em face do Recorrente; • Que não se prestou obediência às disposições contidas no item 27.1 da OS nº 165/1997; • Que o Fisco jamais poderia ter aplicado o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais emitidas pelas empreiteiras como valor mínimo do salário de contribuição para cálculo das exações em tela, isto porque a maior parte do valor dos serviços de construção civil prestados pelas referidas empresas à Recorrente referese a materiais e/ou máquinas, além do que a obra executada não é uma edificação que justifique a aplicação de referido percentual; • Que, ao caso em tela, é inaplicável o instituto da solidariedade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 215 5 Ao fim, requer a improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 10 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA ALEGADA DECADÊNCIA O Recorrente pugna pela declaração de nulidade do procedimento fiscal, por ter se operado a decadência. A súplica acima clamada não encontra eco no ordenamento jurídico pátrio. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 216 7 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso presente, o lançamento originário, aviado mediante a NFLD nº 35.441.3503, foi declarado nulo pela 4ªa Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência, por vício formal consistente na ausência de menção, nos Relatórios Fiscais, da fundamentação legal que deu amparo jurídico à apuração da base de calculo do tributo por aferição indireta. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso II do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, havendo sido a notificação fiscal acima referida declarada nula por decisão do CRPS proferida em 25/05/2005, a Fazenda Pública manteve resguardado o seu direito de operar o lançamento das contribuições previdenciárias em tela até o dia 25/05/2010, inclusive. Considerando que a vertente NFLD foi lavrada em 22 de fevereiro de 2008, não demanda áurea mestria concluir que a obrigação principal em julgo não se houve ainda por finada pela algozaria do instituto da decadência tributária. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Alega o Recorrente que, ao caso em tela, é inaplicável o instituto da solidariedade. Aduz que, sendo a prestadora de serviços o sujeito passivo da relação tributária, e tendo ela efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias, não pode o INSS exigir da Recorrente o recolhimento de tais exações, sob pena de efetivarse a cobrança em duplicidade de tais tributos. Complementa argumentando que, para que o INSS pudesse exigir do Recorrente o recolhimento de tais exações, deveria, antes de tudo, ter realizado fiscalização nas empresas fornecedoras da mãodeobra, para, somente depois de constatado o não recolhimento por aquelas empresas, proceder à autuação em face do Recorrente. A razão não sorri ao Recorrente. Mostrase virtuoso, de antemão, enveredar sobre algumas digressões acerca do instituto da solidariedade no ramo do Direito Previdenciário. A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 217 9 I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No plano infraconstitucional, no ramo do direito previdenciário, a matéria sob foco foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI do art. 30, na redação que lhe fora outorgada pelas Leis nº 8.620/93 e 9.528/97, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do proprietário, do incorporador, do dono da obra ou do condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Sem ultrapassar os umbrais que lhe foram erguidos pelo CTN e pela Lei nº 8.212/91, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2.173/1997, estatuiu, sem vias laterais de escape, que a responsabilidade solidária em realce somente seria elidida na exclusiva hipótese em que o executor da obra comprovasse o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Regulamento da Previdência Social Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. (grifos nossos) §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifos nossos) §3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Mas não parou por aí. Disse mais. Sem deixar margens a dúvidas, o Regulamento da Previdência Social pavimentou o caminho a ser seguido pelos contratante e contratado na persecução da elisão em tela, ao impor ao executor da obra o dever jurídico tributário de elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas e individualizadas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Inúteis se revelam, portanto, qualquer outro meio diverso, eventualmente engendrado pelos atores em foco, contribuinte e responsável solidário, para se elidir do Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 218 11 instituto da solidariedade ora em apreciação, eis que a lei define, de maneira cristalina, ser aquela a única hipótese aceitável para que se proceda à elisão tributária em realce. Nesse panorama, havendo verificado o auditor fiscal a execução de obra de construção civil e não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela legislação previdenciária, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre o dono da obra e o executor, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 30, VI , culminou por atribuir ao contratante de obra de construção civil a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas construtoras, fazendo com que aquele exija destas cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Não se mostra despiciendo salientar que as obrigações acessórias têm por objeto prestações, positivas ou negativas, estabelecidas pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do art. 113, §2º do CTN. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Nessa perspectiva, da fiel observância das obrigações assim impostas pela solidariedade resulta que tanto a empresa construtora quanto o dono da obra passam a ter, à sua disposição, toda a documentação indispensável e necessária para fiscalização sindicar, pelos meios ordinários, o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias referentes aos serviços assim contratados. Com efeito, o arcabouço normativo dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Nesse particular, como fruto do mecanismo fiscalizatório da solidariedade, a empresa tomadora passa a dispor da folha de pagamento dos trabalhadores cedidos e as GPS correspondentes, situação que somente não ocorrerá caso a contratante se descuide da obrigação acessória em realce, explicitamente imposta pela lei. Tal inobservância frustra os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, obrigandoos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos destacados no parágrafo precedente, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, Custo Unitário Básico da obra, etc. Como consequência, nas ocasiões em que o conhecimento fiel da ocorrência de fatos jurígenos tributários e/ou do montante tributável a eles associado não for viável pelo exame direto dos documentos específicos ad hoc indicados pela lei, o ordenamento jurídico admite e legitima o emprego excepcional da aferição indireta da base de cálculo, transferindo se para os ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, conforme previsão taxativa expressa nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 219 13 §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Salientese que o próprio CTN prevê a prerrogativa do agente fiscal de arbitrar, mediante processo regular de aferição indireta, o valor ou preço de bens, direitos, serviços e atos jurídicos, sempre que estes sejam tomados por base para o cálculo do tributo, e sejam omissas, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Registrese que o poder conferido pela lei ao dono da obra de exigir do executor cópias autenticadas das folhas de pagamento e das guias de recolhimento acima pontuadas não se consubstancia numa mera faculdade do tomador, mas, sim, num ônus que lhe é avesso, o qual lhe assegurará a elisão da comentada responsabilidade solidária. Em reforço às diretivas ora enunciadas, o item 27 da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 dispõe expressamente que a responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada pela fiscalização na forma do disposto no seu Título V, quando este não apresentar as cópias de GRPS correspondentes às notas fiscais de serviço/fatura de empresas de construção civil a seu serviço. Diante de tal cenário jurídico, revelamse órfãs de embasamento jurídico as alegações de que “para que o INSS pudesse exigir do Recorrente o recolhimento de tais exações, deveria, antes de tudo, ter realizado fiscalização nas empresas fornecedoras da mão deobra, para, somente depois de constatado o não recolhimento por aquelas empresas, proceder à autuação em face do Recorrente”. Isso porque tanto a Lei de Custeio da Seguridade Social quanto o próprio CTN estatuíram, com clareza solar, que a solidariedade tributária não comporta o benefício de ordem. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse a fiscalização conjunta do dono da obra e do construtor ou o lançamento primeiramente em face deste e, subsidiariamente, em face daquele, configurarseia um verdadeiro contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, VI da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.528/97, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os co obrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 220 15 tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 O Egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente tópico, podese asselar categoricamente que o procedimento adotado pela fiscalização, consistente no lançamento direto em face do devedor solidário, não se encontra eivado de qualquer vício de legalidade. 3.2. DO ALEGADO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Alega o Recorrente haver sido comprovado, por meio de documentação acostada aos autos, o efetivo recolhimento, pela empreiteira, das contribuições por ela devidas ao INSS. Aduz que, sendo a prestadora de serviços o sujeito passivo da relação tributária, e tendo ela efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias, não pode o INSS exigir da Recorrente o recolhimento de tais exações, sob pena de efetivarse a cobrança em duplicidade de tais tributos. Não é o que se apura das provas dos autos. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 221 17 Conforme demonstrado no tópico anterior, por disposição expressa dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação atribuída pela Lei nº 9.032/95, a responsabilidade solidária em apreço somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, devendo para tanto o cedente da mãodeobra elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo estas exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópias autenticadas de tais documentos. Outro não é o Direito legislado na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, in verbis: Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea "b", além de folha de pagamento. No caso em estudo, compulsando as guias de recolhimento acostadas às fls. 143/163, verificamos que somente as GRPS a fls. 152, 155 e 160 foram emitidas pela empresa Talude Comercial e Construtora ltda, não estando, no entanto, tais documentos vinculados à empresa tomadora ora Recorrente, como assim determina a lei, nem, tampouco, encontramse tais guias de recolhimento cortejadas pelas respectivas folhas de pagamento individualizadas por tomador, condição sine qua non para a elisão da responsabilidade solidária ora em debate. Da mesma forma, não há qualquer evidência, quanto mais comprovação, de que a prestadora em relevo possua contabilidade regular. Não procede, pois, a alegação de que não se prestou obediência às disposições contidas no item 27.1 da OS nº 165/1997. Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 27.1 A aceitação de GRPS com salário de contribuição inferior ao disposto no Título V desta OS fica condicionada à apresentação de comprovante de que a contratada possui contabilidade (cópia do balanço extraído do livro Diário e/ou declaração firmada pela empresa e contador para o exercício em curso). Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 A uma, porque não houve comprovação de recolhimento prévio das contribuições previdenciárias em debate. A duas, em razão de os autos não se encontrarem instruídos com qualquer indício de prova material de que a prestadora possua contabilidade regular, eis que as peças de bloqueio oferecidas pelo Recorrente encontramse totalmente despidas de qualquer elemento da contabilidade da prestadora em realce, tais como cópia do balanço patrimonial, livro diário, declaração firmada pela empresa e pelo contador, nada ! Conforme apurado nos autos, encontramse à calva de comprovação as alegações concernentes ao suposto recolhimento das contribuições previdenciárias objeto do vertente lançamento pela empresa prestadora em realce. Além disso, atestam as autoridades fiscais que o prestador de serviços em tela Talude Comercial e Construtora Ltda – não sofreu qualquer auditoria fiscal, com a análise da contabilidade, no período de apuração do presente lançamento. Da mesma forma, certificam que os créditos referentes à prestação de serviços ora tributada não foram objeto de lançamento fiscal anterior. Também não procede a alegação de cobrança em duplicidade das contribuições sociais em debate, eis que não se realizou qualquer comprovação do eventual recolhimento das exações ora em constituição. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O fisco federal, com fundamento no instituto da responsabilidade solidária já tanto depurado nos tópicos precedentes, demonstrou as circunstâncias constitutivas do seu crédito, eis que houve prestação de serviços de construção civil sem a devida comprovação do recolhimento prévio das contribuições previdenciárias respectivas. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do presente lançamento, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não logrando dessarte o Recorrente produzir meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 3.3. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Alega o Recorrente que o Fisco jamais poderia ter aplicado o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais emitidas pelas empreiteiras como valor mínimo do salário Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 222 19 de contribuição para cálculo das exações em tela. Isto porque a maior parte do valor dos serviços de construção civil prestados pelas referidas empresas à Recorrente referese a materiais e/ou máquinas, além do que a obra executada não é uma edificação que justifique a aplicação de referido percentual. Os argumentos expendidos pela empresa não merecem o albergue pretendido. O art. 146 da CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para ditar normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários e contribuintes, dentre outras. No exercício de tal competência, louvou o art. 148 do CTN prescrever que, nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Inserido no escopo iluminado no parágrafo precedente, o art. 33 da Lei nº 8.212/91 honrou estabelecer, de forma hialina, imune a qualquer questionamento, que nas hipóteses de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, valor presumido de mão de obra empregada em serviços executados mediante cessão de mão de obra, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que em princípio lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. No caso ora em apreciação, o Recorrente não logrou elidir a responsabilidade solidária que lhe fora imputada pela lei, decorrente da contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Não tendo o Recorrente apresentado à fiscalização as folhas de pagamento dos segurados que executaram os serviços em tela, valeuse a autoridade lançadora, escudada pelo permissivo legal há pouco revisitado, do critério de apuração das contribuições previdenciárias devidas via aferição indireta da base de cálculo, conforme os procedimentos estabelecidos para esse fim na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, sob cuja égide ocorreram os fatos geradores, aplicandose para a apuração da remuneração, os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviço constantes em seu subitem 31. É certo que, tratandose da prestação de serviços de construção civil em que haja fornecimento concomitante de material, o salário de contribuição corresponderá no mínimo a 40% do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. No caso presente, em conformidade com a legislação acima citada, foi adotado como salário de contribuição, o produto da incidência do percentual mínimo de 40% sobre os valores contidos nas notas fiscais de serviços, como assim determina o item 31 da OS INSS/DAF nº 165/1997, eis que as notas fiscais de serviço não contemplavam o fornecimento conjunto de material. Ocorre que, mesmo devidamente intimada, mediante TIAD a fl. 31, a apresentar cópia autenticada dos contratos de prestação de serviços com a empresa prestadora em questão, em nenhum momento a empresa apresentou tais contratos ou qualquer documento que comprovasse que estas Notas Fiscais continham Mão de obra e material ou que os serviços foram efetuados com a utilização de equipamentos mecânicos. A matéria em relevo já foi bater às portas da Suprema Corte, em precedente específico sobre o tema, proferido quando do julgamento do RE nº 579.281/PR, da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, DJe de 14/3/08, assim ementado: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA ANULATÓRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. Não padece de vício de legalidade a Ordem de Serviço nº 083/93, que estabelece percentuais a incidirem sobre o valor bruto de nota fiscal de serviço ou fatura, na hipótese de aferição indireta do salário de contribuição. Tratase de regulamentação do procedimento de arbitramento, a estabelecer critérios para tanto. Do contrário, não existiriam parâmetros objetivos para o Fisco proceder ao levantamento do débito nos casos em que não dispusesse de elementos concretos para fazêlo, ante a imprestabilidade ou inexistência de escrita contábil relativa a mãodeobra empregada pelo contribuinte’ (fl. 308). A recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, alega violação ao disposto nos arts. 5º, II; 37; 146, III, a; e 150, I, da Constituição Federal. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.000586/200882 Acórdão n.º 230201.268 S2C3T2 Fl. 223 21 Inadmissível o recurso. Conforme evidenciado, restam improcedentes as alegações desfiladas pelo Recorrente, não carecendo a decisão de Primeira Instância, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10510.002995/2003-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
EXERCÍCIO: 1999
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
A averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.325
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Marcos Candido Pr'esidente-Substituto Gusto Lian Haddad - Relator CSRF-T2 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10510.002995/2003-06 Recurso n° 337.907 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-01.325 — 2 Turma Sessão de 8 de fevereiro de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GENTIL BARBOSA DE JESUS - ESPOLIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR EXERCÍCIO: 1999 ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da area de reserva legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candid° (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hofftnann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face do espólio de Gentil Barbosa de Jesus foi lavrado o auto de infração de fls. 17/19, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como Area de utilização limitada da Fazenda Belo Horizonte pelo contribuinte. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o• recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 303-35.545, que se encontra As fls. 100/114 e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR EXERCÍCIO: 1999 AEA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBA ÇÃOÀ MARGEM DA MATRICULA. A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PRO VIDO EM PARTE" A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso para restabelecer a Area de reserva legal de 749,31ha. Intimada pessoalmente do acórdão em 03/02/2009 (fls. 115) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 119/129, em que aponta divergência entre o v. acórdão e o acórdão ri° 302-36.278, sustentando a necessidade de apresentação tempestiva de ADA para exclusão da área de reserva legal do calculo do ITR: Ao Recurso Especial foi dado seguimento, confoluie Despacho n° 010, de 05/02/2009 (fls. 132/134). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contra-razôes de fls. 138/148. o Relatório. • Processo n° 10510.002995/2003-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01325 Fl. 2 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Trata-se de lançamento de ITR supostamente devido relativamente à área declarada como de reserva legal em decorrência da não apresentação tempestiva de ADA. O acórdão recorrido (Acórdão no 303-35.545), exarado pela C. 3' Câmara do Terceira Conselho de Contribuintes, concluiu que foi efetivamente comprovada a existência da Area de reserva legal pela averbação dessa área na matricula do imóvel. Visando à rediscussão da matéria a recorrente indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão n° 302-36.278. A matéria em discussão no presente recurso especial limita-se à necessidade da apresentação tempestiva do ADA para que o contribuinte possa excluir do cálculo do ITR a área de reserva legal de sua propriedade. O acórdão citado como paradigma pela Procuradoria da Fazenda Nacional claramente analisa situação em que a apresentação tempestiva do ADA foi considerada como requisito para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, como se verifica da ementa abaixo transcrita: Acórdão 302-36.278 "ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva devem ser averbadas a margem da inscrição da matriculado imóvel no registro de imóveis competente." Verifico que o voto condutor do referido acórdão citado como paradigma considera necessária a apresentação do ADA, in verbis: "Este Colegiado, em reiteradas decisões, considera indispensável para a fruição do beneficio de exclusão da tributação, que o contribuinte prove a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) na data da ocorrência do fa to gerador do imposto, ou, conforme determina inciso I, Pi°, do art. 10, da IN S.RF n° 43/97, com redação dada pelo IN SRF n° 67/97 c/c a IN SRF n°56/98, art. 3°, com a apresentação do ADA recepcionado pelo IBAIVIA em até o dia 21 de setembro de 1998." S. 3 Nesse sentido, entendo caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No mèrrto entendo que não assiste razão a Recorrente. Ao examinar a documentação trazida aos autos, especialmente a cópia da matricula do imóvel às fls. 07v 0 e o Termo de Responsabilidade Florestal e Preservação e Demais Formas de Vegetação fls. 7, entendo que assiste razão a Recorrente no tocante a área declarada a titulo de reserva legal devidamente averbada na matricula do imóvel. Como se verifica dos referidos documentos foi efetivamente constituída uma reserva legal de 749,3 lha no imóvel em questão, devidamente averbada na matricula do imóvel. Por essa razão, entendo que a glosa efetuada pela autoridade fiscal, considerando como área tributável a área total do imóvel, não merece prosperar. De fato, em que pese a ausência de apresentação tempestiva do ADA, tenho para mim que a comprovação das áreas de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10°, parágrafo 7 0, da Lei n° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória n° 2.166-6712001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto A. existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectdrios legais em caso de falsidade. No presente caso, tendo havido a contestação da existência dessa Area pela autoridade fiscal a averbação na matricula (fls. 07v 0) faz prova suficiente de sua existência. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Gus& Lian Haddad 4
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