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Numero do processo: 10920.001007/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato
administrativo. Inadmissível a mera alegação.
IPI. RESSARCIMENTO. ESTORNO. REQUISITO.
A anulação do crédito, através do estorno, é requisito para o ressarcimento.
IPI. CRÉDITOS. INSUMOS NT, ISENTOS OU ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de insumos isentos, nãotributados
e de alíquota zero não gera
crédito de IPI. Não havendo exação de IPI, não há valor algum a ser
creditado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.057
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação. IPI. RESSARCIMENTO. ESTORNO. REQUISITO. A anulação do crédito, através do estorno, é requisito para o ressarcimento. IPI. CRÉDITOS. INSUMOS NT, ISENTOS OU ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos isentos, nãotributados e de alíquota zero não gera crédito de IPI. Não havendo exação de IPI, não há valor algum a ser creditado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório A empresa Celulose Irani S.A. apresentou pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, originado da aquisição de insumos, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos, de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, referente ao segundo trimestre do ano de 2002, cumulado com pedido de compensação. A DRF de jurisdição da Contribuinte, em despacho decisório, deferiu parcialmente o pedido e homologou as compensações até o limite do crédito deferido. Inconformada com a parte indeferida, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) A inserção de dados no campo "informações complementares", referese a crédito legítimo e passível de recuperação, uma vez que sua origem se deu com a efetiva entrada da mercadoria. Ademais, sendo a escrituração um procedimento de formalidade, não poderá frustrar o objetivo da contribuinte de creditarse do imposto. iii) O valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, eis que o crédito é totalmente legítimo; iv) São devidos os créditos relativos a aquisições de insumos isentos e/ou de alíquota zero. A DRJ/Ribeirão Preto/SP prolatou acórdão mantendo o despacho decisório proferido pela DRF, em acórdão com a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO DE IPI. ESTORNO DE CRÉDITOS NO RAIPI. REQUISITOS. O direito ao ressarcimento de créditos reclama, em contrapartida do contribuinte, o estorno, na escrita fiscal, do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001007/200371 Acórdão n.º 330201.057 S3C3T2 Fl. 2 3 valor pedido, no período de apuração em que for encaminhado à autoridade fiscal. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. Manifestação de Inconformidade. Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a Interessada insurgese contra seus termos, apresentando Recurso Voluntário, afirmando, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) O valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, eis que o crédito é totalmente legítimo; iii) Os créditos decorrentes de insumos isentos ou de alíquota zero foram corretamente utilizados, eis que foram operacionalizados quando a matéria estava favorável aos contribuintes; iv) Atualização monetária pela SELIC Finaliza requerendo seja reconhecido integralmente o direito creditório, atualizado pela SELIC. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No tocante as glosas de créditos indevidos referentes a aquisições de produtos para comercialização (CFOP's 1.12 e 2.12), verificase que a Recorrente, limitandose a argumentar, não juntou aos autos nenhuma prova que garanta o que aduz, contrariando, portanto, o teor do art. 16, III1, do Decreto nº 70.235/72. Noção cediça, a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. O Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, sobre o assunto, assim dispõe: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.° 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Destarte, correta a manutenção das glosas em apreço. Quanto a alegação de que o valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, também, não assiste razão à Recorrente. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001007/200371 Acórdão n.º 330201.057 S3C3T2 Fl. 3 5 Sabese que o estorno, no ressarcimento, é um procedimento contábil que visa impedir a utilização de créditos em duplicidade. A anulação do crédito em baila tem previsão expressa no nosso ordenamento jurídico, vejamos: Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI – RIPI) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): § 5º Anularseá o crédito no período de apuração do imposto em que ocorrer ou se verificar o fato determinante da anulação, ou dentro de vinte dias, se o estabelecimento obrigado à anulação não for contribuinte do imposto. Portanto, nesse particular, correto o procedimento fiscal. No que tange a utilização de créditos decorrentes de insumos isentos ou de alíquota zero, não assiste razão a Recorrente pelas razões adiante expostas. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, verbis: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” (grifo nosso) O Código Tributário Nacional estabelece, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio, e remete à lei a forma dessa implementação. “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei nº 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inciso I, do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem que não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, porquanto o sujeito passivo não arcou com ônus algum. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. Ademais, quanto aos insumos tributados à alíquota zero, o CARF aprovou a súmula abaixo, cuja aplicação pelos seus membros é obrigatória. Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001007/200371 Acórdão n.º 330201.057 S3C3T2 Fl. 4 7 Diante do exposto, entendo não haver para a reclamante o direito a crédito de IPI referente a aquisições de insumos não tributados, isentos ou de alíquota zero, por não existir norma legal que albergue a sua pretensão. Concernente a incidência da SELIC sobre ressarcimento, que passo a analisar pela possibilidade de ser vencido na matéria acima, entendo ser incabível por falta de previsão legal. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento (instituto completamente distinto daqueles). Na mesma linha têmse a Lei nº 8.383/91, art. 66, com redação dada pelo artigo 58 da Lei nº 9.069, de 1995. Ambos dispositivos pressupõem a existência de pagamento. A propósito, vejamos o teor dos citados excertos legais, com grifo nosso: Lei nº 9.250/95. “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. §4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifei) Lei nº 8.383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. §1º omissis § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. Conforme se vê, os dispositivos acima tratam de compensação ou restituição, para os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais. Não cogitam os referidos atos de ressarcimento de créditos escriturais do IPI. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Somado a isso, a SELIC tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação, aplicála é causar favorecimento sem expressa previsão legal. E, também, a Fazenda Nacional não corrige os débitos escriturais do IPI e, analogamente e por força do princípio da isonomia, os créditos ressarcidos não devem ser corrigidos. Sobre o tema, assim tem se posicionado, reiteradamente, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, e.g., no acórdão CSRF/0203.855: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado”. Ademais, é noção cediça (prescrita no art. 2º, I, da Lei nº 9.784/99) que a Administração Pública, nos processos administrativos, deve atuar conforme a lei e o Direito, princípio extensivo ao julgador dado sua competência estritamente vinculada. Por outro lado, o princípio da legalidade, insculpido no artigo 37, caput, da CF/88, preceitua que à Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, sob pena de violação do princípio da legalidade. No caso em tela, não há norma garantidora da pretensão da Recorrente. Portanto, incabível a aplicação da SELIC sobre os valores ressarcidos ou a ressarcir. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 19515.002866/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/07/1998 A 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/07/1998 a 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
Numero da decisão: 3201-00.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1998 a 31/01/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 08/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando , Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente processo trata de Autos de Infração para a cobrança do PIS (fls. 115/119) e da COFINS (fls. 353/357), lavrados em 19/11/2004, em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, relativos aos períodos de apuração de 31/07/1998 a 31/01/2003. Por bem descrever os fatos ocorridos transcrevo o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para Programa de Integração Social PIS, abrangendo os períodos de apuração 07/98, 10/98 a 12/98, 02/99 a 04/99, 06/99 a 01/00, 04/00, 06/00 a 09/00, 11/00, 03/01, 04/01, 10/01 a 01/02, 03/02, 04/02, 06/02 a 09/02 e 11/02 a 01/03 (fls. 108 a 118), no valor de R$ 7.467,97, com o acréscimo de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 5.600,82, e juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 3.434,12, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 16.502,91, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Defic/SPO, conforme Termo de Início de Fiscalização às fls. 04. 2. Foi ainda lavrado auto de infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, para os PA 07/98, 11/98, 12/98, 02/99 a 02/00, 04/00 a 09/00, 11/00, 12/00, 03/01, 04/01, 10/01 a 04/02, 06/02 a 09/02, 11/02 a 01/03 e 04/04 (fls. 345 a 356), no valor de R$ 56.272,43, com o acréscimo de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 42.204,16, e juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 32.613,93, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 131.090,52, em decorrência da mesma ação fiscal. 3. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 106/107 e 343/344), o AFRF autuante informa, em relação à apuração do PIS e da COFINS, que: • O contribuinte apresentou formulários que demonstram a base de cálculo das contribuições, que, conferidos pela Fiscalização, foram substituídos para contemplar, a partir de fevereiro de 1999, as receitas financeiras; • No ano de 1999, os valores informados foram conferidos por amostragem com os balancetes mensais; • Os créditos referentes aos valores não declarados em DCTF ou declarados em valor inferior ao demonstrado na escrituração contábil foram objeto do auto de infração; • Em 11/07/03, após o início da ação fiscal, o contribuinte entrou com pedido de parcelamento especial (Lei 10.684/02), sendo que os débitos nele incluídos já estavam declarados em DCTF entregues antes do início da ação fiscal. 4. O enquadramento legal da autuação foi: PIS: artigo 77111 do DecretoLei n° 5.844/43; artigo 149 da Lei n° 5.172/66; artigos 10 e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/70; artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73; Título 5, Capítulo 1, Seção 1, alínea "b", Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 19515.002866/200415 Acórdão n.º 320100.661 S3C2T1 Fl. 531 3 itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; artigos 2°I, 3 0, 8°1 e 90 da Medida Provisória n° 1.212/95 e reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98; artigos 2°I, 8°1 e 9° da Lei n° 9.715/98; artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. COF1NS: artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91; artigo 77111 do Decreto Lei n° 5.844/43; artigo 149 da Lei n° 5.172/66; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias n os 1.807/99 e 1.858/99 e suas reedições; artigos 2° II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02 . A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta às fls. 114 e 352. 5. Após tomar ciência da autuação em 19/11/2004 (fls. 115 e 353), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada às fls. 121 a 146 e 360 a 384 em 17/12/2004, com as alegações abaixo resumidas, relativas ao PIS e à COFINS: 5.1. As modificações introduzidas pela Lei n° 9.718/98, quanto à inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de outras receitas da pessoa jurídica, não têm qualquer fundamento jurídico ou validade constitucional; 5.2. A majoração da alíquota da COFINS também não se afigura constitucional, pois fere o princípio da capacidade tributária, expresso no artigo 145, § 1° da Constituição, no sentido de que apenas poderá compensar 1/3 da contribuição com a CSLL o contribuinte que auferir lucro; 5.3. Não se pode admitir que uma lei resultante de conversão de medida provisória promova alteração no conceito de "faturamento", cujo alcance e extensão estão definidos na Lei Maior; 5.4. As alterações trazidas pela Lei n° 9.718/98 não podem ter fundamento na EC n° 20/98, pois esta foi aprovada e publicada após a edição da citada Lei, não podendo surtir efeitos retroativos, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica e irretroatividade das leis; 5.5. Em razão da inconstitucionalidade da referida Lei, a impugnante recolheu o PIS com base na Lei Complementar n° 7/70 e a COFINS com base na Lei Complementar n° 70/91, à alíquota de 2%, considerando apenas as receitas de venda de mercadorias e prestação de serviços; 5.6. A Lei n° 9.718/98 distorceu o conceito e a extensão do termo "faturamento", expresso no artigo 195Ib da Constituição, que coincide com aquele definido pelo direito comercial, não podendo uma lei infraconstitucional "alargar" conceito de jaez constitucional, por ser hierarquicamente inferior; 5.7. A Lei n° 9.718/98 deveria ser aplicada em consonância com o ordenamento constitucional vigente à data de sua publicação, fazendo uso da expressão "faturamento", definido pelo direito comercial, em obediência ao artigo 110 do CTN; 5.8. Assim, jamais poderseia admitir a cobrança do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, inscrito no artigo 15011Ia da Constituição; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN 4 5.9. Além disso, a Lei n° 9.718/98 instituiu nova fonte de custeio para a Previdência Social, sendo necessário observar os artigos 195, § 4° e 1541, ambos da Constituição, ou seja, a edição de lei complementar, padecendo a referida norma, portanto, de inconstitucionalidade formal; 5.10. Sendo a Lei Complementar n° 7/70 regra adotada pela Constituição (artigo 239), somente pode haver alteração em sua sistemática por meio de emenda constitucional, não podendo a Lei n° 9.718/98 ter alterado a forma de cobrança do PIS, não se podendo alegar que esta contribuição poderia ser instituída com fundamento no artigo 195 da Constituição, pois o STF já se manifestou contrariamente a esta tese; 5.11. Pelo exposto, requer a anulação do auto. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – II, julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão 1317.606 ( 437/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/02/1999 a 29/02/2000, 01/04/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 30/04/2001, 01/10/2001 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/01/2003, 01/04/2004 a 30/04/2004 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente A autoridade fiscal da DERAT – Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, exarou Despacho Decisório, de folhas 466/469, retificando de ofício, com base no artigo 149 do CTN, o lançamento efetuado, para cancelar a cobrança do PIS e da COFINS referentes aos fatos geradores anteriores a novembro de 1999, por já encontrarse extinto o direito da Fazenda de constituir os respectivos créditos tributários, nos termos da Súmula Vinculante No. 8 do Supremo Tribunal Federal. A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Rio de Janeiro e do Despacho Decisório da DERAT – São Paulo, através da Intimação N° 4489/2008 (folha 478) em 26/12/2008 (folha 500). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 501/ss), protocolizado em 29/01/2009, onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 05/12/2010, na forma regimental. É o relatório Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 19515.002866/200415 Acórdão n.º 320100.661 S3C2T1 Fl. 532 5 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O Recurso Voluntário apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, por ter sido interposto intempestivamente. Determina o art. 33 do Decreto no 70.235/72 que é cabível recurso voluntário dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão”. Por sua vez, o art. 35, também do Decreto no 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julgará a perempção: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção”. Com efeito, a Intimação N° 4489/2008 – DERAT São Paulo (folha 478) notificando a empresa da decisão de primeira instância foi entregue no dia 26/12/2008 (6ª feira), via Correios com AR – Aviso de Recebimento, ao domicílio fiscal declarado pelo contribuinte (fl. 500). Desta feita, o prazo para interposição de seu recurso voluntário teve início em 29/12/2008 (2ª. feira) e encerrouse em 27/01/2009 (3ª. feira), de acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Todavia, o recurso só veio a ser oposto em 29/01/2009 (fl. 501), portanto, a destempo. A Recorrente silenciou sobre a interposição do recurso após o decurso do prazo legal. Em face do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de, em sede de preliminar, NÃO CONHECER do recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, 08/04/2011 por JUDITH DO A MARAL MARCONDES ARMAN
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000259/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não deve ser acatado o argumento recursal de que estaria impossibilitada de apresentar as folhas de pagamento, as quais estariam retidas pela Administração Tributária, haja vista que a empresa, por possuir sistema de processamento dados para preparar suas informações contábeis e fiscais, teria meios de imprimir cópias dos documentos em questão.
TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de prestação de serviço executado mediante cessão de mão de obra é do prestador de serviços, sendo o tomador responsável apenas pelo recolhimento da retenção a que está obrigado a efetuar.
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo supostamente detenha para com a Fazenda Pública.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DA EMPRESA DETENTORA PARA COM DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. INEXISTÊNCIA.
Não se prestam as certidões negativas de débito ou certidões positivas com efeito de negativa para atestar a inexistência de débitos ainda não constituídos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.946
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatado o argumento recursal de que estaria impossibilitada de apresentar as folhas de pagamento, as quais estariam retidas pela Administração Tributária, haja vista que a empresa, por possuir sistema de processamento dados para preparar suas informações contábeis e fiscais, teria meios de imprimir cópias dos documentos em questão. TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de prestação de serviço executado mediante cessão de mão de obra é do prestador de serviços, sendo o tomador responsável apenas pelo recolhimento da retenção a que está obrigado a efetuar. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo supostamente detenha para com a Fazenda Pública. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DA EMPRESA DETENTORA PARA COM DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. INEXISTÊNCIA. Não se prestam as certidões negativas de débito ou certidões positivas com efeito de negativa para atestar a inexistência de débitos ainda não constituídos. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatado o argumento recursal de que estaria impossibilitada de apresentar as folhas de pagamento, as quais estariam retidas pela Administração Tributária, haja vista que a empresa, por possuir sistema de processamento dados para preparar suas informações contábeis e fiscais, teria meios de imprimir cópias dos documentos em questão. TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de prestação de serviço executado mediante cessão de mãode obra é do prestador de serviços, sendo o tomador responsável apenas pelo recolhimento da retenção a que está obrigado a efetuar. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 O CARF não tem atribuição para julgar pedidos de liquidação do lançamento sob exame com créditos que o sujeito passivo supostamente detenha para com a Fazenda Pública. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL DA EMPRESA DETENTORA PARA COM DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. INEXISTÊNCIA. Não se prestam as certidões negativas de débito ou certidões positivas com efeito de negativa para atestar a inexistência de débitos ainda não constituídos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15540.000259/200967 Acórdão n.º 240101.946 S2C4T1 Fl. 107 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 172/181, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da Rio de Janeiro I (RJ), fls. 95/104, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.105.7604, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. o crédito em questão contempla o período de 02/2004 a 12/2004 e o valor do crédito, com data de consolidação em 27/05/2009, assumiu o montante de R$ 21.727,16 (vinte e um mil e setecentos e vinte e sete reais e dezesseis centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 38/42, o lançamento contempla a contribuição arrecadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas a outros fundos e entidades (Salário Educação, SESI,SENAI, INCRA e SEBRAE). Esclarece o fisco que a apuração fiscal diz respeito a diferença a maior entre os valores lançados nas contas contábeis Salários e Gratificações (código 31102), Férias (código 31103) e 13.º Salário (código 31106) e aqueles declarados em GFIP. Informase que O contribuinte deixou de apresentar 'a fiscalização as folhas de pagamentos de alguns tomadores de serviços do exercício 2004, inclusive a do décimo terceiro salário, assim como o resumo geral das folhas de pagamento, não sendo possível determinar para cada estabelecimento, por competência, o total das remunerações pagas aos segurados empregados, consoante relatado no Auto de Infração n° 37.105.7671 (descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 33, § 2° da Lei N° 8.212, de 24/07/1991). Apresentase planilha especificando mês a mês as divergências detectadas, ver fl. 44. Assinalase ainda que a empresa, mesmo tendo sida intimada, deixou de esclarecer a natureza dessas divergências. A empresa apresentou impugnação, fls. 54/59, alegando em síntese que o auto de infração no qual se baseia o presente processo está intimamente vinculado ao auto 37.105.7671, no bojo do qual está comprovado que inexistiu a infração de deixar de apresentar documentos. Assim, sustenta que o presente AI não merece prosperar. A DRJ Rio de Janeiro I declarou o lançamento procedente em parte ao reconhecer a decadência das contribuições lançadas no período de 02 a 05/2004, aplicandose para a contagem do prazo decadencial a regra do art. 150, § 4.º do CTN. A emprese interpôs recurso voluntário, fls. 96/100. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 No seu recurso a empresa alega que o débito deve ser extinto em razão da decadência, considerandose o disposto na Súmula Vinculante n. 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal. Em adição repete a alegação de que as folhas de pagamento não exibidas estavam em poder da Receita Federal. Assevera que sendo as GFIP cópias das folhas de pagamento, alguma dúvida existente poderia ser dirimida mediante análise da guia informativa. Afirma que nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/1991 a responsabilidade pelo recolhimento e retenção da contribuição é do contratante dos serviços. Devem ser compensados, diz a recorrente, os créditos relativos aos processos de restituição em curso. Sustenta que o arquivamento dos processos de restituição deuse em desacordo com a legislação em vigor. Assevera que a emissão de certidões positivas com efeito de negativa até o primeiro semestre de 2007, está a atestar que a empresa encontravase em situação regular. Ao final, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15540.000259/200967 Acórdão n.º 240101.946 S2C4T1 Fl. 108 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência A preliminar de decadência não deve ser acolhida. É que, em obediência ao estatuído na Súmula Vinculante n. 08, o órgão recorrido excluiu do lançamento o período de 02 a 05/2004. Na espécie, a data de ciência do lançamento foi 09/06/2009, fl. 130, assim, agiu acertadamente a DRJ, posto que a aplicação do § 4, do art. 150 do CTN, é inconteste, haja vista que houve antecipação parcial de pagamento. Não há, portanto, após a decisão original, qualquer competência decadente no AI. Impossibilidade de apresentação de folhas de pagamento É bom que se ressalte a princípio que a motivação da autuação não foi a falta de apresentação das folhas de pagamento, como quer deixar entendido a recorrente, mas as divergências entre as remunerações apuradas com base na escrita contábil e aquelas declaradas em GFIP. O Relatório Fiscal mencionou as folhas de pagamento para justificar a impossibilidade de comparálas com as GFIP, bem como de fazer a correta distribuição dos fatos geradores por estabelecimento da empresa. Porém, o que nos interessa é a falta de plausibilidade do argumento da empresa quanto à impossibilidade de apresentar as folhas, pelo fato das mesmas se encontrarem instruindo processos de restituição. Inicialmente, conforme se ponderou no voto condutor do acórdão da DRJ, não há procedimento da Administração Tributária que preveja a instrução de processos de restituição com originais de quaisquer documentos, mas com cópias, que deverão ser autenticadas, devolvendose ao interessado os originais. Por outro lado, supondose que por um lapso esses documentos tivessem ficado retidos, a empresa poderia peticionar no sentido de obtêlos, mas nada disso foi comprovado. Posso citar mais uma constatação que atesta a fragilidade desse argumento. Falo da possibilidade da empresa ter efetuado a impressão de novas folhas para apresentar ao Fisco. Sobre esse fato, faço questão de reproduzir alegação constante do voto condutor do acórdão recorrido, assim expressa: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 32. Como se pode observar das folhas do Livro Diário anexadas aos autos, a Impugnante utiliza sistemas de processamento eletrônico de escrituração de livros e documentos de natureza contábil, fiscal e previdenciária. Portanto, caso fosse do interesse do contribuinte, bastaria emitir novamente as folhas de pagamento solicitadas e apresentálas à fiscalização, já que as mesmas não possuem um registro obrigatório tal como o Livro Diário por exemplo, que necessita ser o original. 33. Dessa forma, concluise que a defesa apresentada foi meramente protelatória. Da responsabilidade do tomador dos serviços Afirma a empresa a sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias inexiste, na medida em que foi repassada para o tomador dos serviços por força do art. 31 da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 9.711/1998. O dispositivo invocado, que foi inclusive transcrito na peça recursal, levanos a conclusão diversa. A responsabilidade do tomador dos serviços limitase a efetuar a retenção de antecipação da contribuição, no percentual de 11% da fatura, e recolhêla em nome do prestador, que permanece no pólo passivo da obrigação tributária, que quando do recolhimento das suas contribuições previdenciárias se compensa do valor retido pelo tomador. O Relato do Fisco é claro em afirmar que as guias de retenção foram devidamente consideradas na apuração. Nesse, sentido detectandose diferenças a recolher a responsabilidade é sem dúvida da recorrente, descabendo a tese de que a responsabilidade tributária é totalmente repassada aos seus tomadores. Das compensações O pedido de compensação do valor apurado com supostos créditos que a empresa teria com a Fazenda Nacional em decorrência do processo de restituição não pode ser reconhecido no presente processo administrativo fiscal. Neste, é bom que se diga, tem lugar tão somente a verificação da legalidade do ato administrativo de lançamento, não sendo o foro próprio para decisão acerca de processo compensatório ou de restituição estranho a lide que se julga. Além do mais, a compensação somente pode ser deferida quando o crédito fiscal estiver definitivamente constituído, o que não é o caso do lançamento sob discussão, posto que ainda não transitado em julgado na seara administrativa, como também, os processos de restituição que não foram arquivados ainda carecem de decisão da Administração Tributária. Da inexistência de irregularidades em razão da emissão de certidões negativas de débito Não merece acolhimento a tese de que as certidões positivas com efeito de negativa obtidas pela recorrente até o ano de 2007 seriam atestado de que a empresa não teria qualquer tipo de irregularidade. A emissão das certidões apenas revela que no período a empresa não tinha contra si débitos exigíveis, jamais que a mesma estaria totalmente regular perante a Seguridade Social. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15540.000259/200967 Acórdão n.º 240101.946 S2C4T1 Fl. 109 7 A certidão é emitida, ainda que haja créditos tributários em discussão administrativa, imaginem contribuições ainda não lançadas. Assim, a certidão negativa não se presta a atestar a inexistência de tributos ainda não apurados. É o que se pode ver das ressalvas constates nas certidões, assim redigidas: Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que não constam pendências em seu nome relativas a contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a inscrições em Dívida Ativa da União (DAU). Afastase, assim, mais essa alegação. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de decadência e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003086/2004-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2002, 01/01/2002 a 31/12/2002,
01/02/2003 a 31/03/2004
DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS
DECLARADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Constatadas
divergências entre os valores escriturados e os declarados e/ou pagos, é
cabível o lançamento de oficio para exigir as diferenças. Se o contribuinte
não apresenta quaisquer argumentos contra a constituição do crédito, é de se
reconhecer sua definitividade.
MULTA DE OFÍCIO. ARTIGO 44, I DA LEI Nº 9.430/96.
APLICABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAR
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEI. SÚMULA
CARF nº 2. A legislação determina a aplicação de multa de ofício, quando do
lançamento de valores declarados e não recolhidos pelo contribuinte. Não
cabe a este Tribunal manifestarse
sobre inconstitucionalidade de Lei
tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF
04. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,
incidem, por força de lei e a partir de 1° de abril de 1995, juros de mora
equivalentes à Taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF 04.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.914
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2002, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/02/2003 a 31/03/2004 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Constatadas divergências entre os valores escriturados e os declarados e/ou pagos, é cabível o lançamento de oficio para exigir as diferenças. Se o contribuinte não apresenta quaisquer argumentos contra a constituição do crédito, é de se reconhecer sua definitividade. MULTA DE OFÍCIO. ARTIGO 44, I DA LEI Nº 9.430/96. APLICABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAR INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF nº 2. A legislação determina a aplicação de multa de ofício, quando do lançamento de valores declarados e não recolhidos pelo contribuinte. Não cabe a este Tribunal manifestarse sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 04. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1° de abril de 1995, juros de mora equivalentes à Taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF 04. Recurso Voluntário Negado
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Constatadas divergências entre os valores escriturados e os declarados e/ou pagos, é cabível o lançamento de oficio para exigir as diferenças. Se o contribuinte não apresenta quaisquer argumentos contra a constituição do crédito, é de se reconhecer sua definitividade. MULTA DE OFÍCIO. ARTIGO 44, I DA LEI Nº 9.430/96. APLICABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAR INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF nº 2. A legislação determina a aplicação de multa de ofício, quando do lançamento de valores declarados e não recolhidos pelo contribuinte. Não cabe a este Tribunal manifestarse sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 04. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1° de abril de 1995, juros de mora equivalentes à Taxa SELIC, nos termos da Súmula CARF 04. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 20/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 03/19) PIS, derivado de diferenças apuradas entre valores declarados e valores pagos, no período de janeiro de 2000 a outubro de 2002, dezembro de 2002, e entre fevereiro de 2003 e março de 2004. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 20/26), a diferença teria sido apurada através do confronto entre os valores escriturados pela interessada e os confessados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFs, tudo resumidamente detalhado na planilha de fls. 25/26. Sobre as diferenças de contribuição apuradas, foi aplicada multa de oficio no percentual de 75%, conforme inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96. A Recorrente apresentou tempestivamente sua Impugnação (fls. 67/93), alegando em síntese: a) MULTA que a multa aplicada, no percentual de 75%, tem caráter confiscatório, e, ao ser exigida juntamente com os juros de mora, caracteriza verdadeiro "bis in idem"; b) JUROS que é ilegal e inconstitucional a i utilização da Taxa Selic como parâmetro de cálculo dos juros de mora; c) COMPENSAÇÃO Que, caso os argumentos apresentados não sejam aceitos, requer que os débitos apurados no presente processo sejam compensados, aproveitandose os créditos de Imposto de Produtos Industrializados — IPI, arrolados em Declaração de Compensação — DCOMP já entregue; d) SUSPENSÃO – pleiteou, ainda, a suspensão do crédito tributário, enquanto perdurar a discussão administrativa, nos termos do artigo 151, III do CTN. Ao apreciar a Impugnação do contribuinte a DRJ julgoua improcedente (fls. 139/143). De início consignou o órgão julgador que a lide se restringia à aplicação de multa e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10675.003086/200485 Acórdão n.º 330200.914 S3C3T2 Fl. 2 3 taxa SELIC, bem como à possibilidade de, mantida a autuação, os valores devidos serem compensados com créditos de IPI objeto de DCOMP entregue pela Recorrente. Assim, reconheceu a constituição definitiva do PIS objeto do lançamento, tendo em vista que a Recorrente não impugnou os valores do tributo lançado, mas apenas a multa e os juros correspondentes. Em relação ao pedido de aproveitamento de créditos de IPI objeto de DCOMP para quitação, via compensação, da PIS objeto do lançamento, os julgadores de primeira instância administrativa entenderam que a Impugnação ao lançamento não é o meio adequado para promover tal compensação, cabendo à Recorrente apresentar DCOMP para tal finalidade. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, consignou a v. decisão recorrida que a autoridade fiscal está adstrita aos ditames da Lei, não lhe sendo possível questionar a constitucionalidade das determinações a que está obrigada, razão pela qual, não poderia afastar a aplicação da multa. Pelos mesmos motivos foi mantida a aplicação da Taxa SELIC. Por fim, a decisão reconheceu a aplicação da suspensão de exigibilidade dos valores sob discussão, nos termos do artigo 151, III do CTN. Intimada da decisão a Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário (fls. 163/182), no qual reitera os argumentos anteriormente apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Reitero as conclusões apresentadas pela D. Delegacia de Julgamento, no que se refere à delimitação da lide, que não versa sobre os valores de PIS (principal) lançados, mas apenas sobre o cabimento ou não da multa de ofício de 75% e a aplicação da Taxa SELIC, bem como sobre a possibilidade de o crédito tributário eventualmente lançado em definitivo ser objeto de compensação com créditos da Recorrente, declarados em DCOMP. No que se refere à aplicação da multa de ofício de 75%, a legislação é clara em determinar a obrigatoriedade do lançamento da penalidade, nos casos de não recolhimento de tributo devido. “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 4 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (redação vigente à época dos fatos) Considerando que a Recorrente não contestou o lançamento do valor do PIS (as diferenças apontadas entre os valores declarados e os valores pagos), resta indiscutível que deixou de recolher tributo devido. Presente, portanto, os requisitos legais para aplicação da penalidade prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Vale destacar a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que estabelece a impossibilidade deste Tribunal manifestarse sobre inconstitucionalidade de Leis, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Neste sentido, a discussão acerca do aspecto confiscatório da multa de 75%, da afronta ao princípio da capacidade contributiva e todos os demais aspectos constitucionais, consubstanciamse discussões para serem travadas no poder judiciário, órgão competente para a análise requerida. No que se refere a alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, vale considerar que o art. 13 da Lei nº 9.065/1995 dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional – CTN prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). Ocorre que, no caso, a Lei (9.065/95) dispôs de modo diverso, razão pela qual a exigência da SELIC está, também, em consonância com o CTN. Ademais, esta questão já está sumulada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no entendimento de que a Taxa Selic deve ser aplicada para atualização dos débitos federais, a saber: “Súmula nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fica claro, portanto, que não há qualquer ilegalidade no cálculo dos juros de mora efetuado com base na taxa SELIC. Assim, de ser mantida tanto a aplicação da multa de ofício de 75%, como também a Taxa SELIC, sobre os valores objeto do lançamento. Quanto ao requerimento de compensação dos valores lançados, e mantidos definitivamente, com créditos que foram objeto de DCOMP apresentada pela Recorrente, não merece acolhida a solicitação da contribuinte. Isto porque, conforme colocado na decisão da DRJ, a compensação tem procedimento próprio a ser seguido, devendo a Recorrente utilizarse dos meios adequados para promover a compensação de eventual crédito tributário que possua, com o débito objeto destes autos. Ademais, ainda que fosse possível realizar a compensação através do pedido apresentado em sede de Impugnação, e reiterado em sede de Recurso Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10675.003086/200485 Acórdão n.º 330200.914 S3C3T2 Fl. 3 5 Voluntário, a Recorrente sequer juntou aos autos documentação que comprove a existência dos créditos e/ou a alegada apresentação de DCOMP constitutiva dos mesmos. Registro, ainda, que dos documentos acostados aos autos não foi possível constatar se na base de cálculo do período sujeito à Lei nº 9.718/98, foram incluídos valores referentes à outras receitas diversas das operacionais, sendo que tal questão também não foi alegada pela Recorrente, razão pela qual não se apresenta possível a aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal – STF. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos expostos. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS
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Numero do processo: 13888.001852/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS E NÃO REPASSADAS AO FISCO. COBRANÇA. APLICAÇÃO DE MULTA. INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. ICONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.001
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas Descontadas dos Segurados Recorrente AYMAR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida DRJ EM SANTA MARIA RS Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS E NÃO REPASSADAS AO FISCO. COBRANÇA. APLICAÇÃO DE MULTA. INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. ICONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13888.001852/200711 Acórdão n.º 2301002.001 S2C3T1 Fl. 109 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa AYMAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito “referente a diferenças de contribuições sociais descontadas dos segurados empregados (...), arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração e não repassadas integralmente na época à Seguridade Social” no período de 12/2004 a 12/2006 (incluindo o décimo terceiro de 2004, 2005 e 2006). 2. O acórdão n.º 188.423, da 4ª Turma da DRJ/STM, restou ementado nos termos abaixo: “ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Aplicamse ao crédito tributário os percentuais de juros e multa legitimamente previstos na legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucional de lei ou ato normativo é matéria da competência do Poder Judiciário e não pode ser declarada no curso do contencioso administrativo. INCRA. São devidas as contribuições ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Lançamento Procedente.” 3. Em sede recursal, o contribuinte arguiu, em síntese, os argumentos que seguem: a) preliminarmente, que o recurso deve ser conhecido independentemente do depósito administrativo de 30% da exigência fiscal; b) a decisão de primeira instância deve ser declarada nula e, após, reformada; c) no mérito, que a multa aplicada tem nítido caráter confiscatório, pois “se é verdade que a multa moratória tem por finalidade o ressarcimento aos cofres públicos das perdas decorrentes do atraso, não poderia então ser tão elevada”; d) inaplicabilidade e ilegalidade da utilização da taxa de juros SELIC decorrente do artigo 34, da Lei 8.212/91; e) por fim, a inconstitucionalidade da exigência de contribuição ao INCRA, pois não está respaldado pelo artigo 195, inciso I, II e III, nem no artigo 240; 4. Devidamente notificado do recurso apresentado pela empresa, o fisco não apresentou contrarrazões, sendo os autos remetidos para a análise desta Câmara É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO 3. Conforme narrado no relatório fiscal, a notificação contra a empresa foi “lavrada com base nas informações mensais prestadas pelo contribuinte ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP (documento informativo instituído pelo art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 – redação dada pela Lei 9.528/98 –, c/c o art. 1º do Decreto 2.803/98), referente a diferença de contribuições sociais descontadas dos segurados empregados para o período acima especificado, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração e não repassadas integralmente na época à Seguridade Social” (fl. 42), referente às competências 12/2004 a 12/2006 (incluindo o décimo terceiro de 2004, 2005 e 2006) 4. De maneira que o lançamento de débito não possui razão para ser anulado, eis que lavrado nos exatos termos previstos na legislação previdenciária vigente à época dos fatos. 5. E muito embora a recorrente alegue que a multa cobrada tem caráter confiscatório e que a aplicação da taxa SELIC é ilegal e inconstitucional, a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. 6. Isso porque, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e à multa de mora, nos termos dos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13888.001852/200711 Acórdão n.º 2301002.001 S2C3T1 Fl. 110 5 ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26.11.99)” 7. A propósito da incidência da SELIC, convém mencionar que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 8. Nesse contexto, a empresa também alega que contribuição ao INCRA é inconstitucional. E sobre a constitucionalidade das questões trazidas pela recorrente, este Conselho já sumulou a matéria: “SÚMULA N.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 9. Dessa forma, não havendo a demonstração de qualquer irregularidade no que se refere ao lançamento fiscal, entendo que o lançamento deve ser mantido. CONCLUSÃO 10. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13888.001852/200711 Acórdão n.º 2301002.001 S2C3T1 Fl. 111 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900187/2006-02
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário:
2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Tendo o sujeito passivo comprovado o pagamento a maior de estimativa, fica caracterizado o indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP.
Numero da decisão: 1801-000.481
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Tendo o sujeito passivo comprovado o pagamento a maior de estimativa, fica caracterizado o indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 04/17), transmitida em agosto de 2003, pela qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ do período julho/2003, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de dezembro de 2001 (recolhimento em janeiro/2002), no valor de R$ 3.719,54, baixada para tratamento manual neste processo. O Despacho Decisório emitido eletronicamente foi sumariamente motivado nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP : R$ 3.719,54. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Na manifestação de inconformidade (fls. 01/02), a contribuinte alega: 1. Tratase de Processo Administrativo sob n° 16327.900.187/200602 despacho decisório n°757832265, lavrado em decorrência de valores declarados em perdcomp sob n° 01507.68826.290803.1.3.041561 na qual não foi reconhecido o direito de credito declarado no valor de R$ 4.910,54 (Doc. 02) 2. Ocorre que, como se verá a seguir, tal assertiva não pode prevalecer, senão vejamos: 3. Em decorrência de recalculo da base do imposto de renda, foi recolhido a maior o valor, porém como não houve a retificação da DCTF não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP, conforme documento em anexo. 4. Ao considerarmos o valor acima apontado na DCTF retificadora, perceber seá que o Requerente tinha crédito para liquidar o débito do mês de julho de 2003, código 3219. 5. Diante do exposto, é a presente para requerer que seja (i) retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado no quadro retrocitado, (ii) bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedida por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. Apreciando o litígio a 10a. Turma da DRJ em São Paulo/SPOI, por meio do Acórdão 1618.770 (fls. 23/26 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que não teriam sido acostados aos autos documentos a comprovar o alegado erro no preenchimento da DCTF. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.900187/200602 Acórdão n.º 180100.481 S1TE01 Fl. 121 3 Depois de reproduzir o teor do artigo 74 da Lei no. 9.430, de 1996, consignou: Da norma acima reproduzida é possível aferir que, por um lado, corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Assim, não comprovado o alegado recolhimento indevido ou a maior, não poderá ser homologada a Declaração de Compensação. Intimada da decisão, em 10/10/2008 (AR à fl. 30) a interessada apresentou, em 07/11/2008, o Recurso Voluntário de fls. 31 a 36. Em sua defesa alega, resumidamente, que teria declarado em DCTF do 4° Trimestre de 2001, um débito apurado de IRPJ no montante de R$ 885.482,19, que teria sido recolhido por meio de guia Darf. Teria constatado, posteriormente, que havia calculado a maior a base de cálculo do referido tributo e, por conseqüência, o IRPJ devido, que teria sido recolhido a maior. Ao refazer os cálculos, agora sobre a correta base de cálculo, o IRPJ devido passou a ser de R$ 881.762,65, em vez do montante de R$ 885.482,19, tendo havido, assim, um recolhimento de imposto a maior no valor de R$ 3.719,54. Em que pese não ter sido providenciada a retificação da DCTF, tal informação teria sido consignada na DIPJ. No mesmo sentido apresenta o documento denominado "Controle do Imposto de Renda e Constituição Social” e cópias de balancetes que comprovariam o indubitável erro. Ao final pede pela reforma daquele decisum. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cumpre consignar, inicialmente, que não se está a debater, aqui, a respeito da possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão parece ter sido superada pela autoridade encarregada da análise da DCOMP, bem como pela autoridade julgadora da DRJ. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Em verdade a questão é meramente probatória, uma vez que a recorrente alega ter cometido erro ao recolher o IRPJ do mês de dezembro de 2001 em valor maior ao efetivamente devido e ao declarar em DCTF, como imposto devido, aquele recolhido com erro, enquanto que a autoridade da DRJ observou, no decisum, que não teriam sido acostados aos autos documentos a comprovar o alegado erro no preenchimento da DCTF, e, consequentemente, o recolhimento indevido ou a maior de IRPJ. Assim, no recurso voluntário, a recorrente, pretendendo fazer a prova do erro, apresenta a cópia da DIPJ original, entregue em 28/06/2002, na qual foi consignada, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (fl. 44) o valor de IRPJ apurado no mês de dezembro de 2001, de R$ 881.762,65, enquanto que o DARF de recolhimento aponta o valor de R$ 885.482,19 (fl.. 39), assim como a DCTF de fl. 37. A diferença entre os valores, de R$ 3.719,54, não integrou o saldo final do imposto do anocalendário 2001, como se verifica na Ficha 12B – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (fl. 45) Também foram apresentadas cópias dos seguintes documentos: (i) de uma ficha de controle interno denominada Controle do Imposto de Renda e da Contribuição Social que aponta, no mês de dezembro de 2001, um valor apurado de R$ 881.762,65, contra um valor recolhido de R$ 885.482,19, gerando um saldo final negativo de R$ 3.719,54 (fl. 46); (ii) de balancetes, referentes aos períodos de 31/12/2002 e em 28/06/2002, nos quais se encontra, à fl. 64 o registro da conta de passivo 8.9.4.00.00.9 – Imposto de Renda – na subconta 8.9.4.10.10.9 – Provisão Imposto de Renda – Valores “C” – item 666636 – Imposto de Renda Exercícios Anteriores – o valor a débito de R$ 3.719,54 (fls. 48 a 116). Em que pese não haver notícias da retificação da DCTF, resta comprovado que na DIPJ foi apurada uma estimativa de IRPJ, em dezembro de 2001, no valor de R$ 881.762,65, e não de R$ 885.482,19, como apontado na DCTF e recolhido por DARF. Também restou comprovado que a diferença, no valor de R$ 3.719,54, não integrou o IRPJ anual apurado em 31/12/2001, permaneceu em balancete e não fora aproveitada até agosto de 2002, época em que foram gerados os balancetes. Tendo sido satisfeitas as condições de prova do indébito, a que se referiu a autoridade da DRJ em São Paulo/SPOI, deve ser deferido o pleito, reconhecendose, a favor da recorrente, o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.900187/200602 Acórdão n.º 180100.481 S1TE01 Fl. 122 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/02/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 37284.004290/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de Apólice da Divida Pública do Brasil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de Apólice da Divida Pública do Brasil. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de Apólice da Divida Pública do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, a fl. 23/93, guerreando decisão administrativa, a fl. 19, proferida pelo Serviço de Orientação da Arrecadação – SEARP da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre/RS, que indeferiu o pedido de homologação de compensação de contribuições previdenciárias, com fulcro em Parecer da AdvocaciaGeral da União/ProcuradoriaGeral Federal/Coordenação Geral de Matéria Tributária, a fls. 17/18. O Contribuinte em referência declarou que os débitos relativos às Contribuições Previdenciárias no montante de R$ 217.162,77 estariam sendo compensados com créditos decorrentes de decisão judicial proferida no Processo n° 2001.35.00.0068982 da 3ª Vara da Seção Judiciária de Goiás, consubstanciados em 01 (Um) título ao portador, denominado de APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA DO BRASIL, nº 235.712, avaliado em R$ 7.425.201,41 (sete milhões; quatrocentos e vinte e cinco mil, duzentos e um reais e quarenta e um centavos), cuja via original encontrarseia custodiada na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, Agência PAB 06823 Justiça Federal/GO. Ato contínuo, requereu ao INSS, a fls. 01/02, a homologação do referido “encontro de contas”, o qual foi indeferido pelo Serviço de Orientação da Arrecadação – SEARP da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre/RS, acatando Parecer da AdvocaciaGeral da União/ProcuradoriaGeral Federal/Coordenação Geral de Matéria Tributária, a fls. 17/18. O Recorrente foi cientificado da supra referida decisão em 21/12/2006, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 20. Inconformado, o Recorrente interpôs “Pedido de Reconsideração” a fls. 23/93, concentrando seu inconformismo nos argumentos que se vos seguem: 1. O Recorrente discorda da interpretação dada pela Procuradoria Federal ao Princípio da Estrita Legalidade. 2. Efetuou um longo histórico sobre a evolução das Instruções Normativas do INSS, que no seu entender detalharia de procedimentos de compensação de débitos. 3. Pugna pela suspensão da exigibilidade dos débitos em questão de forma que o Requerente possa obter certidão positiva de débitos com efeito de negativa. Ao fim requer a reforma da decisão recorrida, com a suspensão da exigibilidade do débito nos termos do artigo 151, III do CTN, bem como a emissão de certidão positiva de débitos com efeito de negativa. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37284.004290/200635 Acórdão n.º 230200.831 S2C3T2 Fl. 112 3 Em razão da juntada de novos documentos e argumentações, os autos retornaram à Procuradoria Federal Especializada para que esta se pronunciasse a respeito, consoante despacho a fl. 103. Parecer da Procuradoria Geral Federal, a fls. 104/108, pugnando pelo indeferimento do pleito. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS, não se curvando às razões aduzidas pelo Recorrente, proferiu juízo negativo de reconsideração, encaminhando em seguida os presentes autos, par este Conselho, para a devida apreciação do recurso interposto. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 21/12/2006, quintafeira, conforme denuncia o documento a fl. 20, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na sextafeira seguinte, digase, 22/12/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de janeiro do ano seguinte, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO 2.1. DA TUTELA JUDICIAL. O Recorrente pretende a compensação de contribuições previdenciárias utilizandose de crédito obtidos mediante decisão judicial proferida no Processo nº 2001.35.00.0068982 da 3ª Vara da Seção Judiciária de Goiás, o qual lhe fora cedido por outrem mediante instrumento público. O crédito objeto da mencionada ação foi reconhecido pela primeira instância judicial, havendo sido interposto, contra tal decisão, recurso para a instância superior. Em pesquisa realizada no site daquele Tribunal na internet verificamos que a sentença foi reformada, sendo cassada, inclusive, a antecipação dos efeitos da tutela antes deferida, não mais se reconhecendo a validade do crédito utilizado pela Recorrente para a compensação. Visando a conferir fiel credibilidade à assertiva ora exposta, reproduzimos, a seguir, a ementa do julgado ora referido. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDOS NO INÍCIO DO SÉCULO XX. PRELIMINARES AFASTADAS. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 1. Não há que falar em inconstitucionalidade do DecretoLei n. 263/67, por vício de origem, em razão de ter estabelecido, em seu art. 3º, a extinção da dívida decorrente de Títulos da Dívida Pública, se não resgatados no prazo ali fixado, tendo em vista que o Poder Executivo estava autorizado a legislar sobre finanças públicas por meio de decretolei, nos termos do art. 9º, § 2º, do Ato Institucional n. 04, de 07.12.66. O mesmo se diga em Fl. 122DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37284.004290/200635 Acórdão n.º 230200.831 S2C3T2 Fl. 113 5 relação ao DecretoLei n. 396/68, que prorrogou o prazo de apresentação dos títulos para resgate, com base na autorização dada pelo art. 2º, § 1º, do Ato Institucional n. 05, de 13.12.68. 2. Os referidos Decretosleis não regularam, em termos gerais, sobre prescrição ou decadência, mas, tãosó, sobre aspecto essencial dos mesmos títulos, qual seja, o prazo de resgate dos títulos, que se encontra, também, inserido no âmbito das finanças públicas. 3. A prescrição da dívida decorrente do resgate dos títulos da dívida pública e do pagamento dos respectivos juros está prevista no art. 60 da Lei nº 4.069/62, que estabeleceu o prazo de cinco anos para os interessados reclamarem o seu pagamento, de forma que, os créditos que a autora alega possuir contra a União Federal encontramse atingidos pela prescrição. 4. O §3º do art. 30 da Medida Provisória nº 1.238/95, porque suprimido do texto antes de sua apreciação pelo Congresso Nacional, não tem aptidão para ressuscitar a validade dos títulos emitidos no início do século XX e já atingidos pela prescrição, uma vez que às Medidas Provisórias não se aplica o disposto no art. 4º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil, diante do que dispõe o § 3º do art. 62 da Constituição Federal de 1988. 5. Apelações da UNIÃO, do BNDES, do BACEN e do INSS providas, em parte. 6. Remessa oficial provida." (TRF 1.ª Região, Sétima Turma, AC 2001.35.00.0068982/GO, Relator: Desembargador Federal ANTÔNIO EZEQUIEL DA SILVA, Convocado: Juíza Federal ANAMARIA REYS RESENDE (Conv.), Data da Decisão: 3/4/2007, DJ 4/5/2007, p.152). Da parte dispositiva do voto da eminente Desembargadora Federal Relatora destacamos o seguinte excerto, ad litteris et verbis: Ante o exposto, DOU PROVIMENTO à remessa oficial e PARCIAL PROVIMENTO aos apelos dos réus, para cassar a antecipação dos efeitos da tutela deferida pelo juízo de origem e julgar improcedentes os pedidos das autoras. (...)." Diante desse quadro, flui por águas passadas o direito conferido ao Recorrente, em sede de antecipação de tutela, ora cassada, de compensar os créditos da citada apólice com tributos e contribuições federais, inclusive de natureza previdenciária. 2.2. DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Em matéria tributária, o instituto da compensação é tratado pelo Código Tributário Nacional CTN como uma modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda Fl. 123DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatui que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, cujo Art. 66 dispõe que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só pode ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37284.004290/200635 Acórdão n.º 230200.831 S2C3T2 Fl. 114 7 §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo Art. 89 da Lei Nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 125DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 A redação do caput do Art. 89 da lei 8212/91 é de uma clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo Art. 89 complementa o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei Nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do Art. 89 combinadas com as do parágrafo único do Art. 11, ambos da Lei Nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Vencidas tais digressões acerca do instituto da compensação tributária, verificamos que a Decisão Recorrida lastreouse em Parecer da AGU – ProcuradoriaGeral Federal, cujas razões para indeferimento da compensação pretendida fundouse, substancialmente, na falta de previsão legal que autorizasse a compensação pretendida. Ocorre que a impossibilidade da compensação ora debatida não partiu de decisão política nem da consciência social do legislador ordinário. Antes, tem matriz constitucional. O inciso XI do Art. 167 da Constituição da República determina ser vedada a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, ‘a’, e II, da CF/88 para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social – RGPS de que trata o art. 201 da CF/88. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37284.004290/200635 Acórdão n.º 230200.831 S2C3T2 Fl. 115 9 Constituição Federal Art. 167. São vedados: XI a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) Dessarte, pela perspectiva constitucional, a destinação dos recursos provenientes das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; e das contribuições sociais a cargo do trabalhador e dos demais segurados da previdência social não pode ser outra que não o pagamento dos benefícios do RGPS, o que afasta, por completo, qualquer possibilidade de compensação tributária que não seja com contribuições previdenciárias. Não havendo previsão legal para realizar a compensação pretendida, e considerando a expressa blindagem constitucional já debatida, figura o pedido do Recorrente como juridicamente impossível. 2.3. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos créditos tributário em questão, ante o indeferimento do pedido de compensação pretendida, remanesce em aberto os Fl. 127DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 débitos de responsabilidade do Recorrente, fato que impossibilita o provimento da rogativa ora formulada. No que tange à expedição de certidão positiva de débitos com efeito de negativa, esclarecemos não possuir este Conselho Administrativo competência legal para levar a efeito tal atividade executiva. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 128DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13502.001359/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. ART.62A DO REGIMENTO DO CARF.
ACATAMENTO DO CONTEÚDO DO RESP 973.933 DO STJ. REGRA DO ART. 173, INCISO I NA FALTA DE PAGAMENTO.
Em cumprimento ao caput do art. 62A, aplicamos a regra decadencial adotada pelo STJ em Recurso Repetitivo no Resp 973.933. Assim, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não
prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO.
Entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do
contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento no artigo 31, da Lei 8.212/91, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 12/1994,
anteriores a 01/1995, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e dar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela nulidade do lançamento, por vício formal.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. ART.62A DO REGIMENTO DO CARF. ACATAMENTO DO CONTEÚDO DO RESP 973.933 DO STJ. REGRA DO ART. 173, INCISO I NA FALTA DE PAGAMENTO. Em cumprimento ao caput do art. 62A, aplicamos a regra decadencial adotada pelo STJ em Recurso Repetitivo no Resp 973.933. Assim, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO. Entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento no artigo 31, da Lei 8.212/91, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.298 1 2.297 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.001359/200851 Recurso nº 258.652 Voluntário Acórdão nº 230102.122 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de junho de 2011 Matéria Cessão de Mão de Obra: Retenção. Empresas em Geral Recorrente ACRINOR ACRILONITRILADO NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. ART.62A DO REGIMENTO DO CARF. ACATAMENTO DO CONTEÚDO DO RESP 973.933 DO STJ. REGRA DO ART. 173, INCISO I NA FALTA DE PAGAMENTO. Em cumprimento ao caput do art. 62A, aplicamos a regra decadencial adotada pelo STJ em Recurso Repetitivo no Resp 973.933. Assim, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento no artigo 31, da Lei 8.212/91, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 12/1994, anteriores a 01/1995, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e dar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela nulidade do lançamento, por vício formal. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13502.001359/200851 Acórdão n.º 230102.122 S2C3T1 Fl. 2.299 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE, contra decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente a contribuições devidas: à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e as destinadas a terceiros (INCRA e SEBRAE), no período de 01/1994 a 12/1998. 2. O fisco, no bojo da decisão monocrática, afirmou que o fato gerador da obrigação principal é o pagamento realizado aos segurados empregados que prestaram serviço com cessão de mão de obra à empresa recorrente por meio de prestadoras de serviços. 3. Após a apresentação da defesa impugnativa, a fiscalização emitiu despacho esclarecendo que o relatório fiscal não especifica quais os critérios utilizados para efetuar o lançamento, solicitando que a autoridade competente se manifestasse para informar “os critérios utilizados na aferição indireta e quais as entidades e respectivas alíquotas devem constar no lançamento.” 4. Logo em seguida, sem que houvesse a juntada de informação fiscal, sobreveio aos autos a Decisão Notificação nº 04401.4/781/2002, cuja ementa restou vazada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA — CUSTEIO — INCIDE CONTRIBUIÇÃO SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM CESSÃO DE MÃO DE OBRA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — INSS NÃO ESTÁ SUJEITO À BENEFÍCIO DE ORDEM INSS ARRECADA CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS POR LEI PARA OS TERCEIROS — DECADÊNCIA DECENAL. Lei n.°8.212/91, arts. 12;20;22;28;30;31;33;94. Decadência, art. 45 Lei n.° 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE” 5. Em suas razões recursais, o contribuinte, por sua vez, reitera as alegações postas em sede de impugnação, conforme síntese abaixo: a) inicialmente, defende a decadência quinquenal de parte dos valores lançados com base no Código Tributário Nacional; b) ainda em sede preliminar, pugna pela nulidade do lançamento, tendo em vista que “a aferição indireta da base tributável pressupõe a falta de apresentação de documentos, os quais deveriam ter sido explicitados na NFLD, o que não ocorreu no presente caso, em que a fiscalização optou comodamente por arbitrar os valores que seriam supostamente devidos, sem utilizar qualquer critério de aferição que se aproximasse da realidade dos fatos, ou ao menos sem demonstrálos.” Inclusive acrescenta que o auto de infração lavrado contra a recorrente pela falta de apresentação dos documentos solicitados, relativos às prestadoras de serviço, foi anulado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 conforme Decisão Notificação nº 04401.4/0062/2001 (doc. 05); afirma ainda que a aferição indireta é descabida pelo fato de o fisco ter a faculdade de verificar os documentos nas prestadoras de serviços; c) por fim, entende que em razão de manter convênio com as instituições que administram essas contribuições, estaria dispensada do recolhimento de tributos destinados a terceiros. 6. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a esse Colegiado para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13502.001359/200851 Acórdão n.º 230102.122 S2C3T1 Fl. 2.300 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional CTN. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no CTN, se aplica ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, constatase que no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (fl. 44) o auditor fiscal examinou as folhas de pagamento e comprovantes de recolhimento apresentadas pela recorrente, sendo assim, considerando a totalidade da folha de salário da empresa, podese afirmar que houve o recolhimento de parte das contribuições sociais previdenciárias. Posto isso, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13502.001359/200851 Acórdão n.º 230102.122 S2C3T1 Fl. 2.301 7 9. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 19/10/2000, referente às contribuições do período de 01/1994 a 12/1998, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências anteriores a 10/1995, restando mantidas as competências 10/1995 a 12/1998. 10. Dito isso, acato a preliminar de decadência sustentada pelo contribuinte e, tendo em vista a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO FISCAL 11. A controvérsia central dos autos envolve a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento realizado aos segurados empregados que prestaram serviços com locação de mão de obra a empresa recorrente, por intermédio de prestadoras de serviços, no período de janeiro de 1994 a dezembro de 1998. 12. Nesse momento, fazse necessário um breve comentário sobre o instituto da cessão de mão de obra. Conforme entendimento doutrinário, a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). O objeto do contrato é o fornecimento de mãodeobra, dessa forma, a força de trabalho do trabalhador é a principal prestação da empresa cedente. 13. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: “Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” “Art. 31. (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 14. Quando da leitura do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros; (REsp 499.955/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 15. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço, em si, deve ser contínuo, independentemente da rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 16. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. 17. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento as pessoas jurídicas que prestaram serviço com cessão de mão de obra, qual tipo de serviço prestado, se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo, se o serviço realmente envolvia mão de obra ou se tratava de empreitada. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e jurídico para a constituição do lançamento, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura da notificação. 18. É importante esclarecer que o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos – TIAD, quais sejam: “livro diário/plano de contas, razão, caixa, registro de empregados, registro de ponto, folhas de pagamento de empregados/administradores/autônomos, comprovantes de recolhimento: GR/DARP/GRPS, recibos de rescisão de contrato de trabalho, recibo de aviso prévio e férias, Relação Anual de Informações Sociais RAIS, fichas de salário família, termo de responsabilidade/carteira de vacinação, fichas de saláriomaternidade/atestados médicos, atas de assembleia/estatutos, contrato social/declaração/alterações contratuais, prestação de contas de armadores, rois de equipagem, relação de trabalhadores avulsos, registro de veículos, faturas e recibos de mão de obra, alvarás de licença e habitese para construção.” (fl. 42) 19. E de acordo com o termo de encerramento da ação fiscal – TEAF contata se que foram analisados: livro diário, livro de registro dos empregados, folha de pagamento e comprovantes de recolhimento. (fl. 44) 20. Desta forma, descabe o argumento de que o fisco poderia deixar de caracterizar a cessão de mão de obra em face da não apresentação de documentação pela empresa, pois foi constatado no TEAF que o fisco examinou diversos documentos entregues pela empresa recorrente. 21. Acrescento ainda que o auto de infração nº 35.159.0854, lavrado em decorrência dessa notificação em razão de a empresa não ter apresentado documentos, foi anulado nos termos da Decisão Notificação nº 04401.4/0062/2001. De acordo com a decisão o relatório fiscal da infração não especifica os documentos que a empresa deixou de apresentar, e, portanto, a autuação é nula por vício material: “4.1 No que concerne ao Relatório Fiscal da Infração, à fl. 02, não consta discriminado os documentos que a empresa deixou de exibir à fiscalização e que deu margem a autuação com base no artigo 33, parágrafo 2° da Lei 8.212/91. [...] 5. Assim a autuação é nula pela presença de vício insanável relacionado com o Relatório Fiscal da Infração e a aplicação da multa.” [g.n.] (fls. 127/128) 22. Posto isso, tenho por certo que a autoridade competente não delimitou de forma clara o fato gerador caracterizando a cessão de mão de obra, bem como deixou de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13502.001359/200851 Acórdão n.º 230102.122 S2C3T1 Fl. 2.302 9 informar quais documentos a empresa teria deixado de exibir a fiscalização que teria levado a se utilizar do arbitramento como forma de cálculo. 23. O lançamento é insubsistente e não comprova o surgimento do fato gerador da obrigação tributária, uma vez que até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. Reforça o meu convencimento o fato de o Serviço de Análise de Defesas e Recursos ter exarado despacho para que a autoridade competente se manifestasse sobre “os critérios utilizados na aferição indireta e quais as entidades e respectivas alíquotas deveriam constar no lançamento”. (fl. 84) 24. Não obstante o pedido do Serviço de Análise de Defesas e Recursos, nenhuma informação fiscal foi juntada aos autos, sobrevindo, em seguida, a decisão notificação de fls. 85 a 91 que tentou esclarecer os pontos obscuros da peça fiscal, fazendo às vezes da informação complementar que deveria ter sido exarada conforme despacho de fl. 84. 25. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Nesse sentido, segue o dispositivo citado: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; [...] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” 26. Celso Antônio Bandeira de Mello, em sua obra intitulada ‘Curso de Direito Administrativo’ (2000, p. 433), traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto, in verbis: “Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar.” [g.n.] 27. Nessa esteira, registrase a importância de uma clara descrição dos fatos, como elemento motivador do lançamento fiscal, conforme nos relata em lapidar lição Leliana Pontes Vieira, em sua obra ‘Contencioso e Processo Fiscal’ (1996, p. 40), colacionamos: “c) Descrição dos fatos esta descrição deve ser bastante clara, de modo a permitir, de um lado, que o acusado, conhecendo o fato ilícito que lhe é imputado possa exercer o seu direito constitucional de ampla defesa. E, de outro, para que o julgador nela encontre, conjugandoa com os demais elementos do processo, o necessário suporte para formar sua convicção.” 28. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 29. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 30. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 31. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 32. Sobre o ônus da prova, convém destacar importante contribuição do jurista Paulo Celso Bergstrom Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário”: “O vocábulo ônus provém do latim (onus) e conserva o significado de fardo, carga, peso ou imposição. Nessa acepção, o ônus de provar (onus probandi) consiste na necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento da autoridade julgadora. Bem de ver que a ideia de ônus da prova não significa a de obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar. Tratase de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13502.001359/200851 Acórdão n.º 230102.122 S2C3T1 Fl. 2.303 11 São sujeitos da prova, assim, tanto o contribuinte quanto a Fazenda, com o intuito de convencer a autoridade julgadora da veracidade dos fundamentos de suas opostas pretensões. Esse direito de prova dos titulares da relação processual convive com o poder atribuído às autoridades (preparadora e julgadora) de complementar a prova.” 33. No mesmo sentido é o Código de Processo Civil ao asseverar em seu artigo 333, inciso I, que o “ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. 34. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 35. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações sobre a decadência. Por conta do dispositivo do caput art. 62A do Regimento do CARF, a decadência está sujeita ao conteúdo do Resp 973.933 SC, cuja ementa transcrevemos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13502.001359/200851 Acórdão n.º 230102.122 S2C3T1 Fl. 2.304 13 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Portanto, diante de um caso em que a lei prevê o pagamento antecipado e a recorrente não logra provar que o fez em relação ao fato gerador em questão, é de ser aplicado a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN. No caso, ficam excluídos os fatos geradores até 31/12/1994, o que inclui as competências 12 e 13 do respectivo ano por força da aplicação do Resp. 973.933. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 36624.014334/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/03/2003
AUTO DE INFRAÇÃO.
A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua
contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91.
A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014334/200674 Acórdão n.º 230201.004 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada as verbas que são base de incidência contributiva previdenciária, como os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais a título de premiação de incentivo, nas competências de 08/1999, 12/1999, 01/2000, 02/2000, 03/2000, 12/2000, 02/2001, 04/2001, 12/2001, 01/2002, 03/2002, 08/2002, 02/2003 e 03/2003. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 342, 16/08/2006. Em razão da caracterização de tais pagamentos como salário de contribuição foram lavradas a respectiva NFLD. Após a impugnação, decisãoNotificação de fls. 43/53, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo alegando a decadência qüinqüenal; a ausência de provas para a autuação, posto que não foi provada a habitualidade dos prêmios; que as notas fiscais que deram azo à notificação nem foram confrontadas com a contabilidade; que não podem ser cumuladas penalidades; que não contabilizou os valores porque não tem conotação salarial. Requer o cancelamento do auto de infração, a produção de provas, a juntada de documentos e a realização de prova pericial. O fisco não ofereceu contrarazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar O auto de infração foi lavrado em 30/10/2006, cientificado ao sujeito passivo em 06/11/2006 e contempla competências de 08/1999 a 03/2003. O contribuinte argúi a decadência qüinqüenal e , com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014334/200674 Acórdão n.º 230201.004 S2C3T2 Fl. 3 5 administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 173, inciso I, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2000, inclusive. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas um valor relativo à remuneração que não houvesse sido contabilizado, o valor da multa se manteria íntegro. O pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria MPS/GM nº 520/2004: “Art. 9º (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Decreto nº 70.235/72 “Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 9º da Portaria MPS/GM acima transcritas. Ressaltese que, de acordo com o § 2º do mesmo art. 9º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrandose a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo. Todavia, no caso em análise, o recorrente não demonstrou, em sua peça de defesa, nem de recurso, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela qual indefiro o pedido de juntada posterior de documentos. Também não assiste razão à autuada quando solicita perícia, eis que o processo trata de auto de infração pela não contabilização de verbas tidas pela legislação como remuneratórias, sendo prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014334/200674 Acórdão n.º 230201.004 S2C3T2 Fl. 4 7 Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Do Mérito No presente caso, a recorrente foi autuada por não contabilizar em contas referentes à remuneração dos segurados os valores pagos a título de premiação de incentivo, lançandoos em conta de “Propaganda e Publicidade”. Os valores pagos através de cartões de premiação são considerados remuneração, por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito, conforme entendimento várias reiterado por este colegiado. O artigo 28, da Lei n.º 8.212/91, traz o conceito de salário de contribuição: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. Portanto, ao não contabilizar os valores pagos a título de premiação de incentivo a recorrente descumpriu a obrigação acessória de registrar forma discriminada os fatos geradores de contribuição previdenciária. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014334/200674 Acórdão n.º 230201.004 S2C3T2 Fl. 5 9 § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos árelatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, eis que é disposição legal trazida na Lei 8212/91, conforme citado acima que a empresa discrimine em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com uma escrita contábil onde os fatos geradores de contribuição são lançados na mesma conta contábil onde estão escriturados outros valores, é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11020.720056/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO. INSUMOS.
Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao
crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como
insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou
produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.066
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas – Relatora (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 02/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra (Redator Designado), Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02). O crédito é relativo ao 3º Trimestre de 2006, no valor total de R$ 85.278,47 (fls. 01/03). 2. A autoridade fiscal manifestouse (fls. 06/08) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter calculado crédito sobre valores de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 3. O Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul/RS, acatando as conclusões do Agente Fiscal (fls. 08), reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, mantendo a glosa dos valores relativos a créditos derivados de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 4. Promovidas as verificações necessárias e após constatado que a Recorrente não possuía débitos em aberto perante a Receita Federal, que autorizassem a compensação de oficio de quaisquer valores, a Recorrente, uma vez intimada, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 36/44). 5. A Recorrente rechaça o procedimento fiscal, por entender que os custos incorridos com o transporte de produtos – ainda que entre estabelecimentos da empresa – configurase etapa essencial da venda dos bens. Isto porque é necessário para que ocorra a exportação (venda) dos produtos, que os mesmos sejam transferidos dos estabelecimentos produtores para aqueles que se encontram mais perto dos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande – de onde são transportados para o exterior. No mesmo sentido, produtos oriundos de uma unidade produtora no interior do Estado são trazidos para a Matriz da empresa, de onde podem ser diretamente vendidos. Assim, por se tratar se custo essencial à atividade, as despesas de frete dos produtos entre estabelecimentos não poderiam ser desqualificadas como insumos da atividade, o que lhe garante o direito ao crédito de PIS, na sistemática não cumulativa, sobre tais dispêndios. 6. Alega, ainda, que é incorreta a pretensão fiscal de limitar o direito ao crédito dos contribuintes, pois a incidência do PIS se dá sobre a totalidade da receita da pessoa jurídica. Ou seja, se a incidência – na forma não cumulativa – se dá sobre o resultado integral da atividade econômica desenvolvida, então os créditos têm de ser garantidos sobre todos os custos desta atividade econômica, sob pena de não se cumprir a não cumulatividade estabelecida. Entende haver, portanto, ofensa ao princípio da isonomia, do não confisco e à própria não cumulatividade. 7. Apresenta a Recorrente uma série de decisões da Receita Federal que evidenciam que o assunto é controverso mesmo dentro do próprio órgão. Alega, ainda que decisões contrárias ao creditamento, ainda que baseadas na Solução de Divergência nº 11/07 não podem prosperar, por ofensa ao princípio da hierarquia das normas, visto que Soluções de Divergência não poderiam ferir as disposições legais (que não criaram qualquer restrição ao crédito ora sob análise). 8. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 59/60), que manteve o que foi definido no Despacho Decisório, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720056/200828 Acórdão n.º 330201.066 S3C3T2 Fl. 2 3 Segundo a DRJ os custos de frete de produtos entre estabelecimentos não estariam vinculados à operação de venda, bem como a autoridade fiscal estaria obrigada a observar as manifestações do órgão a respeito da impossibilidade do creditamento pretendido. 9. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 63/72), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. 10. Vieramme, então, os autos para decidir. 11. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa. No caso da Recorrente o transporte se deu, na maioria dos casos, entre estabelecimentos produtores e outros estabelecimentos que se encontravam mais perto dos portos através dos quais remete suas mercadorias para o exterior (exportação). Outra parte do frete contratado foi para remessa dos produtos de uma unidade produtora no interior do Estado para a matriz, onde são realizadas a maior parte das vendas. A Receita Federal tem se manifestado reiteradas vezes, em relação a uma série de custos de operações de contribuintes, contra o direito ao crédito, numa clara tendência restritiva. Tanto assim que as disposições contidas na Instrução Normativa nº 247/02 (texto alterado pela IN 358/03) – que trata justamente da apuração não cumulativa do PIS – estabelece que para fins da apuração do crédito a que o contribuinte tem direito, sobre os insumos utilizados na produção, o conceito de insumo é aquele trazido pela legislação do IPI. Vejamos: “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” (destaquei) Da leitura dos dispositivos concluise que a Receita Federal, ao regulamentar a não cumulatividade trazida pela Lei nº 10.637/02, pretendeu adotar os conceitos da legislação do IPI sem que, todavia, referida Lei assim determinasse. Vale recordar que desde o surgimento da não cumulatividade do PIS e da COFINS muito já se discutiu sobre sua natureza. A princípio discutiase se a não cumulatividade do PIS e da COFINS seguia o mesmo modelo – e, portanto, os mesmos princípios – da não cumulatividade do ICMS e do IPI. Após muitas discussões as decisões – tanto administrativas como judiciais – seguiram no sentido de reconhecer que a não cumulatividade das contribuições em tela é distinta daquela do ICMS e do IPI, especialmente porque a dos mencionados impostos segue regras próprias, estabelecidas na Constituição Federal. Evidencia tal distinção o fato de que a não cumulatividade do IPI e do ICMS tem por base, na apuração dos créditos, o valor do imposto que foi recolhido na etapa anterior da cadeia de produção ou venda. No caso da não cumulatividade do PIS e da COFINS, por outro lado, pouco importa o que foi pago na etapa anterior, bastando que o contribuinte esteja sujeito a uma saída tributada nos termos da não cumulatividade, para que tenha direito a creditarse de custos incorridos na atividade que gerou a receita tributada pelas contribuições. Portanto, os limites conceituais da não cumulatividade e/ou da apuração de IPI e ICMS não se aplicam à não cumulatividade do PIS e da COFINS, pois não há, na legislação destas contribuições, qualquer menção à esta aplicabilidade. Impera esclarecer que já externei meu posicionamento neste sentido, acompanhando o Ilustre Conselheiro Relator Walber Jose da Silva, por meio de declaração de voto, na oportunidade do julgamento do processo nº10247.000001/200619, o qual foi decidido por maioria pela então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: “É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720056/200828 Acórdão n.º 330201.066 S3C3T2 Fl. 3 5 supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ........................................................................................ (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. ” Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em toda sua atividade. A este respeito também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao prolatar a decisão contrária a Recurso Especial do Procurador apresentado nos autos do Processo Administrativo nº 11065.101271/200647. Na ocasião, no bem lançado voto do ilustre relator Henrique Pinheiro Torres, a CSRF rechaçou a equiparação do conceito de “insumos” utilizado na legislação do PIS e da COFINS, àquele presente na legislação do IPI. In casu, a CSRF firmou posicionamento no sentido de total distinção de conceito de insumo para a legislação de IPI e para a legislação de PIS e Cofins. Vejamos: “A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720056/200828 Acórdão n.º 330201.066 S3C3T2 Fl. 4 7 aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” O crédito foi reconhecido, nesta decisão em particular, sobre dispêndios com serviços de remoção de resíduos industriais que, embora não possam ser considerados como aplicados diretamente no processo produtivo – nos termos adotados pela legislação do IPI – devem ser considerados como insumos na Lei nº 10.637/02. Superada esta primeira dificuldade, mister se faz analisar especificamente a despesa em discussão, qual seja, valor gasto com frete para o transporte dos produtos da Recorrente, com destino a outros estabelecimentos de sua titularidade – no mais das vezes visando mantêlos mais próximos dos portos de embarque de suas cargas com destino ao exterior (em operações de exportação), ou ainda, em estabelecimentos nos quais são realizadas as operações de vendas (internas – matriz) – entendo que não há como questionar a necessidade dos dispêndios em questão, para o desenvolvimento das atividades da empresa. O objeto social1 da empresa esclarece que a Recorrente é empresa exportadora e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. Sem dúvida são despesas operacionais, necessárias à atividade da Recorrente, atividade esta que gera a receita tributável pelo PIS não cumulativo. Logo, entendo que tais despesas são insumos essenciais ao desenvolvimento das atividades da Recorrente, razão pela qual geram direito ao crédito de PIS não cumulativo. Neste sentido, com acerto a interpretação da Recorrente. Uma vez que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, é necessário reconhecer o direito do contribuinte à concessão do crédito, com base no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.637/02. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS pleiteado pela Recorrente, objeto deste processo. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora 1 Art. 4°. A Sociedade tem por objeto social a indústria e o comércio de madeiras e seus similares, no mercado interno externo, bem como o florestamento, o reflorestamento e agroindústria, podendo, ainda, participar do capital de outras sociedades. Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Consoante bem destacado pela i. Relatora “a controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa”, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte. Em que pese o excelente argumento do voto acima, discordo do entendimento da eminente Relatora, pelas razões que passo a expor. A propósito, vejamos o que reza(va) a Lei nº 10.637/02 quanto aos créditos que podem ser descontados, ressalvando que os grifos não constam do original: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Alterado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Redação do inciso I dada pela Lei nº 10.865/04) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Alterado pela Lei nº 11.787, de 25 de Setembro de 2008) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação original da Lei 10.637) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684/03) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865/04) III (VETADO) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684/03) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720056/200828 Acórdão n.º 330201.066 S3C3T2 Fl. 5 9 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865/04) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196/05) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684/03) (Revogado pela Lei nº 11.488/07) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.. (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Dito isso, cabe verificar se o dispêndio em questão está contemplado pelo dispositivo legal acima transcrito. Pelo o que defluise do voto da ilustre Relatora, o gasto em apreço se enquadraria no inciso II do retro citado artigo, sob o fundamento de que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, visto que uma de suas atividades é a exportação e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. No entanto, data maxima venia, discordo desse entendimento sobretudo porque aquele dispositivo contempla apenas os serviços utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete em apreço é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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