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Numero do processo: 10245.900258/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 30/06/2001
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE
DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se
pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é
possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de
nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE
INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA
RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR
INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA
COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação
de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP
Numero da decisão: 1101-000.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/06/2001 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/06/2001 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 67 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 68 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 01437.13181.290906.1.7.047904, na qual foi utilizado crédito de R$ 805,77, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 31/07/2001 e relativo à apuração de 30/06/2001. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 30/06/2001. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 69 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 70 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 71 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 72 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 22.226,92, inferior ao recolhimento de R$ 23.069,07, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 01437.13181.290906.1.7.047904. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1241163. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 842,15, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 21062.97769.050906.1.7.041700 (processo administrativo nº 10245.900334/200911), pelo valor de R$ 36,38, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 805,77), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 22.226,92) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 23.069,07). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 73 8 informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 74 9 Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 75 10 Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 76 11 § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 77 12 Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 78 13 Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 79 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 80 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 81 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER Processo nº 10245.900258/200935 Acórdão n.º 110100.529 S1C1T1 Fl. 82 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER
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Numero do processo: 10167.001494/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa: ENQUADRAMENTO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS.
O órgão previdenciário possui a competência de realizar o enquadramento como segurado empregado para fins de recolhimento das correspondentes contribuições.
Comprovados os elementos de subordinação, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriana Sato
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O órgão previdenciário possui a competência de realizar o enquadramento como segurado empregado para fins de recolhimento das correspondentes contribuições. Comprovados os elementos de subordinação, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 27/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa E Silva, Thiago D Avila Melo Fl. 270DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Ausência momentânea de Thiago D Ávila Melo Fernandes. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001494/200785 Acórdão n.º 2302000.963 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 28/06/2006, cuja ciência da Recorrente ocorreu em 12/07/2006 (fls.238). De acordo com o Relatório Fiscal o crédito referese as contribuições previdenciárias devidas pelo MUNICÍPIO DE APARECIDA DO RIO NEGRO — PREFEITURA MUNICIPAL à Seguridade Social e recolhidas a menor, incidentes sobre as remunerações alcançadas pelo órgão público aos seus servidores, no período 01/2005 a 13/2005, nas rubricas: segurados, empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, relativamente aos segurados empregados; contribuição da empresa e do segurado em relação aos contribuintes individuais, que o contribuinte em desacordo com a legislação, não efetuava os devidos descontos. O Município não possui regime próprio de previdência. O fato gerador das contribuições previdenciárias são as remunerações pagas pela Prefeitura Municipal aos trabalhadores declarados ou não em GFIP, sendo que para a apuração do débito foram analisadas as folhas de pagamento, recibos, empenhos e ordens de pagamento. Ainda de acordo com o relatório Fiscal os segurados caracterizados como empregados (CA1) exerciam as funções de trabalhadores administrativos, agentes comunitários, enfermeiros, vigias e operadores de máquinas. Mencionados trabalhadores permaneciam à disposição do Município por longo período, sendo que alguns por mais de 06 (seis) anos, com carga horária e subordinação, e, muitos deles recebendo 13° salário. Até o ano 2000 tais segurados sofriam inclusive os descontos previdenciários em suas folhas e recibos de pagamento. Os fatos geradores do restante do período fiscalizado serão objeto de outras notificações, devidamente relacionadas no presente Relatório e no Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF, anexo a Notificação. Os fatos geradores não declarados em GFIP motivarão a abertura de fiscalizações específicas, nas pessoas dos administradores, que responderão pessoalmente pelo descumprimento da obrigação acessória. A Recorrente apresentou defesa alegando em síntese: que a Prefeitura não responde pela Câmara dos Vereadores, e, que o presente processo deveria ser desmembrado para que a prefeitura respondesse somente com relação a seus empregado; que os débitos foram gerados em diversas gestões administrativas, e se devidos, certamente, não foram recolhidos, aqui admitidos por hipótese, deuse por total impossibilidade de pagamento, eis que os recursos desse município pequeno e desprovido são provenientes unicamente de repasses do fundo de participação de municípios; Fl. 272DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 caso agora ocorra a exigibilidade dos valores aqui mensurados certamente prejudicará o atendimento às prioridades sociais básicas, como a saúde, educação, transporte, sobre toda uma população, já carente de amparo. A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformada a Prefeitura interpôs recurso voluntário reiterando suas alegações da impugnação. É o Relatório. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001494/200785 Acórdão n.º 2302000.963 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas pelo Recorrente. Alega a Recorrente que a fiscalização incluiu na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito empregados da Câmara e da Prefeitura, e, a Câmara dos Vereadores deve responder por seus empregados. Ocorre que a Prefeitura simplesmente alega e não traz aos autos qualquer prova de que algum desses segurados não lhe prestaram serviços. Independentemente do período apurado, se a Prefeitura contratou os segurados discriminados no Relatório de Lançamentos e não descontou ou reteve a contribuição previdenciária, a mesma passa a ser devedora de referidos valores, nos termos da Lei 8212/91 e do Decreto 3048/99. "LEI N°8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) VI como trabalhador avulso: quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviços de natureza urbana ou rural definidos no regulamento;" "DECRETO N° 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999. Art. 92 São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 274DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) j) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluída pelo Decreto n° 3.265, de 1999) VI como trabalhador avulso aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mãodeobra, nos termos da Lei n 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, ou do sindicato da categoria, assim considerados: a) o trabalhador que exerce atividade portuária de capatazia, estiva, conferência e conserto de carga, vigilância de embarcação e bloco; b) o trabalhador de estiva de mercadorias de qualquer natureza, inclusive carvão e minério; c) o trabalhador em alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios); d) o annarrador de embarcação; e) o ensacador de café, cacau, sal e similares; f) o trabalhador na indústria de extração de sal; g) o carregador de bagagem em porto; h) o prático de barra em porto; i) o guindasteiro; e j) o classificador, o movimentador e o empacotador de mercadorias em portos; e Art. 229... § 22 Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999)" Quanto a alegação de que a Prefeitura não possui condições de arcar com o débito sem prejudicar as prioridades sociais básicas, os órgãos administrativos não possuem competência para julgar sobre essa matéria. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 275DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001494/200785 Acórdão n.º 2302000.963 S2C3T2 Fl. 4 7 Fl. 276DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10730.000041/2004-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ano-calendário: 1999
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
EXIGÊNCIA PRINCIPAL CANCELADA. Descabe nova análise de fatos já
apreciados em segunda instância administrativa de julgamento, devendo a exigência reflexa ser cancelada sob os mesmos fundamentos processo
principal: OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE
PAGAMENTO DE COMPRAS INDÚSTRIA ART. 40 DA LEI 9.430/96 A
tributação com base na presunção legal contida no artigo 40 da Lei n° 9.430/96, só tem lugar quando há a interação com o contribuinte para que ele tenha oportunidade de informar a origem dos recursos, eventuais ocorrências que redundaram no não recebimento dos insumos, índices de quebra e perdas no processo produtivo e entrega venda CIF e outras ocorrências que podem afetar o valor tributável. Para não haver dúvidas, a
intimação deve individualizar os fornecedores e os documentos obtidos na circularização junto aos vendedores e conceder prazo de no mínimo vinte dias para atendimento. Auditoria contábil fiscal que não atende tais requisitos contamina o lançamento de dúvida quanto aos critérios quantitativo e temporal da regra matriz de incidência.
Numero da decisão: 1101-000.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 1999 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. EXIGÊNCIA PRINCIPAL CANCELADA. Descabe nova análise de fatos já apreciados em segunda instância administrativa de julgamento, devendo a exigência reflexa ser cancelada sob os mesmos fundamentos processo principal: OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE PAGAMENTO DE COMPRAS INDÚSTRIA ART. 40 DA LEI 9.430/96 A tributação com base na presunção legal contida no artigo 40 da Lei n° 9.430/96, só tem lugar quando há a interação com o contribuinte para que ele tenha oportunidade de informar a origem dos recursos, eventuais ocorrências que redundaram no não recebimento dos insumos, índices de quebra e perdas no processo produtivo e entrega venda CIF e outras ocorrências que podem afetar o valor tributável. Para não haver dúvidas, a intimação deve individualizar os fornecedores e os documentos obtidos na circularização junto aos vendedores e conceder prazo de no mínimo vinte dias para atendimento. Auditoria contábil fiscal que não atende tais requisitos contamina o lançamento de dúvida quanto aos critérios quantitativo e temporal da regra matriz de incidência.
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EXIGÊNCIA PRINCIPAL CANCELADA. Descabe nova análise de fatos já apreciados em segunda instância administrativa de julgamento, devendo a exigência reflexa ser cancelada sob os mesmos fundamentos processo principal: OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE PAGAMENTO DE COMPRAS INDÚSTRIA ART. 40 DA LEI 9.430/96 A tributação com base na presunção legal contida no artigo 40 da Lei n° 9.430/96, só tem lugar quando há a interação com o contribuinte para que ele tenha oportunidade de informar a origem dos recursos, eventuais ocorrências que redundaram no não recebimento dos insumos, índices de quebra e perdas no processo produtivo e entrega venda CIF e outras ocorrências que podem afetar o valor tributável. Para não haver dúvidas, a intimação deve individualizar os fornecedores e os documentos obtidos na circularização junto aos vendedores e conceder prazo de no mínimo vinte dias para atendimento. Auditoria contábilfiscal que não atende tais requisitos contamina o lançamento de dúvida quanto aos critérios quantitativo e temporal da regra matriz de incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 1548DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.316 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sergio Luiz Bezerra Presta. Fl. 1549DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.317 3 Relatório REFRIGERANTES PAKERA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 06/01/2004, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 5.464.642,85. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo do auto de infração, fls. 04 a 18, lavrado contra a interessada para exigência de imposto e da multa do IPI não lançado com cobertura de crédito. O crédito tributário exigido decorre de omissão de receitas apurada no âmbito do IRPJ, da qual resultou a lavratura de Auto de Infração para aquele tributo e seus reflexos, processo 10730.005539/200315. A irregularidade constatada pela fiscalização foi relatada na Descrição dos Fatos (fls. 06/07) e no Termo de Constatação e Intimação de fl. 08. A omissão de receitas decorreu da nãocontabilização, pela contribuinte, de aquisições de matérias primas e outros insumos. Essa falta de contabilização (compras não registradas) foi constatada por intermédio de circularização efetuada perante fornecedores da fiscalizada (fls. 259 a 1150). Os valores da omissão apurados estão consolidados no Quadro I, fls. 09/10 (VALORES DAS COMPRAS NÃO REGISTRADAS POR FORNECEDOR). Das receitas mensais omitidas foram descontados os créditos do IPI relativos às compras não registradas, calculados segundo Quadro II à fl. 11 (o fiscal excluiu do valor da omissão o IPI que incidiu sobre as compras não registradas). Desse procedimento resultaram os valores omitidos que constam da coluna 1 do Quadro III (fl. 12), que serviram de base para a apuração do IPI devido (coluna IPI Não Lançado — Quadro III — fl. 12). Finalmente, dos valores do IPI não lançado foi descontado o crédito apurado pela fiscalização (fl. 11), do que resultaram os valores exigidos de ofício segundo Demonstrativo de Apuração de fl. 14. Em virtude da apuração de créditos do imposto também está sendo exigida a multa do IPI não lançado com cobertura de crédito, segundo demonstrativo de fls. 17/18. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1184 a 1195. Discorda da exigência fiscal, alegando, em preliminar, nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa. Aduz que, apesar de haver sido intimada para comprovar a origem dos recursos utilizados no pagamento das compras supostamente não registradas, foilhe dado o prazo de cinco dias para apresentar tal comprovação, e mesmo assim o Auto de Infração foi lavrado "antes do término do já exíguo prazo estabelecido pela fiscalização". Além disso, alega que o prazo de cinco dias dado pela fiscalização está em desacordo com a disposição do art. 844, do RIR/99, que estabelece o prazo de vinte dias para o contribuinte prestar esclarecimentos solicitados em intimação. E mais, alega que foi impossibilitada de exercer plenamente sua defesa em virtude de a intimação efetuada pela fiscalização não ter mencionado os números das notas fiscais de aquisições de insumos e das duplicatas correspondentes, o que Fl. 1550DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.318 4 impossibilitou o cotejo dos valores que constavam dos quadros anexos à intimação com os valores registrados em sua contabilidade. Finaliza sua defesa insurgindose contra a "utilização da taxa Selic como taxa de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal". A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • A arguição de nulidade do lançamento deveria ser afastada com base nos mesmos fundamentos expressos no Acórdão nº 5.111/2004 da DRJ/Rio de Janeiro, no sentido de que não houve cerceamento ao direito de defesa, na medida em que as alegações se dirigiam a aspectos do procedimento administrativo, e não do processo, além de a contribuinte ter sido intimada e reintimada por mais de uma vez a apresentar livros fiscais e outros elementos, sendo impróprio a interessada centrar sua defesa no prazo final dado pelo Fisco para a comprovação das operações realizadas. O acórdão mencionado também refutou a aplicação do art. 844 do RIR/99, questionou o fato de a contribuinte não ter se valido do prazo da impugnação para a juntada de, ao menos, uma amostra dos documentos que comprovassem as operações questionadas, e destacou a inexistência de qualquer registro de negativa da repartição onde estava localizado o processo em deferir a vista dos autos ao interessado. • No mérito, a exigência deveria ser mantida nos seguintes termos: No tocante ao mérito, cumpre informar que o presente litígio referese à discussão acerca do IPI decorrente da omissão de receitas apurada no âmbito do IRPJ (compras nãoregistradas). E a decisão nestes autos, no meu entender, está vinculada ao que foi decidido no processo de exigência do IRPJ. Contrariamente ao argumento da Impugnante, que considera a inexistência de relação de causa e efeito entre os dois lançamentos, no meu entender essa relação é nítida, uma vez que a base de cálculo do IPI exigido neste lançamento corresponde ao valor da omissão de receita apurada nos autos do IRPJ. Ou seja, não foi efetuado nenhum procedimento específico de fiscalização do IPI na apuração da receita omitida pela fiscalização. O auditor, apenas, procedeu à apuração do IPI a partir da omissão de receita (compras nãoregistradas) constatada em fiscalização daquele imposto (IRPJ). A impugnante argumenta que "ao pretender aproveitarse da presunção legal de omissão de receitas, prevista na legislação de IRPJ, para sustentar a imputação a título de IPI, a fiscalização utilizouse de critério que não encontra respaldo na legislação de regência". Ao contrário, existe, sim, previsão legal para exigência do IPI decorrente de omissão de receitas: o parágrafo segundo do artigo 423 do RIPI/98, cuja matriz legal é o artigo 108, § 2°, da Lei 4.502/64. Vejamos a disposição do artigo do RIPI/98: §2o Apuradas, também receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. (grifo acrescido) Notese que o uso do advérbio também na redação do dispositivo permite inferir, contrariamente ao entendimento da contribuinte, que é possível exigirse o IPI decorrente de omissão de receitas apuradas na esfera do Fl. 1551DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.319 5 IRPJ (p.ex. passivo fictício, suprimentos de caixa de origem não comprovada, etc). Ou seja, não é apenas por intermédio de auditoria de produção que se pode exigir o IPI decorrente de omissão de receitas apuradas pela fiscalização. Como mencionado anteriormente o processo 10730.005539/200315 (Auto de Infração do IRPJ) já foi objeto de julgamento pela DRJ/Rio de Janeiro (Acórdão 5.111/2004 —cópia legível às fls. 1239 a 1261). Como é daquela DRJ (Rio) a competência para apreciar lançamentos relativos ao IRPJ, e como a presente exigência do IPI é decorrente da omissão de receitas constatada em fiscalização do IRPJ, o presente voto seguirá o resultado daquele julgamento. Como se comprova da leitura do Acórdão 5.111, em especial do que consta da ementa (fls. 1239/1240), a seguir transcrita, e do resultado do julgamento (Lançamento Procedente), a exigência relativa à omissão de receitas em comento foi integralmente mantida: "Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS PARA PAGAMENTO DAS COMPRAS. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE SUSTENTAÇÃO PROBANTE. CONCRETIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. O sujeito passivo, ao centrar sua defesa unicamente nos aspectos jurídicos do lançamento, sem contrapor os fatos nele descritos com elementos de prova que tivessem o condão de afastar a imputação fiscal, faz reforçar a tese de omissão de receita formulada pelo Fisco, resultando, via de conseqüência, na manutenção do presente feito." Registrese que, o processo relativo ao IRPJ já foi objeto de julgamento pelo primeiro Conselho de Contribuintes, cujo resultado foi pelo provimento ao recurso do contribuinte, segundo Ac 10515.237/2005 (cópia de consulta ao sítio dos conselhos fl. 1262). Se definitiva fosse, na presente data, a decisão de segunda instância proferida naqueles autos, esta julgadora resolveria por afastar a presente exigência em coerência ao lá decidido. Todavia, o mencionado acórdão foi objeto de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, encontrandose, até a presente data, pendente de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 1263). Na ausência de decisão administrativa definitiva quanto ao processo 10730.005539/200315 entendo que deve ser acatado o decidido em primeira instância pela DRJ/RIO, pelo que voto por manter a exigência do IPI decorrente da omissão de receitas apurada pela fiscalização. • A aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora é decorrência do que determinado em lei. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/03/2009 (fl. 1276, verso), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 01/04/2009 (fls. 1280/1291), no qual destaca, inicialmente, o fato de a presente exigência ser reflexa da apuração fiscal no âmbito do IRPJ, como reconhecido pela autoridade julgadora de 1a instância, e aponta que tal exigência já foi declarada insubsistente pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 10515.237. Reprisa os argumentos tecidos na impugnação acerca da inexistência de base legal para exigência do IPI, na medida em que o lançamento está baseado em presunção legal de omissão de receitas estabelecida em procedimento fiscal inerente ao IRPJ. De toda sorte, tal presunção somente se caracterizaria caso o contribuinte não apresente prova em contrário, Fl. 1552DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.320 6 situação esta que, não restou configurada no lançamento do IRPJ, muito menos foi caracterizada nestes autos, por culpa única e exclusiva da própria fiscalização, açodada na lavratura de ambos os autos de infração. Acrescenta que no âmbito do IPI, o lançamento com base em omissão de vendas deve ser justificado pelo levantamento do estoque, inclusive tendose em conta quebras e perdas decorrentes da produção. Cita julgado do 2o Conselho de Contribuintes neste sentido, e argúi a nulidade do lançamento. Reitera a arguição de nulidade do lançamento em razão de sua lavratura antes de expirado o prazo concedido na última intimação lavrada pela autoridade lançadora, e também porque informados apenas valores globais das compras apuradas, e por não ter sido dado à recorrente o devido acesso às informações prestadas por terceiros. Aduz, também, que o suposto ilícito tributário apurado, foi calcado em alegados indícios, que levaram à uma primeira presunção, no sentido de que as informações prestadas por terceiros eram verdadeiras, o que resultou numa segunda presunção, de que as compras elencadas não foram devidamente contabilizadas. Com base nestas duas presunções, foi firmada uma 3a presunção, esta sim legal, de omissão de receitas. Reproduz ementa de acórdão do 2o Conselho de Contribuintes em favor de sua defesa. Transcreve excertos do Acórdão nº 10515.273 e destaca estar ali reconhecido que o agente lançador, ao não permitir que a Recorrente prestasse os esclarecimentos pertinentes, não buscou a verdade material, utilizandose de uma presunção estabelecida em lei, porém, aplicada de forma inadequada. Pede, assim, que o lançamento seja julgado improcedente. Os autos do presente processo foram inicialmente distribuídos à 3a Seção de Julgamento (2a Turma Ordinária da 3a Câmara), mas, posteriormente, despachados para a 1a Seção, a quem competiria seu julgamento nos termos do art. 2o, inciso IV do Regimento Interno do CARF. Fl. 1553DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.321 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Dispõe o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 259/2009 e alterado pela Portaria MF nº 586/2010, em seu Anexo II: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...] Por sua vez, a infração imputada à contribuinte está assim descrita no Auto de Infração, à fl. 07: Falta de lançamento de imposto caracterizada (equiparada) pela saída do estabelecimento de produtos sem a emissão de notas fiscais, apuradas através da não contabilização de compras de matérias primas e outros insumos, para o ano calendário de 1999, apurada através de circularização de fornecedores, conforme quadros, anexos, relativos aos valores das compras NÃO REGISTRADAS (I, IA, II) , em decorrência do Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica n. 10730.005539/200315, tendo o débito de IPI calculado e representado através do Quadro III, lançandose, ainda, por determinação legal o crédito de IPI apurado e não lançado, basendose também no Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 19/12/2003, quando ficou o contribuinte INTIMADO a comprovar a Origem dos Recursos, não apresentando nada que contestasse o referido Termo, fazendo todos os Quadros e Termo parte integrante do presente Auto de Infração. (negrejouse) Claro está que a presente exigência de IPI decorre do lançamento de IRPJ formalizado nos autos do processo administrativo nº 10730.005539/200315, cabendo a esta 1a Seção do CARF apreciar o recurso voluntário aqui interposto. Tal exigência, por sua vez, foi cancelada pela 5a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, como dito pela recorrente, e tal decisão tornouse definitiva administrativamente, na medida em que a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial intempestivamente, conforme exposto no Acórdão CSRF nº 910100.103, assim ementado: PRELIMINAR TEMPESTIVIDADE DO AGRAVO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DE RECURSO ESPECIAL Não se conhece de Recurso Especial processado em razão de decisão proferida em agravo de. despacho que negou Fl. 1554DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.322 8 seguimento ao recurso especial, quando o agravo é intempestivo, suprimindose os efeitos da respectiva decisão. Os sistemas informatizados da Receita Federal confirmam que o crédito tributário vinculado ao processo administrativo nº 10730.005539/200315 estão extintos em razão do julgamento administrativo, e que seus autos encontramse arquivados. A 5a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, por maioria de votos – vencida a Conselheira Nadja Rodrigues Romero –, deu provimento ao recurso voluntário da autuada nos autos do processo administrativo nº 10730.005539/200315, estando o acórdão nº 10515.237 assim ementado: IRPJ E OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE PAGAMENTO DE COMPRAS INDÚSTRIA ART. 40 DA LEI 9.430/96 A tributação com base na presunção legal contida no artigo 40 da Lei n° 9.430/96, só tem lugar quando há a interação com o contribuinte para que ele tenha oportunidade de informar a origem dos recursos, eventuais ocorrências que redundaram no não recebimento dos insumos, índices de quebra e perdas no processo produtivo e entrega venda CIF e outras ocorrências que podem afetar o valor tributável. Para não haver dúvidas, a intimação deve individualizar os fornecedores e os documentos obtidos na circularização junto aos vendedores e conceder prazo de no mínimo vinte dias para atendimento. Auditoria contábilfiscal que não atende tais requisitos contamina o lançamento de dúvida quanto aos critérios quantitativo e temporal da regra matriz de incidência. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS, CSLL E CONFINS Afastada a tributação em relação ao IRPJ, afastamse também os lançamentos decorrentes, por se basearem nos mesmos fatos O voto do I. Presidente e Relator Conselheiro José Clovis Alves não deixa dúvidas acerca dos motivos para cancelamento da exigência: Analisando os autos verifico o seguinte: A auditoria contábilfiscal teve início em 16 de outubro de 2.002 conforme Termo de Início de folha 86. A fiscalização foi encerrada em 26 de dezembro de 2.003, data da ciência do auto de infração, tendo portanto a auditoria demorado mais de um ano. Verifico também que para atendimento das intimações dirigidas aos fornecedores para informar as vendas à fiscalizada e respectivas notas fiscais e comprovantes de pagamentos, a fiscalização concedeu 10 dias (dez dias) úteis, fls. 316 em diante. Verifico também que nem sempre os fornecedores atenderam as solicitações nos prazos estabelecidos, conforme se pode ver na resposta de folha 612 da empresa FISCHERDOHLER, datada de 22 de outubro de 2.003, em resposta a solicitação feita em 16 de agosto de 2.003. Vejo nas respostas dos fornecedores que eles relacionaram cada venda com as respectivas notas fiscais. Da intimação à fiscalizada. Constato a intimação de folha 08 dá notícia de que a fiscalização se referia a operação 0801 Fornecedores — Passivo fictício. Diz que realizou circularização e que através dela e de indícios encontrados nos livros fiscais de entrada e relação de cientes acompanhada de fornecimento constante do dossiê enviado pela fiscalização e referente ao ano calendário de 1999, constatouse compras não contabilizadas, Fl. 1555DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.323 9 equiparandose a omissão de receitas pelos valores não contabilizados conforme quadros I, II e IA. Intima a empresa a comprovar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras mencionadas nos quadros acima indicados. Para tal concede o prazo de 05 DIAS. E alerta: "A não comprovação das origens dos recursos ou a falta de resposta ensejará a autuação por Omissão de Receita." Dá ciência à fiscalizada dia 19 de dezembro de 2.003, sexta feira, após as 11 horas visto que esta é a data constante do Termo pois a ciência foi pessoal. Inicialmente transcrevamos alguns requisitos do procedimento de lançamento contidos no RIR/99. [arts. 841 e 844 do RIR/99] De pronto qualquer pessoa de bom senso que analise o processo constatará sem sombra de dúvida o açodamento da fiscalização. O auditor levou, mais de um ano para realizar os levantamentos junto aos fornecedores, deu a eles no mínimo dez dias úteis para informar as vendas à fiscalizadas, porém quando se dirigiu ao contribuinte, concedeu cinco dias, sendo que a autuada foi cientificada em uma sexta feita dia 19 de dezembro, provavelmente na parte da tarde. Assim o início de qualquer providência por parte da empresa para atendimento, começaria na segunda feira dia 22 de dezembro pois esse trabalho normalmente é realizado por pessoas do escritório que costumeiramente não trabalham sábado e domingo. Pois bem se contarmos da segunda feira, mesmo contando dias 24 e 25 de dezembro, véspera e dia de natal, o prazo para atendimento encerraria no dia 26 sexta feira. Pois bem a fiscalização antes mesmo do vencimento do exíguo prazo já autuou a empresa pois os lançamentos têm como data e hora, 26.12.03 e 10:00, respectivamente. Não seria crível que em cinco dias com um natal no meio a empresa tivesse condições de responder a intimação por vários motivos. Primeiro pelo exíguo tempo, quando a fiscalização na realidade para casos como esse teria que dar no mínimo vinte dias, conforme artigo 844 do RIR/99. Segundo porque os quadros sobre os quais a fiscalizada foi intimada a prestar esclarecimentos quanto a origem dos recursos utilizados nos pagamentos, fls. 09 a 11, trazem valores totais mensais, sendo que a fiscalização tinha cada valor cada nota fiscal de venda, fornecidos pelos vendedores. Como pode haver comprovação de origem de recurso para pagamentos se eles não são individualizados, com data, n° de documento, etc? Não se pode afirmar ser impossível, mas diante dos globais, provavelmente a empresa em interação com a fiscalização solicitaria a individualização para possibilitar a resposta. A fiscalização contrariou em cheio as determinações quanto a hipótese em que o lançamento de ofício deve ser feito e os procedimentos para o lançamento. Primeiro deveria ter dado no mínimo 20 dias para o atendimento da intimação, pois tendo levado mais de um ano para coletar as informações não seria crível que a autuada pudesse cotejálas com sua escrituração e/ou verificar outras ocorrências como devoluções, extravios, perdas, enganos, etc que pudessem modificar as informações É fornecidas pelos vendedores. Ora com isso o a fiscalização contrariou o artigo 844 do RIR/99. Fl. 1556DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.324 10 Segundo a fiscalização não cumpriu a previsão contida no inciso V do artigo 841 do RIR199, que no presente caso não está descolado do inciso VI, de autuar somente depois do contribuinte deixar de atender pedido de esclarecimento ou não prestar satisfatoriamente. Não cumpriu também o § 2° do artigo 844, visto que no auto de infração não consta uma só palavra a respeito de não atendimento da intimação, ou seja como bem disse o recorrente houve a presunção da presunção da presunção pois faltou a interação. De longa data como instrutor de legislação e auditoria de IPI nos cursos de formação de auditores da SRFB, pude estudar e ensinar aos meus alunos como os procedimentos de fiscalização deveriam ser realizados desde o início. O cuidado principalmente em se tratando de indústria deve ser redobrado, pois cada uma tem um processo produtivo, um tipo de maquinário para fabricação, uma forma de distribuição. Por isso nos casos em que a tributação parta de insumos como no presente caso, seja numa auditoria de produção — Insumo/produto, seja na presunção legal contida no artigo 40 da Lei 9.430 de 1996, a fiscalização deve ser prudente pois cada empresa tem um tipo de processo produtivo e de distribuição que pode levar a diversos índices de perdas, dependendo da idade de seu parque industrial e de sua frota de distribuição. No presente caso tratase de uma indústria de refrigerantes, que com certeza, desde o almoxarifado de matéria prima até a entre do produto ocorrem perdas que precisam ser consideradas. Considerar a compra o valor de uma compra de matéria prima como omissão de receitas, sem a interação com o contribuinte no curso da fiscalização, como no presente caso, é desconsiderar a realidade do setor industrial e muito mais do de refrigerante onde as perdas são normalmente elevadas, visto trabalharem com insumos voláteis como gás carbono e frágeis como as embalagens, sem contar a perda por eventuais impurezas só constatadas no final do processo produtivo. A fiscalização ancorou a exigência no artigo 40 da Lei n° 9.430, verbis: [...] O artigo 40 da Lei n° 9.430/96 traz mais uma dessas presunções, por isso devemos analisar seu texto para dele extrair o alcance da presunção e os limites e cuidados inseridos o que podem do texto ser extraídos. Passemos então a analisar as expressões que o legislador utilizou e qual o alcance da presunção legal. De início, cabe salientar tratase de uma presunção legal, veiculada em lei ordinária regularmente inserida no ordenamento jurídico pátrio, sobre a qual não vislumbro qualquer conflito com a legislação superior, lei complementar ou a carta magna. Entendo no entanto, haver limites, exatamente impostos pela Constituição Federal, artigo 153II pelo Código Tributário Nacional, artigo 43, pois o tributo continua sendo sobre a renda, ou seja sobre o acréscimo patrimonial, aquilo que transborda a riqueza préexistente. Assim sempre que possível deve a autoridade lançadora utilizar todos meios legais disponíveis para se chegar na verdadeira renda ou acréscimo patrimoniais, para que a parcela tributada seja aquela que o legislador quis alcançar. Os instrumentos dados pelo legislador ao sujeito ativo do tributo, como as presunções legais, devem ser utilizadas com prudência e dentro dos parâmetros e limites por ele estabelecidos. Sabemos que com a evolução do sistema bancário e a velocidade em que os recursos transitam pelos Estados da Federação e até pelo mundo, levaram aqueles Fl. 1557DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.325 11 que escondiam suas riquezas no colchão ou em potes enterrados, seja para fugir dos ladrões ou esconder do fisco, a utilizarem as facilidades trazidas pela era da informática existente no mercado financeiro para alcançarem seu objetivo, que foi e continua sendo a fuga da tributação. O legislador sabedor disso e atento às modificações ocorridas na sociedade muitas vezes institui então as presunções legais das quais as autoridades tributárias se utilizam para facilitar seu trabalho de combate à sonegação. O trabalho é facilitado pois uma vez provado o fato, não necessita a autoridade comprovar outras coisas ou carrear aos autos outras provas, invertese o ônus da prova, mas para isso não pode haver dúvidas quanto à perfeita adequação do fato à norma. A autuação se fez com apoio na primeira parte da norma ou seja na falta de escrituração de pagamentos pela pessoa jurídica. Primeiro a fiscalização deveria intimar a empresa esclarecer sobre a escrituração das compras, pois poderia haver falhas no levantamento feito pelo auditor. Além disso considerando os eventuais enganos contidos nas informações prestadas pelos fornecedores, contabilizações equivocadas, mercadorias não entregues, venda na realidade realizada a outro cliente, o prazo deveria ser razoável para que essas dúvidas fossem afastadas, pois são sempre possíveis. Chegandose à conclusão de que haveria realmente compra de insumos não contabilizados, a fiscalização poderia tomar dois cominhos: a) realizar auditoria de produção incluindo os insumos não contabilizados pelos períodos seguintes aos seus fornecimentos, ou; b) depois da depuração quanto às compras não contabilizadas, realizadas através de intimações com prazos factíveis e em vista das respostas, intimar o contribuinte a comprovar um a um os pagamentos e só depois se não comprovados é que poderia se falar em falta de pagamentos efetuados. A fiscalização deu total credibilidade às informações dadas pelos fornecedores, em relação à veracidade do fornecimento, da entrega da mercadoria, do pagamento e não ouviu o que o contribuinte tinha a dizer. Ora isso macula o lançamento do ponto de vista da quantificação do crédito tributário contida no artigo 142 do CTN, sobre ela não pode haver dúvida na hora do lançamento. Macula o lançamento também do ponto de vista temporal pois dá certeza quanto à data dos pagamentos realizados com base única e exclusiva nas informações prestadas pelos vendedores. Ora os pagamentos podem ter ocorrido em outras datas e ter ocorrido erro na escrituração por parte dos recebedores, ou podem ter errado em um número de um título liquidado, no valor, etc. São dúvidas que teriam de ser solucionadas no curso da fiscalização, antes da lavratura do auto. Se a escrituração não foi apresentada como deixou a entender o relator do acórdão recorrido a forma de tributação seria o arbitramento do lucro e não a tributação pelo lucro real. Se a escrituração foi apresentada como parece ter ocorrido, a intimação de folha 08 deveria ser especifica quanto aos valores, datas e documentos fiscais obtidos junto aos fornecedores e para os quais o auditor não tivesse encontrado os registros contáveis. Diferentemente do que argumenta o relator do acórdão recorrido, as providências para garantir a certeza e a liquidez do crédito tributário devem ser tomadas sempre que possível na fase inquisitória e não na fase litigiosa, pois caso contrário seria admitir a incerteza quanto à matéria tributável que deve ser determinada pela autoridade conforme artigo 142 do CTN, critério quantitativo da regra matriz de incidência. Fl. 1558DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.326 12 Aos decorrentes, PIS, CSLL, CONFINS, aplicase a decisão dada ao IRPJ em razão da intima relação de causa e efeito que os une. Assim conheço o recurso como tempestivo e no mérito voto para DARLHE provimento. Acrescentese estar confirmado, nestes autos, o início do procedimento fiscal teve início em 16/10/2002 (fl. 31), a realização de circularização junto a fornecedores da contribuinte (fls. 259/1150) e a lavratura de intimação em 19/12/2003 exigindo a comprovação, em 5 (cinco) dias, da origem dos recursos utilizados para pagamento das compras mencionadas em quadros anexos (fls. 08/12). Apenas que, o lançamento de IPI foi formalizado em 05/01/2004, e não em 26/12/2003, mas afirmando expressamente ser ele decorrência do Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica n. 10730.005539/200315, a evidenciar que a situação fática que motivou a exigência de IPI já estava caracterizada desde a lavratura daquele lançamento. Claro está, nestes termos, que os fatos apurados pela Fiscalização já foram objeto de apreciação nesta instância administrativa de julgamento, concluindose pela sua insuficiência para fundamentação da exigência. Logo, não cabe, aqui, promover nova análise destes fatos para definição do destino a ser dado a esta exigência reflexa, formalizada em decorrência daquele mesmo procedimento fiscal. Por oportuno cumpre esclarecer que o recurso especial intempestivamente interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional trazia argumentos assim relatados no Acórdão nº 910100.103: (i) Violação à Lei n° 3470/58: neste ponto, o acórdão entendeu que a intimação em que o Fisco determina que a Recorrida esclareça no prazo de cinco dias a origem dos recursos utilizados para pagamento das compras ofende o artigo 844 do Regulamento do Imposto de Renda/99. No entanto, argumenta a Recorrente que a modificação introduzida pela Medida Provisória n° 2.15834, alterou o prazo de vinte para cinco dias para apresentação de documentos que digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo (artigo 19, § 1° da Lei n° 3.470/58). Assim, argumenta que a intimação era para comprovar fatos que deveriam estar escriturados pelo contribuinte; (ii) violação à Lei n° 9.784: neste ponto, alega que o entendimento do acórdão recorrido viola o prazo de cinco dias para os atos dos administrados previsto pelo artigo 24, para os casos em que inexistir disposição específica. Aduz, ainda, que mediante comprovada justificação, pode haver dilação do prazo até o dobro do original, justificação que não ocorreu no presente caso (iii)Violação ao Decreto 70.235 (PAF): neste ponto, argumenta a Recorrente que o artigo 16, § 4o do referido decreto estabelece que a impugnação deverá ser instruída com a documentação necessária a prova dos fatos, razão pela qual o contribuinte poderia ter carreado aos autos a documentação que elidiria a fiscalização. (iv) Valor probante dos indícios: entendeu o acórdão recorrido que a fiscalização não poderia ter fundamentado o lançamento em apenas um indivíduo, devendo o fisco buscar uma soma de indicio. Porém, alega a recorrente que o posicionamento contraria o disposto no artigo 678, § 2° do RIR (artigo 845, §1 0 do RIR/99), que previu que os esclarecimentos do contribuinte poderão ser afastados pelo fiscal com base em "indicio veemente". Aponta jurisprudência demonstrando entendimento do Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscal, segundo o qual a omissão de compras é indício veemente de omissão de receitas. Fl. 1559DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.327 13 Porém, como antes transcrito, o entendimento expresso no voto condutor do Acórdão nº 10515.237 não se limitou a desqualificar o procedimento fiscal em razão, apenas, da concessão do prazo objetivo de 5 (cinco) dias, mas sim por não ter o Fisco aguardado seu transcorrer para formalização da exigência, além de ele se verificar durante as festas natalinas, e ser incompatível para cotejo de informações que a fiscalização levou mais de um ano para coletar. Demais disto, a intimação apontava valores globais das compras a serem esclarecidas, aspecto considerado suficiente para desqualificar a construção do indício adotado como base para a imputação de omissão de receitas. Logo, nem mesmo sob este ângulo, é possível validar o lançamento questionado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1560DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10730.000041/200447 Acórdão n.º 110100.559 S1C1T1 Fl. 1.328 14 Fl. 1561DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10073.002006/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1993 a 31/12/1994
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TOMADORA PRECLUSÃO MATÉRIA
NÃO IMPUGNADA
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
A empresa tomadora não apresentou impugnação, sendo que para a mesma não existe recurso válido a ser conhecido.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CIENTIFICAÇÃO DA PRESTADORA NO LANÇAMENTO ORIGINAL PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA
QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Não havendo por parte da autoridade lançadora a cientificação da prestadora em relação a NFLD originária declarada nula, não há de se falar para esta, a aplicação do art. 173, II do CTN para determinação do período alcançado pela decadência qüinqüenal.
O lançamento em relação a prestadora foi efetuado em 14/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 28/12/2006, contudo o lançamento original foi cientificado apenas ao tomador em 14/05/2001, operando-se para ele a decadência a luz do art. 173, II do CTN. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/1993 a 12/1994, dessa forma em aplicando-se
o art. 173, I ou mesmo o art. 150, § 4º, a decadência deve ser
declarada em relação ao prestador de serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-001.832
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso da empresa tomadora dos serviços (COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL) e excluir do lançamento a empresa prestadora de serviços (ISOBRASIL LTDA), em decorrência da ocorrência da decadência com relação a esta. Votaram pelas conclusões os
conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que entendem ser decadente o lançamento.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A empresa tomadora não apresentou impugnação, sendo que para a mesma não existe recurso válido a ser conhecido. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CIENTIFICAÇÃO DA PRESTADORA NO LANÇAMENTO ORIGINAL PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Não havendo por parte da autoridade lançadora a cientificação da prestadora em relação a NFLD originária declarada nula, não há de se falar para esta, a aplicação do art. 173, II do CTN para determinação do período alcançado pela decadência qüinqüenal. O lançamento em relação a prestadora foi efetuado em 14/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 28/12/2006, contudo o Fl. 250DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 lançamento original foi cientificado apenas ao tomador em 14/05/2001, operandose para ele a decadência a luz do art. 173, II do CTN. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/1993 a 12/1994, dessa forma em aplicandose o art. 173, I ou mesmo o art. 150, § 4º, a decadência deve ser declarada em relação ao prestador de serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso da empresa tomadora dos serviços (COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL) e excluir do lançamento a empresa prestadora de serviços (ISOBRASIL LTDA), em decorrência da ocorrência da decadência com relação a esta. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que entendem ser decadente o lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.002006/200704 Acórdão n.º 240101.832 S2C4T1 Fl. 201 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.048.3103, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 30, IV, da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências 02/1993, 04/1993, 06/1993, 11/1994, 12/1994. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa ISOBRASIL LTDA, CNPJ n. 17285834/000193, em se tratando de serviços executados nas atividades de construção, foram obtidas mediante análise das notas fiscais de serviços, bem como faturas emitidas. Vale ressaltar, ainda que a NFLD em tela foi lavrada em substituição a NFLD n. 35.007.3546, cientificada ao sujeito passivo em 01/12/1999 e anulada pela 4. Câmara de Julgamento – Acordão 724/2005, ofício n. 10/4ª CAJ/CRPS, de 04/04/2006, em face da omissão no relatório FLD do dispositivo legal do arbitramento, bem como pello fato da NFLD ter englobado de forma consolidada 169 prestadores de serviços. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 14/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2006, bem como em relação ao prestador de serviços em 28/12/2006. Manifestouse a empresa prestadora, fl. 34 a 42, requerendo, a) seja deferido o prazo de 30 dias para a localização e apresentação dos documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada; b) seja reconhecido o cumprimento pela ISOBRASIL LTDA. das obrigações previdenciárias decorrentes do contrata firmado com "a CSN de modo a elidir a responsabilidade solidaria entre as contratantes, ensejando o cancelamento da NFLD n 37.048.3103; c) sucessivamente, seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito previdenciária frente à ISOBRASIL, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competência 02/1993, 04/1993, 06/1993, 11/1994 e 12/1994, cancelandose a NFLD de no 35J543.1904; d) ainda sucessivamente, seja cancelada a presente NFLD por afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa e) Por fim, ainda sucessivamente, seja reconhecida a ilegalidade da base de cálculo utilizada pelo INSS, cancelandose, dessa forma, a NFLD lavrada. Foi anexado decisão judicial – Processo n. 2007.51.10.0000350 de autoria da CSN em face do INSS, onde questiona a decadência do direito de efetuar o lançamento em relação a todas as NFLD lavradas em substituição a NFLD 350073546 declarada nula por vício formal. Sentenciou o juiz no sentido de conceder em parte a ordem liminar, para suspender a exigibilidade dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/12/1994, fl. 78 a 82. Ressaltese no entanto, verificando o andamento do processo, constatei que foi proferida sentença, em 03/04/2007, na qual o MM. Juiz CONCEDEU EM PARTE A SEGURANÇA, para afastar em definitivo a exigência dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/01/1994. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que determinou a procedência parcial do lançamento, fls. 90 a 105, aplicandose o artigo 173, I do CTN e mantendo o lançamento da competência 12/1994. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não conformado com o resultado proferido a tomadora apresentou recurso, fl. 73 a 88. Em síntese alega: 1. Preliminarmente, da ausência de renúncia à esfera administrativa, tendo em vista que no processo judicial são discutidos apenas a decadência do direito do fisco lançar. 2. A responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, na sua redação originária, deve ser observada no momento da exigibilidade do crédito previdenciário e não na sua constituição, sendo obrigatória a averiguação, por parte da fiscalização, da efetiva inadimplência da prestadora de serviços antes de efetuar qualquer lançamento contra a tomadora. Não foi efetuada a análise da escrituração da prestadora para fisn de verificação da sua adimplência. 3. O débito foi constituído mediante presunção, sendo assim, o Recorrente não pode ser responsabilizada, ainda que solidariamente, por um débito cuja existência sequer foi constatada. 4. O procedimento adotado pelo Fiscal neste lançamento impossibilita qualquer defesa da Recorrente, uma vez que não é fornecida qualquer informação acerca da origem do débito que lhe é cobrado. 5. Destaca acórdãos e posicionamento da Consultoria jurídica afastando dita cobrança. 6. Cabe, neste ponto, ressaltar que a simples ausência de apresentação por parte da Recorrente das guias de recolhimento previdenciário da prestadora de serviços jamais poderia ensejar o lançamento do presente débito, por tratarse de obrigação acessória. 7. Concluise, portanto, que não havendo qualquer comprovação acerca da existência do débito que é cobrado, padece de nulidade insanável o lançamento consubstanciado na NFLD n° 37.048.3103 A empresa prestadora também apresentou recurso fls. 170 a 174. Alega, em síntese: a) decadência dó direito de lançar (constituir o crédito tributário), em relação à recorrente, quanto a competência 12/94, tendo em vista que não participou da primeira notificação b) sucessivamente, seja declarada, em relação à competência não abrangida pela decadência (12/94)," a nulidade da notificação fiscal por afronta ao direito constitucional ao contraditório, urna vez .que não havia sido dada oportunidade da recorrente de se manifestar, sendo intimada a apresentar documentos e elidir o arbitramento fiscal.. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.002006/200704 Acórdão n.º 240101.832 S2C4T1 Fl. 202 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente por parte da prestadora de serviço, conforme informação à fl. 199, razão porque serão analisados os pontos por ele trazidos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA PARA A EMPRESA CSN Quanto a preliminar de decadência observase que a empresa ingressou em juízo questionando a aplicação da decadência, obtendo decisão judicial que determinou o período alcançados pela decadência qüinqüenal dessa forma, entenderia essa relatora pela impossibilidade de apreciação do período alcançado pela decadência qüinqüenal. Contudo a autoridade julgadora de 1. Instância, procedeu ao julgamento da preliminar de decadência no lançamento em questão, sem que tenha havido recurso de ofício, razão porque devo ater a análise do mérito do lançamento em questão aos termos do lançamento mantido após a Decisão Notificação. Senão vejamos: DA DECISÃO JUDICIAL 53. Quanto à empresa Tomadora de Serviços a mesma não apresentou impugnação optando por requerer, em 08/01/2007, em sede de liminar, a suspensão da exigibilidade dos créditos, em razão do iminente esgotamento do prazo para impugnação administrativa e conseqüente perigo de inscrição em dívida ativa. Dessa forma, para ela houve renúncia ao contencioso administrativo e constituição definitiva, na esfera administrativa, do crédito tributário em questão, conforme art. 126, § 3°, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. " Art. 126. (..) A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.711, de 20.11.98)" (grifei) 54. Em 10/01/2007 foi concedida liminar em decisão proferida pelo MM. Juiz nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.51.10.0000350, da 5 a Vara Federal de São João de Meriti, nos seguintes termos: "CONCEDO EM PARTE A ORDEM LIMINAR, para suspender a exigibilidade dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/12/1994." Fl. 254DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 55. A íntegra da liminar consta dos autos às fls. 78/82. No entanto, verificando o andamento do processo, constatei que foi proferida sentença, em 03/04/2007, na qual o MM. Juiz CONCEDEU EM PARTE A SEGURANÇA, para afastar em definitivo a exigência dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/01/1994. Em sua sentença, cuja cópia foi obtida no sítio da Justiça Federal do Rio de Janeiro, que anexei de fis.107/109, o MM. Juiz se reporta aos termos da sua decisão quando concedeu a liminar. Porém, faz as seguintes considerações: "No entanto, há um reparo a fazer quanto ao aspecto da aplicação das normas sobre decadência quanto ao lançamento realizado em 1999." "É que, embora se cuide de lançamento relativo a tributos submetidos ao mecanismo da homologação, constatase a fls. 53 que não se cuidou de recolhimento a menor, mas sim de falta absoluta de recolhimento em relação aos fatos geradores auditados. Aliás, na própria decisão liminar, discorremos sobre a razãodeser da norma do art. 150, §4 0, do CTN e que ela só se justifica na hipótese de ter havido recolhimento (ainda que a menor), eis que, assim, possibilitouse ao fisco a ciência sobre a existência do fato gerador. Chegamos a citar a Súmula 219 do extinto TFR, segundo a qual, mesmo nos tributos submetidos ao mecanismo da homologação, aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial (CTN, art. 173, 1) na hipótese de ausência de pagamento. No entanto, ao fixarmos a conclusão sobre a correção da abrangência temporal do lançamento feito em 1999, deixamos de aplicar o raciocínio anteriormente expendido. Corrijo a imprecisão. Quanto aos fatos geradores ocorridos ao longo do ano de 1994, diante da ausência de recolhimento e da aplicação do art. 173, 1, do CTN, o correspondente prazo decadencial se iniciou apenas em 01/01/1995. Desse modo, a decadência só se operaria em 31/12/1999. Portanto, o lançamento realizado em 01/12/1999 foi legitimo ao alcançar os fatos geradores ocorridos em 1994, não o sendo apenas quanto aos ocorridos em 1993 e anteriores. III Isso posto, CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA, para afastar em definitivo a exigência dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/01/1994." (grifo nosso) 56. Sendo assim, tanto a aplicação da Súmula Vinculante n° 08, como a decisão judicial acima citada, ratifica nosso entendimento. Em 01/12/1999, data da ciência do lançamento original, considerando o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, é legitimo o lançamento para a competência 12/1994. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA PARA A PRESTADORA. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD em relação a prestadora de serviços, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.002006/200704 Acórdão n.º 240101.832 S2C4T1 Fl. 203 7 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma Fl. 256DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da Fl. 257DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.002006/200704 Acórdão n.º 240101.832 S2C4T1 Fl. 204 9 decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a Fl. 258DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Fl. 259DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.002006/200704 Acórdão n.º 240101.832 S2C4T1 Fl. 205 11 Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a aplicação do art. 173, II do CTN para fins de aplicação da decadência uma vez que se identificou tratar de lançamento substitutivo cujo lançamento original fora declarado nulo por vício formal, pela ausência na cientificação de todos os sujeitos passivos no lançamento original, bem como ausência do fundamento legal. Assim, ao contrário do entendimento pretendido pelo recorrente o vício consubstanciado na incorreta indicação do sujeito passivo diz respeito a requisito de formalização do lançamento, o que enseja nulidade por vício formal, possibilitando a resconstituição integral do lançamento. Contudo, entendo que a responsabilidade solidária nada mais é do que a possibilidade de efetivar o lançamento em relação a qualquer um dos coobrigados, porém ao resolver efetivar o lançamento em relação a um, e não havendo a cientificação dos demais solidários a participar do pólo passivo da obrigação, assume o fisco o risco de ter os demais alcançados pela decadência qüinqüenal, como no caso ora em análise. Não houve por parte da autoridade lançadora a cientificação da prestadora em relação a NFLD originária, assim, quando do lançamento substitutivo havia para o prestador de serviços operado o efeito da decadência qüinqüenal, posto que passados mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores. Logo, no lançamento em questão a lavratura da NFLD em 14/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 28/12/2006, contudo o lançamento original foi cientificado apenas ao tomador em 14/05/2001. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/1993 a 12/1994, dessa forma em aplicandose o art. 173, I ou mesmo o art. 150, § 4º, a decadência deve ser declarada em relação ao prestador de serviços. Superadas as preliminares, passo a análise do mérito. DO MÉRITO DO RECURSO DA TOMADORA Quanto ao mérito, destacase que a empresa CSN apresentou recurso tempestivo, em que alega em síntese a ilegitimidade do levantamento de credito por Fl. 261DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.002006/200704 Acórdão n.º 240101.832 S2C4T1 Fl. 206 13 responsabilidade solidária na tomadora, sem que verifique a escrituração contábil da prestadora de serviços. Contudo, nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Em sede de impugnação apenas a prestadora de serviços manifestouse, sendo que em sede de preliminar restou provido o seu recurso face o alcance da decadência qüinqüenal. Assim, os argumentos quanto ao mérito do lançamento apresentados pela empresa tomadora em sede recursal não merecem ser apreciados por se tratar de matéria preclusa. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, entendo que não existe recurso a ser conhecido para a tomadora de serviços. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso em relação a prestadora, para excluíla do pólo passivo, face o alcance da decadência qüinqüenal. Já em relação a tomadora, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, face o direito da tomadora encontrarse precluso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 262DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003939/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA.
0 prazo decadencial para lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda a titulo de estimativa segue a rega do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do § 4 0, do art. 150, do CTN.
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
Sao independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1302-000.697
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência em relação ao lançamento da multa isolada referente A. estimativa devida em 1998. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à exigência de multas isoladas relativas As estimativas devidas em 1999, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi (relator) e os conselheiros
Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Daniel Salgueiro da Silva, que afastavam a multa também destes períodos devido à concomitância de multa isolada e multa de oficio.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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MULTA ISOLADA. 0 prazo decadencial para lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda a titulo de estimativa segue a rega do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do § 4 0, do art. 150, do CTN. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. Sao independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência em relação ao lançamento da multa isolada referente A. estimativa devida em 1998. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à exigência de multas isoladas relativas As estimativas devidas em 1999, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi (relator) e os conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Daniel Salgueiro da Silva, que afastavam a multa também destes períodos devido à concomitância de multa isolada e multa de oficio. OS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. 't IRINEU BIANCHI - Relator. Processo n° 10680.003939/2004-18 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 272 EDUARD DE ANDRADE — Redator Designado Editado em: 12 G Participaram da sessão de julgamento os consel iros: Wilson Fernandes Guimarães, Marcos Rodrigues de Mello, Irineu Bianchi, Eduardo de A dde, Daniel Salgueiro da Silv Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junquei6/;,' 2 Processo n° 10680.003939/2004-18 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 273 Relatório CONSTRUTORA MELLO DE AZEVEDO S/A, devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavoável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratam os autos de exigência de multas isoladas no valor de R$ 26.353,14, motivada pela falta de recolhimento da CSLL, sobre as bases estimadas nos exercícios de 1999 e 2000, tudo em conformidade com o Auto de Infração de fls. 06/09. Cientificada da exigência em 26 de março de 2004, a interessada apresentou a impugnação de fls. 209/234, alegando resumidamente: Que o não pagamento da CSLL é em decorrência de duas decisões transitadas em julgado proferidas pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da la Regido, sendo que a primeira que declarou inconstitucional a Lei n° 7.689, de 1988, tornando inexigível a CSLL das empresas beneficiadas com provimento jurisdicional em ações de mandado de segurança coletivo patrocinados pelo SICEPOT-MG da qual é uma das filiadas e a segunda sentenciando que a Lei n° 8.212, de 1991, não teria, por si so, força para reinstituir a CSLL prevalecendo os efeitos da coisa julgada formalizada quando do provimento da primeira segurança. Caso seja rejeitada a argumentação acima solicita a exclusão de débitos atingidos pela Decadência de fatos geradores ocorridos em período anterior a cinco anos do procedimento fiscal, ou seja, março de 1999, a teor do art. 173, do CTN. Conclui alegando que a aplicação da multa isolada é descabida por estar sendo aplicada penalidade dobrada pela mesma infração. A Segunda Turma Julgadora da DRJ/BHE julgou a ação fiscal procedente em parte, nos termos do Acórdão n° 02-25.273 (fls. 240/248), cujos fundamentos acham-se consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: CSLL. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTAS ISOLADAS. Por expressa previsão legal, é cabível a aplicação de multas isoladas incidente sobre a CSLL, devida mensalmente em função das bases estimadas, quando o contribuinte seja optante pelo lucro real anual, ainda que no final do período apure prejuízo fiscal ou base nega/ia da contribuição. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão do principio da retroatividade benigna aplicado ent matéria de penalidades(ã luz do art. 106, II, "c", do CTN, as multas isoladas lançadas devem ser reduzidels_ao patamar de 50%, incidente sobre imposto devido. 3 Processo n° 10680.003939/2004-18 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 274 Cientificada da decisão (fls. 254), a interessada-)tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 255/260, alegando em síntese: a)/ nulidade do auto de infração; b) alidade da aplicação da multa; e c) decadência em relaW allo,,eerciciode 1998. o Relatório. 4 5 Processo n° 10680.003939/2004-18 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 275 Voto Vencido Conselheiro IRINEU BIANCHI 0 recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Alega a recorrente que em razão de decisão judicial anterior não há relação jurídica de natureza tributária a vinculá-la, com o que, o lançamento é nulo. Afasto a preliminar tendo em vista que a matéria confunde-se com as questões de fundo. DECADÊNCIA As exigências dizem respeito a fatos geradores ocorridos em 30/06/1998, 31/07/1998, 30/04/1999, 31/05/1999 e 30/11/1999, sendo que a recorrente tomou ciência do lançamento na data de 26 de março de 2004. A aplicação da multa decorre do descumprimento do dever jurídico de recolher total ou parcialmente as antecipações do imposto de renda a titulo de estimativa. 0 legislador entendeu que a irregularidade seria passível de imposição da multa na modalidade isolada, sem cobrança do principal. Tal fato se justifica por não existir ainda a certeza do resultado do ajuste quando então será apurado o imposto efetivamente devido no período. Por outro lado, a aplicação isolada não desvincula a multa do tributo, ainda que a titulo de antecipação. Feita a opção pela apuração anual, a lei define o fato gerador mensal da estimativa que, inclusive, quando não recolhida no prazo sujeita-se A. multa já no mês seguinte ao vencimento. Sob esse prisma, a multa isolada decorrente de estimativa do imposto de renda não recolhido ou recolhido a menor submete-se à regra decadencial daquele imposto a qual, na remansosa jurisprudência do CARF, está definida no § 4°, do art. 150, do CTN, com prazo qüinqüenal contado a partir do fato gerador. Como a ciência da autuação ocorreu em 26/03/2004, foram alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos nas datas de 30 de junho e 30 de julho de 1998, respectivamente. MÉRITO Do exame do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/14), infere-se além da exigência formalizada nos presentes autos, também foi lavrado Auto de Inf ação\ elativo CSLL-erpreendendo o período de 1997 a 2001. (.) Parágrafo imico As multas de que trata este artigo 6-reio exigidas. I — juntamente com o tributo ou a contribuição, quando n --, houverem sido anteriormente pagos; LW \ Processo n° 10680.003939/2004-18 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 276 Tal circunstância levou a recorrente a pedir a reunião do presente processo ao de número 10680.003.941/2004-89, "que trata do lançamento de base das penalidades deste feito, decisão que também mereceu recurso voluntário". A vista disto estamos diante de caso em que se exige do contribuinte, de forma concomitante, o pagamento da multa isolada e da multa de oficio. entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre bases estimadas e da multa de o ficio lançada conjuntamente com o montante principal do tributo, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Veja-se, a titulo ilustrativo, ementa de acórdão proferido pela CSRF: MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. (Ac. 9101-00.314) Antes de tudo, mister se faz mencionar que os fatos autuados são anteriores 6. modificação da redação do art. 44, da Lei n° 9.430/96, introduzida pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, que efetivamente contém a base legal da multa isolada, exigível quando constatada falta de recolhimentos de estimativa. Quanto à exigência da multa isolada, imposta por falta de recolhimento de estimativa, não é admitida quando, concomitantemente, é exigida multa de oficio sobre idênticos valores. Mostra-se oportuno, inicialmente, analisar a fundamentação legal acerca do assunto. Nesse passo, na época da ocorrência dos fatos, a matéria era regulada pelo art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, reprisado no art. 957 do RIR199, a seguir reproduzido: Art 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, cakuladas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição; I — de setenta e cinco por cento nos caso de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréschno de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 6 Processo n° 10680.003939/2004-18 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 277 IV — isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prefuizo .fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendcirio correspondente. Como se vê, o comando legal transcrito não autoriza a simultânea aplicação, sobre uma mesma base, da multa referida no inciso I do parágrafo único e da multa referida no inciso IV desse mesmo parágrafo. Aliás, a determinação do inciso IV sequer se subsume ao disposto no caput do artigo 44, ao menos na redação anterior As modificações inseridas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, que é a reproduzida acima, que aponta como base de cálculo das multas, tanto das ordinárias como das isoladas, "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", e a estimativa é uma mera antecipação que não caracteriza tributo devido. E mesmo que se pudessem ter dúvidas sobre a precisa interpretação acerca da simultânea aplicação das multas em questão, socorre a recorrente o artigo 112 do CTN que diz: Art. 112. A lei tributária que define inflaçães, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, cm caso de dúvida quanto: I — à capitulação legal do fato; ii — a natureza ou as circunstancias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos; iii - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV– a natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação Ademais, é farta a jurisprudência no sentido de inadmitir a concomitância da multa de oficio e da multa isolada sobre uma mesma base de cálculo, inclusive da Camara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa está reproduzida acima. _DIATE DO EXPOSTO, conheço do recurso e oriento meu voto no sentido de DAR-LHE PROVIENTO. I\ Sala as Sessões, em 04 de agosto de 2011. ■ et—a_ IR.INEU BIANCHI - Relator 7 Processo n° 10680.003939/2004-18 SI-C3T2 Ad:11.dd° n.° 1302-00.697 Fl. 278 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator Designado Neste julgado, manifestou o ilustre Conselheiro Relator Irineu Bianchi seu posicionamento no sentido da impossibilidade de concomitância da multa de oficio, calculada no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido com a multa isolada, calculada sobre o não recolhimento de estimativas mensais. Não obstante estar tal posição escorada em valiosos fundamentos jurídicos, o colegiado divergiu, pelo voto de qualidade, seguindo o entendimento de que ambas as penalidades são devidas na situação verificada. Assim, designado para redigir o voto vencedor, manifesto meu entendimento no sentido de que a multa de oficio proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas podem coexistir, não havendo dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo As estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mês-calendário, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430/96. Vejamos as situações: Lei n°9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; sS' 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagament imposto de renda na forma do art. 2° fica, também, sujeita pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro liquid determinada mediante a aplicação da aliquota a que estiv Processo n° 10680.003939/2004-18 Sl-C3T2 Acórdao n.° 1302-00.697 Fl. 279 sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e lido artigo anterior. Art. 2°A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos sSisç 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. Neste ponto, entendo que as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora e é sancionado. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser consideradas corno obrigações tributárias, pois se não o fossem, restariam violados o art. 3° e o art.113 do CTN. Assim, são obrigações tributárias compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2°, §4°, IV, da Lei n° 9.430/96). Esta a saída encontrada pelo legislador, que não as prescreveu como meras antecipações exatamente para poder sancionar seu inadimplemento. Dar ser inócuo reputá-las como meras antecipações, sugerindo seu saneamento corn base no recolhimento ao final do exercício, após realizada a apuração anual. Isto porque tal raciocínio vai contra o conteúdo prescritivo desejado pelo legislador, que para garantir tal cumprimento, ainda fez constar que o pagamento é devido mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Note-se, ademais, que a opção mencionada na redação do art.2° não diz respeito à qualquer faculdade de efetuar ou não o pagamento das estimativas, mas se relaciona com a outra possibilidade prevista em lei, qual seja, a de que o contribuinte opte pela suspensão ou redução do pagamento do imposto, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto ou da contribuição, calculados com base no lucro real do período em curso, nos termos do art.35 da Lei n° 8.981/95, com a redação dada pela Lei n° 9.065/95, in verbis: Lei n°8.981/95 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. sç I° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da p cela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o luc devidos no decorrer do ono-calendar" 9 e — Redator Designado Processo n° 10680.003939/2004-18 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.697 Fl. 280 § 2 0 Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) § 3° 0 pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano- calendário, poderá ser efetuado corn base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei n° 9.065, de 1995) § 40 0 Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei no 9.065, de 1995) Cabe ressaltar, por fim, que as normas que prescrevem ambas as infrações (isolada, por falta de recolhimento de estimativas e proporcional, por falta de recolhimento do tributo ao final do exercício) e cominam as penalidades pela sua violação estão ambas vigentes, não cabendo ao órgão julgador administrativo deixar de observar os efeitos legais dai decorrentes pelo muitas vezes sugerido efeito confiscatório derivado da dupla incidência, pois tal afastamento da norma que prescreve a multa isolada implicaria violação do art.26-A do Decreto n° 70.235/72, que veda o afastamento de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, entendo que possam ambas coexistir, sem q sso re ulte qualquer violação ao direito posto. 10
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004740/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
ILEGITIMIDADE PASSIVA DA AUTUADA. SÓCIA DA EMPRESA.
AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. Não há o que se falar em
ilegitimidade passiva de parte da autuada, se não restar provado nos autos que a contribuinte não tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador.
MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE Legitima a imposição da
multa de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente.
SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2201-001.179
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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SÓCIA DA EMPRESA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. Não há o que se falar em ilegitimidade passiva de parte da autuada, se não restar provado nos autos que a contribuinte não tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador. MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE Legitima a imposição da multa de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente. SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2000, exercício de 2001, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 55/61. Por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, a fiscalização apurou dedução indevida de imposto de renda retido na fonte a título de pró labore. Cientificado do lançamento em 10 de dezembro de 2003, o representante legal da autuada apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 1/32), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Preliminarmente argúi a legalidade da cobrança de juros moratórios a taxa Selic, bem como violação aos princípios constitucionais de isonomia e capacidade contributiva. Citando doutrina e decisão do superior Tribunal de Justiça, observa que os juros moratórios agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinadose a apenar a mora. Alega, também, em preliminar, que a autuada não goza de legitimidade passiva para que a cobrança dos mesmos seja contra ela efetuada. A obrigação de efetua a retenção do tributo não e do contribuinte que aufere os ganhos, mas da fonte pagadora, seu empregador. O Código Tributário Nacional em seu art. 121 define sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento o tributo ou penalidade pecuniária. No entanto, não exige que o sujeito passivo tenha relação direta com o fato gerador do imposto para vinculálo ao pagamento da exação. A obrigação imposta à fonte pagadora de reter e recolher o imposto de renda é um caso típico de sujeição passiva por responsabilidade. Na hipótese da autuação, a lei vigente á época dos fatos, conforme dispositivos legais citados no termo de verificação fiscal, obrigava o empregador da autuada, que deveria reter o IR fonte sobre os pagamentos efetuados. Cita jurisprudência judicial para reforçar suas alegações. Quanto ao mérito, o lançamento não pode prosperar, uma vez que o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano base de 2000 (fl. 46) destaca a retenção do IRPF no valor ode R$ 9.360,63. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10855.004740/200379 Acórdão n.º 220101.179 S2C2T1 Fl. 2 3 Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação, cancelado o lançamento e liberar a restituição apurada na Declaração de Ajuste Anual no valor de R$ 1.061,00. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O imposto retido na fonte pode ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, quando o contribuinte é sócio da fonte pagadora deve restar comprovado que o imposto de renda retido na fonte foi recolhido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 01/11/2007 (fl. 87), o representante legal da autuada apresenta Recurso Voluntário em 26/11/2007 (fl. 88), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo: Assim, e calcado em jurisprudência de nosso Tribunal Superior, forçoso inferirse que a apuração dos juros de mora, com base na Selic, está eivada de pelo menos duas inconstitucionalidades, pois institui novo tributo sem a edição de lei e, confisca patrimônio do contribuinte. (...) 14. Assim, é inegável no caso concreto a existência de uma multa desproporcional o valor da obrigação principal, a qual será, fatalmente, reconhecido o caráter confiscatório, de sorte que a mesma deve ser reduzida ao valor do imposto dito não liquidado pela Recorrente. (...) 8. Destarte, resta evidente a ilegitimidade passiva do Recorrente em relação ao imposto de renda na fonte, cuja retenção e recolhimento cabem ao seu empregador, devendo o auto de infração ser extinto sem apreciação do mérito. (...) Fl. 130DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 De fato, da análise dos documentos acostados, forçosa a conclusão de que o Sr. Agente Fiscal glosou indevidamente o lançamento do IRRF implementado pelo Recorrente em sua DIRPF do ano base de 1.998. 6. Assim a DIRPF do ano base de 2000, deve ser acolhida em sua plenitude, sem nenhuma glosa, mormente quanto ao IRRF e donde se concluirá que o Recorrente faz jus a restituição de R$ 1.061,00, o qual deverá lhe ser pago com os acréscimos previstos na legislação do IR. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal lavrou a exigência em função da falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre prólabore no valor de R$ 9.360,63, relativa à pessoa jurídica Cinasa Construção Industrializada Nacional S/A, da qual a recorrente é sócia (fl. 46). Pois bem, de pronto, sem querer ser repetitivo, impende transcrever as importantes e profícuas observações do relator do julgamento de primeira instância, em relação ao tema: É certo que o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos do trabalho, para o caso, prólabore, é compensável com o Imposto de Renda apurado na Declaração de Ajuste Anual (Lei nº 8.383, de 1991, art.8º). É certo também que o Imposto Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração, se, efetivamente, o ônus de pagamento tenha sido do contribuinte e o contribuinte possua comprovante de rendimentos e de retenção de imposto emitido em seu nome pela fonte pagadora (Lei nº 7.450, de 1985, artigo 55). O interessado carreou aos autos o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte. Vêse que a glosa decorreu do fato de não haver comprovação da efetividade do recolhimento do imposto de renda sobre os rendimentos de prólabore. Desta forma, não comprovado que os rendimentos tributáveis sofreram retenção de IRRF, no valor consignado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e na DIRPF, e que, efetivamente, houve o recolhimento por parte da fonte pagadora dos rendimentos, não há como se acatar a compensação, haja vista o instituto da Fl. 131DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10855.004740/200379 Acórdão n.º 220101.179 S2C2T1 Fl. 3 5 responsabilidade solidária (CTN, artigo 124 e artigo 134) relativa à omissão das obrigações tributárias (principal e acessória) da fonte pagadora dos rendimentos, materializada na falta de apresentação da DIRF e na insuficiência de recolhimento de IRRF relacionados aos rendimentos pagos aos empregados. Não tendo o interessado logrado comprovar a efetividade da retenção e recolhimento do IRRF, é indevida a compensação, pois nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995, somente poderá ser compensado do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual o imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Em sua defesa, deseja que eventual débito relacionado ao IRRF seja exigido da fonte pagadora dos rendimentos. De uma forma geral, a sujeição passiva tributária é tratada no art. 121, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 .CTN, nos seguintes termos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No que se refere à responsabilidade da fonte pagadora, no que tange à retenção e ao recolhimento do imposto de renda na fonte, assim determinam o artigo. 717 e o artigo 722 e parágrafo único, ambos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/99, abaixo transcritos: Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 99 e 100, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, § 1º). Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicarseá a penalidade prevista no art. 957, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste. É importante salientar que o contribuinte não carreou aos autos nenhum documento que demonstrasse a efetividade do Fl. 132DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 recolhimento de imposto de renda sobre os rendimentos de pró labore. Consoante o disposto no art. 8º do Decretolei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, são solidariamente responsáveis com a fonte pagadora os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos débitos decorrentes do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte. E ainda, que a responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (parágrafo único do artigo 8º do Decretolei acima indicado). Sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 28, de 22 de março de 1984, estabelece, em seus itens 1, 2 e 3: 1. Fica suspensa a eventual restituição de imposto de renda, atribuída a diretores de pessoas jurídicas, sociedades de economia mista e empresas públicas, quando essas pessoas jurídicas não tenham recolhido à Fazenda Nacional imposto de renda que retiveram na fonte. 2. O disposto no item anterior se estende a titular de firma individual e a sóciosgerentes de sociedades. 3. Cessará a suspensão da restituição uma vez regularizada a situação fiscal da pessoa jurídica. Na situação presente é devida a glosa na fonte. Depreendese do excerto reproduzido que a recorrente, na qualidade de sócia da empresa, possuía relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador e como não se encontra nos autos a comprovação do pagamento do imposto de renda retido na fonte não faz jus à restituição. Portanto, a recorrente, na qualidade de dirigente da empresa, deve comprovar o pagamento de qualquer imposto e, no caso em apreço, deveria ter efetuado o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, mormente porque é a principal beneficiária. Quanto à alegação de que a multa imposta é desproporcional e confiscatória, impende esclarecer que a imposição da multa de 75%, se deu em função da previsão legal constante no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a falta de pagamento do imposto sujeitou a suplicante ao lançamento de ofício, acrescido dos encargos legais e penalidades aplicáveis. Por fim, em relação à utilização da taxa Selic, invoco a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10855.004740/200379 Acórdão n.º 220101.179 S2C2T1 Fl. 4 7 (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 134DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000565/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 06/11/2008
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Constitui infração deixar de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e ao Departamento da Receita Federal DRF
todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de
interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os
esclarecimentos necessários à fiscalização.
MULTA DO ART. 32A, I RETROATIVIDADE BENIGNA INAPLICABILIDADE
A aplicação de multa mais benéfica restringe-se a infração que teve alterada a sistemática de aplicação da multa, não se aplicando em relação a capitulação legal diversa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.816
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Constitui infração deixar de prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. MULTA DO ART. 32A, I RETROATIVIDADE BENIGNA INAPLICABILIDADE A aplicação de multa mais benéfica restringese a infração que teve alterada a sistemática de aplicação da multa, não se aplicando em relação a capitulação legal diversa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 323DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000565/200817 Acórdão n.º 240101.816 S2C4T1 Fl. 276 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.179.5761, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar todas as informações contábeis, econômicas e financeiras de interesse da fiscalização, em especial apesar de intimada deixou de apresentar a Súmula DIAFI/GEADM no 034/2004 de 22/04/2004, citada na ata da reunião de Diretoria de 04 de maio de 2004, por meio de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD emitido em 14/10/2008, a companhia não apresentou o documento informando que o mesmo havia sido "expurgado". Ainda segundo a autoridade fiscal em seu relatório, há que se ressaltar a importância desse documento não só para documentar a operação que promoveu o aporte de R$ 115.155,20, que não transitou pelas contas de resultado no exercício fiscalizado, como também para caracterizar a natureza do pagamento. A necessidade de exame do documento está baseada na referência que lhe faz a ata da reunião de Diretoria: "PREVIDÊNCIA PRIVADA LEVANTAMENTO OPERACIONAL COM A BRASILPREV E A SAS – SÚMULA DIAFI/GEADM No 034/2004, de 22/04/2004 A Diretoria tomou conhecimento e aprovou as medidas sugeridas na Súmula em referência que consolida, desde seu inicio, as alocações havidas e as disponibilidades de recursos existentes da espécie, nas empresas citadas, para apuração dos valores necessários para pagamento de bônus aos empregados da Brasilsaúde." Diante do exposto, o sujeito passivo agiu em desacordo com o previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, combinado com o art. 225, inc. III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 06/11/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/11/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 70 a 82, alegando sinteticamente a inexistência da falta, tendo a empresa prestado todas as informações pertinentes durante o procedimento fiscal. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 220 a 226. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 231 a 234. Em síntese, a recorrente alega: 1. Que o documento solicitado é internamente denominado Súmula e nada mais é do que um resumo de proposta oriunda de qualquer setor da Empresa, com justificativa da proposiçao e valor orçado. 2. Salientese que o objeto da Sumula n° 034/2004 foi aprovado na ata de Reunião de Diretoria de 04/05/2004, gerando a autorização para o pagamento da PLR que, por sua vez, foi exaustivamente analisada pelo Auditor Fiscal autuante, culminando por lavrar os Fl. 325DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Autos de Infração n° 37.179.5664, n° 37.179.5672 e n° 37.179.5680, com precisa indicação de valores e beneficiários. Como se vê, não lhe foi sonegado qualquer documento necessário à identificação do fato gerador da contribuição, na ótica do Auditor. 3. Os fatos ocorreram em abril de 2004 e a fiscalização ocorreu no ano de 2008, sendo que a recorrente informou não mais possuir arquivo eletrônico ou o correspondente papel que encaminhou a matéria à deliberação da Diretoria. 4. Em razão da informação, entendeu o d. Auditor Fiscal em autuar a empresa violando, assim, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade que devem pautar todos os atos da Administração Pública, inclusive os fiscalizatórios, uma vez que tratase de documento de organização interna, que em nada contribui para a aferição de eventual fato gerador da contribuição previdenciária, não podendo o administrado guardar eternamente todos os documentos de seu trato diário à espera de que um dia possa ser solicitado para efeitos de investigação por um dos inúmeros órgãos da Administração Pública. 5. Caso não houvessem sido prestadas todas as informações, como o auditor promoveu o lançamento do valor da PLR e os nomes dos beneficiários? 6. Ademais, patente é a contradição, pois que registra o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal lavrado pelo mesmo Auditor Fiscal no item Informações Complementares: "As informações contábeis e dos trabalhadores foram apresentadas em meio digital no leiaute do MANAD". 7. Sobreleva notar que o papel .dito não apresentado não corresponde a documento de cadastro, financeiro ou contábil. Com vênia pela repetição, tratase de papel de trabalho interno que encaminha à apreciação e deliberação da Diretoria propostas gerenciais que, após cumprida a sua finalidade — subsidiar a decisão da Diretoria — é periodicamente expurgado dos arquivos, como aconteceu no presente caso. 8. Registrese ainda que as deliberações da Diretoria estão registradas em Ata e, esta sim, é documento armazenado de maneira permanente. Releva repetir que a Ata que contém a decisão sobre o suposto fato gerador foi devidamente apresentado ao Auditor Fiscal. 9. Dessa forma, a par da contradição do próprio relato fiscal, da inexistência de prejuízo à fiscalização e da ausência de fundamentação legal a justificar a imposição da penalidade, ante o inescusável principio da estrita legalidade que norteia o ato administrativo público, requer a Recorrente seja julgada improcedente a imposição de penalidade por falta de apresentação de documento não previsto na legislação e, em conseqüência, seja cancelado o Auto de Infração n° 37.179.5761 ora recorrido. 10. Caso assim não se entenda, pela eventualidade, pede a Recorrente seja acionado o artigo 32A, inciso I da Lei n° 11.941/2009, para que a multa seja readequada ao que ali se apresenta. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000565/200817 Acórdão n.º 240101.816 S2C4T1 Fl. 277 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 256. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Primeiramente, destaco que a fl. 274, consta informação de juntada de Termo de Desistência de Recurso, porém compulsando os autos não encontrei nenhum documento nesse sentido, razão porque, considerando a existência de recurso válido deve ser realizado o devido julgamento. DO MÉRITO Pela análise do recurso apresentado, identificase que toda a argumentação apresentada pelo recorrente, é no sentido de que não existe fundamentação legal para solicitação do documento: Súmula DIAFI/GEADM no 034/2004 de 22/04/2004, citada na ata da reunião de Diretoria de 04 de maio de 2004, posto que, tratase de documento interno, não se enquadrando o mesmo como informação cadastral, contábil ou financeira que a empresa deveria deixar a disposição da fiscalização. Contudo, pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu o documento no intuito de auxiliar a verificação do cumprimento da legislação previdenciária, ressaltando que a exigência deuse a importância desse documento não só para documentar a operação que promoveu o aporte de R$ 115.155,20, que não transitou pelas contas de resultado no exercício fiscalizado, como também para caracterizar a natureza do pagamento. A necessidade de exame do documento está baseada na referência que lhe faz a ata da reunião de Diretoria: "PREVIDÊNCIA PRIVADA LEVANTAMENTO OPERACIONAL COM A BRASILPREV E A SAS – SÚMULA DIAFI/GEADM No 034/2004, de 22/04/2004 A Diretoria tomou conhecimento e aprovou as medidas sugeridas na Súmula em referência que consolida, desde seu inicio, as alocações havidas e as disponibilidades de recursos existentes da espécie, nas empresas citadas, para apuração dos valores necessários para pagamento de bônus aos empregados da Brasilsaúde." Assim, a ação do auditor, encontrase fundamentada na medida que sendo constatados documentos de deliberação da empresa capazes de esclarecer fatos que estejam ou não descritos na contabilidade, deve o auditor solicitálos para verificar o devido cumprimento da legislação. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e Fl. 327DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Mesmo No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O presente auto foi lavrado tendo como fundamento a não apresentação dentre outros dos documentos descritos acima. Portanto, não se tratava de mero documento interno, mas documentos cujo conteúdo poderia melhor esclarecer movimentações as quais descreveu o auditor não transitaram pelo resultado financeiro. Tratandose de documento cujo pagamento enseja benefício aos trabalhadores, deveria promover o devido registro e guarda, possibilitando identificar a existência ou não de bases de cálculo de contribuições previdenciárias. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000565/200817 Acórdão n.º 240101.816 S2C4T1 Fl. 278 7 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, III, da Lei n° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. APLICAÇÃO DE MULTA MAIS BENÉFICA Quanto ao requerimento de aplicação da nova sistemática de multa, do art. 32A, I estabelecido pela Lei 11.941/2009, ressalto ser inaplicável, posto que dita multa veio a substituir a antiga sistemática adotada no art. 32, IV, sendo que a multa ora aplicada, encontra respaldo na infração capitulada no art. 32, III. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 329DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000051/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA OITIVA DE TESTEMUNHAS AUSÊNCIA
DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova.
A oitiva de testemunhas não se presta a desconstituir lançamento, muito menos afastar vínculo de emprego, quando são encontrados durante o procedimento fiscal, documentos (recibos de pagamentos) não contabilizados.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS EM ATIVIDADES FIM DA EMPRESA CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO
COMPROVAÇÃO POR PARTE DA EMPRESA.
Ao apurar recibos de pagamentos não contabilizados pela empresa referente a pagamentos de trabalhadores para a atividade fim de empresa de saúde e demonstrando cm os elementos disponíveis a características da prestação de serviços, correto o enquadramento como empregado.
Compete a empresa que emitiu recibo de pagamentos de trabalhadores para atividade fim, valores estes não contabilizados ou descritos em folha que se trata de prestação de serviços autônomos.
A mera alegação não possui o condão de desconstituir lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.954
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA OITIVA DE TESTEMUNHAS AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. A oitiva de testemunhas não se presta a desconstituir lançamento, muito menos afastar vínculo de emprego, quando são encontrados durante o procedimento fiscal, documentos (recibos de pagamentos) não contabilizados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS EM ATIVIDADES FIM DA EMPRESA CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DA EMPRESA. Ao apurar recibos de pagamentos não contabilizados pela empresa referente a pagamentos de trabalhadores para a atividade fim de empresa de saúde e demonstrando cm os elementos disponíveis a características da prestação de serviços, correto o enquadramento como empregado. Compete a empresa que emitiu recibo de pagamentos de trabalhadores para atividade fim, valores estes não contabilizados ou descritos em folha que se trata de prestação de serviços autônomos. A mera alegação não possui o condão de desconstituir lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 187 1 186 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18329.000051/200789 Recurso nº 272.018 Voluntário Acórdão nº 240101.954 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2011 Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES CARACTERIZAÇÃO Recorrente RENAL CLÍNICA SOCIEDADE SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA OITIVA DE TESTEMUNHAS AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. A oitiva de testemunhas não se presta a desconstituir lançamento, muito menos afastar vínculo de emprego, quando são encontrados durante o procedimento fiscal, documentos (recibos de pagamentos) não contabilizados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. RECIBOS DE PAGAMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO CONTABILIZADOS EM ATIVIDADES FIM DA EMPRESA CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DA EMPRESA. Ao apurar recibos de pagamentos não contabilizados pela empresa referente a pagamentos de trabalhadores para a atividade fim de empresa de saúde e demonstrando cm os elementos disponíveis a características da prestação de serviços, correto o enquadramento como empregado. Compete a empresa que emitiu recibo de pagamentos de trabalhadores para atividade fim, valores estes não contabilizados ou descritos em folha que se trata de prestação de serviços autônomos. A mera alegação não possui o condão de desconstituir lançamento. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000051/200789 Acórdão n.º 240101.954 S2C4T1 Fl. 188 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.048.7001, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (não descontadas em época própria), contribuições da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos sem contabilização a pessoas físicas, caracterizadas como segurados empregados para efeitos previdenciários. O lançamento compreende competências entre o período de 01/1997 a 03/2006 e referese a contribuições apuradas durante procedimento fiscal em que foram encontrados diversos documentos de pagamentos a empregados, sem o devido registro contábil e registro em Livro de Registro de Empregados, conforme registrado no relatório fiscal: Na empresa, foram apreendidos documentos pelo Auto de Apreensão lavrado em 08/08/2007, tais como, recibos de depósitos bancários, recibos de pagamento de salários e horas extras, recibo de pagamento a autônomos, cópia de cheques emjtidos, cópias de faturas de prestação de serviços, todos sem o correspondente lançamento contábil e quando de empregados, sem o registro em Livros da empresa. 7 — No exame da documentação apreendida conforme Relação de Documentos Apreendidos anexo, e na contabilidade da empresa, concluiuse que: Nos itens, 01 a 32 do período de 01/1997 a 12/2002, não foram lançados na contabilidade, os empregados, recebiam em recibos individuais, ou através de depósitos bancários, fora da folha de pagamento, sem o conseqüente registro em Livro de Empregados. Nos itens 33, 34 e 35 do período de 01/2003 a 04/2003, os sócios Ruth e João fizeram retiradas de honorários, não emitiram recibos, não contabilizaram em despesas e a empresa no período não distribuiu lucros. Nos itens 36, 37 e 38 do período de 02, 03 e 04/2003, recibo de horas extras com pagamento de despesas de Liziane Dias Josende, depósito bancário feito a Alcenira Dias Josende, sem o conseqüente lançamento em contas de despesas. No item 39, de 06/2003 Dr. Odilon, retirou honorários, emitiu nota fiscal em nome da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda e recebeu seus honorários na conta particular n° 286028 da agência 1449. Nos itens 40 e 41, de 10/2003 a 01/2004, D? Ruth, sócia gerente da empresa, retirou honorários com emissão de notas fiscais 315, 316, 319, 320, 323, 324 e 329 da empresa Centro Cirúrgico Fl. 194DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Livramento S/C Ltda e recebeu na conta particular 0000140 da agência Unicred. Nos itens 42, 44, 48, 49 e 50 do período 09/2004, 01/2006 a 03/2007, a empresa pagou e contabilizou despesas de terceiros, tais como telefone celular da Irmandade Santa Casa Caridade de Alegrete, Guia de Arrecadação do Detran/RS, por exames prestados, no órgão, por Laura Graciele Ortiz de Lima e faturas da empresa Cardio Nefroclinica Delta. No item 43 e 47, de 04/2005 a 06/2005 e 01/2006, a empresa pagou através dos cheques 206039, 206047, 219099 e 000098, despesas que não foram localizadas nas contas de despesas e também, não foram localizados os recibos. No item 45, de 03 a 06/2005, demonstra que os sócios Ruth e João retiravam honorários por serviços prestados em plantões médicos, por despesas particulares e a título de retorno de capital investido. No item 46, de 07/2005, demonstra que a empresa ao tratar Daniela Pertile, nutricionista como uma segurada autônoma, ao mesmo tempo, pagava despesas de curso de especialização. 8 — Também foi localizado pagamento de despesas da empresa, sem o correspondente recibo de pagamento e ou lançamento contábil nas contas de despesas, como: 12/2005 — R$ 750,00— Fátima Melo, RPA 01. 11/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos. 10/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos. 09/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos. 12/2004 — R$ 133,46 — Carem C. A. Biscuby. 08/2004 — R$ 750,00 — Adriana Melogno, honorários. 08/2004 — R$ 300,00 — Valdemir Giriboni, pedreiro. 10/2003 — R$ 1.260,34— Liziane Dias Josende, horas extras. 09/2000 — R$ 3.500,00— Dehnar Girardi, pedreiro. 05/2000 — R$ 3.378,00 — Delmar Girardi, pedreiro. Os documentos apreendidos integrarão processo de fraude fiscal, por se tratar de pagamento "por fora" , aos seus empregados, despesas que não foram registradas na contabilidade e nem em folhas de pagamento, o que caracteriza o não oferecimento à tributação como salário contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, e pelo aqui exposto, a empresa foi autuadaImportante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/08/2007. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000051/200789 Acórdão n.º 240101.954 S2C4T1 Fl. 189 5 Assim, conforme relatório fiscal, os trabalhadores pagos por fora, foram considerados em pregados em função de estarem presentes todos os requisitos no vínculo empregatício. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/08/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 83 a 116. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência parcial do lançamento, considerando a aplicação da decadência quinquenal a luz do art. 150, § 4 do CTN, foram excluídos as contribuições até 07/2002. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 147 a . Em síntese, a recorrente alega: 1. Preliminar de nulidade do ato administrativo urna vez que este se encontra eivado de vício pela falta de motivação; a NFLD não contém a clareza mínima necessária exigida pelo art. 50 da Lei n° 9.784/99; a capitulação legal informada é genérica (falta de capitulação da norma infringida), ou mesmo extensiva (8 páginas) tendo como conseqüência o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 2. Reclama da ausência, nos autos, de elementos probatórios hábeis para justificar o convencimento fiscal que considerou os profissionais, arrolados, como empregados da clínica. Os únicos meios de prova oferecidos pelo fiscal são os recibos de pagamento comprovantes de depósitos bancários que podem servir, no máximo, para comprovar /a onerosidade sendo, no entanto, imprestáveis para comprovar a subordinação e os demais requisitos que caracterizam a relação de emprego. 3. A autoridade fiscal não individualiza as condutas e as circunstâncias que o motivaram a considerar cada uma das pessoas listadas como empregados, ao contrário, se limitou a arrolálas de forma genérica e tentar demonstrar que as atividades que exercem tem pertinência com a atividade fim da empresa, e, ainda assim, para muitas das pessoas listadas • sequer cita qual a atividade exercida chegando em alguns pontos a utilizar expressões vagas e genéricas que demonstram a fragilidade de seu convencimento, como quando sustenta que as profissões exercidas por estas pessoas "quase todas" correspondem a atividade fim da empresa. 4. A conclusão do diligente agente fiscal baseouse única e exclusivamente nas seguintes premissas, algumas delas falsas em relação a várias dos profissionais arrolados, como veremos no mérito: 1) todas as pessoas arroladas na NFLD receberam em algum momento ou período remuneração, conforme comprova os recibos juntados; 2) os pagamento eram, por vezes, feitos com habitualidade; 3) as profissões de algumas pessoas arroladas (ou quase todas como prefere o agente fiscal) possuíam identidade com a atividade fim da empresa. 5. Ora cada profissional que o agente fiscal considera como empregado da empresa origina um débito em desfavor desta, e cada um desses juízos feitos pelo agente fiscal deve ser motivo de contraditório por parte da autuada, situação que é inviabilizada pela falta de individualização das condutas trazida pelo NFLD. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 6. Em síntese a conclusão a que chegou a fiscalização tributária decorre do fato de que os segurados abaixo elencados por nome e profissão não deveriam ser tratados como autônomos, e sim como empregados p como tal exigida tributação incidente sobre a remuneração a eles creditada: Patrícia M Alvin, Nutricionista, Daniela P S Perfile, Nutricionista, Angelita Alvienes, Sem profissão identificada, Eliane S Castro, Sem profissão identificada, Solange Borges, sem profissão identificada, Sandra Senisse, sem profissão identificada, Liziane Dias Josende, sem profissão identificada, Adriana Melogno, psicóloga, Liane Braga Souza, sem profissão identificada, Eliete Rodrigues, assistente social, Carem C A Biscuby, sem profissão identificada, João Carlos L Freitas, sem profissão identificada, Suzy B Milano, psicóloga, Alan Silva Correa, sem profissão identificada, Barbara Monteiro Goulart, psicóloga, Nívea T Souza, médica, Jaberson Alves Severo, sem profissão identificada. 7. Não restaram em relação a esses trabalhadores demonstrados os requisitos da caracterização de emprego. 8. Finaliza, requerendo, caso não sejam reconhecidas as preliminares arguidas, que como meio de prova, seja efetuada a oitiva do testemunho de todas as pessoas aqui arroladas, com o fim de apurar a existência do vínculo empregatício apregoado pelo fisco. A impugnante sustenta a sua tese no art. 38 da Lei n° 9.874/99, art. 16 inciso IV do Decreto n° 70.235/72 e art. 50 inciso LV da CF/88. 9. A leitura apressada do relatório fiscal constante da NFLD 37.048.7001 talvez leve o incauto a convicção quanto a sua correção e justeza, no entanto, é somente analisandoo detidamente e desconstruindo passo a passo as premissas adotadas que se pode concluir de maneira absoluta o quão levianas, sofismáticas e falaciosas são suas conclusões. 10. Note que a fiscalização qualifica corno "fatos" o que na verdade fato não é, mas sim meras alegações e presunções despidas de fundamentação probatória. 11. De que forma fica demonstrado ou evidenciado, por exemplo, que a execução dos serviços contratados era realizada dentro da empresa e não no consultório dos profissionais autônomos ou na residência dos pacientes ? De que forma, mais uma vez questionase, pode se concluir frente aos recibos de pagamento, que a jornada e escala de trabalho era prédeterminada e ligada a atividade fim da empresa ? De que forma comprovase que o trabalho era continuado, uma vez que os pagamentos mensais podem indicar o pagamento parcelado de uma prestação de serviços ? Nada disso é sequer razoavelmente ou perfunctoriamente fiscalizado a fim de comprovação. 12. Reiterase ser perfeitamente cabível a manutenção de uma relação torrador x prestador sem que e cogite a existência de relação trabalhista ainda que o tomador pague valor fixo e constante ao prestados que atua sem relação de subordinação com o tomador. 13. De todos os profissionais arrolados, os pagamentos, em periodicidade e valores, apresentam padrões muito diversos, razão pela qual não se pode agrupálos sem nenhum critério e afirmar temerariamente estarem presentes os pressupostos do vínculo empregatício. 14. Requer, ainda, considerando as razões apresentadas na impugnação, a insubsistência da NFLD, a produção dos meios de prova aludidos na defesa e o julgamento. conjunto dos demais débitos lançados na ação fiscal desenvolvida junto à empresa. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000051/200789 Acórdão n.º 240101.954 S2C4T1 Fl. 190 7 .A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 145 e 146. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito estando ocultos os dispositivos legais a facilitar o direito de ampla defesa do defendente, advindo apenas fundamentação genérica sendo o relatório, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório RL – Relatório de Lançamentos demonstrou a autoridade fiscal de forma individualizada os lançamentos efetuados, ademais o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação lega, por período que embasou a constituição da presente NFLD. DECADÊNCIA Quanto ao prazo de decadência do período incialmente objeto da NFLD, ressaltese que já houve por parte da autoridade julgadora de primeira instância sua apreciação, excluído do lançamento as contribuições até 08/2002 face a aplicação da decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN. Dessa forma, não há o que ser apreciado acerca do assunto, visto não ter sido apresentado recurso de ofício. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA POR MEIO DE OITIVA DE TESTEMUNHAS Fl. 199DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000051/200789 Acórdão n.º 240101.954 S2C4T1 Fl. 191 9 Quanto a possibilidade de realização de diligência, para oitiva de testemunhas com vistas a esclarecer e comprovar as alegações do recorrente, razão não confiro ao mesmo. Entendo que a momento oportuno para indicação da necessária perícia, bem como cumprimento dos requisitos para realização da mesma seria a impugnação, o que não fez o recorrente. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia ou mesmo diligência, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Ademais, o lançamento em questão não demonstra qualquer dúvida acerca dos fatos geradores, tanto que o recorrente defendeuse em relação aos fatos apurados, competindo ao recorrente unicamente demonstrar a inexistência dos fatos geradoress, podendo a autoridade julgadora dispensar perícia ou diligência se entender que as mesmas são desnecessárias No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Fl. 201DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18329.000051/200789 Acórdão n.º 240101.954 S2C4T1 Fl. 192 11 Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia ou diligência é despicienda; pois toda a matéria probatória já deveria constar nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente recibos não contabilizados e a notificação seguiu o procedimento previsto, não devendo ser reconhecida sua nulidade ou necessidade de perícia. DO MÉRITO Quanto ao mérito da caracterização de vínculos empregatícios, entendo que razão não assiste ao recorrente. Em primeiro lugar a irregularidade das contratações de pessoas físicas em valores excluídos de folhas de pagamentos e excluídos da contabilidade já demonstra de imediato a inobservância da legislação previdenciária quanto as regras de contratação e de recolhimento. Notese primeiramente, que não se tratou de descaracterização de contribuintes individuais para caracterização como segurados empregados, porque na verdade o recorrente nem mesmo considerava esses trabalhadores como segurados, tanto que efetiva os pagamentos por meio de recibos não contabilizados. Ora, argumenta o recorrente que para determinados trabalhadores não destacou a autoridade fiscal o cargo que o mesmo ocupava, descrevendo de forma pormenorizada os serviços prestados. Descreve o recorrente que uma leitura apressada do relatório poderia levar a considerações equivocadas sobre as contratações realizadas pela empresa, e que apenas analisando de forma pormenorizada, poderseia concluir a natureza dos serviços prestados. Pois, após analisar de forma detalhada o relatório fiscal e os argumentos trazidos pelo recorrente entendo que o procedimento da fiscalização foi acertado, posto que apenas não incluiu a autoridade fiscal o cargo ocupado, ou descreveu o serviço prestado, quando o próprio recibo não descrevia tal fato. Assim, não competiria o auditor inventar um serviço, mas demonstrar o recorrente já que não fez folha de pagamento e não contabilizou os recibos, que os serviços ali prestados não caracterizavamse como prestação de serviços. O que pensar, por exemplo, sobre um recibo que indica o pagamento de “horas extras”. Até onde conheço a legislação trabalhista o pagamento de horas extras só é devido ao empregado que extrapola a jornada de trabalho (art. 59 da CLT). Não há que se falar em hora extra para autônomos. Outrossim, não se faz necessário que a pessoa preste serviço durante anos para caracterizála como empregado. A prestação de serviços durante dias, pode ser caracterizada, tanto o é, que se admite a contratação de empregados por prazo determinado para substituir empregados doentes, ou excesso de demanda de trabalho. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Não acato também a argumentação da empresa de que atendendo o objetivo de responsabilidade social, tem que manter trabalhadores autônomos em seus quadros para atender sua clientela, nem tampouco que os valores pagos são baixos para o que os profissionais receberiam se fossem empregados. Esses argumentos em momento algum demonstram a inexistência das relações de emprego, posto que não se pode inferir (nem o auditor), indicou a jornada de trabalho cumprida. Ao não contabilizar ou registrar em folha de pagamento a empresa acaba por desvirtuar as contratações, devendo comprovar a natureza das contratações. Não foi apresentado pela recorrente qualquer documento que comprovasse tratarse de contratações eventuais, sem subordinação, não demonstrou o recorrente que os contratos eram esporádicos, considerando que ocorreram pagamentos contínuos com as mesmas pessoas, para atividades relacionadas a atividade fim de uma clínica médica, onde demonstrou o auditor que a atividade exigia a prestação de serviços de forma subordinada afastando qualquer autonomia, seja no trabalho em plantões médicos, como enfermeiro, psicólogos, nutricionistas e outras prestações de serviços. Quanto as perguntas de como eram prestados efetivamente os serviços, cabe ao auditor presumir realmente, como os serviços de um profissional de saúde prestou serviços em uma clínica médica, já que a empresa não registrava as contratações na forma devida, nem mesmo na condição de autônomos. Simplesmente alegar, sem apresentar qualquer prova não serve como meio de prova. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 203DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 44021.000001/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 12/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. ART. 33, §§
2º E 3º DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA.
A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, sob pena de multa prevista no art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas,
montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO.
PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP
não tem o condão de inseri-los no polo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade
pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE NOVOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.859
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. ART. 33, §§ 2º E 3º DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, sob pena de multa prevista no art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de inserilos no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE NOVOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 100 3 Relatório Período de apuração: Janeiro/1996 a Março/2006. Data da lavratura do Auto de Infração : 12/12/2006. Data da Ciência do Auto de Infração : 12/12/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de apresentar os documentos a seguir arrolados, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 31/32. a) Folhas de pagamento referente aos valores pagos aos sócios/diretores e autônomos do período de 01/98 a 03/06; b) RAIS Relação Anual de Informações Sociais de 2001 a 2005 de todos os estabelecimentos; c) Apresentação parcial de Notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de 12/99 a 03/06; d) Relação de Bens para Arrolamento de Dívidas. Informa o auditor fiscal autuante que os documentos supra relacionados foram solicitados mediante Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitidos em 14.03.06, 07.08.06, 04.09.06 e 22.11.06. Em relação à empresa sucedida SIM Distribuidora de Veículos Ltda, CNPJ 58.123.530/000107, consignouse a não apresentação dos Livros Diário de 01/02 a 01/04, solicitados por TIAD, emitido em 05.12.06. Em relação à empresa sucedida Pirâmide Distribuidora de Veículos S/A., CNP]. 43.253.301/000130, registrouse a não apresentação das folhas de pagamento referente aos valores pagos aos sócios e autônomos do período de 09/01 a 02/04 e documentos referente a matrícula CEI nº 21.488.09023/71, solicitados através de TIAD, emitido em 05.12.06. Por fim, em relação à empresa SINAL Distribuidora de Veículos Ltda., CNPJ nº 57.215.097/000177, pela não apresentação dos Livros Diários de 01/1999 a 10/2001, solicitados por TIAD emitido em 05.12.06. CFL 38 Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A multa foi aplicada no valor básico de R$ 11.569,42, conforme Portaria nº 342, de 16.08.06, art. 7, inciso VI, elevada em nove vezes em razão das ocorrências de reincidências específicas, conforme art. 292, inciso IV do mesmo diploma legal, perfazendo um montante total de R$ 104.124,78 , conforme descrito Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 32. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 37/48. A Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Oeste lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 67/71, julgando procedente o Auto de Infração e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22 de junho de 2007, conforme Avisos de Recebimento – AR a fl. 75. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 79/91, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que houve cerceamento ao exercício do seu direito à ampla defesa, em razão de o relatório fiscal ter sido confeccionado de forma extremamente resumida e lacunosa. • Que teria decaído o direito de constituição do crédito tributário das competências anteriores a dezembro/2001, em virtude de o art. 45 da Lei 8.212/91 padecer de vício de inconstitucionalidade; • Que os diretores da empresa não deveriam ser considerados com corresponsáveis pelo débito lançado; • Que a multa de mora aplicada possui caráter confiscatório, o que é vedado pela CF/88; Ao fim, requer o recorrente o recebimento do recurso voluntário e a anulação do Auto de Infração em julgamento. Protesta ainda pela apresentação de novos documentos e pela produção de provas periciais se for o caso. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 101 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 22/06/2007, sextafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na segundafeira seguinte, digase, 25/06/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Em recurso interposto a fls. 79/91, o Recorrente reage preliminarmente à obstrução do exercício de ampla defesa e do contraditório, bem como pugna pela decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo às competências anteriores à dezembro de 2001. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitosas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 12 de dezembro de 2006, este alcançaria todos os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Ocorre que, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fl. 31, os documentos exigidos pela fiscalização mediante TIAD, a fls. 15/26, referemse aos exercícios de janeiro/1998 a março/2006, ou seja, abrangendo um período, em sua maior parte, ainda não alcançado pela decadência. Citese ainda que, de acordo com o Relatório Fiscal, a quase totalidade das deficiências que deram ensejo ao vertente Auto de Infração foram constatadas no período não abraçado pelo decurso do referido prazo decadencial. Por outro viés, cabe relembrar que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração, conforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 32, é único e indivisível, isto é, independe do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade. Nesse contexto, há que se considerar que o reconhecimento da decadência acima delineada não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 102 7 Pondera o Recorrente ter havido cerceamento ao exercício do seu direito à ampla defesa, em razão de o relatório fiscal ter sido confeccionado de forma resumida e lacunosa, deixando de consignar a modalidade de apuração da base de cálculo, omitindo o fato gerador do tributo. A rogativa acima postada não merece guarida. O Recorrente exorta que o Relatório Fiscal deixou de “consignar a modalidade de apuração da base de cálculo, omitindo o fato gerador do tributo”. Inicialmente, se nos antolha que tal alegação esteja aqui postada por engano, eis que a presente autuação em nada tem a ver com “apuração de base de cálculo”, tampouco com “fato gerador de tributo”. Ela trata, tão somente, da infração à legislação previdenciária consubstanciada na não apresentação de documentos solicitados regularmente, mediante termo próprio. Nada mais. Por outro plano, de molde a espancar qualquer dúvida, verificamos que o Relatório Fiscal da Infração, a fl. 31, descreve de forma sintética, porém abrangente e clara, os motivos ensejadores da lavratura do vertente Auto de Infração, indicando de forma precisa a obrigação tributária acessória violada, assim como os elementos essenciais utilizados no cálculo da penalidade pecuniária a ser aplicada. Relatório Fiscal da Infração Autuo a empresa Mais Distribuidora de Veículos S/A., por infração ao artigo 33, parágrafos 2 e 3, da Lei número 8.212/91, pela não apresentação das folhas de pagamento referente aos valores pagos aos sócios/diretores e autônomos do período de 01/98 a 03/06, RAIS Relação Anual de Informações Sociais de 2001 a 2005 de todos os estabelecimentos, por apresentar parcialmente as Notas fiscais de cessão de mão de obra de 12/99 a 03/06 e não apresentar a Relação de Bens para Arrolamento de Dívidas, solicitados nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitidos em 14.03.06, 07.08.06, 04.09.06 e 22.11.06 e pelas empresas sucedidas SIM Distribuidora de Veículos Ltda., CNPJ 58.123.530/000107 por não apresentar o Livro Diário de 01/02 a 01/04, solicitados no TIAD, emitido em 05.12.06, pela Pirâmide Distribuidora de Veículos S/A., CNP]. 43.253.301/000130, por não apresentar as folhas de pagamento referente aos valores pagos aos sócios e autônomos do período de 09/01 a 02/04 e documentos referente a matrícula CEI n. 21.488.09023/71, solicitados no TIAD, emitido em 05.12.06 e pela SINAL Distribuidora de Veículos Ltda., CNIDJ. 57.215.097/000177 por não apresentar os Livros Diários de 01/99 a 10/01, solicitados no TIAD, emitido em 05.12.06. Com efeito, em nada contribui para a caracterização da infração a elaboração de Relatório Fiscal prolixo, com citações inúteis e abuso verborrágico de retórica. O poder de síntese é uma arte e demanda mestria. Dessarte, nem tudo o que é conciso e sintético é, de per si, lacunoso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Como se observa do excerto do Relatório Fiscal acima transcrito, o motivo deflagrador da autuação foi a não apresentação de documentos solicitados mediante TIAD, fato que representa violação à obrigação acessória fixada taxativamente nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. O Relatório Fiscal relata fielmente quais os documentos que deixaram de ser apresentados, as pessoas jurídicas a que eles estão relacionados, as respectivas competências, assim como os TIAD mediante os quais tais documentos foram solicitados. Nesse painel, a mera inobservância objetiva da obrigação tributária acessória acima aventada implica a imposição da penalidade correspondente, in casu, a multa prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284, II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valores atualizados pela Portaria MPS/GM nº 342, de 16/08/2006, conforme detalhadamente explicitado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fls. 24/25. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifos nossos) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. De outro eito, as informações pertinentes ao cálculo da multa aplicada encontramse, igualmente, bem postadas no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, permitindo ao autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há, portanto, qualquer lacunosidade ou dúvida quanto às razões motivadoras da lavratura o Auto de Infração sobre o qual ora nos debruçamos. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao autuado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram a lavratura do corrente Auto de Infração. Desse modo, não assiste razão ao Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 103 9 Recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. Esta é de simplicidade exemplar e restou cabalmente demonstrada nos relatórios fiscais a fls. 31/32: A sociedade empresária foi formalmente intimada, mediante TIAD próprios, a exibir uma série de documentos, deixando de apresentar à fiscalização, porém, aqueles relacionados no Relatório Fiscal. Só. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária acessória violada, a conduta omissiva que profanou a obrigação adjetiva em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF e TIAD dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restandolhe garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo recorrente. 2.3. DO RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS Pondera ainda preliminarmente que os diretores da empresa não deveriam ser considerados com corresponsáveis pelo débito lançado; Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da vertente NFLD é da empresa, não dos diretores arrolados no relatório intitulado "CORESPONSÁVEIS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Coresponsáveis CORESP", a fl. 04, possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura do Auto de Infração em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de Corresponsáveis – CORESP, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. Vencidas as questões preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO É mister destacar que não será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA Argumenta o Recorrente que a multa aplicada possui caráter confiscatório, o que seria vedado pela CF/88. O apelo acima formulado não pode ter seguimento. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 104 11 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigações tributárias acessórias de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 92 estatuiu, de forma objetiva, que a infração a qualquer dispositivo encartado na citada lei de custeio implicaria a cominação de multa, nos seguintes termos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Se nos parece de bom auspício destacar que as diretivas ora enunciadas não colidem com as normas aventadas nos artigos 113, §3º e 136, ambos do CTN, ao contrário, lhe realizam. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos nossos) Conforme já anteriormente articulado, escapa da competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 105 13 qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.2. DA PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIAS FORA DA IMPUGNAÇÃO. O Recorrente protesta, ainda, pela apresentação de novos documentos e pela produção de provas periciais se for o caso. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o fórum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Fl. 13DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000001/200766 Acórdão n.º 230200.859 S2C3T2 Fl. 106 15 §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, mas, sim, produzilas em sede de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 16DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10820.000992/00-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Hígido o lançamento
fiscal consubstanciado em auto de infração, lavrado por autoridade competente, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na repartição fiscal, sem termo de início do procedimento, desde que ela detenha os elementos probatórios para tanto.
DESPESAS MÉDICAS. LONGO CONJUNTO DE INDÍCIOS QUE DENUNCIAM A INEXISTÊNCIA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO.
MANUTENÇÃO DAS GLOSAS E DO LANÇAMENTO. Acostados aos autos um largo conjunto de prova indiciária vasta que denuncia a não
prestação do serviço, como a contratação de serviços por preços exorbitantes junto a profissionais recém-formados, junto a profissionais ligados por parentesco civil, a execução de serviços no mesmo dia em diversos profissionais, somente a comprovação do efetivo pagamento pode manter a dedução de tais despesas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Hígido o lançamento fiscal consubstanciado em auto de infração, lavrado por autoridade competente, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na repartição fiscal, sem termo de início do procedimento, desde que ela detenha os elementos probatórios para tanto. DESPESAS MÉDICAS. LONGO CONJUNTO DE INDÍCIOS QUE DENUNCIAM A INEXISTÊNCIA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS E DO LANÇAMENTO. Acostados aos autos um largo conjunto de prova indiciária vasta que denuncia a não prestação do serviço, como a contratação de serviços por preços exorbitantes junto a profissionais recémformados, junto a profissionais ligados por parentesco civil, a execução de serviços no mesmo dia em diversos profissionais, somente a comprovação do efetivo pagamento pode manter a dedução de tais despesas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 04/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte ALVIMAR LIMA DE CASTRO, CPF/MF nº 476.284.13820, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 30/06/2000, auto de infração (fls. 03 a 10), com ciência postal em 04/07/2000 (fl. 158), a partir de ação fiscal iniciada em 12/04/2000 (fl. 39). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 18.642,50 MULTA DE OFÍCIO R$ 13.981,87 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, nos montantes de R$ 5.000,00, R$ 9.450,00, R$ 27.900,00 e R$ 29.000,00, nos anoscalendário 1995, 1996, 1997 e 1998, respectivamente. Ao imposto lançado foi vinculado uma multa de ofício de 75%. Abaixo se transcrevem a motivação da autuação e as defesas apresentadas na impugnação, conforme excerto do relatório da decisão da Delegacia de Julgamento (fls. 293 a 299), verbis: De acordo com informações contidas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/21, através de intimação fiscal datada de 10/04/2000, recebida pelo contribuinte em 14/04/2000, teve início o procedimento fiscal em exame. Foram solicitados documentos probatórios devidamente acompanhados dos comprovantes de pagamentos (cópias de cheques, extratos bancários, etc.) a respeito das despesas médicas informadas nas declarações de rendimentos anoscalendário 1995 a 1998. Em 03/05/2000 o contribuinte apresentou sua resposta à intimação fiscal. Analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, a Fiscalização constatou inicialmente que: 1) A maior parte dos recibos apresentados não informava o endereço do prestador de serviço, conforme determina a alínea "c" do §1° do artigo 11 da Lei n.° 8.383/1991; 2) A maior parte dos recibos não especificava de forma precisa a que se referia o correspondente pagamento; 3) Havia casos em que os recibos foram emitidos em uma mesma data, pela mesma pessoa, inclusive, aparentemente, com a utilização da mesma caneta (mesmo tipo de recito, caligrafia e aparentemente de tinta); 4) Os tratamentos geralmente envolvem valores elevados, se comparados a valores de mercado, só para se ter uma idéia o contribuinte teria gasto de 1995 a 1998 um valor equivalente a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10820.000992/0030 Acórdão n.º 210201.055 S2C1T2 Fl. 2 3 R$ 50.350,00 somente a título de tratamento dentário, e ainda R$ 21.000,00 a título de tratamento psicológico; 5) Não foi apresentada comprovação quanto ao efetivo pagamento dos tratamentos, em nenhum dos casos; 6) Comparando as informações prestadas, com as informações da base de dados da SRF (CPF/CONS, IRPF/CONS, etc), foi possível constatar que: os prestadores de serviços, ou eram "omissos" quanto a apresentação de declaração de rendimentos PF, ou apresentavam rendimentos tributáveis em valores inferiores aos limites das tabelas de IR; os valores dos serviços geralmente representavam a grande maioria dos rendimentos declarados pelos prestadores de serviços, havendo casos que representassem 100% dos rendimentos; observando a idade dos prestadores de serviços era possível constatar que se tratava sempre de profissionais recémformados, obviamente sem experiência; muitos dos prestadores de serviços tinham endereço em cidades distantes de Araçatuba. Cumpre observar que os extratos de consultas nos sistemas da SRF relativos aos terceiros envolvidos e citados no presente termo estão no dossiê do contribuinte e não serão juntados ao processo administrativo em razão do sigilo fiscal. Diante das conclusões iniciais da Fiscalização da SRF, atual Receita Federal do Brasil, para que se pudesse afastar a presunção de ilegitimidade, e conferir caráter probatório aos recibos apresentados pelo contribuinte, foi feita nova intimação fiscal, datada de 04/05/2000, sendo solicitado pelo Sr. Auditor Fiscal: a) a comprovação do efetivo pagamento das referidas despesas, através de cópias de cheques, extratos bancários, etc (já solicitados na primeira intimação fiscal, e não apresentados pelo contribuinte); b) o endereço dos consultórios dos prestadores de serviço, conforme determina a alínea "c" do §1° do artigo da Lei n.° 8.383/1991; c) informação em quem foram realizados os tratamentos e quais os tipos de tratamento foram realizados; d) apresentação de elementos que possam vir a confirmar as informações correspondentes aos recibos, como p.ex.: receitas prescritas, laudos, radiografias, solicitação de exames, etc. Foi providenciada pela Fiscalização circularização em todos os prestadores de serviços, conforme se constata na documentação juntada às fls. 88 a 199 do presente processo administrativo fiscal. Em 22/05/2000, o contribuinte apresentou sua resposta à intimação fiscal, conforme documentação juntada às fls. 52/87 do presente processo administrativo fiscal, sendo que a Fiscalização verificou que não restaram comprovadas, na sua Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 totalidade, as deduções efetuadas, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, motivo pelo qual, procedeuse à glosa de dedução de despesas médicas dos prestadores de serviços abaixo relacionados, conforme razões discriminadas às fls. 13/20 do Termo de Constatação Fiscal: a) Recibos emitidos pela Dra. Ana Paula Afonso, de 1995 a 1998, nos valores de R$ 5.000,00, R$ 3.600,00, R$ 3.000,00 e R$ 8.000,00, respectivamente, relativo a tratamento dentário no próprio contribuinte; b) Recibos emitidos pela Dra. Mag Wadamori, em 1996 e 1997, nos valores de R$ 4.650,00 e R$ 2.650,00, relativamente a tratamento dentário no filho do contribuinte, Armando Franco Lima de Castro; c) Recibos emitidos pelo Dr. Fernando César Franco, em 1996 e 1997, nos valores de R$ 1.000,00 e R$ 1.250,00, respectivamente, relativamente a tratamento dentário na mãe do contribuinte, Sra. Albina Pelói Castro; d) Recibos emitidos pelo Dr. Marcelo Zuanassi Macari, em 1997, no valor de R$ 5.000,00, relativamente a tratamento odontológico no próprio contribuinte e na sua esposa; e) Recibos emitidos pela Dra. Karina Silva Moreira, em 1997, no valor R$ 6.000,00, relativamente a tratamento odontológico na filha do contribuinte; f) Recibos emitidos pelo Dr. José Giroldo Júnior, em 1998, no valor de R$ 10.000,00, relativamente a tratamento odontológico no contribuinte e na sua esposa; g) Recibos emitidos pela Dra. Thelma Cristina de Almeida Delfini, em 1997, no valor de R$ 10.000,00, relativamente a tratamento psicológico realizado no filho, na filha e na mãe do contribuinte; h) Recibos emitidos pela Dra. Valéria Barrote Ricoy, em 1998, no valor de R$ 11.000,00, relativamente a tratamento psicológico realizados no contribuinte; Ainda de acordo com o citado Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização concluiu que restou amplamente demonstrado que não foram prestadas as comprovações necessárias para respaldar as despesas realizadas. Não há somente um fator, isoladamente, que demonstra as incoerências nas operações praticadas pelo contribuinte, mas, um conjunto de fatores, que faz prova, em favor da Fazenda Pública. Menciona a Fiscalização ainda que o contribuinte não conseguiu comprovar nem mesmo um dos pagamentos realizados, entre tantos e tantos, sendo que causou estranheza que com relação ao Dr. Winneton Coelho Lima, um simples pagamento no valor de R$ 120,00 (fls. 46), o contribuinte apresentou para comprovação cópia do canhoto de seu talão de cheques. Nos dias 08/02/1997 e 15/02/1997 o contribuinte Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10820.000992/0030 Acórdão n.º 210201.055 S2C1T2 Fl. 3 5 estaria em tratamento com a Dra. Ana Paula em São Joaquim da Barra e com o Dr. Marcelo em Barretos; ainda nos mesmos dias 08/02/1997, 15/02/1997, 22/02/1997 e 15/03/1997 a filha do contribuinte (Maria) estaria em tratamento com a Dra. Karina em Barretos e com a Dra. Thelma em Catanduva, para citar alguns exemplos. No período de 1995 a 1998, o contribuinte teria gasto um valor equivalente a R$ 50.350,00 somente a título de tratamento dentário, e ainda, R$ 21.000,00 a título de tratamento psicológico, sendo que este alegou que todos os pagamentos foram realizados em dinheiro, em pequenas quantias. Diante do exposto, foram glosadas as despesas médicas nos seguintes valores conforme abaixo: • 1995 — R$ 5.000,00; • 1996 — R$ 9.450,00; • 1997 — R$ 27.900,00; • 1998 — R$ 29.000,00; Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 162/201 através de advogado constituído, juntando procuração ad judicia et extra às fls. 201, anexando documentos às fls. 203/225, alegando em síntese que: • O crédito tributário foi constituído sob premissas que o próprio Fiscal tem como não esclarecidas. Boa parte dos documentos originais requeridos pertence a arquivo dos prestadores de serviços, e portanto, não poderiam as vias originais ser apresentada por terceiros, no caso impugnante, a menos que os donos dos documentos com iss concordassem. Todavia, o Sr. Fiscal nem determinou ao reclamante que procurasse apresentar as vias originais desses comprovante, tampouco ele próprio intimou os prestadores de serviços; • A exigência foi formalizada por meio de auto de infração, instrumento utilizável exclusivamente em lançamento tributário decorrente de diligências efetuadas no endereço do contribuinte. No entanto o procedimento levado a efeito contra o impugnante foi de revisão interna de declaração de rendimentos, ou declarações de ajuste anual, e portanto, dele só seria possível resultar lançamento de ofício, a ser efetuado pelo chefe do órgão que administra o tributo, ou por servidor a quem este houver delegado poderes. O lançamento só poderia ter sido constituído pelo Sr. chefe da repartição fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 11 do Decreto n.° 70.235/72, que não é o Sr. Fiscal Autuante. Por isso, este não tinha competência para constituir o crédito tributário; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 • O lançamento é nulo por ausência do termo de início de fiscalização, uma vez que o mesmo é indispensável, uma segurança imposta em lei complementar em favor tanto do Fisco como do contribuinte. Sua ausência implica em nulidade dos atos que lhe deviam seguir, porque dependem desse primeiro ato; • Quanto às distâncias entre Araçatuba e os consultórios de alguns profissionais que prestaram os serviços, o pouco tempo de exercício profissional deles, sua renda ainda incipiente, tudo isso está ligado à necessidade que tinha o impugnante de administrar os seus problemas e saúde e os conseqüentes problemas financeiros. O fato de serem formados recentemente não impede que eles fossem desde então excelentes profissionais. Foram escolhidos por serem recentemente formados, por serem bons no que fazem, e por serem exalunos ou pessoas das relações do autuado, que precisava de profissionais competentes, que não fossem cobrar o que ele não poderia pagar; • Quanto ao fato de não pagar com cheque, como está exigindo o Sr. Fiscal, esclarece o contribuinte que ia pagando aos poucos, como lhe era possível fazer, às vezes com dinheiro tomado de empréstimo de pessoa da família, que muito o ajudaram nesse período. Se a RFB considera tão importante a realização do pagamento mediante cheque nominal, deveria estabelecer isso como condição de validade da dedução, orientando o contribuintes nesse sentido; • Os recibos apresentados explicitam com exatidão o nome, o CPF e o endereço profissional do emitente, tendo sido outras informações complementares sido encaminhadas à repartição fiscal. Outros dados específicos a cada tratamento estão claramente demonstrados nos originais de 13 fichas clinicas de dentistas, que estão sendo anexado (docs. 13/25); • Os recibos emitidos em uma mesma data referemse a um mesmo tratamento, embora os pagamentos tenham sido efetuados nas datas indicadas nos recibos, estes foram todos emitidos na data final do atendimento, dentro do ano calendário de tratamento, sendo que em caso de dúvida, seria o caso de solicitar perícia grafotécnica nos mesmos; • O contribuinte concorda que o gasto é elevado, porém esse tipo de despesa não depende da vontade do mesmo. A respeito da censura quanto a profissionais apresentarem rendimento tributário em valor inferior ao limite das tabelas do IR, essa questão não é afeta ao contribuinte, e deve ser resolvida pelo Fisco diretamente com os prestadores de serviços; • A Dra. Ana Paula possuía registro provisório junto ao CRO antes do registro definitivo, sendo que para efeitos de imposto de renda não está escrito que não se pode tratar de dentes com profissional que venha posteriormente a contrariar núpcias com o cunhado do contribuinte. A opinião do servidor sobre a qualificação profissional da prestadora de serviços representa opinião pessoal, e não coincide com a do autuado; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10820.000992/0030 Acórdão n.º 210201.055 S2C1T2 Fl. 4 7 • O consultório da Dra. Mag Wadamore era em Araçatuba, e agora é na cidade vizinha, em Coroados. Não há problema do contribuinte haver sido professor da profissional em 1987 e seu filho ser tratado por ela 10 anos depois. Não é problema do contribuinte se quase 50% dos rendimentos da profissional é proveniente do tratamento realizado no filho do contribuinte; • Anexa as fichas clínicas originais para análise do Sr. Fiscal do tratamento realizado com o Dr. Fernando. Os tratamentos referentes a este profissional foram realizados na cidade de São Joaquim da Barra porque lá se situa o consultório profissional em questão; • Anexa as fichas clínicas do consultório do Dr. Marcelo, fotocopiadas, autenticadas e entregues na repartição fiscal em 22.05.2000. Este profissional possuía registro provisório logo após a conclusão de seu curso de nível superior, sendo que este poderá ser solicitado ao CRO pelo Fisco, já que o contribuinte não tem esse direito; • No tocante aos recibos emitidos pelo prestador de serviços Dr. José Giroldo, há de se salientar que o recibo mensal constitui a soma das diferentes parcelas pagas no mês, e não necessariamente a um único pagamento. O mesmo é um dos poucos dentistas que fazem parte do corpo clínico de um hospital de renome internacional, o Hospital do Câncer de Barretos; • Com relação ao pagamento realizado mediante cheque no valor de R$ 120,00, o Sr. Fiscal desconhece que o impugnante só pagou com cheque nominal porque a conta do anestesista foi cobrada por terceira pessoa, que disse ser mulher do médico, e não forneceu recibo. O pagamento em cheque visou garantir o direito à dedução da despesa; • Barretos e Catanduva são cidades próximas a São Joaquim da Barra, onde moram os pais da mulher do impugnante, motivo pelo qual é possível diversos atendimentos não só em duas, mas até nas es idades vizinhas de familiares do autuado. Anexa documentos que comprovam de que os pais da mulher do impugnante moram em São Joaquim da Barra; • Como o Sr. Fiscal colocou em dúvida a veracidade dos tratamentos odontológicos e psicoterápicos a que o impugnante e seus familiares tiveram que se submeter a partir de 1994, requerse com fundamento no artigo 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72 a realização de perícia com vistas a comprovar se houve ou não esses tratamentos, indicando como perito profissional qualificado às fls. 197, e formulando quesitos às fls. 198/199; • Requer o cancelamento do lançamento em tela, posto que baseado em presunções inadmissíveis, a incompetência da autoridade lançadora para tal mister bem como pelo instrumento inadequado aplicado, pela ausência de termo de inicio de fiscalização, e as questões de fato articuladas na manifestação apresentada; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 8ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo II (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1725.096, de 19 de maio de 2008 (fls. 292 a 307). O procurador e o próprio contribuinte foram intimados da decisão a quo em 10/06/2008 (fls. 311 e 312). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/07/2008 (fl. 315). No voluntário, o recorrente alega, em apertada síntese, que: I. o lançamento é nulo, primeiro porque sustentado em presunções inadmissíveis, como demonstrou o então impugnante, ponto que sequer foi enfrentado pela decisão recorrida, o que inquina esta também de nulidade, por cerceamento do direito de defesa; segundo, porque levado a termo por autoridade incompetente – auditorfiscal e mediante instrumento inadequado auto de infração, este somente utilizado para concretizar o crédito tributário pelo auditorfiscal a partir de diligências externas, no domicílio do sujeito passivo, o que não se amolda ao caso presente, pois aqui ocorreu uma revisão de declaração e, como tal, o instrumento a ser utilizado deveria ser a notificação de lançamento, manejada pelo Chefe da Repartição lançadora; e terceiro, porque executado sem termo de início do procedimento fiscal. E aqui já se rebate o surrado argumento de que as nulidades seriam somente aquelas do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois esse artigo não abrange todas as hipóteses de nulidade do lançamento; II. passou por graves problemas de saúde física e psíquica a partir de 1994, impedindo inclusive que desenvolvesse sua profissão de professor junto à Unesp, levandoo a dificuldades financeiras, somente superadas com a ajuda de amigos e parentes, bem como de exalunos que se prontificaram a executar procedimentos médico odontológicos com baixo custo, com pagamentos fracionados à medida que o contribuinte ia auferindo sua renda (além das ajudas citadas), situação que poderia ser confirmada com a perícia pedida na impugnação e indeferida pela autoridade julgadora a quo; III. é inadmissível que as glosas estejam lastreadas na ausência de meros cumprimentos formais do recibo (endereço ou diferenças de grafia/tipos de canetas no preenchimento dos recibos) ou mesma na ausência da comprovação do efetivo pagamento, pois a legislação não obriga o pagamento em cheque e os requisitos formais poderiam ser supridos pela própria fiscalização, nos cadastros da RFB. Ademais, aqui se deve lembrar que era ônus da autoridade fiscal demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, colacionando aos autos um conjunto probatório que denunciasse as infrações, na forma do art. 142 do CTN, não se podendo invocar subsidiariamente ao PAF o art. 333 do CPC, como o fez a autoridade julgadora de primeira instância, para inverter o ônus da prova no caso vertente, até porque a dicção integral desse artigo assevera que o ônus da prova é do autor, no caso a autoridade lançadora; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10820.000992/0030 Acórdão n.º 210201.055 S2C1T2 Fl. 5 9 IV. em relação às despesas, em si mesmas, asseverou na impugnação (e agora repisa neste recurso) que: a. juntou treze fichas clínicas dentárias que comprovam a prestação dos serviços; b. não pode ser responsabilizado pelo fato de os prestadores de serviço terem apenas declarado valores irrisórios ao fiscos; c. juntou recibos que comprovam a prestação do serviço, na forma exigida pela legislação de regência da matéria, a qual não exige pagamentos em cheques como exigido pela autoridade autuante e julgadora de primeira instância; d. especificamente no tocante ao serviço prestado pela Dra. Ana Paula Afonso (recibos emitidos em 1.995, 1.996, 1.997 e 1.998 nos valores de R$5.000,00, R$3.600,00, R$3.000,00 e R$8.000,00, respectivamente, relativamente a tratamento dentário no próprio contribuinte), igualmente trouxe os recibos da prestação do serviço, agora em original, não podendo se manter essa glosa em decorrência dos pagamentos em espécie, do vínculo familiar do tomador com o prestador do serviço (cunhados), de eventual falta de experiência dessa profissional ou de realização do serviço em cidade diversa do domicílio do contribuinte fiscalizado. A uma porque o fiscalizado é um antigo professor de disciplinas da área de odontologia e bem sabe a quem entregar sua boca; a duas porque juntou aos autos cópias dos prontuários descrevendo os serviços feitos; a três porque os recibos comprovam a efetiva prestação do serviço; a quatro porque a profissional tem escritório em cidade de residência dos pais da esposa do recorrente, o que permitiu conciliar o tratamento odontológico em finais de semana e visitas aos familiares citados; a cinco porque a legislação não veda a prestação de serviço entre pessoas com vínculos familiares; e. especificamente no tocante ao serviço prestado pela Dra. Mag Wadamore (Recibos emitidos pela Dra. Mag Wadamore, em 1.996 e 1.997, nos valores de R$4.850,00 e R$2.650,00, relativamente a tratamento dentário no filho do contribuinte, Armando Franco Lima de Castro), as despesas também restaram comprovadas. Entretanto, como a autoridade fiscal lançou suspeição sobre as fichas de tratamento dentário, ao argumento de que a ficha não seria original, importante para o presente caso, e que "aparentemente o tipo da tinta é o mesmo de 09/02/96 a 04/11/97 (podese observar na cópia que o tipo de escrita não escurece ou clareia)”, deveria ter intimado a profissional a prestar os esclarecimentos devidos, o que aqui não ocorreu. Ademais, ao contribuinte não pode ser imputado a responsabilidade pelo fato de a prestadora somente ter declarados rendimentos que representaram duas vezes o montante despendido pelo fiscalizado Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 com o tratamento de seu filho. E, por fim, nada há de estranho no fato de a prestadora ter sido aluna do fiscalizado dez anos antes do tratamento, pois este é professor de odontologia, como já dito; f. no caso dos prestadores Fernando César Franco (cunhado fiscalizado Recibos emitidos em 1.996 e 1.997, nos valores de R$1.000,00 e R$1.250,00, respectivamente, relativamente a tratamento dentário na mãe do contribuinte, Sra. Albina Pelói Castro), Marcelo Zuanassi Macari (recibos emitidos em 1.997, no valor de R$5.000,00, relativamente a tratamento odontológico no próprio contribuinte e na sua esposa), Karina Silva Moreira (recibos emitidos em 1.997, no valor de R$6.000,00, relativamente a tratamento odontológico na filha do contribuinte) e José Giroldo Júnior (recibos emitidos em 1.998, no valor de R$10.000,00, relativamente a tratamento odontológico no contribuinte e na sua esposa), as despesas igualmente restaram comprovadas e agora junta ficha dentária, a qual não fora antes pedida pela autoridade autuante [aqui o recorrente deduz argumentações similares às feitas no caso da Dra. Ana Paula Afonso e da Dra. Mag Wadamore (as razões da Dra. Mag foram repisadas em parte para o caso da Dra. Karina, pois em ambos houve suspeição sobre a tinta utilizada no preenchimento dos recibos e fichas), registrando que os três últimos profissionais acima também eram recém formados]. Ainda, o recorrente registra que o fato da movimentação bancária anual do Dr. Giroldo ser inferior ao total dos recibos emitidos (R$ 10.000,00) e dele basicamente ter declarado um montante de rendimentos ligeiramente superior ao valor transcrito é assunto estranho ao fiscalizado, sendo certo que tal profissional é um dos poucos dentistas que fazem parte do corpo clínico de um hospital de renome internacional, o Hospital do Câncer de Barretos (SP); g. o recorrente também rebate cada uma das argumentações da autoridade autuante para glosar as despesas decorrentes dos recibos emitidos pela Dra. Thelma Cristina de Almeida Delfini (psicóloga – recibos emitidos de R$ 10.000,00, no anocalendário 1997), em tudo semelhante ao caso dos odontólogos acima, enfatizando que, diferentemente do asseverado pela autoridade autuante (que afirmou que a profissional somente teria atendido o contribuinte e familiares, a vista dos rendimentos confessados na declaração de imposto de renda), sempre havia outros clientes em seu consultório, quando da visita do contribuinte fiscalizado. Na mesma linha, assim procede em relação à psicóloga Valéria Barrote Ricoy (recibos emitidos em 1.998, no valor de R$11.000,00, relativamente a tratamento psicológico realizados no contribuinte), não podendo ser desnaturada tal despesas pelo fato da ausência da comprovação do efetivo pagamento ou pela ligação familiar entre o prestador e tomador (a prestadora é esposa do sobrinho do contribuinte), já que nada há na legislação que impeça a prestação de tal serviço. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10820.000992/0030 Acórdão n.º 210201.055 S2C1T2 Fl. 6 11 Alfim, o recorrente repisa a necessidade de uma perícia, registrando novamente os quesitos deduzidos na impugnação, para esclarecimento das matérias de fato controvertidas. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/06/2008 (fls. 311 e 312), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 10/07/2008 (fl. 315), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/07/2008, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente rejeitase o pedido de perícia, pois as provas dos autos são suficientes para este relator firmar sua convicção sobre a higidez, ou não, das despesas glosadas pela autoridade autuante, como se demonstrará a seguir. Ainda, não há quaisquer das demais nulidades, pois a autoridade simplesmente levantou um largo conjunto indiciário de eventos, entendendo que a maior parcela das despesas médicas do recorrente deveria ser glosada, sendo que a decisão recorrida apreciou a inconformidade no tocante às nulidades, como se vê nas fls. 299 a 302. Ademais, não há que falar em tributação por presunção, mas apenas se entendeu que o contribuinte não conseguiu comprovar adequadamente as despesas que objetiva deduzir da base de cálculo do IRPF, e lançamento poderia ser feito sem prévia intimação ao sujeito passivo, desde que a autoridade lançadora detenha os elementos para concretizar a autuação, entendimento que restou cristalizado na Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Por último, a autoridade autuante (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) é competente para efetuar o lançamento, na forma do então vigente art. 6º, I, “a”, da Medida Provisória nº 2.17529, de 24 de agosto de 2001 (hoje o art. 6º, I, “a”, da Lei nº 10.590/2002), e o veículo que o consubstanciou, o auto de infração, é idôneo, como se vê no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, desde que manejado pela autoridade competente, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, ou seja, não há qualquer mandamento legal que impeça o AuditorFiscal, em procedimento interno à repartição, de aperfeiçoar o lançamento na via do auto de infração. Na verdade, é pacífico que o AuditorFiscal pode utilizar o auto de infração para apurar infrações do sujeito passivo, dentro ou fora da repartição, a partir de revisão de declarações ou em procedimentos outros de auditoria. Essa, inclusive, é a inteligência da Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Agora, passase ao mérito. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 Como regra, os recibos médicos são o meio idôneo para comprovar as despesas médicas dedutíveis do imposto de renda, na forma do art. 8º, § 2º, III, da Lei nº 9.250/96. Entretanto, esta não é uma prova absoluta, cedendo que se demonstrar a inviabilidade da despesas médicas, por todos os meios de prova, mesmo indiciária, permitido em direito. Compulsando os autos, abaixo se vê as despesas médicas declaradas e glosadas: Anocalendário Despesa declarada Despesa glosada (fl. 21) 1995 R$ 6.388,33 R$ 5.000,00 1996 R$ 12.387,80 R$ 9.450,00 1997 R$ 29.915.751 R$27.900,00 1998 R$ 31.883,32 R$ 29.000,00 Realmente, causa espécie que o montante das despesas glosadas, vultosas, tenha sido toda paga em espécie, não tendo o contribuinte uma única comprovação bancária da liquidação de tais obrigações, havendo, ressaltese, recibos de valores elevados (R$ 5.000,00 – fl.40; R$ 3.600,00 – fl. 41; R$ 4.850,00 – fl. 41; R$ 5.000,00 – fl. 42; R$ 10.000,00 – fl. 44; R$ 3.000,00 – fl. 44; R$ 2.650,00 – fl. 44; R$ 10.000,00 – fl. 46; R$ 8.000,00 – fl. 47; R$ 11.000,00 – fl. 47), não parecendo plausível que tais obrigações tenham sido liquidadas sem qualquer comprovação bancária. Ainda, chamou a atenção deste julgador a contratação de profissionais recémformados em odontologia, quando se sabe que o fiscalizado era professor universitário nessa especialização, havendo valores excessivos em alguns procedimentos, como uma aplicação de flúor de R$ 600,00 ou um orçamento e consulta clínica de R$ 450,00 (fl. 13), valores que são excessivos ainda nos tempos atuais (vejase que os serviços foram prestados na segunda metade da década de 90 do século passado). A autoridade fiscal ainda apontou a coincidência de tratamento no mesmo dia, como se pode ver na transcrição abaixo, a indicar a ausência de verossimilhança de que os tratamentos realmente ocorreram (fl. 20), verbis: Apenas para ressaltar mais algumas incoerências, pois eu não comparei todas as situações, nos mesmos dias 08/02/97 e 15/02/97 o contribuinte estaria em tratamento com a Dra. Ana Paula em São Joaquim da Barra e com o Dr. Marcelo em Barretos; ainda nos mesmos dias 08/02/97, 15/02/97, 22/02/97 e 15/03/97 a filha do contribuinte (Maria) estaria em tratamento com a Dra. Karina em Barretos e com a Dra. Thelma em Catanduva, isso só para citar alguns exemplos, pois não tive o trabalho de comparar todos os casos. Outro ponto que enfraquece a defesa do contribuinte é a execução de procedimentos com pessoas ligadas por vínculo de parentesco civil, recémformados, inclusive para tratamento psicológico no contribuinte e sua família, como se viu com a Dra. Valéria Barrote, nora do irmão do fiscalizado. Não se compreende como o contribuinte poderia se submeter a um tratamento psicológico com a nora de seu irmão (dispêndio de R$ 11.000,00, no anocalendário 1998), sem que isso pudesse concretizar um conflito de natureza profissional. De fato, como bem lançado na descrição da infração pela autoridade autuante (fls. 11 a 21), há um longo conjunto de indícios, apenas alguns acima evidenciados, que Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10820.000992/0030 Acórdão n.º 210201.055 S2C1T2 Fl. 7 13 demonstram a impossibilidade de se acatar as despesas médicas, sem uma comprovação cabal do pagamento de tais despesas. A leitura do relatório e das razões do contribuinte, que não logrou trazer qualquer comprovação da liquidação financeira de tão vultosas despesas médicas, não deixam dúvidas que tais despesas não foram concretizadas, aqui não sendo necessário rebater um a um as defesas expendidas para cada profissional, pois as considerações acima, mutatis mutandis, aplicamse a todos. Com as breves considerações acima, firmo a convicção da procedência do lançamento, rechaçando a possibilidade da dedução das despesas médicas glosadas. Ante o exposto, voto no sentido de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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