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Numero do processo: 15504.001280/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA
A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei nº 8.212/91.
MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106.
Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.499
Decisão: ACORDAM os membros Do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91. MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratandose de crédito não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.001280/200916 Acórdão n.º 240300.499 S2C4T3 Fl. 120 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0224.630 9ª Turma , folhas 269 a 279, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário no valor de R$ 110.262,57. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, o Auto de Infração 37.218.3026 referente a contribuições previdenciárias parte patronal, inclusive SAT. Registra também o Relatório que a empresa recolheu apenas a contribuições descontadas dos segurados da qual já excluiu os valores referentes a salário maternidade e salário família, por entender ser entidade filantrópica e que foi emitido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais número 11.401.1/006/2005 para Convenção Batista Mineira. Com efeitos a partir de 01/01/1998. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 28/08/2007. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • É beneficiária da imunidade prevista no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal. • Já que toda problemática gira em torno da renovação do certificado CEBAS, basta uma simples análise dos documentos acostados aos autos para percebermos que a contribuinte sempre manteve em dia seu certificado. • O órgão responsável pela análise dos documentos necessários para renovação do Certificado demorou excessivamente na entrega do documento, não podendo a contribuinte ser penalizada pelas burocracias existentes na Administração Pública. • A Entidade sempre prestou serviços dentro dos parâmetros legais estabelecidos para caracterização filantrópica. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Benefício da Imunidade. Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. No caso deste processo, a isenção do recolhimento da cota patronal foi cancelada pelo Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais número 11.401.1/006/2005, com efeitos a partir de 01/01/1998, motivado pela infringência ao inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.001280/200916 Acórdão n.º 240300.499 S2C4T3 Fl. 121 5 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (.) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(..).. Não consta contextação do Ato Cancelatório de Isenção. Entendo que aquela exclusão tramitou em julgado. Uma vez cancelada a isenção é possível voltar ao gozo da isenção mediante o cumprimento dos requisitos, de novo pedido e do deferimento desse pedido. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). ... § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13507.000092/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. VALORES INEXISTENTES.
Comprovada a inexistência de DIRF em nome do contribuinte, bem como a irrazoabilidade dos valores constantes da declaração apresentada, deve-se cancelar tais declarações.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. VALORES INEXISTENTES. Comprovada a inexistência de DIRF em nome do contribuinte, bem como a irrazoabilidade dos valores constantes da declaração apresentada, deve-se cancelar tais declarações. Recurso Voluntário Provido
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VALORES INEXISTENTES. Comprovada a inexistência de DIRF em nome do contribuinte, bem como a irrazoabilidade dos valores constantes da declaração apresentada, devese cancelar tais declarações. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Auto de Infração (fls. 2 a 8), em decorrência da dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 540,00, na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2001. O requerente apresentou impugnação em 31 de março de 2005 solicitando a revisão do débito e a anulação do Auto de Infração por não ter auferido a renda declarada, e alegando que seu rendimento foi de R$ 7.000,00. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário. A recorrente recebeu ciência do julgamento em 12 de maio de 2008 (fl. 48) e interpôs recurso voluntário no dia 20 do mesmo mês (fl. 49), arguindo que o lançamento originando da declaração de ajuste anual, exercício 2001, retificadora apresentada em 30 de abril de 2001, online/telefone, não é do seu conhecimento e que está fora do seu padrão de vida, e pede que seja reconsiderada a declaração entregue com renda tributável de R$ 7.000,00 (sete mil reais). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve dedução indevida de imposto de renda na fonte na Declaração de Ajuste Anual Pessoa Física exercício 2001. O contribuinte alega não efetuou a retificação de sua declaração de imposto de renda, ou seja, que não apresentou uma segunda declaração. A declaração original foi entregue em 26 de abril de 2001, às 12h36min, número de recibo 2431434014, com rendimento tributário de R$ 7.000,00 (fl. 9). Posteriormente, foi apresentada um declaração retificadora, transmitida via online, em 30 de abril de 2001, às 19h50min com rendimentos tributáveis de R$ 24.000,00 e imposto de renda retido na fonte de R$ 540,00 (fl. 29), conforme extrato na folha 28. O acerto da declaração foi efetuado em 13 de outubro de 2004, quando não foi encontrada DIRF referente ao imposto de renda retido na fonte informado na retificadora (fl. 26 e 28). Compulsando os autos, verificase que, apesar de constar na transcrição da declaração rendimentos tributáveis superiores ao limite imposto norma legal, não há registros na DIRF que possam referendar os valores informados pelo contribuinte. E, se por um lado não há como provar que o contribuinte não entregou a declaração, também não há provas contrárias, ou seja que a declaração online/telefone (fl. 29) foi entregue pelo recorrente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 13507.000092/200591 Acórdão n.º 2102001.209 S2C1T2 Fl. 57 3 As pesquisas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil registram apenas que o contribuinte é sócio de uma empresa individual (fls. 12 a 15). É inexpressivo o valor constante da DIRF (fl. 41) e a receita bruta da empresa, no anocalendário 2000, soma R$ 14.034,10 (fl. 44), com rendimentos atribuídos aos sócios no valor de R$ 842,04 (fl. 46). Portanto, bastante superior ao declarado como rendimentos da pessoa física. Mesmo que fosse um equivoco do contribuinte, ainda assim, perante a legislação tributária, o erro não tem o condão de transformarse em fatos geradores. A jurisprudência, da mesma forma, também não defende a tributação com base em mero erro ou equívoco no preenchimento ou entrega de declarações. Assim, como não há razões que sustente o lançamento e diante da negativa do contribuinte de que não efetuou a declaração retificadora, acato os argumentos do recurso e voto no sentido de darlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
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Numero do processo: 10580.726895/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de
rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária
(Súmula CARF nº 2).
IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da
arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA
TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido
pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos,
correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-000.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os
Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Recorrente ALEXANDRE RAIMUNDO PEREIRA SAMPAIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO 2 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.726895/200922 Acórdão n.º 220200.188 S2C2T2 Fl. 135 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário no valor de R$176.962,92, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Entendeu a Autoridade Fiscal que os valores recebidos pela parte recorrente teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994. Conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Analisada a impugnação apresentada, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA julgoua improcedente, conforme o acórdão n. 1522.993, às fls. 81/89, sob a seguinte ementa: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 136DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO 4 Inconformado com essa decisão, a parte recorrente interpôs recurso voluntário, às fls. 92/130, requerendo a sua reforma, a fim de que seja cancelado o débito fiscal contra si lavrado. O recurso encontrase amparado nos seguintes argumentos: a) não cabimento da multa de ofício: sustenta que eventual equívoco quanto ao enquadramento jurídico dos rendimentos objeto do auto de infração seria corolário direto da interpretação literal sobre a legislação estadual vigente, que prescreveu a natureza indenizatória desses rendimentos. Assim, não poderia ser exigida multa de ofício da parte recorrente; b) culpa da fonte pagadora pelo não pagamento: o tributo objeto do auto de infração deixou de ser recolhido porque não foi retido pela fonte pagadora. Nessa toada, seguindo a interpretação conferida pela fonte pagadora, o contribuinte não ofereceu esses rendimentos à tributação; c) consulta (Ministério da Fazenda) e parecer (AGU) reconhecendo a nãoaplicação da multa de ofício em situações como a do caso em tela: alega que houve consulta por parte do Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia acerca da matéria, a qual foi respondida pelo Ministério da Fazenda, que, em alinhamento com o parecer da AGU/AV 12/2007, afirmou ser inaplicável a multa de ofício, pois era inegável a boafé dos contribuintes, neste caso; d) nulidade do lançamento pela forma de imputação dos rendimentos à base de cálculo do IR: o lançamento não teria levado em conta os rendimentos mensais e as faixas vigentes no período entre 1994 a 2001; e) não incidência do IR sobre os juros moratórios/compensatórios: há despacho do presidente do CJF decidindo seguir o entendimento do STF de que os juros possuem caráter indenizatório. Reforça esse argumento alegando que a natureza indenizatória dos juros é ratificada pelo Código Civil de 2002, art. 404, Parágrafo Único; f) natureza indenizatória das diferenças de URV, cujo pagamento se deu através da Lei Estadual do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Esses valores, recebidos ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006, consistiriam, apenas, em recomposição do aviltamento monetário. Assim, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre o tema, a correção monetária não estaria sujeita à tributação; Fl. 137DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.726895/200922 Acórdão n.º 220200.188 S2C2T2 Fl. 136 5 g) equiparação da situação em tela (CTN, art. 108) à definição normatizada pelo STF que, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória e que, por esse motivo, está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Qualquer tratamento diferenciado violaria o Princípio da Isonomia (CF, art. 150, II); É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Vencido Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A parte recorrente busca afastar exigência fiscal consubstanciada em auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais rendimentos, conforme refere a autuação fiscal, decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. A referida legislação complementar assim dispõe: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Por sua vez, refere o auto de infração lavrado: Fl. 139DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.726895/200922 Acórdão n.º 220200.188 S2C2T2 Fl. 137 7 “Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União.” Inicialmente afasto a alegada omissão da decisão recorrida, que foi clara ao reconhecer tanto a legitimidade da União na cobrança do imposto não retido pela fonte pagadora, como a tributação do rendimento percebido pelo recorrente, dotado, segundo o decisum, de natureza salarial reveladora de nova capacidade contributiva. Ainda em sede preambular, é imperioso esclarecer que a discussão em tela não diz respeito à isenção, mas ao fenômeno da nãoincidência tributária. Isso porque o dano, juridicamente considerado, situase fora do raio de alcance da hipótese normativa tributária, em virtude da sua incompatibilidade com o conceito de rendimento tributável. A solução da controvérsia, portanto, passa ao largo das diretivas fixadas pelo art. 150, §6º, da Constituição Federal. A Lei Estadual nº 8.730/03, do Estado da Bahia, disciplinou a relação jurídica material estabelecida entre o Estado e seus agentes públicos. O art. 5º dessa Lei determinou, expressamente, que o valor recebido pelo recorrente, conforme preceitua o art. 4º do mesmo Diploma, possui natureza indenizatória. Entretanto, como se colhe da fundamentação utilizada no auto de infração, a autoridade fiscal entendeu que aludida legislação teria adentrado em seara normativa reservada constitucionalmente à União. As vicissitudes de um sistema federativo podem ensejar a existência de eventuais invasões de competências legislativas. Entretanto, nesse conflito jurídicopolítico, a segurança jurídica não pode ser colocada em xeque. Esse é o motivo por que foram instituídos mecanismos diretos e difusos para controle da constitucionalidade no Brasil. O presente dilema pode ser sintetizado do seguinte modo: o contribuinte recorrente, seguindo o enquadramento jurídico adotado pela fonte pagadora, lançou os valores dela recebidos como rendimentos não tributados. A fonte pagadora, por sua vez, deixou de realizar a retenção do imposto objeto do auto de infração por estar submetida à Lei Estadual Baiana, que atribuiu natureza indenizatória aos valores pagos ao recorrente. Como conseqüência, os valores situaramse fora da área de incidência desse tributo, Fl. 140DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO 8 cuja arrecadação é destinada ao próprio Estado da Bahia, nos termos do art. 157, I, da Constituição Federal; a Fazenda Nacional entende que a aludida legislação estadual não tem o condão de alterar o âmbito da sua competência tributária. Certa ou errada a conclusão contida no auto de infração, verificase que a mesma pressupõe a inconstitucionalidade da lei estadual baiana. Ninguém pode servir a dois deuses ao mesmo tempo. A vetusta lição bíblica, contida em Mateus, pode ser transportada para um sistema federativo, guiado por três deuses (União, Estados e Municípios), impedindo que um mesmo fato receba distintos enquadramentos jurídicos. É o que, infelizmente, aconteceu no presente caso, de onde surgiu o paradoxo ora dirimido. Ocorre que inconstitucionalidade possui foro jurisdicional próprio, sendo vedado à Administração desconsiderar o conteúdo deôntico de qualquer diploma normativo por esse fundamento, seja ele explícito, seja ele implícito, enquanto pressuposto lógico. A ressalva atinge Administração tanto na análise de justificativas argüidas pelos contribuintes, como na retirada ou desconsideração de obstáculos normativos vigentes que impeçam a atuação fazendária. O tratamento adotado pela Corte Administrativa deve ser o mesmo, pois as duas hipóteses repousam sobre o mesmo fundamento, a partir do qual foi editada a Súmula nº 2 do próprio CARF. Afasto, também, a violação à isonomia tal qual suscitada na peça recursal. A Resolução n° 245, do STF, diz respeito, exclusivamente, ao abono variável previsto pela Lei nº 9.555/98. Não obstante, entendo que o reconhecimento dos efeitos jurídicos decorrentes desse ato normativo excepcional, editado pelo STF, deve ser reproduzido diante da Lei Estadual 8.730/03, diploma vigente, dotado de presunção de constitucionalidade, que exerce inegável cogência sobre o conteúdo da obrigação tributária debatida, conforme acima já alinhado. Diante desse quadro, entendo que o caminho prévio adotado pela União deva ser aquele previsto no art. 103 da Constituição Federal. Retirado do mundo jurídico o entrave materializado no art. 5º da Lei Estadual Baiana nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estará a Fazenda Pública livre para o exercício da sua capacidade tributária ativa. Assim, ressaltase que o ingresso na discussão a respeito da titularidade da capacidade tributária ativa diante do preceito contido no art. 157, I, da Constituição Federal exige, no presente caso, a prévia superação do tema relativo à validade do art. 5º da Lei 8.730/03, que condiciona o comportamento tanto do contribuinte como da fonte pagadora. Desse modo, persistindo a barreira normativa materializada no art. 5º da Lei 8.730/03, considerando que a presunção de constitucionalidade desse dispositivo estadual não foi relativizada pela União através do instrumento judicial adequado e tendo em vista que é vedada Fl. 141DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.726895/200922 Acórdão n.º 220200.188 S2C2T2 Fl. 138 9 a esse Tribunal qualquer desconsideração legal sob o pálio da inconstitucionalidade, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário interposto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 142DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO 10 Voto Vencedor Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões.. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Fl. 143DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.726895/200922 Acórdão n.º 220200.188 S2C2T2 Fl. 139 11 No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO 12 Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação Fl. 145DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.726895/200922 Acórdão n.º 220200.188 S2C2T2 Fl. 140 13 dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 146DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 20/07/2011 por NELSON MALLMANN, 11/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 15/07 /2011 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10980.013899/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
AUSÊNCIA DE PROVA. FALTA DE APRESENTAÇÃO INTEGRAL DE BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO. 0 recolhimento de estimativas em montantes inferiores àqueles calculados com base na receita bruta está condicionado à existência e A. apresentação de balanço ou balancete de suspensão, elaborado em conformidade com a legislação comercial e fiscal e transcrito no livro Diário até a data fixada para o recolhimento correspondente, evidenciando de forma integral a apuração do resultado do período.
Numero da decisão: 1101-000.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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CISCO A/ULC2_ EIRA BESS - Relatora EDITADO EM: 2R 1 I SI-CIT1 Fl. 113 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.013899/2007-72 Recurso n° 879.311 Voluntário Acórdão n° 1101-00.427 — 1a Camara / la Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria DCOMP - Pagamento Indevido ou a Maior - CSLL Recorrente COPEL GERAÇÃO S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVA. FALTA DE APRESENTAÇÃO INTEGRAL DE BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO. 0 recolhimento de estimativas em montantes inferiores àqueles calculados com base na receita bruta está condicionado à existência e A. apresentação de balanço ou balancete de suspensão, elaborado em conformidade com a legislação comercial e fiscal e transcrito no livro Diário até a data fixada para o recolhimento correspondente, evidenciando de forma integral a apuração do resultado do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni. 1' Relatório COPEL GERAÇÃO S A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra decisão que não homologou compensação de débitos com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, no valor original de R$ 898.648,98, formalizada na DCOMP n°00500.38819.270404.1.3.04-1375. Constatando que a contribuinte recolheu, em 27/02/2004, R$ 1.100.000,00 a titulo de CSLL devida por estimativa em janeiro/2004, mas suas declarações (DIPJ e DCTF) informavam débito apurado de, apenas, R$ 201.351,02, a autoridade preparadora intimou a empresa a apresentar cópia das folhas do Livro Diário, inclusive Termos de Abertura e Encerramento, onde se encontre transcrito o balanço ou balancete de suspensão ou redução que serviu de base para a apuração da CSLL devida em jan/2004. (fl. 09/10). Em resposta, a contribuinte informou que o resultado do exercício de R$ 1.634.273,14, estampado à fl. 32 de seu Diário Geral n° 11, fora ajustado por adições e exclusões infon-nadas à fl. 3 do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, apresentando cópia destes elementos (fls. 11/46). A autoridade preparadora, porém, concluiu pela inexistência de prova do indébito, sob os seguintes argumentos (fl. 48): 4.4.2 — Como de tais folhas se pode ver, o que o contribuinte denomina balancete, resume-se a uma informação do resultado do exercício. 0 balancete mesmo, a pega cujas partes levem a esse resultado, não existe. Parte daquilo que o balancete deveria demonstrar para, deduzida a previsão da CSLL desse mesmo resultado (R$ 1.634.273,14 — R$ 241.295,75) e feitas as adições e exclusões registradas no LALUR (fl. 43), determinar a base de cálculo da CSLL. Do caminho a percorrer, percorre só aparte final. 4.5 — A legislação (art. 230 e seus §'§', do Decreto n°3.000/99, c/c art. 28 da Lei n° 9.430/96), determina que, para que o pagamento da estimativa de CSLL do mês de janeiro possa ser inferior ao valor apurado com base na receita bruta, adicional e deduções previstas, deve, essa possibilidade, estar demonstrada em balanço/balancete levantado corn observância das leis comerciais e fiscais e transcrito no Livro Diário. 4.5.2 — Ora bem, a Lei n° 6.404/76, art. 176 e seguintes, não dá margem a que se entenda que urn balanço/balancete se limite a uma linha com a indicação do resultado do exercício, nem, tampouco, outras normas como a do CFC (Resolução CFC ri° 685/90) que, entre outros aspectos ligados ci ,matéria, assim define: "o balancete de verificação do razão é a relação de contas, com seus (respectivos saldos, extraída dos registros contábeis em determinada data" (sublinhei). 5. Então, como a opção pela apuração da base de cálculo da estimativa da CSLL foi com base em balanço/balancete de suspensão ou redução, e corno balanço/balancete não há, impossível fica concluir-se pelo recolhimento a maior que o devido. 5.2 — A alternativa a disposição do contribuinte neste caso, assim entendo, seria, valendo-se do que se encontra regulamentado no art. 10 da IN SRF n° 460/2004 e 600/2005, considerar todo o recolhimento como estimativa paga, no ajuste (linha 43 da Ficha 17 da DIPJ/2005), e, desta forma, compondo o saldo negativo da 2 Processo n° 10980.013899/2007-72 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.427 Fl. 114 CSLL apurado, e exercer o seu direito por esta via — como saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/04. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte trouxe elementos de sua escrituração juntados As fls. 80/84, assim apreciados pela autoridade julgadora de 1a instância (fls. 86/87), após transcrição do art. 35 da Lei n° 8.981/95: O despacho decisório contestado já havia consignado que a contribuinte deveria apresentar o balanço ou balancete ("peças cujas partes levem a esse resultado'). Nenhuma dúvida, portanto, que a contribuinte deveria apresentar peça extraída de sua contabilidade que permitisse aferir seu resultado de sorte a constatar que o valor efetivo da estimativa do Ines de janeiro de 2004 era R$ 201.351,02, e não R$ 1.100.000,00. A análise dos novos documentos trazidos pela contribuinte evidencia, de imediato, que não foi trazido a colação balanço ou balancete capaz de embasar a apuração da CSLL. 0 que a contribuinte trouxe a lume foram apenas peças onde se encontra consignado o valor por ela considerado devido, o que não é suficiente para, a luz da legislação, comprovar que o valor efetivamente devido é inferior àquele apurado em função de sua receita. Por outro lado, mesmo que a contribuinte comprovasse que poderia ter recolhido apenas R$ 201.351,02, e não R$ 1.100.000,00, ainda assim não lograria demonstrar que ocorreu recolhimento a maior, ou indevido. Com efeito, o fato é que a contribuinte – caso existam mesmo os balanços/balancetes que atendam a legislação – se encontrava em face de duas vias alternativas, devendo optar por uma delas. Poderia optar por efetuar o recolhimento com base em balanço/balancete de redução, ou poderia optar por efetuar o recolhimento com base na sua receita bruta. Qualquer uma das duas opções seria igualmente válida. Assim, se a contribuinte optou pelo recolhimento com base na receita bruta e depois descobriu que a outra opção seria menos gravosa, não significa que sua op cão seria inválida e que dela resulte recolhimento indevido ou a maior que o devido. Significa apenas que fez uma opção infeliz, mas o recolhimento já se aperfeiçoou. Mencionando, ainda, o disposto no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, foi assim ementado o acórdão que manteve a não-homologação da compensação em debate: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁ RIA Ano-calendário: 2004 INEXISTÊNCIA DE BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO. 0 recolhimento de estimativas em montantes inferiores àqueles calculados com base na receita bruta está condicionado a existência e apresentação de balanço ou balancete de suspensão - elaborado em conformidade corn a legislação comercial e fiscal e transcrito no livro Diário - que evidencie de forma integral a apuração do resultado do período. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. OPÇÃO FORMULADA NO ATO DO RECOLHIMENTO: A regra é o recolhimento da estimativa calculada coin base na receita bruta. recolhimento em montante inferior - e até a ausência de recolhimento - com base em balanço/balancete de suspensão/redução é uma opção que pode ou não ser exercida pelo interessado. Contudo, formalizado o recolhimento calculado sobre a receita 3 bruta, o valor assim recolhido decorre de opção válida e não materializa pagamento indevido, mesmo na hipótese de existir balanço/balancete que facultaria recolhimento em importe inferior. RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. A mingua de permissivo legal, eventual valor recolhido a maior a titulo de estimativa não pode ser utilizado pára compensação no curso do próprio ano-calendário. Deverá, necessariamente, ser computado no ajuste anual. 0 que poderá ser utilizado para compensação será o eventual saldo negativo resultante desse ajuste. Cientificada da decisão de primeira instancia em 26/02/2010 (fl. 92), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 30/03/2010 (fls. 93/98), no qual reafirma ter provado, mediante apresentação da fl. 32 de seu Livro Diário n° 32, que a CSLL devida em janeiro/2004 seria R$ 201.351,02, alem de ter juntado cópia de balancete sintético e Razão Auxiliar para demonstrar a contabilização daquele valor, a crédito. Entendendo, assim estar comprovado o recolhimento a maior, e sendo sua compensação admitida pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 10.637/2002, opõe-se à restrição veiculada pelo art. 10 da Instrução Normativa SRF no 460/2004, e pede a homologação da compensação aqui discutida. o relatório. 4 Processo n° 10980.013899/2007-72 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.427 Fl. 115 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Trata-se, aqui, de compensação formalizada em 27/04/2004 para utilização de indébito vinculado a recolhimento de estimativa de CSLL em 27/02/2004, e antes, portanto, da edição da Instrução Normativa SRF n° 460, publicada em 29/10/2004. Nos autos confirmam-se os fatos que fundamenta as decisões proferidas pelas autoridades preparadora e julgadora de 1 a instancia: • a fl. 32 do Livro Diário Geral n° 11 tem o titulo Balancete Sintético — Grau Sexto e arrola o movimento das dez Ultimas contas deste documento, sendo que para a conta RESULT.EXERC.ANTES CONT.SOC E IR há movimento a débito de R$ 123.737.814,35, e a crédito de R$ • 125.873.087,49, resultando no saldo de R$ 1.634.273,14, a crédito (fl. 38); • a folha do Razão Auxiliar de janeiro/2004, bem como a fl. 29 do Diário Geral apenas evidenciam a contabilização de R$ 201.351,02 a crédito da conta de passivo que controla obrigações a titulo de CSLL (fl. 81/82). Em recurso voluntário, a contribuinte nada acrescentou, insistindo que demonstrou a apuração de CSLL, em janeiro de 2004, no valor de R$ 201.351,02. Como visto, a decisão inicial é clara e fundamentada: sem a apresentação integral do balancete de suspensão/redução não é possível admitir esta forma de apuração da estimativa do período, subsistindo a obrigação de a contribuinte fazê-lo com base na receita bruta e acréscimos. A Lei n° 8.981/95 também não deixa dúvidas quanto a esta obrigação acessória: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1 0 Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. (Redação dada pela Lei n°9.065, de 1995) 5 li § 3" 0 pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano-calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei n°9.065, de 1995) § zr 0 Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei n°9.065, de 1995) Assim, a exigência feita pela autoridade preparadora encontra respaldo na lei, e sem o seu cumprimento por parte da interessada, não há como reconhecer-lhe o crédito pretendido. De fato, sem a apresentação completa do balancete que enseja o resultado de janeiro/2004, não é sequer possível aferir se foram regulares as adições e exclusões que o ajustaram, ou mesmo se o recolhimento de R$ 1.100.000,00 se aproximaria daquele que seria devido com base na receita bruta e acréscimos de janeiro/2004. De outro lado, não há motivo aparente para a empresa ter ocultado estas informações, dando outro direcionamento A prova na apresentação da manifestação de inconformidade, e nada juntando em seu recurso voluntário. Acrescente-se, por fim, que o Balancete Sintético — Grau Sexto, cuja parte final foi apresentada à autoridade preparadora como sendo integrante da fl. 32 do Livro Diário Geral no 11, possivelmente é o mesmo juntado com a manifestação de inconformidade, mas nas partes escrituradas nas fls. 27 e 29 do mesmo Livro Diário Geral (fls. 82/83). E, além de, corno já dito, não se prestarem a reproduzir a integralidade da apuração que teria resultado no débito de CSLL alegado para janeiro/2004, especificamente a fl. 29 traz em sua parte superior a informação de que o documento foi gerado em 12/04/2004, posteriormente, portanto, ao recolhimento de R$ 1.100.000,00, efetuado em 27/02/2004. Ora, nos termos do art. 35 da Lei n° 8.981/95, a possibilidade de reduzir a estimativa a ser paga somente existe se demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor devido corn base no lucro do período em curso. E, inclusive, com fundamento na faculdade prevista no § 4° do referido dispositivo, a Secretaria da Receita Federal assim fixou na Instrução Normativa SRF n° 51/95: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente a diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: I - considera-se período em curso, aquele compreendido entre o dia 1" de janeiro ou o de inicio de atividade e o último dia do mês a que se referir o balanço ou balancete; II - considera-se imposto devido no período em curso, o resultado da aplicação da aliquota do imposto sobre o lucro real, acrescido do adicional, e deduzido, quando for o caso, dos incentivos fiscais de dedução e de isenção ou redução; Processo n° 10980.013899/2007-72 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.427 Fl. 116 III - considera-se imposto de renda pago, a soma dos valores correspondentes ao imposto de renda:a) pago niensahnente; b) retido na fonte sobre receitas ou rendimentos computados na determinação do lucro real do período em curso; c) pago sobre os ganhos liquidos;d) pago a maior ou indevidamente em anos- calendário anteriores. IV - o imposto de renda pago sera considerado pelos seus valores atualizados monetariamente com base na variação da UFIR verificada a partir do trimestre seguinte ao do pagamento até o do trimestre do balanço de suspensão ou redução. § 1" 0 resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2° 0 disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3" Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação especifica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4" A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem fisica, ao final do ano-calendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5 0 0 balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, sera: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6° Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano-calendário. Art. 13. A opção da pessoa jurídica os balanços ou balancetes mensais, levantados para apuração do lucro real mensal, poderão ser considerados como de suspensão ou de redução, desde que a pessoa jurídica mantenha, relativamente a cada mês, demonstrativo consolidando os resultados apurados até o mês relativo à suspensão ou redução do imposto, observado o disposto nos arts. 10 a 12. § 1° Neste caso, a correção monetária dos resultados mensais deverá ser estornada. § 2° Na hipótese deste artigo, a diferença de imposto devido, em cada mês, será paga com acréscimos legais. Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: 7 I 11 EDELI PEREIRA BESS — 'elafora I - a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário; Ii - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discrinUnadanzente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. (negrejou-se). Por todo o exposto, subsiste a dúvida quanto à forma de apuração adotada, pela contribuinte, para apuração da estimativa de CSLL devida em janeiro/2004, motivo pelo qual não há como reconhecer-lhe a existência de indébito no recolhimento efetuado em 27/02/2004. E, considerando que a compensação foi promovida em 27/04/2004, sequer é possível cogitar-se dos efeitos do cômputo do alegado indébito na apuração do saldo negativo, a qual somente seria possível em 31/12/2004. Diante destas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 8
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000329/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA.
IMPEDIMENTOS. Verificado nos autos que o contribuinte não exerce
atividade impeditiva, ainda que não foi possível a alteração e seu contrato social em tempo hábil, defere-se o pleito para permanência no Simples.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
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Recorrente JD TRANSPORTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. IMPEDIMENTOS. Verificado nos autos que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, ainda que não foi possível a alteração e seu contrato social em tempo hábil, deferese o pleito para permanência no Simples. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13816.000329/200893 Acórdão n.º 140200.489 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório JD TRANSPORTES LTDA ME recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em CampinasSP em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de insurgência contra Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, EXPEDIDO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB (fls. 16/17), à razão da consignação do código da CNAE designativo de atividade econômica vedada no âmbito do referido sistema de tributação (49221/01: Transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal, exceto em região metropolitana), segundo art. 17, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] VI – que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; Argumenta o Contribuinte (fl. 01) que teria providenciado a alteração de seu contrato social de ordem a subtrair o elemento impeditivo. A decisão recorrida está assim ementada: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL A prestação de serviço de transporte intermunicipal e/ou interestadual de passageiros é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples Nacional. Solicitação Indeferida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13816.000329/200893 Acórdão n.º 140200.489 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte teve seu ingresso no Simples Nacional vetado em 2007 por constar em seu Contrato Social o exercício de atividade vedada (transporte intermunicipal ou interestadual de passageiros). Formalmente, a decisão de 1a. instância não mereceria reparos haja vista que abordou e aplicou a legislação pertinente, em face do Contrato Social da empresa. Todavia, está provado nos autos que a contribuinte não exerceu o transporte intermunicipal de passageiros, e sim o municipal, conforme comprova os documentos de fl. 54 e 55 (comprovante de inscrição junto a Prefeitura Municipal de Diadema – SP na atividade transporte de Passageiros). Além disso, a empresa alterou seu Contrato Social e permaneceu no Simples Nacional nos anos de 2008 e 2009. No processo administrativo, inexistindo disposição expressa em contrário, deve prevalecer a verdade material. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 74DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10865.003511/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2007
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO
Deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando a lavratura de Auto de Infração.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias
administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO Deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando a lavratura de Auto de Infração. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003511/200741 Acórdão n.º 240101.725 S2C4T1 Fl. 46 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 26/11/2007, em face da empresa em epígrafe, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso I da Lei nº 8212/91. por ter deixado de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS Segundo o relatório fiscal da infração, fls. 6, em auditoria fiscal desenvolvida na empresa foram apresentadas as folhas de pagamento do período de 06/2004 a 08/2007, onde foi constatado que alguns segurados a serviço da empresa não foram incluídos nas folhas de pagamento, a saber: • O contador Sr, Gildo Morcelli Neto, na condição de Segurado Contribuinte individual, nas competências 07/2004, 09/2004 e 02/2007 a 08/2007; • Os segurados empregados, nas competências: 07/2005 — Piter Everton Trevisan, Rosinaldo Moura Albuquerque, Leandro Eduardo Lins, Geiseane Aparecida Cardoso, Rosangela Saldanha, Margarida F. Andrade Euzébio, Tatiana Regina Batista e Elieser Alves Rodrigues. 08/2005: Luciana Vieira Ferreira; 12/2005: Lourival Gonçalves da Cruz; e, 04/2006: Ivonete Brito Polinário, Ivon Rodrigues de Oliveira e Luiz Antonio Marques, no período de 01/1999 a 03/2006, sem o valor relativo às bolsas de estudo concedidas a segurados empregados e seus dependentes, configurando tais rubricas como parcelas tributáveis. Esta conduta, segundo o AuditorFiscal da Previdência Social AFPS autuante, caracterizou infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n.° 8.212191, combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, foi imputada a penalidade administrativa prevista no artigo 92 e 102 da Lei 8212/91, artigo 283, inciso I, alínea "a" e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, no valor de R$ 1.195,43 (um mil, cento e noventa e cinco reais e quarenta e três centavos). Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua defesa, fls. 23/30, aduzindo, em síntese: Que o Auto não pode ser mantido, uma vez que não houve descumprimento à legislação tributária, pois a Impugnante não está obrigada a entregar os documentos e livros ao fiscal pelo que dispõe o artigo 195 do CTN; Que os livros e documentos estão à disposição da fiscalização. O que não houve foi à entrega no instituto, pois cabe à autoridade administrativa examinálos e não Fl. 84DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 apreendêlos. Não houve a prática de qualquer ato infrator por parte da Impugnante, estando tais documentos à disposição da fiscalização para análise, de conformidade com o art 195 do CTN. Aduz que da simples leitura da fundamentação da infração cominada, concluise que não há fixação da penalidade por Lei a ser aplicada ao caso concreto. A Lei 8213/91, que é, por excelência, o instrumento hábil a dispor acerca de penalidade por infrações à legislação previdenciária, delega à norma infralegal a imputação da multa aos atos infracionais concretizados pela Recorrente. Que a Lei 8213/91, além de delegar ao Decreto a aplicação de multa aos casos de infração à legislação previdenciária, deixou a cargo do Poder Executivo também a valoração das condutas que seriam sujeitas à penalidade, posto que o artigo 283 do Decreto 3048/99 dispõe que a determinação da multa darseá "(...)conforme a gravidade da infração (..)" , valoração que foi feita por mero ato administrativo. Que ainda que se admita a validade das normas infralegais citadas, deveria haver regular processo administrativo, com possibilidade de defesa, única e exclusivamente para comprovar a conduta dolosa da Impugnante. Que a autuação é improcedente, pois a exigência da multa discutida não resiste a um exame de constitucionalidade e legalidade detalhado (artigo 5°, II e 37, caput da Constituição Federal e artigo 97 do CTN). Conseqüência direta do artigo 97 do CTN é o comando do artigo 112 do CTN que utilizou a expressão Lei, e não legislação tributária, que poderia compreender o Decreto, nos termos do artigo 96 do CTN. Que o Decreto 3048/99 não está a regulamentar dispositivo de lei, ao contrário, representa a própria qualificação e quantificação da inobservância da obrigação acessória. O artigo 142 do CTN apenas autoriza o Fisco à proceder ao lançamento de acordo com a Lei, o que também inclui, a respectiva sanção. Que há completa impossibilidade de se instituir tributo ou impor multa por meio de analogia, em razão de uma suposta lacuna porventura existente no sistema ou então fundamentar uma sanção sem previsão em Lei, sob pena de extravasamento do disposto no artigo 84, II da Constituição Federal. Requer o cancelamento do Auto de Infração em razão da decadência, da impossibilidade de aplicação da multa e pela manifesta ofensa ao princípio da legalidade. A 11ª Turma da DRJ/RJOI, por meio do Acórdão nº 1222.058/2008, julgou procedente a autuação. Inconformada com a Decisão, empresa apresentou Recurso Voluntário, razões expendidas às fls. 65/70, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação. Ao final, requer seja o Recurso Voluntário recebido e provido em todos os seus termos, para que a r. decisão , guerreada seja reformada integralmente, anulandose, por conseqüência, o lançamento impugnado, das razões anteriormente expostas. Sem contrarrazões, vem os autos a este Conselho. É o relatório Fl. 85DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003511/200741 Acórdão n.º 240101.725 S2C4T1 Fl. 47 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. De início cumpre esclarecer que, conforme relatado, tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, a obrigação consiste na preparação de folha de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, sendo que a não inclusão nas folhas de pagamentos de segurados empregados e contribuintes individuais, caracteriza o descumprimento da obrigação acessória prevista na legislação previdenciária, art. 32, inciso I da Lei nº 8212/91 que assim determina: Lei n.º 8.212/1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) Tratando da matéria, o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, dispõe: Art.225. A empresa é também obrigada a: Ipreparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: Idiscriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 86DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 IIIdestacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IVdestacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e Vindicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (...) Em que pese as alegações da Recorrente, no sentido de que o Auto não pode ser mantido, uma vez que não houve descumprimento à legislação tributária, pois a Impugnante não está obrigada a entregar os documentos e livros ao fiscal pelo que dispõe o artigo 195 do CTN; Impõe considerar que o procedimento fiscal de verificar como a folha de pagamento da empresa encontra amparo na legislação previdenciária já citada, que está em total consonância com as disposições do artigo 195 do Código Tributário Nacional, e da súmula 439 do STF, que estabelecem: CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram SÚMULA 439 — STF Estão sujeitos à fiscalização tributária, ou previdenciária, quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto de investigação. Com relação à alegação de que a autuação é improcedente, pois a exigência da multa discutida não resiste a um exame de constitucionalidade e legalidade detalhado (artigo 5°, II e 37, caput da Constituição Federal e artigo 97 do CTN). Conseqüência direta do artigo 97 do CTN é o comando do artigo 112 do CTN que utilizou a expressão Lei, e não legislação tributária, que poderia compreender o Decreto, nos termos do artigo 96 do CTN. Que o Decreto 3048/99 não está a regulamentar dispositivo de lei, ao contrário, representa a própria qualificação e quantificação da inobservância da obrigação acessória. O artigo 142 do CTN apenas autoriza o Fisco à proceder ao lançamento de acordo com a Lei, o que também inclui, a respectiva sanção. Que há completa impossibilidade de se instituir tributo ou impor multa por meio de analogia, em razão de uma suposta lacuna porventura existente no sistema ou então fundamentar uma sanção sem previsão em Lei, sob pena de extravasamento do disposto no artigo 84, II da Constituição Federal. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003511/200741 Acórdão n.º 240101.725 S2C4T1 Fl. 48 7 Nesse sentido, como já sobejamente enfrentado na decisão de primeira instância, também não confiro razão ao argumento, pois é a Lei 8212/91 em seu artigo 32, I, que estabelece a obrigação de a empresa preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente, o Regulamento de Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, apenas regulamenta o padrão que deve ser observado pelas empresas para elaboração da folha. É também a Lei que estabelece a multa a ser aplicada. Além disso questionamento acerca de constitucionalidade e legalidade de lei vigente não é admitido na esfera administrativa, pois dispositivo legal, cuja ilegalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surtirá efeitos enquanto estiver vigente e será obrigatoriamente cumprido pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado (CTN, art.142, parágrafo único). Cumpre destacar, outrossim, que nos termos dos artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Demais disso, repitase que a obrigação imposta no citado artigo 32, inciso I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; impõe que seja discriminada as parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, ou seja, ainda que não houvesse a incidência de contribuição previdenciária, ela deve fazer parte da folha de pagamento. Dessa maneira, o não cumprimento da citada obrigação, definida em lei, impõe ao infrator, sanção administrativa, também prevista em lei e regulamentada no artigo 283, inciso I letra “a”, decorrente do presente Auto de Infração, lavrado de acordo com o disposto no artigo 293 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 88DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13888.002407/2006-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Data do fato gerador: 23/08/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO. Apesar de apenas debatida a questão da ilegitimidade passiva do autuado no voto vencido, ficou claro que houve uma discussão sobre sujeição passiva no colegiado, sendo que o voto vencedor nada discorreu sobre isso, ou seja, houve uma clara omissão no Acórdão embargado (voto vencedor), devendo conhecer-se dos aclaratórios, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF, pois necessariamente o voto vencedor deveria ter apresentado os motivos que levaram ao não acatamento da tese de ilegitimidade passiva deduzida no voto vencido, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, conhecidos os embargos de declaração, impossível não apreciar todos os pressupostos do desenvolvimento regular do processo administrativo fiscal, como a legitimidade da parte, que é pressuposto processual (art. 267, VI, do CPC) e matéria de ordem pública, não podendo deixar de ser conhecida em qualquer grau de jurisdição. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos, para apreciar a legitimidade do pólo passivo da autuação.
GANHO DE CAPITAL APURADO POR RESIDENTE NO EXTERIOR. RETENÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
O adquirente é responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior, sendo certo que tal legislação já se encontrava em vigor desde a publicação do Decreto-lei n° 5.844, de 1943.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.217
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer dos embargos, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (relatora) e Rubens Mauricio Carvalho. No mérito, por voto de qualidade, rerratifica-se o Acórdão n° 102-49.294, de 12 de setembro de 2008, sem efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada e negar provimento ao recurso. 0 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos acompanha a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Eivanice Canário da Silva. Designado para redigir o voto vencedor na preliminar o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Declaração de voto: Giovanni Christian Nunes Campos e Acacia Sayuri Wakasugi. Fez sustentação oral a Dra. Sandra Maria Faroni, Cédula de Identidade nº 102.788, Instituto de Identificação e Técnica Policial do Espírito Santo, por parte do contribuinte, e o Dr. Paulo Riscado, pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador: 23/08/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO. Apesar de apenas debatida a questão da ilegitimidade passiva do autuado no voto vencido, ficou claro que houve uma discussão sobre sujeição passiva no colegiado, sendo que o voto vencedor nada discorreu sobre isso, ou seja, houve uma clara omissão no Acórdão embargado (voto vencedor), devendo conhecer-se dos aclaratórios, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF, pois necessariamente o voto vencedor deveria ter apresentado os motivos que levaram ao não acatamento da tese de ilegitimidade passiva deduzida no voto vencido, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, conhecidos os embargos de declaração, impossível não apreciar todos os pressupostos do desenvolvimento regular do processo administrativo fiscal, como a legitimidade da parte, que é pressuposto processual (art. 267, VI, do CPC) e matéria de ordem pública, não podendo deixar de ser conhecida em qualquer grau de jurisdição. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos, para apreciar a legitimidade do pólo passivo da autuação. GANHO DE CAPITAL APURADO POR RESIDENTE NO EXTERIOR. RETENÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE. 0 adquirente é responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior, sendo certo que tal legislação já se encontrava em vigor desde a publicação do Decreto-lei n° 5.844, de 1943. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer dos embargos, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (relatora) e Rubens Mauricio O os — Presidente e Redator designado oura — Relatora Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 543 Carvalho. No mérito, por voto de qualidade, rerratifica-se o Acórdão n° 102-49.294, de 12 de setembro de 2008, sem efeitos infi-ingentes, para sanear a omissão apontada e negar provimento ao recurso. 0 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos acompanha a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Eivanice Canário da Silva. Designado para redigir o voto vencedor na preliminar o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Declaração de voto: Giovanni Christian Nunes Campos e Acacia Sayuri Wakasugi. Fez sustentação oral a Dra. Sandra Maria Faroni, Cédula de Identidad • 11' 788, Instituto de Identificação e Técnica Policial do Espirito Santo, por parte contribuint , e o Dr. Paulo Riscado, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Em sessão plenária de 12/09/2008, a Segunda Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, julgando o recurso n° 159.796, prolatou o Acórdão n° 102-49.294, assim ementado: GANHO DE CAPITAL. PERMUTAS. Aplicam-se its permutas as disposições referentes a compra e venda, logo os dispositivos legais da legislação do Imposto de Renda aplicáveis a compra e venda de bens e direitos, aplicam- se as permutas. Quando os bens permutados tem valores desiguais, os permutantes experimentam acréscimos ou decréscimos patrinioniais, conforme o caso. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONFISCO. 024-e Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C IT2 AcOrdiio n.° 2102-01.217 Fl. 544 A vedação constitucional ao confisco aplica-se tão-somente a instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. Acrescente-se que o resultado do julgamento foi de negar provimento ao recurso, por maioria de votos, restando vencido o relator, Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Cientificado do acórdão em 14/11/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 470, a contribuinte opôs embargos de declaração em 19/11/2008, fls. 471/475, alegando a existência de omissão no voto vencedor, que teria deixado de se manifestar sobre a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, tese que foi acolhida no voto vencido. Para melhor compreensão dos fatos, traz-se a seguir breve resumo da infração imputada à contribuinte e dos fatos apurados durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Verificação, Constatação e Esclarecimentos, fls. 265/274. Infração: A empresa Participações Celisa S/A, incorporada pela Cosan S/A Indústria e Comércio, em 15/04/2005, não reteve e não recolheu o Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital pagos a Pessoas Jurídicas Residentes no Exterior. Fatos apurados: CONSTITUIÇÃO DE 3 EMPRESAS, NO BRASIL, COM AS AÇÕES E QUOTAS DE EMPRESAS QUE DETINHAM 0 CONTROLE DA USINA DA BARRA S/A. Em 14/06/2002 foram constituídas as seguintes empresas: PON Participações S/A (capital social de R$ 5.000,00, sendo que Pedro Ometto Neto participa com R$ 4.394,47); Nova Primavera S/A (capital social de R$ 5.000,00, sendo que Sérgio Simões Ometto participa com R$ 4.990,00) e RSO S/A (capital social de R$ 5.000,00, sendo que Renata Simões Ometto participa com R$ 4.990,00). Pedro Ometto Neto, Sérgio Simões Ometto e Renata Ometto Simões são acionistas da Usina da Barra S/A. CELEBRAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE A COSAN E A PARTICIPAÇÕES CELISA. Em 20 e 21/08/2002, foram celebrados dois contratos de mútuo, de um lado, na condição de mutuante, a Cosan S/A Indústria e Comércio e, de outro, na condição de mutuária, Participações Celisa S/A. Valor de cada contrato R$ 57.400.000,00, resultando num total de R$ 114.800.000,00. PARTICIPAÇÕES CELISA S/A CONSTITUI 3 EMPRESAS NA COMUNIDADE DAS BAHAMAS. Em 21/08/2002, são constituídas nas Bahamas, as seguintes empresas: Shelton International Ltd - 75.697.582 ações - Capital = US$ 75.697.582; Presbury Holdings Limited - 15.540.075 ações - Capital = US$ 15.540.075 e Tempus Holdings Limited - 15.540.075 ações - Capital --- US$ 15.540.075. Total = Processo n° 13888.002407/2006-89 S2 -C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 545 US$ 106.777.732. Valor total dos Capitais equivalente em reais = R$ 332.331.029,06. Deste valor, R$ 111.852.912,00 foram integralizados A vista, com o dinheiro emprestado da Cosan, por meio do contrato de mútuo. Os valores que totalizam o montante acima foram remetidos As Bahamas, por meio do Banco Safra S/A. A diferença, ou seja, R$ 220.478.117,06 foi constituída por meio de notas promissórias. CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS EM PARAÍSO FISCAL, COM AS AÇÕES DA PON, NOVA PRIMAVERA E RSO. Em 22/08/2002 Pedro Ometto transfere as ações da Pon Participações S/A para Kado Limited, Sérgio Ometto transfere as ações da Nova Primavera Participações S/A para Artefact Limited e Renata Ometto transfere as ações da RSO S/A para Tainui Limited. PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ENTRE A EMPRESA PARTICIPAÇÕES CELISA S/A E AS EMPRESAS KADO LIMITED, ARTEFACT LIMITED E TAINUI LIMITED SEDIADAS NO PARAÍSO FISCAL COMUNIDADE DAS BAHAMAS. Em 23/08/2002, por meio de Instrumento Particular de Permuta de Participações Societárias, a Celisa, que detinha o controle de Shelton, Presbury e Tempus permuta com a Kado, Artefact e Tainui as ações da Pon, Nova Primavera e RSO, respectivamente. Participações Celisa S/A., empresa sediada no Brasil, entregou quotas de capital da Presbury, Shelton e Tempus, no valor de R$ 332.331.029,06, e recebeu em troca, da Kado, Artefact e Tainui, empresas sediadas nas Bahamas, ações da PON, Nova Primavera e RSO(empresas sediadas no Brasil) no valor de R$ 4.226,00. Em resumo, Participações Celisa entregou títulos (quotas) no valor de R$ 332.331.029,06 a empresas sediadas no exterior (Kado, Artefact e Tainui) e recebeu ações no valor de R$ 4.226,00. Essa transação resultou num ganho de capital para as empresas sediadas no exterior, no valor de R$ 332.326.803,06. Conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 15/04/2005, a Cosan incorpora a Participações Celisa S/A. Em suma, Cosan (via participações Celisa) adquiriu da Kado, Artefact e Tainui (cujos proprietários eram os donos da Usina da Barra por meio das ações da Pon, Nova Primavera e RSO) todo o controle da Usina da Barra S/A, pagando o preço de R$ 332.331.029,06, contra um custo das ações Pon, Nova Primavera e RSO no valor de R$ 4.226,00, gerando a operação um ganho de capital obtido pela Kado, Artefact e Tainui no valor de R$ 332.326.803,06. Cosan (via participação Celisa) deveria, portanto, ter retido o IR na fonte sobre o ganho de capital, obtido no Brasil, pelas empresas sediadas no exterior. É o relatório. thg Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 546 Voto ConselheiraMbia Matos Moura Os Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte são tempestivos. De pronto, vale destacar que a alegação de erro na identificação do sujeito passivo não foi suscitada na impugnação, tampouco no recurso, somente vindo à baila, por parte da recorrente, quando da apresentação dos embargos de declaração e quando da apresentação de Memorial, fls. 498/510, que somente foi juntado aos autos depois da apresentação dos embargos. Vale destacar que o relator ficou vencido, pois defendeu a tese de que permutar significa trocar e que nas permutas, sem torna, não há incidência do imposto. Contudo, na parte final do voto vencido o relator assim se pronunciou: Da forma com que deveria ter ocorrido a tributação: Quando do lançamento, existiam nos autos todos os elementos demonstrando que o caso concreto dizia respeito a apuração c/c ganho de capital na alienação das ações das empresas que detinham o controle acionário da Usina da Barra S/A, empresas estas pertencentes a Pedro Onietto Neto, Sérgio Simões Onietto e Renata Simões Ometto. Mais, estava devidamente caracterizado de que n14172 período de onze dias as partes realizaram uma série de atos formais, divorciados da realidade, com a finalidade de ocultar o verdadeiro negócio celebrado, qual seja, a aquisição pela COSAN S/A do controle acionário da Usina da Barra S/A, e o ganho de capital auferido por quem detinha as ações da empresa objeto da transação. Por oportuno, observo que a fiscalização fez o lançamento contra a COSAN S/A, que incorporou a CELISA S/A, porque em momento algum cogitou nos fundamentos da autuação, de qualquer acusação de que a operação feita entre as partes tenha sido objeto de atos simulados. Para o caso de se entender que os atos realizados pelas partes não seriam atos simulados, coin o que eu não comungo, não se poderia se tributar com base no contrato de permuta sob o argumento de diferença de valor entre os bens permutados. Ao concluir este voto, dando provimento ao recurso para cancelar o lançamento, o faço reconhecendo que a exigência do imposto deveria ter recaído contra os alienantes do controle acionário da Usina da Barra S/A, que em conjunto com a autuada, praticaram uma série de autônomos, de forma continuada, com a finalidade de ocultar o verdadeiro negócio celebrado entre as partes. x 49 Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 547 Ciente de que o imposto devido e não cobrado representa prejuízo a sociedade, em especial daqueles que mais necessitam do amparo do Estado, a pretexto de se compensar a falta de exigência do imposto não cobrado do verdadeiro devedor, não se pode exigir pagamento daquele que não estava obrigado a satisfação do tributo, mesmo que este, como é o caso concreto, tenha contribuído para que o devedor do imposto praticasse uma série de atos com a finalidade de não pagar o que lhe competia. ISSO POSTO, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar a exigência do crédito tributário, resultando prejudicado as denials questões alegadas pela recorrente. De outra banda, a contribuinte afirma no memorial que: (...) a época do fato gerador inexistia legislação que obrigava o ADQUIRENTE, no caso a ora embargante, a recolher o Imposto de Renda devido pela transação. Somente nos anos del 2003 e 2004, ou seja, após o fato gerador do caso em tela, quando da edição de legislação especifica, quais sejam a Lei n° 10.833, de 2003 e a IN SRF n° 407, de 17 de março de 2004, é que se foi imputada ao ADQUIRENTE a obrigação pelo recolhimento do imposto, (.) (..) que o artigo 27 da IN 208 de 2002, trazido no bojo do lançamento, especificamente para eleição do sujeito passivo da obrigação, dispõe que o tributo deve ser recolhido "pelo alienante ou seu procurador na data da alienação". Com efeito, conforme se verifica de forma cristalina, a embargante não é nem alienante (é adquirente), nem procuradora da alienante, fato este, que por si só invalida o lançamento em razão da ilegitimidade da embargante em ser parte nesse processo. Pois muito bem. 0 relator procurou fortalecer a sua tese de que o lançamento não poderia prosperar argüindo de oficio a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, por entender que houve simulação por parte dos envolvidos nos fatos descritos na autuação, de sorte que a tributação deveria recair sobre os detentores do poder acionário da Usina da Barra, quais sejam: Pedro Ometto Neto, Sérgio Simões Ometto e Renata Simões Ometto. Ocorre que esta não foi a tese vencedora no julgamento. Como bem afirmado no voto vencido, no Auto de Infração e no Termo de Verificação, Constatação e Esclarecimentos em nenhum momento imputou-se As pessoas jurídicas e fisicas envolvidas nas operações que deram causa ao lançamento a prática de atos simulados. Muito pelo contrário, a tributação se deu exatamente sobre o ganho de capital auferido pelas pessoas jurídicas Kado, Artefact e Tainui, conforme Instrumento Particular de Permuta de Participações Societárias, celebrado em 23/08/2002. É bem verdade, que o voto vencedor não se pronunciou sobre a tese levantada de oficio pelo Conselheiro Relator, entretanto, as alegações trazidas nos embargos de declaração são bastante diversas daquelas defendidas pela embargante. 0 Relator entendeu que o lançamento deveria recair sobre as pessoas fisicas: Pedro Ometto Neto, Sérgio Simões Ometto e Renata Simões Ometto, enquanto a embargante defende, em suma, a tese de que A Processo no 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 548 época do lançamento, não havia legislação que permitisse a exigência do imposto apurado sobre o ganho de capital auferido por residente no exterior, do adquirente. Ainda que o voto vencedor houvesse abordado a questão da legitimidade passiva, jamais enfrentaria as questões trazidas pela embargante, as quais eram à época em que fora redigido o voto vencedor, completamente estranhas ao processo. Nessa conformidade, há de se entender que não houve omissão no voto vencedor. Ressalte-se que, por maioria, negou-se provimento ao recurso, confirmando-se o lançamento nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração. Logo, não haveria que se falar em erro na identificação do lançamento, tese que somente foi trazida pelo relator para fortalecer seu voto no sentido de que o lançamento não deveria prosperar. Nesse ponto, vale dizer que o voto não necessariamente deve discorrer sobre todas as alegações formuladas pela defesa, quanto mais sobre teses trazidas de oficio pelo relator vencido, apenas para fortalecer sua decisão de cancelar o lançamento. Portanto, voto no sentido de não acolher os embargos de declaração, por entender inexistente a omissão apontada. Contudo, na sessão de julgamento, o colegiado, por maioria, conheceu dos embargos e em assim sendo passa-se a seguir ao exame das alegações apresentadas pela embargante. Vale destacar que, conforme já referido Instrumento Particular de Permuta de Participações Societárias, a pessoa jurídica Celisa S/A, que posteriormente foi incorporada pela Cosan S/A (recorrente), entregou quotas de capital da Presbury, Shelton e Tempus, no valor de R$ 332.331.029,06, e recebeu em troca, da Kado, Artefact e Tainui, empresas sediadas nas Bahamas, ações da PON, Nova Primavera e RSO (empresas sediadas no Brasil) no valor de R$ 4.226,00. Nessa conformidade, tem-se que Kado, Artefact e Tainui alienaram participações societárias para Celisa S/A, obtendo ganho de capital, que depois de reajustada a base de cálculo, atingiu o valor de R$ 390.972.708,48. Tem-se, portanto, que Celisa é a adquirente e Kado, Artefact e Tainui são as alienantes. Nesse ponto, vale lembrar o disposto no art. 685 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no Pais, a pessoa fisica ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n2 3.470, de 1958, art. 77, Lei n2 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n2 9.779, de 1999, arts. 72 e 82 ) : I- a aliquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação especifica neste Capitulo, inclusive: b)os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 549 Importa dizer que o disposto no artigo acima transcrito, já se encontrava vigente desde a publicação do Decreto-lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, os quais se encontram em pleno vigor até hoje: Dos rendimentos de residentes ou domiciliados no estrangeiro Art. 97. Sofrerão o desconto do impásto à razão de 15% os rendimentos percebidos. (Redação dada pela Lei n° 154, de 1947) a) pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no estrangeiro; (Vide Lei n°154, de 1947) b) pelos residentes no pais que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os referidos no art. 73; c) pelos residentes no estrangeiro que permaneceram no território nacional por menos de doze meses. Art. 100. A retenção do imposto, de que tratam os arts. 97 e 98, compete à fonte, quando pagar, creditar; empregar, remeter ou entregar o rendimento. (Vide Lei n°9.249, de 1995) Parágrafo único. Excetuam-se os seguintes casos, em que competirá ao procurador a retenção: a) quando se tratar de aluguéis de imóveis; b) quando o procurador não der conhecimento à fonte de que o proprietário do rendimento reside ou é domiciliado no estrangeiro. Do dispositivo acima citado, infere-se que os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no Brasil, a pessoa fisica ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte, inclusive os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos. E este é o caso dos autos, os alienantes, Kado, Artefact e Tainui, que obtiveram ganho de capital na operação de permuta, são pessoas jurídicas residentes no exterior e Celisa S/A, na qualidade de adquirente, era a responsável pela retenção do imposto de renda devido sobre o ganho de capital auferido pelas alienantes. Portanto, não pode prosperar a alegação da defesa de que à época da ocorrência do fato gerador do tributo inexistia legislação que obrigasse a embargante, a recolher o imposto de renda devido na transação. Registre-se que a alteração introduzida pelo art. 26 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, abaixo transcrito, foi no sentido de também obrigar a realização de retenção na fonte nos casos de alienação de bens localizados no Brasil, cujos adquirente e alienante sejam domiciliados no exterior. Nestes casos, o dispositivo legal mencionado, determinou que o procurador do adquirente ficasse responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital. Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 550 Art. 26. 0 adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Contudo, já existia previsão legal para que o adquirente, residente ou domiciliado no Brasil, efetuasse a retenção e o recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado pelo alienante, domiciliado ou residente no exterior. Ou seja, já existia previsão legal para a realização de retenção e recolhimento de imposto de renda quando da realização de pagamentos relativos a rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no Brasil, a pessoa fisica ou jurídica residente no exterior. Na exposição de motivos da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 2003, consta que o objetivo do art. 26 seria reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte não-residente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo, o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela não-residência do contribuinte em território nacional. Mais uma vez, deve-se verificar que a afirmação de que atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo se refere aos casos em que o alienante e o adquirente sejam residentes no exterior, visto que quando o adquirente é domiciliado no Brasil, já existia legislação que previa a obrigação de o adquirente reter e recolher o tributo, conforme disposto no Decreto-lei n° 5.844, de 1943. Vale dizer, ainda, que o art. 18 da Lei n° 9.249, de 1995, abaixo transcrito, não revogou a responsabilidade de o adquirente proceder à retenção do imposto sobre o ganho de capital auferido por residentes no exterior. Observe que os arts. 97 e 100 do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, não foram expressamente revogados, tampouco, pode-se falar em revogação tácita por incompatibilidade corn a lei superveniente. Art. 18. 0 ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no Pais. 0 artigo acima transcrito está relacionado à forma de apuração e tributação do ganho de capital, que se dá segundo as regras aplicáveis aos residentes no Brasil. Em outras palavras, dota o contribuinte de informações necessárias que devem ser consideradas para o cálculo do imposto devido, quais sejam: quais as datas de aquisição e de alienação a serem adotadas, quais os elementos que poderão compor o custo de aquisição, como apurar o lucro e qual a aliquota a ser aplicada. Entretanto, tais regras são perfeitamente compatíveis com a retenção na fonte, prevista nos arts. 97 e 100 do Decreto-lei n° 5.844, de 1943. Ressalte-se que a tributação definitiva é perfeitamente compatível com a retenção na fonte, cite-se como exemplo o imposto Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 551 de renda sobre o décimo terceiro salário, que tem tributação definitiva e sofre retenção na fonte. Aliás, seria totalmente incabível entender que a retenção de imposto prevista nos arts. 97 e 100 do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, fosse compensável, visto tratar-se de contribuinte não residente ou domiciliado no exterior. Por fim, vale observar que a Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2001, dispõe sobre a tributação, pelo imposto de renda, dos rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e dos ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos situados no exterior por pessoa fisica residente no Brasil e dos rendimentos recebidos e dos ganhos de capital apurados no Pais por pessoa fisica não-residente no Brasil. Logo, não se aplica aos casos em que o ganho de capital é apurado por pessoa jurídica. Ante o exposto, voto no sentido de não acolher os embargos de declaração, por entender inexistente a omissão apontada, entretanto, se esta não for a tese vencedora, voto para re-ratificar o Acórdão n° 102-49.294, de 12/09/2008, sem efeitos infringentes, sanear a omissão apontada e NEGAR provimento ao recurso. Niibia Matos Moura - Relatora Voto Vencedor Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos Inicialmente, não remanesce qualquer dúvida associada ao conhecimento destes embargos de declaração, como se explica a seguir, ressaltando que, no conhecimento, houve divergência em relação A. Conselheira relatora, sendo necessário designar um Conselheiro para apreciar essa preliminar de conhecimento, o que se faz a seguir. Apesar de apenas debatida a questão da ilegitimidade passiva do autuado no voto vencido, inclusive em vertente diferente da pugnada pelos ora embargantes, pois o então relator, vencido, entendia que a autuação deveria incidir sobre as pessoas fisicas detentoras do controle acionário da Usina da Barra, e os embargantes não seguem essa linha defensiva, mas apenas que a sujeição passiva deveria incidir sobre os alienantes (empresas domiciliadas no exterior), fica claro que houve uma discussão sobre sujeição passiva no colegiado, sendo que o voto vencedor nada discorreu sobre isso, ou seja, houve uma clara omissão no Acórdão embargado (voto vencedor), devendo conhecer-se dos aclaratórios, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF (Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma), pois necessariamente o voto vencedor deveria ter apresentado os motivos que levaram ao não acatamento da tese deduzida no voto vencido, o que não ocorreu, como já dito. Assim, conhecidos os embargos de declaração, impossível não apreciar todos os pressupostos do desenvolvimento regular do processo administrativo fiscal, como a legitimidade da parte, que é pressuposto processual (art. 267, VI, do CPC) e matéria de or em 10 Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-CIT2 AcOrdao n.° 2102-01.217 Fl. 552 pública, não podendo deixar de ser conhecida em qualquer grau de jurisdição. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos, para apreciar a legitimidade do pólo passivo da autuação. Superado o ponto precedente, a controvérsia resume-se a definir se a empresa domiciliada no Brasil, adquirente de bens de propriedade de empresa estrangeira, tem responsabilidade tributária pelo pagamento de ganho de capital na alienação de tais bens, corn evento ocorrido no ano de 2002. A partir deste ponto, faço declaração de voto, registrando as razões pelas quais entendo que o lançamento deve ser mantido. Enfatiza-se que se apreciará a sujeição passiva no enfoque trazido pelo embargante, desprezando as considerações do voto vencido, até porque nestes autos não houve qualquer desconsideração pela autoridade autuante dos negócios jurídicos perpetrados pelos alienantes e adquirente dos bens geradores do ganho de capital aqui tributado. No período de 1995 a 2003, não há dúvida que o ganho de capital auferido por empresa domiciliada no exterior deveria ser recolhido pelo alienante, pois a tributação dessa espécie de ganho de capital era regida pelo art. 18 da Lei n° 9.250/95, verbis: 0 ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no Pais. E corno ao ganho de capital auferido por empresa domiciliada no exterior deveria ser aplicada a regra dos aqui residentes, somente se pode imputar aos alienantes o ônus tributário, pois, para as operações ocorridas no Brasil, entre empresas aqui domiciliadas, o ônus do pagamento do imposto é da empresa alienante, regra geral da sujeição passiva tributária no âmbito do ganho de capital. Na evolução legislativa da matéria, em 2003, veio a lume o art. 26 da Lei 10.833/2003, assim vazado: 0 adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenalo e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o zanho de capital a que se refere o art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. (grifou-se) 0 artigo acima se aplica aos seguintes casos (observem-se as partes destacadas): 1) adquirente domiciliado no Brasil e alienante domiciliado no exterior -> Imposto de Renda do ganho de capital sob responsabilidade do adquirente; 2) adquirente domiciliado no exterior e alienante domiciliado no exterior -> Imposto de Renda do ganho de capital sob responsabilidade do procurador. 410 11 Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 553 Em uma leitura apressada do art. 18 da Lei no 9.250/95 e do art. 26 da Lei n° 10.833/2003, poder-se-ia imaginar que o imposto sobre o ganho de capital apurado no período 1996-2003, em operações de alienações de bens de propriedade de estrangeiros localizados no Brasil, adquiridos por empresas domiciliadas no Brasil, obrigatoriamente deveria ser imputado aos alienantes, sociedades estrangeiras. Assim normalmente o seria, desde que os recursos permanecessem no pais, eventualmente aplicados em outros negócios dos estrangeiros no pais. Assim ocorrendo, caso não houvesse pagamento do imposto sobre o ganho de capital pela sociedade estrangeira, o fisco tinha um grave problema para autuar o contribuinte alienígena, pois não detém poder tributário sobre sociedades estabelecidas no exterior, razão que levou o legislador a publicar o art. 26 da Lei n° 10.833/2003, na primeira vertente acima, imputando o ônus de retenção do IRRF ao adquirente localizado no Brasil. A segunda hipótese acima, quando o adquirente e o alienante são sociedades estrangeiras, no regime decaído do art. 18 da Lei n° 9.250/95, a dificuldade era ainda maior, somente restando, atualmente, a tentativa de imputação do ônus tributário ao procurador. Entretanto, pode ocorrer de o adquirente (empresa domiciliada no Brasil) ou um terceiro expatriar o ganho de capital da operação que foi auferido pelo estrangeiro, como ocorreu no caso aqui em discussão, conduta essa perpetrada pelo adquirente, que enviou os recursos para o exterior, o que tem o condão de desnaturar a regra do art. 18 da Lei n° 9.250/96, como se mostra a seguir. A empresa Participações Celisa S/A expatriou o ganho de capital obtido na operação aqui auditada, incorrendo na obrigação de reter o IRRF, a aliquota de 15%, não pelo art. 18 da Lei n° 9.250/96, cujo ônus era do alienante, sociedade estrangeira, mas pela regra dos art. 682 e 685 do Decreto n° 3.000/99 (Decreto-Lei n° 5.844/43), nas partes abaixo grifadas: Art.682.Estilo sujeitos ao imposto na fonte, de acordo corn o disposto neste Capitulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no Pais, quando percebidos: I - pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (Decreto-Lei n 2 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); (..) Art. 685.0s rendimentos, zanhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos = fonte situada no Pais, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos a incidência na fonte (Decreto-Lei n 2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n 2 3.470, de 1958, art. 77, Lei n 2 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n2 9.779, de 1999, arts. 72 e 89: 1-a aliquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação especifica neste Capitulo, inclusive: (.) (grifou-se) Ora, no momento em que o adquirente (ou qualquer terceiro) expatriou o ganho de capital, saiu da regra do art. 18 da Lei n° 9.250/96 (imputação do ônus tributário ao alienante, domiciliado no exterior), incorrendo na regra geral de tributação do envio de rendimentos ao exterior (como no caso de ganho de capital), acima destacado, com imputação do ônus tributário para a fonte que expatriou os recursos (adquirente ou terceiro). Aquela fonte 4 Giovanni Christian Nunes — Redator esign ado Declaração de Voto Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 554 que expatriar o ganho de capital deve sofrer o ônus tributário. E, no caso vertente, quem expatriou o ganho de capital foi a Participações Celisa S/A, devendo sofrer o ônus tributário acima destacado, como imputado pela autoridade autuante no auto de infração aqui em discussão (fl. 278). Com as considerações acima, entendo que não assiste razão ao embargante, devendo ser rerratificado o Acórdão/no 102- .29 , para manter o resultado do julgamento. Conselheira Acácia Sayun Os Embargos de Decla ça. apresentados pela contribuinte são tempestivos, como corretamente sinalad pela onsel ira Relatora, contudo passo a fazer minha divergência do voto da Ilustre onselheira Relatora. Diferente do entendimento da Nobre Relatora, entendo estar caracterizada referida omissão devendo-se portanto, adentrar ao mérito da discussão, haja vista que a matéria argüida pela embargante é de ordem pública, visto ser uma das causas do artigo 267 do Código de Processo Civil, reforçando assim a necessidade de apreciação dos presentes Embargos, ainda que de oficio. Destarte a apresentação das alegações quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, em sede de Embargos ou por Memorial, não poderá ser fundamento motivacional, para a não análise da matéria, ora em comento, por ser norma, como já aduzido, de ordem pública, tudo nos termos do que dispõe o artigo 535 do Código de Ritos: Art. 535. CPC: "Cabem embargos de declaração quando: I - houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal." Nos termos das lições processuais, tem-se que a matéria de ordem pública não se sujeita à preclusdo, pois estas ditas matérias dizem respeito As condições da ação e aos pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido do processo. Como é sabido e ressabido, as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional, não se operando a preclusão (CPC, art. 301, § 4° e art. 303, inc. II). 0 fenômeno da preclusão nada mais é que (i) um acontecimento ou, simplesmente, um fato "resultado da ausência de outro (inércia durante o tempo útil destinado ao desempenho de certa atividade)" — preclusão temporal; ou (ii) a "ou como conseqüência de determinado fato que, por ter sido praticado na ocasião oportuna, consumou a faculdade (para a parte) ou o poder (para o juiz) de praticá-lo uma segunda vez" — preclusão consumativa; ou ainda (iii) a "ou ainda como decorrência de haver sido praticado (ou não) algum fato, incompatível corn a prática de outro" — preclusão lógica. 44 13\ Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Ac6rdzio n.° 2102-01.217 Fl. 555 Em matéria de preclusão, dúvida não há de que, em grau de importância para o processo civil (e porque não dizer, para a vida dos direitos), os efeitos superam o acontecimento. Como é natural, esses efeitos são de ordem variada, podendo repercutir ou não sobre o desfecho final do processo. Assim, afastar a ocorrência de preclusdo em determinadas situações 6, em síntese, tutelar o resultado do processo. Mas, exatamente para que isso não se torne regra e impeça a solução final do processo, para que o fenômeno da preclusão para as partes não ocorra é preciso que haja expressa previsão legal. Dai a razão, eminentemente de caráter metodológico, que justifica a existência do § 3o do art. 267 do Código de Processo Civil. Para o juiz, a preclusão não pode ser causa de perpetuação de injustiças. Em determinadas situações excepcionais, e dentro dos poderes que lhe são conferidos, torna-se imperativo afastar a preclusão. E no que se refere ao mérito do presente processo administrativo, tem-se que a discussão trazida a baila não é nova e já foi objeto de debates pela antiga 4 a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na Relatoria do Ilustre Dr. Pedro Paulo Pereira Barbosa. Vejamos: "GANHO DE CAPITAL. ALIENANTES, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Após a vigência da Lei n. 9.249, de 1995, e antes da Lei n. 10.833, de 2003, o imposto sobre ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente." (Acórdão n. 104-22.281 de 28 de março de 2007 — relatoria Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa) A autuação fiscal combalida, está embasada nos artigos 682 e 685, parágrafo 2°, inciso I do RIR199, que em face das questões ora manejadas, imperioso colacionar o texto de lei: Art. 682.Estdo sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capitulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no Pais, quando percebidos: I - pelas pessoas fisicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (Decreto-Lei 112 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); II - pelos residentes no Pais que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os mencionados no art. 17 (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b"); III - pela pessoa fisica proveniente do exterior, coin visto temporário, nos termos do § 12 do art. 19 (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 97, alínea "c", e Lei n°9.718, de 1998, art. 12); IV - pelos contribuintes que continuarem a perceber rendimentos produzidos no Pais, a partir da data em que for requerida a Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 556 certidão, no caso previsto no art. 879 (Lei n2 3.470, de 1958, art. 17, § 32). Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no Pais, a pessoa fisica ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos a incidência na fonte (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n2 3.470, de 1958, art. 77, Lei n2 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n2 9.779, de 1999, arts. 72 e 82): I-a aliquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação especifica neste Capitulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições. Ji - à aliquota de vinte e cinco por cento: a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vinculo empregaticio, e os da prestação de serviços; b) ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX X e XI do art. 691, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado enz pais que não tribute a renda ou que a tribute a aliquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 245. § P Prevalecerá a aliquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no Pais, quando superior a quinze por cento (Decreto-Lei n2 2.308, de 1986, art. 22, e Lei n 2 9.249, de 1995, art. 18). § 22 No caso do inciso II, a retenção na fonte sobre o ganho de capital deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante residente ou domiciliado no exterior. § 32Q ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no Pais (Lei n2 9.249, de 1995, art. 18). Ocorre, entretanto, que tais dispositivos, cujo fundamento de validade é o Decreto 5.844/1943, tratam apenas de forma genérica acerca da responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto de renda nos casos de remessa, pagamento, entrega, etc., de rendimentos a pessoas fisicas e jurídicas residentes no exterior. Ademais, até a edição da Lei n. 10.833/2003 sequer havia dispositivo de lei, em sentido estrito, que tratasse desta matéria, e que atribuísse de forma cristalina e expressa, a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior. 4 15 Processo n° 13888.002407/2006-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 557 Assim, o que não se admite é que referida norma, de caráter genérico, seja o fundamento de validade para tal exigência do adquirente. Até porque, com o advento da Lei 9.249/1995 igualou-se o tratamento tributário do ganho de capital dos residentes no exterior ao dos residentes no Brasil, onde não está prevista a hipótese de retenção na fonte. Veja-se: "Art. 18 Lei 9.249/1995 — 0 ganho de capital auferido por residentes ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no Pais." Diante de referida norma, a partir de 1995, sequer havia previsão legal acerca da responsabilidade do adquirente', como fonte pagadora, de efetuar a retenção do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido por residentes no exterior. A previsão legal especifica desta situação somente surgiu com a edição da Medida Provisória n. 135 de 2003, convertida na Lei n. 10.833/2003, conforme se extrai do artigo 26, "verbis": "Art. 26 — 0 adquirente, pessoa fisica ou jurídica, residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil." Vale lembrar, ainda, o que constou na exposição de motivos da Medida Provisória n. 135/2003, em que é evidente a mudança de regime jurídico em relação a esta matéria, ao mencionar que "atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo". Peço vênia para descrever o seguinte trecho: "0 artigo 24 tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte não residente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributeiria, sobretudo pela não residência do contribuinte em território nacional." (grifei) Por fim, como já havia mencionado anteriormente, a presente matéria já foi devidamente debatida neste tribunal administrativo, conforme ementa abaixo: "IRRF. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO — 0 ganho de capital apurado pelo residente e domiciliado no exterior está sujeito tributação definitiva e o responsável pelo recolhimento do imposto é o alienante ou o seu procurador. "(Acórdão n. 106- 15.151 de 08 de dezembro de 1995 — Relatoria Conselheira Sueli Efigencia Mendes Brito) 1 Vale repisar a norma geral do art. 685, inciso II, parágreffb 2". No caso do inciso //, a retenção na . finite sobre o ganho de capital deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo ..1k, responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior. 16 • Proccsso no 13888.002407/2006-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.217 Fl. 558 Conclui-se, desta forma, que no ano de 2002, período em que ocorreu a operação, não havia previsão legal genérica, tampouco especifica, para se exigir do adquirente, no caso a ora Embargante, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital na hipótese de alienante residente no exterior. Vez que na época em que ocorreram os fatos, o ganho de capital obtido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte brasileira, sujeitava-se ao pagamento do imposto de renda no Brasil segundo as regras aplicáveis às pessoas físicas: tributação em separado, á. aliquota de 15%, competindo ao alienante ou seu procurador o pagamento do imposto. Não existindo, a época, previsão legal atribuindo ao adquirente o dever de pagar o imposto, sendo assim o lançamento efetuado contra o embargante, incorre em vicio de erro na identificação do sujeito passivo. Pelo expost9, ACO HO Os presentes Embargos de Declaração, dando ao mesmo efeitos infringentes, paii—supriNa omissão incorrida e reformar o Acórdão n. 102- 49.294, para o fim de canceio presente lançmento tributário, pelas razões acima expostas. --t Acácia_Sa ri Waka ugi - Relatora 1 , , ,... _ / 17
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000239/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, inclusive complementação, percebidos por pessoa física portadora de moléstia grave.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, inclusive complementação, percebidos por pessoa física portadora de moléstia grave. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 20/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Eivanice Canário Da Silva, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima Relatório Fl. 94DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10120.000239/200751 Acórdão n.º 210201.222 S2C1T2 Fl. 89 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 42 a 46 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado por auditorfiscal da Delegacia da Receita Federal em Goiânia/GO, auto de infração (fls. 08/12) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 03/01/2007, conforme Aviso de Recebimento de fls. 20. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído, conforme Demonstrativo do Crédito Tributário (fls. 08): Imposto Suplementar 2.603,68 Multa de Ofício (passível de redução) 1.952,76 Juros de Mora (cálculo até nov/2006) 1.549,97 Crédito Tributário Apurado 6.106,41 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício, conforme informação na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDirf: Fonte Pagadora CNPJ Dirf Rend. Declarado Rend. Omitido IRRF s/omissão Instituto Nacional do Seguro Social 29.979.036/000140 13.364,82 0,00 13.364,82 0,00 O Enquadramento Legal encontrase às fls. 09. COMPENSAÇÃO Indevida De IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, referente ao imposto de renda retido na fonte sobre 13º salário. Valor glosado: R$ 110,43. O Enquadramento Legal encontrase às fls. 09. Em 16/01/2007, no pedido de impugnação, o contribuinte informa que por orientação da SRF em Goiânia deveria retificar suas declarações informando a renda isenta por ser portador de doença especificada em lei, conforme laudo médico; não recebeu intimação para esclarecimentos; solicitou junto ao INSS a classificação do provento com renda não sujeita retenção do Imposto de Renda; os rendimentos estão declarados na linha de rendimentos isentos e não tributáveis; Requer acolhida a presente impugnação. É o Relatório. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10120.000239/200751 Acórdão n.º 210201.222 S2C1T2 Fl. 90 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o contribuinte não juntou aos autos o ato de concessão da aposentadoria, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme o art. 17, do Decreto nº 70.235/72, com a redação da Lei nº 9.532/97. O crédito tributário correspondente se sujeita à imediata cobrança. ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 51 a 55, alegando em síntese: a) Minha renda declarada é provento de aposentadoria recebida do INSS, e comprovo com laudo de médico perito do INSS ser portador de moléstia grave desde 29/01/2002. Por isso declarei rendimento isento. E não omiti receita como foi apontado no auto de infração por isso não devo o imposto cobrado. b) Discordo absolutamente da matéria considerada não impugnada, pois recebi apenas um auto de infração, um calculo de alteração e uma apuração de imposto suplementar a recolher. E protocolei impugnação tempestiva em 16/01/2007. Trata um único provento. Por isso venho requerer o direito de solicitar devolução do valor indicado a recolher imediatamente, e que, por precaução a restrições e maiores prejuízos foi recolhido. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 96DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10120.000239/200751 Acórdão n.º 210201.222 S2C1T2 Fl. 91 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO O Objeto do lançamento envolveu duas infrações, fl. 09, decorrentes do não reconhecimento da isenção dos rendimentos percebidos do INSS conforme extrato de fl. 40: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e 2) Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte referente ao 13o salário. A razão da glosa conforme o Despacho Decisório de fl. 05, anterior a autuação, foi a falta de provas que tais rendimentos, incluindo o 13o. salário e a respectiva retenção do IR, seriam oriundos de pensão, proventos de aposentadoria ou reforma. Ciente do despacho e da autuação o contribuinte, impugnou, fls. 01/02, onde logo de início assevera: Justifico que, a divergência do valor declarado para o valor alterado por lançamento de oficio no total dos rendimentos tributáveis, é referente a rendimentos pagos pelo INSS, proveniente de beneficio de aposentadoria por tempo de serviço Data vênia o entendimento da DRJ que entendeu que a questão da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte referente ao 13o salário, não teria sido impugnada, considerando que a retenção indevida dessa fonte ocorreu justamente pela falta de provas que tais rendimentos, incluindo o 13o. salário e a respectiva retenção do IR, seriam oriundos de pensão, proventos de aposentadoria ou reforma, conforme o Despacho da DRF de fl. 05 e o contribuinte por toda a sua impugnação trata desse assunto, considero que o contribuinte impugnou sim ambas as infrações que merecem ser julgadas. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. O cerne do que se discute é a isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa/SRF/nº 25, de 29/04/1996, que já dispunha sobre a matéria anteriormente ao Decreto n. 3.000/99, determina, em seu art. 5º, parágrafos 1º e 2º, o seguinte: Art. 5º (...) Fl. 97DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10120.000239/200751 Acórdão n.º 210201.222 S2C1T2 Fl. 92 5 § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: ... b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.” Ao cuidar deste tema, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, fixou as seguintes regras: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Como se vê, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar a moléstia. Nessa linha a prova que é portador de moléstia grave já foi superada (fl. 03) já que a única motivação do lançamento foi a falta de provas que tais rendimentos, incluindo o 13o. salário e a respectiva retenção do IR, seriam oriundos de pensão, proventos de aposentadoria ou reforma. De outro lado, observo que o contribuinte juntamente com o seu recurso apresentou vasta documentação, especialmente as certidões do INSS de fl. 65/66 atestando que o requerente é aposentado, por tempo de serviço, com início do benefício em 09/08/1999. Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço médico oficial e rendimento de aposentadoria estão presentes e assim a contribuinte faz jus ao benefício da isenção pleiteada e é devida a restituição pleiteada na declaração retificadora. CONCLUSÃO Pelo exposto, supero a questão da matéria considerada não impugnada e por economia processual, supero também a questão da supressão de instância e VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelada a autuação e reconhecido o direito à repetição do IRRF pago indevidamente. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10120.000239/200751 Acórdão n.º 210201.222 S2C1T2 Fl. 93 6 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 99DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 15471.002715/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.071
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que seja reduzida a omissão de rendimentos na autuação de R$ 12.559,52 para RS 8.437,97, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membr s'aTi'Tolegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao recurso, para ,qt1e seja reduzida a omissão de rendimentos na autuação de R$ 12.559,52 para RS 8.437,97, nds termo oto do Relator. Giova si Christian Nu idente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acacia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 58 a 60 da instância a quo, in verbis: Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.02/05 relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2004 para cobrança do imposto de renda pessoa fisica-suplementar no valor de R$ 2.514,73, acrescidos de multa de oficio e de juros de mora. O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, no valor de R$ 12.559,52. O enquadramento legal encontra-se As fls.03/04. Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação de f1.01, alegando que é portadora de cardiopatia grave, conforme laudos medicos em anexo, desde março de 2002. Em 05/06/2009, os autos foram encaminhados ã Junta Medica da GRA/RJ, que, em atenção, expediu o laudo de fl.50. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou improcedente a impugnação, considerando que não restou comprovado que o rendimento autuado como omisso, é rendimento de aposentadoria ou pensão, conforme excerto do voto a seguir: No presente caso, verifica-se, com base no laudo oficial de fl. 50, que a interessada é portadora de cardiopatia grave no ano de que trata a presente lide. Quanto ao outro requisito indispensável a concessão da isenção, é de se destacar, primeiramente, que a contribuinte, no ano- calendário 2004, recebeu rendimentos da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado, no valor de R$ 17.508,00. Frise-se que os rendimentos recebidos da UERJ têm a natureza de aposentadoria, conforme documentos de fls.32 e 41, cabendo ressaltar, no entanto, que o montante recebido da citada Universidade não foi considerado como omisso no lançamento. Com relação ao rendimento apontado como omisso pela autoridade fiscal no auto de infração (11.03), recebido da Secretaria de Administração e Reestruturação cio Estado, constata-se, da análise de toda a documentação acostada ao processo, que a contribuinte não comprovou que o montante omitido relativamente a essa fonte pagadora se refere a rendimento de aposentadoria ou pensão. (destaquei) Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fl. 64, insistindo que era aposentada conforme documentos de fls. 65 a 67. 2 Dessa forma, entendo que deve ser retificada a autuação. Para isso, com base no Demonstrativo da notificação de fl. 03 e na tabela acima, obtemos o seguint 3 Processo n° 15471.002715/2007-11 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.071 Fl. 13 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto ri° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO. No presente recurso o sujeito passivo busca comprovar que o rendimento tratado como omisso, recebido da Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado, é rendimento de aposentadoria, uma vez que na instância anterior, como visto no Relatório, apenas esse requisito foi óbice para o indeferimento do pleito da contribuinte. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. PROVA. Nesse sentido, a recorrente juntou aos autos, fls. 66/67, cópia do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, de 16 de outubro de 2006, atestando que a contribuinte está aposentada como professora pela Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado, com eficácia desde 27 de outubro de 2004. Ocorre que sendo o rendimento, objeto dessa lide, percebido ao longo do ano-calendário 2004, reconheço que a contribuinte faz jus a isenção pleiteada, contudo, somente a partir do mês de outubro de 2004. Assim, sendo, analisando a Dirf Retificadora de fl. 52, datada de 01/05/2009, obtemos a seguinte tabela: Jan 1.441,48 Fey 1.770,62 Mar 1.441,48 Abr 1.441,48 Mal 1.441,48 Jun 1.441,48 Jul 1.602,51 Ago 1.402,51 Set 1.402,51 13.385,55 Valor tributável de Jan a set Out 1.402,51 Nov 1.359,97 Dez 1.359,97 4.122,45 Valor isento Notificação, fl. 3 Dirf Retificadora, fl. 52 Rendimento 17.508,00 13.385,55 Declarado 4.948,48 4.948,48 Rendimento Omitido 12.559,52 8.437,07 Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço médico oficial e rendimento de aposentadoria estão presentes e assim a contribuinte faz jus ao beneficio da isenção pleiteada a partir de 27 de outubro de 2004. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para que seja reduzida a omissão de rendimentos na au ação de R$ 12.559,52 para R$ 8.437,97. Rubens Mauricio Carvalho - Relator 4
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Numero do processo: 11080.005615/2002-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS.
As aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas e de pessoas físicas, utilizados pelo produtor exportador, na industrialização dos produtos exportados, geram créditos presumido do IPI, nos termos do julgamento do RESP 993164 prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC).
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NEM CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO
Os produtos que não se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos da legislação do IPI, não geram créditos presumido desse imposto, a título de PIS e Cofins.
COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA
Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO
Anão dedução, por parte da autoridade administrativa competente, dos
valores referentes a devoluções e a IPI sobre outras aquisições, nNão utilizadas no processo de industrialização das mercadorias exportadas, para apuração do crédito presumido do IPI, não configurou erro material pelo fato de aquelas não integrarem a base de cálculo desse benefício.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos respectivos Per/Dcomps implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nos respectivos Per/Dcomps até o limite do ressarcimento reconhecido.
Numero da decisão: 3301-000.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
O Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello dava com maior extensão. Acompanhou o julgamento a advogada Adriana Oliveira e Ribeiro, OAB nº 19961.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas e de pessoas físicas, utilizados pelo produtor exportador, na industrialização dos produtos exportados, geram créditos presumido do IPI, nos termos do julgamento do RESP 993164 prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC). RESSARCIMENTO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NEM CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO Os produtos que não se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos da legislação do IPI, não geram créditos presumido desse imposto, a título de PIS e Cofins. COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO Anão dedução, por parte da autoridade administrativa competente, dos valores referentes a devoluções e a IPI sobre outras aquisições, nNão utilizadas no processo de industrialização das mercadorias exportadas, para apuração do crédito presumido do IPI, não configurou erro material pelo fato de aquelas não integrarem a base de cálculo desse benefício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos respectivos Per/Dcomps implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nos respectivos Per/Dcomps até o limite do ressarcimento reconhecido.
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CRÉDITOPRESUMIDO Recorrente AVIPAL S/A AVICULTURA E AGROPECUÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas e de pessoas físicas, utilizados pelo produtor exportador, na industrialização dos produtos exportados, geram créditospresumido do IPI, nos termos do julgamento do RESP 993164 prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC). RESSARCIMENTO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NEM CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO Os produtos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos da legislação do IPI, não geram créditospresumido desse imposto, a título de PIS e Cofins. COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DO CRÉDITOPRESUMIDO A nãodedução, por parte da autoridade administrativa competente, dos valores referentes a devoluções e a IPI sobre outras aquisições, nãoutilizadas no processo de industrialização das mercadorias exportadas, para apuração do créditopresumido do IPI, não configurou erro material pelo fato de aquelas não integrarem a base de cálculo desse benefício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). HOMOLOGAÇÃO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos respectivos Per/Dcomps implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nos respectivos Per/Dcomps até o limite do ressarcimento reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello dava com maior extensão. Acompanhou o julgamento a advogada Adriana Oliveira e Ribeiro, OAB nº 19961. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre, RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu parcialmente o direito da recorrente ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, apurado e reclamado para os 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2001, e homologou as compensações dos débitos fiscais declarados até o limite do ressarcimento reconhecido. O reconhecimento parcial decorreu das glosas dos créditospresumido apurados sobre os custos com: i) óleo combustível, diesel e lubrificante utilizados em veículos automotores; ii) grades, gaiolas e caixas utilizadas para transportes de aves; iii) gás liquefeito de petróleo (GLP) e material de consumo; iv) lenha de eucalipto e cavaco de madeira utilizados nos fornos e caldeiras; v) peças e máquinas utilizadas na manutenção do ativo imobilizado; vi) refrigerantes (cocacola) e produtos alimentícios revendidos para empregados; vii) carvão mineral e briquetes utilizados nas caldeiras; viii) produtos de limpeza e veneno para tratamento de esgoto industrial; e, ix) gases industriais utilizados na manutenção e nas câmaras de refrigeração. Cientificada do despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 226/239, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido, na integra, o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “2.1 – Alega que houve erros materiais no Termo de Verificação Fiscal que teria excluído o valor do IPI somente do valor das ‘compras para indústria’, enquanto que as ‘compras p/comércio e de ‘importação’ foram acrescidos na Tabela 4, mas diminuídos na Tabela 5, o que afetou unicamente as ‘compras para indústria’, visto que o valor do IPI deveria ser rateado pelos três tipos de compras, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11080.005615/200276 Acórdão n.º 330100.859 S3C3T1 Fl. 362 3 ou seja, pelas três primeiras colunas da Tabela 4. Um segundo erro teria ocorrido na exclusão das exportações de grãos de soja, no valor de R$ 3.382.089,00, no 3° trimestre, que teria sido deduzido duas vezes, conforme Tabela 03, devendo ser retificado para se chegar ao correto cálculo. 2.2 – Protesta pelas glosas de compras de pessoas físicas e de cooperativas, efetuadas com suporte nas Instruções Normativas SRF nºs 23, de 13 de março de 1997, e 103, de 30 de dezembro de 1997, cujo art. 2° de cada uma transcreve, à fl. 232, alegando que a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, não impôs exata essa condição, ou seja, não exige que haja incidência das contribuições sobre as aquisições de insumos para efeito de determinar a base de cálculo do benefício, devendo ser considerado o valor total das aquisições dos insumos referidos na norma legal; que ao Fisco não é dado o direito de recusar o reconhecimento do crédito presumido estabelecido em lei, trazendo à colação Acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais/CSRF, cujas ementas transcreve, às fls. 235/236. 2.3 – Glosa de Outras Compras que não se enquadram como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem: combate a IN 23 e 103, ambas 1997, que adotam excessivo e indevido apego aos conceitos de matériaprima(MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), insumos, consignados na legislação do IPI, quando na verdade não é isso que diz a Lei n° 9.363, de 1996, conforme parágrafo único do art. 3°, que transcreve à fl. 237, que se refere à utilização subsidiária da legislação do IPI, dizendo que a autoridade fiscal inverteu a ordem dos critérios colocados no citado parágrafo único que fala em ‘subsidiariamente’ é porque deve haver um critério principal, passando a examinar o termo ‘subsidiário’ à luz do dicionário de Aurélio Buarque de Holanda; repisa que a autoridade fiscal desprezou o conceito da Ciência Econômica e os fenômenos da produção, onde se inserem todos os insumos, para se basear unicamente no critério subsidiário da legislação do IPI, admitindo somente aqueles que geram crédito de IPI, não se justificando as glosas das compras daqueles produtos mencionados no item 1.1;’e’, acima.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 5.294, datado de 24/02/2005, às fls. 260/269, sob as seguinte ementa: “Crédito Presumido de IPI Não compõem o cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, não contribuintes do PIS e da Cofins sobre o faturamento. Da mesma forma, o valor das aquisições de produtos que não sejam matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na definição da legislação do IPI, não entram no cálculo do beneficio. Matéria não contestada expressamente tornase definitiva na esfera administrativa.” Ainda, segundo a decisão recorrida “os valores de fretes e do consumo de energia elétrica (demonstrativo de fls. 78/89 e da fl. 199), desconsiderados pela fiscalização no cálculo do crédito presumido, não foram contestados, bem ainda os valores relativos à devolução de compras e as aquisições de insumos do exterior (item 1.1, letras ‘h’ e ‘c’, do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 relatório acima) presumindose concordância tácita do requerente, restando definitivas as exclusões na esfera administrativa”. Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 287/312, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado e a homologação das compensações de todos os débitos fiscais declarados neste processo e no de nº 11080.005463/200210, alegando, em síntese, preliminarmente, que, ao contrário do que consta da decisão recorrida, contestou a glosa do ressarcimento sobre os custos com energia elétrica e fretes, e, no mérito, que faz jus aos créditospresumido do IPI, apurados sobre os custos com insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas e outros custos e despesas com bens que não se enquadrariam nas definições legais de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Para fundamentar seu recurso, expendeu, às fls. 295/312, extenso arrazoado sobre: i) erro material no termo de verificação fiscal; ii) glosas das compras de pessoas físicas e de cooperativas; iii) glosas de “outras compras” que se enquadram na definição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem; e, iv) homologação das compensações, concluindo, ao final, que: i) a autoridade fiscal deduziu os valores relativos à “devolução” e ao “IPI” somente das “compras para indústria”, quando deveria ter deduzido também das matériasprima, produtos intermediários e matérias de embalagem, adquiridos para emprego na indústria, comercializados no mercado interno e nas importações; ii) é indevida a glosa sobre aquisições de cooperativas e pessoas físicas, uma vez que a Lei nº 9.363, de 1996, não condiciona a exigência do beneficio fiscal do PIS e da Cofins sobre tais aquisições; iii) o conceito de insumos fixado pela legislação do IPI deve ser utilizado subsidiariamente para se classificar os insumos, em relação ao créditopresumido do IPI, de modo que todos os custos diretos e/ ou indiretos incorridos na fabricação dos produtos exportados gerem esse benefício fiscal; e, iv) o ressarcimento ora pleiteado será suficiente para compensar os débitos declarados neste processo e no de nº 11080.005463/200210, devendo ser homologadas todas as compensações, objeto de ambos os processos. Sorteado e distribuído o processo ao Conselheiro Antônio Carlos Atulim, os Membros da Segunda Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes baixaram os autos em diligência, conforme Resolução nº 20200.973, datada de 28/03/2006, às fls. 345/347, para: “1) intimar a contribuinte a apresentar, o arrolamento de bens próprios ou a comprovar uma das condições previstas nos §§ 1º e 2º do art. 2º da IN SRF nº 264/2002; 2) cumprir o que determina o art. 42 da IN SRF nº 264/2002; 3) informar a data em que o recurso voluntário foi recepcionado pela DRF/Porto Alegre RS, esclarecendo se a inscrição em tinta azul, que consta logo em seguida à assinatura do advogado na fl. 287, foi inserida ou não pelo TRF Humberto Didimo R. Inda, conforme carimbo aposto na mesma folha”. Atendida a diligência os autos retornaram a esta 1ª Turma de Julgamento para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11080.005615/200276 Acórdão n.º 330100.859 S3C3T1 Fl. 363 5 Preliminarmente, ao contrário da alegação da recorrente, de que não contestou, em sua manifestação de inconformidade, as glosas do créditopresumido do IPI referentes aos custos com energia elétrica e fretes pelo fato de não haver registro expresso de exclusão de valores relacionados àqueles custos no termo de verificação fiscal (fls. 196/204), do seu exame verificase que dele consta literalmente (fls.198), “. . . Pela memória de cálculo (doc. fls. 78 a 89) observase que o contribuinte incluiu entre as suas compras totais indevidamente os custos com energia elétrica (CFOP 142) e com frete”. Quanto à energia elétrica, tratase de matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos termos da súmula nº 19, in verbis: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Dessa forma, em relação à suscitada glosa dos créditospresumido do IPI apurados sobre os custos com energia elétrica, aplicase esta súmula, assim como sobre combustíveis, suscitada no item das glosas de “outras compras”. Já em relação ao frete, nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, art. 1º, inexiste amparo legal para se apurar créditopresumido do IPI sobre tais despesas. Além disto, em seu recurso voluntário, a recorrente não apresentou quaisquer fundamentos ou razões para se apurar créditopresumido sobre despesas com frete, se limitando a esclarecer: “Ocorre que não há qualquer registro expresso de exclusão de valores relacionados a frete e/ou energia elétrica no referido TVF, razão pela qual não seria pertinente a manifestação da Recorrente sobre essa matéria tributária”. As demais questões de mérito opostas nesta fase recursal se referem a: i) erro material no termo de verificação fiscal; ii) glosas das compras de pessoas físicas e de cooperativas; iii) glosas de “outras compras” que se enquadram na definição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; e, iv) homologação das compensações. i) erro material no termo de verificação fiscal Conforme consta da Tabela 04 (fls. 199) e demonstrado na decisão recorrida, os valores excluídos correspondentes a IPI nas aquisições de matériasprima, produto intermediário e material de embalagem que geraram créditospresumido de IPI, nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, foram obtidos dos arquivos apresentados pela própria recorrente. Se os valores constantes daqueles arquivos estavam incorretos, caberia a ela apresentar os valores corretos. Contudo não o fez na fase impugnatória nem na recursal. De acordo com a Lei nº 9.363, de 13/12/1996, apenas as compras para industrialização, efetuadas no mercado interno, ou seja, as aquisições de matériasprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizados na industrialização dos produtos exportados, geram créditospresumido do IPI, a título de PIS e Cofins pagas nas suas aquisições. Assim, não há que se falar na exclusão dos valores de IPI sobre outras aquisições, dentre elas sobre bens importados, ainda que de insumos utilizados na Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 industrialização dos produtos exportados, nas aquisições de bens para revenda e de materiais não classificados como insumos nem consumidos no processo de fabricação. ii) glosas das compras de pessoas físicas e de cooperativas No entendimento deste relator, as aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem de nãocontribuintes do PIS e da Cofias, no presente caso, de pessoas físicas e de cooperativas de produtores rurais, não geram créditospresumido do IPI, a título de ressarcimento dessas contribuições, nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, art. 1º. Conforme se verifica do conteúdo do art. 1º daquela lei, o créditopresumido do IPI é o valor do PIS e da Cofins incidente e pago nas respectivas aquisições, sendo que o art. 5º, daquela mesma lei, estabelece que eventual restituição ao fornecedor das contribuições pagas, bem assim a compensação mediante crédito implica estorno do créditopresumido pelo produtor exportador. Assim, não tendo o produtor exportador pagado PIS e Cofins nas aquisições de nãocontribuintes dessas contribuições, não há do que se ressarcir. Ressarcimento implica pagamento na etapa anterior, como não houve pagamento não há que se falar em ressarcimento. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Carf, art. 62A, as glosas dos créditospresumido do IPI sobre aquisições de cooperativas e de pessoas físicas, efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância, deverão ser restabelecidas, reconhecendose à recorrente o direito ao seu ressarcimento/compensação. A decisão do STJ naquele RESP foi prolatada nos seguintes termos, in verbis: “O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a ‘ilegalidade’ da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.” Já o Regimento Interno do Carf, determina: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11080.005615/200276 Acórdão n.º 330100.859 S3C3T1 Fl. 364 7 iii) glosas de “outras compras” que não se enquadram na definição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem Quanto às glosas referentes a este item, por celeridade processual, por se tratar da mesma recorrente e para que não haja decisão divergente, adoto as razões que fundamentaram as decisões proferidas nos processos administrativos nºs. 11080.011233/2002 81; 11080.100067/200297, ambos julgados pela Segunda Câmara do antigo 2ª Conselho de Contribuintes, e no de nº 11080.011234/200226, julgado pela Terceira Câmara do qual fui o Relator, in verbis: “Em relação a este item, o pedido da contribuinte não encontra qualquer respaldo legal, por não se enquadrarem no conceito legalmente admitido de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, das aquisições de: óleo combustível, diesel e lubrificantes para uso em caldeiras e veículos automotores; gaiolas e caixas plásticas utilizadas no transporte de frangos; gás liquefeito de petróleo (GLP), material de consumo dos estabelecimentos; lenha e cavacos de madeira; peças e máquinas utilizadas na manutenção dos equipamentos; carvão mineral e briquete para caldeira; refrigerantes e laticínios adquiridos para simples revenda aos empregados; produtos de limpeza, veneno (raticida) e produtos para tratamento de esgoto. A respeito do denominado “material secundário”, cumpre destacar que o art. 147 do RIPI/98, ao dispor que se inclui no conceito de matériaprima e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao produto novo, sejam consumidos no processo produtivo, salvo se tratar de ativo permanente, na verdade está admitindo como tal apenas aqueles produtos que, ou se integram ao novo, ou são consumidos no processo produtivo, o que não significa dizer que basta não ser ativo permanente para poder ser incluído nesta concepção, porque, de pronto, já se deve excluir aqueles que não se integram e nem são consumidos na operação de industrialização. Além disto, este artigo corresponde ao art. 66 do RIPI/79, que, por sua vez, foi interpretado pelo Parecer Normativo CST nº 65/79, segundo o qual: “... geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, ´strictosensu´, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 Portanto, adotando o entendimento do referido Parecer, que, aliás, é pacífico na jurisprudência deste Colegiado, não vislumbro que a energia elétrica, lenha e o óleo combustível, utilizados para aquecer as caldeiras, possam ser considerados matériaprima ou produtos intermediários, porque não exercem qualquer ação direta sobre o produto final, o frango. Da mesma forma, não guardam consonância com este conceito o custo de aquisição de gaiolas e caixas plásticas utilizadas no transporte de frangos, gás liquefeito de petróleo (GLP), peças e máquinas utilizadas na manutenção dos equipamentos, carvão mineral e briquete para caldeira, produtos de limpeza, veneno (raticida) e produtos para tratamento de esgoto. Ainda mais as aquisições de produtos destinados à revenda aos seus empregados.” Dessa forma, não há que se falar em ressarcimento dos valores glosados pela autoridade administrativa competente sobre tais custos/despesas. Finalmente quanto à homologação da compensação de débitos fiscais vencidos com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega de Dcomp e/ ou Per/Dcomp, assim como a sua homologação depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros nela declarados. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento/compensação do créditopresumido do IPI decorrente das glosas sobre as aquisições no mercado interno de pessoas físicas e cooperativas, efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela DRJ, conforme reconhecido nesta fase recursal. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditopresumido do IPI sobre as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos no mercado interno, de cooperativas e de pessoas físicas, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados, mantendo se a glosa sobre os demais itens, cabendo à autoridade administrativa competente apurar os créditos e homologar a compensação dos débitos declarados nos Per/Dcomps, objeto deste Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11080.005615/200276 Acórdão n.º 330100.859 S3C3T1 Fl. 365 9 processo e no de nº 11080.005463/200210, até o limite do ressarcimento apurado, exigindose o saldo/débitos declarados nãoextintos pela compensação homologada. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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