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Numero do processo: 13963.002745/2008-32
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002745/200832 Acórdão n.º 180201.329 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que considerou procedente o lançamento realizado para a aplicação de multa no valor de R$ 500,00, pela falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 3º trimestre de 2004. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fl. 1, a Contribuinte alegou que estava desobrigada de apresentar a referida declaração, em razão de no período em referência encontrarse enquadrada no Simples Federal. Em sua decisão, após realização de diligência, a Delegacia de Julgamento consignou que a Contribuinte havia sido excluída do regime simplificado, a partir de 01/11/2000, por força de comunicação de exclusão, da qual foi cientificada por intermédio do Edital GAB/DRF/FNS nº 01/2000, juntado aos autos. Registrou também não constar que a empresa tenha se insurgido contra o ato de exclusão do Simples Federal. Deste modo, considerando que no período em referência a Contribuinte não mais se encontrava enquadrada no Simples Federal, e que, portanto, estava obrigada è entrega da DCTF, foi mantida a multa em primeira instância administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/07/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/08/2011, e o processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a observação de que o recurso é intempestivo. Este é o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002745/200832 Acórdão n.º 180201.329 S1TE02 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Realmente, não há condição para se conhecer do recurso voluntário. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 19/07/2011, uma terçafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 18/08/2011, quintafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 19/08/2011, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000810/2010-43
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SOLIDARIEDADE PASSIVA. É solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.990
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SOLIDARIEDADE PASSIVA. É solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SOLIDARIEDADE PASSIVA. É solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 386 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0215, com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.211,50 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de atividade apurada em razão do cotejo entre os dados declarados à RFB e aqueles escriturados pela própria Recorrente nos registros contábeis e fiscais. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 146, 218, art. 219, art. 220, art. 224, art. 516, art. 518, art. 541, art. 542, art. 836, art. 841 e art. 856 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1624 com a exigência do crédito tributário no valor de R$22.937,13 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º Fl. 395DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 387 3 do art. 24 da Lei nº 9.349, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 2533 com a exigência do crédito tributário no valor de R$105.865,19 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 3441 com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.990,35 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Haja vista estarem configurados atos praticados com infração à leis, os antigos sócios Achilles da Silva Machado, CPF 105.145.46972 e Luiz Antônio Bombassaro Machado, CPF 868.040.57872, tinham efetivamente o poder de gerência e eram de fato os titulares do negócio (inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional). Assim, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária, fls. 305308, que foram a eles notificados em 07.08.2010, fl. 316, e 09.08.2010, fl. 315, respectivamente. Depois da tentativa, sem êxito de intimação via postal, fls. 5455, a pessoa jurídica foi cientificada mediante Edital DRF Marília/SP nº 272 em 22.07.2010, fl. 310, porém quedouse silente. Os sujeitos passivos solidários Recorrentes Achilles da Silva Machado e Luiz Antônio Bombassaro Machado foram notificados em 07.08.2010, fl. 316, e 09.08.2010, fl. 315, respectivamente, apresentaram a impugnação em 06.09.2010, fls. 317323, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscitam que os Autos de Infração são nulos, por inobservância dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Defendem que não podem ser considerados como sujeitos passivos solidários, porque houve cessão as cotas da sociedade em março e dezembro de 2007. Procuram demonstrar que a pessoa jurídica está domiciliada em local diferente daquele que consta no Contrato Social e que este fato, por si só, não é motivo robusto suficiente para se caracterizar o dolo. Apresentam argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e que não restou comprovada a conduta de evidente intuito de fraude. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concluem Fl. 396DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 388 4 Constatouse, no caso dos autos, que a venda da empresa aos atuais proprietários não foi simulada, mas de fato ocorreu, na forma dos contratos sociais em anexo. Que a omissão alegada pelo Fiscal se trata, na verdade, de um mero erro e falta de conhecimento dos exproprietários da empresa, o que não pode ser entendido como pratica reiterada e sistemática de omissão. Que por conta de tais fatos, deverá ser reduzida a multa aplicada para o percentual de 75%, nos termos do inciso I, do artigo 44 da Lei 9.430/96.[...] Ante o exposto, aguarda serenamente, os Requerentes, que suas razões sejam acolhidas, dando provimento à presente Impugnação, julgandose insubsistente o A u to de Infração inaugural em relação aos Requerentes, e que, caso isso não ocorra, o que não se acredita, que o percentual das multas sejam reduzidos para o percentual de 75%, como pleiteado acima, como medida de necessidade urgente, de reparo moral, e de JUSTIÇA! Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1434.304, de 27.06.2011, fls. 349356: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento decorrente de omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração Anual Simplificada e os registros contábeis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática de apresentar Declaração Anual Simplificada com receita sensivelmente inferior àquela efetivamente auferida caracteriza intenção de ocultar a obrigação tributária principal e autoriza a imposição da multa qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Notificadas em 05.08.2011 e 10.08.2011, fls. 372373, as Recorrentes apresentaram o recurso voluntário em 05.09.2011, fls. 374381, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reiteram os argumentos apresentados na peça impugnatória. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 389 5 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. As Recorrentes alegam que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. As Recorrentes discordam da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 390 6 conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente2. O lançamento se fundamenta na omissão de receita apurada em razão do cotejo entre os dados declarados à RFB e aqueles escriturados pela própria Recorrente nos registros contábeis e fiscais. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pelas defendentes, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da imputação de ofício como responsável tributário solidário. 2 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 391 7 Solidariedade é a condição peculiar no âmbito jurídicoobrigacional e se caracteriza toda vez que, relativamente a uma mesma obrigação, existem com interesse comum dois ou mais devedores (solidariedade passiva). A legislação pertinente determina que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos 3. Tem cabimento o exame da situação fática. Os atuais sócios da Recorrente Carlos Roberto de Queiroz, CPF 643.182.491 15, e a José Rodrigues da Silva, CPF 295.194.20100, não foram localizados nos endereços informados no contrato social, conforme extrato da ficha cadastral emitido pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), fls. 7679. Em seguida houve a lavratura do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal, fls. 4344, para Comércio e Transporte Zama Ltda no Escritório de Contabilidade Sênior localizado na Av. República, 972 em Marilia/SP, oportunidade em que o contador Sérgio Mioto apresentou o Contrato Social, fls. 4549. Em 10.03.2010, houve a lavratura de outro Termo de Inicio do Procedimento Fiscal, fls. 5051, que foi enviado, sem êxito, por via postal para a pessoa jurídica. Este documento também foi encaminhado para os atuais sócios, fls. 5456 e 6365 e 168170 e 189. José Rodrigues da Silva informou que Carlos Roberto de Queiroz era responsável pela documentação da pessoa jurídica, fl. 54, e este, por sua vez, informa sintetizadamente que, fls. 6364, 6667 e 6973, é gerente da empresa HS Pré Moldados Unai Ltda, domiciliada na Av. Central nº 301 Vila Nova, São Sebastião/DF, e reside na Rua 41 nº 41, Centro, São Sebastião/DF. O quadro societário foi alterado em duas oportunidades, com a retirada de Achilles da Silva Machado em 01.02.2007 e de Luiz Antonio Bombassaro Machado em 13.12.2007, cujo registro na JUCESP deuse em 26.03.2007 e em 28.12.2007, respectivamente, e a consequente admissão nas datas respectivas de Carlos Roberto de Queiroz e José Rodrigues da Silva. Estes não foram localizados no endereço da pessoa jurídica na Av. Sampaio Vidal nº 35, Lotes 16 a 20 da Quadra 08 no Distrito de Padre. Nóbrega em Marília/SP, nem nos endereços residenciais informados no contrato social, pois residem em Anápolis/GO. Ademais o antigo sócio Achilles da Silva Machado recebeu neste endereço em 30/11/2009 fl. 85, e atendido o Termo de Início de Diligência e Intimação DRF/Franca/SP n° 01, fl.84. Por estas razões os antigos sócios foram intimados, fls. 199 e 222, para apresentarem os documentos que comprovassem a cessão das quotas da pessoa jurídica. Por seu turno, Achilles da Silva Machado informou que as cotas foram vendidas a Carlos Roberto de Queiroz em 2007 pelo valor de R$ 25.000, cujo pagamento se deu à vista, fls. 203, 205221. Ainda, Luiz Antonio Bombassaro Machado informou que as cotas foram vendidas a José Rodrigues da Silva, fls. 224 e 226236. Também os atuais sócios foram intimados a comprovar com documentos hábeis o efetivo pagamento das quotas adquiridas. Carlos Roberto de Queiroz não se manifestou, fl. 173 e José Rodrigues da Silva diz estar afastado da pessoa jurídica há muito tempo, fl. 166. Restou comprovado que Carlos Roberto de Queiroz, CPF 643.182.49115, foi empregado de Creacol Comércio de Couros Ltda., inscrita no CNPJ sob n° 05.698.775/000104, estabelecida à Rua M, s/n, Área A, St. Res. Jandaia, Anápolis/GO, tendo recebido R$990,00, nos meses de junho a agosto de 2007; mantém vinculo empregatício com HS Pré Moldados Ltda.(fl. 183/186), inscrita no CNPJ sob n° 07.869.995/000170, 3 Fundamentação legal: inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 392 8 estabelecida à Av. Central nº 301, São Sebastião,Brasília/DF, em conformidade com o Cadastro Nacional de Informações Sociais, da Previdência Social (CNIS), fls. 178/181. Para INSS o endereço informado é Parque Residencial Ander em Anápolis/GO, fl. 182 e para a RFB o domicílio desde 10.06.2005 é na Rua NS 2, s/n, Quadra 9, Lote 7, Vila Norte , Anápolis/GO, fl. 189. Nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física de Ajuste Anuais Simplificadas (DIRPF), fls.190198, dos anoscalendário 2007 e 2008, apresentadas tempestivamente não há registro de aquisição da participação na empresa Comércio e Transportes Zama Ltda. De acordo com o Cadastro Nacional de Informações Sociais, da Previdência Social (CNIS) não há registro de vinculo empregatício de José Rodrigues da Silva, CPF 295.194.20100, uma vez que recebe beneficio da espécie amparo social ao idoso no valor de R$510,00 mensais, fl. 171. O seu endereço declarado para o INSS em 21.09.2007 é Rua Pirenópolis, Quadra 01, Lote 02, Setor Central Interlândia, Anápolis/GO, fl. 172 e para a RFB o domicílio é Rua Pirenópolis, Quadra 12, Lote 01, Centro Interlândia, Anápolis/GO, fls. 169170. Ademais, não consta que tenha apresentada a DIRPF para fins de informar a participação societária na empresa Comércio e Transportes Zama Ltda. Assim, em relação à cessão de quotas do capital social da Comércio e Transportes Zama Ltda, quaisquer dos antigos ou atuais sócios lograram comprovar com documentos hábeis a efetividade do pagamento ou do recebimento do valor pactuado, tampouco demonstraram a aquisição ou a alienação das quotas sociais. Além disto, as informações contidas nos registros internos da RFB evidenciam que os atuais sócios não têm rendimentos que justifiquem a assunção do negócio. Em conformidade com as informações provenientes das intimações fiscais, de fato não restou exaustivamente comprovada a cessão das cotas do capital social pelos antigos sócios, de modo que permanece incólume a relação pessoal e direta deles com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, já que são beneficiários econômicos da respectiva atividade empresarial. Nos autos não foram juntados pelas Recorrentes comprovantes em contrário das averiguações procedidas por várias autoridades públicas, que por esta razão são consideradas como corretas. É inequívoca a imputação de ofício das pessoas físicas Achilles da Silva Machado e Luiz Antônio Bombassaro Machado, como responsáveis tributários solidários pela evidência de que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei e contrato. As justificativas arguidas pelas defendentes, por essa razão, não se comprovam. As Recorrentes discordam da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde que evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não Fl. 401DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 393 9 revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações4. Tem cabimento a análise da situação fática referente aos terceiro e quarto trimestres de 2007. As operações comerciais que a Recorrente efetivou estão foram confirmadas mediante circularização com as clientes Curtume Aimoré Ltda, Curtume Belafranca Ltda, Curtume Krumenauer Ltda e Cap Way Comércio de Couros Ltda, que apresentaram os documentos às fls. 237287. Ela se encontra omissa da entrega das DCTF e DACON e na DIPJ fls. 116120, consignou a titulo de receita bruta somente 10% (dez por cento) da receita auferida. Ademais é relevante registrar que no período de 01.01.1993 a 23.03.2010, fl.288, ela não procedeu a quaisquer recolhimento de tributos. Restou comprovado que no anocalendário de 2007, a pessoa jurídica omitiu receitas da atividade nos valores de R$678.119,00 e R$569.390,00 relativos ao terceiro e quarto trimestres de 2007 apurada em razão do cotejo entre os valores de R$67.811,90 e R459.639,00 informados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 116120, 190198, 205215 e 234236, e aqueles escriturados no Livro Caixa, fls. 8794, no Livro Diário, fls. 95100 e 121144 e nas Notas Fiscais, fls. 101115 e 145163. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta de não declarar de parte expressiva da receita bruta. A conclusão oferecida pelas defendentes, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pelas defendentes, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11444.000810/201043 Acórdão n.º 180100.990 S1TE01 Fl. 394 10 de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo7. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10680.002550/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 28/02/2003 a 13/10/2004 CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. VALORES PAGOS, CREDITADOS, ENTREGUES EMPREGADOS OU REMETIDOS. CARACTERIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE não incide sobre o cachê pago a profissional contratado para proferir palestra, quando essa atividade não se enquadra no conceito de serviço, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimento técnico especializado. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. VALORES PAGOS, CREDITADOS, ENTREGUES EMPREGADOS OU REMETIDOS. CARACTERIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE não incide sobre o cachê pago a profissional contratado para proferir palestra, quando essa atividade não se enquadra no conceito de serviço, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimento técnico especializado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/09), relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas ao Exterior (Cide), totalizando um crédito tributário de R$ 370.389,33, incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente a fatos geradores compreendidos 28/02/2003 e 13/10/2004 (fls. 06/07). A autuação ocorreu em virtude de falta de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 10/12, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 13/14. A empresa fiscalizada contratou serviços profissionais nas áreas de economia, marketing e de administração em geral com empresas sediadas no exterior e, utilizandose dos serviços contratados, organizou palestras para pessoas físicas e/ou jurídicas que compravam os serviços de consultores renomados, configurados como serviços de natureza profissional, uma vez que dependiam de conhecimentos técnicos especializados. Os pagamentos às contratadas foram efetuados por meio de remessas ao exterior, sujeitas à incidência da Cide. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 05). Irresignado, tendo sido cientificado em 29/02/2008 (fl. 03), o autuado apresentou, em 01/04/2008, acompanhadas dos documentos de fls. 214/248, as suas razões de defesa (fls. 201/213), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente lançamento, afirma que os serviços contratados para a realização do evento “Gestão do Futuro O Espetáculo Internacional do Conhecimento” não se enquadram nem se assemelham aos conceitos de serviços de assistência administrativa ou de serviços técnicos especializados, tendo em vista a generalidade dos termas abordados nas palestras e a diversidade das áreas profissionais dos palestrantes. Foram contratados profissionais das mais diversas áreas para abordar temas genéricos, tais como Gestão, Trabalho, Liderança e Motivação, não vinculados às suas respectivas áreas de atuação, tampouco vinculados a algum conhecimento técnico especializado. Para exemplificar, cita informações sobre alguns dos palestrantes contratados. Sobre os serviços de assistência administrativa, transcreve Soluções de Consulta da RFB para concluir que estes são ligados às atividade internas das empresas, ou seja, serviços prestados aos setores administrativos, tais como: financeiro, recursos humanos, gerenciamento de risco, estratégia organizacional, consultoria, etc. No presente caso, os serviços contratados se resumem à apresentação de palestras sobre diversos temas de interesse dos participantes do evento, sem qualquer relação com as atividades internas da empresa, que só se beneficia desses serviços de maneira indireta, ou seja, se o evento for ou não lucrativo de acordo com a maior ou menor atratividade do público em função da participação dos profissionais. Em seguida, baseado também em Solução de Consulta, afirma que não haverá incidência da Cide na hipótese de os serviços contratados não exigirem conhecimento técnico específico para sua realização. Conforme demonstrado nos contratos anexados pela própria fiscalização, não contrata serviços técnicos do Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.002550/200871 Acórdão n.º 310201.433 S3C1T2 Fl. 3 3 exterior, mas apenas apresentações e palestras de profissionais estrangeiros de forma a atrair público para o evento “Gestão do Futuro”. Embora os profissionais contratados possuam um alto grau de especialização técnica em suas áreas de atuação, eles não são remunerados pela prestação desses serviços, mas tãosomente pelas apresentação de palestras, nas quais, em regra, não se discutem aspectos técnicos das áreas de especialidade de cada profissional, ou seja, as apresentações e palestras não requerem conhecimentos técnicos especializados para que sejam realizadas. Outro fato que reforça a inexistência de contratação de serviços profissionais ou técnicos especializados é que os contratos foram firmados com agências de promoções de eventos, as quais representam os palestrantes escolhidos e, por sua vez, não atuam no ramo profissional de cada um dos palestrantes e não se identificam com a prestação de seus serviços técnicos profissionais. Assim, resta demonstrado que a prestação de serviço realizada pelos palestrantes não corresponde à prestação de serviços técnicos especializados ou de assistência administrativa, devendo ser cancelado o Auto de Infração. Em seguida, insurgese contra a multa aplicada, por confiscatória, desproporcional e inconstitucional, uma vez ter sido demonstrada a sua boafé, sendo que nenhum fato foi omitido ou qualquer dolo foi intentado. Sobre o assunto, transcreve jurisprudência dos Tribunais. Pede, dessa forma, que a multa seja reduzida para 20% do valor exigido. Por fim, requer seja cancelada integralmente a exigência fiscal e, caso a exação seja mantida, requer a redução da multa para 20%, nos termos do §2º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 28/02/2003 a 13/10/2004 Há incidência da Cide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados. No caso de lançamento de ofício, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do tributo devido, nos percentuais definidos na legislação de regência. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese nos autos exclusivamente a enquadramento dos serviços contratados pela autuada como serviços técnicos especializados para fins de incidência da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico – CIDE. A legislação de regência foi adequadamente reproduzida no voto condutor da decisão recorrida. Transcrevo, a seguir, para maior clareza, as considerações aduzidas pelo i. Relator de primeira instância. No tocante à incidência do IRRF, há que se observar o disposto na Medida Provisória nº 2.06260, de 30 de novembro de 2000, que assim dispõe: “Art. 3º Fica reduzida para quinze por cento a alíquota do imposto de renda incidente na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de royalties, de qualquer natureza. §1º Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2001, a alíquota de que trata o caput passa a ser de vinte e cinco por cento. §2º A alíquota referida no parágrafo anterior e a aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes, será reduzida para quinze por cento, na hipótese de instituição de contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre essas mesmas importâncias. §3º A redução de que trata o parágrafo anterior aplicarseá a partir do início da cobrança da referida contribuição.” (grifouse) A Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, na data em que instituiu a cobrança da Cide, assim determinava: “Art. 2º. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. §1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica.” Após a cobrança da Cide (Lei nº 10.168, de 2000), a Medida Provisória nº 2.06263, de 23 de fevereiro de 2001 (atualmente Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001), assim dispôs: “Art.3º Fica reduzida para quinze por cento a alíquota do imposto de renda incidente na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, e a título de royalties, de qualquer natureza, a partir do início da cobrança da contribuição instituída pela Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000.” Posteriormente, através da Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, o art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, passou a ter a seguinte redação: “Art. 6º. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.002550/200871 Acórdão n.º 310201.433 S3C1T2 Fl. 4 5 “Art. 2º.......................................................................................... (...) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no §2º deste artigo. §4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). §5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.” (NR) Art. 7º A Lei no 10.168, de 2000, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 2ºA: “Art. 2oA. Fica reduzida para 15% (quinze por cento), a partir de 1º de janeiro de 2002, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes.”” (grifouse) Como dito, não se discute a efetiva incidência da Contribuição sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por serviços técnicos e de assistência administrativa ou semelhantes, mas apenas se os serviços contratados pela autuada identificamse como serviços desta espécie. Vejamos como se defende a recorrente, conforme excertos trazidos do Recurso Voluntário apresentado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não obstante, a Recorrente não remunera estes profissionais pela prestação desses serviços em si, mas tão somente pelas apresentações e palestras, nas quais não se discute aspectos técnicos das áreas de especialidade de cada profissional. Ou seja, as apresentações e palestras contratadas não requerem conhecimentos técnicos especializados para que sejam realizadas. (...) Ora, a Recorrente não contratou a palestra do Sr. Garry Kasparov, um dos maiores campeões de xadrez de todos os tempos, com diversos títulos mundiais, para discursar sobre técnicas de xadrez (serviço técnico profissional), mas sobre estratégia do futuro. Na mesma linha de raciocínio, cita os palestrantes Sr. Bernardo Rezande (conhecido técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho) e o Sr. Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central do Brasil, contratados para falar sobre temas que não guardam relação com a sua área de atuação e conhecimento. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Entendo que assiste razão à autuada. Tal como definido na Instrução Normativa SRF 252/02, serviço técnico é o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios. Embora os palestrantes reúnam condições mais do que especiais para o exercício da função para a qual foram contratados, pareceme claro que não o foram, como esclarecido no Recurso Voluntário, para execução de serviço, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimento técnico especializado que lhes seja próprio, mas, definitivamente, em razão de seu prestígio e reconhecimento no desempenho de suas atividades profissionais, as quais sugerem capacidade humana e aptidão acima do normal e despertam interesse, admiração e respeito. Com efeito, os valores pagos aos palestrantes relacionamse muito mais à imagem que os mesmos ostentam perante o público em geral do que aos seus conhecimentos técnicos especializados. Tanto o é, que palestraram sobre assuntos que não estão relacionados a sua área de atuação. VOTO POR DAR INTEGRAL provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 24 de abril de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000134/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete a órgãos administrativas o controle de constitucionalidade de leis.
Numero da decisão: 1201-000.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR
as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a órgãos administrativas o controle de constitucionalidade de leis.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz e João Carlos de Lima Júnor. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 213 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo parte do relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Em Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 93/95, datado de 26/04/2010, o Fisco relata o resumo de todo o procedimento havido e as irregularidades que entendeu configuradas, destacandose, naquilo que se insere nos presentes autos: i) que, "trata esta ação fiscal de procedimento de auditoria do IRPJ, opção de apuração na forma do Simples, referente ao ano calendário de 2006, especialmente quanto à operação de verificação da movimentação financeira incompatível com a receita declarada em DIPJ/Simples"; ii) que, "decorridos todos os prazos concedidos, constatamos que o contribuinte não havia apresentado quaisquer dos livros e documentos solicitados e assim em 12/08/2009 lavramos mais um Termo de Constatação e Reintimação Fiscal renovando a reintimação para sua apresentação, bem como reiterando a advertência quanto as conseqüências de sua não apresentação (fls. 11)"; iii) que, "em função do exposto em 19/08/2009 solicitamos e fomos autorizados pelo Sr. Delegado desta Delegacia as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira do contribuinte endereçadas a todos os bancos e sobre todas as contas em que o mesmo manteve movimentação durante o ano de 2006 (extratos) (fis 12 a 25)"; iv) que "recebidas as informações dos bancos, estas foram processadas para que se expurgasse a movimentação que de pronto mostrassem não ser receitas, tais como as transferências entre contas da mesma titularidade, devolução de cheques, etc", v) que, "o resultado foi organizado por data, valor e histórico em planilhas que denominamos "Crédito — Síntese" nas quais foram listadas as entradas remanescentes, referindoas por banco, agência e conta"; vi) que, "estas planilhas foram, então, anexadas a um Termo de Intimação Fiscal datado e cuja ciência deuse em 29/10/09 no qual intimamos o contribuinte a esclarecer a origem daquelas entradas remanescentes com o suporte de documentos hábeis e idôneos que lhes dessem sustentação (fls. 27 a 61)"; vii) que a contribuinte novamente não atendeu, impondose a emissão de novo Termo de Constatação e Reintimação Fiscal em Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 214 3 30/11/2009, de forma a reintimar a fiscalizada a apresentar o solicitado ao longo da ação fiscal, sob pena de lançamento de oficio, sem prejuízo de outras cominações legais; viii) que, "lavramos um último Termo de Constatação e Intimação Fiscal reiterando todas as solicitações anteriores em 16/12/2009, com ciência na mesma data, que mais uma vez teve vencido o novo prazo concedido sem que o contribuinte até o presente momento tivesse apresentado quaisquer dos livros e/ou documentos solicitados e sem que também apresentasse qualquer justificativa que legitimasse tais ações (fls. 64 e 65)"; ix) que, "na seqüência, em função do exposto tornamos efetivas as seguintes medidas": a) "representação ao Sr. Delegado da DRF/SBC com a exposição dos motivos acima descritos para que fosse promulgado o Ato Declaratório que excluísse o contribuinte do SIMPLES [a partir do ano calendário de 2006]"; b) "o Sr. Delegado concordando com a exposição de motivos promulgou o Ato Declaratório Executivo n°3 de 12/02/2010, que .foi publicado no Diário Oficial da União de 17/02/2010; c) que "comunicamos, então, ao contribuinte tal .fato que a ele deu seu conhecimento em 24/02/2010 (fls. 91)"; d) que "nada restou a esta fiscalização que o lançamento em Auto de Infração do Imposto de Renda do ano calendário de 2006 e seus reflexos na modalidade do Lucro Arbitrado, uma vez que não recebemos os livros e documentos do contribuinte que nos possibilitassem a verificação de seus registros contábeis...". x) que as receitas do contribuinte e assim as bases dos mencionados Autos foram determinadas de acordo com as informações constantes da DIPJ/Simples/retificadora, consideradas "receitas conhecidas" (denominada "Receita Operacional Omitida/Prestação de Serviços Gerais") e o montante da movimentação financeira, após expurgos realizados, subtraindo, ainda, as receita conhecidas, chegando se ao que se denominou "Depósitos Bancários de Origem não Comprovada"; xi) que, para maior compreensão, foram elaboradas três planilhas, anexas ao Termo de Verificação c Constatação Fiscal, demonstrando os cálculos realizados e juntadas às fls.96/98. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, foram lavrados em 26/04/2010, formalizado e protocolizado o processo administrativo pertinente e estão juntados às fls. 99/134. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 215 4 A ciência da contribuinte fezse em 26/04/2010, por procurador devidamente habilitado, conforme instrumento de fls. 03. Consta existência de arrolamento de bens (Processo Administrativo n° 10932.000.138/201021). DA IMPUGNAÇÃO Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, em 24/05/2010, mediante procurador constituído, apresentou a Impugnação de fls. 138/164, juntando, ainda, documento de fls. 165. Na peça impugnatória a defesa faz, inicialmente, um resumo dos fatos que entendeu ocorridos durante o curso da ação fiscal, já enveredando pelos trilhos que adotaria ao longo de sua peça impugnatória. Em preliminares, sustenta: 1) NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Para embasar sua tese, alega ter sido "extrapolado o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos", posto que "a fiscalização foi iniciada no dia 15 de maio de 2009, através do MPF, sendo que o Sr. fiscal concluiu suas atividades em 26 de abril de 2010, conforme termo de encerramento das atividades fiscalizatórias". Ainda segundo a defesa, "passaramse 11 meses sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte tivesse ciência formal de sua prorrogação". Diz que o contribuinte deve ter ciência por escrito do ato administrativo prorrogando a fiscalização por tempo igual a 60 dias. "Como não foi cumprida a tal determinação não pode prosperar este auto de infração". Cita atos legais e normativos e colaciona jurisprudência. 2) NÃO APLICAÇÃO DE TRATAMENTO JURÍDICO DIFERENCIADO ÀS EPP Diz a defesa haver necessidade de tratamento diferenciado e indispensável às EPP, por força dos artigos 170 e 179 da Constituição. Assim, entende que a fiscalização deve ser feita em forma de "dupla visita nas fiscalizações trabalhistas e previdenciárias", ou seja, "procede a uma visita inicial, constata o erro e dá certo prazo para que o contribuinte regularize a situação. A partir daí é que a empresa, se não atendeu a solicitação de regularização, deve ser autuada". Que a Lei n° 9.841/99 define que as fiscalizações previdenciária e trabalhista prestarão, prioritariamente, orientação à microempresa e à empresa de pequeno porte (artigo 12). Fl. 239DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 216 5 E conclui "primeiro a orientação e depois a lavratura do auto de infração, motivo pelo qual requer a nulidade do presente auto de infração" (fls. 151). No mérito, assevera: 1) A EMPRESA NÃO É OPTANTE PELO SIMPLES Diz a defendente que "quando da constituição da empresa, a mesma foi enquadrada como Empresa de Pequeno Porte — EPP. Em momento algum o contribuinte optou pela inscrição no SIMPLES". Expôs que NUNCA FEZ A OPÇÃO pelo SIMPLES e que a Receita Federal não poderia enquadrar, de oficio, a empresa nesta sistemática, pois se trata de ato de vontade formal do contribuinte. Que uma coisa é ser "participante de EPP" para obter tratamento trabalhista e previdenciário diferenciado; outra situação é optar pelo SIMPLES, na forma da IN SRF n° 355/2003. Argumenta que "o Sr. Fiscal ao enquadrar a empresa, de oficio, no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, sem o consentimento deste, infringiu o Principio da Legalidade". Que, "ato administrativo sem previsão legal é ilegal e não tem o condão de criar tributação e sim regulamentar lei. Portanto, está eivado do vicio da ilegalidade, não podendo prosperar em sua totalidade o auto de infração. Assim, vem requerer a total improcedência do auto de infração". 2) FUNDAMENTAÇÃO LEGAL EQUIVOCADA Alega a impugnante que o tratamento tributário da contribuinte é o de uma empresa "normal" e que sua tributação deve ser pelo Lucro Real, Presumido ou Arbitrado e que a empresa registrada como EPP tem privilégios como o da "dupla visita", concessão de empréstimos bancários, etc, sendo seu regime de tributação normal, por sua própria opção. Diz estranhar a fundamentação legal adotada e que teve como base a legislação do SIMPLES (Lei n° 9.317/96), que ela (fundamentação legal) é que dá o condão à fiscalização de lançar o crédito tributário, devendo existir nexo causal entre a presunção de receita (depósito bancário) e a lei, a qual prevê a cobrança tributária. Afirma que o depósito bancário em si não tem relevância alguma se não houver lei que determine a obrigação do pagamento do tributo, o fato gerador, a base de cálculo. Menciona que o auto de infração lavrado é confuso, ofendendo ao artigo 10, incisos III e IV do Decretolei (sic) n° 70.235/72 (que transcreve), dificultando o exercício da defesa. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 217 6 Apresenta jurisprudência do CARF para sustentar sua tese de que a errônea fundamentação legal leva a vício insanável, impondo o cancelamento dos autos de infração. 3) FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL É A FOLHA DE PAGAMENTO E NÃO FATURAMENTO Pontifica estar "completamente equivocado o Sr. Fiscal que efetuou o cálculo da Contribuição para a Seguridade Social com base no faturamento da empresa". Que, o 'fato gerador para a cobrança da Contribuição para a Seguridade Social é a existência de funcionários e a base de cálculo é a folha de pagamento dos .funcionários e prólabore da direção, dentre outros, conforme determina o artigo 22 da Lei 8.212/91" (transcreve o indigitado artigo). Diz, ainda: "se no auto de infração não foi apurado o fato gerador nem a base de cálculo da Contribuição para a Seguridade Social, simplesmente não é devida", e que o Sr. Fiscal "quer cobrar o tributo sobre o .faturamento, quando deve calcular com base na folha de pagamento dos funcionários". Prossegue dissertando sobre os conceitos de fato gerador, concluindo (para o caso concreto): fato gerador: existência de funcionário = remuneração paga via folha; base de cálculo: 20% + 3% sobre o fato gerador (folha de pagamento); base legal: art. 22 da Lei 8.212/91. Assim, diz a defesa, "no auto de infração não está descrito nenhum dos três elementos acima citados (fato gerador + base de cálculo + base legal), portanto a exigência relativa à Contribuição p/ a Seguridade Social é indevida, motivo pelo qual vem requerer a improcedência do lançamento relativo ao tributo em tela no valor de R$ 715.010,90". Por fim, contesta a existência das irregularidades apontadas, reafirma todos os tópicos da peça impugnatória e requer o acolhimento das argumentações de forma a se decidir pela improcedência da autuação, declarando a nulidade dos Autos de Infração e subsequente cancelamento dos mesmos. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 176 a 189) negou provimento à impugnação nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 218 7 Nulidade. Inexistência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, inclusive com a prorrogação oportuna do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e não havendo prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, não há que se falar em qualquer nulidade. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Regime Tributário. As Leis nos 9.317/96 e 9.841/99, embora se refiram às microempresas e empresas de pequeno porte, têm objetivos diferentes. Enquanto a primeira cuida do regime de tributação das empresas que se enquadrem nas condições nela previstas, a segunda propõese a facilitar a constituição e o funcionamento das microempresas e das empresas de pequeno porte, de modo a assegurar o fortalecimento de sua participação no processo de desenvolvimento econômico e social. Confirmada a opção da contribuinte pela sistemática do SIMPLES (Lei 9.0317/96), submetese a empresa às normas tributárias previstas no referido diploma legal, inclusive a escrituração dos livros obrigatórios. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS. Fato Gerador. Base de Cálculo. A COFINS, criada pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, tem como finalidade, na forma da letra "b", do inciso I, do artigo 195, da Constituição Federal, financiar a seguridade social. Seu fato gerador e base de cálculo estão definidos no artigo 2', da referida LC nº 70/91, não se confundindo com as normas insertas no artigo 22, da Lei nº 8.212/91. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 219 8 Omissão De Receitas. Depósitos Bancários De Origem Não Comprovada. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Arbitramento. Cabimento. Comprovado que a autuada foi regularmente excluída do regime do SIMPLES, por descumprimento das normas relativas ao referido sistema de tributação e que não apresentou, à fiscalização, os livros de escrituração obrigatórios, correto o procedimento do Fisco em arbitrar seu lucro, na forma do artigo 530, do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº. 3000/99). Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 198 a 202, mediante aduziu as razões que se seguem. Incompetência do órgão julgador. Como o auto de infração foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo, somente o delegado da referida unidade poderia apreciar a impugnação nos termos dos artigos 24 e 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Lançamento é nulo em razão de não se ter aplicado o tratamento diferenciado às empresas de pequeno porte. No caso, a fiscalização deveria ter sido empreendida na sistemática de dupla visita, sendo a primeira apenas de caráter de orientação. A presunção legal de omissão de receita com base em depósitos bancários é inconstitucional. É o relatório do essencial. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 220 9 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A alegação de incompetência da unidade julgadora de primeiro grau não tem pertinência. A defesa se pautou em legislação, há muito tempo revogada. A dicção legal relativamente ao artigo 24, inciso I, do Decreto nº 70.235/72reproduzida pela defesa é a seguinte: Art. 25. O julgamento do processo compete: I em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, quanto aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda; Todavia, a alínea foi substituída pela Lei nº 8.748/93. Abaixo, transcrevemos a sua redação atual: a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Desse modo, há quase 20 (vinte) anos a competência legal para apreciação das reclamações em primeiro grau do contencioso administrativo fiscal é das Delegacias de Julgamento. A alegação de que a Fiscalização não atendeu ao tratamento diferenciado dispensado pela Constituição Federal às empresas de pequeno porte, ao não proceder segundo a sistemática da dupla visita, também não procede. A norma constitucional citada possui caráter programático. Qualquer diferenciação de tratamento dispensado aos pequenos deve se dar nos termos da lei. É a lei que estabelece a diferença de tratamento, seus limites e condições. Na época dos fatos, não havia previsão legal de dupla visita da fiscalização tributária e, mesmo atualmente, apesar de a Lei Complementar nº 123/06 estabelecer a referida sistemática de fiscalização em seu artigo 55, logo a seguir, o parágrafo 4º estabelece que não será aplicada ao “processo administrativo fiscal relativo a tributos”. Já com relação à alegação de inconstitucionalidade da presunção legal de omissão de receita com base em depósitos não comprovados, aplicase a Súmula CARF nº 2, de caráter vinculante para este órgão de julgamento: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10932.000134/201043 Acórdão n.º 120100.612 S1C2T1 Fl. 221 10 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário por não conhecer as razões de inconstitucionalidade aduzidas. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003657/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta dias), contados da ciência do lançamento, não instaura a fase litigiosa do processo. Caso em que o recurso voluntário apresentado não deve ser conhecido, notadamente quando não há sequer decisão de primeira instância. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-001.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10675.909505/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/2004
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909505/200907 Acórdão n.º 380101.106 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/08/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.000401/2001-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. IMPUGNAÇÃO PELO FISCO.
De acordo com o §1º, do art. 845, do Decreto n° 3.000/1999, os elementos de prova trazidos pelo contribuinte, no lançamento de ofício, só poderão ser impugnados pela administração tributária quando contestados com base em prova ou em fortes indícios de irregularidade.
IRPF — ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS A DESCOBERTO.
Incide imposto de renda pessoa física sobre os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, conforme determina o artigo 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/88, combinado com o artigo 43, inciso II, do Código Tributário Nacional. A presunção de que se vale a autoridade lançadora é relativa e pode ser ilidida pelo sujeito passivo através de documentos hábeis e idôneos.
Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9202-002.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso do Contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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IMPUGNAÇÃO PELO FISCO. De acordo com o §1º, do art. 845, do Decreto n° 3.000/1999, os elementos de prova trazidos pelo contribuinte, no lançamento de ofício, só poderão ser impugnados pela administração tributária quando contestados com base em prova ou em fortes indícios de irregularidade. IRPF — ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS A DESCOBERTO. Incide imposto de renda pessoa física sobre os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, conforme determina o artigo 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/88, combinado com o artigo 43, inciso II, do Código Tributário Nacional. A presunção de que se vale a autoridade lançadora é relativa e pode ser ilidida pelo sujeito passivo através de documentos hábeis e idôneos. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso do Contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratamse de Recursos Especiais interpostos por Elias Jorge Sahium Filho (fls. 898903), e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 876884), ambos em face do acórdão nº 10248.063 (fls. 839859) da Segunda Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido em 09 de novembro de 2006, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir o acréscimo patrimonial a descoberto para R$ 81.660,57, cuja ementa do acórdão ora impugnado transcrevo: Ementa: NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento e nem do procedimento fiscal que lhe deu origem. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal ou material imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — Não há que se falar em nulidade de acórdão de primeira instância, proferido em consonância com o entendimento da maioria dos membros do colegiado, cujo voto condutor enfrenta todas as matérias em litígio, suscitadas na peça impugnatória, oferecendo condições de defesa ao contribuinte. Eventuais equívocos de interpretação da legislação tributária, ou dos argumentos de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.000401/200146 Acórdão n.º 920202.070 CSRFT2 Fl. 2 3 defesa, não ensejam o cancelamento da decisão a quo, e sim sua reforma pela instância superior. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS E DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL — Relatórios e outros documentos internos dos Órgãos fiscalizadores não se prestam, por si só, para comprovar omissões de rendimentos, constituindose fortes indícios que ensejariam o aprofundamento da auditoria. Contudo, havendo nos autos outros elementos de provas e indícios que corroboram o convencimento do julgador quanto a ocorrência das operações, deve ser confirmada a tributação. IRPF — ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS A DESCOBERTO – Comprovado que o contribuinte possuía recursos em aplicações financeiras, oriundos de exercícios anteriores, que foram resgatadas no transcurso do anocalendário, cumpre ajustar a apuração do APD. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido No caso, o contribuinte pleiteara a reforma da decisão da 3ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em BrasíliaDF (DRJ), que julgou procedente o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao ano calendário de 1998, no valor de R$ 172.322,48. A Procuradoria Fazenda Nacional fundamenta seu Recurso Especial na hipótese de cabimento prevista no art. 7°, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Art. 7ºCompete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1ºNo caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. Em sua peça recursal, a Procuradoria da Fazenda Nacional alega ter havido decisão, não unânime, contrária à lei, no sentido de que o Acórdão combatido afronta a Lei n° 9.430/1996, ao reconhecer como origem de recursos os valores oriundos de empréstimos que, segundo a PFN, não foram comprovados por documentação idônea e hábil a descaracterizar o acréscimo patrimonial: Lei n° 9.430/1996 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Segunda Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso interposto por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade – despacho fls. 885887. Em contraposição, o recorrente apresentou Contrarazões [fls. 891896] ao recurso fazendário alegando que não houve durante todo o processo qualquer elemento de contra prova que justificasse a desconsideração do empréstimo. Sendo assim, nenhuma razão assiste à PFN quanto à alegação de inidoneidade das Notas Promissórias apresentas pelo contribuinte. Em atenção ao disposto no art. 67 do Regimento Interno do CARF, o contribuinte sustenta haver divergência de interpretação da legislação tributária, da forma que apresenta o Acórdão 10615.256, datado de 25/01/2006, como paradigma. No caso, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário de sua esposa do recorrente que teve contra si a lavratura de auto de infração, relativo a 50% do valor das infrações apuradas no processo em epígrafe. Acórdão 10615.256 PRELIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não é nulo o lançamento de ofício, devidamente fundamentado e instruído, em cujo processo administrativo fiscal é dada ao contribuinte a possibilidade de amplo exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Não restando demonstrada, de forma inequívoca, a incorreção do trabalho levado a efeito pela autoridade fiscal, deve prevalecer o lançamento que constatou rendimentos da atividade rural omitidos pelo contribuinte. Inteligência do artigo 333, incisos I e II, do Código de Processo Civil. IRPF — ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS A DESCOBERTO. Incide imposto de renda pessoa física sobre os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, conforme determina o artigo 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/88, combinado com o artigo 43, inciso II, do Código Tributário Nacional. A presunção de que se vale a autoridade lançadora é relativa e pode ser ilidida pelo sujeito passivo através de documentos hábeis e idôneos. Recurso parcialmente provido Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso interposto por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade quanto à divergência suscitada – despacho fls. 926938. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 940943) alegando que, a rigor, não se tratou propriamente de uma divergência entre o Acórdão combatido e aquele paradigma. Tratase na verdade de uma correção do voto da Sexta Câmara, anteriormente proferido. Para a PFN, o relator do voto condutor do presente acórdão, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.000401/200146 Acórdão n.º 920202.070 CSRFT2 Fl. 3 5 fundamentado no conjunto probatório próprio e exclusivo destes autos, corrigiu o equívoco a que foram levados os julgadores da Sexta Câmara. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Conheço dos recursos interpostos por cercaremse dos requisitos necessários para o seu seguimento, conforme o disposto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Ficais, vigente à época da decisão. 1 RECURSO ESPECIAL DA PFN CONTRARIEDADE De acordo com a PFN, o contribuinte, ao ser intimado para se manifestar acerca dos saldos a descoberto em sua contabilidade, no que se refere aos empréstimos contraídos, limitouse à apresentação de notas promissórias com os dados dos credores. Tal razão não assiste à PFN. A apresentação das notas promissórias está em sintonia com o disposto no Decreto n° 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda. De acordo com o normativo infralegal, os elementos de prova trazidos pelo contribuinte, no lançamento de ofício, só poderão ser impugnados pela administração tributária quando contestados com base em prova ou em fortes indícios de irregularidade: Art.845.Farseá o lançamento de ofício, inclusive: [...] §1ºOs esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Desse modo, não há que se falar em contrariedade à lei, quando se observa a inércia da Administração Fazendária em não promover qualquer diligência que pudesse trazer aos autos elementos suficientes da incerteza ou máfé do contribuinte nas informações prestadas. Na verdade, tais desconfianças são, por si só, motivadoras de investigação pelo agente de fiscalização tributária. Foi neste mesmo sentido em que ambos os Acórdãos, tanto o ora impugnado quanto o paradigma, caminharam para aceitar como válidas as Notas Promissórias apresentadas pelo contribuinte: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Acórdão 10248.063 [...] no que tange aos empréstimos tomados no curso do ano de 1998 em 15/08, do Sr. Ariovaldo Martins Júnior, no valor de R$25.000,00, o qual foi quitado em 15/12/98 (fl. 93 dos autos); e em 10/09/98, do Sr. Ildemar Cristino de Figueiredo, no valor de R$85.000,00, quitado em 10/12/98 (fl. 94 dos autos) — o simples fato de a fiscalização não ter justificado a desconsideração das operações no auto de infração e seus anexos já ensejaria o provimento do recurso nesta parte. Afinal, inexiste nos autos qualquer, indicativo da motivação do procedimento fiscal (desconsideração desses empréstimos). Numa análise superficial, não me parece plausível que uma pessoa tome empréstimos de R$ 110.000,00, junto a pessoas físicas, quando dispõe de recursos em aplicações financeiras superiores a R$ 700.000,00 (vide extrato à fl. 605). Porém repito, caberia à fiscalização realizar essas análises, aprofundar na investigação e, não se convencendo da efetividade dessas operações de empréstimos, justificar a desconsideração nos termo apropriado do auto de infração; Acórdão n° 10615.256 [...] Por fim, resta apreciar a ocorrência ou não dos empréstimos de R$25.000,00 e de R$ 85.000,00, em agosto e em setembro de 1998, respectivamente,cujos elementos comprobatórios são as notas promissórias de fls. 767 e 768. Esses documentos indicam que tais operações venciam em dezembro de 1998, ou seja, dentro do próprio anocalendário. Assim, os empréstimos não precisariam ter sido informados nas declarações de ajuste anual das partes contratantes. Embora as notas promissórias, isoladamente, possam dar margem à interpretação de que os negócios não tenham ocorrido, considero aplicável ao caso o artigo 845, § 1°, do RIR/99, que assim determina: Art. 845. Farseá o lançamento de oficio, inclusive: () § 1°. Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão. Em caso de dúvida quanto à efetiva ocorrência dos empréstimos retratados nas mencionadas notas promissórias, caberia à Delegacia de Julgamento propor uma diligência junto aos Srs. Ariovaldo Martins Santos Júnior, CPF/MF n° 828.590.60197 e Ildemar Cristino de Figueiredo, CPF/MF n° 060.273.69191, para confirmar ou não as operações. Não tendo sido adotada essa providência e considerando a regra do artigo 845, § 1°, do RIR/99, admito como origem de recursos os valores de R$ 25.000,00 e R$ 85.000,00, em agosto e em setembro de 1998, respectivamente. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.000401/200146 Acórdão n.º 920202.070 CSRFT2 Fl. 4 7 Desse modo, assim como em ambas as decisões, não houve qualquer violação à regra estabelecida na Lei n° 9.430/1996, não devendo o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional ser provido. 1 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Observase, pois, que após consultar o teor do acórdão paradigma, a única divergência encontrada entre o que foi decidido pela Sexta Câmara [paradigma] e no acórdão recorrido, referese aos rendimentos das aplicações financeiras no Bank Boston. Em que pesem os argumentos do i. relator do voto condutor do acórdão atacado, seu posicionamento, contudo, não pode prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase imperfeito, devendo ser reformado no que se refere à matéria divergente. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila o trecho do voto condutor que trata da matéria ora discutida: “... deixar de incluir os rendimentos das aplicações financeiras, nos demonstrativos de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, em relação às aplicações no Bank Boston, foi um procedimento correto da fiscalização, que tomou com dispêndio a cada mês apenas o saldo do valor original aplicado, consoante demonstrativo à fls. 759760. Vejase que no demonstrativo à fl. 724 o saldo final da aplicação no Bank Boston é de R$ 350.195,41 (valor • transposto do demonstrativo de fl. 760), enquanto no comprovante de fl. 783 esse saldo é de R$ (159.983,29 + 322.523,65), a diferença referese aos rendimentos acumulados durante o período aplicado, que efetivamente não foi resgatado, e continuou compondo o saldo atualizado. Em síntese: até o final de 1998 a contribuinte ainda não havia resgatado seus rendimentos da aplicação no Bank Boston, por isso é que esse valor (R$121.828,47) não pode ser incluído como recurso utilizado naquele ano. Mas a fiscalização deveria ter esclarecido isso em termo fiscal de descrição dos fatos. Em se tratando de constituição de crédito tributário, não pode haver margem para adivinhações, tudo deve estar claro. Essa "economia verbal" do nobre AuditorFiscal, trouxe prejuízo ao julgamento efetuado na Sexta Câmara, que determinou a inclusão de R$ 121.828,47 a título de ecursos disponíveis, relativo aos rendimentos da aplicação do Bank Boston, indevidamente. Em tempo: no Acórdão da Sexta Câmara constou, por erro de grafia, que o rendimento de R$ 121.828,47 seria do Santander, mas é mesmo do Bank Boston (fl. 782); Como se observa no trecho aqui exposto, o próprio relator reconheceu a importância da eficiente instrução processual para a elucidação dos fatos trazidos aos autos. Não há que se inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto aos rendimentos acumulados durante o período aplicado, caberia à fiscalização se aprofundar no exame das provas, requerendo informações à instituição financeira quanto ao resgate dos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 rendimentos da aplicação financeira, sendo defeso, no entanto, presumir que o montante não havia sido resgatado, assim como descreveu o voto condutor do acórdão recorrido. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção de não resgatados os recursos oriundos de aplicações financeiras, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, requerer facilmente tais informações às instituições financeiras. A doutrina não discrepa dessas conclusões, consoante se infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova (beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quatitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Outro não é o posicionamento do eminente professor Paulo de Barros Carvalho, que assim preleciona: “Com a evolução da doutrina, nos dias atuais, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a Administração de provar os ocorrências que afirmar terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.000401/200146 Acórdão n.º 920202.070 CSRFT2 Fl. 5 9 dizer que o Fisco tem que oferecer prova contundente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa.” (CARVALHO, Paulo de Barro. Notas sobre a Prova no Procedimento Administrativo Tributário. In: SHOUERI, Luís Eduardo – cood. – Direito Tributário: Homenagem a Alcides Jorge Costa. São Paulo: Quartier Latin, 2003, v. II, p. 860) (grifamos) Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firme e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação por parte do fiscal autuante dos fatos imputados aos contribuintes, mormente quando o lançamento não se apoiar em presunções legais, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incerteza. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10706.229 – Sessão de 22/03/2001) “[...] IRPF – PRESUNÇÕES – Em matéria tributária as presunções admitidas somente se referem às expressamente autorizadas em lei, presentes os pressupostos legais exigíveis à sua sustentação. [...]” ( 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10416.433 – Sessão de 08/07/1998) “IRPF ATIVIDADE RURAL CONDOMÍNIO RENDIMENTOS OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRESUNÇÃO A obrigação tributária deflui da lei, não podendo criar imposição fiscal por mera presunção subjetiva da autoridade administrativa. Os rendimentos da atividade rural em condomínio devem ser tributados na proporção que couber a cada um, ex vi do artigo 13 da Lei n. 8.023/90, art. 13. Recurso provido.” ( 2ª Câmara do 1º Conselho Contribuintes – Acórdão nº 10244022, Sessão de 08/12/1999) Assim, entendo que o Acórdão recorrido deve ser reformado, para incluir o montante de R$ 121.828,47 a título de recursos disponíveis, para manter a exigência fiscal no mês de abril de 1998, no valor de R$ 3.402,18; único objeto de divergência submetido à apreciação desta Câmara Superior. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 3 DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO CONHECER dos recursos interpostos, para no mérito, NEGAR PROVIMENTO, ao Especial da PFN; e DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 13409.000142/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para verificação de questão de fato, conforme proposto pela conselheira relatora.
(assinado digitalmente)
_______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
__________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para verificação de questão de fato, conforme proposto pela conselheira relatora. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13409.000142/200719 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2101000.121 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de abril de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente João Bosco Ferreira de Andrade Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para verificação de questão de fato, conforme proposto pela conselheira relatora. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, tanto pelo titular quanto por dependente. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 e 2), alegando, em síntese, que: (i) o campo “CNPJ” da fonte pagadora do titular, na declaração de ajuste do exercício 2005, foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 09 .0 00 14 2/ 20 07 -1 9 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13409.000142/200719 Resolução nº 2101000.121 S2C1T1 Fl. 3 2 preenchido incorretamente; e (ii) foi declarada indevidamente como dependente sua esposa Keila Gomes de Andrade, que apresentou declaração de ajuste em separado. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife (PE) julgou a impugnação procedente, por meio do Acórdão n.º 1130.831, de 23 de agosto de 2010, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTOS. Na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física devem ser incluídas todas as fontes pagadoras da mesma. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA APURAÇÃO ERRO DE FATO. Restando constatado que o lançamento de ofício se originou de erro de fato cometido pelo sujeito passivo em sua declaração de ajuste anual, refazse a apuração do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído, a partir dos dados que efetivamente deveria ter sido declarados. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa a alegação de erro na informação do CNPJ da fonte pagadora dos rendimentos do titular. Junta documentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante do presente processo originouse da revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte, na qual apurouse omissão de rendimentos de duas fontes pagadoras: Canhotinho Prefeitura, no valor de R$ 6.765,00, para o CPF 823.04084400 e Pernambuco Secretaria de Administração, CNPJ 10.572.022/000180, no valor de R$ 19.166,93, para o CPF 227.257.09415. Em sua impugnação, o contribuinte esclareceu que a titular do CPF 823.040844 00 é sua esposa, indevidamente declarada como dependente no exercício 2005, eis que havia entregue declaração de ajuste em separado. Também ponderou que cometeu um equívoco ao informar o CNPJ da fonte pagadora de seus próprios rendimentos e, em decorrência desse erro, tendo a Fiscalização identificado a fonte pagadora correta, ficou como se ele tivesse auferido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13409.000142/200719 Resolução nº 2101000.121 S2C1T1 Fl. 4 3 rendimentos tributáveis de duas fontes pagadoras distintas, o que, de fato, não ocorreu. Em suas palavras: “A Declaração de IRPF 2005, ano calendário 2004, foi preenchida incorretamente, no campo ‘CNPJ’ da fonte pagadora dos rendimentos tributáveis recebidos de PJ pelo titular. Acontece que foi considerado como se o declarante tivesse omitido o seu verdadeiro rendimento, pois a fonte pagadora declarou para a Receita Federal, então gerou uma cobrança sobre o rendimento de 2 fontes pagadoras distintas, o que na verdade só se deu por conta do preenchimento incorreto do CNPJ.” A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife foi pela procedência da impugnação, ficando o crédito tributário mantido em parte. O Relator do voto condutor da decisão recorrida, em seu Voto, posicionouse de forma parcialmente favorável ao impugnante. Entendeu ter ficado comprovado nos autos que a sua esposa, Keila Gomes de Andrade, havia enviado declaração de ajuste anual em separado, informando rendimentos tributáveis, e concluiu que a relação de dependência, para fins de imposto de renda, não poderia ser mantida. A partir desse entendimento, elaborou quadro demonstrativo (fls. 44), no qual excluiu da relação de dependentes a Sra. Keila Gomes de Andrade, assim como desconsiderou a dedução correspondente à dependente excluída (“glosa de deduções indevidas”) e os rendimentos por ela auferidos, de R$ 6.107,77. Restou para análise na segunda instância a alegação do contribuinte de ter preenchido sua declaração de ajuste com o CNPJ da fonte pagadora incorreto, gerando cobrança de duas fontes pagadoras quando existia apenas uma. O lançamento foi mantido, neste ponto, e rendimentos da ordem de R$ 19.824,16 permanecem na condição de omitidos (fls. 44, linha 2 do demonstrativo). No recurso voluntário, o interessado repisa os argumentos da impugnação, isto é, que o rendimento dado por omitido pela Fiscalização é aquele já declarado por ele em sua declaração de ajuste do anocalendário. Todavia, não há, nos autos, comprovação de que se trata dos mesmos rendimentos, duplamente considerados. A rigor, os rendimentos declarados pelo recorrente em sua declaração de ajuste original como auferidos de Secretaria de Defesa Social, CNPJ 10.572.063/000176, são da ordem de R$ 19.561,65 (fls. 15), enquanto que os rendimentos dados por omitidos pela Fiscalização, como recebidos de Pernambuco Secretaria de Administração, CNPJ 10.572.022/000180 correspondem ao montante de R$ 19.166,93 (fls. 3). Impossível para o interessado fazer prova de que não recebeu os rendimentos declarados, ou seja, fazer prova negativa. Sendo assim, não há como decidir o pleito, eis que não é possível afirmar, com base em provas, a alegação do recorrente que os rendimentos reputados omitidos pela Fiscalização coincidem com os declarados pelo recorrente, razão pela qual impõese uma diligência. Conclusão Ante todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, para, de acordo com a DIRF correspondente ao ano Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13409.000142/200719 Resolução nº 2101000.121 S2C1T1 Fl. 5 4 calendário 2004, verificar e comprovar se o CNPJ 10.572.063/000176, alegadamente consignado de forma incorreta na declaração de ajuste anual original do recorrente (fls. 15), foi ou não fonte pagadora de rendimentos em seu favor e, em caso afirmativo, em que valor. Juntar aos autos a documentação comprobatória. Finda a diligência, o recorrente deve ser intimado para, querendo, sobre ela se manifestar, no prazo de trinta dias. Feito isso, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000503/2005-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1998
PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005
O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1998 PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 05 03 /2 00 5- 26 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 183 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: O presente processo foi formalizado, em 13072005, com a apresentação do Pedido de Restituição de fl. 01, por meio do qual a Interessada requer lhe seja restituída a importância de R$ 72.822,96, que teria sido paga em valor superior ao efetivamente devido, a título de Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, nos anos de 1992 a 1998. 2. No "item 02 Motivo do Pedido", a Interessada informa que, em virtude da Resolução n° 10 do Senado, que regulamentou os efeitos da ADIN 14170, que declarou a inconstitucionalidade do art. 18 da Medida Provisória 1.212, voltando a vigorar a Lei Complementar 07/70, houve diferenças apuradas no recolhimento. 3. No "item 03 Demonstrativo do Cálculo da Restituição", a Interessada discrimina mensalmente os valores que estariam inseridos no valor total pleiteado. Esses valores foram retirados de apurações efetuadas nas planilhas de fls. 18 a 26. 4. Foram anexadas, às fls. 04 a 87, cópias de Darf referentes a recolhimentos efetuados pela Interessada.Constam do processo intimação para esclarecer divergências entre DARFs apresentados e demonstrativo de créditos (fl. 102), informação de que tal intimação não foi atendida (fl. 104). 5.Consta, ainda do processo PER/DCOMP 04407.52820.280705.1.3.040866, na qual o contribuinte requer compensação de R$ 70.528,39 do alegado direito a restituição de fl. 01 (fls. 105110). 6.Foi exarado parecer pela SEORT, propondo o não reconhecimento do pleiteado crédito do contribuinte por decadência qüinqüenal prevista na legislação de regência. Em conseqüência, foi também proposto o não reconhecimento do crédito pleiteado à fl. 01, indeferimento da restituição pleiteada à fl. 01, para que seja não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP 04407.52820.280705.1.3.040866 e, finalmente, para que sejam consideradas não declaradas todas as declarações compensando idênticos débitos ou créditos, com base nos arts. 165,168 e 170 do Código Tributário Nacional, nos arts. 3o e 4o da Lei Complementar 118/2005 (fls. 114117). 7. Por meio do despacho de fls. 119120, o delegado da DRF/Nova Iguaçu/RJ, em 21/10/2009, aprovou o PARECER SEORT 722/09 para o não reconhecimento do crédito pleiteado Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 184 3 à fl. 01, indeferimento da restituição pleiteada à fl. 01, para que seja não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP 04407.52820.280705.1.3.040866 e, finalmente, para que sejam consideradas não declaradas todas as declarações compensando idênticos débitos ou créditos, com base nos arts. 165,168 e 170 do Código Tributário Nacional, nos arts. 3o e 4o da Lei Complementar 118/2005 (fls. 119120). 8. Em 16122009, foi atestada a ciência do sujeito passivo do despacho citado (fl. 141). 9. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 12012010, o que suscitou o reconhecimento da tempestividade por parte do CAC e o encaminhamento do presente processo à DRJ/RIO/II (fl. 141). 10. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta,em síntese (fls. 125130): • A contribuição para a Cofins constitui modalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação. Lançamento por homologação é aquele no qual a lei atribui ao contribuinte uma série de tarefas necessárias à constituição do crédito tributário, como emitir documentos fiscais, escriturar livros de apuração de tributos, aplicar alíquotas, apurando o valor do tributo devido que terá a obrigação de recolher sem qualquer participação direta da administração tributária. Alie se a isso o disposto no §4° do CTN, que considera a definitividade da extinção do crédito apenas após a homologação do lançamento. O prazo decadencial de cinco anos é contado a partir da data da homologação do lançamento ou constituição definitiva do crédito, como conseqüência lógica da implementação do princípio da segurança jurídica. Não é demais lembrar que se revela entendimento uníssono entre a melhor doutrina tributária, que a extinção do crédito tributário sujeito a homologação do lançamento efetuado pelo sujeito passivo se dá expressamente no momento em que o fisco realiza a "conferência" do lançamento homologação expressa aceitandoo como correto e ordenando para que seja corrigido, nos casos em que não haja conferência" pelo sujeito ativo a homologação, nestas hipóteses chamada homologação tácita, se dá com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da data do efetivo pagamento antecipado pelo contribuinte. Desta forma, temos que o prazo para a restituição dos tributos, em referência, pagos indevidamente ou a maior do que devidos é decenal por se tratar de autolançamento, e não quinquenário como sustentado na decisão impugnada. • Por oportuno, vale observar o Parecer n° 58, de 27 de outubro de 1998, expedido pelo Coordenador Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, o qual autoriza os delegados e os inspetores daquele órgão a restituir e a deferir a compensação de tributo pago indevidamente por força da Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 185 4 declaração de inconstitucionalidade total ou parcial da lei que instituiu ou modificou a exação pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, na hipótese de contribuinte que não seja parte em qualquer ação judicial, quando a questão tenha sido decidida em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, como no presente caso. Com efeito, de acordo com o citado Parecer, para que seja deferida a restituição ou a compensação do indébito tributário, mostrase necessário que o pedido seja formulado no prazo de 5 (cinco) anos, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, contados da data do trânsito em julgado da decisão proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade. Ademais disso, a digna autoridade julgadora disserta sobre condição suspensiva e sobre condição resolutiva, para tentar concluir que, apesar do Art. 150 do CTN, em seu parágrafo Io elucidar que o pagamento extingue o crédito tributário, sob condição resolutoria de ulterior homologação, que houve, nesse caso, a decadência do direito, de a Recorrente pleitear a repetição de indébito A Recorrente, por não haver nas decisões supramencionadas, nenhuma consideração sobre o mérito, ou sobre cálculo de aplicação de juros e correção monetária, considera estes itens homologados na Integra pelo órgão, ficando a presente impugnação, destinada a discutir o motivo do indeferimento, que é a alegação do fisco da decadência do direito de repetição de indébito. Cita as palavras do mestre Sacha Calmon Navarro Coelho, professor da UFMG, Juiz Federal em Minas Gerais, em sua obra "Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologação Decadência e Prescrição", pág. 53, neste sentido:"Em todas as hipóteses em que o contribuinte paga sem prévio exame da autoridade administrativa, o pagamento nada extingue". Na realidade o lançamento do tributo é ato privativo da autoridade administrativa, de acordo com art. 142 do CTN A antecipação do pagamento previsto no art. 150 não extingue nada definitivamente, pois está vinculada a uma condição resolutoria, tornandose então um ato precário e sem eficácia, enquanto se encontrar nesta condição. Se o lançamento é um ato, a homologação tácita se constitui no não ato, ou seja, na omissão que preclui o direito de revisar a antecipação por parte do contribuinte. A jurisprudência dominante no Conselho de Contribuintes considera os 10 (dez) anos como prazo para ser pleiteada a repetição do indébito. Em seguida o contribuinte evoca a "NOTA MF/SRF/COSIT n° 577, de 24 de agosto de 2000, assinada pelo Dr. CARLOS ALBERTO DE NIZA E CASTRO, CoordenadorGeral da COSIT", segundo a qual, para as contribuições sociais, o prazo decadencial é de dez anos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 186 5 Traz aos autos ementa de decisão do STJ datada de 27.08.2007 na qual se afirma a tese dos 5 + 5 para restituição e compensação de indébito tributário. Fica muito claro, por qualquer lógica, que o prazo decadencial só pode começar a contar a partir da data de publicação da SÚMULA do STJ, conforme decisão proferida pelo próprio STJ, senão teríamos o absurdo de se pagar com base em uma legislação, esta legislação ser declarada nula e ainda assim não termos o direito de repetir o indébito. Pede o contribuinte, por fim, a IMPUGNAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO, a fim de reformar a decisão do Delegado e o Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da DRF em Nova Iguaçu, bem como o RECONHECIMENTO do crédito total pleiteado e a MANUTENÇÃO do direito à compensação requerida, nos exatos termos do pedido inicial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), às fls. 150/157, proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 160 a 167, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 187 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A questão posta em discussão envolve na preliminar o prazo decadencial para requerimento de restituição de créditos tributários pagos indevidamente pelo contribuinte. Preliminarmente, no que tange à decadência, devemos analisar os artigos 165 e 168 do CTN e os artigos 3o e 4o da Lei Complementar 118/05, que seguem abaixo: "Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art.165, da data da extinção do crédito tributário; (...)" "Art 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106. inciso I. da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional " O entendimento administrativo contido no Parecer Cosit 58, de 27/10/1998, conforme colacionado pela recorrente, já havia sido revisto pelo Ato Declaratório SRF 96, de 26/11/1999, ou seja, o prazo para restituição administrativa de tributo pago a maior é de 5 anos contados a partir da data do pagamento, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 188 7 ação declaratória ou em recurso extraordinário, aplicandose o disposto no art. 168 do CTN, in verbis: I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). (...) Na lição de Eurico Marcos Diniz de Santi: Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade de lei. Dessa forma, o acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco, somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle de constitucionalidade não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição.( Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo, Editora Max Limonad, 2000, p. 271/277) A posição predominante do Poder Judiciário, relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de não ter havido homologação expressa, era de que o pleito de repetição do indébito tributário poderia ser efetuado no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de outros 5 (cinco) anos. A posição adotada pelo STJ, tese dos 5 + 5, conforme colacionado pela recorrente, teve sua aplicação prejudicada em face das disposições dos art. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/05, que fixou o termo inicial do prazo para a restituição dos valores indevidamente recolhidos, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, na data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN e com efeitos retroativos, o que equivale dizer que o prazo para restituição/compensação passou a ser de 5 anos, contados da data do pagamento indevido. No entanto, no tocante à sua aplicação, o Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido de que a referida norma não tem efeitos retroativos e que a disposição somente teria aplicação em relação aos pagamentos efetuados após sua publicação. Ressaltese que o STJ não é órgão competente para exercer o controle abstrato de constitucionalidade, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 189 8 devendo ser observado a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar, conforme entendimento expresso pelo E. Supremo Tribunal Federal. Não obstante, o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13746.000503/200526 Acórdão n.º 3801001.803 S3TE01 Fl. 190 9 LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (Grifo nosso) Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em tela, o pedido de restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foi protocolizado em 13/07/2005, correspondendo a pagamentos efetuados no período de 01/03/1992 a 31/10/1998. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos alegadamente indevidos já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. Decretada a decadência resta prejudicada a análise das demais alegações. Por fim, pelas razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13839.004307/2006-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
GLOSA. DEDUÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA
O imposto pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser restituído.
Ausente comprovação documental da data e dos valores de recebimento e retenção, não há como restabelecer a dedução glosada.
INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL.
É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de rendimentos isentos e não tributáveis lançados na Declaração de Ajuste Anual é dever da autoridade fiscal efetuar a sua reclassificação para rendimentos tributáveis e proceder a respectiva tributação de ofício. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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DEDUÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA O imposto pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser restituído. Ausente comprovação documental da data e dos valores de recebimento e retenção, não há como restabelecer a dedução glosada. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de rendimentos isentos e não tributáveis lançados na Declaração de Ajuste Anual é dever da autoridade fiscal efetuar a sua reclassificação para rendimentos tributáveis e proceder a respectiva tributação de ofício. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 2 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13839.004307/200672 Acórdão n.º 220201.827 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório ARNALDO BRESCIANI, contribuinte inscrito no CPF/MF 721.635.85891, com domicílio fiscal na cidade de Jundiaí, Estado de São Paulo, à Rua Aristides Mariotti, nº 187 – Bairro Retiro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 59/63, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 67/72. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/08/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 05/11), com ciência, através de AR, em 03/10/2006, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 7.116,09 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2002, correspondente ao anocalendário de 2001. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão da Declaração de Ajuste Anual exercício 2002, onde a autoridade lançadora entendeu haver dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. O contribuinte foi intimado a apresentar documentação que comprovasse a retenção na fonte do referido imposto, não o fez, apresentando tãosomente informe de rendimento anocalendário 2000 da empresa Ciborplas – CNPJ nº 48.704.076/000124 que se encontra inapta desde 17/07/2004. Infração capitulada no artigo 12, inciso V da Lei nº 9.250, de 1995. Em sua peça impugnatória de fls. 01/03, instruída pelos documentos de fls. 04/39, apresentada, tempestivamente, em 31/10/2006, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o auto de infração teve sua origem na revisão que foi efetuada na declaração de ajuste anual do exercício de 2002, ano calendário 2001, pela qual o valor do imposto de renda que lhe foi retido do Impugnante na fonte, foi alterado de R$ 4.764,38 (quatro mil, setecentos e sessenta e quatro reais e trinta e oito centavos), para R$ 0,00 (zero reais), ou seja, como se não tivesse sido efetivamente retido na fonte, o que não corresponde a realidade dos fatos, como se demonstrará a seguir; que pelo que consta do demonstrativo das infrações, que acompanha o auto, o Impugnante teria supostamente feito a dedução do imposto de renda retido na fonte de forma indevida, uma vez que intimado para apresentar documentação que comprovasse a retenção na fonte de referido imposto, não o fez, apresentando tão somente informe de rendimento do ano calendário 2000, da empresa CIBORPLAS — CNPJ 48.704.076/000124, que se encontra inapta desde 17/07/2004; que, diante disso, apurouse um imposto suplementar de R$ 2.825,42 (dois mil, oitocentos e vinte e cinco reais e quarenta e dois centavos), o qual está sendo exigido seu Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 4 recolhimento através do auto de infração em questionamento, que com os acréscimos legais incidentes, mais a multa de oficio aplicada, atinge o montante de R$ 7.116,09 (sete mil cento e dezesseis reais e nove centavos), como demonstra cópia do auto de infração que segue em anexo (docs. 02 a 08); que ocorre que o Autuado, ora Impugnante, não fez a dedução do imposto de renda retido na fonte de forma indevida. Durante o ano calendário de 2001, assim como fazia em anos anteriores, o Autuado trabalhando como representante comercial autônomo para a empresa CIBORPLAS COM IND. BOR. PLAST. LTDA., inscrita no CNPJ do MF sob n. 48.704.076/000124, fez jus, pelos serviços prestados naquele ano calendário, ao montante de R$ 30.769,17 (trinta mil setecentos e sessenta e nove reais e dezessete centavos), a titulo de comissão sobre vendas realizadas, as quais foram devida e legalmente declaradas na declaração de ajuste anual, objeto deste litígio (docs. 09 a 14). Em um dos acertos de contas efetuados com mencionada empresa, sobre as comissão o Impugnante direito a receber, relativo ao período de 16/02/2001 à 15/05/200 , conforme comprova relatório do acerto de contas efetuado em anexo (does. 15 a 18), o Autua recebeu titulo de comissões o valor de R$ 18.994,14 (dezoito mil, novecentos e noventa e quatro ais e catorze centavos), sendo que deste valor foram descontados, dentre outros valores, o de R$ 4.764,38 (quatro mil, setecentos e sessenta e quatro reais e trinta e oito centavos), a titulo de IRRF, que se referia ao imposto de renda devido do valor que lhe estava sendo pago naquela prestação de contas; que como referida empresa, naquele ano calendário, já apresentava problemas de ordem financeira e atrasava muito os pagamentos das comissões a que tinha direito, o Autuado procurou outros clientes para trabalhar e como se afastou da mesma, no exercício de 2002, não recebeu o informe de rendimento do ano calendário de 2001, em que pese sua insistência neste sentido. Entretanto, como é bem organizado, com relação aos valores que recebe e ao montante do IR que lhe é retido na fonte, o mesmo ao efetuar sua declaração de rendas, em que pese não tendo o informe de rendimento, alocou todos os valores corretamente, ou seja, como determinava a legislação vigente, apropriandoos em seus devidos lugares, o que resultou em um imposto de renda a restituir de R$ 1.938,96 (hum mil, novecentos e trinta e oito reais e noventa e seis centavos), como demonstra cópia de Declaração de Ajuste Anual que segue em anexo documentos 09 a 14; que ao receber o termo de intimação — IRPF/2002 n. 286/06, para apresentar o informe de rendimento que comprovasse o valor do IRRF, o Autuado de todas as formas tentou obter o mesmo junto a empresa CIBORPLAS, quando então tomou conhecimento de que a mesma havia requerido, em 19/08/2002, concordata preventiva, concordata esta, por inúmeras irregularidades e fraudes praticadas por seus sócios, foi transformada em falência. Dentre essas irregularidades, apurouse a falta de apresentação dos livros e documentos fiscais, balancetes, dentre outros, os quais, segundo relatório elaborado pelo Sindico da Massa Falida, haviam desaparecido; que o autuado tentou de todas as formas junto ao Sindico da Massa Falida, Dr. Gustavo H. Sauer de Arruda Pinto, inscrito na OABSP sob n. 102.907, obter o informe de rendimento do exercício de 2002, ano calendário 2001, sem sucesso. Alegou mencionado Síndico, que estava totalmente impossibilitado de fornecer qualquer tipo de documento neste sentido, uma vez que todos os livros fiscais e demais documentos da mencionada empresa haviam desaparecido, motivo pelo , qual preparou relatório, nos termos do artigo 75, da antiga Lei de Falências e propôs a abertura do competente inquérito judicial, o que foi feito nos autos do processo de concordata, transformado em falência, de n. 106.01.2002.0012473/000 000001, n. de ordem 1722/2002, que corre na Vara Única do Fórum de Caieiras, Estado de Sao Paulo, conforme demonstra e comprova Relatório do Sindico, que seguem em anexo (does. 19 a 35); Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13839.004307/200672 Acórdão n.º 220201.827 S2C2T2 Fl. 3 5 que, portanto, totalmente indevida e ilegal a glosa efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Impugnante, referente ao Exercício de 2002, Ano Calendário 2001, uma vez que os rendimentos auferidos foram devidamente declarados e aceitos pelo Fisco Federal e o Imposto de Renda Retido na Fonte, foi devida e legalmente retido pela fonte pagadora, ou seja, por referida empresa, naquele ano calendário, conforme comprovam os documentos 15 a 18, que seguem em anexo; que em tendo sido este imposto efetivamente retido na fonte, a titulo de antecipação do devido na declaração de rendimentos, como acima demonstrado e comprovado, o Autuado adquiriu o direito de pleiteálo na respectiva declaração de rendimento anual. Se a empresa CIBORPLAS não fez o recolhimento aos cofres públicos dos valores retidos do Impugnante, cabe à autoridade administrativa promover a respectiva cobrança e não glosar os valores declarados a este titulo pelo contribuinte, mesmo porque, aceitou os respectivos rendimentos como verdadeiros. Caso contrário, deveria, também, ter excluído os rendimentos auferidos da empresa em questionamento. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza conclui pela procedência da ação fiscal e pela remissão do crédito tributário lançado, com base nas seguintes considerações: que, preliminarmente, conforme o documento denominado "Extrato do Processo", fls. 58, verificase que o crédito tributário controlado no presente processo encontra se extinto por remissão, nos termos do artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a seguir transcrito; que mesmo tendo sido o crédito tributário remitido, há que se apreciar as argumentações do contribuinte, uma vez que o mesmo solicita a restituição pleiteada em sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2001, sob a alegação de que a fonte pagadora Ciborplás Com. Ind. Bor. Plast. Ltda., efetivamente, reteve na fonte imposto no valor de R$ 4.764,38, quando do pagamento de comissões; que, de pronto, vêse que o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual, exercício 2002, anocalendário 2001, informando, entre outros dados fiscais, rendimentos auferidos da pessoa jurídica Ciborplas Com. Ind. Bor Plast. Ltda., CNPJ n° 48.704.076/000124, no valor de R$ 30.769,17, e imposto de renda retido na fonte sobre referidos rendimentos, no valor de R$ 4.764,38, o qual foi totalmente glosado pela fiscalização; que, no entanto, a defesa, para comprovar a retenção do imposto de renda na fonte informada na mencionada declaração de rendimentos submetida ao procedimento fiscal de revisão, apresentou cópia de um documento denominado "Faturamento p/ Representantes" "período selecionado 16/02/2001 até 15/05/2001", onde se vê relacionado, entre outras coisas,o valor das vendas efetuadas pelo contribuinte no mencionado período (R$ 398.552,04), o valor das respectivas comissões (R$ 18.994,14) e o valor do imposto de renda retido (R$ 4.764,38); que a Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, em seu artigo 55, que fundamenta o artigo 943, §2° do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999, assim dispõe sobre a matéria: “Art 55 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 6 que, como se vê do dispositivo legal acima transcrito, para que o contribuinte possa compensar o imposto, tem que possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No presente caso, o documento de fls. 18 a 21 não traz o nome da pessoa jurídica para a qual o contribuinte prestou serviços de representante comercial, o que impossibilita a aceitação do documento em questão. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. VALOR REMITIDO. Mesmo quando a Fazenda Nacional extinguir por remissão o crédito tributário, nos termos do artigo 14 da Lei n° 11.941, de 2009, é de ser apreciada, quando for o caso, a impugnação apresentada pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deixase de restabelecer os valores declarados, uma vez que não ha nos autos documento hábil que comprove a retenção de imposto retido na fonte. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/11/2009, conforme Termo constante às fls. 65/66, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (01/12/2009), o recurso voluntário de fls. 67/72, instruído pelo documento de fls. 73, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13839.004307/200672 Acórdão n.º 220201.827 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. A matéria em discussão nesta fase recursal restringese, tãosomente, ao imposto de renda a restituir no valor de R$ 1.938,96, ou seja, o recorrente pretende que seja reconhecido a retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 4.764,38, sem possuir o respectivo comprovante. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o recorrente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada em Primeira Instância, sendo que para tanto suscita, em síntese, que para comprovar a retenção do imposto de renda na fonte informada na mencionada declaração de rendimentos submetida ao procedimento fiscal de revisão, apresentou cópia de um documento denominado "Faturamento p/ Representantes" — "período selecionado 16/02/2001 até 15/05/2001", onde se vê relacionado, entre outras coisas, o valor das vendas efetuadas pelo contribuinte no mencionado período (R$ 398.552,04), o valor das respectivas comissões (R$ 18.994,14) e o valor do imposto de renda retido (R$ 4.764,38). Ora, de acordo com a Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, em seu artigo 55, que fundamenta o artigo 943, §2° do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999, assim dispõe sobre a matéria: Art. 55 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Como se vê do dispositivo legal acima transcrito, para que o contribuinte possa compensar o imposto, tem que possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No presente caso, o documento de fls. 18 a 21 não traz o nome da pessoa jurídica para a qual o contribuinte prestou serviços de representante comercial, o que impossibilita a aceitação do documento em questão. Como se vê a questão em discussão é eminentemente de matéria de prova. Ou seja, à questão está restrita em se saber se o recorrente, à época do fato gerador, ostentava a condição de ter ou não recebido tais valores. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 8 Observase, que a autoridade lançadora concluiu, mediante a análise das provas apresentadas pelo recorrente, que o valor em discussão não foi em momento algum comprovado, conforme dispõe a legislação de regência, razão pela qual tomou as providências legais para constituir o respectivo crédito tributário glosando o imposto de renda retido na fonte declarado pelo contribuinte. Ora, os documentos acostados, juntamente com a peça impugnatória, como sendo prova irrefutável de que o recorrente tem razão em suas alegações, são insuficientes, não fazem contra prova de que a fonte pagadora tivesse retido o imposto de renda na fonte. Não é crível, que o contribuinte faça a sua Declaração de Ajuste Anual em meras presunções de que houve a retenção do imposto de renda na fonte, sem se preocupar, na época oportuna, de solicitar os comprovantes de que houve a respectiva retenção de fonte. É bem verdade, mesmo que a autoridade lançadora não tivesse comprovado com total certeza, ainda, sim cabia ao recorrente, que recebeu as quantias demonstrar e comprovar de que o valor lançado a título de imposto de renda retido na fonte é verdadeiro. Nesta linha de raciocínio é de se deixar claro, que os agentes do Fisco têm, mais que direito, o dever de recorrer, quando for o caso, às declarações de rendimentos apresentadas pelos contribuintes, para analisar se o imposto de renda lançado como se retido fosse é verdadeiro. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso compete ao fisco proceder como fez. É óbvio, que o autuado tem que ter uma prova de que já submeteu estes rendimentos a tributação ou que não era passível de tributação por não ter recebido tais rendimentos. Assim, vêse o quão acertado foi o procedimento do Fisco, ao submeter a glosa o imposto de renda retido na fonte. Não haveria outra forma de se proceder senão essa, já que a contribuinte não apresentou nenhuma prova contundente que invalidasse o feito fiscal. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação. Sendo assim, entendo que cabia a recorrente comprovar o alegado, porque somente ele tinha condições de fazêlo, razão pela qual mantenho a decisão da autoridade julgadora de Primeira Instância. Quanto a remissão do crédito tributário lançado a decisão recorrida já proveu o pleito, cabendo a autoridade executora do acórdão as cutelas necessárias. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13839.004307/200672 Acórdão n.º 220201.827 S2C2T2 Fl. 5 9 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN
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