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Numero do processo: 18471.001315/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/03/2007
LANÇAMENTOS. IMPEDIMENTO. CONSULTA. LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO.
Somente a apresentação de Consulta sobre a interpretação da legislação tributária nos termos definidos no Processo m Administrativo Fiscal impede a lavratura de auto de infração para constituição e exigência de crédito tributário.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela recorrente a Dra. Leiliane
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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IMPEDIMENTO. CONSULTA. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO. Somente a apresentação de Consulta sobre a interpretação da legislação tributária nos termos definidos no Processo Administrativo Fiscal impede a lavratura de auto de infração para constituição e exigência de crédito tributário. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela recorrente a Dra. Leiliane. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II que julgou procedente os lançamentos das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de outubro de 2005 a março de 2007. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores das contribuições declarados/pagos e os valores escriturados, apurados com base na escrita fiscal e contábil da recorrente, pelo fato de ela ter excluído das suas bases de cálculo os valores referentes à Reserva Global de Reversão (RGR), denominada por ela como “Encargos do Consumidor – RGR”, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal. Inconformada com a exigência dos créditos tributários, a recorrente impugnou os lançamentos (fls. 95/99 e fls. 118/122), alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “a) O processo de consulta produz pelo menos dois efeitos, quais sejam, a suspensão do prazo para pagamento do tributo em relação à situação que está sendo discutida e o impedimento para o início de qualquer procedimento fiscal destinado à apuração de infrações relacionadas com a matéria; b) O artigo 46 do Decreto 70.235/72 estabelece que ‘os Órgãos da Administração Pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta’; c) A ANEEL, órgão regulador do setor elétrico, formulou consulta acerca do tema através do Ofício 117/2005, aqui anexado, a qual, até a presente data, não obteve pronunciamento da RFB; d) As Agências Reguladoras são autarquias em regime especial, criadas com a finalidade de disciplinar e controlar certas atividades. Assim, ao realizarse uma interpretação histórica do conceito de órgão utilizado pelo legislador à época da edição do Decreto 70.235/72, é possível concluir que as agências reguladoras estariam lá abrangidas; e) De acordo com as competências arroladas no Decreto 2.335/97, que regulamentou a Lei 9.427/96, inferese que a impugnante deve observar as normas e diretrizes estabelecidas pelo seu órgão regulador. Assim, ao excluir a RGR da base de cálculo do PIS e da COFINS, agiu a impugnante em consonância com a orientação da ANEEL exarada no Ofício n° 117; f) Enquanto não houver pronunciamento do órgão competente da Receita Federal acerca da correta interpretação da legislação em questão, a recorrente encontrase constitucionalmente (art. 37, II, da CF) e legalmente (art. 3 °, IV, da Lei 9.427/96) adstrita às normas/diretrizes estabelecidas pela ANEEL; g) Requer a anulação dos Autos de Infração, nos termos dos artigos 46, parágrafo único, 48 e 51 do Decreto 70.235/72, tendo em vista que nenhum procedimento fiscal pode ser instaurado em face à impugnante, até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência pela ANEEL da Consulta formulada através do ofício 117/2005DR/ANEEL.” Analisada as impugnações, aquela DRJ julgou os lançamentos procedentes, conforme acórdão nº 1321.179, datado de 27/08/2008, às fls. 154/160, sob a seguinte ementa: “CONSULTA. EFEITOS. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001315/200859 Acórdão n.º 330101.253 S3C3T1 Fl. 184 3 Não produz efeitos a consulta que não tenha sido formulada em processo administrativo revestido das formalidades previstas no Decreto 70.235/72 e quando não se comprove que tenha sido formulada por entidade com legitimidade para representar categoria econômica ou profissional.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 163/172), requerendo a nulidade dos autos de infração e, conseqüentemente, dos lançamentos, alegando, em síntese, o impedimento da Administração Tributária de efetuar lançamentos de tributos cuja exigência seja objeto de Consulta ainda pendente de solução, quando da lavratura dos autos de infração. Para fundamentar seu recurso, discorreu sobre: I) Da Natureza Jurídica da Consulta. Efeitos; II) Da Legitimidade da Consulente ANEEL; III) Da Observância dos Requisitos Legais do Processo de Consulta; e, IV) Da Inaplicabilidade do Artigo 51 do Decreto 70.235/1972; concluindo, ao final, que os lançamentos são nulos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se resume à nulidade dos lançamentos, de fato impedimento as suas realizações, sob os argumentos de que, na data de lavratura dos autos de infração, nenhum procedimento fiscal visando à exigência de PIS e Cofins não poderia ter sido instaurado, em virtude de Consulta formulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ainda pendente de solução. Preliminarmente, cabe ressaltar que, além da cópia do Ofício nº 117, datado de 06 de abril de 2005, às fls. 173/180, dirigido ao então Secretário da Receita Federal do Brasil Senhor Jorge Antônio Deher Rachid, por aquela Agência Reguladora, nenhum outro documento foi carreado aos autos comprovando a apresentação de Consulta sobre a interpretação da legislação tributária do PIS e da Cofins, ambas com incidência não cumulativa. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que disciplina o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária, assim dispõe: “Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Parágrafo único. Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicílio tributário do consulente, ao órgão local da entidade incumbida de administrar o tributo sobre que versa. Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão. Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: I em desacordo com os artigos 46 e 47; (...). VIII quando não descrever, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora. Art. 53. O preparo do processo compete ao órgão local da entidade encarregada da administração do tributo.” Visando disciplinar o processo de consulta, o Secretário da Receita Federal do Brasil, no uso das atribuições previstas no art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 2 de maio de 2007, c/c o disposto no art. 8º da Portaria MF nº 275, de 15 de agosto de 2005, e tendo em vista o disposto nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 25, inciso II e § 3º, da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, expediu a IN SRF nº 740, de 02/05/2007, que assim dispõe: “Art. 2º A consulta poderá ser formulada por: I sujeito passivo de obrigação tributária principal ou acessória; II órgão da administração pública; III entidade representativa de categoria econômica ou profissional. Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, a consulta será formulada, em qualquer hipótese, pelo estabelecimento matriz, devendo este comunicar o fato aos demais estabelecimentos. Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001315/200859 Acórdão n.º 330101.253 S3C3T1 Fl. 185 5 §1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; (...); c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. (...). § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Art. 6º Incumbe à autoridade da RFB do domicílio tributário do consulente em que foi apresentada a consulta: I verificar se na formulação da consulta foram observados, conforme o caso, os requisitos a que se referem os arts. 3º a 5º; II orientar o interessado quanto à maneira correta de formular a consulta, no caso de inobservância de alguns dos requisitos exigidos; III organizar o processo e encaminhar à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil (SRRF) a que estiver subordinado, desde que tenham sido atendidas as formalidades previstas; (...). Art. 10. A solução da consulta ou a declaração de sua ineficácia compete à: I Cosit, no caso de consulta sobre interpretação da legislação tributária formulada por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, em nome de seus associados ou filiados e sobre preços de transferência de que tratam os arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (...). III SRRF, nos demais casos. § 1º Compete à SRRF a solução de consulta formulada por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, na qualidade de sujeito passivo. § 2º A consulta será solucionada em instância única, não cabendo recurso nem pedido de reconsideração da Solução de Consulta ou do Despacho Decisório que declarar sua ineficácia.” No presente caso, além do Ofício nº 117, cópia às fls. 173/180, dirigido pela ANEEL ao então Secretário da Receita Federal do Brasil Senhor Jorge Antônio Deher Rachid, não constituir Consulta nos termos do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e da IN SRF nº 740, de 02/05/2007, por não atender os requisitos neles elencados, aquela Agência não é competente para propor tal consulta pelo fato de não ser contribuinte do PIS e da Cofins nem entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional de contribuintes dessas contribuições, muito menos da recorrente. Em momento algum, a recorrente apresentou cópia da Consulta e de seu protocolo, que teria sido feita por ela perante a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil (SRRF) da 7ª Região Fiscal a cuja circunscrição está subordinada e/ ou por entidade representativa de sua categoria econômica ou profissional de âmbito nacional perante a Coordenação Geral de Tributação (Cosit) em Brasília, DF. Ad argumentandum, ainda que se aceitasse que a ANEEL fosse entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional da recorrente e que o Ofício nº 117, cópia às fls. 173/180, constituísse Consulta, nos termos do Decreto nº 70.235, de Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001315/200859 Acórdão n.º 330101.253 S3C3T1 Fl. 186 7 06/03/1972, e da IN SRF nº 740, de 02/05/2007, o que não é caso, na data dos lançamentos, inexistia impedimento à constituição dos créditos tributários. Segundo o art. 51 do Decreto nº 70.235, de 1972, citado e transcrito anteriormente, o impedimento à instauração de procedimento fiscal somente alcançaria a recorrente depois de que a entidade consulente, no caso a ANEEL, fosse cientificada da decisão da Consulta formulada. No presente caso, isto não ocorreu. Aliás, nem a existência de Consulta foi comprovada. Cabe, ainda, ressaltar que em pesquisa efetuada no Sistema Decisões da Receita Federal, nenhuma Consulta foi encontrada em nome da ANEEL e/ ou da recorrente. Portanto, provada inexistência de Consulta por parte da recorrente e da ANEEL e, ainda, que se aceitasse o Ofício apresentado pela ANEEL como Consulta, este não impediria os lançamentos, não há que se falar em suas nulidades. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000615/2002-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
IRPF DEPUTADO ESTADUAL VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE
“AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE” E DE “AUXÍLIO-HOSPEDAGEM”
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INSUBSISTENTE.
Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda
ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento
em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN.
Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício
próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão n° 920200.053).
Recurso especial do Procurador negado e do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9202-001.997
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso do Contribuinte.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN. Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão n° 920200.053). Recurso especial do Procurador negado e do Contribuinte provido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000615/200234 Acórdão n.º 920201.997 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Em face de Fernando Augusto Cunha foi lavrado o auto de infração de fls. 36/39, objetivando a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física em decorrência da identificação, pela autoridade fiscal, da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo a título de “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”, relativamente aos exercícios de 1998 e 1999. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10422.751, que se encontra às fls. 193/204 e cuja ementa é a seguinte: “IRFONTE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula 1°CC n° 12). RENDIMENTOS NATUREZA INDENIZATÓRIA Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a titulo de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. AJUDA DE CUSTO ISENÇÃO Se não for comprovado que a ajuda de custo se destina a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e de sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município, não se aplica a isenção prevista na legislação tributária (Lei n°. 7.713, de 1988, art. 6°, XX). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS EXPEDIDO PELA FONTE PAGADORA EXCLUSÃO DE PENALIDADE Tendo a fonte pagadora informado no comprovante de rendimentos pagos ou creditados que a contribuinte era beneficiária de isenção indevida, levandoa a incorrer em erro escusável e involuntário no preenchimento da declaração de ajuste anual, incabível a imputação da multa de ofício sobre o valor informado erroneamente, sendo de se excluir sua responsabilidade pela falta cometida. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, são, devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Intimada pessoalmente do acórdão em 15/05/2008 (fls. 205) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de fls. 209/221, em que pleiteia a reforma do v. acórdão por suposta ofensa ao disposto no art.44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/1999). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 104 455/2008, de 16/10/2008 (fls. 223/224). Intimado em 30/01/2009 (fls. 230) sobre o v. acórdão recorrido, bem como sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou em 13/02/2009, suas contrarazões de fls. 249/260 e seu recurso especial de fls. 231/247, por meio do qual sustenta divergência entre o v. acórdão, que analisando os rendimentos recebidos a título de auxílioencargos gerais de gabinete entendeu pela natureza indenizatória dessas verbas, e o entendimento expresso no acórdão 10248.798. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2201009/2009, de 28/08/2009 (fls. 263/264). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pelo contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contrarazões de fls. 267/269. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade na medida em que a decisão formalizada pelo v. acórdão recorrido se deu por maioria. Dele conheço. Analiso, a seguir, se o recurso especial interposto pelo Contribuinte também preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão no recurso do contribuinte é a incidência do imposto sobre a renda de pessoa física sobre verbas recebidas a título de auxílioencargos gerais de gabinete. O acórdão recorrido (Acórdão nº 10422.751), exarado pela C. 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem manter em parte o lançamento por entender que tais verbas representam efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte, na medida Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000615/200234 Acórdão n.º 920201.997 CSRFT2 Fl. 3 5 em que não foi comprovado o emprego dos valores recebidos em gastos da atividade parlamentar. Visando à rediscussão da matéria o Contribuinte indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 10248.798. Entendo que o acórdão indicado como paradigma analisou situação semelhante ao presente caso, qual seja a apreciação, pelo então Conselho de Contribuintes, da natureza das verbas recebidas a título de auxílio de gabinete, como se verifica da ementa abaixo transcrita: “VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA — A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas das despesas correspondentes à referida verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. O fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória. As verbas de gabinete recebidas pelos Deputados e destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda, especificado no artigo 43 do CTN.” O acórdão citado como paradigma concluiu que as verbas de auxíliogabinete recebidas por deputado não constituem rendimentos tributáveis, independentemente da necessidade de comprovação da efetiva utilização dessa verba. Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão citado como paradigma, razão pela qual conheço também do recurso especial interposto pelo Contribuinte. No mérito a questão é bastante conhecida deste E. Colegiado, qual seja a incidência ou não de imposto sobre a renda de pessoa física sobre os valores recebidos por parlamentares a título de auxíliogabinete nos anos de 1997 e 1998, períodos em que a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo não exigia a comprovação dos gastos efetuados e sua vinculação ao provimento de instrumentos para o trabalho do parlamentar. Já me manifestei em diversas julgados anteriores, tanto na segunda instância quanto nesta instância especial, que essas verbas, salvo nos casos em que há a efetiva comprovação de sua utilização, devem ser consideradas como rendimentos tributáveis dos contribuintes. Nada obstante tenho restado como único voto vencido nos diversos recursos apreciados recentemente por este E. Colegiado, razão pela qual, em atenção aos princípios da moralidade, efetividade e eficiência da administração pública (Art. 37 da Constituição Federal), passo a adotar, com ressalva da minha opinião pessoal, o entendimento da maioria deste Colegiado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Para tanto, transcrevo a seguir o voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, constante do acórdão nº 920201.000, da sessão de 17/08/2010, que reflete o entendimento atual do Colegiado, in verbis: “O contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento, sob o fundamento de que os valores recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “Auxílio Hospedagem” não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Passase, então, à análise do recurso interposto pelo autuado. Pois bem, o contribuinte, na qualidade de deputado estadual em São Paulo (SP) no período compreendido entre maio de 1997 e dezembro de 1998, recebera valores da Assembléia Legislativa daquele Estado a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “AuxílioHospedagem”. Como não comprovou o oferecimento dessas verbas à tributação, embora intimado para tanto, a autoridade lançadora entendeu estar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, posição que restou endossada pela r. decisão recorrida. Tais verbas foram instituídas pela Resolução n° 783/97, da ALESP, em cujo artigo 11 consta o seguinte: Art. 11. Ficam instituídos o AuxílioEncargos Gerais de Gabinete de Deputado e o AuxílioHospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UFESPs, destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, previstos nos artigos 1°, inciso I, alínea “I” e 8°, da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. Por sua vez, o artigo 1°, inciso I, alínea “I” e o artigo 8°, ambos da Resolução n° 776/96, da ALESP, assim estabeleciam: Art. 1°. A estrutura administrativa da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fica assim constituída: I – da Mesa e das Representações Partidárias: (...) I – Gabinete de Deputado; Art. 8°. Aos Gabinetes de Deputados, unidades subordinadas aos respectivos titulares, compete: I – prestar assessoria e assistência técnica nas matérias relacionadas à atividade parlamentar; II – representar o respectivo titular nos eventos e ocasiões por ele determinadas; III – acompanhar a tramitação de proposições de interesse do deputado; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000615/200234 Acórdão n.º 920201.997 CSRFT2 Fl. 4 7 IV – providenciar sobre o expediente e as audiências do Deputado, além de outras atribuições correlatas. Relevante transcrever, também, a seguinte passagem contida em ofício encaminhado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal (fls. 0708): Sirvome do presente para, mais uma vez, tratar dos procedimentos fiscais que cuidam do recebimento do “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete e AuxílioHospedagem”, pelos senhores parlamentar com assento na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Como anteriormente dito no ofício SGA n° 076/2001, a partir de maio de 1997, os Gabinetes dos Deputados, no exercício de seus mandatos nesta Assembléia, passaram a contar, em substituição ao fornecimento de materiais e serviços disponibilizados pela Administração do Legislativo, com as verbas em questão, de valor mensal correspondente a 1.250 UFESP´S (um mil, duzentos e cinqüenta unidades fiscais do Estado de São Paulo). (Grifei) Podese perceber, que até abril de 1997, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fornecia aos seus deputados materiais e outros serviços não especificados e, a partir de maio de 1997, o fornecimento de tais materiais e serviços foi substituído pelo pagamento aos parlamentares das verbas denominadas “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e “AuxílioHospedagem”, no valor equivalente a 1.250 UFESP. O trabalho da autoridade fiscal, no caso, resumiuse em intimar o contribuinte para que informasse se havia oferecido à tributação os valores em referência, comprovando tal situação (fls. 1617). Como o então fiscalizado não produziu esta prova, prontamente restou lavrado o lançamento de ofício por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sem que a autoridade lançadora tentasse, ao menos, obter informações ou comprovações das despesas efetivamente realizadas pelo parlamentar como contraposição das verbas pagas a ele pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, era no sentido de que as verbas destinadas às despesas de gabinete parlamentar não se sujeitam à incidência do imposto sobre a renda, desde que estejam comprovadas ou haja uma prestação de contas. Tal posicionamento pode ser ilustrado através da transcrição das ementas dos seguintes acórdãos: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 VERBA DE GABINETE – Valores recebidos sob a rubrica “verba de gabinete”, destinados à aquisição de material de gabinete, passagens, assistência social e outras correlatas à atividade de gabinete parlamentar, sobre as quais devem ser prestadas contas, não se enquadram no conceito de renda. (CRSF, Primeira Turma, acórdão CSRF/0104.676, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado em 13/10/2003) IRPF – PARLAMENTAR – VERBAS DE GABINETE – Somente não se sujeitam à tributação as verbas de gabinete comprovadamente gastas com passagens aéreas, serviços postais e tarifas telefônicas, por parlamentares no exercício de seus mandatos. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, acórdão n° 10419.058, Relator Conselheiro José Pereira do Nascimento, julgado em 05/11/2002) Entendo ser bastante coerente este posicionamento, na medida em que os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, compreendidos neste conceito o “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e o “AuxílioHospedagem” pagos pela ALESP a seus deputados, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do Código Tributário Nacional. Nesta situação resta configurado o fato gerador do imposto sobre a renda. No caso em tela, cumpre reiterar, a autoridade lançadora, por estar convicta de que os valores em questão sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda, sequer intimou o parlamentar para que comprovasse a utilização dos recursos recebidos na finalidade para a qual foram criados. É notório, nos termos do artigo 334, inciso I, do Código de Processo Civil CPC, não sendo razoável deixar isso de lado, que os deputados têm inúmeras despesas no exercício de seus mandatos. Ao longo do processo, o contribuinte informou que a criação do “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e do “AuxílioHospedagem” visou desonerar a ALESP de diversas despesas mensais, tais como, fornecimento de combustível, peças de veículos, custos de manutenção de frota de automóveis, despesas com hospedagem, aquisição de passagens, impressão de livros e materiais didáticos, cópias reprográficas, material de escritório, assinatura de jornais e revistas e outras despesas relacionadas à atividade do gabinete parlamentar. Isso se comprova no ofício enviado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, do qual já transcrevi os excertos mais relevantes para o deslinde desta controvérsia. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000615/200234 Acórdão n.º 920201.997 CSRFT2 Fl. 5 9 Sendo assim, tenho como inquestionável que se ocorreu fato gerador do imposto sobre a renda com relação aos valores recebidos da ALESP pelo Sr. Misael Margato a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “Auxílio Hospedagem”, a matéria tributável não é representada pela totalidade desses numerários. Poderseia tributar, apenas, a diferença entre os valores recebidos e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados, pois aí residiria “o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título”, previsto no artigo 3°, § 4°, da Lei n° 7.713/88. Penso, com todo o respeito, que o trabalho da autoridade lançadora não foi abrangente, como se fazia necessário. A fiscalização deste caso, sob minha ótica, deveria seguir parâmetros semelhantes àqueles adotados nos trabalhos iniciados com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal a respeito da movimentação bancária dos contribuintes. O lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ocorre após a intimação do contribuinte para que comprove a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, atingindo apenas os recursos sem origem comprovada. Aqui, volto a destacar, a exigência fiscal poderia alcançar tão somente a diferença entre os valores recebidos pelo recorrente da ALESP a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “AuxílioHospedagem” e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados. Por isso, entendo que o auto de infração está em desacordo com as previsões do artigo 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (Grifei) A pretensão de tributar tais verbas desrespeita, também, o artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional e vai de encontro ao princípio constitucional da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, § 1°, da Carta da República. Não havendo a adequada demonstração da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, nem tampouco da matéria tributável, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, pois o lançamento é improcedente. Ademais e embora sob outros fundamentos, devo ressaltar que esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já apreciou Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 a matéria por diversas vezes, considerando insubsistentes os autos de infração. Com o objetivo de ilustrar tal posicionamento, trago à colação a ementa do seguinte acórdão: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física IRPF VERBA DE GABINETE – IMPOSTO DE RENDA – VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR – NÃO INCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Recurso n° 151.210, Acórdão n° 920200.053, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, julgado em 17/08/2009) Do voto proferido pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cumpre destacar as seguintes passagens: O exame da matéria exige que se identifique se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. (...) Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será o fato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. Ao apreciar a natureza jurídica da “verba de gabinete”, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário de n° 204.1432, julgado em 250397, em que foi relator o Ministro Octávio Gallotti, assentou que os subsídios dos Deputados Estaduais são fixados nos termos do artigo 27, § 2o., da Constituição Federal, na razão de, no máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para os Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000615/200234 Acórdão n.º 920201.997 CSRFT2 Fl. 6 11 Deputados Federais, observados o que dispõem os artigos 39, § 4o. e 57, § 7o, da Constituição. O artigo 39, § 4o., da Constituição Federal, por sua vez, prevê que “o membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no artigo 37, X e XI.” Os dispositivos constitucionais acima referidos, a exemplo do que já decidiu o Supremo Tribunal Federal, em especial nos fundamentos contidos na decisão do Ministro Sepúlveda Pertence, que ao suspender a segurança deferida no acórdão atacado por meio do Recurso Extraordinário n° 204.1432, afastou a tese de natureza remuneratória da denominada “verba de gabinete”, arrimando sua decisão com a seguinte passagem que transcrevo: “Que o caráter supostamente indenizatório da referida verba viesse a dissimular a indevida evasão do imposto de renda e a regra constitucional da equivalência dos tetos (CF, art. 37, XI) – segundo alega a impetração (fl. 43) – e, de sombra, a fraudar o limite de 75% da remuneração dos congressistas (art. 27, § 2o.) – é questão que diz apenas com a legitimidade do seu pagamento aos parlamentares estaduais em exercício.” Tenho que a “verba de gabinete” se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a “verba de gabinete” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. (...) Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 A impossibilidade de incidência do imposto de renda pessoa física sobre as chamadas “verbas de gabinete” é corroborada, ainda, pela jurisprudência uníssona do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme demonstram as ementas dos seguintes acórdãos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – NOVA QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS – POSSIBILIDADE – NÃOOCORRÊNCIA DE OFENSA À SÚMULA 7/STJ – IMPOSTO DE RENDA – AJUDA DE CUSTO A PARLAMENTAR – NÃOINCIDÊNCIA – PRECEDENTES. 1. A Corte Especial entende perfeitamente possível, na via do apelo especial, que o STJ, partindo dos fatos delimitados na sentença e no acórdão do Tribunal a quo, atribua nova qualificação e conclusão jurídica diversa daquela feita pela instância de origem, sem infringência à Súmula 7/STJ. 2. Os valores recebidos por parlamentares a título de ajuda de custo não constituem fato gerador do imposto de renda (aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN)), por ter natureza jurídica indenizatória. Precedentes do STJ. 3. Agravos regimentais não providos. (STJ, Segunda Turma, Ag.Rg. no REsp n° 1.166.717/CE, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJE de 04/03/2010) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS RECEBIDAS POR PARLAMENTAR DENOMINADAS COMO COTAS DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. As verbas de gabinete recebidas pelos parlamentares, embora pagas de modo constante, não se incorporam aos seus subsídios. Precedentes do STJ e do STF. 3. É que a incidência do imposto de renda sobre a verba intitulada “ajuda de custo” requer perquirir a natureza jurídica desta: a) se indenizatória, o que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. 4. In casu, a instância a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a verba denominada como cotas de serviço percebida pelo parlamentar (auxílio moradia, passagem, correspondência e telefone) tem natureza indenizatória, não constituindo, portanto acréscimo patrimonial. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa extensão, não provido. (STJ, Primeira Turma, REsp n° 1.074.152/RO, Relator Ministro Benedito Gonçalves, DJE de 19/08/2009) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000615/200234 Acórdão n.º 920201.997 CSRFT2 Fl. 7 13 Com tais fundamentos, concluo que o lançamento é improcedente, de modo que a decisão recorrida deve ser reformada. Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, restando prejudicado o recurso da Fazenda Nacional.” Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para cancelar a exigência. Com o cancelamento integral da exigência não cabe acolher o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cujo objeto era o restabelecimento da multa de ofício, devendo serlhe negado provimento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 13DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13932.000136/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO ANUAL DE ISENTOS. DEPENDENTE COM RENDIMENTO DENTRO DO LIMITE DE ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE QUALQUER BENEFÍCIO JURÍDICO OU ECONÔMICO POR PARTE DO DECLARANTE.
Incabível o lançamento de omissão de rendimentos de dependente quando restar caracterizado que o dependente foi informado na Declaração de Ajuste Simplificada unicamente para afastar a necessidade da apresentação de Declaração Anual de Isentos, sem que o declarante titular tivesse auferido qualquer benefício em tal procedimento e também porque os rendimentos do dependente se encontravam dentro dos limites de isenção do imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DEPENDENTE COM RENDIMENTO DENTRO DO LIMITE DE ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE QUALQUER BENEFÍCIO JURÍDICO OU ECONÔMICO POR PARTE DO DECLARANTE. Incabível o lançamento de omissão de rendimentos de dependente quando restar caracterizado que o dependente foi informado na Declaração de Ajuste Simplificada unicamente para afastar a necessidade da apresentação de Declaração Anual de Isentos, sem que o declarante titular tivesse auferido qualquer benefício em tal procedimento e também porque os rendimentos do dependente se encontravam dentro dos limites de isenção do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 37DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13932.000136/200725 Acórdão n.º 210201.956 S2C1T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSÉ DJALMA SAMPAIO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 02/04, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 3.900,082, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/06/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos, no valor de R$ 7.645,40, recebidos de Paranaprevidência, por sua dependente, Dagmar Ferreira Sampaio. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, improcedente a referida impugnação, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0626.882, de 02/06/2010, fls. 19/21. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/06/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 25, o contribuinte apresentou, em 13/07/2010, recurso voluntário, fls. 26/28, onde solicita o cancelamento do lançamento, sob a alegação de que somente incluiu sua esposa na Declaração de Ajuste Anual Simplificada, com a finalidade de regularizar o CPF da mesma. É o Relatório. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13932.000136/200725 Acórdão n.º 210201.956 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de omissão de rendimentos recebidos por dependente do recorrente. A decisão recorrida manteve o lançamento sob a alegação de que o sujeito passivo, ao optar por incluir dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) deve, obrigatoriamente, oferecer os rendimentos por eles auferidos à tributação. De fato, esta é a determinação contida no art. 38, § 8º, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001. Contudo, no presente caso, temse que o contribuinte apresentou DAA Simplificada e o rendimento recebido por sua esposa, R$ 7.645,40, está abaixo do limite de obrigatoriedade de apresentação da DAA, que era de R$ 12.696,00, para o anocalendário 2004. No recurso, assim como na impugnação, o contribuinte esclareceu que informou que fez constar sua esposa como dependente na DAA, somente para fins de regularização do CPF. De fato, para o exercício 2005, a orientação contida na Instrução Normativa SRF nº 559, de 19 de agosto de 2005, era de que estavam dispensados de apresentar a Declaração Anual de Isentos (DAI) o cônjuge ou companheiro e o dependente, cujo número de inscrição no CPF tivesse sido informado por contribuinte que apresentou a DAA. Neste contexto, há de se considerar que o contribuinte incorreu em erro de preenchimento, quando informou sua esposa como dependente. Na verdade, seu objetivo era o de regularizar o CPF da esposa, sem que fosse necessária a apresentação da DAI. Contudo, deixou de observar que a inclusão de sua esposa como dependente em sua DAA, teria como conseqüência a tributação em conjunto dos rendimentos recebidos por ambos. Ocorre que o contribuinte jamais optaria por fazer a declaração em conjunto para pagar mais imposto que o devido. Por outro lado, o erro do contribuinte não trouxe nenhum prejuízo à Fazenda Nacional, sendo certo que a DAA apresentada foi no modelo simplificado, logo, o contribuinte não pleiteou deduções relativas à dependente. Importa destacar, que não pode prosperar o lançamento motivado por erro no preenchimento da DAA. Salientese que este colegiado já apreciou esta matéria, conforme inferese do Acórdão nº 210200.776, de 30/07/2010, da relatoria do ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, cuja ementa a seguir se transcreve: DECLARAÇÃO DE AJUSTE SIMPLIFICADA. DEPENDENTE INFORMADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO ESPOSO PARA DESOBRIGAR A APRESENTAÇÃO DA Fl. 39DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13932.000136/200725 Acórdão n.º 210201.956 S2C1T2 Fl. 4 4 DECLARAÇÃO ANUAL DE ISENTOS DA ESPOSA. DEPENDENTE COM RENDIMENTO DENTRO DO LIMITE DE ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE QUALQUER BENEFÍCIO JURÍDICO OU ECONÔMICO POR PARTE DO DECLARANTE. IMPOSSIBILIDADE DA COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DOS DEPENDENTES NO MONTE TRIBUTÁVEL. Demonstrado que o dependente foi informado na declaração de ajuste simplificada unicamente para afastar a necessidade da apresentação de Declaração Anual de Isentos, sem que o declarante titular tivesse auferido qualquer benefício em tal procedimento, inclusive porque o dependente se encontrava dentro dos limites de isenção do imposto de renda, a auditoria fiscal deveria revisar a declaração excluindo o dependente e não colacionando os rendimentos deste no monte tributável do declarante. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 40DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000241/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO.
O valor relativo aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não gera crédito do PIS.
Numero da decisão: 3201-000.905
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. O valor relativo aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não gera crédito do PIS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 325 1 324 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13909.000241/200590 Recurso nº 32.010.00905 Voluntário Acórdão nº 320100.905 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1º de março de 2012 Matéria PIS Recorrente CIA IGUAÇU DE CAFÉ SOLÚVEL Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. O valor relativo aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não gera crédito do PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata a presente lide do pedido de ressarcimento de créditos do PIS não cumulativo fl. 01, protocolizado em 28/11/2005, que foi retificado pelo pedido de ressarcimento de créditos do PIS de fl. 12, relativo ao 3º trimestre de 2005, com as seguintes informações sobre o crédito: As fls. 13/21, consta uma declaração de compensação (Dcomp), transmitida em 04/01/2006, para guitar débitos fiscais de diversos tributos/contribuições no montante de R$ 84.064,80, mencionando como origem de seu crédito o presente PAF; por sua vez, As fls. 22/25, consta outra Dcomp, transmitida em 11/01/2006, para guitar débitos fiscais de IRRF, no montante de R$ 1.645,00, também mencionando a mesma origem de crédito. Consoante trabalho fiscal (MPF às fls. 27; Termo de Intimação Fiscal às fls. 28/30 e 105/106), a partir do qual foram trazidos aos autos os documentos de fls. 31/104 e 107/220, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Londrina (Safis/DRF/LON) emitiu a Informação Fiscal de fls. 223/233, opinando pelo reconhecimento parcial do direito creditório no montante de R$ 655.891,17. Consta As fls. 234/237, mais uma Dcomp, transmitida em 21/12/2006, para quitar débitos fiscais de IRRF, no montante de R$ 528.868,73, mencionando a mesma origem de crédito (o presente PAF). Com base na precitada informação fiscal, a Delegacia da Receita Federal em Londrina emitiu, As fls. 244/248, o Parecer/Saort/DRF/LON n.° 359/2008, e respectivo Despacho Decisório, reconhecendo parcialmente o direito creditório da interessada e homologando as compensações declaradas; transcrevese aqui a parte decisória do mesmo, in verbis: "DESPACHO DECISÓRIO. 0 Delegado da Receita Federal em Londrina — PR, no uso das atribuições conferidas pelo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.° 95, de 25 de abril de 2007, e pela Instrução Normativa SRF n.° 600, de 28 de dezembro de 2005, e considerando o estabelecido na Lei n.° 10.637/2002, bem como as conclusões e os fundamentos expostos na Informação Fiscal de fls. 223/233 e no Parecer DRF/LON/SAORT n.° 359/2008, os quais aprova, DECIDE: (a) HOMOLOGAR as compensações declaradas nas Dcomps discriminadas no quadro 02 do item 02 deste parecer; (b) considerar como crédito relativo ao PIS/Pasep referente ao 3° trimestre/2005, antes de efetuadas as compensações, o valor de R$ 655.891,17 e DEFERIR Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000241/200590 Acórdão n.º 320100.905 S3C2T1 Fl. 326 3 PARCIALMENTE o pedido de ressarcimento RECONHECENDO como direito creditório em favor da contribuinte, após considerar as compensações declaradas, o saldo remanescente de R$ 41.291,73 (quarenta e um mil, duzentos e noventa e um reais e setenta e três centavos); (c) DETERMINAR o encaminhamento deste processo à Saort desta DRF para CIÊNCIA interessada da Informação Fiscal de fls. 223/233, acompanhada das planilhas de fls. 221/222, bem como deste despacho decisório acompanhado dos demonstrativos de fls. 238/242, informandoa que havendo aquiescência com o decidido, a Pessoa Jurídica deverá providenciar a retificação de suas declarações (DACO1V, DIPJ) em relação ao PIS/Pasep referente ao 3° trimestre/2005, e para demais providencias a seu cargo. (.)" (Grifouse). Cientificada desse despacho decisório em 24/06/2008, conforme consta As fls. 277, a requerente, por meio de procurador (mandato de fl. 291), apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 279/289, protocolizada em 23/07/2008, a seguir sintetizada. Resumindo os fatos havidos no presente processo, diz que o fisco glosou parte de seus créditos, o que implicou em uma redução de R$ 8.013,85 no valor do ressarcimento peticionado, sendo que os valores excluídos e respectivas justificativas encontramse no item V ("Valores que não geram direito ao crédito da contribuição ao PIS não cumulativo") da informação fiscal de fls. 223/233. Sustenta, no item 5. despesas com serviços utilizados como insumos que se integram, que há equivoco no entendimento do fisco de que "os insumos que não tenham ação direta noprocesso de fabricação do produto não são passíveis de crédito da contribuição para o PIS não cumulativo", posto que, a seu ver, o conceito de insumo não estaria limitado aos bens e serviços utilizados diretamente na atividade produtiva, já que a lei incluiria expressamente o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, que, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários (art. 3°, II, da Lei n.° 10.637/2002), concluindo, assim, que geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matérias primas e produtos intermediários e material de embalagem), quaisquer outros bens (ou seja, os outros insumos) necessários para a industrialização do produto. Sob o titulo "8. Despesas com corretagens e outros fretes", contesta a desconsideração pelo fisco de créditos provenientes das despesas com corretagem e outros fretes. Especificamente quanto As despesas com corretagens, diz que a Lei n.° 10.637/2002 'padece de certos vícios' pois teria arrolado hipóteses taxativas de tomadas de créditos, deixando de fora uma série de notórias despesas inerentes e necessárias A atividade empresarial, ainda mais depois da edição da Emenda Constitucional n.° 42/2003, que não teria previsto hipóteses de restrição; reafirma que o fisco aplica uma série de restrições que Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 não encontram respaldo legal, como é o caso dos valores despendidos a titulo de corretagens nas aquisições de matérias primas; fala que o mandamento legal que rege o PIS não cumulativo determina a sua incidência sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da denominação ou classificação contábil (art. 1°, § 1°, das Lei n.° 10.637/2002), e que o 'considerável' aumento da alíquota, só é neutralizado pela concessão de créditos, que, assim, devem ser calculados sobre a totalidade dos custos/despesas inerentes A atividade da pessoa jurídica. Quanto As despesas com outros fretes, fala que não há qualquer fundamento para vedar os créditos oriundos de valores de frete relativos ao transporte de produtos entre seus estabelecimentos (no caso, do parque fabril [matriz] para depósitos [filiais]), sejam estes destinados A venda ou A industrialização, posto que tais transportes seriam etapas essenciais A sua atividade econômica e, portanto, os gastos correlatos devem ser computados no cálculo dos créditos; agrega que não se deve falar que esta operação não se encontra abarcada pelo conceito legal de insumo, haja vista que a Lei n.° 10.637/2002 em nenhum momento externou tal conceituação; também para estas despesas diz que "em razão do animus do legislador ordinário, da natureza jurídica e da própria regra matriz de incidência do PIS, não há como restringir o conceito de 'insumo' ás determinadas operações, para fins de tomada de créditos, uma vez que para fins de PIS devemos nos basear não nas operações em si, mas sim, nos custos/despesas inerentes à atividade econômica empresarial, ensejadora da receita tributável pela aludida contribuição."; sobre o tema transcreve, ainda, texto da doutrina. Argumenta, no item '17. despesas com mão de obra de pessoa física', que não há respaldo legal para a supressão pelo fisco de crédito que seria decorrente de pagamentos feitos ao Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Arrumadores de Cornélio Proc6pio; diz que não pagou mão de obra a pessoa física (restrição prevista no art. 3°, § 3° da Lei n.° 10.637, de 2002), mas para pessoa jurídica domiciliada no país e contribuinte do PIS, tudo conforme o art. 8°, IV, da Lei n.° 10.637, de 2002; afirma, ainda, ser indevida a menção pelo fisco à legislação previdenciária, posto que a legislação que regula o PIS não cumulativo é a Lei n.° 10.637, de 2002, com as alterações promovidas pela Lei n.° 10.865, de 2004, as quais, em momento algum restringem o direito ao crédito de PIS em função da sistemática de pagamento dessa contribuição pelas empresas fornecedoras de bens ou serviços. No item "Da atualização monetária/incidência da Selic", faz considerações no sentido da necessidade de que o valor do ressarcimento deve ser acrescido de juros equivalentes A taxa Selic, conforme previsão do art. 4° do art. 39 da Lei n.° 9.250, de 1995. Por fim, pede a reforma da decisão contestada, para reconhecer lhe o direito ao ressarcimento inicialmente pleiteado. Informa, ainda, que não utilizou o crédito remanescente na compensação de débitos. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000241/200590 Acórdão n.º 320100.905 S3C2T1 Fl. 327 5 A fl. 292, despacho da Saort/DRF/Londrina, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade de fls. 279/289. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM MÃO DE OBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mão de obra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da legislação. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 344DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000241/200590 Acórdão n.º 320100.905 S3C2T1 Fl. 328 7 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000241/200590 Acórdão n.º 320100.905 S3C2T1 Fl. 329 9 Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 236 2009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 3062006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada, em princípio, ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000241/200590 Acórdão n.º 320100.905 S3C2T1 Fl. 330 11 Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. No que se refere à aquisição de bens e serviços de pessoa jurídica, a Lei nº 10.637/02, assim dispõe: § 2o Não dará direito a crédito o valor I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Conforme se verifica dos dispositivos legais acima transcritos o valor relativo aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não gera crédito do Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 12 PIS, assim como, somente ocorre a geração do crédito em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, portanto, não há como deferir o pedido formulado no recurso voluntário no que se refere às aquisições de bens e serviços de (e ao pagamento de mãode obra a) pessoas físicas. Observese que o pagamento feito ao Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Arrumadores de Cornélio Procópio (conforme documentos de fls. 218 a 220), pessoa jurídica de direito interno, não caracteriza a aquisição de serviços, pois tal intervenção somente ocorre por imposição legal, para configurar a figura do trabalhador avulso, ou seja, "aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mão de obra, ou do sindicato da categoria, sindicalizado ou não". (Instrução Normativa INSS/DC n°118, de 14.04.2005, art. 6°) No que se refere ao frete e a corretagem não há prova de essencialidade destes dispêndios, nem sua aplicação direta na atividade da recorrente. Finalmente, quanto ao pleito de reconhecimento da aplicação da SELIC, vale ressaltar que há decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista no artigo 543 C do CPC sobre a possibilidade de sua aplicação, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000241/200590 Acórdão n.º 320100.905 S3C2T1 Fl. 331 13 precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, REsp 993164 / MG, relator Ministro Luiz Fux, 1ª Seção, DJe 17/12/2010) (grifos acrescidos) Contudo, no presente feito, não ficou comprovada a existência ou imposição de oposição pelo Fisco ao direito de crédito pleiteado, portanto, impossível o reconhecimento do direito da recorrente de correção monetária de seus créditos pelos índices da SELIC, conforme consta dos itens 12 e 13 da ementa acima. Assim, VOTO por conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 14 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 35329.005915/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2003
GERENCIAMENTO INADEQUADO DO AMBIENTE DE TRABALHO.
ADICIONAL RAT. FINANCIAMENTO APOSENTADORIA ESPECIAL.
É devida a contribuição do adicional para o financiamento da aposentadoria
especial, se a própria empresa deixou de comprovar o eficaz gerenciamento
do ambiente de trabalho e de controlar os riscos ocupacionais existentes,
expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e à integridade física.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara
e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta
de obscuridade na caracterização do fato gerador da obrigação tributária
principal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA.
OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo
prescindível e meramente protelatório, a autoridade
julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios
admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no
contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a
impugnação, precluindo o direito de fazê-lo
em outro momento, salvo se
fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela
combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns,
sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x
subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, através
de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos
e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas
integrantes do grupo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-02.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Não Informado
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ADICIONAL RAT. FINANCIAMENTO APOSENTADORIA ESPECIAL. É devida a contribuição do adicional para o financiamento da aposentadoria especial, se a própria empresa deixou de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e de controlar os riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e à integridade física. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da obrigação tributária principal. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos Fl. 847DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35329.005915/200697 Acórdão n.º 240202.475 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal,, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes à parcela devida pelo adicional à contribuição social relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, nos termos ao art. 22, inciso II, da Lei no 8.212/1991, destinada ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos artigos 57 e 58 da Lei no 8.213/1991 (acréscimo de alíquota de SAT para financiamento da aposentadoria especial), em razão da empresa ter deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e de controlar os riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e à integridade física, para o período de 04/1999 a 08/2003. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 72/76) informa que a apuração se deu em virtude de a empresa não haver comprovado o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, bem como o eficaz controle dos riscos ocupacionais existentes, de acordo com a legislação vigente. As contribuições previdenciárias decorrem da incidência sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que exercem funções as quais, conforme Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho, sujeitamse à cobrança da contribuição adicional, em virtude da exposição a agente nocivo, quais sejam: Gravação de Lona, Borracheiro e Suspensão. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/11/2006 (fls.01 e 393), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 397/428) – acompanhada das peças de defesas do devedores solidários de fls. 494/582 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu a decadência parcial do crédito, nos termos dos arts. 173 e 150, § 4°, do CTN; 2. seja afastada a atribuição de responsabilidade tributária solidária aos Representantes Legais da impugnante, em face da não demonstração dos requisitos previstos no art. 135, III, do CTN; 3. a empresa não apresenta nenhum grau de risco por agente nocivo (físico ou químico), na forma da legislação em vigor à época, que não esteja devidamente neutralizado pela adoção de medidas de controle coletiva, administrativa e/ou individual, pelo que requer a realização de perícia médica nos processos para que sejam verificadas as ações de controle que são desenvolvidas pela empresa e constatada a não obrigatoriedade de adicional em relação a agente nocivo; 4. o fiscal agiu com excesso de exação, ao cobrar tributo não devido. Nos termos do art. 112, do CTN, a peça acusatória fiscal não Fl. 849DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 conseguiu estabelecer qualquer condição de exigir a multa ora hostilizada; 5. requer a improcedência do crédito tributário, em face da não configuração do descumprimento da obrigação acessória relacionado à individualização de lançamento. A ilegitimidade da autuação, vez que o autuante não obedeceu aos princípios de legalidade, impessoalidade e moralidade. Requer a improcedência do lançamento, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco em elementos que venham a sustentar a autuação. Requer a realização de diligências, com finalidade de sanar os vícios apontados e outras necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícia técnica, para a qual protesta pela indicação de perito assistente, formulação de quesitos, suplementação de provas; 6. às fls. 434/481, apresenta aditamento, juntando laudo pericial realizado em razão de reclamação trabalhista no Processo 1.276/98, demandada por ex funcionário com finalidade de obter adicional de insalubridade e alegando que: (i) o fiscal autuante utilizou decreto revogado (2.172/97) para exigência sem qualquer fundamento legal; (ii) o contra senso será esclarecido pela designação de perícia técnica, a ser deferida pelo julgador, a fim de firmar sua convicção; e(iii) ratifica a peça primitiva, juntamente com este aditamento para requerer a improcedência do lançamento fiscal. Constatada a existência de grupo econômico entre as empresas listadas no lançamento e, seguindo o preceituado no art. 30, IX, da Lei no 8.212/91 e alterações; art. 749 da IN SRP 003/2005 e art. 44, § 4°, da OI SRP 11/2005, foram intimadas todas as empresas do grupo econômico. Todas as defesas acostadas, protocoladas pelos integrantes do grupo, reiteram a Impugnação inicial, bem como afirmam a independência financeira das empresas, e a impossibilidade de se caracterizar a subordinação à EMPRESA DE TRANSPORTES FLORES LTDA. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1224.507 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 646/656) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ocorreu a decadência tributária para os valores apurados até a competência 11/2002, inclusive, bem como houve retificação de valores lançados inicialmente, e por consectário lógico a extinção desses valores, nos termos do artigo 156 do CTN. Remanesceu apenas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados na função de borracheiros. A Notificada apresentou recurso (fls. 681/688) – acompanhado das demais peças recursais das empresas que compõem o grupo econômico –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Nova Iguaçu/RJ encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 751/752). É o relatório. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35329.005915/200697 Acórdão n.º 240202.475 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 680/681) e não há óbice ao seu conhecimento. DA PRELIMINAR: Quanto à nulidade da decisão de primeira instância em decorrência de vício de cerceamento ao seu direito de defesa, tal alegação também não será acatada, eis que não há ocorrência de vício capaz de ensejar a nulidade da decisão. A Recorrente entende que a matéria tributável dependeria de comprovação, assim a autoridade julgadora de primeira instancia deveria ter convertido, independente de solicitação do sujeito passivo, o julgamento em diligência para apuração dos fatos da qual venha requerer análise técnica. Com esses argumentos, ela insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/688) contém de forma clara os elementos necessários para a sua caracterização, contendo os seus atributos de certeza, liquidez e publicidade. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Entendo que o correto gerenciamento de seu ambiente de trabalho, submetendo os segurados registrados na função de borracheiros ao agente nocivo de ruído em valores superiores ao limite de tolerância, prescinde de diligências in loco ou pericial superveniente, eis que o ambiente laboral não é estático no tempo, ao contrário, é o dinamismo do mesmo que demanda o controle contínuo e intermitente das condições do ambiente de trabalho. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Esse também foi o entendimento da decisão de primeira instancia (Acórdão no 1224.507 da 10a Turma da DRJ/RJOI, fls. 646/656), nos seguintes termos: “[...] 29. No que tange ao pedido de perícia, temse que o mesmo se revela desnecessário, haja vista os documentos juntados aos autos terem sido apreciados em diligência pela fiscalização. Ademais, tanto os documentos , como as alegações apresentadas pela defesa não colocaram em dúvida a exposição a agente nocivo ruído em valores superiores ao limite de tolerância, nos termos do art. 180, II, da IN INSS/PR n° 11/2006, in verbis, vigente à época da lavratura desta NFLD: "Art. 180. A exposição ocupacional a ruído dará ensejo à aposentadoria especial quando os níveis de pressão sonora estiverem acima de oitenta dB (A), noventa dB (A) ou oitenta e cinco dB (A), conforme o caso, observado o seguinte: (...) II a partir de 6 de março de 1997 e até 18 de novembro de 2003, será efetuado o enquadramento quando a exposição for superior a noventa dB(A), devendo ser anexado o histograma ou memória de cálculos;" [...]”. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova pericial ou por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Diante disso, rejeito a preliminar ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO A Recorrente alega que a cobrança do adicional de RAT é indevido, eis que, em virtude dos laudos técnicos apresentados, a existência de Equipamento de Fl. 852DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35329.005915/200697 Acórdão n.º 240202.475 S2C4T2 Fl. 4 7 Proteção Coletiva (EPC) e a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) neutralizam seus efeitos. A Recorrente cingese a argumentar não ter havido qualquer descontrole no gerenciamento dos riscos e agentes nocivos em seu ambiente de trabalho, contudo, sem trazer aos autos comprovação da inocorrência dos fatos devidamente fundamentados pelo Fisco no relatório fiscal, que é a exposição dos segurados na função de borracheiros ao agente nocivo de ruído em valores superiores ao limite de tolerância, conforme Laudos Técnicos de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) apresentados durante o procedimento de auditoria fiscal. Verificase que a demonstração da efetiva exposição dos segurados ao agente nocivo de ruído foi feito mediante formulário emitido pela própria empresa, tomando como base os Laudos Técnicos de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), expedido por médico ou engenheiro de segurança do trabalho, nos termos da legislação trabalhista. Essa situação não significa que a empresa deixou de diligenciar neste sentido, mas sim que, conforme colocado no decisório de primeira instancia, as ações tomadas ou omissões perpetuadas não foram suficientes a minorar ou neutralizar os efeitos dos riscos e agentes nocivos presentes no local de trabalho. A Recorrente afirma que foram utilizados EPI e EPC, contudo, se verificou, inclusive mediante analise dos LTCAT, que nenhum deles possuía o condão de atingir o escopo de seu uso e adoção em limites inferiores aos estipulados pela legislação. Nesse sentido vale esclarecer que, como já dito, não restou demonstrado, como tenta fazer crer a Recorrente, que o uso do EPI, tenha neutralizado ou mesmo atenuado a ação do agente nocivo. Ao contrário, o que restou demonstrado nos autos foi que com relação ao uso dos EPI, o LTCAT não apresenta avaliação da eficácia das medidas de controle implantadas, conforme análise da auditoria fiscal. Com o mesmo entendimento, a decisão de primeira instância manifestouse nos seguintes termos: “[...] 27. O item 9.3.5.4. da NR09, abaixo transcrito, deixa claro que o uso de equipamento de proteção individual somente é admitido após adoção de medidas de proteção coletiva: "9.3.5.4. Quando comprovado pelo empregador ou instituição, a inviabilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontraremse em fase de estudo, planejamento ou implantação ou ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão ser adotadas outras medidas obedecendose à seguinte hierarquia (g.n.) a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; b) utilização de Equipamento de Proteção Individual EPI" 27.1. A adoção de EPI 6, pois, medida de natureza paliativa, só aceitável em situações excepcionais e desde que observadas determinadas condições de utilização, a teor do que estabelece o Fl. 853DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 art. 171, inc. IV e V, da Instrução Normativa n° 99, de 05/12/2003, em consonância com as normas trabalhistas: Art. 171. (...) IV será considerada a adoção de Equipamento de Proteção Coletiva (EPC) que elimine ou neutralize a nocividade, desde que asseguradas as condições de funcionamento do EPC ao longo do tempo, conforme especificação técnica do fabricante e respectivo plano de manutenção, estando essas devidamente registradas pela empresa; V será considerada a adoção de Equipamento de Proteção Individual (EPI) que atenue a nocividade aos limites de tolerância, desde que respeitado o disposto na NR06 do MTE e assegurada e devidamente registrada pela empresa a observância: a) da hierarquia estabelecida no item 9.3.5.4 da NR09 do MTE (medidas de proteção coletiva, medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho e utilização de EPI, nesta ordem, admitindose a utilização de EPI somente em situações de inviabilidade técnica, insuficiência ou interinidade à implementação do EPC ou, ainda, em caráter complementar ou emergencial); 27.1.1. Neste sentido, segue decisão emanada do egrégio Tribunal Regional Federal da 4a Região: PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. AVERBAÇÃO DE TEMPO DE SERVIÇO. ATIVIDADE ESPECIAL. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. AFASTADAS AS ORDENS DE SERVIÇO N"S 600 E 612/98. AGENTES NOCIVOS FÍSICOS E QUÍMICOS. RUÍDO. ÓLEOS E GRAXAS MINERAIS. EPL RECONHECIMENTO. CONVERSÃO. 5. A existência de equipamentos de proteção individual não elide a insalubridade, pois não demonstrado o uso permanente desses dispositivos ou que os mesmos afastariam por completo o risco do agente nocivo. (...) (6° T, Proc. 200071080049118 RS, DJU 14/08/2002, p. 377) 27.1.2. Tal acórdão encontrase ainda em consonância com o Enunciado n° 289 do TST, o qual estabelece: "No 289 INSALUBRIDADE. ADICIONAL. FORNECIMENTO DO APARELHO DE PROTEÇÃO. EFEITO. O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não exime do pagamento do adicional de insalubridade. Cabelhe tomar as medidas que conduzam a diminuição ou eliminação da nocividade, entre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado." 27.1.3. Assim, podese afirmar que a notificada insubordinou a hierarquia estabelecida no item 9.3.5 da NR 09 para desenvolvimento e implantação de medidas de proteção, uma vez que não comprovou a inviabilidade técnica de se executar as medidas de caráter coletivo. [...]” Fl. 854DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35329.005915/200697 Acórdão n.º 240202.475 S2C4T2 Fl. 5 9 Ainda dentro desse contexto fático de saber se o fornecimento de equipamento de proteção individual pela empresa ao segurado excluiria ou não o enquadramento da atividade especial, alinhome ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que se pronunciou no sentido de que “o fato de a empresa fornecer ao empregado o Equipamento de Proteção individual – EPI, ainda que tal equipamento seja devidamente utilizado, não afasta, de per se, o direito ao benefício da aposentadoria com a contagem de tempo especial, devendo cada caso ser apreciado em suas particularidades (REsp. 720.082, de 15/12/2005)”. No mesmo caminho pontifica o enunciado da Súmula no 09 da Turma Nacional de Uniformização (TNU), do Juizado Especial Federal (JEF), prevendo que “o uso de Equipamento de Proteção individual(EPI), ainda que elimine a insalubridade, no caso de exposição a ruído, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado”. Esclareço ainda que, exceto para o agente nocivo ruído que já o exigia (antes, foram utilizados os antigos formulários SB40, DISBESBE 5235, DSS8030 e DIRBEN 8030), o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) passou a ser pressuposto obrigatório para o preenchimento do formulário com o advento do Decreto no 2.172/1997, para o tempo especial a partir de 06/03/1997, que regulamentou nova redação do artigo 58 da Lei no 8.213/1991, dada pela Lei no 9.528/1997. Isso está em consonância com entendimento do STJ (Resp. 354.737, de 18/11/2008). Dessa forma, o que se verifica dos presentes autos, é que a documentação carreada pela empresa não teve o condão de demonstrar a improcedência dos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento fiscal, pois a ausência da documentação completa exigida pela legislação para a correta demonstração do eficaz gerenciamento dos riscos no ambiente de trabalho, quais sejam, os relatórios LTCAT, PPP, PCMSO devidamente atualizados e em consonância um com o outro, não fora produzida pela Recorrente. A Recorrente aduz que a auditoria fiscal não apresentou elementos probatórios suficientes para demonstrar a sua tese de Grupo Econômico. Em suas alegações recursais, requer a Recorrente seja afastada a corresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização “de oficio” de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nessa toada, as empresas responsáveis solidárias afirmam a sua independência financeira e a impossibilidade de se caracterizar a solidariedade haja vista a inexistência de comprovação de atos ilícitos. Tais alegações não devem prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal (fls. 97/101) e nos documentos anexos do presente processo, assim como na decisão de primeira instância recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta as seguintes empresas: 1. Empresa de Transportes Flores Ltda; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 2. Expresso Imperador Ltda; e Jal Empreendimentos e Participações Ltda, a partir de 17/04/1996; 3. Miriam Minas – Rio Automóveis e Máquinas S/A; 4. Trevo Distribuidor de Veículos, Peças e Serviços Ltda; 5. Expresso N.S. da Glória Ltda; Gardel Turismo Ltda; 6. Viação Ponte Coberta Ltda; 7. Technoplann Corretora de Seguros Ltda. Esclarecemos que a solidariedade previdenciária é legítima e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 124 e 128, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), dispõem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (g.n.) Parágrafo Único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. (...) Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (g.n) Por sua vez, o § 2° do art. 2°, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: Art. 2°. Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. (...) § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pela auditoria fiscal ao promover o lançamento, notadamente quando tratarse de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35329.005915/200697 Acórdão n.º 240202.475 S2C4T2 Fl. 6 11 caracterização de Grupo Econômico, o art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (g.n.) Da leitura desse inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, extraise que a relação jurídicotributária ali esposada tem caráter ampliativo da responsabilidade solidária, o que leva a afirmar que não se restringe aos casos em que esse grupo econômico esteja formalmente configurado (cognominado de grupo econômico formal), mas também àqueles em que isso ocorra apenas faticamente (cognominado de grupo econômico informal), como na hipótese vertente. No presente caso, ao contrário do entendimento da Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciado e demonstrado no Relatório da Fiscal da Infração – acompanhado de anexos (Contratos Sociais, declaração de imposto de renda e Balanços Patrimoniais) –, corroborado pela decisão de primeira instancia (processo 11330.000744/200793, NFLD 37.030.4870), em que vênia para transcrever, especialmente quando a peça recursal da Recorrente traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação, nos seguintes termos: “[...] 46. Insólito alegarem todas as Defendentes, sem exceção, a inexistência de vinculação entre elas e a empresa TRANSPORTES FLORES S/A, quando se verifica que todas as peças defensivas são idênticas, assinadas pelas mesmas pessoas, que são os sócios em comum de todas as empresas notificadas como responsáveis solidárias. Difícil, portanto, acatar a argumentação de inexistência de vinculação entre todas as empresas arroladas pelo Auditor Fiscal notificante. Ademais, da análise dos contratos sociais das referidas empresas, constatase nitidamente que há uma identidade no corpo societário de todas elas, além de uma vinculação de controle de umas empresas sobre as outras, figurando a TRANSPORTES FLORES S/A como sócia da empresa JAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, a qual, por sua vez, participa do quadro social das demais empresas do grupo. Deste modo, resta inequivocamente configurado o grupo econômico a que se refere o artigo 30, IX da Lei 8.212/91. (Acórdão 1221.317 da 13a Turma da DRJ/RJOI, fls. 397/409) [...]” Verificase ainda que o Fisco não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Ganha relevo essa tese quando se depreende que os elementos esposados na peça recursal não são suficientes para solapar a certeza e a convicção que conduziram a decisão de primeira instância a reconhecer a existência de grupo econômico de fato, conforme ficou registrado por uma série de fatos que sequer foram contestados pelas empresas e nem poderiam, dada a forte significação que contém no sentido de dar suporte às afirmações veiculadas no Relatório Fiscal e seus anexos. Dessa forma, incide a regra do art. 124 do CTN c/c do art. 30, inciso IX, da Lei no 8.212/1991, em que restou demonstrado no plano fático que não há separação entre as empresas arroladas nos autos, o que comprova a existência de um Grupo Econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as empresas. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001307/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO.
PRECLUSÃO.
Consideramse
precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não
submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na
fase recursal.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS.
Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da
Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por
insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou
fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com
eles estejam diretamente relacionados.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL.
INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a
exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e
serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às
importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas
em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de
frete internacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-000.877
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.04 1 22..0044 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.001307/200696 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330100.877 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2011 Matéria PER Eletrônico Ressarcimento Cofins Recorrente NOVA ERA SILICON S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 4.04 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório NOVA ERA SILICON S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 186/202, contra o acórdão nº 0227.357, de 28/06/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 172/182, relativo à Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativo, referente ao 2º trimestre de 2004, no valor de R$1.072.953,77, cumulado com Declaração de Compensação, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: O contribuinte acima qualificado apresentou pedido de ressarcimento de créditos de Cofins com incidência não cumulativa (exportação) no montante de R$ 1.072.953,77, relativos ao 2º trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos das declarações de compensação relacionadas à fl. 131. A fiscalização da DRF de origem verificou o direito ao ressarcimento pleiteado e elaborou o Parecer Fiscal de fls. 95/102, que vem acompanhado de documentos, demonstrativos e planilhas, concluindo pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento, com a glosa de créditos no valor de R$ 114.700,46. Foram glosados pagamentos efetuados às empresas Mol Brasil Ltda., Oceanus Agência Marítima S/A, Pennant Serviços Marítimos Ltda. e Wilson Sons Agência Marítima Ltda., por serem apenas agentes marítimos, e Hamilton Azevedo Rebello Filho e “VIX Cargo Serviços Aduaneiro”, por se tratar de serviço de supervisão das operações de recebimento de descarga e ovação de FeSi em containers ou de despachante, que não se enquadram nas hipóteses de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003). No caso dos pagamentos a agentes marítimos, a fiscalização constatou que estes são apenas prepostos do armador, que, por sua vez, presta o serviço de transporte marítimo internacional. Como o transportador não é domiciliado no País, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito, nos termos do art. 3º, §3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº Fl. 208DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 5.04 3 10.833, de 2003. Tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado. Assim, também não pode ser aproveitado o crédito conforme o art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, porque o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei. Com base no parecer da autoridade fiscal, decidiu a autoridade jurisdicionante homologar em parte as compensações declaradas até o limite do crédito deferido, nos termos do Despacho Decisório nº 3.279, de 3 de setembro de 2009 (fls. 130/132). Cientificado da decisão em 11/09/2009 (fl. 133), o contribuinte manifestou, em 13/10/2009, sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 134/145): Sendo uma empresa de caráter essencialmente exportador que explora o ramo da metalurgia, contratou, quando da ocorrência das operações de exportação, os serviços da empresa Mol Brasil Ltda. para cuidar de todos os procedimentos necessários ao transporte da mercadoria. Sabendo ser detentora de créditos decorrentes da contratação dos serviços de uma companhia domiciliada no Brasil, formalizou as Dcomps relacionadas. Embora já tenha esclarecido essa situação quando da apresentação de resposta a Termo de Constatação e Intimação Fiscal, a autoridade fiscal lavrou Auto de Infração, pois entendeu que a Nova Era Silicon S/A teria contratado uma empresa domiciliada no Japão, Mitsui O. S. K. Lines Ltda., para transportar suas mercadorias, importando a prestação de serviços desta. Porém, independentemente da premissa da qual se parta contratação de empresa domiciliada no Brasil ou importação de serviços possui direito aos créditos não reconhecidos. Em relação à autuação que sofreu em 2008, esclareceu em sua defesa que não houve pagamentos relativos a serviços de frete a companhias de navegação marítima domiciliadas no exterior, mas, ainda assim, a autoridade fiscal entendeu dessa forma. Também esclareceu que o art. 2º, X, da Lei nº 10.865, de 2004, estabelece que o PIS e a Cofins não incidirão sobre o custo do transporte internacional e de outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. E o art. 7º da mesma lei dispõe o que vem a ser valor aduaneiro, concluindose que os custos com transporte internacional e com outros serviços podem ser computados no valor aduaneiro e, uma vez isso se dando, não haverá a incidência da contribuição relativa à importação. Argumentou também a contrariedade ao art. 195, §9º, da CF/1988 pois, seguindo a interpretação dada pelo fiscal à Lei nº 10.865, de 2004, esta teria reservado tratamento diferenciado a quem contrata com empresa situada no exterior. Expôs, ainda, naquela defesa, que os valores que paga à Mol poderiam ir para os cofres da Mitsui, mas por conta da relação societária que ambas mantêm. Assim, é frágil o argumento fiscal de que a Mol Fl. 209DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 6.04 4 repassa à Mitsui os valores que recebe da Nova Era Silicon S/A e que isto descaracterizaria a relação entre a Nova Era e a Mol para estabelecer vínculo direto e imediato entre a Nova Era e a Mitsui. Por fim, foi aventado que, na eventualidade de prevalecer o entendimento do fisco, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, as empresas sujeitas à nãocumulatividade do PIS e da Cofins que recolhem essas contribuições sobre a importação podem se creditar, para fins de determinação daquelas, do montante pago a título destas, como adiante será demonstrado. Como já dito, contrata os serviços de uma companhia domiciliada no território nacional para cuidar de todos os procedimentos relativos ao transporte da mercadoria para o exterior. Essa operação, conjugada com o fato de que é seu o encargo do recolhimento do valor relativo ao frete, gera o direito ao crédito de PIS/Cofins, conforme o disposto no art. 3º, §3º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Mesmo que se considere o entendimento do fisco de que teria havido importação de serviços de transporte de mercadorias de uma empresa japonesa, a Lei nº 10.865, de 2004, em seu art. 15, concede créditos de PIS/Cofins nesse caso. A legislação citada também prevê que, do valor apurado, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Como as citadas leis deixaram de conceituar o termo “insumos”, na ausência de definição legal e não havendo norma obrigando à utilização subsidiária da legislação do IPI, deve ser considerado o sentido comum desse termo, conforme determina o art. 11, I, “a”, da LC nº 95, de 1998. Assim, devese entender como insumo, a “combinação dos fatores de produção (matérias primas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço”. E, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem, criandose uma despesa operacional, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Se a tributação deve recair sobre o valor agregado ao preço dos produtos, é porque está assegurado o direito de se tomar créditos em relação aos bens, serviços e encargos que, no decorrer da cadeia produtiva, tornaramse um custo ou despesa operacional. Isso fica claro quando o legislador insere nas normas a possibilidade de descontar os valores despendidos com combustível e lubrificantes. A relação de custos e despesas inerentes à obtenção de receitas disposta nos arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda serve como referência para aferição do que pode ser considerado “insumos”. Assim, o gasto realizado com o frete, que é uma despesa operacional, poderá ser descontado como crédito de PIS/Cofins, enquadrandose perfeitamente no disposto na legislação mencionada. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 7.04 5 Por fim, requer sejam acolhidas as suas razões, para que reste reformada a decisão combatida e cancelada a cobrança, extinguindose o crédito tributário, tendo em vista o direito ao crédito a que faz jus. A DRJ indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Incidência nãocumulativa. Direito de crédito. Frete internacional. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de Cofins, na sistemática de nãocumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, em 13/08/2010, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 186/202, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, exceto em ralação à solicitação de suspensão deste processo até que haja decisão definitiva no processo nº 10680.016014/200852, por meio do qual será definido se ocorrerá ou não o desembolso do PIS/Cofins importação. Este tema é colocado somente na fase recursal. Os demais argumentos foram postos nos seguintes termos: a) a fiscalização apegase ao fato de haver contrato firmado entre a Recorrente e uma empresa denominada Mitsui para daí extrair a conclusão de que é esta última e não a brasileira Mol, a responsável pela realização do transporte. Como a Mitsui é estabelecida no Japão, o Fisco entende que teria ocorrido importação de serviço de transporte, o que ensejaria, a seu sentir, a incidência do PIS/CotinsImportação. Por outro lado, a Mitsui possui o equivalente a 99,8% da composição societária da Mol Brasil. Assim, revelase frágil o argumento fiscal de que a Mol repassa à Mitsui os valores recebidos da Recorrente e que isto descaracterizaria a relação entre Recorrente e Mol para fins de estabelecer vínculo direto e imediato entre a Recorrente a Mitsui; b) na interpretação do fisco a Lei nº 10.865/04, teria reservado tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior, extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB. Sendo essa a interpretação, concluise pela inconstitucionalidade da norma; c) por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, bem assim, por conta dos serviços utilizados como insumos, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Por fim, requer a suspensão deste processo até que venha a ser definitivamente julgado o de nº 10680.016014/200852. Quanto ao mérito requer seja reconhecida a pertinência do crédito indevidamente glosado. É o Relatório. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 8.04 6 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado anteriormente, a interessada teve o ressarcimento solicitado glosado parcialmente, em virtude de os créditos decorrentes do transporte marítimo não terem sido considerados pelo fisco pelos seguintes motivos: a) o transportador não é domiciliado no País. Assim, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito; b) mesmo que a contribuinte houvesse recolhido a contribuição não cumulativa, tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado; c) o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei (art. 15 da Lei nº 10.865/04). Por outro lado a contribuinte aduz ter sido autuada por meio do processo nº 10680.016014/200852, pois, de acordo com o fisco, teria ocorrido importação de serviço de transporte o que ensejaria incidência do PIS/CofinsImportação. Assim, pede o sobrestamento deste até decisão definitiva da autuação, por entender que sua condenação nos autos de 2008 ensejará créditos a serem utilizados neste processo. O sobrestamento solicitado não deve ser deferido, conforme se demonstrará. Embora o processo referente à autuação date de 2008 e a manifestação de inconformidade relativa a estes autos tenha sido protocolizada posteriormente, em outubro de 2009 (fl. 134), não consta qualquer pedido de postergação de julgamento tratandose, portanto, de argumento novo trazido aos autos somente na fase recursal. Conforme os art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelas Leis nos 8.748/93 e 9.532/97 as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Portanto, não cabe a este colegiado apreciação de matéria trazida aos autos em sede de recurso voluntário, sob pena de ferir as regras do Processo Administrativo Fiscal. Ademais, de se registrar a inexistência de previsão legal que ampare o sobrestamento pleiteado, até porque valores cobrados por meio de auto de infração poderão ser objeto de parcelamento. Assim, como seriam considerados os créditos? Na medida em que as parcelas fossem sendo quitadas? Portanto, além de não haver previsão legal, não há razoabilidade em se aguardar o julgamento do processo precitado. A interessada entende que poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, devendo ser entendido como insumo, a combinação dos fatores de produção que entram na elaboração de determinado bem ou serviço. Nessa toada, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem ou serviço, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 9.04 7 Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Visando normatizar a previsão contida no art. 3º, inciso II, das Leis nos 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins), foram editadas as IN SRF nos 247/02 (art. 66, § 5º, I, “b”) e 404/04 (art. 8º, § 4º, I “b”), dispondo no seguinte sentido: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: (incluído pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) (grifei) No menso sentido dispõe a norma que trata da Cofins: Art. 8º. Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; [...] §9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: Fl. 213DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 10.04 8 I na alínea “b” do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea “e” do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. (grifei) Portanto, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim sendo, conforme bem observou a instância a quo, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Destarte, não prospera o entendimento da interessada de que frete contratado para o transporte internacional de mercadoria exportada possa ser considerado como um insumo utilizado no processo de produção ou fabricação desses produtos. Feitas essas considerações, passase ao cerne da questão, qual seja, o fato de o transportador não ser domiciliado no País e, como consequência, as despesas com frete internacional não gerarem crédito. A interessada alega que contratou os serviços de transporte marítimo, para exportação de sua produção, por meio da empresa Mol Brasil Ltda., sediada em São Paulo. Assim, indevida a glosa, vez que a empresa responsável pela realização do transporte possui domicílio no País. Compulsando os autos do processo, a partir do Parecer Fiscal às fls. 96/97, verificase que, em resposta à intimação endereçada à MOL Brasil Ltda. (fls. 46/52), esta afirma ser apenas preposto do transportador marítimo (armador), Mitsui 0.S.K Lines Ltd, com sede na cidade de Tokyo, Japão, conforme segue, in verbis: “A Intimada esclarece em primeiro lugar que, MOL BRASIL LTDA, empresa com sede na Av. Paulista, n.°283, 14° andar, Bela Vista, São Paulo, SP, CEP. 01311000, inscrita no CNPJ/M:F sob n° 69.070.092/000182, conforme determina seu contrato social tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo atualmente como seu principal cliente o transportador marítimo (armador) MITSUI 0.S.K LINES LTD, com sede na cidade de Tokyo, Japão, em 1 1, Toranomon, 2Chome, Minato ku. Para alguns portos do Brasil a Intimada contrata a título de subagente marítimo a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, com sede na Avenida Rio Branco, 25 — 4°. e 7°. andares — Centro — Rio de JaneiroRJ, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 00.423.733/000139, com filiais nos municípios de Rio Grande RS, Porto Alegre RS, São Francisco do Sul SC, Paranaguá PR,Santos SP, São Sebastião SP, Rio de Janeiro RJ, Vitória ES,Salvador BA, Recife (Suape) PE, Fortaleza (Pecém) CE, São Luiz MA,Belém PA e Manaus AM. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 11.04 9 Como mandatário do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD, a Intimada confirma receber em nome e por conta e ordem deste, valores da empresa NOVA ERA SILICON S.A, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 19.795.665/000167. Esclarece ainda que tais valores recebidos em nome e por conta do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD são todos originários do contrato de transporte marítimo internacional celebrado entre este armador e a empresa NOVA ERA SILICON S.A. Operacionalmente, os valores pagos pela NOVA ERA SILICON S.A a título de transporte marítimo internacional são creditados através de depósitos bancários/transferência eletrônica de fundos na conta bancária da Intimada e, após a confirmação do crédito bancário, esta comunica o recebimento, bem como solicita ao seu subagente, no caso a WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, a emissão de recibo contábil, possibilitando o desembaraço aduaneiro da carga. Seguem anexas cópias de uma operação completa (BL, comprovante de depósito, recibo, fechamento de câmbio, etc).(Doc.2) [...]” (grifos constam do original) Em virtude desses esclarecimentos o precitado Parecer Fiscal à fl. 97 registra: Desta forma foi solicitado à NOVA ERA, via contato telefônico, que fossem apresentados os contratos de prestação de serviço envolvendo a MOL BRASIL. Sendo que em 28/08/2008 foram apresentados os documentos de fls. 29 a 42. No contrato, em língua inglesa verificase que as partes são MITSUI 0.S.K UNES, LTD. (intitulada "Carrier": "indivíduo ou entidade que faz transportes de bens ou pessoas de um lugar para outro, mediante pagamento de uma tarifa" ) e NOVA ERA SILICON SA (intitulada "shipper": "remetente, expedidor") sendo que a MOL (BRASIL) LTDA é designada a representante legal ("legally represented by"). Portanto, a prestação do serviço de transporte tem origem nos contratos de transporte marítimo internacional celebrados entre a empresa japonesa e a recorrente. Já a empresa Mol Brasil Ltda. consta nos contratos como representante legal da Mitsui O. S. K. Lines Ltd. Registrese que a relação societária existente entre as empresas Mol Brasil Ltda. e Mitsui O. S. K. Lines Ltd. não tem qualquer influência nas questões trazidas à lide, vez que a transferência integral dos valores recebidos pela Mol (da Nova Era Silicon S/A) para a Mitsui, decorreram do contrato marítimo internacional celebrado entre a contribuinte e a Mitsui O. S. K. Lines Ltd. e não em função da empresa estrangeira deter quase a totalidade das cotas da Mol Brasil Ltda. Por outro lado, em consonância com o que dispõe o art. 3º, § 3°, II, da Lei n° 10.637/02, e da Lei n° 10.833/03 (o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não se verificou na espécie. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 12.04 10 Na mesma toada, não prospera o argumento da interessada de que, por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, com supedâneo no art. 15 da Lei nº 10.865/04, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Cumpre registrar que, a partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865 de 30/04/2004, art. 1º, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e a Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nas hipóteses de: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] Assim, conforme bem registrado pela instância a quo, em conformidade com o § 1º do art. 15, impõese como condição para o direito ao crédito o efetivo pagamento das contribuições incidentes sobre a importação, fato que não ocorreu, uma vez que a contribuinte foi autuada e encontrase discutindo administrativamente os lançamentos de PIS/Cofins sobre a importação de serviços. Ademais, dentre as hipóteses que o referido art. 15 menciona como possíveis de descontar créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento destas contribuições, não há referência a despesas com pagamento de frete internacional. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001307/200696 Acórdão n.º 330100.877 S3C3T1 Fl. 13.04 11 De se ressaltar que, em virtude da clareza da norma em questão também não prospera a alegação da interessada de que, sendo essa a interpretação, a lei seria inconstitucional, pois teria extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB ao estabelecer tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior. Conforme a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 217DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11020.002272/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores.
A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2009
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Todo o procedimento fiscal adotado pelo auditor, seguiu os ditames legais, não existindo qualquer vício no procedimento realizado.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.287
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2009 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Todo o procedimento fiscal adotado pelo auditor, seguiu os ditames legais, não existindo qualquer vício no procedimento realizado. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado.
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2009 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Todo o procedimento fiscal adotado pelo auditor, seguiu os ditames legais, não existindo qualquer vício no procedimento realizado. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 31.278.1047, tem por objeto as contribuições patronais decorrentes de pagamentos a segurados que prestaram serviços na condição de membros da Administração (Diretoria e Conselho de Administração) a título de participações nos lucros, porém Estatutárias, aos administradores, segurados contribuintes individuais no período de 07/2007 a 05/2009. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 31 a 45 analisando os documentos e a contabilidade da empresa, a fiscalização constatou a existência de remunerações que não foram oferecidas à tributação como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em função desse fato, foi criado levantamento "Código de Levantamento PL1 " PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS" para os lançamentos do presente crédito previdenciário, código esse utilizado apenas para fins de separação dos fatos geradores de contribuições apurados ao longo do procedimento fiscal, possibilitando uma melhor visualização e explicitação, nos relatórios, das respectivas bases de cálculo e da forma de cálculo das contribuições incluídas nos Auto de Infração lavrado. Os fatos geradores que serviram de base na apuração do presente crédito encontramse registrados nas Declarações do Imposto de renda Retido na Fonte DIRF, Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ folhas de pagamentos, recibos e na contabilidade do Contribuinte extraído dos Arquivos Digitais fornecidos pela empresa, sendo as informações referentes às Folhas de Pagamento fornecidas de acordo com o Manual Normativo de Arquivos Digitais – Manad. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/07/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/07/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 95 a 119. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 172 a 178. ASSUNTO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/08/2007, 01/09/2008 a 30/09/2008, 01/11/2008 a 30/11/2008, 01/05/2009 a 31/05/2009 PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A rubrica paga pela empresa aos membros da diretoria e do conselho de administração, sob a denominação "Participação Estatutária" integra o salário de contribuição, base de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 incidência das contribuições sociais previdenciárias, uma vez que não esta incluída nas hipóteses liberadas de tributação pela Legislação Previdenciária. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Quando as contribuições previdenciárias não são recolhidas em época própria, cabem os acréscimos legais, calculados através do lançamento fiscal, em cumprimento das disposições legais informadas ao contribuinte no próprio Auto de Infração. PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 206 a 230, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Com base na vinculação, a previsão de acontecimentos em função do qual o sujeito agirá é uma objetividade absoluta e o comportamento, além de se exigido, é exatamente especificado. O agente da administração que de outra forma agir estará inquinando seu ato de vícios que resultarão, inevitavelmente, na invalidação do mesmo e , consequentemente, de seus efeitos. 2. Os atos praticados com vícios não podem subsistir, sob pena de afronta a todo o arcabouço jurídico que rege o atuar da administração Pública. 3. Os valores distribuídos pela sociedade anônima aos seus administradores não tem natureza jurídica de remuneração , mas, sim, de participações nos lucros da companhia, de acordo com as estipulações da Lei n° 6.404/1976, em seus artigos 152, 190e201; 4. Que obedeceu todas as disposições atinentes à distribuição de lucros de seus administradores para que a mesma faça jus à isenção das contribuições previdenciárias, de modo que a autuação não encontra albergue; 5. A autuação afronta, diretamente, ao Principio da Legalidade Tributária, expresso no inciso I do artigo 150 da Constituição Federal de 1988 e o inciso III do artigo 97 do Código Tributário Nacional; 6. Os lucros distribuídos, são dotados de natureza jurídica própria, que, por isso mesmo, não se confundem com a remuneração, o que os afasta da hipótese de incidência da contribuição previdenciária; 7. Não de confundem com a remuneração, eis que esta pressupõe contraprestação pelos trabalhos, o que não ocorre em relação àquelas. 8. Conforme se percebe ao exame dos artigos 1o e 3o da Lei 10.101/2000, os lucros pagos aos trabalhadores são expressamente isentos de contribuição previdenciária, bem como reafirmam que a participação nos lucros tem natureza jurídica diversa da remuneração; 9. E nem se cogite, com o objetivo de ilidir a aplicação do mandamento constitucional, que os administradores não são empregados, e, por isso não teriam direito à participação nos Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 3 5 lucros ou resultados da empresa, impõese destacar que o art. 7o da Constituição Federal assegura tal benefício a todos os trabalhadores indistintamente; 10. E, mesmo que ainda restasse qualquer dúvida acerca da isenção da contribuição previdenciária patronal sobre os lucros distribuídos aos administradores da impugnante, o próprio Ministério da Previdência Social no Parecer MPAS/CJ n° 547, de 25 de abril de 1996, afasta a pretensão constante no auto de infração aqui hostilizado; 11. A multa aplicada no percentual pretendido representa peso e ônus injusto, de cunho notoriamente confiscatório, muito maior do que aquele admissível pelo bom senso e suportável pelo contribuinte, caracterizando a prática do confisco; 12. Requer seja dado provimento ao presente recurso para reformar a decisão recorrida e determinar a anulação e arquivamento do auto de infração aqui hostilizado, eis que demonstrada a sua ilegalidade, bem como sua inconstitucionalidade. Requer, ainda seja expungida a aplicação da multa no patamar pretendido, eis que não ocorreu infração a qualquer dispositivo legal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 231. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: QUANTO AO VÍCIO NO PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição, considerando sua natureza. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 11, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, o período de cobertura. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 13, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre o pagamentos constantes da DIPJ acerca de participação de administradores. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 14, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores por meio de relatórios e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, esclarecendo acerca dos fato geradores apurados, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria, destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito nas instruções normativas, esclarece seu objetivo. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 4 7 Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. Simplesmente alegar, sem demonstrar o descumprimento da legislação por parte da autoridade fiscal, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. O fato do recorrente não concordar com a conclusão do auditor quanto a incidência de contribuições, não nulidifica o procedimento fiscal, se restaram cumpridos todos os requisitos. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou o descumprimento de obrigação acessória, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o Auto de Infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No mérito, o argumento principal trazido pelo recorrente é de que os pagamentos a titulo de participações estatutárias, por sua natureza nãocontraprestativa e não habitual, estão excluídos do conceito de remuneração, além de constarem expressamente do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que retira do campo de incidência previdenciária as verbas lá elencadas, entre elas a participação paga de acordo com a legislação especifica, no caso, a Lei 10.101/2000, cujas determinações foram todas atendidas. Assim, a tese abraçada pelo recorrente é que as participações estatutárias não constituem fato gerador de contribuição previdenciária seja pelo cumprimento da lei 6.404/1976, seja pelo disposto na lei 10.101/2000. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual entendese por saláriodecontribuição: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Como o lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar o salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 5 9 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 6 11 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do benefício, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. Conforme já afirmado, a PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Entendo que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, quando esclareceu que o pagamentos realizados aconteceram em relação a prestação de serviços, denominada, “participação estatutária”, ou seja, diferente a participação recebida em função do capital investido nos moldes da Lei 6.404/76. Notese que nenhum argumento novo foi trazido pelo recorrente após as considerações apresentadas pela Decisão de 1 instância, tendo reproduzido os mesmos argumentos anteriores. Senão vejamos, trecho da Decisão:, 11. A impugnante alega que a participação estatutária, paga aos administradores da empresa diretoria e conselho de administração, não se enquadra no conceito de "remuneração". Entretanto, o termo remuneração, no ordenamento jurídico brasileiro, corresponde à totalidade de retribuições, em dinheiro ou em utilidades, recebidas habitualmente pelo trabalhador em contraprestação aos serviços prestados. Logo, tudo o que é pago aos administradores da empresa, em retribuição ao trabalho, é remuneração e integra o salário de contribuição, base de incidência previdenciária. 12. Nas Sociedades Anônimas, a remuneração do administrador pode comportar duas partes heterogêneas: uma fixa, denominada de "pro labore ", e outra variável, que consiste na participação nos lucros da companhia. Esta ultima será devida ou não dependendo do que dispuser o estatuto social. Contudo o estatuto somente pode estabelecer a participação nos lucros quando, simultaneamente, prevê dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido e somente poderá ser paga no exercício que for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório de que trata a Lei n° 6.404, de 15/12/1976, artigo 202. 13. Tais limites, impostos pela Lei n° 6.404/1976, segundo a doutrina comercial têm o objetivo de fixar parâmetros para o Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 pagamento da remuneração dos administradores das sociedades anônimas, de modo a proteger os acionistas minoritários, coibindo abusos de acionistas majoritários, que atribuem para si remuneração sem proporção com os serviços prestados. Assim, não podem prosperar os argumentos da impugnante no sentido de que as limitações impostas na Lei n° 6.404/1976, objetivam afastar a natureza remuneratória da referida rubrica ou, de liberar a empresa da tributação sobre tais pagamentos. 14. Quanto à alegação de que o pagamento das participações nos lucros da companhia, estão de acordo com as estipulações da Lei n° 6.404/1976, em seus artigos 152, ^ 190 e 201, sob o argumento de se tratar de valor pago em razão das atribuições patrimoniais e ^ da destinação do resultado. Realmente, a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos, é atribuição patrimonial ou destinação de resultado. Entretanto, esta característica comum entre os dois pagamentos, é incapaz de igualar a natureza de remuneração de capital, do dividendo, com a natureza de remuneração do trabalho, da participação estatutária. Dúvidas não há que o dividendo pago a acionista decorre da sua participação acionária na companhia, enquanto que a participação estatutária aos administradores é paga em razão da prestação do trabalho. Ao contrário do que afirma a recorrente, as verbas possuem natureza remuneratória e não indenizatória. O trabalhador obteve um ganho diretamente ligado à sua atividade laborativa. Entendo que o conceito de “habitual”, suscitado pelo recorrente para afastar a incidência de contribuições não se coaduna, com a regra descrita na lei 8212/91. O termo eventual não está relacionado ao número de vezes, mas a correlação direta entre o fornecimento da verba e a prestação de serviços. Ou seja, caso o pagamento não possua qualquer correlação com o trabalho prestado, não sofrerá a incidência de contribuição por tratarse de uma verba eventual. Porém o conceito de prêmio, como o fornecimento pela empresa recorrente, possui relação direta com o contraprestação de serviços, já que o pagamento nada mais é do que um incentivo, seja para contratação, ou mesmo para que se evite o desligamento do empregado da empresa. Por isso a referida verba, independente do número de vezes possui natureza salarial, e por consequência, constitui base de cálculo de contribuição previdenciária. Ademais, os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Ao contrário do que afirma a recorrente, a Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, citado pelo próprio recorrente, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 7 13 de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 8 15 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. APLICAÇÃO DA LEI 10.101/2000 NO PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Vale de pronto afastar os argumentos do recorrente que que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias”. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 9 17 Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, as verbas salariais. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O empregado tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. QUANTO A ALEGAÇÃO DE APRECIAÇÕES DE ILEGALIDADE Não há possibilidade para a autoridade administrativa recursar o cumprimento de norma supostamente inconstitucional. No que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a exigência da contribuição ora lançada, ou mesmo da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições ora lançadas, e da multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA MULTA Ademais, na aplicação da multa, a autoridade fiscal, fl. 39 a 40, procedeu a análise da situação mais favorável, não havendo a aplicação da multa de ofício, posto que implicaria situação mais gravosa para o recorrente. Notese que a autoridade julgadora na decisão de 1 instância já refutou os argumentos do recorrente, não havendo reparo a ser feito na referida decisão. Transcrevo trecho pertinente: Da multa aplicada 18. Quanto à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, cabe ressaltar que a multa é sanção pelo inadimplemento, aplicada independentemente da intenção do agente ou responsável, não tendo o caráter de punição, mas sim o de indenização pelo atraso do pagamento, cujo marco de exigência se dá a partir da mora. Da retroatividade da legislação mais benigna 19. Com relação aos efeitos das alterações promovidas pela Lei 11.941/2009, há de se observar que a multa moratória, por ser considerada penalidade, está sujeita às regras de retroatividade previstas no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, especialmente no que tange à apuração de seu quantum, haja vista a nova redação dada à Lei n° 8.212/1991, em que foi introduzido o art. 35A estabelecendo nova sistemática para o cálculo das multas aplicadas aos débitos previdenciários. 20. No regime estabelecido pela MP 449/2008, de 03/12/2008 (convertida na Lei 11.941/2009), que deu nova redação aos artigos 35 e 35A da Lei 8.212/1991, a falta do recolhimento da contribuição previdenciária ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. 21. Como se depreende do art. 35 da Lei 8.212/1991 na redação da Lei 9.876/1999, o valor da multa no auto de infração principal variava conforme a fase em que se encontrava o crédito tributário, sendo certo que a nova legislação, no tocante à retroatividade benigna, fez o papel de limitador do quantum máximo a que a multa poderia atingir (75%). 22. Dessa forma, a retroatividade benigna foi observada no presente lançamento, para as competências cujos fatos geradores ocorreram antes de 03/12/2008 (07/2007, 08/2007, 09/2008 e 11/2008), sendo aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte (75%), em comparação com a multa de mora de 24%, mais a multa por falta de declaração dos fatos geradores das contribuições previdenciárias nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, de 100% da contribuição devida, limitada ao número de segurados. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002272/201011 Acórdão n.º 240102.287 S2C4T1 Fl. 10 19 23. Finalmente, as multas/juros aplicados no presente lançamento estão em consonância com as modificações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, conforme se extrai do relatório fiscal (item 10). Nele analisase a sistemática de penalização antiga e a trazida pela MP 449, concluindose que esta é de aplicação mais benéfica ao contribuinte e que prevalece, em atenção ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, 'c' do Código Tributário Nacional.Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente em sua maioria são insuficientes para refutar o lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16062.000290/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.033
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. 1 Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda , Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. • (1)11 ELIAS SA PAIO FREIRE - Presidente 10kd. bit bittli‘dei RYCARDO RIQUE MAGALHÃES D LIVEIRA — Relator Participaram, do presente j h gana nto, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de So Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 16062.000290/2007-8 I S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.033 Fl. 413 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/200741, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdencários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. • .•• • 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 20, § 2° Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Ses , o -s, em 24 de fevereiro de 2010 JÀ 1111t14 RYCARDO RIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 4 c. MINISTÉRIO DA FAZENDA r) CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS W4 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 16062.000290/2007-81 Recurso n°: 163.026 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.033 Brasil . ., 12.- março de 2010 ELIAS SA • ' I# AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ I Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003242/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PENSÃO ESPECIAL DE EX-COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA. ISENÇÃO.
A isenção do imposto sobre a renda alcança as pensões e os proventos de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira concedidas nos termos dos Decretos Leis nºs 8.794 e 8.795, de 1946, Lei nº 2.579, de 1955, artigo 30 da Lei nº 4.242, de 1963, e artigo 17 da Lei nº 8.059, de 1990.
No caso, a contribuinte não logrou comprovar que a pensão por ela auferida enquadra-se em uma das hipóteses legais de isenção.
Numero da decisão: 2101-001.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Motta Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: PENSÃO ESPECIAL DE EXCOMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA. ISENÇÃO. A isenção do imposto sobre a renda alcança as pensões e os proventos de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira concedidas nos termos dos DecretosLeis nºs 8.794 e 8.795, de 1946, Lei nº 2.579, de 1955, artigo 30 da Lei nº 4.242, de 1963, e artigo 17 da Lei nº 8.059, de 1990. No caso, a contribuinte não logrou comprovar que a pensão por ela auferida enquadrase em uma das hipóteses legais de isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Eivanice Canário da Silva (suplente), José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em desfavor de MARIA DE LOURDES ASCENÇÃO DE OLIVEIRA MOTTA foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 8 a 13 (eprocesso), na qual o imposto a restituir declarado, de R$ 4.794,29 (quatro mil, setecentos e noventa e quatro reais e vinte e nove centavos) foi reduzido para R$ 251,69 (duzentos e cinqüenta e um reais e sessenta e nove centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 11), consta que a Fiscalização apurou ter havido omissão de rendimentos tributáveis, recebidos de Comando do Exército, no valor de R$ 20.005,00, e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 500,00. A contribuinte impugnou parcialmente o lançamento, alegando que o rendimento referente ao CNPJ 00.394.452/053304 no valor de R$ 20.005,00, não é tributável, e sim rendimento isento e não tributável, por se tratar de pensão de excombatente, conforme consta do manual do imposto de renda pessoa fisica daquele exercício, na rubrica "OUTROS RENDIMENTOS DO TITULAR" que prevê serem isentos os " proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB)", apesar de constar do comprovante de rendimentos da fonte pagadora como rendimentos tributáveis. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 2 decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1328.715, de 30 de março de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72. EXCOMBATENTE. FEB. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, pagos de acordo com os Decretosleis n.ºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei n.º 2.579, de 23 de agosto de 1955, art. 30 da Lei n.º 4.242, de 17 de julho de 1963 e art. 17 da Lei n.º 8.059, de 04 de julho de 1990. Impugnação Improcedente Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.003242/200749 Acórdão n.º 210101.511 S2C1T1 Fl. 47 3 Outros Valores Controlados Em 16 de junho de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 44 e 45), no qual repisa que os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de ex combatentes da Força Expedicionária Brasileira FEB, tais como os rendimentos por ela recebidos, enquadramse, sim, na Legislação e no que consta do Manual do Imposto de Renda, conforme pode se verificar nos documentos juntados ao processo em 17/05/2007. Reafirma enquadrarse perfeitamente na Lei n°.8059, de 1990, de acordo com os documentos acostados ao processo em 17/05/2007. Caso haja necessidade de apresentação de outros documentos, informa que pode fazêlo, haja vista possuir outros, comprobatórios que seu cônjuge participou de operações bélicas no Teatro de Operações da Itália. Solicita, ao final, seja cancelado o lançamento por omissão de rendimentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente entende ser isenta do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de pensão de seu cônjuge, excombatente da Força Expedicionária Brasileira, que serviu no Teatro de Operações da Itália. Em sede de impugnação, para provar o alegado, apresentou Certidão emitida pela Secretaria Geral do Ministério da Guerra, juntada às fls. 18. Segundo esse documento, seu cônjuge, Oswaldo Motta, integrou o Primeiro Grupo do Primeiro Regimento de Obuses Auto Rebocado, estando por conseqüência, enquadrado na letra “a” do artigo 1.º do Decreto n.º 26.907, de 1949, por ser portador da Medalha de Campanha e ter prestado serviço de guerra. Com o recurso voluntário, a contribuinte juntou, às fls. 53, Certificado de Reservista de 1.ª Categoria, emitido pela Força Expedicionária Brasileira, Ministério da Guerra, o qual consta que Oswaldo Motta serviu no Teatro de Operações da Itália, no período de 6/1/1944 a 11/8/1945, tendo sido licenciado do serviço ativo em 31 de agosto de 1945, ingressando na Reserva do Exército Nacional. Segundo sustenta a recorrente, em seu Recurso Voluntário, o próprio Relator da decisão de primeira instância fundamentou a pensão por ela recebida na Lei n.º 8.059, de 1990, de acordo com os documentos acostados. Sendo assim, alega, tais rendimentos seriam isentos, pois enquadramse na legislação e no que consta do Manual do Imposto de Renda. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 O Manual de Instruções de preenchimento do Modelo completo da Declaração de Ajuste Anual para o exercício de 2005 assim orienta, em suas páginas 29 e 30: OUTROS RENDIMENTOS DO TITULAR (especifique) linha 11 Informe os rendimentos relativos a: [...] c) proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), pagos de acordo com os Decretosleis nº 8.794 e nº 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, e art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990; [...].(g.n.) Observase que, ao fazer referência à Lei n.º 8.059, de 1990, a orientação do Manual de Preenchimento é específica para excluir da tributação os rendimentos recebidos a título de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira pagos de acordo com o seu artigo 17, o qual assim estipula: Art. 17. Os pensionistas beneficiados pelo art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, que não se enquadrarem entre os beneficiários da pensão especial de que trata esta lei, continuarão a receber os benefícios assegurados pelo citado artigo, até que se extingam pela perda do direito, sendo vedada sua transmissão, assim por reversão como por transferência. Conforme se depreende do teor do dispositivo acima transcrito, tratase de excluir da tributação os pensionistas beneficiados pelo artigo 30 da Lei n.º 4.242, de 1963, não enquadrados entre os beneficiários da pensão especial de que trata a Lei n.º 8.059, de 1990. O artigo 30 da Lei n.º 4.242, de 1963, revogado pela própria Lei n.º 8.059, de 1990, assim prescrevia: Art 30. É concedida aos excombatentes da Segunda Guerra Mundial, da FEB, da FAB e da Marinha, que participaram ativamente das operações de guerra e se encontram incapacitados, sem poder prover os próprios meios de subsistência e não percebem qualquer importância dos cofres públicos, bem como a seus herdeiros, pensão igual à estipulada no art. 26 da Lei n.º 3.765, de 4 de maio de 1960. (Revogado pela Lei nº 8.059, de 1990) Parágrafo único. Na concessão da pensão, observarseá o disposto nos arts. 30 e 31 da mesma Lei nº 3.765, de 1960. (Revogado pela Lei nº 8.059, de 1990) Sendo assim, para fazer jus à isenção prevista no artigo 17 da Lei n.º 8.059, de 1990, a Recorrente deveria fazer prova de que os proventos de pensão recebidos foram concedidos nos termos do artigo 30 da Lei n.º 4.242, de 1963. A isenção de tributos decorre, obrigatoriamente, de lei específica que a conceda, tal como estipula o artigo 176 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.003242/200749 Acórdão n.º 210101.511 S2C1T1 Fl. 48 5 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. A interpretação da lei que outorga uma isenção é sempre restritiva, não podendo a isenção ser estendida a casos que não os estritamente previstos na lei que a conferiu, a teor do prescrito no artigo 111 do Código Tributário Nacional. De acordo com artigo 6º, inciso XII, da Lei n° 7.713, de 1988, são isentos de imposto sobre a renda os rendimentos auferidos em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira, desde que as pensões e proventos estejam de acordo com os DecretosLeis n.º 8.794, de 1946 e n.º 8.395, de 1946 e Leis .n.º 2.579, de 1955 e n.º 4.242, de 1963. Vejamos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis, nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira; [...]. Sendo assim, somente nos casos especificamente relacionados no dispositivo acima transcrito é concedida a isenção sobre os proventos de pensão por reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira. Nesse sentido têm decidido nossos Tribunais, a exemplo do julgado cuja ementa transcrevese: TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. EX COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA. ART. 53 DO ADCT. ART. 6º, XII, DA LEI N.º 7.713/88. ISENÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA RELATIVAMENTE À PENSÃO ESPECIAL DE EXCOMBATENTE. 1. A isenção do imposto sobre a renda alcança as pensões e os proventos de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira, nos termos da Lei 7.713/88, in verbis: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis, nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira; (...)" 2. Outrossim, o próprio Decreto n.º 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda, assim estatui: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXV as pensões e os proventos concedidos de acordo com o DecretoLei nº 8.794 e o Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XII) [...] (STJ, 1.ª Turma. Resp 1019703/SC, de 16/09/2008) Ante o exposto, tendo em vista que a Recorrente não comprovou que a pensão recebida de seu cônjuge foi concedida com base em um dos dispositivos relacionados no artigo 6.º, inciso XII, não cabe a isenção pleiteada. Conclusão Essas as razões pelas quais voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13312.000853/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO REMESSA NECESSÁRIA CONHECIMENTO
Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008.
IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Declarada em ato próprio expedido pela autoridade administrativa competente a suspensão da imunidade tributária a que faria jus a instituição submetida a procedimento fiscal, a entidade sem fins lucrativos que não tiver preenchido os requisitos legais para usufruir do referido benefício fiscal, fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
DOAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E PESQUISA CRIADAS POR AUTORIZAÇÃO DE LEI FEDERAL Somente são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL as doações efetuadas às instituições de ensino e pesquisa, cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição.
GLOSA DE DESPESAS. DOAÇÕES.Correta a glosa das despesas efetuadas com doações, quando o sujeito passivo não comprova haver atendido às exigências contidas no art. 13, §2º, da Lei nº 9.249/1995.
DESPESAS DEDUTÍVEIS À luz da legislação fiscal em vigor, serão dedutíveis as despesas que, além de, estarem comprovadas por documentos hábeis e idôneos, forem normais, usuais e necessárias para a percepção dos rendimentos ou manutenção da fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ausente os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, não cabe a multa qualificada de 150%.
IRPJ E REFLEXOS PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. IRRF. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, exceto quanto às especificidades intrínsecas às contribuições sociais.
Numero da decisão: 1102-000.661
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto e o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que entendem aplicável a contagem do prazo decadencial nos moldes do parágrafo 4º. do artigo 150 do CTN.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO REMESSA NECESSÁRIA CONHECIMENTO Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008. IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Declarada em ato próprio expedido pela autoridade administrativa competente a suspensão da imunidade tributária a que faria jus a instituição submetida a procedimento fiscal, a entidade sem fins lucrativos que não tiver preenchido os requisitos legais para usufruir do referido benefício fiscal, fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E PESQUISA CRIADAS POR AUTORIZAÇÃO DE LEI FEDERAL Somente são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL as doações efetuadas às instituições de ensino e pesquisa, cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição. GLOSA DE DESPESAS. DOAÇÕES.Correta a glosa das despesas efetuadas com doações, quando o sujeito passivo não comprova haver atendido às exigências contidas no art. 13, §2º, da Lei nº 9.249/1995. DESPESAS DEDUTÍVEIS À luz da legislação fiscal em vigor, serão dedutíveis as despesas que, além de, estarem comprovadas por documentos hábeis e idôneos, forem normais, usuais e necessárias para a percepção dos rendimentos ou manutenção da fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ausente os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, não cabe a multa qualificada de 150%. IRPJ E REFLEXOS PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. IRRF. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, exceto quanto às especificidades intrínsecas às contribuições sociais.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto e o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que entendem aplicável a contagem do prazo decadencial nos moldes do parágrafo 4º. do artigo 150 do CTN.
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IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Declarada em ato próprio expedido pela autoridade administrativa competente a suspensão da imunidade tributária a que faria jus a instituição submetida a procedimento fiscal, a entidade sem fins lucrativos que não tiver preenchido os requisitos legais para usufruir do referido benefício fiscal, fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E PESQUISA CRIADAS POR AUTORIZAÇÃO DE LEI FEDERAL Somente são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL as doações efetuadas às instituições de ensino e pesquisa, cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição. GLOSA DE DESPESAS. DOAÇÕES. Correta a glosa das despesas efetuadas com doações, quando o sujeito passivo não comprova haver atendido às exigências contidas no art. 13, §2º, da Lei nº 9.249/1995. DESPESAS DEDUTÍVEIS À luz da legislação fiscal em vigor, serão dedutíveis as despesas que, além de, estarem comprovadas por documentos hábeis e idôneos, forem normais, usuais e necessárias para a percepção dos rendimentos ou manutenção da fonte pagadora. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 2 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ausente os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, não cabe a multa qualificada de 150%. IRPJ E REFLEXOS PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. IRRF. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, exceto quanto às especificidades intrínsecas às contribuições sociais. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto e o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que entendem aplicável a contagem do prazo decadencial nos moldes do parágrafo 4o. do artigo 150 do CTN. Assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro – Presidente e Relatora. EDITADO EM:10/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Relatório Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 3 3 Tratase de exigência para o Imposto de Renda da Pessoa JurídicaIRPJ Contribuição para o PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, acrescidos de multa de 150%, e Imposto de Renda Retido na FonteIRRF, no valor de R$ 694.823,34, acrescidos de multa de 75%, com a ressalva de que, quanto a este último, apenas aos fatos geradores correspondentes a 29/04/2003, 29/05/2003, 11/06/2003 e 25/06/2003 foi aplicada a multa no percentual de150%. O Ato Declaratório DRF/SOB nº. 009, de 1º de agosto de 2007, declarou a suspensão da imunidade do Instituto de Estudos e Pesquisa do Vale do AcaraúIVA, para os anoscalendário 2002 e 2003, nos termos do § 6º, inciso II, do artigo 32 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em virtude de inobservância do disposto no artigo 14, incisos I e II, da Lei nº. 5.172/66, Código Tributário Nacional, bem como as alíneas “a” e “d” do § 2º, do artigo 12 da Lei nº. 9.532/97. A suspensão de imunidade é objeto do processo 13312.000242/200714, cujo julgamento antecedeu a este. Nos autos de infração folhas 338/399, constam seguintes infrações: a) IRPJ (folhas 338/358)Omissão de receitas – receitas não contabilizadas Custos ou despesas não comprovadas – glosa de despesas Contribuições e doações com inobservância dos requisitos legais Despesas indedutíveis Resultados operacionais não declarados – lucros não tributados; b) PIS (folhas 359/366)Omissão de Receita Incidência não cumulativa, apuração reflexa; c) COFINS (folhas 367/373)Omissão de Receita; d) CSLL (folhas 374/390)Falta de recolhimento; e) IRRF (folhas 391/399)Pagamentos a beneficiários sem causa comprovada; O Termo de Verificação Fiscal, folhas 402/457, integrante dos autos de infração, apontam as infrações seguintes (transcrição do relatório do voto do acórdão recorrido): (...) Observese que, com raras exceções que serão devidamente indicadas quando se referirem ao presente processo, todas as folhas citadas nos itens seguintes, relativos a este tópico, referemse ao processo nº. 13312.000242/200714. ANOSCALENDÁRIO 2002/2003 o IVA apresentou nos anos calendário 2002 e 2003 declaração de Imposto de Renda com o gozo do benefício da imunidade e, em função de sua suspensão, foi lavrado o auto de infração para cobrança do IRPJ incidente sobre os resultados apurados em sua escrituração (LALUR) constantes às folhas 178/207 do presente processo; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 4 4 RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS nos meses de fevereiro e maio de 2002, pelo fato de terem sido emitidas notas fiscais (folhas 5010/5046 e 5126/5190) e de constar no livro de movimentação do caixa (folhas 152/177 do presente processo), foi constatado recebimento de receita pelo Hotel Vila Real, nome de fantasia para sua filial de CNPJ 01.418.195/000238, que, conforme Livro Razão (folhas 847/2666) não foram contabilizadas. Também foi constatado o recebimento de aluguéis, conforme documentos anexados às folhas 20/135 do presente processo, sem a escrituração da conta de receita respectiva. Assim, a fiscalização considerou as receitas como omitidas pelo contribuinte; GLOSA DE DESPESAS despesas, genericamente indicadas em notas fiscais como “manutenção da rádio” (folhas 344/345, relativas ao anocalendário 2002 e 643/650 relativas ao ano calendário 2003), emitidas pela Hidros Comunicações Ltda, com a qual a contribuinte manteve contrato de arrendamento de uma rádio, nos valores totais de R$ 18.015,69 e R$ 111.077,17, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente, sem que o IVA tenha apresentado os documentos hábeis a comprovar que tais despesas tenham relação com suas atividades; repasse à associação de Apoio e Promoção da Educação do Estado do Ceará, conforme notas fiscais às folhas 354/363 e 564/587, do processo nº 13312.000242/200714 (anos calendário 2002 e 2003, respectivamente), no valor total de R$ 427.218,19 e R$ 718.614,06 (2002 e 2003 respectivamente), referentes a pagamentos efetuados a professores que ministraram aulas para alunos matriculados em diversos cursos da Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA, acobertados por notas fiscais, sem comprovação por parte do contribuinte através de documentação complementar, discriminando os beneficiários de tais pagamentos, a fim de caracterizar o vínculo daqueles pagamentos com as suas atividades; pagamentos nos valores de R$ 11.700,00 e R$ 97.691,00 à empresa Conte – Contabilidade (CNPJ 10.379.881/000157, inapta por apresentarse “OMISSA E NÃO LOCALIZADA”), conforme recibos às folhas 366 (anocalendário 2002) e 486/494 (anocalendário 2003), sem que o contribuinte apresentasse os documentos comprobatórios da despesa tais como: nota fiscal correspondente, contrato celebrado para prestação do serviço, comprovação da efetiva prestação do serviço e do cálculo do valor cobrado; pagamentos, nos valores e destinatários especificados abaixo, referentes à aquisição de passagens aéreas e diárias em Hotel, que o contribuinte não identificou os beneficiários nem os motivos das viagens, como segue na tabela 1: Tabela 1 Valor (R$)EmpresaReferênciaFolha 11.806,16 Naja TurismoAquisição de passagens aéreas368/371 9.966,90 Verano Agência de ViagensAquisição de passagens aéreas e 07 diárias no Hotel das Américas em BrasíliaDF377/382 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 5 5 3.293,65Naja TurismoAquisição de passagens aéreas558/559 21.661,15Verano Agência de ViagensAquisição de passagens aéreas560/563 pagamento ao Instituto de Estudos e Pesquisa Santa Teresinha IEPST no valor de R$ 30.000,00 (notas fiscais 007 e 009, folhas 394 e 396), através de depósito em conta bancária de pessoa estranha ao IEPST (esposa do seu presidente), sem a apresentação de convênio entre as duas instituições, nem a comprovação necessária dos serviços prestados; pagamento ao Posto São Domingos no valor de R$ 10.129,42, pelo abastecimento de óleo diesel e gasolina (notas fiscais às folhas 410/413), sem a devida comprovação dos veículos destinatários da despesa, anotando a fiscalização que, à época da despesa o IVA não possuía nenhum veículo movido a óleo diesel; pagamento ao Sr. Luciano Clever Mesquita Martins, CPF 155.551.00353, referente a trabalho sem vínculo empregatício, pelos serviços de consultoria na área de comunicação social realizada no gabinete do Reitor, conforme DIRF anexas às folhas 515/516, no valor de R$ 27.769,00, no mês de agosto do anocalendário 2003. pagamento à A. T. Projetos e Com. De Mat. De Construção Ltda o total de R$ 15.000,00 (folhas 588/591) sem que o IVA apresentasse o devido contrato de prestação de serviço, constando ainda anexo à nota fiscal orçamento onde é informado que o cliente seria o IFEC – Instituto Frota de Educação, Cultura e Comunicação e que a obra seria no IDEC; CONTRIBUIÇÕES/DOAÇÕES INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS doação de móveis, no valor de R$ 5.172,00, comprados conforme nota fiscal nº 9511 (folha 387), que o IVA informou terem sido remetidos para o gabinete do Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, mas escriturada como “DOAÇÃO PARA DIOCESE” (folha 1831), consideradas no presente auto de infração pelas seguintes razões: a) se a doação foi para a Diocese, estaria fora da abrangência do § 2º, do art. 13, da Lei nº 9.249/95; b) se foi para a UVA, também estaria fora da abrangência do dispositivo legal citado por não ter sido aquela Universidade criada por lei federal e c) no trimestre da doação (3º trim/2002) foi apurado prejuízo operacional, conforme LALUR à folha 187 do presente processo; doação de R$ 5.000,00 ao Guarany Sporting Clube e de R$ 10.000,00 para a Associação Rainha da Paz (folhas 423/425), adicionadas ao lucro líquido, conforme art. 249 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99); o IVA possui contabilizadas as contas “doação a UVA” “doações diversas” e “doação a Diocese”, no anocalendário 2002 e “Doação p/ UVA”, “Outras Doações”, “Doação Instituto Dom José” e “Doação p/ IDEC”, no anocalendário 2003. Intimada a apresentar documentação referente aos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 6 6 lançamentos efetuados nas referidas contas e, de sua análise, a fiscalização concluiu que deveriam ser glosadas pelas seguintes razões: a) não estão amparadas pelo inciso VI do art. 13 da Lei nº. 9.249/95; b) por não ter sido a UVA criada por lei federal; c) o contribuinte apurou prejuízo operacional no 3º trimestre dos anoscalendário 2002 e 2003, conforme LALUR (folhas 187 e 199 do presente processo respectivamente). As glosas efetuadas foram as constantes da tabela 2 , a seguir: (...) DESPESAS INDEDUTÍVEIS distribuição de cestas básicas a empregados, sem a observância do disposto no art. 27 da Instrução Normativa nº 11/96. Valor da glosa: R$ 4.600,00; despesa no valor total de R$ 138.800,00 com a Construtora Castro Andrade e Cia. Ltda. (notas fiscais e contrato às folhas 428/440 do processo 13312.000242/200714) contabilizadas no Livro Razão nos meses de abril, maio, junho, julho e agosto de 2002 na conta 321420 “Conservação de prédios de terceiros”, que não guarda relação com a atividade do IVA, adicionada ao lucro líquido, conforme art. 249, inciso I do Decreto 3000/99; despesas escrituradas na conta 34201.00371 do Livro Razão do anocalendário 2003, com festas e comemorações no valor de R$ 44.471,18 (cópias das notas fiscais às folhas 657/685), realizadas, inclusive em outras instituições; pagamento à Realce Editora Gráfica Ltda, CNPJ 41.324.799/000159, no valor de R$ 25.000,00, referente ao trabalho de pesquisa, produção de texto, design gráfico, arte final, confecção e impressão do livro “Literatura Crítica do Reitor Teodoro Soares”, de autoria de José Arnaldo Silva dos Santos, sócio da empresa Expert Publicidade e Consultoria Ltda, cuja intermediação no negócio foi constatada pela fiscalização através de declaração da emitente das notas fiscais, Realce Editora Gráfica Ltda (documentos às folhas 620/635); pagamento a A.T. Projetos e Com. De Mat. De Construção Ltda, conforme nota fiscal nº. 649, de 23/12/2002 e recibos anexos às folhas 588/590 do processo nº. 13312.000242/2007 14, no valor total de R$ 15.000,00, que, segundo consta na nota fiscal, foi referente a parcela dos serviços realizados na sede da instituição, que, em documento anexo encontrase um orçamento informando ser o cliente o Instituto Frota de Educação, Cultura e Comunicação – IFEC, mas a obra teria sido realizada no IDEC, um outro instituto. Intimado a apresentar os esclarecimentos necessários, o contribuinte mantevese silente em relação a esse assunto. gastos com a Universidade Estadual Vale do Acaraú, referenciados na Tabela 3 a seguir: Tabela 3 DescriçãoNFFolha (s)Valor (R$) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 7 7 Pagto. Construtora A.T. Projetos e Com. De Mat. De Construção p/ serviços de reforma no atrium central da Betânia576468 15.000,00 Pagto. Construtora A.T. Projetos e Com. De Mat. De Construção p/ serviços de reforma no 2º atrium do Campus da Betânia578 47014.500,00 Pagto. a SopremolPremoldados e Construções Ltda referente a execução de reforma de 03 salas de aula e circulação no Campus da Betânia15347220.745,88 Pagto. A Score Segurança de Valores e Vigilância Ltda ref. A prestação de serviço de vigilância nas dependências da UVA e na Casa de Geografia nos meses de março, abril e maio do ano calendário 2002.821, 831, 843474, 480, 48437.740,51 Pagto. A Construtora Caribe ref. A 50% da última parcela do auditório multiuso (sala de videoconferência da UVA no Campus da Betânia)013, 019475, 48220.000,00, 20.000,00 Pagamento à Construtora ARCO LTDA pela construção de galpão em estrutura metálica, garagem para ônibus e carros da UVA.011, 010 e 012686/69591.672,00 Pagamento a A. T. Projetos e Com. De Mat. De Const. Ltda, para reforma da reitoria. 664699/70423.166,62 Pagamento a J. Batista S. Fernandes para serviço de montagem de Forro e divisórias PVC, instalação elétrica e reforma das salas no PROPAM da UVA.045, 048 e 049705/71326.053,00 Pagamento a Construtora Ramalho Machado Ltda para reforma de imóvel situado à Rua Silva Paulet, nº 334, Reitoria da UVA em Fortaleza, segundo aditivo de contrato às folhas 738/739. 056731/732 e 738/73930.000,00 Pagamento a Score Segurança de Valores e Vigilância Ltda, pelos serviços de vigilância armada na UVA e na Casa se Geografia, no anocalendário 2003.997, 1003, 1015, 1025, 1037, 1046 e 1074740/753130.213,58 Honorários advocatícios pagos a Bittencourt de Albuquerque Advocacia s/c Ltda, que o contrato às folhas 546/548 evidencia tratarse de serviços de advocacia que têm como objeto as ações patrocinadas pela UVA, sendo, portanto, de sua responsabilidade.264, 268, 272, 280, 286, 290, 303, 311, 315 e 318526/545115.000,00 Pagamento a GAK Viagens e Turismo Ltda, CNPJ 01.777.231/000179, correspondente a hospedagem do dia 20/05/2003 a 14/06/2003, aluguel de veículo executivo e três bilhetes aéreos São Paulo/Fortaleza para o Sr. José Teodoro Soares, a Sra. Maria Norma Maia Soares (ambos classe executiva) e para o Sr. José Manfrense de Sousa (classe econômica), sem a apresentação de nota fiscal.Recibo553/554 17.712,25 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 8 8 Pagamento a Alckmin Advogados S/C pela prestação de serviços de advocacia em mandado de segurança impetrado pela UVA contra o Ministério da Educação – MEC, sem a apresentação de contrato.38359530.000,00 Pagamento de honorários advocatícios a Machado Advocacia Empresarial, que, conforme documento à folha 525, foi prestado em benefício da UVA.6090, 6123 e 6158519/525120.000,00 Pagamento à Construtora Rodrigues e Sousa Ltda, para construção de área de lazer com estrutura espacial e piso industrial, reforma e ampliação do auditório central, acesso à garagem dos carros oficiais, com aterro e pavimentação em pedra tosca e depósito de carteiras no Campus da Betânia, segundo contrato às folhas 607/611, sem a assinatura de testemunhas nem registro em cartório. 044, 047, 048 e 049 597/60688.750,00, 88.750,00, 88.750,00 e 88.750,00 Pagamento a Hardy Corretora e Adm. De Seguros Gerais Ltda, referente a seguro do veículo GMC Vandura, ano 1992, placa HWC0583, no valor de R$ 3.718,43 e para o veículo GMC Vandura, ano 1992, placa HWC0013, no valor de R$ 2.797,03, ambos de propriedade da UVA.Recibos/Formulários754/759 6.515,46 Em relação aos gastos efetuados pelo IVA com a Universidade Vale do Acaraú – UVA, a fiscalização assevera que, a despeito de alegar que as despesas estão amparadas pelo convênio firmado entre as duas instituições, constatou que, conforme cópias às folhas 211/217, o item 2.7 do convênio datado de 01.07.1996, documento 212/214, estabelecia que o IVA repassasse à Universidade Estadual Vale do Acaraú o equivalente a 10% de todos os recursos oriundos de cada curso que viesse a ser ministrado, tanto em forma de bolsas destinadas a estudantes indicados pela Universidade, como em bens móveis ou imóveis, equipamentos, material de informática, material didático, etc., e tudo o mais que pudesse vir a se converter em seu benefício. Porém, conforme documento de folhas 215/217, no dia 05.01.1998, um novo convênio foi firmado em substituição ao anterior, no qual a fiscalização constatou que não consta mais a cláusula que determina o repasse de 10%. Assim, concluiu que os repasses para a Universidade Estadual Vale do Acaraú, a partir de 05.01.1998, terá sido mera liberalidade. Em relação ao pagamento efetuado à Construtora Rodrigues de Sousa Ltda, CNPJ 04.940.107/000170, no valor de R$ 355.000,00, listado na tabela acima, foi constatado pela fiscalização que, no endereço informado no contrato, funciona um bar de nome “O LEOCÁDIO” (segundo testemunhas, há no mínimo 18 anos), cujo proprietário é Leocádio Rodrigues de Sousa (de assinatura diferente da constante no contrato), que diz nunca ter assinado nenhum contrato, nem recebido nenhum dinheiro. Intimado para informar quem teria assinado tal contrato, bem como para apresentar o laudo de conclusão da Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 9 9 obra, previsto no § 1º da cláusula 3ª do contrato, o IVA informou têlo enviado à construtora, que o devolveu assinado, não se pronunciando quanto ao laudo. Ainda, no endereço constante nas notas fiscais emitidos pela construtora para o IVA, Rua Valter Catunda, 40, Bairro do Junco, SobralCE, a fiscalização constatou que, no local, não existe construtora, mas, sim, uma casa simples (fotos às folhas 618/619), na qual reside o Senhor Leocádio Rodrigues de Sousa. Em virtude dessas irregularidades, foi iniciada ação fiscal para apurar os fatos na construtora em questão, tendo na ocasião a fiscalização verificado que o Sr. Francisco Hermenegildo de Sousa Neto, CPF 119.818.22372, que é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, possui procuração para movimentar a conta bancária da construtora, mesmo não participando de seu quadro societário. Constatou também, que o Senhor Hermenegildo de Sousa Neto é sócio de outra construtora (Construtora Fernandes & Sales Ltda) e que utilizou cheques da Construtora Rodrigues de Sousa Ltda para pagamento de cotas de adesão em apartamentos no Condomínio do Edifício River Park, conforme documentos às folhas 793/799. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA A fiscalização, com suporte no art. 674 do Decreto 3.000/99 – RIR/99 e art. 61 da Lei nº 8.981/95, efetuou o lançamento do IRRF, à alíquota de 35%, sobre os seguintes pagamentos, referentes aos cheques/transferências bancárias anexos às folhas do presente processo indicadas na tabela abaixo, considerados pagamentos sem causa, pois, não foi comprovado que tais pagamentos foram efetivamente utilizados para os fins constantes nas cópias do Livro Razão e notas fiscais: Beneficiário: Hidros Comunicações Ltda, CNPJ 09.531.377/000141 Notas fiscais: folhas 344/345 e 643/650 do proc. Nº 13312.000242/200714 Cheques: folhas 273/284 do presente processo Tabela 4 Valor (R$)DataBase reajustada, conf. Art. 20 da IN/SRF 015/2001 12.596,5601/08/2003 19.379,32 11.798,0802/09/200318.150,89 13.350,53 02/10/200320.539,28 10.944,6103/11/200316.837,86 13.563,8002/12/200320.867,38 15.965,3117/12/2003 24.562,02 Beneficiária: Associação de Apoio e Promoção da Educação do Estado do Ceará – ASPECE Notas fiscais: folhas 354/363 e 564/587 do processo nº 13312.000242/200714 Cheques: folhas 285/312 do presente processo Tabela 5 Valor (R$)DataBase reajustada, conf. Art. 20 da IN/SRF 015/2001 52.913,3823/05/200281.405,20 63.276,4131/10/2002 97.348,32 66.155,2014/11/2002101.777,23 30.779,84 19/02/200347.353,60 52.056,3419/02/200380.086,68 55.436,0624/03/200385.286,25 63.095,1624/04/2003 97.069,48 24.517,4226/06/200337.719,11 59.085,21 26/06/200390.900,32 87.163,6517/07/2003134.097,92 40.174,8823/07/200361.807,51 60.272,3625/08/2003 92.726,71 60.905,5224/10/200393.700,80 54.697,12 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 10 10 11/11/200384.149,42 Beneficiário: Instituto de Estudos e Pesquisa Santa Teresinha, CNPJ 04.011.662/000118 Notas fiscais: folhas 394 e 396 do proc. Nº 13312.000242/200714 Cheques/Transferências bancárias: folhas 313/317 do presente processo Tabela 6 Valor (R$)DataBase reajustada, conf. Art. 20 da IN/SRF 015/2001 13.125,0007/01/200220.192,31 13.125,0023/01/200220.192,31 Beneficiário: Construtora Rodrigues e Sousa Ltda, CNPJ 04.940.107/000170 Notas fiscais: folhas 394 e 396 do proc. Nº 13312.000242/200714 Cheques/Transferências bancárias: folhas 318/323 do presente processo Tabela 7 Valor (R$)DataBase reajustada, conf. Art. 20 da IN/SRF 015/2001 82.425,0029/04/2003128.346,15 82.425,0029/05/2003128.346,15 82.425,0011/06/2003 128.346,15 82.425,0025/06/2003128.346,15 Beneficiário: Conte Contabilidade Técnica , CNPJ 10.379.881/000157 Recibos: folhas 366 e 643/650 do proc. Nº 13312.000242/2007 14 Cheques: folhas 324/337 do presente processo Tabela 8 Valor (R$)DataBase reajustada, conf. Art. 20 da IN/SRF 015/2001 11.700,0026/11/200218.000,00 10.700,0023/01/2003 16.461,54 10.300,0022/05/200315.846.15 11.262,00 25/08/200317.326,15 11.300,0025/09/200317.384,62 13.827,0023/10/200321.272,31 DA MULTA QUALIFICADA Entendeu que, em tendo praticado todas as irregularidades apontadas no processo nº 13312.000242/200714 (que vão de encontro ao benefício da imunidade pleiteada pelo IVA em suas DIPJ anexas às folhas 164/210 daquele processo), não há como negar que o contribuinte tinha consciência de que estava descumprindo as normas que regem o benefício da imunidade tributária e que o fato de, na resposta apresentada por ele através do documento anexo às folhas 147/149 (também daquele processo) sem resposta a grande maioria dos itens constantes do Termo de Intimação Fiscal nº 005, reforçaria esta afirmação. Conclui que, se o contribuinte tinha consciência de que havia descumprido as normas que regem o benefício da imunidade, também tinha consciência de que não deveria ter pleiteado o referido benefício para os anos de 2002 e 2003, apurando o IRPJ de acordo com o art. 219 do Decreto 3.000/99 – RIR/99, através do Lucro Real, Presumido ou Arbitrado. Em agindo assim, entende a fiscalização que o objetivo do contribuinte era ocultar do conhecimento do fisco a sua real condição de contribuinte e de não apurar e recolher os créditos tributários correspondentes. Entende que seu agir está tipificado como sonegação/fraude, conforme definem os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (reproduzidos às folhas 456/457). Assim entendendo, aplicou ao contribuinte a multa qualificada de 150%, de acordo com o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Ciente dos autos de infração em 31/10/2007, o contribuinte apresentou impugnação em 28/11/2007,se contrapôs ao lançamento em sua integralidade, a partir do próprio ato declaratório. Sobrevém o acórdão no. 0815.870 de 27/07/2009, fls.2193/2236, assim ementado: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 11 11 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003 IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Declarada em ato próprio expedido pela autoridade administrativa competente a suspensão da imunidade tributária a que faria jus a instituição submetida a procedimento fiscal, a entidade sem fins lucrativos que não tiver preenchido os requisitos legais para usufruir do referido benefício fiscal, fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E PESQUISA CRIADAS POR AUTORIZAÇÃO DE LEI FEDERAL. Somente são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL as doações efetuadas às instituições de ensino e pesquisa, cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição. GLOSA DE DESPESAS. DOAÇÕES. Correta a glosa das despesas efetuadas com doações, quando o sujeito passivo não comprova haver atendido às exigências contidas no art. 13, §2º, da Lei nº 9.249/1995. DESPESAS DEDUTÍVEIS. À luz da legislação fiscal em vigor, serão dedutíveis as despesas que, além de, estarem comprovadas por documentos hábeis e idôneos, forem normais, usuais e necessárias para a percepção dos rendimentos ou manutenção da fonte pagadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, exceto quanto às especificidades intrínsecas às contribuições sociais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não estando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, comutase a multa qualificada de 150% para o percentual normal de 75%. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002, 2003 PEDIDOS DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 12 12 A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DA DRF A notificação fiscal é expedida ainda no âmbito da fase fiscalizatória, e a reclamação do contribuinte prestase a assegurar mais eficiência ao controle processual da Administração Pública. Ambas são atos meramente preparatórios, previamente à decisão do Delegado, autoridade competente para a expedição do Ato Declaratório de suspensão, cuja decisão em que se consubstanciou sua expedição adentrou em todos os pontos atacados pelo contribuinte em sua reclamação, não acarretando prejuízo algum ao seu direito de defesa, uma vez que ali estão contidos todos os motivos pelos quais se deu a suspensão da imunidade. OUVIDA DE TESTEMUNHA. Não há previsão, no rito do julgamento do processo administrativo fiscal, para realização de audiência de instrução, visando à oitiva de testemunhas. Aludida ação probatória, no âmbito do PAF, deve ser concebida sob forma de declaração escrita, a ser apresentada no momento da propositura da impugnação. ACORDAM os Membros da Quarta Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em: a) REJEITAR a preliminar de nulidade levantada pelo contribuinte; b) INDEFERIR os pedidos de perícia, apresentação posterior de prova e ouvida de testemunha, efetuados pelo impugnante; c) no mérito, considerar PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO para: c.1) considerar devidos o IRPJ no valor de R$ 1.153.005,80, a CSLL no valor de R$ 425.882,07, o IRRF no valor de R$ 331.331,53, a Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 1.086.56 e a COFINS, no valor de R$ 2.502,39; c.2) exonerar o IRPJ no valor de R$ 137.257,22, a CSLL no valor de R$ 49.412,59 e o IRRF no valor de R$363.491,81; c.3) comutar a multa aplicada pela fiscalização de 150% pela multa de ofício de 75%. (...) Recorrese de ofício, quanto à parte exonerada da multa de ofício. Ciente, em 01/09/2009, fls.2254, irresignada a Contribuinte interpõe o recurso voluntário de fls.2257/2293, em 25/09/2009, onde repete que já na impugnação demonstrara a improcedência dos lançamentos porque tem direito à. imunidade tributária, nos termos do art. 14, do CTN. Ali igualmente afirmara que o Ato Declaratório através do qual se Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 13 13 pretendeu suspender o seu direito ao gozo dessa imunidade é nulo, pois implicou no brutal cerceamento ao seu direito de defesa ao impedir a realização de prova pericial técnica, através da qual provaria o acerto de seus procedimentos e registros contábeis. Informa que as suas razões impugnatórias não se utilizaram de expressões injuriosas, conforme consignado na decisão recorrida. Diz que não houve a intenção de ofender ninguém e que as referências ao fato de a fiscalização ter feito um exame superficial dos documentos são muito comuns nos meios forenses, merecendo destaque o fato de que, no caso, tal superficialidade não só foi apontada como também restou demonstrada na impugnação. Aponta que a utilização de expressão injuriosa se deu quando lhe foi imputada a qualificação da multa.Prova estaria no provimento concedido para afastar tal gravame. Deste modo, nada haveria para ser riscado (pedagogicamente ou não) na impugnação que apresentou. Repisa a preliminar de nulidade do Ato de Suspensão da Imunidade, também por cerceamento do seu direito de defesa e por falta de oportunidade de oferecer defesa útil no procedimento inicial. Propugna pela realização de perícia, por entender que o trabalho fiscal é insuficiente para retirarlhe o direito a imunidade.Aponta decisão do Tribunal Regional Federal da 1a.Região na qual a prova pericial é destacada para o deslinde de questão relacionada ao atendimento dos requisitos legais exigidos para o gozo da imunidade tributária: (AG 2000.01.00.0422360/DF, Rel. Juiz Luciano Tolentino Amaral, Terceira Turma, DJ de 12/04/2002, p.71) – cópia anexa. Complementa que a liberdade da autoridade julgadora na apreciação do pedido de realização de diligências não pode ser confundida com o arbítrio. Há de ser exercida em harmonia com os princípios de Direito e sem criar conflito com as demais normas do ordenamento jurídico, especialmente com os princípios da ampla defesa e da legalidade tributária. Quanto ao mérito, para manter a suspensão da imunidade e por conseqüência os lançamentos dai decorrentes, a decisão recorrida adotara os mesmos argumentos utilizados pelos fiscais autuantes, sem qualquer outro fundamento, limitandose a considerar não comprovados os argumentos apresentados em sede de impugnação. Pede vênia para repisálos em especial os itens. 4.7,4.8, 4.9,:4.10, todos referentes a insubsistência do ato declaratório. Argui que as supostas irregularidades partiriam da evidente disposição de lhe negar a possibilidade de funcionar como uma instituição educacional vinculada e que presta apoio à Universidade Estadual Vale do Acarau— UVA, que é uma Fundação do Estado do Ceará.pois seriam apenas essas "irregularidades", também, que motivaram a indevida glosa de inúmeras despesas, por parte dos autos de infração aqui recorridos, conforme seria explicado no momento oportuno. Completa que para bem desenvolver sua missão de apoiar as atividades da Universidade Estadual Vale do Acarau UVA, o IVA firmou um convênio de cooperação interinstitucional (doc. 02), cujo objetivo está claramente definido em sua Clausula Primeira, que trata da cooperação mútua entre os convenentes para desenvolvimento da educação. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 14 14 Além da previsão estatutária o IVA é reconhecido como instituição educacional pelo próprio Conselho de Educação do Ceará, desde o seu inicio, conforme demonstra o Parecer n° 1198/98, de 17.12.98 (doc. 03), credenciado para educar jovens e adultos, na modalidade ‘Supletivo’ ensino médio, portando os respectivos certificados de credenciamento e de reconhecimento emitidos pelo CEC na mesma data. Declaração do mesmo Conselho, de 18 de maio de 2000, assinada pelo seu Presidente (doc. 04) da impugnação, referenda o credenciamento do IVA e o autoriza a funcionar como órgão de apoio no gerenciamento dos Cursos de Pedagogia em Regime Especial da Universidade Estadual Vale do AcarauUVA. Através do Parecer de no. 0877/2005 (doc. 05), de 14.12.2005 foi aprovado pela Câmara de Educação Superior e Profissional do Conselho de Educação do Ceará, o funcionamento do Centro de Educação TécnicoProfissional —CETEP, do qual o IVA é a instituição mantenedora. O IVA é autorizado a ministrar, os cursos técnicos em enfermagem e segurança do trabalho (nível médio), na cidade de Sobral , até 31 de dezembro de 2010. Depois dos questionamentos levantados pelo agente fiscal, o IVA solicitou em 16 de maio de 2007, ao Presidente do Conselho de Educação do Ceará, que certificasse a posição daquele Conselho a respeito da sua posição como entidade de caráter educacional. A resposta é positiva (em 17 de maio de 2007, conforme Declaração anexa – doc.06). Além do seu credenciamento junto ao Conselho de Educação do Ceará, e do convênio que mantém com a Universidade Estadual Vale do Acarau — UVA, o IVA já estabeleceu outros convênios com respeitáveis instituições de educação do Ceará, como é o caso da Universidade Federal do Ceará — UFC e do CETREDE (doc. 07). Tais convênios têm como objeto a capacitação de professores da rede de ensino pública e particular, através do Curso de Pedagogia em Regime Especial. Aponta os convênios firmados com o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará e a Escola Superior de Magistratura do Estado do Ceará — ESMEC (doc. 08),para a realização de cursos de pósgraduação lato sensu em Direito; e com a Prefeitura Municipal de Fortaleza (doc. 09), com o objetivo de formar o profissional de educação do município de Fortaleza, através do Curso de Pedagogia em Regime Especial.(Além dos convênios firmados com várias Prefeituras do Estado do Ceará, para a realização do curso de Pedagogia em Regime Especial, todos executados pelo IVA e com a chancela da UVA). Afirma que sua contabilidade atende aos princípios geralmente aceitos e bem demonstra o seu resultado, assim como indica que não distribuiu lucro ou patrimônio, aplicando os seus recursos financeiros de forma completa e integral na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Repete, em seguida, a insubsistência de cada um dos fundamentos utilizados em apoio ao ato que suspendeu a sua imunidade, discorre sobre a regularidade dos documentos que respaldaram sua contabilidade, Aponta “EQUÍVOCOS ESPECÍFICOS DO AUTO DE INFRAÇÃO“, como motivo adicionais aqueles expendidos em relação ao ato declaratório,porque os valores objeto do lançamento incorrem em uma série de equívocos, os quais reuniu em grupos, e apresentou conforme segue : a) Das receitas supostamente nãocontabilizadas Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 15 15 5.3. A primeira acusação feita nos autos de infração, ultrapassada a questão da imunidade, é a de que o instituto autuado teria deixado de escriturar certas despesas.(sic) Trata se do tópico "receitas não contabilizadas", que se inicia na página 2 do "termo de verificação fiscal". 5.4. No item 2.1.1., o fiscal afirma que o instituto teria deixado de contabilizar as receitas auferidas pelo Hotel Vila Real, o que, todavia, não é verdade. Tais receitas foram sim contabilizadas. Ocorre que, por um erro de digitação, foi registrado o crédito como referindose A conta "taxa alunos sobral" e A conta "iva/magister", tendo a conta "taxa alunos hotel" ficado zerada por conta desse pequeno equivoco. Entretanto, o que importa é que as receitas foram contabilizadas (ainda que em conta equivocada), e compuseram o resultado do exercício, conforme o demonstra a documentação anexa (doc. 25 e 29) 5.5. Em seguida, nos itens 2.1.2 (anocalendário 2002) e 2.2.1 (ano calendário 2003), o fiscal afirma que não teriam sido contabilizadas receitas relativas ao aluguel de imóveis pelo instituto impugnante. Mais uma vez incorre em equivoco, decorrente da superficialidade com que examinou a documentação fiscal que lhe foi apresentada. Na verdade, as receitas de aluguéis foram todas contabilizadas, conforme demonstra a documentação anexa, inclusive declaração da administradora/agenciadora da locação dos imóveis (doc. 30),tendo havido apenas pequeno equivoco quanto à conta na qual foram lançadas. Tanto que os valores mencionados na documentação anexa correspondem, até nos centavos, com aqueles devidamente contabilizados pelo IVA, ainda que em outra conta (relativa ao recebimento de mensalidades). Da glosa de despesas 5.6. Em seguida, o ilustre fiscal passou a glosar diversas despesas efetivamente suportadas pelo instituto autuado – e que deveriam ser consideradas na formação de seu resultado anual – sob o argumento de que não estariam comprovadas ou não seriam dedutíveis. 5.7. Mais uma vez equivocouse o fiscal. a) quanto à Rádio Universitária a.1. 0 primeiro bloco de despesas glosadas pela fiscalização referese a pagamentos feitos à Hidros Comunicações Ltda., em face do arrendamento, feito entre o IVA e a mencionada pessoa jurídica, de uma Rádio Universitária. a.2. Aduz o fiscal que os contratos não teriam cumprido certas formalidades, como registro em cartório, autorização do Ministério das Comunicações. Alega ainda, para glosar essas despesas, que as notas fiscais que as comprovam referemse genericamente a "manutenção da radio", "manutenção do pessoal" e "encargos da rádio". Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 16 16 a.3. Ora,o instituto autuado já explicou, nesta peça, no que consiste a citada rádio, não sendo o caso de repetir tudo aqui.O que importa, no caso, é que tais despesas aconteceram sim, conforme atesta a documentação anexa, que nada tem de genérica.A maior parte dos pagamentos referese aos tributos devidos pela rádio, que foram todos pagos (doc. 31). a.4. Não se pode dizer, por outro lado, que tal rádio estaria a fugir dos objetivos institucionais do autuado. Nada disso. Através dela — que no período funcionava exclusivamente em favor e proveito do próprio IVA e da UVA — veiculavamse informações tais como: programação cultural; resultados de concursos e vestibulares; previsão de novos cursos etc. Tratase, portanto, de despesa plenamente dedutível, e aqui à saciedade comprovada, nada justificando sua glosa. b) quanto A ASPECE b. 1.O fiscal glosou também despesas havidas com a Associação de Apoio e Promoção da Educação do Estado do Ceará, não obstante toda comprovada documentalmente, apenas porque nas notas fiscais constaria referência genérica à expressão "pagamento de professores". b.2. No entender do autuante, seria necessário "saber quem são esses professores e se realmente foram pagos", conforme consta da página 6, item 3.1.2, do termo de verificação fiscal. b.3. Ora, tivesse ele examinado a documentação que lhe fora franqueada com um pouco mais de atenção, teria conferido todas as informações que indevidamente considerou faltantes. O autuado traz aos autos, a titulo de exemplo, a relação das notas fiscais glosadas pelo fiscal — por suposta falta de detalhamento —acompanhada da documentação que identificada cada um dos professores, a quantia recebida por eles, os tributos incidentes sobre essa remuneração e sua retenção, e a que titulo esse pagamento aconteceu. (doc. 32). b.4. A documentação anexa, frisese esse aspecto, é em alguns casos meramente exemplificativa do tamanho dos equívocos praticados pelo ilustre fiscal. Mostra que a prova dos fatos que ele afirma não provados seja a contabilização de certas receitas, seja a veracidade e a dedutibilidade de certas despesas – foi feita, sendo descabida, também por isso, a autuação. Imprescindível, porém, que seja ratificada por uma perícia, desde logo requerida, que responda os quesitos que mais adiante serão formulados. c) CONTE Contabilidade c. 1. Outra despesa indevidamente glosada pela fiscalização diz respeito aos pagamentos feitos à pessoa. jurídica "Conte Contabilidade". Segundo o fiscal, "três coisas" teriam chamado a sua atenção (item 3.1.3 do termo de verificação fiscal, pagina 7), a saber: i) o fato de o comprovante de pagamento ser apenas Fl. 16DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 17 17 um recibo; ii) o fato de a empresa Conte haver sido considerada inapta; iii) a Ultima declaração de imposto de renda apresentada por Contecontabilidade deuse há mais de quinze anos. c.2. Ora, nenhuma dessas supostas irregularidades prejudica a autenticidade da despesa, e sua dedutibilidade. O instituto autuado não tem poder de fiscalização, para verificar se aqueles que lhe prestam serviços estão em situação irregular ou não.O que importa, no caso, é que o serviço foi prestado, e pago. É o que basta para que a despesa seja dedutível, não podendo o IVA responder por alegada infração que não praticou e para a qual não deu causa, e que, se efetivamente ocorrida, seria de exclusiva responsabilidade da tal ConteContabilidade. c.3. A documentação anexa (doc. 33) demonstra não só a celebração de convênio entre o IVA e a citada pessoa jurídica, mas a efetiva prestação do serviço por parte dela, como se vê dos DARFs anexos, o que deixa fora de dúvida a ocorrência da despesa, e sua total vinculação com as atividades do Instituto. d) despesas com viagens de professores d.l. Outra despesa indevidamente glosada, no caso, foi a havida com pagamento de passagens pelo IVA, algo extremamente normal e diretamente ligado as suas finalidades institucionais. d.2. Como se sabe, o IVA mantém, em convênio com a UVA ou com outras entidades de educação, cursos de nível técnico, médio, superior e de pósgraduação, em diversos pontos do Ceará. E, nessa condição, arca com as despesas de transporte dos professores, inclusive custeando a vinda de professores de outros centros, oriundos de outros Estados o pais. E não se pode dizer que tais passagens não sejam necessárias, não podendo, por isso, ser glosadas. f) IEPST f. 1 . Também glosadas de forma indevida pela fiscalização, as despesas havidas no IVA com o pagamento ao Instituto de Estudos e Pesquisas Santa Terezinha estão devidamente comprovadas e justificadas. f.2. Para desconsiderálas, a fiscalização prendeuse em aspectos meramente formais, que chegam a ser ridículos. Tudo porque em algumas teria faltado a data, e, em outras, a emissão teria ocorrido após o "vencimento" das notas. No mais, aduz apenas alegadas irregularidades formais que teriam sido praticadas pelo IEPST, pelas quais, se verdadeiras forem, o IVA digase de passagem – não pode de modo algum ser responsabilizado. f.3. De qualquer modo, o que importa, mais uma vez, é a efetiva ocorrência das despesas, e a sua ligação com as atividades essenciais e institucionais do autuado. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 18 18 f.4. Tais despesas — a documentação ora anexada (doc. 34) o comprova à saciedade — dizem respeito ao serviço de Assessoria e Coordenação, prestado pelo IEPST, em relação ao curso de pedagogia em regime especial mantido em convênio entre o IVA, a UVA e o Colégio Frei Gil, em Imperatriz do Maranhão. f.5. Tratase de curso aprovado pelo Conselho de Educação do Estado do Maranhão, estando os documentos anexos a provar não só que o curso foi prestado, em Imperatriz (MA), mas que os tributos a ele relativos foram recolhidos, e que os alunos se formaram regularmente. f.6. Não poderia, data venha, haver prova mais cabal da ocorrência da despesa, e de sua ligação com os fins do IVA, do que a prova de que o curso a ela relativo existiu e formou alunos, sendo um equivoco, portanto, a sua glosa. g) despesa com combustível g.1 . Outra despesa indevidamente glosada deuse em relação aos gastos com aquisição de combustível, aspecto já explicado no item dedicado à imunidade tributária. g.2. O IVA possuía, na época dos fatos, veículos a diesel, e os utilizada na consecução de seus fins. Nada justifica, pois, a glosa da despesa. g.3. O fiscal alega, para tanto, apenas que não teria sido indicado qual veículo teria usado o combustível. g.4. Ora, já foi acima explicado que, em 2002, o IVA possuía uma Hylux e uma S10, ambas a diesel, tendo sido com elas, e com alguns carros alugados à época, que o combustível fora utilizado. Isso faz cair por terra, data vênia, o fundamento usado para a glosa. h) Contribuições e doações h.l. Consegue ser ainda mais descabido, se é que isto ainda é possível, o item do termo de verificação fiscal — que fundamenta os autos de infração aqui impugnados — que se reporta a doações e contribuições feitas pelo IVA e que não seriam dedutíveis. h.2. Tais doações e contribuições, em sua imensa maioria, têm como beneficiária a Universidade Estadual Vale do Acaraú — UVA. h.3. Ora, é evidente que a doação feita a uma instituição que, além de imune, integra a própria Administração Pública do Estado do Ceara, é dedutível do imposto de renda. h.4. Com efeito, alem de poderem ser enquadradas no art.365 do RIR, tais doações estão diretamente ligadas aos objetivos institucionais do IVA, eis que muitos dos cursos mantidos por este instituto são prestados em convênio com a UVA e com o uso Fl. 18DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 19 19 de suas instalações. Aliás, a UVA — esse dado deve ser enfatizado— é entidade do tipo que a lei determina seja destinado todo o patrimônio do IVA, no caso de encerramento de suas atividades (Lei n. 9.532/97, art.12, § 2°, "g"). h.5. Por outro lado, tais doações mostram – até mais não poder – que o IVA realmente é uma instituição sem fins lucrativos, criado como forma de dar flexibilidade e condições de sobrevivência A UVA. h.6. A vinculação dessas doações com as finalidades essenciais do IVA está devidamente demonstrada no capitulo desta peça dedicado A imunidade tributária, não sendo o caso de repetir tudo aqui. Merece referência, apenas, o fato de que os serviços advocatícios contratados pelo IVA, mencionados nas páginas 38 do termo de verificação fiscal, não beneficiaram apenas a UVA — o que já seria suficiente para justificálos — mas também o IVA, eis que os serviços advocatícios foram prestados também a este instituto. i) Construção e acusações do Jornal "O Noroeste" i.l. Finalmente, no que toca às doações e contribuições supostamente não dedutíveis, o fiscal põe em dúvida a higidez de um contrato de prestação de serviços de construção civil celebrado com a Construtora Rodrigues de Sousa Ltda. Em sua visão, tal despesa, além de haver aproveitado A UVA e não ao IVA, estaria cercada de dúvidas quanto A sua efetiva ocorrência. i.2. É neste ponto, com o máximo de respeito, que o ilustre agente fiscal deixa transparecer a real motivação de sua perseguição ao instituto autuado. De fato, ele se reporta, na página 43, a denúncias que teriam sido feitas pelo Jornal "O Noroeste", pelo Sr. Hamilton Furtado. Foram essas calúnias, veiculadas levianamente no citado jornal, que levaram o agente fiscal, impressionado com tais mentiras, a lavrar de forma apaixonada e cega – os autos de infração de que se cuida. i.3. É importante que se diga que as tais denúncias — que eram e são completamente infundadas — motivaram a propositura de ação judicial — queixa crime pela prática de crime de imprensa— a qual teve seus pedidos julgados PROCEDENTES, com a condenação do ilustre proprietário daquele Jornal. (doc. 35) i.4. E não é só isso.O próprio dono do jornal, autor das descabidas calúnias que parecem ter impressionado o agente fiscal— retratouse, enviando ao então reitor da UVA a correspondência anexa. (doc. 36) i.5. Na verdade, independentemente de eventuais irregularidades que tenham sido praticadas pela empresa de construção civil contratada pelo IVA — irregularidades das quais ele não participou, das quais não tinha como ter conhecimento e em relação As quais nada poderia fazer — o que importa é que tais construções foram feitas, tendo a despesa sido efetiva. Não se Fl. 19DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 20 20 justifica, por isso, a sua glosa, conforme demonstra a documentação anexa. (doc. 37) i.6. Além de ter efetivamente ocorrido, a despesa deuse na construção de auditório, área de lazer e depósito de carteiras, imóvel que está inteiramente relacionado As finalidades estatutárias do IVA e que é empregado em cursos, palestras ou seminários por ele mantidos e ou ministrados, na consecução de seus fins institucionais. i.7. Assim, tendo a despesa efetivamente acontecido, e estando ela plenamente relacionada aos fins do IVA, não poderia ter sido, como foi, glosada pela fiscalização. Do IRFonte pela alíquota de 35% 5.8. Demonstrada a ocorrência das despesas indevidamente glosadas pela fiscalização, e a sua necessidade, temse que as mesmas devem ser consideradas na formação do resultado do instituto autuado, tornando indevidos, também por isso, o IRPJ e a CSLL exigidos em função da descabida glosa. 5.9. Mas não só. Comprovada a despesa, nada justifica, também, a tributação das mesmas pelo IRFonte, pela alíquota de 35%, como se tratasse de pagamento a beneficiário não identificado. Não se trata disso, e a documentação que ora se traz aos autos demonstra muito bem o beneficiário de cada um dos pagamentos, devendo o lançamento, também neste ponto, ser desconstituído. 8.3 É clara a improcedência da exigência de que se cuida. 9. Dos pedidos 9.1 Reitera o pedido para prova o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela realização de uma perícia técnica e pela juntada posterior de documentos, nos termos postos na impugnação. Pede, ao final que seu recurso seja provido. Por redistribuição recebo os autos para relato, tendo em vista o sorteio que me destinou o processo. 13312.000242/200714, que na sessão de janeiro veio a julgamento e foi retirado de pauta para ser julgado em conjunto com este. Despacho de fls.2297 encaminha os autos para julgamento, atestando sua tempestividade. Da tribuna, o patrono da Recorrente arguiu matéria de ordem pública e pediu a contagem da decadência, nos moldes do § 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Após sucessivos pedidos de vista, os autos vão a julgamento. Este é relatório. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 21 21 Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, em decorrência da suspensão de imunidade declarada no ADE nº 9, de 01/08/2007, expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em SobralCE, pela inobservância do disposto no art. 14, incisos I e II, da Lei nº 5.172/66 (CTN), bem como das alíneas “a” e “d”, do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97.(Objeto do PAT nº 13312.000242/200714 cujo julgamento a este antecede). O processo seguiu o rito determinado no artigo 32, e parágrafos, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que trata da suspensão de imunidade e seus efeitos. A exigência se faz, nos anos calendários de 2002 e 2003, em síntese, para: a)IRPJ, por omissão de receitas – receitas não contabilizadas;custos ou despesas não comprovadas – glosa de despesas Contribuições e doações com inobservância dos requisitos legais, despesas indedutíveis, resultados operacionais não declarados – lucros não tributados (fls.338/358); b) PIS – Omissão de Receita Incidência nãocumulativa, apuração reflexa, fls.359/366; c) COFINS – Omissão de receitas (folhas 367/373); d) CSLL – falta de recolhimento (folhas 374/390); e) IRRF – pagamento a beneficiários sem causa (folhas 391/399); Há remessa necessária e recurso voluntário. No tocante à remessa necessária o acórdão recorrido assim decidiu: c.2) exonerar o IRPJ no valor de R$ 137.257,22, a CSLL no valor de R$ 49.412,59 e o IRRF no valor de R$363.491,81; c.3) comutar a multa aplicada pela fiscalização de 150% pela multa de ofício de 75%. A exoneração se processa sobre o item das despesas não comprovadas na fase inquisitória e que na impugnação as provas apresentadas foram julgadas suficientes para justificálas,sob os seguintes fundamentos: Associação de Apoio e Promoção da Educação do Estado do Ceará: Neste item a fiscalização aponta que houve repasse da entidade a esta associação, conforme notas conforme (folhas 354/363, e 564/587 anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. Folhas do processo nº 13312.000242/200714), no valor total de R$ 427.218,19 e R$ 718.614,06, respectivamente. Valores relacionados a pagamentos de aulas para alunos matriculados em Fl. 21DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 22 22 diversos cursos da Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA, as quais não se fizeram acompanhar por documentação complementar, que identificasse os beneficiários de tais pagamentos, bem como vinculasse tais pagamentos com as suas atividades. Em sede de impugnação são apresentados os documentos de fls. 1355/1640, relativos às notas fiscais enumeradas à folha 1355, para as quais os pagamentos foram efetuados, os quais comprovaram, em parte, a realização das despesas. As notas fiscais foram acompanhadas da relação de professores beneficiados, a saber; Fato Gerador Valor (R$) Nota Fiscal Doc. Folhas 30/06/2002 60.472,44 000099 1356/1366 Total trimestre 60.472,44 31/12/2002 72.315,90 000110 1368/1409 31/12/2002 75.605,94 000111 1411/1422 Total trimestre 147.921,84 31/03/2003 59.492,95 000118 1571/1610 31/03/2003 63.355,50 000119 1612/1624 Total trimestre 122.848,45 30/06/2003 72.108,75 000122 1626/1640 30/06/2003 67.525,95 000126 1739/1790 Total trimestre 139.634,70 30/09/2003 99.615,60 000127 1792/1834 Total trimestre 99.615,60 31/12/2003 68.882,70 000129 1939/1983 31/12/2003 69.606,30 000135 1986/2033 31/12/2003 62.511,00 000140 2037/2080 Total trimestre 201.000,00 TOTAL 771.493,03 Como se trata de matéria de fato e a prova documental foi tempestivamente juntada, correta a exoneração procedida pela autoridade julgadora, neste item. Quanto ao item referente ao recolhimento do Imposto De Renda Na Fonte Sobre Pagamentos Sem Causa Ou De Operação Não Comprovada, foram considerados os valores de fls.392/393. Aqui também se tratou de matéria de fato (prova) da efetividade do dispêndio e da causa do pagamento.Neste item é considerado correto parte desses pagamentos, onde a autoridade recorrente assim se pronuncia : (...) No presente caso, o contribuinte apenas comprovou a causa de parte dos pagamentos efetuados à Associação de Apoio e Promoção da Educação do Estado do Ceará, correspondentes às notas fiscais identificadas na Tabela 9, acima. Portanto, apenas em relação a estas deve ser exonerado o imposto. Logo, os valores correspondentes aos fatos geradores identificados na tabela a seguir devem ser considerados improcedentes: Fl. 22DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 23 23 Fato Gerador Imposto Apurado a ser exonerado (R$) Nota fiscal / folha Valor corresp. Na tabela 9 23/05/2002 28.491,82 000099 / 1356 60.472,44 31/10/2002 34.071,91 000110 / 1367 72.315,90 14/11/2002 35.622,03 000111 / 1410 75.605,94 19/02/2003 (*) 28.030,33 000118 / 1570 59.492,95 24/03/2003 29.850,18 000119 / 1611 63.355,50 24/04/2003 33.974,31 000122 / 1625 72.108,75 26/06/2003 (**) 31.815,12 000126 / 1738 67.525,95 17/07/2003 46.934,27 000127 / 1791 99.615,60 25/08/2003 (***) 32.454,30 000129 / 1936 68.882,70 24/10/2003 32.795,28 000135 / 1984 69.606,30 11/11/2003 29.452,29 000140 / 2034 62.511,00 Total 363.491,84 (*) valor lançado: 44.604,19 (= 28.030,33 + 16.573,76); (**) valor lançado: 45.016,80 (= 31.815,12 + 13.201,68); (***) valor lançado: 38.518,50 (= 32.454,30 + 6.064,20). Assim, exonerase o valor de R$ 363.491,84 lançado a título de IRRF sobre pagamento sem causa ou operação não comprovada em virtude de o contribuinte ter apresentado a comprovação em sua impugnação. Também neste item tem razão a autoridade Recorrente. No tocante à qualificação da multa, entendeu a autoridade “a quo” pelo não cabimento da mesma, porque não se encontrava nos autos o dolo específico tipificador da conduta. Aqui igualmente correta a decisão quando aponta que todos os elementos utilizados para realizar o lançamento foram colhidos na contabilidade da Contribuinte e que a maior parte das divergências decorreram do enquadramento jurídico ou contábil dos fatos, mas não de sua própria ocorrência. Por isto correta a revisão do lançamento do IRPJ e da CSLL em face da redução do valor tributável das infrações imputadas. Ora se ratificam as exonerações do crédito tributário do IRRJ, CSLL e IRRF, na forma no voto recorrido. Por todos esses motivos NEGO provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário a Recorrente repisa as preliminares oferecidas, a partir da nulidade da decisão que determinou a expedição do Ato Declaratório de suspensão da sua imunidade. E, da tribuna, o Patrono suscitou a decadência do lançamento, com pedido da contagem do seu prazo, nos termos do parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Contudo, a partir da edição na Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, Fl. 23DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 24 24 as decisões desse órgão devem estar vinculadas à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quando reconhecidos os efeitos gerais do recurso repetitivo. Assim, em matéria de decadência, cabe seguir a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp nº 973.733/SC, de 12.08.2009, o qual traz a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 24DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 25 25 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Como os fatos geradores das obrigações tributárias ocorreram no decorrer do anocalendário de 2002 e 2003 (de 01/01/2002 a 31/12/2002 e 01/01/2003 a 31/12/2003), o lançamento mais antigo é o dia 28/02/2002. Assim, o 1o. dia do exercício seguinte é o dia 01/01/2003 e acrescido dos 5 anos , nos termos do inciso I do artigo 173, do Código Tributário, verificase como prazo final para constituição do crédito, o dia 01/01/2008, enquanto o lançamento foi cientificado, à Recorrente, em 31/10/2007. Portanto, o lançamento é tempestivo. No tocante às preliminares de nulidade, a Recorrente as oferece a partir da expedição do Ato Declaratório de suspensão da sua imunidade, sem instalação da perícia requerida na defesa apresentada contra o Termo de Notificação Fiscal, que no seu dizer representou cerceamento do seu direito de defesa. Todavia, não é demais lembrar que o contraditório, no processo administrativo fiscal, se instaura na impugnação. E o princípio inquisitório permite à autoridade lançadora realizar seu trabalho de lançamento sem oitiva da Contribuinte. O Termo de Notificação Fiscal até a edição do ato Declaratório é regulado pelo art. 32 da Lei nº 9.430/96, cujos dispositivos foram observados neste procedimento sem qualquer ofensa ao devido processo legal. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 26 26 Outra prova do cumprimento do devido processo legal se dá nas vastas razões oferecidas nos diversos momentos processuais, as quais apontam para a compreensão das irregularidades imputadas, e na defesa realizada de forma consistente. A contribuinte se pronunciou nos autos, nos momentos oportuno e se não logrou êxito é que seus argumentos não se subsumiram aos fatos. Não conseguem as razões oferecidas provar qualquer violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, descabendo, portanto, se falar em nulidade, do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. Quanto à falta de atendimento do seu pedido de perícia, com base no artigo 18 do Decreto 70235/1972, entendo desnecessária a providência. A realização de diligência ou perícia se presta para esclarecimento de matéria de fato e não de direito, como é o caso dos autos. Tanto no que tange a lavratura do ato declaratório, quanto em sede de impugnação, concluo que a realização de perícia em nada mudaria a situação dos fatos aqui abordados. Por isto prejudicada a indicação do assistente técnico e os quesitos oferecidos. Penso que os autos se encontram devidamente instruídos com os documentos necessários para embasar o meu convencimento. Tais documentos vieram aos autos tanto em decorrência da ação fiscal, quanto pela Contribuinte, quando da apresentação das suas razões impugnatórias. Tenho para mim que, o caso em exame prescinde de produção adicional de prova, seja esta documental ou pericial, uma vez que os fatos estão devidamente elucidados mediante os documentos acostados aos autos, cabendo sua análise à luz da legislação de regência para o deslinde da questão. Portanto, não prosperam as preliminares argüidas. Também a matéria referente à imunidade está superada, pois o processo 13312.000242/200714, que trata da suspensão de imunidade foi julgado através do acórdão 110200.499, de 03 de agosto de 2011 e está assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO — O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. PAF: NULIDADE DA DECISÃO/CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – O julgador não está obrigado a contestar, item por item, os argumentos expendidos pela parte Fl. 26DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 27 27 quando analisa a matéria de mérito. (STJ – Resp 652.422 – 2004/00990870) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691) PAF – DILIGENCIA – Tratandose de matéria de direito é prescindível a realização de diligência. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO As limitações ao poder de tributar estão elencadas no art. 150, VI, “c” da Constituição Federal, assim como no art. 195, § 7º, este para as contribuições sociais. O CTN também trata da limitação da cobrança de tributos de instituições sem fins lucrativos (artigo 9º, IV, “c” e § 1º e art. 14). Uma entidade para se desobrigar de sua carga fiscal deve agir estritamente dentro dos limites legais abordados. Ao Fisco cabe investigar se a interessada se enquadra no conceito de entidade sem fins lucrativos, de modo a merecer a desoneração fiscal. A configuração das receitas, o público alvo dos serviços prestados, o desvio de finalidade demonstram a inexistência de “instituição de educação”, no sentido em que foi colocado no texto constitucional. (...) No mérito A lide aqui tratada referese ao lançamento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, em decorrência da suspensão de imunidade declarada no ADE nº 9, de 01/08/2007, expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em SobralCE, pela inobservância do disposto no art. 14, incisos I e II, da Lei nº 5.172/66 (CTN), bem como das alíneas “a” e “d”, do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, confirmado neste Colegiado, através do. acórdão 110200.499, de 03 de agosto de 2011 , cuja ementa acima transcrevi. As razões de recurso reiteram as razões já apresentadas no processo anterior, vejase se a seguir: (Na análise de mérito, no tocante à análise das provas juntadas, utilizei parte dos argumentos da decisão recorrida, por bem definir o litígio: OMISSÃO DE RECEITAS/RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS – aqui a glosa se dá porque as provas juntadas na impugnação, não militaram a favor da Recorrente, com bem definido na decisão recorrida que abordou todas as notas , na forma seguinte: Às folhas 339/340 do presente processo encontramse os valores que a fiscalização apurou como fatos geradores do IRPJ por omissão de receitas. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal (folhas 402/457), nos meses de fevereiro e maio de 2002, foram emitidas notas fiscais (folhas 5010/5046 e 5126/5190 do processo nº 13312.000242/200714) como também, observando se o livro de movimentação do caixa (folhas 152/177), o Hotel Vila Real, nome de fantasia para sua filial de CNPJ 01.418.195/000238, teve movimentação naqueles meses. Ocorre que, conforme Livro Razão (folhas 847/2666 do processo nº 13312.000242/200714), estas receitas não foram contabilizadas. Também constatou o recebimento de alugueis nos anoscalendário 2002 e 2003, conforme documentos anexados às folhas 20/135 do presente processo, sem a escrituração da conta de receita respectiva. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 28 28 Em relação ao Hotel Vila Real, vem o contribuinte em suas alegações de defesa afirmar que as receitas foram contabilizadas por equívoco nas contas “taxa de alunos sobral” no ano calendário 2002 e “iva/magister”, no anocalendário 2003, apresentando os documentos “doc.29” (folhas 712/798). Analisandose os documentos acostados pelo contribuinte, tem se o seguinte para o anocalendário 2002: a) à folha 712 o contribuinte informa que a c/c 0514480, agencia 018 do antigo BEC é específica para o Hotel Vila Real e que nessa conta normalmente são creditadas todas as receitas com ele relacionadas, bem como que os lançamentos são feitos a débito dessa conta e a crédito da conta “Taxas de Alunos Hotel”, mas, em fevereiro/2002, o lançamento foi feito equivocadamente a crédito da conta “Taxas de Alunos Sobral e Região”; b) de fato, os lançamentos dos valores constantes no Livro Razão de fev/2002 da conta “ Banco do Estado do Ceará 51.4480” (folha 745) foram lançados a crédito da conta “ Taxas de Alunos Sobral e Região”; c) o lançamento levado a cabo pela fiscalização referese aos valores constantes do Livro Caixa (R$ 6.582,07) e das notas fiscais (R$ 3.599,32); d) o contribuinte não demonstrou, de forma inequívoca, a vinculação dos valores constantes no Livro Caixa com os constantes no Livro Razão na conta “Taxas de Alunos Sobral e Região”, nem tampouco a vinculação dos valores dessa última conta com as notas fiscais respectivas, de forma a caracterizar que os valores contabilizados na conta “Banco do Estado do Ceará 51.4480” são os mesmos que foram objeto do lançamento impugnado, o que seria imprescindível para sua desconstituição; e) mesmo assim, buscandose saber se os valores lançados pela fiscalização já estariam contabilizados, como afirma o contribuinte, tomese como exemplo o valor de R$ 180,00, referente à nota fiscal nº 280, constante da planilha apresentada pelo contribuinte (folha 714): cotejandoo com o extrato da conta 51.4480 do BEC no mês de fevereiro (folha 719), verifica se que não consta tal valor. No mesmo sentido, para o anocalendário 2003 não trouxe o contribuinte a vinculação clara entre os valores lançados e os contabilizados na conta “iva/magister”. A conclusão a que se chega é que o contribuinte não logrou comprovar, de forma indubitável, a improcedência do lançamento no concernente às receitas provenientes do Hotel Vila Real. Tratandose agora das receitas de aluguéis, a fiscalização constatou a inexistência, no Livro Razão, de conta relativa ao recebimento dessas receitas, embora exista confirmação de seu recebimento, nos anoscalendário 2002 e 2003. O contribuinte alega em sua defesa que as receitas foram contabilizadas em “conta relativa ao recebimento de mensalidade”, apresentando Fl. 28DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 29 29 o “doc. 30” como comprovação de sua afirmativa, ressaltando que, dentre os documentos, consta declaração da administradora/agenciadora da locação. O nomeado “doc. 30”, folhas 1022/1146, contém: a) declaração da empresa IMOSSIL – IMOBILIÁRIA SÃO SILVESTRE, PONTES E COELHO LTDA, de que os depósitos dos aluguéis, “no período de janeiro a dezembro de 2003” , foram efetuados na c/c nº 27.240X do Banco do Brasil, ag. 0085X; b) planilhas detalhando mês a mês os valores repassados (set/2002 a dez/2003) e c) recibos de depósito. Quanto às planilhas citadas no item “b”, a referente ao ano calendário 2003 (folhas 1023/1025) informa que o depósito foi efetuado na conta citada na declaração, mas a referente ao ano calendário 2002 (folha 1120), o depósito foi feito na c/c nº 18.0378, Banco do Brasil, Ag. 0085X, do Instituto Frota de Educação Cultura e Comunicação – IFEC. Ainda, com relação à planilha acostada pelo contribuinte referente ao anocalendário 2002, coincide com os valores colhidos pela fiscalização, por meio de intimação à imobiliária/administradora, às folhas 23/29, o que já não ocorre com os valores referentes ao anocalendário 2003, que se apresentam com algumas divergências, como por exemplo os relativos aos meses de janeiro, fevereiro e março. Importante ressaltar, que o contribuinte não especificou em qual conta as receitas estão contabilizadas, limitandose a afirmar que estariam contabilizadas em “conta relativa ao recebimento de mensalidade”. De toda sorte, efetuandose a pesquisa na conta “Taxas Alunos Sobral e Região” referente a set/2002, não foi localizado o valor de R$ 619,80, ou os valores individuais, R$ 304,80 e R$ 315,00 declarados pela imobiliária/administradora como tendo sido repassados para o IVA relativamente ao aluguel daquele período. De fato, o depósito bancário comprova que a receita foi repassada para o IVA, como afirma a administradora. Entretanto, não foi devidamente comprovado pelo contribuinte, como lhe cabia fazer, que os valores, que foram objeto do lançamento, transitaram pela conta de receita, indicando claramente qual conta, de forma a não deixar dúvida sobre suas alegações de defesa. Portanto, também em relação às receitas de aluguel não logrou comprovar ser o lançamento improcedente. A base legal do lançamento é o artigo 24 da Lei 9249/1996, (o parágrafo 2o. se aplica às exiigências reflexas) Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Fl. 29DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 30 30 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Dessa forma se confirma o procedimento fiscal, como originalmente concebido. GLOSA DE DESPESAS : As despesas realizadas pelas pessoas jurídicas podem ser dedutíveis e indedutíveis na apuração do lucro real . Dedutíveis são aquelas que se enquadram no comando do artigo 299 do RIR/99, necessárias às atividades da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora das receitas. O comando normativo é o seguinte: (...) "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n°4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2o.As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2o ) disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Impende notar que as despesas devem ser comprovadas, usuais e necessárias a percepção das receitas, a falta de qualquer um desses elementos, a dedutibilidade não se efetiva devendo ser observado o comando do artigo 249, inciso I do Decreto 3000/99 (RIR). Por isto ratifico a decisão combatida, neste item, porque especificou as despesas e os elementos que faltaram a sua efetivaçao, na ordem ali proposta: 2)GLOSA DE DESPESAS Sem comprovação da vinculação à atividade manutenção da rádio (Hidros Comunicação) no 2002(fls.344/345) – R$ 18.015,69 ano 2003(fls.643/650) – R$ 111.077,17 A fiscalização argüiu que o conteúdo das notas fiscais é muito genérico, Examinandose o “doc. 31”, verificase que, a despeito de conter documentação que poderia referirse a despesas referentes aos meses de junho a dezembro de 2003, não trouxe o contribuinte aos autos a perfeita identificação das despesas com as notas fiscais apuradas pela fiscalização, de forma a comprovar, de forma inequívoca a vinculação dos documentos com as respectivas notas, como lhe caberia fazêlo. Portanto, fica mantido o lançamento cujas despesas não foram comprovadas. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 31 31 Repasse Associação de Apoio e Promoção da Educ.Estado CE Pagamento a professores UVA c/nota , contudo sem especificação, ano 2002(fls.354/363) no valor de R$ 427.218,19 e no ano 2003(fls.564/587), no valor de R$ 718.614,06. (...) Afirma a fiscalização que o contribuinte repassou à associação de Apoio e Promoção da Educação do Estado do Ceará, conforme notas fiscais (folhas 354/363, e 564/587 anos calendário 2002 e 2003, respectivamente. Folhas do processo nº 13312.000242/200714), no valor total de R$ 427.218,19 e R$ 718.614,06, respectivamente, relacionados a pagamentos efetuados a professores que ministraram aulas para alunos matriculados em diversos cursos da Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA, acobertados por notas fiscais, sem comprovação por parte do contribuinte através de documentação complementar, discriminando os beneficiários de tais pagamentos, a fim de caracterizar o vínculo daqueles pagamentos com as suas atividades. Em sua impugnação, o contribuinte assevera que os documentos foram franqueados ao fiscal. A despeito desta afirmativa, a fiscalização, através do Termo de Intimação anexo às folhas 119/123, fez a solicitação dos referidos documentos, não sendo atendida pelo contribuinte. Contudo, em sua impugnação, o contribuinte apresentou os documentos às folhas 1355/1640, relativos às notas fiscais enumeradas à folha 1355, para as quais os pagamentos foram efetuados. Conferindose a documentação, concluise que resta comprovada a realização das despesas referentes às notas fiscais referenciadas na tabela a seguir, para as quais o contribuinte apresentou a relação dos professores. Por esta razão, exoneram se os valores a elas referentes. Ressaltese que em relação às notas fiscais nºs 000117 (folha 1423, documentos às folhas 1425/1569); 000125 (folha 1641, documentos às folhas 1643/1737) e 000128(folha 1835, documentos às folhas 1837/1935) não foram consideradas comprovadas, dado que o contribuinte apresentou apenas as listas de alunos, quando deveria apresentar a lista dos professores para os quais os pagamentos se referiam: (...) Analisando os documentos acostados às folhas 2081/2129 (doc. 33), verificase que o contribuinte anexou recibos, emitidos em papel timbrado do IVA e assinados pela ConteContabilidade, sem identificação do signatário, DARF de pagamentos com o CNPJ da Conte e relação de “alunos matriculados nos cursos de pósgraduação em administração escolar” e “alunos matriculados nos cursos de pósgraduação em metodologia do ensino fundamental e médio”. Vale citar que a empresa prestadora do serviço em questão foi considerada INAPTA OMISSA E NÃO LOCALIZADA. Dessa Fl. 31DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 32 32 forma, em razão dessa condição, para que o IVA possa fazer prova da autenticidade de sua despesa, é necessário comprovar o efetivo pagamento, o que não acontece com a simples apresentação do recibo, mas sim com a efetiva transferência dos recursos. Os recibos, inclusive, já foram objeto de análise pela fiscalização. A apresentação de lista de alunos, por si só, não comprova a prestação do serviço. Assim, não comprovado por parte do contribuinte a efetividade da despesa, mantémse a glosa levada a efeito pela fiscalização em relação à empresa ConteContabilidade. Despesas com Passagens/Hospedagem: A fiscalização glosou despesas com o pagamento de passagens aéreas às empresas Naja Turismo e Verano Agência de Viagens e Turismo, comprovadas por notas fiscais. Instado a se manifestar, o contribuinte alegou que as passagens serviram para o deslocamento de professores e convidados para cursos promovidos pelo IVA, de seus dirigentes/funcionários no exercício de suas atividades, mas não apresentou qualquer documento comprobatório. Na sua impugnação o contribuinte aduz que a despesa com passagens é “algo extremamente normal e diretamente ligado às suas finalidades institucionais”. Afirma que mantém convênio com outras entidades de educação, cursos de nível técnico, médio, superior e pósgraduação, em diversos pontos do Ceará e, nessa condição, afirma arcar com as despesas de transportes de professores, inclusive vindos de outros estados. Entretanto, não apresentou com sua impugnação nenhum documento que comprovasse suas alegações. Contudo, vale lembrar que quando da sua impugnação ao Ato Declaratório no processo nº 13312.000242/200714, apresentou o “doc.23”, com as mesmas alegações para as despesas com as compras das referidas passagens. Na análise depreendida naquele processo ficou claro que representavam irregularidades, na medida em que os documentos apresentados para comprovação e justificação das mesmas, só confirmaram que tal gasto não teve relação com as atividades do IVA, como ali se demonstrou. A seguir, transcrevese o trecho do voto elaborado naquele processo, dado que referemse às mesmas notas fiscais que foram objeto da glosa no presente processo: “Todas as autorizações para a emissão das passagens, assinadas pelo Reitor José Teodoro Soares, ou de sua ordem, constantes dos documentos anexados pelo contribuinte, no anexo “doc. 23” (folhas 1573/1619, do processo nº 10380.100377/200779, anexado a este), são decorrentes de interesse exclusivamente da Fundação Universidade Estadual Vale do Acaraú, não tendo nenhuma relação com o IVA, no que se refere à sua atuação como instituição de educação, apta a gozar da imunidade de acordo com os requisitos da Constituição combinados com os do Código Tributário Nacional. Não estão abrangidas também pelo convênio firmado entre as duas Fl. 32DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 33 33 instituições, como quer fazer crer o contribuinte, pelas razões já debatidas no item “a” acima. Para ilustrar o entendimento acima, tomese como exemplo os documentos a seguir (todas as folhas citadas são do processo nº 10380.100377/200779 anexado ao presente): à folha 1577, a Sra. Vadenize Tiziani solicita ao Reitor José Teodoro Soares a emissão de passagem para o trecho Fortaleza/Campinas/Fortaleza para “resolver assuntos pendentes, em função de minha mudança para o Estado do Ceará”, onde informa que aproveitará a oportunidade para fazer contatos de interesse da UVA. Tal documento foi encaminhado ao IVA para emissão do bilhete; à folha 1574, o Reitor José Teodoro Soares solicita ao presidente do IVA o pagamento de passagens e estada das conselheiras Ada Pimentel G. Fernandes Vieira e Iranita Sá para participar em BrasíliaDF do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação. À folha 1573, nota fiscal referente a despesas de sete diárias em hotel em Brasília, “já incluso todas as despesas extras” (grifouse). à folha 1604 a secretaria da reitoria da UVA solicita ao presidente do IVA a emissão de bilhetes aéreos para o Sr. José Mafrense de Sousa, Sra. Cynthia Medeiros e Sr. Gregório Maranguape Cunha para tratar de assunto de implantação da UVA em Goiás, implantação da UVA em Tocantins e assunto de interesse da UVA junto ao MEC, respectivamente. à folha 1608, o Reitor José Teodoro Soares solicita ao presidente do IVA a emissão de bilhetes aéreos para Dr. Edson Machado de Sousa para participar de Seminário sobre as Universidades Comunitárias promovido pela SESITECE. (...) Pagamento ao Instituto de Estudos e Pesquisa Santa Teresinha – IEPST: Também foi glosada pela fiscalização despesa com o pagamento ao Instituto de Estudos e Pesquisa Santa Teresinha IEPST no valor de R$ 30.000,00 (notas fiscais 007 e 009, folhas 394 e 396), através de depósito em conta bancária de pessoa estranha ao IEPST (esposa do seu presidente), sem a apresentação de convênio entre as duas instituições, nem a comprovação necessária dos serviços prestados. Afirma a autoridade administrativa que foi apurado pagamento de R$ 30.000,00 em duas parcelas de R$ 15.000,00 e que uma das parcelas foi depositada na conta de pessoa estranha ao Instituto de Estudos e Pesquisas Santa Teresinha e que o segundo se encontra acobertado apenas por um recibo, bem como os serviços a que se referem não foram devidamente acobertados por convênio ou contrato e que o IEPST declarou se inativo no período de prestação do serviço. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 34 34 Vem o contribuinte afirmar em sua defesa que firmou convênio com o IEPST para a realização de cursos, conforme indica a autorização do Conselho Estadual de Educação para o funcionamento do Curso de Pedagogia em Regime Especial e do Curso Especial de Formação Pedagógica, através do Colégio Frei Gil – mantido pelo IEPST em ImperatrizMa. Escreve ser irrelevante que o pagamento de parte da remuneração decorrente desse convênio tenha ocorrido através de cheque que foi depositada na conta corrente da esposa do Sr. Manuel Ferreira da Silva, presidente do IEPST, dado que se deu mediante expressa determinação do presidente do IEPST, que assinou o recibo respectivo (CPF n° 094.991.72300) e des taca que não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades cometidas pelos seus parceiros conveniados. Dos documentos acostados pelo contribuinte às folhas 2130/2147, inferese que o curso foi realizado pela UVA. Também, à folha 2131, observase que o pagamento de parte da despesa (referente à nota fiscal nº 0007, depósito em 07.01.2002) foi efetuado em nome de Rosa Maria Soares Silva, não podendo ser aceito como comprovação do pagamento. Já em relação ao pagamento referente à outra nota fiscal (nº 0009), consta recibo à folha 2133, sem identificação do emitente nem do signatário, como também não consta a comprovação do efetivo pagamento. Assim, mantémse a glosa também em relação a essas despesas. Pagamento ao Posto São Domingos: Foi glosada também despesa com o pagamento ao Posto São Domingos no valor de R$ 10.129,42, pelo abastecimento de óleo diesel e gasolina (notas fiscais às folhas 410/413, do processo 13312.000242/200714), sem a devida comprovação dos veículos destinatários da despesa, anotando a fiscalização que, à época da despesa o IVA não possuía nenhum veículo movido a óleo diesel. Em sua defesa esclarece o IVA que possuía no ano de 2002 os seguintes veículos à Diesel: Toyota Hylux cor preta, licença HWD 9896, adquirida em 2000 e Camioneta GM/S10 2.8 D 4X4 cabine dupla, licença HWG 3936, adquirida em 2000. Aduz também que além dos veículos próprios, o IVA a despesa referese também a carros alugados à época. Contudo, na lista de veículos fornecida pelo IVA à fiscalização (folha 416, do processo nº 13312.000242/200714), de fato consta a Camioneta GM S10 2.8d 4X4, não consta, entretanto, a Toyota Hylux citada em sua defesa. Todavia, o contribuinte limitouse a fazer a afirmação sem trazer aos autos a comprovação de suas alegações de defesa de forma a tornála inequívoca. Mantida, pois a glosa. Pagamento ao Sr. Luciano Clever de Mesquita e à empresa A.T. Projetos e Com. de Mat. de Construção: Fl. 34DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 35 35 Em sua impugnação o IVA não se manifesta expressamente sobre essa despesa glosada. Glosa mantida. CONTRIBUIÇÕES/DOAÇÕES COM INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS A fiscalização constatou que o IVA efetuou doações, que se encontram enumeradas na tabela 2, constante do relatório e, fundamentado no art. 13 da Lei nº 9.249/95, glosou todas estas doações na apuração do lucro real do IVA, por não estarem ali enquadradas. Defendese o contribuinte aduzindo que as doações não tiveram qualquer intuito de obtenção de lucro, representando atitudes de colaboração com iniciativas de apoio às comunidades carentes do estado, o que também é permitido pelo seu objetivo social. Em relação às doações para a Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, além de imune, integra a própria Administração Pública do Estado do Ceará, sendo dedutível do imposto de renda, que, além das doações se enquadrarem no art. 365 do RIR, estão diretamente ligadas aos objetivos institucionais do IVA, pois muitos cursos mantidos por ele são prestados em convênio com a UVA e com o uso de suas instalações. No seu entender, as doações mostram que o IVA é uma instituição sem fins lucrativos, criado como forma de dar mais flexibilidade e condições de sobrevivência à UVA. Afirma que a vinculação dessas doações com suas finalidades essenciais está devidamente demonstrada no capítulo referente à imunidade tributária, merecendo referência apenas o fato de que os serviços advocatícios contratados pelo IVA, mencionados na página 38 do Termo de Verificação Fiscal, não beneficiam apenas a UVA, o que, na sua concepção, já seria suficiente para justificálos, mas também a ele foram prestados. Nesse sentido, há que se trazer à colação o disposto no art. 13 da Lei nº 9.249/95, como segue: (...) Com relação às doações às entidades diversas, o IVA não trouxe aos autos nenhuma comprovação de que se encontram enquadradas nos requisitos do dispositivo legal acima. Já em relação à UVA, foram glosados, em alguns períodos, os valores relativos às doações feitas pelo IVA, em face de a fiscalização ter considerado mera liberalidade por parte do IVA, já que o convênio firmado entre as duas instituições não permitia tais repasses, bem como não se enquadram nos termos previstos no art. 365, inciso I, do Decreto 3.000/99 – RIR/99. No que se refere à possibilidade dessa liberalidade ser dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, a legislação fiscal, especificamente o art. 365 do RIR/99, que repete os mesmos comandos do art. 13 acima transcrito, dado que tem como matriz legal aquela lei. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 36 36 Como se denota, somente serão consideradas como despesas dedutíveis para a pessoa jurídica doadora, as doações a instituições de ensino que satisfaçam os requisitos do RIR/1999, art. 365. Não consta no processo comprovação de que a criação da UVA tenha sido autorizada por Lei Federal. Aponta a fiscalização que não foram apresentados documentos relativos às doações contabilizadas nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, outubro e novembro de 2002 e janeiro de 2003. Nem tampouco em sua impugnação o contribuinte os apresentou. Portanto, devem ser mantidas as glosas. As doações contabilizadas nos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2002, bem como as contabilizadas em junho e setembro de 2003, não estão amparadas pelo art. 13, inciso VI da Lei nº 9.249/98 e pelo art. 365 do RIR/99, dado que o contribuinte não comprovou ter a UVA sido autorizada por lei federal. Além desse fato, o contribuinte apresentou prejuízo operacional no 3º trimestre de 2002 (LALUR à folha 187) e 3º trimestre de 2003 (LALUR à folha 199). Portanto, devem ser mantidas as glosas e o lançamento do IRPJ em relação ao item CONTRIBUIÇÕES/DOAÇÕES COM INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS DEVE SER MANTIDO EM SUA TOTALIDADE. DESPESAS INDEDUTÍVEIS A fiscalização apurou despesas que considerou indedutíveis, quais sejam: gastos com a Universidade Estadual Vale do Acaraú, referenciados na Tabela 3 acima: a fiscalização glosou as despesas realizadas com a Universidade Vale do Acaraú, pelo fato dessa instituição não pertencer ao IVA, portanto não justificaria despesas com terceiros. Também, o convênio firmado entre as duas instituições não poderia ser justificativa, dado que tais despesas fugiram daquelas que se encontram ali previstos. Defendese o contribuinte afirmando: Primeiro. A própria fiscalização esclarece, conforme dispõe o convênio firmado em 1° de julho de 1996, o IVA poderia adquirir bens e equipamentos para a UVA (item 2.7 da cláusula segunda). a .7 Segundo. A fal ta de est ipulação expressa de um percentual (10%) para o repasse de participação, na verdade, indica apenas que a partir daquele convênio deixou de existir um limite fixo para essa participação da UVA sobre a receita do IVA. a.8 O Termo Aditivo a tais convênios, assinado em 17 de abril de 2001, em sua cláusula primeira, itens "a" e “d", não deixa qualquer dúvida sobre isso, estipulando que cabe ao IVA: Fl. 36DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 37 37 a) — Zelar pelo espaço físico, equipamentos e instalações da UVA que vier a utilizar, de forma a mantêlos em perfeito e normal funcionamento. d) Doar a UVA os equipamentos adquiridos durante a execução de seus planos e projetos, assim como fazer beneficiamento nas instalações físicas da UVA. a.9 Assim, restam total e inteiramente justificadas as aquisições e repasses enunciados nas alíneas "I" a "VI", do item 2a da Informação Fiscal. No que diz respeito ao convênio entre o IVA e a UVA, no qual se apóia para justificar a permanência das despesas na apuração do lucro real, é necessário verificar se referidas despesas enquadramse nos seus termos. Às folhas 42/44 do processo 13312.000242/200714, temos cópia do convênio firmado em 05/01/1998, alterado pelo aditivo às folhas 45/46 daquele mesmo processo. Ali, consta como competência do IVA: a) zelar pelo espaço físico, equipamentos e instalações da UVA que vier a utilizar, de forma a mantêlos em perfeito e normal funcionamento; b) contratar professores, instrutores e/ou técnicos quando da demanda de cursos para a utilização técnica pedagógica ou de serviços afins; c) efetuar pagamentos de professores, instrutores e/ou técnicos para a manutenção dos equipamentos e instalações utilizadas durante a execução de seus planos e projetos; d) doar à UVA os equipamentos adquiridos durante a execução de seus planos e projetos, assim como fazer beneficiamento nas instalações físicas da UVA; e) estabelecer planos de programas a serem executados em qualquer época do ano e f) encaminhar à UVA relatório ao término de cada exercício fiscal. Para que as despesas com a UVA sejam consideradas em consonância com o convênio, devem ter sido realizadas nos exatos termos ali previstos. Passando em vista os pagamentos enumerados na Tabela 3 alhures, não é difícil concluirse que nenhum deles pode ser relacionado com as suas finalidades. Senão vejamos alguns deles: a) pagamento à Construtora Rodrigues e Sousa Ltda para a construção de área de laser com estrutura espacial e piso industrial, reforma e ampliação do auditório central, acesso à garagem de carros oficiais, depósito de carteiras no Campus da Betânia, no valor de R$ 355.000,00. Impende citar que se mostra irrelevante o fato de ter o contribuinte apresentado documentos que possam vir a comprovar a efetiva prestação do serviço (a fiscalização constatou irregularidades quanto à construtora), visto que a obra realizada não tem relação com suas finalidades essenciais, nem está prevista no convênio, dado que não se pode conceber que, por exemplo, garagem de carros oficiais seja enquadrado como “instalações utilizadas durante a execução de seus planos e projetos” ; Fl. 37DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 38 38 b) pagamento à construtora ARCO Ltda, no valor de R$ 91.672,00. para construção de garagem para ônibus e carros da uva. Vale aqui a mesma observação feita para o item anterior; c) pagamento à A.T. Projetos e Com. De Mat. De Const. Ltda, no valor de R$ 23.166,62, para reforma da reitoria. É de se concluir que caso o IVA ministrasse aulas nas instalações da UVA, a reitoria estaria fora do conceito de “instalações utilizadas durante a execução de seus planos e projetos”; d) pagamento à construtora Ramalho Machado Ltda no valor de R$ 30.000,00 para reforma da reitoria da UVA em Fortaleza. Vale a mesma observação do item anterior; e) pagamento a Hardy Corretora e Adm. de Seguros Gerais Ltda no valor de R$ 6.472,47, referente a seguro de veículos pertencentes à UVA. Também não se vislumbra relação com os termos do convênio, o pagamento de seguro de veículos. Portanto, as despesas efetuadas pelo contribuinte com a UVA não preenchem os requisitos previstos no art. 365 do RIR/99, nem tampouco podem inserirse dentro dos limites estabelecidos no convênio firmado entre as duas instituições, devendo a glosa ser mantida. Vem acrescentar que, em relação aos serviços advocatícios contratados pelo IVA, mencionados na página 38 do Termo de Verificação Fiscal, não beneficiaram apenas a UVA (o que considera já ser suficiente para justificar), mas também o IVA, pois os serviços também teriam sido a ele prestados. O citado serviço referese ao pagamento apontado pela fiscalização ao escritório de advocacia Machado Advocacia Empresarial S/C Ltda, no valor de R$ 120.000,00. Observando se o documento à folha 525 do processo nº 13312.000242/2007 14, concluise com bastante clareza que os serviços foram prestados à Universidade Estadual Vale do Acaraú, pela simples leitura do trecho ali contido “(...) que a parcela final dos honorários prevista no PJ022/2000 firmado com essa universidade, será quitada pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Vale do Acaraú – IVA, da seguinte forma: R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) divididos em três parcelas (...)”. Grifos não constantes do original. O valor glosado pela fiscalização corresponde exatamente ao valor citado no documento transcrito. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. Mantida a glosa. distribuição de cestas básicas a empregados: pelo descumprimento do art. 13, § 1º, da Lei nº 9.249/95, já que aquele dispositivo determina que somente será dedutível se a distribuição for efetuada indistintamente a todos os empregados. Com efeito, o IVA, além de limitar pelo salário (inferior a R$ 400,00) também distribuiu para empregados que não são dos quadros do seus quadros, mas também da UVA. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 39 39 despesa contabilizada como “Conservação de prédios de terceiros”: estas despesas referemse à construção da ampliação da Casa do Idoso, em Limoeiro do Norte (CE). A defesa alega que a construção decorreu de intervenção de autoridade do governo do Estado, atendendo a pedido do bispo diocesano, e que teria havido contrapartida da diocese com cessão de salas de aula para realização de cursos pelo IVA. Não merece acolhida a tese da defesa, porque tal despesa definitivamente não tem relação direta com as atividades essenciais do IVA. Vale citar que um pedido de quem quer que seja não pode ser utilizado como justificativa para a realização de atos que ensejariam o descumprimento de seus objetivos estatutários. despesas com festas e comemorações: foram glosadas em cumprimento ao art. 249 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), por não serem dedutíveis. Defendese o contribuinte informando que as festas e comemorações decorrem, dentre outras, de seminários, encontros de trabalho, encerramento de cursos, todas dentro de seus objetivos institucionais e que foram eventos próprios a essa atividade acadêmica. Entretanto, o art. 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) dispõe: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Do dispositivo acima, é forçoso concluirse que não podem ser consideradas despesas com festas e comemorações como necessárias à atividade do IVA. Mantida a glosa. pagamento à Realce Editora Gráfica Ltda, referente ao trabalho de pesquisa, produção de texto, design gráfico, arte final, confecção e impressão do livro “Literatura Crítica do Reitor Teodoro Soares”, de autoria de José Arnaldo Silva dos Santos: a autoridade administrativa concluiu não ser compatível com os objetivos institucionais do IVA, além de ter apurado irregularidade no pagamento, afirmando que a transação ocorreu no sentido de encobrir a participação da empresa Expert Publicidade e Consultoria Ltda, cujo sócio é o Sr. José Arnaldo Silva dos Santos, autor do livro em questão. Defendese o contribuinte afirmando que a edição de um livro sobre literatura é atividade cultural e faz parte da atividade de ensino, bem como menciona que o valor dessa edição foi relativamente modesto e que a qualidade da obra é reconhecida. Afirma que sua produção foi por solicitação da UVA, com base no convênio, além de ressaltar o papel desempenhado pelo Sr. José Teodoro Soares. Nesse aspecto, não carece debate acerca da importância da edição da obra, mas tão somente verificarse as circunstâncias em que a despesa foi efetuada. Como afirma a defesa, foi com base no convênio entre a UVA e o IVA. Pelas razões já Fl. 39DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 40 40 amplamente debatidas linhas acima, não há cabimento para que tal despesa seja acatada com base no convênio entre as duas instituições. Assim, falece de consistência o argumento apresentado pelo contribuinte. pagamento a A.T. Projetos e Com. De Mat. De Construção Ltda: conforme nota fiscal nº 649, de 23/12/2002 e recibos anexos às folhas 588/590 do processo nº 13312.000242/200714, no valor total de R$ 15.000,00, que, segundo consta na nota fiscal, foi referente a parcela dos serviços realizados na sede da instituição, que, em documento anexo encontrase um orçamento informando ser o cliente o Instituto Frota de Educação, Cultura e Comunicação – IFEC, mas a obra teria sido realizada no IDEC, um outro instituto. Intimado a apresentar os esclarecimentos necessários, o contribuinte mantevese silente em relação a esse assunto. Em sua impugnação o contribuinte afirma que o prédio objeto da reforma pertence ao IVA e nele funcionam a sede do IDECC e a coordenação dos cursos daquele instituto em Fortaleza, o que justificaria as despesas efetivadas, que se referiam a bem do próprio IVA. Contudo, limitouse às afirmações acima, não apresentando qualquer documento para comproválas. Assim, fica mantido em sua totalidade o lançamento do IRPJ em relação ao item DESPESAS INDEDUTÍVEIS. (...) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA, pagamentos efetuados, listados às folhas 392/393 cujos valores foram reajustados, conforme previsto no art. 20 da IN SRF 015/2001 e § 3º do art. 61 da Lei nº 8.981/95. A Recorrente afirma que comprovadas as despesas, não se justifica a tributação das mesmas pelo IRRF, afirmando que a documentação trazida aos autos demonstra o beneficiário de cada um dos pagamentos. Aqui, cabe destacar que a exigência ocorre não somente quando o beneficiário do pagamento não for identificado, mas também quando for constatado pagamento sem que tenha sido comprovada a operação ou a sua causa. Deste modo, correto também o lançamento neste item. Quanto ao lançamento reflexo, seguem a mesma sorte do principal. Nessa ordem de juízos Nego provimento ao recurso de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13312.000853/200754 Acórdão n.º 110200.661 S1C1T2 Fl. 41 41 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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