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Numero do processo: 10530.720106/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do
Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OABMG nº 52.583, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MECOMINAS MECANIZAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 19.814.193/000142, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 22/10/2007, notificação de lançamento, com ciência postal em 29/10/2007, decorrente da revisão da DITR do imóvel NIRF 4.684.0290, com área de 19.880,0 hectares, denominado de Fazenda Picada, no município de Riachão das Neves (BA), referente ao exercício 2003. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 724.663,87 MULTA DE OFÍCIO R$ 543.497,90 A autuação resumiuse a majorar o VTN declarado de R$ 2.000,00 (R$ 0,10061 por hectare) para o arbitrado de R$ 5.192.258,40 (R$ 261,18 por hectare), com base no SIPT, pois o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Encontrase juntado aos autos um pedido de prorrogação do prazo de interposição da impugnação, datado de 26 de novembro de 2007, por mais 30 dias, no qual o peticionante informava que estaria com dificuldades para juntar a documentação que aparelharia a impugnação, havendo diversas inconsistências em sua DITR. Em 26/12/2007 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, apresentando laudo técnico, que apurou um VTN de R$ 22,06 por hectare, agregando informações sobre área de descanso (3.500 hectares) e sobre o rebanho. Nessa peça impugnatória apenas faz breve menção às dificuldades para instrumentalizar sua defesa, o que teria levado ao pedido de prorrogação de prazo para apresentar a impugnação, não recepcionado pela DRFBBelo Horizonte (MG), porém enviado via sedex para a DRFBFeira de Santana (BA). Considerando a intempestividade da impugnação, a autoridade preparadora não processou a impugnação, obstando seu envio à DRJ, e apreciou as razões do contribuinte deduzidas na peça impugnatória perempta, rejeitandoas e mantendo incólume o lançamento, asseverando que não haveria mais qualquer recurso na via administrativa. Notificado da decisão acima em 17/04/2009, sextafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/05/2009, defendendo a higidez do laudo técnico apresentado e da declaração do médico veterinário, provas suficientes para contraditar a pauta fiscal presumida do SIPT, e, se assim não compreender esse CARF, devese reconhecer que a autuação tem claros efeitos confiscatórios, ao aplicar a alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, o que terá o condão de expropriar o bem em um prazo de 05 anos, o que não pode ser aceito frente a atual ordem constitucional. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720106/200773 Acórdão n.º 210201.831 S2C1T2 Fl. 2 3 Os créditos tributários foram inscritos na dívida ativa da União. Irresignado com o não processamento de seu recurso voluntário pela autoridade preparadora, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), tendo o douto magistrado federal sentenciante concedido a segurança, determinando o processamento do recurso voluntário, já que somente o CARF teria competência para fazer o juízo de admissibilidade do apelo a si dirigido. Cancelada a inscrição da dívida, vieram os autos a este CARF para processamento e julgamento do recurso interposto. Da tribuna, em sustentação oral, o advogado do recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação, em decorrência da discrepância dos valores do VTN no SIPT, nos três exercícios em apreciação nesta sessão, do mesmo imóvel, na mesma localidade, bem como a nulidade do processamento da impugnação por autoridade incompetente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, passase a fazer o juízo de admissibilidade dos recursos interpostos nestes autos, como determinado na sentença prolatada no mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), que concedeu a segurança para tanto. Andou bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA) em não processar a impugnação para a Turma de Julgamento da DRJ, pois patentemente intempestiva a peça defensiva, sendo que o contribuinte apenas fez menção à dificuldade em instrumentalizar sua impugnação, o que teria levado a um pedido de prorrogação de prazo, o que sequer se encontra previsto no Decreto nº 70.235/72. A leitura combinada dos arts. 14 (A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento) e 15 (A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência) do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, transformandoo em processo administrativo fiscal. Obviamente que o contribuinte, mesmo em uma impugnação intempestiva, pode defender a tempestividade dela, e, nesse caso, a impugnação deve ser processada e julgada pela Turma de Julgamento da DRJ, como entender de direito. Entretanto, nestes autos, não há na impugnação qualquer preliminar de defesa da tempestividade da impugnação, não se podendo aceitar que o relato sobre a complexidade de um Laudo com os requisitos da ABNT ou a dificuldade em contratar um profissional para o mister, como se viu na peça impugnatória, possa ser encarado como preliminar a defender a tempestividade da impugnação. O pedido de dilação do prazo não tem previsão no Decreto nº Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 70.235/72, e caberia ao contribuinte fazer sua defesa no prazo de 30 dias da impugnação, efetuando os aditamentos posteriores, quando deveria comprovar que a prova adicional estava albergada pelos permissivos do art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto nº 70.235/72 (Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o que não ocorreu nestes autos. Assim, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96, abaixo transcrito, escorreito o não processamento da impugnação pela autoridade preparadora da DRFBFeira de Santana (BA): Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Apesar do não processamento da impugnação, a autoridade preparadora entendeu por bem apreciar ela mesma a inconformidade do contribuinte, com respeito ao princípio de petição e de autotutela da administração, rejeitando, ao final, a inconformidade. Assim, incabível o pedido de nulidade pugnado pela tribuna pelo Advogado do recorrente, porque se a peça impugnatória não podia ser processada, como acima se demonstrou, deveria ser apreciada pela autoridade preparadora, como de fato ocorreu. Já no Recurso Voluntário, o recorrente sequer se insurge contra o fato de sua peça impugnatória não ter sido processada dentro do rito do processo administrativo fiscal, passando a combater diretamente as matérias de mérito da autuação, em face do decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA). Somente o fez na tribuna, nesta sessão de julgamento, porém, como acima explicitado, inviável a declaração de nulidade pela apreciação da petição extemporânea denominada impugnação, pois a autoridade preparadora trilhou a orientação do ADN COSIT nº 15/96 e, dentro do poder de autotutela dos atos da administração, reviu de ofício o lançamento, mantendoo intocado. Indo mais além, na forma dos arts. 25, caput (O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete:), I (em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal) e II (em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial), e 37 (O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno), ambos do Decreto nº 70.235/72, combinado com o Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720106/200773 Acórdão n.º 210201.831 S2C1T2 Fl. 3 5 art. 1º do Regimento Interno do CARF (O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), compete às Turmas de Julgamento do CARF o julgamento dos recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. E, nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Com as considerações acima, fica prejudicada qualquer apreciação de mérito trazida no recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720247/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2007, 2008
SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
Caracteriza presunção de omissão de receitas a existência de Saldo Credor de Caixa, que não é justificado mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas.
RECOMPOSIÇÃO MENSAL DO SALDO DA CONTA CAIXA. PJ OPTANTE
PELO LUCRO REAL ANUAL. A recomposição da conta Caixa, apurando
Saldos Credores mensalmente, não prejudica a formação da base tributável, quando a cada maior Saldo Credor mensal apurado ocorre um “zeramento” da conta, visando não contaminar os períodos seguintes; e, tais valores, apurados mensalmente, são tributados como fatos geradores de 31 de dezembro. Além do
que a soma de todos os maiores saldos credores mensais coincide com o valor do maior saldo credor anual, no caso da recomposição ser realizada de forma contínua ao longo de todo o ano.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Cabível a multa nos termos dos artigos 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/ 2011 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, e 980 do RIR/99, quando a empresa, regularmente intimada e reintimada, entrega arquivos magnéticos com informações faltantes e incorretas.
MULTA QUALIFICADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS ADULTERADOS.
Cabe qualificação da Multa de Ofício quando arquivos magnéticos da contabilidade são entregues à Fiscalização contendo dados adulterados, saltando claro o ânimo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação
tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO PROPORCIONAL. Sobre
a multa de oficio proporcional é cabível a incidência de juros à taxa de 1% ao mês.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza presunção de omissão de receitas a existência de Saldo Credor de Caixa, que não é justificado mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas. RECOMPOSIÇÃO MENSAL DO SALDO DA CONTA CAIXA. PJ OPTANTE PELO LUCRO REAL ANUAL. A recomposição da conta Caixa, apurando Saldos Credores mensalmente, não prejudica a formação da base tributável, quando a cada maior Saldo Credor mensal apurado ocorre um “zeramento” da conta, visando não contaminar os períodos seguintes; e, tais valores, apurados mensalmente, são tributados como fatos geradores de 31 de dezembro. Além do que a soma de todos os maiores saldos credores mensais coincide com o valor do maior saldo credor anual, no caso da recomposição ser realizada de forma contínua ao longo de todo o ano. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Cabível a multa nos termos dos artigos 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/ 2011 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, e 980 do RIR/99, quando a empresa, regularmente intimada e reintimada, entrega arquivos magnéticos com informações faltantes e incorretas. MULTA QUALIFICADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS ADULTERADOS. Cabe qualificação da Multa de Ofício quando arquivos magnéticos da contabilidade são entregues à Fiscalização contendo dados adulterados, saltando claro o ânimo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO PROPORCIONAL. Sobre a multa de oficio proporcional é cabível a incidência de juros à taxa de 1% ao mês. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza presunção de omissão de receitas a existência de Saldo Credor de Caixa, que não é justificado mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas. RECOMPOSIÇÃO MENSAL DO SALDO DA CONTA CAIXA. PJ OPTANTE PELO LUCRO REAL ANUAL. A recomposição da conta Caixa, apurando Saldos Credores mensalmente, não prejudica a formação da base tributável, quando a cada maior Saldo Credor mensal apurado ocorre um “zeramento” da conta, visando não contaminar os períodos seguintes; e, tais valores, apurados mensalmente, são tributados como fatos geradores de 31 de dezembro. Além do que a soma de todos os maiores saldos credores mensais coincide com o valor do maior saldo credor anual, no caso da recomposição ser realizada de forma contínua ao longo de todo o ano. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Cabível a multa nos termos dos artigos 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/2011 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, e 980 do RIR/99, quando a empresa, regularmente intimada e reintimada, entrega arquivos magnéticos com informações faltantes e incorretas. MULTA QUALIFICADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS ADULTERADOS. Cabe qualificação da Multa de Ofício quando arquivos magnéticos da contabilidade são entregues à Fiscalização contendo dados adulterados, saltando claro o ânimo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO PROPORCIONAL. Sobre a multa de oficio proporcional é cabível a incidência de juros à taxa de 1% ao mês. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CHAPADA COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA ME recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e reflexos de CSLL, PIS, COFINS e Multa Independente, dos anos calendário de 2007 e 2008, tendo como base as seguintes matérias e fundamentos legais: IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Apurado mediante recomposição do saldo da conta Caixa, com o expurgo de lançamentos realizados a Débito dessa rubrica, referentes a suprimentos de numerários feitos por sócio, que não foram comprovados quanto à efetiva entrega dos valores, e bem como quanto a real disponibilidade dos mesmos pelo sócio. O enquadramento legal da infração se fez pelo art. 24 da Lei 9.249/95; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso I, e 288, do RIR/99. A Multa de Ofício aplicada foi de 150%, haja vista que na ótica da Fiscalização foram entregues arquivos magnéticos da conta Caixa dolosa e pontualmente alterados, com o objetivo de “desaparecer” com os saldos credores de caixa anteriormente identificados pelo Fisco, em arquivos preliminarmente entregues pela empresa, na fase de diligência (fls. 36253626). Assim, o contribuinte Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 4 3 teria incorrido na figura da Sonegação (art. 71, da lei 4.502/64), que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Aplicação é com base no art. 44, inciso I, e § 1º, da lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da lei 11.488, de 15/06/2007. (fls. 3665). MULTA POR ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM INFORMAÇÕES INCORRETAS. Relata a Fiscalização que o contribuinte foi intimado a apresentar os arquivos digitais contendo as informações (a) das folhas de pagamento; (b) da contabilidade; e (c) das notas fiscais de entrada e de saída referentes aos AC 2007 e AC 2008. (fls. 3599). Quanto aos arquivos das Notas Fiscais, alega a Fiscalização que eles foram entregues sem conter as informações relativas a descrição e classificação fiscal das mercadorias, o que impediu a análise dos créditos de PIS e de COFINS declarados pelo contribuinte na DACON. É que nesta declaração o contribuinte considerou que todas as compras de mercadorias dariam direito a crédito de PIS e COFINS, e utilizou tais créditos para fins de dedução das contribuições incidentes nas operações de saída, mesmo tratandose de um supermercado, que sabidamente adquire produtos sem crédito, como aqueles submetidos à tributação monofásica, como as bebidas, arroz, farinha de milho, farinha de trigo, leite, ovos, queijos, produtos hortícolas, dentre outros. No que diz respeito aos arquivos da contabilidade, a Fiscalização afirma que lhe foram entregues uns na fase préfiscalização (na fase de diligência), contendo vários saldos credores na conta Caixa e, após, tendo a diligência sido convertida em Fiscalização e o contribuinte intimado a justificar a existência dos saldos credores, este entregou outros arquivos da contabilidade, alegando que os primeiros entregues continham erros, em virtude de falhas no sistema de processamento de dados, sendo que os arquivos substitutos estavam alterados pontualmente nessa parte da conta Caixa, passando a apresentar lançamentos de suprimentos de numerários, por parte de sócio, visando desaparecer com os saldos credores anteriormente verificados. Alega a Fiscalização que isso foi perpetrado de adrede e está provado mediante análise gráfica (fls.3611) produzida pelo sistema CONTÁGIL da Receita Federal. Portanto, em função dessas informações consideradas incorretas, aplicouse a multa em questão. O enquadramento legal foi os arts. 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/2001 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, 980, do RIR/99. CSLL OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.1 acima, tendo como enquadramento legal artº 2º e §§, da Lei 7.689/88; art. 24 da lei 9.249/95; art. 1º da lei 9.316/96; art. 28 da Lei 9.430/96; art. 37 da Lei 10.637/02; art. 3º da Lei 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. PIS OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.1 acima, tendo como enquadramento legal arts. 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/02. COFINS OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.1 acima, tendo como enquadramento legal arts. 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03. Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 5 4 A composição do Crédito Tributário levantado, consoante se depreende de fls. 02 é: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto 2.441.071,53 Juros de Mora 736.870,31 Multa 3.661.607,29 Valor do Crédito Apurado 6.839.549,13 Multas Independentes Multa 571.454,04 Valor do Crédito Apurado 571.454,04 Programa de Integração Social Contribuição 164.979,55 Juros de Mora 58.417,16 Multa 247.469,25 Valor do Crédito Apurado 470.865,96 Contribuição Social s/ Lucro Líquido Contribuição 895.669,66 Juros de Mora 270.730,19 Multa 1.343.504,49 Valor do Crédito Apurado 2.509.904,34 Contribuição p/ Financiamento S. Social Contribuição 759.906,39 Juros de Mora 269.073,70 Multa 1.139.859,53 Valor do Crédito Apurado 2.168.839,62 Crédito Tributário do Processo 12.560.613,09 Os Juros de Mora estão calculados até 31/05/2011 (fls. 1717). A ciência do lançamento se deu por via postal, em 07/10/2011 (fls. 3634), e na data de 31/10/2011 (fls. 3637) o sujeito passivo ingressou com a Impugnação de fls. 36373646, alegando e requerendo: Preliminares: Que, houve cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que as planilhas produzidas pela Fiscalização, demonstrando a recomposição do seu saldo de Caixa, não lhe foram entregues. Que, a empresa apura resultado Anual e não Mensal, assim o Saldo Credor de Caixa deveria ser apurado anualmente, e não mensalmente como fez a Fiscalização. Outrossim, foram tributados todos os Saldos Credores apurados mensalmente, quando deveria ter sido escolhido apenas o maior entre eles. Que, na recomposição da conta Caixa, quanto ao expurgo dos Suprimentos Não Comprovados de Numerários, a autoridade fiscal somente considerou as ENTRADAS, sendo que nessa tarefa de recomposição, a autoridade fiscal jamais desconsiderou os valores referentes as SAÍDAS para pagamentos de empréstimos ao sócio mutuante. Que, houve tributação simultânea de modalidades diversas de omissão de receitas, ou seja, Saldo Credor de Caixa e Suprimentos de Caixa, pois no Termo de Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 6 5 Verificação Fiscal, item IV.1, justificouse a tributação como Saldo Credor de Caixa, com amparo no artigo 12, § 3º, do DL 1.598/77; por outro lado, Acórdão citado pela autoridade fiscal diz respeito a Suprimentos de Caixa, sendo que a recomposição do saldo desta conta teve por base exclusiva os empréstimos do sócio Josiel Jasinski. Portanto, entende que houve mistura de fatos diversos para quantificar a omissão de receita tributável: indevidamente se agruparam, sob a mesma rubrica, “saldo credor de caixa”, tipificado no artigo 12, parágrafo 2º, do DecretoLei nº 1.598/77, com “suprimentos de caixa”, tipificado no artigo 12, parágrafo 3º, do DecretoLei 1.598/77. Com base nisso, pede pela nulidade dos autos de infração. Mérito: Que, a qualificação da multa não procede, porque entregar novos arquivos magnéticos, em substituição a outros com erros, e bem como não possuir os documentos comprobatórios dos empréstimos de sócio não caracteriza a figura da Sonegação Que, a Multa de Ofício Independente foi aplicada cumulativamente com a multa de ofício, o que não pode ser. Além disso, a entrega de arquivos novos, em substituição a anteriores com erros, não se enquadra em infração aos artigos 11 e 12, II, da Lei 8.212/91. À vista dos argumentos despendidos, requer sejam cancelados os autos de infração. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza presunção de omissão de receitas a existência de Saldo Credor de Caixa, que não é justificado mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas. RECOMPOSIÇÃO MENSAL DO SALDO DA CONTA CAIXA. PJ OPTANTE PELO LUCRO REAL ANUAL. A recomposição da conta Caixa, apurando Saldos Credores mensalmente, não prejudica a formação da base tributável, quando a cada maior Saldo Credor mensal apurado ocorre um “zeramento” da conta, visando não contaminar os períodos seguintes; e, tais valores, apurados mensalmente, são tributados como fatos geradores de 31 de dezembro. Além do que a soma de todos os maiores saldos credores mensais coincide com o valor do maior saldo credor anual, no caso da recomposição ser realizada de forma contínua ao longo de todo o ano. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Cabível a multa nos termos dos artigos 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/2011 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, e 980 do RIR/99, quando a empresa, regularmente intimada e reintimada, entrega arquivos magnéticos com informações faltantes e incorretas. MULTA QUALIFICADA. ARQUIVOS MAGNÉTICOS ADULTERADOS. Cabe qualificação da Multa de Ofício quando arquivos magnéticos da contabilidade são entregues à Fiscalização contendo dados adulterados, saltando claro o ânimo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 7 6 CSLL PIS – COFINS. Aplicamse aos tributos e contribuições reflexos as mesmas razões de decidir e seus efeitos. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta o acórdão recorrido nos seguintes tópicos: i) cerceamento do direito de defesa em face da não terem sido entregues os demonstrativos do saldo credor de caixa; ii) equivoco no critério adotado pelo fisco para apurar as pretensas omissões de receitas; iii) inaplicabilidade da multa qualificada; iv) inaplicabilidade da multa regulamentar, por erro nos arquivos magnéticos, concomitante com a multa de oficio; v) indevida cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Ao final, a recorrente requer o integral cancelamento da exigência. É o relatório. Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o lançamento de oficio decorre de omissão de receitas, calcada em Saldo Credor de Caixa, com aplicação de multa qualificada em face de evidente intuito de fraude pela apresentação de arquivos magnéticos adulterados. No recurso voluntário o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória, que foram apreciadas nos seguintes termos do condutor do acórdão recorrido: “(...) INTRODUÇÃO Introdutóriamente ao voto, registro que J.E. Carreira Alvim, doutor em Direito pela UFMG; membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP) e membro da Comissão de Reforma do Código de Processo Civil, leciona que “A parte pode invocar os preceitos legais que entender necessários para embasar o seu direito, mas não tem o juiz o dever de esgotar a análise de todos os argumentos invocados, podendo deterse naqueles que considerar suficientes para fundamentar a sua decisão, sem o que o julgador será transformado numa vítima da inquisição; mesmo porque, incide a máxima “da mihi factum, dabo tibi ius" (dáme o fato, darteei o direito)”. Outrossim, segundo o referido doutrinador, “Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça assentou que: a) não configura violação ao princípio da ampla defesa a hipótese em que o acórdão não examina todas as questões postas pelo recorrente, restringindose àquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia (ED no MS n. 5.986DF, 1ª Seção, unânime, DJ 8/3/2000, p. 39); b) louvandose a decisão em fundamentação suficiente, o órgão julgador não está obrigado a exaurir todos os temas levantados pela parte (precedentes: Resp. n. 88.365/SP, EDResp. n. 160.969/PE, EDResp. n. 54.660/SP) (ED no AgRg na Petição n. 832RJ, Corte Especial, unânime, DJ 11/10/99, p. 34).” E, complemento eu, “O Juiz não está obrigado a responder a todas as indagações formuladas pelas partes, transformando o processo em disputa acadêmica. Se um ou mais fundamentos são suficientes para a solução da lide os acolhe, não está obrigado a analisar os demais. (AGA 163302/SP, Relator: Ministro José Delgado, in DJU de 16/03/1998).” Assim, este julgador fundamentará seu voto no suficiente para a solução da lide, sem, obviamente, olvidar do indispensável. PRELIMINARES O interessado suscita algumas preliminares em sua Impugnação. Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 9 8 Inicia por pretender nulo o feito fiscal por ter havido cerceamento do seu direito de defesa, já que não lhe teriam sido entregues as planilhas que demonstram a recomposição do saldo da conta Caixa. Penso que não deva prosperar a argumentação do interessado, já que o AR de fls. 3634 evidencia a entrega do Termo de Verificação Fiscal, dos Autos de Infração e do Termo de Encerramento da Fiscalização. Mesmo admitindose a hipótese de que as planilhas reclamadas não tenham seguido compondo a correspondência referente o AR de fls. 3634, é mister observar que o Termo de Verificação faz menção expressa e exaustiva em relação às mesmas, conforme fls. 3620, apontando que as mesmas encontramse às fls. 22902886, e os autos do processo estiveram à disposição do interessado, para vista e obtenção de cópias das folhas que desejar, durante todo o prazo legal de impugnação. Isto assente, entendo que não houve o propalado cerceamento de defesa, devendo a preliminar ser refutada. Em outra preliminar, o sujeito passivo alega que sua forma de tributação é pelo Lucro Real Anual, assim a recomposição do saldo de Caixa deveria se dar abrangendo um período anual, e não mensal, como fez a Fiscalização. “Máxima vênia” do contribuinte, a argumentação demonstra carência de análise quanto a estrutura posta no auto de infração, quiçá algum conhecimento de contabilidade. Primeiramente, consoante é possível ver das planilhas de fls. 22902886, a cada apuração mensal do maior Saldo Credor na conta Caixa, esta foi “zerada” (v.g. mês de janeiro/2007, fls. 2306), para nova apuração, de tal sorte a não haver contaminação nos períodos subseqüentes. De fato, poderia a Fiscalização ter seguido, continuamente pelo ano todo, a apuração e acumulação dos valores negativos na conta Caixa, de tal sorte a culminar em um maior valor no ano. Ocorre que na sistemática adotada nos autos, zerandose o saldo da conta a cada maior Saldo Credor, a soma de todos os maiores Saldos Credores de cada mês resulta, justamente, no valor desse eventual maior Saldo Credor Anual, razão pela qual não houve aqui prejuízo nenhum para o contribuinte. “Obiter dictum”, a apuração mensal do maior “estouro” de Caixa, como aqui adotada, se presta bem à cálculo para cobrança de eventual multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, muito embora, no presente caso, não tenha acontecido esta cobrança. Por final, é possível observar que todos os valores apurados mensalmente NÃO foram tributados como fatos geradores havidos nesses meses, mas, justamente como quer o impugnante, considerouse que o fato gerador, para todos eles, aconteceu em 31/12 (fls. 35603561). Rejeito, pois, mais esta preliminar. Preliminar seguinte, o contribuinte argúi que somente as ENTRADAS de valores na conta Caixa, por Suprimentos de Numerários dos Sócios, foi considerada na recomposição do Caixa, por seu expurgo, mas não se considerou as SAÍDAS de Caixa, por pagamento desses empréstimos. Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 10 9 O Fisco pretendeu, certamente, aferir se efetivamente as ENTRADAS ocorreram, pois dizem diretamente respeito à presunção de omissão de receitas, por Saldo Credor de Caixa, ou por Suprimentos de Caixa Não Comprovados, se fosse o caso. O contribuinte não logrou comprovar a real ocorrência de tais suprimentos, o que deu azo à referida presunção de Saldo Credor de Caixa. Se as SAÍDAS de Caixa, contabilizadas como pagamentos desses empréstimos, também devem ser retiradas para recomposição da conta, porque realmente não aconteceram, necessário se faz provar que tais desembolsos, tais quais estão contabilizados, são falsos. A Fiscalização não deitou interesse sobre isso, razão pela qual não cuidou de arregimentar provas da improcedência dos desembolsos. Se ao contribuinte interessa tal empreitada, necessário que o faça mediante provas, que aqui não apresentou. Aliás, nem sequer identificou as SAÍDAS de Caixa relativas a contabilização de pagamento de empréstimos, que quer ver excluídas da recomposição. Preliminar rejeitada. Ainda, alude o Impugnante que houve mistura nas infrações, tendo sido tributadas, simultaneamente, presunções de omissão de receitas das espécies Saldo Credor de Caixa e também de Suprimentos de Caixa Não Comprovados. Não é assim. Os valores dos suprimentos apenas foram tomados como elementos a serem excluídos na movimentação da conta Caixa, já que não foram comprovados, dando azo à Saldo Credor de Caixa. Se os próprios valores dos suprimentos fossem utilizados como base para a quantificação da infração, juntamente com o Saldo Credor de Caixa apurado, conjuntamente, então, realmente, haveria sobreposição de presunções de omissão de receita, o que não seria aceitável. Entretanto, não é o que aqui acontece. A presunção legal erigida pelo Fisco diz respeito à Saldo Credor de Caixa, consoante se vê no enquadramento legal da infração, constante do Auto de Infração lavrado, conforme fls. 35613562, onde a menção é para o artigo 281 do RIR/99, e não para o artigo 282. É que o Saldo Credor de Caixa foi apurado mediante a desconsideração dos valores de Suprimentos nele inseridos. Não foram os Suprimentos tributados diretamente. Por providencial, vejase Acórdão do Conselho de Contribuintes nesse sentido: EXCLUSÃO DOS SUPRIMENTOS – SALDO CREDOR DE CAIXA – O saldo credor de caixa evidenciado com a exclusão de suprimentos não comprovados por documentação hábil e idônea, se o contribuinte não logra afastar a apuração do saldo credor, justifica a presunção de receitas omitidas em valor equivalente. 1º Conselho de Contribuintes / 3ª Câmara / ACÓRDÃO 10320.276 em 12.04.2000. Preliminar improcedente. MÉRITO MULTA QALIFICADA Quanto ao mérito alega o interessado que não procede a aplicação de Multa Qualificada, pois não ocorreu a figura da Sonegação, tal qual desenhada pelo Fisco, Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 11 10 já que a entrega de arquivos magnéticos, em substituição a outros que continham erro, não pode assim ser tipificado. O Fisco provou, por meios técnicos, que as diferenças de dados, entre os arquivos anteriormente entregues e os posteriormente carreados, são pontuais, adstringindose ao acréscimo, nos últimos, de lançamentos de suprimentos de numerários por sócio, que acabaram por não ser comprovados. Este fato deve ser associado com aquele em que a Fiscalização, mediante análise dos arquivos originais, detectou a existência de Saldo Credor de Caixa, na própria escrituração contábil do interessado; e, uma vez intimado a justificar a existência de tais saldos negativos, o sujeito passivo não logrou êxito em fazêlo. Após, remeteu novos arquivos à fiscalização, alterados apenas nesta parte, superando os Saldos Credores mediante contabilização de Suprimentos de Numerários (não comprovados). Não obstante, percebese que as DIPJ entregues pela empresa, AC 2007 (fls. 2214) e AC 2008 (fls. 2241), na Ficha 36A , linha 16 – “Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas)”, apresentaram valor zero nos dois anos. Portanto, o conjunto dos fatos convenceme de que houve a conduta e o desiderato previsto no artigo 71 da Lei 4.502/64, pelo qual voto pela mantença da qualificação da multa. MULTA INDEPENDENTE – ARQUIVOS MAGNÉTICOS No que diz respeito à Multa Independente, pela entrega de arquivos magnéticos com dados incorretos, o Impugnante a entende improcedente, já que a entrega de arquivos magnéticos com informações novas, tendentes a corrigir informações incorretas, não caracteriza a infração prevista no artigo 12 da Lei 8.218/91, e bem como essa situação também não pode ser enquadrada no artigo 11 da mesma Lei, que prevê por infração a não mantença de arquivos à disposição da Receita Federal. Além disso, reclama que está ocorrendo cumulação de penalidades, onde esta multa está, simultaneamente, sendo aplicada com aquela de ofício. Primeiramente, no que diz respeito à aplicação cumulativa desta Multa Independente, com a Multa de Ofício de 150%, entendo que as infrações que elas visam sancionar são distintas, devidamente enquadradas nos fundamentos legais respectivos, ao início deste acórdão referidas, razão pela qual não há óbice de suas cobranças no mesmo instrumento fiscal. Por certo, me parece que a entrega de arquivos com informações novas, diferente de anteriores entregues, simplesmente para corrigir erros escusáveis, não caracteriza situação sujeita à punição prevista no artigo 12 da Lei 8.218/91. Mas, não é essa situação, de lapso manifesto e erro escusável, que se vê nos autos. A Fiscalização bem provou que os arquivos novos continham somente alterações pontuais, coincidentes e relacionados com Saldos Credores de Caixa, anteriormente detectados e apontados ao contribuinte, a fim de lhe obter justificativa. Portanto, a convicção que se firma, em face dos fatos processuais, é de que as informações dos arquivos novos foram manipuladas e eram incorretas, restando caracterizada infração ao artigo 12 da Lei 8.218/91. No que diz respeito à infração do artigo 11, mister observar que há conexão sintática e lógica entre ela e aquela do artigo 12. Sintática porque o caput deste já inicia Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 12 11 reportandose e vinculandose ao artigo precedente. Lógica porque o artigo 11, ao prescrever que as pessoas jurídicas, que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados, ficam obrigadas a manter a disposição da Receita Federal os respectivos arquivos, por óbvio é nas condições que distem daquelas penalizadas conforme o artigo 12. Assim, tendo o contribuinte incorrido em infração ao artigo 12, automaticamente também descumpriu as condições do artigo 11, razão pela qual o auto de infração deve ser mantido também nesta parte. (...) (Grifei) Em verdade, a recorrente limitouse a repisar as alegações já enfrentadas no voto condutor do acórdão recorrido. A meu ver, os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos e devem sem confirmados, haja vista que o recorrente nada apresentou para elidir a presunção legal de omissão de receitas em face do saldo credor de caixa. Quanto a multa qualificada é pacífico o entendimento da atual composição deste colegiado no sentido de a apresentação de documentos e declarações eivados de falsidade implica na aplicação da multa qualificada, revelando a conduta dolosa de que prevista no artigo 71 da Lei 4.502/64. No que tange a cobrança de juros de mora `a taxa Selic sobre a multa de oficio. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que ampara sua tese. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 13 12 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Entendendo que a SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio, restam devidos os juros de 1% ao mês a que alude o Código Tributário Nacional, esse sim, aplicável à multa de oficio proporcional não pago no vencimento. Nesse sentido o acórdão 140200.213, cuja ementa transcrevo. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (acórdão 140200.213). Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720247/201111 Acórdão n.º 140201.063 S1C4T2 Fl. 14 13 Portanto, também não cabe razão ao contribuinte nessa parte, porem, deve ser limitar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício ao percentual de 1% ao mês. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 37311.007944/2006-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/12/2005
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. No entanto, é elemento formal do lançamento a descrição dos fatos através de remissão a outro documento lavrado pela fiscalização.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Carlos Julio EDITADO EM: —Desidente la Comes - I elator DEZ 2010 bert as Bar CSRF-T2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo no 37311.007944/2006-16 Recurso n° 250.565 Especial do Procurador Acórdão n" 9202-01.126 — 2" Turma Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PASSARELA CALÇADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/12/2005 VICIO MATERIAL.. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. No entanto, é elemento formal do lançamento a descrição dos fatos através de remissão a outro documento lavrado pela fiscalização. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do co çgiado, por unanimidade de votos, em negar Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fulcro no art. 7', inciso 1, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDEN(2IARIAS Período de apuração.. 01/01/1995 a 30/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA VICIO MATERIAL. INOBSERVÁNCIA AOS P1UNCIPIOS DO. CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Com arrimo no artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao fiscal autuante incumbe demonstrar, a partir depravar, a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições prevideticiárias exigidas pela NFLD, sob pena de nulidade do lançamento por vicio material, em face da ausdncia da perfeita descrição do FG do tributo, bent coma por cercear o direito dc defesa e contraditório do contribuinte RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES , O Relatinio Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de fOrma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao con» ibuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito ti ibutário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exer cicio pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação Recurso Voluntário Provido ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para; a) declarar a decadência das contribuições aputatia.s referentes aos ,fatos geradores ocorridos até 10/2000; b) anulai a NFLD com relação as denials competências; II) por malaria de votos, em declarar a nulidade por vicio material. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vie» a, Ber»adete de Oliveira Barros (Relatora) e Ana Maria Bandeira, que votam am por declarar a nulidade por vicio foi mal Designado para redigir o voto vencedor, na parte refer ente a declaração da nulidade por vicio material, a(a) Coitselheirv(a) Rycardo Henrique Magalhães de Olival, a Fez sustentação oral o(a) advogado (a,) 2 Processo it' 37311 007944/2006-16 CSRF-1- 2 Acórd5o n ' 9202 -01.126 Fl 2 da recorrente Di (a) Antônio Carlos do Amaral, 0.4B/SP n° 55.351. Insurge-se a Fazenda Nacional contra o acórdão que, por unanimidade de votos, decidiu anular a NFL,D e, por maioria de votos, declarou a nulidade por vicio material.. No caso, a nulidade foi declarada pela ausência no relatório fiscal de clareza na apresentação dos fatos geradores: Diante de tais considerações, voltemos à hipótese dor autos, ande o fiscal autuante promoveu o lançamento sem conquanto comprovar a efetim ocorréncia dos fatos geradores das contribuições previdenciórias ora exigidas Nesses termos, não se cogita em vicio . formal, mar, sim, anular o lançamento por vicio material, tendo em vista que a fiscalização não descreveu de . forma clara e precira a ocorrência do Ma gerador do tributo, qfrontando a legislação der regência, sobretudo tratando-se de procedimento excepcional de arbitrament°. Como se sabe, o procedimento do arbitramento, uma vez- constatados or requisitos exigidos pela legislação de regência, legal e inverte o &us da prova ao contribuinte Porém, tal procedimento deve estar devidamente .fundamentado nos autos do processo (Relatório Fiscal e/ou Fundamentos Legais do Débito), sob pena de nulidade da notificação. Assevera a Fazenda Nacional, em síntese, que: - a decisão ora recorrida anulou o auto de infração por deficiência na descrição do fato gerador, que é urn dos itens a que o art. 10 do Decreto n" 70.235/72 determina que seja, obrigatoriamente, incluído no auto de infração. Percebe-se, pela leitura do dispositivo precitado, que são requisitos de natureza formal, de modo a uniformizar o procedimento de autuação e conferir garantias ao contribuinte, em especial a ampla defesa e o contraditório; - a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto n" 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideram que se tratava de nulidade por vicio de forma. E ainda que: A decisão ora recorrida anulou o lançamento por deficiência na descrição do faro gerador da contribuição previdencitiria, que um dos itens que os preceptivos - acima transcritos determinahl que, obrigatoriamente, deve constar do instrumento de constituição do crédito Na hipótese em apreço, a deficiência na exterioriza cão dar razões de sfato e direito que levaram a autoridade fiscal a considerar a ocorrência de fato gerador, vicio apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, 3 não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estar-se-ia afirmando que o motivo (fato juridico) nunca existiu Contudo não foi essa a premissa adotada pela acórdão recorrido, eis que o relator do julgado é peremptório ao dizer que o relatório fiscal carece de satisfatória motivação, portanto, padece de vicio de forma, tanto assim que invoca o art 50, §1 0 da Lei 17 ° 9 784/99 como razão de Acidh Regularmente intimado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou contra-razões no mesmo sentido do acórdão recorrido e reiterando as alegações trazidas no recurso voluntário. É o breve relato. Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Inicialmente, esclarece-se que o recurso especial cinge-se à qualidade do vicio para a nulidade, formal ou material e não a nulidade em si. Trata-se de uma das questões processuais mais polêmicas; qual seja a discussão sobre os conceitos de vícios formal e material e seus efeitos; sobretudo, quanto ao reinicio do prazo decadencial para constituição do credito tributário através de novo lançamento, em substituição ao anterior, declarado nulo.. Portanto, iniciando pela finalidade prática da discussão, temos que o Código Tributário Nacional confere regra especial para a decadência do direito de constituição do crédito tributário substitutivo de outro anulado anteriormente: Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.. I - do primeiro dia do exercício seguinte hquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, pot vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrajb único 0 direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente corn o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer. medida preparatár ia indispensável ao lançamento A primeira constatação decorre do próprio texto acima: somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vicio formal; do que me leva a crer que não há reinicio do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil, Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecá-los, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material, 4 Processo n" 3731 1 007944/2006-16 CSRF-T2 Acórdão n" 9202-01.126 Fl 3 Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompeut a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios juridicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. E formal o vicio que contamina o ato administrativo em seu elemento "forma"; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia ZaneIla Di Pietro. I Segundo a mesma autora, o elemento "forma" comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto-de-infração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto 6, esta última confunde-se com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, "forma" não se confunde corn o "conteúdo" material ou objeto. E um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o detlagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz "exteriorização" devemos concebê-la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Dai ternos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, dai a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto-de-infração corn todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do credito tributário. E a sua lavratura se dá em cazão da ocorrência do fato descrito pela regra-matriz corno gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenornênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o credito dele decorrente duvidoso. E o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vicio material: "[...]RECURSO EX OFFICIO — NULIDADE DO LANC4MENTO VICIO FORMAL. A verificação da ocorrência do lato gerador da obrigação, a deter mina cão da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto O DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, Sao Paulo: Editora Atlas, 11" edição, páginas I 8 7 192 levantamento e observância desses elementos básicos antecedent e são preparatónos a sua formalização, a qual se da no momento seguinte, mediante a law alum a do auto de infração, seguida c/a notificação ao snjeito passivo, quando, ai sim, devei ão estar presentes os seus requisitos formais, extrinsecos, como, por exemplo, a a.ssinattu a do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o mime, o de matricula; a assinatura cio chefe do óigão expedidor ou de outro sea victor autoi izado, com a indica cão de sell cargo ou função e o número de matrklda.1 .1 " (7" Camara do 1" Conselho de Contribuintes Recurso n" 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o Wain material do lançamento ocorre quando a auto; dade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levai ant a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz i e.speito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vicio material. Dai, conforine iteente acórdão, restará configurado o vicio quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vicio mate, ial ocone quando o auto de infi ação não preenche aos requisitos constantes do art 142 do Código Tributário Nacional, havendo equivoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do uibuto ou contribuição do crédito tribtacino, enquanto que o vicio formal ocorre quando o lançamento contiver ontissão ou inobservancia de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da law antra do auto, ou seja, da maneira de sua realização.. (Acórdão n° 192-00.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segundo Tama Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindo-se da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vicio formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorténcia do fato gerador (vicio material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado e outras hipóteses que, embora possam dificultar a defesa, não prejudicam a certeza de que o faro gerador ocorreu (vicio formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL— NULIDADE VJCIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — INEXISTÊNCIA — Os vicias formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos . fatos que baseiam as infrações imputadas . Cire11115C1 event-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de oficio, mas não pertenceul ao seu conteúdo matei ial. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vicio substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial paw decadência previsto no art 173, II, do CTN. (Acórdão n° 108-08.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Camara do Primeiro Conselho de Corn, ibuimes) 6 Pr ocesso a" 37311 007944/2006-16 CSRE-T2 Acórddo 9202-01.126 1 4 Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vicio 6 formal, 0 rigor da forma como requisito de validade gera urn cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Codex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vicio na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veiculo.. Ainda que anulado o ato por vicio formal, pode-se assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vicio material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos ai um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas . E certo que o artigo 10 do Decreto n° 70,235/72 traz a descrição do fato como elemento obrigatório do auto-de-infração. E realmente não poderia ser diferente. No documento de constituição do crédito devem existir todos os campos correspondentes As informações previstas no artigo 10. De fato, entendo como vicio de forma, podendo, o lançamento em que autoridade nada mencionou sobre os fatos geradores do tributo ou da infração. Entendeu o legislador que a informação é tão essencial que faz parte da própria existência do documento, sua ausência é corno se lhe faltasse um pedaço. Nesse sentido a mesma autora, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro 2 ao dizer que a ausência da exposição dos fatos e do direito impede a verificação de legitimidade do ato: Art la 0 auto de iufiagdo será lavrado por servidor competente, no local da verificação da ,falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualtficação do autuado; II - o local, a data e a hora da law-antra; III- a descrição do fato; IV - a disposição legal iqfringiela e a pena/idade aplicável, V - a determinação da exigê.ncia e a intimação para cumpri-la ou impugna-la no prazo de trinta dins; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o nt'uneav de matricula Entretanto, há casos em que a descrição dos fatos existe no documento, mas, posteriormente, quando em um exame mais detido, vem-se a entender que no de forma detalhadamente suficiente. Essa análise não é objetiva com no caso da ausência de motivação: existe ou não existe; ao contrário, é por demais subjetiva. Impregnam o julgamento considerações subjetivas - para alguns a descrição foi suficiente para outros não, Não há uma medida certa através da qual se possa assegurar que os fatos geradores foram suficientemente 2 DI PIE.TRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11 edição, página 193 7 É CO 14 Julio es re ra Gomes detalhados pela autoridade fiscal -- é a discricionariedade própria do julgador. 0 objeto da discussão é o conteúdo do ato, sua materialidade. E possível conhece-lo ou não para fins de se exercer o direito de defesa? Essa é a questão a ser respondida pelo julgador. Chegando, agora, ao caso concreto, conforme voto vencedor do acórdão, o lançamento foi anulado porque se compreendeu que o relatório fiscal não apresentou os fatos geradores corn o detalhamento necessário ao convencimento de sua ocorrência. Portanto, trata- se, de fato, de elemento material do lançamento. Por todo o exposto, entendo que deva ser negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 8
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002002/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COFINS
Ano-calendário:2005
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO
CREDITÓRIO.
Nos pedidos de ressarcimento é do contribuinte o ônus de provar o direito creditório pleiteado.
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO.
DESPESAS COM FRETES.
As eventuais despesas com fretes devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea. As irregularidades apontadas pela fiscalização na emissão do CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e falta da devida escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de Entrada levam à glosa dos créditos pleiteados.
PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO.
SERVIÇOS NÃO ESPECIFICADOS.
Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com serviços não devidamente comprovados pelo interessado.
PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO.
DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE
VENDA.
Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com não devidamente comprovados pelo interessado. Fazse
necessária a demonstração, pela Recorrente, da correlação entre os conhecimentos de transportes apresentados e as notas fiscais de venda das mercadorias. Esta prova é fundamental para que dê ensejo aos créditos da contribuição no regime da não cumulatividade, prevista no artigo 3º, inciso IX, da Lei
10.833/2003.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento é do contribuinte o ônus de provar o direito creditório pleiteado. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES. As eventuais despesas com fretes devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea. As irregularidades apontadas pela fiscalização na emissão do CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e falta da devida escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de Entrada levam à glosa dos créditos pleiteados. PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS NÃO ESPECIFICADOS. Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com serviços não devidamente comprovados pelo interessado. PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com não devidamente comprovados pelo interessado. 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Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento da COFINS vinculada a operações de exportações (fl. 01/ss), referente ao quarto trimestre de 2005, no valor de R$ 188.387,21, com fundamento no artigo 6º da Lei 10.833/2003. A DRF – Blumenau (SC), por meio do DESPACHO DECISÓRIO SAORT/DRF/BLU n° 098/2008 (fls. 607/619) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente no valor de R$ no valor de R$ 72.067,64. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 635/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: “Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento" de créditos de Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2005, no valor de R$188.387,21, correspondente ao saldo declarado de créditos de mercado externo após as deduções e antes das compensações. A análise teve como base as informações prestadas nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB. Consta, ainda, que foi feita a divisão dos custos, despesas e encargos vinculados ao mercado interno e as operações de exportação, de acordo com a previsão do inciso II do § 8° Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13971.002002/200600 Acórdão n.º 3202000.474 S3C2T2 Fl. 2 3 da art. 3°. Da Lei n°. 10.833/03, conforme descrito as fls. 613/614. 0 Despacho decisório relaciona as glosas efetuadas, pelos motivos que se apresentam abaixo, em breve síntese:: 1 — Glosas de valores de "Bens utilizados como insumos": Neste item são descritas as irregularidades encontradas quanto aos bens utilizados como insumos, as quais deram ensejo às glosas: a) discrepâncias entre os valores totais obtidos do arquivo digital no cotejo com as folhas do Livro de Registros de Entradas (LRE), pelo que foram feitos ajustes (planilha de fl. 614); b) valores pagos a pessoas físicas, conforme detalhado na planilha constante do Anexo I (notas fiscais de entrada As fl s. 203/209); c) créditos apurados em relação a bens que não são aplicados no processo produtivo da empresa (aquisição de sacos plásticos, camisetas e cabeçotes ranhurados); d) inclusão de valores de mercadorias que saíram do estabelecimento do fornecedor (Vidroforte — notas às fls. 368/382) com o fim específico de exportação — CFOP 6.501, operação para a qual inexiste possibilidade de crédito, à luz do inciso II do § 2°. do art. 3°. da Lei 10.833/03; 2. Glosas a titulo de "Serviços Utilizados como Insumos", em vista de: a) inclusão indevida do CFOP 1.949 e 2.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos, visto que esses códigos não correspondem a bens e serviços passíveis de apuração de crédito da Cofins (itens 2.1.1. da planilha do Anexo I); b) preenchimento dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) em inconformidade com o exigido pela legislação do ICMS, em razão de vícios formais nas notas fiscais, conforme tabela constante do Anexo II. 3. Glosa a titulo de "Despesas de Energia Elétrica", visto que foram incluídos na base de cálculo dos créditos, a esse título, valores de despesas de doação; e que os valores totais constantes nas notas fiscais de fls. 320 a 322 são Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 inferiores aos informados na memória de calculo de fl. 50 (glosa demonstrada no Anexo I — item 3.2.1.); 4. Glosa de Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda devido a: a) irregularidades no preenchimento de parcela relevante dos CTRC, em inconformidade com o exigido pela legislação do ICMS, tais como: emissão posterior à prestação do serviço e à falta de indicação do número da nota fiscal do produto transportado. Destaca, ainda, a indicação da mesma nota fiscal em dois CTRC distintos (fls. 561 e 562); b) serviços não relacionados na legislação tributária como passíveis de apurar créditos, tais como: serviços de remoção (fl. 491), "posic para desunitização" (fl. 530), dentre outros (valores deferido e indeferidos no Anexo III); 5. Glosa de Base de Cálculo do Crédito a Descontar Referente Ativo Imobilizado — Lei n°. 10.833/2003, art. 3°., §§ 14 e 16 e Lei n°. 11.051/2004, art. 2°., visto a inclusão indevida de diversos tipos de bens do Ativo Imobilizado para os quais não se aplicam os dispositivos legais relacionados aos créditos da nãocumulatividade (ajuste das diferenças e os valores deferidos conforme demonstrado no item 5.1.1 da planilha do Anexo I); e inclusão do valor do ICMS na base de cálculo dos créditos; 6. Glosa de Outras Operações com Direito a Crédito, devido à falta de atendimento para prestar informações indispensáveis à apreciação do seu pedido em relação à linha 13 da ficha 12 do Dacon, nos termos do quesito n°. 6 da Intimação Fiscal n°. 439/06; Sob o titulo "Cálculo Final", explica o despacho decisório, em síntese, que foram efetuadas as divisões dos custos, despesas e encargos vinculados ao mercado interno e as operações de exportação; que houve a necessidade de reescrita dos créditos do trimestre em análise, especialmente quanto à desconsideração do saldo inicial de crédito de mercado externo, a luz da IN SRF no. 600/05; que o quadroresumo à fl. 625 apresenta os saldos de créditos de mercado interno e de mercado externo após as deduções da contribuição apurada em cada mês do trimestre e antes das compensações com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administradas pela SRFB, observada a legislação aplicável à matéria. Por fim, foi emitido o Despacho Decisório DRF/Blumenau (fls. 607/628) o qual reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 72.067,64, a titulo de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13971.002002/200600 Acórdão n.º 3202000.474 S3C2T2 Fl. 3 5 deduções da contribuição apurada em cada mês do trimestre e antes das compensações, com a ressalva de que a homologação de compensações eventualmente vinculadas ao presente processo, e o ressarcimento em dinheiro, caso haja saldo remanescente, somente devem ser realizados até o limite do valor reconhecido a titulo de mercado externo, nas condições estabelecidas pela IN SRF n°. 600/2005. Constam, às fls. 620/628, a planilha do histórico das glosas realizadas, dos itens deferidos e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade (fls. 637/645), onde pede a reforma da decisão, alegando os motivos que abaixo se expõe, sucintamente, conforme os tópicos abordados pela defesa: 1) Dos Bens Utilizados Como Insumos – a) sobre a "Divergência no Livro Registro de Entradas (LRE) impresso e seu arquivo digital", alega que se deu pelo fato de constarem notas no arquivo digital que não se encontravam escrituradas no LRE, mas que houve o aproveitamento dos valores constantes no LRE, cujo crédito é menor do que os valores constantes nos arquivo digirais e pelo qual fez o pedido de ressarcimento, conforme demonstrativo da memória de calculo juntada aos autos após a intimação de n°. 439/2006; que a autoridade fiscal se equivocou pois, ao notar a divergência, lançou em sua memória de cálculo, a fim de deduzir estes valores do crédito; e, ainda, que parte da divergência encontrada referese a valores dos insumos inscritos no CFOP 1.949, que também foram glosados no item seguinte da decisão, acarretando a repetição da glosa dos mesmos insumos, o que ocasiona uma diminuição imotivada do crédito a que tem direito; b) aquisições de bens com fim específico de exportação (CFOP 2.101 — compras para industrialização): Neste tópico, em síntese, alega que essas aquisições foram escrituradas com o CFOP 2.101 (Compras para Industrialização) e não no CFOP 2.501 (Entrada de mercadoria recebida com o fim especifico de exportação), foram enviadas para o seu estabelecimento comercial, e foram utilizadas como matériaprima em seu processo de industrialização e incorporadas ao produto final (vidro). Sustenta que houve um equivoco por parte do fornecedor, sem qualquer responsabilidade da parte da recorrente; que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, sendo que, quando a venda é com fim especifico de Fl. 808DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 exportação, não existe esse destaque; que efetuou o pagamento do ICMS, do PIS e da Cofins à empresa fornecedora, sendo que estes dois últimos, ainda que não destacados nas notas fiscais, também estavam embutidos no preço final do produto; que não pode ser prejudicado pelo fato do contribuinte de direito não ter repassado os valores aos cofres públicos. 2) Dos Serviços Utilizados Como Insumos: a) CFOP 1.949 (outra entrada não especificada): alega que as operações lançadas nesse código se referem a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3°., II, da Lei n°. 10.637/02; que, no mesmo CFOP existem entradas com e sem direito ao crédito, mas que a autoridade administrativa não poderia ter glosado sumariamente todos os valores pleiteados, deixando de intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos quanto aos lançamentos; e que junta as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; b) CFOP 1.352 (fretes sobre a aquisição de insumos): alega que o referido transporte é utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente e que a falha no sistema de emissão das notas fiscais (conhecimento de frete) não prejudicou o fisco federal, pois não houve omissão quanto aos valores referentes aos fretes; que há direito ao crédito relativo ao transporte de insumos, pois o fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse o PIS/Pasep e a Cofins sobre esses valores; 3) Das Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete Na Operação de Venda: Alega que, da mesma forma que na aquisição de insumos, não existem vícios formais a ensejar a glosa dos valores referentes ao frete nas operações de venda; que ocorreram, quando muito, meras irregularidades que não prejudicaram o Fisco, porquanto não houve omissão dos valores referente aos fretes; que os transportadores, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota conjunta, onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em um determinado período; que, mesmo que tenha havido, essas irregularidades não impediram que a transportadora recolhesse as contribuições; que, caso se entenda que não se tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRFB em Blumenau, para análise. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13971.002002/200600 Acórdão n.º 3202000.474 S3C2T2 Fl. 4 7 4) Base de Cálculo do Crédito a Descontar Referente Ativo Imobilizado — Lei n°. 10.833/03, art. 3°. §§ 14 e 16 e Lei n°. 11.051/04, art. 2°.: Argumenta que os bens adquiridos (trator carregador, trator de esteira, semireboque, graneleiro, pneus e caminhão) são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, não havendo razão para a distinção; que o legislador, ao se referir a máquinas e equipamentos, teria incluído ali os demais bens integrantes do imobilizado tangível, inclusive os veículos. Ainda sob esse item, aduz não concordar com a exclusão do ICMS da base de cálculo do crédito e que o ente tributante não pode exigir a inclusão do ICMS na base de cálculo para fins de pagamento da Cofins e recusar sua inclusão quando se trata de ressarcimento. Requer, por fim, o reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos de Cofins, especificados na presente manifestação. É o relatório”. A 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 0720.485 (fls. 706/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo a necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CALCULO DOS CRÉDITOS DE DEPRECIAÇÃO. ICMS. A base de cálculo para a aplicação da alíquota relacionada à depreciação dos bens é o valor total da aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado e utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BENS USADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É expressamente vedada a utilização de créditos sobre encargos de depreciação na hipótese de aquisição de bens usados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTENCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 18/08/2010 (fl. 717). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 17/09/2010 (fls. 726/ss) onde repisa os argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade. Por fim, requer o recebimento e a apreciação do Recurso, para o efeito de reconhecer o direito de ressarcirse dos créditos da COFINS, relativos ao 4° trimestre do ano de 2005, no que toca as despesas realizadas com (i) frete na aquisição, (ii) exploração de florestas e manutenção de máquinas, e (iii) frete e armazenagem na venda. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Com a apresentação do Recurso Voluntário, os seguintes pontos permanecem em discussão no presente litígio, em síntese: i. Glosa de créditos decorrentes de “Despesas com fretes” (Frete na aquisição CFOP 1352); Fl. 811DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13971.002002/200600 Acórdão n.º 3202000.474 S3C2T2 Fl. 5 9 ii. Glosa de créditos decorrentes de “Serviços não especificados CFOP 1949 e 2949” “Serviço de extração de madeira” e “Despesas com manutenção de equipamentos”; iii. Glosa de créditos decorrentes de “Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda”; Passemos à análise, em separado, de cada um destes pontos. (i) Glosa sobre créditos decorrentes de “Despesas com fretes” (Frete na aquisição CFOP 1352). A discussão que se faz neste ponto é se está correta a glosa de créditos, efetuada pela fiscalização, em relação às despesas com fretes. A Recorrente alega que o frete enquadrase no conceito de insumo, haja vista que o mesmo é necessário à chegada da matéria prima ao estabelecimento fabril, ou seja, este item configura um serviço aplicado na fabricação do bem destinado a venda. A autoridade fiscal glosou créditos com a argumentação de que a pleiteante não comprovou a efetiva realização destas despesas. Correta a glosa da fiscalização. Vejamos. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão recorrida, a Recorrente não comprovou a efetividade e regularidade das alegadas despesas com frete, uma vez que a grande maioria dos CTRC – Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas está eivada de vícios por não atender aos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS, além do fato de que muitos produtos terem sido adquiridos de pessoa física. Por muito bem demonstrar estes fatos, transcrevo trechos desse voto: “Em que pesem os argumentos da interessada, fato é que os CTRC devem possibilitar a leitura das operações a que dizem respeito , assim como a contabilidade da empresa deve espelhar as respectivas operações, sem o que a análise do pedido de ressarcimento pode restar comprometida. Não obstante essa premissa, o CTRC é um documento emitido pela transportadora, sendo de sua responsabilidade a emissão dessas notas, portanto, as formalidades em desacordo com os requisitos formais exigidos pelo Regulamento do ICMS/SC são de responsabilidade desta empresa perante o fisco estadual; ou seja, não implicam necessariamente na desconsideração dos valores para fins de creditamento da Cofins e do Pis/Pasep no regime da nãocumulatividade em relação ao valor do frete na aquisição dos insumos, a não ser, como já dito, quando os elementos intrínsecos a estes conhecimentos de transportes deixam de espelhar a operação e/ou não estejam de acordo com os registros contábeis da empresa. Ou seja, deve a contribuinte Fl. 812DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 10 demonstrar minudentemente as operações, se os documentos, por si só, não refletem o direito aos créditos. Compulsandose os autos, todavia, verificase que os CTRC (na aquisição) se referem a transporte de insumo Toros os quais são transportados, ora da Fazenda São Jacó Passo Manso, remetidos por pessoa física (Lino Rohden), ora da ora da Fazenda Pinheirinho, por conta da própria interessada. Consta que o frete foi "a pagar", ou seja, por conta do destinatário. De fato, em algumas dessas notas, faltam os números fiscais das mercadorias transportadas, constando como "diversos", porém, observase que consta o montante dos valores pagos, assim poderiam ser identificadas eventualmente por outros controles contábeis/fiscais disponibilizados pela interessada, juntamente com o registro na sua contabilidade. Não obstante esta possibilidade, a interessada não providenciou nada mais do que já constava nos autos, embora soubesse detalhadamente dos problemas formais levantados no despacho decisório, como já dito anteriormente. (grifamos) As irregularidades constatadas pela fiscalização estão detalhadamente descritas no Despacho Decisório, no item “Glosa de Serviços Utilizados como Insumos” (folhas 615 verso), nos seguintes termos: “O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), enviados em atendimento ao item 1 da Intimação Fiscal N° 514/06, não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS (RICMSSC/2001, Anexo V, art. 63 a 71), especialmente quanto aos fornecedores localizados nas proximidades do domicilio fiscal da interessada, como se é possível verificar pela análise das notas fiscais de fls. 294 a 319. Algumas irregularidades detectadas: ausência do número da nota fiscal transportada, indicação de remetente pessoa física e emissão de CTRC posteriormente à prestação do serviço. Os valores das notas fiscais enviadas que apresentaram vícios formais foram glosados; a tabela constante do Anexo II deste Despacho detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos. Procedeuse, portanto, ao ajuste das diferenças entre os valores utilizados na memória de calculo (fl. 50) e os valores deferidos, conforme discriminado no item 2.2.1 da planilha constante do Anexo I deste Despacho.” (grifamos) Registrese, que a Recorrente limitouse a tecer vários argumentos sobre os fatos acima relatados, sem, entretanto, trazer elementos probantes capazes de refutar os fatos apurados pela Fiscalização. Ademais, reconhece que as irregularidades existiram, buscando apenas minimizar a gravidade de seus efeitos, ao afirmar (fl. 732) que “E não se venha falar que as falhas no sistema de emissão de notas fiscais (conhecimento de frete) impossibilitam com que este crédito seja reconhecido...” E, mais adiante, aduz “Ora, se não houve qualquer omissão quanto aos valores e o fisco não restou prejudicado, não há Fl. 813DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13971.002002/200600 Acórdão n.º 3202000.474 S3C2T2 Fl. 6 11 que se falar que os documentos não se prestam ao reconhecimento do crédito. Ou seja: Se o fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse o PIS e a COFINS sobre esses valores, não há como tais irregularidades impedirem o aproveitamento do crédito incidente.” Não há como concordar com a alegação da Recorrente. As irregularidades apontadas pela fiscalização são fatores impeditivos para o aproveitamento do crédito pleiteado. O interessado deveria comprovar o alegado direito creditório. Esta prova é necessária para a apropriação dos créditos pretendidos pela Recorrente, previstos no artigo 6°, da Lei n° 10.833/2003. Não a fez! Assim, entendo, o interessado não se desincumbiu a contento de provar suas alegações. Claro está que as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização, em seu Despacho Decisório, deveriam ser rebatidas pelo contribuinte, e acompanhadas das respectivas provas, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 – Decreto 70.235/72). Correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização em relação à apuração dos créditos não cumulativos da COFINS, no que se refere a não comprovação das “Despesas com fretes”. (ii) Da glosa de créditos do PIS não cumulativo sobre despesas com “Serviços não especificados – extração de madeira” e “Despesas com manutenção de equipamentos”. Em relação a este ponto a Fiscalização afirma (fls. 614 verso) que “O cotejo realizado entre os valores totais obtidos do arquivo digital referente aos lançamentos efetuados no LRE e os valores totais presentes nas cópias das folhas do LRE (fls. 136 a 167) revelou discrepâncias entre os mesmos. Intimada a justificar as divergências apuradas, por meio do quesito n° 1 da Intimação Fiscal n° 004/08 (fls. 340 a 345), a requerente informou, conforme observação à fl. 347, que ‘no Livro Registro de Entradas não estão contidos os CFOPS de entrada 1.949 que tratamse de serviços que geram direito a credito presentes no arquivo digital. (..) estes CFOPS estão contidos no arquivo digitais montados de acordo com o solicitado, mas não fecham com o impresso pois o Sintegra arquivo digital ao qual deve ser passado mensalmente ao Estado não tem aceite se enviado com estas CFOPS. A contribuinte, todavia, não procedeu à devida quantificação das disparidades citadas acima. No intuito de se aferir a precisão da explanação da interessada, efetuouse a comparação mensal dos valores das divergências apuradas com as somas dos valores das notas fiscais com CFOP 1.949 com crédito diferente de zero.” Assim, conclui a Fiscalização que “Tendo em vista a falta de plausível justificativa as discrepâncias em tela, realizaramse ajustes nas divergências apuradas entre os valores totais obtidos do arquivo digital referente aos lançamentos efetuados no LRE e os valores totais presentes nas cópias das folhas do LRE, conforme discriminado no item 1.1.1 da planilha constante do Anexo I deste Despacho”. A Recorrente afirma que os valores incluídos no CFOP 1.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se trata de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas. Aduz que deverá ser mantido o crédito referente à extração de madeira e manutenção de maquinas e Fl. 814DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 12 serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Entretanto, em relação à inconsistência e discrepância apontada pela fiscalização em seu Despacho Decisório (folha 614), (entre os valores totais obtidos do arquivo digital referente aos lançamentos efetuados no LRE – Livro do Registro de Entradas e os valores totais constantes das cópias das folhas do LRE) a empresa nada esclareceu. Não apresentou nenhuma justificativa capaz de explicar a irregularidade acima apontada. Resignouse, apenas, em tecer diversos comentários sobre o conceito de insumo e defender o aproveitamento das alegadas despesas com serviços de extração da madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação. Pelo exposto, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Entendo, assim, que a Recorrente não se desincumbiu a contento de provar suas alegações, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 – Decreto 70.235/72). Cabe ao interessado apresentar os elementos de prova para comprovar o alegado direito creditório, nos termos do que prescreve o artigo 333 do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização em relação à apuração dos créditos não cumulativos do PIS em relação aos “Outros serviços não especificados”. iii. Da glosa de créditos do PIS não cumulativo decorrentes de “Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda”; A questão em discussão referese à glosa de créditos referente às despesas de armazenagem de mercadorias e fretes nas operações de comercialização (venda) das mercadorias da Recorrente, prevista no artigo 3º, inciso IX, c/c artigo 15 da Lei 10.833/2003. Neste item, a fiscalização apontou (fl. 616) além das irregularidades em relação à emissão dos CTRC relativos aos fretes, já descritas no item i (não indicação do número da nota fiscal transportada e emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço), ficou constatado que alguns dos serviços prestados não eram passíveis de créditos, dentre os quais citase: serviços de remoção (fl. 491), "posic para desunitizacao" (fls. 530), dentre outros. Neste ponto, também a Recorrente alega que o frete enquadrase no conceito de insumo, que não existem vícios formas que podem levar a glosa dos créditos e que os transportadores emitiam nota conjunta onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em determinado período, que as irregularidades não prejudicaram o fisco. Alega (fl. 738), ainda, que “... contratou fretes de terceiras pessoas, as quais emitem uma única nota fiscal (CTRC) para um determinado tempo de serviço. Ora, não pode a empresa recorrente ser prejudicada pelas irregularidades praticadas pela prestadora do serviço. Até porque, sequer há prejuízo ao fisco com os ditos vícios, Fl. 815DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13971.002002/200600 Acórdão n.º 3202000.474 S3C2T2 Fl. 7 13 na medida em que eles não impediram com que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre tais valores”. É fato, entretanto, que há irregularidades na emissão dos CTRC. Conforme destacou a decisão recorrida “compulsandose as notas fiscais anexas ao despacho decisório, vislumbrase, de fato, algumas irregularidades formais relativas os CTRC, em alguns casos, serviços para os quais não há previsão para creditamento, dentre outras irregularidades”. O mais relevante, contudo, é o fato que não restou demonstrada a correlação entre os conhecimentos de transportes apresentados e as notas fiscais de venda das mercadorias. Esta prova é fundamental para que dê ensejo aos créditos da contribuição no regime da não cumulatividade, prevista no artigo 3º, inciso IX, c/c artigo 15 da Lei 10.833/2003. A interessada alega apenas, de forma genérica, os conhecimentos de transporte se referem a várias notas, entretanto, não faz a correlação entre as notas fiscais, para cada operação de venda efetuada, com os respectivos conhecimentos de transporte apresentados. Destarte, como já comentado nos itens anteriores, pareceme que também neste caso, a Recorrente não se desincumbiu a contento de provar suas alegações. No entender deste julgador, as irregularidades apontadas pela fiscalização, em seu Despacho Decisório, deveriam ser rebatidas pelo contribuinte, e acompanhadas das respectivas provas, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 – Decreto 70.235/72). Não há, portanto, como acolher os argumentos apresentados pela Recorrente neste ponto. Conclusão Destarte, diante de tudo o que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 816DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 11516.006477/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/2009
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE
FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária.
Ao deixar de descrever em folha de pagamento os valores pagos à título de premiação aos empregados e contribuintes individuais, incorreu a empresa em inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes, bem como as não integrantes da remuneração e os descontos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.194
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Ao deixar de descrever em folha de pagamento os valores pagos à título de premiação aos empregados e contribuintes individuais, incorreu a empresa em inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes, bem como as não integrantes da remuneração e os descontos legais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006477/200951 Acórdão n.º 240102.194 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.234.5573, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. As remunerações que deixaram de ser informadas NAS FOLHAS DE PAGAMENTO, referemse a rubrica de "PRÊMIO CARTÃO", que é remuneração paga através de cartões da Incentive House S/A e Expertise Comunicação Total S/C Ltda, pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais no período de 11/2006 a 07/2007. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 01/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 52 a 72. Foi exarada Decisão de 1 instäncia que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 113 a 136 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 141. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. Argumenta que o fiscal, para justificar a aplicação da penalidade, afirma ter a impugnante deixado de incluir nas folhas de pagamento valores percebidos por seus funcionários a título de premiação. No entanto, acredita que as verbas pagas como prêmio não correspondem a fatos geradores de contribuição previdenciária, motivo pelo qual não se pode exigir o cumprimento da obrigação acessória relativa a essas importâncias. 2. Sendo assim, alega que, primeiramente, se faz necessário julgar o auto de infração referente à obrigação principal para, depois, analisar este, visto que, caso fique afastado o primeiro, consequentemente, o segundo seguirá a mesma sorte. 3. Entendendo assim, passa, então, a expor suas razões em relação à contribuição previdenciária apurada. 4. Alega que os valores pagos a título de premiação não se confundem com a remuneração. Segundo a autuada, os ganhos eventuais e os abonos espontâneos não integram o conceito de remuneração, porquanto decorrem de mera liberalidade do empregador e desvinculados de qualquer evento anterior. Por ser assim, a Lei n° 8.212/91 prevê em seu artigo 28, §9°, alínea "e", a não incidência das contribuições previdenciárias sobre eles. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5. Vêse, assim, que se encontram excluídas do conceito de remuneração a s verbas que não possuem qualquer comutatividade com o esforço decorrente da relação de emprego, servindo não para retribuir o trabalho do empregado, mas, quando muito, proporcionar uma melhoria n a s condições de trabalho. 6. Afirma que referidas quantias não têm vinculação nenhuma com o esforço decorrente da relação de emprego, as quais servem apenas, quando muito, para proporcionar uma melhoria nas condições de trabalho. Consoante a impugnante, os valores foram pagos ocasionalmente, apenas para aqueles trabalhadores que alcançavam determinada meta, como forma de recompensa, puramente subjetiva e a título de benevolência. 7. Discorda da incidência dos juros SELIC sobre as contribuições sociais que se exige, alegando tratarse de matéria inconstitucional. 8. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006477/200951 Acórdão n.º 240102.194 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 231. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade aplicação de juros Selic, e a incidência de contribuições sobre o valor dos prémios, destacando tratarse de valor estranho a remuneração. Dessa forma, em relação as faltas que lhe foram imputadas, objeto da presente autuação, ou seja, inclusão na FOPAG dos valores dos prêmios, o mesmo entende que por não constituírem salário de contribuição, não há como persistir a obrigação de informar em folha. Assim, competenos apreciar a argumentação quanto a não inclusão por não corresponder a remuneração, o que de pronto, entendo não assistir razão ao recorrente. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao INSS para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e (grifo nosso) V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. Note se, que o dispositivo legal não requer a inclusão apenas das verbas integrantes da remuneração, como também aquelas rubricas não integrantes, razão porque, deveriam constar os valores pagos à título de premiação, mesmo se entendesse o recorrente que os mesmos não constituiriam salário de contribuição. Dessa forma, não existe razão para que se vincule o resultado do AI em tela ao resultado da NFLD que determinou a incidência de contribuições sobre a verba premiação. Conforme mencionado acima, tanto as parcelas integrantes, como não integrantes do salário de contribuição deveriam constar da folha de pagamento, razão porquê correto foi o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006477/200951 Acórdão n.º 240102.194 S2C4T1 Fl. 4 7 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Quanto à argumentação da recorrente de que inaplicável a taxa SELIC, note se que em e tratando de auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória, não há a incidência de taxa SELIC, razão porque deixo de apreciar dito argumento. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005069/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A pessoa jurídica que deixa de escriturar a sua movimentação financeira e bancária fica sujeita ao arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
A Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
MULTA DE OFÍCIO
É cabível o agravamento da multa de oficio quando o sujeito passivo apresenta a Declaração de Informações EconômicoFiscais
da Pessoa Jurídica como inativa, não oferece à tributação as receitas e não efetua a declaração dos débitos em DCTF, o que configura a hipótese de sonegação fiscal, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da
ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.
Numero da decisão: 1402-000.977
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A pessoa jurídica que deixa de escriturar a sua movimentação financeira e bancária fica sujeita ao arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO É cabível o agravamento da multa de oficio quando o sujeito passivo apresenta a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica como inativa, não oferece à tributação as receitas e não efetua a declaração dos débitos em DCTF, o que configura a hipótese de sonegação fiscal, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.
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A pessoa jurídica que deixa de escriturar a sua movimentação financeira e bancária fica sujeita ao arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO É cabível o agravamento da multa de oficio quando o sujeito passivo apresenta a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica como inativa, não oferece à tributação as receitas e não efetua a declaração dos débitos em DCTF, o que configura a hipótese de sonegação fiscal, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Recurso Voluntário desprovido. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.005069/200940 Acórdão n.º 1402000.977 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Autos de Infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de mula de ofício de 150% e juros, referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário 2005. Conforme Relatório Fiscal (fls. 441/445), a contribuinte foi intimada a apresentar os livros Diário, Razão e de Apuração do Lucro Real do ano de 2005, bem como os extratos das contas bancárias de sua titularidade. Nos referidos livros não foi identificada nenhuma conta contábil de registro da movimentação bancária. A contribuinte contabilizou na conta de "Serviços Prestados" o montante anual de R$ 2.842.181,34 (fls. 440), valor este significativamente inferior à movimentação financeira calculada com base na CPMF. Assim, constatou a fiscalização que, apesar de a pessoa jurídica ter operado normalmente no anocalendário de 2005, como demonstram a contabilidade, a movimentação Fl. 685DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.005069/200940 Acórdão n.º 1402000.977 S1C4T2 Fl. 3 3 financeira e as respostas dadas às intimações, a contribuinte apresentou ao Fisco Declaração de Inatividade. Consta, também, que a contribuinte não apresentou DCTF e que não efetuou nenhum recolhimento espontâneo a titulo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativamente ao ano calendário de 2005. Em conseqüência da discrepância verificada entre a receita escriturada e a movimentação bancária realizada, foi elaborada uma relação de depósitos efetuados nas contas correntes, tudo de acordo com extratos bancários entregues pela contribuinte, e intimado a contribuinte para que identificasse e comprovasse a origem dos tais depósitos (fls. 160/170). A contribuinte apresentou a documentação bancária referente a todos o depósitos efetuados, porém, em virtude da falta de clareza de alguns documentos, foi novamente intimado (fls. 424) para que identificasse os depósitos que não configurassem receita da atividade empresarial, para o que foi apresentada a resposta (fls. 426/430) identificando alguns depósitos realizados por funcionários. Como consequencia, foram considerados como receitas da atividade todos os demais depósitos, conforme relação de fls. 160/170. Após isso, foi procedido o arbitramento do lucro com base no inc. II, alínea "a", do art. 530 do RIR/99, considerandose como base de cálculo a receita escriturada e a receita omitida, calculada esta em função da diferença existente entre os depósitos bancários e a receita escriturada. Para o cálculo do IRPJ, aplicouse o percentual de 32% previsto para a ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS, conforme art. 519, parágrafo 1°., inciso III, RIR/99, acrescido do percentual de 20% previsto no art .532, do mesmo diploma legal, resultando no percentual total de 38,4%. A autuante entendeu que a conduta do sujeito passivo se enquadra no conceito de sonegação fiscal previsto no art. 71, inc. I, da Lei n° 4.502/64, qualificando, assim, a multa de ofício. A contribuinte apresentou a impugnação (fls. 486 a 494), alegando que: 1) Sua atividade não se restringe somente à prestação de serviços gerais, mas também exerce atividades de industrialização e comercialização própria, cujos produtos, em alguns casos, estão sujeitos à hipótese de incidência do IPI, por isso deveriam ter sido aplicados percentuais de apuração de base de cálculo correspondente a cada uma das atividades exercidas, nos termos do parágrafo 3° do art. 519 do RIR/99, desrespeitando o princípio da legalidade e razoabilidade definidas no art. 2° da Lei n° 9.784/99; 2) O autuante deveria ter procedido à segregação das receitas declaradas, escrituradas nos livros fiscais, aplicando a mesma proporção das receitas derivadas da atividade econômica de indústria e comércio em relação às receitas totais, às receitas supostamente omitidas, mas, ao arbitrar a base de cálculo do IRPJ pela maior alíquota fixada o art. 519 do RIR/99, incorreu em verdadeiro confisco, o que é defeso pela Constituição Federal; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.005069/200940 Acórdão n.º 1402000.977 S1C4T2 Fl. 4 4 3) O autuante inovou na ordem jurídica, pois realizou uma estimativa de receita e, em cima desta, arbitrou um valor a título de lucro, deixando de excluir da receita arbitrada o valor do IPI incidente sobre algumas operações, o que caracteriza o brocardo jurídico bis in idem, vedado pelo ordenamento jurídico; 4) O autuante, ao invés de aplicar os critérios estabelecidos no art. 535 do RIR/99 para arbitramento do lucro, no caso de não ser conhecida a receita bruta, inovou, arbitrando a receita no pressuposto de que os valores lançados a crédito na conta bancária podem ser considerados como supostas receitas tributáveis, quando seu dever de oficio era observar estritamente os incisos I a VII do referido artigo; 5) Embora entenda ser imprescindível a juntada das notas fiscais de venda, está impossibilitado de apresentar esses documentos fiscais em razão de eles estarem apreendidos junto à Receita Estadual, conforme Termo de Apreensão anexado; 6) Por último, requer (i) a declaração de nulidade do auto de infração por erro material, pois deveria ter sido aplicado percentuais de apuração da base de cálculo de cada atividade; (ii) revisão dos autos de infração, de modo a apurar os valores efetivamente devidos; (iii) abertura de prazo para a apresentação das notas fiscais de venda e prestação de serviços e, (iv) e a realização de perícia contábilfiscal com o objetivo de determinar a proporção das receitas de cada atividade econômica da empresa, desconsiderando os valores relativos ao IPI. A 1ª Turma da DRJ/POA, analisando as razões levantadas na impugnação, julgou o lançamento procedente, conforme acórdão de fls. 532/534. Consoante as autoridades julgadoras de 1ª instância, as evidências são de que todas as suas receitas provêm da prestação de serviços, pois a parcela da receita escriturada foi efetuada somente a este título (fls. 440), sendo que nenhuma prova em contrário foi feita pela contribuinte que teve tempo e oportunidade para fazêlo. Além disso, acrescentou que a falta de escrituração da movimentação financeira, esta muito superior à receita declarada, autoriza o arbitramento do lucro, bem como a declaração de IRPJ como inativa e a falta de declaração de débitos em DCTF e a falta de recolhimento espontâneo de tributo durante todo o anocalendário de 2005, denota o intuito doloso de impedir ou retardar que o fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Em face do referido Acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos de sua peça Impugnatória e sustentando o cerceamento do seu direito de defesa, pois o acórdão a quo não abriu prazo para juntada dos documentos fiscais, bem como não designou a perícia contábil requerida na peça impugnatória. Destarte, a contribuinte listou, digitalizou e apurou todas as notas fiscais emitidas no ano de 2005, conforme lista anexa ao recurso voluntário. De acordo com essa apuração, considerando os códigos fiscais de operações e prestações CFOP que se traduzem em receita tributável, quais sejam aqueles denominados 5.101, 5.124 e 5.933, apurou um faturamento de R$ 5.504.476,26. Da mesma forma, buscou a contribuinte efetuar o levantamento de sua movimentação financeira que se traduzia em ingressos de recursos, passíveis de serem Fl. 687DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.005069/200940 Acórdão n.º 1402000.977 S1C4T2 Fl. 5 5 considerados como receita. Para tanto, também digitou toda a movimentação financeira, conforme planilha anexa ao recurso voluntário. Dessa movimentação financeira, excluiu os lançamentos à crédito que supostamente não resguardavam a condição de receita, tais como resgates de fundos, reembolso de CPMF, empréstimos, entre outras. Também anexada planilha que demonstra a movimentação financeira (extratos bancários) que serviu de base para esta apuração. Nesta senda, a contribuinte apresentou movimentação financeira de R$ 5.859.261,98, que seria supostamente condizente com o faturamento fiscal apurado nas notas fiscais, que monta o total de R$ 5.504.476,26, alegando que a pequena diferença de 8% (oito por cento) é decorrente de transferências interbancáirias, podendo ser considerada irrelevante frente ao todo. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Aduz a Recorrente o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que a autoridade julgadora de 1ª instância não abriu prazo para juntada dos documentos fiscais, bem como não designou a perícia contábil requerida na peça impugnatória. Sobre o tema, entendo que não merece reforma o acórdão recorrido. Como bem pontuado pelo julgador a quo, a Recorrente teve prazo suficiente durante a fiscalização e mesmo após a autuação para apresentar as notas fiscais, já que as mesmas só foram entregues ao Fisco Estadual em 24/09/2009 (fls. 522); ou seja, 21 dias após a autuação. Além disso, é ônus da Recorrente manter sua escrituração em dia. Diante da falta de escrituração de grande parte de sua movimentação financeira, está autorizado o arbitramento do lucro (art. 530, II, a do RIR/99). Assim, uma vez que (i) a Recorrente não escriturou sua movimentação financeira, (ii) não identificou ou comprovou a origem da sua receita quando teve oportunidade, correta está a decisão de primeira instância em indeferir a perícia contábil para que fosse verificada a parcela de receita que corresponde a cada atividade. Passemos ao mérito. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.005069/200940 Acórdão n.º 1402000.977 S1C4T2 Fl. 6 6 Inicialmente, é preciso ter em mente que, de fato, a atividade da Recorrente não se limita à prestação de serviços em geral, uma vez que o seu contrato social enuncia que "o objetivo social da empresa é INDÚSTRIA DE PEÇAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS EM GERAL, FABRICAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS EM GERAL, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE USINAGEM, RECONDICIONAMENTO DE PEÇAS EM GERAL, MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS E PNEUMÁTICOS" (fl. 501). Em seguida, fazse mister pontuar que, no que toca à resposta apresentada às fls. 426/430, a Recorrente apenas identifica alguns depósitos realizados por funcionários, mas não admite, em relação aos demais, serem receitas de sua atividade. No entanto, como ficou demonstrado pela fiscalização, a Recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, bem como dos recursos depositados em contas de terceiro, quando regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei nº. 9.430/96). Mesmo após a apresentação de diversos documentos no recurso voluntário, a origem dos valores depositados não restou comprovada. As planilhas apresentadas pela recorrente simplesmente indicam a movimentação financeira e a tributação ou não de cada depósito, sem, contudo, fazer prova da tributação das receitas. Ademais, a Recorrente admite que apresentou movimentação financeira de R$ 5.859.261,98, valor este condizente com o faturamento fiscal por ela apurado nas notas fiscais, no total de R$ 5.504.476,26. Ora, a conclusão da Recorrente corrobora a afirmação da fiscalização no sentido de que existe receita tributável no montante de R$ 5.643.259,54. Entretanto, nenhum dos documentos apresentados é capaz de elidir o fato narrado pela fiscalização de que, desses R$ 5.643.259,54, apenas R$ 2.842.181,34 foram escriturados, restando R$ 2.801.078,20 de receitas omitidas. É necessário lembrar que, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Logo, os depósitos bancários cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, caracterizam omissão de receita e, como tais, constituem base de cálculo para o arbitramento do lucro. Tratase de uma presunção legal, prova indireta de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados pelo titular da conta corrente com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.005069/200940 Acórdão n.º 1402000.977 S1C4T2 Fl. 7 7 Dessa forma, e considerando que a Recorrente não recolheu qualquer valor a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no anocalendário em comento, mostrase correta a tributação de toda receita apurada pela fiscalização em arbitramento do lucro. Quanto aos demais impostos lançados (CSLL, PIS e COFINS), sendo esse lançamento decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), entendo correta a aplicação de idêntica solução. De outro giro, digase que os documentos apresentados pela Recorrente poderiam, em tese, afastar o arbitramento no percentual utilizado pelas autoridades fiscais, caso fossem apresentadas todas as notas fiscais listadas, cujos valores somados se aproximam dos valores apurados pela fiscalização, hipótese em que seria possível segregar quais receitas pertencem a quais atividades. Contudo, a Recorrente apenas lista as notas fiscais e não as anexa, sem fazer prova do que alega. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se referem as receitas omitidas, estas serão adicionadas àquela que corresponder ao percentual mais elevado e que, no caso concreto, corresponde a prestação de serviços gerais. Diante disso, forçoso concluir pela manutenção do arbitramento da base de cálculo, conforme realizado pelas autoridades fiscais, observando as disposições expressas no artigo 530, inciso II, letra “a”, artigo 532 e artigo 537, parágrafo único do RIR/99. Por fim, entendo ser cabível a qualificação da multa de oficio quando o sujeito passivo apresenta a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica como inativa, não oferece à tributação as receitas e não efetua a declaração dos débitos em DCTF, o que configura a hipótese de sonegação fiscal, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente o auto de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 690DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.005891/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias.
MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas nos artigos 145 e 150 da CF/88.
RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN somente é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce.
Impondo a lei nova penalidade mais gravosa à infração objeto da autuação, não há que se falar em retroatividade benigna.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.776
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4º do CTN para
todo o período.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas nos artigos 145 e 150 da CF/88. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN somente é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. Impondo a lei nova penalidade mais gravosa à infração objeto da autuação, não há que se falar em retroatividade benigna. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas nos artigos 145 e 150 da CF/88. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN somente é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. Impondo a lei nova penalidade mais gravosa à infração objeto da autuação, não há que se falar em retroatividade benigna. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura da NFLD: 21/12/2009. Data da Ciência da NFLD: 22/12/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tendo como fatos geradores as remunerações pagas a contribuintes individuais não incluída em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, bem como as remunerações pagas a segurados empregados a título de “Previdência Privada Suplementar”, pagas em desacordo com a legislação de regência, além das contribuições previdenciárias a cargo dos próprios segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 49/56. Informa a Autoridade Lançadora que, ao ser examinada a contabilidade da empresa, os arquivos digitais apresentados (balancetes e Livros Diário e Razão), as contas 21409 INSS Autônomos a Recolher, 55205 Serviços Temporários PF e 55517 Previdência Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 436 3 Social Autônomos, constatouse a existência de pagamentos realizados a contribuintes individuais que não foram declarados nas GFIP ou nas folhas de pagamentos mensais, os quais figuram como bases de cálculo de contribuintes individuais incluídas no Levantamento CI. Apurou, também, a fiscalização a existência de gastos distintos com Plano de Previdência Privada, registrados nas contas de despesa de Previdência Privada (contas 51113, 53113, 54114, 55114, 57114) e despesa de Previdência Privada Suplementar (contas 51114, 53114, 54115, 55115, 57115). Verificouse que, enquanto todos os empregados figuravam como beneficiários do plano de Previdência Privada "básico", o mesmo não acontecia com o plano de Previdência Privada Suplementar, não restando comprovado por parte da empresa que a totalidade dos empregados e dirigentes eram também beneficiários deste plano. Constatou a fiscalização que os valores lançados nas contas de Previdência Privada Suplementar correspondiam a meras provisões, sendo que os efetivos pagamentos aconteceram efetivamente em algumas poucas competências, com maior aporte de recursos nos meses 01/2004, 04/2004, 07/2004 e 10/2004. Tendo em vista que a legislação previdenciária somente exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias o valor pago pelo empregador a título de previdência complementar quando o benefício for extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, diante do não cumprimento de requisito essencial, os valores pagos a título de Previdência Privada Suplementar foram considerados base de cálculo de contribuições previdenciárias, incluídos no Levantamento PP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 59/86, cortejada pelos documentos a fls. 87/261. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 295/310, espancando as alegações de defesa, julgando dessarte procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/02/2011, conforme Aviso de Recebimento AR, a fl. 314. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 317/341, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que se operou a decadência dos fatos geradores ocorridos nas competências janeiro a novembro/2004; • Que a Fiscalização não indicou quais funcionários da Impugnante não teriam aderido ao plano de Previdência Privada Complementar. Aduz que todos os empregados fizeram a opção pelo citado plano e receberam pagamentos a este título; • Que mesmo se comprovado que o plano de previdência privada complementar não teria sido disponibilizado à totalidade de seus Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 empregados, ainda assim o benefício concedido não poderia sofrer incidência de contribuições previdenciárias dada a sua natureza que é a própria prestação previdenciária; • Que houve erro na fixação do percentual de multa de mora, eis que não foram observados os limites previstos na Lei n° 11.941/09. O percentual de multa aplicado (24%) está acima do limite imposto pelo art. 61 da Lei 9.430/96 que é de 20%; • Que a multa aplicada afronta o princípio da proporcionalidade e a capacidade contributiva do Contribuinte; Ao fim, requer que seja cancelada a autuação objeto do presente Processo Administrativo Fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/02/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Insurgese o Recorrente em face do presente lançamento forte na alegação de decadência do direito da fazenda pública de constituir o crédito tributário em apreciação. Razão não lhe assiste. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 437 5 Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados somente poderiam ter sido apuradas mediante ação fiscal, aplicase o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. No caso vertente, o levantamento PP tem por fato gerador valores supostamente pagos a segurados empregados a título de previdência privada suplementar, Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 rubrica essa que o próprio Recorrente admite e defende não constituir a base de incidência de contribuições previdenciárias. Logo, em relação a tal rubrica, não houve qualquer recolhimento prévio da exação em tela e a sua apuração pelo Fisco demandaria sempre a instauração de procedimento fiscal. Inaplicável, portanto, o preceito inscrito no §4º do art. 150 do CTN. Quanto ao levantamento CI, o Relatório de Documentos Apresentados a fl. 10, assim como o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, a fls. 11/12, demonstram que nas competências objeto do lançamento, digase janeiro e março de 2004, não houve qualquer recolhimento prévio, tampouco apropriação de valores recolhidos, circunstância que, igualmente, afasta a incidência do preceito legal mencionado no parágrafo anterior. De outro eito, conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Igualmente, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como mera condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Ultrapassadas estas breves considerações, deflui da análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 438 7 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo à competência dezembro de 2003 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2005, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2009, inclusive. Diante de tal conjugação, tendo sido a ciência do lançamento realizada no dia 22 de dezembro de 2009, este alcançaria todos os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2003, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano, de modo que nenhum dos fatos geradores apurados pela fiscalização no lançamento em pauta houvese ainda por finado pela algozaria do instituto da decadência tributária ora em debate. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 439 9 §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 440 11 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 441 13 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 442 15 aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘p’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Fulgura virtuoso esclarecer, de molde a não gerar incertezas, que mesmo os valores pagos a título da rubrica referida no parágrafo anterior ostentam ontologicamente natureza de remuneração segundo o prisma adotado pela Lei nº 8.212/91, sendo apenas tais rubricas remuneratórias excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força da norma isentiva encartada no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Registrese, por relevante, que somente quando disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes o valor das contribuições pagas pela Empresa relativa a Previdência Privada Complementar estará a salvo das garras do Fisco Federal. O pagamento de verbas a tal título, mas efetuado em desacordo com a legislação previdenciária, implicará sua exclusão da hipótese de não incidência legal aviada no art. 28, §9º, ‘p’ da Lei nº 8.212/91 e será considerada, para todos os fins e efeitos, parcela de remuneração integrante do conceito legal de salário de contribuição. 3.1.1. DOS PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA SUPLEMENTAR Da análise da documentação apresentada pela empresa, apurou o auditor fiscal notificante a contabilização de despesas a título de Plano de previdência privada no montante de R$ 1.687.379,54, subdivididos em contas de despesa Previdência Privada (R$ 74.268,51) e Previdência Privada Suplementar (R$ 1.613.111,03). Anotese que o próprio dispositivo legal encapsulado no art. 28, §9º, ‘p’ da lei nº 8.212/91, colimando evitar o desvirtuamento do benefício em apreço, remete expressamente à observância do art. 9º da CLT, o qual reza: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. No exercício desse mister, constatou o auditor fiscal notificante que todos os empregados do Recorrente são beneficiários do Plano de Previdência Privada "básica". Todavia, em relação ao Plano de Previdência Privada Suplementar, não ficou comprovada a disponibilização do benefício à totalidade dos empregados e dirigentes. Com efeito, os programas de previdência complementar caracterizamse pela formação de um fundo privado, constituído por contribuições assíduas e ininterruptas de seus beneficiários ou de terceiros em favor destes, com o objetivo específico de compor uma determinada massa crítica de recursos, suficientes para gerar um fluxo regular e permanente de benefícios, a partir de determinada data, enquanto sobreviver o participante. Em resumo, pode se dizer que é um sistema que acumula recursos que garantam uma renda mensal no futuro, especialmente no período em que se deseja parar de trabalhar. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 443 17 Apurou a fiscalização que os valores lançados nas contas "Previdência Privada Suplementar" correspondiam a provisões para depósito em previdência privada suplementar, sendo que os efetivos pagamentos aconteceram em alguns meses somente, com aporte maior de recursos nos meses de janeiro, abril, julho e outubro de 2004, não tendo sido observado pagamento continuado, como sói ocorrer nos contratos dessa natureza. Logo de plano, colhemos das fichas de registro de empregados a fl. 133/159, e das GFIP a fls. 161/215, que o Recorrente, no período de apuração, possuía 27 empregados registrados, todos na categoria 01 – segurado empregado. Com efeito, nos discriminativos a fls. 45/47 do vol. 4 constam, de fato, 27 beneficiários. Contudo, no demonstrativo de contribuições recebidas, a fls. 82/85 do vol. 4, constam somente 25 segurados, e não os 27 que se era de esperar, não havendo, nem mesmo, o registro de um dos administradores da empresa, digase, o Sr. José Rubens Moreira Tocci, que pela planilha a fl. 45 do vol. 4 teria recebido um aporte de quase 146 mil Reais, assim como o Sr. Jose Rodolfo Bacci Filho, agraciado com cerca de R$ 42.644,82 no exercício de 2004. De outro canto, a empresa demonstrou custear para seus segurados dois tipos de plano de previdência privada, a saber: a) Produto 55 PGBL Corporate : apresentados comprovantes nos meses 01/2004 a 10/2004 e 12/2004; b) Produto 50 – PMEC: apresentados comprovantes nos meses 07/2004, 08/2004, 10/2004 e 11/2004 Ocorre, todavia, que inexiste nos autos qualquer elemento comprobatório que interligue os planos acima indicados às contas de despesa de Previdência Privada (contas 51113, 53113, 54114, 55114, 57114) e de despesa de Previdência Privada Suplementar (contas 51114, 53114, 54115, 55115,57115). Por outro lado, nenhum dos comprovantes dos meses 07/2004, 08/2004, 10/2004 e 11/2004 para o produto 50 PMEC demonstra a contribuição da empresa para a totalidade dos segurados empregados, analisados individualmente. Por outro viés, somandose todos os aportes apresentados nas planilhas a fls. 45/47 do vol. 4 chegase a um montante de R$ 1.322.090,60 , rateados em R$ 183.225,76 e R$ 1.138.864,84 a título de 55PGBL e 50PMEC, respectivamente, enquanto que a contabilidade registra um volume de R$ 1.687.379,54, subdivididos em contas de despesa Previdência Privada (R$ 74.268,51) e Previdência Privada Suplementar (R$ 1.613.111,03). Mas não é só. Há mais. Para que haja a subsunção da rubrica em voga à hipótese de não incidência legal, constituise condição sine qua non que o benefício seja estendido a todos os segurados e dirigentes da empresa. Ora, se a lei impõe que o programa tem que ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes, ao empregar o legislador o Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 artigo definido masculino singular é de se pressupor que seja o mesmo programa para todos, e não, um programa desenhado taylor made para cada um dos empregados. Acontece que a análise das planilhas acostadas a fls. 45/47 do vol. 4 dos autos não permite que se extraia qual foi o critério de concessão do benefício adotado pelo Recorrente. Como explicar que dois empregados que tenham o mesmo salário de R$ 5.043,00 receba um, um aporte três vezes maior que o outro? Ou que um funcionário cujo salário seja de R$ 2.120,00 receba quase o triplo do aporte auferido por outro com salário de R$ 2.604,00? Ou que um empregado que tenha salário de R$ 1.271,00 receba R$ 14.624,23 em aportes enquanto que outro, auferindo R$ 2.085,00 mensalmente, só tenha sido beneficiado com R$ 10.010,89 (46%)? Ou mesmo que um empregado que receba R$ 13.406,00 por mês tenha recebido 50% mais de aportes no ano do que outro que ganha R$ 15.353,00 ? SALÁRIO 55‐PGBL 50‐PMEC TOTAL VARIANCIA 584,00 420,00 2.753,77 3.173,77 1.271,00 2.250,72 12.373,51 14.624,23 146,08% 2.038,67 1.200,48 10.418,92 11.619,40 2.085,00 1.500,72 8.510,17 10.010,89 2.120,00 3.815,88 42.496,59 46.312,47 297,69% 2.604,00 3.124,96 12.432,11 15.557,07 2.604,00 2.812,32 15.608,76 18.421,08 3.126,00 1.371,96 15.312,72 16.684,68 3.126,00 2.250,38 14.753,10 17.003,48 3.216,00 2.250,72 14.925,05 17.175,77 5.043,00 3.630,72 24.076,93 27.707,65 5.043,00 5.400,75 37.244,07 42.644,82 5.043,00 3.630,72 77.777,81 81.408,53 293,81% 5.550,00 3.995,28 26.494,41 30.489,69 5.550,00 4.561,40 26.494,41 31.055,81 5.550,00 9.968,44 24.965,40 34.933,84 6.207,00 4.096,16 29.631,96 33.728,12 6.207,00 4.468,56 29.631,98 34.100,54 6.207,00 5.027,13 29.631,96 34.659,09 6.207,00 4.469,56 49.027,64 53.497,20 158,61% 7.294,00 3.500,88 34.823,21 38.324,09 9.897,00 9.500,52 39.978,84 49.479,36 10.885,00 7.837,20 46.172,80 54.010,00 10.885,00 14.368,32 69.452,56 83.820,88 155,20% 13.406,00 25.068,65 132.532,28 157.600,93 13.406,00 25.068,65 193.288,58 218.357,23 149,88% 15.353,00 27.634,68 118.055,30 145.689,98 Tais constatações corroboram as razões que deram ensejo ao presente lançamento, marcada pela constatação de que os documentos apresentados pela empresa não comprovavam a disponibilização do benefício em foco à totalidade dos empregados e dirigentes do Recorrente. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 444 19 Caracterizada definitivamente a deficiência da documentação apresentada pela empresa, e constatado que a contabilidade não registrava o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, determinam as normas imperativas consignadas nos §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91 que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus auditores fiscais, lancem de ofício a importância reputada como devida, mediante a apuração indireta da base de cálculo, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. No caso presente, ante a ausência de comprovação de que os valores ora em debate, lançados na contabilidade, correspondiam efetivamente a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, e que tal benefício tenha sido disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa autuada, concluiu a fiscalização pela não subsunção da verba em realce à hipótese de não incidência legal assentada na alínea ‘p’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se furtando tal rubrica, portanto, à incidência das contribuições previdenciárias previstas no Diploma Legal acima mencionado. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Nunca é demasiado relembrar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por fundamental, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações na contabilidade não é uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis equiparam se a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 445 21 constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Nessas circunstâncias, a não apresentação de documentos que dessem esteio substancial aos lançamentos registrados na contabilidade frustrou os objetivos da lei, Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores. É promissor, neste momento, iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. O Mestre Hely Lopes Meirelles, em exuberante trabalho doutrinário, prelecionava que “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Nessa vertente, avulta que a presunção de legitimidade do ato administrativo relacionase aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. A presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos portam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Assim, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 446 23 administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações dos agentes fiscais, no exercício de sua função, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a inverossimilhança dos assentamentos em realce. Ocorre todavia que no desempenho de seu encargo não logrou a empresa coligir ao autos provas robustas aptas a afastar os sólidos alicerces sobre os quais se ergueu a vertente autuação combatida. Inexiste nos autos qualquer indício de prova material de que os valores lançados na contabilidade se referiam a planos de previdência complementar, a não ser a própria descrição dos lançamentos. Onde estão as provas materiais que dão arrimo a esses lançamentos? Onde estão os contratos firmados com a instituição financeira? Citese que os demonstrativos acostados a fls. 45/47 do vol. 4 dos autos não passam de planilhas elaboradas unilateralmente pela empresa, em computador, não possuindo elas vocação probatória alguma, valendo anotar que, sequer, encontramse assinados pelo seu emissor. Os boletos acostados a fls. 57/80 do vol. 4 dos autos também nada provam. A uma, por que não ostentam qualquer vinculação, a mínima que seja, com o plano de previdência privada em foco, tampouco com o seu beneficiário. A duas, porque não vêm acompanhados de qualquer comprovação de efetivo pagamento, ostentando alguns boletos, tão somente, um carimbo alusivo a “pagamento via bank line”, que por sua vez, igualmente, não faz prova concreta do recolhimento. Onde estão os efetivos comprovantes de pagamento? Os demonstrativos de contribuições recebidas a fls. 82/85 do mesmo vol. 4, por seu turno, provam, igualmente, coisa alguma. Em primeiro lugar, tratamse de cópias não autenticadas, furtandose à formalidade essencial exigida pelo §4º do art. 7º da Portaria nº 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007. Portaria nº 10.875, de 16/08/2007 Art. 7º A impugnação mencionará: (...) §4º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas por servidor da RFB, mediante conferência com os originais, ou em cartório. Em segundo lugar, o documento apresentado não traz qualquer assinatura do responsável pela emissão que lhe confira ares incontestes de procedência, idoneidade e responsabilidade. Documento particular produzido unilateralmente pela parte, dissociado de outras provas, não possui conteúdo probatório, consoante entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento Nº 1.143.689 RJ Relator : Ministro SIDNEI BENETI Data da Publicação: 24/06/2009 [...] Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 10 Quanto aos demais pontos, notase que o Tribunal de Justiça estadual reconheceu a ausência de relação mercantil entre as partes, com base nos seguintes fundamentos (fls. 260/261): Da análise dos autos depreendese que o autor nunca manteve relação negocial com a ré, tendo terceiro se passado por ele. Considerando que o autor alega um fato negativo, qual seja, a inexistência de negócio jurídico com a ré, caberia a esta o ônus de provar o contrário, isto é, que a contratação foi, de fato, efetivada pelo autor, uma vez que somente os fatos positivos podem ser provados. Entretanto, a ré não conseguiu provar que o autor celebrou contrato como revendedor. As provas carreadas aos autos são de folhas de computador sem assinatura do autor que demonstre a anuência na contratação do negócio, documentos unilaterais que não apresentam qualquer suporte probatório. (grifos nossos) Logo, caracterizada está a falha na prestação do serviço, que atingiu seu ápice com o apontamento do nome do autor junto aos cadastros de maus pagadores. [...] 15. Ante o exposto, negase provimento ao Agravo de Instrumento. Publiquese. Intimemse. Afinal, onde estarão os extratos emitidos pela instituição financeira, informando de forma individualizada os depósitos mensais e os saldos das contas de cada um dos beneficiários? Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade a seu conteúdo, portando força probatória as afirmações aviadas no Termo de Autuação em apreço, a quais se mostram bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não logrando dessarte o Recorrente produzir meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 447 25 3.2. DA MULTA DE MORA Argumenta o Recorrente que a multa aplicada afronta o princípio da proporcionalidade, do direito de propriedade dos cidadãos, da capacidade contributiva, do não confisco e o da continuidade do exercício das atividades da empresa. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 448 27 §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa de mora aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DA QUANTIFICAÇÃO DA MULTA Argumenta o Recorrente ter havido erro na fixação do percentual de multa de mora, eis que não foram observados os limites previstos na Lei n° 11.941/09. O percentual de multa aplicado (24%) está acima do limite imposto pelo art. 61 da Lei 9.430/96 que é de 20%. Não procede. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 449 29 Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promove a constituição formal do crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências janeiro a março de 2004, ocasião em que fulgurava, vigente e eficaz, as normas atinentes à incidência de multa de mora irradiadas pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Pondera com razão o Recorrente ao trazer a lume que o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN prevê que a lei nova que comine penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária se aplica ao ato ou fato pretérito, desde que não definitivamente julgado. Argumenta em seu juízo que a Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 35 da Lei nº 8.212/91, remetendo à aplicação da multa conforme o art. 61 da Lei nº 9.430/96, o qual limita o percentual de multa a 20%. Convencido da verossimilhança de sua tese argumentativa, veio aos autos o Recorrente pugnando pela incidência da novel legislação, com fundamento no princípio da retroatividade da lei tributária mais benéfica e saiu sorridente, rindo até de incêndio na creche, convicto que estava de haver logrado encontrar uma saída juridicamente fundamentada para reduzir os acessórios moratórios do tributo lançado. A tese fomentada pelo Recorrente revelarseia perfeita, não fosse por um pequeno detalhe. No conflito aparente de leis no tempo, ao ser aplicada a lei nova a fatos pretéritos, nas situações estritas previstas na lei, ou se aplica integralmente os preceitos de uma lei ou os da outra, sendo impensável que se faça uma colcha de retalhos legislativa, pela incidência de parte de uma e parte da outra. Em outras palavras: Ou a lei nova retroage, com toda pletora de normas aplicáveis ao fato in concreto, ou se faz incidir a lei vigente à data dos fatos geradores, com todos os seus dispositivos. Registrese que o art. 106, II, ‘c’ do CTN versa sobre a retroatividade da LEI, e não do DISPOSITIVO, que cominar penalidade menos severa. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na ocorrência ora em debate, com efeito, a Lei nº 11.941/2009, fruto da conversão da MP nº 449/2008, de fato revogou integralmente a penalidade moratória inscrita no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Mas a lei que deu com uma mão, retirou com a outra. Se por um lado reduziu o percentual da multa moratória, incentivando dessarte a denúncia espontânea, pelo outro fez inserir no ordenamento jurídico, em ádito, uma outra penalidade, assim denominada multa de ofício, visando a desencorajar o inadimplemento tempestivo da obrigação tributária principal. Assim, o atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias que, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, era apenado somente com a multa moratória, com a novel legislação, passa a ser castigado com a multa de mora prevista no mesmo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96. Todavia, tratandose de lançamento de oficio, como assim se configura o presente caso, passa a incidir à espécie a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44 da Lei nº 9.430/96, à razão fixa de 75%. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 450 31 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383/91. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. §5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249/2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; (Incluído pela Lei nº 12.249/2010) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Diante de tal cenário, o atraso objetivo no recolhimento de contribuições previdenciárias pode ser apenado de duas formas, a saber: a) De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%. b) De acordo com a Lei nº 11.941/2009, que deu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, mas, ao mesmo tempo, instituiu uma nova penalidade para o mesmo fato jurídico, mediante a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. O cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a lei vigente à data dos fatos geradores sempre se mostrará mais benéfica ao contribuinte, circunstância que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais gravosa ao infrator. Diante de tais condições, será que o Recorrente ainda prefere a incidência da lei nova? Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal, podendo se asselar, categoricamente, que a decisão vergastada não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.005891/200965 Acórdão n.º 230201.776 S2C3T2 Fl. 451 33 Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10920.002435/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 12/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.541
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi concedido provimento parcial ao recurso. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência parcial da decadência. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela relativa à assistência médica.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente GIDION SA TRANSPORTE E TURISMO E OUTROS Recorrida DRJ FLORIANOPOLIS SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi concedido provimento parcial ao recurso. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência parcial da decadência. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela relativa à assistência médica. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 230201.541 S2C3T2 Fl. 1.221 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a outubro de 2006, fls. 23 a 33. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 1.135 a 1.178. A unidade descentralizada da Receita Previdenciária emitiu a Decisão Notificação (DN), fls. 1.222 a 1.234, mantendo a autuação em parte. Foi excluído o levantamento FP1; sendo interposto o recurso de ofício ao 2º Conselho de Contribuintes. Decisão proferida pela Presidência da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, fls. 1.239 a 1.241, converteu o julgamento em diligência para que as interessadas fossem intimadas a fim de interpor recurso voluntário se assim o desejassem. Cientificadas, as autuadas interpuseram recurso voluntário na forma das fls. 1.249 a 1.289. • Deve ser anulada a notificação fiscal pela utilização da expressão “e outros”; • Parte do lançamento foi atingida pela decadência; • O pagamento da passagem aos motoristas pelo acréscimo no ticket alimentação não possui natureza salarial e teve o aval do Ministério Público do Trabalho e da Delegacia Regional do Trabalho; • A verba foi paga de acordo com o previsto em Acordo Coletivo; • Não incide contribuição sobre os valores de alimentação pagos aos diretores; o PAT não se restringe apenas aos empregados; • Não há incidência sobre os valores pagos aos diretores a título de seguro de vida, conforme art. 458 da CLT; • O pagamento não é verba integrante do saláriodecontribuição; • A assistência médica não caracteriza remuneração; tendo sido paga de acordo com a lei específica; • A contribuição relativa à cooperativa é inconstitucional; • Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. Nova decisão proferida por esta Turma converteu o julgamento em diligência, deveria a unidade descentralizada da Receita Federal do Brasil apensar este auto de infração à Notificação Fiscal conexa ou caso a referida NFLD já tenha sido quitada ou tenha sido parcelada, ou já esteja inscrita em Dívida Ativa, deveria ser colacionada tal informação aos presentes autos. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relato suficiente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 230201.541 S2C3T2 Fl. 1.222 5 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator A decisão de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento. A Delegacia de Julgamento concluiu que o lançamento referente ao levantamento FP1 deveria ser excluído. Não merece prosperar o recurso de ofício, haja vista a própria Receita Federal ter reconhecido o erro na apuração da multa. Conforme consignado no voto vencedor de 1ª instância administrativa: Ao contrário do que entende o auditor fiscal, compensação não é um dado relacionado a fato gerador de contribuições previdenciárias, tão pouco as informações prestadas em GFIP em relação a valores compensados pela empresa alteram os valores das contribuições decorrentes dos fatos geradores declarados. A informação em relação à compensação tem reflexo tão somente no VALOR A RECOLHER, o que influencia valores errôneos em Guias da Previdência Social — GPS, documento distinto das GFIP ora tratadas. Se observarmos adequadamente nas GFIP, documento a que se refere o texto legal, verificase que constam as contribuições calculadas na sua integralidade relativas aos fatos geradores declarados e somente após estas informações é que são diminuídas as compensações, retenções e deduções legais, alterando o campo 'valor a recolher — previdência social", na terminologia utilizada pelo próprio programa SEMI'. Assim sendo, consideradas indevidas tais compensações é cabível o lançamento dos valores não recolhidos, como, aliás, ocorreu através da NFLD n° 37.060.544 6, processo n°. 10920.002433/200756, bem como a autuação pelo fundamento fático de a empresa apresentar a GFIP com informações inexatas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que configura a infração prevista no inciso IV e § 6° da lei n°8.212/91 (CFL 69), cuja multa é a cominada no inciso III do art. 284 do RPS, abaixo transcritos. O recurso voluntário foi interposto tempestivamente. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 12 de junho de 2007, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 31 de dezembro de 2007. Corroborando a forma dessa contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 230201.541 S2C3T2 Fl. 1.223 7 de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ao contrário do afirmado pela recorrente não deve ser anulada a notificação fiscal pela utilização da expressão “e outros”. Tal expressão é usual e necessária tanto nos processos administrativos quanto judiciais, para fins de cadastramento nos sistemas. As sociedades solidárias estão devidamente arroladas e identificadas no relatório fiscal (item 3 à fl. 23), o que possibilitou a ampla defesa dos sujeitos passivos. Em razão da prejudicialidade com a NFLD conexa, cujo voto apresentei na presente sessão, transcrevo as mesmas razões de decidir. Não procede o argumento recursal de que o pagamento aos motoristas pela “passagem embarcada” por intermédio do acréscimo no ticket alimentação não possui natureza salarial. Conforme consta nos acordos coletivos e informado pela própria recorrente na peça recursal, os valores foram devidos pelo acúmulo de função pelos motoristas, que deveriam vender passagens aos passageiros que não compraram previamente. Ora, não há dúvida que os valores devidos os foram em virtude da prestação de serviço à autuada, pelo desempenho de mais uma função trabalhista. Pelo desempenho de tal função, seria devido o acréscimo na remuneração dos segurados, e a recorrente encontrou uma forma de realizar tal pagamento, aumentando o valor do ticket alimentação. A verba alimentação não pode ser utilizada para pagamento de remuneração pelos serviços prestados; ao pagar da maneira como o foi, a recorrente reduz a incidência de tributos sobre tais valores. A questão que deve ser respondida é a seguinte: os valores foram pagos para retribuir o serviço, ou foram pagas para custear a alimentação do trabalhador? No presente caso, entendo que a solução ao questionamento é simples, basta investigar a origem da contraprestação. A empresa pagou ao motorista pelo fato de haver acréscimo de função laborativa; portanto uma verba paga pelo trabalho. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Como se verifica na última parte do inciso I, art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriodecontribuição. Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo que se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porquê, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares não possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 123 do CTN. Em função da expressa previsão em lei, o eventual aval do Ministério Público do Trabalho e da Delegacia Regional do Trabalho no acordo coletivo não afasta a incidência de contribuições. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Compete ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil as atribuições de verificação dos fatos geradores e apuração das correspondentes bases de cálculo. Assim, ao realizar a fiscalização, a Auditoria tem competência para analisar as convenções e acordos coletivos e verificar se as mesmas preveem verbas sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Ao contrário do afirmado pela recorrente o PAT não abrange os diretores não empregados. Conforme expressamente previsto no art. 2º, parágrafos 2º e 3º da Lei 6.321 de 1976, os programas de alimentação somente se estendem a empregados dispensados durante o período de transição e para os que estiverem com contrato suspenso para curso de qualificação. Não há previsão de extensão do benefício aos trabalhadores autônomos ou aos contribuintes individuais, entre esses os diretores não empregados. Art 2º Os programas de alimentação a que se refere o artigo anterior deverão conferir prioridade ao atendimento dos trabalhadores de baixa renda e limitarseão aos contratos pela pessoa jurídica beneficiária. § 1o O Ministério do Trabalho articularseá com o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição INAN, para efeito do exame e aprovação dos programas a que se refere a presente Lei. (Renumerado pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) § 2o As pessoas jurídicas beneficiárias do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT poderão estender o benefício previsto nesse Programa aos trabalhadores por elas dispensados, no período de transição para um novo emprego, limitada a extensão ao período de seis meses. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) § 3o As pessoas jurídicas beneficiárias do PAT poderão estender o benefício previsto nesse Programa aos empregados que estejam com contrato suspenso para participação em curso ou programa de qualificação profissional, limitada essa extensão ao período de cinco meses. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) O próprio Ministério do Trabalho entende que os diretores e sócios não estão contemplados no PAT. Nesse sentido é o teor da Cartilha elaborada pelo Ministério, fonte: http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BCB2790012BD57FE0087AD3/cartilha_pat_res ponde2.pdf, nestas palavras: A empresa poderá beneficiar os sócios por meio do PAT? Não. A empresa não poderá beneficiar seus sócios por meio do PAT, pois não são considerados como empregados da empresa e sim proprietários. Além do mais, o total da remuneração paga ao trabalhador autônomo ou contribuinte individual já contempla todas as verbas, não se fazendo distinção entre parcelas integrantes ou nãointegrantes, mesmo porquê para esses trabalhadores não se aplica a CLT. Assim sendo também deve persistir o lançamento em relação ao pagamento de seguro de vida aos diretores. O art. 458 da CLT não se aplica a contratos que não sejam de relação empregatícia. Além do mais, para não haver incidência sobre tais verbas as mesmas têm que estar previstas em convenção ou acordo coletivo e serem estendidos a totalidade dos empregados e dos dirigentes. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 230201.541 S2C3T2 Fl. 1.224 9 A parcela concedida a título de seguro de vida aos diretores, ao contrário do afirmado pela recorrente, pode ser concebido como remuneração indireta. A fiscalização demonstrou que o segurado de vida contratado para os diretores não guarda qualquer relação com o seguro de vida contratado para os empregados. Não se tratou, desse modo, de seguro de vida em grupo, mas sim um seguro individual. Logo o valor pago a título desses seguros é um benefício indireto conferido aos diretores; portanto sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. A assistência médica paga aos diretores e familiares caracteriza remuneração, sendo paga em desacordo com a legislação. O plano de saúde da UNIMED somente abrangeu os diretores. Os empregados estavam contemplados em outro plano pelo Sindicato da categoria. A autuada não estendeu o benefício aos empregados, pois por meio do plano UNIMED, a recorrente arcava com todo o custo, por sua vez, por meio do plano Sindical a recorrente arcava com cinquenta por cento do custo. Restou evidenciado que não se tratou do mesmo plano de saúde. O art. 22, IV da Lei n ° 8.212/1991 prevê a obrigatoriedade de as empresas tomadoras de serviço efetuarem o recolhimento das contribuições devidas sobre a nota fiscal, quando a prestadora de serviço for uma cooperativa de trabalho. Assim, a cota patronal sobre os segurados cooperados filiados à cooperativa de trabalho é custeada pela tomadora de serviços e não pela própria cooperativa de trabalho. Caso a cooperativa também tivesse que arcar com as contribuições haveria mais de um ente colaborando para a previdência dos segurados cooperados filiados à cooperativa de trabalho. No caso, a recorrente tomou serviços das cooperativas arroladas no relatório fiscal, conforme demonstram as cópias dos contratos juntados pela fiscalização previdenciária, bem como as notas fiscais. Portanto, nesse ponto, não merece reparo a presente notificação fiscal. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não há possibilidade para a autoridade administrativa recursar o cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, na redação conferida pela Lei n 11.941 de 2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 230201.541 S2C3T2 Fl. 1.225 11 ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 230201.541 S2C3T2 Fl. 1.226 13 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência parcial da decadência. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 13DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10569.000257/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 10/01/2006 a 31/12/2006
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA
A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10569.000257/201070 Acórdão n.º 230201.873 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigações Principais foi lavrado em e referese às contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas às terceiras entidades, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de previdência privada, sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartões de premiações e sobre pagamentos de valores de despesas de viagem ou de deslocamento aos empregados que trabalham embarcados nas embarcações da empresa, sob o título “Troca de Turma”, tudo no período de 01/2006 a 12/2006. O relatório fiscal de fls. 76/94, informa que o plano de previdência privada não era oferecido à totalidade dos empregados e após o pagamento da fatura mensal à seguradora Bradesco Vida e Previdência S.A., os valores eram creditados nas contas correntes dos segurados beneficiados em rubricas denominadas “valor bônus maio, junho e julho de 2006 e 40% de cargos e salários em julho de 2006”, por exemplo, e assim sucessivamente no período fiscalizado, conforme comprovam as planilhas anexadas ao relatório. Aduz o relatório que os valores pagos a título de “Troca de Turma” serviam para pagar o deslocamento dos empregados entre suas cidades de origem e o local do embarque/desembarque, despesas de alimentação e estadia entre os deslocamentos, mas não houve comprovação dos gastos efetivados. Após impugnação intempestiva, Acórdão de fls. 374/379, não conheceu da defesa e julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) a tempestividade da impugnação, pois em 08/10/2010, a ECT entregou a via original do auto de infração, mas pela quantidade e trâmite interno de documentos no edifício comercial da recorrente, somente recebeu a correspondência no dia 13/11/2010; b) que o edifício Torre Rio Sul possui 44 andares e mais de 300 salas comerciais e que os documentos não foram entregues na sua sede, mas na recepção do prédio; que seu endereço estava incompleto; c) que não pode admitir que os autos sejam recebidos pelo preposto do edifício comercial; d) que ofereceu o plano de previdência privada a todos os empregados, mas alguns não quiseram aderir, colaciona por amostragem algumas renúncias; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 e) que os valores pagos através de cartões de premiação eram simples gratificações eventuais pagas por mera liberalidade; f) que os valores relativos a “Troca de Turma” estão respaldados no artigo 28,§9º, alínea”m” da Lei n.º 8212/91, não sendo necessária a comprovação das despesas; g) que não informou os valores em GFIP porque não possuem caráter remuneratório e a representação fiscal para fins penais deve ser considerada insubsistente e declarada sua nulidade. Requer o cancelamento do débito fiscal e protesta pela produção de todo o tipo de prova. É o relatório. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10569.000257/201070 Acórdão n.º 230201.873 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, motivo pelo qual conheço do mesmo e passo ao seu exame. O lançamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de previdência privada, de prêmio incentivo concedidos por meio de cartões de premiação intermediados pela empresa Incentive House e de valores referentes a despesas de deslocamento, alimentação e estadia, sem as devidas comprovações, no período de 01 a 12/2006. O Acórdão de primeira instância não conheceu da impugnação por intempestiva, mantendo o crédito lançado. O contribuinte, na peça recursal, argúi a tempestividade da impugnação, alegando que somente tomou conhecimento do auto de infração em 13/10/2010, impugnando a, a seu ver, tempestivamente em 12/11/2010. Entretanto, de acordo com os elementos constantes do processo o Auto de Infração de Obrigação Principal foi enviado ao contribuinte através de Registro Postal e recebido em 08/10/2010, conforme documento de fls.47, volume I, e a recorrente apresentou sua impugnação somente em 12/11/2010, de acordo com o documento de fls. 49,volume I, após a expiração do prazo de defesa, cuja data fatal era 09/11/2010, fls. 372, volume II. Conforme consta da legislação vigente, mais precisamente no Decreto n.º 70.235/72, artigo 15, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para impugnar o lançamento, o que não ocorreu no presente processo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Corroborando o disposto pelo Decreto acima citado, a Portaria RFB n.º10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais, traz no seu artigo quinto que a impugnação será apresentada no prazo de trinta dias da ciência do procedimento a ser impugnado: Art. 5º A impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. Parágrafo único.A impugnação e a manifestação de inconformidade: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I serão instruídas com a comprovação de legitimidade do representante legal ou de seu procurador; II poderão ser entregues diretamente ou remetidas por via postal à unidade da RFB de jurisdição do sujeito passivo, considerandose tempestivas se postadas no prazo previsto no caput. O termo inicial para contagem do prazo é o primeiro dia útil posterior à ciência do contribuinte, nos termos do art. 30 da Portaria RFB n.º 10.875/2007, excluise o dia do começo e incluise o do vencimento. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade, em auto de infração apreciará tãosomente a tempestividade argüida, tendo em vista que não foi instaurada a fase litigiosa em relação às demais matérias constantes da peça impugnatória, as quais não serão conhecidas, a teor do disposto pelos artigos 14 do Decreto 70.235/72 e 2º, da já citada Portaria RFB n.º 10875/2007: Decreto n.º 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Portaria RFB n.º 70/875/2007 Art. 2º O processo administrativo fiscal iniciase: I com a impugnação tempestiva da NFLD e do Auto de Infração; Portanto está correta a decisão recorrida ao se pronunciar pela intempestividade da impugnação, que nesta condição não se prestou a iniciar a fase contenciosa do procedimento administrativo Ademais, são totalmente improcedentes as alegações do contribuinte quanto ao recebimento do auto de infração ter sido realizado por preposto do edifício comercial e por não constar da correspondência o endereço completo.Quanto a última assertiva, se pode facilmente vislumbrar do documento de fls. 47, volume I , AR, que consta corretamente o endereço da autuada, inclusive com a numeração das salas : Rua Lauro Muller, 116 salas 1305/1306, Bairro Botafogo, Rio de Janeiro/RJ CEP: 2290160, inclusive no envelope de fls. 353, volume II. Quanto ao recebimento por preposto, conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10569.000257/201070 Acórdão n.º 230201.873 S2C3T2 Fl. 4 7 Assim, a alegação da recorrente de que a notificação, encaminhada por via postal, fora recebida por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais, tal assunto já se encontra sumulado por este colegiado, Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Portanto, entendo que não há reparos a fazer na decisão recorrida que não conheceu da impugnação interposta por intempestiva, mantendo o crédito lançado na sua totalidade, sem apreciação do mérito. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10725.003230/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2006
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIPJ. INATIVIDADE NÃO COMPROVADA.
É inaplicável o beneficio de redução da multa quando não comprovadas as condições de inatividade
Numero da decisão: 1202-000.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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INATIVIDADE NÃO COMPROVADA. É inaplicável o beneficio de redução da multa quando não comprovadas as condições de inatividade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10725.003230/200874 Acórdão n.º 1202000.726 S1C2T2 Fl. 2 2 Trata o presente de Auto de Infração lavrado em face do Recorrente relativo a exigência de multa por falta de entrega da DIPJ 2007, anocalendário 2006, datado de 31 de outubro de 2008, no valor de R$ 500,00. Consta do Auto de Infração que o prazo final para a entrega da DIPJ deuse em 29 de junho de 2007, sendo a data da intimação para a entrega da Declaração Original se deu em 2 de setembro de 2008. Cientificado do Auto de Infração em 21 de novembro de 2008, o Recorrente apresentou impugnação em 23 de dezembro de 2008, alegando em síntese que: A empresa está inativa de fato desde 1998 e que não teve nenhuma movimentação comercial ou financeira, sendo considerada perante a lei como inativa; É cabível a exigência de multa por falta de entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica de Inatividade, no valor de R$ 200,00 e não a multa exigida por falta de entrega da DIPJ, no valor de R$ 500,00; Houve recolhimento da multa, dentro dos 30 dias contados da cobrança, com redução de 50%, juntando cópia da DARF, na importância de R$ 100,00; Sustenta ainda que entregou as declarações que eram de obrigação, nos prazos estipulados por lei, e que não foram obedecidos; Destaca que o titular da empresa, Sr. Jacinto Gomes Sardinha, faleceu em 11 de outubro de 2006. Ao final, requer o cancelamento da inscrição no CNPJ por falecimento do titular e a redução do valor da multa. Ante aos argumentos expostos em sede de impugnação, a 3ª Turma da DRJ/RJ1, proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIPJ. INATIVIDADE NÃO COMPROVADA. É inaplicável o beneficio de redução da multa quando não comprovadas as condições de inatividade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tal decisão teve por fundamento os seguintes argumentos: A incompetência da Autoridade Julgadora para apreciar o pedido de cancelamento da inscrição no CNPJ, devendo tal pedido ser apresentado perante a autoridade lançadora da jurisdição do interessado. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10725.003230/200874 Acórdão n.º 1202000.726 S1C2T2 Fl. 3 3 O interessado não ilidiu a imposição de multa, contudo requereu fosse aplicada a multa mínima devida pelas pessoas jurídicas inativas no valor de R$ 200,00, aproveitandose o valor já recolhido em DARF, antes do vencimento do auto de infração, no valor de R$ 100,00, com a redução de 50%. A exigência da multa no valor de R$ 500,00, teve por fundamento o inciso II, do §3º, do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. A legislação tributária considera como pessoa jurídica inativa aquela que não exerceu qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, durante todo o anocalendário, sendo obrigatória a entrega de Declaração. É incabível a pretensão do interessado posto que não apresentou elementos caracterizadores de sua condição de inatividade, bem como não registros na Receita Federal do Brasil de que estivesse enquadrado no regime de tributação previsto pela Lei nº 9.317/96 no anocalendário de 2006. Apesar de alegar que as declarações obrigatórias foram entregues, não há registro nos sistemas da Receita Federal do Brasil de qualquer declaração anual entregue para anocalendário 2006, bem como inexiste qualquer comprovação de entrega nos autos. O pagamento da multa efetuado no prazo de vencimento da intimação, com a redução de 50%, encontra amparo no artigo 6º da Lei nº 8.218/91, porém houve cálculo equivocado por parte do interessado, sendo a base de cálculo correta R$ 500,00 e não R$ 200,00, devendo, portanto, ser mantida a multa por atraso na entrega da DIPJ, em seu valor integral. Assim, julgouse improcedente a impugnação, mantendose os créditos tributários exigidos, porém, observandose o recolhimento efetuado às fls. 09 e a data em que foi efetuado. A Recorrente tomou ciência da decisão em 22 de fevereiro de 2010, e com ela não se conformando interpôs Recurso Voluntário a este E. Conselho em 24 de março de 2010, alegando em síntese: A empresa foi autuada por falta de entrega da DIPJ/DSPJ no exercício 2007 ano base 2006 no valor de R$ 500,00 calculado com base de empresa em atividade, porém a empresa encontrase com suas atividades paralisadas desde 1998 sendo considerada perante a lei como empresa inativa pois não tem nenhuma movimentação comercial e/ou financeira até a presente data e seu titular JAN1LTON GOMES SARDINHA, CPF n° 160.702.83791 faleceu em 11/10/2006; Como a empresa tem suas atividades paralisadas, devera ter entregue a declaração de inatividade no período obrigatório, o que não aconteceu, gerando multa que por falta de identificação da real situação da referida empresa, com fulcro na Lei que determina multa de R$ 200,00 para empresas inativas que deixarem de apresentar DIPJ (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72). Houve o pagamento do valor correspondente a multa de empresa inativa dentro do prazo de 30 dias da notificação, mas como não houve entrega de declaração, mesmo em atraso, não foi possível alocar o pagamento à cobrança e consequente pagamento. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10725.003230/200874 Acórdão n.º 1202000.726 S1C2T2 Fl. 4 4 Diante da decisão da referida Turma, procedeu a entrega da declaração fora do prazo, conforme cópia em anexo demonstrando que a empresa realmente não funciona e espera que seja analisada a situação para que seja possível providenciar o encerramento da mesma por se tratar de firma individual com sócio falecido. A vista de todo exposto, apresenta Recurso para que seja aceita a redução no valor da multa por tratarse de empresa inativa. Espera e requer seja acolhido o presente recursos para reduzir o débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso preenche todos requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre destacar que, apesar do alegado, não há nos autos qualquer prova que efetivamente demonstre a situação de inatividade da empresa no ano calendário 2006. Apenas houve a transmissão de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa 2007, entregue em 18 de março de 2010, às 17h40. Destaquese, que tal transmissão se deu após a ciência da decisão da DRJ, não havendo nos autos comprovação de seu regular processamento, apenas de sua transmissão. Afora tal fato, não há qualquer outra prova de inatividade da empresa no ano calendário 2006. Cumpre ressaltar que tratase de empresa individual, e que seu titular faleceu no ano de 2006. De tal sorte, não há, com os elementos carreados aos autos, prova de inatividade da empresa. Assim, a multa por falta de entrega de DIPJ tem aparo no artigo 7º, §3º, inciso II da Lei nº 10.426/02, que assim dispõe: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10725.003230/200874 Acórdão n.º 1202000.726 S1C2T2 Fl. 5 5 intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (grifei) A pretensão da Recorrente, como bem se vê, é de que seja aplicada a multa prevista no inciso I do mesmo dispositivo, por tratarse de pessoa jurídica inativa. Como já apontado, o Recorrente não trouxe elementos aptos a demonstrar a condição de inatividade da empresa no anocalendário 2006, não sendo apta para tal a transmissão extemporânea de declaração de inatividade. Incabível, portanto, a pretensão de aplicação da multa prevista no artigo 7º, §3º, inciso I, da Lei nº 10.426/02. Porém, nos termos da decisão da DRJ, o valor do recolhimento efetuado as fls. 09 deverá ser observado. Ante o exposto, é de se negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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