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Numero do processo: 35338.000324/2005-33
Data da sessão: Thu Jun 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO, Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto nos prazos contemplados na legislação previdenciária vigente à época, PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO —PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL — SÚMULA VINCULANTE STF, O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. In casu, constatou-se a ocorrência de simulação, razão porque a decadência, mesmo na existência de pagamentos antecipados deixa de ser aplicada a luz do art. 150, § 4º, do CTN, passando a decadência a ser apreciada pelo art. 17.3, Ido CTN. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE, TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO OBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS n° 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerar-se-á concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último co-obrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o termo final. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO —NULIDADE — AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATORIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF — INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA — INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATORIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO, INOCORRÊNCIA, Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR, DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70,235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com animo no § 2', do artigo 38, da Lei n° 9,784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70,235/72. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, capta, da Lei n° 8.212/91 e artigo 8° da Lei n" 10.593/2002, c/c Súmula n° 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PROCEDIMENTO FISCAL, GRUPO ECONÔMICO DE FATO, CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso 1X, da Lei n°8212/91. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e o tido "prestador de serviços", deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3,048/99, c/c Pareceres/CJ 330/1995 e 1652/1999. PAF APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência, TAXA SELIC E MULTA, LEGALIDADE, Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo .34 da Lei n° 8212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.279
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em declarar a decadência até a competência 11/1999. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relatar), que votou por declarar a decadência até a competência 09/2000. b) em rejeitar a preliminar de nulidade por necessidade de ato declaratório de exclusão das empresas do SIMPLES. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), que votou por declarar a nulidade do lançamento. II) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA

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In casu, constatou-se a ocorrência de simulação, razão porque a decadência, mesmo na existência de pagamentos antecipados deixa de ser aplicada a luz do art. 150, § 4º, do CTN, passando a decadência a ser apreciada pelo art. 17.3, Ido CTN. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE, TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO OBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS n° 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerar-se-á concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último co-obrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o termo final. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO —NULIDADE — AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATORIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF — INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA — INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATORIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO, INOCORRÊNCIA, Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR, DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70,235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com animo no § 2', do artigo 38, da Lei n° 9,784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70,235/72. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, capta, da Lei n° 8.212/91 e artigo 8° da Lei n" 10.593/2002, c/c Súmula n° 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PROCEDIMENTO FISCAL, GRUPO ECONÔMICO DE FATO, CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso 1X, da Lei n°8212/91. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e o tido "prestador de serviços", deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3,048/99, c/c Pareceres/CJ 330/1995 e 1652/1999. PAF APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência, TAXA SELIC E MULTA, LEGALIDADE, Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo .34 da Lei n° 8212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.

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In casu, constatou-se a ocorrência de simulação, razão porque a decadência, mesmo na existência de pagamentos antecipados deixa de ser aplicada a luz do art. 150, § 40, do cr-N, passando a decadência a ser apreciada pelo art. 17.3, Ido CTN. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE, TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO CO- OBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS n° 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerar-se-á concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último co-obrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o termo final. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO —NULIDADE — AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATORIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF — INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA — INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATORIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO, INOCORRÊNCIA, Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR, DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70,235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com animo no § 2', do artigo 38, da Lei n° 9,784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70,235/72. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, capta, da Lei n° 8.212/91 e artigo 8° da Lei n" 10.593/2002, c/c Súmula n° 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PROCEDIMENTO FISCAL, GRUPO ECONÔMICO DE FATO, CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no Processo n" 35338000324/2005-3.3 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.279 Fl 1.238 pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso 1X, da Lei n°8212/91. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e o tido "prestador de serviços", deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2 0, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto ri° .3,048/99, c/c Pareceres/CJ 330/1995 e 1652/1999. PAR APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4' do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência, TAXA SELIC E MULTA, LEGALIDADE, Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo .34 da Lei n° 8212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em declarar a decadência até a competência 11/1999. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relatar), que votou por declarar a decadência até a competência 09/2000. b) em rejeitar a preliminar de nulidade por necessidade de ato declaratório de exclusão das empresas do SIMPLES. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), que votou por declarar a nulidade do lançamento. II) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. P.residente Ilk ' ELIAS SAM lig e FREI - PreIII jki, Pil#1,Jh 1 k RYCARDO HRYCARDO HIlÁ RIQUE MA iàRIQUE MA ALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 417-7- ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Redatora Designada Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Processo n° 35338.000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01,279 Fl. 1 239 Relatório BENNER SISTEMAS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, DN n° 20.421.4/0162/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (Salário-Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim caracterizados os funcionários das empresas BNN Sistemas de Informática Ltda., BSN Serviços de Informática Ltda,, TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda., cujas personalidades jurídicas foram desconsideradas pela fiscalização, em relação ao período de 08/1997 a 03/2005, conforme Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Complementar, às fls. 128/146 e 752/756, respectivamente. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 22/10/2005 — Edital /RFB n° 00.3/2005, de fls. 740, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 6.576.802,90 (Seis milhões, quinhentos e setenta e seis mil, oitocentos e dois reais e noventa centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da notificada, demonstrando os requisitos do vínculo laborai para tanto, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte, constatou-se que as pessoas jurídicas BNN Sistemas de Informática Ltda., BSN Serviços de Informática Ltda., TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda., em verdade, se tratam de "empresas de fachada", indevidamente enquadradas no SIMPLES com o objetivo de praticar evasão fiscal. Esclarece, ainda, o fiscal autuante que da análise dos documentos apresentados durante a fiscalização desenvolvida na notificada, restou constatada a existência de grupo econômico de fato formado entre as empresas BENNER SISTEMAS S/A, ora recorrente, SEBEN ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA.; e PC AUXILIAR INFORMÁTICA LTDA., consoante se infere do Relatório Fiscal Complementar, às fls. 752/754, mais precisamente no item 3, e demais documentos que instruem o processo. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte — BENNER SISTEMAS S/A — apresentou Recurso Voluntário, às fls. 816/891, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade da decisão recorrida, argumentando ter incorrido em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de analisar os documentos colacionados aos autos junto a impugnação, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, bem como não apreciando todas as alegações suscitadas na sua peça inaugural, malferindo os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo Ainda em sede de preliminar, requer a nulidade da notificação, aduzindo que a autoridade lançadora não tem competência e/ou habilitação técnica para proceder a fiscalização na contribuinte, sobretudo por não ser contador com registro no Conselho Regional de Contabilidade, na forma que exige o artigo 25 do Decreto-lei n° 9.295/46. Pugna, ainda, pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções obscuras e imprecisas, sendo defeso a complementação da NFLD a partir da emissão de Relatório Fiscal Complementar. Infere que a fiscalização, ao promover o lançamento desconsiderando a contabilidade das empresas BSN, BNN e TOP, utilizou-se do arbitramento previsto no artigo 33, § 6°, da Lei n° 8212/91, sem conquanto fundamentá-lo nos anexos específicos para tanto, maculando o procedimento adotado na lavratura do notificação. Defende que a caracterização do suposto grupo econômico, igualmente, não fora devidamente fundamentado na legislação de regência, corroborando o entendimento da nulidade do feito. Sustenta que o fisco previdenciário não detém competência para reconhecer vínculo empregatício, especialmente quando procedido a partir de desconsideração de personalidade jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho, mormente quando não foram observados os preceitos do Enunciado n° 331 do TST, utilizado como esteio à pretensão fiscal Assevera que a Lei n° 9317/96, e posteriores alterações, que disciplina o regime de tributação do SIMPLES, inclusive as formas e procedimentos de exclusão, c/c a legislação previdenciária, especialmente artigo 282 da IN INSS/DC n" 10012003, estabelecem que a empresa somente será excluída mediante emissão de Ato Declaratório, após o devido exercício da ampla defesa e do contraditório da contribuinte, em observância ao processo tributário administrativo competente, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Alega que, admitindo-se a exclusão das empresas TOP, BNN e BSN do SIMPLES, os efeitos de referido ato só passarão a ter validade a partir do mês de agosto de 2005, não podendo retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos. Não bastasse isso, acrescenta ser ilógico aceitar que uma sociedade de direito, constituída regularmente e em plena atividade, seja simplesmente desconsiderada, quatro anos após a sua fundação, por conveniência da fiscalização. Quanto a pessoa jurídica PC Auxiliar Sistemas Ltda. (atual TOP), suscita que já fora objeto de fiscalização, oportunidade em que não restou comprovada qualquer irregularidade perante o fisco previdenciário, devendo ser excluídos do crédito previdenciário os fatos geradores ocorridos anteriormente à dezembro de 2000, sob pena de malferir o disposto nos artigos 145 e 146 do CTN. Pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao confiitar com normatização de hierarquia superior, 6 Processo n 353.38 000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.279 Ft, 1 240 violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4', do CTN, sobretudo tratando-se de lançamento por homologação. Traz à colação jurisprudência corroborando seu entendimento Opõe-se ao lançamento em comento, defendendo não haver a devida comprovação da existência dos requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício entre os prestadores de serviços, funcionários das empresas desconsideradas, e a recorrente, de maneira a fundamentar a pretensão fiscal, não tendo a autoridade lançadora se aprofundado no exame dos documentos ofertados pela contribuinte durante a fiscalização, os quais seriam capazes de rechaçar qualquer entendimento a respeito da relação laborai, apoiado em meras subjetividades, a partir de critérios discricionários. Sustenta que as empresas BNN Sistemas de Informática Ltda., BSN Serviços de Informática Ltda., TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda. foram constituídas em observância das normas legais e trâmites exigidos pela legislação de regência, estando sujeitas ao regime de tributação do SIMPLES, recolhendo, assim, os tributos de forma unificada, sendo defeso ao INSS desconsiderar aludido enquadramento, procedimento que somente poderia ser levado a efeito na forma da Lei n° 9.317/96, mediante Ato Deciaratório privativo da Secretaria da Receita Federal. Opõe-se à caracterização de grupo econômico de fato entre as empresas eleneadas nos autos, argumentando que não se fizeram presentes os pressupostos legais para tanto, razão pela qual inexiste Grupo Econômico sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a co-responsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Nesse sentido, defende que não se faz presente qualquer premissa fática capaz de suportar referida capitulação, mormente quando as normas legais que tratam da matéria não autorizam a conclusão de existência de Grupo Econômico entre duas ou mais empresas pelo simples fato de possuírem os mesmos sócios, sendo necessário, dentre outros requisitos, a convergência dos objetos das pessoas jurídicas com atividades e empreendimentos comuns, sob o controle de uma ou mais empresas. Assevera que a configuração de grupo econômico não pode se levada a efeito a partir de meras presunções, impondo à fiscalização a comprovação das alegações utilizadas como esteio ao lançamento fiscal, o que não se verifica na hipótese dos autos. Vindica a exclusão da contribuição previdenciária destinada ao INCRA do presente lançamento, alegando que referida exação afronta de forma flagrante a CF, especialmente por ser empresa urbana e inexistir dispositivo constitucional determinando a sua vinculação com outra categoria econômica (rural), sem qualquer beneficio próprio. Defende ser ilegal e inconstitucional a exigência das contribuições destinadas ao SEBRAE, por entender que a recorrente não se beneficia com autuação de referida entidade, que aplica seus recursos nas micro e pequenas empresas, razão pela qual a cobrança daqueles tributos malfere o disposto no artigo 149 da CF, Alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5', inciso II; e 150, inciso I, da CF, eis que a Lei n° 8.212/91 não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratar-se referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Traz à colação inúmeras decisões de nossos Tribunais. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. RECURSO DA SEBEN ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Em sua peça recursal, às fls. 1.072/1.078, simplesmente repisa os argumentos da BENNER SISTEMAS S/A, a propósito do inconformismo quanto a caracterização do grupo econômico, requerendo a reforma total da decisão recorrida. A então SRP apresentou suas contrarrazões, às fis, 1.228/1.229, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. É o relatório. Processo n 35338 000324/2005-33 S2-C4TI Acórdão n." 2401-01,279 Fl 1.241 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. DATA DA LAVRATURA DA NOTIFICAÇÃO FISCAL Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a autoridade lançadora ao constituir o presente crédito previdenciário achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas BNN Sistemas de Informática Ltda,, BSN Serviços de Informática Ltda,, TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda., caracterizando os seus funcionários como segurados empregados e contribuintes individuais da Benner Sistemas S/A, ora recorrente. Ato continuo, o fiscal autuante entendeu restar constatada a existência de grupo econômico de fato formado entre as empresas BENNER SISTEMAS S/A, SEBEN ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA.; e PC AUXILIAR INFORMÁTICA LTDA., consoante se infere do Relatório Fiscal Complementar, às fls. 752/754, mais precisamente no item 3, e demais documentos constantes dos autos. Diante desse fatos, sobretudo no que tange à caracterização do Grupo Econômico de Fato, com atribuição de responsabilidade solidária às empresas encimadas, o Fisco procedeu a intimação de cada urna das responsáveis solidárias. Antes de contemplar as razões recursais, mister fixar a data da efetiva intimação da (s) contribuinte (s), com o fito de se estabelecer o termo final do prazo decadencial. Nesse sentido, aliás, é de bom alvitre salientar que a lavratura da notificação fiscal/auto de infração, ou seja, a constituição do crédito tributário, dar-se-á somente com a ciência do contribuinte nas formas constantes na legislação tributária, oportunidade em que a NFLD/AI passará a produzir seus efeitos legais. A propósito da matéria, cabe invocar os ensinamentos do renomado tributarista LEANDRO PAULSEN, em sua obra "DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, pág. 863/864, in verbis: "Motivação lançamento. Requisitos de regularidade formal. [.,.] Importa ressalica; ainda, que o lançamento só terá eficácia após notificado ao sujeito passivo [..] Notificação. Condição de eficácia. A notificação ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Trata- se de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a constituição do crédito que, assim, passa a ser exigível do contribuinte [.j A notcação está para o lançamento COMO a publicação está para a lei [.„]" (grifamos) idÁ 10 Na hipótese dos autos, primeiramente, a Benner Sistemas S/A foi intimada em 06/07/2005, como se verifica da assinatura aposta na folha de rosto da NFLD, A PC Auxiliar de Informática Ltda., igualmente caracterizada corno responsável solidária, tomou ciência da notificação fiscal em 22/09/2005, conforme se constata do Aviso de Recebimento-AR, às fls. 747. Por derradeiro, a Seben Administradora de Bens e Participações Ltda., somente fora devidamente cientificada da NFLD em 22/1012005, ou seja, 15 (quinze) dias após a afixação do Edital/RFB n° 003/2005, às fls. 740, em observância aos ditames do artigo 23, §§ 1' e 2°, inciso IV, do Decreto n° 70,235/72 e alterações, c/c artigo 34, § 3', inciso III, da Portaria MPS n° 520/2004. Nessa toada, uma vez esclarecidas as datas em que os responsáveis solidários foram devidamente cientificados da NFLD, impõe-se determinar o termo final para efeito de aplicação do prazo decadencial. Para tanto, impende transcrever o artigo 34 da Portaria MPS n° 520/2004, vigente à época, que regulamentava o processo administrativo no âmbito do INSS, nos seguintes termos: "Art„34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processa, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência § 1" Quando ,frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicilio indefinido, § 2' As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre suat falta ou irregularidade. § 3° Considera-se feita a intimação: 1 - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem .fizer a intimação, se pessoal; II - nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da pastagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro ,for o meio,. - quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este .for o meio utilizado.. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4" No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado." Processo n° 35338.000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.279 Fl. 1.242 Na esteira desse entendimento, consoante preceitua o dispositivo legal supra, para efeito da contagem do prazo decadencial, o termo final será a data da ciência do último co-obrigado, in CaS14, 22/10/2005. Isto porque, a intimação somente considerar-se-á concretizada perfeitamente a partir de tal data. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei ri° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; C I" Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: "Art. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após .5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ri" Com mais especificidade, o artigo 150, § 4°, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Ar1.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, § 4° . Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do ,fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto 12 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n' 8,212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula n" 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tufo para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante rf 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4', ou 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Processo n° 35338000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01,279 Fl I 243 Dessa forma, estando as contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4', do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso 1, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não, Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4', do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que imputar devida. Aliás, corno afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso 1, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4°. Como se constata, à toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 17.3, inciso 1, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4', do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor, Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência" Ál 3 Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, uma vez que as contribuições previdenciárias ora lançadas decorrem da desconsideração da personalidade jurídica de empresas enquadradas no SIMPLES, que nessa condição recolhem os tributos devidos de maneira unificada, com base no respectivo faturamento, tratando-se, por conseguinte de lançamento de diferenças de contribuições, fato relevante • ara a neles ue sustentam ser determinante à a 'Uca ão do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso L Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 40, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc, Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, ocorrendo a comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua unanimidade, pela aplicação do artigo 150, § 4", do CTN, uns pela natureza do tributo, outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem legal nesse sentido. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 22/10/2005, como demonstrado alhures, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 08/1997 a 09/2000, os quais encontram-se fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4 0, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO — NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO SRF PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES Ainda em sede de preliminar, assevera a recorrente que a Lei n° 9317/96, e posteriores alterações, que disciplina o regime de tributação do SIMPLES, inclusive as formas e procedimentos de exclusão, c/e a legislação previdenciária, especialmente artigo 282 da IN INSS IV 100/2003, estabelecem que a empresa somente será excluída mediante Ato Declaratório, após o devido exercício da ampla defesa e do contraditório da contribuinte, em observância ao processo tributário administrativo competente, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em outra via, a ilustre autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, entenderam que o presente lançamento não depende de ato de exclusão do SIMPLES das empresas desconsideradas, tendo em vista que aludido procedimento se deu objetivando a exigência de contribuições previdenciárias, não surtindo qualquer efeito na constituição da pessoa jurídica propriamente dita. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização e autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, os argumentos da contribuinte merecem prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado, 14 Processo n' 35338 .000324/2005-33 S2-C411 Acórdão ri.° 2401-01179 Fl. 1.244 A rigor, nosso entendimento anterior convergia com a pretensão fiscal, No entanto, após melhor estudo a respeito do tema, especialmente com arrimo na jurisprudência deste Colegiado e legislação especifica, firmamos novo posicionamento no sentido da exigibilidade da emissão de Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES como condição Sille qua 11077 ao lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas enquadradas naquele regime de tributação, senão vejamos. Primeiramente, não vislumbramos a possibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa, tão somente para fins de exigência de contribuições previdenciárias, mantendo-a na condição de optante do SIMPLES, em relação a outras obrigações tributárias e/ou comerciais. Com efeito, o SIMPLES se apresenta corno um regime de tributação diferenciado, destinado às empresas que se enquadram nos requisitos legais estabelecidos pela Lei n° 9.317/1996 e posteriores alterações, de maneira que aquelas pessoas jurídicas deverão recolher os tributos devidos de forma unificada, com base no respectivo faturamento. Afora, a contribuição previdenciária relativa à parte do empregado, as outras exigências patronais, ora lançadas, deverão ser recolhidas juntamente com os demais tributos, unificadamente, Assim, uma vez desenquadrada do SIMPLES, a empresa passará a promover os recolhimentos dos tributos devidos, no forma das demais pessoas jurídicas não optantes por aquele regime de tributação. Na esteira desse raciocínio, não há como desconsiderar o enquadramento da empresa no SIMPLES, para fins previdenciários, mantendo-a como optante daquele regime de tributação em relação as demais obrigações tributárias e comerciais, mesmo porque as contribuições previdenciárias ora exigidas devem ser pagas juntamente com os demais tributos devidos, com base no faturamento da empresa. Prevalecendo o entendimento da fiscalização, o que se admite apenas por amor ao debate, indaga-se: 1) A partir do lançamento fiscal, qual o procedimento que a empresa deverá adotar ao recolher os seus tributos? 2) Deverá recolher as contribuições previdenciárias ora lançadas com base na folha de pagamento e os demais tributos a partir do faturamento mensal? 3) Continuará a recolher todos os tributos com base no faturamento mensal, ou nenhum deles nesta indumentária? Observa-se que pretender excluir a empresa optante do SIMPLES, tão somente para efeito das contribuições previdenciárias, em verdade é um evidente atropelo às normas legais específicas que regulamentam aquele regime de tributação. Dessa forma, ou a empresa encontra-se perfeitamente enquadrada no SIMPLES, devendo contribuir na forma da legislação de regência, ou não observa os requisitos para tanto, impondo a sua exclusão daquele regime de tributação, devendo surtir efeitos relativamente a todos tributos devidos e não somente para as contribuições previdenciárias, como pretende a fiscalização nestes autos. No caso sub examine, em síntese, entenderam os ilustres fiscais que houve fracionamento simulado de empresas, onde estabelecimentos "filiais" eram tratados como f d 15 prestadores de serviços, com o intuito de obtenção de tratamento favorecido pela inscrição no SIMPLES. Considerando a ocorrência de simulação na constituição do quadro societário das pessoas jurídicas "prestadoras de serviços", bem como uma administração unificada de todas as empresas pelos sócios da notificada, os auditores fiscais efetuaram o lançamento de contribuições sociais relativas a parte da empresa e as destinadas ao SAT e Terceiros, Ocorre que, as empresas BNN Sistemas de Informática Ltda., BSN Serviços de Informática Ltda., TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda. foram constituídas em observância das normas legais e trâmites exigidos pela legislação de regência, estando sujeitas ao regime de tributação do SIMPLES, recolhendo, assim, os tributos de forma unificada, conforme amplamente demonstrado no Relatório Fiscal. Tal fato é de extrema importância, tendo em vista que a forma unificada de pagamento de tributos do SIMPLES engloba as contribuições a cargo da empresa (artigo 22 da Lei 8212/91 e LC 84/96), conforme se verifica do artigo 3°, § 1', alínea "f", da Lei n° 9.317/96, in verbis: "Art. 3" A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na . forma do art.. 2", poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES_ 1" A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições,' f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar 'IQ 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts 22 e 22A da Lei 8,212, de 24 de julho de 1991 e o (In. 25 da Lei n a 8,870, de 15 de abril de 1994," Ora, se aquelas pessoas jurídicas estavam recolhendo pelo SIMPLES, as contribuições a cargo da empresa discriminadas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, e se o objeto da presente NFLD são tais contribuições, excluindo-se a parte dos empregados, não pode prosperar tal lançamento sob pena de se cobrar duas vezes os mesmos tributos. Ressalte-se, que o fato ensejador do presente lançamento foi desconsideração da personalidade jurídica de referidas empresas, desenquadrando-as do SIMPLES, com o fito de se exigir as contribuições previdenciárias em epígrafe. Entrementes, as pessoas jurídicas desconsideradas estão inscritas no SIMPLES, e recolhem sobre a receita bruta da empresa e não sobre a folha de pagamento nos termos do artigo 5' da Lei n° 9317/96, in verbis: "Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais" Impende destacar que a autoridade fiscal, ao promover o lançamento das contribuições desconsiderando a personalidade jurídica das empresas retrornencionadas e, por conseguinte, afastando o sistema de pagamento unificado do SIMPLES, malferiu o disposto no artigo 15, § 3', da Lei n° 9,317/1996, o qual estabelece que somente a Secretaria da Receita Federal tem competência para excluir, de oficio, pessoas jurídicas daquele regime de tributação, in verbis: 164 17 Processo n° 35338.000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.279 H. 1 245 "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: § 3C A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declarai ório da autoridade .fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo." A própria Instrução Normativa INSS/DC n" 100, de 18 de dezembro de 2003, vigente à época, reconhece em seu artigo 277 que a exclusão de oficio só será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, como segue: "Art. 277.. A exclusão do SIMPLES dar-se-á por opção da pessoa jurídica, mediante comunicação à Secretaria da Receita Federal (SRF), ou de ofício pela SRF.." Aliás, com mais especificidade, a IN tf 100/2003, ao tratar da matéria nos artigos subseqüentes, prescreve quais os efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES, para &liprevidenciárias, senão vejamos: Art. 278. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito em relação às obrigações previdenciáriav I - a partir do ano-calendário subseqüente ao da exclusão, quando se der por opção da pessoa jurídica; II - para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos lua XVII do art.. 9" da Lei n° 9317, de 1996, que tenham optado pelo SIMPLES até 27 de julho de 2001, a partir: a) do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; b) de 1" de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada após esta data. III - para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 9{) Lei ni) 9.317, de 1996, que tenham optado pelo SIMPLES após 27 de julho de 2001, a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente; IV - a partir do início de atividade da pessoa jurídica, se o valor acumulado da receita bruta no ano-calendário de início de atividade/ar superior ao estipulado para a opção; V - a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o valor limite da receita bruta no ano-calendário, estipulado para opção, nas hipóteses dos incisos I e II do art„ 9" da Lei n" 9.317, de 1996; VI - a partir de 1" de janeiro de 2001, para as pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES até 12 de março de 2000, na hipótese de que trata o inciso XVII do art. 9" da Lei n° 9.317, de 1996, Art, 279. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral." (grifamos) Extrai-se precisamente das normas legais encimadas que as empresas optantes pelo SIMPLES somente serão excluídas desse regime de tributação após Ato Declaratório da então Secretaria da Receita Federal (artigo 15, § 3 0, da Lei n° 9.317/1996, c/e artigo 277 da IN n" 100), passando a surtir efeitos, para fins previdenciários, "a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral". As determinações contidas nos dispositivos legais supra não implicam dizer que a então Secretaria da Receita Previdenciária não poderia fiscalizar as empresas optantes pelo SIMPLES. Ao contrário? Incumbia, igualmente, ao INSS fiscalizar empresas inscritas no SIMPLES. No entanto, caso constatasse alguma irregularidade nos requisitos do regime de tributação, somente lhe competia representar à Secretaria da Receita Federal e não desconsiderar de oficio a inscrição, ainda que por via transversa (desconsideração da personalidade jurídica), como se verifica do artigo 15, § 4°, da Lei n° 9.317/96, que assim prescreve: "§ 4' Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade conveniente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art 13" sentido: Por seu turno, a Instrução Normativa INSS/DC n° 100 dispõe no mesmo "Art. 282. Constatada a ocorrência de qualquer hipótese de vedação ou de exclusão obrigatória do SIMPLES, prevista na Lei 9317 de 1996, será emitida a Representação Administrativa (RA), conforme previsto no art. 633, que será encaminhada à Secretaria da Receita Federal (SRF) circunscricionante da empresa," Sendo assim, não há como desconsiderar as contribuições recolhidas de fbrma unificada pelo SIMPLES, antes da exclusão ser declarada pela Secretaria da Receita Federal. A própria IN INSS/DC ri° 100, em seu artigo 278, vincula os efeitos em relação as obrigações previdenciárias à declaração de exclusão do SIMPLES, como demonstrado acima. Verifica-se, que os procedimentos para exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES encontram-se previstos em Lei especifica (9317), bem como em Instruções Normativas, as quais vinculam as autoridades fiscais. Vê-se, pois, que a própria autoridade fazendária arquitetou os procedimentos a serem adotados por ocasião da exclusão das pessoas jurídicas daquele regime de tributação e, bem assim, os seus efeitos, não podendo a fiscalização atropelá-los com o fito de se exigir tributos, sob pena de nulidade do feito, como se vislumbra no caso vertente, 18 41/._ 19 Processo n õ 35338.000324/2005-33 S2 -C4T1 Acórdão n' 2401-01,279 Fl 1 246 A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, exigindo, primeiramente, a exclusão da empresa do SIMPLES, para eventual e posterior lançamento dos tributos devidos decorrentes do Ato Declaratório, consoante se positiva dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004. Ementa: DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO ENTRE O VALOR DEVIDO E O EFETIVAMENTE RECOLHIDO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. 1. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, conforme previsto no art.. 45 da Lei n" 8.212, de 24/07/1991, 2. Urna ve excluída em de uritivo a emiresa do SIMPLES cessam os efeitos do programa, sendo plenamente exigível a contribui íio social ,revidenciária na orma da legislação previdenciária vigente." (Quinta Câmara do Segundo Conselho - Recurso n° 141.820 - Acórdão n" 205-00.599, Sessão de 08/05/2008 - Rei Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes - Unânime na parta destacada) (grifamos) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIOS: 2001, 2002, 2003 e 2004 SIMPLES - EXCLUSÃO DE OFÍCIO - ATO DECLARA TÓRIO - Nos termos da lei de regência, a não expedição de ato declaratório de exclusão do SIMPLES por parte da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que . fiwisdicione o contribuinte, obsta o exercício do contraditório e da ampla defesa, devendo-se declarar nulo o lançamento, por vício de .forma" (Quinta Câmara do Primeiro Conselho - Recurso n" 148.515 - Acórdão n° 105-16.756, Sessão de 07/11/2007 - Rel. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães - Unânime) "SIMPLES - EXCLUSÃO PRECLUSÃO - Apesar de a exclusão do simples ser ato necessário para o lançamento, a realização deste não reabre o contraditório acerca do ato de exclusão que se consumou pela preclusão.. " (Terceira Câmara do Primeiro Conselho - Recurso n" 148..817 - Acórdão n" 103-23..265, Sessão de 07/11/2007 - Rel. Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Unânime) (grifamos) "ASSUNTO.: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário; 2001 EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO - Por falta de amparo legal, é incabível o arbitramento do lucro no caso de empresa optante pelo Simples sem que tenha ocorrido o indispensável procedimento legal de exclusão do strjeito passivo do mencionado regime de tributação simpli.ficado.TRIBUTAÇÃO REFLEXA, - PIS - COFINS - CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula," (Terceira Câmara do Primeiro Conselho — Recurso n" 153,603 — Acórdão n" 103- 23.617, Sessão de 12/11/2008 — Rei. Conselheiro Antonio Bezerra Neto — Unânime) (grifamos) "OMISSÃO DE RECEITAS - LUCRO ARBITRADO - EXCLUSÃO DO SIMPLES Não havendo comprovação de que a contribuinte tenha sido excluída do SIMPLES com efeitos a partir do ano-calendário a que se refere o lançamento, incabivel o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplica-se às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em l'ailio de sua íntima relação de causa e efeito." (Sétima Câmara do Primeiro Conselho — Recurso n" 154027— Acórdão n" 107-08.904, Sessão de 28/02/2007 — Rel. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima - Unânime) (grifamos) A rigor, o entendimento firmado neste Colegiada defende que inexiste necessidade do trânsito em julgado do processo decorrente do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES para a lawatura de notificação fiscal/lançamento, podendo os dois processos terem seguimento concomitantes, objetivando, inclusive, evitar a decadência dos tributos devidos. No entanto, exigi-se, sim, que primeiramente seja emitido o Ato Declaratório de exclusão, senão vejamos: "LANÇAMENTO DE OFÍCIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão .final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio,. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. [....] " (Oitava Câmara do Primeiro Conselho — Recurso n" 138.118 — Acórdão n° 108-08,231, Sessão de 16/03/2005 — Rel. Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca — Unânime) "PRELIMINAR — EXCLUSÃO DO SIMPLES — MOMENTO E FORMA DO LANÇAMENTO — Ainda que a discussão administrativa relativa à exclusão - da interessada do SIMPLES não tenha se encerrado, inexiste qualquer empecilho ao exercício do poder-dever do Fisco de proceder ao lançamento do montante devido, sem os benefícios do regime declarado, na forma do art 142 do CTN [. ,1 " (Oitava Câmara do Primeiro Conselho — Recurso n" 149.331 — Acórdão n" 108-09.416, Sessão de 13/09/2007 — Rei, Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca — Unânime) Por tais razões, verifica-se a nulidade do procedimento adotado na presente NFLD, pois houve o lançamento de contribuições sociais englobadas pelo pagamento unificado do SIMPLES, antes mesmo da declaração de exclusão das empresas inscritas pelo órgão competente, no caso a Secretaria da Receita Federal, PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - ARBITRAMENTO - AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 20 21 Processo nü 35338 000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01179 F1 1 247 Em suas razões recursais, sustenta a contribuinte que o presente lançamento encontra-se maculado por vício formal, uma vez que o crédito previdenciário fora apurado por arbitramento, a partir da desconsideração da contabilidade das empresas BSN, BNN e TOP, sem conquanto haver a devida fundamentação de referido procedimento nos anexos específicos para tanto. De fato, no entendimento deste Conselheiro, no momento em que a fiscalização caracteriza os funcionários das empresas retromencionadas como segurados empregados e contribuintes individuais da Benner Sistemas S/A, após a desconsideração da personalidade jurídica, automaticamente desqualificou toda a escrita contábil daquelas pessoas jurídicas desconsideradas. Tal procedimento, ainda que lastreado em provas hábeis e idôneas, se reveste na condição de presunção legal, inscrita no artigo 33, § 6 0, da Lei n° 8,212/91, invertendo o ônus da prova ao contribuinte, como segue: "An 33. § 6" Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário" Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram a utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentá-lo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade do feito, Entrementes, em que pese compartilhar com a tese da recorrente, quanto a nulidade do lançamento por ausência do fundamento legal do arbitramento/aferição indireta, é entendimento majoritário desta Câmara que o procedimento adotado pela fiscalização por ocasião da lavratura da presente NFLD não encontra guarida na norma legal encimada, razão pela qual me abstenho de acolher a nulidade da notificação, em homenagem à economia processual. DAS DEMAIS QUESTÕES SUSCITADAS PELA CONTRIBUINTE Uma vez vencido nas duas preliminares de nulidade do lançamento, acima sustentadas, uma por vício material e outra por vicio formal, mister se faz adentrar às demais alegações, o que passaremos a proceder, PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Pugna, ainda, a recorrente pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Afora a nulidade acima defendida quanto ao arbitramento (rejeitada pela maioria do Colegiado), do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a opor tunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do anexo "Fundamentos Legais do Débito — FLD", às fis. 92/96, e Relatório Fiscal da Notificação e Relatório Fiscal Complementar, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção da NFLD. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das Folhas de Pagamento de Salários, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, não deixando margem a qualquer dúvida quanto a regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar a notificada. Dessa fauna, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Ainda preliminarmente, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, especialmente o pedido de realização de perícia, em total preterição do direito de defesa do contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual omissão que o julgador monocrático teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisran atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando este não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da 22 Processo n" 35338 000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01.279 F1 1 248 decisão, especialmente quando a recorrente lança urna infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda, A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5" Turma do STJ, nos autos do HC 355251SP, com sua ementa abaixo transcrita: "HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA, NULIDADE DA SENTENCA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA, 2 O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de liaidamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Principio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, ar!. 157 do CPP)., " (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre às questões mais importantes suscitadas pelo recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extrai-se da defesa inaugural que o contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito de inconstitucionalidade de leis, as quais não são oponíveis na esfera administrativa, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. Vindica, também, a recorrente a decretação da nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que a autoridade julgadora se baseou nas informações e documentos constantes dos autos, mais precisamente Relatório Fiscal da Notificação e de Configuração do Grupo Econômico, privilegiando tal documentação em detrimento dos argumentos e elementos colocados a sua disposição na impugnação, impondo a conversão do julgamento em diligência para produção de provas indispensáveis ao deslinde da controvérsia. Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante. Observe-se, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo se presta justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretá-la da forma que melhor entender, refutá-las ou desconsiderá-las, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto 70.235/1972, como segue: "Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância f, Ari. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador monocrático procedeu da melhor forma, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado, Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despiciendo a produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2 0 da Lei n° 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1° do Decreto 70.235/72, in verbis: "Lei 9,784/99 Art 38. [-1 ,55. 2" Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias." "Decreto 70.235/72 Art 16 f.1 IV - as diligências, ou perícias que o inzpugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; - Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16." Mais a mais, tratando-se de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. dp-\24 Processo rf 35338 000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01,279 Fl 1.249 Registre-se, por fim, que as contribuintes em seus Recursos Voluntários, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentaram nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade, PRELIMINAR COMPETÊNCIA AFPS Novamente em sede de preliminar, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade do lançamento, por entender que o AFPS não é pessoa competente para lavrar notificações, tendo em vista não ser contador inscrito no CRC, alegação que não é capaz de rechaçar o lançamento fiscal guerreado, senão vejamos. A respeito da "incompetência" da autoridade lançadora para lavrar notificações, como pretende a recorrente, mister esclarecer que não cabe ao contribuinte determinar quem são as pessoas competentes para a pratica do ato administrativo do lançamento. Assim, aprovado em concurso público para provimento de vagas de auditor fiscal do INSS, a este, empossado e investido em suas funções, caberá PRIVATIVAMENTE promover o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. É o que determina o artigo 142 do CTN, in verbis: "Art 142 - Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do .fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo Único - A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Em verdade, a incompetência que deve ser levantada no presente caso, é a do contribuinte de inferir quais as pessoas competentes para promover a constituição do crédito tributário, que não os auditores fiscais do INSS, atualmente da Receita Federal do Brasil, Mais a mais, a legislação previdenciária, especialmente a Lei rf 8212/91, em seu artigo 3.3, caput, atribui ao INSS, por meio das autoridades competentes, quais sejam, auditores fiscais, a competência para arrecadar, fiscalizar', lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais, nos seguintes termos: "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, .fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", 'b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legahnente." 5 Por sua vez, a Lei n° 1M93/2002, em seu artigo 8 0, não discrepa deste entendimento, como segue: "Art. 8" São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor- Fiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS: - em caráter privativo.: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; c) examinar' a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts, 17 e 18 do Código Comercial; d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; e) reconhecer o direito à restituição ou compensação de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições; j) auditar a rede arrecadadora quanto ao recebimento e repasse das contribuições administradas pelo INSS,. g) supervisionar as atividades de orientação ao contribuinte efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão .fiscal; e h) proceder à auditoria e à fiscalização das entidades e dos .fundos dos regimes próprios de previdência social, quando houver delegação do Ministério da Previdência e Assistência Social ao INSS para esse fim; e II - em caráter geral, as demais atividades inerentes às competências do INSS." (grifamos) A fazer prevalecer este entendimento, cumpre transcrever a Súmula n° 05, do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual vincula os órgãos julgadores desse Colegiado, capaz de rechaçar de uma vez por todas a pretensão da contribuinte: "SÚMULA N"5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exameda escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.." Ora, se o próprio legislador', nos Diplomas Legais encimados, em estrita observância do princípio da legalidade, determinou quais as pessoas competentes para promover, privativamente, o ato administrativo do lançamento, no cabe ao contribuinte tentar desqualificar referidas autoridades administrativas, como incompetentes para a prática do ato 26 Processo n° 35338000324/2005-33 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01,279 Fi 1 250 do lançamento, não se cogitando, assim, de ilegalidade no procedimento adotado pelo ilustre fiscal autuante DA CARACTERIZAÇÃO DO FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DESCONSIDERADAS COMO SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DA NOTIFICADA No mérito, insurge-se a recorrente contra a exigência consagrada pelo lançamento, especialmente à caracterização dos funcionários das empresas prestadoras de serviços como seus segurados empregados e contribuintes individuais, a partir da desconsideração da personalidade jurídica, aduzindo para tanto inexistir os elementos do vínculo empregatício, tendo em vista que os serviços contratados pela recorrente são fruto de terceirizações de atividades meio da empresa. Suscita que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente subjetivo, deixando de lado a realidade dos fatos, os quais não comprovam a existência dos requisitos autorizadores da descaracterização da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Pretende, ainda, a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, por entender que o INSS não detém competência para reconhecer vínculo empregatício, especialmente quando procedido com base na desconsideração de personalidade jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho. A fazer prevalecer seu entendimento, a recorrente refuta as razões de decidir do julgador recorrido, notadamente em relação aos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, da Lei n° 8212/91, concluindo inexistir tais requisitos na prestação de serviços por parte dos funcionários das pessoas jurídicas constantes dos autos. Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° .3,04811999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: "Art 229 § 2" - Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. 1 «capta» do art.9", deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado." Verifica-se do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar " ou sob qualquer outra denominação [..] ", deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando verificados os requisitos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. 28 Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ n° 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ 299/95, os quais apesar de não mais vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: "EMENTA PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — VÍNCULO EMPREGATICIO — DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomado,- de serviços" e o tido "microempresário", 2. Parecer pelo não conhecimento da avocatória. Precedente Parecer/CJ n" 330/1995," "EMENTA Débito previdenciário. Avocatória, Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos, Procedente a NFLD emitida peldfiscalização do INSS. Revogação do Acórdão n 671/94 da 2" Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.. Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91, e o artigo 3 0 da CLT, que assim estabelecem: "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas .físicas? 1— como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; "Art. 3". Considera-se empregado toda pessoa .física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário." Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laborai entre o suposto tornador de serviços com os tidos prestadores de serviços (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais do vínculo empregatício, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte, Processo n" 35338000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n•° 2401-01279 Fl 1 251 Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização dos prestadores de serviços (funcionários das pessoas jurídicas desconsideradas) como segurados empregados e contribuintes individuais, foi muito feliz em sua empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, consoante se positiva do Relatório Fiscal Complementar, às fls. 752/754, não havendo dúvidas quanto a regularidade do feito. Constata-se, assim, que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência, demonstrando circunstanciadamente os fatos que ensejaram a constituição do crédito previdenciário, impondo a manutenção da notificação em sua integralidade. DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO Em suas alegações de recurso, requer a contribuinte seja afastada a co- responsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex oficio de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nessa toada, assevera ser inconstitucional/ilegal o artigo 30, inciso IX, da Lei no 8,212/91, não podendo servir como fundamento à pretensão fiscal, eis que referida matéria exige regulamentação por Lei Complementar, o que não se constata no caso dos autos, impondo a decretação da insubsistência do feito. A corroborar seu entendimento, traça histórico societário das empresas formadoras do grupo econômico, inferindo que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu entendimento não merece acolhimento, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação e Relatório Fiscal Complementar e, bem assim, na decisão recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. Corno é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: "Art. 121 - Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.. Parágrafo Único - O sujeito passivo da obrigação principal diz- se,' I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 - São solidariamente obrigadas: 1 - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o ,fato gerador da obrigação principal;- II - as pessoas expressamente designadas por- lei. Parágrafo Único - A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 - Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." Por sua vez, a Lei n° 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: " Art. 265 - A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. 1" - A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas, ,sç 2' - A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art 267 - O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único - Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade"." Em outra via, o § 2°, do artigo 2' da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: "Art. 2" Considera-se empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. 30 Processo tf 35338.000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão o " 2401-01,279 Fi 1 252 -1 " [...1 § 2 0 Sempre que unia ou mais empresas, tendo, embora, cada unia delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas." Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFI3 ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratar-se de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei IV 8212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I- I IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de,sta " No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação Fiscal, corroborado pelo Relatório Complementar e decisão recorrida, de onde vênia para transcrever excerto por bem resumir a situação contemplada nos autos, especialmente quando a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação, in verbis: "1-1 O auditor relatou a existência de um grupo econômico, juridicamente comprovado pela participação acionária, entre as empresa Benne,- Sistemas S/A, PC Auxiliar Informática Ltda. e Seben Administradora de Bens e Participações Ltda. Por conseguinte, estas empresas são tidas como responsáveis solidárias pelo presente lançamento, sendo que .foram regularmente notificadas e apresentaram suas defesas, [1 A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico é indiscutível. E basta uma das componentes do grupo não cumprir as obrigações previdenciárias, para todas assumirem a responsabilidade, por via da solidariedade, sem beneficio de ordem. Isto significa que o INSS poderá exigir de uma das empresa a dívida de outra, sem ter que demonstrar a incapacidade da originariamente devedora. Ademais, a constatação de grupo econômico, para o presente caso, somente apresenta relevância para a cobrança do crédito, em nada refletindo na procedência ou não do lançamento, 32 porque este está embasado na caracterização de trabalhadores como segurados empregados diretamente da notificada, como já .fartamente comprovado. Além disso, a caracterização das demais empresas — TOP, BNN ou BSN como integrantes, de fato, do citado grupo econômico, apesar de poder ser demonstrada por farta comprovação, não foi efetivada pela fiscalização, por não se constituir foco principal da hipótese de incidência constante nesta Notificação.. Assim, não cabem maiores análises sobre os argumentos apresentados combatendo a hipotética inclusão destas empresas no grupo econômico. A impugnante discorreu, ainda, acerca da sucessão, no entanto, nada foi cogitado a este respeito e qualquer discussão, no âmbito destes autos, torna-se estéril, Quanto ao fato das solidárias não terem sido relacionadas no relatório fiscal, tem-se que foram identificadas no relatório fiscal complementar, tendo devidamente tomado ciência desta notificação e manifestando-se nos autos, [..1 " Mais precisamente, a fiscalização lastreou seu entendimento a propósito do grupo econômico de fato, nos seguintes termos: "RELATÓRIO NA NOTIFICAÇÃO FISCAL [.„] 5. 1.1A Benner Sistemas S/A, doravante denominada Benner, lidera um grupo de empresas que atua conjuntamente para o desenvolvimento do objetivo social da notificada. Em ação fiscal desenvolvida nas empresas Benner; PC Auxiliar Informática Ltda., CNPJ 80.112..410/0001-63, doravante denominada PC, além de TOP, BNN e BSN Verificou-se uma interdependência entre as empresa, traduzida pela ocorrência de dependência financeira, unicidade de linha de comando, utilização de um mesmo espaço físico como escritório, trânsito de empregados entre as empresas, empregados alçados à condição de sócios e/ou procuradores, pessoas integrantes de quadro social de duas ou mais empresas ou detentoras de procuração com poderes administrativos em duas ou mais empresas, entre outros fatos que serão abordados neste relatório. 5. 2Do grupa 5.2.1A despeito de que as empresas mencionadas integrem um único grupo de fato, a efetiva participação societária/acionária só ocorre entre a Seben, a PC e a Benner. A Seben detém o controle acionário da Benner e a participação majoritária na PC. A Benner é sócia da Seben na PC Caracteriza-se a formação de GRUPO ECONÓMICO, na forma do organograma abaixo: [ 5.2.2A integração das empresas TOP, BNN e BSN ao grupo não se traduz na forma de grupo econômico, visto que não há participação societária entre elas ou das demais empresas nelas, no entanto, integram o grupo de fato. Não por acaso, na fachada Processo n° 35338 000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01.279 Fl 1 253 do prédio na Rua Itajaí, 881, em Blumenau, atual sede do grupo, pode se observar- o seguinte logotipo: "Grupo Benner. Por sua vez, o Relatório Fiscal Complementar, às fis, 754, assim reitera a existência do grupo econômico de fato: „r 3. Da formação do grupo econômico e da solidariedade.. 3.1.A empresa Seben Administradora de Bens e Participações Ltda., de CNPJ 03.5.27.889/0001-58, estabelecido Ui, detém o controle acionário da notificada, sendo que a presidência desta é ocupada pelo Sr. Severino Bennel; coti.sta majoritário da Seben. 3.2A empresa PC Auxiliar Informática Ltda., de CNPJ 80.112.410/0001-63, estabelecida [..7, tem seu quadro societário composto pelas empresas Benner Sistemas S/A e Seben Administradora de Bens e Participações Ltda., sendo que esta detém 60% das cotas, ao passo que aquela responde por. 40%. 3..4Conz isto, ,fica configurada a .formação de grupo econômico entre estas três empresas, e conseqüentemente, a PC e Seben respondem solidariamente, em a Benner, à obrigação decorrente do presente crédito previdenciário." Verifica-se, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizá-las como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elecandos acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às ilegalidades e/ou inconstitucionalidade suscitadas pela contribuinte, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. 34 A própria Portaria MF n° 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: "Art. 62, Fica vedado aos membros das turmas de . julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob . fundamento de inconstitucionalidade, Parágrafo único, O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n'10522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, ndforma do art, 43 da Lei Complementar n" 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na .forma do art. 40 da Lei Complementar n" 73, de 1993," Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula ri° 02, do 2 0 Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a incorzstitucionalidade de legislação tributária.." E, segundo o artigo 72, § 4 ° do Regimento Interno do CARF', as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I — processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal, [ 1" Processo n" 35338.000324/2005-33 S2-C4T1 Acórdão n' 2401-01279 Fl 1254 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DA TAXA SELIC Por fim, insurge-se a contribuinte contra a aplicação da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, entendimento que, igualmente, não tem o condão de contaminar o crédito em questão. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8..212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: "Art 34, As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, .ficam .suleitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 199.5, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9,528/97. A atualização monetária .foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/9.5, conforme a Lei a" 8.981/9.5. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)" Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, -fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Dessa forma, correta a aplicação da taxa SELIC, com Mero no artigo 34 da Lei n° 8212. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto as demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, no mérito, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE RYCARDO H,ENRIQ VEIRA — Relator CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher a decadência em relação ao período de 08/1997 a 09/2000, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sessões, em 110 de junho de 2010 36 Processo n° 35338 000324/2005-33 S2-C4T1 AcórcItio ri.° 2401-01.279 Fl. 255 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatara Divirjo do entendimento do ilustre conselheiro quanto a nulidade levantada em seu voto, bem como em relação a aplicação do instituto da decadência. QUANTO A DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, divirjo do entendimento do relatar. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91(10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento, O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art, 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Siio inconstitucionais os parágrafo único do artigo .5° do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiada deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8,212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n 766_050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. 38í IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N" 406/68.. ANALOGIA, IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA, POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO, OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3," DO ART. 20 DO CPC IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA, ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTIN1 I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo .fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sern estabelecimento ,fixo. 2.. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei ri" 406/68, para .fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos ("Precedente do STF: RE 361829/RJ; publicado no DJ de 24,02,2006; Precedentes do ST,L AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 2610 2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo ,fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STL AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.102006; e REsp 44,5137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4.. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fátieo-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n," 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (1SSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4", do CPC (Precedentes.: AgRg no AG 623,659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592,430/MG, publicado no DJ de 29.11..2004). 7, A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de Processo if 35338 000324/2005-33 52-C4T1 Acórdão o 2401-01.279 Fl t 256 advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF)..8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente *azado.. Parágrafo único, O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento," 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (z) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da eraÇã O devida; (iy) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In.- Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Sana, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10, Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos, 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, ,fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivehnente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, ,s.ç 4°, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a .fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, ,fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4", do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não ,fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Dibutário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed„, Max Limonad , p ág 170). 14, A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado, Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir .juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, ia obra citada, pág. 171). 15. Por .fim, o artigo 173, 11, do MV; cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício . formal, Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu.' (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimphda, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito 40 Processo n°353.38,000324/2005-33 52-C4T1 Acórdão n." 2401-01279 Fl. 1.257 passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar infributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco, e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01,09.1999 17, Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponívels apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, EUTiCO Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 17.3: "Art. 173.. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando Ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4 0, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, § 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior. homologação do lançamento § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3" - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" - Se a lei não .fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do . fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas, bem como as circunstância do não pagamento para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias, No caso, a aplicação do art. 150, § 40, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente, Contudo, no próprio dispositivo legal, observa-se o deslocamento do dispositivo da aplicação da contagem do prazo decadência nos caso de dolo, fraude ou simulação. Assim, considerando a constatação pela autoridade fiscal de simulação de empresas, onde os empregados contratados por empresas prestadoras de serviços, estavam na verdade vinculados a empresa notificada, deve-se apreciar a decadência a luz do art, 173 do CTN. Considerando que no lançamento em questão a cientificação da lavratura da NFLD deu-se em 22/10/2005, como demonstrado pelo relator, e os fatos geradores compreendem o período de 08/1997 a 09/2000, em aplicando-se o art. 173, encontram-se decadentes as contribuições até 11/2000. QUANTO A NULIDADE PELA NÃO EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO. 42 S2-C4T1 Fl 1 258 Processo n° 35:338000.324/2005-33 Acórdão n.° 2401-01.279 Entendo que, no caso, não há que se falar em nulidade pela AUSÊNCIA DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO SRF PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES, tendo em vista que no lançamento em questão não houve a desconsideração das pessoas jurídicas, ou mesmo sua desconsideração enquanto optantes pelo SIMPLES. Ao contrário do entendimento do relator, entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas, porém constatou-se que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração dos contratos de certas prestadoras de serviços, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregador. Caso levasse a efeito o entendimento do ilustre relator, o levantamento nem mesmo seria feito na empresa BENNER SISTEMAS S/A, mas sim, nas empresas prestadoras optantes pelo SIMPLES, quais sejam: BNN Sistemas de Informática Ltda, BSN Serviços de Informática Ltda„ TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda. Quanto a possibilidade de exclusão de empresas do SIMPLES, ressalte-se que não cobrou o auditor contribuições patronais da empresa optante pelo SIMPLES., portanto não houve desenquadramento. O que ocorreu é que em constatando realidade diversa da pactuada inicialmente, procedeu o auditor para efeitos previdenciários o vínculo dos trabalhadores das empresas prestadoras diretamente com a BENNER SISTEMAS S/A, o que encontra respaldo na própria legislação previdenciária, Assim, entendo que o ATO DECLARATORIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório, Em nenhum momento a autoridade fiscal disse que a empresa encontrava-se irregular e que dessa forma não poderia mais funcionar. Pelo contrário, observa-se, conforme descrito no relatório fiscal , durante o procedimento de auditoria, constatou a fiscalização a existência de estabelecimentos que embora possuam CNPJ próprios e gerência contratuais aparentemente distintas, estão de fato, sob a administração das mesma pessoas. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresa permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei n° 9317/96 (Lei do Simples), mas constatando-se que na verdade quem detinha a gerência sobre os ditos empregados era a empresa notificada. Dessa forma, a confusão entre gerência e desempenho de atividades corrobora com as informações trazidas pela autoridade fiscal nesta NFLD. Por fim, cumpre-nos esclarecer que a autoridade fiscal não extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização 43 44 previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1 0 da Lei 11.098/2005: Art. lo Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizai .; lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento.. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumpri-lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art,243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação .fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Na verdade o que se vislumbrou foi a simulação para que as empresas que prestavam os serviços pudessem se beneficiar do Sistema Simplificado de impostos — SIMPLES em um primeiro momento, mantendo o faturamento dentro dos limites da lei. Porém não é aceitável esse tipo de atitude se constatado que ter por objetivo distorcer a realidade dos fatos apenas como fim de lograr proveito, sem cumprir os preceitos legais. O que ocorreu durante o procedimento fiscal foi a constatação por parte do auditor fiscal de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que as empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa notificada. Assim, não consigo identificar a nulidade apontada pelo ilustre relator. Não estamos falando diretamente de desconsideração de pessoa jurídica, mas observância dos princípios, por exemplo da primazia da realidade, onde valem mais os fatos que os documentos, Em restando demonstrado que o verdadeiro empregador era único, compete a fiscalização simplesmente proceder a vinculação das pessoa s que lhe prestavam serviços enquanto segurados empregados para efeitos previdenciários. CONCLUSÃO: Voto por rejeitar a preliminar de nulidade pela falta de emissão do Ato Cancelatório, bem como DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir as contribuições até a competência 11/1999 face a aplicação da decadência qüinqüenal. Sala das Sessões, em 10 de junho de 2010 ELAINE CRISTINA — -• ILVA VIEIRA - Relatora Pv,,Dk MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo 35338000324200533 Recurso n": 15L108 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão if 2401-01279 Brasilia,2-de setembro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional

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8205638 #
Numero do processo: 10183.005412/2002-69
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - Período de apuração: 01/07/.2001 a 30/09/2001 DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário somente se extingue-se após cinco anos, contados do fato gerador PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, PROCESSO ADMINISTRATIVO, Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula n" 11 do CARF) MULTA. VALORES DECLARADOS. Impossibilidade de cobrança da multa de oficio sobre débitos declarados em DCTF. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.642
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:35:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:35:23Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:35:23Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:35:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:314321fe-6472-41b1-8301-a3c525f1434c; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:35:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:35:23Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:35:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:35:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:35:23Z; created: 2010-11-24T16:35:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-11-24T16:35:23Z; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:35:23Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl.. 583 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10183.005412/2002-69 Recurso n" 256,690 Voluntário Acórdão n" 3301-00.642 — 3" Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2010 Matéria IPI. RESSARCIMENTO Recorrente CLARION AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - Período de apuração: 01/07/.2001 a 30/09/2001 DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário somente se extingue-se após cinco anos, contados do fato gerador PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, PROCESSO ADMINISTRATIVO, Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula n" 11 do CARF) MULTA. VALORES DECLARADOS. Impossibilidade de cobrança da multa de oficio sobre débitos declarados em DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, provimento ao recurso, nos termos do vslto do Relator, Rodd gcYda CWa Fossas-- P-residente o Lisboa _ar' osí-,üa,or Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), José Adão Vitorino de Morais, Mauricio Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas, Ausente temporariamente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello, Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) (fls. 402/416), que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao 3" trimestre de 2001, requerido nos termos da Lei n" 9363/96, vinculada à DCOMP de fls. 140/145, sintetizada na seguinte ementa: "Assunto. Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Penado de apuração. 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. EFETIVIDADE DAS AQUISIÇÕES. Diante de suspeita de inidoneidade de notas fiscais de aquisição de insumo.s e diante de elementos, que figuram no processo fiscal, que apontam para a não efetividade das operaçõe.s nelas descritas, as aquisições de instintos aparadas por mis notas devem ser comprovadas pela beneficiária desse.s documentos, sob pena da exclusão de seus montantes da base de cálculo do beneficio É de aceitar ., tão-somente, as aquisições cidos pagamentos, *tilados diretamente às empresas emitentes das notas fiscais, restaram comprovados pela beneficiária ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTIVEIS. Em razão de não se enquadrarem nos conceitos de matéria- prima ou produto intermediário, os combustíveis e a energia elétrica consumidos na produção não se incluem na base de cálculo do crédito presumido com amparo na Lei 9.363/96. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (REVENDA) Não devem ser computarias, como Receita de Exportação, as exportações de produtos adquiridos de terceiros que não tenham _sido submetidos à industrialização pelo estabelecimento exportador, segundo determinação do ADN Co.siti n" 13/98. BASE DE CALCULO A base de cálculo do beneficio, nos termos dos artigos I" e 2" da Lei 9.363/96, não alcança niereadoi ias adquiridas para revenda, tendo em vista que não se tratam de bisamos destinados à industrialização. Rest/Re.ss. Del em Parte — Comp. Hoinolog. Em Parte" De acordo com o cálculo do crédito presumido de fl. 324, o auditor excluiu do cômputo do consumo de insumo, os seguintes itens: a) as aquisições de combustíveis e de energia elétrica, em razão de não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermerdiário; b) os valores relativos às exportações de mercadoria adquirida de terceiros, não submetida a qualquer processo de industrialização pela Encomind Processo n" 10183 005412/2002-69 Acórdão n " 3301-00442 83-C31-1 Fl. 584 Agroindustrial (denominação anterior da recorrente, atual Clarion Agroindustrial S.A.); c) exclusão dos custos de produção, da aquisição de soja efetuada mediante a empresa Fertimourão Agrícola Ltda, com o fim específico de exportação. A inclusão do montante de R$39,163,56 (39.163,56 X 68,2768% X 5,37%) , na base de cálculo do crédito presumido, resultou no valor de R$1,435,92, porquanto decorrente das aquisições, cujos pagamentos foram efetuados diretamente à Comercial Brasil Têxtil, comprovados pela Encomind. Desta forma a decisão recorrida, reconheceu ainda, o crédito presumido no montante de R$1,435,92, que somados aos reconhecidos pela fiscalização, totalizam R$120,053,69 (R$1.435,92 + R$120A53,69), Cientificada em 11/02/2008 (AR — fl. 437), foi recebido o recurso de fls. 4.39/577, em 11/03/2008 (AR— fl, 4.38), alegando, em síntese o seguinte: a) ocorrência da decadência/prescrição, nos termos dos artigos 150 e 173, do CTN, tendo em vista, o fato gerador de 2001, só poderia ser cobrado pela Fazenda Nacional até 31/12/2006, tendo sido extinto em 01/01/2007; b) inexistência de previsão legal para a aplicação da multa, cru face da declaração espontânea do contribuinte, nos termos do art. 138, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relatar O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela o mesmo deve ser conhecido, A recorrente delimitou o seu recurso à decadência/prescrição e multa de mora, sustentando tratar-se de denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN.. O PER/DCOMP (fls. 140/145), foi transmitido em 28/0.2/2004 e os fatos geradores se referem ao 3" trimestre de 2001, devendo ser afastada a arguição de decadência, em conformidade com o art. 150, § 4 0 do CTN e art. 116, 1, do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n" 2.637, de 25/06/98 (DOU de 26.06.98): "Art. 116 O direito de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados: 1 - da ocorrência do fato Trejpassivo antecipado o pa administrativa não hol . rdor, quando, tendo o sujeito to do imposto, a autoridade o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei n." 5.172, de 1966, Art. 150, § 4", CTN)," Em relação à prescrição intercorrente, melhor sorte não assiste à recorrente, devendo a mesm ser rejeitada, porquanto o assunto encontra-se devidamente sumulado no âmbito administrativo, conforme entendimento consolidado através da Súmula n" 11, do CARF. Súmula GARI' N" 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo ,fiscal. Em relação à multa de oficio, cobrada da recorrente, conforme depreende-se da informação da SORT/DRF de Cuiabá (fl. 265), da seguinte forma: "Ressalte-se que, em relação aos débitos cuja compensação fbi homologada, a multa de oficio sofreu a redução de 50%, já que o contribuinte enviou a PER-DCOMP antes da data de vencimento do Auto de Infração, confirme previsto no .5(1 2" do art 28 da IN SRF n" 600/2005 Entendo ser improcedente a cobrança da multa de oficio sobre débitos declarados em DCTF, devendo ser excluída a multa de oficio (75%) relativa à glosa de compensação de crédito presumido de IPI, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n" 10.833/2003, in verbis: Art. 18, O lançamento de oficio de que trata o ar t. 90 cla Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n" 11 488, de 15 de junho de 2007) § I" Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6" a 11 do art 74 da Lei n"9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2" A multa isolada a que se refere o caput deste artigo .ser á aplicada no percentual previsto no inciso 1 do capta do arl 44 da Lei n"9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) 3" Ocorrendo manifestação de inconfbrmidade contra "ra - homologação da compensação e impugnação quant a lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças 5 reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4" Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação foi considerada não declarada nas hipóteses cio inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do capta do art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § Piocesso 6" 10183.005412/2002-69 Acém ao ri" 3301-00,642 S3-C3T1 Fl 585 1", quando fbr o caso. (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de Junho de 2007) § 5" Aphca-se o disposto no § .2" do art. 44 da Lei n"9 430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ .2"e 4"deste artigo. (Redação dada pela Lei 0 11 488, de 15 de junho de 2007). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento fim de excluir a multa de oficio sobre a compensação de crédito presum em DCTF, pela aplicação retroativa do art. 18, da Lei if 10,833/20034 CTI\1 cial)ao recurso, a dwiln, declarado 106, II, "e" do 5

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Numero do processo: 37284.000954/2007-78
Data da sessão: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PFtEVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/12/2004 O direito de imagem, valor que é Pago por terceiros, detentores dos meios de comunicação, aos atletas, como remuneração pela transmissão dos jogos não constitui salário, direto ou indireto. Isso porque, os valores pagos não se destinam à remuneração do custeio do trabalho prestado pelo atleta ao clube contratante, nem tem relação alguma com a execução regular do contrato de trabalho. Tratando-se, na verdade, de pagamento originário, efetuado pelos compradores diretos dos direitos dos espetáculos, aos seus astros, sob a forma de negócios comerciais completamente distintos dos contratos de trabalho. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.618
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor a ser apresen4do pelo Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Vencidos o Conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros e a relatora
Nome do relator: DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES

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Isso porque, os valores pagos não se destinam à remuneração do custeio do trabalho prestado pelo atleta ao clube contratante, nem tem relação alguma com a execução regular do contrato de trabalho. Tratando-se, na verdade, de pagamento originário, efetuado pelos compradores diretos dos direitos dos espetáculos, aos seus astros, sob a forma de negócios comerciais completamente distintos dos contratos de trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . , , ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor a ser apresen4do pelo Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Vencidos o Conselheiro Leôncio Nobi, e - eo eiros e a relatora. 1 1\ 1 i na Á>4... JULIO \CESA 9 '-f" EI 1 ' GOMES Presidet\çe ire k \W, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Redator Designado . .. • .. Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 2 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à contribuição devida à Seguridade Social, parte dos segurados empregados e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 64 a 68), o fato gerador da contribuição previdenciária lançada é a remuneração paga aos segurados empregados, a título de direito de imagem, extraída das folhas de pagamento e dos livros contábeis examinados. Consta que o pagamento relativo às remunerações dos atletas do futebol profissional, pela cessão de direito de imagem, foi realizado por intermédio das pessoas jurídicas ali relacionadas e a autoridade notificante acrescenta, à fundamentação legal, o § 30, do art. 33, da Lei 8.212/91 e § 2°, do art. 229, do RPS, informando que foi lavrado o AI por apresentação deficiente de documentos. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 79 a 129, e a Secretaria da Receita Previdenciária, -por meio da Decisão-Notificação n° 23.401.4/052/2007 (fls. 133 a 149), julgou o lançamento procedente, indeferindo o pedido de perícia formulado pela recorrente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 157 a 180), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência de parte do débito, nos termos do art. 150, § 4°, da Lei 8.212/91 e nulidade do lançamento por ausência, no TIAF e no TEAF, do termo "fiscalização de fato gerador específico", necessários à caracterização correta do procedimento adotado pela fiscalização, em consonância com o estabelecido na IN 06/1997. No mérito, discorre sobre a profissão de atleta de futebol e sobre a exploração da imagem dos atletas e reitera que são lícitos os contratos de licença de uso de imagem, ressaltando que os contratos de trabalho firmados por tais profissionais estão submetidos a todas as regas da legislação geral, desde que compatíveis com a legislação especial, pois possuem alguns traços característicos que devem ser observados. Afirma que, ao contrário do que entende os auditores notificantes, a imagem - do atleta não está obrigatoriamente vinculada à do clube e que os contratos de trabalho e de licença de uso de imagem são completamente autônomos e independentes. Insiste no entendimento de que o pagamento a título de licença de uso de imagem não constitui salário, ficando, portanto, excluído da base de cálculo para incidência de INSS, FGTS, Férias e 13° salário. • Alega falta de clareza e precisão do relatório fiscal, o que configura cerceamento de defesa e argumenta que não é válido escudar-se na presunção de legitimidade do lançamento tributário para unicamente inverter o ônus da prova, como ocorreu no caso presente. 3 çd". Destaca que a autoridade lançadora omitiu-se ao não discriminar porque desconsiderou os critérios de valoração dos pagamentos de direito de imagem aos atletas do clube e defende que tem que ser feita a valoração jurídica entre o fato com a hipótese legal, cabendo ao INSS o dever de provar a vinculação do lançamento tributário à respectiva definição legal. Reitera que é preciso que se traga elementos comprobatórios das circunstâncias alegadas e que o relatório identifique seus elementos de forma individualizada, eis que imprescindíveis para o levantamento do crédito e possibilitar a ampla defesa. Assevera que as contribuições dos segurados listados, na maioria, já foi apurada pelo limite máximo, fazendo jus à redução ou extinção total dos valores lançados na presente notificação fiscal, em relação à contribuição do empregado e que a fiscalização não explicitou, com clareza e precisão, o motivo porque não subtraiu a contribuição de cada segurado já devidamente recolhida em cada competência apurada. Em relação ao indeferimento da realização de diligência pela autoridade julgadora, argumenta que em nenhum momento a recorrente levantou a possibilidade de provar o alegado por meio de documentos, já que tal procedimento mostra-se desnecessário frente ao equívoco da fiscalização ao incluir os valores da contribuição dos empregados, em especial nos levantamentos DI1 e DI2, sendo que esses já atingiram o máximo de contribuição em suas respectivas competências. Insiste na realização de diligência e da perícia nos documentos e na contabilidade da recorrente, formulando os quesitos a serem respondidos e indicando o perito, nos termos da legislação vigente. É o relatório. • j- 4‘ 4 Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 3 Voto Vencido Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito, defendendo a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 40 do CTN. Verifica-se que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderialer sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, '19' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n)" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: 5 • "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 1° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. ,55' 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. sf 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" No entanto, no caso presente, constata-se que o fato gerador que ensejou a lavratura da NFLD é o pagamento de verba que a empresa entendia como não integrante da base de cálculo da contribuição previdenciária. Assim, trata-se de lançamento de oficio em que não houve pagamento antecipado da contribuição, aplicando-se, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. ç-n 6 Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 4 Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A cientificação da NFLD ao sujeito passivo se deu em 06/10/2006 e o débito em discussão se refere ao período de 01/2001 a 30/12/2004. Para as competências de 2001, a contagem do prazo se inicia em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Dessa forma, constata-se que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências objeto do presente lançamento, estando a Previdência Social ainda no direito de cobrar as contribuições devidas lançadas por meio da NFLD discutida. Assim, rejeito a preliminar de decadência. A recorrente alega, também em preliminar, nulidade do lançamento por ausência do termo "fiscalização de fato gerador específico" no TIAF e no TEAF, o que entende serem necessários à caracterização correta do procedimento adotado pela fiscalização, em consonância com o estabelecido na IN 06/1997. No entanto, a legislação em vigor quando da lavratura da NFLD não é aquela citada pela notificada em sua peça recursal, e sim a IN 03/2005. E esse normativo legal vigente à época relaciona, em seu artigo 660, os documentos e relatórios que constituem peças de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, e entre eles não consta o TIAF, citado pela recorrente. Verifica-se, ainda, que o TEAF emitido pela autoridade notificante está em conformidade com o estabelecido no art. 594, da referida IN 03/2005, pois faz referência aos elementos examinados e aos créditos lançados. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal em tela No mérito, constata-se que a recorrente não nega que pagou valores a título de direito de imagem aos atletas, segurados empregados da Sociedade Esportiva do Gama. Ela apenas alega que são lícitos os contratos de licença de uso de imagem e tenta demonstrar que o pagamento a título de licença de uso de imagem não constitui salário, ficando, portanto, excluído da base de cálculo para incidência de INSS, FGTS, Férias e 13° salário. Porém, cumpre observar que em nenhum momento a autoridade fiscal afirmou que os contratos de licença de uso de imagem não são lícitos. Ela apenas constatou que o pagamento a esse título possui natureza salarial e integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. O conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é "...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades..." (grifei). O § 2°, do art. 458, da CLT, assim dispõe sobre os salário pagos "in natura": Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, 05— 7 vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado.... ". É oportuno lembrar que a própria Constituição Federal, preceitua, no § 40 do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, o seguinte: ss 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, - serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao •estabelecer: "Entende-se por salário de contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo a disposição do empregador ...". Vê-se que uma das exigências fundamentais para a incorporação da parcela em utilidade ao salário é a habitualidade, ao lado do contrato e também do costume. Dessa forma, não há dúvidas de que a rubrica citada, objeto do presente lançamento, se enquadra no conceito legal de salário de contribuição. Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, "a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não resta dúvida que a rubrica paga a título de direito de imagem não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9 0, art. 28, da Lei 8.212/91. A recorrente argumenta que os contratos de trabalho e de licença de uso de imagem são completamente autônomos e independentes Porém, cumpre esclarecer que, ao aplicar a Lei 8.212/91 e cobrar a contribuição devida, a autoridade fiscal não esta questionando a interdependência entre contratos de trabalho e licença de uso de imagem, mesmo porque o conceito de salário-de- contribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), "O conceito previdenciário de salário-de-contribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições Vale ressaltar que a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional da proteção à imagem, prevista nos incisos V, X e XXVIII, art. 50, da Constituição Federal, uma vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os contratos de proteção de imagem não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. A própria Justiça do Trabalho tem reconhecido a natureza salarial dos valores pagos a título de cessão de uso de imagem, conforme se observa em parte da sentença abaixo transcrita: 54" VARA DO TRABALHO DO RIO DE JANEIRO - RJ 8 Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 5 ATA DE AUDIÊNCIA RT 676/01 Aos 10 dias do mês de julho de 2001, às 14h00, na sala de audiências da 54 " Vara do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro - RJ, sob a presidência do Exmo. Sr. Juiz do Trabalho, Dr. OTAVIO AMARAL CALVE7', foram apregoadas as partes, EDMUNDO ALVES DE SOUZA NETO, reclamante e CLUB REGATAS VASCO DA GAMA, reclamada, ausentes. Submetido o processo a julgamento, a Vara proferiu a seguinte SENTENÇA Do contrato de imagem Pretende o reclamante que a verba pa. ga sob o título de contrato de imagem seja considerada de natureza salarial e, em conseqüência, integrada para todos os fins nas demais verbas de natureza trabalhista com o pagamento dos reflexos decorrentes. Efetivamente, o art. 42 da Lei 9.615/98 ao dispor sobre a matéria deixa claro ser de propriedade das entidades de prática desportiva o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, transmissão ou retransmissã o da imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem, donde se conclui que não haveria qualquer necessidade de disposição contratual específica para que a ré dispusesse da imagem do reclamante envergando o uniforme com a publicidade referente à entidade patrocinadora da agremiação desportiva no momento. Obviamente, com correção dispôs a lei em análise, pois decorre da própria atividade social da reclamada a exploração do espetáculo que proporciona pela contratação de seus jogadores (empregados), sendo forma de remuneração pelo patrimônio investido tanto nos diários treinamentos e manutenção da equipe com vistas ao aperfeiçoamento da. qualidade do espetáculo • apresentado, bem como na contratação de figuras de maior poder de repercussão na mídia, atraindo dessa forma o interesse de espectadores e imprensa em geral (escrita, televisiva etc.) o que gera numerário tanto diretamente pela negociação das imagens dos jogos como indiretamente pela contratação de patrocinadores que pretendem efetuar publicidade nos uniformes e equipamentos utilizados por jogadores e comissão técnica. Situação bastante diversa seria o uso de imagem de empregado individualmente considerado para promoção de produtos explorados pelos patrocinadores da entidade de prática desportiva, este sim objeto diverso do contrato de trabalho e capaz de ensejar contratação à parte de natureza civil de forma a se respeitar o direito à imagem da pessoa e do trabalhador nos termos do art. 5°, V e X da Constituição da República. 9 Entretanto, o pacto firmado entre reclamada (inicialmente • através de outra empresa do mesmo grupo econômico) e autor (também representado por empresa cujo sócio gerente é o próprio reclamante) não passou de mera fraude aos preceitos trabalhistas com vistas a impedir a configuração de natureza - salarial às parcelas assim pactuadas gerando evidente prejuízo ao erário por sonegação fiscal e previdenciária, ao autor pelo não recebimento das verbas trabalhistas decorrentes e à sociedade em geral pela ausência de recolhimentos de parcelas ao sistema de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Dessa forma, por possuir natureza salarial, o pagamento a título de direito de imagem integra o salário de contribuição previdenciária. A notificada alega, ainda, falta de clareza e precisão do relatório fiscal e que não é válido escudar-se na presunção de legitimidade do lançamento tributário para unicamente inverter o ônus da prova, como ocorreu no caso presente, e insiste na necessidade de se trazer elementos comprobatórios das circunstâncias alegadas. Todavia, conforme informado pela autoridade lançadora, a recorrente não apresentou, apesar de intimada por meio de TIAD, todos os comprovantes de lançamentos contábeis, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração pertinente. Ao proceder dessa forma, a notificada impossibilitou ao fiscal a demonstração da "valoração jurídica entre o fato com a hipótese legal" ou a identificação dos "seus elementos de forma individualizada", como quer a recorrente. Portanto, houve a inversão do ônus da prova, cabendo à recorrente comprovar o que alega. E a recorrente não traz elementos que comprovem suas alegações. O art. 333 do Código de Processo Civil estatuiu que o ônus da prova cabe a quem alega, ou seja, aquele que alega um fato é quem deve provar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita-se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade da NFLD. Quanto à afirmação de que as contribuições dos segurados listados, na maioria, já foi apurada pelo limite máximo, fazendo jus à redução ou extinção total dos valores - lançados, cumpre esclarecer que os relatórios que integram a NFLD deixam claro que foram observados os percentuais de desconto dos segurados. Como exemplo, toma-se a competência 01/2001. Conforme verifica-se do Anexo I (fl. 69) e do DAD (fl. 04), diversos valores relativos à rubrica segurados são inferiores a R$146,11, que era o valor máximo de contribuição dos segurados para a referida competência, o que demonstra que a auditoria fiscal lançou apenas a diferença. çj\ o Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 6 Assim, resta claro que a auditoria fiscal observou, sim, tanto o limite máximo de contribuição vigente à época quanto as contribuições já retidas dos segurados em folha de pagamento. Da mesma forma, ao contrário do que entende a recorrente, verifica-se que o agente lançador considerou, na apuração da contribuição devida, os valores recolhidos pela empresa, conforme demonstram os relatórios RADA e RDA, excluindo-os do débito lançado. A notificada insiste na necessidade de realização de diligência e de perícia nos documentos e na sua contabilidade. Contudo, a fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes da notificação, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. Assim, verifica-se que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada. E o art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Art.18 - A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Dessa forma, indefere-se a diligência e a perícia solicitadas, por considerá-las prescindíveis e meramente protelatórias. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto do sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2009 r"-- BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Conselheira • 11 Voto Vencedor Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Redator Designado 1. Peço licença à nobre relatora para divergir do seu posicionamento. No meu entender, os valores creditados aos atletas não podem ser considerados como remuneração oriunda de contrato de trabalho, pois se restringem à participação coletiva do atleta em espetáculo desportivo transmitido ou retransmitido por emissoras de televisão ou de rádio. • 2. O direito de imagem está revestido de natureza eminentemente civil. A Constituição Federal estabeleceu em seu artigo 5°, inciso XXVIII, "a", o seguinte: "São assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas". 3. Ao assegurar a proteção à participação individual em obras coletivas, a Carta Republicana consagrou o direito de imagem, sem qualquer restrição, remetendo à legislação infraconstitucional a sua regulamentação. No que diz respeito aos atletas profissionais de futebol, a norma de regência é a Lei n° 9.615/98, em seu artigo 42, define o direito de imagem, in verbis: "Art. 42: Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem. §1°. Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento. (grifo nosso) §2°. O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo. 4. Em ocasião anterior enfrentei a matéria no Recurso n.° 145.292, cuja recorrente era a empresa Editora Alto Astral. Naquela assentada, apesar de o lançamento envolver valores pagos a artista de televisão, creio que a natureza jurídica do contrato é a mesma do presente caso e tanto lá quanto aqui se trata de cessão de direitos de uso de imagem. - E já naquela ocasião deixei assentado o meu posicionamento no sentido de que uso de imagem convencionada entre as partes é plenamente regular e tem natureza civil, portanto fora do alcance da incidência de contribuições previdenciárias. 5. Com isso, peço licença para transcrever pequeno trecho do meu voto: "(.) Com base nos dispositivos acima citados o contrato de cessão de direitos de uso de imagem convencionado entre as partes é plenamente regular e tem natureza civil, porquanto se trata de direito personalíssimo, indisponível e exclusivo do cidadão. 12 Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 7 E, no meu entender, para efeitos de incidência da contribuição previdenciária, o fato de o contratante utilizar como ‘`mercadoria" a imagem do contratado não significa dizer que há prestação de serviços, nos exatos termos do art. 12, inciso V, alínea "g", da Lei 8.212/91. (.) Com efeito, compulsando os autos, verifica-se que Cláudio Heirinch Méier é um artista e apenas cedeu o seu direito de imagem para a empresa concorrente." 6. A legislação previdenciária não ficou silente em relação ao direito de imagem. Nesse sentido, a Lei n.° 9.528, de 10.12.97, acrescentou a alínea 'V ao §9° do artigo 28 da Lei 8.212/91 para asseverar que não integram o salário-de-contribuição os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais. Eis o teor do dispositivo: "Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (.) 90 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (.) • v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; 7. E mesmo no que diz respeito aos aspectos trabalhistas, encontramos posicionamento na Justiça laboral no sentido de que o direito de imagem, valor que é pago por terceiros, detentores dos meios de comunicação, aos atletas, como remuneração pela transmissão dos jogos não constitui salário, direto ou indireto. 8. Isso porque, os valores pagos não se destinam à remuneração do trabalho prestado pelo atleta ao clube contratante, nem tem relação alguma com a execução regular do contrato de trabalho. Tratando-se, na verdade, de pagamento originário, efetuado pelos compradores diretos dos direitos dos espetáculos, aos seus astros, sob a forma de negócios comerciais completamente distintos dos contratos de trabalho. 9. Tanto é verdade que, no presente caso, os pagamentos eram realizados em sua maioria por intermédio de empresas de marketing esportivo, o que se aproxima da realidade por mim pincelada, qual seja a de que os valores lançados não possuem natureza trabalhista e, por conseqüência, também, não fazem parte da base de cálculo de incidência de contribuição social previdenciária. • 10. Urge ressaltar, nesse mesmo quadro, decisão consistente da 3 a Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3 a Região, considerando que o pagamento realizado pelos Clubes, em razão da transmissão de jogos, não constitui salário, direto ou indireto, no sentido técnico do instituto, sobre quaisquer de suas modalidades: 13 "SALÁRIO. JOGADOR DE FUTEBOL. DIREITO DE ARENA. OUTROS GANHOS PELO USO DA IMAGEM POR TERCEIROS. NATUREZA JURÍDICA. VALORES ALEATÓRIOS E VARIADOS. PREFIXAÇÃO EM CONTRATO DE TRABALHO. FRAUDE. EFEITOS. O chamado direito de arena, valor que é pago por terceiros, detentores dos meios de comunicação, aos atletas, como remuneração pela transmissão dos jogos dos quais eles são os principais atores e os catalisadores da motivação popular para angariar audiências, não constitui salário, direto ou indireto, no sentido técnico do instituto, sobre quaisquer de suas modalidades, eis que não se destina, nem mesmo remota ou indiretamente, ao custeio do trabalho prestado ao clube contratante, nem tem relação alguma com a execução do contrato de trabalho. Tratando-se de pagamento originário, pelos compradores dos direitos dos espetáculos, aos seus astros, sob a forma de negócios comerciais distintos e paralelos aos contratos de trabalho. Da mesma forma os demais direitos conexos pagos pelo uso do nome ou imagem do atleta profissional em campanhas publicitárias, institucionais e licenciamento de produtos e serviços diversos. Que se referem sempre à pessoa do jogador, nos seus atributos intrínsecos da personalidade, não se vinculando ao contrato de trabalho, nem se restringindo ao tempo de duração dele, pois como apanágios do ser humano acompanham-no do berço ao túmulo e deitam memória no tempo posterior ao da duração da sua vida. O que está conforme a moderna perspectiva de que tudo tem valor comercial para uma gama tão infindável quanto diversificada de negócios mercantis que se valem de toda sorte de apelos ao consumidor para viabilizar mercados. Ainda que recebidos em bloco pelo clube empregador e distribuído por este a cada atleta, segundo a quantidade que lhe caiba, não perde a natureza de ganho extra-salarial. Não caracterizando, pois, fraude ao salário o fato de serem pagos fora da folha de pagamento e até mesmo por intermédio de . cômodas empresas constituídas para gerenciar tais atividades. Não servindo de base para cálculo dos demais direitos trabalhistas que se fundam no salário contratado. Haverá fraude, no entanto, mesmo com a conivência do atleta empregado, quando o empregador, vendo na hipótese uma atraente possibilidade de deslocar para esta rubrica uma parte do salário combinado, para safar-se dos encargos sociais e tributários, pré-contrata com ele uma quantia fixa, sempre igual, mensal, a este título. Pois os direitos de arena e demais ganhos pelo uso da imagem e nome que não configuram salário são aqueles específicos e inequívocos. E que dependem, por isso, de negociação concreta e dos valores para tanto combinados. Caso em que, verificada a fraude, manda-se fazer a exata separação, por apuração em liquidação de sentença, do que, no valor lançado nesta rubrica, seja efetivamente pagamento dos direitos conexos do atleta e salário camuflado, para que sobre esta segunda parte calculem-se os demais direitos trabalhistas. Recurso parcialmente provido (Proc. n° 16695/2001 — RO — fdn-- Partes: Edson Luiz da Silva e Clube Atlético Mineiro)." 11. Por fim, deve-se dizer que o fisco, ao pretender modificar conceitos do direito civil para adequá-los à definição de verba salarial, com o único intuito de fazer incidir tributo, em verdade, contraria frontalménte o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional — CTN, verbis: 14 Processo n° 37284.000954/2007-78 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.618 Fl. 8 "Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 12. De maneira que o meu voto, no mérito, é pelo provimento do recurso voluntário. • JON, Sala das Sessões, em 28 de set - 19. )0 09 DAMIÃO CORDEIRO DE MORA - Redator Designado • 15

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Numero do processo: 10670.001651/2010-68
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Verificado que a decisão foi exarada incorrendo em lapso manifesto, cabe admitir embargos inominados para sua correção. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexiste concomitância entre lide judicial versando sobre contribuições à seguridade social e contencioso administrativo pertinente a contribuições destinadas a terceiras entidades.
Numero da decisão: 2202-008.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração como embargos inominados, para fins de que, sanando o lapso apontado, as razões declinadas no voto do relator passem a integrar a fundamentação do acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles

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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-16T22:21:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-16T22:21:48Z; Last-Modified: 2021-08-16T22:21:48Z; dcterms:modified: 2021-08-16T22:21:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-16T22:21:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-16T22:21:48Z; meta:save-date: 2021-08-16T22:21:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-16T22:21:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-16T22:21:48Z; created: 2021-08-16T22:21:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-08-16T22:21:48Z; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-16T22:21:48Z | Conteúdo => SS22--CC 22TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10670.001651/2010-68 RReeccuurrssoo Embargos AAccóórrddããoo nnºº 2202-008.511 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 11 de agosto de 2021 EEmmbbaarrggaannttee DRF DE MONTES CLAROS/MG IInntteerreessssaaddoo HOSPITAL SAO VICENTE DE PAULO DE BRASILIA DE MINAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Verificado que a decisão foi exarada incorrendo em lapso manifesto, cabe admitir embargos inominados para sua correção. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexiste concomitância entre lide judicial versando sobre contribuições à seguridade social e contencioso administrativo pertinente a contribuições destinadas a terceiras entidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração como embargos inominados, para fins de que, sanando o lapso apontado, as razões declinadas no voto do relator passem a integrar a fundamentação do acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson. Relatório A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803-004.202 em 11/03/2015 (fls. 725/734), negando provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 16 51 /2 01 0- 68 Fl. 748DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.511 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001651/2010-68 É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n° 8.212/91,pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado Os embargos de declaração foram interpostos pela Delegacia da Receita Federal em Montes Claros/MG, e considerados tempestivos, consoante despacho de admissibilidade de lavra do então Presidente da 2ª Seção, que, em 21/09/2017, os admitiu. Do referido documento, extraem-se as seguintes passagens de relevo (fls. 743/744): A embargante alega que, a despeito de ter ciência da ação judicial, o acórdão recorrido deixou de aplicar o disposto no art. 35 da Portaria RFB n° 10.875. de 16/08/2007, que dispõe que a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. (...) De fato, assiste razão à embargante, uma vez que o aresto embargado é omisso/obscuro quanto à abrangência ou não da exigência objeto do lançamento sob exame pela imunidade prevista no art. 195, §7°, matéria que, uma vez abordada na ação judicial 000575227.2011.4.01.3807, possui consequências em relação à possibilidade ou não de adoção da tese de não-conhecimento. Diante do exposto, deve-se acolher os Embargos de Declaração e, consequentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar a omissão/obscuridade acima apontada. Admitidos assim os embargos, os autos foram sorteados para julgamento neste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Cabe assinalar, de início, que o documento de fl. 738, referido pelo anterior Presidente da 2ª Seção de Julgamento, não se consubstancia em embargos propriamente dito, pois se trata de manifestação de servidor do SACAT da DRF/Montes Claros, responsável pela execução do acórdão. Não obstante, tendo em vista a situação analisada, entendo deve ser tal documento recebido como embargos inominados por lapso manifesto, com suporte no art. 66 do Anexo II do RICARF, nos termos na sequência explanados. O contribuinte suscitou em seu recurso voluntário (fls. 708/709), ter sentença reconhecendo sua condição de entidade imune, argumento que restou assim abordado pela embargada: Assevera o contribuinte que auferiu sentença procedente com tutela antecipada, na qual ficou evidenciado a sua condição de imunidade, conforme atesta a Ação Declaratória de Débito Fiscal c/c Pedido de Anulação de Débito Tributário e Pedido Liminar de de Emissão de Certidão Positiva com Efeito Negativo, processo n° 0005752- 27.2011.4.01.3807, que tramita pela 1* Vara da Justiça Federal da secção judiciária de Fl. 749DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.511 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001651/2010-68 Montes Claros-MG, que abarca as contribuições previdenciárias patronais devidas para os anos de 2004 a 2006. Todavia, referida ação judicial encontra-se em andamento, com recurso de apelação pela União (PFN), com efeitos devolutivo e suspensivo, conforme consulta no site do Tribunal Regional Federal da 1* Região 114013807&secao=MqJ&pg=l&trfl captcha id=5fec045f71b94212dcef2acd48 86bS6&trfl captcha=467r&enviar=Pesqutsaf. em 16/102014): 1. Recebo o recurso de apelação interposto pela União (PFN) às f. 148/170, nos seus efeitos devolutivo e suspensivo.2. Intime-se a parte autora para, no prazo de 15 dias, apresentar contrarrazões ao recurso. Note-se que tais razões em nenhum momento enfrentaram a questão de existência de concomitância entre a referida ação judicial e a lide administrativa ora examinada, o que era de rigor realizar tendo em vista a possibilidade de a situação analisada atrair o disposto na Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória para as Turmas do CARF, já à época daquele julgamento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Destarte, verifica-se a ocorrência de lapso manifesto, que merece ser sanado. Nesse diapasão, devem ser compulsados os autos, particularmente o Memorando de fls. 694/701, no qual constam peças extraídas do processo judicial nº 0005752- 27.2011.4.01.3807. Ressalte-se, prontamente, que a sentença declarou o direito da interessada à imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF, no que se refere às contribuições patronais devidas no ano de 2004, o que em sede de embargos de declaração foi estendido para alcançar os anos- calendário 2005 e 2006. Ora, conforme já assentado na jurisprudência do STF – ver, nesse sentido, AI nº 622.981-0/SP, j. 22/05/2007, e RE nº 396.266-3/SC, j. 26/11/2003 – as contribuições destinadas a terceiros, objeto de lançamento veiculado no presente processo (fls. 24 e ss), tem natureza jurídica de intervenção do domínio econômico, de contribuições sociais e de interesse de certas categorias, com suporte nos arts. 149 e 240 da CF, possuindo contornos e destinações diversos das contribuições previdenciárias, que tem seu respaldo no art. 195 da CF. Dessa feita, limitando-se a ação judicial a versar sobre as contribuições patronais destinadas à seguridade social, não alcançam os efeitos das decisões nela eventualmente prolatadas o lançamento de ofício em comento, voltado à constituição do crédito tributário relativo às contribuições destinadas a terceiros (fls. 16/17, c/c fls. 24/26). Inexistente, por conseguinte, concomitância a ser reconhecida na espécie. Ante o exposto, voto por conhecer os embargos de declaração como embargos inominados, para fins de que, sanando o lapso apontado, as razões acima declinadas passem a integrar a fundamentação do acórdão embargado. É o voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 750DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.511 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001651/2010-68 Ronnie Soares Anderson Fl. 751DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10875.001757/2005-06
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADM. Entretanto, inexistindo este, se faz necessário que seja comprovado mediante prova conclusiva, tal como laudo técnico. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.510
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área d'e Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADM. Entretanto, inexistindo este, se faz necessário que seja comprovado mediante prova conclusiva, tal como laudo técnico. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, N e "-oresidente ./ fl\l- tonio )o artine EDITADO EM:. 4 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Madurez, Pedro Atm Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Nelson Mallmann (Presidente), Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. \;? 2 Processo n" 10875.001757/2005-06 S2-C2T2 Acórdão o "2202-0(.510 Fl. 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, COMPANHIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE, foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de lis. 40 a 45, por meio do qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural — ITR do Exercício 2001, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 92,661,06, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Capanhão, com área total de 1..419,7 ha, com NIRE 3167002-4, localizado no município de Biritiba Mirim — SP. No Termo de Verificação Fiscal de fls.. .36 e 37, o fiscal autuante relatou, em suma, que, em procedimento de trabalho de malha da DITR/2001 do imóvel, a interessada apresentou vários documentos, em atendimento à intimação, e, com base nesses documentos, • ficou constatado que foram protocolados dois ADA, um em 21/09/98 e o outro em .2010712004,e que, considerando que o prazo legal para protocolização do ADA é de seis meses, contado do término do prazo para a entrega da declaração, o ADA válido para o Exercício 2001 é o protocolado em 21/09/98, razão pela qual foram alteradas as áreas de preservação permanente declaradas para a quantidade indicada naquele documento. O enquadramento legal do lançamento foi descrito às fls. 44 e no Termo de Verificação Fiscal, Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 39. A interessada foi cientificada do lançamento, por via postal, em 06/06/2005 fis.47), e apresentou a impugnação de fls. 5.3 a 74, em 28/06/2005, onde argumentou, em suma, oque segue: - - -Em preliminar, alega que ocorreu a nulidade do Auto de hifiação, por ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, em razão de entender que não constou a disposição legal infringida, como previsto no art. 10, IV, do Decreto n°7023.5/197.2, o qual transcreveu, em prejuízo de sua defesa; • Os dispositivos indicados no quadro "Enquadramento Legal" apenas disciplinam questões que não oferecem qualquer indício de prática de inflação pelo contribuinte e em nenhum se encontra inenção ao prazo de seis meses para protocolização ADA, como descrito no Termo de Verificação Fiscal, dos dispositivos citados, o Decreto n.°4 38.2/02 não se aplica ao Evercício 2001, em respeito ao principio da legalidade e anterioridade; após outros argumentos conclui sua preliminar afirmando estar o Auto de Infração eivado de completa nulidade; • No mérito, alega que as Leis n.° 8.191/91 e 9.393196 conlèlem geral e incondicional isenção do ITR para as áreas de preservação permanente e não condicionam o benefício fiscal ao cumprimento de obrigação acessória, e que, assim, a isenção não pode ser afastada por norma infralegal, )(‘ 3 • Reproduziu artigos da 1N/SRF 73/2000 e da IN/SRF 60/2001, que a revogou, e os artigos 2° e 3', da Lei n° 4 771/1965, destacando as determinações relativas às áreas de Preservação Permanente, para concluir que a lei não faz exigência, a ser tomada pelo contribuinte, para que essa área sOa considerada, corrobora seu entendimento com a transcrição de acórdãos do Conselho de Contribuintes onde se tratou de áreas de preservação permanente; também transcreveu acórdão do TRF 1 a Região que considerou ilegal a exigência prevista na IN-SRF n.° 67/97, quanto à apresentação do ADA; Ainda assim, não deixou de protocolizar o ADA/2003, alterando as áreas de preservação permanente de 583,3 ha para 850,1 ha se a área foi reconhecida por ADA é porque sempre fora de preservação permanente, e que o . fato de a área já ser de preservação permanente que determina a conseqüência tributária,. • A Medida Provisória n ° 2 166-67, ao incluir o parágrafb §7° no artigo 10 daLei n° 9393/1996, afastou a exigência de qualquer providência por parte do contribuinte,cabendo a aplicação desse dispositivo ao Exercício 2001 com base nas disposições do artigo106 do CTN, uma vez que trouxa norma mais benéfica ao contribuinte; para corroborar essa alegação, transcreveu acórdãos do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido • Conclui afirmando que o Auto "de Infração é indevido, por fáltar razão que justifique a pretensão fázendária, e contesta a aliquota de 75,0% relativa à multa Acompanharam a impugnação os documentos de f1s. 75 a 100. A URI Campo Grande ao apreciar os argumentos do impugnante, julgou o lançamento procedente. Insatisfeita a interessada interpõe recurso voluntário de fls.120 e 164, reiterando as razões do recurso. É o relatório. 4 Processo o" 10875.001757/2005-06 S2-C2T2 Acórdão " 2202-00310 Fl 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A questão controvertida posta à apreciação trata-se da comprovação da área de preservação permanente. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento.. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Art 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Fecleral, s-uleitando-se homologação posterior, § 1" Para os eleitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1 - VTN, o valor do imóvel, exchddas os valores relativos a, a) construções, instalações e benfeitorias, b) culturas permanentes e temporárias; ç) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; 11 - área tributável, a área total cio imóvel, menos as áreas a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7 803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico pata a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, .federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer ex-ploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico ~diante ato do órgão competente, federal ou estadual; Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer' exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4,771/65 (Código Florestal). 5 O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) fbi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts..r, 3°, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só eleito desta Lei, as .florestas e demais . finmas de vegetação natural situadas; a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será (Redação dada pela Lei n"7.803 de 18.7 1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura, (Redação dada pela Lei n" 7.803 de 18,7,1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros- de largura, (Redação dada pela Lei n" 7.803 de 18.7 1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos dWgua que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n" 7 803 de 18 7.1989) 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura, (Redação dada pela Lei n"7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n" 7 803 de 18 7,1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura, (Redação dada pela Lei n" 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com dechvidade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive,' f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues, g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais, (Redação dada pela Lei n" 7.803 de 18.7 1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei 11" 7 803 de 18.7.1989) Parágrajb único No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanas definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações 6 Processo n" 10875 00175712005406 S2-C2T2 Acói dão n " 2202-00,510 Fl 4 urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o diwosto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os prindpiaS e limites a que se refere este artigo (Incluído pela Lei n" 7 803 de 18 7.190) .Art .3" Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais farinas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras,- b) a .fixar as dunas; c) a fOrmar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias, d) a auxiliar a defesa do- território nacional a critério das autoridades militares, e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico,. f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; Ir) a assegurar condições de bem-estar público. § I° A supressão total ou parcial de .florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando . for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse 2" As florestas que integram o Património Indígena .ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só eleito desta Lei. • •• • • .• • Art., 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos .2' e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições a) nas regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de .florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo-se, nesses casos, apenas a extração de 7 árvores para produção de inadeir:a Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só Serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atua/incute revestidas de fOrmações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert - O Ktze), não poderão ser desllorestadas de .forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerando-se, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos. Estados do Maranhão e Plaul, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por alo do Poder Público, na for na do ar! 15. 1" Nas propriedades rurais, compreendidas na alinea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computar-se-ão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura .florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam .fiaticolas, ornamentais ou industriais (Parágrafo único remunerado pela Lei n" 7.803 de 18.7.1989) §. 2°À reserva legal, assim entendida a área de , no minimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área (Incluído pela Lei n" 7.803 de 18 7.1989) 3" Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais, (Inchado pela Lei 11" 7.803 de 18 7. 1989) Art 44 Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafb único A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n" 7.803, de 18.7,1989) Neste contexto, entendo que a comprovação da área de Preservação Permanente, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADM., Na medida em que 18 Processo n" 10875 001757/20054)6 S2-C2T2 Acórdão o " 2202-00,510 Fl 5 este não é o único meio de prova da existência das referida áreas. Caso o contribuinte tenha caneado por exemplo para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de preservação permanente, é de se exclui-las no prazo estabelecido. No caso concreto entretanto a contribuinte não apresenta um laudo técnico que elucide quais são as área de preservação permanente, diante disto não há como dar provimento ao recurso. Ante ao exposto, voto por Negar provimento ao recurso, • 41,11 (7)1? - À tonio Loi o M , rtinez 9

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Numero do processo: 18471.000743/2006-01
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon May 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. A análise do caráter confiscatório da multa envolveria necessariamente a verificação da compatibilidade do dispositivo legal que fundamentou a sua aplicação com a Constituição Federal, o que, em face do sistema constitucional vigente, é vedado aos órgãos da Administração Pública, dentre os quais, este tribunal administrativo. À vista do princípio constitucional da estrita legalidade que rege a atividade da Administração Pública, bem como do fato de que a Constituição somente conferiu ao Poder Judiciário a competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis ou atos normativos do poder público, não cabe a este tribunal analisar a constitucionalidade de norma que permaneça vigente e eficaz no ordenamento jurídico. É o entendimento constante do enunciado CARF nº 2, segundo o qual “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.
Numero da decisão: 2402-009.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora (documento assinado digitalmente)
Nome do relator: Renata Toratti Cassini

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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. A análise do caráter confiscatório da multa envolveria necessariamente a verificação da compatibilidade do dispositivo legal que fundamentou a sua aplicação com a Constituição Federal, o que, em face do sistema constitucional vigente, é vedado aos órgãos da Administração Pública, dentre os quais, este tribunal administrativo. À vista do princípio constitucional da estrita legalidade que rege a atividade da Administração Pública, bem como do fato de que a Constituição somente conferiu ao Poder Judiciário a competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis ou atos normativos do poder público, não cabe a este tribunal analisar a constitucionalidade de norma que permaneça vigente e eficaz no ordenamento jurídico. É o entendimento constante do enunciado CARF nº 2, segundo o qual “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 43 /2 00 6- 01 Fl. 1153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 (documento assinado digitalmente) Relatório Por bem descrever os fatos até o julgamento em primeira instância, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 957 a 968, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002, 2003 e 2004, anos calendário 2001, 2002 e 2003, no valor total de R$ 402.654,01 (quatrocentos e dois mil, seiscentos e cinquenta e quatro reais e um centavo), sendo: Imposto R$ 178.302,36 Juros de mora (calculados até 31/07/2006) R$ 90.392,39 Multa proporcional (passível de redução) R$ 133.726,76 Multa exigida isoladamente R$ 232,50. A fiscalização apurou as seguintes infrações, conforme o Auto de Infração, o Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 920 a 923 e seus anexos, com a relação individualizada dos créditos e conclusões, juntados às fls. 924 a 956: 1. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica — pró labore. Conforme o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, da análise das alegações do contribuinte e da documentação apresentada, a fiscalização apurou o pagamento, em 2001, pela empresa Nomos Análises Minerais Ltda, de valores a título de pró labore não incluídos na D1RPF. 2. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica caracterizados por depósitos bancários sem finalidade comprovada. Diz a fiscalização, no TCVF, que o contribuinte, intimado a comprovar a origem dos depósitos nas contas correntes e de poupança, identificou depósitos realizados pelas empresas Nomos Análises Minerais Ltda e Trominex Tropical Mineral Export Ltda, e apresentou extratos de contas correntes das empresas e recibos de depósitos, que possibilitaram confirmar que as empresas realizaram parte dos créditos verificados em suas contas correntes. De acordo com a fiscalização, o interessado não conseguiu comprovar a finalidade dos créditos realizados pelas pessoas jurídicas identificadas e, assim, são tributáveis os créditos realizados, constantes dos anexos 3 e 4 (fls. 942 a 946), por configurarem fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas, em conformidade como o inciso II do §1º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e artigo 3º, §4 °, da Lei n° 7.713/88. 3. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas caracterizados por depósitos bancários sem finalidade comprovada. Informa a fiscalização que o interessado não comprovou a finalidade de depósito de R$3.000,00, efetuado por Hans Henning Friedrich Adolf Stier, e o valor deve ser tributado como rendimentos recebidos de pessoa fisica. 4. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. De acordo com a fiscalização, o interessado não logrou comprovar a origem dos créditos listados no anexo 5 (fls. 947 a 956). Após análise das alegações e documentos apresentados pelo interessado, a fiscalização concluiu que: (i) com relação aos depósitos alegados como sendo de K&R, do Condomínio, e P&K, Newton Orembuch, Chapada Brasil e outros, não foram apresentados documentos que comprovassem tal origem; (ii) com relação aos depósitos que teriam sido realizados pela Nomos e Trominex, não foram encontradas as comprovações nos recibos e/ou extratos apresentados; (iii) parte dos depósitos não foram identificados pelo contribuinte, conforme esclarecimento do próprio; (iv) com Fl. 1154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 relação ao ano calendário 2001, os valores cujas origens não foram comprovadas não foram objeto de tributação, considerando que os valores são inferiores ao limite previsto no inciso II do §2 ° do art. 42, da Lei n° 9.430/96. 5. Multa isolada - falta de Recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. Esclarece a fiscalização que, considerando a obrigatoriedade do recolhimento de carnê leão sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas, aplicou a multa de 50% sobre a antecipação devida, em relação ao rendimento de R$ 3.000,00, conforme item 3 acima. Os enquadramentos legais se encontram nos campos próprios do Auto de Infração. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais constam do demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 967. Cientificado do Auto de Infração em 18/08/2006, o interessado apresentou, em 18/09/2006, a impugnação de fls. 970 a 999, na qual alega, em síntese: - questiona o não reconhecimento dos DOC’s e TED's identificados pelo nome ou pelo CNPJ, principalmente efetuados pelas empresas K&K Estruturas e Equipamentos Ltda e K&K Tecnologias Minerais Ltda; - na qualidade de sócio das empresas Nomos Análises Minerais Ltda e Trominex — Tropical Mineral Export Ltda, os depósitos foram efetuados nas contas correntes como reembolso ou obrigação de antecipar recursos, com o objetivo de manter as empresas em atividade e honrar compromissos; - pela K&K Estruturas e Equipamentos Ltda e K&K Tecnologias Minerais Ltda, como responsável técnico do projeto que estava sendo implementado na unidade da CSN, foi necessário antecipar recursos para compra de equipamentos, insumos, pagamentos de vale transporte, aluguel e outros; - na maioria das vezes os depósitos não coincidem com as datas dos pagamentos destas despesas em razão da própria indisponibilidade de caixa das empresas para o reembolso; Às fls. 973 a 1014, anexa relatório com justificativas dos pontos de não concordância; Anexa ainda à impugnação os seguintes documentos: extratos da empresa Trominex — Tropical Mineral Export Ltda junto ao Banco Bradesco e ao BankBoston; comprovantes de depósitos da K&K Estruturas e Equipamentos Ltda e K&K Tecnologias Minerais Ltda, extrato da conta corrente de Ruth Mitsue Simuzi; extrato de suas contas correntes mantidas junto ao Banco Real e ao Banco Bradesco. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/RJ2, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo a matéria não impugnada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. PRESUNÇÃO. É incabível o lançamento embasado em presunções não autorizadas em lei e que não esteja firmado em provas materiais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. Para comprovação da origem, nos termos do art. 42 da Lei n" 9.430/96, é necessário que se possa determinar a natureza e titularidade dos rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de. depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimad ,), não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 ALEGAÇÃO. PROVA. As alegações do contribuinte devem vir acompanhadas de elementos de prova hábeis e idôneos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificado dessa decisão aos 19/10/10 (fls. 1118), o recorrente apresentou recurso voluntário aos 18/11/10 (fls. 413 ss.), no qual alega, em síntese, (i) nulidade do item 004 do auto de infração, pois o auditor fiscal deixou de apontar o enquadramento legal da suposta infração ali descrita, o que prejudicou a sua defesa em primeira instância, (ii) que a simples presunção sem lastro em prova cabal da obtenção de renda tributável, por si só não pode significar a ocorrência do fato gerador do imposto devido, o que leva à conclusão de que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 é inconstitucional por ferir os princípios da legalidade, segurança jurídica e razoabilidade e (iii) reitera os argumentos já apresentados em primeira instância, no sentido de que anexou aos autos, a fls. 973/1014, relatório com justificativas dos pontos de discordância, além de documentos que comprovam a origem dos depósitos questionados. Por fim, requer que o recurso voluntário seja provido para desconstituir o exigência fiscal. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Preliminar – nulidade Conforme relatado, o recorrente alega em seu recurso nulidade do item 004 do auto de infração ao argumento de que o auditor fiscal teria deixado de apontar o enquadramento legal da suposta infração ali descrita, o que prejudicou a sua defesa em primeira instância. No entanto, sua alegação não procede. Com efeito, verifica-se que o Auto de Infração, ao tratar do 004 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, após relacionar os fatos geradores, informa, logo na sequência, a fls. 970, o respectivo enquadramento legal, nos seguintes termos: Art. 849 do RIR/99; Art. 1° da Medida Provisória no 22/2002 convertida na Lei no 10.451/2002. Do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, por seu turno, relativamente à infração “4 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM Fl. 1156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 NÃO COMPROVADA: Anexo 5", consta, expressamente, a fls. 931, a observação no sentido de que 4 - com relação ao ano 2001, os valores cujas origens não foram comprovadas não foram objeto de tributação considerando que os valores são inferiores aos determinados no inciso II do § 2° do Art. 42 da Lei 9.430/96. de maneira a deixar claro que o dispositivo legal a embasar a infração em tela é o art. 42, da Lei nº 9430/96, cujo teor, em última análise, no que se refere à presunção de omissão de receita ou rendimento em face da não comprovação da origem de valores creditados em conta depósito ou investimento pelo respectivo titular, é o mesmo. Desse modo, a alegação do recorrente não deve ser acatada. Mérito – Dos depósitos bancários de origem não comprovada O recorrente, ao longo do procedimento fiscal, não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias no período fiscalizado, o que caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, conforme prevê o art. 849 do RIR/99, na redação que foi conferida a este dispositivo pelo art. 42 da Lei nº 9430/96. Em seu recurso voluntário, o recorrente insiste que o relatório com justificativas anexado aos autos a fls. 973/1014 e os documentos juntados comprovam a origem dos depósitos questionados. A esse respeito, nos termos do art. 57, §3° do RICARF, com a redação que lhe atribuiu a Portaria MF Nº 329/2007, adoto o seguinte trecho da decisão recorrida, abaixo reproduzido, para que venha a integrar este voto como razões de decidir: Da leitura da impugnação nessa parte, fls. 990 a 1014, verifica-se que o impugnante pretende relacionar aos créditos uma série de despesas das pessoas jurídicas em questão. Ocorre que não há coincidência, de datas ou mesmo de valores, entre os créditos verificados nas contas correntes e os supostos valores adiantados pelo interessado. Também grande parte das despesas das pessoas jurídicas que teriam sido adiantadas pelo interessado não está sequer comprovadas. Nota-se, dos documentos trazidos aos autos, que grande parte das notas fiscais juntadas são ao consumidor ou estão em nome do próprio interessado. Além disso, o interessado não trouxe aos autos qualquer documento da escrituração das referidas pessoas jurídicas que pudesse corroborar suas alegações, elementos de prova fundamentais para comprovar aquelas operações. A informalidade de suas relações com as pessoas jurídicas não pode ser oposta ao Fisco. Se não concorda com os valores lançados, caberia ao impugnante apresentar provas hábeis, idôneas e robustas, o que não foi feito no presente caso. Conclui-se que não restaram comprovadas que os depósitos efetuados pelas pessoas jurídicas indicadas correspondem a reembolsos. Anoto que o art. 42 da Lei 9.430/1996 criou um ônus para o contribuinte consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira de que seja titular. A consequência do descumprimento desse ônus é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se de receitas ou rendimentos omitidos. Dispõe o mencionado dispositivo legal: Fl. 1157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997 1 ) §4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6 o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Destacamos) Trata-se de uma presunção legal, relativa, de modo que, sendo assim, pode ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte, no caso, o recorrente. A respeito da presunção, esclarece a doutrina que: "A presunção é uma operação mental por meio da qual o juiz, partindo da convicção a respeito da existência de um determinado fato secundário, infere com razoável probabilidade que o fato primário ocorreu. (...) "As presunções legais, por sua vez, decorrem de lei. É o legislador que, a priori, estabelece a correlação entre os fato, dispondo que, diante da comprovação de determinado fato [no caso, a existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea], é razoável supor a ocorrência de outro [a existência de renda não submetida à tributação]". 2 E na lição de ninguém menos do que Pontes de Miranda, 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lucia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. PRIMEIROS COMENTÁRIOS AO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ARTITO POR ARTIGO. São Paulo: RT, 2015, p. 374. Fl. 1158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 "A presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que se presume. Se ela apenas inverte o ônus da prova, a indução, que a lei contém, pode ser elidida, in concreto e in hypothesi. Se ao legislador parece que a probabilidade contrária ao que se presume é extremamente pequena, ou que as discussões sobre provas seriam desaconselhadas, concebe-as ele como presunções inelidíveis, irrefragáveis: tem- se por notório o que pode ser falso. 3 (Destacamos) A disposição contida no art. 42, assim, é de cunho probatório e afasta a possibilidade de se acatarem afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do dispositivo em questão, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora essa afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado, como defende o recorrente. Nesse sentido, também é o entendimento deste tribunal administrativo, manifestado no enunciado de nº 26 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, portanto, de aplicação obrigatória pelos membros dos colegiados que o compõem: Enunciado CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A não comprovação da origem dos recursos tem como consequência a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos por conta da incidência da presunção inserida por essa norma no art. 849 do RIR/99. E isso não quer dizer que de acordo com a regra legal os depósitos bancários, por si sós, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim que a caracterizam os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização . Dito de outro modo, o sujeito passivo pode comprovar que o depósito bancário é decorrente de transações comerciais, de transferências entre contas de mesma titularidade, ou ressarcimento de despesas adiantadas a terceiro, por exemplo, tal como alega o recorrente, etc. Mas se não o fizer de forma cabal e idônea, incide a norma de presunção e esses recursos serão considerados rendimentos omitidos. Ressalte-se que o Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com fundamento no art. 42, conforme precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. 3 PONTES de Miranda, F. C. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, t. IV. Rio de Janeiro: Forense, 1974, , p. 235/236. Fl. 1159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Desse modo, era ônus do recorrente demonstrar a origem dos depósitos realizados em suas contas bancárias, e não da autoridade fiscal demonstrar que houve omissão de rendimentos ou acréscimo patrimonial, razão pela qual não tendo o recorrente comprovado nos autos a origem dos depósitos questionados, restou caracterizada a infração consistente em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por fim, argumenta o recorrente, ainda, que a simples presunção sem lastro em prova cabal da obtenção de renda tributável, por si só, não pode significar a ocorrência do fato gerador do imposto devido, o que leva à conclusão de que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 é inconstitucional por ferir os princípios da legalidade, segurança jurídica e razoabilidade. A análise da compatibilidade na norma tributária ou de qualquer outra com a Constituição Federal é vedada aos órgãos da Administração Pública, dentre os quais, este Tribunal Administrativo, em face do sistema constitucional vigente. Com efeito, a Constituição Federal prevê, em seu art. 37, dentre os princípios que regem a Administração Pública, o da legalidade, aquele segundo o qual o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigência do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de pratica ato inválido e expor-se a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da Lei e do Direito. É o que diz o inc. I do parágrafo único do art. 2º da Lei 9.784/99. Com isso, fica evidente que, além da atuação conforme à lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos princípios administrativos. 4 Por outro lado, a Constituição Federal prevê, em seu art. 102, I, “a” que: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Em seu art. 97, por seu turno, dispositivo este localizado dentro de capítulo que trata do Poder Judiciário, a Constituição dispõe que “somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. Não há nenhum outro dispositivo na Constituição Federal que trate da competência para apreciar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, de modo que por força do que dispõe o próprio texto constitucional, de modo que se trata de atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Assim, entendo que à vista do princípio constitucional da estrita legalidade que rege a atividade da Administração Pública, bem como do fato de que a Constituição somente 4 MEIRELLES, Hely Lopes. DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 86. Fl. 1160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-009.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000743/2006-01 conferiu ao Poder Judiciário a competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis ou atos normativos do poder público, não cabe a este Tribunal administrativo analisar a constitucionalidade de norma que permaneça vigente e eficaz no ordenamento jurídico. É o entendimento constante do enunciado CARF nº 2, segundo o qual “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, enquanto a norma estiver vigente e eficaz no ordenamento jurídico, como é caso do art. 42 da Lei nº 9430/96, à Administração Pública somente compete lhe dar cumprimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 1161DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10882.909229/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 DCOMP. SALDO NEGATIVO. CSRF. PROVA. O alegado erro no preenchimento das declarações espontaneamente apresentadas pelo contribuinte pode ser superado no âmbito do contencioso administrativo quando o erro é evidente ou está devidamente comprovado nos autos, cabendo à Administração Tributária pronunciar-se sobre a matéria revelada apenas pela superação do erro revelado.
Numero da decisão: 1201-005.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, retornando os autos à unidade de origem para que a Administração Tributária emita novo despacho decisório, agora considerando que o indébito é o saldo negativo de CSLL de 2006 e considerando os documentos juntados pelo recorrente a este processo, pelo que essa apreciação deve ser realizada em conjunto com o processo nº 10882.908498/2009-72, em que está sendo pleiteado o mesmo direito creditório. Ao final, retomando-se o rito processual a partir daí. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Neudson Cavalcante Albuquerque

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SALDO NEGATIVO. CSRF. PROVA. O alegado erro no preenchimento das declarações espontaneamente apresentadas pelo contribuinte pode ser superado no âmbito do contencioso administrativo quando o erro é evidente ou está devidamente comprovado nos autos, cabendo à Administração Tributária pronunciar-se sobre a matéria revelada apenas pela superação do erro revelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, retornando os autos à unidade de origem para que a Administração Tributária emita novo despacho decisório, agora considerando que o indébito é o saldo negativo de CSLL de 2006 e considerando os documentos juntados pelo recorrente a este processo, pelo que essa apreciação deve ser realizada em conjunto com o processo nº 10882.908498/2009-72, em que está sendo pleiteado o mesmo direito creditório. Ao final, retomando-se o rito processual a partir daí. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório SPIRAX - SARCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 15-38.303 (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 92 29 /2 00 9- 23 Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.183 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.909229/2009-23 45), pela DRJ Salvador, interpôs recurso voluntário (fls. 54) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação - DCOMP (fls. 8) a qual aponta direito creditório no valor de R$ 85.072,95 a título de pagamento a maior de estimativa de CSLL relativa a outubro de 2006, arrecadada em 30/11/2006. A Administração Tributária não reconheceu o direito creditório em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte, nos termos do despacho decisório de fls. 2. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 17, trazendo os argumentos assim sintetizados no relatório do acórdão recorrido (fls. 46): DO DIREITO • como informado, o valor do crédito compensável foi oriundo do recolhimento a maior da CSLL, posto que na ocasião do balanço anual verificou-se que os recolhimentos mensais, apurados com base em estimativas, foram superiores ao realmente devido, conforme lançado em seus registros fiscais e demonstrado na Ficha 17 da DIPJ; • a requerente, diante disso, decidiu utilizar parcialmente seu crédito para amortizar o débito de CSLL apurado em fevereiro de 2007, no valor de R$37.333,93, atualizado pela SELIC, através da Dcomp em referência, devendo ter seu pleito deferido; DO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP E DA DCTF: • a requerente, no momento do preenchimento da Dcomp, cometeu um equívoco, pois apontou como tipo de crédito a opção "pagamento indevido ou a maior", quando deveria ter apontado "saldo negativo dos períodos anteriores", sendo que, infelizmente, não tem a opção de reenviar um arquivo retificador para corrigir o equívoco ocorrido; • esse mesmo erro foi cometido no preenchimento da DCTF do período, o que também não pode ser corrigido através do programa gerador da DCTF; • apesar de a requerente ter cometido os citados eixos no preenchimento da Dcomp e da DCTF, é indubitável o seu direito sobre o aproveitamento do crédito, pois age de boa-fé ao esclarecer os fatos aqui demonstrados, suportados com documentos hábeis e idôneos que comprovam a origem do crédito; • embora esteja impossibilitada de retificar os dados enviados na DCTF, por mero formalismo do programa gerador, os órgãos fazendários admitem essa retificação, conforme ementas de julgados reproduzidas; Essa manifestação foi julgada improcedente pela DRJ Salvador (fls. 45). Apesar de considerar que o contribuinte estava, de fato, pleiteando o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano 2006, verificou que este saldo negativo havia sido aproveitado na DCOMP nº 41919.85679.260207.1.3.04-9355, não havendo saldo remanescente passível de compensação. O recurso voluntário apresentado em seguida (fls. 54) afirma que o contribuinte cometeu outros erros em sua DIPJ, ao apontar retenções na fonte de CSLL no valor R$ Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.183 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.909229/2009-23 10.070,30, quando houve retenções no montante de R$ 70.246,23, sendo que uma parte (R$ 60.195,73) foi indevidamente incluída como se fosse estimativa. Com isso, haveria saldo negativo de CSLL suficiente para atender a presente DCOMP e a referida DCOMP nº 41919.85679.260207.1.3.04-9355. O recorrente ainda repisa o argumento pela necessidade de superação do erro no preenchimento da DCOMP. Ao recurso voluntário, o contribuinte juntou cópia de vários informes de rendimentos e uma planilha demonstrando as retenções na fonte em seu benefício. Mais recentemente, o recorrente apresentou a petição de fls. 149, em que reafirma a legitimidade do seu direito creditório quando superados os apontados erros de preenchimento das suas declarações (DCOMP, DIPJ e DCTF) e apresenta novos documentos que comprovariam as retenções na fonte e a tributação dos correspondentes rendimentos. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 09/03/2015 (fls. 51) e o seu recurso voluntário foi apresentado em 02/04/2015 (fls. 53). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL devida em outubro de 2006, no valor de R$ 85.072,95. A Administração Tributária verificou que o pagamento estava totalmente utilizado, conforme os débitos declarados pelo contribuinte (DCTF). No presente contencioso administrativo, o contribuinte alega que errou ao preencher a DCOMP e ao declarar, em DCTF, o referido valor de estimativa de IRPJ, contudo, ainda assim, possui saldo negativo disponível para a compensação realizada. O contribuinte não apresentou qualquer evidência do alegado erro. A decisão de primeira instância corroborou o entendimento da Administração Tributária de que o pagamento da estimativa de outubro de 2006 não gerou indébito. Contudo, passou a verificar o saldo negativo, conforme solicitado pelo recorrente. Nesse mister, verificou que a apuração do saldo negativo apresentada na DIPJ considerou um valor de estimativas pagas (R$ 472.770,05) superior ao montante das estimativas mensais declaradas nas respectivas DCTF e efetivamente quitadas (R$ 412.594,12). Ademais, verificou que o montante dos valores retidos na fonte (R$ 1.655,37) era inferior ao valor declarado na DIPJ (R$ 10.070,30). Com isso, chegou ao entendimento de que o saldo negativo passível de compensação era inferior ao declarado na DCOMP (fls. 48). Contudo, a decisão recorrida também verificou que o saldo negativo reconhecido já havia sido utilizado em outra DCOMP, pelo que a presente DCOMP não poderia ser homologada, conforme o seguinte excerto (fls. 49): Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.183 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.909229/2009-23 Este crédito, entretanto, já foi integralmente utilizado na compensação requerida pela contribuinte por meio da Dcomp n° 41919.85679.260207.1.3.04-9355, objeto do Processo n° 10882.908498/2009-72, cuja manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente foi julgada parcialmente procedente por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, através do Acórdão n° 15- 38.257, de 12 de fevereiro de 2015. O crédito reconhecido, no montante de R$ 16.482,09, foi, inclusive, insuficiente para compensar o débito informado na citada Dcomp, no valor original de R$ 48.731,99, não restando saldo disponível para a compensação ora requerida. Por outro lado, o recorrente afirma que errou no preenchimento da sua DIPJ, acrescentando indevidamente ao montante de estimativas o valor de R$ 60.195,73 que, na verdade, deveria ser incluído na apuração como CSRF. A correção desse erro resultaria em saldo negativo suficiente para atender a presente DCOMP em conjunto com a referida DCOMP n° 41919.85679.260207.1.3.04-9355. Verifico que o saldo negativo de CSLL de 2006 já foi apreciado no processo nº 10882.908498/2009-72, em que foi julgada a referida DCOMP nº 41919.85679.260207.1.3.04- 9355. Naquele processo, esta Turma chegou ao entendimento de que a Administração Tributária deveria apreciar o mérito do saldo negativo pleiteado, uma vez que somente foi apreciado o superado pedido sobre pagamento a maior, conforme o seguinte dispositivo: Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, retornando os autos à unidade de origem para que a Administração Tributária emita novo despacho decisório, agora considerando que o indébito é o saldo negativo de CSLL de 2006 e considerando os documentos juntados pelo recorrente a este processo, retomando-se o rito processual a partir daí, sem óbice de a DRF intimar o contribuinte a apresentar provas complementares. Entendo que o presente processo deve ter o mesmo destino, uma vez que aponta o mesmo direito creditório. Com isso, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, retornando os autos à unidade de origem para que a Administração Tributária emita novo despacho decisório, agora considerando que o indébito é o saldo negativo de CSLL de 2006 e considerando os documentos juntados pelo recorrente a este processo, pelo que essa apreciação deve ser realizada em conjunto com o processo nº 10882.908498/2009-72, em que está sendo pleiteado o mesmo direito creditório. Ao final, retomando-se o rito processual a partir daí. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.183 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.909229/2009-23 Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13609.901606/2014-71
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Em casos semelhantes, já se decidiu que não subsistiria o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ, confirmando a existência do indébito utilizado em DCOMP. Contudo, se o sujeito passivo não demonstra a anterior apresentação de DIPJ neste sentido, não pode prevalecer o reconhecimento do direito creditório afirmado no acórdão recorrido, devendo os autos retornar à origem para verificação da retificação da DCTF promovida depois da não-homologação da compensação, na forma do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 2015.
Numero da decisão: 9101-005.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem para que seja proferido despacho decisório complementar e reiniciado o rito processual. Vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou por negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao mérito, os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob. (documento assinado digitalmente) ANDREA DUEK SIAMANTOB – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente). Ausente o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: Não informado

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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Em casos semelhantes, já se decidiu que não subsistiria o ato de não- homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ, confirmando a existência do indébito utilizado em DCOMP. Contudo, se o sujeito passivo não demonstra a anterior apresentação de DIPJ neste sentido, não pode prevalecer o reconhecimento do direito creditório afirmado no acórdão recorrido, devendo os autos retornar à origem para verificação da retificação da DCTF promovida depois da não-homologação da compensação, na forma do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem para que seja proferido despacho decisório complementar e reiniciado o rito processual. Vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou por negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao mérito, os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob. (documento assinado digitalmente) ANDREA DUEK SIAMANTOB – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 16 06 /2 01 4- 71 Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente). Ausente o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1201-002.865, na sessão de 21 de março de 2019, no qual dado provimento ao recurso voluntário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. O litígio decorreu da não homologação de compensação vinculada a pagamento indevido e/ou a maior de IRPJ que estava integralmente alocado ao débito informado em DCTF. A autoridade julgadora de 1ª instância declarou improcedente a manifestação de inconformidade . O Colegiado a quo, por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário por haver concordância entre a DCTF retificadora, apresentada depois da não homologação da compensação, e a DIPJ. Os autos do processo foram remetidos à PGFN retornaram ao CARF veiculando o recurso especial no qual a Fazenda aponta divergência reconhecida no despacho de exame de admissibilidade, no qual se afirma a tempestividade do recurso e o que segue: Das Divergências apontadas Da leitura do recurso especial, deduz-se as seguintes propostas de divergência: 1) Força probante da DIPJ, em situação de retificação da DCTF em conflito com a DIPJ;e 2) Necessidade de apuração da liquidez e certeza pela autoridade preparadora quando se acata o pedido de retificação DCTF, feita extemporaneamente, ou seja após a negativa do despacho decisório . ANÁLISE DAS DIVERGÊNCIAS 1) Força probante da DIPJ, em situação de retificação da DCTF em conflito com a DIPJ;e A Recorrente apresenta um único paradigma não reformado para teste tema: Ac. nº 1401-003.119, que foi assim ementado: [...] Do arcabouço jurídico indicado como divergente Interpretação do art. 170 do CTN, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e da IN SRF nº 127/1998 Da similitude fática Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 Os casos são na prática quase idênticos. Em ambos os casos, no contexto de análise de DCOMPs, mais especificamente - compensação de pagamentos a maior ou indevidos - em que foram identificadas inconsistências entre os débitos declarados em DCTF e DIPJ, e daí porque as respectivas dcomps não foram homologadas. Nesses julgados, os interessados identificaram erro de fato no preenchimento da DCTF, tendo por conseguinte retificado as respectivas DCTFs com lastro nas informações da DIPJ. Observou-se também que a DIPJ foi trazida como prova em ambos os julgados por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Da divergência constatada Como bem apontado pela Recorrente, as "Turmas concluíram que seria possível, em tese, o reconhecimento da existência do crédito, desde que comprovado pelo contribuinte". Porém, não se trata propriamente de uma "questão de prova", em que sendo assim escaparia à competência da CSRF fazer uma reanálise, pois seu principoal fim é a uniformização da aplicação da legislação tributária. Trata-se, sim, de uma questão a envolver a força probante de determinado documento fiscal, que de certa forma tangencia a interpretação de determinada norma jurídica. Sendo mais específico, a divergência se concentraria na força probante da DIPJ, num contexto probatório quase idêntico, justificando-se assim a uniformização da jurisprudência. Afinal, não se pode conceber que situações fáticas praticamente idênticas tenham providências antagônicas. Enquanto o Ac. recorrido considerou ser líquido e certo o crédito pleiteado pelo contribuinte dando por sanada a inconsistência a partir da simples apresentação da DIPJ que respaldaria os dados então retificados em DCTF e, portanto, atestando que a DIPJ teria força probante suficiente para tal. De outra banda, o paradigma, neste exato contexto, concluiu não ter o contribuinte provado a liquidez e certeza do crédito pleiteado, porque a DIPJ seria apenas informativa e não teria força probante suficiente para comprovar que o erro estaria na DCTF, sendo necessário trazer escrituração contábil e fiscal para amparar aquela comprovação. Seguem abaixo trechos relevantes de ambos os julgados transcritos pela Recorrente: [...] Por todo o exposto, OPINO por ADMITIR esta matéria, em face da comprovação do dissídio jurisprudencial. 2) Necessidade de apuração da liquidez e certeza pela autoridade preparadora quando se acata o pedido de retificação DCTF, feita extemporaneamente, ou seja após a negativa do despacho decisório Toma-se como indicados apenas os 2(dois) primeiros acórdãos paradigmas a seguir, sendo descartados os demais1 que foram apontados a título de reforço a suas razões recursais (§§ 6º e 7º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015): Ac. nºs 3302-01.727 e 3201-001.237: [...] Por todo o exposto, OPINO por NÃO ADMITIR esta matéria, seja porque não indicou o norma que estaria sendo interpretada divergentemente (art. 67, § 1º do RICARF), seja porque há convergência entre os julgados, seja porque também não há similitude fática. [...] Portanto, afasto também este segundo paradigma, seja porque descumpriu os requisitos básicos de admissibilidade já mencionados, seja porque também tratou de situação fática desassemelhada ao do recorrido. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, OPINO por DAR SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da FAZENDA NACIONAL (art. 68, §2o, do Anexo II do RICARF), apenas Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 em relação à primeira matéria: "1) Força probante da DIPJ, em situação de retificação da DCTF em conflito com a DIPJ". (destaques do original) Cientificada da admissibilidade parcial do recurso, a PGFN informou que não apresentaria agravo. A PGFN argumenta, na parte admitida, que o Colegiado a quo reconheceu o direito creditório analisando tão somente a ausência de discordância entre a DCTF retificadora e a DIPJ original. Diversamente, no paradigma nº 1401-003.119, decidiu-se que a DIPJ não se presta a comprovar a certeza e liquidez do crédito informado em DCOMP. Afirma, assim, a divergência jurisprudencial em torno do art. 170 do CTN, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e da Instrução Normativa SRF nº 127/98. E complementa: Note-se que em ambos os feitos o contribuinte retificou a DCTF após a ciência do despacho denegatório da DCOMP. Observe-se, ainda, que em ambos os casos as Turmas concluíram que seria possível, em tese, o reconhecimento da existência do crédito, desde que comprovado pelo contribuinte. Entretanto, as Turmas dissentiram no que se refere à força probante da DIPJ. O Colegiado a quo, baseando-se unicamente na ausência de discordância entre as informações declaradas na DIPJ original e na DCTF retificadora, considerou ser líquido e certo o crédito pleiteado pelo contribuinte e homologou a compensação. Diversamente, a Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF entendeu que a apresentação da DIPJ em consonância com o constante na DCTF retificadora não tem o condão de provar o direito creditório alegado. Nesse contexto, concluindo não ter o contribuinte provado a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deixou de homologar a compensação, negando provimento ao recurso voluntário. Veja-se, pois, que a Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, diferentemente do Colegiado a quo, considerou que a DIPJ não constitui prova hábil a demonstrar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Assim sendo, na linha do acórdão paradigma nº 1401-003.119, a União requer seja negado provimento ao recurso voluntário. Subsidiariamente defende a impossibilidade de homologar-se a compensação sem a juntada de outras provas a cargo do contribuinte, apresenta-se a tese da necessidade de submeter-se ao exame da DRF a análise acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado, mas os paradigmas indicados não se prestaram a caracterizar o dissídio jurisprudencial apontado nesta linha argumentativa. Nos fundamentos para reforma do acórdão recorrido aduz: Como antes relatado, a decisão recorrida entendeu não ter ocorrido irregularidade na apresentação de DCFT retificadora após o despacho decisório, passando a analisar o valor do crédito indicado na DCOMP. Diante da constatação que a DCTF retificadora estava em consonância com a DIPJ original, o Colegiado a quo considerou ser líquido e certo o crédito pleiteado e homologou a compensação. Ocorre que, conforme bem ponderou o acórdão paradigma nº 1401-003.119, a DIPJ não se presta à comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado via DCOMP, por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários. Ora, uma vez identificado erro na DCTF, caberia ao contribuinte retificá-la e demonstrar ao Fisco o equívoco cometido por meio dos documentos fiscais comprobatórios. Não tendo se desincumbido de tal ônus, não há como ser reconhecido o crédito pleiteado e, consequentemente, não pode ser homologada a compensação. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 Subsidiariamente, caso se entenda não ser o caso de denegar de plano o pleito do contribuinte, devem os autos ser encaminhados à instância de origem para que seja analisado o mérito, sob pena de supressão de instância que, por seu turno, importa em inegável prejuízo ao direito a ampla defesa e ao contraditório da União (Fazenda Nacional). Nesse ponto, é oportuno observar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já tem se pronunciado inúmeras vezes no sentido de que, afastada a irregularidade no tocante à apresentação de declarações retificadoras após o despacho decisório, deve-se devolver os autos à DRF para que haja a apreciação da liquidez e certeza do crédito indicado no pedido de compensação. Confira-se: [...] Com efeito, a apreciação do mérito pelo voto condutor do acórdão, resulta em contrariedade ao princípio do efeito devolutivo, visto que a matéria não foi objeto de apreciação pela DRF e DRJ e, logicamente, também não poderia ser apreciada pelo juízo ad quem, sob pena deste incorrer em supressão de instância. Enfim, caso se considere não ser o caso de denegar de plano o pleito do contribuinte, revela-se imprescindível o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito, assim como a sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada, não havendo qualquer razão para se dar tratamento diferenciado ao processo ora sob análise. (destaques do original) Pede, assim, que o recurso especial seja conhecido e provido para reformar a decisão recorrida, a fim de que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões no prazo regimental nas quais defende a manutenção do acórdão recorrido e o não provimento do recurso fazendário. Afirma a possibilidade de retificação da(s) DCTF(s) em momento posterior à transmissão das PER/COMPS e prolação do despacho decisório de não homologação, bem como a imperiosa observância ao princípio da verdade material (real), invocando o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 e a validade da DIPJ como meio de prova apto a referendar a legitimidade do crédito inserto no pedido de compensação. Desenvolve estas últimas ponderações nos seguintes termos: [...] c) A três, em respeito e consonância às disposições acima expostas, a legitimidade de se adotar a DIPJ, transmitida em momento anterior ao envio da DCTF retificadora, como elemento de prova robusto, e, portanto, apto a referendar a modificação das informações insertas da DCTF originária, sobretudo no caso em tela, no qual a DIPJ, além de transmitida em momento prévio ao envio do pedido eletrônico de compensação (28/06/2013), jamais e em tempo algum teve o seu conteúdo, ou seja, as informações nela lançadas pelo ora recorrida, questionadas pela administração fazendária federal; d) A quatro, a possibilidade de conferir à DIPJ status de elemento de prova suficiente a referendar a origem e legitimidade do crédito inserto no requerimento de compensação em testilha decorre do fato de que, desde o início, o aludido crédito advém de resultados fiscais (prejuízos fiscais) apurados na própria DIPJ, servindo esta declaração, portanto, como fundamento basilar para sua constituição, de modo que inadmissível desconsiderá-la como meio probatório; e) A cinco, a DIPJ, repita-se, além de jamais ter tido seu conteúdo alterado unilateralmente pela recorrida e/ou contestado pelo fisco federal, cumpre asseverar que na presente data, 26/09/2019, os lançamentos nela realizados restam consolidados não podendo ser questionados pelo fisco federal, na medida que transcorridos os prazos decadencial e prescricional previstos nos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional; Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 13. Nesse diapasão, importante repisar que não obstante a apuração de prejuízo fiscal durante todo o ano-calendário de 2012, a ora Recorrente efetuou o pagamento de valores à título de Imposto de Renda, sob o Código de Receita 3373(IRPJ - PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL - BALANÇO TRIMESTRAL), vide documentação constante dos autos, pagamento este, portanto, indevido, o qual acabou sendo utilizado como crédito para a compensação lastreada na Per/Dcomp(s) mencionada(s) no Despacho Decisório em tela. 14. Outrossim, por equívoco, este pagamento indevido foi equivocadamente alocado na DCTF originária de 08/2012, o que acarretou na transmissão de uma Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, RETIFICADORA, aos 01/10/2014, declaração esta cujo recibo de remessa eletrônica recebeu o nº. 39.30.82.84.46-73, conforme se observa da documentação constante dos autos. 15. Como se infere das Fichas 07-A, 09-A e 12-A, de sua DIPJ 2013(Ano-Calendário de 2012), repita-se, encaminhada de forma eletrônica à receita federal, aos 28/06/2013, verificando que os resultados de cada um dos trimestres do ano-calendário de 2012, apurou-se prejuízo em todos, e, por consequência, ausência de base de cálculo imponível para tributação do Imposto de Renda, assim como da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, durante todo o exercício de 2012, de modo que os valores pagos à título de Imposto de Renda, sob o Código de Receita 3373, mostraram-se a partir de então indevidos, o que legitimou a transmissão do pedido de compensação em testilha. Observa que a não homologação da compensação decorreu, apenas, da inexistência de evidenciação do crédito em DCTF; afirma a possibilidade de retificação da declaração porque ausentes os impedimentos do art. 832 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. Cita o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 166/99, e afirma que o acórdão recorrido na mais fez do que garantir ao processo administrativo fiscal em tela, a imperiosa observância ao princípio da verdade material, garantia constitucional de qualquer cidadão, in casu, contribuinte. Reporta-se a doutrina acerca do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, para defender a busca da verdade material dos fatos pelo julgador administrativo, e invoca a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/2015, afirmando a possibilidade de retificação da DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, ainda que já apresentado pedido de restituição ou DCOMP, discordando da prevalência do rigor exacerbado acerca das formalidades exigidas para efetivação do procedimento de compensação. Cita julgados deste Conselho em consonância com o Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e defende a homologação da compensação ainda que a retificação da DCTF ocorra depois do despacho decisório, ou mesmo da apresentação da manifestação de inconformidade. Aborda o Parecer Normativo nº 8/2014 que, em seu entendimento, há muito permite a revisão ou retificação do despacho decisório de indeferimento de restituição ou de não homologação de compensação, e enfatiza suas conclusões, todas com supedâneo na imperiosa aplicação do Princípio da Verdade Material (Real). E complementa: No caso em testilha, Eméritos Conselheiros, dúvidas não pairam quanto à legitimidade do crédito utilizado no pedido de compensação (PERD/COMP), o qual, ao contrário da posição adotada pelos Ilustres Julgadores da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ, resta devidamente demonstrado nestes autos administrativos, por meio do comprovante de pagamento do Imposto de Renda sob o Código de Receita 3373(IRPJ - PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL - BALANÇO TRIMESTRAL), além de DCTF Retificadora, transmitida aos 01/10/2014. 40. Ademais, como de infere das Fichas 07-A, 09-A e 12-A, de sua DIPJ 2013(Ano- Calendário de 2012), ora acostada, nesta verificou-se que nos resultados de cada um dos trimestres do ano-calendário de 2012, a Recorrente apurou prejuízo em todos os referidos trimestres, e, por conseqüência, ausência de base de cálculo imponível para Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 tributação do Imposto de Renda, assim como da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, durante todo o exercício de 2012, de modo que qualquer pagamento à título de Imposto de Renda realizada neste período é, por óbvio, indevido, passível, portanto, de restituição e/ou compensação com débitos fiscais federais. Assim, preenchidos todos os requisitos expostos nas referências precedentes, reitera a apresentação da DIPJ em 28/06/2013, antes da transmissão da DCOMP, sem que qualquer alteração tenha ocorrido posteriormente, e acrescenta que atualmente os lançamentos nela consignados já estão alcançados pela decadência e prescrição. Finaliza discordando da pretensão da PGFN num cenário em que o fisco federal, notadamente, as Delegacias de Julgamento, dispunham de todas as condições e amparo legal pautado em princípios de observância obrigatória em todos os atos, processos e procedimentos administrativos, para buscar todas as informações que entendessem necessárias para acolher a compensação pretendida pela ora recorrida. Entende que se as DRJ diligenciassem no sentido de solicitar à contribuinte que lhes fornecesse os subsídios contábeis e/ou fiscais que entendessem necessários ao reconhecimento do crédito apontado pela recorrida, de duas, uma, ou os pedidos seriam efetivamente homologados, ou seria a elas conferidos subsídios providos de ampla e razoável fundamentação para indeferir a compensação pretendida pela recorrida. Conclui, assim, que a reforma do acórdão recorrido caracterizaria em verdadeira condescendência com o comportamento omissivo e afrontoso às normas e princípios aplicados aos processos administrativos por parte das delegacias de julgamento, com o que os Ilustres Conselheiros não podem coadunar. Requer, portanto, que seja negado provimento ao recurso especial, referendando-se a homologação da compensação em destaque. Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Relatora. Recurso especial da PGFN - Admissibilidade O recurso especial da PGFN deve ser CONHECIDO com fundamento nas razões do Presidente de Câmara, aqui adotadas na forma do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784, de 1999. De fato, o acórdão recorrido reconheceu o pagamento indevido na apuração trimestral da DIPJ porque não houve questionamento, antes da emissão do despacho decisório, acerca do descompasso entre a DIPJ original e a DCTF, e a informação de apuração de prejuízo fiscal no período, em DIPJ, seria suficiente para comprovação do indébito utilizado na compensação. Já o paradigma nº 1401-003.119 se distingue do presente apenas porque a apuração do débito foi anual, mas também informado pelo valor alegadamente correto em DIPJ, sem a correspondente retificação da DCTF, promovida somente depois da não homologação da compensação. E, neste contexto, o outro Colegiado do CARF concluiu que a retificação da DCTF não constituiria prova suficiente do indébito quando o débito declarado na DCTF retificadora equivale ao informado em DIPJ, devendo o sujeito passivo apresentar elementos de sua apuração contábil e fiscal porque a DIPJ nada mais é que uma prestação de informações unilateral que sequer está sujeita à revisão por parte da Administração Tributária, posto que não constitui créditos ou débitos tributários. Recurso especial da PGFN - Mérito Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 A PGFN discorda do reconhecimento do indébito a partir do que consignado em DIPJ e entende que o sujeito passivo deveria ter provado o erro cometido em DCTF mediante apresentação de documentos fiscais comprobatórios. Subsidiariamente argumenta que caso se entenda não ser o caso de denegar de plano o pleito do contribuinte, devem os autos ser encaminhados à instância de origem para que seja analisado o mérito, sob pena de supressão de instância que, por seu turno, importa em inegável prejuízo ao direito a ampla defesa e ao contraditório da União (Fazenda Nacional). Embora esta Conselheira concorde que a DIPJ não seria prova suficiente do indébito, tal premissa nem sempre é suficiente, na hipótese de a declaração evidenciar o indébito posteriormente utilizado em compensação, para imputar ao sujeito passivo o dever de provar no contencioso administrativo, por outros meios, o indébito infirmado em razão de outra declaração por ele apresentada. Em cenários semelhantes, esta Conselheira vem se manifestando contrariamente à não-homologação das compensações pautada, apenas, na verificação do que informado em DCTF acerca de tributos incidentes sobre o lucro demonstrado em DIPJ, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101-00.536: Isto porque está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1 o . O art. 1 o . da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1 o . Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189- 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.189-49/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.990-26, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1 o A retificação da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, dar-se-á mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2 o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II - em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do ano-calendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificando-se a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do ano-calendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicando-se, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anos-calendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos-calendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1 o A retificação da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, dar-se-á mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2 o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF n o 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5 o , da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixa-se de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado por esta 1ª Turma, por meio do Acórdão nº 9101-002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, ainda que não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, se a DIPJ já apresentava, inclusive com mais elementos, a apuração retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP, evidenciando a inexistência do débito recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, na medida em que o Fisco não poderia alegar desconhecimento desta conduta, exigível seria sua verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sobre o lucro, sujeito a demonstração em DIPJ. No sentido da invalidade dos atos de não-homologação promovidos nestas circunstâncias foi o voto declarado no Acórdão nº 9101-004.877 1 (Anthera Empreendimentos Imobiliários, Relatora Lívia De Carli Germano) e renovado no Acórdão nº 9101-004.906 (Soll Distribuidora de Petróleo Ltda, Relatora Andréa Duek Simantob), bem como os votos divergentes da maioria deste Colegiado nos Acórdãos nº 9101-005.098 (Promex Comércio, 1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Luis Henrique Marotti Toselli (suplente convocado), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício), e divergiram na matéria os conselheiros André Mendes Moura e Viviane Vidal Wagner, que negaram provimento ao recurso especial do sujeito passivo, e os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (suplente convocado) e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. Votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Caio César Nader Quintela e Andréa Duek Simantob. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 Importação e Exportação Ltda, Relator Caio Cesar Nader Quintella) e 9101-005.254 (Promex Comércio, Importação e Exportação Ltda, Relatora Viviane Vidal Wagner). Já no Acórdão nº 9101-004.970, a aparente semelhança com os casos precedentes foi afastada por esta Conselheira na medida em que o sujeito passivo, antes da edição do despacho de não homologação, e depois de apresentar a DIPJ com apuração que confirmaria o indébito, retificou a DCTF para informar débito equivalente ao recolhimento promovido no período, e esta última informação validamente orientou o não reconhecimento do indébito utilizado em compensação. Contudo, no presente caso, a DIPJ não foi apresentada em manifestação de inconformidade e sua juntada em recurso voluntário foi apenas parcial e desacompanhada do recibo de entrega que evidenciaria sua alegada entrega antes da própria apresentação da DCOMP. Sob este contexto probatório, não é possível afirmar se a DIPJ já evidenciava o indébito à época em que a não homologação foi editada. A Contribuinte alega que a DIPJ seria anterior, mas não prova esta afirmação. Sua manifestação foi acompanhada, apenas, da DCTF retificadora apresentada depois da não homologação e do comprovante de recolhimento afirmado indevido, e seu recurso voluntário traz apenas as Fichas 01 a 12 da DIPJ, sem o correspondente recibo de entrega. Em tais circunstâncias, não é possível validar o indébito, vez que informações consignadas em declaração ao Fisco não se prestam a tanto e exigem confirmação na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, mormente quando se tem em conta que a DIPJ não se presta à constituição de créditos tributários. Da mesma forma, não é possível invalidar o ato de não homologação por desconsiderar informação oportunamente disponibilizada pelo sujeito passivo acerca da apuração do tributo afirmado como indevido na DCOMP. De outro lado, há prova, desde a manifestação de inconformidade, que a DCTF foi retificada em 23/09/2014 e, em tais circunstâncias, o Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 orienta que: [...] Relatório Edita-se o presente Parecer Normativo para uniformizar entendimento e procedimentos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB quanto às compensações efetuadas com pagamento decorrente de crédito indevidamente declarado em DCTF. Para tanto, tomou-se por base consulta oriunda da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte- MG, encaminhada pela Coordenação- Geral de Contencioso Administrativo e Judicial (Cocaj), a respeito da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade. [...] 13. Ressalte-se, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: [...] 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornou-se disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Note-se que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. [...] Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-005.542 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13609.901606/2014-71 homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (destacou-se) Por todo antes exposto, entende-se que os presentes autos permitiriam a conversão em diligência do julgamento de 1ª instância para confirmação dos valores consignados na DCTF retificadora apresentada depois do despacho decisório. Deflui daí que a melhor solução, diante da insuficiência da DIPJ parcialmente apresentada, seria o envio dos autos à Unidade de Origem, como sucedâneo da diligência não promovida em 1ª instância, para reavaliação da existência do indébito em face da retificação promovida pelo sujeito passivo, reabrindo-se a possibilidade de manifestação de inconformidade complementar caso subsista compensação não homologada. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da PGFN e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que seja proferido despacho decisório complementar e reiniciado o rito processual. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital

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8315381 #
Numero do processo: 10670.001354/2007-17
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/10/2001 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.061
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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8842295 #
Numero do processo: 10840.721036/2011-53
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIMENTO DE ATIVO FINANCEIRO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. De acordo com a legislação de regência, é tributável o rendimento recebido na forma de previdência privada quando não comprovada a alegada isenção do rendimento como antecipação da distribuição de lucros na empresa na qual a contribuinte é sócia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-008.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Savio Salomâo de Almeida Nobrega, Debora Fofano dos Santos, Wilderson Botto (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIMENTO DE ATIVO FINANCEIRO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. De acordo com a legislação de regência, é tributável o rendimento recebido na forma de previdência privada quando não comprovada a alegada isenção do rendimento como antecipação da distribuição de lucros na empresa na qual a contribuinte é sócia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-05-18T10:40:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2016; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-05-18T10:40:56Z; Last-Modified: 2021-05-18T10:40:56Z; dcterms:modified: 2021-05-18T10:40:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; xmpMM:DocumentID: uuid:81C73679-3C06-4F63-A576-54483FEFCBE3; Last-Save-Date: 2021-05-18T10:40:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2016; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-05-18T10:40:56Z; meta:save-date: 2021-05-18T10:40:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-05-18T10:40:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-05-18T10:40:56Z; created: 2021-05-18T10:40:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-05-18T10:40:56Z; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-05-18T10:40:56Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10840.721036/2011-53 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-008.565 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2021 Recorrente MARILDA APARECIDA GARCIA DOS SANTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIMENTO DE ATIVO FINANCEIRO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. De acordo com a legislação de regência, é tributável o rendimento recebido na forma de previdência privada quando não comprovada a alegada isenção do rendimento como antecipação da distribuição de lucros na empresa na qual a contribuinte é sócia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 10 36 /2 01 1- 53 Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-008.565 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.721036/2011-53 (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Savio Salomâo de Almeida Nobrega, Debora Fofano dos Santos, Wilderson Botto (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por sua completude e proximidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de piso quanto aos motivos que levaram ao lançamento, ora em análise: Trata-se de Auto de Infração (fls. 02/08) referente ao exercício de 2009 - ano calendário de 2008, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 264.875,86, sendo R$ 137.405,13 de imposto de renda; R$ 24.416,89 de juros de mora (calculados até 31/03/2011) e R$ 103.053,84 de multa proporcional. De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do AUTO DE INFRAÇÃO (fls. 05/06), onde também se encontram as respectivas capitulações legais, foi apurada a OMISSÃO DE RENDIMENTOS no valor de R$ 500.000,00. Relata a autoridade lançadora no corpo do Auto de Infração, que a contribuinte, intimada a comprovar a origem dos recursos aplicados em investimento VGBL BRADESCO no valor de R$ 500.000,00, efetivado em 06/10/2008, apresentou a respectiva cópia de adesão e informou que o valor aplicado é originário dos recursos da empresa CDS COMÉRCIO DE MÁQUINAS E DESENVOLVIMENTO, CNPJ 54.926.100/0001-72, da qual é sócia, e dados de contabilização da operação. Diante das informações e dos documentos apresentados, concluiu aquela autoridade que houve infração tributária prevista nos dispositivos legais constantes no presente auto de infração e, especificamente no inciso IV do artigo 55 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, razão pela qual foi efetuada a exigência fiscal, uma vez que a titularidade do investimento confere o caráter de direito definitivo à pessoa do contribuinte sobre o ativo financeiro. Inconformada com o lançamento, a autuada apresenta a impugnação de fls. 136/152, na qual, após o resumo dos fatos, suscita a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que a verdade material dos fatos, bem como a fundamentação legal utilizada não corresponde às alegações constantes do mesmo, eis que os recursos utilizados na aplicação referem-se à antecipação de distribuição de lucros, fato esse comprovado por cópias da contabilização da empresa na qual está escriturada a operação, não sendo, portanto, rendimentos tributáveis, pois o montante já foi tributado na pessoa jurídica. Combate a taxa SELIC, por considerá-la ilegal e inaplicável aos juros moratórios para correção de débitos fiscais, pois foi instituída pela Resolução n° 1.124, de 15/10/1986, do BANCO CENTRAL e não por intermédio de lei e cita jurisprudência do STJ. Ao final, protesta pela produção de provas e realização de diligências/perícia na contabilidade de sua empresa a fim de que seja constatado que o montante aplicado representa distribuição de lucros e apresenta quesitos e identificação do perito para tal finalidade. Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-008.565 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.721036/2011-53 A decisão de primeira instância (fls.166/174), julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa. NULIDADE. Não estando especificada nenhuma das hipóteses que propiciem a nulidade do lançamento, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do auto de infração. RENDIMENTOS ISENTOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de que os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, da qual a contribuinte é sócia, são isentos do imposto de renda por serem relativos à antecipação de lucros somente pode ser aceita se restar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os rendimentos pagos pela empresa se referem a lucros disponíveis regularmente distribuídos aos sócios. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. São devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. PEDIDO DE PERÍCIA. Indefere-se pedido de perícia, quando sua realização afigurar-se prescindível para o adequado deslinde da questão a ser dirimida. A contribuinte foi cientificada da decisão em 02/02/2015 (fl.177) e apresentou Recurso Voluntário no dia 20/02/2015 (fls. 182/193), alegando, em síntese, que: - Nulidade da decisão recorrida, uma que colegiado não deu a interpretação correta ao disposto no inciso IV do artigo 10 do PAF, o qual dispõe que deve ser: "a disposição legal infringida e a penalidade aplicável", pois o mesmo reconhece que a empresa contabilizou a entrega da disponibilidade a sócia, a título de antecipação de distribuição de lucros e logo após efetuou o lançamento a débito conta de lucros acumulados, ou seja, não ocorreu pagamento de rendimentos e ou a qualquer título sem contra prestação de serviços. - Os rendimentos considerados omitidos são isentos de acordo com a legislação tributária, posto que decorrem da distribuição de lucros da empresa da qual é sócia. - Os juros moratórios são indevidos. - Requer a realização de perícia. É o Relatório. Voto Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-008.565 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.721036/2011-53 Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Nulidade O motivo da nulidade suscitada pela recorrente se confunde com o mérito do presente processo administrativo fiscal, motivo pelo qual com ele será analisado, nos termos a seguir delineados. Da Omissão de Rendimentos O vertente lançamento tem como fundamento legal o art. 55, IV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, vigente à época dos fatos geradores, cuja redação é a seguinte: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) IV - os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção. A Fiscalização assim narrou a infração à legislação tributária praticada pela contribuinte: Omissão de rendimentos conforme apurado em procedimento de fiscalização. No Termo de Início do Procedimento Fiscal foi intimada a comprovar a origem dos recursos aplicados em investimento VGBL Bradesco no valor de R$ 500.000,00 efetivado na data de 06/10/2008, conforme arquivos da Receita Federal do Brasil. Em resposta apresentou documentação constando cópia de proposta de adesão ao VGBL Bradesco em nome próprio autenticado na data de 06/10/2008 e informou que o valor aplicado foi efetuado com recursos da empresa CDS, da qual é sócia, e O fato comprovado, legais constantes no 55 do Regulamento do Imposto de dispositivos IV do artigo Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99 RIR/99, razão dados de contabilização da operação. por si só resulta em infração tributária prevista nos presente auto de infração, e especificamente o inciso pela qual foi efetuada a exigência fiscal, uma vez que a titularidade do investimento confere o caráter de direito definitivo à pessoa da contribuinte, sobre o ativo financeiro. A recorrente alega que o valor utilizado para investimento em VGBL tem como origem os lucros distribuídos pela empresa da qual é sócia, tendo apresentado o Livro Caixa e Livro Razão, bem como balanço patrimonial para comprovar as alegações. Aduz que não é obrigada a manter Livro Diário por ser uma empresa do SIMPLES. A decisão de primeira instância não acolheu os argumentos ventilados pela recorrente, sob o argumento de que, não obstante os documentos apresentados registrarem o valor de R$ 500.000,00 para o VGBL da recorrente, não ficou comprovado que o recebimento do valor decorre da antecipação da distribuição de lucros. Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art24%C2%A72iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art70%C2%A73i Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-008.565 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.721036/2011-53 Para a obtenção da isenção fiscal na distribuição de lucros e dividendos é necessário que o contribuinte cumpra requisitos estabelecidos pela legislação tributária. Vejamos: Lei n° 9.249, de 26/12/1995 “Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. ” Instrução Normativa SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997 “Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1o O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2o No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I - o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II- a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3o A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período- base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4° Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3 o, § 4 o, da Lei n° 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3o da Lei n° 9.250, de 1995. § 5o A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6° A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de período-base ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7° O disposto no § 3° não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2°, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8° Ressalvado o disposto no inciso I do § 2°, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeita- se à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4°. " Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, RIR/99 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Lucros e Dividendos Distribuídos XXVI - os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados no ano- calendário de 1993, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-008.565 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.721036/2011-53 lucro real, a pessoas físicas residentes ou domiciliadas no País (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); XXVII - os lucros efetivamente recebidos pelos sócios, ou pelo titular de empresa individual, até o montante do lucro presumido, diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica sobre ele incidente, proporcional à sua participação no capital social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados nos anos-calendário de 1993 e 1994 (Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 20); XXVIII - os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 46); XXIX - os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10); Em razão da isenção da distribuição de lucros e dividendos para os sócios, faz-se necessária a comprovação inequívoca de sua existência na contabilidade da empresa. No caso dos autos, há o registro do investimento VGBL em nome da contribuinte, mas essa operação não pode ser confundida como distribuição de lucros. Cumpre ressaltar que a recorrente não declarou nenhum rendimento isento em sua DIRPF 2009, o que nos leva ao entendimento de que o VGBL é um rendimento recebido na forma de um ativo financeiro, tributável, na forma do mencionado art. 55, IV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999. De outro lado, deve ser registrado que no próprio recurso voluntário consta a informação de que no ano-calendário 2008, a empresa distribuiu com lucros a importância de R$ 196.642,98 (fl.186), valor muito abaixo do recebido pela recorrente. Com base nessas constatações, não nenhuma mácula no lançamento ou no acórdão da DRJ que possam leva-los à nulidade, como pretende a recorrente. Dessarte, em razão da ausência de prova de antecipação na distribuição de lucros, entendo que não merece reparo o lançamento, devendo ser mantida a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Inaplicabilidade da Taxa Selic Essa matéria também se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme demonstra o seguinte enunciado: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Alegações rejeitadas. Pedido de Perícia Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art75 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art75 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art20 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art46 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9249.htm#art10 Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-008.565 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.721036/2011-53 Quanto ao pedido de perícia, deve ser ressaltado que esta é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. Assim sendo, rejeito o pedido. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital

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