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Numero do processo: 10840.003606/2004-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.516
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto, Tardsio Campelo Borges, Nanci Gama e Vanessa Albuquerque Valente. .1 • • Processo n.° 10840.003606/2004-09 Resolução n.° 303-01.516 CC03/CO3 Fls. 2 RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo n° 559.665 (fl. 44), de 02/08/2004, emitido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto, foi excluída a partir de 31/10/2001 do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e alterações posteriores, em virtude de sua atividade econômica: 2969-6/02 Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico. A exclusão foi fundamentada na Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 90, XIII; art. 12, art. 14, I, art. 15, e Medida Provisória n° 2.158-34, de 27 de julho de 2001, art. 73, Instrução Normativa n° 355, de 29 de agosto de 2003, art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Insurgindo-se contra a referida exclusão, a contribuinte apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão A Opção pelo Simples (SRS) junto àquela Delegacia que se manifestou pela improcedência do citado pleito. Cientificada do julgamento da SRS, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 01/29) alegando, em síntese, que a restrição contida no art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, é inconstitucional em face do que determina os arts. 150, II, e 179 da Constituição Federal; que sua atividade não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no referido dispositivo legal, as quais exigem a prestação de serviço por profissional legalmente habilitado; que a Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004, dever ser aplicada retroativamente, ou seja, desde a data da opção pelo Simples, em respeito ao art. 106, I, do CTN; que a exclusão não pode retroagir A data da opção por falta de absoluta previsão legal, bem por violar o direito adquirido consagrado na Constituição Federal, art. 5 0, XXXVI. Com relação A atividade econômica alegou que explora o ramo de comércio de produtos siderúrgicos, instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico e presta cão de serviços em geral, o que não se compadece com nenhum dos ramos ligados ao exercício de profissão regulamentada indicados no dispositivo legal em comento, pois não é um serviço complexo, tanto que não existe em seu estabelecimento nenhum profissional legalmente habilitado, existindo tão-somente um ex-operário de fábrica." A Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto indeferiu a solicitação da empresa, em decisão assim ementada: 2 Processo n.° 10840.003606/2004-09 Resolução n.° 303-01.516 CC03/CO3 Fls. 3 "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. EFEITOS. Empresa que explora atividade de reparação, manutenção e instalação de máquinas e equipamentos de uso especifico, por caracterizar prestação de serviços profissionais de engenharia e/ou de técnicos que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, não pode optar pelo Simples. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade. Tal competência é privativa do Poder Judiciário." Ciente da decisão em 23/11/2006, conforme AR de fl. 64, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este Colegiado em 12/12/2006, repetindo os pontos já apresentados na manifestação de inconformidade, quais sejam, inconstitucionalidade do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96; alegação de que sua atividade não se enquadra nas vedações impostas pelo artigo acima citado, aplicação retroativa da Lei n° 10.964/2004 e irretro atividade da exclusão. Requer, ao final, a anulação do Ato Declaratório de Exclusão e, alternativamente, que a exclusão produza seus efeitos somente a partir da notificação do ato declaratório. • Apresenta alguns acórdãos do Conselho que entende sejam situações semelhantes à sua. As fls. 34 a 36 encontra-se cópia de alteração contratual registrada na JUCESP em 27/11/2003 onde, embora o nome da empresa seja PROEMON — Projeto, Engenharia e Montagens Ltda., seu objetivo social é "exploração do ramo de comércio de produtos siderúrgicos, instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico e prestação de serviços em geral." o relatório. 3 Processo n.° 10840.003606/2004-09 Resolução n.° 303-01.516 CC03/CO3 Fls. 4 VOTO Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora Conheço do recurso, que é tempestivo e trata de matéria de competência deste Colegiado. A lide trata da exclusão da empresa do Simples, tendo em vista exercer atividade que seria impeditiva: Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico. Alega a autoridade de primeira instância que a empresa, ao executar tais serviços, está incursa na vedação do artigo 9° da Lei 9.317/1996, por tratar-se de atividade própria de engenheiro. Examinando os autos, verifica-se que a empresa optou pelo Simples em 31/10/2001 e foi excluída desse sistema por meio do ADE n° 559.665, de 02/08/2004, sob alegação de atividade impeditiva. As fls. 34/36 é apresentada a 2 alteração de contrato social, de 27/11/2003, declarando como objeto social da empresa a exploração do ramo de comércio de produtos siderúrgicos, instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico e prestação de serviços em geral. Entretanto, não são apresentados o contrato social nem a 1a alteração de contrato social. Dessa forma, não há como verificar as atividades exercidas no período de 31/10/2001 a 26/11/2003. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência repartição de origem, para que seja realizada uma vistoria visando a apuração da real atividade exercida pela empresa e juntado aos autos o contrato social, a sua l a alteração contratual, notas fiscais dos serviços realizados e demais documentos que forem julgados necessários para comprovar a atividade da recorrente. Do resultado, dê-se ciência ao sujeito passivo para, querendo, manifestar-se. Sala das sessões, em 10 de dezembro de 2008. ANELISE DAUDT PRIETO 4
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000206/2007-41
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL, INDISPENSÁVEIS À VERIFICAÇÃO DO REGULAR CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, CONSTITUI INFRAÇÃO PUNÍVEL NA FORMA DA LEI.
1. Constatada infringência ao § 2º do art. 33 da Lei 8212/91, deve ser realizada a autuação fiscal.
2. Multa aplicada nos termos da legislação vigente, artigo 283, inciso II, alínea “j” do Regulamento da Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.203
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso
Nome do relator: DANIEL AYRES KALUME REIS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL, INDISPENSÁVEIS À VERIFICAÇÃO DO REGULAR CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, CONSTITUI INFRAÇÃO PUNÍVEL NA FORMA DA LEI. 1. Constatada infringência ao § 2º do art. 33 da Lei 8212/91, deve ser realizada a autuação fiscal. 2. Multa aplicada nos termos da legislação vigente, artigo 283, inciso II, alínea “j” do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado.
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UNTES (2-0 Cre CCO2/C06 Fls. 56 1+4ftrie de Fárhall)Mt de cagvaiL06-D MINISTÉ • . 75168.3 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 44021.000206/2007-41 Recurso n° 143.128 Voluntário cantswon Matéria AUTO DE INFRAÇÃO connrojciat dey to-stit o ol:g. 11% • 111Acórdão n° 206-00.203 Sessão de 22 de novembro de 2007 Recorrente LORD SERVIÇOS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA DE SÃO PAULO Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL, INDISPENSÁVEIS À VERIFICAÇÃO DO REGULAR CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, CONSTITUI INFRAÇÃO PUNÍVEL NA FORMA DA LEI. 1. Constatada infringência ao § 2° do art. 33 da Lei 8212/91, deve ser realizada a autuação fiscal. 2. Multa aplicada nos termos da legislação vigente, artigo 283, inciso II, alínea 1" do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL• Processo n, 44021.000206/200741 Acórdão n.• 206-00.203 ensaia. \ o 9,961, CCO2/C06 Fls. 57 MaS de Pita ACORDAM os Membros J. GENTA tAtivIZZ.721233 i,tuUNDU 'ONSELHO DE CONTRIBUINT Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. ELIAS S PAIO FREIRE Presidente DANIEL A'YRES ICALUME REIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processon.• 44021.000206/2007-41 SEGUNDO m ?1.Ko ue CONTAI& •nS CO32./C06MF •Acórdão n.° 206-00.203 CONFERE 4. O ORIGNAL Fls. 58 Bragais, (9-1 / 09- 9JDK Relatório Maria de F . de Cena& Mat. Siape 751683 Trata-se de Auto de Infração com base em infringência ao artigo 33, parágrafo 2°, da Lei 8.212/91, por ter a empresa Lord Serviços Ltda., deixado de apresentar à fiscalização os documentos relacionados no TIAD, conforme do descrito no relatório fiscal da infração de fl. 04. O valor da multa apurado foi de R$ 11.569,42 (onze mil e quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). A autuada não apresentou impugnação, fl. 20. Às fls. 23/25, foi proferida Decisão — Notificação, para julgar procedente a autuação e declarar a contribuinte devedora do valor de R$ 11.569,42 (onze mil e quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), correspondente ao valor da multa prevista no art. 283, inciso II, alínea "j" do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99. Inconformada a autuada apresentou Recurso Voluntário tempestivo às fls. 30/35, processado por força de decisão judicial. Alega, em suas razões, que o auto de infração não teria sido lavrado no estabelecimento da empresa, o que acarretaria sua nulidade; bem como que o contribuinte não teria agido com dolo e nem teria trazido qualquer prejuízo ao Fisco. Foram juntadas contra-razões da Secretaria da Receita Previdenciária de São Paulo-SP, às fls. 54/55. É o Relatório. ç9IL Processo n.° 44021.000206/2007-41CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.203 MF SEGUNDO CONSELHO Ge' CONTR lb. ;90 CONFERE GLIM O ORsnr Fls. 59 Pnaliá 0,2 9.,001) Voto Maria de Faitae60 Mat. Siape 751683 Conselheiro DANIEL AYRES ICALUME REIS, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo o recurso, passo ao exame do mérito. Entendo que a Decisão-Notificação deve ser mantida na sua íntegra. o i. auditor fiscal realizou lançamento em razão de a Recorrente ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos relacionados no TIAD, conforme do descrito no relatório fiscal da infração de fl. 04. A falta constatada não foi corrigida em nenhum momento. O artigo 33, § 2° da Lei n. 8212/91, determina o seguinte: "Art. 33. Ao instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas 'd' e 'e' do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 2° A empresa, o servidor de órgãos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas em Regulamento." Diante disso, verifica-se que o descumprimento da obrigação é passível de multa, nos termos da alínea "j' do inciso II do artigo 283 do RPS, o que corretamente foi aplicado pela i. fiscalização. Por tais razões CONHEÇO DO RECURSO, MAS, NO MÉRITO, NEGO- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2007 11P, DANIEL AYRES ICALUME REIS Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.013801/2006-04
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a
atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Numero da decisão: 2802-000.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso interposto, reconhecendo, por via de conseqüência, o direito creditório do interessado apurado na Declaração de Ajuste, apresentada para o exercício 2001, ano calendário 2000, que lhe há de ser restituído com a atualização cabível. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que dava provimento em menor extensão, por não reconhecer o direito creditório
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso interposto, reconhecendo, por via de conseqüência, o direito creditório do interessado apurado na Declaração de Ajuste, apresentada para o exercício 2001, ano calendário 2000, que lhe há de ser restituído com a atualização cabível. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que dava provimento em menor extensão, por não reconhecer o direito creditório (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO (Presidente) (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITE Relatora. EDITADO EM: 17/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 29/39, interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR). Em 28/09/2006, foi lavrado auto de infração contra o contribuinte acima identifico, sob o fundamento de omissão de rendimentos, no valor de R$50.279,94, recebidos da empresa Construtora Tratex, decorrente de ação trabalhista. Em síntese, na peça recursal, fls. 01 a 08, o contribuinte pleiteia o restabelecimento, por via de consequência, a importância de R$ 22.626,61 de Imposto a Restituir apurado na sua Declaração de Rendimentos apresentada tempestivamente em 23/04/2001, vez que entende que o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, ora rechaçado, já se achava fulminado pelo instituto da decadência, conforme estabelecido no § 4o do artigo 150 da Lei n° 5.172/66 (CTN), uma vez que o lançamento (por homologação) efetuado por ele já havia sido homologado tacitamente pelo decurso de prazo de 5 (cinco) anos que se deu em 31/12/2005. A autoridade recorrida ao examinar tal pleito decidiu, por unanimidade de votos, mediante o acórdão de fls. 21/23, pela procedência do lançamento, conforme o voto a seguir transcrito: “A base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuídas as deduções pleiteadas. O § 2o do art. 2o do RIR/1999, cuja base legal é o art. 2o da Lei n° 8.134, de 1990, dispõe que "O imposto será devido mensalmente na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85". O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/1999 referese à apuração anual do imposto de renda, na declaração de ajuste anual. Dessa maneira o fato jurídico tributário somente considerase consumado por ocasião da entrega da declaração de rendimentos, ainda que compreenda os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro e que o imposto seja devido a medida que os rendimentos forem percebidos. Tanto que o lançamento ou qualquer outro pronunciamento por parte da Fazenda Pública só pode ser efetuado após a data em que se instaure a possibilidade jurídica de assim proceder, ou seja, após a efetiva entrega da Declaração de Ajuste Anual – DAA, ou, em não ocorrendo tal entrega, após o prazo limite estipulado para a sua entrega. Somente após esse prazo é que se tem como verificar o descumprimento da obrigação tributária, possibilitando ao Fisco constar irregularidades e impor ao sujeito passivo o lançamento de ofício do tributo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10980.013801/200604 Acórdão n.º 280200.775 S2TE02 Fl. 42 3 Seria ilógico pensar que antes da manifestação por parte do contribuinte, com a entrega da DAA, onde lhe cabe oferecer à tributação os rendimentos recebidos no anocalendário e usufruir da dedução de eventuais despesas, pudesse a Fazenda Pública fazer qualquer exigência em relação a esses fatos. Não haveria sequer conhecimento por parte da autoridade administrativa do que estaria sendo oferecido à tributação e pleiteado a título de deduções na declaração de ajuste anual. A lógica impõe analisar os rendimentos ali declarados e as deduções pleiteadas para, então, diante de omissão, dedução indevida ou qualquer outra infração à legislação tributária, proceder à respectiva exigência. Logo, tratandose de lançamento de ofício em razão de omissão de rendimentos, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece a regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), ou seja o direito de proceder ao lançamento decai somente após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Por pertinente considerando que o arrazoado se fundamenta no prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o do CTN, cabe transcrever, o seguinte excerto de artigo jurídico publicado pelo exconselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sr. José Oleskovicz, pelo seu caráter extremamente esclarecedor do tema: "As disposições do § 4o do art. 150 do CTN, têm sido utilizadas para considerar que a data de início do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento iniciarseia, ao contrário do que dispõe o art. 173 do CTN, a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Esse entendimento, entretanto, não encontra respaldo legal, como se pode constatar do §4° do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, que, literalmente, não trata de decadência, mas tão somente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita: A literalidade dos arts. 150 e 173 do CTN e a própria estrutura coerente do Código Tributário Nacional, ao tratar da constituição e da extinção do crédito tributário em capítulos e seções distintas, não admitem interpretação de que o §4° do art. 150 do CTN trataria de decadência, ou seja, de uma das formas de extinção do crédito tributário. A decadência, como se constata, é regida apenas pelo art. 173 do CTN, donde, ressalvada as exceções desse dispositivo legal anteriormente mencionadas, o prazo de 5 anos contase sempre a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 4 Assim, por exemplo, no caso de fatos relativos ao imposto de renda da pessoa física IRPF do exercício de 2000, ano calendário de 1999, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1999, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado é 01/01/2001 e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2005." Dessa forma, tendo sido efetuada a entrega da Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário de 2000, em 23/04/2001 (fl. 17), o termo para contagem do prazo quinquenal se iniciou em 01/01/2002, haja vista que o fisco somente poderia efetuar o lançamento após o prazo de entrega da DAA. Assim sendo, não há que se falar em decadência do lançamento cuja ciência se deu em novembro de 2006 (fl. 20). A vinculação a que se encontra submetida à instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN) impede a apreciação, neste voto, dos entendimentos citados na petição, haja vista que as decisões judiciais ou administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas, genericamente, a outros casos, aplicandose somente sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas nos litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. O mesmo se aplica às doutrinas transcritas na impugnação, pois ainda que respeitáveis, exaradas da interpretação dos mais consagrados tributaristas, não podem ser opostas ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Isto posto, voto no sentido de não acatar a preliminar de decadência e, no mérito considerar procedente o lançamento, mantendo a exigência consignada no auto de infração.” Às fls. 29/38 se vê o recurso voluntário, por meio do qual o interessado reprisa, basicamente, as razões da inicial. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 40, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, quanto à preliminar de decadência, registrese que o interessado apresentou declaração de rendimentos para o exercício 2001, anocalendário 2000, tempestivamente (fls. 19) e que a exigência formalizada não ensejou a aplicação de multa de ofício qualificada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10980.013801/200604 Acórdão n.º 280200.775 S2TE02 Fl. 43 5 O imposto de renda da pessoa física por ser espécie de tributo em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995) tem como regra para definição do prazo de decadência o disposto do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), salvo se comprovado ser caso de dolo, fraude ou simulação. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Há que se considerar também que o imposto de renda das pessoas físicas é devido, mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, sem prejuízo do ajuste anual, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, consumandose o fato gerador em 31 de dezembro. A jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como na Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) obedece ao comando do lançamento por homologação, art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Não menos verdade, que existe o firme entendimento segundo o qual o fato gerador do imposto, por ato administrativo complexo, é uno e concluise em 31 de dezembro do ano calendário. No presente, o lançamento relativo ao ano calendário 2000 poderia ser realizado até 31.12.2005. Tendo sido notificado o contribuinte em 09/11/2006 (fls. 20), o foi após o período de direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Destarte, voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto, reconhecendo, por via de conseqüência, o direito creditório do interessado apurado na Declaração de Ajuste, apresentada para o exercício 2001 – ano calendário 2000, que lhe há de ser restituído com a atualização cabível. Sala das Sessões DF, 13 abril de 2011 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO
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Numero do processo: 10950.900827/2008-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no
âmbito do CARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, situação que corresponde, inclusive, a pagamento efetuado fora do vencimento e dentro do prazo da apresentação da DCTF.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP.
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Comprovado nos autos a existência parcial do crédito informado como suporte para a compensação. mantém-se a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues, que deram provimento.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, situação que corresponde, inclusive, a pagamento efetuado fora do vencimento e dentro do prazo da apresentação da DCTF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovado nos autos a existência parcial do crédito informado como suporte para a compensação. mantém-se a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido.
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SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, situação que corresponde, inclusive, a pagamento efetuado fora do vencimento e dentro do prazo da apresentação da DCTF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovado nos autos a existência parcial do crédito informado como suporte para a compensação. mantémse a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues, que deram provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0628.754, de 13 de outubro de 2010, da DRJCuritiba/PR, fls. 39 a 40, que negou procedência à manifestação de inconformidade. O contribuinte declarou compensação por meio da DComp n° 03562.53783.230804.1.3.043974, transmitida em 23/08/2004, em que utilizou crédito de R$ 2.623,50, correspondente à multa de mora incidente no pagamento de Cofins, efetuado em 16/04/2002, no valor de R$ 26.500,00. A DRF em Maringá/PR proferiu despacho decisório de fl. 06, em 09/05/2008, por meio do qual homologou parcialmente a compensação na parcela de R$ 0,02 do pagamento realizado, que se encontrava disponível. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte, alegou, em síntese: a) a impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente, a teor do art. 138 do CTN, e ataca o caráter sancionatório da multa aplicada; Requereu, ao fim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado, a não lavratura de auto de infração para exigir a multa de mora e a não aplicação, por parte da Fazenda, de multa isolada punitiva. Em julgamento da lide a DRJ/Curitiba referiu que: a) numa leitura atenta do art. 138 permite inferir que o que emerge de seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo, enquanto a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. b) por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.900827/200803 Acórdão n.º 3803002.805 S3TE03 Fl. 64 3 A decisão amparouse no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e no entendimento do Superior Tribunal de Justiça extraído da Súmula nº 360. Cientificada da decisão em 08 de dezembro de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 43/57, em 22 de dezembro de 2010, em que reitera o mesmo argumento de denúncia espontânea trazido na manifestação de inconformidade. É, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A partir do julgamento da matéria denúncia espontânea pela Corte Superior de Justiça, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, cujo entendimento deve ser reproduzido pelos Conselheiros nos julgamentos no âmbito do CARF, descabe tergiversar acerca dos contornos do instituto e aferir a sua aplicabilidade ao caso concreto que se apresente. Cumpre, sim, apreciar se o fato jurídico produzido por contribuinte, no exercício da atividade de apurar o quantum devido do tributo e antecipar o pagamento, na hipótese de efetuálo com atraso, encontrase ou não sob o pálio desse instituto, segundo o conceito elaborado por aquela C. Corte. Da decisão paradigmática do Superior Tribunal de Justiça, penso ser errôneo captar a permissão para recolher tributos com atraso, sem multa de mora antes de transmissão regular da DCTF, fazendose tábula rasa de norma específica de incidência dessa multa, segundo os termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Vejase o teor da sua ementa:: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. RESP 1149022, Min. Luiz Fux Do item “1” ementa, acima, destaco que a denúncia espontânea somente “resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário[...]”. Dessa posição extraise que antes de regularmente transmitida a DCTF não há que se falar em denúncia espontânea. Simples assim. Além de estar expresso desse modo na decisão, essa conclusão deve ser vista como a escorreita, sob pena de se fazer letra morta o art. 63 da Lei nº 9.430/96 e não haver sentido contribuinte não ser submetido a recolhimento de multa de mora, ainda que atrase em até sete meses o seu pagamento. Isso, porque há regulamentações que concederam prazo semestral para apresentação da DCTF, a exemplo da IN SRF nº 482/2004 e da IN SRF nº 583/2005. Isso significa, no mínimo, sete meses de defasagem entre o encerramento do primeiro mês do período do semestre e a apresentação da DCTF, reduzindose em um mês a defasagem dos períodos subseqüentes. É descabido entender que a decisão do Superior Tribunal de Justiça esteja a permitir a constância de pagamentos com atraso, sem incidência da multa de mora, até que a DCTF seja apresentada. Que razão haveria para a definição de data de recolhimento de tributos, se todos podem fazêlo com apenas os juros de mora, até a data da apresentação da DCTF? Que estímulo positivo haveria para se adimplir o pagamento dos tributos no vencimento, ante a enorme vantagem de não fazêlo e financiar o capital de giro com os juros básicos da economia (embora não ainda os menores), bem abaixo dos juros praticados nos descontos bancários? Do item “2” da ementa ressalto que “a denúncia espontânea não resta caracterizada... nos casos de tributos... declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento... ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco”. Ora, não pode haver procedimento fiscal que enseje lançamento para tributos que ainda estejam dentro do prazo de espontaneidade do contribuinte de declarar. Assim, impossibilitado o Fisco de incluir em procedimento fiscal aberto lançamento abarcando períodos sob a espontaneidade do contribuinte, não há que se falar em o contribuinte anteciparse a uma ação juridicamente Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.900827/200803 Acórdão n.º 3803002.805 S3TE03 Fl. 65 5 impossível, e oferecer à tributação débito ainda não conhecido pelo Fisco, porém antes do seu devido tempo, com exclusão da multa de mora. Dentro do prazo de espontaneidade a ação é do contribuinte, ex legis, substituindo o próprio ente tributante, no regime de lançamento por homologação. Daí que a denúncia só se pode proceder após esgotado o prazo de apresentação da DCTF, e funciona, a meu ver, como um resgate da espontaneidade, motu próprio do contribuinte, do que, então, decorre o benefício da exclusão da multa de mora, em valorização do seu gesto e pela economia do custo da ação fiscal. Resgate impossível, segundo o mesmo item “2”, acima destacado, relativamente a débito declarado e não pago, porquanto esta (a declaração do contribuinte) sela o débito confessado e a espontaneidade quanto a ele. Firmado o entendimento, volvamos ao caso concreto. Neste, o crédito de R$ 1.565,88, corresponde à multa de mora incidente sobre o pagamento de Cofins, no valor de R$ 16.946,73, referente ao período de apuração fevereiro/2001, vencida em 15 de março de 2001 e paga em 12 de abril de 2001, fl. 03, e DCTF transmitida em 15 de maio de 2001, fl. 31. O prazo para entrega da DCTF no período do recolhimento do DARF gerador do crédito era trimestral, segundo regramento da IN SRF 126/98. Como se vê o recolhimento foi efetuado fora do vencimento, porém dentro do prazo da entrega da DCTF, fato que não configura a denúncia espontânea, na linha do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que, ao caso, deve ser aplicado, por força do art. 62A do RICARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10950.900827/200803 Interessada: CACAU`S DISTRIBUIDORA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803002.805, de 25 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003289/2007-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CONFISCATORIEDADE DA PENALIDADE. ILEGALIDADE DA
TAXA SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO, ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE
MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula CARFnº 4)
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3803-003.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o relator, que anulou a decisão recorrida. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO, ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARFnº 4) Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o relator, que anulou a decisão recorrida. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e redator designado. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues E Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados de fls. 30/32, nº 0811300/00362/07, de 27/11/2007, que constituiu credito tributário no de R$ 415.176,75 que com acréscimos dos juros de mora de R$ 262.584,56, calculados até 31/10/2007 e multa de R$ 311.382,52, totalizam a importância de R$ 989.143,83. A DRF em Osasco emitiu Termo de intimação fls. 3, em 22/10/2007, para efetuar revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais, relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, onde foram constatados valores declarados em DIPJ superiores a declarados em DCTF. Intimou a contribuinte a prestar os esclarecimentos necessários quanto às ocorrências constatadas e apresentação da documentação comprobatória. O sujeito passivo não respondeu ao Termo de intimação (fls. 3). A DRF em Osasco emitiu o Termo de Reintimação fls. 8/9, em 06/11/2007, com o mesmo conteúdo do Termo de Intimação anterior(fls. 3). Em 27/11/2007 foi aberto o Termo de Verificação Fiscal fls. 23/25, onde inicialmente a DRF de origem informa que a contribuinte foi intimada duas vezes e não se manifestou, e portanto, os trabalhos foram finalizados com os documentos disponíveis nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Em seu conteúdo informa que a contribuinte não respondeu às intimações enviadas, mas apresentou, no curso da ação fiscal, DCTF retificadora para o 4o trimestres do anocalendário de 2003 em 09/11/2007, confessando integralmente os seus débitos para com o IPI. Verificouse que não houve recolhimentos para estes valores, os quais apresentaram um saldo a pagar nas DCTFs retificadoras apresentadas. Quanto às DCTFs Retificadoras, apresentadas no curso da ação fiscal e por repercutirem nos valores objeto da Revisão de Declaração, deveriam ser desconsideradas. Concluiu que, as divergências apontadas, no cotejo dos valores informados em DIPJ versus DCTF originalmente entregue e recolhimentos efetuados, são devidas, cabendo o lançamento do montante de R$415.176,75, de IPI. O sujeito passivo, por meio de Impugnação de fls. 37/42, se irresigna contra o caráter confiscatório da multa aplicada e com a aplicação da taxa SELIC como juros de mora. Requer o reconhecimento da desproporcionalidade da multa aplicada, bem como sua revisão, e a aplicação dos juros legais. A DRJ em Ribeirão Preto em seu Acórdão de fls. 67/70, ressaltou que a contribuinte não se controverteu contra o valor principal devido de IPI, não sendo contraditório. Considerouse incompetente para julgar a matéria, alegando que: “não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese”. Trouxe aos autos as sumulas nº 2 e nº 4 do CARF. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10882.003289/200779 Acórdão n.º 3803003.778 S3TE03 Fl. 97 3 A contribuinte apresentou Recurso Voluntário fls 76/83, onde questiona o caráter confiscatório da multa e a impossibilidade de aplicação da taxa SELIC, e requer, ao final, que a multa seja aplicada no patamar de 20% e os juros moratórios de 1%. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo porém dele não tomo conhecimento. Em análise dos autos concluímos ser nulo o acórdão proferido pela DRJ/RPO, pois, a delegacia de julgamento se considerou incompetente para julgar a impugnação, baseandose na sumula no 2 do CARF, que versa sobre a impossibilidade de julgar a inconstitucionalidade de lei tributária. A requerente não pleiteia a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária, apenas utilizase de argumentos de inconstitucionalidade, em especial ofensas a princípios e ao art. 150 da CF/88. O que pretende de fato é o afastamento da aplicação da multa de 75% e dos juros calculados pela taxa Selic, matéria esta que a DRJ tem competência para julgála, nos termos do artigo 174 da Portaria MF 95/07. Entendemos que a DRJ há que julgar a Manifestação de Inconformidade com base nas normas infraconstitucionais de que dispõe, sem enfrentar questões de ordem constitucional. O argumento da DRJ de origem se mostra falho quando analisado a sumula no 4 do CARF que foi colacionado no acórdão referido. A súmula trata sobre a incidência dos juros moratórios à taxa Selic, ora, tanto este assunto é apreciável que foi formulada súmula a fim de homogeneizar as decisões. Pelo exposto, voto pela nulidade do despacho da DRJ de origem determinando o retorno dos autos para que analise o mérito da controvérsia e que novo acórdão seja proferido cientificando o contribuinte da decisão para que se pronuncie no prazo regulamentar. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern – Redator designado Fl. 98DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA 4 Conforme relatado, a impugnação cingiuse aos pedidos de cancelamento da aplicação da multa de lançamento de ofício e de redução do percentual dos juros de mora. Para tanto, o recorrente tacha a penalidade aplicada de confiscatória e lança mão do argumento de ilegalidade da utilização da taxa Selic no cálculo dos juros. Peço vênia para discordar do ínclito relator, Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. Reportome ao voto condutor da decisão recorrida, fls. 68 e 69, em que ficou assente que: “Quanto ao questionamento sobre a utilização da taxa Selic como juros de mora e sobre ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, em que pese o esforço de argumentação despendido pela impugnante, seus protestos não se prestam para pautar a decisão deste colegiado, que tem sua atividade completamente vinculada à legislação vigente, que rege a matéria objeto do procedimento fiscal impugnado. Isto porque não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese” Ainda que sucintamente, a relatora, AFRFB Ana Paula Gervásio Silveira, invocou a vigência de direito positivado a reger a matéria sub judice, muito embora não o tenha especificado, razão pela qual se reconhecia como incompetente para a apreciação das argüições de inconstitucionalidade e de ilegalidade, subjacentes às inconformidades do impugnantes. Ademais, a invocação da Súmula CARF nº 4 é plenamente hábil para fundamentar a manutenção do cálculo dos juros de mora pela taxa Selic, com a consequente rejeição da pretensão do impugnante. Entendo que, nesses termos, a decisão recorrida não violou qualquer direito do contribuinte enquanto impugnante, razão por que não há cogitar em nulidade da decisão recorrida. Como se sabe, a vedação constitucional dirigese ao legislador (e não ao aplicador da lei), que jamais poderá instituir tributo – e penalidade não se confunde com tributo – com efeito de confisco. Ainda, estando prevista em norma regularmente introduzida no ordenamento jurídico – art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 – descabe afastar a aplicação da penalidade sob alegações desse jaez, já que isso implicaria a negativa de vigência do referido dispositivo. O mesmo raciocínio é aplicável para a pretensão de redução do percentual dos juros de mora. Neste ponto, lembramos o recorrente da Súmula CARF nº 2 e da Súmula CARF nº 4, já reproduzidas na decisão recorrida. Com essas considerações e também com os fundamentos da decisão recorrida, que adoto como razão de decidir, autorizado pelo § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2012 Alexandre Kern Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10882.003289/200779 Acórdão n.º 3803003.778 S3TE03 Fl. 98 5 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Numero do processo: 10580.726054/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não
incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos
juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.390,48 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
Nome do relator: CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.390,48 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente). Relatório Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.726054/200915 Acórdão n.º 280201.148 S2TE02 Fl. 128 3 Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 80 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 112.941,03, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.” Ato contínuo, em sessão de 07/04/2010, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1523.308, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.726054/200915 Acórdão n.º 280201.148 S2TE02 Fl. 129 5 (a) as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i) os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 87), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 88/124), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iii) não incidência de IR sobre juros moratórios; (iv) a URV tem natureza indenizatória; (v) ilegitimidade da União; e (vi) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Voto Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.726054/200915 Acórdão n.º 280201.148 S2TE02 Fl. 130 7 Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS que, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.390,48 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.726054/200915 Acórdão n.º 280201.148 S2TE02 Fl. 131 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 14474.000246/2007-02
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a .30/08/2006
PRÊMIOS E INCENTIVOS, NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, a qualquer título, na forma da Lei nº 8.212/91. Não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão presentes no § 9° do art. 28 da Lei 8,212/91, os pagamentos feitos a titulo de "prêmio" constituem base de cálculo para das contribuições devidas à Seguridade Social.
DATA DO JULGAMENTO. CITAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES. IMPOSSIBILIDADE,
A comunicação da data do julgamento é feita através de publicação no Diário Oficial da União, de acordo com o parágrafo único do art. 55 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no. 256, de 22 de junho de 2009.
PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS.
O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerar-se-á não formulado.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL.
Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação.
Exceção das situações constantes no art. 16 § 4º do decreto 70235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.073
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE., GUSTAVO VETTORATO e VERA KEMPERS DE MORAES ABREU (suplente), apenas quanto a aplicação da multa de oficio do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA JÚNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a .30/08/2006 PRÊMIOS E INCENTIVOS, NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, a qualquer título, na forma da Lei nº 8.212/91. Não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão presentes no § 9° do art. 28 da Lei 8,212/91, os pagamentos feitos a titulo de "prêmio" constituem base de cálculo para das contribuições devidas à Seguridade Social. DATA DO JULGAMENTO. CITAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES. IMPOSSIBILIDADE, A comunicação da data do julgamento é feita através de publicação no Diário Oficial da União, de acordo com o parágrafo único do art. 55 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no. 256, de 22 de junho de 2009. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerar-se-á não formulado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL. Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 § 4º do decreto 70235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS....... ,,,.,4......, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 14474,000246/2007-02 Recurso n" 254,275 Voluntário Acórdão n" 2803-00.073 — 3" Turma Especial Sessão de 27 de abril de 2010 Matéria SALÁRI O INDIRETO: PREMIAÇÃO DE INCENTIVO Recorrente EDITORA LUZ E VIDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a .30/08/2006 PRÊMIOS E INCENTIVOS, NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, a qualquer título, na forma da Lei ft' 8,212/91. Não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão presentes no § 9° do art. 28 da Lei 8,212/91, os pagamentos feitos a titulo de "prêmio" constituem base de cálculo para das contribuições devidas à Seguridade Social. DATA DO JULGAMENTO. CITAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES. IIMPOSSIBILIDADE, A comunicação da data do julgamento é feita através de publicação no Diário Oficial da União, de acordo com o parágrafo único do art. 55 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no. 256, de 22 de junho de 2009. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art.. 16, IV do decreto 70,235/72, caso contrário, considerar-se-á não formulado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL. . Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 § 4" do decreto 70 235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos., Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido 0-71 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE., GUSTAVO VETTORATO e VERA KEMPERS DE MORAES ABREU (suplente), apenas quanto a aplicação da multa de oficio do art. 35 da Lei n" 8.212/91, na redação dada pela Lei n" 11.941 de 2009 HELTON r s 15-R .10. Presidente 4011r OS EAS gIM R " JUN IOR Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Curitiba/PR, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de prêmios e incentivos através de cartões eletrônicos gerenciados por terceiros - empresa INCENTIVE HOUSE, A Decisão-Notificação — tis 98 a 104, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, edi síntese, o seguinte o O entendimento do Ente Tributante não corresponde ao ocorrido, uma vez que o que se deu foi que a Recorrente efetuou pagamentos a titulo de premiação, caso que não incide a contribuição previdenciária quista, pois não enquadra-se na base de salário contribuição (,sic),. o Todos os pagamentos foram discriminados nas Notas Fiscais emitidas • pela prestadora de serviço, documentos estes que se encontram na contabilidade da contribuinte, os quais não poderiam ser desconsiderados para o procedimento de fiscalização. O agente tributante baseou-se apenas nos valores lançados no livro razão, desconsiderando totalmente os valores reais constantes das notas fiscais. o O contrato de prestação de serviços demonstra claramente que dentre os valores das notas fiscais existem valores pagos como remuneração á Incentive House S.A., o que, frise-se não pode ser incluído na base de cálculo de qualquer contribuição social.. 2 (f. Processo n" 14474.000246/2007-02 S2-TE03 Acórdão n ." 2803-06.073 Fl 2 • Os títulos lançados na contabilidade da Recorrente, esclarecem que os pagamentos efetuados, foram a título de premiação, incentivo, forma aplicável no sentido de estimular a equipe de vendas. A campanha de incentivo não pode ser confundida com remuneração salarial indireta. A falta de uma lei especifica para tal prática, não pode atribuir ao contribuinte, tal imputabilidade. • Os prêmios de incentivo, concedidos em função de campanhas motivacionais, não apresentam natureza salarial, até mesmo porque não apresentam caráter rennuneratório do trabalho, inconcebível pretender sujeitá-los a contribuições previdenciari as. • O salário-de-contribuição refere-se ao pagamento efetuado diretamente, e em razão de vinculo empregaticio, entre empregado e empregador. No caso dos autos a situação que se tem é juridicamente diversa, como dito trata-se de pagamento realizado pela contribuinte à prestadora de serviço contratado mediante instrumento particular realizado de acordo com as normas de direito aplicáveis ao caso, motivo pelo qual pode ser desconsiderado pela autoridade tributante. • Ilegalidade da contribuição ao INCRA • Pugna pelo provimento do recurso, citação pessoal dos procuradores, juntada de documentos e realização de perícia contábil, esta já requerida e indeferida em primeira instância, Informa ainda que procedeu a consignação extrajudicial, sendo que o recebimento do valor depositado foi recusado pela Receita Previdenciária — lis 115. É. o Relatório. Voto Conselheiro OSÉAS COIMBRA JUNIOR, Relator DO PEDIDO DE CITAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES DA DATA DE JULGAMENTO O pedido formulado não encontra amparo na legislação vigente. A publicação da pauta de julgamento é normatizada pelo parágrafo único do art. 55 do regimento interno cio CARF, aprovado pela portaria GMF no, 256, de 22 de junho de .2009, que transcrevo. Art. 5.5 • • Parágrafo 1171iCO. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. DO PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA DE DOCUM ENTOS O decreto 70..235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos. de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1° e 4" consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação.. Transcrevemos. Art. 16 A impugnação mencionará. - os motivos de . fitto e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; !Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou pendas que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a &inalação cios quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. .(Redação dada pela Lei n i" & 748, de 1993) sk' 1" Considerar-se-á não .1bl-imitado o pedido de diligência ou perícia que deix-ar de atendei aos requisitos previstos no inciso IV do ar! 16 (Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) 4" A prova documental será apresentada na impugnação, pre.cluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento proce.ssual, a menos que. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) q) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(1ncluido pela Lei n° 9.532, de 19971 b) refira-se a ,fito ou a direito _superveniente;(lncluido pela Lei n°9.532, de 1997) e.) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (Incluido pela Lei n° 9.532, de 19911 O impugnante tis 128 formulou pedido de produção de provas e de perícia, sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada, senão vejamos b) a pintada, a posteriori, de documentos e das razões conqilementaies à presente, assim como a realização de perícia contábil, que deverá ser realizada peio perito contador LAÉRCIO CARNEIRO, brasileiro, Rg it1-325995/MG, com endereço prorissional situado na Rua Alcides Munhoz. 1023, bairro Alerrês, Curitiba - PR, res.saltando o objeto da perícia se traduz na verificação da escrituração contabil realizada pela contribuinte do contrato de prestação de serviço celebrado com . a Incentive House S A „ bem a real base de cálculo para o Ai $7 035 915-3; Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica- se a regra do § 1 0, considerando-se não formulado o pedido de perícia. 4 Processo n° I 4474 000246/2007-02 S2-1 E.:03 Acórdão n." 2803-09,073 H 3 A fase de juntada de documentos está preclusa conforme art. 16,111 do decreto 70.235/72, uma vez que é na impugnação o momento oportuno a apresentação das provas cabíveis, DOS PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS EMPREGADOS A empresa efetuava pagamentos a empresa Incentive House S/A, que repassava parte desses valores aos empregados através de cartões eletrônicos. Os pagamentos foram constatados através de lançamentos na conta 4.2,01..09,010 — Treinamento e notas fiscais emitidas.. Da leitura do contrato, tis 60 e ss, temos que incentive House é responsável por gerir um sistema de premiação onde o contribuinte é responsável por especificar os premiados e os respectivos valores.. Urna vez confeccionada a lista com os nomes e montantes, é feito o pagamento através de cartões eletrônicos. A cláusula 12 especifica que Todas as obrigações tributárias, laborais e previdenciarias do presente contrato ,serão de responsabilidade da parte que a lei designar como contribuinte.. O anexo 1 determina que a periodicidade de premiação será mensal – fis 66 O art. 28 da lei 8..212/91 informa o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição. 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua . fOrma, inclusive as godetas, os ganhos habituais sob a .fbnna de utilidades e os adiantamentos deconentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomado,- de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa,' (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12,97) A leitura da legislação informa que qualquer retribuição ao trabalho prestado, em regra, considera-se salário de contribuição, independentemente do título utilizado. O § 9" do mesmo artigo traz as exclusivas hipóteses de pagamentos que, excepcionalmente, não integram o salário de contribuição. Nesse rol não se encontram valores pagos através de cartões de premiação, e nem poderia ser diferente, pois a forma adotada para o pagamento aos empregados não desnatura a natureza salarial do mesmo, sendo irrelevante que tais valores sejam pagos através de terceiros, pois ocorrem por conta e ordem da recorrente. Ternos também que os pagamentos de prêmios e incentivos por aumento de produtividade também se enquadram como rendimentos sujeitos à contribuição social, não se confundindo com a hipótese de participação nos lucros e resultados, a qual demanda estrita observância a específicos critérios legais, o que não ocorre in casu.. 5 A situação descrita deixa claro que os valores pagos a Incentive House e, repassados aos empregados, não se enquadram nas exceções trazidas no §9", tratando-se de remuneração, portanto sujeita a incidência de contribuição à seguridade social. Concluimos que houve pagamento a Incentive House cujos valores foram repassados aos empregados da recorrente, nos termos desta, como contraprestação de serviços prestados, evidenciando-se a natureza salarial de tais verbas com consequente repercussão nas contribuições prevideneiárias.: O relatório fiscal — tis 51, informa que "O Salário de Contribuição foi obtido pelo valor total creditado nas contas dos cartões dos segurados, conforme discriminado nas Notas Fiscais apresentadas" e ainda, que "A EDITORA LUZ E VIDA deixou de apresentar a discriminação mensal (confbrine solicitado em IML)) indicando os segurados que receberam os "estímulos ao aumento de produtividade" e os respectivos valores individuais creditados nas contas de seus cartões eletrônicos, tendo sido também autuada por este motivo, o que afasta a alegação de que a base de cálculo considerada incluía valores pagos a Incentive House por conta da prestação de seus serviços_ Acrescente-se que a empresa não trouxe elementos que desconstituisse o que foi atestado pela autoridade autuante. DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo paia tal exação. A legislação corrente, em especial o art. 94, da Lei n° 8212/91, o Decreto-Lei n' 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e a Lei Complementar n°11/71, (art. 15, II), disciplinam a matéria. O Decreto-Lei n° 1.146, dê 31 de dezembro de 1970, que consolidou as disposições legais criadas pela Lei n°2. 613/55, incluindo-se o INCRA, manteve o adicional de 0,4% sobre a contribuição das empresas, "verbis": Ar/ 1" As contribuições criadas pela Lei n" 2.613, de 23 de setembro 195.5, mantidas nos termos deste Decreto-Lei, são devidas de acordo com o artigo 6" do Decreto-Lei n" 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2" do Decreto-Lei n" 1.110, de 9 de julho de 1970 - Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA- ] - as contribuições de que tratam os artigos 2" e 5" deste Decreto-Lei, 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante- da. contribuição de que trata o art 3" deste Decreto-lei II - Ao_ Fundo de Assistência do Trabalhador Rural - FUNRUI?AL, .50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3" deste Decreto-lei. Ari 2" A contribuição instituída no "capta" do artigo 6" da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1 0' de . janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da Iblha mensal dos salários de contribuição previdenciáría dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas... 6 (.11 Processo o' 14474 000246/2007-02 S2-1" E03 Acórdão o 2803-001173 El 4 .Art.3 ", É mantido o adicional de 0.4% (quatro décimos por cento) à contribuição previdenciária das empresas instituída no §4", do artigo 6" da lei n 2 613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, , n 2°, item VIII, da Lei ir 4.683, de 29 de novembro de 1965 Art.4'. Cabe ao Instituto Nacional de Previdência Social - INSS arrecadar as contribuições de que tratam os artigos 2° e 3" deste Decreto-Lei ( .). A Lei Complementar n° 11/71, (art. 15, II), elevou o adicional ao FUNRURAL para 2,4% (dois e quatro décimos por cento), determinando a contribuição ao INCRA em 0,2% (dois décimos por cento): Art. 15. Os recursos para o Custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das .seguintes fontes• - da contribuição de 2% (dois- por cento) devido pelo produtor sabre o valor comercial dos produtos r •urais, e iecolhida o) pelo adquirente, Consignatário ou cooperativa que ficam sul,- rogados, Para esse fim, em Iodas as obrigações do produtor, b) pelo produtor; quando ele próprio industrializar seus produtos vendê-los, no varejo, diretamente ao consumidor II - da contribuição de que trata o art. .3" do Decreto-lei o 1.146, de 31 de dezembro de 1970 a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% dois e quatro décimos par cento) ao FUNRURAL" Com o advento da Lei n° 7,787/89 (art. 3°, §1°), foram suprimidas as aliquotas pertinentes ao PRORURAL/FUNRURAL, sendo mantida a destinada ao INCRA, no valor de 0,2%. Como bem ressaltado na decisão impugnada -fls 175, "É irrelevante o fato do Impetrante não estar vinculado ao meio rural para ser contribuinte da Exação em evidência, ante aos princípios da universalidade do custeio da Seguridade Social (aos 194 I, e 195 da CF/88) e da igualdade tributária" sie. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA - EMPRESA URBANA - LEGALIDADE - ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF - RECURSO NÃO ADMITIDO - SÚMULA 168/STI - AGRAVO REGIMENTAL - A USÊNCIA DE IMPUGNA ÇÃO DOS' FUNDAMENTOS DA DECISÃO .4 GRAVADA - MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA - RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e elo Supremo Tribunal Federal, é legitimo o recolhimento da U] contribuiçâo social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 ile.sla Coi te Superior 2 Não tendo a agravante rebatido especificamente os finidamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recluso. .3 Tratando-se de agravo interno manifestamente infundado, impõe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos lermos do uri` .557, § 2", do Código de Processo Civil. 4 Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (./IgRg nos EREsp 5.30802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p: 291) (sem grifirs no original) Ainda o ST1: "1'W UL4' RIO. RECURSO ESPECIAL INCRA, CONTRIBUIÇÃO EXIGIBILIDADE. NATUREZA JURIDICA. C1DE NÃO-REVOGAÇÃO PELAS LEIS N, 8212/91 E 8.213/91 1 É pacifico o entendimento desta Corte Superior acerca da exigibilidade da contribuição devida ao lucra, mesmo em ia/ação às empresas urbanas, a qual não fui revogada pelas Leis ri 8.212/91 e 8.213/91, tendo em conta a natureza dessa exação (de intervenção no domínio econômico). Precedentes. 2 Recurso especial não-provido (REsp 7,33 747/CE, Rei Ministro MAURO CA.ÚPBELL MAROUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, Dia 29/10/2008) CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. Sala das Sessões em 27 de abril de 2010 OSÉAS IM A JUNIOR - Relator 8 •
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000149/2007-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE.
Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do
recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente.
PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO.
DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO.
Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal, dispensam a tradução, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa.
DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FATO GERADOR. VALORES IMPUTADOS AO RECORRENTE E A TERCEIRA PESSOA COMO APLICAÇÃO EM FLUXO DE CAIXA.
A possível existência de várias operações envolvendo transferências de recursos com usos de “doleiros” não é óbice a que cada uma delas dê origem a uma obrigação tributária independente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA.
A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancela-se o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO. Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal, dispensam a tradução, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa. DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FATO GERADOR. VALORES IMPUTADOS AO RECORRENTE E A TERCEIRA PESSOA COMO APLICAÇÃO EM FLUXO DE CAIXA. A possível existência de várias operações envolvendo transferências de recursos com usos de “doleiros” não é óbice a que cada uma delas dê origem a uma obrigação tributária independente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancela-se o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. Recurso provido.
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REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO. Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal, dispensam a tradução, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa. DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FATO GERADOR. VALORES IMPUTADOS AO RECORRENTE E A TERCEIRA PESSOA COMO APLICAÇÃO EM FLUXO DE CAIXA. A possível existência de várias operações envolvendo transferências de recursos com usos de “doleiros” não é óbice a que cada uma delas dê origem a uma obrigação tributária independente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancelase o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase recurso voluntário contra o acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ São Paulo II, envolvendo auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2004, anocalendário 2003, em virtude da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto com aplicação da multa de ofício qualificada (150%). As infrações foram detectadas em fiscalização realizada por Equipe Especial de Fiscalização (Portaria n° 463, de 2004), em que ficou evidenciado que o contribuinte movimentou divisas no exterior durante o anocalendário de 2003, configurandose como ordenante em três transferências eletrônicas (fls. 428/432), tendo como Banco remetente Bank of Ney York (Utica) e Banco recebedor LESPAN S. A. A autuação decorreu de uma operação mais abrangente desencadeada por autoridades públicas nacionais, no combate à transferência ilícita de recursos ao e do exterior, e aos crimes correlacionados, oriundos da denominada CPI do Banestado. A investigação conduzida pelo Departamento da Polícia Federal verificou que empresas sediadas em Nova York, Estados Unidos da América, representavam `doleiros' brasileiros e/ou empresas "off shore" com participação de brasileiros e atuavam como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, dentre as quais diversos contribuintes brasileiros que enviaram Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 670 3 e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras. No curso das investigações houve o afastamento do sigilo bancário da empresa `Beacon Hill Service Corporation' que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas e utilizavase de contas/subcontas mantidas no `JP Morgan Chase Bank'. A Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da empresa Beacon Hill. De posse dessa documentação, o Departamento de Polícia. federal emitiu Laudos Periciais, a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras. Os dados obtidos no afastamento de sigilo e na investigação criminal foram transferidos à Secretaria da Receita Federal conforme decisões judiciais. A planilha resultante da apuração feita pela autoridade fiscal encontrase acostada às fls. 357/360. Conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 431), as três transferências, após conversão para R$, foram incluídas no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial , são elas: Data Valor US$ Data conversão Cotação US$ (venda) Valor convertido para R$ 09/01/2003 150.000,00 09/01/2003 3,3289 499.335,00 29/05/2003 208.545,00 29/05/2003 2,948 614.790,66 07/10/2003 64.384,00 07/10/2003 2,8693 184.737,01 O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto resultante, em resumo, é descrito adiante. Mês Valor 01/2003 R$468.400,82 05/2003 R$503.028,91 07/2003 R$42.446,37 10/2003 R$236.846,96 O autuante considerou que o contribuinte incorreu no crime de sonegação previsto no artigo 71 da Lei 4.502/1964, aplicando, conseqüentemente, a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) nos termos do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/1996 e formalizando o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência do auto de infração, por via postal, ocorreu em 28/08/2007 (f1s. 438) A exigência foi impugnada com os seguintes argumentos: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) restrição do direito de defesa por falta de tradução de documentos apresentados pela RFB; b) falta de prova de que a ordem de remessa existiu ou que as referidas contas bancárias (de remessa Bank of New York ou de recebimento Lespan S.A) existam ou que o Impugnante seja titular de alguma dessas contas; c) ausência de visto ou rubrica reconhecida como sua pelo Impugnante, que ateste qualquer participação sua nas operações; d) ainda que se admita que houve movimentação financeira para o exterior, o cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto está incorreto; e) o método de conversão do numerário adotado pela fiscalização é inadequado, uma vez que a data do fato gerador é a do efetivo crédito do montante e não a da remessa; f) violação do sigilo bancário do Impugnante sem respaldo em autorização judicial; e g) não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação que justifique a aplicação de multa de 150%, especialmente porque o Impugnante prestou tempestivamente todos os esclarecimentos pertinentes para a Receita Federal do Brasil. Enviados para julgamento, determinouse realização de diligência (fls.471/472), a fim de que fosse anexado o Laudo Pericial que embasou a ação fiscal. Em atendimento, foi juntado o documento de fls. 476/502, reabrindose prazo para manifestação do contribuinte, que apresentou, às fls.506/511, novos argumentos: a) Inexistência do extrato da suposta conta corrente; b) Do pequeno valor probante do laudo Impossibilidade de utilização como prova contra o Impugnante c) Da falta de apresentação de todos os anexos do laudo pericial; d) Da possibilidade de ocorrer dupla tributação sobre os rendimentos omitidos (o que não é lícito). Retomando o julgamento, a Turma de Julgamento determinou nova diligência por entender que a juntada do Relatório Técnico (fls. 476/502) não atendia satisfatoriamente à necessidade de instrução do processo, determinando que fossem juntados os documentos que comprovassem a existência de quebra de sigilo bancário e autorização de transferência dos dados para a Receita Federal, bem como os demais que teriam embasado a Representação efetuada pela Equipe Especial de Fiscalização criada pela Portaria n° 463/04 (fls.517/519). Em atendimento, foram juntados pela fiscalização os documentos de fls.523/588, sobre os quais se manifestou o contribuinte, às fls.589/599, conforme a seguir se resume: a) impossibilidade de produção extemporânea de provas pelo fisco; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 671 5 b) falta de tradução juramentada dos documentos apresentados pela RFB impossibilidade de utilização dos mesmos como prova contra o Impugnante; c) inexistência de menção ao nome do Impugnante nos documentos relativos aos processos 2003.70.00030334 e 2004.70000082670; d) inexistência do extrato da suposta conta corrente Da não apresentação de qualquer informação relativa ao suposto depósito de US$64.384,00; e) pequeno valor probante do Laudo de Exame Financeiro possibilidade de alteração das informações obtidas com as autoridades estrangeiras. O lançamento foi mantido integralmente na primeira instância em acórdão com a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias, para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. Os documentos obtidos nos termos do Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal, devidamente autenticados pelas autoridades competentes norteamericanas e recebidos pelo Ministério da Justiça/Secretaria Nacional de Justiça/Departamento de Recuperação de Ativos e de Cooperação Jurídica Internacional, Autoridade Central na forma do art. 2.2 do aludido Acordo de Assistência Judiciária, valem como prova no Brasil, conforme foi expressamente estabelecido no Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal firmado entre o Brasil e os Estados Unidos da América. A ausência de tradução para o vernáculo não acarreta o cerceamento do direito de defesa, seja por haver referências expressas em português nos autos, seja por serem documentos de pleno conhecimento/domínio do contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Ciente da decisão de primeira instância em 25022009 (fls. 632), o recorrente apresentou recurso voluntário em 13032008 (fls. 636), no qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: 1. não há qualquer prova da existência da suposta conta bancária, tampouco há qualquer documento, com rubrica, visto ou assinatura do Recorrente; que demonstre qualquer Participação sua nas supostas operações financeiras, o que há é apenas a indicação do nome do recorrente em um documento produzido unilateralmente pelo fisco; 2. violação do direito de ampla defesa e devido processo legal em virtude da falta de tradução dos documentos apresentados pela RFB, pois impossível compreender as informações registradas nos documentos utilizados para justificar o lançamento e de apurar quais informações estão contidas nesses documentos inclusive se as mesmas se referem aos tipos de operações mencionadas pela fiscalização; 3. quando notificado do início da fiscalização, o recorrente esclareceu que desconhecia as transferências indicadas pela fiscalização e solicitou a apresentação de tradução juramentada, requerimento que foi ignorado pela autoridade fiscal, ao passo que a DRJ, ao invés de determinar diligência para juntada aos autos de documento traduzido, considerou que todas as informações necessárias ao exercício do direito de defesa estavam detalhadas minuciosamente no auto de infração, desrespeitando os dispositivos art. 224 do Código Civil e art. 156 e 157 do Código de Processo Civil que impõem a tradução de documento estrangeiro para o português como condição para produção de efeitos no Brasil; 4. a tradução desses documentos é um ato vinculado tanto para a fiscalização quanto para o recorrente, ao esquivarse dessa responsabilidade, a fiscalização produziu um vício insanável no lançamento consoante decisões administrativas elencadas (fls. 640/643), violando o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal; 5. para que os depósitos bancários de origem não comprovada (art. 849 do RIR1999) sejam considerados como omissão de receita, o fisco deve provar a existência da conta bancária e a existência do crédito nessas contas, com observância das regras do decreto 3.810/2001 – que promulgou o acordo de assistência judiciária em matéria penal entre o Brasil e os EUA, e com tradução juramentada e registrada em cartório, nos termos dos art. 224 do Código Civil e 129 da Lei nº 6.015/1973, ônus não cumprido pela fiscalização; 6. não há prova da existência das contas bancárias no Bank of Ney York ou Lespan S.A., não há indicação do número das referidas contas, não há prova de que o recorrente é titular das contas indicadas pela fiscalização nem de que o recorrente tenha ordenado a remessa de qualquer quantia, a DRJ reconhece que os documentos que fundamentaram a autuação são os de fls. 414, 416 e 418, os quais foram produzidos unilateralmente pelo fisco e poderiam ter o nome de qualquer pessoa (física ou jurídica) não contêm qualquer assinatura, aponta decisões desse Conselho em apoio a sua tese defensiva; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 672 7 7. a autuação indica que o recorrente fez três movimentações, porém no Laudo 1161/07INC constam apenas informações relativas a duas movimentações, uma de US$150.000,00 e outra de US$208.545,00, não há indicação da movimentação de US$64.384,00, que, sem prejuízo da exclusão das demais, deve ser excluída da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. 8. embora não reconheça as movimentações, a título de argumentação, sustenta que os recursos disponíveis em um mês (origem) devem ser considerados como justificativa para depósitos posteriores, mencionando dois acórdãos desse Conselho (fls. 655), com isso o acréscimo patrimonial a descoberto, no máximo, seria de R$439.029,55; 9. as diligências requeridas e indeferidas pela DRJ são imprescindíveis para apuração dos fatos – e não irrelevantes como constou na decisão recorrida , a fim de que se verifique se a Receita Federal não está tributando a mesma base imponível mais de uma vez, uma em relação aos ‘doleiros’, outra por meio desse auto de infração contra o recorrente; 10. a fim de assegurar a legalidade da utilização das informações contidas nos documentos disponibilizados à RFB, é imprescindível que seja fornecida cópia autenticada (a) da solicitação de informações e documentos emitida pelo Governo brasileiro ao Governo norte americano; e (b) do documento emitido pelo Governo norteamericano com os critérios que as referidas informações prestadas podem ser utilizadas,pelo Governo brasileiro, pois a não apresentação desses documentos implica irrefutável conclusão de que os documentos analisados pela RFB foramobtidos de forma irregular, o que, nos termos do inciso LVI do artigo 5° da Constituição Federal, torna inadmissível sua utilização como prova. 11. a DRJ sustenta a validade do acesso aos dados com base nas decisões judiciais nos processos 2003.70000303334 e 2004.70000082670 pelo Juízo 2a Vara Federal Criminal de Curitiba, entretanto, as decisões (fls. 553/555 e 556/561) não contém autorização para quebra do sigilo bancário do recorrente, pois não há qualquer menção ao nome do recorrente, nessas decisões somente é autorizado o compartilhamento do material relativo ao Mérchants Bank, Hudson Bank e Lespan S.A com a RFB, logo não há ordem judicial que ampare a violação ao sigilo bancário do recorrente e, portanto, torna inválido o aproveitamento desses dados no processo (inciso LVI do art. 5º da Constituição); 12. a falta de apresentação de todos os anexos do laudo pericial, especialmente os que constam o nome das supostas pessoas envolvidas com as operações bancárias Anexos II, III, IV; V, VI; VIII e IX, conforme se depreende dos itens 24 e 31 do Laudo Pericia1 1161/07INC impossibilita que se impute, validamente, ao recorrente a prática das operações financeiras mencionadas no Laudo de Exame Financeiro 1161/2007INC; 13. a mídia recebida das autoridades norteamericanas em arquivos eletrônicos (excel, access ou texto) foi trabalhada pelo grupo de fiscalização da RFB, de forma a agrupar as informações o que pode ter acarretado erros os quais podem modificar o resultado da autuação, de maneira que a única forma de afastar essa dúvida é analisar os documentos originais (ou cópia autenticada) dos arquivos originais fornecidos pelas autoridades norte americanas, motivo pelo qual é requerida a apresentação das mídias originais analisadas pelos peritos. 14. a multa de 150% está fundamentada na premissa de que o recorrente manteve contas no exterior à margem das normas do Sistema Financeiro nacional, visando o envio de recursos ao exterior de procedência não comprovada, tratandose de premissa falsa, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 uma vez que desacompanhada de prova da ocorrência dos fatos em que se sustenta, ao invés de provas concretas, temse apenas entendimento subjetivo do auditorfiscal, bem como é incabível a qualificação da multa por mera presunção, além de se destacar que o contribuinte, durante a fiscalização, atendeu tempestivamente a todas as solicitações feitas pela RFB. 15. requer o deferimento de realização de sustentação oral do presente recurso, intimandose o recorrente acerca da data do julgamento, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Consignase que houve a publicação, no DOU nos termos Regimentais, sobre a data e hora desse julgamento, facultando ao recorrente, se assim desejar, realizar a sustentação oral que requereu na peça recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Tratase de autuação de omissão de rendimentos no que tem se denominado de operação Beacon Hill ou assemelhadas. Na espécie, as operações objeto da autuação ocorreram no "Merchants Bank, MTB Hudson Bank, Lespan e Safra”, a fiscalização baseouse no Relatório Técnico (fls. 476/502) do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, referenciado ao Inquérito Policial 1026/03. Esse Relatório, por sua vez, é vinculado aos Laudo Periciais de Exame Econômico Financeiro n.° 1161/2007 (fls. 573/588) e nº 1258/2004 – INC (fls. 564/570) elaborados pelo Ministério da Justiça Departamento da Polícia Federal Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Força Tarefa CC5 em Curitiba/PR). O Laudo em que consta o recorrente como ordenante das transferências de recursos objeto do auto de infração em litígio é o de nº 1161/2007, o qual, na parte em que constam os diversos ordenantes, por razão de sigilo quanto aos demais nomes, colocouse tarja preta sobre os registros – exceto em dois deles nos quais é mencionado o nome do recorrente, referindose, portanto a apenas duas transferências e não três como no auto de infração. Transcrevo as anotações do Laudo em que aparece o nome do recorrente: 1º registro fls. 587,US$150.000,00 DC: C Data: 9/1/2003 Nr Transação: 057114 Valor. US$ 150.000,00 Ordenante: OVS01211/HIRAGAMI,MIROYASUCAIXAPOSTAL 66156SA0 PAULO, CEP 05311970 Inst intermediária: PRUDENTIAL SECURITIES INC (GSCS) / PRUDENTIAL SECURMES INC (GSCS) Banco Remetente: 021000018 BANK OF NEW YORK Banco Recebedor: BANK OF AMERICA Cilente Recebedor: 6550845306 /LESPAN S.A Beneficiário: TALBOR TRADING 2º Registro, fls. 588, US$208.545,00 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 673 9 DC: C Data: 2915/2003 Nr Transação: 071008 Valor US$ 208.545,00 Ordenante: 0VS01211 / HIRAGAMI,HIROYASUCAIXAPOSTAL 66156SA0 PAULO, CEP 05311970 Inst. Intermediária: PRUDENTIAL SECURMES INC (GSCS) / PRUDENT1AL SECURMES INC (GSCS) Banco Remetente: 021000018 BANK OF NEW YORK Banco Recebedor: BANK OF AMERICA Cliente Recebedor: 6550845306/LESPAN Beneficiário: TALBOR TRADING S.A. Após esse intróito, passo a apreciação dos tópicos arrolados no recurso voluntário. Nenhum reparo ao acórdão que indeferiu pedido de perícia por entender prescindível, a possível existência de várias operações envolvendo transferências de recursos com usos de “doleiros” não é óbice a que cada uma delas dê origem a uma obrigação tributária independente. Sem razão o recorrente em afirmar que não havia autorização judicial para acesso aos dados bancários referente a sua pessoa, pois os documentos que instruem os autos foram recebidos da Justiça Federal após regular procedimento de afastamento de sigilo bancário das contas envolvidas nas transações apuradas, entre as quais as contas em que houve as transferências imputadas ao recorrente. A natureza das operações relatada no Relatório Técnico e Laudos Periciais, não obedece às normas das operações do sistema financeiro nacional – constituem um “sistema financeiro” fora da lei que não atende às formalidades das operações lícitas, o que torna incabível exigir rubrica, visto ou assinaturas para comprovar a ocorrência dessas operações. O recorrente alega que a mídia recebida das autoridades norteamericanas em arquivos eletrônicos (excel, access ou texto) foi trabalhada pelo grupo de fiscalização da RFB, de forma a agrupar as informações o que pode ter acarretado erros os quais podem modificar o resultado da autuação, de maneira que a única forma de afastar essa dúvida seria analisar os documentos originais (ou cópia autenticada) dos arquivos originais fornecidos pelas autoridades norteamericanas, motivo pelo qual é requerida a apresentação das mídias originais analisadas pelos peritos. É certo que às fls. 16/18 constam documentos elaborados pela Receita Federal que corresponderiam à transcrição do Laudo, sendo que o terceiro deles (fls. 18) aponta uma transferência que não aparece no Laudo. Entretanto, somente as transferências comprovadas pelos Laudos da Polícias Federal podem ser hábeis a fundamentar o lançamento, deve, portanto, ser excluída do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto a transferência de US$ 64.384,00 ocorrida em 07/10/2003. De outro giro, os documentos usados como prova foram elaborados pela Polícia Federal, órgão competente para realização de perícias e não pela Receita Federal. O material periciado – em meio físico ou magnético –, em si, não é a prova, e sim os documentos produzidos pelos peritos, motivo pelo qual o pedido deve ser rejeitado. O recorrente entende que a falta de alguns dos anexos do laudo pericial impossibilita que se impute, validamente, ao recorrente a prática das operações financeiras mencionados no Laudo de Exame Financeiro 1161/2007INC. Não obstante, para validade do Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 lançamento não se exige a íntegra do laudo e sim que os autos sejam instruídos com provas suficientes da ocorrência do fato gerador e da sujeição passiva. O conjunto de documentos produzidos pela Força Tarefa (Relatório e Laudos) e as diversas decisões judiciais, juntados aos autos, são hábeis a comprovar a existência da conta bancária e das operações objeto da autuação, tais provas foram elaboradas pelos órgãos competentes e encaminhadas à Receita Federal com autorização da Justiça Federal, para apuração dos efeitos tributários, somente poderiam ser desconstituídos em ação judicial e não no processo administrativo. Incabível, nessa instância, alegar que tais procedimentos contrariaram a legislação pertinente, até porque o órgão administrativo não poderia sobrepor seu entendimento à decisão da autoridade judiciária. As normas que estabelecem o requisito da tradução para constituição de provas, como normas instrumentais, devem ser interpretadas sistematicamente, levando em conta, inclusive, os princípios que regem as nulidades, notadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa. Não havendo cerceamento do direito de defesa não se pode dizer que a falta de tradução contaminou o lançamento. Ademais, nos pontos que interessam ao processo administrativo a documentação está em vernáculo, condensada, inclusive, no Relatório Técnico e nos Laudos da Polícia Federal, assim como os relatos das autoridades judiciárias e policial descrevem adequadamente o conjunto maior de operações em que a fiscalização em apreciação está inserida, dispensável a tradução, registro em cartório e consularização. Não houve cerceamento do direito de defesa, nem violação ao devido processo legal. Inegável a licitude de utilização dos Laudos Periciais como prova, nos exatos limites das informações neles constantes. Contudo, cabe à autoridade fiscal o ônus da prova da ocorrência do fato gerador, do momento de sua ocorrência e da relação pessoal e direta que liga o sujeito passivo ao fato tributado. Ainda que a autuação se fundamente em uma presunção legal, cabe à autoridade fiscal comprovar o fato previsto em lei como autorizador da presunção. Vejamos se a autoridade fiscal se desincumbiu desse ônus. Reportome à intimação fiscal de fls. 14/15, notadamente quanto ao trecho abaixo transcrito (excerto). Diante do acima exposto e em cumprimento ao MPF em epígrafe, intimamos V.S a apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: a) Informar se efetuou as operações acima descritas, apresentando documentação hábil e idônea, coincidentes em data e valor, que as comprovem, bem como a origem dos recursos movimentados. Seguem em anexo, cópia das transferências (planilhas eletrônicas) contendo informações sobre as citadas operações. Os principais campos existentes nessas planilhas, conforme Relatório Técnico Bases de Dados IPL 1026/03SR/PR, expedido pelo Chefe do Serviço de Perícias Contábeis e Fl. 10DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 674 11 Econômicas do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal Brasília DF, em 26 de setembro de 2005, são os seguintes: (...) As planilhas eletrônicas contendo, dados das transferências foram disponibilizadas à Receita Federal, mediante autorização judicial constante dos autos do Processo n°2003.70000303334 (inquérito 207/98).. Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná. (grifos acrescidos) Intimado a informar se efetuara as referidas operações, o fiscalizado alegou que desconhecia totalmente as transações. Foi, então, intimado a apresentar documentos relativos a dados constantes na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2003, e, ainda, extratos mensais de suas contas correntes e de suas aplicações financeiras (inclusive de seus dependentes e cônjuge), bem como em cadernetas de poupança mantidas em instituições financeiras no Brasil e no exterior. De posse dos elementos apresentados pelo contribuinte em atendimento à intimação e dos dados constantes da declaração de ajuste, o auditor fiscal elaborou o Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls.319/322, submetendoo à análise do interessado para conferência e correção ou complementação de valores e datas. Após examinar os documentos e contestações do contribuinte, o autuante efetuou algumas alterações no Demonstrativo, fornecendo explicações sobre as análises por ele efetuadas para considerar ou não as alegações do interessado. Desde a fase de fiscalização o recorrente afirma (fls. 19) que desconhece as operações e não as subscreveu e que por falta do Relatório Técnico informado não há condições de prestar informações. A DRJ converteu o julgamento em diligência para juntada do Laudo Pericial que embasou a ação fiscal, a fim de evitar o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. (fls. 472). A autoridade fiscal encarregada da diligência consignou o seguinte: Em atendimento ao procedimento fiscal, constatamos que no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 26/02/2007, às folhas 14 e 15, contam dados retirados do Relatório Técnico "Bases de Dados IPL 1026/03SR/PR , expedido pelo Chefe do Serviço de Perícias Contábeis e Econômicas do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal — Brasília —DF, e não do Laudo Pericial 126/03, expedido em 25 de janeiro de 2005, como alega o contribuinte. Assim, juntamos por anexação ao presente processo às folhas 475 a 502, cópia do Relatório Técnico "Bases de Dados IPL 1026/03SR/PR, e em 11/07/2008, o contribuinte recebeu cópia do citado relatório.(fls. 512) Com a diligência o impugnante teve ciência do Relatório Técnico “Base de Dados IPL 1026/0” em 11/07/2008 (fls. 475) e se manifestou. Os autos, então, retornaram à DRJ. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Houve nova Resolução para converter em diligência. Entre as razões destaco: Submetidos os autos a nova análise, concluíram os membros desta Turma de Julgamento que apenas a juntada do Relatório Técnico acostado às fls. 476/502 não atende satisfatoriamente à necessidade de instrução do processo, resolvendo baixar os autos em diligência novamente para que sejam anexados os documentos que comprovem a existência de quebra de sigilo bancário e autorização de transferência dos dados para a Receita Federal, bem como os eventuais documentos que tenham embasado a Representação efetuada pela Equipe Especial de Fiscalização criada pela Portaria n° 463/04. (grifos acrescidos) Ressalto que a autoridade fiscal em Informação Fiscal prestada em fase de diligência (fls. 512) afirma expressamente – conforme transcrito acima que o auto de infração foi fundamentado, não no Laudo Pericial, mas no Relatório Técnico, tanto que ao ser designado para juntar aos autos o Laudo Pericial, adotou a conduta de entregar ao contribuinte cópia do Relatório Técnico e não do Laudo Pericial. Transcrevo algumas passagens do Relatório Técnico em comento, que atestam sua insuficiência, isoladamente, como prova para lançar o Imposto de Renda. “Nas transações investigadas, Usualmente, se identifica no campo [ordenante] o nome do doleiro/conta ou de seu cliente. (fls. 499) (grifei) (...) Partindo das hipóteses anteriores, podese concluir que, normalmente, quando se credita uma conta de doleiro (conta alvo) no exterior pressupõese que este disponibilize recursos ao seu cliente no Brasil. De maneira inversa, quando o doleiro realiza transferências de recursos (débito na contaalvo) no exterior por ordem de seu cliente (ordenante), pressupõese que tal cliente já entregou recursos no Brasil. As hipóteses citadas não são as únicas, uma vez que existem diversas outras possibilidades de negociações no mercado financeiro e cambial que podem divergir das hipóteses acima elencadas, necessitando neste caso de analise mais detalhada no contexto da investigação. (fls. 500) (grifei) Na aferição da legalidade do lançamento a DRJ pronunciouse no sentido de que somente o Relatório Técnico não é suficiente, determinando diligência para juntada dos Laudos Periciais. Evidenciase na própria intimação fiscal, de 26/02/2007, (fls. 14) que a autoridade fiscal não tinha como certo o fato de o contribuinte fiscalizado ter efetuado as transações, tanto que o intimou a: “... apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: a) Informar se efetuou as operações acima descritas, apresentando documentação hábil e idônea, coincidentes em data e valor, que as comprovem, bem como a origem dos recursos movimentados.” Fl. 12DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 675 13 O sujeito passivo foi intimado a comprovar que fez as operações e que justificasse a origem dos recursos. Não consta dos autos a fundamentação que levou a autoridade fiscal a sanar a dúvida sobre a relação pessoal e direta do fiscalizado com as operações de transferência de recursos. Ademais, o Relatório Técnico elaborado pelo Instituto de Criminalística relata que, em casos como o presente, era usual que o “cliente” teria entregue o recurso ao doleiro no Brasil, portanto, antes da transferência em dólares ocorrida no exterior, o que alteraria o fato tributado e o momento da ocorrência do fato gerador. Não foi demonstrado pela autoridade fiscal, que afirma ter lançado com base nesse relatório, a fundamentação para considerar ocorrido o fato gerador na data das transferências. Diante de todos os vícios materiais apontados tais transferências devem ser excluídas do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Embora a autuação guerreada seja omissão de rendimentos em virtude de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o litígio em si centrase nas três transferências indicadas no relatório supra. Não obstante, se essas transferências vierem a afastadas do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, deixa de existir a omissão de rendimentos. Essa conclusão torna desnecessário apreciar demais argumentos do recorrente. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 13DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16024.000149/200735 Acórdão n.º 280201.135 S2TE02 Fl. 676 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 16024.000149/200735 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802001.135. Brasília/DF, 23 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 15DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.929896/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3402-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra a não homologação procedida por meio do Despacho Decisório 04/10/2011 (rastreamento nº 005552076), da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro – I, relativamente a Declaração de Compensação – Dcomp nº 39644.38012.181207.1.3.04-0116, por meio da qual a contribuinte em epígrafe efetuou a compensação de débitos tributários próprios utilizando-se do DARF de Cofins – Entidade Financeiras e Equiparadas (código 7987), recolhido em 19/11/2007, no valor total de R$ 28.000,00. Consta, da fundamentação de referido despacho, que o pagamento acima foi localizado nos sistemas da Receita Federal, mas que o mesmo encontra-se integralmente utilizado para a quitação do débito de Cofins (cód 7987), do período de apuração de outubro de 2007, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp citada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 29 89 6/ 20 11 -0 0 Fl. 397DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.597 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.929896/2011-00 A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 18/10/2011 e apresentou, em 16/11/2011, manifestação de inconformidade por meio da qual alega erro na transmissão da DCTF quanto ao débito de Cofins do período de apuração de outubro de 2007. Afirma que o valor correto do referido débito é de R$ 15.187,82, conforme consta declarado no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon do mesmo período, e que a diferença, entre o valor recolhido (R$ 28.000,00) e o devido (R$ 15.187,82), foi utilizada na compensação declarada na Dcomp nº 39644.38012.181207.1.3.04-0116. Diante do exposto, pede a retificação de ofício da DCTF de outubro de 2007 e revisão da decisão administrativa contestada. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Curitiba/PR, cuja ementa segue colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 30/10/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação de direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuição. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato acima, a lide resume-se à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação, uma vez que ele se contrapõe a própria DCTF apresentada pela Recorrente. Concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Uma vez impugnada tal não homologação, a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito foi o motivo da negativa de provimento à manifestação de inconformidade pela DRJ. Para suprir tal falta probatória, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário os livros diário e razão do período relativo ao crédito pleiteado. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de Fl. 398DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.597 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.929896/2011-00 pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402-002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos apresentados pela Recorrente no decorrer do processo administrativo a respeito da certeza e liquidez do crédito pleiteado; além de requerer, caso entenda necessário, outros documentos necessários para tanto; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindo-lhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levando-se em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratando-se de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 399DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003207/99-39
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Ementa: ITR/95. Para o lançamento do ITR195 devem ser acatadas somente
as áreas ocupadas com produção vegetal em 1994.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 303-30.478
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar 17 ha de área ocupada com produção vegetal, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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ementa_s : ITR/95. Para o lançamento do ITR195 devem ser acatadas somente as áreas ocupadas com produção vegetal em 1994. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
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Para o lançamento do ITR195 devem ser acatadas somente as áreas ocupadas com produção vegetal em 1994. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar 17 ha de área ocupada com produção vegetal, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 16 de outubro de 2002 JOÃO HO ' :‘; COSTA Presidente ANELISE DAUDT PRIETO Relatora 3 • 1ANI 2nn3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. Ausentes os Conselheiros NILTON LUIZ BARTOLI e HÉLIO GIL GRACINDO. tinc3 . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.818 ACÓRDÃO N° : 303-30.478 RECORRENTE : ANTÔNIO ÂNGELO PEDRÃO RECORRIDA : DRJ/CURITIBA/PR RELATORA : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO E VOTO Em 20/02/2002 esta Câmara decidiu pela realização de diligência conforme relatório e voto que transcrevo a seguir. "O recorrente acima qualificado, proprietário do imóvel rural "Km 111 9", situado no município de Cambé/PR, com área total de 36,3 ha, cadastrado na SRF sob n.° 4848835.0, foi notificado do lançamento do Imposto Territorial Rural e Contribuições Sindicais do Trabalhador, do Empregador e para o SENAR, num montante de R$ 747,20, relativo ao exercício de 1995. A exigência fundamentou-se na Lei n.° 8.847/94, na Lei n.° 8.981/95, na Lei n.° 9.065/95, no Decreto-lei n.° 1.146/70, art. S.°, c/c Decreto-lei n.° 1.989/82, artigo 1. 0 e parágrafos, na Lei 8.315/91 e no Decreto-lei n.° 1.166/71, artigo 4.° e parágrafos. O contribuinte impugnou o feito, alegando que o valor estava muito acima dos anos posteriores. Anexou DARFs referentes aos de 1997, 1998 e 1999. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, em decisão ementada da seguinte forma: "ITR. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Incabível a revisão com base em comparação de elementos de exercícios diversos, efetuados sob diferentes legislações de regência." Tempestivamente e com a comprovação da realização do depósito recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário em que diz o seguinte: "Após receber as intimações 033, 034 e 035, anexas, fez uma análise minuciosa, baseado em tela solicitada em 18/04/00 e nesta encontramos informações que não espelham a realidade, ou seja, área informada de cultura vegetal: 2,2 hectares, na realidade esta área é de 29,0 hectares, em produção, conforme borderôs anuais da 2 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.818 ACÓRDÃO N° : 303-30.478 Cooperativa Agropecuária de Rolândia Ltda. — COROL, com produção compatível à área citada, tanto como relacionados os insumos (cópias anexas)." Em cumprimento ao disposto no artigo 2.° do Decreto 3.440, de 25/04/2000, o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes encaminhou os autos a este Conselho. É o relatório. VOTO Tomo conhecimento do recurso, que é tempestivo, está acompanhado do depósito recursal e trata de matéria de competência deste Colegiado. O contribuinte impugnou o lançamento defendendo que o valor do crédito tributário estaria muito acima dos anos posteriores e anteriores sem, no entanto, trazer elementos que possibilitassem ao julgador singular reconsiderar o lançamento efetuado. Por ocasião do recurso voluntário, trouxe um novo argumento, o de que a área de cultura vegetal informada não estaria condizente com a realidade. Não comprova a real área cultivada, mas anexa borderôs anuais da Cooperativa Agropecuária de Rolândia Ltda — COROL. Em face do princípio da verdade material, entendo que deva ser dada ao contribuinte oportunidade para que traga aos autos laudo emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de cópia de ART registrada no CREA, ou Laudo de Acompanhamento de Projeto fornecido por Instituições Oficiais, em que estejam discriminadas as culturas e as informações sobre áreas plantadas, colhidas, consorciadas, intercaladas ou em rotação, relativas ao período em questão. Pelo exposto, voto pela realização de diligência por intermédio da Repartição de Origem para que seja cumprido o acima proposto." Em resposta, foi anexado o "Laudo Técnico de Certificação da Ocupação da Área" de fl. 37, acompanhado de ART, do qual extraio o seguinte: "Conforme levantamento realizado nesta data, certificamos que o associado em epígrafe efetuou a entrega nesta Cooperativa de 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.818 ACÓRDÃO N° : 303-30.478 41.160 kg de soja referente à safra agrícola 1994/1995. De acordo com a produtividade média regional de 2.400 kg por hectare, quando comparada com a produção efetivamente entregue, a área declarada pelo produtor de 17.00 hectares é condicente. Outrossim, no ano de 1995, conforme o contrato particular de compromisso para plantio e comercialização de citrus-laranja firmado junto a esta Cooperativa, através do projeto integrado, o produtor realizou implantação de 12,0 ha de pomar de laranja, onde foram instaladas 1.650 plantas de laranja da variedade Pêra Rio e 1.872 plantas da variedade Valência." • Ao fmal do documento é apresentado um quadro em que consta a ocupação de 17 ha com soja, 12 ha com laranja e 7,30 ha com outras culturas. Em suma, o contribuinte recorreu alegando a produção em 29 hectares de terra. Instado a apresentar a comprovação, trouxe aos autos laudo demonstrando que para a safra 94/95 ocupara 17 hectares de terra. Em se tratando do lançamento do ITR/95, deve ser considerada a situação da terra em 1994 e, portanto, deve ser acatada tal ocupação da terra. Entretanto, a área que passou a ser cultivada no decorrer de 1995 não pode ser considerada para efeito do lançamento do ITR195 e este é o caso da plantação de laranja. Entendo, também, que, à falta de referência sobre em que momento a terra foi ocupada com "outras culturas" e, tendo em vista que o laudo foi emitido em 12/08/2002, não posso também considerá-las para o lançamento do ITR • do exercício de 1995. Por outro lado, é importante que seja tecida uma consideração a respeito da Base de Débitos que consta da fl. 18. Depreende-se da mesma que seria cobrada, além do tributo e das contribuições que constavam da Notificação de Lançamento, a multa de mora. Do lançamento tributário impugnado e da decisão recorrida não consta explicitamente a exigência sob aquele título e, portanto, é compreensível que tal matéria não tenha sido, especificamente, objeto do recurso. Mas verifica-se aí um gritante cerceamento do direito de defesa, pois a multa seria cobrada totalmente fora do devido processo legal, o que tornaria tal ato administrativo nulo de pleno direito, de acordo com o previsto no artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Saliente-se que, mesmo que assim não fosse, tal cobrança seria totalmente descabida, pois, conforme o art. 151, inciso III, do CTN, a impugnação tempestiva ao lançamento do crédito tributário suspende sua exigibilidade e, portanto, r4nVe 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.818 ACÓRDÃO N° : 303-30.478 é alterada a data do vencimento da obrigação para depois da notificação da decisão administrativa que transitará em julgado. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar como ocupada com produção vegetal a área de 17 hectares, ressaltando, entretanto, que possível cobrança da multa de mora seria ato nulo de pleno direito. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2002 • ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora • 5 • • • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA . • Processo n°: 10930.003207/99-39 Recurso n.°: 121.818 , • • • TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do 110 Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 303-30.478 Brasília- DF, 02 de dezembro de 2002 João 'N' G a Costa Preside e da Terceira Câmara Ciente em: 3 laoo3 D ,il i ?E-N)OF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1
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