Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13899.000689/2004-99
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: DECADÊNCIA. IRPJ. Tratando-se de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, se o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ.
Numero da decisão: 9101-000.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : DECADÊNCIA. IRPJ. Tratando-se de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, se o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ.
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13899.000689/2004-99
anomes_publicacao_s : 201001
conteudo_id_s : 4712412
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9101-000.512
nome_arquivo_s : 910100512_149501_13899000689200499_003.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
nome_arquivo_pdf_s : 13899000689200499_4712412.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
id : 4735321
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430033555456
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:33:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:33:33Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:33:33Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:33:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:33:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:33:33Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:33:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:33:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:33:33Z; created: 2010-05-03T12:33:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-05-03T12:33:33Z; pdf:charsPerPage: 1429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:33:33Z | Conteúdo => , e• CSRF-Tl Fl. I Á; iltt MINISTÉRIO DA FAZENDA -- ti'".- •--: -" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, .2.1,4, .; -1---. -I ,: - CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS••..té-=',.•; -- Processo n° 13899.000689/2004-99 Recurso n° 149.501 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.512 - 1* Turma Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL - - Interessado COLUMBIA PARTICIPAÇÕES S/A DECADÊNCIA. 1RPJ. Tratando-se de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, se o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos • . erto Freitas i: arreto que dava provimento. I 1 '4 é — CARLOS ALBER • • • ITAÍS B. " ETO - Presidente. .......sinr _ ALEXÁqTDRE AND • • BE LIMA DA FONTE FILHO - Relator. EDITADO EM: irsio 9-010 Particip da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, João Carlos Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto. i •s Relatório Em face do Acórdão 103-23.345, proferido pela Egrégia Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 159/165, admitido pelo ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 50, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente à época) e nas razões seguintes. Em 06 12 2004, a contribuinte foi cientificada do crédito tributário de IRPJ, relativo ao ano 1999. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 244.946,64, já inclusos juros de mora e multa de oficio de 75% e tem origem na ausência da adição, ao lucro líquido do período, do lucro inflacionário realizado, no percentual mínino previsto na legislação. A Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por meio da decisão de fls. 150/155, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso. Em suas razões, acolheu a preliminar de decadência, em relação aos três primeiros trimestres do ano- calendário 1999, com base no art. 150, § 4 0, do CTN e, no Mérito, manteve o lançamento. A Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou Recurso Especial, às fls. 159/165 Em suas razões, afirmou que a decisão recorrida contrariou o art. 173 do C'IN, sob o fundamento de que o prazo decadencial previsto no art. 150 do C'IN aplica-se apenas aos casos em que houver pagamento antecipado pelo sujeito passivo. A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso especial às fls. 171/178. Em suas razões, defendeu a inadmissibilidade do recurso especial, por entender que não foi demonstrado que houve contrariedade à lei ou evidencia de prova. A questão, no caso, refere- se a definição do prazo decadencial, se aquele previsto no art. 150 ou no art. 173. ambos do CTN. A decisão recorrida encontra-se em consonância com a legislação e jurisprudência do Conselho de Contribuintes, não merecendo reparos. É o relatório. 2 •• • Processo n° 13899.000689/2004-99 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.512 Fl. 2 VOTO Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973733, entendeu que, nos casos em que não há pagamento antecipado, aplicar-se-ia o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, decisão esta que está submetida ao regime do artigo _ 543-C, do CPC, que dispõe sobre os recursos repetitivos. Entendo, contudo, que a decisão em referência não se aplica aos casos em que o contribuinte não tenha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, pois, neste caso, não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Nesta hipótese, aplicar-se-ia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, que dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De acordo com a DIPJ/2000, às fls. 12/21, a contribuinte apurou resultado negativo no período fiscalizado. No ano-calendário 1999, a contribuinte era tributada com base no lucro real trimestral, de modo que a cada trimestre será apurada a tributação definitiva do período, devendo ser esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese do artigo 150, § 4° do CTN. Assim, tendo em vista que o auto de infração somente foi lavrado em 31.12.2004, entendo que, à época, já havia ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo ao 1 0, 2° e 3° trimestre do ano-calendário 1999, conforme disposto no art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional. Isto posto, VOTO nos sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial, mantendo-se a decisão recorrida em todos os termos. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003874/2001-46
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1993 a 31/03/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DE RESTITUIÇÃO.
O prazo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.868
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheciam do recurso; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselhira Nanci Gama
votou pelas conclusões.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1993 a 31/03/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. O prazo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11610.003874/2001-46
anomes_publicacao_s : 201004
conteudo_id_s : 4889104
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-000.868
nome_arquivo_s : 930300868_11610003874200146_201004.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11610003874200146_4889104.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheciam do recurso; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselhira Nanci Gama votou pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
id : 4751715
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430038798336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 899 1 898 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.003874/200146 Recurso nº 229.441 Especial do Contribuinte Acórdão nº 930300.868 – 3ª Turma Sessão de 27 de abril de 2010 Matéria Decadência restituição Recorrente MAKRO ATACADISTA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1993 a 31/03/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. O prazo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheciam do recurso; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselhira Nanci Gama votou pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de análise de recurso especial apresentado pela contribuinte. Defende a contribuinte de que o prazo para pedir a restituição do PIS seria o de dez anos. A decisão recorrida afastou o entendimento de que o prazo seria contado após o transito julgado da Ação ordinária e aplicou o prazo de 5 anos contados do pagamento. A recorrente em 14/09/2001, solicitou restituição/compensação, de créditos relativos a recolhimentos da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que teriam sido indevidamente recolhidos a maior nos períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 1993 a setembro de 1995 (planilhas, fls. 25/26; cópias de recolhimentos, fls. 27 a 51). Afirmou que seu direito decorreu de decisão transitada em julgado na Ação Ordinária nº 91.06966934, que declarou a inconstitucionalidade dos Decretos Leis nºs 2.445/1988 e 2.449/1988. A DERAT/São Paulo – SP, às fls. 226/229 negou o pleito da contribuinte, alegando a decadência do direito à repetição do suposto indébito e que não havia saldo a restituir decorrente do pagamento do PIS no período verificado, pois com a decretação da inconstitucionalidade dos mencionados DecretosLeis a alíquota da contribuição elevouse de 0,65% para 0,75%, majorando o tributo devido. A interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 268/287, onde argüiu, em síntese, que: ajuizou a Ação Ordinária nº 91.06966934, pleiteando a declaração de inexistência de relação jurídico tributária que obrigasse a requerente ao recolhimento de PIS, tendo em vista a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como da Lei Complementar nº 7/70; em novembro de 1994 foi proferida sentença que julgou parcialmente procedente o pedido da requerente, reconheceu a inconstitucionalidade dos citados Decretos Leis e determinou o recolhimento do PIS com base na LC nº 7/70; em 11/11/96 transitou em julgado Acórdão prolatado pela Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos Leis e que determinou a observância da sistemática contida na LC nº 7/70 para recolhimento do PIS; dessa forma, a requerente possuía decisão judicial transitada em julgado em 11/11/96, reconhecendo o direito ao recolhimento do PIS conforme a LC 7/70; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 900 3 no entanto, somente em maio de 2001, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu que a base de cálculo do PIS prevista na LC nº 7/70 era o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária; portanto, não merecia prosperar o argumento de que a requerente exerceu tardiamente seu direito de pleitear os valores indevidamente recolhidos a título de PIS em razão da não aplicação da semestralidade; ademais, sendo o PIS tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de decadência para restituir o indébito era de 5 anos a partir da extinção do crédito tributário, que no presente caso se operou com a homologação tácita do art. 150, §4º, do CTN, isto é, 5 anos após o fato gerador, totalizando, portanto, dez anos; assim, considerando que os créditos de PIS decorriam de recolhimentos ocorridos entre fevereiro de 1993 e janeiro de 1996, somente estariam decaídos a partir de fevereiro de 2003; a base de cálculo do PIS, no período de fevereiro de 1993 a janeiro de 1996, era o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (semestralidade), nos termos do artigo 6º, parágrafo único, da LC 7/70; a base de cálculo do PIS devido era receita bruta e não o faturamento e correspondia tãosomente às receitas decorrentes da venda de mercadorias e prestação de serviços; Por fim, a interessada trouxe aos autos, às fls. 487/488, planilhas onde informou as bases de cálculos em relação aos fatos geradores de dezembro de 1993, e de julho de 1994 a junho de 1995. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu o pleito da interessada, resumindo sua Decisão de fls. 508/517 nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1993 a 31/03/1996 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributos pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme disposto nos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Solicitação Indeferida” Inconformada com a decisão de primeira instância, a interessada, às fls. 528/550, interpôs recurso voluntário tempestivo a este Segundo Conselho de Contribuintes, onde repetiu suas razões de inconformidade. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Por meio do Acórdão nº 20310.592, de 07 de dezembro de 2005, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso da contribuinte. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § 1º, do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA Extinguese em cinco anos, contados da data da extinção do crédito e do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. Recurso negado. A interessada apresenta recurso especial de divergência de fls. 663/678, onde alegou que o direito de compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente a título de PIS, tributo sujeito ao lançamento por homologação, extinguese após cinco anos a partir do decurso do prazo de cinco anos para homologação tácita do lançamento (tese dos 10 anos), aduzindo divergência entre o presente julgado e, dentre outros, o AC. nº 20174.281. O apelo especial, sob entendimento de terem sido preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido por meio de Despacho nº 203074 (fls.884/885). Ás fls. 889/896 contrarazões apresentadas pela Fazenda Nacional, pedindo para que seja negado provimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte. Invoca a aplicabilidade da LC nº 118/05, 168 e 165 do CTN, independentemente da Resolução do Senado Federal. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais para o seu conhecimento. Trata o presente processo de pedido de repetição de indébito tributário de alegados recolhimentos a maior do PIS, nos períodos de apuração de 02/1993 a 03/1996, efetuados na forma dos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF e retirados do mundo jurídico pela Resolução do Senado Federal nº 49/95. O pedido foi formulado em 14/09/2001. Em 11/11/96 transitou em julgado Acórdão prolatado pela Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que reconheceu a inconstitucionalidade dos DecretosLeis e que determinou a observância da sistemática contida na LC nº 7/70 para recolhimento do PIS; Muito embora tenha a contribuinte recorrido da decisão sob o entendimento de que o prazo para pedir a restituição seria o de dez anos, esta Egrégia Câmara tem admitido o efeito devolutivo do recurso no caso de decadência. Em outras palavras, em se tratando de decadência, matéria de ordem pública, estou convencida de que a matéria permite a sua reanálise como um todo. A decisão recorrida afastou o entendimento de que o prazo seria contado após o transito julgado da Ação ordinária e aplicou o prazo de 5 anos contados do pagamento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 901 5 Feitas às prévias considerações, passo ao exame sob todos os aspectos envolvidos: Tese do prazo de dez anos: Mesmo tendo durante algum tempo, me curvado ao entendimento adotado pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o prazo decadencial é de 5 anos contados da publicação da Resolução do Senado, sempre ressalvei minha opinião particular de acordo com a linha de interpretação do STJ no sentido de que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 deveriam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 1. Somente para relembrar, o artigo 3º da LC nº 118/2005 suplantou a tese dos 5 + 5 ao estabelecer o prazo prescricional de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, seja no caso de homologação tácita ou expressa, e a segunda parte do artigo 4º da precitada lei fez retroagir o artigo 3º nos termos do artigo 106, I do CTN. Considerando julgamento do Pleno do STJ, no EResp nº 644.736/PE, no qual declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/05, deixo de apenas ressalvar minha opinião para adotar esse entendimento. 2 Assim, somente os pagamentos efetuados a partir da vigência da LC nº 118/05 (09.06.05), o prazo para pedido de restituição é de 5 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido ou a maior; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (5 + 5), limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Em outras palavras, considerando que: i Os créditos se referem aos períodos de apuração de fevereiro/93 a setembro de 1995, e ii sendo o pedido de restituição protocolizado em 14/09/2001, dentro portanto do prazo de 10 anos; Com essas considerações, dou provimento ao recurso interposto pela contribuinte, no sentido de afastar a decadência. Mas, admitindo que os membros desta Egrégia Câmara não compartilham desse particular entendimento, passo à análise e considerações sobre o prazo, contados a partir da ação judicial. PRAZO 5 ANOS CONTADOS DA AÇÃO JUDICIAL: 1 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC). 2 Agravo de Instrumento no EResp nº 644.736/PE. A Corte Especial (Min. Teori Albino Zavascki) esclareceu como deve ser aplicada a nova regra prevista no artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05, sustentando que a transição da regra de prescrição deve obedecer a entendimento doutrinário já consagrado no Supremo Tribunal Federal (“STF”), segundo o qual será aplicado o novo prazo, tendo como termo inicial a data da vigência da lei que o estabelece. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Em primeiro lugar, no plano doutrinário, existem alguns debates sobre a possível limitação de ingresso com pedido de restituição/compensação após o transito em julgado, nos casos de utilização da via judicial, por meio de “ação declaratória” . Em outras palavras, que a ação declaratória não teria o condão de suspender o prazo de 5 anos “ prescricional” para o exercício do direito repetitivo. Com o respeito daqueles que assim pensam, penso equivocado tal posicionamento. Explico: A sentença, na ação declaratória, vale como um preceito, isto é, tem efeito normativo, qual seja: a de tornar a relação jurídica entre as partes, bem como, fundamentalmente, a de produzir a certeza da relação jurídica. Vale lembrar que a sentença, ainda que na ação declaratória, traz também um cunho executivo, ainda que proferido em sede de ação meramente declaratória. Nesse sentido oportuno reproduzir o doutrinador JOSÉ FREDERICO MARQUES: “Toda a sentença proferida em processo de conhecimento, seja ela declaratória, condenatória ou constitutiva, traz em si um comando. Como diz LIEBMAN, ‘a sentença vale como comando, pelo menos no sentido de que contém a formulação autoritativa duma vontade de conteúdo imperativo’.”3 A clássica doutrina é corroborada também pela lição de TEORI ZAWASCKI, segundo o qual está ultrapassado o entendimento de que a sentença declaratória jamais tem eficácia executiva: “A tese segundo a qual apenas sentença condenatória é título executivo, verdadeiro dogma para a maioria da doutrina, é de difícil demonstração. A dificuldade reside, desde logo, na identificação da natureza dessa espécie desentença. Para Liebman, 'a sentença condenatória tem duplo conteúdo e dupla função: em primeiro lugar, declara o direito existente – e nisto ela não difere de todas as outras sentenças (função declaratória); e, em segundo lugar faz vigorar para o caso concreto as forças coativas latentes na ordem jurídica, mediante aplicação da sanção adequada ao caso examinado – e nisto reside a sua função específica, que a diferencia das outras sentenças'.” Ainda segundo o Ministro TEORI, o Código de Processo Civil brasileiro é bastante claro em reconhecer a força executiva da sentença declaratória, como se vê, não havendo como negar sua eficácia: Ora, se tal sentença traz definição de certeza a respeito, não apenas da existência da relação jurídica, mas também da exigibilidade da prestação devida, não há como negarlhe, categoricamente, eficácia executiva. Conforme assinalado anteriormente, ao legislador ordinário não é dado negar executividade a norma jurídica concreta, certificada por sentença, se nela estiverem presentes todos os elementos identificadores da obrigação (sujeitos, prestação, liquidez, exigibilidade), pois isso representaria atentado ao direito constitucional à tutela executiva, que é inerente e complemento 3 Instituições de Direito Processual Civil, Ed. Millenium, vol. 3, 1ª edição, Campinas, SP Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 902 7 necessário do direito de ação. Tutela jurisdicional que se limitasse à cognição, sem as medidas complementares necessárias para ajustar os fatos ao direito declarado na sentença, seria tutela incompleta. E, se a norma jurídica individualizada está definida, de modo completo, por sentença , não há razão alguma, lógica ou jurídica, para submetêla, antes da execução, a um segundo juízo de certificação, até porque a nova sentença não poderia chegar a resultado diferente do da anterior, sob pena de comprometimento da garantia da coisa julgada, assegurada constitucionalmente. Instaurar a cognição sem oferecer às partes e principalmente ao juiz outra alternativa de resultado que não um já prefixado representaria atividade meramente burocrática e desnecessária, que poderia receber qualquer outro qualificativo, menos o de jurisdicional. Portanto, repetimos: não há como negar executividade à sentença que contenha definição completa de norma jurídica individualizada, com as características acima assinaladas.4 Esse entendimento vem sido corroborado também pela jurisprudência no STJ, que vê na desconsideração da eficácia executiva da sentença declaratória uma verdadeira ofensa aos princípios da celeridade e da economia processual, na medida em que não apenas inutilizam a sentença declaratória como também demandam uma segunda ação judicial, que deverá apenas confirmar o resultado da primeira, sob pena de ofender a coisa julgada: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. DIREITO JÁ RECONHECIDO EM ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. EFICÁCIA EXECUTIVA DE SENTENÇA DECLARATÓRIA. PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER. 1. É possível executar sentença declaratória com conteúdo nitidamente condenatório, como é o caso dos autos, em que foi reconhecido aos servidores o direito à percepção e incorporação da gratificação de raiox. Isto por ser desnecessário iniciarse uma nova ação de conhecimento para rediscutir um direito que já foi proclamado em ação anterior. Tal procedimento seria não só inútil, mas, principalmente, afrontoso aos princípios da economia e celeridade processual e à própria Jurisdição. 2. Nego provimento ao agravo regimental. (ADRESP 796343; Relator Celso Limongi (Desembargador Convocado do TJ/SP), DJE DATA: 11.5.2009) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO DE CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. EFICÁCIA EXECUTIVA DA SENTENÇA DECLARATÓRIA, PARA HAVER A REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1. A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, 4 Comentários ao Código de Processo Civil, vol. 8, 2ª ed., RT, 2003, p. 194199; Título Executivo e Liquidação, RT, 1999, p. 101106 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 do valor devido. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 502.618/RS, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 01.07.2005; EREsp nº 609.266/RS, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ de 11.09.2006, p. 223. 2. Agravo regimental não provido. (ADRESP 1.031.800, Relator Mauro Campbell Marques, DJ 23.4.09) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS A TÍTULO DE FINSOCIAL. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO DE CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. EFICÁCIA EXECUTIVA DA SENTENÇA DECLARATÓRIA, PARA HAVER A REPETIÇÃO DO INDÉBITO POR MEIO DE PRECATÓRIO. 1. No atual estágio do sistema do processo civil brasileiro não há como insistir no dogma de que as sentenças declaratórias jamais têm eficácia executiva. O art. 4º, parágrafo único, do CPC considera "admissível a ação declaratória ainda que tenha ocorrido a violação do direito", modificando, assim, o padrão clássico da tutela puramente declaratória, que a tinha como tipicamente preventiva. Atualmente, portanto, o Código dá ensejo a que a sentença declaratória possa fazer juízo completo a respeito da existência e do modo de ser da relação jurídica concreta. 2. Tem eficácia executiva a sentença declaratória que traz definição integral da norma jurídica individualizada. Não há razão alguma, lógica ou jurídica, para submetêla, antes da execução, a um segundo juízo de certificação, até porque a nova sentença não poderia chegar a resultado diferente do da anterior, sob pena de comprometimento da garantia da coisa julgada, assegurada constitucionalmente. E instaurar um processo de cognição sem oferecer às partes e ao juiz outra alternativa de resultado que não um, já prefixado, representaria atividade meramente burocrática e desnecessária, que poderia receber qualquer outro qualificativo, menos o de jurisdicional. 3. A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido. Precedente da 1ª Seção: ERESP 502.618/RS, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 01.07.2005. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. (ERESP 609266, Relator: Teori Albino Zavascki, DJ 11.9.2006) Inconteste, dessa forma, que a antiga divisão das ações e sentenças em declaratórias e condenatórias não limita os seus efeitos à mera declaração ou condenação, sendo que a moderna doutrina reconhece que tanto a sentença condenatória tem também um caráter declaratório, quanto a sentença declaratória tem, sim, eficácia executiva, podendo ser inclusive ter força de título executivo, conforme reconheceu HUMBERTO THEODORO JÚNIOR: De fato, se nosso direito processual positivo caminhou para a outorga de força de título executivo a qualquer documento particular em que se retrate a obrigação líquida, certa e exigível, por que não se reconhecer igual autoridade à sentença declaratória? Esta, mais que qualquer instrumento particular, tem a inconteste autoridade para acertar e positivar a existência Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 903 9 da obrigação líquida, certa e exigível, em prejuízo das partes e da própria Justiça, a abertura de um procedimento condenatório em tais circunstâncias. Se o credor está isento da ação condenatória, bastando dispor de instrumento particular para acertarlhe o crédito descumprido pelo devedor inadimplente, melhor será sua situação de acesso à execução quando estiver aparelhado com prévia sentença declaratória onde se ateste a existência de dívida líquida e já vencida.5 Face o entendimento doutrinário e jurisprudencial acima exposto, não se sustenta óbice no sentido de que a sentença proferida na ação declaratória não teria cunho condenatório e, por isso, não poderia servir como instrumento impeditivo para suspender o prazo para ingresso no administrativo. A matéria também foi previamente analisada em outro caso de minha relatoria. Invoco para tanto, o decidido pela CSRF/0202.568, em sessão de 22 de janeiro de 2007, cuja ementa possui a seguinte redação: Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. Para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início do prazo de decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Extraise do voto: (...) De fato, há uma lacuna legislativa de forma a solucionar a situação ora exposta, muito embora o Superior Tribunal de Justiça, já tenha se definido por adotar como única regra a ressalvada por esta Conselheira anteriormente. Recorro à interpretação em observância ao princípio gerais do direito e em especial, o da razoabilidade. Como disse anteriormente, há no presente caso, uma situação específica, para o fim de início da contagem do prazo, o que no meu entendimento afastaria a regra geral; (contagem do prazo pela Resolução do Senado Federal). A recorrente questionou em ação não repetitória a existência do próprio direito. Razoável se pensar que somente após a decisão final deva se iniciar o prazo de cinco anos para o exercício desse direito (decadência). Desnecessário se estabelecer se estamos diante de qual instituto: o de decadência ou o de prescrição, uma vez que vale registrar, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, através do Parecer COSIT nº 58/98, adotouo o instituto da “decadência” com o seguinte esclarecimento: “25 Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja 5 As novas reformas do Código de Processo Civil ? Rio de Janeiro: Forense, 2007, p.159 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 exigível. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos “erga omnes”, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato específico, do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto n. 2.346/1997, art. 4º). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIn, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF.” Razoável se pensar que para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência seja contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Nos termos do art. 4o, inciso I, do CPC, o interesse do autor em agir judicialmente pode limitarse à declaração da existência ou inexistência de uma determinada relação jurídica. Assim é a ação meramente declaratória, que no caso visaria simplesmente confirmar a existência de uma determinada relação jurídica pela qual o autor tenha direito à restituição segundo a legislação própria. Antes da sentença declaratória, está o que ainda não é jurídico, a incerteza. No momento em que a sentença se efetiva, constitui se o direito e, portanto, a certeza. O direito não reconhece ou declara direitos, mas sim criaos na decisão. Numa primeira análise poderseia concluir que inexistindo pedido de restituição específico, mas apenas, a de simples pedido declaratório do seu direito em si, contra os decretosleis 2.445 e 2.449/88 nenhum direito à restituição lhe assistiria eis que o pedido foi apresentado após o prazo dos 5 anos da data da publicação da Resolução do Senado. Contudo, com respeito aos que divergem deste entendimento, esse rigor não se justifica na aplicação consistente do direito em busca das suas finalidades, de modo a possibilitar que a contribuinte, proceda ao pedido de restituição/compensação após a sentença definitiva transitada em julgado, independentemente do prazo do art. 168, ou da Resolução do Senado, desde que a ação tenha sido proposta antes de escoado o prazo dos 5 anos. Verificase que no caso, a ação judicial fora ajuizada antes do prazo dos 5 anos. Vale dizer, terseá o mesmo tratamento atribuído à ação repetitória, cumulada com o pedido de restituição/compensação, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 904 11 (inciso X do art. 156 do CTN), até mesmo sob a ótica do Parecer COSIT n. 58/98, transcrito parcialmente acima.6 Mesmo porque, para aqueles que defendem tratarse de prazo decadencial, cabe lembrar as decisões proferidas pela SRF, no sentido de que créditos (incertos) que sejam objeto de processos em tramitação na Justiça não podem ser restituídos ou compensados; assim nada mais razoável se pensar que para a formulação do pedido, deva a interessada, aguardar o resultado final da ação judicial (constitutiva do direito), ainda que declaratória. Na verdade, a contribuinte, ao buscar na Justiça o afastamento dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88, engessou o procedimento de repetir na esfera administrativa. Mesmo porque, a rigor, inexistindo a figura do “sobrestamento” no âmbito do processo administrativo ao transito em julgado da ação judicial, como conseqüência, pedido de restituição formulado administrativamente, durante o trâmite da ação declaratória, teria como conseqüência “pedido não conhecido” ou até mesmo indeferido. Apenas para argumentar, cabe lembrar a posteriori, ainda que os fatos aqui analisados sejam anteriores, o disposto no art. 170 A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, o qual atualmente prevê a vedação da compensação antes do transito em julgado da decisão judicial. 7 Muito embora a recuperação do valor pago não esteja em discussão na esfera judicial, o pedido de restituição tornouse causa pendente de outra ação, neste caso judicial. Nesse sentido, causame estranheza o fato de estar obrigada a contribuinte, a formular pedido junto ao órgão administrativo, quando incerto é o seu direito à restituição do valor. No mais, como informado anteriormente, verificase que no caso, a ação judicial foi ajuizada antes do prazo dos 5 anos, contados do pagamento das contribuições para o PIS. Assim, como o trânsito em julgado da sentença na Ação Declaratória nº 91.1037595 (medida cautelar nº 91.00276480) ocorreu em 11.01.1999, e o pedido de restituição foi protocolizado em 17/10/2000, temse que maior razão assiste à recorrente. No caso presente, ainda que as datas sejam outras do caso já julgado pela CSRF, o que se tem é a mesma situação. A ação foi ajuizada (Ação Ordinária nº 91.06966934) antes dos 5 anos (recolhimentos ocorridos entre fevereiro de 1993 e janeiro de 1996) sendo que o pedido foi formulado dentro do prazo dos 5 anos (14/09/2001) do transito em julgado (11/11/96). 6 Art 156. Extinguem o crédito tributário: (...) X a decisão judicial passada em julgado. 7 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Conclusão: Diante dos argumentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial, de forma a afastar a decadência, quer pela regra dos 10 anos, quer pela tese dos 5 anos contados da decisão transitada em julgado. Ultrapassada a preliminar de decadência, devem os autos retornar à Câmara ordinária do CARF para que seja apreciado o mérito propriamente. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Redator Designado Peço vênia ao Dr. Henrique torres para fundamentar o presente voto com as suas considerações em casos semelhantes. Nessa questão, a jurisprudência deste Colegiado é no sentido de que o termo inicial da prescrição para repetição de indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, a exemplo do Acórdão 9303.01.115, do qual foi relator do voto condutor o Conselheiro Henrique Torres, cujo excerto transcrevese abaixo: ............................................................................................................................ O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1658do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I .................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) .................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do 8 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 905 13 débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1689 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. 9 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal10, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da 10 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 906 15 matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 11: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 11 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Fl. 15DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 12: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 13: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. 12 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 13 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 907 17 De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari14, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo15, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Ministro Teori Albino Zavascki16, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. 14 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 15 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. 16 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça17, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG18: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG19, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle 17 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 18 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. 19 Publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11610.003874/200146 Acórdão n.º 930300.868 CSRFT3 Fl. 908 19 concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG20: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede 20 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Diante do exposto e considerando que, no caso em análise, o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo quinquenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento (ou mesmo da homologação), é de reconhecerse que o direito à repetição de indébito ora em exame foi alcançado pela prescrição. Assim, nego provimento ao recurso apresentado pelo Sujeito Passivo para declarar prescrita a pretensão do sujeito passivo em relação à repetição dos indébitos objeto destes autos. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 20DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000519/99-76
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/199.3 a 30/06/1994, 01/10/1994 a 31/10/1994,
01/12/1994 a 31/12/1994, 01/03/1996 a 28/02/1999
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, INAPLICABILIDADE.
No termos da Súmula CARF n° 11, de 2009, não se aplica a prescrição
intercorrente no Processo Administrativo Fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA.
INEXISTÊNCIA DE FATOS A ESCLARECER. DESNECESSIDADE.
Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras,
não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são
suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela
independe.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1993 a 28/02/1999
DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR.
SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008.
Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é
inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder
ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos a contar da ocorrência do
fato gerador, nos termos dos art 150, § 4º, do Código Tributário Nacional,
sendo irrelevante a antecipação do pagamento.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3401-00.749
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para declarar a decadência dos períodos de apuração anteriores a
05/1994, por unanimidade quanto aos períodos anteriores a 12/1993, em relação aos quais
votaram pelas conclusões os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg
Filho, e por maioria de votos em relação aos períodos compreendidos entre 12/1993 e 04/1994,
nestes vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Odassi Guerzoni Filho por
aplicarem o art, 173 do CTN, em vista da falta de antecipação de pagamento.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/199.3 a 30/06/1994, 01/10/1994 a 31/10/1994, 01/12/1994 a 31/12/1994, 01/03/1996 a 28/02/1999 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, INAPLICABILIDADE. No termos da Súmula CARF n° 11, de 2009, não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FATOS A ESCLARECER. DESNECESSIDADE. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1993 a 28/02/1999 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, sendo irrelevante a antecipação do pagamento. Recurso provido em parte.
dt_publicacao_tdt : Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13808.000519/99-76
anomes_publicacao_s : 201005
conteudo_id_s : 4898792
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-00.749
nome_arquivo_s : 340100749_259943_138080005199976_005.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 138080005199976_4898792.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência dos períodos de apuração anteriores a 05/1994, por unanimidade quanto aos períodos anteriores a 12/1993, em relação aos quais votaram pelas conclusões os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho, e por maioria de votos em relação aos períodos compreendidos entre 12/1993 e 04/1994, nestes vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Odassi Guerzoni Filho por aplicarem o art, 173 do CTN, em vista da falta de antecipação de pagamento.
dt_sessao_tdt : Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
id : 4751832
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430047186944
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:36:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:36:10Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:36:10Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:36:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:484ea2e3-1b40-4405-8f1d-537373da214d; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:36:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:36:10Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:36:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:36:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:36:10Z; created: 2010-12-15T10:36:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-15T10:36:10Z; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:36:10Z | Conteúdo => S3-C4T1 Fl. 309 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ..;-. ...... TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.000519/99-76 Recurso n° 259.943 Voluntário Acórdão n° 3401-00.749 — 4" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2010 Matéria DECADÊNCIA PARCIAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PAGAMENTOS A MAIOR DESPREZADOS PELA AUTUAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente PAULITEC CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/199.3 a 30/06/1994, 01/10/1994 a 31/10/1994, 01/12/1994 a 31/12/1994, 01/03/1996 a 28/02/1999 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, INAPLICABILIDADE. No termos da Súmula CARF n° 11, de 2009, não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FATOS A ESCLARECER. DESNECESSIDADE. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1993 a 28/02/1999 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8_212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art 150, § 40, do Código Tributário Nacional, sendo irrelevante a/ antecipação do pagamento. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os esentes autos. 4.19, 4P. :'>( \ Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência dos períodos de apuração anteriores a 05/1994, por unanimidade quanto aos períodos anteriores a 12/1993, em relação aos quais votaram pelas conclusões os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho, e por maioria de votos em relação aos períodos compreendidos entre 12/1993 e 04/1994, nestes vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Odassi Guerzoni Filho por aplicarem o art, 173 do CTN, em vista da falta de antecipação de pagamento, Um • kortri"Ir r Km. Mace o Ros& b h* - Presidente Em. e arl e Á*. s — Relator Participaram do tresente julga ento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Odassi Guerzoni Filho, Femai do Marques C 'eto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Relatório O processo trata de auto de infração relativo ao PIS, com ciência em 24/05/1999, no valor total de R$ 559.338,39, incluindo juros de mora e multa de oficio no percentual de 75%. A P Turma da DRJ julgou o lançamento procedente em parte, para reduzi-lo da seguinte forma (subitens 39.1 e 39,2 do acórdão recorrido): - nos pei iodos de 1993 e 1994, para 5% do valor do IRRI informado pela contribuinte e adotado pelaliscalização; - nos períodos de 1996 e 1997, para admitir a exigência do PIS sobre recebimentos decorrentes de prestação de serviços de construção a órgãos públicos nas datas dos recebimentos, a teor da IN SRF 126/88. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na improcedência total do lançamento, argüindo o seguinte: - decadência parcial do lançamento, porque o Fazenda Federal não podia exigir os períodos anteriores a maio de 1994, haja vista o art. 150, § 4' do CTN; - prescrição interconente, porque o julgamento da primeira instância ocorreu quase nove anos após o lançamento (considera que após decorridos cinco anos sem qualquer providência por parte do Fisco ocorre a preclusão, tendo a Administração ferido o principio constitucional da eficiência e o direito à duração razoável do processo administrativo, este inserto no inc, DOCVIII do art, 5' da Constituição Federal); 2 Processo if 13808.000519/99-76 S3 -C4T1 Acórdão n a 3401-00,749 Fl. 310 - pagamento a maior desprezado pela fiscalização e pela DIU, no valor de valor Cr$ 18.049 476,00 (refere-se ao DARF com cópia à fl. 155, com vencimento em .30/07/1993 e recolhimento na mesma data, e que informa multa no campo destinado à penalidade). Afirma a Recorrente que a autoridade julgadora deveria ter determinado diligência, visando saber se o pagamento em questão serve à amortização do débito lançado; e - a decisão recorrida apenas mencionou no relatório a decisão transitada em Julgado em 22/03/1995 na Ação judicial IV 92.0013027-5 (de Rito Ordinário, distribuída por dependência da medida cautelar 91.0711121-5, conforme fls. 183, e que combate a incidência do PIS nos termos dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88), cabendo a este Conselho suprir a omissão "a fim de considerar a autorização judicial obtida pela Recorrente no que tange ao não recolhimento do PIS nos termos dos supra citados Decretos" (fl. 305). Ao final requer a determinação das diligências necessárias "a fim de apurar a prestabilidade do pagamento a maior realizado pela Recorrente na amortização dos débitos do PIS"), a reforma da decisão a quo, reconhecendo-se a decadência e a prescrição intercorrente e, em caso contrário, que "seja excluído do montante devido o PIS não recolhido nos termos dos Decretos-lei n° 1445/88 e 2.449/88, conforme a decisão proferida nos autos do processo n° 910013027-5)." Da parte provida não coube recurso de oficio em face de o valor exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido na Portaria MF n° 3, de 03/01/2008 É o relatório, Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Cabe razão à Recorrente apenas em relação à decadência. No mais, o acórdão recorrido deve ser mantido in totwn, como demonstrado adiante. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Não se admite a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, vez que enquanto discutida a pretensão do fisco através de impugnações ou recursos administrativos o crédito tributário permanece com sua exigibilidade suspensa. A questão já se encontrava pacificada no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, onde contava com súmula, tanto quanto aqui no CARF, onde a Súmula CARF n° 11 , de 2009, informa: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo." DECADÊNCIA No trato da decadência d if .. ser aplicada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitu . 0 ) .àrt. 45 da Lei n° 8.212/91. Assim, resolvida a St '.\ .411 3 polêmica pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento da Cofins e do PIS há de ser regulado pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Considero que o termo inicial ou dies a guio do prazo decadencial é contado sempre da ocorrência do fato gerador, tenha havido ou não a antecipação de pagamento exigida referida no art. 150 do CTN. No caso destes autos inexistiram pagamentos antecipados nos períodos de apuração dos anos de 1993 e 1994 (ver Termo de Constatação, fl. 988), nos quais inseridos os decaídos. Destaco a inexistência de pagamentos da Contribuições antes da ação fiscal por conhecer divergência antiga deste Colegiado, no qual alguns conselheiros interpretam haver necessidade do pagamento antecipado, sob pena de deslocamento do termo inicial da decadência para o primeiro dia do exercício seguinte (em vez de do fato gerador, como considero). Neste ponto importa investigar a respeito do que se homologa — se o pagamento antecipado, ou toda a atividade do sujeito passivo. Ressaltando-se que há inúmeras opiniões em contrário, segundo as quais não há lançamento por homologação se não houver pagamento antecipado, filio-me à corrente minoritária a qual pertence José Souto Maior Borges, que entende haver homologação da atividade do contribuinte, consistente na identificação do fato gerador e apuração do imposto, que deve ser antecipado somente se devido. Lembro, por oportuno, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física, em que o contribuinte, após computar os valores retidos pela fonte pagadora, calcula o imposto anual podendo chegar a três resultados diferentes: valor devido, zero ou imposto a restituir. Após o cálculo, o sujeito passivo preenche e entrega a declaração, devendo antecipar a pagamento se apurou valor a pagar, ou então aguardar a restituição, caso os valores retidos tenham sido maiores que o imposto devido anualmente. A Secretaria da Receita Federal, após processar a declaração, emite uma notificação, através da qual o auditor fiscal homologa expressamente todo o procedimento do contribuinte, já que confirma o imposto a restituir ou o valor zero, ou ainda, caso tenha apurado valor diferente, procede ao lançamento desta diferença. Quando a autoridade administrativa confirma o valor declarado pelo sujeito passivo, é expedida uma notificação ao sujeito passivo e tem-se o lançamento por homologação; quando o valor apurado pela autoridade é maior, ao invés de uma notificação lavra-se um auto de infração, procedendo-se ao lançamento de ofício. Nos outros tributos lançados por homologação — hoje quase todos o são -, o procedimento não é substancialmente diferente, sendo que em vez de notificação expressa na grande maioria dos casos ocorre a homologação ficta, na forma do previsto no § 4' do art. 150 do CTN. Ora, se a autoridade administrativa homologa um valor zero, ou uma restituição, evidente que não está homologando pagamento. A redação do caput do art. 150 do CTN emprega o termo pagamento para informar o dever de sua antecipação ("... tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento .), não para dizer de sua homologação. Esta refere-se à atividade (ou procedimento) do sujeito passivo ("... a referida autoridade, tomando conhecimento da ativi ade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" 444 4 Processo n" 13808.000519/99-76 S3-C4T1 Acórdão ri ° 3401-00.749 Fl. 311 Conforme os fundamentos acima, e porque a ciência do Auto de Infração se deu em 24/05/1999, estão decaídos os fatos geradores anteriores a maio de 1994. PAGAMENTO A MAIOR, DILIGÊNCIA E AÇÃO JUDICIAL N" 92.0013027-5 Quanto ao pagamento não computado na autuação, relativo ao DARF com cópia à fi. 155, é questão superada por estar contido no período decaído. Segundo a referida cópia o valor de Cr$ 18.049.476,00 foi recolhido em 30/07/1993, a mesma data do vencimento informado no campo próprio do DARF, e o montante recolhido contempla multa e juros, além do principal. Assim, é certo que se refere a período anterior à data do recolhimento, e não deve ser aqui considerado porque a decadência atingiu os fatos geradores até abril de 1994. Por ser questão superada o pagamento mencionado, desnecessária é a diligência cogitada. Afinal, diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não deve ser realizada quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe, como se dá na situação em tela. Também não vislumbro necessidade de diligência, no tocante à Ação Judicial n° 92.0013027-5, transitada em julgado para assegurar ao contribuinte o direito de recolher o PIS "de acordo com a Lei Complementar n° 07/70, afastada a observância dos critérios nos Decretos-Leis ns. 2445/88 e 2449/88" (fl. 192), já foi devidamente considerada na autuação. A decisão recorrida, embora no voto não a mencione expressamente, observa o seguinte: 9. Nos períodos mensais compreendidos entre janeiro de 1993 e junho de 1994 e nos meses de outubro e de dezembro de 1994, a exigência da contribuição ao PIS foi !lindado na Lei Complementar 7/70, e calculada pela aplicação da alíquota de 5% sobre o valor tributável correspondente ao IRPJ apurado, esse informado pela contribuinte às .fls. 59 e 60, transformado em UFIR 10. Assim, dos argumentos de defesa apresentados pela contribuinte aplicam-se a esses períodos apenas o questionamento quanto ao aproveitamento de dois recolhimentos não considerados no Auto de Infração e a divergência quanto aos valores devidos, conforme apontado na planilha de fls. 150/151 que instrui a impugnação. Não há, nos autos, nada que pareça estar contrário ao provimento judicial referido. A peça recursal, por sua vez, no ponto em que se refere à Ação Judicial n° 92.0013027-5 é genérica, não contendo qualquer elemento que demonstre tenha sido a autuação em desacordo com a decisão judicial. Daí parecer sem razão a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto n a e provim a to p. .cial ao recurso para, em face da decadência, .4011 cancelar os períodos de a le,"...,;' 1, de )'94, Ema"5"0-0orr arl e 'á'. . , de . ssis AO", 5
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000784/85-29
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-77014
Nome do relator: Não Informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10650.000784/85-29
anomes_publicacao_s : 200912
conteudo_id_s : 4135042
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 101-77014
nome_arquivo_s : 10177014_090980_106500007848529_007.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Não Informado
nome_arquivo_pdf_s : 106500007848529_4135042.pdf
arquivo_indexado_s : S
id : 4760936
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:54:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430050332672
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-04T20:43:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-04T20:43:28Z; Last-Modified: 2009-07-04T20:43:28Z; dcterms:modified: 2009-07-04T20:43:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-04T20:43:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-04T20:43:28Z; meta:save-date: 2009-07-04T20:43:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-04T20:43:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-04T20:43:28Z; created: 2009-07-04T20:43:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-04T20:43:28Z; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-04T20:43:28Z | Conteúdo => PROCESSO N9 10650-000.784/85-29 MINISTÉRIO DA FAZENDA MHP Sessão de 21 de _janeiro de 19 87 ACORDÃO N.° 1 01-77 .014 Recurso n.° 90.980 - IRPJ - Exercício de 1983 Recorrente INDUSTRIA MECÂNICA PARROS LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM UBERABA - MG. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINAR DE COISA JULGADA - Faculta a lei a possibi lidade de novo lançamento mais abrangente 7 se no curso do processo se verificar que ou tras irregularidades existem na escritura- ção alem das apuradas inicialmente. PRELIMINAR DE INSUFICIENTE INSTRUÇÃO DO PRO CESSO - O fato de o processo não estar ins: truído com elementos que não interferem com, a linha de impugnação apresentada pelo con- tribuinte, que expressamente admitiu como verdadeiros os fatos narrados no auto de in fração, não enseja cerceamento de defesa. IRPJ - ARBITRAMENTO DE LUCRO , - FIXAÇÃO .20M BASE NA RENDA BRUTA - A desclassificação da E escrita não impede a apuração da renda bru ta com baSe em elemntos nelas' constantes.Não demonstrando o contribuinte qualquer erro na referida apuração, deve ela ser mantida. VistOs, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIA MECÂNICA PARROS LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preli- minares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatõ rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 21 de jandl de 1987. V.v. /I 'L ffil l' AMADoR ed .' " O FERNANDEZ - PRESIDENTE Y ' 7-- ilkdatJi É EDU á re0 "ikw" DE ALCKMIN - RELATOR --- -ti,(---- -' Á GOSTINHO PLUAR---É---- - PROCURADOR DA FAZEN - VISTO EM DA NACIONAL SESSÃO DE: 2.2 MN 18- Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, ALCEU DE AZEVEDO -FONSECA PINTO e ERNESTO FREDERICO ROLLER (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro RAUL PIMENTEL. - 2 '''(;;141W z. 'I-' ' • . 1.V SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10650 -000.784/85 -29 RECURSOW 90.980 ACORDÃON9: 101-77.014 RECORRENTE N.: INDÚSTRIA MECANICA PARROS LTDA. RELATÓRIO Cuida-se de arbitramento de lucro levado a efeito porque, segundo o Auto de Infração de fls. 23 - 23/v, a empresa em epígrafe não possuía Livro de Apuração do Lucro Real, assim como o Li_ vro Diário não foi submetido ã autenticação do órgão competente do Re gistro do Comércio, e ainda se encontrava escriturado resumidamente em partidas mensais, sem apóio em assentamentos pormenorizados em li- vros auxiliares. Em impugnação tempestivamente apresentada, a autua_ da externou sua discordância com a peça exordial, ressaltando que a sua escrituração foi confiada a contador que posteriormente se reve- louinidõneo, causando inúmeros prejuízos ã empresa, Argumentou, ou- trossim, que ela sempre exerceu opção pela tributação com base no lu- cro presumido, o que foi alterado pelo referido contador, que a seu talante resolveu formular declarações com base no lucro real, sem que a empresa tivesse condições para tanto. Salientou a relação de depen- dencia existente entre as pessoas jurídicas, mormente a de pequeno e médio tamanho, e seus contadores, terminando por pedir auxílio para que pudesse acertar seus encargos. Instada a se manifestar, anotou a iscalização que a argumentação apresentada na impugnação pela contribuinte é totalmen- (á te ineficaz, salientando que a própria autuada consignou que a ase/ .,- ( - DMF DF /12 C-C Secaraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10650-000.784/85-29 3 Acórdão n9 101-77.014 contábil era inconsistente para permitir a opção pela tributação com base no lucro real. Em face desse quadro, salientou,não restava ao fisco outra alternativa senão promover o arbitramento de lucro da pessoa jurídica. Terminou por opinar pela manútenção do Auto. A decisão de fls. 32/36 assim está ementada: "A pessoa jurídica sujeita ã tributação com base no lucro real que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais terá seus rendimentos arbitra- dos pela autoridade fiscal, que fixará o lucro em porcentagem da receita bruta / quando conhecida. Lançamento procedente." Frisou a Autoridade julgadora de '_primeiro grau, em suas razões de decidir, que a inexistência de escritura_ ção mantida nos termos da lei implica, nos termos do art. 399 , I, do RIR/80, no arbitramento de lucro. E com isso deu pela im- procedência da impugnação. Irresignada, a empresa interpôs recurso a es- te Conselho, alegando: a) preliminar de coisa julgada, porque o pre- - sente processo derivou de outro, de número 10650/000.749/84-47, em que a empresa foi autuada em razão de glosa dos custos dos bens e serviços vendidos, tendo o Auto si- do julgado improcedente; b) preliminar de vício na instrução do proces so, tendo em vista que dele deveriam cons- tar todos os elementos do processo , ante- ri . or- it ' ,° _ , • ,- , / SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10650-000.784/85-29 4 Acórdão n9 101-77.014 c) no mérito, que o arbitramento deveria ter sido feito com base no capital social re- gistrado no início do período-base, con- forme alínea "c", item 1 da IN 108/80,pois o arbitramento feito com base na receita bruta ou mesmo em valor de balanço não teria lugar já que a escrituração da con tribuinte foi considerada imprestãve IVHÉ o relatório SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10650-000.784/85-29 5 Acórdão n9 101-77.014 VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator: O recurso foi interposto com guarda do prazo esta_ belecido no art. 33 do Decreto n9 70.235/72, razão por que é de ser conhecido. Levanta a suplicante duas preliminares. A primei- ra, de coisa julgada, em virtude de o primitivo Auto de Infração , lavrado em razão de glosa do custo de bens e serviços vendidos, ter sido cancelado por anterior decisão do Delegado da Receita Federal. Ora, não há como prosperar a alegação da contri- buinte. A ação fiscal anterior foi cancelada exatamente porque no curso do respectivo processo Se verificou que as irregularidades constantes da escrituração da empresa eram mais graves do que se ob_ servou inicialmente, motivo pelo qual se decidiu pela sua anulação' a fim de que em outra ação fiscal se processasse o arbitramento do lucro. Evidentemente que nada impede tal procedimento , não havendo nenhum óbice legal que impeça tal procedimento, ao con- trário. A segunda preliminar diz respeito ã _ deficiente instrução do processo, já que nestes autos não se teria feito ini- cialmente a juntada dos elementos constantes do primeiro processo,. Ainda que assim fosse, o fato é que a recorrente não negou a exis- tência das falhas de sua escrituração, antes as admitiu, atribuindo a culpa ao contador incumbido de realizar sua atualização. Vê-se as sim que nenhum prejuízo teria decorrido para a interessada da alega da falta de elementos do processo, razão por que também essa preli- minar não pode ser acolhida. - Quanto ao mérito, pretende a empresa que o ar i---- /7-7/ - . - 7, t- ( - , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10650-000.784/85-29 6 Acórdão n9 101-77.014 tramento seja efetivado com base no capital social, abandonando-se a receita bruta ou mesmo o valor de balanço. Argumenta que se a escrituração era imprestável, conforme concluiu a própria Fiscali- zação, não seria admissivel que o arbitramento se realizasse com base em elementos dela tomados. Também aqui não pode ter sucesso o inconformismo da recorrente. A imprestabilidade da escrituração evidentemente diz respeito não à receita bruta, que pode ser apurada de várias for- mas, mas a custos e despesas cuja veracidade passa a ser duvidosa. Daí a necessidade de arbitramento. A Fiscalização agiu corretamente ao apurar o va- lor da receita bruta e sobre ela arbitrou o imposto. Este o proce- dimento estabelecido em lei e que haveria, em razão do principio ' da estrita legalidade, de ser observado pelo agente de administra- ção ao proceder o lançamento. Isto posto, rejeito as reliminares argüidas e, --, , // .,. (4 f ) - , no mérito, nego prov'mento, o recyso.2- nI 7 O!É EDUARDO RANGEr%,Lv ALCKMIN - RELATOR 7',, , ,---°'- ; , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 36100.001224/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/05/2005
DECADÊNCIA ARTS
45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA
VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula
Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/05/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
MULTA RELEVAÇÃO REQUISITOS
A relevação da multa é possibilidade que está condicionada ao cumprimento dos requisitos para tanto. A não correção integral da falta representa descumprimento de requisito que impede a relevação total da multa
MULTA RETROATIVIDADE
BENIGNA Na superveniência de legislação
que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.963
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer que ocorreu a decadência e retirar do cálculo da multa aplicada os fatos que ocorreram até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da
multa, se mais benéfico à recorrente, de acordo com o disciplinado no I, Art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos,
nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 18 17:44:12 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1999 a 31/05/2005 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/05/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA RELEVAÇÃO REQUISITOS A relevação da multa é possibilidade que está condicionada ao cumprimento dos requisitos para tanto. A não correção integral da falta representa descumprimento de requisito que impede a relevação total da multa MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 36100.001224/2006-51
anomes_publicacao_s : 201007
conteudo_id_s : 4678442
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-000.963
nome_arquivo_s : 240200963_36100001224200651_201007.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 36100001224200651_4678442.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer que ocorreu a decadência e retirar do cálculo da multa aplicada os fatos que ocorreram até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico à recorrente, de acordo com o disciplinado no I, Art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
id : 4735607
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430052429824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.658 1 3.657 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36100.001224/200651 Recurso nº 149.821 Acórdão nº 240200.963 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de julho de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente DPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS NORDESTINOS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1999 a 31/05/2005 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/05/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA RELEVAÇÃO REQUISITOS A relevação da multa é possibilidade que está condicionada ao cumprimento dos requisitos para tanto. A não correção integral da falta representa descumprimento de requisito que impede a relevação total da multa MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer que ocorreu a decadência e retirar do cálculo da multa aplicada os fatos que ocorreram até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico à recorrente, de acordo com o disciplinado no I, Art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos, nos termos do voto da relatora. MARCELO OLIVEIRA Presidente ANA MARIA BANDEIRA – Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Ewan Teles Aguiar (Convocado). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36100.001224/200651 Acórdão n.º 240200.963 S2C4T2 Fl. 3.659 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 11/12), no período de 11/1999 a 05/2005, a autuada deixou de informar em GFIP remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, as quais encontramse relacionadas nas planilhas de folhas 13/36. A autuada apresentou impugnação (fls. 224/226) onde solicita a relevação da multa, uma vez que preenche os requisitos para tanto, inclusive, no que tange, à correção das faltas apontadas. Argumenta que as infrações não ensejaram ausência de recolhimentos de contribuições e que a multa não pode ter caráter confiscatório. Afirma que as faltas relatadas foram objeto de outros autos de infração, constituindo bis in idem. Entende que a multa aplicada deveria ser a correspondente a 5% de R$ 1.101,75 (valor mínimo), tomando por base a quantidade de incorreções por competência, porém, jamais poderia se admitir uma multa que tivesse como base o valor da contribuição. Pela Decisão Notificação nº 13.401.4/00144/2006 (fls. 1753/1759 – Vol 4), o a autuação foi considerada procedente com relevação parcial da multa aplicada. O julgador de primeira instância informa que quanto às remunerações dos segurados empregados, a autuada corrigiu a falta, parcialmente em algumas competências e integralmente em outras. Quanto às remunerações relativas aos contribuintes individuais, não houve correção da falta. Posteriormente, ficou constatado que a autuada ainda teria efetuado correção da falta em outras competências, antes do julgamento de primeira instância, o que levou à reforma da decisão anterior, por meio da emissão da Decisão Notificação 13.401.4/0247/2006. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 1767/1774 Vol 5) onde alega que, ao contrário do que decidido no julgamento de primeira instância, no que tange às remunerações dos segurados empregados, as falhas apontadas foram integralmente corrigidas, conforme tabela apresentada. Quanto às remunerações pagas a contribuintes individuais, alega que informouas em campo errado, no caso, naquele destinado à “Cooperativa de Trabalho”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Assim sendo, entende que a falha cometida pelo contribuinte seria em relação ao erro de campo de informação e não omissão de fato gerador. Demonstra seu inconformismo por não ter tido deferido o pedido de prorrogação de prazo para correção das faltas, sobretudo, face a problemas ocorridos na transmissão de dados, gerando Relatório de Inconsistências do Fechamento, o que impossibilitou ao contribuinte corrigir totalmente as falhas. Considera que o encerramento abrupto da instrução processual sem a intimação do contribuinte e sem análise do pleito de concessão de prazo representou manifesto cerceamento de defesa. Reitera seu pedido de relevação total da multa. O contribuinte efetuou o depósito recursal e a SRP apresentou contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36100.001224/200651 Acórdão n.º 240200.963 S2C4T2 Fl. 3.660 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Inicialmente cumpre verificar, de ofício, a ocorrência de decadência, à luz da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. A citada súmula dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que o direito de aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória encontrase decaído até a competência 11/2000, inclusive, uma vez que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 27/03/2006. Assim, a multa aplicada até a competência citada deverá ser excluída da presente autuação. A recorrente solicita relevação da multa e alega que teria efetuado a correção integral da falta. Conforme informou a SRP em contrarrazões, a falta não foi integralmente corrigida. Relativamente aos segurados empregados, em algumas competências, a relevação foi parcial e quanto aos contribuintes individuais não houve a correção. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36100.001224/200651 Acórdão n.º 240200.963 S2C4T2 Fl. 3.661 7 A recorrente alega que quanto aos contribuintes individuais a mesma teria informado o valor erroneamente no campo destinado à informar valores pagos à cooperativas de trabalho. Assim sendo, não corrigiu a falta, uma vez que seria necessário informar cada contribuinte individual em campo próprio. Também alega a recorrente que não teria sido avisada do término do prazo processual e foi surpreendida com a emissão da Decisão Notificação o que a teria prejudicado no que tange à correção da falta. Além de não haver previsão legal que estabeleça a obrigatoriedade de informar ao sujeito passivo quando a impugnação será julgada, observase que a autuação se deu em 27/03/2006 e a Decisão Notificação foi emitida em 16/06/2006, ou seja, tempo suficiente para que a recorrente houvesse efetuado a correção total da falta. Quanto ao inconformismo da recorrente pela multa aplicada que considera confiscatória, vale dizer que a mesma teve por base a legislação então vigente que estabelecia no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212 que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º, tal limite era estabelecido conforme o número de segurados da empresa. A recorrente entende que deveria ter sido aplicado o valor mínimo para cada campo preenchido incorretamente. Ocorre que tal penalidade era destinada aos equívocos efetuados pela empresa em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que não é o caso. No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Entretanto, a Lei nº 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Assim, é necessário recalcular o valor da multa, de acordo com o disciplinado no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, se for o caso e verificar qual situação é mais favorável ao sujeito passivo Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que deve ser retirado do cálculo da multa os valores até 11/2000, inclusive, face à decadência verificada, bem como para que o valor da multa seja recalculado, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, se for o caso. É como voto. Sala das Sessões, em 6 de julho de 2010 ANA MARIA BANDEIRA, Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36100.001224/200651 Acórdão n.º 240200.963 S2C4T2 Fl. 3.662 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 03/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000718/87-99
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-77850
Nome do relator: Não Informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10835.000718/87-99
anomes_publicacao_s : 200912
conteudo_id_s : 4135393
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 101-77850
nome_arquivo_s : 10177850_092599_108350007188799_017.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Não Informado
nome_arquivo_pdf_s : 108350007188799_4135393.pdf
arquivo_indexado_s : S
id : 4761275
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:55:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430056624128
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T15:18:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T15:18:19Z; Last-Modified: 2009-07-07T15:18:21Z; dcterms:modified: 2009-07-07T15:18:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T15:18:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T15:18:21Z; meta:save-date: 2009-07-07T15:18:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T15:18:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T15:18:19Z; created: 2009-07-07T15:18:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-07-07T15:18:19Z; pdf:charsPerPage: 1253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T15:18:19Z | Conteúdo => PROCESSO N9 10835-000.718/87-99 JÁk. =1.,) MINISTÉRIO DA FAZENDA Sessão de 12 de julho de 19 88 ACÓRDÃO N9 101-77.850 Recurso n 2 92.599 — IRPJ — EXS : DE 1983 a 1986 Recorrente ROSTIKA — INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrid DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM PRESIDENTE PRUDENTE (SP) IRPJ - ARRENDAMENTO MERCANTIL - DESCA- RACTERIZAÇÃO PELA FIXAÇÃO DE VALOR RE- SIDUAL SIMBÓLICO. Tendo sido fixado valor residual mera- mente simbólico, evidencia-se que o contrato dito de arrendamento mercantil na realidade revela operação de compra e venda a prazo. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROSTIKA - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre- sente julgado.4 Sala das Sessões(DF), 12 de julho de 1988 (2 URGEL PEREIRA O'ES - PRESIDENTE Al 41ã Je É EMARD• ' 1 GP DE Á CKMIN - RELATOR VISTO EM MARCO - n19 1 10 MENEGHETTI — PROCURADOR DA FAZEN— SESSÃO DE: 1 5 SET 1988 DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CEL- v.v. SO ALVES FEITOSA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, RAUL PIMENTELLe ARY TORI- BIO. 2 SERVIÇO PUBLICOPUBLICO FEDERAL PROCESSO 1\19 10835-000.718/87-99 RECURSO!'" 92.599 ACÓRDÃO!" 101-77.850 RECORRENTE : ROSTIKA - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. RELATÓRIO O Termo de Encerramento de Ação Fiscal e Constata - ção de fls. 94, ao qual se reporta o Auto de Infração de fls_99/99v, faz a seguinte narrativa dos fatos ensejadores da ação fiscal: 'Glosa de despesas indevidamente apropriadas a titulo de Arrendamento Mercantil. Com fundamento nos artigos 193, 235, § 19, _39 e 49, 289 e 387, inciso 1, todos do RIR/80 (Re gulamento do Imposto de Renda, aprovado pel -O- Decreto n9 85.450/80), constatamos e demonstra mos, que a empresa acima qualificada,aproprio-J como custos e/ou despesas, contraprestações de arrendamento mercantil contratado em desacordo com a Lei n9 6.099/74, tendo em vista o dispos to no art. 4 gc 1 0 do Regulamento anexo ã Resolu- ção do B.C. n9 351 de 17-11-75, que disciplina as operações de arrendamento mercantil. A fixação prévia de um valor residual insigni- ficante ou simbólico quando o contrato de ar- rendamento tem duração por tempo muito infe- rior ao de vida útil do bem, torna irrefutável a ocorrência de uma operação de compra e venda a prazo. A irregularidade resulta do fato de se fixar VALOR RESIDUAL GARANTIDO inferior e irrisório' em relação ao VALOR RESIDUAL ATRIBUI-DO, que na empressa arrendadora corresponde ao valor con- tábil do bem calculado no instante da aquisi- ção do mesmo, ficando claro que o arrendatário pagou embutido nas parcelas de arrendamento a diferença entre os dois valores citados, ou se ja, efetuou antecipaçõ'es do preço de compra tura/ /)-) suRviço PÚBLACO FEDERAL PROCESSO N9 10835-000.718/87-99 3 Acórdão n9 101-77.850 Conseqüentemente, o contribuinte apropriou as despesas e/ou custos em menos tempo que o , ad- missivel para contabilizá-las na forma admiti- da pela legislação fiscal, ou seja, firmou um contrato de arrendamento mercantil segundo o qual, ao término do mesmo, o bem objeto do con trato, estaria exaurido em relação ao valorma-s continuaria íntegro em relação a sua utilidade funcional., Dissimulada a operação de compra e venda a prazo, as prestações pagas a título de arrendamento mercantil e deduzidas do lucro, devem ser oferecidas à tributação na forma do artigo 235, § 39 do RIR/80." Cientificada da exigência em 26.06.87, a empresa autuada formulou impugnação, mediante petição que se encontra acos- tada às fls. 103/117, protocolizada em 24,07-,87. Nela süstenta a in_ teressada que todos os contratos de arrendamento que originaram o Auto de Infração, os quais continham a cláusula da opção de comprai exercida no final do ajuste. Assim, não houve qualquer violação do preceito da Lei n9 6.099/74, sendo de se salientar que o próprio Au to não mencionou qual teria sido o dispositivo legal infringido. Acentuou que a Fiscalização de certa forma parece legislar em causa própria, pois nem a Lei nem o Conselho Monetário Nacional fixam valor que devam ser estabelecidos por ocasião da op- ção de compra no arrendamento mercantil. A fixação desse valor para mais ou para menos não traz qualquer conseqüência financeira ao re- colhimento do imposto sobre a renda, em virtude do disposto no art. . 14 da Lei de regência. Igualmente destacou o entendimento doutrinário a respeito do assunto, citando conhecido Parecer do eminente Profes- sor APNOLDO WALD. Lembrou, de outra parte, o Parecer CST/SIPER n9 1.579, de 06-07-83, e da resposta fornecida pelo Banco Central ã consulta formulada pela Associação Brasileira das Empresas de Lea- sing - ABEL, ambas favoráveis ao entendimento defendido pela impug- nante. E, em conclusão, sintetizou sua linha de argumen- /- tacão, conforme segue: - SERVIÇO PUBLICO PROCESSO N9 10835-000.718/87-99 4 Acórdão n9 101-77.850 "a) não há proibição legal ou regulamentar; b) não se aplicam ao leasing as disposições do regulamento do imposto de renda que incidem so- bre a locação seguida de compra e venda, em vir tude da natureza financeira do arrendamento me-F cantil e de sua existência como contrato típico, nominado e autônomo; c) a própria Lei admite que, no caso de venda por preço inferior ao valor residual contábil,' a única sanção aplicável é a não computação do prejuízo pela empresa arrendadora, para fins de imposto de renda, não se descaracterizando a operação de arrendamento mercantil; d) somente nos casos previstos legalmente é que pode ser descaracterizado pelo Fisco ou pelas autoridades monetárias o contrato de arrendamen to mercantil, o que não ocorre no caso presente; e) ocorre uma verdadeira substituição tributá- ria, pois o que é despesa na Arrendatária cor- responde a uma receita na Arrendadora e que, se o imposto é menor naquela, conseqüentemente é maior nesta; f) há autorização legal e regulamentar à livre estipulação do valor residual garantido, razão pela qual qualquer ato que tenha por fim limi- tá-lo ou determiná-lo implica em afronta aopriri cípio constitucional da liberdade contratual consagrado no § 29 do art. 153 da Constituição Federal; g) a Lei n9 6.099/74, e as normas regulamentado ras do arrendamento mercantil, autorizam, indu- bitavelmente, a livre estipulação do valor re- sidual garantido, não apenas ao autorizar que esse assuma qualquer valor, inclusive o de mer- cado, como também ao prever o tratamento tribu- tário aplicável às sociedades arrendadoras, na hipótese em que o preço fixado para o exercício da opção de compra seja inferior ao valor contá bil do bem." Instada a se manifestar, a Fiscalização ressaltou ser improcedente a alegação de não identificação satisfatória dos preceitos legais infringidos, pois no Termo de Encerramento de Ação Fiscal e Contestação, de fls. 94/96 estão narrados os fatos em como indicadas as normas infringidas consubstanciadas no elenco de dispo sitivos citados em combinação, entre os quais o art. 10 da Resolu-- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10835-000.718/87-99 5 Acórdão n9 101-77.850 ção n9 351/75 do Banco Central do Brasil, que traduz a vedação inser_ ta no art. 14 da Lei n9 6.099/74. Este último denota claramente que o legislador procurou estabelecer uma aproximação entre o valor amor_ tizado do preço de aquisição e o prazo de vida útil do bem objeto do arrendamento mercantil. Nesse sentido, a fixação prévia de um valor residual diminuto, em contrato de arrendamento mercantil com prazo muito inferior ao de vida útil do bem, torna irrefutável a afirmati- va sobre a ocorrência de operação de compra e venda a prazo. Acrescentou, ainda, que o art. 193 do RIR/80 veda dedução como despesa o custo de aquisição de bens do ativo permanen- te, enquanto o art. 235 e §§ do mesmo Regulamento autorizam a cobran_ ça de imposto sobre as quantias deduzidas como arrendamento mercan- til,quando a aquisição de bens é feita em desacordo com a Lei n9 6.099/74. Também o art. 387, I, autoriza a inclusão no lucro real dos valores deduzidos na apuração do lucro líquido indevidamente. Asseverou, ademais, que a despeito de aspectos dou trinários a respeito da natureza do leasing, de fato a matéria se apresenta como de natureza financeira e como tal exige disciplinamen_ to por parte do Banco Central, que atenda a sua política relativa ao mercado de capitais,. Do ponto de vista fiscal, contudo, não seria justo que um contribuinte pudesse deduzir num espaço de tempo curto quase a totalidade do valor do bem objeto de contrato de arrendamen- to mercantil, através de contraprestações pagas e ante o diminuto va_ . lor residual garantido, sábendo-se que geralmente os bens têm vida útil estimado em 5 ou 10 anos. Nesse sentido observou que a Portaria M.F. n9 140/ 84, em seu item II, não permitiu que fossem computadas na determina- ção do lucro real as parcelas de antecipação do valor residual garan— tido, Daí, a razão dos cálculos, com base na Portaria M.F. n9 564/78, do valor residual atribuído para comparação com o valor residual ga- rantido. .__ Isto posto, e acentuando o entendimento prevalente na jurisprudência administrativa, a Fiscalização opinou pela manuten ção do Auto impugnado. . 7/ //), , sennoNalcoFEDERAL PROCESSO N9 10835-000.718/87-99 6 Acórdão n9 101-77.850 Em razão de incorreção no crédito tributário lan- çado, procedeu-se â retificação do Auto de Infração, dando-se ciên- cia ã contribuinte em 16-12,-87. Em 13-01-88 a empresa ratificou os termos de sua impugnação, bem como requereu juntado ao processo de oficio do Banco Central no qual se esclarece que não há qualquer ve _ dação a que o valor residual garantido venha a descaracterizar o ar _ rendamento mercantil. Novamente chamada a se pronunciar, a Fiscalização reportou-se às considerações anteriormente expendidas. A decisão de primeiro grau porta a seguinte emen- ta: "IRPJ - A fixação de valor.residual insignifi- cante ou simbólico para Contrato de Arrendamen to Mercantil com prazo de duração de tempo mui to inferior ao de vida útil do bem, transform -a- esse contrato em compra e venda a prazo, deven . do as prestações pagas e deduzidas do lucro se rem oferecidas ã tributação. Impugnação tempe -s- tiva. Lançamento procedente." Fundamentando seu decisório, o Julgador de primei_ ro grau afirmou que a atribuição de valor residual de 1% do custo dos bens, para contratos com prazo de duração de 24/36 meses, quan- do a vida útil do mesmo é de 60/120 meses, respectivamente, acarre- ta um diferencial muito grande em relação ao valor residual atribui -_ do, conforme definido pela Portaria n9 564/78, o que descaracteriza o arrendamento mercantil. Aliás, tal discrepância, por si só, reve- la que a existência de opção de compra por parte da arrendatária des de o inicio do contrato, eis que nenhuma empresa dirigida com lisu- ra, em tais circunstãncias, deixaria de manter o bem em seu poder. A fixação prévia de um valor residual diminuto para um prazo contra tual muito inferior ao de vida útil do bem, torna irrefutável eafir_ mativa sobre a ocorrência de uma operação de compra e venda a prazo. O valor residual ê sempre uma variável dependente da relação entre , =a vida útil e o valor do bem. De outro lado, o valor residual contá_ bil na arrendadora, ao final do contrato, deverá ocorresponder ao custo do bem corrigido, diminuído da depreciação acumulada, confor- me preceituado no art. 317, § 19, do RIR/80,. /9 SERVIÇONJUICOHNUL PROCESSO N9 10835-000.718/87-99 7 Acórdão n9 101-77.850 Isto posto, concluiu restar claro que as contra- prestações do arrendamento mercantil caracterizaram pagamentos de prestações na aquisição de bens a prazo, e como tal não poderiam ser contabilizadas como despesas ou custos. Assinalou por fim que compete ao Banco Central o controle e fiscalização das operações de arrendamento mercantil, en- quanto ã Secretaria da Receita Federal incumbe a fiscalização quanto a aspectos tributários. Observou também que o Parecer CST SIPR n9 1.579/83 respondeu a consulta especifica de determinado contribuinte, não alcançando outras pessoas. E lembrou o entendimento que tem pre- valecido em várias decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes. Com isto, julgou procedente a ação fiscal. Intimada da decisão em 2604-88, a contribuinte in terpOs recurso a este Colegiado, consoante peça de fls. 157/162. Ar- - gfii violação ao principio da isonomia constitucional pelo fato de ter a decisão atacada ter declarado que o entendimento expresso no - Parecer SIPR 1.579/83 somente seria aplicável ã pessoa jurídica que formulou a consulta. Igualmente sustentou ter havido falta de obser- vância ao principio da reserva legal, quando se defendeu a tese de que o valor residual ínfimo descaracterizaria o contrato de arrenda- mento mercantil. A propósito citou o art. 1.122 e 1.188 do Código Ci vil que definem, respectivamente, o contrato de compra e venda e o contrato de locação, acentuando que o arrendamento mercantil é uma terceira e nova modalidade contratual, conforme definição constante' da Lei n9 6.099/74, consolidada pela Lei n9 7.132/83. Isto posto,vol ta a insistir no entendimento que não há vedação legal de livre fixa ção do valor residual garantido, concluindo ser de direito a decreta ção da improcedência da ação fiscal. 2,- /7 É o relatório. //1-) SEMK~OFEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 08. Acórdão n9 101-77.850 VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator: O recurso foi interposto com guarda do prazo de trinta dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto n9 70.235/72, ra- zão por que e de ser conhecido. No mérito, trata-se de matéria conhecida desta Câma- ra, atinente à descaracterização de contrato de arrendamento mer- cantilpor estabelecer valor residual simbólico. Peço vênia para' me reportar a considerações que expendi em voto anterior, nos se- guintes termos: "Ao ver da Fiscalização e da decisão recorrida dois fatores teriam descaracterizado a operação de arrendamento mercantil: o pequeno valor residual (1% do valor total) e a circunstância de que nas primei- ras contraprestac6es foi pago quase a totalidade do preço devido. Já a Requerente sustenta que a variação das con traprestações: não acarretou nenhum prejuízo ao Fis- co,já que tomadas exercício a exercício distribui-- ram-se elas de forma equitativa. Por outro lado, a- duz que a lei não estabeleceu nenhuma exigência no sentido de que as contraprestações fossem uniformes' ou que o valor residual fosse fixado em valor expres . - . sivo. Para a caracterização do contrato de leasing não basta somente a forma, mas é necessário que i- gualmente em sua essência também corresponda àquele tipo de negócio jurídico. O traço distintivo do contrato de "leaàing",sem dúvida, é a possibilidade que se cria para o arrenda tãrio de dispor de equipamentos modernos e caros sem imobilização de consideráveis recursos próprios. FA- BIO KONDER COMPARATO acentua a respeito que: "Trata-se de fórmula engenhosa, que refle- te uma mentalidade essencialmente prática: ao invés de comprar o equipamento de que necessita fr com ou sem financiamento, o empresário pede a 1 uma instituição financeira especializada que o ! compre em seu lugar, segundo indicações tecni- , , /;--2 / , SERVIÇONBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 09. Acórdão n9 101-77.850 cas que ele próprio fornece e que lhe dê em se guida em locação por um prazo determinado, ao cabo do qual o empresário tem a opção de adqui rir o material locado por um preço residual, ou de devolvelo, se não preferir continuar na locação por prazo indeterminado. Faz-se, destarte, um investimento amorti- zável com o próprio lucro que ele propicia, e que permite ao empresário conservar em seu po- der os bens de equipamento unicamente durante o período em que sua rentabilidade é elevada. Eis aí o leasing, termo que vem sendo con - sagrado mesmo em lingua latina." Também o emérito professor ARNOLDO WALD,in "No -- v-D'eã Básicas de "Leasing" destaca que: — "A idéia básica de uma expansão sem neces sidade de investimento imediato e o leit-motiV de toda a propaganda das companhias de leasing quando afirmam nos seus slongans: "Equipem-se' sem investir - ReequipemSe sem imobilizar fun dos" - "Um reequipamento menos oneroso, uma eS-c_ pansão mais rápida e maiores lucros"." Desta maneira, verifica-se que o contrato de . arrendamento mercantil tem esse traço característi- co: o de possibilitar o acesso a equipamentos sem necessidade de alocação de grandes somas de recur- sos. Ora, examinanda-se o contrato controvertido neste processo vê-se logo que foge ele às caracte- rísticas do "leasing", tanto porque o pagamento do preço se deu quase integralmente logo nos primeiros meses de vigência do ajuste, como também pelo redu- zido valor residual fixado. Assim, não se pode afirmar que a operação ence tada teve como objetivo proporcionar á. empresa re- corrente a aquisição de equipamento sem oneração de volumosos recursos. Na verdade, observa-se, até por que foi expressamente declarado que o objetivo maiorT da opção pelo tipo de negócio jurídico foi o de co- lher benefícios fiscais destinados aos contratos de "leasing". A acolhida, no entanto, de tal procedi-- ., mento importaria, sem dúvida, em grave distorção da ,„ lei. De outra parte, peço vênia para me reportar a magistral voto do eminente Conselheiro SYLVIO RODRI , GUES, proferido no Acórdão n9 101-77.016, a que adj ri, e que em seu ponto fulcral assim está lavrado:- "Sob o ângulo de pagamentos mensais, cor respondido: por valores retilíneos das contra-1 ,,AL) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 10. Acórdão n9 101-77.850 prestaçóes devidas pela arrendatária, conquan- to seja certo não haver, no ordenamento jurídi- co, uma regra fechada 7e fneárno Obserstar-Se frenteã fOr mula estabelecida no item 7 da Portaria MF rj?-* 564, de 3.11.1978, uma variável curva descenden te no cálculo dos valores das prestações, sendo até possível depararem-se, no confronto fático de cada caso, situações que justifiquem uma variação lógica no valor das contribuições du- rante o prazo do contrato, em virtude das carac teristicas e do uso dos bens arrendados, capa-Z- de razoabilizar uma perda considerável no valor residual, compensada por um maior encargo no va E lor do primeiro lote de prestações, que venham cobrir o declínio das últimas, não se pode, po- rem, oferecer abrigo, legal-tributário, a anoma lias, como as da especie dos autos, em que, em mêdial, as doze primeiras prestações atingiram , faixa de 80% (oitenta por cento) do custo defi - nitivo dos bens, numa inegável contrariedade aos pressupostos do arrendamento mercantil, que se assenta na filosofia ou da falta de capital de' giro, ou da impossibilidade, ou, ainda, da conveniência de reduzl-lo de um mais bem adequa do emprego no desempenho da atividade própria. Tal desproporção descaracteriza o arrendamento mercantil, principalmente perante o inexpressi- vo valor residual, revelando-se que ele apenas tomou as vestes de formalismo contratual, como o irrecomendável uso da forma pela forma, para tão-somente servir como instrumento de economia do tributo. Trata-se de procedimento fiscal correto na aplicação das normas tributárias do art. 235, e seus parágrafos, do RIR/80 (art. 11, e §§, da Lei n9 6.099/74),porquanto os efeitos económi- cos dos fatos prevalecem sobre a forma jurídica . de que estes se revestem, contratualmente, e,na hipótese,em face do disposto nos §§ 29 e 39 do citado art. 235, o total desembolsado e,que axs- tituirá o custo do bem, não tendo cabimento a separação dos custos financeiros. Há, portanto, norma particular expressa, no sentido de consi- derar no total das contraprestações os encargos i financeiros como integrantes ao custo de aquisi- ção do bem. Imune de dúvida de que os fatos não podem ! prevalecer na forma como são indicados, quando' revelada a imagem de um fenômeno psicológico , abstrato e interno, que os controverte em seus - primórdios, pois a eficácia do direito depende' sempre da prova dos fatos que lhe servem de'bàse /712 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 11. AcOrdão n9 101-77.850 e não é apenas o uso da forma pela PrOpria for- ma, a dar vestimenta externa aos fatos, que vai assegurar aquela eficácia. Ora, se o tratamento juridico-tributário deferido às operações de arrendamento mercantil se liga ao pressuposto da impossibilidade e ou 1 inconveniência de imobilizar-se capital de giro na aquisição de bens, não desviando a arrendatá ria recursos de um mais bem apropriado emprego deles no desempenho de suas atividades, lOgica' evidentemente não hã para quem, - já". no primeiro ano de contrato, pagando 80% (oitenta por cento) do total das prestações, dependia, a toda prova, de contratar um arrendamento assim formalizado. A desproporcionalidade do desembolso das prestações iniciais evidencia com todo o -_ràle vo que a operação foi ilusoriamente formalizadE em arrendamento mercantil para, por um lado, au ferir o benefício fiscal da dedução de um volu- me grande de dispêndios, como despesas operacio i nais e não como aquisição de bens, como de fato e, e para, por outro lado, evitar os efeitos,de ¡ correntes do credito da correção monetária inci dente sobre a aquisição da propriedade de bens que se classificam no ativo permanente do balan ço patrimonial. Tal desproporcionalidade, além' ! de controverter a filosofia da impossibilidade' de dispor de capital de giro ou da inconveniên - cia de não lhe dar aproveitamento integral dos recursos nos objetivos específicos das ativida- des exploradas, constitui inegável subversão aos princípios contábeis e fiscais que regulam' a apuração do resultado do exercício." E continua adiante: "As circunstância relevantes como ate aqui se têm examinado, de modo abrangente, o aspecto objetivo do "leasing", embora ate mesmo indepen dam da natureza jurídica do contrato, ajudam a analisar cada operação na medida em que a carac terística mercantil do negdicio contratado pro- penda a desmascarar uma compra e venda a presta I ção, procurando-se impressionar o contrato com as aparências de um arrendamento mercantil em consonância com a lei, como se direito fosse a mesma coisa que formalismo contratual. Isto se torna irrefutável, sobretudo em razão dá promes sa sinalagmática de venda ocorrente desde o inl cio do contrato, deixando a transferência do do micilio sobre o bem condicionada ao exercício T da opção de compra por parte do arrendatário.Em ser assim entendida, a operação se despega do /11), SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 12. Acórdão n9 101-77.850 jogo do seu esconderelo, se ao sair do estabele cimento da empresa de "leasing" o bem se desti":" na ao comercio, em virtude da venda contratada, com preço e momento certo de, sob condição po- testativa, exercer o "arrendatário" (entre as- pas) a opção de compra por valor residual infi- mo. Dúvida não há de que, se isso assim ocorre, por detrás do negócio mercantil se está., em rea_ lidade, encobrindo, só e tão-só, uma operação de financiamento de compra a prazo, e não se realizando uma locação de coisa ou bem. O neces sário e, portanto, não se levantar o véu da °pie- ração que, desde o seu inicio, oculta uma com- pra e venda revelada em estabelecer-se um preço residual vil. Sob o mirante do valor residual, FABIO KON - DER COMPARATO comenta que a existência de uma promessa unilateral de venda por valor residual previamente fixado, desde o inicio do contrato, ao lado da relação locaticio de coisa, torna ir retorqUivel a descaracterização do "leasing" Prã- 1 ra mera locação ou venda a credito (Enciclopé- diaSaraiva, vol. 19, Pág. 390). Ademais, não e porque o contrato tome as t roupagens de "leasing", e só por isso, que a du pia destinação ("reating" ou "leasing" operaciS nal) deixa de caracterizar, como coisa vendida, os bens negociados sob a forma disfarçada de ar rendamento mercantil. É sobretudo a natureza da bem a par de sua destinação ou utilização que se define o caráter da operação, pois, em rela- ção a esta, há de se ter em vista a comutativi- dade peculiar em descaracterizar-lhe a feição de "leasing", contemplado pela Lei n9 6.099/74, a insignificãncia de um valor residual baixo. Não se olvide que nem só nos grandes prin- cípios o sistema jurídico-legislativo, regula-- dor do arrendamento mercantil, encontra firmeza em seus preceitos normativos, pois também prin- cípios menores o infra-estruturam. E tanto mais consistente se torna o sistema, quanto mais a firmeza do principio menor ostenta a segurança dos princípios maiores. Se assim não fosse, di- fícil não seria fazer o artificialismo da opera ção prevalecer sobre a essência da matéria. Seria ingenuidade admitir-se que, em face das disposiçOes do art. 59 da Lei n9 6.099/74,0 arrendatário iria restituir o bem ou renovar o 1 contrato, e não exercer a opção de compra, fren h te à pequenez de um valor residual a ser despeii dido. É de notar-se que o valor residual é pe- /74‘ ^ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 13. Acórdão n9 101-77.850 queno e grande o contrato de "leasing" pelo vo- lume das contraprestações pagas, no prazo de sua vigência, porque correspondidas por um to- tal muito superior ao custo de aquisição do bem 1 e, contudo, toda a grandeza do formalismo em que se firmou o instrumento contratual está-lhe impedindo de tornar a operação na modalidade de "leasing", sujeito ao tratamento tributário di- ferenciado, pela pequenez do resto a pagar como preço pela opção de compra. Ninguém, após des- pender uma enormidade soma de dinheiro, teria tal despreendimento a ponto de deixar escapar a oportunidade de adquirir a propriedade do bem, faltando tãd pouco para inteirar-se o preço de' compra, a menos que ele se contemple em estado de interdição. Lembrança de uma luta entre o gigante (as contraprestações) e o anão (o valor residual). E mesmo que, frente ao diminuto va- lor residual, reduzidíssimo, se venha alegar que o bem não foi vendido ao arrendatário, mas a um terceiro, como pode acontecer, é porque, ás o- cultas, outro negócio se fez entre o arrendatá- rio e o terceiro, como conseqüência lógica. A fixação de um valor residual mínimo é u- ma evidencia a caracterizar uma compra e venda. Nem se argumente com o principio da autonomia da vontade, para se dizer que nada obsta em a arrendatária renunciar ao seu direito de opção de compra e vai renovar o contrato ou devolver' o bem à sociedade de "leasing". Acontece, porém, que a opção só se exercerá por ocasião do térmi no do contrato, mas a contratação prévia do va- lor residual mínimo, insignificante, simbólico, ! por exemplo, igual a 1% (um por cento), ou a Cr$ 1 (ilm cruzeiro), revela que a opção de com- pra foi feita no inicio do contrato, o que, nos termos do art. 10, e seu parágrafo único, da Re solução BCB n9 351, de 17.11.1975, deixa carac- terizada uma operação de compra e venda e não de arrendamento mercantil. Por outro lado, há de considerar-se o fato econômico que o valor residual inexpressivo faz sobressair com o retorno de capital, quando o contrato de "leasing" estabelece prazo inferior ao de vida útil do bem, objeto da operação. 1 , Para mais bem compreender-se o problema,ve i ja-se que, nos contratos de arrendamento a fls. i 34/41, com prazos de vigência por 2 (dois) anos, ¡' se fixou, como preço para a opção de compra, o '.. valor residual de apenas 1% (um por cento) do valor original do bem, ou Cr$ 1,00 (um cruzeiro), conforme sese indica no quadro do valor residual -2 A # , r i, , SEVIÇONBLICOHNUL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 14. Acórdão n9 101-77.850 previsto. Tendo o equipamento, constante dos do cumentos anexos como objeto da operação, vid-â- útil por 5 (cinco) anos, o sistema provoca, an- te a inexpressividade da bagatela do resíduo, u ¡¡ ma superdepreciação do bem. O retorno de capi- tal se dá em dois anos, enquanto que se ele fos se recuperado através da formação de quotas de depreciação teria de vencer o prazo de cinco a- nos,isto sem contar os efeitos da insuficiência feita ao crédito da conta de correção monetária, por se ter deixado registrado o bem em contadas sificada no ativo permanente no balanço patrimO - - nial. Na forma como se encontra estabelecido no ¡ contrato, o valor de 1% do custo original do bem, ou Cr$ 1,00 (um cruzeiro) por si só, repre senta valor simbólico, ou valor de memória, ou qualquer outra coisa, mas valor residual, efeti vo ou contábil, de fato, não é. A ex pressão mo= ¡ netãria falta representatividade para o valor que o bem ainda deverá possuir, ao final da du- ração do contrato. O valor residual inferior ao valor de mer- cado não descaracterizaria, isoladamente, o con trato de "leasing", mas na hipótese dos autos, se fixou valor residual simbólico, em virtude de ter o contrato de arrendamento duração por tempo muito inferior ao de vida útil do bem, ob- jeto da operação. Na hipótese de arrendamento de bens, que tenham prazo estimado de vida útil em certo nú- mero de anos, se o contrato de arrendamento ti- ¡ ver o mesmo prazo de duração dos bens, poder-se á estipular um valor residual inexpressivo, is- to porque o custo de aquisição, na arrendadora, . estará normalmente, todo depreciado, com o va lor contábil igual a zero, portanto. Não há, 130 rem, na hipótese dos autos, diferença alguma en tre o arrendamento, como foi contratado, e uma operação comum, reconhecida como financiamento' com correção monetária prefixada. O aumento de beneficiar-se o fisco com du- pla incidência tributário do imposto de renda por declarar-se que se o valor constitui recei- ta para a empresa arrendadora, importa em despe sa para outra, ou seja, na arrendatária que su- ! portou o encargo das contraprestações, é um dito que pode impressionar ao raciocínio desavi ! sado, mas não implica no relevo que a defesa T ¡"" pretende emprestar-lhe. A dupla incidência tributária, a bitributa_ tfr) 1 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 15. Acordo n? 101-77.850 ção, somente ocorreria se os efeitos da cobran- ça do imposto incidissem sobre o patrimônio da mesma empresa. Os fatos econômicos são distin- tos e autônomas, as empresas. Numa das empresas glosou-se a dedução pelo disfarce da despesa, mas tal fato não resulta em desconsiderar-se a receita que a outra empresa obteve. A glosa de despesas, que provocam exacerbações às disposi- ções legais e por isso tenham os seus valores' submetidos ao gravame dartributo, não enreda a idéia de dupla incidência do imposto de renda, pelo fato de constituirem esses valores recei- ta de outra empresa. Entendendo a defesa por incabível a presente exigência sob - o argumento de que as importias lançadas como despesa na arrendatária, consti- tuíram receita na empresa arrendadora e, sob es sa &Lica argüir que a glosa da despesa implica- ria em dupla incidência tributária, cabe dizer: - em primeiro lugar, que a dupla incidênw cia tributária no sentido de se ter a mesma verba submetida duas vezes à tribu tação, somente pode ser assim consideral da, independentemente) de qualquer norma legal T estabelecer re gras expressas, se o ônus do tributo for suportado pela mesma pes- soa jurídica, o que não é o caso; - em segundo lugar, que a legislação fis- cal se alheia a esses fatos, por motivo' de ser inviável determinar em que montan te exato uma verba desembolsada por uma pessoa jurídica sofrerá incidência do tributo da mesma natureza em outra pes- soajurídica, pois nesta aquela verba pp - de ser aplicada na produção de bens, cu- ja receita não seja tributável, ou até sujeitar-se a outras causas ou circuns- tâncias sobre a qual não redunda tributo algum; - em terceiro lugar; que le gislação de re- gência do imposto de renda somente ex- clui a incidência tributária sobre os lu cros apurados e regularmente distribuí-1 dos entre pessoas jurídicas, nos casos em cp.:1e exnressamente indica, e esta não é a espécie dos autos." Não há portanto, como se falar em dupla incidência tributária, ou seja, em bitributação desses fatos situados em patrimônios e persona- lidades jurídicas que se distinguem." SERVIÇO PUBLICO FEDERAI. PROCESSO N9 10.835-000.718/87-99 16 Acôrdão n9 101-77.850 , Alem das razões expendidas, acentuo que não vislum- bro qualquer violação do nrinclipio constitucional da isonomia. Note- se que a garantia constitucional dirige-se contra o legislador, Ve-- dando- I he es Labeleeer (lis Unções en tte iguais. Di Feren Lenten te , po-- r6m, ocorre em relação aos que são i.nves tidos de compe tinc ia j uris- di cional , a t6. porque , se .-1:3 E; i m não fosse , uma vez j ulyada de termina !__. da ação em certo sentido todas as demais que tratassem de ma teria idêntica haveriam de Ler o mesmo desfecho , Desta forma , não se aorosonta do mot !.VOSOs q lio rossam abalar convicção an Lario rmen te f i. r. aliada , meu voto 6 no sent. L do do nu ._ . gar provimento ao recurso.__,e-- 4,7 -n er___ - ,---- - -- -- ,----- - r,„ e, 7 - ED U.:)0 R.4Lla - DE Abel:MN - RELATOR .( .--- --- - ..„, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001652/2002-16
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração social - PIS
Ano-Calendário: 1997
Ementa: PIS. DECADÊNCIA.O prazo decadencial para a Fazenda Nacional
constituir o crédito pertinente à contruibuição para o programa de integração
social - PIS é de 5 anos, como definido no art. 150 § 4° do CTN Prazo não
transcorrido.
SEMSTRALIDADE. A base de cálculo da Contruibuição ao PIS, eleita pela
Lei Complementar n°7/70. art. 6° parágrafo unico (A contrubuição de julho será
calculada com base no faturamento de janeiro. a de agosto com base no faturamento
de fevereiro e assim sucessivamente), é o faturamento verificado no 6° mês anterior
ao da incidência o qual permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n°
1.212/95, a partir de então, o faturamento do mês anterior passou a ser considerado
para sua apuração.
ICMS BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria
contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, conforme súmula 94 do
Superior Tribunal de Justiça.
JUROS DE MORA - SELIC. Não pago o tributo na data de seu vencimento,
seja qual for a causa, devem ser cobrados os juros de mora, sendo legítima a combrança
desses com base na taxa SELIC.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3302-000.637
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Programa de Integração social - PIS Ano-Calendário: 1997 Ementa: PIS. DECADÊNCIA.O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contruibuição para o programa de integração social - PIS é de 5 anos, como definido no art. 150 § 4° do CTN Prazo não transcorrido. SEMSTRALIDADE. A base de cálculo da Contruibuição ao PIS, eleita pela Lei Complementar n°7/70. art. 6° parágrafo unico (A contrubuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro. a de agosto com base no faturamento de fevereiro e assim sucessivamente), é o faturamento verificado no 6° mês anterior ao da incidência o qual permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n° 1.212/95, a partir de então, o faturamento do mês anterior passou a ser considerado para sua apuração. ICMS BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, conforme súmula 94 do Superior Tribunal de Justiça. JUROS DE MORA - SELIC. Não pago o tributo na data de seu vencimento, seja qual for a causa, devem ser cobrados os juros de mora, sendo legítima a combrança desses com base na taxa SELIC. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13899.001652/2002-16
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 5028740
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-000.637
nome_arquivo_s : 330200637_13899001652200216_202010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 13899001652200216_5028740.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
id : 4753332
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430061867008
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-07-04T15:41:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 11; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-07-04T15:41:24Z; Last-Modified: 2011-07-04T15:41:24Z; dcterms:modified: 2011-07-04T15:41:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:25d8b3e3-39ff-4064-aef7-15919c7dd125; Last-Save-Date: 2011-07-04T15:41:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-07-04T15:41:24Z; meta:save-date: 2011-07-04T15:41:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-07-04T15:41:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-07-04T15:41:24Z; created: 2011-07-04T15:41:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-07-04T15:41:24Z; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-07-04T15:41:24Z | Conteúdo => 2 ,M MENIS1 iR10 A FAZVIND.A. CONSEI MO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS l'ERCEIRA SK AO DE .1(11,ClANINNI 0 Processo n" 13N9 0016520009-16 Recurs() n" 9 35.313 Volunt(a to Acórdiio ii 1302-00.637 — 3" Camara / 2" Turma Ordinária Sessáo de 01 de outubro do 2010 Matéria PIS Recorrente 1 -1IDRAX S/A Recorrida PAZENDA NACIONAL Assunto: (....ontribuiyao pai a o Programa de inlogra010 Soeial - PIS Aim-Cali:n(1(n io: 1997 Ementa: PIS, DFC:ADINCJA. O prazo decadencial para o Fazendo Nacional misfit Mr o tied-in) pertinente i contribuicrio para o progi Nina de inte:_■,iaclio social — PIS 6 de 5 anos, como definido LiO ail. 150. 4" do CTN Prazo Ira() banseorrido SEN4LS - 1RAIADADF. A base de ealculo da Contribuieáo ao PIS, eleita pela 1,ei Complemental. i 7/70, art. 6" parTigraro rink() contribuiçno do julho sera calculada coin base no lot LII umento de janeiro, a de agosto coin base no iiiturturft.-nto de l'evel ono, e assim sucessivamente), 1 o faturamento vet i licado no 6" in6s antei tol no da incid3ncia O qual permaneceu incolume e em pleno vigoi t1éii odicao da Nit> n" 1.212/95, quando, a partir de eniao, o fituranionto ia:s ant et i.(o. ser considerado para SIlOapuravao. 1CiVIS CALCULO. O valor do ICMS devido pela própria eonnibeinto integra a base de calcitic) da COITINS, conforme súninla 04 do Supci Tribunal de itiska, JUROS DF MORA - SEL1C. Nib pago tributo 11:1 data LIO SCII VOIll:11110[1i0, sept qual liir a eausa, devem n ser cobrados os juros de mora, sendo legitima eobranya desses Coin base na taxa SPA ,1C, le.crirso \lolLintario Parcialmente Piovido. V istos, FelatadOS e diSCOtidOS OS 1)1:*k'llte$ autos Acordam tis inembros do Colegiado, por unanimidade de votos, cm dar oviiirento parcial ao recut so, nos ternios do voto do Relator.. Walbicr .loSe: da SI 9 - Presidente l /..---/;• Ctilen , 'Clut.- •ao ¡km elo - Relator EDITADo I 111: 15/10/2010 Pao icipat am do presente julgamento os ( nseiheiros Walher Jose da Silva (Pt esidcnle), lose Antonio Franeisco, Fabiola Cassiano Ketatuidas, Alan Fialho Gandua, .A.lexandf c ("tomes (itnjii0 Barrel() (Relator) Relatório Adota-se o re-L.466o do acerdflo DR.1/CPS n'" 12490 dc 14 do not ço do 2006: (riEi o pw/L'iire! 10C /() 110 /IWO 1111 1111)(10-10 1 ('Ill/I I" cl CInn iln7)0'in papa o 1 'i oy._!,7 ama fie In r(..,1;i ovr:io acial PIS, 101'10710 011 1 47,i05/20112 .1S), fin Ina lif;a11110 i dita iindeirio no valor /owl de RS 18 741, 13, 1 1 1/1 07'1 1 !de dc IKIa conjii mo“-lo CIO pi 0Cc'SV11 111111Cia 1 indiCarla ral a ‹ell17(271\c".:(0 cla dcV)tios dcelarados para julho, ergoqo c .sciewbr 0/97 2 Impu,viando 11 exigc'ncia, foi apt oscaladri, em 0870212002, a paço dcfi- v ,, (10 ftc 01, ocompanliada do‘; documculos 02/5 .1, cow alc,1,770 0 / redo,' c. (piestionado 10tdm compensadoS judicial 95 004 2323-5 .5 :1 Inielade' (pm -adorer ., jumand( o Parceer 1.)RIYI;SR/Sac at. n" 167, de 30/11/2001 conelaiti pela ineYisl,;ncia ,aldos ii fin'op eomi 56/ol a ancvo. (lc? IR 67» 75 , den andainenlo d r.olvailol crcicido li ihmei; (11. .18.17.183) Inconfivmachi, corm 11 , 111111a, poi into me'llo \c'lls csenion Poli.Y'io (IC Its 151/2 2 0, aCoinprinhaeh7 (I(1 floe flown 1)‘ do j/s. 221/371 c 372/127, cm Aintcyo, (pro •1 I a C ()Ivan( a jimdamenta-.O cm /11/71)561.. &Pei onquiadaN, fordo an viqa adoçzio pelo "wmc'sli alidadc (for!, winac.,:(-I0 (la ba ■ t.. dc c:denlo do PIS, =I 2 emlu» a a impu,,,;naMe ienha em sett 11171/CiniS ii ansira,lav c /il julg•ehlo c1711! 1/10 01017170(17 (WI 1[0 1 04' 011701 0 e. ow. 1 ,0 ■ 0 1fU /i/í ameMo do scvlo antc.fioi 5 0,..01) ,MC 1*(7 jut,) ador, e:o1;70 estalieleec 1,1..! 7/70, enIcnie a autof Nadi' roc a ce mioT0 Ier ia sh10 ecollifda Clii 1w1oFes inlei :rare. rirptcic ,, PainCitic flcvidr) ■ , z't 1 170ridad(2 deseonhocendo o fido dc elm1 as nei71:4(A-1.,'iN 2 e 2 449/88 alii.ta(lo s pin dec. "MR.; pm 10.•' jd Pansiladas obtida pela e por deetso SIP "e1 gel (mines", pop 101-(1/ da ill 5/1/1/ cio S'e r)ado 497/95, cla00; all plaid lhas Ifesum.idu ando mi 5 se.Tcs, p0 wci tc arlitelaç inclividuahirenic olvidas tine i ceonllecei aW CI in( on.illneionalidade evig(lnc la do IUS eon' 11a ,,e no ■ 1017H1 id( D0z7C1(ri-tais, bent como o di( ci to (IL, ((II 51(1(1/ ar corm) hr ,;(' da cri 14:. !la i/o 51,1 7) finnan/IC:Ina ;la W.1.711 1115 5 1111117101 ( (('(111/1(7/1(1K j070 gc:Fridm , 2 l'roc::-.011'' 399 001652/2002-1h S3-('31 2 Al. OS Ell/ SI 1302-00.637 1'1 499 -I 4 o c ohe t111y1 tf4u1t1 COW() &NC if 1111:1110 ii ItIMI 01110110 111(:; i,iIl1 it.11(111:Ci 1 ÍC 0111C1101 )(:01 eldtE (lo1 como cvi ■ io nos 1..)act (Clos-Lcis econhccidos como inc0twiluciona18) ecomo altiptctia o pe7ecta Hal da ptoristo na IA.: 7170, 4 5 cm case) icLInic..o, fin 1 0rtnahzada taditao -to coil; a el cqnpi e.set 11 l 0i'Oilsolic autos do illandado SQ!arança 95 0042323-5 e na c0, --Cio ai chtica lei 95 0012260- 0, coin a Incsmo ptnclatnciacwao (IC ele coin tcrisao-to cni tacic ittencia detcrattaavao (.10 .sistoncillea scancstralidadc nu 00(inh'10 1.1(1.11.‘170(11/2 0111 1i 1 /8at10. 101-1,11) C) C011, ■ 011/0 de' Colli I 1 NW ilitl.gclol() Ot11111.100t)• C 11 11. 1t /1112r ic6) dao " 03-08 4 6 Os Path s y, adores c/o pc] loch» 07/97, 06/97 c 09/97 ,tio fin am ol?, , cto de lunownc1110 e, NOTI/C/i/e C'OM ecebintento hi cat la cui.q .anc,.t c'tct 17/03/2005, ionton cl intereswela conhec imen das. suposias tplando jc 't csturam decal/ui 4)\ et- C:ditos h thatch ios li 1.001. e6i 011. 150. § 4 ', do 4.7 Na sob o I hIllt) dv "Q/i-!11.10, ti C0h0 .1111;(1(10 ", t.'XIC!11 ,:(11)10ii tC (kV) C11 tl'o‘i piAlidOs 1 1 1111t1(101 no Alandodo de Se8io aocn:'d !.1.,5 (10.12323-5 c nu Actio Declaralc 'q /a 9 5 0012260-0 a sob; e I a 1 co lice del (Vhui g(i(111, 11( .1(1 . 11C1Cil(10 (»IC Juiz 111111a a 1grninet eliscordcincia quaint.) c 't ("mac" ticr rc:qtcct ihtectIct Lot -Wattle lo pedido ict jttivdo clo-to pat atalmunic 1irocedc 1110, id() C'NJACC`)`,(//7/Cilie cntenchntento Cu tat cptestace . (life nao (worry!'" (1. (111 ,, e)yeia de fatithancalo 10 if (pa jhstijiytte 1 Cf jiei lo I'dotaclo tich plamlhas. elabot ¡who, 1)....4o cadc.o 'lade c'10,.._5et ., "0 (CU. arifitriO, <:(Hitc) 1 ,(!q! (:ti let 1[0 Jo PIS 0 it. 1i111A1111011I0 dO 111i ; \ M110110) 01) da ocorrCncla fitlo , salvo se se consider ar a hipíttese du aplicayao ET I? 0.41 1. 17/1 dei MP 1 212195 " 4 9 \obtc a 13a ■ c do Calculo do PIS, citglittwntanclo epic. da o urdo coin 01 Lei compkiiic law 1.(2 7/70, cwt . ' esponde ao 10110 amcnio dv scx1.1 111c:'!, OHIO 101 111C„til\l lad() ".110 ,,i 111'0 tit!107 Milli/nth) f'1 }nu 001 i iii0i1C1. 1i3 W. C quo. /0/ill moclificat led di.sposicifio„ reicalada a Aledido Provis,;rio 7 212/95 Cila cYcci foi odministi alivas acerca da cptcstito 4 10. elkgaill/t) 101 t1 1111,1)11.f.;11,111h: 1,11;a1 <id ( ;101 )0 S /I 77.11,1 t0 Plgi1101110S, í'I (11k11 S dchontinao-to wcial altetttela pal a fidt S poqcrioHlicn10, NCLf lip() S1)01acii 1111.C1 (A) 1)000 (fio) (Iii de: 1'0)1)01P“.115171i1C111C1 /MO, (II 1C1100 adotou a cicnoonttac - iio ftdrax. Lida , ihvoca u art 1.12 0 '6 (1.11N, mflidadt? Chl (rOI) )411AV cptcsliona a altpctsiçiio dc ontlia 16p0c0 clue willalu "11 1011a -- kesponsal-tilidade I ihniarta ,'11cesscio F4 .1 IN 'dent( feao-ic). pass! " 4 11. 1)iscorao (10 apItc:cryio de . 1111(6- CilIC-11101105, 00111 1111 (C/ V// 1 (TV/ 1011;11)-%6! et (lcc.istio 577 Atravi:s JI I ac(.`ndao IC' 12.490, datado do I-1/03/2000, a I ltiiiiia da DRJ de Campinas (S1') decidiu, unimimidade de votos pot lojcitar de decadnoiii e paucialmonte ptocedente a exi:_,É'mcia, de tiorma a atits-tar apewas multa dc Oleic) Considei on que, aposat do aviso do recobimento da Li titua0o constai nos autos, o sistema intimnatizado da .1- 0e0ita Federal. indieou LI ciaeia do lanyamento a data de 01/07/2002 01 onda icssalvando a unidadc o cpat ad( oat ac..er ca (la lempc!slividale da imputipaçi-to, o que resultort na desconsidernOo da at :2.1'160o de deeadimcia foimulada peia contiihuilite Quanio tor mérilo, considciou que apesto de possuit o direito no calculi) do PIS devido através dos preceitos da (-..ounplementar II' 117/70, irada consta no disposiiivo da sent ença all ibuida t counibuinte acerca da semestralidadc, o quo resultrnia na ano considera00 deste iwlituto nos caleulos realizados pela autoridade liscal, net escido ao rato da eonnibuinte (let-tr.:onside -tat o [CMS devido da base de ctilettlo do PIS, o que iesulLou oni tuna base de ealeulo menor :Armada pela contribnintc que o determinado no texto legal Ao valor do et. -&dito principal apurado fottan ack- seidos juros de mota, ajotrados coin base na Taxa SF] IC, poi - se trart:i de II i bolo redo mil. conrotme. leaislaçio em vigor desde o tour de I 997. A inlet essada ((mom eiancia da deciso em comento cm 29/03A)0, caiu in me aviso de recebimento ii 11. 440, e, inconformada, apimentou tectu so voluottit in em 20/04 100, de fls 440/40 . PAll In eve sintese, ulegou preliminarmente a requerente a dectolçnein do direito de cobrat o ci éd I to tributat in poi - parte do Fisco, ulna vez que os rates gerudo -te.s dos periodos de 1)7/97,00/97 e 09/97 ntio fro am objeto de Luton - lento e, somente com o recebimento da calla cobrança eta I 7/03/2005, tomou a inlet essada conhecimento das supostas inrraciles, quando ja estavam dectddos os créditos tributtli ins a !coy do nit 1 5 0, § 4L do CTN, Os argumentos truer moi ncnte otilizados, de tOrma a contestar a niio adoçl'io da scruestralidade nos caleulos elaborados pela autoridade cool! am i atido coisa . julgada ern favor da requerente, bent emito ci aplits..actio da Taxa SI)LIC corn() base pain os jut os de moo, considerada ilegal com base Lan jurisprudçncia do ST.I. Ao 1).nal de saa peça, pleiteou pelo integral cancelamento da cobrança, tendo ern vista sua absoluta ilegitimidade. relatio io. Gilent) GUI . i;10 Bat I rito. Relator -teem so ç tempest - iv() C atende mis condiçC)es dc admissibilidade, motivo pelo qual dele conheça A queslito centi al da lide em comcoto tiala da base de cfilculo para o PIS, sob 4t,ide da Lei Complementar 07/70, garnnlida it contribuinle avés tie docisiio judicial ti atentada em julgado, principalmente no que diz respeito ii aplicaçao dmi semestialidadc, rani dos jrnos de mot a com base na Taxa SFr :1-c e a (tconsidcla0o do [CMS a recolher pot par to da contribuinte du base dc ct'llculo do PIS no período em destaque I — Da Decadêucia Process() n" (39 00 1652/2.002- 16 ti LC112 Ac6i (Mc) n 3302-011.637 Preliminarmente, a icquctente alegou que os latos neradoi es dos períodos de 07 197, 08/97 o 09/97 n'ao Foi aili ()Vick) tie lanyamento e, somente coin O recebimento da calla cobrança em 17/03/2005, tomou ii inleiessackt conhecimento das supostas infrações, quando estavaut decaidos os erCAitos ttibutarios a teor do art. :150, § 4' do ('TN De tato coneoi do com o prazo decadencial de cinco anos coin base no Utt. 15(1, 4' do CTN, porem, tratou-se o Rato de auto de nth açao eletrômeo , datado de junto de 2002, logo, nessa data, ainda houvel ii lecaido o diteito da iiizendu pública lançai o tributo Sendo assint, tojeito a preliminar arguida pela requerente e pass() debater as questões envolvendo t m&ito da lido. 1I — Da SeniesIralidade A principal klivergncia nos valores apurados pela coati ibninte e a liscalizacao se da pela ifto cow,ideroça) da semestral idade no calculo do PIS devido sob a egide da Lei Complementar 07/70, efet wind() o calculi) PIS devido eon) base no rudS iiitCiJor ao do l'ato12,crado, , 'tat adoçao pot pai te da ilscalizaçao, no meu entendimento, contraria deeisïio judicial transitada em julgado que dai ia direito ao contribuinte de apurar o PIS devido no pet iodo ein comento de acordo com a Lei Complemenlat 07/70. Desta I-bona temos 0 all 6" do Lei Complemental . 07/70: 1: 0 - elos (le p(i ■ ii us no Emily cot e.■ponclmi ei col t i rio ciCt (1 ilea 0 do a 3" .scra jo oce:Nvidu hiails(11112ffitC p,7 c lo 1" de »010 de J17/ Pell'e .i('i Cif() MU( o - i COi/Iiibtin»Jo (1C fa calculadei coin basc 110 fillItiilliICH10 ja nee ro, cl de: g0 ■ 10, coin ham.' ric.! fk..:TC/ cain, a (t“Lin 1'S IitclIllt.'fl/C Neste sentido, previu I Legislador ordinatio que a base de calealo para pagamento do NS mensal dove] ia sei o ¡sin 0, ao total de Catui as emitidas pela empresa no 0" tn6s anterior ao ides do lato gerador. C:abe aerescentar aqui o entendimento esboçado no Pat ecer Normativo CS1 ¡if' 44/80, onde Issevetou ii entao denominada Secretaria do Receita lederal que: '' 31 • • Como 1 cvsictIclo (U . mach) no uiijitoni (ION im cc/N.? oilj! - i; ¡pc no ciao (L,. j.71, pi linairo (MO tic ícc i1111i111011() du 1 ,1S, co vitqn sujoioN 47 0 PIS — //4 n11?;11111.» .10 c OPRA.cIrcitli a um - cs i 011ii prIlio Jr 197 1 , end() poi 1)0.1 e (1‘: talc Lilo o fa Ova mew() tie janch o etc f,)7/ Portonto, espancadas quaisquer dirvidas quanto caracteristica da denominada semestral idade, que indica Como base de caleulo pai a o itt&s cm questao o taturamento do sexto inds anterior, nao se ti.itando esta, portanto, de inera "extensi'io de pi azo para o recolhimento das contribuições", conlbrme delendeu lom4evamente a autoridade fiscal. - Completa e corrobom corn csie entendimenlo U jurisi»udii'ocia consülidada (10 61! , Uo julgador achninisltali \To do Minislilio da Fazenda, q Ile Se posiciona no soul ido de clue: p Is/ /1511/7,N7z.) /)/z, /0 SE Al LS.1 I? 4.111)/ff.)17, base cfak ao cicita pela Let C'omplemcnirn• 7/70, at 6', pat tigt Il/C tinico 61 cola; thrice-a.? jullto alc.:111.ada com Lace lie finurantenio del:metro, 0 l'1;: OgiiqO con/ ba tu fitntrontninc? fevercipo, (NsItil CS\10111OCJVC), .1:1111. ennenio ve.,, ificadt) no 6' anterior ao JO ineickneta o quill ?et natueccu incídttine C CHI pleliO 1:1p,r)I• /170 0(1100 (1(1 A1P I .212/95, (plando, a par tit de clinio, o IWO rune; paNsott a e-.T cott6lerado p,tra .1771 .1 aput acrio 0 inde. 1(11 intent() pedi(h , compençar;rio rundou-se d‘...cons. idet açc'io svnic sintli(lade PIS evi.s70 na rí Ciuni>kaueu u" 7/70, nn nando-o insubsistetne Becurso provide". (Recut .so u" .121 720, 1 Crimea Cl r.lo Sundo Corm:11w de Cot»; ihnittle, Rclamt ..Ittiunie; A len io /IL en Pinto, d, sessito 07/11,2002) Nesse conti.;:xto, Conellio de C'orlii ibnintes er;icleuciott quo ci seu craondimento amplanicaneiliajot io no sew ido dc quo n lqnslatlor, no ail 6' da Lei C:omplementar 7/71), hit-k-.oti deft nit a base de ezilailo, ou ,;eja, o rannamenLo clo 0" aR[elit,i ao do laic.) 1 .2er Idol e ri.io natal do pi azo de tecolhimenfo A Lfindo de cschtecirocnto, apenas quando da edi9llcc dci Tvledida Pto ,,L ,46ria n" I 212/05 1)asc de (7414111H di) PIS fui rnoclificac, pass,ancio a set o :Cann:IF/lento do -ntN. Destak:o nesto sentido 1 , do tSeC uuido Conselho de Conn ihn les, o qua! (11.:1)t-le (pie: "Stimula n" ii - ii 1)0.5c (1c crileu 10 (10 .1 -'1,S', cvi ■ la u0 jf r 1,01 (;omplc.Inen Ira ;I" 7, (le 970, 1 < faun (mono I/O wyto 11i,s ante/ (Cl sent ,oitc(‘ - c io inonch"ola " Finalmente, o pi 6pi io Egp3gio Superiol Tribunal Justiça corrobora corn (al entendimento, pacificado nas 1' c2" Turmas da I" SeOn de on en° Pithlico Neste son' ido: RP, (74.1.RSO EC lit I, .I\T" 322.235 - 16' (2001/005/ 447-2) '''PRI1111141;10 PIS 1.-.I/ISL. DE, C,11,C (ILO SI..311TR,11,11)..11)E LC N ." 07/70 CORR EC .40 11,10N1:1',4 0 INCID 1 -..:Ak -11 • LEI 7 69//\',\' (Y)A11)ENS, I (•,'"10 CO]! CONNS 111POSIW811,1.1), f/)// /f/; (''(////Q 1'4.A . C21 t11174V Pk; PR01700 ;I 1" TO; (1CSIO COT le, »Or In Cio cl,, helm sic 1:Sik:('1C11 it" 2.11) 938/WS. cuso (lc()) ( 1(rio foi publicado no 111(1 (1, 10. 106/2000, tocottlioc,ii f:///e , \oh () 1.-0 7/70, o faliu t ank:ttio rio scyl.r) owe; for an, (Mill e/(1 firiti ,(;et (torpi- d() P1.5 con.tin II a bas,' de ceilculo 3 opo-io do lc.',<.;iladot 1/aio ci ba.se do ccilculo art /'N come vei/do ntloi fit /1(1 miwino 11(1/I 7,/i) OH sOX1O efiliC1101' t70 del oCo!'i c ."11C1.0 dE kit'? ,L;CI odor C: ojr,ve,go pi ,;(1. coin db,oha f t IcII 0 Cailiil1q11i1W. C.SpCC1ill MC/tic', (WI re,(;!Itne in! lacionitt ii I" deste Svc; iot 1 I banal de Insilco, ern del dc 20/05/01, concluiu o ittlfanton() do REsp it" 114 70S/RS, tici /claim ut da Alinisu EI Eltana C6' 1111141 (\c‘'.2. 11k1I) Os' liES1)S 248 S03/SC e 25S 651 /NC), lit titamlo pavicioaamailo (Iell) reconhecintemo da eat aelet ivaca semcsirolidade dc cc/tic/110 (la c.onn paw o In a incnljnciit de CO C (I71) mom (Rol . Alin. .losc; Dc11(j,culo, DJ de 02.0S 2(1(1/) b a Sup! ema Cot to o corlobot a: ''RE(....1.1.RSO I!" X7 -R, , f()RD 1/10 1'1S I RIE,- COLLILAIRNTO nI COMM IBLIC,I0 1'; I A' O PROGR,1111.4 1)1; I1V77i0'RAC,40 SOCIAL - PIS — INS117 -111.1)0 1 )1±.1,1 1.1 COA1P1.I:,A1EN OR Ai 7, f..)E 1970 Al4A ,7),41)0 sEw N(.21 k A0111 . /Do 1'4 8/j N e1-0 ,S'//f//c/cl 01> RIG1 DA 0 1; U:01,11111 (NM CONTRIBUI('JO PAR..1 0 411_ 10100 Pl■ 0G1? 4114 . Al FORMA PR F,IiIsTA NOS .01 ,...CATTOS-1,1!, N S 2/l.5 11. 2 449, BOS 1)1: 19S/i, 1.1" (11 ) 16:-.-.2P2002-16 S±-C312 ii" 3302-(10.07 1.1 501 OIL MODIFICAV 4 1/ASE DE C'AIX '. 111:0, A ALIOUOTA 0 PRAZO DE REC01_11B1EN1 0 1)IS CONTRIBL TICOP,'S 1.,"111 RETERL'ACIA 0 Sup emo 7 ihnnul W1Vat ■ pleilt:Itia de 24 0(51993, no .11d::,,antehr lo 1;1; 148754-1; ficrialim o illconstitucionaliziude dos 1)cciel0s-Leis us 2445 de 29 (i 19SS, e 2449, de 21 7 193N ( '‘/In hose nesse precedenle da Corlc, rectu:so e.v.Uuurdindrio Ids cinpre-sa.s conhecido if ovIdo, / 501 (1 unlleedc-fi-Ni! 0 tnundudu dc se<. ,:uranot " (RF, 170986/1W, Re( Alio cl 18.11 94). Sob a Otica dos tutus, a contribuinte (eve duas açSes transitailtis em julp;ado, LOU maudado dc segurança C tona aotio oidinkia. A primeita transitou emjulgado em 0-1/08/! 998 A sogun th transitou clii julgado um 26/0S/1997. Fin anibas o objeto liii a declaraeao de inconstitucionalidado t.los inalsinados decretos. [sso posto, tendo obtido tat decitunc5o, incabivel. it lazonda pública desconsidorto o fiLo e iançai o nibuto relativamente ao period° abt turgid() um 2002. Frise-se, mint() embora quando ocorreu o 'Cato gerador a contribuinte ainda 'Ia . () lograra il;xito cm sun contenda, tia data do lanytimento dc oficio, sint. Quoin° ;'r seinestralidade, como jd mencionado, cm nossa opini5o, emu dove ser concedido de olicio, por sei ineienle ii forma da Lei E'ompleinentar a' 97/79, aplicdvel ii contribuinte ex tune cool() efeito da declarticao de ineonstitucionalidade.. Diante dc lode o exposto, uma vez, alle a decislio judicial transitada ern julgado garantiu o dii ono i requerente a calcular o PIS devido an avôs dos pteceitos da Lei Compleinerital n'' 07/70, eul undo sei nao sO eabivel corm) necosstiria ii apiJCOÇuiO da semosnalidade nos calcolos ent comento, por so tratar do urn dispositivo pz-lreitameine expiesso no texto leuai. bent coin() enlendimento dominante desk.' eolegiado . III — Da Exclusdo do !CMS o Recolher da Rase do PIS Outio aspeclo relevante na divergalcia dos cdlculos realizados t..zzK.os entrc requerente e o liscalizayno Ibi o desconsidetaçao por paste da lectucrente do 'CMS a la:oilier din ante ui período apurado. o que resultaria em um "1-inuramento sent .ICMS", o que resulta ern uma base de edleolo inenor quo a provista iio texto Quanto a esta questiio, entendo, assim Como os julgadores do tic6id.:to ova alacado pela requerente, que o ICÍVIS devido no período, coin a excec5o com pie a base de calculi) pal a as coin] ibuiçSes ao PIS e t'.1C01.INS. Corroborando con] est-e entendimento temos OS SuiflUtuls n" 08 t. u" 94, ambits do Superior 'Itibtailil de I usl iço, tibaixo transcritas: ' Sintuda 'pore ula ic1Iliva au .101 inchn-.se 71(I base dc.' ctictilo pis - ",Voinila 91 pait.cier re/atiya ICA/ inchn - sc nu how (lc cjictilo cio Desta lio- ma, o ICMS devido sobro as vendas da pessoa jut idiett, na condiçilo de contribuinte uuío poderd ser deduzido na determinaçirio da base de c(ilculo da contribui0o pai a o PIS e pai;t a CONNS. 0 Decreto--lei u" 406/6, quo csrabcdecc normas ,e,erzrk aplicAveis nos impostos sobie °pet ações relativas a circulação do mercadorias e sobte setviços dc qualquer [whit 1/4y7' a dispOe cm seu § 7'' do art. 2 quo o molt-ante do ICM intottytt a base de ct,i1c,tilo do valot da ()pet mttLio de saida da mereadoi in, constituindo 11 -I espect ivo destaque meta indieny;2i0 para iins de connole. Vale Crism que este colegiado vem, I cite! adamente, decidittdo que o (CMS, que intep a o pate() da mereadoria, compeic 0 montante da rceeita hula pma eleito de eAlculo tia conttibuicão para o PIS e a COFINS sobie o faturamouto, conrot no acórdãos n' 202-03- 12!)0 e 202-03 543/90 (1)01.1 de 25-02-91), 202-03 70-1/90 e 20 2 -03 705/90 (D01.1 de 20 - ID- ), IV - 1)os Joros cic Mora Diante do valor ainda em aberto, total- iv() ao discutido no item anterior, considet o procedente o lançamento, auosoidos de Oros do mot a, conforme o all 161 do C.' IN, I la do Conselho de Contribuinte que assim estabelece: -Simi! tic t " (X: it" ) ,;(70 dcrideiv juroA do nu)ra sobre o 11 0,1/1(1 11d ,ith .Hhi 11(711 i'idCgr(ll)1C1111 /Mgt) 110 venciti1C111,7„ ainda quo wisticin,a Aalvo Thalia cy¡Wil efein;, ,,i1()114) inieS_Tat " No presente easo, 16 1 nplico o disposto no art 61, § 3", da Lei u' 9 4;0/96, lep.i5l1105o que Ii Ma da eN,Ip,Cmeia do juros de mora O taxa Sclic, a pm hr do 1907 Aluclida 1101'111a, ta1111.1k:'111 cm pleno vigor, deve tier observada pelo jul;Aadot ia esteia administrahva Fike-se tine os juros visam apenaslonninetar os eoft es pnblicos a taxa do mercado, cm 111z50 do atraso no tccolhimento, IV - Conclusiio Send() cssas as consideraOes que reputo stt ficientes C necess6rias it rosolueão da lide, voto no sentido de dar parcial provimento no tectuso volunk .tt lo, para teconheeet a semcsnalidade na base de calculo do ti ibuio. 001110 wk.), Gil ho iriao wet() a
score : 1.0
Numero do processo: 19679.016527/2004-43
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples.Ano-calendário: 2002EDITORAÇÃO E COMPUTAÇÃO GRÁFICA OPÇÃOA pessoa juridica que se dedica à prestação de serviços de editoração eletrônica e gráfica pode optar pelo Simples, desde que tais atividades não caracterizem a prestação de serviços profissionais de publicitários ou assemelhados e que sejam observados os demais requisitos legais.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1401-000.190
Decisão: Acordam os membros cio Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recluso, nos termos o relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Regis Xavier Holanda
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples.Ano-calendário: 2002EDITORAÇÃO E COMPUTAÇÃO GRÁFICA OPÇÃOA pessoa juridica que se dedica à prestação de serviços de editoração eletrônica e gráfica pode optar pelo Simples, desde que tais atividades não caracterizem a prestação de serviços profissionais de publicitários ou assemelhados e que sejam observados os demais requisitos legais.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 19679.016527/2004-43
anomes_publicacao_s : 201004
conteudo_id_s : 4628974
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-000.190
nome_arquivo_s : 140100190_141905_19679016527200443_006.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Regis Xavier Holanda
nome_arquivo_pdf_s : 19679016527200443_4628974.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros cio Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recluso, nos termos o relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
id : 4735392
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430067109888
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T17:07:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T17:07:45Z; Last-Modified: 2010-09-01T17:07:45Z; dcterms:modified: 2010-09-01T17:07:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:31d8a659-31a6-4774-ac1c-11b1b725be95; Last-Save-Date: 2010-09-01T17:07:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T17:07:45Z; meta:save-date: 2010-09-01T17:07:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T17:07:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T17:07:45Z; created: 2010-09-01T17:07:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-09-01T17:07:45Z; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T17:07:45Z | Conteúdo => SI-C41 1 El 1 IJ MINISTERIO DA FAZENDA CONSEIII0 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19679M16527/2004-43 Recurso n" 141,905 Voluntário n \\.' Acórdão n 1401-00.190 — 4" Câmara! :1" Turma Ordinária _N • Sessão de 07 de abril de 2010 Matéria SIMPLES/EXCLUSÃO - ANO-CALENDÁRIO: 2002 Recorrente IMAGIM INTEGRADA E COMUNICAÇÃO I ,TDA. Recorrida DR1-SÃO PAULO/SP Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EDITORAÇÃO E COMPUTAÇÃO GRÁFICA, OPÇÃO A pessoa juridica que se dedica à prestação de serviços de editoração eletrônica e gráfica pode optar pelo Simples, desde que tais atividades não caracterizem a prestação de serviços profissionais de publicitários ou assemelhados e que sejam observados os demais requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. Acordam os membros cio Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recluso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. VIVIANE VIDA Vdf N ER - Presidente cW, to 17 f '1,6YEL) FERNANDO LUIZ GOM1p' DE MATTOS Relator EDITADO EM: íj q jlj L 201O Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vida] Wagner, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Manos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Alexei Macorin Vivan e Maurício Pereira Faro. • Relatório O presente processo teve início em 01/12/2004, com a apresentação pela interessada de solicitação de reenquadramento no Simples, desde 01/01/2002. A interessada alegou que nã.o desempenhava nenhuma atividade que a impedisse de optar .pelo Simples, urna vez que se dedicava unicamente à prestação de serviços de editoração eletrônica de material pala comunicação visual.. A aludida solicitação foi indeliàida pela DERAT São Paulo, por meio da Decisão DICAT d 767/2005, sob a alegação de que a interessada. exercia atividades de publicidade e propaganda, que a impediam de optar pelo Simples, nos termos do art. 9", )(Hf da I ci u" 9.317/96, regulamentada pela 1N S.R.F n" 608/06 (fls. -16-17) Comunica& do indeferimento, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, afirmando que seu contrato social fora alterado em 2002, adequando o objeto social da pessoa jurídica a atividade que efetivamente exercia (editoração e computação gráfica. de material para comunicação visual), atividade esta que não impedia sua opção pelo Simples. A DR1 São Paulo 1 determinou a realização de diligência, por meio da qual se comprovou que a interessada, em 01/04/2.002, modificou seu objeto social pala "comercio e prestação de serviços na área de banner e divulgação". Considerando que até 31/03/2002 constava uma atividade impeditiva no contrato social da interessada (-propaganda), a DR.; São Paulo 1, por meio do Acórdão n." 16- 15.987 -- l'' Turma (fls. 71-76), deferiu em parte a solicitação da contribuinte, autorizando sua. inclusão no Simples com eleitos retroativos a partir de 01/01/2003. A interessada foi cientificada desse Acórdão em 06/02/2008 (11s.. 78, verso). Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em. 06103/3008 (fls. 79-80), argumentando que, não obstante a previsão em seu contrato social_ até 31/03/2002, a interessada e-letivamente não exerceu atividades impeditivas no primeiro trimeste do referido ano, Visando comprovar suas alegações, juntou aos autos cópias de todas as notas fiscais emitidas no período de 01/01/2002 a. 3 -1/03/2002, na sequencia correta de emissão. Juntou, também, cópia do Livro de Registro de Prestação de Serviços referente ao retroeitado período. É O sucinto relatório. Voto Conselheiro FERNANDO L11.1.7, GOMES DE MATTOS, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O pleito da interessada, no sentido de ser incluída no Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002, resultou negado pela DR1 São Paulo 1 pelo fato de que, até 2 Processo ri" 19679 016527/2004-43 S1-C4 1.11 Acórdão n " 1401-09.190 1 2 31/03/2002, constava no objeto social da empresa urna atividade (propaganda), que é vedada no âmbito do Simples. Na. fase de ICCU1:80 voluntário, a interessada trouxe aos autos documentos visando comprovar que, não obstante a previsão desta. atividade em seu contrato social, a empresa efetivamente não desempenhou atividades de propaganda no primeiro trimestre de 2002. Em regra, a juntada de provas no processo administrativo fiscal deve ocorrer até a fase de apresentação da impugnação, nos termos do art. 16, § 4 do Decreto n" 70..235/72, com a redação dada. pela Lei il." 9,532/97, veibis: 4" A prova documental será apresentada na impuguação, preelvindo o direito de o impuguarne . faziHo em outro momento processual, a menos que . (Incluído pela Lei n' 9.532, de 1997j a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) h) rdiru-se O ou a direito supei-veniente,(1neluído pela "Lei n° 9532, de 1997) e) destine-se a contraporfatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. "No caso presente, porém, considero admissivel a .juntada extemporânea de provas, com fundamento no item "c" do retrocitado parágrafo (provas destinadas a contrapor razões posteriormente traádas aos autos). Assim sendo, passo à análise do mérito, A Lei n." 9,317, de 05/12/1996, efetivamente impede a. opção pelo Simples das pessoas _jurídicas que realizem operações relativas a publicidade e propaganda, verbis: Ari 9" Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica. ) XII — que realize operações relativas O. d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação. Até .março de 2002, o objeto social da pessoa jurídica abrangia a atividade de propaganda, o que gerava a presunção legal relativa de que a interessada efetivamente desempenhava a referida atividade.. Como se sabe, as presunções legais relativas, ou .juris tanturn, são aquelas que admitem prova em contrário. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar situação bastante similar à presente, por meio do Acórdão IV 303-34.556, de 05/07/2007, 3 reconheceu que é relativa a presunção de que a pessoa jurídica desempenha todas as atividades constantes do seu objeto social,. Veja-se a ementa do retroeitado Acórdão: Assunto ,S'istenia Integrado de Pagamento de hnpostos e Contribuiçães das Mieroempresas e das Einpresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário; 2003 E filen ta- SIMPLES EXCL USÃO. Comprovado que a recorrente é uma sociedade &mirres-afia que se dedica exclusivamente O um pequeno negócio no ramo de TM:TU.5 produções e locações de painéis-, eletrônicos ou não, para inseTção de publicidades de terceiros, prestados pai. profissionaiS de nível médio que independem de habilitação prôfis.sional legalmente exigida, ou assemelhados, e que este ramo não se confiinde de modo algum com o de "publicidade e propaganda" exercido pelas agências de publicidade e propaganda, inclusive o ramo de criação, que é vedado, sendo aquelas atividades exercida.s pela recorrente, perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável à espécie, é de se reconsiderar o ADE que a exchau do sistema integrado de pagaincrilo de impostos e contribuiçôes das mieroempresa.s e das empresas de pequeno porte - .simples No mesmo sentido, tem-se o Acórdão n" 301-31.963, de 07/07/2005, proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: SIMPLES. PERMANÈNCIA NO 575'1 L MA Pessoa á fica dedicada à prestação de .ser viços de editoração gráfica pode, atendidas as demais conuiições. optar pelo SIMPLES Recurso provido A. Receita Federal, por seu turno, também já pacificou o entendimento de que a atividade de prestação de serviços de editoração e computação gráfica não impede a adesão ao Simples, conforme se infere por meio de duas soluções de consulta proferidas pela Superintendência Regional da 8" -Região Fiscal, devidamente transcritas no corpo da decisão recorrida (fls. 74-75). No caso em apreço, a interessada logrou êxito em comprovar que não realizou nenhuma operação relativa a propaganda no primeiro trimestre de 2002, período em que tal atividade ainda constava no seu objeto social. Tal comprovação se deu mediante a juntada de cópia de todas as notas fiscais relativas a este período, em ordem sequencial de emissão (tis,. 88-96)., Além disso, também consta dos autos cópia do Livro de Registro de Prestação de Serviços, que totaliza as retrocitadas notas fiscais, mês a mês. As receitas mensais apuradas coincidem, precisamente, com as receitas declaradas ao Fisco pela contribuinte (11s. 02 e 04). De todo o exposto, conclui-se que a interessada, no primeiro trimestre de 2002, somente exerceu a atividade de editoração eletrônica de material para comunicação visual. Tal atividade não a impede de optar pelo Simples, 4 , . - Processo n° 19679 016527/2004-43 S.1-C4-1-1 Acórd;:io n." 1401410.190 Fl. 3 .A.ssim, restando demonstrada a intenção inequívoca da interessada CM optar pelo Simples desde o ano-calendário 2002 (Ato Declaratóro Interpretativo SRV n" 16/2002), não se constatando nos autos o exercício de atividade vedada para ingresso e permanência no Simples, nem se evidenciando outros motivos de vedação à opção, voto por deferir a solicitação da interessada, autorizando a sua inclusão no Simples, com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002. É como voto„ 1)(,) t(mpu- JadD _ J.)3. 2 FENANDO 1UIZ N./IFS DF MATTOS ‘n.11-1,=1.1.111111111: MINIS -FERIO DA FAZFINDA (1 .:ONSEI ,1-10 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO •,13r, . NOCCSSO n a : [9679 016527/2004-43 Acói dão n I 401-00. 190 TERMO DE INT] NI AÇÃO Intime-se um dos Ptocutadoies da Fazenda Nacional, ciedenciado.junto este Conselho, da decisão consubstanciada no acóalão supra, nos termos do ai t 81, § 3", do anexo II, do Rejinento lutei no do CARE, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 &junho de 2009 Brasília, 09 de julho de 2010 ous' a •çidMP; Secretária da Câmara Ciência .1)ata: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da I' F‘N: Fi apenas com ciência; [.1 com R.ecuiso Especial; [1 com Embargos de Declinação.
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002712/2005-09
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR.
Nos termos do art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.563
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente. Recurso negado.
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10950.002712/2005-09
anomes_publicacao_s : 201004
conteudo_id_s : 4777440
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.563
nome_arquivo_s : 210200563_142231_10950002712200509_015.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Giovanni Christian Nunes Campos
nome_arquivo_pdf_s : 10950002712200509_4777440.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
id : 4735209
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430069207040
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T14:03:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T14:03:21Z; Last-Modified: 2010-07-13T14:03:21Z; dcterms:modified: 2010-07-13T14:03:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:318b636e-47b1-4f65-94b5-83a0ef04b7c2; Last-Save-Date: 2010-07-13T14:03:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T14:03:21Z; meta:save-date: 2010-07-13T14:03:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T14:03:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T14:03:21Z; created: 2010-07-13T14:03:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-07-13T14:03:21Z; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T14:03:21Z | Conteúdo => S2-C1T2 Fl. 139 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .i .N.,110..;,... SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10950.002712/2005-09 Recurso n° 342.231 Voluntário Acórdão n° 2102-00.563 — 1' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2010 Matéria ITR Recorrente FABIANA KRISTINA CARRARO BUOSI Recorrida 1' TURMA DA DRJ-CAMPO GRANDE (MS) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente. Recurso negado. Vistos, relatados e d'seutidos os presentes autos. Acordam os -mbros do Colegiado, por unanimid. de de votos, em NEGAR)1 provimento ao recurso, nos te os do voto o Relator. 1 I; I GIOV4NNI CHRIS P NI 4! S ` ° MPOS - Relator e Presidente. 1 1 EDITADO EM: 09 ik 1 O Participaram do pre / - te julgamentp os Conselheiros Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens M.. i io Carvalho, Caâos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Azeredo Fe -* ; ' agetti d Giovanni Christian Nunes Campos. U y1 Relatório Em face do contribuinte Fabiana Kristina Carraro Buosi, CPF/MF n° 719.247.289-15, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 29/07/2005, auto de infração (fls. 32 a 38), com ciência postal em 22/08/2005 (fl. 40). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 6.979,31 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.234,48 Em procedimento de revisão interna da DITR-exercício 2002 do imóvel NIRF n° 3.839.185-6, denominado Fazenda Monte Castelo, localizado no município de Santa Cruz do Monte Castelo (PR), na qual o contribuinte havia apurado um imposto a pagar de R$ 1.004,07, a autoridade fiscal glosou as áreas de preservação permanente de 30,7 hectares e de utilização limitada (reserva legal) de 164,8 hectares (fl. 32). Eis as razões da autoridade autuante para perpetrar as glosas acima (fl. 28),• verbis: Importante ressaltar que, apesar de haver no imóvel a averbação da reserva legal e também da preservação permanente, a legislação tributária não autoriza a exclusão para fins de apuração do ITR sem cumprimento de todos os requisitos legais, como é o caso da protocolização do ADA tempestivo. A - isenção tributária deve ser interpretada literalmente. O ADA tempestivo propicia instrumento à fiscalização ambiental, revestindo-se de Termo de Responsabilidade, com -suas implicações legais. Deste modo serão glosadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal para apurar o valor do imposto devido, aproveitando-se o apurado pela declaração como dedução, lavrando-se o Auto de Infração da diferença não declarada. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A i a Turma de Julgamento da DRJ-Campo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 89 a 101, consubstanciada no Acórdão n° 04-13.835, de 14 de março de 2008. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/04/2008 (fl. 106). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 22/04/2008 (fl. 108). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que as áreas de preservação - permanente e--reserva legal não necessitam cumprir quaisquer requisitos formais (ADA e - - averbação cartorária) para sua exclusão da área tributável pelo ITR, conforme mansa • 2 Processo n° 10950.002712/2005-09 S2-C1T2 Acórdão n°2102-00.563 Fl. 140 jurisprudência, administrativa e judicial, bastando a afirmação do contribuinte e a efetiva existência das áreas de preservação permanente e reserva legal. Este recurso voluntário compôs o lote n° 04, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 02/12/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 11/04/2008 (fl. 106), sexta-feira, e interpôs o recurso voluntário em 22/04/2008 (fl. 108), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 13/05/2008, terça-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, rejeita-se o pedido de qualquer prova adicional feita pelo recorrente para comprovar a existência de fato das áreas de preservação permanente ou de reserva legal, já que a imposição tributária teve por base apenas a ausência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, condição, na visão da autoridade lançadora, imprescindível para fruição da benesse tributária no âmbito do ITR para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, não havendo qualquer controvérsia sobre a efetiva existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Considerando que o recorrente defendeu a desnecessidade de cumprimento de qualquer requisito de ordem formal para fruição da isenção do ITR em face das áreas de preservação permanente e de reserva legal (ADA e averbação cartorária da área de reserva legal), este relator fará uma apreciação geral dessa controvérsia (ADA para as áreas de preservação permanente e de reserva legal e averbação no cartório de registro de imóveis para a área de reserva legal). A controvérsia centra-se na necessidade, ou não, da apresentação do ADA como condição para fruição de redução no cálculo do ITR a pagar em áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como na necessidade de averbação cartorária dessa última. Inicialmente, deve-se ressaltar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exige a apresentação do ADA tempestivo para todas as áreas de proteção ambiental (áreas de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa) e também exige a averbação à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, de servidão florestal e ambiental e de RPPN, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITRI. Vide o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Perguntas e Respostas do ITR2009. Disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/itr/2009/PerguntasITR2009.pdf. /2 Aqui, centralizaremos a discussão sobre a apresentação do ADA para as áreas de preservação permanente e reserva legal, bem como a averbação cartorária para esta última, porém o debate se põe da mesma forma para a apresentação do ADA e para a averbação cartorária das demais áreas de interesse ambiental (áreas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa). Especificamente, a área de preservação permanente é aquela coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (art. 1 0, § 2°, II, do Código Florestal), incluindo aqui as florestas e demais formas de vegetação natural ao longo das margens dos rios e cursos d'águas, ao redor de reservatórios naturais ou artificiais d'água, nas nascentes, no topo de morros, montes, montanhas e serras, nas restingas, nas bordas dos tabuleiros ou chapadas e em altitude superior a 1.800 metros (art. 2°, "a" a "h", do Código Florestal). Já a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1°, § 2°, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da • propriedade rural que devem ser afetados à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Ainda, na legislação tributária ambiental se vê a utilização do termo "área de utilização limitada", que se refere as demais áreas de proteção ambiental, que não a área de preservação permanente. Assim, as áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa. A necessidade, ou não, da apresentação do ADA para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como a necessidade, ou não, da averbação cartorária desta última, como condição para fruição de redução do TTR é uma controvérsia tormentosa no âmbito da jurisdição administrativa e no seio judicial, com decisões ora exigindo os aspectos formais citados (ADA e averbação cartorária), ora afastando-os, em alguns momentos . suprindo-os com laudos técnicos e outras provas, e até, na área de reserva legal, nada exigindo, simplesmente utilizando, na redução do ITR devido, os percentuais abstratos de áreas de reserva legal previstos no Código Florestal (Lei n° 4.771/65). Primeiramente, aprecia-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começa-se pelo REsp 1.125.6321PR (STJ, 2010), da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, no qual há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA - - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA 4 Processo n° 10950.002712/2005-09 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.563 Fl. 141 - ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCL4 DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2° do Código Florestal prevê que as áreas de -preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigivel a prévia comprovação da averbação destas na matricula do imóvel ou a existência de ato declaratório do MAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. MM. Eliana Calmon, DJde 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8°, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139-145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifou-se) Acima se entendeu que seriam desnecessários a averbação cartorária ou o ADA para o reconhecimento da área de preservação permanente. Na jurisprudência do STJ transparece claramente a desnecessidade do ADA para fazer frente a qualquer beneficio no âmbito do ITR. De outra banda, exigiu-se a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, como condição para fruição da redução do ITR devido. No caso do ADA, no leading case acima referido na ementa do voto do Ministro Benedito Gonçalves (REsp 665.123/PR, relatora a Ministra Eliana Calmon), vê-se que se trata da exigência do ADA instituído pela Instrução Normativa SRF n° 67/97, não se fazendo menção à exigência do ADA trazida pelo art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000, verbis: "A utilização do .ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória". Entretanto, deve-se anotar que o REsp 665.123/PR também utilizou como fundamento para rechaçar a necessidade do ADA o art. 10, § 70, da Lei n° 9.393/96, na redação dada pela MP 2.166/67-2001, assim vazado: § 7°A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e 'd' do inciso II, § I, deste artigo, não está sujeito à prévia comprovação- por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Assim, considerando que o STJ apreciou a exigência do ADA instituída pela IN SRF n° 67/97, não se fazendo menção ao art. 17-0, § 1°, da Lei n°6.938/81, tem-se fundada dúvida se essa jurisprudência tem higidez para ser aplicada para períodos posteriores a 2001, quando incidiu a regra da Lei n° 10.165/2000, já que o art. 10, § 70, da Lei n° 9.393/96, acima, não afasta a apresentação do ADA, mas apenas assevera que o contribuinte pode declarar as áreas de preservação permanente e de utilização limitada sem qualquer comprovação prévia, como sucede com qualquer declaração de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como o próprio ITR. Porém, intimado o contribuinte a fazer a prova da existência das áreas isentas, deve fazê-lo, sob pena de glosa, como ocorre com qualquer revisão de declaração, sendo certo que há um comando legal expresso no art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81 que exige a utilização do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, sendo desarrazoado imaginar que a redação do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, dada pela posterior MP 2.166-67/2001 em face da Lei n° 10.165/2000, que versa sobre a natureza homologatória da informação das áreas isentas, passível de comprovação a partir de intimação da autoridade fiscal, possa ter revogado o comando expresso da Lei n° 6.938/81. Entretanto, ainda no âmbito do STJ, a dúvida aumenta com a controvérsia referente à averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel rural no cartório de registro de imóveis. A mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp n° 1.060.886/PR (STJ, 2010), na sessão de 1°/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do beneficio no âmbito do ITR, como antes aqui se viu, ressaltando que a decisão de dezembro de • 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, veja-se o excerto da ementa do Resp n° 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n° 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo-16 da Lei n°4.771/1965; relativo à área — - /)\-• - -- de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva 5 6 Processo n" 10950.002712/2005-09 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00363 Fl. 142 averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declarató rio, já havia a proteção legal sobre tal área". Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante nos pontos acima discutidos, ora exigindo a averbação da reserva legal e o ADA para as áreas de utilização limitada e preservação permanente, ora afastando-os (averbação e ADA), às vezes se contentando com laudos técnicos e outros documentos para comprovarem as áreas isentas, em votações com diversos votos vencidos ou decididas por voto de qualidade (votação em que há empate entre os Conselheiros e o voto do Presidente determina a tese vencedora), a demonstrar a vacilação jurisprudencial e a fundada controvérsia que cerca a matéria. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao exercício 2001, em que este Conselheiro compulsou as ementas de aproximadamente 300 julgados, em decisões prolatadas no ano de 2008, no site do CARF (http://www.carffazenda.gov.br): 1. área de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis, sem necessidade do ADA - Acórdão n° 301-34.779, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; 2. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto n° 4.382/2002 (Regulamento do ITR) — Acórdão n° 3011- 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 3. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material — Acórdão n° 301-34475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão n° 302-39586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 391-00031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 4. área de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis e desnecessidade do ADA para comprovar a área de preservação permanente - Acórdão n° 303-35543, sessão de 13/08/2008, por maioria; 5. falta do ADA, por si só, não afasta a redução do ITR no tocante às áreas de preservação permanente e reserva legal; ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, também não afasta a benesse legal — Acórdão n° 303-35421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 6. pela desnecessidade do ADA para comprovação das áreas de reserva \-_ _ _ legal e de preservação permanente _:Acórdão n° 303-35546, sessão de '') 13/08/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35351, sessão de 20/05/2008, por maioria; //7 / ‘ 7/// 7. comprovação das áreas de utilização limitada e de preservação permanente sem depender de ADA tempestivo - Acórdão n° 302- 39391, sessão de 24/04/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35736, sessão de 16/10/2008, por maioria; 8. áreas de reserva legal e de preservação permanente competentemente averbadas e ADA extemporâneo reconhecidas para reduzir o ITR devido - Acórdão n° 301-34686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão n° 301-34632, sessão de 10/08/2008, unânime (somente área de reserva legal); Acórdão n° 303-35540, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade (decidiu-se pela exigência de averbação para a área de reserva legal e ADA a qualquer tempo para a área de preservação permanente - dissídio apenas no tocante à averbação da área de reserva legal); 9. área de reserva legal averbada extemporaneamente e área de preservação permanente reconhecida por laudo técnico - Acórdão n° 301-34788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 10. exigência de ADA para reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal - Acórdão n° 301-34354, sessão de 26/03/2008, por maioria; Acórdão n° 302-40049, sessão de 10/12/2008, por voto de qualidade (somente área de reserva legal); Acórdão n° 302-39865, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 302-39728, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 391-00001, sessão de 23/09/2008, unânime (ainda a averbação da reserva legal não supre a ausência do ADA); 11. comprovação das áreas de utilização limitada (reserva legal) e de preservação permanente a depender de ADA e de averbação cartorária tempestivos - Acórdão n° 302-39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão n° 302-39866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 393-00083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima, separando as áreas de reserva legal e de preservação permanente, tem-se: • área de reserva legal - necessidade de averbação cartorária, sem ADA (precedentes da 1' e 3' Câmara do Terceiro Conselheiro de Contribuintes); averbação após a publicação do Decreto n° 4.382/2002 (I Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1 a, 2', 3a Câmaras e 3a TE); desnecessidade de ADA (3 a Câmara); aceitação de ADA •intempestivo (2' e 3' Câmaras); averbação cartorária e ADA intempestivos (1 e 3' Câmaras); averbação cartorária intempestiva (1' Câmara); necessidade de ADA (1', 2' e 1' TE); averbação e ADA tempestivos (2', 3' e 3' TE); 8 Processo n° 10950.002712/2005-09 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.563 Fl. 143 • Área de preservação permanente — Sem necessidade do ADA (precedente da 3' Câmara); ADA intempestivo (precedentes 1 a, 2a e 3' Câmaras); comprovação com laudos (P Câmara) e necessidade de ADA tempestivo (1 a, 2a e P TE). Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada, quer no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), quer no tocante à exigência do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA, para ambas as áreas, e com a averbação para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 11, acima), tudo a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante às exigências do ADA e da averbação cartorária para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessas controvérsias, a uma afastando a exigência do ADA a partir de legislação infi-alegal já superada pelo art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000; a duas, pela controvérsia no tocante à averbação cartorária da reserva legal, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passa-se aqui a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente às áreas de reserva legal e de preservação peimanente. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1 0, II, "a" a "f', da Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- omissis; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na ‘11,Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei ri° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, k assim declaradas mediante ato dõ órgão competente, federal ou I estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; 9 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei n°11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei n° 11.428, de 2006) P alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) Claramente vê-se que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (área tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece-me claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastar-se-ia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. Entretanto, para a fruição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88, mas deve comprová-las mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei n° 9.250/95. Nessa mesma linha, o art. 4°, V, da Lei n° 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbá-lo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), para fruição do beneficio legal. Agora, passa-se a verificar a existência de requisitos formais para fruição do beneficio no âmbito do ITR para as áreas de preservação permanente e reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1°, II, "a", da Lei n° 9.393/96, verbis: io - Processo n° 10950.002712/2005-09 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.563 Fl. 144 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ssç 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- Omissis; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771165), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei n° 4.771/65 definem-se os percentuais de cobertura florestal a titulo de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do 1TR, já que a Lei n° 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendo-a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há noinia editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto n° 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 — MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI N°4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. 1- A questão controvertida refere-se à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matricula do imóvel. II - "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultoude uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação I 11 do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS n° 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTAVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III - Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV- Recurso Especial provido. (grifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis n° 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica.. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei n° 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece-me que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho2: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinam-se mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tão-só a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira 3 (1999, p. 37) a "Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.", sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário — Linguagem e Método. 2 ed., São Paulo: Noeses, p. 241. 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade , aberta, afetação de receita. r ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 12 Processo n° 10950.00271212005-09 52-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.563 Fl. 145 improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei n° 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei n° 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei n° 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado 4, isso no pais que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das aliquotas, como se vê no anexo da Lei n° 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a aliquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, deve-se privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do 1TR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei n° 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1°, II, "a", da Lei n° 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8°, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções - - — previstas no Código Florestal. - 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insiste-se que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Agora, passa-se a apreciar a necessidade do ADA para fruição do beneficio tributário. Essa questão não oferece qualquer dúvida, já que o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória) é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001, e não se compreende como o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96 (na redação dada pela MP n° 2.166-67/2001), que versa sobre aspectos homologatórios da declaração das áreas de utilização limitada, poderia ter revogado • tacitamente o art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/81, como aqui se discutiu anteriormente. Mais uma vez, entretanto, como a Lei n° 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja prova outras da existência das áreas de preservação permanente e utilização limitada. • Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passa-se a apreciar o caso concreto aqui em discussão. No caso concreto aqui em discussão, apesar de haver a averbação cartorária para as áreas de preservação permanente (que é desnecessária) e reserva legal (condição imprescindível), não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental para tais áreas, o que impede o deferimento da benesse tributária perseguida, como se explanou nesse voto. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. \ Processo n° 10950.002712/2005-09 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.563 Fl. 146 Sala das Sess -es, em 16 o o abril gé 2110/o / /7 / ' /i i Giovanni Christian • 4/ie C o o/ . r/ 1 / / I ./, ( . / , / / / • 15
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003402/88-87
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-79569
Nome do relator: Não Informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10680.003402/88-87
anomes_publicacao_s : 200912
conteudo_id_s : 4133764
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 101-79569
nome_arquivo_s : 10179569_055143_106800034028887_005.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Não Informado
nome_arquivo_pdf_s : 106800034028887_4133764.pdf
arquivo_indexado_s : S
id : 4759703
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:54:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714075430075498496
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T04:24:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T04:24:48Z; Last-Modified: 2009-07-08T04:24:48Z; dcterms:modified: 2009-07-08T04:24:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T04:24:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T04:24:48Z; meta:save-date: 2009-07-08T04:24:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T04:24:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T04:24:48Z; created: 2009-07-08T04:24:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-08T04:24:48Z; pdf:charsPerPage: 1206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T04:24:48Z | Conteúdo => PROCESSO N9 10680-003.402/88-87 it,f4W 1-524P' MINISTÉRIO DA FAZENDA .MHP... Sessão de 12 de dezembro de 19 89 ACÓRDÃO N2 101-79.569 Recurso n2 55.143 - IRF - ANO DE 1983 Recorrente AUTO SPORT COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE (MG) . TRIBUTAÇÃO. REFLEXA - IR-FONTE - SUPRIMENTO DE CAIXA - Não provada a origem e efetiva' entrega do numerário suprido pelos acio- nistas diretores, resulta legítima a tribu tação reflexa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AUTO SPORT COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro ' Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimen to ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessõe (DF), em 12 de dezembro de 1989. URGELL • e "25 - PRESIDENTE -CE e"ALV . E'; OSA - RELATOR AFO iSè FERREI: PE CAMPOS - PROCURADOR DA FAr-- VISTO EM ZENDA NACIONAL rSESSÃO DE: „I, Lrcv Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRIGUES NEU-- BER e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10680-003.402/88-87 2 RECURSO N9 55.143 ACÓRDÃO N9 101-m79.569 RECORRENTE: AUTO SPORT COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. RELATÓRI O Foi a Recorrente autuada, em tributação reflexa - IR-FONTE, assim descrita a imputação. "Imposto de Renda na Fonte calculado sobre o valor da receita omitida, apurada na fiscaliza ção do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, consi derado automaticamente distribuído aos sócios, conforme abaixo discriminado: Exercício de 1984 - Ano-base de 1983 Valor da receita omitida . . . Cr$ 29.760.000 Alíquota do IR Fonte 25% Valor do IR na Fonte Cr$ 7.440.000 Enquadramento Legal: Art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83." A fls. 08 encontra-se a impugnação da ora Recor- rente negando a infração, reportando-se às suas razões de defesa constantes da impugnação apresentada no processo IRPJ. O Fisco a fls. 10 manifesta-se pela manutenção do_, lançamento. A fls. 17 a decisão recorrida assim se justifica/ para manter o lançamento. a) que qualquer procedimento que implique em redu ção do imposto de renda, reclamado no processo IRPJ, resulta em distribuição automática aos sócios; b) que julgado procedente o lançamento do proces- so matriz, resulta subsistente a tributação re flexa. "//4 sffinoNalconum PROCESSO N9 10680-003.402/88-87 3 AcOrdão n9 101-79.569 A fls. 21, se vê o recurso voluntário, em resumo afirmando: a) que não tendo havido exigência do decidido nos processos IRPJ e PIS/DEDUÇÃO, uma vez que o lan gado foi compensado com prejuízos acumulados, deixara de recorrer no processo causa, porque I não considerados os reflexos no processo IF-FON TE; b) que eram autônomos os processos IRPJ e IR-FONTE, dal porque deviam ser consideradas as suas ra- zões esposadas no processo-causa, isto é, ser !H impossível a tributação do artigo 181 do RIR/80, por ser a empresa uma S/A. É o relatório. surviçoNamonwm PROCESSO N9 10680-003.402/88-87 4 Acórdão n9 101-79.569 VOTO - - - - Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator: O recurso é tempestivo. Não há dúvida de que o processo em julgamento, re- flexo do lançamento IRPJ, sendo IRFONTE, é autónomo em relação àquele. Por isso a coisa julgada acontecida no processo-causa não impede o conhecimento de mérito do tema nesta oportunidade. A omissão de receita reclamada, consubstanciada nos suprimentos de caixa, por acionistas, a mewver, não pode pres cindir da prova daorigem e disponibilidade do numerário, coinci- dentes em datas e valores, tão só porque uma sociedade tem natureza jurídica de S/A e não de LTDA. O entendimento de que a menção de sócio não acio- nista, do artigo 181 do RIR/80, corresponderia dizer que ao sócio acionista não teria aplicação o previsto, deve considerar o fato de ser o acionista (S/A tem acionista e não sócio) seu dirigente. . • No caso presente uma verdade incontestável, uma vez que os supri- dores nada mais eram do que diretores da S/A, conforme se vê a fls. 12 dos autos do processo 10680-003.403/88-40 - IRPJ -, por-- tanto seus dirigentes. Com referência ao voto proferido pela CSRF/01-0.058, não decidiu de acordo com a interpretação da Recorrente, convindo destacar o seguinte trecho do voto do relator Dr. URGEL PEREIRA LOPES: -----..// "Em votos meus, ou em julgados levados a 'efeito na Terceira Câmara do Primeiro Conselho-de Con- tribuintes, tenho-me manifestado pela procedên- ciada tributação de integralização do ,r,:capital social em dinheiro, quando não comprovada a ori- -- gem, de modo que revelem ser a ditas integraliza çaes meros acobertamentos de receitas desviadas' em benefício::dos sócios. g ii - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10680-003.402/88-87 5 Acórdão n9 101-79. 569 Todavia, nestes autos, seja pelas inespressi-- vas importâncias integralizadas por cada sócio, seja pelo que resume dos elementos colhidos pe la fiscalização, estou em que a razão está com o contribuinte." Não tendo havido a prova exigida, na esteira de pa cifica jurisprudência deste Conselho de Contribuintes (Acs.19 CC. 103-4.861/82; 101-74.521/83;e 101-74.538/83), nego provimento ao recurso. É o meu vob..-. , de/ CELSO 1_,VE TOSA - RELATOR //// Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
