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7680279 #
Numero do processo: 10735.002352/2003-10
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargos acolhidos e providos parcialmente para re-ratificar a ementa do Acórdão n°202-19.070, de forma a sanar erro material. Embargos de declaração acolhido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.071
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios interpostos para rerratificar o Acórdão 202-19.070, de 11 de março de 2008 apenas para corrigir a ementa no sentido de alterar o período para 01/1998 a 07/1998, em substituição ao período nela gravado 01/2000 a 07 &h
Nome do relator: MARIA TEREZA MARTINEZ LÓPEZ

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MINISTÉRIO DA FAZENDA,( • /. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •.•air-:',1: SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10735.002352/2003-10 Recurso n° 126.642 Voluntário Acórdão n° 2101-00.071 – P Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria Falta de recolhimento Recorrente UNIMED NOVA IGUAÇU COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Recorrida UNIMED NOVA IGUAÇU COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargos acolhidos e providos parcialmente para re-ratificar a ementa do Acórdão n°202-19.070, de forma a sanar erro material. Embargos de declaração acolhido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / V turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios interpostos para rerratificar o Acórdão 202-19.070, de 11 de março de 2008 apenas para corrigir a ementa no sentido de alterar o período para 01/1998 a 07/1998, em substituição at • - !todo nela gravado 01/2000 a 07 &h.a --. O .— e IP C' 10 MARCOS CÂND DO P r sidente MARIA TB g A MARTíNEZ LÓPEZir Relatora "" o Processo n° 10735.00235212003-10 S2-C1T1 Acórdão n." 2101-00.071 Fl. 709 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Antonio Zomer. Relatório Trata-se de processo retornado à pauta de julgamento em razão de embargos de declaração interpostos pela contribuinte sob a alegação de supostamente ter ocorrido erro material, obscuridade e omissão no acórdão embargado. Os autos vieram a julgamento na extinta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão plenária de 11 de março de 2008, tendo o Colegiado decidido, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. O entendimento da Câmara está delineado no Acórdão n° 202-18.722, o qual ficou assim assentado: "DECADÊNCIA. 01/2000 a 07/1998. As contribuições sociais, dentre elas a referente à Cofins, embora não compondo o elenco dos impostos, têm caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem específicas. À falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca da regra geral, prevista no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150 do mesmo Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ATOS NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Para que um ato seja considerado como cooperativo, mister que o mesmo tenha como requisito básico o fato de estarem em ambos os lados da relação negociai a cooperativa e seus associados para consecução dos seus objetivos. RECEITAS. DESTAQUE. FALTA. TRIBUTAÇÃO INTEGRAL. A falta de destaque das receitas segundo a sua origem (atos cooperativos e não cooperativos) autoriza a tributação da totalidade dos seus resultados, por ser impossível a determinação da parcela desse lucro alcançado pela não incidência tributária e tal impossibilidade decorrer de inobservância de legislação pelo contribuinte. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. A partir de novembro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS e à Cofins sobre o seu faturamento, havendo 2 • Processo n° 10735.002352/2003-10 S2 -CITI Acórdão ri." 2101-00.071 Fl. 710 previsão para exclusões relacionadas a atos cooperativos apenas em relação às cooperativas de produção. Recurso provido em parte." Em suas alegações, fundamentou a contribuinte que o erro material apontado refere-se ao período decaído constante da ementa: "01/2000 a 07/1998"; quanto à obscuridade, que não existe qualquer disciplina no ordenamento jurídico a justificar que diante da deficiência de escrituração seja permitido ao fisco tributar a soma dos atos cooperados e não- cooperados, assim, limitando-se a ratificar a base de cálculo do lançamento, incorreu o julgador em obscuridade e; no tocante à omissão, quando deixou de mencionar o Parecer Normativo CST n°38/80. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora Trata-se de embargos de declaração, apresentados pela contribuinte, tempestivamente, com fundamento no então art. 57 do RICC, aprovado pela Portaria n° 55/98, ao acórdão em epígrafe. O precitado artigo do então RICC está assim redigido: "Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara." Em suas alegações, fundamentou a contribuinte ter ocorrido erro material no período decaído constante da ementa: "01/2000 a 07/1998"; quanto à obscuridade, que não existe qualquer disciplina no ordenamento jurídico a justificar que diante da deficiência de escrituração seja permitido ao fisco tributar a soma dos atos cooperados e não-cooperados, assim, limitando-se a ratificar a base de cálculo do lançamento, incorreu o julgador em obscuridade e; no tocante à suposta omissão, quando deixou de mencionar o Parecer Normativo CST n°38/80. Passo à análise. Decadência — erro material na ementa: Muito embora a contribuinte se refira à erro material é na verdade uma inexatidão material, que poderia, a meu ver, se retificado pela Câmara, mediante requerimento de Conselheiro ou da contribuinte. No entanto, plausível o acolhimento do saneamento via embargos de declaração, quando dentro do prazo para sua interposição. O auto de infração, lavrado em 20/08/2003, envolve lançamento da Cotins relativamente aos períodos de janeiro/1998 a dezembro/2001 e, conforme Acórdão 202- . 18.722, os períodos anteriores a agosto/1998 foram atingidos pela decadência. Desta forma, "- claro o equívoco contido na ementa, ao se referir indevidamente 01/2000. Confira-se: 3 Processo n° 10735.002352/2003-10 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.071 Fl. 711 "Ementa: DECADÊNCIA. 01/2000 a 07/1998. (...) O correto é que a ementa passe a constar o seguinte período: Ementa: DECADÊNCIA. 01/1998 a 07/1998. (..) Da alegado omissão ". No tocante à omissão, no entendimento da contribuinte, implicitamente deveria a então Ilustre Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA fundamentar sua conclusão no Parecer Normativo CST n° 38/80 ou o pior (SIC) "E mais, no V.Acórdão, nem sequer se entendesse que o ônus da segregação fosse da cooperativa Embargante o caminho indicado seria o arbitramento, conforme dispõem o Parecer Normativo CST n° 38/80, citado sempre em desfavor do contribuinte e esquecido quanto o aproveita. No entanto, quedou-se silente o V. Acórdão, não mencionando as justificativas para que tal parecer tenha sido desprezado." Releva registrar que a omissão, como pressuposto para interposição de embargos de declaração, refere-se a pontos em que deveria o julgador se pronunciar e não o fez. Mas, qual seriam os "pontos" em que o julgador deveria se pronunciar? Não se pode confundir questão ou ponto com " fundamento ou argumento" que servem de base fática, lógica para a questão ou ponto, pois assim como o juiz, o julgador administrativo não está obrigado a examinar todos os fundamentos das partes, sendo importante que indique precisamente somente o fundamento que apoiou sua convicção no decidir. Dentro da matéria trazida para o julgador, este tem o livre arbítrio para julgá- la de acordo com seu entendimento e suas convicções a respeito da matéria, desde que delineado pelas normas vigentes. Contudo, não se pode impor a ele que sua decisão esteja fulcrada nesse ou naquele ato quando, embora pertinente ao caso, não seja imprescindível para seu deslinde. Conclui-se, assim, que as questões que o julgador não pode deixar de decidir são todas as questões relevantes postas pelas partes para a solução do litígio, bem como as questões de ordem pública, as quais deve resolver de oficio. Deixando de apreciar algum desses pontos, ocorre a omissão. Na opinião da embargante/contribuinte, o julgador deveria ter-se utilizado do Parecer Normativo CST n° 38/80 como motivação para sua decisão. Penso equivocado tal entendimento. O que se denota é que, nesse ponto, pretende a contribuinte prequestionar a matéria para poder discuti-la em sede de Recurso Especial e, sob esse aspecto, tenho que a rejeição dos embargos não impede que, no julgamento pela Câmara Superior, se considere prequestionada a matéria nele vinculada. Isto porque a teor da Súmula n° 356 do STF, considera-se não presquestionado o ponto indevidamente omitido pelo acórdão primitivo sobre e 4 • Processo n° 10735.002352/2003-10 52-C1T1 Acórdão n.°2101-00.071 EL 712 o qual "não foram opostos embargos declaratórios". De fato, não é este o caso do acórdão embargado. Desta forma, entendo inexistente a omissão apontada nos embargos declaratórios. Obscuridade: Verifica-se a obscuridade quando o julgado está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do julgador. A obscuridade pode ainda se situar na fundamentação ou no decisum do julgado; pode faltar clareza nas razões de decidir ou na própria parte decisória. De fato, também não é este o caso do acórdão embargado. Na verdade a contribuinte sequer demonstra a suposta obscuridade. Por sua vez o acórdão fundamenta com clareza que a não segregação das receitas na escrituração, nos termos em que determinado no art. 87 da Lei n°5.764/1971, compromete irremediavelmente a separação das receitas tributáveis das não tributáveis. Se a contribuinte não se conforma com o referido resultado, não são os embargos de declaração o recurso cabível para expressão de seu inconformismo. No mais, há de se observar que os declaratórios se prestam ao aprimoramento do julgado, e não como meio de a parte demonstrar, mais uma vez, a sua irresignação com o que decidido foi "ex lege", visando à sua modificação. CONCLUSÃO Forte nas razões acima externadas voto no sentido de conhecer parcialmente os embargos de declaração, por entender não ter ocorrido omissão, contradição ou obscuridade, mas erro de fato, e dessa forma, na parte conhecida, dar provimento para re-ratificar a ementa do Acórdão n°202-18.722, de forma a corrigir o erro. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. Efean MARIA TER MARTíNEZ LÓPEZ Page 1 _0047100.PDF Page 1 _0047200.PDF Page 1 _0047400.PDF Page 1 _0047500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10735.000129/2002-57
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 1997 RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA - INAPLICABILIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao principio da retroatividade benigna (Lei n° 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN). Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.381
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR

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Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao principio da retroatividade benigna (Lei n° 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso. PEDRO AN A N JUN OR - Relator EDITADO EM: 16 AR 2011 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragdo Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Relatório Em procedimento de auditoria interna tendo por objeto, as Declarações de Contribuições e Tributos Federais – DCTF apresentadas pela Recorrente no ano-calendário de 1997, a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu – RJ apurou a existência de recolhimentos de imposto de renda retido na fonte efetuados em atraso sem os acréscimos moratórios devidos, lavrando, em conseqüência disso, o auto de infração de fls. 09/22, para exigência de multa isolada, no valor de R$ 253.126,68 (duzentos e cinqüenta e três mil, cento e vinte e seis reais e sessenta e oito centavos) e de juros de mora, no valor de R$ 8.280,33 (oito mil, duzentos e oitenta reais e trinta e três centavos) — Enquadramento legal utilizado pela autoridade lançadora foi o: art. 160 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966; art. 1° da Lei n° 9.249, de 26/12/1995; art. 43, art. 44, incisos I e II, § 1 0, inciso II, e § 2°, e art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei IV 9.430, de 27/12/1996. Inconfonnada com a autuação, a Recorrente apresentou, em 09/01/2002, impugnação dirigida a esta Delegacia de Julgamento (fls. 01), acompanhada de cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora (fls. 02) e de copias das guias de recolhimento referentes aos débitos apontados no auto de infração (fls. 02/05), alegando, em síntese, que as inconsistências apuradas pelo Fisco decorreram de erro no preenchimento da DCTF, no que diz respeito aos períodos de apuração informados. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu por unanimidade, pela procedência do lançamento através do acórdão DRJ/RJOII n° 12-12.899, de 20/12/2006, As fls. 44/47, cuja ementa segue abaixo: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 PAGAMENTOS EFETUADOS EM ATRASO SEM OS ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS DEVIDOS. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. AFIRMATIVA NA -0 COMPROVADA. Verificada a existência de pagamentos de tributos efetuados em atraso, com o recolhimento do valor principal, mas sem os acréscimos moratórios devidos, é licito ao Fisco aplicar multa de oficio e juros de mora (art. 43 c/c art. 44, §1°, inciso II, da Lei n" 9.430/1996). A alegaçáo de erro no preenchimento da DCTF há que ser demonstrada pelo contribuinte nzediante juntada de documentos que comprovem os fatos alegados. Ausentes os elementos mínimos comprobatórios do erro, é de se manter a exigência." Devidamente cientificado dessa decisão em 20 de maw() de 2007, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 19 de abril de 2007, As fls. 72/116, onde requer a reforma da decisão conforme demonstrado abaixo: 2 Process° 11 ° 10735.000129/2002-57 S2-C2T2 Acórdiio n.° 2202-00.381 Fl. 2 a) que apresentou tempestivamente a DCTF, que houve recolhimento tempestivo, mas houve erro no seu preenchimento, portanto o auto de infração deve ser cancelado e o recurso provido. o relatório. 3 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR, Relator 0 recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. Trata o presente processo de auto de infração de imposto de renda retido na fonte, sendo constatada a infração relativo imposição de multa isolada de oficio e juros relativo ao IRRF, em virtude de apuração de irregularidades quanto ao prazo de recolhimento quando do pagamento de rendimentos do trabalho e prestação de serviços, a autoridade lançadora entendeu que o fato gerador teria ocorrido antes do efetivo pagamento do tributo por parte do Recorrente. No que diz respeito as alegações de mérito, entendo que a DRJ está correta ao não aceitar as argumentações trazidas pela Recorrente, uma vez que a mesma s6 trouxe os DARF's de recolhimento do tributo, não trazendo nenhuma prova que demonstrasse que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, elementos esses necessários para ajudar o julgador no seu convencimento. Podemos verificar que houve a exigência por parte da autoridade lançadora da multa de oficio isolada, cuja aplicação foi fundamentada no art. 44, incisos I e II, § 1 0, inciso II e § 2°, da Lei IV 9.430, de 1996, que assim estabelecia: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de Alta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de 'aim de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § I"As multas de que trata este artigo serão exigidas: (..) II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de morn:" 4 Processo n° 10735.000129/2002-57 S2-C2T2 Acórao n.° 2202-00.381 Fl. 3 Não obstante, a Lei n° 11.488, de 2007, alterou o dispositivo legal retro, que passou a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de langamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de .falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na . forma cio art. 8' da Lei le 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na fOrma do art. 2' (testa Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 1" 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n' 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I - (revogado); II - (revogado); III- (revogado); IV - (revogado); - 5 § 2' Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1" deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intiinação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts.11 a 13 da Lei n" 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3" Aplicam-se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n" 8.218, de 29 de agosto de 1991, E NO ART. 60 DA Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991. 4 , As disposições deste artigo aplicam-se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou beneficio fiscal." Corno se pode concluir, a multa isolada pelo recolhimento extemporâneo de tributo/contribuição sem a multa de mora, exigida no caso em apreço, foi revogada, cabível a aplicação do art. 106 do CTN, a saber: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrario a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 6 Processo «'10735.000129/2002-57 S2-C2T2 AcórcHio n.° 2202-00.381 Fl. 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prdtica." Assim, ten aplica-se a retroatividade julgamento. Desta forma, d sta que a multa cobrada no presente caso não mais existe, já que a exigência ainda se encontra pendente de ento parcial ao recurso do contribuinte. PEDRO ANAN J NIOR 7 Brasilia/DF, 15 ABR 011 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARA/2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10735.000129/2002-57 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3' do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2202-00.381. EVELNE COELHO DE ELO HOMAR Chefe da Secretaria da Segunda Camara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional

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Numero do processo: 10711.000367/86-12
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1987
Ementa: Conferência final de manifesto. Falta de um volume na descarga. A agência marítima responde pelo imposto devido como consignatária do navio. Imposto calculado à taxa de dlar fiscal e com alíquotas da TAB, vigorantes em 11.10.85, data do auto de infração Denúncia espontânea da infração aceita para efeito de excluir a penalidade. Recurso parcialmente provido:
Numero da decisão: 301-25.579
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Paulo César Bastos Chauvet, em dar provimento em parte, para excluir à penalidade, face ao disposto no art. 138 do CTN, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: João Holanda Costa

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Sessão de l~f~:v:eE~~~?...de 19~7 ACORDÃONo.)g~.-::~??.?.? Recurso n.o 108.959 Processo nQ 10711/000367/86-12 Recorrente AGnWIA MARíTIMA LAURITS LACHMANN S/A Recorrid IRF - PORTO - RJ Conferência final de manifesto. Falta de um volume na des carga. A agência marítima responde pelo imposto devido co mo consi~"atária do navio. Imposto calculado à taxa de do lar fiscal e com alíquotas da TA], vigorantes s:n11.10.35:- data do auto de infração Denúncia espontânea da infração aceita p:a:r;a:efeito'de ex cluir a penalidade. Recurso parcialmente provido: Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDM~ os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Canse lho de Contribuintes, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Pau lo César Bastos Chauvet, em dar provimento em parte, para excluir ~ penalidade, face ao disposto no art. 1]8 do CTN, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. seguintes .:=-roc. da Faze!'lda ?Tacional. 2 O 87 ticiparam, ainda, do presente julgamento os Bras'~ia-DF, 18 de fevereiro de 1987. //'/ J J e . VISTCD EM: SESSÃO DE: Conselheiros: HÉLVIO ESCOVEDO BARCELLOS, FRANCISCO MARTINS LEITE CAVAI,CANTE, AGOSTI- NHO SERRANO DE ANDRADE, ROBERTO MARAZZI, HAMILTON DE SÁ DANTAS. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO Nº 108.959 ACÓRDÃO Nº 301-25.579 RECORRENTE: AG~CIA MARí':rIMALAURITS LACHMANN S/A RECORRIDA IRF - PORTO - RJ. RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO infração, de fls. posto. I Agência Marítima Laurits Lachmann, recorre da decisão de primeira instância que a responsabilizou pela falta de um pallet de a lho na descarga do navio LLOYD ALEGRETTE entrado em 23.08.85 e lhe exi giu o pagamento do correspondente imposto de importação, acrescido da multa de que trata o art. 521, inciso lI, letra "d", do Decreto nº 91.030/85. A firma apresentou os seguintes argumentos contraa'ação fis cal: a) ilegitimidade de parte passiva "ad causam" pois como a gente marítimo, mero representante do transportador, não pode tributa riarnente responder no seu lugar por mercadoria a cuja falta não",deu causa; b) não cabe a multa já que, antes de qualquer ato de fisca lização, apresentou denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CNT; c) não concorda com o valor exigido pois foi adotado para a conversão da moeda estrangeira o dólar fiscal maior do que vigia no momento do fato gerador do imposto, ocorrido na data da entrada do na vio. Pede ao final sejam acolhidas essas razões. É o relatório. v O T O A preliminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam" é de rejeitar-se. Com efeito, a agência marítima como consignatária do navio pode ser responsabilizada pela Fazenda Nacional por qualquer in fração de natureza fiscal que se apurar decorrente da atividade pro pria do navio ou de ação ou omi.ssão de seus tripulantes, como estabele ce o art. 95, inciso 11, do Decreto-lei nº 37/66. Desta forma, o impos to incidente sobre a mercadoria que faltou na descarga (parágafo único do art. 60 do mesmo decreto-lei) deverá ser indenizado por quem for in dicado no procedimento fiscal. Esta responsabilidade " . da agência ma rítima está ainda materializada no termo próprio que firmou perante a repartição fiscal com jurisdição sobre o porto. Acolho, entretanto, a argl';l.içãode denúncia espontânea s.da para efeito de exclusão da multa, tendo em vista a ~.pétiç.ão ,e cópia "xerox" do DARF que comprova o recolhimento do lm .•. '" .' "Quanto a taxa de conversa0 da moeda estrangelra e as s all quotas do imposto de importação, mantenho o ponto de vista manifestado na decisão recorrida, em obediência aos art. 99, 103 e 107 do Regula menta Aduaneiro (Dec. 91030/85) :servindo para este fim a data do autor SERViÇO PÚBLICO FEDERAL de infração. 3 Rec . lo8 .959 Ac.30l-25.579 Voto para dar parcial provimento ao recurso, apenas .c~ara excluir a penalidade. Sala das Sessões, l8 de fevereiro de 1987 Relator. 00000001 00000002 00000003

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Numero do processo: 10920.001079/2001-57
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: CSRF/02-00.013
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima

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Numero do processo: 10865.001388/2001-39
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP,1 Ano-calendário: 1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Tendo parte do saldo negativo objeto de restituição sido imputado como compensação de estimativas de IRPJ declaradas em DCTF e não pagas, limita-se o crédito da restituição ao saldo remanescente decorrente da diferença entre o crédito confirmado e o valor compensado
Numero da decisão: 1401-000.314
Decisão: ACORDAM os membros da 4º Câmara / 1° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira

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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP,1 Ano-calendário: 1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Tendo parte do saldo negativo objeto de restituição sido imputado como compensação de estimativas de IRPJ declaradas em DCTF e não pagas, limita-se o crédito da restituição ao saldo remanescente decorrente da diferença entre o crédito confirmado e o valor compensado Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitahneme) Viviane Vidal Wagner — presidente ("assinado digitalmente) Alexandre Antonio Allanim Teixeira — relator Participaram da sessão os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (relatar), Antônio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Fonseca, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. I:47 ,10:20':(i por VIVIANE VIDAL +,)•./AGNEIR. 29 , 0!:),'2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALIKill r...4 AuleriIIr.J.Kro .20 10 por Y,E Emitidooro )2 . 100 10 pc, 1,...1 gazenda Processo if 10865,001388/2001-39 SI-C41"1 1)I CARI MI 1.1 2 Acórdão o " 1401-00314 Fl 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário visando o deferimento de Pedido de Compensação cumulado com Restituição de valor relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado na DIRPJ/98. Segundo se extrai do relatório proferido pela DR!: De acordo com referido despacho, cio valor total pretendido pelo contribuinte, R$ 155.902,08(valor atualizado), foi deferido o valor de R$ 79.107,23. Consoante se verifica dos autos, o indeferimento de parte do valor pretendido deu-se em razão de ter sido constatado pela fiscalização que os valores de estimativa dos meses de outubro e novembro do ano-calendário de 1998, não foram pagos e nem declarados em DCTF pelo contribuinte. Por essa razão, entendeu a fiscalização que tais débitos lbram extintos por compensação. Assim, após ejétuar a devida imputação dos citados débitos, a .DRF efetuou a compensação dos mesmos, com aproveitamento de parte do saldo negativo do IRRI apurado na DIPJ/1998, ano-calendário 1997. Desse modo, o saldo negativo original pleiteado pelo contribuinte, que era de R$100 396,67 . fin reduzido após as compensações efetuadas (lis 493/494) para R$ 79.107,2.3. Regularmente cientificada, ingressou com a referida manifestação alegando em síntese que a diferença glosada no valor de R$ 21.289,44 fbi vinculada indevidamente às estimativas de IRPJ compensadas nos meses de outubro e novembro de 1998, pois, tais valores apurados e lançados na DIP.1/99, ficha 12, não firam pagos, como mencionado no despacho decisório, porque /Oram devidamente compensados como segue: a) o débito de R$ 2.541,90 referente a estimativa de outubro/98 fbi compensado com parte do saldo negativo de 1RPJ da D1PJ/93, ano-calendário 1992; t,,,un N..1 b) o débito de R$ 23.987,18 referente a estimativa cie novembro/98 foi compensado com parte do saldo negativo de IRPJ da D1PJ/93, ano-calendário 1992 (R $7.107,19); com parte do saldo negativo remanescente da D1PJ/97, ano- calendário 1996 (R$ 1.240,52) e parte do saldo negativo de IRPJ da D1PJ/98, ano-calendário 1997 (R$ 15,639,47). Requer o reconhecimento integral do seu direito creditório no 102110 MiNg uI ALExANORE ANT01,110 CAlk.) 2 DF CARI . ÍVII 11 3 Processo n" 10865 001388/2001-39 S1-04T1 Acórdão 11" 1401-00314 Fl 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação, conforme acórdão DRJ/RPO n' 14-17,875 (fls. 696/698), cujas ementas seguem transcritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário; 1997 RESTITUIÇÃO. COWENSAÇÃU DEFERIMENTO PARCIAL Correto o Despacho Decisório que deferiu pardo/mente o valor pleiteado pela contribuinte, excluindo os valores alcançados pela decadência e aqueles já utilizados em compensações anteriores. Diante da negativa, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma: a) Que, em relação ao saldo negativo da D1PJ/93, não pode prosperar o argumento de decadência, tendo em vista que não houvera homologação expressa e, sendo assim, o prazo decadencial começou a fluir a partir de 30/06/1998 (cinco anos a partir da homologação tácita), decaindo somente em 30/06/2003; b) Em relação ao saldo negativo da DIPJ/97, verifica-se na planilha que o crédito não fora totalmente compensado conforme descreve o despacho. Após a compensação citada de R$ 18.672,39 e R$ 14.561,59 houve sobra de saldo remanescente original no valor de R$ 846,60, o qual, após a aplicação da SELIC até Nov/98, resultou no valor atualizado de R$ L240,52 devidamente compensado com parte do débito de Nov/98 conforme demonstrado; e) Já, em relação ao saldo negativo da D1PJ/97, a Recorrente concorda com o despacho proferido no sentido de que do valor original do processo de restituição já havia sido subtraído o valor original de R$ 12,594,19, que foi compensado com o débito de novembro de 1998, conforme o pedido de restituição da Recorrente. É este, em suma, o relatório. 0,201) ViaAL VVAGN/EI"'!. 2',..)/1.';::.E21) 1(i p:or LEX'Ai\JDRE Al-fr(:)1,11(:) AL111 P1 V El XE ero i O 1..:. (Jr 6.1,JTON1(.) E 1-P,1r. } (rE-3.1CV20 Op;.-:.[-.) 3 Dl CARI . N11 . 1-1 4 Processo n" 10865.001388/2001-39 SI-C4T1 Acórdão n" 1401-00314 Fl 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos exigidos pela legislação de regência, dele conheço. Pretende, no presente feito, a Recorrente, restituição e compensação do valor de R$ 100.396,67, registrado como saldo negativo do ano-calendário 1997, D1P1 1998. A Autoridade Fiscal reconheceu o direito de crédito no montante de R$79.107,23, tendo negado o reconhecimento do crédito no valor de R$ 21.289,44. Referido montante cuja restituição foi negada havia sido, em verdade, imputado como pagamento das estimativas de IRPJ devidas e não pagas no meses de outubro e novembro de 1998. No entanto, alega, a Recorrente que o saldo devedor do IRPI por estimativa com base em balancete de suspensão ou redução conforme DIP1/99 (ano calendário de 1998) foi devidamente compensado conforme planilha abaixo: Histórico out/98 nov/98 Total Saldo devedor R$2.54190 R$23.98718 R$ 26.529,08 Compensações Saldo negativo de IRPJ da 0IPJ193 (ano calendário 1992) R$2.54190 R$ 7.107,19 R$ 9.649,09 Saldo negativo remanescente da DIP /97 (ano calendário 1996) R$ 1.240,52 R$ 1.240,52 Saldo negativo de IRPJ da DIPJ/98 (ano calendário 1997) R$ 15.639,47 R$ 15.639,47 Total das Compensações R$ 2.541,90 R$ 23.987,18 R$ 26.529,08 Valor Pago 1 R$ - R$ R$ - Em verdade, a DM andou mal ao tratar de referidas compensações como se tivessem ido pleiteadas no curso desse processo, para, inclusive, tratar de uma suposta decadência do aproveitamento do saldo negativo de 1992, DIPJ 1993. Isso porque no presente feito não se cuida das compensações ali apontadas, mas de restituição e compensação com outros débitos de tributo. Dessa feita, não há falar-se iTi7 -1+SP20 I pc,f VIVIANE VIDAL WAGI,I ER . 2511) c.:' , 201C) jurA.LEXP,N ()R IE Auk;r i t¡nwio (.1;(si1hr),..:,..nhr... 2r,;),..r.1»:...!olo rjelr A1'I'POI,I1() AI. V. 1v1U...1 -FEIXE Eni rtjere r:•rvi 081{):20 Ir) 110 MitlIstri() En..?,ewn-lt 4 Processo n" 10865.001388/2001-39 Acórdão n° 1401-00314 S1-,C4T1 F1 5 DF (ARF 1-1 5 em decadência ou prescrição do direito de pleitear a restituição do saldo negativo do ano- calendário 1992, posto que tal compensação não é objeto de discussão no presente feito. Deve, assim, ser rejeitada a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, vê-se que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse a efetividade das compensações supra apontadas, pelo que, antes de se proceder a restituição do crédito pleiteado, impõe-se a dedução do débito referente às estimativas de IRP1 dos meses de outubro e novembro do ano-calendário 1998. Com isso, o crédito outrora existente acaba por ficar reduzido ao valor já reconhecido pela Autoridade Fiscal.. De fato, "na planilha apresentada pelo contribuinte, há a indicação de que apenas parte da estimativa do mês de novembro foi compensada com esse saldo negativo (fls. 17), porém diante da ausência de pagamentos, deve-se considerar que as estimativas dos meses de outubro e novembro de 1998 Ibra177 igualmente quitadas por compensação, o que implicaria saldo negativo de IRPJ dedutivel para as compensações indicadas neste processo de R$79 107,23" (fls. 511). Por fim, esclareça-se que, a despeito da alegação da Recorrente, o valor de RS 15.639,47não pode ser reconhecido como crédito. Isso porque, na planilha de fls. 17, verifica-se que a Recorrente postula a integralidade do saldo negativo registrado ao final de 1997, sendo que posteriormente registrou a utilização de parte (R$15,639,47) para compensação com a estimativa devida em novembro de 1998. Assim, referido valor não poderia ser objeto de restituição e deveria ter sido deduzido desde o pedido inicial. Como não o fez o Contribuinte, correta a exclusão levada a feito pela atenta Autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Allunim Teixeira 7:1(1.2i..) i() vvAGNER ; o por ALEXANDRE ANT °mo ALKNAI Ai..E.XANDRE. ANM- 01110 1 1:rnitidn cin DL CART M.E fl. ó Processo n" 10865.001388/2001-39 S1-C4T 1 Acórdão n " 1401-00314 Fl 6 c!Oilaln!ant .a e!!! 07"1!:!!'2010 par ViVIANE: VIDAL WAGNER . 29 !0!..: 1 !2010 par ALEXANDRE. A1.-r1eg,J n 0 lvi TE1:E Autentinrta dir,;!1;!ilmeni!!!.! eu, 2100021110 pol ExAN DRE. AN F00110 TEIXO Err!!!ido ir:rn Q3/1 020 !O pilo f !!!!!lisl,:rin da Fa;-_rc:rida 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 10865001388200139 Interessado : CERAMICA MARISTELA LIDA TERMO DE JUNTADA 1" Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução ri° 1401-00314, às fls, ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para cientificar o interessado e demais providências cabíveis.. Brasília, Chefe da Secretaria

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Numero do processo: 10183.004428/2004-16
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE REDES ELÉTRICAS E LINHAS DE TRANSMISSÃO DE BAIXA E ALTA TENSÃO. LEITURA E ENTREGA DE FATURAS DE ENERGIA ELÉTRICA. A empresa que presta serviços de instalação de redes elétricas, linhas de transmissão, eletrificação rural, iluminação pública, leitura e entrega de fatura de energia elétrica, não pode optar pelo Simples, por exercer atividades que requerem profissionais de atividade legalmente regulamentada. LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n" 02).
Numero da decisão: 1802-000.594
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nelso Kichel

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LEITURA E ENTREGA DE FATURAS DE ENERGIA ELÉTRICA. A empresa que presta serviços de instalação de redes elétricas, linhas de transmissão, eletrificação rural, iluminação pública, leitura e entrega de fatura de energia elétrica, não pode optar pelo Simples, por exercer atividades que requerem profissionais de atividade legalmente regulamentada. LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n" 02). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. sE-I-e— arques Lins de Sousa - Presídente. Nelso IGchel — Relator. NOVI ?Ot Participaram dá sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Henrique Rebello Brandão e João Francisco Bianco. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 47/53 interposto contra decisão da DRJ/Carnpo Grande que indeferiu solicitação de revisão da exclusão do SIMPLES, conforme Acórdão de fls, 36/38. Quanto aos fatos, consta do Ato de Declaratório Executivo DRF/Cuiabá, de 02/08/2004, que a contribuinte foi excluída do SIMPLES retroativamente a partir de 01/01/2002, tendo em vista exercer atividade vedada nesse regime de tributação favorecido - código 4541-1/00, qual seja: instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas (Lei n° 9.317/96, art. 9 0, inciso III e demais dispositivos legais que menciosa -fl. 29), Quanto às razões aduzidas na manifestação de inconformidade, apresentada junto à DRJ/Campo Grande, reproduzo, nessa parte, o relatório que integra o Acórdão desse órgão de Julgamento, o qual sintetiza, com propriedade, as manifestações da interessada (fl. 37): ) Intimada em 13/09/2004 (AR, fls. 30), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls 01-08) postada em 11/10/2004 (1s. 27), onde alegou, em síntese, que: a) sempre teve como atividade a prestação de serviços de corte, religação, leitura e entrega de , faturas de energia elétrica a consumidores finais, conforme consta de seu contrato social e alterações posteriores, especialmente a 3" alteração contratual, bem como dos contratos de prestação de serviços firmados com a Rede CEMAT — Centrais Elétricas Matogrossenses 5/A, A atividade deve ser analisada não só pela simples leitura do contrato social, mas também da situação .fática, ou seja, analisando os serviços efetivamente executados. b) Apesar de sua atividade não requerer qualquer habilitação profissional legalmente exigida, e obviamente não requerer responsabilidade técnica pessoal, pois consiste em serviços comuns e meramente braçais, sendo desnecessária sua inscrição no CREA, o código escolhido era o que mais se aproximava das atividades desenvolvidas, e oferecido pela 2 Processo n° 10183 004428/2004-16 SI-TE02 Acórdão o.' 1802-00.594 Ft 2 Receita Federal em sua tabela pré-concebida. Saliente-se, que já providenciou a alteração do CNAE Fiscal de 4541- 1/00 para 7499-3/10 — serviços de medição. de consumo de energia elétrica, gás e água.. c) Ainda que hipoteticamente se quisesse admitir sua exclusão do SIMPLES, o que no presente caso é inaplicável e inadmissível, de maneira alguma poderia ser aplicado de .forma retroativa. Logo, só poderia surtir efeito a partir da sua comunicação, pois estaria ferindo de morte os princípios da anterioridade e o da irretroatividade da lei tributária segundo os quais a lei retroage para beneficiar o contribuinte, conforme arts. 106 e 112 do CTN e doutrina citada, A .final pediu o cancelamento da exclusão e, se mantida, que ao menos não retroaja no tempo, em nítido prejuízo ao contribuinte. ) Por sua vez, apreciando o mérito da lide, a DRJ/Campo Grande, corno mencionado anteriormente, indeferiu a solicitação de revisão da exclusão do SIMPLES, cuja ementa do Acórdão foi lavrada nos seguintes termos (fl. 36): ) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mio-oempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Ano-calendário: 1997 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE REDES ELÉTRICAS E LINHAS DE TRANSMISSÃO, LEITURA E ENTREGA DE FATURAS DE ENERGIA ELÉTRICA, A empresa que presta serviços de instalação de redes eléticas, linhas de transmissão, eletrificação rural, iluminação pública, leitura e entrega de fatura de energia elétrica, não pode optar pelo Simples, Solicitação Indeferida, A recorrente tomou ciência dessa decisão em 31/05/2007 (fl. 46); apresentou Recurso Voluntário em 29/06/2007 de fls. 47/53, juntando, ainda, os documentos de fls. 54/55. Em resumo, as razões do recurso: 1) — Da inexistência dos supostos motivos ensejadores da exclusão do Simples: a) que jamais exerceu, sequer por analogia, qualquer das atividades previstas na Lei n° 9.317/1996, art. 9 0, XIII; 3 b) que para execer a atividade de instalação de rede elétrica, não há necessidade de engenheiro eletricista, nem de técnico de nível superior. São meros trabalhos braçais, não havendo necessidade de profissão regulamentada; c) somente a lei pode impor ônus tributário, não se admitindo a oneração do contribuinte por meio da analogia,, d) que equiparar os serviços comuns de reparação, manutenção e instalações elétricas aos de construção implica analogia in malam partem; e) que a jurisprudência pátria é pacífica nesse sentido, ou seja, em favor de sua tese (transcreve excerto de deciões judiciais); f) que a exclusão do SIMPLES baseada somente no objetivo constante do Contrato Social é veementemente ilegal; g) que na definição de microempresa e empresa de pequeno porte, o art. 20 da Lei ri° 9.317/96 prevê que o efeito da exclusão incorrerá a partir do mês subsequente ao do motivo ensejado. 2) Da impossibilidade de retroatividade da exclusão do Simples: a) que é inadmissível o efeito retroativo da exclusão do Simples, pois o art. 15 da Lei n° 9317/96 prevê que o efeito da exclusão incorrerá a partir do mês subsequente ao do motivo ensejador; b) que em face dos arts. 104 e 106, que tratam da vigência e da interpretação retroativa da norma tributária, conclui pela imprescindiblidade da decretação de nulidade do Ato Declaratório Executivo. Por fim, a recorrente, ante o exposto, pediu provimento ao recurso. A 1 a Turma Especial - 3 0 Conselho de Contribuintes -, na Sessão de 24/09/2008, em face das alegações da recorrente, converteu o julgamento em diligência à Repartição de origem, para que fossem juntados aos autos cópias integrais de instrumentos de contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente e seus clientes atinentes ao ano- calendário 2002 e posteriores, bem como quaisquer outros documentos que pudessem esclarecer quais os reais serviços prestados pela recorrente, em especial "Relatório Fiscal" a ser produzido a partir de diligência in loco, para se coletar dados que propiciem aferição da extensão e da qualidade dos serviços prestados, precipuamente se tais serviços dependem ou não de habilitação profissional legalmente exigida (fls. 59/63). Por fim, os autos do processo retornaram, com a juntada de documentos de fis, 64/635. O resultado da diligência consta do Relatório Fiscal de fl. 117. É o relatório. 4 Processo o' 10183.004428/2004-16 511-TE02 Acórdão n. a 1802-00.594 Fl. 3 Voto Conselheiro Relator, Nelso Kichel Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher as condições de admissibilidade. O objeto da lide versa acerca da exclusão do SIMPLES, mediante Ato de Declaratório Executivo n° 51726 — DRF/Cuibá/MT, de 02 de agosto de 2004, expedido em face do exercício, pela recorrente, de "atividade econômica vedada de opção: 4541-1/00 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas" (ff 29), Fundamento da exclusão: exercício de atividade econômica que requer profissional com habilitação legal (Lei n° 9.317/96, art, 9 0, inciso XIII). Na verdade, a exclusão do SIMPLES deu-se em face da 2 Alteração Contratual arquivada na Junta Comercial em 25/11/1997, onde consta - como objetivo social — a prestação de serviços de instalações de redes elétricas de baixa, média, e alta tensão, linha de transmissão, eletrificação rural, subestações e iluminação pública (fi, 11). Mês da infração: novembro/1997, conforme consta do ADE (ti. 29). Efeito jurídico do ADE: 01/01/2002. A discrepância entre o código 4541-1/00 e a atividade econômica constante da 2a Alteração Contratual é apenas aparente, pois — na falta de código específico — a atividade econômica da recorrente foi assim considerada, por aproximação. Ainda, na 33 Alteração Contratual de 29/12/2003 (fls. 15/20), arquivada na Junta Comercial em 23/01/2004 (fi, 20-verso), o objetivo social foi ampliado: prestação de serviços de instalações de redes elétricas de baixa, média e alta tensão, linha de transmissão, eletrificação rural, subestações e iluminação pública; corte, religação, leitura e entrega de faturas de energia elétrica a consumidores finais (ti, 17). No caso, o cerne da questão, portanto, é determinar se as atividades desenvolvidas pela recorrente tipificam ou não "atividade cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" ou "de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". A propósito, para melhor compreensão, traserevo o inteiro teor do dispostivo legal que fundamentou a emissão do citado ADE: Art. 9" - Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica.. XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, .fisicultor, assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.20001 Ora, os serviços de instalações de redes eléticas, inclusive de alta tensão, pela complexidade, configuram, claramente, como próprias de profissão regulamentada de engenheiro ou técnico de nível superior, ou seja, de profissão regulamentada. Entretanto, a recorrente alega que para execer a atividade de instalação de rede elétrica, não há necessidade de engenheiro eletricista, nem de técnico de nível superior; que são meros trabalhos braçais, não havendo necessidade de profissão regulamentada; que, além disso, exerce atividades relativas a corte, religação, leitura e entrega de faturas de energia elétrica a consumidores finais. Em face dessas alegações da recorrente, a l a Turma Especial - 3° Conselho de Contribuintes na época, atual CARF na Sessão de 24/09/2008, converteu o julgamento em diligência à Repartição de origem, para que fossem juntados aos autos cópias integrais de instrumentos de contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente e seus clientes, que dissessem resperito ao ano-calendário 2002 e posteriores, bem como quaisquer outros documentos que que pudessem esclarecer quais os reais serviços prestados pela recorrente, em especial "Relatório Fiscal" a ser produzido a partir de diligência in loco, para se coletar dados que pudesssem propiciar aferição da extensão e da qualidade dos serviços prestados, precipuamente se tais serviços dependem ou não de habilitação profissional legalmente exigida (fls. 59/63). Realizada a diligência fiscal, foram colhidos elementos probatórios junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso — CREA/MT e junto à empresa Centrais Elétricas Matogrossenses S/A (fls. 72/634), e foi produzido o Relatório Fiscal (fl. 117), no qual restou consignado e apurado que a recorrente, realmente, pelo menos, desde 2002, exerce atividade vedada de opção no SIMPLES. A propósito, reproduzo, em sua maior parte, o Relatório Fiscal, resultante da diligência fiscal (fl. 117): Para cumprimento do solicitado Primeira Turma Especial do 3" Conselho de Contribuintes (..),foi observado.: 1— ) 2 — Emissão de Termo de Intimação enderaçados ao Conselho regional de Engenharia e Arquitetura de Mato Grosso (fl. 70); 3 — Emissão de Termo de Intimação endereçado às Centrais Elétricas Mato grossenses S/A —rede (fl. 113), Em relação ao item 2 o CREA de MT em resposta ao Termo de Intimação recebido em 26/08/2009, apresentou ART emitidas para CONEL CONSTRUOES ELÉTRICAS LTDA (fls. 72 a 112) e em todas com exceção da de fl 110, o Contratante foi a 6 Processo na 10183 00442812004-16 S1-TE02 Acórdão ni 1802-00.594 Fl 4 Centrais Elétricas Matogros,senses S/A, Rede Cemar, CNPJ 03 467 321/0001-99 e neles compreendia.' 2 I — Execução de Serviços de Instalação de postos de Transmissão; 2.2 — Obra para atendimento a diversos consumidores; 2.3 — Prestação de serviços Comerciais compreendendo Atividade de pré-corte, conexão de usuários, religação, plantão, letitura e outros; 2.4 — Extensão de Rede com instalação de postes de concreto; 2.5 — Elaboração de Projetos e Construção de redes de Distriuição Rural de Energia; 2.6- Elaboração de Projetos de Redes de Distribuição Urbanas Em todos as Anotações de Responsabilidade Técnica apresentados a partir do ano de 2005, esteve presente por parte do Contratado, o Engenheiro Eletricista. Em relação ao Item 03 a CEMAT (Centrais Elétricas Matogros,senses S/A) apresentou o Contrato n" 094/DLC/97 requisitado pelo Conselho de Contribuintes em razão das folhas 2 e 4 não terem sido anexadas ao processo. Ainda em relação Item 03, foram solicitados todos os contratos que a CEMAT realizou Com a CONEL CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA a partir de 2002, com o propósito de coletar dados que propiciem aferição da extensão e da qualidade dos serviços prestados, e se tais serviços dependem ou não de habilitação profissional legalmente exigida. Foram apresentados os seguintes contratos: 0023-0029-0076-0077-0078-0079-0080-0110-0150-0459- 1204/AJU/2002, 050-0064-0144/AJU/2003, 0021-0022-0023- 0024/AJU/2004, 0101 -0102-0103-0104-010.5-0106/AJU/2005 , 0101/DET/2005, 0024-01.55/AJU/2006, 0026/DET/2006, 0229- 0566-0596-0714/AJU/2007 que serão enviados ao Órgão julgador ) Compulsando os autos, tem-se que as cópias de Anotação de responsabilidade Técnica — ART, fornecidas pelo CREA/MT, comprovam que os serviços prestados nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 pela recorrente pala a CENTRAIS ELÉTRICAS MATOGROSSENSES S/A CEMAT foram assinadas pelos Engenheiros Eletricistas Murad Dogan e José Fernandes de Moura em nome da recorrente (fis. 7.3/112). Já, quanto ao ano-calendário 2002, para exemplificar, o Contrato n° 002.3/AJU/2002 (fis, 160/166), celebrado pela recorrente com a Centrais Elétricas Matogrossenses S/A , para corte e religação do fornecimento de energia elétrica em unidades consumidoras do Grupo A e B da Agência Prainha, Coxipó, Pedra 90, Chapada dos Guimarães e atendimento ao Plantão em situações de emergências sem escala defini - áreas de abrangência da rede/CEMAT, na Cláusula 4, item 4.4, consta que (ti 165): 7 "Para as viaturas que trabalharem no Atendimento de Emergência, fora do horário comercial, será pago (..). Cada equipe, deverá ser composta sempre de 02 (dois) eletricistas." Ainda, no ano-calendário 2002, a recorrente firmou contrato com as Centrais Elétricas Matogrossenses S/A - Termo de Rerratificação ao Contrato n° 0459/AJU/2002 para prestação de serviços — Viaturas com motorista/Eletricista — execução de serviços de inspeção de cadastro e iluminação pública, nas áreas de abrangência da Rede/CEMAT (fls. 209/211). No ano-calendário 2004, para exemplificar, a recorrente firmou contrato com a Centrais Elétricas Matogrossenses S/A - CEMAT — Contrato if 0021/AJU/2004 — para prestação de serviços de manutenção programada de redes e linhas e construção de obras com fornecimento de materiais nas áreas de abrangência da Rede/CEMAT (fls. 232/252), constando na Cláusula 4 —Execução dos Serviços, que: "4.1 - Para a execução dos serviços a Contratada deverá manter à disposição da Contrante equipes de trabalho para Manutenção Corretiva , com no mínimo 01 (uma) equipe, composta por 01 (um) caminhão guindauto e 07 (sete) funcionários/Eletricistas." (fL 234). Ainda no ano-calendário 2004, a recorrente firmou contrato com a Centrais Eléticas Matogrossenses S/A — Contrato n° 0022/AJU/2004 — para prestação de serviços de manutenção corretiva emergencial, urbano e rural — Plantão em escala fixa e rotativa, nas áreas de abrangência da Rede CEMAT (fls. 255/266), onde consta na Cláusula 1 — Manutenção Conetiva Emergencial: "1.1.1 — Para execução dos serviços a CONTRATADA deverá manter à disposição da CONTRATANTE, equipes de trabalho para Manutenção Corretiva, com 01 (um) caminhão e 02 (dois) funcionários/Eletricistas (...)" (fl. 259). Destarte, não resta a menor dúvida que a recorrente executa atividade de profissão regulamentada, pelo menos, a partir de 01/01/2002 (termo inicial da exclusão), tem capacidade contributiva, tem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais, não estando amparada pela legislação do SIMPLES, pois participa, inclusive, de licitações públicas, como demonstram os instrumentos contratuais firmados com as Centrais Elétricas Matogrossenses S/A - CEMAT, desde 2002 (fls. 1181633) Na verdade, desde a edição da 2" Alteração Contratual arquivada na Junta Comercial em 25/11/1997, onde consta - como objetivo social — a prestação de serviços de instalações de redes elétricas de baixa, média, e alta tensão, linha de transmissão, eletrificação rural, subestações e iluminação pública, a recorrente exerce atividade, sim, que requerem acompanhamento, supervisão, de profissional de nível superior, da área de Engenharia Elétrica, ainda que, em regra, também, utilize na execução dos serviços citados pessoal de nível médio (eletricistas). Ainda, constam dos autos cópias de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, fornecidas pelo CREA — MT, do período 2005 a 2008, quanto aos serviços prestados pela recorrente á CEMAT, e são provas cabais de que executa atividades de profissão regulamentada (fls. 73/112). Com efeito, a Lei 9.317/96, em consonância com o art. 179 da CF/1988, teve como escopo incentivar as pessoas jurídicas mencionadas em seus incisos com a previsão de a Processo n° 10183,004428/2004-16 SI-TE02 Acórdão n 1802-0O 594 El 5 carga tributária mais adequada, simplificação dos procedimentos burocráticos, protegendo as microempresas e retirando-as do mercado informal. Daí as ressalvas do inciso XIII do art. 9' do mencionado diploma, cuja constitucionalidade foi assentada na ADIn 1.643/DF, excludentes dos profissionais liberais e das empresas prestadoras dos serviços correspectivos e que, pelo cenário atual, dispensam essa tutela especial do Estado. Constitui, inclusive, um despautério a pretensão da recorrente de inserção no SIMPLES, pois a razoabilidade da Lei n° 9.317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais. A propósito, ainda, transcrevo precedentes jurisprudenciais pátrios dos tribunais, quanto à interpretação do real escopo da legislação do SIMPLES: "AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MEDIDA LIMINAR "SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES" LEI N" 9.317, DE 5 DE DEZEMBRO DE 1996. PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CUJO EXERCiCIO DEPENDA DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL LEGALMENTE EXIGIDA' NÃO PODE OPTAR PELO "SISTEMA SIMPLES" 1, Há pertinência temática entre os objetivos estatutários da Confederação Nacional das Profissões Liberais e a lei questionada, que instituiu o "Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microenzpre,sas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES" 2 Ainda que classificadas como microempresas ou empresas de pequeno porte porque a receita bruta anual não ultrapassa os limites fixados no art. 2", incisos 1 e II, da Lei n" 9.317, de 5 de dezembro de 1996, não podem optar pelo "Sistema SIMPLES" as pessoas jurídicas prestadoras de serviços que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. 3. Medida liminar indeferida." (AD1N 1.643-1/DF, STF Pleno - Rel. Min. Maurício Corrêa, D.1 19A2.97) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL RECURSO ESPECIAL, OPÇÃO PELO SIMPLES. .EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE PLANEJAMENTO DE INTERIORES, COMÉRCIO DE OBJETOS DECORATIVOS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. ART. 9', XIII, DA LEI 9.317/96, SIMILARIDADE COM PROFISSÃO DE ENGENHEIRO SÚMULA 07 DO STI VIOLA çÃo AO ARTIGO 53.5 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A Lei 9.317/96, em consonância com o art. 179 da CF/1 988, teve como escopo incentivar as pessoas jurídicas mencionadas em seus incisos com a previsão de carga tributária mais adequada, .simplificação dos procedimentos burocráticos, protegendo as microempresas e retirando-as do mercado informal Daí as ressalvas do inciso XIII do art. 9" do mencionado diploma, cuja constitucionalidade foi assentada na ADIn 1..643/DF', excludentes dos profissionais liberais e das empresas prestadoras dos serviços correspectivos e que, pelo cenário atual, dispensam essa tutela especial do Estado. 2, O art. 9", XIII, da Lei 9.317/96, veda a opção pelo SIMPLES à pessoa .jurídica que prestar serviços de engenharia ou assemelhados, ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. (.) (AgRg no RECURSO ESPECIAL 1\1° L141.278 - RS (2009/0096815-1), TRIBUTÁRIO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DECORAÇÃO DE INTERIORES, ATIVIDADE QUE NÃO DEPENDE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL LEGALMENTE EXIGIDA INCLUSÃO NO SIMPLES. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ART, 9", XIII, DA LEI N°9.317/96. 1 - Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n" 1.643- DF, o Supremo Tribunal Federal deu ao art. 9", XIII, da Lei n" 9„317/96, interpretação conforme à Constituição, consignando seu ilustre Relator, Ministro Ministro Maurício Corrêa que "a razoabilidade da Lei n° 9,317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais, 2 - Assim interpretada aquela norma, tem-se que as exclusões nela arroladas dizem respeito a profissões legalmente regulamentadas, não se podendo a elas equiparar, para esse fim, atividades outras, mesmo que conexas ou assemelhadas, que não dependem de tal habilitação, uma vez que o critério de discrimen, ao ver do egrégio Supremo Tribunal Federal, foi exatamente a regulamentação legal da profissão 3 - A decoração de interiores não é profissão legalmente regulamentada, nem serviço privativo de arquitetos ou engenheiros, ainda que aqueles muitas vezes os prestem, não estando, portanto, excluída da inclusão no SIMPLES (TRF da 4" Região, 2" Turma, AC n" 2005.71 14001777-1/RS, Rel. Des, Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira , DE 09/&2007,}. Para a exclusão retroativa da contribuinte do SIMPLES, foi aplicado o art. 15, II, da Lei 9.317/96, com redação dada pela MP 2A 58-35, de 27/07/2001, vigente na data da exclusão: Art. 15 A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I (omissis) lI — a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art 9" (redação dada pela MPie 2158-35, de 2001). 1 0 Processo n° 10183004428/2004-16 S1-TE02 MÓI chio n 1802-00.594 Fl 6 No caso, a infração ensejadora da exclusão ocorreu em 27/11/1997 (fl. 27). Logo, a empresa deveria ter sido excluída a partir de dezembro/97. Entretanto, a exclusão somente ocorreu a partir de 01/01/2002, situação que favoreceu a recorrente. A recorrente, ainda, questiona que a exclusão retroativa seria ilegal/inconstitucional. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo negar vigência à ordinária que tem presunção de legalidade, legitimidade e constitucionalidade, e nem conhecer de questionamento quanto à pretensa inconstitucionalidade. Nesse sentido, a matéria — neste CARF já está sumulada: Súmula CARF n2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstituciónalidade de lei tributária, 2 Jelso Kichel Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. --Ini Nelso Kichel II

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Numero do processo: 13923.000027/2004-74
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/11/1999 INCLUSÃO RETROATIVA, INSCRIÇÃO DE DÉBITO EM DIVIDA ATIVA, VEDAÇÃO É vedada a inclusão retroativa da empresa que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa
Numero da decisão: 1402-000.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar

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(assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitahnente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relatou EDITADO EM: 14/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vice-Presidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar ., Maria Antonieta Lynch de Moraes e Sergio 1..uiz Bezerra Presta, Assinado digitainii.=:nte•1);21) I o FREDERICO ALICilis -rei GOr...4ES DE ALE i-.1110121110 por A1_F3ERTINA SL. VA 5,.'\ HT OS DE LiMA eln 1.1:10,2010 pür FREDERICOAt,JAoJSiTi c.",:ary1E:E3 DE Ai...E 1 Eniacio DE CARI MT. f: I 2 Relatório Reynaud & Reynaud Ltda ME recorte a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela T Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto rf 70235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): "-Trata o processo de pedido da empresa, protocolizado em 27/05/2004, fi 1, de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, a partir de 01/01/1997. À li. 2, 'Termo de Opção apresentado pela empresa em 27/03/1997; às fls. 3/16, registro como microempresa e Contrato Social e alterações com o objeto social de "comércio de calçados em geral", alterado para "comércio varejista de brinquedos, utensílios e utilidades domésticas, confecções, calçados, tecidos, artigos de armarinhos, cama, mesa e banho, eletroeletrônieos e eletrodomésticos"; às fls. 19/24, Declarações Anuais Simplificadas que a empresa apresentou, das quais as dos anos-calendário 1997 a 2002, informam que a empresa esteve inativa (e também em 1995 e 1996), só passando a declarar receitas a partir de 2003, fl. 38 A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cascavel/PR, analisando a petição emitiu a Despacho Simples if 270/2004 de lis 52/54 e indeferiu o pedido, porque a empresa tinha pendências junto à Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN, ou seja, na Divida Ativa da União, cuja exigibilidade não estava suspensa, fls. 46/47 e 50/51. Cientificada em 01/09/2004, lis. 55/56, a interessada, em 30/09/2004, tempestivamente, interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 58/59, afirmado que protocolizou o Termo de Opção junto ao Banco do Brasil, na época aprazada e que vinha declarando pelo Simples, e sendo de ramo permitido, não tinha noção de se encontrar fora da sistemática. Informa que desconhecia o mencionado débito junto à PFN e que, imediatamente depois da ciência, procurou o órgão e providenciou o respectivo parcelamento. Reitera o pedido de inclusão retroativa. Esta DIU/CIA, solicitou a diligência de 11 66, executada pela DR.F/CVL às fls. 67/96" A DM proferiu em 27/09/2007 o Acórdão na 15.615 (fis 97-100) onde reconheceu o direito de inclusão da empresa no Simples de 01/01/1997 até 31/10/1999, data em que incorreu na vedação (débitos em divida ativa) O referido Acórdão traz a seguinte ementa: "TERMO DE OPÇÃO Deve-se reconhecer a opção pelo Simples, da empresa que protocolizou o Tetnzo de Opção dentro do prazo INSCRIÇÃO DE DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA VEDAÇÃO É vedada a permanência, com efeitos a partit do mês Asvnídodl °I1 1 "'" I 012,WJMOCW:tREW9thWi91-&tiãCId.aáj-FdéMO1iaMM° dif iffifirálNAS VA SANTOS DE UMA Alitr;-7nIicaclo digifalmento em 1-v10;2010 per FREDERICO AUGUSTO GOMES DE Ernilldo em 2W10 1 2010 pelo Mini.stérk) çf;1 2 --i— debito fls Data inscrição Valor Receita Data extinção Observações -14/07/1'9-98cr "Plig'óWàhfeg'kla inscriçãoAs:31narin (14:,.:InuoVe (1171 ,1j1 '18,p7Opudjj'é:dliffil MJC.5errtjfi? [-Cs:1LE: n. ,:roiewlod III irv Fï ii O2DI5i FREDERICO P, UGUST(7.) comEs DE ALE ErnWisio r,iiistálo giti l ' l j u 'lg/779P ul•cliliciellidãico 'wc:56 .7:-.1Jfi? AES leS (' 1-- E- DF CA I:1 H 3 Processo n" 13923 000027/2004-74 S1 -C4T2 Acórdão o' 1402-00„178 11 111 Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 11/10/2007 (AR. de fl, 102), a recorrente interpôs recurso voluntário em 30/10/2007 (fls. 103-104) onde alega, tão- somente, o que se segue, verbis.' De acordo com o processo, nos informa que a empresa não foi enquadrada por estar em divida ativa junto a PFN, em pesquisa realizada Receita Federal em 28/08/2007, mas informamos que a empresa parcelou novamente (segue Cópias), em 31/07/2007, trinta dias antes da pesquisa, e recolhidas em 31/07/2007 e 25/09/2007.., por motivos financeiros, não tivemos condições de dar continuidade nos parcelamentos anteriores, mas informamos que já estamos quitando nossas dívidas junto a PFN/RECEITA FEDERAL, somos uma verdadeira microempresa, e necessitamos estar enquadrados desde o período de 01/11/1999 até 30/06/2097, caso contrário vamos ter novas dividas, e certamente teremos grandes problemas continuar ativos, e justamente agora que o mercado local esta reagindo, e com certeza vamos dar continuidade aos pagamentos em dia dos parcelamentos feitos junto aos órgão competentes. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, pois, toma-se conhecimento. O objeto da lide consiste em delinear a possibilidade de inclusão retroativa da recorrente no Simples desde 01/11/1999, vez que a DIU já havia reconhecido o direito de inclusão de 01/01/1997 até 31/10/1999, quando a empresa teria incorrido na vedação por conta de inscrição em divida ativa da União. Com efeito, a pretensão da recorrente em optar pelo Simples estaria obstada à luz do disposto no art. 9 0, inciso XV, da Lei 9317/1996, in verbis: 'Art 9° Não pode, á optai pelo SIMPLES, a pessoa jurídica. XV - que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa.- Nesse sentido, pedindo vênia ao relator do Acórdão da DR,J, reproduzo o quadro-resumo dos débitos da empresa, inscritos em divida ativa: DF CA R F . N/I II 4 débito Lis Data inscrição Valor Receita Data extinção Observações 2/7 80/82 29/10/1999 R$ 361,09 Cofins 30/09/2004 Parcelamento em 30/09/2004; rescisão 13/03/2005 por falta pagt" 13/03/2005 3/7 83/85 29/10/1999 RS 82,39 CS 30/09/2004 Parcelamento em 30/09/2004; rescisão 11/04/2005 por falta pagt" 11/04/2005 4/7 86/87 29/10/1999 RS 41,17 CS 18/09/2006 5/7 88/90 29/10/1999 R$ 173,80 Cofins 18/09/2006 6/7 91/92 29/10/1999 RS 164,78 Cotins 7/7 92/93 29/10/1999 RS 164,78 Cotins 15/09/2006 Parcelamento em 15/09/2006; rescisão 09/12/2006 por falla_pagt" 09/12/2006 De fato, compulsando-se os dados da tabe a, verifica-se que no período de outubro de 1999 até, pelo menos, setembro de 2006 a empresa possuía débitos inscritos na dívida ativa da União. Em tais circunstâncias, à luz do comando legal supra citado e em face do princípio da estrita legalidade, não resta outra providência senão a de manter o impedimento da opção ao Simples no período pleiteado. Quanto às alegações da empresa no sentido de que estaria providenciando sua regularização por meio de novos pedidos de parcelamento, é de se esclarecer que a extinção da condição excludente, nessa fase, não tem o condão de remover o óbice à sua inclusão retroativa no Simples. Tal atitude, quando implementaria, permitiria que a empresa fosse incluída no Simples no ano seguinte à regularização dos débitos, desde que cumpridos os demais requisitos legais. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado Sala das Sessões, em 19 de maio de 2010 (assinado digitahnente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relatou Aniadc digitalmente ein 14 . 10/2010 pnr FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE 1410'201 O por ALEERTI NA Sn_ VA SANTOS DE LIMA AuteriticAdn digitalmentit; &In 14' ;0:201a por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Ernilklo era 2iV10 . 2010 pelo Ministério da Fx•tende 4

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Numero do processo: 10803.000118/2008-10
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, isentos e não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não-tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades em espécie, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores lançados, a título empréstimos, moeda em espécie, rendimentos isentos e não tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa como origem de recurso para justificar acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. JUROS COMPENSATÓRIOS. CARACTERIZAM VALORES TRIBUTÁVEIS. Independentemente da designação dada (juros compensatórios, juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc.), qualquer acréscimo no valor da venda deve ser tributado em separado do ganho de capital, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao ano-calendário de seu recebimento. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12). INFORMAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. É dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. Desta forma, os rendimentos comprovadamente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de contas bancárias movimentadas no Brasil e/ou no exterior, rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada e em grande monta, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoaao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto à preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.
Nome do relator: Nelson Malmann

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Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, isentos e não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não-tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades em espécie, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores lançados, a título empréstimos, moeda em espécie, rendimentos isentos e não tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa como origem de recurso para justificar acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. JUROS COMPENSATÓRIOS. CARACTERIZAM VALORES TRIBUTÁVEIS. Independentemente da designação dada (juros compensatórios, juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc.), qualquer acréscimo no valor da venda deve ser tributado em separado do ganho de capital, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao ano-calendário de seu recebimento. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12). INFORMAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. É dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. Desta forma, os rendimentos comprovadamente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de contas bancárias movimentadas no Brasil e/ou no exterior, rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada e em grande monta, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 68; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 1          1             S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10803.000118/2008­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­01.459  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de outubro de 2011  Matéria  IRPF  Recorrente  MARCIONIL XAVIER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA.  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  LOCAL DA LAVRATURA.  O  auto  de  infração  deverá  conter,  obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de  infração é que se  instaura o  litígio  entre o  fisco  e o  contribuinte,  podendo­se,  então,  falar  em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O  AUDITOR­FISCAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  LANÇAR  TRIBUTOS  FEDERAIS  INDEPENDE  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF.  IMPOSSIBILIDADE  DE  CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.  A  autoridade  fiscal  tem  competência  fixada  em  lei  para  lavrar  o  Auto  de  Infração.  Na  falta  de  cumprimento  de  norma  administrativa  a  referida  autoridade  fica  sujeita,  se  for  o  caso,  a  punição  administrativa,  mas  o  ato  produzido continua válido e eficaz.     Fl. 931DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   2 ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  GASTOS  E/OU  APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS.  FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO.  APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA.  Quando  a  autoridade  lançadora  promove  o  fluxo  financeiro  de  origens  e  aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este  deve  ser  apurado  mensalmente,  considerando­se  todos  os  ingressos  de  recursos  (entradas)  e  todos  os  dispêndios  (saídas)  no  mês.  A  lei  somente  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  nos  casos  em  que  a  autoridade  lançadora comprove gastos e/ou aplicações  incompatível com os  recursos  disponíveis  (tributados,  isentos  e  não­tributáveis  ou  tributados  exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados,  na  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  todos  os  recursos  auferidos  pelo  contribuinte  (tributados,  isentos  e  não­tributáveis  e  os  tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados  de ofício pela autoridade lançadora.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.  Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de  renda. A  lei  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  desde  que  à  autoridade  lançadora  comprove  o  aumento  do  patrimônio  sem  justificativa  nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos  bancários, disponibilidades em espécie, resgates de aplicações, dívidas e ônus  reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as  invoca  como  justificativa  de  eventual  aumento  patrimonial.  As  operações  declaradas,  que  importem  em  origem  de  recursos,  devem  ser  comprovadas  por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de  sua ocorrência.  INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.  A prova de infração fiscal pode realizar­se por todos os meios admitidos em  Direito,  inclusive  a  presuntiva  com  base  em  indícios  veementes,  sendo,  outrossim, livre a convicção do julgador.  INFORMAÇÃO  E  COMPROVAÇÃO  DOS  DADOS  CONSTANTES  DA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  DEVER  DO  CONTRIBUINTE.  CONFERÊNCIA  DOS  DADOS  INFORMADOS.  DEVER  DA  AUTORIDADE FISCAL.  É dever do  contribuinte  informar  e,  se  for o  caso,  comprovar os dados  nos  campos  próprios  das  correspondentes  declarações  de  rendimentos  e,  conseqüentemente,  calcular  e  pagar  o  montante  do  imposto  apurado,  por  outro  lado,  cabe  a  autoridade  fiscal  o  dever  da  conferência  destes  dados.  Assim,  na  ausência  de  comprovação,  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea,  dos  valores  lançados,  a  título  empréstimos,  moeda  em  espécie,  rendimentos isentos e não tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, é dever  de  a  autoridade  fiscal  efetuar  a  sua  glosa  como  origem  de  recurso  para  justificar acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE  RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.  Fl. 932DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 2          3 Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta de depósito ou de  investimento mantida junto à instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos recursos utilizados nessas operações.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PERÍODO­BASE  DE  INCIDÊNCIA.  APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL.   Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro  de  1997,  serão  apurados, mensalmente,  à medida  que  forem  creditados  em  conta  bancária  e  tributados  como  rendimentos  sujeitos  à  tabela  progressiva  anual (ajuste anual).   PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão­ somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.  JUROS  COMPENSATÓRIOS.  CARACTERIZAM  VALORES  TRIBUTÁVEIS.  Independentemente  da  designação  dada  (juros  compensatórios,  juros,  correção monetária,  reajuste de parcelas,  etc.),  qualquer  acréscimo no valor  da  venda  deve  ser  tributado  em  separado  do  ganho  de  capital,  na  fonte  ou  mediante  recolhimento mensal  obrigatório  (carnê­leão),  conforme  o  caso,  e  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  correspondente  ao  ano­calendário  de  seu  recebimento.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  A  TÍTULO  DE  ANTECIPAÇÃO.  FALTA DE RETENÇÃO.  Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legitima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que  a  fonte  pagadora  não  tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12).  INFORMAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE  ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE.  É dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste  anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos  e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. Desta  forma, os  rendimentos comprovadamente omitidos na Declaração de Ajuste  Anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados, para efeito  de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada.  SANÇÃO  TRIBUTÁRIA.  MULTA  QUALIFICADA.  JUSTIFICATIVA  PARA  APLICAÇÃO.  NECESSIDADE  DA  CARACTERIZAÇÃO  DO  EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.  A  evidência  da  intenção  dolosa  exigida  na  lei  para  a  qualificação  da  penalidade  aplicada  há  que  aflorar  na  instrução  processual,  devendo  ser  Fl. 933DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   4 inconteste  e  demonstrada  de  forma  cabal.  A  prestação  de  informações  ao  fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de  inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de contas bancárias movimentadas  no  Brasil  e/ou  no  exterior,  rendimentos,  bens  ou  direitos,  mesmo  que  de  forma reiterada e em grande monta, por si só, não caracteriza evidente intuito  de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista  no  §  1º  do  artigo  44,  da  Lei  nº.  9.430,  de  1996,  já  que  ausente  conduta  material bastante para sua caracterização.  RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de  lançar com multa de  oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao  recurso para  desqualificar  a  multa  de  ofício,  reduzindo­a  ao  percentual  de  75%,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  A  Conselheira  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga  votou  pelas  conclusões  quanto  à  preliminar  de  nulidade  do  lançamento  em  função  de  possíveis  irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.       (Assinado digitalmente)   Nelson Mallmann – Presidente e Relator.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de  Aragão  Calomino  Astorga,  Guilherme  Barranco  de  Souza,  Antonio  Lopo  Martinez,  Odmir  Fernandes, Rafael  Pandolfo  e Nelson Mallmann. Ausentes  justificadamente,  os Conselheiros  Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes.    Fl. 934DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 3          5 Relatório  MARCIONIL  XAVIER,  contribuinte  inscrito  no  CPF/MF  271.117.688­68,  com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Maranhão, nº. 320 –  Bairro Higienópolis, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração  Tributária  em  São  Paulo  ­  SP,  inconformado  com  a  decisão  de  Primeira  Instância  de  fls.  754/773, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  São Paulo – SP  II  recorre,  a  este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a  sua reforma, nos termos da petição de fls. 783/850.  Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 25/11/2008, Auto de  Infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  (fls.  02/11),  com  ciência  através  de  AR,  em  28/11/2008  (fls.  681),  exigindo­se  o  recolhimento  do  crédito  tributário  no  valor  total  de R$  361.249,71  (padrão  monetário  da  época  do  lançamento  do  crédito  tributário),  a  título  de  Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75%  para a irregularidade de dedução indevida de despesas médicas e da multa de lançamento ofício  qualificada  de  150%  para  as  demais  irregularidades,  bem  como  dos  juros  de  mora  de,  no  mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e renda, relativo aos exercícios de  2004, correspondente ao ano­calendário de 2003.  A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  de  revisão da Declaração de Ajuste Anual  referente ao exercício de 2004, onde a autoridade  lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades:  1  ­  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO:  Omissão  de  rendimentos  tendo  em  vista  50,0%  dos  valores  apurados  a  titulo  de  variação  patrimonial  a  descoberto,  onde  se  verificou  excesso  de  aplicações  sobre  origens,  não  respaldado  por  rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação e de  Conclusão Fiscal, anexo ao presente auto de infração. A Variação Patrimonial a Descoberto, do  AC 2003,  foi apurada  com base nas  informações  fornecidas pelo  fiscalizado e com base nos  rendimentos líquidos de seu cônjuge, Sra. Edna de Carvalho Xavier, CPF no 067.131.298­70,  cujo  procedimento  determinado  pelo MPF  no  08.1.90.00­2008­01084­5.  Infração  capitulada  nos artigos 1º, 2º, 3º, e §§, da Lei nº 7.713, de 1988; artigos 1º e 2º, da Lei n º 8.134, de 1990;  artigo 21 da Lei nº 9.532, de 1990 e artigo 1º da Lei nº 10.451, de 2002.  2  ­  DEDUÇÃO  DA  BASE  DE  CALCULO  PLEITEADA  INDEVIDAMENTE  (AJUSTE  ANUAL)  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  MÉDICAS:  Redução  indevida  da  Base  de  Cálculo  com  despesas  médicas,  pleiteadas  indevidamente,  referente  ao  plano  de  saúde  da Sra. Edna  de Carvalho Xavier,  da Sra. Carla  Xavier e da Sra. Claudia Xavier, não dedutíveis na DIRPF/2004, por não estarem declarados  como dependentes, conforme Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, anexo ao presente  auto  de  infração.  Infração  capitulada  no  artigo  11,  §  3º,  do Decreto­lei  nº  5.844,  de  1943  e  artigos 73 e 80 do RIR/1999.  3  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS  COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores  Fl. 935DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   6 creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprovou,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  conforme  Termo  de  Verificação  e  Conclusão  Fiscal,  anexo  ao  presente  auto  de  infração.  Infração  capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997; artigo 1º da  Lei n° 9.887, de 1999 e artigo 1º da Lei nº 10.451, de 2002.  4  –  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  JUROS  COMPENSATÓRIOS  OU MORATÓRIOS: Omissão  de  rendimentos  apurada  com  base  nos  valores  recebidos  a  titulo  de  juros  compensatórios,  decorrentes  da  venda  do  apartamento  121,  Côte  Sauvage,  localizado  à  Rua  Edson,  177,  São  Paulo/SP,  ocorrida  em  13/03/2001,  &  Vale  Lindo  Participações  Ltda.,  CNPJ  02.995.824/0001­74,  conforme  o  Termo  de  Verificação  e  de  Conclusão Fiscal, anexo ao presente auto de infração. Infração capitulada no artigo 26 da lei nº  4.506, de 1964, artigo 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988 e artigos 24 e 70, da Lei nº 9.430, de  1996.  Os  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  responsáveis  pela  constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação e  de Conclusão Fiscal (fls. 12/56), entre outros, os seguintes aspectos:  ­ que a análise das declarações dos rendimentos e demais informações fiscais  disponíveis  nos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  do  fiscalizado,  demonstrou ser insuficiente para explicar determinadas incompatibilidades nas Declarações do  Imposto  de  Renda  Pessoa  física  ­  DIRPFs,  dos  AC  2003,  2004  e  2005,  necessitando  de  procedimento fiscal pormenorizado para esclarecimentos dos fatos;  ­  que  para  atendimento  ao  artigo  9°  da  Portaria  RFB  n°  11.371,  de  12  de  dezembro  de  2007,  foi  determinado  pelo  Superintendente  Regional  da  Receita  Federal  do  Brasil, da 8a Região Fiscal a abertura do MPF­F n° 08.1.90.00­2008­06688­3, em substituição  ao MPF­F  n°  08.1.11.00­2007­00221­7,  para  execução  de  procedimento  fiscal  do  IRPF,  dos  anos­calendário 2003, 2004 e 2005;  ­  que  o  fiscalizado  teve  procedimento  fiscal  iniciado  em  14/08/2006  e  encerrado  em  28/11/2006.  Foi  lavrado  auto  de  infração,  pela  DRF/Guarulhos,  processo  n°  16095.000344/2006­41, tributo IRPF, AC 2001;  ­ que com base nas informações prestadas a RFB, as instituições financeiras,  de  acordo  com o  artigo  11,  parágrafo  2°,  da Lei  n°  9.311/96,  declararam  as movimentações  financeiras,  do  fiscalizado,  demonstradas  abaixo,  que  foram  cotejadas  com  os  rendimentos  declarados;  ­  que  a  movimentação  financeira  declarada  pelos  bancos  foi  2,5  vezes  superior ao valor dos rendimentos declarados pelo fiscalizado, no AC 2003;  ­  que o  fiscalizado  foi  regularmente  intimado,  em 30/07/2007,  a  apresentar  cópias dos  extratos bancários de  todas  as  contas­corrente,  poupança  e  investimentos,  em seu  nome,  mantidas  nas  instituições  financeiras,  no  AC  2003.  Em  expediente  de  11/09/2007,  o  fiscalizado  encaminhou  os  extratos  bancários,  de  contas  mantidas  nas  seguintes  instituições  financeiras;  ­  que  de  posse  dos  extratos  bancários  esta  fiscalização  elaborou  planilha  reproduzindo  os  valores  dos  extratos  dos  bancos  acima  mencionados,  do  fiscalizado,  consolidando os valores lançados a débito e a crédito, para cada ano­calendário e em seguida  Fl. 936DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 4          7 efetuou ajuste das operações bancárias, excluindo os depósitos decorrentes de transferências de  outras  contas  da  própria  pessoa  física,  estornos,  cheques  devolvidos,  empréstimos  bancários  etc.;  ­  que  os  depósitos/créditos  apurados,  no  AC  2003,  totalizaram  R$  548.841,69,  ou  seja,  1,1%  acima  dos  valores  de  movimentação  financeira  declarada  pelos  bancos;  ­  que  o  fiscalizado  omitiu  rendimentos  tributáveis  recebidos  de  pessoa  jurídica, com fatos geradores em janeiro a dezembro de 2003, os quais foram depositados em  sua  conta  bancária,  no  montante  de  R$  80.921,72;  valores  estes  recebidos  a  titulo  de  juros  compensatórios,  decorrentes  da venda  do  apartamento  121, Côte Sauvage,  localizado A Rua  Edson, 177, São Paulo/SP, ocorrida em 13/03/2001, à Vale Lindo Participações Ltda., CNPJ  02.995.824/0001­74, com enquadramento legal no art. 55 do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999 ­  Regulamento do Imposto de Renda);  ­ que o fiscalizado foi intimado, em 30/07/2007, através do Termo de Início  de Ação Fiscal, a "Apresentar documentação hábil e idônea, comprobatória do mútuo no valor  de R$ 320.000,00, com o Sr. Haigazum Kassardjian, CPF 371.713.488­49 "Comprovação da  transferência  do  numerário,  coincidente  em  data  e  valor  com  extrato  bancário;  cópia  de  contrato particular e notas promissórias devidamente autenticadas, conforme consta no quadro  de dividas e Ônus reais da DIRPF/2004.";  ­ que em petição, datada de 11/09/2007, juntou cópia do "Contrato Particular  de Mútuo Firmado entre Pessoas Físicas", celebrado em 15/01/2003; cópia da "Prorrogação de  Vencimento  de Contrato  de Mútuo  Firmado  entre  Pessoas  Físicas",  datada  de  05/01/2005  e  cópia  de Nota  Promissória. No Anexo  1,  da  petição,  discriminou  os  recursos  recebidos:  R$  79.800,00  (depositado  no Banco  Itaú); R$ 80.000.00  (depositado  no Banco Santander)  e R$  32.215,00 (recebido em espécie);  ­ que através do Termo de Intimação n° 02, de 04/10/2007, o fiscalizado foi  novamente intimado a "apresentar prova da efetiva transferência de numerário do citado credor  para sua conta bancária, nas operações abaixo demonstradas, bem como do efetivo recebimento  de  dinheiro  em  espécie,  no  valor  de  R$  32.215,00,  conforme  informado  em  petição  do  dia  11/09/2007, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal";  ­  que  para  coletar  informações  adicionais,  a  fiscalização  intimou,  em  19/12/2007,  o  contribuinte  credor  Haigazum  Kassardjian,  CPF  n°  371.713.488­49  (MPF  Extensivo, 17/12/2007), a apresentar comprovação do suposto empréstimo, quanto aos valores  liberados e respectivamente quitados;  ­  que  em  resposta,  de  20/01/2008,  o  contribuinte  Haigazum  Kassardjian  apresentou planilha dos recursos liberados, para o fiscalizado e seu cônjuge, cujo demonstrativo  sintético reproduzimos a seguir;  ­  que  corroborado  com  os  esclarecimentos  do  fiscalizado  e  do  credor,  constatamos  que  os  recursos  no  montante  de  R$  159.800,00  foram  depositados  no  Banco  Santander  (R$  80.000,00)  e  no  Banco  Itaú  (R$  79.800,00),  em  dinheiro  (TEC  Depósito  Dinheiro,  Dep.  Dinh  —  AO,  CEI  Dinheiro)  ,  em  4  (quatro  dias),  do  dia  28/01/2003  a  31/01/2003 (item 25.2.4);  Fl. 937DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   8 ­  que  o  fiscalizado  alegou  que  os  montantes  de  R$  32.215,00  e  de  R$  30.000,00  foram  recebidos  em  moeda  nacional,  respectivamente,  em  15/05/2003  e  em  09/01/2004,  e  como  prova,  apresentou  cópia  de  recibo,  por  conta  do  contrato  de  mútuo  firmado, conforme demonstração na Planilha de Origens e Aplicações de Recursos.";  ­ que o montante de R$ 127.985,00 foi recebido em dinheiro, pelo cônjuge do  fiscalizado, Edna Xavier, CPF n° 067.131.298­70, em sua conta bancária (Banco IWO), sendo  a  quantia  de  R$  103.075,00,  depositada  em  5  (cinco)  dias,  do  dia  27/01/03  a  31/01/03,  segregada em parcelas inferiores a R$ 10.000,00;  ­ que em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 4, de 18/12/2007, através  do qual o fiscalizado foi intimado a apresentar comprovação da quitação da divida do alegado  "Contrato Particular de Mútuo", o fiscalizado esclareceu, em petição recebida em 25/0212008,  que  "Quadro  9  ­  tem  11 —  Os  pagamentos  foram  efetuados  em  espécie  por  exigência  do  credor, na mesma forma que por época dos recebimentos, cujo dinheiro sacado do Banco nas  respectivas datas, para efetuar os referidos pagamentos.";  ­  que  a  quitação  do  empréstimo  conforme  alegação  do  fiscalizado,  foi  efetuada com valores oriundos de três saques, em moeda nacional, de R$ 100.000,00, em três  dias consecutivos;  ­  que  em  5  dias  consecutivos,  de  27/01/2003  a  31/01/2003,  foram  depositados, em dinheiro, em 3 contas bancárias distintas, o montante de R$ 262.875,00, sendo  R$ 159.800,00, na conta do fiscalizado e R$ 103.075,00, na conta do cônjuge do fiscalizado;  ­  que a  forma na qual os  recursos  foram  creditados nas  contas­corrente,  ou  seja,  como  todos  os  depósitos  foram  efetuados  em  dinheiro  e  inferiores  a  quantia  de  R$  10.000,00  (ver  item 25.2.4), não há como comprovar categoricamente que os  recursos  foram  provenientes do credor assinalado no "Contrato de Mútuo";  ­  que  os  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  de  valores  individuais inferiores a R$ 12.000,00, totalizaram o somatório de R$ 159.800,00, no AC 2003  (item 25.2.4);  ­  que,  desta  forma,  foi  apurada  omissão  de  rendimentos,  caracterizada  por  depósitos,  nas  contas  bancárias,  com  origem  não  comprovada,  para  fato  gerador  em  31/01/2003,  no montante  de R$  159.800,00,  em  relação  ao  qual  o  fiscalizado,  regularmente  intimado,  não  comprovou  categoricamente,  mediante  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito, com enquadramento legal  no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 10 da  Lei n° 9.887, de 1999; art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR de 1999 (Decreto  n° 3.000, de 26 de março de 1999);  ­  que  os  depósitos/créditos  no  Banco  do  Brasil,  no  montante  de  R$  113.586,09, foram provenientes do recebimento de proventos do Ministério da Fazenda, CNPJ  00.394.460/0117­71,  cujos  rendimentos  tributáveis  líquidos  foram  obtidos  dos  extratos  bancários  do  Banco  do  Brasil,  agência  1891­0,  conta  n°  553.471­2.  Os  valores  incluem  os  proventos  mensais,  bem  como  o  13°  salário  e  férias,  líquidos  de  IRPF,  contribuições  Previdência Oficial, contribuições sindicais, etc., conforme abaixo;  ­  que  o  montante  de  R$  15.600,00  alegado  pelo  fiscalizado  como  disponibilidade em caixa, não foi comprovado mediante apresentação de documentação hábil e  portanto,  ficou  configurada  omissão  de  rendimentos,  caracterizada  por  depósitos,  nas  contas  Fl. 938DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 5          9 bancárias,  com  origem  não  comprovada,  para  fatos  geradores  em  31/01/2003,  30/06/2003,  31/08/2003, com enquadramento  legal no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 4° da Lei n°  9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999; art. 849 do Regulamento do  Imposto de Renda ­ RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999);  ­  que,  pelo  exposto, o  fiscalizado omitiu  rendimento  tributável,  recebido de  pessoa  física, com  fato  gerador  em 31/05/2003, o qual  foi  depositado  em  sua  conta bancária,  pela Sra.  Sonia Maria Rodrigues  Leite,  no montante  de R$ 15.000,00,  valor  este  recebido  a  titulo de juros compensatórios, pelo atraso no pagamento do saldo devedor de R$ 50.000,00,  pago  em  dezembro  de  2002,  referente  à  venda  do  apartamento  61,  localizado  na  Rua  Voluntários da Pátria, 2831 — SP, em 1996, a empresa "Matriz" Bijuterias Finas Ltda. ME,  CNPJ  n°  59.262.055/0001­12,  representada  pelas  sócias,  Inds  Aparecida  Rodrigues  de  Siqueira, CPF n° 007.242.458­39 e Sonia Maria Rodrigues Leite, CPF n° 767.286.098­49; com  enquadramento  legal  no  §  3°  do  art.  43  e  no  art.  55  do  RIR/1999  (Decreto  3.000/1999  ­  Regulamento do Imposto de Renda);  ­ que, desta forma, a DIRPF do AC 2003, foi retificada de oficio, efetuando­ se as glosas de dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação e tendo sido  recolhido o valor de R$ 776,40, em decorrência,  foram apurados Saldos de  Imposto a Pagar,  cujo resultado foi objeto de lançamento, conforme demonstrativo a seguir;  ­  que  por  intermédio  do  Termo  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal,  de  01/10/2008,  o  fiscalizado  foi  intimado  a  se manifestar  sobre  os  valores  apurados  a  titulo  de  Variação Patrimonial a Descoberto, no AC 2003;  ­ que ato continuo, através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal,  de  16/10/2008,  foi  encaminhada  novamente  a  documentação  supramencionada,  porém,  para  que  o  fiscalizado  manifestasse  sobre  50.0%  dos  valores  apurados  a  titulo  de  Variação  Patrimonial a Descoberto, no AC 2003;  ­ que o fiscalizado apresentou expediente de 03/11/2008 em resposta ao termo  em epígrafe. Dos argumentos expostos pelo fiscalizado foi constatado que os valores referentes  aos  juros  da  caderneta  de  poupança  não  constavam  no  fluxo  original,  sendo,  portanto,  adicionados. Por sua vez, os  rendimentos decorrentes da aplicação financeira,  já haviam sido  contemplados  no  fluxo  financeiro,  no momento  em  que  ocorreram  os  resgates  e  saques  das  aplicações financeiras no decorrer do ano. Os demais contrapontos foram relatados no presente  termo fiscal;  ­  que  com  base  na  declaração  do  imposto  de  renda,  nas  informações  dos  sistemas  da  RFB  e  tendo  sido  o  fiscalizado  devidamente  intimado  e  tendo  apresentado,  documentos, esclarecimentos e planilhas de origens e aplicações de recursos,  foi elaborado o  Fluxo  Financeiro  Mensal  (ANEXO  1),  incluindo  recursos/origens  e  dispêndios/aplicações;  tendo  sido  também  incorporados no  fluxo, os  rendimentos  líquidos do  seu  cônjuge, Edna de  Carvalho  Xavier,  CPF  067.131.298­70,  que  entregou  declaração  de  imposto  de  renda  em  separado  e  cujo  procedimento  fiscal  foi  determinado  pelo MPF­F  08.1.90.00­2008­01084­5,  que substituiu o MPF­F 08.1.90.00­2007­02031­6, cuia documentação foi ¡untada ao presente  processo . As seguintes informações foram apuradas de cada componente do fluxo financeiro;  ­ que o fiscalizado apresentou dispêndios não respaldados pelos rendimentos  tributáveis,  isentos  e  não  tributáveis  ou  de  tributação  exclusiva,  incorrendo  na  Variação  Fl. 939DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   10 Patrimonial a descoberto, constante do Anexo 1, calculado na proporção de 50% da Variação  Patrimonial a Descoberto (Parte 2, Item 22);  ­  que  quanto  à  qualificação  da  multa  de  ofício  e  de  se  dizer  que  a  movimentação  financeira,  do  fiscalizado,  declarada pelas  instituições  bancárias  foi  2,5  vezes  superior  ao  valor  total  do  rendimento  declarado,  no  AC  2003.  0  total  de  bens  e  direitos  declarados  no  AC  2002  totalizou  R$  1.399.714,27,  passando  para  R$  1.875.245,72  no  AC  2003, com acréscimo de 34,0% (R$ 475.531,45).  Em sua peça impugnatória de fls. 688/726, instruída pelos documentos de fls.  727/751,  apresentada,  tempestivamente,  em  22/12/2008  o  contribuinte,  se  indispõe  contra  a  exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à  impugnação para declarar a insubsistência do  Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos:  ­  que  o  regime  do  procedimento  e  do  processo  administrativo  contém  um  núcleo  lógico —jurídico comum, consubstanciado em principias de observância obrigatória em  ambas as fases do caminho percorrido pela Administração Tributária desde a formalização da  pretensão e até o julgamento da lide tributária. Este núcleo principiológico comum é composto  por  um  conjunto  de  seis  princípios  que  conferem  coesão  à  atividade  tributária  estatal:  1.  Principio da legalidade objetiva; 2. Principio da vinculação; 3. Principio da verdade material; 4.  Principio  da  oficialidade;  5.  Principio  do  dever  de  investigação,  e  6.  Principio  do  dever  de  colaboração;  ­  que  no  Termo  de Verificação  e  Constatação  Fiscal,  os  ilustres  AFRFB's  exigiram  o  imposto,  multa  e  juros  do  impugnante  e  sua  esposa  no  percentual  de  50%  do  pretenso valor apurado na variação patrimonial;  ­  que,  entretanto,  em  uma  análise  atenciosa  verificamos  que  a  fiscalização  utilizou  dois  Fluxos  de  Caixa  para  apuração  imaginária  da  pretensa  variação  patrimonial,  ofendendo as normas vigentes;  ­ que o impugnante é casado sob o regime de Comunhão Universal de Bens  com  a  senhora  EDNA  DE  CARVALHO  XARVIER.  Sua  esposa  apresentou,  no  ano  calendário de 2003, exercício de 2004, DAA (Declaração de Ajuste Anual), em separado do  impugnante;  ­  que pelo  disposto  na  legislação  que  rege  o  assunto,  tendo  em vista  que  a  regra para a tributação dos rendimentos produzidos por bens comuns ao casal é a tributação em  separado,  entende­se  que  a  tributação  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  aplicado  na  aquisição de bens comuns ao casal, deve ser feita em separado, na proporção de 50% do valor  da variação patrimonial para cada cônjuge, caso não tenham apresentado a DAA em conjunto.  Desse modo, a autuação deve ser efetuada no nome de cada um dos cônjuges;  ­  que,  que  quanto  à  multa  qualificada,  é  de  se  dizer  que  é  pacifico  o  entendimento que o agravamento de penalidade com base em qualquer dos artigos usados na  capitulação da exigência sob debate deve decorrer de precisa descrição dos fatos e adequação  do tipo previamente definido como sendo o procedimento objetivo do infrator (o contribuinte);  ­  que  tem  sido  mantido  o  agravamento  de  multa  em  situações  de  caracterizada  omissão  de  receitas  em  decorrência  de  calçamento  ou  contrafação  de  notas  fiscais, de uso de documentação viciada por falsidade material ou ideológica, e situações outras  com comprovada operacionalização pelo emprego de fraude comprovada ou conluio, o que não  é o presente caso;  Fl. 940DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 6          11 ­ que a primeira análise, voltada apenas para a falta de descrição objetiva, em  item  em  separado  da  circunstância  que  propiciaram  a  aplicação  da  multa  majorada  e  a  definição precisa do tipo apenado (Sonegação — art. 71; fraude — art. 72, ou conluio — art. 73)  poderia  ser  suficiente  para  o  desagravamento  da  multa,  uma  vez  que  o  agravamento  exige  comprovação do dolo e tipificação da conduta delituosa, desde o primeiro momento;  ­  que,  quanto  aos  depósitos  bancários,  é  de  se  dizer  que  a  fiscalização,  em  suas conclusões, afirma a existência de omissão de receita originária de depósitos bancários de  origem  não  comprovada  no  valor  de  R$  186.033,76.  O  valor  é  composto  dos  montantes  apontados nos itens 25.2, 25.5, 25.6 e 25.8 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal;   ­  que  as  autoridades  fiscais  alegam  que  o  impugnante  foi  intimado  12  a  apresentar documentação hábil e  idônea comprobatória do mútuo no valor de R$ 320.000,00,  com  o  Sr.  Haigazum  Kassardjian,  CPF  371.713.488­49,  com  a  seguinte  exigência:  "Comprovação  da  transferência  do  numerário,  coincidente  em  data  e  valor  com  o  extrato  bancário; cópia de contrato particular e notas promissórias devidamente autenticadas, conforme  consta no quadro de dividas e ônus reais da DIRPF/2004";  ­  que  afirma  as  autoridades  fiscais  que  o  fiscalizado  juntou:  "cópia  do  "Contrato Particular de Mútuo Firmado entre Pessoa Física", celebrado em 15/01/2003; cópia  da "Prorrogação de Vencimento de Contrato de Mútuo Firmado entre Pessoas Físicas", datada  de 05/01/2005 e cópia de Nota Promissória.";  ­ que após a apresentação de  todos os documentos solicitados no Termo de  Intimação, com ciência em 30/07/2007, a fiscalização investiu contra o impugnante, intimando­ o, novamente, em 04/10/2007, a apresentar13 "prova da efetiva transferência de numerário do  citado  credor  para  sua  conta  bancária,  nas  operações  abaixo  demonstradas,  bem  como  do  efetivo recebimento de dinheiro, no valor de R$ 32.215,00, conforme informado em petição do  dia 11/09/2007, em resposta ao Termo de Inicio de Ação Fiscal. 0 valor total mencionado pela  fiscalização foi de R$ 159.800,00;  ­  que  a  fiscalização  14,  em  19/12/2007,  intimou  o  contribuinte  credor  Sr.  Haigazum Kassardjian,  CPF  n  °  371.713.488­49  (MPF Extensivo,  17/12/2007),  a  apresentar  comprovação do suposto empréstimo, quanto aos valores liberados e respectivamente quitados;  ­ que após todos os esclarecimentos e provas trazidas ao procedimento fiscal  pelo  fiscalizado,  as  autoridades  fiscais  encerram  este  tópico  da  auditoria  com  as  seguintes  afirmações: (a) ­ O contrato de mútuo e sua prorrogação apresentada não foram devidamente  registrados, no competente Cartório de Títulos e Documentos, para ter efeito perante terceiros,  no  caso  a  Fazenda Pública  da União,  conforme  prescrito  nos  artigos  135  e  1067 do Código  Civil (CC)). Portanto, o alegado contrato de mútuo, por si só, foi insuficiente para fazer prova  da  origem  dos  recursos;  (b)  A  cópia  da  note  promissória  apresentada,  no  valor  de  R$  320.000,00,  também,  não  serviu  para  comprovar  a  realização  do mútuo,  pois  no  documento  particular não constava registro e nem sequer o reconhecimento de firma;  ­ que em seguida os AFRFB's,  entrando em seara  fora de  sua  competência,  em  contexto  estranho  ao  direito  tributário,  começam  relatar  a  legislação  do  Banco  Central  sobre  Lavagem  de Dinheiro  com  afirmações  que  tende  a  demonstrar  ocorrência  de  infração  penal de gravidade elevada cometida pelo fiscalizado e as respectivas instituições financeiras;  Fl. 941DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   12 ­  que  apesar  de  todas  as  insinuações  levantadas  pelos  senhores  Fiscais,  no  item 25.2.10, letra "e", afirmam o seguinte: "Cabe informar, porém que, tanto o credor como o  devedor,  declararam  o  "empréstimo"  nas  respectivas  declarações  de  imposto  de  renda  de  pessoa física.";  ­  que  os  elementos  trazidos  ao  processo  pelo  fiscalizado  é  de  prova  irrefutável  da  veracidade  da  operação.  Os  senhores  Fiscais,  de  forma  tendenciosa  e  com  postura que pode tipificar excesso de exação, refuta os documentos acostados ao procedimento  fiscal sem o menor embasamento jurídico, como veremos a seguir;  ­ que em resposta datada de 25/08/2008, esclareceu que o depósito efetuado  em 22.01/2003 no  valor  de R$ 11.000,00  tratava­se  de valor  disponível  em  caixa,  conforme  DIRPF  2003/2002.  Quanto  aos  demais  depósitos,  o  fiscalizado  justificou  como  sendo  "disponibilidade em meu poder";  ­ que o fiscalizado, em sua DAA do ano — calendário de 2002 informou em  sua Declaração de Bens o valor de R$ 105.000,00, existente no final do período. A DAA foi  entregue dentro do prazo legal;  ­  que  a  fiscalização  em  nenhum  momento  comprovou  que  o  valor  em  dinheiro constante na DAA do AC 2002 é incompatível com os rendimentos do fiscalizado e  que o mesmo já havia sido consumido em 2002;  ­  que  o  fiscalizado  comprova  o  valor  constante  em  31.12.2002,  conforme  depósito  dos  mesmos  realizados  em  bancos  no  mês  de  janeiro  de  2003,  confirmado  pela  afirmação fiscal;  ­ que os valores existentes em 31/12/2002 somente poderiam ser glosados se  houvesse prova de seu consumo ou os rendimentos do fiscalizado fosse incompatível, o que a  fiscalização não demonstrou;  ­ que outro fato da ilegalidade desta glosa é a falta de autorização no MPF­  F, para  o  exame do  ano  ­  calendário de 2002. Tal  fato pode  tipificar  um  excesso  de  exação.  Matéria que já foi guerreada em páginas anteriores;  ­ que relata a fiscalização, o item 25.8, que através do Termo de Intimação  de  23/01/2003,  o  fiscalizado  foi  intimado  a  comprovar  a  origem  do  depósito,  efetuado  "On  line",  de  R$  5.000,00,  no  Banco  do  Brasil,  em  06/06/2003.  Em  obediência  ao  dever  de  informar do sujeito passivo, este esclarece o seguinte: “0 depósito no valor de R$ 5.000,00 no  Banco do Brasil agência 1891­0, conta corrente n 141.147­0 (e não os números constantes do  TIP, Pois desconhecidos), foi efetuado pelo Sr. Antonio Pereira, colega de trabalho aposentado,  a  titulo  de  pagamento  de  empréstimo  a  ele  realizado  para  pagamento  de  despesa  hospitalar,  quando  acometido  de  enfermidade  no mês  de maio  de  2003.  Face  ao  vinculo  de  amizade  e  confiança, por tratar­se de um colega de trabalho, não houve assinatura de contrato de mútuo;  ­  que  quanto  à  glosa  dos  valores  de  R$  45.000,00,  R$  10.000,00  e  R$  50.000,00,  é  de  se  dizer  que  iniciamos  este  tópico  alertando  ao  Julgador  que  no  inicio  do  Termo  de  Verificação  e  Conclusão  Fiscal  ­  AC  2003,  a  fiscalização  relata  o  seguinte:  procedemos  à  ação  fiscal,  do  sujeito  passivo  acima  identificado,  doravante  denominado  fiscalizado,  relativamente ao  Imposto de Renda Pessoa Física­IRPF, dos anos — calendários  (AC) de 2003, 2004 e 2005;  Fl. 942DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 7          13 ­ que apesar do MPF­F determinar os anos a ser examinados,  ilegalmente a  fiscalização adentrou para os anos — calendários de 2001 e 2002 sem autorização expressa em  MPF­F;  ­  que  assim,  vamos  mostrar  as  ilegalidades  praticadas  a  seguir.  A  fiscalização, numa sequência de equívocos, vem as fls. 32/45 do "Termo de Verificação e de  Conclusão  Fiscal — AC  2003",  afirmar  o  seguinte:  "Glosamos  os  valores”  R$  45.000,00  proveniente da DAA 2002  (AC2001) entregue dentro do prazo e R$ 10.000,00 de  economia  durante  o  ano —  calendário  de  2002...",  pois  o  fiscalizado  não  apresentou  prova  cabal  da  existência destes montantes a titulo de dinheiro em espécie;  ­ que às fls.33 a fiscalização afirma, também, o seguinte: “Glosamos também  os  valores  "....  R$  50.000,00  do  recebimento  em  dinheiro  no mês  de  dezembro  de  2002,  da  Nota Promissória  constante nas declarações  anteriores,  proveniente da venda de apartamento  sito  na  Rua  Voluntário  da  Pátria,  cuja  escritura  só  foi  passada  em  maio  de  2003,  após  a  liquidação total do preço avençado", por falta de documentação comprobatória.";  ­ que é totalmente improcedente as glosas pelo simples fato que o MPF — F  08.1.90.00­2008­06688­3 não contempla reexame para ano­calendário de 2001 e exame para o  ano — calendário de 2002;  ­ que em virtude do exposto requeremos a nulidade da glosa do Valor de R$  45.000,00 existente no AC 2001 por ferir o principio da Legalidade Restrita;  ­ que no tocante ao ano calendário de 2002, alertamos que não existe MPF­F  autorizando qualquer procedimento fiscal,  sendo, portanto nulo,  também, a glosa do valor de  R$ 10.000,00;  ­ que finalizando, os Auditores impugnam o pagamento da contribuinte Sonia  Maria  Rodrigues  Leite  e  o  recebimento  pelo  impugnante,  com  a  seguinte  afirmação:  ()  não  fornecem  a  esta  fiscalização  elementos  de  convicção  e  a  prova  inconteste  do  pagamento  e  recebimento do montante de R$ 50.000,00, em espécie.";  ­ que a fiscalização não informa se na DAA do AC — 2001 do impugnante  consta, na declaração de bens, a informação do valor a receber. Estamos anexando a cópia da  DAA­AC  2001,  entregue  tempestivamente,  onde,  no  item  34  está  consignado  o  direito  a  receber.  Já  na  DAA­AC  2002  este  valor  não  existe  mais  devido  o  seu  recebimento  em  dezembro;  ­ que em páginas anteriores já alertamos que a prova caberia ao fisco fazer da  inexistência do negócio, por fraude, simulação ou conluio, o que não ocorre no presente caso;  ­  que,  de  todo  o  exposto,  requeremos,  com  base  na  legislação  vigente,  a  anulação  das  exclusões  dos  valores  supra  e  o  aproveitamento  como  origem  de  recursos  em  janeiro/2003,  como  é  pacifico  na  jurisprudência  e  na  doutrina,  para  que  seja  feita  a  justiça  fiscal;  ­  que,  quanto  a omissão de  rendimentos no valor de R$ 95.921,72,  é de  se  dizer, que a fiscalização imputa ao fiscalizado a omissão de rendimentos aos valores recebidos  a  titulo  de  Juros  Compensatórios,  conforme  narrado  nos  itens  25.1  e  25.7  do  Termo  de  Verificação Fiscal e de Conclusão Fiscal — AC 2003;  Fl. 943DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   14 ­ que é relevante observar que em ambos os casos os valores referidos foram  recebidos de Pessoas Jurídicas, sobre as quais recai a obrigação de reter o imposto de renda na  fonte ao efetuarem pagamentos à Pessoa Física, art° 620 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento  do Imposto de Renda);  ­ que às empresas estão obrigadas é apresentação de DIRF e DCTFs, e como  houve  diligência  nas mesmas,  sem  que  os Auditores  constatem  falta  das  retenções  na  fonte,  conclui­se que o referido imposto foi pago na fonte.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pelo  impugnante a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de  Julgamento  em  São  Paulo  –  SP  II  conclui  pela  procedência  parcial  da  ação  fiscal  e  pela  manutenção parcial do crédito tributário, com base nas seguintes considerações:  ­  que  o  recorrente  requer  a  nulidade  do  lançamento  alegando  que  houve  ofensa  as  normas  vigentes  pois  foram  elaborados  dois  fluxos  de  caixa  para  apuração  da  pretensa  variação  patrimonial  quando  deveria  ser  elaborado  apenas  um  fluxo  lançando­se  o  resultado na proporção de 50% para cada cônjuge. Argumenta que a elaboração de dois fluxos  distorceu o montante da possível variação patrimonial criando exigência  tributária  totalmente  indevida, inexistente e ilegal;  ­ que o recorrente, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado  procedimento  fiscal,  tendo  sido  concedido­lhe  o  mais  amplo  direito,  pela  oportunidade  de  apresentar,  já  na  fase  de  instrução  do  processo,  em  resposta  as  intimações  que  recebeu,  argumentos,  alegações  e  documentos  no  sentido  de  tentar  elidir  as  in  frações  apuradas  pela  fiscalização. Por fim, o mesmo teve ciência do auto de infração, exercendo amplamente o seu  direito de defesa, conforme impugnação apresentada e ora analisada;  ­ que a alegação de que houve vicio material por ofensa as normas vigentes,  decorrente  da  elaboração  de  dois  fluxos  de  caixa  para  apuração  da  pretensa  variação  patrimonial,  não  se  sustenta quando da  análise  dos  autos.  0  fluxo  financeiro que  resultou na  apuração do acréscimo patrimonial a descoberto elaborado é um só, o que consta a fl. 57. Do  total apurado como acréscimo patrimonial a descoberto no ano­calendário em questão, 50% foi  lançado no contribuinte e 50% no cônjuge, perfazendo idêntico valor lançado a este titulo nos  cônjuges, como demonstra a tabela a seguir e se comprova nos autos de infração que compõem  o presente processo e o processo n° 10803.000122/2008­70 da contribuinte Edna de Carvalho  Xavier, CPF 067.131.298­70;  ­  que,  quanto  aos  empréstimos  não  comprovados  pelo  fiscalizado  ­  R$  159.800,00 (item 25.2 do TVCF — AC 2003), argumenta o recorrente que não há base jurídica  para  a  desconsideração  do  contrato  de mutuo  e  da  nota  promissória,  ademais  que  a  própria  fiscalização reconhece que o empréstimo foi registrado nas declarações tanto do credor como  do devedor;  ­  que  da  leitura  do  Termo  de  Verificação  e  Conclusão  Fiscal,  mais  pontualmente das folhas 20 a 27, extrai­se que a fiscalização não aceitou como comprovação  da origem dos depósitos efetuados na conta do  recorrente, o alegado empréstimo oriundo do  contrato de mútuo celebrado com o Sr. Haigazum Kassardjiian, por várias razões, quais sejam:  (I) o não registro do contrato de mutuo e sua prorrogação no competente Cartório de Títulos e  Documentos para  ter efeito perante  terceiros;  (2) não constava da nota promissória  registro e  nem  reconhecimento  de  firma;  (3)  os  valores  foram  todos  depositados  em  dinheiro  e  em  montantes inferiores a R$ 10.000,00 — não havendo como comprovar categoricamente que os  recursos foram provenientes do credor assinalado no contrato de mútuo;  Fl. 944DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 8          15 ­  que  o  recorrente  questiona  na  impugnação  apenas  a  desconsideração  do  contrato de mútuo pela falta de registro, destacando que a fiscalização utilizou dispositivos do  Código Civil  de  1916,  já  revogado,  e  frisando  que  a  autenticidade  do  documento  particular  nasce com a assinatura de quem o cria,  e a desconsideração da nota promissória por  falta de  registro  e  reconhecimento  de  firma,  que  não  são  requisitos  deste  documento  conforme  a  legislação;  ­  que  apesar  desta  julgadora  entender  que  as  formalidades  do  contrato  de  mútuo e da nota promissória não são a razão primordial da falta de comprovação da origem dos  depósitos  em  tela,  é  de  se  esclarecer  que,  quanto  ao  registro  do  contrato  de  mútuo,  tem  entendido esta turma de julgamento que documentos particulares, apesar de ter validade entre  as partes, como meio hábil de prova deve­se observar os princípios contidos no Código Civil,  arts. 219 e 221;  ­ que fechado este breve parênteses, a questão que aqui se impõem é analisar  se o contribuinte apresentou provas hábeis e idôneas de que os valores depositados em dinheiro  nas  suas  contas  correntes  mantidas  no  Banco  Itaú  e  Banco  Santander,  entre  28/01/2003  e  31/01/2003 relacionados no TVCF (fls. 20/21), originaram­se do cumprimento do contrato de  mútuo pelo credor;  ­  que dos  autos,  tem­se que os depósitos  foram  feitos  todos  em dinheiro  e,  intimado, o  credor  afirmou  ter  feito depósitos  em dinheiro,  porém não  apresentou  saques de  suas contas compatíveis com os depósitos em datas e valores;  ­ que a presunção do artigo 42 da Lei n° 9430/96 admite prova em contrário,  mas  esta  deve  ser  feita  pelo  contribuinte  individualmente  por  depósito  como  é  feito  o  lançamento. O contrato de mútuo, a nota promissória (abstraindo­se da necessidade ou não de  reconhecimento  de  firma),  a  declaração  tempestiva  do  empréstimo  nas  declarações  (as  declarações  entregues  pelos  contribuintes  fornecem  apenas  a  informação  nelas  consignadas,  porém  não  comprovam  por  si  só  os  fatos  declarados),  são  insuficientes  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  porque  não  demonstram  que  tais  depósitos  foram  efetuados  pelo  Sr.  Haigazum Kassardjiian, em cumprimento ao contrato de mútuo como alegado;  ­ que quanto aos demais depósitos/créditos em conta bancaria — R$ 5.633,76  (item  25.5  do  TVCF  —  AC  2003)  ­  argumenta  o  recorrente  que  esse  valor  é  oriundo  de  recebimentos de aluguéis avulsos do apartamento no Guarujá que ficava a cargo do zelador e  acontecia somente nos finais de semana;  ­ que a alegação desacompanhada de qualquer documento comprobat6rio não  comprova a origem dos depósitos efetuados. Caberia ao  recorrente apresentar provas de suas  alegações, o que não foi feito. Mantém­se a tributação;  ­  que,  quanto  a  disponibilidade  em  poder  do  fiscalizado —  R$  15.600,00  (item 25.6 do TVCF — AC 2003) — argumenta o recorrente que os depósitos em dinheiro no  Banco Santander tiveram como origem valores disponíveis em caixa, sendo que a fiscalização  os  desconsiderou  por  falta  de  comprovação  da  disponibilidade,  contudo  na  DAA  2002,  entregue  tempestivamente,  foi  informado  o  valor  de  R$  105.000,00  em  31/12/2002,  que  só  poderia  ser  glosado  se  a  fiscalização  demonstrasse  ser  incompatível  com  os  rendimentos  do  fiscalizado, o que não foi feito, havendo, ainda, falta de autorização no MPF­F para o exame do  ano­calendário de 2002;  Fl. 945DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   16 ­  que  a  fiscalização  teve  como objeto  o  ano­calendário  de  2003,  assim não  caberia a ela verificar a compatibilidade entre os rendimentos recebidos no ano­calendário de  2002 e as informações constantes da Declaração de Bens do ano­calendário de 2002. 0 que a  fiscalização  verificou  ficou  restrito  ao  ano­calendário  de  2003.  Caberia  ao  contribuinte  comprovar  que  os  depósitos  relacionados  no  TVCF,  à  fl.  30,  tiveram  origem  em  disponibilidades  do  recorrente,  para  isso  poderia  apresentar  saques  vinculados,  comprovar  recebimentos em dinheiro, entre outros, o que não foi feito. É de se manter a tributação;  ­ que, quanto ao depósito on line — R$ 5.000,00 (item 25.8 do TVCF — AC  2003) —  argumenta  o  recorrente  que  este  depósito  foi  efetuado  por  seu  colega  de  trabalho  Antonio  Pereira,  por  devolução  de  empréstimo  a  ele  realizado  para  pagamento  de  despesa  hospitalar  sem  assinatura  de  mútuo  devido  à  relação  de  amizade,  e  caberia  a  fiscalização  intimar o Sr. Antonio Pereira em busca da verdade material;  ­  que  no  caso  da  presunção  relativa,  cabe  ao  contribuinte  a  prova  em  contrário não sendo licito transferir o ônus da contraprova ao Fisco. Caberia ao recorrente obter  junto ao seu colega de  trabalho, Sr. Antonio Pereira, documentos que comprovassem as suas  alegações, como prova de saque do numerário, comprovante do depósito, prova do empréstimo  quando do pagamento da despesa hospitalar, entre outros. Não tendo sido apresentada prova de  suas alegações há de se manter a tributação deste valor;  ­  que,  quanto  ao  acréscimo  patrimonial,  é  de  se  dizer,  que  em  relação  a  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  além  da  alegação  de  elaboração  de  dois  fluxos de caixa, o que já se demonstrou que não ocorreu, insurge­se o recorrente contra a glosa,  como  recurso,  do  valor  de  R$  105.000,00  informado  como  disponibilidade  em  espécie  em  31/12/2002 na declaração de ajuste anual;  ­  que  cabe  ao  contribuinte,  se  pretende  refutar  a  presença  da  omissão  de  rendimentos estabelecida contra ele, provar por meio de documentação hábil e idônea que tais  valores  tiveram  origem  em  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis,  sujeitos  A  tributação  definitiva e/ou já tributados exclusivamente na fonte;  ­  que  o  recorrente  questiona  a  glosa  do  valor  de R$  105.000,00  informado  como disponibilidade em espécie em 31/12/2002 na declaração de ajuste anual exercício 2004,  ano­calendário 2003;  ­  que  argumenta  o  recorrente  que  o  valor  de R$  45.000,00  proveniente  da  DAA 2002  entregue  tempestivamente,  e o  valor  de R$ 10.000,00  proveniente  de  economias  efetuadas durante o ano­calendário de 2002, não podem ser glosados por não apresentação de  provas cabais de suas existências porque não existe no MPF autorização para exame do ano­ calendário  de  2002. A  glosa  do  valor  de R$  50.000,00,  proveniente  de  recebimento  de  nota  promissória em dezembro de 2002 relativa a negócio fechado em 2001, também não pode ser  glosada pois não há no MPF autorização de reexame do ano­calendário de 2001 e o direito ao  recebimento do valor foi informado na DAA 2002, não tendo informação na DAA 2003 de seu  recebimento;  ­  que  a  declaração  de  ajuste  anual,  mesmo  que  homologada,  não  constitui  prova da  posse  do  dinheiro  declarado  para  o  exercício  objeto  de  autuação,  a medida  que  tal  declaração entregue pelo contribuinte fornece apenas a informação nela consignada, porém não  comprova por si só o fato declarado. Pretendendo o recorrente aproveitar dinheiro em espécie  declarado  no  exercício  anterior  para  justificar  variação  patrimonial  no  exercício  fiscalizado,  cabe a ele a prova inconteste de sua existência no final do ano­calendário em que foi declarado,  o que não foi  feito nos autos. Como já  frisado, o ônus de provar a origem dos recursos é do  Fl. 946DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 9          17 contribuinte,  cabendo  a  ele  a  prova  da  posse  efetiva  do  numerário,  o  que  não  foi  feito  impossibilitando a consideração da referida disponibilidade financeira na planilha de evolução  patrimonial;  ­  que  o  recorrente  não  questiona  os  valores  recebidos  a  titulo  de  juros  moratórios, objeto do lançamento, contudo argumenta que foram recebidos de pessoas jurídicas  sendo obrigação das pessoas  jurídicas  a  retenção do  imposto de  renda na  fonte e que,  como  foram  expedidos  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  Diligência,  durante  a  ação  fiscal,  intimando as duas  fontes pagadoras  e não  foi  constatada qualquer  falta  de  retenção na  fonte  conclui­se que o referido imposto foi pago na fonte;   ­  que  conclui­se,  assim,  de  forma  inequívoca,  que  a  responsabilidade  tributária  da  fonte  pagadora  quanto  A  retenção  na  fonte  e  ao  recolhimento  do  imposto,  na  condição  de  sujeito  passivo  responsável,  não  exclui  a  responsabilidade  do  beneficiário  do  respectivo rendimento, na condição de contribuinte, em oferecê­lo à tributação;  ­ que o recorrente questiona a aplicação da multa qualificada argumentando  que não houve por parte da fiscalização comprovação do intuito doloso sendo que os sujeitos  passivos sempre que intimados forneceram as respostas concretas e documentadas e acostaram  aos  autos  as  provas  dos  referidos  depósitos  desconsideradas  pela  fiscalização. Alega,  ainda,  que a matéria  foi  sumulada pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, discorrendo sobre a  legislação que atribuiu as súmulas enunciadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, efeito  vinculante em relação à Administração Tributária Federal;  ­  que  em  relação  à  omissão  de  rendimentos  recebidos  a  titulo  de  juros  moratórios  da  empresa  Vale  Lindo  Participações  Ltda.,  CNPJ  02.995.924/0001­74  e  os  referentes à venda do imóvel sito a Rua Voluntários da Pátria, 2831, apto. 61, São Paulo, a não  informação dos valores recebidos em sua declaração de ajuste anual entregue tempestivamente  tendo a Receita Federal tomado conhecimento destes recebimentos no decorrer da ação fiscal,  permite concluir, ao contrário do afirmado pelo recorrente, que há elementos suficientes para a  caracterização  do  intuito  doloso.  Houve,  concretamente,  em  relação  a  esta  omissão  conduta  tendente  a manter  distante  da  tributação  rendimentos  auferidos,  mas  que  foi  detectado  pelo  lançamento,  o  que  não  pode  ser  confundido  com  uma  mera  omissão  de  rendimentos  involuntária, esta sim, sujeita aplicação da multa de 75%. Correta, assim, a aplicação da multa  qualificada;  ­ que também em relação à variação patrimonial a descoberto, apurando­se,  no decorrer da ação  fiscal, que o recorrente  teve aplicações superiores as origens declaradas,  concedendo­se  inclusive  aquelas  objeto  do  lançamento,  fica  evidenciado  que  o  contribuinte  intencionalmente omitiu  rendimentos visando a redução do montante devido, enquadrando­se  sua conduta na legislação supracitada  ­  que,  contudo,  em  relação  a  omissão  de  rendimentos  evidenciada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  a  situação  é  distinta,  por  se  tratar  de  uma  presunção  legal.  A  grande  parte  (95%)  dos  depósitos  não  comprovados  objeto  da  autuação  resultaram da desconsideração pela fiscalização de contrato de mútuo e de disponibilidades em  espécie  declaradas  no  exercício  anterior.  As  provas  apresentadas  para  comprovar  que  os  depósitos  originaram­se  de  recursos  advindos  do  contrato  de  mútuo  não  foram  aceitas  pela  fiscalização  e  nem  por  esta  julgadora  como  já  abordado  no mérito  da  tributação.  Porém,  o  mútuo foi  informado tempestivamente na declaração do contribuinte e o contrato de mútuo e  demais documentos e esclarecimentos foram apresentados durante a ação fiscal;  Fl. 947DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   18 ­  que  o  fato  de  não  ter  o  contribuinte  logrado  comprovar  que  os  depósitos  objeto da autuação originaram­se daquele contrato, da disponibilidade em espécie, de aluguéis  e  de  devolução  de  empréstimo  permitiu  estabelecer  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  prevista  no  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/96,  mas  esta  presunção,  apesar  de  válida  para  fins  tributários,  não  é  suficiente,  sem  outras  provas,  para  caracterizar  o  intuito  de  fraude  que  justificaria  a  aplicação  da multa  qualificada  de 150%,  pois  neste  caso  o  ônus  da prova  é da  autoridade lançadora, uma vez que o dolo não pode ser meramente presumido;  ­  que  as  condutas  descritas  no  Termo  de Verificação  e  Constatação  Fiscal  para qualificação da multa em relação aos depósitos bancários, a despeito de indicarem em tese  crime contra a ordem  tributária definido pelo artigo 1º,  inciso  I, da Lei n° 8.137/90, não são  suficientes para comprovar nos autos o evidente intuito de fraude em seus atos, necessário para  que,  com  propriedade,  se  aplicasse  ao  lançamento  a  penalidade  qualificada  prevista  na  legislação supra transcrita, pelo que, em relação a esta infração, reduze a multa de oficio para  75%;  ­  que,  por  fim,  constata­se  que  o  recorrente,  em  sua  impugnação,  não  se  manifesta  sobre  a  glosa  de  despesas  médicas,  pelo  que,  nos  termos  do  art.  17  do  Decreto  70.235, de 06/03/1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997, abstenho­me de  apreciar o lançamento quanto a esta infração, considerando­o, em relação a ela, definitivamente  constituído.  As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 2003  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Constatado  que o procedimento  fiscal  foi  realizado com estrita  observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos  lavrados  por  servidor  competente  e  respeitado  o  direito  de  defesa do  contribuinte,  fica afastada a hipótese de nulidade do  lançamento.  0  fluxo  de  caixa  utilizado  para  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  dos  cônjuges.  Que  declararam  em  separado,  foi  o  mesmo,  não  se  vislumbrando  qualquer  vicio  material.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.  A  Lei  n°  9430/96,  que  teve  vigência  a  partir  de  01/01/1997,  estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente  quando  o  titular  da  conta  bancária  não  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados  em  sua  conta  de  depósito  ou  investimento.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.  0  acréscimo  patrimonial,  não  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis  ou  isentos  e  tributados  Fl. 948DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 10          19 exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de  documentação hábil que não deixe margem a dúvida.  Valores  declarados  como  dinheiro  em  espécie  não  podem  ser  aceitos  como  origem  nas  planilhas  de  evolução  patrimonial  quando  não  apresentada  prova  inconteste  de  sua  existência  no  término  do  ano­calendário  em  que  tal  disponibilidade  foi  declarada.  RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA.  A responsabilidade da  fonte pagadora pela retenção na  fonte e  recolhimento  do  tributo  não  exclui  a  responsabilidade  do  beneficiário  do  respectivo  rendimento,  no  que  tange  ao  oferecimento desse  rendimento à  tributação em sua declaração  de ajuste anual.  MULTA QUALIFICADA.  Configurada  a  existência  de  dolo,  impõe­se  ao  infrator  a  aplicação  da  multa  qualificada  prevista  na  legislação  de  regência.  Contudo,  o  lançamento  de  multa  qualificada  exige  que  a  autoridade  fiscalizadora  traga  elementos  para  os  autos  que  provem  a  presença  de  elemento  subjetivo  na  conduta  do  contribuinte de  forma a demonstrar que este quis os resultados  que  o  art.  72  da  lei  4.502/64  elenca  como  caracterizadores  da  fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzi­los.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pelo impugnante.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO.  As  decisões  administrativas  não  têm  caráter  de  norma  geral,  razão pela qual  seus  julgados não  se aproveitam em relação a  qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão.  Lançamento Procedente em Parte.  Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  24/04/2009,  conforme  Termo constante às fls. 778/779, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em  tempo hábil (22/04/2010), o recurso voluntário de fls. 783/850, instruído pelos documentos de  fls. 851/873, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas  mesmas razões expendidas na fase impugnatória.  É o relatório.  Fl. 949DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   20 Voto             Conselheiro Nelson Mallmann, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Da  análise  preliminar  da  matéria,  verifica­se  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  haver  omissão  de  rendimentos  diante  da  constatação  de  variação  patrimonial  a  descoberto,  apurado  através  de  “fluxo  financeiro”,  onde  se  verificou  excesso  de  aplicações  sobre  as  origens,  não  respaldados  por  recursos  com  origem  declarada  e/ou  comprovada  (tributados,  isentos  e  não  tributáveis  ou  tributados  exclusivamente  na  fonte),  bem  como  omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprovou  mediante  documentação  hábil  e  idônea  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996.   É  de  se  ressaltar,  que  no  caso  dos  depósitos  bancários  foi  o  próprio  contribuinte  quem  forneceu  os  extratos  bancários  que  envolvem  a  constituição  do  crédito  tributário reclamado nesta parte.  Resta  claro,  nos  demonstrativos  contidos  nos  autos,  que  o  acréscimo  patrimonial a descoberto  tem origem nos gastos/aplicações efetuados pelo contribuinte e que  diante da soma dos rendimentos auferidos na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda  da  Pessoa  Física  do  exercício  de  2004,  correspondentes  ao  ano­calendário  de  2003,  são  insuficientes para dar suporte aos gastos/dispêndios incorridos, configurou­se a ocorrência de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  conforme  se  verifica  nos  Demonstrativos  de  Variação  Patrimonial Mensal,  caracterizando,  assim,  omissão  de  rendimentos. Da mesma  forma,  resta  claro  que  o  recorrente  quando  intimado  não  conseguiu  justificar  os  depósitos  bancários  que  transitaram em contas correntes de sua titularidade.   A autoridade julgadora de primeira instância resolveu julgar procedente em  parte o lançamento, por entender que as provas apresentadas para comprovar que os depósitos  originaram­se de recursos advindos do contrato de mútuo não foram aceitas pela fiscalização e  nem  pela  autoridade  julgado.  Entendeu,  porém,  o mútuo  foi  informado  tempestivamente  na  declaração  do  contribuinte  e  o  contrato  de  mútuo  e  demais  documentos  e  esclarecimentos  foram  apresentados  durante  a  ação  fiscal  e  que  o  fato  de  não  ter  o  contribuinte  logrado  comprovar  que  os  depósitos  objeto  da  autuação  originaram­se  daquele  contrato,  da  disponibilidade em espécie, de aluguéis e de devolução de empréstimo permitiu estabelecer a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  prevista  no  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/96,  mas  esta  presunção,  apesar  de  válida  para  fins  tributários,  não  é  suficiente,  sem  outras  provas,  para  caracterizar o intuito de fraude que justificaria a aplicação da multa qualificada de 150%, pois  neste  caso  o  ônus  da  prova  é  da  autoridade  lançadora,  uma  vez  que  o  dolo  não  pode  ser  meramente presumido.  Inconformado, em virtude de não ter logrado êxito total na instância inicial, o  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde se insurge contra  Fl. 950DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 11          21 o lançamento mantido pela autoridade julgadora, argüindo diversas preliminares de nulidade do  lançamento, bem como tece considerações sobre a impossibilidade de se manter a tributação,  sob o entendimento de que demonstrou a origem dos rendimentos, não cabendo a autoridade  fiscal imputar ao recorrente a comprovação do transito de tais valores em suas contas correntes  e  que  os  depósitos  bancários  são  provenientes  de  empréstimos  concedidos  e  recebidos,  bem  como de disponibilidades em espécie, devidamente, declarada no final do exercício anterior.   Desta  forma,  a  discussão  neste  colegiado  se  prende,  tão­somente,  as  preliminares  suscitada  pelo  suplicante  e,  no  mérito,  a  discussão  se  prende  ao  acréscimo  patrimonial a descoberto,  juros recebidos (alegação de ilegitimidade passiva) e sobre o artigo  42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por  presunção de omissão de  rendimentos,  tendo por base os depósitos bancários de origem não  comprovada.   Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  devido  processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais,  não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo.   Entendo,  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelos  agentes  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  Fl. 951DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   22 uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  seja,  erro  de  capitulação  legal,  descrição  confusa dos  fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração  cometida pelo recorrente.  Inicialmente, verifica­se que para o contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias  a sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se, ainda, que o Auto de Infração (fls. 02/11) identifica por nome e  CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do  Brasil  em  São  Paulo  ­  SP,  cuja  ciência  foi  através  de  AR  e  descreve,  as  irregularidades  praticadas  e  o  seu  enquadramento  legal  assinado  pelo  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal,  cumprindo  o  disposto  no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  ou  seja,  o  ato  é  próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor­Fiscal.   Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de  depósitos  bancários  sem  que  o  recorrente  comprovasse  a  respectiva  origem  destes  recursos.  Constam  dos  autos  diversos  chamados  ao  sujeito  passivo  para  que  esse  apresentasse  as  justificativas  acerca  das  movimentações  financeiras  pesquisadas.  Como  se  deu  também  em  razão da apuração de acréscimo patrimonial não justificado e juros recebidos.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão  do  procedimento  adotado,  da  base  tributável  apurada  e  do  cálculo  do  imposto  resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  Fl. 952DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 12          23 pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Fl. 953DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   24 Além  disso,  o  Art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.   Quanto à preliminar de nulidade do  lançamento sob o entendimento de que  houve  irregularidade  na  emissão  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal  – MPF,  é  de  se  dizer  que, como visto no relatório o suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento  de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF fora expedido de forma irregular já que não  tomou  conhecimento  das  mudanças  efetuadas  no  MPF  (expedição  de  novo  MPF  sem  a  comunicação específica de sua existência).   Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado  pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de  2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle  das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela  Secretaria da Receita Federal. Desta  forma, o mandado consiste  em uma ordem emanada de  dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem  atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do  sujeito passivo.  A competência para a verificação fiscal inerente aos tributos e contribuições  administrados pela União encontra­se determinada desde a Lei n° 2.354, de 29 de novembro de  1954, artigo 7°, que alterou o artigo 124 do Decreto n° 24.239, de 1947.  O cargo de Auditor­Fiscal da Receita Federal  foi criado pelo Decreto­lei n°  2.225,  de  1985,  que  por  sua vez  substituiu  o  anterior  de  Fiscal  de Tributos Federais, Grupo  TAF­601. Este último decorreu da Lei n° 5.645, de 10 de dezembro de 1970, que estabeleceu  diretrizes para a classificação de cargos do Serviço Civil da União e das autarquias federais.  Sobre a competência do agente, também dispõe o art. 6° da Lei nº 10.593, de  2002, in verbis:   Art.  6°  ­  São  atribuições  dos  ocupantes  do  cargo  de  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal,  no  exercício  da  competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  relativamente  aos  tributos  e  às  contribuições por ela administrados:  I – em caráter privativo:  a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário.  Ora, as referidas Portarias não tem o condão de limitar o dispositivo legal. Ou  seja,  extrair  o  poder  de  investigação  fiscal  da  autoridade  competente  para  esse  fim.  O  poder/dever do Auditor­Fiscal da Receita Federal  foi  atribuído pelo Decreto­lei  n°  2.225, de  1985. De outro lado, somente a ele incumbe efetuar o lançamento, na forma do artigo 142 do  CTN.  Como  visto,  o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  – MPF,  disciplinado  pela  Portaria SRF  nº  1.265,  de  1999,  com  as  alterações  incluídas  pela Portaria  SRF  nº  1.614,  de  2000 e da Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle  das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela  Secretaria  da  receita  Federal  e  não  pode  obstar  o  exercício  da  atividade  de  lançamento  estabelecida por força de lei.  Fl. 954DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 13          25 Assim, estando o Auditor­Fiscal em pleno exercício de suas funções e tendo  formalizado administrativamente o procedimento, mesmo a falta de Mandado de Procedimento  Fiscal – MPF não invalida o feito, se não ausentes outras irregularidades formais ou materiais.  Esta posição não é isolada e combina com a jurisprudência dominante deste  Conselho de Contribuintes, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados:  Acórdão n° 201­77049  PAF.  MPF.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  O  Mandado  de  Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que  tem  por  objetivo  o  gerenciamento  da  ação  fiscal.  Por  tal,  eventuais  vícios  em  relação  ao  mesmo,  desde  que  evidenciado  que  não  houve  qualquer  afronta  aos  direitos  do  administrado,  não ensejam a nulidade do lançamento .”  Acórdão n° 108.07458  NULIDADE  –  INOCORRÊNCIA  –  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constitui­se  em  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  disciplinado  por  ato  administrativo.  A  eventual  inobservância  de  norma  infralegal  não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo  fiscal.  Acórdão n° 202.14949  NORMAS  PROCESSUAIS.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE  PREJUÍZO. NULIDADE  INEXISTENTE.  Irregularidade  formal  em MPF não  tem o condão de retirar a competência do agente  fiscal  de  proceder  ao  lançamento,  atividade  vinculada  e  obrigatória  (art.  142,  CTN),  se  verificados  os  pressupostos  legais.  Ademais,  não  tendo  havido  prejuízo  à  defesa  do  contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.  Acórdão n° 107.06797  MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  POSTULADOS.  INOBSERVÂNCIA.  CAUSA  DE  NULIDADE.  ARGÜIÇÃO  RECURSAL.  IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento  Fiscal  (MPF)  fora  concebido  com  o  objetivo  de  disciplinar  a  execução  dos  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições  sociais  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  Não  atinge  a  competência  impositiva  dos  seus  Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da  sociedade  democraticamente  organizada  e  em  benefício  desta,  há  de  subsistir  em  qualquer  atos  de  natureza  restrita  e  especificamente  voltados  para  as  atividades  de  controle  e  planejamento  das  ações  fiscais.  A  não  observância  –  na  instauração  ou  amplitude  do  MPF  –  poderá  ser  objeto  de  repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar  a  competência  das  autoridades  fiscais  na  concreção  plena  de  Fl. 955DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   26 suas atividades  legalmente próprias. A  incompetência  só  ficará  caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais  do agente que o praticou.  Acórdão n° 107.06820  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  –  MPF  –  A  atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim  a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a  execução  do  procedimento,  são  atividades  que  integram  o  rol  dos  atos  discricionários,  moldados  pelas  diretrizes  de  política  administrativa  de  competência  da  administração  tributária.  Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão  da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida  para  a  execução  do  trabalho  de  auditoria  fiscal,  b)  atende  ao  princípio  constitucional  da  cientificação  e  define  o  escopo  da  fiscalização  e  c)  reverencia  o  princípio  da  pessoalidade.  Questões  ligadas  ao  descumprimento  do  escopo  do  MPF,  inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no  âmbito  do  processo  disciplinar  e  não  tem  o  condão  de  tornar  nulo  o  lançamento  tributário  que  atendeu  aos  ditames  do  art.  142 do CTN.  Ora,  com a  devida vênia,  neste  processo,  não  há que  se  falar  em nulidade,  porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o  processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração.  É  equivocada  a  conclusão  do  suplicante  no  sentido  de  que  as  informações  sucintas; falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF válido à época da lavratura do auto  ou a indicação de qualquer matéria a ser analisada e/ou a falta de comunicação específica da  expedição  do MPF  pela  autoridade  administrativa,  levaria  à  incompetência  do  agente  fiscal  para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura  dos autos de  infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF,  mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação.  Assim,  não  é  passível  de  nulidade  o  lançamento  elaborado  por  servidor  competente, sob os argumentos de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento  fiscal;  ou  porque  do  novo Mandado  de  Procedimento  Fiscal  só  foi  dado  ciência  no  dia  da  lavratura  do Auto  de  Infração;  ou  porque  o Mandado  foi  transformado  de  procedimento  de  diligência para procedimento de fiscalização sem a substituição do Auditor­Fiscal que iniciou o  procedimento; ou porque não houve a emissão de Mandado Complementar, haja vista o dever  de ofício que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não  contraria  o  disposto  na  Portaria  SRF  de  nº  1.265,  de  1999  e  suas  edições  posteriores,  que  dispõe  sobre  o  planejamento  das  atividades  fiscais  e  estabelece  normas  para  execução  de  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administradas  pela  Secretaria  da  Receita Federal.  É de se observar, ainda, que nenhuma lei estabelece como requisito elementar  do  auto  de  infração  a  existência  de Mandado  de  Procedimento  Fiscal  – MPF,  aqueles  estão  previstos no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é  necessário apenas para o controle administrativo dos atos dos fiscais na realização de exames e  intimação  de  contribuintes  ou  terceiros  para  que  apresentem  documentos  ou  prestem  informações, jamais para efetivação do lançamento que é procedimento imposto pela lei e não  por norma infra legal.  Fl. 956DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 14          27 Verifica­se,  pelo  exame  do  processo,  que  não  ocorreram  os  pressupostos  previstos no Processo Administrativo Fiscal,  tendo  sido  concedido ao  sujeito passivo o mais  amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta  às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as  infrações apuradas pela fiscalização.  Dessa  maneira,  se  revela  totalmente  improfícua  sua  alegação  de  nulidade,  porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e a Portaria  SRF  nº  1.265,  de  1999  (e  portarias  posteriores),  é  norma  interna  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil que não acarreta a nulidade levantada pelo suplicante.   Eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento  Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e  tampouco o lançamento dela decorrente. O  processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que  tem status de  lei, e não pode ser alterado por um instrumento (MPF) instituído por uma portaria da SRFB,  hierarquicamente inferior.  Assim, não há dúvidas que todas as autoridades fiscais estão sujeitas às regras  aplicáveis  ao  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  e  caso  sejam  descumpridas,  cabe  ao  funcionário, autor do feito, se  for o caso, punição administrativa. Porém, entendo que  jamais  provocam a nulidade do lançamento.  Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto ­ “saldo negativo de caixa” ­  cabe tecer algumas considerações.   Sempre  que  se  apura  de  forma  inequívoca  um  acréscimo  patrimonial  a  descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com  recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte.   A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos.  No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua  declaração  de  bens. O  eventual  acréscimo  na  situação  patrimonial  constatado  na  posição  do  final  do  período  em  comparação  da  mesma  situação  no  seu  início  é  considerado  como  acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva  em  consideração  os  bens,  direitos  e  obrigações  do  contribuinte)  deve  estar  respaldado  em  rendimentos  auferidos  (tributados,  isentos  e  não­tributáveis  ou  tributadas  exclusivamente  na  fonte) e/ou empréstimos, etc.  No  caso  em  questão,  a  tributação  não  decorreu  do  comparativo  entre  as  situações  patrimoniais  do  contribuinte  ao  final  e  início  do  período,  ou  seja,  na  acepção  do  termo  “acréscimo  patrimonial”.  Portanto,  não  pode  ser  tratada  como  simples  acréscimo  patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado  na declaração anual de ajuste.  Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação  tributária  principal  que  é  a  situação  definida  em  lei  como  necessária  e  suficiente  à  sua  ocorrência (art. 114 do CTN).  Esta  situação  é  definida  no  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional,  como  sendo  a  aquisição  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  renda  ou  de  proventos  de  qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos.  Fl. 957DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   28 Ocorrendo  o  fato  gerador,  compete  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso,  propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142).  Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do  lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios  da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se  dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais.  Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer  o fato gerador, ou o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve  a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza.  Desta  forma,  podemos  concluir  que  o  lançamento  somente  poderá  ser  constituído  a  partir  de  fatos  comprovadamente  existentes,  ou  quando  os  esclarecimentos  prestados  forem  impugnados  pelos  lançadores  com  elemento  seguro  de  prova  ou  indício  veemente de falsidade ou inexatidão.  Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações  de  recursos  ­  fluxo  financeiro,  que  a  recorrente  efetuou  gastos  além  da  disponibilidade  de  recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser  apurada no mês em que ocorreu o fato.   Diz a norma legal que rege o assunto:  Lei n.º 7.713, de 1988:  Artigo  1º  ­  Os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  percebidos  a  partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou  domiciliadas  no Brasil  serão  tributados  pelo  Imposto  de  renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Artigo 2º ­ O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido,  mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital  forem percebidos.  Artigo  3º  ­  O  Imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer  dedução,  ressalvando  o  disposto  nos  artigos  9º  a  14  desta Lei.  § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho,  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  correspondentes aos rendimentos declarados.  Lei n.º 8.134, de 1990:  Art. 1º ­ A partir do exercício­financeiro de 1991, os rendimentos  e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou  domiciliadas no Brasil  serão  tributados pelo  Imposto de Renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Fl. 958DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 15          29 Art. 2º  ­ O Imposto de Renda das pessoas  físicas será devido à  medida  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  forem  percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11.  (...).  Art. 4º  ­ Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1º  de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8º da Lei n.º  7.713, de 1988:  I  ­  será  calculado  sobre os  rendimentos  efetivamente  recebidos  no mês.  Lei n.º 8.021, de 1990:  Art. 6º ­ O lançamento de ofício, além dos casos já especificados  em  lei,  far­se­á  arbitrando  os  rendimentos  com  base  na  renda  presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  §  1º  ­  Considera­se  sinal  exterior  de  riqueza  a  realização  de  gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.  §  2º  ­  Constitui  renda  disponível  a  receita  auferida  pelo  contribuinte,  diminuída  dos  abatimentos  e  deduções  admitidos  pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de  Renda pago pelo contribuinte.  Como se depreende da  legislação,  anteriormente mencionada, o  imposto de  renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de  capital  forem  percebidos,  já  que  com  a  edição  da  Lei  n.º  8.134,  de  1990,  que  introduziu  a  declaração  anual  de  ajuste  para  efeito  de  apuração  do  imposto  devido  pelas  pessoas  físicas,  tanto  o  imposto  devido  como  o  saldo  do  imposto  a  pagar  ou  a  restituir,  passaram  a  ser  determinados  anualmente,  donde  se  conclui  que  o  recolhimento  mensal  passou  a  ser  considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo.  Nesta  altura  deve  ser  esclarecido,  que  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  são  classificados  como  instantâneos  ou  complexivos.  O  fato  gerador  instantâneo,  como  o  próprio  nome  revela,  dá  nascimento  à  obrigação  tributária  pela  ocorrência  de  um  acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição,  os  fatos  geradores  complexivos  são  aqueles  que  se  completam  após  o  transcurso  de  um  determinado  período  de  tempo  e  abrangem  um  conjunto  de  fatos  e  circunstâncias  que,  isoladamente  considerados,  são  destituídos  de  capacidade  para  gerar  a  obrigação  tributária  exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um  fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador  complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual.  Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de  1988,  pelo  qual  se  estipulou  que  “o  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente, à medida que os  rendimentos  e ganhos de capital  forem  recebidos”, há que se  ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n°  8.383,  de  1991 mantiveram  o  regime  de  tributação  anual  (fato  gerador  complexivo)  para  as  pessoas físicas.  Fl. 959DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   30 É de se observar, que para as  infrações relativas à omissão de rendimentos,  tem­se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido  aos  rendimentos  tributáveis  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  submetendo­se  à  aplicação  das  alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar  de  fato gerador mensal,  haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o  fato  gerador complexivo objeto da autuação em questão.   Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei nº.  7.713,  de  1988,  instituiu,  com  relação  ao  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas,  a  tributação  mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente,  quando  o  sujeito  passivo  deve  apurar  e  recolher  o  imposto  de  renda,  o  seu  fato  gerador  continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano­calendário o contribuinte antecipa, mediante  a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será  apurado  em  definitivo  quando  da  apresentação  da Declaração  de Ajuste Anual,  nos  termos,  especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade, que o fato  gerador  do  imposto  de  renda  estará  concluído.  Por  ser  do  tipo  complexivo,  segundo  a  classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do  exercício  social.  Só  então  o  contribuinte pode  realizar  os  devidos  ajustes  de  sua  situação  de  sujeito  passivo,  considerando  os  rendimentos  auferidos,  as  despesas  realizadas,  as  deduções  legais  por  dependentes  e  outras,  as  antecipações  feitas  e,  assim,  realizar  a  Declaração  de  Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco.  Ora,  a  base  de  cálculo  da  declaração  de  rendimentos  abrange  todos  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  durante  o  ano­calendário.  Desta  forma,  o  fato  gerador  do  imposto  apurado  relativamente  aos  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual  se  perfaz  em  31  de  dezembro de cada ano.  Nesse  contexto,  deve­se  atentar  com  relação  ao  caso  em  concreto  que,  embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou  para  efeito  de  tributação  foi  o  total  de  rendimentos  percebidos  pelo  interessado  no  ano­ calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente.  É  certo  que  a  Lei  n.º  7.713,  de  1988,  determinou  a  obrigatoriedade  da  apuração mensal do  imposto sobre a  renda das pessoas físicas, não  importando a origem dos  rendimentos nem a natureza  jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o  imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação  com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência  plena, somente, no ano de 1989.   Entretanto, a partir do ano de 1990, não  é possível exigir do contribuinte o  pagamento mensal  do  imposto  de  renda,  ainda  que  a  fonte  pagadora  não  tenha  cumprido  o  dever  legal de efetuar a  retenção do  imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas  que  o  imposto  de  renda  na  fonte  e  o  imposto  de  renda  recolhido  na  forma  de  “carnê­leão”,  apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do  imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual.   Desse modo, o imposto devido, a partir do período base de 1990, passou a ser  determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a  inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.º 8.134, de 1990, e o saldo a  pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte  pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas.  Fl. 960DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 16          31 Relevante  observar,  que  a  obrigatoriedade  do  recolhimento  mensal  nasceu  com o advento da Lei n.º 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das  pessoas  físicas  o  sistema  de  bases  correntes.  Assim,  entendo  que  os  rendimentos  omitidos  apurados,  mensalmente,  pela  fiscalização,  a  partir  de  01/01/90,  estão  sujeita  à  tabela  progressiva anual (IN SRF n.º 46/97).  É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal  exterior  de  riqueza  caracterizado  pelos  gastos  excedentes  da  renda  disponível,  e  deve  ser  quantificada em função destes.  Não  comungo  com  a  corrente,  que  entende  que  os  saldos  positivos  (disponibilidades)  apurados  em  um  ano  possam  ser  utilizados  no  ano  seguinte,  pura  e  simplesmente, já que é pensamento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas  físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos  de  capital  forem  percebidos,  incluindo­se,  quando  comprovada  pelo  Fisco,  a  omissão  de  rendimentos  apurados  através  de  planilha  financeira  onde  são  considerados  os  ingressos  e  dispêndios realizados pelo contribuinte.   Entretanto,  por  inexistir  a  obrigatoriedade  de  apresentação  de  declaração  mensal  de  bens,  incluindo  dívidas  e  ônus  reais  e  pela  inexistência  de  previsão  legal  para  se  considerar  como  renda  consumida,  o  saldo  de  disponibilidade  pode  ser  aproveitado  no mês  subseqüente, desde que seja dentro do mesmo ano­calendário.   Assim,  somente  poderá  ser  aproveitado,  no  ano  subseqüente,  o  saldo  de  disponibilidade  que  constar  na  declaração  do  imposto  de  renda  ­  declaração  de  bens,  devidamente lastreado em documentação hábil e idônea.   No  presente  caso,  a  tributação  levada  a  efeito  baseou­se  em  levantamentos  mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio,  constata­se  que  houve  a  disponibilidade  econômica  de  renda maior  do  que  a  declarada  pelo  suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação.  É  entendimento  pacífico,  nesta  Turma  de  Julgamento,  que  quando  a  fiscalização  promove  o  fluxo  financeiro  (“fluxo  de  caixa”)  do  contribuinte,  através  de  demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos  (entradas)  e  todos  os  dispêndios  (saídas),  ou  seja,  devem  ser  considerados  todos  os  rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributáveis, isentos e  os  tributados  exclusivamente  na  fonte),  bem  como  todos  os  dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de despesas  bancárias,  aplicações  financeiras,  água,  luz,  telefone,  empregada  doméstica,  juros  pagos,  pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), IR sobre renda variável,  IPTU,  ITBI,  construções  e  reformas,  moeda  estrangeira  em  espécie,  veículos,  embarcações,  ações,  quotas,  integralização  de  capitais,  gastos  com  viagens;  débitos  em  conta­corrente  bancária ­ tais como cheques emitidos para consumo e para pagamentos a terceiros, rubricas de  pagamento  de  cartão  de  crédito,  gastos  com  viagens,  ordens  de  pagamento,  etc.,  apurados  mensalmente.  Assim  sendo,  não  há  controvérsia  que  o  lançamento  foi  realizado  dentro  dos  parâmetros legais.   Consta de forma clara, nos autos, que o suplicante foi tributado por presunção  legal de omissão de  rendimentos, caracterizado através do  levantamento mensal de origens  e  aplicações  de  recursos,  onde  se  constata  um  “acréscimo  patrimonial  a  descoberto”  ­  “saldo  Fl. 961DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   32 negativo  mensal”,  ou  seja,  o  suplicante  aplicava  e/ou  consumia  mais  do  que  possuía  de  recursos com origem justificada, sendo que nestes casos a responsabilidade pela apresentação  das provas para elidir a presunção legal compete ao contribuinte que praticou a irregularidade  fiscal.  No âmbito da teoria geral da prova, não há dúvidas de que o ônus probante,  em  princípio,  cabe  a  quem  alega  determinado  fato. Mas  algumas  aferições  complementares,  por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição  do ônus da prova.  Em não  raros casos  tal  atribuição do ônus da prova  resulta na exigência de  produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à  evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o  não  recebimento  de  um  rendimento?  Como  evidenciar  que  um  contrato  não  foi  firmado?  Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu?  Não  se  pode  esquecer,  que  o Direito Tributário  é  dos  ramos  jurídicos mais  afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo  disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis).   Nesse  sentido,  é  de  suma  importância  ressaltar  o  conceito  de  provas  no  âmbito  do  processo  administrativo  tributário.  Com  efeito,  entende­se  como  prova  todos  os  meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao  julgador o conhecimento da verdade dos fatos.  Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto  aos meios de prova admitidos, sendo, portanto, razoável como emprego subsidiário o Código  de Processo Civil, que dispõe:   Art.  332.  Todos  os  meios  legais,  bem  como  os  moralmente  legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis  para  provar  a  verdade  dos  fatos,  em  que  se  funda  a  ação  ou  defesa  Da mera  leitura  deste  dispositivo  legal,  depreende­se  que  no  curso  de  um  processo,  judicial  ou  administrativo,  todas  as  provas  legais  devem  ser  consideradas  pelo  julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da  divergência entre as partes.  Assim,  tendo  em  vista  a  mais  renomada  doutrina,  assim  como,  a  iterativa  jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vê­se que o processo fiscal tem  por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição  do  crédito  tributário,  devendo  o  julgador  pesquisar  exaustivamente  se,  de  fato,  ocorreu  à  hipótese  abstratamente  prevista  na  norma  e,  em  caso  de  recurso  do  contribuinte,  verificar  aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado.  Se  de  um  lado,  o  contribuinte  tem  o  dever  de  declarar,  cabe  a  este,  não  à  administração,  a prova  do  declarado. De  outro  lado,  se o  declarado  não  existe,  cabe  a  glosa  pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras,  não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador.  Como  se  sabe,  no  caso,  em  discussão,  os  valores  apurados  nos  demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa  Fl. 962DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 17          33 (júris  tantum)  que,  embora  estabelecida  em  lei,  não  tem  caráter  de  verdade  indiscutível,  valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade.  Observe­se,  que  as  presunções  júris  tantum,  embora  admitam  prova  em  contrário,  dispensam  do  ônus  da  prova  aquele  a  favor  de  quem  se  estabeleceu,  cabendo  ao  sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi­las.  O  Código  Tributário  Nacional  prevê  na  distribuição  do  ônus  da  prova  nos  lançamentos  de  ofício  que  sempre  recairá  sobre  o  Fisco  o  ônus  da  comprovação  dos  fatos  constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a  comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação  tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou  seja,  em  face  das  provas  produzidas  e  das  planilhas  que  atestam  o  acréscimo  patrimonial,  a  autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever.  Uma vez efetuado o demonstrativo de evolução patrimonial do Contribuinte e  apurado o  acréscimo patrimonial  a descoberto pela  autoridade  fiscal  lançadora,  caracterizada  está  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  Imposto  de Renda,  nos  termos  do  art.  43,  inciso  II  do  Código Tributário Nacional. Nessa hipótese, cabe ao Contribuinte a comprovação da existência  recursos suficientes para afastar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado, uma vez que se  opera a inversão do ônus da prova, legalmente prevista.  Esclareça­se,  mais  uma  vez,  que  os  dados  constantes  da  Declaração  de  Rendimentos  e de Bens  do Contribuinte  são  informações prestadas voluntariamente,  sob  sua  responsabilidade, e estão sujeitos à comprovação, se o Fisco entender necessário. O artigo 806  do Decreto n° 3.000, de 1999, assim determina:  Art.  806.  A  autoridade  fiscal  poderá  exigir  do  contribuinte  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  acerca  da  origem  dos  recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que  as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição  do patrimônio (Lei n° 4.069/1962, art 51, § 1°).  Ora,  resta  claro  nos  autos  de  que  foi  verificada  omissão  de  rendimentos  devido  à  ocorrência  de  variação  patrimonial  não  respaldado  por  rendimentos  tributáveis,  isentos e não­tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva  declarados.   Se o contribuinte foi autuado por acréscimo patrimonial a descoberto, através  do  levantamento  do  fluxo  financeiro.  Ou  seja,  através  da  análise  das  entradas  e  saídas  de  recursos à fiscalização apurou saldo negativo. Nesta situação o suplicante fica na obrigação de  apresentar elementos comprobatórios de recursos com origem justificada para fazer frente ao  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  apurado  pela  fiscalização,  de  nada  adianta  a  simples  alegação  de  que  se  fosse  considerado  isso  ou  aquilo  à  acusação  fiscal  não  teria  fundamento  para sua aplicação, pois, estes supostos recursos, dariam causa ao dito “acréscimo patrimonial a  descoberto apurado”.      Fl. 963DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   34 O recorrente, além da alegação de elaboração de dois fluxos de caixa, o que  já  se  demonstrou  que  não  ocorreu,  insurge­se  o  recorrente  contra  a  glosa,  como  recurso,  do  valor  de  R$  105.000,00  informado  como  disponibilidade  em  espécie  em  31/12/2002  na  declaração de ajuste anual. Argumenta o recorrente que o valor de R$ 45.000,00 proveniente  da DAA 2002 entregue tempestivamente, e o valor de R$ 10.000,00 proveniente de economias  efetuadas durante o ano­calendário de 2002, não podem ser glosados por não apresentação de  provas cabais de suas existências porque não existe no MPF autorização para exame do ano­ calendário  de  2002. A  glosa  do  valor  de R$  50.000,00,  proveniente  de  recebimento  de  nota  promissória em dezembro de 2002 relativa a negócio fechado em 2001, também não pode ser  glosada pois não há no MPF autorização de reexame do ano­calendário de 2001 e o direito ao  recebimento do valor foi informado na DAA 2002, não tendo informação na DAA 2003 de seu  recebimento.  Ora,  a Declaração  de Ajuste Anual, mesmo que  homologada,  não  constitui  prova da  posse  do  dinheiro  declarado  para  o  exercício  objeto  de  autuação,  a medida  que  tal  declaração entregue pelo contribuinte fornece apenas a informação nela consignada, porém não  comprova por si só o fato declarado. Pretendendo o recorrente aproveitar dinheiro em espécie  declarado  no  exercício  anterior  para  justificar  variação  patrimonial  no  exercício  fiscalizado,  cabe a ele a prova inconteste de sua existência no final do ano­calendário em que foi declarado,  o que não foi  feito nos autos. Como já  frisado, o ônus de provar a origem dos recursos é do  contribuinte,  cabendo  a  ele  a  prova  da  posse  efetiva  do  numerário,  o  que  não  foi  feito  impossibilitando a consideração da referida disponibilidade financeira na planilha de evolução  patrimonial.  Como  já  dito,  anteriormente,  o  ônus  cabe  à  autoridade  administrativa.  Há,  porém, as presunções legalmente estabelecidas. Estas têm o condão de inverter o ônus da prova  como  esclarece  José  Luiz  Bulhões  Pedreira  (“Imposto  sobre  a  Renda  –  Pessoas  Jurídicas”,  JUSTEC – RJ, 1979, pág. 806):   O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova:  invocando­a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar,  no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características  descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que  a  lei  presume  –  cabendo  ao  contribuinte,  para  afastar  a  presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe  no caso.  Todas  as  informações  registradas  pelo  contribuinte  em  sua  Declaração  de  Ajuste Anual, até prova em contrário, são consideradas expressão da verdade. Por outro lado,  se o contribuinte for  intimado a fazer a comprovação dos valores lançados,  tempestivamente,  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual  e/ou  Declaração  de  Bens  e  Direitos  e  não  o  fizer  é  perfeitamente justificável a glosa destes valores.   No  que  diz  respeito  à  exclusão  ou  inclusão  de  recursos,  bem  como  à  consideração de dívidas  e ônus  reais no  fluxo de caixa,  seria ocioso mencionar que  todos os  valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a  dinheiro em espécie, doações, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto  a terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua  comprovação  se  processa  mediante  observação  de  uma  conjunção  de  procedimentos  que  permitam a livre formação de convicção do julgador.  Nesta  linha  de  raciocínio  entendo  que  não  restou  comprovado,  mediante  apresentação de documentação hábil e idônea, que as aplicações/dispêndios realizados nos ano­ calendário de 2003 têm origem nos valores alegados.   Fl. 964DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 18          35  Da mesma  forma,  não  pode  prosperar  a  argumentação  a  alegação  de  que  houve vicio material por ofensa as normas vigentes, decorrente da elaboração de dois fluxos de  caixa para  apuração da  pretensa variação patrimonial,  não  se  sustenta quando da  análise dos  autos.  O  fluxo  financeiro  que  resultou  na  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  elaborado  é  um  só,  o  que  consta  a  fl.  57.  Do  total  apurado  como  acréscimo  patrimonial  a  descoberto no ano­calendário em questão, 50% foi lançado no contribuinte e 50% no cônjuge,  perfazendo idêntico valor lançado a este titulo nos cônjuges, como demonstra a tabela a seguir  e  se  comprova  nos  autos  de  infração  que  compõem  o  presente  processo  e  o  processo  n°  10803.000122/2008­70 da contribuinte Edna de Carvalho Xavier, CPF 067.131.298­70.   Por fim, é de se ressaltar, que o fluxo financeiro de origens e aplicações de  recursos será apurado, mensalmente, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios  realizados no mês,  pelo contribuinte. A  lei  autoriza  a presunção de omissão de  rendimentos,  desde que à autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda  declarada  disponível  (tributados,  isentos,  não  tributáveis  ou  tributados  exclusivamente  na  fonte).   Na discussão de mérito relativo a omissão de rendimentos caracterizados por  depósitos bancários sem origem justificada, através de sua peça recursal, o suplicante solicita o  provimento  ao  seu  recurso,  alegando,  em  síntese,  que  os  depósitos  são  oriundos  de  empréstimos cedidos e recebidos, créditos de aluguéis e disponibilidade em espécie, bem como  não foi caracterizado sinais exteriores de riqueza.   Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do  inciso XXI, do artigo 88, da Lei nº 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o  § 5º do artigo 6º, da Lei nº 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não  deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do  Decreto­lei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/1997, quando  se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como  se  falar em Lei nº 8.021, de 1990, ou Decreto­lei  n° 2.471, de 1988,  já  que os mesmos não  produzem mais seus efeitos legais.  É  notório,  que  no  passado  os  lançamentos  de  crédito  tributário  baseado  exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre  tiveram  sérias  restrições,  seja  na  esfera  administrativa,  seja  no  judiciário.  Para  por  um  fim  nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando  como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento  mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  estipulando  limites  de  valores  para  a  sua  aplicação,  ou  seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a  doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de  oitenta mil reais.   Apesar  das  restrições,  no  passado,  com  relação  aos  lançamentos  de  crédito  tributário  baseado  exclusivamente  em  depósitos  bancários  (extratos  bancários),  como  já  exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a  partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para  tributação de depósitos bancários não justificados como se “omissão de rendimentos” fossem.  Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos.   Fl. 965DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   36 É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no  nosso  sistema  tributário  tem o  princípio  da  legalidade  como  elemento  fundamental  para  que  flore o  fato  gerador de  uma obrigação  tributária. Ou  seja,  ninguém  será obrigado  a  fazer ou  deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.  Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada  ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97),  e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência  de  crédito  tributário  em  favor  da  Fazenda  Nacional,  insustentável  o  procedimento  administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal,  imponha  ou venha impor exação.  Assim,  o  fornecimento  e manutenção  da  segurança  jurídica  pelo Estado  de  Direito  no  campo  dos  tributos  assume  posição  fundamental,  razão  pela  qual  o  princípio  da  Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação  ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos  da obrigação tributária.  À Administração Tributária está  reservado pela  lei o direito de questionar a  matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente.   Com  efeito,  a  convergência  do  fato  imponível  à  hipótese  de  incidência  descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que  demandam  interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios,  resulta que os  fatos  erigidos,  em  tese,  como  suporte  de  obrigações  tributárias,  somente,  se  irradiam  sobre  as  situações  concretas  ocorridas  no  universo  dos  fenômenos,  quando  vierem  descritos  em  lei  e  corresponderem estritamente a esta descrição.  Como a obrigação  tributária é uma obrigação ex  lege, e como não há  lugar  para  atividade  discricionária  ou  arbitrária  da  administração  que  está  vinculada  à  lei,  deve­se  sempre procurar a verdade real à cerca da  imputação, desde que a obrigação  tributária esteja  prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer­se haver ou não  haver obrigação tributária.  Neste  aspecto,  apesar  das  intermináveis  discussões,  não  pode  prosperar  os  argumentos do recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo  a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo:  Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  Fl. 966DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 19          37 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997:  Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  passam  a  ser  R$  12.000,00  (doze  mil  reais)  e  R$  80.000,00  (oitenta  mil  reais),  respectivamente.  Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°:   “Art. 42.  (...)  §  5°  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem à  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.  §  6°  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titular”.  Instrução Normativa SRF nº 246, 20 de novembro de 2002:  Dispõe  sobre  a  tributação  dos  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  em  instituição  financeira  Fl. 967DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   38 em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente  intimado, não comprove a origem dos recursos.  Art.  1º  Considera­se  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em  instituição  financeira,  cuja  origem  dos  recursos  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprove  mediante  documentação  hábil e idônea.  § 1º Quando comprovado que os valores creditados em conta de  depósito ou de investimento pertencem à  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  é  efetuada em  relação ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo  titular  da conta de depósito ou de investimento.   §  2º  Caracterizada  a  omissão  de  rendimentos  decorrente  de  créditos  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  dos  titulares  tenha  sido  apresentada  em  separado,  o  valor  dos  rendimentos  é  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  do  total  dos  rendimentos pela quantidade de titulares.  Art. 2º Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no  mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira.  Art. 3º Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os  créditos serão analisados individualizadamente.  §  1º  Para  efeito  de  determinação  do  valor  dos  rendimentos  omitidos,  não  será  considerado  o  crédito  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a R$  12.000,00  (doze mil  reais),  desde  que  o  somatório  desses  créditos  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do ano­calendário.  §  2º  Os  créditos  decorrentes  de  transferência  entre  contas  de  mesmo  titular  não  serão  considerados  para  efeito  de  determinação dos rendimentos omitidos.  Da  interpretação dos dispositivos  legais  acima  transcritos podemos afirmar,  que  para  a  determinação  da  omissão  de  rendimentos  na  pessoa  física,  a  fiscalização  deverá  proceder  a  uma  análise  preliminar  dos  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto  à  instituição  financeira,  onde devem ser observados os  seguintes  critérios/formalidades:  I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  de  titularidade  da  própria  pessoa  física  sob  fiscalização;  II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos  créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um);  III  –  nesta  análise  não  serão  considerados  os  créditos  de  valor  igual  ou  inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano­calendário, não ultrapasse o  valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular);  Fl. 968DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 20          39 IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise  individual,  exceto  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  fiscalizada;  V – no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos  tenham  sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados  a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/2002, deverão  obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de  titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos;  VI – quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou  de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos  rendimentos  é  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo  titular  da  conta  de  depósito ou de investimento;  VII – os  rendimentos omitidos, de origem não comprovada,  serão apurados  no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste  anual, conforme tabela progressiva vigente à época.  Pode­se concluir, ainda, que:  I  ­ na pessoa  jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com  exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias,  não sendo aplicável o  limite  individual de crédito  igual ou  inferior a doze mil  reais e oitenta  mil reais no ano­calendário;  II – caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os  critérios  acima  relacionados,  todos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  em  relação  aos  quais  a  pessoa  física  ou  jurídica,  não  comprove  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  desde  que  regularmente  intimada  a  prestar  esclarecimentos e comprovações;  III – na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de  créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado  ao somatório, dentro do ano­calendário, a oitenta mil reais;  IV – na hipótese de créditos que  individualmente superem o  limite de doze  mil  reais,  sem  a  devida  comprovação  da  origem,  ou  seja,  sem  a  comprovação,  mediante  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea  que  estes  créditos  (recursos)  tem  origem  em  rendimentos  já  tributados,  não  tributáveis  ou  que  estão  sujeitos  a  normas  específicas  de  tributação, cabe a constituição de crédito  tributário como se omissão de rendimentos  fossem,  desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações;  V  –  na  hipótese  de  créditos  não  comprovados  que  individualmente  não  superem  o  limite  de  doze  mil  reais,  entretanto,  estes  créditos  superam,  dentro  do  ano­ calendário,  o  limite  de  oitenta  mil  reais,  todos  os  créditos  sem  a  devida  comprovação  da  origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e  idônea  que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que  estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como  se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos  e comprovações;  Fl. 969DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   40 VI ­ os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em  que auferidos ou recebidos;  VII  ­  para  efeito  de  determinação  do  valor  dos  rendimentos  omitidos,  não  será  considerado o crédito de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 12.000,00, desde que o  somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do  ano­calendário.  Como  se  vê,  nos  dispositivos  legais  retromencionados,  o  legislador  estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar  a  origem  dos  créditos  efetuados  em  sua  conta  bancária,  tem­se  a  autorização  legal  para  considerar  ocorrido  o  fato  gerador,  ou  seja,  para  presumir  que  os  recursos  depositados  traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus  da  prova,  característica  das  presunções  legais  o  contribuinte  é  quem  deve  demonstrar  que  o  numerário creditado não é renda tributável.  É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos  valores  em contas de depósito ou de  investimento,  examinar  a  correspondente declaração de  rendimentos  e  intimar  o  titular  da  conta  bancária  a  apresentar  os  documentos/informações/esclarecimentos,  com vistas  à verificação  da ocorrência  de omissão  de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da  origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte.  Não  comprovada  a  origem  dos  recursos,  tem  a  autoridade  fiscal  o  poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na  declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia  ser de outro modo, ante a vinculação  legal decorrente do Princípio da Legalidade que  rege a  Administração  Pública,  cabendo  ao  agente  tão­somente  a  inquestionável  observância  da  legislação.  Por  outro  lado,  também  é  verdadeiro,  como  visto  anteriormente,  que  dos  valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos  depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a  proventos,  resgates  de  aplicações  financeiras,  estornos,  cheques  devolvidos,  empréstimos  bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde  que o somatório dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.  Por  fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de  tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual  dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a  R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o  contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações.  Esta  comprovação  deverá  ser  feita  com  documentação  hábil  e  idônea,  devendo  ser  indicada  à  origem  de  cada  depósito  individualmente,  não  servindo,  a  princípio,  como  comprovação  de  origem  de  depósito  os  rendimentos  anteriormente  auferidos  ou  já  tributados,  se  não  for  comprovada  a  vinculação  da  percepção  dos  rendimentos  com  os  depósitos  realizados.  Assim,  os  valores  cuja  origem  não  houver  sido  comprovada  serão  oferecidos à tributação, submetendo­se aos limites individual e anual para os depósitos, como  omissão de rendimentos, utilizando­se a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido  efetuado o crédito pela Instituição Financeira.  Fl. 970DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 21          41 Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  o  sujeito  passivo  é  o  titular  da  conta  bancária  que,  regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários.   Faz­se  necessário  reforçar,  que  a  presunção  criada  pelo  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  é  uma  presunção  relativa  passível  de  prova  em  contrário.  Ou  seja,  está  condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome  do  contribuinte,  em  instituições  bancárias. A  simples  prova  em  contrário,  ônus  que  cabe  ao  contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos.   Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte  para  com  a  Fazenda  Nacional  de  pagar  o  tributo  com  os  devidos  acréscimos  previstos  na  legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do  valor  correspondente  ao  tributo  na  data  aprazada.  A  falta  de  recolhimento  no  vencimento  acarreta  em  novas  obrigações  de  juros  e  multa  que  se  convertem  também  em  obrigação  principal.  Assim,  desde  que  o  procedimento  fiscal  esteja  lastreado  nas  condições  imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos  recursos depositados em sua conta corrente. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente  especificados,  que  representam  ou  não  aquisição  de  disponibilidade  financeira  tributável  ou  não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de  cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o  contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do  valor  depositado  (créditos),  independentemente,  se  tratar  rendimentos  tributáveis  ou  não. Os  valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas  de  tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.  É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem  em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado,  qual  seja  depósitos/créditos  em  conta  bancária,  sobre  os  quais  o  contribuinte,  devidamente  intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção  de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42).   Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte  o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados.  Quanto ao contrato de mútuo de R$ 159.800,00 (item 25.2 do TVCF — AC  2003) — argumenta o recorrente que não há base jurídica para a desconsideração do contrato  de  mutuo  e  da  nota  promissória,  ademais  que  a  própria  fiscalização  reconhece  que  o  empréstimo foi registrado nas declarações tanto do credor como do devedor.  Resta claro nos autos de que os depósitos foram feitos todos em dinheiro e,  intimado, o  credor  afirmou  ter  feito depósitos  em dinheiro,  porém não  apresentou  saques de  suas contas compatíveis com os depósitos em datas e valores.  Ora, sem dúvidas de que a presunção do artigo 42 da Lei n° 9430, de 1996  admite  prova  em  contrário,  mas  esta  deve  ser  feita  pelo  contribuinte  individualmente  por  depósito como é feito o lançamento. O contrato de mútuo, a nota promissória (abstraindo­se da  necessidade ou não de reconhecimento de firma), a declaração tempestiva do empréstimo nas  Fl. 971DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   42 declarações (as declarações entregues pelos contribuintes fornecem apenas a informação nelas  consignadas,  porém  não  comprovam  por  si  só  os  fatos  declarados),  são  insuficientes  para  comprovar a origem dos depósitos porque não demonstram que tais depósitos foram efetuados  pelo Sr. Haigazum Kassardjiian,  em  cumprimento  ao  contrato  de mútuo  como  alegado. Não  demonstrou  a  efetividade  da  transferência  dos  valores  considerados  como  empréstimo,  de  modo a restar comprovado a origem dos recursos depositados, coincidentes em datas e valores.  Quanto a disponibilidade em poder do fiscalizado — R$ 15.600,00 (item 25.6  do  TVCF — AC  2003) —  argumenta  o  recorrente  que  os  depósitos  em  dinheiro  no Banco  Santander  tiveram  como  origem  valores  disponíveis  em  caixa,  sendo  que  a  fiscalização  os  desconsiderou por  falta de comprovação da disponibilidade, contudo na DAA 2002, entregue  tempestivamente, foi informado o valor de R$ 105.000,00 em 31/12/2002, que só poderia ser  glosado se a fiscalização demonstrasse ser incompatível com os rendimentos do fiscalizado, o  que  não  foi  feito,  havendo,  ainda,  falta  de  autorização  no  MPF­F  para  o  exame  do  ano­ calendário de 2002.  Ora, já restou claro, que a fiscalização teve como objeto o ano­calendário de  2003, assim, não caberia a ela verificar a compatibilidade entre os  rendimentos  recebidos no  ano­calendário de 2002 e as informações constantes da Declaração de Bens do ano­calendário  de 2002. O que a autoridade fiscal verificou ficou restrito ao ano­calendário de 2003. Caberia  ao contribuinte comprovar que os depósitos relacionados no TVCF, à fl. 30, tiveram origem em  disponibilidades  do  recorrente,  para  isso  poderia  apresentar  saques  vinculados,  comprovar  recebimentos em dinheiro, entre outros, o que não foi feito.   Quanto ao depósito on line — R$ 5.000,00 (item 25.8 do TVCF — AC 2003)  — argumenta o recorrente que este depósito foi efetuado por seu colega de trabalho Antonio  Pereira,  por  devolução  de  empréstimo  a  ele  realizado  para  pagamento  de  despesa  hospitalar  sem assinatura de mútuo devido à  relação de  amizade,  e  caberia  a  fiscalização  intimar o Sr.  Antonio Pereira em busca da verdade material.  Como já se disse, anteriormente, que nos casos de presunção relativa, cabe ao  contribuinte a prova em contrário não sendo  licito  transferir o ônus da contraprova ao Fisco.  Caberia ao recorrente obter  junto ao seu colega de trabalho, Sr. Antonio Pereira, documentos  que  comprovassem  as  suas  alegações,  como  prova  de  saque  do  numerário,  comprovante  do  depósito, prova do empréstimo quando do pagamento da despesa hospitalar, entre outros.   Pelo  exame  dos  autos  verifica­se  que  o  recorrente,  embora  intimado  a  comprovar, mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados  em  suas  contas  bancárias,  não  conseguiu  equacionar,  de  forma  razoável,  os  depósitos  questionados  com os  pretensos  valores  recebidos  e  é  isso  que  importa,  justificar  a  origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores.  Não  há  dúvidas,  que  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  definiu,  portanto,  que  os  depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano­calendário de 1997,  caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte,  sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988.   Ora,  no  presente  processo,  a  constituição  do  crédito  tributário  decorreu  em  face da contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos  que  dariam  respaldo  aos  referidos  depósitos/créditos,  dando  ensejo  à  omissão  de  receita  ou  rendimento  (Lei  nº  9.430/1996,  art.  42)  e,  refletindo,  conseqüentemente,  na  lavratura  do  instrumento de autuação em causa.   Fl. 972DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 22          43 Ademais,  à  luz da Lei nº 9.430, de 1996,  cabe  ao  suplicante,  demonstrar o  nexo  causal  entre  os  depósitos  existentes  e o  benefício  que  tais  créditos  tenham  lhe  trazido,  pois  somente  ele  pode  discriminar  que  recursos  já  foram  tributados  e  quais  se  derivam  de  meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a  ele  comprovar  a  origem  de  tais  depósitos  bancários  de  forma  tão  substancial  quanto  o  é  a  presunção legal autorizadora do lançamento.  Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3º do art. 42 da Lei nº  9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário  coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não  podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias.  A  legislação  é  bastante  clara,  quando  determina  que  a  pessoa  física  está  obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano­calendário, até que  se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até  que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem  que  ter  um  mínimo  de  controle  de  suas  transações,  para  possíveis  futuras  solicitações  de  comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas.   Nos  autos  ficou evidenciado,  através de  indícios  e provas,  que o  suplicante  recebeu  os  valores  questionados  neste  auto  de  infração.  Sendo,  que,  neste  caso,  está  clara  a  existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do  fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente  possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base  arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da  improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos  hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores.  A  presunção  legal  júris  tantum  inverte  o  ônus  da  prova.  Neste  caso,  a  autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato  indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário),  nos  termos do art. 334,  IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o  fato presumido não existiu na situação concreta.   Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do  ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de  tais  rendimentos  presumidos.  Oportunidade  que  lhe  foi  proporcionado  tanto  durante  o  procedimento  administrativo,  através  de  intimação,  como  na  impugnação,  quer  na  fase  ora  recursal. Nada foi acostado que afastasse a totalidade da presunção legal autorizada.   É  transparente  que  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  definiu  que  os  depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não  meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada  depósito  e  o  fato  que  represente  omissão  de  receita,  ou mesmo  restringir  a  hipótese  fática  à  ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a  Lei nº 8.021, de 1990.  Por  fim,  é  de  se  dizer  que  simples  alegações  desacompanhadas  de  documentação que as comprovem não são suficientes para afastar a presunção legal de omissão  de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n.° 9.430, de 1996. Eis que, por força do caput e § 3.°  do  referido  artigo,  os  depósitos  bancários  devem  ser  comprovados  mediante  documentação  Fl. 973DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   44 hábil e idônea. Como a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao  contribuinte que praticou a irregularidade fiscal e como nada apresentou é de se manter, nesta  parte, o lançamento na forma que foi realizado pela autoridade lançadora.  Quanto  a  omissão  de  rendimentos  no  valor  de  R$  95.921,72,  relativo  a  rendimentos recebidos a título de juros compensatórios, relativo a venda de Imóvel—Apto 121  ­ Edifício Côte Sauvage — São Paulo/SP e venda apto 61 — Voluntários da Pátria, 2831, é de  se  dizer,  que  independentemente  da  designação  dada  (juros  compensatórios,  juros,  correção  monetária,  reajuste  de  parcelas,  etc.),  qualquer  acréscimo  no  valor  da  venda  provocado  pela  divisão em parcelas do pagamento deve ser tributado em separado do ganho de capital, na fonte  ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnê­leão), conforme o caso, e na Declaração  de Ajuste Anual correspondente ao ano­calendário de seu recebimento.  Em  sua  defesa  o  contribuinte  noticia  que  as  verbas  apontadas  pelo  Fisco,  como  omitidas,  referem­se  a  valores  pagos  por  pessoas  jurídicas  e  a  ela  que  cabe  a  responsabilidade pelo imposto de renda não recolhido.   Desta  forma, para que haja melhor compreensão no julgamento deste  feito,  será  adotada  uma  metodologia  didática  para  a  apreciação  das  contestações  interpostas  pelo  Recorrente, cuja abordagem será desenvolvida em função dos prismas a seguir descritos:  a) ­ quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente; e  b) ­ a responsabilidade de fonte pagadora.  Quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente, tem­se que de uma  leitura atenta da peça recursal logo evidencia que o suplicante entende que o imposto de renda  na fonte em discussão é típico de imposto por antecipação do devido na declaração e só poderia  ser exigido da fonte pagadora.  A  jurisprudência  firmada  neste  Tribunal  Administrativo  quanto  à  matéria,  após  longo  estudo  e  debate,  se  desenvolveu  no  sentido  da  legalidade  de  tais  lançamentos  quando a ação fiscal ocorrer depois de encerrado o ano­calendário.  Assim,  após  a  análise  da  questão  em  julgamento  só  posso  acompanhar  a  decisão  de  Primeira  Instância,  já  que  o  meu  entendimento,  acompanhado  pelos  dos  demais  pares  desta  Turma  de  Julgamento,  sobre  o  caso  é  convergente,  pelas  razões  alinhadas  na  seqüência:  Indiscutivelmente,  estamos  diante  de  um  imposto  com  característica  de  imposto,  que  poderia  ter  sido  exigido  na  fonte,  conhecido  como  antecipação  do  devido  na  declaração.  O  Código  Tributário  Nacional  –  CTN  reconhece  a  existência  de  duas  possíveis  entidades  pessoais  no  pólo  passivo  de  qualquer  relação  jurídica  tributária,  quais  sejam: o contribuinte e o responsável (art. 121, parágrafo único). Desta  forma, somente pode  ser sujeito passivo a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador – hipótese em  que  a  pessoa  é  contribuinte  ­,  ou  a  pessoa  que  não  seja  o  contribuinte,  mas  tenha  necessariamente algum tipo de vínculo com o fato gerador – hipótese prescrita no art. 128 do  CTN para a figura do responsável.  O  art.  45  do  CTN  conceitua  o  contribuinte  do  imposto  de  renda  como  a  pessoa  que  seja  titular  da  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  da  renda  ou  provento  tributável. Como, também, no parágrafo único do mesmo artigo estatui que “a lei pode atribuir  Fl. 974DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 23          45 à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto  cuja retenção e recolhimento lhe caibam”.  Assim, aquele que aufere a renda ou o provento é o contribuinte do imposto  de  renda, por  ter  relação direta  e pessoal  com a  situação que  configura o  fato  gerador desse  tributo, que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento.   Por  outro  lado,  a  fonte  pode  ser  responsabilizada  legalmente  pelo  cumprimento da obrigação de  recolher o  imposto de  renda porque possui  um vínculo  com o  fato  gerador,  eis  que  efetua  o  pagamento  ou  crédito  que  decorre  da  renda  ou  do  provento  tributável,  embora  não  tenha  relação  natural  com  o  fato  sujeito  à  tributação,  já  que  não  é  a  pessoa titular da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento  tributável.  Nesta  Turma  de  Julgamento  que  tem  origem  na  antiga  Quarta  Câmara  do  Primeiro Conselho de Contribuintes,  a  Jurisprudência  é pacífica no  sentido de que quando  a  fonte tenha efetuado a retenção e fornecido o respectivo comprovante ao beneficiário da renda  ou  do  provento,  e  caso  o  imposto  seja  considerado  antecipação  do  imposto  devido  pelo  beneficiário na declaração de ajuste anual, este  tem o direito de compensar o  imposto retido,  ainda  que  a  fonte  não  o  tenha  recolhido,  já  que  a  responsabilidade  passa  a  ser  exclusiva  da  fonte pagadora.   Da mesma forma, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que se a previsão  da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e  se a ação fiscal ocorrer após o ano­base da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição  de  crédito  tributário  através  do  lançamento  de  imposto  de  renda  na  fonte  na  pessoa  jurídica  pagadora dos rendimentos. O lançamento, a  título de imposto de renda, se for o caso, deverá  ser  efetuado  em  nome  do  contribuinte,  beneficiário  do  rendimento,  exceto  no  regime  de  exclusividade do imposto na fonte.  Em síntese, a  fonte  tem o direito de descontar o  imposto de  renda na  fonte  quando paga a renda ou provento e por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da  fonte  o  informe  de  rendimento  e  retenção,  para  que  possa  exercer  os  efeitos  de  direito  daí  eventualmente derivados,  inclusive o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto  que tiver que pagar na declaração de ajuste anual.  Assim,  é  conclusivo  que,  segundo  a  lei  tributária,  para  que  o  contribuinte  possa exercer o direito de compensar o imposto pago na fonte com o imposto a pagar sobre os  rendimentos na declaração anual de ajuste, é necessário que a fonte lhe forneça o comprovante  de retenção.   No caso em análise, é fato  inegável que o valor pago para o suplicante  tem  origem em rendimentos  tributáveis sujeitos à retenção na fonte como antecipação do imposto  devido na declaração.  Por  outro  lado,  tem­se  como  regra  básica  que  a  percepção  de  rendimentos  pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária  fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária.  Fl. 975DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   46 Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em  que  se considera ocorrida à disponibilidade da  renda ou dos proventos  e,  conseqüentemente,  em que nasce a obrigação tributária correspondente.  A responsabilidade pela retenção do imposto, no caso dos autos, nos termos  da  lei que a  instituiu,  se dá a  título de antecipação daquele que o contribuinte, pessoa  física,  tem o dever de apurar em sua declaração de ajuste anual.  A pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja,  é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar a retenção, a título de antecipação  do  devido  na declaração,  não  exime o  contribuinte  ­  pessoa  física  de  incluir  os  rendimentos  recebidos em sua declaração de ajuste anual.  Logo,  considerando  que  as  pessoas  físicas  beneficiárias  dos  rendimentos  pagos, sobre o qual se poderia, na época oportuna, ter­se exigido o imposto de renda da fonte  pagadora  a  titulo  de  antecipação  (antes  do  encerramento  do  ano­calendário),  encontram­se  relacionadas nominalmente na listagem do Tribunal Regional do Trabalho – 1ª Região, cabe a  constituição dos lançamentos de ofício junto àqueles contribuintes, uma vez comprovado que  os mesmos deixaram de oferecer estes valores à tributação em suas declarações de ajuste anual.  No caso de  imposto  incidente na fonte, a  título de redução na declaração, a  ausência da retenção não exime o beneficiário de declarar todos os rendimentos recebidos no  ano­base,  pois  a  pessoa  jurídica  ou  física  beneficiária  é  efetivamente  o  sujeito  passivo  ­  contribuinte, nos exatos termos da lei.  Em  face  de  julgamentos  levados  a  efeito  neste  Colegiado,  constatou­se,  ainda,  que  o  Fisco,  em  lançamento  de  ofício,  ora  exigia  o  imposto  de  renda  junto  à  fonte  pagadora,  ora  exigia  o  imposto  do  beneficiário,  pessoa  física  ou  jurídica,  seja  lançando  os  rendimentos omitidos na declaração, seja deslocando rendimentos declarados como isentos/não  tributáveis para rendimentos tributáveis.  A  legislação  regente  não  dá  guarida  a  essa  opção,  quanto  ao  mesmo  fato  (rendimento). Por ocasião do  lançamento,  só há um  sujeito passivo. A  lei  não dá guarida  ao  fisco  de  eleger,  conforme  as  circunstâncias,  ora  um,  ora  outro.  Tendo­se  a  identificação  do  beneficiário, sobre ele deve recair o imposto, visto ser sujeito passivo ­ contribuinte da relação  jurídica. Dando­se a ação fiscal dentro do ano­base, a exigência há de ser na fonte pagadora,  nos exatos preceitos da lei. Qualquer outro procedimento poder­se­ia chegar à situação de se  exigir  o  mesmo  imposto  tanto  da  fonte  pagadora  como  do  contribuinte  pessoa  física  ou  jurídica, tipificando bis in iden. Há possibilidades para tanto, por exemplo: fonte pagadora em  determinada Região Fiscal e pessoa física ou  jurídica em outra; pessoa física ou  jurídica não  mais  com  vínculo  com  a  fonte  pagadora,  sem  que  essa  possa  informar  ao  beneficiário  do  rendimento  ter  sofrido  a  ação  fiscal  para  recolher  o  imposto  não  retido  e  a  pessoa  física  ou  jurídica beneficiária também sofrer ação fiscal.  Em  outra  situação,  poder­se­ia  exigir  o  imposto  na  fonte  quando  o  beneficiário sequer estaria sujeito à apresentação da declaração, quando, então, a exigência do  imposto  na  fonte,  após  o  prazo  da  entrega  da  declaração,  seria  improcedente,  visto  que  a  incidência, nos termos legais, é tão­somente a título de antecipação. Antecipar o quê se, nesse  caso, sequer o beneficiário encontrava obrigado a apresentar a DIRPF.  Assim,  é  que  o  legislador,  nos  casos  de  incidência  na  fonte,  quanto  a  rendimentos pagos e não sujeitos a ajuste anual, previu ser de inteira responsabilidade da fonte  Fl. 976DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 24          47 pagadora  o  recolhimento  de  imposto  não  retido.  Fala­se,  aqui,  do  Decreto­lei  n°  5.844,  de  1943, com ênfase aos seus artigos 99, 100 e 103.  A responsabilidade, no caso da fonte pagadora obrigada a reter o imposto de  renda,  a  título  de  redução  daquele  a  ser  apurado  na Declaração  de Ajuste Anual,  se  dá  tão­ somente  dentro  do  próprio  ano­base.  Cabível,  sem,  contudo,  pretender  firmar  posição,  o  entendimento de  ser o ato de  reter o  imposto, na sistemática de antecipação, mera obrigação  acessória.  Isto porque o fato de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto na  fonte,  a  título  de  antecipação,  por  mero  equívoco  ou  mesmo  omissão,  não  significa  que  o  beneficiário  do  rendimento  esteja  desobrigado  de  incluir  esses  rendimentos  entre  aqueles  sujeitos na declaração, pois, efetivamente, é ele o contribuinte.  Nesse  sentido,  vasta  é  a  jurisprudência  deste  Colegiado  e  também  a  das  demais  Câmaras  deste  Conselho,  competentes  para  julgar  a  matéria,  podendo­se  citar  os  seguintes Acórdãos 102­43.925, 104­12.238 e 106­11.335.   Pode­se,  pois  concluir,  o  equívoco  quanto  à  eleição  da  fonte,  como  sujeito  passivo (responsável­substituto), quando a retenção é, por lei, mera antecipação do devido na  declaração, e a exigência se dá após o correspondente ano­base. Até porque, perante o órgão  fiscalizador e julgador administrativo, em primeiro ou segundo grau, a pessoa física ou jurídica  são os beneficiários dos rendimentos e, portanto, sujeito passivo/contribuinte na declaração de  rendimentos. Daí a firme jurisprudência administrativa no sentido de se manter a exigência do  imposto de renda apurado na declaração anual, decorrente da inclusão dos rendimentos que não  sofreram a incidência na fonte.  A este respeito à própria Secretaria da Receita Federal fez publicar o Parecer  Normativo SRF nº 01, de 24 de setembro de 2002, onde se aborda o tema, na mesma linha de  pensamento  deste  Tribunal  Administrativo.  Qual  seja:  em  se  tratando  de  imposto  retido  na  fonte no regime de antecipação, a responsabilidade do contribuinte é supletiva à do substituto  tributário, que passa a ser excluído do pólo da sujeição passiva a partir da data para a entrega  da  declaração  de  rendimentos  do  beneficiário  pessoa  física,  ou,  após  a  data  prevista  para  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  conforme  se  depreende  dos  excertos  abaixo transcritos:  Sujeição Passiva tributária em geral  2. Dispõe o art. 121 do CTN:  Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:   (...).  4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada  no parágrafo único do art.  45 do CTN,  substitui  o  contribuinte  em  relação  ao  recolhimento  do  tributo,  cuja  retenção  está  obrigada a fazer, caracterizando­se como responsável tributário.  Fl. 977DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   48 5.  Nos  termos  do  art.  128  do  CTN,  a  lei,  ao  atribuir  a  responsabilidade  pelo  pagamento  do  tributo  à  terceira  pessoa  vinculada  ao  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  tanto  pode  excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a  responsabilidade em caráter supletivo.  6.  A  fonte  pagadora  é  a  terceira  pessoa  vinculada  ao  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  a  quem  a  lei  atribui  a  responsabilidade  de  reter  e  recolher  o  tributo.  Assim,  o  contribuinte  não  é  o  responsável  exclusivo  pelo  imposto.  Pode  ter  sua  responsabilidade  excluída  (no  regime  de  retenção  exclusiva)  ou  ser  chamado  a  responder  supletivamente  (no  regime de retenção por antecipação).   (...).  Imposto retido como antecipação  11.  Diferentemente  do  regime  anterior,  no  qual  a  responsabilidade  pela  retenção  e  recolhimento  do  imposto  é  exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto  por  antecipação,  além  da  responsabilidade  atribuída  à  fonte  pagadora para a  retenção e  recolhimento do  imposto de  renda  na  fonte,  a  legislação  determina  que  a  apuração  definitiva  do  imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física,  na  declaração  de  ajuste  anual,  e,  pessoa  jurídica,  na  data  prevista para o encerramento do período de apuração em que o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual.  Responsabilidade  tributária  na  hipótese  de  não­retenção  do  imposto  12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à  tributação surge tão­somente na declaração de ajuste anual, no  caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento  do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  ao  se  atribuir  à  fonte  pagadora  a  responsabilidade  tributária  por  imposto  não  retido,  é  importante  que  se  fixe  o  momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se  antes ou após os prazos fixados, referidos acima.  13.  Assim,  se  o  fisco  constatar,  antes  do  prazo  fixado  para  a  entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física,  ou,  antes  da  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  que  a  fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na  fonte,  o  imposto  deve  ser  dela  exigido,  pois  não  terá  surgido  ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à  tributação.   (...).  14.  Por  outro  lado,  se  somente  após  a  data  prevista  para  a  entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física,  ou,  após  a  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  Fl. 978DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 25          49 mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  for  constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da  exigência passa a  ser o contribuinte. Com efeito,  se a  lei  exige  que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o  imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das  datas  referidas  não  se  pode  mais  exigir  da  fonte  pagadora  o  imposto.  Penalidades aplicáveis pela não­retenção ou não pagamento do  imposto  15.  Verificada,  antes  do  prazo  para  entrega  da  declaração  de  ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  a  não­retenção  ou  recolhimento  do  imposto,  ou  recolhimento  do  imposto  após  o  prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o  caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da  multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996  (art.  957  do  RIR/1999,  conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de  2002, verbis:   (...).  16. Após o prazo final  fixado para a entrega da declaração, no  caso  de  pessoa  física,  ou,  após  a  data  prevista  para  o  encerramento do período de apuração em que o rendimento for  tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de  pessoa  jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do  imposto  passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957  do RIR/1999 e no art. 9ª da Lei nº 10.426, de 2002, constatando­ se que o contribuinte:  a) não submeteu o rendimento à tributação, ser­lhe­ão exigidos o  imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da  fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora;  b) submeteu o rendimento à  tributação, serão exigidos da fonte  pagadora a multa de ofício e os juros de mora.  As  decisões  prolatadas  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  tem­se  manifestado, sistematicamente, no mesmo sentido, conforme se constata nas decisões abaixo:  Acórdão CSRF 01­03.661 – DOU 22/04/03:  IRF  –  ANTECIPAÇÃO  DO  DEVIDO  NA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL  –  FALTA  DE  RETENÇÃO  –  RESPONSABILIDADE DA  FONTE  PAGADORA  –  Constatada  pelo  Fisco  a  ausência  de  retenção  do  Imposto  de  Renda  na  Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração  de Ajuste Anual, após o término do ano­calendário,  incabível a  constituição  do  crédito  tributário  mediante  o  lançamento  de  Imposto  de  Renda  na  Fonte  na  pessoa  jurídica  pagadora  dos  rendimentos. O lançamento a título de imposto de renda, se for o  Fl. 979DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   50 caso,  deverá  ser  efetuado  em  nome  do  contribuinte,  o  beneficiário do rendimento.  Acórdão CSRF 01­04.565 – DOU 12/08/03:  IRF  –  RESPONSABILIDADE  –  Nas  hipóteses  de  falta  de  retenção  e  recolhimento  do  IR  Fonte  como  antecipação  do  devido no ajuste anual da pessoa jurídica, o tributo só pode ser  exigido da  fonte até o  fim do ano base,  cabendo a partir daí a  exigência  na  pessoa  física  beneficiária,  eleita  pela  lei  como  contribuinte  e  que  deveria  incluir  os  rendimentos  em  sua  declaração, (Dec. Lei 5.844/43 arts. 76, 77 e 103, Lei n 8.383/91  arts. 8º, 11, 13, § único e 15 inc. II).  Acórdão CSRF 01­03.775 – DOU 04/07/03:  IRF  –  ANTECIPAÇÃO  DO  DEVIDO  NA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL  –  FALTA  DE  RETENÇÃO  –  RESPONSABILIDADE DA  FONTE  PAGADORA  –  Constatada  pelo  Fisco  a  ausência  de  retenção  do  Imposto  de  Renda  na  Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração  de Ajuste Anual, após o término do ano­calendário,  incabível a  constituição  do  crédito  tributário  mediante  o  lançamento  de  Imposto  de  Renda  na  Fonte  na  pessoa  jurídica  pagadora  dos  rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda se for o  caso,  deverá  ser  efetuado  em  nome  dos  contribuintes,  beneficiários,  sobretudo  se,  sendo  estes  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  os  benefícios resultaram de atos praticados com excesso de poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos  (CTN,  artigos  135, 137, I e II, e 14).  Assim sendo, não tem sentido a argumentação do suplicante para que se exija  da fonte pagadora o  imposto em questão,  já que o mesmo representa simples antecipação do  tributo devido pelo suplicante envolvido e o lançamento ocorreu depois de encerrado o período  de apuração em que o rendimento deveria ser tributado.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Para o caso dos autos (falta de retenção de IRRF) aplica­se a Súmula 1º CC  nº  12:  “Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  ä  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração de ajuste anual,  é  legitima a constituição do crédito  tributário na pessoa  física do  beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção”.  O  recorrente  questiona  a  aplicação  da multa  qualificada  argumentando  que  não  houve  por  parte  da  fiscalização  comprovação  do  intuito  doloso  sendo  que  os  sujeitos  passivos sempre que intimados forneceram as respostas concretas e documentadas e acostaram  aos  autos  as  provas  dos  referidos  depósitos  desconsideradas  pela  fiscalização. Alega,  ainda,  que a matéria  foi  sumulada pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, discorrendo sobre a  Fl. 980DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 26          51 legislação que atribuiu as súmulas enunciadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, efeito  vinculante em relação à Administração Tributária Federal.  Em relação à omissão de rendimentos recebidos a titulo de juros moratórios  da empresa Vale Lindo Participações Ltda., CNPJ 02.995.924/0001­74 e os referentes à venda  do imóvel sito a Rua Voluntários da Pátria, 2831, apto. 61, São Paulo, entendeu a autoridade  julgadora  recorrida,  que  não  informação  dos  valores  recebidos  em  sua  declaração  de  ajuste  anual  entregue  tempestivamente  tendo  a  Receita  Federal  tomado  conhecimento  destes  recebimentos  no  decorrer  da  ação  fiscal,  permite  concluir,  ao  contrário  do  afirmado  pelo  recorrente,  que  há  elementos  suficientes  para  a  caracterização  do  intuito  doloso.  Ou  seja,  entendeu a autoridade, que houve, concretamente, em relação a esta omissão conduta tendente  a manter distante da tributação rendimentos auferidos, mas que foi detectado pelo lançamento,  o que não pode ser confundido com uma mera omissão de rendimentos involuntária, esta sim,  sujeita aplicação da multa de 75%. Entendendo correta a aplicação da multa qualificada.  Da  mesma  forma  entendeu,  que  a  variação  patrimonial  a  descoberto,  apurando­se, no decorrer da ação fiscal, que o recorrente teve aplicações superiores as origens  declaradas,  concedendo­se  inclusive  aquelas  objeto  do  lançamento,  fica  evidenciado  que  o  contribuinte  intencionalmente  omitiu  rendimentos  visando  a  redução  do  montante  devido,  enquadrando­se sua conduta na legislação supracitada.  Por  outro  lado  entendeu,  que  em  relação  a  omissão  de  rendimentos  evidenciada por depósitos bancários  de origem não comprovada  a  situação  é distinta,  por  se  tratar de uma presunção legal. A grande parte (95%) dos depósitos não comprovados objeto da  autuação  resultaram  da  desconsideração  pela  fiscalização  de  contrato  de  mútuo  e  de  disponibilidades  em  espécie  declaradas  no  exercício  anterior.  As  provas  apresentadas  para  comprovar  que  os  depósitos  originaram­se  de  recursos  advindos  do  contrato  de  mútuo  não  foram  aceitas  pela  fiscalização  e  nem  por  esta  julgadora  como  já  abordado  no  mérito  da  tributação.  Entendeu,  ainda,  que  o  mútuo  foi  informado  tempestivamente  na  declaração  do  contribuinte e o contrato de mútuo e demais documentos e esclarecimentos foram apresentados  durante a ação fiscal.  Desta forma, restou qualificado as irregularidades de omissão de rendimentos  caracterizados  por  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  e  os  juros  recebidos. Ou  seja,  para  a  autoridade  lançadora ocorreu, em tese, o crime contra ordem tributária  , conforme o previsto  nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990.   Assim,  verifica­se  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  ser  perfeitamente  normal  aplicar  a  multa  de  lançamento  de  ofício  qualificada  na  constatação  de  omissão  de  rendimentos,  caracterizados  por  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  cuja  legislação  de  regência  prevê  que  esta  atitude  caracteriza  uma  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  bem  como  sobre  os  juros  recebidos  (falta  de  declaração).  Ou  seja,  a  fiscalização  amparou  o  lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou  deliberadamente  de  informar  rendimentos  auferidos  fazendo  declarações  simuladas  e  apresentando provas materiais de conteúdo inexistente, formando a convicção de que a multa  de  ofício  qualificada  é  aplicável  já  que  está  comprovado  nos  autos  a  intenção  dolosa  e  fraudulenta  na  conduta  adotada pelo  contribuinte,  com  o  propósito  específico  de  impedir ou  retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos e não declarados.   Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à  intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a inclusão ou a falta de  Fl. 981DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   52 inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de contas bancárias movimentadas no Brasil ou no  exterior,  de  valores  isentos  ou  não  tributáveis  ou  de  valores  representativos  de  rendimentos  tributáveis,  respectivamente,  ocasionando  a  falta  ou  o  retardamento  do  imposto  a  pagar,  independentemente,  da  habitualidade  e  do  montante  utilizado,  caracteriza  falta  simples  de  omissão  de  rendimentos,  porém,  não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  que  justifique  a  imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de  1996, pelas razões abaixo expostas.  Da  análise,  dos  autos  do  processo,  é  cristalino  a  conclusão  de  que  a multa  qualificada  foi  aplicada  em  decorrência  de  que  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  estaria  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  o  contribuinte  teria  se  utilizado  de meios  escusos  para  deixar  de  declarar  rendimentos  tributáveis  auferidos  (deixar  de  declarar  rendimentos  auferidos). Ou  seja,  entendeu a  autoridade  lançadora que o  contribuinte prestou  informações  ao  fisco,  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual  e  em  resposta  à  intimação,  divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda.  Ora, com a devida vênia, o máximo que poderia ter acontecido é a autoridade  lançadora  desconsiderar  os  dados  e  provas  apresentadas  (matéria  de  prova)  e  constituir  o  lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que a meu ver  caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício  normal  de  75%,  já  que  a  irregularidade  apontada  jamais  seria  motivo  para  qualificação  da  multa,  já  que  ausente  conduta material  bastante  para  a  sua  caracterização,  sem  se  levar  em  conta  que  o  presente  lançamento  foi  efetuado  por  presunção  de  omissão  de  rendimentos  (depósitos bancários não justificados).   Verifica­se,  que  os  elementos  de  prova  que  serviram  para  subsidiar  o  procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela fiscalização através da intimação do próprio  contribuinte e que, o contribuinte, por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer contra  provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que estes valores já existiam não  eram passíveis de tributação pelo imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar  que os valores  reclamados pelo  fisco  já  foram  tributados ou não eram  tributáveis,  razão pela  qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e  não considerá­los como rendimentos não tributáveis e adicioná­los a base de cálculo tributável  nos anos­calendários respectivos.   Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  aplicada,  muitas  vezes,  de  forma  generalizada  pelas  autoridades  lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que  ficar  nitidamente  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  conforme  farta  Jurisprudência  emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais.   Sem  dúvida,  que  se  trata  de  questão  delicada,  pois  para  que  a  multa  de  lançamento  de  ofício  se  transforme  de  75%  em  150%  é  imprescindível  que  se  configure  o  evidente  intuito  de  fraude.  Este  mandamento  se  encontra  no  inciso  II  do  artigo  957  do  Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese  prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o  evidente  intuito de  fraude. Para  tanto,  se  faz necessário  sempre  ter  em mente o princípio de  direito de que a “fraude não se presume”, devem existir,  sempre, dentro do processo, provas  sobre o evidente intuito de fraude.  Como se vê o art. 957,  II, do Regulamento do  Imposto de Renda, de 1999,  que  representa  a  matriz  da  multa  qualificada,  reporta­se  aos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  n.º  Fl. 982DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 27          53 4.502/64,  que  prevêem  o  intuito  de  se  reduzir,  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá­la.  Com  a  devida  vênia  dos  que  pensam  em  contrário,  a  simples  omissão  de  receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos;  a  classificação  indevida  de  receitas  /  rendimentos na Declaração de Ajuste Anual,  a  falta de  comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta  de  inclusão  de  algum  valor,  bem  ou  direito  na Declaração  de Bens  ou Direitos,  não  tem,  a  princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude.  Da  mesma  forma,  a  prestação  de  informações  ao  fisco,  em  resposta  à  intimação  emitida  divergente  de  dados  levantados  pela  fiscalização,  bem  como  a  falta  de  inclusão na Declaração de Ajuste Anual de depósitos bancários de origem não justificada, não  evidencia,  por  si  só,  o  evidente  intuito  de  fraude,  que  justifique  a  imposição  da  multa  qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996.   Além do mais, pesa o fato é que o lançamento foi realizado tendo em vista a  apuração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários não justificados e  acréscimo patrimonial  a descoberto  (presunção  legal de omissão de  rendimentos),  o que,  até  prova  em  contrário,  permite  ao  fisco  a  cobrança  do  imposto  de  renda  sobre  estes  valores,  porém,  por  si  só,  é  insuficiente  para  amparar  a  aplicação  de  multa  qualificada.  No  mesmo  sentido,  estaria  a  prestação  de  informações  contrárias  das  que  a  fiscalização  teria  levantado,  com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia  no  máximo  ser  um  indicativo  de  que  sobre  tais  valores  considerados  omitidos,  deveria  ser  constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo  de evidente intuito de fraude.    Nos  casos  de  lançamentos  tributários  tendo  por  base  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos,  vislumbra­se  um  lamentável  equívoco  por  parte  da  autoridade  lançadora. Nestes  lançamentos,  acumulam­se  as premissas de que a omissão de  rendimentos  por presunção legal e a simples inclusão e/ou a falta de inclusão de valores na Declaração de  Ajuste Anual, em razão da forma e/ou expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito  de  sonegar  ou  fraudar  imposto  de  renda.  Quando  a  autoridade  lançadora  age  deste  modo,  aplica,  no  meu  modo  de  entender,  incorretamente  a  multa  de  ofício  qualificada,  pois,  tais  infrações  não  possuem  o  essencial,  qual  seja,  o  evidente  intuito  de  fraudar.  A  prova,  neste  aspecto,  deve  ser  material;  evidente  como  diz  a  lei.  Matéria  de  prova  apresentada  pelo  contribuinte ou declaração inexata (DIRPF ou resposta a  intimação),  jamais será motivo para  qualificar a multa de ofício.  Com  efeito,  a  qualificação  da multa,  nestes  casos,  importaria  em  equiparar  uma  infração  fiscal  de  omissão  de  rendimentos,  detectável  pela  fiscalização  através  da  confrontação e analise das Declarações de Ajuste Anual, às infrações mais graves, em que seu  responsável  surrupia dados necessários  ao  conhecimento da  fraude. A qualificação da multa,  nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos por  presunção  legal,  aos  fatos  delituosos mais  ofensivos  à  ordem  legal,  nos  quais  o  agente  sabe  estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal  inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome  de  terceiro  (“laranja”),  movimentação  bancária  em  nome  de  pessoas  já  falecidas,  da  falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal  calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do  Fl. 983DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   54 subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão  de divisas), etc.  No  caso  presente  o  contribuinte  apenas  tentou  justificar  a  não  tributação  destes  valores,  apresentando  elementos  documentais  e  alegações  que,  no  seu  entendimento,  poderiam justificar a existência dos valores questionados.  Ora, o  fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no  total das  notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar  ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um  rendimento  e  simplesmente não  declará­lo  é  considerado  com evidente  intuito  de  fraudar  ou  sonegar? Claro que não. Se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode  considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é  semelhante,  já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever  legal de cobrar o imposto  sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja,  deixou  de  declarar  rendimentos  auferidos  e  não  trouxe  provas  para  ilidir  a  acusação  ou  as  provas  apresentadas  não  convencem  a  autoridade  lançadora.  Este  fato  não  tem  o  condão  de  descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção  legal.  Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas,  a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício,  passivo  não  comprovado,  saldo  credor  de  caixa,  suprimento  de  numerário  não  comprovado,  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  ou  créditos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  tratar­se  de  rendimentos  /  receitas  já  tributadas  ou  não  tributáveis,  embora  clara  a  sua  tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  por  isso,  é  evidente  a  tributação, mas  não  existe  a  prova da evidente  intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso.  Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc.  Se  a premissa do  fisco  fosse verdadeira,  ou  seja,  que  a  simples omissão de  receitas  ou  de  rendimentos;  a  simples  declaração  inexata  de  receitas  ou  rendimentos;  a  classificação  indevida  de  receitas  /  rendimentos  na  Declaração  de  Ajuste  Anual;  a  falta  de  inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida  de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas  por  falta de comprovação ou a  falta de declaração de algum rendimento  recebido, através de  crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa  qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser  aplicada a multa qualificada em todas as  infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício,  saldo  credor  de  caixa,  declaração  inexata,  falta  de  contabilização  de  receitas,  omissão  de  rendimentos  relativo  ganho  de  capital,  depósitos  bancários  não  justificados,  acréscimo  patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc.  Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a  multa qualificada somente será passível de aplicação quando se  revelar o evidente  intuito de  fraudar o  fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente  justificada e comprovada nos  autos, conforme se constata nos julgados abaixo:  Acórdão n.º 104­18.698, de 17 de abril de 2002:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  –  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  ­  JUSTIFICATIVA  PARA  APLICAÇÃO  DA  MULTA  ­  Justifica­se  a  exigência  da  multa  qualificada prevista no artigo 4°,  inciso  II, da Lei n° 8.218, de  Fl. 984DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 28          55 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430,  de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar  se  possuía  conta  bancária  no  exterior,  em  diversas  ocasiões,  faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de  impedir,  ou  no mínimo  retardar,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente  da  percepção  dos  valores  recebidos  e  que  transitaram  nesta  conta bancária não declarada.  Acórdão n.º 104­18.640, de 19 de março de 2002:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  FRAUDE ­ JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA ­  Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de  lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada  nos  autos.  Além  disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige­se que o  contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos  casos  definidos  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  n.º.  4.502,  de  1964.  A  falta  de  inclusão,  como  rendimentos  tributáveis,  na  Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a  crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte,  caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  art.  992,  inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo  Decreto n° 1.041, de 1994.  Acórdão n.º. 104­19.055, de 05 de novembro de 2002:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE ­ Qualquer circunstância que autorize a  exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista  como  regra  geral,  deverá  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada nos autos. Além disso,  para que a multa de 150%  seja aplicada, exige­se que o contribuinte tenha procedido com  evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  n.º.  4.502,  de  1964.  A  falta  de  esclarecimentos,  bem  como  o  vulto  dos  valores  omitido  pelo  contribuinte,  apurados  através  de  fluxo  financeiro,  caracteriza  falta  simples  de  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  porém,  não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  art.  992,  inciso  II  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  n°  1.041, de 1994.  Acórdão n.º. 102­45­584, de 09 de julho de 2002:   MULTA  AGRAVADA  –  INFRAÇÃO  QUALIFICADA  –  APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  utilizou­se  de  documentação  inidônea  a  fim  de  promover  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  e  considerando  que  estes  pagamentos  não  transitaram  pelas  contas  de  resultado  econômico  da  empresa,  vez  que,  seus  valores  foram  levados  e  registrados  em  contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza  Fl. 985DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   56 o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo  inaplicável  à  espécie  a multa qualificada  de  que  trata  o  artigo  44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996  Acórdão n.º. 101­93.919, de 22 de agosto de 2002:   MULTA  AGRAVADA  –  CUSTOS  FICTÍCIOS  –  EVIDENTE  INTUITO DE  FRAUDE  –  Restando  comprovado  que  a  pessoa  jurídica utilizou­se de meios inidôneos para majorar seus custos,  do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação,  aplicável  é  a  penalidade  exasperada  por  caracterizado  o  evidente intuito de fraude.  Acórdão n.º. 104­19.454, de 13 de agosto de 2003:  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE ­ Qualquer circunstância que autorize a  exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista  como  regra  geral,  deverá  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada nos autos. Além disso,  para que a multa de 150%  seja aplicada, exige­se que o contribuinte tenha procedido com  evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  n.º.  4.502,  de  1964.  A  dedução  indevida  de  despesa  médica/instrução,  rendimento  recebido  de  pessoa  jurídica  não  declarados,  bem  como  a  falta  de  inclusão  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  como  rendimentos,  os  valores  que  transitaram  a  crédito  (depósitos)  em  conta  corrente  pertencente  ao  contribuinte, cuja origem não comprove caracteriza, a princípio,  falta simples de redução indevida de imposto de renda e omissão  de  rendimentos,  porém,  não  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  art.  992,  inciso  II  do  Regulamento  do  Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, já  que  a  fiscalização  não  demonstrou,  nos  autos,  que  a  ação  do  contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação tributária, utilizando­se de recursos que caracterizam  evidente intuito de fraude.  Acórdão n.º. 104­19.534, de 10 de setembro de 2003:   DOCUMENTOS  FISCAIS  INIDÔNEOS  ­  MULTA  DE  LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO  POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  ­  No  lançamento  por  decorrência,  cabe  aos  sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram  efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de  recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À  utilização de documentos ideologicamente falsos ­” notas fiscais  frias “­, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente  intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de  150%,  conforme  previsto  no  art.  728,  inc.  III,  do  RIR/80,  aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980.  Acórdão n.º.104­19.386, de 11 de junho de 2003:   MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS  EM NOME DE  TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO  Fl. 986DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 29          57 DE  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  DE  EMPRESA  DESATIVADA  ­  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  –  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  ­  JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA  –  Cabível  a  exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da  Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II,  da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido  com evidente  intuito de  fraude, nos  casos definidos nos artigos  71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas  bancárias  em  nome  de  terceiros  e/ou  em  nome  fictício,  devidamente,  comprovado  pela  autoridade  lançadora,  circunstância agravada pelo  fato de não  terem sido declarados  na Declaração  de  Ajuste  Anual,  como  rendimentos  tributáveis,  os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja  origem  não  comprove,  somado  ao  fato  de  não  terem  sido  declaradas  na  Declaração  de  Bens  e  Direitos,  bem  como  compensação  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  de  imposto  de  renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com  inscrição  bloqueada  no  fisco  estadual,  caracterizam  evidente  intuito  de  fraude  nos  termos  do  art.  992,  inciso  II,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  n°  1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada.  Acórdão n.º. 106­12.858, de 23 de agosto de 2002:  MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência  de  comprovação  da  veracidade  dos  dados  consignados  nas  declarações  de  rendimentos  entregues,  espontaneamente  ou  depois  de  iniciado  o  procedimento  de  ofício,  implica  em  considerá­las  inexatas  e,  nos  termos  da  legislação  tributária  vigente,  autoriza  a  aplicação  da  multa  de  setenta  e  cinco  por  cento  nos  casos  de  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo.  Acórdão n.º. 101­93.251, de 08 de novembro de 2000:   MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  AGRAVAMENTO.  Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável  é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996.  É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e  os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata­ se  de  aplicar  uma  sanção  e,  neste  caso,  o  direito  faz  com  cautela,  para  evitar  abusos  e  arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido.   Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir  em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou  fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a  verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica.   Para um melhor deslinde da questão, impõe­se invocar o conceito de fraude  fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde­se o que determina o Regulamento do  Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos:  Fl. 987DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   58 Art.  957  –  Serão  aplicadas  as  seguintes  multas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  do  imposto  devido,  nos  casos  de  lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º)  (...)  II  –  de  trezentos  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30  de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.”  A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte:  Art. 71 – Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  –  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais;  II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal,  na  sua  natureza  ou  circunstância materiais.  Art.  72  ­  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do  imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  artigos 71 e 72.  O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte:  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de  junho de 2007)  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 15 de junho de 2007)  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa  física;  (Incluída  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007)  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  Fl. 988DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 30          59 ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação  para:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho de 2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei  nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho  de 2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  “c”  com  nova  redação  pela  Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §  4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.   §  5º  Aplica­se  também,  no  caso  de  que  seja  comprovadamente  constatado dolo ou má­fé do contribuinte, a multa de que trata o  inciso  I  do caput  sobre:  (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de  junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d)   I ­ a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte  pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser  restituída  por  infração à  legislação  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010,  art. 139, inc I, d).   Como se vê,  a  fraude  se  caracteriza  em  razão de uma ação ou omissão,  de  uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública,  num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses  casos,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional,  específico,  de  causar  dano  à  fazenda  pública,  onde  se  utilizando  subterfúgios  se  esconde  à  ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária.   Fl. 989DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   60 Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação,  uma  vez  comprovadas  estas  e  por  decorrência  da  natureza  característica  desses  tipos,  o  legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”.  Em outras palavras, a fraude é um artifício malicioso que a pessoa emprega  com  a  intenção  de  burlar,  enganar  outra  pessoa  ou  lesar  os  cofres  públicos,  na  obtenção  de  benefícios ou vantagens que não lhe são devidos.   A  falsidade  ideológica  consiste  na  omissão,  em  documento  público  ou  particular, de declaração que dele deveria constar, ou nele  inserir ou  fazer  inserir declaração  falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de criar obrigação ou alterar a verdade  sobre fato juridicamente relevante.  Juridicamente,  entende­se  por  má­fé  todo  o  ato  praticado  com  o  conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da  fraude.  O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o  mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter  quatro  requisitos  essenciais:  (a)  o  ânimo  de  prejudicar  ou  fraudar;  (b)  que  a  manobra  ou  artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma  relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a  participação intencional de uma das partes no dolo.  Como se vê, exige­se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar  a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria  tributável,  quer  pela  exclusão  ou modificação  das  características  essenciais  do  fato  gerador,  com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável  nos  casos  de  presunção  simples  de  omissão  de  rendimentos  /  receitas  ou mesmo  quando  se  tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato.  No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu  presente,  ipso  facto,  o  “intuito  de  fraude”.  E  nem  poderia  ser  diferente,  já  que  por  mais  abrangente  que  seja  a  descrição  da  hipótese  de  incidência  das  figuras  tipicamente  penais,  o  elemento de culpabilidade, dolo, sendo­lhes inerente, desautoriza a consideração automática do  intuito de fraudar.   O  intuito de fraudar  referido não é todo e qualquer  intuito,  tão somente por  ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente.  O  ordenamento  jurídico  positivo  dotou  o  direito  tributário  das  regras  necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria  e graduação das penas,  imprescindindo o  intérprete,  julgador e  aplicador da  lei,  do  concurso  e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera.  Do  que  veio  até  então  exposto  necessário  se  faz  ressaltar,  como  aspecto  distintivo  fundamental,  em  primeiro  plano  o  conceito  de  evidente,  como  qualificativo  do  “intuito de fraudar”, para justificar a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada.  Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que  se trata.  Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem­se que:  Fl. 990DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 31          61 EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. – Que não oferece dúvida;  que  se  compreende  prontamente,  dispensando  demonstração;  claro, manifesto, patente.  EVIDENCIAR – V.t.d 1. Tornar evidente; mostrar com clareza;  Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista.  P. 2. Aparecer com evidência; mostrar­se, patentear­se.  De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais  para o âmbito do direito, esclarece:  EVIDENTE.  Do  latim  evidens,  claro,  patente,  é  vocábulo  que  designa,  na  terminologia  jurídica,  tudo  que  está  demonstrado,  que  está provado, ou o que  é  convincente,  pelo que se  entende  digno de crédito ou merecedor de fé.  Exige­se,  portanto,  que  haja  o  propósito  deliberado  de  modificar  a  característica do  fato gerador do  imposto,  quer pela  alteração do valor da matéria  tributável,  quer  pela  exclusão  ou  modificação  das  características  essenciais  do  fato  gerador,  com  a  finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento.  Quando  a  lei  se  reporta  à  evidente  intuito  de  fraude  é  óbvio  que  a  palavra  intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de  seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente,  já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já  denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual,  finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem  em vista ao agir.  O  evidente  intuito  de  fraude  floresce  nos  casos  típicos  de  adulteração  de  comprovantes,  adulteração  de  notas  fiscais,  conta  bancária  em  nome  fictício,  falsidade  ideológica,  notas  calçadas,  notas  frias,  notas  paralelas,  etc.,  conforme  se  observa  na  jurisprudência abaixo:  Acórdão n.º. 104­19.621, de 04 de novembro de 2003:   COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS ATRAVÉS DA EMISSÃO  DE  RECIBOS  RELATIVO  A  OBRIGAÇÕES  JÁ  CUMPRIDAS  EM  ANOS  ANTERIORES  ­  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO QUALIFICADA – CARACTERIZAÇÃO DE EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE ­ JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO  DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista  no  artigo  4°,  inciso  II,  da  Lei  n.º  8.218,  de  1991,  reduzida  na  forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o  contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos  casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964.  Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992,  inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo  Decreto  n°  1.041,  de  1994,  autorizando  a  aplicação  da  multa  qualificada,  a  prática  reiterada  de  omitir  na  escrituração  contábil  o  real  destinatário  e/ou  causa  dos  pagamentos  efetuados, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e  subtrair­se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto  Fl. 991DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   62 de  renda  na  fonte  na  efetivação  dos  pagamentos  realizados.  Sendo  que  para  justificar  tais  pagamentos  o  contribuinte  apresentou recibos  relativos à operação de compra de  imóveis,  cuja  obrigação  já  fora  cumprida  em  anos  anteriores  pelos  verdadeiros obrigados.  Acórdão n.º. 103­12.178, de 17 de março de 1993:  CONTA  BANCÁRIA  FICTÍCIA  –  Apurado  que  os  valores  ingressados  na  empresa  sem  a  devida  contabilização  foram  depositados  em  conta  bancária  fictícia  aberta  em  nome  de  pessoa  física  não  encontrada  e  com  movimentação  pelas  representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão  de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada  de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80.  Acórdão n.º. 101­92.613, de 16 de fevereiro de 2000:  DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS  INEXISTENTES  OU  BAIXADAS  –  Os  valores  apropriados  como  custos  ou  despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas  inexistentes,  baixadas,  sem prova efetiva de  seu pagamento,  do  ingresso  das mercadorias no  estabelecimento  da  adquirente  ou  seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo  legítima a  aplicação  da  penalidade  agravada  quando  restar  provado  o  evidente intuito de fraude.  Acórdão n.º. 104­14.960, de 17 de junho de 1998:  DOCUMENTOS  FISCAIS  A  TÍTULO  GRACIOSO  –  Cabe  à  autuada demonstrar  que  os  custos/despesas  foram  efetivamente  suportados,  mediante  prova  de  recebimento  dos  bens  e/ou  serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de  documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos,  eis  que  os  serviços  não  foram  prestados,  para  comprovar  custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa  qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80.  Acórdão n.º. 103­07.115, de 1985:   NOTAS  CALÇADAS  –  FALSIDADE  MATERIAL  OU  IDEOLÓGICA – A nota  fiscal calçada é um dos mais gritantes  casos  de  falsidade  documental,  denunciando,  por  si  só,  o  objetivo  de  eliminar  ou  reduzir  o montante  do  imposto  devido.  Aplicável a multa prevista neste dispositivo.  Acórdão n.º. 104­17.256, de 12 de julho de 2000:   MULTA  AGRAVADA  –  CONTA  FRIA  –  O  uso  da  chamada  ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis,  caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a  penalidade exacerbada.  É  de  se  ressaltar,  que  não  basta  que  atividade  seja  ilícita  para  se  aplicar  à  multa  qualificada,  deve  haver o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  a  tributação  independe da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das  Fl. 992DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 32          63 rendas  ou  proventos,  bastando,  para  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título.  Assim,  entendo  que,  no  caso  dos  autos,  não  se  percebe,  por  parte  do  contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que  o  suplicante  não  logrou  comprovar  a  origem  dos  valores  depositados  nas  contas  bancárias  movimentadas,  bem  como  deixou  de  lançar  rendimentos  em  valores  expressivos  e  de  forma  continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação.   Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples glosa de despesas  ou a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a  dispositivo  de  lei,  mesmo  que  resulte  diminuição  de  pagamento  de  tributo,  não  autoriza  presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada  de prova que o sujeito empenhou­se em induzir a autoridade administrativa em erro quer por  forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta  fraudulenta.  Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento  de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal  de 75%.   Para  finalizar  a  redação  do  presente  acórdão,  cabe,  ainda,  tecer  alguns  comentários sobre a aplicação das penalidades mantidas.   Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende  como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação,  representação  fiscal  ou  qualquer  ato  escrito  dos  agentes  do  fisco,  no  exercício  de  suas  funções  inerentes  ao  cargo.  Tais  atos  excluirão  a  espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no  artigo 7º do Decreto n.º  70.235/72. Em  sintonia  com o disposto no  artigo 138,  parágrafo único do Código Tributário Nacional  ­ CTN, esses atos  têm o condão de excluir a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional ­ CTN, denota que não apenas a  medida  de  fiscalização  tem  o  condão  de  constituir­se  em marco  inicial  da  ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente  exclusão  de  espontaneidade  do  sujeito  passivo  pelo  prazo  de  60  dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento  dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  Fl. 993DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   64 O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal.  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  Fl. 994DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 33          65 comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal e, por não constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista em  lei,  é  inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal,  não  conflitando  com  o  estatuído  no  art.  5°,  XXII  da  mesma  constituição,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo  com a legislação de regência.  Quanto  à  aplicação  de  multas  de  lançamento  de  ofício,  se  faz  necessário  ressaltar que a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser  analisada  à  luz  dos  princípios  da  legalidade  e  da  tipicidade  cerrada,  que  demandam  interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em  tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas  ocorridas  no  universo  dos  fenômenos,  quando  vierem  descritos  em  lei  e  corresponderem  estritamente a esta descrição.  Da  mesma  forma,  não  vejo  como  se  poderia  acolher  o  argumento  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício.  É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento,  que  quanto  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a  lei,  não  seria  razoável  que  subordinados,  na  escala  hierárquica  administrativa,  considerasse  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que  Fl. 995DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   66 entenda  inconstitucional,  maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à  mercê  do  alvedrio do Executivo.  O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios  repousa o  estado democrático. Assim, não  se deve  a pretexto de negar validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional,  praticar­se  inconstitucionalidade  ainda  maior  consubstanciada  no  exercício  de  competência  de  que  este  Colegiado  não  dispõe,  pois  que  deferida a outro Poder.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente  esta  súmula  foi  convertida  para  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  pela  Portaria  CARF  nº  106,  de  2009  (publicada  no  DOU  de  22/12/2009),  assim  redigida:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)”.  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de indeferir  o pedido de diligência/perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  desqualificar  a  multa  de  ofício,  reduzindo­a  ao  percentual de 75%.  (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann                    Fl. 996DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10803.000118/2008­10  Acórdão n.º 2202­01.459  S2­C2T2  Fl. 34          67                           Fl. 997DF CARF MF Documento de 67 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0119.08377.UPBZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NELSON MALLMANN em 02/11/2011 16:36:52. Documento autenticado digitalmente por NELSON MALLMANN em 02/11/2011. Documento assinado digitalmente por: NELSON MALLMANN em 02/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/01/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0119.08377.UPBZ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C5C0F56DFAE7281DA8BC41C0936BC88D04200898 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10803.000118/2008-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 10735.721024/2011-26
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Cancela-se a multa isolada decorrente de compensação indevida por ter sido lançada quando inexistia previsão legal para tal exigência.
Numero da decisão: 3302-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto (Relator) e José Antônio Francisco.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis

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3302­002.057  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ MULTA ISOLADA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  E­OURO GESTÃO E PARTICIPAÇÃO EIRELI (atual razão social de  LEYROZ DE CAXIAS INDÚSTRIA COMÉRCIO & LOGÍSTICA LTDA.)    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  FALTA  DE PREVISÃO LEGAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.  Cancela­se a multa isolada decorrente de compensação indevida por ter sido  lançada quando inexistia previsão legal para tal exigência.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede ­ Presidente e Redator ad hoc.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  Maria  da  Conceição  Arnaldo  Jacó,  Fabíola  Cassiano  Keramidas,  Alexandre  Gomes, Gileno Gurjão Barreto (Relator) e José Antônio Francisco.  Relatório  Na condição de Presidente da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara  da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF) e  no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, do RICARF, designo­me Redator ad                                                              1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as  atividades do respectivo órgão e ainda:  (...)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 10 24 /2 01 1- 26 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 171          2 hoc  para  formalizar  o  presente  acórdão,  tendo  em  vista  que  o  Relator  originário  não  mais  integra nenhum dos Colegiados do CARF.  A DRJ Rio de Janeiro I/RJ interpôs Recurso de Ofício contra o Acórdão n°  12­45.472,  por  ela  prolatado  em  17  de  abril  de  2012  (fls.  99  a  108),  em  que  se  cancelou  o  lançamento da multa isolada, decorrente de compensação indevida, por falta de previsão legal.  Às fls. 120 a 134, juntou­se aos presentes autos o Acórdão nº 3302­002.272,  em  que  esta  mesma  Turma  Ordinária  julgou  recurso  voluntário  no  bojo  do  processo  administrativo  nº  15467.000094/2010­97,  em  que  se  analisou  o  crédito  considerado  indevidamente compensado.  Feitas essas observações, passa­se à redação do relatório.  Por  bem  explicitar  os  fatos  ocorridos  até  o  momento  da  análise  da  Impugnação, adota­se o relatório da autoridade julgadora de primeira instância:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  de  fls.  06  a  10,  lavrado pela DRF/Nova  Iguaçu, consubstanciando exigência de crédito  tributário  no  valor  de  R$  25.112.737,07,  referente  à  multa  isolada  de  75% incidente sobre o valor total dos débitos constantes da DCOMP nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371,  os  quais  teriam  sido  indevidamente  compensados.  2.  Relata  o  AFRFB,  no  quadro  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  à  fl.  08,  que  o  sujeito  passivo  teria  efetuado  compensação  indevida  de  valores  em  declaração  prestada,  conforme  descrito  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  03/04),  que  integra  este  Auto. No referido Termo consta que:  2.1  As  informações  complementares  à  descrição  dos  fatos  e  enquadramento legal referem­se ao processo de Representação Fiscal nº  10735.720292/2010­40,  formalizado  para  lançamento  da multa  isolada  prevista no artigo 18, § 2º da Lei 10.833/2003, na forma proposta pelo  Parecer  EQMACO/DRF/NIU  nº  087/2010,  proferido  nos  autos  do  processo  nº  15467.000094/2010­97  (reconstituição  do  processo  nº  13708.004712/2008­48);  2.2  Tal  Parecer  constitui  resultado  da  análise  de  Pedido  de  Restituição,  e  da  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  a  ele  vinculada  (DCOMP  nº27030.08046.180609.1.3.04­2371),  apresentados  pelo sujeito passivo, que, conclusivamente, se pronunciou no sentido de  indeferir  o  Pedido  de  Restituição,  por  inexistência  do  crédito,  e  considerar não homologadas as compensações vinculadas;  2.3  As  razões  para  o  indeferimento,  em  linhas  gerais,  foram  as  seguintes:  2.3.1 O crédito relativo às compensações consideradas indevidas  refere­se a "Pedido de Restituição de Crédito por Recolhimento Indevido  ou a Maior" de Contribuição para o PIS e de Cofins;                                                                                                                                                                                           III ­ designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja  impossibilitado de fazê­lo ou ñão mais componha o colegiado;  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 172          3 2.3.2 A Contribuinte foi intimada, mais de uma vez, a apresentar  os documentos que comprovassem o alegado crédito, não tendo atendido  a nenhuma das intimações; e  2.3.3 Os  recolhimentos  alegados  não  constam na base  de  dados  da Receita Federal, demonstrando a ilegitimidade do crédito pleiteado;  2.4  A  aplicação  da multa  isolada  determinada  pelo Parecer  em  questão  está  expressamente  prevista  no  artigo  18  da Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003,  que  determina  que  seja  aplicada  multa  isolada  no  percentual de 75% sobre o  total  do débito  indevidamente  compensado,  na forma do inciso I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, quando a  não­homologação  da  compensação  se  der  em  virtude  de  não  ter  sido  confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado;  2.5 A multa  tem  como  base  de  cálculo  o  valor  total  dos  débitos  indevidamente  compensados  constantes  da  DCOMP  nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371,  qual  seja,  R$  33.483.649,43;  sendo  aplicável a alíquota de setenta e cinco por cento para se chegar ao valor  da multa isolada (inciso I, § 2º, art. 18 da Lei nº 10.833/2003 c/c inciso I  do art. 44 da Lei nº 9.430/96); e  2.6 O valor da multa isolada corresponde a R$ 25.112.737,07(R$  33.483.649,43 x 0,75).  3. Os  dispositivos  legais  infringidos  constam  da “Descrição  dos  fatos e enquadramento legal” do referido Auto de Infração (fl. 08) e do  Termo de Verificação Fiscal (fls. 03/04).  4.  Cientificada  em  07/06/2011  (fl.  12),  a  Interessada,  inconformada, apresentou, em 06/07/2011, a impugnação de fls. 15 a 32,  na qual alega:  4.1 Preliminarmente, que:  4.1.1 O Código Tributário Nacional, em seu artigo 151, inciso III,  impõe  o  efeito  suspensivo  a  recursos  administrativos,  ofertados  em  desfavor  de  imposições  provenientes  de  processos  e  procedimentos  da  administração fiscal, impedindo assim que a Fazenda Pública proceda à  cobrança do crédito tributário;  4.1.2  O  presente  Auto  de  Infração  se  consubstancia  em  julgamento desfavorável à Impugnante, proferida nos autos do processo  nº  15467.000094/2010­97  (reconstituição  do  processo  nº  13708.004712/2008­48)  da  conclusão  no  Pedido  de  Restituição  e  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  (DCOMP  nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371)  a  ele  vinculado,  gerando  o  processo  nº 10735.720291/2010­03;  4.1.3  Foi  regularmente  interposto  o  recurso  cabível  à  espécie  (manifestação  de  inconformidade)  no  processo  nº  10735.720291/2010­ 03, provocando assim a imposição do efeito suspensivo daquela decisão,  utilizando o previsto no artigo 74, § 11 da Lei nº 9.430/96, que remete à  aplicação do artigo 151, III do CTN;  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 173          4 4.1.4  Por  força  da  interposição  do  recurso  administrativo,  incabível  a  imposição  de  multa  neste  momento,  posto  se  tratar  de  decisão ainda pendente de recurso;  4.1.5 Permitir o lançamento desta multa em momento de incerteza  vai  efetivamente  de  encontro  aos  ditames  constitucionais  e  infralegais,  uma  vez  que  a  própria  Constituição  da  República  em  seu  artigo  5º,  inciso LV, prevê a necessidade de se respeitar a ampla defesa;  4.1.6 Desta forma, é de rigor a anulação do auto de infração em  tela, por pendência de decisão final em processo vinculado de pedido de  compensação nº 10735.720291/2010­03;  4.2 No mérito, que:  4.2.1  Em  razão  do  princípio  da  não  cumulatividade  concebido  pela  Constituição  Federal,  em  seu  artigo  153,  IV,  §  3º,  II  (IPI)  e  previstos nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (PIS e Cofins), não se admite  a  existência  do  efeito  “cascata”  da  tributação destes  impostos, motivo  pelo  qual  os  contribuintes  estão  autorizados  a  utilizar  a  técnica  de  compensação  de  débitos  com  créditos  para  impedir  a  incidência  dos  tributos sobre outros tributos;  4.2.2 No  presente  caso,  os  créditos  decorreram da  aquisição  de  bebidas  (cervejas,  refrigerantes  e  água)  destinadas  à  futura  comercialização  da  Impugnante,  em  função  de  suas  atividades  comerciais previstas em seu contrato social;  4.2.3  O  regime  de  utilização  e  compensação  dos  créditos  de  Contribuição para o PIS e de Cofins é previsto nas próprias  leis antes  mencionadas  e  no  artigo  16  da  Lei  11.116/2005  c/c  artigo  74  da  Lei  9.430/96,  que  fixa  as  normas  gerais  de  compensação  de  créditos  de  tributos administrados pela Receita Federal;  4.2.4  A  Contribuição  para  o  PIS  e  a  Cofins  incidentes  sobre  a  receita bruta da venda de bebidas sujeitam­se a tributação monofásica,  que é um sistema de tributação no qual essas contribuições incidem de  forma  concentrada  em  uma  única  etapa  da  cadeia  econômica  (indústria/importadores), sendo as operações subseqüentes  tributadas à  alíquota zero;  4.2.5 Vale  lembrar  que  inicialmente,  quando do  advento  da  não  cumulatividade, as  receitas  sujeitas à  incidência monofásica não  foram  abrangidas  por  esse  regime  tributário,  conforme disposto  no  artigo  10  da Lei nº 10.833/2003;  4.2.6  Significa  dizer  que,  embora  as  distribuidoras  não  tenham  suas operações de vendas de bebidas tributadas pela Contribuição para  o  PIS  e  pela  Cofins,  também  ficaram  vedadas  de  utilizar  os  créditos  oriundos  de  suas  aquisições  que  pertencerem  à  cadeia  monofásica  da  tributação;  4.2.7 Entretanto, a partir de agosto de 2004,  foram introduzidas  modificações  na  legislação  em  debate,  retirando  do  texto  legal  a  exclusão ao sistema da não cumulatividade da Contribuição para o PIS e  da Cofins da tributação monofásica;  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 174          5 4.2.8  Portanto,  desde  então  não  há  mais  vedação  ao  aproveitamento de crédito oriundo das aquisições das mercadorias  sob  análise,  em  face  de  serem  submetidas  ao  regime  de  incidência  monofásica da Contribuição para o PIS e da Cofins;  4.2.9  A  partir  de  então,  passou  também  a  não  mais  existir  a  restrição  ao  crédito  em  face  das  saídas  desoneradas,  entendimento  corroborado pela Secretaria da Receita Federal na Solução de Consulta  nº 77, de 27/09/2005;  4.2.10 Resta claro que com o advento da Lei nº 11.033/2004, ficou  reconhecido  que  as  vendas  efetuadas  com  suspensão,  alíquota  zero  ou  não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins não impedem a  manutenção dos créditos vinculados a essas operações;  4.2.11 Portanto, não há que se falar em infração à legislação em  vigor,  uma  vez  que  a  Impugnante  detém  créditos  passíveis  de  compensação,  devendo  ser  decretada  a  improcedência  do  auto  de  infração lavrado;  4.2.12  A  partir  da  edição  da  Lei  nº  11.116/2005(artigo  16),  foi  ratificado aos contribuintes o direito aos créditos da Contribuição para  o  PIS  e  da  Cofins  para  fins  de  compensação  com  quaisquer  tributos  fiscalizados  e  arrecadados  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  ou  de  ressarcimento  em dinheiro,  relativo a  saldo  credor acumulado a partir  de 09 de agosto de 2004;  4.2.13 Assim, a compensação passou a  ser permitida  tanto entre  créditos  e  débitos  da  mesma  destinação  constitucional  quanto  para  créditos  e  débitos  de  espécies  diversas,  cabendo  ao  contribuinte,  após  efetuar  por  conta  própria  o  encontro  de  contas,  apenas  informar  a  compensação referida por meio da Declaração de Compensação;  4.2.14 Como  se  verifica,  a  compensação  de  créditos apurados  e  contabilizados  na  escrita  fiscal  da  pessoa  jurídica  pode  ser  realizada  pela própria empresa, segundo os sistemas PER/DCOMP, sob condição  de  posterior  verificação  e  homologação  pela  Receita  Federal  dos  critérios e dos valores utilizados pela empresa;  4.2.15 Até porque, a partir do momento em que nasce o crédito em  favor do contribuinte, constituído está o seu direito de compensá­lo, de  acordo  com  as  regras  então  vigentes  e  qualquer  restrição  à  compensação criada pela legislação posterior fere o direito adquirido do  contribuinte, uma vez que o direito a compensar com as  facilidades da  legislação anterior já estava incorporado ao seu patrimônio jurídico; e  4.2.16  Logo,  fica  esclarecido  que  à  época  do  nascimento  dos  créditos a legislação permitia a compensação, com encontro de débitos e  créditos, conforme disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c artigo  74  da  Lei  nº  9.430/97,  retroagindo­se  a  agosto  de  2004,  conforme  disposto no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005.  5. Por todas as razões acima expostas, requer a Impugnante que:  5.1 Sejam acolhidas as preliminares arguidas, com a declaração  de nulidade do auto de infração lavrado; e  Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 175          6 5.2 O auto de infração seja julgado improcedente, reconhecendo­ se  o  cabimento  e  pertinência  da  impugnação  apresentada  e,  conseqüentemente,  promovida  a  extinção  do  crédito  tributário  decorrente da autuação lavrada.  6. Requer, ainda, a  juntada dos documentos que acompanham a  impugnação  apresentada,  resguardados  os  direitos  relativos  à  apresentação  de  documentos  outros  que  se  revelem  essenciais  ao  convencimento  do  julgador  em  relação  às  fundamentações  acima  apostas, nos  termos permitidos pela  legislação pertinente, aplicando­se  ainda  subsidiariamente  o artigo  397  do CPC,  bem como  se  utilizar  de  todos os meios de prova em direito admitidas.  O  Acórdão  n°  12­45.472  da  DRJ/Rio  de  Janeiro  I/RJ  restou  ementado  da  seguinte forma:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  NÃO  CONFIRMAÇÃO  DA  LEGITIMIDADE  DO  CRÉDITO.  LANÇAMENTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.488/2007. FALTA  DE PREVISÃO LEGAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.  É de se cancelar o lançamento de multa isolada cuja motivação  foi a não­homologação de compensações declaradas, em virtude  de  não  ter  sido  confirmada  a  legitimidade  ou  suficiência  do  crédito  informado,  efetuado  na  vigência  do  art.  18  da  Lei  nº  11.488/2007,  que  alterou  a  redação  do  art.  18  da  Lei  nº  10.833/2003, cujo teor não previa a imposição de multa isolada  por essa motivação.  A Delegacia  de  Julgamento  não  conheceu  da  impugnação  no  que  tange  às  questões referentes ao direito de crédito utilizado nas compensações declaradas na DCOMP nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371  e  ao  direito  de  efetuar  essas  compensações,  e,  no  mérito,  julgou improcedente o lançamento, cancelando­se integralmente a exigência da multa isolada.  Esclareceu  o  julgador a  quo  que  o  crédito  tributário  lançado  foi  exonerado  naquela instância por razão diversa das constantes da peça impugnatória e que, no que se refere  ao encaminhamento do Recurso de Ofício, devia a Delegacia de origem observar o disposto no  § 3º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, tendo em vista ter sido apresentado, nos autos  do processo nº 15467.000094/2010­97 (Pedido de Restituição e DCOMP), Recurso Voluntário  contra o Acórdão 13­36.084 da 5ª Turma da DRJ/RJ2, que, naquele momento, ainda não havia  sido apreciado.  É o relatório.        Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 176          7 Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Redator ad hoc  A  elaboração  deste  voto,  para  o  qual  designei­me  para  formalizá­lo,  nos  termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  deve  refletir  a  posição  adotada pela unanimidade do Colegiado.  De início, destaque­se que, em 10 de janeiro de 2017, a repartição de origem  remeteu  os  presentes  autos  a  este  CARF  (fl.  169),  informando  que  o  processo  nº  15467.000094/2010­97, relativo ao crédito não reconhecido, encontrava­se encerrado (fl. 168),  após decisão definitiva do CARF que negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo  interessado (fls. 120 a 134).  Feitos  esses  esclarecimentos,  passa­se  ao  voto,  ressaltando­se  que  o  relator  originário, que não mais integra nenhum dos Colegiados do CARF, não deixou disponibilizado  o  seu  voto  originário,  em  razão  do  quê  o  presente  voto  encontra­se  elaborado  com  base  no  resultado constante da ata de julgamento.  Conforme se verifica do relatório supra, a Delegacia de Julgamento recorreu  de ofício em razão do cancelamento, naquela instância, da multa isolada em valor superior ao  limite  de  alçada;  logo,  para  o  deslinde  da  controvérsia,  adota­se  aqui  o  voto  exarado  pelo  relator de primeira instância, dada a manutenção dessa decisão no julgamento do CARF.  10. O lançamento da multa  isolada em questão decorreu do fato  de o sujeito passivo ter efetuado compensações indevidas informadas na  DCOMP  nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371,  não  homologadas  por  meio do Parecer EQMACO/DRF/NIU nº 087/2010, proferido nos autos  do  processo  nº  15467.000094/2010­97  (reconstituição  do  processo  nº  13708.004712/2008­48),  que  também indeferiu o Pedido de Restituição  do crédito utilizado nas compensações, em virtude da sua inexistência.  11. Consta  da “Descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal”  do  Auto de Infração (fl. 08) que o lançamento fora efetuado com fulcro no  disposto no art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis n°  11.051/04 e nº 11.196/05 e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15 junho de  2007.  12.  Para  uma  melhor  elucidação  do  caso  em  análise,  deve  ser  observada a evolução da legislação que rege a matéria.  13. O artigo 90 da MP nº 2.158­35, de 2001, previa o lançamento  de ofício das diferenças apuradas em DCTF decorrentes de vinculações  efetuadas indevidamente ou não comprovadas:  “Art.  90.  Serão  objeto  de  lançamento  de  ofício  as  diferenças  apuradas,  em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento,  parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou  não  comprovados,  relativamente  aos  tributos  e  às  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal.”  Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 177          8 14. Tal  dispositivo,  no  entanto,  teve  sua  aplicação  limitada  pelo  artigo 18 da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003 (vigência a partir de  31/10/2003), posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003,  que assim dispunha:  “Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição  de  multa  isolada  sobre  as  diferenças  apuradas  decorrentes  de  compensação  indevida  e  aplicar­se­á  unicamente  nas  hipóteses  de  o  crédito  ou  o  débito  não  ser  passível  de  compensação  por  expressa  disposição  legal, de o crédito  ser de natureza não­tributária, ou em que  ficar caracterizada a prática das  infrações previstas nos arts. 71 a 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.”  15. A redação desse artigo sofreu diversas alterações, sendo que,  à época em que foi efetuado o lançamento (07/06/2011, data da ciência),  vigia a redação dada pelo art. 18 da MP nº 351, de 22/01/2007 (vigência  a partir de 22/01/2007), posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de  15/06/2007, in verbis:  Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição  de multa isolada em razão de não­homologação da compensação quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  §  1º  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito  indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no  9.430, de 27 de dezembro de 1996.  § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no  percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o  valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei  nº 11.488, de 2007)  §  3º  Ocorrendo  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­ homologação da compensação e  impugnação quanto ao  lançamento das  multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único  processo para serem decididas simultaneamente.  §  4º  Será  também  exigida  multa  isolada  sobre  o  valor  total  do  débito  indevidamente compensado quando a compensação  for considerada não  declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de  27 de dezembro de 1996, aplicando­se o percentual previsto no inciso I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela  Lei nº 11.488, de 2007)  §  5º Aplica­se  o  disposto  no  §  2º  do  art.  44  da Lei  nº  9.430, de  27 de  dezembro  de  1996,  às  hipóteses  previstas  nos  §§  2º  e  4º  deste  artigo.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifou­se)  16. Observe­se que, de acordo com o dispositivo acima transcrito,  a multa isolada em razão de não­homologação de compensação só pode  ser aplicada quando comprovada a falsidade da declaração apresentada  pelo  sujeito  passivo,  devendo,  nesse  caso,  ser  aplicado,  em  dobro,  o  percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27  de  dezembro  de  1996  (75% x  2 = 150%),  ou  seja,  não  existe  previsão  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 178          9 legal para lançamento de multa isolada aplicada no percentual de 75%,  no  caso  de  não  homologação  de  compensação.  A  previsão  para  utilização  desse  percentual  é  somente  no  caso  de  a  compensação  ser  considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74  da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  17. O fato de ter sido utilizado percentual diverso do previsto na  legislação vigente à época do lançamento, foi em função de o auditor ter  efetuado o lançamento com base no disposto no art. 18, § 2º, inciso I, da  Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela MP nº 472/2009, que assim  dispõe:  “Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição  de multa isolada em razão de não­homologação da compensação quando  não  confirmada  a  legitimidade  ou  suficiência  do  crédito  informado  ou  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo.  (...)  §  2º A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  será  aplicada  sobre  o  total  do  débito  indevidamente  compensado,  no  percentual:  (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009)  I  ­  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade  ou suficiência do crédito informado; ou (Incluído pela Medida Provisória  n" 472, de 2009)  II  ­  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44 da Lei  n"  9.430,  de 27  de  dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando se comprove  falsidade da declaração  apresentada pelo  sujeito passivo.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 472, de 2009)”(grifou­se)  18.  Não  obstante  essa  fundamentação  não  constar  discriminada  no  quadro  “Descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal”,  essa  se  apresenta  de  forma  bem  clara  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  03/04) do Auto de Infração (fl. 08), cujo excerto segue abaixo transcrito:  “A aplicação da multa isolada determinada pelo Parecer em questão está  expressamente prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que  determina que seja aplicada multa isolada no percentual de 75% sobre o  total do débito indevidamente compensado, na forma do inciso I do caput  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/96,  quando  a  não­homologação  da  compensação se der em virtude de não ter sido confirmada a legitimidade  ou suficiência do crédito informado;  A  multa  tem  como  base  de  cálculo  o  valor  total  dos  débitos  indevidamente  compensados  constantes  da  DCOMP  nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371,  qual  seja,  R$  33.483.649,43;  sendo  aplicável a alíquota de setenta e cinco por cento para se chegar ao valor  da multa isolada (inciso I, § 2º, art. 18 da Lei nº 10.833/2003 c/c inciso I  do art. 44 da Lei nº 9.430/96).”  19. Cabe esclarecer que, diversamente do alegado pelo auditor, o  Parecer  EQMACO/DRF/NIU  nº  087/2010,  propõe  a  formalização  de  Representação Fiscal para  lançamento de multa  isolada nos  termos do  Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 179          10 art.  18,  §  2,  inciso  II  da Lei  n  °  10.833/2003.  Transcreve­se  trecho do  referido Parecer:  “É  oportuno  ressaltar  que  a  legislação  tributária  prevê  a  punição  do  contribuinte  com a  aplicação  de multa  isolada,  quando da  apresentação  de declarações de compensação, nos casos em que não for confirmada a  legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  na  forma  do  artigo 18, § 2° da Lei 10.833/2003:  Art.  18.  O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da  Medida  Provisória nº 2.158­35. de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição  de multa isolada em razão de não­homologação da compensação quando  não  confirmada  a  legitimidade  ou  suficiência  do  crédito  informado  ou  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo.  (...)  §  2º A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  será  aplicada  sobre  o  total  do  débito  indevidamente  compensado,  no  percentual:  (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009)  I  ­  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996. na hipótese em que não for confirmada a legitimidade  ou suficiência do crédito informado; ou (Incluído pela Medida Provisória  nº 472, de 2009)  II  ­  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando se comprove  falsidade da declaração  apresentada pelo  sujeito passivo.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 472, de 2009)  Assim  sendo,  baseado  na  legislação  vigente  e  nos  fortes  indícios  de  falsidade do crédito pleiteado apontados no presente parecer, proponho o  indeferimento do presente Pedido de Restituição, a não homologação da  DCOMP  27030.08046.180609.1.3.04­2371  vinculada  ao  referido  processo  (fls.  155/159)  e  a  formalização  da  competente  Representação  Fiscal para lavratura de multa isolada nos termos do art. 18, § 2, inciso II  da Lei n ° 10.833/2003.” (grifou­se)  20.  É  fato  que,  em  10/06/2010,  data  na  qual  foi  proferido  o  Parecer EQMACO/DRF/NIU nº 087/2010, ainda vigia o art. 18 da Lei nº  10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 27 da MP nº 472,  de 15/12/2009 (vigência a partir de 16/12/2009). Ocorre que quando da  conversão  da  referida  Medida  Provisória  na  Lei  nº  12.249,  de  11/06/2010  (DOU  de  14/06/2010),  não  foi  incluída  nesta  última  a  alteração da redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 constante do art.  27 da referida MP. Com isso, volta a viger a redação dada pelo art. 18  da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, transcrita no item “15” deste voto, que  não previa a imposição de multa isolada em razão de não­homologação  de  compensação  quando  não  confirmada  a  legitimidade  ou  suficiência  do crédito informado.  21.  Como  a  motivação  do  lançamento  em  questão  foi  a  não­ homologação  das  compensações  declaradas  na  DCOMP  nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371, em virtude de não ter sido confirmada  a  legitimidade  ou  suficiência  do  crédito  informado,  tendo  como  fundamentação  legal  o  disposto  no  art.  18,  §  2º,  inciso  I,  da  Lei  nº  Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10735.721024/2011­26  Acórdão n.º 3302­002.057  S3­C3T2  Fl. 180          11 10.833/2003, com a redação dada pela MP nº 472/2009, norma diversa  da  que  vigia  à  época  em  que  foi  efetuado,  e  em  função  da  legislação  vigente  não  prever  a  imposição  da  multa  isolada  nesse  caso,  é  de  se  considerar  improcedente  o  lançamento  em  questão  por  estar  em  desacordo  com  a  legislação  vigente  à  época  em  que  foi  efetuado,  devendo ser cancelado na sua integralidade.  22. Cabe  esclarecer  que  o  crédito  tributário  lançado  está  sendo  exonerado  por  razão  diversa  das  constantes  da  peça  impugnatória,  ficando  prejudicada  a  apreciação  das  questões  levantadas  pela  Impugnante referentes à nulidade do lançamento.  23.  No  que  tange  às  questões  referentes  ao  direito  ao  crédito  utilizado  nas  compensações  declaradas  na  DCOMP  nº  27030.08046.180609.1.3.04­2371  e  ao  direito  de  efetuar  essas  compensações,  cabe  ressaltar  que  estas  não  devem  ser  conhecidas,  já  que  estão  sendo  apreciadas  nos  autos  do  processo  nº  15467.000094/2010­97 (Restituição e DCOMP). No âmbito do presente  processo,  cabe  somente  a  discussão  quanto  à  pertinência  ou  não  da  imposição da multa isolada.  24. Por todo o exposto, voto por:  24.1  Não  conhecer  da  impugnação  no  que  tange  às  questões  levantadas  referentes ao  direito ao  crédito utilizado nas  compensações  declaradas na DCOMP nº 27030.08046.180609.1.3.04­2371 e ao direito  de efetuar essas compensações; e  24.2  Julgar  IMPROCEDENTE  O  LANÇAMENTO,  cancelando,  integralmente,  a  exigência  da  multa  isolada  formalizada  pelo  auto  de  infração.  Com base nos fundamentos da decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, o relator  originário  da  decisão  de  segunda  instância  votou,  sendo  acompanhado  pela  totalidade  do  Colegiado, por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo­se o cancelamento do auto de  infração relativo à multa isolada.  É o voto.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede                                Fl. 214DF CARF MF

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7721353 #
Numero do processo: 13808.000506/2001-64
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. 0 prazo decadencial para a constituição do crédito relativo ã. Contribuição para o FINSOCIAL é o estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, cinco anos contados da data do fato gerador, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo, conforme art. 103-A da Constituição Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-000.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan

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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-23T19:21:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-23T19:21:51Z; Last-Modified: 2011-03-23T19:21:51Z; dcterms:modified: 2011-03-23T19:21:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:67cf21e6-7e89-467a-971b-0fe8976726e2; Last-Save-Date: 2011-03-23T19:21:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-23T19:21:51Z; meta:save-date: 2011-03-23T19:21:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-23T19:21:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-23T19:21:51Z; created: 2011-03-23T19:21:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-03-23T19:21:51Z; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-23T19:21:51Z | Conteúdo => Manzan or CSRF-T3 Fl. 416 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13808.000506/2001-64 Recurso n° 220.419 Especial do Contribuinte Acórdão no 9303-00.978 — 3' Turma Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria FINSOCIAL - DECADÊNCIA Recorrente JAPAN AIR LINES COMPANY LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA. ART. 150, § 40, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. 0 prazo decadencial para a constituição do crédito relativo ã. Contribuição para o FINSOCIAL é o estabelecido no art. 150, § 4', do CTN, cinco anos contados da data do fato gerador, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo, conforme art. 103-A da Constituição Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. 09 Carlos Alberto Freit; . arrev z o P,;•;dente *7- EDITADO EM: 24/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório 0 contribuinte em epígrafe, interpôs o presente Recurso Especial de Divergência ã. Camara Superior de Recursos Fiscais — CSRF — , contra decisão da extinta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que negou provimento a seu Recurso Voluntário, em decisão assim ementada: FINSOCIAL. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio (jurisprudência do STJ). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Em seu arrazoado do apelo especial, o contribuinte alega haver divergência de interpretação dos preceitos contidos nos artigos 150, § 4' do CTN e do art. 173, I do CTN, isto 6, divergência quanto ao prazo decadencial da Contribuição para o Finsocial. Cita como paradigma vários arestos, os quais apontam o prazo decadencial de 5 anos do fato gerador para a citada Contribuição, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. 0 recurso interposto foi admitido pelo Despacho n.° 302-0.010, exarado pela Presidente daquela Segunda Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do recurso interposto e apresentou contrarrazões As fls. 393/398, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. Subiram, por conseguinte, os autos a esta Casa para julgamento. o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator 0 recurso é tempestivo e, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF if 256, de 22 de junho de 2009, preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento e passo à sua análise. Trata-se de controvérsia quanto ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo A Contribuição para o Finsocial. 2 Processo n° 13808.000506/2001-64 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.978 Fl. 417 A decisão recorrida entende ser de dez anos o prazo de decadência para o lançamento do Finsocial, com fundamento na tese do 5+5 do STJ, enquanto o contribuinte defende ser de cinco anos do fato gerador, conforme previsto no artigo 150, § 4 0, do CTN. Com razão o contribuinte. Vejamos. 0 lançamento por homologação é aquele que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, consoante os preceitos do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. Chamo a atenção para o vocábulo "atividade", acima grifado, pois o objeto de homologação pelo Fisco não e, e nunca foi, o pagamento, e sim, a atividade do contribuinte de apurar o crédito e tomar todas as providencias necessárias à sua satisfação. Por isso, independe, para o inicio da contagem do prazo decadencial, se houve ou não pagamento parcial. 0 termo inicial do prazo decadencial 6, por conseguinte, o momento da ocorrência do fato gerador. Aliás, outra não é a posição da antiga Egrégia Segunda Turma, hoje Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — CSRF , conforme depreende-se do Aresto CSRF/02-01.766 (Sessão de 14 de setembro de 2004), cuja ementa transcrevo adiante: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA 0 PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 45 da Lei n° 8.212/91, até porque a referida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Social. Recurso negado. (CSRF/01-05.157). 0 prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme registrado supra, é regido pelo Art. 150, § 4 0 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ora, não existe qualquer dúvida de que o Finsocial é um tributo sujeito a lançamento por homologação e, por isso mesmo, como já dito, deve seguir o estabelecido no CTN, independentemente de ter ou não havido pagamento antecipado por parte do contribuinte, pois o que homologa-se não é o pagamento em si, mas a atividade de apuração do montante devido. Essa 6, e será sempre minha posição com relação ao prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Não consigo entender o dispositivo legal (Art. 150, § 40 do CTN) de outra forma. Ato continuo, qualquer alteração que pretenda-se realizar nos prazos decadenciais deverá ser feita necessariamente por Lei Complementar. Aliás, outra não é a expressão de nosso Diploma Magno, a saber: CF/88, Art. 146, HI, "b", verbis: Cabe a lei complementar: HI — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. (Grifou-se), Por fim, importante destacar que a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei no 8.212/91 foi objeto da Súmula Vinculante n° 08 do STF, aprovada na Sessão Plenária de 12/06/2008, tornando-se, portanto, indiscutível tal matéria, em razão da vinculação da Administração ao disposto em Súmula Vincul ante, conforme determina o art. 103-A, da Constituição Federal. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para reconhecer a decadência do lançamento. 4

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