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Numero do processo: 13833.000029/99-53
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Anocalendário:
1989, 1990
PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE
PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO
TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº
118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA.
PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS
“CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA
SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B
E 543C
DA LEI nº 5.869/1973 CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal
e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na
sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C
da Lei nº 5.869, de 11 de
janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos
conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art.
62A
do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de
21/12/2010.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso
Especial nº 1.002.932 SP,
sujeito ao regime do art. 543C
do Código de
Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da
entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja
09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a
restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento
por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”,
porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará
limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.
Numero da decisão: 9900-000.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Ricardo da Silva – Relator
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990 PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 3. 00 00 29 /9 9- 53 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório O contribuinte apresentou, em 02/03/1999, o Pedido de Restituição/Compensação de fls. 01/03, das parcelas pagas a maior a título de Finsocial durante o período de 09/1989 a 03/1992. Após ter sido rejeitado o pedido pela repartição de origem, bem como pela DRJ/Ribeirão Preto, nos termos do Acórdão 4.408, de 07/11/2003, (fls. 111/114), a Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acolheu o pleito do contribuinte para afastar a decadência do pleito de restituição, nos termos do Acórdão nº 30332.112, cuja decisão foi confirmada pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (fls. 253/265) contra decisão proferida pela Terceira Turma da CSRF que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional no Acórdão nº 0305.633, de 25/02/2008, fls. (244/249) determinando que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de tributos sujeitos a homologação, deve ser contado a partir do término do prazo para homologação, (5+5 = 10 anos), conforme se extrai da sua ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do termino do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 10 amos). Jurisprudência pacificada pelo superior tribunal de justiça recurso especial negado. O pedido de restituição da contribuinte foi protocolizado em 03/03/1999. O entendimento da colenda Terceira Turma da CSRF que determinou o prazo prescricional para restituição do indébito tributário foi no sentido de que prazo de cinco anos contido no art. 168, I, do CTN deve ser acrescido do interstício hábil à homologação assinalada no §4° do art. 150 do CTN, uma vez que, caso não haja homologação expressa, há de aguardar o transcurso do período hábil à constatação formal, pela Fazenda Pública, de que o contribuinte promoveu pagamentos indevidos, hipótese no caso em tela em que não transcorreu o referido prazo. Cientificada da referida decisão em 19 de novembro de 2009, e com ela não se conformando, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário, tendo apresentado como acórdãoparadigma a decisão da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF proferida no Acórdão nº 0400.810, assim ementado: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do 4 Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido." (Acórdão 9303 00.080) Os argumentos apresentados pela Douta PFN, em resumo, são os seguintes: a) o cerne da questão que se discute é saber qual o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL; b) o julgamento realizado pela eg. Terceira Turma da Câmara Superior rejeitou a argüição da decadência, considerando que o prazo para pleitear a restituição é de 10 anos a partir do recolhimento indevido, com base nos artigos 168, I c/c 150, § 4°, do CTN (tese dos cinco+cinco). c) pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Portanto, deve ser indeferida a solicitação de restituição; d) aduz que o último dos pagamentos de valores considerados indevidos se deu em novembro de 1991, e tendo em vista que o presente pedido de restituição apenas foi protocolado na data de 02/03/1999, resta claro que está prescrita a pretensão de restituição de todos os valores pagos considerando que o prazo de 5 (cinco) anos foi ultrapassado, sem que o contribuinte pleiteasse a restituição das quantias pagas a maior, assim o direito subjetivo do contribuinte à restituição do indébito surgiu desde o pagamento dos valores tidos por indevidos nos termos dos arts. 165, I, 168, I e 156, I, todos do CTN, não havendo que se acrescer o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, ao cômputo legal; e) com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar, que sepultou, definitivamente, a controvérsia sobre o tema, sendo, a Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 4 5 partir de então, indefensável considerar outro prazo para restituição que não seja apenas o previsto no art. 168, I, do CTN; f) salienta que o art. 3º daquele dispositivo legal se aplica, inclusive, a ato ou fato pretérito, pois, nos termos do art. 106, I, do CTN, tratase de norma expressamente interpretativa; g) Exatamente neste aspecto reside a semelhança entre o julgado paradigma e o julgado ora recorrido, que trata de recolhimento de tributo posteriormente considerado inexigível pela Receita Federal; h) colaciona trechos de jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, REsp 747.091/SC, bem como transcreve ementas de julgados pelos Conselhos de Contribuintes em diversos casos, bem como do Ato Declaratório de nº 096, todos no sentido de abonar a tese apresentada para extinção do direito à restituição do tributo pago indevidamente após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário; i) por conseguinte, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, consoante disposto nos arts. 3º da LC 118/05, 168 e 165, do CTN; j) tendo em vista o dissídio jurisprudencial apontado, requer à União (FN) seja admitido o presente recurso, pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, a fim de que se reconheça a ocorrência da decadência do direito à restituição do FINSOCIAL, contada a partir da data de da cada pagamento indevido eventualmente comprovado; O Recurso Extraordinário foi admitido pelo Presidente Substituto do CARF, despacho às fls. 303/304, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. 6 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A questão colocada para apreciação deste Tribunal Administrativo diz respeito a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear indébito tributário. A decisão recorrida entendeu, que o prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do termino do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo superior tribunal de justiça. Por outro lado, a Fazenda Nacional entende que o acórdão recorrido diverge frontalmente da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já que neste se entendeu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). É de se observar, ainda, a possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar 118, de 2005, sendo aplicável ao presente caso a prescrição decenal. O entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a par das ações de repetição de indébito propostas pelo contribuinte que têm por objeto os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é no sentido de considerar que o prazo prescricional (de 05 anos) acrescidos de 05 anos para a homologação expressa ou tácita dos tributos sujeitos a este tipo de lançamento. Com isso, se aplica a teoria dos "cinco anos mais cinco". Como visto, a discussão inicial versa sobre o prazo extintivo para repetição do indébito tributário. Ou seja, qual seria o prazo decadencial do direito de se pleitear o indébito tributário. Ora, assim como a Fazenda esbarra numa limitação temporal para exercer seus direitos de constituição e cobrança do crédito tributário, o contribuinte também está adstrito à observância de um prazo para reaver aquilo que pagou indevidamente ao Fisco, a título de tributos. Mas se faz necessário salientar, que embora o pagamento seja a forma mais natural para extinguir o crédito tributário, outras formas extintivas, tais como a compensação e a conversão do depósito em renda, por exemplo, podem dar ensejo à repetição. Assim, dispõe o art. 165, do Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 5 7 I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No tocante ao prazo para o exercício do direito de repetição, consideremos os dispositivos que tratam do tema: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3º da LC nº 118, de 2005) II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Desta forma, em regra, terá o prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (que em regra se dá com o pagamento) para pleitear a repetição. Mas devemos destacar que o art. 168, II, trata da hipótese do ter recolhido valores a título de pagamento de tributos, em virtude de alguma decisão administrativa ou judicial impositiva de pagamento. Nesse sentido, devese contar o prazo para o pedido de restituição da anulação, reforma, revogação ou rescisão de referida decisão. A questão da contagem do prazo de cinco anos, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, já foi objeto de grande controvérsia na jurisprudência e na doutrina durante algum tempo. Hoje, parece que a questão já está pacificada, tendo em vista o advento da Lei Complementar nº 118, de 2005. Conforme já exposto, nos lançamentos por homologação, a Fazenda possui o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo. O prazo para pleitear a repetição de tributos indevidamente pagos, inclusive aqueles sujeitos ao lançamento por homologação, é de cinco anos, contados da extinção do 8 crédito tributário, de acordo com os termos do art. 168, I. Ocorre que o art. 156, do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre as causas extintivas do crédito tributário, ao tratar da extinção dos créditos constituídos por lançamento por homologação fala em “pagamento antecipado e homologação do lançamento”. Dessa forma, questionavase: os cinco anos previstos pelo art. 168 deveriam ser contados do pagamento antecipado ou da homologação de referido pagamento que, na prática, se dá sempre de forma tácita, após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação tributária? A “tese dos cinco mais cinco”, consagrada pela Primeira Seção do STJ ERESP nº 435.835/SC, de 24/03/2004 , fundouse justamente nessa questão. Necessário salientar, que referida tese vigorou no STJ por quase uma década e veio a ser abandonada somente com o advento do art. 3º, da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005,segundo o qual: Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Assim, com referida lei, que entrou em vigor após cento e vinte dias da data de sua publicação, em 09/06/2005, o prazo de cinco anos para repetição seria contado a partir do pagamento antecipado, tido por indevido. A controvérsia, contudo, não foi totalmente dirimida. Restaram dúvidas ainda quanto aos pagamentos realizados anteriormente à vigência da lei complementar, já que o art.4º tentou conferir natureza interpretativa à norma contida no art. 3º, objetivando que sua aplicação se desse a fatos e atos pretéritos. Confirase: Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. De acordo com os termos do art. 4º, portanto, o art. 3º deveria aplicarse retroativamente, de modo que os pagamentos antecipados tidos por indevidos, realizados antes de 09/06/2005, constituiriam termo inicial para a contagem do prazo prescricional de repetição de indébito. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça, em Argüição de Inconstitucionalidade suscitada em virtude da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 482.090, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º, da Lei Complementar nº 118, de 2005, entendendo que a norma do art. 3º, na pretensão de “interpretar o enunciado do art. 168, I, c/c art. 156, VII, do Código Tributário Nacional, além de ter conferido sentido e alcance diversos do atribuído pelo Tribunal que detém a atribuição constitucional de interpretação das leis federais, também inovou no plano normativo. Assim, ao dispor o art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que a norma do art. 3º possuiria natureza interpretativa e, portanto, se aplicaria a situações pretéritas, violou os princípios da autonomia e independência dos poderes e da garantia ao direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 6 9 A consequência da declaração da inconstitucionalidade de parte da norma contida no art. 4º, da Lei Complementar nº 118, de 2005, foi a seguinte: como referido diploma legal entrou em vigor em cento e vinte dias, contados da data de sua publicação, que se deu em 09/02/2005, somente a partir de 09/06/2005, as datas dos recolhimentos realizados a título de pagamento de tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, passaram a constituir o termo a quo do prazo quinquenal para o pedido de repetição de indébito. Antes de 09/06/2005, o termo a quo para a contagem do prazo prescricional de dez anos (cinco mais cinco), para repetição de valores recolhidos a título de pagamento de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, continuaria a ser o momento da ocorrência do fato gerador. Entretanto, com todas as vênias necessárias, entendo que continuar esta discussão neste Tribunal Administrativo seria improdutivo, diante do fato que, em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. 10 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a incidência de imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial é um destes temas. O Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento, em 25 de novembro de 2009, através da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, no julgamento do REsp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), concluiu que, “em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco”, cuja ementa se transcreve: RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/02600019) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 7 11 (...). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de Documento: 7442536 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/12/2009 Página 3 de 4 Superior Tribunal de Justiça decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (Data do Julgamento: 25 de novembro de 2009). Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto, o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme as transcrições abaixo: Processual civil. Tributário. Controvérsia acerca do prazo prescricional para se pleitear a repetição do indébito, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Aplicação 12 da tese dos “cinco mais cinco”. Orientação firmada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC. Recurso especial provido. (...) 2. Assiste razão à recorrente. Acerca do termo inicial para contagem do prazo prescricional, o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, I, estabelece: “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (…)“. O art. 165, I, possui o seguinte teor: “O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…)“. Já o art. 156 prevê a seguinte modalidade de extinção do crédito tributário: “VII – o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; (…)“. Confirase, ainda, a redação do caput do art. 150 e a de seus §§ 1º e 4º: (…) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A Corte Especial, ao julgar a Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736/PE (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 27.8.2007), sintetizou a interpretação conferida por este Tribunal aos dispositivos legais acima, interpretação que deverá ser observada em relação às situações ocorridas até a vigência da Lei Complementar 118/2005, conforme consta do seguinte trecho da ementa do citado precedente: “Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 8 13 indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador.” Ao declarar a inconstitucionalidade da expressão “observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional” , constante do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, a Corte Especial ressalvou: “(…) com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.” Por fim, na assentada do dia 25 de novembro de 2009, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, analisou caso análogo ao dos autos, no Resp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), concluindo que, “em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco” . 3. À vista do exposto, com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, dou provimento ao recurso especial (Data do Julgamento:, 18 de dezembro de 2009. RE no RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/0260001 DECISÃO). No julgamento do RE n.º 566.621/RS (Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11/10/2011), submetido ao regime da 14 repercussão geral, o e. Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/05, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, nos termos da seguinte ementa: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a Documento: 21907449 Despacho / Decisão Site certificado DJe: 14/05/2012 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Processo nº 13833.000029/9953 Acórdão n.º 9100000.370 CSRFPL Fl. 9 15 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Recurso extraordinário desprovido (Data do Julgamento: 30 de abril de 2012. Como visto, a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que, com o advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09/06/05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Resta claro, que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria por ocasião do julgamento do RESP nº 1.002.932/SP, o qual foi submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do CPC, pelo qual a decisão tem o efeito de impedir na origem (2ª instância) a interposição de recursos especiais que estejam em confronto com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. Na presente situação, resta claro, que a requerente protocolou Pedido de Restituição de Finsocial, datado de 02/03/1999, onde declarou os possíveis indébitos tributários, relativo ao período de 09/1989 a 03/1992. Assim sendo, a requerente cumpriu os requisitos exigidos pela jurisprudência de regência de que a teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 – SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Neste contexto, não assiste razão a Fazenda Nacional para questionar a decadência do direito de pleitear a restituição do indébito tributário discutido no presente processo. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar 16 provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000903/2006-15
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2000
AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA COM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1º CC nº 1). Publicado no D.O.U. nº 170 de 03/09/08.
NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual.
DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Quando não ocorre o pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de ofício, desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, contando-se o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazê-lo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos
informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de
bens e direitos.
IRPF-NULIDADE-APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105 - Não é nulo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei Complementar nº 105 de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada.
JUROS DE MORA TAXA - SELIC A partir de 1º de abril de
1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula
1º CC nº 4).
Numero da decisão: 102-49.366
Decisão: ACORDAM os membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de: I nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário e pela irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que as acolhe e apresenta declaração de voto. Por unanimidade de votos, AFASTAR as demais preliminares e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa
de ofício e, por maioria de votos, excluir as contas conjuntas do Bradesco, n. 301904 e 1073810, por falta de intimação do cotitular. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah
(Relator) e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que provêem em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000 AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA COM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1º CC nº 1). Publicado no D.O.U. nº 170 de 03/09/08. NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual. DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Quando não ocorre o pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de ofício, desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, contando-se o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazê-lo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. IRPF-NULIDADE-APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105 - Não é nulo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei Complementar nº 105 de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. JUROS DE MORA TAXA - SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4).
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(Súmula 1º CC nº 1). Publicado no D.O.U. nº 170 de 03/09/08. NULIDADE DO LANÇAMENTO Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual. DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Quando não ocorre o pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de ofício, desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, contandose o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 3 _________ 2 informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. IRPF NULIDADE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105 Não é nulo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei Complementar nº 105 de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de: I nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário e pela irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que as acolhe e apresenta declaração de voto. Por unanimidade de votos, AFASTAR as demais preliminares e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício e, por maioria de votos, excluir as contas conjuntas do Bradesco, n. 301904 e 1073810, por falta de intimação do cotitular. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que provêem em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinatura digital Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente da Turma na Data da Formalização. Assinatura digital Eduardo Tadeu Farah Relator. Assinatura digital Núbia Matos Moura Redatora designada. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 4 _________ 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente) Silvana Mancini Karam, Eduardo Tadeu Farah, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Caio Fernando Gandini Panegossi recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 7a TURMA/DRJSPOII, pleiteando sua reforma, nos termos do recurso voluntário de fls. 258 a 286. Tratase de exigência de IRPF com valor total de R$ 1.726.717,12, relativo ao imposto, multa de ofício e juros de mora. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme resumo que segue: O contribuinte apresentou declaração de rendimentos, para o período em questão, com rendimentos totais (tributados, isentos e de tributação exclusiva) no montante de R$ 583.140,00. Sua movimentação financeira, conforme informação constante dos sistemas informatizados da SRF, teria sido da ordem de R$ 5.829.643,66. Em 29/07/2005, o fiscalizado apresentou, às fls. 28/34, cópia da Liminar Judicial impedindo que o fisco exigisse, do próprio contribuinte ou das respectivas instituições financeiras, seus extratos bancários. Contudo, foi DENEGADA a segurança pleiteada, em caráter definitivo, e revogada a liminar concedida, conforme Ofício nº 670/2005 da 1ª Vara Federal de Araraquara, recebido pela Delegacia da Receita Federal juntamente com cópia da sentença proferida pelo Juiz Federal, Paulo Ricardo Arena Filho. Dando continuidade ao trabalho de auditoria ao qual o contribuinte foi submetido, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fls. 51/52, por meio do qual o contribuinte foi cientificado da denegação de seu pleito e reintimado a apresentar os extratos bancários. Considerando que o contribuinte não apresentou os extratos bancários, foi expedida RMF à instituição responsável (fls. 89/90), nos termos do decreto nº 3.724 de 10 de janeiro de 2001. Por tratarse de contas conjuntas foi lançado de ofício, em cada mês, o valor correspondente a 50% dos créditos apurados. Por entender ter ficado caracterizado, em tese, o evidente intuito de fraude/sonegação, foi aplicada multa de ofício qualificada de 150%, conforme inciso II, art. 44, da Lei nº 9.430/1996 e efetuada Representação Fiscal para Fins Penais por estar configurado, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, conforme dispõe os arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.137/1990. Inconformado, o autuado apresentou impugnação, fls. 196 a 224, alegando em resumo: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 5 _________ 4 (a) Que, foi lavrado em 16 de agosto de 2006, auto de infração para cobrança do suposto IRPF do ano de 2000. Todavia, conforme artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ocorreu a decadência, visto que o fato gerador ocorreu em 2000. (b) Que a previsão legal para a quebra de sigilo bancário, só ocorreu com o advento da Lei Complementar nº 105/2001. (c) Que está em andamento o processo judicial, onde está sendo questionado a presente quebra de sigilo sem autorização judicial; (d) Os dados obtidos, por meio da análise de contas bancárias, com relação aos anos anteriores ao ano de 2001, com fundamento na LC nº 105/2001, são ilegais e ilícitos, não podendo, por conseguinte, dar suporte à lavratura de auto de infração realizado contra o impugnante, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da irretroatividade; (e) A fiscalização adquiriu os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sem ordem judicial; (f) O fisco empregou equivocado entendimento no sentido de que as várias transações financeiras realizadas caracterizam, por si só, omissão de rendimentos, ofendendo a garantia constitucional à intimidade e ao sigilo de dados; (g) Que os direitos e garantias individuais constituem cláusula pétrea; (h) Que nenhum instrumento normativo pode extinguir qualquer direito ou garantia fundamental, à vista do artigo 60, § 4º, da CF/88; (i) Argumenta que o Auto de Infração impugnado encontra fundamento tão somente em mera presunção, uma vez que simplesmente utilizase de extratos bancários. Reproduz textos de vários doutrinadores, bem como, faz citação de decisões do Conselho de Contribuintes para enfatizar sua tese. (j) Que o ônus de demonstrar os elementos que deram ensejo à ocorrência do fato gerador é do poder público, o que não foi feito; (k) Para apuração da renda na forma do art. 43 do CTN, como aquisições de disponibilidade econômicas ou jurídicas devem ser consideradas o confronto entre entradas e despesas, ambas devidamente identificadas; (l) Que vários depósitos efetuados foram originados de uma conta de mesma titularidade do contribuinte “Poupança Viva”, conforme se pode extrair da simples leitura dos extratos, em poder da fiscalização; (m) A incidência da Taxa Selic sobre suposto débito apontado no auto não encontra respaldo jurídico e os juros incidentes superam o quantitativo de 1% ao mês. Sendo que qualquer exigência de juros em descompasso com o art. 161 do CTN é totalmente improcedente; (n) Não existe previsão para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 6 _________ 5 (o) As multas aplicadas, no auto de infração, ofendem aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na Constituição Federal. Portanto, há de ser cancelada a multa imposta. Esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 62, § 2º, da lei nº 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado; (p) Requer seja acolhida a presente impugnação, especialmente julgando improcedente o lançamento tributário, tendo em vista sua insubsistência, ou, ao menos, retificandoo, mediante a expedição de outro ato administrativo de lançamento, como medida de legalidade. A DRJ proferiu Acórdão nº 1717.214, mantendo integralmente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO. SIGILO BANCÁRIO E NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, naquilo em que houver identidade de objetos. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PROVAS ILÍCITAS. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 7 _________ 6 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, Caio Fernando Gandini Panegossi apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 1999. Antes de se entrar no mérito da questão, insta enfrentar, de antemão, as inúmeras preliminares suscitadas pelo contribuinte. Concomitância entre o processo judicial e o administrativo Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 8 _________ 7 O referido tema foi muito bem explanado pela autoridade julgadora de primeira instância, cuja fundamentação entendo como correta. Nessa linha de raciocínio depreendese que a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, impede o julgador administrativo de analisar a respectiva matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão colegiado, de disciplina distinta da constante do processo judicial. Esse é o entendimento pacificado pelo 1º Conselho de Contribuintes, consoante a Súmula nº 1: “Súmula 1ºCC nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Contudo, cumpre ressaltar que a segurança pleiteada foi denegada, em caráter definitivo, e revogada a liminar concedida, conforme Ofício nº 670/2005 recebido pela Delegacia da Receita Federal da 1ª Vara Federal de Araraquara, juntamente com cópia da sentença proferida pelo Juiz Federal, Paulo Ricardo Arena Filho. Irretroatividade da Lei Complementar nº 105/2001 O recorrente questiona a irretroatividade da Lei Complementar nº 105/2001, pois, de acordo com seu argumento, não é possível sua aplicação a fato pretérito. De pronto esclareço que não assiste razão ao recorrente. A Lei Complementar n° 105, vigente a partir de 2001, poderia ser utilizada para fiscalizar exercícios anteriores à sua vigência, posto que o princípio da irretroatividade da lei é atinente aos aspectos materiais do lançamento, não alcançando os procedimentos de fiscalização ou de formalização da respectiva exigência. Em relação aos aspectos formais ou simplesmente procedimentais, a legislação a ser utilizada é a vigente na data do lançamento, na forma do § 1º do art. 144: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.”(grifei) Esse também é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região consoante a ementa transcrita: “TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS À CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 9 _________ 8 BANCÁRIO. (...) As disposições da Lei nº 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, §1º, do CTN, aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.” (Agravo de Instrumento nº 2001.04.01.0451278/SC – TRF 4ª Região) Desta forma, não houve aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, mas apenas sua aplicação imediata sobre os efeitos ainda pendentes dos atos jurídicos praticados. Nulidade do Lançamento Na impugnação são invocadas circunstâncias envolvendo o lançamento que, na visão do recorrente, eivam de nulidade o ato administrativo. Diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo exame do dispositivo citado, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Estas são as hipóteses em que o legislador presume, de forma absoluta ter havido prejuízo à ampla defesa e ao contraditório. O presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e concedido ao contribuinte o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, pela oportunidade de apresentar, tanto na fase de instrução do processo quanto na fase de impugnação e recurso, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar ilidir as infrações apuradas pela fiscalização. Assim sendo, deve ser afastada a preliminar. Decadência Em relação à preliminar de decadência, importante observar o disposto no § 4º do art. 150 e inciso I do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 10 _________ 9 (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...).” O Imposto de Renda configurase tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do caput do art. 150 do CTN. Esta modalidade de lançamento atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Contudo, quando não ocorre o pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de ofício, deslocando a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo. Nessa conformidade, como o fato gerador ocorreu em 31/12/2000, o prazo decadencial começou a fluir em 01/01/2002, e como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/08/2006, não ocorreu decadência. Lançamentos com base em depósitos bancários O recorrente argumenta que o Auto de Infração impugnado encontra fundamento tão somente em mera presunção, uma vez que simplesmente utilizase de extratos bancários. E ainda, que o ônus de demonstrar os elementos que deram ensejo à ocorrência do fato gerador é do poder público, o que não ocorreu. Há de se tecer, inicialmente, um breve histórico da legislação sobre a tributação de depósitos bancários, para que se possa aclarar o entendimento que o contribuinte demonstra sobre esta tributação na peça recursal. A Lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1.º. Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 11 _________ 10 §2.º. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3.º. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4.º. No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações . §6.º. Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte.” O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos, utilizandose depósitos bancários injustificados, desde que demonstrados sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Percebese claramente que na vigência da Lei nº 8.021/90, o fato que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021/90, com a edição da Lei n° 9.430/1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4° da Lei nº 9.481/1997, deu suporte a presente autuação e que assim dispõe acerca dos depósitos bancários: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 12 _________ 11 I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.” (...) Pelo que se depreende da leitura do texto legal, o legislador estabeleceu, a partir da edição da Lei n° 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos e, consequentemente, inversão do ônus da prova, característica das presunções relativas, que admite prova em contrário. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional: “Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001).” Em face de ausência de esclarecimentos da origem respectiva, a fiscalização considerou como efetiva a disponibilidade econômica representada pelos créditos bancários. Assim, a base de cálculo do imposto é o montante apurado pela fiscalização, na forma do artigo 44 do Código Tributário Nacional: “Art. 44 A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.” (grifei). Portanto, não comprovada a origem dos depósitos levantados pelo Fisco, os mesmos serão presumidos como rendimentos auferidos pela autuada no anocalendário em apreço. Assim tem decidido o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementas a seguir transcritas: “Ementa DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 13 _________ 12 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (Acórdão 10613086, ocorrido em sessão de 05/12/2002 ......... “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF.” (Data da Sessão: 23/04/2008 Acórdão 10423130) Esse também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada: “Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO – OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996” (Data da Sessão: 12/06/2006 CSRF/0400.259) A simples alegação genérica não pode ser considerada suficiente para refutar, inequivocamente, que os valores não correspondem a disponibilidade econômica ou renda do contribuinte e que os mesmos já foram oferecidos a tributação em um momento anterior. O recorrente alega que vários depósitos efetuados originaramse de uma conta de mesma titularidade “Poupança Viva”, ocorrendo nos demais dias e meses do ano. O argumento trazido por ocasião do recurso voluntário foi alegado também na fase impugnatória e novamente não há como considerálo. De acordo com o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 82/83, os créditos constantes do lançamento já contemplam a exclusão de valores relativos a devoluções de cheques, resgates de aplicações financeiras e poupança, bem como transferência entre contas do mesmo titular. Ademais, em momento algum o contribuinte informa quais seriam estes valores e tampouco apresenta qualquer prova capaz de fundamentar seu questionamento. Diante de todo o exposto não há como prosperar as alegações do recorrente. Multa Aplicada O recorrente insurgese, ainda, contra a aplicação da multa de 150%, alegando que sua imposição afronta aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição de confisco. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 14 _________ 13 No Termo de Verificação Fiscal (fl. 181 e 182), a autoridade fiscal afirma que o contribuinte teria incorrido na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, em função da omissão de rendimentos representar 10 vezes mais que os rendimentos declarados à Fazenda Pública. Assevera ainda, que o autuado teria tentado impedir o conhecimento, por parte do fisco, de créditos efetuados em suas contascorrentes. Em outras palavras, significa dizer que a autoridade fiscal entendeu caracterizada neste fato a ação dolosa do contribuinte. A Lei n° 4.502, de 1964 em seus arts. 71, 72 e 73, dispõe: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Em função da previsão legal supra é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. A autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos. Entendo que a presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos, todavia, não pelo “evidente intuito de fraude”. Nessa linha de raciocínio, podese concluir que a omissão de rendimentos, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da penalidade. Assim, para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova, pressupondo dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. Esse é o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os seguintes julgados: “MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 15 _________ 14 artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula nº 14 deste Primeiro Conselho, simples omissão na caracteriza evidente intuito de fraude.” (Acórdão 10617037, sessão de 10/09/2008, Rel. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) “LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude. Se a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada”.(Acórdão 10418487, Sessão de 06/12/2001, Rel. Nelson Mallmann) Está pacificado no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme Súmula nº 14, o entendimento que omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude: “Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Incomprovada a fraude ensejadora da multa qualificada, esta não pode subsistir. Desta forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Juros Selic e juros sobre a multa Os juros de mora lançados no auto de infração correspondem àqueles previstos art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.”(Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 16 _________ 15 Da análise dos textos transcritos, depreendese que o objetivo dos juros de mora é reparar, com pecúnia, o Erário pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Assim, a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, representa débito tributário (quando não pago no vencimento), incidindo, dessa forma, juros com base na Selic. Esse é o entendimento do 1o Conselho de Contribuintes conforme a Súmula nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ante o exposto, VOTO por afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir para 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura – Redatora Designada Com a devida vênia, discordo do ilustre relator quanto às suas conclusões sobre o mérito da infração de omissão de rendimentos caracterizada pior depósitos bancários com origem não comprovada. Do Descrição dos Fatos, fls. 174/183, parte integrante do Auto de Infração, verificase que as contas bancárias mantidas junto ao Bradesco, n°s 301904 e 1073810, são conjuntas e que os correspondestes créditos foram levados à tributação na proporção de 50%. Contudo, não há notícia nos autos de que os demais cotitulares das referidas contas bancárias tenham sido intimados a fazer a comprovação da origem dos créditos havidos nas contas n°s 301904 e 1073810 do Bradesco. Nesse sentido, devese examinar a aplicação do parágrafo 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, no presente lançamento: § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 17 _________ 16 O dispositivo acima transcrito foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratura do presente Auto de Infração. Ora, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve se conformar aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam utilizarse das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. A falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Nestes termos, voto no sentido de excluir da base de cálculo do imposto devido os créditos efetivados nas contas bancárias nºs 301904 e 1073810, mantidas junto ao Bradesco. Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura Declaração de Voto DA IRRETROATIVIDADE DA LEI Com a devida vênia da douta maioria do colegiado, em relação à alegação de irretroatividade da lei, tenho que a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Imaginar que a lei nova tenha eficácia para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada, é o mesmo que admitir que a norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Nesta linha de raciocínio, em se tratando de lançamento feito a partir da movimentação financeira, tenho enfrentado a Preliminar de irretroatividade da lei, com as considerações e fundamentos que seguem. Em 25 de outubro de 1996, ingressou no ordenamento jurídico brasileiro a Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 18 _________ 17 CPMF, e dá outras providências, sendo que o artigo 11, § 3o desta Lei, possuía a seguinte redação: "§ 3°. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Posto o conteúdo da norma, cabe analisar a quem se destinam as expressões: "vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Tais expressões estariam conferindo algum tipo de direito aos jurisdicionados, em caso afirmativo, qual a natureza deste direito? Antes de responder estas indagações, algumas considerações se fazem necessárias para que se possa compreender as regras de proteção do sigilo bancário existentes até 1996. Assim, retroagimos ao ano de 1964 para analisar as disposições da Lei n° 4.595, norma esta com status de Lei Complementar, que dispõe sobre a Política e as Instituições monetárias, bancárias e creditícias, cria o Conselho Monetário Nacional, e dá outras providências, contendo os seguintes preceitos no artigo 38 e respectivo § 7°, a seguir transcritos: "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. ..... § 1°. As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que deles não poderão servirse para fins estranhos à mesma. § 7°. A quebra de sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, aplicandose, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis." As indagações feitas anteriormente em relação à Lei n° 9.311, de 1996, valem para as disposições do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. A quem se destinam as expressões: "as informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário", contidas no § 1°. do artigo 38 e a previsão do § 7°, de que se constitui crime a quebra do sigilo bancário? Qual a natureza desta norma: instrumental ou material? Se tais dados estão sob o controle do Estado, ente soberano, é preciso que se compreenda o porquê este impõe limitação à sua atuação, instituindo dois outros poderes, um com a função de criar leis e outro com a tarefa de verificar a legalidade dos atos praticados pelo próprio Estado, por meio do Poder Executivo. A propósito deste assunto e sem nos ater a digressões doutrinárias, a história revela que a humanidade percebeu que era necessário limitar as ações do Estadosoberano como forma de proteção dos indivíduos frente ao Estado. Inicialmente concebido para proteger seus súditos, houve determinado período na história em que os indivíduos passaram a ter medo das ações ilimitadas do Estado, surgindo a conhecida doutrina dos "freios e contrapesos", por meio do qual um órgão do Estadosoberado limita e fiscaliza a atuação do outro. Nesta linha, o Judiciário tem sua atuação limitada pelo Poder Legislativo, o Poder Executivo, quando age em Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 19 _________ 18 desconformidade com a lei, tem seus atos corrigidos pelo Judiciário, sendo que os limites de atuação do Poder Legislativo são fixados por meio do Pacto Social instituidor do Poder Constituinte que aprova norma de hierarquia superior a ser observada por todos. Voltando às disposições do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, quando tal norma prevê que somente o Poder Judiciário poderá quebrar o sigilo bancário, não nos resta dúvida que se trata de uma norma que limita a atuação do Estadosoberano e confere direito aos indivíduos, cabendo perquirir, qual a natureza deste direito: material ou instrumental? Partindo da singela concepção de que direito material deve ser compreendido como sendo a norma que confere determinado bem jurídico a alguém e de que direito instrumental se constitui da norma de que se valem os jurisdicionados para exigirem do Estado jurisdição o bem da vida que lhes foi subtraído ou espontaneamente não lhes foi alcançado pelo obrigado, tenho que o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, era norma de natureza material. Assim, por meio do dispositivo legal aqui citado, antes de sua alteração, integrava o rol de direito de todos os indivíduos, a garantia de que, sem ordem judicial, ninguém teria acesso aos seus dados bancários. Chegando a conclusão de que o artigo 38 da Lei n° 4.595, era norma de natureza material, é preciso que se diga que as normas desta natureza só podem ser alteradas por leis de idêntica qualidade, sendo vedado, em qualquer hipótese a aplicação retroativa. Ao se admitir a aplicação retroativa de norma de natureza material voltarseia aos primórdios em que os súditos não mais acreditavam no Estado que passou a ser visto como o Estadotirano. Nenhuma garantia teria o indivíduo se o Estado, a qualquer momento, viesse elaborar leis para subtrair direitos ou prerrogativas decorrentes de relações jurídicas concebidas sob a égide de norma anterior. Diante de tais considerações, volto ao texto do § 3°. do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, antes de sua alteração pela Lei n° 10.174, de 2001, e peço vênia para comparar com o artigo 38 da Lei n°. 4.595, de 1964, sendo que estou grifando as expressões em relação as quais quero fazer considerações: § 3°. do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, em sua redação primitiva Artigo 38 da Lei n° 4.595/64, em sua redação primitiva "§ 3°. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1°. As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que deles não poderão servirse para fins estranhos à mesma. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 20 _________ 19 Inequivocadamente, as expressões acima grifadas possuem a mesma natureza. Conferem aos administrados a garantia de que, salvo por ordem judicial, toda e qualquer movimentação bancária feita na vigência de tais normas, em momento algum será utilizada para quaisquer fins, que não os previstos nas leis vigentes na época em que ocorreram os depósitos bancários. Sabidamente as leis existem e produzem efeitos até que norma subseqüente, de idêntica hierarquia, as revogue. Entretanto, é preciso que se tenha presente que a lei que vier modificar norma anterior destinase a regular os atos da vida que se efetivarem a partir de sua vigência. Imaginar que a lei nova tenha eficácia para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada é o mesmo que admitir que a norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Concluindo que o § 3°. do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, é norma de natureza material que confere aos administrados o direito de que ninguém irá investigar suas movimentações financeiras, salvo por ordem judicial, em razão da divergência jurisprudencial, ora o STJ julgando na esteira do Recurso Especial n°. 608.053 entendendo que a Lei Complementar n°. 105, de 2001 e a Lei n°. 10.174, de 2001, não têm aplicação a fatos ocorridos antes de sua vigência, "sob pena de violar o princípio da irretroatividade das leis", ora julgando na linha seguida no Recurso Especial n° 668.012, decidido por voto de desempate da Ministra Denise Arruda, admitindo a aplicação retroativa das leis aqui citadas, tramitando ainda, junto ao Supremo Tribunal Federal as Ações Diretas de Inconstitucionalidade de n° 2406; 2397 e 2390, cabenos fazer algumas considerações em relação aos argumentos utilizados por aqueles que admitem a aplicação das referidas leis para investigar fatos ocorridos antes do início de sua vigência que, em síntese, assim sustentam o entendimento que defendem: A Lei n°. 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n°. 105, de 2001, que introduziram, respectivamente, alterações nos artigos 11, § 3°. da Lei 9.311, de 1996 e artigo 38 da Lei 4.595, de 1964, ampliaram as hipóteses de prestação de informações bancárias, permitindo a utilização de dados a partir da arrecadação da CPMF para a apuração e constituição de crédito referente a outros tributos. Havendo ampliação dos poderes em busca de informações, à luz do artigo 144, § 1°., a seguir transcrito, tratamse de normas de natureza instrumental. Art. 144..... § 1° Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Na linha do entendimento liderado pelo Des. Fed. Wellington Mendes de Almeida, do TRF da 4a. Região, atualmente aposentado, "mostrase destituído de fundamento constitucional o argumento de que o art. 144, § 1°, do CTN, autoriza a aplicação da legislação posterior à ocorrência do fato gerador que instituiu novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ao lançamento do crédito tributário, visto que este dispositivo referese a prerrogativas meramente instrumentais, não podendo ser interpretado de forma colidente com as garantias de inviolabilidade de dados e de sigilo bancário, decorrentes do direito à Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 21 _________ 20 intimidade e à vida privada, elencadas como direitos individuais fundamentais no art. 5°, incisos X e XII, da Constituição de 1988". Aos fundamentos anteriormente transcritos, destaco que é preciso se ter presente que toda a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Na linha do que colocamos anteriormente, quando o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, garantiu aos correntistas a inviolabilidade do sigilo bancário, salvo mediante determinação judicial, dita norma outorgou aos administrados garantia de natureza material. Idêntico entendimento aplicase em relação ao § 3°. do artigo 11 da Lei 9.311, de 1996. Não se pode dizer que o citado dispositivo possuía natureza instrumental. Tratavase de norma de caráter material que limitava o poder do Estadosoberano frente ao indivíduo. A limitação do poder do EstadoAdministração frente ao cidadão é para este uma garantia de natureza material que, se violada, legitima o ofendido a recorrer ao Judiciário, usandose para tal as normas de natureza instrumental como, por exemplo, o mandado de segurança. A Lei n° 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n° 105, de 2001, ao admitirem a utilização de dados bancários a partir da arrecadação da CPMF para a apuração e constituição de crédito referente a outros tributos, não possuem natureza instrumental porque extinguiram direito de natureza material que conferia aos contribuintes a segurança que, durante a vigência das normas que resultaram modificadas, salvo por decisão judicial, não seriam utilizados os dados referentes às operações bancárias para exigência de qualquer tributo além da CPMF. A propósito do assunto, o ilustre advogado paulista José Antônio Minatel, em recurso patrocinado junto à Segunda Turma do Primeiro Conselho, enfrenta o tema com a seguinte precisão: "Com efeito, a Lei n° 10.174/01 revogou expressamente a proibição contida na Lei n° 9.311/96, criando novo direito para a Administração tributária. Logo, verificase que o ordenamento posterior não se amolda ao contexto delimitado no § 1°. do artigo 144 do Código Tributário Nacional, pois a inovação legislativa não ampliou os poderes de fiscalização préexistentes, mas sim trouxe novo poder de investigação para as autoridades administrativas, permitindo a utilização de dados da CPMF para a constituição do crédito tributário, quando na legislação anterior tal procedimento era expressamente proibido." Ademais, registrase que movimentação financeira, por si só, não é fato gerador do imposto de renda. Assim, em oposição aos utilizam o § 1°. do art. 144, do CTN, para justificarem a retroatividade da Lei n°. 10.174 e da Lei Complementar n°. 105, ambas de 2001, para investigar a existência de outros tributos que não a CPMF, ao meu sentir, precisariam identificar, de forma prévia, a ocorrência do fato gerador, pois o artigo 144 § 1°, do CTN, faz referência "a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação". Ora, se o depósito bancário, não é fato gerador do imposto sobre a renda, não se pode falar em ocorrência de fato gerador para justificar a aplicação retroativa de tais normas. Até o presente momento, em busca de síntese, fugi das citações doutrinárias, entretanto, em face da pertinência ao tema, não posso deixar de citar artigo de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, publicado na Revista da Faculdade de Direito da UNG Vol. 1 1999, pág. 197, sob o título ANOTAÇÕES SOBRE O DIREITO ADQUIRIDO DO ÂNGULO Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 22 _________ 21 CONSTITUCIONAL, texto este também existente no CD Júris Síntese IOB, n. 57, da Editora Thomson IOB, de onde transcrevo a seguinte paisagem: 2. A lei no tempo Como primeiro passo, registrese o óbvio. Consiste ele em apontar que, ao tornarse obrigatória, a lei incide no tempo. Ora, ao fazêlo, ela "divide" o tempo em relação ao seu império. Separa o passado, anterior a ela que então não vigorava, de um novo período, presente, e futuro de duração indefinida, que persistirá enquanto ela vigorar. 6. Revogação Esta é o ato por que deixa de existir uma lei, ou uma norma (embora tecnicamente se fale em derrogação quando é colhida pela "revogação"parcial) apenas uma ou algumas normas da lei até então em vigor. A revogação concerne, pois, à existência da norma. Em princípio, findando a existência da norma, cessa a sua eficácia, mas nem sempre, porque pode ocorrer a ultratividade de suas regras. .... 11. Fundamentos da irretroatividade A principal razão que justifica a irretroatividade é ser ela necessária à segurança jurídica. De fato, esse princípio assegura que um ato praticado em determinado momento, de acordo com as regras então obrigatórias, será considerado sempre válido, mesmo que mudem as normas legais. Em conseqüência, os direitos e as obrigações que dele decorrem também serão considerados como tendo valor. Outra razão é de índole lógica. Já está nas Novelas de Justiniano, segundo o recorda Carlos Maximiliano: 'Será absurdo que o que fora feito corretamente seja pelo que naquela época ainda não existia, posteriormente mudado.' .... 14. Exceção à irretroatividade Há, porém, uma exceção à irretroatividade, sobre a qual não existe controvérsia. Tratase da irretroatividade da "lei mais branda", ou in melius. Conforme escreve Roubier, citado por Manoel Gonçalves Ferreira Filho no artigo anteriormente apontado, se a lei pretender aplicarse a situações em curso será preciso estabelecer uma separação entre as partes anteriores à data da mudança da legislação, que não podem ser atingidas sem retroatividade, e as partes posteriores, para as quais a lei nova, pode ser aplicada. Nesta linha de raciocínio, concluise que as Leis n°. 10.174 de 2001 e a Lei Complementar n° 105, de 2001, ao serem aplicadas, devem estabelecer a separação entre os períodos posteriores a 10 de janeiro de 2001, data que entraram em vigor, e os períodos anteriores a 10 de janeiro de 2001, época em que o artigo 38 da Lei n°. 4.595, de 1964 e o § 3°. do artigo 11 da Lei n°. 9.311, de 1996, conferia aos jurisdicionados a garantia material de inviolabilidade de seus dados bancários, salvo, no último caso, para fins de cobrança da CPMF. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 102049.366 CC01/C02 Fls. 23 _________ 22 Para este conselheiro, com a devida vênia dos que pensam em contrário, conforme observado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR. "a doutrina da irretroatividade serve ao valor da segurança jurídica: o que sucedeu já sucedeu e não deve, a todo momento, ser juridicamente questionado sob pena de se instaurarem intermináveis conflitos. Essa doutrina, portanto, cumpre a função de possibilitar a solução de conflitos com o mínimo de perturbação social. Seu fundamento é ideológico e se reporta à concepção liberal do direito e do Estado." Na mesma linha dos fundamentos até aqui expostos, das lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, colhese a seguinte lição: "...a regra superveniente regula situações presentes e futuras. O que ocorreu no tempo transado está a salvo de sua incidência. Em suma, porque visa reger aquilo que ora existe ou que ainda vai existir, não atinge o que já sucedeu. Respeita fatos e situações que se criaram no passado e cujos efeitos nele se esgotaram ou simplesmente se perfizeram juridicamente. Com isto em nada se afeta aquilo que já se passou e comodou na poeira dos tempos, ressalvada uma possível retroação benéfica." (In. Ato Administrativo e Direitos dos Administrados. Ed. Revista dos Tribunais, 1981, p. 112). Pelo exposto, entendo que "apenas a partir da vigência da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, é possível o acesso às informações bancárias do contribuinte na forma instituída pela Lei n° 10.174/2001, ou seja, sem a requisição judicial. A aplicação desse conjunto de normas para a obtenção de dados relativos a exercícios financeiros anteriores sem autorização judicial, implica ofensa ao princípio da irretroatividade das Leis. Assim, não pode a autoridade fazendária ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.01, como preconiza a Lei Complementar n° 105/01, sem o crivo do judiciário." Assinado Digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digital mente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000112/96-35
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: MULTA DE OFÍCIO - MERCADORIA DESEMBARAÇADA SOB
TUTELA JUDICIAL - Desembaraçada mercadoria por força de
liminar concedida em Mandado de Segurança em razão de
divergência de alíquota. Cabíveis as penalidade em vista da
falta de parte de crédito tributário devido.
Recurso de divergência desprovido.
Numero da decisão: CSRF/03-03.183
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de divergência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartok (Relator), e Paulo Roberto Cuco Antunes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Holanda Costa.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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CÂMARA DO 3° C. CONTRIBUINTES SESSÃO DE :08 de maio de 2001 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-03.183 MULTA DE OFÍCIO - MERCADORIA DESEMBARAÇADA SOB TUTELA JUDICIAL - Desembaraçada mercadoria por força de liminar concedida em Mandado de Segurança em razão de divergência de alíquota. Cabíveis as penalidade em vista da falta de parte de crédito tributário devido. Recurso de divergência desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GIL UCHOA TEIXEIRA. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de divergência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartok (Relator), e Paulo Roberto Cuco Antunes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Holanda Costa. -• SON PERr5tODRIG S PRESIDE/ ' / J* • * HO • NDA COSTA ELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM 27 FEV 2002 , • • ... " PROCESSO N° : 10907.000112/96-35 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.1 B3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR DE MEDEIROS MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e HENRIQUE PRADO MEGDA . 2 . . • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 RECURSO NR. : R01302-0.365 RECORRENTE: GIL UCHOA TEIXEIRA RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado contra a Recorrente, no qual se exige diferenças do crédito tributário a título de Imposto de Importação, artigos 99, 100, 220, 499 e 542 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.° 91030/85, Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, artigos 55, I "a"; 63, I "a" e 112, I do RIPI/82, mais multa de ofício prevista no artigo 4°, I da Lei n°.8218/91 e 364, II do RIPI/82 mais os acréscimos legais, por ter desembaraçado o bem objeto da Declaração de Importação n.° 005915, com redução de impostos, amparado por liminar concedida no Mandado de Segurança n.° 95.0005633-0. Importante observar-se que, posteriormente o ora Recorrente, foi excluído do Mandado de Segurança n.° 95.0005633-0, por estar comprovada a litispendência, perante a 2° Vara da Justiça Federal no Mandado de Segurança n.° 95.0005788-7, que trata do mesmo assunto e que deste desistiu expressamente conforme documento de fls. 50, interpondo recurso junto ao Tribunal Regional Federal no que fora excluído. A Recorrente instrumentalizou tempestiva Impugnação de fls. 21/28 desenvolvendo a tese de que, ainda não transitou em julgado a sentença denegatória da liminar, sendo ilegítima a exigência formulada pelo autuante e por ferir o disposto no artigo 5°, XXXVI da Constituição Federal, combinado com artigo 6° "caput" § 1° da Lei de Introdução ao Código Civil, não podendo subsistir a referida autuação. 3 • . • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 • Além disso, o Tribunal Regional Federal da 40 Região, tem acatado a tese defendida pelo impugnante, havendo a probabilidade de ser reformada a sentença, desta forma, apresenta a impugnação apenas por a cautela', argüindo não ter ficado demonstrado o critério adotado para o cálculo dos valores apresentados no Auto de Infração. A decisão de primeira instância manteve o lançamento tributário na íntegra, por entender que o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 03/96 consideram a exigência definitiva ,acrescido a isso o fato de que, proposta judicialmente a ação, importa renúncia da esfera administrativa e não ter o Recorrente , "impugnado expressamente matérias fáticas diferentes das contidas na ação judiciar. Tendo tomado ciência da decisão singular, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando a mesma tese da Impugnação, que o processo encontra-se u sub judice° e a diferença que está sendo exigida, não tem amparo legal, posto não ter cometido qualquer infração que deva sujeitar-se a sanção administrativa ou penalidade. A Fazenda Nacional apresentou suas contra razões requerendo a manutenção da decisão singular na íntegra. O acórdão da Colenda Câmara recorrida decidiu, através da • Resolução n.° 302-852, converter o julgamento em diligência, para esclarecer se já ocorreu o trânsito em julgado, quais as decisões definitivas proferidas bem como juntada de cópias das petições iniciais. Retornando os autos, após a realização da diligência, a Egrégia • Segunda Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, esta prolatou o Acórdão n.° 302- 4 . • • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 33.733, que por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, excluindo-se os juros de mora relativos ao período antecedente a cassação da liminar e por unanimidade de votos não conheceu do recurso com referência à exigência dos tributos, cuja ementa segue abaixo transcrita: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A opção pela via judicial importa em renúncia à via administrativa. - Na vigência da liminar, incabível a cobrança de juros moratórios RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.' Assim, o presente feito alçou a esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, para julgamento, em decorrência de Recurso Especial, interposto por GIL UCHOA TEIXEIRA, com fundamento no art. 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recurso Fiscal e do artigo 32 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovados pela Portaria n° 55, de 16.03.98, DOU 17.03.98. Consubstanciado no Acórdão n° 302-33.733, a Procuradoria da Fazenda Nacional, ofereceu suas contra razões ao Recurso Especial, requerendo seja mantida a decisão recorrida, negando-se provimento ao recurso especial de divergência. É o Relatório. 44. . - . . ... • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 VOTO VENCIDO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator O Recurso Especial foi devidamente aparelhado pela decisão divergente que trata da mesma matéria e que é de Câmara distinta da qual provem este feito, justificando a procedência da admissibilidade para apreciação desta Egrégia Câmara Superior decisões. Preliminarmente, entendo que a questão de a matéria de mérito ter sido apreciada judicialmente, não retira deste órgão a competência de apreciar as demais matérias que não foram objeto da discussão judicial, tais como juros de mora e multas. Se assim, este órgão, no que tange a matéria de mérito deve acatar a decisão judicial, transitada em julgado, ratificando a exigência dos tributos, segundo as aliquotas fixadas na norma individual e concreta, o que acarreta a verificação de recolhimento a menor dos impostos incidentes sobre a importação do veículo. Em relação à matéria divergente, razão do presente recurso, cabe ressaltar que se limita à aplicação das penalidades culminadas no art. 40, inciso I, da Lei n° 8.218/91 e no art. 364, inciso II, do RIPI. A MULTA DO ART. 4.0, I DA LEI 8.218/91 O direito penal (artigo1° do C.P.) e o direito tributário penal (artigo 97°, II, do C.T.N.) estão subordinados ao principio — que decorre do inciso XXXIX do artigo 5° da Constituição — da tipicidade da norma, i.e., o tipo de conduta ilegal deve estar 6 . _ . • • • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 • perfeitamente identificado na norma jurídica. "Nullum crimen nulla poena sine lege" é o brocardo que, na sua simplicidade, se insere na busca de justiça para o caso em julgamento. Assim, para aplicação da norma penal, deve o fato presumível encaixar-se rigorosamente dentro do tipo descrito na lei. No caso dos autos, a conduta dita como inadequada, e objeto da autuação, é o desembaraço aduaneiro, sob tutela judicial, com pagamento a menor dos tributos. No caso em tela, a situação fática da Recorrente não se enquadra no artigo 4°, inciso I, da Lei n.° 8.218191. Primeiramente pelo fato de a própria administração reconhecer a especificidade da aplicação da multa de ofício no Ato Declaratório Normativo - COSIT N.° 10/97: "não constitui infração punível com as multas previstas no artigo 40, da Lei n.° 8.218/91, de 29 de agosto de 1991 e no artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (Ex), desde que o produto esteja corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, p que não se constate em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do Declarante. Da análise cuidadosa da orientação da Fazenda Nacional às repartições fiscalizadoras e julgadoras, percebe-se que a conjunção "e", que grifei no 7 . _ . - • • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 texto acima, impõe que as condutas relacionadas como infratoras deverão estar acompanhadas do intuito doloso ou da má-fé. Cabe ressaltar que a norma em comento foi redigida com o fim de excluir do abundante rol dos contribuintes sujeitos à multa de oficio, aqueles que não tiverem agido com dolo ou má-fé. Ademais, também não se dá o enquadramento legal no que concerne a outras condutas que motivam a imposição da multa, isto é, a falta de declaração e a inexatidão desta, pois houve conteúdo declarativo suficientemente regular para a fiscalização lançar os tributos relativos à mercadoria nacionalizada. Contudo, não é de hoje que há invariável confusão entre as condutas de falta de recolhimento e de atraso de recolhimento. Tanto que entendi conveniente avançar a discussão nestes autos e trazer à baila a lição do Ex-Juiz Federal do Tribunal de Regional Federal da 5° Região Hugo de Brito Machado: "a) Multa por falta de recolhimento do tributo. Não é fácil distinguir a falta de recolhimento do atraso no pagamento do tributo. Se dissermos que o atraso se distingue da falta porque no primeiro o sujeito passivo, mesmo com atraso, paga por sua própria iniciativa, antes de qualquer ação fiscal, não se poderá cogitar da multa pelo atraso, eis que a denúncia espontânea exclui a responsabilidade. Entendemos, portanto, que a falta de pagamento do tributo somente se caracteriza pela situação em que o fato gerador da correspondente obrigação não é levado ao conhecimento do fisco. 8 . . . . _ . , • Processo n.° 10907.000112196-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 b) Multa por atraso no pagamento do tributo. É a multa que tem como hipótese de incidência a situação em que o sujeito passivo, havendo cumprido todas as suas obrigações acessórias, e tendo dado conhecimento ã autoridade administrativa da ocorrência do respectivo fato gerador, de sorte que esta fique com todas as condições de fazer o correspondente lançamento, não efetua ele o pagamento do tributo no prazo legal, ensejando a instauração de ação fiscal cujo objetivo, no caso, não é apurar, mas simplesmente cobrar o tributo." (in Caderno de Pesquisas Tributárias, n.° 4, Sanção Tributária, Resenha Tributária, São Paulo, 1979, p.250 e 251.) Com efeito, admitindo para argumentar pudesse uma lei genérica se sobrepor sobre uma lei específica, ou seja, a Lei 8.218/91 ser aplicável nas infrações às importações, ainda assim esta se resumiu a dizer laconicamente no seu inciso I ao art. 4° que as infrações por ela apenadas seriam as de falta de recolhimento, de falta de declaração e as de declaração inexata. Por outras palavras, ad argumentadum, pudesse ser possível penalizar o contribuinte com base na Lei 8.218/91, ainda assim os tipos delituosos teriam que ser rigorosamente aqueles citados no inciso I ao artigo 4°. Nem mais nem menos. A lei penal não admite interpretações que não sejam aquelas objetivas e restritivas decorrente do texto punitivo. O dispositivo penal-tributário não pode ser "uma norma penal em branco, que não contém em seu bojo a definição de uma conduta infracional típica ou específica. A abrangência e o alcance dessa norma penal ficariam inteiramente ao alvedrio da autoridade competente para aplicá-la. Citemos como exemplo o art. 526, IX do RA, é necessário que o fato apontado efetivame te 9 Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 afete, prejudique ou dificulte o controle administrativo das importações. A simples inobservância de regra formal, sem nenhuma repercussão no controle administrativo das importações, em termos concreto, não poderia sujeitar-se a uma penalidade correspondente a 20% do valor da mercadoria. De acordo com Damásio E. de Jesus, in "Comentários ao Código Penal", fato delituosos é aquele que se encaixa, se amolda à conduta criminosa descrita pelo legislador. Tipo é o conjunto de elementos descritivos do crime contido na lei penal. Conclui-se, após análise da norma legal transcrita supra, ser incabível a aplicação da penalidade de 100% sobre a diferença do 1.1. que deixou de ser pago, pelo fato de que a mesma é aplicável na falta de recolhimento das contribuições de modo geral, não sendo específica a hipótese de cabimento de 100% na falta de recolhimento do 1.1. Nesse ponto laborou bem o Eminente Conselheiro Levi Davet Alves que em seu voto em que prolata, cujo teor guarda verossimilhança com o caso presente: ' Sobre o que restou contestado, então, que se trata de matéria que não foi objeto de apreciação judicial, ou seja, os juros de mora e as multas, concluo que a multa prevista no art. 4 0, inc. I, da Lei n° 8.218/91, não é cabível para o caso em análise, e para isto nos apoiamos no Ato Declaratório Normativo (SRF) n° 36, 05/10/95 (atualizado pelo ADN COSIT n° 10, de 16/01/97), que, para situações análogas, esclarece sobre o incabimento desta pena quando a mercadoria foi corretamente declarada e classificada pelo importador. Acrescente-se que a matéria foi corretamente e classificada pelo importador. Acrescente-se que a matéria, ou seja a discussão judicial de qual alíquota seria devida por ocasião do registro da D.I., lo • . - Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 remanescia desde aquele momento, e muito embora tenha havido um lançamento de ofício, este apenas se caracterizou como formalizador da diferença de imposto pretendido pelo fisco, conforme já abordamos no quarto parágrafo deste voto? • DA MULTA DO ARTIGO 364,11, DO RIP!. Discute-se, ainda, a aplicação do o art. 364 do RIPI ao caso em julgamento, i.e., se aplica ou não à Declaração de Importação. • Sustentam uns que Dl é expressão sinônima de Nota Fiscal, e, por via de conseqüência, da espécie Nota Fiscal de Entrada. Dizem outros que não. Tendo razão os primeiros, a falta de lançamento ou recolhimento do imposto na Dl justificaria a aplicação de uma das penalidades previstas no art. 364 do Regulamento do IPI, conforme o caso. Assistindo razão aos segundos, penalidade alguma prevista nesse dispositivo seria aplicável ao caso em julgamento. Um dos argumentos invocados, pelos que identificam Dl e Nota Fiscal, com o objetivo de caracterizar uma infração neste caso, é o de que a Nota Fiscal de Entrada, prevista no RIPI, seria de preenchimento obrigatório, com a identificação dos produtos, quantidades, Tc ( ), bem como para a aliquota e lançamento do montante IPI pago, documento que regularmente emitido serviria, ao lado da declaração de importação, para escrituração nos livros. Acrescentam ainda que da leitura do Regulamento do IPI, permitiria concluir que o importador, quando contribuinte do IPI, é obrigado também a emissão da Nota Fiscal de Entrada, onde se exige o lançamento do imposto gago para o desembaraco aduaneiro." 11 . - Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 No entanto, em seguida, invocando o art. 215 do mesmo RIPI, alegam que a Dl veio substituir a °Nota de Importação" e, portanto, se "o lançamento do imposto era exigido na Nota de Importação, seria agora, devido na Declaração, e, ainda, que Nota Fiscal, Nota de Importação, Declaração de Importação, seriam todos espécies e sinônimos de °Documento Fiscal", assim considerado o destinado a recepcionar receitas que vão integrar as disponibilidades de caixa e constantes do orçamento fiscal da União. Estes acima são argumentos dos quais peço vênia para discordar por total ausência de substância e de coerência. Do primeiro, infere-se que o IPI deve ser lançado na Nota Fiscal de Entrada e na Dl. Contudo, o lançamento, como tal procedimento de que trata o art. 142 do CTN, efetua-se, data venia, somente na Dl. Com efeito, nos casos de importação, o lançamento do IPI se dá na Declaração de Importação, conforme dispõe expressamente, com todos os ff e rr, o art. 55, II, do RIPI e o seu pagamento no registro desta (art. 112 do RA). Por vezes as teorias da Ciência do Direito, idealizadas nas Universidades, em nada ajudam ao intérprete em sua função de aplicação do Direito. No entanto, pela nova teoria doutrinária do Prof. Paula de Barros Carvalho, titular das • cadeiras de Direito Tributário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP e da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo — USP/SP, verificamos que sua função exercer relevância na solução dos caos jurídicos, vez que insere-se profundamente nas estruturas do pensamento jurídico e do processo de transformação de um evento qualquer em um fato relevante para o Direito. Senão • vejamos. Qualquer evento do mundo fenoménico nada significa para o Direito se, antes, não for verbalizado, vertido em linguagem apropriada para que se torne um fato e, depois, um fato jurídico. 12 . . Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 Tal fato é, portanto, captado por uma linguagem que reconhecida pelo intérprete, pode subsumir-se ao tipo hipoteticamente idealizado por uma norma. Aí um fato jurídico, pois entendido como relevante pelo legislador e positivado. • Note-se que o mundo do Direito é um mundo de linguagem, que necessita de coerência e lógica quando da sua aplicação. Não é cabível ao direito silogismos que destruam o conteúdo da própria linguagem dando-lhe interpretações contraditórias. Por vezes as normas elegem os veículos e as linguagem que serão tecnicamente apropriados para verter o registro de um determinado evento em linguagem bastante para possibilitar a incidência e aplicação da norma. Não cabe ao intérprete escolher a linguagem que desejar para o registro de determinado evento, como, por exemplo, adotar outra forma de registrar o fato (hipoteticamente idealizado pela norma para exigência de tributos) da importação de mercadorias. A forma, nesse caso é prevista em lei. Há uma conduta que deve ser vertida em linguagem para que a autoridade administrativa a interprete como importação de mercadoria e, daí, atenda a um comando de uma norma funcional para aplicar a norma de tributação. A forma que a norma tributária elegeu para verter em linguagem a importação de mercadoria é a Declaração de Importação. Portanto, na importação de produtos estrangeiros nem o lançamento do imposto nem seu pagamento tem qualquer relação com Nota Fiscal alguma, seja de entrada seja de saída. A primeira, como se sabe, serve para acompanhar a mercadoria estrangeira (art. 257 do RIPI) e fazer o crédito no livro registro de entrada (art. 256, II, do RIPO, e a segunda diz respeito a saída de produto industrializado. 13 . . . e Processo n.° 10907.000112196-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 Aliás, se concebermos a possibilidade de interpretarmos como sinônimos as formas jurídicas Nota Fiscal, Nota de Importação, Declaração de Importação, corre-se o risco de desprestigiar a eleição legislativa e por conseguinte a função específica de cada documento ao rigor da formalidade jurídica. De nada servindo, ex vi legis, a emissão de nota fiscal para a importação e o desembaraço aduaneiro de produtos estrangeiros, não há porque identificar esta operação com o art. 364 do RIPI. Este dispositivo do RIPI trata de falta de lançamento de imposto na Nota Fiscal ou falta de recolhimento do imposto nela lançado. Esta Nota Fiscal é a Nota Fiscal de Saída, nunca de entrada. Realmente não pode ser a Nota Fiscal de entrada o documento de que trata o mencionado art. 364 pela simples razão de que ela não tem o escopo de recepcionar receitas, mas sim os definidos nos arts 256, II, e 257 do RIPI. De outra sorte, o art. 29 do RIPI elenca os dois fatos geradores do IPI: (I) o desembaraço aduaneiro do produto de procedência estrangeira e (II) a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. E no art. 55, inc. II, do mesmo diploma legal, diz que o imposto será lançado na D.I. quando se tratar de desembaraço de produto de procedência estrangeira (alínea "a") e "na Nota Fiscal, quanto aos demais casos" (alínea "c"). Assim, é o próprio RIPI que faz a distinção entre a D.I. e a Nota Fiscal, sendo que N.F. referida no mencionado art. 364 é a de saída, nada haver, portanto, com a N.F. de entrada que, como já dito, serve ao contribuinte para fazer o crédito no livro fiscal. . 4 14 • # • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 Por mais este ângulo, constata-se que o art. 364 não serve para apurar falta de lançamento de crédito na Nota Fiscal de entrada, nem na D.I.. Do segundo argumento chega-se a uma conclusão, ao meu ver, absurda pois ao definir Documento Fiscal (gênero) como o destinado a recepcionar receitas que vão integrar as disponibilidades de caixa e constantes do orçamento fiscal do ente tributante, impõe, por conseqüência lógica, que todas as suas espécies também terão que recepcionar receitas. Vejam, porém, o equívoco desta conceituação de documento fiscal, pois, seguindo esta linha de raciocínio, teríamos que chegar ao absurdo de considerar, também, a "Declaração do movimento de apuração do imposto" e o "Documento de prestação de informações adicionais de interesse da administração tributária" como reservados para recepcionar receitas, pois ambos indubitavelmente são "Documentos Fiscais", ex-vi do disposto no art. 225 do RIPI. Assim, a afirmação de "Documento Fiscal" é o destinado a recepcionar receitas para o Estado é totalmente equivocada e, no caso, mais ainda absurda quando constatada que a Nota Fiscal de entrada é emitida para "a entrada real ou simbólica de produtos estrangeiros, importados diretamente ( "caput" do art. 256 e inciso II, do RIPI) e "servirá ainda para acompanhar o trânsito dos produtos até o local do estabelecimento emitente" (art. 257 do RIPO. Na importação o documento próprio para recepcionar receitas, no caso o IPI, e logicamente o II, é a Declaração de Importação (art. 55, II, do RIPI) que não é, e nem nunca foi, sinônimo de Nota Fiscal de entrada, e nem tem a mesma função. Ao contrário daqueles que afirmam que "Documento Fiscal' destina-se apenas a recepcionar receita fiscal, a Nota Fiscal de entrada tem como escopo, também, além dos definidos nos arts. 256/257 do RIPI, documentar a escrituração, como crédito do contribuinte, do IPI pago na importação, ou seja, exatamente o contrário daquela tese. 15 Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 A alegação de que Nota Fiscal, Nota de Importação, Declaração de Importação seriam todos espécies e sinónimos de "Documento Fiscal" é igualmente disparatada porque "espécies" não têm sempre nem necessariamente tratamento igual. A receptação e o abandono de incapaz são espécies de crime; no entanto, cada uma delas tem a sua pena própria. E isso se repete monótona e exaustivamente em todo sistema jurídico. Quanto a sinónimos, há os perfeitos e os imperfeitos. Aquele argumento, por conseguinte, é inconcebível para que se puna alguém sem prévia cominação legal, mandando às urtigas o princípio da tipicidade da norma. Se faltou um dos elementos do fato típico, e no caso, sem dúvida faltou, "a conduta passa a constituir um indiferente tipo penal. É um fato atípico." (DAMÁSIO E. DE JESUS, in "Comentários ao Código Penal" 1' volume, Saraiva, 15' edição, p. 197). Invocam também os que defendem a aplicação do art. 364, ao processo em causa, o § 4° desse mesmo dispositivo legal. Dispõe o mencionado parágrafo: "As multas deste artigo aplicam-se ainda, aos casos equiparados por este Regulamento, à falta de lançamento ou de recolhimento do imposto, desde que, para o fato não seja cominada penalidade específica." Surge então a pergunta: - o RIPI equiparou a hipótese objeto deste processo a algum caso de falta de lançamento ou de recolhimento nele, RIPI, previsto? • NÃO. Logo, é absolutamente inócua a alusão ao mencionado § 4°. Não somente não aludiu o supra citado art. 364 à Declaração de Importação ou ao nome genérico Documento Fiscal como o seu referido parágrafo simplesmente em nada aproveita à esdrúxula tese de que alguma multa do "caput" poderia aplicar-se à falta de 4 . • • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 lançamento ou de recolhimento do imposto. O que pretendem, na realidade, aqueles defensores da idéia de que, referindo Declaração de Importação, está-se mencionando Nota Fiscal, é nada mais nada menos do que a imposição de multa por analogia, o que configura verdadeira aberração em matéria tributária. Se um ato administrativo criou um documento novo — a Dl —, • repugnaria, aí sim, às mais elementares normas de interpretação e ao próprio Direito, que se pinça-se, da lei, uma multa nela não prevista nem expressa nem implicitamente, para aplicar-se essa multa inexistente à hipótese de não utilização do novel documento. Imagine-se a caótica situação a que nos levariam o cultivo e o emprego cotidiano de tal idéia no direito e, em particular, no tributário e no penal! • Se a interpretação correta de uma lei beneficia um setor de atividades em detrimento de outro, corrija-se urgentemente essa a lei, mas não se queira, por isso, criar um monstro jurídico que mais cedo mais tarde devoraria, um por um, todos os direitos individuais e coletivos protegidos pela nossa Constituição. • Não há teoria, não há mandamento, não há preceito, não há regra jurídica capaz de sobrepor-se à finalidade do Direito, que é promover justiça e seouranca Senão, como se explicaria que os direitos prescrevem? Como se explicaria que uma pessoa possa reclamar hoje contra uma injustiça que sofreu e que, passado determinado prazo, não possa mais? É justamente a satisfação do ideal de segurança. "Dizemos que um povo atingiu a ordem jurídica, quando todos os conflitos de interesse que podemos prever naquele povo estão submetidos à ação reguladora de normas universais de comoosicão. (. 4 Desde o momento em que haja norma jurídica, temos então assegurada a coexistência de cada um, pois que a sociedade vive no gozo daquela segurança e daquela iustica que só a ordem jurídica code 17 • - Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 (SAN TIAGO DANTAS, aula publicada no livro "Programa de Direito Civil', Editora Rio, 1977, ps. 37/38). Exclua-se o ideal de segurança do conjunto de leis de um determinado país, e teremos neste país uma sociedade em que certamente não haverá ordem jurídica, e, sim, ordem social que se baseia num critério de composição, mas na qual "faltam as normas universais de composição de conflitos e, por isto, esta sociedade não atingiu o nível de ordem jurídica." (Ainda o saudoso e notável professor, livro e editora citados, p. 38). Mais não se precisaria dizer para lembrar que assertivas confusas e inconsistentes, atiradas quase ao acaso, não podem prevalecer, menos ainda interpretações que o legislador não quis dar a lei, porque salta aos olhos que a palavra, o bom senso e a lógica unem-se para repudiá-las. "Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e deste modo encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto idéias apenas existentes no próprio cérebro ( )." (CARLOS MAXIMILIANO, na sua grande obra "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 9, edição/ Y tiragem, Forense, Rio, 1984, p. 103). Pressupõe-se ter havido o maior cuidado ao redigir as disposições em que se estabelecem impostos e taxas, designadas, em linguagem clara e precisa, as pessoas e coisas alvejadas pelo tributo, bem determinados os modos, o lugar e tempo do lançamento e da arrecadação, assim como quaisquer outras circunstâncias referentes à incidência e à cobrança. Tratam-se as normas de tal espécie como se foram rigorosamente taxativas; deve, por isso, abster-se o aplicador de 18 atlà . • • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 lhes restringir ou dilatar o sentido. Muito se aproximam das penais, quanto à exegese: porque encerram prescrições de ordem pública, imperativas ou proibitivas, e afetam o livre exercício dos direitos patrimoniais. Não suportam o recurso à embata . nem a interpretação extensiva - as suas disposições aplicam-se no sentido riaorosot estrito." (Autor, obra, edição, tiragem, editora, cidade e ano citados, p. 332). (Nossos os grifos). A fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixona, de sorte que vislumbra no texto idéias apenas existentes no próprio cérebro, constituem mero acidente psíquico na sua mente. Presume-se que a ciência procede por via de comunicação e que esta deve assegurar, necessariamente, a normal comunicação de conhecimentos. Mas ocorre que, sob o nome de ciência, anda misturado a uma boa dose de opiniões e crendices. (YVES SIMON, na sua monumental obra "Philosophy of Democratic Govemment", The University of Chicago Press, Chicago & London, p. 20). Ademais, como muito bem advertiu EROS ROBERTO GRAU no seu artigo "A Interpretação do Direito e a Interpretação do Direito Tributário", in "Estudos de Direito Tributário", livro publicado em homenagem à memória do grande e saudoso jurista GILBERTO DE ULI-lbA CANTO, Forense, Rio, 1998, p. 128: 'A existência de diversos cânones de interpretação, agravada pela inexistência de regras que ordenem, hierarquicamente, o seu uso (ALEXY 1.983/25 e 237), importa em que esse uso, em verdade resulte arbitrária. Esses cânones funcionam como justificativas a legitimar resultados que o intérprete se predeterminara a alcançar, cujo alcance não é porém mediante o seu uso determinado. Funcionam como reserva de recursos de argumentação em poder dos intérpretes — e, 19 . „ Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 ademais, estão sujeitas, também, a interpretação (ZAGREBELSKY 1.990/71). Como nada fazem senão prescrever um determinado procedimento de interpretação, eles não vinculam o intérprete (HASSEMER 1.985/74). Em suma, a insubsistência dos métodos de interpretação decorre da inexistência de uma meta-regra ordenadora da aplicação, em cada caso, de cada um deles? Essa meta-regra é que vem sendo simplesmente ignorada pelos patronos da imposição de uma penalidade a casos iguais ao da Recorrente sob o argumento de que todos são iguais perante a lei. Mas esquecem o resultado arbitrário dessa imposição, literal e isoladamente interpretada, fazendo tabula raza (a) da norma prevista no inciso II do art. 5° da Constituição Federal "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de ler; (b) da norma contida no § 1° do art. 108 do CTN 'o emprego da analogia não poderá resultar na exigência do tributo não previsto em ler, e, por mais forte razão, na exigência de multa não prevista; (c) do disposto no art. 111 do mesmo CTN "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida, quanto: I - à capitulacão legal do fato. II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação"; (d) do juízo prudencial, ou seja, o de que, se todas as regras devem entender -se "em igualdade de condições", por isso mesmo é imperioso "ponderar o conjunto das circunstâncias. Podem estas, às vezes, obrigadas a dar preferência a um dever ou um direito inferiores."(RÉGIS JOLIVET, no seu tratado de "Moral", 1966, Agir, Rio, p. 124); (e) da equidade que "corrige constantemente os efeitos de uma concepção literalista dos direitos e dos deveres, e opõe-se diretamente ao formalismo e, ainda mais, ao farisaísmo aue da lei, só retém a materialidade. em detrimento do esplrfto." (Autor, obra, ano e editora citados, p. 123); e, (f) "olvidando ainda o fato de que as conclusões zo • • . , Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 tiradas pelo direito positivo e promulgadas sob a forma de leis acompanhadas de sanções, evidentemente tiram o seu valor principal do rigor com que derivam dos princípios do direito natural." (Ainda o autor, obra, ano, e editora citados, p. 117). (Nossos os grifos). Mas, não sendo o direito natural tão extenso quanto o direito positivo, cujo poder deriva, em grande parte, da mente do falibilíssimo ser humano, este introduz em suas leis maior ou menor margem de contingências, mesmo visando a aplicar os princípios do direito natural aos casos particulares. Partindo dessas premissas, todas da maior relevância para a correta solução deste caso, e a maioria delas sem sombra de dúvida inobjetável não se pode, enfim, (a) ignorar a segurança, uma das duas finalidades do Direito; (b) pretender punir quem a lei não pune, "em nome" da isonomia; (c) considerar não escrito o que determina o inciso II do art. 5° da nossa Lei Maior; (d) esquecer normas do Código Tributário Nacional; (e) olvidar o juízo prudencial; e, como se não bastasse, (f) reduzir a equidade à expressão mais simples. Há, como sabe, de sobra, o bom intérprete, um mundo de princípios, de idéias, de conceitos, de regras, de conveniências, de metas e de circunstâncias, que se deve pesquisar e examinar, sempre com zelo extremo, para extrair-se a meta-regra dessa árdua e indeclinável tarefa de decifrar o sentido de um dispositivo legal obscuro, impreciso, falho (aqui por extravasamentos, ali por compressões), ou imperfeito, seja porque outra razão. Neste processo, havendo, como se demonstrou à saciedade, uma infinidade de motivos, para não se inserir, no texto do art. 364 do RIPI, uma penalidade que o legislador não inseriu, e, além do mais, nada justificando se recorra, à isonomia, para punir a Recorrente, antes de mais nada porque o que esse princípio impõe "é tratamento igual aos realmente iguais", o que não se verifica no caso. ) podem ocorrer injustiças, pela inobservância do princípio da isonomia, tal como explicado acima. Nesse caso, porém, somente a lei poderá corrigi-las, pois qualquer interferência do Judiciário nesta 21 . • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 matéria constituiria usurpacão de atribuições do Legislativo, consoante vêm decidindo reiteradamente nossos Tribunais e, finalmente, sumulou o STF, nestes termos: 'Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia." (HELY LOPES MEIRELLES, no seu livro "Direito Administrativo Brasileiro", 5' edição, Editora Revista dos Tribunais, SP, 1977, ps. 435/436). Por aí se vê que o princípio da isonomia não é um privilégio absoluto, não tendo, conforme súmula da nossa Corte Suprema (339), o condão de conceder benefícios, como, por exemplo, o de aumentar salários de servidores públicos. Logo, não pode fazer as vezes do Legislativo, instituindo ou aumentando tributos, nem, por mais forte razão criando e cobrando penalidades fiscais. Assim, existindo tão somente elementos de convicção contrários à idéia de o art. 364 do RIPI prever qualquer penalidade para o caso deste processo, seria erro clamoroso deixar de levar na devida conta tudo o que se mostrou acima para, abandonando caprichosamente a clara expressão da lei, aplicar-se, à Recorrente, a multa de que trata o inciso II do citado dispositivo. "O repúdio da fórmula explicita - lembrou M. RUMPF, in "Gesetz und Richter", 1906, p. 78 - constitui um perigo para a estabilidade do Direito, segurança jurídica; ( ). A ousadia do hermeneuta não pode ir ao ponto de substituir uma norma Por outra." (Nossos os grifos). Mas não é só. O próprio CTN "dispôs, por outras palavras, que, em relacão às penalidades, observe-se o caráter restrito das leis penais, infenso - salvo opiniões 22 • Processo n.° 10907.000112/96-35 Acórdão n.° CSRF/03-03.183 isoladas - à analogia. A máxima in dúbio pro teu vale aqui também." • (Nossos os grifos) (ALIOMAR BALEEIRO, na sua obra "O Direito Tributário Brasileiro", 9° edição, Forense, Rio, 1977, p. 407). Em face de todas essas considerações, voto no sentido de afastar a imposição das multas previstas nos artigos 4 °, inciso I, da Lei n° 8.218/91 e, 364, inciso II, do RIPI, por inaplicável a hipótese sub judice. Sala das Sessões, 08 de maio de 2001. N320---N 1/2BART I 23 E. , . .. . • PROCESSO N° : 10907.000112/96-35 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.183 VOTO VENCEDOR Conselheiro JOÃO HOLANDA COSTA, Relator Trata-se de mercadoria para cuja importação o contribuinte se amparara em medida liminar a fim de pagar o imposto de importação a uma aliquota menor do que a prevista na legislação de regência. Posteriormente foi cassada a liminar, mas em face da apelação, o processo judicial continua até o julgamento do mérito. O contribuinte encontra- se assim aguardando a decisão sobre a matéria "sub judicia". A decisão da douta Segunda Câmara do 2° Conselho de Contribuintes foi para manter a exigência das multas do art. 4° inciso I da Lei 8218/91 e do art. 364, inciso II do RIPI. De fato, entendo que são devidas as penalidades, uma vez que não estando tal parte do crédito tributário "sub judies" e sendo devidas as penalidades em face da cassação da medida liminar, não há para o contribuinte como fugir desta obrigação. Voto para negar provimento ao recurso de divergência. Sala de Sessões, 08 de maio de 2.001 AIJOÃO NDA COSTA 24 - Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13634.000137/87-11
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRF - DECORRENCIA - NULIDADE DA DECISÃO DE
PRIMEIRA INSTANCIA.
Sendo anulada a decisão do processo matriz,a
mesma orientação deve ser seguida no decorrente.
Numero da decisão: 103-08.495
Decisão: ACORDAM Os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau
Nome do relator: Dícler de Assunção
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MINISTÉRIO DA FAZENDA MFCT Simão de 08 de julho de 19 88... ACORDA° N...1037:08.495. Recurso n. • 50.232 - IRF - ANOS DE 1984 a 1987 Recorrente MADEIREIRA MUCURY LTDA Recorrld DRF em GOVERNADOR VALADARES - MG IRF - DECORRENCIA - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. Sendo anulada a decisão do processo-matriz,a mesma orientação deve ser seguida no demi-1-m_ te. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MADEIREIRA MUCURY LTDA. ACORDAM Os Membros da Terceira Cãmara do Primeiro Con_ selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau. Sa , i das Sess5es-DF., O de julho de 1988. I i DA SILV CABRAL - PRESIDENTE i1& D ilD • E ASSUN 'Oígé 'E • I - RELATOR VISTO EM mPàIZ C 0 IV - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO SESSÃO DE: 1 6 MAR 1989 NAL _ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: AMAURY JOSÉ DE AQUINO CARVALHO, IARGIO RIBEIRO, FRANCISCO XA- VIER DA SILVA GUIMARÃES, CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, RICHARD ULRICH KREUTZER e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. /L SERVIÇO MOUCO FEDERAL Processo n9 13634/000.137/87-11 Recurso ri (50.232 Acórdão n9 103-08.495 Recorrente: MADEIREIRA MUCURY LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (f is. 46/63) ã de- cisão de primeira instância do Sr. Delegado da Receita Federal em Governador Valadares-MG (f is. 40/42) que, referendando os ter mos da informação fiscal prestada (f is. 34), houve por bem em julgar improcedente a impugnação oferecida pela contribuinte (fls. 04/31) a auto de infração contra si lavrado (fls. 01), em virtude de tributação reflexa na fonte (Decreto n9 2065/83, art. 89), por omissão de receita operacional, caracterizada por pas- sivo fictício e suprimentos de caixa, nos anos de 83, 84 e 86. A empresa, tanto em sua impugnação (E is. 04/31), quanto em seu recurso (E is. 46/63), repetiu as mesmas alegações produzidas no processo matriz (n9 13634/000.136/87-58), quais se jam: a) Sua escrita comercial revestir-se-ia de todas as formali_ dades e requisitos legais exigidos, não se enquadrando nas hipóteses dos artigos 157, § 19 e 158 do RIR/80; b) A contabilização "a posteriori" da duplicata, o que te- ria caracterizado passivo fictício, segundo o fico, só ocorrera devido ao seu desparecimento temporário; c) O aumento de seu capital seria consequância da necessida de de aumento do capital de giro, além de já disporem os sócios créditos devidamente contabilizados junto ã mes- ma; d) Descreveu as sucessivas alterações de capital, salientan do que o seu instrumento considerou o valor das cotas dos sócios como se fossem là vista, omitindo parte do de- senvolvimento das operações de aumento de capital.Porém j' 4" SERVIÇO PÚBLICO FEDEIUL Processo n9 13634/000.137/87-11 2. Acórdão n9 103-08.495, não teria a transação sido comprometida; e) Concorda que há uma base tributável, mas de Cr$ 1.200.000, correspondente à quitação de dois de seus sócios, e não de Cr$ 3.000.000, como pretende o fisco; f) Os empréstimos realizados no exercício de 87, ano base de 86, originaram-se e extinguiram-se no mesmo período- -base e, como conseqüência, já teriam sido tributados; g) Por fim, requereu o cancelamento da exigência fiscal, protestando pela produção de prova documentale pericial. Com relação â tributação reflexa na fonte, a em- presa, citando o art. 89 do Decreto n9 2065/83 e a Instrução Nor mativa SRF n9 54/84, concluiu que, à época da ocorrência do fato gerador de uma glosa (Janeiro e Abril de 83), ainda não vigia tal dispositivo legal. A informação fiscal (fls. 34) propôs que a esse processo decorrente fosse reservado o mesmo tratamento danatriz. A autoridade monocrática, obedecendo ao princípio da decorrência, considerou integralmente procedente o crédito tri butãrio (fls. 40/42). Inconformada com a decisão, a contribuinte inter pós recurso (fls. 64/88), cujos fundamentos já foram expostos. Este, o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 13634/000.137/87-11 3. Acórdão 1W 103-08.495 VOTO Conselheiro DICLER DE ASSUNÇÃO, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 46/63), deverdb, pois, ser conhecido. Preliminarmente, há que se ressaltar a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento ao direito de defesa. • Na sua peça impugnatória, ao final (fls. 12) a em presa, expressamente, protestou pela "produção de todas provas em direito admitidas, especialmente a documental e pericial que, ad cautelam, requeridas ficam." Entretanto, examinando a informação fiscal (fls. 33/34), bem como a decisão monocrâtica (fls. 40/42), não se per- cebe, em momento algum, qualquer mencão a tal requerimento. É entendimento pacifico nesssa Giumra(ac.103-04.557, de 09.06.82; ac. 103-05.829, de 17.10.83) que o pedido expresso de perícia e/ou diligência da contribuinte deve, necessariamente, ser apreciado pelo dr. Delegado, por força do art. 17 do Decreto 70.235/72. não se exige o seu deferimento; contudo, a autoridade singular está obrigaaa a se pronunciar a respeito do requerimen- to, o que não se verificou no caso concreto. Além, cumpre observar que se trata de um processo decorrente, por tributação reflexa na fonte. Dessa forma, a deci são dos autos principais pode se estender nestes. Pelo Acórdão n9 103-08.494 de 04.07.88, essa Cima ra declarou nula a decisão de primeira instância do processo ma- triz, eis que a autoridade julgadora singular não se pronunciou sobre o pedido de prova pericial da empresa. Face ao exposto, pelas razões preli inares e em 61 * SERVIÇO POOL/C0 FEDERAI. Processo n9 13634/000.137/87-11 4. Acórdão n9 103-08.495 observância ao princípio da decorrência, voto no sentido de co- nhecer do recurso, por tempestivo, e declarar nula a decisão de primeira instância (f is. 40/42), para que outra seja prolatada na devida forma. Bras: ia-DF., 06 de julho de 1988. fill À / J., D 41/11 1. hit.UN 0 - RELAT R MFCT. Page 1 _0069900.PDF Page 1 _0070100.PDF Page 1 _0070300.PDF Page 1 _0070500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10240.000931/2003-90
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3102-000.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTOs.4,r-rattjt.. Processo n° 10240.000931/2003-90 Recurso n° 137.418 Resolução n° 3102-00.047 - 1' Câmara / r Turma Ordinária Data 22 de maio de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Leme Empreendimentos e Participações Ltda. Recorrida DRS-Recife/PE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 1 / \'' ç-f-Itét9‘2-1. IS L A T " : •JANO DA140RtM. - PresidenteML..., 1,N, f OkikzgirY/0 • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA _QP/L eiatogniLCMA00 EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Processo n0 10240.00093112003-90 53-C IT1 Resolução n.' 3102-00.047 Fl. 168 Relatório Trata-se de retomo de diligência determinada por este Colegiado, na qual foram acostados aos autos diversos documentos novos. Dentre os documentos trazidos aos autos, como resultado da referida diligência, aponto que estão aqueles de fls. 158/159 e 162/165, entretanto, apesar dos mesmos terem sido carimbados com os dizeres "DRF — PORTO VELHO — RO CONFERE COM O ORIGINAL Em / / " não consta qualquer referência a quem recebeu os mesmos ou a quem atesta que este conferem com os originais apresentados pelo contribuinte, o que claramente retira a certeza necessária ao documento. Ao mesmo tempo, aponto a meus pares que conforme documento de fls. 162, qual seja, cópia do Oficio n° 042/2009 da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Governo do Estado de Rondônia está consignado que o imóvel objeto da presente lide, estaria, no ano de 1999, inserido parcialmente nas chamadas zonas 04 e 05, da Aproximação do Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Estado de Rondônia, sendo "áreas de restrição ambiental". Contudo, não está claro a este relator se estas áreas eram, à época, áreas de interesse ambiental, regularmente declaradas como tal pelos órgãos estaduais, na forma da legislação de regência e quais eram as restrições a que tais áreas estariam submetidas. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que não estão presentes os elementos indispensáveis ao correto julgamento do feito, portanto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a delegacia a que está submetido o contribuinte, (i) regularize a autenticação dos documentos de fls. 158/159 e 162/165; (ii) oficie a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Governo do Estado de Rondônia para que esta informe a este Colegiado se as parcelas do imóvel em questão inseridas nas zonas 04 e 05, da 1' Aproximação do Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Estado de Rondônia foram regularmente decretadas como áreas de interesse ambiental, pelos órgãos estaduais competentes, na forma da legislação de regência e quais eram as restrições a que tais áreas estavam submetidas na data do fato gerador. Após intime-se o contribuinte para que se manifeste sobre o resultado desta nova diligência, no prazo de 10 (dez) dias e retomem os autos a este Colegiado. Recebidos os autos após a diligência, intime-se a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que a mesma se manifeste sobre as diligências realizadas, no prazo de 20 (vinte) dias. Estabeleço este prazo maior à parte, por não ter a mesma sido intimada do resultado da diligência anterior. 2 Processo n°10240.000931/2003-90 S3-CIT1 Resolução n.° 3102-00.047 Fl, 169 Por fim, retornem os autos a este Conselho para o regular prosseguimento do julgamento. , 240, LrP,/ CELO RIBEIRO NOGUEIRA Is--) 3
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Numero do processo: 11686.000213/2008-51
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008
Produtos Sujeitos à Tributação Diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002. Aquisição de Créditos pelo Atacadista ou Varejista. Impossibilidade. Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não-cumulativos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.055
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 Produtos Sujeitos à Tributação Diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002. Aquisição de Créditos pelo Atacadista ou Varejista. Impossibilidade. Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não cumulativos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarouse impedido. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto parcialmente o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo apurado no período de 01/01/2006 a 31/03/2008, onde o interessado sustenta que teria direito ao creditamento de PIS e Cofins na revenda de veículos importados, em cujas operações incidiu alíquota zero destas contribuições, por estarem compreendidas no regime de tributação concentrada, também chamado de incidência monofásica, conforme regulado na Lei 10.485, de 3 de julho de 2002. No intuito de demonstrar a pertinência da sua inconformidade, aduz o sujeito passivo, em síntese que: a) está sujeito ao regime do Lucro Real e, consequentemente, ao pagamento das Contribuições para o PIS e para o Financiamento da Seguridade Social no regime não cumulativo instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; b) a vedação imposta no art. 3º, I, “b”, de ambos os diplomas foi alvo de revogação pelo art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 2004, posteriormente convertido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Expõe os fundamentos que levariam, por meio do critério lógico sistemático, à tal conclusão. Sustenta, que o dispositivo novel veio justamente para autorizar o creditamento nas hipóteses em que o mesmo estaria proibido, pois, se assim não fosse, não haveria justificativa para sua edição. cita precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; c) a fixação de alíquota zero quando da saída dos produtos que revende não significaria atribuirlhe o regime monofásico; que se caracterizaria exclusivamente na hipótese em que o tributo só incidisse uma única vez na cadeia produtiva. d) no caso dos autos, haveria incidência em toda a cadeia, só que com alíquota zero. Sustenta que quando a legislação pretende manter o produto no campo da incidência e apenas desonerálo, atribui alíquota zero; e quando intenta retirálo da subsunção tributária, taxativamente o diz não incidente. e) a Constituição empregou linguagem técnica, exigindo lei que a lei especificasse as hipóteses em que a tributação incidirá uma única vez. Transcreve o art. 155, XII, “h”e o art.149, § 4º da Carta Política de 1988; f) no intuito de exemplificar uma hipótese em que tal preceito foi aplicado, transcreve o art. 22 da Lei nº 10.560, de 2002, que trata da incidência sobre a venda de querosene de aviação; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 3 3 g) mantido o argumento que sustentara o indeferimento, portanto, estarseia diante de uma hipótese de “substituição tributária informal” e desprovida de amparo legal; h) por opção do legislador, o que a lei previra teria sido a incidência com alíquota positiva no produtor e com alíquota zero, para o atacadista ou varejista; Passível de alteração a qualquer tempo, por meio da elevação da alíquota das operações realizadas por este último; i) dado que a Administração teria o poder de alterar as alíquotas a qualquer tempo, teria igualmente que suportar o ônus da plurifasia; j) ademais, dada a “grande folga de arrecadação”, o Estado teria almejado devolver a parte do creditamento suprimido que estava descaracterizando a nãocumulatividade do PIS/COFINS. Este seria o contexto em que teria sido editado o art. 16 da MP nº 206, 2004; k) a MP que introduziu o art. 17 seria norma multitemática, sendo descabida a alegação no sentido de que a mesma só se aplicaria ao regime do REPORTO. Transcreve trecho da exposição de motivos que demonstraria o elenco dos artigos dedicados a esse regime; l) o artigo. 16 da Lei nº 11.116/05 reforçaria a tese no sentido de que as pessoas jurídicas tributadas à alíquota zero teriam pleno direito de se creditar. Transcreve o dispositivo. m) em duas oportunidades, por meio de medidas provisórias, pretendera o Poder Executivo limitar a amplitude do dispositivo e, nas duas, tal limitação foi suprimida do texto da lei de conversão; n) o legislador elegera o método "indireto subtrativo" para disciplinar a não cumulatividade do PIS/COFINS, por meio do qual o crédito é calculado por meio da incidência da alíquota base sobre as aquisições, sem outras perquirições acerca da etapa anterior. Nesse aspecto, o pleito de creditamento não estaria vinculado a recolhimentos anteriores; Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 Ementa: NÃOCUMULATIVIDADE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. Existe expressa vedação legal para o creditamento referente à comercialização/revenda de veículos importados, incluídos no escopo da Lei 10.485, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece o Contribuinte ao processo para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 4 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi apresentada preliminar. 1. Preliminarmente Demarcação da Matéria Litigiosa Não pende discussão acerca do objeto societário da Recorrente, sabidamente dedicada à comercialização de veículos contemplados nos anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos de estabelecimento importador. Igualmente extreme de dúvida é a sua sujeição à tributação pelo Imposto de Renda com base no Lucro Real, o que a obriga ao recolhimento das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) segundo o regime não cumulativo. Consequentemente, respeitados os limites inerentes à competência deste Colegiado, impedido de promover controle de constitucionalidade em razão do comando insculpido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 19721, inserido pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, toda a discussão acerca do presente litígio passa necessariamente pela análise da vigência do inciso I, “b”, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Transcrevo, por economia, exclusivamente o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003, na versão que vigia à época dos fatos, já que ambos tinham redação idêntica. "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2° desta Lei; A seu turno, o art. 2º, caput e parágrafo 1º, III, têm a seguinte redação: Art. 2º Para determinação do valor da Cofins aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 12, a alíquota de 7,6%% (sete inteiros e seis décimos por cento). 1 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 5 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. I° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Os dispositivos, a meu ver, são suficientemente claros: o valor da aquisição de bem para revenda, regra geral, pode ser considerado para efeito do cálculo dos créditos de PIS/Pasep e da Cofins, salvo se, dentre outras hipóteses, estiver sujeito ao regime da Lei nº 10.845, de 2002. Ocorre que, recordese, segundo defende o sujeito passivo, tal proibição fora, ao menos tacitamente, revogada pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, fruto da conversão da Medida Provisória nº 206, de 2004. Diz o dispositivo: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em resumo, sustentase que o propósito do dispositivo seria revogar a restrição das leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 e, por lapso, não foi consignada tal revogação no texto da medida provisória, nem no projeto de lei de conversão. Todos os argumentos manejados, convergem na busca pela demonstração da coerência dessa tese ou dependem da sua confirmação. 2. Mérito 2.1. Revogação Tácita 2.1.1 Demonstração Antes de enfrentar tais argumentos, julgo importante registrar a minha opinião no sentido de que a revogação tácita não é fenômeno que se presuma. Tomo emprestada, a fim de melhor expor meu ponto de vista, a lição de Carlos Maximiliano2, que, analisando as hipóteses revogação, concluiu (original não destacado): “442 Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilatao, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito 2 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 292. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 6 6 não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que — as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, partindose do pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca de tal incoerência, conforme sintetizou o renomado hermeneuta3: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula. Não é outra a linha fixada na Lei de Introdução ao Código Civil (original não destacado): Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Não se pode esquecer, ademais, que, como é cediço, o art. 9º da Lei Complementar nº 95, de 1998, alterado pela Lei Complementar nº 107, de 20014, orienta o legislador no sentido de que a revogação sempre se dê de forma expressa. Tal e qual não se pode presumir a incoerência do ordenamento, sem o devido aprofundamento, igualmente não se poderia presumir a omissão. 2.1.2. Emprego dos Critérios Finalístico e Lógico Segundo sustenta a Recorrente, diferentemente do que poderia ser invocado, sob um enfoque finalístico, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 não estaria restrito ao regime do Reporto. Por outro lado, a aplicação do critério lógico, diferentemente do sustentado pelo acórdão recorrido, levaria à conclusão de que a única interpretação possível para o dispositivo novel seria a revogação das restrições impostas no já transcrito art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: se o mesmo não tivesse o objetivo de revogar a proibição de creditamento, não haveria sentido na edição da norma. Penso, com a devida licença, que tais argumentos não dão amparo ao pleito de reconhecimento dos créditos, pois, apesar de não conseguir divisar a restrição da aplicação do dispositivo ao Reporto, não vejo como atribuirlhe a amplitude defendida. 3 op. cit. p. 291. 4 Art. 9o A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 7 7 Com efeito, sua leitura em conjunto com os incisos IV a IX do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2007 e III a IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, permite delimitar com clareza seu universo de aplicação. Transcrevo, para demonstrar, o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Como é possível concluir, o Contribuinte, se sujeito ao regime não cumulativo, qualquer que seja o ramo de atividade, tem direito a acumular créditos relativos a dispêndios diversos da aquisição de mercadorias sujeitas a tributação diferenciada. Diferentemente do alegado, portanto, as medidas provisórias 413 e 451, de 2008, não teriam o condão de reinstituir eventual proibição, mas agregar novas, restringindo o crédito decorrente daqueles dispêndios não alcançados pela proibição que sempre vigeu. Confirase, a título ilustrativo, o texto do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.637, incluído pela MP 413, não convertida em lei: § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1º do art. 2º desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)p Aliás, ainda que se trate de produto sujeito a tributação diferenciada, há que se recordar que a restrição só alcançaria as aquisições para revenda. Se os mesmos se destinam Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 8 8 à incorporação ao processo produtivo como, por exemplo, de uma montadora que adquire pneumáticos, não há que se falar em vedação ao crédito. Assim, a meu ver, a partir do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, restou definido que o sujeito passivo manteria os créditos decorrentes dos dispêndios excluídos da proibição e, após a edição do art. 16 da Lei nº 11.116, de 20055, que poderia utilizálos em uma das modalidades elencadas nos incisos I e II. Não custa registrar, ademais, que o texto do artigo 17, de fato, é suficientemente claro quando trata da manutenção dos créditos apurados: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Embora sempre insuficiente, o critério gramatical é sempre o ponto de partida para qualquer processo de interpretação. Nesse contexto, a meu ver, seria incabível pretender atribuir à expressão “manter” o mesmo sentido de “apurar”. Assim, estou convicto de que, efetivamente, o dispositivo novel disciplinou o tratamento a ser empregado, dentre outros, aos créditos adquiridos por contribuintes sujeitos ao regime da Lei nº 10.485, de 2002 e esse disciplinamento em nada impactou a proibição de se apurar créditos a partir da aquisição de veículos para a revenda. Jamais autorizou a aquisição de créditos expressamente vedados. 2.2 Regime Monofásico Sustenta a Recorrente que, na ausência de dispositivo legal que identifique a incidência monofásica, o regime de tributação dos veículos que adquiriria para revenda seria o de incidência polifásica, com aplicação da alíquota zero. Traz à colação, como forma de respaldar suas alegações, o § 4º do art. 149 da CF de 19886. Afastandose a préfalada monofasia, cairia por terra um dos fundamentos que embasaram a denegação do reconhecimento dos créditos. Reforçaria tal convicção o fato de que, a qualquer tempo, poderia o legislador alterar a alíquota vigente para a saída dos produtos que revende. Demonstrado que, a meu ver, a não aquisição de créditos quando da aquisição de produtos sujeitos ao regime da Lei nº 10.485, de 2002, é fruto de vedação 5 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 6 § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 9 9 expressa em lei, pouca margem sobra ao intérprete: se a lei expressamente proíbe, não há processo exegético capaz de afastar tal proibição. De qualquer forma, entendo prudente esclarecer que, qualquer que seja o conceito doutrinário empregado, regime monofásico, de tributação concentrada, etc., o relevante é que, a meu ver, não haveria como deduzir os créditos litigiosos, salvo se houvesse lei que, a título de benefício fiscal, concedesse tal direito, como ocorre, por exemplo, com as exportações. Com efeito, mais do que consolidado na doutrina e na jurisprudência, o conceito de nãocumulatividade encontrase assentado na Constituição Federal de 1988, mais especificamente, no § 3º, II, do art. 1537: compensase o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Se nada for devido na operação, salvo expressa disposição de lei (que não há), não haveria o que compensar. Não custa registrar que, em homenagem fenômeno que Alfredo Augusto Becker denomina cânone hermenêutico da totalidade8, ausente qualquer dispositivo que apresente um conceito distinto para as contribuições alvo de recurso, embora o conceito constitucional esteja topologicamente alocado nos princípios constitucionais do IPI, o mesmo se não houver ressalva (e não há), será igualmente aplicável às contribuições litigiosas. Por outro lado, tanto no caso do PIS, como na Cofins, segundo o próprio recorrente, o legislador elegeu o método "indireto subtrativo" para disciplinar a não cumulatividade das contribuições, fato que se confirma na leitura da exposição de motivos da MP 135, de 2003. Pois bem, como certamente é de conhecimento geral, pela aplicação desse método, o crédito fiscal concedido sobre os custos e despesas é calculado na mesma proporção da alíquota que grava as receitas. Ora, se o tributo incidente sobre o resultado obtido com venda dos bens sujeitos ao regime diferenciado da Lei nº 10485, de 2002 é “calculado” com a alíquota zero, os créditos decorrentes de tais aquisições, se tomado o conceito à risca, seriam igualmente zero. Finalmente, acho relevante deixar claro que, a meu ver, a tributação dos veículos comercializados, com a devida vênia, se amolda ao conceito de monofasia ou de tributação concentrada, na medida em que o que caracteriza tal fenômeno é a concentração da tributação no produtor ou importador. Pouco importaria, assim, se tal concentração da tributação decorre da exclusão da operação do campo de incidência, hipótese do querosene de aviação, ou por meio 7 § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; 8 Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Esta interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. (Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo Lejus, 3ª ed. p.p. 116/123) Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000213/200851 Acórdão n.º 310201.055 S3C1T2 Fl. 10 10 da fixação da alíquota zero, hipótese dos veículos albergados pela Lei nº 10.485, de 2002, pois, em ambos, a tributação somente alcançará um dos elos da cadeia. Assim, com o devido respeito às ponderações do impugnante, a instituição de alíquota zero, que, registrese, depende da Lei tanto quanto a exclusão do bem ou operação do campo de incidência, produz o mesmo efeito, para fins de conceituação do mecanismo de tributação da cadeia de determinado produto. 3 Conclusão Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 2 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por NECY BATISTA DOS REIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16682.720686/2014-71
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
IPI. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA.
Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumem-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente. Não se apresenta viável à Administração afastar a respectiva tutela jurídica sob a alegação de que, por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, não fora tomada em consideração disposição jurídica que já integrava, ao tempo da prolação da decisão, o ordenamento jurídico pátrio.
RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. PARECER PGFN/CRJ/nº 492/2011.
O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011 exige, além do controle concentrado ou da repercussão geral, a definitividade e a objetividade das decisões do STF tomadas como parâmetro para a perda de efeito vinculante dos provimentos com trânsito em julgado porventura obtidos pelo contribuinte.
Condicionantes não satisfeitas, mantém-se incólume a legitimidade dos atos praticados em sintonia com a tutela conquistada.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO.
Numero da decisão: 3402-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA. Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumemse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente. Não se apresenta viável à Administração afastar a respectiva tutela jurídica sob a alegação de que, por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, não fora tomada em consideração disposição jurídica que já integrava, ao tempo da prolação da decisão, o ordenamento jurídico pátrio. RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. PARECER PGFN/CRJ/nº 492/2011. O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011 exige, além do controle concentrado ou da repercussão geral, a definitividade e a objetividade das decisões do STF tomadas como parâmetro para a perda de efeito vinculante dos provimentos com trânsito em julgado porventura obtidos pelo contribuinte. Condicionantes não satisfeitas, mantémse incólume a legitimidade dos atos praticados em sintonia com a tutela conquistada. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 86 /2 01 4- 71 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 350 a 352 dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, por meio do voto do relator Celso Toshio Sakamoto nos seguintes termos: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima epigrafada, para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários no montante total de R$ 112.668.049,23 (cento e doze milhões, seiscentos e sessenta e oito mil, quarenta e nove reais, vinte e três centavos), consolidado na data do lançamento conforme demonstrativo de efls. 2 e 86. O procedimento fiscal levado a cabo junto ao estabelecimento industrial foi instaurado em face dos pedidos de ressarcimento PER nº 31318.93699.270410.1.1.019900, PER nº 06774.10438.300710.1.1.010659, PER nº 08111.57972.281010.1.1.016751 e PER nº 03389.49407.270111.1.1.011098. No Auto de Infração, a autoridade fiscal competente apontou os seguintes fundamentos fáticos a justificar o lançamento (efl. 87): 1 O IPI apurado em novembro de 2010 não foi declarado em DCTF. 2 Nos meses de janeiro a outubro e dezembro de 2010, o estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do imposto por ter se utilizado de crédito básico indevido. O procedimento conduzido, os exames efetuados e as conclusões deduzidas encontramse detalhados no Termo de Verificação Fiscal (efls. 102/110). Em resumo, consta ali que: 1 IPI apurado em novembro de 2010 O saldo a pagar de IPI apurado no RAIPI, em novembro de 2010, não foi declarado em DCTF, motivo pelo o crédito correspondente é constituído de ofício, no valor de R$ 424.146,36. 2 Glosas de créditos básicos indevidos A empresa valese de decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança nº 91.00287245) para creditarse do IPI relativo Fl. 424DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720686/201471 Acórdão n.º 3402002.983 S3C4T2 Fl. 3 3 à aquisição de insumos isentos, oriundos de estabelecimento localizado na Zona Franca de Manaus, utilizados na industrialização dos seus refrigerantes. Com base no Parecer Demac/RJO 01/2012 (efls. 61/85), entende a autoridade fiscal que a decisão da Justiça Federal, prolatada em 1991, discrepa da ordem jurídica constitucional vigente e do entendimento que atualmente prevalece na Corte Suprema, na linha dos Recursos Extraordinários nº 460.785, 562.980, 353.657, 370.682 e 566.819. É que, em 18/03/1993, entrou em vigor a Emenda Constitucional nº 03, de 1993, introduzindo o § 6º ao artigo 150 da Constituição Federal, que passou a exigir previsão em lei específica para a concessão de crédito presumido. A partir da vigência da EC nº 03/1993, o crédito presumido de IPI, nas aquisições de insumos isentos, tornouse, para a impetrante, objeto juridicamente impossível. Efetuadas as glosas dos créditos assim apropriados, restaram saldos devedores em todos os meses no ano de 2010. Especificamente em novembro de 2010, os créditos fictos originados das aquisições isentas não foram lançados no RAIPI, razão pela qual não houve glosas desta natureza. No entanto, constatouse divergência nos créditos apropriados no mês. No RAIPI, o crédito lançado foi de R$ 2.671.781,07. Nas planilhas fornecidas pela fiscalizada (as quais foram cotejadas com as notas fiscais obtidas do SPED), o valor é de R$ 2.664.818,15. Assim, a diferença de R$ 6.962,92 deve ser objeto de glosa. Cabe observar que, na reconstituição da apuração do IPI em face das glosas, foram ainda levados em conta: a) O saldo credor inicial, considerado em janeiro de 2010, é igual a zero, tendo em vista o Auto de Infração de que trata o processo administrativo nº 16682.721553/201331. Esse processo encontrase pendente de apreciação pelo CARF (Recurso do Ofício/Acordão nº 0129.288, da DRJ/BEL/PA). b). Os valores referentes aos pedidos de ressarcimento foram expurgados da apuração do novo saldo de IPI a recolher, considerando o indeferimento desses pleitos. No caso, houve correções nos meses de janeiro, abril, julho e outubro, relativamente aos ressarcimentos do 4º trimestre de 2009 e dos 1º, 2º e 3º trimestres de 2010, respectivamente. Regularmente cientificada do lançamento em 23/09/2014 (efl. 142), a interessada apresentou sua Impugnação (efls. 177/211) em 21/10/2014. Aduziu em sua defesa as razões que, em apertada síntese, se expõem a seguir: ● Sobrestamento do processo: O lançamento em tela está intimamente ligado ao processo nº 16682.721553/201331. Ademais, a Impugnação àquele Auto de Infração foi julgada procedente pela DRJ/Belém/PA, estando o Recurso de Ofício pendente de apreciação pelo CARF. ● Eficácia da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 91.00287245: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 O mandado de segurança impetrado teve como escopo a manutenção dos créditos de IPI na aquisição de insumos isentos provenientes da ZFM. A decisão, favorável a impetrante, transitou em julgado em 13/03/2000 O argumento de que houve inovação do cenário jurídico pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993, não pode ser tomada como fundamento superveniente, pois ela é anterior à formação da coisa julgada. Os recursos extraordinários paradigmas, mencionados pela Fiscalização, não representam alteração normativa em relação à situação decidida, vez que não tratam, especificamente, da situação em tela. E ainda que fossem, jamais poderiam retroagir a fatos anteriores. A DRJ/Juiz de Fora/MG, no julgamento da impugnação no processo administrativo nº 16682.720793/201237, corroborou o entendimento preconizado pela impugnante. No mesmo sentido foi a análise da DRJ/Belém/PA no processo nº 16682.721553/201331. ● Princípio da nãocumulatividade do IPI: Basta que existam operações anteriores dentro do campo constitucional de competência tributária concernente ao IPI para que exista o direito ao crédito do imposto. Isto porque a norma constitucional que garante o direito ao crédito do IPI é totalmente autônoma em relação à norma que determina a imposição do tributo, o que torna irrelevante, para fins de creditamento, se há pagamento efetivo nas operações anteriores. A partir da vigência da CF/1988, o regime diferenciado da ZFM passou a ter status constitucional, não podendo ser alterado ou mitigado pela legislação inferior. Em não se admitindo os créditos de insumos provenientes da ZFM, o benefício da medida ficaria esvaziado. Não se pode tomar o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, como fundamento para afastar o direito ao creditamento, porque a impossibilidade da tomada de crédito em determinada hipótese não pode levar à mesma conclusão em outra situação. O direito ao crédito de IPI decorre da própria CF. Por fim, além do sobrestamento do processo e do cancelamento do Auto de Infração, protesta pela juntada posterior de documentos e pela produção de todas as provas em direito admitidas. É o relatório do essencial. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1456.361 de fls. 349 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IPI. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720686/201471 Acórdão n.º 3402002.983 S3C4T2 Fl. 4 5 Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumemse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente. Não se apresenta viável à Administração afastar a respectiva tutela jurídica sob a alegação de que, por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, não fora tomada em consideração disposição jurídica que já integrava, ao tempo da prolação da decisão, o ordenamento jurídico pátrio. RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. PARECER PGFN/CRJ/nº 492/2011. O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011 exige, além do controle concentrado ou da repercussão geral, a definitividade e a objetividade das decisões do STF tomadas como parâmetro para a perda de efeito vinculante dos provimentos com trânsito em julgado porventura obtidos pelo contribuinte. Condicionantes não satisfeitas, mantémse incólume a legitimidade dos atos praticados em sintonia com a tutela conquistada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte. Não se encontra nos autos qualquer recurso do contribuinte a essa decisão. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O presente Recurso de Oficio foi submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Conforme o relatado o presente processo originouse da lavratura de Auto de Infração contra a contribuinte acima epigrafada, para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários no montante total de Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 R$ 112.668.049,23 (cento e doze milhões, seiscentos e sessenta e oito mil, quarenta e nove reais, vinte e três centavos), consolidado na data do lançamento conforme demonstrativo de e fls. 2 e 86. O procedimento fiscal levado a cabo junto ao estabelecimento industrial foi instaurado em face dos pedidos de ressarcimento PER nº 31318.93699.270410.1.1.019900, PER nº 06774.10438.300710.1.1.010659, PER nº 08111.57972.281010.1.1.016751 e PER nº 03389.49407.270111.1.1.011098. A decisão de fls. 352 a 360 é impecável e deve ser mantida, assim, como poderá ser lida em sessão se necessário. Na realidade, a questão versada nos autos, foi muito debatida nas sessões dessa 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção em fevereiro de 2016, das quais participei, inclusive com um outro processo de outro contribuinte em uma situação parecida, pois, tratava se de Recurso de ofício, onde outra turma da DRJ de Juiz de Fora, reconheceu as alegações da Recorrente e lhe deu procedência a sua impugnação. Assim, como nos presentes autos, a decisão recorrida aborda a questão de uma forma absolutamente pertinente aos autos é que entendo que não mereça reparos. Isto Posto, nego provimento ao Recurso de Ofício para mantêla em sua totalidade. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 19515.002650/2008-83
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 2401-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 50 /2 00 8- 83 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002650/200883 Acórdão n.º 2401003.016 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.172.3604, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 20 a 24, os fatos geradores das contribuições ocorreram com o pagamento de valores classificados como Participação nos Lucros e Resultados, mas sem possuir as premissas básicas, previstas em Lei, desta verba. Destacou , ainda o auditor as infrações: 1. Objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: não há provas de que o pagamento referente à Participação nos Lucros e Resultados decorrentes dos Acordos tenha sido objeto de qualquer negociação entre a Comissão de Empregados e a Empresa. Não há Atas de Negociação para os Acordos que indiquem como foram previamente pactuados valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes. Muito embora tenha havido pagamento da PLR nas filiais da empresa (conforme anexo Base de Cálculo da Participação nos Lucros e Resultados), esta não apresentou os respectivos acordos pactuados nas filiais. O acordo firmado na matriz não pode ser ampliado ao restante das filiais tendo em vista o fato de o sindicato envolvido não possuir legitimidade para atuar fora da sua base. 2. Pagamento vinculado ao atingimento de Metas: foi somente no final de cada ano base que houve a assinatura do Acordo, praticamente coincidindo com a data de pagamento da PLR. Não houve, portanto, tempo hábil para o atingimento de metas do ano todo. O Acordo de 2002 da matriz foi assinado em novembro de 2002 e o pagamento foi efetuado em janeiro e março de 2003. O Acordo de 2003 da matriz, foi assinado em dezembro de 2003 e o pagamento foi efetuado em janeiro de 2004. Os acordos das filiais não foram apresentados. O Acordo, em todos os casos acima, referese a metas estipuladas para todo o ano (janeiro a dezembro) não havendo, portanto possibilidade de se cumprir as metas estabelecidas. Sem a existência de negociação pautada na Lei, estes valores são a simples maquiagem da nomenclatura de um sistema de bonificação da empresa. 3. Protocolo de Arquivamento ( 2° do art. 2°): não foi apresentado o protocolo de arquivamento no sindicato dos Acordos. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/06/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02/07/2008. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 50 a 72. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 214 a 225. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2004 PAGAMENTOS DE PLR. DESATENDIMENTO ik LEI 10.101/2000. BASE DE CALCULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. PARTE DOS EMPREGADOS. Pagamentos, a titulo de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei 10.101/2000, constituem base de cálculo de contribuição previdencidria. Parte dos empregados. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante no 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, • que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de perícia e diligencia, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente A. época da impugnação Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 229 a 259, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever: 1. Preliminarmente, nos tributos de lançamento por homologação como é o caso das contribuições sociais o prazo que a Seguridade Social dispõe para constituir seus créditos é qüinqüenal, começando a fluir da data da ocorrência do fato gerador, a teor do § 4° do art. 150 do CTN. 2. O ponto nodal da preliminar aduzida, é que nenhum dispositivo da referida Lei n° 10.101/2000 foi apontado como fundamento do débito no Relatório de Fundamentos Legais FLD, que seguiu anexo ao auto de infração. Assim, a ora recorrente não pode ter certeza dos efetivos fundamentos da autuação, já que o relatório fiscal não está em consonância com o relatório de fundamentos legais. 3. Conforme entendimento firme e pacifico do E. STJ e dos Tribunais Regionais Federais a PLR paga, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde a sua natureza não salarial. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002650/200883 Acórdão n.º 2401003.016 S2C4T1 Fl. 4 5 4. Aliás, também antes de mais nada, é importante frisar que a r. decisão de fls. apenas transcreve a Lei 10.101/2000 e colaciona diversos julgados, mas não rebate cada um dos pontos atacados na defesa administrativa apresentada. 5. Verificase decisão recorrida não soube como refutar os diversos argumentos da empresa, passando a limitar a fundamentação da autuação ao seguinte fato: • As assinaturas dos acordos se deram ao final de cada ano base, não tendo sido dada ciência prévia das metas aos empregados. Contudo, esse rigor formal não leva em conta a realidade fática e nem mesmo o melhor entendimento jurisprudencial sobre o tema. 6. Que, conforme "Atas de Eleição" (fls. 79), de13.12.2000, houve eleição de comissão de representantes dos empregados no Programa Chubb de Participação nos Resultados para os anos 2001 e 2002, com a presença do Representante do Sindicato, para o fim especifico de discutir e negociar, junto aos representantes da empresa, a melhor forma de elaboração e aplicação do PLR. Quanto à PLR dos anos de 2003 e 2004, também foram constituídas comissões. 7. Neste aspecto, especificamente em relação ao ano de 2003 (PLR gaga em 2004), impugnado pelo relatório fiscal, analisandose o 'TERMO DE ACORDO COLETIVO PARA PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS I RESULTADOS PPR' (doc. anexado à defesa), datado de 10.12.2003, verificase que o mesmo ratifica, em sua cláusula 9a , que o plano foi elaborado com base nas deliberações realizadas pela comissão composta por representantes dos empregados e da empresa: 8. Neste aspecto, especificamente em relação ao ano de 2003 (PLR gaga em 2004), impugnado pelo relatório fiscal, analisandose o 'TERMO DE ACORDO COLETIVO PARA PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS I RESULTADOS PPR' (doc. anexado à defesa), datado de 10.12.2003, verificase que o mesmo ratifica, em sua cláusula 9a , que o plano foi elaborado com base nas deliberações realizadas pela comissão composta por representantes dos empregados e da empresa: 9. Que não há vedação legal quanto a se utilizar do PLR para todas as localidades, ou seja, para todas as filiais, já que seus respectivos empregados participaram das eleições, da negociação e da criação do programa. 10. Ademais, em relação à representação sindical, a Constituição Federal e a CLT sempre denotaram preocupação com a observância da categoria profissional, com vista a proteger os interesses de determinados grupos de empregados. A questão da base territorial é apenas acessória e não prejudica a proteção dada pelo Sindicato vinculado matriz da empresa. 11. O argumento da fiscalização não tem amparo legal, pois a lei não exige que exista um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo de PLR e o período de avaliação, assim como não fixa uma datalimite para a assinatura do referido instrumento de implementação da PLR. 12. Logo, por qualquer angulo que se analise, seja para a PLR de 2002 (paga em 2003), seja para a PLR de 2003 (paga em 2004), as metas a serem atingidas, seja pela empresa, seja pelos empregados, sempre foram de conhecimento de todos, de forma que a formalização do plano mediante a assinatura não pode esconder o fato de que tudo foi previamente sabido e negociado, não havendo que se falar em falta de tempo hábil para atingimento. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 13. Por fim, a fiscalização alega outra absurda formalidade, qual seja, que não foi apresentado protocolo de arquivamento dos acordos no Sindicato, como se este fato pudesse alterar a natureza jurídica da PLR ou invalidar o negociado e acordado com os empregados. 14. Que o Presidente do Sindicato, Sr. Serafim, atestou em 23 de julho de 2008, (fls.209), que cada uma das cópias dos Acordos de PLR da Impugnante estão devidamente arquivadas na entidade sindical e que o STJ jamais exigiu cumprimento de formalidades para que a natureza jurídica do PLR fosse declarada nãosalarial, seja antes ou seja depois da regulamentação legal do artigo 7°, XI, da Constituição Federal. não haveria necessidade imperiosa da existência de protocolo/carimbo do Sindicato, conforme entendimento jurisprudencial do STJ. 15. Em situação semelhante, quando constatada irregularidade ou não cumprimento de requisitos legais, temse afirmado pela preservação da natureza do instituto. Nesse sentido, Marcelo C. Mascaro Nascimento entende que mesmo quando a verba for distribuída em periodicidade inferior ao semestre civil, não haveria fundamento jurídico para afastar a natureza não salarial da verba 4. 16. Como se vê, constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à recorrente seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do pagamento, fazendo com que sobre esse incidissem contribuições previdenciárias. 17. Diante do acima exposto, pedese e esperase seja acolhido o presente recurso, reformandose a decisão de primeira instância administrativa afim de que seja reconhecida a total nulidade da autuação ora em debate. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002650/200883 Acórdão n.º 2401003.016 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 263. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA DECISÃO PROFERIDA PELO JULGADOR A QUO. Em seu recurso, descreve o recorrente que a decisão de primeira instância não refutou os argumentos trazidos na peça impugnatória, senão vejamos: Aliás, também antes de mais nada, é importante frisar que a r. decisão de fls. apenas transcreve a Lei 10.101/2000 e colaciona diversos julgados, mas não rebate cada um dos pontos atacados na defesa administrativa apresentada. Nesse sentido, verificase a fls. 222 que a r. decisão de fls. não soube como refutar os diversos argumentos da empresa, passando a limitar a fundamentação da autuação ao seguinte fato: • As assinaturas dos acordos se deram ao final de cada ano base, não tendo sido dada ciência prévia das metas aos empregados. Contudo, esse rigor formal não leva em conta a realidade fática e nem mesmo o melhor entendimento jurisprudencial sobre o tema. Analisando a referida decisão, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente, sendo que os mesmos são fundamentais para determinação da procedência do lançamento. O relatório fiscal, assim embasou o lançamento quanto ao descumprimento da lei 10.101: Objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: não há provas de que o pagamento referente à Participação nos Lucros e Resultados decorrentes dos Acordos tenha sido objeto de qualquer negociação entre a Comissão de Empregados e a Empresa. Não há Atas de Negociação para os Acordos que indiquem como foram previamente pactuados valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes. Muito embora tenha havido pagamento da PLR nas filiais da empresa (conforme anexo Base de Cálculo da Participação nos Lucros e Resultados), esta não apresentou os respectivos acordos pactuados nas filiais. O acordo firmado na matriz não pode ser ampliado ao restante das filiais tendo em vista o fato de o sindicato envolvido não possuir legitimidade para atuar fora da sua base. Pagamento vinculado ao atingimento de Metas: foi somente no final de cada ano base que houve a assinatura do Acordo, praticamente Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 coincidindo com a data de pagamento da PLR. Não houve, portanto, tempo hábil para o atingimento de metas do ano todo. O Acordo de 2002 da matriz foi assinado em novembro de 2002 e o pagamento foi efetuado em janeiro e março de 2003. O Acordo de 2003 da matriz, foi assinado em dezembro de 2003 e o pagamento foi efetuado em janeiro de 2004. Os acordos das filiais não foram apresentados. O Acordo, em todos os casos acima, referese a metas estipuladas para todo o ano (janeiro a dezembro) não havendo, portanto possibilidade de se cumprir as metas estabelecidas. Sem a existência de negociação pautada na Lei, estes valores são a simples maquiagem da nomenclatura de um sistema de bonificação da empresa. Protocolo de Arquivamento ( 2° do art. 2°): não foi apresentado o protocolo de arquivamento no sindicato dos Acordos. Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, no presente caso, como a autoridade fiscal descreveu três fundamentos para que a verba PLR constituísse salário de contribuição, e tendo o recorrente impugnado um a um desses fundamentos, necessário a apreciação dos mesmos de forma individual, até mesmo para que esse colegiado, possa, baseado no relatório fiscal e nos argumentos trazidos pelo recorrente, apreciar a consonância da decisão de primeira instância com o débito apurado. Também não haveria de se decretar a nulidade do lançamento, face a falta cometida pelo julgador, nem tampouco, poderíamos falar que o mesmo tacitamente concordou com os argumentos trazidos pelo autuado em sua defesa, tendo em vista que o julgador não abordou de forma aprofundada as questões trazidas e que o AI encontrase devidamente fundamentado. Assim, no entender dessa relatora, não há como ultrapassar a falta cometida pela decisão recorrida, razão porque deve a mesma ser anulada, para que sejam enfrentadas na forma devida os argumentos trazidos pelo recorrente, bem como os documentos apresentados, frente ao AI lavrado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 287DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13502.000321/2004-37
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
DATA DO FATO GERADOR: 11/09/2001
DRAWBACK-SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e
condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei n° 37/1966).
0 descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos As mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 12/2010, o acórdão formalizado como 3201-000.609, e na verdade é o 3201-000.608.
Nome do relator: Mercia Helena Trajano D'Amorim
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RECURSO VOIJ, J NT RIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Imciano Lopes de Almeida Moraes e Marcelo Ribeiro Nogueira.. /"-----1/1_,4 CAA—CAS-A_ Judith (16' mard Marcondes Armando - Presidente, Méi 1-1Zgr.L6t. 'Frajano 'Arno= - Relator.. Editado 10 de janeiro de 2011 Participaram da sessdo de julgamento os conselheiros: Judith. do Amaral M.areondes .Arniando, Luciano Lopes de Almeida Moines, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo G. irrossino Barbieri e .ftiniel Mariz Cludino Relatório 0 interessado acima identificado recorre a este Conseiho, de decisao prolerida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE.. . Por hem descrever os fatos ocorridos, ate entdo, adoto o relatório da decisao recorrida, que transcrevo, a seguir: "Plata o prcscwle proccs.so da eAlgericia de etr.Wito tiibutatio deco; rode de procedimento fiscal levado a (kilo pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camay:en em decorre?ricia de auditoria corn:el-ricrac d 1111l -10lla(0es realizadas pelo contribuinte RAID Te 3.Ark.'is Lida, coin esteio HO regime aduaneiro especial de drasvback modalidade sospensao, que culminou com a lavratur a, datada de 11/06/2004, do auto de infraeao-zil relativo ao imposto de importação, no valor. de R$ 30.801,70, peifilZe100, Coin a inclusao da penalidade pecuniiiria (75`X)), a55n./1 coin() dos COI' TeSpOiRknteS 1111-0 1110,(116tiOS, MI data da autuaeao, o importe de R$ 69.078,97, ludo nos termos day peeas de fis. 2/18, destacando-se, ainda, a ineidc".3.nc:ia de al/quota zero TIO que tairge ao imposto .sobre produlas industrializados (11 50) De ac.'ordo com o ielatório de fiscalLacao, integrante do ig„ e donuts doctimentos que o acompanham, acostados as lis 8/98, o contribuinte em tela, fruindo do regime advarieho especial em comento, promoveu imporfireaes lastrei/as no au) c:oneessério- IC n" 2978-01/000045-8, emitido On! 23/08/2001 Ion rvsumo, vivmd0 ao comprimento dos termos estabelvidos. consoante c.specifice -tOo con.signada 23, o c - ontubtrinte deveria, inicialmente, haver importado 30 224.34 do insulin) denominado fios de afia tenacidade de poliestei es, no import(' total (»OM de 118$ 76.840,45, mirando djaln 'cacao, e posterior exporlavio, até 0 mare° final de 19/02/2002, de 27 201 .90kg, correspondente a 203.744,78m do produto final tecido de rnalha ordidoi a de fibra simaea, redundando no valor total (FOB) das exportaeaes equivalente a 118$ 132 297,28 De se notar, ainda, que houve alteraçael, promovidas pelos aditivos jiiriiticlo.s aos autos in /is 24/28, conecinentes aos &trios originais do rdci ido alo, ensejando, além de modílicavics relacionadas ao produto final pactuado as elporlavies, o deslocamento do lapso final par(1 o compliment° do regime a data de .13/08/2003 dolor idade au/iam/e, cm sin/esc, tecendo considerações acerca da legishreao que, ci c'poca, regia o regime especial de dravvback-suspensao, destacou, em especial, pour a 1. ruierio do leg i/ne, gut , as produtos importados deveriam ser, coin firlcio no principio da vincida00 física , necessariamente, empr egados, (Inc*, e fisicamente, in) producao das mercadorias expo, tat/as . Destacou, tambern, que, em virtude do m eferido principio e, 2 Processo 0 13.502 00032 I /2004-3 7 S3-C2T1 Acórd5o " 3201-00,609 Fl. 2 sobretudo diante dos aspectos relacionados ao regime irentivo de trihutação, caber ia ao beneficial-to /0(10 0 6nus decorrente da demonsuação inequívoca da seats fação dos termos estabelecidos no (Ito concvssór 10 /timid, rcl (lido auto, idade assemou que em virtude do refirido principle), o beneficiálio, tp,nafinente, deveria manta especeficos connotes atinentes ao registro de estoque dos insumos impor lados, hem corno dos produtos finals elaborados cow a ritifiza(ão daqueles ASSi 14, ap6S re0k10 predinIVII0 e analisando a documentação apresentada pelo contribuinte poi ocasião da auditoria, a fiscalização (Or MOU haver encontrado diversas ineongruCncias a macular a satisfação regiiiiC aduaneiro, o que ensejou, por conseqiiencia, a presente exigcricia km sumo!, a fiscalização con siderou inevistir comprovação habit a .sustenten , integrafineme, a coil-eta aplicação dos 07Sifinoy inipor finks-, segundo os lermos postos no aludido (no coneessório e, por conseguinte, não reconheceu, em sua inteireza, o gaze (10 regime especial pelo contribuinte cm tela Der re modo, a fisealização glosou, de um universo de sele 32/34), seis registros de exportação-RE„ explieilados fl 14, os quais foram apresentados, pelo beneficiario, a comp ovação do regime Pal ação fincou-se mi deleeção de que aludido to! de R12.: não estava COOWntei He() com a legislação ele regC;ncia, não sendo, pois, comprovação do regime, diorite, pi inten o, da omissão ver ficada quanto à devida identificação do (Ito coneescório em questão atinente aquelas elportaçães Segundo, em einco desses igualmente, nap havia consignação do especifico código de enquadramento da operação de exportação jungido to efralVIVICk-Wspcns(rio (81 101) 4dvertiti a fiscalização, outrossim, que ar ações empreendidas pelo contribuinte, (10 rentido de retificar os dador err ocos dos visando à migração ao escorre/Io código ele enquadramento, bem como à correta idenn ficação do ato concessório, após o procedimento de averbação relativo aos embarques, não foram passíveis de aceitação, visto que intempestivos para os fins a plc se destinavam 4 swim, a vista dessa glosa, a fiscalização, cm regra proporcione/, calculou o ina/imp/emento na ordem de 79,267N, apropriando-o na fOrma disciplinada Portanto, por entender que o contribuinte não logrou provar o cumprimento do regime, acarretando o rompimento parcial com or terMOS prescritos no ato eoncesscirio supramencionado, outorgado ao sujeito passivo em apreço, a . fisealização decidiu considerar não liquidado integralmente o comm.-miss° (mid() assumido pelo contribuinte, efiluando, COilSegUinle, (11(ifile (10 inadimplemento parcial (10 regime, o lançamento dos atinentes triNitos, com os acrescirnos e penalidades correspondentes, resultando na exação supra Por fim. nos termos dos documentos acostados as fls 195/204, a unidade preparadora comunica o existência de decisdo no.s autos da apelação cm mandado de segurança n'' 2005.33.00 003932-5/134, relativa a inc)déncia dc nu/la mot atóa ia, lam/urn, respeitante a este Da impugnação 0 contribrante, twos surf ciéncia pessoal, em 16/06/2004, consoante firz prova a pew constante à j(1. 4, apresentou, em 16/07/2004, sua impugnação, confirm(' documentação juntado fis 99/191, onde, após breve histórico dos fatos, desenvolveu suer dekso, ibando-se ern dispositivos da legislação cum:4am, além de entendimentos plasmados em decisães administrativas da byre'. do Conselho de Conti ibuintes, conforme i sciiii, CIT1 sintese, colocado - 00 revj.s do que 'Argo a . fisealização., o ato conces.sório foi devidamente cumprido, pot interm&ho da realização das correspondentes expo) taçães dantes compromissada.s, confOrmc .se ver Urea, inclusive, por anolise aos .scqUentes relatórios de comprovação do regime, bem como de toda o documentação c.omprobatoria das impothkoes e exportaçães opre.5enlatia., reconhece sea equivoco relacionado à omissão dos inlOrmaçães concernemes à designa(ão, (WI sua documernação fiscal comprobafin ia do regime aduaneiro especial cm te/a, da çonsignação das informações relativas ao regime aduaneiro cm debate, po.steriormente sanadas, todavia o credita a nu2ro env documental, portanto de natureza instrumental, 0 qual Hao 1cm a envergadm a de oh stacidizar a fruição do I Cg/m e especial, ante a prima2-,io da verdade material, aflorada lias exportaç;éres efetiWITIV:71TC realizadas; - a autoridade fiscal, em vez de transitar Tio Cairn) 1110 "WV/ 117-Cilia(10 pc/ax ncí:rsatia produçóes pro bat(iF por 001/ 51(L0 da fiscalização, entendeu, equivocadamente, mediante CSI: iii1A1 utilização de presunçães e suposições, desqualificar o regime ad:rumen o, - eventual saneão a abarcar o presente et/so consistiria eni especifica penalidatk pecuniói ia em face de descumprimento de obrigação acessoria, »MIS TOO riti desqualificação do regime, lend° em vista o desabi igo legal a Ir mientar ltd agir, - a autuação í eareeedora de tespaldo legal hábil, invoca , tambóm que descabe 41 .RECClift 1ed.C.901 do Brasil invadir a e.sfio a de competencia da Secretaria de Comércio Exterior, Úrgao vinculado a Minist&io diverso, qual seja, Ministéfrio do Desenvolvimento, IndUstria e Comércio Exterior, somente cabendo àquele órgão traduzir o cumprimento„ ou não, do regime aduaneiro pelo beneficiario; - co/ao/orou julgados administrativos, creditando-os mais atualizados em relação aos pastas pela fiscalização, os quais julgou ufirapassados; 4 Processo le I 3502..00032 I /2004-37 S3-C211 Acórddo ii " 3201-00..609 Por . fitn, ame seus argumentos oprescruados„ o inmugnante rêquereu a decretaçõo da improcedência total da c.A.ay'io cm apre(o É UM breve relato." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instancia, nos termos do acorddo DRJ/FOR n' 08-16.689, de 27/11/2009, proferida pelos membros da 71 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CL, cuja ementa dispõe, verbis: "AsStiNm: REGimEs ADUANEIROS' DA TA DO PA TO GERA DOR: 11/09/2001 DRAWBACK COMPETÊNCIA PARA lqS(',41,17.4.R Compete à Saci ataria da Receita Federal do Brasil (REB) a aplicação do regime Drawback e fisealizaçqo dos tributos, compreendendo a verilicaçiio do regular cumprimento, pelo contribuinte, dos requisitos e condições ,fiyados pela legislay70 de regência e o lançamento do crédito tributario correspondente DR 11/BACK-SUSPENS1i0 INADIMPLEMENTO 1)0 COMPROMISSO DE EXPOR1A1?, O deSCUllipfilT1Cilt0 das condições estabelecidos em ato coneessário e na legislay-io de . regência enseja a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas sob regime aduaneiro especial de di awback- suspcnsdo, acrescidos dos encargos previstos era lei.. IMPUGNACAO IMPROCEDKNIE " 0 julgamento foi no sentido de negar provimento, manter, integralmente, o crédito tributário, uma vez que não foram observados os requisitos necessários inerentes ao drawback-suspensão.. O Contribuinte protocolizou o Recurso Volimtatio, .tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes C i.n sua peça imptignatória. O processo digitalizado tbi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Relatório Voto Conselheira .Mércia Helena Trajano D'Amorim, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, ressalto que a decisão judicial mencionada e trazida aos ./utos aborda o cabimento da aplicação da multa Moratória no âmbito de denuncia espoi .mea, relativo a tributos outros que não o de importação. Portanto, ado há que se f ar concomitãneia corn o -mérito, objeto deste litígio. 5 E, ainda, uma preliminar suscitada, que se confunde com o mérito, a da competência para liscalizar o regime de di aryback A Seer etaria de Conu:Tcio Fxterior-Secex detém competência para a concessão dos regimes de drawback, nas modalidades isençao e suspensão. Esta autorização abrange os procedimentos quanto ao exame documental, das questões relativas ao plano de exportação, vinculação dos insumos importados ao produto a ser exportado, processo produtivo, prazo para exportação; bem como, a modalidade de di a wbacl, coucedida. Assim sendo, compete a Receita Federal-RE - 13, a aplicação e a fiscalização do regime de drawback, mediante reconhecimento do beneficio, mercadorias importadas se são as do ato concessorio; assim como etetuar o lançamento dos tributos, quando constatado o ina.dimplemento das condições impostas, apurado em procedimento de fiscalização, do compromisso, nas condições estipuladas no ato concessório, la que o próprio regime na modalidade de suspensão ficará sob condição resolutiva. Versa a matéria sobre a autuação decorrente da não comprovação de compromissos de drawback - suspensão, firmados através das importações lastreadas tio aio concessorio-AC n" 2978-01/000045-8, emitido em 23/08/2001, A fiscalização glosou, de um universo de se -te (lis. . 32/34), seis registros de exportação-RE, os quais foram apresentados, pelo beneficiário, ii comprovação do regime. Urn registro dc exportação -RE estava sem a devida identilicação do ato concessório em questão atinente aquelas exportações,. Os outros cinco desses RE não havia consignação do especifico código de enquadramento da operação de exportação vinculado ao di awback-suspensão (81 ,10 I. ) A empresa teve autorização paru importar 30 224,34 Kg do insumo denominado: fiu de aha ienacidade de polijwere, no importe total (FOB) de US$ 76840,45. com fins a fabricação, e posterior exportação, ate o marco final de 19/02/2002, de 27 201 90 Kg, correspondente a 203.744,78m do produto final: tecido de math(' zudidwa dc fibra qnicWea, redundando no valor total (F013) das exportações equivalente a US$ .1 32 297,28 I louve algumas alterações, promovidas pelos aditivos juntados aos autos as tis. 24/28 Constitui regim.e aduaneiro, o tratamento aplicável às mercadorias submetidas a controle aduaneiro, de acordo com as leis e regulamentos aduaneiros, segundo a natureza e os Objetivos da operação.. São chamados regimes aduaneiros especiais, de acordo com o Decreto lei 37/66 corn redação do Di , 2472/88, porque escapam a regra geral do regime comum de importação que, salvo exceções legais (isenção, Acordos Internacionais) implicam no pagamento do It. O regime Drawback (3 considerado um incentivo à exportação e pode ser aplicado em tri,'s modalidades: suspensão, isenção e restituição e tem como Objetivo, dar -poder competitivo a produção nacional, tendo par fundamento eliminar do custo final dos produtos ex -portáveis o onus tributário relativo as mercadorias estrangeiras neles utilizadas. Acontecem, portanto, o incremento das exportações e o aumento da competitividade do produto final no mercado externo, urna vez que os produtos beneficiados, desonerados da carga tributária comma as importações, agregam-se ao processo produtivo de um pais, possibilitando o barateamento de custos. Criado par a incentivar as exportações, o Drawback enquadra-se dentre os regimes especiais -previstos no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n" 91.030, de 05/03/85.. Para tanto, o beneficiário deve observar os Processo li 0 3502.000321/2004-37 S3-C2T Acórcrio n " 3201 -00..609 Fl 4 termos, limites e condições estabelecidos pelo orgdo conccdente. Logo, são suspensivos, tendo cm vista o aspecto _juridico da suspensão da. ex igibil idade da obrigação tributdria que aea retam Drawback suspensão é a modalidade que permite ao bend -wiz-Ili° importar, corn suspensão de tributos, mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada. A tabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada, que o utilizado - pela empresa.. A competência para conceder o Ato Concessorio é da. Secretaria de Comércio Exterior - Sccex, orgdo pertencente ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio MD1C. Assim como a solicitação do Ato Concessório, também deverão ser encaminhados A Secex, os pedidos de retificações e adendos, previstos em seus aditivos e anexos, Ressalte-se que o beneficio de drawback, modalidade de suspensão, está previsto no art. 78 do Decreto-lei n" 37/1966, verbis: At 78 Podera concedida nos lei mos e condkJes estabelecidos no regulamento I - Suspenwio do pagamento dos tributas iitcs .s- obre a imporfaçâo de meía.tdOria a SCT exportada após benejiciamenfo, 01.1 destinada à fabrica(do, complementaK.77o ou acondieionamento de outra a ser exporta/a, Observa-se de forma clara a vinculação entre a. mercadoria importada. c mercadoria a ser exportada no regime, seja quanto à espécie, quantidade, valor e prazo, bem como ainda quanto ao bone -lick:1/26o do regime e em conseqüência a imposição do cumprimento de varios requisitos de modo a tornar inequívoca a vinculação entre a importação c a exportação, para fins de controle do emprego e destinação dos bens Como relatado, versam os autos sobre a inadmissibilidadc dos Registros de Exportação-RV com fins de comprovação do adimplcmento do com.promisso relacionado a.o Drawback, em virtude de não terem sido vinculados ao respectivo Ato Concessório e falla de indicação do código da operação. O art. 325 do Regulamento Aduaneiro dispõe: -Ail. .325 A talliza0o do beneficio previsto neste Capitulo será anotada no document() com probatório da exporta(Zio. " 0 Comunicado Decex n" 21, dc 11/07/97, o qual, posteriormente, loi revogado pelo Comunicado n" 6, de 28/06/1.999, que, por sua vez, teve .nova redação conferida pelo Comunicado n" 2, de 31/01/2000, porem todos verificados cam a necessidade da vinculação, mios termos abaixo: "Comunicado Deccx n" 21/97 AneN0 3. É obrigatót la a vincula0o do If egis00 de EApottacao (R1L) ao ,410 L'once)trn io de Drawback, modalidade sitpens17.0 4 Somente será accito pall! compt0vaçâo do Regime, modalidade suspensi-to Registro de Exportacao (RE) coniendo, no camp) 2-a, o código ncenquadratnento con.stante Anexo "V (fabela de Enquadratnento da Operao`to) .Porntria TLTX n" 2, de 22/12/1.992. Item como as 0-fó0 mtn,:.ócs exigida ■ 00 comp, 24 (dodos do labricank) " 1(a:tondo que para a fruição do regime, que os produtos importados deveriam ser, corn base no principio da vinculação tisica , necessariamente, empregados, direta lisicamente, na produção das mercadorias exportadas. 0 principio e, sobretudo diante dos aspectos relacionados no regime especial de tributação, caberia ao beneticiario todo o ()ruts decorrente da demonstração .inequivoca da satistação dos termos estabelecidos no ato concussorio.. Como constatado pela. fiscalização, não houve comprovação da relação untie as expottações e o At Concessório, seja pela ralta de vinculação da exportação ao Ato Concessorio respectivo, seja pela falta de indicação do código ró rio da operação Drawback rios campos apropriados dos Registros de Exportação, no momento do despacho aduaneiro, não tra corny se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não lid corno atestar que a empresa cumpriu com o compromisso assumido, Por todo o exposto, e pela necessidade da vinculação, por set: urna exiga.cia não merece reparo o auto de .infração, quanto à descaraeterização das exportações correspondentes aos Registros de Exportação corn o código de exportação comum e tampouco a vinculação a Ato Con.cessorio, Assim, emendo que a decisão recorrida está correta e não InClece ser alterada.. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. cvi,' hi ereta 1/. ena ncram. 8
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000253/97-91
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 28/02/1990 a 30/03/1993
FINSOCIAL - Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo - edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.162
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora) que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Antonio Flora.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Ad Hoc
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Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora) que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Antonio Flora. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luís Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Fl. 532DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Versa o presente processo sobre pedido de restituição/compensação do Finsocial referente aos pagamentos a maior relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1990 a março de 1992, protocolizado em 03/12/1997. O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal e posteriormente deferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 303-32.223, que recebeu a seguinte ementa: FINSOCIAL. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO DE REPETIR 0 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. 0 termo a quo do prazo prescricional do direito de pleitear restituição ou compensação relativo ao recolhimento de tributo efetuado indevidamente ou a maior que o devido em razão de julgamento da inconstitucionalidade das majorações de alíquota, pelo Supremo Tribunal Federal, é o momento em que o contribuinte teve reconhecido seu direito pela autoridade tributária, o que no caso concreto é a data da MP N° 1.110, vale dizer, 31/08/95. Regularmente notificada daquele julgado em 23/12/2005, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência em 05/01/2006, alegando divergência em relação ao Acórdão nº 302-35.782. A Fazenda Nacional fundamenta-se, em síntese, nos seguintes argumentos para prestigiar o posicionamento do paradigma: - pela análise dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, constata-se que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário; - não há nada que justifique ser considerada a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95 o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do FINSOCIAL; - se existe norma legal dispondo sobre a matéria, não tem cabimento este Conselho de Contribuintes negar-lhe vigência para, assumindo a função legislativa, usurpar de sua competência e criar um termo inicial para a contagem do prazo decadencial; - no momento que foi recolhido indevidamente o tributo, no outro dia, o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário para pleitear a restituição dos valores, não tendo que aguardar decisão da Colenda Suprema Corte para tal fim. Devidamente cientificada da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo lhe sido facultada a apresentação de contra-razões recursais, a contribuinte compareceu aos autos argumentando que o Acórdão em questão não merece ser reformado. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000253/97-91 Acórdão n.º 03-005.162 CSRF/T03 Fls. 553333 _________ 3 Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 07/11/2006, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta Conselheira, em conformidade com o art. 16 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que os relatores originário e designado deixaram o colegiado antes da formalização. Para tal fim, embora discorde do seu teor, adoto o voto vencido entregue à secretaria pela Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, in verbis: "A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face de Decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementada: FINSOCIAL. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO DE REPETIR O INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O termo a quo do prazo prescricional do direito de pleitear restituição ou compensação relativo ao recolhimento de tributo efetuado indevidamente ou a maior que o devido em razão de julgamento da inconstitucionalidade das majorações de alíquota, pelo Supremo Tribunal Federal, é o momento em que o contribuinte teve reconhecido seu direito pela autoridade tributária, o que no caso concreto é a data da MP Nº 1.110, vale dizer, 31/08/95. Em seu arrazoado apresenta divergência jurisprudencial assentada no seguinte paradigma: “FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. (Acórdão 302- 35.782, relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, sessão de 15 de outubro de 2003).” Como visto no relatório, trata-se de pedido de restituição de valores recolhidos a título de Finsocial no período de 02/1990 a 03/1993, apresentado em 3 de dezembro de 1997. Para solucionar a divergência transcrevo, por economia, outro voto de minha relatoria, alertando para as necessárias adaptações ao caso aqui relatado: Contribuições sociais são instrumentos encontrados pela sociedade para assegurar a efetivação de ações destinadas a dar cumprimento às suas – as da sociedade – determinações em matéria de direitos sociais. Tais ações fazem parte da cesta de bens públicos pontualmente indicados pela sociedade e que merecem tratamento diferenciado dos demais por sua natureza e pela priorização que lhes é atribuída pela própria sociedade. A forma mista de custeio do orçamento social, pela via de contribuições específicas e do orçamento fiscal ordinário é expressão da racionalidade do legislador e de sua determinação em fazer estável e independente o orçamento previdenciário. Chamo atenção aqui para os valores estável e independente posto que em minha conclusão vou me reportar, outra vez, a esses valores. O Decreto-lei nº. 1940/82, ao criar o FINSOCIAL o fez determinando que os recursos fossem destinados ao custeio de “investimentos de caráter assistencial em alimentação, habitação popular, saúde, educação e amparo ao pequeno agricultor”. Entendo que, adiantando-se aos ideais de uma nova expressão da cidadania, que seriam materializados na Constituição Federal de 1988, individualizou o legislador daquele então uma função específica do Estado que deveria ser apoiada por recursos específicos. Esse se adiantar à identificação de determinados bens públicos, digamos “notabilizados”, marcou de forma cristalina a passagem do Estado de Direito para o Estado Democrático de Direito. E nesse ponto atento para valores ligados aos direitos coletivos, uma vez que ao final vou novamente tratar desses direitos, em contraposição aos direitos individuais. Faço esta digressão introdutória de minhas reflexões sobre a questão da decadência porque entendo que ademais da intempestividade do pedido de restituição, à luz do que preceitua o Código Tributário Nacional, questão preliminar neste caso, outros marcos legais devem ser abordados, também em instância preliminar à decisão do mérito, e bem assim valores implícitos na Constituição Federal. Em primeiro lugar, peço licença para retomar debate já ocorrido neste colegiado, e externar de forma clara minha posição relativa à decadência do direito de pleitear a devolução de tributos: 5 anos a partir da data do pagamento, conforme determina o art. 168, II do CTN. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000253/97-91 Acórdão n.º 03-005.162 CSRF/T03 Fls. 553344 _________ 5 A tese, muitas vezes utilizada, de que a presunção da constitucionalidade da lei faz com que o contribuinte deixe de questioná-la não me parece razoável. O próprio ordenamento jurídico nacional estabelece prazo para que os interessados possam questionar qualquer ato jurídico que, porventura, venha a lhes causar algum prejuízo. Assim, presunção de constitucionalidade não determina vedação ao exercício do direito de questionar. Valho-me de entendimento já acolhido anteriormente neste colegiado: “Dessa maneira, quando alguém entender que determinada lei é inconstitucional deve ser proposta uma ação. Afinal, a todo direito corresponde uma ação. E esta ação deve ser proposta, também, dentro do prazo que o próprio Direito também estabelece. É evidente que este prazo varia de acordo com a matéria regulada pela lei em questão. No caso de uma lei tributária, em regra, o prazo seria o de cinco anos, ou seja, o mesmo prazo estipulado para o pedido de devolução de tributos pagos indevidamente Por isso, já diziam os romanos: dormientibus non succurrit jus. Portanto, quando da edição de uma nova lei, cabe aos estudiosos do Direito verificar se esta lei foi elaborada nos exatos termos do figurino constitucional. E isso, evidentemente, dentro do prazo legal. No entanto, na prática, isso não ocorre. Poucos estudam e exercem o seu Direito. Estes, após anos de debates e em decorrência do empenho conseguem um pronunciamento favorável. É de Direito estender está decisão isolada a toda sociedade? A resposta é negativa, pois, o Direito não socorre aos que dormem!!! Como já acima citado o Direito é segurança. E dentro desta segurança é que o mesmo Direito, através da Constituição Federal, outorga uma ação específica para esse fim, isto é, a ação direta de inconstitucionalidade, que da mesma forma deve ser proposta dentro de um determinado prazo. Esta sim, à luz de inconstitucionalidade, possui eficácia erga omnes, para proteger a sociedade como um todo. Em suma, uma lei, quando inconstitucional, já nasce inconstitucional. Não é um acórdão do STF que a torna inconstitucional. A inconstitucionalidade é preexistente, dependente, apenas, de uma sentença que a declare como tal, observado o prazo para a propositura da ação. Destarte, entendo que o efeito de uma declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso deve restringir a quem a postulou antecipadamente, não devendo produzir “efeito despertador” para que toda sociedade venha reclamar aquilo que lhe foi, outrora, de Direito.”. (extraído do Fl. 536DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 PROCESSO Nº 13807.011547/00-71, SESSÃO DE 14 de setembro de 2004, ACÓRDÃO Nº 302-36.339, RECURSO Nº 126449). Mas, não admito o marco puramente legal, com sua ética e forma, como único condutor de um raciocínio lúcido sobre o direito de restituir ou compensar. Creio que a legislação deve ser referida a seu contexto, aos valores sociais de sua época, as circunstâncias econômicas e políticas que circundaram sua edição, e não pode ser trazida a julgamento posterior sem essas preciosas referências, sob o risco de produzir uma falsa justiça. Nesse sentido, valho-me também do conceito de sustentabilidade trazido da economia e da ecologia, para fundamentar o meu convencimento. Um sistema articulado e harmonizado, como é o do orçamento de receitas e gastos públicos, deve trabalhar com dados e variáveis em equilíbrio dinâmico e com conseqüências em perspectiva. O sistema social chamado de Orçamento Fiscal tem uma de suas partes constituída pelos contribuintes e outra pela Fazenda Pública. Ora, muitos anos depois dos cinco estabelecidos no CTN, estão reconhecidos, julgados e acreditados os valores recebidos, e gastos nos bens para os quais foram estabelecidos. Sob esse aspecto é razoável supor que aqueles que não contestaram a majoração do gravame pelas vias legalmente autorizadas - administrativas ou judiciárias - deixaram de exercer um direito que lhes era garantido pelo prazo de 5 anos, conforme determina o CTN, e que a Fazenda Pública já utilizou os recursos colocados a sua disposição. Ora, se estamos tratando de um sistema, as entropias se corrigem no curto prazo, sob risco de destruir o sistema, violando a estabilidade e independência a que me referi. E o curto prazo, para efeito de restituição de tributos é aquele em que a segurança jurídica não impeça a segurança social e econômica do sistema orçamentário fiscal, vale dizer os 5 anos eleitos pela sociedade e positivados no ordenamento jurídico. Em seqüência desejo tratar do mandamento do art. 166 do Código Tributário Nacional que determina: “A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la”. Tributos fazem parte da equação que determina o preço do produto. Em economia o custo de oportunidade determina a decisão de investir. Ora, para que seja determinado o custo de oportunidade é necessário que todos os custos de produção sejam orçados no momento da decisão de investir. Assim sendo, salvo se por razões do universo não econômico, o empresário deixou de repassar para os preços o custo da tributação ou de parte dela, essa realidade contábil deve estar registrada de forma clara. Permitam-me afirmar, essa é a única forma de bem Fl. 537DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000253/97-91 Acórdão n.º 03-005.162 CSRF/T03 Fls. 553355 _________ 7 identificar a matriz de insumo/produto, absolutamente indispensável em qualquer empreendimento econômico. Não é de se supor, por irracional do ponto de vista econômico, que todos os que pagaram o Finsocial com as alíquotas majoradas tenham levado em contabilidade apartada um custo de produção por eles suportado, em detrimento ou da remuneração do capital ou do lucro daquele momento econômico, em nome de uma crença absoluta que no futuro haveria de se considerar inconstitucional o tributo e lhes seria devolvido o montante, com a remuneração de capital do setor, acrescidos do lucro do investimento, e das devidas compensações pelos danos de terem sido expulsos do mercado. Aliás, em se supondo, seria inadmissível que deixassem de interpor demandas, administrativas ou judiciais, já naquele momento. Neste processo em nenhum tempo está representada a contabilidade do empreendedor, aqui contribuinte, que permita afastar a racionalidade econômica e reconhecer o direito de restituição, nos termos do art. 166 do CTN. Pelo exposto, neste ponto, já me permitiria negar provimento ao pedido do contribuinte, convencida de que não há o que devolver a quem não provou ter pago e não repassado o ônus do pagamento. Na seqüência de meu raciocínio, creio que poderia o julgador, em instância não administrativa, entender que incautamente o contribuinte deixou de apresentar sua contabilidade e também não lhe foi nunca exigido, motivo pelo qual poderia ser que existisse o direito alegado. No campo das conjecturas é possível admitir que a instância judicial seja menos afeiçoada aos raciocínios marcados por parâmetros contábeis. Nesse ponto, é de evidencia solar, como se costuma dizer entre os juristas, que mesmo se admitindo, por amor ao debate, que haja um direito individual na questão da repetição do Finsocial, há também um direito coletivo, social, que deve ser posto em evidência e aquilatado para que se possa efetivamente fazer uma escolha razoável, no momento de julgar, em dúvida, pró – contribuinte. É evidente que para restituir o que é reclamado o fisco deixará de oferecer algum bem público a que tem direito a coletividade que hoje paga seus tributos. Ou deverá onerar com mais tributos essa mesma coletividade. Ou seja a sociedade deverá pagar, outra vez, os tributos que já pagou anteriormente, diretamente ao Estado, ou indiretamente pela via dos preços. Valho-me então do saber contido no RE 374981 relatado pelo Ministro Celso de Melo, que me permito descontextualizar: “É certo – consoante adverte a jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal - que não se reveste de natureza absoluta a liberdade de atividade empresarial, econômica, ou profissional, eis que inexistem, em nosso sistema jurídico, direitos e garantias impregnados de caráter absoluto: “OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÂO TÊM CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos e garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do princípio de convivência das liberdades legitimam, Fl. 538DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais , de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. O estatuto constitucional das liberdades públicas, ao delinear o regime jurídico a que estão sujeitas - e considerando o substrato ético que as informa – permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros” (RTJ 173/807-808 Rel. Min. Celso de Melo, Pleno). Para não me alongar maçantemente com outros argumentos menos expressivos finalizo: A legislação tributária determina que o pedido de restituição se faça dentro dos cinco anos que se seguem ao pagamento; A lei não socorre aos que dormem; Os tributos são parte do custo dos produtos e serviços; Não foi comprovado que o contribuinte não repassou o custo do tributo aos compradores de seus produtos ou serviços; O direito individual não se sobrepõe ao direito coletivo; É certo que a sociedade pagará pela repetição do “indébito” ou na forma de novos tributos ou na substituição de bens públicos pelo pagamento em apreço. Tudo isso posto dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Exclusivamente para o fim de formalizar o voto vencedor, adoto os fundamentos lançados pelo redator designado no Acórdão CSRF nº 03/-05.135, in verbis: "A questão que me é proposta a decidir, cinge-se ao fato de saber se a contribuinte exerceu o direito de restituição do Finsocial dentro do prazo legal. Ao contrário do que diz a decisão recorrida, a Fazenda Nacional assevera que tal direito extingui-se com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário, ocorrida com o pagamento. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000253/97-91 Acórdão n.º 03-005.162 CSRF/T03 Fls. 553366 _________ 9 De minha parte, entendo que a legitimação do pedido ocorreu com a edição da Medida Provisória 1.110/95, ocasião em que o próprio Poder Executivo reconheceu não serem devidas quaisquer quantias a título de Finsocial, dispensando os seus procuradores de promoverem quaisquer exigências quanto a essa contribuição. Esta, aliás, é a posição majoritária desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando-se, por exemplo os Acórdãos 03-04278 e 03-04298, que estampam a seguinte ementa: FINSOCIAL - Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo - edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso especial negado. Diante do exposto, tendo o prazo prescricional/decadencial se iniciado na data da publicação da referida Medida Provisória 1.110/95, é tempestivo o pedido de restituição/compensação formulado pela contribuinte. No entanto, as autoridades preparadora e julgadora não entenderam dessa forma, razão pela qual, quando da decretação da prescrição/decadência, deixaram de apreciar outras questões relativamente ao pedido de devolução de quantia propriamente dito. Tal fato deve ser levado em consideração, como adiante será ressaltado. Ante o exposto, nego provimento ao apelo da Fazenda Nacional, confirmando a conclusão da decisão recorrida (que se baseia na MP 1.621-36/98), que a meu ver acertadamente afastou a prescrição/decadência, o que confere à contribuinte o direito de ver ressarcido (compensado e/ou restituído) os valores pagos indevidamente a título de Finsocial. Todavia, impõe-se a verificação do conteúdo probatório do recolhimento, além de outros elementos ligados ao pedido que deixaram de ser apreciados pelas autoridades preparadora e julgadora. Portanto, os autos devem ser remetidos à autoridade preparadora para análise de tais quesitos, procedendo-se como se não tivesse havido a decretação da prescrição/decadência. Feito isso, aplique-se os termos procedimentais estabelecidos pelo Decreto 70.235/72. Sala das Sessões - DF, em 07 de novembro de 2006. LUIS ANTONIO FLORA" Embora não concorde com esses fundamentos, adoto a tese do redator designado como fundamento deste julgado, pois foi esta a tese que angariou a maioria dos votos na assentada do dia 07 de novembro de 2006. Antonio Carlos Atulim Fl. 540DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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