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Numero do processo: 19515.000234/2005-06
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora.
Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Multa de Lançamento de Ofício. Legalidade
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN.
Juros de Mora. Selic. Aplicação
Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
Numero da decisão: 1101-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E ACOLHER PARCIALMENTE os embargos para: 1) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, substituídos no Colegiado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE - Relator
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Multa de Lançamento de Ofício. Legalidade A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. Selic. Aplicação Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
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Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Multa de Lançamento de Ofício. Legalidade A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. Selic. Aplicação Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E ACOLHER PARCIALMENTE os embargos para: 1) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 34 /2 00 5- 06 Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 3 2 Antônio Lisboa Cardoso, substituídos no Colegiado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Sérgio Luiz Bezerra Presta. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Relator Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão plenária de 02 de setembro de 2010 esta Primeira Turma Ordinária desta Primeira Câmara e Seção julgou o recurso voluntário nº 156.815, interessada ELETROPAULO METROPOLITANA ELETRICIDADE DE SÃO PAULO S/A, já qualificada nos autos, decidindo, mediante Acórdão nº 110100.357 e por maioria de votos, negar provimento ao mesmo, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Anocalendário: 2000 e 2001 CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA. LIMITE. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. RECOMPOSIÇÃO ATUARIAL DE FUNDO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior a Lei n° 9.532/97, devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11, da Lei nº 9.532/77. Cientificada do R. decisum, a recorrente interpôs Embargos de Declaração em 18/02/2011, alegando “omissão” do Acórdão em itens que pontuou. Apreciados os ED, houve acolhimento parcial ao pleito da embargante e, concomitantemente, foram suscitados e aceitos de ofício (RICARF, art. 65, I) outras duas omissões presentes no Acórdão embargado (Despacho de fls. 1976/1986)1, conforme síntese abaixo: 1 A numeração referida é sempre a digital. Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 5 4 Cumpridos os ritos procedimentais pertinentes, os autos voltam a julgamento para que sejam apreciados os itens cujos embargos, da contribuinte e de ofício, foram providos. É o relatório. Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE Em face dos embargos, cabe a apreciação da matéria embargada provida, a saber: 1. Juros, à taxa Selic, sobre a multa de ofício; 2. Multa de ofício abusiva; e, 3. Juros de mora à taxa Selic Passase a tratar cada uma delas de per si. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO COM UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC Como consta dos autos, a recorrente, em seu Recurso Voluntário, bateuse longamente contra esta imposição, sustentando que “a exigência de juros pela taxa SELIC, deve sua aplicação ser limitada única e exclusivamente ao crédito tributário principal, sendo flagrante a impossibilidade de sua incidência sobre a multa de ofício”, e que esta “configura sanção, penalidade e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. É evidente que a multa de ofício não pode ser aumentada pela aplicação de taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável!”. Citou legislação e transcreveu decisões do então Conselho de Contribuintes. Penso de forma diversa ao entendimento da recorrente. Embora ressalve que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício é questão superveniente ao lançamento, é de se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 7 6 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 8 7 “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 9 8 Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. Nessa linha, há precedentes nesta Corte Administrativa, com voto de qualidade, dando o Colegiado provimento ao Recurso Especial manejado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (Processo nº 16327.002243/9971), assim ementado: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. Finalmente, impende destacar que, no âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Deste modo, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada. DA MULTA DE OFÍCIO Aduz a recorrente que “há excesso cometido na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito em questão, a qual deve ser reduzida a um percentual razoável”, e que “não é justo que a Recorrente seja apenada com tão excessiva multa de 75% do principal, cujo valor praticamente se equipara ao valor do tributo considerado devido pela D. Fiscalização Federal”. Mais, que “na forma que aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, na medida em que além de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou máfé”. Peleja em erro a recorrente. Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 10 9 Acerca da multa de ofício a ser aplicada em lançamentos derivados de procedimentos fiscais, a incidência submetese aos ditames da Lei nº 9.430/1996, corretamente aplicada pelo Auditor Fiscal nos autos em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Como visto do dispositivo transcrito, para a aplicação da multa no patamar de 75% basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 11 10 resulte falta de recolhimento do tributo ou contribuição, por parte da contribuinte. E é exatamente este o caso aqui tratado. Esclareçase que, igualmente ao atrás exposto, por estarem devidamente fundamentadas as exigências, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, “a” e III, “b” e § 1º, da Constituição Federal. Confirmando esse posicionamento, a Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dele fez constar o art. 62, o qual assim dispõe: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por fim, a matéria já está sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida e confirmando a multa de ofício aplicada à razão de 75%. DOS JUROS DE MORA À TAXA SELIC Como tema derradeiro a apreciar, insta ver a utilização, pela Autoridade Fiscal, dos índices relativos ao Sistema Especial de Liquidação e Custódia, ou Selic, para fins de cálculo dos juros de mora incidentes sobre os créditos tributários constituídos e o reclamo da recorrente contra tal procedimento. Rebelandose contra tal utilização, a defesa pontificou que “a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários”. Citou decisão do STJ e complementou afirmando que, “não obstante a posição sumulada pelo E. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Recorrente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal”. Pois bem, como bem suscitado pela própria recorrente, a matéria é pacificada no seio deste Tribunal, conforme Súmula CARF nº 4: SÚMULA Nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além disso, inúmeras decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, em Recurso Repetitivo consolidam tal entendimento, valendo ver: Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 12 11 RECURSO ESPECIAL Nº 879.844 MG (2006/01814150) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais (Precedentes: AgRg no Ag 1103085/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 03/09/2009; REsp 803.059/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 24/06/2009; REsp 1098029/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; AgRg no Ag 1107556/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no Ag 961.746/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2009, DJe 21/08/2009). 3. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. Pelo retratado, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida, ratificando a possibilidade de utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora incidentes sobre os créditos tributários constituídos pelos lançamentos de ofício aqui tratados. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 25 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 1101001.296 S1C1T1 Fl. 13 12 Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10510.000483/90-01
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 1996
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - A base de
cálculo dessa contribuição é a receita bruta, assim considerada o
faturamento do IPI e IUM, de acordo com a legislação de regência,
sendo este processo decorrente do TRPJ, dai reflete a insuficiência do
valor recolhido, devendo este processo seguir o decidido no processo
matriz, dada a causa de relação e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.850
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clélia Pereira de Andrade
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''-' , . ,\.,: MINISTÉRIO DA FAZENDA•.g - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘;'; ' '‘‘' PROCESSO N°. : 10510/000.483/90-01 RECURSO N°. : 82.924 MATÉRIA : FINSOCIAL FATURAMENRO - EX.: 1987 RECORRENTE: ANTONESCU SOARES PASSOS (FIRMA INDIVIDUAL) RECORRIDA : DRF - ARACAJU - SE SESSÃO DE : 15 DE ABRIL DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102 .3 0.. 8 5 Q FINSOCIAL FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - A base de cálculo dessa contribuição é a receita bruta, assim considerada o faturamento do IPI e IUM, de acordo com a legislação de regência, sendo este processo decorrente do TRPJ, dai reflete a insuficiência do valor recolhido, devendo este processo seguir o decidido no processo matriz, dada a causa de relação e efeito que vincula um ao outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTONESCU SOARES PASSOS (FIRMA INDIVIDUAL). ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de ' Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONI 0, DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE 41.1809-., _,_ MARIA CLELIA PEREIRA DE ANDRADE RELATORA FORMALIZADO EM: , 1 8 ABR 1996' Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: URSULA HANSEN, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e RAM1RO HEISE. NCA 3 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/000.483/90-01 ACÓRDÃO N°. : 102-3 0 . 8 5 0 RECURSO N°. : 82.924 RECORRENTE : ANTONESCU SOARES PASSOS (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO O presente processo já foi submetido ao exame da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu na sessão de 23.10.92, quando foi feito um relato completo das circunstâncias que envolvem o litígio (lançamento, impugnação e decisão singular) e se decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que a repartição de origem juntasse cópia da impugnação do lançamento do IRPJ. Relido, nesta oportunidade, o relatório da sessão anterior, é de se acrescentar que a diligência foi exemplarmente cumprida, vez que a repartição de origem anexou ao processo os documentos de fls. 131 a 180, incluindo a impugnação solicitada, vários documentos que embasaram a decisão ". quo" e a xerox do Acórdão N° 102-27.601, julgado por esta Câmara em sessão de 09.12.92,/ É o Relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/000.483/90-01 ACÓRDÃO N°. : 102-30. S5 0 VOTO CONSELHEIRA MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, RELATORA Cotejando-se os dados constantes de fls. 131 a 180, resultado da diligência proposta pela Resolução N° 201-3.709, em 23.10.92, com os demais documentos do processo e com todos os elementos que o compõem, constata-se que no processo matriz do qual esse é decorrente, a omissão de receita detectada através de levantamento do estoque realizado na empresa, conforme demonstrativo de fls. 04, sendo o cerne do lançamento no processo principal de N° 10510/000.484/90-66, a divergência na discriminação das notas fiscais das mercadorias, fato esse que demonstrou nítida contradição entre as mercadorias vendidas com as adquiridas, tratando-se, portanto, de produtos diferentes, deixando o contribuinte de cumprir no ato da emissão de notas fiscais de vendas, os requisitos do Ajuste SINIEF de 14.12.70. Não logrou o sujeito passivo através dos documentos apresentados infirmar o acerto da decisão recorrida, corroborada com a brilhante esplanação do Relator desta Câmara Francisco de Paula Correia Carneiro Giffoni no já mencionado Acórdão N° 102-27.601. Assim, há que ser reconhecida as razões de decidir da bem eleborada decisão de primeiro grau, fls. 114/116, que julgou o feito parcialmente prodecente, exonerando a empresa do FINSOCIAL no valor de 10,45 BTNF's, juntamente com a multa de 50% e demais acréscimos legais e considerando devido o FINS 1 CIAL relatiivo ao exercício de 1987, no valor de 46,04 BTNF' s e demais acréscimos legai / 3 i: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEMO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/000.483/90-01 ACÓRDÃO N°. : 102-0. 850 Em face de todo o exposto, entendo que a decisão da autoridade monocrática deve ser mantida por seus próprios fundamentos, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 15 de abril de 1996. dr,5 -.;:i MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE , 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000827/2006-70
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO RETROATIVA. DÉBITOS INSCRITOS EM DIVIDA ATIVA DA UNIÃO APÓS A OPÇÃO.
- A comprovação da inexistência de créditos tributários inscritos em Divida Ativa da União em situação de exigibilidade autoriza a opção pelo SIMPLES Inteligência do inciso XV, do art. 9°, da Lei n.° 9,317/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF, SÚMULA N.° 2.
- Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : SIMPLES. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO RETROATIVA. DÉBITOS INSCRITOS EM DIVIDA ATIVA DA UNIÃO APÓS A OPÇÃO. - A comprovação da inexistência de créditos tributários inscritos em Divida Ativa da União em situação de exigibilidade autoriza a opção pelo SIMPLES Inteligência do inciso XV, do art. 9°, da Lei n.° 9,317/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF, SÚMULA N.° 2. - Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-22T13:59:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-22T13:59:37Z; Last-Modified: 2010-09-22T13:59:37Z; dcterms:modified: 2010-09-22T13:59:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1b87e487-92c1-4d2d-a0a6-d9faa2d4c75b; Last-Save-Date: 2010-09-22T13:59:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-22T13:59:37Z; meta:save-date: 2010-09-22T13:59:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-22T13:59:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-22T13:59:37Z; created: 2010-09-22T13:59:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-22T13:59:37Z; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-22T13:59:37Z | Conteúdo => SI-CiTi Fl 1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA :.:54..M-à$1:,W CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ~SN/ PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 109.30.000827/2006-70 Recurso n" 505,041 Voluntário Acórdão n" 1102-00.272 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 02 de agosto de 2010 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES — Ex(s): 2005 Recorrente SÉRGIO RIBEIRO DA SILVA E CIA LTDA. Recorrida 2a, TURMA/DRI-CURITIBA/PR EMENTA: SIMPLES. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO RETROATIVA. DÉBITOS INSCRITOS EM DIVIDA ATIVA DA UNIÃO APÓS A OPÇÃO. - A comprovação da inexistência de créditos tributários inscritos em Divida Ativa da União em situação de exigibilidade autoriza a opção pelo SIMPLES Inteligência do inciso XV, do art. 9°, da Lei n.° 9,317/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF, SÚMULA N.° 2, - Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado., 1)". IVETE114.6_0.QUIA_V_ES-SOA MONTEIRO - Presidente. Ç,1\tf SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relator. EDITADO EM: ;'.) 3 SE T. 201a, Participaram, do julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sergio Gomes (Relatar), Silvana Rescigno Barreto (Relatora), Marco Antonio Pires, (Suplente Convocado) e Frederico de Moura Theophilo. 2 Processo n" 10930.000827/2006-70 S1-C1T1 Acórdão n.." 1102-00.272 Fl, 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto, em 28/07/09, com o objetivo de reformar decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba que, apesar de reconhecer a possibilidade de adesão ao SIMPLES para sociedades que exercem atividades de comercialização por conta própria de aparelhos de telefonia móvel e fixa e de prestação de serviços para operadora de telefonia móvel, manteve o indeferimento da solicitação de inclusão retroativa, em razão da constatação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União em situação de exigibilidade. Em suas razões, defende a Recorrente, em suma, que: Através da 6' Alteração do Contrato Social, datada de 17/01/05, alterou o seu objetivo social e apresentou as declarações necessárias para fins do art. 4°, da Lei n,° 9.841/99; Jamais recebeu qualquer informação ou notificação comunicando o seu não enquadramento e, em 31/05/06, apresentou Declaração Anual Simplificada; Houve o enquadramento da Recorrente no SIMPLES em 2005, pois, caso contrário não teria sido possível a entrega da PJSI 2006; Não sabe qual o momento em houve o desenquadramento, daí o pedido de enquadramento retroativo; A atividade que desenvolve não é vedada pela Lei ri.° 9.317/96; Os débitos de fls. 95/96 apenas foram inscritos em Dívida Ativa em 21/07/06, de sorte que não poderia ser fator impeditivo da adesão ao SIMPLES referente ao ano- calendário 2005/2006; Em 31/07/07, parcelou todos os seus débitos, em respeito à Instrução Normativa ft.' 755, de 19/07/07, que teve por objetivo ampliar o prazo para que os contribuintes pudessem regularizar seus débitos junto à Receita Federal do Brasil, e assim manter o enquadramento no SIMPLES; O indeferimento do enquadramento retroativo para o período de 2005/2006 violaria o princípio da isonomia.. É o relatório. 3 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO O recurso é tempestivo, passo a apreciá-lo. A Recorrente formalizou, em 31 de maio de 2006, pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, desde 2005, demonstrando a sua intenção no enquadramento através da apresentação da Sexta Alteração Contratual, registrada na Junta Comercial do Paraná em 24 de janeiro de 2005, contudo, seu pleito foi indeferido pela DRJ em razão da inscrição de Débitos em Dívida Ativa da União, datados de 21, de julho de 2006, A Lei n.° 9,317/96, em seu art. 90, inciso XV, impõe restrições à adesão ao SIMPLES, em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, nos seguintes termos, verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIA/IPLES, a pessoa jurídica. (...) XV — que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa,. A Recorrente defende que inexistiria empecilho para empresas com parcelamentos de débitos fiscais aderir ao SIMPLES e afirma que em 31 de julho de 2006 teria parcelado todos os seus débitos, cru respeito à determinação da Instrução Normativa n.° 755, publicada em 19 de julho de 2007. Compulsando os autos, constato que, na data da formalização do pleito, inexistia créditos tributários inscritos em Dívida Ativa da União em situação de exigibilidade, conforme provam os extratos de fis. 43/52, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o que afasta a aplicação do inciso XV, do art. 9°, da Lei n.° 9.317/96.. Por fim, e, apesar de despiciendo diante do reconhecimento do direito à opção do SIMPLES, registro que não é possível apreciar alegações de afrontas a comandos constitucionais, nos exatos termos da súmula n° 2, desse Colendo Conselho que a seguir transcrevo, verbis: "SÚMULA N" 2 do CARP. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Em face do exposto, especialmente da ausência de impedimento legal, dou provimento ao Recurso Voluntário para deferir o enquadramento no SIMPLES nos anos de 2005 e 2006, É como voto., S1LVANA RESCIGNP GUERRA BARRETO 4
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002825/2004-80
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1998
Ementa:
NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA
DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE
EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO..
A partir do momento em que constatada ocorrência de hipótese de exclusão
do Simples, por excesso de receita bruta, e não tendo a empresa
voluntariamente solicitado a sua exclusão do Sistema, cabe à Administração
Pública efetuá-la de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que o excesso
em questão tenha sido apurado em processo administrativo fiscal de
exigência de crédito tributário que esteja com exigibilidade suspensa em
razão de recurso administrativo,
LIMITE DE RECEITA BRUTA, EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Ultrapassado o limite legal da receita bruta estabelecido pela legislação do
SIMPLES, impõe-se a exclusão da empresa deste sistema de tributação
incentivada, com efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em
que ocorreu o excesso de receita,
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES,
Configura prática reiterada de infração à legislação tributária a prática
habitual e repetida de u'a mesma infração, de tal forma que fique
caracterizado o seu uso freqüente. Configurada a prática reiterada de inflação
à legislação tributária, impõe-se a exclusão cia empresa deste sistema de
tributação incentivada, com efeitos a partir, inclusive, do mês de sua
ocorrência,
Numero da decisão: 1102-000.262
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1998 Ementa: NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.. A partir do momento em que constatada ocorrência de hipótese de exclusão do Simples, por excesso de receita bruta, e não tendo a empresa voluntariamente solicitado a sua exclusão do Sistema, cabe à Administração Pública efetuá-la de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que o excesso em questão tenha sido apurado em processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário que esteja com exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo, LIMITE DE RECEITA BRUTA, EXCLUSÃO DO SIMPLES. Ultrapassado o limite legal da receita bruta estabelecido pela legislação do SIMPLES, impõe-se a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que ocorreu o excesso de receita, PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES, Configura prática reiterada de infração à legislação tributária a prática habitual e repetida de u'a mesma infração, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente. Configurada a prática reiterada de inflação à legislação tributária, impõe-se a exclusão cia empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência,
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EXCLUSÃO - Ex(s): 1998 Recorrente COMERCIAL FERNANDES LTDA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1998 Ementa: NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.. A partir do momento em que constatada ocorrência de hipótese de exclusão do Simples, por excesso de receita bruta, e não tendo a empresa voluntariamente solicitado a sua exclusão do Sistema, cabe à Administração Pública efetuá-la de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que o excesso em questão tenha sido apurado em processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário que esteja com exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo, LIMITE DE RECEITA BRUTA, EXCLUSÃO DO SIMPLES. Ultrapassado o limite legal da receita bruta estabelecido pela legislação do SIMPLES, impõe-se a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que ocorreu o excesso de receita, PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES, Configura prática reiterada de infração à legislação tributária a prática habitual e repetida de u'a mesma infração, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente. Configurada a prática reiterada de inflação à legislação tributária, impõe-se a exclusão cia empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 0 / IVE —047V —IAS' -3,SSOA MONTEIRO - Presidente tf: - ---,:-/-, JOÃO /O' 10 OPPERMANN THOMÉ - Relatar EDITADO EM: n i SET 2010 (. OPepspseorain mMonteiro T ho rt-réP(aP(R111-eiciesliala (Presidente). i João v slessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias CRaersicoisgndoe GLuienn Júnior ( Viiocseé- Psrée tsgi di oe nGteo)i,n.ef os ã(ostOlptláevnitoe Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). , , 2 Processo n 1 154.3 002825/2004-80 s -C1 T2 Acc:n dão n " 1102-00262 ri 2 Relatório Trata o presente processo de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, decorrente de representação fiscal feita em virtude dos fatos constatados no curso da ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0720100-2003-00928-9. Nesta ação fiscal foi feito o lançamento de ofício de crédito tributário por omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada, em conta mantida .junto a instituição financeira, de titularidade não comprovada, e por insuficiência de recolhimento correspondente à diferença do valor devido a título de SIMPLES sobre a receita originalmente declarada, em função dos novos percentuais aplicáveis em conseqüência da mudança de faixa da receita mensal ao nela se computar a parcela omitida. Desta forma, ao somar à receita declarada a receita omitida no ano-calendário de 1998, verificou a fiscalização que a empresa excedeu o limite legal para permanência no Simples, o que motivou a representação fiscal para sua exclusão desta sistemática a partir de 1999. Contudo, o Serviço de Orientação e Análise Tributária — Seort da DRF / Vitória, por meio do Parecer Seort/DRF/Vitória-ES n° 259/2005, propôs que a exclusão surtisse efeitos a partir de 01-01-1998, ao entendimento que a interessada "praticou reiteradamente infração à legislação tributária ao omitir, de jOrma contumaz, receitas, valores depositadas, utilizando-se, para tanto, de conta corrente bancária em nome de interposta pessoa", fls. 78, e foi nestes termos que foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/VTA n0 48/7005 fls.. 81. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade quanto à exclusão de ofício do Simples, fis, 85/91, na qual alega, em síntese, o seguinte: • Que o Ato Deelaratório é nulo de pleno direito, tendo em vista que foi proferido sem observar o direito do contraditório, pois a exclusão se deu antes que ela pudesse se manifestar sobre os fundamentos contidos no Parecer Seort/DRF/Vitória-ES n° 259/2005; • Que os fundamentos da exclusão foram extraídos do processo administrativo n" 11543,002838/2004-59, o qual foi objeto de recurso voluntário junto ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, e que, uma vez que o citado recurso possui efeito suspensivo, é vedado ao Fisco praticar' qualquer ato, direto ou indireto, de exigência do crédito tributário, bem como não é possível excluir a empresa do Simples antes de finalizado o processo administrativo no qual se discute a infração à legislação tributária, sendo nulo também o ato praticado por este motivo; • Que a Lei n° 9.317/96 não define o que vem a ser uma "prática reiterada de infração à legislação tributária". Assim, diante da vagueza do enunciado legal e considerando a necessária vinculação da Administração Tributária 3 com o princípio da legalidade, é lícito se valer da analogia paia equiparar a "prática reiterada de inflação à legislação tributária" com a "reincidência", termo este muito mais utilizado nos textos de lei que versam sobre tributos. Nesse sentido, urna vez que tanto a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI (art. 452 do Decreto n° 1638/98) quanto a legislação das contribuições sociais administradas pelo INSS (art.. 290 do Decreto n° 3.048/99) definem a reincidência como sendo a prática de nova inflação a um mesmo dispositivo, para que pudesse haver uma prática reiterada de infrações seria necessário que houvesse mais de um ato supostamente ilícito imputado ao contribuinte, o que não ocorre no presente caso, Logo, não pode prosperar o fundamento do ato declaratôrio, pois, mesmo que tenha ocorrido a inflação, o que ainda está sendo discutido no processo administrativo n° 11543,002838/2004-59, esta não pode ser considerada "reiterada", .já que inexiste a pluralidade de violações a um mesmo dispositivo de lei; o Que a alegada ultrapassagem do limite de receita bruta para permanência no Simples apurada no processo n° 11541002838/2004-59 teria se dado somente no ano de 1998, e não nos anos subseqüentes.. Desta forma, a exclusão não pode gerar efeitos a partir de 1° de janeiro de 1998 e prejudicar o contribuinte até o ano de 2005, já que seria plenamente lícito a ela optar novamente pelo Simples no ano de 2000 caso a exclusão fosse efetivada na época supostamente devida, não podendo haver, portanto, qualquer censura à sua opção a partir do ano precitado. Assim, a exclusão deve se limitar somente ao ano de 1999, vez que nos anos subseqüentes a própria SRE constatou que não houve ultrapassagem do limite de receita a que se refere a lei n° 9.317/96. A DRJ rejeitou a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa suscitada, confirmou a possibilidade de a administração tributária efetuar a exclusão de ofício mesmo antes de finalizado o processo administrativo no qual se discute a inflação à legislação tributária, e, no mérito, confirmou tanto a ocorrência de prática reiterada de infração à legislação tributária quanto o auferimento de receitas, no ano-calendário de 1998, em valor superior ao limite legal para permanência no Simples, de modo que julgou correta a exclusão do Simples efetuada pelo ADE com efeitos a partir de 1° de janeiro de 1998. Inconformada com esta decisão, a interessada interpôs recurso a este Conselho, no qual repisa os mesmos argumentos já expostos, à exceção da preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa.. E o relatório, 4 Processo n" 11543.002825/2004-80 S1-C1T2 Acórdão n " 1102-00262 Fi 3 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/05/2007 (fls. 100) e apresentou recurso a este Conselho em 06/06/2007, conforme carimbo de fls. 101. Deste modo, conheço do recurso por ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade. Protesta a recorrente que o Fisco não poderia ter excluído a empresa do Simples antes de finalizado o processo administrativo no qual se discute a infração que deu causa à exclusão. Neste ponto, não assiste razão à recorrente. Não há qualquer norma legal que impeça a atuação cio Fisco nestas circunstâncias, antes pelo contrário. A partir do momento em que o Fisco se defronta com alguma das vedações impostas pela Lei para opção ao Simples, e verifica que a empresa voluntariamente não solicitou a sua exclusão do Sistema, cabe à Administração Pública efetuá-la de ofício, mediante Ato Declaratório, conforme dispõe o § 30 do art.. 15, da Lei n° 9,317/96, assim redigido: ".sç 3 0 A exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo." Ao administrado, conforme visto, é assegurado o contraditório e a ampla defesa, os quais são exercidos a partir da instauração da fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto n° 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal. Tudo isto corresponde precisamente ao que ocorreu no presente caso, motivo pelo qual afasto a preliminar de nulidade argüida. Passo ao mérito. Conforme ADE de fls 81, os motivos que ensejaram a exclusão da recorrente do Simples foram dois, a saber: - ter ultrapassado o limite de receita bruta permitido para empresas de pequeno porte para a permanência no Simples (R$720.000„00) (letra "a" do inciso 11 do artA 3 c/c o inciso II do art.. 9', ambos da Lei n° 9..317/96); e - ter incidido em prática reiterada de infração à legislação tributária, ao omitir, de forma contumaz, receitas, caracterizadas por valores depositados em conta bancária de interposta pessoa (inciso V do art..14 da Lei if 9..317/96), 5 Conforme relatado, estes mesmos fatos ensejaram a lavratura de autos de infração contra a recorrente para a exigência de crédito tributário quanto aos fatos geradores relativos ao ano calendário de 1998, os quais encontram-se no processo administrativo fiscal n° 11543.002838/2004-59.. Consultando-se os autos do referido processo, verifica-se que, por ocasião do julgamento em primeira instância, a 5" Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro manteve o lançamento fiscal por seus fundamentos, mas declarou a decadência, quanto aos meses de janeiro a novembro de 1998, apenas no tocante ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, A decisão restou assim ementada, na parte relevante à análise: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9,430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, Configura evidente intuito de fraude o fato de o contribuinte efetuar reiterada movimentação de recursos mantidos a margem da contabilidade através de conta-corrente de interposta pessoa, visando a ocultação da ocorrência do fato gerador. Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de oficio. Por ocasião do julgamento em sede de recurso, a antiga 1" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes estendeu o alcance da decadência, também com relação aos meses de . janeiro a novembro de 1998, para todas as demais exações contidas no Simples, de modo que, ao final, restou mantido o lançamento fiscal exclusivamente quanto ao mês de dezembro de 1998, com multa qualificada, conforme Acórdão 101-96.341, de 14/09/2007, cuja ementa reproduzo abaixo: DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — Segundo jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência das contribuições sociais se submete às regras do CIN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA,. O ato de oficio que excluir a espontaneidade do sujeito passivo exclui também a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, independentemente de notificação. Pela sua maior clareza, reproduzo abaixo também o texto do respectivo acórdão: "ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votas, ACOLHER a preliminar de decadência de todas a exações em relação aos Jatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998, vencido o conselheiro Caio Marcos Cândido, que não a acolhia em relação a CUPINS e CSLL e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos cio relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Portanto, concluído o julgamento daquele processo, verifica-se que foi confirmado o auferimento de receitas omitidas no valor de R$ 1..11 L162,01, caracterizadas pelos depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que no julgamento administrativo tenha sido reconhecido que significativa parcela desta omissão estava albergada pelo instituto da decadência. A decadência afasta a possibilidade de o Fisco exigir os tributos devidos com base naqueles períodos, mas não tem o condão de negar a ocorrência do fato, qual seja, o auferimento de receita não declarada, Neste sentido, somando-se a receita bruta declarada pela 6 Processo n" 11543 002825/2004-80 S1-C11-2 Acórdão n " 1102-00262 Fl 4 empresa no ano-calendário de 1998, fis. 17, que corresponde a R$ 217.791,50, e a receita omitida, acima referida, verifica-se que foi ultrapassado o limite legal para a permanência da recorrente no Simples em 1998, fato que enseja a sua exclusão do regime, pelo menos, a partir de _janeiro de 1999. Quanto a estes fatos, nada trouxe de novo a recorrente ao presente processo que pudesse dar ensejo a entendimento diverso. Quanto ao segundo motivo constante do Ato Declaratório de Exclusão — prática reiterada de infração à legislação tributária, é fido que a Lei n° 9..317/96 não define expressamente o seu conceito. Contudo, não procede a analogia proposta pela recorrente com o instituto da reincidência, conforme definido na legislação de regência do IP1 (art. 70 da Lei n° 4..502/64).. Para a configuração da reincidência, nos termos daquele artigo, é necessário que exista decisão condenatória definitiva referente à infração anterior. Confira-se o teor do citado artigo: "Ari . 70_ Considera-se reincidência a nova infração da legislação do Impôsto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior A exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária, conforme inciso VII do art. 14 da Lei IV 9.317/96. Contudo, no caso do inciso V do mesmo artigo (prática reiterada de infração), não foi prevista a mesma exigência. Confira-se os dispositivos em questão: "Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses.- V - prática reiterada de infração à legislação tributária; VII - incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva Assim, afasta-se a pretensa analogia da reincidência com a "prática reiterada". Tratam-se de institutos distintos, estando uni expressamente definido em lei, e o outro não. Os dicionários definem o termo reiterar como "repetir", "renovar", "refazer". Contudo, seria uma leviandade entender que, para a configuração da prática reiterada de inflação, bastariam duas ocorrências de u'a mesma infração.. Parece-me que um bom caminho para interpretar o que se deva entender por "prática reiterada" encontra-se no CTN, que utiliza esta expressão no seu art. 100, verbis: "Art. 100. São normas complementares das leis, das tratados e das convenções internacionais e dos decretos, 7 III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas," Ora, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. E veja-se que aqui também não há uma definição de quantas vezes ela precisa ser repetidamente observada para que se constitua em uma "prática reiterada". Assim, entendo que, para fins de exclusão de uma empresa do Simples, deve- se verificar se a prática da inflação em questão é habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciando-se em um costume, E esta análise somente poderá ser feita caso a caso. Por fim, convém observar que os períodos a serem considerados para analisar a ocorrência ou não de reiteração, no caso do Simples, devem ser mensais, seja porque o período de apuração do Simples é mensal, seja porque é a própria Lei que, neste caso, menciona que a retroação da exclusão deve ser feita ao mês de ocorrência do fato em questão. No caso concreto, verificou-se que a recorrente movimentou, de forma contumaz e contínua, durante todos os meses do ano calendário, vultosos recursos, os quais fixam mantidos à margem da contabilidade por meio do uso de conta corrente de interposta pessoa, Desta forma, configurada a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme imputada pela autoridade administrativa que expediu o ADE de fls.. 81. Assim, nos termos do que dispõe o art. 15 da Lei n°9317/96, este fato enseja a exclusão da recorrente do Simples a partir do próprio mês de sua ocorrência, ou seja, a partir do mês de janeiro de 1998, exatamente como consta no Ato Declaratório ora contestado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário.. É como voto. João O v. Oppermann Tho.mé Relator 8
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Numero do processo: 13116.000896/2006-75
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 2000
ITR/2000. ADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área mesmo que fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na IN-SRF n° 43 de 07/05/1997 com a redação dada pelo art. 1° da IN-SRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa à área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°, da Lei n.° 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL.
A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL.
Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto o 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regulamente editados, pois é seu dever observá-los e aplicá-los, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 303-35.072
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher 911,1147 ha de área de preservação permanente e 1501,3680 ha de área de reserva legal, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Marciel Eder Costa
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ADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área mesmo que fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na IN-SRF n° 43 de 07/05/1997 com a redação dada pelo art. 1° da IN-SRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa à área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°, da Lei n.° 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa • previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto o . 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. També inca el às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regul ente editados, pois é seu dever observá-los e ap os, sob pe de responsabilidade - Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 146 funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher 911,1147 ha de área de p - ervação permanente e 1501,3680 ha de área de reserva legal, nos termos do voto do relat ir. rg'9 AN ' L DA Dl P I ETO •Preside two 11, (STA Relator Participaram, ainda, o presente julgamento, os Conselheiros Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto, Davi Machado Evangelista (Suplente) - Tarásio Campelo Borges. Ausente a Conselheira Nanci Gama. 1111 2 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 147 Relatório Pela clareza das informações prestadas, adoto o relatório (fls.98-102) proferido pela DRJ-BRASÍLIA/DF, o qual passo a transcrevê-lo: "Da Autuação Por meio do auto de infração/anexos de fls. 01/09, o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 494.561,95, correspondente ao lançamento do ITR do exercício de 2000, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 30/07/2004, incidente sobre o imóvel rural "Fazenda Gavião", sob o n° 3.149.002-6, com área de 7.555,0 ha, localizado no município de Cavalcante - GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2000 incidentes • em malha valor (Formulários de fls. 10 e 14), iniciou-se com a intimação de fls. 11/12, recepcionada em 18/05/2004 ("AR" de fls. 13), exigindo-se a apresentação, no prazo de 20 dias, dos seguintes documentos de prova: 1 0 - Laudo elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com a respectiva anotação junto ao CREA, informando, discriminadamente e individualmente, cada área do imóvel em questão que se enquadre no art. 2° da Lei nO 4.771/65 (área de preservação pennanente), redação dada pelo art. 1° da Lei 7.803/89, confonne art. 10, § 1°, inciso 1I, letra "a", da Lei 9.393/96; 2° - Licença Ambiental ou Parecer Técnico ou Registro do órgão competente, probatória das restrições a que se submete o imóvel caso este pertença à área de interesse ecológico ou de proteção ambiental, conforme art. 10, § 1°, inciso II, letra "b", da Lei 9.393/96; 30 - documentação probatória da averbação da reserva legal em Cartório de Registro de Imóveis, à margem da matrícula do imóvel, em data anterior à do fato gerador do O ITR (01/01/2000), conforme art. 10, §1°, inciso II, letra "a", da Lei 9.393/96 e art. 16, §2°, da Lei 4.771/65, com redação dada pelo art. 1°, da Lei 7.803/89; 4° - documento probatório do ingresso, junto ao IBAMA, da solicitação de emissão do Ato Decl aratório Ambiental; 5° - Nota Fiscal de venda ou transferência, ou outro documento qualquer, probatória da colheita oriunda do plantio feito durante o ano de 1999 no imóvel em questão, conforme art. 10, § 1°, inciso V, letra "a" da Lei 9393/96; e, 6° - Notas Fiscais de aquisição de vacinas (maio e novembro de 1999) ou cópia autenticada da Ficha de Controle de Vacinação da Agência Rural ou qualquer outro documento probatório da existência de gado em suas pastagens ao longo de ano de 1999, conforme art. 10, §1°, inciso IV, letra "b", da Lei 9.393/96 e art. 25 do Decreto n° 4.382/02; Por não ter sido apresentado qualquer documento de pro , a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, glosando integralmente as áreas dQaradas como itde preservação permanente (883,9 ha), como de utilização * • ada (2.115, comomo utilizadas com produtos vegetais (108,5 ha) e como utilizadas para sgçns (4.3 ,4 ha). 3 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls, 148 Desta forma, foi aumentada a área tributada do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização dessa nova área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado, bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,45% para 20,00%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 02. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 03, 06 e 07. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 14/08/2004 (AR de fls. 15), o contribuinte, por meio de representante legalmente constituído, doc. de fls. 31/33, apresentou em 14/09/2004, a impugnação de fls. 22/30, acompanhada dos documentos de fls.34, 35/43, 44/45, 46, 47/57, 58/65, 66/68, 69/76, 77, 78/79, 80/84, 85 e 86 alegando, em síntese, que: 1111 • preliminarmente, requer seja considerada a SUB-ROGAÇÃO, nos termos do artigo 130 do Código Tributário Nacional e na assunção expressa contida na Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 20 de Janeiro de 2.003, à empresa SANTA MARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob n.o 05.410.529/0001-05, registrada na JUCEG sob o n° 522.019.5308-3, em 29/11/2002, com sede à Rua T 36, n° 695, Edificio Aquarius Center, 15° andar, sala 1.501, Setor Büeno, Goiânia, Goiás; • no ano 2001, o referido imóvel foi vendido a NAÇOITAN ARAÚJO LEITE, que o vendeu a JORCELINO LEONEL DE PAIVA, que o transferiu a JUCELINO LIMA SOARES, que o vendeu, no ano de 2002 a OTÍLIO CUSTÓDIO DE OLIVEIRA que o transferiu através de Escritura Pública de Compra e Venda à empresa SANTA MARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, atual detentora do imóvel; • em processo de Fiscalização, a Receita Federal, Agência Anápolis, expediu Intimação ao Contribuinte detentor do imóvel no ano de 1.999, no sentido de comprovar as informações prestadas na DITR/2000, sem que referida exigência chegasse ao conhecimento da atual detentora do imóvel, culminando o referido procedimento no Auto de Infração que ora se Impugna; • transcreve o artigo 130 da Lei 5.172 de 25 de Outubro de 1.966, para concluir que a norma legal que rege a matéria é bastante clara ao tratar do assunto. Aquele que adquire bem imóvel toma-se responsável pelos tributos a ele inerentes; • demonstrada a Legitimidade Passiva, passa-se à análise e fundamentos do auto aplicado, provando-se item a item a inconsistência do auto aplicado, motivo pelo qual o lançamento deve ser reformado, e conseqüentemente canceland. • Auto de Infração dele decorrente; • após um breve relato dos fatos do auto de infração informa q - ao apresentar a DITR/00, da Fazenda Gavião, nos moldes em que o fez, em n@i-thum momen • contribuinte vislumbrou usufruir o beneficio fiscal indevidamente, prestando info açõ fundadas sobre 4 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 149 Preservação Permanente, Reserva Legal, Produção Agrícola e Utilização de Pastagens. O fez espelhando apenas e tão-somente a realidade deste prédio rústico, que já existia em 1999; • como se sabe, "Reservas Naturais" não podem ser constituídas e desconstituídas de um momento para outro, mas, ao contrário, são frutos de lento e paciente trabalho da natureza, ao longo dos anos; • conforme comprovado através do Laudo Agronômico e imagem de satélite que aos autos é colacionado, a Legislação Ambiental é plenamente cumprida no imóvel em comento. Suas matas ciliares, proteção de nascentes e morros são integralmente mantidas, em total respeito à natureza. Sua exploração é feita de forma correta, preocupando-se em produzir hoje, sem comprometer o desenvolvimento das gerações futuras. Quanto à Reserva Legal, Averbada desde 22 de agosto de 1994, faz jus à isenção prevista na Lei 9.393/96. Ao averbar e manter intacta a área a ela destinada, o contribuinte sacramentou o cumprimento de sua obrigação, pois a obrigação já fora cumprida muito antes da apresentação DITR/00; • a exigência do Ato Declaratório Ambiental também sucumbe, tendo em vista que a exigência fiscal fundamentada Lei n. ° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, não pode prosperar em respeito ao Princípio da Anterioridade da Lei. Sua eficácia não pode retroagir para prejudicar o contribuinte; • antes da entrada em vigor da lei supra mencionada, a exigência da comprovação da averbação da área de reserva legal se deu com o advento da Lei n° 9393/96, de forma implícita, por mera referência ao Código Florestal, não possuindo legislação específica a reger a matéria; • a aplicação de norma infralegal alterou elementos basilares do tributo, em 1, fragrante ofensa aos princípios da legalidade e da anterioridade tributários; • cita a alínea 'a' do inciso II do § I° do art. 10 da Lei 9.393/96 para dizer que a remissão ao Código Florestal visa, apenas, identificar o tipo de área que deve ser excluída da base de cálculo do tributo e não transportar da lei ambiental uma obrigação acessória nela prevista, para a legislação tributária; • a obrigação acessória de averbação da reserva legal não é o elemento condicionante da não tributação destas áreas, mas sim a real existência de "área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso", que é a definição legal da reserva legal trazida pelo Código Florestal e cuja remissão a Lei n° 9.393/96 contempla; • a averbação no Registro de Imóveis de tal área é exigência legal da lei florestal, cabendo penalidade do fiscal ambiental, se não realizada, mas não consta como exigência da lei tributária, em vigência à época, não podendo infralegal fazê-la, se a lei não a fez; • a corroborar entendimento neste sentido, transcrevel>julga s do Conselho de Contribuintes; • a Impugnante apresentou e a esta colaciona o to ecl rio Ambiental protocolizado junto ao IBAMA em 14 de setembro de 2004; . . . Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 150 • cristalino, portanto, o direito da Impugnante de usufruir a isenção do imposto referente às áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente, tendo em vista o cumprimento da legislação ambiental; • o cumprimento da obrigação acessória, averbar reserva à margem da Matricula, mesmo que fosse intempestiva, o que não foi, deve, obrigatoriamente, elidir o lançamento fiscal fundamentado em sua ausência; • no presente caso, tal assertiva é ainda mais verdadeira, pois os dois documentos (Certidão de Registro da Reserva Legal junto ao CRI e apresentação do ADA) visam apenas confirmar a real existência de reservas naturais na propriedade da Impugnante, o que poderia ser feito pela observação in loco do imóvel fiscalizado; • quanto à produção agrícola, deixa-se de apresentar documentos em face da pequena produção obtida em 1999, sendo insuficiente inclusive para consumo na propriedade; 11 • objetivando provar a existência do gado declarado, junta-se Declaração 1 1 expedida pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária; • diante do exposto, REQUER seja a presente impugnação acolhida, bem como provida, para reformar o lançamento, cancelando o Auto de Infração dele decorrente, por improcedente, em face da verdade material provada, com a apresentação da documentação probatória da existência das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente declaradas na DITR/00, bem como com a prova cabal de que a obrigação formal de averbação da Reserva Legal fora cumprida; da exploração racional e ecologicamente correta do imóvel; e, , • requer ainda, a juntada posterior de eventuais documentos que se fizerem necessários e demais produção de provas em direito admitidas. I Posteriormente, em 04/02/2005, apresentou os documentos de fls. 89/93, incluindo a Certidão de Matrícula do imóvel." 111 Cientificada em 28.08.2006 (AR de fl.125) da decisão de fls.97-109, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento, apenas para considerar as alterações cadastrais relativas à Ficha 6 — Atividade Pecuária (1.050 cabeça de animais bovinos e 4.200,00 ha de área utilizada como pastagens) para efeito de apuração de Grau de Utilização do imóvel, a empresa Contribuinte SOL VERMELHO AGROPECUÁRIA E PARTICIPAÇÕES S.A sucessora de Santa Maria Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda. apresentou Recurso Voluntário (fls.126-134) em 25.09.2006, alegando, em síntese, que sua Reserva Legal encontra-se devidamente averbada desde o ano de 1994, bem como foi apresentado o ADA — Ato Declaratório Ambiental das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal demonstrando a existência das referidas áreas, razão pela qual deve prevalecer a verdade material e que a exigência fiscal expressa no auto de infração não se funda em lei, mas em norma infralegal que alterou elementos basilares do tributo, em flagrante ofensa aos princípios tributários da legalidade e da anteriodade, motivo . - • qual deve ser cancelado. Apesar de a Recorrente ter procedido o arrol. , ento de k .135, em razão do Ato Declaratório Interpretativo da Receita Federal do Brasi.Lj° 9, de 05 de j o o de 2007 (DOU de 06/06/2007), afasta-se a exigência da garantia recursal. É o relatório. 6 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 151 Voto Conselheiro MARC1EL EDER COSTA, Relator Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por ser tempestivo e por tratar de matéria da competência deste Conselho. De início cabe esclarecer que a empresa Contribuinte nada mencionou em seu recurso sobre a área de produtos vegetais glosada pela fiscalização, bem como a área de 4.200,00 ha de pastagens atribuída pela 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília, razão pela qual referidas matérias encontram-se preclusas. Assim, a matéria discutida na fase recursal limita-se à ilegalidade da exigência do ADA - Ato Declaratório Ambiental ou mesmo os reflexos de sua entrega em atraso para as G áreas de PRESERVAÇÃO PERMANENTE e de RESERVA LEGAL, bem como a averbação dessa última na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, com relação ao ITR/2000. Entendo que ausência do ADA ou a entrega do mesmo em atraso para a área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada e que a falta de averbação da área de Reserva Legal na matrícula do imóvel ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tais áreas na apuração do valor do ITR, ainda mais quando o fisco não discute a materialidade, ou seja, a existência fisica das mesmas. Por isso, tenho que assiste razão à empresa Contribuinte. Com efeito, para efeito do ITR e da legislação ambiental, são consideradas áreas de interesse ambiental de utilização limitada, além das definidas no §4° do artigo 225 da Constituição Federal, àquelas segundo a Lei n° 9.393/96 (art.10,§1°,10 e seu Decreto regulador II/ de n°4.382/2002 (art.10), que NÃO serão consideradas para fins do ITR: 1- de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, cujo conceito encontramos nos arts. 2° e 3° da Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal - com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1°; II- de RESERVA LEGAL, definida no art. 16 do Código Florestal (Lei n°4.771/65) com a redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 1°; III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n°9.985, de 18 de 1 julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.166-67, • e I I 1); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistem. assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou esta. , .1, e zsr,...que ampliem as restrições de uso previstas nos in • s I e II do i: . ut deste artigo (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inci íne. " "); 7 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 152 VI- comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II, alínea " c" ). A teor do artigo 10, §7° da Lei 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-67/2001, cuja aplicação pretérita encontra respaldo no art. 106 do Código Tributário Nacional, basta a simples declaração do contribuinte para a isenção do ITR sobre as áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e daquelas sob regime de servidão florestal (alinas "a" e "d", do inciso II, §1°, art.10). Só haverá pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade da referida declaração. Observe: § 7°A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 Q, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declara cão não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Destacou-se) A glosa da fiscalização ocorreu em virtude do Contribuinte não ter apresentado o ADA no prazo de seis meses contados da data da entrega da DITR. Entretanto, parece de maior importância a efetiva comprovação de áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (Reserva Legal e Imprestável) por meio de provas idôneas, do que o simples registro das mesmas junto ao órgão ambiental, que nem sequer dispõe de estrutura para fins de fiscalização das quantidades fisicas alegadas pelo contribuinte. Outrossim, se fosse exigir o referido ADA em obediência ao Princípio da Estrita Legalidade, que se faça a partir da publicação da Lei 10.165/2000, que adotou a utilização do ADA para efeitos de exclusão das áreas de preservação permanente, de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural, de servidão florestal, de interesse ecológico e aquelas imprestáveis para a atividade rural, mas não em relação aos fatos geradores pretéritos. Veja: DECRETO n° 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II): 1- de preservação permanente (Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2° e 3°, com a redação dada pela Lei 7.803, 18 de julho de 1989, art. 1°); II - de reserva legal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 19; III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n°9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n°1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, rt. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dof- ecossistemas, ass declaradas mediante ato do órgão competente, Mera estad e 8 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 153 que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II, alínea " b" ); VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II, alínea " c" ). (.) § 3° Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n° 6.938. de 31 de agosto de 1981. art. 17-0, § 5°. com a redacão dada pelo art. 1° da Lei n°10.165. G de 27 de dezembro de 2000); e II- estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. LEI N° 6.938/81- Política Nacional do Meio Ambiente: redação determinada pela Lei 10.165, de 27/12/2000: Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria. § 1 o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser 411 efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos, pelo contribuinte, para pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama. § 3o Nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O não-pagamento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos da Lei no 8.005, de 22 de março de 1990. sf 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de oficio, novo ADA contendo os dados efetivamente levantados, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências decorrentes. Assim sendo, é descabida a exigência do ADA pretendida la autoridade fiscal, ainda mais quando não contesta a efetiva existência . áreas glosa , devendo ser considerada a área de 911,1147 hectares de Preservaç Printe i icada no Laudo 9 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 154 Técnico de fl.74 e no ADA de fl.86, ao invés da glosa total procedida pela fiscalização, fazendo-se a devida anotação na DITR/2000. Com relação à área de Reserva Legal, não é demais ressaltar que tal área, segundo conceito extraído do art. 1°, inciso III, com redação determinada pela MP 2.166-67 de 24/08/2001 do Código Florestal corresponde à área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. No presente caso, está devidamente averbada desde 22.08.1994 na matrícula do imóvel a área de 1.501,3680 hectares correspondente à Reserva Legal (certidão de matrícula de fls.91-94), que também restou corroborado pelo Laudo Técnico de fls.70-78 elaborado por profissional habilitado acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART e pelo ADA de fl.86. • Parece inconteste, então, que uma área de Reserva Legal, estipulada em 1.501,3680 hectares, existia e estava preservada à época do fato gerador do tributo que aqui se discute. Pelos argumentos trazidos pela DRJ — Brasília/DF, a glosa da fiscalização deu- se por motivos semelhantes ao da área de Preservação Permanente acima expostos, ou seja, não apresentação do ADA no prazo de seis meses contados da data da entrega da DITR, bem como a não averbação da referida área na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador do tributo. Com efeito, tem-se como certo que a manutenção de uma área de no mínimo 20% (vinte por cento) da área total do imóvel já estava prevista no Código Florestal, Lei n° 4.771, de 15/09/65, com suas posteriores alterações. É fato inconteste que a falta da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel não desobriga o contribuinte de respeitá-la e, por conseguinte, aproveitar-se das deduções fiscais. (Precedentes do E. Segundo Conselho de Contribuintes). Ora, não se tem notícia, nestes autos, de que o Contribuinte tenha cometido qualquer infração à lei ambiental, que também estabeleceu a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Pelo contrário, comprovou o Contribuinte que procedeu a averbação da área de Reserva Legal, como se vê da certidão de matrícula de fls.91-94. Destarte, se houvesse algum descumprimento da norma pela Recorrente, em relação à averbação na matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis, ou mesmo a obtenção do ADA fora do prazo, trata-se, efetivamente, de procedimento acessório, que não pode implicar, certamente, na imposição de tributo, multas punita,e. Não se pode desconhecer que a condição de "área de rese legal" não decorre nem da sua averbação no Registro de Imóveis, nem da vontade do contri • te, mas sim de texto expresso de lei. 10 . . Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 155 Sendo assim, há que se excluir tais áreas da tributação, conforme estabelecido na legislação de regência, ou seja, Lei n° 9.393/96, alterada pela Medida Provisória n° 2.166- 67, de 24/08/2001, in verbis: Art. 10. (.) ssç' I° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservacão permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989. de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim • declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal. (grifou-se) Existindo tais áreas, não tendo ficado comprovada qualquer falsa declaração do Contribuinte, há que se promover a apuração do ITR excluindo-se as mesmas da tributação, independentemente de qualquer procedimento acessório (averbação no Registro de Imóveis, emissão de ADA, etc.). , Esta colenda Câmara já manifestou posição, afastando a exigência da 1 apresentação do ADA, no prazo pretendido pelo fisco de seis meses da entrega da DIRT para as áreas de PRESERVAÇÃO PERMANENTE ou a averbação na matrícula do imóvel quando do fato gerador para as áreas de RESERVA LEGAL, se restou comprovada a efetiva existência ilè de tais áreas ou se a existência delas não foi contestada pelo fisco. A primeira e a segunda Câmara seguem o mesmo rumo. ITR/1998. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DE ADA. A isenção quanto ao ITR independe de prévia comprovação das áreas declaradas. Não encontra base legal a exigência de requerimento de ADA ao IBAMA como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR. No caso concreto não foi contestada a existência da área de preservação permanente pela fiscalização ou pela decisão recorrida. Houve comprovação documental da existência da área. (...) (Acórdão 303-33181, Rel. Zenaldo Loibman, julgado em 25/05/2006, processo n° 10620.001323/2002- 47 3' Câmara). ITR/1997. NÃO AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DE ADA. '\, A isenção quanto ao ITR independe de r bação da áre de reserva legal no Registro de Imóveis. A exigência de requerimento de A A aoAMA co requisito p- Bara o \ reconhecimento de isenção do ITR não encontra base lega . No ca co to foi demonstrada çs 11 Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 156 a existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente através de provas documentais idôneas. Recurso Provido (Acórdão 303-32552, Rei Zenaldo Loibman, julgado em 10/11/2005, processo n° 10680.010798/2001-39, 3 5 Câmara). ITR EXERCÍCIO 1999. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR nos casos de áreas de reserva legal e de preservação permanente, teve vigência apenas a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 17-0 da Lei n° 6.938/81, na redação do art. 10 da Lei n° 10.165/2000. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇAO PERMANENTE. Constatada a apresentação de laudo técnico que comprova a existência de área de preservação permanente. Efetuada a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, é lícita a redução dessa área da incidência do imposto, visto que a lei não estabeleceu como condicionante que a averbação seja providenciada até o momento de ocorrência do fato gerador do imposto. RECURSO PROVIDO (Acórdão 301-32384, Rel. José Luiz Novo Rossari, processo n° 11075.002216/2003-11, P Câmara). GLOSA DE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (ÁREA DE RESERVA LEGAL, ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÓNIO NATURAL E ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO). LANÇAMENTO DECORRENTE DE DIFERENÇAS CONSTATADAS ENTRE DADOS INFORMADOS NA DITR E NO ADA. A rigor não há nenhuma superioridade em termos de credibilidade entre a declaração de ITR (DITR) apresentada pelo contribuinte à SRF e as informações fornecidas pelo mesmo ao IBAMA por ocasião do protocolo do pedido de Ato Declaratório Ambiental. Tendo sido trazido aos autos documentos hábeis, inclusive revestidos das formalidades legais, que comprovam serem as utilizações das terras da propriedade aquelas declaradas pelo recorrente, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão n° 302-37646, Rel. Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, julgado em 20/06/2006, processo n° 10855.004782/2003-18, 2' Câmara). (Grifou-se) Assim sendo, descabida é a exigência da autoridade fiscal, ainda mais quando não contesta a efetiva existência das áreas glosadas, devendo ser considerada a área de 1.501,3680 hectares de Reserva Legal (Utilização Limitada) indicada na matrícula do imóvel (fl.94), no Laudo Técnico (f1.74) e no ADA (fl.86) ao invés da glosa total procedida pela fiscalização, adequando-as na DITR/2000. Quanto à argüição de inconstitucionalidade e ilegalidade de de legislação infraconstitucional não cabe às autoridades administrativas analisar tal matéria que é de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regularmente editados, pois é seu dever observá-los e aplicá-los, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso or ser tempestivo, e no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para • - scartar a exig cia da apresentação do ADA no prazo de seis meses após da entrega da D T • • a averb o na matrícula do imóvel em momento anterior ao fato gerador, quando c. prov. • tiva existência das 12 • , r Processo n° 13116.000896/2006-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.072 Fls. 157- áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, para fins de isenção do ITR- Imposto Territorial Rural, reconhecendo o mo demonstrada uma área de 911,1147 hectares de Preservação Permanente e ou,. e " 1.501,3680 hectares de Utilização Limitada (Reserva Legal), que deverão ser re ,, , . e excluídas do lançamento fiscal e devidamente distribuídas na DIRT/2000. É COMO O e .1 Sala das es 014 P ) de jan - iro de 2008 RO 1 \ il I • k -1 • 1\1 . TA - R, ator 1 • 1 ilè 13
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Numero do processo: 10120.011287/2007-75
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Grupos econômicos se caracterizam por subordinação e/ou por coordenação.
GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO.
O sócio oculto de Sociedade em Conta de Participação não responde solidariamente pelos débitos do sócio ostensivo.
Para atribuição de responsabilidade a pessoa física, necessário se faz demonstrar a infração ao artigo 135 do CTN, ou o interesse comum de que trata o artigo 124, I do CTN.
SOLIDARIEDADE.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
RESPONSABILIDADE PESSOAL.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO
O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier.
Numero da decisão: 2403-001.959
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, mantendo a tributação da retenção. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. b) Por maioria de votos em negar provimento ao recurso para manter como devedores solidários EBM incorporações S/A e ORBX Incorporadora S/A. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. c) Por maioria de votos em dar provimento ao recurso para excluir da condição de devedores solidários a empresa Opus Incorporadora LTDA (anteriormente denominada LOGICAL) e as pessoas físicas: Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus e Dener Alves Justino. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wandeley Landim. d) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para excluir da condição de devedores solidários as seguintes pessoas físicas: Cristiano Roriz Câmara, Bento Odilon Moreira, Adriano Alves Justino, Elbio Moreira e Bento Odilon Moreira Filho.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Carolina Wanderley Landim
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Grupos econômicos se caracterizam por subordinação e/ou por coordenação. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO. O sócio oculto de Sociedade em Conta de Participação não responde solidariamente pelos débitos do sócio ostensivo. Para atribuição de responsabilidade a pessoa física, necessário se faz demonstrar a infração ao artigo 135 do CTN, ou o interesse comum de que trata o artigo 124, I do CTN. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier.
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decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, mantendo a tributação da retenção. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. b) Por maioria de votos em negar provimento ao recurso para manter como devedores solidários EBM incorporações S/A e ORBX Incorporadora S/A. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. c) Por maioria de votos em dar provimento ao recurso para excluir da condição de devedores solidários a empresa Opus Incorporadora LTDA (anteriormente denominada LOGICAL) e as pessoas físicas: Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus e Dener Alves Justino. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wandeley Landim. d) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para excluir da condição de devedores solidários as seguintes pessoas físicas: Cristiano Roriz Câmara, Bento Odilon Moreira, Adriano Alves Justino, Elbio Moreira e Bento Odilon Moreira Filho. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Carolina Wanderley Landim Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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OBRIGATORIEDADE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Grupos econômicos se caracterizam por subordinação e/ou por coordenação. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO. O sócio oculto de Sociedade em Conta de Participação não responde solidariamente pelos débitos do sócio ostensivo. Para atribuição de responsabilidade a pessoa física, necessário se faz demonstrar a infração ao artigo 135 do CTN, ou o interesse comum de que trata o artigo 124, I do CTN. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 12 87 /2 00 7- 75 Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 2 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, mantendo a tributação da retenção. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. b) Por maioria de votos em negar provimento ao recurso para manter como devedores solidários EBM incorporações S/A e ORBX Incorporadora S/A. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. c) Por maioria de votos em dar provimento ao recurso para excluir da condição de devedores solidários a empresa Opus Incorporadora LTDA (anteriormente denominada LOGICAL) e as pessoas físicas: Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus e Dener Alves Justino. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wandeley Landim. d) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para excluir da condição de devedores solidários as seguintes pessoas físicas: Cristiano Roriz Câmara, Bento Odilon Moreira, Adriano Alves Justino, Elbio Moreira e Bento Odilon Moreira Filho. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Carolina Wanderley Landim Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0325.549 da 5ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O acórdão excluiu o Sr. Wanderley Borges de Melo, da relação de co responsáveis (responsável solidário). Observase, entretanto, que o Sr. Wanderley Borges de Melo, conforme documento anexado às fls. 652, renunciou ao cargo de Diretor da Empresa ORBX Incorporadora S/A, em 18 de novembro de 2002, não tendo participação da administração do Grupo, no período do lançamento fiscal, devendo, portanto ser retirado da relação de coresponsáveis (responsável solidário). A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito tributário, lançado contra a empresa RESIDENCIAL PRAÇA DO SOL S/A E OUTROS, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, no período de 01/05 a 06/07, incidentes sobre cessão de mãodeobra. O montante da presente notificação corresponde a R$ 91.345,27 (noventa e um mil, trezentos e quarenta e cinco reais e vinte e sete centavos), consolidado em 31/08/2007. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 153/161, o débito constante na presente notificação referese às contribuições não recolhidas pela referida empresa, relativas à retenção de 11% (onze por cento), incidentes sobre cessão de mãodeobra, aferidas sobre o valor das Notas Fiscais de Serviço — NFS emitidas pela empresa EBM Incorporadora S/A. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a empresa Residencial Praça do Sol utilizase de trabalhadores cedidos pela EBM INCORPORADORA S/A, em serviços de secretaria e expediente, na área administrativa, em atividades como: secretaria, telefonista, escrituração, preparo de documentação, arquivo de documentação, almoxarifado, compra de materiais, distribuição de materiais, controle, contratação, recepção de clientes, escrituração, contabilização etc. A Empresa Praça do Sol manteve apenas um trabalhador administrativo, um "apontador". Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 4 Os pagamentos são contabilizados sob a denominação de "taxa de administração". Nas notas fiscais fornecidas pela EBM constam "taxa de administração de custo" ou "taxa de administração de carteira". No contrato assinado em 10 de setembro de 2004, em sua cláusula oitava, consta que a EBM deve "executar os trabalhos das obras" e fornecer "mãodeobra técnica e administrativa necessárias à execução de todos os serviços". Durante a ação fiscal, ficou constatado que o serviço de acompanhamento e administração da obra foi executado por outras pequenas empresas de engenharia como os engenheiros: Glauco Magalhães, Tânia Tome e Fernando Souza Gomes; c que os serviços prestados pela RUM foram de execução da obra e de cessão de mãodeobra administrativa. Portanto, os serviços prestados pela EBM não se enquadram em "administração de obra", não estando excluídos da obrigação de retenção e recolhimento dos 11% (onze por cento) previstos na legislação previdenciária: inciso XXII do art. 146 da IN/MPS/SRP R"03/2005, inciso XXII do art. 155 da IN/INSS/DC n." 100/2003 c na letra w do item 12.1 da OS/INSS/DAE n.° 209/99. Ficou constatado, também, que a empresa Residencial Praça do Sol manteve apenas um empregado — um apontador — que atua no mesmo endereço do canteiro de obras de sua única incorporação: Residencial Ventana do Sol. Assim, sobre o valor bruto dos serviços — NFS, no período de janeiro de 2005 a junho de 2007, foi calculada a contribuição de 11% (onze por cento), visto que a cedente não fornece material ou equipamento. A constituição e o funcionamento da empresa Praça do Sol está minuciosamente descrita no Relatório Fiscal às fls. 155/157, tendo a fiscalização caracterizado as empresas envolvidas como GRUPO ECONÔMICO, ante o interesse comum na construção e na situação que constituiu os figos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Dessa forma, o presente débito foi lavrado em nome dos responsáveis solidários: ORBX INCORPORADORA S/A; EBM INCORPORADORA S/A, OPUS INCORPORADORA LTDA (LOGICAL); CRISTIANO ROR/Z CÂMARA; BENTO ODILON MOREIRA; DENER ALVARES JUSTINO (logical/OPUS); ADRIANO ALVARES JUSTINO (Logical/OPUS); CLEUNER TEIXEIRA DE SOUZA(Residencial e ORBX); JOÃO BATISTA VIEIRA DE JESUS (Residencial) . ELBIO MOREIRA (EBM); BENTO ODILON MOREIRA FILHO (EBM) E WANDERLEY BORGES DE MELO (ORBX). Os responsáveis solidários foram devidamente notificados, conforme documentos de lis. 163/183 e AR, fls. 184/196. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 4 5 Inconformada com a decisão, as recorrentes apresentaram recurso voluntário, onde alegam, em síntese, que: ORBX INCORPORADORA e EBM INCORPORAÇÕES S/A.: · Questionam grupo econômico e responsabilidade solidária. · Impossibilidade De Haver A Responsabilização Solidária Da Recorrente OPUS INCORPORADORA LTDA., CRISTIANO RORIZ CÂMARA, BENTO ODILON MOREIRA, DENER ÁLVARES JUSTINO e ADRIANO ÁLVARES JUSTINO · Não formação de grupo econômico. · Não responsabilização de sócio em sociedade por conta de participação. · Não responsabilização de pessoa que jamais figurou no quadro societário da empresa autuada. CLEUNER TEIXEIRA DE SOUZA e JOÃO BATISTA VIEIRA DE JESUS · Não formação de grupo econômico · Não responsabilização de sócio em sociedade por conta de participação ELBIO MOREIRA e BENTO ODILON MOREIRA FILHO · Não formação de grupo econômico · Não responsabilização de pessoa que jamais figurou no quadro societário da empresa autuada Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 6 RESIDENCIAL PRAÇA DO SOL S/A · O relatório fiscal da NFLD é bastante obscuro e não faz maiores comentários acerca de alguns pontos considerados imprescindíveis à constituição dos créditos previdenciários · Questiona o grupo econômico. · Questiona a inclusão de Sociedade por Conta de Participação no Grupo Econômico · Questiona a obrigatoriedade da retenção e a responsabilidade tributária.. · Ausência de notificação às prestadoras de serviços – EBM. É o relatório Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Os recursos são tempestivos e por não haver óbice ao conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente alega que o relatório fiscal da NFLD é bastante obscuro e não faz maiores comentários acerca de alguns pontos considerados imprescindíveis à constituição dos créditos previdenciários. Não concordo com a recorrente pelas razões abaixo. A autuação tem a finalidade de registrar a ocorrência de infração à legislação por descumprimento de obrigação. A atividade administrativa de lavratura da autuação é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade fiscal, no desempenho de suas atribuições, ao constatar a ocorrência de uma infração deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, efetuar o lançamento. Pois bem, a legislação determina requisitos a serem exigidos para a lavratura da autuação. Decreto 3.048/1999: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Portanto, clareza, precisão, circunstâncias em que foi praticada a infração são requisitos que devem, por determinação legal, constar da lavratura da autuação. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 8 Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ... LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Nesse sentido, verificando o processo, com destaque para o Relatório Fiscal e seus anexos, constato a presença de todos elementos necessários ao entendimento do lançamento e a ausência de prejuízo à recorrente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – RETENÇÃO 11% CESSÃO DE MÃO DE OBRA A empresa questiona a responsabilidade tributária de efetuar a retenção e recolhêla. Afirma que se trata de incorporação imobiliária e que as "atividades de secretaria, controle, expediente e escritório", citadas no item 6 do relatório fiscal, e acolhidos pelo acórdão, são inerentes à atividade de incorporação de obra, especificamente no que concerne à administração de obra. Questiona também os atributos “serviços contínuos, de necessidade permanente”. Enfim, afirma que não estava obrigada a efetuar a retenção de que trata o artigo 31 da Lei 8.2121/91 por prestar serviço de administração da obra. A legislação estabelece que a partir de 02/1999, na forma do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, a empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher ao INSS a importância retida, em nome da empresa contratada: Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 6 9 “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33”. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (sem grifos no original). ... §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). A retenção sempre se presume feita, segundo o artigo 33, § 5º, in verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 10 omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei”. Ademais, com a nova redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 9.711/98, não há mais que se falar em responsabilidade solidária ou subsidiária, como apontado pelo defendente, pois se estabeleceu nova sistemática de tributação quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, restando reconhecida a legalidade e constitucionalidade desta norma pelo Supremo Tribunal Federal, conforme ementa transcrita abaixo: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: SEGURIDADE. RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Lei 8.212/91, art. 31, com a redação da Lei 9.711/98. I. Empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra: obrigação de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 2 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra: inocorrência de ofensa ao disposto no art. 150, § 7º, art. 150, IV, art. 195, § 4º, art. 154, I, e art. 148. II. R.E. conhecido e improvido (RE 393946/MG Rel: Min. CARLOS VELLOSO, DJ 01/04/2005) O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse, em relação à matéria, no mesmo sentido: "116020647 – PREVIDENCIÁRIO – CONTRIBUIÇÃO – EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – LEI Nº 9.711/98 – 1. Nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98, não alterou a fonte de custeio, nem elegeu novo contribuinte. 2. A alteração foi apenas da sistemática de recolhimento, continuando a contribuição previdenciária a ser calculada pela folha de salário, tendo como contribuinte de direito a empresa prestadora do serviço de mãodeobra. 3. A nova sistemática impôs ao contribuinte de fato a responsabilidade pela retenção de parte da contribuição, para futura compensação, quando do cálculo do devido. 4. Sistemática que se harmoniza com o disposto no art. 128 do CTN. 5. Recurso Especial provido. (STJ – RESP 433814 – SP – 2ª T. – Relª Min. Eliana Calmon – DJU 19.12.2002) 16014676 – TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS – ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98 – NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 7 11 BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO – 1. A Lei nº 9.711, de 20/11/1999, que alterou o art. 31, da Lei nº 8.212/1991, não criou qualquer nova contribuição sobre o faturamento, nem alterou a alíquota, nem a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 2. A determinação do mencionado artigo 31 configura, apenas, uma técnica de arrecadação da contribuição previdenciária, colocando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. 3. O procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal, haja vista que, apenas, obriga a empresa contratante de serviços a reter da empresa contratada, em benefício da previdência social, o percentual de 11% sobre o valor dos serviços constantes da nota fiscal ou fatura, a título de contribuição previdenciária, em face dos encargos de Lei decorrentes da contratação de pessoal. 4. A prestadora dos serviços, isto é, a empresa contratada, que sofreu a retenção, procede, no mês de competência, a uma simples operação aritmética: De posse do valor devido a título de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento, diminuirá deste valor o que foi retido pela tomadora de serviços; se o valor devido a título de contribuição previdenciária for menor, recolhe, ao GRPS, o montante devedor respectivo, se o valor retido for maior do que o devido, no mês de competência, requererá a restituição do seu saldo credor. 5. O que a Lei criou foi, apenas, uma nova sistemática de arrecadação, embora mais complexa para o contribuinte, porém, sem afetar as bases legais da entidade tributária material da contribuição previdenciária. 6. Recurso não provido. (STJ – RESP 439155 – MG – 1ª T. – Rel. Min. José Delgado – DJU 23.09.2002) Assim, a retenção de 11% sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços mediante empreitada ou cessão de mãodeobra consiste em obrigação tributária. Caso a empresa contratante não efetue a retenção, assumirá este ônus. A obrigação em questão é da empresa tomadora do serviço. A notificação à empresa prestadoras de serviços (EBM), para esta obrigação, não procede (a questão do grupo econômico será abordada adiante). No caso concreto, entendo caracterizada a cessão de mão de obra. O “Contrato para Construção de Obra pelo regime de Administração de Obra com Preço Alvo ou Dispêndio Limitado”, folhas 85 a 96 é citado pela recorrente como prova da modalidade de construção por administração. As Instruções Normativas INSS/DC 100/2003 e SRP nº 3/2005, vigentes à época dos fatos geradores, estabelecem que não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 12 IN INSS/DC 100/2003 Seção XI Da Retenção na Construção Civil Art. 178. Sujeitase à retenção de que trata o art. 149 a prestação de serviços mediante empreitada parcial ou subempreitada de obra de construção civil e de empreitada, total ou parcial, ou subempreitada de serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material. Art. 179. Não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de: I administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras; ... Parágrafo único. Quando na prestação dos serviços relacionados no inciso XIII do caput, houver emissão de nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços relativa à mão deobra utilizada na instalação do material ou do equipamento vendido, os valores desses serviços integrarão a base de cálculo da retenção. (Com a retificação publicada no DOU:30.04.2004) Art. 180. Havendo, para a mesma obra, contratação de serviço relacionado no art. 179 e, simultaneamente, o fornecimento de mãodeobra para execução de outro serviço sujeito à retenção, aplicarseá a retenção apenas a este serviço, desde que o valor de cada serviço esteja discriminado em contrato. Parágrafo único. Não havendo discriminação no contrato, aplicarseá a retenção a todos os serviços contratados. IN 3/2005 Retenção na Construção Civil Art. 169. Na construção civil, sujeitase à retenção de que trata o art. 140, observado o disposto no art. 172: I a prestação de serviços mediante contrato de empreitada parcial, conforme definição contida na alínea "b" do inciso XXVIII, do art. 413; II a prestação de serviços mediante contrato de subempreitada, conforme definição contida no inciso XXIX, do art. 413; III a prestação de serviços tais como os discriminados no Anexo XIII; IV a reforma de pequeno valor, conforme definida no inciso V do art. 413. Art. 170. Não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de: I administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras; Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 8 13 ... Art. 171. Caso haja, para a mesma obra, contratação de serviço relacionado no art. 170 e, simultaneamente, o fornecimento de mãodeobra para execução de outro serviço sujeito à retenção, aplicarseá a retenção apenas a este serviço, desde que os valores estejam discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Parágrafo único. Não havendo discriminação na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, aplicarseá a retenção a todos os serviços contratados. Ocorre que os serviços prestados pela EBM faticamente não correspondem à administração da obra. Foi verificado pela fiscalização e consta do Relatório Fiscal que, de fato, o serviço de acompanhamento e administração da obra é executado por outras pequenas empresas de engenharia, como os engenheiros Glauco Magalhães, Tânia Tome e Fernando Sousa Gomes, que são pagos pela empresa Praça do Sol. Também consta que o serviço prestado pela EBM é de execução de obra e de cessão de mão de obra administrativa, visto que os empregados da EBM executam serviços administrativos, preparam documentos, arquivam, contabilizam, compram, vendem, atendem às fiscalizações da empresa Praça do Sol. 9 A empresa Praça do Sol contabilizou pagamentos desses serviços sob a denominação "taxa de administração". Nas NFS fornecidas pela EBM consta "taxa de administração de custo" ou "taxa de administração de carteira". Foi apresentado um contrato assinado com a EBM em 10.092004, fis.85 a 96, onde consta, em sua Clausula Oitava, fis.93, que a EBM deve "executar os trabalhos das obras" e fornecer "mãodeobra técnica e administrativa necessária à execução de todos os serviços". Durante a ação fiscal, verificouse que, de fato, o serviço de acompanhamento e administração da obra é executado por outras pequenas empresas de engenharia, como os engenheiros Glauco Magalhães, Tânia Tome e Fernando Sousa Gomes, que são pagos pela empresa Praça do Sol. Também, constatouse nesta ação fiscal desenvolvida no escritório goiano da EBM, à Av 136 n.960 andares 15 e 18 do Edificio Executive Tower S.Marista Goiânia GO, que o serviço prestado pela EBM é de execução de obra e de cessão de mão de obra administrativa, visto que os empregados da EBM executam serviços administrativos, preparam documentos, arquivam, contabilizam, compram, vendem, atendem às fiscalizações da empresa Praça do Sol. Portanto, o serviço prestado pela EBM não se enquadra em "administração de obra", não estando excluído da obrigação de retenção e recolhimento de 11%, ou seja, não se enquadra na listagem das Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 14 seguintes normas: art.I70 da IN/MPS/SRP n.03/2005, art.I79 da IN/INSS/DC n.100/2003 e nem 16 da OS/INSS/DAF n209/99. Segundo o Relatório Fiscal, foi constatado que a empresa Praça do Sol manteve apenas um trabalhador administrativo. A EBM presta todos os serviços de escritório, secretaria e expediente necessários à empresa Praça do Sol, liberando a contratante, inclusive, de manter seu próprio escritório, área administrativa e trabalhadores em atividades de secretaria e administração necessárias à empresa, como: secretaria, telefonista, escrituração, preparo de documentação, arquivo de documentação, almoxarifado, compra de materiais, distribuição de materiais, controle, contratação, recepção de clientes, escrituração, contabilização etc. 7 O débito constante na presente NFLD referese às contribuições não recolhidas, aferidas sobre o valor das Notas Fiscais de ServiçoNFS da empresa EBM. A EBM presta todos os serviços de escritório, secretaria e expediente necessários à empresa Praça do Sol, liberando a contratante, inclusive, de manter seu próprio escritório, área administrativa e trabalhadores em atividades de secretaria e administração necessárias à empresa, como: secretaria, telefonista, escrituração, preparo de documentação, arquivo de documentação, almoxarifado, compra de materiais, distribuição de materiais, controle, contratação, recepção de clientes, escrituração, contabilização etc. 8 A empresa Praça do Sol utiliza trabalhadores cedidos pela EBM lncorporadora S/A para serviços administrativos de secretaria e expediente, que são sujeitos à retenção de 11% para a previdência social, conforme inciso XX1I do artigo 146 da IN/MPS/SRP n.03/2005, inciso XXII do artigo 155 da IN/INSS/DC n.100./2003 e na letra W do item 12.1 da OS/INSS/DAF n.209/99. A empresa Praça do Sol não retém e não recolhe contribuição previdenciária sobre o valor da mão deobra cedida pela EBM. Também, a empresa Praça do Sol não arquivou as GFIP Guia de FGTS e Informações à Previdência Social com os trabalhadores cedidos pela EBM, conforme art.30 da OSINSS/DAE n°209/1999, art. 174 da 1N/INSS/DC n°.100/2003 e art.165 IN/MPS/SRP n'.03/2005. 9 A empresa Praça do Sol contabilizou pagamentos desses serviços sob a denominação "taxa de administração". Nas NFS fornecidas pela EBM consta "taxa de administração de custo" ou "taxa de administração de carteira". Foi apresentado um contrato assinado com a EBM em 10.092004, fis.85 a 96, onde consta, em sua Clausula Oitava, fis.93, que a EBM deve "executar os trabalhos das obras" e fornecer "mãodeobra técnica e administrativa necessária à execução de todos os serviços". Durante a ação fiscal, verificouse que, de fato, o serviço de acompanhamento e administração da obra é executado por outras pequenas empresas de engenharia, como os engenheiros Glauco Magalhães, Tânia Tome e Fernando Sousa Gomes, que são pagos pela empresa Praça do Sol. Também, constatouse nesta ação fiscal desenvolvida no Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 9 15 escritório goiano da EBM, à Av 136 n.960 andares 15 e 18 do Edificio Executive Tower S.Marista Goiânia GO, que o serviço prestado pela EBM é de execução de obra e de cessão de mão de obra administrativa, visto que os empregados da EBM executam serviços administrativos, preparam documentos, arquivam, contabilizam, compram, vendem, atendem às fiscalizações da empresa Praça do Sol. Portanto, o serviço prestado pela EBM não se enquadra em "administração de obra", não estando excluído da obrigação de retenção e recolhimento de 11%, ou seja, não se enquadra na listagem das seguintes normas: art.I70 da IN/MPS/SRP n.03/2005, art.I79 da IN/INSS/DC n.100/2003 e nem 16 da OS/INSS/DAF n209/99. 10 Durante esta ação fiscal, foi contatado que a empresa Praça do Sol manteve apenas um trabalhador administrativo, um "apontador", que atua no endereço citado na documentação, que é o mesmo local do canteiro de obras da sua única incorporação Residencial Ventana de Sol. Os serviços administrativos de contratação de empregados e empresas, de arquivamento, preparo de documentação, escrituração, compras, contatos etc, são executados pelos trabalhadores da filial goiana da EBM. Constatouse que a EBM realizou todos os serviços administrativos desde o inicio da empresa fiscalizada, visto que a Praça do Sol nunca teve escritório ou outro endereço fora do seu canteiro de obras. Não foi contabilizada nenhuma NFS da EBM no período de 09/2003 a 12/2004, sendo este débito aferido apenas sobre as NFS verificadas na empresa, 01/2005 a 06/2007. 11 Sobre o valor bruto dos serviços prestados pela EBM, foi calculada a contribuição de 11%, visto que a cedente não fornece material ou equipamento. Conforme despesa, realizadas pela empresa Praça do Sol, as aquisições de material de expediente, contas telefônicas, equipamentos para a obra e outras são pagas/custeadas peia empresa contratante. Portanto, sobre o valor bruto das NFS da EBM foi aplicada a alíquota de 11%, conforme evidenciado na listagem de NFS, às 11s.147 e 148, e no relatório Discriminativo Analítico de Débito — DAD, anexo desta Notificação. Além das normas acima citadas, a aferição e levantamento foram embasados no artigo 33, §3°, da Lei n'.8212/91, e arts.233, 243 e 268 do Decreto ne2048/99. GRUPO ECONÔMICO – SOLIDARIEDADE RESPONSABILIDADE PESSOAL A solidariedade entre os grupos de empresas, quanto ao cumprimento das obrigações previdenciárias, está estabelecida na Lei n°. 8.212/91, em seu art. 30, inciso IX. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 16 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O CTN, no artigo 124, estabelece regras para a solidariedade tributária. São elas: as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Também a Consolidação das Leis do Trabalho Decretolei 5452/43 , em seu artigo 2º, § 2º estabelece a solidariedade (trabalhista) entre integrantes do mesmo grupo econômico e critérios legais para definição de grupo econômico. Conforme essa orientação, existe grupo econômico quando uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra (grupo econômico por subordinação). Tratase de grupo econômico de dominação, que pressupõe uma empresa principal ou controladora e uma ou várias empresas controladas (subordinadas). Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 10 17 Entretanto, o entendimento prevalente na Justiça do Trabalho é no sentido de que também é possível a configuração de grupo econômico sem relação de dominação, bastando que haja uma relação de coordenação entre as diversas empresas, como acontece quando o controle das empresas está nas mãos de uma ou mais pessoas físicas, detentoras de um número de ações suficiente para criar um elo entre todas (unidade de comando). "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente da controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta unia relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2", parágrafo 2° da CLT," (TR7' 3° R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO Empresas que embora tenham personalidade jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem sua atividade no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente á outra formam um grupo econômico a teor das disposições trabalhistas,sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas." (TRT 3"R, 2T RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier DJMG 12/09/1986P.). "EMENTA : GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO, O parágrafo 2º do art. 2º da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que o seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer; na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma subordinação especifica em relação a uma empresa mãe, mas sim uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados, fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas tísicas que, de fato, mantém a administração das empresas„ sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária." Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 18 (PROCESSO TRT/15ª REGIÃON00902200108315000R0 (22352/2002RO9) RECURSO ORDINÁRIO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS). Em atenção ao princípio da verdade material, a responsabilidade solidária recai sobre grupos de empresas constituídos formal (contrato social ou estatuto social) ou informalmente, sendo que estes últimos são identificados a partir da análise da relação entre a empresa empregadora e as demais. Isto porque nem sempre é fácil a identificação da existência de grupo econômico, porque as empresas se utilizam de diferentes expedientes para ocultar o liame existente entre elas. A Justiça do Trabalho tem identificado grupos de empresas constituídos informalmente a partir dos seguintes indícios, conforme comentários da Juíza do Trabalho Regina M. V. Dubugras ao art. 2º, § 2º, da CLT (in CLT interpretada: artigo por artigo, parágrafo por parágrafo. Antonio Cláudio da Costa Machado (org.). Domingos Sávio Zainaghi (coord). 2ª ed. Barueri, SP: Manole, 2009. p. 4): · a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; · a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; · a comunhão ou a conexão de negócios; · a utilização da mãodeobra comum ou outros elos que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mãodeobra contratada por outra. Segundo o Relatório Fiscal, a empresa Praça do Sol foi constituída pelas empresas ORBX (90 %) e EBM (10%). A direção foi exercida pelos mesmos dirigentes da ORBX (Cleuner e João Batista). A Praça do Sol não possui nem setor administrativo nem produtivo. Quem faz tudo é a EBM (constrói, administra e vende). Abaixo transcrevo texto da acórdão recorrido: O que claramente se percebe da análise dos autos é que as empresas estão de certa forma interligadas, que uma não existiria sem a outra. A empresa EBM não só presta serviços à notificada/contribuinte, mas, na realidade, funcionaram como verdadeiro setor produtivo desta — A Empresa Residencial Praça do Sol nem escritório próprio possui. Não possui autonomia administrativa e sua formação foi totalmente direcionada à manutenção da atividade produtiva do grupo. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 11 19 O Artigo 135 do CTN estabelece hipótese de responsabilização pessoal dos gerentes quando pratica atos com excesso de poderes ou infração de lei. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Dener, em nome da EBM, e Cleuner e João Batista, em nome de República de Gestão de Recursos, assinam “Contrato de Gestão Bancária e Outras Avenças” que constitui uma estratégia de administração e de prevenção contra penhora e/ou seqüestro de disponibilidades bancárias da EBM. Por meio deste contrato (folhas 149 a 152), a EBM se vale das contas bancárias da República para movimentar seu dinheiro. O objetivo é que a EBM “evite problemas na ocorrência de execução judicial, penhoras e seqüestros de numerário bancário e outros, podendo continuar no controle e execução de sua política de administração financeira, bancária e de pagamentos e recebimentos, sem correr o risco de ter suas disponibilidades bancárias retidas, penhoradas ou seqüestradas, o que inviabilizará a administração e causará danos irreversíveis, comprometendo sua estabilidade e existência.” Objetivo — por este instrumento e sob o controle, acompanhamento, avaliação e administração exclusiva da primeira Contratante, fica estabelecido que a EBM, além de suas próprias contas correntes bancárias, poderá se valer das contas correntes bancárias da Segunda. Contratante, para movimentação de seu dinheiro advindo este do faturamento de seus negócios, de empréstimos, de recebimento de contas e haveres, de resultados de operações comerciais e financeiras, enfim de qualquer tipo de operação que resultar em disponibilidades financeiras dentro de estrita ordem de comando, fiscalização e apuração na emissão de cheques, DOCS, TEDS, realização e ordens de depósitos bancários e pagamentos em geral, tudo sob exclusiva responsabilidade e acompanhamento da Primeira Contratante, cabendo à Segunda Contratante a cessão de suas contas correntes seguindo as ordens dadas pela administração da Primeira Contratante. Parágrafo único — o objetivo específico deste contrato é permitir que PRIMEIRA CONTRATANTE, evite problemas na ocorrência de execução judicial, penhoras e seqüestros de numerário bancário e outros, podendo continuar no controle e Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 20 execução de sua política de administração financeira, bancária e de pagamentos e recebimentos, sem correr o risco de ter suas disponibilidades bancárias retidas, penhoradas ou seqüestradas, o que inviabilizará a administração e causará danos irreversíveis, comprometendo sua estabilidade e existência. ... Do Preço — o presente contrato representa uma estratégia de administração e de prevenção contra penhora e/ou seqüestro de disponibilidades bancárias da Primeira Contratante, sendo o preço de R$ 1.000,00 (um mil reais) mensais. Transcrevo abaixo trecho do Relatório Fiscal que descreve a situação fática encontrada: 12 Da Empresa Apesar de em todos os órgãos constar o endereço acima citado na documentação cadastral desta empresa, constatouse que, de fato, ela nunca teve seu escritório ou administração em seu endereço oficial, visto que naquele local apenas havia estrutura ou ambiente para a construção. Quando a empresa Praça do Sol foi constituída naquele endereço, o terreno ainda era parte da Escola São Nicolau. CNPJ01641588/000125, entidade sem finalidade lucrativa. Portanto, o escritório da empresa Praça do Sol sempre funcionou no endereço da EBM Incorporadora S/A, CNN03024881/00274, atualmente na Av 136, n.960, 15/18 andares, Edf. Executive Tower, St.Marista, GoiâniaGO, onde esta ação fiscal foi executada e verificados os documentos apresentados. 13O Residencial Praça do Sol S/A, que, de fato, nunca teve seu estabelecimento, foi constituído em 01.09.2003, fls.38 a 51, com "prazo de duração por tempo determinado", pela EBM Incorporadora S/A, CNPJ030258811000193, e Orbx incorporadora S/A,CNPJ05082800/000112, com o propósito específico de construir e vender uma única incorporação, "empreendimento residencial multifamiliar a ser edificado no Setor Oeste, na Rua 11, Qd H07, Lts 5/7 GoiâniaGO", Obra 132, Ventana Del Sol. Portanto, esta empresa foi constituída nos mesmos moldes de diversas outras do Grupo EBM, que vem documentando urna Sociedade Anônima de Capital Fechado para cada um de seus empreendimentos, normalmente no mesmo endereço/terreno em que será construída a obra, outros exemplos às fls.130 a 138. Cada uma das obras, uma para cada uma das S/A constituída com esta finalidade específica, é lançada, vendida e construída sob a responsabilidade da EBM, marca presente nas obras, folders, 715.139 a 141, propagandas e cartazes nos topos de cada prédio em construção ou já entregue aos seus compradores. Logo no início das obras é assinado contrato da EBM com a nova S/A Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 12 21 constituída para aquele empreendimento, possibilitando que a EBM. execute a obra, fis.85 a 96. 14Em 08.07.2004, fis.52 a 62, foi constituída Sociedade em Conta de Participação SCP entre o Residencial Praça do Sol S/A e os seguintes sócios ocultos: Cristiano Roriz Câmara, CI 3103025407798 e CPF80158510178, e Logical Participações I,tda, CNPJ05437233/000170, que teve sua denominação posteriormente alterada para OPUS Incorporadora Ltda. A empresa Logical/Opus é de um dos Diretores da EBM Dener Alvares Justino, fis.99 a 108, 126 a 129. 15Na contabilidade. ct.ctb.2.4.1.I.01.0001 e 2.4.1.1.01.0003, verificase que, em 01.09.2003, foi subscrito o Capital Social de RS100.000,00, fls.44 e 45, sendo 90% da empresa ORBX Incorporadora S/A e 10% da empresa EBM Incorporariam S/A. Foi integralizado este pequeno Capital em relação ao porte do empreendimento/incorporação. A contabilidade cita outro sócio, Dener Álvares Justino (Diretor da EBM Incorporadora S/A), 0.013.2.4.1.1.01.0002, constando aporte de capital de Dener, em 07.11.05 e 06.12.05, no total de R$ 25.000,00. A partir de 01.08.2004 até 30.03.2007, ct.ctb.2.4.1.1.01.0002. os outros sócios ocultos, Logical/Opus e Cristiano Roriz Camara, aplicaram capital nesta empresa no valor de RS830.000,00. 16 Após a constituição do Residencial Praça do SOL S/A na Rua 11 do Setor Oeste, ou seja, no terreno da Escola São Nicolau, escriturouse a promessa de venda daquele terreno para Bento Odilon Moreira e Dener Álvares Justino, em 05.09.03, fis.154/155 do Livro 2093 do 4º Tabelionato de Notas de Goiânia. Em 11.12.2003, a Escola São Nicolau escritura a venda daquele terreno. Naquela escritura, fls.67 a 75, consta como “cedentes” Dener Álvares Justino e Bento Odilon Moreira, e como comprador o Residencial Praça da Sol, S/A. O valor da compra foi de RS550.000,00, pago em cheques e Notas Promissórias emitidas por Dener A.Justino e Bento 0. Moreira. Foi documentado que os cedentes, Dener e Bento, receberiam do Residencial Praça do Sol , quatro unidades a serem construídas, sendo 2/3 para Dener e 1/3 para Bento, portanto o valor orçado para as quatro unidades era bem superior ao valor do terreno. Conforme contrato assinado em 27.01.04, fls.76 a 84, as unidades 14, 15, 16 e 18 eram os apartamentos permutados pelo lote. Posteriormente, as unidades 16 e 17, foram transferidas para a Logical/Opus, como aporte de Capital naquela empresa pelo seu sócio Dener A.Justino. Na contabilidade do Praça do Sol, as unidades 14 e 15 são dos sócios Dener Justino e Bento O. Moreira. 17 O grupo EBM, ao constituir as Sociedades Anônimas de Capital fechado com pequeno Capital Social para cada um dos seus empreendimentos, pode optar pelo regime tributário do lucro presumido oferecido pela Legislação Federal do Imposto de Renda, visto que sua receita passa a ser diluída em várias empresas. Os sócios devem constituir as empresas como S/A, Sociedade Anônima de Capital Fechado, visando não serem Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 22 pessoalmente responsabilizados pelos compromissos e débitos tributários. Desobrigados da escrituração contábil regular e de apuração do lucro real, podem camuflar rendimento e, também, apurar vultosos lucros em pessoa diferente daquela que deveria ser responsabilizada pelos tributos. 18 Através de documentos e informações na contabilidade, "Republica Oeste Offices", e na cópia de contrato às fls. 149 a 152, verificouse que recursos financeiros da EBM vêm sendo movimentados em conta bancária de uma de suas empresas, Republica de Gestão de Recursos S/A, CNPJ05138866/000187, cadastrada no mesmo endereço da filial goiana da EBM, Av.136, 960, 15º andar, Edf.Executive Tower, S. Marista, Nesta Capital. Constatouse, também, que o grupo empresarial EBM é composto pelas seguintes pessoas físicas: Bento Odilon Moreira CPF00262617153; seu filho, Bento Odilon Moreira Filho, CPU44028857104; Elbio Moreira, CPF10108416100; Cleuner Teixeira de Souza, CPF35479655191; Dener Álvares Justino, CPF43899374134; Adriano Álvares Justino, CPF 59784059134; Wanderley Borges de Melo, CPF 011499896 53; Ana Celia Carvalho de Barros Ámorim, CPF49152106187; e João Batista Vieira de Jesus, CPF35488832I49. 19 Á situação aqui descrita caracteriza o GRUPO ECONÔMICO, visto têm interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais.. Portanto, os componentes do grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias, conforme artigos 243 e 116 da Lei 6404/75, art.124 do CTN Lei 5172/66, art.2° da CLTDecreto Lei 5452/43, art. 13 da Lei 8620/93, art.30, IX, da Lei 8212/91 e art.222 do Decreto 3048/99. Consequentemente, lavramos o presente, débito de contribuições previdenciárias em nome dos responsáveis solidários ORBX Incorporadora S/A, EBM Incorporadora S/A, Opus Incorporadora Ltda (Logical), Cristiano Roriz Câmara, Bento Odilon Moreira, Dener Álvares Justino, Adriano Álvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo. Entendo, com base no presente processo, que devem responder pelo lançamento fiscal as empresas EBM e ORBX e as pessoas físicas Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus e Dener Álvares Justino. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO A sociedade em conta de participação(direito brasileiro) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 13 23 que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Atualmente, os artigos de 991 a 996 do Código Civil brasileiro dispõem sobre essa modalidade societária. Da Sociedade em Conta de Participação Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. § 1oA especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. § 2oA falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. § 3oFalindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. Art. 996. Aplicase à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua liquidação regese pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 24 Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as respectivas contas serão prestadas e julgadas no mesmo processo. A constituição da Sociedade em Conta de Participações (SCP) não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio participativo (esta denominação surgiu com o CC/2002, antes esse sócio era conhecido como sócio oculto). Na Sociedade em Conta de Participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. Unicamente o sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participativo, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo, participando dos resultados correspondentes. O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Os resultados das SCP devem ser apurados pelo sócio ostensivo, que também é responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela SCP. O Relatório Fiscal apresenta a constituição de uma Sociedade em Conta de Participação – SCP que tem como sócio ostensivo a empresa Praça do Sol e como sócios participativos a empresa Logical/Opus e a pessoa física de Cristiano Roriz Câmara. 14Em 08.07.2004, fis.52 a 62, foi constituída Sociedade em Conta de Participação SCP entre o Residencial Praça do Sol S/A e os seguintes sócios ocultos: Cristiano Roriz Câmara, CI 3103025407798 e CPF80158510178, e Logical Participações I,tda, CNPJ05437233/000170, que teve sua denominação posteriormente alterada para OPUS Incorporadora Ltda. A empresa Logical/Opus é de um dos Diretores da EBM Dener Alvares Justino, fis.99 a 108, 126 a 129. O objetivo da SCP, conforme o contrato de constituição, era a construção do empreendimento imobiliário em questão neste processo. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 14 25 II OBJETIVO SOCIAL 2.1. A Sociedade em Conta de Participação que por este instrumento se constitui, a seguir denominada, simplesmente, de SOCIEDADE, tem por objetivo a construção, incorporação em condomínio e comercialização do edifício de apartamentos residenciais a ser construído na cidade de Goiânia, Goiás, a Rua 11, s/n quadra H 07, lotes 5/7, Setor Oeste, Goiânia/Go. Dener é dirigente da EBM e sócio gerente (99%) da Logical/Opus. A Opus é sócia participativa na Sociedade em Conta de Participação que construiu o empreendimento. A EBM executa tudo para a Praça do Sol (executa, gerencia e vende). Entendo caracterizado que a empresa Logical/Opus, gerenciada por Dener, sócia participativa do empreendimento tomou parte na gestão do empreendimento e que responde solidariamente pelo lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso considerando devedores solidários e responsáveis pelo crédito tributário, exclusivamente as empresas: EBM Incorporações S/A, CNPJ: 03.025.881/000193; ORBX Incorporadora SA, CNPJ :05.082.800/000112; OPUS Incorporadora LTDA (anteriormente denominada LOGICAL), CNPJ: 05.437.233/000170 e as pessoas físicas: Cleuner Teixeira de Souza, CPF : 354.796.55191; João Batista Vieira de Jesus, CPF :354.888.32149 e Dener Álvares Justino, CPF :438.993.74134 (conforme dados presentes no processo). Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 26 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Redatora Designada. De acordo com o Relatório Fiscal, entendeu a fiscalização pela caracterização de grupo econômico, imputando a responsabilidade pelo crédito tributário lançado tanto às pessoas jurídicas com vínculos societários ou negociais com a empresa autuada, quanto aos seus acionistas e alguns gestores. Vejamos a conclusão alcançada pela Fiscalização. A situação aqui descrita caracteriza o GRUPO ECONÔMICO, visto têm interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Portanto, os componentes do grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias, conforme artigos 243 e 166 da Lei 6.404/75, art. 124 do CTNLei 5.172/66, art. 2º da CLTDecretoLei 5452/43, art. 13 da Lei 8620/93, art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 222 do Decreto 3048/99. O Ilustre Conselheiro Relator, Carlos Alberto Mees Stringari, em seu bem lançado voto, entendeu por bem manter a caracterização de grupo econômico quanto às pessoas físicas Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus e Dener Álvares Justino, bem como quanto à empresa OPUS Incorporadora LTDA (anteriormente denominada Logical). Quanto às pessoas físicas, entende o eminente Relator que a sua responsabilização pessoal pelos débitos encontra respaldo legal no artigo 135 do CTN, que estabelece a responsabilização pessoal dos gerentes quando pratica atos com excesso de poderes ou infração de lei. O ato infracional, por sua vez, estaria caracterizado pela assinatura por parte das referidas pessoas de “Contrato de Gestão Bancária e Outras Avencas”, através do qual os direitos creditórios da EBM são transferidos e geridos pela República Gestão de Recursos. Vejamos o trecho do voto relevante para a presente análise: Dener, em nome da EBM, e Cleuner e João Batista, em nome de República de Gestão de Recursos, assinam “Contrato de Gestão Bancária e Outras Avenças” que constitui uma estratégia de administração e de prevenção contra penhora e/ou seqüestro de disponibilidades bancárias da EBM. Por meio deste contrato (folhas 149 a 152), a EBM se vale das contas bancárias da República para movimentar seu dinheiro. O objetivo é que a EBM “evite problemas na ocorrência de execução judicial, penhoras e seqüestros de numerário bancário e outros, podendo continuar no controle e execução de sua política de administração financeira, bancária e de pagamentos e recebimentos, sem correr o risco de ter suas disponibilidades bancárias retidas, penhoradas ou seqüestradas, o que inviabilizará a administração e causará danos irreversíveis, comprometendo sua estabilidade e existência.” Em que pese o posicionamento adotado pelo relator, entendo que a simples assinatura de contrato de gestão bancária, por si só, não caracteriza ato praticado com excesso Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 15 27 de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Seria preciso que a fiscalização demonstrasse que ocorreu efetiva fraude a credores mediante a administração dos direitos creditórios por empresa distinta do grupo, e não simplesmente assumir que ocorreu fraude pela assinatura de contrato que, ressaltese, não tem qualquer objeto ilícito que pudesse caracterizar infração à lei. Ademais, o contrato citado pela fiscalização sequer foi assinado pela empresa autuada – Residencial Praça do Sol S/A, mas sim pela EBM Incorporações S/A, sua acionista. Ora, como atribuir às pessoas físicas a condição de pertencentes a grupo econômico, com o objetivo de lhes responsabilizar por débitos da Recorrente, pela mera assinatura de contrato na qualidade de diretores de duas empresas distintas? Além do mais, é importante pontuar que o artigo 135 do CTN não foi utilizado como fundamento legal da atribuição de responsabilidade por caracterização de grupo econômico, diante do que não podem os órgãos julgadores utilizálo como respaldo legal para a responsabilização dos Srs. Cleuner Teixeira de Souza, João Batista Vieira de Jesus e Dener Álvares Justino. Os demais dispositivos legais utilizados para respaldar a caracterização de grupo econômico pela fiscalização também não são suficientes para atribuição da responsabilidade em questão às citadas pessoas físicas. Vejamos: O art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/911, utilizado pela fiscalização como um dos fundamentos legais para a imputação da responsabilidade aqui comentada, define que as empresas que integram o grupo econômico respondem, entre si, solidariamente pela arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social. O art. 2º, §2º, da CLT, abaixo transcrito e também usado pela fiscalização, também atribui a empresas sob controle, direção ou administração comum a responsabilidade solidária por débitos trabalhistas: § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. O art. 243 da Lei 6.404/76, por sua vez, também citado pela Fiscalização como fundamentação legal da autuação, determina que para a existência de grupo econômico é preciso que haja uma sociedade que exerça o controle sobre as demais. 1Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: […] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei. Tal disposição foi reiterada no art. 222 do Decreto n. 3.048/991, que dispõe: As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 28 Como se vê, nenhum dos dispositivos acima é hábil a atribuir às pessoas físicas que exerçam cargos de direção da pessoa jurídica ou de empresas a elas vinculadas a responsabilidade objetiva por seus débitos previdenciários. Também não tem esse condão o artigo 124 do CTN, como pretende fazer crer a fiscalização, ao alegar que a caracterização de grupo econômico decorre da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Vejamos o que dispõe o artigo 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Isso porque, para a aplicação do referido dispositivo não basta a existência de “interesse comum” na conclusão do negócio. O interesse comum a que a lei se refere é o da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, é o interesse no cumprimento da obrigação tributária. Por exemplo, dois coproprietários de imóvel tem interesse comum na propriedade do imóvel e, como tal, são coresponsáveis no pagamento do IPTU. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço." 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. [...] Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 10120.011287/200775 Acórdão n.º 2403001.959 S2C4T3 Fl. 16 29 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o polo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível.(Grifos nossos) [...](REsp 884.845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009). Para que as pessoas relacionadas na autuação sejam responsáveis solidárias pelos débitos da Recorrente, relacionados aos pagamentos efetuados à EBM, é preciso que elas se caracterizem como tomadoras de tais serviços, o que não ocorreu no caso sob análise. Desse modo, cabe à Fiscalização comprovar, através dos elementos de fato e de direito, como se chegou à conclusão da existência do grupo econômico. Até porque, o art. 142 do CTN2 estabelece que o crédito tributário deve ser constituído em face do sujeito passivo da obrigação, logo, para imputálo também a outras pessoas, que não o sujeito passivo, é preciso comprovar, de forma contundente, os elementos necessários à formação do grupo econômico. Nesse sentido, manifestase o Conselheiro Igor Araújo Soares, em artigo que analisa o tema. A necessidade de autuação clara e precisa da fiscalização encontra fundamento, ainda, no próprio Código de Processo Civil, no art. 333, I, que impõe ao autor o ônus em comprovar fato constitutivo de seu direito, no caso, o direito de crédito, bem como da condição de responsável solidário de qualquer pessoa física ou jurídica que venha a ser considerada como devedora dos cofres públicos. [...] O que há de se concluir, dessa forma, é a necessidade de constarem dos autos – especialmente do relatório fiscal, onde se deve pormenorizar toda a fundamentação de fato e de direito que irá sustentar a imposição da solidariedade pelo Fisco – a precisa demonstração das provas consideradas como aptas a determinar a unidade de comando estratégico3. O mesmo raciocínio acima se aplica à atribuição de responsabilidade pela fiscalização à empresa Opus Incorporadora Ltda (atual denominação da Logical Participações Ltda). 2Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 3SOARES, Igor Araújo (Conselheiro do CARF). A formação dos grupos econômicos de empresas e a responsabilidade tributária solidária ao adimplemento de contribuições sociais previdenciárias. Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF. Coordenadores Elias Sampaio Freire e Marcelo Magalhães Peixoto. Pg. 125. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 30 Segundo consta do relatório fiscal, foi constituída uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) entre a Recorrente – Residencial Praça do Sol S/A, na qualidade de sócia ostensiva e, como sócios ocultos, a Opus Incorporadora Ltda. e o Sr. Cristiano Roriz Câmara. Apenas pelo fato de figurar como sócia oculta de Sociedade em Conta de Participação que tinha por objeto a execução do empreendimento imobiliário, foi a Opus Incorporadora Ltda. arrolada como coresponsável face à sua suposta caracterização como integrante do grupo econômico. Ora, tal atribuição afronta a própria natureza da SCP, que tem por característica essencial ser apenas o sócio ostensivo responsável pela execução do empreendimento. Os sócios ocultos ou participantes, no caso, apenas contribuíram financeiramente para o capital social da SCP, não podendo os mesmos assumir responsabilidade por eventuais passivos fiscais que decorram das atividades da SCP, ou da Recorrente. É de se observar que a mera figuração como sócio de SCP da qual a Recorrente é sócia ostensiva não se caracteriza em nenhuma das situações de controle comum de que tratam os dispositivos legais citados pela fiscalização e comentados acima. Também nesse caso caberia à fiscalização provar que a Opus Incorporadora Ltda. se caracteriza como parte do grupo econômico por outras razões de fato ou de direito, não sendo a simples participação como sócia oculta de SCP, juntamente com a Recorrente, suficiente para tanto. Conclusão Diante do exposto, devem ser excluídos do pólo passivo da autuação: (i) a empresa OPUS Incorporadora LTDA (anteriormente denominada Logical), (ii) Cleuner Teixeira de Souza, (iii) João Batista Vieira de Jesus e(iv) Dener Álvares Justino. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM
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Numero do processo: 10120.012479/2009-61
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. RELATÓRIO Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, por Auditor – Fiscal da DRF/Goiânia GO, Auto de Infração cuja ciência se deu em 15/12/2009. O valor do crédito tributário apurado é de R$203.042,74 e está assim constituído em Reais: Imposto............................................................. 87.146,55 Juros de Mora (Calculado até 30/11/2009)....... 50.536,28 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 12 47 9/ 20 09 -6 1 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.012479/200961 Resolução nº 2801000.172 S2TE01 Fl. 473 2 Multa Proporcional (Passível de Redução)....... 65.359,91 Total do Crédito Tributário............................... 203.042,74 DA AUTUAÇÃO O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação das seguintes infrações: Compensação indevida de prejuízos da atividade rural, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo ao lançamento, no valor de R$75.426,80. Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, no valor de R$241.469,77, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório de Verificação Fiscal, integrante do Auto de Infração. Enquadramentos legais no Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 08/01/2010, impugnação ao lançamento, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Atividade Rural. Afirma que o processo administrativo fiscal deve se pautar pela busca da verdade material, e que consta dos autos farta documentação revelando as transações comerciais vinculadas à compra e venda de gado. Discorda da afirmação dos autuantes no sentido de que não mantinha escrituração em livrocaixa e que este estaria sendo anexado aos autos e deve ser levado em consideração na busca da verdade material. Aponta erro cometido pela Fiscalização, que teria solicitado, juntamente com o livro caixa, documentos relativos a propriedade não vinculada ao autuado, que buscou esclarecimentos com o fiscal, sendo instruído a desconsiderar a intimação equivocada e aguardar que novo documento fosse enviado. Entretanto, as novas intimações recebidas não solicitaram o livro caixa, motivo pelo qual está sendo apresentado somente agora, com a impugnação. Quanto ao livro caixa relativo ao anocalendário de 2003, apesar de “efetivamente existente, não pode ser apresentado à Receita Federal, por uma questão unicamente jurídica, a saber: com relação a esse aspecto da minha contabilidade, nada mais pode fazer o Fisco, em razão da DECADÊNCIA.” Acredita que a desconsideração do prejuízo do anocalendário de 2003 se deu de maneira arbitrária, injusta e ilegal. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.012479/200961 Resolução nº 2801000.172 S2TE01 Fl. 474 3 Depósitos Bancários. Estranha o fato de os auditores terem solicitado informações diretamente às Instituições Financeiras, bem como terem tributado valores relativos a sinistros, financiamentos e depósitos efetuados por ele mesmo, fatos que poderiam ser verificados com as próprias instituições financeiras. Além disso, teria vendido gado com receitas no valor de R$377.134,00, devidamente comprovado por notas fiscais, de maneira que considera que todos os depósitos são plenamente justificados, uma vez que teve rendimentos da atividade rural, recebeu sinistros, levantou empréstimos e detinha saldo no Banco Real em valores superiores à soma dos depósitos em conta corrente. Inconstitucionalidades. Entende que os órgãos julgadores administrativos têm competência e obrigação de controlar a constitucionalidade de leis ou de atos normativos tributários, uma vez que a Constituição Federal tem hierarquia superior a todos os demais dispositivos legais, de modo que, em face do princípio da ampla defesa, os órgãos administrativos estão obrigados a aplicar a lei maior sempre que se detecte inconstitucionalidades. Multa Confiscatória. Considera que a multa de 75% é confiscatória, desarrazoada e inconstitucional, principalmente levandose em conta que o próprio governo federal reduziu o percentual máximo das multas de mora para 2%, na economia nacional. Requer que a multa aplicada seja reduzida para dois por cento. Taxa Selic Juros Moratórios. Considera equivocada a cobrança cumulativa de atualização monetária, multa moratória e juros moratórios. Denuncia a cobrança de juros sobre juros, prática vedada pela legislação e pela jurisprudência dos tribunais, dado que é proibido cobrar juros em valores superiores a 12% ao ano. Ademais, considera injustificável a utilização da Selic como indexador ou a título de correção monetária, uma vez que, a partir do Plano Real a economia foi desindexada. Solicita a exclusão da Taxa Selic.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 434/444, para excluir da base de cálculo depósitos bancários no montante de R$ 66.190,00, referentes a pagamentos de sinistros. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 09/01/2012 (fl. 452), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 455/468, em 03/02/2012. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.012479/200961 Resolução nº 2801000.172 S2TE01 Fl. 475 4 É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o lançamento foi efetuado com base em informações solicitadas diretamente às intuições financeiras, através da quebra do sigilo bancário do contribuinte, sem autorização judicial. Ocorre que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314), devendo o julgamento do presente processo ser sobrestado, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 601.314, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 475DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10840.004660/92-78
Data da sessão: Thu Feb 29 00:00:00 UTC 1996
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. ACRÉSCIMOS LEGAIS - Exclui-se da incidência da TRD o período anterior à vigência da Lei N° 8.218/91.
Numero da decisão: 102-30.683
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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ACRÉSCIMOS LEGAIS - Exclui -se da incidência da TRD o período anterior à vigência da Lei N° 8.218/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL). ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. i ANTO IOÉ/E FREITAS DUTRA PRESI ENTE --) / 1(7/ _.... , UR • L_ ,"- - i' I SEN 't ( ' TORA FORMALIZADO EM: 2 9 FEV 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: JOSÉ CLÓ VIS ALVES, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE e SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO. AUSENTE JUSTIFICADAMENTE O CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA. _ MNS 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA zY n _ 1 .n .-; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10840/004.660/92-78 ACÓRDÃO N°. : 102-30.683 RECURSO N°. : 87.057 RECORRENTE : PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO O presente processo trata do Auto de Infração, fls. 20 e anexos, lavrado contra PEDRO MERINO DE ARAÚJO (FIRMA INDIVIDUAL), CGC N° 44.230.395/0001-08, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto - SP, formalizando a exigência de FINSOCIAL/FATURAMENTO Exs.: 1988 e 1989, no valor de 113,20 UFIR e correspondentes acréscimos legais. O lançamento, com base no Artigo 1°, § 1° do Decreto Lei N° 1940/82, e artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, e artigo 28 da Lei N° 7.738/89, decorreu de procedimento de fiscalização na pessoa jurídica em que foram apuradas irregularidades e lançado Imposto de Renda, conforme demonstrado no Processo N° 10840/004.657/92-63. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, apresentou em 24/11/92, tempestivamente, sua impugnação de fls. 22/26, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de l a Instância relativa ao presente processo, de número 462, foi proferida às fls. 34/35, em que em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente in to . 2 e n*-:m ; MINISTÉRIO DA FAZENDA.,,, • ; t., ,-;-; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10840/004.660/92-78 ACÓRDÃO N°. : 102-30.683 A autoridade julgadora "a quo" fundamentou sua decisão fato de que se trata de lançamento reflexivo que deve seguir o mesmo destino dado ao lançamento principal. Ciente da decisão singular em 23/07/93 (fls. 37), a contribuinte apresenta seu recurso voluntário em 23/08/93, conforme petição de folhas 40/44, reiterando todos os argumentos articulados em sua defesa oferecida perante a P Instância Administrativa. O recurso foi lido na íntegra em Plenário. i É o relatt/72óri 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA- " PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10840/005.660/92-78 ACÓRDÃO N°. : 102-30.683 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de N° 10840/004.657/92-63. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 08 de novembro de 1994, foi julgado parcialmente procedente, conforme faz certo o Acórdão N° 102-29.507. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal. Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso para excluir da incidência da TRD o período anterior à vigência (12 Pi N° 8.918/91. Brasília - DF, 29 de fevereiro de 1996. H NSEN 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.002343/00-89
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/2000
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 23 43 /0 0- 89 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 930 a 939) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 922 a 926) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e, no mérito, reconhecer o direito de apuração do indébito pelo critério da semestralidade, sem a atualização da base de cálculo e o direito a compensação com as parcelas vincendas do próprio PIS, conforme descrito no relatório de diligência, mantendose a exigência do saldo remanescente. O presente processo trata de auto de infração lavrado para cobrança da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativo aos fatos geradores de fevereiro de 1997 a maio de 2000 (fls. 09 a 12). Conforme Informação Fiscal às fls. 816, o lançamento foi devido à falta de pagamento da contribuição, já que o contribuinte declarou nas DCTFs relativas aos referidos períodos estar compensando com valores da mesma contribuição dos períodos de janeiro de 1989 a maio de 1990, pagos a maior que o devido, cujo direito de fazêlo foi considerado decaído (ou prescrito) pela fiscalização. A Colenda Turma a quo, em síntese, na esteira do voto proferido pela Ilustre relatora, Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, entendeu que, como o Excelso Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11020.002343/0089 Acórdão n.º 9303002.274 CSRFT3 Fl. 990 3 2.449, ambos de 1988, e o Senado Federal suspendeu a sua execução através da Resolução nº 49, publicada em 10/10/1995, esta data é o dies a quo do prazo prescricional, sendo, portanto, o dies ad quem do direito de pleitear a restituição/compensação o dia 10/10/2000. Como as compensações foram realizadas, de acordo com as DCTFs, de fevereiro de 1997 a maio de 2000, a Colenda Turma a quo afastou a alegação de prescrição. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O direito à repetição do indébito subsiste até o decurso do prazo de cinco anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal nos casos de declaração de inconstitucionalidade, proferida pelo STF no controle difuso de constitucionalidade. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do Pis, prevista no art. 6° da lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Súmula n ° 11 do 2° Conselho de Contribuintes. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos termos das normas em vigor relativas à compensação de indébitos é regular a compensação realizada na escrita fiscal do contribuinte com parcelas vincendas do mesmo tributo. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Aplicase à atualização monetária dos indébitos os mesmos índices utilizados administrativamente para exigir crédito tributário não recolhido ou recolhido extemporaneamente. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. ADEQUAÇÃO À NOVA BASE DE CÁLCULO. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte no período em que aplicado o critério da semestralidade da base de cálculo devem ser, necessariamente, ajustados a essa sistemática. Os valores recolhidos em um mês passam a ser vinculados à base de cálculo apurada pelo faturamento do mês correspondente à semestral idade retroativa, acrescida do prazo de vencimento do tributo vigente à época. Assim também a falta de recolhimento ocorrida em razão da aplicação da sistemática dos decretoslei declarados inconstitucionais deve ser suprida pelos indébitos que lhes são anteriores, ante ao surgimento de débito que antes foi considerado não devido. Recurso provido em parte. (grifos nossos) Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que quanto ao capítulo da prescrição, o v. acórdão recorrido contrariou o disposto no artigo 168 do CTN, que dispõe que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 966 a 969. Contrarrazões às fls. 972 a 982. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito e respectiva compensação, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11020.002343/0089 Acórdão n.º 9303002.274 CSRFT3 Fl. 991 5 limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11020.002343/0089 Acórdão n.º 9303002.274 CSRFT3 Fl. 992 7 decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 8 inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11020.002343/0089 Acórdão n.º 9303002.274 CSRFT3 Fl. 993 9 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, o presente processo trata de auto de infração lavrado para cobrança de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativo aos fatos geradores de fevereiro de 1997 a maio de 2000 (fls. 09 a 12). Segundo a Informação Fiscal de fls. 816, o lançamento foi devido à falta de pagamento da contribuição, já que o contribuinte declarou nas DCTFs relativas aos períodos acima ter compensado com valores da mesma contribuição dos períodos de janeiro de 1989 a maio de 1990, pagos a maior, cujo direito de fazêlo foi considerado prescrito pela fiscalização. A Colenda Turma a quo, em síntese, entendeu que, como o Excelso Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o Senado Federal suspendeu a sua execução através da Resolução nº 49, publicada em 10/10/1995, esta data é o dies a quo do prazo prescricional, sendo, portanto, o dies ad quem do direito de pleitear a restituição/compensação o dia 10/10/2000. Como as compensações foram realizadas, de acordo com as DCTFs, de fevereiro de 1997 a maio de 2000, a Colenda Turma a quo afastou a alegação de prescrição. Agora, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, o dies ad quem para restituição/compensação do indébito referente a janeiro de 1989 a maio de 1990 passa a ser, respectivamente, janeiro de 1990 e maio de 2000. Considerando que as compensações foram realizadas entre fevereiro de 1997 e maio de 2000, verificase que, ainda assim, não teria ocorrido o transcurso do prazo prescricional. As compensações realizadas, portanto, ainda que por fundamentação diversa, são tempestivas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 10 Nacional, mantendo a r. decisão recorrida quanto à não ocorrência de prescrição do direito de pleitear a restituição do indébito e realização de compensação. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 10980.008099/2005-78
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
DCTF.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.PENALIDADE. .
O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.192
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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'ÀÁk TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.008099/2005-78 Recurso n° 142.671 Voluntário Acórdão n° 3102-00.192 — ia Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente YURK COMUNICAÇÃO LTDA. Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.PENALIDADE. . O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso , M: r .1 na raia Iamonm - Presidente J. tiáau e Rosa - Relator EDITADO EM: 10/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, cientificado ao sujeito passivo em 27/06/2005(fl. 15), mediante o qual é exigido o crédito tributário total de R$ 500,00, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2004, sendo que o prazo final para entrega ocorreu em 14/05/2004, e a entrega efetiva ocorreu em 21/05/2004. Os fundamentos legais e normativos que embasam o lançamento estão descritos no campo 5 (Descrição dos fatos/fundamentação) do auto de infração. Em 02/08/2005, o contribuinte apresentou impugnação onde alega, em síntese, que seria indevida a exigência de multa pela aplicação, ao caso, do instituto da denúncia espontânea da infração (CTN, art. 138), conforme inclusive já teriam decidido os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e também diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujas decisões encontram-se relacionadas através de suas ementas na impugnação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/05/2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional-CIN não alcança as penalidades impostas por descurnprirnento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. A reclamante repisa, agora em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. Não há qualquer reparo a fazer na decisão a quo. 2 Processo n° 10980.008099/2005-78 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.192 Fl. 46 A imposição de que aqui se trata tem origem no próprio Código Tributário Nacional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização cãs tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A ocorrência que deu origem ao crédito tributário contestado está perfeitamente enquadrada nos parágrafos segundo e terceiro acima transcritos. Trata-se de uma obrigação de caráter acessório, que tem por objeto a prestação de informações no interesse da arrecadação tributária federal e que, não tendo sido observada, no tocante ao prazo definido para sua apresentação, deu origem à obrigação principal correspondente à penalidade aplicada. A base legal para a imposição da multa, a partir do ano-calendário de 2002, é a Medida Provisória n. ° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazê-lo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração por entrega em atraso. Parece-me incontroverso que o instituto da espontaneidade não aproveita aos casos de infrações tipificadas como atraso na entrega de declarações, quaisquer que sejam. Contudo, não será demais examinar a questão a partir de uma visão sistêmica do todo. Assim manifestou-se o STJ a respeito do assunto. "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza trilária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário *onal. VI II. Ademais, "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um". (REsp n° 243.241-RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000). III. Embargos de divergência rejeitados. Ant o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo cont . 1) inte. r s Rosa 4
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