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Numero do processo: 10580.003536/2003-16
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO JULGADO IMPROCEDENTE.
Julgado improcedente o auto de infração que apurou base de cálculo diferente da apurada pelo contribuinte, motivo de indeferimento PER/DCOMP, há que se apurar novamente a existência do crédito pleiteado considerando esta nova realidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO JULGADO IMPROCEDENTE. Julgado improcedente o auto de infração que apurou base de cálculo diferente da apurada pelo contribuinte, motivo de indeferimento PER/DCOMP, há que se apurar novamente a existência do crédito pleiteado considerando esta nova realidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INDEFERIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO JULGADO IMPROCEDENTE. Julgado improcedente o auto de infração que apurou base de cálculo diferente da apurada pelo contribuinte, motivo de indeferimento PER/DCOMP, há que se apurar novamente a existência do crédito pleiteado considerando esta nova realidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 35 36 /2 00 3- 16 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.003536/200316 Acórdão n.º 3302002.358 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 12/05/2003 a empresa recorrente apresentou a Declaração de Compensação de fls. 02, na qual informa que efetuou a compensação de débito de Cofins com crédito também de Cofins, demonstrado os pagamentos efetuados a maior, utilizado na compensação, conforme formulário de fl. 02. A DRF em Salvador BA não reconheceu parte dos créditos utilizados pela recorrente e, consequentemente, deixou de homologar parte das compensações declaradas, pelas razões constantes do Despacho Decisório de fls. 80/84. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade junto à DRJ em Salvador BA, que acatou parcialmente a solicitação da interessada, reconhecendo o crédito pleiteado de R$ 430.497,71 e deixando de reconhecer o crédito do mês de setembro de 2002, no valor de R$ 187.113,41, nos termos do Acórdão no 15 13.418, de 14/08/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: CONTESTAÇÃO A DESPACHO DECISÓRIO. IMPUGNAÇÃO. PROCESSOS DIVERSOS. A manifestação de inconformidade apresentada contra a não homologação de compensação de débito declarado em DCTF, bem como a impugnação de auto de infração que pretende a cobrança da diferença entre a contribuição apurada e o valor confessado, não impedem o reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento a maior que pretendeu quitar o saldo desse mesmo débito. Solicitação Deferida em Parte A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 23/08/2007, conforme AR de fl. 143, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 21/09/2007, com o recurso voluntário de fls. 151/162, no qual contesta o indeferimento da restituição do mês de setembro de 2002, no valor de R$ 187.113,41, alegando: 1 Na DCTF é possível verificar que o débito do período (09/02) é R$ 10.128.537,44; 2 Pelos DARFs e pela DCTF do terceiro trimestre constatase que foram efetuados três pagamentos de Cofins, nos seguintes valores: R$ 14.195.469,65; R$ 143.445,33; e R$ 294.922,73; 3 Que é detentora de um crédito de R$ 4.505.300,27 no mês de 09/02 e que no pedido de compensação foi consignado, por engano, apenas R$ 187.113,41; 4 A decisão recorrida reconheceu que os créditos tributários lançados no auto de infração, pendente de decisão administrativa, não poderiam influenciar na apuração do crédito pleiteado neste processo e, mesmo assim, indeferiu o pedido da recorrente relativamente ao mês de setembro de 2002; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.003536/200316 Acórdão n.º 3302002.358 S3C3T2 Fl. 4 3 5 A DRF em Salvador não considerou todos os três pagamentos efetuados para calcular o crédito. Considerou apenas o pagamento de R$ 14.195.469,65 e desconsiderou os outros dois pagamentos, mesmo tendo reconhecido a sua existência; Na sessão do dia 01/06/2011, a Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem da RFB, nos termos da Resolução nº 330200.122, para as seguintes providências: 1 informar qual é o valor efetivamente devido da Cofins do PA de 09/02, excluindo as receitas financeiras da base de cálculo: R$ 10.167.346,65 ou R$ 10.128.537,44 ou outro valor? 2 informar qual foi o valor original efetivamente compensado pela recorrente do PA 12/02, utilizando crédito objeto deste processo: R$ 388.780,86 ou R$ 351.645,94? 3 informar se existe outras PER/DCOMP vinculadas a este processo, além da acostada às fls. 01 e 118/123. Em caso positivo, juntar cópia e demonstrar a compensação realizada, informando sobre a sua homologação; 4 manifestarse sobre eventual existência de crédito remanescente, neste processo, a favor da recorrente; Opinar sobre os demonstrativos acima; 5 juntar ao processo cópia da DCTF em que a recorrente informa a compensação do PA 12/02, no valor de R$ 388.780,86; 6 prestar os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. 7 elaborar relatório de conclusão da diligência, dele dando ciência à recorrente, abrindolhe prazo para manifestação. 8 dar ciência desta resolução à recorrente. Realizado a diligência, a autoridade da RFB consignou, em relatório, as seguintes respostas aos quesitos formulados na diligência: Resposta ao quesito 1 Valor efetivamente devido da Cofins do PA set/02, excluído as receitas financeiras da base de cálculo. De acordo com o demonstrativo fornecido pela empresa, cujos valores encontramse lastreados pelo balancete contábil, a base de cálculo da Cofins, não computadas as receitas financeiras, é R$ 161.124.719,64, ou seja, equivale ao total do faturamento ajustado pela subtração do valor constante das contas 611051101H e 611051101R, e pela soma da do valor da conta 611051101U, ajustes esses específicos do setor elétrico. Aplicandose a alíquota de 3%, chegase ao valor de Cofins de R$ 4.833.741,59 para setembro de 2002. Ressaltese, todavia, que a empresa não está discutindo o valor do crédito baseada no expurgo de receitas financeiras da base de cálculo. Em seus cálculos, ela sempre tem pugnado por um equívoco no pagamento de setembro considerando uma base de cálculo composta segundo a Lei 9.718/98. Por este critério, o valor demonstrado de base de cálculo é R$ 338.911.555,00, a Fl. 592DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.003536/200316 Acórdão n.º 3302002.358 S3C3T2 Fl. 5 4 Cofins calculada é R$ 10.167.346,65, e a Cofins devida, após abatimento de parcela retida na fonte (R$ 38.809,21), é de R$ 10.128.537,44. É esse o valor contraposto pela empresa ao pagamento em DARF no valor de R$ 14.633.837,71, que teria gerado o crédito pleiteado. Resposta ao quesito 2 informar qual foi o valor original efetivamente compensado pela recorrente do PA 12/02, utilizando crédito objeto deste processo: R$ 388.780,86 ou R$ 351.645,94?; Bem, dois fatos são importantes aqui. O primeiro deles é que a DCTF original, entregue em 14/02/03, indicava valor compensado de Cofins de R$ 516.496,21. Essa DCTF foi retificada em 04/10/04, mudando o valor para R$ 388.780,86. Nova retificação, em 05/04/05, manteve o valor compensado. Assim, o parecer do Seort, datado de 11/09/06, utilizou o valor de R$ 388.780,86. Posteriormente, em 21/09/06, sobreveio nova retificação, ainda mantendo o valor. Todavia, em 05/03/07, a quarta e última retificação teve lugar, mudando o valor compensado para R$ 351.645,94. O segundo é que o débito de R$ 388.780,86 estava indicado em DComp cujo destino foi a nãohomologação (ver mais detalhes no item "c"). As DCTFs tratadas aqui foram anexadas ao processo. Resposta ao quesito 3 informar se existe outras PER/DCOMP vinculadas a este processo, além da acostada às fls. 01 e 118/123. Em caso positivo, juntar cópia e demonstrar a compensação realizada, informando sobre a sua homologação; O SIEF traz outra Per/DComp vinculada ao processo em análise. A declaração tem o número 06278.59771.021004.1.3.043030 e sua situação é de não homologada por inexistência de crédito. O débito indicado nela é de R$ 388.780,86, como dito anteriormente. Sobre os demais quesitos a autoridade não se manifestou e nem demonstrou a compensação realizada, a que se refere o item 3, acima. A empresa Recorrente teve ciência do resultado da diligência e sobre ela se manifestou nos seguintes termos: 1 foi julgado procedente o Recurso Especial impetrado na CSRF contra o acórdão de recurso voluntário proferido nos autos do Processo nº 10580.002753/200542 (auto de infração de Cofins sobre as receitas financeiras), conforme Acórdão nº 9303.01.575, de 29/08/2011, devendo o julgamento deste recurso voluntário acompanhar esta decisão da CSRF posto que ligado diretamente a este processo; 2 a empresa pugna por um equívoco no pagamento de setembro/02, considerando a base de cálculo na forma da Lei nº 9.718/98, sendo o valor da Cofins devida de R$ 10.167.346,65 que, excluindo o valor retido de R$ 38.809,21, resta a pagar R$ Fl. 593DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.003536/200316 Acórdão n.º 3302002.358 S3C3T2 Fl. 6 5 10.128.537,44 e a recorrente recolheu R$ 14.633.837,71, é inconteste a existência do crédito pleiteado; 3 o valor original efetivamente compensado no PA 12/02 é R$ 351.645,94, conforme DCTF retificadora apresentada em 05/03/07; 4 o Per/DComp de final 043030 foi retificado em 05/03/2007 pelo Per/DComp de final 041652, informando um débito de Cofins de R$ 351.645,94 do PA 12/02. Retornaram os autos para julgamento do recurso voluntário. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário foi admitido na sessão do dia 01/06/2011. Como relatado, a empresa está pleiteando a restituição da Cofins que julga ter pago a maior, relativo ao PA 09/2002, conforme Declaração de Compensação apresentada em papel (fl. 01) e PER/DCOMP nº 20546.73040.140803.1.3.040337, transmitido em 14/08/2003. Nos termos do DESPACHO DECISÓRIO DRF/SDR nº 951, de 11/11/2006, o crédito pleiteado relativo ao PA 09/02, foi indeferido pelas seguintes razões: Conforme as DCTF do terceiro e quarto trimestre de 2002 (fls. 25, 26, 62 e 63) a quantia de R$ 14.195.469,65 recolhida em 15/10/2002 deveria ser alocada para quitar o valor de R$ 9.728.978,59 vencido naquela data e na compensação dos débitos de R$ 3.816.793,96, R$ 260.916,24 e 388.780,86, vencidos em 14/11/2002, 12/12/2002 e 15/01/2003 respectivamente. Ocorre porém, que foi constatado na fiscalização desencadeadora do auto de infração aqui citado que em função das receitas de swap não consideradas no cálculo da COFINS, o valor da contribuição declarada para o mês de setembro também estava sub avaliado, sendo que o débito correto era maior que o valor recolhido por meio de DARF chegando ao total de R$ 15.096.022,72. Deste modo, mesmo considerando os demais DARF alocados para a quitação do débito da COFINS apurado para aquele período, o contribuinte ainda foi autuada a pagar uma diferença de R$ 462.185,01 e, logo, não há que se falar em crédito proveniente daquele período de apuração. Pelo Despacho Decisório da DRF vêse, claramente, que o direito creditório da Recorrente não foi reconhecido porque o débito da Cofins do PA 09/02, apurado pela Fiscalização (R$ 15.096.022,72), foi superior em R$ 462.185,01 aos pagamentos efetuados Fl. 594DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.003536/200316 Acórdão n.º 3302002.358 S3C3T2 Fl. 7 6 pela Recorrente. Como o referido auto de infração foi julgado improcedente pela CSRF (Acórdão nº 930301.575 – Processo nº 10580.002753/200542), deve a DRF apurar a existência do crédito pleiteado considerando a improcedência do auto de infração. Como bem disse a Recorrente em sua manifestação sobre o resultado da diligência, o julgamento do seu Recurso Especial do Processo 10580.002753/200542 tem ligação direta com o objeto do presente processo. Deve, portanto, a decisão da CSRF ser aplicada, também, a este processo. Afastado as razões que levaram ao indeferimento da restituição e a não homologação das compensações declaradas, deve, repito, a DRF decidir sobre o quantum a restituir à Recorrente, pleiteado na Declaração de Compensação de fl. 01 e no PER/DCOMP nº 20546.73040.140803.1.3.040337, referente ao período de apuração de setembro de 2002. Merece ser destacado que da decisão que apurar o valor a restituir, tem a Recorrente o direito de apresentar manifestação de inconformidade perante a DRJ. Quanto ao PER/DCOMP nº 06278.59771.021004.1.3.043030, também vinculado a este processo, deve a autoridade da DRF decidir sobre a homologação da compensação declarada e a eventual crédito de Cofins pleiteado do PA 09/02, objeto desta lide. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as razões do indeferimento do pedido da recorrente e declarar que cabe à autoridade da DRF determinar o quantum a restituir/compensar, devendo homologar as compensações declaradas, limitada ao valor do crédito eventualmente reconhecido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.041057/89-73
Data da sessão: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRFONTE - DECORRÊNCIA - ART. 891D0
DL 2.065/83 - DECORRÊNCIA - INOVAÇÕES NO FEITO - PRINCÍPIOS DO CONTRADITORIO E DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - Corrigida a instância processo principal, seus decorrentes
devem se submeter ao mesmo de!
tino.
Numero da decisão: 103-12.598
Decisão: ACORMW4- os Membros da Terceira Câmara do Primeiro
Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DETERMINAR
a remessa dos autos á repartição de origem, para que nova decisão
seja prolatada em consonância com o que vier a ser declarado
no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam
a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Dícler de Assunção
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score : 1.0
Numero do processo: 13782.000168/2010-97
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2006
NORMAS PROCESSUAIS.
Não tendo se instaurado o litígio, pela não apresentação de impugnação tempestiva, não compete ao Conselho de Contribuintes apreciar recurso interposto.
Numero da decisão: 1803-000.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006 NORMAS PROCESSUAIS. Não tendo se instaurado o litígio, pela não apresentação de impugnação tempestiva, não compete ao Conselho de Contribuintes apreciar recurso interposto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NORMAS PROCESSUAIS. Não tendo se instaurado o litígio, pela não apresentação de impugnação tempestiva, não compete ao Conselho de Contribuintes apreciar recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Marcelo de Assis Guerra, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/10 /2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13782.000168/201097 Acórdão n.º 180300.967 S1TE03 Fl. 76 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa o presente processo sobre a notificação de lançamento de fl. 05, datada de 20/08/2009, por meio da qual é exigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao segundo semestre de 2006, no valor de R$ 5.706,13. Inconformada, a interessada apresentou, em 01/10/2010, sua peça impugnatória de fls. 01/03, onde, preliminarmente, argui a tempestividade.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) No caso em litígio, a notificação de lançamento foi cientificada à interessada em 15/09/2009, terçafeira, data da entrega intempestiva da DCTF do segundo semestre de 2006, que originou a multa objeto da notificação de lançamento, conforme Portaria SRF n° 259, de 13 de março de 2006. b) Assim, por força da legislação acima transcrita, o prazo limite apresentação da impugnação se esgotou em 15/10/2009. c) Em caráter excepcional, o Parecer COSIT/COTIR/DITIR n° 26, de 09 de abril de 1997, considerando as peculiaridades da emissão de notificações de lançamento por processamento eletrônico, determina que deve prevalecer, para os efeitos de tempestividade, o prazo de vencimento da obrigação para pagamento ou apresentação de impugnação, expressamente préestabelecido no DARF, se superior a trinta dias. d) No caso em litígio, portanto, sendo a data de vencimento da multa o dia 05/10/2009, seria esta a data limite para entrega da impugnação. Tendo a interessada apresentado sua peça impugnatória somente em 01/10/2010, ou seja, bem após a data de vencimento para pagamento da multa e do prazo de 30 dias, contados da data de ciência da notificação, voto por deixar de conhecer da impugnação e considerar definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Se o prazo para a apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, seria no dia 09 de abril de 2007, e os documentos apensados demonstram que obrigação foi cumprida em 04 de abril de 2007, fica provado a improcedência da cobrança; e, em razão disto, requer o cancelamento da notificação. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/10 /2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13782.000168/201097 Acórdão n.º 180300.967 S1TE03 Fl. 77 3 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes O recurso é tempestivo, no entanto não pode ser conhecido. Isto porque não foi instaurado o litígio na esfera administrativa. Nos termos do art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso a decisão de primeira instância declarou intempestiva a impugnação, não tendo sido instaurado o litígio. Na fase recursal a recorrente não questionou a decisão de primeira instância, nem contraditou a intempestividade de sua impugnação, limitandose a argumentos de mérito. Tais argumentos, se cabíveis, apenas poderão ser analisados em procedimento de revisão de ofício, nos termos do art. 149 do CTN, a fim de evitarse cobrança indevida. No entanto, não podem ser apreciados em sede de recurso. Nos processos de formalização e exigência de crédito tributário, a competência deste Conselho se limita aos casos em que se tenha estabelecido o litígio, o que ocorre com a impugnação tempestiva. Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/10 /2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000573/2007-75
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA
O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF).
Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.
RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO.
As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62-A do Regimento Interno.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarou-se impedida.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO. As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62-A do Regimento Interno. Recurso Voluntário provido.
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MULTA DE MORA Recorrente ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO. As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 73 /2 00 7- 75 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarouse impedida. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração eletrônico lavrado em 12/03/2007 (fls. 15/ss), para a cobrança da multa de mora no valor de R$ 61.820,97 pelo fato do contribuinte ter efetuado o recolhimento da Cofins (em 12/02/2003), referente ao período de apuração de dezembro/2002, após o vencimento (15/01/2003) e sem o pagamento da correspondente multa de mora. Para melhor elucidar os fatos transcrevemos o relatório constante da decisão de primeira instância: Relatório Trata o processo de autuação eletrônica decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com as IN SRF 45/98 e 77/98, que constatou recolhimento da Cofins do período de apuração 12/2002 após o prazo de vencimento sem o pagamento da correspondente multa de mora, conforme auto de infração de fls. 1516 e demonstrativos anexos, no qual se exige o recolhimento de crédito tributário (multa de mora) no valor de R$ 61.820,97, com base na capitulação legal descrita no campo 10 do auto de infração. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 20/03/2007 (fls. 2s), a empresa apresentou em 17/04/2007 a impugnação de fls. 0107, documentos anexos às fls. 0821, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 2.1. Afirma que recolheu a Cofins com juros de mora antes de qualquer ato de fiscalização da Receita Federal, sendo sua responsabilidade excluída por denúncia espontânea na forma do art.138 do CTN. Cita a doutrina e transcreve jurisprudência e decisões do Conselho de Contribuintes e CSRF a embasar sua tese. 2.2. Diante do exposto, requer o cancelamento do auto de infração. Protesta pela juntada dos documentos anexos e de outras provas admitidas em direito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000573/200775 Acórdão n.º 3202000.929 S3C2T2 Fl. 71 3 A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 1621.934 (fls. 25/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIMANTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou cancelamento do auto de infração. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O pagamento extemporâneo de tributo ou contribuição, ainda que espontâneo, enseja a inclusão de juros e multa de mora, cuja natureza se caracteriza pelo caráter compensatório ou reparatório. Conclusão a que se chega também em razão da interpretação sistemática do CTN que, a par de prever o instituto da denúncia espontânea em seu art. 138, determina, em seu art.161, a imposição de penalidades cabíveis para as hipóteses de crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 20/07/2009 (fl. 35) e apresentou Recurso Voluntário, em 18/08/2009 (fls. 37/ss), onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de juntar aos autos cópia do comprovante do tributo e da DCTF entregue (fls. 62/65). O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lide centrase em decidir se o recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação acompanhado dos juros de mora, pago após o vencimento e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, exclui a responsabilidade pela multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. O artigo 138, no meu entender, prescreve que a responsabilidade deve ser excluída pela denúncia espontânea apenas em relação à infração de caráter punitivo. Assim, a finalidade desse artigo é estimular o contribuinte informar a ocorrência de eventuais infrações cometidas, sujeitas às penalidades desconhecidas do Fisco, tornando possível o arrependimento Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 eficaz de forma a regularizar sua situação fiscal. Nesta linha de entendimento, a incidência da multa de mora não seria incompatível e nem restaria afastada pelo art. 138 do CTN, pois esse artigo não trata da exclusão de penalidades moratórias pelo atraso no pagamento, mas, repita se, apenas da responsabilidade por infrações punitivas. Nesta toada, não haveria justificativa para a legislação “premiar” o contribuinte em atraso, excluindo a multa de mora em caso de pagamento a destempo. Seria uma afronta ao princípio da isonomia, uma vez que o contribuinte em mora ficaria em situação privilegiada em relação àquele que pagou o tributo pontualmente no prazo fixado pela legislação. Seria um estímulo ao não pagamento dos tributos no prazo fixado. Pareceme razoável que exista uma graduação na aplicação das penalidades: o contribuinte pontual recolhe seus tributos sem qualquer penalidade; o que o faz em atraso, mas sem qualquer iniciativa do Fisco, deve pagar a multa de mora (até 20%); aquele que espera a ação do Fisco, não buscando sua regularização, fica sujeito à multa de ofício (75%) e, no caso de conduta dolosa, com a intenção de fraudar, o contribuinte se sujeita a multa agravada (150%). Desta forma, fazendose uma interpretação sistemática do artigo 138/CTN, que trata da responsabilidade por infrações sujeita à multa punitiva (excluída pela denúncia espontânea), com o disposto no artigo 161 do mesmo Código, ao indicar que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, podese concluir pelo cabimento da multa de mora em todas as situações em que o pagamento tenha ocorrido fora do prazo previsto na legislação. Registrese que o próprio legislador do CTN diferenciou as multas punitivas das moratórias, conforme pode ser constatado no parágrafo único do art. 134, ao dispor que dos responsáveis tributários previstos nos incisos só pode ser exigida multa de caráter moratório. Em reforço a isso, citase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que dispõe, in verbis: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (negritei) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça decidiu de forma diferente. Vejamos. Ao julgar o Recurso Especial nº 962.379 – RS, em 22/10/2008, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, o Tribunal reconheceu que a denúncia espontânea fica afastada nos casos em que o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte (através, por exemplo, de DCTF) e seu recolhimento se deu fora do prazo estabelecido, a teor da Súmula 360/STJ: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000573/200775 Acórdão n.º 3202000.929 S3C2T2 Fl. 72 5 Assim, o STJ reconheceu que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. Afirma que não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, desde que atendidos os demais requisitos previstos no artigo 138 do CTN. O presente Acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC. Abaixo transcrevo a ementa do REsp 962.379 – RS e trechos do voto condutor do julgado para melhor elucidação da matéria, verbis: Ementa: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Voto: (...) 2. Sobre a questão da denúncia espontânea, esta 1ª Seção editou a Súmula 360, nos seguintes termos: ‘O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo’ . (...) 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator,que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: ‘(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a não configuração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese,o crédito tributário se achava devidamente Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.(...)’ (...)” (negritamos) Por sua vez, no Recurso Especial nº 1.149.022 – SP, julgado em 09/06/2010, Relator Ministro Luiz Fux, restou assentado que o instituto da denúncia espontânea excluiria as multas de caráter punitivo, incluindo também as multas moratórias. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C,DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação)acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’ 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000573/200775 Acórdão n.º 3202000.929 S3C2T2 Fl. 73 7 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias,decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negritamos) O critério adotado pelo STJ para a caracterização do instituto da denúncia espontânea foi a apresentação ou não de declaração, por parte do contribuinte, informando a existência de débitos: (i) Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ); (ii) A contrario sensu, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Como informado, o REsp 962.379 – RS foi reconhecido na sistemática de Recurso Repetitivo (artigo 543C, do CPC), por conseguinte, resta obrigatória a observância por este Relator das disposições nele contida, nos termos do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009, alterado pelas Portarias MF 446/2009 e 586/2010). Pois bem. No caso em tela, analisando os documentos acostados aos autos (folhas 62/65) verificase que o tributo foi recolhimento em 12/02/2003, referente ao período de apuração de 31/12/2003 (vencimento: 15/01/2003), e a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais foi entregue em 14/02/2003. É de se concluir, portanto, que a Recorrente, antes de qualquer procedimento fiscal e antes de declarar o tributo devido em DCTF, efetuou o pagamento do tributo em atraso, com os respectivos juros moratórios. Deste modo, em cumprimento ao Regimento Interno do CARF, aplicamos o entendimento do STJ ao caso concreto para afastar a incidência da multa de mora em face do instituto da denúncia espontânea. Este entendimento tem prevalecido em julgados nas Câmaras Superiores de Recursos Fiscais. Confiramse os Acórdãos nº 910101.463, sessão de 15/08/2012, Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, nº 9202002.571, sessão de 06/03/2013, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303002.148, de 17/10/2012, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10850.003474/2003-15
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
PRETERIMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Em não sendo demonstrada a efetiva ciência do contribuinte acerca da emissão e notificação do extrato de indeferimento de certificado de incentivo fiscal, é incabível o lançamento tributário com fundamento na glosa do benefício por falta de manifestação sobre o extrato.
Numero da decisão: 1302-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Em não sendo demonstrada a efetiva ciência do contribuinte acerca da emissão e notificação do extrato de indeferimento de certificado de incentivo fiscal, é incabível o lançamento tributário com fundamento na glosa do benefício por falta de manifestação sobre o extrato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 34 74 /2 00 3- 15 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão do suposto pagamento a menor do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica em virtude do suposto excesso de valores destinados para os fundos de investimentos FINOR e FINAM, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 15.097,72) (fl. 03/04). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Auto de Infração (fl. 03/04): (i) Que a empresa recorrente recolheu no anocalendário de 1998 valores a menor de IRPJ, conforme demonstrativo de fl. 40; (ii) Ressalta que a RFB emitiu extrato com as informações a respeito das aplicações efetuadas pela contribuinte, sobre o qual não houve nenhuma manifestação. Neste ponto, observa que o prazo para a contribuinte se manifestar sobre o indigitado extrato encerrouse em 28/06/2002; (iii) Alega que a falta de manifestação da contribuinte sobre o extrato emitido pela RFB sobre as informações a respeito das aplicações efetuadas se comprova através do relatório extraído de seus sistemas, juntados às fl. 31; (iv) Logo, fundamentandose no art. 4º, §7º, da Lei 9.532/97, o AFRFB glosou o valor deduzido do IRPJ destinado para os fundos de investimentos FINOR e FINAM, aplicando multa e juros de mora. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 18/12/03 (fl. 42). Na sequência, apresentou impugnação em 16/01/2004 (fl. 43/45), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 116/119): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Data do Fato Gerador: 31/12/1998. INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. FINAM. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Contatandose o pagamento a menor de impostos de renda em virtude de excesso de valor destinado para o FINOR e FINAM, exigese a diferença apurada por meio de lançamento de ofício, com os acréscimos legais cabíveis. Lançamento Procedente. Intimada da decisão supratranscrita em 11/12/2006 (fl. 125), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 09/01/2007 (fl. 126/128), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Esclarece que os valores destinados ao FINAM foram calculados da forma correta e devidamente recolhidos juntamente com o IRPJ, nos respectivos Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.003474/200315 Acórdão n.º 1302001.244 S1C3T2 Fl. 290 3 prazos, conforme demonstrou nas fl. 51/61, ressaltando que a empresa tinha plena condição de usufruir o benefício, atendendo todos os requisitos legais; (ii) Observa que o Auto de Infração foi lavrado pelo fato de a recorrente não ter se manifestado quanto ao Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela RFB; (iii) Alega que não havia obrigatoriedade de se manifestar sobre o Extrato emitido pela RFB (fl. 131), pois alega que não houve divergências de valores entre o documento e sua Declaração de Rendimentos (fl. 22), segundo o AD CORAT n.º 32, de 09/11/2011; (iv) Pondera que à época não tinha ciência da existência de nenhum débito fiscal, pelo que possuía as certidões negativas de débitos federais e da dívida ativa da União (fl. 80/97) para participar de licitações e concorrências públicas. Ressalta que nunca tinha sido notificada para se apresentar ou regularizar quaisquer débitos pendentes e que, inclusive, juntou nos autos as DARFs que comprovam o pagamento dos débitos não baixados no sistema da RFB; (v) Conclui requerendo o acolhimento do seu recurso a fim de cancelar a obrigação tributária lançada em seu desfavor, segundo a insubsistência da ação fiscal demonstrada. O recurso voluntário da recorrente foi distribuído, recebido e conhecido pela 2ª Turma, da 3ª Câmera, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo proferida a Resolução n.º 130200.056 convertendo o julgamento em diligência para o fim de que a RFB tomasse as seguintes providências: (i) Recuperar e anexar ao processo o extrato ou a decisão que corrobora o indeferimento da opção por incentivo fiscal pela contribuinte, com a devida motivação. Informar e explicar as razões que levaram ao indeferimento; (ii) Recuperar e anexar ao processo a prova de que a contribuinte foi citada acerca desse extrato de indeferimento, por meio de AR ou citação pessoal. Caso essa citação não tenha sido localizada, analisar eventuais repercussões na homologação tácita da opção por incentivo fiscal da contribuinte; (iii) Analisar os documentos acostados pela contribuinte ao processo, notadamente aqueles constantes das folhas 80 e seguintes, informando se, em conformidade com esses documentos, a empresa estava em situação fiscal regular perante a autoridade fiscal quando fez a opção pelo incentivo fiscal ao transmitir a DIPJ do exercício financeiro de 1999; (iv) Informar se todas as demais condições legais inerentes à opção pelo incentivo fiscal FINAM e FINOR, relativa ao anocalendário de 1998, exercício financeiro de 1999, foram atendidas pela contribuinte e, caso negativo, esclarecer quais condições deixaram de ser atendidas; (v) Elaborar relatório de diligência e intimar a contribuinte para que se manifeste, anexando tudo ao processo. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Após a realização da diligência determinada pela Resolução n.º 1302 00.0056, o AFRFB juntou às fl. 283/284 o Termo de Diligência de Informação, no qual esclarece, em síntese, que: (i) Não houve a localização do extrato ou a decisão contendo o indeferimento da opção por incentivo fiscal feita pela recorrente, com a devida motivação; (ii) Não se obteve prova de que a recorrente foi comunicada em relação a este indeferimento, seja por AR ou citação pessoal, se abstendo de analisar as repercussões na homologação tácita da opção por incentivo fiscal; (iii) Entendeu que não lhe cabia se manifestar sobre as demais arguições por extravagância de sua competência. A recorrente foi devidamente intimada do conteúdo do Termo de Diligência e Informação em 27/09/2012 (fl. 285), manifestandose às fl. 286, ocasião em que reiterou o pedido de exoneração do crédito tributário. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.003474/200315 Acórdão n.º 1302001.244 S1C3T2 Fl. 291 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da nulidade da decisão administrativa com preterição do direito de defesa Analisando todo o processo administrativo e a concisa fundamentação do Auto de Infração, verificase que o lançamento tributário respaldouse em suposto excesso de incentivo para o fundo de investimento FINAM/FINOR, com relação ao percentual legal permitido, e, ainda, por não ter a recorrente se manifestado sobre o extrato ou decisão da RFB que indeferiu a opção do contribuinte pelo incentivo fiscal. O demonstrativo de valores recolhidos a menor (fl. 39) e demais documentos (fl. 30/38) apresentados pelo AFRFB que instruem o Auto de Infração não demonstram, por si só, a infração ao art. 4º, §7º, da Lei 9.532/97, carecendo a fundamentação do lançamento tributário de maiores esclarecimentos, fato este que motivou a baixa para diligência determinada pela Resolução n.º 130200.0056. A possibilidade de aplicação de parte do imposto devido em fundos de investimentos tem previsão no caput do art. 4º, da Lei 9.532/97, nos seguintes termos: Lei 9.532/97 Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (...) Assim, no anocalendário de 1998, sobre o qual houve o lançamento tributário objeto do presente recurso, a recorrente poderia optar pela aplicação de até 18% do valor devido a título de IRPJ nos fundos de investimentos FINOR e FINAM, com base no lucro estimado apurado mensalmente, recolhendo o valor correspondente por meio de DARF específica. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Os requisitos necessários para poder realizar a dedução do imposto para aplicação nos fundos de investimentos FINOR/FINAM eram a transmissão da declaração de rendimento no prazo legal e a regularidade fiscal do contribuinte, segundo expresso no art. 60, da Lei 9.069/95: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo o enunciado sumulado pelo CARF, de n.º 37, a regularidade fiscal que se exige do contribuinte é referente ao período da sua declaração de rendimento, ou seja, importa verificar no presente caso se no anocalendário fiscalizado a recorrente apresentava a regularidade fiscal, o que pode ser demonstrada a qualquer tempo no processo administrativo, como se verifica: Súmula n.º 37/CARF – Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Através dos fundamentos da recorrente (fl.126/128) e de toda a documentação que apresentou no recurso voluntário (fl. 129/271) e no decorrer do processo administrativo, podese concluir que era possível a dedução do IRPJ para aplicação em investimentos, consoante o art. 4º, da Lei 9.532/97, porquanto não houve qualquer demonstração pela RFB de que a recorrente estava em situação de irregularidade fiscal no ano calendário fiscalizado. Segundo informou a recorrente em sua declaração de rendimento à RFB (DIPJ – Ficha 12 – fl. 16/21), ao se realizar a apuração mensal do lucro estimado para realização do cálculo do IRPJ por estimativa, era feita a dedução do valor correspondente ao investimento nos fundos FINOR/FINAM, conforme destacado na tabela abaixo: CÁLCULO DO INVESTIMENTO FINOR/FINAM PELO LUCRO ESTIMADO – DIPJ (fl. 16/21) Mês Lucro Estimado IRPJ Dedução/Investimento Perc. Janeiro R$ 13.983,30 R$ 2.097,50 R$ 362,45 17% Fevereiro R$ 15.339,53 R$ 195,29 R$ 35,15 18% Março R$ 65.859,44 R$ 7.871,76 R$ 1.309,48 17% Abril R$ 83.449,52 R$ 2.297,98 R$ 455,93 20% Maio R$ 79.246,80 (R$ 950,14) Junho R$ 107.750,53 R$ 3.154,40 R$ 629,88 20% Julho R$ 124.126,26 R$ 2.358,10 R$ 424,46 18% Agosto R$ 133.481,62 R$ 1.347,17 R$ 242,49 18% Setembro R$ 154.678,96 R$ 3.052,42 R$ 549,44 18% Outubro R$ 171.714,18 R$ 2.453,07 R$ 441,55 18% Novembro R$ 192.522,21 R$ 2.996,36 R$ 539,35 18% Dezembro R$ 220.643,65 R$ 3.308,65 R$ 728,90 22% Das informações destacadas acima da declaração de rendimento da recorrente verificase que não se pode dizer que houve excesso de dedução do IRPJ para aplicação nos fundos de investimentos FINOR/FINAM, pois houve respeito ao percentual legal na maioria Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.003474/200315 Acórdão n.º 1302001.244 S1C3T2 Fl. 292 7 dos meses estimados, sendo incabível por tal fundamentação a glosa integral dos valores deduzidos do IRPJ no anoexercício fiscalizado. Se quisesse o AFRFB glosar os valores excedentes, ou seja, o excesso de incentivos destinados para os fundos de investimentos, como fundamentou no Auto de Infração, deveria glosar apenas os valores que excederam o percentual legal de 18%, o que ocorreu nos meses de abril, junho e dezembro do anocalendário de 1998, contudo não foi o que aconteceu. Depreendese dos fundamentos do Auto de Infração lavrados pelo AFRFB que o lançamento tributário se deu em decorrência da falta de manifestação da recorrente sobre o Extrato emitido pela RFB, pelo qual indeferiu a opção pelo incentivo, através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, segundo o Ato Declaratório Executivo CORAT n.º 32/2009. Não havendo a apresentação pela recorrente do pedido de revisão, deuse o indeferimento da opção do contribuinte pela dedução do IRPJ para aplicação nos fundos de investimentos FINAM/FINOR, glosando integralmente a parcela correspondente e realizando o lançamento com multa de ofício e juros de mora. Contudo, neste ponto, como bem observado na Resolução n.º 130200.056 (que converteu o julgamento do recurso voluntário ora analisado em diligência), cabia ao AFRFB apresentar o extrato emitido pela RFB indeferindo o certificado de incentivo fiscal da recorrente (art. 10, Dec. 70.235/72 c.c. art. 142, CTN), comprovando sua existência e conteúdo, bem como a notificação e ciência do extrato à recorrente, sob pena de nulidade daquele termo (extrato de indeferimento do certificado de incentivo fiscal) e de todos os demais atos consequentes do mesmo, com fundamento no art. 59, do mesmo Dec. 70.235/72. Neste sentido inclinase a jurisprudência deste Conselho: INCENTIVO FISCAL. PERC. CONCESSÃO. FINAM. REGULARIDADE FISCAL. A prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais, a que alude o art. 60 da Lei nº 9.069/95, há de ser verificada no momento da fruição do incentivo fiscal. Entretanto, acaso o Fisco difira este átimo, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do processo administrativo, uma vez que o objetivo da lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. (CARF. Acórdão n.º 1101000.628. Relator Benedicto Celso Benício Júnior. Sessão de 24/11/11) FINAM – PERC – REGULARIDADE FISCAL. Conforme a Súmula CARF nº 37, admitese a comprovação de regularidade fiscal em qualquer momento do processo administrativo. Prova de regularidade fiscal carreada aos autos seja na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. (CARF. Acórdão n.º 110300.656. Relator Marcos Takata. Sessão de 11/04/2012) Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 INCENTIVOS FISCAIS. INDEFERIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que tem por objetivo informar o contribuinte a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos à sua opção pelos incentivos fiscais e, em caso de alteração, a sua respectiva motivação. Para a prática deste ato, deve a administração observar o prazo decadencial para a revisão da declaração de rendas na qual tenha sido manifestada a opção pelo incentivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PERC. NORMA PROCESSUAIS. PRAZOS. O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos, e deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da ciência das alterações promovidas pela autoridade administrativa, consubstanciadas no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido. Enquanto não decidido recurso administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC MOMENTO E FORMA DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (CARF. Acórdão n.º 1102000.771. Relator João Otavio Oppermann Thome. Sessão de 04/07/2012) Assim, sendo expressamente declarado pelo AFRFB através do Termo de Diligência e Informação (fl. 283/284) de que os documentos que deram suporte ao lançamento tributário são aqueles acostados às fl. 30/39 e de que não houve a localização do extrato ou decisão contendo o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal ou prova de notificação da recorrente dando ciência do indeferimento, reputase nulo o suposto Extrato de indeferimento de certificado de incentivo fiscal e, por consequência, a lavratura do Auto de Infração decorrente. 2. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para afastar os créditos tributários lançados a título de IRPJ, bem como afastar a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.003474/200315 Acórdão n.º 1302001.244 S1C3T2 Fl. 293 9 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13888.002713/2003-72
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INOCORRÊNCIA. O direito de defesa não é violado e, por conseguinte, não
é nula a decisão a quo, quando os argumentos trazidos na peça impugnatória
são expressamente enfrentados no decisum recorrido. Preliminar rejeitada.
IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO
IMPOSTO. O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo
sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do
estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora
cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas,
produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de
IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero,
ou não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor
algum a ser creditado.
GLOSA DE CRÉDITOS. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. O
aproveitamento de créditos referentes às aquisições de bens destinados ao
ativo imobilizado é expressamente vedado pela legislação do imposto.
GLOSA DE CRÉDITOS. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. OS materiais
que não integram fisicamente o produto [mal fabricado pelo estabelecimento
industrial só geram crédito de IPI se forem consumidos ou sofrerem
desgastes em contato físico direto com esse produto.
GLOSA DE CRÉDITOS. DESCONTOS E BONIFICAÇÕES. Glosam-se os
valores escriturados como créditos de IPI relativos ao imposto que
supostamente fora recolhido a maior em razão de descontos e bonificações
concedidos aos clientes
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o
ínfrator à multa de oficio no percentual de 75% do valor do imposto lançado
de oficio, nos termos da legislação tributária específica.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2021-6.090
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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materia_s : IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
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ementa_s : IPI. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de defesa não é violado e, por conseguinte, não é nula a decisão a quo, quando os argumentos trazidos na peça impugnatória são expressamente enfrentados no decisum recorrido. Preliminar rejeitada. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IMPOSTO. O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero, ou não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado. GLOSA DE CRÉDITOS. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. O aproveitamento de créditos referentes às aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado é expressamente vedado pela legislação do imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. OS materiais que não integram fisicamente o produto [mal fabricado pelo estabelecimento industrial só geram crédito de IPI se forem consumidos ou sofrerem desgastes em contato físico direto com esse produto. GLOSA DE CRÉDITOS. DESCONTOS E BONIFICAÇÕES. Glosam-se os valores escriturados como créditos de IPI relativos ao imposto que supostamente fora recolhido a maior em razão de descontos e bonificações concedidos aos clientes MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o ínfrator à multa de oficio no percentual de 75% do valor do imposto lançado de oficio, nos termos da legislação tributária específica. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20216090; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2015-09-17T16:10:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20216090; xmpMM:DocumentID: uuid:0391a31e-3f9e-4047-9d2d-05a6ddee5227; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20216090; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-09-17T16:10:35Z; created: 2015-09-17T16:10:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2015-09-17T16:10:35Z; pdf:charsPerPage: 2567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2015-09-17T16:10:35Z | Conteúdo => ':; ' .. .r _.r:. , ••.'" /. '</.. Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 MINISTtRIO DA FAZENDA Segundo COil:Ulih~de ~o.ntribulnte~ publicado no Diário Oficial da Umão D J.G I " I oS e_U-.-; 'f'l- VISTO I p,~~ IFI. Recorrente Recorrida INDÚSTRIA DE BEBIDAS PARIS LTDA. DRJ em Ribeirão Preto - SP ~IN. DA F.~7.Ei;JCA- 20 CC-- . CONFERE xFi"l O IG:r'iAL BRASIUA \U'1 i I!J I0-5'............ ... ..__ .._ ... -_._--- V:STO r---- IPI. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÃNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de defesa não é violado e, por conseguinte, não é nula a decisão a quo, quando os argumentos trazidos na peça impugnatória são expressamente enfrentados no decisum recorrido. Preliminar rejeitada. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IMPOSTO. O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero, ou não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado. GLOSA DE CRÉDITOS. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. O aproveitamento de créditos referentes às aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado é expressamente vedado pela legislação do imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. MATERIAIS INTERMEDIÀRIOS. OS materiais que não integram fisicamente o produto [mal fabricado pelo estabelecimento industrial só geram crédito de IPI se forem consumidos ou sofrerem desgastes em contato fisico direto com esse produto. GLOSA DE CRÉDITOS. DESCONTOS E BONIFICAÇÕES. Glosam-se os valores escriturados como créditos de IPI relativos ao imposto que supostamente fora recolhido a maior em razão de descontos e bonificações concedidos aos clientes MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o ínfrator à multa de oficio no percentual de 75% do valor do imposto lançado de oficio, nos termos da legislação tributária específica. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: INDÚSTRIA DE BEBIDAS PARIS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 4:~.!/--. ~ 4u-".g;;..-c- 'fik:nrique t'inlÍéIro Torres Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Adriene Maria de Miranda (Suplente), Gustavo Kel1y Alencar, RaÍmar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Antonio 20mer (Suplente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cllopr Processo n° Recurso n° Acórdão n° Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.00271312003-72 128.214 202-16.090 INDÚSTRIA DE BEBIDAS PARIS LTDA. RELATÓRIO I 'ocr., IFI. Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do Acórdão apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto - SP, fls. 1.067/1.075: Trata-se de auto de infração lavrado em 19/12/2003 para exigir o crédito tributário de R$ 39.359.7478,35, relativo ao IPL juros de mora e multa de oficio, em razão de falta de recolhimento do imposto decorrente da glosa de créditos indevidos. Segundo a descrição dos fatos (fls. 926/937) e termo de verificação (fls.884/890), foram detectadas as seguintes irregularidades: a) lançamento a crédito na conta-corrente de IPI de valores pagos nas aquisições dos selos de controle que foram aplicados na aguardente de sua fabricação; b) escrituração de créditos relativos a entrada de materiais de consumo anteriormente contabilizados como despesa operacional e relativos a bens do ativo imobilizado; c) creditou-se indevidamente do 1PI destacado em notas fiscais de saída (devoluções), alegando tratarem-se de créditos extemporâneos; d) escriturou créditos fictos relativos à entrada de insumos tributados com alíquota zero; e) escriturou créditos fictos relativos a insumos adquiridos de comerciantes atacadistas, que haviam sido contabilizados como despesa operacional; f) efetuou estorno de débitos para abater o imposto devido na saída, sob a justificativa de que se tratavam de bonificações e abatimentos sem qualquer comprovação; g) escriturou outros valores a crédito sem comprovação de sua natureza. Regularmente notificado, apresentou o sujeito passivo impugnação de jls.963/1032 em 20/0i/2004, instruída com os documentos de jls. 1034/1041. Relativamente ao selo de controle do IPL alegou que a fiscalização indicou vários dispositivos impertinentes e deixou de indicar qual dispositivo foi irifringido. Além disso, foram indicados dispositivos já revogados ao tempo da autuação e omitidos os dispositivos do RIPI/2002. Acrescentou que seu procedimento tem amparo no art. 190 do Regulamento e que pode efetuar a compensação independentemente e autorização da Fazenda, conforme entendimento pacifico dos tribunais superiores, o qual deve ser observado pela Administração a teor do Decreto n. o 2.346/97. No tocante ao crédito ficto pela entrada desonerada de insumos, argüiu a inconstitucionalidade das normas que restringem o direito de crédito e invocou a aplicação da jurisprudência do STF e da Lei n° 9. 779/99. Quanto à questão das bonificações, sustentou que seu procedimento foi correto, porque a base de cálculo do IPL segundo a Constituição, é o valor da operação de circulação do produto industrializado. Requereu o cancelamento do auto de infração. 2 Processo nO Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 ---_._.-,-_._-_ .•.,~-. j':,li'J. D!\ ff\ZEN1)/~ ~ L' I.: ..: ___ .....-. __ ,..••~~.n ~Ld Em 26 de março de 2004, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto - SP manifestou-se por meio do ACÓRDÃO DRJ/RPO N" 5.300, fl. 1.067/1.068, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: IPI CRÉDITO GLOSADO. VALOR DE AQUISIÇÃO DOS SELOS DE CONTROLE. Glosam-se os valores escriturados como se fossem créditos de IPI, com base nos valores pagos na aquisição dos selos de controle, diante da inexistência de previsão legal para utilizar a conta-corrente do IPI como meio de efetuar repetição de indébito e da inexistência do próprio indébito. IPI. CRÉDITO GLOSADO. ATIVO IMOBILIZADO. Existe vedação legal ao aproveitamento do crédito relativo à entrada de produtos destinados ao imobilizado. IPI. CRÉDITO GLOSADO. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. Só geram crédito de IPI os materiais intermediários que se desgastem em contato fisico diretocom o produto sob industrialização. IPI. CRÉDITO GLOSADO. DESONERADAS DO IMPOSTO. CRÉDITOS FICTOS. ENTRADAS É inadmissivel a escrituração do crédito ficto de IPI quando a operação anterior é desonerada do imposto. IPI. CRÉDITO GLOSADO. DESCONTOS E BONIFICAÇÕES. Glosam-se os valores escriturados como créditos de IPI relativos ao imposto que supostamente fora recolhido a maior em razão de descontos e bonificações concedidos aos clientes. Lançamento Procedente Não conformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, fls. 1.130/1.189, solicitando: a) o cancelamento da decisão recorrida por incorreta capitulação legal e ausência de disposição legal infringida; b) reconhecimento da existência de permissão legal para a compensação tributária; 3 .. Processo n° Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 .- . UA fAZENíJA - 2" l>...' C:~';'JFEREC:Õf'l O ÓRiGi'iJAL 6Ri\ S iLlA.O~ ...J..fXí. .. --- ..-------~tv1!f'/ VISTO ~bJ c) reconhecimento da inaplicabilidade do art. 166 do CTN para o caso em tela; d) créditos referentes a entradas de produtos sob o abrigo da imunidade, isenção e alíquota zero; e e) que não lhe seja aplicada multa. É o relatório. 4 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 ----_._._-_ .•._._. CO~!FERE c~~O ORIG1NI'.L 8RASiUA ..º-.~~...l_0? -------~~_. VISTO ~bJ conheço. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele A teor do relatado, versa o presente processo sobre auto de infração lavrado para constituir crédito tributário, referente ao IPI que deixou de ser recolhido em razão de o sujeito passivo haver-se creditado indevidamente de valores pertinentes à aquisição de selo de controle, de bens do ativo imobilizado, de materiais que não se enquadravam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, bem como de valores pertinentes a entradas desoneradas do imposto. Também foram glosados os créditos relativos ao IPI supostamente recolhido a maior em razão de descontos e bonificações concedidos aos clientes. A decisão recorrida manteve integralmente o lançamento fiscal. A reclamante suscita nulidade da decisão recorrida que não teria apreciado argumentação da defesa acerca da incorreta capitulação legal do auto de infração. Da simples leitura do acórdão vergastado, percebe-se a total improcedência dessa preliminar de nulidade, pois, ao contrário do alegado pela reclamante, a decisão de primeira instância enfrentou a questão do enquadramento legal do auto de infração, concluindo por sua regularidade (página 4 da decisão recorrida, fl. 1070 dos autos), nos termos seguintes: Ao contrário do alegado, a fiscalização indicou no enquadramento legal de fi. 937, o art. 147 do RlP1/98 e o art. 164 do RlPI/2002, ambos com matriz legal no art. 25 da Lei n° 4.502/64, os quais foram violados pela impugnante, uma vez que não permitem a escrituração a crédito da quantia paga pela empresa na aquisição de selos de controle. A decisão recorrida aborda ainda essa matéria em vários outros parágrafos da página 04 do acórdão, fl. 1070 dos autos, que não serão aqui transcritos para não tornar por demais enfadonha a leitura deste voto. Com essas considerações, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela defendente. Melhor sorte não assiste à defendente no que pertine à suposta ausência no lançamento fiscal de dispositivo legal infringido pela autuada, pois, como bem demonstrou a decisão recorrida, a fiscalização, ao descrever as infrações atribuídas à autuada não economizou tinta nem papel, descreveu detalhadamente cada uma das irregularidades imputadas à contribuinte, bem como relacionou a legislação fiscal por ela infringida. Isso foi feito por meio de Tenno de Constatação Fiscal, fls. 884 a 890 e da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 926 a 937. Assim, não merecem ser acolhidos os argumentos pertinentes à ausência no lançamento fiscal de dispositivo legal infringido pela autuada. Quanto ao direito à compensação na esfera administrativa, é inegável que a I( 5 -----_._---_.~.._- CONFERi: COM O ~'IGINAL BRASíLIA j2~._ ...J.ºf ----.--~~lProcesso n°Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segnndo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 ~':;lf~.OA f f\ ZEND!.\ -,- < I"'~~IFI. legislação vigente autoriza o sujeito passivo fazer o encontro de contas entre os créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior que o devido com débitos pertinentes a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Também há permissão legal para se compensar tais débitos com créditos decorrentes de incentivos fiscais. Todavia, nenhuma dessas hipóteses constitui o caso em discussão, vez que a questão trazida a este Colegiado versa, tão- somente, de glosa de créditos escriturais utilizados pelo sujeito passivo, os quais foram considerados indevidos pela fiscalização. Com isso, fica afastada, de plano, toda a argumentação do sujeito passivo sobre eventual direito à compensação de indébito prevista no Código Tributário Nacional e na Legislação extravagante, sobretudo nas Leis nOs8.383/91, 9-430/1996 e 10.637/02, bem como IN SRF n° 21/1997. Note-se que não está em julgamento o direito em si de a autuada repetir imposto ou contribuição pagos a maior ou de ressarcir créditos de incentivo, mas a utilização irregular de crédito de IPI. Dai, ser de fundamental importância diferenciar o procedimento de apuração do imposto do de compensação de crédito do IPI já apurado com eventuais créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública, previsto em legislação extravagante. O IPI, por determinação constitucional é tributo não cumulativo, compensando-se o imposto devido em cada operação com o cobrado nas anteriores. Para atender esse mandamento constitucional, o legislador ordinário criou o sistema de créditos que permite os estabelecimentos industriais e o que lhes são equiparados fazer o encontro entre os débitos pertinentes às saídas de produtos industrializados do estabelecimento com o imposto pago nas entradas dos insumos utilizados na fabricação de tais produtos. Há, ainda, previsão legal para que os contribuintes apropriem-se a título de crédito do IPI de outros valores não relacionados à entrada de insumos, mas em qualquer caso, por tratar-se de exceção à regra geral, a legislação do imposto elenca numerus clausus as hipóteses permitidas. A não-cumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) com o tributo referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditarem-se do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, S 3°, inc. II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: 1- omissis IV -produtos industrializados; (..) f 3 o O imposto previsto no inciso IV' 1 - Omissis .f 6 Processo nO Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 _._-_._--_._-- I "CC~ IFI. II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. estabelece, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio, e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transfere-se para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da não-cumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto n° 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei n° 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de ísenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da não-cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei nO4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I, do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I, do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea "a", do Decreto n° 2.637/1998, a seguir transcrito: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: I- do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matérias-primas, dos produtos ./ 7 Processo nO Recurso n° Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 I "CC"' I. FI. intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, porquanto o sujeito passivo não arcou com ônus algum. A premissa básica da não-cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matéria-prima em razão de sua tributação à aliquota zero, não há falar- se em direito a crédito, tampouco em não-cumulatividade. É de notar-se que a tributação do IPI, no que tange à não-cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como "imposto contra imposto" (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada "base contra base" (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adotada, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma aliquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as aliquotas variam de O a 330%. Havendo coincidência de aliquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente à da parcela agregada. Assim, se a aliquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de aliquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de aliquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase "a" está sujeita à alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a aliquota é de 5%, e agregou-se, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase "a" forem taxados em 5% e o da "b" em 10%, mantendo-se os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade, é de 15%, como mostrado a seguir. Fase "a": valor agregado $ 1.000,00, aliquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $50,00. Fase "b": valor agregado $ 1.000,00, aliquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de aliquota 8 Processo nO Recurso n° Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 i .:,. DA F,i\ZEÍ'!D,~ - 2" ~l---_ .•-•....•.•. ,,,."""-- ..•.._....;.~..:..- COIJ'.'!:REC~, 1 , BRASiLiA.Q.~..! jPõ' i I --- .•, --- \ I~ I VISTO -''7- I",'M' IFI. zero ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da não-cumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direíto ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero) ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tão-somente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido nas diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos sujeitos à alíquota zero comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Até porque, em caso contrário, ter-se-ia que, para estabelecer o quantum a ser creditado, atribuir a tais produtos alíquotas diferentes das estabelecidas por lei. Em outras palavras, o aplicador da lei estaria legislando positivamente, usurpando funções do legislador. Repise ..se que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o princípio da não- cumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque, a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional: o princípio da seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos tributados não constitui, absolutamente, afronta ou restrição ao princípio da não- cumulatividade do IPI ou a qualquer outro dispositivo constitucional. Por outro lado, a prevalecer a tese do acórdão recorrido sobre o direito ao crédito de matérias-primas tributadas à alíquota zero, todos os casos em que a alíquota dos insumos for menor do que a do produto final, o crédito deve ser calculado com base na alíquota deste e não na daqueles para manter a tributação efetiva apenas sobre o valor agregado. Acatando-se essa tese, estar-se-á subvertendo toda a base em que o tributo fora assentado desde de sua instituição pela Lei nO4.502/1964, e criando para a União um passivo incalculável. Observe-se ainda que, ao defenderem a tese de que, em respeito ao princípio da não-cumulatividade do imposto, as entradas de insumos não-tributados ou tributados à alíquota zero devem gerar, para seus adquirentes, créditos calculados com base nas alíquotas dos produtos em que tais insumos foram empregados, os seguidores dessa tese, além de transformarem o aplicador da lei em legislador positivo, como dito linhas acima, esqueceram, por completo, que o IPI é regido, também, pelo princípio da seletividade em função da essencialidade, o qual tem por finalidade diminuir o gravame fiscal sobre produtos básicos necessários ao conjunto da sociedade e aumentar a tributação sobre os supérfluos. Como é de todos sabido, esse princípio é implementado por meio da fixação de alíquotas mais elevadas para os produtos supérfluos e menores para os essenciais. Todavia, a grande maioria dos produtos supérfluos, como são exemplos os cigarros, os perfumes e as 9 . '. Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.00271312003-72 128.214 202-16.090 ---_._--- i .'1. o~~r:AZEi\JO.A _ 2U (--- •.._----_ .. CClNf!:RE COM O ORISiNAl 8RASillAQ~_./.Qií_. --_.__ .._._~~- VISTO I"~M,IFI. bebidas, são produzidos a partir de matérias-primas agrícolas ainda não industrializadas, portanto, não tributadas pelo IPI (NT), ou a partir de insumos básicos, largamente utilizados pela população ou utilizados na fabricação de produtos populares, nessas hipóteses, tributados à alíquota zero. Tanto em um caso, como em outro, por não haver alíquotas positivas, não há como quantificar o valor dos fictícios créditos que os adquirentes desses insumos teriam direito. Para resolver esse imbróglio, os defensores da tese aqui combatida criaram outro ainda maior ao determinarem a aplicação do mesmo percentual de incidência do imposto a que está submetido o produto final às matérias-primas não tributadas ou tributadas à alíquota zero; com isso, feriram de morte o princípio da seletividade ao tributarem às avessas os produtos supérfluos, reduzindo drasticamente ou anulando todo o gravame fiscal. Para melhor entendimento do aqui exposto, tome-se como exemplo o caso do cigarro de fumo. A tributação do cigarro de fumo segue às seguintes regras: a alíquota desse produto na TIPI é 330%, mas sua base de cálculo é reduzida a 12,5% do preço de venda a varejo. O valor do imposto devido obtém-se multiplicando a alíquota por essa base de cálculo reduzida. Assim, se 1.000 pacotes de cigarro custam R$ 2.000,00 no varejo, o valor do IPI devido pelo fabricante é de R$ 825,00 ($ 2.000,00 x 12,5% x 330%). Para fabricar os cigarros, a indústría fumageira adquire folha de fumo, seu principal componente, não tributada pelo IPI (NT na TIPI). O industrial dos cigarros nada pagou de IPI por ela, não havendo do que se creditar. Desta feita, a alíquota efetiva dos cigarros é de 41,25% sobre o preço de venda a varejo. Agora, admitindo que o fabricante tem direito a abater do imposto devido o valor do crédito calculado com base na alíquota do produto final; para cada real pago na aquisição de folha de fumo ele teria de crédito R$ 3,30. Assim, se para confeccionar os 1.000 pacotes, o industrial despendeu 15% das receitas, na compra desse insumo básico, teria ele direito a um crédito de R$ 990,00 ($ 2.000,00 x 15% x 330%). Superior, portanto, ao valor do imposto devido. Com isso, a tributação desse produto supérfluo seria negativa. O mesmo ocorreria com as bebidas que têm alíquotas de até 130% e as principais matérias-primas são não tributadas (NT). Veja-se a que absurdo chegaríamos: a sociedade inteira custeando a fabricação de produtos a ela tão nocivos. Por outro lado, havendo conflito aparente entre dois ou mais direitos ou garantias fundamentais, deve o intérprete buscar a harmonização, de modo a evitar o sacrificio de um em relação aos outros. Sobre o tema é maestral o ensinamento de Alexandre de Moraesl: (..) quando houver conflito entre dois ou mais direitos ou garantias fundamentais, o intérprete deve utilizar-se do princípio da concordância prática ou harmonização de forma a coordenar e combinar os bens jurídicos em conflito, evitando o sacrificio total de uns em relação aos outros, realizando uma redução proporcional do âmbito de alcance de cada qual (contradição dos princípios), sempre em busca do verdadeiro significado da norma e da harmonia do texto constitucional com sua finalidade precípua. IMoraes, Alexandre de. Direito Constitucional, São Paulo: Atlas, 2000. p. 59 10 . " Processo nO Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 I. DA f ~'\ZEJ.'QA . :.:---.•.•.......",....•__ .•••., COI':PERE Ci{M O ORIGir:t. BRASíLIA Ú I O ; r:l---=~IVISTO I 9 .ld Admitindo-se, para manter o debate, que o princípio da não-cumulatividade confere aos contribuintes de IPI créditos referentes às aquisições de produtos não tributados ou tributados à alíquota zero, o que confrontaria diferenciação de alíquotas previstas no princípio da seletividade, na harmonização desses dois princípios, deve-se, com arrimo nos 2princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, sopesar o direito de o contribuinte reduzir a tributação de produtos supérlluos com o de a Fazenda Pública alavancar a produção de produtos essenciais para a sociedade por meio da redução do gravame fiscal desses produtos e a exasperação daqueles, de tal sorte que não haja a subversão da ordem do Estado Democrático de Direito, em que os direitos individuais são respeitados, mas que a estes se sobrepõe o interesse coletivo. No que pertine ao aproveitamento de créditos relativos a materiais que não compõe o produto final, sua apropriação, por força do estatuído no inciso I do artigo 147 do RIPI 1998, só será lícita se ditos materiais se enquadrarem como matéria-prima ou produto intermediário. Para haver esse enquadramento, torna-se necessário que os insumos sejam empregados diretamente na industrialização de produto final ou que, embora não se integrem a este, sejam consumidos efetivamente em seu fabrico. O Parecer Normativo CST nO 65/1979, explicitou quaís ínsumos que mesmo não integrando o produto final podem ser caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário: "hão de guardar semelhança com as matérias- primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida ..sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Tal entendimento também é extraído do Parecer Normativo CST n° n° 181/1974, do qual transcreve-se o elucidativo excerto: 13- Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, às partes, às peças e aos acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc .. Diante disso, entendo não ser cabível o aproveitamento do crédito referente às aqulSlçoes de materiais intermediários,' tais como peças de manutenção de esteiras, e bens escriturados no ativo imobilizado ou destinados ao ativo fixo. Esses últimos, a vedação do creditamento encontra-se expressa na parte final do inciso I do artigo 147 do RIPI/1998, nos termos seguintes: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: 2 Na solução de um conflito aparente de normas, deve o interprete respeitar sempre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, de tal modo a evitar o sacrifício total de um em relação ao outro, 11 Processo na Recurso na Acórdão na 'Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 {,' ,;..;. DA FJ\,ZE:NfJl'~ .- 2" CC i-'--~..•- CONFERE C9f,; OdfiGINAL I BRASiLIA.Q~ ...I.º-:r --_ .._._. __ .._ .._~ VISTO / ["=M' IFI. I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre OS' bens do ativo permanente. " (Grifamos). Esclareça-se, por oportuno, que os argumentos de defesa pertinente à glosa de créditos decorrentes de aquisições de garrafas, vieram desacompanhado de qualquer elemento de prova a conferir-lhe legitimidade. Com isso, aplica-se ao caso o velho brocardo de que alegar e não provar é mesmo que não alegar. Melhor sorte não merecem os argumentos de defesa tendentes a refutar a glosa dos créditos sem comprovação de sua natureza, pois, como explicita a reclamante em seu recurso, ditos créditos referem-se às despesas havidas com energia elétrica. No caso, duas são as razões que justificam a glosa efetuada pela Fiscalização, a primeira delas é que a energia elétrica é imune ao IPI, o que afasta, de plano, qualquer creditamento, já que não houve incidência de IPI na operação de entrada. Desta feita, não há o que ser compensado. A segunda justificativa encontra respaldo, justamente, nos argumentos expendidos no item precedente, pois, energia elétrica não se enquadra no conceito de matéria-prima ou produto intermediário. Daí não ser lícito o creditamento efetuado pela reclamante. No que concerne à glosa de créditos decorrentes de devoluções, deixo de conhecer dos argumentos de defesa porquanto a matéria encontra-se preclusa, já que, como consignado na decisão recorrida, não houve impugnação desse item do auto de infração na peça apresentada à ao órgão de julgamento de primeira instância. Em relação à glosa de créditos oriundos de descontos e bonificações, não merece reprimenda a decisão a quo, pois a base de cálculo do IPI - nos termos do artigo 14 da Lei na 4.502/1964, alterado pelo artigo 27 do Decreto-Lei na 1.593/1977, e com a nova redação dada pelo artigo 15 da Lei na 7.798/89 - nas saídas para o mercado interno, é o valor da operação, sem dedução de descontos ainda que incondicionais, diferenças ou abatimentos. Com isso, não houve o indébito pertinente à incidência do imposto sobre os valores dos descontos e bonificações concedidos pela reclamante. Por conseguinte, não havia crédito a ser apropriado. Em assim sendo, correta a glosa efetuada pelos autuantes. Por derradeiro, no tocante à multa de oficio aplicada, consta dos autos que decorreu do descumprimento da obrigação principal, da falta de recolhimento do IPI. A legislação que disciplina a matéria prevê a aplicação de multa em casos de não recolhimento ou recolhimento a menor de tributos e contribuições, apuradas em procedimento de oficio. A aplicação da penalidade cominada em lei não é atividade discricionária, sendo, antes, obrigatória e vinculada, não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicá-Ia, em se configurando a situação tipificada no texto legal, sob pena de responsabilidade funcional. A situação fática apresentada nos autos subsume exatamente na hipótese prevista no inciso I do art. 80 da Lei na 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei na 9.43011996 - falta de recolhimento do imposto devido - e enseja a quem nela incorrer a multa de ~ 12 ..'. .~ Processo nO Recurso n° Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13888.002713/2003-72 128.214 202-16.090 . MIN. DA Fli~E~II}I\• 2" CC CONFERE CO:,1 O ORiGiNAL BRASil.l/JOt.t ~.,_ºi_ ____.__.=t3~- VISTO I",~M'IFI. L 75% da obrigação tributária não satisfeita. Agiu, pois, corretamente, a fiscalização ao aplicar a multa prevista na lei tributária específica. Os argumentos de que a multa lançada representaria confisco não serão aqui debatidos, pois a discussão convergiria, necessariamente, para a análise da constitucionalidade da lei que fixara o percentual da multa aplicável, matéria alheia à competência das instâncias administrativas. Com essas considerações, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 13 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013
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Numero do processo: 13749.000106/91-11
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS FAIURAMEMO - Ex. 1988
DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a
decisão proferida no processo matriz se
aplica ao julgamento do processo decorrente,
dada a intima relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.306
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA DRF em NOVA IGUAÇU, RJ PIS FAIURAMEMO - Ex. 14: DECORRÊNCIA Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Ví4to4, 'L aado4 e dí)scutído4 04 ptinente4 auto4 de tecuto intetpo4to pot RUSTIKA INDaSTRIA E COMÉRCIO DE mA- OEIRAS LTDA. ACOROAM 04 Membto da Segunda nmata do Pnímeito CoriAelho de Conttíbaínte4, Pot unanímídade de v0to3, negat pto v,cmento ao tecut4o. Sala da4 Sec-;e3, em 19 de outubto de 1995 ANTONIO DE FREIA DUTRA - PRESIDENTE J • - RELATOU VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO UNIS ROCHA - PROCURADOR OA FA- ZENDA NACIONAL — SESSÃO DE: 20 OUT 1995 PatiÁcipatam, ainda, do pte4ente fuigamen,ro 04 4egLLínte4 Cone 1he4iAo: Wa,Edevan ke.ve4 de OLc",veíta, joisE Ci,c-7ví4 A/ve, MaAía CIElía de Andtade Fígueítedo, C-eat Gome4 da Slva, Jo4J CaJto4 Pa34ueUo e Suelí E“g -enía Mende3 de Bt,c-tto MLNISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 137491000.106191-11 RECURSO n. 88.279 ACÓRDÃO a 102- 3 0 . 3 0 6 RECORRENTE RUSTIKA INDÚSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fis. 01 e anexos, lavrado contra RUSTIKA Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., CGC n. 30.244.602/0001-55, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu, RJ, formalizando a exigência de PIS Faturarnento, relativa ao exercicio de 1988, no valor de Cr$ 19.340,89 e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base na alínea "b" do artigo 3o. da Lei Complementar n.7/70, c/c o parágrafo único do artigo 1o., da Lei Complementar 17/73, e Regulamento do PIS/PASEP, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de calculo da Contribuição, e lançado Imposto de Renda - Pessoa Juridica, conforme demonstrado /In prneessú 13749/000.108/91-39. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 10/07191, sua impugnação de fls. 07/23, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 529/92,foi proferida às fls. 31/32 e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 07/01/93, reiterando, em suas Razões, juntadas ás fis. 33/34, os argumentos formulados na fase impugnatória. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatório., 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 13749/000.106/91-11 ACÓRDÃO Et. 102- 30. 30 6 VOTO Conselheira .Ursula Hansen - Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n. 13749/000.108/91-39. Considerando que, após retomo dos autos de procedimento de Diligência em que foram prestdas informações e sanadas algumas irregularidades de natureza formal, o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 16 de agosto de 1994, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-29.258; Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecinento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o principio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. BRASÍLIA, DF, 19 de o cita b to de 199 5 , " URSULÁ 4ASÊNT Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10840.003541/2004-93
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica -
Período de apuração: 2000, 2001 e 2002
Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE
ESTIMATIVA., O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura,
após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
Numero da decisão: 9101-000.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Relatora), Leonardo de Andrade Couto e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri, Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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ementa_s : Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - Período de apuração: 2000, 2001 e 2002 Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA., O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
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FALTA DE RI ,COLIIIMENTO Di ESTIMATIVA., O artigo 44 da Lei ri' 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano„ Iráprocede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Relatora), Leonardo de Andrade Couto e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri, Declarou-se -impedido o Conselheiro Antonio Carlos Ciuidoni Filho. "" • (7)))/-//1-, CARLOS AI .21-0 FITAS BAR RETO - Presidente -Ai VIVIANE VI I AL WAGN FR - Relatora VAI SANDR.1 - Redator designado, EDITADO LM: 31 Partieipmarn do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Qiiciroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, João Carlos de Lima junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, 2 Proceso 1.1° 10840 003541/2004-93 - • CS121?- Acórd1:10 a." 9101-00.577 M Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com .Fulcro art. 32, I, c/c art. 33, ambos do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes aprovado pela Portaria MF n" 55, de 1998. • O acórdão recorrido que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, afastando a incidência, da. multa isolada, traz a seguinte ementa: LUCRO REAL ANUAL - MULTA PELO1VÃO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO CALCULADA POR ESTIMATIVA, LANÇADA DEPOLS DE TERMINADO O ANO-CALENDÁRIO - "A .fidta recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor. do IRP.I do mês em virtude de recolhirnento excedentes em períodos anteriores'. (Lei a' 9.430/96, art 44„, I .., inciso IV e/c art. 2J. A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o impo:sio anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei n° 9.430/96 art. 44 caput c/c 1 .. inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1 Jeira rb'f A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os ,fatos geradores, corno nos . anos rsubsequentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida." (Acórdão CSRF/01-04.930, Rei. Coas Jose Clóvis Alves, julgado em 12.04.2004) Recurso provido A Fazenda Nacional alega, inicialmente, que a recorrida apurou o imposto de renda por meio do lucro real trimestral, e não anual, de acordo com o disposto nos arts. 1° e 2' da Lei 9.430/96. Questiona. a interpretação em &man parte dada pelo acórdão utilizado no voto condutor do acórdão recorrido, já que, sendo o tributo devido mensalmente e não anualmente, a base de cálculo da multa é a estimativa correspondente ao mês, Assevera que o ilícito já havia sido cometido quando a recorrida deixou de recolher as estimativas, e que o conceito legal de tributo exclui o objeto ontológico da. multa. Afirma que o art.. 44, §1°, da Lei 9A30/96 diz textualmente que a apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa não elide a multa isolada. e o que essa redação demonstra a inexistência de vinculação entre a multa e o tributo devido. Cita doutrina para reforçar o entendimento de que a intenção da omissão do pagamento não é elemento da multa isolada, tendo em vista que o art. 136 do CTN preceitua que o dolo não é essencial à ocorrência da infração tributária, não guardando o ilícito fiscal similitudes com as instituições e regras do Direito Penal, com exceção dos crimes tributários, e que se configura pelo simples descumprimento dos deveres tributários.. Questiona a invocação do princípio da proporcionalidade pelo acórdão CSR.1,701-04,930 para afastar a multa isolada, uma vez que a Administração Pública se rege pelo princípio da- legalidade. Entende que, embora o processo administrativo fiscal obedeça ao intia-constitucional da proporcionalidade previsto no art. 2" da Lei n" 9..784/99, essa obediência está adstrita a parâmetros específicos.. O primeiro deles é que o lançamento é ato administrativo expressa-mente vinculado, não cabendo afastar a incidência da multa isolada quando configurada a hipótese do are 44, §1", da 1,ei n" 9.430/96. Outro parâmetro seria a possibilidade de LnTadação da penalidade conforme a infração, o que não é o caso da multa isolada, devida cm percentual fixo. Ao final, pede o provimento do recurso.. Em contrarra.zões, a interessada, aduz que o acórdão recorrido deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos, por ter dado a exegese correta do art. 44, §1", inciso IV, da Lei n" 9.4301%, quando o contribuite apurar resultado negativo por ocasião do encerramento do exercício, já que em seu sentido literal a referida norma não estaria em harmonia com a Constituição Vederal. Alega ter apresentado cópias dos "balancetes de suspensão" emitidos no Livro de Registro de Balanços, utilizado como auxiliar do Livro D.iário, cm que demonstra ter registrado os prejuízos acumulados, os quais teriam anulado os efeitos do lucro aferido em abril de 2002.. Aduz ainda que a recorrente não ataca todos os fundamentos do acórdão recorrido, mas apenas no tocante aos critérios para adoção da base de cálculo da multa isolada na hipótese de regime de apuração anual, com estimativa mensal do IRPJ e da CSLL. O acór-dão paradigma apresentado seria referente apenas à interpretação do art. 44, §1", inciso IV, c/c art. 2", ambos da Lei n° 9,430/96, nas hipóteses de. incidência da multa, não abarcando os demais fundamentos do acórdão recorrido. É o relatório. • 4 Processo n'' 10240..003541/2004-93 CSRF- Acórdão n." 9101-00377 P1 3 Voto Vencido Conselheira 'VIVIANE VIDAL WAGNER O recurso especial é tempestivo e, tendo sido observados os pressupostos de admissibilidade, dele conheço integralmente por ter compreendido todos os fiindamentos do acórdão recorrido. Passo a analisar suas raiões. A questão de fundo do recurso é a controvérsia sobre a incidência de multa. isolada após o encerramento do exercício quando apurado prejuízo .fiscal ou sobre a diferença entre o imposto devido e o que deixou de ser recolhido antecipadamente. A opção pela sistemática das estimativas mensais é concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei n" 9.430, de 1996, em seu art. 20 . Art 2" A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação„sobre a receita bruta auferida Mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos sç 1" e 2" do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 199.5, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, § 1' O impo..sto a ser pago mensalmente na . forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aliquota de quinze por cento. § 2" Á parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20 000,00 (vinte mil reais)licará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à aliquota de dez por cento. § 3" A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1°c 2" do artigo anterior. § 4" Para effito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor.: I - dos incentivos fiscais dc dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no §4° do art. 3" da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; íí - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; 5 do imposto de rerulapago ou retido na Mie, incidente .sobte re.ceilas computadas na determinação do htcro real; JJ7_ do imposto de renda pago na timm.1 deste at ligo. (g n.) A alegação da recorrente quanto à forma de apuração do imposto de renda pela recorrida não se justifica, em razão da expressa previsão legal contida no §3° do art. 2", acima transcrito. A forma de apuração pelo lucro real anual, verificada pela Fiscalização consoante descrito no Termo de Conclusão Fiscal, às fls. 10, foi declarada na D1P1 2003, às lis, 104. A regra é o pagamento com base no lucro líquido apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da contribuição e adicional determinados sobre base de cálculo estimada, quando deverá apurar o lucro ao final do ano- calendário. Ao optar, está aceitando as regras vigentes. A circunstância de que o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica e da C_SLL não se forma instantaneamente, ruas ao longo de determinado período de tempo, definido pela sistemática de apuração, foi considerado pelo legislador ao prever o dever de antecipar quando se opta pela apuração anual. O art. 6', §,1", da Lei n" 9.430/96 descreve a sistemática de apuração do imposto devido apurado na forma das estimativas mensais, esclarecendo que o nposto pago a maior em um período pode ser utilizado para compensar o imposto a ser pago a partir do mês de abril subsequente ou restituído, após a entrega da declaração, conforme transcrito: Art 6" O imposto devido, apurado na Arma do art. 2", deverá ser pago até o último dia útil do mês .subseqüente àquele a que se rekrir. § 1" O .saido do imposto apurado em 31 de dezembro será: 1 - pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do mio subseqüente, .se positivo, observado o disposto If § 2'; - compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. 2' O .saldo do imposto a pagar de que trata O inciso 1 do parágrafo anterior .será acrescido de juro.s calc.:ulados à taxa a que se refere o § 3' do art. 5", a partir de 1" dc fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no 111é:',S- do pagamento § 3' O prazo a que se rePre o inciso do 5s. I" 11ãO se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.. (g.n) Paga-se e repete-se. Mas há uma maneira de se evitar isso. Processo II' 10{A0 0035-11/2004-93 CSRF-.11 Acórdão Ti 9101-00.577 Fi 4 De acordo com o art. 35 da Lei n" 8.981, de 25..01„95, com a redação da Lei n' 9.065/95, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir o "FRP.). ou a CSII, devida, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o -valor acumulado j pago dura.nte o ano excede o valor do imposto de renda ou da contribuição social, inclusive adicional, calculados com base no lucro liquido do período em curso, in verbis: Art. 3_5. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais-, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § _I" Os balanços ou balancetes de que trata este artigo.- a) deverão ser levantados com observância das leis c:ornei-ciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de .Renda e da contribuição .social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2' O Po(kr Executivo poderá baimir—instruçãara aplicação-do disposto no par,4grt,.-0 anterior. § 2" Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balanceies mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) § 3' O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano-calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido n.o período é inferior ao calculado com base no disposto nos mis. 28 e 29. (Incluído pela Lei n°9.065, de 1.995) § 4" O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (incluído pela Lei n ü 9.065-, de 1 965k Neste ponto, existe a alegaçã.o da recorrida em contrarrazões quanto à elaboração de- balancetes de suspensão. Consultando-se os autos, verifica-se que a fiscalização, constatando divergência entre o Prejuízo Líquido do Exercício constante do Lalur, referente a abril de 2002 (R$ 23.388,696,43) e o valor do Balancete analítico apresentado pela empresa (R$ 18..336.487,45), intimou-a a apresentar os Balancetes de Suspensão e Redução do -imposto, d.os doze períodos de 2002, devidamente registrados no livro Diário (intimação de fls,74). Em resposta, empresa apresenta outro balancete com o resultado de R$ 18.703.879,40, mantida a divergência com o prejuízo constante do Lalur. Na impugnação ao auto de infração (í'6.125), a interessada alega, in verbis: 7 -2. Não obstante a Impugnante se encontre sob regúne de apuração anual com estimativa mensal do hnposto de Renda e da Contribuição Sobre Lucro Liquido, tendo verificado resultado positi.vo no mês de abril de 2002, por ocasião do encerramento do ano base apurou resultado negativo, estando portanto, desobrigada do recolhimento do imposto em referido mês, contrariamente do entendimento da Receita b'ederal" Diante da constatação da Obrigatoriedade da recorrida aos recolhimentos mensais por estimativa, verifica-se o seu descumprimento. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a pariir de 01..01..1997, a lei provê a incidência de multa isolada à alíquota de 50% sobre o valor apurado no mês, com a redação dada pela Lei n" 11,488, de 15 de junho de 2007, nos seguintes termos: Art. 44. .151 .os ca.sos de lançamento de gficio, serão aplicadas as .seguintes muitas[ •1 H-- de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal- f b) na Mina do art. 2" devia Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social .sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Da literalidade do texto legal se extrai a regra de que a apuração de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa não elide a multa isolada. Considerar que a apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSI Á, ao final do ano-calendário conespandente, sem o levantamento de balancetes de suspensão ou redução, elidiria a multa isolada, no meu entender ., respeitadas as posições em contrário, é interpretar contra legam. Do mesmo modo, entendo que não se justifica restringir a base de cálculo da multa isolada ao imposto apurado no :final do período de apuração, imputando-se a multa apenas à diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa recolhida, como faz o acórdão recorrido. A multa isolada deve ser aplicada pela fiscalização ao detectar a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês. Trata-se de sanção por ato ilícito, qual seja, o descumprimento de regra de recolhimento de imposto ou contribuição social estimada,. Não se trata de mera antecipação do tributo devido, já que o lato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente apenas irá se configurar em 31 de dezembro do ano-calendário, As razões do legislador ao instituir a imposição de recolhimentos por estimativa no caso de apuração anual do imposto de renda da pessoa jurídica e da CSLL passam por questões de política econômica, já que os tributos são a principal receita .financeira do Estado, O legislador optou por antecipar o momento de entrada. dos recursos nos cofres públicos quando a pessoa jurídica escolhe a tributação anual dó lucro, facultativamente à regra. da. tributação trimestral, de modo a garantir a entrada d.e recursos dentro do próprio ano- calendário de apuração.. 8 Processo n' 10840 003541/2004-93 CSRF-111. Acórdão n e 9101-0(1..577 11 5 deseumprimento desse dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. A única. exceção aberta pelo legislador é a apresentação d.e balancetes de suspensão ou redução que demonstreni que o valor pago já seria maior do que o devido. Assim, quando o contribuinte faz a opção pela apuração anual do IRP.1 e da CSLL, a antecipação é obrigatória, independentemente do valor do tributo apurado ao final do ano-calendário ou da apuração de prejuízo. Tributo tem natureza jurídica distinta de multa.. O conceito de tributo está expresso no art. 3" do CTN e o conceito de multa pode ser deduzido, a contrario sensu, do mesmo dispositivo, Enquanto o tributo decorre de um ato licito, caracterizado pelo fato gerador, a multa decorre da realização de um ato ilícito, pelo descumprimenio de um dever legal. Ambos criam para o Estado o direito ao recebimento de um crédito tributário.. A falta d.e recolhimento do imposto ou. contribuição social estimada a cada mês gera. a sanção tributária denominada multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Sua natureza de penalidade pc,cuniária é característica que evidencia seu papel no sistema jurídico tributário .brasi ei ro Cabe aqui transcrever a interessante lição de Paulo de Barros Carvalho (1996, p„:354), in verbis: -As. penalidades Neuniárias são as mais expressivas formas do desígnio punitivo que a ordem . jurídica maniftsta, diante do comportamento lesivo dos' deveres que estipula. Ao lado do indiscutível e'/eito psicológico que operam, evitando, muitas vezes, que a infração venha a ser consumada, é o modo por excelência de punir o autor da infração cometida. Agravam, :sensivelmente, o débito fiscal e quase sempre são . fixadas em níveis percentuais sobre o valor da dívida tributária. O entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, no sentido da impossibilidade de cobrança da multa isolada após o encerramento do exercício em caso de prejuízo ou de forma limitada ao valor do imposto ou contribuição devida, retira o efeito psicológico da sanção e abre a possibilidade ao contribuinte de deixar de recolher antecipadamente ou de levantar os balancetes mensais para apenas apurar o lucro real ao final do exercício e recolher o tributo eventualmente apurado naquele momento. Nesse caso, as estimativas deixariam de ser recolhidas sem qualquer sanção. Ainda que o lançamento ocorra posteriormente ao encerramento do ano- calendário objeto de fiscalização, como frequentemente ocorre, a base de cálculo das estimativas continua, sendo o tributo estimado mensalmente, já que a infração é específica. Caso contrário, estar-se-ia equiparando a multa isolada à multa de oficio, o que, definitivamente, não parece ser o sentido da lei. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada c a base de cálculo de eventual multa de oficio, já que, cm caso de opção pela sistemática. das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente ou anualmente, sendo sua base de cálculo a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta... O A nova redação dada pela Lei. n" 11.488, de 2007, ao art. 44 da 1.„ei . n" 9..430/96, que alterou o percentual da multa isolada de 75% para 50%, veio reforçar a distinção entre aquela e a multa de oficio incidente, esta, sim, sobre o imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração. A redução aplica-se retroativamente para alcançar os lançamentos ainda não definitivamente constituídos, Ademais, em sendo isolada, pela sua própria natureza, não deve haver qualquer vineulação com o tributo devido ao final do exercício.. Ao recolher o tributo estimado mensalmente, o contribuinte cumpre o dever legal decorrente da sua própria opção pela apuração anual do lucro, A controvérsia quanto à interpretação de norma .jurídica, ainda mais em se tratando de matéria tributária, de legalidade estrita, acaba atingindo a alçada constitucional. No caso sob análise, alegações de violação ao principio da razoabilidade ou da proporcionalidade ou, ainda, apelos contra eventual injustiça da cobrança, para afastar a incidência da norma legal, não merecem acolhida na esfera administrativa, A interpretação da legislação tributária deve ser sistemática e, ainda, teleológica. Todavia, não é possível dar à norma tributária uma interpretação que lhe retire a eficácia ao ponto de alastá-Ia do inundo jurídico, total ou parcialmente, chegando-se a um resultado ab- rogante, ainda que indiretamente. A função do julgamento na esfera administrativa não abrange a manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a re gra prevista no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria .MF 256, de 22.06.2009.. O papel de declaração de inconstitucionalidade da norma é restrito aos órgãos judiciários, Nesse sentido dispõe a Súmula CARF Ir 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". - Deve ser ainda Observada a Súmula Vineulante Ir 10, do Supremo Tribunal Federal, que assentou o entendimento de que: "Viola a clansula de reserva de plenário (cf. artigo 97) a decisão de órgão fracionário dc tribunal que, embora. não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato nonnativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte". Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial, para manter a exigência, reduzindo a multa isolada apurada ao patamar de 50%, na forma da Lei n" 11..488/2007. VIVIANE VIDA.r.: WAGNER - Relatora lo Processo u 10810 00354112001-93 . CSRF-T1 Acórdão ii 9101-00.577 H. 6 Voto Vencedor - Conselheiro VALMIR SANDR1 Com a devida vênia ao entendimento esposado no substancioso voto protbrido pela Ilustre Relatora para manter a exigência da Multa isolada, tenho opinião divergente em relação à matéria, ou seja, entendo que depois de encerrado o ano-calendário objeto da penalidade ora guerreada, não há como subsistir tal exigência, pois interpreto que os dispositivos legais previstos nos incisos 111 e IV, § -1"., art. 44 da Lei 9.430/96, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da Obrigação tributária ao recoihnnento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano-calendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o ano- _ calendário em curso, tendo em vista que, com a apuração do tributo efetivamente devido ao final do ano-calendário (31.12), desaparece a base imponivel daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Portanto, com o encerramento do ano-calendário objeto das antecipações, surge, a partir dal, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do ano-calendário, surgindo assim à -hipótese da aplicação tão- somente do inciso 1, § 1°. do referido artigo, caso o 1.1-11/1110 não seja pago no seu vencimento e apurado ex-officio, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1" do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, c a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniária por deseumprimento de Obrigação acessória. Assim, a despeito de a contribuinte ter deixado de recolher a. contribuição social devida por estimativa no ano-calendário de 2002, o fato é que neste ano-calendário apurou bases negativas, e sendo assim, não há como exigir a penalidade ora. guerreado sobre uma contribuição inexistente, aliado ao fato de que a. penalidade somente fhi consubstanciada após o encerramento do ano-calendário, quando já conhecida a sua respectiva base de cálculo, porquanto, impossível no meu entendimento, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do ano-calendário, razão porque, entendo que não há como subsistir tal penalidade. Não fosse isso, há outro fato que coloco aqui de forma isolada -- entendimento pessoal -, para o afastamento da presente exigência, qual seja, falta de embasamento legal para a sua aplicação, eis que o dispositivo legal que lhe dava supedâneo -- inciso IV, §I". do art. 44 da Lei n. 9.430/96, restou revogado pelo art. 14 da Lei n". • 11.488/2007, apagando, portanto, os ekitos ..do ato que 'antes era considerado ilícito, em • 11 respeito ao principio da aplicação ictroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades -tributárias, eX vi do disposto no art. 106, do CÏN. Vejamos o que diz o art. 14 da Lei cc 1 1. 488, de 15 de junho de 2007, verbi,s Art. 14. O art. d4 da Lei II(' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneasa, b e e do § nos incisos I, 11 e 111: 'Ar t. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta cie declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do ant. 8' da Lei d 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica § l O percentual de multa de que trata o inciso I do cantil deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts, 71, 72 e 73 da Lei n 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. - (revogado); 11 - (revogado); evogado); IV - (revogado); V - (revogado pela Lei rer'. 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2" Os percentuais de multa a que se referem o inciso 1 do capta e o § I" deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts 11 a 13 da Lei n' 8.218, de 29 de agosto de 1991; 111 - apresentar a documentação técnica de que trata o ali, 38 desta Lei 12 Processo n° 10240 003541/2004-93 (SRF-. Acórdão n `" 9101-00.577 El 7 Ora, da análise do dispositivo acima transcrito, vê se que o inciso IV, § foi de fato revogado, sendo introduzida a partir da citada lei uma nova hipótese de penalidade no inciso H, do art 44, da Lei n. 9A30/96 que antes inexistia, qual seja, multa isolada de 50% (cinqüenta pot cento), na ocorrência das hipóteses dos itens "a" e "b" do referido inciso Ante o acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso É como voto. - iITVAJR-SAfIi)RIRI - Redator Designado
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Numero do processo: 13971.003942/2008-70
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2008
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Adriano Gonzáles Silvério
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Adriano Gonzáles Silvério - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Adriano Gonzáles Silvério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 39 42 /2 00 8- 70 Fl. 941DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 942DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003942/200870 Acórdão n.º 2301003.516 S2C3T1 Fl. 942 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas às Terceiras Entidades e Fundos, SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço. Conforme Relatório Fiscal (fls.52), o fato gerador da contribuição lançada é a remuneração paga aos segurados empregados a serviço da empresa, e não declaradas em GFIP. A autoridade autuante informa que os elementos de prova que motivaram a exclusão da autuada do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL constam dos processos de Representações Administrativas n°s 13971.0039761200864 e 13971.0039771200817, fls. 09 a 207 e 09 a 173, respectivamente e lista as empresas que, segundo entende, integram Grupo Econômico de fato, fundamentando a responsabilidade solidária no art. 124, 1 e 11, do CTN, e no art. 30, IX, da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0715.032, da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 104), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo do débito o lançamento efetuado na competência 12/2002, tendo em vista que a exclusão da empresa do SIMPLES surtiu efeito somente a partir de 01/01/2003, e observando que deve ser desconsiderada a solidariedade entre as empresas integrantes do Grupo Econômico de fato, uma vez que as outras entidades e fundos não estão inseridas na responsabilidade solidária prevista na Lei n°. 8.212/91. Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso tempestivo (fls. 110), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Inicialmente, reafirma que a exclusão do Simples foi contestada pela recorrente através de Impugnação contra o Atos Declaratórios Executivos 43 e 47/2008, protocolizados, tempestivamente, na Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, estando, portanto, a sub judice, não sendo definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o fisco. Preliminarmente, reitera que a fiscalização fez incidir multa exacerbada de 150% sobre o Imposto de Renda que considerou devido, contrariando, dessa forma, o artigo 150, IV, da Constituição da República. Entende que a sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo nunca ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, e reafirma que a multa aplicada é inconstitucional, assim como a aplicação da taxa SELIC para fins tributários. Alega divergência entre Pareceres da COSIT referentes às improcedências dos reflexos de PIS e COFINS quando o regime de tributação no IRPJ foi o lucro arbitrado, entendendo que, por extensão e analogia, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também improcede. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Argumenta que, in casu, mantidas as tributações reflexas PIS, COFINS e CSLL, o Sr. Julgador deverá representar ao seu superior hierárquico, porque provocado um conflito de divergência. No mérito, insiste na necessidade de se comprovar o dolo de sonegação, alegando que o artigo 44, da Lei n° 9.430/96, ao recepcionar, no inciso II, o disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, restringiu a aplicação da multa de 150% ao evidente intuito de fraude, possuíndo uma conotação mais ampla, "ação ou omissão dolosa...", o que é diferente de evidente intuito de fraude. Tenta demonstrar a ilegalidade da exclusão da empresa do SIMPLES e defende a observância do Princípio da Proporcionalidade na aplicação da penalidade pecuniária. Sustenta a ocorrência da prescrição do direito de se cobrar o débito, argumentando que a Autoridade Fazendária dispõe de cinco anos para efetivar lançamento suplementar, caso discorde do montante declarado pelo contribuinte, ressaltando que tal episódio não se verificou em nenhum momento. Por meio da Resolução 2301000.204, de 13/03/2012, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de obter informações acerca dos motivos da exclusão da empresa do SIMPLES, bem como o teor das decisões prolatadas nos processos que discutem a citada exclusão. Em cumprimento à diligência, a autoridade autuante se manifestou, conforme Informação Fiscal de fls. 922, juntando aos autos cópias dos processos de exclusão do SIMPLES, e esclarecendo que os recursos apresentados contra a decisão que manteve a exclusão não foram conhecidas, tendo em vista a intempestividade das impugnações. Cientificada da Resolução do Carf e do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou É o relatório. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003942/200870 Acórdão n.º 2301003.516 S2C3T1 Fl. 943 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente alega que contestou sua exclusão do Simples por meio de Impugnação contra os Atos Declaratórios Executivos 42 e 46/2008, protocolizados, tempestivamente, na Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, estando, portanto, a sub judice, não sendo definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o fisco. Contudo, em diligência determinada por esta Turma de Julgamento, a fiscalização informou, e comprovou por meio de documentos e telas extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, anexados aos autos, que os recursos apresentados contra as decisões administrativas relativas aos referidos Atos não foram conhecidos em razão de intempestividade das impugnações. Assim, não procedem os argumentos da recorrente, tendo sido demonstrado, nos autos, a exclusão da empresa dos referidos sistemas de tributação. Cumpre observar que, cientificada do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou. Em relação aos argumentos relativos à omissão de receitas, presunção de utilização de pessoas interpostas, PIS, COFINS e CSLL, multa de 150% sobre Imposto de Renda, verificase que tratamse de matérias estranhas e totalmente impertinentes ao lançamento discutido por meio do presente processo administrativo fiscal, o que constitui razão para o não conhecimento dessa parte do recurso, motivo pelo qual serão objeto de análise por esta Conselheira. A fiscalização deixa muito claro, nos relatórios que integram o AI, que o lançamento se refere à contribuição devida terceiros, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. E nem mesmo a fiscalização fundamentou o AI no art. 32, IV § 5o, acrescido pela Lei 9528/97, conforme afirma equivocadamente a autuada em seu recurso. No que tange à alegação de que o débito com prazo anterior superior a cinco anos anteriores disposto neste processo encontrase prescrito, cumpre observar que não há, no lançamento em discussão, a figura jurídica da prescrição. Quanto à decadência, verificase que a fiscalização lavrou No entanto, conforme bem entenderam as autoridades julgadoras de primeira instância, o caso presente se refere a contribuição devida e não recolhida aos Terceiros, Fl. 945DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O AI foi consolidado em 13/10/2008, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 24/10/2008, conforme AR de fls. 60. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito, pois, para as competências compreendidas entre 12/2002 a 02/2008, iniciase a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Portanto, a partir da competência 12/2002, o Fisco se encontra ainda no direito de cobrar a contribuição devida lançada. Portanto, os argumentos relativos à prescrição restaram prejudicados. A autuada entende, ainda, que houve agravamento de multa de 50%. Contudo, não se verifica o agravamento alegado, tendo o agente autuante aplicado a multa prevista nos normativos legais que regem o lançamento fiscal. A recorrente poderia fazer jus à benesse de 50% de redução da multa, caso os fatos geradores tivessem sido declarados em GFIP, o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, foi aplicada a multa correta, prevista para os lançamentos de contribuições incidentes sobre remunerações não declaradas em GFIP. E sendo o lançamento um ato vinculado e não sendo facultado ao servidor público eximirse de aplicar a lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar que a empresa autuada remunerou segurados que lhe prestaram serviços e deixou de recolher a contribuição incidente devida às Terceiras Entidades, lavrou o competente AI, em observância à legislação que rege a matéria. E o lançamento foi acrescido de juros e multa, conforme normativos legais vigentes à época. Nesse sentido, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, Fl. 946DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003942/200870 Acórdão n.º 2301003.516 S2C3T1 Fl. 944 7 nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa ao autuado. A autuada insurgese, ainda, contra a multa aplicada, alegando que a mesma é exacerbada de 150%, contrariando, dessa forma, o artigo 150, IV, da Constituição da República. Entende que a sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo nunca ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, e reafirma que a multa aplicada é inconstitucional, assim como a aplicação da taxa SELIC No entanto, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigente à época da lavratura do AI. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: Fl. 947DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. A recorrente argumenta, ainda, que há necessidade de se comprovar o dolo de sonegação, e que o artigo 44, da Lei n° 9.430/96, ao recepcionar, no inciso II, o disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, restringiu a aplicação da multa de 150% ao evidente intuito de fraude, possuindo uma conotação mais ampla, "ação ou omissão dolosa...", o que é diferente de evidente intuito de fraude. Todavia, cumpre salientar que a autoridade fiscal autuante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente — no caso, ao Ministério Público Federal — a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tãosomente o relatório dos fatos e não a sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Nesse sentido, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributaria, previsto no art. 1o, da Lei n° 8.137/90. Portanto, não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 948DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13971.003942/200870 Acórdão n.º 2301003.516 S2C3T1 Fl. 945 9 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado Conforme decidido pela E. 1a Turma, a divergência ora versada diz respeito apenas em relação à aplicação da multa, em virtude das alterações sofridas pela legislação face a Lei 11.941/09 e, em atenção, ao disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar, se mais benéfica ao contribuinte, que a multa seja calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10950.002386/2003-60
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1998
PIS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - DIREITO DE RESTITUIÇÃO - 5 ANOS.
O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior do PIS nos períodos de apuração de 10/95 a 02/96, realizados de acordo com a MP 1212/95, extingue-se em 5 anos (art. 150, § 1°, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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MINISTÉRIO DA FAZENDA f. .4n CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10950.002386/2003-60 Recurso n° 237.011 Voluntário Acórdão n° 3302-00.340 — 3' Câmara! r Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2010 Matéria PIS Recorrente JOSÉ MARTINS CARDOSO Recorrida DRJ - CURITIBA/PR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1998 PIS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - DIREITO DE RESTITUIÇÃO - 5 ANOS. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior do PIS nos períodos de apuração de 10/95 a 02/96, realizados de acordo com a MP 1212/95, extingue-se em 5 anos (art. 150, § 1°, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. \ ' Walber José da Silva— Presidente / \---tar) Ck»:\ U(. ayUji FaMola Ca- \sâTano Kerarnidas — Relatora EDITADO EM: 07/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Alexandre Gomes e Gileno Gurjào Barreto. - Relatório Trata-se de pedido de restituição (fls. 01), seguido de pedido de compensação (fls. 02105), ambos apresentados em 06/08/03, por meio dos quais a Recorrente solicitou a restituição da contribuição ao PIS recolhido indevidamente no período de 11/95 a 02/99. Entre seus argumentos a Recorrente alegou em seu favor a declaração de inconstitucionalidade do artigo 18 da Lei n" 9.715/98 pelo Supremo Tribunal Federal (Adin ri° 1417-0). Concluiu a Recorrente que a declaração de inconstitucionalidade deste artigo 18 alcançou o artigo 17 das Medidas Provisórias 1.325/96, 1.212/95, 1.249/95, 1.286/96 e posteriores reedições, as quais culminaram no artigo 18 da Lei n°9.715/98. • A declaração de inconstitucionalidade possui efeitos erga °nines, alcançando todos os contribuintes, razão pela qual a Recorrente requer seja reconhecido seu crédito de PIS relativo ao período de 01/10/95 a 01/02/99, bem como a imediata compensação com créditos vencidos e vincendos. Requer ainda a baixa dos débitos decorrentes de recolhimentos de PIS não realizados no período de 01/10/95 a 01/02/99. Após analisar o pedido da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal proferiu o Despacho Decisório de fls. 320/330, por meio do qual concluiu: - pela decadência dos créditos relativos aos fatos geradores ocorridos até 06/08/98, ressalta-se que os recolhimentos foram realizados entre 30.11.95 a 12.02.99; - pela eonstitucionalidade da exigência do PIS nos termos da MP 1212/95 após março/96, reconhecendo da inconstitucionalidade da norma apenas no período de 01/10/95 até 01/03/96; - que a Recorrente não utilizou os procedimentos adequados para solicitar o crédito tributário, utilizando-se indevidamente de requerimento, ao invés de pedido eletrônico; - inexistência de crédito, posto que no período não decaído a exação é constitucional. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 334/363, por meio da qual pleiteou a integralidade de seus créditos. Para tanto argumenta a Recorrente pela aplicação da AD1N n° 1417-0, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 18 da Lei n° 9.715/95, sendo que esta declaração alcançou os fatos geradores ocorridos até fevereiro de 1999. Apresenta doutrina, legislação e jurisprudência que suportam a sua tese. A Recorrente ainda traz argumentos pela aplicação da tese dos 5 + 5 no que se refere à decadência, principalmente jurisprudenciais. Ainda, no que se refere à compensação, a Recorrente defende o direito legal e constitucional de compensar valores recolhidos indevidamente. Neste sentido, alega também a Recorrente que a fiscalização não pode utilizar instruções normativas para limitar ou reduzir o direito do contribuinte. el\ 2 Processo rr 10950.002386/2003-60 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.340 Fl. 408 Após analisar as razões de inconformidade trazidas pela Recorrente a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Curitiba proferiu o acórdão n° 06-12.011 (fls. 365/378), por meio do qual manteve a decisão da DRJ em sua integralidade. Em resumo, a decisão recorrida entendeu pela decadência dos créditos referentes aos fatos geradores oconidos até julho/98; inexistentes os créditos relativos aos períodos posteriores a julho/98; impossível a compensação em desacordo com as normas da Receita Federal e inaplicáveis as alegações de inconstihicionalidade. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 384/402 — Vol. II, no qual reitera as alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório.• Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Dos termos relatados, percebo que as questões eia debate referem-se a possibilidade de compensação, que está intimamente ligada à existência ou não de crédito de PIS, decorrente da inconstitucionalidade do artigo 18 da Lei n°9.715/98. Para apurar a existência de créditos é preciso superar algumas premissas. A primeira delas refere-se ao alcance da inconstitucionalidade declarada pela ADIN 1417-0. Pleiteia a Recorrente a interpretação de que além do artigo 18 da Lei n° 9.715/98, seja reconhecido inconstitucional o artigo 17 das Medidas Provisórias 1.325196, 1.212/95, 1.249/95, 1.286/96 e posteriores reedições. (i) validade da exigência do PIS até a Lei 9.715/98 De acordo com os termos defendidos pela Recorrente, os Decretos-Lei 2445/88 e 2449/88 foram declarados inconstitucionais e, tal declaração deixou uma lacuna no ordenamento jurídico pois, (i) inexistindo repristinação em nosso ordenamento jurídico, não é possível admitir-se a aplicação da Lei Complementar 7/70 que vigia antes dos Decretos-lei serem promulgados e (ii) inexistindo em nosso ordenamento jurídico a retroatividade das leis — exceção no direito tributário e penal àquelas que trouxeram penalidade mais benéfica — as leis novas não podem retroagir, sem mencionar que (iii) o dispositivo que permitia a aplicação retroativa da Lei n° 9.715/98, qual seja, seu artigo 18, foi declarado inconstitucional por meio de ADIN. 3 De acordo com o raciocínio apresentado, tem-se que a Recorrente entende pela invalidade da Medida Provisória 1.212, bem como dos efeitos por ela produzidos, alegando, ainda, a vacância da norma. Tal entendimento não pode ser considerado válido. Explico. A Medida Provisória n° 1.212, publicada no Diário Oficial da União de 29 de novembro de 1995, criou nova sistemática de apuração do PIS, após o afastamento dos Decretos-Leis 110 2 .445 e 2.449. A vigência da citada norma ficou estabelecida para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/95. Esta Medida Provisória foi convertida na Lei n° 9.715, de 25/11/98, texto do qual, posteriormente, foi declarado inconstitucional o afri • o 18 •ois estabelecia a vigência, sem obedecer o prazo de 90 dias entre sua publicação e a aplicação. O que foi declarado inconstitucional foi a afirmação do texto legal de que a contribuição nestes termos estaria válida a partir de outubro/95 logo, desrespeitando a necessária anterioridade nonagesimal (dezembro/95 e janeiro/fevereiro/96) Através da Instrução Normativa SRF n° 06/00, ficou estabelecido administrativamente que a contribuição para o PIS nos períodos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 seria devida com base na Lei Complementar n° 07, de 1970 (como forma de observância do prazo nonagesimal das contribuições), e a partir daí o PIS seria regulado pela MP n°1.212 e sucessivas reedições. Neste sentido, entendo que em nenhum momento houve "vacatio legis" em a relação à contribuição para o PIS, ora estava-se sob a égide da LC 7/70, ora sob a regência da MP 1212/95 e reedições. Cumpre observar que tais questões relativas à MP 1.212/95, já foram enfrentadas pelo STF, restando assentado o entendimento de que ela passou a incidir a partir de nonagésimo dia de sua edição, não perdeu eficácia em virtude de suas reedições, até a última, de n°1676-37, de 1998, que foi convertida e convalidada na Lei 110 9.715/98. Nesse sentido, trago à colação a ementa do acórdão no RE 236.896-PA, Relator Ministro Carlos Velloso, DJ 01/10/99, a saber: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS-PASEP. PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: MEDIDA PROVISÓRIA: REEDIÇÃO. I. - Principio da anterioridade nonaesin conta • em do ' raro de noventa dias medida srovisória convertida em lei: conta-se o prazo de noventa dias a partir da veiculacão da primeira medida ~i . Ii - Inconstitucionalidade da disposição inscrita no art. 15 da Med. Prov. 1.212, de 28.11.95 " aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995" e de igual disposição inscrita nas medidas provisórias reeditadas e na Lei 9.715, de 25.11.98, artigo 18. HL - Nijoeleecácia a medida provisória com força de lei não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditaria, por meio de nova medida provisória dentro de seu prazo de validade de trinta dias. IV - Precedentes do 5. TE.: ADIn 1.617-MS, Ministro Octavio Gallotti, "DÁ" de 15.8.97; ADIn 1.610-DF, Ministro Sydney Sanches; RE n° 221.856-PE, Ministro Carlos Velloso, r T, 25.5.98. V. - R.E. conhecido e provido, em parte." (grifei) 4 Processo n° 10950.002386/2003-60 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.340 Fl, 409 Desta forma, concordo com a decisão de primeira instância administrativa que conclui pela inconstitucionalidade da norma apenas no período de 01/10/95 até 01/03/96. (ii) do instituto da prescrição Transposto o desafio inicial, tenho que o pedido de restituição/compensação em análise apenas refere-se aos citados meses de 01/10/95 até 01/03/96, uma vez que em relação aos outros meses não há crédito a se compensar. O pleito da Recorrente está pautado no entendimento jurisprudencial apresentado pelo Superior Tribunal de Justiça de que o prazo para restituição de pagamentos indevidos, no caso de lançamento por homologação, é de 10 anos (5 + 5). Todavia entendo que este posicionamento não pode ser aplicado por este tribunal administrativo. O Código Tributário Nacional prevê expressamente a decadência do direito à restituição de tributos pagos indevidamente em 5 anos (art. 168, I), contados a partir da data da extinção do crédito tributário. "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (.) • Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1- nas hipótese dos incisos I e lido artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. O crédito tributário se extingue com o seu pagamento, mesmo no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o PIS, que se extingue com o pagamento antecipado: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo ÇlÀ extingue o crédito, sob condição resolutónk da ulterior homologação ao lançamento. \1Skl (..)" Logo, o pagamento do tributo constitui o início da contagem do prazo decadencial para o contribuinte requerer a restituição do pagamento indevido do tributo. E este também o entendimento deste Conselho, a saber: "COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Recurso negado." (Recurso n" 125408, Terceira Câmara) Processo n° 13657.000380/2002-80, DO. U. de 28/02/2008, Seção 1, pág. 22 — NPM) "COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear restituição de pagamentos a maior ou indevidos expira-se após contados cinco anos destes pagamentos. SOCIEDADES CIVIS. Até março de 1997, as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada que tiveram registro civil das pessoas jurídicas e foram constituídas por pessoas físicas domiciliadas no país eram isentas da Cofins, sendo irrelevante o regime tributário adotado. Aplicação da Súmula n° 276 do STJ. Recurso provido em parte." (Recurso 124113, Primeira Câmara, Processo n° 10860.005349/2001-51, sessão 15/09/04, DPPU) No caso concreto, observa-se que o Pedido de Restituição foi protocolado em 06/08/03, sendo que o objeto do pedido restou delimitado ao período de outubro/95 a fevereiro/96. Verifica-se claramente o decurso de mais de 5 anos entre o fato gerador e o pedido, resultando extinto o direito da Recorrente em face da decadência. Desta forma, correta a decisão de primeira instância administrativa, pois a partir de fevereiro!! 996 estava válida, vigente e eficaz a MP 1212/95 e, antes deste período, ainda que existisse qualquer espécie de saldo a restituir, o direito à restituição estaria decaído. Registro, ainda que, em vista da inexistência de saldo, deixo de apreciar a discussão acerca do procedimento adotado pela Recorrente e criticada pelos agentes administrativos, pois deixam de ser relevantes. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a r. decisão proferida pela DRJ de Curitiba - PR, indeferindo o pedido de restituição/compensação dos valores pagos a título de PIS. É como voto. 45,,iyi:/(1„:„{:6„Lz Fa iola Cassi ' Keramidas ti 6
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